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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

14/12/2017

OS 70 ANOS DA CÂMARA I
A rica história, causos e percalços dos 70 anos da Câmara de Gaspar não refletiu na pompa e a boa intenção da comemoração solene realizada na semana passada. Quem disse que só deveriam ser lembrados os vereadores ainda vivos? E mesmo os vivos, quais as transformações relevantes que eles provocaram na vida do Legislativo, da cidade e dos cidadãos? Não! Faltou memória. Olhou-se a campanha eleitoral do ano que vem e a serventia dos homenageados para ela. E aí, puxou-se os próximos e os partidários ao reconhecimento efêmero. Festa de poucos. Sobraram, naturalmente, injustiças. Preferiram escolher amigos, gente até já esquecida pelo povo apesar de estar aí e nem ter mais votos e lembranças do que fez, do que nada mudou, além de não está mais envolvido comunitariamente como agente de transformação.

OS 70 ANOS DA CÂMARA II
Por outro lado, justa, justíssima, até para mostrar à inchada, bem paga assessorias da Câmara da hora, como duas pessoas faziam mais, com menos recursos tecnológicos, do que se faz hoje na assessoria dos vereadores e funcionamento técnico administrativo da Casa: Hércules João dos Santos e Yeda Alvina Beduschi Zelinsky. Também devo destacar a lembrança do ex-vereador Evaristo Spengler (e ex-prefeito) entre os homenageados e ao mesmo tempo, lamentar o esquecimento de um Laurentino Schmitt, do atual distrito do Belchior, entre tantos outros que foram referência para a sociedade gasparense. Esses políticos de ocasião! Esses jovens que ignoram o passado da própria comunidade! Por isso, terão dificuldades na construção de um futuro mais justo. Tomara que os jovens políticos e comunitários do futuro sejam diferentes dos atuais e não tenham a mesma seletividade dos de hoje em idêntica homenagem. Acorda, Gaspar!

QUAL A DIFERENÇA DE KLEBER E ZUCKI? I
Respondo-lhes, nenhuma. E o slogan de campanha e governo do prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, como “Eficiente”? É desmoralizante, sob todos os aspectos, se não for piada. Não vou me alongar aqui por falta de espaço e até para não ser repetitivo. Farei isso mais tarde, na coluna na internet, a mais acessada no portal do Cruzeiro do Vale. Darei um fato: Kleber convocou sessões extraordinárias (espero que não sejam remuneradas) para aprovar de afogadilho, sem discussão pública e na própria Câmara, projetos relevantes, inclusive que podem mexer nos bolsos dos gasparenses no ano que vem. Teve o ano inteiro para fazer isso. Não fez isso por jogo calculado, por falta de eficiência dele e da equipe, ou porque manobrou contra a cidade para fazer valer o que acha ser o certo, numa época em que todos estão focados, trabalhando mais, pagando dívidas e impostos, com os problemas próprios de Natal e de Fim-de-ano.

QUAL A DIFERENÇA DE KLEBER E ZUCKI? II
Eficiência é um falso lema do atual governo. Vou mostrar com três números a jogada de Kleber, Luiz Carlos e principalmente do secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, o prefeito de fato. Até esta semana de dezembro, e faltando apenas uma sessão ordinária – a outra é especial para a eleição da mesa da Câmara -, haviam sido registrados 101 projetos para serem apreciados no Legislativo. Mas apenas 65 deles até o final de outubro, o que dá uma média de cinco por mês, considerando que nem todos vieram do Executivo e as férias de janeiro e os 15 dias julho (estes, agora extintos). Em novembro foram protocolados 15 projetos, ou seja, o triplo da média e apenas nestas duas semanas de dezembro (e não ao mês) 20, ou seja, proporcionalmente, quase oito vezes à média do ano até outubro. E se considerarmos que um Projeto de Lei possui um trâmite médio na Câmara de seis sessões (pois passa pelas comissões), Kleber, como era com Zucki nos finais de ano, tenta abreviar esse tempo, com o tal regime de urgência, afogadilho e espertezas procedimentais, para uma ou suas sessões, contra o debate, a moralidade e a transparência. Se é legal? É preciso ver isso, pois os contornos ao menos existem! Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Lembram-se daquele projeto do vereador Rui Carlos Deschamps, PT, amplamente comentado aqui na contradição e não na ideia, para diminuir os salários do prefeito, vice e secretários de Gaspar, mas no exemplo e extensão não mexer nos dos vereadores e seus assessores, feito ele, ex-servidor público, e a serviço do Sindicato, por vingança e retaliação ao caso do Vale Refeição que substituirá o tal “auxilio alimentação”, um salário disfarçado?

Pois é. O relator geral da matéria, por sorteio, é nada mais, nada menos, do que o líder do governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB, Francisco Hostins Júnior, PMDB. Azar sem fim. E a primeira questão de ordem para assessoria jurídica da Câmara já foi levantada devido à omissão do Regimento Interno da Câmara.

Pode o autor, neste caso o vereador Rui, votar em causa própria na Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação onde é membro e o Hostins, presidente? Os outros dois membros são Franciele Daiane Back, PSDB e Roberto Procópio de Souza, PDT.

Sem conhecer os fundamentos, o parecer de Hostins deve ser pelo arquivamento do referido PL, mas antes, uma boa dúvida jurídica a ser esclarecida para não virar cavalo de batalha ao perdedor ou ao vencedor. Se Rui votar, haverá empate. Se ele não votar, dependendo da assessoria jurídica, a proposta dele estará derrotada. Moralmente, já estava!

Uma pergunta aos assessores bem pagos. Na Câmara, a sessão pode ser realizada sem presidente? Pelo regimento, não!

Faz tempo, mas faço o registro agora, por falta de espaço anteriormente. Em novembro, corria uma daquelas sessões da Câmara, quando o presidente Ciro André Quintino, PMDB, ao conceder a palavra ao vereador Cícero Giovani Amaro, PSD, saiu da sessão e voltou quase cinco minutos depois.

O correto não era passar a sessão ao vice-presidente, Silvio Cleffi, PSC, presente, sentado ao lado de Ciro na mesa, exatamente para isso? Além da indelicadeza, há o aspecto formal e legal. Ou Ciro acha-se acima dessa obrigação legal? E os assessores, o que fazem? Ajoelham-se? Acorda, Gaspar!

Quem gritou “Fora Aécio”? Os próprios tucanos, em Brasília, quando o senador mineiro Aécio Neves, na Convenção, tentou prestar contas do seu mandato como presidente nacional do PSDB. Expurgado pelas dúvidas, a mentira, o jogo e a ética ferida – que formalmente nem foi julgada -, teve que sair logo do recinto Convenção.

Enquanto isso, o PT idolatra os seus enlameados, a começar por Luiz Inácio Lula da Silva que não quer que seja julgado no dia 24 de janeiro, a presidente do partido Gleisi Hoffmann... Estranha gente que preserva os bandidos de estimação contra a ética, a lei e pelo poder vitalício e o sacrifício da sociedade. Há diferenças, e bem claras, felizmente.

Gaspar teve sempre a sorte em ter delegados atuantes que passaram ser referência em Blumenau e Santa Catarina. Entre eles, Paulo Norberto Koerich, Ademir Serafim, Juraci Darolt...

O último foi Egídio Ferrari. Ele foi promovido daqui, para Blumenau, exatamente por trabalhar com o mínimo – por falta de gente, fechava a delegacia para diligência e ir prender bandidos - e mesmo assim produzindo o máximo. Agora, os bandidos de Blumenau estão arrepiados. É uma atrás da outra.

Acostumados ao puteiro, os políticos tratam a imprensa como puta, de quinta, a qual dependeria apenas do michê deles e dos gigolôs e cafetinas protegidos por eles para que tudo seja um bordel a céu aberto sob o seu comando.

As redes sociais estão provando que a sociedade não tolera michês e puteiros. E os políticos estão endoidando pois não possuem mais controle dos seus “negócios” e nem dinheiro suficiente para sustentar o silêncio das redes.

Quem diria que a vida dupla dos coronés estava para se tornar um livro aberto e on line!

 

Edição 1831

Comentários

Herculano
17/12/2017 07:53
WALFRIDO SERIA VICE EM IMPROVÁVEL CANDIDATURA LULA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

Na hipótese remota de viabilizar sua candidatura a presidente, o petista Lula já definiu o vice: Walfrido dos Mares Guida, que foi seu ministro do Turismo e também da Articulação Política. Eles estreitaram mais ainda as relações de amizade após a Lava Jato, quando Walfrido colocou seu jatinho permanentemente à disposição de Lula. Foi duas vezes ministro de Lula: Turismo (2003 a 2007) e Relações Institucionais (2007).

VIDA PRIVADA
Ex-deputado e ex-vice-governador de Minas, o engenheiro Walfrido dos Mares Guia, 75, é empresário bem sucedido na área de educação.

DEU PRA MIM
Mares Guia renunciou ao cargo de ministro de Relações Institucionais após seu envolvimento no ruidoso escândalo do "mensalão mineiro".

REGRA TRÊS
A opção de Lula a Mares Guia seria o ministro José Múcio (TCU), que, curiosamente, o substituiu como ministro das Relações Institucionais.

MODELITO 2002
Experiente nas artes e manhas da política, Lula deseja repetir a fórmula de sua primeira eleição, em 2002: empresário mineiro como seu vice.

PROPAGANDA DE SENADORES JÁ CUSTOU R$26,1 MILHÕES
O Senado gastou desde 2007 e até novembro deste ano R$26,1 milhões com a "divulgação da atividade parlamentar" dos senadores, por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), o chamado "cotão". Essa verba também pode ser usada para bancar praticamente qualquer despesa do senador: pagar consultorias e assessorias, pesquisas, passagens, panfletos, adesivos, faixas etc.

SACO DE DINHEIRO
Cada senador (são 81) pode receber até R$ 45 mil por mês para gastos com a cota a título de "verba indenizatória".

FENôMENOS PUBLICITÁRIOS
Valdir Raupp (PMDB-RO), R$1,26 milhão, e Sérgio Petecão (PSD-AC), R$ 1,22 milhão, são os senadores campeões de gastos em publicidade

GRANA NÃO FALTOU
Preso pela Operação Lava Jato, o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) é o sexto maior gastador no ranking da década. Reembolsou R$ 714 mil.

BURRO NA SOMBRA
Levantamento Paraná Pesquisa põe o senador Ronaldo Caiado (DEM) à frente, em qualquer cenário (e com mais de 45%), nos dois turnos. Ele só não será eleito governador de Goiás em 2018 se não concorrer.

MUDANDO CRITÉRIOS
O partido Podemos, cujo candidato a presidente é o senador Álvaro Dias, pretende discutir no Supremo os critérios que definem o tempo de TV para cada partido. Se não conseguir, serão apenas 12 segundos.

IDOSOS COM TEMER
Os idosos são a parcela da população que menos desaprova o governo Michel Temer. Levantamento do Paraná Pesquisa mostra que a média de 82% de desaprovação cai a 70% entre os que têm mais de 65 anos.

É A ECONOMIA, MANÉ
A pré-candidatura de Henrique Meirelles é ainda fraca, até porque ele não a assume, mas já circula entre taxistas cariocas como opção para presidente. Sinal de que a retomada começa a chegar na ponta final.

ESTABILIDADE NA UNIÃO
Está na pauta do Senado projeto de lei de Marta Suplicy (PMDB-SP) que altera o Código Civil para dar reconhecimento legal à união estável de pessoas do mesmo sexo. Na prática, a Justiça já consagra isso.

ELEIÇÃO NAS REDES SOCIAIS
Segundo a consultoria digital Bites, o PSC de Jair Bolsonaro é o partido que tem a maior representação nas principais redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e YouTube) no Brasil: 23,8 milhões de seguidores. O PSDB tem 11,9 milhões, o Podemos, 8,3 milhões e o PT, 8,2 milhões.

AINDA FALTAM VOTOS
Segundo a contabilidade da liderança do governo, na Câmara dos Deputados ainda faltam entre 40 e 60 votos para garantir uma margem confortável para aprovar o projeto da reforma da Previdência.

DILMAS E LULAS
Há 133 servidoras no governo federal chamadas "Dilma" que devem ter aguentado muitas piadas e trocadilhos. Quem ainda atura poucas e boas são os trinta "Lulas" que ainda estão empregados no governo.

PENSANDO BEM...
...com os "grevistas" dormindo em casa, a greve de fome contra a reforma da Previdência, na Câmara, foi apenas "greve nutella".
Herculano
17/12/2017 07:50
LULA E OS POBRES NA ELEIÇÃO BANANEIRA, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo.

Da eleição de 2018, o que se pode dizer de menos incerto é que deve ser uma disputa bananeira, que se ignoram obviedades sobre o sucesso de Lula e que a maioria da elite, nós, está se lixando para o que os pobres estão a dizer.

Nessa democracia esmolambada, Lula pode ser um tumulto judicial até 20 dias antes do primeiro turno, partidos sem voto podem apelar a forasteiros da política, um ferrabrás das cavernas é assunto nacional e parlamentares federais serão candidatos a fugir da polícia, metade deles, por aí.

A conversa política por enquanto trata de: 1) como enganar o eleitor a respeito da dureza que será o próximo governo; 2) como caçar e cassar Lula; 3) quem pode ser a marionete à frente de um programa ou candidato liberal por ora sem voto: o "novo", o "outsider". Este também seria o problema de um programa ou candidato social-democrata sem voto. "Seria": não há programa social-democrata.

Lula não seria o social-democrata? Por ora, é apenas o candidato de si mesmo e o líder entre os mais pobres (leva o voto de 46% dos eleitores que dizem ter renda familiar até dois salários mínimos, metade do eleitorado). Na sua caravana de campanha, limita-se a dizer disparates eleitoreiros ou a insultar a decência, como no dia em que lamentou a sorte dos ex-governadores encarcerados do Rio.

Ser o preferido dos mais pobres pode ser parte de um programa, que não é apenas um plano escrito de governo, mas também um conjunto de alianças, lideranças e quadros dirigentes. Lula ainda não apresentou planos, alianças etc. Mas os pobres continuam com ele.

Corre a lenda de que Lula tem um terço do eleitorado, nem muito mais nem menos, em uma eleição "polarizada". Hum.

No Datafolha de final de novembro, Lula teve em média 36% dos votos e 39% de rejeição absoluta, eleitor que não vota nele de jeito nenhum. Mas, convém prestar atenção, cerca de 25% dos eleitores admitiam a hipótese de votar no ex-presidente: não votam nele por agora, mas não o rejeitam. Trata-se, portanto, de um eleitorado tripartido.

Lula lidera disparado no Nordeste e no Norte. Mas, mesmo que essas regiões derivassem pelo oceano Atlântico e não votassem, Lula ainda assim venceria hoje um primeiro turno.

A obviedade sobre Lula é que ele lidera entre os deserdados, a metade do país. Lidera entre aquelas pessoas que mais dizem sofrer com a crise, as mais pessimistas sobre a economia, as que mais dizem ser o desemprego o principal problema.

O jornalista parece um pateta ao comentar notícia tão velha. Mas, além de planos de lançar uma criatura midiática de apelo popular, o que se tem ouvido sobre um programa para os pobres? Essas pessoas pouco vão melhorar de vida até a eleição. Reclamam mais da falta de hospital, remédio e emprego. Quase 90% delas por ora não votam no capitão do mato. O que Alckmin, Marina, Ciro ou "x" vão dizer de eficaz a esse povo?

RECORDAR É VIVER

Em dezembro de 1993, pouco menos de um ano antes da vitória de FHC, Lula liderava as pesquisas, todo o mundo sabe. Quem vinha nos segundos lugares de cada cenário? José Sarney ou Antônio Britto, pelo PMDB, e Paulo Maluf, PPB.
Herculano
17/12/2017 07:47
da série: essa gente só sobrevive com analfabetos, ignorantes e desinformados. Quando o Brasil for feito de uma maioria de esclarecidos, esses políticos serão esgotos e escória.

DILMA COGITA DISPUTAR VAGA NO SENADO PELO PIAUI, por
Josias de Souza

Sem alarde, Dilma Rousseff discute com amigos um novo projeto: a reinvenção de sua carreira política. Numa conversa recente, admitiu candidatar-se ao Senado em 2018. Só não soube dizer por qual Estado. Mora no Rio Grande do Sul e nasceu em Minas Gerais. Mas discutiu a sério a hipótese de disputar a vaga de senadora pelo Piauí, Estado governado pelo petista Wellington Dias.

Não foi a primeira vez que o Piauí entrou no radar de Dilma. A cogitação nascera há coisa de cinco meses. Causara certo desassossego no petismo piauiense, forçando o governador a negar que estivesse negociando com Dilma a transferência do domicílio eleitoral dela de Porto Alegre para Teresina. A novidade é que a ex-presidente voltou a falar sobre o assunto.

No Rio Grande do Sul, Dilma foi ignorada pelo seu partido. Ali, o PT já escolheu o senador Paulo Paim como candidato à reeleição para o Senado. Confirmando-se a intenção da presidente deposta de retornar às urnas, será uma pena se ela for pedir votos à clientela do Bolsa Família no Piauí. O país perderá a chance de assistir a um novo embate de madame com Aécio Neves, pois o senador tucano revela-se disposto a pleitear junto ao eleitorado mineiro a renovação do mandato.

Em 2012, quando Dilma participou da mal sucedida campanha do petista Patrus Ananias à prefeitura de Belo Horizonte, Aécio fustigou-a. Disse que os eleitores mineiros conheciam melhor a sua capital do que "qualquer estrangeiro." Tratada como forasteira, Dilma reagiu. Caprichando na ironia, sapecou:

''Nasci aqui em Belo Horizonte, no hospital São Lucas. Saí daqui para lutar contra a ditadura, e não para ir à praia. [?] Aqui na minha veia corre o sangue de Minas Gerais, por isso sou presidente de todos os brasileiros.'' A alusão à "praia" não foi gratuita. O mineiro Aécio é conhecido pelo apreço que devota ao Rio de Janeiro.

Num novo enfrentamento, Dilma e Aécio poderiam trocar de assunto: em vez do debate sobre certidões de nascimento, discutiriam o prontuário um do outro. Ela tornou-se um inquérito esperando na fila da Lava Jato para acontecer. Ele virou um colecionador de processos criminais. Por ora, soma nove.

Uma eventual fuga para o Piauí não faria jus à fama de valentona de Dilma. Mal comparando, a intrépida presidente deposta ficaria muito parecida com José Sarney. Oligarca do Maranhão, Sarney elegeu-se senador pelo Amapá depois que deixou a Presidência da República.
Herculano
17/12/2017 07:43
ROLETA-RUSSA DA PREVIDÊNCIA, por Marcos Lisboa, economista, secretário de Política Econômica no Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005 e é presidente do Insper, para o jornal Folha de S. Paulo

Continuamos a brincar com fogo. O país encontra dificuldade para continuar a agenda de reformas que tem permitido a recuperação da economia.

