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A comissão provisória do PSL flerta com a ingenuidade, descuida-se e fica sob fogo amigo dos que acham ser a política da pureza humana e o tiroteio mortal intencional dos profissionais da política gasparense - Jornal Cruzeiro do Vale

A comissão provisória do PSL flerta com a ingenuidade, descuida-se e fica sob fogo amigo dos que acham ser a política da pureza humana e o tiroteio mortal intencional dos profissionais da política gasparense

12/08/2019

O PSL de Gaspar e ainda como comissão provisória experimenta a sua primeira crise. O presidente Marciano Silva tenta por sob controle as vaidades dentro do próprio grupo

Vou ser repetitivo? Vou! E por uma única razão. Explicarei, mais uma vez, aos que não pegaram a conversa do início e por inteiro. Então, sintam-se à vontade para malhar mais uma vez. E na falta de argumentos, podem me chamar de comunista como se isso fosse argumentação para quem não a possui contraponto às minhas sustentações sobre fatos tão óbvios e não sabem da minha história.

Num artigo aqui e despretensioso de algum tempo atrás, ousei diante da minha franqueza comprometida com os meus leitores e leitoras, afirmar que o PSL de Gaspar estava tropeçando nas suas próprias pernas. E a turma do PSL daqui organizada nas redes, cheia de razão em si própria, tentou-me dar o mesmo destino da suposta falta de credibilidade que me dão os tubarões que manipulam e dominam à cena da política gasparense há décadas, quando eu aponto para as suas jogadas dissimuladas.

Atenção. Se você leu até aqui, reitero que é importante gravar o parágrafo anterior pois ele será necessário para as conclusões deste artigo.

Volto. Perceberam? Eu tenho razão só quando estou de um lado e tenho que permanecer, permanentemente nele até para ser tachado de burro ou teimoso. E por não ter lado, por me reavaliar permanentemente diante de um mundo em transformação e evolução acelerada, inclusive no ambiente político, social, interesses e econômico, recebo pau e aplausos dos dois lados, dependendo da conveniência e da oportunidade. Estou acostumado! Mas, vamos adiante.

Fiquei na minha, como sempre, esperando a caça. Só para flagrá-la na repetição dos seus hábitos. Elas e o hábitos são intuitivos. E por isso, fáceis de serem apanhados. Nada como um dia após o outro. Afinal, o tempo é o senhor da razão e ele, o tempo, repetidamente, tem lavado a minha alma. Ufa!

Não resta à menor dúvida de que as eleições de outubro do ano passado foram diferentes e deram lições claras às estruturas partidárias tradicionais e principalmente aos políticos espertos de sempre. Sempre escrevi isso. Muitos escreveram a mesma coisa e com muito mais propriedade e exemplos do que eu. E não precisa ser acima da média para concluir sobre isso. O voto no PSL, em Jair Messias Bolsonaro e Carlos Moisés da Silva foi um recado evidente de que era preciso o mundo político brasileiro mudar, inclusive em Gaspar. Basta olharmos os boletins das urnas, os candidatos, os resultados...

INFILTRADOS COM VELHAS MANIAS

Resumindo: o voto não foi exatamente foi ao PSL – um nanico até então e sem ideário diferencial -, mas, sim, contra o comportamento fedorento e viciado dos políticos brasileiros, incluindo os locais: o de levar vantagens em tudo, o de mudar de casaca conforme à necessidade e conveniência, o de criar filas e impedir à renovação das lideranças nos próprios partidos, o de acobertar os crimes e mazelas entre os seus, o da falta de transparência, o de dizer uma coisa e fazer outra, o de roubar ou administrar mal o que é suportado pelos pesados impostos de todos, o de corromper, o de proteger amigos na maioria incompetentes e manchados, o de ignorar ou ferir sistematicamente à lei, o de impedir as verdadeiras mudanças para melhorar ou proteger à vida das pessoas e de ter o monopólio de nomes para o poder permanente dos mesmos.

Com os resultados das urnas surgiu o PSL de Gaspar, inexistente até outubro do ano passado. Uma comissão provisória sob a chancela do surpreendente fenômeno de votos vindo de Blumenau, onde era vereador e tinha passado por quase todos os partidos, apesar de muito jovem, o deputado estadual Ricardo Alba.

Tudo meio às pressas. Voluntarismo. E gente esperta se aproveitando da oportunidade que não teve até então na política partidária tradicional diante do território marcado por tubarões, gente vinda das várias denominações evangélicas, gente que não viveu mas acha o tempo dos militares um sonho, ou peixes graúdos e viciados enxergando novas águas para flutuar e se oxigenar como se novo na política fossem.

Tudo isso é da natureza humana. Compreensível. Mas em qualquer partido, mesmo a tal pluralidade de pensamentos e atitudes é prudentemente cercada de limites. Afinal, um partido é feito de afinidades, de ideário e objetivos para a sociedade onde pede votos para ser estabelecer e representa-la. E por isso, mesmo, era preciso filtros e depurações em Gaspar. E isso, não foi feito no surgimento da comissão provisória de Gaspar e nem no decorrer dela que vai se transformando em Diretório. Um erro.

E esse quadro juvenil por uma causa de poder e não de depuração começa a incomodar.

Na semana passada houve as primeiras sérias intrigas no PSL de Gaspar e que extravasaram às suas reuniões. Foram parar nas trocas de ideias nos tais grupos dos aplicativos de mensagens.

Falei com o presidente Marciano da Silva, sem passagem e gestão na política, um corretor de imóveis, que veio no bojo desse improviso criado pelo deputado Alba. Marciano, que não possui a manha dos políticos, com a sinceridade – e até a ingenuidade dos que não foram “batizados” - e que ainda lhe é peculiar, minimizou: “Infelizmente”, sintetizou, Marciano.

O PSL de Gaspar – sem candidatos visíveis – pode estra preventivamente sendo envolvido pelos partidos tradicionais que têm nele uma incógnita eleitoral que poderá ser testada de verdade nas urnas de outubro do ano que vem

À BUSCA DA LIDERANÇA E COMBATER ÀS INTRIGAS

Na semana passada, até uma reunião da Comissão Provisória foi marcada para a lavação de roupa-suja e que envolvia, inclusive, à discussão à liderança do próprio Marciano à frente da Comissão. Intrigas. À última hora, essa reunião foi desmarcada. Percebeu-se que ela poderia trazer mais estragos, do que a pretendida, cortar o mal pela raiz, buscar uma eventual depuração e assim, facilitar à agregação do grupo.

“Já resolvemos, e continuamos nosso trabalho. Resumindo, são pessoas que sentiram o gostinho do poder (de estar tirando fotos do lado de autoridades). Nós demos uma oportunidade, e agora se acham donos do partido. É mais o menos isso. Triste realidade. Imagina se uma pessoa dessa chega no poder, se estraga (sic), e ainda estraga outras pessoas”, esclareceu Marciano.

E este assunto das intrigas internas não nasceu e nem se propagou aqui na coluna até este artigo. Ele dominou parte das redes sociais durante pelo menos dez dias e bombou nos aplicativos de mensagens. E por isso, voltei a insistir com o presidente da Comissão Provisória do PSL de Gaspar, Marciano Silva, mostrando materiais que circulam por ai.

“Sim já vi, mas são falácias de pessoas que não estão de acordo com o nosso projeto. Muitas frases fora de contexto, pra nós, não nos atinge em nada, já sabíamos dessas atitudes de alguns para tentar nos fragilizar, mas o mais importante é que temos a nossa consciência limpa. Seguiremos trabalhando por Gaspar, ajudando a comunidade, sem egoísmos e privilégios”.

Apesar de Marciano insistir e minimizar o que aconteceu ainda persiste, este assunto ainda vai render e vai exigir ação firme de alguns bombeiros, como o deputado Ricardo Alba, o tutor do PSL de Gaspar e que parecer querer abraçar o mundo. Então perder-se o foco, consequentemente o controle ou a liderança. Mas, vamos adiante.

VAI TER CANDIDATO PRÓPRIO

Marciano insiste que o PSL de Gaspar vai ter candidato próprio a prefeito em outubro do ano que vem. E repetiu o que disse recentemente em visita a Gaspar na imprensa local o deputado Ricardo Alba: “O PSL terá candidato a prefeito em Gaspar nas eleições de 2020. O presidente do partido [Marciano] está trabalhando com sua equipe da Executiva para montar um time de pré-candidatos a vereadores alinhados com o presidente Jair Bolsonaro, e com as demais lideranças do partido, como também pré-candidato a prefeito e vice-prefeito”.

Ter candidato próprio é uma coisa. Ter um candidato próprio viável, é bem outra.

Primeiro precisa-se de um partido unido e representativo. O PSL não é a pedra, o escape. Agora, ele é vidraça, é algo que conta em qualquer jogo político e está no radar de todos.

Segundo, em outubro do ano que vem, o PSL não será uma “novidade”, virá com os desgastes naturais de ser poder e dependerá do sucesso dos governos de Jair Messias Bolsonaro e Carlos Moisés da Silva.

Terceiro, o voto contra Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, Carlos Roberto Pereira, MDB e Pedro Celso Zuchi - que em teoria representam o velho e o duvidoso, ainda é prevalente entre os simpatizantes do PSL e bolsonarismo -, não será suficiente se não se tiver um nome que inspire confiança e aglutine forças.

Neste momento, e é muito cedo para isso, elas se mostram divididas na Comissão Provisória. Dessa forma, não vencerão uma máquina eleitoral azeitada, viciada e principalmente inchada na prefeitura e Câmara de fazer votos à moda antiga, e toda paga pelos pesados impostos dos gasparenses.

O governo de Bolsonaro começa a sair do papel, principalmente pela excelente equipe técnica que escolheu – e alguns na campanha como Paulo Guedes - e possui. Vai bem, porque o Congresso tem tido um papel de protagonismo nas reformas apesar do governo. Vai bem porque executivamente, até mesmo em obras essenciais, está se produzindo resultados muito antes do esperado, como a duplicação da BR-470, que parece ter ganhado realmente fôlego no novo governo.

Já o governador Carlos Moisés da Silva, está bem, mas coloca bem distante do candidato Comandante Moisés. É teimoso. Comunica-se mal. E na área econômica e de desenvolvimento está refém de técnicos da velha secretaria da Fazenda. Para eles, a única solução é criar mais impostos para pagar privilégios (deles próprios), o rombo das estatais incapazes e da máquina inchada e desperdiçadora dos pesados impostos dos catarinenses.

No governo de Carlos Moisés não há modernização, não há inovação, não há criatividade, não há privatizações... Falta-lhe cérebros e audácia à altura para romper ou solucionar os velhos e tenebrosos problemas estruturais. Isto sem falar na notória segregação regional que ele faz com o Vale do Itajaí.

O sucesso do PSL como partido em Gaspar vai depender em muito do sucesso dos governos Bolsonaro e Moisés, bem como de se  vender a ideia de romper com a contaminação dos partidos tradicionais que dominam a política local por décadas

CAVALO DE TROIA

Além do que mencionou Marciano à coluna ao minimizar os problemas internos da Comissão Provisória do PSL de Gaspar e que percorreram as redes sociais nestes últimos dias, como gente que quer aparecer, ou seja, que nunca comeu melado e está se lambuzando com ele, há outros fatores que precisam ser urgentemente gerenciados.

