Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Depois de tantas 'traições' e bafafá, a Câmara de Gaspar está mudando o Regimento para derrubar a escolha secreta do presidente e da Mesa Diretora

15/08/2019

Ao sabor do vento I

Desde 2017 os vereadores de Gaspar estão para emendar a Lei Orgânica do Município e mudar o Regimento Interno da Câmara para tornar a atividade parlamentar mais transparente. É que as eleições da Mesa Diretora ainda se dão pelo voto secreto. Um parêntese: eu sempre advoguei o voto aberto. Afinal, é direito do eleitor saber como vota o seu representante no Legislativo. Na verdade, os vereadores trabalharam pouco para mudar. Eles escondiam seus joguinhos. Por isso, apanharam duas vezes na atual legislatura: os candidatos marcados para ganhar pelo poder de plantão, tiveram que amargar, choramingar e arrumar culpados por dois anos seguidos de derrotas. Agora, entre poucas e emergenciais mudanças que os vereadores fizeram, estão duas que consideram às mais importantes: o voto aberto para a eleição da presidência da Casa e o que dá mais poder para as decisões administrativas do presidente que até agora, corretamente, eram divididas com a eclética mesa diretora e por isso, geravam desconfortos.

Ao sabor do vento II

Todos sabem que a escolha da presidência da Câmara é um jogo de acertos das forças políticas no poder e na oposição. Todos sabem também, que político trata uma coisa, e se lhe dá o escurinho da urna, ele faz outra. As dúvidas ficam permanentemente no ar, pois, manhosa e propositadamente, não se dá ao trabalho de esclarecer que foi ele o traíra. As histórias nas Câmaras, não só a de Gaspar, são repetidas e folclóricas. Dariam páginas. Aqui já teve vereador que apresentou até atestado médico, cuja especialidade era ginecologia. Volto. Kleber indicou e até foi à sessão de dezembro de 2017 com a sua trupe e esposa para cumprimentar na vitória, Franciele Daiane Back, PSDB, a mais jovem vereadora de Gaspar e que representa o Distrito do Belchior. Viu Silvio Cleffi, PSC, da sua base, sua cria política, evangélico do mesmo templo ser eleito presidente pela oposição. Um desastre anunciado pelo próprio comportamento de Kleber e dos que cercam. Viu também, naquele ato, ficar quase todo o ano de 2018 em minoria na Câmara e por isso, falar miudinho, dar explicações, arrumar culpados. Viu também, o seu articulador político Carlos Roberto Pereira, advogado e presidente do MDB de Gaspar, correr da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa que a criou para si na cara Reforma Administrativa, para à caótica Saúde, de onde já voltou.

Ao sabor do vento III

Repetição. Kleber e o MDB escaldados, estruturaram outra que o voto secreto dos vereadores os desmoralizou. Cooptaram o líder e o mais ferrenho vereador contra o governo de Kleber, o que montou o esquema que elegeu Sílvio: Roberto Procópio de Souza. E prometeram à presidência da Câmara com os votos do MDB, PSC e PSDB, além de espaços para o aparelhamento do PDT na prefeitura. Aberta a urna, Ciro André Quintino, apesar de ser MDB que devia votar em Roberto Procópio, era vencedor. Procópio ficou pasmo. Foi acalmado. Ao menos, a maioria na Câmara foi salva neste ano de 2019 e à linha de frente da oposição ficou restrita aos vereadores Cícero Giovane Amaro, PSD, e Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Oposição que só ganha espaço por conta da teimosa vingança que caracteriza a gestão de Kleber e pelos erros grosseiros da sua equipe técnica, mas que é feita de gente empregada para atender interesses de composição política, partidária e eleitoral. Afinal, Kleber está em visível campanha à reeleição..

Ao sabor do vento IV

O Projeto de Emenda à Lei Orgânica que pretendia fazer mudanças profundas na Câmara, acabou sendo superficial. Veio rápido para apenas evitar um novo susto em dezembro deste ano. As mudanças tocaram num ponto do Regimento Interno da Câmara de interesse de Kleber e Roberto Pereira para não passarem por mais outra vergonha e fraqueza, naquilo que – por separação dos poderes - não deviam se meter: o Legislativo, até porque as feridas do Executivo são muitas, estão expostas e às curas sendo cobradas pela população, justamente às vésperas das eleições de outubro do ano que vem. Resumindo: a eleição do presidente da Câmara de Gaspar não deverá ser mais secreta, e no primeiro teste, todos os vereadores concordaram. Vai ficar mais difícil a traição, mas ficará mais cara à composição que será antecipada, aberta e movimentará os bastidores nas barganhas. Kleber já tem candidato: o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, ainda na presidência do Samae. Experimentado neste assunto no voto secreto onde venceu todas, agora com o aberto, dificilmente colherá surpresas. Se houver alguma surpresa... 

TRAPICHE

O Anel Viário (ou é Contorno? ou...) de Gaspar é um bicho caro e mal explicado. É feito para enganar gente decente, e também analfabeta, ignorante e desinformada. Primeiro não se sabe até hoje qual é direito o seu trajeto e nem compará-lo aos diversos projetos que já se fez, vantagens e desvantagens. Resumindo: a comunicação é desastrosa, é proposital.

Segundo, chegou-se ao ponto de se ter até trecho com obras licitadas, mas não se tem a terra comprada, negociada e agora com decreto de desapropriação do seu dono. Só depois. Na sexta-feira passada, informei à falta de desapropriação. O ato foi publicado na quarta-feira no final da tarde no Diário Oficial dos Municípios – aquele que se esconde na internet. A coluna de sexta-feira é feita na quarta pela manhã. Por enquanto, não há acordo. Então...

Terceiro. Na propaganda enganosa e político eleitoral, o poder de plantão vende obras de particulares – as únicas que andam dentro do prazo - como sendo suas. Então vamos por partes sobre este assunto, como diria Jack, O Estripador.

O ex-governador Raimundo Colombo, PSD, que na verdade era o prefeito de Lages, pagou R$700 mil pelo estudo de viabilidade econômica e outros R$2 milhões pelo projeto Executivo do tal Anel de Contorno. O trabalho não está pronto. Ele apenas provou ser esta uma obra cara demais, se executada como estava no papel: cerca de R$400 milhões.

O que aconteceu de verdade? Os políticos fizeram um projeto dos sonhos exatamente para não executá-lo. Não havia e não há essa dinheirama na escassez em que vivemos. O sonho no papel começou a ser desenhado em 2011. Foi apresentado em 2013. Em 2015, arquivado. Só quem ganhou com ele foi a Iguatemi nas medições no campo, na “papelada” e arquivos técnicos que produziu.

Aliás, a Iguatemi, também fez a revisão do Plano Diretor de Gaspar. Ele também não saiu do papel como desenhou. Entretanto, a Iguatemi levou à parte dela no governo do PT de Pedro Celso Zuchi. Afinal, fez o serviço dela. Enquanto os políticos e gestores públicos...

Voltando. O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, fala tanto nesse Anel de Contorno e que poucos sabem dizer por onde ele passará de verdade. No ano passado com a mesma Iguatemi ele contratou o projeto executivo. Está pagando R$560 mil em muitas coisas que ela aproveitará do que já fez para o governo do Estado. E esse “novo” projeto que já era para estar pronto, foi prorrogado para outubro. Hum!

E para completar este samba do crioulo doido dos políticos gasparenses.

Esta semana nas redes sociais, Kleber foi mostrar as obras da Rua Rodolfo Vieira Pamplona com a Rua São Bento, no bairro Santa Terezinha. Elas, segundo ele, fazem parte do tal Anel de Contorno de Gaspar.

Contudo, esta obra não é exatamente da prefeitura e só por isso, está saindo do papel. Ela está sendo executada por um particular, o empresário e ex-prefeito, Osvaldo Schneider, o Paca, MDB – aniversariante da semana. É um acordo compensatório imobiliário que fez com o município. Então... Acorda, Gaspar!

Simone Carime Makki Voigt está deixando Gaspar. Está de muda para Florianópolis. Ela é mulher de Irineu Voigt, assessor do juiz Renato Mastella que atuou aqui na Comarca. Simone atuava no Procon e queria ser a titular.

Com a promoção de Mastella para a Capital, Irineu foi junto. Simone, por sua vez, deslocada para o Samae para ser, sem expertise, a Diretora de Compras e Licitações. Estava insatisfeita. O Procon de Gaspar por acordo político voltou às mãos de Roberto Procópio de Souza, PDT, tutor das indicações política. Simone vai atuar no Procon estadual.

 

Edição 1914

Comentários

Herculano
17/08/2019 10:10
da sérei: para ler, refletir, ler, refletir...

EXISTE ALGO GRAVE NA NOSSA ECONOMIA

Conteúdo e entrevista de Clayton de Souza, na Revista IstoÉ

O economista Marcos Lisboa tem se firmado como uma das vozes mais influentes no debate econômico nos últimos anos. Após participar do primeiro governo Lula como secretário de Política Econômica, despertou reações ao criticar os rumos da gestão Dilma, e anteviu a crise que se seguiria. Agora, ele alerta sobre o fato de que o País estará condenado à estagnação e ao crescimento baixo se as reformas como a da Previdência não forem logo implementadas. "É preciso reconhecer que existe algo de grave na nossa economia", afirma. Lisboa considera que o governo está lento na agenda de privatizações. Pior: acha que não tem sido eficiente para melhorar o ambiente de negócios e atrair mais investimentos: "A medida da liberdade econômica me decepcionou profundamente. A impressão que fica, com raras exceções no governo, é que existe boa intenção, mas pouco conhecimento técnico." Sobre a Reforma Tributária, o próximo grande projeto que vai mobilizar o Congresso e pode ajudar a destravar a economia, ele é enfático: "Voltar à CPMF é inacreditável".

Como o senhor vê as propostas de Reforma Tributária que incluem uma nova CPMF?

O Brasil perdeu o bonde da história. Mais de 150 países usam o imposto sobre valor agregado (IVA), que é bastante simples. Você paga sobre o que vendeu, descontado o que seus fornecedores já recolheram. É simples, padrão. Temos um sistema tributário completamente deformado, e isso aparece em diversos indicadores.

O contencioso entre a Receita Federal e as empresas representa 12% do PIB. Esse número não existe em outro país. É resultado de regras ruins. No ICMS o problema é maior ainda. Voltar à CPMF é inacreditável. Os poucos países arrumados que adotaram um imposto sobre movimentação financeira o abandonaram. Há um que o mantém, com uma alíquota elevada, de 2%: a Venezuela. É surpreendente que lideranças empresariais e o próprio governo pensem em fazer um imposto que, nessa proporção, só existe na Venezuela. É descabida essa tributação. Entendo o medo dos empresários, que receiam pagar mais impostos. Precisamos então tratar da informalidade, dos problemas. Mas não vamos criar um espantalho completamente descabido, que ninguém razoável no mundo usa, porque se tem medo de pagar um pouco mais.

A Reforma da Previdência no seu formato atual é suficiente para resolver o problema fiscal?

Precisamos derrubar alguns mitos. Primeiro, a Reforma da Previdência não resolve o problema fiscal. Ela faz com que a situação pare de piorar. Na melhor das hipóteses, vai estabilizar o gasto em relação ao PIB. Vamos precisar de outras reformas para economizar dinheiro. Segundo, o problema dos estados é grave. A reforma precoce de professores e PMs é um problema para eles. Por que professores precisam ter aposentadoria precoce em relação a outras profissões? Em que medida seus trabalhos são mais desgastantes ou estressantes do que os de um médico de UTI? Em diversos estados 70% dos gastos com aposentadoria são com PMs e professores. Esse é o drama brasileiro. O oportunismo, o autointeresse exacerbado e a falta de solidariedade são típicos. O agronegócio não quer pagar contribuição para a Previdência. A indústria diz que precisa de crédito subsidiado e proteção contra os estrangeiros. Esse egoísmo dos diversos grupos de interesse explica o motivo pelo qual o Brasil ficou para trás.

O Banco Central baixou a Selic. Os juros menores vão impulsionar a economia? Em outras palavras, a política monetária sozinha pode levar à retomada econômica?

