03/08/2020
Kleber (à esquerda) prometeu economizar titulares em quatro secretarias e Samae; em dias já quebrou a promessa. Na Câmara, há dois projetos há mais de três meses para diminuir diárias e salários dos vereadores; nem o autor Roberto (centro) libera na Comissão para votá-los no plenário; nem o presidente Ciro (à direita) coloca em pauta para se saber quem é contra ou a favor dele.
O prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, MDB, um dos mais altos salários da região, R$27.356,69, em abril demitiu quatro secretários e o diretor presidente do samae – o mais longevo dos vereadores - dos trampolins políticos. Fez isso para eles serem possíveis candidatos a vereadores. No lugar deles, nomeou interinos.
Estávamos à beira de uma crise grave de saúde, social, econômica; gente se desempregando e falindo aos montes.
Naquele dia, Kleber alegou que estava acumulando a interinidade das quatro secretarias e da presidência do Samae a titulares de outras pastas, como um exemplo de preocupação dele e do governo como uma sinalização de “enxugamento” da máquina pública.
Antes de prosseguir e alguém ainda entender que isto foi uma iniciativa inovadora e corajosa de Kleber, é bom esclarecer, que a demissão dos quatro secretários e do presidente do Samae, foi uma imposição da legislação eleitoral.
Todos eles, como fiéis cabos eleitorais do poder de plantão e políticos que são, estão pré-candidatos a vereadores na coligação de Kleber. Um continuou empregado e está usando o cargo para se promover e o presidente do Samae, voltou para a Câmara, continuando o seu trabalho político.
Mas, Kleber nas entrevistas daqueles dias, sem perguntas, que concedeu, por pura marquetagem e oportunismo, disse que aquele gesto de nomeações de interinos acumulativos, fazia parte do plano de "sacrifício" e "economia" do poder público gasparense para com os sacrificados pagadores de pesados impostos, desempregados e falidos que estabeleciam por aqui e que verdadeiramente sustentam a máquina estatal.
Nobre. Acertado. Coerente. Aplausos se o que Kleber justificou e anunciou durasse ao menos até o fim da pandemia ou, disfarçadamente, ao menos até o fechamento das urnas nas eleições de 15 de novembro. Nem isso, conseguiu ou disfarçou. A sede pela teta pública do que apoiam ou prometem apoiá-lo na reeleição, falou mais alto em plena corrida eleitoral.
TUDO DOMINADO
O discurso do prefeito Kleber, mais uma vez, durou dias. As secretarias de Saúde, a de Agricultura e Aquicultura, bem como a de Assistência Social já possuiam novos titulares no lugar daqueles que estão pré-candidatos pela coalizão governamental. O salário básico de cada titular da pasta é de R$12.795,81.
Em outros municípios, incluindo Blumenau, além do prefeito, também houve corte de salários, vice – Blumenau não possui vice e que já é o prefeito - e dos secretários. Aqui não! E este assunto é proibido no ambiente político do poder de plantão.
A última a ter nova titular anunciada foi a secretaria de Educação e aconteceu hoje.
Na semana passada, foi a vez do Samae que estava nas mãos do secretário do Planejamento Territorial, Cleverton João Batista, e que já foi titular do Samae em Blumenau, ou seja, conhece o riscado, ter anunciado o novo dono da autarquia: Vanderlei Fistarol.
Mais uma vez não se trata de implicância deste espaço. É uma constatação. O que se diz em público no governo de Kleber, não se cumpre. Faz-se espuma para manchetes e entrevistas da hora. Entretanto, o tempo, encarrega-se de desmanchá-las sem muito alarde. Ou seja: a crise de verdade que desemprega e está falindo empresas, não chegou na prefeitura de Gaspar e aos políticos daqui.
E isto pode ser uma verdade. Por que?
