Lista telefônica

Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

16/10/2017

LÍDER DO PMDB PEDE SOCORRO PARA O HOSPITAL DE GASPAR


O tempo é o senhor da razão. Nada como um dia depois do outro. Eu poderia dizer que estou com alma lavada, diante de um assunto tão sério e que permeia volta e meia os meus comentários aqui. Mas, isso é bobagem. As minhas palavras estão escritas e por elas sou responsável e responsabilizado. E os discursos dos políticos que as contestam se sucumbem à realidade, ao jogo, ao compadrio, ao tempo e à miséria das ações contraditórias.

Os comentários nunca tiveram outra intenção que não mostrar uma realidade, que se tenta esconder por pressão, constrangimento, chantagem, interesses (corporativos, partidários, religiosos, familiares, econômicos) e alertar o governante (e políticos) para a busca urgente de soluções. É só o governante (e o mundo político onde ele está inserido), e não outros, incluindo à própria imprensa, que está obrigado à esta solução para a coletividade que diz representá-la. Foi o governante de plantão (com sua base política), que em campanha eleitoral, dizia ter a solução. Foi escolhido pela maioria, entre outras, por isso. E parece, hoje, que não a tem no caso da Saúde Pública de Gaspar.

A realidade é dura. Ela atinge os mais humildes, os fracos, os doentes. Eles são a maioria. A realidade incomoda e se estampa na cidade inteira. E há político e administrador público, obrigado a dar respostas pelo poder e a função, incomodado com as críticas, não da imprensa que usa para expiar a sua incompetência, mas, verdadeiramente, com as feitas seus eleitores nos seus gabinetes, nas ruas, nas mídias sociais e até mesmo, como exceção, na imprensa.

Entretanto, no discurso, o político minimiza o cruel e prefere tapar o sol com a peneira, na esperança de que o milagre virá, que o eleitor vai esquecer ou perdoa-lo e a imprensa se desgastar e se calar. E se ela se calar, vai ser desmoralizada pelas redes sociais que farão o serviço dela com mais eficiência. Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come...

Volto ao ponto inicial deste comentário. O novo líder do PMDB de Gaspar na Câmara, devido ao licenciamento do líder do governo de Kleber, Francisco Hostins Júnior, o vereador Evandro Carlos Andrietti, foi quem lavou a minha alma.

Na sua simplicidade, sinceridade e até “inocência”, reconheceu na Câmara que, mesmo com todos os esforços, a situação do Hospital é delicada. Não é fácil criar soluções para quem está com R$15 milhões de dívidas, possui um déficit contínuo, sem perspectivas de estancá-lo e esta conta está com a prefeitura – que diz não ter dinheiro - que o mantém sob intervenção municipal (quem é mesmo o dono do Hospital de Gaspar?), o legado-armadilha do governo de Pedro Celso Zuchi, PT, e no qual Kleber Edson Wan Dall, PMDB, foi pego e se danou por não agir como estadista, gestor, o que precisava desagradar a corporação médica para colocar minimamente a casa em ordem.

Andrietti pediu a união de todos os vereadores para irem ao governador Raimundo Colombo, PSD, buscar ajuda financeira. Apelou aos representantes da bancada de Colombo na Câmara, Cicero Giovane Amaro e Wilson Luiz Lenfers, pela intermediação. Cicero que também acha que a saúde Pública de Gaspar está na UTI, retrucou: “primeiro precisamos de um plano convincente para apresentar ao governador”. Está certo. É o mínimo para a reação e pedido racionais.

A percepção de Cícero abespinhou o também novo líder de Kleber na Câmara, Francisco Solano Anhaia, PMDB. Para ele, é falso dizer que a saúde Pública de Gaspar está na UTI. Discurso de quem está obrigado a defender o indefensável ao invés de se juntar à proposta do líder do partido, muito mais coerente com a necessidade e situação. Tanto, que Anhaia admitiu que há muitas reclamações na cidade contra a saúde e o Hospital; que os postos estão funcionando e alguns deles sem médicos (então não cumprem o papel deles com a comunidade!); que a policlínica está dando conta do recado, apesar das filas (de meses!) nas especialidades (então não cumpre o papel dela com a comunidade!) e que no Hospital, todos são atendidos apesar da longa espera (o que demonstra que há um gargalo originado pela falha dos postos e policlínica, e que agrava à percepção de que o Hospital e o atendimento aos pobres não funciona minimamente como deveria).

Resumindo: o líder Andrietti do PMDB abre o coração para pedir ajuda de todos e o líder Anhaia do governo do PMDB diz que está quase tudo bom. Então para o que estão pedindo ajuda mesmo? Nesse duplo jogo não se vai a lugar nenhum e quem vai perder? Primeiro o cidadão e segundo lugar, os políticos desunidos, escondendo o problema, culpando os outros, inclusive esta coluna que nada mais faz do que registrar os problemas à vista de todos e às incoerências dos políticos.

E para encerrar algumas perguntas e uma obviedade já escrita aqui tantas vezes, que os políticos não a queriam vê-la explicitada.

Pedir interferência dos vereadores do PSD de Gaspar para falar com o governador Raimundo Colombo – o que esqueceu Gaspar em quase oito anos de governo? Isso não é transferir parte da culpa e responsabilidade do PMDB para outros, afinal o vice-governador, Eduardo Pinho Moreira, não é do PMDB? Ele não manda mais nada no governo de Colombo, mas está em campanha solo para ser governo e poder a partir da eleição do ano que vem?

A saúde Pública de Gaspar está na UTI porque o Hospital está comendo dinheiro, energia e soluções que são prioridades aos postinhos, policlínica e farmácia básica para os mais fracos, pobres, idosos e doentes. Ou seja, é o cachorro correndo atrás do próprio rabo. Kleber terá que fazer escolhas e as está protelando.

De nada adiantará ao Hospital contratar – e propagandear como se fosse a solução - um profissional de primeira linha se não houver dinheiro, planejamento, objetivos céticos sem a interferência dos políticos cheios de jogos pequenos do poder, combinado com os interesses corporativos que ronda essa área médica. Hospital não é lugar de se fazer lucro, mas não é para ninguém lucrar com a dor dos outros. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Pediu para sair. Solano Francisco Pereira foi exonerado do cargo em comissão de Diretor de Serviços Gerais da Secretaria de Obras e Serviços Urbanos de Gaspar. Enquanto isso, o servidor efetivo Henrique da Silva Pires, foi nomeado para exercício de função gratificada de Encarregado-Geral de Aquicultura da Secretaria da Agricultura e Aquicultura.

Samae inundado. O Samae de Gaspar virou secretaria da Agricultura? Ai, ai, ai.

Uma luz. A vereadora Franciele Daiane Back, PSDB, diz não concordar com a mistura de política e religião. Ufa! Vou mais longe. Uma é a negação da outra. Juntas, política partidária e religião, ao contrário dos que a defendem, são perigosíssimas, destruidoras. Isto é história da humanidade. Conhece-a. Estude-a. Uma se aproxima do satanás e a outra de um suposto sagrado, que cada um consagra e aceita no seu utópico, o qual o deixa forte ou submisso à uma crença, devoção e poder supremo.

Uma Câmara de vereadores, por exemplo não é lugar de Bíblia, Torá ou Alcorão para citar apenas estes três. É lugar de Constituição Federal e Estadual, Lei Orgânica Municipal e Regimento Interno na sua espinha dorsal de obediência cerimonial e legal.

Na Câmara não há púlpito, altares ou imagens sacras para se venerar. Há uma tribuna para expor e debater ideias, ou até se estabelecer em preconceitos. Numa Câmara, a não ser numa sessão especial e intencional para tal, não se faz sermão, pregação, batismo, conversão... São coisas úteis, necessárias, mas bem distintas do ambiente político e legislativo onde se honra líderes políticos em citações, homenagens, galerias de fotos, placas...

Uma Câmara segue um rito profano e não se estabelece no sagrado de cada religião, seitas ou denominações de parantescos sagrados. Não se catequiza, não se é uma madrassa e o tratamento respeitoso entre os pares é de senhor ou senhora vereadora, quando muito, Excelência. Nunca de irmão, reverendíssimo necessário num ambiente próprio revestido ou consagrado para a profissão da fé particular de cada um.

Na Câmara de Gaspar, talvez por falta de assunto melhor, ainda continuam os discursos desconectados ou motivados por supostas morais religiosas, as quais fundamentam uma ética e orienta o legislar, contra exposições ditas de artes e supostamente alavancadas em apelos sexuais ou eróticos. Tudo longe daqui.

Arte é arte e ponto final. É uma forma de expressão. Impedi-la é um tipo de censura explicita à liberdade de expressão. Discursos do tipo “não devemos tolerar”, apenas definem e expressam o grau da intolerância e do intolerante diante daquilo que o incomoda, que não aceita como possível, num mundo plural e necessário à diversidade. Isso se aproxima do preconceito. Cada um deve fazer suas escolhas e se responsabilizar por elas, inclusive no julgamento público.

Discordar do conteúdo ou da técnica empregada da expressão na arte, é uma crítica. Ela é perfeitamente aceitável, é necessária até, é do contraditório, do avanço, do entendimento que normalmente não está nos extremos. É do jogo jogado.

É muito diferente do que defender a limitação do acesso a crianças (não formadas) ou desacompanhadas de seus pais, tutores legais. Eles são responsáveis por transmitir valores morais e éticos, educação.

Toda exposição, exibição, performance, apresentação de expressão artística, em tese, possui uma limitação de acesso: o filme, o teatro, o show, os sites, a revista... E há uma legislação que regula isso. Descumpri-la dá punição. Então cabe apenas exigir o que já está regulado. O resto é prosopopeia de desocupados. E se os pais permitem, incentivam e acompanham crianças em locais e apresentações questionáveis? Se há restrição na lei, que se aplique-a. De resto, vira arbítrio do bom senso do adulto responsável.

Os religiosos, e pior do que eles, seus asseclas políticos e poder se lançam com tons de demagogia e falsa moralidade. Eles são os piores censores. Usam a fé, a ignorância da massa e à falsa moral para vender dogmas, marcar diferenças e até matar em nome de um Deus que dizem acreditar, quando todos os “deuses”, ou concepções divinas, independente da fé, na essência, são concebidos essencialmente para o perdão, o amor, a paz e à tolerância. Meu Deus! E como cristão que sou, que professo e pratico moderadamente sem qualquer carolice, encerro: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23,34).

Ilhota em chamas I. Como funciona. Foram feitos dois aditivos com a Villacon Construtora, de Itajaí. Ela contratada para “prestação de serviços com fornecimento de materiais para execução da cobertura da academia e reforma da unidade básica de saúde Agostinho Zimmermann", no Baú Central.

Ilhota em chamas II. Um aditivo é para esticar o prazo de entrega da obra. O outro é para dar mais R$ 8.985,86 ao contrato inicial de R$ 28.472,32, ou seja, equivalentes a 31,56% mais sobre o valor original global do contrato, totalizando dessa forma R$ 37.458,18.

Ilhota em chamas III. Em Gaspar o Executivo usa do expediente da urgência para tramitar os projetos na Câmara. Em Ilhota, é frequente, mas muito frequente, o que mostra o servilismo do Legislativo de lá ao executivo é “dispensar o trâmite pelo rito regimental do possibilitando sua leitura e deliberação em um único turno de discussão e votação na mesma sessão extraordinária”.

Ilhota em chamas IV. Entupido. A prefeitura está licitando no dia 20 deste outubro serviços de limpeza e desobstrução mecânica de bocas de lobo, caixa de ligação, tubulações de águas pluviais, filtro anaeróbico, caixa de gordura, com fornecimento de equipamento (hidrojato/hidrovácuo), bem como a responsabilidade de destino dos dejetos.

Ilhota em chamas. Mais um. O pregão 54, impugnado, foi modificado. Cheirava a direcionamento. Ele vai comprar R$150 mil em equipamentos odontológicos e que será pago pelo convênio do Programa Acelera do Fundo Catarinense para o Desenvolvimento da Saúde.

 

Edição 1823

Comentários

Peron Serviços Gerais
17/10/2017 13:01
Ao Santo do Samae descontrolado e inundado

Bem feito pra nós que acreditamos nessa corja que iria mudar e mudou para pior.

Quanto ao "dotozinho" reside em Blumenau e não pode acordar muito cedo nem chegar muito tarde, por isso não enfrenta o trânsito pesado.

Pelo menos o outro dotozinho batia cartão e chegava de madrugada e saia tarde, no mais nem está admiração que tá aí, nem a de Lovidio, nem Elcio, difere uma da outra, faltou e falta profissionalismo, em que o Samae de hoje ser administrado por um "eXecutivo".

Herculano
17/10/2017 10:18
"O IMPENITENTE SR. LULA DA SILVA"

Conteúdo de O Antagonista. O Financial Times está com medo de Lula e de Jair Bolsonaro.

Diz o jornal:

"Ninguém tem a menor ideia de quem será o próximo presidente do Brasil. O surgimento de figuras periféricas como o sr. Bolsonaro revela o tamanho do vácuo (?).

Ainda mais preocupante para os mercados seria um retorno do impenitente sr. Lula da Silva. Mas ele foi condenado por corrupção e será impedido de concorrer se perder o recurso".

A reportagem continua:

"Os investidores se sentiriam mais confortáveis com o prefeito de São Paulo, João Doria, que tem como modelo o bilionário de Nova York Michael Bloomberg, ou então seu ex-padrinho e atual rival, o conservador Geraldo Alckmin".

E mais:

"Esses são apenas os candidatos conhecidos - há montes de outros nomes surgindo, de banqueiros a apresentadores de TV e juízes do Supremo."
Herculano
17/10/2017 09:53
O MINISTRO DO SUPREMO, ALEXANDRE DE MORAIS, QUE JÁ FOI FILIADO AO PSDB DE SÃO PAULO, MANDA A VOTAÇÃO DO CASO DO TUCANO MINEIRO AÉCIO NEVES SER ABERTA NO SENADO

ERA Só O QUE FALTAVA CONTRARIAR ESSA LóGICA DA PUBLICIDADE E DA TRANSPARÊNCIA DOS POLÍTICOS COM A SOCIEDADE QUE OS ELEGEU
Herculano
17/10/2017 09:50
TCHAU, QUERIDOS: ELEIÇÃO DE 2018 TERÁ "SERASA" DE POLÍTICOS

Conteúdo do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba PR. Texto de Fernando Martins. O movimento Vem Pra Rua, que organizou manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), vai criar até o fim deste ano uma espécie de Serasa dos políticos de Brasília. Em parceria com o site políticos.org.br, que organiza o Ranking dos Políticos, o Vem Pra Rua lançará na internet uma lista negativa dos deputados federais e senadores em quem não votar nas eleições de 2018. A relação já tem até nome escolhido: "Tchau, queridos".

