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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

MDB e PP loteiam Gaspar para candidatos de outras regiões e enfraquecem o próprio poder político que lhes sustentam aqui

20/09/2018

Os paraquedistas I

Os cabos eleitorais de todos os tipos e partidos, e até candidatos, estão fulos comigo e com esta coluna do jornal, o de maior circulação em Gaspar e Ilhota, líder de acessos no portal que é o mais antigo, mais atualizado, acessado e acreditado daqui; o que investe em inovações para servir seus leitores e leitoras. E por que? Eu não estou promovendo esses políticos nas suas virtudes que dizem possuir para representar Gaspar. Ao invés de um projeto regional e até suprapartidário a partir de Gaspar, a maioria dos nossos políticos se dividiram para medir forças entre si com seus paraquedistas. Um atraso. Os candidatos vêm de bem longe. Enfraquece-se os daqui e da região. Aliás, essa sina de vingança e divisão dos gasparenses foi inaugurada pelo PT quando Pedro Inácio Bornhausen, PP, o genuíno da terra, quase se elegeu deputado estadual, depois do fenômeno Francisco Mastella, PDC – que tinha domicílio eleitoral aqui.

Os paraquedistas II

O pior dos exemplos começa pelo poder de plantão: o MDB e PP. Ele precisaria, em tese, de canais institucionais fortes de representação no parlamento – Brasília e principalmente Florianópolis - identificados com as causas regionais daqui. Alguns do poder de plantão de Gaspar nem partidos parecem ter, mas apenas à obediência às suas igrejas evangélicas. São fatos e atos que os alimentam no imediatismo do presente, mas os enfraquecem politicamente no futuro. Renovação? Praticamente nula. Um grupo do MDB de Gaspar (o presidente em exercício Walter Morello, Ivete Mafra Hammes e Francisco Hostins Junior) vai repetir à busca de votos para a já deputada Dirce Heidersheidt, de Palhoça, na Grande Florianópolis; Evandro Carlos Andrietti, trabalha pela reeleição de Adda Faraco de Lucca, de Criciúma; Ciro André Quintino vai rebolar com o novato Jerry Comper, de Ibirama, este ano menos do Vale; Francisco Solano Anhaia e o presidente licenciado do partido, Carlos Roberto Pereira, estão trabalhando para a reeleição Luiz Fernando Vampiro, também de Criciúma; já Roni Muller, que cuida das verbas das obras comunitárias, ou seja, possui poder de trocas, vai abrir espaço para o vereador de Joinville, Rodrigo Fachini.

Os paraquedistas III

Vão faltar votos para o poder de plantão e principalmente ao MDB e que necessariamente precisaria se identificar com alguém, ao menos, próximo do médio Vale do Itajaí, onde Gaspar está inserida. Gaspar precisaria um conhecedor que vive os problemas daqui. Pelas escolhas do MDB e PP, Gaspar deveria estar no Sul do Estado, Florianópolis ou Joinville. E desta autofagia, quem ganhar os minguados votos aqui, proporcionalmente em relação a outros municípios onde estão à base desses candidatos, se eleitos, não se acharão representantes de Gaspar até a próxima eleição, quando virão todos com os mesmos ou novos cabos eleitorais, para serem paraquedistas, passarem à lábia e obterem os minguados votos, os quais na somatória geral lhes ajudam. Na aliança do poder de plantão em Gaspar do MDB, o PP, do vice Luiz Carlos Spengler Filho não difere muito. Ele vai com a reeleição de João Amin, de Florianópolis e o presidente do Samae, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, com a reeleição José Milton Schaffer, de Tubarão. Alguma dúvida da estratégia contra a cidade e os cidadãos, além da desculpa de que estamos numa democracia e nela todos somos livres para as escolhas? Como faz falta o voto distrital, mesmo que misto.

Os paraquedistas IV

E o prefeito Kleber, o evangélico? Apesar de ter estado sempre no MDB, tenta esconder a articulação que faz com a família e um grupo fechado pela reeleição Ismael dos Santos, PSD – este identificado com o Vale, mas é do PSD, vejam só, que é oposição ferrenha a Kleber em Gaspar. Para não fugir ao compromisso religioso, Kleber vai a Federal com Jovino Cardoso, PROS, vereador de Blumenau. É que à Câmara Federal, o MDB de Gaspar e com a palavra de Kleber, majoritariamente, fechou com Rogério Peninha Mendonça, de Ibirama, que não apoia o Henrique Meirelles, MDB para a presidência. E assim que o mundo dos políticos conspira contra Gaspar e eles próprios. Há outras duas dezenas de candidatos vampirando votos aqui, por outros partidos e cabos eleitorais, e de regiões bem distantes. Todavia, vou praticamente parar por aqui. O espaço seria insuficiente para nominá-los.

Os paraquedistas V

Em Gaspar, contudo, há pelo menos dois candidatos da terra para esta eleição: Pedro Celso Zuchi, PT, à estadual, com grandes chances pelo esquemão da família Lima, o mesmo que não deixou Pedro Bornhausen se criar, e também Marcelo de Souza Brick, PSD, para Federal, o que fez da política, uma carreira, interrompida com a derrota para a eleição para prefeito em 2016. E os exemplos de divisão e incoerências estão em todos os partidos daqui. Abro um parêntesis para mostra o do PSDB. O partido não está no governo Kleber e o resultado das urnas mostrou que ele deveria ser oposição. O diretório presidido por Andreia Symone Zimmerman Nagel fechou com Sylvio Zimmermann, vereador em Blumenau e cuja família é originária do bairro Coloninha, aqui em Gaspar para deputado estadual. A vereadora Franciele Daiane Back, do PSDB, que está fechada com o governo de Kleber, fez outra escolha para deixar a sua marca nessa divisão de terreno: o vereador de Pomerode, Rafael Pfuetzenreiter, num projeto de retomada de poder de lá, minguado com os escândalos de Gilmar Knaesel, PSDB, e João Alberto Pizzolatti Junior, PP. Menos mal, que não é ninguém do Norte, da Serra, da Grande Florianópolis, Oeste ou do Sul. E Gaspar? Dane-se. É por isso e outras, que não fico papagaiando aqui as virtudes de candidatos que não possuem a mínima identificação com Gaspar e principalmente o Médio Vale, onde Gaspar está inserido com parte da região metropolitana e seus problemas cada vez mais graves e metropolitanos. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Ouvi, e não sei precisar de quem é esta frase: “Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral”.

As pesquisas não deixam mais muitas dúvidas. Jair Bolsonaro, PSL, e Fernando Haddad, PT, estarão no segundo turno. Dias sombrios virão com a vitória de qualquer um dos dois.

É incompreensível, como o brasileiro pode errar tanto, a tal ponto de votar num poste – outra vez, como fez com Dilma que desempregou 13 milhões de trabalhadores, quebrou a economia, aumentou a inflação a dois dígitos, permitiu uma roubalheira sem fim na Petrobrás – numa campanha dirigida de dentro da cadeia por um réu condenado, em segunda instância e por vários crimes.

O PT é, ao que parece e de fato, uma seita ou uma organização criminosa. De partido político, só a fachada para lhe dar legalidade ao que se aparenta ilegal, afrontando permanentemente as instituições, principalmente a Justiça e às leis. E os eleitores e eleitoras – de um modo geral - são uns fanáticos, analfabetos, ignorantes, desinformados e gostam de se auto-punirem e aos neutros.

Ilhota em chamas I - Já está concluso o inquérito e por ele, a promotora Andreza Borinelli, que na Comarca cuida da Probidade e Moralidade Pública, decidiu que vai ajuizar uma Ação Civil Pública contra o Município, o Ilhotaprev e a Câmara de Ilhota.

Ilhota em chamar II – A ação é para sanar as irregularidades cometidas pelo prefeito Érico de Oliveira, MDB, com amparo da sua maioria na Câmara, no Instituto de Previdência de Ilhota. Esta coluna antecipou o assunto que os do poder de plantão de Ilhota diziam ser “fake news” e perseguição técnico-política do advogado Aurélio Marcos de Souza.

Ilhota em chamas III – Só falta agora, essa turma afirmar que se trata de perseguição da polícia que apurou os fatos e do Ministério Público que enxergou as irregularidades depois do inquérito.

