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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

20/03/2017

CELEIRO
Gaspar e Ilhota, apesar de pequenas, são grandes celeiros de informações para o jornalismo. Leitoras e leitores da coluna, repetidamente, perguntam-me, como consigo tantas informações e como tão poucas – ou nenhuma delas - circulam na mídia tradicional incluindo jornais, portais, rádios e tevês. Não sei explicar. Ou sei? Todavia, ainda não é o momento para esclarecer mais esse fenômeno social e que parece evidente para todos. Volto. As informações estão disponíveis à nossa volta. E o que faço? Não as dar friamente, mas explicá-las, comentá-las ou esclarece-las. É isto que as tornas mais atraentes, polêmicas, provocam o debate, o silêncio medroso, o aplauso e principalmente a virulenta ira, dependendo do lado do interesse. Ou muitos de vocês nunca ouviram falar no bar, em casa, na igreja, no clube, nos churrascos dos amigos, pescaria, na pizzaria, no whatsapp muitos dos fatos comunitários (ou estadual ou nacional) que escrevo ou reproduzo aqui no portal e no jornal impresso? Entre as minhas leitoras e leitores, pela aspereza dos assuntos que abordo, não há ingênuos. Uns até fingem. Acorda, Gaspar!

O FEDOR DO LIXO
Quem recolhe o lixo reciclável de Gaspar? Leitor da coluna documentou: o improviso e o perigo. E a fiscalização? Nem da prefeitura, nem do Samae, nem da Ditran. Acorda, Gaspar!

ILHOTA EM CHAMAS I
Na semana passada o prefeito de Ilhota, Érico de Oliveira, PMDB, foi à sua página do facebook reafirmar, por escrito que, “tenho convicção de que a transparência é a alavanca do bom governo”, talvez inspirado por algum aspone esperto ou entendido no assunto em estimular políticos no poder a ludibriarem pela propaganda enganosa e discursos fáceis, os analfabetos, ignorantes e desinformados. Na semana passada também, o juiz da segunda vara da Comarca de Gaspar, Renato Mastella, escancarou a hipocrisia do prefeito: frontal e formalmente. O magistrado concedeu uma liminar num mandado de segurança impetrado pelo cidadão e ao mesmo tempo advogado, Aurélio Marcos de Souza, ex-procurador geral de Gaspar e ex-assessor jurídico da Câmara de Ilhota, ou seja, experimentado nesse assunto que requeria na jurisdição. E para que? Vejam só: para ter acesso ao que é minimamente obrigatório, às informações não disponíveis no portal da transparência de Ilhota – ou ao que o município está obrigado a fornecer pela Lei do Acesso as Informações - e naquilo que o prefeito se gaba nas redes sociais ter, a transparência dos seus atos de governo. E depois sou eu o exagerado, o crítico...

ILHOTA EM CHAMAS II
O requerimento 41 no portal de Ilhota foi protocolado por Aurélio Marcos no dia sete de fevereiro. Ele deveria ter sido respondido pelo prefeito (assessores) até o dia 27 daquele mês. Silêncio. Zombaria. Escárnio. Provocação. Cansado, o doutor Aurélio impetrou no dia oito de março devido ao silêncio, um mandado de segurança para obter as respostas. A liminar do doutor Mastella é do dia 13 de março. O oficial de justiça notificou o prefeito na quinta-feira, dia 16. Pergunto: precisava disso para quem se orgulha da transparência e alardeia isso nas suas redes sociais? Para que serve uma ferramenta própria para a transparência com o cidadão e que custou e custa dinheiro público vindos dos pesados impostos dos ilhotenses, como o portal de Acesso à Informação da prefeitura de Ilhota? Ou seja, fingiam que havia transparência. Sonegavam o que prometiam.

ILHOTA EM CHAMAS III
Insatisfeitos, os governantes de plantão de Ilhota mandaram bananas à lei e ainda, no facebook, faziam escárnio sobre o tema para a plebe ignara e os amigos do poder. Precisou alguém esclarecido procurar os caminhos legais para fazer funcionar o que obrigatório funcionar. Vergonhoso. Inacreditável. O doutor Mastella, deu 15 dias para o prefeito Érico dar as explicações pedidas pelo doutor Aurélio. Não é nenhum favor ou perseguição. É um direito do cidadão e uma obrigação do gestor público. Ali o político ou gestor público é funcionário do povo. Sabia disso quando se candidatou. Aliás, este escárnio não é só em Ilhota não. Eu mesmo acionei o que se diz ser uma Ouvidoria na Câmara de Gaspar pelos métodos da ferramenta disponível na internet. Faz 40 dias. Fiz os questionamentos. Até o fechamento desta coluna, bananas não ao colunista, mas à cidadania. Então isso é rotina por aqui. Faz tempo. O Ministério Público que cuida da Moralidade Pública colocou sob vara as soluções. Elas vieram à meia boca e são desafiadas permanentemente. Os políticos e gestores públicos que falam em transparência, temem-na ou a desprezam. Dos cidadãos só querem os votos e o dinheiro para sustentá-los. O Brasil está mudando. A maior parte dos políticos e gestores públicos ainda não percebeu esta mudança. Outra menor até percebeu, mas está lutando para que nada mude. Está reclamando contra uma presumível falta de sorte e classificando os questionadores como sendo bandidos.

ILHOTA EM CHAMAS IV
Retomo. O que quer saber o cidadão Aurélio? Coisas embaralhadas. Fatos que não apareceram no Diário Oficial dos Municípios e nem no portal do Município, ou quando apareceram, não cumpriram o rito da transparência, do esclarecimento, da exigência legal. Elementares como, “a) Cópia integral das dispensas de licitação de nºs 01/2017, 02/2017, 03/2017, 04/2017, 05/2017, 06/2017, 07/2017 e 09/2017; e b) cópia dos extratos de comunicação e dos contratos de dispensas de licitação de nºs 01/2017, 02/2017, 03/2017, 04/2017, 05/2017, 06/2017, 07/2017 e 09/2017”. Nada que já não tenha passado por esta coluna como dúvidas, ou seja, já tinha se tornado pública e mesmo assim, o poder público preferiu enfrenta-las apostando que seriam esquecidas. E por que? Porque no passado bem recente e de quem apadrinha o governo de Érico de Oliveira, pendurava, quando pregava, os documentos para publicidade, na porta da prefeitura, ou mandava publicá-los em jornal de Joinville que nunca chegava por aqui, a não ser folha da publicação, para ser apensada a algum processo e assim lhe dar ares de regularidade.

ILHOTA EM CHAMAS V
“Ao denegar o acesso à informação, o impetrado Erico de Oliveira, prefeito de Ilhota vai contra um dos princípios responsáveis por concretizar a República como forma de governo, o princípio da publicidade administrativa. Cabe aqui dizer que a solicitação de informação versa sobre oito procedimentos licitatórios que são escondidos até o presente momento [oito de março], onde sequer se tem conhecimento do objeto licitado, valores, formas de pagamentos, datas para recebimento, datas de início ou fim da prestação de serviço, possíveis justificativas, empresas participantes e vencedoras, fontes de recursos a fazer frente a despesa, ou seja, exatamente informação de espécie alguma”, argumentou o Aurélio Marcos ao juiz, que concordou. O doutor Mastella sorteado para o caso fulminou: “por se tratar de um direito fundamental, não poderia a autoridade impetrada [prefeito] escusar pronunciamento sobre o pedido, quer para acolhê-lo quer para desacolhê-lo, com a devida motivação”. Não faltará tempo para o procurador geral de Ilhota, Luiz Fernando Melcher e Maba com a ajuda de mentores do governo e a assessoria de Florianópolis, orientar melhor o seu chefe neste e outros casos.

PARTIDO DE ALUGUEL I
Na coluna de sexta-feira, feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo, o de maior circulação e de maior credibilidade em Gaspar e Ilhota, na seção Trapiche, escrevi esta pequena nota: “faz três legislaturas que o Belchior não possui representantes partidários. O barbeiro Joceli Campos Lucinda (2009/2012) mandava bananas para o seu PFL; o professor Jaime Kirchner (2013/2016) para o PMDB. Agora, a jornalista Franciele Daine Back (2017/2020), para o PSDB, filhote bastardo do PMDB. Joceli e Jaime não se reelegeram...”. Ela foi motivada pelo comportamento atípico e incondicional da vereadora tucana na última sessão da Câmara no apoio ao governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB, seu tutor, naquele projeto que cria gratificação especial para o novo gestor da Defesa Civil. Todo o comportamento da moça, a mais jovem vereadora de Gaspar nunca passou por uma discussão interna no partido.

PARTIDO DE ALUGUEL II
Volto. Ai um dos fundadores do PSDB de Gaspar (e na ativa ainda) reagiu e mandou um recado. “Você esqueceu do Etelvino Teobaldo Schmidt. Ele foi eleito vereador pelo Belchior Baixo e pelo PSDB. Ele também esqueceu do partido e não se reelegeu”. A observação do prócer tucano e que não quer se revelar para não colocar mais lenha na fogueira do PSDB local, ao lembrar o produtor rural e comerciante Vino, e de legislatura bem anterior, mostra três coisas: que não sou bom de memória o quanto penso; que há um exemplo (e de longe, é verdade, mas há) dentro do próprio ninho tucano e que o que escrevi no jornal só se reforçou ainda mais o questionamento. Resumindo: que então está na hora de se perceber que há uma “praga” no Belchior que toma conta dos seus representantes eleitos. Eles acabam precocemente com os seus planos políticos ao tentar voos solos e ignorando os partidos que usaram ou alugaram para a representação, mas por conveniências o trocaram sem sair dele, pelo poder de plantão. Saudades do saudoso líder e vereador do Belchior, Laurentino Schmitt. Todos os políticos do Belchior reverenciam-no, mas segui-lo no exemplo...

PARTIDO DE ALUGUEL III
O comportamento da vereadora Franciele Daiane Back que usou o PSDB para se eleger e deu as costas para ele no apoio pessoal incondicional ao prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB, seu próximo, garantindo-lhe assim à maioria de sete a seis na Câmara, tem causado desconforto nas hostes tucanas. E não é de hoje. Vem das eleições. O comportamento dela na Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação e no plenário na semana passada no caso do Projeto de Lei 01/2017 deixou esse apoio cego e pessoal, sacramentado. O PL dá gratificação especial ao novo coordenador de Defesa Civil. Ele ainda não foi nomeado exatamente por estar esperando a aprovação desse PL e que foi considerado ilegal e inconstitucional pelo relator geral da comissão, Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Derrotado na Comissão com o voto a favor de Franciele na matéria, o PL veio a plenário. Foi numa jogada regimental para assim dar prosseguimento da matéria nas comissões onde estaria engavetado, diante dos votos e do robusto parecer técnico assinado por um notório oposicionista do governo Kleber. Mas, como todos sabem, que faz (ou avaliza) esses pareceres é a própria assessoria da Câmara.

PARTIDO DE ALUGUEL IV
E o que diz sobre tudo isso o presidente do PSDB de Gaspar, o advogado Renato Nicoletti? “A nossa orientação sempre foi pela legalidade e defesa de posições em favor da população. Para isso coerência é a palavra-chave. Não somos base do governo enquanto partido. Não indicamos e nem reivindicamos cargos, posições, nada. Se há algum filiado que hoje ocupa cargo, desconhecemos”. Primeiro está claro para o presidente do PSDB de Gaspar que o partido não é base de sustentação do governo do PMDB, PP ou de Kleber. Mas, também não é oposição. Está em cima do muro e aí, então, abre a brecha. Legalidade? Mas, o PL 01/2017 não possui um relatório que o define como ilegal e inconstitucional? Então também está claro que Franciele ou não entendeu direito o relatório ou não entendeu a orientação do partido: a primeira condição para o PSDB é estarem os pleitos do governo Kleber lastreados na legalidade. Quanto ao PSDB não ter gente no governo Kleber, pode até ser, mas Franciele não faz questão de esconder os seus e nem a sua influência no governo.

PARTIDO DE ALUGUEL V
Retomo. O doutor Nicoletti esclarece ainda mais: “em qualquer projeto de interesse da população, esse deve ser o primeiro requisito a ser observado em conjunto com a legalidade. Se a assessoria do órgão declara se tratar de projeto inconstitucional, não precisaria nenhuma orientação externa para se posicionar. Isso é o que pensamos como presidente do partido e também como operador do direito. Está clara qual posição tomar”. Opa! O que está dito? Quem nem precisaria orientação do partido para a vereadora, que é jornalista, ou seja, bem esclarecida, entender o que é certo ou errado no âmbito jurídico e que neste caso, está explícito no relatório feito na comissão da qual a vereadora é parte. “ Quanto as questões internas do partido acerca das posições da vereadora Franciele, não são objeto de nossa pauta, nesse momento. Uma porque o Projeto de Lei ainda está tramitando. Outra, porque estamos em fase de transição dentro do partido e agora nossa prioridade é encerrar este ciclo, visando o seu crescimento”.

PARTIDO DE ALUGUEL VI
O que o doutor Nicoletti revela ao finalizar o assunto? Que desistiu da Franciele. Ela durante a campanha preferiu ser orientada pelo PSDB de Blumenau. Nunca esconde que tinha uma inclinação pelo candidato Kleber Edson Wan Dall e nunca concordou com o voo solo do PSDB de Gaspar. O doutor Nicoletti então vai deixá-la se espatifar como aconteceram com os outros vereadores do Belchior que alugaram os seus partidos durante os seus mandatos. O doutor Nicoletti espera que neste caso do PL, a Justiça salve o partido sem muito o que fazer e a própria Franciele, na encruzilhada em que ela meteu ambos. A outra revelação é a de que desistiu de liderar o PSDB de Gaspar e está passando este e outros macaquinhos para os ombros de outrem, numa eleição que vai acontecer até abril. Ele se cansou apesar de ter liderado uma eleição onde o PSDB, lutando para romper os laços de filhote bastardo do PMDB de Gaspar e que está no poder, nunca teve tantos votos para o prefeito como teve com a ex-vereadora, a professora Andreia Symone Zimmermann Nagel, egressa do DEM. Com Franciele ou como filhote do PMDB, o PSDB corre o sério risco de ficar marcado por uma administração que vem em dois meses somando erros, revelando-se tão velho, apesar dos jovens que compõe a administração.

PARTIDO DE ALUGUEL VII
E para encerrar e mostrar que não se trata de implicações, mas de fatos. No sábado, quem veio aqui assistir o desfile dos 83 anos de Emancipação? O prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, PSDB. Depois a turma tucana foi até a Padaria Pão de Mel para um café e um papo. Franciele foi a cicerone. Na rede social ela registrou: “vocação. Sinônimo do Napo. Há muito tempo tu serves de inspiração e modelo na política. Hoje a nossa meta é ser todo dia um pouco mais Napoleão”. Penso que ela não entendeu nada da tal vocação de Napoleão. O que de inspiração ele proporciona à vereadora? O desprezo ao partido? Ou está fazendo campanha para ser vereadora em Blumenau? Outra: faz dois meses que ela nomeou a jornalista Talita Catie de Medeiros – que já teve um pé no PT - como sua assessora parlamentar. Talita acaba de pedir exoneração. Voltará a trabalhar em Blumenau. Assessoramento parlamentar ou político é algo de pele, identidade e raiz, então... Na sessão de hoje estará a nova assessora.

INFÂNCIA PERDIDA I
Sob este título, na sexta-feira, mais uma vez na coluna escrita para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale – o mais antigo, o de maior circulação e de maior credibilidade em Gaspar e Ilhota - colocou o dedo numa ferida aberta pela administração de Kleber Edson Wan Dall, PMDB. Ela ficou exposta a mando do secretário da Fazenda, secretário interino de Administração e Gestão, o presidente do PMDB de Gaspar, o advogado Carlos Roberto Pereira. O doutor Pereira tem demonstrado e faz questão de deixar isso evidente, é o prefeito de fato. O que foi parar desta vez na Câmara? O projeto de lei 07/2017. Ele rapa o Fundo da Infância da Adolescência – e não dá alternativas para substituir as fontes de recursos -, enfraquecendo ainda mais a secretaria de Assistência Social, dada ao ex-assessor parlamentar de Kleber, Ernesto Hostin, PSC, nas relações político-eleitoral-evangélicas. Papai Pig é completamente leigo no assunto. Na reunião desta segunda-feira estava possesso porque o caso se tornou público. Sem domínio, aí quem manda e desmanda lá sob as ordens de fidelidade do paço é a assistente social Eloiza Probst. A caça às bruxas já começou.

INFÂNCIA PERDIDA II
Voltando. O matreiro, curto e silencioso PL, é técnico. O que está escrito nele é termos e citações jurídicas ou de leis. Tudo para não provocar curiosidades. Mas, como sou curioso e não estou ainda com a preguiça que acomete outros, este assunto desde sexta-feira ganhou as ruas e o debate. Mas, se ele é técnico, técnica é também a defesa para desconstituí-lo ou enfrenta-lo. Pedi ajuda e ganhei. Agradeço, mas preservo a fonte, por motivos óbvios. Vou dispô-lo em parte aqui e para ajudar os técnicos e o relator da Comissão de Legislação da Câmara, se assim ele quiser. a) dispõe o art. 71, da Lei nº 4.320/64 que "constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que por lei se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação", sendo os recursos por ele captados considerados recursos públicos, estando, portanto, sujeitos às regras e princípios que norteiam a aplicação dos recursos públicos em geral, inclusive no que diz respeito a seu controle pelo Tribunal de Contas, sem embargo de outras formas que venham a se estabelecer, inclusive pelo próprio Ministério Público (conforme art. 74, da Lei nº 4.320/64 e art.260, §4º, da Lei nº 8.069/90, somados às disposições gerais da Lei nº 8.429/92).

INFÂNCIA PERDIDA III
Quem criou a receita vinculada do FIA em Gaspar que Kleber quer mudar agora, foi o ex-prefeito Luiz Fernando Poli, PFL, em 1993. Ou seja, há 24 anos. E até agora não teve questionamentos a não ser nos bastidores do ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt e que comento apartado no Trapiche. Nem o PT e o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi chegaram a tanto. Continuando: b) o Fundo Especial para a Infância e Adolescência FIA, é previsto pelo art.88, inciso IV, da Lei nº 8.069/90, que dispõe ser sua criação e manutenção uma das diretrizes da política de atendimento à criança e ao adolescente a ser implementada pela União, estados e municípios; c) O Fundo Especial para a Infância e Adolescência FIA, deverá ser criado por lei, sendo, de acordo com o mesmo art.88, inciso IV, da Lei nº 8.069/90 acima referido, vinculado ao Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente, que será o seu gestor; d) A lei que cria o Fundo Especial para a Infância e Adolescência deverá especificar as fontes de receita bem como indicar quais as formas de despesa, ou seja, qual a destinação que poderá ser dada aos recursos captados, que deverá ser invariavelmente na área da criança e do adolescente.

INFÂNCIA PERDIDA IV
A disponibilidade da grana na prefeitura é escassa? Não se sabe ao certo. A administração de Kleber numa hora reclama da falta de dinheiro, em outras, arrota. Se é pouca, por que não esclarece? Por que não diminui o cabide? Por que não propõe uma reforma administrativa para adequar o corpo ao tamanho do pijama? Transparência, zero. Mais um pouco de argumentos técnicos: e) algumas das fontes de receita para o fundo especial para a infância e adolescência são previstas já na própria lei nº 8.069/90, notadamente o valor das multas aplicadas pela justiça da infância e juventude em procedimentos para apuração de infração administrativa às normas de proteção à criança e ao adolescente (arts.194 a 197 e art.154 c/c 214), e nas ações civis que tenham seus preceitos cominatórios descumpridos pelo demandado (arts.213 e 214), além é claro das doações de pessoas físicas ou jurídicas (art.260). A previsão estatutária genérica, no entanto, não dispensa que a legislação que cria o fundo especial para a infância e adolescência local também contemple, de maneira específica, as referidas fontes de receita; f) embora uma das fontes de receita do fundo especial para a infância e adolescência possa (e deva) ser o orçamento do ente público (união, estado ou município), é importante ficar claro que os recursos por este destinados para criação e manutenção de órgãos, programas e ações na área da criança e do adolescente não precisam passar pelo fundo, devendo ser previstos no orçamento próprio das secretarias, departamentos e/ou órgãos públicos encarregados de sua execução.

INFÂNCIA PERDIDA V
Em outras palavras, escreve-me quem me esclareceu tecnicamente sobre esse assunto: os recursos captados pelo Fundo Especial para a Infância e Adolescência devem servir de complemento ao orçamento público dos mais diversos setores de governo, que por força do disposto no art.4º, caput e par. único, alíneas "c" e "d", art.87, incisos I e II e art.259, par. único, todos da Lei nº 8.069/90, bem como art.227, caput, da Constituição Federal, devem priorizar e em regime de prioridade absoluta a criança e o adolescente em seus planos, projetos e ações. Ou os nobres novos administradores de Gaspar entendem que o desamparo a criança e ao adolescente é uma boa medida de economia sem resultado prático na instabilidade social, naquilo que já está perigosamente instável? Que nova visão de governo é esta?

INFÂNCIA PERDIDA VI
Querem mais argumentos técnicos? Meu voluntário oferece mais: g) os recursos do Fundo Especial para a Infância e Adolescência não podem ser utilizados para manutenção dos órgãos públicos encarregados da proteção e atendimento de crianças e adolescentes, aí compreendidos o Conselho Tutelar e o próprio Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente, o que deverá ficar a cargo do orçamento das Secretarias e/ou Departamentos aos quais estiverem aqueles vinculados; h) de igual sorte, os recursos do Fundo Especial para a Infância e Adolescência não podem ser utilizados para manutenção das entidades não governamentais de atendimento a crianças e adolescentes, que na forma do art.90, caput, da Lei nº 8.069/90, "são responsáveis pela manutenção das próprias unidades". i)9 Os recursos do Fundo Especial para a Infância e Adolescência não podem ser também utilizados para custear as políticas básicas a cargo do Poder Público (saúde, educação, habitação etc.), devendo ser destinados, exclusivamente, à implementação e eventual manutenção de programas específicos de atendimento (diga-se, programas de prevenção e proteção especial, sócio-educativos e orientação/apoio/promoção familiar), voltados a crianças, adolescente e, também, às suas famílias (dando-se prioridade ao atendimento da criança ou adolescente no seio de sua família), ex vi do disposto no arts.90, incisos I a VII, 101, incisos I a VII, 112, incisos III a VI e 129, incisos I a IV, todos da Lei nº 8.069/90;

INFÂNCIA PERDIDA VII
O meu esclarecedor técnico, por fim faz essas pontuações: como se tratam de recursos públicos, deve haver a maior transparência possível na deliberação e aplicação dos recursos captados pelo Fundo Especial para a Infância e Adolescência, razão pela qual devem ser estabelecidos critérios claros e objetivos para seleção dos projetos e programas que serão contemplados, respeitados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, ex vi do disposto no art.4º, da Lei nº 8.429/92 a Lei de Improbidade Administrativa. A propósito, tanto os membros do Conselho de Direitos quanto os responsáveis pela execução dos programas de atendimento custeados com recursos do Fundo Especial para a Infância e Adolescência, estão sujeitos à disposições da Lei nº 8.429/92, ex vi do disposto nos arts.1º, 2º e 3º deste Diploma Legal. Por fim: o art.260, §2º, da Lei nº 8.069/90, como decorrência do disposto no art.227, §3º, inciso VI, da Constituição Federal, estabelece, de maneira expressa, que parte dos recursos captados pelo Fundo Especial para a Infância e Adolescência deverão ser destinados a programas de "incentivo ao acolhimento, sob forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado", se constituindo esta a única fonte de despesa obrigatória de tais verbas, prevista na Lei nº 8.069/90. Ufa! Quem despreza, ou economiza, com a crianças e os adolescentes, não merece liderar, governar e nem plantar árvores. Os frutos delas serão amargos e venenosos.

INFÂNCIA PERDIDA VIII
E para encerrar. O que está na pauta da sessão de hoje da Câmara de Gaspar? O requerimento dos vereadores Cícero Amaro de Souza e Wilson Luiz Lenfers, ambos do PSD e Roberto Procópio de Souza, PDT ao prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB. Eles querem saber “Qual o saldo atualizado do FIA (com os extratos bancários); Quais foram os saldos do FIA nas datas de dezembro de 2014, 2015 e 2016 (com os extratos bancários); O Fundo recebeu, neste período, recursos financeiros de alguma outra fonte a não ser da dotação orçamentária anual do município; caso afirmativo, quais foram as fontes e os valores; quantos projetos do FIA foram contemplados nos anos de 2015 e 2016; qual foi o montante de recursos repassados aos projetos contemplados em 2015 e 2016; quais são os atuais integrantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; quem é o seu atual presidente; informar se houve deliberação do Conselho que aprova a alteração do inciso II, do Art. 2º, da Lei 1.432, de 24 de maio de 1993. Acorda, Gaspar!

ILHOTA EM CHAMAS VI
Durou dois meses e durou muito. O advogado Eduardo Ribeiro, deixou de ser o Chefe de Gabinete do prefeito Érico de Oliveira, PMDB. Ele foi advogado do candidato Erico. Era coisa marcada. Eduardo foi ex-controlador da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, cidade onde reside e divide com a mulher Jade Martins Ribeiro, o escritório de advocacia. Jade foi a candidata a prefeito do PMDB lá. Representava a continuação. Foi derrotada. Ficou em terceiro lugar. A indicação do doutor Eduardo foi do ex-prefeito de Balneário, Edson Renato Dias, o Periquito, PMDB. Eduardo saiu formalmente da chefia de gabinete, mas foi acomodado informalmente na assessoria jurídica. Hum! E isso pode?