Afinal, quais são as resistências à reforma da Previdência? Certamente, perde a elite mais bem remunerada dos servidores públicos com a redução de privilégios concedidos a grupos que estão entre os 5% ou mesmo entre o 1% mais rico da população. Pois bem, muitos deputados dizem que não vão votar a favor da reforma, preferindo as corporações beneficiadas pelos favores do Estado ao bem-estar da imensa maioria.

Somos um país jovem e desigual que gasta com previdência 13% do PIB, mais do que o Japão, que tem três vezes mais idosos.

Vamos entender o que está em jogo. As contas públicas do governo federal são insustentáveis. Os gastos obrigatórios, aqueles determinados por lei, como educação, salários de servidores e previdência, somam 104% das receitas da União. Falta dinheiro para despesas essenciais em ciência e tecnologia, infraestrutura, manutenção de estradas e segurança. O problema vai ficar pior se o crescimento do gasto obrigatório não for interrompido.

Parece que não aprendemos com as crises do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, que apenas são os primeiros entre os muitos Estados que se tornarão insolventes nos próximos anos. Repetimos os seus graves equívocos ao adiarmos as reformas necessárias. Não será de bom tom depois reclamar da falência de serviços públicos essenciais. Não terá sido por falta de aviso.

Existem exceções meritórias. A liderança da Câmara e alguns partidos, inclusive o PPS, com longa tradição de esquerda, defendem a reforma da Previdência.

Muitos, porém, rejeitam a reforma e ao mesmo tempo propõem novas benesses para o setor privado, como regras de conteúdo nacional em óleo e gás e uma nova versão do Inovar-Auto, além de defenderem recursos para bancos públicos. Parece que foi de pouca valia o fracasso dessas medidas no governo anterior. Deputados conhecidos pelas bravatas autoritárias revelam-se mais do mesmo e fogem quando perguntados sobre a Previdência. Partidos que apoiaram a Lei de Responsabilidade Fiscal no passado decepcionam com argumentos que oscilam entre o oportunismo e a irresponsabilidade. Lentamente, alguns, como o PSDB, tentam se redimir.

Em 2015, o governo optou por não fazer o ajuste fiscal e o resultado foi a longa recessão. A volta do populismo resultará na piora da avaliação do risco Brasil e no aumento do custo para a produção e o investimento, ameaçando a recuperação da economia. A volta da crise não está tão distante assim. Pelo visto, muitos preferem continuar com a roleta-russa
Herculano
17/12/2017 07:41
BRINCANDO DE FAZ DE CONTA, por Carlos Brickmann

Economistas de primeiro time, empresários influentes e políticos de importância chegaram à mesma conclusão: o Governo brasileiro precisava cortar as despesas. Como não disse PC Farias (e só não disse porque já tinha morrido), Madama estava gastando demais, até saindo da legalidade.

Para que se inaugurasse uma nova era de contas saudáveis, Madama caiu. O novo Governo que assumiu já fez de conta que não é o antigo, embora o elenco pouco tivesse mudado. Eles, os novos, cortariam despesas.

Mas, para cortar, era preciso cuidar dos amigos da casa. As despesas subiram uns R$ 50 bilhões. Houve o encontro com Joesley nos porões do Jaburu. Tentaram cassar o Vampiro por sugar a vaca leiteira. Mas, cassado o Vampiro, quem cortaria as despesas? Foi preciso gastar muitos pixulecos para manter vivo o Cortador Geral das Despesas da República. Mas atrair os votos essenciais para aprovar a Reforma previdenciária, mãe dos cortes de despesas, também teria seu custo.

Num rápido balanço, foram cinco pagamentos e a Mãe dos Cortes não foi tocada. Mexer nesse vespeiro sai caro: não são só outros 500, mas cargos, áreas de influência, proteção contra juízes de primeira instância. Foi preciso até agradar Luislinda, que se achava escravizada por ganhar só trinta e poucos mil por mês.
O PSDB saiu do Governo; ela preferiu sair do PSDB e ficar no bem-bom, recebendo. Claro, a solução é cortar despesas. Mas cortá-las custa caro.

UMA COISA E OUTRA COISA
Quem trata política e finanças como coisas paralelas, afins, uma influenciando a outra, não entende nem de política nem de finanças.

DIRCEU, TEM PENA
José Dirceu é o novo insuflador-geral do PT: está convocando petistas para lotar Porto Alegre em 24 de fevereiro, dia do julgamento pelo Tribunal Regional Federal do recurso de Lula contra a pena de nove anos e seis meses que lhe foi imposta pelo juiz Sérgio Moro. "A hora é de ação, não de palavras. De transformar a fúria, a revolta, a indignação e mesmo o ódio em energia, para a luta e o combate. Todos a Porto Alegre no dia 24, o dia da revolta (?)"

Dirceu, que aguarda em liberdade o julgamento de seu recurso contra a pena de 30 anos e 9 meses por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, talvez corra risco de punição. Mas este é seu estilo: no governo Covas, em São Paulo, grupos de professores em greve bloquearam a entrada da Secretaria da Educação. Covas, sem segurança, já com o câncer que o mataria, foi agredido pelos, digamos, educadores. Dirceu deu apoio aos agressores, dizendo que era preciso surrar os adversários nas ruas e nas urnas. Errou: Fernando Henrique bateu Lula em duas eleições seguidas, no primeiro turno.

GENERAL PUNIDO
Demorou, mas o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, puniram o general Antônio Hamilton Mourão, transferindo-o da Secretaria de Economia e Finanças para o posto de adido na Secretaria Geral do Exército. Na última quinta, o general Mourão acusou o Governo Michel Temer de "equilibrar-se num balcão de negócios". As Forças Armadas são organizadas com base na hierarquia e na disciplina, e seu comandante-chefe é o presidente da República. O presidente fala pela Força; seus subordinados devem calar-se.

Mourão já havia dado opiniões há algumas semanas, mas o general Villas Boas preferiu deixar pra lá. Agora sua paciência se esgotou.

OLHANDO O FUTURO
Nos tempos do Império Romano, era atribuído aos poetas ("vates") o "poder divinatório", a capacidade concedida pelos deuses de prever o futuro. Daí vêm as palavras "vaticínio" e "adivinhar".

Pois bem: no Carnaval de 1949, Tancredo Silva, José Alcides e Sátiro de Melo fizeram seu vaticínio musical, gravado por Blecaute. Acompanhe a letra, caro leitor, quase 70 anos depois: "Chegou o general da banda, e ê/ chegou o general da banda, e á/ Mourão, mourão, vara madura que não cai/ Mourão, mourão, mourão, catuca por baixo que ele vai".

CINCO LETRAS QUE CHORAM
Boa parte da família Odebrecht está de saída. Emílio, pai de Marcelo, se afasta do comando da empresa, e determina que, de agora em diante, o poder na Odebrecht seja entregue a executivos profissionais, de mercado. Sua esposa fica com ele no Brasil. Marcelo, o Príncipe dos Empreiteiros, deixa a prisão no dia 19: de agora em diante, cumpre pena em casa, com tornozeleira eletrônica, em companhia da esposa. Filhos e cônjuges de Marcelo Odebrecht, com toda a família, mudam-se para Frankfurt, na região. Os estudantes já estão matriculados em boas escolas da Frankfurt. Saem por livre e espontânea vontade: não aguentam mais o clima de hostilidade que enfrentam no Brasil.
Herculano
17/12/2017 07:35
O BUNKER DE TEMER DERRETEU, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

Nenhum governo admite que pode perder uma votação no Congresso, mas, ainda assim, eles se diferenciam no grau de seriedade com que administram seus receios. Desde o início da tramitação da reforma da Previdência, o bunker do Palácio do Planalto, sob regência de Temer, com o ministros Moreira Franco na flauta, Eliseu Padilha no clarinete e Henrique Meirelles na tesouraria, seguiu em duas linhas. Primeiro dizia que o projeto, cheio de bodes, era intocável.

Patranha, mas vá lá. Depois, inventou prazos. Até a tarde fatídica em que o país soube do grampo do Jaburu, o limite de 2017 parecia plausível. Depois do grampo, a prioridade do bunker passou a ser apenas a salvação do mandato de Temer.

Tudo acabou num episódio de pastelão, com o senador Romero Jucá dizendo que a votação estava adiada para o próximo ano, sendo imediatamente desmentido por uma nota do Planalto. No dia seguinte veio o reconhecimento de que o jogo está adiado para fevereiro.

Nesse clima de barata-voa, chegou-se até ao ardil de pedir ao empresariado que pressionasse os parlamentares. Temer, Moreira, Padilha e Meirelles sabem perfeitamente que, a esta altura, se um empresário ligar para seu deputado levará uma facada em nome da campanha do ano que vem.

A capacidade de mentir do Planalto é infinita, mas ela deve ser calibrada pelo risco de se perder crédito até mesmo quando se diz a verdade. O bunker violou essa norma. Se num dia ele diz que Jucá "[]":http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1943214-governo-tem-que-falar-a-verdade-nao-mistificar-diz-juca-sobre-reforma.shtml está errado e no outro informa que a do presidente vai bem, obrigado, no que se pode acreditar?

A presepada pode alegrar a maioria dos brasileiros que não confia no governo, mas ela embute um perigo. O derretimento do bunker pela aritmética da falta de votos e pela má qualidade de suas lorotas arrisca expandir-se. A contaminação de um governo fraco e impopular num ano de sucessão radicalizada adiciona à confusão uma instabilidade perigosa e desnecessária.

SEGUNDA TEMPORADA DE "THE CROWN" É PRESENTE PARA O óCIO DAS FESTAS

A segunda rodada da série "The Crown" manteve o padrão, um presente para o ócio das festas. A vida da família real inglesa continua a ser retratada com suas façanhas, fadigas e fofocas. O desempenho da atriz Claire Floy no papel de Elizabeth 2ª já valia a pena na primeira temporada e conseguiu melhorar. Ela envelhece e encorpa com grande categoria, inclusive no jeito esquisito de caminhar.

As coisas aconteciam num tempo em que era falta de educação falar da infidelidade da mulher de um primeiro-ministro (Harold McMillan) ou da bissexualidade do marido de princesa (Anthony Armstrong-Jones, Sr. Margaret). Está tudo lá, inclusive a desastrosa mediocridade do primeiro-ministro Anthony Eden, que tentou tomar o canal de Suez em 1956 e foi humilhado pelos Estados Unidos.

O capítulo fofoqueiro da relação de Elizabeth 2ª com Jacqueline Kennedy é um primor, ainda que um pouco exagerado. A ida do menino Charles para um colégio interno na Escócia é uma aula para qualquer pai que se mete a impor rigores na educação do filho. O sexagenário de hoje, que ainda não achou seu lugar na vida, nasceu ali. (A série conseguiu um menino com orelhas de abano para representá-lo.)

Essa segunda temporada termina estabelecendo uma conexão entre um escândalo de lençóis ocorrido em 1963, que à época era apenas murmurado. Ele girava em torno da linda modelo Christine Keeler, que morreu há duas semanas, aos 75 anos. O príncipe Philip, marido da rainha, está com 96, aposentado.

OUTRO LULA
De quem conhece Lula há mais de 30 anos:"Ele se tornou outra pessoa. Está ressentido e vingativo. Está, mas nunca se deve esquecer que ele se orgulha de ser uma metamorfose ambulante".

STF x TCU
Como diria o ministro Gilmar Mendes, o Supremo Tribunal Federal tem um encontro marcado com o Tribunal de Contas da União para demarcar suas atribuições.

"PRETINHO" FEDERAL

Desde abril passado, quando o doutor Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro, entregou-se à Polícia Federal vestindo uma camisa de malha preta parecida com os uniformes dos agentes, surgiu um estilo de moda.
É o "pretinho" da Federal. Aderiram a ela o deputado Jorge Picciani e, numa ocasião, o empresário Jacob Barata.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e sempre votou em Sérgio Cabral, pois achava que o Rio precisava de um gestor modernizante.

No seu último depoimento ao juiz Marcelo Bretas, o magnífico Cabral disse que entesourou dinheiro pelo caixa 2, mas não menciona nomes, pois "isso implicaria citar companheiros meus, de lutas políticas".
O cretino diz que nunca recebeu um tostão pelo que fez por Cabral. Se ele quiser, pode citá-lo, desde que deposite algum em sua conta. Serve até terno usado do Ermenegildo Zegna.

ERRO
Estava errada a informação publicada no último artigo do signatário, segundo a qual a GP investimentos participava da gestão da Universidade Estácio de Sá.

A GP comprou uma participação na Estácio em 2008 e desfez-se dela em 2013. Desde então, nada tem a ver com a empresa

VOLKSWAGEN PASSOU A CONTA PARA O CORONEL

Depois de anos de idas e vindas, a Volkswagen alemã reconheceu a sua colaboração com o aparelho repressivo da ditadura brasileira. Até agora ela é a única grande empresa a tomar essa posição. A poderosa Federação das Indústrias de São Paulo até hoje não admitiu sua parceria com o DOI-Codi, documentada em pelo menos uma carta do embaixador americano ao Departamento de Estado.

Infelizmente, a Volks atribuiu a malfeitoria ao chefe da segurança da empresa, o coronel da reserva do Exército Ademar Rudge.

Disse o seguinte: "Ele agia por iniciativa própria, mas com o conhecimento tácito da diretoria".

Numa empresa alemã, disciplinada e hierarquizada, uma coisa dessas jamais aconteceria, a menos que "conhecimento tácito" queira significar muito mais. A Volks, bem como outras empresas, fornecia listas de trabalhadores suspeitos à polícia.

O mea culpa, ainda que parcial, resultou das investigações da jornalista Stephanie Dodt. Ela colheu depoimentos para um documentário apresentado pela TV pública alemã. Nele, um ex-diretor de Recursos Humanos da Volks disse que "nós nunca tivemos ditadura no Brasil, quem se queixa de ditadura é quem sofreu as consequências. Eram os esquerdistas que queriam bagunçar o país".

Tudo bem, mas quando chegou a hora de achar um responsável pela colaboração com a polícia, sobrou para o coronel da reserva do Exército. Fica o exemplo para os militares que hoje ouvem vivandeiras da política e do empresariado sugerindo a conveniência de uma nova intervenção militar.
Herculano
16/12/2017 19:16
GOVERNO É DONO DE PRATICAMENTE METADE DAS TERRAS DO BRASIL, porr Antonio Pinho, doutor em letras na UFSC

O Nexo Jornal divulgou uma matéria baseada nos dados do Atlas da Agropecuária Brasileira na qual apresentou dados importantes sobre que porcentagens do território brasileiro são do setor privado, do setor estatal, de assentamentos, de terras indígenas etc.

Um dado inicial impressiona: o governo é dono de 47% das terras do Brasil, ao passo que o setor privado detém 53%. Contudo, a agropecuária utiliza apenas 9% das terras do país. Portanto, a esmagadora maioria das terras privadas está preservada, fato que desmente a falsa ideia de que a atividade agropecuária é a grande depredadora do meio ambiente. Uma diminuta parte do solo é empregada em pastagens e plantações. O mais impressionante é que com apenas 9% de seu território o Brasil alimenta 1 bilhão de pessoas, ou seja, o Brasil alimenta com uma pequena parte de suas terras uma população cinco vezes maior do que o total de seus habitantes.

Surge então um outro enigma. Se 47% das terras são do governo, como pode haver grupos como o MST? Por que os militantes do MST simplesmente não procuram estas terras, muitas das quais são áreas devolutas, que se encontram sem uma destinação dada pelo governo (não são reserva ambiental ou indígena)? Contudo, no lugar de ocupar as terras do governo, o MST prefere invadir as terras privadas. Com isso se revela que a intenção do MST é agredir a propriedade privada em prol de uma agenda ideológica, e não solucionar um problema real. Porque, de fato, a falta de terra não é um problema no Brasil.

Estas estatísticas demonstram que o governo é o maior proprietário de terras, e poderia muito bem distribuí-las aos necessitados, sem afetar as propriedades privadas. Não há a mínima lógica para que as propriedades privadas estejam hoje sob ataque sistemático. O mais estarrecedor é que o governo trata amigavelmente grupos ideológicos que usam táticas terroristas para espalhar o comunismo pelo campo atacando propriedades privadas. E mais, o governo ainda sustenta uma agência estatal, o INCRA, exclusivamente para dar suporte a uma paulatina relativização e destruição do direito de propriedade.

Outra desproporção é o percentual de áreas indígenas. Atualmente 13% do Brasil já foi destinado para a formação de reservas indígenas, área significativamente maior do que toda a área utilizada pela agropecuária. A população indígena é inferior a 1% do total de brasileiros, mas eles receberam 13% das terras. Há aqui um claro equívoco. Ainda mais porque há grupos ideológicos empenhados em aumentar bem mais esse percentual de terras indígenas. Não defendo aqui a abolição das terras indígenas, mas tem que haver uma relação entre o número de indígenas e o tamanho das áreas a eles destinadas. Há imensas áreas demarcadas, principalmente na região norte, nas quais há uma ínfima população indígena.

Há ainda o problema das invasões indígenas. Uma parte da população indígena foi convertida aos métodos do MST, e estão invadindo fazendas pelo Brasil, processo em que comentem uma série de crimes graves. Ainda exigem do governo a demarcação das fazendas invadidas como área indígena.

Até aldeias fake são criadas com a importação de indígenas de outros países, como é o caso da Grande Florianópolis, região que conhecidamente há séculos não tem presença indígena. Mas grupos ideológicos trouxeram indígenas do Paraguai, criando "aldeias" do nada. Hoje já se fala da existência de uma dezena de aldeias, aproximadamente, na grande Florianópolis.

Sabe-se que tanto os assentamentos do INCRA quando as reservas indígenas vivem em grande parte na miséria. Um fator é o grande responsável por fracasso econômico: não há nos assentamentos e reservas indígenas a propriedade privada da terra. As famílias de índios ou de assentados não recebem o título da terra. Na prática, as áreas onde vivem são grandes fazendas coletivas ao estilo soviético. Como nessas terras ninguém é dono de nada, não há motivação para produzir riqueza, pois o que reina é o coletivismo. Assim essas populações acabam sendo arrastadas para a miséria. Os assentamentos do INCRA são favelas no campo, como bem descreveu o jornalista Nelson Barretto em seu livro sobre a reforma agrária. Na outra ponta os indígenas amargam os piores índices de desenvolvimento social. Os poucos indígenas que procuram empreender, como no município catarinense de Chapecó, acabam esbarrando numa série de problemas jurídicos, e são constantemente atacados pelo Ministério Público, para o qual o indígena não pode ser um produtor rural.

O Brasil tem abundância de terras férteis, como todos sabem. Nosso grande problema é ideológico e político. O estado não garante a propriedade privada e ainda defende os grupos que cometem crimes contra ela. Temos um imenso potencial agrícola inexplorado por causa da insegurança jurídica, do excesso de impostos, e o que é bem pior, da influência política de uma mentalidade nociva de que a propriedade privada da terra é um conceito relativo, que deve estar subordinada à vontade política, a qual, no fim, é manipulada por grupos ideológicos radicais
Herculano
16/12/2017 19:07
O EMPRESÁRIO GILMAR BANCA A VIDA MANSA DO MINISTRO GILMAR, por Augusto Nunes, de Veja

Pode um ministro do Supremo Tribunal Federal ser também o dono de uma entidade educacional que lhe rende anualmente quase 1 milhão de reais por ano? A ética, a lógica e a sensatez gritam que não. Gilmar Mendes, sempre ele, acha que sim.

