Afinal, o que o governo Kleber quer esconder dos gasparenses ao tumultuar a CPI das dúvidas nas obras de drenagem e pavimentação da rua Frei Solano? - Jornal Cruzeiro do Vale

Afinal, o que o governo Kleber quer esconder dos gasparenses ao tumultuar a CPI das dúvidas nas obras de drenagem e pavimentação da rua Frei Solano?

20/04/2020


Esta foto mostra que as bocas de lobo foram colocadas em lugar que era impossível preparar a infraestrutura da rua. A prefeitura queria que a nova empreiteira corrigisse o erro do projeto original e feito pela própria prefeitura, sem custos. A empreiteira se recusou e foi “demitida” do serviço.

Depois de um mês paralisada (a última sessão foi no dia 12 de março e presencial, realizada no plenário da Câmara) por causa da proibição estadual de reuniões públicas durante a quarentena, para assim, supostamente, livrar o sistema de Saúde do estrangulamento pela Covid-19, a CPI que tenta apurar as dúvidas das obras drenagens e repavimentação da Rua Frei Solano, no Gasparinho, retomou os trabalhos, mas virtualmente, na quinta-feira, dia 16.

E nada mudou. Os vereadores da base do governo do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB – Roberto Procópio de Souza, PDT, titular e Francisco Solano Anhaia, MDB, suplente -, por serem maioria na CPI, continuaram a trabalhar para enterrá-la no tapetão.

Tumultuam e inviabilizam à tomada depoimentos de técnicos, como já aconteceu anteriormente – com o voto do titular Francisco Hostins Júnior, MDB - e amplamente reportada aqui neste espaço. Aliás, Gaspar e os gasparenses pouco sabem desta CPI a não ser nesta coluna e na rádio comunitária Vila Nova FM. Os “çabios” que cercam Kleber tentam conter essa divulgação na comunidade.

Desta vez, para uma dúvida administrativa lançada por um burocrata da Câmara, criou-se uma polêmica que durou 25 dos 33 minutos da reunião. Incrível!

E as obras para além das dúvidas – que a CPI apura - e aborrecimentos que vêm causando aos moradores e comerciantes daquela região, estão se enrolando há um ano e meio. E olha que ela foi prometida na propaganda governamental, com a reurbanização que se atrasou até no processo licitatório, para três meses.

O primeiro sinal de desapego pelo patrimônio público começou com os paralelepípedos da rua. Eles quase foram parar no lixo, se não fossem as denúncias dos vereadores de oposição sobre este desatino, denúncias e a ampla publicidade que se deu na época.

QUEM OUVIR?

E qual foi a penimba desta vez? Na reunião do dia 12 de março, convocou-se a engenheira fiscal da prefeitura para as obras de repavimentação e o engenheiro responsável pela fiscalização da execução desses trabalhos, ganhos em licitação, pela Engeplan. Neste caso seria André Luiz Moretti.

O assessor da Câmara, Pedro Paulo Schramm, interviu na reunião informando que oficialmente, só oficialmente, porque de prático nada fez na obra, a Engeplan tinha nomeado para a licitação e à representação do CREA, o engenheiro Arnaldo Assunção. Mas, que no dia a dia, e quem a acompanhou assinou o diário de obras, foi o André.

Foi André que, por exemplo, quem sofreu na carne à falta de projetos conhecidos e harmônicos entre si e que complicaram a vida da Engeplan.

Esta falta de projetos e a harmonia técnica entre eles, inviabilizaram no tempo e nos custos prometidos, devido a gabaritos destoantes, à implantação da coleta de água pluviais nas galerias implantadas pela prefeitura – que começou a obra – e pela empreiteira do Samae – a autarquia que se responsabilizou pela maior parte na implantação da nova infraestrutura da rua.

André, no dia-a-dia, foi a boicotado – e isso soa muito estranho – pela própria secretaria de Planejamento Territorial e a Ditran - Diretoria de Trânsito - na interdição da Frei Solano para facilitar e acelerar à execução dos serviços contratados como a preparação da cancha para o asfaltamento da Frei Solano pela Engeplan.

Foi sob às vistas de André que a prefeitura de Gaspar mandou a Engeplan embora e preferiu ela mesma assumir o que se arrastava para dobrar custos aos gasparenses. E mesmo estando à frente daquilo que apontava como lerdo, a prefeitura não consegue avançar e entregar o que prometeu para início do ano passado.

A CONFUSÃO PROPOSITAL

Com o circo armado, e com a reunião pressionada pelo tempo da gambiarra digital da Câmara, a qual só permite uso do sistema por 40 minutos, quase que os governistas levaram vantagem na jogada levantada por um assessor da Comissão: queriam colocar em votação algo que já havia sido deliberado e decidido no voto, ou seja, o trazer quem na Engeplan acompanhou a execução da obra.

Houve de tudo de parte a parte: convocar o engenheiro que deu o nome ao processo; convocar os dois, mandar o ofício para a empresa para que ela decidisse quem enviar para em nome dela prestar depoimento etc. Ao fim, sem que isso fosse registrado na transmissão, prevaleceu o que já havia sido deliberado e votado no dia 12 de março.

Se caso houvesse nova votação, a preferência dos vereadores governistas era para o Arnaldo viesse depor. E por que? Para ao fim, desqualifica-lo. E por que? Porque supostamente não esteve presente fisicamente e nem assinou o diário da obra. Resumindo: não teria, em tese, autoridade, como fiscal de fato daquilo que viu e anotou no diário. Entenderam?

O governo Kleber está enrolado e possui medo dos depoimentos técnicos. Os feitos até aqui, laçaram o governo nas dúvidas e contradições que ele nega e a CPI tenta esclarecer. O depoimento da Engeplan é o mais temido, mais pela forma como a empresa saiu daqui: julgada como incompetente.

Kleber e seu entorno temem retaliação. Pois, foi a Engeplan quem insinuou que em Gaspar há um “sindicado” de empreiteiras e ela foi “corrida” porque não faz parte desse “sindicato”.

Particularmente, acho que não haverá retaliação e a Engeplan que discute o assunto na Justiça, está atrás da reparação financeira dos seus prejuízos por aqui. Ela quer salvar esta parte, ainda mais em tempo de crise e se provar que foi injustiçada.

Mais do que isso, a Engeplan sabe que o “sindicato” é uma forma de sobrevivência em qualquer situação de poder. Há territórios. Aqui ele está fechado e hoje ela está fora, já amanhã...É, infelizmente, do jogo jogado neste ambiente que não é para fracos.

E estes assuntos não serão propositadamente aventados nem por André e nem seria por Arnaldo. Eles são de bastidores. E o depoimento de um ou de outro poderá dar pistas se nos bastidores a Engeplan já mudou o conceito sobre o atual governo e o tal “sindicato”. Acorda, Gaspar!

