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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

24/04/2017

A LAVA JATO E O EPITÁFIO DOS NOSSOS POLÍTICOS.
OU DO JORNALISMO NA IMPRENSA CATARINENSE?
Nas antigas redações dos atuais veículos de comunicação e aí me refiro aos jornais que eram a referência da elite produtiva e intelectual da época por aqui (e temos que excluir então o Diário Catarinense da RBS), o aprendizado se dava não apenas pelos egressos das então raras escolas de “jornalismo” brasileiras. A “formação” dava-se nas redações. Eram os egressos dos mais diversos cursos superiores (ou não). Vinham especialmente do direito, filosofia, sociologia, história, letras, pedagogia... Aqueles ambientes (redações) eram infestados de experiências, experimentados, abnegados, anônimos, exemplos e também de muitas fantasias (algumas delas, estórias, “heróis”, ou contos bobos). Na verdade, eram – de uma forma ou de outra - ensinamentos vitais para todos, principalmente aos novos, para não se cair no ridículo – o ingênuo ou intencional -, o que nos tenta permanentemente no exercício da profissão. O profissional era admirado pela sua retidão, intelectualidade, posicionamento, respeito inspirador. Aprendia a renunciar às sobras ou migalhas da mesa dos poderosos ou manipuladores, mesmo sob intensa fome. Nunca, por ser belo, vestir-se na moda, estar num círculo social de privilegiados e que não era o seu, ou ser bastardo do poder de plantão, muito em moda hoje. Afinal, desde que o mundo é mundo, a serpente fez Eva comer a maçã e experimentar o proibido e ao mesmo tempo, apesar do prazer, ela se envergonhar do que fez, das suas diferenças e belas formas insinuadas nos relatos bíblicos.

QUEM ASSESSORA OS POLÍTICOS?
QUEM ELES – POLÍTICOS E DONOS DE VEÍCULOS - PENSAM SEREM OS LEITORES, OUVINTES E TELESPECTADORES?
Volto. E lá nas redações (de antigamente e que não eram tão ideologizadas pela esquerda do atraso, produto único das escolas de jornalismo de hoje), essas redações tinham proprietários conhecidos. Eles frequentavam ou viviam as redações. Testavam-se à acuracidade do novato, (e do experimentado em permanente tentação) e prometido como talento. Lançava-se os novos aos leões, evas e maçãs sem dó e piedade, numa época em que não se tinha até um telefone decente para se comunicar, as cidades eram pequenas e todos, sabiam detalhes de todos (muito mais do que hoje com toda a tecnologia espiã e que só serve como prova aos mentirosos e sonegadores contumazes). Avaliava-se à apuração do essencial, personalidade imparcial do repórter, o equilíbrio, à pesquisa, à capacidade da contextualização, os detalhes essenciais para compor o relato objetivo do principal, distanciando-se do coração mole, o julgamento para a obrigação de reportar ou então opinar, a partir de uma coerência conhecida e sustentada em fatos, que os atores tentavam distorcer, modificar ou até criar para se saírem aa enrascada ou para se moldar como novos heróis perante a sociedade.



AS REDAÇÕES DE HOJE ACEITARAM PASSIVAMENTE O PAPEL DE IMBECIS.
FAZEM DE TOLOS OS QUE LEÊM, OUVEM E VEÊM, MAS CONDENAM OS JULGADORES
A imbecilização das redações em Santa Catarina ficou claro a partir da década de 1990 com a vinda da RBS para Santa Catarina. E não por culpa dela, não, mas dos próprios catarinenses, os mansos. A RBS foi competente na destruição de um frágil legado construído por história e memória única. Os catarinenses – empresários, políticos, intelectuais, lideranças - foram incompetentes para preservar o seu modelo cultural referência nacional nos núcleos plurais como Joinville, Blumenau, Florianópolis e Lages. Renegou o seu essencial: a memória de seus imigrantes e nativos. Permitiu uma tal “releitura” dos invasores. Até o modelo econômico-empreendedor vencedor com marcas nacionais e internacionais foi tragado. Não bastou o exemplo gaúcho bairrista e protegido que definhou numa suposta pujança e referência nacional. A RBS migrou para cá por oportunidade de sobrevivência diante de uma economia que agonizava lá, com governos ideológicos ou oligarcas e que o deixa hoje quase pré-falimentar. Aqui ainda havia uma economia em expansão, líder na agroindústria, eletroeletrônico, cerâmico, moveleiro e comprometido no carvão, metal-mecânico, madeireiro e textil capaz de suprir um negócio limitado no Rio Grande do Sul. Agora, depois de três décadas, exaurido este filão por aqui, a RBS gaúcha bate em retirada, sem nada acrescentar. Explorou a mina, contaminou, sobreviveu e a abandonou a terra.

FIZERAM DO PLURALISMO, UMA FALSA HEGENEMONIA BARRIGA-VERDE.
PINTARAM TODOS OS GATOS DE PARDOS PARA SE ELIMINAR A VANTAGEM DO COMPETENTE
O jornalismo catarinense perdeu a identidade, ancorado num modelo essencial regional. A pluralidade genuína catarinense se deu com o fim jornal “O Estado”, em Florianópolis, “A Notícia”, em Joinville, e mais tarde, o “Jornal de Santa Catarina”, em Blumenau, o pioneiro da modernidade do “off set”, da composição eletrônica, da circulação estadual e da redação ética com Nestor Carlos Fedrizzi (gaúcho de Caxias do Sul). Perdeu-se com o fim da rivalidade das rádios Diário da Manhã e Guarujá, em Florianópolis, da pioneira PRC4, Clube de Blumenau (ou as Coligadas), com a novata de então, Nereu Ramos; da Cultura e Colon, em Joinville, dos polos de Itajaí, Tubarão, Criciúma, Joaçaba, Chapecó, Caçador, Mafra e a que mais serviço de utilidade pública prestava no planalto serrano, a Clube de Lages. E até a Clube de Gaspar (hoje, Sentinela do Vale) que teve seus transmissores queimados, exibe um passado rico como ente comunitário. Ou com a rivalidade das TV Coligadas, de Blumenau e Cultura, de Florianópolis. Quantos talentos genuínos foram sepultados pelos conquistadores que, em nome do negócio, permitiram a degradação do jornalismo investigativo ou de fiscalização pelo tal jornalismo asséptico de resultados? Pintaram os gatos de cinza, quando não de rosa. Santa Catarina ficou sem concorrência regional. Um dono poderoso para as mesmas fatias de pizza que insistia em provar terem sabores diferentes. Redações higiênicas, fracas, com alienígenas e estagiários. Ou redações “poderosas” quando os interesses econômicos eram contrariados, principalmente no jogo governamental, o que usa os nossos pesados impostos para não ser incomodado pelo jornalismo de um único dono. Como adverte o pai da corrupção no Brasil, Emílio Odebrechet, sobre o papel da imprensa que se veste como pura hoje em dia: “vocês sabiam de tudo. Estão supressos e cobrando o quê?”

PASTEURIZAÇÃO, OMISSÃO E IRRESPONSABILIDADE.
PERDEU O LEITOR, OUVINTE, TELESPECTADOR E A SOCIEDADE.
GOVERNO E POLÍTICOS SE DIVERTEM NUM CLUBE FECHADO
A pasteurização promovida pela RBS, o aplauso fácil do político à esta vulnerabilidade num estado com diferenças regionais acentuadas, com vigorosos e diversificados polos produtivos, econômicos, políticos, culturais e sociais, somadas às mudanças da formação jornalística que passou essencialmente pela lavagem ideológica nas escolas, entre muitas de que todo empresário é ladrão, explorador e que político conservador possui o mesmo defeito no seu DNA; e que virtude está sempre com o progressista, uma referência santificada mesmo que seja cínico, incompetente e ladrão, criou uma “nova Santa Catarina”. A que se afunda hoje. Agora, em época de Lava Jato, a imprensa nacional, mas principalmente a imprensa catarinense, foi “surpreendida” pelos depoimentos. E só foi “surpreendida” porque não exerceu o seu papel no jornalismo. Acomodou-se. Admitiu, viveu e se aplaudiu na hegemonia. Subordinou-se ao poderoso. Foi preguiçosa, conivente ou irresponsável profissionalmente, fato que não seria admitido (não apenas pela questão da concorrência que hoje não existe entre os veículos daqui, salvo alguns blogs), mas por questões éticas no compromisso com o seu público, razão da existência de um veículo de comunicação social. Antes que qualquer coisa, um veículo é um produto de consumo. E nenhum produto tem o mesmo sabor, razão da preferência ser maior para um e menor para o outro.



SURPRESOS, MAS PARCEIROS DA DECADÊNCIA.
O CIDADÃO ENGANADO AINDA PAGA PARA LER, OUVIR E VER PRESS RELEASES.
NÃO É À TOA QUE AS REDES SOCIAIS TOMAM O LUGAR DO “JORNALISMO” CÚMPLICE.
UMA CUMPLICIDADE QUE LHE RETIRA A AUTORIDADE, AUTONOMIA E A SUSTENTAÇÃO ECONÔMICA
Foi “surpreendida” porque não investigou, não desconfiou, nem mesmo depois do escandaloso envolvimento de João Alberto Pizzolatti Júnior, que era o presidente do PP estadual. Ele desafiou até a lógica da sua alegada inocência. Forjou um foro privilegiado num cargo sem razão de existir num estado do Norte, lugar que nem sabia bem onde ficava no mapa do Brasil. Medo de enfrentar essa gente na Justiça, que custa. Chantageiam e nadam de braçadas diante dos medrosos. A ele, suas manobras, a “imprensa” catarinense “concedeu” exílio e esquecimento para não se incomodar nos seus direitos de enfrentar quem ousasse explorar este fato público de um homem público, representante de seu estado e de um ponderável eleitorado que não ganhou nada com a sua sina para se enriquecer particularmente. É o sinal que a imprensa passou claramente para os seus parceiros do poder que eles estão livres; abdicou da obrigação profissional; foi o sinal que passou para a sociedade de que vale a pena não expor e questionar as dúvidas de supostos poderosos que dizem influenciar tudo, inclusive a Justiça. Resultado: a imprensa catarinense e seus agentes se permitiram diminuir o seu papel de entes sociais de uma sociedade. Tudo em Santa Catarina a partir da década de 1990 tem essa marca, inclusive o crime organizado que saiu das páginas policiais a não ser, quando caos se tornou extremo e insuportável pelos cidadãos. Quando um governo formal negocia com o poder paralelo uma trégua para não abalar a imagem de seus fracos homens públicos e que falharam nas políticas públicas em favor dos cidadãos pagadores de pesados impostos, retrata-se que muito antes, falhou a imprensa. Ganharam os bandidos de todos os tipos.

DESDE QUE A ODEBRECHET (E DEZENAS DE OUTROS) REVELOU OS SUPOSTOS ATOS PROMÍSCUOS DOS NOSSOS POLÍTICOS, A IMPRENSA CATARINENSE HEGEMÔNICA SE APEGOU BLIBLICAMENTE AO OUTRO LADO. OS DENUNCIADOS DIZEM QUE SÃO SANTOS, OS CRIMINOSOS SÃO OS OUTROS E QUE SE NÃO TOMAR CUIDADO, QUEM VAI PAGAR POR DIVULGAR, É A IMPRENSA QUE ESTÁ QUERENDO DEIXAR DE SER PARCEIRA DOS PODEROSOS.


E ISTO É FICHINHA DIANTE DO QUE OS POLÍTICOS QUEREM COM O CRIME DE RESPONSABILIDADE QUE TRAMAM NO SENADO CONTRA INVESTIGADORES, DENUNCIADORES E JULGADORES. CHEGARÁ A VEZ DA IMPRENSA.


Vou completar o textão. Eu poderia ficar aqui escrevendo páginas e páginas de como a imprensa catarinense se enfraqueceu, a partir da eliminação da imprensa regional e a tomada da RBS em Santa Catarina...Mas, essa miséria profissional não vai mudar por si só. Primeiro a imprensa catarinense que centraliza e diz influenciar, não possui donos conhecidos. Não estão expostos. Ou você desconhece quem sejam os donos da Zero hora, do O Globo, da Folha de S. Paulo, da Gazeta do Paraná, do Estado de S. Paulo, da Veja, do Correio Braziliense, do SBT, da Band? Terceiro, as redações são feitas de pessoas que imaginam o mundo ideal e protegem os seus amigos de afinidades ideológica, sexuais, bares, vícios, virtudes e interesses. Não uma sociedade plural. A realidade está circunscrita a um smartphone onde seletivamente só estão acessíveis os iguais ou que devem combater para tornar ainda melhor o seu pequeno mundo ideal, os que eles detestam e fazem a sociedade hegemônica ser pior de verdade para todos. Então é preciso recomeçar, incluindo urgentemente a verdadeira identidade catarinense e suas fortes nuances, diversidade e lideranças regionais.

O JOIO E O TRIGO
Nas redações de antigamente, concorridas, locais, disputadas, respeitadas e preservadas, os repórteres quando iniciados eram testados na capacidade, idoneidade e profissionalismo. Eram levados a serem setoristas de esportes e polícia, tidos como áreas de maior influência na dita “malandragem” e exposta à corrupção: a principal delas era a emocional. Ao testemunhar um depoimento de um criminoso, flagrado no crime, torpe, com armas, provas irretocáveis e bagulhos, era impressionante como ele alegava à autoridade do estado, de forma estruturada e reiteradamente, à sua inocência perante a polícia, o investigador, o promotor, juiz e jurado (quando fosse o caso). Só a experiência do jornalista no contexto do fato era capaz à uma reportagem que respeitasse o criminoso, a sua história, os agentes públicos e principalmente o leitor, ouvinte ou telespectador com ajuda dos fatos, provas, testemunhas e contraditórios. Tudo checado exaustivamente na redação por experimentados que avaliavam não a história em si, mas a isenção do repórter diante da chantagem humana. Hoje, a imprensa catarinense, por seus profissionais, diante de fatos concretos gerados por políticos (e criminosos), está em dúvida e prefere não apurá-los. Pior: está com medo ou até, conivente por questões de amizade, consequências jurídicas do constrangimento bandido, ou proximidade ideológica. Está criando mecanismos para diminuir os danos, impedindo o expurgo do agente público ou político exposto, bem como, adiando a necessária renovação de um ambiente deteriorado e sem futuro para que preserva a legislação e a ética.



NA LÁPIDE, OS POLÍTICOS GRAVARAM SEUS TESTEMUNHOS
Reuni uma pequena coleção de o “outro lado” dos políticos catarinenses envolvidos nas delações dos executivos da Odebrechet. Coleção? Uma só resumiria todas as outras, que são variáveis da mesma “sem criatividade alguma” de todos. Atordoados, os políticos mostram que nem para isso estavam preparados. Achavam-se super-heróis, imunes... Então, como farsa, deve se supor também que não prepararam para representar a sociedade ou governá-la?

          1. Governador Raimundo Colombo, PSD, pego, escondeu-se da imprensa. Transparência zero. Voou para Brasília e lá escolheu com quem falar e o que falar. Bananas para a imprensa de Santa Catarina que cobre o seu dia-dia, que compra a promoção de um governo fraco. Não quis deixar ninguém da imprensa constrangido por aqui. Teve gente que se sentiu aliviada.

          2. “A versão dos delatores da Odebrechet sobre a contribuição de campanha é carregada de mentiras, revanchismo e ódio”. Mentiras é o que vai se ver ainda. Em ambos os casos são apenas palavras contra palavras. Revanchismo e ódio? É possível. Os políticos, pela narrativa dos delatores, levaram a grana e não deram a contrapartida prometida. Ninguém é monge com bilhões perdidos, ou seja, resta então o revanchismo e o ódio.

          3. Do ex-quase eterno presidente da Assembleia, o ainda deputado-candidato a governador pelo PSD, Gélson Merísio: “jamais pedi e jamais recebi doações da Odebrechet para as minhas campanhas”. Todos disseram isso. Combinaram? Mas, dos que negam, ninguém contestou com documentos. Palavras para preencher o tal “outro lado”.

          4. Ninguém foi mais surpreendido e afetado com as delações da Odebrechet, do que o jovem Napoleão Bernardes, PSDB, o prefeito de Blumenau, a promessa. Ele está tonto e se revelou igualzinho aos outros nas desculpas e atitudes. Então, é, precocemente velho. E se não é, está mal orientado, ou desistiu, ou está apostando na falta de memória dos seus futuros possíveis eleitores. É possível que tenha razão.

          5. Se Colombo “fugiu” e foi à Brasília para “se explicar”, Napoleão, foi o primeiro fazer um vídeo (enquanto os outros se escondiam em frias, repetidas e calculadas notas oficiais). “Reformou e atualizou” o vídeo e até deu depoimentos seletivos, sem perguntas. Mas na semana passada, Napoleão resolveu se explicar para o seu staff na prefeita. Fez bem. Abriu as portas. Fez vem. Convidou a imprensa para assistir o monólogo. Fez bem. E aí, orientado por alguém entendido, resolveu cagar.

          6. Terminada a explicação “in home”, deixou a imprensa “convidada” chupando o dedo. Incrível. Vergonhoso não só para ele, mas para quem ele paga para cuidar da comunicação do prefeito, do município, para quem está com um saco de lama nas costas. Pressionado por alguns poucos coleguinhas, voltou atrás. Não tinha nada a dizer. Repetiu os clichês dele e usados pelos outros. Conclusão: ou Napoleão tem culpa ou não quer apontar os culpados? Eu aposto no segundo, mas... continua se for isso, culpado.

          7. Não há outra saída. Gerenciei crises e não foram poucas. Presenciei outras. Li muito sobre isso. Quem prefere o flanco, perde. Fica desacreditado, não estando envolvido diretamente ou tendo razão naquilo que argumenta. Perde o timming, a diferenciação. Admitir o erro, o descuido, a armadilha é sinal que pode levar à compaixão, ao perdão...É o que está se vendo todos os dias com os políticos coroados: negam e se marcam. Por que Napoleão, o novo, o bom moço, o limpo, o inovador está resistindo?

          8. Napoleão (como Colombo) não apareceria nas delações gratuitamente. Isso esquece! Nenhum delator é doido e não faria isso sob pena dele tomar o lugar do político (ou preposto) e ficar mofando na cadeia por falsa comunicação de crime. Há provas. Resta saber se foi Napoleão quem praticou, ou alguém em nome dele, ou à revelia dele e que o usou indevidamente para obter vantagens para si e para a campanha sem comunica-lo (o que é muito difícil e quem vive esse ambiente, sabe disso). Só estas três hipóteses. Não há outras.

          9. Já passou da hora para Napoleão resolver este assunto. É o seu futuro que está em jogo. Melhor: trata-se de uma oportunidade para mostrar que é diferente. E a cada minuto que passa, ele se torna mais igual aos mais encrencados e que estão presos. A opinião pública não fará diferença entre o que ele fez e o que Eduardo Cunha, Renan Calheiros e outros do PMDB e PP fizeram, isto sem falar no próprio Aécio Neves, PSDB de Napoleão, as referências nacionais. A Lava Jato, Odebrechet, empreiteiras, fornecedores são marcas que ninguém quer.

          10. Se eventualmente alguém fez o que se delata usando o nome de Napoleão, qual a razão para proteger esse alguém? A cumplicidade é um viés da assunção da culpa solidária. Afinal, quem cala consente. Então, Napoleão, vai ficar exposto, marcado, sangrando e pagar sozinho. É uma escolha. Napoleão deve ter lá suas razões, as quais reforçam a tese da sua culpa. Se o pai dele fosse vivo, o vendedor de livros jurídicos que virou o criminalista Acácio Bernardes, socialista, ligado ao PDT, já teria dado nomes aos bois de quem fez essa lambança, se realmente não tivesse sido Napoleão. E o caso estaria resolvido. Foi assim que ele pautou vários juris que assisti e os divulguei há 40 anos, projetando o sucesso dele, quando a maioria dos advogados o cunhavam como rábula e trabalhavam contra. Perderam.



VAMOS VOLTAR AO NOSSO MUNDINHO
AQUI HÁ PELO MENOS O CRUZEIRO DO VALE.
OS POLÍTICOS O CONHECEM HÁ DÉCADAS. VIRE E MEXE, VÃO À JUSTIÇA PARA DAR VERSÕES E LIÇÕES, CONSTRANGÊ-LO E CALÁ-LO. EM VÃO.
E MESMO ASSIM CONTINUAM GASTANDO DINHEIRO PÚBLICO EM COMUNICAÇÃO PARA DESAFIAR O ÓBVIO
Gaspar, com o atraso de 17 dias e só depois de cobrado aqui neste espaço, resolveu fazer o balanço dos 100 dias de governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB. E a coluna de sexta-feira já esmiuçou a listinha do óbvio, da manutenção e do improviso. A listinha mostrou que a cidade está parada; o prefeito é refém da inexperiência e dos partidos que fizeram a aliança do sapo com a cobra para apenas tomar o poder (e comemorar). Sobre a plantação de flores, a principal inovação da agora Gestão Eficiente de Gaspar, nenhuma prestação. Estranhíssimo. Sobre a suposta economia que está se fazendo, sem números relevantes ou de comprovação contábil, faltou dizer que quem manda de verdade na administração de Kleber é o secretário da Fazenda, o presidente do PMDB, o coordenador de campanha, que acumula a secretaria de Administração e Gestão, bem como atua com mão de ferro na procuradoria Geral, o advogado Carlos Roberto Pereira. Kleber sempre está esperando o relatório e as orientações do doutor Pereira.

PERGUNTAS PARA SEREM RESPONDIDAS
A IMPRENSA DE GASPAR NÃO FOI CAPAZ DE PERGUNTÁ-LAS
TODAS ESTÃO NO PLANO DE GOVERNO ENTREGUES PELO CANDIDATO À JUSTIÇA ELEITORAL
Vejam como funcionam os comunicadores e marqueteiros principiantes para os políticos, ou gente, que sabe o que faz e também, ao mesmo tempo, sabe que o eleitor e eleitora sofrem de amnésia permanente depois das eleições. Por isso, todos os políticos e gestores públicos nadam de braçadas e sobrevivem nesse vácuo. Quem se lembra de como era o nome da coligação de Kleber Edson Wan Dall, PMDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, adornada ainda pelo PSC, PSDC e PTB? “Gaspar te quero forte”. Qual o nome do projeto que organizou a sua campanha eleitoral? “Gaspar com você”. Qual o nome da consulta popular que orientou esse “plano” e que é um amontoado de intenções, uma disfarçada campanha eleitoral antecipada com promoções de 2.500 pesquisas sem metodologia, encontros e debates públicos nas comunidades? “Prá quem quer mais”. E agora, o que apareceu para consagrar o vazio? “Gaspar Gestão Eficiente”. Resumindo: quem queria mais, ainda está no menos; quem queria ser forte, ainda está fraco; e quem diz estar exibindo eficiência, apenas pode contar esta vantagem no empreguismo de comissionados amigos, onde a qualificação é a que menos conta. Como isto pode ser exigido e medido, se nem titular possui? Eu preparei 46 perguntas. Mas, apenas dez, todas com vieses da incoerência.

Primeira pergunta:
Esse projeto, segundo se divulgou na época e em toda campanha eleitoral, fruto da “pesquisa”, incluindo os debates, exigia a modernização da Gestão a qual “estava” sendo gerida, segundo os críticos e pelo PMDB, equivocadamente, por apadrinhados do PT de Pedro Celso Zuchi. Como isso vai ser feito, se passado quatro meses da posse o prefeito Kleber, não se conseguiu escolher ainda um secretário de Gestão e Administração, ou um profissional de reconhecida capacidade na área, inovação, liderança e resultados na gestão pública?

Segunda pergunta:
Quando se dará a prometida na campanha “revisão e atualização do Plano de Cargos e Salários, visando meritocracia e eficiência no serviço público, se até agora, as indicações dos comissionados contrariaram todas essas premissa e promessas divulgadas para os eleitores? Afinal qual o prazo para cumprir o que se prometeu? Quem está cuidando disso?

Terceira pergunta:
Um dos pontos do “plano de governo”, era o de “aumentar a transparência dos gastos e atos públicos e criação de uma ouvidoria”. Na coluna Olhando a Maré de sexta-feira passada, antes portanto da entrevista coletiva, e feita especialmente para o jornal Cruzeiro do Vale, mostrei que a promotora Chimelly Louise de Resenes Marcon, a que cuida na Comarca da Moralidade Pública, depois de esperar três meses pela sinalização de Kleber, resolveu instaurar um Inquérito Civil para apurar como anda a promessa feita durante a campanha em documento assinado no MP, exatamente, entre outros, para averiguar o cumprimento desse objetivo de transparência? Então, o atual prefeito vai continuar a reboque das cobranças dos órgãos de fiscalização, atitude que falsamente, pelo acontecido, tanto combateu quando candidato?

Quarta pergunta:
O que falta para “regulamentar a Lei Geral das Micros e Pequenas Empresas”, repetidamente prometida durante a campanha para atrair os fracos e os pequenos para a sua causa eleitoral? Qual o prazo para tirar isso do papel? Eficiência não é antes de tudo trabalhar com uma agenda, uma métrica ou é apenas é criar slogans (muitos até aqui e que por si só mostram indecisões ou espertezas de comunicação) que aparentam preocupação ao sabor das demandas mais atuais?

Quinta pergunta:
O que foi feito até agora para “garantir o fornecimento de medicamentos preconizados pelo Ministério da Saúde para a população, descentralizando a entrega de todos os remédios nas unidades de saúde e a domicilio para os acamados”? Por que essa ainda não foi realizada? Ou o que foi feito? Qual o prazo para cumprir o que se prometeu como prioritário? Quem está cuidando disso? Não vale dizer que o Brasil está em crise. Na campanha eleitoral, o país estava em piores condições e sem perspectivas de recuperação. Além disso, o PMDB, vale lembrar, era o sócio de 13 anos que dava a governabilidade ao desastre do PT.

Sexta pergunta:
Foi “implantado a tal Rede Cegonha, assegurando às mulheres o direito ao planejamento familiar, atenção humanizada à gravidez, ao parto e pós-parto, e às crianças o direito ao nascimento seguro”? Se não foi, por que? Desistiu? Se não desistiu, qual o prazo para tal? Na campanha, o papel aceitava tudo e se dava este assunto como imediato para os primeiros dias. Então, qual a dimensão da realidade?

Sétima pergunta:
Durante a propaganda eleitoral, essa promessa era insistente até para neutralizar propostas utópicas, mentirosas, possíveis ou criativas dos concorrentes. Então, de verdade, do déficit anunciado em campanha de 700 vagas, quantas efetivas vagas – além da que restou do seu próprio filho - foram ampliadas nas creches de Gaspar? Quantas foram viabilizadas pelas tais parcerias público-privada; onde? O custo de cada dessas vagas nessas parcerias comparadas com as próprias da rede pública? Como foram preparados os atendentes privados? Quais, quando e quantas novas vagas decorrentes de ampliação de espaço público próprio já existente ou decorrente da inauguração de novos prédios serão oferecidos este ano? Já estamos na metade dele. Citar vagas e datas.

