Barulho
Nós, moradores da rua Catarina Hostert, pedimos uma providência urgente para um problema que nos incomoda pois não temos mais sossego a noite. É que quase todos os dias o barulho de som alto vem deixando os vizinhos apavorados. O problema é de apenas uma casa, onde os moradores ficam com o som do carro alto no último volume e não deixam ninguém descansar. Sexta-feira passada eles ligaram o som às 2 horas da madrugada e ninguém dormiu mais. É quase todos os dias isso aqui no Jardim Primavera, no Bela Vista. Os moradores pedem uma providência. Não dá mais para suportar, têm muita gente que precisa trabalhar e não pode descansar por causa do barulho do som alto do carro deles. A polícia chega aqui e o dono da casa mete a boca nos policiais e continua com o som alto, principalmente nos finais de semana. Eles não respeitam ninguém e só querem bagunça e farra. Ligam o som do carro no último volume e não querem nem saber se tem gente que trabalha. Parece que não é mais Jardim Primavera, e sim, Jardim da Bagunça. A coisa aqui está demais. Todos os moradores aqui pedem uma providência urgente, é muito barulho.
Carmélia Inácia Bernardes |Gaspar
Noite de Black Tie
O empresário polivalente, Gilberto Schmitt, que gosta de inovar e renovar, tirando do fundo do baú costumes esquecidos tem mais uma ideia: NOITE DE GALA ? Cruzeiro do Vale. O evento acontece dia 17 de setembro, uma sexta-feira, e será traje a rigor. Uma noitada solene.
Coisa que os mais experientes curtiram em grande pompa, os mais jovens terão a oportunidade de observar como os pais e avós se distraiam, assim, dia 17, para alegria da família gasparense, o Gilberto ressuscita as tradicionais Noite de Gala. As pessoas da alta sociedade far-se-ão presentes. Vale a pena conferir.
Jornalista Léo | Gaspar
Eu tenho vergonha
Vergonha de votar e escolher administradores incompetentes e desatentos com as necessidades do povo. Não é questão de querer muito, trata-se apenas de respeito. Para relembrar, há certo tempo atrás, escrevi a este respeitado jornal a vergonha que a prefeitura fez. Estou falando daquela mesma faixa de pedestres que a viatura do Ditran estava estacionada sobre ela em tempos recentes. Aquela mesma faixa que se fosse um de nós, e ?não um deles?, receberia uma multa nominal sem nem poder argumentar. Enfim, esta mesma faixa que na gestão anterior teve sua pintura efetuada dentro de um buraco, em frente ao Trilhos. Dá para acreditar que a faixa foi pintada dentro de um buraco? Enfim, só para relembrar, pois hoje tivemos um asfalto de ?primeira? que cobriu todos os buracos da Avenida das Comunidades e só esqueceu da ponte. Qual ponte? Esquece vai, tem tanta coisa mal feita que a ponte é o de menos. Asfalto de ?primeira?! Esse mesmo, este que cobriu a Jorge Lacerda e que em tempo recorde já tem mais buracos do que antes dessa ?natinha?. Asfalto de ?primeira?! Putz, fico indignado! O bairro coloninha está tenso. Entre o vai e vem dos ônibus, entre as curvas fechadas como aquela da Lince, os buracos crescem! E como crescem! Tenho muita vergonha! Vergonha em trafegar pelas ruas do município e ver este descaso com a população. Não foi outro dia que falaram em acessibilidade? Então quero uma resposta para saber onde está a acessibilidade naquela esquina da Lince, naqueles buracos e naquela calçada. Todos esperamos providências! Lembro também que estamos em uma importante época. As eleições se aproximam e é muito importante pensar em quem vamos votar, pois o tempo passa, entra governo, sai governo e a falta de vergonha continua sendo a mesma.