Primeiro, o PSL de Gaspar não possui – ao menos não declara ou define - um nome para concorrer a prefeito. Muito menos ao que está nele, é sabido que não há equipe para criar diferença de resultados que é o que se espera de um novo governo.

Está com o medo do teste antecipado? Ou acha que o seu eleitor votará num poste? E neste vácuo de nomes e quadros (um Paulo Guedes da vida), surge Sérgio Luiz Batista de Almeida, ex-funcionário público municipal como motorista de ambulância, sindicalista, psicólogo, suplente de vereador, que passou pelo PSDB e PR – onde até foi vice do MDB com quem sempre esteve ligado.

Sérgio vai ocupando à vaga por falta de nomes alternativos. E isso incomoda alguns simpatizantes do PSL. Sérgio, não é o verdadeiramente o novo, nem um executivo, ou político ou gestor afeito às mudanças que os eleitores de Gaspar estão buscando desde que elegeram, por exemplo, o professor Francisco Hostins, PDC, com uma equipe técnica realmente transformadora e que até hoje é referência de resultado para a cidade e os cidadãos dela.

Segundo. O MDB de Gaspar está realmente preocupado com o PSL. Isto é fato. Não porque o PSL esteja nas pesquisas. Nem está. Nâo possui nomes. Talvez esteja escondido nas abstenções que chegam a 60%. Mas, o MDB com toda a sua força e como governo que é, está ruim nessas mesmas pesquisas. E não tem jeito de mudar esse quadro, por enquanto.

Contra o PT, o MDB e PP já possuem o discurso pronto, apesar de nacionalmente terem sido sócios das mesmas bandalheiras, dúvidas, atrasos, recessão e milhões de desempregos. Nos cargos que já distribuiu na prefeitura e pagos com os pesados dos gasparenses, o MDB já anulou o PP, PTB, PSC, PSDB e até o improvável PDT. E possui espaço e fôlego para muito mais como o próprio PSD de Marcelo de Souza Brick. Ele namora esse negócio, faz tempo. Faz reuniões e fotos com outros – fingindo voo próprio – mas, na verdade, são recados de chantagens emocionais para ficar no bloco do MDB e finalmente ter um emprego.

Por outro lado, Kleber e Roberto Pereira, presidente do MDB – o que coordena esse esquema de poder político dentro e fora da prefeitura - sabem que o PSL não poderá ser comprado. Se não pode ser um possível aliado, o jeito então é enfraquece-lo. É uma tática, não uma estratégia. E está em curso essa tática. E um dos caminhos é a de fomentar às intrigas na cidade, nas redes e no próprio PSL. Só o PSL ainda não percebeu.

Então, muito do que saiu nestes últimos dias é intriga fomentada ou montada – ou ampliada - pelo próprio núcleo político do governo Kleber. É para desestabilizar o PSL que ainda não se estabilizou como partido e se tornar um verdadeiro concorrente à prefeitura de Gaspar.

E por que? Entre as possíveis causas das discussões dentro do PSL de Gaspar, estava o suposto descontentamento da aproximação ao PSL do médico, funcionário público municipal, vereador, ex-presidente da Câmara, cria política de Kleber, gente do mesmo templo de denominação evangélica, mas agora há dois anos, um ferrenho fiscal-dissidente do atual governo, Silvio Cleffi, ainda no PSC – para não perder o mandato.

Os únicos que não querem Silvio vivo são MDB, PSC, Kleber e Roberto Pereira. Então...

E na mesma ladainha quem apareceu na mesma discussão? O nome do ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, sem partido, que nasceu no MDB e de lá teve que sair porque resistia em ser mandado no cargo de prefeito por gente do diretório e sem votos.

Adilson, nem filiado ao PSL é. Ele possui uma afinidade com o PSL, mas porque o partido possui simpatias pela ligação de Gaspar a Blumenau pela Garuba, defendida por Adilson e que Kleber a rejeita. O MDB vê Adilson como seu lúcifer, enxerga fantasmas, e na doentia vingança o persegue como um cão sarnento, pois o conhece como um bicho essencialmente político que Adilson é. Vai que...

E quem não quer Adilson vivo politicamente? Novamente muita gente, inclusive na imprensa paga pelo poder de plantão, mas principalmente o MDB, PP, Kleber e Roberto Pereira. Então... Será que à ingenuidade do PSL de Gaspar vai se permitir comer mais esta isca no jogo de perpetuação do poder do MDB e PP? É preciso ver onde está e quem levou o Cavalo de Tróia para dentro do PSL e está tentando criar a cizânia lá, antes mesmo do PSL se tornar um diretório. Acorda, Gaspar!

O isolamento do agente Silva é a face da perseguição que o prefeito Kleber quer esconder, mas que pode refletir na campanha eleitoral 

O agente Silva, da Ditran (à esquerda) continua esperneando e se dizendo perseguido. O líder do governo, Anhaia, MDB, (centro) negou e diz que o prefeito Kleber (à direita) está fazendo, inclusive, o que Silva pediu

O funcionalismo público no Brasil – em todas as esferas - nunca foi governo. E não seriam em Gaspar que ele seria diferente. Eles criam as suas pautas e as colocam na mesa dos políticos, e com o tempo, vão criando privilégios. Os políticos, desprezando à maioria dos eleitores que pagam essa alta quando se compara aos que estão na iniciativa privada e sem estabilidade, vão, de alguma forma, fazendo concessões para evitar desgastes, principalmente em períodos pré-eleitorais. E nas pequenas cidades, esta nefasta prática é mais acentuada.

Escrito isto, os que gerenciam os servidores públicos – os do poder de plantão - e não exatamente os verdadeiros patrões dele – os pagadores de impostos e que se servem dos serviços deles -, acham que podem tudo. Eu lhes relatei na coluna Olhando a Maré, de segunda-feira passada, a vingança, o constrangimento e a humilhação que o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP e o prefeito de fato, o secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, e presidente do MDB local, fazem contra o agente da Ditran, Pedro da Silva.

Fui o único, até agora. Todos os outros veículos esconderam o fato da sociedade que sabe porque rola solto nacionalmente nas redes sociais e principalmente aplicativos de mensagens.

Não deu outra. Na sessão da Câmara da terça-feira este assunto foi pauta de debates pelo menos diretamente entre o que está obrigado a defender Kleber no Legislativo, o vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, e o funcionário público municipal (Samae) e que tomou as dores do Agente Silva, é opositor a Kleber, o vereador Cícero Giovane Amaro, PSD. “Se quiséssemos perseguir o Agente Silva teríamos feitos quando a esposa dele [Lucimara Rosansky Silva] era presidente do Sindica [ dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal, o Sintraspug] pontuou Anhaia. “Nós atendemos à uma sugestão dele”, completou.

A PUNIÇÃO REVESTIDA DE AÇÃO ADMINISTRATIVA

A primeira informação é a prova de que o governo Kleber tem no seu DNA o senso da vingança e por causa dela, já teve até que cancelar uma das suas viagens surpresas mensais – e sem agenda antecipada ou conhecida - a Brasília.

Se desviou quando já estava em Florianópolis e foi à Câmara de Vereadores abrandar a fervura que trabalhava contra o seu mandato. Foi para esclarecer e pedir desculpa aos funcionários comissionados e de confiança, principalmente, a quem ameaçou por aplicativo de mensagens demiti-los se não o apoiassem publicamente nas suas ideias nas redes sociais.

“Punir” o Agente Silva por sua mulher ser a presidente do Sindicato até poderia passar pelos planos dos que orientam Kleber, mas seria um “suicídio” enquanto ela era a presidente do Sindicato. Estaria na cara de todos e daria provas.

Então punir tardiamente o Agente Silva simplesmente por sua mulher Lucimara ter tido uma função representativa dos servidores e que no mandato confrontava o poder de plantão (Kleber e companhia), é apenas um indicativo preocupante de que o governo admite, mesmo sob à negação, de que faria isso para feri-la, intimidá-la, constrangê-la, humilhá-la e limitá-la naquilo que fez exercício autônomo da função. Incrível!

Isso revela um comportamento. É uma marca de governo. É de se ir adiante. A mim que sofro isso na pele, não me surpreendo com as revelações e dissimulações nos discursos de ontem e hoje.

PEDIU PARA MELHORAR, NADA MUDOU

Quanto a afirmação de que o deslocamento do Agente Silva – um dos mais antigos e qualificados na Ditran, que está à mingua de recursos humanos – das atividades normais para o pátio terceirizado de veículos apreendidos em Gaspar, sem estrutura para recebe-lo nas novas atividades, foi feita pelo próprio agente, ela é cheia de trucagem para esconder à verdadeira punição política que está sendo aplicada ao funcionário público.

Exemplo. Um veículo é recolhido pela PM ou Ditran ao pátio por falta de documentação. Cabe apenas ao terceiro guinchar e guarda ao pátio. E de lá, o veículo só sai quando receber uma autorização específica da Ditran para tal.

Como não possui autonomia e autoridade, esse terceiro, [funcionários da ACKar] não pode checar se o problema que deu origem à apreensão foi cumprido e mais, se o veículo está verdadeiramente apto para voltar à circulação conforme a legislação em vigor.

Essa queixa realmente houve como sugestão de melhoria na Ditran não apenas do Agente Silva.

Tanto que é falho – ou possui influência política direta ao gosto do poder de plantão - o que se opera hoje na Ditran em relação ao pátio e às sanções dos agentes de trânsito em Gaspar. Desmoralizante. Improbidade administrativa clássica, se não for prevaricação. Tanto que um carro depois de liberado do pátio pela Ditran devido a um erro, ou à proximidade do proprietário com os poderosos do poder, originou todo esse trololó. Tanto que ele foi pego novamente, momentos depois nas ruas da cidade, na mesma infração, ou seja, circulando com commas com os agentes de trânsito. Bestial!

EU NÃO PEDI PARA SER REMOVIDO

Quer mais outro exemplo e que é repetido dezenas de vezes por semana? Um veículo apreendido por um problema qualquer nas ruas de Gaspar (PM ou Ditran), incluindo embriaguez do seu condutor. Vai ao pátio se não tiver ninguém para dirigi-lo. Paga-se todas as taxas e é liberado. Entretanto, sem avaliar à sua documentação, os seus pneus carecas, à falta de estepe ou itens de segurança obrigatórios.

Entendem os agentes da Ditran, que uma vez apreendido o veículo, seja qual for o motivo dessa apreensão, a liberação dele do pátio não deve se ater unicamente ao item que originou à retenção, mas à regularidade completa do bem diante da legislação nacional mínima que o permite circular.

“Eu não pedi a minha transferência para o pátio. Nós [os da Ditran] sempre pedimos que a liberação fosse feita por um funcionário efetivo da Ditran, que tenha conhecimento da legislação e investidura para exigir o cumprimento da lei”, rebateu Silva a informação de Anhaia de que teria sido o próprio agente que teria pedido para trabalhar no pátio.