CINCO NOTAS

1. Um assessor só fala numa sessão ou reunião oficial do legislativo se questionado. Isso é privativo dos membros do legislativo ou de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O procurador Klitzke, por exemplo, sempre se manifesta quando arguido. Pedro Paulo quebrou esse procedimento. Os vereadores Dionísio, presidente e o oposicionista, Cicero Giovane Amaro, PL, colocaram as barbas de molho depois do episódio de quinta-feira. Era um assunto superado nos bastidores.

2. O assessor parlamentar do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, que a prefeitura queria obriga-lo a voltar para a sua função à qual estava lotado como concursado e ele preferiu se desligar da prefeitura, Uillian Rafain de Souza, agora é também assessor da CPI.

3. Outra dúvida é onde ouvir os depoentes desta quinta-feira, diante da precariedade do sistema digital da Câmara. Bobagem. O presidente da CPI está na mesa diretora e o plenário distante pelo menos cinco metros, isto sem falar que o auditório a 20. Um não pode ficar de frente para o outro para facilitar à transmissão da reunião?

4. O vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, subiu nas tamancas durante a reunião da CPI reclamando do sistema digital da Câmara. Ele está coberto de razão. Venho escrevendo, reclamando e denunciando isso há anos, apesar do dinheiro que se gasta pelo jeito, pois investir é trazer retorno, neste setor. Estou de alma lavada. Espera-se que tomem vergonha e não usem a precariedade para gastar dinheiro à toa com curiosos como se gastou até agora.

5. E para o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, que virou garoto propaganda e avalista de quem está com a credibilidade abalada, bem como ao próprio Roberto, abaixo ofereço pontuações sobre a live de dois entendidos sobre este assunto no âmbito corporativo. Aliás, essas pontuações são preferencialmente para os leitores e leitoras, que sustentam o mundo de fantasia e gastança dos políticos.

O que esta crise está nos ensinando entre muitas coisas? Que as empresas devem abandonar as gambiarras digitais. Os bancos saíram na frente porque os sindicatos os empurraram para uma solução há duas décadas.

Colocaram seus clientes a trabalharem para eles com a disponibilização da tecnologia. Mas até eles precisam evoluir. Agora, é a vez do comércio, educação e saúde.

Vamos ficar dependentes de produtores internacionais? A crise mostrou como isso é perigoso no caso chinês. Haverá reflexões e mudanças, mas vai demorar. Exige investimentos e estrangeiros. Não temos poupança. E a crise solapou ainda mais o poncho que se tinha.

Crise, sempre quando aconteceu, foi para se encontrar soluções, mas principalmente para colocar em prática aquilo que deixamos de lado por puro conforto, teimosia, medo do novo e até desconhecimento.

Resumos dos Insights da live do Sílvio Romero de Meira Lemos, cientista, professor e empreendedor, co-fundador do Instituto de Inovação Cesar, e da live do Divesh Makan, fundador da Iconiq Capital, de San Francisco, Califórnia USA. Este texto está disponível na internet. Fiz alguns comentários pessoais.

 


Charge de Duke e publicada no site do jornal mineiro, O Tempo, em 10.04.2020

Empresas terão que abandonar a "gambiarra digital". Ou é digital mesmo ou não é. Plataformas digitais competentes mesmo que sejam pequenas são as que vão sobreviver [ minha observação: mais do que digitais, terão que ser simples, amigáveis com custos baixos e competitivos. Esta observação serve para o ente público cheio de carimbos, caros carimbadores presenciais e a necessidade de se atestar ainda em cartórios sob paga. A identificação digital do brasileiro é a menor entre os emergentes, por exemplo. A razão? É cara, burocrática e centralizada no estado ].

Comércio online deixa de ser uma opção secundária de compras. As lojas físicas serão redesenhadas como espaços de experimentação da marca, mas as vendas migrarão mais rápido para o online do que se imaginava antes [minha observação: os shoppings serão cada vez mais centro de lazer e serviços; já escrevi sobre isso e os meus clientes tem recebido este insight há pelo menos cinco anos; não é uma invenção e nada é da minha cabeça, é uma tendência].

95% das lojas Starbucks foram reabertas na China, mas o movimento na loja é de 60% do que era. As pessoas não consomem mais na loja, compram e vão embora. Starbucks tem que rever o modelo reduzindo espaço de convivência.

Os maiores varejistas americanos já demitiram mais de 1 milhão de pessoas e devem reempregar somente 85 % deles no fim da crise. A explicação é que o comércio tradicional vai encolher.

O negócio de seguradoras vai sofrer profundas transformações [minha observação, neste caso o de saúde, principalmente nos países onde a rede pública não é parecida como a brasileira. Aqui precisaria de uma transformação, mas os políticos, os donos de planos e a agência reguladora impedem].

Educação online está se provando no meio da crise. Vai haver uma revolução na forma como se aprende em todos os níveis. Os serviços de saúde como atendimento, diagnósticos e estudos compartilhados e ajuda remota entre profissionais especialistas, bem como o relacionamento com pacientes, também mudará mais rapidamente do que já se faz hoje.

Sai o estoque “just in time” e entra o “just in case”, as empresas aprenderam com a crise que precisam ter estoques maiores de segurança, principalmente quem tem cadeias longas de fornecimento [ particularmente, tenho muitas dúvidas. Ora, se o custo é um problema, estoques são custos, mesmo distribuído nas cadeias, a não ser que vamos ser dominados por crises semelhantes].

EUA desenvolveram uma cadeia de “supply” com a China nas últimas décadas que fez com o tempo os americanos perderem capacidade tecnológica de fabricar no país. Isso vai mudar por questões de segurança. O globalismo sofrerá um duro revés, substituído pelo protecionismo [ discordo: essa dependência e esse modelo de globalismo se fortaleceram exatamente por causa dos custos competitivos. O que vamos experimentar é um novo globalismo, o que dará mais segurança da cadeia de insumos, produção e consumo interna com custos competitivos; no Brasil será preciso rever os custos sociais do emprego e principalmente a máquina pública inchada e cheia de privilégios]

Não existe setor da economia ou tamanho de negócio que possa dizer "eu não tenho necessidade de investir no digital". Quem pensar assim não tem futuro.

Hábitos de viagem mudarão radicalmente. Redução absurda nas viagens de negócios substituídas pelas “vídeocalls”. Viagens de lazer serão mais para o interior junto a natureza em lugares com baixa concentração de pessoas [com isso, o entretenimento adulto que gravita em torno das viagens de negócios poderá sofrer mudanças].

Existem 1.700.000 vírus detectados em animais, desses 1.700 são coronavirus. Temos que aprender com essa crise e preventivamente estarmos prontos para ter um surto por década.

O modo de viver de se relacionar de trabalhar vai mudar tanto que nós dividiremos a história em "Antes do Corona" e "Depois do Corona".

Direitos individuais x saúde será um dos grandes debates no mundo a medida em que rastrear individualmente cada indivíduo é uma das estratégias mais eficazes de controle de epidemias, mas pode ser usado pelos Governos para controle das pessoas.

