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A parte ruim, esconde-se. Mas é esta justamente a que deixa o governo Kleber exposto e que ele precisaria corrigir - Jornal Cruzeiro do Vale

A parte ruim, esconde-se. Mas é esta justamente a que deixa o governo Kleber exposto e que ele precisaria corrigir

31/07/2019

Mas, prefere se autoenganar e culpar os adversários

Há poucos dias, a prefeitura de Gaspar divulgou que ela estava em 38º lugar entre 175 municípios brasileiros do corte amostral de 50 a 100 mil habitantes. É o tal Índice de Governança Municipal criado em 2016 pelo Conselho Federal de Administração. O trabalho foi baseado em dados compilados do IBGE e se refere ao que se apurou em 2018. O índice de Gaspar foi de 7,53 contra 8,92 da melhor cidade no seu grupo, Votuporanga-SP.

Olhando-se de pronto, ele não é ruim. Mas, o diabo mora nos detalhes. E eu fui visitá-lo, mais uma vez.

Para se chegar a este índice, usou-se três grandes variáveis: Finanças, Gestão e Desempenho. E qual comprometeu o desempenho de Gaspar? O de Finanças com de 6,55. E o que está dentro desse grupo denominado de Finanças? Receita própria, capacidade de investimentos, gastos com pessoal, liquidez, dívida, investimentos em educação e saúde.

Mas o que levou à lona Gaspar neste índice? O mau desempenho no investimento per capita em saúde e educação, com índice de 4,71. Bingo! Estou mais uma vez de alma lavada. Nada como um dia após o outro. Ou seja, o tempo é o senhor da razão.

E era preciso fazer esse levantamento nacional técnico e independente? Era! Porque ele atesta o que sempre escrevi, o que as redes sociais que enfrentam à fúria dos que estão no poder de plantão sempre se queixaram e o que a oposição na Câmara vem denunciando: o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, além do insuficiente, investe mal em saúde e educação.

Resumindo: o senhor das obras cuida mal das pessoas e são elas que se queixam, que votam. Simples assim.

Tanto que Gaspar possui um hospital que ninguém sabe de quem ele é, mas está sob intervenção há anos comendo dinheiro da prefeitura. Mesmo assim, seus problemas continuam tão graves como antes como relatam frequentemente as redes sociais, o jornal e o portal Cruzeiro do Vale. E o seu diretor, insiste nas redes sociais, que o problema não é o hospital é o jornal. Ou seja, o culpado é quem dá a notícia, não quem a gera.

E para complicar o que atestou o Índice de Governança Municipal, os postinhos de saúde estão com filas para o mínimo, com falta de médicos, enfermeiros, remédios, apesar da diminuição no ano passado das filas no atendimento das principais especialidades, bem como no que tange a exames laboratoriais e de imagens. Fizeram um mutirão para apenas ganhar fôlego e não ser afogados às vésperas da campanha eleitoral.

O melhor indicador de que a Saúde de Gaspar está doente é a troca de quatro titulares da pasta em dois anos e meio. E a primeira a cair, foi a única técnica indicada para a área.

RECALCITRANTE

E não me digam que estes baixos índices são resultados que antecedem a ida do prefeito de fato, o advogado Carlos Roberto Pereira e presidente do MDB local, para a transitoriedade na secretaria da Saúde, antes dele retornar para a secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa que criou para ser o titular na cara reforma administrativa. O índice de Governança Municipal é sobre os números de 2018, ou seja, quando ele estava à frente da pasta da Saúde e naquele período se instalou os tais mutirões.

E a educação? O baixo investimento per capita do Índice fala por si só. Faltam vagas nas creches e que veio na “solução” atravessada de meio período para disfarçar o baixo investimento na área. Mas, faltam contra-turno, período integral para se ter educação de verdade. Tudo é tema para “economia” de dinheiro no caixa da prefeitura. E para que? Fazer obras que possam se tornar cartão postal do governo Kleber à reeleição. O Índice de Governança Municipal mostra que o tiro poderá sair pela culatra, pois atinge os mais vulneráveis e uma massa mais sensível e maior de eleitores.

Nada disso é um acidente. Basta ver o que aconteceu na segunda-feira quando se inaugurou o prédio da Escola Olímpio Moretto. Foi um apenas um ato político-eleitoral e punições públicas aos que não estão alinhados com o poder. O ato, devia ser de cidadania, mas...

UM DIAGNÓSTICO PREOCUPANTE PARA QUEM ESTÁ EM CAMPANHA PARA A REELEIÇÃO

O que significa tudo isso? Que os gasparenses mais humildes têm razão em reclamarem, mesmo não tendo acesso as mídias sociais e aos aplicativos de mensagens para “falar” em grupo com o prefeito, mas com os filtros da propaganda e da assessoria de comunicação.

E precisava? Basta olha apenas as dezenas de indicações semanais dos vereadores. E nem deviam olhar os da oposição que dizem que só reclama, mas dos próprios vereadores da base. É um retrato de como se relega o básico e se exaltam as obras com defeitos de planejamento e execução, além das dúvidas.

Enquanto Kleber vende grandes obras e que se arrastam por problemas crassos de planejamento, execução e dúvidas administrativas, vai sendo engolido no básico, naquilo que é sensível à maioria da população, seus eleitores de baixa renda: saúde e educação.

Kleber e seu grupo liderado pelo prefeito de fato Carlos Roberto Pereira – presidente do MDB - vivem em permanente negação contra à realidade, às críticas, ao óbvio e aos resultados, tramando alianças para eliminar o maior número de adversários e se impor por vinganças quando há divergências pelo poder, pela crítica, pelos partidos fora da aliança de poder, ou pessoal. Falta ao atual governo, foco e equipe, esta aliás, construída só para atender ajustes políticos.

O grupo que está no poder de plantão – e que posa de vítima e perseguido em algumas ocasiões - que não dá conta da função de responsabilidade no Executivo - é tão descuidado que se mete onde não é e não é à sua área, o Legislativo. Lá já perdeu duas vezes com o candidato que “indicou” para a presidência da Câmara. Perdeu tempo, perdeu energias, arrumou problemas e ficou exposto politicamente na comunidade, ao invés de focar em resultados para a cidade e seus cidadãos.

A nova área de comunicação da prefeitura – especializada em campanha eleitoral - preferiu insistir no erro. Alardeou o que foi bem no Índice e os veículos de comunicação engoliram. Escondeu à fragilidade bem clara dos índices e que realço neste artigo. Fez o papel dela. Mas, se este é o papel que os que estão no comando da prefeitura também estão fazendo, estão, na verdade, se auto-enganando. Se não mudar, vão ser mudados e os índices de investimento per capita em saúde e educação são indícios onde estão as fragilidades do atual governo e às oportunidades dos que quiserem disputar o governo no ano que vem.

Falta apenas um ano para começar a reta final da campanha. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Atestado I. O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi ontem à sua rede social convidar o povo da Rua Frei Solano para a assinatura hoje às sete da noite de um papelinho: é a ordem de serviço para, finalmente, asfaltar aquela via, depois de impor meio ano de sacrifício aos moradores e comerciantes de lá.

Atestado II. Kleber disse que o asfalto faz parte da terceira e última etapa da obra de reurbanização da Frei Solano. Primeiro foi a drenagem e segundo, a nova rede do Samae. Lavou a alma dos críticos. Desmanchou o próprio discurso de vítima. Atestou que sua equipe não sincronizou nada.

Atestado III. O que Kleber não disse – sabe e esconde - é que o asfalto está saindo só agora, porque, por falta de planejamento da secretaria de Obras e Serviços Urbanos, a prefeitura fez a licitação do asfalto com atraso e desconectada da obra de drenagem. É a mesmíssima coisa que está acontecendo com a Rua Itajaí. Uma coisa, não casa com a outra.

Atestado IV. Até semanas atrás, ele e os seus, culpavam os vereadores da oposição por esse atraso. Era uma jogada para se livrarem dos próprios erros. É que os vereadores da oposição estão atrás do projeto e das dúvidas da drenagem enterradas por barro e daqui a pouco, por asfalto e que já podia estar pronto há muitos meses se não fosse a pixotada da prefeitura.

Um retrato de Gaspar. A Rua Heldo Florentino Wan Dall, que liga o Distrito do Belchior a Blumenau via o trevo do Bairro Fortaleza, um dia foi calçado e sobre o paralelepípedo, um dia foi colocado asfalto.

O pequeno trecho da rua quase não possui calçadas em ambos os lados, é uma buraqueira permanente por várias situações. E na prefeitura, ninguém sabe dizer se existe algum projeto – e se existe não está arquivado nas secretarias de Planejamento Territorial ou a de Obras e Serviços Urbanos – bem como, o que está enterrado naquela rua.

A saúde pública que nunca saiu do buraco, aos poucos está voltando ao quadro que levou ao pior desgaste do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Estão de volta às filas aos postos de saúde. No Jardim Primavera, uma área carente do Bela Vista, essa espera é, simplesmente, de um ano.

Nada como um dia após o outro para lavar a minha alma naquilo que é óbvio. A ex-vice-prefeita e hoje vereadora, Mariluce Deschamps Rosa, PT, disse não entender a razão para tanta viagem dos nossos políticos a Brasília para buscar verbas federais, exatamente as dos deputados nas suas emendas parlamentares, as quais criaram para exatamente atender às suas bases políticas em troca de apoios e votos.

Para ela, e está certa, esses mensageiros, estão gastando o dinheiro do povo, quando se sabe que os deputados – e senadores – possuem aqui em Santa Catarina escritórios políticos – pagos pelos impostos de todos - para encontros e encaminhamentos desses pedidos. E como exemplo, citou o ex-deputado Décio Neri de Lima, PT, que fazia esse serviço para Gaspar via o seu escritório de Santa Catarina.

Perguntar não ofende: então o que fazia mensalmente o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, em Brasília? Isto sem falar naquela consultoria de um escritório especializado feito de companheiros e que fazia parte desse trabalho na Capital Federal. Ai, ai, ai.

O deputado Federal, Luiz Armando Schroeder Reis, PSL, conhecido como Coronel Armando cumprirá uma agenda amanhã em Gaspar. Vem para contatar entidades como a Acig, Ama, CDL, Rede Feminina de Combate ao Câncer, Hospital. Vem segundo ele, conhecer as prioridades daqui. Na programação também está uma visita à Ceramifix e uma ida a diversos órgãos comunicação da cidade.

Em termos de deputados Federais, o município Gaspar parece estar bem servido. Tem o Rogério Peninha Mendonça, MDB, do esquema no poder de plantão político e que entrou na rabeira entre os 16; além de Carlos Chiodini, MDB; Ângela Amim, PP; Carmem Zanoto, Cidadania; e Giovânia de Sá, PSDB, os mais identificados com os cabos eleitorais e partidos daqui.

Poucos municípios têm essa representação tão densa, ainda mais sabendo-se que todos os municípios são dependentes da montanha de emendas parlamentares no Orçamento da União. Mas, há gente em Gaspar, que acha que o Coronel Armando é de Joinville e por isso "não poderia" circular por aqui.

