A criminalização e o sistema penal brasileiro - Jornal Cruzeiro do Vale

A criminalização e o sistema penal brasileiro

17/09/2013 09:49

A visão e o pensamento do estudante de direito Thiago Rafael Burckhart, no artigo publicado na última edição do Cruzeiro do Vale, assustaram-me, haja vista, em tese, ser o futuro do Brasil. Aliás, futuro este que está para chegar há décadas no Brasil.

Pergunte a uma mulher, vítima da Lei Maria da Penha, se o endurecimento das penas foi um retrocesso...

Infelizmente, em nosso país, algumas pessoas possuem a mania de observar tão somente as condições e o bem estar dos delinquentes,  enquanto as vítimas são as culpadas por coloca-los em um péssimo local, sem o mínimo de higiene. Hipocrisia?

Acredito que seja a minoria da população que compartilha com a utopia do estudante, pois caso contrário, o filme Tropa de Elite não seria um sucesso, a pena de morte não teria apoio da maioria da população (55%). Acredita-se que 80% dos brasileiros usam cinto de segurança para não serem multados, ou seja, tão somente medo da lei.

Pelo sistema penal brasileiro ser falido, como alega o estudante, devemos pegar mais leve nas punições? Trabalho voluntário para estupradores, cesta básica para homicidas e tratamento vip para traficantes?

Essas mesmas pessoas que defendem os direitos humanos, o que diga-se de passagem é uma verdadeira piada, são aquelas que em um júri de um familiar, vestem camisa e divulgam cartazes pedindo justiça!

O aprendiz ainda cita que em países como Suécia e Islândia, bem como tribos indígenas e africanas, o índice de criminalidade é baixíssima, quase inexistente. Com todo respeito, peço ao cidadão que vá a uma tribo indígena e veja as barbaridades que são cometidas, onde o que reina é a lei da selva, pergunte a um oficial de justiça como ele é recebido em uma aldeia.

Por fim, chega-se a conclusão que o motivo da falência do sistema penitenciário brasileiro é a desigualdade social, sendo a solução pensar em uma vida comunitária e regida por uma ética social e individual que preze, afirme e garanta a liberdade da pessoa humana. Ou seja, a visão esquerda-socialista-utópica do estudante, faz nos crer, então, que aumentando a Bolsa Família, furtando a classe média e tirando dos ricos, estaremos todos salvos do crime. Só que não.

A rigidez das penas deve aumentar, a fiscalização existir, novos presídios serem erguidos, as leis criminais e constitucionais serem recicladas e atualizadas, haja vista o CP ser da década de 40, oferecer oportunidades dentro da prisão para o detento, fazer justiça, impunidade não é ser legal e não irá ressocializar ninguém, muito pelo contrário, irá aumentar a farra, os crimes irão aumentar, os bandidos irão tomar conta da cidade e as vítimas continuarão a se trancar em casa, investir em segurança (câmeras, alarme, grades, cercas), deixar de sair a noite, e por fim, viver em uma prisão domiciliar, em busca da igualdade social e do agrado dos autores e pseudo-intelectuais.

 

 

Marcelo Tiago Marques


Edição 1524

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