por Gilberto Schmitt - Jornal Cruzeiro do Vale

por Gilberto Schmitt

01/05/2009

LEMBRANÇA

Essa semana relembrei minha época de estudante em Petrópolis,RJ, quando cursava a faculdade de filosofia. Participei várias vezes e ajudei a organizar manifestações no centro da cidade na luta pelos menos favorecidos. Não tínhamos medo de fechar ruas e paralisar o centro. Naquela época Petrópolis também havia sofrido com enxurradas e deslizamentos deixando um número elevado de mortes.

SEMELHANTES

As brigas e reivindicações eram parecidas com as de Gaspar nos dias de hoje. A morosidade e desculpas dos políticos para atender a população deixavam qualquer um com os nervos à flor da pele. Lá qualquer pé de galinha dava uma sopa. Aqui as sopas nem tem pé de galinha. O povo é enrolado com facilidade e na maioria das vezes fica quieto.

BONS PROFESSORES

Não posso reclamar dos bons professores e incentivadores que tive quando fui estudante em Petrópolis: Leonardo Boff, Darcy Ribeiro, Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde) e Dom Fernando Figueiredo, entre outros. Eles sempre olhavam e defendiam os mais fracos e humildes. Foi com eles que aprendi a abraçar a causa daqueles que não conseguem ecoar suas vozes. Também aprendi com esses mestres ser mais crítico e observador e, se preciso, não ficar com a boca calada.

EXEMPLO

Um exemplo de organização são os moradores do Complexo do Baú. A formação da Associação dos Desabrigados do Baú conseguiu ter força, voz e representação política para a reconstrução de todo um complexo retorcido pela catástrofe. Eles não dormiram no ponto e foram à busca de suas necessidades. Trabalharam em conjunto e juntos estão resolvendo seus problemas, e olha que a lista era grande.

O casal de idosos José Sabino e Severina recebe a chave do novo lar neste sábado. A campanha foi idealizada pelo Jornal Cruzeiro do Vale com o apoio da comunidade

MANIFESTAÇÃO

A manifestação dos moradores que invadiram uma área de terra próximo à Marinha, debaixo da figueira, mostra mais uma vez que o povo organizado tem força suficiente para atingir seus objetivos. Sou contra as invasões, mas sou a favor da moradia digna para as famílias. É preciso separar entre eles o joio do trigo. Os interesseiros e aproveitadores deverão ser chutados e quem realmente precisa deve ter uma atenção toda especial. As manifestações sempre assustam os governantes. Eles não gostam de manifestações e por isso partem para o diálogo e tentam resolver o problema o mais rápido possível para não terem a imagem arranhada.

AUDIÊNCIA

A audiência pública com o Fórum Parlamentar de Solidariedade pela Reconstrução, que aconteceu na Câmara de Vereadores de Gaspar, na terça-feira, com a presença de três deputados, foi um fracasso. Os deputados estavam mais perdidos do que cego em tiroteio. Não conheciam a nossa realidade e necessidades. Levaram chicotadas de moradores e empresários. Saíram com o rabinho no meio das pernas.

DOAÇÕES

A reconstrução do Vale tem a força do povo e não dos políticos. Os políticos são figuras ilustrativas e que só recebem os salários e vivem de faláceas. As 200 casas que serão erguidas o dinheiro vem da própria população que fez suas doações à Defesa Civil que está repassando para as cidades e da iniciativa privada e do rei da Arábia Saudita, Abdullh Bin Abdul Al Aziz Saud, que fez a gorda doação de 74 casas para Gaspar. Pergunto: qual foi o valor que o Governo Federal já repassou para erguer casas em nossa cidade?

chumboMD.jpgA Celesc trocou alguns postes na Avenida Doutor Nereu Ramos nesta semana. Engraçado é que o antigo poste estava bem próximo ao muro para dar passagem aos pedestres e ciclistas. Já o novo poste foi colocado no meio da calçada, atrapalhando a passagem de todos. Se é pra mudar que seja para melhorar e não piorar a situação!

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