O consumidor foi "forçado" a migrar nesse momento para o comércio online. As empresas que conseguirem proporcionar uma experiência muito boa em todos os aspectos não perderão esse cliente para as lojas físicas ao fim da pandemia. Ao contrário, as empresas que se mostrarem despreparadas perdem espaço. [meu comentário: esse processo será lento, apenas se acelera com o episódio deste momento e só vira hábito, se esta situação perdurar por muito tempo – o que é improvável]

Assim como os remanescentes da antiga indústria americana tem dificuldades de se recolocar e acabam por sustentar posições políticas protecionistas (que culminou com a eleição do Trump), esse movimento vai se alastrar pelo mundo com o crescimento rápido da indústria digital.

Não vejam a crise como momento de cortar custos. Pensem em investir em novas áreas em novas tecnologias, vai ter muita oportunidade para as empresas que agirem rápido, vamos renascer num mundo novo, viveremos um "novo normal", a vida vai ser diferente, ninguém sabe exatamente como, mas temos que estar abertos e preparados para nos adaptar com agilidade ao que vier pela frente.

O setor agrícola brasileiro tem uma oportunidade de ouro, precisa investir cada vez mais em tecnologia e digitalização, e na qualificação dos seus profissionais e gestores [meu comentário: vivo neste setor intensamente desde 1979, é o que mais evoluiu – manejo, logística, sementes, matrizes, rotação, proteção ambiental, identificação de origem, combate e prevenção de doenças, dinâmicas de comercialização, mercados, interiorização fazendo surgir novas cidades minimamente estruturadas - e o que está mais aberto a essas mudanças, até ontem]

Conclusão: quem hoje está ocupado já precisa começar a pensar na sua futura profissão, tem que se atualizar o tempo todo nas novas tecnologias. As empresas de educação e o MEC precisam se comunicar com o mercado intensamente e entender às necessidades para fornecer os conteúdos demandados que não são mais aquilo que as universidades hoje entregam aos alunos. Re-treinamento contínuo. Na sociedade do conhecimento não existe "ex-aluno". Ou você está aprendendo o tempo todo ou você está desempregado.

O coronavírus promove políticos e quem padece é a população I


Saiu Mandeta, o eloquente e o boi de piranha da mídia contra Bolsonaro. Entra Nelson Teich sob reservas severas.

O político, Luiz Henrique Mandetta, que foi deputado Federal pelo DEM-MS, o que usava o diploma de médico ortopedista e a sua boa comunicação para “salvar” os brasileiros, o que usava essa narrativa para construir palanques e servir a esquerda do atraso, ao centrão do toma lá dá cá e à mídia para cutucar o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, foi embora.

Há um mês, metendo-me numa seara que não é minha e onde há gente muito melhor, mais qualificada do que eu e muito mais próxima do poder Central em Brasília, escrevia defendendo à saída de Mandetta. Não exatamente pelas qualidades de médico, que as desconheço, de gestor da saúde, que a desconhecia e agora se desnuda em números represados para alimentar propositadamente a falsa propaganda, mas pela incapacidade dele para trabalhar em equipe e nela, reconhecer um modelo de autoridade no governo.

Pode-se questionar este modelo centralizador e autoritário de Bolsonaro, mas todos que aceitaram trabalhar com o presidente neste modelo, tem a obrigação respeitar – principalmente em público - ou então devem sair dele. Bolsonaro – quer queira ou não - foi eleito com esse predicado: romper o establishment e o mainstream [também já escrevi sobre isso].

Mas isso é passado. A saída e a minha posição são conhecidas. Elas podem ser relidas em colunas anteriores.

Sobre quem o substituiu nem ouso escrever. No papel, o seu currículo é invejável, seus resultados como empreendedor e principalmente, inovador, também.

Entretanto, o também médico, mas oncologista – ou seja, conhece o que é câncer das pessoas, mas ainda não do sistema político -, Nelson Teich, não conhece a máquina pública. É um tipo de câncer com amplas metástases que engana o mais avançado PETscan no diagnóstico por imagens. Esta doença está impregnada de gente que não quer que máquina pública, engolidora dos escassos pesados impostos de todos – principalmente dos mais pobres -, funcione para o cidadão, mas para os que estão protegidos pela estabilidade e até de privilégios, da negociata, do toma-lá-dá-cá...

Então o excepcional currículo de Teich não é nada nesse jogo, ainda mais da forma como ele entrou: no lugar de um político que fazia o jogo da academia, da ciência ideologizada, da elite da máquina pública e da mídia, também infestada de verdades ideológicas, apesar de ser um ambiente científico e técnico, bem áspero para a mídia.

Mais. Até mesmo na iniciativa privada onde se avalia resultados, já testemunhei muita gente de currículo excepcional dar com os burros n’água. Não conseguia transformar as expectativas em resultados.

Então é aguardar, mesmo em tempos de guerra. A Covid-19 é uma forma dos políticos se aproveitarem em vantagens e palanques, mesmo que a população – seus eleitores que sustentam os políticos - fique refém e imobilizada (ou morta) pelo coronavírus e pela burocracia da máquina pública.

Teich, ao menos é um alinhado de Bolsonaro, como são os técnicos Paulo Guedes (que tinha sugerido Teich), Sérgio Moro...

O coronavírus promove políticos e quem padece é a população II


O secretário interino da saúde e prefeito de fato à esquerda e o prefeito Kleber, a direita

Em Gaspar, a saúde pública é um desastre. Não se trata de uma crítica, mas de constatações. E os testemunhos de doentes e pobres abundam. Mesmo assim, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, está nas redes sociais, sendo o repórter promotor do desastre que ele mesmo coordena a quase três anos e meio ou delega para gente que está destruindo palanques dele, ao invés de construí-los.

Kleber está refém das suas próprias verdades. E não há mais tempo para sair dessas amarras.

A secretaria de Saúde teve quatro secretários titulares diferentes – a primeira, uma técnica indicada por um empreendedor apoiador, foi logo dispensada – e cinco gestões. O prefeito está repetindo interinamente o advogado, presidente do MDB de Gaspar, coordenador da campanha, secretário titular da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, e prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira. Resumindo: quem está tocando a secretaria é um curioso na área e na gestão.

O secretário interino, que teve que ficar numa quarentena de uma semana depois de férias recentes no Caribe, tiradas em pleno surto. Há duas semanas, chegou a anunciar que os casos da Covid-19 em Gaspar estavam diminuindo. Os próprios boletins oficiais – cuja titular da pasta de comunicação está em casa com a doença - estão a desmenti-los diariamente.

E de onde veio o primeiro óbito da região? De Gaspar, mas quase ele foi contabilizado para Blumenau. É que sem infraestrutura, Gaspar exporta e confia que os mais graves vão ser aceitos e tratados em Blumenau, Brusque e Itajaí. Simples, assim!

