Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

O Brasil e os municípios novos só o são no discurso. Quando aparece uma ideia para mudar e usar melhor os escassos pesados impostos, os políticos jovens manobram para tudo continuar velho nos privilégios e desperdícios

12/12/2019

O novo e o velho I

Começo com duas desculpas. Elas trazem, na verdade, um retrato acabado do passado e esboça a imagem do futuro dos políticos e da política por aqui. A primeira desculpa é que por obrigação industrial, quando escrevi esta coluna, não sabia quem teria sido eleito presidente da Câmara para o ano que vem, bem como até que ponto, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e o seu novo blocão, ousou, novamente, interferir em outro poder, independente, onde Kleber já foi presidente. Assim, mais que outros, ele deveria conhecer à importância dessa autonomia para a harmonia no seu governo ainda mais diante de tantas trapalhadas, aparelhamento, arrogância, imposições, vingança e sobretudo, muita propaganda enganosa e falta de transparência. A segunda desculpa é, que quando fechei a coluna para manda-la à gráfica, não sabia se a segunda Comissão Parlamentar de Inquérito que se alinhavava nos bastidores chegou mesmo às vias de ser protocolada na Câmara. Como se vê, o destino de Kleber começa a ficar exposto cada vez mais que se aproxima outubro do ano que vem. Brincou com fogo. Coisa da oposição? Que nada! Dos jovens orientados pelos velhos com as velhas práticas de sempre.

O novo e o velho II

No tempo do governo petista de Pedro Celso Zuchi, o Dia dos Pais e o Dia das Mães acabaram “abolidos” das comemorações das escolas e CDIs municipais. Uma questão ideológica e burra. A esquerda do atraso é contra qualquer sentimento familiar. Em nome de uma minoria, não se podia constranger quem por ventura não tivesse pai declarado na certidão de nascimento ou a mãe não pudesse estar nas confraternizações. Além disso, para essa gente, crianças, no máximo, têm “cuidadoras” ou “cuidadores” e não pais (Hum!). No governo do evangélico, ou seja, cristão, Kleber Edson Wan Dall, MDB, as festinhas de encerramento do ano letivo nos Centros de Desenvolvimento Infantil, principalmente, não podem se cantar coisas que lembrem o Natal – uma festa cristã, essencialmente. Não há nada escrito sobre essa estranha proibição – e isso, por esperteza para nada se provar - mas nos aplicativos de mensagens, as orientações informais das diretoras abundam ao professorado. Todos com medo de desafiar o poder de plantão. Ainda bem que a secretaria de Educação - e que agora é área de moeda de troca para as eleições do ano que vem de tão desimportante que é -, não interferiu na apresentação natalina feita nas escadarias da nossa Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo, que inclui músicas sacras. Por isso, ela foi um sucesso e emocionou.

O novo e o velho III

O deputado Jerry Comper, MDB, jovem, sucessor do falecido Aldo Schneider e que por aqui tem o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, não foi corajoso, mas petulante. Apresentou na Assembleia um Projeto de Lei para tirar parte do ICMS dos municípios com mais de dez mil habitantes e repassá-los aos com menos de menos mil habitantes. Jerry ignorou que os municípios médios e grandes também têm problemas bem mais complexos e maiores, que os pequenos que nem deveriam existir, porque não possuem sequer condições econômicas de sobrevivência. Eles existem frutos de birras entre vizinhos, ou do ego de políticos e que custam muito aos próprios moradores. O dinheiro que vai para sustentar a administração, as câmaras e o desperdício, falta à saúde, a educação e manutenção mínima e básica dessas cidades.

O novo e o velho IV

Tanto o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, quanto o seu ministro de Economia, Paulo Guedes, fizeram o oposto que o deputado de primeiro mandato, o jovem Jerry Comper, MDB: estão propondo à fusão dos pequenos municípios que não conseguem se sustentar e são exclusivamente dependentes de repasses de verbas públicas federais ou estaduais. Por esta ideia óbvia e sensata tentativa, estão sendo metralhados, inclusive pela Federação Catarinense dos Municípios, cujo presidente e ex-deputado estadual, hoje prefeito de Tubarão, Joarez Pontecelli, PP – que também não quer perder o ICM que lhe quer tirar Jerry. E por que a Fecam é contra? Os políticos-chupins vão perder cabos eleitorais pagos com dinheiro dos pesados impostos empregados na prefeitura e câmara. Dinheiro escasso e que está faltando em outras prioridades.

O novo e o velho V

Esta é a questão de fundo que moveu Jerry com seu projeto demagogo e despropositado. Alguma dúvida? Então veja os números: salários, gratificações, verbas de gabinete e indenizatórias e outras regalias pagas nas Câmara municipais no ano passado em cidades com menos de 20 mil habitantes, repito, com menos de 20 mil habitantes, custaram a assustadora cifra R$ 16,44 bilhões aos cofres públicos. O dado faz parte do “Anuário Multicidades: Finanças dos Municípios do Brasil”, produzido pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), ou seja, este custo é 2,7 vezes mais do que os municípios arrecadaram, em média com IPTU, se tudo fosse cobrado. Não cobre nem as despesas da Câmara, muito menos dos municípios. É ou não uma vergonha, não apenas a situação de penúria, mas a defesa dela, e a cara de pau para nos esfolar como pagadores de pesados impostos?

TRAPICHE

Quem assiste a CPI na Câmara contra o prefeito Kleber Edson Wan Dall, acha que é filme velho e repetido do MDB. Ele não teria aprendido nada com o passado. O ex-prefeito Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, cismava que tinha o corpo fechado. O tempo e instituições provaram que não.

O Ministério Público com Assis Maciel Kretzer, atuante na época, encurtou o mandato de Nadinho. Foi o único prefeito até agora a não finalizar o governo em Gaspar. Foi substituído pelo vice, Andreone Cordeiro dos Santos, PTB, casualmente, neto do primeiro prefeito eleito de Gaspar, João dos Santos.

Adilson Luiz Schmitt eleito com o PP – na primeira união da cobra com o sapo - decidiu enfrentar o MDB que e o elegeu. É o mesmo que manda hoje em Kleber. Deixou o MDB e andou pelo PSB e PPS. Também, mal orientado, ficou com fama de vingador. Ela colou até hoje e não o larga. O esquema de poder não o perdoou pelo voo solo.

Mesmo acuado de todos os lados e depois daquela fatídica entrevista na Rádio Sentinela do Vale onde acusou um monte de gente de corrupta, Adilson sobreviveu ao mandato. O preço foi alto. Não se reelegeu. E quando tentou mais uma vez, perdeu. Três CPIs rondaram a sua vida, mas só sobreviveram como denúncias no Tribunal de Contas e que não deram em nada. Foram a contratação do lixo pela Recicle, os serviços contratados para o cemitério e as lombadas eletrônicas, na Ditran, tocada por Ciro André Quintino.