"A ideia é não permitir que o eleitor tenha memória curta em 2018", diz o empresário Rogerio Chequer, líder do Vem Pra Rua. A lista negativa vai incluir apenas parlamentares federais com ficha suja na Justiça e que apresentem desempenho ruim no Congresso. Segundo Chequer, os critérios para classificar os maus políticos serão objetivos.

Vão ser levados em conta, por exemplo, o posicionamento de deputados e senadores em projetos de interesse da sociedade ?" tais como as Dez Medidas de Combate à Corrupção (propostas pela força-tarefa da Lava Jato e que foram desfiguradas em votação na Câmara), a criação do fundão eleitoral com R$ 1,7 bilhão de recursos públicos e as discussões sobre o fim do foro privilegiado.

"Uma votação como a que criou o fundo eleitoral, que foi aprovado de maneira simbólica [sem a identificação do nome dos parlamentares], tem de ser lembrada na eleição", diz o líder do movimento.

O histórico de processos judiciais de deputados e senadores será o segundo critério fundamental para um político fazer parte da lista. Segundo Chequer, haverá ainda outros pontos a serem considerados, com menos peso, tal como as faltas em sessões legislativas e mudanças de partidos.

A lista negativa irá começar com alguns políticos e, aos poucos, será alimentada com mais nomes. Chequer afirma que haverá naturalmente parlamentares que estarão fora da relação ?" aqueles que, pelos critérios do levantamento, têm um bom desempenho. "De forma alguma nosso objetivo é 'demitir' o parlamento inteiro", diz o líder do Vem Pra Rua. "Mas o fato de um político estar na lista será um selo negativo para ele."

Vem Pra Rua também vai dizer em quem votar

Se por um lado o Vem Pra Rua vai apresentar nomes em quem não votar, o movimento também pretende incentivar o lançamento de nomes novos para as eleições de 2018 que se identifiquem com uma agenda comum em favor do Brasil. Esse trabalho deve ser desenvolvido juntamente com outras instituições.
Herculano
17/10/2017 09:45
POBRES SAEM DO SUFOCO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo.

As famílias de baixa renda, geralmente as mais prejudicadas quando os preços disparam, estão sendo beneficiadas pelo recuo da inflação. Aos poucos, e ainda com muito cuidado, voltam a diversificar as despesas, buscando no comércio algo além do essencial para a sobrevivência. Com alimentos menos caros, sobra mais dinheiro para outros bens e serviços. Elevam-se, portanto, os padrões de consumo. Apesar disso, o normal ainda é reclamar da vida, como se nada tivesse melhorado, mas o movimento nos shoppings e outros indicadores mostram um ambiente de maior animação. Além disso, as pessoas tendem a reconhecer mais prontamente a piora das condições de compras do que qualquer melhora na evolução dos preços. Mas aos poucos se acumulam os sinais positivos. Exemplo: nas lojas de produtos eletroeletrônicos, as vendas de televisores básicos têm crescido mais rapidamente que as de aparelhos mais sofisticados.

Mesmo sem corte de preços, a mera redução do ritmo de aumentos contribui para diminuir o sufoco e produzir algum alívio. Inflação menor significa menor corrosão dos ganhos das famílias. Em outras palavras, significa ampliação do poder de consumo. Todos os grupos de famílias foram beneficiados pelo recuo da inflação.

Os números normalmente mais divulgados e discutidos são os do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para as políticas oficiais. Esse índice é baseado em orçamentos de famílias com renda mensal de até 40 salários mínimos. É preciso, sempre, dar mais atenção a outra pesquisa, a do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente a famílias com renda mensal de um a cinco salários mínimos.

Em setembro, o IPCA subiu 0,16%, numa evolução notavelmente benigna. Sua alta acumulada em 12 meses ficou em 2,54%, ligeiramente acima da contabilizada no período encerrado no mês anterior, 2,46%. No fim de 2016 esse indicador estava acima de 10%. Mas os números do INPC, muito menos divulgados e comentados até pelo próprio governo, são até melhores.

Esse índice caiu 0,03% em agosto e recuou mais 0,02% em setembro. O aumento acumulado em 12 meses foi de apenas 1,63%, no período até setembro, resultado mais notável que o do IPCA. Os dois indicadores são calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos dois casos, o recuo foi puxado pelos preços da alimentação. Esse detalhe é especialmente importante para as famílias de baixa renda, porque normalmente gastam uma porcentagem maior da renda mensal para levar comida à mesa. No IPCA, o custo da alimentação diminuiu 1,07% em agosto e 0,41% em setembro. No INPC, as quedas nesses meses foram de 1,18% e de 0,57%. Sem dúvida, menores despesas com comida e bebida contribuem para a recomposição dos gastos e a melhora geral do consumo. Mas a melhora das condições das famílias tem decorrido também da evolução favorável dos demais preços, com aumentos menores.

Com a queda dos preços dos alimentos, o INPC, medida da inflação das famílias de renda até cinco salários mínimos, recuou 0,02%. ?"timo. Mas, se o custo da alimentação, em vez de cair, tivesse tido variação zero, o índice total teria subido apenas 0,15%. Projetado para 12 meses, esse número daria uma inflação abaixo de 19%.

A melhora do orçamento familiar tem resultado, portanto, de vários fatores além da boa produção de comida. Outros preços têm subido bem menos que nos anos anteriores, graças a uma política monetária bem calibrada (e já com redução de juros), à elevação da confiança na economia e à menor indexação, um desdobramento da inflação em queda. Sem populismo, e sem contenção, portanto, de preços de combustíveis e de tarifas de eletricidade, a política em vigor desde o ano passado reduz o sufoco das famílias.

A economia voltou a crescer, lentamente, e o desemprego, embora em queda, ainda é alto. Com realismo e sem jogadas eleitoreiras mudanças positivas poderão acelerar-se de forma segura. O reparo dos danos deixados pelo populismo ainda vai dar muito trabalho.
Herculano
17/10/2017 09:32
PEDIATRA DESTRóI COMPLETAMENTE IDEIA DE QUE "IDEOLOGIA DE GÊNERO" É REAL, por Rodrigo Constantino, na Gazeta do POvo, Curitiba, PR

Uma pediatra da American College of Pediatricians colocou a boca no trombone recentemente sobre os perigos de convencer crianças que elas são transgêneros, e prescrever a eles bloqueadores de hormônios que impedem que se desenvolvam adequadamente no gênero em que nasceram.

Num forum da Heritage Foundation sobre o assunto, a Dra. Michelle Cretella foi dura no uso das palavras, condenando o "abuso infantil" que temos visto hoje em dia, induzindo crianças à confusão mental sobre gêneros ao oferecerem ajuda na "transição" para o gênero que elas "pensam" que pertencem. Ela disse:

Castração química é o que você está fazendo quando coloca qualquer criança biologicamente normal em bloqueadores da puberdade. É tratar a puberdade como uma doença, destruindo um processo normal, que é crítico para o desenvolvimento normal das crianças.

Esterilização: não é boa para crianças. [?] Doutrinação de crianças pré-escolares com a mentira de que você pode estar preso no corpo errado, novamente, isso está interrompendo seus testes de realidade normais e desenvolvimento cognitivo. Essas coisas são abusivas.

Quanto aos estudos, há dois que estou ciente dessa alegação de que a confusão de gênero do seu filho é boa para eles. Número um, assume que o treinamento de uma criança em uma falsa crença fixa é mentalmente saudável. A ciência não permite que você assuma sua conclusão. Número dois, esses estudos são extremamente pequenos. Número três, esses estudos são de curto prazo. E o número quatro, o grupo de controle de "crianças mentalmente saudáveis" são os irmãos, a maioria deles são irmãos da criança que se identifica como trans. Ah, e há um número cinco, os pais avaliaram a saúde mental das crianças.

Isso não é ciência ? Eu não acho que você precisa ter um M.D. ou um Ph.D. para saber que não é ciência - essa ideologia está disfarçada de ciência.

Cretella tem sido bastante ativa na denúncia desse abuso infantil, como nesse texto. A "ideologia de gênero" está a todo vapor, em novelas que tratam o distúrbio como a coisa mais normal do mundo, em inúmeras reportagens que consideram "fofo" e "moderninho" pais que criam seus filhos com "gênero fluido", ou em celebridades que declaram-se favoráveis à mudança de sexo mesmo em crianças.

A campanha é intensa, e só é possível compreender o fenômeno tendo noção do que prega a Escola de Frankfurt, como a esquerda pervertida vem tentando perverter a sociedade desde de Kinsey e Foucault, tendo um mínimo de conhecimento sobre a floresta, para além das árvores. A "ideologia de gênero" é o novo instrumento comunista contra a família e a civilização ocidental.

Que essa gente esteja disposta a usar crianças para seus experimentos sociais, como se fossem ratos de laboratório, é algo revoltante, sem dúvida, mas nada surpreendente. O comunismo sempre fez isso, pois não atua dentro da "moralidade cristã" ou burguesa.

Para qualquer pessoa minimamente sensata, um tema desses, que envolve algo tão sério como mutilar uma criança, deveria ser tratado com a maior cautela do mundo, colocando a preservação da criança como a prioridade. Não para os "progressistas". Para eles, é preciso ignorar a ciência e as crianças, para vender a ideia de que "somos aquilo que queremos", e que nada pode ficar entre esse "desejo" e a realidade.

Estão abusando de nossas crianças, e tratando como reacionários preconceituosos todos aqueles que abominam essa ideologia nefasta. É algo criminoso.
Herculano
17/10/2017 09:27
O LIBERALISMO DE CONVENIÊNCIA DE JOÃO DORIA E JAIR BOLSONARO, por Luan Sperandio, no Instituto Liberal

O jogo político é como uma dança de salão: os eleitores tocam a música, e os políticos dançam conforme o ritmo. Com as redes sociais, tornou-se mais fácil dimensionar para onde vai a opinião pública e, assim, estabelecer estratégias para se capitalizar politicamente. Com a falência das contas públicas, a persistente má qualidade dos serviços públicos e as recorrentes formulações ruins de políticas públicas, a direita dominou as redes sociais.

Muita gente tem se declarado "liberal" para aproveitar esse movimento que demanda menor participação do Estado na vida dos indivíduos e, dessa forma, promover-se eleitoralmente, mesmo que eventualmente tenham raízes no intervencionismo.

A crise institucional e de representatividade com que nos habituamos a conviver desde 2013, intensificada pela Lava Jato e pelo vácuo de novas lideranças, criou um ambiente de desilusão em que os brasileiros procuram novidades. Não à toa Roberto Justus, que, em décadas de vida pública, jamais havia falado de política, apenas por repetir alguns jargões liberais em entrevistas ao final de 2016 pontuou na semana seguinte em pesquisa de corrida presidencial.

Em meio a essa moda de se declarar liberal, dois casos despertam maior atenção, por suas incoerências e pela possibilidade de ocuparem o Planalto em 2019: Jair Bolsonaro e João Doria.

O "nacional desenvolvimentismo liberalista" de Jair Bolsonaro

Recentemente o presidenciável defendeu a independência do Banco Central, teceu críticas a subsídios à indústria nacional e advogou por algumas privatizações. Essa nova postura em muito contrasta com o deputado que criticava privatizações, abstinha-se de votações importantes, como a da terceirização e a do projeto que pode vir a destruir a "Uber", e - mesmo com o país já em recessão ?" opunha-se a medidas de austeridade fiscal e à necessária reforma previdenciária.

O discurso de Jair demonstra alguma simpatia por ideias de mercado (votou a favor da reforma trabalhista, inclusive) enquanto apoia outras restrições, como a reserva de mercado de recursos como nióbio. O próprio admite conhecer pouco sobre economia e vez ou outra seu discurso se confunde com o que diria Ciro Gomes ou Luciana Genro, como quando defendeu auditoria da dívida pública no mês passado.

Já em relação aos costumes, embora defenda de forma veemente a revogação do estatuto do desarmamento, por seus pronunciamentos entende-se que é a favor da continuidade da guerra às drogas, contrário à adoção de crianças por casais gay e a favor de barreiras migratórias, pautas sólidas entre liberais.

O "Liberalismo Fabiano" de João Doria

Outro fenômeno nas redes sociais, Doria capitalizou-se vendendo a ideia de ser um "gestor" e anti-lula. O político aproveitou a ânsia dos brasileiros pelo retorno de uma agenda de reformas e cresceu ao defender as reformas da previdência, tributária e política, bem como privatizações e um programa de desburocratização.

Foi alçado presidenciável com menos de três meses de mandato, mais pelo marketing do que por ações efetivamente realizadas a frente da Prefeitura de São Paulo.

Isso foi o suficiente para ser convidado para abrir o 30º Fórum Liberdade - maior evento liberal do país - e ser premiado no Fórum Liberdade e Democracia de Belo Horizonte. Mesmo em eventos liberais, defendeu um discurso que misturava anti-petismo, ideias sociais democratas e eficiência do Estado.

No mês passado, o prefeito se envolveu em polêmica com os liberais ao, de forma grotesca, defender maior tributação a Netflix e Spotify. Ao afirmar que "donos das empresas são bilionários" e que "os valores não serão repassados ao consumidor", Doria indicou que seu liberalismo vai apenas até a página três, além de que deve ter frequentado as mesmas aulas de economia que Dilma Rousseff. Ninguém efetivamente liberal defenderia impostos no Brasil atualmente: a conta precisa fechar não com aumento de tributação, mas cortando despesas.

Ainda em economia, o tucano é favorável ao financiamento de grandes empresas pelo BNDES, uma ideia que, levada a cabo, tornou-se a política pública mais perversa do lulopetismo. Já nos aspectos dos costumes, Dória é favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas lamentavelmente defende a continuidade da guerra às drogas e manter o estatuto do desarmamento como está.

Conclusões

O sucesso das ideias da liberdade tem atraído personalidades, mesmo que anti-liberais, a se declararem como defensoras dela em busca de promoção política. Doria e Jair são dois exemplos entre vários outros que certamente surgirão em 2018 com esse modus operandi.

Vale ressaltar que tanto Doria quanto Bolsonaro contam com algumas pessoas efetivamente liberais em suas equipes, porém resta claro que eles próprios não o são. Jair está mais para um reacionário, e João para um social democrata. O "liberalismo de conveniência" de ambos significa que os liberais estão crescendo, mas também pode dificultar a percepção do grande público do que é, de fato, o liberalismo ?" e é esse o problema para qual quero alertar com este texto. Cabe a nós, os verdadeiros liberais, contribuirmos no debate público para esclarecermos que a essência do liberalismo é a defesa do indivíduo acima de qualquer governo ?" e, novamente, nem Jair, tampouco Doria defendem nada perto disso.

