Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Quem vai influenciar as eleições de 15 de novembro em Gaspar e Ilhota? Os ícones ou os resultados de cada administrador?

09/07/2020

As trapalhadas de uns no presente e a folha corrida de outros ícones políticos no passado podem deixar órfãos por aqui alguns candidatos nesta eleição municipal. Da esquerda para a direita, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, o governador Moisés Carlos da Silva, PSL, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT e o ex-presidente Michel Temer, MDB. O quanto eles prejudicarão ou ajudarão os candidatos a prefeito e vereadores em Gaspar e Ilhota?

 

Bateu o medo I

Os meus três últimos artigos das sextas-feiras feitos especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, há 30 anos líder de circulação e credibilidade em Gaspar e Ilhota, mostraram que o tsunami que surpreendeu os políticos expertos nos resultados após da apuração das urnas em outubro de 2018, continua sendo um fantasma para eles. Todos negam, mas não dormem direito. Acham que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas, a ciência os desmente. E a apreensão ainda é maior, porque toda a lógica que se tinha construída desde então, como limpeza contra os vivaldinos, combate à corrupção, ou transparência ampla e o empoderamento conservador, continuam presentes. Todavia, esta lógica está se modificando. O que era novo até ontem, parece velho hoje. Se os antigos métodos dos novos políticos de calar, intimidar, constranger e processar contra imprensa tradicional, por outro lado as redes sociais e os aplicativos de mensagens trataram de desmascará-los e sem piedade.

Bateu o medo II

As bengalas como Jair Messias Bolsonaro, sem partido, Carlos Moisés da Silva, PSL, tornaram-se problemas em pouco tempo, mesmo que a crise sanitária e econômica seja usada para minimizar os pífios resultados em favor da sociedade até aqui. Eles eram os ícones e as tábuas de salvação para a “nova política”. Não são mais. Luiz Inácio Lula da Silva, PT, Aécio Neves, PSDB, Michel Temer, MDB, ou o PP o mais investigado na Lava Jato já eram manchas para os políticos nos grotões. Por isso, está cada vez mais claro, inclusive nas pesquisas qualitativas, que em Gaspar e Ilhota não focar em sua aldeia, vai perder terreno. E na aldeia, tanto Kleber Edson Wan Dall, MDB, em Gaspar, quanto Érico de Oliveira, MDB, em Ilhota, estão com problemas. Eles são políticos com práticas antigas para suas comunidades.

Bateu o medo III

Em Ilhota, Érico fechou com Moisés e fez até do seu vice, Joel José Soares, ir para o PSL. Agora, está com um fantasma chamado Lucas Gonçalves, médico, ex-presidente e coordenador da campanha de Érico. Lucas está no PL. E de lá ameaça medir forças com Érico. E para isso, basta mostrar as entranhas do atual governo, como Érico fez com que ele sucedeu e nem foi à reeleição, pois admitiu que escorregou na casca de banana, Daniel Christian Bosi, PSD.  Em Gaspar, também são as entranhas que complicam aquilo que o MDB gasparense tinha como uma galinha morta nas eleições deste 15 de novembro. Por sua culpa, arrogância, e terceirização, a reeleição de Kleber poderá não ser tão fácil como se desenhou ganhou venceu em outubro de 2016 no famoso projeto de 16 anos de poder.

Bateu o medo IV

Primeiro, Kleber foi eleito, mas quem governa de fato não é ele. Kleber é um mero garoto propaganda. E isso pegou. Segundo a fama de homem das obras está sendo comido pelas dúvidas, pelos prejuízos do que elas causam a comerciantes e moradores de vários bairros, mas principalmente, por aquilo que Kleber relegou a plano inferior: a Saúde Pública, a falta de vagas nas creches e a desassistência social.  E isso pegou. Terceiro, está a máquina de empregos de cabos eleitorais que se tornou a prefeitura de Gaspar. Tudo para sustentar uma coligação e assim se manter no poder. Isso se tornou um gol contra. E logo em tempos de austeridade para os pagadores de pesados impostos, os que verdadeiramente sustentam essa “maquina” de votos”. E isso pegou. Kleber espera como adversário o ex-prefeito de três mandatos, Pedro Celso Zuchi, PT, para manchá-lo logo de cara. E se Zuchi não for candidato? Kleber e seus “çabios” temem a terceira via; temem o voto útil como aconteceu no fenômeno Bolsonaro e Moisés que bateram coligações poderosas e até então, imbatíveis. Pois é!

Bateu o medo V

É por isso que o prefeito Kleber e os seus resolveram então ir para as ruas. No final da semana passada, ainda sob entulhos do ciclone bomba e do crescimento da contaminação pela Covid por aqui – com gente esperando sob tendas, frio e chuvas por horas a fio um teste no Posto do Centro – os do MDB se lançaram a reuniões, almoços e jantares políticos. E sob sorrisos, plantaram nas redes sociais os encontros para levantar a moral e fechar as portas dos que se animam na terceira via como o Sérgio Luiz Batista de Almeida, PSL, e principalmente Rodrigo Boeing Althof, PL. Isto era impensável até alguns dias atrás. O Golias está com medo do Davi? As pesquisas dão sinais preocupantes. Acorda, Gaspar!

 

 

Foto da semana

A mobilidade ampliada, à falta de exemplo dos políticos locais – que pedem uma coisa e fazem outra – e à falta de conscientização de parte da população, fizeram os casos de Covid-19 aumentarem também em Gaspar. Esta foto correu as redes sociais e o poder de plantão ficou indignado. É de gente simples – e com medo - sob tenda, frio e chuva esperando por testes do Covid 19 no Posto do Centro.

A fotografia é das 15h30min de segunda-feira. Naquele momento tinha gente desde às 8h sem ser atendida, como se testemunhou. Exposição, desconforto e ampliação ao perigo. E depois o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e seus “çabios” dizem não entenderem à razão da indignação de parte dos seus próprios eleitores e eleitoras com a área da Saúde. Preferem culpar este espaço.

 

 

 

 

 

TRAPICHE

O jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo, o líder em circulação e credibilidade, bem como o seu pioneiro portal, o mais acessado em Gaspar e Ilhota, mudam para a nova casa nesta segunda-feira, dia 13. É para marcar e comemorar os seus 30 anos - 1º de junho de 1990, adiada por causa da pandemia -, do idealista, proprietário dele, Gilberto Schmitt.

A primeira sede do Cruzeiro foi no bairro Sete; depois foi ao Poço Grande – onde tinha uma estrutura de impressão e berço da família Schmitt -; nos últimos 15 anos, estava numa sede alugada bem aqui no Centro. O mundo da comunicação mudou muito. Saíram as impressoras, as amplas instalações para redação, circulação, comercial e reuniões. Vieram os laptops, smartphones, mobilidade, a instantaneidade, o serviço home office numa comunicação amplamente digital.

O Cruzeiro do Vale está em novas instalações no Poço Grande, sob a editoria de Indianara Schmitt e que está sucedendo a Gilberto na redação do jornal e portal. Incentivei esta mudança há muito tempo. Há pelo menos um ano, ela está desenhada pelo Gilberto e a Indianara, sob algumas resistências. É uma nova fase para quem sempre se desafiou e venceu.

Afinal, a força de um veículo de comunicação nos dias de hoje, não está exatamente na sua localização - veja o que acontece com as redes sociais -, e sim na capacidade que ele possui para informar, abranger e influir de forma plural nos grupos sociais e na sua comunidade, mas principalmente, com a sua credibilidade, dar retorno aos anunciantes. E isto o Cruzeiro tem de sobra.

Edição 1959

Comentários

Miguel José Teixeira
12/07/2020 17:19
Senhores,

O novo normal na política nacional é natimorto

"Prontos para o voto

Um levantamento preliminar feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que 125 parlamentares ?" 124 deputados federais e um senador ?", em exercício do mandato, podem concorrer a uma vaga para prefeito ou vice-prefeito nas eleições municipais de 2020. As legendas com maior número de pré-candidatos são o PT (13), o PSL (12) e o PSB (12). Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro concentram o maior número de concorrentes, com 15, 14 e 9 políticos aptos para a disputa eleitoral.
(CB, hoje, em Brasília-DF)

Pois é. . .nada fazem como parlamentar e querem fazer "algo" nos complexos executivos municipais.

Outra farsa à ser revista URGENTE!
Miguel José Teixeira
12/07/2020 14:28
Senhores,

Capitão Pinóquio?

1) Ele contraiu a angustiante covid-19. Já pessoas que convivem em sua proximidade, não. (esposa, filhas e staff). (Graças a Deus)

2) Qualquer vendedor ambulante, profissional autônomo ou microempresário sabe que está à "comer o pão que o diabo amassou" em função da pandemia. Já "a base bolsonarista comemora indicadores econômicos positivos . . . e mostra confiança na possibilidade de reeleição presidencial.". . .

Será que há algo "terrivelmente" suspeito nisso?
Herculano
12/07/2020 09:57
da série: o desmatamento ilegal, a mineração ilegal, invasão de territórios indíginas já demarcados, a apropriação ilegal de terras e reservas públicas são atividades de bandidos milionários organizados, reunidos em práticas de milícias, toleradas pelo governo do PT, MDB e o atual, bem como por parte das instituições que deveriam combatê-las

MOURÃO QUER BRASIL DENTRO DA CERCA DO ATRASO ETERNO DOS GRILEIROS DE BOLSONARO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Empresários criticam ruína ambiental; vice-presidente ignora mudança mundial

O Brasil está com o filme queimado também porque bota fogo na Amazônia, o que causa repulsa a alguns financistas e pode provocar boicotes aos produtos de exportação brasileiros, diz o chavão sobre o vexame do país. É muito pior do que isso, porém.

A catástrofe da pandemia deve acelerar mudanças tecnológicas, investimento na reconstrução "verde" das economias e exigências de padrões sociais mínimos. Há indícios de tal evolução na Europa, na China e deve ser o caso dos EUA, se acordarem do pesadelo Trump.


O Brasil está em autodestruição acelerada faz sete anos. Dificilmente se cura até 2022. As mudanças no mundo rico podem tornar o país tão obsoleto quanto a vela e o cavalo depois da luz elétrica e do motor a explosão.

Empresários e banqueiros civilizados notaram o tamanho do problema, embora se limitem a enviar ao governo cartas diplomáticas de protesto, "notas de repúdio" mais aguadas do que as emitidas pelas "instituições" (Congresso e Supremo) contra ameaças golpistas de Jair Bolsonaro e de generais do Exército.

Na semana passada, escreveram a Hamilton Mourão para pedir, grosso modo, que se dê um basta à destruição da Amazônia e à ruína da reputação brasileira; para sugerir investimentos e planos de reconstrução da economia baseados em princípios ambientais.

Por ora, a resposta do vice-presidente foi dizer, em uma entrevista, que o governo do seu capitão não destruiu nada e que existe uma conspiração internacional dos "incomodados" para impedir que o Brasil cumpra seu "destino manifesto" de ser "a maior potência agrícola do mundo", para o que tem "potencial extraordinário" por causa do "nosso povo", "água, luz, terra fértil, espaço para avançar".

Antes de mais nada, é besteira dizer que a agropecuária eficiente é "destino". Certas vantagens naturais do país foram aproveitadas graças a pesquisa, investimento e crédito subsidiados pelo Estado. Mas passemos.

O que Mourão disse é: 1) Geopolítica de general de pijama no uísque depois da peteca na praia, velha e bisonha já nos anos 1980; 2) Ufanismo de liberal gagá já nos anos 1930; 3) Ignorância do que se passa no mundo.

A União Europeia, por exemplo, elabora dois planos de reconstrução, por causa da pandemia e do "green deal". Envolvem avanço tecnológico, "produção leve" (menos indústria pesada), descarbonização até 2050, economia digital e "bons empregos". Esse programa de desenvolvimento social e econômico pretende no fundo evitar que o povo se bandeie de vez para partidos extremistas e promover investimentos, moribundos no continente. O Estado deve redirecionar o desenvolvimento europeu, mais por precisão do que por boniteza.

Isso altera consumo, produção e relações econômicas internacionais. Deve restringir negócios com países "fora dos padrões" socioambientais, tecnologicamente primitivos ou francamente bárbaros como o Brasil e também diminuir a demanda de seus produtos (combustível fóssil, ferro e carne, digamos).

O "Relatório Mundial da Riqueza" de 2020 da consultoria Capgemini indica que os donos do dinheiro grosso (mais de US$ 30 milhões para investir) querem colocar quase metade de seus investimentos em "ESG" (negócios orientados por preocupações ambientais, sociais e governança "correta"). Parte é douração de pílula; parte não é.

Para mudar esse governo de grileiros da Amazônia, da educação, da ciência etc., empresários teriam de descer da cerca e mandar mais que cartas a Mourão. É questão de sobrevivência.
Herculano
12/07/2020 09:45
Aos leitores e leitoras:

Comparem estas primeiras notas do Cláudio Humberto, com escrevi para a coluna em relação a Gaspar e Ilhota e quanto mal farão os supostos padrinhos para as candidaturas locais. E o poder de plantão, órfão, trocou o disco errado. Está falando numa suposta guerra ideológica, numa desculpa de amarelo para o seu erro, arrogância e muitas dúvidas.


APROVAÇÃO DE BOLSONARO SUPERA A DE DORIA EM SP, por Cláudio Humberto na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

Levantamento do instituto Paraná Pesquisa na cidade de São Paulo revela um dado surpreendente: somam 27,5% os eleitores paulistanos que avaliam a gestão do atual presidente como "ótima" ou "boa", enquanto totalizam 23,3% os que fazem a mesma avaliação do governo de João Doria. A pesquisa mostra que, apesar das crises e do desgaste, Bolsonaro mantém seus apoiadores próximos dos 30% do eleitorado.

INCLUA-OS FORA DESSA

A pesquisa mostra também que pega mal, junto ao eleitorado paulistano, tanto o apoio de Bolsonaro quanto o de Doria, na eleição deste ano.

APOIO POSITIVO

O apoio de Bolsonaro faria crescer em 18,1% a possibilidade de o eleitor votar em candidato a prefeito de São Paulo. No caso de Doria, 16,3%.

REGISTRO NO TRE

O Paraná Pesquisa ouviu 1,2 mil eleitores paulistanos entre os dias 4 e 8 de julho. O levantamento está registrado no TRE sob nº SP-06382/2020.