Oitava pergunta:
O que foi feito para “integrar o transporte coletivo e cicloviário de forma a propiciar maior eficiência nos deslocamentos intermunicipais”? Onde está este projeto? Quem está elaborando e implantando de fato? Qual o prazo de execução? Onde ele começará?

Nona pergunta:
O que já foi feito para cumprir a promessa de campanha para se “mapear o risco geológico e de alagamento em Gaspar”? Qual a agenda técnica e de resultados sobre este assunto? Quem é o responsável por esse objetivo? Quando será implantado? Como alguém vai investir em Gaspar se não conhece esse tipo de risco, alternativas e as opções de evacuação?

Décima pergunta:
No plano de governo de Kleber denominado de “Construir o futuro” (mais um nome inventado e para confundir!) havia um óbvio (e que sempre apareceu neste espaço, que um dia até serviu para a administração petista enxovalhar uma juíza ilibada como se fosse uma bandida), um desastre anunciado: os adolescentes e crianças vulneráveis. O que parecia ser um fantasma de um passado recente, foi, estranhamente ressuscitado pelo atual governo. O PL 07/2017enviado à Câmara, de forma dissimulada, tentou, em regime de urgência, retirar as verbas do FIA para outros usos não especificados. O senhor não acredita que investir na educação e proteção de crianças e jovens seja um ato de mitigar os grandes problemas sociais para “construir um futuro” melhor? Ou o que o seu Plano de Governo levado à Justiça Eleitoral quis dizer exatamente com “promover a articulação dos conselhos de assistência social com os conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, Saúde e de Educação visando a integração de esforços e a qualificação do atendimento às demandas sociais”, mas, na prática, de verdade propôs retirar verbas do FIA que possui a capacidade de mitigação e promoção de vulneráveis? Acorda, Gaspar!

ILHOTA EM CHAMAS I
O prefeito Érico de Oliveira, PMDB, é empresário da tal indústria e comércio de moda íntima, um notório polo econômico de Ilhota. Ele não ganhou a prefeitura por essa condição, mas, primeiro por falta clara de outra opção, tanto que na sua página ele confessa que quer chegar a prosperidade sem mudar nada. Érico ganhou as eleições por oportunismo: o fraco desempenho – e a negação sistemática da transparência - do antecessor, o advogado e novato na política e administração pública, Daniel Christian Bosi, PSD, fato amplamente explorado aqui neste espaço e deliciado pelo então candidato Érico para obter a vantagem sem méritos. Bosi foi mais longe: prometeu mudar e não mudou nada; e por causa disso ficou no meio do caminho. Agora, Érico acha que esse tipo de profissionalismo no jornalismo que expõe as incoerências, deve ser combatido, desqualificado e perseguido. E por que? Porque o poder é intocável, inquestionável... Ingênuo. Continuem assim.

ILHOTA EM CHAMAS II
Pego na inércia, nas velhas práticas, como o de descartar quem fez o serviço de “limpeza” do caminho para a sua eleição, entre eles, o advogado Aurélio Marcos de Souza, Érico invocou duas supostas qualidades suas. A primeira de que é um ente transparente. Nem vou muito longe nos meus comentários, até porque já foi desnudado aqui várias vezes e o que deixou muito contrariado. Ele próprio se deixou à humilhação neste assunto. Há três semanas o juizado da Comarca mandou o prefeito responder cidadão que questionava dados públicos que o prefeito sonegava por birra. A segunda, beira uma demagogia própria de discursos de políticos e agentes públicos para analfabetos, ignorantes e desinformados: a de que ele está imprimindo uma gestão empresarial, exatamente por ser um pequeno empresário ainda não totalmente testado nos resultados. É falsa essa afirmação e essa premissa. Pode até ajudar, mas a administração pública e privada são diferentes. Ao gestor público, é conhecimento (legislação) e habilidades especificas, totalmente dispensáveis na gestão de negócios privados. Érico não conhece os dois atalhos. Já provou nesses quatro meses. Pior: carrega o pior do político, a vingança. Ou seja, não inova, não lidera, manda. Foi eleito para mudar.

ILHOTA EM CHAMAS III
O que acaba de acontecer, e de forma oficial. Não se trata de fofoca. O decreto 44, de 17 de abril de 2017. "autoriza competências perante instituições financeiras" o Secretário de Administração (neste caso, Aline Michele Deschamps), autorizado perante as instituições financeiras a: I - solicitar saldos, extratos e comprovantes, inclusive de investimentos e operações de crédito, e de débitos direto autorizado; II - emitir e assinar cheques; III - abrir contas de depósito ou qualquer natureza; IV - autorizar cobrança; V - requisitar talonários de cheques; VI - autorizar débito em conta relativo a operações financeiras; VII - retirar cheques devolvidos; VIII - endossar cheque; IX - sustar/contra-ordenar cheques; X - cancelar ou baixar cheques; XI - efetuar resgates e aplicações financeiras; XII - cadastrar, alterar e desbloquear senhas; XIII - efetuar saques em conta corrente, poupança e investimentos; XIV - efetuar pagamentos, inclusive por meio eletrônico; XV - efetuar transferências, inclusive por meio eletrônico; XVI - liberar arquivos de pagamentos no Gerenciador Financeiro; XVII - encerrar contas de depósito; XVIII - receber, passar recibo e dar quitação; XIX - consultar contas de aplicação de programas de repasse; XX - utilizar o crédito aberto na forma e condições pactuadas. §1º A autorização que trata este artigo se refere a todos os fundos municipais e órgãos públicos vinculados à competência administrativa e financeira do Prefeito Municipal. §2º Na ausência do Secretário de Administração, o mesmo será substituído pelo Prefeito Municipal.

ILHOTA EM CHAMAS IV
Normal, apesar de passados quase quatro meses da nomeação do secretário. Mas veja o que aconteceu no mesmo dia dessa publicação no Diário Oficial dos Municípios – aquele que se esconde na internet e não tem hora para sair? A lacônica e cifrada portaria 107/2017 Ela revoga portaria 35/2017. O que dizia a portaria 35/2017, de três de fevereiro deste ano? Por meio da presente Portaria, o prefeito de Ilhota, delega, à Aline Michele Deschamps, Secretaria de Finanças nomeada pela Portaria nº 032/2017 as seguintes atribuições: emitir cheques abrir contas de deposito autorizar... Volto. O que esta portaria 107/2017, verdadeiramente leis ou quer dizer para ele, o seu governo e a secretária em cargo comissionado de confiança? Que em Ilhota possui uma secretária fantasma? Pior que o prefeito não confia. Isto seria permitido numa empresa séria pelo gestor ou dono da empresa onde além da competência é preciso um grau mínimo de confiança? Isto não é bullying, humilhação e constrangimento público? É por isso e outras, que Érico detesta gente que pensa, enxerga o óbvio e nãqo se subordina como são os relacionamentos entre a a Casa Grande e a senzala, inclusive na imprensa, submetida à paga de miseráveis níqueis ou, pior, a admissão ao seu círculo de amizade e poder. Triste. Meu Deus!

TRAPICHE

Mais uma. A empreiteira Torre Forte – que já teve o irmão do prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB, Nelson Júnior – e hoje comissionado como gerente na Agência de Desenvolvimento Econômico, em Blumenau - com seu engenheiro técnico responsável, está respondendo mais outro inquérito administrativo na prefeitura de Gaspar.

É que em janeiro deste ano, ela firmou um acordo para o retorno ao canteiro de obras da Escola Olímpio Moreto, na Margem Esquerda. Não apresentou o cronograma e até o dia oito de março, segundo relata os fiscais da prefeitura, não haviam sido retomadas as obras e nada tinha sido informado sobre eventuais dificuldades para isso.

Praga dos contribuintes. Lembra daquele mimo que o presidente da Câmara de Gaspar, Ciro André Quintino, PMDB, inventou para as suas excelências vereadores no inícios de seus trabalhos, comprando 11 caros frigobares para serem eles instalados nos seus gabinetes e assim atender o povo sedento, com água mineral comprada com verba pública?

Pois é. Quem ganhou ainda não entregou. Tinha 30 dias para isso depois da assinatura do contrato, e que aconteceu no dia primeiro de março em certame que foi realizado em fevereiro.

Já estamos à beira do inverno. E isso deixou Ciro, injuriado. Ele deu prazo de dez dias a Refrimix, a partir do dia dez de abril, para a nova entrega, sob pena de refazer a concorrência. Deveria, de verdade, Ciro, em nome do povo sofrido e sem grana, cancelar essa presepada. Mas, ai...

Construções podres. Com este título eu informei o que se escondia de que as paredes de sala de aula no bloco dois do prédio do IFSC, em Gaspar, está com rachaduras e por onde, passam até um dedo. O filme pode ser visto na coluna de terça-feira passada.

O IFSC minimizou o problema numa nota enviada para a coluna. Segundo um laudo da construtora que anexou só feito agora, comprovou o que era óbvio e à vista de todos, mas que o Instituto não gostaria que se tornasse público.

A construtora e o IFSC baseados neste laudo, garantiram que as rachaduras não oferecem perigo aos alunos, professores e funcionários. Em julho, se tudo der certo, vão tampar essas rachaduras. Agora é esperar.

O IFSC diz que o prédio do Bela Vista está pronto desde 2010. E é verdade. Não disse o contrário, até porque acompanhei a sua implantação que a princípios estava programado para Blumenau. E um acordo com a Acig (quando essa liderava movimentos em Gaspar), Acib e a ex-ministra Ideli Salvatti, PT, permitiu a construção do IFSC na divisa de Blumenau.

A coluna reafirma: apesar do prédio pronto e usado por dois anos pelos professores e alunos, ele só foi inaugurado no dia no dia 28 de setembro de 2012 como afirmei. E o ato fez parte da campanha política eleitoral daquele ano promovida pelo governo Federal, ocupado pelo PT/PMDB. Ideli tinha interesse na agenda. Nem mais, nem menos. Acorda, Gaspar!

Engana que eu gosto. Já reportei aqui. Mas, não custa lembrar. O prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, PMDB, criou um tal Grupo Gestor para maximizar, economizar, modernizar, fiscalizar e dinamizar as políticas da sua gestão. Uma ideia muito boa e necessária. Quando feita com metodologia, técnica, conhecimento e por profissionais especializados. Isso é muito comum nas empresas.

Iniciaram-se as primeiras publicações das “resoluções” do Grupo Gestor da administração de Gaspar.

Primeiro. Você sabe quem compõe esse tal Grupo Gestor? O chefe de gabinete, engenheiro eletricista Pedro Inácio Bornhausen,PP; e o advogado Carlos Roberto Pereira, PMDB, como secretário da Fazenda, onde é titular; Carlos Roberto Pereira como secretário de Administração e Gestão onde acumula cargo e função, sem qualquer habilidade para tal, e Carlos Roberto Pereira como procurador de fato pois disto não abre mão devido ao conhecimento. Então o procurador geral formal, Felipe Juliano Braz completa a lista. O grupo de quatro, de fato é feito dois?

Centralização. A resolução três do Grupo Gestor, determinou que “todas as aquisições de bens e serviços dos órgãos que compõem a Administração Direta e Indireta do Município sejam centralizadas no setor de Compras e Licitação, subordinado à Secretaria Municipal de Administração e Gestão, mediante o encaminhamento das requisições de compras”.

Qual a justificativa? Controle dos volumes de compra, estoque e uso, bem como obtenção de descontos nas aquisições perante os fornecedores.

Teoria é uma coisa. A prática é outra, ainda mais no serviço público. Agora é ver como isso funciona por quem tinha a função de requisitar, controlar, estocar, carimbar, arquivar notas e até se dá importância nesse emaranhado burocrático e de poder.

E por falar nisso, Gaspar comemorou algo que mostra claramente o quanto ela estava atrasada na dinâmica da transparência, do mundo digital e da integração administrativa. Antes tarde, do que muito tarde. “Licitações da prefeitura de Gaspar começam a ser transmitidas ao vivo”, anunciou o press release com fotos de todos rindo.

Rir é bom, pois se trata de um avanço e tanto, embora muito tardio. Rir é ruim, pois não basta transmitir ao vivo o pregão e a compra, se antes, depois e atrás das câmaras continuarem o verdadeiro jogo nos negócios nesta área. Pouco adianta, se o cidadão não fiscalizar a partir das ferramentas disponíveis. E elas, que custam, não foram implantadas por iniciativas dos políticos, mas porque foram obrigados pelos órgãos de fiscalização, entre eles, o MP. Acorda, Gaspar!

A professora de educação física e que estava diretora da Defesa Civil de Gaspar do tempo do PT de Pedro Celso Zuchi, Mari Inez Testoni Theiss acaba de pedir e ganhar Licença Prêmio integral de três meses a que tem direito.

Perguntar não ofende: como ficou aquele caso do também professor que era o chefe de Gabinete de Pedro Celso Zuchi, Doraci Vanz, que pediu e ganhou licença prêmio para fazer a campanha eleitoral de 2012, mas não tinha esse direito? Fede na Justiça e internamente nada se sabe.

Enquanto o prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, PMDB, na entrevista coletiva sem perguntas tenta se esforçar para provar que há economia nas contratações, o Diário Oficial dos Municípios – aquele que se esconde na internet e não tem horário para sair – vai, a conta gostas, desmentindo o discurso.

Danieli Gabardo Pedroso, foi nomeada para ser coordenadora de Fiscalização da Secretaria Municipal da Fazenda; Joel de Souza, será o coordenador de Obras da secretaria de Obras e Serviços Urbanos

Subiram os preços de guinchamento e guarda dos veículos apreendidos em Gaspar. Bicicleta, charrete, carroça, carro de mão, reboque, semirreboque (pequeno porte) agora será R$101,01 por guinchada e R$10,52 por estadia diária.

Já os ciclomotores, motoneta, motocicleta, triciclo, quadriciclo, reboque, semirreboque (médio porte), automóvel, utilitário, caminhonete, camioneta, trator, micro-ônibus e trailer custarão R$134,68 a guinchada.

A estadia diária dos ciclomotores, motoneta, motocicleta, triciclo, quadriciclo custará R$13,67; a de automóvel, reboque, semirreboque (médio porte), R$ 18,93; enquanto e utilitário, caminhonete, camioneta, trator, micro-ônibus e trailer, R$31,56.

Já o guinchamento de caminhão, reboque, semirreboque, ônibus, motor home salgou e custará R$ 349,33. Enquanto a estadia diária, R$ 47,34.

Ilhota em chamas V. Este assunto vai render e vai desgastar mais que qualquer outro para o prefeito Érico Oliveira, PMDB. Ele está mandando a Casan – a empresa de águas e saneamento estadual - às favas, sem indenizá-la para assumir a produção e distribuição de água tratada em Ilhota, sem colocar um tostão naquilo que já existe.

Ilhota em chamas VI. Érico, o empresário, o homem de visão, não conseguiu enxergar ainda que o mundo está privatizando e não estatizando, que com os loteamentos em massa que está autorizando vai exigir a curto prazo água tratada que não terá dinheiro e capacidade para suprir, que isso vai gerar mais esgotos no Rio Itajaí Açú, mais doenças na cidade, mais custos na saúde.

Ilhota em chamas VII. O prefeito Érico, que se diz empresário de sucesso quer mais estado naquilo que ele sabe não possui conhecimento, não tem capital público para investir e criar minimamente soluções paliativas. Incrível é o silêncio do seu secretário de Agricultura e Meio Ambiente, neste assunto crucial para o presente e futuro, Antônio Robson Dias Filho, o jornalista e um dos que está chamegando esta enxurrada de loteamentos problemas no município.

Ilhota em chamas VII. Então para levar o seu plano adiante, prefeito Érico acaba de contratar empresa de engenharia para prestação de serviços técnicos especializados em operação e manutenção do sistema de abastecimento de água com a Sandrini & Botega.

Ilhota em chamas VIII. E qual o valor mensal dessa “viagem” ou teimosia do atraso? R$ 180.453,89 e que dará um total R$ 1.080.723,34. Pelo jeito está sobrando dinheiro em Ilhota. Mais. A Casan, está na Justiça para impedir esse tipo de “tomada” de patrimônio e mercado.

Ilhota em chamas IX. O que o prefeito Érico não explica que Ilhota em algum momento, os ilhotenses vão ter que meter a mão nos seus bolsos e pagar o que a Casan já investiu no município no tratamento e distribuição de água. E Érico é empresário. Sabe que ninguém poderia tomar o seu negócio assim sem mais, nem menos, sem antes indenizá-lo. A conta é simples assim.

Ilhota em chamas X. Imagina-se se não fosse um contrato com uma prestadora de serviços jurídicos, onde os textos obedecem a critérios de avaliação para nada sair errado. O contrato 005/2017 feito com escritório de advocacia Zoega Coelho, de Florianópolis, passou a ter a numeração 013/2017. Erro formal. Hum!

Ilhota em chamas XI. Em tese, o Legislativo é a voz do povo e fiscal do Executivo. Nem sempre. A mesa da Câmara, respaldada pela maioria e o silêncio de uma minoria sem orientação técnica, anda atropelando leis em favor do Executivo. Isso ainda vai dar problemas.

Ilhota em chamas XII Não é a primeira vez. Veja o que aconteceu na semana quarta-feira passada, dia 19. Uma Resolução de Mesa Diretoria, a 06/2017, dispensou o trâmite pelo rito regimental do Projeto de Lei Complementar 08/2017. Para que? Para possibilitar sua leitura e deliberação em um único turno de discussão e votação na mesma sessão extraordinária.

Ilhota em chamas XIII. O que tratava a tal PLC 08? Muda a Lei Complementar 39/2013 e aumentou duas vagas (uma de Nutricionista e  Fiscal de Vigilância Epidimiologica, Sanitária e Ambiemtal). Eram duas. Agora são quatro. Tudo da noite para o dia.

Um retrato da falta de manutenção dos postos de saúde de Gaspar. O vereador Francisco Solano Anhaia, PMDB, da base do atual governo, fez uma indicação para o prefeito Kleber Edson Wan Dall. O que ele quer para o posto da Lagoa? Substituição da porta de entrada principal; manutenção e/ou instalação de um novo ar-condicionado; substituição da película no vidro das janelas; reforma da maca do consultório médico; manutenção na persiana da enfermaria; e manutenção dos banheiros, lavação e sala de funcionários. Acorda, Gaspar!

 

 

Edição 1798


Comentários

Herculano
27/04/2017 07:25
URGENTE: EUNÍCIO OLIVEIRA, PRESIDENTE DO SENADO, SOFRE ISQUEMIA E ESTÁ INTERNADO NA UTI

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Naira Trindade. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, sofreu uma isquemia vascular nesta madrugada, 27, e está na unidade de terapia intensiva de um hospital de Brasília. À princípio, médicos cogitaram ser um AVC hemorrágico, o que foi descartado. Ele está na UTI, mas passa bem.

A Câmara prolongou até a madrugada a votação da reforma trabalhista e o presidente acompanhava a sessão. O governo comemorou os 296 votos que aprovaram o texto base da proposta. Após a finalização da apreciação dos destaques, o texto deve seguir para o Senado.
Herculano
27/04/2017 07:10
MÚMIA DOS BANCOS PISCA E COBRA CARO, por Vinicius Torres Freire, para o jornal Folha de S. Paulo.

O CRÉDITO nos bancos começa a voltar à vida, tal como se começassem a pingar umas gotas d'água de uma múmia congelada.

Na média, porém, a temperatura continua abaixo de zero.

"Melhor que nada", talvez se possa dizer. Mas é perto de nada, um descongelamento que por enquanto é apenas compatível com a média das previsões de mínima recuperação da economia neste ano: crescimento de 0,5% do PIB, por aí.

A não ser que consumidores e empresas reajam de modo inesperadamente exagerado à baixa lerda das taxas de juros, não teremos PIB muito melhor que esse aí, talvez 1%, na previsão dos animados economistas do Itaú. Por quê?

O investimento do governo vai cair. Não deve vir surpresa significativa da massa de salários. Os preços das nossas exportações já deram um saltinho, não devem melhorar muito mais, se tanto.

Logo, precisamos de algum descongelamento de crédito. Quanto a isso, o que dizem as estatísticas de março, publicadas nesta quarta-feira (26) pelo Banco Central?

Começando do alarmante, antes de tratar do apenas deprimente: as taxas de juros mais importantes caem a um ritmo inferior ao do custo do dinheiro na praça e a um ritmo inferior ao da Selic (os "juros do BC").

Desde outubro do ano passado, a Selic baixou de 14,25% para 11,25%. Três pontos percentuais, um talho proporcional considerável. Na praça do mercado, a taxa de juros real (ex-ante) caiu de 7,2% para 4,6%.

A taxa de uma das linhas de crédito mais importantes para as empresas (em volume), a de capital de giro, caiu de 25,1% para 22,3%, de novembro de 2017 para março. Mal acompanha o ritmo da Selic. Na média, a taxa para pessoas jurídicas baixou apenas de 21% para 20,1%.

Sim, a inadimplência das empresas voltou a piorar, mas não parece estar aí o motivo do crédito ainda tão caro.

A diferença entre o custo de captação do dinheiro pelos bancos e a taxa cobrada dos clientes, o spread médio, aumentou nesses meses em que o BC talhou a Selic. AUMENTOU.

A parcela da renda das famílias dedicada ao pagamento de dívidas (serviço da dívida) continua a baixar. Era de 22,6% em março de 2016, estava em 21,2%, em fevereiro. Cai muito devagar, pois o peso dos juros dificulta a quitação de débitos. Enfim, falta muito para o endividamento chegar a uns 19%, nível de 2010, antes da fase final da grande farra de crédito.

O total de dinheiro emprestado, o estoque de crédito, continua a cair, embora sempre em velocidade cada vez menor, mas ainda quase depressiva: redução de 7% de março deste ano ante o mesmo mês de 2016.

Sim, o estoque de crédito está contaminado por resultados de meses passados, ainda piores. No caso das concessões, dinheiro novo emprestado, a situação começou a despiorar de modo algo menos lerdo.

No acumulado do trimestre, as concessões de crédito para pessoas físicas voltaram ao azul pela primeira vez desde dezembro de 2014 (na comparação anual).

No caso das pessoas jurídicas, o dinheiro novo continua a diminuir, embora tenha passado de uma baixa depressiva para uma baixa recessiva, digamos, de forma sarcástica. Houve salto importante na despiora das concessões de crédito.

Mas, em suma, não há surpresa animadora.
Herculano
27/04/2017 07:08
ESPECIALISTA AVALIA QUE LULA VIROU O NOVO MALUF, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O desempenho do ex-presidente Lula em pesquisas para presidente, na disputa de 2018, reproduz um fenômeno eleitoral de Paulo Maluf, hoje deputado pelo PP-SP. Para o especialista Murilo Hidalgo, do instituto Paraná Pesquisas, "Lula é o novo Maluf". Se for candidato, são grandes suas chances ser o mais votado no primeiro turno, mas sua rejeição muito alta inviabilizaria a vitória na disputa de segundo turno.

O MAIS VOTADO
Se for mantido solto e elegível, Lula terá no primeiro turno entre 25% e 30% dos votos para presidente da República, estima Hidalgo.

QUASE NOMEAÇÃO
Como Maluf, Lula tem rejeição muito elevada, superior a 50%, por isso quem disputar o 2º turno contra ele tem maiores chances de vitória.

DEGRADAÇÃO
Maluf teve sucesso político em SP desde 1967. Mas a partir de 1988 o capital político dele se degradou. E só voltou à política como deputado.

DERROTAS SUCESSIVAS
Em '90, '98, '00, '02 e '04 Maluf liderou no 1º turno para governador ou prefeito de São Paulo, mas perdeu no 2º. Em 2008 já não liderou mais.

OPÇÃO POR CABRAL TIROU JUÍZA HONESTA DO GOVERNO
O voto errado do eleitor do Rio de Janeiro, que em 2006 elegeu Sérgio Cabral (PMDB), levou o Estado à maior crise política, financeira e moral da sua História. Conhecida pela coragem e honestidade, a juíza Denise Frossard abandonou a magistratura para tentar fazer da política uma atividade decente. Após se eleger deputada, ela seria derrotada por Sérgio Cabral naquela disputa pelo governo fluminense, em 2006.

MULHER CORAGEM
Denise Frossard se notabilizou nacionalmente, em 1993, ao condenar à prisão 14 bicheiros e outros integrantes do crime organizado.

DERROTA NO 2º TURNO
Na eleição para o governo estadual, Denise Frossard chegou a disputar o segundo turno, mas teve 32% dos votos, contra 68% de Cabral.

OUTRA HISTóRIA
Eleita governadora naquele ano, Denise Frossard certamente evitaria a atual crise do Rio, mas algo não mudaria: Sérgio Cabral estaria preso.

CERCO CRIMINOSO
A polícia política do ditador venezuelano Nicolás Maduro descobriu que dois deputados haviam negociado asilo político no Brasil, no fim de semana, e cercou suas casas com milícias fortemente armadas.

GREVE CONTRA A LAVA JATO
O aviso circula nas redes sociais: "Sexta-feira eu vou trabalhar. Quem fizer greve será usado por vagabundos para apoiar Lula". Outra mensagem diz que "fará greve quem não apoia a Lava Jato".

FOCO NA REFORMA
Por determinação do presidente Michel Temer, todos os ministros do fizeram plantão na tarde desta quarta-feira (26), na Câmara, focados na votação da reforma trabalhista.

UM HOMEM DE BEM
A morte do jornalista Carlos Chagas cobriu de tristeza sua imensa legião de amigos e admiradores. Mestre no jornalismo e na vida, Chagas foi a definição perfeita de um homem de bem. Seu enterro será nesta quinta (27) às 16h, no Campo da Esperança, em Brasília.

OUTRO PROJETO
Renan Calheiros foi derrotado, ontem, na aprovação do projeto que pune abuso de autoridade. O texto aprovado se distanciou do original, visto como tentativa de intimidar quem investiga o líder do PMDB.

ÍNDIOS ESTUPRADORES
A Justiça do Acre condenou o índio Antônio José Moreira da Silva por ter estuprado uma menina de 11 anos. Que ele cumpra os 23 anos de prisão, ao contrário de Paulinho Paiakan, um cacique caiapó bajulado pela imprensa e condenado por estupro em 1992, ainda hoje impune.

AÍ TEM COISA
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com o foro privilegiado foi aprovada ontem no Senado por 75x0 votos. A estranha unanimidade deixou muita gente em estado de alerta.

E A GENTE, ó, Só PAGANDO
O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Fortaleza) aproveitou a "greve geral", convocada pelos admiradores dos ladrões da Lava Jato, para alongar o feriadão: ali, sua folga vai de sexta a segunda, dia 1º.