 

Edição:1869

Comentários

LEO
21/09/2018 16:18
É PARECE QUE O GOVERNO VAI FAZER BARBA,CABELO E BIGODE.NA CÂMARA DE VEREADORES. PARA A APROVAÇÃO DO PROJETO DE LEI QUE DA AUTORIZAÇÃO O GOVERNO A PEGAR EMPRÉSTIMO DE 100 MILHÕES.JÁ SE FALA QUE O GOVERNO TENHA 8 VOTOS,DOS 13 VEREADORES.PARA APROVAÇÃO DO PROJETO.NA POLITICA TODOS TEM UM PREÇO.O BRIZOLA VAI SE VIRAR NO TUMULO.E O COLOMBO FAZENDO ESCOLA
Alaíde Andrada
21/09/2018 12:56
É verdade que aquela obra as margens do ribeirão, em plena avenida das comunidades, tem licença ambiental aprovada pela superintêndencia de meio ambiente? Isso não deveria ser licenciado pela Fatma? O executor da obra foi doador na campanha 2018? Já vendeu apartamento pra algum prefeito? E quem assina os projetos?
Herculano
21/09/2018 11:13
da série: tarde demais. O PSDB quando perdeu com Aécio para Dilma, com estreita margem de votos, recebeu um mandato para ser oposição. Fingiu que não entendeu. Não limpou seus quadros quando a lama lhe apresentou, não renovou e ainda dividiu-se em apoiar Michel Temer, ao invés de apoiar fora do governo, pautas que são as do seu programa. Agora agoniza nestas eleições gerais. Em Gaspar é a mesma coisa com a vereadora Franciele Daiane Back, que na contramão do diretório, está no governo de Kleber Edson Wan Dall, sob intenso questionamentos.

ALCKMIN FAZ TECNICAMENTE CORRETO E PARTE PARA A DESCONSTRUÇÃO DE BOLSONARO; ALERTA AINDA PARA O RISCO DE VENEZUELIZAÇÃO DO PAÍS, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência, passou a fazer a coisa tecnicamente correta - e não vai, não neste texto, juízo de valor sobre este ou aquele - na disputa eleitoral que, até agora, tem se mostrado bastante difícil para ele. Seu alvo instrumental passou a ser o deputado Jair Bolsonaro (PSL), embora o alvo final seja mesmo o PT. Explico.

Segundo o Datafolha, Bolsonaro é hoje o principal receptáculo do antipetismo. Parte considerável do eleitorado o escolhe porque o vê como o mais duro combatente contra o petismo. A tarefa do tucano é complexa: consiste em dizer que Fernando Haddad já está no segundo turno e que deputado do PSL pode ser o passaporte para a volta dos companheiros em razão das rejeições que desperta.

Só essa pregação, no entanto, tem-se mostrado ineficiente. Ou inútil mesmo. Sem a tentativa de desconstrução da imagem plasmada por seu adversário à direita, nada feito. Nos primeiros dias de campanha, essa já era a escolha, diga-se. Ocorre que Bolsonaro foi vítima da facada justamente no sétimo dia do horário eleitoral, 6 de setembro. Apenas três deles tinham sido dedicados aos presidenciáveis: 1º, 3º e 5º. E aí foi preciso suspender, por razões que dispensam explicação, a artilharia. Afinal, não se sabia qual poderia ser a reação da população diante do ataque político a uma figura que enfrentava uma situação bastante difícil no hospital.

Ocorre que, no período, Jair Bolsonaro cresceu e se consolidou no primeiro lugar das intenções de voto. E, como já se disse aqui, a peça de resistência de sua campanha é o antipetismo ou, mais genericamente, o antiesquerdismo.

Alckmin não disputa o coração do eleitorado propenso a votar em Ciro Gomes ou no PT - nesse caso, a identificação de Lula com Haddad é que acabará determinando o que vai acontecer com o candidato petista. Já o eleitorado dos candidatos do centro para a direita ?" Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo) e Álvaro Dias (Podemos) - podem, do ponto de vista ideológico, se identificar com a pauta de Alckmin. Há ainda os eleitores indecisos e dispostos a votar em branco ou a anular seu voto.

Ora, se Bolsonaro está no raio de visão desses eleitores, então é só deslocar um pouco o binóculo e se vai achar o próprio Alckmin. Assim, a única coisa que faz sentido ao tucano é a desconstrução da imagem de Bolsonaro: para que não passe a atrair mais votos e para que perca a adesão dos que ainda não estão convictos.

E aí Alckmin apelou para o cenário de caos, lembrando, inclusive, elogios de Bolsonaro a Hugo Chávez quando este chegou ao poder. Afirmou o tucano no horário eleitoral:

"Talvez esse seja um dos momentos mais delicados da nossa democracia. O risco de o Brasil se tornar uma nova Venezuela é real, a partir dos extremismos que estão colocados nessa eleição". E bateu no "extremismo de um deputado que já mostrou simpatia por ditadores, como Pinochet e Hugo Chávez, que já defendeu o uso da tortura, que acha normal que mulheres ganhem menos que os homens. Uma pessoa intolerante e pouco afeita ao diálogo; que, em quase 30 anos de Congresso, nunca presidiu uma comissão sequer. Nunca foi líder de nenhum dos nove partidos a que foi filiado. Um despreparado, que representa um salto no escuro."

Desconstrução de imagem funciona? Funcionou em 2014. Marina Silva, que assumiu a titularidade da chapa do PSB com a morte de Eduardo Campos, chegou a empatar com Dilma Rousseff em primeiro lugar nas simulações de primeiro turno e a vencer a petista nas de segundo. O PT percebeu o perigo e fez picadinho da candidata, que acabou chegando em terceiro lugar. O rival ideológico da legenda era Aécio Neves, como, no caso de Alckmin, é o PT. Mas foi preciso um ataque a quem competia com o partido no mesmo território.

A investida de Alckmin vai funcionar? Não sei. Mas sei de uma coisa: a única alternativa é também a melhor.
Herculano
21/09/2018 11:05
INTERLOCUTOR DA FAMÍLIA E NÃO DO GOVERNO? É ISSO? UM CURIOSO?

Do editor de livros, Carlos Andreazza, no twitter

Em matéria econômica, o que me preocupa não é Jair Bolsonaro mandar Paulo Guedes sossegar - mas indicar Eduardo Bolsonaro como interlocutor do mercado. A pergunta é: na falta de Guedes, é isso que teríamos?
Herculano
21/09/2018 10:58
GOVERNAR É TÃO OU MAIS DIFÍCIL QUE SE ELEGER, Maílson da Nóbrega, economista, ex-ministro da Fazenda, no governo de José Sarney,MDB, para o jornal Folha de S. Paulo

Desafio é negociar sem sucumbir ao baixo clero

No Brasil, não basta ganhar as eleições presidenciais. O vencedor precisa formar e coordenar uma coalizão. Seu partido elegerá no máximo 70/75 deputados, mas necessitará de no mínimo 308 votos para aprovar emendas constitucionais. A proporção é semelhante no Senado.

A renovação do Congresso será muito pequena. O padrão mental e os costumes de sempre continuarão a ditar a forma como serão feitas as negociações. Grande parte manterá a dependência do voto de corporações e de interesses paroquiais.

Construir a maioria não será suficiente, pois ela se forma em cada votação relevante. O presidente precisa ter, além de liderança e legitimidade, habilidades para articular o apoio a seus projetos essenciais, caso a caso.

No presidencialismo de coalizão, que implica o compartilhamento do poder, o chefe do governo assume o papel de coordenador do jogo político. Compartilhar é distribuir postos ministeriais.

O presidente tem uma cota pessoal, que compreende pelo menos a Fazenda, o Planejamento e a Casa Civil. Os demais ministros são indicados pelos partidos da coalizão. É assim em países onde o vencedor não tem a maioria no Parlamento.

Formar o ministério é obra de engenharia política. É preciso demonstrar perícia e arte para contemplar aliados, regiões do país, mulheres e representantes de segmentos econômicos e sociais.

A promessa de um presidenciável de anunciar o ministério antes de se eleger revela sério desconhecimento do processo. Tampouco faz sentido recusar escolhas por indicações políticas. Ou governar com os melhores. Nem sempre é possível escolher.

Nomear um superministro da Economia pela fusão de ministérios, sem extinguir suas funções, não faz sentido. A ideia de que esse ministro terá carta branca desconhece que é o presidente quem governa e que as decisões básicas são do Congresso. Enfeixar tanto poder nas mãos de uma única pessoa vai criar conflitos e ineficiências.

Há três recursos de poder para exercer a coordenação. Primeiro, nomeações para os cargos de ministro e para posições do segundo escalão. Segundo, liberação de emendas parlamentares. Terceiro, habilidade pessoal. Impossível fugir dessa realidade.