Outras três CPIs, todavia, vingaram e não deram em nada. Todas tiveram o dedo ou a omissão intencional do MDB que hoje comanda a prefeitura: uma foi por supostamente ter trancado dos servidores no paço; por ter batido no carro da vereadora Ivete Mafra Hammes, MDB. Outra, foi no tempo do petista Pedro Celso Zuchi. Os seus apuraram os serviços emergenciais que a Salseiros, de Itajaí, realizou em Gaspar durante a catástrofe ambiental severa de novembro de 2008.

Se Adilson se livrou das CPIs, não se livrou dos estragos daquela entrevista e da marcação do MDB que o tem como um traidor por não encher a barrosa com os desempregados de sempre do partido. Kleber ao menos, emprega, protege gente embrulhada e não apenas os do MDB. Acorda, Gaspar!

Transparência e prevenção zeros. O assunto foi manchete nacional no portal G1 no dia 28 de novembro. O fato ocorreu no dia 26. A secretaria da Educação da prefeitura de Gaspar tentou esconde-lo. Aqui poucos souberam. A “imprensa é um perigo”. Os perigosos, todavia, são os políticos e gestores públicos irresponsáveis. Alô Conselho Tutelar, puxadinho da secretaria aparelhada de Assistência Social e Ministério Público!

O assunto só saiu do “controle da secretaria” porque o Corpo de Bombeiros e o Samu foram chamados diante da gravidade e emergência, exatamente para ajudar livrar uma criança de um acidente quase mortal em brinquedo no CDI, Mercedes Melato Beduschi, no Bateias.

Se olharem bem o que se esconde, duas crianças outras já perderam o dedo numa porta de CDI. Como se camufla tudo, outras serão mutiladas. E por que? Simples! Ao esconder incidentes ou acidentes tão graves da imprensa, o poder público, por seus irresponsáveis, não trabalha para eliminar os riscos de acidentes. Vergonha! Quando isso vai mudar? Acorda, Gaspar!

 

Edição 1931

Comentários

Herculano
13/12/2019 13:33
NÃO À ECONOMIA DE FRANCISCO!, por Alex Pipkin, no Instituto Liberal

Os engenheiros sociais agora jogam intensa e "inteligentemente" no tabuleiro sacro de xadrez, ansiando recriar a economia e um "novo mundo".

Adam Smith, em Teoria dos Sentimentos Morais (1759), já nos alertava sobre o homem do sistema, aquele que se encanta com suposta superioridade de seu plano perfeito de governo, não tolerando quaisquer desvios da "salvação".

Para tais intervencionistas, novas leis divinas devem modificar o comportamento (des)humano do capitalismo sangrento!

Smith apontava: "... ele parece imaginar que pode organizar os diferentes membros de uma grande sociedade com tanta facilidade como a mão dispõe as diferentes peças sobre um tabuleiro de xadrez... no tabuleiro de xadrez da sociedade humana, cada peça tem movimento próprio, de modo geral diferente daquele que o legislador pode escolher imprimir sobre ele".

A nova economia de Francisco e de seus grandes especialistas deseja criar um sistema econômico mais justo e sustentável! Provavelmente com voz solene, a santidade decretou uma nova economia "que faz viver e não mata". Para o Papa e colaboradores, a economia de mercado está dedicada quase que exclusivamente aos interesses de maximização dos lucros de empresas e de poucos indivíduos, indo de encontro à proteção da maioria e do meio ambiente. Sua "economia social" deve orar e "olhar para o futuro com a voz dos jovens em mente". A santidade propõe a realização de um "pacto" para mudar a economia e dar uma alma à economia do amanhã".

Entre os eixos centrais desta nova economia estão a não degradação do meio ambiente e da natureza, a luta contra o racismo e o "projeto de um novo modelo de civilização, de ruptura com esse sistema estruturalmente perverso", conforme exalta o professor de jornalismo da USP, Dennis de Oliveira. Evidente que a peleja feminista também se faz presente.

Preocupam-se eles até mesmo com os novos monopolistas do varejo das redes sociais!

Para o colaborador, o economista americano Joseph Stiglitz, é preciso alertar e "trabalhar na educação de sistemas alternativos que não adoram dinheiro".

Não, vossa excelentíssima santidade! Desejamos menos sábios especialistas, mais escolhas livres de empresários conhecedores de seus negócios. O Brasil precisa de mais - não menos - economia de mercado verdadeira, mais liberdade econômica, melhores e mais justas instituições políticas, menos corruptas, e de um governo pequeno e moderado, ajudando realmente os pobres com programas sociais racionais, tais como o Bolsa Família.

Precisamos mesmo que a "mãe Estado" permita que pessoas livremente se associem para comprar e vender onde desejarem! A mola mestre neste processo é o surgimento da inovação, potencializada num ambiente de negócios estimulador da capacidade individual empreendedora e inovadora, capaz de gerar mais empregos, maior produtividade, valor inovador, renda e prosperidade!

Chega de intervencionismo e compadrio!

Necessitamos urgentemente da velha e "inovadora" ?" no Brasil ?" economia de liberdade, que impulsione a criatividade humana, possibilitando que consumidores e negócios decidam o que e como fazer, não o governo.

A melhor política social é aquela que faz a economia crescer, sem intervencionismo estatal, em que pessoas assumem mais responsabilidades na busca de seus próprios caminhos.

O governo tem que garantir à iniciativa privada os incentivos positivos para o trabalho, empregos e regras estáveis, justas e propulsoras de atividades de criação de valor nos mercados.

Por favor, menos especialistas de governo e economistas oniscientes, idealistas, intervencionistas e bondosos, e muito mais especialistas de cada segmento empresarial, encorajados a atuar em mercados mais livres e competitivos.
Miguel José Teixeira
13/12/2019 08:32
Senhores,

Drops extraído da coluna do CH, replicada abaixo:

"...para quem tem medo de assombração, o Ato Institucional nº 5 (AI-5), extinto em 1978, completa 51 anos nesta sexta-feira 13.

Huuummm. . .51 uma boa idéia!