Mauro Lanznaster Filho | Gaspar
Taxa do Lixo
Caro editor, não quero entrar no mérito da questão da taxa do lixo no Gasparinho que já tem parecer do Ministério Público. Quero sim hipotecar minha solidariedade ao Osni Tosi, que desde os tempos que juntos trabalhamos no Samae foi um exemplar servidor, defendeu a instituição com unhas e dentes, foi sempre justo com a autarquia e com a população. Não é um tecnocrata é um leiturista, que merece o respeito. Assim foi também no Sintraspug, quando foi meu tesoureiro,lutava para garantir seus direitos e de seus colegas de trabalho. Quando vejo Osni reclamando o que lhes é de direito não ponho dúvidas, pois trata-se de um servidor íntegro e responsável. Não compete a mim fazer qualquer julgamento, quero simplesmente deixar meus cumprimentos. Que a Santinha do Gasparinho o conserve assim por muitos anos.
Odir Barni | Camboriú
Escola Dolores I
A leitora que, em carta, reclamou da diretora da escola Dolores Krauss, só pode estar de brincadeira. Eu sou aluno da escola Dolores e tenho orgulho dessa diretora, que é a melhor que já tivemos, ninguém pode reclamar. Se a leitora tivesse a vontade de ajudar a escola como tem de criticar, a Dolores seria a melhor escola do mundo! Ao invés de criticar, tente ajudar a escola.
Guilherme Hoepers Alves | Gaspar
Escola Dolores II
Sou professora, diretora da Escola de Educação Básica Luiz Franzói, e ao ler a carta da senhora Aline de Oliveira na edição de terça-feira do Jornal Cruzeiro fiquei em um primeiro momento indignada. Após a segunda leitura parei para analisar a situação da Professora Leonor, que assumiu de coração aberto a direção da Escola Dolores Krauss. Conheço a senhora Leonor há um bom tempo, assim como grande parte da comunidade gasparense, ela sempre foi envolvida em causas sociais, se você quer alguém que realmente leva a sério o que assume. Esse alguém é ela. Todos que a conhecem sabem do seu caráter, da sua honestidade, do seu comprometimento com a educação e com a sua total dedicação a esta escola. Fico realmente triste, em pensar que ainda existem pessoas que pensem que as escolas devem ser somente e exclusivamente de obrigação do poder público, que pais, alunos e professores não devem se envolver nas melhorias das mesmas. Os governantes (não importando as siglas partidárias) fazem a sua parte, porém é de obrigação nossa como cidadão fazer a nossa parte. Senhora Aline, gostaria de dizer que a escola se faz sim com rifas, com contribuições, com festas desde sempre. Com direções que busquem o comprometimento dos alunos e dos pais. Sou mãe, professora, diretora e sempre busco o melhor para nossas crianças assim como a dona Leonor, você deveria se unir a nos que buscamos uma escola de qualidade e não aos que só buscam destruir o trabalho dos outros. Penso que você analisará melhor o seu comentário e fará sim uma retratação à escola Dolores Krauss, aos seus funcionários, aos seus alunos e principalmente à pessoa da professora Leonor. A você dona Leonor minha força e continue seu excelente trabalho!
Kelli Cristine Silva Santos |Gaspar
Adolescência como moratória
Um dos desafios mais interessantes que a universidade pode proporcionar; quando é compromissada com a sociedade; é o de colocar em prática as ?teorias? com a realidade.
Uma dessas práticas foi proposta e coordenada pela professora da Furb, Michele Kamers - Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo.
Se trata exatamente da idéia de que, todos os alunos, aspirantes a carreiras de licenciatura (de variadas ciências) precisavam comprovar empiricamente a teoria que estavam estudando, teoria do psicanalista e professor italiano Contardo Calligaris (A Adolescência, Folha Explica. PubliFolha, 2000).
Para isso, era preciso entrevistar, ao menos um adolescente, e encontrar, ou não; em sua fala a comprovação da teoria proposta, a fim de realizar uma análise própria da situação, que é sem dúvida a parte mais difícil das ciências que lidam com o ser humano.
Por se tratar de um trabalho acadêmico, este se tornou muito extenso, a considerar que a entrevista durou pouco mais de uma hora, o que torna inviável sua publicação na integra, mas é possível usar dos argumentos mais característicos para colocar a par os leitores, e se for o caso inspirá-los a encontrar e ler a obra do autor.
O adolescente é chamado de J.P, residente num bairro de classe média de Blumenau, de 17 anos ? escolhido, porque representa, aos olhos da sociedade, um ideal de adolescente retratado pela industria cultural, vive num auge de consumo material, que o torna objeto de referencia para os demais.
