
A aflição de Jucelene Zucki, 38 anos, teve início no dia 1º de maio, quando sua filha de apenas dois anos começou a ficar doente. A menina estava febril, com muita tosse e dificuldades para respirar. Preocupada, a mãe levou a criança ao Hospital de Gaspar já no mesmo dia, porém não havia pediatra para atendê-la. Segundo Jucelene, depois de quase quatro horas de espera ela decidiu ir embora.
Ainda preocupada com o estado de saúde da Filha, Jucelene foi até o Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde foi orientada a ir ao Hospital Santa Isabel, pois lá havia pediatras disponíveis. Chegando ao terceiro hospital do dia, a menina foi finalmente medicada. Mesmo depois de alguns dias, a criança continuou com gripe e febre, com temperaturas que chegavam até 40°graus, informou a mãe. ?Eu não aguentava mais ver a minha filha daquele jeito e não poder fazer nada. Fui até o Posto Central, onde fui muito bem atendida. Eles disseram que eu deveria continuar com os medicamentos e foi o que eu fiz?, relata.
Após vários dias sem nenhuma melhora, a moradora do bairro Coloninha foi novamente ao Hospital de Gaspar na última quarta-feira, 23. ?Novamente, não tinha pediatra algum. Mesmo assim, fiquei lá e depois de três horas aguardando nós fomos atendidas por um clínico geral?, lembra. Ainda de acordo com Jucelene, o médico examinou a criança e disse que ela estava com o pulmão limpo e somente com infecção no ouvido e garganta. ?Ele receitou mais um remédio. A minha filha de apenas dois anos já estava tomando cerca de oito remédios. Para mim, ele mal olhou ela?, aponta. A nova medicação não foi suficiente para aliviar as dores da menina, e na quinta-feira, 24, a mãe levou a filha novamente ao Hospital Santo Antônio. ?Eles me disseram que seria melhor eu ir para Itajaí, pois lá ela poderia ser diagnosticada corretamente?.
Após diversas tentativas frustradas de encontrar uma solução para o problema da filha, e ajudá-la a melhorar, Jucelene finalmente encontrou, em Itajaí, um hospital que lhe ajudou em tudo o que era necessário, porém foi lá que ela recebeu também uma triste notícia: a criança está com suspeita de Gripe A. ?Pela primeira vez, desde o dia 1º de maio, a minha filha bateu um raio-X. O médico viu que o pulmão esquerdo dela estava cheio de manchas e o direito já estava começando a apresentar manchas também. Internaram ela na mesma hora?, diz. Foi diagnosticado também que a menina estava com pneumonia. Segundo Jucelene, os principais sintomas apresentados por sua filha para surgir a suspeita da Gripe A são o vômito frequente, febre alta, dificuldade para respirar e perda de apetite. ?Eu fiquei indignada com a falta de preparação do hospital daqui.
A situação já chegou a um ponto preocupante, e eu sei que não foi negligência minha. Eu fiz de tudo pela minha filha?, relata emocionada. A mulher de 38 anos teve que parar de trabalhar como costureira para cuidar da filha, já que parou de levá-la para a creche. ?Eu vou ficar com a minha filha o tempo todo até ela melhorar. O meu coração de mãe acredita que é apenas suspeita, e que ela ficará bem logo?.
Nenhum caso de Gripe A
O exame que confirmará ou não a presença de uma pessoa com a Gripe A no município virá apenas no fim desta semana, diz Jucilene. O caso de sua filha ainda não foi registrado na Secretaria de Saúde, segundo a enfermeira da Vigilância Epidemiológica de Gaspar, Angelita Wisbeck. De acordo com a enfermeira, todos os casos de suspeita de H1N1 são repassados pelos hospitais para a Secretaria de Saúde do município onde vive o paciente. ?Até este momento, nenhum hospital repassou algum caso de suspeita da gripe em gasparenses?, informa Angelita.
O que diz o Hospital de Gaspar
O administrador da Coper-Vida, Centro Médico contratado para administrar o Hospital de Gaspar, Richard Choseki, ainda não tinha sido informado sobre o caso da falta de atendimento adequado à criança de dois anos de idade.
Após ser comunicado pela equipe do Jornal Cruzeiro do Vale, Richard fala que o hospital conta apenas com pediatra para casos de urgência, emergência e partos. ?Para outros casos existe os postos de saúde que também estão preparados para atender os pacientes?, fala. Ainda segundo o administrador, a paciente foi até o hospital na quarta-feira, mas seu estado não mostrava nada que chamasse muito a atenção. ?A criança já estava com um histórico de 20 dias e ela deveria ter ido ao Posto de Saúde muito antes?, explica. Para ele, a conduta do médico foi legal, atendendo e medicando a criança. ?Não podemos internar todos que estão com suspeita da Gripe A, não temos estrutura para isso?, conclui.
Edição 1392

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