Sem sombra de dúvidas, prefira a "Moendão"
Herculano
13/12/2019 08:22
OS DEPUTADOS FEDERAIS AMEAÇAM RECUAR NA SINA DE ROUBAR OS NOSSOS PESADOS IMPOSTOS - OS DESVIAREM AS PRIORIDADES - PARA ELES SE ELEGEREM EM OUTUBRO DO ANO QUE VEM, COM O MÍNIMO DE FISCALIZAÇÃO POSSÍVEL COMO PROVIDENCIALMENTE APROVARAM ANTES DE TENTAREM AUMENTAR OS RECURSOS COMO TENTAM

QUEREM SAIR DE R$ 2 BILHõES PREVISTOS NO ORÇAMENTO PARA R$3,8 BILHõES QUE DEMANDARIA BUSCAR NOVOS RECURSOS EM OUTRAS ÁREAS

COM ESSA MANOBRA ENTRE ELES, PROVOCARAM OS PAGADORES DE PESADOS IMPOSTOS, POIS PARA ESSE AUMENTO BRUTAL, QUEREM TIRAR DINHEIRO RUBRICADO PARA SAÚDE PÚBLICA ONDE GENTE MORRE NA FILA DO SUS OU INCLUSIVE DA FARMÁCIA POPULAR FEITA PARA POBRES E IDOSOS, ALÉM DA EDUCAÇÃO, SEGURANÇA E OBRAS BÁSICAS DE INFRAESTRUTURA, COMO POR EXEMPLO, A DUPLICAÇÃO DA BR-470, QUE SE ARRASTA E IMPEDE O DESENVOLVIMENTO DE UMA REGIÃO CATARINENSE QUE MAIS RECOLHE IMPOSTOS PARA O GOVERNO.

OS DEPUTADOS FEDERAIS ESTÃO ENSAIANDO UM RECUO E POR UM FATO MUITO PRÁTICO E SIMPLES - DESGASTE - OU SEJA QUE NÃO PASSA PELA CONSCIÊNCIA DELES DE CIDADÃOS E REPRESENTANTES DO POVO QUE DEVERIAM SER.

É QUE O PRESIDENTE JAIR MESSIAS BOLSONARO, SEM PARTIDO, AFIRMOU QUE VETARIA ESSE AUMENTO INSANO DOS PARLAMENTARES PARA SEUS PARTIDO E LARANJAIS.

VETADO, ESSE VETO TEM QUE SER DERRUBADO PARA CONTINUAR A VALENDO OS R$3,8 MILHõES COMO QUEREM OS POLÍTICOS PARA OS SEUS

MAS, OS SENADORES DIZEM QUE NÃO DARÃO A MAIORIA PARA DERRUBAR ESSE EVENTUAL VETO PRESIDENCIAL. E AI BICHO PEGOU.

PARA NÃO SE DESGASTAREM, SEREM DERROTADOS E PASSAREM O RECIBO DE SACANAS CONTRA O POVO, A MAIORIA DOS DEPUTADOS FEDERAIS, POR SEUS LÍDERES, ENSAIAM UM RECUO. ENTRETANTO, ESTÃO SENDO BONZINHOS PARA PERPETUAR UMA SUPOSTA BOA IMAGEM DELES PERANTE OS ANALFABETOS, IGNORANTES E DESINFORMADOS. WAKE UP, BRAZIL!
Herculano
13/12/2019 08:05
Da série: o sentimento da sociedade é tão claro sobre este assunto aos políticos, gestores públicos e juízes de tribunais superiores e principalmente do Supremo Tribunal Federal, em hermenêuticas particulares naquilo que não leem em leis e a Constituição, para perdoar poderosos e endinheirados, com advogados caros e bem relacionados, que não precisaria de pesquisa alguma. Mas, feita, ela é retumbante, insofismável e estranhamente, ela ganha pouca divulgação e repercussão na mídia.

PARA 81%, LAVA JATO AINDA NÃO CUMPRIU SEU OBJETIVO E DEVE CONTINUAR, DIZ DATAFOLHA

Apesar do apoio à operação mesmo em ano de desgaste, 47% avaliam que corrupção continuará na proporção de sempre

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. ?Ao final do ano em que a Lava Jato foi contestada como nunca havia sido, o apoio da população à operação permanece elevado, de acordo com a mais recente pesquisa do Datafolha.

Segundo levantamento nacional do instituto, 81% dos entrevistados consideram que a investigação ainda não cumpriu seu objetivo e deve continuar. Outros 15% disseram que a investigação deveria acabar, e 4% não souberam responder.

A pesquisa ouviu 2.948 pessoas em 176 municípios de todo o país nos dias 5 e 6 na semana passada. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A operação, criada em 2014 e que sofreu uma série de derrotas no Judiciário em 2019, tem histórico de alta aprovação em levantamentos do Datafolha nos últimos anos. Em abril do ano passado, após a prisão do ex-presidente Lula, 84% disseram que ela deveria ser mantida.

Em julho deste ano, 55% dos entrevistados afirmaram que o trabalho de autoridades envolvidas na operação era ótimo ou bom. Apenas 18% consideravam à época a atuação ruim ou péssima.

No levantamento da semana passada, o Datafolha também perguntou aos entrevistados se a corrupção no país vai diminuir, aumentar ou continuar na mesma proporção depois da Lava Jato.

O resultado mostra ceticismo em relação aos efeitos da operação. Para 47%, a corrupção continuará na mesma proporção de sempre, enquanto 41% entendem que o problema irá diminuir. Para 10%, a corrupção irá aumentar.

Em abril de 2018, os números eram um pouco mais desfavoráveis à Lava Jato: 37% disseram que a corrupção iria diminuir e outros 51% afirmaram que o problema continuaria na mesma proporção.

Ao longo de 2019, a operação sofreu um inédito abalo em sua credibilidade devido a revelações de conversas no aplicativo Telegram de procuradores e do ex-juiz Sergio Moro - atual ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.

A série de reportagens do site The Intercept Brasil e de outros veículos, como a Folha, mostrou proximidade entre o ex-magistrado e o procurador Deltan Dallagnol em medidas da investigação, o que despertou críticas de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e até de políticos que costumavam defender a operação.

O saldo negativo da Lava Jato no ano foi consumado com a decisão do Supremo de barrar a prisão de condenados em segunda instância, o que permitiu a soltura de Lula, em novembro. Antes disso, a corte, por exemplo, já havia anulado sentenças da operação e determinado o envio de casos da Justiça Federal para a Justiça Eleitoral.

Entre os reveses da Lava Jato também estão a anulação de sentenças pelo Supremo em decorrência da ordem de fala de delatores e delatados nos processos, a paralisação de investigações com dados do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que já foi revertida, e a suspensão de um fundo bilionário de reparação abastecido pela Petrobras que ficaria em parte sob responsabilidade do Ministério Público.

A pesquisa da semana passada mostrou, nos recortes entre segmentos da população, que as faixas mais críticas ao governo Jair Bolsonaro duvidam mais dos efeitos da Lava Jato sobre a diminuição da corrupção.