O terceiro é o mais relevante. Pressupõe alta inteligência emocional, equilíbrio, paciência, capacidade de articulação, entender a relação com o Congresso, um bom auxiliar da coordenação política e a arte de lidar com os parlamentares.

É preciso identificar formadores de opinião, quem é mais confiável e os que merecem atenção e prestígio. Há que saber quem convidar para viagens e para recepções palacianas. Um quê de encanto é crucial. Tudo isso requer experiência. Não se faz um líder político eficaz da noite para o dia.

Negociar com base em princípios só será possível (e olhe lá) quando tivermos partidos programáticos, não hoje.

A forma atual de negociar constitui uma das regras do jogo, mas pode ser fatal o uso da corrupção para aliciar apoios.

É necessário saber transmitir mensagens e obter apoio da opinião pública para o programa de reformas, pois isso reforça a capacidade de articulação política. Presidentes impopulares perdem o poder de agenda.

Por último, o baixo clero sabe que a democracia funciona no plenário, isto é, a vontade da maioria prevalece. O baixo clero é maioria e pode vetar reformas. O desafio é negociar sem sucumbir à vontade desse grupo, que costuma andar de braços com o corporativismo e a irresponsabilidade fiscal.

Em resumo, como disse Tom Jobim (1927-1994), "o Brasil não é para principiantes".
Herculano
21/09/2018 10:54
PENSANDO BEM...

Se um candidato lançado na frente de uma penitenciária, patrocinado por um réu e condenado e preso, tem chances de ser presidente derrotando gente que não tem bandido a orientá-lo da cadeia, isto significa que a criminalidade e os que detestam a lei geral que deveria servir para todos é a maioria. Pois ela, essa maioria, acha tudo isso normal...
Herculano
21/09/2018 10:51
UM PAÍS NA MARGEM DE ERRO, por Guilherme Fiuza, na Gazeta do Povo, Curitiba

"Brasileiro confia tanto em pesquisa que nem dá para entender por que ainda tem eleição. Votar pra quê? Chega de intermediários.

Há mais de ano o Brasil sabe que Lula está no segundo turno. Como ele sabe? As pesquisas disseram. E não disseram uma vez, nem duas. Gritaram, reiteraram, vaticinaram sempre que o noticiário policial dava uma trégua ao ex-presidente.

O segundo turno de Lula hoje é o do carcereiro que toma conta dele à noite, mas não tem problema. Ele envia um representante, com procuração e tudo, para tomar conta do que é dele. O triplex do Guarujá, o sítio de Atibaia, a cobertura de São Bernardo e a fortuna incomensurável para pagar advogados milionários por anos a fio não são de Lula. O que é dele, e ninguém tasca, é o lugar cativo no pódio dos institutos de pesquisa.

A estratégia de trazer o comandante do maior assalto da história para o centro da eleição que deveria ser o seu funeral político não é um incidente. Como já escrito ?" mas não custa repetir ao eleitorado distraído ?" é uma estratégia. E uma estratégia tosca.

O Brasil viu ?" mas para variar não enxergou - a construção dessa lenda surrealista: Lula, o PT e sua quadrilha representam, na sucessão de 2018, "a salvação progressista contra o autoritarismo". Contando ninguém acredita.

Uma imensa maioria de formadores de opinião e personagens influentes da elite branca (aquela mesma do refrão petista) vive de lamber esse herói bandido, fingindo defender o povo ?" esse mesmo povo roubado até as calças pelo meliante idolatrado por eles. Ou melhor: idolatrado de mentira, porque a única idolatria dessa elite afetada e gulosa é por grana, poder e aquele verniz revolucionário que rende até umas almas carentes em mesa de bar.

Então, aí está: a estratégia funcionou e os cafetões da ética imaginária conseguiram - milagre - chegar às portas da eleição defendendo sem um pingo de inibição o PT, exatamente o maior estuprador da ética que a história já conheceu.

Pode ser doloroso, mas é preciso constatar: a possível presença do PT no segundo turno será a canalhice brasileira saindo do armário. Sem meios tons.

Se o Brasil estivesse levando uma vida saudável, estaria agora dando continuidade à exumação da Era PT ?" e tomando as devidas providências para jamais errar de novo tão gravemente. Mas a margem de erro por aqui é um latifúndio ?" o país mora no erro, e eventualmente passa férias fora dele, como um marginal.

Tradução: o insistente culto ao fantasma petista fermentou as assombrações antipetistas ?" e o Brasil deixou de se olhar no espelho para ficar perseguindo morto-vivo com crucifixo na mão.

Fora desse fetiche mórbido, dessa tara masturbatória pelo falso dilema esquerda x direita, a reconstrução do Brasil parou. A saída quase heroica da recessão, com redução dos juros e da inflação, reforma trabalhista e recuperação da Petrobras ?" nada disso existe no planeta eleitoral de 2018.

Quem vai tocar isso adiante? Quem vai segurar o leme da economia com a perícia de Ilan Goldfajn, o presidente do Banco Central que nos salvou do populismo monetário de Dilma e seus aloprados?

A resposta contém o disparate: um desses aloprados (que tinha o leme nas mãos na hora do naufrágio), o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa foi expulso da campanha de Haddad, o gato (ligação clandestina no poste) - banido por outro náufrago ainda mais aloprado que ele, o economista Marcio Pochmann. Ou seja: a possível reencarnação petista no Planalto está nas mãos dessa militância pré-histórica que se fantasia de autoridade acadêmica para perpetrar panfletos que fariam Nicolás Maduro dizer "menos, companheiro".

Adivinhe se esse tema aparece na campanha presidencial?

Adivinhou, seu danado. O Brasil está lá, boiando na margem de erro, lendo pesquisa e brincando de jogar pôquer com o 7 de outubro. Nem sabe quem é o economista do Haddad. Ou melhor: nem sabe quem é o Haddad ?" porque aquele ministro da Educação tricampeão de fraudes no Enem, que não sabia nem aplicar uma prova e mandava escrever "nós pega o peixe", sumiu de cena. Não existe mais também o prefeito escorraçado ainda no primeiro turno por inépcia.

Esse Haddad aí é outro: é o super-homem das pesquisas, que voa por cima de todo mundo com a criptonita do Lula e faz a imprensa companheira lutar por uma foto dele com a camisa aberta e a grife do presidiário explodindo no peitoral.

Vai nessa, Brasil. As pesquisas colecionam erros clamorosos em todas as eleições, mas dessa vez talvez até acertem, porque num país exilado na margem de erro qualquer chute é gol - mesmo no campeonato dos detentos."
Herculano
21/09/2018 10:48
NÃO HÁ QUALQUER DÚVIDA: HADDAD COMO "CENTRO" É ESTELIONATO ELEITORAL, por Rodrigo Constantino, na Gazeta do Povo, Curitiba.

Já escrevi mais de um texto aqui sobre a estratégia da esquerda radical e parte do establishment, apavorado com a possibilidade de vitória do "outsider" Jair Bolsonaro. Ela consiste em pintar o ultra-radical candidato do PT como "moderado pragmático". Fernando Haddad já tem pinta de tucano, o que ajuda na embalagem. O desespero com Bolsonaro faz o resto do serviço: Haddad se transforma num sujeito ponderado e, vejam só, até a favor da austeridade.

O editorial do GLOBO de hoje fala dessa "guinada" ao centro como estratégia, compara com aquilo feito por Lula no primeiro mandato, e termina questionando se o PT aprendeu mesmo a lição ou se mente. Eis um trecho:

Caminharia para a quarta derrota. Lula, então, deu o cavalo de pau no transatlântico e, em meados de 2002, lançou a Carta ao Povo Brasileiro, garantindo cumprir contratos (leia-se, nada de calote nas dívidas interna e externa, uma obsessão da esquerda; e respeito ao mercado). Deu certo.

Haddad já começou o cavalo de pau. Na sabatina da "Folha", UOL e SBT confirmou o afastamento da sua campanha do economista Marcio Pochmann, símbolo do pensamento econômico petista de raiz. Pochmann é arauto, entre outras heresias, da ideia de que não há urgência para a reforma da Previdência. Sabe-se no que este tipo de tese resulta. Haddad foi adiante e admitiu que parte da proposta da reforma previdenciária de Temer "tem coisas úteis". Principalmente a reforma do sistema dos servidores. O resto, disse, iria para "uma mesa de discussões". Estas já foram esgotadas, mas este é outro assunto.

Lula, inicialmente, cumpriu a promessa e, para reforçar o compromisso, permitiu que Palocci, no Ministério da Fazenda, seguisse uma política de ajuste "neoliberal", ajudado, no Banco Central, por ninguém menos que um tucano, Henrique Meirelles, e, mais do que isso, ex-presidente mundial do BankBoston, um dos braços do "capital financeiro monopolista internacional".