Gaspar não se preparou para a Covid-19, que surpreendeu o mundo. Normal. O que Gaspar não fez então? Se preparar para o dia-a-dia da cidade e da demanda dos cidadãos. Agora, no final da corrida da reeleição queria fazer uma maquiagem. Ganhou uma muleta e que será desculpa para tudo que não se pode reverter em benefício para a cidade: a Covid-19.

Este é o retrato da ré onde está metida a Saúde Pública em Gaspar. Ela não esperava por este teste duro, o da Covid-19. O Hospital de Gaspar – que ninguém sabe quem é o dono – está sob intervenção marota inventada pelo governo de Pedro Celso Zuchi, PT.

Ele achava que a mixaria de recursos repassada pela prefeitura ao Pronto Atendimento do Hospital era roubada pelos seus adversários. Nunca se provou uma ai sobre isso. Pior. Foi com Zuchi que começaram a ser aumentar o os repasses para o Hospital com a falta de prestação de contas à comunidade. Kleber dobrou a aposta e à falta de transparência.

Kleber que poderia consertar essa anomalia no início do seu governo, preferiu o modelo do PT, que ele tanto combateu na campanha eleitoral para ganhar votos. Ouvindo os seus “çabios” na máquina de empregar cabos eleitorais sem condições técnicas para resultados ao seu próprio governo, deu corda e dinheiro para nada melhorar de verdade à população.

Agora, Kleber não pode fazer nada de radical nessa área, sob pena de que o que está ruim, poderá ficar péssimo. Esta é a tal eficiência, o que se avançou, o que tratou do futuro como mostram as propagandas oficiais que possuem destino para os que se “comportam” bem.

O Hospital de Gaspar é um coveiro de gente mal atendida que entra com uma dorzinha e sai de lá obrigado a procurar cura – quando não a morte - em outro lugar. As histórias são repetitivas e as páginas do jornal Cruzeiro do Vale são testemunhas de muitos casos.

O Hospital é patrocinador do desatino. Ele teve sob Kleber, quatro administrações, que em comum, possuíram a falta de transparência e a promessa de colocar a casa em ordem. O Hospital, todavia, mal aparelhado e mal gerenciado, atende mal. É um comedor guloso de verbas públicas, como já relatei em números aqui neste espaço. Não só ele, mas a secretaria da Saúde que extrapolou em muito o Orçamento. Ou seja, falta de dinheiro, aparentemente não foi.

Agora, o Hospital de Gaspar finge que está atrás de uma UTI, tão necessária para salvar gente acometida pela Covid-19. Mas foi Kleber, e principalmente o prefeito de fato, o atual secretário de Saúde, Carlos Roberto Pereira, que resistiram à esta ideia durante mais três anos, até mesmo nos projetos de lei que o médico cardiologista e político, Silvio Cleffi, PP, apresentou na Câmara e os teve aprovados. Do que se arrecadou no IPTU para esta finalidade, nada se sabe até agora.

Faltaram prioridades. Falta transparência. Falta engajar a sociedade nesta empreitada. E por que isso não acontece? Porque falta credibilidade aos que administram a cidade e a área. Faltam mudanças. Faltaram resultados, necessários para a grande virada. O coronavírus é mais um palanque para os políticos de oportunidade. E quem padece, de fato, é a população. Acorda, Gaspar!

O coronavírus promove políticos e quem padece é a população III

As viúvas do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não tendo resultados próprios para difundir, preferem se agarrar ao desatino dos outros.

O atual interino da Saúde, o advogado Carlos Roberto Pereira, MDB, foi à sua rede social exibir o seu passado de influência em Brasília, quando foi recebido numa audiência pelo ex-ministro concedida pelo ministro, na verdade, aos deputados federais Darci de Mattos, PSD, e Rogério Peninha Mendonça, PP. Acompanhava o prefeito eleito, Kleber Edson Wan Dall, MDB.

Escreveu o secretário interino na semana passada em sessão de carpideira: “ano passado, quando era secretário da Saúde, tive a oportunidade de conhecer o Ministro Mandetta. Naquele dia, sai da audiência entusiasmado, porque percebi nele uma grande capacidade administrativa e política. Nessas últimas semanas, em meio a essa pandemia, sua atuação enquanto ministro foi impecável. Lamento sua saída precoce e em meio a essa crise de saúde. Só posso, humildemente, agradecer pelo seu belíssimo trabalho e desejar sucesso ao próximo Ministro da Saúde”.

Ai, ai, ai. Ele saiu entusiasmado daquela audiência com o ministro – e um monte de deputados - e as coisas na área da saúde em Gaspar continuaram tão ruins como antes, como relatei acima?

A atuação do ex-ministro foi impecável na pandemia? É! Quanto e quando Gaspar foi beneficiada nesta crise do Covid-19? O secretário faz um discurso para os eleitores, os pagadores de pesados impostos, os que movimentam a economia local e um outro para os políticos de Brasília que querem a economia parada? É isso?

Finalmente. “Agradecer o belíssimo trabalho do ex-ministro”? Mas, em nome de quem mesmo? De Gaspar? Certamente, não foi, pois quem vai ao Hospital reclama, quem vai aos potinhos reclama, quem vai as farmácias reclama, quem vai à policlínica reclama. E quem está vulnerável ao coronavírus, torce para que seja uma gripezinha – que é o que acontece com a maioria – e que sendo sério, os hospitais de Blumenau, Brusque e Itajaí possam acolhê-los. Mais uma vez, a Covid-19 promove os políticos, os que se dizem gestores mas são políticos, e quem padece de verdade é a população, a mais vulnerável. Acorda, Gaspar!

O coronavírus promove políticos e quem padece é a população IV

Luiz César Hening é um dedicado funcionário público. Era um crítico de administrações passadas. É auxiliar de farmácia concursado. E no atual governo é comissionado lotado em funções burocráticas no tradicional Posto de Saúde do Centro de Gaspar.

Na semana passada, na sua rede social, ele e o gestor (e comunicador) da rádio comunitária Vila Nova FM, o ex-vereador Almir (Miro) Salvio quando estava no extinto PFL, agora está filiado ao PL, trocaram farpas. E duras.

Escreveu Luiz: “ Bolsonaro o pior filho da puta da história e quem não gostar, não comenta; me exclua”. E não teve nada a ver com o discurso de enfrentamento do domingo do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, contra o Congresso, os políticos do toma-lá-dá-cá e as decisões de enquadramento do Supremo ao arrepio da Constituição. E daí vieram respostas ofensivas, entre elas, as do Miro, um defensor de Bolsonaro. Sobraram para as mães e todos os lados e modos.

Primeiro é preciso contextualizar essa “briga”. É que a Vila Nova é a voz no rádio gasparense – apesar das limitações de alcance - que incomoda o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e principalmente na área da saúde. São depoimentos e reclamações, em cima de depoimentos e reclamações. O pessoal da prefeitura fica doido. Resta ir atrás dos depoentes e pressioná-los.