PENSANDO BEM...
..."abuso de autoridade" é senador que cra lei contra quem o investiga.
Herculano
27/04/2017 07:05
FACHIN, RELATOR DA LAVA JATO, INSINUA QUE ESTÁ Só,por Josias de Souza

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, despejou sobre os microfones nesta quarta-feira uma frase enigmática. Ao comentar a sessão em que a Segunda Turma do Supremo mandou soltar, por 3 votos a 2, uma dupla de condenados da Lava Jato, Fachin declarou aos repórteres: "Eu saí daqui ontem com vontade de reler o Ibsen: 'O inimigo do Povo', a história do doutor Stockmann."

A menção ao dramaturgo Henrik Ibsen não foi gratuita. A peça escolhida por Fachin não poderia ser mais simbólica. Conta a história do médico Thomas Stockmann. Ele descobriu os poderes curativos das águas de uma cidade. A revelação trouxe prosperidade. O diabo é que o mesmo Stockmann constatou que as águas contaminaram-se. Esforçou-se para convencer a população. Virou "inimigo do povo", perseguido nas ruas.

Na fatídica sessão da Segunda Turma, Fachin votou pela manutenção da prisão domiciliar do pecuarista José Carlos Bumlai e do encarceramento do ex-gestor das arcas do PP, João Cláudio Genu. Nos dois casos, o relator perdeu por 3 a 2. Ficou entendido que a posição mais rigorosa em relação à Lava Jato tornou-se minoritária na turma que cuida do escândalo do petrolão na Suprema Corte.

Na peça de Ibsen, o doutor Stockmann, incompreendido e amaldiçoado, faz uma espécie de exaltação à individualidade: "O homem mais forte é o que está mais só", diz ele na última frase do enredo, antes do fechamento das cortinas. Quer dizer: ainda que a maioria do "povo" do Supremo o veja como "inimigo", o doutor Fachin parece disposto a proclamar que a abertura das trancas de Curitiba pode contaminar as águas da Lava Jato. Fará isso mesmo que tenha de se trancar na fortaleza de sua solidão.

Vem aí o julgamento de um pedido de liberdade do condenado José Dirceu. Edson Fachin votou a favor da tranca. Logo, logo descobrir que o pior tipo de solidão é a companhia de uma turma.
Herculano
27/04/2017 07:00
este artigo, escrito por um jornalista octagenário, símbolo do jornalismo de esquerda, mostra bem como pensa a esquerda do atraso. A greve de amanhã não tem sentido como ele próprio reconhece, mas deve ser realizada para defender uma causa que sacrifica a maioria dos trabalhadores que sustentam a fantasia da esquerda para perpetuar assim os privilégios de poucos que mamam permanentemente nas tetas do estado.

GREVES, NÃO IMPORTA A DIMENSÃO, JUSTIFICAM-SE PELO SIMBOLISMO, por Jânio de Freitas, no jornal Folha de S. Paulo.

"Governo Temer" é só uma expressão da preguiça mental aliada a defeitos muito piores. Trata-se, na verdade, da aberração Temer. Jamais - portanto nem na venenosa fase de Roberto Campos como ideólogo e artífice da ditadura?" este país de desatinos viveu, em tão pouco tempo, um assalto tão violento e extenso a direitos de mais de quatro quintos da sua população e às potencialidades do próprio país.

Mesmo na Síria atual, nem toda em guerra, algumas coisas melhoram. Os países são composições tão complexas e contraditórias que, neles, nunca tudo segue na mesma direção. Foi o caso inegável da ditadura militar. É o caso deste transe que permite a Henrique Meirelles, Michel Temer e aos economistas do lucro fácil a comemoração, como no mês passado, de uns quantos números aparentemente consagratórios, mas já de volta à realidade torpe.

Nem poderia ser diferente. O que Meirelles tem a oferecer e a subserviência Temer subscreve, ambos a título de combate à crise, é um país manietado, com a vitalidade reprimida, aprisionado na desinteligência de um teto obrigatório de gastos que, no entanto, para baixo vai até à imoralidade de cortar gastos da educação e da saúde.

As greves e os demais protestos previstos para amanhã, não importa a dimensão alcançada, justificam-se já pelo valor simbólico: há quem se insurja, neste país de castas, contra a espoliação de pequenas e penosas conquistas que fará mais injusta e mais árdua a vida de milhões de famílias, crianças, mulheres, velhos, trabalhadores da pedra, da graxa, da carga, do lixo, do ferro ?"os que mantêm o Brasil de pé. E, com isso, à revelia permitem que as Bolsas, a corrupção e outras bandalheiras vicejem.

Reforma Trabalhista foi a que criou a CLT, Consolidação das Leis Trabalhistas, impondo ao patronato certo respeito ao trabalho e ao seu factor, até então apenas sucedâneos dos séculos escravocratas. O projeto de Temer, Meirelles e dos seus adquiridos na Câmara devasta 117 artigos da CLT. Devasta, pois, a CLT.

Com malandrices como, de uma parte, arruinar os sindicatos, tirando-lhes a verba de contribuição sindical (deveria acabar, mas por modo decente); de outra, estabelecer que as condições do trabalho serão acertadas entre esses sindicatos fragilizados, se ainda existentes, e o patronato. Por coerência dos autores, com esta aberração: se os "acordos" estiverem fora da lei lei, valem mais do que a lei.

Último ministro da Previdência na ditadura, Jarbas Passarinho declarou, em cadeia (quem dera) nacional, que a Previdência estava falida. Finda a ditadura, Waldir Pires assumiu a Previdência com uma equipe capaz e provou o contrário. Meirelles, dublê de ministro da Fazenda e da Previdência, o que erra na primeira não acerta na segunda. Aumentou o desemprego em 30%. Logo, reduziu a arrecadação previdenciária.

Só em março, a cada dia foram cerca de 3.000 demitidos a deixarem de contribuir. A correção Meirelles/Temer: cassar direitos de quem trabalha de fato, na fase da vida em que mais precisam deles. Com essa usurpação, diminuir o buraco que, em seguida, faz maior.

Mais direitos se vão e menos remuneração haverá por obra do desregramento aplicado à terceirização do trabalho. Se as empresas não ganhassem, em comparação a seu gasto com o empregado formal, não quereriam terceirizados.

Já se sabe, portanto, de quem a aberração Temer tira para dar a quem. É a lógica da aberração Temer: já que do povo não obtém popularidade, dele tomar o que possa.

Não só por ser uma eminência nacional, ou pelos motivos que o fazem sê-lo, Gilmar Mendes não seria esquecido aqui. Ainda mais em seguida à mais recente façanha de sua sábia independência como jurista e juiz: a concessão a Aécio Neves de só depor, no inquérito sobre improbidades em Furnas, depois de conhecer os demais depoimentos.

Assim Gilmar Mendes inventou a maneira mais simples de impedir inquéritos: como os direitos de depoentes são iguais, se todos requererem o mesmo direito dado a Aécio, não poderá haver inquérito, por falta depoimento a ser ouvido. Os acusados da Lava Jato podem usar a invenção nos respectivos inquéritos.

Antes país dos desatinos, agora é o país das aberrações. Afinal, sob protestos, que têm à disposição um futuro convidativo
Herculano
27/04/2017 06:53
COM MAIS DE 80 "TRAIÇÕES" NA REFORMA TRABALHISTA, GOVERNO NÃO TERIA VOTOS PARA APROVAR A PREVIDÊNCIA

Conteúdo do Congresso em Foco. Texto de Edson Sardinha. Projeto passou com 296 votos, 12 a menos do que o mínimo necessário para aprovação da reforma da Previdência. PSB, PP, SD, PMDB e PR foram os aliados que mais se posicionaram contra a reforma. Na oposição, houve apenas uma dissidência. Veja como cada legenda votou

Considerada pelo Palácio do Planalto um ensaio para a votação da reforma da Previdência, a aprovação da reforma trabalhista liga alguns sinais de alerta para o governo. Na sessão deliberativa que consumiu mais de dez horas de discussões e muito protesto nesta quarta-feira (27), os 296 votos dados ao projeto que reformula a legislação do trabalho não seriam suficientes para aprovar a proposta de emenda à Constituição que altera as regras de aposentadoria, pensão e outros benefícios da Seguridade Social. Nesse caso, serão exigidos pelo menos 308 votos em dois turnos de votação. Ao todo, 39 parlamentares faltaram à votação.

Dos 382 deputados de partidos aliados presentes nesta quarta-feira (26), 86 (22,5%) votaram contra o substitutivo do relator Rogério Marinho (PSDB-RN), apoiado pelo governo. Já a oposição deu um único voto a favor da reforma. Dos 91 oposicionistas que votaram, só o pedetista Carlos Eduardo Cadoca (PE) "traiu" a recomendação partidária.

A esperança para o presidente Michel Temer veio do PSB, que havia fechado questão contra as reformas trabalhista e Previdenciária. Diante do painel eletrônico, a bancada na Câmara se dividiu. Dos 30 parlamentares da legenda presentes em plenário, 14 votaram com o governo e 16, contra. Entre os que contrariaram a decisão da direção do partido, está a líder do partido, Tereza Cristina (MS). Segundo ela, há um recurso contra a decisão do comando partidário de se posicionar contra as duas reformas de Temer.

Para evitar a debandada do PSB, o presidente liberou o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PE), para reassumir o mandato e votar favoravelmente à proposta. Ele deve retornar ao ministério ainda nesta semana. O segundo aliado menos fiel foi o PP, que teve nove dissidentes entre os 34 que participaram da votação. O Solidariedade, de Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força Sindical, deu cinco votos a favor e oito contra a reforma. Um desses votos foi registrado pelo próprio presidente licenciado da central.

O PMDB, de Temer, e o PR, do ministro dos Transportes, Mauricio Quintella Lessa (AL), aparecem na sequência, com sete "traições" ao governo. Já o PSD, do ministro Gilberto Kassab, registrou cinco votos contrários à orientação do Planalto.

O DEM deu todos os seus 29 votos possíveis ao governo. Apenas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por restrição regimental, não votou. Já o PSDB teve apenas uma dissidência. Entre os 44 tucanos presentes, a catarinense Geovânia de Sá foi a única a votar contra o projeto relatado por Rogério Marinho (PSDB-RN), integrante da bancada.

Veja como cada partido votou:

Posição Partido Sim Não Votantes
governo DEM 29 29
governo PEN 2 1 3
governo PHS 2 4 6
governo PMDB 52 7 59
governo PP 34 9 43
governo PPS 6 3 9
governo PR 28 7 35
governo PRB 15 4 19
governo PROS 1 4 5
governo PSD 29 5 34
governo PRP 1 1
governo PSB 14 16 30
governo PSC 8 2 10
governo PSDB 43 1 44
governo PSL 1 1 2
governo PTB 13 4 17
governo PTdoB 1 3 4
governo PTN 7 5 12
governo PV 4 2 6
governo SD 5 8 13
independente PMB 1 1
oposição PCdoB 0 9 9
oposição PDT 1 15 16
oposição PSOL 6 6
oposição PT 56 56
oposição Rede 4 4
296 177 473
Herculano
27/04/2017 06:49
LICITAÇÃO DO BB LEMBRA QUE DINHEIRO NA MÃO DO ESTADO É VENDAVAL, por Roberto Dias, no jornal Folha de S. Paulo

A licitação da publicidade do Banco do Brasil é um tapa na cara de qualquer um que espere bom senso dos que lidam com dinheiro público. Com o resultado adiantado à Folha, a maior concorrência deste governo serviu para mostrar que certas coisas são imutáveis.

Uma dessas coisas é a cara de pau. Um episódio assim no meio das delações só não causa mais espanto porque o encavalamento de rolos está longe de ser incomum. No mesmo dia da revelação, o STF discutia como acusados na Lava Jato mantiveram esquemas ao mesmo tempo em que eram julgados no mensalão.

Outra dessas coisas imutáveis é a convicção de que dinheiro na mão do Estado tende a ser alocado de maneira menos eficiente do que em mãos privadas ?"o saldo negativo para a sociedade pode ser resultado tanto de gestão frouxa como de corrupção.

Só que, para cada problema, a solução que aparece aumenta o papel do Estado na questão. As últimas semanas são generosas em exemplos:

1) Delações destampam o submundo da relação entre empreiteiras e políticos? A proposta que avança é a que retira as empresas da equação e engorda a artéria de dinheiro público a irrigar as campanhas.

2) O governo tem problemas para fechar suas contas? A saída é aumentar a transferência de dinheiro do setor privado para Brasília.

3) Uma nova tecnologia desmonta os feudos dos taxistas e melhora a vida de quem precisa se locomover? Pois logo vem o Estado a criar mais regras (os códigos legais não bastavam?) e, claro, uma nova taxa.

O caso desta semana é ilustrativo também sob outro prisma. O Banco do Brasil não é a maior instituição financeira do país. Ainda assim, tanto ele quanto a Caixa aparecem seguidamente à frente dos concorrentes privados nos rankings de anunciantes. Foi na publicidade do BB, vale lembrar, que o mensalão apoiou uma de suas pernas. O colo da Viúva é sempre o mais largo de todos.
Herculano
27/04/2017 06:44
VEJA QUEM DE SANTA CATARINA VOTOU CONTRA A REFORMA DA TRABALHISTA, A FAVOR DO PELEGUISMO E CONTRA OS AVANÇOS DO SÉCULO 21 NA RELAÇÃO DE TRABALHO

Os dois deputados do PT, Pedro Uczai e Décio Neri de Lima, até ai nenhuma novidade. Esperidião Amim Helou Filho, PP, o que diz defender a livre iniciativa, se elege com os votos dos trabalhadores mas só representa os interesses dos funcionários públicos. Jorge Boeira, PP, de origem petista. Carmem Zanoto, PPS, votante contumaz contra Michel Temer, PMDB, mas não contra o Dilma Vana Rousseff, PT, e Giovânia de Sá, PSDB, o único voto dissidente dos tucanos na Câmara. Apareceu.
Joaquim Nabuco
26/04/2017 22:04
Herculano

Apareceram mais 13 que receberam caixa 2 da Odebrecht, um dos codinomes é o MANQUINHO. Alguém conhece ele, andou e anda muito aqui por Gaspar. Será que contaminou os daqui?Como diz o Gilberto, ui, ui, ui, ui... e eu digo, ai, ai, ai, ai, ai...
Herculano
26/04/2017 17:44
PALOCCI BLEFA OU VAI DAR UMA DE DELCÍDIO DO AMARAL?

Segundo O Antagonista, Antonio Palocci fechou contrato com o advogado Adriano Bretas para negociar sua delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato.

O italiano rompeu a Omertà petista.

Segundo O Antagonista, Palocci já preparou o cardápio de denúncias que oferecerá à Lava Jato. Tem para todos os gostos e dará bem mais que um ano de investigações.
Herculano
26/04/2017 16:37
NÃO ACREDITE EM TUDO O QUE VOCÊ VÊ NO SENADO, por Josias de Souza

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira proposta que acaba com o foro privilegiado, enviando para a primeira instância do Judiciário os políticos e autoridades que cometem crimes comuns. Antes que você comece a celebrar, vai aqui um conselho: mantenha os fogos na gaveta e o champanhe na geladeira. Do contrário você pode se decepcionar. São nulas as chances de uma proposta como essa virar lei rapidamente.

Há na CCJ do Senado uma dezena de enrolados na Lava Jato. O mais notório é Edison Lobão, que preside o colegiado como se tivesse pele de cordeiro. "A pressa é inimiga da perfeição", disse Lobão, ao perceber que companheiros de infortúnio como Renan Calheiros e Jader Barbalho embarcavam na canoa do foro por pura irritação. Os membros da bancada da Lava Jato estavam de cabeça quente. Irritaram-se com mudanças feitas numa outra proposta, que acabara de ser aprovada por unanimidade. Trata-se do projeto sobre abuso de autoridade.

De autoria de Renan, o projeto foi aprovado depois que o relator Roberto Requião concordou em passar uma borracha no trecho que abria brecha para a punição de juízes e procuradores por conta de mera divergência na interpretação da lei. A coisa era vista como ameaça pela força-tarefa da Lava Jato. Houve intensa pressão nas redes sociais. Retirado o bode que interessava a Renan e sua infantaria, a proposta passou suavemente, em votação simbólica.

Aproveitando o embalo, os defensores do fim do foro privilegiado foram ao microfone. Os senadores Ronaldo Caiado e Randolfe Rodrigues recordaram que o Supremo Tribunal Federal está na bica de aprovar, em maio, uma interpretação que restringirá o direito ao foro especial. Se vingar a nova interpretação, a Suprema Corte passaria a julgar políticos e autoridades apenas por crimes praticados durante e em função do exercício dos mandatos ou dos cargos públicos. O grosso da turma da Lava Jato desceria para o primeiro grau ?"uma parte cairia no colo de Sergio Moro.

Atordoados com a derrota na votação do texto sobre abuso de autoridade, a turma de Renan decidiu, por assim dizer, chutar o balde. Embarcou na canoa do fim do foro porque, excetuando-se os chefes dos três Poderes, a proposta prevê o fim da prerrogativa para todas as autoridades, inclusive para juízes como Sergio Moro e ministros do Supremo. Foi como se a banda dos investigados entoasse o refrão composto por Romero Jucá: "Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada."

Para que a suruba seja organizada, a proposta aprovada pela CCJ terá de ser aprovada pelo plenário do Senado em dois turnos de votação. Se isso acontecer, o texto segue para a Câmara. Será debatido nas comissões antes de ser pendurado na pauta do plenário. Ali, precisa passar por mais dois turnos de votação. Quer dizer: vai ficar para as calendas.

Assim, se você não quiser fazer papel de bobo, recomenda-se colocar na vitrola aquela música do grupo Mamonas Assassinas, que virou hit de festas infantis na década de 90. O verso mais pungente fala do drama de uma alma inocente que se meteu numa suruba: "Já me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém." Cuidado, a distância mais segura que você pode manter da suruba do Congresso é a urna de 2018.
Herculano
26/04/2017 16:34
POR QUE OS FILHOS DE ADRIANA ANCELMO SÃO MELHORES DO QUE O DE OUTRAS PRESAS? NÃO SÃO! JUSTIÇA ANALISA RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO E MANDA ELA DE VOLTA PARA A CADEIA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Mariana Sallowicz, do Rio, Julia Affonso e Fausto Macedo, de São Paulo. Primeira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) mandou nesta quarta-feira, 26, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo de volta para a penitenciária de Bangu. Mulher do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), Adriana estava em prisão domiciliar por ordem do Superior Tribunal de Justiça.

Advogada, Adriana é acusada de envolvimento do esquema milionário de propinas atribuído a Sérgio Cabral.

Os desembargadores Abel Gomes, Paulo Espírito Santo votaram a favor do retorno dela à prisão na tarde de hoje. O desembargador Ivan Athié ainda irá votar, mas a decisão já está tomada por maioria.

"O Estado deve assegurar o direito das mulheres de terem contato com os filhos e que o bem-estar das crianças deve ser garantido, mesmo estando a mãe em instituição prisional", disse em seu voto o relator Abel Gomes.

O julgamento ocorreu após questionamento apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. O magistrado concedeu a mudança no regime prisional em 17 de março.

A ex-primeira-dama foi presa em 6 de dezembro do ano passado.

Em março, a prisão preventiva de Adriana foi convertida em domiciliar pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio. A decisão de Bretas foi depois cassada pelo desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Em seguida, o Superior Tribunal de Justiça cassou a decisão do desembargador e restabeleceu a ordem de Bretas.
Herculano
26/04/2017 15:05
GULOSOS INSACIÁVEIS.

A confirmar que não foram apenas cinco, mas 18 políticos, intermediários e assessores desses políticos candidatos, incluindo vereadores, a receberem R$6,7 milhões da Odebrechet, Blumenau é a cidade proporcionalmente ao seu número de habitantes a mais envolvida com a empreiteira.

Será que Gaspar escapou?
Herculano
26/04/2017 14:56
EMÍLIO NO PAÍS DAS MARAVILHAS, porr Percival Puggina.

Sentado para não cair, em meio a um turbilhão de emoções, assisti às declarações e respostas de Emílio Odebrecht ao juiz Sérgio Moro. Misturavam-se em mim a inquietação, a insegurança, a tristeza cívica, o constrangimento e um duplo sentimento de vergonha.

Sentia vergonha pessoal, porque aquilo afetava a imagem do Brasil, e vergonha alheia, ante o que tal ato dizia do dono da maior construtora nacional e de boa parte de nossa elite política. Envergonhava-me deles e por eles. Emílio, bem ao contrário, espargia bonomia, doçura de ânimo e complacência. Era como se sua presença ali fosse uma dessas cortesias que os príncipes por vezes concedem aos súditos, algo tipo - "Fique à vontade, meritíssimo, aproveite que vim".

Foi então que me veio à lembrança John Milton. O terrível John Milton. Para quem não lembra, ele é o personagem representado por Al Pacino em O Advogado do Diabo, naquela que, indiscutivelmente, constitui sua mais soberba atuação nas telas. John é o dono do escritório de advocacia onde vai trabalhar Kevin Lomax (Keanu Reaves), um bastante ingênuo advogado interiorano a quem o chefe sedutor, pouco a pouco, revela sua total ausência de senso moral. É claro que falta a Emílio Odebrecht a capacidade de interpretação. Aliás, essa falta agrava sua situação. Em momento algum tentou ele interpretar certo papel ou seguir determinado roteiro. Satisfez-se com se apresentar, tal como é, confiante e sorridente. O que o separa de John Milton, a sofisticada encarnação do demônio em O Advogado do Diabo? Apenas a distância que medeia entre a ficção e a realidade. Estamos, porém, diante da mesma potência maligna, da mesma capacidade de perverter e da mesma irrestrita falta de consciência. É ela que lhe permite afirmar perante a justiça e a nação, confortável perante os fatos, que lhe tomou bilhões, a riso largo e mão grande.

Era inevitável seu encontro com Lula. Nascidos um para o outro. Essencialmente diferentes e essencialmente semelhantes. Diferentes na forma, semelhantes no conteúdo. Daí reservar-lhe o mais gentil apelido - "Amigo". Daí a falta de cerimônia deste, tornando-o capaz de pedir à maior empreiteira do país para lhe reformar um pequeno sítio em Atibaia (algo como solicitar carona a um porta-aviões - "Me leva até ali e depois vai para lá"). Daí pagar fortunas por palestras para assegurar ao amigo uma vida de nababo. Daí as franquias com que o ex-presidente foi agraciado. Qualquer um dos dois poderia repetir, sem qualquer constrangimento, a frase atribuída a Homer Simpson - "A culpa é minha e eu a ponho em quem quiser".

Não é o que ambos fazem?
Herculano
26/04/2017 14:54
UNIVERSIDADES PÚBLICAS PODEM COBRAR MENSALIDADE DE ESPECIALIZAÇÕES DECIDE O SUPREMO

Conteúdo do Estado de S. Paulo. Texto de Breno Pires e Rafael Moraes Moura, da sucursal de Brasília. Por 9 a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, 26, que as universidades públicas poderão cobrar mensalidade em cursos de pós-graduação lato sensu. A decisão do STF vale para cursos de pós-graduação lato sensu, conceito que abarca os cursos de especialização como os MBAs. Não se aplica a mestrados e doutorados ofertados em instituições públicas, que seguem gratuitos.

O entendimento firmado pela Corte foi o de que a garantia constitucional da gratuidade de ensino não impossibilita a cobrança, por universidades públicas, de mensalidade em curso de especialização.

"A universidade pode contar, por expressa previsão constitucional, com recursos de origem privada. Ademais, embora as universidades não disponham de competência para definir a origem dos recursos que serão utilizados para a manutenção e desenvolvimento do ensino, podem elas definir quais são as atividades de pesquisa e extensão passíveis de realização em regime de colaboração com a sociedade civil", defendeu o ministro Edson Fachin, relator do processo. "É evidente que as universidades não são completamente livres para definir suas atividades. O desempenho precípuo de suas funções exige que, no mínimo, a completa realização daquelas que se relacionem com a manutenção e o desenvolvimento do ensino. Nada impede que, para além dessas atividades, possa a universidade definir outros cursos para a comunidade, cursos de extensão sobretudo, que, embora se relacionem ao ensino, guardam independência em relação a ele."

Acompanharam o relator os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Luiz Fux e a presidente do STF, Cármen Lúcia.

"Temos de repensar o Brasil, colocando na ponta a educação", ressaltou Cármen. "Não se está obrigando que (o curso de especialização) seja gratuito ou não se está obrigando o pagamento, apenas se está permitindo (a cobrança de mensalidade), inclusive a universidade podendo ter cursos de extensão cobrados em alguns casos e gratuitos em outros", observou a presidente do STF.
No caso em discussão, a Universidade Federal de Goiás (UFG) recorreu de decisão desfavorável do Tribunal Regional Federal da 1ª-Região, que considerou inconstitucional a cobrança da mensalidade. Um dos alunos havia conseguido na Justiça Federal de Goiás uma decisão contra a cobrança, mesmo depois de já ter efetuado a matrícula.

A UFG alegava que nos dispositivos constitucionais sobre o direito social à educação não estão incluídos os cursos de pós-graduação lato sensu. Como o processo tem repercussão geral, o entendimento firmado pelo STF valerá para casos similares em todo o País.

Híbrido. O único voto contrário à possibilidade de cobrança de mensalidade foi proferido pelo ministro Marco Aurélio Mello. O ministro Celso de Mello não compareceu à sessão.

"A gratuidade é o toque de caixa que estabelece o acesso alargado, não beneficiando apenas aos mais afortunados dos cidadãos em geral. Há um ensino que se diz até aqui público, e não híbrido", disse Marco Aurélio. "A universidade há de prestar um serviço educacional a partir das receitas previstas expressamente, e as universidades por serem públicas, hão de viabilizar, sem necessidade de qualquer pagamento, o acesso dos cidadãos em geral."

Para Marco Aurélio, a partir de agora, as universidades públicas serão entidades híbridas, sendo a um só tempo públicas e privadas, "mediante a cobrança desses cursos, que somente estarão ao acesso daqueles que possam pagar a mensalidade"
Sidnei Luis Reinert
26/04/2017 12:14
As próximas jogadas reformistas de Temer


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

No Brasil Capimunista-rentista, sob hegemonia do Crime Institucionalizado, em que a maioria esmagadora da politicagem é eleita através da compra de votos patrocinada pela pelo caixa dois da corrupção com dinheiro público, fica fácil compreender a fórmula nada mágica para conquistar, se manter e ampliar o poder no "troninho ococlástico" do Palácio do Planalto. O fundamental é negociar e evitar tensões com o Congresso, formando uma base cinicamente pragmática. Dilma Rousseff foi golpeada (levando o godfather $talinácio junto) porque, além de incompetente e radicalóide, não soube gerenciar este sistema. Michel Temer mostra que sabe...

Embora siga impopular ?" porque sua imagem é identificada como a de um "parceiro-traidor" do desgoverno Dilma -, Temer aparentemente segue bem sucedido na relação acomodada com o Congresso Nacional. Os objetivos reformistas do maridão da bela Marcela vão se tornando realidade. Mais rápido que o esperado ?" porque a politicagem tem pressa para sobreviver em tempos de Lava Jato -, Temer consegue aprovar, do jeito que dá, suas principais "reformas": a das leis trabalhistas e a da Previdência Social. A primeira em ritmo acelerado. A segunda ainda vai render muita polêmica, pois mexe com grandes interesses corporativos arraigados no setor público.