Imaginar que a política monetária ajuda o crescimento é um equívoco que a gente comete há anos. Ela controla a inflação e ajuda a atividade. Os juros estão caindo por uma razão ruim, pois a economia está muito fraca. Pela queda que ocorreu, já devia ter se recuperado. Isso é um sinal preocupante de como a economia está frágil. Há sinais um pouco positivos. Esse ano vamos terminar com crescimento ao redor de 1%, talvez um pouco menos. É possível que, 12 meses à frente, possamos crescer 2%. Mas o nosso crescimento potencial, sustentado, é de 1% ou menos. Isso é uma má notícia.

E no curto prazo?

Podemos ter uma retomada maior no curto prazo pela capacidade ociosa, mas não será sustentável. A economia brasileira está muito machucada. Vamos crescer pouco, a menos que façamos diversas reformas difíceis e importantes.

As polêmicas criadas pelo presidente Jair Bolsonaro e sua pauta de costumes põem em risco a agenda de reformas?

Certamente esse ruído tem atrapalhado. Passa a Previdência e começamos a discutir nomeação de embaixador, como se fosse algo relevante. Isso cria uma insegurança nas pessoas sobre se o governo sabe para onde está indo e o que é prioridade. Aparentemente não, em muitos casos. Porém, precisamos ressaltar as exceções. O País tem uma dívida com o Rogério Marinho pela Reforma da Previdência e com o Mansueto Almeida pela clareza com os problemas fiscais. Mas parece que boa parte do governo se perde em problemas menores, em um País que está estagnado há uma década.

A polarização política e a falta de consensos ameaçam o enfrentamento das questões estruturais, como educação, saúde e segurança?

Nada mais parecido no Brasil do que a extrema esquerda e a extrema direita. Basta ver a Reforma da Previdência. A esquerda dizia que não havia déficit, não havia problema. Afirmava que serviria para ajudar alguns setores, haveria interesses escusos. E o pior é que uma parte da direita tem a mesma combinação de superficialidade e leviandade no discurso. É preocupante. Há muitos problemas relevantes, e no entanto fica uma briga de comadre entre a esquerda e a direita, um difamando o outro de maneira disfuncional.

A guerra comercial EUA-China ameaça o Brasil?

Esse é outro ponto preocupante. É preciso um mínimo de responsabilidade, porque o mundo hoje é mais instável, difícil. O País precisa cuidar dos seus fundamentos para que possa crescer de forma minimamente sustentável. Uma parte da América Latina foi bem-sucedida. O Chile conseguiu crescer, o Peru, a Colômbia, o Panamá. E outra parte insiste nesses discursos disparatados. Há um país, há anos, que empobrece lentamente: a Argentina. Outro escolheu o lado do penhasco: a Venezuela. Infelizmente, o Brasil parece estar entre os dois.

Os acordos de livre comércio com a União Europeia e talvez com os EUA podem acelerar o crescimento?

O acordo com a União Europeia é ótimo. É um processo de dez anos, que requer muitas medidas e ações. Mas boa parte do que um acordo como esse com a UE requer é cuidar do meio ambiente. Parece que de um lado se quer fazer o acordo, de outro, não. O Brasil é um país estranho. É um dos mais fechados ao comércio industrial. Há restrições de tarifas, técnicas. Esse é um clube que integramos com alguns países africanos muito pobres. Há a burocracia, as regras de conteúdo nacional. É um pesadelo trazer uma máquina mais eficiente do exterior. Esses anúncios ufanistas são bacanas, mas temo a frustração, pois não estamos fazendo o dever de casa. São temas que estão na mão do governo federal.

As privatizações estão caminhando no ritmo adequado?

O Brasil está mais do que atrasado. Há resistências de quem quer ser oposição - pois tem de falar mal do governo - e dos sindicatos, dos servidores. Por outro lado, na campanha, o governo prometeu mais do que tem. Já podia ter privatizado a Eletrobras. Por que está tão lento? Privatizar diversas empresas é bom, mas não vai resolver o problema do País. Fico frustrado de esse processo demorar tanto. Em termos de saneamento, ainda somos reféns das empresas estaduais. Por que isso não andou?

O combate à corrupção ainda é um dos principais desafios do País?

É fundamental. O Brasil deu um salto imenso, mas é importante entender também o que o permitiu. Esse é um problema histórico. A causa foi o Estado grande com poder discricionário. Numa hora você quer fortalecer uma grande empresa estatal, e o diretor pode decidir construir isso ou aquilo. Quando se cria esse poder público gigantesco com tamanho poder decisório, nas mãos de diretores de estatais, abre-se espaço para a corrupção. Se o País acha razoável regras tributárias tão diferenciadas, essa meia entrada generalizada, você abre espaço para a corrupção. Às vezes se dá o benefício por boas intenções. Outras vezes, pelas razões erradas. É preciso resgatar o princípio republicano de tratar os iguais como iguais. E dar transparência à concessão de benefícios. Toda vez que ela é obscura, abre-se margem para o malfeito. Não se deve concedê-los por meio de isenções tributárias. Isso deve ser feito via orçamento, gasto, jamais via tributação. Ela não é o mecanismo adequado para fazer política pública. a não ser em casos excepcionais.

O liberalismo econômico nunca foi popular no País. A agenda do ministro Paulo Guedes vai prosperar?

Acho que isso vem mudando no Brasil há uns 20 anos. Começou no final do governo Sarney, com a abertura comercial, além das privatizações que vieram no governo Collor e Itamar. A introdução das agências reguladoras no governo FHC... Mesmo o governo Lula, no começo, preservou essa agenda. Tivemos um retrocesso imenso a partir de meados do segundo governo Lula e no governo Dilma. Vamos pagar por isso por muito tempo. O estrago do governo Dilma é equivalente ao estrago do governo Geisel. Houve destruição e má alocação de recursos, o sistema tributário virou um pesadelo. Essa disfuncionalidade é uma das responsáveis pela pobreza no Brasil. O que está me preocupando é que está havendo muito discurso e pouco resultado. A medida da liberdade econômica me decepcionou profundamente, não foi bem feita. Precisamos enfrentar os problemas, e não criar regras gerais, princípios. A impressão que fica ?" com raras exceções no governo ?" é que existe boa intenção, mas pouco conhecimento técnico de como implementar as medidas. Acabam vendendo pílula do câncer.

Haverá retomada econômica?

Olha a demora para a recuperação. O estado ao qual o Brasil chegou. Se alcançarmos 2% de crescimento vamos ficar aliviados - uma economia com 12 milhões de desempregados e que andou para trás na última década. Isso depois da imensa queda de juros desde o governo Temer. É preciso reconhecer que existe algo de grave na nossa economia, ou estaremos condenados à estagnação e ao crescimento baixo por mais uma geração. Meu receio é que, depois de crescermos 2%, volte a crise. Tem sido assim recorrentemente.
Herculano
17/08/2019 10:02
PSL AGUÇA A ESTRATÉGIA PARA 2020, por Roberto Azevedo, no Makingof

O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro e do governador Carlos Moisés da Silva, lançará entre 100 e 120 candidatos a prefeito no Estado, garante o presidente da sigla, o deputado federal Fabio Schiochet, com ênfase já mapeada nos 30 maiores municípios catarinenses.

Schiochet não esconde que a prioridade, neste momento, está na elaboração de uma grande nominata de candidatos a vereador, que, a partir de 2020, disputam em chapa pura, sem a coligação com outras siglas.

O perfil dos candidatos, que passam por uma escola de formação de líderes até semana que vem, e que, a partir de janeiro, reforçam os conceitos em uma espécie de "cursinho pré-vestibular", como cita Schiochet, é o de pessoas da direita, que apoiaram Jair Bolsonaro, sem que sua candidatura esteja vinculada à onda que elegeu o presidente da República, mas sim ao conceito ideológico.

O veto natural recai sobre os partidos de esquerda, PT, PCdoB e segmentos do PSB, e ao outro lado do espectro político, com uma "certa mágoa do PSD", pela disputa no segundo turno, no ano passado ao governo, embora, reforce Schiochet: o foco está na pessoa, que não seja ficha suja ou tenha uma postura diferente do que o pregado por Bolsonaro.

Fora e dentro do radar

O PSL já avisa que aproximações como cargos ou secretarias para abrigar seus filiados e assegurar composições nas prefeituras estão fora de cogitação.

Schiochet lembra que o partido "não quer e nem precisa disso", mesmo que não descarte, por exemplo, coligações com MDB, PSDB ou DEM, desde que o nome da sigla à mesa seja de direita e tenha um histórico neste sentido.

Na lista

Pelo menos dois deputados estaduais estão mapeados pelo comando pesselista catarinense para concorrer às prefeituras de Blumenau e Itajaí: Ricardo Alba (líder da bancada) e o Coronel Onir Mocellin (vice-líder do governo).

O governador Carlos Moisés e o presidente Fabio Schiochet também miram em um federal, Daniel Freitas, que resiste ainda disputar a prefeitura de Criciúma e ganhou um prazo para se decidir até dezembro. Schiochet se exclui de qualquer lista e afirma que, por conceito próprio e definição, foi eleito deputado para cumprir o mandato, embora tenha sido o mais votado na região de Jaraguá do Sul, que também elegeu o emedebista Carlos Chiodini.

Especulações

O presidente estadual desfaz a ideia de que o PSL está atrás de prefeitos que concorrerão à reeleição para filiar à sigla.

Lembra dois casos locais de sua base, os de Guaramirim, Luiz Antonio Chiodini, o Professor Chiodini (PP), e de Araquari, Clenilton Pereira (PSDB), que seriam bons nomes para receber um convite, mas não o foram.

Pesquisa na rua

O PSL faz uma pesquisa nos principais 30 municípios para saber sobre os nomes e perfis que caem na preferência do eleitor.

O levantamento deve estar pronto em 15 dias.

NA CAPITAL, UMA POSIÇÃO FIRME!

O coronel da reserva remunerada do Corpo de Bombeiros Militar e ex-comandante-geral da corporação Edupércio Pratts, o delegado da Polícia Federal Edgar Lopes, que disputaram para deputado federal; e o advogado Tiago Frigo, que concorreu a deputado estadual, todos do PSL e pré-candidatos em 2020. Juntos, dos mais de 84, 2 mil votos que conquistaram nas urnas, 23,5 mil foram em Florianópolis. Agora, unidos em torno da formação do diretório do partido na Capital catarinense, que ainda não tem sequer definida a nominata da Comissão Provisória, temem que a liderança para comandar o PSL e ser o nome para concorrer à prefeitura venha de fora, importada. Com eles também estão os integrantes da Direita Conservadora, Pedro Neves, João Padilha e Rejane Varela.

O indício

Os pesselistas da Capital fazem um cálculo interessante, já que, a um ano das convenções partidárias, o prefeito Gean Loureiro, o deputado estadual Bruno Souza e até o ex-vereador e hoje diretor estadual do Procon, Tiago Silva, estão sem partido e podem ser alcançados por algum projeto da sigla.

O presidente estadual do PSL garante que, na semana que vem, haverá uma decisão sobre o comando em Florianópolis, mas que, além dos grupos de Edupércio, Lopes, Frigo e da Direita Conservadora, não pode ser desconsiderada a liderança do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente do partido e vereador em Tubarão Lucas Esmeraldino, que concorreu a senador.

Opiniões divididas

O grupo que se propõe a organizar o partido na Capital considera que Esmeraldino, se vir a ser candidato, ganharia o fato como "um prêmio de consolação", algo que se somaria a outros dispostos a entrar na briga.

Porém, Fabio Schiochet aponta para outro nome forte: o atual presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública do Estado e comandante-geral da Polícia Militar, coronel Araújo Gomes, para concorrer a prefeito. Com uma ressalva: "Se ele (Araújo Gomes) quiser e o governador Moisés deixar!"

A bronca

A Federação da Agricultura de Santa Catarina (Faesc) emitiu carta aberta ao governador Carlos Moisés da Silva a quem a acusa de não respeitar a atividade do agronegócio catarinense, responsável por 70% das exportações catarinenses, ao retirar os incentivos fiscais dos agrotóxicos, cuja alíquota do ICMS pulou de 0 para 17%.

O tom do documento, assinado pelo presidente da entidade, José Zeferino Pedroso, é o de enfrentamento e vem acompanhado de uma série de ações que envolvem políticos, uma verdadeira ofensiva deflagrada nesta sexta (16), que pega pesado na projeção de que todo o movimento do governo catarinense resultará em aumento de preço e prejuízo para a sociedade.