Para a outra informação de Anhaia de que o Agente Silva já trabalhou com a PM e que seria normal a sua transferência para o pátio terceirizado, ele também nega e esclarece. “Nunca trabalhei para a PM. Não houve transferência física de local de trabalho. Houve apenas uma parceria. E eu fui disponibilizado para o Corpo de Bombeiros e num programa comunitário específico, fazer a Educação no Trânsito”.

Como se vê, o governo Kleber arruma problemas onde eles efetivamente não existem. Por outro lado, num ambiente técnico, infestado de curiosos e gente com empregos políticos, deixa de aplicar a lei aos amigos e contra a cidade. Este assunto promete render e deverá ir longe. Acorda, Gaspar!

REQUERIMENTO

E por que deve ir longe. Porque foi protocolado, votado e aprovado na última sessão, o requerimento 153 sobre este caso do vereador Cícero Giovane Amaro, PSD. As respostas, diante da repercussão, deverão ser cuidadosas para não se fazer provas contra Kleber e bem diferente dos discursos e bate-bocas até aqui. A corda da vingança está esticada. Kleber e os que mal orientam, terão, que afrouxá-la para não se estabelecer na improbidade administrativa. Veja.

1. A equipe da Superintendência de Trânsito de Gaspar é responsável pela parte de engenharia, sinalização, estatística, fiscalização e educação para o trânsito. Existe, por parte do Ditran, alguma atribuição formal, no sentido de atuação junto ao pátio de veículos apreendidos? Caso positivo, qual? Qual o amparo legal?

2. Conforme a Lei Complementar n° 05, a qual determina as competências do Órgão Municipal de Trânsito, todos os servidores da Superintendência de Trânsito são lotados junto a sede da mesma. Há previsão de alguma outra lotação para os Agentes Municipais de Trânsito? Em caso positivo, qual? Para quê? Qual o amparo legal?

3. Recentemente, a Superintendência de Trânsito remanejou um de seus Agentes Municipais para dar expediente integral no pátio particular de veículos apreendidos. Qual a função designada para o referido Agente? Qual o motivo desse remanejamento?

4. Como o servidor irá prestar suas funções naquele local, sendo que não dispõe de nenhum equipamento de comunicação, transporte ou de expediente?

5. Sabemos que não há previsão contratual para que a concessionária do pátio disponibilize estrutura física e instalações para as atuações dos Agentes Municipais. O Município irá arcar com as despesas relativas? Haverá algum ressarcimento ao proprietário do pátio?

6. As liberações dos veículos apreendidos no referido pátio sempre ocorreram pela concessionária do serviço. Ocorreu alguma alteração no procedimento de liberação?

TRAPICHE

Perguntar não ofende: templo é lugar de oração ou de prestação de contas de político, e com falsidades? Quantos versículos poderiam ser citados para se questionar esse pecado?

O sistema tributário de Gaspar foi invadido por um agente público que confessou ter mudado dados no sistema. Não se sabe a extensão dos danos. Tudo escondido. Nada transparente.

O vereador Cícero Giovane Amaro, PSD, teme que o Refis que se aprovou na Câmara na semana passada, possa mascarar – ou apagar - tudo o que foi mexido indevidamente e nunca ninguém venha ter noção do que foi feito. Pior, nunca se saberá se houve mandante e a que motivo isso foi feito.

Se isto é um ato de improbidade, porque não há diligência pública neste sentido até agora? Internamente há apuração, mas quem está próximo ao assunto, por se tratar de algo ligado à tecnologia, teme que tudo está mais para se esconder do que se esclarecer. Acorda, Gaspar!

O próprio governo de Gaspar conspira contra a imagem de confiança do Hospital de Gaspar – que está sob uma marota intervenção da prefeitura - e que ela quer da própria população gasparense. Recentemente nasceu o filho do diretor presidente da Fundação Municipal de Esportes e Lazer, e presidente do PSDB daqui, Jorge Luiz Prucino Pereira. E não foi no Hospital de Gaspar, mas no Santo Antônio, um hospital público municipal de Blumenau.

Na enquete do Facebook na página do Cruzeiro do Vale, o mais antigo, o mais acessado e de maior credibilidade em Gaspar e Ilhota, está lá a opinião do diretor administrativo do Hospital de Gaspar, Elson Antônio Aparecido Júnior contra o jornal: “Não tem isenção sempre tentando influenciar sob o seu ponto de vista”. É de se respeitar, mas...

Primeiro, Elson, que não é daqui, reconhece que o Cruzeiro do Vale tem um ponto de vista, fundamentado, é influente, diferente de onde ele vem, e não é um maria-vai-com-as-outras usado pelos políticos e poderosos de plantão para enganar a população. Elson transforma uma virtude do jornal que está aí há quase 40 anos, em defeito. Tudo para se ver livre da parte da culpa que lhe cabe nesse ambiente corporativo da saúde pública de Gaspar e de pouca transparência como é o Hospital, sustentada com os pesados impostos de todos.

Segundo, apesar de Elson ser técnico reconhecido, ele como agente público está servindo a um senhor político. Naturalmente, não possui liberdade como o jornal e o portal, por isso, não pode expressar nada diferente do que expressou contra o Cruzeiro do Vale. É assim que quer dele à atual administração que está no poder. Também não custa lembrar que tantos outros técnicos assemelhados na capacidade a Elson, vieram com uma fama e saíram do Hospital com outra, bem diferente, depois de passarem pelo Hospital de Gaspar, incluindo o seu antecessor.

Terceiro, é notório que o Hospital de Gaspar está cheio de problemas e até óbitos que se apuram na co-responsabilidade perante à jurisdição. Então não se trata apenas de ponto de vista, mas de constatações. As redes sociais retratam isso todos os dias. Se o Cruzeiro do Vale esconder à realidade como quer Elson, a notícia se propagará da mesma forma e a omissão do evidente fato trabalhará contra o portal e o jornal.

Quarto, mas não há pior propaganda para um Hospital e seu administrador, que transfere culpas da má imagem do Hospital para os veículos de comunicação que cobrem à realidade dos resultados, do que o que fez Jorge Pereira e a propagou recentemente nas redes sociais. Acorda, Gaspar!

Como funciona. No sábado a Associação de Moradores da Rua Pedro Simon, na Margem Esquerda, fez a sua feijoada. Era para arrecadar fundos para colocar as contas em ordem. E para tal promoção, é preciso Alvará da prefeitura. Não tinha. Foi denunciado. Nada foi feito. Até o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, esteve por lá.

A Associação – pedaço do território político do vereador Francisco Solano Anhaia, MDB -, elegeu recentemente Gelásio Valmor Muller, o Daco, como presidente. Ele estava comissionado na prefeitura e teve que sair porque seu sobrinho Roni Muller foi escolhido, chefe de gabinete de Kleber. Então! Para alguns que estão no poder de plantão, as leis e exigências têm outro valor e aplicação. Mais um retrato das diferenças entre os iguais. Acorda, Gaspar!

 

Comentários

Herculano
13/08/2019 15:22
REALMENTE, NÃO SE DUVIDA DE NADA. AINDA BEM QUE O CONGRESSO COM TODAS AS MAZELAS CONSEGUIU DAR GOVERNABILIDADE MÍNIMA AO PAÍS, AOS PLANOS ECONôMICOS E AS OBRAS DE INFRA-ESTRUTURA

BOLSONARO É UMA BIRUTA DE AEROPORTO EM DIA DE TEMPESTADE

VALDO CRUZ,DA GLOBO NEWS INFORMA E AFIRMA: BOLSONARO PEDIU AO PSL PARA EXPULSAR ALEXANDRE FROTA
Herculano
13/08/2019 13:29
JOGO DE CARTAS MARCADAS?

De Rodrigo Constantino, no twitter:

Frota conseguiu o que queria: ser expulso do PSL. Assim pode preservar seu mandato e ir para outro partido (DEM?). Foi uma jogada de mestre, mas expõe seu oportunismo. Hoje bolsonaristas o odeiam; ontem me atacavam para defende-lo. Pra mim, boçal é sempre boçal, de qualquer lado.
Herculano
13/08/2019 13:26
ILHAS DE PROSPERIDADE, editorial do Jornal O Estado de S. Paulo

Os Tribunais de Contas pairam alheios sobre as dificuldades que afligem os demais órgãos públicos no País

Segundo dados do Banco Central e do Tesouro Nacional, a maioria dos Estados passa por preocupante situação de desequilíbrio fiscal. Sete dos entes federativos ?" Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Roraima, Mato Grosso e Goiás ?" decretaram estado de calamidade financeira. À frieza dos números oficiais junte-se a precariedade da prestação de serviços públicos à população, em especial aos mais pobres, os primeiros a sentirem os efeitos da crise, e está pintado o quadro adverso que desafia a responsabilidade fiscal.

Na contramão da penúria, os Tribunais de Contas, que têm por dever constitucional realizar a fiscalização contábil, financeira, operacional, patrimonial e orçamentária da União, dos Estados e municípios, pairam alheios sobre as dificuldades que afligem os demais órgãos públicos. São ilhas de prosperidade em meio à crise fiscal que paralisa o País.

Violando a Constituição e uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), as Cortes de Contas estaduais mantêm pagamentos e benefícios aos conselheiros, auditores e procuradores dos órgãos ?" os chamados "penduricalhos" ?", o que faz com que os salários desses servidores ultrapassem o teto constitucional de R$ 39,2 mil, correspondente ao salário dos ministros do STF. São comuns os casos em que esses servidores ganham mais do que o presidente da República, ministros dos Tribunais Superiores, deputados ou senadores.

Mas independentemente de ganhar mais ou menos do que outro servidor, ainda que por si só seja um disparate um conselheiro de Tribunal de Contas estadual ganhar mais do que alguém com responsabilidade muito maior, como é o caso de um ministro do STF, a situação é inadmissível porque se trata de um fragoroso desrespeito à Constituição.

Um levantamento feito pelo Estado encontrou exemplos de "penduricalhos" criados por Tribunais de Contas que levam os salários dos servidores desses órgãos para muito além do teto salarial do funcionalismo público definido pela Lei Maior. No Tribunal de Contas de Mato Grosso, por exemplo, um dos Estados que decretaram calamidade financeira, o desrespeito com o contribuinte chega a ponto de se pagar um "vale livro" de R$ 71 mil por ano aos conselheiros.

Os Tribunais de Contas do Distrito Federal e de Goiás, outro Estado em calamidade financeira, incorporaram aos salários benefícios que tinham natureza temporária, prática observada também em outros Tribunais de Contas.

Até junho do ano passado, o Tribunal de Contas de Alagoas ainda mantinha em vigor uma norma que proibia repasses de benefícios que ultrapassassem o teto constitucional. Mas a norma foi derrubada e o texto constitucional virou letra morta. Hoje, todos os conselheiros daquele tribunal recebem acima do teto, de acordo com levantamento do Estado. O único que recebe seus proventos até o limite definido pela Constituição é o conselheiro Cícero Amélio da Silva, mas por um detalhe nada republicano: está afastado por ter sido condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por falsidade ideológica e prevaricação. Ou seja, fora do Tribunal de Contas de Alagoas, ele não tem, por óbvio, como incorporar ao salário os "penduricalhos" que são normalmente pagos aos conselheiros em atividade.

