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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

26/06/2017

ILHOTA EM CHAMAS I
O roto e o esfrangalhado. A Sucupira real supera a ficção de Dias Gomes. O ex-prefeito de Ilhota, o advogado Daniel Christian Bosi, PSD, foi preso na manhã de quinta-feira (na rede já circula a foto dele para identificação no presídio e que preferi o arquivo). Foi na operação "Terra Prometida", do Gaeco (um grupo de investigação com polícia especializada e Ministério Público) do litoral. Isso é já era notícia velha quando os políticos resolveram requentá-la à noite daquela quinta.

Esta, os jornais, portais (menos esta coluna), tevês e rádios não deram por preguiça ao bom jornalismo, medo ou conivência com os personagens. Foram mais uma vez, melancolicamente, superados pela realidade das redes sociais. O que aconteceu? À noite, o ex-prefeito Ademar Feliski, PMDB, o que verdadeiramente manda no atual, Érico de Oliveira – e isso fica claro mais uma vez no vídeo onde os dois estão abraçados e que pode ser assistido abaixo - reuniu “amigos” na sua churrasqueira. E com champagne, foguetes, petiscos, churrasco e discursos, comemorou a detenção provisória do adversário.

ILHOTA EM CHAMAS II
Mas, gato escaldado tem medo é de água fria. E ele nunca esquece o susto que isso produz. No discurso que fez, Felisky, relembrou o dia em que “recebeu” a “visita” do então delegado de Ilhota, o gasparense Paulo Norberto Koerich. Já faz tempo, mas a lembrança, parece recente. Hoje, Koerich, coincidentemente está no Gaeco de Blumenau e que abrange a Comarca de Gaspar, com jurisdição sobre Ilhota, a que investiga os atuais e ex-mandatários na “terra arrasada”.


Então, Koerich se tornou, desde àquele episódio, um pesadelo torturante para Felisky. Ele não esquece àquele acontecimento daquela manhã à porta da sua casa. De verdade, Felisky, teme à repetição, e por isso, vive se justificando junto aos seus e fantasiando sobre àquele fato. Felisky que escolhe os da sua “famiglia”, colocou Koerich entre os que não poderiam ter feito uma busca e apreensão de documentos na sua casa para virar manchete nos meios de comunicação e principalmente instrumentalizar e integrar inquéritos. Mágoa.

ILHOTA EM CHAMAS III
Os políticos vivem cercados de “amigos”, batizam todos como de uma “família”. E ai daqueles que não ofereçam rendição incondicional aos prazeres e projetos pessoais do chefe ou da família de poder, com as coisas públicas. Ora, Koerich só cumpriu um mandado expedido por autoridade judiciária competente. O que Felisky queria? Que Koerich, em nome de uma suposta amizade institucional (Felisky ex-prefeito, político influente e Koerich, um delegado) falhasse ou mostrasse incompetência como Felisky exige da imprensa livre? Koerich, naquela época fez o seu serviço e foi embora. Não fez nenhum juízo de valor. Entregou o que arrecadou ao juízo do caso, como determinava o mandado. Cumpriu a missão.

E por que escrevo isso? Por causa do discurso; da justificativa; e até, pelo tom jocoso ou depreciativo que Felisky usou na gravação para o seu antigo caso, mas assertivo para o atual de Daniel. Então perguntar, não ofende? O quê mesmo Felisky e uma dúzia de achegados estavam festejando? Era uma comemoração segundo ele próprio cunhou, da "família PMDB"? Família? Do PMDB? Isso parece coisa de máfia! Eu poderia escrever muito mais, inclusive de que as justificativas do ex-prefeito, são, na verdade, expressões de medo e vitória de Pirro. Mas, este vídeo explica melhor tudo isso e evita os desmentidos de sempre dos políticos envolvidos em Ilhota e Gaspar. Sim, nós temos ainda Odoricos Paraguaçus, o roto, o esfrangalhado, o sucessor e a cópia,...

OS TUCANOS DE BAIXA PLUMAGEM I
O vice-presidente do PSDB de Gaspar, comissionado na prefeitura tucana de Blumenau, Claudionor da Cruz Souza, na semana passada mandou ver no grupo do whatsapp do PSDB daqui, esta reflexão: “Pelo jeito, nossos problemas não estão só lá em cima, estão dentro de casa. Assim fica difícil de segurar!” Até aí tudo normal. Afinal, no início da análise, ele mandou bem.


Entretanto, Claudionor anexou um comentário desta coluna (Incoerência ambulante I, II e III, publicada aqui no portal dia 20 e que pode ser revisitada neste espaço), como se a coluna fosse “o problema” para os tucanos; ou como se ela, fosse tucana e assim, não tivesse se comportando bem aos interesses dos tucanos daqui. “Acho que o partido tem que se posicionar. Nada do que este colunista escreveu tem a ver com todo o esforço que dedicamos a fazer, o que é correto. Quem passa este tipo de informação distorcida e mal intencionada?”, perguntou na mensagem enviada aos seus.

OS TUCANOS DE BAIXA PLUMAGEM II
Primeiro: concordo com o Claudionor. Ele próprio, dá a perfeita pista ao desafio e ao mesmo tempo enuncia a correta reflexão: “os problemas não só lá em cima, estão dentro de casa [aqui em Gaspar]”. Segundo, também concordo com ele de que há um esforço, ou no mínimo uma tentativa, para mudar a imagem, a capacidade partido para torná-lo um protagonista político na vida política, social e administrativa da cidade. Terceiro: penso e não acho como ele, que o partido deve mesmo se posicionar, lavar as suas entranhas, pois só assim, ele vai se fortalecer mesmo que isso implique em perdas. Agora, acusar alguém especificamente de estar me dando informações distorcidas ou de ser “mal-intencionada” quando faz isso, aí já é tentar se livrar da culpa e do trabalho que lhe cabe; da expiação que tem de ser feita internamente e ao mesmo tempo colocar a solução no colo dos outros.

OS TUCANOS DE BAIXA PLUMAGEM III
Como eu não fico em cima do muro, e costumo receber pedradas dos que ficam em cima dele ou de um dos lados, então vamos por partes, como diria Jack, O Estripador. O que eu abordei, quase cem pessoas ouviram de viva voz, perceberam e concluíram igual ou diferente do que escrevi. Mais: não era um evento fechado, não havia segredos e eu não tenho obrigação de guardá-los daquilo que é público, mesmo que outros veículos e articulistas não se interessem pelo assunto. Ou o PSDB de Gaspar vai querer agora controlar e censurar quase cem pessoas num evento público dele, e delas, culpar as três que contatei e as consultei – sendo que uma delas, nunca foi filiada (e nem pretende) ao PSDB?

Outra, a vereadora-adolescente, Franciele Daiane Back, falou o que queria e devia falar; eu a apoio; e deve ser respeitada; estava num ambiente de ideias, poder, diálogo e aprendizado. Roupa suja se lava em casa, talvez não na sala de visitas entre convidados, mas aí será tema para outro comentário. Neste, reafirmo: o que foi dito por Franciele, todavia, não pode ser apagado, esquecido, dourado ou modificado. Há consequências. O meu comentário foi nesse sentido. Era só o que faltava: a Franciele, jornalista, fazer à pauta por ter ideias e eu ser censurado na reprodução, comentá-las, exatamente no contexto em que elas foram expostas!

OS TUCANOS DE BAIXA PLUMAGEM IV
Outra. Franciele, sem banquinho – para aumentar a sua altura - na tribuna da Câmara, naquela terça-feira, ou seja, três dias antes do que falou no “Café Tucano”, na Associação do Samae aos pares, aos convidados não filiados, a vereadores do PMDB e ao senador Dalírio Beber para quem dirigiu especificamente o seu ponto de vista, expressou a sua indignação de forma mais acentuada, clara e publicamente. A gravação da sessão do dia 13 está disponível no site da Câmara entre os frames 53’45” ao 56’30”.


Disse Franciele naquela terça à tarde e prenunciando o que diria no sábado da mesma semana, que havia gente do PSDB daqui se desfiliando por causa do apoio do partido a Michel Termer, PMDB; que a juventude do partido não era ouvida; que presidente nacional, Henrique Palermo, foi voz vencida...Pois é, realmente, como percebeu Claudionor, os problemas estão dentro do diretório e aparentemente, se são só esses, fáceis de serem resolvidos, pois a promoção do diálogo interno resolveria, esclareceria, contextualizaria e haveria um melhor entendimento do momento histórico brasileiro, mas conturbado.

TUCANOS DE BAIXA PLUMAGEM V
Mais. O novo diretório do PSDB de Gaspar é jovem (há históricos intrometidos lá como o Amadeu Mitterstein, Luiz Alberto Schmitt...), mas essa continuada insistência para esquecer ou até rotular ou desprezar os históricos – nos seus acertos e erros – pelos jovens, é algo sintomático e preocupante. Essa insistência, enfraquece o partido como um todo, ainda mais num momento delicado no qual está passando: possui um presidente nacional, senador mineiro Aécio Neves, impedido no mandato, licenciado de araque do partido, sangrando na mídia, PGR, PF e STF, eleitores, além de estar “semi-preso”.