Parece implicação minha, mas foi isso que ouvi de duas fontes ligadas ao poder de plantão na defesa de se fechar o curral eleitoral daqui. Perguntar não ofende: quais dos outros deputados federais são de Gaspar? Peninha é de Ituporanga; Chiodini, de Jaraguá do Sul, Ângela, de Florianópolis e quiçá de Indaial; Giovânia, de Criciúma e Carmem, de Lages.

Esses políticos de Gaspar são mesmos estranhos. Não aprenderam nada com os resultados das urnas em outubro do ano passado. Vão passar vergonha mais uma vez. Como diria um manezinho ao ouvir esse conto: "tais tolo, tais?" Acorda, Gaspar!

 

Comentários

Miguel José Teixeira
01/08/2019 22:22
Senhores,

Já vivemos uma ditadura verde.
Já vivemos uma ditadura vermelha.
Agora, parece-me, que estamos diante de uma ditadura formada pelas cores vermelho(magenta), amarelo e azul (ciano). . .
"Deus seja louvado"
Como estamos num país laico, porém no plenário do STF existe um crucifixo, símbolo máximo religioso, então, como diria a madre superiora "estamosfu". . .
Herculano
01/08/2019 15:09
da série: tem a gente que é intocável perante a lei

ANTIGO RELATOR, PRESIDENTE DO TCU DECRETOU SIGILO E CONSIDEROU "FALTA DE SENSATEZ" AUDITORIA EM PASSAGENS NO STF, por Diego Amorim, em O Antagonista

Antes de o processo sobre a farra das passagens no STF ir parar na mesa do ministro Raimundo Carreiro, o relator no TCU era José Múcio Monteiro, que teve de deixar o caso para assumir a presidência do tribunal de contas, em dezembro do ano passado.

O Antagonista teve acesso com exclusividade ao voto de Monteiro, que foi concluído seis dias antes de sua posse como presidente, sem tempo hábil de ser apreciado.

Boa parte da decisão de Monteiro contrariava as recomendações feitas pelos auditores e, portanto, o resultado seria bem diferente do de ontem, quando o plenário acabou acatando o voto de Carreiro e determinou o fim de vez da farra das passagens - até para mulheres de ministros na primeira classe - e orientou o Supremo a dar ampla publicidade a esses gastos.

No voto que não prosperou, Monteiro argumentou que os ministros do STF não podem ser enquadrados nas mesmas regras de outros agentes públicos e, por esse raciocínio, não questionou as passagens pagas pela corte em ocasiões em que os magistrados são convidados para dar palestras ou aulas magnas.

"Falta sensatez, segundo penso, na tentativa de enquadrar na mesma regra, ou no mesmo alcance, o cargo de ministro do STF, que tem natureza eminentemente representativa da instituição, com outras funções públicas que não requerem exposição ininterrupta", dizia, em seu voto, o hoje presidente do TCU.

E mais:

"Um ministro do STF não se limita a representar a Corte Suprema em missões precisamente definidas. Na realidade, onde estiverem, queiram ou não, os ministros são a indelével expressão do STF, pois têm a vida intensamente associada ao cargo que exercem. São verdadeiramente 'pessoas públicas', que não têm a liberdade de, nem momentaneamente, se desligarem dos deveres do cargo."

Ao discordar das recomendações da área técnica, que apontou "desvio de finalidade" na farra das passagens, Monteiro também alegou ser "positivo para o STF e para a sociedade que os ministros estejam constantemente a levar o seu conhecimento e divulgar aspectos do sistema jurisdicional pelo País, independentemente de eventos pré-selecionados, em vez de ficarem confinados na sede da Corte e sem contato com a população". No entender de Monteiro, conclui-se, não há qualquer irregularidade no fato desse vaivém dos magistrados, no Brasil e no exterior, ser financiado com dinheiro público.

Monteiro ignorou que, até 2005, por exemplo, por mais incrível que pareça, o STF emitia bilhetes para ministros em período de recesso ou licença médica. Mensalmente, cada um dos 11 integrantes da corte ganhava uma passagem de ida e volta de Brasília para qualquer cidade do país, sem padrão de valor e em viagens não vinculadas a objeto de serviço. Quando presidente do STF, Nelson Jobim instituiu uma cota de 31 mil reais por ministro nessa farra das passagens, valor que, com atualizações, chegou a 42,8 mil reais.

Na conclusão de seu voto não apreciado, o atual presidente do TCU, sem explicar o porquê, determinava, ainda, que o processo em questão e todos os documentos referentes a ele ficassem em sigilo pelo prazo de cinco anos.

Ontem, porém, como já registramos, após uma série de publicações sobre o assunto neste site (veja aqui), o novo relator, Raimundo Carreiro, retirou o sigilo do caso e, em menos de cinco minutos, em sessão aberta, os ministros decidiram em consonância com as recomendações dos auditores. José Múcio Monteiro, como presidente, não se manifestou.
Herculano
01/08/2019 15:03
da série: quando o MP atua, via inquérito, produz resultados contra as dúvidas dos gestores públicos

EX-PREFEITO, EX-PRIMEIRA DAMA E VEREADOR DE ARAQUARI SÃO CONDENADOS POR IMPROBIDADE

Texto da assessoria de imprensa do MPSC.Ação do MPSC mostra que eram organizadas viagens de lazer para idosos às custas do Município, das quais também participavam a então primeira-dama e o vereador, que na época ara o gestor do Fundo Municipal de Assistência Social.

O ex-Prefeito de Araquari, João Pedro Woitexem, a sua esposa, Maria Neuza Ribeiro Woitexem, e o ex-gestor do Fundo Municipal de Assistência Social e atualmente Vereador de Araquari, Cristiano Bertelli, foram condenados pela Justiça pela prática de improbidade administrativa. Eles foram penalizados com suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 5 a 8 anos, proibição de contratar com o poder público prazo de 5 a 10 anos e multa, além do dever de ressarcir integralmente o dano causado ao erário.

Em 2013, o Ministério Público ajuizou ação civil pública porque os agentes citados, entre os anos de 2011 e 2013, organizaram viagens de lazer para a cidade de Piratuba para grupos de idosos pagas pelo município, que arcou com as despesas de alimentação, hospedagem e diversão, além de serem utilizados os veículos e motoristas da prefeitura para o transporte. Além dos idosos, participavam das viagens servidores públicos e particulares, inclusive a ex-primeira dama e o ex-gestor do fundo municipal.

Na sentença, o Juízo da 2ª Vara da Comarca de Araquari destacou que João Pedro Woitexem, na qualidade de Prefeito, "permitiu que particulares e servidores municipais utilizassem bens/valores integrantes do acervo patrimonial do Município sem observância das formalidades legais". Já Maria Neuza foi a responsável por organizar as viagens, concorrendo dessa forma para o desvio das verbas públicas. Finalmente, Cristiano Bertelli, na qualidade de gestor do Fundo Municipal de Assistência Social, autorizou o pagamento das despesas e também usou em proveito próprio e da família os bens e valores pertencentes ao município de Araquari.

O ex-Prefeito foi condenado ao ressarcimento integral do dano causado, multa no mesmo valor, e suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o Poder Público por cinco anos. Já Maria Neuza e Cristiano Bertelli foram condenados ao ressarcimento integral do dano causado, multa no valor da vantagem patrimonial obtida, suspensão dos direitos políticos por oito anos e proibição de contratar com o Poder Público por 10 anos.

"A malversação de dinheiro público é grave e não pode ser tolerada, de modo que o Ministério Público vai continuar atento para combater desvios cometidos no passado e no presente pelos gestores públicos", ressalta o Promotor de Justiça Leandro Garcia Machado, que atualmente responde pela 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Araquari. A sentença é passível de recurso. (ACP n. 0002359-08.2013.8.24.0103).
Herculano
01/08/2019 11:09
SÍNTESE, O PARLAMENTO É A CARA DA SOCIEDADE BRASILEIRA, por Itamar Garcez, em Os Divergentes

Maus são os políticos. Bons são os brasileiros. Aparta-se um grupo de outro & fica a certeza irrefletida e repetitiva de que, não fossem os parlamentares, nossos problemas estariam resolvidos

Poucos consensos são tão enraizados no Brasil como o de que o Congresso Nacional não representa a sociedade brasiliana. No século XXI, até aqui a era dos dissensos extremos, isto não deixa de ser intrigante.

Esta certeza, espraiada por jornalistas e cientistas políticos, estriba-se num silogismo. De acordo com uma das premissas, parlamentares só agem visando seus próprios interesses.

Se atuam apenas em proveito próprio, nada de bom ou proveitoso geram para a sociedade. Avanços legislativos reconhecidos e que têm melhorado a vida brasiliana seriam, por esta visão, conquista exclusiva do eleitorado.

Eis a lógica aparente. Os parlamentares só agem em proveito próprio. Quem só age em proveito próprio não representa os interesses dos demais. Logo, parlamentares não representam o povo que os elege.

Lógica do paternalismo

Premissas equivocadas ou mal construídas geram novos enganos. Adota-se como inconteste que a maioria do povo nativo é honesto e trabalhador, qualidades inexistentes nos políticos. Novamente, a mesma conclusão: parlamentares não representam os eleitores.

Amplamente aceitas como verdades, estas conclusões também servem para justificar nossa robusta desigualdade social e nossa atávica corrupção institucional. Funciona, também, como autocomisseração, que pode ser chamada de lógica do paternalismo.

Não evoluímos, apesar de sermos um povo honesto e trabalhador, por causa dos políticos. Vista de outra forma, se não avançamos rumo à sociedade de igualdade de oportunidades e da justiça social, a culpa não é nossa.

Adotamos, assim, a lógica do paternalismo, onde nossas mazelas nunca são responsabilidades dos cidadãos, mas do Estado. O mal não é humano, é estatal.

Ergue-se uma sociedade onde as responsabilidades por tragédias e malfeitos não são individualizados. O Estado, gerido pelos políticos, é o culpado de tudo.

Por inferência, o Estado torna-se também nosso único ou principal provedor. Se o Estado nada provê, nada tenho. Ou: tudo do Estado dependo.

A mesma premissa justifica a ladroagem. Se tomo do Estado, tomo o que é meu. Quantas vezes não ouvimos: o que é público, se não é de ninguém, é de todos?

O Estado é meu provedor

Chegamos, então, a outra premissa quimérica, mas igualmente aceita como verdadeira.

Elegemos livremente nossos parlamentares pelo voto secreto, direto e universal há 30 anos. O Parlamento é erigido por meio de eleições - em 2018, 90,6 milhões de votos para os deputados federais & 155,9 milhões para os senadores (dois votos por eleitor).

Como a cara multiforme do que sai das urnas não nos agrada, renegamos a obra fruto de nossa vontade ?" haja vista às hodiernas críticas ao Congresso Nacional recém-eleito. Enfim, o Parlamento é eleito, mas não representa os brasileiros.

Esta esquizofrenia política evidencia nossa tendência paternalista, que deposita no poder do Estado todas nossas expectativas. Maximizamos o Estado como único provedor.

"O Estado, gerido pelos políticos,
é o culpado de tudo.
O mal não é humano, é estatal".

Encarnamos o salmo 23, numa versão laica. O Estado é meu provedor; nada me faltará.

Do outro lado, reduzimos o livre arbítrio dos indivíduos, tornando-os sobremaneira dependentes do desígnio estatal. Minimizamos as iniciativas das pessoas, como se terceirizássemos erros e acertos.