Depois de rejeitar uma sugestão do vereador Cícero Giovane Amaro, PL, para que Gaspar - a exemplo de outros da região - bancasse os juros dos empréstimos de micro-empreendedores em dia com as instituições financeiras, como uma forma de subsídio e para suportar a aguda crise econômica, gerar emprego, renda e impostos, o líder do prefeito Kleber na Câmara, Francisco Solano Anhaia, MDB - que também é médio empresário – imediatamente e na mesma sessão, rechaçou frontalmente a ideia de Cícero para ser levada a Kleber e seus “çabios”.
E qual a argumentação do governo Kleber via Anhaia? Que mais esta despesa seria pesada demais devido à suposta queda de 60% na arrecadação dos tributos pela prefeitura de Gaspar. Repito para que não haja qualquer dúvida sobre o que afirmou Anhaia, naquela noite: queda de 60% nos tributos nos cofres da prefeitura daqui.
E o que aconteceu? Pouco dias depois, o prefeito de fato e secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, o que possui a chave e controle do cofre da prefeitura, foi a imprensa, fez manchetes e ao mesmo tempo, calou a boca dos críticos e alarmistas – alarme, aliás, dado em público, vejam só, por seu próprio líder na Câmara, Anhaia. Com números, o secretário provou que a arrecadação de Gaspar em plena pandemia não só não caiu nada, ao contrário, cresceu:1,8%.
Sobre a ideia de Cícero para subsidiar os microempresários gasparenses neste momento mais crítico, literal e imediatamente metralhada pelo líder do governo de Kleber na Câmara? Nada se falou, mesmo com a arrecadação da prefeitura estando normal ou em leve crescimento real.
OS VEREADORES TAMBÉM ESTÃO DEVENDO AOS GASPARENSES
Anhaia, por sua vez, diante a nova manchete, colocou a viola no saco, e sem à veemência com que combateu a ideia de Cícero naquela sessão, voltou à tribuna da Câmara. Constrangido, disse que foi mal informado por um funcionário da prefeitura para renegar à sugestão de Cícero. Todavia, sobre a proposta de Cícero para prefeitura subsidiar, como fazem outros municípios, os juros dos empréstimos dos microempresários, nada falou.
Resumindo: a prefeitura de Gaspar continua sendo a maior empregadora de comissionados e em plena crise dos que sustentam essa máquina de votos pela reeleição de Kleber. São 150 comissionados e 100 outros efetivos em cargos em confiança, numa distribuição entre o MDB, PP, PSDB, PDT, PSC, PSD e outros partidos que prometem marcharem pela reeleição de Kleber.
Mas, aí você leitor e leitora pensa que isso só se restringe à prefeitura. Não! Isso é um comportamento reiterado de políticos. Na Câmara, a situação não é diferente. Esta semana, as redes sociais foram inundadas com o exagero de R$25 mil em diárias do presidente da Casa, Ciro André Quintino, MDB.
Ele sabia do risco dessa sua “imprudência” que não é de hoje. Eu já tinha escrito sobre isso há anos. Agora, Ciro está arrumando culpados que não ele próprio. Voltarei ao tema ainda, pois não se trata de hipocrisia e muito menos, ele pode culpar erros dos outros no passado para justificar suas escolhas no presente.
Recentemente, o mesmo Ciro autorizou, o pedido da maioria dos vereadores para eles fazerem um cursinho “on line” sobre as regras das eleições deste ano. Tudo pago com o dinheiro dos pesados impostos do povo.
Tem vereador se explicando. Outros se escondendo. Dois não fizeram. E alguns achando que isso é um direito, que só foi permitido a 13 vereadores e não a todos os candidatos a vereador de Gaspar, que se quiserem o mesmo tipo de curso, terão que meter a mão nos seus próprios bolsos e pagarem pela orientação. Simples, assim!
E a coisa não para aí. E os leitores e leitoras da coluna vão ler outra vez algo que assustadoramente se esconde na Câmara como se tivesse mau cheiro.
São os dois projetos de Resolução do vereador apoiador de Kleber – já foi o mais articulado oposicionista na Câmara - Roberto Procópio de Souza, PDT. Eles cortam as diárias até o final do ano e diminuem em apenas 20% dos salários deles por apenas dois meses.