Os Tribunais de Contas dos Estados argumentam que as gratificações se referem ao exercício de atividades "extras" e, portanto, seriam legais. No entanto, as atividades "extras" são, na maioria dos casos, correlatas à atividade principal de conselheiro dos Tribunais de Contas, como as funções de corregedor ou ouvidor. A Lei Maior só permite aos conselheiros acumular o cargo de professor para efeitos de remuneração adicional.

Os Tribunais de Contas dos Estados refletem o patrimonialismo que remonta às nossas origens coloniais. Não raro, a composição das Cortes é um desfile de sobrenomes conhecidos, indicados com base em relações políticas e familiares. Apropriam-se deste naco do Estado e, em seus domínios, vale a vontade de quem detém o poder.
Miguel José Teixeira
13/08/2019 11:10
Senhores,

"Estudiosos preveem que o Brasil, o maior país católico do planeta, deixe de sê-lo por volta de 2030. Na Europa e em algumas localidades nos Estados Unidos, as igrejas vazias estão sendo transformadas em áreas de lazer e de práticas de outras atividades comerciais."

Fonte: Correio Braziliense, 13/08/19, Coluna Visto, Lido e Ouvido.

Momento para expiação

Boa parte da história de abusos sexuais dentro da igreja jamais chegará ao conhecimento do grande público, pois ocorreu em épocas remotas, quando o poder da Igreja sobre a sociedade e até sobre os reis era grande, e o silêncio era regra geral. É preciso destacar, no entanto, que esse tipo de prática condenável está presente não apenas na Igreja Católica, mas em praticamente todas as outras instituições religiosas, o que mostra que essa não é, propriamente uma condição natural da Igreja em si, mas de parte de seus membros.

Onde quer que atue o ser humano, suas impressões e pegadas, para o bem e para mal, ali estarão impressas também. Mesmo antes de assumir a cadeira de Pedro, Francisco já tinha uma noção de que essa seria, ao lado da perda paulatina de fiéis para outras confissões religiosas, o grande desafio de seu pontificado. Neste ano, o papa convocou uma conferência global extraordinária em Roma, para tratar desse assunto espinhoso com os bispos. O Santo Padre, com seu conhecimento da máquina da igreja, a essa altura tem a convicção íntima de que esse tema, por seu teor explosivo para a instituição milenar, continuaria a sofrer resistências dentro da própria máquina burocrática da Igreja, avessa, desde sempre, a tumultos e bisbilhotices mundanas.

As recorrentes acusações de que a Igreja vem, há muito, acobertando esses crimes é outro grande desafio para Francisco. O papa já deve reconhecer, também, que alas dentro da Igreja irão se posicionar incondicionalmente ao seu lado, nem que para isso tenha de cortar na carne a parte podre dessa instituição. Sabe também que esse é um desafio esmagador para alguém com mais de oitenta anos de vida. Sobretudo reconhece que, diante dos relatos públicos desses abusos em todo o mundo, muito dos quais colocados sob os cuidados da justiça de vários países, precisa de uma resposta interna e de providências duríssimas, sob pena de manchar, de forma profunda, sua administração.

Alguns especialistas em assuntos da igreja reconhecem que essa é, talvez, a maior crise já experimentada pela Igreja em seus dois mil anos de história. Na versão mística de alguns fiéis, essa turbulência já era prevista pelo Santo Padre Pio (1887-1968), que, numa de suas visões, teria visto o demônio sentado dentro do templo, afirmando que estava ali justamente para semear a futura cisão no seio da Igreja e que essa maldição seria devastadora. Crenças à parte, o fato é que, em muitos países, os tribunais de justiça estão trabalhando a todo vapor para colocar detrás das grades membros da Igreja, inclusive do alto clero, como aconteceu recentemente na Austrália, com a prisão do cardeal George Pell, ex- numero três do Vaticano.

Muitos acreditam que essa é uma grande oportunidade para deputar a Igreja desses maus clérigos, já que entendem que o que faz uma igreja ser mantida em rumo original de pureza e santidade não é a quantidade de seus membros, mas a qualidade de cada um e seu compromisso com a fé que abraçaram. De fato, algumas estatísticas e censos dão conta de que a Igreja Católica vem perdendo uma média de 465 fiéis a cada dia. Em 2010, por exemplo, havia, 1,7 milhão de católicos a menos do que no ano 2000. No Brasil, na contramão do aumento da população entre 2000 e 2010, da ordem de 12,3%, houve um encolhimento de 1,4% no número de católicos no mesmo período.

Em 10 anos, a igreja teria perdido um número de fiéis equivalente à população de uma cidade como Curitiba. Ciente desse e de outros problemas de igual magnitude, o papa Francisco vem diuturnamente trabalhando para colocar sua igreja nos trilhos traçados pelo próprio Cristo, reduzindo a pompa e a burocracia do Vaticano, seus luxos e ostentações e trazendo a igreja e sua mensagem para aqueles cantos esquecidos do planeta, numa espécie de nova catequese nesse século 21.

O sumo pontífice, por meio de um decreto intitulado Vos estis lux mundi (Vós sois a luz do mundo), passou a obrigar que os bispos denunciem todas as suspeitas de casos de abuso sexual dentro da Igreja. No mesmo documento, o papa incentiva os fiéis a agirem de modo idêntico, apontando os casos diretamente ao Vaticano, para que não passem em branco e para que severas medidas sejam adotadas contra os abusadores, inclusive punindo todos aqueles que eventualmente prossigam acobertando esses casos.

Para tanto, as próprias dioceses, espalhadas pelo mundo, serão obrigadas a notificar esses casos, inclusive com a participação de outras autoridades leigas e da própria justiça. O papa tem noção de que essa medida promoverá uma grande mudança de rumos e, por isso mesmo, espera grandes retaliações. O papa ordena ainda, no documento, que os bispos com conflitos de interesse nesses casos se mantenham ausentes das investigações, de forma a dar maior transparência aos processos. Ele sabe também que corre contra o relógio a tempo de salvar sua igreja dessa decadência que parece se anunciar.

Estudiosos preveem que o Brasil, o maior país católico do planeta, deixe de sê-lo por volta de 2030. Na Europa e em algumas localidades nos Estados Unidos, as igrejas vazias estão sendo transformadas em áreas de lazer e de práticas de outras atividades comerciais. Contudo, mudanças como essa não devem abalar aqueles que têm a fé verdadeira e praticam o cristianismo com base nos elevados princípios éticos do humanismo, orientados pela luz própria. É nesses que o papa acredita que está a base da nova igreja. Afinal, como diz Mateus, 18.20: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu Nome, ali estou no meio deles".

A frase que foi pronunciada

"Deus não cansa de perdoar... Nós é que cansamos de pedir perdão."
Papa Francisco
Miguel José Teixeira
13/08/2019 08:58
Senhores,


Sobre a extinção do ECAD, "É o órgão mais corrupto que existe", disse o tal deputado distrital o PeTralha Chico Vigilante.

Bom. . . de corruPTos ele entende muito bem!
Integra a maior quadrilha de corruPTos que se tem notícia na história da humanidade!

Já como vigilante. . .dorme no trabalho!
Não viu um só ato de corrupção durante todo o desgoverno do também PeTralha Agnelo Queiroz, que aparelhou, saqueou e estuprou o DF.

Falando em extinção do ECAD, que tal extinguir também outras inutilidades públicas?

Câmara Legislativa do Distrito Federal, Câmaras de Vereadores. . .
Herculano
13/08/2019 07:23
SORRISOS PELA FRENTE, FACADAS PELAS COSTAS DE SERGIO MORO

Conteúdo de O Antagonista. Hoje, às 17h, Brasília verá reunidos "publicamente" Dias Toffoli, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Hamilton Mourão, Onyx Lorenzoni, Augusto Heleno, Edson Fachin, Luiz Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e... Sergio Moro

Eles receberão a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, no TST.

Sorrisos pela frente, facadas pelas costas. De Moro.
Herculano
13/08/2019 07:17
AUGUSTO ARAS JÁ MONTA A EQUIPE PARA TOCAR A PGR, por Andrei Meireles, em Os Divergentes.

Depois de bater o martelo, Bolsonaro adiou o anúncio do sucessor de Raquel Dodge apenas para contornar resistências no Congresso e no STF

Era intenção do presidente Jair Bolsonaro anunciar na quarta-feira (7) a escolha de Augusto Aras como o novo procurador-geral da República. A informação vazou e motivou uma ampla mobilização nos bastidores para tentar ao menos adiar o anúncio, com ativa participação do STF. A indicação de Augusto Aras atendia ao critério pleitado por ministros do Supremo que, por uma questão de hierarquia, o indicado fosse um subprocurador geral da República, topo na carreira no Ministério Público Federal. Mesmo assim, o tribunal preferia outro nome.

Dias Toffoli e Luiz Fux insistiam na recondução da atual procuradora-geral Raquel Dodge. Argumentam que ela é garantia de um relacionamento equilibrado, sem surpresas desagradáveis, com os outros poderes. Raquel também é a candidata de Rodrigo Maia e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com o apoio de boa parte dos caciques políticos. As razões aí são mais amplas.

Além da satisfação com o estilo mais sóbrio de atuação e ritmo mais lento nas acusações, se comparados com o antecessor Rodrigo Janot, os cardeais do Congresso receiam entregar "o canhão da PGR" nas mãos de quem possa usá-lo para atender a interesses políticos de Bolsonaro. Seria um risco em uma relação oscilante, tipo entre tapas e beijos, como a de Bolsonaro com Rodrigo Maia.

Pelo que se ouve nas hostes governistas, as ponderações dos chefes dos outros poderes não comovem Bolsonaro. Entram por um ouvido, sai pelo outro. Não passa recibo por que o nome do novo PGR terá ser aprovado pelo Senado Federal. Embora evite criticar Raquel Dodge em manifestações públicas, nas conversas reservadas Bolsonaro apresenta uma penca de restrições, como seu empenho em causas a favor da preservação do meio ambiente e contra o trabalho escravo. Quer emplacar no cargo alguém de outro time.

Alguns aliados de Bolsonaro, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), estão distribuindo um dossiê com trechos de vídeo em que identificam um jogo duplo de Aras com a turma de Rodrigo Janot, nome hoje maldito em toda a Praça dos Três Poderes. Dizem que ele é um infiltrado no time dos conservadores. Insinuam também que ele, mesmo no Ministério Público, teria relações próximas com alguns escritórios de advocacia. Seus aliados asseguram que é tudo mentira. O único grande escritório seria o dele próprio na Bahia - ele entrou no MPF no concurso de 1987, antes da promulgação da nova Constituição, e legalmente não está impedido de advogar.

Com o critério preliminar de que seja um subprocurador, o funil se estreita. A própria Raquel Dodge tem se mostrado meio cansada com esse jogo embolado, e só não jogou a toalha a pedido de seus apoiadores. Os dois escolhidos pelos colegas na tradicional lista tríplice - Mário Bonsaglia e Luiza Frischeisen - são vistos com ressalvas pelo entorno de Bolsonaro. Dizem lá que estão fora do páreo. Corre por fora Paulo Gonet, tido como um conservador de quatro costados, apontado como o melhor nome para a defesa das bandeiras sobre costumes da agenda bolsonarista. O problema é que ele foi sócio de Gilmar Mendes em um instituto privado e sua escolha bateria de frente com a turma da Lava Jato e seria um sinal sem precedentes de desprestígio do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Bolsonaro pode até gostar de tirar uma casquinha do seu popular ministro, mas ainda não se arrisca a perdê-lo.

