Álvaro Correia
Ex- parlamentar
Submetida desde a sua fundação a constantes flagelos provocados pelas cheias do Rio Itajaí-Açu, Blumenau todavia sobreviveu a essas catástrofes mercê o espirito forte de seus habitantes. E não só tem sobrevivido, mas também crescido e se desenvolvido como aconteceu depois da enchente de 83 e 84, catástrofe que o Santa acaba de reviver numa série de reportagens.
Diante da omissão criminosa dos governos estadual e federal, principalmente deste último, os blumenauenses com coragem e determinação conseguiram superar as grandes e graves adversidades e mantiveram Blumenau na honrosa posição que sempre ocupou com um dos municípios que mais arrecadam para os cofres do Estado. Essa obstinada e gloriosa luta dos blumenauenses pela sua recuperação foi de tal ordem que já em janeiro de 85 Blumenau batia o recorde de arrecadação do ICMS do Estado, arrecadando 13 bilhões e 500 milhões de cruzeiros de impostos estaduais, superando Joinville em 5 bilhões de cruzeiros.
O projeto ?Nova Blumenau? lançado pela prefeitura frutificou e através dele a cidade passou a dar novos exemplos de recuperação dignificantes a Santa Catarina e ao Brasil. Em meio a grande luta, o prefeito da época Dalto dos Reis entendeu que a cidade precisava de uma festa diferente para que a população pudesse esquecer o drama das enchentes e recuperar suas energias.
E inspirado na filosofia dos ucranianos, segundo a qual ?para grandes males, grandes festas?, com o apoio do comércio e da indústria programou a Oktoberfest, que foi realizada durante uma semana do mês de outubro de 84, ano da segunda enchente de 16 metros. O sucesso foi estrondoso, contando com a presença de 100 mil pessoas, que consumiram 140 mil litros de chope.
No ano seguinte, 85, a Oktoberfest já foi realizada em 3 semanas, contando com a presença de 371 mil pessoas que beberam 253 mil litros de chope, recorde sul-americano da época. O interessante deste fato é que a festa do chope que foi programada para a população esquecer as agruras da enchente de 83 acabou se transformando na segunda maior festa de chope do mundo.
Outro fato marcante que nos reservaram as enchentes de 83 e 84 foi o muro de proteção que a Teka construiu para proteger o seu parque fabril, em cuja obra de tecnologia italiana e canadense gastou 10 bilhões de cruzeiros. Se o governo federal tivesse tratado com a seriedade necessária o problema das enchentes do Vale, gastos astronômicos como o da Teka e outros prejuízos significativos teriam sido evitados.
Edição 1520
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