Sabe quanto tempo estas duas matérias rolam lá dentro da Câmara? Há mais de três meses. Onde está empacado? Exatamente na Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação da Câmara de Gaspar, onde o próprio autor dos projetos, é presidente.
Amanhã tem sessão na Câmara. Na pauta liberada na sexta-feira, não consta mais uma vez a matéria. Afinal, o que se quer esconder dos gasparenses que estão sofrendo com a pandemia? Se é inconstitucional que o autor venha a pública e reconheça e retire o projeto. Ou, então libere para votação, para que se conheça o espírito de corpo ou de povo da casa.
Quando foi para reajustar os próprios salários dos políticos, inclusive os dos vereadores, os cinco projetos de lei passaram excepcionalmente, quebrando todos os prazos e ritos, em seis dias. Uau! E isso foi em março quando a pandemia já era uma ameaça real. Aliás, foi na última sessão presencial antes dela se tornar pela primeira vez, “on-line”. Acorda, Gaspar!
E a mobilidade do vírus entre nós está na falta de respeito, em crenças idiotas de gente que não possui conhecimento para esclarecer ou discutir sobre o assunto, bem como o uso ideológico de algo tão sério contra a vida das pessoas
Não vou escrever sobre um assunto científico e suas controvérsias. Sou leigo. Não possuo autoridade mínima sobre ele. Também não vou repetir sobre à falta de organização, estruturação e liderança, aliado ao despreparo de Gaspar para lidar com a crise instalada pela Covid-19, até porque, a pandemia colocou à prova até gente mais bem preparada e organizada do que as que apareceram em Gaspar até agora.
Também não vou escrever, ainda, como entre os políticos está se fazendo desta doença, da morte de pessoas, do desemprego de milhares, da falência de outras centenas, um mote de campanha eleitoral para melhor se sair em 15 de novembro. Uma vergonha!
Neste artigo vou ressaltar duas constatações: uma de Gaspar, outra de Santa Catarina, mas que é a média daquilo que acontece no mundo.
Em Gaspar, circulou um vídeo, com uma pessoa mascarada (proteção de face contra a Covid-19). Nele se anunciava à deflagração de uma operação denominada de “Lei Seca” no final de semana que passou contra aglomerações em bares, canchas de bochas e outros recintos afins, inclusive em ambientes particulares.
Muito bem. Em se tratando de um vídeo com características oficiais, pois tinha uma tapadeira que dava estas indicações, deveria o porta-voz e o vídeo, no mínimo, estarem devidamente identificados. É uma questão de origem e autoridade.
Deveria tal material também estar no site oficial do município e da própria Covid-19. Pareceu ele ser algo clandestino – e não era - e é esse tipo de comportamento da comunicação é o que deixa margem para a negação e o enfrentamento em ambiente tão conflagrado.
O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, fez um vídeo com o mesmo sentido. Só o dele bastava. Fez outro vídeo, para dizer que nada do que estava pedindo, estava sendo respeitado, o que por si só dispensa comentários.
Mais. “Operação Lei Seca?” Uai! Não há proibição de se beber e até se embriagar por causa da Covid-19, apesar de que alguns especialistas dizem que a bebida alcoólica pode contribuir para baixar a imunidade da pessoa e isso, ser um fator facilitador para se desenvolver o vírus.
“Lei Seca”, no trânsito, já há e não tem nada a ver com a Covid-19, ou o tal “aglomero” que se vê por aí, como se argumentou. Há uma legislação em vigor; é só cumpri-la. Então, qual a razão para arrumar confusões na ação e na propaganda enganosa de terror em coisas bem distintas?
No caso de Gaspar, a tal “Lei Seca” (cuja origem do termo vem dos Estados Unidos de 1920, durou 13 anos e apenas ampliou o contrabando, o vício, à clandestinidade, à sonegação de tributos e à corrupção policial como resultado dela), nada mais foi do que vigiar o cumprimento de um decreto que proibia a abertura de bares e canchas de bochas no final de semana, para exatamente interromper o aumento do contágio da Covid-19 entre nós.
