A morte de um homem que sofreu uma queda de um telhado e foi atendido no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro antes de ser transferido para Blumenau colocou novamente a instituição de saúde no alvo de críticas. Adalberto José de Oliveira Torquato, 37 anos, caiu de uma altura de 10 metros quando trabalhava em uma obra no bairro Sete de Setembro, na tarde da última quinta-feira, dia 23.
O carpinteiro Adalberto José de Oliveira Torquato, 37 anos, usava equipamentos de segurança, mas se descuidou na hora de manusear as cordas e acabou caindo. Ele foi levado imediatamente para o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. O prontuário de entrada foi registrado por volta das 15h. Duas horas depois, segundo a família da vítima, o hospital encaminhou a alta de Adalberto, informando que ele sofrera apenas uma luxação no pé e uma fratura no braço direito.
Quando era preparado para deixar o hospital, Adalberto voltou a se sentir mal. O hospital então providenciou um exame de raio-x, que constatou fratura na bacia. Além disso, neste momento foi identificado um quadro de hemorragia interna no paciente. ?A pressão dele estava três por cinco, isso já devia ser sinal de alguma hemorragia, que não foi examinada antes?, informa Angelita Izidoro, amiga da família.
Diante do agravamento do caso, o hospital tentou acionar o Samu de Blumenau, que teria se negado a se deslocar até Gaspar para transferir o paciente. Segundo a família, a médica do Samu sugeriu que fosse feita uma cirurgia no próprio hospital de Gaspar, hipótese rechaçada pelo médico local, que recomendou a transferência do paciente para um hospital de Blumenau em que houvesse UTI.
A equipe do hospital de Gaspar chegou a acionar o serviço particular Anjos da Vida, unidade móvel com médico, que poderia garantir segurança durante a transferência do paciente. No entanto, por volta das 21h, o Samu de Blumenau chegou ao hospital de Gaspar para fazer o transporte do paciente.
CirurgiasAdalberto passou por cirurgias desde a entrada no Hospital Santo Antônio, em Blumenau, até a manhã da sexta-feira, dia 24. Ele teve o baço retirado e foi feita também drenagem do tórax. ?Infelizmente, ele ficou muito tempo com o trauma afetando os rins e eles não voltaram a funcionar. Não podemos reclamar do Hospital Santo Antônio. A partir do momento em que ele chegou lá foi feito tudo o que era possível, mas já era tarde demais. Nossas críticas são pela demora em identificar a hemorragia interna no hospital de Gaspar e para transferir o paciente para Blumenau. Se isso tivesse acontecido mais cedo, ele poderia ter se recuperado?, afirma.
Adalberto tinha 37 anos, morava no bairro Bateias e era pai de cinco filhos - o mais novo com apenas seis meses e o mais velho, com 15 anos. Inconformada com o drama vivido, a família pretende entrar com uma ação pela demora no diagnóstico preciso. A morte de Adalberto aconteceu na tarde de sexta-feira e o sepultamento ocorreu no sábado, dia 25, no Cemitério Municipal de Gaspar.
Contrapontos
A reportagem do Cruzeiro do Vale tentou contato com a diretoria técnica do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, mas até o início da noite desta segunda-feira, dia 27, os telefonemas não foram atendidos. Sobre a reclamação da família, confirmada pela equipe do próprio hospital, de que o Samu teria resistido a se deslocar a Gaspar para fazer a transferência do paciente, a equipe do Samu de Blumenau informou apenas que o serviço conta com uma ouvidoria, que pode ser acionada por pacientes ou familiares que tiverem reclamações sobre o atendimento prestado. ?Se forem apresentadas as queixas, a situação será averiguada e haverá uma resposta diretamente aos envolvidos?, afirmou o coordenador administrativo do Samu de Blumenau, Juliano Becker.
Edição 1635
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