Parafraseando João Luiz Mauad, para o sucesso da causa liberal é essencial que saiamos com urgência da sombra de reacionários e sociais-democratas. Não podemos permitir essa simbiose, precisamos ser vistos como independentes e defensores da liberdade sem ressalvas, deixando claro que as nossas diferenças são profundas e, eventualmente, inconciliáveis.

Comentário do blog: O artigo de Luan é bom, especialmente para mostrar que tanto Doria quanto Bolsonaro não são liberais, o que é um fato. Mas entendo que, no contexto atual, em que o pêndulo extrapolou demais para o lado "progressista", faz sentido um liberal mais pragmático beber de fontes conservadoras. Gosto sempre de lembrar que Edmund Burke, o "pai do conservadorismo", era um liberal Whig, mas teve o discernimento de antever o risco do radicalismo revolucionário dos jacobinos. Dado o cenário atual, com a intensa campanha esquerdista pela destruição dos valores morais, da família, das tradições, creio que bandeiras como legalização das drogas são, no mínimo, secundárias. É preciso resgatar valores morais, ter noção do mundo em que vivemos, e perceber que o liberal não deve agir como um inocente útil de comunistas mascarados de "progressistas". A aliança tática com "conservadores de boa estirpe", portanto, nunca foi tão necessária para a sobrevivência do próprio liberalismo. É a tese que procurei defender no meu curso "Civilização em Declínio". Trump, por exemplo, também não é um liberal, mas ao menos está atacando vários movimentos comunistas, como a Unesco e o lobby ambientalista. Para o liberalismo prosperar, antes é preciso sobreviver.
Herculano
17/10/2017 09:22
'TORPEZAS E VILEZAS', por Eliane Cantanhede, no jornal O Estado de S. Paulo

O confronto entre o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, virou uma guerra desde que o PMDB sabotou as articulações do DEM para atrair deputados do PSB e Maia aderiu ao vale-tudo. Não só jantou com os piores inimigos de Temer no PMDB, como Renan Calheiros e Kátia Abreu, como agora é acusado de postar no site oficial da Câmara as acusações frontais do "operador" Lúcio Funaro contra o presidente da República.

O menor problema de Temer é a oposição do PT, PC do B e PSOL, porque ele está mesmo é às voltas com os aliados e com o potencial deletério de Maia sobre a tramitação da segunda denúncia da PGR e das futuras medidas de interesse do governo na Câmara. Bater de frente com a oposição é natural, com os próprios aliados é um risco imenso.

Para falar direto com sua base, sem mediação do presidente da Câmara, Temer enviou carta para deputados reagindo às "torpezas e vilezas" contra ele, inclusive a delação de Funaro, que Maia potencializou pela internet. Para o Planalto, Maia fez propaganda a favor de Funaro e contra Temer.

Para piorar, à delação de Funaro vêm se somar a do ex-deputado do PP Pedro Corrêa e a operação da PF no gabinete e nas casas do deputado Lúcio Vieira Lima. Corrêa relata a partilha nojenta de dinheiro público para o PMDB. E Lúcio é famoso por ser irmão do ex-ministro Geddel, que foi parar na Papuda após a polícia estourar seu bunker com R$ 51 milhões.

A operação contra o deputado ocorre por determinação da procuradora-geral Raquel Dodge e ocorreu (por acaso?) na véspera do julgamento de Aécio Neves no plenário do Senado, que opõe o Legislativo ao Judiciário. A tendência é de os senadores dizerem não à Primeira Turma do STF e ao afastamento de Aécio do mandato.

E, apesar de ainda estar em meio a um confronto com o Legislativo, o STF já se meteu numa nova confusão, agora com o Executivo. Temer e os ministros Aloysio Nunes Ferreira (Itamaraty) e Torquato Jardim (Justiça) já decidiram virtualmente extraditar o italiano Cesare Battisti, mantido no Brasil pelo presidente Lula no seu último dia de mandato. Mas a Primeira Turma do STF vai decidir, no dia 24, terça-feira que vem, sobre um habeas corpus apresentado pela defesa dele.

Vem mais divisão por aí! Primeiro, entre os próprios ministros da turma, que podem chegar a 4 x 4, já que o quinto voto seria de Luís Roberto Barroso, ex-advogado do italiano e, portanto, passível de se declarar impedido. Se assim for, o caso vai para o plenário, ainda de ressaca pelo julgamento sobre medidas cautelares para parlamentares. O risco é entrar zonzo e confuso no novo embate.

Então, temos Temer versus Maia, PMDB versus DEM, STF contra Legislativo, agora STF contra Executivo e as delações correndo soltas: Lúcio Funaro contra o PMDB, Pedro Corrêa contra o PMDB, Geddel Vieira Lima é considerado 100% pronto para delatar... o PMDB.

No centro de tudo está Temer, porque, quando se fala de PMDB, Eduardo Cunha, Geddel e Lúcio Vieira Lima, o delator Funaro, a divisão no Supremo, a insubordinação de Rodrigo Maia, o destino imediato de Aécio Neves e até a extradição ou não de Cesare Battisti, a pergunta automática é: como isso afeta o presidente da República?

Não só porque o regime é presidencialista, mas também porque Temer é campeão de impopularidade, alvo de algo inédito, a segunda denúncia da PGR, e presidiu durante anos o PMDB, partido que está "em todas". As previsões de crescimento da economia são revistas para cima, o mercado está animado, as pessoas voltam a comprar. Mas, se a economia descolou da política, Temer não se colou na economia.
Herculano
17/10/2017 09:20
AS CIRCUNSTÂNCIAS DE ALCKMIN, por Carlos Andreazza, no jornal O Globo

João Doria só será o candidato do PSDB à Presidência em 2018 caso o partido deixe de existir como o conhecemos pelo menos desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso em 1994; quando a margem tucana para surpresas - talvez para a sorte - secou.

A partir dali, ao alcançar o inverossímil lugar de oposto do PT e se tornar uma das partes no bipartidarismo brasileiro vigente para eleições presidenciais, o PSDB se trancou, e outro critério para a escolha de candidato a presidente jamais teve senão o óbvio: o de respeitar a ordem na fila; fila ?" eis o paradigma ?" sempre de poucos e dos mesmos, todos já testados, fundadores e fiéis ao partido, e com peso na direção partidária.

Um conjunto histórico que em porção nenhuma beneficia Doria ?" que talvez um dia aprenda que só se chega à condição de poder viajar país adentro pedindo votos ao eleitorado geral após haver conquistado o eleitorado interno do partido. Um conjunto, porém, que em tudo faz crescer Geraldo Alckmin, ademais impulsionado pela rara circunstância de estar sozinho na fila.

Objetivamente: se, em meados do ano que vem, for o prefeito de São Paulo o nome tucano escolhido para concorrer ao Planalto, isso significará que o PSDB, como é hoje, terá morrido - quem choraria? - para renascer um outro. Se melhor ou pior, não importa. Meu ponto aqui consiste em sustentar a improbabilidade de essa morte ocorrer. À luz do padrão de comportamento do partido, Doria só teria vez em 2018 caso os caciques do PSDB ?" a meia dúzia que controla a máquina tucana - fossem todos ceifados pela Lava-Jato; mormente Alckmin. E isso não acontecerá. Já não aconteceu.

Ao contrário, a candidatura do PSDB logo se definirá ?" sem novidade - também como item da sangria estancada, elemento crucial no pacote de reação do establishment, já em curso, contra a Lava-Jato.

Que se olhe para a situação de Aécio Neves, um político encolhido, que terá de abrir mão de concorrer à reeleição ao Senado e disputar uma vaga na Câmara para cultivar algum pequeno capital eleitoral e sustentar o foro especial; mas que, ainda assim, mantém-se presidente do PSDB e influente - blindado - no partido. O que isso informa? Que as coisas ali, entre os vivos, não mudam; que as hierarquias se enraízam, tanto mais quando a própria atividade política se encontra criminalizada. O pacto está firmado.

Aécio, aliás, é a razão por que Alckmin está sozinho na fila tucana. Sim, o partido o protege internamente, mas à custa de reduzir suas pretensões eleitorais. A debacle do senador é o motivo pelo qual o PSDB - acionando o instinto de sobrevivência - correu para o colo do governador paulista, e sem que esse precisasse se esforçar. Isso deriva, sobretudo, de um movimento correto: enquanto Aécio é o fiador da participação tucana no governo Temer, Alckmin sempre foi contrário a que o partido o compusesse. Trata-se do tipo de análise do tabuleiro que rende frutos políticos imediatos ?" e que também projeta importante mensagem sobre o futuro: quem lê com precisão agora tende a fazê-lo igualmente amanhã.

Alckmin será o candidato do PSDB à Presidência. A própria maneira como passou a se comportar nas últimas semanas - um ou dois tons acima de sua fala habitual - é indicativa de que sabe que controla a posição. É, por exemplo, o senhor das prévias partidárias, com o que engessou João Doria, modelo do qual o prefeito paulistano não pode escapar - ou teria ele, outsider, chegado à condição de candidato tucano à prefeitura da maior cidade do país não fosse pelo sistema de consulta interna bancado pelo governador contra quase todas as lideranças regionais do PSDB?

Isso mesmo - xeque-mate: as prévias que viabilizaram Doria em 2016 são as mesmas que o prendem a Alckmin no ano que vem. (Sobre se sairá do PSDB? Duvido. Abandonar a prefeitura e se tornar ex-prefeito em atividade num partido de menor alcance é aventura demais até a um aventureiro.)

Se a conjuntura no PSDB é altamente favorável a Alckmin, auspicioso também lhe é o contexto político-eleitoral brasileiro. Insisto ?" tema já de outros escritos meus: 2018 consagrará nas urnas aquele que melhor conseguir ocupar o terreno da centro-direita, de onde virá o próximo presidente. Embora o governador se recuse a se declarar como político de direita, esse é um lugar ?" precisamente o de centro-direita ?" em que o eleitor tende a situá-lo.

Ainda que sem se assumir como conservador, é provável que essa percepção do eleitorado a seu respeito se aguce caso explore os bons números de sua gestão sobre aquela que será a bandeira eleitoral decisiva no ano que vem: segurança pública. Terá, aí, de disputar terreno com Jair Bolsonaro, cujo discurso a propósito está encaixado.

O deputado será o primeiro adversário de Alckmin, talvez o mais difícil de enfrentar, aquele a quem obrigatoriamente desidratar, o que - creio - será impulsionado pela prevalência do recall da polarização entre PT e PSDB, e pelo fato de que ninguém é governador reeleito do maior e mais rico estado do país sem que duas densidades fundamentais à eleição de um presidente se imponham: o peso daquele colégio eleitoral e a força de seu centro econômico.
João Santo
17/10/2017 08:38
Samae sem Controle!!

No Samae funciona assim, enquanto os servidores efetivos tem que cumprir o horário que vai das 07:30 as 12:00 e das 13:30 as 17:00 horas o "Doto" procurador da autarquia tem horário próprio.Ele só chega no trabalho depois das 8:00 e sai antes das 16:00. Uma vergonha para quem deveria dar exemplo.
Herculano
17/10/2017 07:36
A ESCOLA E O FRACASSO DOS PAIS EM SABER OCUPAR SEU LUGAR, por Vera Iaconelli, psicanalista, para o jornal Folha de S. Paulo

Na atual lista de culpas dos pais, disputando lugar no topo, está a atenção com a lição de casa e o cotidiano escolar das crianças. Assunto importantíssimo, a vida escolar do pimpolho surge fora de tom hoje em dia. Mães e pais, chegando do trabalho exaustos, se prestam a um último esforço de acompanhar/fazer a lição de casa da criança, esforço sem o qual o pequeno chegará à escola de mãos abanando no dia seguinte. As desavenças com colegas e professores são acompanhadas por famílias aflitas com os conflitos que podem surgir do contato entre os alunos (recomendo a premiada série "Big Little Lies", HBO, 2017, com exemplos primorosos da obsessão dos pais pela vida social dos filhos, deslocada para a escola).

Vale refletir sobre quem é quem nesta história. A família, seja qual for sua configuração (uma avó, dois pais, duas mães, papai e mamãe...), deve oferecer as ferramentas para que o filhote humano se vire no mundo. Se estamos no Brasil, cabe a aquisição do português, comer com talheres, obsessão com a limpeza corporal. No Japão, falar japonês, comer com hashi, ir às casas de banho, falar baixo...

Também caberá à família, queira ou não, transmitir sua história, suas neuroses, seus fantasmas e segredos, ou seja, o mais humano em nós. Mas tudo isso só faz sentido se tiver como lema o seguinte: mundão, aqui vamos nós! Ficar condenado à família é o fracasso retumbante da função familiar. Tê-la como ponto de referência e apoio é o estado da arte.

Com esse objetivo principal em mente, a entrada na escola é um passo fundamental para que a criança experimente o mundo ainda de forma protegida e em petit comité (a ideia de escola, como a conhecemos hoje, pauta-se na ideia de infância, que por sua vez, surge a partir do séc. 16, com a mudança de mentalidades, e visa proteger a criança do mundo adulto). Tendo escolhido a escola para o filho, quando se tem o privilégio de ter uma escola à disposição e de poder escolhê-la, cabe à família permitir que o pimpolho usufrua de sua função, qual seja, haver-se com outros fora de casa, relativizar os costumes, interrogar a própria família, assumir as diferenças, aprender a tolerar.

Faz parte dessa aprendizagem chegar sem a lição de casa e encarar o professor para que ele ajude a criança nas eventuais dificuldades com o conteúdo ou nas dificuldades em bancar responsabilidades.

Dito isso, a participação dos pais na escola é fundamental em pelo menos dois aspectos. Primeiro, no sentido de bancar à criança a importância da escola, ainda que ela se queixe de sua rotina, de seus colegas e de suas obrigações. Ela se queixará, no mínimo, pelo fato inédito e saudável de ter que dividir a atenção com mais 30 pimpolhos sem a condescendência dos pais.

Segundo, as famílias precisam participar ativamente da instituição escolar como cidadãos, defendendo-a incessantemente do seu sucateamento, da ameaça a sua laicidade e do desrespeito ao seu centro nervoso, leia-se, ao professor. Se os pais participarem da proteção da escola enquanto instituição, em vez de buscarem proteger seus filhos dentro dela, estarão dando a lição que falta a nossa sociedade e cuja ausência nos corrói enquanto país: ensinando o exercício da cidadania.
Herculano
17/10/2017 07:33
'CRISE' TEMER X MAIA É PRATICAMENTE COMBINADA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

É tão autêntica quanto a cabeleira implantada de alguns políticos a suposta "hostilidade" entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente da República. Às vésperas da votação da segunda denúncia contra Michel Temer, o deputado precisa fazer gestos e acenos para o "público interno" da Câmara, com a maior pose de "independência", e para eleitores do Rio de Janeiro, onde é candidato a governador.

PROFISSIONAIS
Experiente, Temer não exige e nem espera de Maia, candidato em 2018, o sacrifício de "colar" sua imagem à de um governo impopular.

