Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

A "nova" reforma anunciada por Kleber do seu secretariado foi capaz de fazer um governo mais fraco ao que ele montou em 2016 para iniciar a sua gestão

24/05/2019

KLEBER “AVANÇOU” A 2016 I

“Você entende de política...”, complementou a uma resposta o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, para a pergunta oficial feita pelo editor e proprietário do jornal, Gilberto Schmitt – que até em tempos remotos já foi suplente de vereador do MDB e assumiu por meses; mas sempre diz ter sido a pior experiência que já teve, ou seja, ele entende do pior da política. A explicação de Kleber se deu na coletiva de imprensa segunda-feira. Nela se anunciou a tão atrasada (seis meses) e esperada, “refundação” do seu governo, depois da “surra” que o grupo dele levou dos eleitores nas urnas de outubro do ano passado. Gilberto, perguntou o que os outros na coletiva queriam questionar, mas não podiam. Os motivos são óbvios: para não ficarem marcados na vingança – tão comum do governo Kleber- e até, sujeitos a perderem às minguadas verbas públicas usadas unicamente para propagandear a gestão pouco transparente e cheia de dúvidas. “Esta reforma é do MDB, do prefeito de fato [Carlos Roberto Pereira] ou do prefeito Kleber?”,  indagou Gilberto. Kleber completou: “são olhares mirando o processo eleitoral do ano que vem”. Bingo!

KLEBER “AVANÇOU” A 2016 II

Depois da tão clara explicação de Kleber ao Gilberto, eu poderia encerrar o meu comentário por aqui. Os leitores e leitoras já teriam entendido e estariam satisfeitos. Estariam esclarecidos pelo próprio prefeito eleito. Ele lavou a minha alma. Disse que eu não exagero por aqui como reclama. Apenas que lhe “incomodo” nas análises das realidades que ele mesmo cria. Ou seja, Kleber não está pensando na cidade, no cidadão, mas no poder. Está dando carta branca para o seu grupo sem votos e que o domina, buscar para ele a vitória eleitoral no ano que vem. Com tantas obras inacabadas e sob questionamentos; com tantos projetos lambanças que vão lhe dar dor de cabeça; com o Samae inundado enterrando-se nos buracos que abre; com tantos problemas no Hospital e nos postinhos que até matam; com tantas faltas de vagas nas creches; com falta de lâmpadas mesmo depois de se aumentar em 40% a taxa de iluminação do povo; com a falta de simples roçações, a explicação de Kleber é o carimbo daquilo que o deixa atrás nas pesquisas, que dá calafrios aos parceiros e faz o seu grupo comprar sapos para coloca-los no mesmo balaio de cobras.

KLEBER “AVANÇOU” A 2016 III

Gente sem palavra. Kleber na propaganda diz que seu governo é eficiente e avança. Na prática, desperdiça e se atrasa. As mudanças anunciadas fizeram-no retroceder a 2016 – e de forma piorada - quando montou a sua primeira equipe. Ela já não deu certo. Teve que refazê-las em 2017 e 2018 – o que é normal. As urnas mostraram o tamanho dos erros. O anúncio da segunda-feira mostra, que além de não resolver e avançar, ele ampliou as vulnerabilidades. A “refundação” do seu governo não foi para dar respostas mais eficientes à população, mas para criar um ato político, preparatório à campanha eleitoral do ano que vem, como ele próprio confirmou ao Gilberto. O objetivo não foi o de servir Gaspar e à população, mas se manter no poder, servir os seus, mesmo que para isso, a cidade e os cidadãos – que pagam as contas com os impostos - sejam os prejudicados. E quem está no comando de tudo isso? O prefeito de fato, o presidente do MDB, o advogado, Carlos Roberto Pereira. Errou, vem errando e até censurando quem aponta às incoerências. Centraliza tudo. E continuará assim. Mais. No anúncio de segunda-feira, claramente perderam Kleber e a suposta influência da sua mulher Leila no governo. A mais evidente: A derrota de Jorge Luiz Prucino Pereira. De diretor Geral de Gestão de Convênios, com a cabeça a prêmio pedida expressamente por Roberto, como consolo, foi parar na esvaziada e inexpressiva Fundação Municipal de Esporte e Lazer com o seu PSDB.

KLEBER “AVANÇOU” A 2016 IV

Roberto Pereira já era o protagonista da Fazenda e Gestão Administrativa. Ele a criou para si na cara Reforma Administrativa de 2017. Como perdeu a maioria na Câmara por má articulação política, refugiou-se na Saúde. Botou o Felipe Juliano Braz da Procuradoria Geral na sua secretaria para guardar o seu lugar. Agora, com a Saúde sob tiroteio por causa do Hospital; com a maioria na Câmara minimamente garantida, Roberto retornou ao que ele já tinha em 2016 e mandou Felipe para a Procuradoria. Qual foi mesma a evolução nesta “reforma” de Kleber? E em áreas que não funcionam trocou meia dúzia por menos de seis? Hum! Só Roberto ganhou. Protegeu o seu esquema no Obras e Serviços Urbanos, fez Roni Muller, sem curso superior, chefe de gabinete; colocou o dentista José de Carvalho Júnior - sem qualquer experiência - na complicada Saúde que o sabido Roberto não deu conta; e no Planejamento Territorial foi buscar o substituto indicado por César Botelho e Paulo França, do falido MDB de Blumenau. Mudança ou decadência? Espertamente jogou a bomba do Hospital no colo de outros. Está embalando o desgaste do governo Kleber. Acordar, Gaspar!

TRAPICHE

José Carlos de Carvalho Júnior estava numa reunião no auditório da Ditran no domingo. Tratava do JASTI. Kleber chegou, interrompeu e o comunicou que ele seria o secretário de Saúde. Nem José Carlos imaginava isso estava sendo tramado. Mostra=se como o governo enxerga e improvisa num setor tão essencial.

A meteórica ascensão de Roni Muller, MDB, traz vários sinais. Está fechado com Carlos Roberto Pereira, inclusive nos mesmos gostos. É um aviso ao ex-chefe dele na Câmara, o presidente Ciro André Quintino, MDB, que ensaia caminhos solos e seria uma opção ao errático grupo de Kleber.

Roni também coloca uma pulga atrás da orelha do líder do próprio governo na Câmara, Francisco Solano Anhaia, MDB, que nasceu no PT. O curral eleitoral de ambos é a Margem Esquerda. A candidata da Associação de Moradores, é a ex-assessora de Anhaia e prima de Roni, a advogada Ana Carolini Deschamps que Anhaia a expurgou. Hum!

Roni por outro lado, amplia uma briga familiar com o seu tio Gelásio Valmor Muller, o Daco. Ele está no cargo comissionado como Diretor de Serviços Gerais, na secretaria de Obras. Em tese, há nepotismo. E não é Roni que vai sair se houver escolhas.

Ninguém foi mais humilhado do que Pedro Inácio Bornhausen, PP. Ir para o Conselho da Cidade. Ele é feito de gente ilustre, voluntária, referências como executivos nas suas empresas. Eles apenas servem para lustrar um governo político fraco. No fundo, não apitam nada na cidade por meio do Conselho.

E o PP como fica? perguntam-me. Do tamanho nanico dele. Ficou velho e o MDB de Gaspar o desgastou de propósito. O vice Luiz Carlos Spengler Filho é parte dessa culpa.