ILHOTA EM CHAMAS VII
Por que o doutor Eduardo pediu para sair? Porque uma representação aportou no Ministério Público que cuida na Comarca da moralidade pública e deixou vulnerável o chefe Érico. Só isso. Nela está dito que a portaria 22 que o indicou, não definiu o tempo de horas mínimas que deveria trabalhar para o município como aconteceu com os demais; de que isso foi feito sob medida para o Chefe de Gabinete não ser exigido e assim poder conciliar com as demandas do seu escritório. E este não é um fato novo. A própria representação estampou que o doutor Eduardo já tinha sido pego nesta dupla jornada quando controlador da Câmara de Balneário Camboriú pelo próprio MP num quiproquó que foi parar na Justiça. Diante do que se denunciou na representação com a viva possibilidade de uma Ação de Improbidade Administrativa contra o prefeito Érico e mais complicações para o doutor Eduardo, ele oficialmente foi retirado da administração de Ilhota.

TRAPICHE


A vida como ela é. O ex-prefeito de Gaspar, Adilson Luiz Schmitt, PMDB (PSB, PPS), pensou numa Ação Direta de Inconstitucionalidade para desvincular a obrigação das receitas municipais para com o Fundo da Infância da Adolescência. Foi desestimulado e recuou.

Foi Adilson que pensou a Ação. Não foi nenhum assessor. Adilson é quem verdadeiramente mandava no governo, quando não influenciado pela mulher e alguns santos que o rondaram. Assessor era para contê-lo – quando conseguia - e não para mandar nele. Entendia e entende tecnicamente do riscado.

Adilson era taxado como doido até pelos próprios peemedebistas muitos deles hoje no poder, mas não chegou a tal ponto de retirar as verbas ou as fontes do FIA de Gaspar como está “propondo” Kleber Edson Wan Dall, PMDB.

Agora, dez anos depois, um outro peemedebista, vestido e coroado como um santo - e que escondeu Adilson na campanha para não se “contaminar” de suas doiduras e perder votos -, faz o que Adilson não ousou fazer.

É uma surpresa atrás da outra. Todas devidamente escondidas durante campanha eleitoral. Para quem tentou tirar parte do duodécimo da Câmara com o aval do próprio presidente Ciro André Quintino, PMDB, da mesa diretora e da maioria dos próprios vereadores, nada mais é surpreendente. Qual será a próxima? Acorda, Gaspar!

Outra notícia para colocar a viola no saco sobre este assunto e esperar as surpresas. Se esse PL 07/2017 do corte das verbas do FIA for aprovado na Câmara de Gaspar como está, quem deverá questionar a constitucionalidade dele será a promotora Chimelly Louise de Resenes Marcon.

Começou cedo. O PMDB de Gaspar por interesses e arrogância se dividiu quando teve o governo nas mãos. Complicou e faltou aos ex-prefeitos Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, e a Adilson Luiz Schmitt. Os resultados são sobejamente conhecidos. É história. E começou já os primeiros ensaios no governo de Kleber Edson Wan Dall.

O lixo de Gaspar fede. Quem pedir a cópia integral da licitação pela modalidade de dispensa e que teve a Transolidos como vencedora, ficará surpreso.

Leitora peemedebista me cobra a razão pela qual não abri manchete para a inauguração do asfalto da Rua Leonardo Pedro Schmitt, no Macucos, pelo governador Raimundo Colombo, PSD.

Respondo: porque é uma notícia e todos os veículos já fizeram a manchete. Seria repetitivo. Manchete daqui seria o atraso de quase três anos que os políticos para com a obra. Manchete será quando se abrirem os primeiros buracos no asfalto.

Já na outra ponta, um leitor não morador de lá, mas com senso de oposição, reclama a razão pela qual esqueço o calvário dos moradores das ruas Pedro Schmitt Junior e Artur Poffo.

Engano. Fui o primeiro a afirmar que o PT os enganava. Zuchi desmentia, sucessivamente. O tempo provou o que estava à vista de todos. E agora, esse assunto já tem padrinho, o editor e proprietário do jornal Cruzeiro do Vale. Então está bem encaminhado.

Dos três senadores catarinenses, apenas Dalírio Beber, PSDB, ainda não assinou a PEC contra o foro privilegiado. Qual a razão disso? Paulo Bauer, PSDB foi o primeiro. Depois Dário Berger, PMDB. Ambos antes do número mínimo para a PEC ser levada à mesa do senado.

Ilhota em chamas VIII. Agora é lei. A 1832/2017 autoriza o leilão para vender veículos, carrocerias ambulâncias, tanques e a balsa bem como o seu rebocador. Ufa!

Ilhota em chamas IX. No passado isso já deu problemas. Ilhota acaba de contratar por R$11.900,00 mensal e por 12 meses, a - Assessoria Jurídica Zoéga Coelho & Advogados, de Florianópolis. A licitação foi lançada ainda no tempo do ex-prefeito Daniel Christian Bosi, PSD.

Ilhota em chamas X. É para prestar serviços jurídicos especializados de advocacia perante a Justiça comum, federal e especializada do trabalho, com atuação em todas as Instâncias dos tribunais de Santa Catarina, e instancias superiores, assim como em questões administrativas complexas.

Mais enrolação. A prefeitura de Gaspar concedeu a Múltiplos Serviços e Obras Ltda. a Suspensão da Contagem dos Prazos Contratuais do Contrato nº SAF-01/2016 a partir do dia 22 de fevereiro que pavimentação asfáltica com drenagem da Rua Madre Paulina.

Como funciona. A servidora efetiva Merendeira/Servente Beatriz Pamplona Rainert, lotada na Secretaria Municipal de Educação, foi designada para desempenhar a função de Secretária da Junta de Serviço Militar de Gaspar.

Os vereadores de Gaspar estão há 70 dias no cargo. Destes 40 ficaram de “férias”. E já vão ter um reajuste de 5,44% a partir de março. É isso o que diz o projeto de lei 8/2017. O parecer favorável do relator geral Roberto Procópio de Souza, PDT, e das comissões numa ação relâmpago, já estão prontos para a votação nesta terça-feira.

O mesmo acontecerá para os funcionários da Câmara e os inativos. Enquanto isso, os funcionários da prefeitura poderão ter esse reajuste dividido em três vezes. Isto já aconteceu no ano passado e mostra como os políticos não estão nem aí para a crise e o tratamento diferente do funcionalismo.

O Projeto de Lei nº 5/2017, de autoria da Mesa Diretora da Câmara, que tramitou apenas 15 dias e vai votação na sessão de hoje mantém os 13 assessores parlamentares comissionados para os vereadores ou abre oportunidade para se aumentar o quadro de assessores?

Sumiu. Uma sindicância vai apurar a responsabilidade pelo extravio de equipamento Colorímetro Pocket Colorimeter II – Cloro (HX0001-01668), de propriedade do Município de Gaspar, adquirido pelo Fundo Municipal de Saúde. Não é coisa barata e tem destino específico.

Vai e volta. O servidor efetivo Cleber Sabel, agente de Serviços Especializados II, lotado na Secretaria Municipal de Administração e Gestão foi mandado para o Fórum no dia dois de janeiro. Na semana passada uma portaria o trouxe de volta para a prefeitura de Gaspar.

 

Edição 1793

Comentários

Platao
23/03/2017 16:32
Boa tarde, Colunista!
Os corredores da Camara de Vereadores jah comentam que, se o Governo aguentar ate a festa de Sao Pedro sera muito.
Por que disto?
As articulacoes feitas pelo Lider do Governo, Junior Hostins, nao estao dando resultados positivos para o Governo. Junior se demonstra impaciente com os demais Vereadores e tenta os ameacar com socos na mesa, lembrando o Ex-Prefeito Adilso "louco" Schmitt.
O ultimo a levar uma bela enquadrada foi o Vereador Dr Silvio Cleff. falou que iria votar contra o desarquivamento do PL que previa a remuneracao para o Servidor da Defesa Civil e apos a enquadrada, teve que pedir desculpas ao Vereador Relator Dionisio mas que iria votar com o Governo.
Mais um a exemplo do Irmao Moura que esta sendo dominado pelo velho PMDB de Guerra.
Herculano
23/03/2017 12:22
A REFORMA DO POVÃO, por Carlos Alberto Sardemberg, no jornal O Globo

A Previdência brasileira, incluindo o pessoal do INSS e servidores de todos os níveis, fechou o ano passado com um déficit de R$ 316 bilhões. Esse é o resultado do total de contribuições pagas pelos trabalhadores e pelos patrões, incluídos os governos, menos o total de aposentadorias e pensões pagas. Isso significa que o governo federal e os estaduais tiraram dinheiro de outros impostos e contribuições para pagar aos aposentados.

Como o déficit é crescente, está na cara que, se não for contido, os governos acabarão tendo de usar todo a receita arrecada para financiar o sistema de aposentadoria. Claro que essa é a situação impossível - a hipótese apenas indica que vai faltar dinheiro.
Como há déficit tanto no INSS como nos sistemas de aposentadoria de servidores, todos devem entrar na reforma, certo?

Não é bem assim.

O presidente Temer resolveu tirar do projeto de reforma todos os servidores estaduais - sistema esse que fez um déficit de R$ 89,6 bilhões no ano passado. Já estavam de fora os militares, cujo sistema teve um rombo de R$ 34,1 bilhões.

Portanto, daquele déficit total de R$ 316 bilhões, nada menos que R$ 123,7 bi, ou 40%, estão excluídos do Projeto de Emenda Constitucional, a PEC da Previdência.
Como os servidores são os que têm maior poder de pressão sobre deputados e senadores que vão votar a reforma, não se exclui a hipótese de que os funcionários civis federais também sejam tirados da atual PEC. No ano passado, o déficit aí foi de R$ 43,1 bilhões.

No total, ficaria de fora um rombo de R$ 166,8 bilhões, referente a 3 milhões de aposentados, com os melhores rendimentos.

E assim ficaria na reforma só pessoal do INSS que, de fato, apresenta o maior déficit: R$ 149,7 bilhões. Só que para pagar 30 milhões de brasileiros, sendo que quase 60% recebem um salário mínimo.

Seria a reforma do povão.

Corrupção na carne

Pessoal diz que se o fiscal estava achacando o frigorífico, então é lógico que a indústria estava produzindo carne podre.

Certo?

Pode não ser.

É perfeitamente possível, provável até que o fiscal estivesse exigindo propina para não criar dificuldades. Isso acontece direto e não apenas na indústria da carne. A legislação brasileira é complexa, minuciosa e confusa, nos três níveis de governo, e para todos os setores da economia. Um fiscal mal intencionado e bem experiente acha pelo em ovo com facilidade.

Podem perguntar ao contador ou ao advogado trabalhista de qualquer empresa séria: você tem certeza de que está tudo certinho? A resposta honesta será algo mais ou menos assim: até onde a gente consegue ver, parece correto, mas nunca se sabe.

Esse ambiente, claro, favorece a propina.

Acrescente ao quadro o aparelhamento do Estado brasileiro, sistema em que os partidos ou grupos políticos trocam apoios por nomeações dos companheiros para as mais diversas funções de governo. E assim chegamos à corrupção política.

Muitos políticos, inclusive aqueles que se encontram no grupo dos honestos, sustentam que não há problema nas nomeações quando o indicado é tecnicamente aparelhado para o cargo.
É falso porque o nomeado sabe que está lá não por suas qualidades técnicas, mas pela força da indicação política. Os diretores da Petrobras apanhados na Lava Jato eram qualificados para os cargos.

No governo FHC foi feita uma reforma administrativa com o objetivo de profissionalizar a gestão pública. Parte importante foi a criação das agências reguladoras, que deveriam ser independentes do aparelho político de governo.

Teve um funcionamento inicial razoável. Mas logo avacalharam. Especialmente a partir do governo Lula, os cargos nas agências foram loteados da mesma maneira que, digamos, uma diretoria sanitária do Ministério da Agricultura.

Em resumo: a "operação carne fraca" parece ser um fiasco. Mas mostrou de novo aquilo que a Lava Jato escancarou, que a corrupção política é sistêmica e geral.

E poderosa. Não é que muita gente está tentando aproveitar a falha da Polícia Federal nesse caso para melar todas as investigações? Algo assim: a carne não era podre, logo vamos cancelar as delações.

Não é fácil acabar com um sistema entranhado na cultura e na prática políticas.

No estrangeiro

Pode parecer exagerada a reação dos governos que embargaram a importação de carne brasileira. Afinal, o Brasil é o maior exportador mundial, a superpotência do setor, estabelecido no negócio há muito tempo, vendendo boi, frango e porco há décadas em mais de uma centena de países. Como não consta que os fregueses estrangeiros tenham adoecido com a carne brasileira, então qual o problema com uma operação policial limitada e equivocada?

O problema é que o Brasil está no noticiário internacional por causa da grossa corrupção na Petrobras, inicialmente, apanhada por uma famosa operação policial.

Ou seja, limpar a imagem da carne brasileira exige também apanhar a corrupção.
Sidnei Luis Reinert
23/03/2017 12:13
Governo aumentará impostos para cobrir rombo


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O verdadeiro homem público deve ter e demonstrar algumas qualificações fundamentais para o justo e perfeito exercício da função. A principal delas é a sabedoria ?" o uso correto do conhecimento. Outra, imprescindível, é a humildade para dominar a vaidade e subjugar paixões inúteis. Também deve ter cautela para decidir no tempo certo. Precisa ser conciliador, evitando conflitos desnecessários. Deve ouvir muito, e não falar demais (principalmente besteira). Observar, lembrar e pensar, empregando conceitos exatos e objetivos, é outra característica imprescindível.

Nos últimos dias, assistimos, bestificados e envergonhados, a novos capítulos violentíssimos e desnecessários da insana guerra institucional de todos contra todos (ou seria de tolos contra tolos?). Agravada pelo "efeito Lava Jato", a judicialização da politicagem aumenta o nível de insanidade e intolerância nos três poderes. As vergonhosas armações do Executivo e Legislativo acabam minimizadas pelo conflito descarado no aparelho do Judiciário. Fica a impressão de que, em País no qual sobram impunidade e injustiça, todo mundo briga, e os poderosos perdem a razão.

O espancamento verbal entre o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, é mais um atestado de que o Brasil precisa ser refundado, após uma cirúrgica Intervenção Institucional. Depois que Gilmar Mendes atacou o Ministério Público, pregando que delações vazadas à imprensa deveriam ser anuladas, Rodrigo Janot partiu para a ofensiva e acusou Gilmar de sofrer decrepitude moral e desinteria verbal, omitindo-se sobre o uso do "off" no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional e no próprio STF:

"Não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre essa imputação o Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios. Mas infelizmente com meios para distorcer fatos e instrumentos legítimos de comunicação institucional".

Mais insana que tal briga são as soluções da equipe econômica chefiada por Henrique Meirelles. Agora tornou-se oficial que o governo deverá promover aumentos de impostos (mais ainda?) para garantir o cumprimento da meta fiscal de 2017, com um rombo previsto de R$ 139 bilhões. Já se fala em mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), no PIS/Cofins sobre combustíveis e a reversão do programa de desoneração da folha de pagamento das empresas.

Henrique Meirelles já deixou bem claro que, dificilmente, o Presidente Temer rejeitará o aumento de impostos, por mais impopular que seja a decisão: "Se a conclusão é que não é viável aumentar impostos, o contingenciamento será de R$ 44 bilhões ou R$ 42 bilhões. São pontos importantes que fazem com que essa medida não tenha sido anunciada hoje. A decisão de aumentar impostos no Brasil não é trivial, a carga tributária brasileira é muito elevada. Por outro lado, contingenciar também não é trivial".

Resumindo: No Brasil, os poderosos brincam e brigam, e o cidadão-eleitor-contribuinte é obrigado a pagar a conta as insensatez...
Herculano
23/03/2017 07:39
A RESPONSABILIDADE É DOS ESTADOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo.

É inegavelmente forte o risco de se consolidar a interpretação de que a decisão do presidente Michel Temer de retirar da proposta de reforma da Previdência Social a revisão das regras para a aposentadoria de servidores públicos estaduais e municipais é um recuo.

Anunciada durante uma entrevista coletiva à imprensa convocada de maneira inesperada, a decisão passou, de fato, a impressão de que Temer, sem condições de resistir à pressão crescente de parlamentares e de grupos de servidores, aceitou modificar o projeto de iniciativa do Executivo que está em discussão no Congresso. Afastada a espuma que tem encoberto o exame convencional do tema, porém, surgem na decisão do presidente da República componentes que lhe dão razão, como necessidades políticas e institucionais cujo atendimento facilita a aprovação da reforma sem comprometer o ajuste fiscal esperado, pelo menos no que se refere às contas da União.

O governo teria identificado um risco grande de o projeto de reforma da Previdência, na forma proposta inicialmente, ser questionado na Justiça com base na autonomia federativa dos Estados e dos municípios. Juízes e promotores estaduais contrários à proposta já haviam citado essa possibilidade. Além disso, muitos integrantes da base parlamentar do governo se queixavam da pressão que vinham sofrendo em seus redutos eleitorais por parte de funcionários públicos estaduais e municipais, contrários à sua inclusão na reforma.

Ao anunciar a decisão, Temer lembrou que "surgiu com grande força a ideia de que deveríamos obedecer a autonomia dos Estados, portanto fortalecer o princípio federativo e, assim sendo, fazer a reforma da Previdência apenas referente aos servidores federais". O presidente acrescentou que vários Estados e municípios já reformularam seu sistema previdenciário, razão pela qual incluí-los na reforma proposta pelo Executivo federal "seria uma relativa invasão de competência que não queremos neste momento levar adiante".

Isso, obviamente, retira os funcionários estaduais e municipais da reforma e, do ponto de vista político, é provável que a decisão, ao aliviar a pressão que vinham sofrendo os congressistas, facilite a aprovação do restante da reforma, ou pelo menos sua essência. Se isso ocorrer, será um grande avanço, pelo menos para o governo federal, pois a mudança terá impacto zero sobre as finanças da União, como observou o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.

É claro que persistirá o grave problema do desequilíbrio dos regimes previdenciários estaduais. Estima-se em cerca de R$ 90 bilhões o déficit dos regimes próprios de Previdência dos Estados. Esse valor corresponde a cerca de um quarto do total do déficit de todo o sistema previdenciário nacional. É um número que não deixa dúvida quanto à premente necessidade de reformulação desses regimes, para que seja possível reduzir a dívida pública em todos os níveis ao longo do tempo e evitar o colapso das finanças públicas num futuro não muito distante.

Para os governadores cujos Estados enfrentam esse tipo de problema - e eles são a maioria ?" estava sendo muito confortável politicamente que a reformulação dos respectivos regimes previdenciários fosse imposta por uma legislação de caráter nacional, como a reforma proposta pelo governo Temer. Isso os aliviaria da pressão do funcionalismo estadual contra as mudanças - e que, pela maneira como a reforma estava sendo conduzida, era exercida sobre deputados e senadores.
Agora, são os governadores que terão de encarar a crise que lhes diz respeito diretamente. Alguns já o fizeram, com a reformulação dos respectivos regimes previdenciários, com medidas como exigências mais rigorosas para a concessão dos benefícios e a criação de fundos próprios de previdência social para o funcionalismo.

Os que ainda não o fizeram terão de fazê-lo com presteza, mesmo que para isso tenham de correr o risco político de propor medidas de caráter impopular. Até há pouco, em casos de dificuldades financeiras, podiam recorrer ao socorro da União e, mediante articulada ação política, o obtinham. Agora, o governo federal assegura que não haverá mais esse tipo de socorro.
Herculano
23/03/2017 06:51
CINISMO A FAVOR DA CORRUPÇÃO, por Clóvis Rossi, no jornal Folha de S. Paulo

Do jeito que andam as coisas no Brasil, às vezes dá vontade de apelar e sugerir uma iniciativa como o italiano "Movimento dei Forniconi" (aquela forquilha com que se recolhe palha ou folhas no campo).

Os "forniconi" pregam a prisão de todos os parlamentares, membros do governo e até do presidente da República, por meio de uma "ordem de captura popular".

Das palavras à ação: em dezembro, promoveram a "captura popular" de um ex-deputado (Osvaldo Napoli) da "Forza Italia", o partido do ex-premiê Silvio Berlusconi.

Nesta quarta-feira (22), militantes do grupo em diferentes cidades italianas estão, eles próprios, sob ordem de captura.

É justo que seja assim, dado que se trata de uma ilegalidade. Mas, se os políticos e as autoridades brasileiras insistirem nessa operação de cerco às investigações, cada vez mais explicitada, ainda vai surgir uma aberração similar no Brasil.

O cinismo dessa operação suja vai ao ponto de o deputado Vicente Cândido (PT-SP) defender abertamente a anistia aos investigados/presos pela Lava Jato.

Qual é a lógica alegada pelo deputado para anistiar seus pares?

"Distensionar o país", responde. É ridículo, grotesco e caricato, como dizia Geraldo Bretas, o mais polêmico comentarista esportivo do país, morto em 1981.

O que "tensiona" o país é a corrupção, não a punição de corruptos. O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, foi levado à extrema tensão (a falência) por Sérgio Cabral e seu sucessor, Luiz Fernando Pezão. Seria Cabral anistiado?

Outro exemplo de confusão entre causa e efeito aparece na indignação do ministro Gilmar Mendes, do STF, com o vazamento de informações sobre as investigações da operação Lava Jato.

É óbvio que vazamentos têm que ser investigados e punidos, quando irregulares, mas daí até a pregar, como o faz Mendes, "descartar" as evidências contidas no vazamento equivale a quebrar o espelho para ocultar a sujeira que ele mostra.

Infinitamente mais grave que os vazamentos é a corrupção que eles revelam. Corrupção devidamente comprovada pelo fato de que alguns dos acusados devolveram dinheiro aos cofres públicos.

Alguém limpo devolve dinheiro legitimamente auferido?

De ordem parecida é a ofensiva contra a Polícia Federal a partir da Operação Carne Fraca. Criticar o espetáculo feito pelos policiais é uma coisa; outra é querer demonstrar que o modelo brasileiro de fiscalização é lindo.

Vejamos: o "Estadão" mostra que, dos 27 superintendentes do setor existentes no país, ao menos 19 são indicados por políticos.

É só somar dois mais dois: os grandes frigoríficos contribuem regiamente para campanhas políticas; uma vez eleitos, parlamentares indicam quem chefia a fiscalização dos frigoríficos que os financiaram. Você acha, honestamente, que esse pessoal será rígido na fiscalização?

É como escreveu nesta quarta (22) o sempre excelente Bernardo Mello Franco: "É difícil sustentar que os vilões da história são os investigadores, e não os frigoríficos investigados. Foram eles que compraram fiscais, enganaram consumidores e, claro, financiaram campanhas".

Pois é, Bernardo, o Brasil está de ponta-cabeça.
Herculano
23/03/2017 06:44
COMO VOTARAM OS PARLAMENTARES DE SANTA CATARINA NO PROJETO DA TERCEIRIZAÇÃO

Os votos contrário do PT era sagrados: são ideológicos. De Carmem Zanotto, que defende o funcionalismo público, também. Esperidião Amim Helou Filho, PP, apenas reafirmou a sua predileção em fazer os pagadores de pesados impostos tamparem os buracos da ineficiência da máquina pública. Agora Giovânia de Sá, PSDB e João Rodrigues, PSD, destoaram. Enquanto isso, César Souza, PSD, ficou em cima do muro. Não foram suficientes as lições que o funcionalismo sindical deu ao seu filho quando prefeito de Florianópolis.

Contrários (votaram não)
Carmen Zanotto (PPS)
Décio Lima (PT)
Esperidião Amin (PP)
Geovania de Sá (PSDB)
João Rodrigues (PSD)
Jorge Boeira (PP)
Pedro Uczai (PT)

Favoráveis (votaram sim)
Celso Maldaner (PMDB)
João Paulo Kleinübing (PSD)
Marco Tebaldi (PSDB)
Rogério Peninha (PMDB)
Valdir Colatto (PMDB)

Abstenção (optou por não votar)
Cesar Souza (PSD)
Herculano
23/03/2017 06:35
CÂMARA APROVA A TERCEIRIZAÇÃO PARA QUALQUER ATIVIDADE EM EMPRESAS PÚBLICAS E PRIVADAS

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Igor Gadelha. A Câmara aprovou, na noite desta quarta-feira, 22, a redação final do projeto de lei de 19 anos atrás que permite terceirização irrestrita em empresas privadas e no serviço público. A proposta também amplia a permissão para contratação de trabalhadores temporários, dos atuais três meses para até nove meses.

Parlamentares da oposição protestaram durante a sessão
O texto principal do projeto foi aprovado por 231 votos a 188. Houve ainda oito abstenções. O placar mostra que o governo terá dificuldades para aprovar as reformas trabalhista e, principalmente, a da Previdência, que será votada por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que exige um mínimo de 308 votos favoráveis na Câmara.

A Câmara não pôde incluir inovações no texto. Isso porque a proposta, de 1998, já tinha passado uma vez pela Casa, em 2000, e pelo Senado, em 2002. Com isso, deputados só puderam escolher se mantinham integral ou parcialmente o texto aprovado pelo Senado ou se retomavam, integral ou parcialmente, a redação da Câmara.