Sócio de um filho no comando do Instituto Brasiliense de Direito Público, como informa a edição de VEJA que acaba de chegar às bancas, Gilmar explicou com a placidez dos inocentes perpétuos essa duplicidade de funções: "Eu era professor antes de ser ministro".

Ele também era bacharel em Direito antes de ser ministro. Deve ser por isso que age no Supremo como se fosse advogado de defesa dos culpados de estimação
Herculano
16/12/2017 19:03
O PAPO-FURADO ESQUERDISTA DA DESIGUALDADE: "THOMAS-PIKETTYSMO" EM AÇÃO, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Na era da "thomas-pikettyzação" do pensamento, a conversa sobre a desigualdade ocupa o topo do debate quando se fala em pobreza.

"Por quê? Não há desigualdade no Brasil, Reinaldo?"

Há, sim! A questão é saber o que se vai fazer com ela.

Com um país em recessão, como nos anos de 2015 e 2016, tenho a certeza de que alguns luminares, se tivessem tido a oportunidade, teriam imposto uma sobretaxação dos ricos. A imprensa hoje está coalhada de "companheiros" dos mais diversos matizes de esquerda a sugerir soluções miraculosas: um deles diz que o que nos faz falta é? reforma agrária!!! Outro acha que a "pejotização" - trabalhadores que são pessoas jurídicas - é um dos principais fatores que levam a essa desigualdade.

Meu Jesus Cristinho!

Perguntem quais são os "programas sociais" que há na China ou as medidas compensatórias para integrar os mais pobres à economia. Resposta: não há nem programas nem medidas. O que existe é crescimento da economia. Foi ele que livrou muitos milhões da miséria.

Com um déficit anual na casa dos R$ 150 bilhões, o que será que pune mais os pobres no Brasil? A Previdência - especialmente a dos servidores ?" ou a não-taxação das grandes fortunas ou das heranças? Essa conversa e uma piada.

É por isso que esquerdistas, quando chegam ao poder, fazem o que fizeram no Brasil: ignoram os fundamentos da economia, criam uma bolha transitória de elevação do bem-estar, financiam-na com déficit fiscal que tem de ser compensado pagando juros indecentes, quebram o país e o empurram para a recessão e o desemprego.

Não por acaso, as esquerdas igualitaristas estão na vanguarda da luta contra as reformas.

O buraco fiscal, este sim, tira dinheiro dos pobres. Afinal, ele terá de ser sustentado de algum modo. E de que modo? Captando dinheiro no mercado e pagando juros altos em razão dessa vulnerabilidade.

Um desses opinadores, estudioso da igualdade, o economista irlandês Marc Morgan Milá, chega a dizer em entrevista à Folha que o teto de gastos aprovado pelo governo Temer certamente vai aumentar a desigualdade à medida que acabará cortando gastos sociais.

Só para registro: não se cortou gasto social nenhum! Mas isso ainda diz pouco.

O teto de gastos foi a medida necessária, ora vejam, para tirar o país da crise aguda e da recessão - aquela mesma que pune os pobres que Milá quer proteger.

Para encerrar: eu sempre fico encantado quando as esquerdas vociferam por aí que o Brasil tem a maior desigualdade do mundo. Não deixa de ser um alento para quem, como é o meu caso, não considera que a "igualdade" é o dado relevante do problema. Tanto não é um valor tendente ao absoluto que Cuba é um dos países menos "desiguais" do planeta, não é mesmo? Com a provável exceção da África do Sul, todos os países do continente africano são, então, mais "iguais" do que Banânia. Até o Sudão do Sul. Alguém quer trocar de lugar?

Esperem: Haiti e Bolívia também são, digamos, mais iguais do que o Brasil. Os imigrantes haitianos e bolivianos vêm pra cá, quero crer, para experimentar um pouco da nossa desigualdade?


CRESCIMENTO DA MISÉRIA É OBRA DO PT, NÃO DE QUEM O SUCEDEU NO PODER

Vejam os dados do IBGE, que estão em toda parte, sobre a pobreza e a miséria extrema no Brasil. Cresceram de 2014 para 2016. Algo de surpreendente nisso? Resposta: "não!"

Crescimento econômico ainda é a melhor notícia que podem ter os pobres, e recessão, a pior.

As páginas de esquerda já estão vomitando indecências. Tentam atribuir ao governo Temer a piora dos índices.

Errado!

A economia brasileira encolheu 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016, vindo já de uma trajetória de baixíssimo crescimento. Quem devolveu alguns milhões para a miséria foi o regime lulo-petista. Temer não tem nada a ver com isso.

Ou tem: seu governo está tomando medidas que contribuíram para repor o país no caminho do crescimento. Crescimento que pode ser abortado caso, como quer o PT, não se faça a reforma da Previdência
Herculano
16/12/2017 19:03
O PAPO-FURADO ESQUERDISTA DA DESIGUALDADE: "THOMAS-PIKETTYSMO" EM AÇÃO, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Na era da "thomas-pikettyzação" do pensamento, a conversa sobre a desigualdade ocupa o topo do debate quando se fala em pobreza.

"Por quê? Não há desigualdade no Brasil, Reinaldo?"

Há, sim! A questão é saber o que se vai fazer com ela.

Com um país em recessão, como nos anos de 2015 e 2016, tenho a certeza de que alguns luminares, se tivessem tido a oportunidade, teriam imposto uma sobretaxação dos ricos. A imprensa hoje está coalhada de "companheiros" dos mais diversos matizes de esquerda a sugerir soluções miraculosas: um deles diz que o que nos faz falta é? reforma agrária!!! Outro acha que a "pejotização" - trabalhadores que são pessoas jurídicas - é um dos principais fatores que levam a essa desigualdade.

Meu Jesus Cristinho!

Perguntem quais são os "programas sociais" que há na China ou as medidas compensatórias para integrar os mais pobres à economia. Resposta: não há nem programas nem medidas. O que existe é crescimento da economia. Foi ele que livrou muitos milhões da miséria.

Com um déficit anual na casa dos R$ 150 bilhões, o que será que pune mais os pobres no Brasil? A Previdência - especialmente a dos servidores ?" ou a não-taxação das grandes fortunas ou das heranças? Essa conversa e uma piada.

É por isso que esquerdistas, quando chegam ao poder, fazem o que fizeram no Brasil: ignoram os fundamentos da economia, criam uma bolha transitória de elevação do bem-estar, financiam-na com déficit fiscal que tem de ser compensado pagando juros indecentes, quebram o país e o empurram para a recessão e o desemprego.

Não por acaso, as esquerdas igualitaristas estão na vanguarda da luta contra as reformas.

O buraco fiscal, este sim, tira dinheiro dos pobres. Afinal, ele terá de ser sustentado de algum modo. E de que modo? Captando dinheiro no mercado e pagando juros altos em razão dessa vulnerabilidade.

Um desses opinadores, estudioso da igualdade, o economista irlandês Marc Morgan Milá, chega a dizer em entrevista à Folha que o teto de gastos aprovado pelo governo Temer certamente vai aumentar a desigualdade à medida que acabará cortando gastos sociais.

Só para registro: não se cortou gasto social nenhum! Mas isso ainda diz pouco.

O teto de gastos foi a medida necessária, ora vejam, para tirar o país da crise aguda e da recessão - aquela mesma que pune os pobres que Milá quer proteger.

Para encerrar: eu sempre fico encantado quando as esquerdas vociferam por aí que o Brasil tem a maior desigualdade do mundo. Não deixa de ser um alento para quem, como é o meu caso, não considera que a "igualdade" é o dado relevante do problema. Tanto não é um valor tendente ao absoluto que Cuba é um dos países menos "desiguais" do planeta, não é mesmo? Com a provável exceção da África do Sul, todos os países do continente africano são, então, mais "iguais" do que Banânia. Até o Sudão do Sul. Alguém quer trocar de lugar?

Esperem: Haiti e Bolívia também são, digamos, mais iguais do que o Brasil. Os imigrantes haitianos e bolivianos vêm pra cá, quero crer, para experimentar um pouco da nossa desigualdade?


CRESCIMENTO DA MISÉRIA É OBRA DO PT, NÃO DE QUEM O SUCEDEU NO PODER

Vejam os dados do IBGE, que estão em toda parte, sobre a pobreza e a miséria extrema no Brasil. Cresceram de 2014 para 2016. Algo de surpreendente nisso? Resposta: "não!"

Crescimento econômico ainda é a melhor notícia que podem ter os pobres, e recessão, a pior.

As páginas de esquerda já estão vomitando indecências. Tentam atribuir ao governo Temer a piora dos índices.

Errado!

A economia brasileira encolheu 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016, vindo já de uma trajetória de baixíssimo crescimento. Quem devolveu alguns milhões para a miséria foi o regime lulo-petista. Temer não tem nada a ver com isso.

Ou tem: seu governo está tomando medidas que contribuíram para repor o país no caminho do crescimento. Crescimento que pode ser abortado caso, como quer o PT, não se faça a reforma da Previdência
Sambe em Alerta
16/12/2017 11:54
Bom dia seu Herculano,

Então seu Herculano, acabaram de inaugurar uma obra que não é do Macaco Veio, esta obra foi licitada pela administração anterior assim como o reservatório da ETA I
E aquela obra do Bela Vista, não tem nada a ver com melhorias ou aumento de tratamento de água.
O EXECUTIVO ainda não aprendeu, que falta de água no Bela Vista não tem nada com o que foi feito, conforme disse em entrevista paga, que não iria mais faltar água.
Quero quando este governo vai fazer algo que não tenha a mão do ex prefeito.
Era ruim antes com o ex diretor agora tá uma porcaria.
Herculano
16/12/2017 08:21
LAVA JATO LEVOU A MUDANÇAS NA PRÁTICA DO DIREITO PENAL, por Marcelo Knopfelmacher, advogado nas áreas fiscal e criminal, com atuação em operações anticorrupção e na Lava Jato, para o jornal Folha de S. Paulo

Com a deflagração da Lava Jato e demais operações visando o combate à corrupção no Brasil, ficou evidenciada a utilização, pelo Estado, das chamadas "forças tarefas".

A expressão (adaptada do inglês "task force"), originalmente extraída do vocabulário militar, significa, segundo o dicionário, "grupo de operação formado por diferentes unidades, sob comando único, mas com certa autonomia, para cumprir missão específica e temporária."

No âmbito civil, a expressão tem por significado corrente "grupo de especialistas de diferentes áreas, relativamente autônomo, criado temporariamente para realizar determinada tarefa."

As forças tarefas são integradas, no plano federal, por Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal, Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União. Têm ainda participação da Advocacia Geral da União e eventuais reflexos junto a Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários e mesmo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Diante delas, os alvos das operações ?"vale dizer, as pessoas físicas e jurídicas investigadas?" se viram diante da circunstância de responder, simultaneamente, a diversos órgãos para exercer seus direitos.

A defesa, assim, teve de contemplar todas as diferentes áreas das forças tarefas, o que, naturalmente, passou a exigir a formação de "contra forças tarefas", compostas por advogados e profissionais do direito no âmbito privado, com profundo conhecimento integrado de direito administrativo, penal, tributário, de mercado de capitais, societário, bancário e econômico.

Isso é necessário tanto para promover a defesa técnica das pessoas físicas e jurídicas implicadas como para as tratativas que dizem respeito a acordos de colaboração premiada e de leniência.

Sim, porque, no Brasil, os órgãos de acusação não se confundem com o Poder Judiciário, que, por imposição constitucional, deve ser isento e imparcial, equidistante tanto dos que fiscalizam e denunciam como daqueles que promovem a defesa.

O Direito Penal, muitas vezes exercido sob o ponto de vista de nulidades e impropriedades formais das denúncias criminais, passou a exigir análise profunda de mérito e pleno conhecimento das operações fiscais e societárias subjacentes, a fim de refutar acusações, por exemplo, de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e crimes contra o mercado de capitais. Surgiu, portanto, um novo Direito em resposta a um novo Estado.

Por outro lado, se de fato rumamos para um novo Estado ?"e isso é o que se espera como resultado do esforço que se imprime por meio dessas operações, com seus erros e acerto?", é fundamental que se possa enxergar uma saída para a retomada do empreendedorismo e do crescimento econômico no Brasil.

Combate à corrupção não pode significar paralisia do país, quebra ou esfacelamento irreversível das empresas atingidas ?"verdadeiros conglomerados que empregam centenas de milhares de pessoas em áreas fundamentais como infra estrutura, indústria alimentícia, energia, construção civil etc.

É, portanto, crucial uma agenda voltada para o dia seguinte, para o pós operações anticorrupção, com a manutenção dos postos de trabalho e retomada da atividade econômica, bem como a elevação do padrão ético nas relações entre Estado e empresas. Essa é a grande expectativa da sociedade brasileira.
Herculano
16/12/2017 08:16
BELA VISTA E ÁGUAS NEGRAS EM GASPAR SEM ÁGUA

O Samae acabou de "revitalizar" a ETA II, do Bela Vista, aquela que foi doada a quase 30 anos pela antiga Ceval (administração de Francisco Hostins, PDC).

E o que aconteceu logo depois da inauguração? Ontem o dia inteiro e o assunto pode perdurar ainda hoje, sábado, faltou água na rede.

E qual a causa? Pane na bomba de captação. E os "técnicos", sob orientação de comissionados políticos que não entendem do assunto ainda não encontraram o defeito. Acorda, Gaspar!
Herculano
16/12/2017 08:11
AS LOROTAS DO MENESTREL

Conteúdo da revista Isto É. Texto de André Sollitto. Para qualquer brasileiro que acompanha com atenção as notícias sobre a situação do País, algumas das declarações recentes do ex-presidente Lula parecem desconectadas dos fatos. Em sua última viagem ao Rio de Janeiro, ele atribuiu a culpa pela calamidade do Estado à Lava Jato. No mesmo discurso, o ex-presidente teve a petulância de defender a roubalheira, ao dizer que "o Rio não merece que governadores eleitos democraticamente estejam presos porque roubaram dinheiro público". Como se não bastasse, Lula ainda disse que inventaram o que chamou de "doença da corrupção" somente para atrapalhar sua candidatura ao planalto em 2018

São casos emblemáticos da distância abissal entre o discurso de Lula e a realidade. "Às vezes parece que o Lula dormiu quando deixou a presidência, no auge da popularidade, e acordou só agora, sem ter acompanhado nada do que aconteceu nos últimos anos", diz o publicitário especializado em marketing político Nelson Biondi.

Mas engana-se quem pensa que o ex-presidente está fora de órbita. Apresentar uma narrativa alternativa, bem distante dos fatos, é uma estratégia política bastante antiga, e parece que Lula decidiu utilizá-la agora, transformando-se em um menestrel das lorotas. Como diz a teoria, atribuída a Joseph Goebbels (1897-1945), ministro de propaganda de Hitler, uma mentira repetida à exaustão acaba por se tornar verdade. O problema é que essa estratégia pode não ter mais validade em um mundo em que é possível checar facilmente qualquer informação. E especialmente quando a versão alternativa apresentada é um devaneio retórico.

Segundo o advogado, jornalista e cientista político Murillo de Aragão, a interpretação "exótica" da realidade faz parte do discurso político, principalmente de candidatos populistas e messiânicos, como é o caso de Lula. "Eles assumem discursos que tendem a construir uma pararealidade a partir do uso e do abuso de factóides", afirma. O ex-presidente, no entanto, não havia lançado mão desse estratagema antes. "Qualquer prognóstico sobre a eficácia dessa tática, agora, é torcida", diz o cientista político Antônio Lavareda. "O que dá para ver, objetivamente, é que ele está construindo uma narrativa alternativa", afirma.

Ataques

Um dos alvos principais de Lula é a Operação Lava Jato. "A Lava Jato significou um prejuízo ao País de R$ 140 bilhões. O juiz Moro e o Ministério Público têm que saber que se tem alguém que lutou contra a corrupção foi o PT", afirmou ele na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. "Ele tenta descaracterizá-la porque é o único inimigo que ele não pode vencer", diz Murillo de Aragão. O petista é réu em sete ações penais, denunciado em outros dois casos, e alvo de seis procedimentos de investigação criminal abertos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em Curitiba, São Paulo e Brasília. Lula também foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e seis meses de prisão no caso do triplex no Guarujá. De acordo com Gerson Moraes, especialista em política do Mackenzie, os ataques contra a operação, no entanto, podem se mostrar uma estratégia equivocada. "A Lava Jato se transformou em um símbolo de esperança para um país desesperançado. Se tornou sinônimo de uma postura ética".

Diminuir o mérito da operação contra a corrupção é ir de encontro a um dos raros temas que geram consenso no país atualmente. Mesmo assim, sobram farpas ainda para o juiz Sérgio Moro, cuja imparcialidade foi colocada em xeque pelo ex-presidente em mais de uma ocasião. "O cara (Sergio Moro) é do mal. É surdo e não ouve o que eu falo", disse ele em encontro com intelectuais, no Rio de Janeiro. Na mais recente, a defesa de Lula protocolou um pedido de suspeição contra Moro depois que o juiz participou de um evento na sede da Petrobrás. Para os advogados, o magistrado pode ser considerado suspeito se tiver aconselhado uma das partes em um caso pelo qual é responsável.

O discurso de Lula também é construído a partir de versões exageradas dos acontecimentos. O ex-presidente tem se vangloriado dos resultados de pesquisas, afirmando que aparece "com o dobro dos votos de todos os candidatos juntos". Embora lidere as intenções de voto em todas as pesquisas, a diferença apresentada por Lula está muito acima da realidade. Basear suas falácias em cima de pesquisas realizadas tanto tempo antes da eleição, com nomes que nem participarão da disputa, também é equivocado. "Só a partir de maio, junho, que as pesquisas poderão aferir quais os candidatos que têm chances reais de se eleger", afirma Nelson Biondi.

É impressionante como até agora a Justiça não reagiu aos impropérios do ex-presidente petista. Por bem menos, um cidadão comum já teria sido enquadrado por desacato. A resposta do Judiciário, no entanto, pode vir de outra forma. Sua condenação a nove anos e meio de prisão em primeira instância pelo juiz Sergio Moro será julgada, no dia 24 de janeiro, pela 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Se for condenado por um órgão colegiado, como a Turma do TRF-4, Lula se tornará inelegível, de acordo com as regras da Lei Ficha Limpa. Condenados em segunda instância também podem ser presos, segundo entendimento do STF, embora ele possa recorrer da decisão. "Como Lula pode não sair candidato, ele está botando lenha na fogueira", diz Nelson Bioni. "Partiu para o tudo ou nada".