Funcionou. A inflação, que disparara devido à alta do dólar causada pelo temor a Lula, retrocedeu, e a economia voltou a crescer. Por isso, também já se especula sobre o nome de um "neoliberal" para a Fazenda de Haddad. Lula sabe em detalhes esta história.

Mas conspira contra PT e Fernando Haddad o desfecho daquela apenas aparente ?" viu-se depois ?" conversão do partido às boas práticas de política econômica. A dúvida é se aprenderam a lição ou poderão cometer outro estelionato eleitoral.

A dúvida só quem tem é o jornal carioca, ou quem deseja muito ser enganado novamente. Qualquer observador isento não questiona uma coisa dessas, pois sabe que o PT está apenas mentindo, como sempre, que é totalmente incapaz de aprender qualquer lição sincera. A única lição que o PT aprende é como evitar perder o poder, ou seja, o partido oficialmente lamenta não ter sido mais radical na implantação do bolivarianismo no Brasil.

Os petistas continuam defendendo abertamente o modelo venezuelano, em seus documentos oficiais não fazem qualquer autocrítica dos erros passados, e seguem desrespeitando a Justiça. A vice na chapa de Haddad é a comunista Manuela D'Ávila, do PCdoB. As pessoas próximas são todas extremistas de esquerda, pregando tudo contra as reformas necessárias para o país.

Não obstante, o jornal carioca tem dúvida se aprenderam a lição ou se vão tentar cometer outro estelionato eleitoral. É como ter dúvida se um serial killer que já matou dezenas vai agora se tornar um bom samaritano ou vai praticar novamente o crime. É muita vontade de ser enganado. É muita cegueira ideológica. É a típica postura tucana, de quem adora apanhar e depois questiona se o agressor, no fundo, não é bonzinho.

Não há qualquer espaço para dúvida aqui. É óbvio que se trata de um estelionato eleitoral, como, aliás, alertei bem antes que aconteceria. Estava na cara que o PT faria isso para tentar seduzir os votos mais ao centro. "Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será facilmente sua presa", alertou Schopenhauer. O PT tenta ocultar os chifres, naturalmente. Mas se olharmos direito, nem conseguem esconde-los. Basta procurar nos lugares certos, nas atas oficiais do partido, nas declarações, e lá estarão os enormes cornos do Belzebu.
Herculano
21/09/2018 07:27
ELEIÇÃO DE IDEIAS AINDA MAIS MALUCAS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Candidatos líderes nas pesquisas deliram nos planos para impostos e gastos

As aparências enganam os que odeiam e os que amam o gasto do governo. Na campanha eleitoral, nesta em particular, as ilusões tornam-se desvairadas.

Além das ideias de grêmio estudantil do jardim da infância de certa esquerda, há disparates novos da direita e mesmo do dito centro. A biodiversidade da maluquice aumenta.

O companheiro de chapa e marcha de Jair Bolsonaro, seu vice, o general Hamilton Mourão, dizia nesta quinta-feira (20) que pretende (ele mesmo?) baixar a carga tributária a 22% do PIB, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Hum.

A carga tributária anda pela casa dos 32,5% do PIB. Além disso, os governos federal, dos estados e dos municípios gastam mais do que arrecadam, outros 2,2% do PIB (não inclui a despesa com juros, de mais de 5% do PIB).

O general quereria reduzir a carga tributária em 11,5 pontos do PIB. Suponha-se que Mourão vá dividir essa conta com estados e municípios. O general já contou sua ideia para governadores e prefeitos? Mas tanto faz o tamanho da redução da carga. Qualquer que seja, não dá para fazer tão cedo, ponto.

Apenas na Previdência, o governo federal gasta 8,6% do PIB (não inclui aposentadorias de servidores).

Com pobres muito idosos ou com incapacidade de trabalhar e Bolsa Família vai 0,8% do PIB. Salários de servidores, uns 2,8% do PIB. Investimento em obras, 0,3% do PIB. Saúde, algo perto de 1,1% do PIB.

Qual é o plano? Quem vai ser esfolado? Como conter o déficit, havendo menos receita?

Claro que essa conversa não faz sentido algum, nem em 2019 ou 2022, nem daqui a uma década ou duas. A carga tributária vai aumentar, pois os governos estão quebrados.

O tutor econômico de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, pretende substituir impostos que arrecadam cerca de metade da receita federal por uma ou duas CPMF monstruosas. Sim, 50%, cerca de R$ 730 bilhões.

Diz que não quer aumentar a carga tributária. Mas, como tal imensa substituição é no mínimo temerária, pode ser até que a arrecadação caia, fora o risco de desorganização econômica com tamanha reviravolta. E aí? Como vai tapar o rombo ainda maior e evitar a turumbamba financeira e fiscal?

Há quem proponha, da esquerda à direita, um novo sistema previdenciário, em geral uma desconversa a fim de evitar o tema impopularíssimo da reforma. Qual a ideia?

Criar o sistema de capitalização. Isto é, cada trabalhador teria uma conta individual, em que aplica sua poupança para a aposentadoria. Parece bacana (embora em si possa também dar bem errado).

O problema é que as aposentadorias de agora são bancadas pelas contribuições de quem está na ativa. Se essas contribuições deixam de pagar os benefícios de quem está aposentado, quem fica com a conta? É uma despesa estimada em R$ 638 bilhões no ano que vem, 44% de tudo o que o governo federal prevê gastar em 2019.

Quando seu candidato vier com essa conversa, pergunte quem vai pagar a conta e se o plano dele prevê achatamento brutal das aposentadorias.

Há desvario por quase toda a parte. Haveria dinheiro para tudo. Haveria como cortar qualquer gasto, sem que se diga quem vai ser esfolado.

Certa esquerda, por exemplo, acredita que o gasto público no Brasil diminuiu depois que acabou o primeiro governo de Dilma Rousseff. Hum. O gasto aumentou, em proporção do PIB. O PIB caiu? É verdade. Mesmo assim, o gasto per capita deste ano é superior ao de 2014.

Chega de delírio e demagogia.
Herculano
21/09/2018 07:24
O QUE SE ESCONDE?

Manchete do jornal O Globo: PSL põe freio em falas de General Mourão [vice] e Paulo Guedes.
Herculano
21/09/2018 07:23
ALCKMIN AGRESSIVO CONTRA BOLSONARO E HADDAD É APOSTA SAIDERA DOS TUCANOS, por Andrei Meireles, em Os Divergentes

No debate promovido pelos bispos católicos na TV Aparecida, Geraldo Alckmin se destacou quando, deixando de lado o figurino de picolé de chuchu, partiu para cima de Fernando Haddad. Puxou a fila de candidatos que tiraram uma casquinha do estreante Haddad em debates presidenciais.

Foi uma aposta diferente. Por sua própria cabeça ou conselho de marqueteiros, Alckmin vinha mirando em Bolsonaro para se credenciar com o melhor adversário do PT no segundo turno presidencial. Centrava os tiros no campo da direita. Os números da última pesquisa Datafolha mostram que essa mira, por via oblíqua, pode estar atingindo o alvo errado.

Quem rejeita Fernando Haddad, a nova cara do PT na disputa pelo Palácio do Planalto, prefere apostar em Jair Bolsonaro para esse embate. Nada menos que 57% dos antipetistas optam pelo capitão nessa batalha. Só 8% atribuem esse papel a Alckmin, menos até do que os 9% em Ciro Gomes, com sua ginástica verbal de atacar Haddad e, ao mesmo tempo, preservar Lula.

A estratégia tucana de bater em Bolsonaro, antes tímida, agora frontal, como no programa eleitoral exibido na noite dessa quinta-feira, na propaganda na tevê, em que o capitão e o PT foram colados ao fracasso do chavismo na Venezuela. A eficácia dessa nova ofensiva será aferida nas próximas pesquisas eleitorais.

O que vinha sendo levado até agora ao ar, no rádio, na tevê e nas redes sociais, praticamente não surtiu efeito. Se Alckmin não conseguiu se firmar como melhor opção ao petismo, tampouco se credenciou como alternativa a Bolsonaro. Quando indagado pelo Datafolha sobre em quem pretende votar, 31% dos eleitores avessos a Bolsonaro dizem que em Haddad, outros 21% em Ciro Gomes. Sobraram 11% para Alckmin, o mesmo número de Marina Silva.

Nessa altura do jogo eleitoral, Alckmin parece carta fora de um baralho em que os favoritos são Bolsonaro, Haddad e Ciro Gomes.