APOIO NEGATIVO

Vão a 39,2% os eleitores que desistiriam de votar em candidato apoiado por Bolsonaro, em São Paulo. O apoio de Doria afastaria 34,6%.

RESERVAS VENEZUELANAS ESTÃO INDO PARA A RÚSSIA

As reservas de petróleo da Venezuela estão cada vez mais sob controle russo. Com o país fragilizado pelas sanções dos Estados Unidos e a produção reduzida ao menor nível histórico, o presidente Vladimir Putin, esperto, ofereceu "solidariedade" e fez a petroleira russa Rosneft liberar muito dinheiro ao regime de Nicolás Maduro mediante garantias como a refinaria Citgo, principal joia da coroa da PDVSA, petroleira venezuelana.

NEGóCIO DA CHINA

O empréstimo da russa Rosneft à venezuelana PDVSA constituiu a compra, na prática, de 49,9% da refinaria Citgo ao final do acordo.

REFÉNS DE MOSCOU

O acordo com os russos prevê pagamentos em petróleo, cuja venda corresponde a 99% de toda a renda da Venezuela com exportações.

CRISE GRAVE E VAI PIORAR

Em 2019, enquanto os russos multiplicavam seus lucros, o PIB da Venezuela caiu 35%, ainda sem levar em conta os efeitos da pandemia.

HIPOCRISIA IN NATURA

Com paciência de Jó, o vice Hamilton Mourão recebeu empresários, sexta, pretendendo ditar regras sobre meio-ambiente: tinha a Vale, que matou trezentas pessoas e o rio Doce, de 800km; tinha banqueiro, ONGs da "indústria de árvores", fábrica de papel, petroleira poluidora etc.

CAÇA AO COVID-19

Após uma centena de servidores infectados, a começar pelo chefe, o Planalto foi minuciosamente higienizado por ordem do ministro Jorge Oliveira (secretaria-geral). A operação será repetida periodicamente.

ALVO É O AGRONEGóCIO

O agronegócio brasileiro está bombando: em plena crise da pandemia, vai colher em 2020 a maior safra da História. Isso levou os concorrentes à loucura, mundo afora, e explica por que ONGs financiadas por esses rivais do Brasil começam a temporada de lorotas sobre a Amazônia.

NINGUÉM FICA PARA TRÁS

Comandando pelo embaixador João Solano Carneiro da Cunha, o consulado do Brasil em Córdoba (Argentina) já promoveu a repatriação de cerca de 150 brasileiros retidos pela pandemia em sete províncias.

Só PRIVATIZANDO

Ainda tem gente contra a privatização, apesar da péssima qualidade dos serviços estatais. Encomenda que chegou a Brasília dia 4 ainda não foi entregue ao destinatário. Desleixo inaceitável em empresa privada.

DIÁLOGO BRASIL-FRANÇA

Apesar das caras e bocas de Emmanuel Macron, diplomatas de alto nível do Brasil e da França mantiveram reunião por videoconferência, esta semana, presidida pelo embaixador Kenneth da Nóbrega, inclusive sobre meio-ambiente. Acertaram nova rodada para breve.

NOVA GERAÇÃO

Deputado estadual mais jovem do País, João Henrique Catan (PL) botou fogo na disputa em Campo Grande (MS) ao se lançar para prefeito bem pontuado nas pesquisas. Ele é neto do ex-governador Marcelo Miranda.

FENôMENO

Lagoa do Mato, localizado no leste do Maranhão, virou um fenômeno na pandemia: é o único município do Maranhão sem casos de covid-19, segundo o boletim epidemiológico local.

PENSANDO BEM...

...de convidado a nomeado em menos de meia hora, o ministro Milton Ribeiro (Educação) mostrou que se vira nos 30.
Herculano
12/07/2020 08:37
VAMOS CONVERSAR SOBRE O ESTADO BRASILEIRO? Marcos Lisboa, economista, presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005), no jornal Folha de S. Paulo

Aumento contínuo do gasto público tem frustrado as expectativas

A polêmica sobre ajuste fiscal no Brasil parece uma ruína da Torre de Babel.

De um lado, estariam os fiscalistas, que defendem políticas de austeridade porque supostamente acreditam que a redução das despesas do governo melhora as expectativas e leva à expansão da economia.

De outro, estariam economistas heterodoxos, que defendem a expansão dos gastos públicos para ampliar os investimentos, reduzir a desigualdade e estimular o crescimento.

Não é bem assim. Para começar, não é possível adotar medidas de austeridade no Brasil. Simplesmente não há como reduzir os gastos do governo, quase todos determinados por leis ou cláusulas pétreas.

Mesmo depois da reforma recente, a despesa com Previdência e assistência social crescerá cerca de 2% ao ano acima da inflação. Os salários dos servidores não podem ser reduzidos, como reiterou o Supremo.

Despesas com saúde e educação têm pisos determinados por norma constitucional.


O gasto público aumentou 5% ao ano acima da inflação desde 1997, bem mais do que o PIB e do observado na maioria dos países. Apesar disso, nossa economia cresceu menos que a do resto do mundo.

A relação entre expansão do gasto público e crescimento econômico é mais complexa do que muitos acreditam.

Pode-se criticar o atual governo por muitas razões, mas não pela "obsessão" com austeridade.

Caminhamos para ter um déficit público de 16,5% do PIB neste ano, gastando bem mais para combater a pandemia do que a média dos emergentes.

O nosso debate fiscal é diferente daquele que ocorre em outros países. O que se discute por aqui é a necessidade de reformas para que o gasto público obrigatório passe a crescer mais devagar, sobretudo as despesas com servidores.

Temos um problema ainda mais grave. Apesar do elevado dispêndio do governo, que aumenta há três décadas, nossas políticas públicas são ineficazes.

Gastamos com educação, como fração do PIB, mais do que 89% dos países do mundo, mas nossos indicadores de aprendizado estão bem aquém do esperado. Gastamos com proteção social três vezes mais do que a média dos emergentes, mas o percentual de famílias na pobreza caiu menos do que nos países assemelhados.

Erros de projeto ou de contrato são os responsáveis pela maior parte das paralisações de obras do governo federal, não a falta de dinheiro. Gastamos muito e gastamos mal.

Da mesma forma, arrecadamos muito e arrecadamos mal. Nossa tributação sobre a renda é concentrada nos trabalhadores formais, que pagam uma alíquota efetiva perto de 50%, e nas empresas do lucro real.
Precisamos conversar sobre por que o Estado brasileiro é tão disfuncional e quem realmente se beneficia da sua expansão.
Herculano
12/07/2020 08:24
DO TAMANHO DE UM COMETA, por Carlos Brickmann

O famoso Queiroz, amigo de Bolsonaro, arrecadador da rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, disse aos poderosos que tomassem cuidado e procurassem ajudá-lo, pois o Ministério Público "tinha uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente". Bom, saiu uma medida em favor de Queiroz: por liminar do Superior Tribunal de Justiça, foi-lhe concedido o direito a prisão domiciliar. Sua mulher, foragida, também ganhou o direito à prisão domiciliar, para cuidar do marido. Mas os deuses, diziam os gregos, quando queriam destruir alguém, atendiam a seus desejos. O que Queiroz sabe, ou não, ainda não foi apurado; mas a crença geral é que sabe muito. Em casa, preso, com endereço conhecido, mais a tornozeleira informando o tempo todo onde está, Queiroz precisa de algo mais: uma vigilância armada, contínua, bem treinada. Não para impedi-lo de fugir, mas para garantir-lhe a vida. Quando prende alguém, o Estado assume responsabilidade pelo preso. E Queiroz, na condição presumida de arquivo vivo, corre risco efetivo, real. Arquivos são implacáveis, mas são também apagáveis.

O ex-PM Adriano, que foi colega de farda de Queiroz, era considerado também um arquivo vivo. Foi morto na Bahia e, entre as versões sobre o tiroteio em que morreu, está a de que não lhe foi dada a oportunidade de se render. É de se esperar que seja oferecida ampla proteção a Queiroz, seja ele culpado ou inocente.

É horrível imaginar que, preso, estaria mais seguro.

BANHO MARIA

Nenhuma das investigações até hoje realizadas no centro do poder chegou ao presidente Bolsonaro. Mas todas estão em áreas próximas a ele. A última chegou a poucos metros de seu gabinete: o Facebook, investigando as redes de desinformação em onze países, identificou no Brasil 88 contas, páginas e grupos que trabalhavam com identidade falsa em favor do atual Governo. Um dos alcançados trabalha com um dos filhos do presidente, Carluxo, o 02, no que se costuma chamar de Gabinete do ?"dio. É Tércio Arnaud Queiroz, assessor especial da Presidência da República, colaborador antigo e fiel, que trabalha no Palácio do Planalto. Essas redes operam desde a campanha que levou Bolsonaro ao poder. E as informações levantadas pelo Face poderão ser solicitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, que investiga as acusações de que houve abuso de poder econômico na campanha eleitoral. Claro que esse tipo de pena depende mais da temperatura política do que do problema legal. Mas a lei diz que pode levar à cassação da chapa e a novas eleições.

É COISA NOSSA

Bolsonaro se irritou e defendeu, em live, os acusados de criar falsos perfis no Face. Disse que há uma onda de dizer que há assessores que recebem dinheiro público para promover o ódio. "Me apontem um texto meu de ódio ou dessas pessoas que estão do meu lado. Apontem uma imagem minha de ódio, no meu Facebook, dos meus filhos. Não tem nada".

Mas o Face não retirou as páginas pelo conteúdo, mas pela falsificação de perfis. O presidente tomou outra iniciativa: afastou os vice-líderes mais belicosos e trocou-os por parlamentares do Centrão, mais afeitos a acordos. Neste momento, acossado, Bolsonaro tende mais ao amor do que à guerra.

PAU A PAU

É provável que tenha sido coincidência, e não ação combinada entre duas empresas do mesmo grupo, Facebook e WhatsApp. Mas, há poucos dias, o WhatsApp cancelou dez canais administrados pelo PT. Segundo a empresa, os bloqueios ocorreram devido ao envio de mensagens em massa ou operadas por robôs. Um dos canais é administrado pelo gabinete da presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann. Outro é o grupo de divulgação oficial das notícias do partido, o Zap do PT. O partido, em nota, diz que não distribui mensagens em massa nem divulga desinformação. A deputada Gleisi Hoffmann diz que estuda as medidas judiciais cabíveis. O Zap do PT, de acordo com o partido, muda para o aplicativo Telegram.

BOA NOTÍCIA 1

Enquanto o Governo brasileiro sofre pressão de investidores estrangeiros para cuidar do meio-ambiente, do desmatamento da Amazônia (que, diz o jornal francês Le Monde, bateu os recordes dos últimos onze anos) e para reduzir as emissões de carbono, a Advocacia Geral da União, AGU, obteve o bloqueio de R$ 570 milhões de bens de desmatadores da Amazônia. Este bloqueio serve para garantir a reparação de danos ambientais e o pagamento de indenizações por danos morais coletivos, em caso de condenação. Os recursos bloqueados são de seis desmatadores de Gaúcha do Norte, MT.

BOA NOTÍCIA 2

A informação é da Serasa Experian: a busca de crédito cresceu 13,1% em maio, com relação ao mês anterior. É o primeiro aumento da série mensal em três meses, e atingiu todas as faixas de renda. Uma parte é renegociação de dívidas; mas há indicações de que parte é para a recuperação de consumo.
Herculano
12/07/2020 08:21
BOLSONARO ARRASTA TORNOZELEIRA JUNTO COM QUEIROZ, por Josias de Souza

Quando escreveu sobre seu sonho de ir embora para Pasárgada, onde era amigo do Rei, Manoel Bandeira imaginou que traduzia o desejo de todos. Não poderia supor que, sob Jair Bolsonaro, a proximidade com o Rei viraria suplício. Amigo do monarca há mais de três décadas, Fabrício Queiroz vive numa anti-Pasárgada.

Queiroz teve de trocar todos os atrativos da terra desejada pelo poeta - ginástica, bicicleta, burro brabo, pau-de-sebo, banho de mar, beira de rio e até a mulher desejada na cama escolhida - por um apetrecho sem nenhum glamour: a tornozeleira eletrônica.

A Pasárgada comandada por Bolsonaro virou uma monarquia sui generis. Nela, reina o medo. Seminus, o Rei e o príncipe Zero Um temem a nudez que seria provocada por uma delação. É esse medo que atenua o drama de Queiroz.

O consolo do amigo tóxico, transferido de uma cela em Bangu 8 para a reclusão domiciliar, é a certeza de nunca estar realmente sozinho. Ainda que sua mulher Márcia não se juntasse a ele, Queiroz estaria com Deus, consigo mesmo e com as sombras de Jair e Flávio Bolsonaro. Dá até para jogar pôquer.

Juridicamente, a liminar que retirou Queiroz da cadeia e ofereceu à mulher dele a opção de interromper a fuga retirou momentaneamente do baralho a carta da delação premiada. Politicamente, o despacho redentor do presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio Noronha, acorrentou a Presidência de Bolsonaro na língua de Queiroz.

É como se o presidente arrastasse a tornozeleira junto com o amigo, recitando seu novo slogan: "Silêncio acima de tudo, Centrão acima de todos." Na Pasárgada de Bolsonaro, a perversão inverte posições. O Rei está sujeito à condição humana. Cheio de medo, é solidário nos bastidores.

O risco de delação faz de Queiroz o soberano, não o súdito. Seu silêncio é o privilégio ao contrário. O Rei recebe a graça de não ser desnudado, se for um amigo zeloso.
Herculano
12/07/2020 08:19
BOLSONARO PRECISA DE TUMULTO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Problema não está apenas no despreparo, mas na inércia produzida pela inépcia

Se o capitão Bolsonaro evitasse confrontos irracionais, seu governo mostraria a confusão em que está. Dois episódios ilustram essa anarquia.

No dia 21 de maio, quando já se estava no patamar de mil mortos por dia pela Covid e a pandemia já havia matado 20 mil pessoas, a juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, mandou um ofício à Casa Civil, oferecendo R$ 508 milhões dos cofres da Lava Jato para remediar a situação. Pedia apenas que lhe dissessem para onde o dinheiro deveria ir. Nada.

Hardt reiterou a oferta a 17 de junho e a Casa Civil respondeu apenas que havia recebido os dois ofícios. No dia seguinte o Ministério da Saúde informou que estava estudando o caso. Nessa altura batera-se a marca do milhão de infectados e 48 mil mortos.