Entre quem considera o trabalho do presidente ruim ou péssimo, 65% entendem que a corrupção continuará na mesma proporção de sempre. O mesmo índice aparece entre eleitores que se consideram de esquerda.

Bolsonaro ao longo deste ano se viu às voltas com desgastes nessa área, como a investigação sobre desvios no antigo gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro e a denúncia de apropriação de verbas públicas por meio de candidaturas de laranjas do PSL - legenda pela qual o presidente foi eleito e da qual saiu no mês passado para tentar criar uma nova, a Aliança pelo Brasil.

Para os entrevistados que se denominam de direita, a perspectiva de que a corrupção irá diminuir sobe para 58%. Entre os que classificam o governo Bolsonaro como ótimo ou bom, a taxa vai ainda além, para 72%.

Segundo o instituto, o apoio à Lava Jato permanece alto mesmo entre quem declara como partido de preferência o PT, legenda mais crítica à operação, e entre quem votou no presidenciável petista de 2018, Fernando Haddad. Em ambos os recortes, 75% entendem que a Lava Jato ainda não cumpriu seu objetivo e deve continuar.

A pesquisa também mostra que 85% dos homens apoiam a continuidade da operação, ante 77% das mulheres, e que o respaldo à Lava Jato tende a ser um pouco menor entre eleitores com renda familiar mensal de até dois salários mínimos - 76%.

Eleitores com nível de escolaridade superior são os que mais declaram apoio à continuidade da operação, com 87%.

No recorte regional, o apoio à Lava Jato tende a ser mais alto no Sul (com 85%) em comparação com o Nordeste (76%).

Os entrevistados nordestinos também são os mais céticos em relação ao efeito da Lava Jato sobre a diminuição da corrupção - só 34% concordam com essa frase.

ALGUMAS DAS DERROTAS DA LAVA JATO NO ANO
Prisão em segunda instância
O Supremo decidiu em novembro que é inconstitucional que réus com condenação em segundo grau comecem a cumprir suas penas. O novo entendimento da corte permitiu a soltura do ex-presidente Lula, que agora aguarda em liberdade o esgotamento de seus recursos nas instâncias superiores no caso do tríplex de Guarujá (SP)

Anulação de sentenças
O Supremo decidiu em outubro anular sentença do ex-juiz Sergio Moro contra um ex-gerente da Petrobras, devido à ordem de fala de delatores e delatados no processo. Antes, em agosto, outra condenação já tinha sido revertida por esse motivo por uma das turmas que compõem a corte

Indulto validado
Em maio, o Supremo decidiu validar indulto de Natal editado pelo então presidente Michel Temer em 2017. A decisão permitiu não só a soltura de presos da operação, como o ex-senador Gim Argello, como pôs fim a restrições que delatores cumpriam

Envio de casos à Justiça Eleitoral
Em março, o Supremo decidiu que crimes como corrupção, quando investigados juntos com caixa dois, devem ir da Justiça Federal para a Eleitoral

?Reversão de prisões preventivas
Tribunais decidiram soltar presos da operação, como Beto Richa (PSDB). Nesta quinta (12), conseguiu habeas corpus mediante fiança o empresário Walter Faria, da cervejaria Petrópolis
Herculano
13/12/2019 07:45
da série: para entender como o mundo está numa guinada conservadora, como os institutos de pesquisas não detectam essas mudanças e como o jornalismo progressista que infesta as redações vive numa bolha.

O que foi derrotado? A proposta dos trabalhistas que queriam, vejam, bem, e repito: o fim da austeridade e no aumento dos gastos em serviços públicos, como o sistema de saúde, além da vitória da tese do Brexit que é o que domina as manchetes da imprensa internacional e aqui no Brasil, onde o governo Bolsonaro e Guedes, foca na austeridade dos gasto, diminuição e punição da corrupção que roubam os pesados impostos de todos para poucos...

Diferente da França, onde Macron se enfraquece, o estado sem dinheiro para suportar os privilégios, caminha para a falência e o descontrole da migração que insiste em interferir e mudar uma cultura peculiar e democrática no mundo ocidental.

ELEIÇõES NO REINE UNIDO: COM AMPLA VITóRIA, PARTIDO CONSERVADOR SE FIRMA NO PODER E LIDERA O PAÍS RUMO AO BREXIT

Conteúdo e texto da BBC Brasil. Boris Johnson retornará ao cargo de primeiro-ministro com uma maioria esmagadora depois que os conservadores conseguiram derrotar o Partido Trabalhista em redutos tradicionais do principal rival.

Com a apuração dos votos em 649 dos 650 distritos, os conservadores obtiveram uma maioria de 79 cadeiras no Parlamento na votação realizada nesta quinta-feira (12). Cada parlamentar representa um distrito.

A principal bandeira de Johnson era "fazer o Brexit acontecer" e tirar de vez o Reino Unido da União Europeia no mês que vem, após meses de impasse em torno da saída britânica do bloco europeu definida em referendo em 2016.

A ampla margem obtida pelos conservadores indica que o Brexit vai enfim sair do papel.

"Parece que este governo conservador de uma nação recebeu um novo e poderoso mandato para concluir o Brexit", afirmou Johnson, ao longo da contagem dos votos.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, afirmou que a sigla teve uma "noite muito decepcionante" e que não liderará os trabalhistas numa próxima eleição. O partido focou sua campanha no fim da austeridade e no aumento dos gastos em serviços públicos, como o sistema de saúde.

Por ora, o placar está assim: conservadores com 364 cadeiras, seguidos dos trabalhistas com 203, do Partido Nacional Escocês (SNP) com 48 e dos liberais-democratas com 11. O Partido do Brexit, esvaziado na estratégia de apoiar Johnson, acabou sem vitória.

No saldo, o Partido Conservador elegeu 66 parlamentares a mais, e o Trabalhista, 42 a menos.

Maior vitória desde Thatcher
Neste cenário, os conservadores terão sua mais ampla maioria no Parlamento desde a vitória da primeira-ministra Margaret Thatcher em 1987.

Johnson se tornou primeiro-ministro em julho sem eleições gerais, ao ser eleito pelos correligionários para substituir Theresa May, líder que não conseguiu avançar com o Brexit no Parlamento.

Diante de um impasse em torno dos termos do Brexit, convocou eleições gerais em busca de uma maioria que apoiasse seu acordo negociado com o bloco europeu.

"Quero agradecer ao povo deste país por ter votado nas eleições de dezembro que não queríamos convocar, mas que acho que acabou sendo uma eleição histórica que nos dá agora, em este novo governo, a chance de respeitar a vontade democrática do povo britânico de mudar este país para melhor e de liberar o potencial de todo o povo deste país", disse o conservador.

