Índios receberam 217 milhões - Jornal Cruzeiro do Vale

Índios receberam 217 milhões

10/12/2013 10:40

As últimas notícias sobre os problemas que envolvem os índios da Reserva Duque de Caxias e os colonos daquela área nos dão conta de que os indígenas ainda não teriam recebido a indenização pelos 850 hectares de suas terras, cedidos para a construção da Barragem Norte. Diretamente envolvido na discussão daquele problema, como presidente de uma comissão parlamentar especial, apresso-me em esclarecer que a referida indenização foi efetivamente paga e que o DNOS nada ficou devendo à Funai e aos índios. Em maio de 1981, em Brasília, foi assinado o convênio pelo qual o DNOS ficou responsável pela construção da nova estrutura onde os índios passariam a habitar fora da área a ser inundada pela barragem e da qual faziam parte; um Posto para a administração da Funai; uma enfermaria; uma igreja; uma escola e 67 casas de diversos tamanhos.

Já em 1º de agosto de 1983, depois de muitas discussões e acertos, o DNOS pagou a indenização aos índios pelas terras cedidas, repassando a Funai a soma de 217 milhões e 390 mil cruzeiros.

Desse dinheiro foi depositado em caderneta de poupança na Caixa Econômica Federal de Ibirama, um milhão de cruzeiros em nome de cada família indígena. O restante foi rateado entre as mesmas e entregue em espécie.

É importante observar que naquela época só existiam na reserva 889 índios, entre Xoklens, Kaigagns, Guaranis, Cafusos, Mestiços e Brancos, de acordo com o levantamento socioeconômico feito por técnicos da 4ª Delegacia da Funai de Curitiba.

O número de elementos brancos que invadiram e viviam dentro da área indígena era de 265, o que fez com que a comissão que realizou o levantamento sugerisse em seu relatório final a retirada de todos eles daquela área.

O mais triste e lamentável dessa história é que nem a Funai, nem os advogados, os antropólogos e entidades diversas que fizeram um tremendo barulho para que a indenização fosse paga, se dispuseram a ir a Jose Boiteux para orientar os índios na administração do dinheiro recebido.

E o resultado não poderia ter sido pior. Endinheirados e entusiasmados, os índios partiram para a gastança desenfreada frequentando os bares, restaurantes e o comércio de lojas, de Ibirama, Presidente Getúlio e Rio do Sul, onde torraram o dinheiro na compra de bicicletas, motocas, automóveis usados, eletrodomésticos, além de muitas bugigangas.

Quando o dinheiro acabou, seis meses depois, os índios voltaram a se reunir sob o comando do cacique Antonio Caxias Popó, para fazer novas reinvindicações de benefícios, apelando para a Comissão Parlamentar que cuidava do problema e que lá esteve, constatando que realmente muitos índios estavam motorizados, mas sem dinheiro.

Por isso reclamavam outros benefícios do DNOS e do Governo, e pediam apoio dos parlamentares. Não faltavam os mais exaltados, que também faziam ameaças às obras da barragem, o que veio a acontecer anos depois, quando destruíram completamente as estruturas da Barragem Norte já instaladas.

E tudo isso sob os olhares complacentes do órgão tutor, a Funai, que mais uma vez demonstrou ser uma entidade omissa e inoperante.

Alvaro Correia - Ex-parlamentar

Edição 1548
 

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