Na semana passada o dinheiro continuava esperando um destino. Os mortos chegam a 70 mil.

(Em meados de abril o Itaú Unibanco anunciou que doaria R$ 1 bilhão para o combate à pandemia. Partindo do zero, criou um conselho, buscou iniciativas e já entregou mais de R$ 156 milhões. Foram 16 milhões de máscaras, 5 milhões de testes rápidos. 190 respiradores, cestas básicas para 7.000 famílias, mais doações à Fiocruz e a hospitais de campanha em São Paulo.)

Durante todo esse tempo esteve natimorto na Casa Civil o tal "Plano Marshall" do ministro-general Braga Netto, reciclado com o nome de Pró-Brasil e detonado pelo doutor Paulo Guedes na fatídica reunião de 22 de abril com poucas palavras: "Não chamem de Plano Marshall, porque revela um despreparo enorme".

O problema não está apenas no despreparo, mas na inércia produzida pela inépcia.


GABINETE DO óDIO

A poda que o Facebook impôs à rede do gabinete do ódio levará a investigação da usina de mentiras para a antessala do capitão. Seu assessor Tércio Arnaud Tomaz é quase uma sombra dos Bolsonaros. Ele operava as redes "Bolsonaro Opressor". Um exemplo saído de seu conteúdo: "Para quem pede Dallagnol na PGR... O cara é esquerdista, estilo PSOL".

Aos 32 anos, Arnaud fez uma carreira meteórica. Saiu de Campina Grande (PB) para a campanha dos Bolsonaros e dela para o Planalto. Há meses ele caiu no radar do ministro Alexandre de Moraes.

O Facebook derrubou 88 contas, e a documentação que levou a empresa a tomar essa decisão está disponível para os investigadores.

GABEIRA E AS ALAS

Fernando Gabeira disse tudo quando mostrou seu espanto diante da frequência com que se fala em "ala ideológica", "ala militar" e "ala pragmática" no Palácio do Planalto:

"Parece escola de samba."

OS GRAMPOS DA LAVA JATO SÃO METIRA QUE COMEÇOU A CIRCULAR EM 2015

Quem falar nos Guardiões da Lava Jato sem apresentar provas estará passando adiante uma mentira

As lendas de Brasília prosperam na medida em que contêm grandes mistérios. No confronto da Procuradoria-Geral da República com a Lava Jato caiu uma delas, a dos grampos de Curitiba armazenados num sistema Guardião, poderoso software de escuta usado inclusive pela Polícia Federal.

Por algum motivo, o procurador-geral Augusto Aras acreditou que a força-tarefa ouvia gente com o Guardião. (Nessa construção, as gravações teriam desaparecido.)

Até que surja uma prova convincente, essa história é uma mentira que começou a circular em 2015.
Documentadamente, em 2016 a equipe de Curitiba comprou um equipamento que gravou ligações feitas para seus telefones. Coisa parecida com os sistemas de muitas empresas. As máquinas e os serviços correlatos custaram R$ 58.480. (Um Guardião sai por mais de R$ 400 mil.)

Além disso, gravar é fácil, ouvir e transcrever os grampos exige um volume de mão de obra que Curitiba nunca teve.

Fica combinado que quem falar nos Guardiões da Lava Jato sem apresentar provas estará passando
adiante uma mentira.

BROOKS BROTHERS

Entrou em recuperação judicial a Brooks Brothers, a mais antiga loja de roupas dos Estados Unidos. Ela vestiu 41 dos 45 presidentes americanos, de Lincoln a Obama. A capa preta que Franklin Roosevelt usou em 1945 na Conferência de Ialta saiu da loja da Madison Avenue. Seus vendedores eram bestas, mas neste século tomaram jeito.

A loja fez fama numa época em que preço e qualidade determinavam o prestígio de uma marca. A epidemia das grifes abalou-a, e a Covid derrubou-a.

Tomara que se recupere.

SAI WEINTRAUB, ENTRA MENDONÇA

Desejar a morte de alguém não é calúnia nem difamação

Com a saída de Abraham Weintraub do Ministério da Educação, o doutor André Mendonça atropelou por fora e ultrapassou Ricardo Salles, tomando a dianteira para a condição de ministro com a maior carga folclórica.

Depois de avançar sobre o chargista Aroeira e o repórter Ricardo Noblat, o ministro da Justiça requisitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito contra o colunista Hélio Schwartsman por ter escrito o artigo "Por que torço para que Bolsonaro morra".

Mendonça invoca o artigo 26 da Lei de Segurança Nacional, que prevê a reclusão de um a quatro anos para quem "caluniar ou difamar o presidente da República".

Desejar a morte de alguém não é calúnia nem difamação. Se fosse, o deputado Jair Bolsonaro deveria ter sido enquadrado em 2015, quando desejou que Dilma Rousseff terminasse seu mandato "infartada ou com câncer, de qualquer maneira".

Além disso, Bolsonaro tem uma relação amigável com a morte dos outros. Como ele mesmo já disse, "lamento, todo mundo morre".

Em nome da segurança nacional encarceraram-se milhares de pessoas, entre elas o historiador Caio Prado Júnior e o escritor Graciliano Ramos. As iniciativas de Mendonça podem ter agradado a Bolsonaro, seu "profeta", mas estão condenadas a se transformar em vexames jurídicos. Darão uma linda oportunidade profissional aos advogados que tomarem a defesa de Aroeira, Noblat e Schwartsman.

CADÊ, GUEDES?

O ex-deputado Bruno Araújo pegou leve ao cobrar do ministro Paulo Guedes o futuro e as reformas que oferecia: "Cadê o Brasil novo que o atual ministro tanto promete e nunca entrega?".

Faltou perguntar a Guedes onde foi parar aquele seu amigo inglês que em abril ofereceu-lhe 40 milhões de testes para Covid por mês.

ESTATAIS IMORTAIS
Desde 2008 a Viúva sustenta o Centro Nacional de Tecnologia Avançada (Ceitec). Entre outras atribuições, ela seria uma estatal fabricante de chips. A repórter Luísa Martins informa que fracassou a tentativa do ministro Paulo Guedes de liquidá-la.

A primeira fábrica de circuitos integrados brasileira surgiu em 1978, com o óbvio amparo da Boa Senhora. De lá para cá a Apple virou a Apple, Bill Gates tornou-se um bilionário com a Microsoft e os chineses da Lenovo compraram a operação da IBM no país, mas os chips nacionais nunca emplacaram.

As estatais, como o Fantasma da Selva, são imortais. A Valec, que deveria operar o trem-bala ligando o Rio a São Paulo em três horas, vai bem, obrigado. O governo dizia que o trem estaria rodando na Copa de 2014, mas o seu projeto foi transferido para outra estatal, a EPL. A ideia do trem-bala sumiu, mas a estatal continua lá.
Herculano
12/07/2020 07:53
AO EDUARDO CAMPOS

E o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e os seus "çabios" estão numa ilha e ignoram que estão sendo vigiados

Esta vigia silenciosa poderá ter efeitos danosos em 15 de novembro.

E não será uma disputa ideológica como já se ensaia no discurso o poder de plantão.

O poder de plantão feita pelo MDB, PP, PSDB, PSD, PDT, PSC e outros nanicos pendurados na barrosa e comendo os pesados impostos de todos em época tão difícil é essencialmente conservador e evangélico em Gaspar, e quem está colocando o dedo na ferida está exatamente transitando neste eleitorado onde Kleber se elegeu.

A verdade é que há uma insatisfação latente sobre às dúvidas, à falta de transparência e principalmente às imposições, ameaças, perseguições e constrangimentos, em todos os seguimentos, incluindo o dos servidores públicos. Acorda, Gaspar!

Escrevo mais sobre isso na segunda-feira e na sexta-feira que vem. Acorda, Gaspar!
Eduardo Campos
11/07/2020 13:00
Assistência Social em Gaspar cada vez pior. Já não bastasse os CRASs de portas fechadas, apesar dos videos falsos feitos pelo vulgo prefeito para mostra o contrário, dois coordenadores estão ilegalmente no poder. Cras Silvio Schramm e Cras Bela Vista, dois educadores sociais, cargo de nível médio, nas coordenações dos equipamentos, contrariando a NOB SUAS RH, que exige que o cargo seja ocupado por profissional efeito de NÍVEL SUPERIOR. Curioso que as duas coordenadoras que lá estão há meses, os nomes não são publicados no Diário Oficial dos Municípios. Mais uma forma de tentar esconder os erros constantes dessa administração?
E o que falar do CREAS, que ficou 1 mês sem coordenação e quando colocam alguém, é totalmente despreparada para assumir tal posição, sendo motivo de piada entre os demais funcionários da pasta?
E os cargos gratificados ou comissionado, e os diversos estagiários sem fazer nada??
Herculano
11/07/2020 10:26
NA SEXTA-FEIRA E SÁBADO A COVID-19 DESAPARECE DAS INFORMAÇõES DO PORTAL DA PREFEITURA

TUDO PARA ESCONDER AQUILO QUE ESTÁ PREOCUPANDO A CIDADE E OS CIDADÃOS?

A ÚLTIMA INFORMAÇÃO É DE QUINTA-FEIRA, COM 375 INFECTADOS E QUE FOI MANCHETE NO JORNAL CRUZEIRO DO VALE

A COMUNICAÇÃO DA PREFEITURA É PARA A PROPAGANDA POLÍTICA. ACORDA, GASPAR!
Herculano
11/07/2020 10:00
da série: saiu da toca? Ninguém a viu ainda. E se derrubada esta decisão, estará localizada e presa. Então...

MULHER DE QUEIROZ JÁ ESTÁ EM CASA, DIZ ADVOGADO

Conteúdo de O Antagonista. O advogado Paulo Emílio Catta Preta, que atua na defesa de Fabrício Queiroz, informou na manhã deste sábado que Márcia Aguiar, mulher do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, já está em casa, no bairro de Taquara, no Rio.

Na quinta-feira, o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, concedeu prisão domiciliar a Queiroz e à sua mulher. Márcia estava foragida desde o dia em que o marido foi preso, em 18 de junho.
Herculano
11/07/2020 09:55
da série: o pessoal da terra plana não entendeu que para exigir as coisas do jeito deles, o gurus deles precisam estar limpos; e não estão. Se estivessem, enfrentariam a ditadura do Judiciário como enfrentaram a tentativa de nó do Legislativo; simples assim.

ALA RADICAL CRITICA BOLSONARO E PERGUNTA SE "ACABOU, PORRA" ERA PARA DESTRUIR CONSERVADORES, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo.

Consultoria que monitora redes sociais vê a possibilidade de ruptura com presidente

A ala radical do bolsonarismo ligada à família do presidente Jair Bolsonaro e de seu guru Olavo de Carvalho começa a dar sinais públicos de inquietação com o armistício entre o presidente, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso.

NA MOSCA?
Uma das maiores lideranças da ala, o blogueiro Allan dos Santos já foi ao Twitter fazer referência crítica direta ao presidente.

MOSCA 2?
"O 'Acabou, porra' era para parar o conservadorismo e deixar que ele fosse criminalizado?", escreveu Allan na quinta (9).

ZÍPER?
Em maio, Bolsonaro soltou a frase para criticar a operação de busca e apreensão autorizada pelo STF em endereços de blogueiros e empresários bolsonaristas. De lá para cá, silenciou.

FESTA?
Allan também já afirmou querer "provas" de que Bolsonaro seguirá promovendo a chamada guerra ideológica no MEC e disse que a "esquerda está quieta pois consegue tudo o que quer".

EM LINHA?
As falas coincidem com recados cifrados de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, também contrariado.

ADEUS?
A AP Exata, que monitora as redes sociais, já vinha detectando a insatisfação crescente dos radicais e vê a possibilidade de uma ruptura desse setor com o presidente.

ESPINAFRE?
"Eles têm ganhado força política autônoma. Um exemplo é o ex-ministro Abraham Weintraub [da Educação], liderança do grupo que se capacitou para alçar voos próprios", afirma Sergio Denicoli, diretor da consultoria.

CHAPAS?
Nas redes já surgiu até movimentação em torno de eventual chapa presidencial de Weintraub e o chanceler Ernesto Araújo como vice.

O CERTO?
Já a ala moderada do governo Bolsonaro festeja decisões do Judiciário entendidas como favoráveis ao presidente. Elas reforçariam a tese de que valeu a pena ele recuar dos ataques às instituições.

LISTA?
O grupo elenca decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), como o arquivamento de pedido de investigação contra o general Augusto Heleno, votos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de soltar Fabrício Queiroz.
Herculano
11/07/2020 09:43
A VIDA É UMA Só

A saúde não tem preço.

Em Gaspar, vivi para ver quem desdenhou a Covid-19 por motivos ideológicos ter medo de morrer na hora em que a gripezinha chegou aos seus; vivi para testemunhar quem defendia o Hospital como um centro de referência, correr a Blumenau para não dar sopa ao azar na busca de sua salvação. Ou seja, muito discurso como se quase todos fossem surdos. Acorda, Gaspar!
Herculano
11/07/2020 09:37
META MACABRA

Estamos com 70 mil mortos pela Covid-19. Segundo os que entendem do assunto, estamos no platô de mil mortes por dia.

O que significa?

Que os 100 mil estarão como estatísticas em 30 dias, se esse platô não baixar.

E os entendidos dizem que vai baixar. Há os que ainda falam em sub-notificação.

E nesta guerra de números e não de combate efetivo, o governo de Jair Messias Bolsonaro, sem partido, que já escondeu os números, diz que os 70 mil é alarde, duvida do número que desconfia ser ele inchado nos estados e municípios para manchar o seu governo.
Herculano
11/07/2020 09:28
NISE YAMAGUCHI DIZ QUE FOI SUSPENSA DO EISTEIN

Conteúdo de O Antagonista. A médica Nise Yamaguchi, uma das principais defensoras do uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, disse ao SBT que foi suspensa pelo hospital Albert Einstein em São Paulo, onde trabalhava.

Segundo a oncologista, que chegou a ser cotada para assumir o Ministério da Saúde, o afastamento ocorreu por causa de suas declarações em favor do medicamento, o que "denigre" a imagem do hospital.

"Recebi uma ligação hoje do diretor clínico do hospital de que, a partir deste momento, não poderia estar mais atendendo pacientes", afirmou.