Por outro lado, o Partido Trabalhista, que perdeu assentos em lugares que apoiaram o Brexit em 2016, está enfrentando sua pior derrota desde 1935.

Para Corbyn, "o Brexit polarizou tanto o debate que anulou tanto o debate político normal".

Sinais da Escócia
No computo geral, desconsiderando a distribuição distrital dos votos, os trabalhistas tiveram uma queda de 8% em relação ao pleito de 2017, e os conservadores, um aumento de 1%. O crescimento se deu entre siglas menores, que sinalizam outros desdobramentos do Brexit.

O bom desempenho do Partido Nacional Escocês (ou SNP) retrata como a Escócia e o restante do Reino Unido estão "indo para direções totalmente diferentes", afirma Sarah Smith, editora voltada para a cobertura sobre a Escócia na BBC. O partido convocou votos dos escoceses prometendo um novo referendo sobre a independência.

A premiê escocesa e líder do SNP, Nicola Sturgeon, afirmou que seu partido teve uma "noite excepcional".

Segundo ela, a Escócia mandou uma "mensagem bem clara" de que não queria um governo do conservador Boris Johnson e que ele não tem mandato para tirar a Escócia da União Europeia.

Foi também um "forte endosso" para a Escócia decidir sobre seu próprio futuro em outro referendo, afirmou Sturgeon.
Herculano
13/12/2019 07:28
IGUAIZINHOS, APESAR DE SEREM OPOSTOS


De Alexandre Schwartsmann, no twitter:

PSL aprovando homenagem a ditador chileno na ALESP; PSOL fazendo homenagem ao totalitário norte-coreano na ALERJ. E tem gente que reclama de "falsa simetria" quando se diz que são dois lados igualmente inaceitáveis
Herculano
13/12/2019 07:26
CHOQUE DE REALIDADE

De Guilherme Fiuza, no twitter:

O que está acontecendo no comando do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Brasil é bem simples: substituição de demagogia parasitária por gestão pragmática. É isso que interessa à totalidade das pessoas comuns. A batalha de confetes ideológicos só interessa aos que vivem dela.
Herculano
13/12/2019 07:24
PRIVATIZAÇÃO DO SANEAMENTO FAZ ESQUERDA CHORAR LÁGRIMAS DE CROCODILO NO ESGOTO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Esquerda critica privatização, mas gastou mais com ricos do que com saneamento

Era de partir o coração a cara santarrona de deputados do PT e esquerda em geral votando contra o projeto que pode permitir privatizações no saneamento. De partir de raiva e temperar de ridículo.

Durante os governos petistas, houve progresso notável ou acelerado no serviço de água e esgoto? Não. É responsabilidade direta do governo federal fazer obra de saneamento? Não. Mas pode ajudar bem.

Cuidar de saúde e saneamento deveria ser prioridade da esquerda. De resto, o rendimento médio do trabalho ("salário") das pessoas que não têm saneamento básico é um sexto do rendimento daquelas que têm.

O governo cuidou melhor de empresas grandes ou de outro modo afortunadas. Endividou-se até quebrar em parte por dar dinheiro a oligopólios e ricos, por meio de empréstimos baratinhos do PSI, o Programa de Sustentação do Investimento.

Em 2010, último ano de Lula 2, a conta desses subsídios foi de R$ 19 bilhões, no cálculo do Tesouro Nacional. Nesse ano, o investimento total em saneamento no país (não só do governo federal) foi de R$ 10 bilhões. Em 2014, a conta de subsídios passou de R$ 38 bilhões; o investimento em água e esgoto, uns R$ 15 bilhões.

A partir de 2009, os governos petistas passaram a emprestar dinheiro a rodo (meio trilhão de reais), por meio do BNDES e da Finep.

Os filhinhos do papai governo eram empresas variadas, de médias e pequenas, Vale, Petrobras, empreiteiras, teles (Oi? TIM? Sim), donas de hidrelétricas monstruosas, firmas de jatinho e de caminhoneiro.

Por vias indiretas, um governo de esquerda acabou também financiando a formação de oligopólios de salsicha e picanha, entre outros, de vários setores. O que o governo Fernando Henrique Cardoso privatizou, também com a ajuda de empréstimos públicos, Lula conglomerou.

Grosso modo, o governo tomava dinheiro emprestado a juro de rentista feliz e o reemprestava a taxas baratinhas. A diferença se chama subsídio, uma doação de dinheiro público, o que até pode ter interesse socioeconômico, a depender do caso.

A esquerda choramingas desmiolada do Congresso (há outras) ficou indignada com a possibilidade de que empresas privadas possam concorrer com estatais na prestação do serviço de saneamento, em licitações. "Ain, água e esgoto são direitos humanos". É verdade. E daí? Os direitos estão sendo garantidos? Não.

Várias dessas estatais são cabides de emprego endividados. Sim, sem boa regulação e outras providências, o serviço das empresas privadas de saneamento pode ser porco como tanto serviço privado deste país de oligopólios. A nova lei do saneamento vai dar conta disso? Ainda não se sabe.

Apenas linhas gerais da lei foram aprovadas nesta semana. Não dá para saber se as empresas privadas de saneamento vão ficar apenas com as cidades-filé (onde o povo tem dinheiro para pagar tarifa), largando as pobrinhas sem água e esgoto no deserto da amargura.

Não se sabe bem se as estatais vão poder ficar por ainda 30 anos como concessionárias dos serviços (o que não depende da lei, nos termos aprovados até agora).

Há metas bonitas, mas talvez perigosamente inviáveis. O prazo de universalização (2033) parece exigir investimento acelerado, o que pode tornar as tarifas impagáveis pelos pobres. Seria preciso subsidiar quem não tem dinheiro.

O projeto e o assunto são enrolados. Fazer chacrinha apenas com história da privatização é paranoia ou mistificação.
Herculano
13/12/2019 07:16
PRÉ-CANDIDATO, MAIA VISITA DESAFETOS DE BOLSONARO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não vai mais disputar mandato de deputado, e confessou a esta coluna o projeto de governar o Brasil, instituindo "parlamentarismo-presidencialista", que faria do presidente "rainha da Inglaterra". Ou se candidatando a presidente, "se houver condições". Com agenda de pré-candidato, como mostram suas 235 viagens pela FAB este ano, ele faz campanha no exterior. Primeiro na Argentina, ansioso por selfie com o novo presidente, hostil a Bolsonaro.

EU SOU O CONTRAPONTO

Ontem, Maia começou na Europa, que ninguém é de ferro, um curioso esforço para ser recebido por figurões que não gostam de Bolsonaro.