Mas com essa nova e agressiva estratégia, divulgada em um latifúndio de tempo no rádio e na tevê, ele tem uma chance saideira de voltar ao páreo. Ou, então, com ataques a Bolsonaro e Haddad, ajudar a candidatura Ciro Gomes, Plano C do establishment.

A conferir.
Herculano
21/09/2018 07:17
da série: quando alguém perde, ele foi "eleito" para ser oposição, fiscal, constituir-se uma alternativa; o PSDB não entendeu isso quando perdeu para o PT de Dilma. Hoje paga caro. Em Gaspar não é diferente.

PODER, IRRELEVÂNCIA OU ARRUAÇA?, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

Vivemos um tempo em que ao derrotado pode restar a irrelevância ou a arruaça

Se Jair Bolsonaro (PSL) ou Geraldo Alckmin (PSDB) vencer a disputa, sei quem vai liderar a oposição: o PT. E já é um lugar de poder. Essa batalha, o partido já ganhou. Agora há a outra. Se o vitorioso for o petista Fernando Haddad ou Ciro Gomes (PDT), quem comandará o campo adversário? A pergunta e a resposta expõem a miséria a que chegou a política brasileira.

Segundo dados da mais recente pesquisa Datafolha, Bolsonaro lidera a corrida no primeiro turno, com 28%. Empatados tecnicamente em segundo lugar estão Haddad, com 16%, e Ciro, com 13%. Alckmin segue com 9%. A disputa de 2014 recomenda cuidado com antevisões a duas semanas da disputa. Mas é razoável supor ao menos que o "capitão reformado" tem grande chance de estar na etapa final. E essa possibilidade basta para a fantasmagoria de que se vai tratar aqui.

Antes, uma pequena pausa. Notem que recorri no parágrafo anterior a uma expressão comum na imprensa. Para não repetir a palavra "Bolsonaro", optei por "capitão reformado". Os especialistas poderiam debater se estamos diante de uma perífrase ou de uma antonomásia (cabe pesquisa aos interessados). Do ponto de vista da política, trata-se apenas de uma disfunção.

Afinal, todos sabemos o que é um petista, um tucano, um peemedebista ou um democrata... Mas que diabos seria um "peesselista"? O PSL, a exemplo do PRN do Fernando Collor de 1989, só tem existência cartorial. À época, empregava-se "caçador de marajás" na segunda referência ao candidato porque não havia como escrever "peerrenista". O resto da história é conhecido. Ou, no caso dos "moços, pobres moços", tem de ser.

Se o "capitão reformado" vencer, já sabemos que o PT vai chefiar a oposição tenha o tamanho que tiver. O que eventualmente lhe faltar no Parlamento será compensado por sua inserção nos sindicatos e nos movimentos sociais.

Não será difícil arrebanhar apoio na sociedade porque o vitorioso, então, terá chegado lá com ou contra a rejeição de parcela considerável da população. Ademais, um fato: foi a Justiça que impediu Lula de voltar à Presidência, não o eleitor. Não se trata de um juízo de valor. Só um fato para quem gosta de fatos.

Como o bolsonarismo de internet está fascinado com a ideia da "guerrilha cultural", ou da "contraguerrilha", os opostos vão se alimentar e se neutralizar num período de instabilidade que promete ser longo. Paulo Guedes, o "Posto Ipiranga", ficou claro, parece disposto a assombrar a seara acadêmica também na área econômica. Ele não conseguiu ensinar economia a Bolsonaro, mas Bolsonaro conseguiu lhe ensinar bolsonarices.

Pensemos um pouco mais. É claro que nossa perífrase ou antonomásia pode ser derrotada, não? Na simulação de segundo turno, o peesselista (!) aparece empatado com Fernando Haddad ?" ainda "Andrade" em muitos rincões ?", com 41% das intenções de voto, e perderia para Ciro Gomes por 45% a 39%. Cabe a pergunta: numa eventual vitória da esquerda, quem vai chefiar a oposição?

Ainda que os estranhamentos entre ciristas e petistas sejam relevantes no primeiro turno ?"e, às vezes, até divertidos?", é razoável supor, qualquer que seja o vencedor desse campo ideológico, que é grande a possibilidade de haver uma composição entre PT e PDT.

Nota à margem: não estou aqui a decretar, porque 2014 não autoriza, que Alckmin está fora do jogo. Mas, também nesse caso, o PT será a vanguarda do "não". Volto ao cenário de vitória da esquerda.
Bolsonaro não terá, se derrotado, condições políticas, intelectuais e partidárias de comandar a oposição. Ele o faria ancorado em quais pressupostos?

Para a segurança, um 38 na mão de cada brasileiro? Para a educação, uma escola em que moleque não seja estimulado a brincar de boneca? Para a economia... Bem, para a economia, não existirá, creio, nem mesmo o Guedes.

Quantos parlamentares o acompanharão na resistência democrática a um eventual governo de esquerda? A tarefa caberá, mais uma vez, ao PSDB ?" que, nessa hipótese, não terá nem tamanho nem força para um trabalho eficiente.

Nas democracias, quem perde vigia o poder. Vivemos um tempo em que, a depender do resultado, ao grande derrotado restará a irrelevância ou a arruaça. Como foi que chegamos a esse ponto?
Herculano
21/09/2018 07:09
O QUE SE ESCONDE É O PIOR QUE SE PRESENTE

Na seção Trapiche da coluna especial para os leitores e leitoras da internet no portal Cruzeiro do Vale,o mais acessado de Gaspar e Ilhota, escrevi, bem antes de se descobrir parte do que o economista e o candidato Jair Bolsonaro, PSL trama entre quatro paredes contra os mais pobres.

Natural. Como escrevi, isso já aconteceu antes e o nosso aprendizado foi nulo, até aqui. Acontecem sempre quando se escolhe um salvador da pátria. Alguém que nunca administrou nada ou acha que tudo pode, até porque não se compromete com nada. Então vamos repetir a fórmula do sacrifício. Releia.

TRAPICHE
Não sou eleitor de Henrique Meirelles. Conheço-o pessoalmente num ato profissional para um interesse de terceiro e ele nem deve se lembrar de mim por causa disso. Sou avalista da sua capacidade técnica. E este aval vem da sua trajetória vencedora feita de resultados na iniciativa privada e no ambiente público. Mas, Meirelles está no partido errado.

No plano nacional e na maioria das regiões, o MDB não vale nada. É história. O partido sempre desprezou os técnicos. Jogou para ser gigolô e levar vantagens nas entranhas do poder, seja quem for o poder. Na gestão executiva, sempre se mostrou desastroso ?" veja o que foi o governo de José Sarney e agora o de Michel Temer, que se ensaiou, mas teve que recuar diante da lama que o encobria.

Entretanto, Meirelles viu tão claramente o que a maioria dos brasileiros teimam em não enxergar nestas (e outras eleições). E Meirelles não esconde de ninguém a sua advertência para mais um suicídio coletivo a que nós mesmos estamos prestes a cometer com os nossos votos livres.

Estamos indo às urnas este ano com sede de vingança e não é exatamente contra o governo, mas contra as instituições. Se o Legislativo é o maior antro de corrupção e chantagem contra os brasileiros, pouco estamos fazendo para mudar esse quadro. Eles estão sendo reeleitos com os nossos votos para fazer a mesma coisa contra nós, os pagadores dos pesados impostos.

Não vai ser um presidente, seja quem for, que vai resolver os nossos graves problemas nascidos na Câmara Federal, Senado, nas Assembleias e até na Câmara municipais.

Elas estão ali defendendo privilégios de castas bem pagas e que se aposentam cedo com salários milionários. Elas estão com a faca, o queijo na mão para saciar a gula dos próprios parlamentares e seus grupos, e não da população. Cuidado!

Os deputados e senadores que vamos reeleger, tiraram R$1,7 bilhão - afora os R$800 milhões que já tinha do Fundo Partidário ?" da saúde, educação, segurança e obras, como a duplicação da BR 470 para eles fazerem campanha política. Não foi o presidente que tirou essa montanha de dinheiro do povo, foram os deputados e senadores. E para eles próprios. Numa fila, onde os atuais é que mais ganham e os novos ficam a míngua exatamente não nada se renovar. Cuidado!

Voltando à advertência de Meirelles na sua campanha sem sucesso: para ele, "o mundo não se divide entre os que gostam do Lula e os que não gostam. Nem entre os que gostam do Temer e os que não gostam". Para Mereilles na sua propaganda eleitoral ?" paga por ele -, conclui, com uma obviedade sacra: o mundo é dos que querem trabalhar por um Brasil melhor, maior e mais justo.