O MDB trabalha para “engordar” a coligação com velhos que se tornaram nanicos e assim “salvar” a barca do poder de plantão. Depois do PDT e PSDB, virá o PSD. Foram as pesquisas que orientaram Kleber na resposta ao Gilberto. E elas dizem que, por enquanto, o atual governo não está bem na corrida de outubro.

Começou mal. O novo secretário de Planejamento Territorial Cleverton João Batista vai cuidar da Ditran, certo?. Ele já fugiu de acidente de trânsito para não fazer bafômetro. Apresentou-se dois dias depois, conforme processo na Justiça.

O ex-secretário de Planejamento Territorial, Alexandre Gevaerd vai para uma tal diretoria de Mobilidade. Isso aconteceu um ano depois da decisão de Kleber de desliga-lo pelo acúmulo de cargos públicos (Furb e Gaspar) num claro ato de improbidade administrativa. Ou seja, muda, é diminuído e não sai.

De mobilidade, Gevaerd conhece. Mas, o que ele vai fazer numa cidade onde o sistema de transportes coletivo é precário, é o mais caro do estado e está entregue a curiosos?

Na coluna da semana passada mostrei a turma de Gaspar, que articulava a tal reforma, com o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrand. Publiquei-a propositadamente. Eles diziam que tratavam de dengue. Mentiam. Tratavam da liberação de Cleverton para integrar o governo de Gaspar. Acorda, Gaspar!

 
Edição: 1902
 

Comentários

Herculano
24/05/2019 17:36
IDIOTA ÚTIL

De Rodrigo Constantino, no twitter:


Os mesmos que rejeitam qualquer contaminação de malucos pedindo fechamento do Congresso na manifestação como um todo de domingo alegam que toda a manifestação contrária ao governo foi de idiota útil pedindo Lula Livre. É preciso ser coerente e imparcial. Tem radical em todo canto
Herculano
24/05/2019 17:34
NÃO TEM JEITO. O PSDB É O PRóPRIO MURO DAS INCOERÊNCIAS

De Augusto Nunes, de Veja, no twitter:

A votação da MP 870 informa q o PSDB está dividido entre gente sem culpa no cartório e casos de polícia. Os primeiros votaram pela permanência da Coaf no Min. da Justiça. O resto, aí incluído Aécio Neves, juntou-se aos bandidos de outros partidos para tentar enfraquecer Moro
Herculano
24/05/2019 17:33
da série: em causa própria, a favor da corrupção e de que nada seja apurado

LÍDER DO GOVERNO NO SENADO É UM DOS ALVOS DE BLOQUEIO DE BENS

Conteúdo de O Antagonista. Um dos alvos do bloqueio de bens determinado pelo TRF-4 agora de manhã é o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho. O valor? R$ 258 milhões.

FBC foi o relator da MP da reforma administrativa e responsável por acolher as polêmicas emendas contra o Coaf e a Receita Federal.

Outro é o deputado Dudu da Fonte, do PP, que teve R$ 333 milhões bloqueados.

Veja a lista completa:

- R$ 1.894.115.049,55 do MDB, de Valdir Raupp, da Vital Engenharia Ambiental, de André Gustavo de Farias Ferreira, de Augusto Amorim Costa, de Othon Zanoide de Moraes Filho, Petrônio Braz Junior e espólio de Ildefonso Colares Filho;

- R$ 816.846.210,75 do PSB;

- R$ 258.707.112,76 de Fernando Bezerra Coelho e espólio de Eduardo Campos;

- R$ 107.781.450,00 do espólio de Sérgio Guerra;

- R$ 333.344.350,00 de Eduardo da Fonte;

- R$ 200.000,00 de Maria Cleia Santos de Oliveira e Pedro Roberto Rocha;

- R$ 162.899.489,88 de Aldo Guedes Álvaro;

- 3% do faturamento da Queiroz Galvão.

Em relação aos partidos políticos, a força-tarefa da Lava Jato e Petrobras requereram que o bloqueio não alcance as verbas repassadas por meio do fundo partidário, que são impenhoráveis por força de lei.
Herculano
24/05/2019 17:23
DEPUTADOS FINGEM PRESENÇA E VOLTAM AOS ESTADOS, por Cláudio Humberto na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Às 16h03 desta quinta (23) o painel eletrônico registrava a presença de 439 deputados na Câmara, sendo que impressionantes 434 estariam no plenário. Mas era tudo mentira: na verdade, o plenário estava vazio. Suas excelências já tinham ido embora, não sem antes registrar a presença graças à malandragem oficial que lhes abre a assinatura do ponto a partir das 6h da manhã. Às favas os projetos, debates, tudo.

REVOADA FACILITADA
Na sessão de ontem, que aprovou a reforma administrativa, a votação simbólica dispensou contagem de votos e verificação de quórum.

FARRA GARANTIDA
Rodrigo Maia já chegou a obrigar deputados a trabalhar até 14h, às quintas, mas para ser reeleito voltou a liberar o ponto 6h da manhã.

ENGARRAFAMENTO
A debandada parlamentar ocorre toda manhã de quinta, no aeroporto de Brasília. Há até engarrafamento de carros oficiais no embarque.

COOPTADOS
A esperança era de que a renovação de deputados teria impacto nessa farra, mas é grande a tentação de ganhar sem trabalhar.

NAMORADA DE LULA GANHA R$16,7 MIL EM ITAIPU
A mulher com quem o presidiário Lula diz pretender se casar após sair da prisão, Rosângela da Silva, a "Janja", recebe R$16.769,57 por mês, para atuar na área de "responsabilidade social" da estatal Itaipu Binacional, onde a média salarial é de R$8.779,68. Como prova de que o "padrinho" era forte, ela foi nomeada em 1º de janeiro de 2005 para trabalhar em Curitiba e não próxima à hidrelétrica, em Foz do Iguaçu.

CONTRATADA NO FERIADO
A menos que a data tenha sido fraudada, Itaipu abriu as portas para formalizar o contrato de "Janja" em pleno feriado nacional.

COISA DE PODEROSA
Relacionando-se com Lula há anos, "Janja" ganhou a boquinha em Itaipu sem fazer concurso ou passar por qualquer processo seletivo.

ENTRE AMIGOS
"Janja" foi contratada por ordem do então presidente de Itaipu, Jorge Samek, petista do Paraná obediente a Lula, que o nomeou.

AINDA ESTE SEMESTRE
O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) é mais otimista que o colega Paulo Guedes (Economia): acha que a reforma da Previdência caminha bem e será votada no plenário da Câmara antes do recesso.

REFORMA ATÉ O DIA 15
O relator da proposta de reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PDSB-SP), afirmou que deve apresentar seu parecer sobre a PEC até o próximo dia 15 de junho.

LIDERANÇA NA PRÁTICA
O Planalto ficou satisfeito com o trabalho de articulação da Líder no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP). Ela fez o que o major Vitor Hugo (PSL-GO), Líder do Governo na Câmara, não consegue.

PERDERAM A NOÇÃO
O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) define como "surreal" a tentativa dos petistas de sabotar a visita de Bolsonaro ao Nordeste. "A política tem dessas coisas", ironiza ele, nordestino de Alagoas.