As companhias

Quase que simultaneamente, a Federação Catarinense de Municípios (Fecam), presidida pelo prefeito Joares Ponticelli (PP), de Tubarão, e o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) divulgaram notas à imprensa, nesta sexta (16), onde o tema aumentar a alíquota do ICMS, principalmente sobre os agrotóxicos, é o dominante.

Os dois engrossam a pressão empresarial e desenham um cenário de grave crise a partir da medida, na mesma linha adotada por Merisio, e relatam o aumento de preços de produtos do agronegócio, a falta de competitividade e o impacto na vida do produtor como consequência da Tributação Verde, sem contextualizar que o tema terá, mais cedo ou mais tarde, que ser enfrentado pelo setor produtivo por ser uma tendência mundial. A pressão é grande.

S?" MUDA O ENDEREÇO

Pode ser em qualquer região do Estado, a busca de soluções para a saúde iguala os catarinenses na prioridade do setor. Em situações como esta não há distinção partidária, pois alia, neste caso, os parlamentares Mauro De Nadal (MDB), vice-presidente da Assembleia; Moacir Sopelsa (MDB); Neodi Saretta (PT), presidente da Comissão de Saúde; Mauricio Eskudlark (PL), líder do governo Carlos Moisés; Marlene Fengler (PSD), Luciane Carminatti (PT) e Altair Silva (PP). O Hospital Regional do Oeste é uma das maiores instituições públicas de Santa Catarina, atende mais de 1 milhão de pessoas em toda região, e a bancada quer estreitar o contato da direção local com o governador Carlos Moisés e o secretário Helton de Souza Zeferino, um pedido de audiência foi feito pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMs).

Revés

Só uma reversão de votos dos quatro ministros que já se posicionaram a favor da confirmação do registro da candidatura a deputada federal de Ivana Lais (PT), a maioria do Superior Tribunal Eleitoral, impedirá que ela tenha garantidos os 495 votos que obteve, o que levaria Ana Paula Lima (PT) a ocupar a vaga de Ricardo Guidi (PSD), na Câmara dos Deputados.

O julgamento do processo parou na última quinta (15), quando o ministro Luís Roberto Barroso pediu vista. Tem gente que já está torcendo para que João Rodrigues (PSD) consiga o reconhecimento pelo STF da decisão do STJ que considerou que a pena imposta a ele prescreveu para que o ex-parlamentar assuma no Congresso. A clássica disputa de três para uma cadeira.

Alcatraz

A denúncia do Ministério Público Federal contra 17 pessoas investigadas pela Polícia Federal na Operação Alcatraz sobre supostas fraudes em licitações e contratações de serviços terceirizados foi aceita pela juíza federal Janaina Cassol Machado, da 1ª Vara Federal de Florianópolis.

São eles: Luiz Ademir Hesmann (ex-presidente da Epagri), Danilo Pereira, Maurício Rosa Barbosa, Flávia Coelho Werlich, Fábio Lunardi Farias, Décio Luiz Rigotto, Fabrício José Florência Margarido, Eduardo Suekiti Almeida Shimokomaki, Lia Carneiro Pessoa de Paula Frota, Thiago Sartorato, Éderson Clóvis de Oliveira Santos, Rafael Pedro Gepes Silva, Renato Deggau, Nelson Castello Branco Nappi Júnior (ex-secretário adjunto estadual de Administração), Luiz Carlos Maroso, Michelle Oliveira da Silva Guerra e Cristiane Rios dos Santos Castello Branco Nappi. Os delitos são diferentes para cada réu e alguns acumulam várias denúncias.
Herculano
17/08/2019 09:47
SENERENATA PARA RODRIGO MAIA

Conteúdo de O Antagonista. O Vem Pra Rua do Rio de Janeiro convocou manifestação para o próximo dia 25, um domingo, em frente ao prédio onde Rodrigo Maia tem apartamento na capital fluminense.

O grupo pretende protestar, entre outras coisas, em razão da aprovação da Lei de Abuso de Autoridade.
Herculano
17/08/2019 09:42
da série: à falta de controle da sua própria língua, à incompreensão até agora da importância, bem como da liturgia do cargo, torna Jair Messias Bolsonaro, PSL, um banana, uma Rainha de Inglaterra, inflige a sim próprio derrotas em público e o enfraquece nas suas própria bravatas.Como ele não aceita conselho, é um mau conselheiro de si mesmo e vai perdendo para si próprio achando que pode tudo, mas as circunstâncias e os fatos mostram que não.

BOLSONARO ABRE CRISE COM A PF APóS INTERFERÊNCIA NO RIO

Conteúdo do site Congresso em Foco. "Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu", disse Bolsonaro em relação ao escolhido para comandar a PF no Rio. Instituição está sob comando do ministro Sergio

A interferência do presidente Jair Bolsonaro na nomeação do novo superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro abriu uma crise entre o presidente e a cúpula da instituição, comandada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. O diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, e delegados ameaçaram entregar seus cargos em forma de protesto ao anúncio feito pelo presidente de que substituiria o superintendente do órgão no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, por Alexandre Silva Saraiva, que hoje comanda a superintendência no Amazonas.

Valeixo se incomodou com duas declarações dadas pelo presidente entre quinta e sexta-feira. Bolsonaro atribuiu a saída de Saadi a problemas de "gestão" e "produtividade" - o que a instituição nega enfaticamente em nota - e ignorou a decisão do diretor-geral de nomear o atual superintendente em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira Sousa, para o cargo no Rio de Janeiro. Essa foi a primeira vez que um presidente da República anunciou a troca de um superintendente da Polícia Federal.

Pela manhã, Bolsonaro disse a jornalistas que dá liberdade aos seus ministros, mas que quem manda é ele. Segundo o presidente, Saadi seria substituído por Saraiva e não por Carlos Henrique, conforme anunciado anteriormente.

"O que eu fiquei sabendo, se ele [Valeixo] resolveu mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu. Deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu. Pelo que está pré-acertado, seria o lá de Manaus [Saraiva]", afirmou. "Pergunta para o Moro. Já estava há três, quatro meses para sair o cara de lá. Está há três, quatro meses. O que acontece, quando vão nomear alguém, falam comigo. Ué? Eu tenho poder de veto. Ou vou ser um presidente banana agora?", emendou.

De acordo com a Polícia Federal, Saadi pediu para deixar o cargo por questões particulares e não por "problemas de gestão" e "produtividade", como alardeado pelo presidente. A tensão provocado por Bolsonaro aumentou a pressão da cúpula da instituição sobre o ministro Sergio Moro, também desautorizado pelo chefe do Executivo.

Após a reação dos policiais, Bolsonaro amenizou o tom das declarações na tarde dessa sexta. "Tanto faz para mim. Eu sugeri o de Manaus, e se vier o de Pernambuco não tem problema, não", afirmou. Saraiva, o preferido do presidente, é amigo de sua família e chegou a ser cogitado para comandar o Ministério do Meio Ambiente.

Flávio

Bolsonaro anda contrariado com a atuação da PF no Rio. Entre as investigações mais importantes em curso no estado estão a que apura a relação de milícias com políticos estaduais e a que envolve a chamada "rachadinha", prática que consiste na devolução de parte de salário de parlamentares a assessores.

O caso do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente e ex-deputado estadual, não está com a PF, mas com o Ministério Público Estadual. O presidente entende que Saadi pouco fez para evitar o que chama de excessos nas investigações.

Nos últimos dois meses Bolsonaro interferiu em outros dois órgãos que também municiaram investigações contra Flávio Bolsonaro. Ele determinou a substituição do superintendente da Receita Federal, o que também provocou uma ameaça de rebelião, e a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Justiça para o Banco Central. O presidente alega que seu filho primogênito teve as contas devassadas de maneira ilegal com o objetivo de tentar atingir a sua imagem.
Herculano
17/08/2019 09:20
da série: para o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, ler e escolher melhor seus conselheiros que estão afundando o seu governo como fez de forma mais política o prefeito der Lages, Raimundo Colombo, PSD, e por isso, levou uma sova nas urnas. O povo não é mais bobo. É dele, inclusive do desempregado, que vem a dinheirama para suportar má gestão, falta de inovação e coragem e muitos, muitos privilégios para poucos

VITIMIZAÇÃO,Marcos Mendes, doutor em economia, no jornal Folha de S. Paulo

Já passou da hora de os estados deixarem de empurrar a responsabilidade para a União

Em seu novo livro, "Upheaval", o historiador Jared Diamond mostra as condições necessárias para que indivíduos e nações superem crises. Ressalta a importância de fazer uma avaliação honesta, ainda que dolorosa, das causas dos próprios problemas. E encarar o desafio de resolvê-los. Negar a responsabilidade, culpar terceiros e assumir papel de vítima são a fórmula do fracasso.

Recomendo o livro aos nossos governadores e deputados estaduais.

Os estados estão em uma crise fiscal e administrativa que decorre tanto de decisões equivocadas de seus próprios gestores, ao longo de vários mandatos, quanto de uma legislação federal que lhes impõe despesas obrigatórias.

Virada a página da Previdência, a crise dos estados é o nosso maior problema fiscal e social. Só se resolve a crise com a combinação de gestão responsável e reformas fiscais.

A folha de pagamento estadual pulou de 50% para 63% da receita corrente líquida entre 2008 e 2017. Crescimento médio de 4% ao ano acima da inflação.

Estados pobres, com renda per capita abaixo de R$ 1.000, remuneram servidores em mais de R$ 30 mil. Professores, policiais e bombeiros se aposentam antes dos 50 anos. E vemos governadores na TV dizendo que a reforma da Previdência não lhes interessa.

Muitos lutam contra a privatização de ineficientes estatais de saneamento, de energia e bancos. Há os que tentam reverter privatizações já realizadas. Tribunais e Assembleias de estados falidos acumulam incríveis saldos de caixa, apesar de não economizarem em suas sedes, consumo e salários. A renúncia de receitas do ICMS come parcela elevada da arrecadação de alguns estados.

E o que se ouve no discurso público? Que a culpa é da União. Na coluna passada, já mostrei que não existe a propalada concentração de receitas fiscais na União. Mas há mais munição na cartucheira da vitimização. A preferida de muitos é dizer que a dívida que têm com a União é injusta e cara.

É comum ouvir argumentos do tipo: "A dívida era de R$ 400 bilhões. As parcelas já pagas pelos estados somam R$ 500 bilhões. E os estados ainda devem R$ 500 bilhões". Espertamente ignoram-se os juros devidos. E que o saldo só não caiu mais rápido porque, por demanda estadual, houve limitação no valor das prestações mensais e sucessivos aumentos de prazos. Apesar disso, o passivo estadual com a União caiu de 17,8% do PIB em 2002 para 9,8% em 2018.

A história do endividamento dos estados com a União começa nos anos 1980, e o roteiro é de irresponsabilidade fiscal estadual, com socorro federal arrancado mediante pressão política. Foram nada menos que dez episódios de renegociação desde 1987. Todas as renegociações envolveram ou desconto no valor da dívida ou juros camaradas. Na maior das renegociações, feita em 1997 (lei 9.496), o desconto concedido no saldo devedor chegou a 20% para alguns estados, com a União assumindo esse custo junto aos credores originais.

Já passou da hora de os representantes estaduais encararem a realidade e deixarem de se vitimizar e empurrar a responsabilidade para a União. Alguns poucos já o estão fazendo.

O governo federal também já viveu seu período de vitimização e responsabilização de terceiros. O auge desse comportamento foi a moratória da dívida externa de 1987, que nos conduziu à hiperinflação. Só quando assumimos nossa responsabilidade, reformando as instituições fiscais e monetárias, conseguimos estabilizar a economia.

Se não estamos bem, a Argentina é um alerta de que poderíamos estar pior, caso persistíssemos no autoengano.

Na próxima coluna falarei da obra-prima da vitimização: as contas fantasmas da Lei Kandir.
Herculano
17/08/2019 09:00
LEI CONTRA ABUSO PROTEGE CIDADÃO, AFIRMA JURISTA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A Constituição é estatuto dos direitos dos brasileiros, mas o projeto de abuso de autoridade, aprovado pelo Congresso, ajudará na proteção desses direitos. Para o criminalista Fernando Parente, o texto atualiza a legislação para representar eventuais abusos cometidos e "protege o cidadão contra os excessos e má fé do agente público". Apesar disso, e ao contrário do que muita gente imagina, inclusive o presidente Jair Bolsonaro, o projeto aprovado não prevê penas duras como de prisão.