"Faço a defesa da hidroxicloroquina porque tenho a certeza de que ela cura os pacientes nas etapas iniciais."
Herculano
11/07/2020 08:53
FATOS ALTERNATIVOS, por Alexandre Schwartsman, economista, ex-diretor do Banco Central, no Infomoney

Se o BC está convencido da necessidade de parar o afrouxamento monetário, deveria compartilhar com os demais os motivos dessa convicção. A falta de transparência já se manifesta em sua incapacidade de ancorar as expectativas de inflação em 2021

Sigo ainda desconfortável com o que parece ser o rumo da política monetária, em particular a gana do Banco Central em definir a priori um limite para a redução da taxa básica de juros num cenário marcado por elevada incerteza.

Porta-voz não oficial do BC justifica a postura do Comitê, mesmo em face de projeções de inflação bem abaixo da meta no ano que vem (3,20% versus 3,75%), afirmando, em primeiro lugar, que "não existe relação mecânica entre a projeção de inflação e decisões de política monetária", o que é de uma obviedade atroz.

Mas, por outro lado, isso não exime o BC de explicar exatamente por que parece se agarrar a um limite de redução de juros que não guarda consistência com sua própria visão acerca da inflação futura.

Pela ata da última reunião do Copom, a justificativa seria a hipotética existência de um limite inferior para a Selic.

Como explorei em artigo recente, tal limite seria determinado como o ponto a partir do qual a redução da taxa de juros não mais estimularia a atividade (e, portanto, a inflação), por força dos efeitos da desvalorização da moeda sobre os passivos das empresas com dívidas em dólares.

Neste caso, segue o argumento, o dólar mais caro aumentaria o valor em reais da dívida, levando as empresas a cortarem gastos para adequar seu balanço à nova realidade, o que faria, paradoxalmente, a atividade e a inflação caírem ainda mais.

Como também tive oportunidade de explicar, tal efeito não parece ser prevalecente no conjunto das empresas.

Isso porque - no balanço de ativos e passivos externos - as empresas brasileiras registram, em média, mais ativos do que passivos em dólares, enquanto seu passivo externo líquido é denominado em reais. Vale dizer, o encarecimento do dólar melhora a média dos balanços.

Obviamente, algumas empresas perdem, outras ganham e o impacto final para um lado ou para o outro depende provavelmente do tamanho das empresas afetadas.

Seria possível, por exemplo, que algumas empresas de grande porte sofressem muito, de modo que o efeito sobre o conjunto da economia poderia ser negativo. Mas, vamos falar a verdade, trata-se ainda de conjectura longe de ser provada.

Mesmo porque, nos últimos anos, não há relatos de empresas acumulando grandes dívidas em moeda estrangeira sem que tenham também fração relevante de suas receitas atreladas ao dólar.

De qualquer forma, porém, uma nova justificativa emergiu.

Segundo o porta-voz, "o Copom olha (...) [para] a inflação esperada, que representa a média ponderada pelas probabilidades das projeções no cenário básico [isto é, aquele divulgado pelo BC em atas e no Relatório Trimestral de Inflação] e alternativos [que não são divulgados]". Entre esses, "se destaca o cenário em que as programas de renda do governo se traduzem em queda menos intensa da atividade."

Já isto é mais interessante, embora - como o leitor atento deve ter notado - acabe reintroduzindo a mesma "relação mecânica entre a projeção de inflação e as decisões de política monetária".

As projeções, bem-entendido, não são as mesmas (imaginamos, porque o BC não divulga seus cenários alternativos), mas a reação de política monetária vem daí do mesmo jeito.

O que realmente me incomoda, porém, é a falta de transparência.

Nos regimes monetários contemporâneos, em particular no regime de metas para a inflação, a transparência é parte essencial do processo.

Não é por outro motivo que as decisões dos bancos centrais - há não muito tempo um procedimento envolto em segredo - são amplamente divulgadas e um esforço considerável é dedicado para justificá-las à luz dos objetivos de cada autoridade monetária, considerando ?" é bom deixar claro - os limites da informação disponível em cada momento.

Isso não ocorreu por acaso, ou por súbito acesso de boa vontade, mas porque o esforço de construção de credibilidade dos bancos centrais - aqui entendida no sentido estrito de ancorar as expectativas de inflação à meta - depende crucialmente da capacidade do público interessado ser capaz de julgar criticamente suas ações.

Noutro contexto, por exemplo, de redução da taxa de juros, se resulta de convicção justificada sobre os riscos de a inflação ficar abaixo da meta, ou se representa tentativa de acelerar a atividade por motivos políticos.

A única forma de avaliarmos isso é por meio do exame crítico das condições que ditaram a decisão, dentre as quais as projeções de inflação são talvez o elemento mais importante.

Decisões tomadas à luz de projeções desconhecidas, com premissas não reveladas e modelos secretos violam os requerimentos mais básicos de qualquer regime monetário atual.

Se o BC está convencido da necessidade de parar o afrouxamento monetário, deveria compartilhar com os demais os motivos dessa convicção. A falta de transparência é o principal motivo para que o BC perca a batalha pela ancoragem das expectativas de inflação, fato que até seu porta-voz conseguiu perceber.
Herculano
11/07/2020 08:29
AJUDA EXTRA FAZ CRESCER APOIO A BOLSONARO NO PAÍS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Diretor do instituto Paraná Pesquisa, Murilo Hidalgo afirmou nesta sexta (10) que as próximas pesquisas nacionais devem registrar crescimento na avaliação do governo Jair Bolsonaro. Ele destaca que o presidente perdeu eleitores nas classes mais abastadas, mas ganhou apoio entre os mais pobres, certamente em razão da ajuda emergencial, e junto a micro e pequenos empreendedores, apoiados com crédito durante a pandemia.

BOCA FECHADA AJUDA

Ajuda a melhorar a avaliação junto a formadores de opinião, segundo Hidalgo, o fato de o presidente ter fechado a boca, evitando polêmicas.

JÁ DÁ PARA PERCEBER

Murilo Hidalgo detectou o aumento de avaliação positiva de Bolsonaro nas pesquisas que vem realizando em diversos estados e municípios.

POBRES APOIAM MAIS

Na pesquisa feita entre os dias 4 e 8, a avaliação positiva de Bolsonaro em São Paulo subiu para 41% entre os eleitores de baixa escolaridade.

RICOS SE AFASTAM

De outro lado, Bolsonaro perdeu eleitores mais escolarizados, diz Murilo Hidalgo. Hoje, na capital paulista, apenas 30% deles o apoiam.

LETALIDADE DO CORONAVÍRUS DESPENCA NO BRASIL

Dados do Ministério da Saúde revelam que a letalidade do coronavírus diminuiu em 30 dias no Brasil, e o total de pessoas curadas disparou. De acordo com a média móvel de sete dias, entre 9 de junho e 9 de julho, os casos diários aumentaram 39%, enquanto a média móvel dos óbitos no mesmo período aumentou apenas 0,5%. Isso é resultado do aumento da testagem e também mostra que o país atingiu o "platô". Agora a expectativa é de queda no número que realmente importa: o de mortes.

EM NÚMEROS

Entre junho e julho, a média de casos diários confirmados no Brasil foi de 26,5 mil para 36,8 mil e os óbitos passaram de 1.032 para 1.038.

O LADO BOM

O total de casos confirmados no Brasil passou de 1,8 milhão, mas 1,2 milhão já estão curados e 98% dos ainda enfermos não correm riscos.

TENDÊNCIA MUNDIAL

No período, a média de casos diários no mundo foi de 122,7 mil a 200,7 mil, alta de 63,5%. Os óbitos foram de 4,4 mil para 4,7 mil, alta de 7,1%.

HIPOCRISIA AMAZôNICA

A devastação na Amazônia data de 2004. Era o segundo ano do governo Lula, por isso ONGs ambientalistas, que encheram as burras de dinheiro público naquela época, não citam esse dado. Foram 27,8 mil km2 de mata desmatada. Em 2019 foi pouco mais de um terço: 10,1 mil km2.

COM A MÃO NA TAÇA

Pesquisa contratada pelo PSDB presidido pelo pernambucano Bruno Araújo constatou que Marília Arraes (PT) está com a mão na taça: ela lidera nos dois turnos, em todos os cenários. Em terceiro lugar, João Campos (PSB) terá de rebolar para chegar ao segundo turno.

POC FALECEU

Faleceu nesta sexta (10) em São Paulo, vítima de câncer, o diplomata Paulo de Oliveira Campos, conhecido pelas iniciais "POC". Foi chefe do cerimonial do governo Lula e embaixador do Brasil em Madri e Paris.

É O FRIO, TCHÊ

O médico, deputado e ex-ministro Osmar Terra diz que não é comércio que aumenta os casos de Covid-19 em Porto Alegre: nesta época do ano, no Sul, "o frio é que aumenta o contágio de todos os tipos de vírus".

ALAS FAKE

Após inventarem a "ala militar", a "ala ideológica" e a "ala política", todas inexistentes, os Desinformados que tanto divertem o general Augusto Heleno inventaram a "ala jurídica", para justificar Milton Ribeiro no MEC.

OUTRA EXPLORAÇÃO

Uma caixa com 4 comprimidos de Ivermectina, usado na África como profilático, custava R$6,50 antes da pandemia, agora custa R$16,90 e não se encontra. Só por encomenda. Quando chega, esgota na hora.

IRRESPONSABILIDADE MATA

Voava há 45 anos, sob autorização irresponsável da Anac, o aviãozinho que caiu em São Paulo, provocando morte. A "agência reguladora" Anac disse que "a documentação estava em ordem". Já a fadiga de material...

SEIS MESES

Levou seis meses para a Justiça quebrar o sigilo bancário de empresas ligadas ao grupo Backer, da cerveja contaminada Belorizontina. A suspeita é que o grupo esconda bens para evitar execuções.

PENSANDO BEM...

...Osmar Terra não virou ministro, mas seu sósia Milton Ribeiro, sim.
Herculano
11/07/2020 08:23
O PODER DE PLANTÃO EM GASPAR NESTE FINAL DE SEMANA, SENTIU O BAFO NAS REDES SOCIAIS E APLICATIVOS DE MENSAGENS DE COMO ESTÁ FRAGILIZADO NA IMAGEM E ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇõES.

NO OUTRO FINAL DE SEMANA TODOS SAIRAM EM CAMPANHA. NESTE ESTÃO NO MODO EXPLICAÇõES E PERDIDINHOS.

PIOR: ALGUNS ESTÃO CULPANDO ESTE ESPAÇO. MAS, ESPERA AI! ATÉ ONTEM, NINGUÉM LIA, NINGUÉM ACREDITAVA...

ALGUMA COISA ESTÁ ERRADA NESSA EQUAÇÃO. SERÁ QUE MAIS UMA VEZ UMA ANDORINHA VAI FAZER VERÃO EM GASPAR.

NADA COMO UM DIA APóS O OUTROS. OS ARROGANTES E ERRANTES DO PRESENTE ESTÃO IMITANDO OS ARROGANTES E ERRANTES DO PASSADO. DINHEIRO NÃO É TUDO. ACORDA, GASPAR!
Herculano
11/07/2020 08:19
da série: um exemplo é o uso de ar-condicionado em estabelecimentos comerciais. Hoje, sabemos que uma das formas mais rápidas de transmissão do vírus é a reciclagem do ar em ambientes fechados. O funcionamento de ar-condicionado em serviços não essenciais é uma sentença de contaminação comunitária.

O DISTANCIAMENTO SEM FIM, por Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai (China) e da Fundação Dom Cabral. É doutor em economia pela UFRJ, no jornal Folha de S. Paulo

Entre economia e saúde, escolhemos a cloroquina

Enquanto na Europa a maioria dos países está abrindo para o turismo e na China contam-se nos dedos os casos diários, no Brasil optamos pela estratégia do distanciamento social sem fim.

O mais próximo da nossa realidade é o modelo sueco, onde o número de mortes e o dano econômico são maiores que nos países vizinhos. Na escolha entre economia e saúde, escolhemos a hidroxicloroquina, e o resultado é um desastre incomparável.

Infelizmente, como não fizemos uma quarentena decente e o presidente não cansa de sabotar os esforços de estados e municípios, vamos passar por ciclos de reabertura e fechamento das economias locais.

Sem máscaras, sem outros equipamentos de proteção, sem testes e sem ministro da Saúde, há um limite para o que os gestores locais possam fazer. Uma coisa fundamental, contudo, é utilizar as melhores práticas mundiais para estabelecer critérios de reabertura.

Um exemplo é o uso de ar-condicionado em estabelecimentos comerciais. Hoje, sabemos que uma das formas mais rápidas de transmissão do vírus é a reciclagem do ar em ambientes fechados. O funcionamento de ar-condicionado em serviços não essenciais é uma sentença de contaminação comunitária.


Na China, a maioria das empresas está funcionado sem ar-condicionado. O Centro Europeu de Controle de Doenças estabeleceu, no dia 22 de junho, que, na Europa, o mínimo que estabelecimentos devem fazer é acabar com saídas de ar diretamente em cima das pessoas.

Obviamente, isso não é possível para todos os estabelecimentos, mas, no que for possível, garantir a manutenção correta, aumentar os ciclos de trocas de ar com o exterior e desligar o ar-condicionado salvam vidas. É por isso que os restaurantes de Nova York, para ficar em um exemplo, somente reabriram com mesas do lado de fora. Restaurantes que não têm salão externo só podem operar para entregas.

Além disso, não deveria haver nenhuma dúvida sobre a necessidade de obrigatoriedade do uso de máscaras pela população, sob pena de multas pesadas.

Ninguém aguenta mais o distanciamento social, e várias cidades estão abrindo o que podem, mas o mínimo que podemos fazer é limitar a transmissão comunitária. Não há nada mais eficiente, no momento, que impedir que as pessoas circulem sem expor os outros a seus perdigotos.

O pior é que perdemos o senso de urgência. Sem isso, qualquer nova regra é mais difícil de ser aceita pela população.

Por um breve período, qualquer medida por governos locais tinha observância quase total. Infelizmente, perdemos o fio da meada.

O que empresas e gestores públicos e privados devem entender é que não há solução ideal. O ensino online, o trabalho remoto, as condições de trabalho e transporte, tudo deve ser feito de forma emergencial.

Não há como garantir, no Brasil, que qualquer operação vá ter risco zero. Mas há como limitar riscos. Neste momento, o ótimo é inimigo do bom.