Tudo somado e subtraído, o resultado deve ser mesmo a confirmação de Augusto Aras. Apesar de suas cautelosas declarações públicas, nos bastidores ele já age com a certeza de ser o escolhido. Tem feito sondagens e convites para montar a equipe. Seus aliados dão como certas a escolha do procurador Ailton Benedito, chefe do Ministério Público Federal em Goiás, como vice-procurador-geral. Seria inclusive um desagravo por seus colegas terem vetado sua indicação por Bolsonaro para a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos na ditadura militar.

O projeto de Augusto Aras é reverter a hegemonia da centro-esquerda no Ministério Público. Ele já sondou o procurador aposentado Eitel Santiago, que sempre foi influente na parcela mais conservadora no colegiado de subprocuradores, para tocar a administração como secretário-executivo da PGR. Também estaria na sua mira Odin Brandão Ferreira, muito respeitado entre os colegas de todas as correntes, para coordenar a equipe do MPF no Superior Tribunal de Justiça.

A conferir.
Herculano
13/08/2019 07:09
HOJE É 13 DE AGOSTO, MAS É TERÇA E NÃO SEXTA-FEIRA. NEM A LUA ESTÁ TÃO CHEIA ASSIM.
Herculano
13/08/2019 07:08
da série: Ministério Público do Trabalho e Justiça do Trabalho políticos que insistem em desmoralizar ou desidratar à Reforma Trabalhista, vão perdendo para as decisões do Supremo.

REFORMA TRABALHISTA

TST SUSPENDE AÇõES DO MPT CONTRA ACORDOS QUE IMPõEM NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO

Conteúdo do site Consultor Jurídico. Texto de Gabriela Coelho. A Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho sobrestou as ações anulatórias de acordos coletivos propostas pelo Ministério Público do Trabalho. A decisão, desta segunda-feira (12/8), atende a outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, de suspender o andamento dos processos que tratem de acordos coletivos que restrinjam direitos - ou seja, que permitem o "negociado sobre o legislado", previsão da reforma trabalhista de 2017.

TST
O TST já havia suspendido o andamento das ações individuais que questionam acordos coletivos restritivos de direitos não previstos na Constituição. Nesta segunda, a SDC estendeu o sobrestamento às ações anulatórias propostas pelo MPT, que não discutem apenas o direito de um trabalhador, mas discutem a legalidade do acordo em si.

A decisão do ministro Gilmar foi tomada em junho num recurso com repercussão geral reconhecida sobre a constitucionalidade do não pagamento das horas de deslocamento de casa ao trabalho (horas in itinere). A decisão foi proferida no ARE 1.121.633.

Em abril, no julgamento do Plenário Virtual que reconheceu a repercussão geral, o ministro Gilmar Mendes sugeriu uma tese, mas foi rejeitada. "Os acordos e convenções coletivos devem ser observados, ainda que afastem ou restrinjam direitos trabalhistas, independentemente da explicitação de vantagens compensatórias ao direito flexibilizado na negociação coletiva, resguardados, em qualquer caso, os direitos absolutamente indisponíveis, constitucionalmente assegurados", diz a tese.
Herculano
13/08/2019 06:57
O DOMINGÃO DE BOLSONARO E A FALTA DE APREÇO PELOS MAIS POBRES, por Rainer Bragon, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente deveria ter ido ao superlotado hospital do DF ver o Dia dos Pais daquela gente

Jair Bolsonaro tirou o domingão ensolarado para singrar de jet ski as águas do lago Paranoá, visitar feira, tomar caldo de cana e desbravar de moto as ruas de Brasília.

Aqui e ali, teve que passar pelo inconveniente de ser molestado pelos urubus a aporrinhá-lo com perguntas as mais variadas possíveis, como se ele tivesse responsabilidades de um, sei lá, presidente da República.

Ao ser questionado sobre a idosa de 78 anos que havia ficado quase três dias em um maca improvisada no corredor de um hospital público superlotado, agiu com a bravura de sempre. Xingou o repórter, não respondeu patavina e proclamou: só a Folha mesmo para ter o mau gosto de querer estragar o Dia dos Pais.

Moradora de uma favela a cerca de 40 km do palácio habitado pelo casal presidencial, a idosa em questão é avó da mulher de Bolsonaro.

Nem o presidente nem o Planalto deram um pio sobre a situação. O cordão dos puxa-sacos possivelmente fará memes dando conta de que não é por ser da família que malandro será privilegiado - isso apesar de Eduardo, Flávio e do programa emprego-zero para parentes.

A questão aqui, porém, não é essa. São tantas, mas vamos falar apenas da mais absoluta falta de um pingo de vergonha na cara. Não só é um escândalo a avó da primeira-dama ficar ao deus-dará em um hospital superlotado. É um escândalo qualquer um ficar nessa situação. Bolsonaro magoou-se ao tentarem estragar o seu Dia dos Pais. Como ele acha que as pessoas naquele e em outros corredores de hospitais públicos brasileiros passaram o Dia dos Pais?

O governo do DF, pelo menos, se dignou a prometer trabalhar para minimizar a vergonha. Da boca de Bolsonaro nem promessa saiu. Trepou na moto e seguiu o roteiro tiozão-endinheirado-em-dia-de-folga.

Para o presidente, empresários, fazendeiros, turistas e outros do andar de cima sofrem muito nesse país. Quanto aos mais pobres, a preocupação que manifestou em relação à avó da mulher é um símbolo eloquente do apreço que nutre por eles.
Herculano
13/08/2019 06:52
PARA 44%, BOLSONARO DEVE PRIORIZAR SAÚDE PÚBLICA

Saúde pública é a área das maiores preocupações e queixas dos brasileiros, segundo levantamento nacional exclusivo do instituto Paraná Pesquisas para o site Diário do Poder e para esta coluna. Pela pesquisa, 44,3% ainda esperam do governo Bolsonaro prioridade total para Saúde e 16% para Educação. Geração de empregos, que vinha liderando preocupações dos brasileiros, está em terceiro, com 15,6%.

SEGURANÇA ATRÁS

Segurança, que já liderou pesquisas semelhantes em outros tempos, agora é preocupação prioritária apenas para 7,3% dos entrevistados.

COMBATE À CORRUPÇÃO

Até mesmo corrupção, que até há alguns anos era um dos principais fatores de indignação, hoje está em 5º lugar, com 6,3%.

ECONOMIA EM 6º

A economia ou sua recuperação permanece entre as principais preocupações dos brasileiros, mas só para 6% dos entrevistados.

DADOS TÉCNICOS

O Paraná Pesquisas ouviu 2.082 brasileiros em 174 municípios, entre os dias 5 e 9 de agosto. A margem de erro é de 2%.

DEPUTADO PEDE A EXTINÇÃO DO ECAD: 'É PODRE'

Um deputado do PT apoiaria integralmente a provável decisão do presidente Jair Bolsonaro de abrir a "caixa preta" do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição): Chico Vigilante, do DF. Ele integrou a CPI do Ecad, quando deputado federal. "É o órgão mais corrupto que existe", disse ele nesta segunda (12) em Brasília, sem meias-palavras, em declaração gravada. E chegou a defender a extinção do escritório. "O Ecad é podre", afirmou o deputado petista.

ARTISTAS DEPLORAM

Chico Vigilante não acredita que algo tenha mudado: na CPI, músicos como Tim Maia acusaram o "escritório" de nada repassar aos músicos.

RELAÇÃO COM ARTISTAS

"Os artistas odiavam o Ecad", recorda o ainda indignado Chico Vigilante, deputado distrital em Brasília por vários mandatos.

OUTRO LADO

O Ecad diz fazer "trabalho sério e incessante" e que é uma entidade privada, com atuação pautada na Lei, e é supervisionada pelo Estado.

MUITA CARA-DE-PAU

Acusada de retaliação contra o ministro Bruno Dantas, do TCU, por ser ele contrário a uma gratificação bilionária paga a auditores fiscais, a Receita Federal divulgou que o ministro "não está sob investigação". Ele ficou ainda mais indignado: "É muita cara de pau!".

SEM INTIMIDAR

A Receita exigiu de Bruno Dantas, três anos depois, cópias dos cheques que pagaram despesas médicas. Não queriam nem a nota fiscal, mas cópia do cheque. "Acharam que me intimidariam", disse ele.

LEI RHUAN MAYCON

Projeto de Bia Kicis (DF), Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro (SP) eleva a pena máxima de 30 para 50 anos. Será a "Lei Rhuan Maycon", criança de 9 anos torturada, assassinada e esquartejada pela mãe a sua companheira por ser menino. Até a cortaram o pênis do garotinho.

ABUSO BARRADO

Um deputado de Brasília, Fábio Félix (Psol), mandou confeccionar um leque com as cores do arco-íris e mandou a conta para o contribuinte pagar, por meio da Câmara Legislativa. O abuso foi barrado.

PRESENÇA ILUSTRE

A atriz brasiliense Maria Paula, da turma do Casseta & Planeta, esteve nesta segunda-feira (12) na homenagem realizada no Senado ao general Eduardo Villas Bôas. Ela é amiga da família do militar.

HERóI NACIONAL

A procuradora-geral Raquel Dodge se referiu ao general Eduardo Villas Bôas, assessor do Planalto, como "herói nacional". Ela e todos os demais oradores na homenagem ao ex-comandante do Exército.

TAXA SELIC A 5%

Economista-chefe do Porto Seguro, José Pena aposta para 2019 taxa Selic a 5%, em razão da desaceleração global, da ameaça argentina à industrial brasileira e a retomada ainda lenta da atividade doméstica.

MÉRITO JUDICIÁRIO

O presidente Jair Bolsonaro recebe a Ordem do Mérito Judiciário nesta terça, no TST. Também serão homenageados os ministros Sérgio Moro (Justiça) e Augusto Heleno (GSI) e os presidentes do Supremo, do Senado e da Câmara, além de outras 46 autoridades.

PENSANDO BEM...

...em vez de todo dia, o Detran podia multar dia sim, dia não.
Herculano
13/08/2019 06:45
DIVóRCIO INEVITÁVEL, por Joel Pinheiro da Fonseca, economista, mestre em filosofia pela USP, no jornal Folha de S. Paulo.

O fim do casamento de bolsonarismo e lavajatismo, imbatível em 2018, cobrará seu preço

Um dos feitos mais incríveis de Bolsonaro ao longo dos últimos anos foi a construção de sua imagem como a de um político implacável com a corrupção. Logo ele, um deputado que em 28 anos de Congresso encarnou quase o tipo ideal da velha classe política fisiológica brasileira.

Agora, o abismo entre imagem e realidade começa a aparecer. Em sete meses de governo, Bolsonaro já mostra que, quando o alvo é ele, sua família ou seus aliados, fará de tudo para abafar qualquer investigação.