A falta de criatividade da marquetagem para coisas sérias é antológica em Gaspar e neste governo. Já para criar slogan de governo que não pegaram em quase quatro anos de administração é um case de marketing a ser estudado por gente que entende do assunto.
UMA CONSTATAÇÃO
Como segundo item deste artigo, gostaria de destacar o que aparece em todos os boletins epidemiológicos diários da secretaria de Saúde de Santa Catarina. Este, especialmente, é do dia dois de agosto. Mas, a série histórica, traz as informações com as mesmas características: quem mais testa positivo para a Covid-19 são os mais jovens e os que de fato morrem, são os mais velhos.
O que é simples de se constatar e que não foge ao que já é conhecido no mundo inteiro: os jovens portam os vírus – e muitas vezes assintomáticos - e eles se safam melhor dele, na maioria nem precisando de leitos hospitalares.
Enquanto isso, mais os idosos, infectados, com menor imunidade e maior vulnerabilidade são os que pagam a conta com longas internações, incluindo UTIs, quando não com a vida.
Então não se trata de uma gripezinha.
Mesmo “presos” e com todos os cuidados nos lares, os nossos idosos estão expostos quando os jovens saem e voltam para casa quando vão trabalhar, para as baladas ou outras necessidades. Seus pais, tios, gente que compartilha aluguéis e avós ficam expostos.
Sem saber, esses jovens estão se contaminando gente com quem convivem, precisam – em muitos casos - e gostam. E com a volta das aulas presenciais, este contágio poderá se ampliar, como ficou comprovado quando se abriu a mobilidade no transporte coletivo. É uma dura realidade. É uma triste nova normalidade. É o darwinismo se estabelecendo.
Aliás, aos que ainda possuem tempo, interesse e capacidade para ler trechos densos, sugiro “Armas, Germes e Aço, os destinos das sociedades humanas”, 1997, de Jared Diamond, da editora Record, ganhador do prêmio Pulitzer.
Este gráfico do Boletim Epidemiológico de domingo do Governo do Estado. Em “Detalhamento dos casos confirmados e óbitos”, as barras mostram que quem mais testa positivo são os mais jovens e quem morre, são os mais idosos
Esta história é real. Um médio empreendedor de Gaspar notou a ausência do empregado no serviço no início da semana retrasada. Pediu para verificar o que tinha acontecido com ele. Foi informado de viva-voz de que ele estaria com suspeita de Covid-19 e por isso, estava se resguardando em casa com um atestado de 12 dias para ele, dez para a mulher e a filha do trabalhador.
- Fez o teste?
- Não!
- Então como foi que eles atestaram que você estava com suspeita de Covid?
- Eu fui no ginásio (João dos Santos) e contei que trabalhei num bico no final de semana de uma parente minha que tinha Covid, que estava com um pouco de dor no corpo...
- E os colegas aqui da empresa não contam? Se você está com Covid nós também podemos estar. Eles não orientaram nada?
- Não!
- Pelo sim, pelo não, você vai no Hospital do Pulmão, em Blumenau, faz o teste, a empresa paga e espera o resultado.
E o resultado veio: negativo.
O empreendedor gasparense está indignado.
Primeiro porque ao dar o atestado ao empregado dele, a prefeitura não comunicou a empresa para que ela, preventivamente, conhecesse o problema e também protegesse os demais empregados.
Segundo, afastou compulsoriamente um trabalhador, empregado entre tantos que perderam o emprego exatamente pelo fechamento das empresas na crise econômica provocada pela pandemia.
- Devia, ao menos, nas pessoas empregadas, aplicar os testes para não as prejudicar no emprego que ainda mantém, para não levantar nenhuma falsa suspeita, comunicar a empresa e respeitar o empregador gerador de tributos para a prefeitura”, sacou o empresário.