HIPóTESE REMOTA

Prisão em regime fechado só em caso abusos reiterados da mesma autoridade, mas essa hipótese é remota, segundo Fernando Parente.

LIVRES, LEVES E SOLTOS

Nota técnica do Ministério da Justiça advertiu ontem que a nova lei pode inviabilizar a atuação do Ministério Público e da Polícia Federal.

PRÁTICA COMUM

"O abuso é prática perniciosa e comum na administração pública", diz o advogado Willer Tomaz, que foi alvo de operação policial no caso JBS.

ANULAÇÃO E PUNIÇÃO

Tomaz diz que o STJ já invalidou provas em caso de invasão policial ilegal em domicílio. O projeto prevê punição dos agentes, explica.

JEFFERSON LEVA PARA O PTB POLÍTICO QUE O INVESTIGOU

O ex-senador Delcídio Amaral mostra que na política o mundo também dá voltas. Líder do governo Dilma Rousseff que acabaria preso, ele assinou ficha de filiação ao PTB. Delcídio virou personagem nacional na presidência da CPI dos Correios, que investigou o mensalão criado pelo o governo Lula para subornar políticos. Entre os investigados pela CPI estava o deputado Roberto Jefferson... atual presidente do PTB.

PRESTÍGIO PESSOAL

A filiação de Delcídio ao PTB foi prestigiada pelo próprio Roberto Jefferson, que cumpriu pena de prisão no processo do mensalão.

ELOGIOS DERRAMADOS

Jefferson elogiou muito o comandante da CPI dos Correios, que o pegou: "determinado, experiente, preparado, que agrega e constrói".

RETOMANDO A CARREIRA

Após derrotas e vitórias na Lava Jato, Delcídio Amaral tenta retomar sua carreira política interrompida com sua prisão, em 2017.

FÃ-CLUBE NO GOVERNO

Pós-doutor pelo Inpe, Alfredo José Barreto Luiz ganhou admiradores no Planalto com o artigo que, já em 2016, apontava "falácia" no discurso sobre desmatamento brasileiro, até por ofuscar "outros grandes e mais urgentes problemas ambientais", como falta de saneamento básico.

BOQUINHAS AMEAÇADAS

ONGs estão inconformadas com a perda dos milhões de abestados da Alemanha e Noruega em troca de suas mentiras sobre a Amazônia. Agora dizem que "fiscalizações" (sic) do Ibama estão ameaçadas.

MANDOU MAL

Ficou ruim para o presidente do Senado Davi Alcolumbre, ceder à pressão de senadores que se recusam a trabalhar às segundas e sextas, em um país cujos trabalhadores ralam tanto para ganhar a vida.

ESQUERDA, VOLVER

O comando do PSL de Jair Bolsonaro em Sergipe foi entregue a um deputado, Rodrigo Valadares, de conhecidas ligações a setores de esquerda, incluindo o PT. Bolsonaristas-raiz estão inconformados.

ARMA PARA TODOS

O projeto de lei que altera o Estatuto do Desarmamento prevê porte de armas para auditores da Receita Federal, auditores e fiscais do Trabalho, auditores fiscais e analistas tributários.

UM HOLOFOTE PARA CADA

Em menos de um ano, deputados federais da atual legislatura criaram 243 frentes parlamentares entre fevereiro e agosto. Tem até frente que defende "apoio ao protagonismo infanto-juvenil".

DIPLOMATAS MUNDO AFORA

O presidente Bolsonaro fez 21 indicações de diplomatas para postos no exterior, até agora. Foram 18 titulares de embaixadas e três de representações junto a organismos internacionais como CPLP e ONU.

SURTO DE SARAMPO

Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde do dia 13, são 53 os municípios brasileiros "em situação de surto de sarampo"; 49 deles estão do estado de São Paulo, incluindo a capital e Santos.

PENSANDO BEM....

....pode não parecer, mas nem todos os males começam em Brasília
Herculano
17/08/2019 08:54
CONSEQUÊNCIA ECONôMICAS DO SR. TRUMP, por Demétrio Magnoli, geógrafo e geólogo, no jornal Folha de S. Paulo

Sob o fetiche do déficit, o governo dos EUA empurra o mundo para o abismo

Não foi Donald Trump, mas Barack Obama, que encerrou quase meio século da parceria informal entre EUA e China articulada por Richard Nixon em 1972.

A cisão era inevitável: um fruto do fim da Guerra Fria e da ascensão chinesa à condição de potência global.

Contudo, Trump conduziu a rivalidade estratégica ao campo da guerra comercial e, diante da resistência chinesa, ameaça deflagrar uma guerra cambial.

Há 90 anos, uma corrida ao fundo do poço da mesma natureza desaguou na Grande Depressão.

Se Trump não fosse o Tariff Man, como se intitulou, formaria uma extensa aliança de potências para obrigar a China a desviar-se da prática de violações da propriedade intelectual das empresas estrangeiras que operam em seu território.

Mas, inspirado por assessores como Peter Navarro e Robert Lighthizer, o presidente americano segue a estrela do nacionalismo econômico primitivo.

Nessa moldura, o déficit no intercâmbio de bens, um espelho da pujança econômica dos EUA, converte-se no mal a ser erradicado. Sob o fetiche do déficit, seu governo empurra o mundo para o abismo de uma recessão geral.

A guerra comercial diminui a renda de americanos e chineses. Na ponta dos EUA, as tarifas impostas sobre produtos chineses equivalem a um forte aumento de tributação sobre os consumidores.

Na ponta da China, reduzem as taxas de crescimento econômico, provocando desvalorização da moeda.

Mas, por fatores políticos, não se concretiza a expectativa racional de um acordo de paz comercial.

Trump segue obcecado com o déficit e aposta nos dividendos eleitorais do confronto com o "inimigo externo".

Xi Jinping não pode retroceder sem macular a imagem de líder inconteste, "o segundo Mao", elaborada para entronizá-lo como presidente eterno, especialmente no momento em que enfrenta o desafio da revolta em Hong Kong.

"Guerras comerciais são fáceis para vencer". A resistência chinesa, expressa em restrições às importações de produtos agrícolas americanos, transforma a declaração original de Trump num espectro que o atormenta. Diante do fracasso da ofensiva tarifária, seu governo deixa-se seduzir pela tentação da escalada rumo à guerra cambial.

Depois de qualificar a China como "manipulador cambial", a Casa Branca pressiona o Fed (banco central dos EUA) a desvalorizar o dólar, às custas de brusca redução dos juros e, talvez, da compra em massa de moeda chinesa.

Se o Fed ceder, tornando-se um utensílio das políticas presidenciais, manchará a credibilidade dos mercados de capitais dos EUA e da própria moeda do mundo.

A China manipulou o câmbio, mas apenas até 2010. De lá para cá, pelo contrário, o governo chinês promoveu a apreciação do renminbi, a fim de atrair investimentos.

A decisão recente de permitir a desvalorização para além da fronteira simbólica de sete iuans por dólar é consistente com a retração das taxas de crescimento chinesas.

Ela suaviza os efeitos das tarifas de Trump e impede uma redução significativa do déficit americano. Mas, sobretudo, prepara a economia da China para uma guerra comercial prolongada.

A hipotética elevação do conflito ao patamar de guerra cambial destruiria o já frágil equilíbrio da economia global. A moeda chinesa experimentaria novas desvalorizações e, refletindo as baixas taxas de crescimento na Europa, o euro seguiria pelo mesmo caminho, numa espiral de contração irresistível.

O sistema internacional das economias abertas criado no pós-guerra sucumbiria à pulsão nacionalista da
maior potência mundial.

A tormenta pega o Brasil no contrapé. "Cada vez mais apaixonado por Trump", o governo Bolsonaro sabota nossa rede multidirecional de relações externas, hostilizando a União Europeia, a China, a Argentina, o Irã e os países árabes. Na hora da guerra econômica total, corremos voluntariamente o risco de figurar no registro das "baixas colaterais".
Herculano
17/08/2019 08:48
O DILEMA DE BOLSONARO, por João Domingos, no jornal O Estado de S. Paulo

Indicação do filho para embaixada nos EUA faz o presidente pisar em ovos

Ao aprovar o projeto de lei que regulamenta o crime de abuso de autoridade, o Congresso pôs o presidente Jair Bolsonaro diante de um dilema. Para não dizer sinuca de bico, uma expressão popular que poderia ser usada aqui. O próprio presidente já percebeu que está numa situação complicada. "Vetando ou sancionando eu vou levar pancada", disse Bolsonaro ao ser indagado sobre qual destino dará à lei que o Congresso jogou em seu colo e que ali vai queimar até que ele tome uma decisão.

Ao presidente não interessa arrumar confusão com o Congresso. Ou, melhor dizendo, com os partidos de centro, reunidos em torno do chamado Centrão, responsáveis pela urgência na votação e aprovação do projeto, tudo num só dia, e que são contrários a qualquer tipo de veto. É o Centrão, dono da maioria dos votos na Câmara, que determina o que será aprovado e o que será rejeitado. É o Centrão que põe a agenda positiva para andar. É o Centrão que, quando quer, aprova decreto legislativo rejeitando decisões do governo, como a que aumentava o número de pessoas autorizadas a dizer o que é documento secreto e ultrassecreto. Brigar com os partidos que o integram é apanhar.

A Bolsonaro não interessa também criar um caso com o Senado, onde a proposta nasceu. O autor do projeto é o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele foi fundamental na arregimentação de votos que levaram à desistência de Renan Calheiros (MDB-AL) de disputar a presidência do Senado em fevereiro, abrindo espaço para que Davi Alcolumbre (DEM-AP) vencesse a eleição. Alcolumbre foi apoiado por Bolsonaro, que jogou tudo para impedir Renan de voltar à presidência do Senado. A improvável aliança entre Randolfe e Bolsonaro deu certo. O presidente se tornou devedor do senador da Rede.

Além do mais, a relação de Bolsonaro com o Senado, hoje, passa por um momento em que o presidente precisa pisar em ovos. Um senador contrariado pode significar um voto a menos na indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada do Brasil em Washington. Bolsonaro já disse que uma eventual rejeição da nomeação do filho para a embaixada vai deixá-lo numa situação constrangedora quando for a Nova York fazer o discurso de abertura da assembleia anual da ONU, em setembro. Significa que o presidente acha que dá para ter essa questão resolvida até o mês que vem. Então, nada de arrumar encrenca com qualquer senador.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, corporações da magistratura e do Ministério Público e bolsonaristas ideológicos defendem o veto à proposta aprovada. O problema é que, se Bolsonaro vetar o projeto, os partidos que integram o Centrão já prometeram que o derrubam rapidamente. O que poderá significar também uma reviravolta nos votos dos senadores quando examinarem a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada.

Quem manda
Sob o argumento de que não é um presidente banana, pois quem manda é ele, o presidente Jair Bolsonaro acabou por armar para si duas armadilhas dessas difíceis de escapar. Uma está na Polícia Federal, que ameaça implodir se Bolsonaro continuar a interferir na escolha de superintendentes da corporação, como fez com o do Rio. A outra armadilha foi montada na Receita Federal, que ameaça uma rebelião contra o que qualifica de interferência política na superintendência do Rio, agora por parte do Supremo Tribunal Federal, com o apoio do presidente da República.

Comprar briga com a PF e com a Receita não é aconselhável para ninguém. Mesmo que seja alguém que diz rejeitar o rótulo de presidente banana. E que saiba, como Bolsonaro sabe, que quem manda é ele. Numa hora ou noutra alguma coisa vaza.
Herculano
16/08/2019 18:42
da série: um presidente da República que acha que pode tudo. A PF mostrou que não. Bolsonaro pode até interferir, mas não da forma que faz, esculachando seus subordinados. E nas corporações esses esculachos têm refluxos. E adivinhem o que está acontecendo?