Essa discussão ou escape como quer o Claudionor, perpetua o PSDB de Gaspar como dependente, fraco, de bengala e a reboque do PMDB com tem sido até aqui. Para onde Franciele quer voltar? Ao PMDB de Termer, do seu tutor Kleber Edson Wan Dall, dos vereadores peemedebistas de Gaspar? No PMDB de Gaspar há uma fila, há donos. E nenhum deles, por exemplo quer que Temer saia (ao menos discursam por aí e na Câmara de Franciele), mas aceitariam Franciele de volta. E aí? É ou não uma incoerência ambulante? Franciele ainda teria como opções o PP, o PSD, o PDT, o PT, o PCdoB, o PSTU, o PDT, o PSB, o PPS, o DEM, o PV. Qual lhe daria à janela dos seus respectivos ônibus?

OS TUCANOS DE BAIXA PLUMAGEM IV
Concordo, plenamente, mais uma vez com Claudionor, de que, o partido deve se posicionar. Mas, não é para mim ou a coluna, e sim para os seus dirigentes, seus eleitores e à sociedade dando mais transparência ao que faz e pretende. Afinal, o PSDB de Gaspar está, ou não no governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB? O que exigiu como meta de governo? Se está, o que está ganhando em troca desse apoio? Se não está, qual a razão do apoio sistemático da sua vereadora que nasceu no PMDB?

No governo Temer, o PSDB está dando apoio numa relação de troca futura. Se não apoiar o PMDB em seu fingimento de reformas, que é a verdadeira bandeira dos tucanos, o PSDB vai apoiar quem? O PT e a esquerda do atraso que meteram o Brasil e os brasileiros nesse atoleiro social, econômico e ético? Como se dá essa discussão interna de representatividade em Gaspar? O PSDB de Gaspar deve esclarecer também a razão pela qual, por exemplo, foi contra se fazer às sessões da Câmara à noite entre outras. Ou foi uma iniciativa isolada da vereadora? E a troco do que?

Por fim, o Claudionor e todos do partido sabem que não é esta coluna – até porque ela e nem o seu titular possuem filiações partidárias - que estimula a cizânia, a disputa de poderes absolutos internamente, o desprezo pelos históricos ou pessoas de cabelos brancos. São primeiramente os adversários – que no papel deles - não querem ver o PSDB ser um partido de verdade em Gaspar; depois alguns filiados magoados por uma coisa ou outra e que reputo natural num ambiente de ideias e interesses de poder; e por fim, nesta fase, um filiado oculto e bem próximo da vereadora adolescente, Luciano Coradini e que perdeu espaço no diretório. Então...

TRAPICHE

 

Pauteira. Estavam na imprensa todos calados, até esta coluna mostrar com números aos gasparenses que, a “nova” Reforma Administrativa proposta por Kleber Edson Wan Dall, PMDB e a de Luiz Calos Spengler Filho, PP, aumenta postos comissionados e principalmente, o custo da folha de pagamento, levando-a aos limites da irresponsabilidade fiscal.

Tirando coelhos da cartola. Agora, para amenizar, há gente afirmando pela imprensa – e ela avalizando tal bobagem - que este aumento de postos e custos é uma redução, compactação e melhoria para atender melhor o contribuinte.

Ou não sabem – os articuladores da “nova reforma” - fazer contas de somar e multiplicar, ou pensam que todos os gasparenses ainda não estão alfabetizados nos números. Que atestado, heim? Inacreditável! O que faz o patrocínio institucional e a proximidade do bafo do poder de plantão.

Outra. Esta “nova” reforma só está sendo embalada em mais um novo (este real) desgaste para o prefeito Kleber e o PMDB, porque o parceiro PP, com José Hilário Melato, o mais longevo dos vereadores e hoje presidente do Samae, trabalhou pela aprovação da “velha” reforma do PT de Pedro Celso Zuchi e Mariluci Deschamps da Rosa, no sétimo ano de governo, dos oito da dupla.

Quem acordou? O suplente de vereador Paulo Fillippus, DEM, até as eleições de outubro do ano passado, então ativo fiscal nas redes sociais do Distrito do Belchior. Ele estava, segundo justificou, “atrapalhado” com problemas pessoais.

“Cinco meses esperando”, escreveu ele na sua rede social. E desabafou: “Enquanto vereadores – que votam com o prefeito de Gaspar – posam para fotos no facebook dizendo que seus pedidos foram atendidos, os meros contribuintes como nós aguardam há mais de cinco meses por coisas simples”, numa cutucada a vereadora do distrito, Franciele Daiane Back, PSDB, e que está na mesma coligação do suplente. E para isso citou como exemplo a Rua José Koser.

“Serei perseguido pelo PMDB agora, assim como fui pelo PT na gestão passada, ou teremos nossos pedidos atendidos independente de preferência partidária?”, perguntou Filippus. Ele criou um canal de contato para os amargurados de lá: falagasparense@gmail.com

Triste constatação com a sinceridade de um vereador. A Câmara de Gaspar só faz uma sessão ordinária por semana; ela dura em média uma hora e meia; algumas nem possuem deliberação. Instado a falar, ao final de uma delas, o vereador se desculpou pela presença silenciosa. Estava “cansado” e também, confessou, que “não se preparou para a sessão”, devido a outras atividades comunitárias que assumiu naquela semana. Eu, heim!

A caravana da cúpula do PMDB catarinense passou por Gaspar. Quem estava nesta cúpula, da qual o partido se orgulha e usa como espelho para a próxima campanha eleitoral? O piauiense, Paulo Afonso Evangelista Vieira, um dos governadores mais jovens que Santa Catarina já teve. Ele sucateou o estado com dívidas. Elas estão na Justiça e prestes a nos deixar insolventes.

Prometi uma coluna diária e curta. Não tem jeito. Os assuntos são tantos. Contudo, para encerrar mais duas notas. A primeira, sobre a ingratidão.

O vereador Wilson Lenfers, PSD, fez um discurso daqueles torturantemente lidos – ele não é o único nessa prática na atual legislatura (ainda escreverei sobre ela). Foi para agradecer, quase de joelhos ao prefeito Kleber e o secretário de Obras, que até fez uma reunião para isso. Eles fecharam de um buraco numa rua do Poço Grande.

Entretanto, até o Cruzeiro do Vale expor esse problema, ninguém tinha se mexido. O buraco só aumentava. E por meses.

A segunda. O governador Raimundo Colombo, PSD, em Blumenau, em campanha para Senador e só por isso, depois de sete anos, resolveu aparecer em Blumenau (e Gaspar) com mais frequência para dar entrevista, fotos e mídia, assinou um papelinho que, no papel, garante à recuperação da Rodovia Jorge Lacerda, da BR 101 até a ponte do Vale.

Esvazia um discurso e idas à Florianópolis de vereadores de Gaspar e Ilhota à assessores de deputados. Todavia, acende outro: o da cobrança de que o que está no papel se torne verdade. Acorda, Gaspar!

 

Edições 1807

Comentários

Herculano
26/06/2017 18:27
O PRóXIMO É LULA

Depois de Antonio Palocci, o próximo é Lula.

Como disse O Globo, "as alegações finais da defesa de Palocci foram protocoladas uma semana antes das alegações do ex-presidente, cuja defesa se manifestou na segunda-feira passada".

A sentença de Antonio Palocci é um marco.

Nunca houve algo assim na história do Brasil.

Um ministro da Fazenda e da Casa Civil foi condenado por ter participado do saque da maior estatal do país e por ter operado um esquema de propinas que fraudou a democracia e corrompeu dois presidentes da República.
Só a condenação de Lula, o comandante máximo da ORCRIM, poderá superar essa sentença.

Na sentença que condenou Antônio Palocci a doze anos de prisão, Sérgio Moro voltou a comentar as críticas às prisões preventivas decretadas por ele:

"Aos críticos de supostos excessos das prisões preventivas, é oportuno ressaltar esse aspecto, que foram elas, circunstanciadamente empregadas, que interromperam, como admitem os próprios criminosos, os pagamentos de propinas acertadas em esquemas criminosos da Petrobrás, da Sete Brasil e igualmente da conta corrente geral de propinas entre o Grupo Odebrecht e Antônio Palocci Filho."

E ainda:

"Não fossem elas (as prisões), o Grupo Odebrecht e Antônio Palocci Filho estariam hoje discutindo acerca de novos repasses do saldo de sessenta e seis milhões de reais da conta corrente geral de propina."

PEGAR OS CHEFES

Ao defender a delação premiada na sentença em que condenou Antônio Palocci a doze anos de cadeia, Sérgio Moro cita extensamente o juiz americano Stephen S. Trott, autor de um artigo sobre o uso de criminosos como testemunhas.