Para a prefeitura de Gaspar, pelo que se procedeu com este suspeito de Covid-19, a doença só se propaga entre os da casa do suposto doente. E para completar: diante de tanta despesa e escassez de mercado, um trabalhador é colocado em quarentena sem uma comprovação da doença, fazendo o empregador bancar mais esta ausência por diagnóstico superficial, no olho? No caso; foram três de uma tacada só. Incrível! Acorda, Gaspar!
A gestão de Kleber gastou tinta, tempo e dinheiro no ano passado para espalhar Brasil afora um susposto exemplo administrativo e dele os gasparenses se orgulharam
O prefeito Kleber e gente da administração, em caravana, até deram lições em outros estados e foram aplaudidos. Mas, esqueceram de fazer a mínima obrigatória lição de casa ao Tribunal de Contas em 2017 e 2018.
A foto registra a equipe de Gaspar fazendo a apresentação em setembro do ano passado num seminário no Ministério da Economia, em Brasília, em que deveriam estar presentes representantes dos mais de cinco mil municípios
A gestão de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e do prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, vive de muita marquetagem e contradições.
A marquetagem é parte do jogo dos políticos no poder de plantão. Nada contra.
Agora, desnudar as contradições deles deveria ser trabalho esclarecedor e fiscalizador da oposição e só, lateralmente, devido à minha independência e persistência como um ente social pagador de impostos em Gaspar, eu deveria transmiti-los ou comentá-los aos meus minguados leitores e leitoras – segundo o poder de plantão -, mas que se multiplicam estranha e exageradamente aos milhares, segundo eles mesmos - quando os fatos analisados aqui, repercutem e se reproduzem desfavoravelmente na comunidade.
Novamente, há uma inversão neste assunto. E a oposição, está calada. Então vamos ao primeiro fato.
Vou tomar, literalmente, o último press release do governo Kleber sobre o assunto em 2019. Foi no dia 18 de dezembro, encerrando um de vários outros expedidos ao longo do semestre. Tudo foi feito para justificar uma série de viagens, reuniões e diárias. Anunciava-se à cidade e aos cidadãos, como um grande feito da atual administração, o reconhecimento da burocracia federal que, o que se fazia aqui, era o que todos deveria fazer em todos municípios.
Incrível!
“A Prefeitura de Gaspar foi escolhida pelo Ministério da Economia para ser a precursora na implantação do projeto do Governo Federal de Excelência em Gestão com ênfase nas transferências de recursos. Desde julho, servidores da Prefeitura se preparam para aplicar o Modelo de Excelência em Gestão de Transferências de Recursos – MEG/Tr.”
E aquele press release conclui:
“Em setembro, Gaspar atraiu olhares de representantes de todo o Brasil em Brasília, no IV Fórum Nacional de Transferência de Recursos, evento realizado pelo Ministério da Economia. O case da cidade foi apresentado para representantes de diversos municípios e instituições do Brasil como exemplo a ser seguido. Os programas ‘Avança Gaspar’, ‘Gaspar É Mais Saúde’ e ‘Gecom’ foram os destaques apontados pela comissão encarregada de implantar o Modelo de Excelência em Gestão de Transferência de Recursos – MEG/Tr em Gaspar. Os programas destacados foram apresentados para a plateia, mostrando desde a concepção até os resultados já alcançados. Os servidores também apontaram recursos financeiros, captação de recursos, entre outros”.
Volto. Quem é leitor e leitora já sabe do que se trata. Já expliquei. Tudo isso, nada mais é do que preenchimento correto de formulários eletrônicos numa plataforma feita para a prestação integrada de contas das verbas federais e outras ações obrigatórias, a que estão sujeitas as prefeituras e as gestões municipais. Ou seja, fazer o certo, prestar contas daquilo que usou e gastou virou, no serviço público, uma excepcionalidade e merecedor de destaque. Impressionante. Exalta-se como se fosse um avanço extraordinário.
Esta também foi uma janela do governo Kleber para se justificar perante à população de como ele estava sendo “bem avaliado” administrativamente por Brasília, onde antes da pandemia ia todos os meses, sem divulgar agenda prévia aos gasparenses, e sem efetiva contrapartida conhecida para a cidade. Era também uma forma do secretário da Fazenda dizer que estava inovando e sendo referência nacional.