LIGAÇÃO UMBILICAL
O deputado e sua mãe sabem que ele não teria sido eleito presidente da Câmara se Temer não quisesse. Mais que isso, Temer o escolheu.

AFINIDADE
Maia está mais afinado com Temer do que supõe a torcida juvenil pela "crise". E tem sido leal ao presidente, sobretudo em momentos graves.

QUESTÃO FAMILIAR
Questões familiares não podem ser desprezadas: Rodrigo Maia é genro de Moreira Franco, um dos ministros mais ligados a Temer.

BARROSO VAI ALEGAR SUSPEIÇÃO, NO CASO BATTISTI
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), deverá alegar suspeição para não participar da deliberação sobre o terrorista italiano Cesare Battisti. É que, como advogado, ele participou da defesa do italiano, ao lado de Luiz Eduardo Greenhalgh, quando o próprio STF julgava a extradição, afinal aprovada e ignorada pelo então presidente Lula que deu ao bandido o status de "asilado político".

SOLTURA DO TERRORISTA
Em junho de 2011, Barroso obteve o habeas corpus que soltou o terrorista, preso 4 anos antes enquanto o STF julgava sua extradição.

ADVOGADO GRATUITO
Barroso foi "a estrela do processo", segundo a revista Consultor Jurídico, mas não ganhou um único centavo pelo trabalho.

PRIMEIRO CASO CRIMINAL
O caso Battisti foi o primeiro processo em que Barroso atuou em questões criminais. Na época, prometeu que não voltaria a fazê-lo.

MERGULHO
Do tipo inquieto, engraçado, comunicativo, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), cujos endereços foram vasculhados ontem pela Polícia Federal, não atualiza posts no Facebook desde 26 de agosto.

DIREITO DE DEFESA
Apesar de José Dirceu estar condenado em segunda instância, é necessário que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região analise os recursos antes de determinar a prisão do ex-ministro de Lula.

FESTÃO NO LEBLON
O site Alerta Leblon prepara manifestação, em 17 de novembro, para marcar os primeiros doze meses de prisão do ex-governador Sérgio Cabral. O "festão" será na rua Aristides Espíndola, em frente ao prédio onde a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, cumpre prisão domiciliar.

HAJA DISPOSIÇÃO
Deve consumir pelo menos 40 horas a discussão do relatório que rejeita a segunda denúncia contra Michel Temer, entre terça (17) e quinta (19), na CCJ da Câmara. Já são mais de 130 inscritos.

OPORTUNISMO RASTAQUERA
Moradores da Rocinha apontam buracos na fachada de suas casas para jurar que são balas e cobrar indenização de R$140 mil do Exército. Mas não falam e cobrar o mesmo dos traficantes da favela.

HOMENAGEM DE TEMER
O presidente Michel Temer homenageia neste dia 17, com a Ordem do Mérito Médico, o admirado cardiologista José Wanderley Neto, que há décadas se dedica à saúde pública, com mais 20 mil cirurgias.

PARA EVITAR E ESQUECER
Além do serviço ruim, a Sky debocha do cliente insatisfeito dificultando ao máximo o cancelamento de assinatura. Os burocratas da Anatel, pagos a peso de ouro para regular o mercado, fingem que não veem.

PRESENÇA NORMAL
Na tarde desta segunda-feira (16) não passaram de 11 os deputados que compareceram à Câmara dos Deputados. O maior quórum do dia somava 15 deputados federais.

PENSANDO BEM...
...a vaia ao casal Gleisi Hoffman e Paulo Bernardo no Museu Hermitage, na Rússia, não foi protesto, foi manifestação artística.
Herculano
17/10/2017 07:24
DELTAN TEME QUE STF IMPEÇA PRISÃO DE CONDENADOS PODEROSOS, INCLUSIVE LULA, por Josias de Souza

Coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol está apreensivo com o vaivém do Supremo Tribunal Federal. Teme que, depois da decisão que beneficiou Aécio Neves, a Suprema Corte altere a regra sobre a prisão de condenados em segunda instância, para deter a punição de réus ilustres, entre eles Lula. "O receio é que, conforme a investigação tenha se dirigido a uma totalidade de partidos políticos, a políticos relevantes de todo espectro ideológico exista uma espécie de freio por parte do Supremo Tribunal Federal, impedindo a responsabilização de pessoas poderosas", disse o procurador em entrevista a coluna

O Supremo aprovou, em outubro de 2016, o encarceramento de pessoas condenadas na segunda instância. A decisão foi apertada: 6 votos a 5. Depois disso, "alguns ministros começaram a querer mudar de ideia", disse Dallagnol. Desejam que "a prisão aguarde o julgamento de terceira instância (STJ) ou quarta instância (STF)". Inquirido sobre a situação de Lula, o coordenador da Lava Jato disse acreditar que o TRF da 4ª Região confirmará a condenação imposta por Sergio Moro no Caso do Tríplex. "A valer as regras atuais, ele deve, sim, ser preso no momento seguinte", declarou o procurador, antes de levar o pé atrás:

"Diante da tendência de rever o julgamento da execução provisória da pena, vários ministros [do Supremo] começaram a dar decisões liminares para soltar réus que foram presos após a decisão de segundo grau. Eles estão fazendo isso contra a decisão proferida pelo pleno do tribunal." O ministro Gilmar Mendes é um dos adeptos da política de celas vazias, recordou o repórter. E Dallagnol: "Foi uma decisão do tribunal pleno, com efeito vinculante a toda a Justiça. Uma decisão contrária de um ministro retira a credibilidade do próprio tribunal."

'PELAS REGRAS ATUAIS, LULA DEVE, SIM, SER PRESO', AFIRMA DALLAGNOL

Uma das inquietações do coordenador da Lava Jato é a ausência de chefões com mandato no rol dos condenados. Ele empilhou os alvos atingidos pela força tarefa de Curitiba: empresários, lavadores de dinheiro, altos executivos da Petrobras? E lamentou: "Faltam os grandes chefes desse esquema criminoso, as pessoas mais responsáveis entre todas por ele, que foram os políticos poderosos que organizaram. Falta a responsabilização deles. E a responsabilização deles tramita exatamente no Supremo Tribunal Federal."

Para Dellagnol a anomalia pode se agravar se o Supremo permitir que ocorra a combinação de duas novidades: a aprovação de restrições à abrangência do foro privilegiado e a revisão da regra que permitiu a execução da pena já na segunda instância. O procurador avalia que o envio de parlamentares e autoridades da Suprema Corte para a primeira instância do Judiciário seria uma providência benfazeja. Mas pondera: "Se, ao mesmo tempo, [o Supremo] decidir que a pena só pode ser executada depois da terceira, da quarta instância, isso é dar o prêmio de impunidade para todas essas pessoas cujos processos vão descer para a primeira instância."

'FALTA RESPONSABILIZAR OS GRANDES CHEFES', LAMENTA O PROCURADOR

Dallagnol fez uma avaliação ácida sobre o julgamento em que o Supremo decidiu, por 6 votos a 5, que cabe à Câmara e ao Senado dar a palavra final sobre sanções cautelares impostas a deputados e senadores. Sanções como a suspensão do mandato, por exemplo. A novidade veio à luz para beneficiar o senador tucano Aécio Neves. Faltou "coerência", disse o coordenador da Lava Jato. "Quando o tribunal dá uma decisão em relação a Eduardo Cunha, dizendo que é cabível, sim, o afastamento dele e, numa situação idêntica, envolvendo Aécio Neves, o tribunal dá uma decisão diferente, todos os cidadãos passam a questionar: peraí, será que tem alguma coisa por trás dessa decisão? Isso coloca em cheque a credibilidade do Judiciário."

Na visão de Dallagnol, uma deliberação como a que favoreceu Aécio teria de ser "devidamente justificada", para atenuar a incoerência. Algo que "não aconteceu". Nesse ponto, o procurador filosofou: "A história, infelizmente, não é feita apenas de avanços no processo civilizatório. Você tem avanços e retrocessos. E nós precisamos aprender a viver com eles e a responder a eles do modo o mais construtivo possível. Eu fico muito contente ao ver a sociedade se envolvendo, se inteirando sobre o que aconteceu, passando a aprender como funcionam as instituições, como funciona o nosso sistema de Justiça. A sociedade pode mudar essa realidade."

TRATAMENTO DIFERENTE PARA AÉCIO E CUNHA AFETOU A 'CREDIBILIDADE'

No julgamento que favoreceu Aécio, alguns ministros destacaram a conveniência de preservar a harmonia entre os Poderes Judiciário e Legislativo, eliminando os conflitos. Dallagnol tomou distância desse discurso: "Eu não posso concordar com esse argumento, porque existe uma divisão de funções e de papeis. Ao Poder Judiciário cumpre dar a última palavra em toda discussão jurídica. Mais do que isso: essa não é uma decisão contramajoritária do Poder Judiciário, em que ele deveria ficar preocupado com uma crise institucional."

Tomado pelo timbre, Dallagnol pareceu soar como se preferisse um Supremo afirmativo, não a Corte contemporizadora que se rendeu à caciquia do Senado. "Essa é uma decisão em que, se o Supremo determinasse a prisão ou o afastamento do mandato de um parlamentar acusado com fortes provas de corrupção, ele estaria dando uma decisão altamente majoritária. E mais: se for descumprida, existe uma solução prática para essa questão, que é simplesmente determinar a prisão do senador, para afastar da vida parlamentar."

DALLAGNOL DIZ DISCORDAR DA TESE DE QUE PAPEL DO STF É 'APAZIGUAR'

Em nota oficial, a força-tarefa da Lava Jato informou que são "ideologicamente falsos" os recibos que a defesa de Lula apresentou para demonstrar o suposto pagamento de aluguel do apartamento contíguo ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo. De onde vem a certeza?, quis saber o repórter. "Existem provas mostrando que o dinheiro que gerou a compra daquele apartamento é o dinheiro que veio da Odebrecht", afirmou o procurador.

Dallagnol prosseguiu: "Não há prova de que ele [Lula] tenha pago alugueis ao longo do tempo. Não existe nenhuma transação financeira. [?] Chegou a ser apreendida uma planilha de despesas domésticas do ex-presidente. E nessa planilha constavam o pagamento do condomínio desse segundo apartamento. Agora pergunte se constava o pagamento do aluguel. Não constava. Constava o pagamento do condomínio, o pagamento do IPTU. Mas não constava o pagamento do aluguel."

NÃO EXISTE PROVA DE QUE LULA PAGOU OS ALUGUÉIS, DISSE DALLAGNOL

O procurador negou que o Lava Jato esteja perto do fim em Curitiba, como dissera o juiz Sergio Moro dias atrás. "Essa afirmação do juiz Sergio Moro, na minha impressão, refelte muito mais um desejo do que a uma realidade.: , disse o procurador. "Basta nós vermos que ele já tinha feito uma declaração semelhante há mais de um ano. Em Curitiba, hoje, nós temos muito ainda por percorrer."

O coordenador da Lava Jato revelou que, entre os casos ainda pendentes de investigação está o da compra ruinosa da refinaria texana de Pasadena, na época em que Dilma Rousseff era presidente do conselho de administração da Petrebras. Acrescentou: "Nós ainda temos outras áreas para explorar. A investigação suíça da Lava Jato já alcançou mais de mil contas. E menos de 300 foram encaminhadas ao Brasil até o momento. Nós ainda temos que explorar ações contra partidos políticos, ações contra bancos, porque grande parte desse esquema aconteceu por falha do sistema de compliance de bancos."
Herculano
17/10/2017 07:21
DITADURAS NÃO PERDEM ELEIÇõES, FAZEM FRAUDE COMO EM CARACAS, por Clóvis Rossi, no jornal Folha de S. Paulo

Os resultados das eleições regionais deste domingo (15), segundo os números oficiais, só podem ser explicados por uma frase curta e grossa da ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla: "As ditaduras não perdem", disse ela, conforme recolhe o jornal "El País".

De fato, ditaduras costumam apresentar resultados eleitorais ainda mais contundentes do que os 75% de governos estaduais que os chavistas anunciam ter conquistado (17 em 23, com um ainda indefinido, justamente o que fica na fronteira com o Brasil).

Contraria a lógica mais elementar. Afinal, em 2015, em eleições legislativas, a última oportunidade legítima para medir o prestígio do governo, o chavismo ficou com 40,8% dos votos contra 56,2% da oposição.

O que aconteceu nos dois anos seguintes? Em 2016, a economia sofreu uma contração de 16,5%. Este ano, caminha para desabar mais 12%, segundo os dados divulgados há pouco pelo Fundo Monetário Internacional.

A inflação, sempre segundo o FMI, ficará este ano em 652,7 % e, em 2018, irá a estratosféricos 2.349,3 %.

Algum governo (qualquer governo) pode ganhar uma eleição (qualquer eleição) com uma situação catastrófica como essa? E ainda falta acrescentar um desabastecimento generalizado e um índice de criminalidade infernal.

Só ganha com fraude, o que, de resto, já havia acontecido há pouco, na eleição trucada para uma Assembleia Constituinte: o governo anunciou um número de votantes muito maior do que o que de fato houve.

Aliás, os números anunciados para a eleição da constituinte são outro forte indício de que houve fraude neste domingo: segundo o governo, votaram 8 milhões de pessoas, o que dá 41,53% do eleitorado total (pouco menos de 20 milhões). Mesmo que fosse verdade, o governo atestou oficialmente que a maioria dos venezuelanos (os 58,5% restantes) são contra a Assembleia Constituinte.

Como é possível que, três meses depois, o governo obtenha votos suficientes para ficar com três quartos dos governos estaduais?

O problema, para a Venezuela, não é apenas a fraude, antes como agora. O problema maior é que a fraude dá certo: a oposição abandonou os protestos de rua, preferindo apostar na eleição para governadores, na ilusão de que a ditadura contrariaria Laura Chinchilla e admitiria derrota.

Está gritando fraude de novo, mas nada vai mudar. A oposição é impotente. O governo é incompetente, além de abusivo. Só resta aos venezuelanos fugir, como vêm fazendo em massa nos últimos anos.
Sebastião Cruz
16/10/2017 20:39
Oi, Herculano

"... na Rua Maria Vieira, após o Samae no Santa Teresinha, a primeira dama pediu e foi atendida, construíram um orquidário".

Sabes o que me lembra?
A cafona falecida ex primeira dama, aquela que foi conivente com o banditismo do marido ladrão, mandou fazer um canteiro com formato de estrela com flores vermelhas no Palácio do Alvorada. Quando a gentalha se aboleta no poder é assim que usam o dinheiro público.
Mariazinha Beata
16/10/2017 20:04
Seu Herculano:

"Uma luz. A vereadora Franciele Daiane Back, PSDB, diz não concordar com a mistura de política e religião."