O texto final aprovado, que seguirá para sanção do presidente Michel Temer, autoriza a terceirização em todas as atividades, inclusive na atividade-fim.

Atualmente, jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TSE) proíbe terceirizar a atividade-fim da empresa. Por exemplo, um banco não pode terceirizar os atendentes do caixa.

No caso do serviço público, a exceção da terceirização será para atividades que são exercidas por carreiras de Estado, como juízes, promotores, procuradores, auditores, fiscais e policiais. Outras funções, mesmo que ligadas a atividade-fim, poderão ser terceirizadas em órgãos ou empresas públicas.

O projeto final também regulamentou a responsabilidade "subsidiária" da empresa contratante por débitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores terceirizados, como acontece hoje. Ou seja, a contratante só será acionada a arcar com essas despesas se a cobrança dos débitos da empresa terceirizada contratada fracassar.

Placar da votação sugere que governo terá dificuldade para aprovar reformas Trabalhista e da Previdência
O texto que segue para sanção prevê ainda um escalonamento do capital social mínimo exigido de uma empresa de terceirização, de acordo com o número de funcionários. O capital social mínimo exigido vai de R$ 10 mil, para companhias com até 10 funcionários, a R$ 250 mil, para empresas com mais de 100 trabalhadores.
Hoje, não há essa exigência na iniciativa privada. Já no serviço público, a empresa contratante é que determina na hora da contratação qual deve ser o capital social mínimo da companhia de terceirizados.

Inicialmente inserida na proposta, a anistia de "débitos, penalidades e multas" impostas até agora às empresas foi retirada do texto pelo relator para facilitar a aprovação do projeto. O governo era contra a medida. Segundo o relator do projeto na Câmara, Laércio Oliveira (SD-SE), essas dívidas hoje somam R$ 12 bilhões.

A oposição criticou a votação do projeto, sob o argumento de que ele representa um retrocesso e precariza o trabalho. Opositores tentaram negociar, sem sucesso, o adiamento da votação. Eles queriam que, em vez da proposta de 1998, fosse votado um projeto de 2015 que regulamenta a terceirização, que já foi votado na Câmara e está parado no Senado.

Na avaliação de deputados da oposição e das centrais sindicais, a proposta mais recente oferece mais salvaguardas aos trabalhadores. O projeto de 2015 traz garantias como a proibição de a empresa contratar como terceirizado um funcionário que trabalhou nela como CLT nos últimos 12 meses. Já o projeto aprovado não prevê esse veto.

O texto aprovado também não restringe os calotes nos direitos trabalhistas. O projeto de 2015, por exemplo, obrigava o recolhimento de impostos antecipadamente e a retenção de valores. A proposta que seguiu para a sanção também não garante aos terceirizados os mesmos direitos a vale-transporte, refeição e salários dos demais.

Para opositores, a aprovação do projeto anula a reforma trabalhista que está em discussão na Câmara. "Se a terceirização for votada hoje, ela anula esta comissão. Se for votada, a reforma trabalhista vai perder muito o sentido", disse o deputado Paulão (PT-AL).

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), por sua vez, saiu em defesa da proposta. Segundo ele, o projeto vai permitir a geração de empregos. "O Brasil mudou, mas ainda temos uma legislação arcaica. Queremos avançar em uma relação que não tira emprego de ninguém, que não vai enfraquecer sindicatos", disse.
Herculano
23/03/2017 06:25
RENAN DIZ QUE JAMAIS COMETEU CRIME! AI, AI, AI, por Josias de Souza

Brasília vive dias emocionantes. Nesta quarta-feira, Renan Calheiros escalou a tribuna do Senado para declarar que é uma inocente criatura. Estalando de pureza moral, o pajé do PMDB recomendou aos alagoanos e aos brasileiros que fiquem tranquilos, pois a turma da Lava Jato jamais conseguirá provar nada contra ele. Pela simples e boa razão de que nunca cometeu um mísero crime.

O pronunciamento de Renan está disponível.Tem 1 hora 5 minutos e 39 segundos de duração. Nele, o senador criticou a Polícia Federal por sua "histeria investigativa", atacou a Procuradoria da República por seus "vazamentos". Que são "estimulados" pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, declarou, ecoando crítica do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Renan bateu também na imprensa, que o ataca movida por "prejulgamentos preconceituosos."

Todos são culpados de alguma coisa, exceto o orador. Réu numa ação penal e protagonista de uma dúzia de inquéritos, oito dos quais referentes à Lava Jato, Renan revela-se um típico político brasileiro. Grosso modo falando. Fazendo pose de vítima, o senador diz não haver contra ele "nenhum fiapo de prova". Aos pouquinhos, vai se relevando um inocente de mostruário. Faz lembrar as virgens de Sodoma e Gomorra.
Herculano
23/03/2017 06:21
NÃO TEMOS MEDO DE WAGNER MOURA, MAS DE SUA IGNORÂNCIA ECONôMICA, jornalista e filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

Ninguém aumentou tanto a pobreza no último século quanto pessoas que acreditavam em duas coisas: que defendiam os pobres e que entendiam de economia.

Na Índia, na África e na América Latina, políticos e intelectuais se encantaram pela ideia de que era preciso lutar pela independência econômica, não só pela independência política. Essa ideia inspirou governos a proibir importações (até mesmo de fertilizantes), nacionalizar empresas, coletivizar fazendas e controlar preços.

Na Etiópia, o ditador Mengitsu (um Hugo Chávez dos anos 1970, que recebeu apoio militar e financeiro e até visitas de Fidel Castro) causou uma crise de fome que matou 400 mil pessoas em suas fazendas coletivas. A Tanzânia, maior exportadora de alimentos da África em 1962, se tornou a maior importadora em 1980. A Índia independente conseguiu ficar ainda mais miserável que quando era explorada pelo Império Britânico.

No Brasil, acreditando que a inflação era causada pela ganância de comerciantes, políticos criaram um tabelamento de preços que deixou o país sem carne e leite. Na Venezuela, bem, sobre a Venezuela todos sabemos.

Essas tragédias mostram que é preciso ter cuidado ao falar sobre economia. É bom questionar diversas vezes a própria opinião antes de sair por aí gravando manifestos. Isso vale especialmente para artistas e pessoas com alguma influência.

"Quem tem medo de artista?", perguntou Wagner Moura na Folha desta segunda-feira. Ele acredita que o medo que brasileiros nutrem contra seu ativismo é o mesmo que leva artistas a serem "censurados, torturados e assassinados".

Não temos medo de Wagner Moura, mas de sua ignorância econômica. Não temos medo de artistas, mas da irresponsabilidade de muitos deles ao falar sobre o que não conhecem. "Não é um crime ser ignorante em economia", diz o ultraliberal Murray Rothbard. "Mas é uma total irresponsabilidade ter uma opinião barulhenta e vociferante em questões econômicas enquanto se permanece nesse estado de ignorância. "

Wagner Moura poderia se perguntar por que o governo insiste num assunto tão impopular quanto a reforma na Previdência. Se a reforma não é necessária, se não há rombo nas contas, para que perder eleitores com ela? Será que Michel Temer tem um desejo de prejudicar os aposentados maior que sua ambição política?

Talvez o ator entenda que é preciso "encarar a reforma da Previdência", pois "não é possível que a idade média de aposentadoria das pessoas no país seja de 55 anos", como afirmou no ano passado Dilma Rousseff, a presidente que Wagner Moura tanto apoia. Ou porque, como diz o economista Paulo Tafner, o Brasil pode se tornar "uma Grécia, mas numa escala mais louca e colossal" se não resolver essa crise.

Temos medo das opiniões de Wagner Moura porque ideias têm consequências - muitas vezes, desastrosas.
Herculano
23/03/2017 06:14
ACUMULANDO PREJUÍZO BILIONÁRIO, CORREIOS AGONIZA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A estatal Correios, que já foi símbolo de eficiência, agoniza com o acúmulo de prejuízos que, somente nos últimos quatro anos, somam mais de R$ 5,5 bilhões. Chegou ao fundo do poço no governo Dilma, fechando 2015 com prejuízo de R$2,1 bilhões ?" o pior resultado desde sua criação, há 354 anos. Para ganhar um "respiro", suspendeu por um ano regalias aos 117.000 funcionários, quando eles entram em férias.

NÃO PODIA DAR CERTO
Quando um trabalhador entra em férias, recebe gratificação de um terço do salário. Os Correios dobram a gratificação: 70% do salário.

CORREIOS, UMA MÃE
Além dos 70% de presente, funcionário dos Correios em férias ganha mais um salário a título de "empréstimo", a ser pago em cinco vezes.

PEDALADA POSTAL
No ano da reeleição de Dilma, a estatal inventou lucro de R$9 milhões ao considerar "receita" R$ 1,1 bilhão não pagos ao fundo Postalis.

NA TORCIDA
Os Correios esperam economizar R$1 bilhão ao ano com as 5,5 mil adesões ao PDV. Cerca de 10% da folha anual de R$10,9 bilhões.

PARA MINISTROS, PGR DEVERIA APURAR VAZAMENTOS
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deixou a impressão entre ministros de tribunais superiores, ontem, de haver exagerado na reação às críticas do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Se a crítica do ministro foi dura, a resposta de Janot teve o tom de insulto. A melhor resposta da PGR, se de fato não promoveu o vazamento, era fazer o que o ministro pediu: investigar as suspeitas.

RESPEITO ÀS INSTITUIÇÕES
Impactado com o destempero, o presidente da Ajufe, Roberto Veloso, que já criticou Gilmar, fez um apelo à preservação das instituições.

OS ESCOLHIDOS
O maior indício de vazamento da "lista de Janot" foi ter sido divulgada idêntica e ao mesmo tempo por meia dúzia de órgãos de comunicação.

'COLETIVA EM OFF'
Além da divulgação simultânea, pela primeira vez na História da imprensa não havia divergência: todos tinham a mesma "lista de Janot".

QUE VERGONHA
Enquanto registrou prejuízo de R$ 14,82 bilhões em 2016, a Petrobras viu as concorrentes realizarem grandes lucros: R$ 25,48 bilhões para a Exxon, R$ 14,86 bilhões para a Shell e R$ 559 milhões para a BP.

APROPRIAÇÃO INDEVIDA
A Caixa se preparou tanto para o saque de contas antigas de FGTS e acabou negligenciando as outras. Agora está fixando prazo de 45 dias para liberar o dinheiro que é do trabalhador e de mais ninguém.

FIM DAS INDICAÇÕES
Para o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), envolvidos em escândalos geralmente são apadrinhados de políticos, por isso apresentará uma proposta vedando indicações políticas para cargos públicos.

LIBERDADE CANCELADA
Os direitos à informação e à liberdade foram cancelados por um juiz de Maceió, que proibiu o jornalista Davi Soares e o portal Diário do Poder de publicar notícias sobre um deputado enrolado em graves denúncias. O sindicato e a federação dos jornalistas divulgaram nota de protesto.

ORGULHO DE BRASÍLIA
A revista Forbes elegeu a estilista brasiliense Luisa Farani como uma das jovens mais influentes do Brasil. É filha dos embaixadores Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC, e Maria Nazareth Azevêdo (ONU/OIT).

DESEQUILÍBRIO
Os homens ainda superam, e muito, o número de mulheres no poder público: no Executivo, por exemplo, são 313 mil homens contra 269 mil servidoras. São 16% a mais de homens no governo federal.

SAC RECLAMA ONDE?
O mercado de SACs (serviços de atendimento ao consumidor) vai cair em 7,2% no Brasil, em 2017. A previsão é da E-Consulting, que prevê faturamento de R$ 6,4 bilhões e cerca de 75 mil demissões no setor.

É O FIM
A ironia "jornalista é um miserável importante" volta com força: no Rio, em 2016, a Associação Brasileira de Imprensa distribuiu 132 cestas básicas a jornalistas desempregados ou ocupantes de cargos públicos.

PERGUNTA GOURMET
A próxima confraternização da Polícia Federal terá carne brasileira assando na churrasqueira?
Herculano
23/03/2017 06:07
AS NUANCES DO SIGILO SOBRE A FONTE DE INFORMAÇÃO, por Roberto Dias, secretário de redação da área de produção (antiga chefia de reportagem), do jornal Folha de S. Paulo

Ombudsman de quase todos os assuntos da República, Gilmar Mendes não poderia deixar de opinar sobre o trabalho dos jornalistas. Ao comentar a divulgação de políticos envolvidos com a Lava Jato e criticar a Procuradoria-Geral, o ministro do STF disse que "a imprensa parece acomodada com esse acordo de traslado de informações".

A imprensa decerto merece muitas e permanentes críticas, mas "acomodada", nesse caso, é um pouco demais. A discussão só existe porque a imprensa não se acomodou. Buscou informações e transladou ao público as que lhe pareceram embasadas e relevantes -seu trabalho, afinal.

O ministro fala em acordo. Qual seria? Toda fonte tem interesse. É papel do jornalista filtrar isso. Não há sinal, até aqui, de que algum repórter dessa cobertura tenha incorrido em conduta antiética ou criminosa.

Dito isso, a semana é sim propícia para discutir o que no jargão se chama "off the records", informação de origem não explicitada ao público.

Em São Paulo, num caso heterodoxo, um blogueiro foi levado à PF para revelar quem lhe contou sobre a condução coercitiva de Lula. No Maranhão, três blogueiros acabaram presos porque estariam utilizando dados sigilosos para chantagem.

Nas duas situações, aponta-se que os envolvidos utilizaram a informação não de maneira jornalística, mas para beneficiar alguém ou a si próprio ?"o que está fora da garantia constitucional que preserva o sigilo da fonte no exercício profissional.

É só o início da zona cinzenta. Mais e mais empresas usam técnicas jornalísticas para apurar algo destinado a um único cliente. Não há nada de errado com a atividade. Mas, a despeito do uso da técnica, isso não é jornalismo. O sigilo da fonte abarca esse exercício profissional?

As nuances de uma profissão e de um setor em transição vão testar seguidamente os limites da lei, criada e executada por muitos dos que são objeto de notícias nada favoráveis.
Herculano
23/03/2017 06:02
AMANHÃ É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA PARA A EDIÇÃO IMPRESSA DO JORNAL CRUZEIRO DO VALE, O MAIS ANTIGO, O DE MAIOR CIRCULAÇÃO E MAIOR CREDIBILIDADE EM GASPAR E ILHOTA
Herculano
23/03/2017 06:00
OS DELÍRIOS DA CARNE, por Carlos Brickmann

O problema não é a carne. O problema não é o tamanho das malfeitorias, nem o prejuízo às exportações. O problema é o Governo; o Governo que politiza a fiscalização de alimentos, que deveria ser estritamente técnica, rígida, intolerante, preocupada com a saúde da população, absolutamente desconhecedora das conveniências de partidos.

Boa parte do Ministério da Agricultura está loteada, aparelhada para servir a interesses partidários. Nos Estados onde houve mais problemas com a Operação Carne Fraca, o PMDB (ala Temer) e o PP, do ministro Ricardo Barros, comandam a Superintendência do Ministério da Agricultura do Paraná. Em Goiás, o poder é exercido pelo PTB, na pessoa do deputado Jovair Arantes. Quem cuida da qualidade da carne?

Quem cuida da qualidade da carne são os próprios produtores e exportadores, que sabem o custo da negligência na redução das vendas internacionais. Já Temer oferece churrasco a representantes dos países exportadores - e mantém a mesma política de loteamento do Governo que levou à questão da carne, sem notar que é esse o seu problema. Narra o bem informado Radar on-line (http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line) que Temer sinalizou à bancada do PMDB mineiro na Câmara que lhe dará a próxima vaga no Ministério. Diante dos governos que temos, a qualidade dos alimentos que consumimos e exportamos é até boa demais.

OS DADOS DA BRIGA

As principais críticas à Operação Carne Fraca envolvem números. Foram dois anos de investigações e mais de mil policiais federais para autuar 21 dos 4.837 frigoríficos nacionais, dos quais foi preciso interditar três, responsáveis por menos de 2% da produção brasileira de carnes; dos 11.300 funcionários do Ministério da Agricultura, 33 foram afastados. E os 21 frigoríficos colocados sob fiscalização especial exportaram, em 2016, US$ 120 milhões. No total, 0,89% das exportações brasileiros de carne.

OS FATOS DA VIDA

Mas o fato é que havia politicagem, que houve servidores que facilitaram aos infratores o que não deveriam facilitar, que foram encontradas coisas erradas - talvez não as que, no calor da notícia, levaram fontes e jornalistas a divulgar que vitamina C dava câncer. Pode ter havido exagero, mas tinha coisa errada. O estrago está feito. Como assinalou o jornalista gaúcho Fernando Albrecht (http://fernandoalbrecht.blog.br/), "o povo sempre acredita na acusação, mas nunca na defesa". E com motivos.

QUEM PAGA A CONTA

Imaginemos que haja apenas um bife estragado em toda a imensa produção nacional. Uma porcentagem desprezível, sem dúvida. Mas, para quem comeu esse bife e passou mal, de que adianta saber que todo o restante da carne produzida no país estava em excelentes condições? E os importadores, por via das dúvidas, por que comprarão do Brasil e não da Argentina, do Uruguai ou da Austrália?A propósito, uma bela explicação em perguntas e respostas sobre a Operação Carne Fraca e os problemas causados por carne em más condições está em http://wp.me/p6GVg3-36c.

A GRANDE DEFINIÇÃO

O príncipe Otto von Bismarck, principal responsável pela unificação da Alemanha, em 1871, criou uma frase definitiva: "Quanto menos soubermos como são feitas as leis e as salsichas, melhor dormiremos à noite".

A TRANSPOSIÇÃO...

O presidente Michel Temer inaugurou festivamente a transposição das águas do rio São Francisco. O ex-presidente Lula, dias depois, também a inaugurou, mais festivamente ainda. Há alguns probleminhas, claro: as águas do rio só chegarão às casas e fazendas afastadas de suas margens depois de colocados os encanamentos (e só haverá tranquilidade para o consumidor depois de instaladas, também, as estações de tratamento).

...DE QUE, MESMO?

E há um problemão: moradores das margens do rio original se queixam da redução do volume das águas, puxadas pelas bombas para o curso estendido. Algum tempo atrás, o político baiano Antônio Carlos Magalhães disse a este jornalista que não valia a pena transpor as águas do São Francisco sem antes recuperar a saúde do rio. "O São Francisco está doente", disse ACM. Em boa parte de sua extensão, e nas margens de quase todos os seus afluentes, a mata ciliar tinha sido derrubada. Com isso, os rios recebiam menos água e, assoreados,com as margens desprotegidas, nem teriam capacidade de receber mais. Já na época, as águas do São Francisco lhe pareciam insuficientes até para abastecer sua bacia original.

FESTA PRECOCE

Lula diz que se for candidato é para ganhar. OK; mas como vencer a rejeição de 44% dos eleitores, que não aceitam votar nele de jeito nenhum?
Anônimo disse:
22/03/2017 20:36
Herculano,sou de um tempo em que Ministro do STF não concedia entrevistas, evitava vida social intensa, não criticava colegas em público, apenas se pronunciava nos autos do processo.
Muitos ministros do STF saiam em público incógnitos, poucos os conheciam, diferentemente dos atuais que agem como dramaturgos e discursam como políticos.

Aprenderam tudo com o chefe da máfia, que ainda está solto.
Mariazinha Beata
22/03/2017 20:23
Erva Daninha, ela será sempre pmdbista enrustida.
Jamais terá plumagem tucana.
Digite 13, delete
22/03/2017 20:20
oi, Herculano

Como há os "vendidos", alguém "comprou" Gilmar Mendes.

Ana Amélia que não é Lemos
22/03/2017 20:16
Sr. Herculano:

O juiz Sérgio Moro fez um ótimo trabalho de marketing para um blogueiro anônimo e desconhecido.
Às 18:31 horas.
Herculano
22/03/2017 18:40
CHANTAGEM DOS POLÍTICOS PARA SE PROTEGEREM NOS SUPOSTOS CRIMES. "PODEMOS VOTAR ABUSO DE AUTORIDADE NA CCJ EM DUAS SEMANAS OU 10 DIAS", DIZ EDISON LOBÃO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto Isabela Bonfim e Julia Lindner, da sucursal de Brasília. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Edison Lobão (PMDB-MA), confirmou que o projeto que altera a lei de abuso de autoridade vai entrar na pauta da comissão e pode ser votado num prazo de 10 a 15 dias. Um novo relatório, com pequenas modificações, foi apresentado nesta quarta-feira, 22, pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR). A proposta ganhou força no Senado após a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que foi amplamente criticada pelos senadores. O projeto é criticado por entidades ligadas ao Judiciário e Ministério Público, que consideram que o texto pode prejudicar as investigações.

"Com relatório apresentado hoje pelo senador Requião, o projeto de abuso de autoridade vai ser incluído na pauta da CCJ. É preciso lembrar que essa proposta tramita em regime de urgência", afirmou o senador. Entretanto, ele disse que fará o possível para que o projeto tenha o debate necessário e, por essa razão, a proposta não será votada imediatamente na próxima sessão, agendada para quarta-feira. "Eu poderia conceder vista de algumas horas ou dias, mas vou conceder vista de uma semana para que todos os senadores possam ler e discutir o projeto", afirmou.

Pelo cálculo do senador, após o pedido de vistas, a proposta poder ser votada na reunião seguinte, ou seja, no início de abril, daqui a dez ou 15 dias. Para entrar em vigor, entretanto, o projeto precisa ser aprovado ainda pelo plenário do Senado e da Câmara.

O senador defendeu que o projeto não é prejudicial para as investigações policiais. "O projeto não tem o objetivo de se contrapor a ninguém, não é contra ninguém, é contra o abuso de autoridade. Serão os próprios juízes e tribunais que julgaram os casos, então não há como a proposta ser uma afronta ao Judiciário", disse.

Carne Fraca. Lobão negou que a proposta tenha ganhado espaço no Senado em razão das críticas feitas por senadores de exageros e má condução na divulgação da operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal. "O projeto é anterior à operação. Não há como ser correlato, não é uma premonição", minimizou.

Entretanto, a proposta voltou à tona na noite de ontem, após senadores fazerem discursos ligando a atuação da PF a abuso de autoridade. A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) afirmou que o Senado votaria o projeto "doa a quem doer", enquanto o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), autor e principal defensor do projeto, caracterizou a atuação da PF e do Ministério Público como abuso de autoridade.
Herculano
22/03/2017 18:31
A IMPRENSA E JORNALISTAS IDEOLóGICOS SÃO TERRORISTAS. USAM A INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA PARA INSTRUIR OS COMPANHEIROS E FACILITÁ-LOS AO CRIME PELA CAUSA, NÃO PARA DAR PRIMAZIA AOS SEUS LEITORES E LEITORAS.

É ISTO QUE SE ENSINA NAS ESCOLAS DE JORNALISMO INFESTADOS DE PROFESSORES DA ESQUERDA DO ATRASO?

BLOGUEIRO CONFESSOU TUDO

Conteúdo de O Antagonista. O blogueiro petista,[Eduardo Guimarães, do blog Cidadania, classificado como esgotofera, que foi sustentado pelos governos do PT, que já afirmou que o juiz Sérgio Moro se continuar condenando os petistas estaria com a vida em jogo] ontem, foi conduzido coercitivamente pela PF.

Durante o interrogatório, ele confessou tudo.

Em primeiro lugar, o nome de sua fonte, que vazou os detalhes sobre a batida policial contra Lula [jornalista de verdade ou no exercício da profissão, mesmo num blog, não revela nunca a sua fonte].

Em seguida, ele disse que, assim que recebeu a notícia, entrou em contato com o assessor de imprensa do Instituto Lula, José Chrispiniano, e pediu-lhe para alertar o próprio Lula [isto é crime, coisa de quadrilheiro de organização criminosa e não está abrigado pelo exercício lícito do jornalismo. Todos, interessados ou não, só poderiam saber do fato, pelo blog que é público, em igualdade de condições].

Ele admitiu igualmente que, agindo dessa maneira, prejudicou a coleta de provas por parte da PF e obstruiu a Justiça [ ou seja, deliberadamente contribui para a tipificação criminal].

Todos esses fatos foram relatados espontaneamente pelo blogueiro petista e constam de seus termos de declaração.
Herculano
22/03/2017 18:19
O DURO DISCURSO DE RODRIGO JANOT NA ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO. RECADOS DIRETOS AO MINISTRO GILMAR MENDES DO TSE

"Colegas,

A Lava Jato completou neste mês de março três anos de profícuos trabalhos. Do que se revelou no curso das investigações, é possível concluir que existem basicamente duas formas de corrupção no país: a econômica e a política. Elas não se excluem e, em certa medida, tocam-se e interagem.

A primeira, sempre combatida e bem conhecida do Ministério Público, tem fundamentalmente uma finalidade financeira: o corrupto busca o enriquecimento com a venda de facilidades. Normalmente, esse tipo de corrupção encontra-se em profusão nas camadas inferiores da estrutura burocrática do Estado.