E isso, não será uma tarefa fácil para ninguém, nem para demagogos, nem salvadores da pátria, nem para um presidente sem apoio no Congresso ou capacidade mínima de diálogo, nem para gente que contrariada, diz que vai resolver tudo na base da porrada.

Um desses, Fernando Collor de Mello, família carreirista na política, de um partido nanico e fora do eixão original da Arena e MDB, prometeu acabar com os marajás do serviço público e a corrupção na administração pública. Seduziu os incautos, foi apoiado pelos empresários e ganhou eleição. O que ele fez depois de empossado, achando-se o imperador, o sabe tudo?

Com a então desconhecida economista Zélia Cardoso de Mello, passou a mão, por decreto salvador e autoritário, na caderneta de poupança. Ela não era investimentos dos ricos, dos empresários (que viviam do over night) e não estava nas mãos de marajás ou dos corruptos que Collor na campanha prometera banir, mas era a economia mínima, acessível e possível dos pobres.

É assim que políticos salvadores da pátria que nascem da noite para o dia com rompantes capacidades que nunca provaram na vida, fazem quando estão no poder. Os primeiros que pegam no laço são os pobres, os que não possuem lobby, poder de defesa ?" inclusive no parlamento - e condições de reação. Então Meirelles já avisou, mas...

E os brasileiros, incluindo os endinheirados e gente escolarizada, fingem não entender. Haverá tempo para o arrependimento, principalmente quando lhes faltar dinheiro para tocar seus negócios, ou quando a polícia ideológica cobrar a mansidão para não "subverter a ordem" do poder inepto, como é hoje na Venezuela. Wake up, Brazil!
Alexandre Campos
21/09/2018 07:09
Seu Herculano

O MP de Gaspar está cego, não enxergou o aterro que fizeram no Ribeirão Gaspar Grande próximo ao Piscinão do Zuchi.
Agora não viu o que a rede Top fez com os entulhos de construção, os quais conforme Lei Federal devem ter o destino em aterro autorizado. No entanto foram jogados na beira da Av das Comunidades na beira do Ribeirão Gasrinho na cabeceira da Ponte.

Mas os piores cegos os vereadores, que ajoelha ao executivo e empresas de terraplanagem. Tudo pode.
Só aqui se estas denúncias.
Acorda Gaspar.
Herculano
21/09/2018 06:56
CPMF quebra mito de Bolsonaro como tela em branco de Paulo Guedes

Conflito obriga mercado a encarar divergências na agenda liberal do candidato

Primeiro, foi Luciano Huck. Depois, Jair Bolsonaro. O economista Paulo Guedes estava em busca de uma tela em branco para a eleição de 2018. Depois de procurar o apresentador da TV Globo, que desistiu de se candidatar, ele despejou suas tintas liberais sobre o deputado que diz não entender "nada de economia".

Por meses, Guedes e Bolsonaro convenceram banqueiros e empresários da conversão do presidenciável às escrituras do mercado financeiro. Pintado com a cor do dinheiro, o candidato absorveu o receituário do economista e repetiu suas ideias radicais para cortar despesas, reduzir o tamanho do Estado e equilibrar as contas públicas.

O conflito provocado pela proposta de recriação de um tributo semelhante à extinta CPMF, cobrada sobre transações financeiras, mostrou aos investidores que Guedes não é o único artista na equipe.

Horas depois que a Folha divulgou o plano do economista, as páginas de Bolsonaro nas redes sociais (controladas por seus filhos) desautorizaram o projeto. Até o vice Hamilton Mourão, que andava se estranhando com a família, reclamou.

Divergências entre candidato e economista foram convenientemente ignoradas por representantes do mercado, que preferiam ganhar dinheiro enquanto pairavam dúvidas sobre a dupla ?"em contraponto à conhecida agenda intervencionista do PT e de nomes da esquerda.

Dois dias antes do episódio da CPMF, o petista Fernando Haddad havia repreendido um economista de seu próprio partido, que afirmava que a reforma da Previdência não era urgente. O objetivo era acalmar investidores que se assustavam com o crescimento de sua candidatura.

Assim como Bolsonaro, Haddad também não é uma tela em branco. Ele mesmo tenta balancear as cores do PT com outras tonalidades.

Por enquanto, os donos do dinheiro desconfiam e veem só manchas vermelhas. Continuam andando pela galeria, mas agora conhecem o risco de comprar uma obra de Guedes e levar apenas um Bolsonaro.
Herculano
21/09/2018 06:50
'CASAMENTO HÉTERO' DE BOLSONARO REVELA-SE FRÁGIL, por Josias de Souzaq

Jair Bolsonaro mantém com o economista Paulo Guedes um relacionamento que ele próprio chamou de "casamento hétero". Coisa feita para durar até que a morte os separe. Pois bem. Falando para uma plateia restrita de investidores, o guru econômico do capitão expôs ideias tributárias sonegadas ao eleitor. Mencionou a hipótese de criação de um tributo nos moldes da velha CPMF. A harmonia trincou, porque a coisa vazou.

Certos casamentos são mesmo muito esquisitos. Casam-se pessoas que nem se conhecem: o economista ultraliberal e o capitão nacionalista, neófito nas artimanhas econômicas. Para usar uma terminologia infantil, própria do general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, não é como a mamãe, que se casou com papai e a vovó que se casou com o vovô.

"Chega de impostos é o nosso lema", escreveu Bolsonaro no Twitter, para desautorizar Paulo Guedes. O economista explicou que, na verdade, não se referia à velha taxação do cheque, mas a um imposto único, que substituiria outros tributos. Seja o que for, ficou entendendido que Bolsonaro não estava brincando quando disse que jamais discutiria com o seu futuro ministro da Fazenda. Na verdade, eles nem se falam.
Herculano
21/09/2018 06:48
da série: na falta de transparência e com o autoritarismo, tudo é possível contra os mais fracos

O SUPERIMPOSTO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Plano da equipe de Bolsonaro para a criação de um tributo semelhante à CPMF subestima riscos e obstáculos

De maneira discreta, o encarregado do programa econômico do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) formula ?"ou formulava?" uma revolução no sistema de impostos do Brasil. Paulo Guedes, apresentado pelo candidato como seu mentor, vinha compartilhando tais ideias com empresários e executivos, em reuniões reservadas.

Não havia alarde até que seus planos fossem revelados por esta Folha - o que surpreendeu, pelo visto, o próprio Bolsonaro.

Este, ainda hospitalizado em razão do ataque a faca sofrido em 6 de setembro, tratou de negar que pretenda recriar a CPMF, a contribuição social sobre movimentação financeira cobrada até 2007.

A negativa não dá conta das ambições externadas por Guedes.

Embora haja detalhes a serem esclarecidos, sabe-se que o projeto é substituir vários tributos, incluindo a contribuição previdenciária patronal, por apenas um, incidente sobre os débitos em conta corrente (como a CPMF) ?"ou por dois da mesma natureza, mas com diferentes destinações da receita.

Haveria ainda o intento, mais obscuro, de introduzir uma alíquota única para o Imposto de Renda. Por si só, tal mecanismo tornaria o IR mais iníquo, ao reduzir a diferenciação por faixas de ganhos.

Já o superimposto do cheque em estudo precisaria de alíquota muito superior à de 0,38% vigente no passado, dado o objetivo de responder por uma parcela substantiva da receita da União.

A mera proposta de recriação da CPMF já seria controversa o bastante, dado o exotismo do tributo e os efeitos colaterais que provocaria na atividade econômica. Fazê-lo em escala tão ampla implica riscos ainda mais graves.

Qualquer reforma tributária afeta, de modo não inteiramente previsível, o comportamento de empresas e consumidores, os preços, a rentabilidade dos negócios. São comuns ainda episódios de subestimação ou superestimação de receitas, para nem falar de obstáculos políticos e jurídicos.

A taxação das transações financeiras se mostrou fácil e eficiente do ponto de vista da arrecadação, embora tornasse o sistema de impostos menos progressivo e mais hostil à atividade produtiva. Não há precedente internacional, porém, de uma cobrança nas dimensões imaginadas por Paulo Guedes.

O episódio reforça, ademais, os sinais de desorganização na candidatura de Bolsonaro, que não parece ter um centro de autoridade estável e coerente ?"o que não inspira confiança em um postulante ao mais alto posto executivo do país.