Segundo. Luiz é sangue quente e peitudo. E eu aqui, já dei espaços generosos –e pela razão na minha análise - para ele criticar outros governos. Mas, hoje Luiz é uma das vozes de Kleber para peitar os adversários. É assim que funcionam os quase 150 cargos comissionados e 100 de funções gratificadas. É uma máquina de votos. E chegará a hora de segurar bandeiras nas esquinas da cidade.

Terceiro. Miro está voltando à política para ser candidato a vereador e este é o bafo de quem coloca as maguinhas de fora. E se bem-sucedido, Miro vai tirar uma vaga do time de Kleber, se Kleber for reeleito. E o time de Kleber já mirou no Miro Sálvio. Só isso. E um dos escalados é o Luiz César Hening, só isso, também. Como Miro não cede, Luiz e outros crescem para cima dele para ver quem vai baixar a crista primeiro. Talvez as urnas testemunhem isso.

E por que estou abrindo espaço para essa briguinha na rede social e que tende a aumentar à medida que se definem entre si os adversários a atual administração Gaspar? Por causa de uma das lembradas de Luiz, de que Miro, no passado, quando vereador, foi pego olhando material pornográfico na internet da Câmara. Ótima cobrança. Tem que lembrar e fiscalizar. Mas, é este o único pecado do Miro? E lá longe? Ele não pagou essa conta? Hum!

Se o pecado não se apaga, porque não lembrar uma pornografia mais recente e esta do próprio Luiz? Ah, já se esqueceram?

Foi Luiz, que a pedido, que não se sabe de quem, permitiu que uma companheira de um indicado do primeiro escalão do governo Kleber, domiciliada em Blumenau e Balneário Camboriú, que não trabalha em Gaspar, fosse atendida no sistema municipal de saúde com consultas, exames laboratoriais e uma mamografia e para isso, Luiz aceitou colocar na ficha da paciente, que ela morava no próprio Centro de Saúde do Centro.

Então? Na falta de argumentos e resultados, é dessa forma que a sofisticada e cara campanha de Kleber vai desqualificar os adversários como fez Luiz? Se é este o caminho, lamento informar-lhes que é a busca do suicídio. Na fila da Saúde pública, o gasparense está padecendo, enquanto os afortunados por estarem no governo Kleber furam a fila para privilegiar os que vão pedir votos para a reeleição. Acorda, Gaspar!

Crise pega de frente o modelo de negócio ultrapassado da Havan

O empresário Luciano Hang, dono das Lojas Havan, sofreu duplo ataque das circunstâncias e eles deixaram duas feridas expostas.

A primeira é de que a quarentena e o fechamento obrigatório por decreto do comércio atingiram de frente o seu negócio em quase duas centenas de lojas, muitas delas, megas.

A segunda, de forma injusta, na minha avaliação, as críticas contra ele pela dispensa temporária, permitido na Medida Provisória, de 11 mil dos 22 mil empregados. Os dispensados, por enquanto serão pagos parcialmente pelo governo com a garantia de que voltarão aos seus postos.

Antes mesmo da Covid-19, a Havan era um “case” de estudos no meio acadêmico, aquele que lida com o planejamento e inovação. Ela crescia, por expansão acelerada e na contramão da realidade, num modelo de negócio que não mais existe para os atuais players. Se fosse uma empresa aberta, as ações da Havan estariam no chão por falta de futuro.

Não vou me esticar neste assunto. Quem leu, acima, os insights da live do Sílvio Romero de Meira Lemos, cientista, professor e empreendedor, co-fundador do Instituto de Inovação Cesar, e da live do Divesh Makan, fundador da Iconiq Capital, de San Francisco, Califórnia USA, compreenderá o que escrevo e como a Havan está vulnerável no seu modelo de negócios.

Cada vez mais, as lojas serão virtuais, dinâmicas, promocionais, inovativas e agressivas no relacionamento com seus clientes, fornecedores e parceiros de negócios. Os estoques serão automatizados e em locais de baixo custo – quando não apenas uma intermediação comercial da loja do produtor com o consumidor sem que o produto passe fisicamente pelo estoque da loja. Tudo aliado a uma logística apurada, integrada e de baixo custo.

Das grandes redes de varejo que atuam no Brasil, é nulo, praticamente, o comércio virtual da Havan. Na crise, é a única no seu segmento e tamanho que não está funcionando, pois depende do público ir fisicamente às suas lojas. E por isso, que Luciano teve que demitir ou colocar em quarentena seus empregados com ajuda governamental, ou seja, com parte dos nossos impostos. Tantas outras fizeram, mas Luciano foi o alvo escolhido. E por que?

Porque Luciano tomou partido da situação política no país a favor de Bolsonaro, da ala conservadora e até flerta com o autoritarismo. Isso ficou visível na condenação que faz da impressa e como usa a sua rede social para adular o atual governo e principalmente para desqualificar e apontar a roubalheira dos governos petistas.

Afinal, na empresa dele, manda ele, do jeito dele, mesmo que o mundo esteja em mudança.

Em outros países como Estados Unidos, Canadá e na maioria dos Europeus que conheço pessoalmente ou por “cases” empresariais, a atitude pública do dono dos negócios é normal, mesmo em megas negócios, dependentes de leis governamentais protetivas. Elas são feitas para o setor, para o país, para a sociedade e não, necessariamente, para uma empresa dominante ou apoiadora do governo de plantão.

Afinal, esses donos de negócios são cidadãos.

No Brasil, ser cidadão é um tabu pelo simples fato de que os empreendedores, empresários, investidores e até mesmo executivos, são dependentes dos benefícios dos que estão no poder. As portas se abre e fecham, dependendo das palavras públicas. Aqui não se olha, na maioria dos casos, o setor, mas a pessoa, a marca, a empresa, o poder e o retorno dele no mundo político de quem possui a caneta para o benefício, o perdão e à punição.

No Brasil, não há clima para o reconhecimento ao direito de cada um pode ter uma opinião, uma causa e lutar por elas, a menos que ele se integre ao establishment e ao mainstream de viés socialista moreno, de acomodação na divisão de propinas e canais de corrupção que oneram a vida do cidadão.

E não é o primeiro revés que Luciano sofre por fazer o que dá na telha.

Em Gaspar, a sua loja, em dois anos depois de inaugurada – 18 de março de 2018 – ela ficou mais tempo fechada do que aberta no Bela Vista. E continua fechada e não é pela Covid-19. Luciano que supervisiona tudo, contratou mal os engenheiros, elogiou quem lhe facilitou na prefeitura e gastou muito dinheiro no foguetório. Agora está com o mico na mão. Internamente, a Havan de Gaspar é uma loja que está na lista para nunca mais abrir pois comeu o lucro de outras no passado e no futuro. Ao público, Luciano já negou...