A PROVA DOS NOVE I
Segundo. Se a equipe administrativa operacional do prefeito Kleber e do secretário se focou num prêmio de reconhecimento nacional, por outro lado, ela continuou com os mesmos vícios, fraquezas e defeitos naquilo que é rotina, repito, rotina, e exigido todos os anos pelo Tribunal de Contas do Estado. Ou seja, em casa de ferreiro, o espeto continuou sendo de pau.
E por que?
Em 2018, as contas de 2017 da gestão de Kleber passaram pelo crivo do Tribunal de Contas, mas já tinham pistas de correções no parecer técnico. Entretanto, lá, como se argumentou à época, era até compreensível! Era o primeiro ano de governo Kleber e pegaram uma “máquina andando” e como se desculpou na época quando observados pelo Tribunal, ela estava cheia de pegadinhas do governo anterior, o do petista Pedro Celso Zuchi.
Mas, as contas de 2018 já são completamente da equipe e do governo Kleber. E elas passaram por novos reparos do TCE. Alguns deles, o próprio Kleber já tinha prometido não repetí-los. Há três semanas, numa sessão remota, as contas de 2018 de Kleber foram aprovadas por unanimidade na Câmara, numa votação vapt-vupt; nenhum reparo; nenhum comentário. A recomendação de aprovação era do próprio TCE, apesar das ressalvas.
Desta vez, Kleber não falou nada aos vereadores. Deve ser de vergonha. Apenas a controladora geral, Juliana Muller Silveira, por ofício, deu explicações para complementar o extenso relatório – por seu uma matéria técnica e complexa - do vereador governista Silvio Cleffi, PP.
O vereador, os assessores da Câmara e seu assessor, Itauby Bueno de Moraes, não entraram nos detalhes das inconformidades apontadas pelo TCE. Preferiram, mais uma vez, dar crédito ao governo de que aos erros. Os que elaboraram o parecer favorável foram superficiais, evitaram a controvérsia e preferiram acreditar que tudo está corrigido, ou em processo de correção, normalização ou normatização.
Antes de prosseguir e concluir. O que significa tudo isso?
Que o governo de Kleber é um estado de propaganda permanente para a cidade, os analfabetos, ignorantes e desinformados, bem como ao grupo que se alimenta no poder na estrutura de cata votos.
E por que? Ora, quem consegue ser exemplo nacional no lançamento de dados e prestação de contas, não consegue fazer o básico e rotineiro no controle e exposição das suas contas para o Tribunal de Contas de Santa Catarina, e pelo segundo ano consecutivo, depois de prometer que não cometeria as mesmas inconsistências? Ou o foco está errado, ou a equipe é ruim, ou a gestão é temerária, ou estão confiantes de que para tudo há sempre um jeito político na burocracia, inclusive naquilo que é essencialmente técnico.
Do nada, inventaram um palanque para que eu pudesse mostrar mais uma vez as contradições e incoerências do governo eleito Kleber e do de fato, de Carlos Roberto Pereira, os quais não sabem mais o que fazer para que eu pare de mostrar esta dualidade que desmancha à falsa marquetagem.
PROVA DOS NOVE II
O que disse o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina à Câmara, com todas as letras e cópia ao prefeito Kleber e sua equipe no parecer prévio 31/2019?
Que do ponto de vista legal houve “atraso na remessa da Prestação de Contas do Prefeito” e “ausência de remessa do Relatório do Órgão Central do Sistema de Controle Interno, em descumprimento ao artigo 51 da Lei Complementar n° 202/2000 c/c o artigo 7º, inciso II da Instrução Normativa N.TC-20/2015”. Agora repara esta informação do mesmo relatório: “Registra-se que foi enviado no lugar deste supracitado Relatório, o Relatório do Órgão de Controle Interno sobre a Prestação de Contas de Gestão [Anexo VII da IN N. TC-20/2015], conforme fls. 219/235 do processo”.