Se o candidato não sabia de proposta tão polêmica, cabe duvidar da consistência de sua plataforma; se sabia, não a expôs ao eleitorado. Em qualquer hipótese, demonstram-se improviso, despreparo e deficiência na prestação de contas.
Herculano
21/09/2018 06:45
PLANALTO JÁ PREPARA GABINETE DE TRANSIÇÃO NO CCBB, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O Palácio do Planalto já começou as obras de adaptação do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, para instalação do gabinete de transição do futuro governo. A ordem do presidente Michel Temer é tudo estar pronto tão logo seja anunciado o novo presidente, e designou o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca, para cuidar disso. O ministro tem acompanhado as obras.

TERCEIRA VEZ
O CCBB será usado novamente por equipes de transição do futuro governo. Antes, Lula e Dilma, do PT, ocuparam as instalações.

ESPAÇO AMPLO
A sede do gabinete de transição do futuro presidente terá um total de 2.500 metros quadrados lineares e climatizados.

TRABALHO DOBRADO
O Planalto mobiliza cerca de 60 pessoas nas obras de adaptação e ambientação do gabinete de transição no CCBB.

CCBB FUNCIONA
Nem as obras ou o trabalho da equipe de transição não vão alterar a rotina do CCBB, cujas atividades culturais atraem muita gente.

ELES USAM JATINHOS E O POVO PAGA: R$14,2 MILHÕES
Com o veto às doações de empresas, os candidatos não perderam o hábito milionário adquirido nos tempos das vacas obesas de mensalão e petrolão. Até agora, na eleição de 2018, já gastaram mais de R$14,2 milhões com o aluguel de jatinhos em 60 empresas de táxi-aéreo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Em vez de empreiteiras, agora o dinheiro saiu do bolso do contribuinte, por meio do Fundão Eleitoral.

MARQUETEIROS
Os gastos dos candidatos apenas com jatinhos parecem pouco em relação aos R$270 milhões gastos com "publicidade" e "impressos".

PETROBRAS FATURA ALTO
Além de alugar aviões com dinheiro público, os candidatos gastaram R$24,1 milhões em combustíveis e lubrificantes.

MILITÂNCIA NA INTERNET
Em tempos de redes sociais e perfis fake para "impulsionar conteúdo", o Facebook e o Google já receberam R$6 milhões com essa eleição.

VERGONHA, ITAMARATY
Não basta haver demitido Renato de Ávila Viana com indesculpável atraso. O Ministério das Relações deveria explicar como um sujeito com o perfil de espancador de mulheres, que colecionava vítimas, foi aprovado no exame psicotécnico e admitido na carreira diplomática.

FROUXIDÃO
Tucano tem bico longo, mas bicada fraca, talvez por isso Geraldo Alckmin escalou a vice Ana Amélia, mulher topetuda, para atacar Jair Bolsonaro. Além do mais, tucano nunca foi bicho de coragem mesmo.

TREM A CAMINHO
O Tribunal de Contas da União aprovou, por unanimidade, relatório do ministro Bruno Dantas com 14 alterações para concessão da Ferrovia Norte-Sul, entre Tocantins e São Paulo, incluindo recálculo de valores.

VAI QUE É TUA, RODRIGO
Candidato ao Senado, o ficha limpa Rodrigo Cunha (PSDB-AL) tem a torcida ilustre em Brasília do presidente da OAB Juliano Costa Couto, filho de Ronaldo Costa Couto, ex-ministro de Tancredo/Sarney.

ELEITOR A CAMINHO
Mesmo em campanha, o candidato do MDB ao governo do DF, Ibaneis Rocha está o tempo todo atento à sua casa. A mulher está grávida de um menino. Vai nascer em dezembro e o nome está escolhido: Mateus.

PALAVRA DA CIA
Famosa agência de inteligência norte-americana, a CIA mantém um livro de fatos na internet sobre todos os países no mundo. Segundo a agência, em 2016 houve impeachment no Brasil. Nada de golpe.

MAIS SIMPLES, POR FAVOR
Presidenciáveis tentam caracterizar o regime Simples de tributos como se fosse renúncia fiscal. Errado. São impostos simplificados e pagos. Só o Simples assegurou R$73 bilhões em impostos em 2016.

2038 E OLHE LÁ
A consultoria internacional Inter.B estima que o Brasil precisará investir no mínimo 4,15% do PIB, por duas décadas (e cinco presidentes) para recuperar o atraso nacional na área de infraestrutura.

PENSANDO BEM...
...nem mesmo a redução do número de indecisos diminui a certeza de que teremos tempos incertos em 2019.
Herculano
20/09/2018 22:04
CIRO VAI BATER EM HADDAD, por Helena Chagas em Os Divergentes

O Datafolha de hoje confirma as mesmas tendências de levantamentos anteriores, traduzidas pelo crescimento acelerado de Fernando Haddad (16%), pela dianteira de Jair Bolsonaro, em curva ainda ascendente (28%), e pela estabilização de Ciro Gomes na faixa dos 13%. Não cresceu, mas também não caiu - o que ainda o anima a lutar pela segunda vaga no segundo turno. A estratégia de Ciro nos próximos dias é bater em Fernando Haddad e investir nos votos de centro.

As pesquisas mostram que Haddad vem herdando aceleradamente os votos de Lula, o que explica o esvaziamento concomitante de Marina Silva, que, sem a indicação de um substituto do PT, era a principal destinatária do apoio ao ex-presidente. Com o lançamento de Haddad, essa situação mudou claramente, e o petista ainda tem teto para crescer.

O que Ciro quer evitar é que Haddad cresça junto ao eleitorado de centro, que considera responsável pelo seu próprio crescimento nas últimas semanas. Mostrando-se viável no terceiro lugar, onde até dias atrás empatava com Haddad, Ciro acabou tirando votos de Geraldo Alckmin e do trio João Amoedo-Henrique Meirelles-Álvaro Dias, que oscilou para baixo esta semana. Haddad cresceu mais, mas ele não perdeu.

Realisticamente, o candidato do PDT tem poucas chances de mudar o quadro e ir parar mo segundo turno daqui a duas semanas. A curiosidade é que, nessa tentativa, está tendo o apoio e a torcida do chamado establishment ?" que, como já escrevemos aqui, morre de medo do PT e de Bolsonaro. Ciro Gomes, quem diria, acabou no Irajá como o candidato do centro que até ontem o desprezava.
Anísio Dickmann
20/09/2018 20:56
Sr. Herculano,

Boa noite

Gaspar está largado as traças, MP parece dormindo, vereadores inertes. Veja que uma rede de supermercado, adquire uma área nobre, derruba patrimônio histórico, mas o mais grave é que aos olhos do Poder Público, não dá o destino correto dos entulhos de construção, que por lei, não pode ser depositado em qualquer lugar. Sim a o top, enterrou tudo à beira do Ribeirão, na cabeceira da ponte no centro da cidade.
Não há o que espantar, pois a Havan construiu uma rótula que joga trânsito pra dentro de sua loja. Não pode também em virtude lei, a iniciativa privada construir obra pública sem autorização da Câmara Municipal. O MP continua cego, pois não enxergou o absurdo que o prefeito fez em terras particulares e acioramento no Ribeirão Gaspar Grande, próximo piscinão do Zuchi.
Tá uma vergonha.
Herculano
20/09/2018 20:42
EM CARTA, FHC PEDE UNIÃO CONTRA CANDIDATOS RADICAIS PARA EVITAR AGRAVAMENTO DA CRISE

Em poucas ocasiões vi condições políticas e sociais tão desafiadoras quanto as atuais, diz ex-presidente

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou nesta quinta-feira (20) uma carta aos brasileiros na qual pede aos candidatos que não apostam em soluções extremas que se reúnam e decidam apoiar quem "melhores condições de êxito eleitoral tiver", caso contrário a "crise tenderá certamente a se agravar".

Segundo FHC, ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, "com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague", ou o "remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política".

LEIA A ÍNTEGRA
Carta aos eleitores e eleitoras

Em poucas semanas escolheremos os candidatos que passarão ao segundo turno. Em minha já longa vida recordo-me de poucos momentos tão decisivos para o futuro do Brasil em que as soluções dos grandes desafios dependeram do povo. Que hoje dependam, é mérito do próprio povo e de dirigentes políticos que lutaram contra o autoritarismo nas ruas e no Congresso e criaram as condições para a promulgação, há trinta anos, da Constituição que nos rege.

Em plena vigência do estado de direito nosso primeiro compromisso há de ser com a continuidade da democracia. Ganhe quem ganhar, o povo terá decidido soberanamente o vencedor e ponto final.