Estrategicamente, a trabalhista é a mais importante para os grupos econômicos que sustentam Michel Temer. Motivo simples: as mudanças atacam o sistema de financiamento da velha máquina sindical que sustenta a petelândia e afins. O objetivo principal nesta "guerra particular" parece próximo de ser atingido: acabar com o famigerado Imposto Sindical. Realmente, não é justo obrigar o trabalhador a descontar um dia trabalhado por ano em favor de um sindicato que, na realidade prática, nem sempre lhe bem representa. Esta regra vai passando fácil na tramitação da reforma trabalhista no Congresso.

Os sindicalistas de resultado da petelândia alopram porque o plano "temerário" tem lances simbólicos de marketing. Ontem, em reunião histórica, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo resolvei apoiar o fim da "Contribuição Sindical" compulsória. A Diretoria e os presidentes e delegados de sindicatos que compõem a Fiesp aprovaram por unanimidade que as entidades abram mão dessa receita "em nome da crença em um país mais eficiente e moderno".

Um comunicado assinado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aquele da campanha do "patinho Amarelo", destacou: "Ao tomar essa decisão, a Fiesp se mostra coerente com sua luta contra tantos impostos, burocracia, paternalismo e Estado cartorial. O Brasil vive um momento que pede mudanças, para a construção de instituições e relações mais modernas. A hora é de meritocracia. A Fiesp mantém a coerência mesmo quando isso significa a redução de sua própria arrecadação".
O Alerta Total já antecipou na segunda edição de ontem: Depois de aprovar as reformas trabalhista e da previdência, os estrategistas de Temer já articulam uma "surpresa" para 2018. O Presidente pretende liderar uma campanha em defesa de uma Assembléia Constituinte para reformular pontos obscuros da confusa Carta de 1988.

A perigosa ironia da História é que, por tal proposta, a Constituição seria mudada pela mesma base política hegemônica que a concebeu. Isto é pura sacanagem... Mais irônico ainda: a proposta pode contar com apoio de militares que não desejam apoiar a solução efetiva: uma Intervenção Constitucional completa. Sem desgastar diretamente as Forças Armadas com qualquer medida que "pareça um golpe", os generais apenas querem impedir a convulsão social que se delineia no horizonte perdido, com risco de explosão incontrolável de violência que pode provocar até a desintegração nacional.

A intenção temerária de "reforma constitucional" é insuficiente. O Brasil precisa de uma completa Intervenção Constitucional, para reinventar nosso modelo estatal. O plano de Temer só comprova que vem amadurecendo a real proposta intervencionista ?" combatida e sistematicamente desmoralizada por ideólogos e direitistas de canhota que dependem do permanente caos para faturarem uma graninha, iludindo gente sem-noção.

È excelente que as "vanguardas do atraso" estejam com medinho... Sinal de que o Brasil começa a ser passado a limpo, mesmo aos trancos e barrancos, em meio ainda a muitos erros e poucos acertos. Felizmente, os segmentos esclarecidos da sociedade, interligados em redes sociais, começam um debate democrático salutar por mudanças estruturais no Brasil.

O jogo é jogado... Lava Jacta est... Azar de quem está piscando...
Herculano
26/04/2017 11:55
1% DE PROPINA DO SAPO BARBUDO

Conteúdo de O Antagonista. Lula, ou "Sapo Barbudo", mandou Antonio Palocci cobrar 1% de propina das empreiteiras com contratos na Sete Brasil.
O fato foi relatado por Rogério Araújo, delator da Odebrecht.

O Estadão destacou um trecho de seu depoimento:
"O Pedro Barusco voltou para mim e falou: 'olha, esse 1% vocês vão ser procurados por um interlocutor do PT, porque?', ele até usou um termo, 'Sapo Barbudo', o ex-presidente Lula, 'deu uma instrução', isso que ele me disse, 'que o 1% vai ser todo pago para o PT, porque não querem empresas estrangeiras pagando esse dois terços para o PT, ele tem confiança na Odebrecht'"

Os delatores da Odebrecht disseram que Lula, o "Sapo Barbudo", mandou Antonio Palocci cobrar 1% de propina pelas sondas da Sete Brasil e repartir o butim entre os integrantes do esquema: 1/3 para cada lado.
Isso bate perfeitamente com o relato feito pelo próprio Antonio Palocci a um advogado que negocia seu acordo com a Lava Jato.

Segundo o Valor, ele disse que 1/3 da propina da Sete Brasil foi dividida entre ele e Lula e os outros 2/3 foram para os operadores do esquema.

Pedro Barusco poupou o Sapo Barbudo, ou Lula, em seu acordo com a Lava Jato.

Ele precisa ser preso novamente.

O Sapo Barbudo vai coaxar hoje à tarde.

Paulo Gordilho, Roberto Moreira Ferreira e Fábio Yonamine, diretores da OAS, serão interrogados pelo juiz Sergio Moro.

Eles cuidaram da reforma da cobertura no Guarujá e do sítio de Atibaia.

A Lava Jato topa negociar um acordo com Antonio Palocci.

Um investigador disse ao Valor:
"Em princípio, as portas estão abertas".
Antonio Palocci precisa entregar, porém, Lula e um monte de tubarões.

Disse outro investigador:
"É preciso sempre pensar: ou é um peixinho por um cardume, ou um peixinho por um tubarão. No caso dele [Palocci], já é um peixão. Então, o ônus para justificar eventual acordo dele é maior. É diferente de fazer acordo com um operador, que é um personagem secundário".
Herculano
26/04/2017 07:42
GOOGLE MODIFICA ALGORITMO DE BUSCA PARA COMBATER NOTÍCIA FALSA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Nelson de Sá. Na terceira ação em seis meses contra a proliferação de notícias falsas em suas plataformas, o Google anunciou nesta terça (25) mudanças no algoritmo de busca para destacar "páginas com mais autoridade" e rebaixar "conteúdo de pouca qualidade".

É o principal serviço do Google, que domina 90% das buscas mundiais. O algoritmo - conjunto de regras e operações para chegar a um resultado - passou por melhoria nos "métodos de avaliação" para responder expressamente ao "fenômeno das 'fake news'".

Em entrevista à Folha, o vice-presidente mundial de Engenharia do Google, Ben Gomes, explicou que a mudança do algoritmo foi feita por tentativa e erro, com base nas respostas de 10 mil avaliadores contratados para acompanhar a qualidade dos resultados.

É o processo de atualização constante do algoritmo, que em 2016, por exemplo, levou a 600 mudanças. Desta vez, a novidade é que o Google alterou as diretrizes dadas aos avaliadores - distribuídos pelo mundo- para que identificassem informações falsas.

"Nós estávamos vendo problemas com conteúdo enganoso e incorreto, ou de ódio, então adicionamos às diretrizes, para os nossos avaliadores prestarem atenção e apontarem as páginas que viam como de baixa qualidade", diz Gomes.

"Isso significa que, quando o algoritmo passa por uma modificação, se essas páginas forem rebaixadas nos resultados de busca, ele será considerado melhor pelos avaliadores. É um processo por amostragem."

Gomes acrescenta que "isso não quer dizer que tudo [conteúdo falso] vai desaparecer, mas significa que o Google vai se manter na dianteira desse jogo", lembrando que desde o surgimento do serviço de busca existem "pessoas tentando enganar os sistemas".

Reprodução
Google introduz mudanças na ferramenta de autocompletar buscas, para ampliar avaliação dos usuários
Também foram feitas mudanças na ferramenta de autocompletar, para ampliar avaliação pelos usuários
Paralelamente, o Google anunciou nesta terça a ampliação das avaliações diretas dos usuários sobre as ferramentas de autocompletar (o preenchimento automático da frase de busca iniciada pelo usuário) e de trechos (o destaque de uma página explicativa no alto da busca).

Essas respostas obtidas diretamente junto aos usuários não serão usadas para alterar de imediato as buscas, mas para alimentar eventuais mudanças futuras no algoritmo.

Em outubro, o Google fez seu primeiro movimento contra notícias falsas, alterando a plataforma de publicidade AdSense para evitar repasse de dinheiro a sites identificados como enganosos. Depois, acrescentou serviços de checagem de informação às plataformas de notícias e de busca.
Herculano
26/04/2017 07:38
OS LIMITES DA NEGOCIAÇÃO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Depois de ceder até em alguns pontos da reforma da Previdência que considerava intocáveis, o presidente Michel Temer anunciou que as negociações estão encerradas e que, agora, a base governista no Congresso tem de se empenhar ao máximo para aprovar a emenda constitucional. Ao traçar essa linha, Temer esclarece que o projeto não pode mais ser modificado, sob pena de torná-lo inócuo para a pretendida reversão do colapso do sistema previdenciário e, por extensão, das contas públicas. Daqui em diante, e essa é a mensagem presidencial, cabe aos parlamentares apoiar ou rejeitar a reforma tal como ela está, e cada um deve arcar com as consequências de sua decisão, considerando que a rejeição às mudanças na Previdência resultará na drenagem de recursos de áreas cruciais para o desenvolvimento do País, como saúde e educação, para honrar o pagamento de aposentadorias.

"Não vamos mais ceder na reforma da Previdência", disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Vamos com esse texto para ganhar ou perder. Temos responsabilidade com o Brasil e as futuras gerações. Quebraram o Brasil." O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), também afirmou que "não há espaço para concessão". Ribeiro deu a declaração depois de ter participado de uma reunião de três horas, no domingo passado, entre ministros e líderes da base aliada com Temer. Nesse encontro, foram traçadas as estratégias para arregimentar os votos necessários à aprovação. Não será uma tarefa fácil, especialmente porque nem mesmo o partido do presidente, o PMDB, aceitou "fechar questão", isto é, determinar que todos os seus parlamentares votem a favor da reforma. Diante disso, é natural que os demais partidos governistas também relutem em garantir ao presidente amplo apoio ao projeto.

Como Temer aposta a sobrevivência de seu governo na aprovação das reformas, em especial a da Previdência, a base governista, grande parte da qual reconhecidamente fisiológica, farejou aí a oportunidade de arrancar do presidente mais e novas concessões, e mesmo assim nada disso é garantia de aprovação. O receio de traições é tão grande que a ordem de Temer é que, a partir de agora, ministros só recebam parlamentares ?" e ouçam seus pleitos ?" depois que estes votarem a favor do governo nas matérias de interesse do Palácio do Planalto.

Nominalmente, o governo tem uma base com mais de 400 deputados na Câmara, número muito acima dos 308 necessários para aprovar a reforma da Previdência. Essa base foi construída por meio do tradicional toma lá dá cá, em que a Esplanada dos Ministérios se encheu de ministros "políticos", isto é, de apadrinhados de partidos governistas, na presunção de que estes votariam em peso a favor do governo. Mas o momento crítico da economia, a impopularidade de Temer e o avanço do discurso da oposição, segundo o qual as reformas acabarão com direitos sagrados dos brasileiros, tornam esse apoio incerto.

Um exemplo é o PSB, que havia sido contemplado com o Ministério de Minas e Energia, mas decidiu "fechar questão" contra as reformas trabalhista e previdenciária. Não é o único partido aliado a reconsiderar seu voto. Levantamento do Basômetro, ferramenta do Estado que mede a fidelidade ao governo no Legislativo, mostra que o apoio a Temer caiu de 91% em julho de 2016 para 79% agora. Ainda é uma taxa alta, mas está claro que a margem de segurança que o governo tinha no ano passado, quando aprovou o teto dos gastos públicos, estreitou-se perigosamente.

O jogo político, portanto, mostra-se ainda mais desafiador do que já seria, naturalmente, em se tratando de uma reforma polêmica como a da Previdência. Até aqui, Temer se saiu razoavelmente bem no diálogo com os parlamentares, mas agora, sob a atmosfera trevosa da Lava Jato e diante de um eleitor cada vez mais abespinhado com os políticos, o presidente terá de usar todo o seu conhecimento do Congresso para garantir que a reforma da Previdência não morra na praia, afogada por interesses alheios aos do País, e que seja efetiva - e não desfigurada pelo populismo.
Herculano
26/04/2017 07:35
CHOCA SABER QUE TEMER "SATANISTA" INFLUENCIOU ESTRATÉGIA DE CAMPANHA, por Ranier Bragon, no jornal Folha de S. Paulo

Só faltava mesmo o Tinhoso para completar a história.

Uma torrente de delações devasta sem dó partidos de A a Z, políticos que encheriam Sodoma e Gomorra derretem sob o fogo da Lava Jato ?"logo, nada mais natural que o Capiroto esteja metido na coisa.

Marqueteiro de Lula e Dilma, o agora delator João Santana diz que escondeu Michel Temer na campanha de 2014 porque pesquisas internas apontavam queda nas intenções de voto quando o então candidato a vice na chapa do PT dava as caras.

O motivo? A ligação da imagem de Temer com o "satanismo" - o que, teria dito o marqueteiro, deriva de supostos escritos do século 17.

Salvo um mirabolante desmentido histórico, e talvez bíblico, a lorota relacionada ao hoje presidente surgiu com algum destaque nas eleições de 2010, quando ele figurou pela primeira vez na chapa de Dilma.

Tratada com ares de reportagem em sites evangélicos e em páginas de desocupados, a dúvida sobre Temer ser mesmo um adorador das trevas levou a campanha do PT e o candidato a vice a tentarem minimizar o estrago causado na ala de desmiolados impactada pela "notícia".

E, a se fiar nas palavras de Santana, essa ala existe, é numerosa e possivelmente advogue raspar a cabeça do presidente em busca do número da Besta. O abalo à imagem do peemedebista perdura até hoje. Desde então, Temer tem tentado reforçar a fé cristã que diz professar.

No discurso de posse em 2016, porém, ele teve um acesso de tosse e mudou o tom de voz justamente quando pronunciava a palavra "encomendados". Produziram-se vídeos de rolar de rir, com música tétrica ao fundo e a indicação de que ali era possível ouvir o Anticristo encomendando a alma dos desavisados.

Muito mais sem graça que isso é constatar que um disparate que deveria habitar tão somente o campo do humor seja levado a sério a ponto de influenciar estratégias de uma campanha presidencial.
Herculano
26/04/2017 07:30
PALOCCI DEVE DELATAR LULA, EMPRESÁRIOS E BANQUEIROS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros.

O ex-ministro Antonio Palocci deverá incluir em sua delação, além do ex-presidente Lula, pessoas que se beneficiaram do esquema de corrupção nos governos petistas. Do tipo frio, calculista, que não se emociona por nada, Palocci deve envolver empresários, inclusive da área de comunicação, e banqueiros que se locupletaram de decisões do governo. Palocci estaria com sede de vingança, dizem fontes do PT.

HORA DA FORRA
Palocci pretende se vingar de Lula e dos banqueiros e empresários que não o "protegeram" e nem o ajudaram após sua prisão, em outubro.

ABANDONO É CRIME
A um advogado, Palocci disse que não vai "pagar esse pato sozinho", queixando-se de que Lula e demais "parceiros" o abandonaram.

MAIS UM ANO
Quarta (19), Palocci surpreendeu ao se colocar à disposição para "colaborar", prometendo material para "mais um ano" de Lava Jato.

CONSULTORIA GRÁTIS
O MPF pressiona, mas foram as conversas com Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro, na carceragem da PF, que persuadiram Palocci a delatar.

DEPUTADOS VENEZUELANOS PEDEM ASILO AO BRASIL
Dois deputados da Assembleia Nacional da Venezuela, perseguidos pelo regime autoritário de Nicolás Maduro, negociam asilo político no Brasil. As tratativas, em caráter sigiloso, começaram no fim de semana. Consultado, o presidente Michel Temer não se opôs à concessão do status de asilados aos deputados e família, até porque é da tradição da diplomacia brasileira acolher perseguidos políticos em outros países.

CERCO ARMADO
Os parlamentares venezuelanos e suas famílias têm sido aterrorizados pela polícia política e grupos bandidos armados pelo governo Maduro.

FLAGRANTE
Em seu Twitter, o deputado oposicionista Tomás Guanipa divulgou imagens de bandidos armados por Maduro rondando a sua casa.

O CASO MOLINA
O ex-senador boliviano Roger Molina, perseguido pelo cocaleiro Evo Morales, asilou-se na embaixada do Brasil em La Paz por 455 dias.

TALENTO EXUBERANTE
A agência Multi Solution venceu a maior licitação de publicidade do governo Michel Temer com um slogan que já virou piada no mercado: "Banco do Brasil, Digital etc e tal." Verba de R$ 500 milhões por ano. O bom senso prevaleceu e o governo mandou o BB anular a licitação.

DEMITA-OS, PRESIDENTE
O Banco do Brasil, o maior do País, quase contratou uma agência de propaganda desconhecida, pequena, para gerir sua marca e competir no mercado. Por baixo, é irresponsabilidade. Por cima, pode ser tudo.

FANTASIA E REALIDADE
A vitória folgada do governo, ontem, na comissão especial de Reforma Trabalhista, mostrou a diferença entre a fantasia, que sempre ocupa a maior parte do noticiário, e a realidade do que acontece na Câmara.

VIVA A IMPUNIDADE
Os servidores parecem desobrigados de cumprir a lei. Na Câmara, uma centena deles participou de protesto no horário do expediente, proibido pela Lei 8112. A mesma que lhes garante estabilidade e impunidade.

NOTA SOCIAL
À exceção de Michel Temer, do ministro Mendonça Filho (Educação) e dos senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e João Alberto (PMDB-CE), todos os políticos com mandato que foram ao aniversário de 87 anos de José Sarney, segunda-feira (24), são citados na Lista Fachin.

QUEM SE IMPORTA?
Afora Izalci (PSDB) e Érica Kokay (PT), parlamentares do DF faltaram à sessão do aniversário de Brasília, na Câmara. Apareceram poucos, como o ex-governador Paulo Octavio, um apaixonado pela cidade que o avô da sua mulher, Anna Christina Kubitschek, fundou há 57 anos.

INSURREIÇÃO BANDIDA
A presepada de Roberto Requião (PMDB-PR), que pretende punir "abuso de autoridade", foi criticada pelo senador Lasier Martins (PSD-RS), que prevê a insurreição de bandidos contra o Judiciário.

INIMPUTÁVEIS E ENCOSTADOS
Índios violentos agenciados por ONGs, inclusive estrangeiras, tocaram novamente o terror em Brasília, atacando policiais a flechadas. Esses delinquentes aculturados vivem em cidades, mas são "inimputáveis".

PENSANDO BEM...
...nos velhos tempos do governo do PT, não havia protestos de índios como o de ontem. Até isso a Odebrecht "resolvia".
Herculano
26/04/2017 07:02
NÃO ADIANTA. ESTÁ NO DNA DO PARTIDO MAIS ÉTICO DO BRASIL. PT CANCELA ELEIÇÃO EM CINCO CIDADES APóS IDENTIFICAR MORTOS QUE VOTARAM

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Cátia Seabra. A Executiva estadual[de São Paulo] do PT cancelou a eleição de seus dirigentes em quatro municípios de São Paulo após a identificação de mortos entre os votantes. Nesta segunda-feira (24), a direção do PT anulou os votos para os diretórios das cidades de Arandu, Brotas, Uchoa, Platina e Catanduva.

A Folha revelou nesta sexta (21) que quatro mortos estavam na lista dos eleitores do 6º Congresso do PT na cidade de Arandu. Outros quatro, em Catanduva. Segundo relação de votantes da primeira etapa da disputa pelo comando petista, os 74 militantes aptos a votar em Arandu participaram da eleição petista do dia 9 de abril, incluídos os mortos.

Após apuração, foram identificados ainda mortos entre os votantes de Brotas, Uchoa e Platina. A eleição foi cancelada em outros sete municípios por motivos distintos, como falta de quorum.

No município de Platina, na região de Assis,106,7% dos filiados aptos a votar foram às urnas na eleição petista. Segundo a lista, 45 moradores de Platina teriam direito a voto e 48 votaram. Desse total, 41 escolheram a chapa da CNB (Construindo um Novo Brasil), a maior força interna petista.

Em Catanduva, integrantes do movimento Muda PT ?"de oposição à maior corrente partidária?" produziram um vídeo que traz o momento em que um militante é flagrado carregando a urna minutos antes do encerramento da votação. Ele reaparece uma hora depois. Nesse ínterim a relação dos votantes dessa urna subiu de 48 para 248. Essa urna foi cancelada, invalidando a eleição na cidade.

RECURSOS

A Executiva estadual não acatou, porém, o recurso em que o deputado estadual José Américo Dias, da corrente Optei, pede acesso às listas de votação em 99 municípios, afirmando haver evidência de irregularidade.

Ainda segundo o recurso, esses diretórios "registraram 7.173 votos, o que equivale a aproximadamente 16% do total de votantes em todo o Estado (46.157)".

De acordo com o levantamento, "neste conjunto de diretórios sob suspeita, há um grupo de 51 em que a votação atingiu a soma improvável de 70% ou mais do total de filiados aptos a votar, sendo em sete deles o número de votantes foi de incríveis 100%".

Apenas duas chapas somaram 3.857 votos, perfazendo quase 70% dos votos nessas cidades.

A Executiva estadual também não acatou recurso no qual o ex-prefeito de Guarulhos Elói Pietá pede perícia grafotécnica sobre assinaturas atribuídas a 400 participantes da eleição da cidade, devido à semelhança de caligrafia.

Os autores desses recursos recorrerão ao comando nacional do PT, que se reunirá nesta quarta-feira (27).

No domingo (23), a Democracia Socialista divulgou nota com críticas às fraudes nas eleições internas, acusando seus responsáveis de desrespeito à democracia interna.

"Lutaremos contra fraudes e fraudadores que buscam o caminho oposto, o de bloquear a reconstrução vigorosa do PT como partido socialista e democrático e sua capacitação para enfrentar as urgentes tarefas políticas do momento", diz a nota.
Herculano
26/04/2017 06:49
POR REFORMA, TEMER DEMITE 3 MINISTROS POR 1 DIA, por Josias de Souza

Embora ocupe o cobiçado Ministério das Minas e Energia, o PSB decidiu obrigar sua bancada federal a votar contra as reformas trabalhista e previdenciária. Aprovou em sua Executiva Nacional algo que no jargão dos partidos é chamado de "fechamento de questão." O deputado que desrespeitar sujeita-se à expulsão. Abespinhado, Temer abriu sua caixa de ferramentas. E o PSB já ensaia um recuo. Os governadores da legenda, Rodrigo Rollemberg (DF) e Paulo Câmara (PE), muniram-se de panos quentes.

Temer achou mais prudente não esperar sentado. Os suplentes de Mendonça Filho (DEM-PE) e de Bruno Araújo (PSDB-PE) são do PSB pernambucano: Creuza Pereira e Severino Ninho. Devolvendo os titulares aos respectivos mandatos, Temer desligou da tomada dois potenciais traidores. Fernando Filho, o representante do PSB na Esplanada, era líder da bancada do partido na Câmara antes de virar ministro. Retorna à Casa por 24 horas com a missão de produzir uma adesão à reforma tão grande que impeça a expulsão dos governistas.

A bancada do PSB tem 35 votos. Com o expurgo momentâneo de dois suplentes, caiu para 33. Na votação da reforma trabalhista, o Planalto espera amealhar os votos de pelo menos metade desses votos. Se conseguir, desmoralizará qualquer tentativa de punir os partidários das reformas. Dificilmente a legenda mostraria a porta de saída para tantos deputados. A bancada federal serve de parâmetro para o cálculo do Fundo Partidário. Quanto maior a bancada, mais dinheiro o partido recebe. O PSB adota um comportamento errático. Mas seus dirigentes não rasgam dinheiro.
Herculano
26/04/2017 06:46
A GREVE, MUITO ALÉM DA ESQUERDA, por Vinicius Torres Freire, para o jornal Folha de S. Paulo

SEJA QUAL for a dimensão da greve, é quase certo que o protesto vai difundir o mal-estar com as reformas por quase todos os cantos do país, além de dar cara mais geral à insatisfação.

As manifestações públicas contra as reformas estavam marcadas pelo seu caráter político mais estrito: tocadas por partidos de esquerda e sindicatos associados, inimigos de Michel Temer, militantes de centrais sindicais.

Sim, o protesto ainda é convocado por centrais (todas, recorde-se). Mas deve contar com apoio grande de professores, 2,2 milhões no ensino básico de quase 49 milhões de crianças e jovens, além dos 400 mil professores de 8 milhões de universitários, por exemplo importante.

O protesto se torna mais capilar, chega às esquinas das famílias, gostem ou não de reformas. Mesmo as escolas da elite, ao menos em São Paulo, prometem parar.

Faz um mês, a Igreja Católica, à frente de 10 mil paróquias, criticou de frente as reformas, com os mesmos argumentos da esquerda, em nota oficial da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil). Nesta quarta-feira (26), deve se manifestar oficialmente sobre a greve. Muitos arcebispos, bispos e padres já incentivam o protesto.

A greve deve imobilizar parte das cidades grandes. Além dos professores, conta com a adesão de variadas categorias de trabalhadores, muitos de classe média: bancários, químicos, petroleiros, saúde.

A popularidade de Temer é quase um absoluto, na prática não tem como diminuir. A questão óbvia e imediata é saber se o Congresso vai se sentir ainda mais pressionado a esvaziar a reforma da Previdência. A trabalhista pode bem ser que passe, até por haver tanto dono de empresa no Parlamento. No caso da previdenciária, a conta fica para o Estado, para os impostos, para o futuro: é empurrada para alguém.

A questão menos imediata, mas importante, é que um protesto mais amplo e geral pode reconfigurar discursos e coalizões para o ano eleitoral, que começa logo em outubro.

Não se pode dizer grande coisa dessa reconfiguração sem saber da persistência do protesto e da votação das reformas. A conversa eleitoral pode começar com o fato consumado de reformas aprovadas e manifestantes desmobilizados. Ou não. Mas devem ficar cicatrizes.

Com qual conversa virão os candidatos a presidir um país em 2019 ainda em arrocho crescente? Um país com desemprego perto de 14%, de gente ainda mais atochada em hospitais insuficientes, que terá acabado de ver reviravoltas no núcleo das relações socioeconômicas, trabalho e seguridade social.

Vão prometer o céu, como o PT em 2014, e tomar posse com um estelionato dos infernos? Vão tentar açucarar a mera persistência do arrocho? Vão propor um pacto de redistribuição de perdas, o que este governo reacionário não fez, entrando em conflito com parte importante da elite que quer tocar reformas sem mexer em impostos, por exemplo?

As perguntas parecem abstratas. Parecem tratar de um povo vago e de opiniões nebulosas. Para quem pensa assim, convém lembrar o choque político e de confiança econômica que foi o estelionato de Dilma Rousseff. Das broncas desatadas em Junho de 2013. Na devastação do PT na eleição de 2016.

