O fim da era da Gourmetização - Jornal Cruzeiro do Vale

O fim da era da Gourmetização

26/08/2016 11:24

Coxinha gourmet, pastel gourmet e brigadeiro gourmet. A palavra ganhou tanta força no Brasil que tudo o que você possa imaginar ganhou uma variação "gourmetizada". É claro que com tanta "gourmetização", as pessoas acabariam enjoando. Hoje, o que os clientes buscam nos estabelecimentos é que comida de qualidade com preço justo e sem muita frescura.

Sempre achei o termo mal utilizado, vejo algo com "Gourmet" na descrição e torço o nariz. Na maioria das vezes, um prato tradicional acaba sendo preparado com técnicas um pouco mais sofisticadas, ou com ingredientes mais caros e de melhor qualidade, o que nem sempre é verdade, e acaba ganhando a denominação. Mas, continua sendo o bom e velho prato tradicional.

Porque isso acontece? Simples, porque muitas vezes, as pessoas mal informadas, acabam achando que um Pão com Bolinho “Gourmet” é muito melhor do que um Pão com Bolinho simples. O fato é que o Pão com Bolinho “Gourmet”, ou qualquer outro prato com essa denominação, nada mais é que o prato feito de forma diferente, ou uma releitura do mesmo. Não existe uma lei universal com os ingredientes exatos e quantias perfeitas para poder se chamar “pão com bolinho”.

O fim da "era da gourmetização", para mim, era uma questão de tempo para que as pessoas pudessem ir atrás de informações e entender o que é algo “Gourmet”, e não simplesmente pagar mais caro por um prato enfeitado.

Esqueçamos a atual situação financeira do Brasil, onde o feijão está sendo vendido a peso de ouro. Para que isso cresça ainda mais, o público deve ir atrás de mais e mais informações corretas, e assim tem base de comparação e poder analisar e decidir o que é “justo” no mundo gastronômico.

Essa é minha visão, num mundo onde as informações são encontradas cada vez mais facilmente e a gastronomia tão globalizada, o público está ficando cada vez mais exigente, sabendo o que é bom de verdade e o que é apenas “gourmet”. Ficar de fora desse mundo depende inteiramente dos consumidores e donos de bares e restaurantes.

Por Guilherme de Rosso

 

Edição 1764

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