Cada profissão conta com seus riscos e em algumas, um pequeno deslize pode causar um acidente de trabalho. Neste caso, para conseguir pagamento do governo pelo tempo necessário para a recuperação, é preciso passar por uma perícia realizada por médicos da Previdência Social, que irão averiguar se a pessoa está mesmo incapacitada de seguir em seu posto de trabalho. Além do ferimento, há mais um problema: a demora que ocorre entre o momento do acidente ou doença e a data em é feita a perícia.
Rosa Aparecida de Oliveira Pasqualotto, de 40 anos, é empregada doméstica e sofreu um acidente durante o horário de trabalho. Ela foi limpar uma máquina de solda que havia na casa e acabou por decepar um dedo e quebrar outro enquanto fazia a limpeza.
Consciente do que deve ser feito no caso, Rosa foi ao médico, pegou atestado e então procurou a Previdência Social de Gaspar para o agendamento da perícia. Foi na hora de marcar sua consulta que a empregada teve uma surpresa: havia horário disponível apenas para o final do mês de agosto. ?Decepei o dedo e sou diabética, demora mais para cicatrizar, não posso molhar e nem fazer curativo. É um caso de urgência. Isto é uma vergonha, penso em quantas pessoas estão precisando deste serviço e tem que esperar tanto tempo?, indignou-se.
O caso de Rosa não é o único. Se em Gaspar os pacientes estão sendo marcados para agosto, na cidade vizinha, de Blumenau, o problema é ainda mais grave. Quem tenta fugir da fila de Gaspar e procura a Previdência Social de Blumenau acaba encontrando uma fila maior ainda, pois as perícias já estão sendo agendadas para o mês de outubro. Gaspar não é uma agência, e sim apenas um posto da Previdência. Aqui, as perícias acontecem apenas nas terças e sextas-feiras, sendo que em cada um dos dois dias são atendidas até 16 pessoas, totalizando 32 atendimentos por semana.
O documento emitido na perícia, que confirma a constatação de incapacidade de trabalho, é necessário para conseguir auxílio do governo durante o tempo de recuperação. A ajuda financeira começa a ser paga somente dez dias após a perícia e cobre também o período que vai desde o atestado médico até a confirmação do ferimento na perícia.
A equipe de reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale tentou contato com a agência da Previdência Social, em Blumenau, para saber a razão da demora no atendimento de perícias. Porém, a pessoa responsável pelo departamento que faz o agendamento destas consultas não pode ser contatada por estar em reunião com médicos.
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