Mentir e roubar não tem saído mais tão barato.
Herculano
26/04/2017 06:40
RATOEIRA DESPOVOADA, por Carlos Brickmann

Diziam os políticos que, quando o poder chega ao fim, até o cafezinho, quando vem, vem frio. As coisas mudaram: hoje, quando se acaba a capacidade de ofertar agrados, nem há para quem servir o café. E o pessoal tem bom faro - percebe com antecedência a hora de abandonar o navio.

Dia 21: o governador mineiro Fernando Pimentel, o último seguidor de Dilma, faria farta distribuição de Medalhas da Inconfidência. Faria: os governadores do Maranhão, Flávio Dino; do Acre, Tião Viana; e da Bahia, Rui Costa, não apareceram. Marieta Severo, Wagner Moura, Camila Pitanga e Gregório Duvivier, artistas petistas ativistas, não apareceram. Lula faltou à cerimônia. São amigos, mas sabem o que lhes convém.

Dia 24: a Procuradoria Geral da República pediu ao Superior Tribunal de Justiça que abrisse inquérito sobre Fernando Pimentel, em consequência das delações premiadas do pessoal da Odebrecht. Pouco depois, a Polícia Federal indiciou a jornalista Carolina Pimentel, esposa do governador, por participação em lavagem de dinheiro e crime eleitoral. O indiciamento teve base na Operação Acrônimo, que desde maio de 2015 investiga a possibilidade de tráfico de influência na liberação de empréstimos do BNDES e esquemas de lavagem de dinheiro em campanhas eleitorais.

E pensar que, não faz muito tempo, quando jorravam as benesses, o navio mal se aguentava com o peso de tantos obscuros habitantes do porão!

HÁ QUEM QUEIRA

É maldade dizer, entretanto, que todos os políticos condecorados por Fernando Pimentel se esquivaram da homenagem. Os petistas e o comunista Dino, sim. Mas Renan Calheiros Filho pegou sua condecoração.

BOLA COM DILMA

A ex-presidente Dilma Rousseff sempre disse que nada tinha a ver com a corrupção, e que tudo aquilo não era de seu conhecimento. Mas a delação premiada de seu marqueteiro, João Santana, e de sua esposa e sócia, Mônica Moura, é clara: ambos afirmam que Dilma, em 2014, sabia dos pagamentos ilícitos para sua campanha. Santana diz que conversou com Dilma, em maio de 2014, sobre repasses de verbas na caixa dois; Mônica Moura diz que atrasos nos pagamentos foram tratados, por ordem de Dilma, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o tesoureiro da campanha, Edinho Silva. Em conversa, completa Mônica, Dilma até quis saber se era seguro utilizar uma conta no Exterior.

Com a delação premiada de Santana e Mônica Moura, o problema de lavagem de dinheiro, caixa 2 e pagamento de propina como doação de campanha cai no colo da ex-presidente.

LULA X MORO

Por que a Polícia Federal e a Secretaria da Segurança do Paraná teriam pedido que o depoimento de Lula perante o juiz Sérgio Moro fosse adiado? A versão inicial, de que seria necessário mais tempo para organizar a segurança, não é verossímil: o depoimento foi marcado por Moro com 60 dias de antecedência. Quem não conseguiu planejar a segurança de um depoimento em dois meses, de quantos precisará a mais para organizar-se?

Talvez a delação premiada do empresário Léo Pinheiro, da OAS, exija investigações complementares. Talvez. Mas Léo Pinheiro já tinha feito uma delação premiada, que o procurador Rodrigo Janot suspendeu, irritado com um vazamento. Será que, dela, ninguém tivesse investigado nada até hoje?

A única hipótese aceitável seria a de que alguma nova prova, sólida e substancial, esteja a ponto de ser concluída. Porque, se aceitarmos a tese de que o objetivo do adiamento é impedir que petistas de todo o Brasil se reúnam em Curitiba e tumultuem o julgamento, isso significará que o Estado brasileiro não tem poder sequer para garantir a Justiça. É mau.

PALOCCI E SUA HORA

O jornalista Marco Piva, da ala pensante petista, discorda da nota desta coluna sobre o depoimento do ex-ministro Antônio Palocci. Na íntegra:

"Alô, Carlinhos! Anota aí: Palocci não traiu o PT. Não vai fazer delação, premiada nem sem prêmio, contra o partido, que já está bastante chamuscado. Publicamente, ele preparou as condições para ampliar o foco da operação em cima de outras empresas e instituições, no caso os bancos e alguns membros da Justiça, que estavam na moita até agora. Ele tem arquivado muito mais coisa que os 77 delatores da Odebrecht juntos.

"Nesse sentido, deu um trucaço no Moro, obrigando-o publicamente a ir atrás das informações. Se não fizer isso, o juiz será visto como alguém que está protegendo outros envolvidos na Lava Jato, cujos nomes ele e a PGR já sabiam faz tempo, mas ainda não haviam investigado (por qual motivo, não faço a menor ideia). Portanto, novos lances da operação.

"Prepare a coluna para tempos calientes. Muito chumbo gordo pela frente".
Herculano
26/04/2017 06:32
EM POUCOS MINUTOS, O PORTAL DO CRUZEIRO DO VALE, O MAIS ACESSADO E ATUALIZADO TRAZ REPORTAGEM SOBRE O VENDAVAL QUE TROUXE ESTRAGOS NESTA MANHÃ EM GASPAR E ILHOTA

Herculano
26/04/2017 06:28
NUM BRASIL DE LAVA JATO, PALOCCI TERIA SIDO ABATIDO EM 2001, por Élio Gaspari, para os jornais O Globo e Folha de S. Paulo

A dúvida é se Antonio Palocci fala ou não fala. Que ele tem o que falar, ninguém duvida. Afinal, foi ministro da Fazenda de Lula, chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff e queridinho da plutocracia nacional. Um petista do bem, para quem tinha horror à espécie. Espera-se que ele fale de Lula e teme-se que fale do naipe de atrevidos da banca. Não se podendo saber do que vai acontecer, fale-se do que já aconteceu.

Em 2001 o comissário Palocci era prefeito de Ribeirão Preto e sua administração licitou a compra de 12 produtos para abastecer 40.500 cestas dos programas sociais e da merenda escolar do município. Na lista constavam latas de "molho de tomate refogado e peneirado, com ervilhas". Comerciantes locais reclamaram, pois no mercado não havia molho de tomate com ervilhas.

A prefeitura poderia ter retirado a ervilha do molho e o problema estaria resolvido, mas sustentou que havia dois fabricantes e foi em frente. Falso. O único fabricante de molho de tomate com ervilha ficava no Rio Grande de Sul.

Fizeram-se duas compras emergenciais e, mais tarde, quatro empresas foram habilitadas.

O fabricante gaúcho só vendia seu molho de tomate para uma empresa de São Caetano, a Cathita, uma das selecionadas. O depósito da Cathita ficava ao lado da sede da Thathica (outra das escolhidas). As mulheres dos donos da Thathica e da Cathita eram sócias na Gesa, a terceira habilitada, que forneceu as cestas emergenciais. Tanto a Thathica, como a Cathita e a Gesa tinham o mesmo procurador que a quarta empresa escolhida, o supermercado Estrela de Suzano.

Quando a história do molho de tomate com ervilha estourou, Antonio Palocci tornara-se coordenador do programa de governo do candidato Lula à Presidência da República. Seu antecessor, Celso Daniel, fora assassinado, num dos mais misteriosos casos da história do comissariado.

Um ano depois, com Palocci no Ministério da Fazenda, o procurador-geral da República não viu indícios de que ele tenha participado das eventuais irregularidades ocorridas na compra do molho de tomate com as indispensáveis ervilhas.

Palocci é capaz de falar por mais de uma hora sobre um caso, andando em círculos, repetindo os mesmos argumentos. Sua calma, ajudada pela dicção e pela capacidade de dizer qualquer coisa sem trair emoção, ficou mais uma vez demonstrada durante sua ultima audiência com o juiz Sergio Moro.

Nela, foi capaz de exaltar sua sabedoria econômica informando que antes da crise de 2007 mostrava aos clientes de sua consultoria os riscos das operações com derivativos cambiais. Vendia o nascer do sol. A Sadia, por exemplo, meteu-se com derivativos, mas não quebrou por falta de informação, foi aposta mesmo.

Palocci tornou-se o queridinho do andar de cima porque foi o principal inspirador da guinada de Lula, jogando fora a fantasia de inimigo do mercado. Tudo bem, mas nesse namoro, Lula não despiu a farda de comissário-geral. Nessa conta já estavam o cadáver de Celso Daniel, as tramas de prefeitos petistas com fornecedores e concessionários de transportes. O molho de tomate de Palocci era o início de uma história na qual uma nova equipe de rapinadores associava-se às velhas guildas de larápios e da tolerância oportunista. O doutor tem o que contar.
Herculano
26/04/2017 06:19
A TEMPESTADE DESTA MANHÃ, ENTRE 5H30MIN E 6H FEZ MUITOS ESTRAGOS NA REGIÃO DE GASPAR E ILHOTA.
Herculano
26/04/2017 06:17
O SINDICALISMO SEM RESULTADO, por Horácio Lafer (ex-presidente da Fiesp), Pedro Luiz Passos (ex-presidente do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) e Pedro Wongtschowky, presidente do Iedi, para o jornal Folha de S. Paulo.

Os trabalhadores pagam anualmente, de forma compulsória, um dia de seu salário. Tal desconto, conhecido por imposto sindical, destina-se a financiar os sindicatos, as federações e as confederações de trabalhadores.

Foram R$ 2,1 bilhões em 2016, representando a principal fonte de renda dessas entidades. Parte menor vem de uma taxa assistencial, declarada ilegal pelo STF, e de contribuições voluntárias da pequena e decrescente parcela de associados.

Não surpreende que existam 11.327 entidades habilitadas a receber o imposto sindical. Entre elas, há muitos sindicatos de fachada, com o único propósito de recolher a contribuição e desperdiçá-la com seus dirigentes.

Pobres trabalhadores: poucos os defendem de fato; muitos se aproveitam deles, apresentando-se como seus representantes.

Do lado patronal, a situação não é mais animadora. Os recursos dos sindicatos patronais vêm principalmente de uma contribuição também compulsória, recolhida todo início de ano. O valor cobrado depende do capital social de cada empresa.

Tais recursos, arrecadados tal e qual os tributos que formam o frondoso cipoal tributário que viceja no país, também financiam federações estaduais e federais de setores empresariais. Foram R$ 934 milhões em 2016. E não é só.

As federações estaduais têm outra fonte de renda, advinda de contratos firmados a pretexto de gerir as entidades do Sistema S (Senai, Sesc, Sesi, Senar, Sest, Senat, Secoop). As empresas recolhem mensalmente para o Sistema S entre 0,2% e 2,5% (dependendo do setor de atividade) da folha de salários, somando R$ 16 bilhões em 2016.

Das 27 federações estaduais da indústria, a maioria não se sustenta apenas com a receita da contribuição sindical, apelando, assim, às taxas de gestão cobradas do Sistema S.

Basta observar as diretorias das federações de indústria para constatar as distorções da ausência, na direção dessas entidades, de industriais de verdade.

Suas agendas de trabalho são de duvidosa relevância. Na maioria delas, as direções se eternizam e impedem a renovação, com mudanças estatutárias para permitir mandatos seguidos por anos. Essas instituições deveriam ser obrigadas a explicitar à sociedade o uso de seus recursos.

Tal sistema tira legitimidade e enfraquece a representação empresarial. Quem exerce tal papel, de modo geral, são associações nacionais de caráter voluntário, com interesse e abrangência setorial, formadas para suprir em parte as deficiências do sistema oficial.

Pobres empresários: poucos os defendem de fato; muitos se aproveitam deles, apresentando-se como seus representantes.

Essa situação precisa mudar. As classes de representação de trabalhadores e de empresários terão que trabalhar em prol de seus constituintes. No momento em que as contribuições, hoje compulsórias, se tornarem voluntárias, o milagre da eficiência e da legitimidade acontecerá.

Quando entes do Sistema S deixarem de pagar "taxa de gestão" em favor das federações da indústria e de outros setores, elas serão obrigadas a reduzir custos e justificar sua existência, prestando melhor serviço aos associados, que passarão, por sua vez, de compulsórios a voluntários.

No momento em que o Sistema S retomar os objetivos originais (entre eles, o ensino técnico, a saúde e o lazer dos trabalhadores), com fonte de custeio redefinida e governança transparente, sua gestão terá avanços substanciais. E deixaremos de ver sedes suntuosas, instalações físicas megalômanas e estruturas tão anacrônicas quanto dispendiosas.

Eis aqui uma herança do século passado que custa e confunde muito, cuja criação serviu à intenção do Estado de controlar sindicatos empresariais e de trabalhadores.

Se os empresários desejam fazer valer princípios de eficácia, foco em resultados, clareza nas relações com a sociedade e redução de custos e de burocracia, está na hora de defendê-los, enfrentando um tema sobre o qual muito se fala e pouco se faz.

Essa é a discussão que desejamos iniciar. Não há respostas fáceis. Mas deve haver interesse real de buscar a justificativa (ou não) para a existência de tantas entidades, fazendo-as trabalhar em benefício de seus representados -trabalhadores e empresários.
Roberto Sombrio
25/04/2017 21:32
Oi, Herculano.

Coluna Olhando a Maré.
Aquilo que aparece na foto onde o prefeito Kleber explica os 100 dias de governo é a imagem de um vírus?
E é dos grandes. A coisa está feia. Já está bichada desde o início.

Paty Farias
25/04/2017 20:11
Oi, Herculano;

"O senador Roberto Requião, mais conhecido no Paraná e no RS como Maria Louca, relator da proposta de Lei do Abuso de Autoridade, também identificada como lei da Mela Jato, concedeu uma entrevista à rádio Gaúcha e ameaçou bater no entrevistador.

Quando Luciano Potter perguntou-lhe se ele estava comprando carnes no Uruguai, Requião reagiu dizendo que daria 'um tapa no focinho' do repórter e desligou o telefone.

A pergunta não era sobre a JBS."
Do Blog do Políbio.

Pra votar num cara desse só precisa comer alfafa.
Mariazinha Beata
25/04/2017 20:04
Seu Herculano;

Do jornalista Políbio Braga:

"Hoje e amanhã tem marcha de prefeitos e vereadores em Brasília. Serão dias de china rica e garçom alegre."

O nosso bonequinho vai?
Bye, bye!
Digite 13, delete
25/04/2017 19:57
Oi, Herculano

"Kleber sempre está esperando o relatório e as orientações do doutor Pereira."

Que coisa triste!
Que situação que se encontra o nosso prefeito!
Parece história de fantoche.
Herculano
25/04/2017 19:25
VOTOS DE SANTA CATARINA NA REFORMA TRABALHISTA

Os dois únicos votos catarinenses na Comissão que discute a Reforma Trabalhista, foram favoráveis: Celso Maldaner e Valdir Colatto, ambos do PMDB.
Herculano
25/04/2017 19:01
JUÍZES QUESTIONAM DEPUTADO QUE CRITICOU MORO, por Frederico Vasconcelos, no jornal Folha de S. Paulo

A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) pretende ingressar com representação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) por suposta manifestação nas redes sociais com críticas aos juízes em geral e ao juiz Sergio Moro, "de forma leviana e irresponsável".

Segundo a entidade, o parlamentar afirmou que o Judiciário "é o poder mais podre deste país", que Moro é um "irresponsável", "um insano" e que ele, Pimenta, não tem medo "de bandido, de bandido de toga, de bandido procurador, promotor".

"Não podemos aceitar que um deputado, membro do Congresso Nacional, do Poder Legislativo, perca totalmente a razão e assaque contra outro poder, no caso o Judiciário, com tamanha ferocidade e irresponsabilidade", diz o presidente da Ajuris, Gilberto Schäfer.

O deputado afirma que vai entrar nesta terça-feira (25) com representação na Polícia Federal, pedindo uma investigação para identificar os autores do que seria "uma montagem criminosa" de seu pronunciamento.

"Espero que a Ajuris não esteja se manifestando a partir de uma edição criminosa", diz. Ele alega que a associação não teve o cuidado de procurá-lo antes de divulgar a iniciativa de questionar suas declarações.

Segundo o parlamentar, "não é razoável que a Ajuris entre com representação contra uma opinião, e é inaceitável que juízes não possam ser criticados".

Eis a nota distribuída pela Ajuris:

***

A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) ingressará com representação contra o deputado Paulo Pimenta (PT/RS) no Conselho de Ética da Câmara Federal em razão de graves acusações feitas por ele ao Poder Judiciário, aos juízes em geral e ao juiz federal Sergio Moro, em particular, de forma leviana e irresponsável. A manifestação, que atinge a independência de qualquer juiz brasileiro, foi gravada em vídeo pelo parlamentar e postada nas redes sociais.

Sem qualquer preocupação com o decoro e demonstrando desequilíbrio, o deputado diz que o Judiciário "é o poder mais podre deste país", que Moro é um "irresponsável", "um insano" e que ele, Pimenta, não tem medo "de bandido, de bandido de toga, de bandido procurador, promotor".

Revelando desconhecimento sobre as prerrogativas de um juiz na condução de uma ação penal, Pimenta diz que Moro "está forçando uma ida de Lula" a Curitiba, aludindo ao interrogatório marcado para maio, o qual foi agendado originalmente no início de março.

A Ajuris identifica nesse tipo de manifestação a intenção que está por trás do projeto de abuso de autoridade, que pretende cercear a atuação de magistrados e promotores no combate à corrupção no país e que está prestes a ser votado no Senado.

"Não podemos aceitar que um deputado, membro do Congresso Nacional, do Poder Legislativo, perca totalmente a razão e assaque contra outro poder, no caso o Judiciário, com tamanha ferocidade e irresponsabilidade. Por isso, vamos acionar o deputado no Conselho de Ética", diz o presidente da Ajuris, Gilberto Schäfer.
Herculano
25/04/2017 18:44
NO SUPREMO

revogou a prisão domiciliar do empresário, pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Luiz Ináciuo Lula da Silva. Ele está condenado por forjar empréstimos milionários para o PT

Soltou João Cláudio Jenu, PP, da prisão enrolado no Petrolão.

Aceitou o habeas corpus de José Dirceu, mas adiou a decisão.

Já o goleiro Bruno, voltou para a prisão. Se fosse político...
Herculano
25/04/2017 18:37
COMISSÃO DA CÂMARA APROVA PARECER DA REFORMA TRABALHISTA. RELATóRIO TEVE 27 VOTOS E DEZ CONTRA,. NENHUMA ABSTENÇÃO, A OBRIGATORIEDADE DO ABUSIVO DESCONTO DE UM DIA DE TRABALHO COMO IMPOSTO SINDICAL TAMBÉM CAI

Conteúdo da revista Veja. Após cinco horas de discussão, a comissão especial da Câmara aprovou o relatório da reforma trabalhista, de autoria do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). O relatório foi aprovado por 27 votos a 10 e nenhuma abstenção, com ressalvas aos destaques incluídos no relatório durante a discussão.

Como a Câmara aprovou na semana passada o requerimento de urgência para a reforma trabalhista, não foi possível pedir vista ou fazer emendas à matéria na comissão especial. A expectativa é votar o material amanhã no plenário da Câmara. Se passar no plenário, o texto segue para o Senado.
Herculano
25/04/2017 18:30
PT, PSDB e PMDB, "juntos", PREOCUPAM FORÇA-TAREFA DA LAVA JATO

Conteúdo do jornbal O Estado de S. Paulo. Texto e entrevista de Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

A iminência de aprovação, em primeira etapa no Congresso, do novo texto para a Lei de Abuso de Autoridade, prevista para esta quarta-feira, 26, preocupa a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba ?" berço das investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobrás e da maior ofensiva aos crimes do colarinho branco no País.

O motivo: "O agrupamento político da esquerda e da direita, do governo com a oposição, quando o assunto se trata de Lava Jato, está mais coeso, mais unido".
O alerta é do decano da equipe de 13 procuradores da República que iniciaram as investigações na Petrobrás em março de 2014, Carlos Fernando dos Santos Lima.

Sem meias palavras, o procurador regional da República alerta para a "união de PT, PSDB e PMDB" na aprovação de medidas como a nova Lei de Abuso de Autoridade. "É a tentativa de vingança contra o Judiciário e o Ministério Público". Uma resposta às investigações da Lava Jato e ao resultado da mega delação premiada da Odebrecht, na avaliação do procurador.

"O que une esses três partidos é realmente a sobrevivência", sustenta Carlos Fernando.
A proposta de novo texto para a Lei de Abuso de Autoridade é do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) - multi investigado na Lava Jato ?" e sob a relatoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR).

O texto é visto por investigadores e por juízes como uma tentativa de intimidar a ofensiva anticorrupção no País, abrindo brechas para que eles passem a ser alvo de ações penais movidas diretamente pelos investigados.
O projeto vai ser votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta quarta e a previsão é que seja aprovado. Depois, ele vai à votação em Plenário.

Antes de ter validade, precisa ser ainda votado na Câmara e sancionado pelo presidente da República, Michel Temer (PMDB).

LEIA A ENTREVISTA DE CARLOS FERNANDO DOS SANTOS LIMA AO ESTADÃO

Estadão: Estamos próximos do maior revés da Lava Jato em seus quatro anos de existência?
Procurador Regional da República Carlos Fernando do Santos Lima: Há um risco maior, efetivamente. O agrupamento político da esquerda e da direita, do governo com a oposição, quando o assunto se trata de Lava Jato, está mais coeso, mais unido. Eles podem ter projetos políticos separados, mas hoje o que nós vemos é uma classe política unida na sua sobrevivência. E boa parte dessa sobrevivência passa por impedir os avanços da Lava Jato.
Uma das técnicas, e não é nenhuma novidade isso, é algo que aconteceu em outras épocas, é tentar intimidar os Poderes. Só que acho que, em grande parte, é de uma institucionalidade evidente, porque atenta contra a separação dos Poderes.

Estadão: De qual avanço entre a independência dos Poderes o senhor está falando? Não é função do Congresso legislar?
Carlos Fernando: Eles têm a função de legislar, mas você está proibido de legislar quando você tenta legislar para criminalizar a atividade típica de outro Poder. Por exemplo, o Poder Judiciário tem uma função típica que é decidir. ele não tem a possibilidade de decidir, ele tem a obrigatoriedade. Agora, quando você coloca tipos abertos (de crimes) em que uma decisão do juiz, mesmo que motivada, mesmo que cabível recurso, possa ser objeto de uma ação criminal, você de certa forma está atentando contra a liberdade desse Poder de decidir aquilo que a Constituição definiu a ele. A menos, evidentemente, que você comprove que ele (juiz ou procurador) agiu parcialmente, houve corrupção, ele tentou atender interesses outros, que não os públicos, aí sim se caberia alguma punição, mas isso a lei atual já permite.
Agora, a atividade do juiz é como a de um jornalista, ainda que no caso do jornalista ele pode publicar ou não, o juiz tem que decidir. Você viu o caso aqui no Paraná, em que o Ministério Público tentou, alguns promotores (e juízes), tentaram entrar com dezenas de ações contra jornalistas (do jornal a Gazeta do Povo, que fizeram reportagens sobre os subsídios da toga). Imagine que os interesses dos políticos é criar o mesmo tipo de constrangimento. A questão não é só o ponto do crime de hermenêutica, sobre a interpretação da lei, como está no texto, mas também a ação penal privada. O que eles querem é constranger com dezenas de ações. Eu vou perder mais meu tempo tentando me defender, contratando advogado, do que qualquer coisa.

Estadão: O relator do projeto no Senado, Roberto Requião (PMDB-PR), chegou a dizer que vai flexibilizar alguns pontos do texto. Os procuradores da Lava Jato entendem que o texto deve ser adequado ou que não é hora para se iniciar as votações do projeto?
Carlos Fernando: Nossa posição da força-tarefa da Lava Jato é que descabe a votação de uma lei em que mais da metade dos artigos está dirigida para o Ministério Público e para o Judiciário. Temos que fazer a discussão de uma lei real de abuso de autoridade. Uma lei que puna, por exemplo, a mais comum delas, que é a carteirada, que não está nem prevista nessa lei. Então, entendemos que é preciso fazer essa discussão do início e de uma forma correta. O problema é que essa proposta de lei da maneira que está tem um vício na sua origem que é a tentativa de vingança contra o Judiciário e o Ministério Público.

Estadão: O sr falou da questão do acordão, no começo. A mega delação da Odebrecht põe gasolina nessa fogueira?
Carlos Fernando: É evidente. Quando você tem a união de PT, PSDB e PMDB ao entorno de um assunto que, por todas as obviedades, não atende o interesse público, realmente é um assunto lateral, mas discutido, mal formulado, você tem que buscar qual o real motivo. E o que une esses três partidos é realmente a sobrevivência.

Estadão: A Lava Jato tem alertado em redes sociais, há uma mobilização de juízes, inclusive do próprio juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, sobre o tema. O sr acha que a pressão das ruas pode mudar algo, ou o Congresso vai atuar em favor próprio?
Carlos Fernando: Nós sentimos o apoio das pessoas, estão sabendo do que está acontecendo, mas realmente elas não têm tido nenhum tipo de organização para se manifestar. O nosso vídeo da semana passada (postado em rede social, com três procuradores alertando sobre os riscos da lei para a Lava Jato), por exemplo, teve milhões de compartilhamentos. Entretanto, a reação tem sido atomizada. Infelizmente, isso tem sido entendido pelos políticos como uma possibilidade de tentar alterar e tentar fazer prevalecer uma salvação de todos, intimidando o Judiciário.
Mas eu acredito que a população ainda vai se manifestar claramente, seja agora, seja nas eleições de 2018.
Herculano
25/04/2017 15:58
APóS SE POSICIONAR CONTRA AS REFORMAS, PSB LIBERA BANCADA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. A líder da bancada do PSB na Câmara dos Deputados, Tereza Cristina (MS), decidiu alterar a orientação dada anteriormente e liberou os deputados para votarem como quiserem no requerimento de retirada de pauta da reforma trabalhista. A proposta é analisada nesta terça-feira (25/4), em uma comissão especial da Casa. A deputada também é vice-líder do governo na Câmara, apesar da cúpula do partido dizer que não faz parte da base aliada.

Segundo o líder do governo no Congresso, o deputado André Moura (PSB-SE), já há votos suficientes para aprovar o texto na Câmara A previsão é que a votação termine ainda esta semana.

Tereza disse que, na segunda-feira (24), o PSB fechou questão no mérito da reforma e que neste momento o que estava em votação na comissão especial era apenas um requerimento de retirada de pauta da matéria. "Como ainda temos a bancada muito dividida, ainda estamos discutindo o encaminhamento a ser dado, vou liberar neste requerimento de retirada", justificou.
A primeira orientação do PSB foi votar a favor do requerimento, o que demonstra a divisão na bancada da sigla na Casa. O deputado Bebeto (PSB-BA) disse que agiu sob orientação do partido ao defender o voto sim. "Ninguém aqui fala por si só", afirmou.