CONTRA A CORRUPÇÃO
O senador Oriovisto Guimarães (Pode-PR) pretende acabar com "brechas" para prisão em segunda instância: "O STF ora interpreta de uma forma, ora interpreta de outra". Ele pede mudança na Constituição.

MOMENTO SENSÍVEL
Líder do PSL, o Delegado Waldir (GO) pediu desculpas ao presidente da comissão da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), por ataques nas redes sociais e pediu aos deputados que "não meçam, por favor, a conduta do partido pela conduta de um ou outro parlamentar".

INVESTIMENTOS BILIONÁRIOS
O chairman do grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles), John Elkann, e o CEO da empresa, Mike Manly, estiveram no Brasil para anunciar que vão investir mais de R$ 8,5 bilhões nos próximos anos, no Brasil. A maior fábrica da Fiat do mundo é em Betim, Minas Gerais.

OPOSIÇÃO-BIRRA
Mestre em Direitos Fundamentais, Cássio Faeddo define o clima político atual como "desavergonhado processo de desgaste deliberado" do presidente. Para ele, é vez de o PT não aceitar a voz das urnas.

PENSANDO BEM...
...se o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fizesse artes cênicas, ele tiraria nota 10 até mesmo em Harvard.
Herculano
24/05/2019 17:17
da série: Bolsonaro consegue irritar os que pensam, possuem autocritica, mas o defenderam e ajudaram com o voto nas eleições de outubro. Incrível! Essa gente estava constrangida devido ao voto, a necessidade de que o trem encontrasse os trilhos, mas agora começa a revelar o desagrado, apesar da militância radical das redes sociais contra qualquer crítica dos supostos aliados.

"BOLSONARO É BURRO E GOVERNA COMO SE ESTIVESSE NUM CHURRASCO", DIZ PONDÉ

Conteúdo da Revista Exame. Texto e entrevista de André Jankavski. Filósofo de direita critica o governo de Jair Bolsonaro e acredita que o presidente precisa mudar o tom - se não, um novo impeachment pode acontecer

"A política é a capacidade de conviver com o que você não concorda", afirma Pondé

Ao contrário dos filósofos e intelectuais que o presidente Jair Bolsonaro tanto critica, Luiz Felipe Pondé sempre se colocou à direita no espectro ideológico. Defensor de bandeiras liberais, tanto na economia quanto nos costumes, o filósofo e escritor brasileiro era comumente criticado por seus pares por defender um Estado menor e a economia de mercado.

Para ele, o liberalismo "dentro de todas as políticas econômicas, é a que parece menos ruim". O filósofo, no entanto, não está nem um pouco satisfeito com o governo de direita de Bolsonaro, que vem se afastando cada vez mais do perfil liberal que prometera durante as eleições. E parte da culpa dessa instabilidade, para o filósofo, é do seu companheiro de profissão, Olavo de Carvalho.

Não por acaso, Pondé acredita que Bolsonaro tem potencial de ser uma liderança nacional populista, aos mesmos moldes do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e do vice-primeiro ministro italiano Mateo Salvini. Quer dizer, existe um obstáculo: para o filósofo, Bolsonaro é burro.

"Ele é burro. Pode escrever isso. Ele é burro, segue um intelectual paranoico e se deixa influenciar pelos filhos que não entendem nada de sociedade e de convívio democrático", diz Pondé.

O melhor caminho para se tomar, segundo ele, é uma conversa mais madura entre todo o espectro político, deixando a radicalização de lado. "A política é a capacidade de conviver com o que você não concorda. Não é conviver com o que você concorda", afirma ele, que recebeu a reportagem de EXAME em seu escritório, em São Paulo.

Se Bolsonaro não entender isso, de acordo com Pondé, um impeachment pode se tornar um caminho possível. Confira, a seguir a sua entrevista:

Como o senhor avalia o atual momento da direita? Ela está se dividindo?
Durante as eleições, houve uma convergência de pessoas de várias direitas que não gostariam que o PT voltasse ao poder. E isso aconteceu por todas as razões do mundo. O partido tinha se transformado em uma gangue que estava roubando o Estado de forma sistemática. Além disso, a nova matriz econômica da ex-presidente Dilma Rousseff destruiu a economia. Depois das eleições, o gradiente da direita ficou evidente. Há aqueles reacionários, que tem um conservadorismo moral ligado ao Olavo de Carvalho, os evangélicos, os militares e os liberais.

Qual é a sua opinião sobre o papel de Olavo de Carvalho no governo?
Ele é uma péssima influência para o governo e ao país. É um intelectual, sem dúvida nenhuma, com repertório mesmo que constituído informalmente. Mas ele se transformou em um elemento desestabilizador. O Olavo é completamente paranoico e conspiratório. Sempre criou ciclos assim. Essa direita mais próxima do Bolsonaro, chamada de ideológica, é um grupo desorientado mentalmente e intelectualmente.

Há discussões da falta de coesão de pensamentos entre os liberais e os conservadores e isso está ficando evidente na prática. O senhor enxerga a possibilidade de existir uma sintonia maior entre os dois grupos?

Acredito que não. É mais fácil existir um alinhamento dos militares com a direita do Paulo Guedes. E isso apesar dos militares brasileiros não terem uma tradição liberal, como é o caso dos chilenos. O grupo formado por seguidores do Olavo e do Bolsonaro não tem entendimento da realidade. O presidente governa o país como se estivesse na varanda fazendo churrasco e gritando com os filhos. Por isso, é muito difícil manter a convergência a médio e longo prazo.

O lado conservador do presidente não permite essa convivência no longo prazo?
Não é por isso. Durante dois mandatos, o ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, conseguiu sustentar uma parceria entre o movimento evangélico americano e a escola liberal, que ele representava.

Mas o Bolsonaro não faz isso por que não quer ou por que não consegue?
Porque ele é burro. Pode escrever isso. Ele é burro, segue um intelectual paranoico e se deixa influenciar pelos filhos que não entendem nada de sociedade e de convívio democrático. Não é, a prori, o conservador de costume que inviabiliza uma economia liberal. A prova é, como eu disse, os Estados Unidos dos anos 80. Porém, pode ser que eu esteja errado e que daqui a seis meses eu perceba que havia uma estratégia ou que ele se perdeu, mas depois se encontrou.

Neste momento, no entanto, a impressão que temos é que ele está destruindo o governo. Parece que ele não percebe que há uma relação entre estabilidade política e econômica. Ninguém vai comprar uma televisão em 15 vezes se o país estiver em uma guerra civil. Qualquer criança de 12 anos sabe disso.

Mas como fica a direita nessa história? Depois de tanto tempo adormecida, Bolsonaro está fazendo a direita mais forte por estar no poder ou essas instabilidades trazem uma visão negativa do movimento?

É necessário analisar todo o processo. Em um primeiro momento, a possibilidade de Bolsonaro realizar um governo mais liberal economicamente é baixa. Não tem que ficar perseguindo transexual, isso é coisa de idiota. É necessário desenraizar uma máquina que parte do PT montou, e acredito que não tenha sido todo o partido, para espoliar o Estado.