Por enquanto, Lula tem pregado principalmente para convertidos, mais interessados na narrativa do que na verdade factual. "O nível de idolatria é tão grande que ele sempre será visto como um Messias, não importa o que ele fale", diz Gerson Moraes. Nem tanto. Com o cerco se fechando sobre ele, vai ficar cada vez mais complicado sustentar um discurso delirante, destinado a encantar desencantados.

Prisão à vista

O julgamento em segunda instância do processo do triplex no Guarujá foi marcado para o dia 24 de janeiro de 2018, no Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4). Na primeira instância, Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Uma condenação em segunda instância, além de tornar Lula inelegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, pode fazer com que ele seja preso. A sentença original, do juiz Sérgio Moro, permite que Lula recorra em liberdade

Caso os desembargadores do TRF-4 mantenham a decisão da primeira instância, eles decidirão se Lula será preso imediatamente ou se o encarceramento acontecerá após o ex-presidente esgotar todos os recursos

Após a decisão em segunda instância, Lula poderá ainda recorrer a instâncias superiores, como o STJ (Superior Tribunal de Justiça), o STF (Supremo Tribunal Federal) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Tentará disputar a eleição sob liminares
Herculano
16/12/2017 08:06
PLANALTO MANTÉM MERCADO E EMPRESÁRIOS ILUDIDOS COM REFORMA DA PREVIDÊNCIA, por Julianna Sofia, secretária de redação da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Quem ainda acredita que o governo de Michel Temer terá viço político suficiente para aprovar a polêmica reforma da Previdência logo depois do Carnaval do próximo ano? O mercado e o empresariado mantêm-se sob a engabelação do Palácio do Planalto.

Cabe a Temer e aos presidenciáveis Rodrigo Maia (presidente da Câmara) e Henrique Meirelles (Fazenda) preservar a isca pendurada enquanto for possível. Até lá, o mercado não derrete pra valer, as agências de classificação de risco hesitam em rebaixar a nota de crédito brasileira e os donos do PIB continuam a cobrar do Congresso a aprovação urgente da "mãe de todas as reformas".

Há um ano o governo temerista encaminhou ao Legislativo a proposta de mudanças nas regras de aposentadoria. Desde então ?"e entre as votações para barrar duas denúncias da Procuradoria-Geral da República contra o presidente?", fez várias concessões. Sucumbiu a lobbies, corrigiu exageros e reduziu a economia prevista com a reforma a 60% dos R$ 800 bilhões originais.

Entregou outros anéis. O generoso Refis permitirá que empresas devedoras deixem de pagar R$ 35 bilhões em 15 anos. A negociação de dívidas do Funrural fará evaporar R$ 15 bilhões, além de mais R$ 7,8 bilhões no Refis do Simples. A lista inclui a liberação de R$ 7,5 bilhões em novos gastos no Orçamento deste ano.

O alto custo fiscal para a aprovação da Previdência estende-se à agenda empacada no Congresso, o que poderá abrir um rombo de R$ 21 bilhões nas já deficitárias contas de 2018. Medidas como reoneração da folha de pagamento, adiamento de reajuste do funcionalismo e tributação de fundos de investimento foram relegadas e podem naufragar.

Enquanto a cúpula do próprio Planalto ostenta aposentadorias privilegiadas, a nova estratégia na reforma é transigir mais e ceder a servidores. Temer ganhará tempo e poderá alongar o martírio até novembro, pós-eleições. Quem ainda acredita?
Herculano
16/12/2017 08:01
DISSIDENTES ANALISAM HIPóTESE DE SAIR DO PSDB, por Josias de Souza

Um pedaço do tucanato voltou a analisar a hipótese de acordar em outra legenda até o mês de março. A revoada já tem até um destino provável: o Livres, partido que virá à luz por meio de um rebatismo do nanico PSL. Dois fatores estimulam a banda insatisfeira do PSDB a olhar para a porta de saída:

1. Ao assumir a presidência do partido, há uma semana, Geraldo Alckmin não expressou interesse por uma pauta de renovação da legenda. Passou batido pela ideia de autocrítica esboçada pelo senador Tasso Jeressati antes de ser destituído por Aécio Neves da presidência interinada da legenda. Ao discursar, Alckmin absteve-se até mesmo de citar o vocábulo "corrupção". E ainda afagou o governo de Michel Temer.

2. Os tucanos que flertam com a dissidência farejaram no subsolo da legenda um acordo tácito entre Alckmin e o grupo de Aécio. Prevê que, ao mergulhar na campanha presidencial, Alckmin entregaria o dia a dia do partido para o governador de Goiás, Marconi Perillo. Alçado na convenção tucana ao posto de vice-presidente do PSDB, Marconi é visto como uma espécie de longa manus (mão estendida) de Aécio no comando partidário.

Suprema ironia: nascido de uma costela do PMDB, o PSDB chega às portas de 2018, ano em que fará aniversário de 30 anos, tendo que tourear sua própria dissidência. Por ora, o grupo é estimado em algo como dez parlamentares ?"o que equivale a 21,7% da bancada de 46 deputados federais do PSDB.

Em privado, até um tucano de alta plumagem como Tasso Jereissati declara-se de saco cheio do PSDB. Há coisa de duas semanas, Tasso disse a pelo menos um correligionário que não exclui a hipótese de bater em retirada. O interlocutor não levou Tasso a sério. Não acredita que o senador esteja de saída para outra legenda. Mas o simples desabafo de Tasso dá ideia do ponto a que chegou a deterioração do ninho
Herculano
16/12/2017 07:51
COM A LEI DA FICHA LIMPA, O VOTO TORNA-SE MENOS LIVRE E A JUSTIÇA, MENOS ISENTA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, para o jornal Folha de S. Paulo

Justicia, a figuração escultórica da justiça, surgiu na Roma Antiga e seus olhos ganharam uma venda na Berna do século 16. A venda assinala o ideal de imparcialidade em relação ao status social e, nas democracias modernas, também em relação à política. A tão celebrada Lei da Ficha Limpa ameaça removê-la, violando a separação entre justiça e política. O processo de Lula no TRF-4 lança luz sobre esse risco.

Lula é culpado? O veredito político, que cabe aos eleitores, só requer a constatação de que, na Presidência, ele coordenou (ou, no mínimo, facilitou) a captura do Estado ?"e, notadamente, da Petrobras ?"por máfias partidárias associadas a empresas privadas. Nesse plano, a crença na inocência de Lula exige um exercício hercúleo de hipocrisia ou um alheamento da realidade digno de mestres da arte zen.

Já a sentença judicial solicita uma coleção de provas exibidas segundo os cânones do Direito. Além disso, tal sentença submete-se a revisões judiciais e só se conclui na instância recursal derradeira. Nada haveria de aberrante na hipótese de Lula ser declarado culpado pelos eleitores, mas inocente pelos juízes. O contrário, porém, indicaria um avançado estágio de putrefação de nosso tecido social.

A Lei da Ficha Limpa nasceu de uma articulação de advogados e ONGs. Segundo a sua lógica implícita, só a tutela do Judiciário sobre os eleitores conseguiria reduzir os níveis de corrupção. Sua aprovação pelo Congresso e sanção presidencial (ironicamente, por Lula), em 2010, indicam que nossa elite política, acuada por sucessivos escândalos, renunciava à defesa do princípio da soberania popular. A passagem do tempo mostrou que corrupção e Ficha Limpa convivem em harmonia: o "petrolão", recorde-se, operou a todo vapor durante a sua vigência.

A Ficha Limpa sabota duplamente a separação entre justita e política. De um lado, oferece estímulos vitais, existenciais, para os políticos estenderem sua influência no Judiciário, articulando pela nomeação de juízes amigos nos tribunais estaduais e nos tribunais federais regionais. De outro, confere aos magistrados o poder excepcional de configurar os quadros de candidatos às eleições municipais, estaduais e nacionais. Na "república dos juízes", o voto torna-se menos livre e a justiça, menos isenta.

O caso do tríplex do Guarujá mobiliza as paixões dos antilulistas profissionais, que enxergam a oportunidade para afastar o ex-presidente da disputa de 2018 e, no limite, enviá-lo à prisão. Simetricamente, ajusta-se aos propósitos gerais do PT, que vê a chance de popularizar o discurso da perseguição judicial, esvaziando a dura narrativa emanada das sentenças sobre o "mensalão" e o "petrolão". Contudo, para além das torrentes de insultos fabricadas nas trincheiras militantes, deveria servir a uma reflexão crítica sobre a Ficha Limpa.

Estamos dispostos a subordinar os direitos políticos do eleitorado de Lula a um veredito provisório de três juízes federais do Rio Grande do Sul, sobre o qual pesará a suspeita (fundada ou não) de atropelo dos prazos judiciais costumeiros? O caso do tríplex é a mais fraca das acusações contra Lula. Na sua convoluta sentença, Sergio Moro admitiu não possuir provas da contrapartida específica oferecida pelo então presidente à OAS. A transação, concluída ou esboçada, parece pertencer menos à esfera propriamente criminal e mais aos fétidos arranjos patrimonialistas tradicionais.

Os fins justificam os meios? Justitia deve perder sua venda em nome da política? O "mercado", que foi fanaticamente lulista até converter-se ao antilulismo, acha que sim. Putin e Maduro concordam, utilizando-se habitualmente do Judiciário para esculpir cenários eleitorais vantajosos. As democracias discordam. Nelas, só uma sentença definitiva exclui o condenado da arena eleitoral. O Brasil precisa escolher o seu lado
Herculano
16/12/2017 07:45
LULA ADMITE O PT VICE DO PMDB CONTRA ALCKMIN, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O ex-presidente Lula está motivado para as eleições de 2018, ainda que a condenação em segunda instância o torne inelegível. Ocorrendo isso, ele admitiu a amigos de Brasília que o PT indicaria o vice de outro candidato, até do PMDB, desde que participe da escolha. De acordo com seu "plano B", Lula usará o palanque majoritário para ajudar a eleger o maior número possível de deputados e senadores do PT. Seu objetivo é derrotar Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa pelo Planalto.

NEM PENSAR
Não é uma opção para Lula outro petista candidato do PT a presidente, tipo o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad. Ele nem fala nisso.

PT É Só INSTRUMENTO
A conexão de Lula ao PT é menor do que se supõe. Ele usa o partido e sua estrutura, mas não compartilha planos e cenários com petistas.

CHAPA DO QUADRILHÃO
O ex-presidente deu uma piscadela em direção ao partido de Temer ao não vetar a aliança PT-PMDB sob "costura" em ao menos oito Estados.

FLERTE CORRESPONDIDO
Chefe da Casa Civil Eliseu Padilha retribuiu o flerte do PT afirmando que o desembarque do PSDB liberou o governo para outras alianças.

EM TEMPOS DE ESCÂNDALOS, APENAS 283 DEMITIDOS
Dados do Ministério da Transparência mostram que em 2017, em plena era dos escândalos envolvendo roubo do dinheiro público, apenas 283 servidores federais, de um total de 2,2 milhões, foram punidos com demissão ou aposentadoria por "ato relacionado à corrupção". Isso representa 65,6% do total de punições provocadas por todos os tipos de irregularidades. Em 2017 foram punidos 431 funcionários públicos.

NÚMERO CAIU
O número de servidores públicos punidos (431) no governo federal em 2017 é o menor desde 2012, quando 465 funcionários foram punidos.

RECORDE
Até o momento, o ano de 2016 bateu recordes de demissões de servidores por "atos relacionados à corrupção": 549 punidos.

APOSENTADORIAS
Em 2017, foram 47 funcionários punidos com aposentadoria, 366 demitidos e 18 destituídos do cargo.

VALE A LEI DA SELVA
A falência da legislação penal brasileira fica clara nas vergonhosas cenas de flamenguistas roubando um homem que acabara de ser atropelado, enquanto outros assaltavam o motorista atropelador.

TODO PODER AOS BANDIDOS
Ainda que a polícia ponha as mãos nos facínoras mostrados em vídeo tocando o terror no Maracanã, são magras as chances de punição dos coitadinhos. Seus defensores alegarão que "a culpa é da sociedade".

UM PAÍS QUE AFUNDA
No Brasil, os bandidos estão cada vez mais ousados porque sabem que a lei lhes favorece. Mostraram isso em Marau (RS), a 30km de Passo Fundo, onde atacaram a tiros o fórum que julgava um traficante.

NA NOSSA CONTA
Dez "agências reguladoras" (Anac, ANS, Anatel etc) têm 2,9 mil vagas de livre nomeação, os cargos em comissão. Delas, 935 são DAS, até R$21 mil por mês. A inútil Anac (aviação) tem 22% de todos os cargos.

MINISTRO INSONE
O ministro Carlos Marun (Governo) não pode reclamar do volume de trabalho. Foi avisado logo na posse pelo presidente Michel Temer que espera dele dedicação de "18 horas por dia, se possível 20", disse.

BOBAGEM DA SEMANA
A Câmara não conseguiu costurar acordo e nem debater a reforma da Previdência, mas os deputados encontraram tempo para aprovar a relevante Lei que criou o Dia da Nascente do Rio Paraíba do Sul.

VIDA DE MINISTRO
No Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli é quem mais tempo permanecerá ministro, na História: 33 anos. Marco Aurélio e Celso de Mello serão ministros do STF por 31 anos, cada um.

VÍDEO 'PIXADO'
A Embraer deve pedir a Polícia Federal para investigar autores de um vídeo que bomba nas redes sociais alterando um vídeo institucional da empresa com dados que depreciam o Brasil e seu governo.

PERGUNTA NO GUICHÊ
Já que o Legislativo não trabalha durante quase 33% dos dias úteis do ano, o contribuinte pode pagar a eles apenas 67% dos salários?
Herculano
16/12/2017 07:41
SE PROCESSO DO AP DE GUARUJÁ É PRIMOR DE HETERODOXIA, VEJAM O DA COBERTURA DE SÃO BERNARDO: SAMBA-DA-LAVA-JATO-DOIDA, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Sim, eu acho que o PT atuou como uma máquina de assalto ao Estado e ao estado de direito, mas os responsáveis têm de ser punidos segundo a lei, não segundo as idiossincrasias e arranjos de procuradores e juízes. Quem não entende essa premissa não entende o resto. Assim como me insurgi contra o PT quando percebi que o partido queria se firmar como um imperativo categórico, reajo agora à Lava Jato, que pretende ser o "ente de razão" da hora.

Liberais com vergonha na cara, livros na cachola e que não buscam o aplauso fácil nas redes sociais não aceitam o direito encabrestado por justiceiros. A Lava Jato está virando o PT da direita do miolo mole. Sigamos.

Se o processo do tríplex de Guarujá soma uma penca impressionante de ortodoxias jurídicas, o da cobertura de São Bernardo é o samba-da-lava-jato-doida.

Creio que os repórteres que escrevem a respeito não se dão conta do que narram aos pobres leitores. Qual é a tese do Ministério Público, que está na denúncia?

O engenheiro Glaucos da Costamarques, que figura como dono do apartamento, seria um mero laranja de Lula. O apartamento contíguo àquele em que o petista mora seria, na verdade, propriedade sua, fruto de propina paga pela Odebrecht. Por isso o juiz Sérgio Moro cobrou os recibos dos alugueis. Os ditos-cujos apareceram. O MPF sustentou que foram forjados. Costamarques, no entanto, confirmou que os assinou. Falsos, então, não são - não como acusa o MPF ao menos.

Notem: também nesse caso, o processo começa com uma acusação e vai mudando de objeto no curso do tempo. O que o MPF teria de provar? Que o imóvel é fruto de propina da Odebrecht. Provou? Não! A questão da hora é saber se as provas de que Lula pagou aluguel são ou não verdadeiras. Entenderam?

O mesmo se deu no caso de Guarujá. Denúncia: o apartamento é fruto de propina de contratos com a Petrobras celebrados por consórcios integrados pela OAS. As provas vieram à luz? O próprio Sérgio Moro admitiu que não. Lula foi condenado porque seria o responsável último pela roubalheira na Petrobras e porque NÃO PROVOU SUFICIENTEMENTE QUE O APARTAMENTO NAÕ É DELE.

Ocorre que a esquizofrenia, no caso de São Bernardo, é ainda maior. Em depoimentos e em documentos anexados aos autos, o sr. Costamarques reclama justamente da falta de pagamento do aluguel.

VENHAM CÁ: SE O APARTAMENTO É DE LULA E SE COSTAMARQUES É UM MERO LARANJA, POR QUE ESTE COBRA O PAGAMENTO DE ALGUEIS? ESTAVA PEDINDO QUE LULA PAGASSE POR UM IM?"VEL QUE PERTENCERIA AO PR?"PRIO PETISTA? QUAL É A HIP?"TESE? O "LARANJA" ACABOU SE CONVENCENDO DE QUE ERA O DONO?

Você não gosta do PT? Eu também não! Provavelmente há muito mais tempo e pagando um preço bem mais alto. Você não gosta de Lula? Eu também não! Certamente há mais tempo e pagando um preço bem mais alto. Você não quer que Lula ou outro petista seja eleito presidente? Nem eu.

Mas ninguém deve contar com o meu silêncio diante dessas aberrações da Lava Jato. E também se paga caro por ousar contestar esses patriotas.

De resto, o juiz Sérgio Moro precisa lembrar que existe o decoro. Ele já estava pronto para condenar Lula, como resta evidente pelo andar da carruagem. A história dos recibos ?" criada pelo próprio juiz e vitaminada pelo MPF ?" saiu pela culatra. A sua eventual inexistência "PROVARIA" que o imóvel pertenceria a Lula sem que o MPF precisasse apresentar as evidências de que o imóvel era fruto de propina da Odebrecht. Isso, por si, já seria uma aberração.

Ocorre que, com a reviravolta, Moro ficou sem as provas da denúncia apresentas pelo MPF e viu ir para o brejo a sua estratégia de exigir provas negativas do réu ?" outra aberração.

Assim, o que ele deveria ter feito? O óbvio: inocentar Lula nesse caso. Mas ele preferiu adiar o julgamento. Quem sabe ainda se consiga rearranjar a história.

Antes de esbravejar, leitor, vá ler as reportagens a respeito e tente achar uma resposta: por que um "laranja" cobraria alugueis, reclamando dos atrasados, do verdadeiro dono?
Herculano
16/12/2017 07:31
LULISMO E ANTILULISMO, por André Singer, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no jornal Folha de S. Paulo

O crescimento da candidatura Lula recolocou a luta de classes, ainda que refratada pela forma "ricos versus pobres", no centro da conjuntura. Em vinte meses de acusações, denúncias e condenação ?"multiplicada incessantemente pela mídia?", o ex-presidente duplicou as intenções de voto. Para desespero dos que planejavam sacá-lo de cena de uma vez por todas.

Em março de 2016, no auge da campanha feita para tirar Dilma do Planalto, Lula alcançou o máximo de rejeição e o mínimo de adesão. Recusado, desde 2002, por cerca de um terço do eleitorado, o líder petista chegou, então, a ter 57% contra si. Era o momento em que as gravações divulgadas por Sergio Moro alcançavam o grande público e as manifestações pelo impeachment reuniam multidões.