Uma mensagem final sobre o debate ético em relação à saúde do presidente. A história deve julgar o presidente brasileiro como um genocida, mas isso vai ser pouco para as centenas de milhares de famílias que perderão entes queridos, até esta pandemia ser controlada. É possível não desejar a morte do presidente, mas não se segue logicamente que necessariamente devemos criticar quem deseja o contrário.

Nunca um governo testou tanto os limites morais quanto o do líder mais incompetente da história mundial.?
Herculano
11/07/2020 08:14
PROPAGANDA QUE NÃO SERVE AO HOSPITAL

Quando líderes empresarias e políticos de Gaspar, os quais vivem defendendo e promovendo o Hospital daqui como excelência e na Covid-19 procuram socorro nos hospitais de Blumenau, provam que eles não confiam a sua vida naquilo que propagam (atendimento, assertividade, equipe médica, tratamento e o Hospital) para os outros.

Vida longa aos fingidos, por que a falsidade feita de mentiras tem pernas curtas, como sempre dizia meu falecido pai. Acorda, Gaspar!
Herculano
11/07/2020 08:01
da série: a vergonha de ser brasileiro. Em Gaspar, a nova direita ameaçou ser a guardiã desse tipo de desvio. Encontrou a mulher do secretário. Quando ela descobriu que também tinha gente dela metida, enfiou a sacola no saco. Ai todos os pagadores de pesados impostos perderam e os corruptos, de todos os tipos, ganharam. Uma história para ser contada...

FARRA NO AUXÍLIO EMERGENCIAL VAI DA MULHER DE QUEIROZ A MILITARES, por Julianna Sofia, secretária de Redação da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

E Márcia, a mulher de Queiroz, está foragida

Márcia Aguiar é beneficiária do maior programa emergencial de transferência de renda que o Brasil experimentou em décadas. Os números são superlativos: 65 milhões de brasileiros atendidos e a injeção de R$ 254 bilhões neste ano para mitigar os efeitos devastadores da pandemia na já abissal desigualdade entre ricos e pobres no país.

Trata-se de um escárnio, no entanto. Márcia está foragida. É mulher de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro envolvido no escândalo das rachadinhas, e recebeu duas parcelas do auxílio de R$ 600.

Não foi a única a refestelar-se. Outros 565 mil brasileiros, pelos cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), receberam indevidamente parcelas do auxílio emergencial. Há na lista mortos, presos, residentes no exterior, servidores aposentados e, como a senhora Queiroz, pessoas com mandados de prisão expedidos pela Justiça.

O grupo inclui também trabalhadores atendidos atualmente com outros benefícios do governo, como a ajuda a empregados com contratos suspensos ou jornada e salários reduzidos. Há ainda um contingente nada desprezível de ao menos 50 mil militares contemplados irregularmente com o auxílio emergencial.

Os gastos indevidos somaram R$ 427,3 milhões, segundo o TCU. Muitos, de boa-fé, pediram espontaneamente a suspensão dos pagamentos. Mas, na Terra Brasilis, aos caras de pau foram necessárias medidas administrativas e judiciais para cancelar os desembolsos e determinar o ressarcimento das fraudes. Causa surpresa que, no caso dos militares, menos da metade da tropa tenha optado até agora pela corretude de devolver os recursos irregulares.

Estima-se oficialmente que 72% das famílias brasileiras que acessaram o auxílio tenham sido içadas da situação de extrema pobreza devido ao recebimento do benefício. Lares que foram poupados de sobreviver com uma renda mensal de até R$ 89 por pessoa. "'

Uma boa nova em meio a tanta desfaçatez.
Herculano
10/07/2020 13:55
da série: a direita e os conservadores no processo de autofagia por erros, egos e falta de capacidade de exercer o poder de plantão.

De Xico Graziano, no twitter:

Imaginem a alegria da quadrilha vermelha ao ver essa encrenca entre @MBLivre, olavistas, bolsonaristas e que tais. A direita se digladia, a esquerda espreita. Muita calma nessa hora. E a Justiça acima de todos.
Herculano
10/07/2020 13:34
CORRUPTOS EM FESTA, MPF BRIGA CONSIGO MESMO, por Josias de Souza

Já se sabia que o Ministério Público Federal, em pé de guerra, brigava consigo mesmo. A novidade é que a troca de sopapos produziu uma fratura exposta. Em seis anos de existência, a Lava Jato colecionou inimigos poderosos. Não liquidaram a operação, mas conseguiram enfraquecê-la. O procurador-geral da República Augusto Aras sinaliza a intenção de completar a demolição.

Em decisão individual tomada em pleno recesso do Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, empurrou Aras para dentro dos arquivos sigilosos da Lava Jato de Curitiba, do Rio e de São Paulo. O procurador-geral percorrerá os podres ainda não denunciados da República. A excursão visa investigar o trabalho dos investigadores, não combater a podridão.

Por trás da desavença, há uma briga de poder. Os procuradores de primeiro grau avaliam que Aras está a serviço de Jair Bolsonaro. O procurador-geral acha que a turma da Lava Jato, especialmente o núcleo de Curitiba, enverniza as pretensões eleitorais de Sergio Moro. Os corruptos observam a cena em que a Procuradoria esmurra a própria cara com a convicção de que não perdem por esperar. Ganham.

Dias Toffoli vai se revelando um plantonista ruidoso. Há um ano, no comando do recesso de julho de 2019, suspendeu o processo da rachadinha, sob o pretexto de que o Coaf não poderia ter compartilhado dados sobre a movimentação bancária de Flávio Bolsonaro com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

No mesmo despacho, Toffoli aproveitou para congelar no país inteiro todos os processos fornidos com dados do Coaf. Classificou como "temerária" a atuação de procuradores e promotores que manusearam relatórios do órgão de controle sem ordem judicial. O congelamento durou intermináveis seis meses.

Quando o caso foi submetido ao plenário, a decisão de Toffoli é que se revelou temerária, não a atuação dos investigadores. Com o voto favorável do próprio Toffoli, o plenário do Supremo considerou absolutamente constitucional a migração de dados sobre movimentações suspeitas.

Agora, Toffoli imiscui-se na seara do colega Edson Fachin. Relator da Lava Jato no Supremo, caberia a Fachin decidir sobre o pedido de Aras. A demanda do procurador-geral não era tão urgente que não pudesse esperar pelo fim das férias, em agosto.

Considerando-se o histórico das decisões de Fachin, não é absurdo supor que ele evitaria a decisão solitária. Levaria a petição do procurador-geral ao plenário do Supremo, votando contra a pretensão de Aras de ter acesso indiscriminado aos arquivos da Lava Jato.

Liminares concedidas durante o recesso devem ser submetidas ao referendo dos outros dez ministros. Toffoli parece antever que a transferência integral dos dados das forças-tarefa para Brasília é jogo jogado no Supremo. Se estiver certo, a Lava Jato ganhará um novo rumo. O rumo do brejo. O objetivo de Aras é o de dessacralizar a logomarca.
Herculano
10/07/2020 13:20
da série: o maior movimento suprapartidário e jovem contra a corrupção, experimenta na carne àquilo que avalizou no Ministério Público. E está se explicando e se diz perseguido por combater a esquerda do atraso e não pactuar com a direita que se está revelando com o mesmo DNA. A transparência é a melhor coerência aos discursos oportunistas.

EMPRESÁRIOS LIGADOS AO MBL SÃO PRESOS EM INVESTIGAÇÃO DE LAVAGEM DE DINHEIRO EM SP, DIZ MP; MOVIMENTO NEGA RELAÇÃO COM DETIDOS

Sede do MBL foi alvo de buscas. Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso foram presos em operação na manhã desta sexta (10).

Conteúdo e apuração do portal G1 e TV Globo SP. Texto de Robinson Cerântula

Dois empresários ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) foram presos na manhã desta sexta-feira (10) em São Paulo em uma investigação contra lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público. O grupo nega relação com eles. A operação é realizada em parceria com a Polícia Civil e a Receita Federal.

MBL nega relação com presos em operação de lavagem de dinheiro e diz que afirmações do MP visam a 'macular a honra' do movimento.

De acordo com o MP, os presos Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (conhecido como Luciano Ayan) são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O órgão afirma que a família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, deve cerca de R$ 400 milhões em impostos federais. A sede do movimento, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, é alvo de buscas.

No entanto, o Ministério Público não esclarece a relação da suposta lavagem de dinheiro praticada pelos presos com a dívida de R$ 400 milhões do criador do movimento.

Em nota, o MBL afirma que Alessander e Carlos Augusto nunca foram membros do movimento e diz que as atividades empresarias e familiares dos fundadores do MBL são anteriores ao próprio Movimento e não possuem qualquer vinculação.

Ao todo, são cumpridos seis mandados de buscas e apreensão e dois de prisão na cidade de São Paulo e em Bragança Paulista, no interior do estado.

Os presos vão ficar detidos no 2º DP, do Bom Retiro, Centro de São Paulo.

A operação chamada de "Juno Moneta" faz referência ao antigo templo romano onde as moedas romanas eram cunhadas.

Cerca de 35 policiais civis do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) e 16 viaturas participam da operação.

Investigações
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, existe uma "confusão jurídica empresarial" entre as empresas Movimento Brasil Livre (MBL) e Movimento Renovação Liberal (MRL). O MBL disse, em nota, que "não existe confusão empresarial entre Movimento Brasil Livre e Movimento Renovação Liberal, haja vista que o MBL não é uma empresa, mais sim uma marca, sob gestão e responsabilidade do Movimento Renovação Liberal - única pessoa jurídica do Movimento".

A Promotoria diz que as doações não teriam sido depositadas diretamente na conta do movimento e que ocorreram de forma suspeita através de uma plataforma de pagamentos pela internet.

Segundo o MP, Alessander Monaco Ferreira é investigado por grande movimentação financeira e incompatível, além da criação e sociedade em duas empresas de fachada. Ele teria realizado doações suspeitas ao movimento através da plataforma Google.

O documento cita que Ferreira viajou mais de 50 vezes para Brasília, entre julho de 2016 a agosto de 2018 para o Ministério da Educação com objetivos não especificados. Ele foi contratado pelo governo estadual de São Paulo para trabalhar na Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Imprensa Oficial do Estado (CADA). O governo de São Paulo disse que Alessander Monaco foi empregado da Imprensa Oficial de fevereiro a dezembro de 2019 e que não tem mais vínculo empregatício. "Sua contratação foi baseada na experiência comprovada em currículo e atividades anteriores. Ele atuou em projetos de guarda digital, classificação de temporalidade e arquivamento de documentos na empresa. Os fatos até então revelados não tem relação com o Governo de São Paulo", diz nota.

Ainda de acordo com o MP, Carlos Augusto de Moraes Afonso, conhecido como Luciano Ayan, é investigado por ameaçar aqueles que questionam as finanças do MBL e disseminação de "fake news". Ele também teria criado quatro empresas de fachada com indícios de movimentação financeira incompatível, segundo a Receita Federal.
MBL nega que presos em operação em SP sejam do grupo
MBL nega que presos em operação em SP sejam do grupo


Notas MBL
Inicialmente, o MBL divulgou a nota abaixo:

"Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso não são integrantes e sequer fazem parte dos quadros do MBL. Ambos nunca foram membros do movimento. Uma notícia veiculada de maneira errônea por um portal criou tal confusão."

Posteriormente, o movimentou divulgou um segundo posicionamento.

"Em que pese as alegações amplamente difundidas pela imprensa e até mesmo pelo Ministério Público quanto a ligação do senhores Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Morais Afonso, vulgo Luciano Ayan com o MBL, inicialmente cumpre esclarecer que ambos jamais fizeram parte do movimento.

Importa destacar que não existe confusão empresarial entre Movimento Brasil Livre e Movimento Renovação Liberal, haja vista que o MBL não é uma empresa, mais sim uma marca, sob gestão e responsabilidade do Movimento Renovação Liberal - única pessoa jurídica do Movimento - o que é fato público e notório, inclusive posto publicamente em inúmeros litígios onde a entidade figura como autora e até mesmo Requerida.

Chega a ser risível o apontamento de ocultação por doações na plataforma Google Pagamentos, haja vista que todas as doações recebidas na plataforma públicas, oriundas do YouTube e vulgarmente conhecidas como "superchats", significando quantias irrisórias, feitas por uma vasta gama de indivíduos de forma espontânea. Sob o aspecto lógico, seria impossível realizar qualquer espécie de ocultação e simulação fiscal por uma plataforma pública e com quantias pífias.

Por fim cumpre esclarecer que as atividades empresariais e familiares dos fundadores do MBL são anteriores ao próprio Movimento e não possuem qualquer vinculação, haja vista que não possuem qualquer conexão ou convergência de finalidade. Com o respeito e acato ao órgão ministerial, importa esclarecer que as assertivas apontadas quanto ao MBL são completamente distantes da realidade, tratando-se de um devaneio tolo, totalmente despido de sustentação fática e legal com a única finalidade de macular a honra de um movimento pautado nos pilares da ética, da moral e da liberdade."
Herculano
10/07/2020 13:06
EFEITO MORO FAZ BOLSONARO DESMORONAR, Diogo Mainardi, na Crusoé:

"A popularidade de Jair Bolsonaro desmoronou depois do afastamento de Sergio Moro. O melhor indicador desse desmoronamento circula no mercado financeiro. É o tracking da XP, que avalia diariamente o governo. Sergio Moro demitiu-se em 24 de abril. O efeito no tracking foi imediato. No dia seguinte à sua entrevista coletiva, a linha vermelha - que corresponde àqueles que consideram o governo ruim ou péssimo - disparou de 33% para 44%, enquanto a linha amarela, dos apoiadores do bolsonarismo, caiu de 33% para 27%. No total, uma perda de 17 pontos, que se mantiveram praticamente iguais até agora, seis semanas mais tarde (na última quarta-feira, os números eram 41% e 25%). Não há o que discutir. O efeito Moro é matemático, sem margem de erro."
Herculano
10/07/2020 11:52
A FORÇA DE UM JORNAL E UM PORTAL QUE NÃO ESCONDEM OS FATOS DA CIDADE

A manchete do jornal Cruzeiro do Vale "A explosão do coronavírus em Gaspar: 375 casos confirmados", fez o prefeito de fato, o presidente do MDB, o secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, sair da toca.

Segundo ele, nenhum decreto ou lei vai resolver o problema. E Roberto está certo. Ele repete tardiamente o que sempre escrevi aqui e que ele tanto contesta e não sabe como vai me calar.

