Por Emílio Rossmark Schramm, vice-presidente da Fecomércio/SC
Sinto desde 2014 a escalada da carga tributária que pesa sobre os empresários catarinenses. E é óbvio comentar que as empresas são obrigadas a repassar esses aumentos de impostos aos consumidores - uma questão de sobrevivência dos negócios. Infelizmente, o elo mais fraco desta cadeia é a população. Esta sobrecarga tira da economia um volume imenso de capital, destinado a um setor paquidérmico, tanto em ‘peso’ quanto em lentidão. Falo dos executivos federal, estaduais e municipais, que nem sempre usam os recursos recebidos em prol das necessidades básicas dos cidadãos.
Recentemente, Paulo Guedes, ministro da Economia, apontou que os impostos precisam de limites e que os brasileiros não podem ser abusivamente explorados como ocorre no país. Este posicionamento traz um alento, mas alentos não põem comida na mesa, não abastecem automóveis e não significam investimentos em educação, segurança, saúde e infraestrutura. Precisamos de ação. E já!
É notório que, com menos impostos, os investimentos aparecem, aceleram a economia e refletem em renda ao povo brasileiro. Este dinheiro colabora para o bem-estar, à saúde e ao consumo. Uma visão que custa a entrar na pauta dos governos, já que se trata de um trabalho de anos, e que transcende um mandato, de quem quer que seja. Nossa carga tributária supera a de países do primeiro mundo, que conferem aos seus cidadãos uma condição social digna e apontam condições para o crescimento.No Brasil é o inverso. Temos milhões vivendo sem sequer vislumbrarem o real conceito de cidadania. E cabe a nós, empresários, uma visão social mais apurada, analisando a economia e seus efeitos como um todo. Não podemos admitir um país com tantas dificuldades em acolher a coletividade. Considero que a dificuldade maior está no poder Legislativo - o principal responsável pelas leis em vigor e o único apto a mudá-las.
Agora estamos em ano eleitoral, que motiva boa parte dos candidatos a procurar as entidades empresariais em busca de apoio para sua eleição. Nesses casos, sempre pergunto: “O que você fez até hoje como cidadão, como trabalhador da iniciativa privada ou pública?”. Os projetos não me interessam e de nada valem se a carreira ou o mandato anterior (ou anteriores) denotam inércia e falta de comprometimento com a sociedade, para dizer o mínimo.
Alerto que, antes de decidirmos a quem vamos conceder nossa confiança, que saibamos do pretérito dos candidatos, não apenas politicamente, mas também como conduzem sua vida como cidadãos. Somos parte desta solução e temos uma arma e tanto - o voto.
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