Veja esse trecho citado por Moro:

"Nosso sistema de justiça requer que uma pessoa que vai testemunhar na Corte tenha conhecimento do caso. É um fato singelo que, freqüentemente, as únicas pessoas que se qualificam como testemunhas para crimes sérios são os próprios criminosos. Células de terroristas e de clãs são difíceis de penetrar. Líderes da Máfia usam subordinados para fazer seu trabalho sujo. Eles permanecem em seus luxuosos quartos e enviam seus soldados para matar, mutilar, extorquir, vender drogas e corromper agentes públicos. Para dar um fim nisso, para pegar os chefes e arruinar suas organizações, é necessário fazer com que os subordinados virem- se contra os do topo. Sem isso, o grande peixe permanece livre e só o que você consegue são bagrinhos. Há bagrinhos criminosos com certeza, mas uma de suas funções é assistir os grandes tubarões para evitar processos. Delatores, informantes, co-conspiradores e cúmplices são, então, armas indispensáveis na batalha do promotor em proteger a comunidade contra criminosos. Para cada fracasso como aqueles acima mencionados, há marcas de trunfos sensacionais em casos nos quais a pior escória foi chamada a depor pela Acusação. Os processos do famoso Estrangulador de Hillside, a Vovó da Máfia, o grupo de espionagem de Walker-Whitworth, o último processo contra John Gotti, o primeiro caso de bomba do World Trade Center, e o caso da bomba do Prédio Federal da cidade de Oklahoma, são alguns poucos dos milhares de exemplos de casos nos quais esse tipo de testemunha foi efetivamente utilizada e com surpreendente sucesso."

CORRUPÇÃO E LAVAGEM AO MESMO TEMPO

Na sentença de condenação de Antônio Palocci, o juiz Sérgio Moro muda o entendimento de lavagem de dinheiro como um ato criminoso que só ocorre após o ato de corrupção.

A lavagem de dinheiro, diz Moro, pode ocorrer em concomitância com o recebimento de vantagens indevidas. Não reconhecer isso, seria premiar os criminoso por sua "maior sofisticação e ardil".

Veja o trecho da sentença sobre esse ponto:

775. Vinha este Juízo adotando a posição de que poder-se-ia falar de lavagem de dinheiro apenas depois de finalizada a conduta pertinente ao crime antecedente.

776. Assim, por exemplo, só haveria lavagem se, após o recebimento da vantagem indevida do crime de corrupção, fosse o produto submetido a novas condutas de ocultação e dissimulação.

777. A realidade dos vários julgados na assim denominada Operação Lavajato recomenda alteração desse entendimento.

778. A sofisticação da prática criminosa tem revelado o emprego de mecanismos de ocultação e dissimulação já quando do repasse da vantagem indevida do crime de corrupção.

779. Tal sofisticação tem tornado desnecessária, na prática, a adoção de mecanismos de ocultação e dissimulação após o recebimento da vantagem indevida, uma vez que o dinheiro, ao mesmo tempo em que recebido, é ocultado ou a ele é conferida aparência lícita.

780. Este é o caso, por exemplo, do pagamento de propina através de transações internacionais subreptícias. Adotado esse método, a propina já chega ao destinatário, o agente público ou terceiro beneficiário, ocultado e, por vezes, já com aparência de lícita, como quando a transferência é amparada em contrato fraudulento, tornando desnecessária qualquer nova conduta de ocultação ou dissimulação.

781. Não seria justificável premiar o criminoso por sua maior sofisticação e ardil, ou seja, por ter habilidade em tornar desnecessária ulterior ocultação e dissimulação do produto do crime, já que estes valores já lhe são concomitantemente repassados de forma oculta ou com a aparência de licitude.

É possível inferir que também será possível condenar Lula por lavagem de dinheiro nos casos do triplex e do sítio.

NOME DE LULA

O nome "Luiz Inácio Lula da Silva" aparece nove vezes na sentença que Sérgio Moro proferiu contra Antônio Palocci.

Nove.

O apelido "Lula" é mencionado sessenta e oito vezes.
Sessenta e oito.

A CHANTAGEM

O juiz Sergio Moro não cedeu à chantagem de Antonio Palocci.

Ele disse:

"Aliás, suas declarações em audiência, de que seria inocente, mas que teria muito a contribuir com a Operação Lavajato, só não o fazendo no momento pela 'sensibilidade da informação', soaram mais como uma ameaça para que terceiros o auxiliem indevidamente para a revogação da preventiva, do que propriamente como uma declaração sincera de que pretendia naquele momento colaborar com a Justiça".

LULA É INOCENTE

O PT ainda não disse uma palavra sobre Antonio Palocci.
Mas Gleisi Hoffmann soltou uma "nota oficial" garantindo que Lula é inocente e que não pode ser condenado.

Leia aqui:

"Frente à inexistência absoluta de provas que possam embasar as denúncias contra Lula nossa militância segue atenta e mobilizada para, junto com outros setores da sociedade brasileira, dar a resposta adequada para qualquer sentença que não seja a absolvição completa e irrestrita de Lula. Não aceitaremos vereditos baseados em indícios falsos e especulações partidarizadas, conforme possibilidade que já vem sendo aventada pela imprensa, e que contrariem até documentos oficiais de órgãos públicos que atestam que o ex-presidente nunca foi proprietário de tal imóvel".
Sidnei Luis Reinert
26/06/2017 18:08
8 pontos que mostram que João Doria não é de Direita, e sim Socialista Fabiano Ai está, descubra por si próprio e tire suas conclusões. 1) O João Doria que muitos dizem que ele é liberal, mas que recebeu cerca de 10,6 milhões de estatais (inclusive no governo Lula, o qual ele diz odiar). Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes-2016/2016/09/1817892-privatista-doria-recebeu-r-106-milhoes-de-governos.shtml 2) O João Doria nomeou o advogado de Dilma para procurador de SP. Fonte: http://veja.abril.com.br/brasil/advogado-de-dilma-cardozo-trabalhara-para-doria/ 3) O João Doria recebeu 951 mil de agência do governo federal confiada por seu amigo. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/01/1733879-doria-recebeu-r-950-mil-de-agencia-do-governo-federal-chefiada-por-amigo.shtml 4) O João Doria nomeou como sua secretária uma ex-vereadora petista e que agora está franquias baratas no PPS, que apoia marcha da maconha e protestos anti-PM (caso você não saiba, estou falando da Soninha). Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/11/soninha-diz-que-aceitou-convite-de-doria-para-ser-secretaria-de-sp.html 5) O João Doria recebeu um cheque de 20 mil de uma empresa investigada na Lava Jato. Fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/doria-recebeu-cheque-de-r-20-mil-de-empresa-investigada-na-lava-jato/ 6) O João Doria apoiou Hillary Clintou para presidência dos Estados Unidos. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes-2016/2016/10/1819577-joao-doria-ja-exaltou-donald-trump-mas-diz-que-apoiaria-hillary.shtml 7) O João Doria que já doou para o PT em um passado muito recente. Fonte: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ecumenico?"doria-ja-doou-ate-ao-pt,10000015629 8) O João Doria apoia transferências de responsabilidade e parceria público privadas (ué, mas não era totalmente liberal?) Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/10/1820351-doria-vai-criar-secretarias-de-parcerias-publico-privadas-e-de-internet.shtml Portanto, João Doria não é de Direita, e sim Socialista Fabiano. O que é Socialista Fabiano? Fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2331

http://www.oretrogrado.com.br/2017/03/25/8-pontos-que-mostram-que-joao-doria-nao-e-de-direita-e-sim-socialista-fabiano/#disqus_thread
Herculano
26/06/2017 16:16
ILHOTA EM CHAMAS

Para esconder a foto do fichamento do ex-prefeito vão ter que processar muita gente

Na atualização da reportagem sobre a prisão do ex-prefeito de Ilhota, o advogado, Daniel Christian Bosi,PSD, na operação "Terra Prometida", do Gaeco do litoral, o portal Cruzeiro do Vale, informou:

"Circula pelas redes sociais uma imagem de Daniel Bosi na prisão, no momento da identificação. Segundo o advogado Rogério Ristow, essa divulgação não poderia estar acontecendo porque o processo segue em segredo de justiça. 'Todas as mensagens já estão sendo rastreadas e vamos processar quem repassou essa foto', justifica Ristow.

Volto. Coitados! Vão rastrear milhares ou desconhece o poder e a instantaneidade do mundo virtual. Em que século estão essa gente. A daquele que se faz festinha e soltam-se fogos para comemorar a desgraça dos outros? Todos da mesma cepa.

Antigamente, sob esse argumento de Cinderela, o do "segredo de justiça", os poderosos conseguiam calar a imprensa (por que eram poucos veículos a serem jurados, dependente econômica...), a qual tinha a primazia de obter informações e imagens privilegiadas como a foto oficial de identificação do preso.

Hoje, a foto digital e as ferramentas de propagação da rede social dão bailes nos veículos de comunicação de bairro, de grotões os quais ainda vivem sob a ameaça dos poderosos. As redes sociais dão bailes no poderosos e seus advogados que não conseguem ter apelo novo e usam a sucateada argumentação antiga.