A segunda, até então mais intuída do que propriamente conhecida, é ambiciosa e mais lesiva. O proveito econômico não está na sua alçada principal, mas antes o poder. Enriquecer pela corrupção política é mais uma consequência do que propriamente um objetivo. Busca-se o poder, porque o dinheiro e suas facilidades chegam de arrasto. O mérito da Lava Jato foi haver encontrado o veio principal da corrupção política. Esse tipo de corrupção, como disse, é de altíssima lesividade social porque frauda a democracia representativa, movimenta bilhões de reais na clandestinidade e debilita o senso de solidariedade e de coesão, essenciais a uma sociedade saudável.

Escolhas para altos postos na estrutura do Estado, nas suas autarquias e empresas passam a não considerar a competência técnica do candidato, mas sua disposição para trabalhar na engrenagem arrecadadora de recursos espúrios destinados à máquina partidária que o apadrinhou. Desde o mensalão, essa realidade já começava a revelar seus contornos com mais nitidez. No entanto, foi nesses últimos três anos que a dura e inocultável verdade se mostrou por completo: nosso sistema político-partidário foi conspurcado e precisa urgentemente de reformas.

É necessário abrir espaço para a renovação o quanto antes, pois a política não pode continuar a ser uma custosa atividade de risco propícia para aventureiros sem escrúpulos. Certamente, essa crise política há de encontrar o devido equacionamento no âmbito do próprio sistema democrático. Serão as forças políticas da sociedade, dentro da institucionalidade, que, após debate e reflexão, devem apontar caminhos para que levem à quebra do círculo vicioso em que o país se encontra.

A nós do Ministério Público cabe um papel modesto nesse processo, mas de grande relevância social. Devemos dar combate, sem tréguas, ao crime, à corrupção e às tentativas de fraudar-se a lisura do processo eleitoral. É nesse contexto que o papel dos senhores, Procuradores Regionais Eleitorais, avulta em importância institucional. Muitos dos desvios do poder político podem e devem ser prevenidos e reprimidos, quando for o caso, já no processo eleitoral.

Precisamos intensificar, assim, a fiscalização do financiamento das campanhas, combater firmemente o caixa 2 e promover obstinadamente a responsabilização de quem não respeita o fair play do jogo democrático e abusa do poder econômico e político para vencer ilegitimamente eleições. O filtro do processo eleitoral, do qual o Ministério Público é importante componente, é fundamental para melhorar a qualidade de nossa política. Não é fácil a nossa missão, bem o sei. Para mim, já se vão 32 anos de árdua labuta nesta Casa.Tenho afirmado reiteradamente que o Ministério Público não engana a ninguém e não costuma vender ilusões ou fantasias. Quem busca atalhos e facilidades, de fato, não terá aqui o melhor lugar para encontrá-los.

Digo isso porque, mesmo quando exercemos nossas funções dentro da mais absoluta legalidade,estamos sujeitos a severas e, muitas vezes, injustas críticas de quem teve interesses contrariados por nossas ações. A maledicência e a má-fé são verdugos constantes e insolentes.Não quero deter-me no fato específico, mas não posso deixar de repudiar com toda veemência a aleivosia que tem sido disseminada para o público nos últimos dias: é uma mentira, que beira a irresponsabilidade, afirmar que realizamos, na Procuradoria-Geral da República, coletiva de imprensa para "vazar" nomes da Odebrecht.

Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios, mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos e desvirtuar instrumentos legítimos de comunicação institucional. Refutei pessoalmente o fato para os próprios representantes do veículo de comunicação que publicou a matéria inverídica. Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder político. E repudiamos a relação promíscua com a imprensa.

Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar a todos à sua decrepitude moral, e para isso acusam-nos de condutas que lhes são próprias, socorrendo-se não raras vezes da aparente intangibilidade proporcionada pela posição que ocupam no Estado.

Infelizmente, precisamos reconhecer que sempre houve, na história da humanidade, homens dispostos a sacrificar seus compromissos éticos no altar da vaidade desmedida e da ambição sem freios. Esses não hesitam em violar o dever de imparcialidade ou em macular o decoro do cargo que exercem; na sofreguidão por reconhecimento e afago dos poderosos de plantão, perdem o referencial de decência e de retidão. Não se impressionem com a importância que parecem transitoriamente ostentar.

No fundo, são apenas difamadores e para eles, ouvidos moucos é o que cabe e, no limite, a lei. Não somos um deles, e isso já nos basta.Para encerrar, compartilho com os senhores a advertência do mestre Montesquieu que sempre tive presente comigo: o homem público deve buscar sempre a aprovação, mas nunca o aplauso. E, se o busca, espera-se, ao menos, que seja pelo cumprimento do seu dever para com as leis; jamais por servilismo ou compadrio."
Herculano
22/03/2017 16:59
SAMAE INUNDADO

Ontem faltou água no Macucos. Qual a causa? Mais uma vez erro operacional. Deixaram a bomba desligada.Quando vão implantar uma rotina de check? Isto não é um procedimento executivo? Acorda, Gaspar!
Violeiro de Codó
22/03/2017 16:10
Sr. Herculano;

O SAMAE não tem recursos?
Mas pra comprar carrinho novo pro prefeito tem!!!
Erva Daninha
22/03/2017 16:04
Mariazinha, a de gosto duvidoso também é do PSDB.
Herculano
22/03/2017 15:51
Daniel.

1. Obrigado pela participação e enriquecimento do debate.

2. Todavia, discordo frontalmente em se culpar a falta de verbas pela inexistência de coleta, tratamento esgoto e reuso dessa água em Gaspar.

3. A esquerda do atraso prefere morrer por doenças provocadas pelo esgoto não tratado e ver morrer a natureza poluída de esgoto, a avalizar uma parceria com empreendedores investindo neste assunto.

4. E por que? Porque é contra o lucro, a solução, preferindo que o dinheiro dos pesados impostos de todos seja consumido pelos que aparelham e ampliam a burocracia do estado contra o cidadão e que sustenta tudo isso com os seus pesados impostos.

5. O seu (não o meu, mas que é igual) diagnóstico é claro: "o dinheiro do município não é suficiente; o governo estadual mal dá conta da CASAN; o governo Federal solta em migalhas os recursos..."

6. Agora, diante disso, a sua conclusão, permita-me, é equivocada: " é pra forçar a concessão?"

7. Volto.Ora, como você bem diagnosticou, se não há dinheiro público (que está indo para pagar funcionários da máquina inchada, servidores aposentados precoces com altos e integrais vencimentos, uma montoeira de cargos comissionados), está claro que não é para forçar a concessão, mas concessão se torna diante deste modelo vampiro, uma das oportunidades para resolver este crônico problema.

8. O governo do qual você fez parte, o do PT de Pedro Celso Zuchi, teve e possui essa marca ideológica do atraso.

9. Quando Blumenau foi atrás da concessão para implantar o esgoto e em poucos anos saiu de 4% para mais de 40% de cobertura, o que é muito pouco ainda, mas continua progressivamente ser coberto, liderados por seus padrinhos como Ana Paula e Décio Neri de Lima, movimentou-se por todos os cantos, inclusive no Ministério Público e Justiça para que a concessão não acontecesse.

10. O que alegaram? Entre muitas, que estava se rejeitando os recursos públicos Federais disponíveis mais baratos para a implantação da coleta e tratamento de esgotos daquela cidade. Como você já mencionou e é notório, esses recursos são poucos, a conta gotas e são reféns de jogos políticos de poder, para não entrar na discussão da corrupção que se estarrece com a Lava Jato.

11. Se tivesse prosperado o discurso político ideológico e de poder do PT dos seus padrinhos, Blumenau estaria ainda com os 4% de cobertura. E por causa do seu discurso, Gaspar ainda não possui um milimetro de rede e um mililitro de tratamento de esgotos públicos. E vai continuar com a disposição do atual governo e seus executivos...

12. O que resta-nos? Palestras de conscientização. Ação? Zero. Acorda, Gaspar!
Daniel Cardoso
22/03/2017 13:31
Boa tarde Colunista,

Primeiramente o SAMAE através de minha pessoa trouxe aos alunos do IFSC Gaspar uma breve reflexão neste dia tão importante trazendo à tona outras formas de poluição hídrica, além das que você já comentou, como a da agricultura.
Quanto ao esgoto residencial fica minha pergunta:
Porque os recursos não chegam para implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto?

O dinheiro do município não é suficiente para implantação do sistema, o governo estadual mal dá conta da CASAN, o governo federal solta em migalhas os recursos, é pra forçar a concessão? é pq na lista de prioridades o meio ambiente está longe do topo? Ou a saúde pública?.

As consequências serão severas no âmbito, econômico, social e ambiental não há dúvidas.

Infelizmente a maior parte da população lembra do SAMAE só quando falta água.

Obrigado e não desanimem quando a água bater na bunda (ou falta dela) alguém com mais poder vai agir.
Erva Daninha
22/03/2017 13:15
Oi, Herculano

"LADROAGEM NO SÃO FRANCICO CONFIRMA: É LULA O PAI DE TUDO, por Augusto Nunes, de Veja"

Isto é notícia velha.
Sempre soube que eLLe é o chefão de toda a roubalheira no País.

Cadeia para o "capo di tutti capi".
E rápido! porque já estou de saco cheio desse
ladrão andando livre, leve e solto.
Herculano
22/03/2017 13:11
ESCONDENDO A COMUNIDADE

A RBS TV de Santa Catarina, que diz não ser mais gaúcha, mas de gente que não entende Santa Catarina, acaba esconder as notícias do Vale do Itajaí.

Fez a mesma coisa com outras regiões onde está no estado.

O novo, uma antiga fórmula que já testada e a fez perder audiência e identidade, voltou ao Jornal do Almoço, conduzido e liderado por Florianópolis.

Aqui para a região sobraram pouco mais de dez minutos. Mais de cinco minutos foram gastos no ridículo auto elogio do "novo" formato do jornal.Um em barbeiragem, um na intervenção do jornal Hoje e o resultado: sobra do que eles chamam de "matérias". Ou seja, ficam para amanhã duas reportagens frias.

Quem ganha, a Ric Record de Blumenau, sem esforço.
Mariazinha Beata
22/03/2017 13:06
Seu Herculano;

É gritante a diferença de postura, elegância e fino trato ente Andréia e Franciele.
Uma é comedida, inteligente, culta, recatada, a outra daria uma boa petista, mas peemedebista também serve.
Como diria meu avô; PT e PMDB são tudo farinha do mesmo saco, gato do mesmo balaio.

Bye, bye!
Miguel José Teixeira
22/03/2017 13:04
Senhores,

Mais repugnante do que detentores de mandato inaugurar obras inacabadas, é político sem mandato reinaugurar uma obra !!!

Dizem que, na Paraíba, o maldito sapo-barbudo, BÊBADO COMO SEMPRE, queria atirar-se na água. Seus "açeçôris" não permitiram, pois poderia afogar-se. Ora, ora, ora. . .K-galhão flutua !!!
Belchior do Meio
22/03/2017 12:57
Sr. Herculano:

Que fiasco o 1º dia do jornal RBS TV!

O SAMAE fabricou o press release frio e está distante do mundo civilizado?
Tenho a resposta:
Um baba ovo, aqui na área de comentários disse que o SAMAE é presidido por um macaco velho.
Macaco odeia civilização!
Sidnei Luis Reinert
22/03/2017 12:42
Os golpes parlamentares em andamento


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A polêmica Carne Fraca voltou a comprovar que a malandragem dos políticos brasileiros continua mais forte que nunca. Em reação sobretudo contra a Lava Jato ?" cujas delações premiadas podem causar estragos mais imediatos -, deputados e senadores investem em três frentes de "preservação": novo formato da lei de abuso de autoridade, fim do foro privilegiado (porém com a criação de uma vara especial para julgar os "especialíssimos poderosos"), o golpe da lista partidária fechada e uma armação no financiamento de campanha.

Até maio, a Câmara dos Deputados pretende aprovar uma reforminha eleitoral que possa valer na eleição de 2018. O relator Vicente Cândido (PT-SP) promete apresentar no dia 4 de abril uma proposta de que 70% dos recursos das campanhas venham de financiamento público e 30% sejam provenientes de doações de pessoas físicas. O petista também investirá na tal "lista partidária fechada" ?" na qual o eleitor vota no partido, que define previamente os candidatos que serão eleitos em ordem de prioridade. Um dos grandes mentores de tal proposta sempre foi o hoje presidiário José Dirceu de Oliveira e Silva.

Outro assunto que nem a carne fraca ou as operações da Lava Jato conseguiram abafar é o destino da chapa reeleitoral Dilma-Temer ?" acusada pelo PSDB de ter cometido abuso de poder político e econômico na reeleição de 2014. O ministro Herman Benjamin, relator desta confusão no Tribunal Superior Eleitoral, já avisou que deseja levar o caso ao plenário do TSE antes de 16 de abril ?" quando o ministro Henrique Neves deixa a corte eleitoral. Ontem, Benjamin encerrou a fase de instrução do processo.

A temperatura continua subindo em Brasília e arredores, mas os políticos profissionais seguem fingindo que não estão na fervura infernal...

Sorte nossa é que temos o ministro Gilmar Mendes acusando a Procuradoria Geral da República de crime e defendendo a anulação das delações premiadas...

Zap-zap do Temer

A equipe de marketing do PMDB e da Fundação Ulysses Guimarães criaram um grupo no WhatsApp chamado "Movimento Brasil Sustentável do Futuro".

A ideia é abastecer on line e em tempo real deputados e senadores com informações a favor da PEC da Reforma da Previdência.

O partido também escalou quatro "pit bulls" ee prontidão para responder imediatamente a todos os ataques contra a reforma nas redes sociais.
Herculano
22/03/2017 11:41
HOJE É DIA MUNDIAL DA ÁGUA

A prefeitura de Gaspar ficou em silêncio. Nem um pio.

O Samae de Gaspar até postou um press release feito para ocupar espaço na imprensa que é paga com verbas públicas e é obrigada a publicar ou ler press releases de gente sem consciência cidadã.

Ele diz que 93% da água consumida pelos gasparenses é tratada e distribuída pelo Samae.

O que significa isso? Comemoração? Não! Um crime, um desastre feito por políticos, gestores públicos e gente que agora se apresenta, diz e quer se reconhecida como executiva.

E por que? Porque esses 93%, com o outros 7% vão todos para a poluição dos nossos mananciais, geram doenças, compromete o ecossistema e o futuro.

Gaspar e o Samae não possuem um centímetro de coleta de esgotos e não tratam um milimetro dele que é devolvida à natureza e a mata. Há empresa no município que tratam os seus efluentes industriais, mas nem mesmo elas estão sendo fiscalizadas para se saber se estão fazendo a coisa certa.É visível cotidianamente as línguas coloridas nos ribeirões e no próprio Rio Itajaí Açú. Há relatos de odores.

É muita coragem do Samae de Gaspar fabricar o press release frio em homenagem o Dia Mundial da Água. Se você acha que eu exagero, leia a reportagem abaixo do jornal O Estado de S. Paulo e veja como o Samae está distante do mundo civilizado e inserido num mundo perdido. Acorda, Gaspar!
Herculano
22/03/2017 11:25
GASPAR É EXEMPLO E ESTÁ INSERIDA NO DESASTRE GLOBAL. 80% DA ÁGUA RESIDUAL NO MUNDO É DESPEJADA SEM TRATAMENTO, DIS UNESCO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Fábio leite. Depois de alertar para os riscos de desabastecimento e desemprego no planeta sem uma melhor gestão dos recursos hídricos, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) chama atenção para a necessidade de se reaproveitar a água residual doméstica, agrícola e industrial para suprir a escassez e o aumento da demanda. Hoje, 80% dos efluentes do mundo são despejados sem o devido tratamento no meio ambiente, segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2017, que será divulgado nesta quarta-feira, 22, em Durban, na África do Sul, por ocasião do Dia Mundial da Água.

Com o nome "Águas Residuais: o recurso inexplorado", o relatório argumenta que, uma vez tratadas, as águas residuais poderiam se tornar fontes importantes para satisfazer a crescente demanda por água doce e outras matérias-primas. "As águas residuais são um recurso valioso em um mundo no qual a água é finita e a demanda é crescente", afirma Guy Ryder, presidente da ONU Água e diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT). "Todos podem fazer a sua parte para alcançar a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para reduzir pela metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentar a reutilização de água potável até 2030", completa.

Segundo o estudo da Unesco, 56% de toda água doce captada no planeta se torna água residual, ou seja, esgoto ou efluente industrial ou agrícola. Mas, enquanto países de renda alta tratam cerca de 70% das águas residuais urbanas e industriais que produzem, essa proporção cai para 38% nos países de renda média-alta, 28% nos países de renda média-baixa e para apenas 8% nos países de renda baixa, o que resulta em uma média global de somente 20% do total. No Brasil, estima-se que entre 40% e 50% dessa água seja tratada.
"Nos países de renda alta, a motivação para o tratamento avançado das águas residuais diz respeito à manutenção da qualidade do meio ambiente ou à busca por uma fonte alternativa de água para fazer frente à escassez desse recurso. No entanto, o despejo de águas residuais não tratadas continua sendo uma prática comum, especialmente nos países em desenvolvimento, devido à falta de infraestrutura, de capacidade técnica e institucional, e de financiamento", afirma o relatório. Segundo o estudo, 2,4 bilhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso a saneamento básico e quase 1 bilhão ainda praticam a defecação ao ar livre.

Riscos. Oficial de Meio Ambiente da Unesco no Brasil, o biólogo Massimiliano Lombardo explica que o despejo de águas residuais sem o devido tratamento compromete a saúde da população e pode até levar pessoas à morte ao longo do tempo se consumidas. "Os números mostram que 760 mil crianças morrem todos os anos antes de completarem cinco anos de vida por causa de diarreia provocada pelo contato com água contaminada", diz.

Além disso, solventes e hidrocarbonetos produzidos por atividades industriais e de mineração, bem como a descarga de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio pela agricultura intensiva aceleram a eutrofização da água potável e dos ecossistemas costeiros e marinhos. Estima-se que 245 mil km² de ecossistemas marinhos ?" quase o tamanho do Reino Unido ?" são atualmente afetados por esse fenômeno.

Lombardo explica que por causa do crescimento populacional e dos processos de industrialização e urbanização, o despejo de água residual tem crescido em todo o mundo e que ampliar seu tratameto é algo urgente. "A mensagem central do relatório é a de que as águas residenciais não são um problema, mas sim recursos valiosos que podem ser reutilizadas como fonte de abastecimento seja para irrigação, produção industrial, de energia e até para consumo humano. É uma mudança de paradigma. Em vez de pensar como um problema, algo a descartar, essa água pode ser a solução de muitas cidades que sofrem com escassez hídrica, afirma.

Escassez. Segundo o documento, atualmente, dois terços da população mundial vivem em áreas com escassez de água ao menos durante um mês por ano e que cerca de 500 milhões de pessoas moram em áreas nas quais o consumo de água excede em duas vezes os recursos hídricos renováveis localmente. Lombardo afirma, contudo, que para reaproveitar as águas residuais para consumo humano países como o Brasil precisam regular o reúso por meio de lei e esclarecer à população sobre a confiabilidade do tratamento. "Temos de começar agora a desenvovler um marco regulatório e aumentar a consciência social sobre o reúso da água", afirma.

Atualmente, as águas residuais são mais utilizadas para a irrigação agrícola, prática adotada por ao menos 50 países que representam cerca de 10% de todas as terras irrigadas. O método, porém, levanta preocupações de saúde quando a água contém patogênicos que podem contaminar as culturas. Dessa forma, o desafio é passar de uma irrigação informal para um uso planejado e seguro, como a Jordânia tem feito desde 1977, sendo que 90% das suas águas residuais tratadas são utilizadas para a irrigação.

Na indústria, essa água residual pode ser reutilizada para aquecimento e resfriamento, por exemplo, ao invés de ser descartada no meio ambiente. Já no caso de reúso para abastecimento de água potável, os exemplos mais conhecidos no mundo são o de Windhoek, capital da Namíbia, na África, que reaproveita 35% da água residual desde 1969. Os habitantes de Cingapura e de San Diego, nos Estados Unidos, também bebem, com segurança, água que foi reciclada
Herculano
22/03/2017 08:12
SE LULA DESTRUIU PROVAS, TEM DE IR PARA A CADEIA

Conteúdo de O Antagonista.O escarcéu em torno do interrogatório do blogueiro petista tem um motivo muito evidente.

Se Lula e seus comparsas foram alertados sobre a batida da PF e se, depois disso, eles aproveitaram para destruir provas, a Lava Jato tem o dever de mandá-los para a cadeia.

A Lava Jato acusou o blogueiro petista de ter alertado Lula e seus comparsas sobre os alvos da PF.

O Globo perguntou ao advogado do blogueiro se ele fez isso mesmo.

O advogado respondeu:

"Ele checou informações antes de divulgar, não sei com quem, nem como".

A Lava Jato já sabe com quem e já sabe como.

Os comparsas da ORCRIM que aparelharam a imprensa repetem que a Lava Jato interrogou o blogueiro petista porque queria descobrir o nome de sua fonte.

É mentira.

Como O Antagonista explicou ontem à tarde, o MPF já havia identificado o autor do vazamento.

A batida policial na casa do blogueiro teve outro propósito: demonstrar que, antes de publicar o vazamento em seu site, ele alertou os investigados (leia-se Lula) sobre os alvos da PF, a fim de que eles pudessem destruir provas.

A nota do MPF é clara:

"As providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do jornalista, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados".

E também:

"Dentre os motivos das providências, estão provas de que o blogueiro informou diretamente aos investigados a existência de medidas judiciais sob sigilo e pendentes de cumprimento, antes mesmo da publicação das informações no blog".
Herculano
22/03/2017 07:57
É FALSO QUE REFORMA DA PREVIDÊNCIA OBRIGUE A TRABALHAR ATÉ MORRER

Os 18 leitores já sabem que tenho algumas obsessões, entre elas profundo desprezo à desonestidade intelectual e quase asco a quem trata os dados de maneira desrespeitosa. Podem, então, imaginar como me sinto em meio ao debate sobre a reforma previdenciária agora no Congresso.

Há um vídeo particularmente desonesto narrado por Wagner Moura, mas isso não chega a me surpreender, dados os nítidos objetivos político-partidários de quem defendia, há não muito tempo, a reforma da Previdência. Nada surpreendente, mas igualmente abominável, é ver economistas atacarem a reforma argumentando, como fez Laura Carvalho, que a expectativa de vida no Brasil é de 75 anos.

Qualquer economista que deseje discutir a questão previdenciária não pode ignorar que a expectativa de vida ao nascer é irrelevante para o tema. O que interessa é a expectativa de vida quando se chega à idade de aposentadoria.

De fato, a expectativa de vida ao nascer se encontra ao redor de 75 anos, porque (infelizmente) a mortalidade infantil ainda é relativamente elevada e a violência cobra muitas vidas de homens jovens. Quem, porém, se aposenta por tempo de contribuição atinge essa condição em média aos 54,5 anos (homens, 55,5, e mulheres, 52,3), idade em que, como mostrado no gráfico, a expectativa de vida supera 80 anos (78,4 homens, 82,1 mulheres). Quem não comprova tempo de contribuição, os mais pobres, já se aposenta hoje aos 65 anos, com expectativa de vida de 83 anos.

É falso, portanto, que a proposta obrigue as pessoas a trabalhar até morrer, como se diz com alarmante frequência.

O tema é sério e requer um debate adulto, ao menos entre os que se acham qualificados para tanto. Comecemos respeitando os dados.
Herculano
22/03/2017 07:37
MAIS CONFIANÇA, COM CAUTELA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Consumidores e empresários continuam mostrando otimismo, ou menor pessimismo, em relação aos próximos meses, segundo pesquisas de entidades de representação do comércio e da indústria. Essa disposição, bem melhor que a apontada pelas sondagens na pior fase da retração econômica, é um dos ativos mais importantes do governo do presidente Michel Temer. Os planos de ajuste das contas públicas e de recuperação dos negócios serão executados tanto mais facilmente quanto mais prontamente reagirem o consumo e a atividade industrial. Que a recuperação tenha começado parece indiscutível, mas os sinais continuam mistos. Alguns apontam maior atividade, enquanto outros indicam desempenho ainda fraco em certos setores e hesitação nas decisões. De toda forma, a maior parte do cenário - há exceções - fica menos sombria, mês a mês, nas comparações com o quadro de um ano antes. Isso é visível, por exemplo, na sondagem divulgada nessa terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A melhora do cenário reflete-se no humor das pessoas consultadas nas pesquisas. Impedir a recaída no desânimo deve ser uma das preocupações principais do governo. Para isso é preciso mostrar avanços nos principais programas ?" de conserto das contas públicas, de reformas e também de reativação. Sem dinheiro para gastar, o governo pode criar atividade e empregos por meio de estímulos à construção de moradias e da retomada de investimentos em infraestrutura. Os leilões de quatro aeroportos foram só um impulso inicial e ainda limitado para essa retomada.

A última sondagem da CNI mostra avaliações ainda negativas da produção industrial e do emprego no setor, em fevereiro, mas menos pessimistas que as de um ano antes. Dados mais seguros ainda serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma estimativa do Ipea, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, também publicada ontem, indicou para o mês passado uma produção 0,3% maior que a de janeiro. Mas o quadro exibe desempenhos divergentes. Um exemplo é o contraste entre a fabricação de veículos, com aumento mensal de 5,9%, e a produção de aço, com recuo de 3,5%.