Recentemente, Alexandre de Moraes suspendeu investigações da Receita Federal que incluíam ministros do Supremo Tribunal Federal. Independente do mérito da decisão, era a ocasião perfeita para o presidente da República colocar a boca no trombone e denunciar o STF em mais um de seus corriqueiros ataques às demais instituições do país.

Dessa vez, no entanto, não o fez. Sinal dos novos tempos? Ele foi, afinal, beneficiado por decisão recente de Dias Toffoli de suspender o uso de dados do Coaf sem autorização judicial, em resposta ao pedido de Flávio Bolsonaro.

Há uma lógica aí. Inicialmente, o Coaf era a menina dos olhos do presidente, a ser transferido para os cuidados diretos do superministro Moro. Daí vieram as descobertas sobre o gabinete "enrolado" de Flávio, os pagamentos de Queiroz.

Então o Coaf virou moeda de troca barata com o Congresso, que exigia que ficasse no Ministério da Economia. Veio a decisão de Toffoli, neutralizando muito de seu poder. Pela grave falta de ter defendido a atuação da instituição que preside, o presidente do Coaf, Roberto Leonel - indicado por Moro - está na lista de possíveis demissões do governo.

E o presidente já estuda transferir o Coaf para o Banco Central, no que foi prontamente elogiado por Dias Toffoli. Entre Moro e Toffoli, sabemos de que lado Bolsonaro está.

Em outra frente, tendo que escolher o próximo procurador-geral da República, Bolsonaro tem de lidar com um pedido insistente de seu público: que nomeie Deltan Dallagnol.

É claro que, para alguém que preze um Ministério Público respeitoso do processo legal, a nomeação de Deltan para a PGR ficou no mínimo questionável à luz da Vaza Jato.

Para o discurso que Bolsonaro vende a seus seguidores, contudo, os vazamentos não prejudicam em nada a imagem do procurador.

Pelo contrário: mostram alguém disposto a fazer o que for preciso para prender os corruptos. Pela lógica do discurso, Deltan seria o PGR ideal.

E, no entanto, Bolsonaro se distancia dele. E mais: o ataca. Deltan é "um esquerdista estilo PSOL", diz um texto compartilhado pelo perfil oficial do presidente. Alguém acredita nisso?

O real problema é que Deltan seria - seja por convicção sincera, vaidade ou projeto político - uma pedra no sapato para abafar os casos de corrupção na família do presidente.

A saída é apelar para os tais valores de direita, que servem como um excelente pretexto para chutar para escanteio a luta anticorrupção.

O casamento do bolsonarismo com o lavajatismo (a ideologia de que tudo vale na caçada aos corruptos que dominam a política) provou-se imbatível ano passado.

O divórcio dos dois cobrará seu preço: será um duro teste de realidade para aqueles que viam em Jair Bolsonaro o paladino da caça aos corruptos. Queiroz, esteja onde estiver, deve estar rindo à toa.
Herculano
13/08/2019 06:33
UM REPóRTER SETE VEZES NA CADEIA, por Álvaro Costa e Silva

O estranho conceito de 'excesso jornalístico', formulado por Bolsonaro

A repórter Talita Fernandes comparou as entrevistas de Bolsonaro à porta do Palácio da Alvorada a um stand-up. Perfeito. Num dos últimos, ele gracejou diante dos jornalistas: "Se o excesso jornalístico desse cadeia, todos vocês estariam presos agora". A seu lado, o ministro Sergio Moro, que sempre quis ter a chave da prisão, riu amarelo.

Foi mais uma frase idiota que segue a estratégia presidencial de agradar convertidos e irritar adversários - valendo-se, até, do absurdo de considerar um torturador herói nacional. Mesmo assim, perdi três minutos pensando no esdrúxulo conceito de "excesso de jornalismo". Aí me lembrei de Joel Silveira (1918-2007).

Joel -"como repórter, não tem quem lhe leve vantagem", afirmou Manuel Bandeira - cunhou frases que podem iluminar a cabeça daqueles que hoje vivem destilando intolerância contra a imprensa nas redes sociais:

"Hedionda, repugnante essa espécie de jornalista que baixa o taxímetro antes de escrever a primeira palavra." "Jornalista que vira assunto passa, como jornalista, a não merecer a menor confiança." "Jornalista que não vê no poder um inimigo é porque já faz parte dele."

"Nada mais triste do que ver um repórter sentado numa redação a olhar para a máquina de escrever, disponível e sem assunto, quando os assuntos, todos eles, estão lá fora enchendo as ruas." "Jornalista paulista adora discutir com jornalista como deve ser feito jornalismo paulista em São Paulo. E tome debate, um por dia, às vezes dois."

"Repórter mesmo era aquele confrade Carra, a quem Victor Hugo se refere no 'Noventa e Três'. Segundos antes de ser guilhotinado, no auge do terror de Rosbespierre, ele virou a cabeça para o carrasco e disse: 'Aborrece-me morrer. Gostaria de ver o resto'."

Joel Silveira, este sim, excedia. Na qualidade do seu trabalho e na quantidade de vezes - sete - que a ditadura militar o prendeu.
Herculano
13/08/2019 06:29
ESCLARECIMENTOS

Sobre a nota que publiquei na seção Trapiche desta coluna, o diretor presidente da Fundação Municipal de Esportes e Lazer, e presidente do PSDB daqui, Jorge Luiz Prucino Pereira esclarece:

O nascimento do seu filho no Hospital Santo Antônio, de Blumenau, não aconteceu recentemente como escrevi. mas em 2017, quando ele também já estava no atual governo. A postagem dele na rede social dele, sem menção temporal, é que foi recente,

E a escolha do Hospital de Blumenau se deu pela possível necessidade de uma UTI neo-natal após o parto do seu filho. Não foi necessário.
Herculano
12/08/2019 16:22
MOISÉS E SEUS APOIADORES

Os eleitores de Carlos Moisés da Silva, PSL, começam a reavaliar à aventura que pode ter sido a sua surpreendente eleição.

Ele devia romper os vícios e as mazelas. Até agora, nada.

A principal região econômica a do Vale do Itajaí e que deu votos maciçamente para a sua eleição, é parinho feito.

Para a crônica falta de dinheiro, ele só tem uma solução: aumentar impostos, tirar a competitividade das empresas industriais, comerciais e até de serviços.

Diferente do presidente Jair Messias Bolsonaro,PSL, Moisés não possui e não se une a mentes brilhantes para quebrar os vícios e as dificuldades. Então...

Reproduzo uma crônica de um eleitor dele, o advogado Luiz Carlos Nemetz, que no tempo do PT, chegou a flertar ser o vice governador com José Fritch, que chefou a ser até ministro da Pesca de Luiz Inácio Lula da Silva.

Escreve Nemetez:

Doce ilusão. Votei no governador Carlos Moisés da Silva. Era a melhor e única opção. Tinha esperanças de encerrar um ciclo nauseabundo e vicioso, que compunha uma estrutura política que atuava nas entranhas do nosso Estado há mais de 5 décadas. Dia a dia, venho colhendo decepções. Primeiro, o deslumbramento de ocupar o palácio. Depois, o assentamento dos amigos de farda, do compadrio corporativo e político nos cargos do governo. Por fim, uma ausência absoluta da figura do líder. O governador teve uma única passagem meteórica por Blumenau/SC ao longo de 8 meses de exercício de poder (13/03/19). Já bateu o recorde de ausência do Colombo, numa região que lhe prestigiou com um massacre histórico de votos. E não é por falta de tempo que não vem aqui. É falta de vontade e compromisso mesmo. Para não falar em descaso e acomodação. Para se apresentar como cantor no palco do CIC, por exemplo, sempre encontra tempo. Para saracotear em eventos festivos, nem se fala. Ouve pouco, demora para agir e governa pelas redes sociais... E se trouxe recursos para o exemplar Hospital Santa Isabel, não fez mais que a sua mínima obrigação, já que nossa região não tem Hospital Regional e aquela casa de saúde é uma das melhores estruturas de saúde pública do país. Agora, vem esse equívoco estrondoso de corte de subsídios agrícolas e aumento de impostos para defensivos, onerando e mexendo no funcionamento de uma das mais bem estruturadas e rentáveis economias agrícolas do mundo. E esse papo-furado de barreira verde é conversa mole. Temos magníficas e competentíssimas estruturas de pesquisa e fiscalização no campo para que não ocorram excessos no uso de defensivos. A EPAGRI e CIDASC são um orgulho. Então, aumentar impostos é o único caminho para quem não quer pensar em cortar custos. E é até compreensível para um funcionário público de carreira. Deveria ter intuído isso! Quem sempre exerceu cargo e função pública, gestor público que nunca produziu um palito, nem plantou um grão de milho, sempre encontra uma forma de cobrir o aumento dos custos fixos: abre os cofres do Estado. E dá-lhe impostos. O comandante fazia isso quando chefiava os bombeiros e precisava de dinheiro (lá, quando falta dinheiro, o erário comparece). É da cultura do burocrata de estado, que não sabendo gerenciar uma pipoqueira com seu próprio dinheiro, a cada crise de liquidez, gera impostos e onera o contribuinte. Afinal, para quê se preocupar com o bolso e com a vida financeira dos outros? O nosso líder é muito bem remunerado, com o soldo de aposentado que acumula com os gordos proventos de governador. A sua bufunfa chega com a folha no final do mês, faça chuva ou faça sol. É legítimo, mas... os brasileiros querem a diminuição do Estado. O corte nos gastos públicos, a redução dos impostos. Moisés, lamentavelmente, vai de encontro (e não ao encontro) ao que os catarinenses desejam e escolheram nas urnas: uma administração eficiente, enxuta, presente, sem deslumbramentos e pavonices. Sinceramente? Ainda acredito. Penso que ele tem o direito de errar e tem tempo de se recuperar. É honesto e bom caráter. Mas só isso não basta. O gato subiu no telhado. Mas 2020 é amanhã e 2022 é logo ali. Se ele não descer rapidinho, vamos ter que tirá-lo(s) de lá. Como diz o ditado, "quem avisa, amigo é!"
Herculano
12/08/2019 12:57
COMO LIDAR COM EXTREMISMO ONLINE? por Ronaldo Lemos, ddvogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo.

Violência online não fica só online, mas produz efeitos diretos sobre a realidade

Uma das consequências dos dois ataques de atiradores nos Estados Unidos nos últimos dias é a tentativa de banimento da internet do site 8Chan.

O site funciona como um fórum anônimo online, uma espécie de "paraíso da liberdade de expressão". Por causa disso, tornou-se um dos pontos de encontro para extremistas, terroristas e perpetradores de várias das tragédias dos últimos meses (do massacre na Nova Zelândia e agora de El Paso).

Com as mortes dos últimos dias, muitas empresas de internet decretaram um "basta!" para o serviço e resolveram agir por conta própria para impedir que o 8Chan continuasse no ar. Por exemplo, a Cloudfare - que oferece proteção a ataques de negação de serviço?" deixou de atuar para o site, fazendo com que ele rapidamente não conseguisse se manter no ar.

