OKTOBERFEST, O CARNAVAL ALEMÃO - Jornal Cruzeiro do Vale

OKTOBERFEST, O CARNAVAL ALEMÃO

19/10/2010 08:54

Outubro é o mês das festas catarinenses. Marejada em Itajaí, Fenarreco em Brusque, Schützenfest em Jaraguá, são algumas das várias, em todo o estado, que contribuíram para a consagração de Santa Catarina como roteiro obrigatório do turismo nacional e até internacional, em uma época que tradicionalmente não se faz turismo.

É redundante dizer que todas estas festas pegaram carona na maior festa típica do país e a segunda maior manifestação popular nacional, ficando atrás apenas do carnaval: a Oktoberfest.

Criada em 1984, com uma forma de levantar a autoestima da população e meios de arrecadar fundos, após uma enchente devastadora no ano anterior, hoje acumula mais de 17 milhões de visitantes em 26 edições. Uma média de 700 mil pessoas por ano. Entre estes números impressionantes, está também o consumo do combustível da festa - 10.516.126 litros de chope bebidos, oficialmente, só nos pavilhões. Sem contar, a incontável quantidade de cerveja e todo tipo de bebidas alcoólicas ingeridas pelos festeiros, durante todo o período pelas ruas da cidade. Uma ?cachaçada? só... Loucura, loucura, loucura.

E não é que é mesmo. Pude constatar pessoalmente. Só para variar, neste último fim de semana, também estava lá, fazendo parte das próximas estatísticas e aumentando ainda mais ? e como ? os números. E foi escrevendo sobre isso que eu me toquei. Não falhei um ano sequer. Até agora estive em todas as edições da festa. Talvez esta marca seja comum a maioria dos blumenauenses, com idade suficiente. Mas, considerando que resido na cidade há 19 anos, chega ser um feito invejável.

Como explicar essa insanidade. O que tem de diferente neste evento? O que faz com que tanta gente bata cartão, todo ano em uma festa? E olha que circulando lá dentro você esbarra com pessoas de todos os cantos, que muito raramente estão vindo pela primeira vez.

Refletindo cá com os meus botões, chego a algumas conclusões. Organização, segurança, gente bonita, boa música, gastronomia variada, opções de diversão para todas as idades, são alguns fatores que propiciam este sucesso, mas não são exclusivos da Oktober, podem ser encontrados em outros lugares.

Penso que a resposta então é simples, porém só explicada de forma abstrata. A alegria democrática do pavilhão, ela é a grande responsável por tudo.

Em um universo tão vasto e diferente de pessoas e de culturas, é impossível não se deixar contagiar. Ali todos estão em igualdades de condições, sem nem tipo de preconceito ou julgamento. Não importa a raça, o credo, a cor, a orientação sexual, a ideologia política, o time que torce ou a condição social; tudo e todos são aceitos.

E considerando que hoje em dia, normalmente, tudo é meio falso, ?fake?, como dizem os adolescentes, onde a maioria das pessoas desempenha papeis na sociedade, no pavilhão não. Existe uma verdade natural. Uma confraternização autêntica e geral, todos unidos pelos mesmos objetivos: pular, dançar, festejar, se divertir, extravasar e tudo mais... muito mais.

E claro, tudo regado a muito chope, se não, nada disso seria possível. É como diz a sabedoria popular: Só o álcool liberta...

Ein Prosit!


Michel Jaques - michel.jaques@yahoo.com.br

edição 1239

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