A vergonha de ser honesto - Jornal Cruzeiro do Vale

A vergonha de ser honesto

18/11/2011 11:16

Com as manifestações que vem se registrando nos mais diversos pontos do país, vai ganhando força o Movimento Nacional Contra a Corrupção, iniciativa patriótica e mais que necessária para se tentar inibir a vergonhosa roubalheira contra os cofres públicos.

Santa Catarina em boa hora entrou firme nessa luta para demonstrar que também não concorda, mas repudia essa prática imoral e condenável, responsável por tantos escândalos no setor público brasileiro. O Movimento se faz necessário, pois ao que parece nunca como agora se roubou tanto dos cofres públicos numa escalada impressionante e sem que os seus autores sejam devidamente penalizados. Infelizmente a corrupção é uma praga que de há muito está impregnada na vida pública do Brasil, provocando danos e escândalos de toda ordem. Movimentos como o que agora ocorre já aconteceram muitos no passado, segundo registros históricos. Em setembro de 1914, portanto há 97 anos, a corrupção atingia índices insuportáveis nas esferas governamentais. Foi quando o Senador Rui Barbosa fez veemente discurso contra os abusos e a imoralidade praticadas pelos que estavam no poder, e pronunciando uma frase que ficou famosa e que se ajusta perfeitamente aos dias de hoje. Disse o nosso grande Ruy: ?De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto?.

Já na década de 80, um outro brasileiro ilustre destacou-se também no combate à corrupção. Foi ele o Deputado Federal Ulysses Guimarães que como defensor intransigente dos padrões éticos e morais da política conseguiu inserir na Constituição de 88 dispositivos que deram força e independência ao Ministério Público para que melhor pudesse combater a corrupção que avançava. Num dos seus históricos discursos disse certa vez na tribuna da Câmara Federal: ?A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune soma  nas mãos dos demagogos. Não roubar, não deixar roubar, por na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública.? Infelizmente nem Ruy Barbosa, nem Ulysses Guimarães tiveram muito sucesso em suas campanhas pois a corrupção ontem como hoje continua pelos tempos a fora presente na administração pública brasileira. Combate-la não é só uma obrigação, mas sobretudo um dever patriótico de todos os brasileiros que querem bem o seu país.

Álvaro Correia

Comentários

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.