Mas, quem dá o mau exemplo em Gaspar neste e outros assuntos?

Exatamente os supostos líderes da comunidade, os políticos, os que estão no poder de plantão e que se acham imunes à realidade e livres de críticas.

E eles, como escrevi esta manhã, outra vez, saíram em campo para fazer contatos e campanha eleitoral antecipada temendo o pior: a perda do controle do poder político deles na cidade.

Então o secretário - que é advogado e já esteve titular e interino da secretaria da Saúde, fala ao vento. Cumpre protocolo. E o vento entende e leva adiante. E os políticos estão percebendo como se espalha esse tipo de inconsistência.

O que Roberto escreve nas redes sociais deveria ser um mantra do secretário nomeado, e não de fato, da Saúde, Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior? Não é ele quem possui essa autoridade natural? Ou não possui mais?

Não deveria a ser fala - e penitência - do prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, um dos que apareceu nas fotos dos convescotes partidários travestidos de reuniões de amigos, almoços e jantares "espontâneos" nestes dias?

Ou isso, o de pedir à consciência o desgastaria ainda mais neste momento, pois não se dá ao exemplo de líder protocolar que é?

Pois é. Do jeito que vai, sobrará sofrimento para o povo e incoerência aos políticos. Gaspar com dez leitos de UTI e 20 respiradores - os dez mais modernos não estão na UTI - começou a exportar doentes para Blumenau.

E parte da imprensa achando que isso é destino. Menos o jornal Cruzeiro do Vale. E por isso, os políticos, tardiamente, estão se explicando, o que não tem explicação. Acorda, Gaspar!
Herculano
10/07/2020 10:03
da série: como uma causa se destrói com sinais invertidos e proteção aos bandidos de estimação. Bolsonaro era tudo o que representava contra a corrupção, bandidagem institucional e proteção aos erros do governo do PT e da esquerda do atraso aos seus. Descobre-se agora, que tudo é igual, mas com sinal invertido. E muito mais cedo do que se pensava e do necessário para pedir uma reeleição. Vai complicar até, como descrevo na coluna de hoje, as eleições deste novembro nos grotões.

CASAL QUEIROZ: "AMOR À PRIMEIRA VISTA" DE BOLSONARO É HÉTERO. E HETERODOXO!, por Reinaldo Azevedo, no UOL

João Otávio de Noronha, presidente do STJ: ministro concede domiciliar a foragida para que ela possa cuidar do marido. Isso é que é ser um defensor da família tradicional!

Não consta que o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), João Otávio de Noronha, seja "terrivelmente evangélico", uma condição que o presidente Jair Bolsonaro andou anunciando como requisito para indicar um nome para o Supremo. Pode não ser necessário. Talvez baste ser terrivelmente..., bem, como dizer?, "terrivelmente heterodoxo".

O presidente já definiu sua relação com o ministro como "amor à primeira vista" - hétero, é claro! Foi o doutor quem decidiu, em passado recente, que o "Mito" não era obrigado a revelar o seu exame para detecção do coronavírus, embora andasse por aí sem máscara... Desta feita, Noronha optou por uma inovação que, a ser mantida, espero que venha, então, a firmar jurisprudência também para pobres e pretos que não sejam amigos do presidente da República.

Explico. No exercício do plantão do STJ, no recesso do Judiciário, Noronha atendeu a pedido da defesa e transferiu Fabrício Queiroz, com prisão preventiva decretada, para a prisão domiciliar. A justificativa é de caráter, vamos dizer, humanitário. Dadas as condições de saúde do preso, que se trata de um câncer, e em face da pandemia de coronavírus, mandou o primeiro-amigo do presidente e das milícias para casa. Até aí, vá lá, dá para condescender. Mas o doutor foi mais longe: também concedeu o benefício da prisão domiciliar para Márcia Aguiar, mulher de Queiroz. Ocorre que ela é uma foragida.

Na noite desta quinta, antes de saber a que fundamentação apelara Noronha para tomar a decisão, brinquei no programa "O É da Coisa", da BandNews FM: "Que é? O Fabrício está indo para a domiciliar porque está doente. E a mulher? É para cuidar dele?"

No Brasil destes tempos, a verdade quase sempre está com a ironia, com o humor, com a piada. Sim, a razão alegada para relaxar o regime de prisão de uma foragida foi exatamente esta: "por se presumir que sua presença ao lado dele [do marido] seja recomendável para lhe dispensar as atenções necessárias".

Ministro fofo! Defende o amor, a tradição e a família.

A prova de que Queiroz não precisa da mulher para obter os devidos cuidados está numa mensagem publicada nas redes por uma de suas filhas, Nathalia:

"Estou indo te buscar, meu pai! E você vai ter o abraço de todos os seus filhos que estão cheios de saudades e tanto te amam e sabe o homem incrível que você é!".
Para Noronha, pelo visto, não basta!

HETERODOXIA

É claro que estamos diante de uma, digamos, heterodoxia, para empregar palavra elegante. Creiam: se Noronha tivesse posto Fabrício em liberdade, suspendendo a preventiva de ambos, a decisão seria menos exótica. Afinal, o ministro poderia discordar das razões da preventiva - embora eu ache que os requisitos estão presentes.

Se é admissível a razão humanitária para enviar Fabrício para a domiciliar, estender o benefício à mulher, uma foragida, sob o pretexto de que tem de cuidar do marido doente, é puro exercício do direito criativo. Se fugir é uma das alternativas que tem alguém com prisão decretada - e, uma vez capturado, não vejo por que se deva agravar a sua condição -, é certo que não faz sentido conceder um benefício a quem se negou a cumprir uma determinação judicial. Não se entregar, em si, não é crime, e não há por que haver punição adicional. Premiar a fuga é de trincar catedrais!

A propósito: quantos são os pobres de tão pretos e pretos de tão pobres no Brasil que, neste momento, estão em prisão preventiva, tendo em casa filhos, mães e mulheres doentes, em situação de necessidade e que, à diferença de Fabrício ou de Márcia, não são investigados pela Polícia nem foragidos?

CONDIÇõES

Noronha, o amor à primeira vista de Bolsonaro, impôs algumas condições para a prisão domiciliar de Fabrício e mulher:

- uso de tornozeleira eletrônica;
- não manter contato com investigados, exceto pessoas da família;
- não usar telefone e entregar aparelhos de celular, laptops e tablets.

TAPETÃO

É a segunda decisão favorável dada pelos tapetões da Justiça ao, digamos, grupo que reúne Flávio e Fabrício. No último dia 25, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aceitou, por dois votos a um, pedido de habeas corpus de Flávio e concedeu a ele foro especial.

Com a decisão, o processo que investiga a "rachadinha" no gabinete do agora senador migrou das mãos do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, para o ?"rgão Especial do TJ, colegiado composto por 25 desembargadores.

A decisão contraria frontalmente jurisprudência do Supremo. Entendo que não há possibilidade de o caso não voltar para as mãos de Itabaiana.

ENCERRO

A decisão de Noronha traz um outro elemento oculto a indicar atrasos diversos e combinados. O ministro nem se ateve a Márcia Aguiar como sujeito de direitos e deveres. Ela é um apêndice do marido. Parece que, não fosse a condição de saúde dele, que o ministro entende passível de domiciliar, ela não obteria o benefício.

Nessa perspectiva, até como ser à margem da lei, a mulher há de ser tratada como apêndice e cuidadora do marido.

E Bolsonaro? Vamos ver. Ele só descobriu a democracia como um valor depois que Fabrício foi preso. Sentiu a batata assar, como se diz em Dois Córregos. Se achar que o amigão e o filho vão se safar de uma punição, talvez seu apreço pelas instituições volte a cair.
Herculano
10/07/2020 09:45
OLHANDO A MARÉ

Manchete do portal Cruzeiro do Vale baseado nos dados de ontem da própria prefeitura de Gaspar:

A explosão do coronavírus em Gaspar: 375 casos confirmados.

Se os infectologistas dizem que a incubação do novo coronavírus leva de sete a 14 dias para se manifestar após o contágio, deve-se acreditar também a parte desses números aos políticos no poder de plantão.

Fotos que percorrem as redes sociais e aplicativos de mensagens, mostram massivo contatos com lideranças nos últimos dias, tentando correr contra uma possível apatia ou até desapego de supostos aliados pela manutenção do status quo.

Ou seja, além do péssimo exemplo das lideranças locais para algo que não é essencial - pois a campanha eleitoral oficialmente ainda não foi deflagrada - estão elas contribuindo para piorar o quadro de saúde do município e dos munícipes, que elas próprias possuem obrigação institucional para zelarem. Acorda, Gaspar!
Herculano
10/07/2020 09:32
da série: um retrato do descrédito da Justiça feita de privilégios para alguns poucos e o rigor da Lei, como deveria ser, à maioria sem fama, sem poder, sem dinheiro, sem padrinhos

STJ DÁ PRISÃO DOMICILIAR A QUEIROZ, MAS NEGA A JOVEM QUE FURTOU XAMPU, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

Ministro Felix Fischer disse que coronavírus não é passe livre para presos
O STJ (Superior Tribunal de Justiça), que concedeu na quinta (9) prisão domiciliar para Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, por causa da Covid-19, já negou o mesmo benefício para o preso acusado de furtar dois xampus, de R$ 10 cada.

RODAPÉ?

A decisão contrária ao jovem foi do ministro Felix Fischer. Em seu despacho, ele citou sentença de outro ministro do STJ, Rogerio Schietti Cruz.

PASSE PRESO
?
"A crise do novo coronavírus deve ser sempre levada em conta na análise de pleitos de libertação de presos, mas, inelutavelmente, não é um passe livre para a liberação de todos", disse Cruz. "Ainda persiste o direito da coletividade em ver preservada a paz social, a qual não se desvincula da ideia de que o sistema de justiça penal há de ser efetivo."

PODE ESPERAR?

A defesa do jovem, assinada por Lucas Marques e Gustavo Neno Altman, apresentou pedido de habeas corpus ao STF (Supremo Tribunal Federal) - negada pela ministra Rosa Weber.

CANETA?

Fischer é o relator do caso Queiroz no STJ. A decisão de conceder a ele a prisão domiciliar, no entanto, foi de João Otávio de Noronha, presidente da corte, que está de plantão no recesso.

CANETA 2

A domiciliar pode ser revista pelo próprio Fischer quando o tribunal voltar a funcionar normalmente, depois das férias.
Herculano
10/07/2020 09:11
UM BANQUEIRO CAMINHA NA ESTEIRA DO BRASIL, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

País precisa de governança e trocar gasto ruim por saúde e investimento, diz executivo

A situação é meio desesperadora, mas o país vai ter uma folga de um ano para se organizar, diz o ex-presidente de um grande banco. A contragosto, fala por quarenta minutos enquanto caminha na esteira. Não quer dar entrevista porque não quer se meter na confusão em que está o país.

Que "folga" é essa? A taxa básica de juros deve ficar negativa por uns dois anos, pois a economia está deprimida e as taxas mundiais devem ajudar, também negativas, isso se o país não fizer besteira. O banqueiro refere-se ao fato de que a Selic, definida periodicamente pelo Banco Central, está menor do que a inflação e assim deve ficar pelo menos até fins 2021.

Que "besteira" o país faria? O governo gastar mais. Só isso, basta manter o "teto"? Não, esse é o mínimo, o fundamental (evitar o gasto), para que o país não comece a explodir no ano que vem. O detonador da explosão seria o sinal de que a dívida pública vai continuar a crescer sem limite, o que provocaria alta de juros, do dólar e desorganização geral das expectativas.

Para o banqueiro, algum aumento de imposto será inevitável, no mínimo para financiar algum programa de renda básica, pois "muita gente" vai ficar na pobreza e sem emprego por "muito tempo". Mas o aumento de imposto financiaria então despesa extra, que está para bater no "teto" constitucional. Não é contraditório? O banqueiro diz então que se pode fazer uma concessão provisória em 2021, como no caso do estado de calamidade deste ano, desde que exista um programa profundo de ajuste fiscal.

No mais é "reforma, reforma, reforma", rapidamente. Isto é, mudança nos impostos "inacreditáveis", nas leis de falência e garantias e na regulação do investimento, além de redução "pesada" de gastos com servidores e redução e congelamento dos reajustes da previdência, também nos estados e municípios.

É preciso "trocar o gasto" para o governo investir mais, pois o setor privado sozinho não vai fazer muita obra necessária de infraestrutura, afirma, e porque "está ainda mais claro" que é preciso melhorar o sistema de saúde, evitar destruição ambiental e dinheiro para pesquisa científica e tecnológica. Haveria um "monte de gasto horrorosamente ineficiente" em saúde e educação, mas "talvez" ainda falte mesmo dinheiro.

Quem tocaria tal programa? "Esse é o problema", diz o banqueiro, para quem o governo não tem capacidade executiva, política ou de coordenação de expectativas. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, "fazia um pouco esse papel, mas não podia tudo, não é presidente", perdeu força e não pode ser reeleito.

"Melhor não ter impeachment, impeachment nunca é bom, confusão política desse nível é sinal de falta de maturidade e civilidade no país", mas as "investigações" e a "popularidade" é que definiriam o destino de Jair Bolsonaro. Acha que não acontece nada neste ano, por causa da epidemia, das eleições e da "indefinição dos políticos" de como agir em relação a Bolsonaro.

Se houver processo de impeachment, 2021 estaria "perdido" e sabe-se lá o que pode vir daí. O que fazer, então? O banqueiro diz que não sabe, que não é político. Mas está óbvio, diz, que Bolsonaro precisa mudar "180 graus" e é preciso haver um acordo geral para montar uma "governança" para o país.

E os bancos na crise? Estão "sólidos" e "ajudam no que podem". Mas bancos emprestam e empresários investem quando acham que o país vai crescer e que não vão ser "espoliados", "é simples assim, o resto é fantasia?".
Herculano
10/07/2020 09:08
A JUSTIÇA QUE ENXERGA PARA FAZER ESCOLHAS

Sobre a decisão que favoreceu Queiroz

Uma Justiça feita para poderosos, ricos, famosos, bandidos de estimação e o rigor da Lei para os pobres, pretos e putas.

Ou seja, vale a máxima de que, quem possui padrinho, não morre pagão.