Ela deve ter experiência própria com o padreco vermelho do bairro dela?
Bye, bye!
Anônimo disse:
16/10/2017 19:59
Herculano, o Hospital deve R$15 milhões?
Quem mandou deixar na mão do PT. Bem feito!!!!
Erva Doce
16/10/2017 19:56
Olá, Herculano:

"A percepção de Cícero abespinhou o também novo líder de Kleber na Câmara, Francisco Solano Anhaia, PMDB. Para ele, é falso dizer que a saúde Pública de Gaspar está na UTI."

O que petista fala não se escreve.
O Anhanha nasceu petista e vai morrer cabeça de coelho.
Herculano
16/10/2017 18:36
NA CARTA, PRESIDENTE CITA FATOS óBVIOS, MAS IGNORA BAIXARIAS ORIUNDAS DE AUTORIDADES TOGADAS, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Dois dias antes da votação do relatório de Bonifácio de Andrada (PMDB-MG) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o presidente Michel Temer envia uma carta aos deputados da base aliada em que usa, sem receio, no que faz muito bem, a palavra "conspiração". Já deveria tê-lo feito antes.

E não! Não se trata de nenhuma "teoria conspiratória". Esta se alimenta da ausência de fatos. A tentativa de derrubar Temer se faz é do excesso deles. Querem ver? A hipótese de que discos voadores existem se assenta, sobretudo, no fato de que se tem certeza de que a Nasa esconde as evidências de que ETs visitam de vez em quando a Terra. Como a Nasa esconde, a gente não sabe. Logo, discos voadores existem.

O presidente não está a enxergar discos voadores. O que tem são fatos. Lista alguns e, quero crer, para evitar uma crise institucional, deixa outros de lado.

Desde que veio a público aquele seu diálogo que não houve com Joesley Batista, ficamos sabendo algumas coisas, que o presidente lembra em sua mensagem aos deputados:

- diálogos desavergonhados de Joesley com seus conspiradores, deixando claro que o objetivo era mesmo derrubar o presidente da República;

- evidências de que a Procuradoria-geral da República participou de toda a armação prévia que resultou na delação, o que, segundo a lei, a torna imprestável ?" e eventuais provas são nulas;

- provas de que Marcelo Miller, braço direito de Rodrigo Janot, fez dupla militância: atuou como advogado da JBS e como representante da PGR;

- entrevistas evidenciando que o objetivo de Janot era, desde sempre, "pegar" o presidente, a saber: Eduardo Cunha e Ângelo Vilela;

- fala explícita de Joesley, que está em uma das gravações, evidenciando que seria Lúcio Funaro a fazer o trabalho sujo final.

Isso tudo é absolutamente verdadeiro. Nem por isso arrefeceu o ânimo dos que pretendem depor o presidente, capturando, nessa trajetória, outras figuras cujas ambições ou pretensões malparadas se voltam também contra o chefe do Executivo. A figura mais notória, nesse caso, é Rodrigo Maia.

E o presidente poderia ter ido além se quisesse. Qualquer observador isento, que veja a questão com olhos técnicos, sabe que:

- Edson Fachin jamais poderia ter sido o relator do caso JBS; foi escolhido por Rodrigo Janot, com a conivência de Cármen Lúcia;

- as ações que chamaram de "operação controlada" são evidências de flagrantes armados, que contaram com a anuência de Fachin;

- o próprio Fachin, até agora, não explicou suas relações com a JBS; as evidências de que existem foram consideradas uma tramoia da Abin, o que é mentira;

- a gravação de Joesley com o presidente seria prova ilícita, ainda que trouxesse algo de comprometedor.

- um grupo de comunicação age de forma clara, sistemática e organizada para depor o presidente, servindo de porta-voz, ainda hoje, da turma de Janot;

- a divulgação dos vídeos no site de Câmara é obviamente ilegal.

O presidente se absteve de apontar tais fatos. Prefere ficar naqueles que são incontroversos e que não levam a um choque entre entes do Estado, embora o "outro lado", como se vê, trave uma guerra sem quartel.

Na carta, o presidente lista ainda feitos do governo, que colocaram a economia no rumo do crescimento.

Sim, trata-se de uma conspiração porque cada passo dado que poderia conduzir à deposição do presidente afronta a lei.

Há a hora em que a coisa tem de ser chamada pelo seu nome. E, no caso, uma conspiração tem de ser chamada de conspiração.
Herculano
16/10/2017 18:33
Ao que se diz Frederico, mas não é

A charge, retrata não especificamente o PSDB, mas a miséria partidária, o esgotos que é a politica e poder no Brasil.

Qual dos partidos não estão enlameados? Quais dos poderosos que batem à porta do Judiciário para impor suas vontades por lobbies poderosos, por aproximação ou ideologia?

Quem paga isso tudo? Os mais fracos que não têm aproximação com os que julgam, sofrem pressão ou possuem medo; gente analfabeta, ignorante e desinformada, mas pagadora de pesados impostos e que sustenta essa desonestidade e farra toda.

Frederico! Você acha que isso só acontece em Brasília ou longe daqui?
Frederico costa e Silva
16/10/2017 17:34
Excelente charge Herculano.
Mostra o verdadeiro estilo Psdb que vem de cima.
Está se demonstrando igual ao Pt. Democrático só na sigla ou quando é para lhe favorecer. O resultado vai vir nas urnas. Em Gaspar não é diferente, não vai mais ser uma Kombi, vái virar um ticiclo.

Herculano
16/10/2017 16:47
A CARTA DO PRESIDENTE MICHEL TEMER AOS DEPUTADOS FEDERAIS. ELE ESTÁ NA OFENSIVA

Prezado Parlamentar.

A minha indignação é que me traz a você. São muitos os que me aconselham a nada dizer a respeito dos episódios que atingiram diretamente a minha honra. Mas para mim é inadmissível. Não posso silenciar. Não devo silenciar.

Tenho sido vítima desde maio de torpezas e vilezas que pouco a pouco, e agora até mais rapidamente, têm vindo à luz.

Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis.

Começo pelo áudio da conversa entre os dirigentes da JBS. Diálogo sujo, imoral, indecente, capaz de fazer envergonhar aqueles que o ouvem. Não só pelo vocabulário chulo, mas pelo conteúdo revelador de como se deu toda a trajetória que visava a impedir a prisão daqueles que hoje, em face desse áudio, presos se encontram.

Quem o ouviu verificou uma urdidura conspiratória dos que dele participavam demonstrando como se deu a participação do ex-procurador-geral da República, por meio de seu mais próximo colaborador, Dr. Marcello Miller.

Aquele se tornou advogado da JBS enquanto ainda estava na PGR. E, dela sendo exonerado, não cumpriu nenhuma quarentena prevista expressamente no artigo 128, parágrafo 6°, da Constituição Federal.

Também veio a conhecimento público a entrevista de outro procurador, Ângelo Goulart Vilela, que permaneceu preso durante 76 dias, sem que fosse ouvido. Nela, evidenciou que o único objetivo do ex-procurador-geral era "derrubar o presidente da República".

"Ele tinha pressa e precisava derrubar o presidente", disse o procurador. "O Rodrigo (Janot) tinha certeza que derrubaria", afirmou. A ação, segundo ele, teria dois efeitos: impedir que o presidente nomeasse o novo titular da Procuradoria-Geral da República, e ser, ou indicar, o novo candidato a presidente da República. Veja que trama.

Mas não é só. O advogado Willer Tomaz, que também ficou preso sem ser ouvido, registrou igualmente em entrevista os fatos desabonadores em relação à conduta do ex-procurador-geral.

Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia.

Na entrevista, o ex-deputado nega o que o dirigente-grampeador, Joesley Batista, disse na primeira gravação: que comprara o seu silêncio.

No áudio vazado por "acidente" da conversa dos dirigentes da JBS, protagonizado por Joesley e Ricardo Saud, fica claro que o objetivo era derrubar o presidente da República. Joesley diz que, no momento certo, e de comum acordo com o Rodrigo Janot, o depoimento já acertado com Lúcio Funaro "fecharia a tampa do caixão". Tentativa que vemos agora em execução.

Tudo combinado, tudo ajustado, tudo acertado, com o objetivo de livrar-se de qualquer penalidade e derrubar o presidente da República.

E agora, trazem de volta um delinquente conhecido de várias delações premiadas não cumpridas para mentir, investindo contra o presidente, contra o Congresso Nacional, contra os parlamentares e partidos políticos.

Eu, que tenho milhares de livros vendidos de direito constitucional, com mais de 50 anos de serviços na universidade, na advocacia, na procuradoria e nas secretarias de Estado, na presidência da Câmara dos Deputados e agora na Presidência da República, sou vítima de uma campanha implacável com ataques torpes e mentirosos. Que visam a enlamear meu nome e prejudicar a República.

O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa. Mas estes episódios estão sendo esclarecidos.

A verdade que relatei logo no meu segundo pronunciamento, há quase cinco meses, está vindo à tona. Pena que nesse largo período o noticiário deu publicidade ao que diziam esses marginais. Deixaram marcas que a partir de agora procurarei eliminar, como estou buscando fazer nesta carta.

É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem e sabem de mim. É uma satisfação àqueles que democraticamente convivem comigo.

Afirmações falsas, denúncias ineptas alicerçadas em fatos construídos artificialmente e, portanto, não verdadeiros, sustentaram as mentiras, falsidades e inverdades que foram divulgadas. As urdiduras conspiratórias estão sendo expostas. A armação está sendo desmontada.

É preciso restabelecer a verdade dos fatos. Foi a iniciativa do governo, somada ao apoio decisivo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que possibilitou a retomada do crescimento no país.

Quando se fala que a inflação caiu, que os juros foram reduzidos, que fomos capazes de liberar as contas inativas do FGTS e agora de antecipar as idades para percepção do PIS/Pasep, tudo isso tem um significado: impedir o aumento de preços, valorizar o salário e melhorar a vida das pessoas.

Quero acrescentar o que fizemos na área social. No Bolsa Família, por exemplo. Quando assumimos aumentamos em 12,5% seu valor. E zeramos a fila daqueles que nele queriam ingressar.

Mas nós não queremos que os que estão no Bolsa Família nele permaneçam indefinidamente. Queremos que progridam. Por isso lançamos o programa Progredir, com participação dos bancos públicos e da sociedade civil com vistas a incluí-los positivamente na sociedade.

Nenhum programa social foi eliminado ou reduzido. O Brasil não parou, apesar das denúncias criminosas que acabei de apontar.

O Brasil cresceu e vem crescendo. Basta verificar os investimentos estrangeiros e o interesse acentuado pelas concessões e privatizações que estamos corajosamente a realizar.

E a agenda de modernização reformista do País avança com o teto de gastos públicos, lei das estatais, modernização trabalhista, reforma do ensino médio, proposta de revisão da Previdência, simplificação tributária.

Em toda a minha trajetória política a minha pregação foi a de juntar os brasileiros, de promover a pacificação, de conversar, de dialogar. Não acredito na tese do "nós contra eles". Acredito na união dos brasileiros.

O que devemos fazer agora é continuar a construir, juntos, o Brasil. Com serenidade, moderação, equilíbrio e solidariedade.

Na certeza de que a verdade dos fatos será reposta, agradeço a sua atenção.

Atenciosamente,

Michel Temer
Octaviano Martins
16/10/2017 12:51
Herculano,

Área verde municipal pode ser construído alguma coisa?
Em Gaspar pode, na Rua Maria Vieira, após Samae no Santa Teresinha, a primeira dama pediu e foi atendida, construíram um orquidario.
Outros dizem, que um canteiro de flores pra dar prosseguimento na plantação mau sucedida da espécie na cidade.
Vergonha é pouca.
Herculano
16/10/2017 11:30
DESEMPREGO SOCIALISTA

Conteúdo de O Antagonista. Depois de anunciar a venda da sua luxuosa sede em Paris, o Partido Socialista francês, irá demitir mais da metade dos seus funcionários.

Com a derrota nas urnas, chegou a vez de os socialistas de carteirinha sentirem o mal do desemprego na própria pele.

As entradas anuais do partido caíram de 28 milhões de euros por ano para 8 milhões de euros.

PETISTA QUE ATACOU DANILO GENTILI É DEMITIDO DA FOLHA DE S. PAULO

Danilo Gentili demonstrou que uma reportagem da Folha de S. Paulo sobre seu filme foi feita por um militante do PT.

Nesta segunda-feira, o jornal informou que demitiu o repórter.

O post de Danilo Gentili no Facebook dizia:

"Esse cara se comporta mais como militante político do que como jornalista isento. Sendo assim, que credibilidade teria um torcedor do PT entrevistando eu, um artista que está literalmente na lista negra do PT?"

A Folha de S. Paulo disse o repórter "foi desligado por ter desrespeitado orientação reiterada sobre comportamento nas redes sociais.

Os jornalistas do jornal são orientados a evitar manifestar posições político-partidárias e a não emitir nas redes juízos que comprometam a independência de suas reportagens".

O CHEIRO DE HUCK

Para quem está abismado com a perspectiva de uma candidatura de Luciano Huck em 2018, recomenda-se a leitura da coluna de José Roberto de Toledo, especialista em pesquisas do Estado de S. Paulo.

Sua análise do quadro eleitoral é semelhante à de O Antagonista:

"Segundo a repórter Andreza Matais, 'o foco do DEM se voltou para Luciano Huck'. O DEM não é exatamente um campeão das urnas, mas é o melhor perdigueiro político que Brasília já criou. Sente o cheiro de poder e é capaz de apontar sua direção bem antes do resto da matilha (?).

Seu segredo é farejar as mudanças políticas antes que ocorram (?).

O que levaria o experiente DEM a apostar - de novo - num apresentador de TV sem nenhuma experiência política?

Não são poucos os motivos. O primeiro é o vácuo que se forma no campo mais popular do eleitorado se Lula não puder se candidatar (?).

Quem teria mais facilidade (ou menos dificuldade) para conquistar esse eleitor pobre e desassistido? Um apresentador de TV ultraconhecido e cujo programa consiste, basicamente, em dar assistência a pessoas pobres, ou um ex-apresentador de TV nem tão conhecido assim cuja frase, copiada, é 'você está demitido'?

O fato de já ter muito recall dispensa Huck de se expor ao fogo (inimigo e amigo) de uma pré-campanha. Ele pode deixar para anunciar sua eventual candidatura aos 45 minutos do 2º tempo, ou seja, o dia 7 de abril de 2018. Essa é a data limite para quem for participar das eleições de outubro descer do umbuzeiro.

Outra vantagem de Huck é que ele é autofinanciável. Além de ter um patrimônio capaz de bancar parte da própria campanha, tem amigos com bolsos mais fundos do que a maioria.