TRAPICHE

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, de Gaspar, ainda não disse quanto ele vai sacrificar do seu salário de R$27.356,69, um dos mais altos de Santa Catarina. Nem o seu vice, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, que ganha R$12.626, 16, nem os secretários e outros comissionados se coçaram.

Outras cidades, como o prefeito da vizinha Blumenau, Mário Hildebrandt, Podemos, cidade cinco vezes maior que Gaspar, ganhava R$23.849,12. Ele reduziu em 20% o dele, o de secretários e diretores. Lá não há vice. Mário era o vice de Napoleão Bernardes, PSD, ex-PSDB.

Em Santa Catarina outros municípios iguais ou bem menores já seguiram na mesma trilha do prefeito de Blumenau. Mas em Ilhota, o prefeito e o vice, respectivamente Érico de Oliveira, MDB, e Joel José Soares, PSL, ambos também empresários, estão mudos neste assunto. Um ganha R$13.878,22 e o outro, R$8.096,02

A coluna de hoje está extensa. Por isso, depois da notas da seção TRAPICHE, republico um artigo, de autor desconhecido, originalmente publicado no blog do Neimar Fernandes, sobre a comparação ente engenheiros hidrólogos e médicos políticos. Resumindo: algumas coisas sérias e óbvias aos engenheiros estão sendo escondidas pelos médicos dos pacientes brasileiros.

Quando o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, afirma que não vai mais negociar, é porque está totalmente encurralado pelos políticos da chantagem e do toma-lá-dá-cá e tentar voltar à negociação.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, DEM-RJ trabalha como verdadeiro chefe de bando. Com parte ponderável dos deputados ele está chantageando, quebrando, dividindo o país e provocando tudo isso. Ele nãom inviabiliza a vida de Bolsonaro que não cede nas tetas, mas o Brasil por décadas.

São os congressistas que ele e David Alcolumbre, DEM-AP comandam contra o Brasil e os brasileiros. Eles estão passando a pesada conta da crise, das mamatas, dos altos vencimentos, das aposentadorias precoces e integrais, dos privilégios e da corrupção, para o povo empobrecido, desempregado e aposentados de BPC e salário mínimo pagar por décadas.

O que está em jogo, é o trilionário rombo que estão criando com aumento da dívida pública para os políticos de hoje se fartarem por anos seguidos, muitos desses recursos disfarçados de emergência e bem longe dos olhos das instituições de fiscalização como tribunais de contas e Ministério Público.

Encontrei no twitter este retrato e que me é familiar por ter vivido àqueles tempos. Escreveu @JC Oliver: “Quem viveu a década de 60 está revivendo o mesmo cenário: uma justiça fracassada; a dominação de políticos canalhas; uma mídia manipuladora... e, o povo, pedindo revolução... Em 64 veio a libertação c/ os militares; A pergunta q faço: E AGORA, qual seria a SOLUÇÃO?”

Você sabe quanto custa do seu bolso as Câmaras municipais brasileiras? R$15 bilhões por ano. E as Assembleias Legislativas? Outros R$ 10,8 bilhões de dinheiro que falta à saúde, educação, segurança, obras essenciais de infraestrutura. Vergonha.

O pico da esperteza ou da incerteza I. Primeiro, a pandemia teria no Brasil o pico em meados de março devido ao carnaval. Depois, já com ela instalada entre nós, foi para o fim de março e início de abril devido as manifestações pró-bolsonaro e contra os congressistas vadios e chantagistas.

O PT, a esquerda do atraso e o Centrão estão unidos ao deputado Rodrigo Maia, DEM-RJ, ao senador David Alcolumbre, DEM-AP, ao STF e outros como a OAB contra o cabo de guerra do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido. Estão defendendo a democracia, mas com roubos, desperdícios e à falta de controle dos pesados impostos pelos políticos

A deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho, por exemplo, foi ao twitter para afirmar: o desrespeito de Bolsonaro com @RodrigoMaia é absurdo. Bolsonaro quer o impasse, caos e golpe contra instituições. Incapaz de governar na democracia, quer ser ditador. Ou o Congresso tira Bolsonaro, ou ele vai dar tentar fechar o Congresso. #ForaBolsonaro”.

O pico da esperteza ou da incerteza II. Agora, os palpiteiros de plantão e que se dizem cientistas, com a mídia tonta e perdendo audiência, sem apresentar fundamentação, transferiram o pico para final deste mês, quem sabe maio, talvez junho ou julho ou quiçá agosto. Quando vai parar esse terrorismo que deixará mais falidos do que mortos?

Na semana passada publiquei aqui que os agentes da Ditran ficaram com 300 senhas nos bolsos para aplicação da vacina H1N1, que controlaram na aplicação pelo sistema de Drive Thru, no terminal rodoviário de Gaspar. Um bafafá entre eles para descobrir quem havia me passado a informação. Ela apenas desmentia à propaganda oficial e enganosa de que tal iniciativa tinha aplicado mil doses.

Bomba travada contra o consumidor. Esta é a manchete da semana passada: com novo ajuste, Petrobras já baixou preço da gasolina em 40% desde março. Teve mais em abril. Esta é a manchete que se esconde nos postos de gasolina da região. Em Gaspar e Ilhota a queda da gasolina nos postos desde março chega no máximo a 25% para os consumidores. Então...

ENGENHEIROS HIDRÓLOGOS VERSUS MÉDICOS POLÍTICOS

autor desconhecido (Reproduzido do Blog de Neimar Fernandes, de 17.04.2020).Para reflexão de onde estamos metidos.

Nós, os engenheiros hidrólogos, estamos acostumados a lidar com gráficos parecidos: os hidrogramas (que mostram vazões ao longo do tempo).

No estudo de reservatórios destinados a regularizar vazões (para diversos propósitos: geração de energia, irrigação, navegação, abastecimento de água, etc.) ou destinados ao controle de cheias (proteção contra inundações, etc.), sempre existe um hidrograma de entrada (afluente) e um hidrograma de saída (defluente).

O primeiro é sempre mais concentrado que o segundo. O primeiro apresenta pico mais pronunciado, é menos achatado e dura menos tempo. Tudo igualzinho a esses gráficos da epidemia. Até a forma analítica (matemática) de ambos é semelhante; descrita aproximadamente pela forma da Distribuição Gama de probabilidades.

Essa lengalenga toda é para concluir o seguinte: os hidrólogos já têm automaticamente na cabeça que os dois gráficos (afluente e defluente) embora diferentes entre si, têm o mesmo volume, ou seja, toda a água que entrar no reservatório terá, mais cedo ou mais tarde, que sair dele.

Em termos ainda mais simples: as áreas contidas sob as duas curvas (afluente e defluente) são rigorosamente iguais.

Vendo os gráficos da epidemia (o agudo e o achatado), o engenheiro, que não é médico, conclui de imediato que, em ambos os casos, o número total de doentes será também rigorosamente o mesmo!