Durante as eleições, a resposta para essa pergunta seria que era um bom momento para a direita e que seria possível colocar em prática uma economia de mercado mais livre, com reforma tributária e menos lei trabalhista que destrói na economia. A reforma da Previdência é um símbolo disso. E o descaso com que o Bolsonaro trata esse tema mostra que ele não entende nada de país e nem de sociedade. Neste momento, o Bolsonaro está fazendo mal à direita.

Qual é a sua visão sobre o nacional populismo, encarnado por figuras como o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e o vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini?

Por acaso, voltei da Hungria recentemente. Lá, eu vi que os húngaros são felizes. A economia está crescendo e, quando isso ocorre, todo mundo fica feliz. Por isso, Orbán conseguiu desmantelar o Supremo Tribunal, a oposição e a própria mídia independente.

Muitos querem chamar o nacional populismo de fascismo, mas é diferente. O primeiro chega ao poder por meio de eleições e não destrói necessariamente o arcabouço da democracia, mas coloniza a democracia destruindo o sistema de pesos e contrapesos.

Alguns intelectuais colocam o presidente Bolsonaro como parte desse movimento. Qual é a sua opinião?

Acredito que ainda é precoce dizer isso. A capacidade de gestão dele faz com que ele tenha mais dificuldade. Se ele entendesse que estabilizar a economia fosse algo importante, talvez ele tivesse uma trajetória parecida com a do Orbán. Mas a minha suspeita de que ele seja burro e inepto é porque ele parece não entender que, mesmo que ele queira por em prática um sistema nacional populista, ele teria que fazer a economia crescer.

Aí sim, ele poderia colocar em prática o que eu considero uma tragédia no sistema político. Ainda que a Hungria esteja crescendo agora, em algum momento vai dar problema. O problema do regime autoritário é que, para continuar sendo autoritário, precisa ser cada vez mais autoritário.

Mas o senhor acredita que o Bolsonaro pode enveredar para esse lado?
É cedo pela minha suspeita de ele não ser inteligente o suficiente para isso. Além disso, ele também está há pouco tempo no poder. Ele tem um discurso próximo. Mas o Brasil tem características diferentes. Por exemplo, não temos problemas com imigração. E, por aqui, não temos um racismo tão agressivo como na Hungria ?" apesar de existir racismo, sim.

Como o senhor enxerga o futuro das reformas e do próprio governo? O presidente vem recebendo críticas de especialistas e de congressistas de que não se engaja na aprovação de reformas importantes.

Ele não se engaja porque não entende que é importante. Bolsonaro prefere falar que Olavo de Carvalho é ícone. Ícone para quem? Só se for para paranoicos agressivos. Se Fernando Haddad tivesse ganhado a eleição, a minha expectativa agora seria a mesma da atual: estabilização da economia. Então, eu não estou torcendo contra o Bolsonaro. Torcer contra ele agora, ainda é torcer contra o Brasil.

Mas em um momento pode deixar de ser. Espero que Bolsonaro, até o fim do semestre, entenda que ele é uma instituição e não o papai do Carlos ou o fã do Olavo. Ele é o presidente da República e, portanto, deve conduzir as reformas, negociar com o Congresso e fazer o trabalho que um presidente faz. O ex-presidente Michel Temer estava fazendo isso antes dele. Bolsonaro está criando uma saudade do Temer nesse aspecto.

O senhor enxerga outros cenários?
Tendo em vista o atual momento, há outras três possibilidades. Uma delas é os militares, que funcionam como fiadores do governo, saírem. Os militares nunca viram o Bolsonaro como um deles. Ele é muito mais baixo clero do Congresso do que militar. Essa história de ele ser militar é um marketing que ele construiu e que está ficando mais claro que é falso. Então, os militares aderiram ao Bolsonaro para parar o PT. Também vejo a possibilidade do Paulo Guedes ficar de saco cheio e sair do governo.

Dessa maneira, o Brasil entraria em uma espiral de instabilidade econômica gigantesca. Se isso acontecer, podemos assistir a um novo impeachment. Isso seria terrível para o país. A última seria o presidente virar uma espécie de rainha da Inglaterra, que será colocado de canto e que ninguém mais levará a sério. Aí de vez em quando ele vai xingar alguém nas redes sociais, comentar de "golden shower" com o filho dele e assim vai indo.

Estamos vivendo em um país cada vez mais radicalizado, à esquerda e à direita. O senhor acredita que essa divisão continuará por bastante tempo?
No momento, na minha opinião, a esquerda não existe. E ela não existe porque Ciro Gomes, que seria o nome mais interessante, é boicotado pelo PT, que ainda luta para tirar Lula da cadeia. É um surto psicótico. O PSOL, que reúne alguns nomes mais próximos da intelectualidade, como o Guilherme Boulos, que é um sujeito preparado e capaz, marca traço de audiência. O PSOL precisaria de um milagre.

Tendo em vista o início em que ele era muito desacreditado, a eleição de Bolsonaro à presidência pode ser considerada um milagre?
Não. Bolsonaro representa um grupo que se sentiu excluído por muito tempo. O conservadorismo de costumes tem uma importância grande no país. Além disso, a população foi ficando de saco cheio dos excessos da esquerda e das discussões inúteis, como ideologia de gênero.

Quando eu digo inútil é no sentido estatístico, não para quem sofre com o problema. As mídias sociais fizeram Jair Bolsonaro acontecer. E contou com uma incompetência da oposição. O PSDB, por exemplo, é um partido péssimo de 15 caciques e dois índios. É um partido de salto alto.

As mídias sociais são um espelho do atual momento de radicalismo. O senhor acredita que, em algum momento, esse conflito tende a ser amenizado?
As pessoas, na maior parte do seu dia a dia, tendem ao centro. Elas só radicalizam quando estão sofrendo demais. Se tivermos um equilíbrio econômico no país, os radicais perdem espaço. As mídias sociais sempre serão uma ferramenta de instabilidade, de marketing político e sempre terão notícias falsas. As pessoas usam essas notícias falsas quando gostam e quando é conveniente. Elas não ligam para fonte.

Está faltando conversa entre as partes? Ao mesmo tempo, os mais extremistas estão relutando qualquer tipo de contato com o espectro político contrário.
A estabilidade mental política precisa de um diálogo ao centro. A política é a capacidade de conviver com o que você não concorda. Não é conviver com o que você concorda. Isso é prova de que o Bolsonaro não entende nada. E eu acho que a polarização tende a continuar por mais de quatro anos. Acho bem difícil que as eleições de 2020 e 2022 não sigam o mesmo caminho. Muito por culpa do governo Bolsonaro, isso se ele não acertar o passo.

O senhor sempre se colocou como um liberal. Ao mesmo tempo, o movimento é visto como pouco preocupado com questões como a justiça social. Qual é a sua percepção desse movimento atualmente?

O movimento tem que amadurecer, como todos os outros. O socialismo, por exemplo, está aprendendo a amadurecer na porrada porque não deu certo em nenhum lugar. Toda a percepção de mundo tem que amadurecer. Mas quando eu me identifico com o universo liberal é porque, dentro de todas as políticas econômicas, é a que me parece menos ruim. Não sou anarcocapitalista, por exemplo. Porém, para se ter justiça social, é necessário equilíbrio fiscal. E para isso, são necessários princípios liberais de administração do Estado. Não se faz justiça social quebrando o Estado.