Quais os pontos fracos do apresentador? O principal deles é não ser levado a sério como presidenciável. Seu paraquedas é vistoso demais."
Herculano
16/10/2017 11:22
DESEMPREGO SOCIALISTA

Depois de anunciar a venda da sua luxuosa sede em Paris, o Partido Socialista francês, irá demitir mais da metade dos seus funcionários.

Com a derrota nas urnas, chegou a vez de os socialistas de carteirinha sentirem o mal do desemprego na própria pele.

As entradas anuais do partido caíram de 28 milhões de euros por ano para 8 milhões de euros.
Herculano
16/10/2017 11:19
SE STF ACERTOU NOS CASOS DE DELCÍDIO E CUNHA, AÉCIO DEVERIA ESTAR PRESO, por Celso Rocha de Barros, sociólogo, para o jornal Folha de S. Paulo

O Supremo Tribunal Federal não conseguiu explicar à opinião pública por que Aécio não foi preso como foi Delcídio do Amaral. Tampouco conseguiu explicar por que suas decisões contra Aécio terão que ser referendadas pelo Senado, rota de fuga que foi fechada para Eduardo Cunha.

Se as decisões sobre o candidato da direita na última eleição presidencial estiverem corretas, as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam erradas. Se as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam certas, Aécio deveria estar preso.

Não sou constitucionalista, não tenho a pretensão de saber qual é o caso. Mas é evidente que, se todas essa decisões foram constitucionais, o Brasil teve outra Constituição durante a guerra para derrubar Dilma Rousseff.

Não se trata, apenas, de um político corrupto escapando da Justiça. O caso de Aécio é representativo de uma tendência muito mais grave: desde que o PT caiu, a maré anti-corrupção virou.

Delcídio caiu porque era petista, Cunha caiu porque foi pego antes de a maré virar (e, mesmo assim, só depois de ter derrubado Dilma). Aécio é tucano, do grupo que subiu ao poder com Temer. Não é Aécio que tem mais capacidade de resistir à Lava Jato: é a coalizão conservadora que chegou ao poder após o impeachment.

Não é, portanto, possível descartar a hipótese de que a direita fisiológica regula a margem de ação das instituições brasileiras conforme sua conveniência.

Depois da decisão, o mundo caiu sobre a cabeça do STF, que foi acusado de não estar à altura de sua função constitucional. Bom, tem o Gilmar, mas, mesmo assim, não acho que essa seja a melhor análise.

Se a ministra Cármen Lúcia deu seu voto em favor de Aécio por temer uma guerra contra o Senado, sua leitura da situação estratégica estava correta: no momento, o Supremo Tribunal Federal é muito mais fraco que o conjunto dos senadores.

Durante a breve vigência da Constituição de 2015, o Supremo conseguiu derrubar corruptos importantes porque, na luta para derrubar Dilma Rousseff, nenhum dos analistas que hoje se preocupam com equilíbrio institucional dava a mínima para isso. Os empresários, que hoje só querem estabilidade, inflavam patos e os ânimos. Os partidos de direita que bradavam contra Delcídio hoje são o governo e têm como prioridade se livrar da cadeia, nem que para isso tenham que livrar também os petistas que derrubaram.

E a opinião pública? Como dizia Millôr Fernandes, opinião pública é a que se publica. Se o mestre, no céu dos colunistas, nos permitir uma atualização, opinião pública é a que se posta em redes sociais. Desde a guerra do impeachment, a opinião postada está sob controle da chamada Nova Direita, essa turma que não consegue mais emprego como roqueiro, ator pornô, filósofo ou militar, e descobriu que falar mal da esquerda rende um trocado.

E onde estava a Nova Direita durante o período que antecedeu o julgamento de Aécio? Estava fechando exposições de temática LGBT. A indignação que, em 2015, teria se voltado contra Aécio, agora caiu sobre o peladão do museu. O que era, é claro, o plano.

Desde que o Senado perdeu o medo da opinião pública, voltou a ser forte o suficiente para quebrar o Supremo. E enquanto a opinião pública brasileira continuar sendo a Marcha do Orgulho Otário, não adianta reclamar.
Herculano
16/10/2017 11:10
TEMER E CIA.TRATAM DELAÇÃO COM REMÉDIO RUIM, por Josias de Souza

Michel Temer e os amigos que o acompanham na denúncia da Procuradoria sobre formação de organização criminosa abespinharam-se com a chegada ao noticiário dos vídeos da delação do doleiro Lúcio Funaro. Reagiram à nova erupção de lama da maneira mais convencional: em vez de se defender, atacam.

O ministro palaciano Moreira Franco referiu-se à colaboração de Funaro como uma "encomenda remunerada" feita pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. "Seria um delivery de matéria-prima: Janot pedia e Joesley pagava", escreveu o auxiliar de Temer na internet.

O que Moreira Franco disse, com outras palavras, foi o seguinte: "A pretexto de higienizar o Estado, Janot rolou no lodo ao comprar a delação de Funaro com dinheiro sujo de Joesley." O ministro corre o risco de arrostar um novo processo judicial, dessa vez por calúnia e difamação.

Temer e os ministros dispõem de uma vacina capaz de imunizá-los contra a lama radioativa. Basta comunicar à infantaria parlamentar da Câmara: ''Esqueçam o escudo. Aprovem a autorização para que o Supremo analise a denúncia da Procuradoria. Se a delação é tão frágil, os ministros da Suprema Corte não ousarão enviá-la para outro lugar que não seja o arquivo." Fora disso, tudo é empulhação.
Herculano
16/10/2017 11:08
PF FAZ BUSCAS NO GABINETE DE IRMÃO DE GEDDEL NA CÂMARA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fábio Fabrini, Camila Mattoso e Talita Fernandes, da sucursal de Brasília. A Polícia Federal realiza nesta segunda-feira (16) uma operação de busca no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

O acesso ao 6º andar da Câmara dos Deputados, local onde fica o gabinete do parlamentar, está bloqueado pela Polícia Legislativa para que a PF cumpra o mandado.

A Folha apurou que a PF também realiza busca e apreensão na casa do parlamentar em Salvador (BA). O apartamento é vizinho ao do irmão Geddel, preso na Papuda (DF) desde setembro. Houve busca e apreensão também no apartamento funcional do deputado, em Brasília.

Outro alvo da operação é Job Ribeiro Brandão, assessor de Lúcio e que também já trabalhou para Geddel. A suspeita da PF é de que ele atue como "laranja" do deputado federal.

A operação foi a primeira deflagrada a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela tomou posse na PGR no dia 18 de setembro.

A ação está relacionada aos R$ 51 milhões encontrados pela polícia em um imóvel na capital baiana que seria utilizado como "bunker". O dinheiro foi atribuído a Geddel.

Impressões digitais do ex-ministro e de um aliado, Gustavo Ferraz, foram identificadas em plásticos que envolviam as cédulas. Ferraz também foi preso em setembro, na operação Tesouro Perdido, desdobramento da Cui Bono, que investiga desvios de recursos da Caixa Econômica Federal.

Em pesquisas realizadas nos últimos dias, a PF identificou fragmentos de digitais de Job Ribeiro no "bunker".

Além disso, a polícia também encontrou no local um recibo assinado por uma funcionária de Lúcio, uma mulher chamada Marinalva de Jesus. Por esse motivo, o caso que estava na Justiça Federal de Brasília acabou indo para o ministro do STF Edson Fachin.

Na semana passada, a investigação foi dividida em duas, e a parte da Cui Bono, de desvios da Caixa, voltou para a Justiça Federal de Brasília. A PF não vê relação de Lúcio com fraudes no banco, do qual Geddel foi vice-presidente entre 2011 e 2013.

Além de impressões digitais do ex-ministro, a PF tentava identificar se havia algum fragmento do deputado nos montes de dinheiro.

Segundo a PF, o montante encontrado no apartamento em Salvador foi a maior apreensão de dinheiro em espécie da história. A polícia relacionou o "bunker" com corrupção do PMDB na Câmara.

EVIDÊNCIAS

A Polícia Federal e a PGR justificaram o pedido de busca e apreensão nos endereços ligados ao deputado por terem encontrado quatro indícios concretos de envolvimento de Lúcio com o "bunker". Os pontos são:

1) o proprietário do local usado como "bunker", Silvio da Silveira, confirmou em depoimento que emprestou o imóvel para o parlamentar;

2) a síndica do prédio, Patrícia Queiroz, também corroborou com as declarações do dono do apartamento sobre o empréstimo, dizendo que a chave foi entregue aos irmãos Vieira Lima;

3) a identificação de uma fatura bancária em nome de Marinalva de Jesus, empregada doméstica de Lúcio;

4) identificação de impressões digitais de Job Ribeiro, assessor do parlamentar;

O relatório com as novas impressões digitais encontradas no apartamento foi entregue ao Supremo no dia 26 de setembro. O laudo atesta que foram achadas digitais do dedo médio e do anelar da mão esquerda do secretário de Lúcio.

A decisão do ministro Edson Fachin foi concedida no dia 11 de outubro, na última quarta-feira.

A Folha ligou para os telefones celulares de Lúcio Vieira Lima, mas não conseguiu falar com o deputado. Sua defesa não quis se manifestar, por ora.
Herculano
16/10/2017 11:05
COALIZÃO OPOSITORA REJEITA RESULTADO DE ELEIÇÕES REGIONAIS NA VENEZUELA E CONVOCA PROTESTOS

Conteúdo das agências internacionais Reuters, Efe e Afp. Texto do jornal O Estado de S. Paulo.

CARACAS - A coalizão de oposição da Venezuela se recusou a reconhecer os resultados da eleição para governadores realizada no domingo 15, na qual os candidatos do presidente Nicolás Maduro conseguiram uma maioria surpreendente, aumentando ainda mais a instabilidade política no país.

Pouco após a divulgação dos resultados, o chefe de campanha da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Gerardo Blyde, participou de uma entrevista coletiva e afirmou que o grupo pedirá uma auditoria de todo o processo eleitoral. Além disso, ele também pediu que seus candidatos liderem "atividades de rua" nesta segunda-feira, 16, em protesto aos resultados.

O chefe de campanha da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Gerardo Blyde (centro), afirmou que o grupo pedirá uma auditoria de todo o processo eleitoral Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
Blyde explicou que a oposição não reconhecia os resultados "não somente em razão de todas as violações de lei que vieram sendo cometidas durante o processo", como a substituição de candidatos e a realocação de centros eleitorais, mas também em razão da violação do direito "de escolher e ser escolhido".

O opositor acusou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de ter um "sistema trapaceiro, que não é transparente e representa algumas condições abusivas de quem controla o poder". Ele também disse que os resultados divulgados pelas autoridades eleitorais "não refletem a realidade". Por isso, exigiu que se audite todo o processo, desde o sistema até as impressões digitais, para que possa haver um reconhecimento ou não dos resultados anunciados.

Comemorações
Maduro comemorou no domingo a vitória do chavismo nas eleições regionais, nas quais venceu em 17 Estados. Após ressaltar que "o chavismo está vivo", ele estendeu a mão aos opositores.

"Ganhamos 75% dos governos do país (...). O chavismo está vivo, está triunfante e está nas ruas", afirmou o chavista, em pronunciamento minutos depois que o Poder Eleitoral anunciou os resultados oficiais da votação.

"A oposição teve cinco vitórias, as reconhecemos como fizemos sempre, e há um governo em disputa", disse ao se referir ao Estado de Bolívar (sudeste). "Hoje ganhou a verdade da Venezuela, hoje o chavismo arrasou, hoje temos 17 governos, hoje temos 54% dos votos, hoje temos 61% de participação, e hoje a pátria se fortaleceu com 75% dos governos."

"Esta vitória é uma proeza moral e política do povo venezuelano, que conseguiu resistir aos embates da guerra da oligarquia e disse 'não às sanções', 'não ao intervencionismo'", destacou o líder venezuelano.
Herculano
16/10/2017 10:58
URNAS ELETRôNICAS

Sempre fui um descrente de que pudesse haver fraudes nas urnas eletrônicas. Ao saber dos resultados das eleições de domingo da Venezuela e francamente favoráveis a Nicolás Maduro, algo me faz pensar melhor sobre esse assunto.
Herculano
16/10/2017 10:55
ODEBRECHT PODE TER TENTADO 'COMBINAR' DEPOIMENTOS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Repercute nos tribunais superiores a convocação de ex-executivos da Odebrecht, feita pelo presidente do grupo, Emílio Odebrecht, para supostamente "combinar depoimentos". A convocação de executivos teria sido para "alinhar" de depoimentos de delação premiada, em razão da "divergência" entre declarações de Marcelo Odebrecht e de um ex-diretor da Odebrecht Realizações, Paulo Melo. A divergência que poderia custar a anulação do acordo que favorece o filho de Emílio.

BATEU O DESESPERO
Marcelo Odebrecht é o único dos 77 ex-executivos sob acordo de delação premiada a permanecer preso por decisão do juiz Sérgio Moro.

A DIVERGÊNCIA
Marcelo diz que Melo, encarregado de pagar propinas a Lula, sabia dos detalhes da operação, mas o ex-executivo diz que era só portador.

PODE ISSO, JUSTIÇA?
"E pode combinar versões para evitar 'racha'?", perguntou um ministro de tribunal espantado com a "convocação" de Emílio, às claras.

CRÍTICOS SE APROVEITAM
A suposta "cominação de versões" na Odebrecht tem sido usada no STF e STJ por críticos do instituto da delação premiada na Lava Jato.

GOVERNO NÃO PAGA GRATIFICAÇÃO E IRRITA TODA A PF
O governo Michel Temer está operando quase um milagre: unir todas as carreiras da Polícia Federal contra ele. Há mais de um mês, os ministérios da Fazenda, do Planejamento e a Casa Civil da Presidência não conseguem se acertar sobre o pagamento da gratificação de fronteira devida a delegados, agentes, papiloscopistas, escrivães, peritos e administrativos da PF que atuam em regiões fronteiriças.

TRABALHO DIFÍCIL
A gratificação de fronteira está prevista em lei há anos e objetiva estimular o trabalho dos policiais designados para um trabalho difícil.

CALOTE FEDERAL
Apesar da previsão legal, a gratificação de fronteira nunca foi paga aos policiais federais, deixando toda a corporação furiosa.

REGIÃO PERIGOSA
Nas fronteiras, os policiais combatem o tráfico de drogas e de armas em áreas perigosas e inóspitas, daí a necessidade da gratificação.

MÁFIA DAS FACULDADES
Um grande grupo educacional, com faculdades espalhadas em todo o Pais, está na mira do Ministério Público Federal, que investiga suposta fraude nas concessões de abertura de novos cursos superiores. Estará no olho do furacão a Secretaria de Regulação da Educação Superior.

DENÚNCIA ANDA
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vai continuar nesta terça-feira (17) a discussão do relatório que pede o arquivamento da segunda denúncia do ex-PGR Rodrigo Janot contra Michel Temer.