REELEIÇÃO DIFÍCIL

Maia não disputará novo mandato para evitar mico: em 2018, na crista da onda, foi só o 13º mais votado em seu Estado. Somou 74 mil votos.

PRESIDENTE FRACO

No parlamentarismo-presidencialista imaginado por Maia, o presidente marromenos só nomearia ministros da Defesa e Relações Exteriores.

SONHO DE CONSUMO

O projeto de Rodrigo Maia encanta poderosos grupos de comunicação, que se queixam de corte bilionário de publicidade do governo federal.

BRASIL E ARGENTINA JÁ CONVERSAM. É A DIPLOMACIA

O novo embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli foi recebido nesta quinta (12) pelo vice-presidente, na sequência da ida de Hamilton Mourão à posse do novo presidente portenho Alberto Fernández. O encontro foi previamente endossado pelo presidente Jair Bolsonaro, que estava fora de Brasília, em viagem ao Tocantins. A agenda marca a retomada das conversas entre os dois países, após intensa troca de farpas entre o chefe de governo brasileiro e novo presidente argentino.

COSTURA DIPLOMÁTICA

O embaixador Pedro Luiz Rodrigues, ex-secretário de Relações Exteriores do DF, articulou a reunião de Mourão com Daniel Scioli.

ENCONTRO POSSÍVEL

Foi discutida a possibilidade de encontro de Bolsonaro e Fernández em meados de janeiro, durante viagem do presidente brasileiro à Antártica.

TRATATIVAS TRANQUILAS

Bolsonaro disse estar "à disposição" de Alberto Fernández e que terá "satisfação" de receber o argentino durante possível visita ao Brasil.

DECISÃO INFELIZ

Os ministros do Supremo Tribunal Federal, que nunca precisaram ralar em balcão de loja, nem fazem ideia do que é uma duplicata, confundem dívida com sonegação, e criminalizam ICMS não pago. Que horror.

JOGADA CRIMINOSA

Deveria ser investigada na Câmara a jogada criminosa criando a figura do "juiz de garantias", no Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro (Justiça). Se isso não for vetado, juízes como Marcelo Brêtas e até Edson Fachin ficarão impedidos de prolatar sentenças na Lava Jato.

SEM VACINA

O deputado Heni Ozi Cukier (Novo), relator da reforma da Previdência em São Paulo, disse que não precisou se vacinar contra raiva, após a mordida do petista Luiz Fernando Ferreira. A dentada não tirou sangue.

INSTITUTOS DE PESQUISA

Os resultados de boca de urna no Reino Unido mostraram que o Partido Conservador ganhou mais 50 assentos em relação à maioria que já detinham. Vitória esmagadora, ao contrário do que previam os institutos de pesquisa queridinhos da imprensa. Inclusive a brasileira.

DIVERSIFICAÇÃO

A turma da Vale, empresa que virou sinônimo de morte e destruição em Minas, tem coragem de beijar cobra na boca: contratou a Andrade Gutierrez, personagem da Lava Jato, para administrar suas barragens.

SEM EXPLICAR

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), mandou cancelar a sessão que votaria a MP que transfere o Coaf do Ministério da Economia para o Banco Central e reestrutura o órgão. Ficou para terça.

FINALMENTE

A Comissão de Trabalho da Câmara aprovou projeto que cria o crime de fraude em obra ou serviço de engenharia público. Pena de reclusão de 4 a 12 anos. O substitutivo é do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP).

INTERNET É NO CELULAR

A pesquisa "Redes Sociais, Notícias Falsas e Privacidade na Internet" do Senado mostra que entre brasileiros que acessam a internet, 98% acessam pelo celular. O computador é 2º colocado distante, com 61%.

PENSANDO BEM...

...para quem tem medo de assombração, o Ato Institucional nº 5 (AI-5), extinto em 1978, completa 51 anos nesta sexta-feira 13.
Herculano
13/12/2019 07:07
da série: o atraso civilizatório de Gaspar. Não temos um mililitro coletado e tratado de esgoto, mesmo sob pressão do Ministério Público. O que existe no Bela Vista para um residencial da reurbanização da Marinha está jogado as traças. A culpa disso? O Samae do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT e Kleber Edson Wan Dall, MDB, que estão em fontes escassas de recursos públicos como desculpas para a incúria contra a cidade e os cidadãos. Preferem gente doente, valas de esgotos, poluição e fazer do Rio Itajaí o esgoto público de Gaspar. Os políticos preferem recursos públicos do que concessões, permissões ou privatizações, que em tempos de Lava Jato, as sacanagens e propinas estão mais sob controle e vigilância devido à transparência pela fiscalização. Simples assim!

AVANÇO CIVILIZATóRIO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Após longo período de impasse, a Câmara dos Deputados conseguiu aprovar o texto-base do projeto que moderniza o marco regulatório do saneamento nacional e abre espaço para maior participação da iniciativa privada no setor.

O passo adiante, porém, não veio sem riscos, pois a decisão regimental foi descartar o texto que veio do Senado em favor da alternativa originada na Casa, de modo a assegurar que a última palavra fique com os deputados.

A decisão decorre da percepção, não infundada, de que o tema vem encontrando mais resistências entre os senadores. Mas a consequência pode ser exacerbar o conflito e alongar ainda mais a tramitação.

De fato, o projeto da Câmara, apoiado pelo governo Jair Bolsonaro e iniciado após a expiração de uma medida provisória de teor similar, mostra-se mais ambicioso.

Começa por estabelecer a Agência Nacional de Águas (ANA) como órgão regulador do setor, com responsabilidade de definir parâmetros técnicos e econômicos dos contratos de concessão, e permite que a prestação dos serviços transite para um regime concorrencial de forma mais célere.

Em acordo com a oposição, foi preservada para os governos locais, até março de 2022, a opção de estender os contratos de programa vigentes - aqueles celebrados com estatais sem concorrência - por mais 30 anos. Em contrapartida, esses contratos precisarão incluir metas.

Impressiona que restem defensores do modelo atual, que ainda mantém 100 milhões de brasileiros sem acesso ao saneamento básico. Essa deplorável situação está ligada à má regulação e ausência de critérios claros.

Estudo da Fundação Getulio Vargas, que analisou 1.080 contratos existentes no Sudeste entre companhias estaduais de saneamento e municípios, mostrou que mais da metade carece de metas de prestação dos serviços. No Rio de Janeiro, 98% dos contratos com a Cedae, a estatal local, estão nessa situação.

É justamente essa lacuna que o projeto da Câmara busca sanar, ao estabelecer padrões que devem balizar todas as novas concessões, que contarão com participação de empresas privadas.

Consta do texto também o objetivo de universalização dos serviços, com 99% dos domicílios atendidos com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Em áreas sem viabilidade econômica, o prazo é mais longo, até 2040.