De lá para cá, contudo, Lula começou, de novo, a crescer. É como se, lenta e continuamente, a insatisfação causada pelo governo Temer tivesse escoado em direção àquele que simboliza um período de melhora, sobretudo para os mais pobres. É deles que veio a ressurreição do lulismo.

No ponto álgido do antilulismo, apenas 23% dos que estavam na base da pirâmide de renda continuavam fiéis ao criador da Bolsa Família. Agora, 45% dos que recebem até dois salários mínimos familiares mensais voltaram a depositar esperanças no ex-mandatário. O índice não está longe dos 55%, nessa faixa de renda, que optavam por Lula contra Alckmin às vésperas do primeiro turno de 2006, quando o realinhamento se fixou.

Em paralelo, a rejeição a Lula, que havia atingido 49% da população mais sofrida em março de 2016, mostrando que a onda antiDilma contaminara, também ali, a figura do antecessor, refluiu, agora, para 27%. Para que se tenha uma ideia da diferença, entre os mais ricos a rejeição é hoje de 63%!

Isto é, se conversarmos com três pessoas da faixa de renda superior, duas dirão que não sufragam Lula em hipótese alguma. Se repetirmos a experiência com o escalão mais baixo, não é certo que encontremos um com a mesma certeza.

Devido à resistência lulista, Jair Bolsonaro, que se coloca como o campeão do antilulismo, tem crescido. Ao vocalizar o "Lula nunca mais", o ex-militar radical atrai, neste momento, os dois sujeitos de renda mais alta que, na conversa fictícia acima, dizem as piores coisas do antigo presidente. Não significa que votarão no parlamentar carioca em 7 de outubro de 2018, mas dado o horror ao lulismo, prestam atenção às atrocidades que ele diz a cada dia.

Rara vez o popular e o antipopular se confrontaram com tanta nitidez na história do país. A próxima batalha terá por cenário, em janeiro, o Tribunal Federal Regional da Quarta Região. Só que lá, os pobres não votam.
Sidnei Luis Reinert
16/12/2017 06:52
Ler o livro de paulo freire? Parece a Dilma falando em público, ridículo, sem noção e acéfalo!
Roberto Sombrio
15/12/2017 20:44
Oi, Herculano.

A Câmara de Gaspar festeja seus 70 anos.
Ontem Dilma também fez 70 anos.

Sempre dizem que devemos seguir a experiência e sabedoria dos mais velhos.
Será que é por isso que o Brasil afundou?
Herculano
15/12/2017 20:14
IRMÃO DE GEDDEL VAI AO PLANALTO CONVERSAR COM O ELISEU PADILHA.

Conteúdo da revista Época. Texto de Murilo Ramos e Nonato Viegas.Irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) esteve no Palácio do Planalto na tarde desta quinta-feira (14). Ele, de acordo com duas fontes procuradas por EXPRESSO, se encontrou com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Lúcio e Padilha são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de integrar organização criminosa que foi apelidada de "quadrilha do PMDB da Câmara".

Lúcio também visitou a Secretaria de Governo, órgão já chefiado por Geddel. Aliás, vários assessores nomeados pelo ex-ministro, que está preso na Papuda, não foram exonerados na gestão de Antonio Imbassahy. Deverão ser mantidos nos cargos pelo futuro ministro, Carlos Marun. A interlocutores, Lúcio disse que esteve na Secretaria de Governo para resolver problemas relacionados à liberação de emendas parlamentares.
Herculano
15/12/2017 20:09
O MINISTRO DO SUPREMO GILMAR MENDES, É CAPA DA REVISTA ISTO É. NEGóCIO SUSPEITO

Texto de Octávio Costa e Tábata Viapiana .Inquérito do Ministério Público, ao qual ISTOÉ teve acesso, identifica irregularidades na estatização em 2013 de uma universidade privada, que pertenceu a Gilmar Mendes. Quem selou a transação de R$ 7,7 milhões foi o ex-governador Silval Barbosa, dileto amigo do ministro do STF

O Ministério Público do Mato Grosso está prestes a oferecer denúncia contra o ex-governador do Estado Silval Barbosa e outras quatro pessoas por atos de improbidade administrativa. Seria apenas mais um processo contra um ex-governador de Estado, preso por quase dois anos acusado de chefiar uma organização criminosa, se não envolvesse uma das figuras mais controvertidas da República, dono de um proeminente assento no Judiciário brasileiro: o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.

A denúncia tem como base uma longa investigação, concluída pelo MP em novembro, sobre a aquisição de uma universidade particular pelo governo do Mato Grosso durante a gestão de Silval Barbosa. ISTOÉ teve acesso ao inquérito. Nele, o MP diz que a transação foi marcada por "práticas de ilícitos morais administrativos". A instituição de ensino, localizada no pequeno município de Diamantino, foi fundada em 1999 por Gilmar Mendes e sua irmã, Maria da Conceição Mendes França. Os dois eram sócios no negócio. No ano seguinte, para poder assumir a Advocacia-Geral da União, Gilmar teve de repassar sua parte na sociedade à irmã. Em 2013, Maria da Conceição vendeu a instituição para a Unemat, a Universidade do Estado do Mato Grosso, por R$ 7,7 milhões. O governo adquiriu 100% da unidade, incluindo toda a estrutura de salas de aula, laboratórios e biblioteca dos quatro cursos de graduação (Direito, Administração, Educação Física e Enfermagem). E instalou ali o campus Diamantino da Unemat.

A investigação do MP

O diabo mora nos detalhes. A compra, segundo o MP, esteve eivada de irregularidades. Além da suspeita de superfaturamento, o negócio foi realizado com recursos extra-orçamentários do Estado e sem autorização da Assembleia Legislativa. A Promotoria apontou ainda falta de planejamento do governo na hora de efetivar a compra, ao lançar luz para a ausência de estruturação do corpo docente e para as condições precárias das instalações. Outra particularidade da venda da universidade que chamou a atenção do Ministério Público foi a diferença na metragem do terreno informada por Maria da Conceição em comparação com o estudo realizado por técnicos do governo. Segundo o MP, "a referida unidade de ensino foi previamente avaliada pela Coordenadoria de Avaliação de Imóveis com área total 164.852,49m2 e área construída de 5727,93m2 (4.967,93m2 edifício e 760m2 galpão). Porém, ao ofertar a referida unidade ao Estado, a sócia diretora da UNED, Maria da Conceição Mendes França, especificou metragem distinta, a saber: área total de 16.4852 ha e área construída de 7.565,21m2". Inicialmente, Maria da Conceição chegou a oferecer o campus ao Estado por R$ 8,1 milhões, mas uma avaliação da Secretária de Administração apontou que o campus valia R$ 7,7 milhões, valor final do contrato. O decreto nº 1931 que selou o negócio foi assinado por Silval Barbosa em 13/09/2013.

Procurado pela reportagem da ISTOÉ, o ministro Gilmar Mendes confirmou que foi sócio da UNED até o ano 2000, quando assumiu a Advocacia-Geral da União, mas disse que não teve qualquer participação na venda da universidade. Em Brasília, no entanto, até as emas que circulam pelos jardins dos palácios sabem que é praxe no serviço público a transferência de propriedades para parentes somente para se enquadrar às imposições legais. Uma mera formalidade. Na prática, em geral, os antigos donos continuam a influir nos destinos das empresas. É o que os indícios apontam aqui nessa transação para lá de suspeita. Embora Maria da Conceição tenha sido formalmente a responsável legal pela celebração do negócio, é difícil crer que uma senhora de 63 anos, residente no interior do Mato Grosso, tivesse acesso direto ao governador de seu Estado a ponto de convencê-lo a comprar uma universidade particular deficitária, localizada em um município de apenas 21 mil habitantes. Pior quando o governador em questão é Silval Barbosa. Em 2015, depois de ser alvo de um mandado de busca e apreensão em sua casa, ele foi flagrado num grampo da Polícia Federal em conversas no mínimo impróprias com Gilmar Mendes. "Que absurdo isso. Um abraço aí de solidariedade", afirmou o ministro do STF no diálogo telefônico. Em 2013, o próprio Gilmar resumiu assim sua relação com Silval: "Somos amigos de muitos anos, sempre temos conversas muito proveitosas". Além dos laços estreitos com o ex-governador, a influência que o ministro Gilmar Mendes exerce até hoje no Mato Grosso é pública e notória. Numa das discussões mais acaloradas já vistas no Plenário do Supremo, em 2009, o ex-ministro Joaquim Barbosa usou esse argumento para atacar seu colega de Corte. "Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso", disse Barbosa.

Outra importante questão que se impõe envolvendo a estatização da UNED é por que o Estado compraria uma universidade particular quando o mais comum é o caminho inverso, da privatização? No momento da aquisição da UNED, a Universidade do Estado do Mato Grosso já possuía 11 campus e estava em processo de compra de um 12º prédio. Depois desse negócio, a Unemat não adquiriu mais nenhuma instituição particular. Ou seja, tratou-se de uma compra sui generis ?" singularíssima, obviamente. No inquérito, o próprio Ministério Público concluiu que não havia previsão, por parte do governo, de expandir suas atividades para a região de Diamantino, o que levanta mais suspeitas sobre a compra. "Em nenhum momento se vislumbra um estudo a respeito do impacto na folha de pagamentos da Unemat, notadamente, ante a necessidade de realizar concurso público. Eis a razão pela qual o quadro de funcionários da instituição é majoritariamente integrado por funcionários contratados precariamente", disse o promotor responsável pelo caso, Daniel Balan Zappia.

Chamada a prestar depoimento ao MP em agosto de 2016, a irmã de Gilmar Mendes negou as irregularidades. Alegou que sua universidade enfrentava dificuldades financeiras, devido à inadimplência dos alunos. Eram cerca de 900 alunos em 2013. Na investigação, porém, o MP revelou a prática de ilícitos. A promotoria ainda não decidiu como irá enquadrar a irmã do ministro do Supremo, mas a principal ponta do outro lado do balcão, o ex-governador Silval Barbosa, será denunciado com base em três artigos da Lei de Improbidade Administrativa.

O MP não descarta a ligação entre a estatização da universidade de Diamantino e a contratação do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) ?" por coincidência, de propriedade de Gilmar Mendes ?" para realização de um concurso público a fim de recrutar 430 servidores à Assembleia Legislativa do Estado. O edital também foi alvo de investigação pelo Ministério Público. O IDP é outra incursão do ministro Gilmar Mendes no mundo acadêmico e que também já levantou uma série de suspeitas.

Fundado em 1998 em Brasília, o IDP oferece cursos, presenciais e à distância, de graduação, extensão, especialização e mestrado nas áreas de Direito e Administração Pública. Gilmar Mendes é um dos sócio-fundadores do Instituto. Desde sua fundação, a instituição de ensino está rodeada de polêmicas. Uma delas é justamente a atuação de Mendes no IDP enquanto ministro do STF. Fala-se em conflito ético. Entre 2003 e 2008, o IDP fechou convênios de pelo menos R$ 1,6 milhão, incluindo com órgãos do governo federal, sem licitação. Neste ano, a Lava Jato descobriu que o Instituto recebeu R$ 2,1 milhões do grupo J&F, holding que controla a JBS, como patrocínio para cinco eventos.

O empresário Jacob Barata Filho foi solto três vezes por Gilmar Mendes, seu padrinho de casamento
1 de 2 O empresário Jacob Barata Filho foi solto três vezes por Gilmar Mendes, seu padrinho de casamento

Holofotes

Agora enredado em mais uma suspeita, Gilmar Mendes durante muito tempo despontava como um integrante da ala técnica do STF, junto com outros ministros, como Celso de Mello e Ayres Britto. A formação de Gilmar sempre foi muito respeitada. De repente, porém, não se sabe exatamente porque, o ministro abandonou a liturgia da toga e passou a buscar a luz dos holofotes a todo custo. Começou a opinar sobre todos os assuntos de interesse do País. E habituou-se a manter discussões ásperas com colegas de STF. Invariavelmente suas posições vão contra os anseios da população em acabar com a impunidade contra políticos e poderosos. Com seus votos inflamados, Gilmar Mendes tornou-se uma figura controversa e impopular.

Entre as polêmicas recentes do ministro, estão votos pela soltura do empresário Eike Batista, o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado Eduardo Cunha. Gilmar também destila críticas às investigações da Lava Jato, disse que as prisões em Curitiba "se alongaram demais", e agora, em mais um gesto contrário aos interesses da sociedade, quer revisar um entendimento do próprio STF que permite a execução da pena após confirmação da sentença em segunda instância. A medida beneficiaria diretamente condenados poderosos.

Mas a decisão mais vulnerável de Gilmar envolve o empresário Jacob Barata Filho, conhecido como o "rei do ônibus" no Rio de Janeiro. Ele foi preso três vezes, e em todas elas, foi solto graças a habeas corpus da lavra de Gilmar. Acontece que o ministro foi padrinho de casamento da filha de Barata em 2013. Há relação de proximidade entre investigado e juiz. Existe um problema de ordem ética. Não aos olhos de Gilmar. Ele não vê conflito de interesse e nem se declarou impedido de julgar os casos de Barata Filho. Diz que o fato de ser padrinho de casamento não significa intimidade. Em outubro deste ano, durante bate-boca acalorado com o ministro Luís Roberto Barroso, Gilmar foi encurralado: ouviu de seu colega de Tribunal que é um juiz que "destila ódio e muda a jurisprudência de acordo com o réu". Barroso recomendou que Gilmar ouvisse uma música de Chico Buarque, que diz: "a raiva é filha do medo e mãe da covardia". Faz sentido. Gilmar precisa ouvir mais os apelos das ruas, pois hoje é uma das poucas unanimidades num País dividido: ele consegue provocar reações de desagrado à direita e à esquerda
Herculano
15/12/2017 20:01
TEMER FALA DE PREVIDÊNCIA SEM MEDO DO RIDÍCULO, por Josias de Souza

Um presidente chamado Temer - assim, sem o acento circunflexo no primeiro 'e', como se fosse sinônimo de ter medo?" sofre do mesmo problema de uma mulher chamada Vitória. A qualquer momento os acontecimentos podem desmentir o nome. Recém saído de sua mais recente internação hospitalar, Temer falou sobre a reforma da Previdência sem temer o ridículo.

Ao dar posse ao novo ministro Carlos Marun (Coordenação Política), Temer disse não ter "a menor dúvida" de que a reforma previdenciária será aprovada. Acha que a aprovação virá porque o governo tem o apoio dos presidentes da Câmara e do Senado. É apoiado também pelos líderes governistas. Conta até mesmo com "a compreensão oculta" dos líderes da oposição.

Não é só. Segundo Temer, a reforma é avalizada por "boa parte da população". Na sua avaliação, os parlamentares que ainda resistem às mudanças vão perceber a posição favorável do eleitorado no período de recesso parlamentar. E voltarão a Brasília em fevereiro, às vésperas do Carnaval, "muito mais animados" com a perspectiva de dizer "sim" à emenda que mexe com as regras da Previdência.

Tomado pelas palavras, Temer parece acreditar que o problema da Previdência não é com ele, mas com os presidentes das Casas legislativas, com os líderes, com os parlamentares e, no limite, com a própria sociedade. Lorota. É com ele mesmo. Quem vendeu a alma para enterrar duas denúncias criminais na Câmara foi Temer.

Depois de gastar toda sua munição fisiológica para arrematar os votos que mantiveram sua cabeça sobre o pescoço, Temer converteu-se numa espécie de contador de padaria. Precisa dos votos de 308 deputados para prevalecer no plenário da Câmara, enviando a emenda da Previdência para o Senado. E tudo o que tem a dizer é o seguinte:

"Vai ficar para fevereiro? ?"timo! Para fevereiro vocês sabem por quê? Porque nós contamos votos. Enquanto não tivermos os 308 votos, não vamos constranger nenhum deputado. Nem nós queremos nem o Rodrigo [Maia] quer nem o Eunício quer. Ninguém quer isso."

Em fevereiro, quando os deputados governistas voltarem dos seus Estados ainda mais constrangidos pela proximidade com a impopularidade radioativa do presidente, Temer talvez diga: "Vai ficar para abril, para setembro ou para as calendas? ?"timo. O importante é que eu não tenho a menor dúvida de que a reforma da Previdência será aprovada."

O Brasil seria um país extraordinário se, de repente, por uma dádiva dos céus, baixasse no Palácio do Planalto um surto de ridículo capaz de impedir Temer de desmentir o próprio nome. Temer faria um enorme bem a si mesmo se voltasse a temer o ridículo.
Herculano
15/12/2017 17:11
CÂMARA APROVA SOCORRO DE ATÉ R$ 15 BILHÕES PARA BANCOS PÚBLICOS EM ANO ELEITORAL: PRIVATIZE JÁ!, por Rodrigo Constantino, no jornal Gazeta do Povo, Curitiba, Paraná.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou um socorro de até R$ 15 bilhões à Caixa Econômica Federal com dinheiro dos trabalhadores depositados no FGTS. A medida foi desenhada para dar fôlego ao banco público para continuar emprestando em ano eleitoral. A Caixa corre o risco hoje de ter que puxar o freio na concessão de crédito para não descumprir normas internacionais de proteção bancária.

O projeto agora vai à sanção do presidente Michel Temer, que tem recebido apelos do presidente da Caixa, Gilberto Occhi, para regularizar a situação da Caixa e evitar o colapso nos financiamentos. A proposta foi apresentada pelo PP, mesmo partido de Occhi.

O texto permite que conselho curador do fundo autorize a aquisição de até R$ 15 bilhões em bônus perpétuos (sem prazo de vencimento) emitidos pela Caixa, que precisa do dinheiro para melhorar seu capital, como antecipou o Estadão/Broadcast. Instituições financeiras precisam ter um "colchão" de recursos próprios dos acionistas em relação ao volume de empréstimos, nível que no caso da Caixa está muito próximo do limite mínimo. Como regras mais duras vão entrar em vigor até 2019, o banco público tem urgência em equalizar sua situação.

Como diria David Coverdale, "and here we go again". Quando o governo do PT começou a usar os bancos públicos para fins eleitorais, para "estimular" a economia e liberar crédito sem lastro como se não houvesse amanhã, nós liberais apontamos para a insustentabilidade dessas ações, afirmando que o rombo viria, que seria inevitável, e que custaria caro aos pagadores de impostos.

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Portanto, em parte essa "recapitalização" é herança maldita da era petista. Mas em parte é também interesse eleitoral do atual governo, como Roberto Ellery apontou:

Esse tipo de medida desmoraliza o esforço de ajuste fiscal e, talvez mais importante, vai contra a busca por reformas que reduzam distorções em nossa economia. A traquinagem é digna dos piores momentos do governo Dilma. Alô pessoal do TCU! Coloquem a lupa porque a operação parece para lá de irregular, nada de vida fácil para quem quer fazer populismo e/ou festa de compadres com o dinheiro tomado dos trabalhadores. Alô pessoal do governo! Veto existe e pode ser usado.