O engenheiro, que é mais esperto que os médicos, conclui facilmente olhando os dois gráficos, que o número final de contaminados será rigorosamente o mesmo, havendo ou não achatamento da curva, ou seja, havendo ou não confinamento social.

Se o engenheiro for mais esperto ainda, ele descobre também que a área sob os dois gráficos sendo a mesma, o número total de contaminados nas duas situações corresponderá também rigorosamente à população total.

Em outros termos, o engenheiro esperto concluirá que, iniciada uma epidemia, ela só terminará depois que toda a população estiver imunizada (supondo que não haverá reposição). E essa imunização resultará da proteção por vacina (que ainda não está disponível) ou por ter tido a doença (nas formas sintomática ou assintomática, ou seja, perceptível ou não).

O engenheiro esperto concluirá também que até os velhinhos da turma de 69 serão acometidos pela doença, tendo ficado em casa, tendo saído para ir à padaria ou tendo sido recolhidos pelo Caminhão Cata Véio.

Num rasgo final de esperteza, o engenheiro descobrirá que o tal achatamento da curva não teria o objetivo de “salvar vidas” e muito menos de proteger os velhinhos. Poderia ter tido, no máximo, o propósito de fazer com que a demanda hospitalar não ultrapassasse, no momento de pico, a capacidade hospitalar instalada.

Porém, se o objetivo do confinamento for só este, o engenheiro esperto mostrará que é muito mais barato (a economia continuará funcionando) construir emergencialmente hospitais de campanha devidamente equipados com leitos e ventiladores mecânicos para atender esse pico de demanda.

Mas, como o nosso engenheiro é super esperto, ele sabe que quando se aproxima do reservatório uma onda de cheia maior do que ele suporta, o procedimento padrão é abrir preventivamente as comportas e jogar logo para baixo toda a água possível a fim de criar um volume de espera para o hidrograma grandão que se aproxima.

Sabendo disso, esse engenheiro super esperto descobre que o melhor seria começar a ocupar a capacidade hospitalar instalada o mais cedo possível e que seria um absurdo deixar leitos ociosos no hospital no período inicial da epidemia, tal como se verifica hoje no Brasil.

Quanto mais cedo o engenheiro abrir as comportas, maior será a sua capacidade de laminar a cheia afluente, ou seja, quanto mais cedo começarem a ser ocupados todos os leitos hospitalares, maior será a capacidade de atendimento final do reservatório; ou seja, do hospital!

Mas, e se não existir uma demanda muito grande para ocupar a totalidade dos leitos hospitalares logo no período inicial?

Ora, pensa o engenheiro esperto, é só aumentar o contágio, já que toda a população vai ter que ser afetada mesmo, um dia, para que a epidemia se extinga, melhor que o seja logo, para ocupar os leitos ociosos e facilitar a laminação da enchente; ou seja, para facilitar o achatamento da curva epidêmica.

E para fazer isso, melhor mandar à população toda sair logo de casa, começar a trabalhar e conviver. Sem gerar prejuízos astronômicos para a economia.

Bem, depois de tudo isso, nunca é demais lembrar daquela máxima militar: “a guerra é importante demais para deixá-la na mão dos civis”. O engenheiro mega esperto dá um sorriso e pensa: a epidemia é importante demais para deixá-la na mão dos médicos!

A análise é perfeita!

Bilhões de reais estão sendo entregues nas mãos de governantes sem nenhum controle.

Não seria mais prudente, inteligente além de mais racional, gastar esses recursos (talvez menos de 20% deles) em leitos hospitalares fixos ou de campanha, para atendimento aos infectados e deixar a economia funcionar?

 

Comentários

Miguel José Teixeira
23/04/2020 19:02
Senhores,

Nova quadrilha ou apenas novo chefe?

Aos poucos o "capita" vai assumindo o comando da quadrilha que era chefiada pelo ex e futuro presidiário lula.

Será que os 59 PeTralhas irão aderir?

Bom. . . escrúpulos, conforme constatado anteriormente, eles não tem.
marcio
23/04/2020 14:44
Ilhota em Chamas
O Sr. Ademar Felisky deveria ocupar o seu tempo respondendo todos os processos que responde na Justiça. Se ele anda esquecido é melhor dar uma olhado na consulta processual da Justiça da Comarca de Gaspar.
Herculano
23/04/2020 12:40
GASOLINA EM GASPAR PODE SER ENCONTRADA A R$3,499, O LITRO

A rede de leitores e leitoras, que leu a nota postada abaixo, informou à coluna, que desde esta manhã, há em Gaspar, posto com bandeira, vendendo o litro da gasolina comum a R$3,499 para ser paga no dinheiro ou no cartão de débito.No crédito ela vai a R$3,599
Miguel José Teixeira
23/04/2020 12:10
Senhores,

Segundo o Pancho (Santa-hoje), "o prefeito se diz triste, amargurado e frustrado ao ver cenas em shopping de Blumenau"

Então para alegrá-lo, que tal ler a nota abaixo que extraí do Correio Braziliense/Brasília-DF, em 12/04/20 e repliquei neste espaço.

Atente Senhor(es) Prefeito(s):

". . .Duprat observa que é "dever do Poder Público garantir o direito fundamental à saúde da população" e que a lei prevê "que as políticas públicas respectivas devem estar voltadas à redução do risco".". . .

"Segunda onda.

Preocupado com os países que adotam a flexibilização do isolamento social, o diretor da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, alertou para o risco de uma segunda onda da pandemia, muito mais letal, caso a imprudência predomine nas ações de governos e da sociedade.

A tragédia de Milão, com mais de 4 mil mortos após o abandono do confinamento, é o marco histórico de quantas vidas se perdem por causa de negligência.

Condições

O chefe da OMS enumera seis condições que devem ser atendidas antes de suavizar as medidas restritivas: a) controlar a transmissão do vírus;
b) garantir a assistência e a saúde pública;
c) minimizar o risco em unidades de saúde permanentes;
d) implementar medidas preventivas no trabalho, em escolas e outros locais de alta frequência;
e) controlar o risco de casos importados;
f) finalmente, responsabilizar a população.

Consciência

Ante essas recomendações, vem a pergunta: estamos a seguir essas orientações?

Aviso geral

Déborah Duprat, titular da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, alertou em nota técnica que os gestores inclinados a afrouxar as medidas restritivas sem considerar a capacidade do sistema de saúde local podem ser responsabilizados por improbidade administrativa.

A infração implica até perda de mandato para agentes públicos em nível municipal, estadual e federal.

Duprat observa que é "dever do Poder Público garantir o direito fundamental à saúde da população" e que a lei prevê "que as políticas públicas respectivas devem estar voltadas à redução do risco".
Herculano
23/04/2020 11:22
O COMBUSTÍVEL QUE EXPõE A GANÂNCIA E A SACANAGEM

Alguns donos de postos de combustíveis estão fulos da vida com as minhas colocações sobre a alta retenção do lucro diante. Está na cara de todos. Não dá como disfarçar. Até os Procons estão atrás disso e não é porque está na minha coluna, que é nada diante das evidências.