INTERFERÊNCIA DE BOLSONARO PROVOCA QUEDA DE BRAÇO COM MORO E A POLÍCIA FEDERAL

Presidente antecipou saída de delegado, contestou novo escolhido e sugeriu nome para chefia no Rio

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Camila Mattoso, da sucursal de Brasília. Os gestos de interferência do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na chefia da Polícia Federal no Rio abriram uma crise e deram início a uma espécie de queda de braço entre o Palácio do Planalto, o órgão e o ministro Sergio Moro (Justiça).

Desde a manhã de quinta-feira (15), o presidente tem dado sinais de intervenção na PF, o que causou perplexidade e desconforto à corporação.

Em pouco mais de 24 horas, Bolsonaro demitiu o superintendente do Rio (Ricardo Saadi), que sairia por vontade própria nas próximas semanas, contestou o novo nome que já estava escolhido pela direção-geral (Carlos Henrique Oliveira) e praticamente deu como certa a nomeação de um delegado para o cargo com quem tem contato desde que foi eleito (Alexandre Silva Saraiva).

"Quem manda sou eu, vou deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu", afirmou o presidente nesta sexta (16).

As manifestações mostraram, na avaliação da cúpula e de dirigentes experientes da PF, uma interferência que há muito tempo não ocorria. O discurso que tem sido usado internamente é que será inaceitável se não houver a nomeação de Carlos Henrique Oliveira, o escolhido da direção-geral da PF, para o comando da superintendência no Rio.

Dirigentes da polícia avaliam que Moro precisará arbitrar o conflito, determinante para o futuro da polícia.

A PF é subordinada ao ministro da Justiça, enfraquecido em meio à divulgação de mensagens que mostram sua atuação em parceria com os procuradores em diferentes processos da Lava Jato e que colocaram em xeque sua atuação como juiz federal.

Moro também tem sofrido seguidas derrotas no Congresso, onde tramita um pacote de medidas anticrime encaminhado por ele no início do governo.

Se a escolha do ocupante do cargo de diretor-geral da PF é do presidente da República, considerada, portanto, política, as escolhas de cargos internos são da própria direção do órgão. A liberdade interna para nomeações e trocas é tida como um princípio importante para blindar a polícia de pressões externas em sua atuação e nos trabalhos de investigação.

Nesta sexta-feira, horas depois de dizer que é ele quem manda, Bolsonaro arrefeceu e disse "tanto faz" para quem vai ser o comandante no Rio. Ele, no entanto, manteve o que chamou de "sugestão" de Saraiva para o cargo. "Tanto faz para mim. Eu sugeri o de Manaus, se vier o de Pernambuco tudo bem para mim."

Nome do presidente para a chefia do Rio, Saraiva está na Superintendência da PF no Amazonas desde 2017. Quando foi eleito, Bolsonaro teve uma conversa de cerca de três horas com o delegado em sua casa, em sondagem para o cargo de ministro do Meio Ambiente - Ricardo Salles acabou sendo escolhido.

Carlos Henrique Oliveira é atualmente superintendente de Pernambuco. Ele tomou posse em abril.

A direção da polícia planejava mandá-lo para o Rio no ano que vem, mas decidiu acelerar o processo quando percebeu que havia movimentação para substituição de Saadi, que já manifestava o desejo de sair.

Assim, no novo plano, a troca ocorreria em algumas semanas, mas foi antecipada pelo anúncio do presidente.

A PF do Rio passa por momento delicado, especialmente após o caso Fabrício Queiroz, PM aposentado e ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ele é pivô da investigação do Ministério Público do Rio que atingiu o senador e primogênito do presidente.

A apuração começou após um relatório do governo federal ter apontado a movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor do filho do presidente na Assembleia Legislativa do Rio, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.

Esse caso especificamente não está com a PF, mas há investigações que podem envolver os mesmos personagens.
Herculano
16/08/2019 18:32
BRASIL SEGUE SEM VER LUZ NO FIM DO TÚNEL, por Adriana Vasconcelos, em Os Divergentes.

A opção do presidente Jair Bolsonaro de investir no confronto, seja com a imprensa, adversários políticos e até mesmo aliados, segue um modelo adotado por outros chefes de Estado pelo mundo. A começar pelo presidente americano Donald Trump, que usou tática semelhante durante todo o seu mandato e agora já se organiza para disputar a reeleição.

O Brasil, aliás, tem sido território fértil para o confronto desde os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, que durante 13 anos investiram na divisão dos brasileiros como forma de isolar aqueles que ousavam discordar de suas gestões. Foi assim que surgiram as primeiras batalhas entre coxinhas e mortadelas.

O problema é que essa guerra se acirrou ao longo dos últimos anos, levando uma parcela significativa dos brasileiros para dois extremos ideológicos. Pior, extremos muito parecidos no comportamento, que não se envergonham de defender o indefensável, tampouco de alimentar um discurso de ódio.

Enquanto esse ódio prevalecer na sociedade, ora estimulado pela esquerda, ora pela extrema direita, Bolsonaro seguirá muito à vontade para manter sua estratégia de governar confrontando todo aquele que discorde de sua gestão ou opinião. Enquanto a mídia foca nos confrontos do presidente, o fraco desempenho da economia brasileira segue em segundo plano no noticiário.

E ninguém se surpreenda, como muitos se surpreenderam no ano passado com a vitória do 'Mito', que Bolsonaro seja reeleito com 2022. Ainda mais se caminharmos para uma nova reedição da disputa entre os extremos da direita e esquerda.

Foi exatamente essa dicotomia que criou as condições para a vitória a Bolsonaro em 2018. Se na eleição passada, ele acabou levando vantagem com a facada que quase lhe tirou a vida, em 2020 terá a máquina federal nas mãos, o que quase sempre pesa numa disputa eleitoral.

Ainda que alguns nomes já despontem para a disputa presidencial de 2022, como o do governador de São Paulo, João Dória, e do apresentador de TV, Luciano Huck, que ensaiou um contraponto a Bolsonaro esta semana, o fato é que as forças de centro ainda buscam um líder para chamar de seu. Sem o qual, dificilmente se conseguirá unificar a parcela do eleitorado que preferiria ficar longe, bem longe mesmo, dos extremos.

Por enquanto, o Brasil segue dividido e sem conseguir enxergar uma luz no fim do túnel.
Herculano
16/08/2019 18:18
O COMANDANTE MOISÉS DOMINAVA E APAGAVA INCÊNDIOS. O GOVERNADOR CARLOS MOISÉS DA SILVA, PSL,É UM INCENDIÁRIO. INCRÍVEL COMO O PODER É CAPAZ DE TRANSFORMAR AS PESSOAS OU A FALTA DE EQUIPE QUALIFICADA E A FALTA DE PREPARO PARA A FUNÇÃO SÃO COMBUSTÍVEIS PARA DESTRUIR IMAGENS

A UNANIMIDADE DO GOL CONTRA. AFINAL, QUEM ORIENTA O GOVERNADOR NESTE ASSUNTO. AQUELE ACADÊMICO SOCIALISTA DA UFSC OU OS COLETORES DE IMPOSTOS DA SECRETARIA DA FAZENDA?

FECAM APONTA PREJUÍZOS COM A RETIRADA DE INCENTIVO FISCAL

Conteúdo da assessoria de imprensa da Fecam. A Federação Catarinense de Municípios (FECAM), endossa a preocupação das inúmeras entidades ligadas a agricultura com a retirada do incentivo fiscal na compra de defensivos agrícolas em Santa Catarina. O presidente da FECAM, prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli destaca que aumentar a alíquota de ICMS de defensivos agrícolas - de 0% para 17% - é extremamente alarmante no âmbito municipalista. Junto com o presidente do Colegiado Estadual de Secretários Municipais de Agricultura e Pesca (COSAPESC), secretário de Jaraguá do Sul, Daniel Peach, Ponticelli mantém a Federação em contato permanente com os colegiados das Associações de Municípios que tratam do tema e a posição é unânime: todos os 18 colegiados regionais de agricultura vinculados a FECAM lamentam e criticam a proposta e postura do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés.

Dentre os problemas apresentados pelos municipalistas com a proposta estão: o impacto direto na vida do produtor rural; perda de competitividade dos produtos alimentícios no mercado interno e perda da competitividade da agroindústria na exportação, considerando que a base da alimentação dos animais utiliza defensivos na sua produção. "São vários os motivos para não aceitarmos essa medida. É um grande equívoco prejudicar a agricultura que tanto representa na economia catarinense, no Brasil e no mercado mundial", comenta Daniel Peach.

O presidente da Fecam, Joares Ponticelli, reforça ainda que mudanças nos incentivos fiscais do setor agrícola poderão causar graves impactos na cadeira produtiva da economia catarinense, causando retrocesso econômico e impactos sociais, como a evasão das famílias do campo. Na região do Vale do Itapocú, cita o presidente da COSAPESC, da região de Jaraguá do Sul, estima-se aumento de 25% no custo de produção do arroz, além de prejuízos na fruticultura, por exemplo. Já na região do grande oeste catarinense, cita o vice-presidente da COSAPESC, João Batista de Almeida, de Campos Novos, os prejuízos são maiores na produção de milho e soja, onde a produção é a maior no Estado.
Miguel José Teixeira
16/08/2019 16:27
Senhores,

Na mídia:

"TRF autoriza Gleisi Hoffmann a atuar como advogada de Lula"

1)a sua ausência na Câmara dos Deputados, para visitar o presidiário lula em Curitchiba, será justificada?

2) viajará de Brasília para Curitiba e de Curitiba para Brasília às custas da Cota Parlamentar?

3) utilizará os recursos humanos e tecnológicos da Câmara em prol do seu cliente?

4) A poderosa OAB manifestar-se-á à respeito?

5) E a Câmara dos Deputados?

Com a palavra, os Doutos. . .
Luiz
16/08/2019 14:04
quando nosso QUERIDO AMIGO, e vereador na época, o Sr. "Brasil", levou esse projeto de que todos assunto tivessem voto aberto, A MELECA DA VELHA POLITICAGEM FOI E É CONTRA.

se o cara é eleito com meu voto para o legislativo, ele DEVE me dizer qual o projeto em favor da comunidade/sociedade ele é a favor ou contra...
isso somente se dá pelo voto aberto...

se quer esconder, não é mais digno do meu voto...
Herculano
16/08/2019 12:13
BOLSONARO, SOBRE ABUSO DE AUTORIDADE: "VOU APANHAR DE QUALQUER MANEIRA"

Conteúdo de O Antagonista. Jair Bolsonaro falou hoje sobre a Lei de Abuso de Autoridade, aprovada na quarta-feira pela Câmara dos Deputados e que agora segue para a sanção do presidente - que pode vetá-la de forma integral ou parcialmente.

"Eu não quero é, em um primeiro momento, um policial militar, o cara vier a algemar alguém de forma irregular e ter uma cadeia para isso. Não pode existir. O resto a gente vai ver, analisar", disse Bolsonaro.

"Vetando ou sancionando, ou vetando parcialmente, eu vou levar pancada, não tem como, vou apanhar de qualquer maneira."

Bolsonaro afirmou também que ainda não leu o projeto .
Herculano
16/08/2019 12:09
OS DISFARÇADOS

De Augusto Nunes, de Veja, no twitter:

O projeto cafajeste sobre abuso de autoridade avisa que o faroeste à brasileira chegou ao clímax: disfarçados de deputado ou senador, os fora da lei querem dar voz de prisão, em nome da lei, aos defensores da lei
Herculano
16/08/2019 12:07
da série: o sistema randômico de sorteio do STF está viciado ou corrompido. Só sai um nome.

Do movimento " Vem Prá Rua", no twitter:

11 MINISTROS NO STF

E o sorteio mágico para relatar o Mandado de Segurança para anular a votação da lei do Abuso de Autoridade define quem como relator?

GILMAR MENDES!

Se isso não for brincadeira, é sadismo.
Herculano
16/08/2019 12:05
É A FAVOR OU CONTRA A LAVA JATO

De J.R.Guzo, de Veja, no twitter:

Bolsonaro precisa decidir logo, de forma clara, se é a favor da Operação Lava Jato ou se é a favor dos ladrões. Quer demitir Sérgio Moro? Está com inveja ou medo dele? Gostou que o Congresso tenha aprovado uma lei para punir quem persegue bandido? Casou com a banda podre do STF?
Herculano
16/08/2019 11:58
SANTA CATARINA PERDE UM DEPUTADO

Quem observou isso muito bem, foi o meu assíduo leitor brasiliense Miguel José Teixeira.

