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As chamas que destruíram o Banco do Brasil em 1989 - Jornal Cruzeiro do Vale

As chamas que destruíram o Banco do Brasil em 1989

06/10/2017

Por Geraldo Genovez

Era 13 de abril de 1989 quando o relógio do Banco do Brasil de Gaspar parou exatamente às 2h40. A madrugada daquela quinta-feira foi movimentada e rendeu uma grande história. Os ponteiros do relógio pararam de funcionar devido a um incêndio que destruiu parte dos móveis, documentos e construção que abrigava o banco. Quem relembra dos detalhes do incêndio é o gasparense Nivaldo Fachini, que trabalhou na agência por 38 anos.

Fachini lembra que a notícia do incêndio chegou até os funcionários do banco na mesma intensidade com que o fogo se alastrava. “Mesmo sem a tecnologia que temos hoje, acabamos sendo avisados rapidamente. Lembro que foi um susto muito grande para todos nós”. Ele afirma que o primeiro a chegar no local foi Sérgio Romero Heining. “Parece que foi de pijama mesmo, assim que ligaram pra ele”.

Quem se aproximava do banco naquela noite logo se depararam com um pesadelo. O Corpo de Bombeiros de Blumenau atualizava a comunidade vez ou outra sobre a situação do interior do prédio. O problema maior estava na parte de baixo, onde quase tudo foi queimado. Por fora, a estrutura não sofreu grandes danos. “A sorte é que as pastas ficavam prensadas umas nas outras dentro das gavetas. Isso fez com que nenhum documento queimasse”, diz Fachini.

O culpado

Além de lembrar o dia do incêndio, Fachini conta fatos que muitas pessoas não sabem. A começar pela identidade do autor do crime: um cliente conhecido pelo apelido de Sarrafo. “Ele era querido por todos nós funcionários, pois costumava fazer serviços de banco para a mãe dele. Foi uma triste surpresa descobrir”. Na época, Sarrafo tinha aproximadamente 18 anos e sua identidade foi descoberta rapidamente. “Ele roubou uma calculadora, um ventilador e uma bolsa de viagem. Mas não foi muito esperto, não. Assim que o dia amanheceu, ele foi até a padaria Coração do Vale e tentou vender a calculadora HP-12 roubada para os clientes de lá. O que ele não sabia é que tinha oferecido o objeto justamente para Mário de Souza, que trabalhava conosco e viu que no objeto estava gravado o nome do Banco do Brasil”, conta Fachini.

Depoimento do criminoso

Para entrar no Banco do Brasil na madrugada de 13 de abril de 1989, Sarrafo encostou um pedaço de madeira na parede lateral da agência e entrou pela janela do banheiro. Fachini afirma que o fato motivador do crime foi algo que o marcou muito. “Ele disse para a polícia que estava no Te Contei com uns amigos momentos antes de incendiar o banco. Parece que, quando estava indo embora, ele pegou a rua transversal [Eurico Fontes], e resolveu entrar no banco. Descontente com o pouco que conseguiu roubar, pegou o álcool, que estava no banheiro por onde entrou, e queimou tudo”, lembra.


Durante seu depoimento à polícia, Sarrafo chegou a contar como fez com que as chamas iniciassem. “Ele disse que abriu umas gavetas, tacou álcool, acendeu o fogo e saiu correndo”.
Sarrafo foi preso assim que assumiu a culpa.

Volta por cima

Para não causar danos maiores à população, os funcionários do Banco do Brasil se uniram e não pararam os atendimentos. Após o incêndio, eles montaram um ponto de apoio em uma sala de Osvaldo Schneider, o Paca, e atenderam os clientes no dia seguinte. “Fizemos uma força tarefa. Não tinha um funcionário sequer que fez corpo mole. Todos nos juntamos e fizemos acontecer. Nossa equipe era incrível e muito trabalhadora”, destaca Fachini. 


A sala de Paca foi utilizada por pouco tempo. Em cerca de uma semana, os trabalhos foram redirecionados ao prédio Alvorada, onde permaneceram por um ano. “As obras no banco demoraram aproximadamente um ano e meio para serem concluídas. Depois, nós retornamos para o prédio, que permanece o mesmo até hoje”.

Fachini

Nivaldo Fachini, o ‘Fachini do Banco do Brasil’, nasceu em 8 de janeiro de 1959 e trabalhou no Banco do Brasil por 38 anos, um mês e 24 dias. Ele atendeu seu último cliente na agência em 31 de julho de 2015 e, agora, está aposentado.


Fachini iniciou seus trabalhos no banco como entregador de duplicatas. Em uma bicicleta, ele entregava diariamente documentos nos arredores da Viação Verde Vale. Cerca de cinco anos depois, o banco abriu concurso interno e Fachini foi transferido para a agência de Ibirama, onde trabalhou como auxiliar de escrita até o ano seguinte, quando voltou para Gaspar. Com o passar dos anos, passou a exercer o cargo de gerente de serviços. 

O incêndio que atingiu o Banco do Brasil é um dos momentos mais marcantes de sua trajetória profissional.

 

Edição 1821
 

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