O requerimento de retirada de pauta foi rejeitado em votação nominal por 10 favoráveis ao pedido e 23 contrários. A comissão iniciou a fase de debates nesta terça e a previsão é que o texto da reforma trabalhista vá a plenário nesta quarta-feira (26).

Divisão
Em um movimento contrário ao tomado pelo PSB, a cúpula do PPS trabalha para fechar um posicionamento oficial a favor da votação das reformas da Previdência e Trabalhista no Congresso.

Após encontro com o presidente Michel Temer, que reuniu na segunda-feira, todos os integrantes do primeiro escalão para pedir apoio às propostas, o ministro da Cultura e presidente do PPS, Roberto Freire, iniciou as conversas para que a legenda feche questão a favor das medidas.

Por outro lado, o Partido da República (PR) ainda não chegou a uma decisão, segundo afirmou o presidente e ex-ministro Antônio Carlos Rodrigues nesta terça-feira.

Ele afirmou que irá consultar ao longo do dia o líder do PR na Câmara, Aelton Freitas (MG), para tomar pulso da bancada sobre o posicionamento da maioria dos deputados. "Ainda não tenho uma posição da bancada. Vou falar com o Aelton para ver como está", afirmou Rodrigue
Herculano
25/04/2017 15:45
FOTO

Olhando bem a foto da mesa diretora na solenidade de posse da Acib, ondem em Blumenau, parecia ser de uma entrevista dos delatados da Odebrecht
Herculano
25/04/2017 15:43
156 ANOS

A Paróquia de São Pedro Apóstolo, de Gaspar, faz hoje 156. Para relembrar o fato histórico para a comunidade católica, haverá missa comemorativa as 19h
Herculano
25/04/2017 15:13
PALOCCI CITA BANQUEIROS E EMPRESÁRIOS MIRANDO O STF, por Helena Chagas, para os Divergentes.

Na tranquilidade do feriado, os quatro vídeos - de meia hora cada - do depoimento de Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro foram acessados por milhares de pessoas no YouTube. No primeiro escalão do PT, que andou assustado, a impressão é de que o ex-ministro tem como alvo principal grandes empresários, inclusive do setor bancário. Sua intenção não seria chegar a uma delação premiada, mas acenar com essa ameaça esses possíveis e poderosos alvos, esperando que de alguma forma eles se mobilizem para ajudá-lo a obter um habeas corpus no STF - a última esperança de Palocci.

Quem conhece o ex-ministro, e vem acompanhando as delações da Lava Jato, saiu com a impressão de que o Palocci que ali estava não se encontra a um passo de delatar Lula e outros petistas, embora em alguns trechos não tenha poupado Joao Vaccari e tenha admitido que o partido, "como todos", fez caixa 2. Em vez de ficar calado, atitude normal para quem está negociando delação, preferiu falar, e muito. Defendeu-se de todas as acusações e, sobretudo, deu um aperitivo do que poderá oferecer se resolver abrir a boca de verdade.

O cardápio de Palocci pode não ser do agrado de Moro e da força-tarefa, que querem elementos contra Lula, que o ex-ministro não ofereceu. O juiz chegou a interrompê-lo algumas vezes com a interpelação de que ele só deveria falar sobre a relação com a Odebrecht. Mas Palocci, que parecia ter planejado tudo, insistiu em contar histórias como a de que foi procurado por um "banqueiro', a pedido de "um integrante de primeiro escalão do governo" , para tratar da provisão de recursos para a campanha de Dilma de 2010.

Como quem não quer nada, mencionou também ajuda a empresas: "o governo muitas vezes salva empresas". Citou a Sadia, a Votorantim, e, de form geral, empresas do setor de comunicação. E prometeu dar os nomes, as datas e os detalhes das 'operações" em outra oportunidade.

Ao mesmo tempo, percebendo esse jogo, os petistas se tranquilizaram com o depoimento de Brani Kontic, ex-assessor de Palocci, negando todas as acusações, inclusive a de que transportaria recursos da conta Amigo destinados ao ex-presidente Lula.

O depoimento desta quinta-feira foi a última cartada de Palocci na tentativa de sair da cadeia. Se não obtiver clemência no STF, certamente jogará a bomba. Mas o certo é que hoje Antônio Palocci ainda não é um delator.
Herculano
25/04/2017 15:07
SABOTAGEM CONTRA A LAVA JATO, editorial do jornal O Estado em S. Paulo

Quem quiser identificar um foco de sabotagem contra a continuidade das investigações da Operação Lava Jato, que estão sendo conduzidas pela força-tarefa da Procuradoria-Geral da República (PGR), não precisa ir muito longe. Basta olhar para o próprio Ministério Público Federal (MPF).

Numa proposta que não deixa margem a dúvidas quanto às verdadeiras intenções de sua autora, a subprocuradora-geral da República Raquel Elias Dodge apresentou ao Conselho Superior da instituição um projeto de resolução que obriga o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a ter de mudar a equipe que o assessora no momento em que a Lava Jato se encontra numa de suas fases mais importantes.

A votação da proposta só não foi concluída na sessão de ontem porque Rodrigo Janot pediu vista, quando 7 dos 10 conselheiros já haviam se manifestado a favor da resolução e 1 contra. O procurador-geral alegou que em momento algum foi consultado sobre a resolução e afirmou que, por causa das especificidades técnicas das investigações, não tem como mudar sua equipe. Como só faltam votar dois conselheiros, a aprovação da resolução é uma questão de tempo.

Entre outras inovações, o projeto de resolução limita em 10% o número de procuradores que uma unidade do Ministério Público Federal pode ceder para participar de investigações em outra unidade. Isso atinge o coração da Operação Lava Jato, pois desde sua instalação ela sempre contou com especialistas do MPF vindos de todo o País. Só no caso da Procuradoria Regional do Distrito Federal, por exemplo, 8 dos 29 procuradores federais - cerca de quase 30% - estão atuando nos tribunais superiores em nome da PGR. O órgão é responsável não apenas pelas investigações de quem tem foro privilegiado, como, igualmente, pela formalização dos grandes acordos de delação premiada que envolvem parlamentares e empreiteiras do porte da Odebrecht e da OAS.

No total, há atualmente 41 procuradores federais cedidos à Procuradoria-Geral, dos quais 10 estão trabalhando na Operação Lava Jato. Sua substituição, por causa da resolução que está sendo votada pelo Conselho Superior do MPF, poderá retardar as investigações, pois os novos procuradores que Rodrigo Janot terá de nomear precisarão de tempo para conhecer os processos. E, como o próprio Janot alegou, a PGR não dispõe de especialistas em número suficiente para conduzir as investigações mais complexas. Essa morosidade era tudo o que os advogados dos réus queriam, para tentar fazer com que as ações penais de seus clientes prescrevam.

O projeto de resolução estabelece ainda um prazo máximo de quatro anos para que um procurador federal possa atuar fora de sua unidade de origem. Como a força-tarefa da PGR em Curitiba começou a trabalhar há mais de três anos, isso significa que os membros do MPF a ela cedidos também terão de ser substituídos até o final do ano. Essa é mais uma inovação intempestiva que pode gerar problemas de descontinuidade nas investigações e comprometer a coleta das provas necessárias para fundamentar a proposição de ações penais contra políticos e empreiteiros.

O mais grave é que nem mesmo as entidades de procuradores da República - cujos dirigentes são candidatos ao cargo de Janot, que será substituído em setembro ?" se opuseram à resolução. "Não há ninguém insubstituível. A Operação Lava Jato é um trabalho de instituição, não um trabalho de apenas alguns colegas, por mais brilhantes que sejam", disse ao jornal O Globo o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti.

Fica evidente que, por trás do projeto de resolução apresentado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, há irresistíveis pressões corporativas, pois notáveis personagens desse edificante episódio almejam suceder a Rodrigo Janot, preocupando-se mais com suas aspirações do que com a mais importante investigação que a instituição do Ministério Público já conduziu na história do País.
Paty Farias
25/04/2017 14:03
Oi, Herculano;

Lendo "VINGANÇA, NUNCA! por José Nêumanne, no jornal O Estado de S. Paulo" em que ele cita Roberto Requião PMDB, que em 2009 era citado em 369 processos, me lembrei de um caso.

É uma história dos anos 90, aconteceu no lobby do Hotel Bourbon, que a Maria Louca Requião (é assim conhecido no Paraná) onde o empresário Ciro Frare deu-lhe um sopapo que o derrubou, e a Mª Louca que não é tão louca assim, não revidou.

Vai gostar assim de processos lá no raio que o parta ...
Daniel
25/04/2017 13:57
Mensagem de WhatsApp:

Tem uma greve anunciada para a próxima sexta feira.
Petistas, índios, movimentos sociais, sindicalistas, líderes estudantis e o MST já anunciaram a paralisação.
Ou seja, tudo continua normalmente.
Talvez até melhore...
Miguel José Teixeira
25/04/2017 13:52
Senhores,

O "drácula" pernambucano (segundo a "quadrilhaodebréqui") acorda do seu sono milenar e desinformado, manda ver no Senado Federal:

"Humberto Costa: nos governos do PT, Brasil se tornou motor de desenvolvimento"

Só esqueceu de dizer: motor do propinoduto. . .

+em: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/04/24/humberto-costa-nos-governos-do-pt-brasil-se-tornou-motor-de-desenvolvimento
Ana Amélia que não é Lemos
25/04/2017 13:39
Sr. Herculano:

"QUEM ASSESSORA OS POLÍTICOS?
QUEM ELES ?" POLÍTICOS E DONOS DE VEÍCULOS - PENSAM SEREM OS LEITORES, OUVINTES E TELESPECTADORES?"

Tá explicado o porque de não precisarmos de boas escolas. Hoje pessoas, especialmente políticos não precisam estudar para "escrever" livros, textos, artigos ... Existem os "ghost writers" para isso, e ainda correm o risco de entrar para a Academia de Letras.
Herculano
25/04/2017 12:35
"A MÃE DE TODAS AS GREVES"

Conteúdo de O Antagonista.A oposição ao governo de Michel Temer apresentou um requerimento para adiar a votação da reforma trabalhista na comissão especial da Câmara.
A estratégia é jogar a apreciação da proposta em plenário para depois da tal greve geral.
Sidnei Luis Reinert
25/04/2017 12:18
Bagaça sinistra: Lula vai preso? Dirceu será solto? Ou Moro e a Força Tarefa terminarão punidos?


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

É inútil polemizar sobre passado mentiroso e sobre futuro incerto. Por isso, os brasileiros deveriam atentar, com mais cuidado, para o radical, violento e perigoso momento presente que estamos vivendo. É incerta uma conjuntura de crise estrutural (política, econômica e ética) combinada com uma explícita ação revolucionária. A tendência é gerar mais tensão social. O País sobrevive em ritmo de guerra não-declarada.

O noticiário exibe facções criminosas que promovem ações de guerrilha (assaltando bancos, explodindo caixas eletrônicos e roubando explosivos e armas), enquanto o Crime Institucionalizado segue impune, destruindo o Brasil. "Os dias são assim"... Eis a nossa minissérie da vida real, na qual as Forças Armadas (demonizadas pela mídia ideologizada) assistem a tudo "em prontidão"... Apesar do discurso contrário, a situação está fora de controle. A garotada define a situação com clareza: "A bagaça é sinistra"...

Símbolo da luta da "torcida" do povo brasileiro contra a corrupção, a Lava Jato tem tudo para sofrer megasabotagens. Se a nova Lei de Abuso de autoridade for aprovada do jeitinho armado pela bandidagem política, magistrados e promotores acabarão transformados em "bandidos", em vez de "mocinhos". Se o Conselho Nacional do Ministério Público limitar o poder do Procurador-Geral da República para formar forças-tarefas, realocando procuradores, a Lava Jato e outras operações ficarão inviabilizadas.

A insegurança jurídica ?" que beneficia infratores ?" é outro fator que facilita a desordem estrutural brasileira. A judicialização da poiticagem, fomentada pelo absurdo foro privilegiado para políticos e autoridades que cometem crimes comuns, sobrecarrega e encarece ainda mais um judiciário que não funciona "direito" (sem trocadilho infame). Algumas situações surreais podem contribuir para a desmoralização do senso de Justiça no Brasil.

A radicalização da petelândia em defesa do "deus" Lula teria sido um dos motivos pelos quais o juiz Sérgio Moro aceitou a proposta da Polícia Federal de adiar de 3 para 10 de maio o tão aguardado depoimento de Luiz Inácio Lula da Silva na 13ª Vara Federal em Curitiba. No melhor estilo $talinácio do sindicalismo de resultado, Lula desdenha da situação: "Não estou preocupado com a data. A data é do juiz Moro. A hora que ele marcar, estarei em Curitiba"...

Moro sinaliza para que a defesa de Lula reduza o absurdo número de 87 testemunhas. Especula-se sobre o risco de Lula ser preso a qualquer momento. Isto é tido que os aliados dele querem: que Lula possa consolidar a imagem de vítima, e que até seja impedido de disputar a próxima eleição. Tudo facilita a radicalização pré-revolucionária desejada por alguns irresponsáveis ou "netosdaputa"...

Quer mais doideira? A primeira turma do Supremo Tribunal Federal decide nesta terça-feira se o goleiro Bruno Fernandes volta ou não à prisão, pelo assassinato de sua ex-amante Eliza Samúdio (cujo corpo não foi encontrado até hoje). O Procurador Geral da República pediu a revogação da liberdade. Em fevereiro, o presidente da turma, ministro Marco Aurélio, deu um hábeas corpus que liberou o condenado. Agora, os supremos-ministros Luiz Fux, Rosa Weber, Luis Roberto Barroso e Alexandre de Morais decidirão o destino de Bruno.

Mais loucura? A segunda turma do mesmo STF também decide, nesta terça-feira, se o ilustre condenado no Mensalão e enrolado no Petrolão, José Dirceu de Oliveira e Silva, merece ou não um hábeas corpus para deixar os gelados cárceres da República de Curitiba. Se Dirceu seguir preso, o Supremo estará endossando prisões preventivas e provisórias determinadas pelo juiz Sérgio Moro. Eis o pepino que será descascado pelos ministros Gilmar Mendes, Edson Fachin, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.

Imagina se uma turma decidir: prende Bruno novamente, e a outra solta Dirceu. Ou, o contrário, uma solta Bruno e a outra mantém Dirceu encarcerado. A confusão na cabecinha dos brasileiros ficará maior ainda sobre a sabedoria das decisões judiciais. O lamentável é que o STF esteja sendo acionado mais como um tribunal penal do que uma Corte Constitucional. Na prática, estamos operando em ritmo digno de regime de exceção ?" como uma Venezuela.

Quem acha que isso não é normal deveria abandonar a mera prontidão e exigir uma solução menos geradora de mais aberrações jurídico-institucionais. A maioria da população, afetada por diferentes crises, só consegue ficar mais deprimida ou tensa, incapaz de reagir com a racionalidade desejável. Assim, seguimos em ritmo apaixonado e fanático de "torcida organizada" de time de futebol. Resumindo: já perdemos o jogo previamente...

A garotada tem razão: "A bagaça está sinistra e pode ficar mais escrota ainda"... As reformas temerárias, cantadas em prosa e verso pelos demoníacos deuses do mercado, vão gerar mais instabilidade política, e, por conseguinte, econômica. Depois não adianta os rentistas reclamarem quando forem atingidos, diretamente, pela onda de radicalização e violência. O custo será altíssimo, porque a organizada bandidagem se reinventa e segue hegemônica, na ofensiva...
Herculano
25/04/2017 12:01
VINGANÇA, NUNCA!por José Nêumanne, no jornal O Estado de S. Paulo

"Eu me lembro, eu me lembro, era pequeno" ("Deus", Casemiro de Abreu) é um dos versos que aprendi com minha mãe na primeira infância e que percutem em meu cérebro de idoso com a insistência de um apelo que ganha na redundância força mnemônica. Eu já era muito míope e foi com minha miopia profunda que aprendi a apreciar os prazeres da leitura à luz de candeeiro nas trevas do Semiárido. Fora gibis, revistas esportivas e literatura infantil, minha primeira leitura, digamos adulta, foi um perfil biográfico (magnificamente escrito por um padre chamado Chico Pereira) de seu pai, um cangaceiro também chamado Chico Pereira, ambos como eu nascidos às margens secas do Rio do Peixe. Um texto lindo sobre uma história exemplar: a aventura de uma recém-saída da adolescência que criou cada filho do homem de sua vida com um único objetivo: não vingar o pai. Era uma missão quase impossível ali pelos anos 20 do século 20 no sertão. Mas Jarda, nossa heroína, conseguiu e o autor era prova disso.

Casada por procuração, quando ainda brincava de boneca, a sertaneja altiva encontrou-se poucas vezes com o marido, perseguido pela lei, que ele desafiara para cumprir o destino de matar o assassino do pai. Os filhos homens de um sertanejo assassinado perdiam a honra e, com ela, o respeito geral, se deixassem vivos os responsáveis por sua orfandade. O ciclo terrível da vingança despovoava o ermo daquelas paragens com pertinácia similar às da esquistossomose e da fome, responsáveis pelos altíssimos índices de mortalidade infantil de meus conterrâneos que não sobreviviam ao primeiro ano de vida. Fotografias de cadáveres pueris velados em caixões cor de rosa ou tipoias rústicas disputavam com quadros de santos os flagrantes cotidianos dependurados nas paredes de taipa das casas da zona rural do Nordeste até bem depois de ultrapassada a primeira metade do século passado.

Cedo aprendi com minha mãe que adotar a lei primitiva de talião, do olho por olho, dente por dente, não é a atitude esperada de um ser humano de bem, para quem o zelo pela vida alheia não é apenas uma conversa para passar o tempo. Havia outras Jardelinas nos sertões de entonces e elas salvaram o futuro de gerações que já estão deixando a cena, caso de dona Ritinha Vilar Suassuna, mãe de Ariano. Ao evitar que a prole vingasse o pai, João, ela assegurou ao gênero humano a obra de gênio do filho escritor. Dona Ritinha, Jardelina e Mundica, minha mãe, ensinaram a seus filhos que a vingança, tida como sentimento nobre por nossos ancestrais, é uma torpe forma de evitar que a civilização ocupasse a terra seca, evitando com a ética e a fé na justiça inútil e abundante derramamento de sangue.

Há, porém, sertanejos que ainda chafurdam nessa sequência de extermínios, que fez a fama dos Sampaio e Alencar de Exu, Pernambuco; Maia e Suassuna de Catolé do Rocha, Paraíba; e Omena e Calheiros de Murici, Alagoas. Apesar do prenome sofisticado do grande historiador francês das origens do cristianismo, Renan carrega a vingança num gosto de sangue que pode não matar, mas persegue, chantageia e ata os punhos do inimigo. Foi esse espírito vingativo que o levou a preparar um projeto de lei com arrazoado nobre e consequências desastrosas para a justiça e a civilização de quem acredita na democracia como o regime dos iguais.

De posse da cadeira da qual já tinha saído para driblar punição justa, escapulindo à sorrelfa pelas brechas de uma lei feita de varas de cercas, pegou o sagrado princípio da inviolabilidade do cidadão comum contra o arbítrio do agente do Estado para torná-lo instrumento de vil vendeta. A lei do abuso de autoridade por ele engendrada é uma tentativa de algemar mãos que ameaçam coronéis de antanho que ainda mandam neste nosso país contemporâneo e evitar que o martelo dos juízes seja justo para todos. Para executar o projeto, prestes a ser votado, contou com o auxílio de um companheiro de plagas distantes, mas que tem costume de mentir, similar ao dos amarelinhos espertos das tradições dos cordéis do sertão alagoano.

O relator de seu desabusado projeto de abuso de autoridade, Roberto Requião, colega de partido, é notório pelo cinismo repetitivo e desenfreado com que mente. E sua maior mentira é a insistência numa postura falsamente ética, que só cospe da boca para fora. Renan já renunciou ao Senado para não ter de reconhecer a inexistência de uma boiada fictícia para explicar dinheiro sem origem para sustentar uma filha fora do casamento. Hoje responde a 13 processos na Justiça e é citado na lista dos 78 delatores da Odebrecht, na companhia do filho, governador de Alagoas.

Requião, três vezes governador do Paraná, hoje sede da "república de Curitiba", da qual o Brasil espera punição exemplar para criminosos de colarinho branco, foi o relator indicado pelo Calheiros de Murici para relatar sua versão particular de vendeta, tornada lei contra abuso de autoridade. O paranaense protagonizou um dos espetáculos mais explícitos e grotescos de fraude eleitoral da História da democracia brasileira: o caso Ferreirinha. Esse foi o nome usado em sua campanha na eleição de 1990 por uma testemunha falsa que assumiu o papel de um pistoleiro inexistente, contando ter matado camponeses, cujas terras teriam sido ocupadas pelo empresário Oscar Martinez, pai de seu adversário, José Carlos Martinez.

Requião ganhou o segundo turno, mas o falso Ferreirinha foi desmascarado antes da posse: era Afrânio Luís Bandeira Costa, motorista da campanha do PMDB. Inculpado nas instâncias iniciais, o peemedebista tomou posse e estava a seis meses de terminar o mandato quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o inocentou a pretexto de erro no processo: Mário Pereira, vice não fora processado, como deveria tê-lo sido.

Segundo O Globo, Requião, que pertence à comissão que investiga os salários acima do teto constitucional no Senado, recebe R$ 64.234,11 por mês ?" um supersalário que inclui os R$ 33.763,00 (o teto constitucional) como congressista mais R$ 30.471,11 de "aposentadoria especial" de ex-governador. Aos repórteres do jornal disse que não abriu mão do benefício porque precisa dos recursos para pagar as indenizações a que é condenado.

De acordo com o que o Diário dos Campos, de Ponta Grossa, no interior de seu Estado, publicou em 2009, o então governador era citado em 369 processos judiciais, que, em caso de condenação, lhe custariam R$ 1 bilhão - só os honorários judiciais, representavam R$ 16 milhões. A notícia sobre os vencimentos que ele mantém, segundo alegou, para pagar à Justiça foi reproduzida no Twitter do jornalista Fábio Campana. Em 1990, a PF identificou como sendo usada por esse jornalista, à época assessor de imprensa do senador, a máquina de escrever na qual foi redigido o falso testemunho de Ferreirinha, Esse personagem, ao contrário de seus inventores, não pode mais ser encontrado. Como se diz na gíria, ele tomou Doril.

O ex-governador leu seu relatório na quarta-feira 19 de abril e garantiu que tinha adotado medidas sugeridas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e apoiadas pelo juiz Sergio Moro. Este negou. Mais uma vez, Requião mentiu e, assim, violou o decoro parlamentar. Mas continua ganhando a imunidade garantida pelos colegões de Senado.

Como se diz nas montanhas da Sicília, do bandido Salvatore Giuliano, sono tutti buona gente. Buoníssima, não é mesmo? Deixar que essa gente se vingue preventivamente, e de forma indecente, de policiais federais, procuradores públicos e juízes que os investigam, processam e incriminam, é uma ignomínia. Pois a vítima de tal vendeta será o cidadão, que continuará pagando a conta e sendo roubado, como dantes, sem que os larápios sejam apanhados, processados e julgados. Como bradou o filósofo e membro da Academia Paraibana de Letras, padre Francisco Pereira da Nóbrega, "vingança, não!". Ou melhor: vingança, nunca!
Herculano
25/04/2017 10:10
UM GOVERNADOR COM POUCO A DIZER E REPRESENTAR

O governador Raimundo Colombo, PSD, não veio ontem, como prometeu, e como é tradição, à posse da diretoria da Associação Comercial e Industrial de Blumenau (ou Associação Empresarial), a Acig.

Tradição é para ser quebrada. E isso não se discute.

Promessa é para ser cumprida. Isso é legado de honra.

O resumo disso tudo é a falta de respeito a quem investe, corre risco, sustenta com os pesados impostos e não tem o retorno mínimo de uma máquina mal gerida e feita de gastos incompreensíveis em tempos de crise aguda como é a tal Agência de Desenvolvimento Regional - o cabide de empregos para políticos desempregados ou sem competência e habilidade para se inserirem no mercado de trabalho dos que geram os pesados impostos.

Raimundo não veio a Blumenau, ao Vale do Itajaí, porque é devedor, porque não gosta de ouvir cobranças e porque não possui - com a equipe e máquina política - condições de dar soluções ao básico, necessário e urgente do povo daqui.

Raimundo não veio a Blumenau e ao Vale do Itajaí porque não queria ficar exposto a eventuais perguntas sobre o conto do vigário que aplicou à Odebrechet e sabe-se lá a quem mais, onde usou iscas vistosas para pegar grana de campanha eleitoral na sua armadilha malandra.

Raimundo prefere Lages.
Herculano
25/04/2017 09:49
OS EFEITOS DA DEMAGOGIA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Dos perversos efeitos da irresponsabilidade fiscal dos governos lulopetistas, os mais significativos foram a reversão da queda da desigualdade e a estagnação do desenvolvimento humano, constatadas por estudos recém-publicados. Tal cenário indica o grau de deterioração do bem-estar da atual geração de brasileiros e, especialmente, as perspectivas sombrias para as próximas, algo que não pode ser modificado por medidas triviais. Se era preciso alguma prova de que a promessa demagógica de felicidade instantânea e sem sacrifícios pereniza a mediocridade e compromete o futuro do País, a prova aí está.

O mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostrou que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, com dados de 2015, ficou estagnado pela primeira vez desde 2004. Isso significa que as políticas de Lula da Silva e, principalmente, de Dilma Rousseff, a título de fazer "justiça social" e "incluir o pobre no Orçamento", como gostam de alardear os ex-presidentes petistas, na verdade tiveram o efeito exatamente oposto ao pretendido ?" isto é, em vez de ajudar os mais pobres, interromperam o processo de melhoria da qualidade de vida do conjunto da sociedade.

O IDH leva em conta renda, educação e saúde. Vai de 0 a 1 ?" quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento. Em 2015, o Brasil obteve IDH de 0,754, o mesmo de 2014. Entre 188 países, o Brasil ficou estacionado em 79.º lugar, ao lado de Granada. Continua entre os países considerados de "alto desenvolvimento humano", mas encontra-se abaixo de Cuba (68.º) e Venezuela (71.º).

Quando o índice é ajustado se levando em conta a desigualdade ?" de renda, de saúde e de educação ?", o Brasil cai 19 posições. Pelo Coeficiente de Gini, que mede especificamente a desigualdade de renda, o Brasil aparece como o 10.º mais desigual entre 143 países.

Esse aspecto aparece em outro estudo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), segundo o qual em 2016 houve o primeiro aumento da disparidade de renda domiciliar per capita em 22 anos. Isso significa que o ganho proporcionado pela estabilização da economia com o Plano Real, implementado há 23 anos, foi comprometido pelos governos de Lula e Dilma.

