Pai conta como foi passar quinze horas na mata - Jornal Cruzeiro do Vale

Pai conta como foi passar quinze horas na mata

02/07/2012

fotopg8abreMD.jpgO sonho de infância do morador do Macuco, Flaviano Miranda se transformou em um dia de pesadelo. Na manhã deste sábado, 30, o homem de 36 anos e os filhos, Daniel Geová Miranda, de 10 anos, e André Henrique da Silva, de 15 anos, acordaram cedo para, às 7h30 em ponto, sair de casa e seguir rumo ao Morro do Baú, onde planejavam subir através das trilhas.

Às 9h, os três já se encontravam no Baú estacionando o carro para começar a sonhada aventura. O veículo da família foi deixado na casa de moradores do bairro que residem ao lado do ponto inicial do passeio. Flaviano conta que, por volta das 11h30, ele e os filhos notaram que estavam andando em círculos. ?Faltava uns cinquenta metros para chegarmos ao topo do morro, mas vimos que começamos a andar muito sem sair do lugar. Foi nessa hora que percebemos que estávamos perdidos?. Flaviano conta que ele e os meninos avistaram uma casa e começaram a descer em linha reta, porém, o cansaço começou a ser maior que a disposição física. Ele explica ainda que o momento em que os três se perderam foi quando, após passar pela cachoeira, a trilha começou a se estreitar e acabar em nada.

Por volta das 15h, quando estavam há seis horas andando, o cansaço começou a tomar conta de todos e a água, que era o suficiente para matar a sede até as 16h, horário previsto de chegar em casa, já estava acabando. Neste momento o maior medo do pai foi pela disposição dos filhos. ?Eu nem me preocupava comigo. Minha maior preocupação era com eles?.

Às 16h30, o celular, que até então estava sem sinal, pegou área e a ligação para o Corpo de Bombeiros foi finalmente concluída. A ligação para casa não foi feita para não assustar a família. Por volta das 17h15, um helicópteco vindo de Florianópolis realizou o resgate do filho mais novo. ?Eles só podiam levar um, e optamos pelo menor. Nessa hora, a orientação que recebemos dos bombeiros foi para fazermos uma fogueira para utilizar a fumaça como sinalização. Nós obedecemos. Queimamos quase tudo o que tínhamos. Até meus sapatos, por serem de borracha, eu queimei?. Porém, a espera ainda estava longe do fim.

Após passar várias horas esperando o novo resgate aéreo, Flaviano e o filho construíram uma cama utilizando palha e capim. ?Estávamos certos de que teríamos que dormir no local?. Por volta das 22h, ao longe, berros começaram a ser ouvidos. Correspondendo aos gritos, pai e filho foram encontrados pelo Corpo de Bombeiros de Gaspar, Ilhota e Blumenau que, acompanhados de vizinhos que conheciam o lugar, acharam o local onde estavam. ?Este foi um momento de muito alívio para nós dois?, diz. A saída do mato aconteceu somente às 3h30 da madrugada de domingo.

Desespero x alívio

Quando perguntado se voltaria ao Morro do Baú, a resposta de Daniel Geová Mirando, de 10 anos, é rápida, curta e grossa. ?Não?. Flaviano Miranda tem a opinião contrária. Para ele, o tempo é o melhor remédio para tudo. ?No momento eu digo que não voltaria. Mas, quem sabe um dia, eu volte?.
Para a reportagem do Cruzeiro do Vale, Flaviano diz que a parte que não pode ficar de fora da matéria é o agradecimento aos vizinhos que foram ao local ajudar a salvá-los. ?À eles, meu muito obrigada. Não existem palavras para agradecer. Na casa deles que eu deixei meu carro e, naquele momento, eu mal sabia que eles ajudariam a salvar a minha vida?.

Clique AQUI para ler sobre o resgate da família.

Edição 1402

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