O próximo dia 16 de julho assinala os 60 anos do falecimento de Carlos Barbosa Fontes, ocorrido em 1956. Carlito Fontes, como era mais conhecido, nasceu em Gaspar no dia 2 de fevereiro de 1919, filho de Eurico da Silva Fontes, natural de Itajaí, e de Hilda Barbosa Fontes, nascida em Florianópolis. O casal fixara residência em Gaspar em novembro de 1918, onde Eurico se estabeleceu como industrial, dedicando-se especialmente a atividades ligadas ao beneficiamento de arroz e produção de açúcar.
Construiu, na década de 1920, a Usina São Pedro, cujo prédio, assim como sua chaminé, situados no coração da cidade, só foram demolidos em junho de 2003, provocando profundas mudanças na organização do espaço urbano do centro de Gaspar. A própria residência da família Fontes - cuja construção foi concluída em 1935, em terreno contíguo ao da usina -, durante longo período, abrigou o Fórum da Comarca de Gaspar (criada apenas em 1971). Sua demolição acabou por alterar definitivamente a configuração espacial de significativo trecho da Rua Coronel Aristiliano Ramos, considerada a principal da cidade.
Carlito começou seus estudos em Gaspar, onde cursou a Escola Paroquial, situada no mesmo local em que mais tarde foi construído o prédio denominado “Salão Cristo Rei”. Por um período estudou também em Itajaí, morando na casa de sua avó paterna, Ana da Silva Fontes, e mais tarde no Ginásio Santo Antônio, de Blumenau, tido como o melhor colégio da região.
Iniciou sua vida profissional trabalhando no escritório da usina de açúcar e álcool de seu pai, onde pode conviver com pessoas laboriosas e inteligentes, dentre as quais Albano Pereira da Costa, jornalista autodidata e fundador do primeiro jornal de Gaspar, denominado “O Gasparense”, e Manoel Soar, guarda-livros do descascador de arroz e da usina de açúcar. Nesse período em que trabalhou no escritório da Usina São Pedro, Carlito fez seu Curso de Contador por correspondência, fato bastante comum naquela época.
Em 1941, abriu, em sociedade com Claret Beduschi, um escritório de contabilidade, instalado na atual Rua Vereador Augusto Beduschi, mais tarde transferido para um imóvel pertencente a João Deggau, situado na Rua Coronel Aritiliano Ramos, esquina com a atual Rua Eurico Fontes. No final de 1944, já como único proprietário, Carlito transferiu o seu escritório para as amplas dependências do segundo piso do prédio pertencente ao comerciante João Luiz Beduschi, localizado igualmente na Rua Coronel Aristiliano Ramos, tornando-se responsável pela contabilidade de várias empresas e casas comerciais de Gaspar, dentre as quais se destacavam: Casas Júlio Schramm, Loja José Elias Soar, Descascador de Arroz “Irmãos Krauss”, Fábrica de Artefatos de Madeira de Antônio Schmitz, Olaria Sílvio Zimmermann, Indústria de Móveis Gamba Ltda., Casa Mário Vanzuíta. Passou também a trabalhar com seguros, representando as companhias Equitativa e Sul-América de Seguros.
Em 1945, casou-se com Ruth Wehmuth, filha de Carlos Wehmuth e Gertrudes Schmitt Wehmuth, com quem teve cinco filhos: Raquel, Rosa Maria, Clóvis, Carlos Eurico (Zuza) e Cláudio.No final de 1951, a sala situada ao lado do escritório de Carlito foi ocupada pelo escritório de advocacia de seu irmão Hélio Barbosa Fontes, formado em 1945 pela Faculdade de Direito de Florianópolis, que fixara residência em Gaspar. Uma terceira sala do mesmo piso do prédio passou a abrigar a sede do Tupy, com mesa de reuniões e armários envidraçados onde eram guardados os troféus conquistados pelo time. Nas dependências da antiga Fábrica de Sabão Estrela, último empreendimento de seu pai, Carlito e Hélio instalaram a tipografia do Jornal “Voz de Gaspar”, mantido por três anos: de abril de 1953 a maio de 1956. A coleção completa e encadernada do jornal, guardada com muito zelo por mais de meio século por Ruth Wehmuth Fontes, constitui importante fonte de consulta e pesquisa sobre a história de Gaspar, pelo registro dos fatos políticos e acontecimentos mais importantes do município e do estado de Santa Catarina na década de 1950.