A CONTA É NOSSA
Nos últimos anos, os gastos com manutenção dos imóveis funcionais da Câmara dos Deputados foram em média de R$ 9,5 milhões por ano; cerca de R$ 2,5 mil por deputado, por mês, segundo a própria Câmara.

CAIU NA REDE
O Rede, partido de Marina Silva, já levou do Fundo Partidário R$ 2,72 milhões este ano. O número de filiados, no entanto, é de cerca de 16 mil em todo o país. Na Câmara, são quatro deputados filiados à Rede.

CUSTO-BENEFÍCIO
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido com o menor número de filiados é o PCO (Partido da Causa Operária): cerca de 2,9 mil. O PCO já recebeu R$ 705 mil do Fundo Partidário este ano.

FALHA ÉPICA
Uma petição no site Change.org, plataforma especializada de abaixo-assinados, coletou apenas 7.924 nomes favoráveis ao que chama de "intervenção militar constitucional". Está no ar desde julho de 2014.

RECORDISTA DO COTÃO
Entre 2009 e 2017, o deputado federal ainda no mandato que mais gastou com o "cotão parlamentar" foi Édio Lopes (PMDB-RR): R$ 3,87 milhões, dos quais R$ 1,16 milhão foi para pagar apenas passagens aéreas da Gol e da TAM. Os dados são da ONG OPS.

ATÉ O ENEM
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano teve 6.731.256 inscrições confirmadas. O número é 22% menor que em 2016, quando teve mais de 8,7 milhões de inscritos. Custo de 2016: R$ 788 milhões.

PENSANDO BEM...
...a reforma política não reformou.
Herculano
16/10/2017 10:50
OS CATADORES DE LIXO IDEOLóGICO, por Guilherme Fiuza, na revista Época

O maior eleitor de Bolsonaro é Jean Wyllys, e o maior eleitor de Jean Wyllys é Bolsonaro

O Brasil está em perigo. A polêmica sobre o peladão do MAM vai bem, dando oportunidade a toda essa gente sofrida que batalha de sol a sol por um slogan progressista, mas surgiu o alerta: há sinais de que estão começando a desconfiar do debate ?" ou, mais precisamente, dos debatedores. Isso é grave.

O sobressalto deixou todo o pelotão da narrativa em alerta. Para o caso de acontecer o pior ?" isto é, a maioria distraída descobrir que a polêmica só serve aos polemistas de plantão ?" já há alternativas em estudo. Criar um evangelho trans pode ser uma boa. Descobrir algum brucutu que defenda a virgindade antes do casamento seria melhor ainda. Já pensaram? Toda a MPB de mãos dadas contra o celibato das solteiras? Viva a revolução!

Como se sabe, o maior eleitor de Bolsonaro é Jean Wyllys, e o maior eleitor de Jean Wyllys, coincidentemente, é Bolsonaro. Foram feitos um para o outro, e serão felizes para sempre em sua guerra particular cenográfica. Assim vão se formando as parcerias mais profícuas da vida moderna. Para cada Crivella há um Caetano, num sistema perfeito de retroalimentação demagógica que nos deixa boquiabertos com a exuberância e a simetria da criação. Um bocejo retórico de um multiplica imediatamente o rebanho do outro, tornando-os assim seres unidos para a eternidade pela gratidão mútua. Aleluia.

Há diversos outros casais perfeitos na natureza, como o militante do PSOL e o policial boçal, que rezam diariamente a Nossa Senhora das Causas Idiotas pela oportunidade de se encontrarem na rua. Esse amor lacrimogêneo rende audiências incríveis e faz bem a todo mundo que não tem mais o que fazer.

Por uma coincidência antropofágica, a rapaziada da vanguarda de museu é toda de viúvas petistas. Normal. Não pense que é fácil você chegar ao paraíso fantasiado de algoz da burguesia e te tirarem de lá porque seu guru esfolou o povo. Claro que tudo isso foi um golpe da elite invejosa, mas dói. Como defender ladrão não é propriamente um ato revolucionário (embora muitos ainda insistam que seja), você passa a precisar urgentemente de um esquete novo, algo que te permita chegar em casa e se orgulhar de ter chocado a burguesia, abraçado a seu ursinho de pelúcia.

No princípio era o Fome Zero para chocar a elite branca. Após mais de década de rapinagem soterrando o slogan esperto, surge o plano genial: ficar pelado para chocar a elite branca. É claro que a essa altura, no ano da graça de 2017, com tudo o que a TV já mostrou, tudo o que a internet já escancarou, tudo o que já foi exposto inteiro e do avesso para crianças, velhos, meninos, meninas, burgueses, favelados, crentes e ateus, ficar pelado não choca mais ninguém. Droga. Desde a Xuxa e o rebolado na boquinha da garrafa a erotização infantil já está aí, comendo solta, e até já foi temperada, e até a criançada já teve de aprender a escolher e filtrar o grau de sensualidade com que quer conviver. Absolutamente nada de novo no front. Então vamos convidar crianças para ir ao museu tocar num homem nu e ver o que acontece. Deu certo.

A vanguarda do anteontem ia ficar brincando sozinha de chocar ninguém, mas foi salva. A imagem circulou com aquele poder das redes antissociais de transformar o nada em tudo, tipo "menos a Luíza que está no Canadá", e num instante estava montada a ficção científica sobre arte moderna e pedofilia, ou vice-versa, só importando ver quem grita mais e quem prevalece sobre quem ?" num universo onde só o que prevalece é o cultivo e a multiplicação dos mesmos e cegos rebanhos. Jair e Jean, amor eterno.

Junte-se tal fenômeno antifenomenal com a tal polêmica de laboratório em torno da "criança viada" e tem-se a ressurreição dos revolucionários lutando contra a censura! Na proa da nave fantasma, a turma daquele movimento obscuro que batalhou pela censura prévia a biografias não autorizadas por razões pecuniárias, que ninguém é de ferro. São os catadores de lixo ideológico: meu reino por um general fardado que me permita tirar do armário a fantasia de oprimido rebelde.

Todo poder advém do queixume e em seu nome deve ser exercido, enquanto os otários não sacarem a malandragem. Cazuza avisou: somos um museu de grandes novidades. Entre e veja, de graça, que o Brasil hipócrita está nu.
Herculano
16/10/2017 10:49
POLÍTICOS TOGADOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Depois de tudo o que já foi revelado, nada explica que o caso não seja apreciado pelo Judiciário

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) divulgou um vídeo destinado, segundo suas palavras, a servir de "manifesto em defesa da Justiça Federal e do Poder Judiciário". Nele, diz-se que "a Justiça Federal batalha por todos", isto é, "por todos aqueles que sentem hoje o gosto de pizza da impunidade, que sentem o desprezo, o cansaço de ver tanta injustiça, por todos que ainda não desistiram de acreditar que as coisas ainda vão melhorar, por todos os que se esforçam em gritar pela mudança".

No tom e no conteúdo da mensagem, está claro que se trata de uma iniciativa de cunho político, que vai além de simples reação às críticas em relação aos exageros de magistrados e procuradores que lidam com casos de corrupção. Essas críticas foram apenas pretexto para a afirmação explícita de uma plataforma partidária, como se juízes precisassem arregimentar apoio popular para continuar seu trabalho.

Nem é preciso lembrar que a Constituição diz que aos juízes é vedado "dedicar-se à atividade político-partidária", conforme se lê no artigo 95, parágrafo único, inciso III. Isso significa tanto que os magistrados não podem se filiar a partidos como é desejável também que se mantenham o mais longe possível das controvérsias políticas, pois espera-se que sejam imparciais, sem se deixar levar pelas paixões naturalmente suscitadas nesses casos. Sem muito esforço, entretanto, é possível identificar uma forte pretensão de militância política na mensagem da Ajufe, que, assim como suas congêneres, já se notabiliza por controvertida atuação sindical.

O vídeo diz que a Justiça Federal trabalha "pelo verde, pelo amarelo, pelo vermelho, pelo azul", isto é, "ela não enxerga cores, mas vê, na lágrima contida de cada um, a chance de se fazer justiça". Trocando em miúdos, a Ajufe parece sugerir que o partido da Justiça Federal só aceita entre seus filiados aqueles magistrados que se dispõem a "fazer justiça", pois é isso o que supostamente esperam seus "eleitores". Entende-se daí que os magistrados devem se empenhar para punir os acusados de corrupção, pois, do contrário, frustrarão aqueles que, desencantados da política, depositam suas esperanças na Justiça. Tal empenho pode, muito facilmente, transformar-se em arbítrio. É por isso que, nas repúblicas consolidadas, juiz não faz justiça; aplica a lei.

O presidente da Ajufe, Roberto Veloso, justificou a iniciativa dizendo que a independência do Judiciário "é um dos pilares do combate à corrupção" e que "seu enfraquecimento interessa somente aos que tramam contra os interesses da democracia". Explica-se, assim, o tom de desafio da mensagem, endereçada a todos aqueles que, na visão da associação e de diversos setores do Judiciário, se empenham em minar os esforços da luta contra a corrupção - entre os quais, segundo esses militantes, se encontram não só aqueles que supostamente querem aprovar leis para minar a Lava Jato, mas também aqueles que ousam fazer reparos ao açodamento de procuradores da República e à extravagância de algumas decisões judiciais.

Assim, o vídeo informa que a Justiça Federal "enxerga aqueles que sempre se julgaram superiores a ela, aqueles que tentam tapar seus ouvidos, calar sua voz, amarrar seus braços, aqueles que mentem, distorcem a realidade, aqueles que não acreditam do que ela é capaz".

O tom ameaçador não é próprio de quem tem por função julgar de maneira serena e imparcial. Ao dizer que a Justiça Federal "é cega, mas não foge à luta", a associação de magistrados entende que é papel dos juízes confrontar, como numa guerra, quem chegue às barras dos tribunais. Ora, se é assim, para que juízes? Bastariam os promotores para determinar quem é culpado ou não.

Para uma parte do Judiciário, portanto, os políticos - pois é claro que é a eles que o vídeo se dirige especialmente - são todos culpados por definição, restando aos juízes apenas estabelecer a pena. E, segundo a mensagem, "todos devemos apoio" à Justiça Federal - ou seja, quem disso discordar é o inimigo.
Herculano
16/10/2017 10:46
BOA NOTÍCIA: O MEDO ENTROU NA EQUAÇÃO DE AÉCIO, por Josias de Aécio

Na expressão de um aliado de Aécio Neves, o medo passou a "seguir" o senador tucano "como uma sombra." Ele receia amargar uma derrota na votação em que o plenário do Senado decidirá se deve ou não lhe restituir o mandato e a liberdade noturna. Antes apressado, Aécio já discute com seus aliados até a hipótese de adiar a votação, marcada para esta terça-feira (17).

Para derrubar as sanções cautelares que lhe foram impostas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, Aécio precisa amealhar pelo menos 41 votos entre seus 80 colegas de Senado. Até a semana passada, estimava-se que teria algo como 50 votos. Mas nove senadores da bancada do PT saltaram da canoa da solidariedade pluripartidária.

A conta de Aécio ficou apertada. Acionado, o Planalto se esforça para ajudar. Mas o senador Romero Jucá, líder do governo e principal operador de Michel Temer no Senado, recupera-se de uma cirurgia. Só deve retornar ao batente na quarta-feira. Tramou-se uma votação secreta. Entretanto, um juiz federal de Brasília proibiu. E a Rede Sustentabilidade se equipa para questionar a manobra no Supremo.

O medo era uma variável inexistente na equação de Aécio. Mas o senador se deu conta de que o enorme valor que ainda atribui ao seu mandato terá de ser dividido pelo pouco de vergonha que resta na cara de parte dos senadores. Ainda é improvável que um Senado apinhado de investigados vá abandonar Aécio à própria sorte. Mas a simples presença do medo no palco não deixa de ser uma boa notícia. A sensação de jogo jogado potencializava a desmoralização do Senado.
Herculano
16/10/2017 10:42
A EPIDEMIA DA INOVAÇÃO, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo.

O mundo corporativo é a distopia perfeita. De um lado, um modo inequívoco de produção de riqueza que elevou a condição material de vida dos seres humanos a um nível jamais imaginável, do outro lado, um sistema que esmaga o sujeito obrigando-o a competir cotidianamente, sem descansar nunca. Se a perfeição da vida material é uma utopia contínua no mundo contemporâneo, essa mesma perfeição produz níveis elevadíssimos de mal estar, provavelmente garantindo um futuro de mais riqueza regada a desespero a cada dia. Ninguém aguenta mais, mas ninguém pode parar.

Dentro desse quadro, chama atenção a obsessão pela ideia de "inovação". Ela aparece em todos os níveis da vida, do corporativo as pressões psicológicas sobre os mais velhos e mais jovens, num nível epidêmico.

A ideia, profundamente inscrita no "DNA" (como gosta de dizer o mundo corporativo quando "reflete sobre identidades") da modernidade, tem raízes filosóficas claras em obras como a do inglês Francis Bacon (1561-1626), entre outros. Seu projeto de "atar a natureza" a fim de conseguir as respostas necessárias para a melhoria das condições materiais de vida "na natureza" numa futura "Nova Atlântida", associado aos avanços do saneamento básico de Londres ao longo do século 19, são fundamentos básicos dos ganhos técnicos e de gestão de problemas na modernidade. Da natureza ao esgoto, o projeto é o mesmo.

Na vida pessoal, essa epidemia da inovação aparece no modo nefasto como as pessoas buscam "se reinventar" a todo momento. Ela obriga as pessoas a se vem como start ups contínuas num mercado infinito de demandas que vão da saúde física permanente, a beleza sustentável as custas de obsessões, a espiritualidade a serviço da commoditização da alma, enfim, a uma insatisfação existencial contínua como "motivação" para o imperativo da inovação.

É evidente que a proposta é patológica no nível humano, inclusive porque, apesar dos reais avanços tecnológicos na engenharia médica, marchamos para o envelhecimento e a morte, e isso tem impactos definitivos, mesmo que a indústria da inovação, regada a moda da Singularity University, a bola da vez, venda a ideia de que seremos imortais.

A epidemia da inovação no plano psicológico corrói a capacidade, principalmente dos mais jovens, de lidar com o tédio, o fracasso e a as frustrações "normais" da vida, impondo-nos o imperativo do sucesso crescente, que nos assola das nossas camas, a vida profissional, a lida com filhos até o esgotamento de nossas capacidades intelectuais e afetivas.

Um fato evidente nesse processo é o que muitos chamariam de "pressão do capital". Essa pressão nos obriga a pensar em nós mesmos como uma commodity buscando "investimento" no mercado de um mundo em "movimento", em direção a multiplicação do próprio capital que se expande a medida em que habita a inovação como condição sine qua non de adaptação a ele.