Às vezes, a esquerda é cega porque ela quer ser ou porque simplesmente não quer enxergar uma realidade. Assim como a direita liberal pode ser cega ao não levar em conta toda uma gama de elementos de mal estar que o capitalismo causa nas pessoas. Ser competente e eficaz o tempo inteiro causa problemas psicológicos nas pessoas, desvinculação familiar, entre outros.
Herculano
24/05/2019 17:06
da série: os três artigos abaixo, dão à real dimensão de que o presidente Jair Messias Bolsonaro, PSL, não possui a mínima da mínima noção do que seja realmente o seu cargo e função. Se fosse um Marechal a comandar uma batalha, perderia antes de chegar ao campo por exatamente entregar a estratégia como vantagem pensada por seus generais, mas que ainda não estaria definida por não haver armas suficientes ou adequadas para o embate. A revelação o faria um tonto..., um fanfarrão, ou pior, um despudorado traidor

SEM SABER O QUE FAZIA, BOLSONARO ANUNCIOU COM ORGULHO PLANO VAGO DE TRIBUTAR IMóVEIS, Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Jair Bolsonaro não entendeu o que dizia quando afirmou ter um plano infalível para aumentar a receita do governo em mais de R$ 1 trilhão, sem aumentar impostos. Disse o que disse porque também não entendeu o que ouviu dentro de seu governo: há um projeto embrionário de aumentar impostos sim, mas que nem de longe renderia receita na casa do trilhão.

O imposto não deve render nem mesmo o que imaginam certas pessoas do governo, estimativa muito mais modesta que a do trilhão, mas ainda assim ambiciosa demais.

Pelo que vaza de modo confuso de algumas pessoas do governo, existe um plano de cobrar um imposto sobre a correção do valor de imóvel declarado à Receita Federal (na declaração de Imposto de Renda), atualização que é atualmente proibida. Quando se vende o imóvel, paga-se imposto sobre a valorização, sobre o ganho de capital, que em parte é apenas inflação, na verdade.

Havia um projeto do Senado que permitiria a atualização de valores e, assim, evitaria paulada maior no Imposto de Renda. Foi arquivado no ano passado.

O governo, ao que parece, quer permitir a atualização do valor mediante a cobrança de uma espécie de taxa. Segundo Rodrigo Maia, presidente da Câmara, diz ter ouvido no governo, seria uma taxa de até 4%, não se sabe bem sobre qual base, qual valor da correção. A arrecadação seria de ao menos R$ 200 bilhões, não se sabe ao longo de qual período. O dono do imóvel poderia optar por atualizar o valor quando quisesse? Seria obrigado a fazê-lo? Trata-se, enfim, de apenas antecipação de receita tributária?

Para começar a conversa: vai dar tanto dinheiro? No balanço dos grandes números das declarações de IR de 2018 (ano-base 2017), a Receita Federal registra que o "ganho de capital na alienação de bens ou direitos" (que não inclui apenas imóveis) rendeu uns R$ 27 bilhões, em valores de hoje.

A receita total com Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas anda pela casa de R$ 500 bilhões. Arrecadar R$ 200 bilhões, mesmo de uma única vez (não haveria pagamento regular da taxa), é uma enormidade. Note-se: é na rubrica IR que entra a receita de "impostos sobre os ganhos de capital decorrente da alienação de bens móveis e imóveis".

A arrecadação de IPTU no Brasil inteiro não rende aos municípios mais do que R$ 60 bilhões. Os brasileiros seriam capazes de pagar mais do que o triplo do IPTU com essa taxa nova? O Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (o ITBI), também municipal, rende R$ 10 bilhões.

Há gente no governo, portanto, animada demais com as possibilidades desse aumento de imposto que Bolsonaro propôs sem saber do que falava. De resto, dadas a alíquota e a estimativa de receita, a base de incidência da taxa teria de ser uma correção patrimonial de R$ 5 trilhões.

Sabe-se lá o valor do patrimônio imobiliário. O total declarado como "bens e direitos" no IR chega perto de R$ 9,5 trilhões, mas não entram aí apenas bens imóveis, como se sabe. De qualquer modo, não deve ser muito animada a reação dos proprietários, dezenas de milhões: 67% dos domicílios no país são próprios.

Seja verdade ou não o bilhete desse projeto, o mais recente desvario boquirroto de Bolsonaro está causando um carnaval no Congresso. Governistas ficam entre consternados e irritados com o anúncio tristemente ignaro e contraproducente.

Há críticas pesadas ao aumento de imposto ou, previsível, sarcasmo: se há tanto dinheiro por aí, por que reformar a Previdência?
Herculano
24/05/2019 16:55
ARRECADAÇÃO MAIOR DO QUE A REFORMA, por Celso Minge, no jornal O Estado de S. Paulo

Jair Bolsonaro quer arrecadar mais de R$ 1 trilhão com projeto que implica reavaliação do mercado de patrimônio declarado no Imposto de Renda

O presidente Jair Bolsonaro deixou escapar mais uma ideia estapafúrdia. Quer arrecadar mais de R$ 1 trilhão, mais do que o ministro Paulo Guedes pretende arrancar com a reforma da Previdência em dez anos, com um esquema que implique reavaliação a mercado do patrimônio declarado no Imposto de Renda.

O capitão ainda procurou mostrar prudência a respeito do assunto, porque pediu que a Receita Federal estudasse o tema "com muito cuidado". Mas não escondeu o entusiasmo: "Com certeza, será aprovado por unanimidade nas duas Casas do Congresso"...

Embora queira aumentar arrecadação, explica ele com estranha inocência (ou desconhecimento), não se trata de aumento de imposto, apenas de antecipação. Faltam pormenores sobre a proposta. Não se sabe quem teria assoprado essa esquisitice ao presidente. Uma das confusões consiste em pretender que valorização de patrimônio equivalha a aumento de renda e, portanto, constitua fato gerador de imposto.

Nessa toada, o proprietário acabaria por ter de vender seu pedaço de terra de um dia para outro para antecipar o recolhimento de um imposto futuro que, nesse caso, não iria acontecer porque a propriedade teria sido vendida antes de o futuro chegar. E se o imóvel não for vendido, como descontar a antecipação cobrada desse jeito?

Mesmo considerando a viabilidade da proposta e ainda se tratando de um imóvel, que critério usar para definir o valor atualizado de mercado? Será preciso recorrer a avaliadores profissionais? E as dívidas serão atualizáveis e dedutíveis do patrimônio positivo?

Imagine-se agora que se trate de semoventes, bois, cavalos, cabras. Outra vez, que critério de avaliação adotar? O do boi gordo ou o do boi magro? Quem vai fiscalizar a procedência da avaliação transmitida à declaração?

A proposta é alcançar tanto pessoas físicas como empresas. Agora, imagine-se o que seria uma empresa ter de reavaliar seus ativos (incluindo-se aí os intangíveis, como marcas, pontos de venda, etc.) e, uma vez sendo isso possível, em seguida desovar milhares de reais do seu caixa para alimentar a voracidade do Fisco. O impacto sobre o capital de giro e sobre o emprego só poderia ser desastroso. Consequência previsível seria a fuga da indústria ou a desistência de investir no Brasil pelo capital estrangeiro.

