A desigualdade de gênero na sociedade brasileira - Jornal Cruzeiro do Vale

A desigualdade de gênero na sociedade brasileira

28/02/2013 21:38

Thiago Burckhart

Estudante de Direito da FURB

A Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, estabelece em seu artigo 5º, inciso I, a relação jurídica de igualdade de gênero, na qual teora que "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição".

Nesse sentido, o que pode-se extrair do texto legal é a confiabilidade na igualdade jurídica, ou seja, pautado no velho ditado que todos são iguais perante a lei. No entanto, o que se busca não é tão somente a igualdade formal, mas sobretudo a igualdade material, isto é, a real igualdade de gênero nas relações sociais, na vida em sociedade.

A questão da desigualdade entre homens e mulheres é um fator histórico das sociedades ocidentais, sendo que desde a antiguidade a mulher era tratada como um ser inferior ao homem, devido a diversas crenças religiosas que legitimavam tal perspectiva e que se permeavam pelos costumes sociais, sobretudo na sociedade hebraica que era caracterizada pelo patriarcado e pela hierarquização das relações sociais. Aristóteles, um pensador do século III a.C. já dizia, contradizendo Platão, que a mulher deveria ser submissa ao homem e que tal submissão é um fator natural do gênero humano, não podendo ser modificado, sob pena de alterar-se a natureza.

No entanto, deve-se notar que a concepção aristotélica não há de ser aplicada à sociedade moderna, substancialmente após o período das duas guerras mundiais, momento pela qual as mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho e passaram cada vez mais a buscar sua independência do gênero masculino, tão subjulgado em toda a história. Após isso, a libertação sexual contribuiu para o feminismo e para o pós-feminismo, representando a libertação da mulher de sua condição de objeto sexual aos homens.

Entretanto, o que ocorre atualmente não deixa de ser uma desigualdade. Mulheres estão cada vez mais se posicionando em cargos de chefias em diversas empresas do Brasil e do mundo, reassumindo e refirmando sua posição social. Mas na grande maioria dos casos, as mulheres possuem uma jornada dupla, na qual trabalham fora e, além disso, devem também trabalhar em casa, o que se configura como uma grande desigualdade.

A emancipação feminina resultou na sua dupla exploração, na qual o discurso machista permanece como superficialmente libertador e progressista, mas a prática demonstra o conservadorismo e a hierarquização das relações de gênero.

Há a premente necessidade de a sociedade reprensar suas atitudes acerca das relações sociais e do espaço de cada um na sociedade. As mulheres devem tomar conta de sua situação de dupla exploração e lutar contra essa realidade, pois é somente desta forma que a real igualdade será possível.

 

 

Edição 1466

Comentários

AleRodrigues
18/10/2018 11:49
Acho falta de respeito discrimar alguém
grazy
28/11/2016 21:04
otima redaçao
Lavínia Victória Abreu da Silva
24/11/2016 18:42
Bom, acho que não há necessidade dessa distinção entre cor, religião ou gênero ! Ao meu ver tudo isso é consequência do respeito que nos falta para com o outro.
Não podemos também deixar de levar em consideração que desde os primórdios da sociedade, o homem sempre foi "superior" a mulher, contudo muda-se os tempos e consigo suas verdades, sendo assim o que antigamente se aplicava hoje em dia não cabe mais, por isso cabe a mídia de massa incentivar os novos valores atribuído as mulheres atuais, além de uma percepção mais aberta da sociedade sobre a mulher.
E para isso, temos que ver e aceitar que assim como o homem, a mulher tem seu espaço na sociedade, e perceber que não cabe mais estar propagando frases antigas como : "o homem cai aqui, amanhã é o mesmo homem, já a mulher não!", isso não é verídico, assim como homem a mulher também tem o direito de fazer o que lhe convém sem ser taxada de forma depreciativa! A mulher tem direito de vestir o que deseja e expor seu corpo, de maneira que não seja assediada ou sequer seja vitima de estupro, assim como muitos homens andam sem blusa ou camisa e não são tratados de tal forma!
O que acho sobre a desigualdade de gênero é que devemos destruir esse pensamentos machistas da sociedade, que visam a mulher a que provoca a violência doméstica, que expõe o corpo para serem assediadas ou estrupadas... precisamos parar de culpar quem não merece ser culpada (na maioria das vezes, por que como sabemos toda regra tem exceção) e passar a pensar no que realmente acontece, ou seja, abrir os olhos para o que realmente passa!
Sou mulher, tenho orgulho de ser uma, tenho orgulho de saber que no passado houveram mulheres que lutaram pelos meus direitos, e que hoje estou expondo um pensamento construtivo através da luta de tais!
Gostei do texto, parabéns !
maria aparecida da fonseca
30/05/2015 16:12
Ao meu ver a mulher esta com a auto-estima muito baixa ao ver sua imagem sempre destratada na mídia, novelas, jornais, filmes,etc...O gênero masculino sempre em primeiro lugar. Ja esta tudo tão comum que a mulher esta conformada e acha que é isso mesmo. Sem contar que a prioridade do genero masculino acontece a todo momento iniciando se pelos meios de comunicação. ex: Ao passar pelo estacionamento, seja bem vindo, vai assinar a reunião na escola, assinatura do pai ou responsável. etc... ou seja a mulher e o homem crescem ja priorizando o genero masculino. Poderia ser diferente considerar os dois generos iguais não? Psicologicamente a mulher sentiria mais a importancia da sua existencia. Obrigada pela oportunidade. Se possível retorno deste texto.

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