Se não for assim, o que foram feitas com as publicações das fotos de gente como o ex-governador Sérgio Cabral Filho, com a irmã de Aécio Neves, com a advogada poderosa Adriana Ancelmo, com o empresário Eike Batista entre dezenas em mesmas circunstâncias, não só propagadas nas redes sociais, mas na própria imprensa nacional?

Conta outra. Intimidada, a velha a imprensa se vinga ou é vingada por seus clientes que a abandona, a enfraquece, trocando-a pela verdadeira "imprensa" dos tempos de hoje: as redes sociais. Ela é mais eficaz e dá baile em advogados dos poderosos, exibe seus clientes posando para a polícia e até ajuda a polícia a rastrear os passos dos criminosos.

Segredo de Justiça? Só se for entre as partes.
Paty Farias
26/06/2017 15:49
Oi, Herculano;

Raimundo Colombo em campanha para senador?
Esses políticos não se enxergam mesmo.
Depois que se "amigou" com a DilmANTA, tá ruim de eu votar neLLe.

#ForaCalombo
Anônimo disse:
26/06/2017 15:42
Herculano, Paulo Afonso Evangelista Vieira ainda existe?
Foi o maior lixo que já tivemos como governador.
Pensei que ele havia sido defenestrado pelo PMDB.
Herculano
26/06/2017 13:02
FHC BOLADO: TUCANO QUER QUE TEMER ENCURTE O MANDATO E O CONGRESSO RASGUE A CONSTITUIÇÃO, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

O presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu o artigo mais confuso da sua vida. E também o mais tolo no que tem de compreensível. Pior: flerta com o golpismo em curso. E olhem que ele é bom de texto. Costuma ser mais claro escrevendo do que falando, já que sua enorme gentileza tem uma certa propensão para concordar com o interlocutor. A maluquice está na Folha desta segunda.

FHC expõe as dificuldades em curso. Lembra que a Constituição impede antecipação de eleição. É verdade. Por outro lado, apela ao presidente Michel Temer para que encurte o seu mandato. Ora, isso só poderia ser feito, entende-se, com uma renúncia com data marcada. E se realizariam eleições gerais ?" o que implicaria, imaginem, encurtamento do mandato de deputados e de uma parte do Senado.

Mas esperem: se o presidente renuncia, a Constituição já oferece a saída: eleição indireta. E FHC sabe disso. Mas eis que ele questiona a legitimidade do próprio Congresso ao afirmar:

"Com que legitimidade alguém governaria tendo seu poder emanado de um Congresso que também está em causa?"

Como é? Então FHC considera que esse Congresso, que "também está em causa", não teria legitimidade para eleger presidente-tampão caso Temer renunciasse ou perdesse o mandato, mas a tem para, como ele sugere, votar uma emenda que:
- antecipe eleições presidenciais;
- antecipe eleições congressuais;
- extinga a reeleição;
- defina o mandato de cinco anos.

Em que circunstâncias uma mente brilhante, como a de FHC, produz coisa tão tacanha? Não sei. Segundo sua proposta, as diretas se fariam num prazo que ele imagina de "seis a nove meses". É mesmo? Vamos fazer contas.

No prazo menor por ele imaginado, aconteceria em dezembro. Pois é? O recesso congressual vai de 23 desse mês a 1º de fevereiro. Impossível. Então fiquemos com o prazo maior: março! Uma confusão dos diabos se armaria para antecipar a eleição em meros sete meses e encurtar o mandato em nove?

Parece piada!

Pensemos mais um pouco. Um presidente que anunciasse a sua renúncia com seis ou nove meses de antecedência conseguiria votar no Congresso o quê? Nada! As reformas iriam para o brejo! Ou FHC imagina alguém se esfalfando em nome da mudança na Previdência?

Há mais. Há as questões que são de natureza política. Então se deve ceder à estúpida manipulação da verdade, preparada por Joesley Batista e Rodrigo Janot, que transforma Temer no nº 1 de uma organização criminosa e Aécio Neves no nº 2, enquanto Lula, ora vejam!, estará plenamente elegível nesse prazo ?" a menos que se dê um jeitinho para fazer a Justiça andar mais depressa?

A proposta de FHC é uma soma de despropósitos. E é claro que tem um desagradável lado desestabilizador. E, por mais que ele tente vacinar a peça com repúdio a golpismos, obrigo-me a dizer: é uma proposta filogolpista.

O ex-presidente deveria usar a influência que tem no PSDB para engajar o partido nas reformas, inclusive na política, já que se abre, de fato, uma chance de aprovar, para 2022, parlamentarismo e voto distrital misto.

Em vez disso, o tucano resolve cismar com uma saída exótica, que jogaria definitivamente as reformas no lixo, criando turbulência adicional no Congresso. E tudo isso por causa de alguns meses?

Tenham a santa paciência!

O presidente deveria combater, isto sim, com a autoridade moral que tem, o viés golpista de certos setores da imprensa e de alguns órgãos do Estado brasileiro, mormente o Ministério Público Federal.

Ah, sim: o texto vem à luz no dia em que pesquisa Datafolha indica que Lula é o preferido da população nas eleições diretas. Sem ele na disputa, Marina Silva e Bolsonaro lideram. Que beleza!

Para encerrar
FHC, um dos maiores presidentes que o Brasil já teve, fez uma vez uma grande besteira: patrocinou a emenda da reeleição, em 1997. Foi um ato maroto, já que ele próprio pôde ser beneficiado por ela, mas inconstitucional não era.

Agora, ele está sugerindo que se rasgue a Constituição. "Como, Reinaldo?" É isto mesmo: se Temer renunciar, como ele sugere, isso não muda o Parágrafo 1º do Artigo 81 da Constituição, que prevê eleição indireta nem o Inciso II do Parágrafo 4º do Artigo 60, que impede que se mude a periodicidade da eleição. E é cláusula pétrea, professor!

O artigo não para em pé. É realmente do balacobaco FHC achar que um Congresso, atingido por denúncias, não tem autoridade para fazer cumprir a Constituição, mas tem autoridade para rasgá-la.

Volte à prancheta, FHC. Ou mude de conselheiros.
Herculano
26/06/2017 12:57
TUCANOS DE BAIXA PLUMAGEM

Contra provas e evidências, continuam arrumando culpados fora dos seus poleiros. Não é à toa que estão perdendo as plumas. Igualam-se ao pior e que dizem condenar. Escondem-se em e.mails e telefones falsos para apontar os culpados, mas o IP não deixa dúvidas da origem.
Herculano, "O Tucano"
26/06/2017 12:41
Não se faça de vitima, nobre escritor tucaninho, você sabe quem lhe passa as informações dos plumados. E fica bem evidente na sua coluna de hoje. Vou dar uma dica aos eleitores, é do gênero feminino e foi candidata na última eleição. A campanha para a deputada começa cedo e de forma até cômica.

Sua coluna é tão DEM/PSDB que você ressuscitou um outro candidato e praticamente passou o nome de todos os tucanos na coluna de hoje. Você é tão plumado quanto os demais filiados. Coluna parcial, somente o glace de Gaspar tem vez por aqui.
Herculano
26/06/2017 12:01
A SEMANA COMEÇOU COM MORO CONDENANDO PALOCCI A 12 ANOS E 2 MESES DE PRISÃO, E PODE TERMINAR COM SENTENÇA CONTRA O CHEFE LULA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso. O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta segunda-feira, 26, o ex-ministro Antonio Palocci a 12 anos, 2 meses e 20 dias de prisão. Ex-ministro dos governos Lula e Dilma, o petista foi condenado na Operação Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Palocci está preso em Curitiba desde setembro de 2016, quando foi alvo da 35ª fase da Lava Jato, a Operação Omertà. É a primeira condenação do petista no escândalo Petrobrás ?" ele responde ainda a outra ação penal, por propinas da Odebrecht, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Seu assessor Branislav Kontic foi absolvido por falta de provas, além do ex-executivo da Odebrecht Rogério dos Santos Araújo. Ao todo são 13 condenados, incluíndo empresário Marcelo Odebrecht e os marqueteiros do PT João Santana e Mônica Moura ?" os três, delatores da Lava Jato.

A ação apontou pagamentos de USD 10.219.691,08 em propinas, referentes a contratos firmados pelo Estaleiro Enseada do Paraguaçu - de propriedade da Odebrecht - com a Petrobrás, por intermédio da Sete Brasil. O dinheiro foi pago ao marqueteiro do PT João Santana.

"Além disso, o crime insere-se em um contexto mais amplo, revelado nestes mesmos autos, de uma conta corrente geral de propinas com acertos de até R$ 200 milhões", escreveu Moro, em sua sentença.