Círculo desvirtuoso

Equívocos são prenhes em equívocos, parafraseando a prosa machadiana. Daí surge nova quimera.

Quando o Parlamento não age a contento, culpa dos políticos. Quando acerta e atende a vontade popular, mérito dos eleitores.

De raízes defeituosas brotam conclusões arrevesadas, como a que justifica os acertos dos políticos pela pressão da opinião pública. Ou seja, agir em conformidade com a vontade popular, essência do Parlamento democrático, torna-se defeito.

Toda esta cômoda justificação sustenta duas conveniências. O problema não somos nós, os brasilianos; são os políticos, os adventícios que pousam sobre as meias-esferas de Niemeyer como anjos do mau.

Donde se extrai uma segunda conveniência. Todo o mal emana do Parlamento, portanto, não há delito popular.

Eis o círculo desvirtuoso. Num primeiro momento, isentado de responsabilidade, o povaréu acomoda-se.

Num segundo momento, atenta contra nossa teimosa democracia. Se de nada serve o Parlamento, para que preservá-lo? Flerta-se com o imponderável autoritário.

Tantas certezas nos impedem de encarar nossa imagem refletida no espelho. Se o fizéssemos, veríamos o Parlamento como reflexo de nossas mazelas.

Dissiparíamos, então, a miragem de que os parlamentares são fruto de geração espontânea. Referindo-se ao Parlamento, Rodrigo Maia, um dos adventícios que habita a Esplanada, resumiu em frase certeira: "Aqui está a síntese da sociedade brasileira".
Herculano
01/08/2019 11:04
OVO E GALINHA

De Guga Chacra, da Globonews, no twitter:


Alguns dizem que, no Pará, eram bandidos matando bandidos. Ainda assim, a decapitação de 16 prisioneiros é algo impensável em democracias europeias ou no Canadá. Este método de matar é comum em nações como a Arábia Saudita ou regiões controladas pelo ISIS

VOLTO.

Guga, inteligente que é mas a usa para transferir responsabilidades, não deve desconhecer que isso é fruto (resultado) de anos da degradação da Justiça, das polícias, dos políticos e dos governos contra a Lei e os cidadãos. E não é exatamente deste governo, como insinua.
Herculano
01/08/2019 10:58
da série: qualquer semelhança com fatos ocorridos em Gaspar, não é coincidência. É método

De Mário Sabino, editor da revista eletrônica Crusoé, no twitter:

Eu adoro ouvir os cúmplices de hackeadores encherem a boca ao falar de Constituição, enquanto fuçam em correspondência alheia.
Miguel José Teixeira
01/08/2019 10:53
Senhores,

Desceriam as supremas lagostas do "céu de Brigadeiro" ao "mármore do inferno"?

Provavelmente sim! Desde que a adega do satanás estivesse abastecida com vinhos tetrapremiados internacionalmente. . .

". . . a concessão de passagens, entre 2009 e 2012, em primeira classe, para cônjuges dos ministros. . ."

Fonte: Correio Braziliense, 01/08/19, Política, por Jorge Vasconcellos)

"O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o STF dê publicidade e restrinja o uso de bilhetes aéreos por parte dos ministros, servidores e colaboradores da Corte. Segundo o tribunal, há irregularidades no uso do benefício, como a concessão de passagens, entre 2009 e 2012, em primeira classe, para cônjuges dos ministros. Ao TCU, a Corte disse que o problema foi sanado por uma resolução que entrou em vigor em 2015. Mas a equipe técnica do TCU encontrou outras irregularidades, como a ausência no site do Supremo de informação sobre o uso dos bilhetes. Os técnicos também avaliaram que houve uso indiscriminado do benefício, como a compra de passagens, com dinheiro público, para que os integrantes da Corte exercessem atividades de magistério."
Herculano
01/08/2019 08:55
BOLSONARO E DAMARES TROCAM INTEGRANTES DA COMISSÃO SOBRE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS

Mudança ocorre dias após órgão declarar que Fernando Santa Cruz, opositor do regime militar, foi morto pelo Estado. Presidente tem afirmado, sem apresentar provas, que militante foi assassinado por organização de esquerda.

Conteúdo do portal G1. Texto de Vitor Sorano e Felipe Néri, de Brasília.O presidente Jair Bolsonaro trocou quatro dos sete integrantes da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. A alteração foi publicada no "Diário Oficial da União" desta quinta-feira (1º), com a assinatura do presidente e da ministra Damares Alves, da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

A mudança ocorre uma semana após o colegiado emitir documento que atesta que a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, se deu de forma "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro".

Na última segunda-feira (29), Bolsonaro afirmou que "um dia" contará ao juiz que preside a OAB como o pai dele desapareceu na ditadura militar. "Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele", disse.

Horas depois, o presidente afirmou, sem apresentar provas, que a morte foi causada pelo "grupo terrorista" Ação Popular do Rio de Janeiro, e não pelos militares. Na quarta-feira, o presidente da OAB acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que Bolsonaro conte o que diz saber sobre o pai dele.

De acordo com o decreto publicado nesta quinta-feira, estas são as alterações feitas na composição da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos:


Marco Vinicius Pereira de Carvalho substitui Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, atual presidente do colegiado
Weslei Antônio Maretti substitui Rosa Maria Cardoso da Cunha
Vital Lima Santos substitui João Batista da Silva Fagundes
Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro substitui Paulo Roberto Severo Pimenta
Presidente da OAB pede ao Supremo que Bolsonaro se explique

Substituto é assessor de Damares
O novo presidente da comissão, Marco Vinicius Pereira de Carvalho, é filiado ao PSL, partido de Bolsonaro, e assessor especial de Damares. Ele foi funcionário da prefeitura de Taió (SC).

A presidente substituída do colegiado, primeira da lista de trocas, havia criticado Bolsonaro na segunda-feira pelas declarações relacionadas a Santa Cruz. "Consideramos extremamente grave pela dor dos familiares, mas também pelo fato de ser um presidente da República de um país que vem assumindo essas mortes desde 1995, pelo menos", afirmou Eugênia Gonzaga.

Questionada pela TV Globo sobre ter sido retirada da comissão nesta quinta-feira, Eugênia disse que "já esperava".
Herculano
01/08/2019 08:41
COM INÍCIO NO BRASIL, VÍRUS CRESCE PARA MAIS 130 BANCOS E 75 SITES, por Joana Cunha, na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo

Alvo do malware inclui sites como Netflix, Facebook, Amazon e Gmail

Um vírus que nos últimos meses atacou usuários de internet brasileiros agora expandiu seu alvo e está atrás de mais de 130 bancos e 75 sites ao redor do mundo, incluindo Netflix, Facebook, Amazon e Gmail, segundo informações de um relatório da Avast, empresa de segurança digital.

Conhecido como Guildma, o conjunto de programas maliciosos dá acesso remoto para cibercriminosos e permite roubo de senhas. O pico de invasões a computadores foi detectado em junho.

Brasilidade?
Apenas 2% dos alvos do ataque estão fora do Brasil. A Avast diz ter bloqueado mais de 155 mil tentativas de infecção feitas por ele globalmente.

Campanha viral?
Segundo a Avast, o foco do Guildma está no Windows e em máquinas que não operam em inglês. Desavisadas, as vítimas instalam o malware em seus computadores quando clicam em links ou documentos infectados.

Mascarados?
Os cibercriminosos enviam emails em formato de faturas, relatórios de impostos ou convites personalizados com os nomes das vítimas.

Mentira?
Os emails falsos podem aparecer em nome de bancos, birôs de crédito ou marcas famosas de ecommerce, como Magazine Luiza e Peixe Urbano.

Cartilha?
Adolf Streda, analista da Avast, diz que o malware tentar roubar credenciais enquanto a vítima usa serviços bancários ou sites como Netflix. Como prevenção, ele sugere a cartilha básica de segurança digital: antivírus e atenção ao baixar documentos recebidos por email.

Discreto
Segundo Streda, Guildma atua no segundo plano (de forma quase impercetível ao usuário afetado), mas é possível que usuários leigos notem pequenas mudanças de comportamento em suas máquinas, como lentidão para carregar programas e sites.
Herculano
01/08/2019 08:30
SENTIMENTOS

De Ricardo Noblat, de Veja, no twitter:

Meu sentimento é que Bolsonaro é uma vergonha para o Brasil.

Olhando a maré, no twitter:

Meu sentimento é que Bolsonaro não é chuchu. É algo fora do politicamente correto,rompe sem meias palavras com o cabresto que a minoria quer dominar e se impor à maioria.

Eu desaprovo à linguagem dele,mas não o gesto que incomoda os intelectuais,os moderninhos e especialistas de todos os tipos.

O politicamente correto escraviza a livre expressão, o contraditório e até mesmo o diálogo. Ficamos reféns de gente que acha que só o mundo deles é o correto. E isso vale para tudo, inclusive para essas coisas que definimos como direita, esquerda...
Herculano
01/08/2019 08:23
da série: ninguém que produz que pagar impostos e todos querem incentivos. Então sobra para o cidadão pagar a conta e aos mais fracos esperar serviços precários na saúde, educação, segurança e até obras que são cobertos integralmente pelos pelos impostos que recai sempre mais sobre os fracos.

FAESC EMITE NOTA DE PROTESTO CONTRA AUMENTO DE 17% NOS DEFENSIVOS AGRÍCOLAS EM SC, por Moacir Pereira, no Diário Catarinense, da NSC Florianópolis

A assessoria da Federação da Agricultura de Santa Catarina emitiu pesada nota contra a decisão do governo Estadual de cancelar os incentivos fiscais dos defensivos agrícolas. Na pratica, a medida representará aumento de 17% na carga tributária do setor primário da economia.

Confira a íntegra da nota:
"A decisão de aumentar a tributação sobre insumos agrícolas terá um efeito devastador na sociedade catarinense. É uma decisão errada e injusta. É uma punhalada nas costas de quem produz, atingindo não só o produtor rural, como também a agroindústria. O governo esquece que o agronegócio sempre foi a locomotiva da economia catarinense."

A manifestação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) José Zeferino Pedrozo ao tomar conhecimento da tributação (17% de ICMS) sobre defensivos agrícolas que passa a vigorar neste 1º de agosto.

Os efeitos dessa medida são o aumento dos custos de produção de grãos, leite e carne, a redução da produtividade média e a perda da competitividade dos produtos agrícolas catarinenses nos mercados nacional e internacional, de acordo com a Faesc. A maioria dos Estados brasileiros mantém a isenção de impostos - especialmente o Paraná e Rio Grande do Sul - o que deixará o produto catarinense em desvantagem no mercado.
A entidade calcula que o custo de produção aumentará em torno de 25% e será suportado quase que totalmente pelo produtor rural. Será praticamente impossível repassar esse custo ao preço final porque, no mercado, circulam produtos de outros Estados que têm situação tributária mais favorecida.

Dessa forma, será inevitável a elevação de custo de produtos agrícolas, especialmente aqueles que demandam maior uso de insumos, como frutas, milho, trigo, arroz, batata, cebola, alho, legumes etc. No caso do milho e farelo de soja, matérias-primas essenciais na produção de rações, o impacto atingirá as cadeias produtivas de suínos, frango, leite etc. Produtores e agroindústrias irão arcar com o peso do aumento da carga tributária, que dificilmente será repassada ao consumidor.