A medida logo levantou discussões. "Em que medida empresas privadas podem se arrogar o direito de decidir se um site permanece no ar ou não?", gritou boa parte dos membros do 8Chan. Já o fundador do site - que se arrependeu de sua criação e desvinculou-se dele em 2015- apoiou a medida.

Tudo isso demonstra que o modelo de liberdade de expressão forjado nos anos 1950, 1960 e 1970 com o advento da TV está sendo profundamente revisado. A remoção de um site da rede é medida extrema, reservada para casos-limite. A medida é chamada de "deplatform", algo como "desplataformar", literalmente remover os muitos alicerces que permitem a um site funcionar.

No passado já houve usos questionáveis desse tipo de medida. Por exemplo, o governo da Líbia tentou encerrar o endereço de sites com textos de cunho sexual do jornal San Francisco Chronicle. O leitor pode se perguntar como a Líbia poderia fazer isso. E a resposta é curiosa: a Líbia administra todos os domínios terminados com o ".ly", como é o caso de encurtadores de endereços como o "bit.ly".

Em outro caso o canal de TV Al-Jazeera também foi "desplataformado" por provedores de acesso nos EUA quando Dick Cheney vinculou a rede aos atentados do 11 de Setembro.

Se a prática de "desplataformar" é controversa, qual seria a alternativa então? O fato é que o modelo de Estado hoje é praticamente impotente com relação a casos como o do 8Chan. Sozinho, um país dificilmente consegue fazer qualquer coisa eficaz para remediar a propagação de conteúdo extremista.

Isso ficou claro com os anos de uso da internet pelo chamado Estado Islâmico, sem que se conseguisse fazer nada contra.

Nesse contexto, para onde estamos indo? Há soluções em vista. Primeiramente, o modelo do multissetorialismo, em que o Estado, a sociedade civil, a comunidade científica e o setor privado se unem para tratar conjuntamente de casos como esse nunca foi tão importante. Esse é um caminho promissor.
?
Outros caminhos incluem propostas como a do professor de Harvard Jonathan Zittrain, que acredita que devemos enxergar a questão de liberdade de expressão também como uma questão de saúde pública.

Estaríamos assim entrando em uma terceira era da liberdade de expressão, em que novos modelos de devido processo legal são construídos para lidar com a questão do extremismo online.

O que o 8Chan e o Estado Islâmico têm em comum é demonstrar que a violência online não fica só online, mas produz efeitos diretos sobre a realidade.

READER
Já era
Achar que trabalho doméstico não é trabalho.

Já é
Usar planilhas para administrar a casa.

Já vem
Famílias que usam apps de administração de empresas (como Trello, Slack etc.) para administrar a casa.
Herculano
12/08/2019 12:52
Da série: quanto mais se pensa numa saída, pior fica

DóLAR ATINGE R$ 4 COM GUERRA COMERCIAL E DERROTA DE MACRI NA ARGENTINA

Conteúdo do Blog do Vicente, no Correio Brazilense. Texto de Hamilton Ferrari.A cotação do dólar atinge R$ 4 na manhã desta segunda-feira (12/8), puxado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China e a perspectiva de que o presidente argentino, Mauricio Macri, não conseguirá se reeleger nas eleições de outubro. No domingo (11/8), o candidato de oposição, Alberto Fernández, venceu as eleições primárias para a presidência do país. Fernández, que tem Cristina Kirchner como vice, teve 47% dos votos, e Macri 32%.
A moeda norte-americana sobe perto de 1,5% nesta manhã. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), recua mais de 2%, cotado próximo de 101.878 pontos.

A divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), também contribuiu para o movimento valorização da moeda. O indicador mostrou que a economia brasileira tombou 0,13% no segundo trimestre, na comparação com o primeiro.

Se esse dado se confirmar, a economia brasileira terá entrado em recessão técnica, que é quando há dois resultados trimestrais negativos em sequência. De janeiro a março, o PIB brasileiro encolheu 0,2%, na comparação com o quarto trimestre de 2018.

A recessão técnica no país abre espaço para mais queda nos juros, explica o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito. "A queda das taxas leva o país oferecer juros muito abaixo da volatilidade da moeda; se a Selic cair para 5% ao ano, temos que lembrar que a volatilidade do real é de pelo menos 10%. Isto cria resistências a comprar a moeda", destaca.

De acordo com o relatório Focus, do Banco Central (BC), que traz as projeções dos analistas para a economia, o mercado prevê que o crescimento do país ficará em 0,81% no ano, com taxa Selic em 5% anuais ao término de 2019.

No cenário externo, também atormenta os investidores as incertezas acerca da guerra comercial entre EUA e China. O Banco do Povo do país asiático (PBoc) definiu a referência oficial para o yuan em US$ 7,0211, cotação mais fraca de que quando terminou a última semana, mas acima da prevista pelo mercado.
Herculano
12/08/2019 12:46
O NOSSO DNA

De Juliana Santos, no twitter:

Sem condições a Argentina e sua vontade de virar Venezuela. Não podemos subestimar a estupidez da maioria dos sul-americanos.
Herculano
12/08/2019 12:43
PACIENTE DO SUS NÃO PODE SER TRATADO COMO MANÉ, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo

Episódio envolvendo avó de primeira-dama deveria servir para cair a ficha de Bolsonaro

Dados compilados pela Folha e divulgados neste domingo (11) mostram uma piora nos indicadores de saúde nos primeiros seis meses do governo de Jair Bolsonaro.

As informações integram um robusto levantamento sobre outras áreas. No caso específico da saúde no país, identifica-se um agravamento, por exemplo, na oferta de assistência básica, porta de entrada do SUS.

Na avaliação de especialistas, um dos fatores que levam a esse cenário tem vínculo com o desmonte do programa Mais Médicos. Houve ainda uma redução no número de agentes comunitários que fazem o atendimento casa a casa do cidadão.

Seria injusto e equivocado debitar da conta de Bolsonaro os problemas enfrentados pelo SUS. Nenhum governo até hoje conseguiu diminuir a sobrecarga do sistema público nem encontrar caminhos para que o atendimento às pessoas seja justo, rápido e de qualidade.


A 37 km do Palácio do Alvorada, o Hospital Regional de Ceilândia já virou um modelo de caos, falta de estrutura e descaso com os pacientes. Em maio, o Ministério Público do DF fez uma visita e identificou superlotação, cadeiras usadas como leito, pacientes espalhados pelos corredores e ausência de equipamentos.

No sábado (10), o repórter Daniel Carvalho encontrou a aposentada Maria Aparecida Firmino Ferreira, 78, deitada havia dois dias em uma maca em um corredor (lotado de pacientes) do hospital de Ceilândia à espera de cirurgia após sofrer fratura.

Maria Aparecida é avó da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Minutos depois de a reportagem procurar o governo do DF, ela foi transferida a um hospital de melhor estrutura para que fosse, enfim, operada.

A aposentada não poderia furar fila só pelo fato de ser avó da primeira-dama. Assim como também pouco importa a relação que teve ou tem com a neta e mulher do presidente.

O episódio deveria servir para Bolsonaro entender que sua verborragia diária cansou. Há prioridades urgentes. O paciente do SUS não aguenta mais ser tratado como um mané.
Herculano
12/08/2019 12:40
O CLIMA DA RESISTÊNCIA, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

Noruega e Alemanha se interessam pela Amazônia porque estão investindo ali e precisam dar satisfação a seus contribuintes

Às vezes, tenho uma fantasia de deixar tudo por um tempo: escrever um livro numa pequena cidade costeira de Portugal ou me internar na Mata Atlântica, para fotografar bichos e plantas nas horas vagas. Apenas uma fantasia, fruto dos ásperos tempos em que vivemos. Não consigo deixar o Brasil, seguir as tramas, ainda que nem sempre on-line.

Entre outros, o tema que me preocupa é a política ambiental. Não especialmente as frases provocativas de Bolsonaro. Sei distinguir a retórica da realidade.

Nas últimas semanas, sinto crescer no governo, inclusive entre generais, uma forma de tratar a Amazônia com um tom nacionalista e até mesmo agressivo que, certamente, terá consequências.

A Noruega, no discurso desses setores militares, é a vilã do momento. O discurso do governo é de que a Noruega não pode criticar o Brasil, porque extrai petróleo no Ártico, mata baleias e uma empresa norueguesa provocou um desastre ambiental em Barcarena, no Pará.

Tudo isso é reação à tentativa da Noruega e da Alemanha de manterem o espírito do Fundo Amazônia, que financia projetos sustentáveis na região. Creio que está se perdendo o sentido do problema ambiental em escala planetária, que demanda muito mais a cooperação entre os países do que a troca de farpas.

A Noruega e a Alemanha se interessam pela Amazônia porque estão investindo ali e precisam dar satisfação aos seus contribuintes.

Num quadro tão delicado como o do aquecimento global, não se devem suprimir críticas entre países: existem canais próprios para isso. A tática de se defender apontando os erros dos outros não funciona. A França fez explosões nucleares na Polinésia, a Inglaterra caça raposas. Seria um processo interminável.

É uma tática que lembra o processo de corrupção no Brasil, onde os partidos atingidos lembravam sempre os erros dos outros. A tese é essa: se todos fazem, por que não fazer também?

Existe um grande interesse internacional pela Amazônia. Muitas pessoas são ligadas afetivamente à região porque a consideram vital para o planeta. Não há razão para ter ciúmes, mas sim tirar proveito dessa onda positiva.

Bolsonaro diz que a Amazônia é uma virgem que muitos querem violentar. Acrescentou que vai permitir o garimpo na região. Isso não me assusta tanto.

Nenhum governo conseguiu proibir ou mesmo fiscalizar o garimpo na Amazônia.

Se formos agora ao pequeno aeroporto de Laranjal do Jari, veremos os aviões chegando e partindo para o garimpo. Entrevistei um garimpeiro que já sofreu cinco desastres aéreos na floresta. Hoje é pastor, mas continua garimpando.

Bolsonaro afirmou que quer atrair empresas americanas para explorar minério na Amazônia. É um problema. Não porque sejam americanas. Poderiam ser japonesas, sul-africanas, não importa.

O modelo de desenvolvimento está em jogo. De fato, iniciativas sustentáveis ou mesmo formas pré-industriais de atividade econômica não representam uma saída única para a Amazônia.

No Brasil, e também nos Estados Unidos, a defesa do meio ambiente é associada à esquerda, a uma visão anticapitalista. Isso explica parcialmente a reação agressiva de Bolsonaro. No discurso da extrema direita, o aquecimento global é uma invenção marxista; os dados do desmatamento, uma armação contra o Brasil.

No entanto, é possível discutir uma saída dentro do capitalismo para a Amazônia, confrontando duas linhas. Uma delas é usar o conhecimento e a biotecnologia para manter e valorizar a floresta em pé. A outra é enfatizar o lado tradicional da economia, com mineração intensa, criação de gado, industrias.

Na verdade, não são totalmente excludentes. Mas a escolha da primeira linha como hegemônica tem a vantagem da sustentabilidade, recompensa o saber tradicional das comunidades.

O projeto amazônico de Bolsonaro, que parece ter ressonância nas Forcas Armadas, pode nos conduzir a um isolamento internacional, boicote de nossos produtos, uma derrota política e econômica.

