A aritmética política - Jornal Cruzeiro do Vale

A aritmética política

06/11/2012 10:54

Luiz Henrique da Silveira
Senador

Numa definição consagrada, a Aritmética é o ramo da Matemática que lida com números e as operações possíveis entre eles. Ela é uma das chamadas ciências exatas porque lida com números certos, onde imutavelmente dois mais dois são quatro. Já a aritmética política tem seus meandros próprios, onde a credibilidade, a coerência e a confiabilidade são os principais fatores da adição. 

A coerência é, por seu turno, o fator que desencadeia a credibilidade e a confiança. A maior razão do voto livre, consciente, é a coerência do candidato. O povo sempre reage a arranjos políticos de última hora. Ainda mais quando são incongruentes ou sem uma explicação clara e lógica. 

Nesses casos, o fator numérico não predomina. O que influencia o voto do eleitor é a trajetória coerente. Foi isso que determinou a eleição do empresário Udo Döhler, em Joinville. 

Em 2008, o Prefeito Carlito Meers foi eleito pelo anseio popular de

mudança, derrotando o Deputado Darcy de Mattos, candidato do então Prefeito Marco Tebaldi. No primeiro turno desta eleição, o povo joinvilense escolheu Udo e o Deputado Kennedy Nunes para o segundo, expressando neles esse mesmo sentimento de mudança! Preteridos, Carlito e Tebaldi declararam apoio a Kennedy, formando uma aliança aparentemente invencível. 

A partir desse momento, ficou claro para o povo que só restava um candidato verdadeiramente de oposição: Udo Döhler. E virou subtração de votos a grande soma de lideranças e de Partidos que se agregaram em torno do Deputado Kennedy. Udo ficou praticamente só. Mas, ao invés de esmagado pelo rolo compressor do que o povo chamou de ?acordão político?, fortaleceu-se perante os eleitores joinvilenses, que passaram a rechaçar a aliança adversária. Foi essa aliança contraditória, de última hora, o fator primordial que desidratou a candidatura pessedista. 

Até mesmo uma instituição categorizada, como o IBOPE, deixou-se levar pela aparente força do frentão que se formou contra o candidato do PMDB. 

Na sexta feira ? 48 horas antes do pleito ? o IBOPE disse que Kennedy ganharia por uma margem de 19% de diferença (algo em torno de 60 mil votos). Dois dias depois, as urnas deram a Udo Döhler uma vitória por 9,30% (quase 28 mil de vantagem). Quer dizer: o IBOPE errou por 28,30%, quase um terço dos votos dos joinvilenses.

 Em entrevista ao Jornal ?A Notícia? a Diretora do IBOPE procurou justificar o erro de seu Instituto, dizendo que a Pesquisa, publicada na quinta feira, dia 25, não captara os efeitos do debate, que foi realizado no dia seguinte. Acontece que o ?tracking? feito após o debate pela empresa paulista APPM -- do conceituado analista Antônio Prado (Paeco) -- revelou que apenas 34% dos joinvilenses assistiu ao debate; 16% apenas ouviram falar a respeito e outros 50% nem tomaram conhecimento da sua realização.

 E mais: segundo o ?tracking? da APPM (Análise, Pesquisa e Planejamento de Mercado), 42% acharam que Kennedy foi melhor, contra 27% de Udo Döhler. Assim, não foi o Debate que mudou os números. Na mesma quinta-feira em que vieram à luz os estranhos números do IBOPE, o ?tracking?já apontava uma vitória de Udo Döhler (45% a 40%). E pesquisas locais face a face ? Sintese e Delfos ? já sinalizavam na direção da queda de Kennedy e subida de UDO. 

Mais uma vez, a aritmética política revelou que a base da soma de votos é a coerência!

Edição 1438 

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