Pedrozo desabafou: "Estamos revoltados. O governo catarinense demonstra profunda ignorância sobre a importância social e econômica da agricultura barriga-verde."
Herculano
01/08/2019 08:17
A IDEIA DO IMPOSTO ÚNICO GUARDA UM OBJETIVO, por Roberto Dias, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Proposta de defensores é começar a transição pela desoneração da folha de pagamento

A ideia do imposto único sobre transações financeiras é tão ruim que custa crer que três décadas depois ela esteja sendo novamente debatida a sério.

Num momento de juros baixos e cadentes, então, a proposta muda de categoria - de ruim para péssima.

As principais críticas são bem conhecidas: a cobrança atinge de maneira mais intensa as cadeias produtivas mais complexas e estimula a informalidade.

Mais palpável é o atraso do "imposto do atraso", na definição do presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, quando se observam suas implicações no dia a dia.

Como obviamente ninguém vai ficar parado esperando sua vez de perder dinheiro, cada empresa e cada pessoa procurará, dentro das possibilidades legais, elidir oportunidades de mordida do fisco.

Quem puder receber pagamentos em dinheiro e manter essas cédulas fora do sistema financeiro assim o fará. O que significa andar por aí com carteira cheia ?"ou seja, estaremos construindo o piso superior do paraíso dos ladrões que já é o Brasil.

Digitalização da economia logo parecerá so last year. Compras pela internet ficarão menos atrativas. Aplicativos de comida e transporte? Só se o entregador e o motorista tiverem troco.

Competição bancária também vai ficar mais difícil. Quem quiser procurar uma instituição financeira mais atraente para aplicar seu dinheiro terá de pensar 2,5% a mais do que antes.

A turma que põe o imposto único na mesa quer comer o bolo e ficar com o bolo. A proposta do Instituto Brasil 200, o grupo de empresários que propagandeia a ideia, é começar a transição para o imposto único pela desoneração da folha de pagamento. Se por acaso adiante as contas não fecharem e o governo não puder abrir mão de outros tributos, o problema maior dos empresários já fica resolvido, pois. Nesse debate do imposto, o único que salta aos olhos são as espertezas.
Herculano
01/08/2019 08:07
GOVERNO FEDERAL JÁ DEMITIU 228 SERVIDORES EM 2019, em Cláudio Humberto, na coluna publicou hoje nos jornais brasileiros

O governo Bolsonaro já expulsou da administração pública federal 228 servidores, apenas nos seis primeiros meses deste ano. Foram 171 demissões no total, 26 destituições de cargos comissionados e 31 cassações de aposentadorias. O órgão com o maior número de demitidos é o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), 15 servidores, que também cancelou duas aposentadorias. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) demitiu 14 servidores e cassou cinco aposentadorias.

CORRUPÇÃO

Mais de 65% dos demitidos foram punidos por "atos de corrupção". O levantamento não inclui empregados de estatais, como a Petrobras.

EM RELAÇÃO A 2018

Em 2018 foram demitidos 643 servidores públicos federais, sendo 516 demissões de servidores efetivos.

COMISSIONADOS

A Controladoria-Geral da União contabiliza 38 comissionados, sem vínculo algum com o Estado, demitidos em 2018. Este ano já foram 26.

COMPARAÇÃO REGIONAL

Após concluir 142 processos administrativos pendentes, o governo do Distrito Federal decidiu demitir 120 servidores públicos distritais.

JUDICIÁRIO E MP TEM RECORDE DE DESVIO DE FUNÇÃO

O Brasil é um dos países com o maior número de servidores públicos do Judiciário e do Ministério Público em desvio de função. São juízes e procuradores experientes, quase no fim da carreira, nomeados como "assessores" de outros juízes e até promotores. Um desembargador federal disse a esta coluna que a nomeação acaba servindo, na prática, como complemento salarial, que dá função aquém da capacidade do profissional porque ele ainda não tem idade para se aposentar.

MOTIVO: DESVIO DE FUNÇÃO

A maioria de outros países não tem em seus quadros o número de juízes e promotores que os contribuintes brasileiros bancam.

CACIQUE DEMAIS

A alta casta do funcionalismo no Judiciário e no MP acaba ocupando cargos abaixo da posição na qual entraram na carreira. E gera custos.

ROMBO RELEVANTE

Os desvios de função causam "um rombo orçamentário relevante", disse um experiente desembargador federal a esta coluna.

PRIVATIZAÇÃO SEM TABU

Candidato do partido Novo a presidente em 2018, João Amoêdo defendeu ontem as privatizações que, segundo ele, "não podem mais ser tratadas como tabu". Incluindo na área de saneamento básico, diz.

É GUERRA

Na entrevista diária que concede na entrada da residência oficial, Jair Bolsonaro mencionou uma "guerra da informação". Faz sentido o tratamento que recebe e dá à grande imprensa: para ele, é "guerra".

LONGA PAUTA

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, abre os trabalhos do segundo semestre nesta quinta-feira (1º) com o prato cheio: são 24 processos físicos e 16 eletrônicos na pauta.

SEM POLÍTICA PETISTA

O Ministério da Justiça promoverá nesta quinta (1º) reunião do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que analisará o plano nacional para o quadriênio 2019 a 2022. O último plano foi elaborado ainda no governo petista de Dilma Rousseff, em 2015.

PAROU DE CAIR

Após quatro cortes consecutivos nas projeções do crescimento do PIB 2019, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais manteve a estimativa de 0,8% da reunião de junho.

ORIGEM PETISTA

O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, estreou na vida pública como candidato do PT a vereador no Rio de Janeiro, em 2004. Foi até personagem do documentário Vocação do Poder que seguiu jovens candidatos naquela eleição. Acabou derrotado, com 3 mil votos.

DO PT AO PMDB

Felipe Santa Cruz foi filiado ao PT para ser candidato em 2004, mas em junho de 2016, quando presidia a seccional da OAB no Rio, filiou-se ao PMDB fluminense, atual MDB, de Sérgio Cabral e Luiz Pezão.

EM 'DILMÊS'

Se o Flamengo passar na Copa Libertadores, pega o Internacional ou Nacional. Se for o Internacional é jogo nacional, se for o Nacional é jogo internacional. Assunto para a petista Dilma tentar explicar.

PENSANDO BEM...

...se Sérgio Cabral cumprisse apenas um sexto de suas penas de 216 anos, ainda assim passaria 36 anos preso.
Herculano
01/08/2019 07:51
AFINAL O QUE MUDOU?

Ofício do gabinete do deputado estadual, Gustavo Schmitt, pedia 10 ingressos, gratuitos, para os seus assistir o jogo do Flamengo e Emelec.

O ingresso é a fonte de renda do espetáculo e dos jogadores. Os deputados, são pagos pelo povo que não conseguem ingressos de graça para.... Incrível. Mudam-se as moscas, mas o comportamento fedido continua...
Herculano
01/08/2019 07:42
OUÇAM MUJICA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Ex-presidente uruguaio rompe omissão da esquerda ao chamar Venezuela de ditadura

O ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica figura, merecidamente, entre os ídolos da esquerda latino-americana. Sua gestão à frente do país (2010-2015) foi marcada por bons resultados econômicos e notáveis avanços legislativos, como a descriminalização do aborto e a legalização da maconha.

Seu nome não surgiu em escândalos de corrupção e outros desmandos. Mujica não enriqueceu durante seu mandato nem depois.

Desde 1987, o ex-guerrilheiro tupamaro, hoje com 84 anos, dirige o mesmo carro, um Fusca azul celeste, e se recusou a ocupar o palácio presidencial, preferindo a modesta chácara nos arredores de Montevidéu onde planta crisântemos para vender em pequenos mercados.

Passados quatro anos desde o fim de sua passagem pela Presidência, o uruguaio exibe uma virtude ainda mais rara entre líderes de esquerda - dá mostras de que não é invulnerável aos fatos.

No último sábado, durante encontro partidário, o ex-mandatário classificou o regime venezuelano, sem meias palavras, como uma ditadura. "Na situação em que está, não há nada além de uma ditadura."

Verdade que o encontro com a realidade chega com atraso - é difícil descrever de outra maneira o país caribenho desde 2017, quando Nicolás Maduro substituiu o Legislativo legitimamente eleito por uma assembleia farsesca.

Tampouco o diagnóstico de Mujica se dá sem cálculo político. A Frente Ampla, coalizão que comanda o Uruguai desde 2005, deseja livrar-se do fardo chavista no pleito marcado para outubro.

Entretanto outras organizações do mesmo campo ideológico, como o brasileiro PT, também passaram por processos eleitorais e nem por isso abandonaram o desatinado apoio a Maduro.

Ao contrário, o partido acaba de participar em Caracas de encontro do Foro de São Paulo, organização que agrega forças de esquerda da América Latina, em que os delegados manifestaram apoio à ditadura ?"repita-se?" venezuelana.

Ainda que as motivações não sejam as mais puras, melhor que lideranças respeitadas como Mujica denunciem em alto e bom som o desfecho do socialismo bolivariano criado por Hugo Chávez.

Assim também o fizeram Daniel Martínez, que disputará a Presidência uruguaia pela Frente Ampla, e expoentes da esquerda colombiana, que estão perto demais da Venezuela para ignorar os desastres provocados por Maduro.

É mais que razoável se opor a qualquer intervenção militar estrangeira na Venezuela. A chancela a violações sistemáticas da democracia e dos direitos humanos, porém, configura cumplicidade.
Herculano
31/07/2019 16:54
UMA óBVIA CONSTATAÇÃO

De Rodrigo Constantino, no twitter:

O mais triste do bolsonarismo, do ponto de vista intelectual, é ver gente que tinha boas condições, com bagagem cultural, curvar-se diante da manada em busca de likes ou grana. Pondé está certo: a coragem é a primeira das virtudes. Covardes nunca vão longe. Ficam só morgando...
Herculano
31/07/2019 16:52
da série: sem tréguas e ele estava no Brasil

DOLEIRO DARIO MESSER É PRESO PELA PF DO RIO

Conteúdo do G1. Texto de Artur Guimarães, da TV Globo, Rio de Janeiro. O doleiro Dario Messer, apontado como o doleiro mais influente do país, foi preso nesta quarta-feira (31) pela Polícia Federal do Rio. Messer estava foragido desde que a Operação Câmbio Desligo, desdobramento da Lava Jato, foi deflagrada.

A inteligência da PF descobriu um endereço ligado ao doleiro em São Paulo. Foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão.
Herculano
31/07/2019 15:17
RECUANDO OU AFIRMANDO QUE O CARA É DO BALACUBACO?

Do presidente Rodrigo Maia, DEM, no twitter, depois da repercussão de um suposto apoio dele a Gleen Greenwald, do Intercept.