Sem contar com o principal efeito negativo: a perda da biodiversidade, os reflexos no próprio clima. O agronegócio já percebeu a resistência externa a esta opção do governo. Por enquanto, teme a perda de mercado. Com o desmatamento, vai se dar conta da perda das chuvas.

Essa é uma das muitas razões para resistir.
Herculano
12/08/2019 12:39
da série: o peronismo está de volta na Argentina

DEBATE ARGENTINO REVIVE CLICHÊS DOS ANOS 1980, por Vinicius Mota, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Estagnada há um século, nação discute inflação de 50%, congelamentos e FMI

Para um emigrante europeu no final do século 19, a escolha entre Estados Unidos e Argentina como destino não era óbvia. Ambas as nações estrelavam o período conhecido como primeira grande globalização.

Compartilhavam abundância de planícies férteis, custo cadente de transporte, escassez de mão de obra e vigorosa escolarização. A renda por habitante convergia e despontava entre as mais altas do mundo.

A estupenda eficiência na produção e na exportação de bens primários não havia, em nenhum dos casos, atrapalhado a manufatura. A Argentina, pouco antes da Primeira Guerra, destacava-se também na industrialização.

O conflito internacional marca o fim dessa história. Depois dele, enquanto os EUA consolidaram sua trajetória, o país sul-americano atolou no brejo da estagnação, relativa até 1975 e absoluta a partir dali.

Desde 1950, os argentinos viveram em média um ano de recessão a cada três. Só a estropiada República Democrática do Congo supera a marca.

No quadriênio do presidente Mauricio Macri, terá havido apenas um ano de atividade no azul contra três, incluindo este de 2019, no vermelho. O debate eleitoral argentino, que neste domingo (11) avançou com a realização de prévias, é uma espécie de "Stranger Things" da política.

Como no seriado da Netflix, clichês dos anos 1980 pipocam o tempo todo na tela e provocam vertigem no espectador desacostumado.

Comemora-se a queda da inflação para 50%(!) ao ano. Macri, declaradamente liberal, congela preços, insufla o consumo com programas de parcelamento "sem juros" ou a taxas reduzidas, segura o câmbio e sustenta na palavra mudança sua plataforma de reeleição.

Do outro lado, os responsáveis pela última bancarrota do país, com Cristina Kirchner no papel de dublê de vice, pregam falar grosso com o FMI e sair gastando novamente recursos que não existem.

E a população confia mesmo é no dólar.
Herculano
12/08/2019 12:34
GOVERNO DEVE ESCANCARAR 'CAIXA-PRETA' DO ECAD, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Determinado a acabar com "cartórios" que privilegiam interesses particulares, o governo Bolsonaro deve abrir também a "caixa preta" do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Apesar da pose de agência reguladora, o Ecad é privado e em 2018 faturou mais de R$100 milhões a título de comissão de 10% sobre R$1,1 bilhão arrecadados. O Ecad informou que os quase R$100 milhões faturados em 2018 são gastos em "despesas operacionais e administrativas".

MONTANHA DE DINHEIRO

O Ecad diz distribuir 85% da arrecadação (R$971 milhões em 2018) por "direitos autorais". Do total, 5% são das "associações".

DIREITO, Só O DE PAGAR

Quem quer que ouça música em alto volume fica sujeito às altas taxas de "direitos autorais" cobradas pelo Ecad sem direito a contestações.

COMO FUNCIONA

O que é pago por restaurantes, bares e etc. seria destinado a músicos "e demais artistas" filiados às associações que administram o Ecad.

QUEM PAGA

Emissoras de rádio e TV são obrigadas a pagar 2,5 % do próprio faturamento bruto mensal ao Ecad, usina de fazer dinheiro.

PESQUISA NACIONAL: 25% NÃO SABEM O QUE É FGTS

Levantamento exclusivo do Paraná Pesquisa contratado pelo site Diário do Poder e esta coluna demonstra a falta de conhecimento de quase um quarto da população brasileira sobre o que é ou como funciona o Funde de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS): 24,7% do total dos entrevistados admitiram não saberem nem para que serve o FGTS. A pesquisa nacional foi realizada nos 26 estados e no Distrito Federal.

BENEFICIADOS

Entre os 75,3% que confirmaram saber o que é FGTS, 67,7% disseram que já foram beneficiados por saques ou pagamentos do fundo.

DESCONHECIMENTO

A menor taxa de conhecimento sobre o fundo está entre entrevistados apenas com ensino fundamental: 35% não sabem o que é FGTS.

DADOS DA PESQUISA

O Paraná Pesquisa ouviu 2.082 brasileiros em 174 municípios entre os dias 5 e 9 de agosto. A margem de erro é de aproximadamente 2%.

FÉRIAS REMUNERADAS

A greve do Metrô de Brasília, que durou dois meses, foi tão inútil que durante a paralisação até o número de pessoas transportadas subiu de 3,5 milhões em julho de 2018 para 3,7 milhões até julho deste ano. Não por acaso, os metroviários querem expulsar a pelegada do sindicato.

BOLSODORIA 2022

São remotas, por enquanto, as possibilidades de João Doria assumir uma candidatura de oposição a Jair Bolsonaro, em 2022. A prioridade do tucanato é obter o apoio do presidente ao candidato do partido.

SUSPEITAS FALSAS

As acusações contra o presidente do Paraguai são produto da ignorância do Tratado de Itaipu, que só permite a venda da energia produzida pela usina para a Eletrobras e para a paraguaia Ande. Somente estas empresas podem comercializar a energia da usina.

MEADOS DE OUTUBRO

A expectativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), é que dure até 65 dias a análise da reforma da Previdência. Mas o 65º é um domingo, isso empurraria o prazo final para 15 a 17 de outubro.

CENTRÃO NA RELATORIA

A comissão especial que vai analisar a reforma tributária se reúne na nesta terça (13) para avaliar o roteiro de trabalho sugerido pelo relator deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que é do "centrão".

FIM DE BENEFÍCIOS

O Senado avalia transformar em projeto uma proposta popular, apoiada por mais de 20 mil internautas, que proíbe a concessão de pensão, aposentadoria ou plano de saúde a quem exerceu um mandato eletivo.

ROTA DO CRESCIMENTO

Os governadores Ibaneis Rocha (DF), Ratinho Junior (PR) e Carlos Moisés (SC) participarão no dia 21, em Curitiba, do III Fórum de Gestão Pública que vai discutir os caminhos do crescimento.

CALENDÁRIO DE 2020

As eleições municipais de 2020 batem à porta. Convenções começam em menos de um ano e propaganda eleitoral gratuita vai de 26 de agosto a 29 de setembro de 2020. O 1º turno será em 4 de outubro.

PERGUNTA NO PALÁCIO

Quem vai ganhar o prêmio de quem mais hostiliza jornalistas: PT ou Bolsonaro?
Herculano
12/08/2019 12:27
CHATOS NÃO VÃO À LUA, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, ensaísta e professor, no jornal Folha de S.Paulo

Quantas etnias e orientações sexuais teriam que estar no projeto Apollo millennial??

Vivemos num mundo de chatos. Basta você ver alguém fazer o pedido num restaurante para ver a chatice em ação nos detalhes da alimentação. E se o restaurante não tiver aquele prato especialmente saudável, com a última moda da nutrição vietnamita para pessoas espiritualizadas?

Mas, infelizmente, as coisas não são simples assim. Hoje em dia, nem achar algo idiota está livre de ser, em si, um ato idiota ou míope. O mundo é chato, inclusive, porque temos informação o suficiente para saber que ele é muito mais complicado do que pensava nossa vã filosofia.

Num excelente artigo escrito no LA Times, e replicado no Jerusalem Post, de Israel, no dia 21 de julho, assinado por Ralph Vartabedian e Samantha Masunaga, vemos um painel social, político, econômico e psicológico do que tornou possível Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisarem na Lua no dia 20 de julho de 1969. Este texto é um excelente ponto de partida para pensarmos em algumas coisas que mudaram muito dos anos 1960 para cá.

Alguns dos entrevistados, pessoas que estiveram envolvidas diretamente no projeto Apollo ou trabalham na Nasa hoje em dia, na sua maioria, acham que não conseguiríamos realizar o mesmo feito nos dias atuais.

Por quê? Resumindo o argumento: porque o mundo de agora, apesar de ter mais repertório técnico e tê-lo tornado mais barato do que então, não tolera riscos, gestões violentas ou úlceras e ataques cardíacos "em nome de uma boa causa". Além de não vivermos mais a Guerra Fria nem termos a União Soviética ameaçando a hegemonia americana. Pensemos a partir do artigo em algumas fronteiras do argumento em questão.

O enorme investimento econômico realizado dependia, por exemplo, de um grau de confiança nas pessoas que já não temos: não confiamos em ninguém.

Essa confiança aparecia na parceria entre políticos dos partidos democrata e republicano, hoje inexistente em consequência da polarização político-ideológica; na relação entre governo e iniciativa privada, atualmente refém de uma enorme burocracia; na opinião pública, agora enraivecida nas mídias sociais e infernalmente volátil.

Mas a confiança também existia nos vínculos profissionais: jovens engenheiros desconhecidos recebiam responsabilidades gigantescas. Nos dias de hoje, os jovens são millennials que querem apenas comida saudável, praias do Vietnã e patinetes.

Um millennial faria xixi na calça se dissessem a ele que um erro seu explodiria três homens num foguete, como ocorreu com a Apollo 1 em 27 de janeiro 1967. Ele diria que isso seria injusto com ele, millennial, afinal, tanta responsabilidade para uma pessoa assim, seria muito injusto!

Como afirma um dos entrevistados, hoje é muito mais difícil montar uma equipe de trabalho. O tipo de liderança que assimilava graus distintos de violência e coragem na tolerância dos riscos que realizou o projeto Apollo hoje morreria nas mãos de alguma polêmica politicamente correta. Quantas etnias e orientações sexuais teriam que integrar a elaboração de um projeto Apollo millennial?

O desaparecimento da confiança em nome do controle de riscos é um fato do mundo contemporâneo, seja na Nasa, nos relacionamentos afetivos, na geração de filhos ou nos campos do trabalho e da criação artística e conceitual. O mundo ficou, como diziam as avós, "amofinado". Olhe no Google se você não sabe o que é.

Se pensarmos na tripulação morta na Apollo 1, formada por Gus Grissom, Edward White e Roger Chaffee, e no suicídio desesperado da esposa de Chaffee na sequência, num cenário atual, o projeto Apollo seria afogado na viralização de pessoas indignadas com o ocorrido.

Os líderes olhariam para suas redes sociais para decidir o que fazer. A tolerância para os riscos e erros era muito maior. Acusariam o projeto Apollo de machismo, seguramente. Famílias foram destruídas devido ao estresse e às horas de trabalho sem fim que toda a equipe envolvida experimentava no seu dia a dia. A solidão das esposas e dos filhos era enorme.

Talvez, a Lua não valesse aquela grana toda. Melhor investir no desaquecimento global do que na conquista espacial. Talvez o turismo espacial refaça as viagens lunares, quem sabe. Tem praia na Lua?

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