Com o Tribunal Superior Eleitoral dizendo que Ana Paula Lima, PT, será deputada, ganha o time do berreiro contra tudo na Câmara, perde Santa Catarina.

Na audiência da bancada catarinense no Congresso - Câmara e Senado - com o presidente Jair Bolsonaro, PSL, estavam lá os três senadores e 15 dos 16 deputados. O único ausente foi Pedro Uczai, PT. Dos catarinenses, apenas os votos. No próximo encontro, provavelmente serão 14 deputados e não 15.
Miguel José Teixeira
16/08/2019 11:15
Senhores,

". . .vira o jogo e coloca o rato para perseguir o gato, numa inversão de valores que torna o nosso país o paraíso dos malfeitores, principalmente aqueles do colarinho-branco.". . .

A lei dos abusados

(fonte: Correio Braziliense, Coluna Visto, Lido e Ouvido, 16/08/19)

Aos poucos e sem muito alarde, os políticos vão impondo suas pautas muito acima dos anseios da sociedade, legislando para dentro, ajustando a realidade do país aos seus interesses, cientes de que a distância entre uma eleição e outra, cobre os eleitores com o manto escuro da amnésia.

Como acontece sempre nos casos em que o desejo da classe política não coincide com o que almeja o cidadão, a votação do texto-base do projeto de lei que trata da criminalização do abuso de autoridade seguiu o mesmo rito dissimulado com que têm sido tratadas todas as propostas de interesse direto dessa gente. Votada depois das 22h, em meio às outras pautas e quando muitos brasileiros, que trabalham duro, estão dormindo, a matéria foi aprovada por votação simbólica, ou seja, sem os votos nominais de cada deputado e não foi permitida, pela Mesa, a revisão do procedimento, pedida por muitos parlamentares contrários à lei. Analistas que têm acompanhado o assunto são unânimes em reconhecer que o ressurgimento relâmpago da matéria veio justamente na esteira dos acontecimentos recentes, divulgados pelo site The Intercept Brasil, em que hackers criminosos divulgaram escutas telefônicas entre procuradores e o ex-juiz Sérgio Moro.

Mesmo sabendo de que se tratavam de escutas clandestinas e, portanto, ilegais, os políticos e alguns juízes, claramente contrários aos efeitos de operações como a Lava- Jato começaram, imediatamente, a erguer muros e outros entraves para deter o avanço das investigações que deles se aproximavam. Depois de desfigurarem as medidas de combate à corrupção, a ponto de torná-las inócuas, a Lei de Abuso de Autoridade, aprovada agora e muito bem nominada por alguns juristas éticos como a Lei dos Abusados, vira o jogo e coloca o rato para perseguir o gato, numa inversão de valores que torna o nosso país o paraíso dos malfeitores, principalmente aqueles do colarinho-branco.

Apenas analisando o que disse o procurador da Lava-Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, um dos últimos paladinos da cruzada quixotesca contra a corrupção secular em nosso país, dá para perceber que essa aprovação nada mais é do que retaliação contra os agentes da lei e a favor da impunidade. "No fim da Mãos Limpas, na Itália, afirmou o procurador, a pauta contra supostos abusos da Justiça substituiu a pauta anticorrupção sem que esta fosse aprovada.

Várias leis passaram para garantir impunidade a poderosos. A Itália segue com os maiores índices de corrupção da União Europeia". Para outros juristas, trata-se de bofetada na cara da sociedade e resposta de força contra todos aqueles que sonhavam com uma mudança no status quo vigente desde que Cabral por aqui aportou em 1500.

A frase que foi pronunciada

"O dinheiro não compra apenas um bom carro; também compra a melhor educação ou saúde. Cada vez mais pode comprar a impunidade da Justiça, uma mídia flexível, leis favoráveis, vantagens comerciais e até mesmo eleições. Isso, por sua vez, perpetua as políticas que permitem que uma pequena elite acumule cada vez mais riqueza às custas da maioria."

Winnie Byanyima, engenheira, política e diplomata aeronáutica ugandês, que acabou de assumir o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids)
Herculano
16/08/2019 08:13
PASSOS LIBERAIS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Medida que reduz regulação sobre empresas vai depender de acomodação jurídica

Recém-aprovada pela Câmara dos Deputados, a medida provisória 881 se tornou conhecida como MP da Liberdade Econômica. Grandiloquência marqueteira à parte, o texto que segue ao Senado facilita, de fato, a atividade empresarial.

Em linhas gerais, busca-se reforçar o princípio de que a interferência do Estado nas relações privadas deve ser cautelosa e subsidiária, ressalvados os casos de hipossuficiência de uma das partes ou de manifesto interesse público.

Se a proposição for convertida em lei e acolhida na jurisprudência, a interferência do Judiciário nos contratos tende a cair. A prevalência do livremente contratado sai fortalecida, e os envolvidos terão maior dificuldade para conseguir alterações nos tribunais.

Tal objetivo se mostra meritório, decerto, uma vez garantido que não haja prejuízo às normas de ordem pública, como a defesa do consumidor, e que não se configure assimetria de poder na transação.

Outro propósito relevante é reduzir as exigências excessivas de alvarás e permissões a empreendimentos. Atividades de baixo risco, por exemplo, deixam de necessitar de licença prévia.

Fica ainda mais bem estabelecida a responsabilidade limitada de sócios, a não ser em caso de conduta dolosa e atuação em benefício próprio, em desfavor da empresa.

Restará verificar a acolhida de tal dispositivo pela Justiça, mas se trata de um importante fator de redução de riscos com vistas a incentivar a iniciativa privada.

Há itens potencialmente controversos, como a permissão de trabalho aos domingos, antes restrita a algumas atividades, e a flexibilização do registro de ponto em acordos individuais ou coletivos, que pode dificultar a caracterização de horas extras. Eventuais abusos em desfavor do trabalhador deverão ser alvo da Justiça.

Por fim, os dispositivos para limitar o excesso regulatório e a previsão de efeito vinculante de decisões administrativas do poder público - o que é definido para um cidadão vale para todos em situações idênticas?" é louvável, mas sua aplicação provavelmente será cercada de dificuldades.

Afinal, restringir condutas voluntaristas ?"ou mesmo corruptas?" de agentes do Estado pressupõe um arcabouço legal mais simples e também uma mudança cultural. As duas condições levam tempo para se materializar.

Observando cautela e ressalvas, a MP tem o mérito de atacar entraves óbvios para o empreendimento privado. Fez bem a Câmara ao limpar o texto de uma pletora de emendas que o tornaria complexo e polêmico em demasia.

Algum processo de acomodação jurídica será necessário, como já ocorre com a reforma trabalhista. As novas regras, de todo modo, merecem a experiência.
Herculano
16/08/2019 08:09
GRUPO RBS AFASTA COMUNICADORES ENVOLVIDOS EM ÁUDIO VAZADO

Conteúdo de Making Of. O Grupo RBS comunicou no início da noite de hoje, 15, o afastamento dos comunicadores Arthur Gubert e Luciano Costa, da Rede Atlântida FM, envolvidos no áudio vazado que circulou nas redes sociais ontem, 14.

Na gravação, os apresentadores fazem comentários depreciativos sobre a RBS, a vice-presidente do Grupo, Andiara Petterle, o executivo de rádio Alexandre Fetter, o presidente executivo da RBS, Claudio Toigo, o diretor-executivo de marketing, Marcelo Leite, e o presidente do conselho de administração da RBS, Eduardo Sirotsky Melzer.

Confira abaixo o comunicado da RBS na íntegra:

"O Grupo RBS está afastando os comunicadores Arthur Gubert e Luciano Costa de suas funções em decorrência de áudio que circula desde essa quarta-feira (14) na internet.

No áudio, uma gravação de uma conversa privada entre os dois que teria ocorrido há mais de um ano e cujo autor e o responsável pela divulgação são desconhecidos, eles tecem comentários a respeito de profissionais e de processos internos da empresa.

As consequências do vazamento fazem com que a empresa tome essa atitude, para preservar seus colaboradores, em linha com seus valores e princípios, enquanto apura todos os fatos.

Arthur e Luciano lamentam o ocorrido e já se desculparam pessoalmente com as pessoas citadas por ambos na conversa. Os dois pedem sinceras desculpas a todos que de alguma forma se sentiram atingidos pelo episódio.

Luciano Costa está há 24 anos na empresa e é gerente de Produto e Programação das rádios de Entretenimento. Há sete anos na RBS, Arthur Gubert é comunicador do Pretinho Básico, do Programa das Sete e do Tá Vazando, na Atlântida.

Com a decisão, o diretor-executivo Marcelo Leite passa acumular interinamente a gestão de Produto e Programação das rádios de Entretenimento da RBS."
Herculano
16/08/2019 07:59
SENADO PODE VOTAR DE PÉ OU DE JOELHOS, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

O país só precisa de 41 senadores com vergonha na cara

O Senado terá um papel central na definição da qualidade da democracia brasileira e, por consequência, na sobrevivência de um regime que mereça essa designação. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em particular, escolherá como quer entrar para a história.

E essa história vai passar pelas respectivas indicações do procurador-geral da República, do embaixador do Brasil nos EUA e dos dois nomes que integrarão o Supremo Tribunal Federal.

Já escrevi e afirmei algumas vezes que o presidente Jair Bolsonaro tem ao menos uma virtude, que, ao se exercer, elimina a esperança de que outras possam existir: ele é sincero ao expor as suas utopias.

Na quarta-feira (14), por exemplo, discursou em Parnaíba, no Piauí: "Nós vamos acabar com o cocô no Brasil: o cocô é essa raça de corrupto e comunista."

E ele tem um sonho: "Nas próximas eleições, nós vamos varrer essa turma vermelha do Brasil. Já que, na Venezuela, tá bom, vamos mandar essa cambada pra lá. Quem quiser um pouquinho mais para o norte, vai até Cuba. Lá deve ser muito bom também."

O Senado terá de avaliar se a futura indicação para a PGR terá como parâmetro a Constituição e demais regras do jogo ou se o presidente busca um perseguidor-geral da República.

Que fique claro: o titular do cargo tem, sim, poderes para atender ao ânimo profilático e higienista do presidente. E convém que os não esquerdistas evitem caminhar confiantes para a guilhotina. É "vermelho e cocô" quem Bolsonoro decidir que é "vermelho e cocô".

Perguntem, senhores senadores, a Gustavo Bebianno ou a Carlos Alberto dos Santos Cruz quanto vale a lealdade do grande líder.

Dois garantistas do Supremo, tão distintos entre si, deixam a Casa: Celso de Mello sai no ano que vem, e Marco Aurélio, no seguinte. E, também nas indicações dos respectivos substitutos, a qualidade da democracia brasileira estará em questão.

O Senado, como instituição - eram outras as composições- já errou e se omitiu o suficiente por ocasião de algumas indicações feitas por Dilma Rousseff.

Lembro-me de um debate que se tornou, a esta altura, bizantino sobre se a Turquia dos primeiros anos de Recep Erdogan estaria inventando uma "democracia à turca", que alguns finórios ousavam qualificar de "iliberal".

A "democracia iliberal" é o terraplanismo da teoria política; é a chance que se dá aos truculentos de considerar que é matéria de crença esse negócio de que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado a hipotenusa.

Desde o princípio do "erdoganismo", sustentei que não se construía uma "democracia à turca", mas uma "ditadura à turca". Bingo! "Democracia iliberal" é coisa de pilantras ou de idiotas.

E os idiotas, com a imodéstia que tão bem os caracteriza, estão por aí - inclusive na imprensa - a piscar os olhos, como "os moços de fretes" (Fernando Pessoa), para os arreganhos autoritários de Bolsonaro.

O "Mito" tem ancestrais ideológicos com os quais a idiotia de então julgava ser possível conviver e que supunha controláveis. Não associavam adversários a excrementos, mas a ratos. Alcolumbre, um judeu, deve saber do que falo.

Quando tinham de fazer a caricatura dos inimigos, preferiam se fixar no tamanho de seus respectivos narizes, sobre os quais criaram uma tipologia.

O nosso presidente prefere se referir ao tamanho do crânio dos nordestinos. Já deixou claro que se sente oprimido pelo "politicamente correto". Em Parnaíba, voltou à carga: "Não tenho cabeça grande, mas sou cabra da peste".