O Sr. Glenn Greenwald postou sua própria interpretação do vídeo que gravei. No vídeo, defendo EXCLUSIVAMENTE a liberdade de Imprensa e o direito ao sigilo da fonte garantidos na Constituição.
Miguel José Teixeira
31/07/2019 11:33
Senhores,

Livro revela bastidores do relacionamento entre os 11 ministros do STF

Serviço:

Os Onze ?" O STF, seus bastidores e suas crises
Felipe Recondo e Luiz Weber
376 páginas
Companhia das Letras

Autores mostram como forças externas e disputas internas interferiram em julgamentos e no relacionamento do Supremo Tribunal Federal com os outros poderes desde 2005

Extraído do https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/07/31/interna_politica,774740/livro-revela-bastidores-do-relacionamento-entre-os-11-ministros-do-stf.shtml

Flávia Ayer/Estado de Minas, 31/07/19

"Esse outro desconhecido" foi o termo usado pelo ex-ministro Aliomar Baleeiro, que presidiu o Supremo Tribunal Federal (STF) entre 1971 e 1973, para se referir à Corte Suprema. A alcunha de ilustre desconhecido ficou no passado e o STF esteve, nos últimos 15 anos, no epicentro de crises políticas e mudanças sociais do Brasil, ecoando a pressão das ruas e atraindo holofotes da mídia, que passou a transmitir as sessões ao vivo.

Os jornalistas Felipe Recondo e Luiz Weber subiram a escadaria de mármore que conduz ao palácio de vidro, em Brasília, para revelar bastidores, explicar forças externas e disputas internas, detalhar julgamentos e o relacionamento entre a corte, os demais poderes e a imprensa. A investigação, que se debruça no período entre 2005 e 2019, resultou no livro Os onze ?" O STF, seus bastidores e suas crises, que chega hoje às livrarias.

Sobretudo a partir do julgamento do mensalão, em 2005, e mais ainda com a Operação Lava-Jato, em 2013, em torno das cadeiras dos 11 ministros estiveram decisões que tensionaram Executivo, Legislativo e a sociedade. É o caso da descriminalização do aborto de anencéfalo, da união homoafetiva, das pesquisas com células-tronco embrionárias. E também decisões sobre eleições, de financiamento de campanha à ficha limpa, e o julgamento de políticos no mensalão, na Lava-Jato, com destaque para o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Criado para ser o guardião da Carta Magna, desde a promulgação da Constituição de 1988, o STF foi aos poucos ocupando um papel central no enredo político. A aprovação da Emenda Constitucional 35, que autoriza a corte a processar parlamentares sem a prévia autorização da Câmara ou do Senado, radicalizou esse movimento, como mostrou a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT), o primeiro a ser preso no exercício do mandato, em 2017.

A Constituição ainda abriu as portas do tribunal para que partidos políticos e organizações da sociedade civil questionassem as leis, por meio das "ações diretas de inconstitucionalidade", aumentando as discussões na arena do Supremo. Recondo e Weber atravessam todo esse período desde o mensalão ?" que projetou o nome do relator da Ação Penal 470, o então ministro Joaquim Barbosa, a ponto de ele ser cotado como presidenciável ?" até chegar ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Mas, para além dos fatos conhecidos, Os onze consegue captar o contexto em torno dessas decisões e explorar esse "arquipélago de 11 ilhas incomunicáveis", que era a forma como o ex-ministro Sepúlveda Pertence, nos anos 2000, definiu o Supremo e seus magistrados. Recondo e Weber mostram que, no lugar das 11 ilhas, há 11 Estados autônomos e independentes, algo como uma "ministrocracia". Cada um deles capaz de declarar guerra contra o Estado inimigo ?" o colega do lado.

Não por acaso, um elevador privativo, em cada gabinete, livra ministros de encontros fortuitos nos corredores. Para citar dois episódios recentes, no ano passado, o ministro Luís Roberto Barroso chamou Gilmar Mendes de "uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia". Mais recentemente, houve também embate de decisões entre Marco Aurélio Mello e o atual presidente, Dias Toffoli, sobre a prisão em casos de condenação em segunda instância.

Por dentro
Além de frequentar a instituição, Recondo e Weber entrevistaram cerca de 200 pessoas, incluindo todos os atuais ministros, e analisaram centenas de e-mails, mensagens e processos. Com isso, revelam detalhes que vão muito além das letras da lei. Era, por exemplo, um ritual do falecido Teori Zavascki, ex-relator da Lava-Jato: suas decisões mais bombásticas eram precedidas por uma entrevista pessoal com o procurador-geral da República.

Diante da tensão da morte de Zavaski, em janeiro de 2017, a então presidente do STF, ministra Carmén Lúcia, fez o sorteio do novo relator da Lava-Jato abraçada a uma imagem do Menino Jesus de Praga e vigiada por outra, de Nossa Senhora Aparecida. Edson Fachin acabou sendo o sorteado e abriu 83 inquéritos de uma só vez, tornando célebre a chamada Lista de Fachin.

Os Onze conta, por exemplo, que os ministros Luiz Fux e Gilmar Mendes se encontraram, coincidentemente, na fila do passe na casa do médium João de Deus, em Abadiânia (GO), no início de 2018. No fim do ano passado, ele, que também é próximo de Barroso e Toffoli, se tornou réu em oito processos por abuso sexual e posse de armas. Outra curiosidade é que os carros dos ministros têm dispositivo que troca as placas oficiais, com o brasão da República, por uma placa fria, comum, de carro de passeio, com o objetivo de camuflar a identidade do passageiro. "O mecanismo é acionado conforme os humores da sociedade", narra.
Herculano
31/07/2019 10:15
da série: estranhamente, esta notícia não ganhou manchetes e repercussão na imprensa.

da série: numa democracia é melhor questionar a ditadura da jurisdição antes que a Justiça perca a condição de fiel da balança

JANAINA PASCHOAL ENTRA COM PEDIDO DE IMPEACHMENT DE TOFFOLI: "DECISÃO CRIMINOSA"

Conteúdo de O Antagonista. Janaina Paschoal, que figura entre os autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, protocolou hoje no Senado um pedido de impeachment de Dias Toffoli.

A atual deputada estadual do PSL de São Paulo assina o documento juntamente com o procurador do MP de Minas Gerais Márcio Luís Chila Freyesleben, o promotor do MP de Santa Catarina Rafael Meira Luz e o promotor do Distrito Federal e Territórios Renato Barão Varalda ?" integrantes do MP Pró-Sociedade.

O motivo é a suspensão por Toffoli de todos os processos judiciais instaurados sem supervisão da Justiça que envolvem dados compartilhados por Coaf e Receita Federal.

Os autores abordam o "processo de depuração" por que passa o país, para acusar Toffoli de aproveitar o caso de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, para beneficiar acusados de esquerda e direita:

"Se esse processo de depuração trouxe resultado muito positivos, trouxe também um bastante negativo, qual seja a polarização do país. Com efeito, dado o fato de a presidente afastada e o presidente preso se identificarem com a esquerda, seus apoiadores passaram a contestar a legitimidade desse processo de depuração. Por outro lado, também por força dos graves crimes, da esquerda, os assim chamados direitistas sempre defenderam os inquéritos e processos que visam responsabilizar os culpados. Exemplo claro disso reside nas recentes manifestações populares em apoio à Operação Lava Jato.

Pois bem, detentor de inteligência rara, o Ministro ora denunciado sabia que se prolatasse a decisão criminosa em pleito oriundo de um político esquerdista, em poucos minutos, as ruas estariam repletas de manifestantes.

A fim de neutralizar a resistência popular, o denunciado aguardou que chegasse as suas mãos um pedido perfeito, justamente o pedido (atravessado em petição avulsa) do filho do Presidente da República, de matriz declaradamente direitista.

Nesse contexto, a esquerda não reclama, pois seus principais nomes, implicados em crimes graves, findam beneficiados e, ao mesmo tempo, a direita não reclama, temendo desagradar seu mito, quem seja, o Presidente da República . Uma vez mais, o Brasil dividido entre subservientes a deuses terrenos."
Herculano
31/07/2019 10:12
GOVERNISTAS DOMINAM AS REDES SOCIAIS NOS ÚLTIMOS TRÊS DIAS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Apesar do "recesso branco" e do clima de férias no Congresso, os parlamentares governistas concentraram os esforços nas redes sociais. Governistas lideram o volume de publicações, curtidas, comentários e até interações dos próprios deputados e senadores com seguidores no Facebook, Twitter e Instagram, segundo levantamento do site Diário do Poder sobre a performance online de políticos nos últimos três dias.

MAIOR ATENÇÃO

O post mais comentado foi da líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, contra críticas da atriz Lucélia Santos sobre o governo.

VOLUME IMPORTA

Carla Zambelli (PSL-SP) fez 115 publicações; é a mais ativa com seu Twitter. Mas entre os dez mais ativos, há quatro deputados do PT.

INTERAÇÃO COM O ELEITOR

O líder do governo na Câmara, deputado Delegado Waldir (PSL-GO), é quem mais interagiu com seus seguidores: quase 400 vezes.

MAIS SEGUIDO

Marco Feliciano (Pode-SP) lidera entre parlamentares mais seguidos ou curtidos, diz o levantamento: 4,3 milhões só no perfil do Facebook.

DF DEMITE 120 APóS PROCESSOS QUE INCLUEM ATÉ PROFESSOR QUE ASSEDIOU ALUNA

Será anunciada nesta quinta-feira (1º) pela Controladoria-Geral do Distrito Federal, comandada pelo secretário Aldemario Araujo Castro, a demissão de 120 funcionários distritais por diversos motivos, incluindo abandono de cargo, atestados falsos, assédio sexual em escolas, servidores sócios de empresas fornecedoras do governo, segundo documentos aos quais esta coluna teve acesso. As demissões tiveram origem em processos disciplinares.

PENDÊNCIAS

Foram concluídos 142 processos disciplinares pendentes da gestão anterior do DF, sob o ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

PROCESSO ANDOU

Há processos parados há quatro anos. Um dos demitidos, por exemplo, é médico da rede pública e sócio de empresa fornecedora de hospitais.

CASO ABSURDO

Um dos casos é de um professor da rede pública demitido por assediar sexualmente uma ex-aluna que é deficiente auditiva.

LONGO RECESSO

Amanhã deveria ser o primeiro dia de deputados e senadores de volta ao batente, segundo manda a Constituição. Mas já que não houve recesso formal, apenas "branco", o trabalho só recomeça na terça (6).

MUDANÇA NO TSE

A próxima presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, irá empossar, na quinta (1º), o advogado Carlos Mário Velloso Filho no cargo de ministro substituto do TSE. Ele foi escolhido em lista tríplice elaborada pelo STF e nomeado pelo presidente Bolsonaro.

CARTóRIO DE LUXO

Após a polêmica entre Bolsonaro e Felipe Santa Cruz, o jornalista José Roberto Guzzo disse na sua conta no Twitter que "a OAB não representa nada. É só um cartório para desfruta de quem manda nele".

FAKE NEWS NA RTP

Na TV RTP, de Lisboa, um "analista de notícias" nem sequer coçou a barbicha, por vergonha, para reproduzir na madrugada desta terça (30) um amontoado de notícias falsas sobre o Brasil, Amazônia etc. Além de mentir, destilou preconceitos. E a embaixada do Brasil não se mexe.

MILHõES DE VOLTA

A volta às aulas leva 3,5 milhões alunos matriculados às mais de 5 mil escolas estaduais no estado de São Paulo, informou a Secretaria de Educação. São quase 1 milhão de alunos apenas na capital paulista.