A esquerda "odeia" banqueiros. #sqn! No fundo, a esquerda ama banqueiros! Não só porque eles costumam bancar várias bandeiras "progressistas", e até pedofilia em nome de arte, como porque o maior de todos os banqueiros no Brasil, "by far", chama-se governo.

Por meio da Caixa, do BB e do BNDES, o governo controla quase metade de todo o crédito no país. Agora pergunto: por que diabos deve o governo atuar como banqueiro? O risco de politicagem é evidente, para nem falar de corrupção. Os políticos têm o horizonte mais estreito, de olho sempre nas próximas eleições. A tentação para usar esses bancos para "aquecer a economia" de forma artificial é irresistível.

Só há, portanto, uma saída efetiva: a privatização. Não cabe ao estado ter bancos, não cabe ao governo agir como banqueiro, pois será inevitavelmente um banqueiro irresponsável, armando bombas que vão estourar depois, no colo dos outros. Privatize já!
Alguém me disse
15/12/2017 12:13
Olha só com ta feia a situação do Diretor do Samae José H MELATTO e o sr prefeito Kleber Wandall, na reinauguração e revitalização da eta II do bela vista, se eles não tivessem convocados os comissionados não teria ninguém para bater palma, nem o operador da eta quiz se quer sair na foto... Aí aí ai
Herculano
15/12/2017 07:57
A DOR E O PRAZER DE APRENDER, A NECESSÁRIA DISCIPLINA INTELECTUAL, por Cláudia Costin, professora da FGV e professora-visitante de Harvard. Foi diretora de Educação do Bird, secretária de Educação do Rio e ministra da Administração, no jornal Folha de S. Paulo

Na palestra de abertura do Wise, a maior conferência mundial de Educação, Fareed Zakaria, jornalista americano, lançou um alerta: as crianças e adolescentes podem estar se beneficiando do acesso mais fácil a informações, mas estão perdendo a oportunidade de desenvolver disciplina intelectual, algo central para um aprendizado mais profundo.

A aquisição de competências não se faz só em condições de prazer. Sim, a criança pequena busca incessantemente aprender, mas frustra-se sempre que não consegue e chega a chorar em algumas tentativas infrutíferas de andar sozinha ou alcançar algum objeto.

É importante na educação infantil promover o brincar como estratégia pedagógica básica, mas não devemos nos iludir ?"a aprendizagem ao longo da vida nem sempre será um jogo. Como na vida de bailarinas ou de atletas, praticar habilidades ainda não adquiridas demandará esforço e disciplina que eventualmente colidirão com outros desejos do jovem estudante, mas que no final, ao superar-se a dificuldade encontrada, poderão premiá-lo com o intenso prazer da superação.

Neste sentido, podemos falar de uma educação da vontade, não muito confortável. A criança precisa aprender a nem sempre seguir seus impulsos ou lidar com a vida como se ela fosse uma mercadoria a ser consumida.

Isso demanda paciência e persistência de pais e educadores, já que eventuais frustrações podem gerar conflitos. Mas não há construção de hábitos novos mais propícios a aquisição de competências sólidas para a vida sem o enfrentamento de costumes arraigados.

Isso não significa que o processo de ensino deva ser tedioso, centrado em longas aulas expositivas ou intermináveis listas de exercícios. Ao contrário, para preparar os alunos para o novo mundo do trabalho e para a vida em sociedade, as aulas devem ser engajadoras, associadas a resolução colaborativa e criativa de problemas.

Mas as dificuldades de aprendizagem devem também ser identificadas e, mediante trabalho cuidadoso e eventualmente tedioso, ser superadas. Além disso, parte do que se aprende na vida de estudante deve ocorrer em casa, com a preparação adequada para as aulas, a leitura de textos e livros de ficção e não ficção ou pesquisas associadas ao que se desenvolve em sala.

Nem todo fim de semana ensolarado é substituído com prazer por trabalhos preparatórios, mas a dor eventualmente causada por este transtorno (desde que em níveis razoáveis) tenderá a ser fartamente compensada pela aquisição de novos hábitos, como o da leitura literária, e pelo prazer de entender os complexos processos que marcam o mundo que nos cerca e a vida em sociedade.
Herculano
15/12/2017 07:52
APESAR DE VOCÊ, CHICO, AMANHÃ HÁ DE SER OUTRO DIA, por João César de Melo, artista plástico, arquiteto, ateu, no Instituto Liberal de S. Paulo

Li que, num de seus shows, você reclamou das hostilidades que sofre nas ruas do bairro onde mora.

Chico, vou te explicar a razão disso acontecer.

Seus vizinhos dizem que você deveria ir pra Cuba porque você apoia a ditadura socialista que lá impera há quase 60 anos. Uma ditadura que exterminou a oposição por meio de perseguições, prisões, torturas e fuzilamentos, que confiscou propriedades privadas, que acabou com a liberdade de pessoas comuns cuidarem de suas vidas, que transformou um dos países mais desenvolvidos do mundo num imenso e miserável cortiço.

Seus vizinhos te chamam de cretino porque você defende um sistema de governo onde bairros como o seu não existiriam.

Seus vizinhos te chamam de hipócrita porque você milita por uma ideologia que rejeita uma condição econômica que você mesmo desfruta.

Seus vizinhos têm nojo de você porque te veem jogando bola com terroristas que bloqueiam estradas, depredam lojas e invadem propriedades privadas.

Como você quer que te enxerguemos?

Nós só te vemos abraçado a bandidos.

Sinto muito, Chico, mas você fez de tudo para arruinar sua biografia.

Deixe-me te explicar uma coisa: apesar da devoção de parte da burguesia, você não é Deus. Nem santo. Nem anjo. Você não é uma entidade intocável, livre de críticas, que deve ser venerada inquestionavelmente.

Muitos de nós agradecem por sua militância contra a ditadura militar. No entanto, o tempo mostrou que você queria é que fosse implantada no Brasil uma ditadura incomensuravelmente pior.

Por dinheiro, você fez musiquinha para a campanha de Fernando Henrique Cardoso.

Por convicção, você apoiou do começo ao fim os governos mais corruptos da história do Brasil. Beijou as mãos de Lula e Dilma. As mesmas mãos que selaram acordos com José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Sérgio Cabral, Marcelo Odebrecht, Eike Batista, Léo Pinheiro, Joesley Batista, Michel Temer, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Raul e Fidel Castro.

Indiferente à grave crise econômica provocada pelas mentiras e irresponsabilidades de Dilma, você continuou ao lado dela. Chamou de "golpista" a grande maioria da sociedade que pedia o fim daquele governo. Chamou de "golpistas" milhões de desempregados e pessoas que temiam perder o emprego. Você chama de "elite" pessoas que não desfrutam de nem uma fração do seu estilo de vida.

Lula foi condenado por corrupção e é réu em outros seis processos. Nas mesas dos procuradores, acumulam-se evidências e provas contra ele. Aí está você, defendendo-o.

Seus vizinhos e muitos outros brasileiros veem isso. Você decepcionou muita gente. Você fez suas escolhas. Fez de tudo para transformar em asco a admiração que o povo tinha por você.

Nem é mais uma questão de posicionamento político equivocado. Você abraçou os bandidos porque sente afeição a eles. Cada abraço, cada manifestação de apoio a ditadores e ex-presidentes corruptos demonstra que você pensa como eles, faria as mesmas coisas que eles fizeram e fazem, se tivesse a oportunidade.

Por isso você é cada vez mais hostilizado por pessoas comuns. Foi você quem jogou um balde de tinta vermelha em sua biografia. Não reclame. Assuma os custos disso.

Um conselho: fique quieto, espere a justiça tirar o PT do mapa e que o tempo lave essa mancha em sua vida.
Herculano
15/12/2017 07:49
PAULO FREIRE: ANT?"NIMO DE AMOR, por Thomas Giulliano, historiador.

Os meus detratores não acreditam, mas li sem qualquer resultado prévio cada uma das sílabas do livro Paulo Freire: uma história de vida. Considerei as diferentes circunstâncias históricas vividas por Paulo Freire, respeitei muitas de suas cicatrizes emocionais e não ignoro a dificuldade em analisar esse tipo de obra biográfica, pois, como posso colocar em discussão uma experiência amorosa que não foi partilhada comigo intimamente? Mesmo que fique ostensivo, não tenho a presunção de questionar qualquer um dos afetos narrados. A minha (um tanto quanto singela) vontade é a de analisar a estrutura do texto, verificando de que forma a obra descreve o ambiente "freireano", especificamente, a influência do trabalho do alfabetizador nas mais diversas áreas do saber.

A verdade assusta, caro leitor. Todavia, ainda que o prefácio escrito por Alípio Casali e Vera Barreto diga que "o leitor adentrará numa história envolvente, levado pelas mãos de quem percorreu muitos dos labirintos da vida profissional e pessoal de Freire", anoto que não é este o maior mérito da obra ?" que, sim, tem momentos bem acertados, a começar por ser a mais completa biografia sobre a vida de Paulo Freire, escrita por uma testemunha ocular, sua viúva, Ana Maria Araújo Freire.

O fato de ser a mais completa não faz dela uma obra de respaldo técnico, mas, sim, a mais destacada entre as produções "apologéticas" de Freire. É estarrecedor raramente encontrar obras que não sejam cúmplices de Freire ?" ainda mais em um país como o nosso, em que todo mundo é doutor ou professor. Posso parecer implicante, mas é preciso chamar as coisas pelo nome verdadeiro. Assim, defino a publicação como um fiasco.

Contudo, ela retém outros aspectos meritórios, como as competentes descrições da pobreza vivida por Freire, um bom preâmbulo sobre a sua origem familiar, um conveniente desenvolvimento da conexão intelectual do pedagogo com outros nomes conceituados de nosso país e do mundo (com destaque às páginas 228 e 247), e explica satisfatoriamente como ocorreu a inclusão do petista no mundo escolar. Também merecem elogios o seu bom acervo documental (fotografias e cartas transcritas), a forma como a autora apresenta o cerne cronológico de seu relacionamento com o marido e a sugestão que fomenta ?" de maneira indireta ?" de que se faça uma investigação sobre o tratamento que a imprensa brasileira deu a Paulo Freire. Encerrando esse elenco de elogios, cabe uma referência aos pormenores destacados no livro ?" "Ora, esse é o nome da minha mulher. E é a primeira vez que eu escrevo. São esses pormenores, que são profundamente humanos, que não podem ser esquecidos por um revolucionário. Uma revolução que esquece que um homem ri nervosamente ao escrever o nome de sua mulher é uma revolução frustrada" ?" e também à sua explanação sobre o método "freireano", em que esclarece alguns dos aspectos interpretados de maneira desonesta por seus adversários mais desqualificados ?" "Parece-me no mínimo estranho que livros sobre essa experiência de Angicos enfatizem as '40 horas' no processo de alfabetização como foco do 'método', pois Paulo em momento algum fez tal afirmativa ou teve tal pretensão".

Os apontamentos do parágrafo anterior são irrelevantes quando confrontamos o todo da obra. A começar por seu erro elementar, acólito de todos os capítulos, que é o de ter uma qualidade literária insuficiente, comprometida por um dedicado esforço de sobrepor à força as ideias neles discorridas. Mesmo com o honesto aviso inicial da autora ?" "Como autora desta biografia eu não desejo e nem quero a imparcialidade da falsa neutralidade" ?", causou-me incômodo essa busca por uma cientificidade sem apuro técnico. Reconheço que a contextualização, quando se pensa na relação entre o texto e seu contexto, parece, à primeira vista, uma operação simples, de fácil empreendimento, contudo, princípios como intuição, bom senso e clareza passam apartados do relato. No que se refere à clareza, há um festival de falhas. A primeira é a desorientação temporal, dado que os episódios factuais ficam confusos, anárquicos. Citando casos análogos, a autora ora retoma um assunto que já tinha sido apresentado, alguns sem qualquer relação cíclica, ora comunica uma informação significativa que, no seu relato, já ambientava a descrição. Exemplo: depois de ter descrito a prisão e o exílio de Freire, ela reverbera ad nauseam as mesmas ocorrências, algumas vezes sem qualquer analogia. Outro exemplo vem da página 190, na qual ela expõe, sem uma adequada explicação prévia, a informação de que Paulo Freire tinha um contrato com a UNESCO ?" ela retomará o assunto posteriormente, porém, quando o fato é apresentado, não há qualquer preocupação cronológica, ele simplesmente aparece da seguinte forma: "Freire: Eu achei que aquele era o tempo do Chile, conversei com meus amigos e coincidiu também com a não renovação do meu contrato com a UNESCO".

Além disso, há questões estéticas, como a escolha da autora em se apresentar na terceira pessoa em condições como esta: "Sua vida com Nita" ?" considerando que Nita é o apelido doméstico da autora. Não gosto dessa escolha estilística, em razão de que aduz um caráter artificial à obra. Digo o mesmo com relação às descrições de seus diálogos íntimos, dos quais, como já escrito, não tenho como dizer se são fabricados à obra, mas posso considerá-los apinhados de ênfases que os tornam enfadonhos:

Nita, casamos na terceira idade, quero viver o amor com você, quero viver e aproveitar momentos de tranquilidade com você, quero voltar a escrever, quero cumprir promessas de longa data de aceitar convites fora de São Paulo, mas não posso me furtar de aceitar este convite, se ele realmente vier. É um dever cívico e político que tenho diante de mim mesmo e para com o povo da cidade que me acolheu tão generosamente quando voltei do exílio. Será uma oportunidade importante de testar mais uma vez na prática, desta vez nesta imensa rede pública de ensino que é a cidade de São Paulo, a minha teoria. A minha compreensão de educação.

Nem a sua letra ?" que era, como a minha, um verdadeiro garrancho ?" escapou desse palavrório imposto: "Seus escritos são verdadeiros 'desenhos' feitos com uma caneta azul, com os destaques com tinta vermelha ou verde no papel branco. São a imagem criada na sua inteligência e sensibilidade, a linguagem criada no seu corpo consciente, no seu corpo inteiro".
Há também ênfases narrativas em todas as suas ações, mínimas ou máximas, como se elas procedessem de uma fonte messiânica. No exemplo a seguir, veremos um realce verborrágico para algo que não passou de uma obrigação profissional e ética: "Paulo cumpriu cívica e eticamente o seu dever de cidadão: pediu demissão do seu cargo de professor da Unicamp para cumprir a lei". Para situações como esta, aplico a frase de Albert Camus: "A verdade, como a luz, cega. A mentira, ao contrário, é um belo crepúsculo, que valoriza cada objeto".

Também fiquei incomodado com o uso das exclamações. Até elas foram objetos para ressaltar generalidades: "Na verdade, o que determinou a recusa de Paulo de passar um semestre no Seminário Teológico foi, prioritariamente, por se sentir pouco competente para ensinar Teologia!". Estilisticamente, o emprego dessa exclamação demonstra a perplexidade com o fato de que Paulo Freire se viu desprovido de capacidade para exercer a docência em outra área do conhecimento, algo normal, um tanto quanto elogiável, mas que para a autora foi inconcebível, visto que entendia o seu marido como o portador máximo da sabedoria infusa.

Convém dizer que ele foi um homem que não suportava certos tipos de sistemas e pessoas, mas, apesar disso, é apresentado como um arauto do amor, vetor de "uma imensa capacidade de amar". Repetido excessivas vezes pela autora, esse chavão e os seus sinônimos regulam toda a obra. Destaquei dois exemplos: "Paulo desgastou-se no amor. Por tanto amar. De muito e intensamente amar. Por sua valentia de tanto amar" e "Esses são exemplos de como Paulo amou. Amou as pessoas independentes de sua raça, de seu gênero, de sua religião, de sua idade ou de sua opção ideológica. Amou a natureza".

O discurso visguento da autora é incômodo. Em vez de palavreados, prefiro a máxima de Camus: "Em filosofia como em política, eu sou, portanto, a favor de qualquer teoria que recuse a inocência ao homem, e a favor de toda prática que o trate como culpado". Compete dizer que estamos analisando uma obra cujo objeto não é um homem, sequer o falecido marido, mas, antes de tudo, trata-se, sob a ótica da autora, de um profeta: "Paulo, também nisso, foi adivinho, profético". Ressalto que ao longo da obra encontramos, repetidamente, o uso do termo "profeta", em virtude de Freire ser tido como um iluminado metafísico, o super-homem exposto pela pena do supracitado Camus: "Na verdade, à força de ser homem, com tanta plenitude e simplicidade, achava-me um pouco super-homem".

Embasado no livro Paulo Freire: uma história de vida, concluí que o nosso patrono é o homem que a "peste" não adoentou, que indispôs o pecado original. Essa tentativa de salvar sua aparência externa é a desafinada cantiga de todo o alfarrábio.
O anacronismo é outro erro corriqueiro no livro. Afirmações que não se sustentam factualmente são frequentes ao longo do texto, em especial no capítulo cinco, em que a autora se propõe a analisar o contexto brasileiro de 1960: "Apresentarei um pequeno estudo por mim realizado sobre o conflito ideológico brasileiro dos anos 1960". Porém, sem espantos, ela segue as mesmas repetições monossilábicas da esquerda maniqueísta, repetindo o discurso de que o outro lado hospeda, na totalidade, o mal: "Parte da Igreja Católica, a tradicional, conservadora, que não estava aliada aos interesses dos pobres e dos despossuídos, também se manifestava contra Paulo".

Uma coisa é fazer a síntese de um período histórico, desse modo obviamente superficial. No entanto, o erro da autora foi definir teses coletivas sobre os agentes complexos de um período, ignorando aspectos prévios ao objeto pretensamente analisado, como por exemplo, ao omitir o caráter popular de 1964. Historiograficamente falando, os erros não param por aí. Afirmações sem qualquer validação dialética são jogadas ao vento: "Juscelino Kubitschek ?" a [experiência] mais democrática até então conhecida no Brasil".

Se isso ocorre com os temas que não tangem diretamente a Paulo Freire, seguramente, encontramos a mesma ocorrência com os que constituem a essência de sua presença no nosso mundo das ideias: "Entretanto, não posso deixar de enfatizar que considero fato da maior relevância para a história da educação do Brasil o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), concebido por Paulo Freire quando secretário de educação no Município de São Paulo, em 1989, e para o qual dediquei algumas palavras no Capítulo 11". A liberdade da autora de achar o que quiser não me afeta, mas, por ossos do ofício, preciso dizer que essa consideração é embasada, muito provavelmente, na sua esmaltada crença de que o Brasil nasceu em 1964. Ainda que Pedro Álvares Cabral estivesse aqui na deposição de João Goulart, essa afirmação estaria equivocada.

De minha parte, como acredito que o Brasil tem mais de cinco séculos, posso expressar, sem qualquer ênfase doutoral, mas com dois apontamentos, que a declaração da autora está equivocada: primeiro, pela falta de investigação histórica e, segundo, por ignorar os testemunhos intelectuais de homens como José de Anchieta, Machado de Assis, Carlos Gomes, Capistrano de Abreu ?" estes, pedagogos por excelência.