O risco de comunidades pobres ficarem desassistidas também já foi suficientemente mitigado com a previsão de que a formação de áreas de atendimento ficará a cargo dos estados, o que desagrada a muitos prefeitos -que querem manter suas indicações políticas.

Esgotou-se há muito o espaço para tal atitude. Seja qual for o caminho regimental escolhido, que se aprove o projeto o quanto antes.
Herculano
13/12/2019 06:37
SOBERANIA, PROPORCIONALIDADE, JOGOS E JOGADAS

A suposta proporcionalidade da representatividade dos partidos ou blocos partidários na eleição da mesa da Câmara de Gaspar, não foi respeitada.

Esse é apenas um dos critérios, segundo o presidente reeleito vereador Ciro André Quintino, MDB.

O outro, segundo ele e de acordo com os técnicos que lhe orientaram, também está no Regimento Interno recém aprovado pelos vereadores: a soberania do voto aberto dos próprios vereadores.

E segundo Ciro, e os técnicos que o orientam, foi o que aconteceu.

O resultado, na verdade, expressa a maioria contra a minoria, todas duas bem coesas. A única coisa inexplicável e fora do contexto na eleição de ontem à noite feita " luzes de velas" e sem transmissão pela internet - devido ao temporal que desabou na região e com ela se foi energia elétrica, foi a ausência do suplente de vereador José Ademir de Moura, supostamente agora no PP - era do PDC até terça-feira à tarde da semana passada quando se constituiu o blocão governista - MDB, PP, PDT e PSDB - para enfrentar a CPI da Rua Frei Solano.

Moura está no lugar do mais longevo dos vereadores José Hilário Melato, PP, atualmente presidente do Samae. Melato é um dos alvos principais da CPI da Frei Solano, pois é a autarquia, pelo novo modelo criado às pressas e na marra com desgastes na Câmara pelo poder de plantão, a responsável pela drenagem no município.

Foi Melato ao não assinar o acordo de rodízio da presidência da Câmara do bloco governista lá em 2017 quem provocou a primeira cisão na bancada de apoio do governo e permitiu que Silvio Cleffi, PSC, fosse eleito - no final de 2017 para a legislatura de 2018 - presidente da Câmara com os votos da oposição e Kleber ficasse em minoria no Legislativo.

Melato envolvido na CPI, queria voltar à Câmara este final de ano para ser presidente no ano que vem num fechamento triunfal. Deu tudo errado a partir do acordo que não assinou no tempo que deveria ter assinado. É também Melato quem orienta o suplente Moura. Então quem de verdade esteve ausente na eleição de ontem a noite da Câmara, não foi propriamente o suplente Moura, mas o titular José Hilário Melato.

E ainda sobre Melato. Pelo passado, falta credibilidade dos outros políticos contra Melato. Quem não se lembra de um acordo assinado, em que ele passou a perna em Andreia Symone Zimmermann Nagel, então no DEM, para ter a presidência da Câmara se ela não lhe entregasse os anéis ao PT e cargos para ele na própria Câmara que seriam de exclusiva indicação da presidente?

Volto ao caso Moura/Melato

Recados? A ida repentina de Moura para o PP, contém vícios? A conferir os próximos passos de gente que se acha esperta? Porque nesta legislatura, ao tentar mandar no Legislativo, o Executivo com o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, o vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP e o prefeito de fato, presidente do MDB e secretário da Fazenda e Gestão Pública, Carlos Roberto Pereira, perdeu três vezes, no mínimo (Silvio e nas eleições últimas eleições de Ciro).

E a indicação de Ciro André Quintino no primeiro ano, 2017, foi apenas para não arrumar encrenca logo de cara. O poder de plantão o achava - e continua achando - muito espaçoso onde os donos do poder de plantão querem mandar, desmandar, vingar e serem absolutos.

E a decisão neste momento pelo não enfrentamento a Ciro nesta quinta-feira - apesar das escaramuças e recados de terror plantados - revela que o poder de plantão optou por não ampliar um desgaste de imagem que lhe vem colando e se revelando nas pesquisas internas do partido e do poder de plantão. Vai que Ciro se tornaria uma vítima e um concorrente de peso - não fisicamente, que é - mas politicamente para outubro do ano que vem.

O não enfrentamento do poder de plantão às pretensões de Ciro em se reeleger - mesmo sendo Ciro do partido que governa a cidade - deixa Ciro, por enquanto, apenas na condição de ser um candidato viável e carregador de votos para a legenda à releição a vereador, supostamente dentro do time do poder de plantão e não como um adversário. Acorda, Gaspar!
Herculano
12/12/2019 19:55
A "LUZ DE VELAS", CIRO ANDRÉ QUINTINO, MDB, GANHA ONZE VOTOS E É REELEITO PRESIDENTE DA CÂMARA DE GASPAR. ROBERTO PROCóPIO DE SOUZA, PDT, QUE JÁ CONCORREU NO ANO PASSADO COM APOIO DO MDB E DO PREFEITO KLEBER EDSON WAN DALL E PERDEU PARA CIRO, VOTOU NELE PR?"PRIO

DOS 13 VEREADORES, Só 12 VOTARAM. O SUPLENTE JOSÉ ADEMIR DE MOURA, PP, NÃO APARECEU À SESSÃO.

PARA VICE, CICERO GIOVANE AMARO, PSD, DERROTOU FRANCISCO HOSTINS JÚNIOR, DO MDB.

PARA PRIMEIRO SECRETÁRIO FOI REELEITO SILVIO CLEFFI, PSC. ELE DERROTOU FRANCISCO SOLANO ANHAIA, MDB.

O SEGUNDO SECRETÁRIO CONTINUA COM DIONÍSIO LUIZ BERTOLDI, PT. ELE DERROTOU MARILUCI DESCHAMPS ROSA, PT QUE RECEBEU VOTOS DE FRANCIELE DAIANE BACK, PSDB, EVANDRO CARLOS ANDRIETTI, FRANCISCO SOLANO ANHAIA, TODOS DO MDB, E DE ROBERTO PROCóPIO DE SOUZA, PDT. MARILUCI, POR SUA VEZ, VOTOU EM DIONÍSIO PARA LHE DAR A VIT?"RIA.

FOI LEVANTADA UMA QUESTÃO DE ORDEM E QUE ESCLARECIDA ESTABELECEU QUE O BLOCÃO MDB,PP,PDT E PSDB TERIAM 2,15 VAGAS NA MESA, O PT 0,92, PSD 0,62 E PSC, 0,31. ENTÃO...

Herculano
12/12/2019 18:32
EXISTE UMA URNA NO CAMINHO DE MORO, por Josias de Souza, no Uol.