Ninguém, no Senado, tem o direito de duvidar das suas pretensões. Convém acreditar no que diz. Quem não está com ele é cocô e tem de ser excretado. Do país!

Os que não se subordinam a seu projeto pertencem à "turma vermelha". Até o general da reserva Luiz Rocha Paiva, um linha-dura, pode virar um "melancia" caso não lhe faça mesuras.

E, claro!, é preciso que a Casa decida com as pernas e a coluna eretas se a trajetória e a militância de Eduardo Bolsonaro são compatíveis com a de um embaixador, que tem por tarefa representar o conjunto de brasileiros, não uma facção, uma seita ou uma família que se pretende uma dinastia.

Nem é necessário número tão grande para que o Senado preserve, no que lhe cabe, a sanidade da democracia: o país precisa de 41 brasileiros com vergonha na cara. Só a Grande Paraíba conta com 27 votos de pessoas que Bolsonaro julga ter um crânio diferente do seu.
Herculano
16/08/2019 07:54
PóS-DOUTOR PELO INPE: 'DEVASTAÇÃO' É FALACIOSA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O Brasil tem quase 60% do território coberto por florestas, e toda essa área preservada, de 4,9 milhões de quilômetros quadrados, é maior que a soma dos 28 países da União Europeia. O engenheiro agrônomo Alfredo José Barreto Luiz, pós-doutor em Sensoriamento Remoto pelo INPE, escreveu que o discurso sobre desmatamento brasileiro "é falacioso e ofusca outros grandes e mais urgentes problemas ambientais", como falta de coleta e tratamento de esgoto.

OS PROBLEMAS REAIS

Alfredo José Barreto Luiz explica que 48,6% da população têm coleta de esgoto e apenas 40% são tratados. Isso, sim, afeta o ambiente.

FALÁCIA EM NÚMEROS

Dados do INPE mostram que 94% do Estado do Amazonas está preservado. No Amapá, também na Amazônia, chega a 99,6%.

HIPOCRISIA EM NÚMEROS

Medita a palpitar sobre Amazônia, a Noruega tem mata em só 32% do território, sendo que metade foi plantada para exploração industrial.

NÚMEROS VERGONHOSOS

Restam à Alemanha menos de um terço do seu território ainda não desmatados. Na França, um pouco mais. Que vergonha.

EM AÇÃO CONTRA O DF, MINISTRO DO TCU CRITICA STF

O ministro Walton Alencar, do Tribunal de Contas da União, criticou o Supremo Tribunal Federal por haver suspendido em maio a decisão por ele articulada, no TCU, condenando o Distrito Federal a pagar à União o que não tem e nem é devido, segundo o governador Ibaneis Rocha: R$10 bilhões. Em mais uma decisão que prejudica o DF, nesta quarta, Alencar ironizou o STF. Disse que "até hoje não julgou" o mérito da primeira medida, enquanto Benjamin Zimler diz que "vai demorar anos".

NADA CONTRA, IMAGINE

Alencar também garante que nada tem contra o governador, "por cujo sucesso na administração do DF eu torço muito."

HOSTILIDADE EXPLICADA

"Ibaneis escolheu o lado errado para se aliar", diz um ministro do TCU para explicar a hostilidade de Walton Alencar ao governo do DF.

AFAGO A DESAFETO

Alencar se irritou, diz esse ministro, porque Ibaneis nomeou uma filha de Augusto Nardes, ministro do TCU de quem ele seria desafeto.

RETALIAÇÃO É LOGO ALI

O ministro Bruno Dantas, do TCU, disse ter sido vítima de "retaliação" da Receita Federal por sua posição contrária a uma bonificação por multa paga a auditores da Receita. Retaliação no setor público é mais comum que parece. E está mais próxima de Dantas do que ele supõe.

PIADA PRONTA

Após sucatear os aeroportos brasileiros, salvos pela privatização, a Infraero virou deboche: agora manda e-mails oferecendo seus serviços afirmando ter "experiência para seu aeroporto voar mais alto". Hahaha!

MAL-EDUCADOS

As embaixadas da Alemanha, da França e da Noruega nem sequer agradeceram a generosa oferta do governo brasileiro para ajudar no reflorestamento dos seus territórios, que eles devastaram.

ABUSO NÃO RENDE CADEIA

Apesar das críticas à lei de abuso de autoridades, o que está em vigor agora pune o abuso com penas de só 10 dias a seis meses de detenção. Ou seja, nunca rende prisão para quem abusa do seu poder.

PROBLEMA É A ELEIÇÃO

Bolsonaristas-raiz andam falando mal da troca na direção do FNDE, o bilionário Fundo de Desenvolvimento da Educação, indicada pela cúpula da Câmara. Acham que terão desvantagem na eleição de 2020.

ELAS TÊM A FORÇA

A força das aéreas pôde ser vista na Comissão de Viação da Câmara, que rejeitou projeto para regulamentar programas de milhagem que tanto enganam consumidores. Para não "afrontar" as empresas.

À MODA ANTIGA

O apresentador Luciano Huck voltou a flertar com política em evento no Espírito Santo. O evento foi liderado por uma pré-candidata à prefeitura de Vila Velha, filha do dono da faculdade que promoveu o evento. Tudo sob batuta do "novato" Paulo Hartung, três vezes governador capixaba.

CRÍTICA INTERESTADUAL

O Sindicato dos Delegados de Polícia Federal de São Paulo chamou de desrespeitosa a decisão de Jair Bolsonaro de exonerar o superintendente da PF do Rio: "Atenta contra a autonomia".

PENSANDO BEM...

...o noticiário faz parecer que o presidente é o único brasileiro contra os radares móveis, de tocaia.
Herculano
16/08/2019 07:30
GUEDES SE APRESSA E JÁ ENCARA RISCO DE CRISE COMO UMA MAROLINHA, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

No jet ski desgovernado de Bolsonaro, ministro age de maneira pouco pragmática

Um ministro da Economia que não exagera nas doses de confiança certamente está no emprego errado. Paulo Guedes disse numa palestra para investidores que o Brasil não tem motivos para se preocupar com as turbulências na Argentina e com a desaceleração em alguns dos principais países do mundo.

"Não tenho receio nem do balancê da Argentina, nem dessa briga comercial. Não tenho receio de ser engolido pela dinâmica internacional", afirmou. "O mundo estava acelerado, e a gente estava descendo. Se o mundo desacelerar, tudo bem."

Guedes tentou convencer a plateia de que os planos do governo Jair Bolsonaro serão suficientes para blindar o país de qualquer alvoroço no mercado internacional. Já enxergou uma marolinha numa crise que mal começou a se desenhar.

Em 2008, quando o colapso imobiliário americano ameaçava se espalhar pelo mundo, o então presidente Lula se saiu como um bom animador de auditório: "Lá, ela é um tsunami. Aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar". Sua equipe adotou medidas para absorver os choques. O país pagou a conta anos depois.

Desta vez, o Brasil tem menos opções dessa natureza para fazer frente a um esfriamento da economia global, mas o ministro encara os riscos de uma maneira pouco pragmática.

No caso dos argentinos, Guedes decidiu montar na garupa do jet ski desgovernado de Bolsonaro para enfrentar a onda. Fez pouco caso do comércio com o país vizinho e perguntou: "Desde quando o Brasil, para crescer, precisou da Argentina?".

O país é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Exportadores de automóveis e calçados já começam a sentir o balancê por aqui. Nem Eduardo Bolsonaro conseguirá convencer os EUA a comprar o que ficar encalhado nesses estoques.

O ministro tem razão quando questiona a eficiência do Mercosul caso a chapa de Cristina Kirchner vença a eleição no país e feche a economia, mas também ecoa o que há de pior no discurso ideológico de seu chefe.
Herculano
15/08/2019 19:47
MOISÉS E SEUS APOIADORES COMEÇAM A DAR SINAIS PÚBLICOS DE CANSAÇO. COM RARAS EXCEÇÕES, FALTA AO GOVERNADOR GENTE TÉCNICA, INOVADORA, ATUALIZADA E CAPAZ DE ROMPER O VELHO E FAZER CUMPRIR MINIMAMENTE O DISCURSO DE ESPERANÇA

Os eleitores de Carlos Moisés da Silva, PSL, começam a reavaliar à aventura que pode ter sido a sua surpreendente eleição.

Ele prometia romper os vícios e às mazelas que que se estabelecem nas várias operações da Polícia Federal. Até agora, nada.

A principal região econômica a do Vale do Itajaí e que deu votos maciçamente para a sua eleição, é patinho feio. Está deixando o campeão de votos, deputado Ricardo Alba, PSL, na mão. E para complicar, Ivan Naatz, sem partido, com discurso de cobrança.

Para a crônica falta de dinheiro e que foi motivada pelos irresponsáveis governadores e deputados, Moisés só tem uma solução: aumentar impostos, tirar a competitividade das empresas industriais, comerciais, o agronegócio e até de serviços.

Diferente do presidente Jair Messias Bolsonaro,PSL, Moisés não possui e não se une a mentes brilhantes para quebrar os vícios e às dificuldades. Então...

Da semana passada, reproduzo uma crônica de um eleitor dele, o advogado Luiz Carlos Nemetz, que no tempo do PT, chegou a flertar ser o vice governador com José Fritch, que chefou a ser até ministro da Pesca de Luiz Inácio Lula da Silva.

Isso não é bom, por exemplo, para o PSL nas eleições municipais. Quebra o discurso de mudança, capacidade e de resultados diferentes. Uma pena...Sem alternativas, os eleitores vão ficar reféns dos velhos esquemas de poder e coronelismo político, como em Gaspar e Ilhota.

Escreve Nemetez:

Doce ilusão. Votei no governador Carlos Moisés da Silva. Era a melhor e única opção. Tinha esperanças de encerrar um ciclo nauseabundo e vicioso, que compunha uma estrutura política que atuava nas entranhas do nosso Estado há mais de 5 décadas. Dia a dia, venho colhendo decepções. Primeiro, o deslumbramento de ocupar o palácio. Depois, o assentamento dos amigos de farda, do compadrio corporativo e político nos cargos do governo. Por fim, uma ausência absoluta da figura do líder. O governador teve uma única passagem meteórica por Blumenau/SC ao longo de 8 meses de exercício de poder (13/03/19). Já bateu o recorde de ausência do Colombo, numa região que lhe prestigiou com um massacre histórico de votos. E não é por falta de tempo que não vem aqui. É falta de vontade e compromisso mesmo. Para não falar em descaso e acomodação. Para se apresentar como cantor no palco do CIC, por exemplo, sempre encontra tempo. Para saracotear em eventos festivos, nem se fala. Ouve pouco, demora para agir e governa pelas redes sociais... E se trouxe recursos para o exemplar Hospital Santa Isabel, não fez mais que a sua mínima obrigação, já que nossa região não tem Hospital Regional e aquela casa de saúde é uma das melhores estruturas de saúde pública do país. Agora, vem esse equívoco estrondoso de corte de subsídios agrícolas e aumento de impostos para defensivos, onerando e mexendo no funcionamento de uma das mais bem estruturadas e rentáveis economias agrícolas do mundo. E esse papo-furado de barreira verde é conversa mole. Temos magníficas e competentíssimas estruturas de pesquisa e fiscalização no campo para que não ocorram excessos no uso de defensivos. A EPAGRI e CIDASC são um orgulho. Então, aumentar impostos é o único caminho para quem não quer pensar em cortar custos. E é até compreensível para um funcionário público de carreira. Deveria ter intuído isso! Quem sempre exerceu cargo e função pública, gestor público que nunca produziu um palito, nem plantou um grão de milho, sempre encontra uma forma de cobrir o aumento dos custos fixos: abre os cofres do Estado. E dá-lhe impostos. O comandante fazia isso quando chefiava os bombeiros e precisava de dinheiro (lá, quando falta dinheiro, o erário comparece). É da cultura do burocrata de estado, que não sabendo gerenciar uma pipoqueira com seu próprio dinheiro, a cada crise de liquidez, gera impostos e onera o contribuinte. Afinal, para quê se preocupar com o bolso e com a vida financeira dos outros? O nosso líder é muito bem remunerado, com o soldo de aposentado que acumula com os gordos proventos de governador. A sua bufunfa chega com a folha no final do mês, faça chuva ou faça sol. É legítimo, mas... os brasileiros querem a diminuição do Estado. O corte nos gastos públicos, a redução dos impostos. Moisés, lamentavelmente, vai de encontro (e não ao encontro) ao que os catarinenses desejam e escolheram nas urnas: uma administração eficiente, enxuta, presente, sem deslumbramentos e pavonices. Sinceramente? Ainda acredito. Penso que ele tem o direito de errar e tem tempo de se recuperar. É honesto e bom caráter. Mas só isso não basta. O gato subiu no telhado. Mas 2020 é amanhã e 2022 é logo ali. Se ele não descer rapidinho, vamos ter que tirá-lo(s) de lá. Como diz o ditado, "quem avisa, amigo é!"
Herculano
15/08/2019 19:36
da série: o governador de Santa Catarina vive na contramão naquilo que é a sustentação do modelo econômico estadual e ao mesmo tempo não cria alternativa de médio e longo prazo para aquilo que ele justifica como necessário mudar.