A façanha da dupla é espantosa. A partir de meados dos anos 1990 o Brasil começou a caminhar para reduzir a afrontosa desigualdade de renda que marca sua sociedade desde sempre. O controle da inflação deu o primeiro impulso para isso, pois permitiu que os mais pobres parassem de pagar, na forma do chamado "imposto inflacionário", o custo do endividamento inconsequente do governo.

Foi necessário ainda um grande esforço para levar escolaridade às classes mais baixas, aumentando suas possibilidades no mercado de trabalho. Além disso, os programas de transferência condicionada de renda foram importantes para ajudar a mitigar a miséria.

Tudo somado, esperava-se que, no ritmo verificado a partir do início dos anos 2000, o Brasil já tivesse erradicado a pobreza extrema por volta de 2016. Mas isso não ocorreu. Ao contrário, em 2015 voltou a crescer o número de famílias com rendimento per capita inferior a 25% do salário mínimo, chegando a 9,2% da população, contra 8% em 2014, de acordo com dados do IBGE. Um ano depois, em 2016, a desigualdade cresceu 1,6% em relação a 2015, conforme o estudo da FGV, anulando os ganhos dos anos anteriores.

Os indicadores de desigualdade são especialmente significativos porque refletem os efeitos de longo prazo das políticas econômicas. A redução da renda dos mais pobres e o consequente aumento do abismo destes em relação aos mais ricos, depois de um período em que essa diferença parecia fadada a diminuir em razão da maturidade econômica e institucional do País, não resultam de erros pontuais, mas sim de decisões que respeitaram uma visão totalmente equivocada do papel do Estado no desenvolvimento. Mas os governos petistas entenderam que justiça social não é o resultado de um processo econômico de longo prazo, e sim um ato de vontade. O resultado dessa insanidade está aí.
Herculano
25/04/2017 08:34
"NÃO EXISTE NINGUÉM NA FACE DA TERRA MAIS HONESTO DO QUE EU".LULA E PALOCCI DIVIDIAM PROPINA DA SETE BRASIL

Conteúdo de O Antagonista. Lula e Antonio Palocci recebiam um terço da propina da Sete Brasil.

Foi o que disse o próprio Antonio Palocci em conversa com um advogado, segundo o Valor.

Diz a reportagem:
"Antonio Palocci disse que ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam sido os beneficiários de um terço de propinas pagas durante a criação e montagem da Sete Brasil, em 2010.

A declaração de Palocci ocorreu durante consulta a um advogado na quarta-feira da semana passada, na véspera de ser interrogado pelo juiz federal Sergio Moro (?).
Palocci consultou o criminalista para saber sobre a possibilidade de fechar acordo de delação premiada com a PGR".

Antonio Palocci, segundo o Valor, disse:

"Não vou pagar esse pato sozinho".

E mandou contar à Lava Jato que dividia com Lula a propina da Sete Brasil.

Um terço da propina da Sete Brasil ficava com Lula e Antonio Palocci.

Os outros dois terços, de acordo com o relato de Antonio Palocci a um advogado, reproduzido pelo Valor, eram distribuídos em partes iguais entre funcionários e operadores da Petrobras e executivos da própria Sete Brasil.

A reportagem diz que a versão de Antonio Palocci, repassada aos procuradores da Lava Jato, pode ser corroborada por Renato Duque, que também negocia um acordo de delação.
Herculano
25/04/2017 08:20
OPÇÕES PRESIDENCIÁVEIS DO PSDB VIRARAM ESTORVO, por Josias de Souza

Faltam 17 meses para a eleição presidencial de 2018. E o PSDB, antes uma opção real de poder, está afogado em suas contradições. O tucanato vive uma experiência parecida com a de um cachorro que corre atrás de carros. Persegue o seu alvo por algum tempo. Dá a impressão de que vai trucidá-los. Mas acaba desistindo. Os tucanos passaram os últimos anos correndo atrás do PT aos gritos de 'pega ladrão'. De repente, foram atropelados pela Lava Jato. E estão jogados na mesma UTI em que se encontram o PT e o resto do sistema político brasileiro.

Os três candidatos que o PSDB tinha a oferecer ao eleitorado, politraumatizados, perderam o rumo, o discurso e a pose. Continuam achando que vieram ao mundo como exemplo. Mas já não sabem de quê. Quando os tucanos acordarem do estado de coma, vão descobrir que acorrentaram seu futuro na biografia de um personagem que encanta a plateia renegando a condição de político.

O PSDB caiu na seguinte armadilha: o prefeito João Dória, o tucano que aparece nas pesquisas com alguma viabilidade eleitoral, só pode admitir suas pretensões presidenciais depois que Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra reconheceram que viraram matéria-prima de inquéritos. O problema é que os marqueses tucanato tratam o assunto com a mesma arrogância que enxergavam no PT. Falta aos ex-competitivos a coragem para assumir a nova condição de estorvos.
Herculano
25/04/2017 08:10
LULA DIRÁ QUE NÃO É LULA

Conteúdo de O Antagonista. Lula disse no evento subterrâneo do PT que a única prova contra ele na ação penal do triplex "é um pedágio".

Ele se refere ao registro, entregue à Justiça Federal, mostrando que dois carros em nome do Instituto Lula passaram por pedágios a caminho do Guarujá entre 2011 e 2013. Mas, segundo a Folha, "não há informações que comprovem que as viagens tiveram como destino o edifício Solaris".

O Antagonista alerta que não faltam provas contra o ex-presidente, como emails, notas fiscais da reforma e depoimentos. Tem até foto de Lula visitando o imóvel.
A menos que Lula resolva dizer que não é Lula.
Herculano
25/04/2017 08:02
PARA APROVAR REFORMAS, PLANALTO TROCA CARGOS POR VOTOS DE PARTIDOS NANICOS

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Igor Gadelha, da sucursal de Brasília. Em busca de apoio para conseguir aprovar as reformas na Câmara, principalmente a da Previdência, o governo deu início a uma ofensiva até sobre os partidos nanicos na Casa. Na negociação, interlocutores do governo no Congresso Nacional oferecem cargos no terceiro escalão do Executivo que essas legendas pleiteiam, desde que, em troca, garantam que a maioria de suas bancadas votará a favor das reformas.

Com cinco deputados, o PROS negocia com o Palácio do Planalto uma diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). No início do governo Michel Temer, a sigla chegou a ter a presidência do órgão, com Gastão Vieira. Em dezembro de 2016, porém, ele foi substituído por Silvio Pinheiro, indicado pelo DEM. Desde então, o PROS pleiteava alguma diretoria na instituição.

Na última quinta-feira, 20, o governo também trocou o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para atender o PTN, sigla que tem 13 deputados e que ameaçava deixar a base aliada ou votar contra as reformas, caso não conseguisse o cargo. Para atender o partido, Temer teve de abrir mão de uma indicação pessoal, no caso o então presidente, Antônio Henrique Pires, para nomear Rodrigo Dias, indicado pelo PTN.
O partido vinha ameaçando romper com o governo desde o início de abril, mas foi somente durante a votação da urgência da reforma trabalhista, na última quarta-feira, 19, que o governo cedeu à pressão. Deputados do PTN ameaçaram se abster na votação. Com aval do Planalto, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), então, comunicou que a legenda teria a presidência da Funasa.

No dia seguinte, a nomeação de Dias foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). Com o pleito atendido, o partido deu 10 votos favoráveis à urgência e apenas três contra. Na primeira votação da urgência da reforma, na última terça-feira, 18, quando o governo saiu derrotado, apenas seis deputados do PTN votaram a favor e cinco, contra. Outros dois parlamentares da legenda não apareceram para votar.

Com o PHS, cuja bancada é de sete deputados, a negociação tem sido "caso a caso". De acordo com interlocutores do governo no Congresso, o partido pleiteia algumas diretorias em órgãos do terceiro escalão e deve ser atendido. Entre os nanicos, a sigla é o que mais preocupa o Palácio do Planalto. Na primeira votação da urgência da reforma trabalhista, por exemplo, os cinco deputados do partido presentes em plenário votaram contra.

Ameaças. Em outra frente para garantir apoio às reformas, o governo ameaça retirar cargos de partidos que não votarem com o Planalto. Uma delas foi retirar a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). Interlocutores do governo reclamam que Jovair não tem controle total sobre a bancada e que sequer tem participado das votações.

Eles citam como exemplo a votação da urgência da reforma trabalhista, em que o próprio líder do PTB não apareceu para votar. Além disso, lembram que, dos 17 integrantes da bancada, apenas 12 votaram, sendo oito a favor e quatro contra. "Ele tem que se reposicionar. O PTB, no dia da votação da urgência, não deu nem metade dos votos a favor, e o líder estava fora", afirmou um interlocutor do governo em caráter reservado.

Em entrevista ao Broadcast nesse domingo, 23, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu que o governo não tem hoje os 308 votos mínimos necessários para aprovar a reforma da Previdência no plenário. O Placar do Estadão mostra que, mesmo após as concessões feita pelo relator da proposta, Arthur Maia (PPS-BA), o governo não conseguiria aprovar a reforma hoje. Pelo levantamento, já são 209 votos contrários, quando o máximo para conseguir aprovar deveria ser 205 votos.
Herculano
25/04/2017 07:47
PARA QUE SERVE A IMPRENSA QUANDO FALHA O CARÁTER DOS POLÍTICOS, GESTORES PÚBLICOS E óRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO SOBRE O EMPREGO DOS PESADOS IMPOSTOS DOS CIDADÃOS.

FOLHA ANTECIPOU RESULTADO DE LICITAÇÃO DE PUBLICIDADE DO BANCO DO BRASIL

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Daniela Lima, editoria da coluna Painel.O nome da primeira colocada na licitação para a conta de publicidade do Banco do Brasil foi antecipado à Folha na última quinta (20), quatro dias antes da abertura oficial dos envelopes que trariam o resultado, que só ocorreu na manhã desta segunda (24) em Brasília.

A concorrência é a de maior valor já realizada no governo Michel Temer.

A Multi Solution ficou com o primeiro lugar no certame que elegeu três empresas de propaganda para gerenciar a publicidade do banco pelos próximos 12 meses. Elas dividirão um contrato de até R$ 500 milhões por ano, prorrogável por até 60 meses, segundo o edital. Isso totalizaria R$ 2,5 bilhões, sem calcular eventuais reajustes.

A informação de que a Multi Solution estaria entre as vencedoras foi registrada pelo jornal em cartório na própria quinta-feira (20) e publicada em anúncio cifrado na seção de classificados do caderno Sobre Tudo da Folha deste domingo (23).

O informe trazia o nome da empresa e o número da concorrência que ela venceria nesta segunda. Segundo a informação obtida pelo jornal, houve direcionamento dentro da estatal para garantir que a Multi Solution estivesse entre as contratadas pelo Banco do Brasil.

Procurado, o BB afirmou "que o processo de licitação para escolha das novas agências de publicidade obedeceu rigorosamente a legislação, e a definição das vencedoras foi norteada por critérios técnicos". Já a Multi Solution negou qualquer favorecimento.

Outras duas agências de publicidade foram selecionadas na licitação, que foi pública e realizada na manhã desta segunda, em Brasília: a Nova/sb e a Z+. A primeira tem tradição em negócios do setor público e a segunda integra um grupo francês.

Houve disputa acirrada entre ao menos quatro agências pela segunda e a terceira colocações ?"uma firma estava no páreo e foi desqualificada após recontagem. A Multi Solution, porém, foi a única entre as qualificadas que não teve a liderança na disputa ameaçada.

PROCESSO

A agência alcançou 91,58 pontos, de um total de 100. Este tipo de licitação, chamada de "melhor técnica", ocorre em fases e já na segunda etapa, a Folha apurou, a Multi Solution tinha margem segura para garantir que estaria entre as contratadas.

A firma ficou cerca de seis pontos à frente das demais classificadas. A distância entre as outras duas agências que venceram o certame foi de pouco mais de um ponto: 84,25 (Nova/sb) e 85,26 (Z+).

Essa modalidade de licitação exige das concorrentes o preenchimento de uma série de requisitos para que sejam habilitadas a participar da concorrência. Neste caso, além de propor o menor preço, as empresas enviaram ao BB planos de comunicação e capacidade de atendimento.

Essas informações são avaliadas por uma subcomissão, composta por seis membros: dois sem vínculo com o BB (um do Ministério das Comunicações e outro da Petrobras) e quatro funcionários da instituição financeira.

Pelo edital publicado em janeiro, as agências apresentariam as propostas em envelopes não identificados, para que a subcomissão de licitação desse notas sem conhecer a autora da proposta que estava avaliando.

No caso da disputa pela conta de publicidade do Banco do Brasil, 14 empresas foram habilitadas a participar da concorrência. Entre elas estavam algumas das principais agências do ramo no Brasil, como a Agnelo Pacheco e a Lew Lara, que fazia a publicidade da estatal até este ano.

A Multi Solution, presidida por Pedro Queirolo, nunca havia vencido licitação em órgãos públicos. Por e-mail, Queirolo afirmou à Folha que a vitória na licitação do BB "veio para coroar os 20 anos de trabalho da agência, que é reconhecida por grandes cases no setor privado".

A empresa ganhou visibilidade no mercado ao abocanhar, anos atrás, a conta das marcas Itaipava e TNT. A Itaipava é citada na Lava Jato como uma das firmas usadas pela Odebrecht para distribuir propinas ?"o que ela nega.

Veículos especializados no setor de publicidade noticiaram que, em 2012, a agência perdeu esse negócio, o que levou à queda de metade do seu faturamento.

OUTRO LADO

Procurado pela reportagem, o Banco do Brasil defendeu o processo de licitação e disse que a "escolha das novas agências de publicidade obedeceu rigorosamente a legislação e a definição das vencedoras foi norteada por critérios técnicos".

A assessoria de imprensa da instituição disse ainda que, "na próxima quarta-feira (26), o Banco do Brasil, de forma transparente, irá publicar todas as propostas técnicas que foram apresentadas na licitação, junto com as respectivas notas atribuídas pela comissão responsável pela avaliação, o que possibilitará a verificação de todo o processo por qualquer interessado".

O Banco do Brasil negou também que tenha havido embate entre as agências que participaram da disputa, embora concorrentes tenham pedido, e conseguido, uma recontagem dos votos, que alterou a classificação das empresas que disputavam o segundo e o terceiro lugar.

"A audiência cumpriu com normalidade todos os procedimentos previstos em edital para apuração das empresas vencedoras da licitação, incluindo a abertura em sequência dos dois envelopes com as propostas técnicas que compõem a nota final de cada participante", informou a instituição.

Por e-mail, Pedro Queirolo, presidente da Multi Solution, disse que esta foi a primeira licitação pública que venceu, mas que sua agência já participou de outras concorrências, como Petrobras, Secretaria de Comunicação da Presidência da República e Sebrae.

"O Banco do Brasil veio para coroar os 20 anos de trabalho da agência, que é reconhecida por construir grandes cases no setor privado", afirmou Queirolo.

Questionado pela reportagem se sua empresa havia obtido algum tipo de favorecimento, disse que "de forma alguma". "Acreditamos que o novo momento que nosso país enfrenta é uma oportunidade para desenvolver um trabalho sério e competente também no setor público."

SAIBA MAIS

A Folha já antecipou resultados de concorrências públicas antes. Em 1987, o jornal noticiou que o processo para a construção da ferrovia Norte Sul havia sido fraudulento.

A Folha havia publicado, de maneira cifrada, os 18 vencedores cinco dias antes do anúncio oficial. Reportagem de Janio de Freitas de 13 de maio de 1987 afirmava que a informação chegou ao jornal "antes até de serem abertos, pela estatal Valec e pelo Ministério dos Transportes, os envelopes com as propostas concorrentes".

Em outra ocasião, a Folha antecipou o resultado da licitação para a construção da via permanente 2-Verde do Metrô, obra de mais de R$ 200 milhões, vencida pelo consórcio de empreiteiras Camargo Corrêa/Queiroz Galvão.

O caso aconteceu em 2008, e o resultado foi divulgado de forma cifrada oito horas antes da abertura dos envelopes da concorrência, em texto sobre a ópera "Salomé", então em cartaz em São Paulo.

Outra reportagem foi publicada em outubro de 2010, quando o jornal revelou ter registrado com seis meses de antecedência o nome das empresas vencedoras na licitação da expansão da linha-5 Lilás do metrô.

No caso de agora, com 14 empresas disputando 3 vagas, a chance de alguma ser selecionada ao acaso é de 21,4%.

Para que isso valha, porém, é preciso que todos os concorrentes estejam em perfeita igualdade de condições, ou seja, tenham apresentado propostas de qualidade e preço tão semelhantes que o resultado pode ser aleatório, segundo Sergei Popov, professor de probabilidade na Unicamp.

Para que a probabilidade seja válida, a licitação precisaria ser "por sorteio, sem entrar no mérito".

Geralmente não é o caso: além de toda licitação avaliar os méritos, algumas empresas podem ter estruturas mais eficientes, que permitam preços mais baixos sem perda de qualidade, favorecendo-as numa licitação honesta.
Herculano
25/04/2017 07:42
ODEBRECHT DELATOU QUANDO JÁ ESTAVA EM DECLÍNIO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O Grupo Odebrecht já enfrentava dificuldades financeiras, agravadas pela Lava Jato, quando decidiu propor acordos de delação premiada de todos os executivos com papel relevante na negociação ou pagamento de propina. As investigações apontavam para o declínio e deterioração irreparáveis da empresa, com passivo várias vezes superior aos ativos. Mas a Odebrecht, agora, poderá culpar a Lava Jato por sua crise.

PRÊMIO EM DINHEIRO
Alguns executivos da Odebrecht estavam relutantes quanto à delação, mas a empresa os premiou com dinheiro para que colaborassem.

PREJUÍZO
Em 2015, a receita da Odebrecht caiu 12%, para US$ 39 bilhões, com prejuízo líquido de R$ 298 milhões.

DEMISSÕES
A crise provocou demissões na Odebrecht. Os 181.556 funcionários em 2013 foram reduzidos para a 128.486 em 2015.

IDEIA DE EMÍLIO
Emílio Odebrecht tentou salvar a empresa e tirar o filho Marcelo da prisão, ao trabalhar para que 77 executivos optassem pela delação.

'ALMIRANTE BRAGA' FEZ NEGóCIOS NA ÁFRICA COM ARRAES
O Comandante Braga, amigo do ex-presidente Lula delatado pela Odebrecht como intermediário no recebimento de propina pelo contrato bilionário da compra de submarinos franceses, após sair da Marinha se tornou negociante de açúcar entre o Brasil e o norte da África, fazendo negócio inclusive com o ex-governador Miguel Arraes, que vivia asilado na Argélia. Chamado de "Almirante Braga" na Odebrecht, trata-se do capitão de corveta aposentado Carlos Henrique Ferreira Braga

AMIGÃO DE LULA
Milionário, dono de quinze empresas, o "Almirante Braga" chegou a emprestar um avião à campanha presidencial de Lula, em 1989.

FUNDO DE PENSÃO
O ex-executivo da Odebrecht Luiz Eduardo Soares disse que a propina para o "Almirante Braga" seria de um grupo de viúvas de almirantes.

DE ONDE SAÍA
O contrato de R$ 31 bilhões para a compra de submarinos, incluindo R$ 3,3 bilhões para a Odebrecht, era a fonte do propinoduto.

PEGADINHA NO 'JN'
Interpelado pelo "Jornal Nacional, terça-feira (18), o coordenador do programa do submarino brasileiro, almirante Max Hirschfeld, afirmou que "inexiste" um "almirante Braga" na Marinha. Mas Hirschfeld, tanto quanto os cabeços de portos, sabem que o Comandante Braga existe.

PALESTRAS DE ARAQUE
Ex-presidente da OAS Léo Pinheiro confirmou ao juiz Sérgio Moro a interpretação da Lava Jato: a empreiteira contratava "palestras" de Lula para lavar a propina materializada pela reforma do tríplex do Guarujá.

IDEIA EXPLOSIVA
O ministro Raul Jungmann (Defesa), deputado pelo PPS-PE, divulgou estudos para instalar a indústria de defesa em Pernambuco, a começar por unidades da Taurus, acusada de produzir armas que disparam acidentalmente, e a Ruag suíça, fabricante de pólvora e cartuchos.

PAULÃO FAZ O CERTO
Paulão (PT-AL) é honrosa exceção no triste show de deputados que furam a fila no embarque, no aeroporto de Brasília, para viagens semanais a Alagoas. Ele se submete à fila, democraticamente.

RETOMADA DA ECONOMIA
No primeiro bimestre de 2017, o polo de Manaus faturou R$11,8 bilhões, mais de 12% de crescimento em relação a 2016. Em dólar, o faturamento cresceu 45%, saltando para US$3,8 bilhões.

CMO SAI ESTA SEMANA
A Comissão Mista de Orçamento sai esta semana, ainda que o líder do PMDB não indique seu presidente, como lhe compete. Renan Calheiros retirou a escolha de Rose de Freitas (PMDB-ES) após ouvi-la afirmar que a oposição dele ao governo Michel Temer era pessoal.

COMPLETA LISURA
Luiz Feral, do grupo que controla a agência Talk2, garante "completa lisura, transparência e respaldo da lei" na licitação da Embratur, de R$ 9 milhões, para contratar uma empresa de comunicação digital.

SIGNO DE GÊMEOS
O presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, que visita o País, nasceu no mesmo dia, mês e ano e na Santiago de Compostela da jornalista Maria del Carmen Tamanini, radicada em Brasília há anos.

PENSANDO BEM...
...o futuro do PT deve ser tentar eleger apenas ex-BBBs.
Herculano
25/04/2017 07:37
REFORMA DA PREVIDÊNCIA "É COISA NOSSA", por Álvaro Costa e Silva, no jornal Folha de S. Paulo

Do vasto repertório em torno de Ary Barroso e sua língua sem papas, consta o dia em que o compositor resolveu cortar o cabelo. O barbeiro, desmanchando-se em gentileza, perguntou: "Como o doutor quer o corte?". "Calado", respondeu Ary.

Michel Temer ou não conhece a anedota, ou não confia na sabedoria do autor de "Aquarela do Brasil". O presidente ?"cujo topete revolto faz a delícia dos fotógrafos?" deu um pulo no salão do cabeleireiro Jassa, um dos mais badalados de São Paulo. Entre uma tesourada e outra, Temer manteve uma conversa animada e lamentou as "mentiras" envolvendo a reforma da Previdência. Ouviu o conselho de Jassa para procurar o apresentador Ratinho. Este foi direto ao dono do baú da felicidade.

Silvio Santos já começou a bajulação em defesa do projeto. Não chega a ser uma novidade na política brasileira. Desde seus tempos de camelô, vendendo bugigangas nas ruas do Rio, o empresário ficou ao lado de todos os governos. Durante o regime militar, cantou que "o Figueiredo é coisa nossa" e ganhou um canal de TV. FHC e Lula estiveram em seu programa de auditório, conversando com "as colegas de trabalho".

Nos intervalos do SBT, o clima da propaganda é de puro terror: "Você sabe que se não for feita a reforma da Previdência, você pode deixar de receber o seu salário?". Pensar que, um ano atrás, a emissora decidiu não transmitir ao vivo o impeachment de Dilma. E se deu bem na briga pelo espetáculo mais dantesco daquele domingo: sua programação normal disparou no ibope.

Pena que Aracy de Almeida, que por uma eternidade trabalhou como jurada no programa de Silvio Santos, não esteja viva. Como Ary Barroso, Araca não gostava de papo furado no barbeiro. Perguntada pela mudança na Previdência, ela poderia dar o veredicto: "Vai levar dez mangos, mas só pela cara de pau"
Joel Reinert
25/04/2017 07:33
Herculano, Parabéns pelo texto e pela abalizada e consistente análise da Imprensa Catarinense pós chegada da RBS ao estado. Concordo plenamente com suas contatações e colocações.
Herculano
24/04/2017 22:07
IMITANDO LULA, DILMA REIVINDICA O PAPEL DE BOBA, por Josias de Souza

Dilma Rousseff frequenta a cena político-policial em constrangedora posição. De um lado, delatores da Odebrecht informam que injetaram dinheiro sujo de corrupção nas arcas da campanha vitoriosa na disputa presidencial de 2014. Na outra ponta, o casal João Santana e Mônica Moura, responsável pelo marketing do comitê petista, admite ter recebido da construtora, por baixo da mesa, verbas de má origem. Uma parte foi depositada em conta secreta na Suíça. No meio disso tudo, Dilma nega o inegável.

A ex-presidente petista reivindica o papel de cega. Ou de boba. Repetindo: aquela senhora que chegou à Presidência com a fama de supergerente infalível pede para ser vista como uma tola, incapaz de farejar os milhões que passaram sob suas narinas. O mais irônico é que Dilma se desconstrói num esforço para desmentir João Santana, o mago do marketing que construíra sua imagem de mulher maravilha.

Dilma imita Lula. O sucesso de sua defesa dependerá do talento dos seus advogados para desmoralizá-la. A essa altura, aceitar a versão de Mônica Moura, que disse ter informado pessoalmente à ex-presidente sobre os depósitos da Odebrecht na Suíça, é uma homenagem à inteligência que Dilma diz não ter
Maria Naes
24/04/2017 21:35
Herculano, perguntar não ofende...
Como anda o Naes de Ilhota, que por perseguição política foi retirado do prédio onde estava?
Saiu de um lugar tranquilo, ótima localização, com cerca de 200 alunos matriculados, pra se "enfiar" dentro do Colégio Marcos Konder. Segundo as pessoas que estudariam no Naes, as aulas começarão só em maio...porque esse atraso? As pessoas que ali estudam não terminaram sei estudos em idade normal. Por isso procuram um lugar com pouco barulho, tranquilo. Mas o Sr Prefeito quis punir a todos pelo visto. Aposto que as matrículas caíram pra 50 pessoas. Vale dar uma olhada...Educacao não é prioridade pra esse governo.
Erva Daninha
24/04/2017 21:10
Leonardo Boff, besouro rola-bosta.
Ele é o famoso "mortadela" (manifestante pago com lanche e trocado para fazer apoio ao falecido governo petista), agora envergonhado.
#ChupaBofe
Herculano
24/04/2017 20:19
ESPECIALIDADE DOS POLÍTICOS, DILMA, LULA, PT E PRINCIPALMENTE OS DA ESQUERDA DO ATRASO: MENTIR COMO SE ELA FOSSE PARTE DA VERDADE E A POPULAÇÃO ANALFABETA, IMBECIL, IGNORANTE E DESINFORMADA

O QUE TODOS SABIAM É CONFIRMADA. SANTANA CONFIRMA QUE DILMA SABIA DE CAIXA DOIS

Conteúdo e texto Infomoney.Em depoimento de cerca de duas horas nesta segunda-feira (24), o marqueteiro João Santana disse ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia do esquema de caixa dois utilizado em 2014 em sua campanha à reeleição, segundo informações da Veja. A afirmação também foi feita por sua sócia e mulher, Mônica Moura, também delatora da Lava Jato, que contou ter tratado pessoalmente com Dilma naquele ano, em uma reunião no Palácio do Planalto, do esquema ilegal de arrecadação de recursos para a disputa eleitoral.