IMPACTO EM 2020

Segundo o economista-chefe do Porto Seguro Investimentos, José Pena, o impacto de saques do FGTS e PIS/Pasep no PIB do Brasil em 2019 será "moderado". Impacto maior deve ser percebido só em 2020.

JOGO DE SINAIS

Ao elogiar o presidente Bolsonaro e a indicação do filho Eduardo como embaixador, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou as "muitas tarifas" que o Brasil impõe ao seu país. Mas mesmo assim garantiu que "trabalha na direção" de um acordo de livre comércio com o Brasil.

DIA DOS PAIS MOVIMENTADO

O comércio eletrônico deve movimentar R$ 2,5 bilhões no Dia dos Pais, diz a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, o que representa crescimento de 14%. São estimadas 8,6 milhões de compras.

PENSANDO BEM...

...até Trump admitiu que não sabia da indicação do novo embaixador brasileiro.
Herculano
31/07/2019 10:08
NÃO SE GOVERNA COM O VERBO, por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, no jornal O Estado de S. Paulo

Há um ditado da sabedoria mineira que diz: quem fala muito dá bom dia a cavalo.

Governa-se, ou deveria ser assim, com ações. As palavras servem para explicar e justificar as condutas. Ambas, ações e palavras, devem ser precedidas de reflexões, análises e ponderações. A palavra pode preceder a ação, mas se esta não for efetivada ou se não estiver consentânea com o que foi dito e anunciado, a palavra será desvalorizada, e o seu autor ficará desacreditado.

Ademais, pensamentos e ideias devem estar previamente alinhados com projetos de interesse coletivo, e não representar desejos pessoais, desalinhados dos anseios da sociedade. Não havendo esse alinhamento, melhor seria o silêncio.

No entanto, como não se tem silenciado, ao menos em respeito ao dia que começa, as entrevistas nos cafés da manhã deveriam ser transferidas para os chás da tarde. Em vez de permanecerem vivas na lembrança dos interlocutores durante todo o dia, essas entrevistas dadas no final da tarde só maltratariam a memória por poucas horas.

Por vezes o conteúdo dos pronunciamentos não é confirmado no dia seguinte, a pretexto de terem sido mal interpretados, ou de terem sido deturpados pela imprensa. Quando a matéria escapa de seu entendimento, ele cria polêmicas por meio de questionamentos incabíveis e inadequados, ou a substitui por questões menores e sem interesse. Em ambas as hipóteses todos os que tomaram conhecimento de sua fala ficam perplexos e confusos.

Uma marca desses pronunciamentos é a capacidade que têm criar desavenças e desarmonias. Em regra contêm um caráter negativo, contestatório de conceitos e opiniões que já estão sedimentados na cultura social.

Temas os mais variados, alguns singelos e de fácil compreensão, outros complexos, passaram a ser alvo de contestação desprovida de explicação racional, que acaba provocando acirradas polêmicas e um grande desconforto, que atinge até mesmo os seus mais próximos colaboradores.

Em lúcido, oportuno e esclarecedor editorial, O esgarçamento do tecido social (21/7, A3) O Estado de S. Paulo retratou com exatidão as consequências desse comportamento que utiliza a palavra a esmo, sem base fática ou sem uma exata correspondência com a realidade. A primeira delas é a disseminação de um clima de intolerância, polarização, discriminação, "diminuição das liberdades e tantos outros retrocessos civilizatórios". Esses efeitos atingem de maneira frontal, conforme com razão afirma o jornal, um dos objetivos da República, que é "construir uma sociedade livre, justa e solidária" (artigo 3.º, I, da Constituição). Após ponderar que o estímulo à dissidência e à divisão do País não é iniciativa atual, pois governos anteriores já dele se utilizaram, o editorial realça que tal fato não autoriza a sua repetição, ao contrário, obriga à sua extirpação como política e método de atuação.

Qual misterioso motivo o leva a contrariar o bom senso, o senso comum, enfim, a racionalidade, e a transformar suas ideias e palavras em manifestações de absoluto nonsense.

Assim, o fim do controle da velocidade nas estradas, a desnecessidade de cadeiras para as crianças nos automóveis, o apoio ao trabalho infantil, o seu desejo de substituir as tomadas trifásicas, a não cobrança de taxas em Fernão de Noronha (todos os países do mundo cobram em lugares turísticos), a pouca ou nenhuma preocupação com o meio ambiente, com a educação e com a saúde colocam-no como se observa, na contra mão do querer da sociedade. Ademais, parece que tudo o que lembra democracia, liberdade e aprimoramento das instituições e da sociedade não é do seu agrado: participação popular nos conselhos, existência de conselhos de controle profissional, existência do Exame de Ordem, sua aversão pelas ONGs, ataque à imprensa e a certos jornalistas, indisposição com governadores de regiões do País, pregação contra o "perigo do comunismo", que não passa de mera invencionice, desapreço pela cultura e pela liberdade de criação artística.

Existem muitas outras manifestações que se colocam contra o bom senso, contra a lógica e contra a vontade popular. A lista é interminável, pois diariamente é acrescida de afirmações, comentários, conclusões, ataques impensados e improcedentes, lançados sem nenhuma objetividade e finalidade. As palavras utilizadas, desprovidas de reflexão, são jogadas ao léu. No entanto, preocupam, pois, embora por vezes desprovidas de lógica e de racionalidade, elas acarretam consequências, pela relevância do cargo ocupado por quem as pronuncia. Causam apreensão, discórdia, insegurança e por vezes temor.

Saliente-se que a sua intensa atividade verbal se mantém sempre distante das reais necessidades, dos anseios e das aspirações do povo brasileiro.

Estava me esquecendo das armas. O mundo quer o desarmamento. Em pesquisa recente a sociedade brasileira mostrou igualmente ser contra as armas. No entanto, promessa de campanha e conteúdo de discursos, a apologia da sociedade armada transformou-se num dos principais acordes da orquestra governamental. O maestro e seus músicos pregam que a sociedade estará mais segura se os seus integrantes, da criança ao idoso, estiverem bem municiados e treinados.

Alardeiam que armados nos poderíamos defender. Talvez, se os assaltantes nos avisassem com antecedência do assalto e pudéssemos nos entrincheirar... E aí teríamos no País intermináveis e emocionantes tiroteios. Como eles não nos comunicam do ataque, continuaremos a ficar impotentes, ou seremos mortos caso reajamos.

Aliás, se pudéssemos ouvir o grande e inesquecível Garrinha, ele diria do alto de sua sabedoria de homem primário e tosco, mas intuitivo e de bom senso: "Andar armado, só se combinarmos com os russos antes".

Há um ditado, verdadeira máxima, reflexo da sabedoria mineira, que diz: "Quem fala muito dá bom dia a cavalo". Significa que o excesso no falar transforma a fala em nonada, pois de tanto se falar ninguém mais dá valor à palavra falada.
Herculano
31/07/2019 10:05
da série: é bom se acostumar, pois ele não vai mudar. Faz parte da loucura que sempre o acompanhou. E parte dela é que o fez candidato e presidente.

BOLSONARO AINDA NÃO ASSUMIU A PRESIDÊNCIA, editorial do jornal O Globo

Afirmações em desacordo com o cargo que ocupa formalmente prejudicam o governo e o país

Integrante da bancada do baixo clero durante 28 anos, o deputado e ex-capitão Jair Bolsonaro notabilizou-se pelo histrionismo. Sempre defendeu a ditadura militar e sua violência contra opositores, e trabalhou em favor de demandas corporativistas dos militares. Mas soube aproveitar ventos favoráveis para se tornar um candidato viável em 2018.

Teve a seu favor o cansaço com o lulopetismo e a esquerda em geral, assim como a impossibilidade de outras forças políticas lançarem um candidato competitivo de centro.

Outra sorte foi disputar o segundo turno com o representante do PT, Fernando Haddad. Assim, Bolsonaro ganhou uma eleição plebiscitária, atraindo muito eleitor mais pela rejeição à esquerda do que por apoio à sua agenda na totalidade.

Eleito, pensava-se que Bolsonaro abandonaria o figurino do baixo clero, o histrionismo dos tempos de Câmara, entendendo o seu papel. Não é o que se vê. O presidente mantém o comportamento de baixo clero, e configurava-se o que se temia: ele é uma das maiores ameaças ao próprio governo.

Há pouco, microfones captaram um comentário preconceituoso seu sobre os governadores nordestinos, os "paraíba", em especial Flávio Dino, do PCdoB do Maranhão. Em viagem à Bahia, pelo menos esforçou-se numa tentativa de reduzir o dano, até com chapéu de couro na cabeça.

O recuo de nada adiantou. Agora, ao criticar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e seu presidente, Felipe Santa Cruz, por não ter sido possível quebrar os sigilos do defensor da pessoa que o esfaqueou ?" é prerrogativa legal e estatutária da OAB defender imunidades dos associados ?", o presidente resolveu comentar o desaparecimento do pai de Felipe, Fernando Santa Cruz, militante da Ação Popular (AP).

Apesar de ser um caso já rastreado, Bolsonaro disse que se Felipe quisesse saber o que houve com o pai, lhe perguntasse. Na versão insustentável de Bolsonaro, Fernando foi "justiçado" por companheiros. Não importa para o presidente que na semana passada o próprio governo tenha emitido o atestado de óbito do pai do presidente da OAB, vítima de "morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro".

Ao atacar a Comissão da Verdade, em que tramitam os casos de torturas, mortes e desaparecimentos, Bolsonaro tachou de "balela" documentos como os que lastreiam a certidão de óbito.

Se houvesse assumido de fato a Presidência, hoje Bolsonaro estaria preocupado com o fim do recesso do Congresso, na semana que vem, quando será retomado o debate sobre a reforma da Previdência, para que seja votada em segundo turno na Câmara. Estes, sim, são assuntos que deveriam preocupar Bolsonaro, cujo futuro político está sendo jogado nesta e nas demais reformas. Decide-se também a estabilidade do país.
Herculano
31/07/2019 09:59
da série: o velho esquema de poder e corrupção do MDB e PSD está prestes a ruir em Santa Catarina. Isso vai afetar as eleições do ano que vem nos municípios, como afetou vem afetando a imagem do PT para seus sonhos para o próximo pleito.


BARBAS DE MOLHO, por Cláudio Prisco Paraíso

Moisés da Silva foi enigmático em trecho destacado da entrevista exclusiva que concedeu ao SBT Meio Dia e que foi ao ar ontem, segunda-feira.

A certa altura, o companheiro de bancada, jornalista Fernando Machado ?" que conduziu muito bem a entrevista -, quis saber como o governador havia encarado as duas recentes Operações contra a corrupção em Santa Catarina- Chabu e Alcatraz.

O chefe do Executivo revelou que acompanhou tudo com muita tranquilidade e deixou claro que pode ter conhecimento de que as investigações vão se aprofundar e tomar amplitudes quase que inimagináveis.

Nos bastidores, sabe-se que Moisés tem sido parceiro das forças-tarefas, determinando a abertura total dos dados aos investigadores.

Com especial atenção à Fazenda e à Saúde, duas das áreas mais nevrálgicas da administração estadual.

Helton Zeferino, o titular da Saúde, inclusive já baixou uma portaria mandando investigar as indícios de irregularidades, de superfaturamentos que ocorreram ali.