A democracia para mim é um valor pétreo. Mas ela não opera no vazio. Em poucas ocasiões vi condições políticas e sociais tão desafiadoras quanto as atuais. Fui ministro de um governo fruto de outro impeachment, processo sempre traumático. Na época, a inflação beirava 1000 por cento ao ano. O presidente Itamar Franco percebeu que a coesão política era essencial para enfrentar os problemas. Formou um ministério com políticos de vários partidos, incluída a oposição ao seu governo, tal era sua angústia com o possível despedaçamento do país. Com meu apoio e de muitas outras pessoas, lançou-se a estabilizar a economia. Criara as bases políticas para tanto.

Agora, a fragmentação social e política é maior ainda. Tanto porque as economias contemporâneas criam novas ocupações, mas destroem muitas outras, gerando angústia e medo do futuro, como porque as conexões entre as pessoas se multiplicaram. Ao lado das mídias tradicionais, as "mídias sociais" permitem a cada pessoa participar diretamente da rede de informações (verdadeiras e falsas) que formam a opinião pública. Sem mídia livre não há democracia.

Mudanças bruscas de escolhas eleitorais são possíveis, para o bem ou para o mal, a depender da ação de cada um de nós.

Nas escolhas que faremos o pano de fundo é sombrio. Desatinos de política econômica, herdados pelo atual governo, levaram a uma situação na qual há cerca de treze milhões de desempregados e um déficit público acumulado, sem contar os juros, de quase R$ 400 bilhões só nos últimos quatro anos, aos quais se somarão mais de R$ 100 bilhões em 2018. Essa sequência de déficits primários levou a dívida pública do governo federal a quase R$ 4 trilhões e a dívida pública total a mais de R$ 5 trilhões, cerca de 80% do PIB este ano, a despeito da redução da taxa de juros básica nos últimos dois anos. A situação fiscal da União é precária e a de vários Estados, dramática.

Como o novo governo terá gastos obrigatórios (principalmente salários do funcionalismo e benefícios da previdência) que já consomem cerca de 80% das receitas da União, além de uma conta de juros estimada em R$ 380 bilhões em 2019, o quadro fiscal da União tende a se agravar. O agravamento colocará em perigo o controle da inflação e forçará a elevação da taxa de juros. Sem a reversão desse círculo vicioso o país, mais cedo que tarde, mergulhará em uma crise econômica ainda mais profunda.

Diante de tão dramática situação, os candidatos à Presidência deveriam se recordar do que prometeu Churchill aos ingleses na guerra: sangue, suor e lágrimas. Poucos têm coragem e condição política para isso. No geral, acenam com promessas que não se realizarão com soluções simplistas, que não resolvem as questões desafiadoras. É necessária uma clara definição de rumo, a começar pelo compromisso com o ajuste inadiável das contas públicas. São medidas que exigem explicação ao povo e tempo para que seus benefícios sejam sentidos. A primeira dessas medidas é uma lei da Previdência que elimine privilégios e assegure o equilíbrio do sistema em face do envelhecimento da população brasileira. A fixação de idades mínimas para a aposentadoria é inadiável. Ou os homens públicos em geral e os candidatos em particular dizem a verdade e mostram a insensatez das promessas enganadoras ou, ganhe quem ganhar, o pião continuará a girar sem sair do lugar, sobre um terreno que está afundando.

Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política.

Os partidos têm responsabilidade nessa crise. Nos últimos anos, lançaram-se com voracidade crescente ao butim do Estado, enredando-se na corrupção, não apenas individual, mas institucional: nomeando agentes políticos para, em conivência com chefes de empresas, privadas e públicas, desviarem recursos para os cofres partidários e suas campanhas. É um fato a desmoralização do sistema político inteiro, mesmo que nem todos hajam participado da sanha devastadora de recursos públicos. A proliferação dos partidos (mais de 20 na Câmara Federal e muitos outros na fila para serem registrados) acelerou o "dá-cá, toma-lá" e levou de roldão o sistema eleitoral-partidário que montamos na Constituição de 1988. Ou se restabelece a confiança nos partidos e na política ou nada de duradouro será feito.

É neste quadro preocupante que se vê a radicalização dos sentimentos políticos. A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado. O fato de ser este o candidato à frente das pesquisas e ter ele como principal opositor quem representa um líder preso por acusações de corrupção mostra o ponto a que chegamos.

Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico. É preciso revalorizar a virtude da tolerância à política, requisito para que a democracia funcione. Qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise. As promessas que têm sido feitas são irrealizáveis. As demandas do povo se transformarão em insatisfação ainda maior, num quadro de violência crescente e expansão do crime organizado.

Sem que haja escolha de uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país; sem que a sociedade civil volte a atuar como tal e não como massa de manobra de partidos; sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar. Os maiores interessados nesse encontro e nessa convergência devem ser os próprios candidatos que não se aliam às visões radicais que opõem "eles" contra "nós".

Não é de estagnação econômica, regressão política e social que o Brasil precisa. Somos todos responsáveis para evitar esse descaminho. É hora de juntar forças e escolher bem, antes que os acontecimentos nos levem para uma perigosa radicalização. Pensemos no país e não apenas nos partidos, neste ou naquele candidato. Caso contrário, será impossível mudar para melhor a vida do povo. É isto o que está em jogo: o povo e o país. A Nação é o que importa neste momento decisivo.
Herculano
20/09/2018 20:33
De Vinicius Torres Freire, no Twitter

Bolsonaro enquadrou Guedes, o tutor econômico, e Mourão, o tutor militar.

Guedes apareceu com ideias birutas de criar duas CPMFs para substituir impostos federais. Bolsonaro não tem ideia do que se trata. Mas pegou mal e ele deu um cala-boca no Guedes. Isso lembra Collor.
Herculano
20/09/2018 20:30
PSDB JÁ DISCUTE OS EFEITOS DO FIASCO DE ALCKMIN, por Josias de Souza

Caciques do PSDB já debatem internamente os efeitos políticos de um eventual insucesso de Geraldo Alckmin na corrida presidencial de 2018. Em respeito ao candidato, os tucanos se esforçam para ocultar o desânimo. No debate interno, porém, o grosso do partido já jogou a toalha, admitiram três integrantes da cúpula do tucanato em conversas com a coluna. Na expressão de um deles, a sexta derrota nacional deve "estilhaçar" a legenda.

O primeiro efeito prático do provável fracasso de Alckmin será uma divisão quanto ao posicionamento do partido no segundo turno. Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso sinalizou que, numa eventual disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, não hesitaria em apoiar o petista. Mas essa posição não é consensual. Longe disso.

Lideranças como o senador cearense Tasso Jereissati também declaram, em privado, que jamais apoiariam Bolsonaro. Contudo, ainda não amadureceram a ideia de optar pelo apoio ao adversário do capitão, sobretudo se for confirmada a passagem de Haddad para o segundo turno. Como de hábito, um pedaço do PSDB flerta novamente com o muro.

Os tucanos receiam sair da campanha de 2018 mais irrelevantes do que entraram. Prevêem um encolhimento do partido. "Podemos sair dessa eleição com um tamanho minúsculo", disse um grão-tucano a coluna. "A essa altura, não é absurda a hipótese de o Alckmin fazer menos de 10% dos votos. Será um resultado vexatório."

Afora o risco de encolhimento das bancadas do partido nos legislativos estaduais e no Congresso, os tucanos estão assustados com o desempenho pífio de Alckmin em São Paulo, berço do PSDB, Estado que o partido governo como força hegemônica há duas décadas.

"Perder para o Bolsonaro num Estado que o próprio Alckmin governou quatro vezes é quase uma humilhação", declarou um dos tucanos que toparam conversar reservadamente. Na sucessão de 2014, graças sobretudo ao prestígio político atribuído a Alckmin, Aécio Neves prevaleceu sobre Dilma Rousseff em São Paulo com cerca de 7 milhões de votos.

Em apenas quatro anos, o tucanato desceu da antessala do poder para o purgatório. Aécio sofreu uma derrota com fragrância de vitória. Amealhou 51 milhões de votos. Parecia fadado a eleger-se presidente na sucessão seguinte. Virou um colecionador de processos criminais.

Ao poupar Aécio de aborrecimentos partidários, o PSDB transformou o derretimento mortal do seu filiado num processo de desmoralização do partido. A corrosão de Aécio, o prontuário de José Serra, as investigações contra o próprio Alckmin e a radioatividade de Michel Temer empurraram o PSDB para a vala comum da rejeição pública.

Na frigideira, parte do tucanato flerta até com a ideia de fundar uma nova legenda. No momento, é difícil distinguir o partido fundado em 1988 por Franco Montoro, Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso de qualquer outra agremiação gelatinosa do espectro partidário.

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