O depoimento de Santana traz ainda outros trechos mais curiosos. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, ele disse que decidiu diminuir as aparições de Michel Temer (PMDB) nas campanhas publicitárias da campanha de 2014 por ter sua imagem relacionada com o "satanismo".

A afirmação foi em resposta a uma pergunta do ministro Herman Benjamin - relator da ação no TSE que vai decidir se cassa a chapa Dilma-Temer, vencedora do último pleito - sobre o papel do vice na campanha. Segundo Santana, as pesquisas internas mostravam queda nas intenções de voto quando Temer participava das propagandas e isso ocorria por sua imagem ser historicamente relacionada com o "satanismo". Para o publicitário, a alusão se dava devido à existência de um escritor no século 17, homônimo do atual presidente, que escrevia sobre o tema em suas obras.

O publicitário afirmou ainda que sua relação com o então vice era apenas nos dias que havia gravações de comerciais a serem feitas
Herculano
24/04/2017 20:08
O TRIBUNAL DO TRABALHO QUE NÃO TRABALHA: TRT-BA ADERE À GREVE CONTRA GOVERNO TEMER, por Rodrigo Constantino, do Instituto Liberal

O Tribunal Regional do Trabalho - 5ª Região (Bahia) decidiu, por unanimidade, em sessão especial nesta segunda-feira (24), a suspensão do expediente em toda a regional, na próxima sexta-feira (28/4) para participação na greve geral contra as reformas da previdência e trabalhista.

Associações de classe e instituições - Amatra5, Abrat, Abat, Sindijufe e OAB-BA - estavam presentes no plenário do TRT-BA. Vários desembargadores se pronunciaram contra as reformas previdenciária e trabalhista.

Na terça-feira (18), lideranças e representantes cinco centrais sindicais manifestaram o apoio aos atos em defesa da Justiça do Trabalho e contra as reformas trabalhista e da previdência.

Participaram da reunião com a desembargadora os dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT/BA), Cedro Silva; da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB/BA), Aurino Pedreira; da União Geral do Trabalhadores (UGT/BA), Magno Lavigne; da Força Sindical Bahia, Emerson Gomes; e da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST/BA), representada por Evangivaldo Soares Rosa e João da Visitação, ambos do Sindicato dos Empregados em Hotéis Bares e Similares (Sindhoteis/BA). Do TRT5, esteve presente o assessor da Presidência Senildo Paulino de Santana.

Em primeiro lugar, não é uma "greve geral", e sim uma paralisação orquestrada pela CUT e demais sindicalistas que invariavelmente se colocam contra o trabalhador brasileiro. Em segundo lugar, quão irônico é um Tribunal do Trabalho que não quer trabalhar, para fazer greve contra reformas necessárias que flexibilizam as leis trabalhistas, dando mais liberdade aos trabalhadores?

O câncer do Brasil são esses sindicatos poderosos. Acabar com o nefasto "imposto sindical" é uma necessidade urgente. Só assim essas entidades vão minguar, pois no dia em que dependerem da adesão voluntária dos trabalhadores, ficarão a ver navios. O trabalhador sabe muito bem que essa turma não o representa, e sim os interesses dos próprios sindicalistas e políticos de esquerda.
Herculano
24/04/2017 19:36
TRANSFERÊNCIA DE PROCURADORES PODE IMPACTAR A LAVA JATO

Conteúdo Jota. Texto de Márcio Falcão.Numa sessão tensa, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta segunda-feira (24/4) que ficou perplexo com um movimento no Conselho Superior do Ministério Público Federal que colocaria em risco a atual composição do grupo da PGR que atua nas investigações da Lava Jato.

O debate envolve o "empréstimo" de procuradores, que deixam suas unidades de origem para atuar em outras áreas do Ministério Público da União. A ideia, lançada pela subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, uma das candidatas a sucessão de Janot, prevê a fixação de um limite de 10% do quadro de cada unidade para a transferência para outras áreas. Atualmente, sete integrantes do grupo da Lava Jato foram recrutados por Janot de instâncias inferiores. A medida mexe diretamente com o gabinete de Janot.

O limite de 10% deve ser aprovado, mas seu alcance ainda deve passar por uma modulação. A maioria do Conselho Superior (8? - 1) já indicou apoio a norma. A proposta de resolução não foi aprovada ainda porque nesta segunda Janot pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso uma vez que foram apresentadas duas propostas com regras de transição: uma pede uma espécie de blindagem para aquelas forças tarefas que já estão em atuação, como a Lava Jato, e outra joga o início da aplicação da regra para janeiro de 2018.

Janot afirmou que ficou confortável com o "recuo" dos colegas e fez uma dura crítica.

"O conselho recua e faz regra de transição, abre exceções, enfim, flexibiliza essa proposta de resolução. [?] Pouco mais confortável agora. Como essa questão vinha sendo tratada pelo conselho, me deixou um pouco perplexo porque, nessas investigações, nós contamos com o apoio interno, o apoio social, de todos os MPs, tanto assim que os MPs dos estados e da União se oferecem a ceder membros para participar dessa investigação e contamos com apoio internacional. Há um reconhecimento geral dos membros do MP", disse.

"Me deixou desconfortável que o nosso alto colegiado do MP poderia estar cogitando de impactar nessas investigações e impactaria sim. Se nós temos um conjunto de colega trabalhando em vários setores do gabinete do PGR, é obvio que as atividades serão atingidas e serão atingidas como um todo inclusive as investigações da Lava Jato", completou.

Para o chefe do MP, "esse discurso de que não vai afetar a Lava Jato é um discurso que tem que ser recebido com muita ponderação. Porque, na verdade, ninguém, a não ser aqueles que participam da investigação, ninguém conhece a complexidade, o alcance, a dimensão do que representa essa investigação".

A resolução tem como pano de fundo a sucessão de Janot, que tem mandato finalizado em setembro. Raquel Dodge é uma das candidatas ao comando do MP. A subprocuradora, no entanto, nega que a regra seja uma forma de engessar o PGR. Segundo Raquel Dodge a ideia é garantir o pleno funcionamento das unidades locais.

"A ideia é garantir um número mínimo em cada procuradoria. Se for eu a procuradora-geral acatarei resolução, acho que acataria com muita tranquilidade porque acho que é possível recrutar colegas, e todos passaram no mesmo concurso. Acho que é regra clara, precisa estar posta."

A proposta da subprocuradora-geral teria sido motivada por problemas, por exemplo, na Procuradoria da República no Distrito Federal, que teria enfrentado problemas de mão de obra pelo recrutamento. A unidade toca operações importante como a Greenfield, que apura problemas na gestão de fundo de pensão, e Zelotes, que investiga um esquema de corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf).
Herculano
24/04/2017 19:12
OS QUE LATIAM, MIAM, por Ilimar Franco, para Os Divergentes

Os que latiam, miam. Esta é a frase política síntese depois de três anos da operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014. O rigor contra uns foi substituído pela complacência contra outros. Parece ter sido combinado assim, a empreiteira Odebrecht corrompeu no exterior, nos governos do PT, e para os demais adotou-se o sinônimo caixa 2.

A decisão do STF, de atender a PGR, e determinar a investigação contra meio mundo não é explorada em sua amplitude. Em determinado momento, a condenação sumária foi substituída pelo direito à inocência até que se prove em contrário. Mas entre a população, esse contorcionismo não cola. Para ela, todos são culpados.

Os resultados das pesquisas de intenções de voto vão mudar até outubro do ano que vem, quando se realizam as eleições presidenciais. Mas hoje, elas mostram quem está sobrevivendo e quem pode emergir da lama que tomou conta da política. Os partidos que se opõem ao petismo não saíram do lugar e vários de seus quadros foram empurrados para a valeta.

Mesmo beneficiados pela boa vontade dominante, suas asas foram tosqueadas. A despeito disso, aquele que foi colocado no pedestal de vilão principal sobrevive. Não se sabe até quando esta sorte vai durar, mas o ex-presidente Lula lidera as pesquisas. Seus principais adversários foram colocados no chinelo. Um outsider vem aí?

Ainda é cedo para dizer. Para virar o jogo, parece que parcela da oposição a Lula, passou a apostar num outsider, o prefeito de São Paulo, João Dória. Não é possível determinar o fôlego, mas o deputado Jair Bolsonaro, encarnação da direita, chegou a um patamar inimaginável, quando o escândalo da Petrobras começou.

Culpado? Displicente! Enxovalhado! E, mesmo assim, Lula sobrevive. Isso não é coisa de lulista ou petista, basta acompanhar diariamente os ataques que ele sofre da oposição e de seus porta-vozes. Vivemos num momento da história em que os brados pela ética convivem com o silêncio. Dessa regrinha, só quem não se beneficia é o surrado PMDB.

A crise econômica derrubou a ex-presidente Dilma. Esta crise não deixa o presidente Temer, e seu governo, sair do chão. Tudo indica que a população mais pobre procura uma esperança de que dias melhores virão. Crescimento da economia, estabilidade e alguma fartura. Isso pode explicar o desempenho de Lula.

O PSDB quer se colocar nessa perspectiva. Trabalha para resgatar a memória do Plano Real. Há um filme que busca justamente trazer para os nossos dias os grandes benefícios sociais e econômicos do plano implementado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na película, FH é um coadjuvante e o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, é apresentado como o Pai do Plano Real.
Herculano
24/04/2017 19:09
AFINAL,ESTE DITO POPULAR VALE OU NÃO? "QUEM NÃO DEVE NÃO TEME". MAS LULA ESTÁ COM MEDO

A defesa de Luiz Inácio Lula Silva, PT, a que enfrenta e desqualifica juízes, promotores e policiais, baixou a bola (e por pouco, aparentemente para quem tem certeza de que tudo é uma farsa que não se sustenta por documentos), pediu hoje ao STF que diversas citações a seu nome em delações de executivos da Odebrecht não sejam enviadas a Sérgio Moro, mas para a Justiça Federal em São Paulo ou em Brasília.

Ou o que ele quer insinuar que manobra os que julgam em São Paulo e Brasília?

Segundo O Antagonista, Lula sofre de Morofobia.
Herculano
24/04/2017 18:49
COVARDE E DESLEAL, ESQUERDISTA BOFF DEIXA LULA E ROLA EM SI MESMO, por Reinaldo Azevedo, de Veja

É? Nada como viver tempos interessantes. Dia desses, Paulo Henrique Amorim resolveu abandonar o barco de Lula. Escrevi a respeito. Agora, outro notório esquerdista, que há muito vive à sombra do petismo, faz a mesma coisa: Leonardo Boff, o ex-frei do que chamo "Escatologia da Libertação". Já volto a ele. Quero antes fazer algumas considerações gerais.

Coragem e lealdade
Já escrevi e reitero que há duas qualidades que admiro independentemente de conteúdo ou postulações: coragem e lealdade. Não posso pensar em nada mais asqueroso do que seus respectivos contrários: covardia e traição. Ainda que eu repudie a causa deste corajoso ou daquele; ainda que eu possa achar que o beneficiado pelo amigo leal não vale o esforço, aplaudirei sempre as duas virtudes, mesmo que combata seus protagonistas. Só vale a pena viver assim. E, por óbvio, quero-me e sou corajoso e leal. A leitura de "A Ilíada" explica com mais riqueza o que vai aqui. Se um dia tiverem tempo, leiam-na.

Ao fazer essa lembrança, relevo que trato de virtudes antigas, que não têm marca ideológica. Até porque a esquerda pode ser notavelmente traiçoeira e covarde em nome da "causa". Há rica literatura, muito especialmente a política, a respeito. E a direita pode praticar as duas coisas em nome do "pragmatismo", já que costuma ter pouca imaginação para utopias.

"Causa" e "pragmatismo" são, pois, vestes que os pusilânimes e os vigaristas envergam sob o pretexto de cuidar da coisa pública. Cedo ou tarde, os fatos os aguardam. Se cedo, melhor: talvez haja tempo para aprender alguma coisa. Se tarde, nada a fazer. A terra há de comer mais um infeliz.

Vamos a Boff.

Este senhor, certa feita, escreveu um artigo com um ataque violento contra mim. Por quê? Quando morreu o arquiteto Oscar Niemeyer, escrevi, citando Millôr sobre um seu amigo do "Pasquim", que o artista era "metade gênio e metade idiota". Eu admirava - e admiro - seu trabalho; acho algumas de suas soluções admiráveis; a leveza que o concreto armado assume em sua prancheta não tem paralelo. Mas pensava o que pensava em política. O homem morreu stalinista!

Boff ficou revoltado. Este senhor pio, religioso, generoso, decidiu me chamar de "besouro rola-bosta", expressão que a esgotosfera esquerdista repetiu até se fartar. Hoje em dia, conheço também a esgotosfera de extrema direita. São iguais em tudo. Até na venalidade. Aquela tinha seus financiadores secretos. Esta também.

O homem que me brindou com associação tão poética escreve agora um post em que entrega Lula e o PT às cobras - sim!, claro, os demais partidos, o PSDB em particular, apanham muito, ainda que de forma oblíqua. Já explico.

Espancando um tanto a língua, o que não lhe é estranho, Boff manda ver:

"Enganam-se aqueles que eu, pelo fato de defender as políticas sociais que beneficiaram milhões de excluídos, realizadas pelos dois governos anteriores, do PT e de seus aliados, tenha defendido o partido. A mim não interessa o partido mas a causa dos empobrecidos que constituem o eixo fundamental da Teologia da Libertação, a opção pelos pobres contra a pobreza e pela justiça social, causa essa tão decididamente assumida pelo Papa Francisco."

REPRODUZINDO UM TEXTO IMBECIL
Na sequência, Boff reproduz, em sinal de endosso, um artigo da jornalista de esquerda Carla Jiménez, publicada na edição online para o Brasil do jornal "El País". O texto dela é de uma ruindade assombrosa. Entre outras razões porque mistura alhos com bugalhos. Leiam isto, por exemplo:

"[políticos] Garantiram suas aposentadorias com dinheiro desviado e agora acreditam ter legitimidade para decidir o destino da velhice de todos os brasileiros que fizeram o verdadeiro papel de palhaços neste teatro."

Demagogia barata e intelectualmente vigarista. A Previdência estaria quebrada ainda que ninguém houvesse roubado um centavo.

Num outro momento, diz esta senhora:
"Tem até o ex-relator do impeachment no Senado, Antonio Anastasia - que discursava indignado sobre o crime das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff no ano passado - e que agora terá de provar que não é criminoso, apesar da acusação de que teria recebido caixa 2 de baciada da Odebrecht."

Em primeiro lugar, ela inventou que existe a acusação de que Anastasia recebeu caixa dois "de baciada". Candidamente - nota-se que a escriba é, digamos, modesta -, ela parece achar muito justo que alguém tenha de "provar que não é criminoso"? É o que acontecia na Espanha do franquismo, né? As pessoas tinham de provar que eram inocentes. O órgão acusador não precisava evidenciar a culpa. Bons tempos, não é, Carla?

No ápice, desculpem-me a expressão dura, da delinquência intelectual, diz a tal:

"Elite criminosa. O que é a pedalada fiscal hoje, se não cosquinhas perto da monstruosidade que o topo da pirâmide política e econômica promove no Brasil.?"

Ora, o crime das pedaladas independe da roubalheira institucionalizada. E foi igualmente cometido. Qual é a sugestão? Que Dilma permanecesse no cargo já que o país é esculhambado?

E, claro!, a doutora em Brasil tem uma receita para resolver a crise:

"Saiam todos, por favor. Vocês são maus exemplos a seguir."

Não foi o que fez a Espanha. Resolveu enterrar os cadáveres do franquismo e ressuscitar, ora vejam, as varizes azuis da monarquia. E não é que a transição deu certo? Ainda bem que Carla não tinha como opinar. Seu texto é de um jacobinismo ginasiano. Duvido que algo tão ruim saia nas páginas do El País espanhol. Mas sabem como é? Devem pensar: "Para brasileiros, está bom demais".

Lula

E Carla Jiménez desce o sarrafo em Lula, com o endosso de Boff. Num trecho de esquerdismo pedestre, escreve:

"Lula, por outro lado, mais do que os crimes a que responde, feriu de golpe a esquerda no Brasil. Ajudou a segregá-la, a estigmatizar suas bandeiras sociais e contribuiu diretamente para o crescimento do que há de pior na direita brasileira. Se embebedou com o poder. Arvorou-se da defesa dos pobres como álibi para deixar tudo correr solto e deixou-se cegar. Martelou o discurso de ricos contra pobres, mas tinha seu bilionário de estimação. Nada contra essa amizade. Mas com que moral vai falar com seus eleitores?"

Notem que, nos políticos "de direita", muito grave é o roubo do dinheiro público. No caso de Lula, um esquerdista, não! Seu maior pecado foi "ferir de golpe (?) a esquerda do Brasil" (?), contribuindo "diretamente para o crescimento do que há de pior na direta brasileira". Num momento de uma parvoíce ímpar, escreve:

"[Lula] Martelou o discurso de ricos contra pobres, mas tinha seu bilionário de estimação. Nada contra essa amizade. Mas com que moral vai falar com seus eleitores?". Não é que Carla ache errado o discurso dos "ricos contra os pobres". Parece que disso ela gosta. Ela só não aprova que o chefão petista o faça tendo um amigo bilionário?

Carla não deve ter noção de quão ruim é. Não por acaso, o Boff gostou?

A jornalista do El País só está praticando seu, como direi?, "hedge" com o espírito da Lava Jato. Ao agir assim, tenta fazer com que seu conhecido alinhamento com as esquerdas não se confunda com eventual desprestígio à força-tarefa. E ela percebeu também que, hoje, alinhar-se fanaticamente com os procuradores faz bem às esquerdas. Afinal, eles deram a esta senhora a oportunidade de escrever um texto que iguala todos os citados na operação, sejam ladrões ou não. Daí que ela peça que todos saiam.

De volta ao Boff

Boff reproduziu o texto porque concordou. Ele também está procurando se livrar da herança petista. O homem santo já ligou os radares de sua sofisticada moral em busca de outro salvador da pátria. E ele o faz quando Lula está numa pior, convenham.

Esse é o cara que me chamou de besouro rola-bosta. Ainda que eu fosse, uma coisa é certa: jamais rolaria na matéria de que são feitos os Boffs da vida. Eu seria um besouro muito exigente. Vá lá o estrume? Mas nunca a covardia e a deslealdade.

Que estão abaixo da bosta!
Herculano
24/04/2017 18:27
O TAMANHO REAL DA ESQUERDA, por Mário Sabino, de O Antagonista.

O primeiro turno da eleição presidencial na França mostrou o tamanho real da esquerda no país que americanos, ingleses e brasileiros consideram o mais esquerdista da Europa. No total, os partidos da gauche somaram apenas 28% dos votos.

É o tamanho real porque, depois de cinco anos desastrosos de governo socialista, só votou na esquerda quem, de fato, acredita profundamente na sua ideologia. Tanto é que a agremiação esquerdista que chegou a quase 20% dos votos foi a do radical Jean-Luc Mélenchon, um sujeito que acha o bolivarianismo uma conquista do balocobaco. Ou seja, os seus eleitores creem que o socialista François Hollande foi uma calamidade por não ter sido esquerdista o suficiente.

Uma pesquisa mostrou que 22% dos franceses se consideram de esquerda. Mas, como 28% votaram em partidos da gauche em meio ao naufrágio socialista, é este número que deve ser levado em conta. E o que melhor espelha o que ocorre em boa parte do Ocidente, no qual tomo a liberdade de incluir o Brasil.

A imagem no espelho francês: de 25% a 30% do eleitorado é irremediavelmente esquerdista. Se você duvida, pegue o exemplo da eleição municipal em São Paulo, cidade que sofreu durante quatro anos nas mãos do PT. Se considerarmos que pelo menos metade dos votos de Marta Suplicy foi de esquerdistas, perfazem 25% os paulistanos que não votaram no capitalista João Doria por convicção ideológica.

Você pode achar que essa quantidade de esquerdistas renitentes é enorme. De fato, é espantoso verificar que tanta gente ainda acredita num fantasma político que falhou de modo miserável nas suas diversas encarnações em 170 anos de história. No entanto, dado o grau de doutrinação socialista que vigora nas escolas e universidades, para não falar da manipulação permanente dos desvalidos por sindicatos, partidos e "movimentos sociais", é também admirável que a quantidade de eleitores completamente iludidos seja minoritária.

É claro que é preciso lutar para que a doutrinação e a manipulação sejam abolidas. Na minha opinião, o marxismo poderia ser estudado como o feudalismo, sem o legado deste último. Na minha opinião, sindicatos, partidos e "movimentos sociais" não poderiam receber o nosso dinheiro. O esforço imediato, contudo, deveria ser para evitar que o eleitorado flutuante, sem ideologia definida, caia outra vez na esparrela de votar em socialistas por razões oportunistas. Em especial, quando socialistas assinam cartas de apoio ao capitalismo escritas por empreiteiros bandidos.

Vive la France. Vive le Brésil.
Herculano
24/04/2017 18:22
O PT CONTINUA CHANTAGEANDO. PARA NÃO VER MAIS LAMA SOBRE LULA, DILMA E AS SUAS ESTRELAS ADVERTEM EMPRESÁRIOS PARA CALAR A BOCA DE PALOCCI, PRESSIONAR INSTITUIÇÕES...

ESTÁ NA HORA DE PASSAR TUDO A LIMPO, DOA A QUEM DOER

DELAÇÃO DE PALOCCI SERIA "VERDADEIRO TERREMOTO" NO MEIO EMPRESARIAL, DIZ ZARATTINI

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de André Borges, da sucursal de Brasília. O líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), classificou como um "verdadeiro terremoto" a eventual delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Na avaliação do líder petista, Palocci tem muito a contar sobre as relações políticas com grupos econômicos. "Nós não sabemos exatamente o que o Palocci tem a dizer, mas a gente tem certeza que ele tem muito para falar, inclusive sobre os grandes grupos econômicos brasileiros, o capital financeiro, os grandes bancos e

"Se ele falar sobre o que tem conhecimento, o Brasil vai sofrer um verdadeiro terremoto no meio empresarial", disse o deputado federal, que participa nesta segunda-feira, 24, do seminário "Estratégia para a Economia Brasileira - Desenvolvimento, Soberania e Inclusão", promovido pelas lideranças do PT na Câmara e no Senado e pela Fundação Perseu Abramo, em Brasília.

Na semana passada, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, Palocci deu indicações sobre sua disposição em fazer um acordo de delação premiada, ao sugerir que tem muito a contar sobre os esquemas investigados pela Operação Lava Jato.

Entre as lideranças do PT presentes no encontro desta segunda-feira estão a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o senador Humberto Costa (PE), o presidente da sigla, Rui Falcão, e o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli. A previsão é de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareça ao encontro no final da tarde.
Herculano
24/04/2017 18:13
CARREGAR BABÁ DE BRANCO A RESTAURANTE É SINAL DE QUE VOCÊ É UM RICO BOBO, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

Sempre se soube que sucesso desumaniza. Só gente iniciante não sabe disso. Sucesso é muito bom. Não me entenda mal. Desumaniza porque pode fazer você achar que você é o máximo em tudo, quando o foi apenas em algo em particular, e, às vezes, esse algo é bem banal se tomarmos a totalidade das atividades e experiências humanas.

Mas o sucesso não só desumaniza, ele pode deixar você ridículo se você não perceber que a melhor forma de conviver com o sucesso é fingir que ele não existe. Pra você e para os outros. Eu sei que é difícil, então melhor consultar um profissional do ramo. Existem alguns bons por aí. Ouvi dizer que existem até alguns workshops que ensinam você a não ser um jovem de sucesso ridículo por causa do próprio sucesso. Lúcifer foi o primeiro jovem de sucesso bobo da história. E acabou ficando com o porão.

Quando o sucesso atinge você muito cedo na vida, a chance de você virar uma besta arrogante é enorme.

A juventude já é "um sucesso" em si, apesar de temporário e condenado à extinção com os anos. Quando associada a dinheiro ganho (ou herdado e ganho), essa tendência é reforçada. Quando a esse processo é adicionado o acesso a muita informação, mesmo que picada, superficial, mas abundante, ao simples toque de um rápido clique "mobile", você pode ver diante dos olhos o fenômeno tão discutido hoje em recursos humanos: jovens que estão sempre diminuindo todo ser humano que chegou ali antes dele. O pior é que tem gente de 60 anos que acha que se humilhando diante deles, dizendo que "o mundo é dos jovens", receberá um pouco de misericórdia. Bobinhos.

Muito disso é culpa dos pais, como bem mostra a psicóloga americana Jean Twenge em sua obra. "Generation Me" e "Narcissism Epidemic", dois de seus títulos, mostram bem como crianças criadas por pais que sempre as acharam o máximo, e, com o tempo, passaram a invejar a juventude delas (principalmente as mães), facilmente se transformam em jovens arrogantes e crentes de que abafam porque foram à Mongólia nas férias. Essa moçada cresceu achando mesmo que as opiniões que acumulou ao longo dos poucos anos de leitura rápida é, de fato, relevante. Pouca experiência de vida associada a muito dinheiro e a muita "cultura mobile", pode dar em várias faces ridículas do sucesso.

E quando essa turma tem filhos (se os tem...)? Surgirá a babá de branco em meio aos restaurantes de gente rica. Carregar uma babá de branco para um restaurante é sinal de que você tocou o fundo do poço da babaquice de rico. Vejamos a cena.

E, assim, chegaremos a uma outra face ridícula do sucesso. Essa você vê em restaurantes, clubes e aeroportos. Trata-se desses casais com um filho só que carrega uma babá a tiracolo.

O pai, com aquela cara de quem realmente acredita que tem a mulher na mão porque dá Chanel pra ela aos 35 anos de idade. Um daqueles descritos no parágrafo acima. Logo descobrirá o efeito devastador e purificador do tédio feminino ?"aquele mesmo que dizem por aí que é culpa do patriarcalismo.

Risadas?

Aliás, o patriarcalismo também é culpado pelo capitalismo, pela poluição ambiental, pela Inquisição e pelo fato da gravidade atrair corpos humanos. A mãe, com aquela dureza advinda de muitas bolsas Chanel e muito tédio, controla sua babá com um simples olhar a distância.

A babá, quase sempre vestida de branco, com aquele rosto cheio de mal-estar e vergonha, tenta fingir que não odeia aquilo tudo. Corre atrás do pequeno (miúdo, como diriam nossos irmãos portugueses) de um lado para o outro, segurando seu iPad.

O pequeno, aluno da Saint Paul ou de uma Waldorf da moda, logo dará bolsas Chanel ou se for uma pequena, as ganhará.

Mas, mesmo com rosto de mal-estar e vergonha por estar entre "gente rica", nossa babá suporta estoicamente a humilhação da roupa branca que não é de médica. Mas, quando se precisa de dinheiro, se precisa de dinheiro, coisa que em nosso mundo de plástico se esqueceu.

A pergunta é: como alguém não ensina para essa gente brega que não se leva babá pra restaurantes?

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