Resumindo: vergonha
Herculano
10/07/2020 08:48
DECISÃO DE NORONHA FOI 'TECNICAMENTE PERFEITA', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Foi tecnicamente perfeita a decisão do ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao conceder prisão domiciliar de Fabrício Queiroz, ontem, segundo especialistas como o respeitado criminalista Marcelo Bessa, para quem a decisão de Noronha foi "extremamente acertada". Ele lembra o dever da Justiça de preservar a saúde do investigado. "E Queiroz sequer foi denunciado", lembra. Outro jurista, Pierpaolo Botini, vê a decisão do STJ como "adequada".

JUSTIFICATIVAS

Além de doente, com um câncer que evoluiu para metástases em várias partes do corpo, Queiroz não tem condenação, não fugia da Justiça.

FALTARAM PROVAS

Para o ministro, não estavam preenchidos os requisitos para a prisão de Queiroz: o ministério público não apresentou provas das suas alegações.

ALEGAÇÃO CURIOSA

Chamou a atenção do STJ a principal "acusação" nos autos contra a mulher de Queiroz, Márcia: ela fez um depósito na conta do marido.

ESPELHO MEU

A prisão domiciliar de Queiroz foi o segundo grande furo do site Diário do Poder, esta semana. O outro foi a covid-19 do presidente Jair Bolsonaro.

PESQUISA: COVAS LIDERA DISPUTA PELA PREFEITURA

Levantamento do instituto Paraná Pesquisa revela que o atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), assumiu a liderança da disputa pela prefeitura da capital paulista em todos os cenários, com resultados entre 20% e 33% da preferência do eleitorado. Já na pesquisa espontânea, 72% dos paulistanos ainda não decidiram em quem votar em novembro. O Paraná Pesquisa ouviu 1,2 mil eleitores paulistanos de 4 a 8 de julho.

FATOR RUSSOMANO

Celso Russomano (PSD), como tem sido habitual nas últimas eleições, estaria no segundo turno, segundo a pesquisa, se a eleição fosse hoje.

CENÁRIO 1

Bruno Covas lidera com 22,6% contra 18,3% de Russomano e 12,9% do jornalista José Luiz Datena. Márcio França (PSB) é 4º com 7,8%.

CENÁRIO 2

Sem Russomano ou Datena, Covas lidera com 33,6% contra 12,6% de França. Nesse caso, Guilherme Boulos (Psol) é 3º, com 7,2%.

NUNCA CONVERSARAM

Os desinformados, sobre os quais tem falado o ministro Augusto Heleno, procuram cabelo em ovo na decisão que mandou Queiroz e a mulher para a prisão domiciliar. O ministro Noronha e Bolsonaro nunca conversaram, exceto publicamente, durante eventos oficiais.

PROJETO ÚTIL

Dr. Jaziel (PL-CE) quer tornar hediondos crimes contra a administração pública durante a pandemia. Para o deputado, crimes desse tipo são "a cabal demonstração da inabilidade de viver em sociedade".

SEGUINDO O RITO

Para o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), faz parte do processo natural o pedido do ministro Alexandre de Moraes (STF) de parecer da PGR sobre o inquérito sobre sua expressão "passar a boiada".

A CAMINHO DA GAVETA?

Segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o projeto aprovado pelo Senado que supostamente combate fake news é "urgente", mas deve ser precedido discussões na Casa. "Vamos ampliar o debate", promete.

Só PIORA

Citando "proteção da sociedade", o senador Ângelo Coronel exigiu informações do Facebook sobre a decisão de cancelar contas ligadas ao PSL bolsonarista. Não para investigar eventual censura da empresa, e sim para ajudar o Facebook a supostamente "combater o ódio".

ATUAÇÃO CONJUNTA

Empresários se reúnem nesta sexta com o vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador do Conselho Nacional da Amazônia Legal, para debater soluções e políticas públicas de "baixo carbono" para o Brasil.

TUDO PARA DAR ERRADO

Especialistas em eleições tentam usar a pandemia para plantar a ideia de eleição virtual este ano. Segundo Daniel Blume, o voto digital seria uma alternativa apenas em caso de "intensificação do isolamento social".

ORIGEM DESCONHECIDA

O Ministério de Ciência e Tecnologia liberou R$3,9 milhões para estudo sobre as toneladas de óleo que surgiram no litoral brasileiro em 2019. A origem do desastre que emporcalhou as praias ainda não foi desvendada.

PENSANDO BEM...

...a internet foi criada para a livre comunicação, não para campanha eleitoral.
Herculano
10/07/2020 08:33
da série: quando a sociedade é maior que o desgoverno. Isto é prova de amadurecimento.

ELITE EMPRESARIAL APERTA BOLSONARO PARA CONTER DESCASO AMBIENTAL, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Produtores viram a boiada passar por 18 meses e agora cobram preço alto do governo

Na campanha de 2018, o empresariado deu um cheque em branco a Jair Bolsonaro. Durante um encontro com presidenciáveis daquele ano, um representante do lobby da construção civil reclamou que as leis de preservação da natureza eram "uma parafernália". Sob aplausos, o candidato prometeu "vencer os problemas ambientais" se fosse eleito.

Nenhum patrão pode se dizer surpreso com as ações do governo nessa área. Os produtores sabiam que a devastação prejudicaria a reputação do Brasil e faria mal aos negócios. Ainda assim, eles preferiram apostar num presidente que queria afrouxar restrições e carregava um ministro ultraliberal como amuleto.

Um ano e meio depois, essa parceria passou a ameaçar o caixa das empresas. Em junho, investidores que administram mais de R$ 20 trilhões avisaram que podem retirar seus ativos do país se não houver medidas sérias contra o desmatamento.

Apesar do alerta, auxiliares de Bolsonaro fizeram pouco caso. Em vez de trabalhar contra a destruição, decidiram tratar o problema como uma questão de marketing. Culparam a imprensa e planejaram gastar dinheiro em propaganda no exterior.

O governo só se mexeu depois que empresários de peso emparedaram publicamente o Palácio do Planalto. Numa carta ao vice-presidente, Hamilton Mourão, 38 executivos cobraram medidas concretas para frear o desmatamento e as queimadas.

No grupo estão integrantes do agronegócio, de mineradoras e de outros setores. Alguns aplaudiram a eleição de Bolsonaro e sua política ambiental. Agora, dizem ter dificuldade de entrar em mercados estrangeiros por causa da devastação.

Para responder, o governo anunciou a proibição de queimadas por 120 dias. Também pediu dinheiro a investidores para ampliar a preservação, embora o Ministério do Meio Ambiente tenha destruído um fundo bilionário que tinha esse propósito.

A elite empresarial viu a boiada passar por 18 meses, até perceber o custo do descaso. Agora, o preço para Bolsonaro também pode ser alto.
Herculano
10/07/2020 08:28
da série: este filho não é meu. A Polícia e a Receita quando fizeram a operação esta manhã, fizeram questão de ligar os presos ao MBL, mesmo que os supostos crimes não tenham nenhuma relação com a atividade política, mas com a atividade empresarial de ambos, um péssimo exemplo para a sociedade, pois o MBL, supostamente, prega a ética e a limpeza na política. Espera-se que a nota do MBL não seja desmentida pelos fatos como vem acontecendo sucessivamente contra partidos, movimentos e políticos.

MBL DIZ QUE PRESOS NÃO SÃO INTEGRANTES DO GRUPO

Conteúdo de O Antagonista. O MBL negou que os dois presos em São Paulo sejam integrantes do grupo.

Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso, conhecido nas redes sociais como Luciano Ayan, foram acusados pela Receita Federal de desvio e lavagem de dinheiro.

Diz a nota do MBL:

"Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso não são integrantes e sequer fazem parte dos quadros do MBL. Ambos nunca foram membros do movimento."
Herculano
10/07/2020 08:15
DESCULPAS

Neste momento, quem lê o jornal Cruzeiro do Vale, vê uma foto legenda que não está editada aqui. A coluna no portal vai ser reeditada para acrescentar este comentário que falta.
Herculano
09/07/2020 19:23
DECISÃO PRó-QUEIROZ DEMONSTRA SELETIVIDADE DO PODER JUDICIÁRIO, DIZ JURISTA, por Leonardo Sakamoto, no UOL

"A decisão que transferiu Fabrício Queiroz para a prisão domiciliar é um exemplo dos piores defeitos do Poder Judiciário: seletividade e politização." A avaliação foi feita à coluna por Eloísa Machado, professora da FGV Direito-SP e coordenadora do centro de pesquisa Supremo em Pauta.

"Seletividade porque o próprio presidente da corte negou uma série de habeas corpus, inclusive coletivo, para pessoas do grupo de risco, como idosos e portadores de doenças crônicas durante a pandemia", afirma. "E politização porque essa seletividade parece estar orientada para agradar o governo Bolsonaro - o que tem sido comum das decisões de Noronha."

O ministro João Otávio Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça, decidiu, nesta quinta (9), a favor da defesa do policial aposentado e ex-assessor da família Bolsonaro, que está no presídio de Bangu. Sua prisão foi decretada em meio à investigação de desvios de recursos públicos no gabinete do então deputado estadual e, hoje, senador, Flávio Bolsonaro. Durante o recesso do Judiciário, cabe ao presidente do STJ decidir sobre liminares.

Noronha concordou com a justificativa de que as condições de saúde de Queiroz, que operou de um câncer no intestino e estaria em tratamento médico, poderiam coloca-lo em risco em meio à pandemia de coronavírus. Não apenas isso, mas também aceitou que a esposa do assessor, Márcia Aguiar, que está foragida da Justiça, também se beneficiasse da decisão "por se presumir que sua presença ao lado dele seja recomendável para lhe dispensar as atenções necessárias". Ou seja, para que ela cuide dele.

Eloísa Machado lembra que, desde o início da pandemia, uma série de pedidos foi feito para transferência de presos para a prisão domiciliar a fim de evitar a explosão de mortes em presídios e casas de detenção. As ações consideraram como grupos de risco idosos, gestantes, pessoas com diabetes, tuberculose, doenças renais, HIV, doenças crônicas imunossupressoras e respiratórias, entre outras. Muitas não foram aceitas.

Ela considera que "as péssimas condições de detenção para pessoas em grupo de risco é, neste momento, uma condenação à morte". Para Machado, a Recomendação 62/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) possibilita a substituição da prisão por outras medidas neste momento. A questão é que, segundo a jurista, isso tem funcionado para algumas pessoas, principalmente quem tem boas relações com o poder, mas não para outras - principalmente pobres e negros.

O próprio presidente da República se colocou contra a recomendação quando se tratava de outros cidadãos. "Eu, se depender de mim, não soltaria ninguém. Afinal de contas, estão muito mais protegidos dentro da cadeia, porque nós proibimos as visitas íntimas, proibimos as visitas também nos presídios, de modo que estão bem protegidos lá dentro", disse Bolsonaro, em entrevista à RedeTV, em março.

Os ambientes prisionais e as unidades de internação brasileiras estão ocupados acima de sua capacidade, sem condições adequadas de ventilação, alimentação, repouso e tratamento a quem necessita de cuidados de saúde. Dados do próprio CNJ apontam que apenas 37% dos estabelecimentos prisionais têm instalações de saúde capazes de promover o cuidado básico das pessoas presas.

O presidente Jair Bolsonaro, que trouxe Queiroz para trabalhar na política e é seu amigo de longa data, "confessou" que sentiu pelo ministro Noronha "amor à primeira vista", em um discurso em abril deste ano. "Me simpatizei com Vossa Excelência. Temos conversado com não muita persistência, mas as poucas conversas que temos o senhor ajuda a me moldar um pouco mais para as questões do Judiciário". Noronha é um dos cotados para assumir uma das duas vagas no Supremo Tribunal Federal que serão abertas neste ano e no próximo.
Herculano
09/07/2020 19:14
OS CHEFES

No serviço público, os chefes é que estão se contaminando pela Covid-19. Estranho. Ou é o que se confirma na prática: no nível social mais elevado, o exemplo é o pior possível.
Herculano
09/07/2020 19:11
GRIPIZINHA

Estamos rumando para o recorde: 70 mil almas com nomes, histórias e saudades para esta sexta-feira.

Os 100 mil nem é mais uma desenho, mas uma obra do descaso.

E não se culpe apenas as atitudes das autoridades que pedem e não dão exemplos. Estamos todos conscientes, mas não nos prevenimos.

Ficar em casa? Não é exatamente o caso, porque é preciso sobreviver, em um novo modo de vida, mesmo que temporário. É preciso mudar hábitos e respeitar a vida dos outros - se não dá valor à sua. Isto é essencial.
Herculano
09/07/2020 19:01
da série: os tempos são outros e os amigos em apuros, também

EM MARÇO, BOLSONARO DISSE QUE "NÃO SOLTARIA NINGUÉM" EM RAZÃO DA PANDEMIA

Conteúdo de O Antagonista. Em entrevista à Rede TV em março deste ano, Jair Bolsonaro afirmou que, se dependesse dele, não soltaria ninguém em razão da pandemia do novo coronavírus, lembra o Painel da Folha.

"Eu, se depender de mim, não soltaria ninguém. Afinal de contas, estão muito mais protegidos dentro da cadeia, porque nós proibimos as visitas íntimas, proibimos as visitas também nos presídios, de modo que estão bem protegidos lá dentro", disse o presidente na ocasião.

Nessa entrevista, Bolsonaro criticava a recomendação do Conselho Nacional de Justiça de transferir para o regime domiciliar os presos que fizessem parte do grupo de risco para o coronavírus.

Foi exatamente com base nessa recomendação do CNJ que os advogados de Fabrício Queiroz entraram com o habeas corpus do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, concedido hoje por João Otávio de Noronha.
Herculano
09/07/2020 18:56
da série: a Justiça brasileira, sendo a justiça brasileira. Quem tem padrinho, não morre pagão. E a lei? Isso é mero detalhe.

COMO ERA PEDRA CANTADA, NORONHA MANDA QUIROZ PARA PRISÃO DOMICILIAR, por Andrei Meireles, em Os Divergentes

Decisão que beneficia também a foragida Márcia de Aguiar era esperada. O que se fala no STJ é que Noronha, tido como aliado por Bolsonaro, sonha com uma vaga no STF.

Como era pedra cantada, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, acatou o pedido da defesa e autorizou a transferência de Fabrício Queiroz do presídio de Bangu 8 para prisão domiciliar. Decisão extensiva à mulher de Queiroz, Márcia de Aguiar, que está foragida.

