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Artigos - Jornal Cruzeiro do Vale

O custo da violência no trânsito brasileiro

24/03/2017 15:00
Por Carlos Santana, diretor de relacionamento institucional da ProSimulador

A imprudência no trânsito mata cerca de 45 mil pessoas por ano no Brasil e deixa aproximadamente 600 mil com sequelas permanentes, conforme aponta o Ministério da Saúde. Isso significa que o país registra uma infeliz média de 123 mortes por dia – é como se a cada 24 horas caíssem quase dois aviões semelhantes ao que levava a delegação da Chapecoense. Em 2016, só o estado de São Paulo contabilizou 5.727 óbitos nas ruas e estradas, segundo o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito.

Por que a tragédia do dia a dia no trânsito, que poderia ser evitada com melhor formação do condutor e um cidadão mais consciente de seu papel, por exemplo, não nos impressiona tanto quanto a repercussão de um acidente aéreo? Será que perdemos a capacidade de indignação diante de um tema tão sério e que merece o engajamento de toda a sociedade?

Além do trauma que a violência no trânsito deixa em quem perde um ente querido, ela provoca um profundo impacto social e econômico. E quando se vive um cenário de recessão como o atual, o custo da imprudência nas ruas e estradas chama ainda mais a atenção. Se considerarmos os gastos com o resgate, tratamento hospitalar e reabilitação das vítimas; conserto de equipamentos de trânsito danificados nessas ocorrências, custo do atendimento prestado pela polícia e bombeiros; além do reflexo com a perda de cidadãos em idade economicamente ativa, o valor apontado chega a R$ 56 bilhões. A estimativa considera como referência o ano de 2014 e foi apresentada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária.

Os dados dessa pesquisa vão além de tão somente trazer quanto custa a violência no trânsito. Ela tem uma faceta ainda mais preocupante quando mostra que, ao aplicar essa quantia no suporte às vítimas de acidentes de trânsito, simplesmente deixa-se de ter verba suficiente para construir anualmente 28 mil escolas de educação básica ou 1.800 hospitais. A conclusão é que perdemos a oportunidade de tratar do tema ‘educação no trânsito’ no começo da vida do cidadão, nas escolas, o que beneficiaria a formação de brasileiros/motoristas mais conscientes de seus deveres e do respeito às leis, especialmente às de trânsito.

O cálculo fica ainda mais dramático quando se constata que o gasto com auxílios-doença, aposentadoria por invalidez e pensões por morte contabilizaram R$ 25,6 bilhões, no período entre 2003 a 2012 no Brasil, de acordo com a Previdência Social. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), presentes em um estudo encomendado pela Secretaria de Políticas de Previdência Social, revelam ainda que na população de 15 a 29 anos – portanto, no ápice da idade economicamente ativa -, os acidentes de trânsito são considerados a causa principal de morte no país, com os homens sendo oito em cada 10 vítimas dentro dessa faixa etária.

Diante de tudo isso, e aproveitando a comparação inicial entre a realidade do trânsito e a aviação, pensando na formação de quem está no comando seja de um carro ou avião, por que para ser um piloto profissional é preciso passar por aulas em um simulador e para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) essa realidade é ainda tão recente no Brasil? Esse é um exemplo de como a tecnologia deve ser usada a serviço de uma melhor formação, permitindo ao aluno vivenciar cenários extremos que enfrentará. Em meio a esse desperdício de vidas e dinheiro público, é a chance de usar o avanço tecnológico do simulador de direção para treinar os sentidos e a capacidade de tomada de decisão em uma fração de segundos, o que pode ser crucial em defesa da vida.

Um trânsito mais seguro depende de cada um de nós. Um comportamento mais adequado nesse cenário não só significa respeito e empatia pelo próximo, mas também compromisso como cidadão de colaborar para o crescimento econômico e social do país.

 
Edição 1793
 

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