27/03/2009
Quatro meses
Mais uma vez estive no Complexo do Baú. Exatos quatro meses depois do dilúvio. Acompanhei de perto toda a destruição, desde o resgate dos flagelados até a busca pelos corpos. Cenas que chocaram e que ficarão marcadas para sempre. Não me lembro mais o número de vezes que estive no Baú fazendo reportagens tristes e desanimadoras.
Retorno
O meu retorno esta semana despertou um sentimento de alívio. É que pude percorrer todo o Complexo do Baú de carro e voltar sem o sapato sujo e a calça lameada, como nas reportagens anteriores. A maioria das famílias já retornou para suas residências. Empresas recomeçaram aos pouco a retornar à rotina normal. O Baú já tem vida. Cheiro de cafezinho. Pessoas circulando pelas ruas. Crianças brincando. Homens trabalhando e as plantações ressurgindo.
Solidariedade
Confesso que cheguei a pensar que nunca mais daria para morar no Complexo do Baú. Enganei-me. Graças à força daquele povo laborioso e a vontade de reconstruir e recomeçar tudo de novo mudou o cenário da desgraça. O povo deu as mãos e os frutos já estão sendo colhidos. Por várias vezes cruzei com maquinários pesados trabalhando na reconstrução. São diversas frentes de trabalho na remoção de barreiras, limpezas de ribeirões, colocação de tubos, construção de bueiros, pontes e pontilhões. Uma verdadeira operação de reconstrução.
Baú lindo
A Prefeitura de Ilhota não dormiu no ponto. Buscou recursos e maquinários pesados. Não ficou reclamando. Arregaçou as mangas e foi à luta com os moradores. Sem muito alarde conseguiram até máquinas do Governo do Paraná para trabalhar na reconstrução sem contar que centenas de voluntários de outras cidades, sensibilizados com a situação, se juntaram para reconstruir o Baú. Muito tem que ser feito ainda, mas daqui para frente as dificuldades serão cada dia menores. Tenho certeza que vou ver novamente o Baú lindo como ele sempre foi.
Um milhão
O Presidente Luís Inácio Lula da Silva quer construir um milhão de casas para os menos favorecidos de todo o Brasil. Acho que é piada. Ou brincadeira de mau gosto. Ou estou sonhando. Não vi nenhuma residência construída e prometida para quem perdeu tudo aqui no Vale do Itajaí com a catástrofe. Acho que é chacota do Lulalá.
Marolinha
Enquanto para o presidente Lula a crise é uma "marolinha", as pesquisas apontam que ela está caindo em todo o país como um tsunami. De janeiro para fevereiro, o saldo entre a oferta de vagas e as demissões ficou negativo em 1,3%, com a eliminação de 229 mil pessoas do mercado de trabalho, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e pela Fundação Sistema Estadual de Análises de Dados.
Marolinha II
O estudo reflete a movimentação média da mão-de-obra em seis regiões metropolitanas: São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Distrito Federal. Creio que Santa Catarina não está muito longe desta realidade. Aqui, muitas empresas ainda conseguem manter os empregos por causa da movimentação econômica gerada pela liberação do FGTS. Quero só ver quando esse dinheiro acabar, fato que não deve demorar muito para acontecer.
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