Na sondagem da CNI, o nível de estoques industriais permanece ajustado ?" um dado positivo porque aponta a possibilidade de maior produção a curto prazo. O mesmo levantamento, no entanto, confirmou três fatos menos promissores. A disposição de contratar, embora mais alta que a de um ano antes, permanece em território negativo, com 45,9 pontos (o nível de indiferença é de 50 pontos). O segundo fato pouco animador é o índice de 63% de uso da capacidade instalada. Ainda há espaço para um bom aumento da produção antes de serem necessários novos investimentos em máquinas, equipamentos e instalações. Um terceiro detalhe confirma esse ponto. A intenção de investir baixou 0,3 ponto, para 46,6 pontos em março, interrompendo 10 meses de melhora. Mas o índice foi 7,2 pontos mais alto que o verificado um ano antes.

Apesar da atividade ainda fraca, os empresários mostraram otimismo quanto à demanda interna, às exportações e às compras de matérias-primas. O indicador relativo ao emprego continuou em alta, mas permaneceu na área negativa, em 48 pontos. Nesse caso, pode-se falar de menor pessimismo.

Movimento semelhante, de melhora, mas ainda no território negativo, foi registrado em pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A intenção de consumo das famílias aumentou 1,4% em março e atingiu 68,2 pontos. Mas a linha de indiferença, nesse caso, fica em 100 pontos. A disposição melhorou em relação ao mês anterior e a março de 2016, mas continuou mostrando um quadro de insegurança.

Os entrevistados indicaram um nível de consumo atual inferior ao de um ano antes. Se a resposta for verdadeira, deve ser explicável pelo aumento do desemprego e pela erosão da renda. A baixa da inflação deve ter sido insuficiente para compensar essa perda e para estimular a volta às compras. É um obstáculo a mais para o governo considerar.
Herculano
22/03/2017 07:29
FIM DO MUNDO DA ODEBRECHET ESTÁ VIRANDO FESTA, por Josias de Souza

Finalmente, chegou ao gabinete do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, a lista de delatados da Odebrecht. Imaginou-se que, nesse estágio, a política brasileira estaria vivendo o fim do mundo. Assim era chamada a delação da Odebrecht: delação do fim do mundo. Verificou-se que, no Brasil, o fim do mundo é apenas mais uma etapa rumo ao insondável. No momento, tudo parece conspirar a favor dos suspeitos.

Repare no seguinte: faz uma semana que chegou ao Supremo Tribunal Federal essa documentação da Procuradoria-Geral da República com os depoimentos dos delatores e os pedidos de providências. E só agora o papelório chegou às mãos do ministro-relator. Alegou-se que era preciso digitalizar os documentos. Como assim? Fala sério! Em plena era da informática, no tempo do livro digital e do arquivo nas nuvens, a Procuradoria enviou ao Supremo dez caixas abarrotadas de papeis.

Inicia-se agora a fase dos inquéritos. Sabe Deus quanto tempo vai demorar. Depois virão as denúncias da Procuradoria. Que o Supremo demora, em média, mais de um ano e meio para analisar. Na sequência, virão as ações penais. No Supremo, elas costumam demorar tanto tempo para ser julgadas que não é incomum que terminem em prescrição. Por isso, os suspeitos transitam sobre o imenso tapete nacional como se nada tivesse sido descoberto sobre eles. Enviados ao inferno, dezenas de congressistas, ministros e governadores começam a perceber que o diabo não é mesmo tão feio quanto Rodrigo Janot tenta fazer crer
Herculano
22/03/2017 07:01
POR DENTRO DOS PODRES DA CARNE, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

HÁ POUCA CARNE podre no despacho do juiz que autorizou a Operação Carne Fraca. Não está lá a história da linguiça de papelão. Sim, há carne ruim, em frigorífico menor. Tem até lote podre de ervilhas na história.

Mas fica evidente que a fiscalização da comida no Paraná, em Goiás e em Minas Gerais, pelo menos, é um osso mole de roer, com subornos baratos. Um executivo de pelo menos um grande frigorífico organizava a mutreta.

Para que subornar fiscais, de superintendentes do ministério ao "zé mané", se o objetivo não é passar comida ruim adiante? Também para isso, para que se faça vista grossa, supõe-se. Mas há pouca evidência direta de carne podre.

Há casos de tentativas de afastar fiscal decente. Há compra de normas, autorizações e "agilização" de processos.

Em suma, gente nomeada por políticos administra rede de fiscais com poder destrutivo para envenenar pessoas e causar prejuízos econômicos nacionais. Mas o caso lembra corrupções municipais, como o de fiscais de obras.

É o que se depreende das 305 páginas do despacho do juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba.

A promessa de corrupção maior é a de doação de R$ 300 mil para a campanha de parlamentares padrinhos de um fiscal graduado corrupto. Há o caso verificado de apartamentos no nome de um ex-superintendente no Paraná. Há suspeitas de uns R$ 50 mil ali, R$ 20 mil aqui. Fiscais menos graduados também recebem dinheiro, mas não fica clara a quantia.

Muita vez, o suborno aparece na forma de lotes de asinha de frango, calabresa, presunto, alcatra, maminha e picanha. Um corrupto pede que comprem seu carro usado. Outro, que arrumem um teste para seu neto em um time de futebol de São Paulo.

Quem são esses? Gente que discute suborno nestes termos: "Vou comprar [calabresa], né, porque não compensa, né, Carlão, sair daqui pra pegar dois gomos de linguiça lá, gasolina tá [cara]...".

Mas tem coisa muito grave e grande na Carne Fraca.

Pede-se ajuda a "parlamentares" para facilitar exportações pelo porto de Itajaí. Uma múlti brasileira paga a viagem de fiscais para que eles conheçam e certifiquem processo mais rápido de abate de aves. Fiscais pouco graduados discutem como reutilizar peru com salmonela, rejeitado na Europa.

Funcionários de grande frigorífico tentam "agilizar" o registro de certificação de granjas fornecedoras. Assim seriam certificados em laboratórios da empresa, escapando de laboratórios do Ministério da Agricultura, que poderiam flagrar salmonela em frangos e perus. Não se sabe o fim da história.

Funcionários de grandes frigoríficos, "campões nacionais", agiam dentro de escritórios regionais do Ministério da Agricultura, com acesso a computadores e senhas para emissão de certificados sanitários. Por vezes, redigiam certificados de fiscalização, só assinados pelos fiscais.

Não há motivos para acreditar que tal bandalheira não se repita em outros Estados.

O que fazer? Blairo Maggi dizer quem são os políticos padrinhos dos superintendentes demitidos e dos que estão no cargo. Fazer devassa e dança das cadeiras na fiscalização. Auditoria com grande amostragem na carne dos frigoríficos "campeões nacionais". E abatam-se cabeças
Herculano
22/03/2017 06:54
LADROAGEM NO SÃO FRANCICO CONFIRMA: É LULA O PAI DE TUDO, por Augusto Nunes, de Veja

No dia 10 de março, o presidente Michel Temer inaugurou o eixo leste da transposição das águas do Rio São Francisco. Enciumado, Lula baixou por lá neste domingo para reivindicar a paternidade da obra. Na discurseira que abrilhantou mais um comício ilegal, garantiu que é o pai da transposição. A mãe é Dilma Rousseff, esclareceu.

Nem precisa perder tempo com exame de DNA. Pelo menos cinco marcas de nascença confirmam aos berros que o filhote é a cara de Lula:

1. CRONOGRAMA VIGARISTA
Em 2007, quando as obras começaram, o então presidente jurou que seriam concluídas em 2010. Na conta de quem deve ser debitado o atraso de sete anos?

2. ORÇAMENTO FALSIFICADO
O custo original do projeto foi orçado em R$ 8,5 bilhões (em dinheiro de hoje). A gastança subiu para R$ 9,6 bilhões. Ninguém explicou até agora a diferença multimilionária.

3. SUPERFATURAMENTO
Apenas em licitações, o Tribunal de Contas da União já identificou um sobrepreço que vai chegando a R$ 720 milhões. Quem embolsou a fortuna?

4. INDENIZAÇÕES ILEGAIS
Só em desapropriações, o TCU calculou em 2012 que as indenizações totalizavam R$ 69 milhões, quantia que ultrapassa amplamente limites fixados como referência pelo Incra.

5. DESVIO DE VERBAS
As obras envolveram 90 empreiteiras. Ninguém sabe dizer por que foram tantas. A Delta, a OAS e a Galvão Engenharia lideraram um grupo de empresas (todas atoladas no Petrolão) que engoliu mais de R$ 200 milhões em dois lotes das obras do eixo leste.

No palavrório de domingo, o candidato a Dom Pedro III repetiu que Michel Temer não tem nada a ver com a obra que inaugurou. Cabe a Lula, portanto, esclarecer os casos de polícia em que se meteu às margens do São Francisco. O pai da transposição é também o parteiro da ladroagem fluvial.
Herculano
22/03/2017 06:45
BLAIRO MAGGI REPRESENTA COMO NINGUÉM O AGRONEóCIO BRASILEIRO, por Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O ministro da Agricultura, doutor Blairo Maggi, chamou de "idiotice" a acusação, apresentada pela Polícia Federal, de que um frigorífico do grupo BRF estivesse usando papelão nas suas salsichas. Faz sentido.

Maggi bate duro. É um bilionário do agronegócio, já foi chamado de Rei da Soja (título que herdou do pai) e a ONG Greenpeace presenteou-o com a "Motosserra de Ouro". Conhece o mundo dos negócios e o da política. Chegou ao Senado pela gambiarra da suplência e ao governo de Mato Grosso pelo voto popular.

Representa como ninguém o agronegócio brasileiro com seu efeito modernizador do campo e sua importância para a economia. Quando estourou a Operação Carne Fraca, ele era o homem certo no lugar certo. Em poucos dias, verificou-se que adulterara o próprio produto.

Maggi ameaçou desnecessariamente o governo chileno, mas esse talvez seja o seu viés de senhor das terras. O ministro tornou-se patético quando acompanhou o coral dos agromandarins. Trata-se de uma casta capaz de gastar os tubos para publicar um manifesto "em defesa da proteína nacional". Essa charanga considera o desastre uma coisa pontual, produto de "desvios de conduta" que "devem ser repudiados e combatidos". Intitulam-se "associações de proteínas."

A economia internacional modernizou o agronegócio brasileiro obrigando-o a respeitar padrões de qualidade. Contudo, quando operam no mundo do poder brasileiro, os empresários fogem do século 21 e aninham-se na primeira metade do 20, quando seus antecessores administravam matadouros.

O "desastre" começou há três anos, quando o auditor Daniel Gouvêa Teixeira foi afastado das suas funções depois de ter denunciado malfeitorias ocorrida no Paraná. Em seguida ele foi à Polícia Federal, contou o que sabia e assim nasceu a "Carne Fraca". Na sua narrativa das excelências do governo, Maggi revelou que exonerou os superintendentes do ministério no Paraná (Gil Bueno) e em Goiás (Julio Cesar Carneiro).

Tudo bem, mas quem nomeou os dois foi Blairo Maggi. O doutor Gil Bueno foi apadrinhado pela base de apoio do governo, mesmo sabendo-se que o Ministério Público dizia o seguinte a seu respeito: "Recebeu para si, 67 vezes, em razão do cargo de fiscal federal agropecuário (...) vantagem indevida para deixar de praticar ato de ofício". Nomeá-lo, vê-se agora, foi "idiotice".

Em Goiás, na região do interesse de Maggi, foi nomeado outro filho da base. Quadro do PTB, Carneiro disputa eleições desde 2004, sem sucesso. Ele não é do ramo, mas o ex-diretor do serviço de inspeção era. Está preso preventivamente. Não há nada de pontual em situações desse tipo. São esquemas.

Os grandes grupos exportadores respeitam as exigências impostas pelo mercado internacional, mas convivem com o atraso que Blairo Maggi conhece de cor e salteado.

A Operação Carne Fraca começou com um lastimável grau de amadorismo megalômano e espetaculoso da Polícia Federal, mas isso não convida empresários, mandarins e ministros a adotarem a postura arrogante dos empreiteiros no nascedouro da Lava Jato. Como ensina um velho provérbio napolitano, "seja honesto, até mesmo por esperteza".
Herculano
22/03/2017 06:40
VIAGEM DE JATO DE LULA À PARAÍBA CUSTA R$100 MIL, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Para não enfrentar dissabores em voos de carreira, os ex-presidentes Lula e Dilma usaram um jato para levá-los de São Paulo a Campina Grande (PB), no fim de semana, para a patética "reinauguração" de parte das obras de transposição do rio São Francisco. O jato um Legacy 600, prefixo PR-AVX, com capacidade para 16 pessoas, pertenceu a um amigo do peito da dupla: Eike Batista, hoje no xilindró.

A FIRMA É RICA
Empresa de fretamento, consultada pela coluna, garante: o jato que levou Lula à Paraíba não custou menos de US$ 31 mil (R$ 100 mil).

BOCA DE SIRI
Procurados, nem o PT e muito menos Instituto Lula assumiram o pagamento pelo jato que levou Lula e Dilma por R$100 mil.

NÃO É DINHEIRO DELE
Se pagasse passagem para viajar de São Paulo ao belo Estado da Paraíba, Lula gastaria R$ 1,4 mil. Mas jatos de luxo têm seus encantos.

CB NA ROTA
Em declínio, Eike Batista colocou seu avião à venda em 2013. Hoje o palácio voador está com a CB Air, do grupo Klein, das Casas Bahia.

MINISTRO DO TCU VÊ 'FRAUDE GENERALIZADA' NO PROGRAMA 'LEITE DA PARAÍBA'
Não merecem outro destino senão a cadeia os responsáveis pelo programa "Leite da Paraíba", do governo estadual, que distribuía 120 mil litros do produto por dia para bebês, gestantes e idosos. O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, verificou: o programa era uma "fraude generalizada". Os produtores nem sequer tinham vacas, metade do "leite" era água e com adição até de soda cáustica. O TCU endossou a decisão do ministro de condenar os envolvidos a devolver o dinheiro surrupiado e aplicou multas que totalizam R$3 milhões.


ATÉ NO VOLUME
Entre as fraudes do programa do governo da Paraíba, a embalagem do leite que, além de "batizado", tinha volume inferior ao contratado.

ALMATEIA
A Operação Almateia, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, investigaram as fraudes constatadas pelo TCU.

LADRÕES, SIMPLES ASSIM
Os responsáveis pelo programa simulavam o recebimento de leite que não existia, fornecido por produtores igualmente fantasmas.

AGORA VAI?
O presidente do Senado, Eunício Oliveira, colocou na pauta a proposta que extingue o foro privilegiado do qual se beneficiam 40 mil pessoas (parlamentares, magistrados, procuradores etc). Será votada após as cinco sessões regimentais. Mas poucos duvidam que seja aprovada.

COISA DE AMADORES
A Operação Carne Franca tem um consenso: apesar dos méritos, até agentes e delegados da Polícia Federal criticam sua estratégia de comunicação. Primária, desastrosa. Para a instituição e para o País.

CONTRA OUTRA, PNUD
Não se duvida da seriedade da turma do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Pnud, das Nações Unidas. Mas ninguém acredita que a qualidade de vida na Venezuela seja melhor que a do Brasil.

DESABAFO DE MINISTRO
Luís Barroso, do STF, acha que a corrupção se disseminou no Brasil "em níveis espantosos". E isso não tem a ver com pequenas fraquezas humanas: "foi um fenômeno sistêmico, estrutural, generalizado. Tornou-se o modo natural de se fazer negócios e política no Brasil."

CONFUSÃO EM DOMICÍLIO
Um furgão Fiat placa JHX-7343 espalha sobressaltos em Brasília, com a vistosa inscrição "Lava Jato em domicílio", e o celular de contato. Mas o Japonês da Federal não está ao volante: é lavagem de carro mesmo.

MAU NÃO É MAL
Na nota conjunta que divulgaram ontem, Ministério da Agricultura e Policia Federal maltrataram o vernáculo, ao descartarem o "mal funcionamento" (sic) do sistema de controle sanitário.

DISPARATE NO DF
No mês em que deixou o Lago Norte sem água por 61 horas, em Brasília, em vez das 24h previstas no racionamento, a estatal Caesb deu desconto de R$ 4 pelo transtorno. Mas cobrou 40% a mais.

APOIO
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que seu partido apoia a CPI da Previdência, mas ele próprio não está entre cinquenta parlamentares que apoiaram a instalação da comissão nesta terça.

SEM PERIGO...
...de dar certo: a Petrobras deu prejuízo no terceiro ano seguido, agora de R$14,8 bilhões em 2016, mas é a petroleira que mais salários paga.
Herculano
22/03/2017 06:33
OS VILÕES DA HISTóRIA, por Bernardo Mello Franco, no jornal Folha de S. Paulo

O escândalo da carne conseguiu algo que parecia impossível: fez os políticos esquecerem a Lava Jato, mesmo que por tempo limitado. Nesta terça (21), o assunto dominou os discursos do Congresso. Com raras exceções, os parlamentares defenderam os frigoríficos e atacaram a Polícia Federal.

"O delegado que fez essa operação é um irresponsável", bradou o senador Ivo Cassol, do PP. "Isso é um abuso!", exclamou o ruralista, sobre a prisão de 36 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha que subornava fiscais e adulterava alimentos.

A senadora Kátia Abreu, do PMDB, classificou a Operação Carne Fraca como um "festival de horrores". Ela acusou "um delegado e meia dúzia de chefes da PF" de praticarem "crime de lesa-pátria". "Tentaram, com uma ação medíocre, infantil e baixa, destruir um dos setores mais importantes deste país", disse.

"Sempre me coloquei aqui contra a espetacularização da Polícia Federal. Agora estão vendo o monstro que criaram", endossou a senadora Gleisi Hoffmann, do PT.

O senador Renan Calheiros, do PMDB, aproveitou para dissertar sobre o estado da nação. "Este país está emburrecendo", disse. "O que nós assistimos com essa Operação Carne Fraca explicita o fato de nós não termos limite nenhum para nada."

Na Câmara, os discursos corriam na mesma toada. "A Polícia Federal não conhece a questão sanitária dos produtos da agropecuária brasileira", criticou o deputado Valdir Colatto, do PMDB. "Uma unidade da PF joga no chão todo um trabalho que vem sendo feito com muito sacrifício pelas empresas", emendou Delegado Edson Moreira, do PR.

A Polícia Federal não está imune a críticas, e há fortes indícios de exageros na divulgação da Carne Fraca. Mesmo assim, é difícil sustentar que os vilões da história são os investigadores, e não os frigoríficos investigados. Foram eles que compraram fiscais, enganaram consumidores e, claro, financiaram campanhas
Herculano
22/03/2017 06:28
A operação foi deflagrada na sexta-feira. Na segunda-feira, as 7h25mim fiz esse comentário. Houve quem apontasse o dedo para uma causa própria ao invés do conhecimento da área. Hoje, quarta-feira. zapeando o noticiário, todos (e até a própria PF) admitem que a operação só serviu para causar prejuízos e desmoralizar os arapongas e investigadores num assunto que desconhecem ou foram levianos.

Da série vale a pena ler de novo

20/03/2017 08:09
reeditado das 7.25

O DESCONHECIMENTO TÉCNICO DEIXOU A POLÍCIA FEDERAL EXPOSTA NA OPERAÇÃO "CARNE FRACA"

Que há problemas com funcionários bem pagos - e bota bem pagos nisso - do Ministério da Agricultura, ah, isso há. E também não é de hoje que eles colocam dificuldades para vender facilidades aos empresários ou se estabelecer na sua força imperial contra inovações, procedimentos e o ato de empreender.

Agora dar ares de uma prática generalizada dos empresários do setor de proteína animal, isso já é um exagero que beira a irresponsabilidade. Conheço boa parte deles e sei de como estão conscientes e como se subordinaram não apenas às exigências brasileiras, mas principalmente às internacionais, as quais, em alguns casos, nem existem e nem mesmo são exigidas ou praticadas nos seus países para os frigoríficos de lá.

Também noto, que os velhos donos e gestores com esta consciência e práticas estão desaparecendo pela aposentadoria e sendo substituídos por novos executivos e que não possuem essa consciência total, e ai a operação Carne Franca pode ser um reforço ao desconhecimento e ao eventual desleixo de quem já pegou um bonde andando e não sabe bem o porquê e como ele se move.

Agora, a Polícia Federal sabe que tratou os empresários, empresas e executivos como se fossem iguaizinhos aos políticos que eles pegam nas sucessivas operações da Lava Jato. E errou. Sabe, que poderá haver consequências e os políticos estão torcendo para tudo tome um novo rumo para eles poderem se limpar.

Aquele vazamento seletivo da mistura do papelão no CMS, carne processada numa unidade da BRF (Sadia e Perdigão), é motivo de piada irresponsável quando se ouvindo a gravação disponibilizada pela própria PF para dar crédito à operação, está bem claro que se trata da troca de embalagens (de plástico por de papelão). Ou foi algo da arrogância, da seletividade (para atingir uma grande) e da má fé dos policiais, ou então foi da ignorância (o mais provável, mas indescupável).

Os frigoríficos ficaram expostos e os menores, como sempre, terão que entrar na linha. E nisso, a ação é bem-vinda. Mas, ao generalizar fez um estrago sem precedentes e contra as grandes marcas. Não será surpresas se houver trocas de comando na PF, afinal, a carne é fraca. Uma pena.
Herculano
22/03/2017 06:17
EXCESSO DA CARNE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Bastaram poucos dias para ficar claro que a Polícia Federal mostrou imperícia ao divulgar a Operação Carne Fraca.

Por graves que sejam as suspeitas levantadas, e consideráveis os sinais de ilícitos na relação entre empresas e fiscais do governo, houve danos desnecessários à imagem de um produto de peso na dieta dos brasileiros e na balança comercial do país ?"um prejuízo desproporcional à escala das irregularidades sob investigação.

Não emergiram evidências fortes, até aqui, para concluir que a condição sanitária da proteína animal produzida no Brasil - um dos líderes mundiais no setor - seja em geral ruim ou um risco para a saúde pública. No entanto, foi essa a impressão que se disseminou.

São 21 os frigoríficos sob suspeita e, agora, impedidos de exportar carnes. Um número ínfimo para o universo de quase 5.000 estabelecimentos nacionais do ramo.

A PF fez inspeção em um único frigorífico. As desconfianças restantes de deficiências sanitárias derivam de escutas telefônicas, principalmente, em que transparece o conluio entre fiscais do Ministério da Agricultura e prepostos das empresas para burlar exigências legais de qualidade da carne.

Só 6 das 21 unidades vendem o produto ao exterior, com faturamento de US$ 120 milhões em 2016, parcela diminuta do total de cerca de US$ 14 bilhões exportados.

Apesar disso, o estardalhaço da PF contaminou a reputação do produto brasileiro como um todo. E ocasionou, entre outros danos, a suspensão das importações por Hong Kong - maior comprador externo de carne bovina nacional.

Com mais cuidado e precisão nos detalhes, a divulgação da Carne Fraca pela PF poderia ter prevenido a generalização deletéria.

O estrago está feito; cabe, agora, circunscrevê-lo à amplitude real das irregularidades. Pois elas, tudo indica, existem.

Há indícios de que fiscais de defesa agropecuária ?"cujo comando está sujeito a indicações partidárias?" cobravam regularmente por favores a dirigentes de frigoríficos. Deficiências na política de controle eram relatadas já em 2014 pelo Tribunal de Contas da União.

Um dos problemas apontados pelo TCU era a duplicidade de padrões, com inspeção sanitária mais rigorosa e frequente do produto exportado, na comparação com o destinado ao mercado interno.

A investigação continua, e não se descarta que surjam mais fatos comprometedores. É obrigação da Polícia Federal concluí-la com rigor e celeridade - o que não isenta a pasta da Agricultura de restaurar, com novos dados e providências, a confiança abalada no sistema federal de inspeção.
LEO
21/03/2017 22:20
COMO O SENHOR FALA PERGUNTAR NÃO OFENDE.QUANTO A SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO,DEVE PARA O MUNICÍPIO DE GASPAR.E QUANTO VAI COLOCAR EM DIA OS REPASSES DE VERBAS DA SAÚDE.
LEO
21/03/2017 22:14
MAIS UM SECRETARIO DE SAÚDE DO ESTADO,QUE VEM PARA GASPAR S?" ENROLAR.PRIMEIRO O EX SECRETARIO E O ATUAL DEP FEDERAL JP KLEINUBING. ENROLOU PROMETEU E NÃO FEZ NADA.O NADA É A MARCA DO PSD NA REGIÃO.AGORA APARECE O ATUAL SECRETARIO DA SAÚDE DO ESTADO VICENTE CAROPRESO.VEIO TRAZER RECURSOS.NÃO MAIS UM QUE APARECEU AQUI PARA ENROLAR.E DINHEIRO PARA O HOSPITAL NADA.OU PAGAR OS REPASSES DEVIDOS E ATRASADOS DO GOVERNO DO ESTADO COM O MUNICÍPIO NADA. O PSDB E OUTRO PARTIDO DO NADA
Belchior do Meio
21/03/2017 20:06
Sr. Herculano;

A senadora Kátia Abreu está nervosinha só porque está no partido que lhe cabe?
Até pouco tempo atrás era amiga íntima de uma guerrilheira, bandida, assassina, corrupta e ladra, agora refuta os seus?
PT/PMDB, tudo a ver.
Herculano
21/03/2017 18:47
KÁTIA ABREU DENUNCIA PRESSÃO DO PMDB PARA MANTER LÍDER DA "QUADRILHA DA CARNE" NA AGRICULTURA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto Isabela Bonfim, Julia Lindner e Erich Decat, da sucursal de Brasília. A senadora e ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), denunciou nesta terça-feira, 21, em discurso em plenário, a atuação de deputados do PMDB do Paraná para impedir o afastamento de Daniel Gonçalves Filho do Ministério da Agricultura quando ela ainda chefiava a pasta. Daniel é considerado pela Polícia Federal o líder da "quadrilha" revelada na operação Carne Fraca. A senadora não citou nomes durante seu discurso.