"Reconhecido o concurso formal entre os crimes de corrupção e lavagem, unifico as penas de ambos pela regra do art. 70 do Código Penal. Sendo um crime de corrupção em concurso formal com dezenove de lavagem, elevo as penas dos crimes mais graves, de lavagem, em um terço, resultando em doze anos, dois meses e vinte dias de reclusão", decretou Moro.

Propina. A força-tarefa cobrava os R$ 32.110.269,37, valor correspondente à suposta propina paga pela empreiteira Odebrecht por contratos de afretamento de sondas com a Petrobrás, objeto desta ação penal.

Os pagamentos teriam sido efetuados pelo Setor de Operações Estruturadas das Odebrecht, no qual Palocci era identificado como "Italiano". Os pagamentos estão registrados em planilha apreendida no Grupo Odebrecht de título "Posição Programa Especial Italiano".

Os delatores da Odebrecht confessaram que Palocci era "Italiano", e que era responsável pelo "caixa geral" de acertos de propinas entre o grupo e PT.

Os pagamentos, que totalizaram US$ 10 milhões, foram feitos sob supervisão de Palocci, entre 2012 e 2013, para João Santana. "Tais pagamentos encontrariam correspondência em lançamento na planilha que retrataria o "caixa geral" da propina a título de "Feira (pgto fora=US10MM)", sendo "Feira" o codinome atribuído pelo Grupo Odebrecht ao casal de publicitários", destaca Moro, na sentença.

A ação aponta que Odebrecht acertou vantagens indevidas com Palocci, em 2010, quando ele era deputado federal do PT e membro do Conselho de Administração da Petrobrás.

"Segundo a denúncia, parte das propinas pagas estaria relacionada com a interferência de Antônio Palocci Filho em favor do Grupo Odebrecht na contratação pela Petrobrás de vinte e oito sondas de perfuração marítima para exploração de petróleo na área do pré-sal", registra a sentença.

"Estima a denúncia em R$ 252.586.466,55 a propina que teria sido solicitada e paga em decorrência dos contratos celebrados com o Estaleiro Enseada do Paraguaçu."

Moro destacou que a Odebrecht conseguiu alterar o formato de contratação do fornecimento das sondas para a Petrobrás "inclusive com mecanismo que permitiu que ele cobrasse preço por sonda muito superior aos aludidos USD 663 milhões, tendo Marcelo Bahia Odebrecht sido consultado sobre a alteração do modelo expressamente por Antônio Palocci Filho".

"Embora a propina tenha sido solicitada de todos os estaleiros, convencionou-se entre os agentes criminosos que, para facilitar o recebimento, alguns estaleiros pagariam somente os agentes da Petrobrás e os agentes da Sete Brasil, enquanto outros pagariam somente o Partido dos Trabalhadores", registra o processo. "Assim, os Estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu e Rio Grande (Ecovix) pagariam exclusivamente o Partido dos Trabalhadores, o Estaleiro Jurong os agentes da Petrobrás e os agentes da Sete Brasil, enquanto o Estaleiro Keppel Fels os agentes da Petrobrás e o Partido dos Trabalhadores."

Foram condenados ainda os marqueteiros do PT João Santana e Monica Moura, o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobrás Renato de Souza Duque, os ex-executivos da Sete Brasil João Carlos Ferraz e Eduardo Vaz Musa, o empresário Marcelo Bahia Odebrecht, e Hilberto Silva Mascarenhas, Fernando Migliaccio, Luiz Eduardo Soares, Marcelo Rodrigues e
Olívio Rodrigues.

Decisão de Moro, por réu:

1) Antônio Palocci Filho deve ser condenado por um crime de corrupção passiva e dezenove crimes de lavagem em concurso formal;

2) Branislav Kontic deve ser absolvido por falta de prova de autoria;

2) Eduardo Costa Vaz Musa deve ser condenado por um crime de corrupção passiva;

3) Fernando Migliaccio da Silva deve ser condenado por dezenove crimes de lavagem;

4) Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho deve ser condenado por dezenove crimes de lavagem;

5) João Carlos de Medeiros Ferraz deve ser condenado por um crime de corrupção passiva;

6) João Cerqueira de Santana Filho deve ser condenado por dezenove crimes de lavagem;

7) João Vaccari Neto deve ser condenado por um crime de corrupção passiva;

8) Luiz Eduardo da Rocha Soares deve ser condenado por dezenove crimes de lavagem;

9) Marcelo Bahia Odebrecht deve ser condenado por um crime de corrupção passiva e dezenove crimes de lavagem em concurso formal;

10) Marcelo Rodrigues deve ser condenado por dezenove crimes de lavagem;

11) Monica Regina Cunha Moura deve ser condenada por dezenove crimes de lavagem;

12) Olívio Rodrigues Júnior deve ser condenado por dezenove crimes de lavagem;

13) Renato de Souza Duque deve ser condenado por um crime de corrupção passiva; e

14) Rogério Santos de Araújo deve ser absolvido por falta de prova de autoria
Herculano
26/06/2017 11:54
TEMER PEDE À CÂMARA QUE SUSPENDA OS PUDORES, por Josias de Souza

O traço mais vivo da gestão semimorta de Michel Temer é a tendência para o ineditismo. A partir desta semana, o brasileiro passa a conviver com uma anomalia jamais vista na sua vasta história de anormalidades: um presidente da República formalmente denunciado por corrupção. Em qualquer outro lugar do mundo, o fato produziria consequências gravíssimas. No Brasil, o governo esclarece que o anômalo é a nova normalidade. E segue em frente.

A caminho do caos, Temer atingiu o ápice da eficiência: ele mesmo violou as leis, ele mesmo forneceu a matéria-prima para sua delação, ele mesmo articula o sepultamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República na Câmara. Para livrar-se da abertura de uma ação penal no Supremo Tribunal Federal, o presidente precisa ter do seu lado pelo menos 172 deputados. O Planalto estima que a milícia parlamentar de Temer ainda reúne algo como 240 cabeças.

O procurador-geral da República Rodrigo Janot revela-se convicto de que o presidente cometeu o crime de corrupção. Sua denúncia, como manda a Constituição, será remetida pelo Supremo Tribunal Federal à Câmara. Se o Brasil fosse um país lógico, os deputados representariam os interesses dos seus eleitores. E forneceriam os 342 votos necessários para autorizar a Suprema Corte a decidir se Temer deve ou não ser acomodado no banco dos réus.

Entretanto, uma das primeiras vítimas dos novíssimos tempos é semântica. O lógico virou apenas um outro nome para o ilógico. Quando chamam de normal uma conjuntura que condiciona a abertura de uma ação penal por corrupção ao aval de uma Câmara apinhada de corruptos, o brasileiro sabe que está numa crise de significado ou numa roda de cínicos.

Servindo-se das evidências que Temer lhe forneceu ao receber no escurinho do Jaburu o delator Joesley Batista, o procurador-geral gruda o presidente à figura de Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala. Janot realça uma passagem da gravação que converteu Temer em escândalo. Nela, Joesley, o "notório bandido", pede ao presidente um interlocutor para tratar dos interesses de sua empresa no governo. E Temer indica Rocha Loures ?"filmado depois recebendo propina de R$ 500 mil.

Pilhado, Temer alegou ter indicado Rocha Loures apenas para se livrar de Joesley. Disse também que o assessor da mala, é um homem "de boa índole, de muito boa índole." De vez em quando, as evidências gritam tão alto que é impossível não reagir. Mas Temer aproveita que um pedaço da Câmara também apodreceu para lançar mão de um velho lema mosqueteiro: 'Um por todos, todos por hummm?" O presidente pede aos deputados que deixem tudo pra lá em nome da cumplicidade carinhosa que sempre assegurou a autodefesa do sistema.

O Datafolha informou no final de semana que o eleitorado está de saco cheio. A popularidade de Temer encontra-se rente ao chão: 7%. Dois em cada três brasileiros gostariam de ver o presidente pelas costas. Mas um pedaço da Câmara se dispõe a mergulhar numa fase de cochilo deliberado. Recompensados pelo Planalto com cargos e verbas, os deputados fornecerão a Temer o que ele deseja: uma suspensão tácita dos pudores morais.

Presidente da República denunciado por corrupção é uma aberração. Mas todos os integrantes da milícia parlamentar do governo combinaram não notar. Pelo menos por enquanto.
Herculano
26/06/2017 11:53
PRECISAMOS APROVEITAR A FISSURA NO PERVESO MODELO POLÍTICO ATUAL, por João Amoêdo, engenheiro e administrador, foi sócio do banco BBA e vice-presidente do Unibanco e é presidente do Partido Novo, para o jornal Folha de S. Paulo.

"O Estado é nosso maior inimigo": essa foi uma das principais constatações dos entrevistados na periferia de São Paulo, em pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo e divulgada no início deste ano.

A afirmação reflete o momento atual do país. Entretanto, o "Estado" não tem vida própria e não pode ser considerado culpado. Os verdadeiros inimigos são algumas lideranças políticas que desvirtuaram o papel do Estado.