O impacto não seria apenas no setor privado, mas também no setor público. É só pensar o que aconteceria com as finanças da Eletrobrás (e com suas usinas hidrelétricas) e da Petrobrás (com suas refinarias, reservatórios, oleodutos e tudo o mais).

Outra ideia velha de guerra, que nada tem a ver com essa maluquice, é instituir um imposto sobre patrimônio, e não nova aplicação do Imposto de Renda. Ainda na condição de senador, Fernando Henrique Cardoso chegou a encaminhar projeto de lei nesse sentido, que não foi adiante por sua inviabilidade técnica e política. Entre outras razões que tornariam esse imposto inviável, uma seria a inevitável debandada de capitais financeiros para onde não existissem garfadas desse tipo.

Talvez ainda mais esquisita do que a formulação da proposta tenha sido a repentina acolhida dos ouvidos presidenciais a essa coisa confusa.

CONFIRA

Baixa forte do petróleo

O mercado do petróleo enfrentou nesta quinta-feira uma forte onda vendedora. Ao longo do dia, a queda das cotações do tipo Brent ultrapassou os 5,0%, nível mais baixo desde março. O fechamento registrou queda de 4,1%. A principal razão desse tombo não foi a propalada intenção de alguns produtores da Opep de liberar mais produção, mas foi o aumento das tensões nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Esse fator pesou mais do que a relativa distensão na crise entre os EUA e o Irã.
Herculano
24/05/2019 16:52
SIMPLES ERRADA, por Merval Pereira, no jornal O Globo

São muitos os entraves para que se concretize ideia de taxa para permitir a atualização do valor dos imóveis no IR

O incipiente estudo da Receita Federal, revelado de maneira indireta pelo próprio presidente Bolsonaro, feliz pela possibilidade vislumbrada de arrecadar mais de 1 trilhão de reais, causou rebuliço na equipe econômica e no Congresso.

Pelo mesmo motivo: temer que arrefeça o ânimo dos deputados e senadores para votar a reforma da Previdência, diante da perspectiva de uma entrada de dinheiro maciça nos cofres do governo. Provavelmente isso não vai acontecer

São muitos os entraves para que a idéia mirabolante de criar uma taxa para permitir a atualização do valor dos imóveis na declaração do Imposto de Renda se concretize. Mas a proposta, que aparentemente é uma oportunidade para o governo conseguir uma arrecadação extra de impostos, não resolve os problemas estruturais da economia brasileira, como bem lembrou o presidente da Câmara Rodrigo Maia, ecoando com mais liberdade o sentimento da equipe econômica.

A começar pelo ministro Paulo Guedes, que não foi informado dessa proposta, nem sabe quem a levou diretamente a Bolsonaro. Que, por sua vez, não consultou o seu Posto Ipiranga. Pela satisfação com que o presidente revelou parte de seu segredo aos parlamentares da bancada nordestina, estava convencido de que havia descoberto o pulo do gato.

Os proprietários pagariam menos imposto sobre a valorização de seus imóveis na hora da venda, e o governo ganharia uma arrecadação extra. Um jogo de ganha-ganha que ninguém acredita que exista. "Uma receita extraordinária não vai resolver o problema do déficit estrutural da Previdência, que é crescente" definiu Rodrigo Maia.

Que voltou a defender a necessidade da reforma. "A gente precisa entender que arrecadação que acontece apenas uma vez, não é alternativa à reforma da Previdência."

O vice-presidente da comissão especial da reforma da Previdência, deputado Silvio Costa Filho, quer convidar o secretário da Receita, Marcos Cintra, para explicar, na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, "a possível criação de um novo tributo". E já adiantou sua posição, contra o que chamou de aumento de imposto, "o pior remédio para combater a crise econômica e o déficit público".

Ele cobrou do presidente que deixe de gastar suas energias políticas em "fórmulas mágicas" e se concentre na aprovação das reformas da Previdência e tributária, além do novo pacto federativo.

Hoje o custo do imóvel já é atualizado na venda por uma tabela que reduz o lucro a ser tributado. Além disso, o Imposto de Renda estabeleceu uma tabela com aumentos escalonados, começando pela taxação de 15% do lucro pelas vendas de imóveis de até R$ 5 milhões.

A taxação vai subindo à medida que o preço aumenta. Os lucros que excedam os R$ 5 milhões, até R$ 10 milhões, pagam 17,5%. O lucro entre R$ 10 e 30 milhões é taxado em 20%, e acima de R$ 30 milhões a taxação chega a 22,5%. Várias dúvidas são levantadas pelos proprietários:

Além de não prever restituição do valor caso o imóvel se desvalorize, boa parte da valorização desses ativos no Brasil é mero ajuste inflacionário. Se a taxa não for atraente, é melhor levar o tributo para hora da venda, senão o proprietário do imóvel estará antecipando o imposto que só irá pagar no futuro. Será preciso fazer uma conta para ver o que vale mais a pena.

Uma situação curiosa seria a do próprio governo federal, que tem milhares de imóveis avaliados pelo ministro Paulo Guedes em R$ 1 trilhão. A venda será feita aos poucos, para não desvalorizar o preço de mercado devido à enxurrada de ofertas. O governo vai ter que fazer suas contas também, pois terá que atualizar o valor venal deles antes de vender.

Na maioria dos casos, quem vende um imóvel recebe o dinheiro para pagar o imposto de lucro imobiliário. Se atualizarem o valor sem vender o imóvel, muitos proprietários não vão ter de onde tirar o dinheiro para pagar o imposto.

O mais provável é que a reavaliação seja feita apenas na hora de vender, o que torna a arrecadação extra mais imprevisível ainda. Se o governo estabelecer um prazo para essa atualização, pode ser que a arrecadação imediata aumente. Mas será quase que um imposto compulsório.

Como disseH L Mencken, jornalista e crítico americano do século passado, famoso por suas frases ácidas, "para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada".
Herculano
24/05/2019 16:50
EXPLICAÇõES NECESSÁRIAS

O portal Cruzeiro do Vale - o mais antigo, mais acessado, atualizado e acreditado - esteve indisponível por algumas horas por problemas técnicos.

Os leitores e leitoras deste espaço, via o portal e princialmente os que possuem contatos diretos comigo, reclamaram, então, da indisponibilidade e atualização da coluna.

Nas sextas, ela é escrita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo e de maior circulação de Gaspar e Ilhota.

Aos que são de Gaspar e Ilhota, não sendo assinantes do jornal impresso, recomendei acessá-la por compartilhamento de outro assinante ou comprando-o, ainda disponível, em banca de Gaspar.

Mas, o que ficou evidente diante do episódio, é que muitos gasparenses e ilhotenses que acessam o portal do Cruzeiro do Vale já não moram mais em Gaspar ou Ilhota, e se moram, saem cedo para o trabalho. E aí no caminho ou no serviço, antenam-se com leitura via seus smartphones ou laptops...

E foi neste tipo de público que a coluna, o portal e seus conteúdos fizeram falta. Ruim e bom, ao mesmo tempo. As desculpas da equipe. Acorda, Gaspar!