Este, aliás, é um assunto (focos de corrupção na Saúde) que se comenta reservadamente há décadas, incluindo possível superfaturamento até na compra de próteses. Dá uma ideia ao ponto que chegamos, da desfaçatez e ousadia dos ladrões do dinheiro público!

A postura misteriosa, porém deveras sugestiva, de Moisés da Silva acerca da roubalheira que pode ter imperado, vem a reforçar as apreensões de muita gente boa, sobretudo de figuras que compuseram governos a partir de 2003.

FRASE

"Só o começo de uma grande investigação que está a caminho e que vai mostrar para muitas pessoas que a ferida é mais profunda" Moisés da Silva, ao ser questionado sobre as Operações Chabu e Alcatraz

PROJEÇÃO

De acordo com a projeção do chefe do Executivo estadual, aquela dívida na Saúde, que chegou a ser bilionária, estará totalmente quitada até o fim do ano. É uma grande notícia.

TRANSPARÊNCIA

Pelas decisões já tomadas nestes quase sete meses de gestão e pela criação da Controladoria Geral do Estado e da Secretaria de Governança, Moisés da Silva está entregando aquilo que prometeu em campanha na seara da transparência e da lisura. A condução mostra a clara disposição do governo em não deixar nada oculto.

MDB

Apesar de ter conversado com lideranças do MDB em algumas oportunidades, o governador sinaliza que não quer o partido no governo. Ele deseja os votos emedebistas ?" são nove ?" na Assembleia. Até porque, muitas coisas que estão sendo descobertas e que podem deixar até o mais cético dos espectadores de cabelos em pé foram produzidas em 2018, ano que um emedebista pilotou Santa Catarina.

METADE

Textualmente, Moisés da Silva revelou a Fernando Machado que mandou rever um contrato que estabelecia a entrega de 300 itens mediante determinado valor ao mês. Na prática, contudo, só eram entregues 150 unidades, ou seja, exatamente a metade. Superfaturamento de 100%.

FRIEZA

Moisés da Silva mantém distância calculada de Jair Bolsonaro. Embora tenha sido eleito na onda que guindou o ex-deputado à presidência, ele foi absolutamente lacônico sobre a relação entre governador e o atual inquilino do Planalto. "Boa," limitou-se a responder, afirmando, ainda, que não tem e não quis ter o WhatsApp presidencial.
Herculano
31/07/2019 09:54
ATÉ O AMARGO FIM, por Rosângela Bittar, no jornal Valor Econômico

Sem chance para impeachment ou intervenção militar

Jair Bolsonaro caminhou rapidamente, em apenas seis meses, para a beira do precipício e, lá chegando, fez o previsível para pessoas do seu tipo: se atirou. Não satisfeito, começou a cavar sofregamente mais fundo, para continuar a deliciosa vertigem rumo ao nada.

Seu desempenho está mil vezes pior do que quando era um deputado apenas fanfarrão. Ali ninguém era obrigado a ficar ouvindo. Agora é o presidente da República em um país onde o governo invadiu de forma direta e inexorável a vida cotidiana do cidadão. Não dá para ignorar. São declarações absurdas, uma após a outra, e se escora na ala terrível de seu eleitorado, a escória que defende a tortura, dispensando conselhos de outros grupos de apoiadores, gente séria que também integra seu eleitorado. A preferência é do caráter.

As suas intervenções sobre qualquer assunto de qualquer área vão esvaziando sua autoridade. São propostas equivocadas, conceitos estapafúrdios, opiniões draconianas ditas de forma agressiva. É possível ter um presidente impopular em alguns momentos, mas cheio de razão e legitimidade, exercendo com dignidade sua função. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso viveu períodos assim. É difícil, porém, exercer o cargo quando se tem popularidade mas é olhado com desprezo. Quando o presidente passa a ficar no cargo porque não tem outro jeito, já perdeu a autoridade. Assim está o Brasil, com um presidente sem condições políticas, psicológicas, sociais e morais de governar e liderar sequer seu público votante, quanto mais exercer o governo de todos, como a praxe exige. Qual a solução para o vácuo de poder, de credibilidade e equilíbrio necessários a manter os cidadãos livres e bem de saúde mental?

A pergunta é insistentemente feita no Executivo, Legislativo e Judiciário, três Poderes perplexos: não seria o caso de impeachment por falta de decoro? E a resposta é também consensual: não.

Se essa for a única saída dos cidadãos para abreviar a agonia de um desgoverno num país das dimensões deste, prepararem-se para navegar em tormenta até 2022. E, se a economia reagir ao efeito do gás paralisante que inalou, melhor contar com solução só em 2026, depois do segundo mandato. Presidente popular não perde disputa de reeleição, mesmo que tenha feito pacto com o diabo.

Se lá na frente vai surgir ou não uma alternativa que não existe agora nem existiu em 2018 é uma incógnita. Enquanto isso pode-se alimentar expectativa para fugir da solução rápida, porém inviável.

O impeachment está descartado, nas condições do momento atual, como solução para o fim do pesadelo vivido pela sociedade brasileira. Começa por não ter quem colocar no lugar de Jair Bolsonaro. Quando Michel Temer reagiu ao governo Dilma Rousseff, já estava preparado: contava com o apoio do Centrão, tinha um plano de trabalho, a adesão de vários ministros do governo a ser deposto e a condição constitucional de ser o vice-presidente eleito.

Hoje não há nada disso. O general Hamilton Mourão, vicepresidente eleito, tem apenas essa condição legal. É pouco. Diante da atuação e do comportamento presidencial, o Congresso, com Centrão à frente e mais direita ou esquerda, recolheu-se à sua própria agenda, mais útil ao país do que ficar respondendo a insultos e divagações presidenciais. Os ministros agarram-se aos galhos, alguns podres, da árvore do governo para não cair, e em maioria agem à semelhança do chefe, dele dependendo para sobreviver na política. Quando uma celebridade da ética como Sergio Moro amarra seu destino ao de Jair Bolsonaro e dele passa a depender para livrar-se de problemas, se o mundo da política não acabou, está acabando.

Mourão está contido pela intimidação e não tem apoio de ministros, nem mesmo dos generais do Planalto, divididos entre si. Os militares que povoam o governo não vão evitar mas também não vão precipitar um desfecho. Estão, como Mourão, fracos, distanciados do presidente e com muitas razões para não tentar consertar o que está torto. Bolsonaro os trata muito mal, não são eles que tutelam o presidente mas são por ele tutelados. Bolsonaro os demite, quanto mais laureados, melhor, saboreando o prazer indescritível que deve ser um capitão dominar um general. Bolsonaro disputa com eles a liderança das tropas: não perde uma formatura, um dia do paraquedista, da infantaria, da cavalaria, da engenharia, do aviador, do fuzileiro, uma só das milhares de solenidades que dão movimento aos quartéis.

Os militares, também, não podem sair do governo. Para fazer o quê? Além do atestado de fracasso e do erro da aposta, ainda seriam responsáveis por deixar o governo vagando sem equipe. E, para o presidente, qualquer um é alvo. Não tem Santos Cruz, com seu currículo internacional. Tem um capitão ressentido indo à desforra. O general Villas Bôas está mudo, recolhido. O general Augusto Heleno, outrora poderoso, está precisando gritar para se fazer notar.

O sentimento de disciplina impede a revolta, fora o fato de que temem duas armas realmente letais de Bolsonaro: os filhos, boquirrotos como o pai, que dizem qualquer coisa e fazem qualquer coisa, e o nicho mais violento de seus apoiadores na Internet, que não observam limites de nenhuma espécie.

Se o Congresso está tocando seu próprio plano, o vice-presidente sem condições de liderança e os militares falsamente abúlicos para não tomar uma iniciativa que represente solução, a marcha segue no ritmo da insensatez atual.

Se a economia, ainda que pareça pálida, vagarosa e insuficiente, começar a fazer o movimento inverso daquele de Bolsonaro e procurar a superfície, será possível encontrar um lenitivo. Ainda que mínimo. Podem surgir novas razões para crença de que será mantido, para o segundo mandato, o eleitorado sem alternativa do primeiro. Também uma massa social menos insegura e um Congresso menos perplexo como efeito do bem estar econômico. A solução por essa via, porém, é incerta e demorada. Pode ser facilmente contaminada, no governo, pelo método, ideologia e conceitos peculiares do presidente.
Herculano
31/07/2019 09:52
A 'REALIDADE PARALELA' DE BOLSONARO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, tinha família constituída, emprego público e domicílio sabido

Se Jair Bolsonaro conversasse com os septuagenários veteranos da "tigrada" da ditadura, não teria chamado o general da reserva Luiz Rocha Paiva de "melancia" (verde por fora, vermelho por dentro). Ele foi um dos principais colaboradores na manutenção do site Terrorismo Nunca Mais. Talvez também não tivesse sugerido que Fernando Santa Cruz, desaparecido desde 1974, quando tinha 26 anos, foi executado por militantes de esquerda. Fernando era o pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que tinha menos de 2 anos quando ele desapareceu.

O caso de Fernando Santa Cruz exemplifica, como poucos outros, o assassinato de uma pessoa que tinha vida legal, família constituída e domicílio conhecido. Ele morreu no último mês do governo Médici. A política de extermínio das organizações armadas brasileiras que agiam nas cidades já tinha esfriado, pois elas haviam sido esmigalhadas. Em novembro, um comando do DOI de São Paulo matou Sônia Maria Lopes de Moraes, da Ação Libertadora Nacional, e Antônio Carlos Bicalho Lana, que se escondiam no litoral paulista. Em dezembro, o Centro de Informações do Exército sequestrou em Buenos Aires e matou no Rio o ex-major Joaquim Pires Cerveira e João Batista Rita, que haviam militado na Vanguarda Popular Revolucionária. Depois disso, nada. (Do Natal de 1973 ao final de 1974, mataram cerca de 40 militantes do PCdoB nas matas do Araguaia, inclusive os que se renderam. Ou, numa realidade paralela, foram todos resgatados por um disco voador albanês) Nesse período, deu-se a decapitação da liderança do Partido Comunista, que não pegou em armas.

Fernando Santa Cruz havia sido preso no Recife em 1966, quando era menor de idade. Desde 1968 tinha vida legal. Trabalhou no Ministério do Interior e mudou-se para São Paulo, onde trabalhava no Departamento de Águas e Energia Elétrica. Durante o carnaval de 1974, Fernando estava no Rio e marcou um encontro com o amigo Eduardo Collier, militante da APML. Temia ser preso e falou disso com a família.

Um policial de apelido "Marechal" disse que ele estava preso num quartel da guarnição de São Paulo. Daí em diante, nada. A mãe de Fernando, Elzita Santa Cruz, morta há pouco, foi uma leoa e bateu em todas as portas. Os senadores Franco Montoro e Amaral Peixoto perguntaram pelo paradeiro de Fernando da tribuna da Casa. Elzita escreveu ao comandante da guarnição do Rio e ao marechal Juarez Távora. O velho tenente de 1930 enviou a carta ao general Golbery, chefe do Gabinete Civil do presidente Ernesto Geisel, que assumira em março. Meses depois, ela interpelou o próprio Golbery. Na busca por Fernando, teve a ajuda do marechal Cordeiro de Farias, comandante da Artilharia da FEB na Itália. Nada. O ministro da Justiça, Armando Falcão, informava que estava foragido, vivendo "na clandestinidade". Mentira.