Ele deixou de ser um prestador de serviços básicos (saúde, segurança e educação) e arbitrador de conflitos para se transformar, essencialmente, em um instrumento para acúmulo de poder e privilégios pela classe política.

As práticas para atingir esse objetivo incluíram: expansão da área de atuação do Estado, aumento da carga tributária, da burocracia e da interferência na vida das pessoas.

O resultado é o que temos hoje: um Estado ineficiente, péssimo prestador de serviços, intervencionista, que propicia a corrupção, dificulta o empreendedorismo e a geração de empregos e, assim, prejudica a qualidade de vida das pessoas e as suas liberdades individuais.

Se por um lado os acontecimentos recentes como a atuação da força-tarefa da Lava Jato e a indignação da população criaram um ambiente propício para a renovação, acenderam também uma luz de alerta para a classe política atual que se beneficia desse modelo.

O que temos hoje, e que continuará até 2018, é uma queda de braço entre os brasileiros ?"indignados e maltratados pelo Estado?" e vários representantes políticos que buscam manter a todo custo o status quo. E pior: tentam introduzir mecanismos para se proteger ainda mais.

Isso é muito preocupante, pois enfrentamos como inimigo quem deveria nos representar. Temos uma classe política que, majoritariamente, luta pela sobrevivência, com imensa determinação para continuar no poder e conta com uma arma poderosa que é a possibilidade de legislar em causa própria.

A maioria dos partidos se agrupou em torno de um roteiro comum: limpar o passado, proteger as lideranças, reforçar a estrutura atual, dificultar novos entrantes e impedir questionamentos.

A aliança entre partidos dito opositores, o esforço para anistiar o caixa 2, a tentativa de enquadrar outros poderes com legislações específicas (como a lei de abuso de autoridade), decisões questionáveis em conselhos de ética e, recentemente, a proposta de utilizar mais R$ 3,5 bilhões de recursos do pagador de impostos para financiar campanhas eleitorais são exemplos da reação da classe política.

Estamos em um momento decisivo: ou aproveitamos a fissura nesse modelo perverso e mudamos essa realidade ou condenamos a nossa e as próximas gerações a um longo período sem crescimento, com alto desemprego e com retrocessos nas áreas sociais.

Prioritariamente temos duas tarefas: nos mobilizar contra tentativas que visam impedir a renovação e ocupar espaço na política. Candidate-se
Herculano
26/06/2017 11:43
NORUEGA AMEAÇOU O BRASIL SEM CONFIRMAR DADOS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Tão logo encerrou a visita oficial de Michel Temer a Oslo, o governo da Noruega divulgou nota admitindo que não havia confirmado dados nos quais se baseou para anunciar o corte das doações ao Brasil para ações contra o desmatamento. Foi o ministro do Meio Ambiente da Noruega quem anunciou o corte dos repasses para US$35 milhões (equivalentes a R$117 milhões) ao ano. E a primeira-ministra Erna Solberg vai enfrentar as urnas na disputa pela reeleição, em setembro.

OLHA A ORIGEM
Os dados citados pela Noruega são do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, ONG integrada por Marina Silva (Rede) e vários petistas.

AUMENTO EXPRESSIVO
A ONG que falou mal do Brasil, provocando a reação norueguesa, embolsou nada menos que R$25,4 milhões do Fundo Amazônia.

FATURANDO ALTO
Apesar da boca dura do governo de Oslo, os US$110 milhões anuais da Noruega representam menos de 20% do total do Fundo Amazônia.

FALOU SEM CONFIRMAR
O afobado ministro do Clima, Vidar Helgesen, disse que "as regras do fundo forçam o corte", mas não conferiu os dados de desmatamento.

PRODUTORES DE ÁLCOOL EM PÉ DE GUERRA NO NORDESTE
Produtores de álcool de cana de açúcar do Nordeste enfrentam graves dificuldades para pagar as contas, em razão de decisões desastradas do governo. Poucas foram tão cruéis quanto a da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que autorizou a importação do álcool à base de milho dos Estados Unidos (poluente e de pior qualidade) e reduziu para 0% a tarifa inicial de importação de 20%. A Camex condenou os produtores de álcool do Nordeste à falência. Eles decidiram agora apelar à Justiça.

DRENO DE DóLARES
Só entre janeiro e abril deste ano, o Brasil gastou US$364 milhões (R$1 bilhão e 220 milhões) para importar álcool de milho dos EUA.

PREJUÍZO BRASILEIRO
Em 2014, o Brasil importou ?" entre janeiro e abril ?" 275 milhões de litros de álcool. No mesmo período de 2017, foram 787 milhões.

SUBSÍDIO DUAS VEZES
Ao contrário do produto brasileiro, o álcool de milho é altamente subsidiado: recebe US$19 bilhões do governo dos EUA todos os anos.

JABUTICABA MUITO CARA
A Justiça Eleitoral, invenção brasileira, custa ao contribuinte R$4,4 bilhões ao ano somente com pessoal, incluindo aposentadorias. É o mesmo custo de todo o pessoal do Ministério Público da União.

ELEIÇÃO TODOS OS ANOS?
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou um projeto do Tribunal Superior Eleitoral criando 370 cargos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, sendo 121 cargos em comissão.

REFORMA NA CABEÇA
A proposta de reforma trabalhista será apreciada pela comissão de Constituição e Justiça do Senado às 10h desta quarta-feira (28). Na véspera, haverá duas audiências públicas sobre o tema.

AINDA EXISTEM CORNETEIROS
O Exército Brasileiro já extinguiu a função, mas a Polícia Militar do DF, apenas uma força auxiliar, não abre mão: abriu concurso para preencher 18 vagas de soldado especialista corneteiro.

ISO 9001 DO CRIME?
Em defesa do acordo que fez a turma da JBS se livrar de várias investigações, além dos crimes confessados em seus depoimentos, os advogados alegam que seus clientes "entregaram mais crimes".

SIMULAÇÃO AO SENADO
Cristovam Buarque lidera com 32,7% as intenções de voto para o Senado, em 2018, seguido por Rogério Rosso (PSD), com 20,8%, Érika Kokay (PT), 19,2%, e Paulo Octávio (DEM) com 17,1%. Esse cenário do Paraná Pesquisa não incluiu o campeão de votos Reguffe.

NA RABEIRA
O senador Hélio José (PMDB), que votou contra a reforma trabalhista em comissão do Senado, aparece em último lugar na pesquisa que simulou os cenários para o Senado, no DF, em 2018: apenas 2,2%.

PRÉ-REAL
A prévia oficial (IPCA-15) da inflação de junho em 0,16%, além de ser a menor da última década no mês, reduziu o acumulado no 1º semestre a 1,62%, o menor desde o início de 94, antes do lançamento do Real.

PERGUNTA NA PERÍCIA
Com tanto dinheiro fácil, sobretudo de bancos públicos, esse Joesley precisava comprar um gravador vagabundo?
Herculano
26/06/2017 11:39
LAVA JATO ESTUDA COMO PRESERVAR BANCOS DO IMPACTO DA DELAÇÃO DE PALOCCI, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

A força-tarefa da Operação Lava Jato está apreensiva com o impacto da delação de Antonio Palocci no sistema financeiro do país. Estuda uma forma de, ao contrário do que ocorreu com as empreiteiras, preservar as instituições e os empregos que geram.

HISTóRIA
A mesma preocupação tem sido demonstrada pelo próprio Palocci nas conversas com os procuradores. Ex-ministro da Fazenda, ele tem ponderado que seria importante separar os bancos, como empresas, dos executivos que cometeram crimes.

PONTO FINAL
Uma das ideias que já circularam seria a de se promover uma complexa negociação com os bancos antes ainda da divulgação completa dos termos da delação de Palocci. Quando eles viessem a público, as instituições financeiras já teriam feito acordos de leniência com o Banco Central, pagando as multas e liquidando o assunto. Isso em tese evitaria turbulências de proporções ainda maiores do que as inevitáveis.

AMPULHETA
A dificuldade é como fazer isso em tempo exíguo, já que a negociação com Palocci para a delação premiada está em etapa avançada.

VENDAVAL
Empreiteiras como a Odebrecht sofreram graves consequências quando os escândalos em relação a elas se tornaram públicos. Tiveram que demitir em larga escala, paralisaram atividades, enfrentaram problemas de financiamento e se desfizeram de patrimônio. Algo parecido ocorre agora com a JBS.
Herculano
26/06/2017 11:35
MORO (SEM PARTIDO) DERROTA LULA (PT)

Conteúdo de O Antagonista. No segundo turno, Lula empata com Marina Silva: 40 pontos para cada um.

Sim, Sergio Moro derrota Lula: 44% a 42%.

Mas ele só é candidato no Datafolha.

Lula continua sendo o candidato mais rejeitado do Brasil: 46% dos brasileiros jamais votariam nele, um ponto a mais do que em 2 de maio.

A repulsa do eleitorado se estendeu também a todos os outros candidatos: na pesquisa anterior, Geraldo Alckmin era rejeitado por 28%, agora pulou para 34%; Bolsonaro foi de 23% para 30%; Marina Silva foi de 21% para 25%; João Doria foi de 16% a 20%.