Idealista e batalhador, Carlito desde muito cedo demonstrou interesse pela política, tendo-se destacado como uma liderança da extinta União Democrática Nacional-UDN no Vale do Itajaí, participando ativamente das campanhas eleitorais que elegeram para o governo do estado de Santa Catarina Irineu Bornhausen (31/01/1951-31/01/956) e Jorge Lacerda (31/01/1956-16/06/1958), cujo mandato, interrompido por sua trágica morte em acidente de avião, foi completado por Heriberto Hülse até 31/01/1961.
Sua breve trajetória política foi movida pelo grande amor que nutria por sua cidade natal, o que o fez despontar como líder nos meios social, político e esportivo de Gaspar. Como figura proeminente do Diretório Municipal da antiga UDN e por sua destacada atuação pública, foi eleito vereador por duas legislaturas. A primeira, de 1951 a 1954, durante o período em que o Prefeito Júlio Schramm, também eleito pela UDN, esteve à frente do Executivo gasparense. A Câmara de Vereadores de Gaspar, nessa que é considerada a segunda legislatura do Município, era composta pelos seguintes vereadores da UDN: Rodolfo Augusto Schmitz (Presidente); Norberto Antônio Koerich; Carlos Barbosa Fontes (1º Secretário) e Rodolfo Gunther.
Pelo PSD haviam sido eleitos: Hilário dos Santos, Abelardo Vianna e Arnoldo Krauss (Vice- Presidente). Na terceira legislatura municipal, que se estendeu de 1955 a 1958, tendo como prefeito Dorval Rodolfo Pamplona, Carlito foi reeleito vereador e seu mandato interrompido por sua morte prematura em julho de 1956, aos 37 anos de idade. O legislativo gasparense, nesse período, estava assim composto: Bertholdo Bornhausen (Presidente da Câmara), Carlos Mannich, Edmundo dos Santos (Secretário) e Afonso Schneider, pelo PSD; e, pela UDN, João Batista Beduschi, Carlos Barbosa Fontes e Lauro Silva. A Câmara de Vereadores de Gaspar presidida pelo presidente Bertholdo Bornhausen, em reunião extraordinária realizada em 17 de julho de 1956 prestou-lhe homenagem póstuma. Nessa ocasião, o vereador João Batista Beduschi enalteceu as qualidades de Carlito Fontes, referindo-se “à sua participação no progresso da cidade a qual dedicava grande amor”. Também o vereador Edmundo dos Santos em seu pronunciamento declarou que apesar das “animosidades, levadas pelas diferenças políticas e por princípios ideológicos diversos, as discussões nunca provocaram ódios ou rancores, condenados pela justiça”. O suplente de vereador Evaristo Francisco Spengler, eleito alguns anos mais tarde Prefeito de Gaspar, foi chamado para ocupar a vaga deixada na Câmara Municipal pelo falecimento de Carlito Fontes.
Seu extraordinário espírito público e o grande interesse por tudo que significasse progresso para Gaspar fizeram de Carlos Barbosa Fontes um cidadão marcado pelo entusiasmo e determinação com que abraçava as mais diversas causas em prol da coletividade. Sua vida breve, porém intensa, permitiu a concretização, juntamente com outros gasparenses ilustres, de vários projetos. Registre-se a fundação, em 3 de janeiro de 1942, do Clube Atlético Tupi e, em 14 de outubro de 1952, da Sociedade Cultural e Recreativa Alvorada. A sede desta foi construída em terreno cedido pela União, que originalmente pertenceu a Maria Cândida Hoeschel.
Em 1948, com o apoio da diretoria do C. A. Tupi, empenhou-se para fortalecer o time com novas contratações, visando à disputa do campeonato de 1949 da Liga Blumenauense de Futebol. Foi nessa ocasião que trouxe para Gaspar jogadores que se fixaram no Vale do Itajaí, dentre eles Evelásio Vieira (que fundou o jornal “O Gaspar” e tornou-se mais tarde Deputado Estadual, Prefeito de Blumenau e Senador da República) e o Dr.Walmor Belz, na época ainda estudante no Rio de Janeiro, mais tarde médico do Hospital Santa Isabel, de Blumenau. Em reconhecimento ao entusiasmo com que se dedicou ao clube, o estádio do Tupi recebeu, após sua morte em 1956, o nome: Estádio Carlos Barbosa Fontes. Seu espírito comunicativo e a liderança exercida em favor dos interesses do município trouxeram-lhe o reconhecimento e a admiração de gasparenses, que ainda hoje, passados 60 anos do seu falecimento, guardam com respeito e carinho a sua memória e lhe asseguram um lugar de honra entre os precursores do progresso e desenvolvimento de Gaspar.
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