Resumindo e volto a insistir na mesma tecla: quem faz marquetagem e dá lição aos outros mais de cinco mil municípios brasileiros, pode se descuidar e ser tão displicente com o básico, naquilo que é rotineiro e obrigatório anualmente enviar eletronicamente ao TCE? Nenhum press release explicativo, nenhum ofício do prefeito ao relator ou à Câmara se explicando. Claro isso, não é uma falta grave, mas depõe contra a imagem marqueteira da perfeição que se vende aos desinformados.
Querem mais? Tem muito mais. Mas, vou destacar mais duas que o próprio Tribunal classifica de “restrições regulamentar”: “Ausência de encaminhamento do Parecer do Conselho Municipal de Saúde e igualmente do Parecer do Conselho Municipal do Idoso”.
A Controladora explicou no ofício que enviou à Câmara que os relatórios de prestação de contas ao Tribunal foram remetidos para endereços eletrônicos invertidos, ou seja, desatenção basilar para quem quer ser professor dos outros e exemplo para os demais municípios brasileiros.
Perguntar no básico também não ofende com o monte de gente contratada em cargo em comissão: ninguém confere? Envia-se e dane-se até ser chamado de relapso? É isso?
Já os pareceres dos Conselhos foram remetidos, mas, vejam só, apenas com a assinatura dos respectivos presidentes. “Esqueceram” das assinaturas dos conselheiros. Ou seja, ainda não tinham entendido até então, o básico significado de Conselho, ou seja, que é algo coletivo e de maioria, e não de uma só pessoa, como se fosse um documento para cumprir uma exigência legal e burocrática.
E o resto das recomendações e observações? É algo longo, técnico, enfadonho e repetitivo. É para outra oportunidade.
Se a gestão de Kleber continuar focada na marquetagem de coisas não essenciais, ele ainda vai se complicar naquilo que repercutirá no mandato, na imagem, na eleição de 15 de novembro e na avaliação técnica e jurídica da sua administração por instituições obrigadas a isso, como o Tribunal de Contas. Aliás, ele já colocou as lupas contra o que se faz aqui e não é de hoje. Acorda, Gaspar!
O governador Carlos Moisés da Silva e sua vice Daniela Cristina Reinerh, ambos do PSL, mas para a vice, só de fachada, deviam contratar o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, para ensiná-los como enterrar uma CPI regimentalmente, para não se discutir o objeto da CPI
A CPI contra o governador é essencialmente política e até leigos sabem disso e podem deixam a nu os próprios deputados e lideranças que a manobram. Aqui, todos sabiam – até os leigos - dos erros e dúvidas técnicas das obras de drenagem da Rua Frei Solano, mas políticos abafaram tudo. E são eles também que estão pagando a conta.
Um leitor especial e comentarista aqui está no estaleiro. Odir Barni, 73 anos, ex-contador de Gaspar, ex-fundador e ex-primeiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Gaspar –Sintrapusg – acaba de dar um susto aos familiares e amigos. Está internado no Hospital Azambuja, em Brusque.
Aposentado, mas trabalhando na prefeitura de lá, Odir sofreu um enfarte na quinta-feira em casa. Lúcido, está em processo de estabilização para o cateterismo que fará no Hospital Santa Isabel, em Blumenau, nesta semana. A sua família atesta que ele está bem e lendo a coluna.
E por falar em Sintraspug, ele está de presidente novo. O eleito Jovino Emir Masson se aposentou do serviço público e como reza o estatuto do Sindicato, ele tem que sair do comando. No lugar está presidente, o vice Jeferson Debus, ligado ao PT.
Jeferson já mandou ver logo de cara e diante das crescentes denúncias de pressões e perseguições de funcionários públicos municipais, pela máquina de votos que está no poder de plantão.
Num vídeo que fez circular nas redes sociais e aplicativos de mensagens para os servidores, Jeferson anuncia a criação de um espaço para “que o servidor possa fazer com agilidade, segurança e garantia de sigilo, denúncias direto ao Sintraspug quanto à irregularidades e abusos encontrados no seu ambiente ou relação de trabalho”.