Pela primeira vez, o Datafolha pesquisou Jair Bolsonaro no segundo turno.

Seu desempenho é exatamente igual ao de Geraldo Alckmin.

Nem ele, nem Alckmin, nem Doria conseguem capturar os 46% dos eleitores que se recusam terminantemente a votar em Lula.
Herculano
26/06/2017 11:27
GOVERNO TEMER AGONIZA, NÃO REAGE E COMETE ERROS PRIMÁRIOS, por Leandro Colon, no jornal Folha de S. Paulo

Sábado, 13h. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, marca uma entrevista de última hora. Fala por menos de três minutos, foge das perguntas dos repórteres e deixa sozinho à mesa o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello.

Episódios constrangedores e de comunicação desastrosa sobram no governo de Michel Temer, mas esse merece um lugar cativo: um ministro convoca a imprensa para bancar a permanência de quem ele já decidiu trocar, faltando apenas coragem para fazê-lo. Aos jornalistas o mesmo ministro evita garantir Daiello na direção da PF e ainda o abandona na frente das câmeras.

O governo Temer vive dias de pré-queda do governo Dilma Rousseff. Sem rumo, agoniza na Esplanada expondo falhas de estratégia, erros primários de comunicação, agenda internacional desprezível, e deslizes em votações essenciais como a da reforma trabalhista no Senado.

Depois de uma retomada de fôlego político nas semanas seguintes à revelação da delação da JBS, Temer termina o mês de junho em seu pior momento desde a divulgação do áudio do encontro com Joesley Batista.

Das ruas, o apoiou minguou, conforme mostra o Datafolha. Além dos pífios 7% de ótimo ou bom, em um ano subiu de 31% para 69% a avaliação "ruim ou péssimo" sobre o governo. Caiu de 42% para 23% a parcela que vê a gestão como "regular".

É diante deste cenário que a Procuradoria-Geral da República denunciará o presidente logo mais -no mínimo por corrupção passiva- em razão de sua relação com a JBS.

Impopular, investigado, provavelmente denunciado, e cada vez mais isolado, Temer não demonstra reação política. Aposta tudo na suposta fidelidade de uma base no Congresso e no discurso de que ele, Temer, é essencial na condução das reformas. O governo ficará inviável quando a mesma base perceber que o presidente se transformou em um problema e que não precisa mais dele no Planalto para aprová-las
Herculano
26/06/2017 11:25
DATAFOLHA: CHUPA QUE É DE UVA, DIREITA XUCRA! EU AVISEI: GUILHOTINA A JATO PõE NA FRENTE LULA E PT, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Numa eleição sem Lula, para onde migra seu eleitorado? Acho que o grosso tenderia para Marina Silva e Ciro Gomes. O que vocês querem que eu diga? Segundo turno com Marina e Bolsonaro ou Marina e Ciro? Alguém tem aí, em lugar disso, uma injeção no olho?

Ah, ora vejam! Luiz Inácio Lula da Silva, ninguém menos, lidera, e com folga, todos os cenários da disputa presidencial no primeiro turno em que seu nome aparece. Venceria três opositores em simulações de segundo e empataria com dois. Agora, uma digressão.

Poucas pessoas entenderam a máxima do "Humanitismo", a filosofia do maluco-beleza Quincas Borba, personagem de Machado de Assis que aparece no romance de mesmo nome, de 1892, e, antes, em 1881, em "Memórias Póstumas de Brás Cubas". A divisa era esta: "Ao vencedor, as batatas".

Não há aí nenhuma ironia. O próprio Quincas destrincha o sentido no segundo livro citado. Ele explica:
"O homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas".

A batata, pois, é mesmo o prêmio que recebe o mais apto. O derrotado fica à mercê do outro.

Mas há algo de que o Humanitismo de Quincas Borba não tratou. O que fazer, afinal de contas, com as batatas? Se o vencedor ignora a utilidade do prêmio ou do galardão, é bem possível que o inimigo recupere as suas forças. Assim agiram os grupos antipetistas depois que ganharam as batatas, derrotando os petistas na luta pró-impeachment. Caíram no colo de Rodrigo Janot, Deltan Dallagnol, Carlos Fernando e outros fanáticos da operação que agora chamo "Guilhotina a Jato".

Neste domingo, a "Folha" publicou números do Datafolha indicando que o PT voltou a ser, disparado, o partido preferido dos brasileiros, ainda que a maioria não aprecie nenhum. Dizem simpatizar com a legenda 18% dos entrevistados. De 1999 a 2015, a agremiação ficou na liderança, empatando, então, com o PSDB, em 11% a 9%. Dois anos depois, os petistas recuperaram parte considerável do seu prestígio - ainda longe dos 29% do auge -, e os tucanos caíram para 5%, junto com o PMDB.

Janot, Dallagnol, Carlos Fernando e a direita xucra estão de parabéns! Como sabem, sempre elogiei o que há de bom na Lava Jato. E criticava e critico o que não é. Entre os defeitos, estão a politização excessiva do MPF e a falácia de que todos são igualmente criminosos. No dia 17 de fevereiro, escrevi na Folha: "A degeneração da Lava Jato, com apoio da direita, ressuscita Lula". E de forma direta: "Se todos são mesmo iguais, então Lula é melhor".

Nesta segunda, o jornal traz a pesquisa eleitoral realizada entre os dias 21 e 23 deste mês. A depender do cenário, Lula marca 29% ou 30%, o que corresponde sempre ao dobro dos segundos colocados: Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSC), estão empatados: em dois cenários, ambos têm 15%; em outro, ele aparece com 16%, e ela com 15%; num quarto, a redista fica com 15%, e o candidato do PSC, com 13%.

Se vocês querem o retrato acabado da grande obra de Janot e seus menudos do fanatismo, basta dizer que, nesta simulação, só os nomes dos tucanos Geraldo Alckmin e João Dória são testados. Aécio Neves, que a Guilhotina a Jato fez descer aos infernos, sumiu da lista. Não é mesmo impressionante? Ninguém menos do que Lula, o Grande Babalorixá do partido que comandou o maior assalto aos cofres públicos da história, aparece como favorito. O presidente afastado da maior legenda que se opôs ao PT nem pré-candidato pode ser.

Nas simulações de segundo turno, Lula venceria Alckmin (45% a 32%), Dória (45% a 34%) e Bolsonaro (45% a 32%). Empataria com Marina, em 40%, e com Sérgio Moro (44% para o juiz a 42%). A candidata da Rede venceria Bolsonaro (49% a 27%). Alckmin surge empatado, mas com número maior, no confronto com Ciro Gomes (PDT): 34% a 31%. E o pedetista fica numericamente à frente de Dória: 34% a 32%. Sempre na margem de erro: dois pontos para mais ou para menos.

Mas Lula vai ser candidato? Se Janot, as esquerdas, a extrema direita, parte do tucanato e a Globo forem bem-sucedidos, a resposta é "sim". Temer cairia agora, e a antecipação de eleições acabaria se impondo, ainda que contra a Constituição. E o petista teria grandes chances de ser eleito. A rua rejeição, que é grande ?" 46% ?", tenderia a diminuir com a campanha. E se o pleito se der em 2018 e ele já tiver sido condenado em segunda instância? Bem, a simulação que atende a essa realidade é de número 8 do Datafolha: Marina aparece com 27%; Bolsonaro, com 18%; João Dória, com 14%; Ciro Gomes, com 12%. Não se testou o nome de Alckmin nessa formulação.

Numa eleição sem Lula, para onde migra seu eleitorado? Acho que o grosso tenderia para Marina Silva e Ciro Gomes. O que vocês querem que eu diga? Segundo turno com Marina e Bolsonaro ou Marina e Ciro? Alguém tem aí, em lugar disso, uma injeção no olho?

Sim, meus caros, é muito cedo. Mas já dá para ver o que os desmandos da Guilhotina a Jato estão a fazer com o país. Antevi isso antes de todo mundo. Paguei caro por isso. Mas jamais me arrependi. Não posso me arrepender de ter razão, não é mesmo?

Par constar: a inclusão dos nomes de Joaquim Barbosa e Sérgio Moro entre os candidatos desperta algum interesse para a gente saber como a população os vê, mas não faz o menor sentido do ponto de vista prático. Eles não serão candidatos.
Herculano
26/06/2017 11:16
SOMOS UM PAÍS DE ANALFABETOS, OU DE BANDIDOS, OU ETERNOS SOFREDORES, OU IRRESPONSÁVEIS?

LULA LIDERA, E 2º LUGAR TEM EMPATE DE BOLSONARO E MARINA, DIZ DATAFOLHA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Thais Bilinky e José Marques. Pesquisa realizada pelo Datafolha sobre intenções de voto para a disputa presidencial de 2018 aponta que o ex-presidente Lula (PT) manteve a liderança, com 29% a 30% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro (PSC) e Marina Silva (Rede).

