
As reclamações sobre a falta de atendimento no Hospital de Gaspar aumentam a cada dia. Todas as semanas, diversas pessoas da comunidade denunciam o descaso e falta de atendimento adequado para os pacientes.
O morador do bairro Bela Vista, Ivan Manoel da Silva, precisou dos serviços do hospital na manhã de terça-feira, 5, quando sua esposa, Miriam Gacez, se machucou gravemente. Segundo o marido, Miriam caiu na madrugada de terça-feira e como ela já sofre de hérnia de disco para se proteger da queda acabou apoiando as duas mãos no chão. ?Ela quebrou os dois pulsos?, afirma Ivan. Às 11h15 eles chegaram ao Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar, porém, segundo Ivan, não havia médico para atendê-los. ?O médico estava em horário de almoço. Aguardamos, pois era urgente. Ele voltou às 13h?, fala.
Assim que o médico retornou, Ivan diz que ao invés de atender os pacientes que estavam esperando, ele foi até o computador, onde ficou por algum tempo. ?Minha esposa estava precisando urgente de cuidados médicos e ele não se importou?. Indignado, Ivan começou a discutir com o médico. Após a discussão, Miriam foi atendida, por volta das 14h, mas seu marido não pôde acompanhar ela durante o atendimento. Ainda de acordo com Ivan, os atendentes do Hospital de Gaspar são prestativos, porém os médicos agem de forma confusa e muito atrapalhada. ?Além disso, faltam médicos para atender bem toda a demanda?, destaca.
De um lado para o outro
Juliana Scottini também não recebeu os serviços necessários no Hospital de Gaspar. Ela foi ao Pronto Atendimento na manhã de terça-feira, 5, juntamente com a filha de 18 anos que estava vomitando sangue e com gripe. ?Eu já tinha ido ao Posto de Saúde, mas me disseram que o caso dela deveria ser atendido no hospital?, lembra a mãe.
Novamente, não havia médico para atender todos os pacientes. A mulher e a filha ficaram horas esperando no hospital e foram embora apenas na metade da tarde sem serem atendidas. ?Mandaram a gente ir a um Posto de Saúde, mas já tínhamos ido lá, e falaram que era para ir ao hospital. Minha filha está com muita gripe, e eles não se importaram com isso?, declara Juliana. Para a mãe, o descaso e a confusão acabam atingindo pessoas inocentes e que realmente necessitam de atendimento de qualidade.
O que diz o Hospital
Richard Choseki, responsável pela administração do Hospital de Gaspar, explica que as dificuldades que o Pronto Atendimento do Hospital vem encontrando para atender a comunidade são fruto de dois problemas: a falta de conhecimento da população e a falta de crédito do Hospital com os médicos da região. ?Estamos contratando médicos de outras regiões, que precisam aprender como funciona o atendimento aqui. Além disso, a comunidade não tem feito o fluxo correto, de procurar primeiro os Postos de Saúde antes de vir ao Hospital. Muitas pessoas vêm direto ao hospital, ainda mais agora com a procura por causa da gripe a?, explica o administrador.
Com relação aos casos denunciados pela reportagem, Richard revela que Miriam chegou ao PA às 11h29 e foi atendida e medicada às 12h55. Às 13h27 ela fez a primeira radiografia e às 14h56 fez outras duas radiografias. ?Esta senhora demorou uma hora para ser atendida, que é um prazo considerado bom para um Pronto Atendimento. quando ela chegou o médico atendia outra emergência?, justifica.
Com relação à jovem com sintomas de gripe, Richard garante que ela chegou ao local 11h05 e a mãe relatou que ela apresentava febre, tosse e gripe. ?às 14h40 ela passou ela triagem e medimos a febre e ela estava com 36 graus. Como não era um caso de urgência e nem emergência, ela teve que esperar. Ao ser chamada para o atendimento a paciente não estava mais no PA?, explica Richard.
Edição 1395

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