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O gestor educacional na era da inovação: lugar da teoria e da prática

Por Dinamara Machado, diretora Uninter

Maquiavel em sua obra celebre “O Príncipe” preconiza que para conhecer a natureza do povo é necessário ser príncipe, e para conhecer a natureza dos príncipes é necessário ser do povo. A dualidade exposta pelo filósofo nos faz refletir acerca do cenário contemporâneo da educação, reconhecendo os avanços e retrocessos das novas propostas postuladas no momento social, econômico e político. Também, a partir da exposição, suscitamos para importância de que discursos empíricos precisam ficar arquivados em HD externo no processo da gestão, cabendo ao líder conhecer teorias e práticas para conduzir equipes, projetos e conseguir conviver com o movimento líquido e exponencial da sociedade planetarizada.

Tratar de gestão na era da inovação é desenvolver um discurso construído a partir do foco em resultados, pois reconhece-se que sempre existem novos modelos, perfis, técnicas, planejamento, estratégias e verbetes quando trata-se de gestão. Indiferente de grandes ou pequenas instituições, o que tentamos demonstrar é que não se pode restringir o debate sobre a melhoria da educação do nível do gasto. Afinal, acreditamos que não há como melhorar a educação sem metas, sem planos de ação, sem avaliações de desempenho e sem meritocracia, qualquer outro elemento contrário apenas conduz instituições e equipes para curvas de percurso que aumentam o tempo para o êxito.

No ambiente educacional existem em algumas esferas arraigadas, o 8º pecado capital vem sofrendo mutação, o debate da gestão em ambiente educacional tem ganhado destaque, afinal acreditamos que as instituições de ensino são empresas, tanto na esfera pública ou particular. O Brasil destina aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) para o desenvolvimento da educação, sendo que em detrimento de outros exemplos dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o investimento é maior no ensino superior, o que é justificado pelo infortúnio de termos menor acesso neste nível de ensino. Existem quase 3 (três) mil instituições no cenário educacional e uma prevalência gigante de instituições privadas em relação ao número de instituições e acesso ao ensino público.  

E diante do cenário cabe perguntar. Qual o perfil do gestor educacional? Um professor de carreira? Um engenheiro que se tornou professor? Um empresário que decidiu ter como empresa o ramo educacional? Um político que sabe os caminhos para conseguir cargos? Um profissional que utiliza com sabedoria sua rede de relacionamentos e consegue mesclar alguns idiomas? Um profissional que sabe liderar e sustenta seu trabalho a partir do conhecimento dos outros?

Reconhecer quem é o gestor na era da inovação está sujeito aos condicionantes de ordem social, que sugere múltiplas concepções de ser humano e de sociedade, e por via de consequência, diferentes fundamentos e pressupostos do papel da universidade na democratização do ensino superior.

As maneiras como os gestores realizam sua ação têm a ver com esses fundamentos e pressupostos   teóricos, direta   ou   indiretamente.   Assim, vale   dizer, que o conhecimento da realidade e de suas contradições e interpretações serve de motivação na proposição de mudanças ou paradigmas educacionais  e  sociais, porque possibilita a problematização e o exercício profissional com mais qualidade, parâmetro e planejamento. Nem quero que se repute presunção o fato de que muita verborragia, utilização de exemplos externos, da reformulação de tendências miraculosas possam ser reflexo de um gestor comprometido com inovação e qualidade do ensino.

 

Edição 1964

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