"Esse cidadão que foi nomeado tinha processos administrativos no ministério e eu nunca vi, em todo o tempo que lá estive, e nunca tive notícias de uma pressão tão forte para não tirar esse bandido de lá", afirmou Kátia Abreu. A senadora relatou sua tentativa de demitir o indicado e pressão inversa que sofreu de deputados do seu partido.

"Dois deputados do meu partido insistiram que a lei não fosse cumprida ao ponto de eu ter que ligar para a presidente Dilma e comunicar da minha decisão de demitir e avisar que, com as consequências políticas, eu iria arcar. E ela disse: Demita já", relatou Kátia Abreu.

Segundo apurou o Estado a senadora se referia ao atual ministro da Justiça, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), e ao deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), que chegaram a visitá-la no Ministério da Agricultura para impedir a demissão do indicado político. Os deputados ainda não responderam sobre a acusação.

O indicado em questão é Daniel Gonçalves Filho, preso na última sexta-feira durante a operação Carne Fraca da Polícia Federal. De acordo com a senadora, Daniel foi indicado para a Superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná por deputados do PMDB do Estado.

Ela chegou a relatar ainda que o nome não possuía a aprovação do senador paranaense e colega de partido Roberto Requião (PMDB-PR). Mas que, após as pressões, ele mesmo recuou das indicações e disse que ela poderia aceitar a sugestão dos deputados.

Críticas. A senadora também não poupou críticas a condução da Polícia Federal na operação da última sexta-feira que, em seu entendimento, é prejudicial para o setor da pecuária brasileira. "Desde sexta-feira que nós estamos assistindo nos canais de comunicação, televisão, rádio, jornais, redes sociais, uma verdadeira operação de destruição da pecuária de corte, bovina, suína e de aves. Isso não tem nome, isso é um crime de lesa-pátria", disse.

Apesar de apoiar a atividade da Polícia Federal, a senadora se disse preocupada com a forma como a operação foi divulgada e as consequências que pode trazer para o setor. "O preço do boi vai cair, vamos perder nossas exportações. Mas o mais grave: vamos perder empregos em uma hora crítica, em que temos tantos desempregados. Essa é uma culpa que vocês, pequeno grupo da PF, também vão carregar. Tentaram com uma ação medíocre, infantil, baixa, destruir um dos setores mais importantes desse País", analisou a senadora.

Abuso de autoridade. Por fim, a senadora defendeu ainda a aprovação do projeto que atualiza a lei de abuso de autoridade, amplamente criticado por entidades ligadas ao Judiciário. "Trinta e três servidores não podem manchar a história do Ministério da Agricultura. Não permitiremos que um delegado e meia dúzia de chefes de polícia manchem a Polícia Federal. Vamos aprovar sim a lei de abuso de autoridade, doa a quem doer. Não é só pra juiz, é pra todos aqueles que afrontam e se julgam estrelas acima do bem e do mal", afirmou.
Herculano
21/03/2017 18:44
GOVERNO VAI CONTINGENCIAR ATÉ DE R$ 35 BILHÕES DO ORÇAMENTO, DIZ JUCÁ

Conteúdo da revista Veja. O governo vai contingenciar entre 30 e 35 bilhões de reais do Orçamento da União de 2017 para tentar evitar o estouro da meta deste ano, um déficit primário de 139 bilhões de reais, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

O valor, que deve ser anunciado nesta quarta-feira, último dia para publicação do relatório bimestral de receitas e despesas da União, não cobre o total que o governo calcula para o estouro da meta - 65 bilhões de reais?" mas a avaliação é que o congelamento de recursos do Orçamento tem um limite. "Trinta a 35 bilhões de reais é o máximo que se pode chegar (de contingenciamento). Além disso já é amputação", disse Jucá.
Lélo Piava
21/03/2017 16:04
Vereador Silvio, Médico da rede pública e privada que tem o seu negócio no bairro, parece que não conhece a Unidade de SAUDE DO SANTA TEREZINHA. Poxa Dr. Silvio, não vi o Sr pedindo voto nas ruas.

Nº 184/2017 do Vereador Silvio Cleffi, providenciar os seguintes serviços, obras e melhorias na Rua Barão do Rio Branco, no Bairro Santa Terezinha, tendo em vista que vários moradores da região foram ouvidos, acusando, todos, essas mesmas necessidades, a saber:

a - pavimentação asfáltica;

b - implantação de uma Unidade de Saúde;

c - implantação do CEO - Centro Integrado;

d - mais segurança e policiamento na região; e

e - esgoto e drenagem.
Sujiro Fuji
21/03/2017 14:38
A DilmANTA já sabia da carne podre porque a bandalha começou oito anos atrás.
Casinha de Plástico
21/03/2017 14:07
Olá, Herculano;

Se partido fosse bom, não seria partido,sim, inteiro.
Tanto é que até os mais jovens que entram na política já vem para este mundo "vendido".
Casinha de Plástico
21/03/2017 13:55
Oi, Herculano;

O defensor das 12:45, ele com... vive com ela?
Herculano
21/03/2017 13:01
O CRIME DO CAIXA DOIS,por Alexandre Garcia.

Há dezenas de carros estacionados junto ao meio-fio cheio de placas de estacionamento proibido. Como aconteceu? O primeiro carro infrator estacionou e o seguinte imaginou: "já tem um, eu vou também" - e assim por diante. Por aqui, neste país sem cultura de obediência às leis, ou seja, num país de civilização duvidosa, é assim. Emílio Odebrecht é convocado pelo juiz Sérgio Moro e diz que não tratou nada com Palocci. Mas informa que quando seu pai era presidente da Odebrecht, em 1990 começaram as doações em caixa dois. Quer dizer, o pai e o filho são responsabilizados por esse espírito santo. Por aqui, é assim. Um faz, os outros fazem, mesmo sendo ilegal.

Então essa história de empreiteiras e governo, com dinheiro para os partidos, começou em 1990? Porque eu vi entrar muitas vezes no Palácio do Planalto o Murilo Mendes, da Mendes Jr, e o Sebastião Camargo, da Camargo Correia, em tempos de Geisel e Figueiredo, mas nunca se soube de alguma vantagem para alguém do governo ou do partido no governo. Tratavam de assuntos de interesse do país, naquela época. Hoje, ora, ora, o país...

Enquanto o prezado leitor me acompanha nestas linhas, é possível que os presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Tribunal Superior Eleitoral já tenham acertado alguma coisa sobre o dinheiro para vender candidatos e comprar eleitores no ano que vem. Sempre no interesse da "estabilidade", como ressaltou há poucos dias o presidente do TSE, Gilmar Mendes. No Congresso, querem uma espécie de anistia do caixa dois. E, pior, vão montar essa anistia no cavalo já domado do projeto de iniciativa popular de combate à corrupção. Ironia: ao anistiar caixa dois vão estimular a corrupção.

Caixa dois não paga imposto. Um depoente da Odebrecht afirma que a empreiteira pagou cerca de 13 bilhões em "doações" oriundas de caixa dois. Isso significa que foram sonegados 4 bilhões de impostos pela empresa, mais as sonegações de cada um dos beneficiários, que não declararam essa renda. Sonegações em cadeia têm que dar cadeia, porque sonegação é crime. Logo, caixa dois é crime. E se lembrarmos que esses bilhões sonegados não chegaram à saúde, à educação e à segurança - e falo só do restrito à Odebrecht - não seria, esse caixa dois um crime hediondo? Pois querem que esqueçamos isso - já que anistia é esquecimento - na hora sagrada de votar.
Herculano
21/03/2017 12:54
JORNAL DO ALMOÇO MUDA

Quem é leitor e leitora da coluna já sabia. A RBS TV muda o Jornal do Almoço a partir de amanhã. Vai ser estadual e perde o conteúdo e a identidade regional. Uma fórmula testada e que a levou perder a liderança no passado.
Herculano sabidão
21/03/2017 12:45
Abro a coluna do escritor de textos Herculano e fico surpreso com a pegação de pé ou propaganda antecipada para a vereadora Franciele. Incomoda o fato dela ter diploma e você não??

Até a condição de ter trabalhado em Blumenau parece incomodar o escritor. Acho que você é filiado ao PSDB, eles têm apenas uma vereadora e seus canhões estão voltados apenas a eles? PDT, PSD, PT, PSC e PMDB juntos não chegam a 10% da sua atenção perante o PSDB.

Herculano, fale da atuação dos demais parlamentares. Acorda Gaspar!!
Herculano
21/03/2017 12:39
ADVOGADO QUE BATEU BOCA COM MORO RENUNCIA À DEFESA DE LULA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Mateus Coutinho. O advogado criminalista Juarez Cirino dos Santos informou na sexta-feira, 17, ao juiz Sérgio Moro que renunciou à defesa do ex-presidente Lula nas ações a que o petista responde na Lava Jato.

Reconhecido no meio acadêmico e jurídico, nas audiências da Lava Jato, Cirino protagonizou um dos embates mais tensos entre defensores de Lula e Moro, em 12 de dezembro de 2016, quando o juiz da Lava Jato ordenou a Cirino: 'o sr. respeite o juízo!'

No documento assinado por ele e outros dois advogados de seu escritório, que também deixam a defesa do ex-presidente, Cirino não revela o motivo de sua saída.

Ele e seus colegas de banca não poupam elogios ao ex-presidente a quem chamam de 'ilustre e digno constituinte, por quem os signatários manifestam a maior admiração por sua atuação como sindicalista, criador e dirigente do Partido dos Trabalhadores e Presidente da República", diz o documento encaminhado à Justiça Federal no Paraná.

Com reconhecida trajetória acadêmica, Cirino é pós-doutor em Política Criminal e Filosofia do Direito Penal pela Universidade de Saarland, na Alemanha, e atualmente é professor de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná desde 2002.

Nas audiências da Lava Jato, Cirino fazia parte da equipe de defensores de Lula, que inclui ainda os advogados Cristiano Zanin Martins e José Roberto Batochio, de escritórios diferentes, e fazia várias interrupções durante os depoimentos das testemunhas de acusação contra o petista.

Foi em uma dessas ocasiões que Cirino protagonizou um dos mais duros embates com o juiz da Lava Jato, registrado em vídeo. No dia 12 de dezembro de 2016, durante o depoimento de Mariuza Aparecida Marques, funcionária da empreiteira OAS encarregada pela supervisão do triplex do Guarujá, Cirino havia chamado Moro de "acusador principal".

Moro mandou que o advogado o respeitasse. O bate boca ocorreu aos 13 minutos, aproximadamente, da audiência.

O procurador da República presente à audiência insistiu na pergunta a Mariuza sobre uma visita da mulher do ex-presidente, Marisa ?" morta em fevereiro deste ano ?" ao imóvel do Condomínio Solaris, no litoral paulista. "Essa visita, a dona Maria Letícia estava sendo tratada pelo grupo OAS como uma possível compradora do imóvel ou a quem o imóvel já tinha sido destinado?"

Uma advogada interrompeu. Em seguida, o procurador repetiu a indagação à testemunha.

Então, o advogado entrou em cena. "Fica o protesto aqui de novo, excelência."

"Dr. o senhor está sendo inconveniente", disse Moro.
"A defesa não é inconveniente enquanto estamos no exercício da ampla defesa", insistiu o advogado.

"Já foi indeferida a sua questão", advertiu o juiz.
"Vossa Excelência não pode cassar a palavra da defesa, estamos colocando uma questão muito importante, relevante. O ilustre procurador da República está pedindo a opinião da testemunha."

Moro disse que 'pode cassar' a palavra da defesa 'quando inconveniente' e reiterou que estava 'indeferida' a questão. Ele ordenou. "Já está registrado e o sr. respeite o juízo!"

"Eu não respeito o juízo enquanto Vossa Excelência não me respeite como defensor do acusado", devolveu o advogado. "Se Vossa Excelência atua aqui como acusador principal perde todo o respeito."

"A sua questão já foi indeferida, o sr. não tem a palavra", decretou o juiz.

Moro pediu à testemunha que respondesse à indagação do procurador.

"É?(Marisa Letícia) tratada como se o imóvel já tivesse sido destinado (à mulher de Lula)."

A reportagem tentou insistentemente contato com o escritório de Juarez Cirino, mas ele não estava lá. A reportagem deixou os contatos e o espaço está aberto para a manifestação do advogado.
Herculano
21/03/2017 12:31
O JORNALISMO DA VERGONHA. POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA AGENTE E BLOGUEIROS QUE VAZARAM INVESTIGAÇÕES EM TROCA DE DINHEIRO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Mateus Coutinho, Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt. A Polícia Federal no Maranhão deflagrou nesta manhã a Operação Turing, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa formada por servidores públicos, incluindo um agente da própria PF, e blogueiros suspeitos de vazar investigações da PF no Estado para os alvos em troca de dinheiro e apoio na imprensa local.

Graças ao esquema, segundo a investigação, o agente da PF envolvido teria assumido o cargo de ex-secretário adjunto de Administração Penitenciária do Estado.

Cerca de 80 policiais federais cumprem 23 mandados judiciais, sendo quatro de prisão temporária, quatro de condução coercitiva e 15 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara da Justiça Federal de São Luis/MA.

De acordo com a PF, a investigação, iniciada em 2015, identificou que um policial federal revelava antecipadamente fatos sob sigilo de Justiça a blogueiros. Estes, por sua vez, teriam ameaçado funcionários públicos e empresários e pediam valores em troca da não divulgação na mídia local dos fatos descobertos contra eles.

Os investigados aproveitavam também a oportunidade para fugirem ou destruírem provas. Em troca, o servidor público tinha publicações na imprensa local em seu favor. Um dos investigados, o agente da PF, chegou a assumir a função de Secretário Adjunto da Administração, Logística e Inovação Penitenciária.

A PF apura ainda possíveis frustrações do caráter competitivo de licitações do sistema prisional, bem como eventuais desvios na execução de verbas públicas.
O nome da operação é uma referência a Alan Turing, um cientista e matemático britânico responsável pelo desenvolvimento de uma máquina utilizada durante a Segunda Guerra Mundial, capaz de interceptar e decodificar dados criptografados transmitidos pela máquina Enigma. Por analogia, a investigação buscou desvendar, esclarecer os dados religiosos praticados pelos investigados.
Herculano
21/03/2017 12:00
MST E CUT BANCARAM COMÍCIO ILEGAL DE LULA, DIZ PT DA PARAÍBA

Conteúdo de O Antagonista. O secretário do PT da Paraíba, Jackson Macêdo - sem nenhum pudor, claro - confirmou à imprensa do estado que MST e CUT bancaram o comício ilegal de Lula no último domingo.

Por favor, vejam este trecho de uma nota em um blog local:

"De acordo com Jackson, o patrocínio da estrutura foi dos movimentos sociais. O MST e a CUT nacional, por exemplo, entraram com boa parte. Os investimentos foram nos dois ônibus fretados para levar as comitivas, caminhonete que deslocou Lula até o centro de Monteiro, palco e som. Os movimentos também custearam os deslocamentos e lanches da militância do partido", registra o jornalista Heron Cid.

O secretário petista detalhou: "A passagem era R$ 60. Nós pagamos R$ 30.
Mario
21/03/2017 10:09
Bom dia Herculano.
Sobre o PARTIDO DE ALUGUEL II - Acho que no Belchior é outro ex vereador que a população e políticos tem mais prestígio pelo trabalho prestado. Nada contra o Laurentino. Também quando se fala em partido, é complicado, porque normalmente os partidos não defendem o interesse local ou melhor, do que é certo!! Mas sim, o interesse do grupo que está no poder de plantão. Se tivéssemos partidos com interesses voltados para fazer as coisas corretas, aí sim, os seus representantes deveriam ser orientados e segui-los, e não ignorá-los, tentando voos solos, mas como você também sabe, está difícil achar algum partido sério hoje em dia.
Parabéns Herculano, a reportagem hoje está muito boa e merece debate sobre ser ou não fiel ao partido, mesmo sendo obrigado a ser filiado em algum para chegar ao poder. Abraço
Herculano
21/03/2017 10:08
Ao Platão

Interessante a sua análise, desde que você não se esconda com pseudônimo e inclua no rol da irmandade de perdedores e apoiadores, Marcelo de Souza Brick, PSD.
ilhotense justiceiro
21/03/2017 08:43
Comentário do Ex Vice Prefeito Lauri Adão Junior a respeito da proposta de diminuir 5% dos gastos públicos do orçamento na educação: (Deixo claro que concordo plenamente com este comentário)
"Bom dia a todos!
Não gosto de criticar o trabalho dos outros, quero acreditar que os erros não são propositais. Mais como cidadão não posso assistir calado e quieto, o retrocesso que querem fazer com a educação de nosso município. Quero me posicionar CONTRÁRIO ao projeto de lei que o executivo protocolou na câmara de vereadores ontem.
Não é justo apenas se falar e pensar educação em época de campanha. E depois apresentar uma emenda na Lei orgânica do município para reduzir de 30 para 25 % os investimentos em educação. E dizer que não há motivo plausível para continuarmos investindo 30% em educação. Hora senhores, educação não "GASTO é INVESTIMENTO".
Aqui vai alguns motivos então: É investindo em educação que formamos indivíduos críticos, capazes de refletir, tomar decisões. De ter uma oportunidade de melhorar de vida, mudar a sociedade, ser um empreendedor.
Se esses 5% estão sobrando, invistam na capacitação de nossos professores, no aumento de salário que até agora não saiu, em repassar uma ajuda para os universitários pagarem o ônibus para irem para a faculdade. Em devolver as nossas crianças as apostilas dando a elas um material de qualidade. Invistam melhorando a merenda os espaços escolares, construindo novas creches novas escolas. Quem sabe colocando TABLETES como foi prometido.
A tanto por se fazer pela educação. Quantas coisas podem ser melhoradas para as famílias de nossos munícipes através da educação. Não podemos perder o que conquistamos ao longo do tempo. Não podemos retroceder. Queremos compromisso com ILHOTA E COM A EDUCAÇÂO.
Quero ver quem serão os VEREADORES que concordarão com essa barbárie. Quero ver quem são os amigos da Educação, que REJEITARÃO esse projeto.
Querem economizar? Cortem os salários! Façam uma reforma administrativa descente! Diminuam os cargos comissionados! Diminuam os aluguéis! A muitas formas, mas não venham querer mexer num direito que é de nossas crianças. Educação pode até não trazer votos, como muitos políticos de mentalidade pequena pensam, mais certamente muda a vida das pessoas.
Repudio totalmente esse projeto."
Herculano
21/03/2017 08:28
Ao Luiz César Henning

Trata-se de um acordo precário. Se ele tivesse sido sacramentado, já deveria se tornado no mínimo uma mensagem do Executivo à Câmara encaminhando o respectivo projeto de lei, fruto do acordo, para deliberação formal.

O governo municipal ainda não fez isso. Ao menos é o que sinaliza a pauta da sessão de hoje onde só está o PL que sacramenta o reajuste dos vereadores e dos servidores da Câmara.
Mauro
21/03/2017 08:28
Greve de cunho político.

É o que está para acontecer com o servidores municipais.

Querem fazer greve por falta de reajuste no vale refeição.

No ano passado, o governo passado fez pouco caso dos servidores municipais dando o reajuste parcelado e não aumentou o vale refeição e ninguém quis fazer greve.

Agora esse ano com o governo anterior na oposição querem fazer greve.

"Quando estão governando não gostam que os funcionários façam greve, perseguem os grevistas, mas quando são oposição incentivam a greve"
Herculano
21/03/2017 08:21
ASSOCIAÇÃO DE DELEGADOS VÊ EQUÍVOCO DE COMUNICAÇÃO NA OPERAÇÃO CARNE FRACA, por Josias de Souza

Carlos Eduardo Sobral, presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), criticou a forma como a Operação Carne Fraca foi divulgada na última sexta-feira. "Acho que houve um equívoco de comunicação", declarou. Para ele, o erro foi ter afirmado que se tratava da "maior operação da Polícia Federal, sem explicar que, na verdade, foi a maior em quantidade de mandatos, mas não em valores investigados, importância e relevância social."

O delegado prosseguiu: "Evidentemente, na visão dos fatos, que havia corrupção praticada por parte dos fiscais, havia. Pode ter problemas em alguns frigoríficos? Pode. Agora, se isso foi um problema sistêmico, não ouvi os colegas da operação falando isso. Mas, quando se coloca que foi a maior operação da história da polícia, leva ao entendimento que é algo muito maior que pode ser na prática. Então, acho que nesse ponto, em particular, pode ter sido um erro de comunicação."

As declarações foram feitas durante uma entrevista, na noite desta segunda-feira, em Florianópolis (SC), onde se realiza um Congresso Nacional de Delegados de Polícia Federal. No comando da principal entidade sindical da corporação, Carlos Eduardo ecoou críticas que se disseminaram entre autoridades do governo de Michel Temer e empresários do setor agropecuário. Todos acusam o delegado Maurício Moscardi Grillo, responsável pela Carne Fraca, de ter sucumbido ao pecado da generalização.

Encontram-se na alça de mira da operação 21 frigoríficos dos 4.837 sujeitos à inspeção do Ministério da Agricultura. Desses 21, apenas três unidades foram interditadas. De um total de 11.300 servidores da pasta da Agricultura, somente 33 foram afastados por conta da investigação. Vem daí o tiroteio que criva o delegado Maurício Moscardi de críticas. Vai abaixo a entrevista de Carlos Eduardo Sobral, veiculada pelo jornal Diário Catarinense:

- Sobre a operação Carne Fraca, como o senhor avalia? Houve erro por parte da PF? Eu acho que houve um equívoco de comunicação quando se afirma que foi a maior operação da Polícia Federal, sem explicar que, na verdade, foi a maior quantidade de mandatos, mas não em valores investigados, importância e relevância social, talvez, dando a entender, que ela foi maior do que realmente pode ter sido. Evidentemente, na visão dos fatos, que havia corrupção praticada por parte dos fiscais, havia. Pode ter problemas em alguns frigoríficos? Pode. Agora, se isso foi um problema sistêmico, não ouvi os colegas da operação falando isso. Mas, quando se coloca que foi a maior operação da história da polícia, leva ao entendimento que é algo muito maior que pode ser na prática. Então, acho que nesse ponto, em particular, pode ter sido um erro de comunicação. Não que operação não devesse ocorrer, deveria e ocorreu. Fiscais serão investigados. Há uma crise sistêmica? Pelo menos do que foi divulgado na operação, ninguém afirmou nesse sentido.

- Foi um erro, então, de comunicação, com relação à dimensão da operação e não ao conteúdo? O que eu acompanhei foi pela imprensa, não faço parte da investigação. É que foi divulgado, e nós temos sempre dois direitos. O da sociedade ter a informação e o sigilo das informações. São direitos que temos que compatibilizar. É muito complicado levar informação sem ofender direitos dos investigados. Nós vimos a divulgação da operação informando que houve prisões e que alguns frigoríficos estavam sendo, realmente, objetos da operação e, ao ser divulgado, quando a mídia repercutiu, aliado ao fato de que a comunicação informou como sendo a maior operação da história, gerou então que, se é a maior operação da história, logo, há uma crise sistêmica e isso foi um estopim para, quem acompanhou distante, que havia uma crise.

- Algo pode ser feito para reparar isso? Sempre é possível explicar. Uma informação se corrige com mais informação. Agora é ter mais transparência. Divulgar de forma clara os números, as quantidades. Explicar os fatos, evidentemente, mantendo o sigilo do que ainda precisa ser mantido. E, realmente, se for uma crise sistêmica, divulgar como tal. Se não for, precisa ser dito, com muita transparência, que foi pontual. A informação precisa ser clara e direta.

- A operação poderia ter sido deflagrada antes? Eu não tenho detalhes da investigação. É muito difícil para quem está de fora falar o momento certo de deflagrar. O que normalmente acontece é que, quando há um fato que coloca em risco a vida de pessoas, de alguma forma, nós agimos para não comprometer a investigação, mas também para que isto não chegue ao consumidor ou à pessoa. Você alia, por exemplo, se está investigando o crime organizado, que se agir naquele momento não vai prender a quadrilha, mas se não agir, alguém pode morrer. De algumas formas, procuramos evitar que aquilo aconteça, sem que a investigação seja publicizada. Do que eu vi, quando havia risco de algum produto chegar ao consumidor, algumas medidas eram acionadas para evitar isso. Então, se segue com a investigação, mas não permite que a saúde seja prejudicada. É comum em operações dessa envergadura.

- A polícia ainda fala que há mais detalhes a serem informados. Esses detalhes podem justificar o alarde da operação? Seria uma irresponsabilidade, um chute, da minha parte presumir que há interceptações, algo comprometedor, porque pode ser que não tenha. Enfim, eu não teria condições de afirmar o que há na investigação. O que sei é que, no momento em que se deflagra a operação, aquele material se torna público para os investigados. Então o que havia ali nos autos até aquele momento, vai ser de conhecimento dos investigados, até por conta da defesa. O que há de coletado, vai ser informado.
Herculano
21/03/2017 08:18
VEJA 8 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A OPERAÇÃO CARNE FRACA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo.A Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira (17) pela Polícia Federal, levou à suspensão da licença de exportação de 21 frigoríficos.