A obra explora vivências de Freire, partilha algumas de suas emoções decorrentes de seu trabalho, explica a sua compreensão de educação e faz uma laudatória defesa de sua visão socialmente opressiva, não só por adotar o caminho da omissão e, com isso, o de não discutir as frases mais violentas que seus livros têm, mas por ratificar passagens insensatas:

Eu hoje continuo pensando que a democracia não significa o desaparecimento absoluto do direito de violência de quem está proibido de sobreviver? Se você me perguntar: entre os dois, para onde você marcha? Eu marcho para a diminuição do gasto humano, das vidas, por exemplo, mas entendo que elas também possam ser gastas, na medida em que você pretende manter a vida. O próprio da preservação da vida leva à perda de algumas vidas, às vezes, o que é doloroso. Agora, o que eu não acredito é na conscientização dos poderosos. Eu acredito na conversão de alguns poderosos, mas não enquanto classe que comanda, não enquanto classe que domina.

A obra tem uma involuntária entonação kafkiana. É paradoxal o encontro ?" borrifado de naturalidade discursiva ?" de trechos tão antônimos como a citação anterior e esta: "Paulo Freire: Eu gostaria de ser lembrado como um sujeito que amou profundamente o mundo e as pessoas, os bichos, as árvores, as águas, a vida". Percebam, estamos no meio de um labirinto. De um lado, encontramos um homem que se apresentava como uma espécie de São Francisco do giz de cera, e, no outro extremo, um déspota.

Quem tem familiaridade com os textos de Freire sabe que as apologias dele aos seus massacres favoritos foram comuns, mesmo assim, cabe aqui expor o quanto é disforme esse discurso labiríntico, em que não há qualquer filtro moral em apresentar um homem sem o mínimo de clarividência humana como um sinônimo de amor. Não quero ser histérico, mas é que, simplesmente, não me habituei a ver uma pessoa ter a sua morte justificada por motivos tão pueris, e, naturalmente, refuto qualquer dor infligida a um inocente. Fundamentado na página 319, posso dizer que nem Paulo Freire, muito menos a autora consideraram "equívocos" os trechos perturbadores de obras como a A Pedagogia da Autonomia e A Pedagogia do Oprimido.

Paulo nunca teve, assim, medo de seus "resvalamentos", enganos ou erros. Considerava-os parte da busca do saber, dos riscos inerentes à incompletude humana, da explicitação da Verdade que, sendo histórica, deve ir sendo atualizada constantemente. Igualmente, não desprezava serem possíveis os equívocos diante das contingências pessoais e sociais de quem, como ele, pensava e escrevia com ousadia. Reconhecer o erro não é um defeito, é uma virtude, para a qual ele esteve sempre atento e aberto, permanecer no erro sabendo de seu erro é que é uma atitude hipócrita, desonesta, antiética. Expõe vaidade, insegurança e prepotência de quem assim age. Por isso ele foi ousado, não teve medo de correr riscos ao criar e afirmar suas ideias.

Em harmonia com a passagem anterior, escrevo que não houve qualquer retratação do casal Freire. Compete dizer que, como muitos brasileiros das décadas de 1960 e 1970, Paulo Freire endossou o então novo sistema político cubano, instaurado no dia 1.º de janeiro de 1959. Enxergavam nele a realização de suas teorias. É possível conter a crítica por essa adesão nesse espaço de tempo; porém, o fato de Paulo Freire, diferentemente de parte considerável daqueles mesmos brasileiros, ter mantido suas convicções até o seu último suspiro ?" sendo um aluno bem aplicado de Fidel, ignorando as contrariedades da realidade ?" atesta seu desdém em relação às condições humanas, logo, uma contradição de sua essência pedagógica.

Justiça seja feita, o pedagogo nunca omitiu sua sede de sangue. Como todo tirano, Paulo Freire conhecia a realidade segundo seu vocabulário, e nunca segundo a História. Suas ações foram uma dedicada tomada de posição, legitimada pelas justificativas de que há diferentes tipos de homens e há um meio legítimo à realização humana na História. Parafraseando Camus, ele de novo: na realidade, um homem deve lutar pelas vítimas; mas, se deixa de gostar de todo o resto, de que serve lutar?

Como quis perturbar o jogo pedagógico brasileiro, discuti no meu livro Desconstruindo Paulo Freire que, por sua simbiose marxista, a teoria de Freire é impraticável sem a premissa de corrigir a lei de Deus ou da natureza (como vocês queiram). Nosso ainda patrono não foi o último homem a portar o "bacilo da peste"; contudo, analisando especificamente seu diagnóstico de intelectual traidor ?" na definição de Julien Benda ?", posso dizer que ele foi mais um intelectual "tipicamente do século XX", ou seja, um homem apaixonado por si, que acreditou que o seu fragmento da realidade era capaz de realinhar os princípios mais complexos da existência humana. Em seu parâmetro moral, os números de mortos dos regimes comunistas de todo o século XX pouco significaram.

Por fim, atesto que os propósitos da autora foram cumpridos: "Tenho certeza de que me empenharei em dizer tudo aquilo o [sic] que eu sei sobre Paulo, que o engrandece; tudo o que lhe faça justiça, tudo o que é verdadeiro sobre ele, e tudo sobre o que meu marido gostava e se orgulhava de ter feito e/ou pensado e dito". Nesta biografia, fica claro que a obra de Paulo Freire transporta dois extremos: inquietação apocalíptica e esperança messiânica.
Herculano
15/12/2017 07:33
A PARCERIA COMERCIAL ENTRE GILMAR MENDES E JOESLEY BATISTA

Conteúdo de O Antagonista.Gilmar Mendes e Joesley Batista, diz a Veja, "mantiveram uma parceria comercial e uma convivência amigável, a ponto de se visitarem em Brasília e São Paulo, trocarem favores, compartilharem certezas e incertezas jurídicas e tocarem projetos comuns".

Em 15 de junho de 2015, eles jantaram juntos na casa de Joesley Batista. Em seguida, a JBS passou a patrocinar o IDP, de Gilmar Mendes.

"Sabe-se lá por qual razão", continua a reportagem, "o assunto era considerado 'confidencial'".
Herculano
15/12/2017 07:28
VIRGÍLIO CRITICA POSIÇÃO DO PSDB SOBRE PREVIDÊNCIA: ME ENGANA QUE EU GOSTO, por Josias de Souza

Adversário de Geraldo Alckmin na disputa pela vaga de candidato do PSDB ao Planalto, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, criticou a maneira como o partido decidiu lidar com a reforma da Previdência. Fechou questão a favor da proposta. Mas não estipulou nenhuma punição para os parlamentares tucanos que votarem contra. Para Virgílio, o tucanato "inaugurou uma nova versão da política ao estilo 'me engana que eu gosto', o que é inaceitável."

O fechamento de questão é uma ferramenta que os partidos utilizam para obrigar seus filiados a seguirem determinada decisão. Para o tucanato, a reforma da Previdência é uma questão dogmática desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. Por isso, na primeira reunião de sua Executiva Nacional sob a presidência de Alckmin, o PSDB transformou a matéria numa questão fechada. Mas a decisão revelou-se desconexa, porque não foi definido nenhum tipo de sanção.

Para Virgílio, a punição para os parlamentares que votarem contra a reforma da Previdência "deve ser muito dura." Insinuou que os rebeldes deveriam deixar o partido. Lembrou que há uma previsão legal para a migração partidária. "Tem uma janela prevista para março", disse o prefeito. "Quem ficar no PSDB não pode dizer que vota contra a reforma da Previdência por causa da eleição."

Virgílio acrescentou: "Essa história de fechar questão e permitir que metade vote a favor e a outra metade não vote é inaceitável. Se a gente quer realmente encontrar saídas para a crise terrível em que está mergulhado o partido, a reforma da Previdência é um bom teste."

O rival de Alckmin nas prévias presidenciais que o PSDB promete realizar diz lamentar o fato de ter que fazer reparos a decisões do seu próprio partido. "Estou louco para criticar os adversários, mas o meu pessoal tem que permitir. Do contrário, fica difícil. Gostaria de cuidar do Lula, desse Bolsonaro. Mas não posso admitir calado que o meu partido adote a política do 'me engana que eu gosto'. Isso nos deixa inclusive em posição subalterna em relação a outros partidos que fecharam questão com a previsão de punição
Herculano
15/12/2017 07:20
JÁ É CARNAVAL PARA O BLOCO DOS SUJOS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

O ano político de 2018 começa mais cedo, com o julgamento de Lula da Silva em segunda instância marcado para 24 de janeiro. Mas o programa só acaba quando termina. A depender de Lula e do PT, o drama luliano e eleitoral em tese pode se arrastar até meados de setembro, quando termina o prazo para a substituição do candidato a presidente.

Pela lei eleitoral, se o candidato desistir de concorrer nos 20 dias anteriores ao da eleição, o partido não pode oferecer outro nome (a não ser em caso de morte). Mas, nestes tempos de leis polissêmicas e politraumatizadas, sabe-se lá qual será a interpretação e agilidade da Justiça nas decisões. De menos incerto, a gente sabe que a velocidade judicial para Aécio Neves é baixa.

Logo depois do primeiro capítulo do caso Lula, temporada 2018, o ano seguiria agitado, pois o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, marcou o início das discussões da reforma da Previdência para dia 5 de fevereiro, uma segunda-feira (rir, rir, rir).

O Congresso deveria voltar a trabalhar no dia 2, sexta-feira (rir, rir, rir). Como isso é muito puxado, talvez então voltasse das férias no dia 7. Mas o dia 8 é "Quinta de Carnaval", ao menos para desapercebidos da vida, relaxados, desocupados e alegres de todo o gênero. A Terça Gorda de Carnaval é no dia 13, o que exige emendar o feriado, claro.

Ou seja, engajados em um esforço legislativo, os parlamentares talvez reapareçam no dia 19, mesmo com um quê de purpurina nas carantonhas. Maia e Temer dizem que pretendem votar a reforma da Previdência no dia 19. Hum.

Alguém pode especular que, na hipótese de que o país estivesse em tumulto financeiro, por um azar qualquer da sorte, os deputados talvez tomassem tento e resolvessem dar um jeito nas contas públicas, seja qual for.

Foi mais ou menos assim na transição de 1998 para 1999. A princípio, o Congresso dava a mínima para o ajuste, até que o país começou a quebrar. No entanto, a crise era de contas externas, do tipo meio morte súbita. O desastre que vai sendo gestado agora é de ruína lenta, gradual e segura, pelo menos até que acabe o dinheiro para pagar aposentadorias e salários ou se resolva partir para a inflação descarada.

Ao que parece, afora milagres, a reforma não deve ressuscitar nem na Páscoa.

Trocando em miúdos, a hipótese de que possa haver uma definição do quadro eleitoral ainda em janeiro, fevereiro, é remota. A próxima data eleitoral relevante é dia 7 de abril, prazo limite para a filiação partidária de quem pretende concorrer. Necessariamente, não é uma data relevante para o PT. Os planos C e B do partido, Jaques Wagner ou Fernando Haddad, são filiados. O caldo entorna para a definição dos demais partidos, tanto de candidaturas presidenciais como de coligações nos Estados.

Difícil imaginar que o cálculo de uma pretensão presidencial deixe de levar em conta o que vai ser de Lula. Em certos Estados, em particular no Nordeste, o destino do ex-presidente pode mudar acertos de coligações locais. Como já é notório, muito "golpista", do PMDB em particular, já se acertou com Lula.

Enfim, o Carnaval começa cedo e continua por um bom pedaço de 2018
Herculano
15/12/2017 07:18
PLANO B DE LULA É 'DOMINAR O CONGRESSO', por Cláudio Humberto, n a coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Lula nega publicamente que exista plano B, se for mesmo impedido de disputar a Presidência em 2018, mas em conversas reservadas deixa claro que a alternativa é eleger a maior bancada possível de deputados federais e senadores para "tomar o Legislativo". Ele não cita outro petista, como o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad disputando o Planalto. O sonho de Lula é dar ao PT o poder exercido pelo "centrão".

A INSPIRAÇÃO
O plano B de Lula é inspirado no PMDB, cujo apoio viabilizou seu próprio governo e a falta dele acabou por inviabilizar o governo Dilma.

BUSCA DO COMANDO
O partido de maior bancada indica presidentes da Câmara e Senado. Lula segredou a amigos que deseja ver o PT dominando o Congresso.

GAROTO PROPAGANDA
Lula admite que ficará inelegível, mas solto. Por isso planeja percorrer o País tentando eleger o maior número possível de parlamentares.

ESTRATÉGIA DE PODER
O PMDB, que não tem candidato próprio à Presidência desde 1989, faz parte da base aliada dos governos federais desde a década de 1990.

EMPRESAS JÁ 'CAPTURARAM' AGÊNCIAS REGULADORAS
Foi positiva a ideia de criar as agências reguladores como órgãos de Estado, dirigentes com mandato e independentes de governo, mas, com o passar dos anos (e de vários governos), acabaram "capturadas" pelas empresas que deveriam fiscalizar. Na Aneel, por exemplo, as empresas distribuidoras de energia, com apoio do secretario-executivo do Ministério de Minas e Energia, já tentam emplacar um preposto para sua direção, que tomará decisões sobre temas sensíveis para o setor.

RAPOSA NO GALINHEIRO
O mais cotado para o colegiado da Aneel é Marco Delgado, diretor da Abradee, a associação das empresas de energia elétrica.

TUBARõES NO AQUÁRIO
A história da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registra vários casos de dirigentes indicados por empresas de planos de saúde.

CARGOS LOTÉRICOS
Os cargos de direção nas "agências reguladoras" estão entre os mais desejados em Brasília. Até porque pagam bem. Em todos os sentidos.

CUIDANDO DO CORPITO
Amigos se impressionam com os novos hábitos do ex-presidente Lula, que agora acorda muito cedo para malhar durante 1 hora e meia, todo santo dia. Atribuem tanta disposição a sua nova namorada.

SÃO MESMO UNS ABUTRES
No plano de recuperação da Oi, proposto à Vara de Falências do Rio, os "fundos abutres" garantem cargos de direção pelo mínimo de dois anos, incluindo a presidência (R$300 mil mensais) e mordomias.

FILANTROPIA EM CRISE
A Susep avalia concentrar títulos de capitalização nos bancos, abolindo a fonte de renda que resta às entidades filantrópicas. Com a escassez de dinheiro público e doações em queda livre, essas entidades podem interromper o atendimento médico e social em mais de 800 municípios.

MINISTRO VALE UM METRô
A Lava Jato identificou, no fim de 2016, propina de R$2 milhões da Odebrecht em contrato no Metrô de São Paulo. A empreiteira pagou valor semelhante em 2004 ao atual presidente do Peru, então ministro.

FALA, MEIRELLES
Se o Brasil cresceria o dobro do esperado em 2018, segundo o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), no caso de a reforma da Previdência ser aprovada ainda este ano, o adiamento para fevereiro provocará o quê?

TORCEDOR DE TOGA
Botafoguense "doente", o criminalista Nelio Machado foi contratado para defender o Fluminense no caso de ingressos entregues a torcidas organizadas, que os repassavam a cambistas.

APAGAR NÃO É ESQUECER
Há 127 anos, o ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, propôs destruir os arquivos relativos à escravidão no Brasil, abolida dois anos antes. A ideia era evitar pagar indenizações pedidas por "senhores de engenho".

'MENAS' ESTUDO, MAIS APOIO
O Paraná Pesquisa mostra que, em São Paulo, Lula ficaria em terceiro, com 19,4%, atrás de Alckmin (PSDB) e Bolsonaro (PSC). Seu melhor desempenho é entre os que têm apenas o ensino fundamental: 24,4%.

PENSANDO BEM...
...o julgamento de Lula, 71, deve ter sido marcada logo em razão da prioridade prevista no Estatuto do Idoso, que ele sancionou em 2009
Herculano
15/12/2017 07:12
LULA TEM DIREITO À LENTIDÃO? por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de s. Paulo

Os advogados de Luiz Inácio Lula da Silva questionam a rapidez com que o recurso do ex-presidente tramitou no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Sustentam que a celeridade dada ao caso viola o princípio da isonomia, pelo qual todos os cidadãos deveriam receber igual tratamento.

Uma implicação interessante da tese da defesa é a de que haveria uma espécie de direito de usufruir da ineficiência do Estado. Se a Justiça é lenta, não pode ficar rápida logo no meu caso ?"mesmo que a morosidade seja reconhecida por todos como falha a extirpar. O debate é intelectualmente estimulante, mas, por outros motivos, acho que o TRF-4 está certo em correr com o processo de Lula. Não dá para fingir que este é um caso ordinário e não tem nada de especial.

Se os magistrados confirmarem a sentença do juiz Sergio Moro, o ex-presidente, que é pré-candidato do PT para voltar ao posto em 2019, fica em tese inelegível (Lei da Ficha Limpa) e pode até ser preso. Se o absolverem, Lula dificilmente seria impedido de concorrer e, caso vencesse e reassumisse o cargo, todos os outros processos a que ele responde ficariam suspensos até o fim do mandato. Em qualquer hipótese, uma eleição com Lula na corrida será totalmente diferente de uma sem ele.

A democracia tem como pressuposto a estabilidade e a previsibilidade dos processos. À luz desses princípios, acho que a sociedade tem o direito de entrar na campanha sabendo quem está habilitado a concorrer e quem não está. O pior cenário, o mais instável, me parece, seria uma possível prisão do candidato líder nas pesquisas no auge da campanha ou sua cassação depois de eleito.

Eu preferiria que o petista disputasse. Penso que é importante para a democracia que o principal dirigente de um partido que fracassou tanto no campo ético como no administrativo enfrente o contraditório político na campanha e seja derrotado pelo voto, não pelas regras de alistamento.
Herculano
15/12/2017 07:09
PRESSA PARA CONDENAR LULA É DESESPERO PARA TENTAR LIVRAR A CARA DA LAVA JATO

Os dias em curso são de tal sorte insólitos que a simples marcação da data do julgamento de um recurso se torna o fato mais importante da corrida eleitoral. Refiro-me, é evidente, ao dia 24 de janeiro, quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julga apelo da defesa de Lula contra a condenação a nove anos e meio de cadeia que o juiz Sergio Moro impôs ao petista no ruidoso caso do tríplex de Guarujá.

Curiosamente, ao percorrer caminhos heterodoxos na condução da investigação e do julgamento - refiro-me ao conjunto da obra, não apenas aos casos relacionados ao ex-presidente -, as forças associadas à Lava Jato acabaram criando uma armadilha contra a própria operação.

O risco é o povo desmoralizar nas urnas as urdiduras tramadas nos corredores do MPF e da Justiça.

Por que é assim? Porque a agressão ao Estado de Direito e ao devido processo legal sempre cobra o seu preço. Tenta-se remendar o malfeito com novas agressões, numa espiral sem fim para baixo. Não há explicação razoável para que o caso de Lula tramite com uma celeridade inédita, dados os padrões - atenção! - do próprio TRF - 4. A pressa, nesse caso, tem propósito; trata-se de decisão "ad hoc".

