Thiago Rafael Burckhart
Estudante de Direito da FURB
Por mais que estejamos em pleno Século XXI, e a palavra imperialismo nos pareça um fato ocorrido no período da colonização no Brasil, a realidade nos demonstra que o imperialismo ainda persiste no mundo contemporâneo, comandado pelos Estados Unidos da América, que insiste em subjetivar a ideologia da superioridade.
A globalização, como bem aponta o pensador Milton Santos, é o estágio máximo do imperialismo, caracterizado pela sua perversidade e crueldade com as sociedades que lhe adotam como um paradigma de desenvolvimento pautado na monetarização das relações sociais. O domínio ideológico dos Estados Unidos sobre todo o globo faz-nos pensar que tudo o que existe no Brasil é ruim, que nada aqui funciona, como se a solução fosse adotar o modelo de desenvolvimento estadunidense e prosperar nas costas de outros países, explorando-os e dominando-os.
É nesse sentido que se demonstra o imperialismo no século XXI. Quando os brasileiros esquecem-se de sua cultura, de suas raízes, de preservar a sua arte de vida e passa a privilegiar e a pôr em um altar a cultura do imperador, ocorre um processo de desterritorialização da cultura, característica básica e fundamental do imperialismo. Entretanto, felizmente ocorrem práticas, ainda que poucas, que visam valorizar o que é brasileiro, e latino-americano. As bem-sucedidas práticas de economia solidária representam um grito de liberdade e de formação de uma nova sociedade; o novo constitucionalismo latino-americano representa uma nova forma de conceber o povo indígena; a revolução islandesa é um grande exemplo de luta contra o império e a dominação financeira. Todos esses são exemplos positivos e inovadores que buscam a construção de uma nova sociedade.
É o sentimento imperialista que ordena Portugal, França, Itália e Espanha a pararem o avião presidencial de Evo Morales que vinha da Rússia, em virtude da suspeita de levar consigo um grande lutador em prol dos direitos humanos: Edward Snowden. É evidente que as cartas estão trocadas, o que parece ser já não o é. Enfim, precisamos fortalecer nossa cultura e nossa identidade brasileira, valorizar o que é nosso em todas as esferas da vida e não permitir que a dominação cultural, política, econômica e ideológica continue a ocorrer.
Edição 1508
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