Leia abaixo perguntas e respostas sobre o assunto.

1) A operação da PF significa que toda carne no país está imprópria para o consumo?

Não. O objetivo da PF não foi investigar a qualidade da carne no país, mas um grupo de fiscais e executivos suspeitos de negociar propinas para liberar produtos fora das especificações sanitárias

2) Mas a PF achou carne imprópria?

Até agora, sabe-se que a PF fez perícia em um frigorífico, o Peccin (PR), em que constatou, entre outros problemas, o uso de carne estragada. A empresa nega irregularidades

3) Quais problemas a carne estragada pode causar?

Favorece a proliferação de bactérias e toxinas que podem causar enjoo, diarreia e dor de cabeça

4) Há indícios de outras irregularidades na produção de alimentos?

Sim, sempre baseados em análise de grampos e de depoimentos

5) Quais são?

BRF - Diretor é suspeito de oferecer suborno a fiscais para evitar suspensão de fábrica em Mineiros (GO) que teve carne barrada na Europa por conter Salmonella; a PF também conclui, a partir de gravações, que houve a colocação de papelão na produção de carnes
Outro lado - Empresa diz que o tipo de salmonella encontrado é tolerado para carnes "in natura". Sobre o papelão, diz que era destinado a embalagens

JBS - Executivo da Big Frango, marca da JBS, aparece perguntando a servidora do Ministério da Agricultura se pode prorrogar a data de validade de embalagens que "sobraram"
Outro lado - Diz não compactuar com desvios de conduta e que aguarda informações para tomar medidas

Peccin, Curitiba (PR)

Suspeito de subornar fiscais para não sofrer fiscalização. Irregularidades, segundo a PF, inclui uso de carne estragada em salsicha e linguiças, uso de ácido ascórbico (vitamina C) e carne de cabeça de porco
Outro lado - Empresa não se pronunciou. Ministro Blairo Baggi contestou PF e disse que usou de carne de cabeça de porco é permitido

Larissa, Mauá (SP)

PF cita ausência de qualidade de alimentos
Outro lado - Empresa não se pronunciou

Souza Ramos, Colombo (PR)

Empresa teria enviado salsicha com carne de frango, quando deveria ser peru
Outro lado - Empresa diz seguir padrão de qualidade

6) Posso desenvolver câncer ao consumir ácido ascórbico, a popular vitamina C?

Não, segundo especialistas.

7) E ácido sórbico, que também é citado pela PF?

O consumo de doses elevadas do ácido, por tempo prolongado, aumenta a probabilidade do desenvolvimento de certos cânceres

8) E salmonella?
Pode causar infecções. Cozimento diminui as chances de causar problemas
Herculano
21/03/2017 08:13
INVESTIGAÇÃO POLICIAL NÃO É ESPETÁCULO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

São graves e merecem cuidadosa investigação os crimes apontados pela Polícia Federal (PF), na Operação Carne Fraca, envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e algumas das principais empresas de alimentação do País. Tais fraudes colocam em risco a saúde do consumidor, além de comprometerem um setor que gera tantos empregos e tem forte participação nas exportações brasileiras. Justamente por isso, a comunicação da operação requeria imenso cuidado, tratando o tema com rigor técnico e sempre dentro de sua real dimensão.

Não foi o que se viu. A PF optou por dar um tom de espetáculo à operação, sem atentar para os danos daí decorrentes. Sem ter ideia precisa das fraudes e da sua extensão ?" pois não foram devidamente comunicadas ?", a população ficou alarmada ao saber da existência da "maior operação da história" da PF envolvendo alimentos que ela consome diariamente.

Como era previsível, o modo como a PF divulgou a operação provocou imediata reação dos países importadores da carne brasileira. Até ontem, União Europeia (UE), China, Chile e Coreia do Sul haviam anunciado embargo de carne das empresas envolvidas na investigação. As autoridades europeias, por exemplo, suspenderam quatro empresas envolvidas no escândalo e pediram que o Brasil esclareça a situação da carne que agora está sendo transportada para o bloco. Bruxelas orientou os países-membros da UE para que adotem "uma vigilância extra" no tratamento de qualquer produto brasileiro.

O esquema de fraude na vigilância sanitária detectado pela Operação Carne Fraca é ?" repita-se ?" grave e revela uma vez mais como a corrupção prejudica diretamente a população. Há quem goste de relativizar os males da corrupção, como se o seu combate fosse tão somente decorrência de uma posição ideológica. Mas é preciso investigar as denúncias e punir os criminosos. A questão é que nenhum crime divulgado pela Operação Carne Fraca leva a colocar sob suspeita toda a cadeia de produção animal do País. Foi, porém, essa a impressão causada pela Polícia Federal.

Exemplo da distorção gerada pela comunicação atabalhoada - que parecia mais interessada em produzir um espetáculo do que em informar - foi o caso do papelão. A PF deu a entender que um áudio gravado indicaria a presença de papelão na carne, quando na verdade os funcionários grampeados falavam de embalagens. "É uma idiotice. As empresas gastaram milhões de dólares para conquistar mercados, e vão misturar papelão?", questionou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Houve ainda a divulgação de práticas absolutamente legais, como o uso de determinadas carnes na confecção das linguiças, como se elas fossem ilegais. Assuntos técnicos merecem rigor técnico, e descuidos nessa área causam graves prejuízos ao setor e à imagem do País.
Como lembrou o presidente Michel Temer, há 4.850 plantas frigoríficas no Brasil. Desse total, 3 foram interditadas e 19 serão investigadas pela PF. Essa é a real dimensão da investigação. Temer ainda mencionou que, dos 853 mil embarques de carnes para o exterior nos últimos seis meses, apenas 184 foram considerados pelos importadores fora da conformidade, muitas vezes por causa de temas não sanitários, como rotulagem e preenchimento de certificados.

No caso da Operação Carne Fraca, o descuido parece não ter sido apenas com a comunicação da operação. A PF revelou que vinha acompanhando denúncias envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura há dois anos, e apenas agora a operação foi deflagrada. Os policiais sabiam que havia algo de errado na inspeção dos alimentos e levaram dois anos para fazer chegar essa informação à população. É tempo demais de espera para um assunto tão grave. Reforça-se a impressão de que, mais do que investigar crimes, a finalidade é produzir investigações espetaculares.

O País não precisa desses espetáculos. Além de gerarem sérios danos à economia e às exportações, eles tratam com cruel injustiça um setor que é, em sua imensa maioria, exemplo e motivo de orgulho dentro e fora do Brasil. Investigar é separar o certo do errado, e não simplesmente querer que tudo esteja errado.
Herculano
21/03/2017 08:09
NOME AOS BOIS, por Eliane Cantanhede, no jornal O Estado de S. Paulo

Tudo no Brasil agora é assim: preto e branco, bons e maus, santos e demônios, joio e trigo. E tudo vira uma guerra irascível entre os que veem as coisas de forma radicalmente diferente, mas, entre dois extremos, há 50 tons de cinza, azul, verde e amarelo e o mais correto e prudente é tanto aprofundar as investigações quanto ficar atento para que as mesmas investigações não extrapolem e causem mais mal do que bem.

O primeiro mandamento é dar nome aos bois e não generalizar. Nem todos os políticos, nem mesmo os quase 40 nomes vazados do pacote do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, são iguais a Sérgio Cabral e Eduardo Cunha. E nem todos os produtores de carne no Brasil, nem mesmo todas as holdings e empresas do setor, são corruptos e vendem carne podre no mercado interno e internacional.

O governo Temer está dividido. De um lado, a PF apura propinas a superintendentes e fiscais da Agricultura para relaxar o rigor na abertura de frigoríficos, na produção e na liberação de carne para os consumidores. Sob ataque, suspeita de uma ação coordenada para desautorizar a Operação Carne Fraca e avisa que tem muita carta na manga.

De outro lado, a Agricultura suspende a exportação de 21 frigoríficos, afasta agentes públicos suspeitos, compromete-se a repassar as informações técnicas à PF e engrossa o coro de produtores contra "o estardalhaço" da própria operação ?" que reuniu 1.100 homens, a maior de campo já feita pela Federal. Ao distinto público, o ministro Blairo Maggi condenou as "fantasias" e a "idiotice" e avisou que as investigações tomariam "outro rumo".

Entre esses dois lados estão o Itamaraty, preocupado com a imagem já tão machucada do Brasil, a área econômica, em pânico com os riscos para a recuperação do crescimento e dos empregos, e a Justiça, que em tese manda na PF e cujo ministro, Osmar Serraglio, foi gravado em conversas efusivas com um dos envolvidos.

No domingo, no Planalto, Temer nem recriminou o que seriam excessos da PF nem tirou a razão de Maggi, que está enfrentado o touro a unha e garantindo a transparência das informações. O governo é obrigado a admitir que, numa hora assim, é um trunfo ter um ministro do agronegócio, que conhece tudo e todos do setor, em vez de um "notável" indicado só por questões partidárias.

Participaram da reunião Maggi, Leandro Daiello (PF), José Levy (secretário executivo da Justiça), o embaixador Marcos Galvão (segundo do Itamaraty) e especialistas, criando uma "sala de crise" para reagir rápido às notícias, reverter o clima de que a carne brasileira é péssima e lembrar o rigor dos próprios importadores quanto à qualidade do produto.

Na sexta-feira, houve uma unanimidade a favor da Operação Carne Fraca e contra as holdings JBS e BRF, mas no domingo já crescia a consciência do "desastre" para as exportações e para o agronegócio, o PIB e os empregos, e ontem havia uma guinada na percepção geral, uma divisão nas redes. Os elogios incondicionais à operação cederam vez a críticas aos "excessos", "erros" e "riscos" para o Brasil, enquanto União Europeia, China e até vizinhos suspendiam temporariamente a importação de carne do Brasil, até ver o que há de verdade e como fica.

Eles, que são caciques, que se entendam. Nós, índios, nem queremos generalizações que prejudiquem ainda mais a imagem do País e a retomada de crescimento e empregos, nem admitimos que, em nome de conveniências políticas econômicas, arme-se uma operação-abafa para esconder a propina, os ácidos e corantes para disfarçar a podridão e o fedor de produtores inescrupulosos de carne. Aliás, já que a investigação começou, que tal inspecionar o acondicionamento nas prateleiras de supermercados
Herculano
21/03/2017 08:05
PRESIDENTE DA ANCINE VIAJOU METADE DO MANDATO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel Neto, passou viajando mais da metade dos últimos doze anos de mandato. Levantamento no Portal da Transparência mostra que em 31 de dezembro de 2016 ele completou 4.285 dias no cargo, dos quais 2.214 em viagem. Tantas viagens renderam a Rangel mais de R$790 mil em diárias, além dos R$ 16 mil ao mês dos seus vencimentos.

FALTA Só BREVÊ
O presidente da Ancine, que está em fim de mandato, fez 738 viagens aéreas entre 2005 e 2016, bancadas pelo contribuinte.

UMA POR SEMANA
Viagens de Rangel impressionam no volume: ele bateu asas, às custas do contribuinte, uma vez por semana, em média.

VIAJANTE MILITANTE
Só em 2013 Rangel realizou 70 viagens nacionais e internacionais. No ano eleitoral de 2014 foram 52; 62 em 2015 e 59 viagens em 2016.

ESQUEMA
A Ancine não quis comentar os ganhos de quase R$ 800 mil do seu presidente apenas com diárias, tampouco explicar suas viagens.

ENERGIA: 'BANDEIRA VERMELHA' DESMENTE MINISTRO
Para justificar o cancelamento do leilão de energia solar, em dezembro, o ministro Fernando Bezerra Filho (Minas e Energia) telefonou à coluna para garantir que havia "sobra de energia". Dias depois, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que iniciaria em abril um novo período de "bandeira vermelha", com as contas de energia mais caras. E as termelétricas a diesel e a gás voltaram a ganhar na loteria.

PRAZO ELÁSTICO
As térmicas foram criadas, como emergência, no governo FHC, e para durar 7 anos. O lobby consegue prorrogar o prazo lá se vão 17 anos.

LOBBY VITORIOSO
Lobistas já pedem leilão de "segurança energética" para acionar as térmicas a gás natural no Nordeste. Ninguém duvida que conseguirão.

CONTRA O BRASIL
O lobby das térmicas não permite que o Brasil, com abundância de sol e ventos, invista em energia limpa e barata, como a solar e eólica.

É Só O COMEÇO
Apesar das críticas ao "açodamento" da Operação Carne Fraca, há ainda muito a revelar sobre as relações promíscuas do agronegócio com o Ministério da Agricultura. Autoridades sabem o que as espera.

CRÍTICAS
O delegado Mauricio Moscardi, responsável pela operação Carne Fraca e membro da força-tarefa da Lava Jato, fez declaração polêmica em janeiro. Afirmou que a PF "perdeu o timing para prender Lula".

FIM DO CARRO PRETO
Projeto do deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), datado de 2015 e jamais votado, extingue carro oficial para políticos eleitos, juízes e membros do Ministério Público. Os carros hoje a serviço da mordomia seriam deslocados para as áreas de Segurança, Educação e Saúde.

DIÁRIAS MINISTERIAIS
Há ministros campeões em diárias, como Blairo Maggi (Agricultura), com R$22 mil este ano, mas há os que as evitam, como Maurício Quintella (Transportes), com R$260. Outros 19 não as requisitaram.

COMEÇOU
No DF, o partido Rede, de Marina Silva, está com pressa. Em reunião na última semana, o deputado distrital Chico Leite foi indicado para a chapa majoritária de 2018. Deverá sair como candidato a senador.

VAI DAR BARULHO
Na reunião de líderes e ministros no Planalto, ontem, foi discutido um projeto polêmico (mas útil) que permite a terceirização de atividades-fim no poder público. O tema está na pauta desta terça-feira na Câmara.

TIRO DE BAZUCA NO PÉ
Bastou a história improvável de papelão na carne e o desconhecimento de vitamina C para o Brasil conseguir o que concorrentes internacionais tentaram, sem êxito, durante décadas: banir o Brasil do mercado.

TRIÂNGULO DAS BERMUDAS
A agência Leblon dos Correios, no Rio, até parece o Triângulo das Bermudas. No dia 13, um morador postou Sedex, pagou 45 reais, mas, até hoje, o envelope não chegou ao destino, no centro de Brasília.

PENSANDO BEM...
... a prisão domiciliar para Adriana Ancelmo foi como promessa de campanha do marido para o eleitor: não virou realidade.
Maria José
21/03/2017 08:01
Ao comentário do Sr.Marcio,dizer que os trabalhadores públicos é que fazem o município funcionar é para quebrar.È do conhecimento de todos que boa parte destes funcionários não merecém o salário que ganham.
Herculano
21/03/2017 07:59
OCIDENTE DEIXOU DE FAZER FILHOS PORQUE O SEXO FOI VENCIDO PELO TÉDIO, por João Pereira Coutinho, sociólogo e escritor português, no jornal Folha de S. Paulo

Mudar de casa é uma roleta-russa. Sei disso. Mudei agora. Na primeira noite, havia farra no apartamento do lado. Tolerei: tapei os ouvidos com material apropriado e consegui as minhas dez horas de sono, sem as quais sou um figurante da série "The Walking Dead". E mordo também.

Na noite seguinte, quando entrei no leito, a farra recomeçava. Meditei. Sem sucesso.

Na escuridão do quarto, com os olhos fixos no teto, afinei os ouvidos e tentei escutar. Risos. Gritos. Gemidos. Objetos no chão.

Bati na parede - uma, duas, três vezes. Nada. Levantei-me, caminhei até a porta do vizinho e, quando me preparava para arrombá-la, escutei uma frase que me paralisou: - Vai, Messi!

Duas hipóteses: Lionel Messi era meu vizinho e eu não sabia; ou, então, Messi já fazia parte das fantasias privadas do casal. Encostei os ouvidos à porta e tentei resolver o mistério. Não havia mistério. Os meus vizinhos jogavam PlayStation.

Regressei à cama com a tristeza do mundo sobre os ombros. Deitei-me na cama. Risos. Gritos. Gemidos. Objetos no chão. Adormeci de cansaço.

A manhã chegou. Alguém abria a porta do lado. Abri a minha. O vizinho, ensonado e tísico, cumprimentou-me com o vigor de um condenado. Apresentei-me. Ele apresentou-se: estudante universitário. Aproveitei o momento para comunicar as minhas dores: o barulho a horas impróprias, sobretudo para quem precisava de trabalhar cedo.

Ele corou como uma criança e prometeu "se controlar". A culpa era do vício, dos jogos, dos amigos, até das amigas (o horror, o horror!). Riu, envergonhado. Ri, derrotado. Disse-lhe um "prazer em conhecer, meu filho" e depois me fechei em casa com uma pergunta angustiada: que se passa com a mocidade?

A ciência ajuda: um estudo publicado no "Archives of Sexual Behaviour" defende, após extensivo levantamento, que os jovens adultos americanos (os "millennials" e os "iGen", ou seja, nascidos nas décadas de 1980 e 1990) não têm grande interesse por sexo.

O caso agrava-se quando comparamos as novas gerações com os seus pais, nascidos nas décadas de 1960 e 1970. Os pais, pelos padrões atuais, eram simplesmente uns devassos. Pior: 15% dos jovens entre os 20 e os 24 anos poderiam perfeitamente legar as partes íntimas à ciência e arriscar uma carreira no canto lírico.

Antigamente, todo mundo ria com a frase clássica: "No sex please, we're British". Hoje, todo mundo é britânico. Millôr Fernandes, um sábio, escreveu que o melhor afrodisíaco era a abstinência prolongada. Eis um dos raros casos em que Millôr foi otimista ?"e falhou.

O melhor afrodisíaco é a abstinência forçada. Se o sexo só começou em 1963, como escreveu o poeta Philip Larkin, isso explica o entusiasmo do pessoal dos "sixties" e dos "seventies" pelas flores e pelas abelhas. Houve excessos. Mas são excessos comparáveis ao enfartamento de um etíope depois de abusar da maminha (a carne, não a dita).

Ah, que saudades do meu avô quando ele recordava a primeira vez que viu os joelhos de uma mulher. "Os joelhos!", dizia ele, com lágrimas de saudade e gratidão. Depois de casar, vieram dez filhos.

Hoje, o Ocidente está em crise demográfica. As razões são conhecidas: dos métodos contraceptivos à precariedade laboral, que adia a maternidade (e a paternidade) para depois dos 40, não há reposição geracional.

Mas eu sempre desconfiei que a causa é mais profunda: o Ocidente deixou de fazer filhos porque o sexo foi vencido pelo tédio. Antes da revolução sexual, os avós sonhavam com joelhos. Depois da revolução, os pais atiraram-se às carnes (as ditas, não as do rodízio). Quando os filhos chegaram, o sexo tornou-se tão onipresente ?"no cinema, na TV, na internet?" que o mistério e o tesão se perderam pelo caminho.

Pelo contrário: a produção continua vigorosa no mundo muçulmano. O próprio presidente Erdo?an, para se vingar da Europa (e da Holanda), aconselhou os imigrantes turcos a fazerem, pelo menos, cinco filhos por família. Coisa fácil para quem ainda cultiva o segredo dos joelhos e das maminhas.

A minha proposta para salvar a civilização ocidental?

O uso de véu e burca entre quatro paredes. Para que os jovens celibatários abandonem o PlayStation e procurem novamente outro tipo de jogos e botões.
Herculano
21/03/2017 07:53
POR QUE O SINTRASPUG NÃO VAI À SESSÃO DA CÂMARA?

Hoje os vereadores aprovam para si um reajuste de 5,44% após pouco mais de dois meses da posse deles e uns 40 dias de trabalho.

Enquanto isso, os servidores municipais, lutam por esse mesmo reajuste e se ele vier, será divido em duas ou três vezes. Na quinta-feira dizem que vão parar porque o a reposição da inflação não incidirá sobre o vale refeição e alimentação.

Por que os vereadores podem e os servidores municipais não podem ter o mesmo reajuste de 5,44%?

Porque são administração autônomas e porque o duodécimo, a parte do Orçamento Municipal destinada à Câmara, já está garantido e deve ter folga para conceder esse privilégios, tanto que o prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB, tentou tirar parte dele para incorporar ilegal e inconstitucionalmente ao orçamento municipal.

Por que o Sintraspug não se insurge contra esse privilégio?

Porque malandramente, os vereadores, ou os funcionários da Câmara, se colocaram todos num mesmo balaio quando elaboraram o projeto de lei que vai a votação hoje depois de uma tramitação relâmpago.

Num sindicato forte e coerente, a primeira luta seria separar os dois reajustes: dos vereadores e dos servidores da Câmara. Não foi às ruas. Não fez, e não fará. E por que? porque teme retaliações, porque tem compromissos políticos-partidários, porque está dividido internamente, porque o Sintraspug acha que ainda vai ser ajudado pelos vereadores nas difíceis negociações com o Executivo.

Bobagem. Foi assim no ano passado. Os vereadores colocaram, mais uma vez, o Sintraspug no saco e lavaram as mãos no reajuste dos funcionários públicos de Gaspar. Mais uma vez, os vereadores salvaram primeiro o bolsos deles. Acorda, Gaspar!
Herculano
21/03/2017 07:36
ENTRE O ESPETÁCULO E ATÉCNICA, por Hélio Schwartsman, para o jornal Folha de S. Paulo

A carne é fraca. E o ego também, especialmente o de investigadores que se creem representantes do bem em luta contra o mal.

Ainda é cedo para juízos definitivos, mas, pelo que pude ler até aqui, houve algum exagero da PF na divulgação da Operação Carne Fraca. Lembra um pouco o famoso gráfico do Ministério Público com todas as flechinhas apontando para Lula.

Na sexta-feira, dia em que a PF proclamou com orgulho ter realizado a maior operação de sua história, a sensação que tínhamos é que vínhamos sistematicamente comendo carne podre, às vezes misturada com papelão e sempre disfarçada com produtos químicos cancerígenos. Como ladrões são sempre ladrões, os frigoríficos ainda injetavam água nesses zumbis bovinos para que pagássemos mais para nos envenenar.

Agora que a poeira baixou um pouco, constata-se que o cenário pode ser menos tétrico. Não há muita dúvida de que estamos diante de mais um caso de corrupção estruturada envolvendo frigoríficos e fiscais do Ministério da Agricultura. Talvez haja até vínculo com partidos.

A escala das adulterações, porém, que é a questão central, ainda não está clara. Por ora, a investigação da PF colocou sob suspeita 21 dos 4.837 frigoríficos do país, o que dá menos de 0,5%. O uso de papelão, ao que parece, foi um erro de interpretação de escutas, e os produtos químicos "cancerígenos" são, na verdade, ácido ascórbico, a popular vitamina C, e ácido sórbico, um conservante bastante seguro usado desde os anos 40.

PF e Ministério Público têm feito um grande bem ao país ao investigar esquemas que por muito tempo permaneceram nas sombras, mas precisam tomar cuidado para não colocar o espetáculo à frente da técnica. Se as fraudes forem mesmo numa escala bem menor do que a inicialmente sugerida, então a divulgação estabanada terá causado um enorme prejuízo à imagem da carne brasileira e à própria balança comercial do país
Confuso
21/03/2017 07:28
Quando a Dilma mandou os brasileiros comerem ovos, todos acharam ruim né?? Ela já sabia.
Herculano
21/03/2017 07:21
POLÊMICO

A recente Instrução Normativa nº 1, de 2017, do Ministério do Trabalho, que obriga o recolhimento pelos servidores públicos da contribuição sindical, é uma expressão de completa insensatez administrativa neste campo. A começar pelo fato dos servidores públicos não serem regidos pela CLT, mas pelo Estatuto próprio dos servidores públicos, que, na esfera federal, foi definido pela Lei nº 8.112, de 1990.

Assim sendo, é essencial uma regulamentação da organização sindical na administração pública, assim como a regulamentação do direito de greve, tema que, apesar de discussões e minutas de proposição legislativa elaboradas ao longo dos governos Lula e Dilma, jamais obtiveram o grau de consenso interno no Governo necessário ao seu envio ao Poder Legislativo.

Já a Instrução Normativa nº 1, de 2017, do Ministério do Trabalho, por não haver enfrentado qualquer desses problemas e lacunas, e não haver superado as razões de direito que levaram à revogação da sua versão anterior, de 2008, deve ser imediatamente tornada sem efeito, sob pena de consolidar uma cobrança irregular, indevida e ilegítima.