Ao ser questionado, o que era adolescência para ele, e por que pensava estar nessa condição distinta; ele se coloca em um meio termo constante, em que não é considerado adulto, mas não é mais criança. Porém não tratamos aqui apenas das questões biológicas, como afirma Contardo, existe uma série de ?provas rituais?, uma moratória forçada; em que não se pode mais fazer o que se fazia antes, mas também não se pode usufruir totalmente do mundo dos adultos.
Segundo Contardo o ?surgimento? da adolescência, é recente, logo após o final da segunda guerra mundial, partindo dos Estados Unidos e Europa, se tornou não só um termo usado, mas uma fase da vida, mundo afora.
É comum aos adolescentes apresentarem um estado de rebeldia, característico pela aproximação de artistas que a apresentam-se ?distintos? do mundo comum, que lhes está imposto. Se identificam com a maneira dos artistas de se ?rebelarem?. A fim de modificar a situação vigente, não fazendo reflexão, sobre se essa transgressão é para ?libertar? das moralidades consideradas hipócritas por eles, ou apenas, criar um olhar diferente. O que só será sabido na década posterior. Assim como foi para nós às décadas anteriores de 90, 80,70 etc...
Como uma espécie de revolta aos valores que, ao impor-lhes a condição de moratória, incitam a rebeldia (que pode ou não ter um bom motivo) a cargo que, como não podem adrentar no mundo adulto, tentam formar um mundo diferenciado.
Essa rebeldia, geralmente é vista como patologia pelos mais velhos que eles, representados geralmente pelos educadores e pela família, assim que procuram nos grupos sociais, um lugar seguro para que possam exercer a sua ?liberdade? de pensar e agir. Grupos que tem em seus membros, pessoas que compartilham seus gostos artísticos e de estilo de vida. Suas vestimentas podem mostrar gradativamente a que passo se põe, frente da cultura vigente. Quanto mais próxima, estas forem dos adultos, menos adolescente, o individuo se caracteriza. No caso de J.P, um estilo de rock contemporâneo mesclado com Grounge dos anos 90.
As artes, em geral e as vestimentas são como ?gritos? dos adolescentes para que possam ser visualizados, para que a sociedade perceba que eles estão ai, muitas vezes a mercê, que não sabem o que fazer, por isso tentam criar um mundo a parte. Acrescente a isso as distorções socio econômicas para pensar na situação dos adolescentes. Frase de J.P ?Não sei o que vou fazer, não sei o que preciso fazer.?
É interessante ilustrar que os pais de J.P foram igualmente fãs de artistas de rock e pop, que de alguma forma contestaram em seu auge, o mundo em que viviam até então ? Rolling Stones e Madonna. J.P revelou isso, ao ser perguntado o que achava de mais contraditório em seus pais. Não cabe aqui, fazer referencia de como esses artistas são, na função de pais, mas do que influenciaram no pensar coletivo dos atuais pais.
Na verdade ao longo de toda a entrevista, é possível perceber que tanto o jovem quanto seus pais, continuam vivendo, em vários aspectos, a adolescência, pois ao mesmo tempo em que se deseja sair dessa condição de moratória; para os adultos e para indústria cultural, é justamente á adolescência, referencia de vida, de liberdade, de bem estar. J.P fala muito dos seus pais, ao longo da entrevista, sempre fazendo menção as proibições e permissões concedidas por eles.
Cada dia que passa, as pessoas querem se parecer mais jovens, querem se vestir como os jovens - as crianças e os adultos - imitam os adolescentes. Ou seja, os adultos que até pouco tempo atrás eram adolescentes, impõem uma moratória sem nexo, pois são os mesmos que criaram um mundo, onde o jovem é referencial. J.P é referencial de consumo.
Nas sociedades complexas, como a nossa, o ?olhar? dos adultos, dirigido aos adolescentes, mostra muito do que se espera deles.
Cabe aos jovens se perguntarem então: O que eles esperam de mim? Ou ainda, o que mais eles esperam de mim? Saber responder essa pergunta é tarefa mais árdua, pois hoje a maioria dos adultos também não sabe o que quer. Questões para outra investigação social, quem sabe. A teoria de Contardo aponta trechos da realidade.
Victor Caglioni
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