Em entrevista à Folha, Sergio Moro falou sobre 2022. Procurou não parecer o que é, para não passar a impressão de que é o que parece. Teve o cuidado de não excluir a hipótese de ser e parecer.

Perguntou-se a Moro: Não mexe com sua vaidade ser uma peça até favorita para 2022?

Para não parecer o que é, o ministro declarou: "Não tenho esse tipo de ambição."

Para que Bolsonaro não diga que é o que parece, Moro emendou: "Eu brinco que já tenho problemas suficientes para lidar".

Para não excluir a hipótese de ser e parecer, tascou: "Como ministro do presidente seria absolutamente inconsistente eu não apoiar a reeleição dele em 2022."

Ficou subentendido que, se virar ex-ministro, Moro pode se oferecer como alternativa para embaralhar o jogo viciado que está na mesa.

A alturas tantas, indagou-se: Descarta ser vice de Bolsonaro em 2022? A resposta veio no mesmo formato.

"O que temos é um vice-presidente que respeito muito, Hamilton Mourão", afirmou Moro, para não parecer o que é.

Mourão é "um general consagrado, que colocou em risco a carreira em um determinado momento para defender o que ele pensava", acrescentou, para que o vice não diga que é o que parece.

"Acho que essa discussão não é apropriada no momento", arrematou, abrindo uma vereda para ser e parecer candidato noutro instante.

Faltando três anos pa...Faltando três anos para a sucessão, especular sobre a candidatura presidencial de Moro é exercício de quiromancia política.

Entretanto, seria ingenuidade fechar os olhos para a possibilidade de que isso ocorra.

O ex-juiz participará da próxima campanha presidencial.
Falta definir em que condições.

Ausente, Moro apanhará indefeso. No figurino de candidato, pode se defender e partir para o ataque.

Como diria Drummond, há uma urna no caminho de Sergio Moro....
Herculano
12/12/2019 17:17
COMO COAF SAI ILESO NA GUERRA DOS CACIQUES POLÍTICOS CONTRA A LAVA JATO, por Andrei Meireles, em Os Divergentes.

Principal alvo dos adversários de Sérgio Moro, o Coaf encerra o ano com o mesmo nome, composição e poderes para auxiliar no combate à corrupção e ao crime organizado

Em novembro do ano passado, o Coaf meio que caiu no colo de Sérgio Moro durante a conversa com Jair Bolsonaro em que aceitou o convite para ser ministro da Justiça e da Segurança Pública. Moro sabia da relevância do Coaf, e do seu papel no combate à corrupção e ao crime organizado. O presidente eleito não fazia a menor ideia do significado daquelas quatro letrinhas. Saiu dali o aval para que o órgão migrasse do Ministério da Economia para a Justiça. Bolsonaro começou a se arrepender um mês depois.

Em plena lua de mel eleitoral, Bolsonaro tomou um susto antes de sua posse quando se tornou público um relatório do Coaf que mostrava uma movimentação atípica nas contas de Fabrício Queiroz - seu amigo e assessor do filho Flávio Bolsonaro. Foi o pontapé inicial de um escândalo que até hoje assombra o clã Bolsonaro. Mesmo assim, ele manteve o compromisso de transferir o Coaf para a Justiça e nomear para sua presidência o auditor fiscal Roberto Leonel, representante da Receita Federal na Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba.

O establishment político em Brasília recebeu a chegada de Sérgio Moro com todos os pés atrás. Em conversas com caciques políticos, os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli alertaram que, se as asas de Moro não fossem cortadas, a Lava Jato faria uma terra arrasada nos poderes da República. Em uma dessas conversas, patrocinada por Rodrigo Maia, foi acertado que a reação começaria com a retirada do Coaf do comando de Moro. O maior receio era de que Jair Bolsonaro fizesse disso uma queda de braço.

Qual não foi a surpresa quando, em meados de abril, o presidente não só deu sinal verde para tirar o Coaf de Moro como confessou ter aceitado a troca do órgão sem ter a menor noção da sua importância. Começou aí a costura com Toffoli e Rodrigo Maia que resultou no acordão que por muito pouco não causou a demissão de Sérgio Moro e um retrocesso irreparável na Lava Jato e em outras investigações sobre corrupção de colarinho branco.

Sob a batuta de Rodrigo Maia, em maio, o Centrão e o PT venceram na Câmara a batalha pela volta do Coaf para o Ministério da Economia na Câmara e manobram para que ela não fosse revertida pelo Senado. Um mês depois, o site The Intercept começou a série sobre "as mensagens secretas da Lava Jato", fazendo um escândalo com conversas banais entre investigadores e em todas instâncias da Justiça. Foi o suficiente para pôr Moro no pelourinho.

Logo que o STF entrou em seu recesso de julho, Dias Toffoli pôs a cereja no bolo comemorativo do sucesso do acordão. Aproveitou um pedido da defesa de Flávio Bolsonaro e, numa canetada sem precedentes e sem medir as consequências, suspendeu o inquérito sobre o filho do presidente e mais de mil investigações, baseadas em relatórios do Coaf e da Receita Federal, sobre corrupção e crime organizado. O STF acabou corrigindo esse absurdo, inclusive com o voto do próprio Toffoli, que sequer pediu desculpas pelo prejuízo que causou.

Em agosto, Bolsonaro fingiu ressuscitar o Coaf. Em medida provisória, o rebatizou de Unidade de Investigação Financeira, o transferiu para o Banco Central e abriu as portas para que fossem nomeadas para o conselho pessoas de fora do serviço público. Na noite dessa quarta-feira (11), foi justamente a Câmara dos Deputados que fez as correções. Restabeleceu o nome Coaf, e, mais importante, a exigência de que seus integrantes façam parte de carreiras de estado. Mudanças que na próxima semana serão referendadas pelo Senado. Noves fora todas as bobagens, o Coaf voltou a ficar com o tamanho de sempre.

Na montanha russa que tiveram de encarar em Brasília, Sérgio Moro e a Lava Jato encerram o ano no topo. E com muito mais traquejo para enfrentar os adversários de sempre, forçados a recuar na luta em favor da impunidade, mas que não desistiram.

A conferir.
Herculano
12/12/2019 17:12
O TIRO DOS BANDIDOS ELEITOS PELO POVO CONTRA MORO QUE PEDE LEIS CONTRA CRIMINOSOS

De Leandro Ruschel, um blogueiro reconhecidamente bolsonarista, no twitter:


Establishment podre prepara medida anti-Moro, aumentando de 6 meses para 6 anos o prazo de servidores públicos saírem dos seus mandatos para concorrer a cargo eletivo.

Brasil está na mãos dos piores bandidos.

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