Extraído do artigo "A polêmica exigência da contribuição sindical dos servidores públicos", escrito por Aldino Graef é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, ex-diretor de Administração de Pessoal da SRH/MP e ex-diretor de Carreiras da SHR/MP e
Luiz Alberto dos Santos é advogado, Mestre em Administração e Doutor em Ciências Sociais. Consultor legislativo do Senado Federal. Professor da EBAPE/FGV.
Luis Cesar Hening
21/03/2017 07:12
Reajuste Anual
Em relação ao reajuste anual os servidores do municipio receberao no mes de março sera em uma unica parcela de 5,44, conforme acordo realizado entre o sintraspug e a prefeitura de gaspar
Marcio
20/03/2017 22:21
Olha Herculano, você está muito enganado quando afirma que servidor publico não faz a contribuição sindical, deveria se informar melhor, porque aqui em Gaspar todo ano é descontado esse dia de presente pro governo. É um absurdo o senhor falar uma barbaridade dessas. Pro senhor ficar sabendo, os vagabundos é que são a exceção no serviço publico, pois a regra são os trabalhadores que fazem o município funcionar e que apesar de o senhor ser contra, deveriam ser reconhecidos, pois um prefeito ou um secretário que só servem pra assinar papeis não fazem tanta falta quanto um médico ou um enfermeiro. Uma vergonha sua afirmação, deveria se retratar.
Belchior do Meio
20/03/2017 20:21
Sr. Herculano:

A filhote bastarda do PMDB(adorei o termo), é cria da maior vergonha do Belchior. O seu comportamento é de deslumbramento.
Humildade é virtude. Lógica e lucidez não fazem mal à ninguém, somente aos maus intencionados.
Herculano
20/03/2017 19:07
CORRUPTOS EMPORCALHAM A CARNE - E TAMBÉM A ECONOMIA E A IMAGEM DO PAÍS, por Marcos Coronato, na revista Época (O Globo)

Em apenas três dias após o anúncio pela Polícia Federal da Operação Carne Fraca, quatro parceiros comerciais do Brasil anunciaram reações à denúncia. Um bloco, a União Europeia, e três países importantes, China, Chile e Coreia do Sul. O impacto potencial na economia brasileira é de bilhões de dólares. A operação detectou a atuação em conluio de empresários, políticos e fiscais do Ministério da Agricultura para permitir que carne sem condições de consumo obtivesse certificados sanitários e chegasse ao mercado. O problema deve preocupar o cidadão pelo impacto em sua saúde, mas não só.

Em 2016, as exportações de carnes (bovina, de frango e suína) trouxeram para o país US$ 11,6 bilhões, pouco mais de 6% de todas as vendas brasileiras ao exterior. Mais importante, numa economia em crise e com perspectivas duvidosas de crescimento: esses segmentos vinham evoluindo bem. Depois de recuos significativos no ano passado, a exportação de carne bovina quase se estabilizou no primeiro bimestre (caiu 2%) e a de carne de frango reagiu de forma espetacular (cresceu 32%). A exportação de carne suína, após mostrar um belo avanço no ano passado, acelerou no primeiro bimestre (e cresceu 53,5%). Em janeiro e fevereiro, a exportação desses três tipos de carne somou US$ 1,9 bilhão e aumentou um pouco sua fatia nas vendas brasileiras ao exterior. Esse desempenho é ameaçado pelo esquema de corrupção desvendado pela Polícia Federal.

China e Chile reagiram com a suspensão temporária de carne brasileira. União Europeia e Coreia do Sul informaram que vão monitorar mais cuidadosamente as importações de carne brasileira. A UE afirma que bloqueará o acesso das empresas envolvidas no escândalo. A Coreia do Sul já suspendeu as compras de carne de ave da BRF.

Esses quatro atores econômicos são importantes para os exportadores brasileiros. A China e a União Europeia são a maior e a segunda maior parceiras comerciais do Brasil. Neste primeiro bimestre, da carne que o Brasil vendeu ao exterior, a China comprou 15% e a União Europeia 4%. Alguns segmentos, como a venda de carne suína para a China e de carne de frango para a Coreia do Sul, vinham se mostrando extremamente promissores.

As reações das autoridades nos parceiros comerciais do Brasil podem ser percebidas como injustas e excessivas pelo exportador brasileiro. Nada de novo. Nesses países, como aqui, além da preocupação com a saúde pública, há interesses empresariais em jogo, sempre a postos para questionar a qualidade sanitária da carne brasileira. Empresários e diplomatas brasileiros já tiveram de enfrentar esse lobby ao longo de décadas, para provar que partes do país haviam erradicado a febre aftosa e que a doença da vaca louca não era um problema por aqui. Antes de criticarmos os lobistas estrangeiros, culpemos os corruptos locais por seus crimes contra a saúde pública, a economia e a imagem do país.
Herculano
20/03/2017 18:36
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL REVOGA A PRISÃO DOMICILIAR PARA ADRIANA ANCELMO, MULHER DO E-GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL, PMDB

Conteúdo do portal G1.O Tribunal Regional Federal da 2ª Região revogou nesta segunda-feira (20) a prisão domiciliar para a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo. A decisão, do desembargador Abel Gomes, atende recurso do Ministério Público Federal contra determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal, na última sexta-feira (17).

O despacho de Bretas concedeu a ex-primeira dama o direito de responder ao processo no apartamento do casal no Leblon, Zona Sul do Rio, caso o apartamento atendesse requisitos como não dispor de linhas telefônicas ou internet. Na ocasião, o juiz entendeu que os filhos deles, que têm 11 e 14 anos, não podem ficar sem o pai e sem a mãe ao mesmo tempo - o ex-governador Sérgio Cabral está preso desde novembro.

No recurso, os procuradores do MPF argumentaram que a fiscalização de que Adriana não teria telefone e internet é difícil de ser realizada. Eles demonstraram receio de que Adriana Ancelmo pudesse movimentar o patrimônio oculto por Sérgio Cabral.

Nesta segunda-feira, os advogados de Adriana já tinham protocolado na 7ª Vara Federal documento atestando que o apartamento dela no Leblon estava sem telefone e sem internet, conforme a decisão do juiz Marcelo Brêtas.

Em seu recurso, o MP alegou ainda que a revogação da prisão preventiva da ex-primeira dama para prisão domiciliar representa um tratamento diferenciado em relação às milhares de mães presas, que não são beneficiadas pela mesma medida.

Na argumentação, os procuradores dizem que os fundamentos que levaram Adriana Ancelmo à prisão permanecem os mesmos, sem qualquer fato novo que tenha alterado o estado das coisas em relação a ela.
Herculano
20/03/2017 18:33
EM MARÇO VOCÊ TRABALHADOR COM SALÁRIOS ACHATADOS - OS SERVIDORES PÚBLICOS NÃO FAZEM ESTA CONTRIBUIÇÃO - "DOARÁ" COMPULSORIAMENTE UM DIA DO SEU SERVIÇO PARA OS SINDICATOS, SINDICALISTAS MESMO QUE VOCÊ NÃO SEJA SINDICALIZADO E ATÉ NÃO TENHA BENEFÍCIOS DIRETOS. VOCÊ CONCORDA?

O deputado federal Rogério Simonetti Marinho, do PSDB RN, é relator da Reforma Trabalhista na Câmara e tem como uma de suas principais propostas a extinção do imposto sindical.

"É necessário tornar opcional essa contribuição sindical e retirar essa obrigatoriedade. Estou falando de 15 bilhões de reais nos últimos cinco anos, são sindicatos patronais e de trabalhadores ?" que muitos deles não representam as suas respectivas categorias", disse.

Para quem não sabe, o imposto sindical é também chamado de "contribuição sindical", mas é obrigatório. Uma vez ao ano é descontado da folha de pagamento de todos os profissionais com registro em carteira o equivalente a um dia inteiro de trabalho, dinheiro que é dado aos sindicatos das respectivas categorias.

É dessa grana que muita gente vive sem trabalhar, como sempre às custas de quem trabalha.
Herculano
20/03/2017 18:23
O GOVERNO NÃO DEVERIA REGULAR, FISCALIZAR E CERTIFICAR EMPRESAS PRIVADAS, por Roberto Rachewsky, empresário, no Instituto Liberal

Para quem não consegue conceber em concreto como seria uma certificadora de qualidade de produtos alimentícios, trago um exemplo que serviria de parâmetro para substituir as custosas, ineficientes, corruptas e fraudulentas agências reguladoras existentes no Brasil e no exterior.

Há, só nos Estados Unidos, mais de 300 certificadoras de comida kosher, aquelas que judeus mais religiosos se permitem consumir.

Mais de 135 mil produtos diferentes obedecem padrões de qualidade, são fiscalizados e certificados como produto kosher.

Estima-se que mais de 12 milhões americanos consomem tais produtos. Desses, 8% são judeus e os demais são indivíduos que entendem que comprar produtos kosher lhes dá a garantia de estarem consumindo alimentos mais saudável e de qualidade superior.

Eu entendo que não cabe ao governo regular, fiscalizar e certificar empresas privadas envolvidas em atividades produtivas.

Caberia ao governo o papel exclusivo de prover justiça e segurança visando defender os direitos individuais: vida, liberdade, propriedade e busca da felicidade.

Tendo em vista esse papel, caberia ao governo regular, fiscalizar e certificar apenas os particulares envolvidos nessa área, sejam eles agentes de segurança investigadores particulares ou caçadores de recompensa.

No que se refere às atividades produtivas, particulares podem empreender criando agências reguladoras, fiscalizadoras e certificadoras. Sempre de maneira privada, com o objetivo de atestar a qualidade daquilo que é vendido no mercado.

Essas empresas podem ter como público, consumidores, associações de consumidores, ou mesmo as próprias empresas que serão fiscalizadas e certificadas por estarem preocupadas em seguir determinados padrões que aprimorem seus produtos e serviços, demonstrando, adicionalmente, que os produtos e serviços são exatamente aquilo que dizem ser e que estão dentro da expectativa do consumidores.

O que consumidores, fornecedores, agências reguladoras e certificadoras devem perseguir, é um sistema baseado no auto interesse racional.

Cada parte envolvida no processo de livre mercado, deve utilizar as trocas voluntárias, para perseguir o mútuo benefício, proporcionando assim, que as relações sejam duradouras e profícuas para todos os envolvidos, num ambiente cujo resultado será a criação permanente de valor.

Aqueles que romperem esse círculo virtuoso, deverão ser identificados e isolados, para que não prejudiquem a funcionalidade do sistema.

As vítimas poderão então, recorrer ao governo para que se instaure um processo legal com o propósito de buscar reparação e para coibir a ação daqueles que fraudaram, punindo-os exemplarmente.

Você pode se perguntar, mas quem garante que as empresas privadas e as agências particulares agirão honestamente?

Bem, eu respondo que ninguém pode garantir nada.

Mas aí cabe também uma outra pergunta, podemos confiar na certificação das agências do governo?

A realidade nos responde, óbvio que não.
Herculano
20/03/2017 18:12
OPERAÇÃO CARNE FRACA EXPÕE O MESMO FISIOLOGISMO DESMASCARADO NA LAVA JATO, por Josias de Souza

Deflagrada a partir de Curitiba, a Operação Carne Fraca tem mais pontos de contato com a Lava Jato do que a mera localização geográfica. A investigação sobre fraudes no setor de inspeção agropecuária expõe o mesmo flagelo que produziu o escândalo do petrolão: o fisiologismo. Assim como aconteceu na Petrobras, o organograma do Ministério da Agricultura foi tomado de assalto por apadrinhados de políticos. No setor de petróleo, os congressistas foram atraídos pelos bilionários negócios com fornecedores da maior estatal do país, sobretudo as empreiteiras. Na Agricultura, a sedução é exercida pela prosperidade planetária do agronegócio brasileiro.

O Diário Oficial desta segunda-feira publica a exoneração dos superintendentes do Ministério da Agricultura em dois Estados alcançados pela investigação da Carne Fraca. Seguindo-se a trilha do apadrinhamento político, chega-se às digitais do problema. No Paraná, foi afastado Gil Bueno de Magalhães. Trata-se de um servidor apadrinhado pela bancada paranaense do Partido Progressista (PP), campeão no ranking de enrolados do petrolão. Sustentavam o demitido os deputados Dilceu Sperafico, Nelson Meurer e Ricardo Barros, licenciado do mandato para exercer o cargo de ministro da Saúde.

Em Goiás, foi afastado o servidor Júlio César Carneiro. Seu padrinho é Jovair Arantes (PTB-GO), um deputado da infantaria de Eduardo Cunha. Ele já controlava a superintendência goiana da Agricultura no governo petista. Afastou-se de Dilma Rousseff ao exercer a função de relator do processo de impeachment na Câmara. Consumado o impedimento da presidente, Jovair credenciou-se para manter os pés fincados no setor que controla os negócios da agropecuária, principal atividade econômica do seu Estado.

Gil Bueno e Júlio César foram apeados de seus cargos numa situação limite. Ambos tiveram a prisão decretada na última sexta-feira. Do contrário, o ministro Blairo Maggi (Agricultura) não ousaria afastá-los num instante em que o Planalto paparica seus aliados no Congresso para aprovar a reforma da Previdência.

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos mais destacados membros da bancada ruralista do Congresso, critica a ação da Polícia Federal na Carne Fraca. Acha que, numa investigação que se desenrolava há quase dois anos, a PF tinha "a obrigação de ser mais certeira nos seus tiros e não sair atirando para todo lado, como se toda a carne brasileira fosse uma porcaria." Mas Caiado reconhece que a influência política exerce efeitos deletérios sobre o setor.

"Este modelo está falido. Submeter a composição de cargos técnicos a interesses políticos só pode resultar em desastre", disse Caiado a coluna. "Por isso, jamais me atrevi a indicar ninguém. Perde-se a objetividade para fazer o controle sanitário e garantir todas as exigências que fazem da nossa carne a mais prestigiada do mundo. O estrago feito agora vai demorar muitos anos para ser desfeito."

No Paraná, o servidor Gil Bueno substituiu outro encrencado na Carne Fraca, o ex-superintendente Daniel Gonçalves Filho. Que representava no cargo a bancada do PMDB paranaense. Última ministra da Agricultura da gestão Dilma Rousseff, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) exonerou Daniel Gonçalves por recomendação da Consultoria Jurídica do Ministério. O personagem sofrera um processo administrativo disciplinar.

Em privado, Kátia Abreu diz que não foi fácil retirar Daniel da cadeira. Conforme já noticiado aqui, peemedebistas do Paraná, entre eles o deputado licenciado Osmar Serraglio, hoje ministro da Justiça de Michel Temer, pressionaram pela permanência do servidor tóxico no cargo. Nessa época, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi convidado pela colega Kátia a indicar uma pessoa para comandar a superintedência do Paraná. Requião preferiu abrir mão da preferência.

A exemplo de Caiado, Requião critica a generalização feita pela Polícia Federal. Atribui o fenômeno ao que chama de "espetaculatização da corporação policial. Mas Requião reconhece a importância da investigação. E explica os motivos que o levaram a se abster de fazer indicações para a Agricultura.

"Os rumores eram intensos de que havia por trás daquilo um esquema de parlamentares com fiscais, para conseguir favores e facilidades de forma corrupta", disse Requião a coluna. "Essa coisa é muito semelhante aos pixulecos, ao caixa dois ou caixa três que estão por aí. Disse à ministra que nomeasse um técnico. Depois, vi que não adiantava, porque parece que muitos funcionários estavam envolvidos nisso. A estrutura se corrompeu ao longo do tempo."

Dá-se na Agricultura algo muito parecido com o que sucedeu na Petrobras. O fenômeno foi dissecado numa resposta que o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa deu ao juiz Sérgio Moro em depoimento que prestou como delator, em outubro de 2014.

Funcionário de carreira da Petrobras, Paulo Roberto foi alçado ao posto de diretor por indicação do PP. Antes de dar por encerrado o interrogatório, Sergio Moro perguntou se ele gostaria de "dizer alguma coisa". Eis o que disse o delator:

"Queria dizer só uma coisa, Excelência. Eu trabalhei na Petrobras 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos. Se houve erro - e houve, não é? - foi a partir da entrada minha na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha, depois que eu saí não posso mais falar, mas que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia?"
Herculano
20/03/2017 18:06
"ELES NÃO SABEM O QUE AINDA TEMOS"

Conteúdo de O Antagonista. Um integrante da Operação Carne Fraca disse a O Antagonista que o governo "está se aventurando" ao criticar a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça.

"Eles não sabem o que ainda temos. Logo o negócio vai crescer muito."

Os investigadores já têm indícios de que frigoríficos pagavam propina mensalmente a fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Se O Antagonista importasse carne dos frigoríficos citados na Carne Fraca, seguiria o exemplo da China e da UE.

O Antagonista confia mais na Polícia Federal que descobriu o petrolão do que no governo que tenta estancar a sangria provocada pela Lava Jato.

Moreira Franco, sobre a Carne Fraca, a O Globo:

"A espetacularização da cobertura é muito mais grave que o fato. Se acontece um problema nesse setor, as dimensões econômico-financeiras e no emprego são infinitamente superiores a do setor de petróleo e gás (em referência às investigações conduzidas pela PF na Petrobras). O estrago foi feito e nós estamos correndo para segurar."

Não misture petrolão com carne podre, Moreira Franco.

Isso causa indigestão.
Herculano
20/03/2017 17:58
CRIVELLA É DIAGNOSTICADO COM TUMOR NA PROSTATA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Constança Rezende, da sucursal do Rio de Janeiro. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), foi diagnosticado com um tumor na próstata. Segundo a sua assessoria, a doença foi constatada em sua fase inicial e o caso não é grave.

"O prefeito Marcelo Crivella realizou exame de próstata, que constatou pequeno tumor com diversas opções de tratamento não necessariamente cirúrgico. Apesar do diagnóstico, Crivella se sente bem e pretende continuar trabalhando enquanto faz o tratamento", informou a prefeitura, por meio de nota.

Crivella cumpriu a sua agenda oficial normal, na manhã segunda-feira, 20. Ele se reuniu com o seu secretariado.
Herculano
20/03/2017 17:51
CONSTRUINDO UMA NOVA PROPINA

Conteúdo de O Antagonista. A corrente de Lula dentro do PT, Construindo um Novo Brasil, publicou no site do partido um documento em que defende a propina.

Leia um trecho (e esconda a carteira):

"As eleições brasileiras historicamente foram feitas mediante contribuições não contabilizadas, vulgo caixa dois.

O Partido dos Trabalhadores, provavelmente, se utilizou das mesmas regras que os demais usavam. Grande parte dos militantes que assumiram a função de gerir recursos o fizeram como tarefa política. Tarefa, aliás, com enorme exposição pessoal (?).

A disputa eleitoral é estratégica para o Partido dos Trabalhadores e não a menos importante.

Na situação exposta acima, como o PT poderia disputar eleições sem recursos enquanto todos os partidos neoliberais o tinham de sobra e de várias fontes? Seria impossível disputar com chances de vitória sem os instrumentos necessários. É perfeitamente lógico que o Partido dos Trabalhadores, apresentando um projeto ao país, disputando um novo rumo para a nação, tenha buscado se financiar para tal".
Herculano
20/03/2017 17:48
LULA APAGA DA RETORICA ROUBALHEIRA E "EMPREGOCÍDIO" DO GOVERNO DILMA, por Josias de Souza

Apelidado de "inauguração popular" de um pedaço da obra da transposição do Rio São Francisco, o comício fora de época realizado por Lula neste domingo, na Paraíba, foi o primeiro grande ato de sua campanha presidencial de 2018 - seja como candidato, seja como cabo eleitoral. Ao discursar, o pajé do PT esboçou o conteúdo do que será sua retórica. Lula finge que não tem nada a ver com a roubalheira exposta pela Lava Jato e com a ruína da gestão Dilma Rousseff.

A certa altura, Lula criticou a reforma previdenciária proposta por Michel Temer. "Ao invés de tentar cortar os benefícios dos pobres, eles têm que saber que, nos governos da Dilma e no meu governo, de 2004 a 2014, a Previdência Social e a seguridade foi superavitária. E sabe por quê? Porque nós geramos 22 milhões de empregos, porque aumentamos todo ano o salário mínimo?"

Ao atrasar o relógio apenas até 2014, Lula excluiu do seu discurso eleitoral o segundo mandato de Dilma - fase em que a administração da ex-gerentona revelou-se "empregocida", produzindo uma ruína em que as demissões realçaram a recessão, os juros lunares e a inflação sob descontrole.

Noutro trecho do discurso despejado às margens do São Francisco, Lula soou como se enviasse uma mensagem para Sergio Moro, que o intimou a depor em 3 de maio no processo sobre as benfeitorias que a OAS realizou no tríplex do Guarujá: "?Só queria dar um recado pra eles: se eles quiserem brigar comigo, vão brigar comigo nas ruas desse país, para que o povo possa, na verdade, ser o senhor da razão nessa disputa."

Lula acrescentou mais adiante: "Se vocês querem me prejudicar, pelo amor de Deus, criem vergonha, não prejudiquem 204 milhões de pessoas. Eu nem sei se estarei vivo pra ser candidato em 2018. Mas eu sei que o que eles querem é tentar evitar que eu seja candidato. [?] Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato porque, se eu for, é pra ganhar as eleições. E voltar esse país a ter alegria, a ter felicidade. E o povo a sonhar com emprego e com salário."

Noutros tempos, o petismo esgrimia o slogan "mexeu com Lula, mexeu comigo." Agora, o próprio Lula pronuncia uma versão hipertrofiada do bordão. É como se dissesse: "Mexeu comigo, mexeu com 204 milhões de brasileiros." Antes, Lula dizia que "não sabia" da roubalheira que fincou raízes nos seus governos e frutificou nas gestões de Dilma. Agora, enviado ao banco dos réus em cinco ações penais, o morubixaba do PT pede ao brasileiro que se finja de imbecil para o seu próprio bem.
Herculano
20/03/2017 17:43
AS ALMAS SE DIVIDEM ENTRE AS PRóXIMAS DE TOLSTOI OU DE DOSTOIÉVSKI, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo.

Existem dois tipos de alma: ou você está próximo de Dostoiévski (1821-1881) ou de Tolstói (1828-1910). Talvez pareça excessivamente chique uma divisão dessas, mas, ao fim dessa coluna, espero que fique menos obscuro esse critério.

Essa é a tese do crítico George Steiner em seu maravilhoso livro "Tolstói ou Dostoiésvki", da editora Perspectiva. Um dos livros mais belos que já li na vida. Próximo ao "Obras do Amor" de Kierkegaard (1813-1855), que é de longe o livro mais belo escrito em filosofia ou teologia que conheço.

A beleza e o amor suspendem a vida acima da banalidade do cotidiano. Despertá-los talvez seja a missão mais sublime que alguém pode ter na vida com relação aos seus semelhantes.

Uma das forças da literatura clássica é nos fazer conhecer a nós mesmos. Sei que está na moda dizer que não existe literatura clássica, mas deixemos de lado essa discussão entediante.

A tipologia que nos propõe Steiner deita raízes nos dois estilos gregos: o épico e o trágico. Tolstói estaria no primeiro, Dostoiévski no segundo. E, por consequência, são dois modos distintos de viver a vida. Ambos carregando a grandiosidade de espíritos avassaladores, como os dois escritores russos.

O épico seria o estilo em que a vida está envolvida pela presença do mito ou da religião, fundando uma ação fincada na esperança prática do transcendente (mundo dos deuses) e, por consequência, na esperança da redenção do mundo. Salvar o mundo é sua marca. Pessoas épicas sentiriam que suas vidas são acompanhadas por forças que as tornam capazes de redimir o mundo de suas misérias. Sua virtude central é a esperança.

Por "prática" aqui, quero dizer que não se trata de um espírito religioso meramente teórico ou alienado do mundo, mas profundamente enraizado nas agonias e demandas do mundo.

Para Steiner, Tolstói tem esse espírito de modo bem evidente, entre outros momentos, no período em que escreve "Ressurreição", que começou a ser publicado na Rússia em fascículos em 1899. O Conde Tolstói nessa época estava bastante envolvido na luta contra as injustiças da Rússia czarista, e abraçou, no final da vida, uma forma de anarquismo cristão pietista bastante radical.

O trágico seria o estilo em que o olhar para a vida se mantém fincado na fragilidade dela.

A precariedade é a estrutura dinâmica da vida. Nas palavras do escritor americano Henry James (1843-1916), uma vida tomada pela "imaginação do desastre". Aqui não há redenção, há coragem de enfrentar esse "desastre" que é a existência humana. Para Steiner, esse é a alma dostoievskiana. Sua virtude central é a coragem.

Aqui, mesmo que haja o divino, como há em Dostoiévski, o peso do drama cai sobre as costas do homem que caminha sozinho pelo chão do mundo. A beleza de Deus, na forma de "taborização" de seus místicos, como se fala na teologia russa, em referência à transfiguração do Cristo no Monte Tabor, aparece sempre como iluminação da agonia humana a sua volta (basta ver o Príncipe Mishkin do romance "O Idiota").

O místico em Dostoiévski ilumina por contraste. Sua luz divina faz a doçura do perdão brotar na consciência atormentada do pecador.

Uma alma tolstoiana é uma alma iluminada pela esperança e pela vitalidade que Deus a empresta. Seu elemento é a força de atuar no mundo social e político.

Uma alma dostoievskiana é iluminada pela dor e pela coragem que a mantém de pé. Seu elemento é a misericórdia como substância de sua psicologia espiritual.

E como passamos dessa alta teologia para o chão do cotidiano de nós mortais?

Almas tolstoianas lutam a cada dia contra a miséria do mundo, fazendo deste um campo de batalha contra o mal, movidas por uma certeza que parece alucinada.

Almas dostoievskianas, um tanto mais delicadas, suportam o sofrimento encantando o mundo a sua volta com piedade e sinceridade avassaladoras.

Felizes são aqueles que convivem com pessoas assim. A vida se transfigura em esperança e coragem. Duas faces da graça que sustenta o caminho dos homens. Mas, sem humildade, como sempre, seremos cegos a essas virtudes de Deus.

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