Como o medo e as dúvidas tomaram conta dos servidores nos últimos meses, onde nada prosperava na defesa deles, Jeferson se apressou em esclarecer de que a identificação do denunciante será preservada. No próprio site, há um canal de denúncia.
Após o registro da denúncia, o Sintraspug analisa, caso a caso, podendo inclusive, segundo Jeferson, o presidente ir pessoalmente verificar as denúncias e não se descartando de explorar o caso perante a opinião pública se não houver soluções.
Que está a fim de resolver e defender o servidor, não precisa antecipar ameaças para que os abusos se sofistiquem e contra o servidor e em muitos casos contra a sociedade que é quem paga esta alta conta.
Perguntar, não ofende: mas esta não era uma das funções basilares do Sintraspug a proteção do servidor? Por que deixou-se chegar a este ponto? Não liam esta coluna? Qual a garantia de que o servidor estará protegido, inclusive dos esquemas de hacker? A ideia é boa, necessária, mas além de atrasada, ela está cercada de receios, conforme opinião expressada por servidores com os quais tenho contatos.
Uma foto que correu os aplicativos de mensagens, mostra um morador de rua, com as calças arriadas, defecando nos canteiros da prefeitura na Praça Getúlio Vargas à vista de todos. Há várias leituras para esta cena com a realidade do local.
Os aplicativos de mensagens – porque nas redes estão sendo os denunciantes ameaçados pessoalmente e até de processos na Justiça pelos políticos, poderosos da cidade e do poder de plantão - estão inundados de provas de troca de favores de candidatos com eleitores nos cantões da cidade.
Se a lei eleitoral for aplicada de verdade, se a promotoria e a Justiça Eleitoral funcionarem como deveria ser, vai faltar candidatos em Gaspar nas próximas eleições de 15 de novembro. E a maioria é de quem apoia o poder de plantão.
O uso de máscara facial é algo tão simples, qual a razão para certas pessoas insistirem sem elas em ambientes públicos?
O que fazia o micro-ônibus da Assistência Social de Gaspar, sábado, por volta das 19h, rodando em direção a Blumenau?
O governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, precisa primeiro pedir exemplo aos seus. No sábado à noite ele gravou um vídeo mostrando o seu desconsolo em relação ao pedido que se fez para não haver reuniões e aglomerações no final de semana. Era um depoimento daquilo que viu nas blitzes nas quais ele próprio participou.
Nas áreas de comentários dessas postagens oficiais, sem filtros para impedi-la, a reação dos munícipes mostra o quanto está desgastado o prefeito e como não consegue liderar um processo de compreensão mínima da gravidade da doença entre nós e contra a economia da cidade e a vida das pessoas.
Enquanto Kleber pede e inconsolavelmente reclama, as redes sociais e aplicativos de mensagens registravam apoiadores seus, participantes do governo, que foram diagnosticados com Covid-19, sassaricando no bairro em que moram, ao invés do isolamento a que estavam obrigados. Se dentro do governo não há exemplo, como pedi-los à população?
São essas repetidas incoerências que estão levando, e de há muito, como sempre registro aqui, o desgaste do atual governo, que partiu para a intimidação, constrangimento e até processos aos seus críticos. Quem se quer calar? Deviam agradecer, pois se trata de uma pesquisa aberta.
Na sexta-feira eu republiquei na coluna feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale – com 30 anos de circulação - que ficou disponível no portal, a foto do dia da comemoração da eleição de Kleber Edson Wan Dall, MDB, em outubro de 2016. Um especialista, listou pelo menos duas infrações graves naquela foto.
O condutor e o passageiro não usavam cinto de segurança; transportar passageiros em compartimento de cargas, incluindo o prefeito. Isso daria R$488,70 em multas e 12 pontos na carteira, com a recolha do veículo ao pátio da Ditran... Vista grossa da Ditran da época. Era as boas-vindas ao novo governo. Acorda, Gaspar!
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