A sentença condenatória de Moro será mantida ainda que sem provas. Atenção! Se elas existirem, não estão nos autos. E é o que interessa ao Estado de Direito. O que evidencia que assim será? Os meros cem dias consumidos por João Pedro Gebran Neto, relator do caso no TRF-4, para dar o seu veredito.

O tempo médio de 23 de suas decisões relativas ao petrolão é de 275,9 dias. Em 12 das 23, ele levou mais do que isso. A maior demora é de 469. A celeridade do revisor, Leandro Paulsen, é ainda mais eloquente. Meros 11 dias para anunciar que seu trabalho estava pronto.

Parcos 54 dias distanciarão o 24 de janeiro da manhã em que o relatório de Gebran chegou à sua mesa. Para rever o caso de Fernando Baiano, ele consumiu 240 dias. Foi 20 vezes mais rápido com Lula Pernambucano... Nessa velocidade, só se pode dizer "sim" ao que já se fez, certo?

É forçoso reconhecer que MPF e Justiça estão sob a administração de uma espécie de "ente de razão" voltado não ao esclarecimento do mundo, mas à satisfação das fantasias de seus "ativistas", mais ocupados em ser exemplares do que em ser justos. Esse é o ninho que dá origem aos fascismos de esquerda e de direita. E tenho uma alma profundamente antifascista - daí derivam, note-se, meu antipetismo e meu asco à direita xucra que se diz liberal.

A Lava Jato e os valores - ou antivalores - que insuflou provocaram tal estrago no processo político que a consequência foi a ressurreição de Lula e do PT, forças que, ora vejam!, por maus motivos, nunca se ajoelharam em seu altar. Note-se à margem: o PSDB, que foi à televisão fazer um patético "mea culpa", esmerando-se na genuflexão autopunitiva, transformou-se na Geni do eleitorado e da imprensa...

O que quer que tenha sido isso a que se chamou "petrolão" teve como protagonista o PT, de que Lula, por óbvio, é a figura emblemática. Ocorre que, tudo o mais constante, dada a razia produzida por Rodrigo Janot, Sergio Moro e Deltan Dallagnol, entre outros menos importantes ou mais feiosos, seria o petista o ungido pelo povo para conduzir a nossa melancolia, de sorte que a Lava Jato seria o caminho mais longo, mais caro e mais traumático entre o PT e o PT.

A condenação precoce de Lula em segunda instância é uma tentativa desesperada e, mais uma vez, heterodoxa de impedir a completa desmoralização da operação que começou caçando ladrões e terminou caçando prerrogativas garantidas pelo Estado de Direito.

O futuro imediato: Lula será condenado pelo TRF-4, não poderá se candidatar, deverá pôr um ungido seu no segundo turno e, aposto!, não será preso porque é grande a chance de o STF, até lá, decidir cumprir o que está no inciso 57 do artigo 5º da Constituição, do qual nunca deveria ter se divorciado, diga-se.

Condenado, inelegível e solto. Se você é antipetista, considere que poderia ser pior: condenado, inelegível e preso. "Pior por quê?". Quem faz tal pergunta, a esta altura, não merece uma resposta
Herculano
14/12/2017 21:30
MÉDICO ESTENDEU INTERNAÇÃO DE TEMER POR "SEGURANÇA"

Conteúdo de O Antagonista.Em entrevista coletiva, os médicos Roberto Kalil e Miguel Srougi disseram que a internação de Michel Temer no Sírio-Libanês foi estendida em um dia por questão de "segurança".

"Ele toma remédio para deixar o sangue mais fino, por causa da angioplastia. Esses remédios podem aumentar o risco de sangramento. Por coerência, ele fez esse procedimento, colocou uma sonda", disse o cardiologista Kalil.

O urologista Srougi, por sua vez, disse que os exames da próstata de Temer tiveram resultado normal e descartou a existência de tumor.

Os médicos previram alta do presidente para a hora do almoço amanhã. Mas, como previsto, Temer terá de usar a sonda por duas ou três semanas.
Herculano
14/12/2017 21:26
EM MANAUS, BOLSONARO QUESTIONA SE BRASIL TEM SOBERANIA SOBRE A AMAZôNIA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Em visita a Manaus nesta quinta-feira (14), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) questionou se o Brasil ainda tem a soberania sobre a Amazônia por causa das terras indígenas, às quais comparou a zoológicos.

"Será que a Amazônia ainda é nossa? Em 1982, a Argentina falou que as Malvinas eram deles. Perderam. Hoje em dia, ouso dizer que dificilmente a Amazônia é nossa."

O presidenciável afirmou que, para "salvar ao menos parte da Amazônia", é preciso buscar parcerias com países democráticos como os EUA para a exploração dos recursos minerais. Ele também defendeu fixação de preços de minérios como o nióbio para a exportação.

A uma plateia de simpatizantes, no auditório de um hotel, Bolsonaro defendeu a exploração mineral em terras indígenas e disse que a demarcação de grandes áreas, como a dos ianomâmis, "poderão ser novos países dentro do Brasil." "Como é que pode um índio na Bolívia ser presidente, e o nosso aqui, por pressão do governo, condená-lo a ficar preso dentro de uma terra indígena como se fosse algo no zoológico? O índio é um ser humano, nosso irmão."

Por outro lado, Bolsonaro admitiu que o aquecimento global e o desmatamento podem levar "ao fim da espécie humana". Ele defendeu o controle populacional como a medida mais eficaz.

"Em 2011, tínhamos 7 bilhões de habitantes no mundo. Em 2025, teremos 8 bilhões. A questão desse crescimento populacional explosivo leva a desmatamento. Você não vai plantar soja no terraço do teu prédio nem criar gado no quintal. Temos de ter uma política de planejamento familiar", disse.

'CARTA BRANCA'

Mais cedo, Bolsonaro foi recepcionado no aeroporto por um boneco de 12 metros e algumas centenas de apoiadores

Em discurso sobre um carro de som no estacionamento do aeroporto, prometeu dar "carta branca" para a PM matar caso seja eleito.

"Se alguns dizem que quero carta branca pra Polícia Militar matar, eu respondo: 'Quero, sim'", disse, no alto de um carro de som, arrancando aplausos e gritos de "mito, mito".

"Policial que não atira em quem atira nele não é policial. Temos obrigação de dar uma retaguarda jurídica a esses bravos homens", completou Bolsonaro, repetindo uma de suas principais promessas de campanha.

A saída da porta de desembarque foi marcada por um grande empurra-empurra entre algumas centenas de simpatizantes ?"o chão terminou repleto de sapatos perdidos, principalmente chinelos. Cercado por apoiadores, Bolsonaro saiu bastante suado e sem o seu relógio.

É a primeira fez que o boneco foi usado. Depois de Manaus, ele começará a circular pelo pelo Brasil, explicou um dos responsáveis pelo boneco, o vice-presidente do Movimento Direita Manaus, Gill Mota, 29.

O administrador de empresas explicou que o custo do boneco, de R$ 15 mil, foi rateado por organizações independentes de sete Estados diferentes, que se revezarão no uso.

No Facebook, o movimento pró-Bolsonaro tem 22,6 mil seguidores. Mota citou militares da reserva e "pais de família" entre os principais integrantes.

Segundo colocado na corrida presidencial atrás de Lula (PT), na região Norte, Bolsonaro tem 16% na pesquisa espontânea do Datafolha ?"seu melhor desempenho no país.

Num dos cenários estimulados, o presidenciável alcança 22% na região, atrás apenas dos 23% do Centro-Oeste.
Herculano
14/12/2017 21:14
'GREVE DE FOME' CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA É APENAS CENOGRÁFICA. GRUPO QUE FAZ 'GREVE DE FOME' CONTRA REFORMA DORME EM CASA


Conteúdo do Diário do Poder, de Brasília. Há cerca de uma semana, um grupo de pessoas ganhou atenção do noticiário por anunciar uma "greve de fome" contra a aprovação da reforma da Previdência. Conseguiram espaço reservado pela Câmara para colocarem seus colchões e colchonetes, viraram alvo de fotos e vídeos publicados nas redes sociais e compartilhados pelo WhatsApp. Até o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi até eles conversar.

Apesar do apelo midiático, servidores denunciam que a tal "greve de fome" é apenas para as câmeras. "Todos vão embora para casa", diz um funcionário. O Diário do Poder recebeu imagens mostrando que nenhum deles estava por lá nesta quinta de manhã. As camas, todas bem feitas e arrumadas, não tinham vestígios de que foram usadas durante a noite. "Os colchões são só para deitar e descansar", denuncia outro servidor.

Além do espaço para a "manifestação" os grevistas têm tido acompanhamento médico com aferição de pressão e do índice glicêmico, mas tudo continua dentro da normalidade até agora.
Herculano
14/12/2017 21:11
É ASSIM QUE SE FAZ! LIBERAIS PERDERAM O RECEIO DE CONFRONTAR ESQUERDA HEGEMôNICA DE FORMA DIRETA, por Rodrigo Constantino, no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, no Paraná.

A esquerda tem a hegemonia da cultura e da política no Brasil há décadas, mas tem uma coisa que mudou ?" e mudou muito! ?" de poucos anos para cá, graças em parte às redes sociais, em parte aos movimentos liberais: a direita perdeu o medo de confrontar de forma direta essa esquerda hegemônica.

Durante décadas, ficou parecendo que o PSDB era a oposição a essa esquerda, sendo o próprio PSDB um partido de esquerda. Estava implícito e explícito que os tucanos ?" os tucanos! ?" eram o contraponto aos petistas. Que piada!

Durante esse tempo, a esquerda fez a festa. E ficou mal acostumada, negligente, preguiçosa. Não a culpo: se seu "oponente" de esgrima é um tucano, treinar para quê? Qual o intuito de melhorar as técnicas se do outro lado tem um "adversário" que pede desculpas quando lhe acerta um toque, oferecendo o corpo para uma "recompensa"?

E foi com tucanos que essa esquerda radical "debateu" por tanto tempo. Até chegar a verdadeira direita, até os liberais conseguirem preparar o terreno para jovens destemidos, corajosos, com embasamento teórico, dispostos a partir efetivamente para a briga.

Os "moderados", ou "isentões", reclamam: querem a volta do status quo, do tempo em que o "liberalismo" fazia tantas concessões ao socialismo que ambos pareciam indistinguíveis a olho nu. Não vai acontecer. A mudança veio para ficar, e para o desespero da esquerda.

Dou dois exemplos com base em artigos publicados hoje na Folha de SP (ela mesmo um jornal do tipo "isentão"). O primeiro é de Fernando Holiday, vereador de SP e líder do MBL, em resposta a um artigo de Alessandra Orofino. O jovem detona a moça esquerdista sem dó nem piedade, sem medinho de ser acusado de "machista", sem acender vela para o politicamente correto ou para os movimentos de "minorias" (até porque ele é negro, gay e pobre). Diz Holiday, sem rodeios:

Os devaneios de Orofino, obviamente, não teriam sentido sem elementos comumente usados pela esquerda em suas teses: mentira, distorção e omissão.

O pano de fundo era me colocar como alguém que fugiu de suas lutas iniciais para se aventurar em pautas culturais. Desde o início da minha militância, defendo pilares fundamentais da civilização ocidental, por acreditar ser este dever de qualquer liberal.

Não me importo em ser chamado de conservador por isso. Na verdade, muitos conservadores me inspiram, como Nelson Rodrigues (1912-1980) e Edmund Burke (1729-1797). Essa defesa sempre esteve alinhada com medidas que reforçam minha austeridade e respeito ao dinheiro público.

[?]

Contudo, boa parte da pantomima da moça se dedica a tentar refutar a importância do projeto Escola Sem Partido, que avançou na Câmara de São Paulo. Fica evidente, pois, que a esquerda ignora completamente contundentes denúncias divulgadas ao longo de anos, vindas de alunos que foram prejudicados, humilhados, ou até mesmo traumatizados por simplesmente dizerem o que pensavam em sala de aula.

E conclui, da forma mais direta possível: "Eu sinto muito, Alessandra. Sua arrogância de esquerdista de butique não cola mais. Essa juventude já se cansou dos falsos movimentos estudantis, inundados com o dinheiro público".

O segundo caso é de Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, rebatendo as falácias cafajestes do ex-ministro Nelson Barbosa. Eis alguns trechos:

O ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa lamenta, em coluna publicada aqui na Folha, a baixa velocidade de recuperação do país na saída da crise, aquela mesma recuperação que afirmava não ser possível sob a política econômica adotada depois de sua saída do ministério, e aquela mesma crise que resultou das escolhas de política econômica que subscreveu durante sua longa estadia como secretário também na Fazenda.

Considerando que em janeiro de 2015 ele previa uma saída rápida da recessão, projeção que voltou a repetir em setembro daquele ano, ecoando, aliás, promessa de 2013, deve estar mais do que claro que não levo a sério nenhum pronunciamento seu. De qualquer forma, sua conhecida honestidade intelectual serve de mote para entender o que vem acontecendo com o país.

Por exemplo, entre os lamentos de Barbosa, destaca-se sua "surpresa" com a lentidão, dado que "o cenário internacional se tornou bem mais favorável ao Brasil desde 2016". [?] A verdade é que o cenário global, de maneira geral positivo, não é tão distinto daquele vigente durante a recessão.

[?]

Isto dito, é óbvio que a retomada da economia tem sido lenta, ponto que tenho feito repetidas vezes aqui neste espaço, bem como em outros. Em boa parte isso de seve à própria profundidade da crise, que criou imensa capacidade ociosa, fenômeno que deve manter o investimento baixo ainda por alguns anos.

A outra questão é a incerteza fiscal. Ao contrário, porém, do que Barbosa argumenta (o medo da austeridade renovada seguraria o investimento), é o receio do abandono prematuro do ajuste fiscal à luz do quadro eleitoral para 2018 que leva investidores a evitar se comprometer em prazos mais longos.

Se gasto público gerasse crescimento, o Brasil seria uma nação próspera, e Barbosa, o ministro da Fazenda. Tolerar Barbosa como ministro seria preço baixo a pagar pela prosperidade, mas a realidade costuma prevenir esse tipo de absurdo.

Como fica claro nos dois exemplos, ambos citam o nome de seus alvos, apontam suas falácias, mentiras, desonestidade, e tudo isso sem rodeios, sem concessões, sem tentar parecer "moderado" ou "isentão". Não é agressividade; é objetividade, clareza e coragem para dar nome aos bois.

Comparem isso às "críticas" de Míriam Leitão, premiada jornalista da mídia mainstream ?" e ícone da esquerda "moderada" -, ao PT. Para atacar petistas, Míriam quase pede desculpas, inclui direitistas na lista para soar mais "imparcial", e mal consegue citar o nome dos alvos, fica mais nas abstrações.

Quando a esquerda radical tinha que "enfrentar" só gente do tipo de Míriam Leitão era moleza! Como a vida era mais fácil, não é mesmo? Mas a moleza acabou. A "onda conservadora", que tanto apavora FHC, é real, e um de seus grandes méritos é esse: o confronto mais direto com a esquerda jurássica.

Se Alckmin pediu desculpas ao ser "acusado" de privatista, e colocou broches e boné com logos de estatais, a "nova direita" aponta para os fracassos do estatismo, defende com orgulho a privatização de todas as estatais e esfrega a corrupção petista possível por conta dessas estatais na cara de pau desses críticos.

O mundo mudou. O monopólio da virtude da esquerda acabou. Sua hegemonia confortável desapareceu. E é melhor já ir se acostumando, pois não voltará a época em que a esquerda "debatia" apenas com ela mesma, simulando uma pluralidade inexistente.
Herculano
14/12/2017 21:07
NUM GOVERNO LóGICO, LUISLINDA RECEBERIA ALFORRIA, por Josias de Souza

Luislinda Valois tornou-se ministra de Direitos Humanos de Michel Temer por ser negra, mulher e tucana. Já havia anulado os efeitos de sua feminina negritude ao requerer o direito de acumular uma aposentadoria de desembargadora com o contracheque de ministra. Imaginou-se que permanecia no cargo graças à sua filiação ao PSDB. Mas foi renegada pelo tucanato. Nesta quinta, desfiliou-se da legenda. E anunciou a pretensão de permanecer na Esplanada dos Ministérios.

O apego ao cargo causa espanto. Sobretudo quando se recorda que, sob a alegação de que sua situação, "sem sombra de dúvida, se assemelha ao trabalho escravo", madame Valois tentou embolsar, noves fora "atrasados" de cerca de R$ 300 mil, uma remuneração mensal de R$ 61,4 mil. Açoitada nas manchetes, a doutora recuou. Deu-se por satisfeita com a maior remuneração permitida por lei na administração pública: o teto de R$ 33,7 mil.

Antes de dar meia volta, a ministra soara assim numa entrevista: "Como é que eu vou comer, como é que eu vou beber, como é que se vai calçar? Eu, como aposentada, podia vestir qualquer roupa, podia calçar uma sandália havaiana e sair pela rua. Mas como ministra de Estado eu não me permito andar dessa forma. Eu tenho uma representatividade."

Num governo lógico, Luislinda teria sido enviada ao olho da rua no instante em que evocou a escravidão para beliscar um privilégio. Tendo sobrevivido ao inacreditável, teria sido demitida diante da retórica em que se misturaram num caldeirão de desfaçatez a dieta, o guarda-roupa e as havaianas. Tendo resistido ao impensável seria exonerada pela contradição de afeiçoar-se ao cargo que a escravizava.

Um governo lógico já teria dado a Luislinda uma carta de alforria. A ex-tucana continua ministra porque não pode ser lógico o governo presidido por um denunciado criminal, por onde já passaram Geddel Vieira Lima e Romero Jucá e que ainda abriga Eliseu Padilha e Moreira Franco. Num governo assim, Luislinda escravizará o contribuinte pelo tempo que desejar
Herculano
14/12/2017 21:05
REFORMA DA PREVIDÊNCIA FICA PARA FEVEREIRO, COM ANTECIPOU JUCÁ, por Reinaldo Azevedo

A reforma da Previdência deve ser votada em primeiro turno na Câmara no dia 19 de fevereiro. Os debates começam no dia 5, na volta do recesso.

"Mesmo em um ano eleitoral, vamos discutir este tema de forma transparente. Desta vez, em ano de eleição, dá para aprovar", afirmou o deputado. Eis Aí. Essa é uma declaração compatível com quem preside a Câmara, tem consciência da necessidade da mudança e pertence à base aliada do governo, que patrocina a emenda.,

Como Maia percebe, não é difícil fazer a coisa certa.

O governo estuda ceder na mamata reivindicada pelos tucanos. Disse o deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator:

"Os funcionários públicos que entraram antes de 2003, por terem direito a paridade e integralidade, não estão tendo uma regra de transição e há uma reivindicação forte para que se coloque regra de transição", afirmou Arthur Maia.

Ainda voltarei ao tema.

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