O deputado federal registra tendência de alta. Tinha 8% em dezembro de 2016, passou a 14% em abril e agora aparece com 16%, sempre no cenário em que o candidato do PSDB é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

O tucano, por sua vez, oscilou positivamente em simulações de primeiro e segundo turnos, mas a sua rejeição cresceu para 34%, atrás apenas da de Lula.

O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (sem partido) aparece com 11%, em quarto.

Nos cenários testados para eventual segundo turno, Lula ganha de Bolsonaro e dos tucanos Alckmin ou João Doria, prefeito de São Paulo.

O petista empata com Marina e com o juiz Sergio Moro (sem partido) na margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Marina vence Bolsonaro, e Ciro Gomes (PDT) empata com Alckmin e com Doria.

Acusado na Lava Jato de corrupção e organização criminosa, entre outros crimes, o que ele nega, Lula vence em todos os cenários de primeiro turno simulados.

Quando disputa com Alckmin, o petista fica com 30%, e o tucano, com 8%, em terceiro. Embolados em segundo aparecem Bolsonaro, com 16%, e Marina, com 15%.

O cenário com Doria é similar: Lula, na dianteira, tem 30%, Marina e Bolsonaro, 15% cada um, e o prefeito, 10%.

Quando incluído, Joaquim Barbosa fica numericamente na quarta posição, à frente de ambos os tucanos, mas em empate técnico.

Já Moro aparece em segundo (14%), empatado com Marina (14%) e Bolsonaro (13%). Lula fica com 29%, e Alckmin perde pontuação (6%).

Em caso de o ex-presidente petista não disputar, o cenário fica mais conturbado.

Marina lidera (22%), mas com vantagem mais estreita do segundo colocado, Bolsonaro (16%). Barbosa fica em terceiro (12% ou 13%).

Se a disputa se der apenas entre nomes não citados na Lava Jato, critério que fortaleceu a especulação em torno de Doria, Marina continua em vantagem. Ela lidera (27%), seguida por Bolsonaro (18%), Doria (14%) e Ciro (12%).

Considerando-se o cenário com Lula e Alckmin, o petista vai melhor no Nordeste (48%), no Norte (39%), entre eleitores com ensino fundamental (39%) e os mais pobres (39%).

Bolsonaro cresce entre homens (22%), jovens de 16 a 24 anos (23%), com ensino médio (21%) e superior (21%) e de renda familiar mensal de cinco a dez salários mínimos (25%). Seu eleitorado é maior no Centro-Oeste (22%).

Alckmin amplia vantagem entre os mais ricos (14%), os com 60 anos ou mais (12%) e no Sudeste (12%). Marina se sair melhor no Norte (18%), entre mulheres (18%), jovens de 16 a 24 (18%) e de ensino médio (17%).

O instituto não incluiu nas sondagens feitas entre os últimos dias 21 e 23 os nomes de Michel Temer (PMDB) e Aécio Neves (PSDB).

REJEIÇÃO E PARTIDOS

Conhecido por 99% dos brasileiros, Lula tem a maior rejeição: 46% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. O patamar é similar ao aferido em abril (45%).

Em segundo, Alckmin, acusado por delatores da Odebrecht de ter usado caixa dois, o que ele nega, teve a rejeição aumentada de 28% para os atuais 34%. Ele é conhecido de 87% do eleitorado.

Conhecido por 63%, Bolsonaro, com discurso de ultradireita, é descartado por 30%. Moro, conhecido por 79%, tem rejeição de 22%. E Doria, novato na política eleitoral, é conhecido por 59% e rejeitado por 20%.

Cotado para ser o candidato do PT caso Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de disputar o Planalto, Fernando Haddad aparece com 3% das intenções. Conhecido por 57%, o ex-prefeito de São Paulo tem rejeição de 28%.

Em meio à crise política, o PT atingiu sua maior popularidade desde 2015 e tem a preferência de 18% do eleitorado.

A legenda foi líder isolada em popularidade de 1999 até junho de 2015, quando empatou tecnicamente com o PSDB. À época, os simpatizantes dos petistas eram 11% e do tucanos, 9%. Em dezembro do mesmo ano, o PT continuava a pontuar 11% e o PSDB chegava a 8%.

Depois do impeachment de Dilma Rousseff, a sigla da ex-presidente ainda penava. Em dezembro de 2016, tinha 9%. Voltou a crescer em maio deste ano, quando alcançou 15%.

Hoje, empatados em segundo com 5%, estão PSDB e PMDB. Já PSOL, PV e PDT têm 1% cada. A maioria (59%) dos entrevistados, no entanto, não tem preferência por partido.
Herculano
26/06/2017 10:57
POR QUE DEVO CONFIAR EM QUE SE OFERECE COMO MEDIADOR DA VERDADE, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo.

A recusa do mundo sempre foi um clássico na filosofia. Talvez os mais famosos nisso tenham sido os estoicos romanos, como Marco Aurélio (121-180) e Sêneca (4 a.C. - 65 d.C.). Um imperador, outro senador, gente de posses, como dizia minha avó. Se gente de posses diz que o mundo é uma farsa, há algo de verdade nisso. Uma das maiores razões para se recusar o mundo sempre foi a ideia que ele era o lugar da mentira.

Várias espiritualidades pregam essa recusa do mundo. Das mais profundas até aquelas que no lugar do mundo recusado colocam viver fazendo geleia em Gonçalves.

A moçada que recusa o mundo hoje não abre mão do wi-fi. O mundo pode ser o lugar da mentira, mas o wi-fi é, seguramente, o lugar da vida. Você pode ser um "monge contemporâneo" que se comunica via mídias sociais. Antão (251 - 356) e Pacômio (292 - 348), que ruminavam trechos dos Salmos nos desertos do Egito, jamais imaginariam uma vida de monge assim.

Mas o mundo como lugar da mentira é mesmo uma questão muito séria em filosofia. Se num vilarejo onde moram dez pessoas pode ser difícil se saber o que é a verdade, como podemos falar em buscar a verdade num mundo com 7 bilhões de Sapiens ligados nas mídias sociais? Sei que nem todo mundo tem boa internet no mundo, mas isso vai mudar com o tempo.

Timothy Snyder, em seu excelente e didático "Sobre Tirania" (Companhia das Letras), chama-nos a atenção para o risco de abdicarmos da verdade, entre outras formas de risco da tirania dissolver a democracia. Jamais devemos abdicar de conhecer os fatos: "investigue", diz ele. Concordo.

Mas, em nosso mundo contemporâneo, "buscar os fatos" é, sempre, em si, um fato mediado. Isto é, temos de confiar em alguma instituição (ele também diz que devemos defender as instituições), seja ela o governo e seus Poderes da República, seja ela a mídia (as grandes marcas, quero dizer), seja ela uma ONG, uma igreja, ou qualquer outra instituição. E aqui o problema se recoloca. Por que devo confiar nas instituições que se oferecem como mediadoras da verdade ou dos fatos?

Grande parte dos agentes atuantes nas mídias sociais (nome chique para todo mundo ligado nelas) vê sua atuação como forma de "resistência" à manipulação dos "fatos" pela grande mídia ou pelas instituições públicas, ou, no mínimo, o que dá na mesma, como forma de "liberdade de opinião".

A grande mídia, por sua vez, coloca na conta das mídias sociais grande parte do problema conhecido como "pós-verdade": todo mundo pode veicular o que quiser em suas mídias sociais, mesmo mentiras.

Este é um círculo vicioso interminável que aponta, entre outras coisas, para o seguinte: as mídias sociais pressionam as instituições constituídas (do governo à grande mídia, das escolas às igrejas) de forma desconhecida até hoje.

A "soma total" desse impacto ainda é desconhecida por nós. Do ponto de vista da percepção que temos das instituições políticas representativas existentes, as mídias sociais podem, em alguma momento, desconstruí-las ou redefini-las de forma ainda desconhecida por nós. Portanto, o risco da tirania (dissolução da democracia) nesse aspecto de busca da verdade e defesa das instituições pode ser "pior" do que pensa Snyder.

Faça um teste local: caso Joesley x Temer. Delação, vídeos, entrevista na revista "Época", GloboNews (ambos veículos da TV Globo). O que você acha?

É tudo verdade o que diz Joesley? O Ministério Público e a Procuradoria-Geral da Republica agiram de forma imparcial? O grupo Globo só quer informar você da melhor forma possível? Ou todos citados anteriormente (por "n" razões que nunca saberemos de fato) querem proteger de alguma forma o PT e o Lula? Ou querem apenas "ferir" o governo Temer? Ou é apenas "melação com a delação"?

A súbita divulgação dos primeiros vídeos após depoimento do Lula foram coincidência ou visava levar a opinião pública a esquecer o "case Lula"? O fato de a JBS ter crescido tanto na era PT é indicativo de que esta hipótese tem validade? Crer nesta hipótese é paranoia, postura crítica ou viés ideológico anti-PT? O que diz o Face?

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