O que está acontecendo com os relacionamentos? - Jornal Cruzeiro do Vale

O que está acontecendo com os relacionamentos?

22/06/2012

ycz009223MD.jpgPor Indianara Schmitt

Desespero? Vingança? Ciúme doentio? Loucura? Afinal, o que leva uma pessoa a matar o companheiro que escolheu para dividir todos os momentos da vida a dois?

Para a psicóloga Karin Paul Winter, a falta de estabilidade nos relacionamentos atuais acontece porque o conceito de certo ou errado não está claro na cabeça de muitos adultos. ?Fala-se em direitos, mas não em deveres. Todos estão sempre em busca do prazer imediato, esquecendo-se de deixar o espaço que o outro precisa. O conceito de amor, verdade e honestidade já não significam nada, e a palavra perdão já não faz mais parte do vocabulário em geral?, argumenta a especialista e terapeuta de casais.

Na última semana, moradores de Ilhota e Gaspar se chocaram com mais uma prova da instabilidade atual dos relacionamentos. Na noite do dia 14, quinta-feira, a adolescente Gislaine Paloma Ramos, grávida de cinco meses, foi assassinada pelo companheiro, Julio dos Santos, de 23 anos. Utilizando uma faca, o pai do bebê matou a menina de 14 anos com uma facada no peito.

Se existe, qual seria a melhor explicação para tamanha brutalidade? Para a psicóloga, os relacionamentos dos jovens são movidos por hormônios, baseados em sexo, ciúme e paixão. ?O instinto do sexo, se não for bem orientado, representa um grande perigo, pois o sexo e a agressividade caminham de mãos dadas?.

Usando os provérbios ?de pequenino é que se torce o pepino? e ?ensine a criança o caminho em que deve andar e, ainda quando velho, não se desviará dele?, Karin diz que a falta de uma educação adequada é o principal motivo que faz com que muitas brigas terminem em agressões e até mesmo em morte. ?Esses provérbios devem ser aplicados no lar para que as pessoas aprendam os seus valores, princípios, regras e deveres?, afirma.

A facilidade com que as pessoas se casam e também se separam é outro ponto levantado pela especialista. Para ela, todos os casais precisam conhecer a verdade exata sobre a união. Porém, o mais difícil é encontrar essa verdade exemplificada na sociedade atual. ?Hoje, o que a sociedade nos oferece como solução para cada briga é o divórcio. É só ir ao cartório, assinar um documento e pronto, a pessoa já está pronta para iniciar a vida a dois com outro parceiro?, acrescenta Karin, que acredita que o casamento está cada vez mais banalizado.

Crimes chocaram moradores das cidades de Gaspar e Ilhota

Matar: Tirar violentamente a vida; assassinar. O significado desta forte palavra está constantemente nas manchetes dos mais variados veículos de comunicação. Recentemente, o Brasil se chocou com a morte do empresário Marcos Kitano Matsunaga. O diretor da Yoki Alimentos foi assassinado e esquartejado pela esposa, Elize Matsunaga.

Casos como o que aconteceu em São Paulo podem ser vistos com certa frequência também em cidades do interior. No final do ano de 2007, a história do assassinato do advogado Jaime Antônio Bosi deixou os moradores de Gaspar e Ilhota em alerta.  O crime aconteceu na residência do homem, no dia 28 de dezembro, após um suposto assalto seguido de sequestro. Depois de um mês de investigações, a polícia chegou ao nome da esposa de Jaime, Rosicler de Fátima Bosi, e seu amante, Felipe Schuldes. Ambos foram a júri popular, onde, após serem condenados por homicídio doloso, duplamente qualificado, pegaram, respectivamente, 18 e 15 anos de prisão em regime fechado.

Dois anos depois, em dezembro de 2009, outro crime brutal foi manchete dos jornais da cidade. Nilton dos Santos, de 42 anos, assassinou a esposa Michele com várias machadadas e a enterrou no quintal de casa. No início do ano passado, Nilton sentou no banco dos réus para participar do júri popular, que o condenou a cumprir mais de 19 anos de prisão.

Para o responsável pelo 18º Batalhão da Polícia Militar de Gaspar, capitão Adair Alexandre Pimentel, é lamentável a população ter que presenciar crimes deste tipo na cidade. ?O que falta é diálogo entre as pessoas. Não se pode mais tolerar esses crimes, onde cada vez mais os valores são perdidos?. Pimentel diz ainda que, para que este tipo de violência não aconteça mais, é preciso investir em educação. ?Não adianta só reprimir o agressor. Ele tem que ter a certeza e a consciência de que se fazer o errado irá passar pelas punições cabíveis sim?.

Pimentel explica ainda que existem dois tipos de punições. No caso de homicídio, dependendo da gravidade do crime, a pena pode chegar a até 30 anos de prisão. Já no caso de lesão corporal, que envolve Maria da Penha, o homem é afastado do convívio familiar e é proibido de chegar perto da casa e da mulher.

Edição 1399

Comentários

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.