A entrevista da discórdia ao jornal Folha de S. Paulo, na quarta-feira.

GOVERNADOR DO PSL EM SC VÊ SANDICE EM EXTREMISMO E VAI NA CONTRAMÃO DE BOLSONARO

Coronel da reserva critica agrotóxico e 'pessoal da arminha', recebe MST e acena a pautas LGBT e indígena

Texto e entrevista a Paula Sperb, de Porto Alegre. ?Em 2018, sem nunca ter concorrido a nenhum cargo político antes, Carlos Moisés da Silva, 51, foi eleito com 71% dos votos dos catarinenses para governar o estado. Filiado ao PSL, partido do atual presidente da República, disse em sua primeira entrevista, logo no começo da campanha eleitoral, que não era um "mini-Bolsonaro".

Apoiadores acharam que a declaração poderia prejudicá-lo, já que a estratégia de muitos candidatos, inclusive de outros partidos, era colar em Jair Bolsonaro e usar sua popularidade para arrancar votos - como ocorreu no Rio Grande do Sul, por exemplo, com José Ivo Sartori (MDB) e Eduardo Leite (PSDB).

"O que quis dizer é que o que a gente vê nas redes sociais são militâncias extremas, ou extrema-direita ou extrema-esquerda, o pessoal da arminha. Para mim é muita sandice essas coisas", disse, em entrevista à Folha ao entrar no oitavo mês de sua gestão.

A afirmação não prejudicou Carlos Moisés, que, agora no poder, tem adotado medidas distintas do governo federal, como taxar agrotóxicos e incentivar agricultura orgânica.

"Qualquer pessoa que raciocine um pouco, que saia do padrão mediano, vai entender que não se pode incentivar o uso [de agrotóxico]", afirma.

Ele também se mostra aberto para a pauta de LGBTs e de grupos indígenas. "Quem tem preconceito tem que trabalhar a cabeça para se livrar deles. O estado tem que se aproximar", disse.

Carlos Moisés é casado e tem duas filhas. Coronel da reserva dos bombeiros, é também advogado e mestre em direito.

No início da sua campanha, o senhor chegou a dizer que não é um 'mini-Bolsonaro'. Por quê? - Foi na minha primeira entrevista, quando decidi ser candidato. Não fiz pré-campanha. Assim que coloquei no sistema, me entrevistaram. Quando falei 'não sou um mini Bolsonaro', causou um estresse. Porque achavam que podia prejudicar a campanha.

O que quis dizer é que o que a gente vê nas redes sociais são militâncias extremas, ou extrema-direita ou extrema-esquerda, o pessoal da arminha. Para mim é muita sandice essas coisas.

Não vejo um homem público com esse tipo de comportamento ou copiando. Cada um faz o que quer, enfim. Não preciso copiar comportamento. Tenho as minhas próprias ideias. A essência da declaração foi dizer que não irei repetir comportamentos, terei ideias próprias, com convicções.

O senhor acabou com o incentivo fiscal aos agrotóxicos, na contramão do que faz o governo de Bolsonaro, que já liberou quase 300 produtos. Qual a razão? - Quando isento de imposto ou quando reduzo tarifa, estou dizendo 'usem mais, isso é bom, é um produto essencial'. Agrotóxico não é bom. Jamais vou incentivar veneno que polui lençol freático, que deixa resíduos em hortaliças.

Não existe margem segura para resíduos. É comprovado que causam problemas de saúde e doenças. Aplicar isenção sobre agrotóxico é uma excrescência política, jurídica, é uma irresponsabilidade de gestão. Qualquer pessoa que raciocine um pouco, que saia do padrão mediano, vai entender que não se pode incentivar o uso.

Os produtores orgânicos estão um pouco abandonados. Vamos trazê-los para comercializar na Ceasa. Se eu precisar buscar em casa o produtor orgânico, eu vou.

Não estou proibindo agrotóxicos, mas não incentivo. Os críticos dizem que estamos taxando o agronegócio, que representa 30% do PIB do estado. Não é taxar o agronegócio, é o veneno. O Ministério Público já calculou que essa taxação repercute entre 2% e 3% no preço final. Esse é o meu compromisso como o meio ambiente, como cidadão, como pai de duas meninas.

O senhor recebeu o MST em seu gabinete, que também incentiva os orgânicos. Qual a sua postura em relação ao movimento? - Temos cerca de 17 mil famílias assentadas. Eles propuseram uma visita. Veio com eles um grupo que trabalha com a produção agroecológica. O pessoal que produz nesse sistema cuida da sua propriedade, do vizinho, do córrego da água.

A agricultura familiar produz, mas não chega a atender grandes cadeias como a questão da proteína animal, que tem importância no agronegócio de Santa Catarina, que alimenta o Brasil e o mundo. Uma coisa é a agricultura familiar e outra o agronegócio. Por que não recebê-los, não é?

Não consigo entender quem raciocina que não devo receber. Assim como recebi as mães pela diversidade, com filhos homossexuais, que têm uma série de demandas de violência, o estado tem obrigação de atendê-los.

Não podemos fazer gestão com pensamentos menores, com preconceitos. Quem tem preconceito tem que trabalhar a cabeça para se livrar deles, inclusive. O estado tem que se aproximar.

Recebi um grupo de indígenas. Essas pautas para mim são tranquilas. Antes de ser governador, eu parava o carro para comprar artesanato do índio, comprava as hortaliças sem agrotóxicos, aceitava alguém com orientação sexual diversa da minha. Por que vou mudar agora que sou governador?

O senhor se considera um político de centro-direita? Não gosto de classificar. Não acredito nisso. Acredito que as pessoas têm que crescer, ter discernimento próprio, fazer uso da inteligência, da consciência e se reinventar, todos os dias.

A esquerda e a direita não são criativas, elas são extremistas. Para um tudo é o estado, para outro nada é o estado. Esse desequilíbrio é como ter uma perna só. Tem que ter equilíbrio, mas não vejo isso como centro. É possível que eu seja mais conservador em alguns assuntos. Não sou a favor de não ter restrição de horário para programas violentos para crianças, por exemplo.

Qual a sua avaliação do governo de Bolsonaro até agora? Considera ele de extrema-direita? Não acho Bolsonaro extremista e de direita. Acredito que muitas vezes, na hora de se comunicar, acaba sendo mal compreendido. Ele tem personalidade forte. Quando se manifesta, às vezes é de forma muito incisiva e acaba dando esse tom.

Nas vezes em que estive com ele, foram conversas simples, tranquilas, leves, agradáveis, debatemos sobre vários assuntos. Ele tem muitas aparições em momentos em que é pressionado. A gente vai poder avaliar a gestão na medida em que o governo for caminhando e apresentar resultados.

O senhor também é advogado. Recentemente, Bolsonaro provocou o presidente da OAB dizendo que sabia o que tinha acontecido com seu pai, morto pelo estado durante a ditadura militar. O que o senhor acha da postura do presidente? Houve excesso dos dois lados. Jamais tocaria nesse assunto. É uma pauta que não é minha, não é pauta boa mexer com uma ferida. Se o governo quiser continuar investigando, tem que tratar não por uma pessoa, mas por uma comissão da verdade.

O senhor se elegeu com o discurso da nova política e nunca tinha se candidatado a nenhum cargo. Como é ter que fazer política agora? Em Santa Catarina, a gente não fala da velha, nem da nova, mas da boa política. Antes de assumir, alguns deputados pediam se tinha cargo, sempre tem um ou outro [que faz isso]. Disse que não ia dividir. Fui eleito por um partido só e fiz escolhas técnicas, essa é a minha política.

Escolhi sozinho o meu primeiro escalão, não existe no Brasil inteiro isso. Nosso critério é como se fosse uma empresa selecionando candidatos para trabalhar no estado. Estamos arrumando o estado. A corrupção entrou em todos os estados e esferas de governo, todos os Poderes, não é exclusividade do Executivo.

Existe o caso do ministro do Turismo, dos laranjas do PSL, do ex-assessor do filho do presidente Fabrício Queiroz. Bolsonaro já deveria ter demitido o ministro? A lei é para todos. Quem se corrompe tem que sofrer as penas da lei. Quanto ao tempo para demitir o ministro, se houver comprovação efetiva, é com o gestor. Não sei as provas que existem, eu governo Santa Catarina. Não acompanho esses processos. Uma vez comprovado, pode ser quem for, tem que sofrer as penas da lei. Ninguém está acima da lei, nem presidente, nem governador, nem ninguém.
Herculano
15/08/2019 18:51
FINALMENTE, A VICE-GOVERNADORA "ABRIU A BOCA" E CONTRADISSE O GOVERNADOR EM UMA CUIDADOSA NOTA OFICIAL, MAS REVELADORA DE CONFLITOS INTERNOS

Escreve Cláudio Prisco Paraíso, sobre algo que foge a razoabilidade do governador Carlos Moisés da Silva, PSL, contra a economia e principalmente contra um dos pilares dela e que é raiz dos catarinenses: o agronegócio.

Não custa lembrar que a vice governadora que também veio das forças de segurança, é advogada, é do Oeste do Estado reduto do agronegócio, foi com a bandeira dele que juntou forças com o então Comandante Moisés.

Estava estranhamente muda e fingindo que nada acontecia ao seu redor. Não aguentou à incoerência dela própria, a hipocrisia do governo e à pressão do setor produtivo que diz representar.

O que escreveu Prisco:

A assessoria de Daniela Reinehr está distribuindo a notícia abaixo. Eleita pelo mesmo partido e na mesma chapa de Moisés da Silva, ela representa o Oeste e na campanha foi ferrenha defensora do agronegócio. Depois um longo silêncio, a vice-governadora se posiciona. E de forma emblemática: frontalmente contro o que decidiu o governador ao aumentar o ICMS de insumos agrícolas. Confira:
?
'A vice-governadora Daniela Reinehr se manifestou a favor do setor produtivo diante da possibilidade da aplicação de 17% da alíquota de ICMS sobre os defensivos agrícolas. "Na hipótese de a medida ser implementada, a produção em Santa Catarina será prejudicada. A competitividade da produção catarinense ficaria comprometida e perderíamos mercados arduamente conquistados".
?
"Reafirmo meu engajamento com setor produtivo catarinense. Apresentei ao governador Moisés meus argumentos e tenho 5 propostas, elaboradas por técnicos, a meu pedido, para que possamos juntos buscar as melhores proposições e alternativas para estabelecer um ajuste entre o Estado e este importante setor e viabilizar a expansão e o fortalecimento do agronegócio catarinense", explicou.
?
Daniela afirma que sempre defendeu e segue empregando todos os seus esforços na defesa do setor agrícola e do setor produtivo que, com muito esforço, alcançou um espaço e padrão diferenciado e merece incentivo para impulsionar ainda mais sua modernização, crescimento e competitividade nos mercados nacional e internacional.
?
"Concordo e apoio o incentivo à produção orgânica, mas o fomento de uma atividade não pode inviabilizar a outra. São nichos diferentes e nesses detalhes, devem ser considerados os pareceres técnicos tanto da Epagri e Cidasc, quanto da Sociedade Brasileira de Agronomia por exemplo. Tenho conversado com os produtores, e eles sabem do meu apoio e compromisso com o desenvolvimento do nosso estado e da nossa agricultura", destacou.'

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