Herculano
24/05/2019 16:37
QUAL É O TAMANHO DO EXÉRCITO GOLPISTA?, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

Não é preciso esforço para ver as digitais do presidente na convocatória dos protestos

Há apenas um aspecto positivo nas manifestações marcadas para este domingo. Vai dar para saber o tamanho do exército de Bolsonaro para dar continuidade ao trabalho de assalto às instituições, que começou, a rigor, ainda antes da posse, quando Sergio Moro aceitou o convite para ser ministro da Justiça. A vaidade do doutor vendeu a pauta da moralidade, já eivada por agressões à ordem legal, ao consórcio de extremistas que se alinhou com o presidente.

Setores da imprensa passaram a operar no "modo negação", fazendo um esforço danado para tentar dar uma lavada na pauta: "Ah, agora os manifestantes vão defender a reforma da Previdência e o pacote anticrime de Moro (sempre ele...)". Papo-furado! O que anima as convocações é a pregação para fechar o Congresso e o Supremo.

Imagens dos membros do tribunal e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ilustram os ataques mais estúpidos à ordem legal e às instituições. Acho particularmente encantadora a turma que prega a aplicação do artigo 142 da Constituição ?"que, salvo engano, está em aplicação. Explico.

Lê-se no caput do referido artigo: "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

Observem que as tarefas atribuídas às Forças Armadas não são alternativas, mas cumulativas. Não se diz ali que "ou elas defendem a Pátria ou garantem os poderes constitucionais". Se a primeira atribuição é, de fato, vaga, a segunda é bastante específica. E mesmo a atuação na garantia da lei e da ordem depende da "iniciativa" dos Poderes. Isso poderia dar pano para manga, mas deixo o caso para outra hora.

Não é preciso grande esforço para encontrar as digitais do presidente da República na convocatória. A decisão de não comparecer aos protestos, embora compreenda os seus motivos!, só reforça a autoria daquele que já confessou não ter nascido para ser presidente da República.

Quando fez tal afirmação, não exercia nem mesmo a humildade decorosa. O que pretendia era reforçar a fábula de que cumpre uma missão, atribuída, segundo vídeo que ele mesmo divulgou, pelo próprio Deus. É, por si, espantoso? É. Mas não venham me dizer que é inesperado.

Bolsonaro tem mais três anos e sete meses de mandato. Seus fanáticos, dentro e fora do Parlamento, vivem imersos num universo escatológico, finalista, de quem caminhasse para uma luta definitiva entre o Bem, que eles encarnariam, e o Mal, que reúne todos aqueles que não se ajoelham diante da Verdade Revelada.

Sei bem o que nos empurrou para esse milenarismo mixuruca. Emiti alertas contra essa estupidez logo depois dos primeiros arreganhos autoritários da Lava Jato, ainda em 2014. No fim daquele ano, já estava claro que um novo ente de razão lutava para nascer sob o signo do combate à corrupção.

A crença finalista na moralidade da vida pública tinha como espada a agressão permanente ao Estado de Direito. Não por acaso, os valentes do força-tarefa, com Deltan Dallagnol à frente e Moro na retaguarda, identificaram o habeas corpus como o seu principal adversário ?"o que a ditadura só ousou fazer com o AI-5.

A quase extinção de um dos pilares de um regime democrático compunha o estandarte das "Dez Medidas Contra a Corrupção", com a qual concordou o então relator da estupidez: Onyx Lorenzoni... E estamos como estamos.

Sempre que alguém se aproxima de mim com a conversa mole de que, "se o Brasil fosse uma empresa, já teria fechado as portas", olho para o vazio em busca de um outro assunto que mude o rumo da prosa sem que passe por deseducado. Esse é um daqueles pensamentos impossíveis porque o que há nele de afirmativo nega o próprio postulado.

O Brasil não é uma empresa. E países não fecham. O que pode lhes acontecer, a depender das escolhas feitas pela maioria ou por quem pode se impor à maioria, é piorar sempre. Qual é o limite? Não há limite.

Interesso-me pouco por aquilo que produzirão neste domingo os templários do golpismo. Suas intenções, assim como as de Bolsonaro, inspirador da patuscada, são claras. A resposta dos outros dois Poderes é que vai nos dizer os riscos que corremos.
Herculano
24/05/2019 16:35
O MITO DO MITO, por Nelson Motta

Foi uma ignorância que deu certo, ao menos nas eleições

'Coisa ou pessoa que não existe, mas que se supõe real. Coisa só possível por hipótese. Ficção" é a definição de "mito" do Aurélio.

"Um fato considerado inexplicável ou inconcebível, enigma. Uma crença geralmente desprovida de valor moral ou social, desenvolvida por membros de um grupo, que funciona como suporte para suas ideias ou posições. Ex. o mito da supremacia da raça branca.", segundo o Michaelis.

E também "Afirmações fantasiosas, inverídicas, disseminadas com fins de dominação, difamatórias, propagandísticas, como guerra psicológica ou ideológica. Ex. O mito do comunista que come criancinhas."

"Valor social ou moral questionável, porém decisivo para o comportamento dos grupos humanos em determinada época. Ex. O mito do negro de alma branca", diz o Houaiss.

Ou eles não sabiam o que diziam quando inventaram um mito messiânico vitorioso ou Bolsonaro está se revelando a mais completa tradução do que dizem os dicionários. Pior para nós.

Nenhum mito resiste ao confronto com a realidade. Mitos não reclamam que o país é ingovernável por causa das corporações e dos partidos que só querem mamar. Mitos não fazem mimimi. Nem perdem 15 pontos de aprovação em três meses. Nem são derrotados em votações por seu próprio partido.

Sem ofensa, Bolsonaro pode ser tudo, até um bom presidente, tudo menos um mito. É imperativo linguístico e semântico, de significado. Foi uma ignorância que deu certo, ao menos nas eleições. Cansados de salvadores da pátria populistas e corruptos, os eleitores preferiram algo que não existia, um mito.

Mas o destino dos mitos é serem corroídos e desmitificados pelo tempo e a realidade. Grandes líderes não são mitos, são história e exemplo.

Para piorar, nosso Mito diz que dorme muito mal, quatro horas por noite, acorda várias vezes, tem um revólver na mesa de cabeceira. Como qualquer ser humano de 60 anos, deve se levantar exausto, de péssimo humor e sem cabeça e energia para enfrentar um país desabando.

O mito tem que dormir para o presidente acordar.
Herculano
24/05/2019 16:31
CRISE NO CONGRESSO ALARMA EQUIPE ECONôMICA, QUE PREVÊ "LUTA POLÍTICA BRABA", por Daniela Lima, na coluna Painel, no jornal Folha de S. Paulo

Ajuda quem não atrapalha
Os constantes embates entre o governo e o Congresso tornaram-se a principal preocupação da equipe econômica. A guerra retórica que encerrou a primeira etapa da votação da medida provisória que reorganizou a Esplanada, na quarta (22), fez aliados de Paulo Guedes (Economia) classificarem a atuação do PSL como "corrosiva", e a debilidade da articulação como obstáculo à agenda do Planalto. O tom é de chamado à realidade: "O governo precisa querer governar", disse um membro do time.

Passou da conta
O desalento tomou conta da equipe econômica após a bronca dada pelo líder do DEM, Elmar Nascimento (BA), na bancada do PSL. "Aquilo foi o auge. Agora vai ser luta política da braba", disse um integrante do grupo montado por Guedes.

