Durante algumas semanas hesitei em escrever algo sobre a onda de justiceiros que apareceram nas manchetes dos mais variados jornais em todo o país, pelo receio desse texto se tornar um mero desabafo, pois um dos meus melhores amigos, estudante de Direito na Furb, foi vítima de um destes acontecimentos, confundido com um suposto ladrão, aqui mesmo na cidade de Blumenau, por estar no lugar errado na hora errada. Nesse caso, meu amigo foi de forma descabida e violentamente agredido por três destes justiceiros, lesões que ainda hoje o vitimizam, dada a seriedade e o longo tratamento que terá de se submeter na recuperação do maxilar e dentes, fora o abalo psicológico, fato que por pouco não termina em tragédia ainda maior, se levarmos em conta que as agressões foram direcionadas a sua cabeça com uso de uma madeira, podendo lhe ceifar a vida de forma tão injustiçada e cruel.
Muitos criticaram esses acontecimentos como uma forma de reivindicação por justiça, condenando de certo modo o próprio judiciário brasileiro, que com sua tão conhecida morosidade e também suas decisões questionáveis, a exemplo do Mensalão, deixando para a população a sensação imponente de justiça. O povo então decide tomar as rédeas da justiça, e aplicar a justiça por si mesmo. Infelizmente esse efeito não tem tão somente a descrença no judiciário, como pressuposto para sua justificação e legitimidade, mas também uma decadência de nossas instituições religiosas, mas precisamente na justiça divina.
O problema maior é que ao tentar aplicar a justiça para corrigir as injustiças, criou-se mais injustiça, sendo essa pior até mesmo daquela ocasionada pelo judiciário, demonstrando claramente não ser a melhor medida para corrigir as falhas de um judiciário capenga, e se buscar a tão esperada justiça eficaz. Não sou porta-voz de nada, mas acredito - talvez até ingenuamente - que de modo geral o que esperamos da população agora com esses exemplos, é que ao invés de tentarem fazer justiça com as próprias mãos como tem ocorrido, preocupem-se em forçar o judiciário a pelo menos ser mais célere em seus processos, e principalmente, e parece até antagônico falar isso, ser mais justo em suas decisões. Isso certamente exigiria uma maior adaptabilidade desse sistema complexo que é o Sistema Judiciário Brasileiro à realidade atual, para atender aos interesses de uma sociedade que anseia por justiça e já não suporta ver tanta iniquidade acontecendo todos os dias sem a devida manifestação de penalidade por parte dos órgãos responsáveis.
Não é demais esperar que os líderes religiosos também exerçam seus papéis de orientadores, e fortaleçam a fé em Deus e na justiça divina, por ser de fato nosso maior consolo diante do cenário jurídico brasileiro.
Jailson Marangoni - Estudante de Direito
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).