Mesmo prevista - o ministro Noronha é considerado um aliado pelo Palácio do Planalto - a decisão reduz a tensão na família Bolsonaro, que subiu muito depois que Queiroz foi preso em uma das casas do advogado Friederich Wassef, encarregado da defesa do senador Flávio Bolsonaro e com procurações do próprio presidente da República. Queiroz era uma espécie de faz tudo com o clã Bolsonaro, o operador das famosas rachadinhas e suposto elo com as milícias cariocas.

Na avaliação de ministros do STJ, João Noronha tem a expectativa de ser escolhido por Bolsonaro para uma das vagas a serem abertas no Supremo Tribunal com as aposentadorias compulsórias dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello. A comparação que se faz ali é com o comportamento do ex-ministro Cesar Asfor Rocha, que, na presidência do STJ, não mediu esforços para atender o então presidente Lula, convencido de que estava carimbando uma vaga para o Supremo Tribunal Federal.

Preterido, César Asfor não escondeu sua frustração. A vários interlocutores chegou a dizer que Lula o havia traído.

João Noronha mandou Queiroz para casa, com tornozeleira eletrônica e proibido de entrar em contato com outros investigados. Mesmo sendo uma decisão provisória, que pode ser revertida pelo STF ou em agosto pelo rigoroso ministro do STJ Felix Fischer, que é o juiz natural do caso, a expectativa é de que Márcia de Aguiar finalmente dê as caras.

A conferir.
Herculano
09/07/2020 18:47
da série: as nossas causas e políticos de estimação constroem narrativas e derrubam discursos


RACHADINHA E PETROLÃO: IRMÃOS NA DEGRADAÇÃO DA COISA PÚBLICA, por Jorge Pontes, ex-delegado da Polícia Federal e é formado pela FBI National Academy. Foi membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon, França, e é co-autor do livro "Crime.Gov - Quando Corrupção e Governo se Misturam", na revista Veja.

Quem pratica a rachadinha não é menos desonesto do quem pratica uma fraude em licitação da Petrobras

Quando a sociedade brasileira definiu, nas últimas eleições presidenciais, que desejava dar um basta na velha política, na corrupção e na impunidade do nosso sistema processual, estava vocalizando, principalmente, pela moralização da gestão da coisa pública.

Pois bem, hoje nos deparamos com a possibilidade de termos um presidente da República e seu filho mais velho, este último ocupante de cargo eletivo no Poder Legislativo, envolvidos - em passado recente - com a desonesta e imoral prática conhecida como "rachadinha".

Há quem diga, querendo se enganar, que a rachadinha, ao contrário de escândalos como o Petrolão e o Mensalão, envolve apenas pequenas importâncias e, ainda, que é hábito recorrente, comum e generalizadamente operado em gabinetes de parlamentares Brasil afora.

Trata-se de uma balela para minimizar a sinalização de algo gravíssimo que, inclusive, vulnerabiliza a confiança depositada pelos eleitores nas urnas de outubro de 2018.

As repugnantes rachadinhas estavam no mesmo pacote das práticas que a sociedade desejava ver definitivamente banidas, junto com o superfaturamento e as fraudes nas licitações. Até porque todos esses desvios eram miseravelmente considerados o business as usual no cenário da administração pública brasileira.

Temos que entender de uma vez por todas que quem pratica a rachadinha não é menos desonesto do quem pratica uma fraude em licitação da Petrobras. A falta de respeito em relação a coisa pública é idêntica nos dois casos. A diferença não é no caráter, mas na dimensão e envergadura do operador para transgredir, fraudar e desviar recursos públicos.

Quem é pequeno cometerá desvios rasteiros, da mesma estatura de si próprio, de sua capacidade e do ambiente pelo qual transita. Quem é baixo clero vai produzir, invariavelmente, transgressões compatíveis com o seu alcance e com o seu métier.

Não há de se falar aqui em "pequenas desonestidades", mas sim em pequenas oportunidades. O desonesto segue existindo, com a mesma medida e grandeza. A fome é a mesma, e o que varia é a fartura da mesa posta à sua frente.

Por fim, definitivamente nada nos autoriza a acreditar que no dia em que as oportunidades se avantajarem, as ocasiões se multiplicarem e que os horizontes se abrirem, o político que foi desonesto amiúde, por décadas a fio, irá agir honestamente.
Herculano
09/07/2020 18:46
BELCHIOR CENTRAL SEM ÁGUA NESTA QUINTA-FEIRA

Mais uma prova de que o Samae, a secretaria de Planejamento Territorial, a secretaria de Obras e Serviços Urbanos e a fiscalização de ambas não se falam em Gaspar.

E tudo isso foi discutido e planejado por anos. O Samae nesse tempo era tocado pelo mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP.

A Rua Bonifácio Haendchen, no Distrito do Belchior (o Central e o Alto) acaba de ser reurbanizada e asfaltada. Nem foi inaugurada. Um brinco, mas só por fora.

Pois não é que hoje, quinta-feira, dia nove, ela quase foi arrebentada. E por que? Porque um vazamento do Samae na rua que vai dar na Cascaneia, obrigou-se ao reparo. E para fazê-lo, era necessário fechar o registro da Bonifácio com a rua da Cascaneia. Só ela ficaria sem água no tempo da manutenção.

E o que aconteceu? Descobriram, e só agora, que esses registros foram tampados pelo novo asfalto da Bonifácio.

O que aconteceu? Para não quebrar o asfalto antes de inaugurá-lo e com isso arruinar a imagem do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e do governo naquela região, bem como dos políticos que o apoiam, fecharam o registro num ponto perto do descascador de arroz.

Resultado? De lá até a BR, todos os moradores e comerciantes que dependem da água do Samae ficaram sem abastecimento de água durante quase o dia todo. E para que? Para repara uma rua secundária do Distrito, isso sem falar na gambiarra com 50 metros de mangueira de 20mm na execução do serviço. Acorda, Gaspar!
Herculano
09/07/2020 18:46
CANDIDATO NACIONAL

Quem elege vereador são os votos dos eleitores e eleitoras da sua cidade e principalmente, do seu bairro, ou de uma causa.

Pois é. Tem pré-candidato em Gaspar fazendo campanha para presidente da República se se olhar à movimentação e impulso que ele dá as suas redes sociais.

Não se discute a causa, mas o foco não deveria ser Gaspar?

No dia 15 de novembro, ele vai descobrir mais uma vez que errou o tema, o alvo e a região do impulsionamento. Acorda, Gaspar!
Herculano
09/07/2020 18:45
CARLUXO SENTE O BAQUE E DIZ QUE "NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL

Conteúdo de O Antagonista. Carlos Bolsonaro, naquela sua língua peculiar, foi ao Twitter dizer que, aos poucos, vai se retirando do que sempre defendeu explicitamente. O vereador do Rio de Janeiro, filho do presidente da República, também escreveu que "ninguém é insubstituível".

"Totalmente ciente das consequências e variações. Aos poucos vou me retirando do que sempre explicitamente defendi. Creio que possa ter chegado o momento de um novo movimento pessoal. Estou cagando pra esse lixo de fakenews e demais narrativas. Precisamos viver e nos respeitar!"

Ele acrescentou:

"Ninguém é insubstituível e jamais seria pedante de me colocar nesse patamar! Todos queremos o melhor para o Brasil e que ele vença! Apenas uma escolha pessoal pois todos somos seres humanos! Seguimos! E surpresas virão! Não comemorem, escória!"

Ontem, como noticiamos, o Facebook derrubou uma rede com, ao todo, 88 contas, páginas e grupos do próprio Facebook e do Instagram ligados a funcionários dos gabinetes de Jair Bolsonaro, filhos e seus aliados.

Um dos principais responsáveis pela divulgação de conteúdo inautêntico, segundo o próprio Facebook, é Tércio Arnaud Thomaz, assessor especial de Jair Bolsonaro e um dos jovens recrutados por Carlos para compor o chamado "gabinete do ódio".

Hoje, vale lembrar, a ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, presta depoimento sobre os funcionários fantasmas instalados no gabinete de Carlos, como noticiamos.
Herculano
09/07/2020 18:44
da série: essa amizade incondicional com os Estados Unidos parece coisa unilateral do Brasil, onde o serviço de inteligência e informações realmente está falhando. Não se sabe exatamente o que os nossos "amigos" pensam de nós.

RELATóRIO DO CONGRESSO DOS EUA VÊ RISCO À DEMOCRACIA E AO AMBIENTE SOB BOLSONARO

Documento de análise distribuído a congressistas ressalta desavenças com governo Trump
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Igor Gielow. O governo Jair Bolsonaro enfrenta resistências no Congresso dos Estados Unidos devido à percepção de que traz riscos à democracia, aos direitos humanos e ao ambiente.

A avaliação está na nova versão do documento de análise interna das relações Brasil-EUA feito pelo CRS (Serviço de Pesquisa do Congresso, na sigla inglesa).

"Apesar de parecer haver considerável apoio no Congresso para formar uma parceria estratégica de longo prazo com o Brasil, muitos membros [das Casas] podem relutar em fazer avançar grandes acordos comerciais bilaterais ou iniciativas de segurança no curto prazo", escreve o especialista em América Latina Peter J. Meyer, que assina o documento.

Isso por causa "de suas preocupações acerca da erosão da democracia, direitos humanos e proteções ambientais sob Bolsonaro".

O órgão, que existe desde 1914, é responsável por alimentar 435 membros da Câmara e 100 do Senado com informações sobre temas discutidos nas duas Casas. Ele capta também as posições de congressistas, mas não dita políticas.

O CRS não é ligado aos dois partidos dominantes, o Republicano, do presidente Donald Trump, e o Democrata, do seu desafiante na eleição de novembro, Joe Biden.

O documento, com 26 páginas, teve sua atualização publicada no domingo (6). Nele, inexiste o mundo pintado pelo Itamaraty do chanceler Ernesto Araújo, no qual a declarada admiração e a proximidade com as políticas de Trump geram frutos políticos inquestionáveis.

Bolsonaro, desde seu primeiro discurso após vencer as eleições em 2018, elegeu o americano como ídolo e nunca perde a oportunidade de prestigiar o aliado - no sábado (4), participou da festa da independência americana na embaixada em Brasília.

Como Meyer lembra, isso tem sido criticado internamente pelos sucessivos episódios em que Trump esnobou Bolsonaro, ainda que tenha havido progressos em algumas áreas como defesa e segurança.

"As relações se aproximaram desde 2019, já que a política externa do presidente Bolsonaro priorizou o alinhamento à administração Trump. Mesmo assim, diferenças de políticas surgiram acerca de questões sensíveis", diz o texto.

Entre elas, barreiras de comércio bilateral e a questão da relação com a China, adversária estratégica dos EUA.

Desde o começo do governo, há divergências internas em relação à potência asiática. A ala dita ideológica, que tem Ernesto como expoente, quer se afastar de Pequim pelo fato de a ditadura local ser comunista e aliada do que considera globalismo.

Outro prócer da turma, o filho presidencial Eduardo, arrumou um imbróglio diplomático quando endossou críticas à gestão da pandemia do novo coronavírus pelos chineses.

Já setores mais pragmáticos, notadamente a Agricultura, liderada pela ministra Tereza Cristina, e militares no governo como o vice-presidente Hamilton Mourão, acenam sempre que possível ao maior parceiro comercial brasileiro.

O próximo foco da disputa será na permissão para que a chinesa Huawei forneça infraestrutura de redes 5G no país, algo que os EUA querem impedir sob alegação de risco de segurança de dados.

Aqui, o texto lembra que isso poderá colocar em risco os acordos de defesa e segurança estabelecidos desde que o Brasil virou parceiro militar preferencial americano, fora do escopo da Otan (a aliança ocidental).

Também é lembrado que há uma resolução na Câmara pedindo o fim do status e de parcerias militares devido ao prontuário brasileiro de direitos humanos, ao mesmo tempo em que alguns congressistas pedem maior proximidade.


O texto faz um resumo sintético da história política brasileira recente e busca explicar a ascensão de Bolsonaro em termos didáticos.

Passa pela exaustão do petismo e da política tradicional, a Operação Lava Jato, o petrolão e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Bolsonaro buscou manter sua base política mobilizada assumindo posições conservadoras em questões culturais e atacando verbalmente a quem vê como inimigos", diz o texto.

Ele enumera a mídia, ONGs e outros Poderes como tais inimigos, lembrando das polêmicas participações do presidente em atos antidemocráticos. Isso colocou as instituições sob "estresse adicional", diz o texto.

"Os ataques ficaram mais estridentes desde março de 2020 devido ao amplo escrutínio sobre a resposta errática à pandemia da Covid-19 e as tentativas alegadas de interferir em investigações legais para proteger sua família e aliados [o caso apurado de interferência para trocar chefias da Polícia Federal, que tirou Sergio Moro do governo]."

O negacionismo esposado pelo presidente em relação ao novo coronavírus, que acabou por infectá-lo, é destacado também.

"A politização da pandemia e a falta de coordenação entre diferentes níveis de governo podem ter contribuído para a resposta ineficaz do país", uma crítica que valeria para o governo Trump.

Para desgosto das pretensões de Ernesto, o texto diz que questões internas deverão "limitar a habilidade de o Brasil assumir sua responsabilidade regional ou exercer sua influência internacionalmente nos próximos anos".

É explorada a adoção de uma agenda liberal e de linha-dura na área de segurança pública, ambas com dificuldades de avançar.

Como seria esperado, há três trechos do documento expressando as críticas existentes à política ambiental de Bolsonaro, dominantes na oposição democrata ante ideias semelhantes defendidas por Trump.

Mas o texto é sóbrio, com as posições defendidas por Bolsonaro delineadas, além de contemplar argumentações de críticos e apoiadores do governo na maior parte dos temas.

Ao fim, o Brasil do presidente sai mal na foto lida pelos congressistas. Os republicanos dominam o Senado (53 membros), enquanto os democratas, a Câmara dos Representantes (233 deputados).

Textos como o de Meyer são usados para embasar discussões sobre transferências de recursos americanos para o Brasil ou acerca de leis que afetam as relações bilaterais.

"As desavenças sugerem que os governos precisam engajar consultas mais extensivas e medidas de construção de confiança", diz a peça.

Isso se "quiserem evitar o padrão histórico das relações EUA-Brasil, no qual expectativas exacerbadas dão lugar a desapontamento e desconfiança mútuas".

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