Vá só
Líderes de partidos de centro e centro-direita encerraram a votação da medida provisória, nesta quinta (23), avisando que, mantida a atitude atual, vão cruzar os braços para que o governo veja se, de fato, tem votos para operar.

Pessimistas
O clima em Brasília foi agravado nos últimos dias pela avaliação de que a equipe de Paulo Guedes também está perdida, sem conseguir implementar a retomada da economia. Tornou-se corrente a avaliação de que a reforma da Previdência não será suficiente para a recuperação sem um plano que ataque o desemprego e o endividamento.

Telefone vermelho
O cenário de ingovernabilidade tornou-se alvo de debate nas duas Casas do Legislativo e também no Supremo. Nos últimos dias, ministros e parlamentares intensificaram os contatos.

Teoria do caos
Em encontro na quarta (22), na residência de Davi Alcolumbre (DEM-AP), 15 senadores de diversos partidos, da direita à esquerda, debateram as opções à mesa. A reunião, revelada pelo Estado de S. Paulo, partiu da premissa de que o país ruma ao impasse.

Sem saída
Não houve definição de rumo, mas diagnósticos: 1) o vice, Hamilton Mourão, não conquistou a confiança do Congresso, 2) Bolsonaro não é do tipo que combina com renúncia, 3) a crise é intermitente e seguirá aos soluços; 4) os atos deste domingo (26), qualquer que seja o resultado, tendem a piorar o ambiente.

Grato
No dia seguinte à mobilização pró-Bolsonaro, o governo vai contemplar categoria que atua para inflar os atos, os caminhoneiros. Na segunda (27), o documento eletrônico que amplia o controle do piso do frete entra em teste no ES.

Estica e puxa
Parlamentares tentam convencer a equipe econômica a usar o Fundo de Participação dos Estados como principal critério de divisão das verbas da exploração do petróleo, o chamado Fundo Social. Querem que dois terços dos recursos sejam partilhados dessa maneira.

Cobertor curto
A repartição foi prometida aos governadores por Paulo Guedes, mas o critério ainda está em debate. A equipe econômica quer usar parte da verba para ressarcir os estados exportadores atendidos pela Lei Kandir.

Cobertor curto 2
Parlamentares lembraram o governo de que o FPE atende prioritariamente Norte, Nordeste e Centro-Oeste -regiões que podem render votos no Congresso. A expectativa é que sejam distribuídos R$ 6 bilhões.

Atentai?
A medida provisória 871, que fecha o cerco a fraudes no INSS, está 100% fora do radar dos integrantes do PSL. Aprovada, a proposta ajudaria a manter intacta a aposentadoria rural, mas líderes de partidos de centro avisam que o governo vai enfrentar dificuldades na votação da matéria.

Peso pesado
Rodrigo Maia (DEM-RJ) bateu o martelo. Avisou que Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) vai relatar a reforma tributária na comissão especial.
Miguel José Teixeira
24/05/2019 16:30
Senhores,

Eis porque as galinhas PeTralhas cacarejam tanto:

Um ovo e 93,3 milhões de litros de gasolina custam o mesmo na Venezuela

Um ovo custa a mesma coisa que 93,3 milhões de litros de gasolina e com um dólar é possível comprar o conteúdo de 14.600 caminhões-tanque: na outrora potência petroleira Venezuela, a hiperinflação e o congelamento dos preços fazem o combustível sair praticamente de graça.

O paradoxo é que, com a gasolina mais barata do mundo, os venezuelanos enfrentam ciclos de escassez, o último deles iniciado na semana passada, com filas que chegavam a vários dias de espera para encher o tanque em diversas regiões.

"Aqui a gasolina é grátis", resumiu à AFP o economista Jesús Casique.

Um ovo no supermercado custa 933 bolívares, mas no posto, um litro de gasolina custa 0,00001 bolívares.

Para encher um tanque de 50 litros custa 0,0005, montante impossível de pagar de forma exata: de menor nota é a de dois bolívares, após uma reconversão monetária lançada pelo presidente Nicolás Maduro em agosto passado.

À época, foram cortados cinco zeros do bolívar, mas as novas notas foram pulverizadas por uma hiperinflação que o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta em 10.000.000% para este ano. As moedas já não existem mais.

"O pouco dinheiro que você entrega para a pessoa que abastece seu carro no posto é uma gorjeta", porque o combustível é praticamente gratuito, afirmou Henkel García, diretor da firma Econométrica, à AFPTV.

Um dólar, cotado a 5.641,50 bolívares nesta quinta-feira pelo Banco Central da Venezuela, compra 554,6 milhões de litros de gasolina, suficientes para encher 222 piscinas olímpicas.

"Como ficou tão barata? Com uma inflação que foi crescendo, e um preço de gasolina que ficou estagnado", explicou García.

Aumento é 'tabu'

O plano de reajuste de Maduro de 2018 incluía aumentar a gasolina, e até equipará-la com preços praticados no mercado internacional para pessoas sem o "Carnet de la Patria", documento que dá acesso a subsídios e que a oposição considera um mecanismo de controle social.

A alta nunca se concretizou no país com as maiores reservas de petróleo, cuja produção atingiu seus piores níveis em três décadas.

Com esse colapso, a Venezuela vive a pior crise de sua história moderna.

Para Maduro, a situação é o resultado de uma "guerra econômica" da oposição e dos Estados Unidos para derrubá-lo; para seus críticos, são produto de anos de políticas erradas do chavismo.

O "aumento da gasolina foi um tabu (...). Boa parte do mundo político acha que aumentar a gasolina pode elevar a pressão social, e isso pode levar a uma mudança política", resumiu García.

Em 1989, após um ajuste de preços teve início um conflito social conhecido como "Caracazo", que deixou 300 mortos em Caracas e povoados vizinhos. Este é um fantasma que se agita sempre que é mencionado um aumento do preço da gasolina.

Pobres subsidiando ricos

Para que um litro de gasolina seja vendido na Venezuela a preço internacional teria que alcançar 4.659 bolívares por litro, explicou Casique.

A enorme diferença entre esse montante e o que os venezuelanos pagam na realidade custa ao Estado cerca de 5,24 bilhões de dólares anuais, de acordo com especialistas.

"Dar a gasolina de presente (...) é um subsídio muito regressivo, porque quem tem carro é o grupo social mais rico. É um subsídio que os que não têm carro pagam para os que têm carro, e isso é algo muito prejudicial", disse García.

As penúrias dos venezuelanos - incluindo apagões e escassez de produtos básicos, como medicamentos - soma-se à falta de combustível.

Atualmente, a Venezuela refina apenas 100.000 barris de gasolina diários, a metade da demanda, vendo-se obrigada a importar o resto, afirmou o deputado opositor José Guerra.

Mas, em um contexto de seca de dólares pela crise, "não temos como pagar esses 100.000 barris", acrescentou Guerra, ex-diretor do Banco Central.

A entrada em vigor no fim de abril de um embargo petroleiro dos Estados Unidos dificulta também a compra de gasolina a empresas americanas "que eram as que normalmente nos abasteciam", opina García.

fonte: http://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/um-ovo-e-933-milh%c3%b5es-de-litros-de-gasolina-custam-o-mesmo-na-venezuela/ar-AABR1RV?li=AAggNbi&ocid=DELLDHP17

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