No mundo corporativo, que gasta dinheiro com palestras circenses, a fim de fazer seus "colaboradores riem", assim como uma sessão de meditação em meio ao massacre cotidiano, a epidemia da inovação é um mercado em si mesma.

Neste mundo, o futuro é uma commodity em si mesmo, vendido pelas consultorias de futuro. Citando casos conhecidos como a implantação de fake memories (diante destas, fake news é conversa de crianças), esse mercado da inovação vende a ideia de que num mundo próximo, a indústria de implantação no cérebro de memórias falsas, mas "felizes", eliminará a depressão e toda uma série de quadros clínicos indesejáveis.

Para além do absurdo da ideia, de um ponto de vista meramente médico, a própria noção de uma humanidade vivendo continuamente num parque temático "cognitivo" assusta não pelo suposto avanço médico em si, mas pelo modo como as consultorias do futuro vendem a ideia como o máximo da felicidade e da saúde. É a condição definitiva de idiotas cognitivos, sonâmbulos que caminham pela vida como um pós-humano em processo de extinção. Os neandertais, do alto de sua sabedoria de espécie já extinta, chorariam de pena de nós
Herculano
16/10/2017 10:39
GOLPISMO 2: O ATAQUE DE MAIA A ADVOGADO É COVARDIA; DIVULGAÇÃO DE VÍDEOS PELA CÂMARA É ILEGAL, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passou a exercer um papel detestável na política desde que decidiu usar o peso do seu cargo para tentar turbinar o DEM, partido que, justiça se faça, colaborou para quase destroçar. Assim que se viu reeleito para o comando da Casa (contra a Constituição e o Regimento Interno), depois de cumprir um pedaço do período que cabia a Eduardo Cunha, assoberbou-se no grande Varão de Plutarco da República. Sagrou-se vitorioso contra Rogério Rosso (PSD-DF), também da base aliada. E isso só aconteceu porque contou com a ajuda do governo Temer! Amigos próximos me disseram então: "Ah, melhor ele do que Rosso, ligado ao Centrão!" discordei. E comentei com jornalistas: "Ele tem vocação para se voltar contra aliados da véspera". Retomo esse ponto mais tarde.

Na sexta, como sabem, a Folha Online divulgou o conteúdo de vídeos da delação de Lúcio Funaro. O que há de relevante lá, falso ou verdadeiro, que não esteja na denúncia? Nada! O que há de novo para quem leu aquela porcaria redigida por Rodrigo Janot? Também nada. Mas é evidente que a fala do bandido, no que parece ser um ato de contrição, serve para armar os espíritos contra os acusados ?" no caso, o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência). Aliás, o ex-deputado Eduardo Cunha também apanha bastante. É o fim da picada. Janot, como sabem, havia aberto uma concorrência pública entre os dois para saber quem mais atacaria Temer. Funaro ganhou. E, para escândalo da decência em delações, diz ter ouvido de Cunha todas as acusações que faz contra Temer. Entenderam? Quem confere, digamos, "força" a seu depoimento é aquele a quem derrotou no campeonato indecente de que o ex-procurador-geral foi juiz. É asqueroso. Isso, por si, já fala um tanto sobre a seriedade do procedimento.

Mas voltemos a Maia. Os vídeos divulgados pela Folha estavam no site da Câmara. Ninguém sabia. Nem a imprensa. O próprio jornal, na prática, informa que sua fonte é outra. Lê-se, por exemplo, na edição desta segunda, que "as gravações também foram disponibilizadas no site da Câmara". Eduardo Carnelós, advogado de Temer, um criminalista respeitado, divulgou, então, uma nota no sábado chamando de "criminoso" o que considerou "vazamento". E por quê? Ora, segundo o gabinete o ministro Edson Fachin, tais depoimentos estão sob sigilo.

Vai aqui um testemunho. Liguei para Carnelós na sexta:
- A quem o senhor atribui o vazamento?

A resposta que me deu está praticamente resumida em sua primeira nota. Asseguro, meus caros: Carnelós não tocou nem remotamente no nome de Rodrigo Maia. Até porque, reitere-se: ninguém sabia que o site da Câmara havia tornado disponível material sigiloso. Assim, quando o advogado emitiu a sua nota de repúdio, o alvo não era Maia. Leiam, a propósito, a nota da defesa de Temer:
O vazamento de vídeos com depoimento prestado há quase dois meses pelo delator Lúcio Funaro constitui mais um abjeto golpe ao Estado Democrático de Direito. Tem o claro propósito de causar estardalhaço com a divulgação pela mídia como forma de constranger parlamentares que, na CCJC da Câmara dos Deputados, votarão no dia 18 o muito bem fundamentado parecer do relator, deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição ao pedido de autorização para dar sequência à denúncia apresentada contra o Presidente Michel Temer pelo ex-Procurador-Geral da República.

É evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende insistir na criação de grave crise política no País, por meio da instauração de ação penal para a qual não há justa causa. Só isso explica essa divulgação, ao final de uma semana em que a denúncia formulada pelo ex-Chefe do MPF foi reduzida a pó pelo parecer do deputado Bonifácio de Andrada.

Autoridades que têm o dever de respeitar o ordenamento jurídico não deveriam permitir ou promover o vazamento de material protegido por sigilo. É igualmente inaceitável que a imprensa dê publicidade espetaculosa à palavra de notório criminoso, que venceu a indecente licitação realizada pelo ex-PGR para ser delator, apenas pela manifesta disposição de atacar o Presidente da República.

As afirmações do desqualificado delator não passam de acusações vazias, sem fundamento em nenhum elemento de prova ou indiciário, e baseadas no que ele diz ter ouvido do ex-deputado Eduardo Cunha, que já o desmentiu e o fez de forma inequívoca, assegurando nunca ter feito tais afirmações. Assim como o fizeram todos os demais mencionados pelo delator em sua mentirosa história, que lhe serviu para a obtenção de prêmio."

A reação
Ocorre que Maia resolveu ser usuário da moral do lobo quando quer comer o cordeirinho. Acusa o pobrezinho de turvar a sua água, embora o lanoso beba rio abaixo. Vencido pelos argumentos da futura vítima, o lobo o come mesmo assim. O deputado não precisa de motivos para atacar Temer. Ele vive em busca de pretextos. Como esquecer a entrevista que concedeu no último dia de sua interinidade acusando o presidente de trair compromissos?

Saiu vociferando contra um profissional sério, que, objetivamente, não procurou atingi-lo. Chamou-se de "incompetente". Pediu a sua cabeça. À Folha, Maia dirigiu uma ameaça ao presidente da República, três dias antes da votação da denúncia na CCJ:

Incompetência é pouco pra justificar as agressões do advogado. A defesa do presidente recebeu todos os documentos. Nunca imaginei ser agredido pelo advogado do presidente Temer. Depois de tudo que eu fiz, essa agressão não faz sentido. Daqui para frente vou, exclusivamente, cumprir meu papel institucional, presidir a sessão. Ser tratado como criminoso é muito difícil.

É mentira! Não foi agredido por ninguém. Também não foi chamado de criminoso. Pior. Voltou a posar de grande herói porque, sugeriu, se tivesse abandonado Temer na primeira denúncia, o presidente teria caído. Já falou isso umas 300 vezes. Vive repetindo isso por aí. Ademais, é uma verdade pela metade. Maia ensaiou, sim, aderir ao golpe. Recuou quando viu que não teria sustentação. Assistiu, em silêncio, até à publicação de seu futuro ministério. Já afirmei aqui, e vocês sabem. Ele tem ciência de que a denúncia dificilmente passará pela Câmara. Seu esforço é para fabricar um resultado pior nesta jornada.

O advogado do presidente divulgou uma segunda nota. À diferença do que diz a imprensa, ele não se retrata. Porque ninguém se retrata do que não fez. Carnelós apenas diz a verdade. Leiam.

Tendo em vista as especulações surgidas após a divulgação de minha nota ontem, esclareço que:
No dia 25 de setembro deste ano, requeremos ao Ministro Fachin acesso aos autos do inquérito 4327, bem como a todos os anexos que o compõem, inclusive delação de Lúcio Funaro e os termos de declarações que a integram. S. Ex.ª deferiu nosso pedido, mas limitou o acesso à delação à parte dela que dissesse respeito ao Presidente da República.

Quando divulguei nota ontem, referindo-me a vazamento que qualifiquei como criminoso, eu desconhecia que os vídeos com os depoimentos de Funaro estavam disponíveis na página da Câmara dos Deputados. Aliás, considerando os termos da decisão do Ministro Fachin, eu não poderia supor que os vídeos tivessem sido tornados públicos. Somente fiquei sabendo disso por meio de matéria televisiva levada ao ar ontem.

Jamais pretendi imputar ao Presidente da Câmara dos Deputados a prática de ilegalidade, muito menos crime, e hoje constatei que o ofício encaminhado a S. Ex.ª pela Presidente do STF, com cópia da denúncia e dos anexos que a acompanham, indicou serem sigilosos apenas autos de um dos anexos, sem se referir aos depoimentos do delator, que também deveriam ser tratados como sigilosos, segundo o entendimento do Ministro Fachin, em consonância com o que tem decidido o Supremo Tribunal.

Reitero que a divulgação daqueles vídeos pela imprensa causa prejuízos ao Presidente da República. Não se pode admitir o uso da palavra do confesso criminoso para influenciar os membros da Câmara, que votarão na CCJC o muito bem fundamentado parecer do deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição à solicitação de autorização para processar o presidente Temer.

Retomo
Para Maia, isso ainda é pouco. Não sei o que ele quer, mas a sua fala, hoje, é a de um chantagista, que investe na crise. Se acha que, assim, se qualifica para voos mais altos, que fique claro: algumas figuras relevantes da cena política e econômica que o viam com bons olhos passaram a considerá-lo ciclotímico e imprevisível, características sempre ruins para um político, especialmente para alguém cuja ambição engordou de forma despropositada nos últimos tempos.

Não! Carnelós não é incompetente, mas a reação de Maia é covarde. Tem a covardia do lobo da fábula. Ele sabe que faz uma falsa imputação a quem nada lhes fez de mal para ter pretexto para levar adiante a sua agenda ?" seja ela qual for.

Não tenho dúvida de que Maia anda a receber maus conselhos. Deveria trocar seus convivas de jantar. Alguns ao menos. Os que andam a lustrar suas ambições já fizeram estadistas como Sérgio Cabral?

De resto, aqui se diz tudo, não? Em 2007, Jorge Bornhausen o fez presidente do PFL, num processo de renovação. Não passou muito tempo, e Maia estava atuando - alguns diriam "conspirando" - contra Bornhausen. Presidia o DEM, em 2010, quando José Serra disputou a Presidência da República com um vice de seu partido, imposto por ele. Jornalistas não precisavam se esforçar para colher de Maia aspas contra a candidatura que também era de seu partido. Em 2012, juntou-se com Anthony Garotinho para disputar a Prefeitura do Rio. Consumado o desastre - ficou com 3% dos votos válidos -, saiu atirando, em seguida, contra o aliado de véspera. Foi braço direito de Eduardo Cunha quando este exerceu a presidência da Câmara; era o seu "homem" na Casa. Esteve entre os primeiros que voltou as costas ao antigo comandante quando este caiu em desgraça. E, por óbvio, dependeu do apoio do presidente Michel Temer para ser reeleito presidente da Câmara. E, vamos convir, põe a faca do pescoço do aliado como não faria um membro do satanizado "Centrão".

Vai ver leva a sério uma frase atribuída a Charles de Gaulle: "O primeiro dever do estadista é a traição". Maia trai sem ser estadista.

Mas, ora vejam!, se querem um Rodrigo Maia a falar como se estadista fosse, um fiscalista contumaz e um homem severíssimo com as contas públicas, coloquem-no para dar palestra a representantes do setor financeiro. Aí ele vira o candidato dos sonhos? Mas só dos operadores de ponta de mesa. Quem já está no centro das decisões reconhece algo de, como direi?, "fake".

Afinal, não custa lembrar, o Rodrigo Maia que aí está desertou das hostes de Cunha para o flerte, como é sabido, com as esquerdas na Câmara, que têm nele, e com razão, um aliado.

Maia deve desculpas ao advogado Eduardo Carnelós. O segundo homem da República não tem o direito de usar a força do seu cargo para demonizar um profissional sério, que nem remotamente o ofendeu.

De resto, a publicação dos vídeos no site da Câmara, deputado, fere a decisão do ministro-relator. Se a presidente do STF, Cármen Lúcia, fez bobagem, dirija a ela seu descontentamento. Mas essa é a hipótese benigna, certo? Afinal, ela parte do princípio de que o senhor estava procurando apenas ser justo na relação com o cordeiro e não sagaz.

Não sei se me entendeu.
Herculano
16/10/2017 10:20
SOBREVIVÊNCIA DE TEMER E AÉCIO TERÁ ALTO PREÇO POLÍTICO PARA OS DOIS, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília, do jornal Folha de S. Paulo

Unidos pela crise da JBS, Michel Temer e Aécio Neves passarão pelo crivo do Congresso nesta semana. Apesar da artilharia impiedosa de Lúcio Funaro, revelada em vídeos aqui na Folha, Temer deve sobreviver à votação da CCJ da Câmara sobre a denúncia da PGR.

Do outro lado do parlamento, no Senado, Aécio Neves não goza da mesma benevolência. Ele se arrasta nos bastidores para garantir que os senadores restabeleçam seu mandato, suspenso por decisão do STF.

Quem conhece bem o xadrez de votação do Senado diz que, hoje, Aécio tem um placar apertado a seu favor. O PT já anunciou mudança de lado, contra o senador, e parte do PMDB não está disposta a ajudá-lo. O tempo é crucial para o futuro do tucano. Quanto mais se adia a sessão, mais diminuem as chances dele.

Temer também tem pressa. Na visão de aliados, a denúncia precisa ser sepultada logo para que o governo tente retomar uma agenda política e econômica crível até dezembro, incluindo a reforma da Previdência, que respira sob aparelhos na UTI.

Temer conta com margem folgada dos votos entre os deputados, mas seu problema hoje não está no plenário, nem na CCJ, e sim na cadeira da presidência da Casa. Assim como ocorrera na primeira peça da Procuradoria, Rodrigo Maia não sinaliza agora compromisso em salvá-lo.

Ontem, ele chamou o advogado de Temer de "incompetente". Mesmo que a Câmara rejeite a acusação contra o presidente, as relações com Maia devem seguir frias e protocolares ?"até porque é bem provável que o DEM, de Maia, desembarque do governo no primeiro semestre de 2018.

A sobrevivência política implorada por Temer e Aécio ao Congresso terá um alto preço. Ambos ficarão radioativos. Ao presidente restará encerrar um impopular mandato de forma melancólica com poucos aliados ao redor. A Aécio sobrará a fé em manter acesa uma carreira política em naufrágio - algo que nem os integrantes do PSDB acreditam mais

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