Nenhuma família de militante executado fingiu que ele desapareceu.

Bolsonaro pode ter sua realidade paralela, mas o general Rocha Paiva nunca foi "melancia", nem Fernando Santa Cruz foi executado pela APML. Por falar nisso, Rubens Paiva não foi resgatado por comparsas. Quem diz isso são oficiais que estavam no quartel da PE do Rio em 1971.
Herculano
31/07/2019 09:50
da série: quando os empresários abandonam os negócios lícitos e a busca da produtividade de suas empresas e se embebedam a políticos e corruptos de todas as espécies na busca de mais grana e poder, o resultado é esse.

LAVA JATO PRENDE DONO DA PETRóPOLIS

O dono da Petrópolis, Walter Faria, está sendo preso pela Lava Jato.

Ele é acusado de ter intermediado mais de 3 milhões de dólares em propinas da Odebrecht.

Seu grupo, segundo os procuradores, participou da lavagem de 329 milhões de reais.

Leia a nota do MPF:

Lava Jato: executivos do grupo Petrópolis são presos pela lavagem de R$ 329 milhões entre 2006 e 2014 no interesse da Odebrecht.

Walter Faria, controlador do grupo, usou ainda conta na Suíça para intermediar o repasse de mais de US$ 3 milhões de propina relacionadas aos contratos dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000.

A 62ª fase da operação Lava Jato, deflagrada nesta quarta-feira (31/7), apura o envolvimento de executivos do grupo Petrópolis na lavagem de dinheiro desviado de contratos públicos, especialmente da Petrobras, pela Odebrecht. Foram expedidos pela Justiça Federal de Curitiba um mandado de prisão preventiva contra Walter Faria, controlador do grupo Petrópolis, e cinco mandados de prisão temporária contra executivos envolvidos na operacionalização ilícita de valores. Além disso, 33 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em empresas do grupo e residências, localizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

As investigações revelaram que Faria, em conjunto com outros cinco executivos do grupo Petrópolis, atuou em larga escala na lavagem de centenas de milhões de reais em contas fora do Brasil e desempenhou substancial papel como grande operador de propina.

Conforme apontam as provas colhidas na investigação, Faria, em troca de dólares recebidos no exterior e de investimentos realizados em suas empresas, atuou para gerar recursos em espécie para a entrega a agentes corrompidos no Brasil e entregar propina travestida de doação eleitoral no interesse da Odebrecht; e transferir, no exterior, valores ilícitos recebidos em suas contas para agentes públicos beneficiados pelo esquema de corrupção na Petrobras.

Cooperação ilícita com a Odebrecht ?" O Setor de Operações Estruturadas, criado pela Odebrecht para o repasse de propinas para agentes públicos e políticos, sobretudo no esquema criminoso que vitimou a Petrobras, costumava utilizar três camadas de contas no exterior em nome de diferentes offshores. Como identificado na investigação do caso de hoje, havia ainda, em determinadas situações, a utilização de complexa estrutura financeira de contas no exterior relacionadas às atividades do grupo Petrópolis.

Em conta mantida no Antigua Overseas Bank, em Antigua e Barbuda, no nome da offshore Legacy International Inc., Faria recebeu US$ 88.420.065,00 da Odebrecht de março de 2007 a outubro de 2009 . Já entre agosto de 2011 e outubro de 2014, duas contas mantidas pelo executivo no EFG Bank na Suíça, em nome das offshores Sur trade Corporation S/A, e Somert S/A Montevideo, receberam da Odebrecht, respectivamente, US$ 433.527,00, e US$ 18.094.153,00.

Além de transferir, sem causa econômica aparente, valores no exterior para contas controladas pelo grupo Petropolis, a Odebrecht, para creditar montantes que seriam depois disponibilizados para pagamentos ilícitos, realizou operações subfaturadas com o grupo cervejeiro, como a ampliação de fábricas, a compra e venda de ações da empresa Electra Power Geração de Energia S/A, aportes de recursos para investimento em pedreira e contratos de compra, venda e aluguel de equipamentos.

Paralelamente, constatou-se que o grupo Petrópolis disponibilizou pelo menos R$ 208 milhões em espécie à Odebrecht no Brasil, de junho de 2007 a fevereiro de 2011. Além disso, o grupo comandado por Faria, por meio das empresas Praiamar e Leyroz Caxias, foi utilizado pela Odebrecht para realizar, entre 2008 e 2014, pagamentos de propina travestida de doações eleitorais, no montante de R$ 121.581.164,36.

O caso dos navios-sonda da Petrobras ?" Ao lado desses ilícitos envolvendo a Odebrecht, contas bancárias no exterior controladas por Faria foram utilizadas para o pagamento de propina no caso dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000. Entre setembro de 2006 a novembro de 2007, Júlio Gerin de Almeida Camargo e Jorge Antônio da Silva Luz, operadores encarregados de intermediar valores de propina a mando de funcionários públicos e agentes políticos, creditaram US$ 3.433.103,00 em favor das contas bancárias titularizadas pelas offshores Headliner LTD. e Galpert Company S/A, cujo responsável era o controlador do grupo Petrópolis.

Repatriação bilionária de valores sem origem comprovadamente lícita ?" Faria aderiu ao programa de regularização cambial, informando possuir mais de R$ 1,3 bilhão depositado em contas de empresas offshore. Algumas dessas contas, direta ou indiretamente, receberam valores das contas controladas pela Odebrecht e por operadores ligados ao caso dos navios-sonda, indicando que ao menos significativa parte desses valores tem origem não comprovadamente lícita.

Destaque-se ainda que, de acordo com documentação encaminhada da Suíça, foram identificadas 38 empresas offshore distintas com contas bancárias no EFG Bank de Lugano, controladas por Faria. Mais da metade dessas contas permaneciam ativas até setembro de 2018.

De acordo com o procurador da República Alexandre Jabur, "mesmo comparando com outros casos da Lava Jato, chama a atenção a expressiva quantidade de recursos lavados por Walter Faria e por executivos do grupo Petrópolis. Além disso, o fato de ainda manter recursos no exterior sem origem lícita comprovada e realizar a regularização cambial de mais de R$ 1 bilhão denota a permanência na prática do crime de lavagem de dinheiro e autoriza, conforme reconhecido em decisão judicial, a decretação da prisão preventiva do investigado".

Provas ?" A investigação está amplamente fundamentada em diversas provas, incluindo
declarações prestadas por investigados que celebraram acordos de colaboração com o Ministério Público Federal; provas apresentadas nas ações penais 5083838-59.2014.404.7000, 5014170-93.2017.4.04.7000 e 5036528-23.2015.4.04.7000; documentos remetidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos da petição 6.694/DF; documentos obtidos por cooperação jurídica internacional; documentos transmitidos espontaneamente pelas autoridades suíças às autoridades brasileiras; documentos extraídos do sistema Drousys, utilizado pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, para registro da contabilidade paralela da empreiteira; e documentos obtidos a partir da quebra do sigilo telemático, bancário e fiscal de investigados, autorizadas pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Segundo o procurador da República Felipe D'Elia Camargo, "as investigações apontam para um esquema milionário de lavagem de dinheiro em que o grupo Petrópolis atuou em favor da Odebrecht na gestão, disponibilização e destinação de valores ilícitos. Foram identificados bens milionários, adquiridos a partir das contas utilizadas para o pagamento de propina, que ainda são mantidos no exterior. Isso reforça a necessidade de a Lava Jato continuar as investigações para esclarecer os fatos e buscar a recuperação daquilo que foi desviado dos cofres públicos".
Herculano
31/07/2019 09:44
QUEM SOFREMANIPULAÇÃO DIGITAL?por Hélio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, no jornal Folha de S.Paulo

Agimos no mundo virtual como se deixássemos a chave de casa sob o capacho

Nos anos 1980, os hackers invadiam as secretárias eletrônicas alheias teclando rapidamente os seguintes algarismos em sucessão: 12345678987654321357924686429731474193366994488552277539596372582838491817161511026203040506070809001. Essa é a menor sequência de algarismos que percorre todas as combinações de dois dígitos que compunham a senha das secretárias eletrônicas.

Quem poderia imaginar que a antiquada caixa postal do celular nos exporia a todos em 2019?

Outro truque barato foi demonstrado durante a conferência hacker DEF COM, em 2018, em Las Vegas, para violar o PayPal, e foi usado pelohacker tupiniquim para violar centenas de contas do Telegram.

A receita é a seguinte: 1) obter o número de celular da vítima; 2)instalar o Telegram (ou outra rede social) utilizando como login o número da vítima; 3) ao indicar que esqueceu a senha, solicitar sua redefinição por meio de chamada de voz gravada (em vez de SMS); 4) ato contínuo, inundar o telefone da vítima com chamadas para ocupar a linha e assim direcionar a gravação de voz com a senha provisória para a caixa postal. A partir daí, basta entrar na caixa postal da vítima e capturar a senha. Voilà!

Se no mundo real protegemos bens e dinheiro com cadeados e chaves e zelando por nossas carteiras, na internet a obtenção fraudulenta de senhas abre as portas para nossos segredos e intimidades, e, no caso de cartões de crédito e senha de banco, para nosso patrimônio.

Serviços gratuitos como Facebook e Gmail se monetizam por meio de anúncios individualizados baseados nos dados de comportamento dos usuários. Quanto mais dados coletados e processados, melhor se preveem as intenções de consumo.

Essa coleta e tratamento maciço de dados assusta muita gente. A tese de Shoshana Zuboff em seu recente livro "The Age of Surveillance Capitalism" é que nossos comportamentos são coletados e vendidos aos "capitalistas vigilantes", principalmente Facebook e Google, que, por sua vez, nos subjugam.

Argumento similar é abordado em "The Great Hack", documentário alarmista de esquerda no qual o usuário de rede social é descrito como manejável, com comportamento manipulado por propaganda microcustomizada à sua personalidade. Isso explicaria as vitórias de Trump, Bolsonaro e o brexit. Bobagem.

Não considero que a microcustomização seja a vilã das eleições. Propaganda, fake news, malícia e carisma existem há séculos, e uma regulamentação não os fará desaparecer. Sim, a propaganda funciona, mas só perdura se vinculada a um bom produto. Em vez de criticar a propaganda, os adversários deveriam trabalhar em um produto superior.

A microcustomização pode gerar alguns anúncios indesejados, mas em geral atende uma necessidade real. Os usuários parecem acreditar que a troca de seus dados pelo uso gratuito da rede social compensa. Aquele que discordar pode usar outra rede social. É uma decisão difícil, mas é toda do usuário.

Acima de tudo, costumamos ser desleixados, agindo no mundo virtual como se mantivéssemos as janelas do banheiro escancaradas para o vizinho ou deixássemos a chave de casa embaixo do capacho. É fundamental, portanto, traçar o limite de sua vida privada e defender seus tesouros.

Chama a atenção no recente episódio do hackeamento o descuido de pessoas do alto escalão do poder púbico com sua segurança digital. Esquecem-se de lições básicas como fazer as atualizações, não usar wi-fi de terceiros ou públicos, habilitar a autenticação de dois fatores, criptografar seus backups e procurar usar soluções criptografadas.

Não basta mais desabilitar a caixa postal.

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