Mas, aos donos de postos, peço para chupar este twitter de agora pela manhã do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido. Vão atrás deles, se tiverem peito, tolinhos.

Só para lembrar. O menor preço que se encontra é de R$3,649. Na média, R$3,849. Agora compare quanto a Petrobás cobra, segundo o presidente da República.

- Preço dos combustíveis, hoje, nas refinarias:

- Gasolina: R$ 0,91
- Diesel: ....R$ 1,45

- PREÇO FINAL:
ICMS + CIDE + PIS/PASEP + Cofins + transporte + lucro dos postos + lucro das distribuidoras.
Herculano
23/04/2020 11:15
UMA REALIDADE INCôMODA

De Guilherme Fiuza, no twitter:

As declarações de Lula e Dória estão cada vez mais parecidas. É o casamento do ano - com a bênção do covid (cupido) e de Gilmar Mendes (padrinho). Dória prende o trabalhador, Gilmar solta o Lula e Lula assalta o trabalhador. Foram feitos uns para os outros.
Herculano
23/04/2020 11:14
ILHOTA EM CHAMAS

O ex-prefeito Ademar Felisky, MDB, decidiu arriscar o fósforo nesta coluna que é líder de audiência. E acendeu paixões e o fogaréu. Sentiu a temperatura do ambiente, a qualidade da coluna e como ela mexe com a cidade. Este será o clima daqui para frente até outubro.
Herculano
23/04/2020 11:11
O SENADOR DARIO BERGER DO MDB CATARINENSE MANDA DIZER QUE NÃO ACEITA O PLANO "MÃESSUETO" CRIADO NA CÂMARA POR RODRIGO MAIA, DEM-RJ PARA A FARRA DOS GOVERNADORES E PREFEITOS, SEM CONTRAPARTIDAS E COM O DINHEIRO ESCASSO DOS PESADOS IMPOSTOS DOS QUE ESTÃO SENDO DURAMENTE ATINGIDOS PELA CRISE

Conteúdo e texto, press release do gabinete do senador. Dário Berger (MDB-SC) foi o primeiro senador catarinense a se manifestar publicamente sobre o Projeto de Lei (PLP 149/2019), conhecido como o Plano Mansueto, que prevê o auxílio financeiro da União a estados e municípios. O senador afirmou que não concorda com o texto da forma como foi aprovado pela Câmara dos Deputados, pois considera que ele foi desfigurado da proposta original.

Dário afirmou que atuará para alterar o projeto no Senado e defenderá que o "socorro" seja balizado nos princípios de responsabilidade fiscal.

"Qualquer novo impacto fiscal deve ser debatido com muito cuidado, sob pena de ao invés de corrigirmos o problema, agravarmos ainda mais a situação do país com o aumento excessivo do déficit primário e endividamento público. No final, quem pagará a conta será toda a sociedade brasileira", alerta.
Moro
23/04/2020 10:16
Ilhota em Chamas!!
Esse Ademar Felisky é uma vergonha para Ilhota, não tem moral nenhuma para falar de Ilhota, município da qual só sugou!
A vergonha é tanta que teve que se mudar para outra cidade porque aqui na cidade ele é exaltado pelos baba ovo, mas escorraçado pelo povo de bem.
O povo não esqueceu o que ele fez na enchente, ele e sua trupe.
Depois de mais de 60 dias o povo recebendo essa água suja, agora que eles foram tomar providências e o senhor vem elogiar? Não tem vergonha na cara não?
Acorda meu filho, você não tem moral aqui em Ilhota! Nem você, nem Drun, nem ninguém da sua laia...
Miguel José Teixeira
23/04/2020 08:56
Senhores,

Segundo o CH na coluna replicada abaixo, o General Eduardo Pazuello "ajudará Teich a se familiarizar com a máquina do ministério e blindar o ministro do "ataque especulativo" de lobistas e assemelhados."

Atentem: blindar o ministro do "ataque especulativo" de lobistas e assemelhados."

Se considerarmos as suas atribuições na Saúde citadas pelo CH e a sua experiência na Amazônia, vem a pergunta:

Será que o General não seria mais útil no Ministério do Meio Ambiente?

A Amazônia segue, em ritmo célere, definhando graças ao "ataque especulativo" de lobistas e assemelhados."
Silvia Ferreira
23/04/2020 07:54
Bom dia! Gostaria de replicar o comentário do sr Ademar Felisky onde ele parabeniza o prefeito Dida por "tal mobilização" em prol da água de Ilhota. Da qual estamos recebendo uma água de péssima qualidade, ele está fazendo o MÍNIMO para amenizar, devido ao tanto de reclamação feita pelos munícipes!
Quanto ao ver o prefeito, secretários e agregados reunidos "fiscalizando" os feitos é algo bem comum por aqui! Lembrando que o sr. Paulo Drun é secretário da indústria e comércio e não pode ver o pessoal da Águas de Ilhota marcando um buraco para abrir no asfalto devido algum vazamento que chama a tropa inteira para ficar admirando os demais trabalhando. A prefeitura de Ilhota não passa de "armário" de empregos, gente que faz o mínimo para a população achando que faz o máximo! A população recebe muitos serviços com má qualidade, o fornecimento de água é somente um deles !
E a educação, que em tempos de pandemia está se mobilizando somente após quase 40 dias, ou seja, a educação em Ilhota realmente entrou em quarentena! Enquanto vemos os outros municípios se mobilizando para não prejudicar o ano letivo, vemos uma Ilhota em total comodismo e apostasia!! Agora que estão tentando fazer alguma coisa, depois de muito reclamarmos.. Só vale ressaltar que as verbas da educação não entraram em quarentena! Continuaram à vir, por quê não se mexeram antes???
Aqui o sistema é retrógrado!Acorda Ilhota!!
Herculano
23/04/2020 04:46
da série: gente ouvindo curiosos, andando em círculo e se desgastando

BOLSONARO E O "POUCÃO" DE PAULO GUEDES

Conteúdo de O Antagonista. Depois de anunciar um plano estatal para recuperação da economia numa coletiva sem a presença de Paulo Guedes, Jair Bolsonaro fez um aceno ao ministro na noite desta quarta-feira (22).

Na entrada do Palácio da Alvorada, relata a Folha, o presidente disse que pretende priorizar o investimento privado no estímulo à atividade econômica, afetada pela pandemia do novo coronavírus.

Bolsonaro afirmou também que Guedes "participou um pouquinho e vai participar um poucão na semana que vem" das discussões sobre o plano de infraestrutura.

"Política boa é com investimento privado. Essa é a minha linha, aprendi rápido com Paulo Guedes"?, acrescentou o presidente.
Herculano
23/04/2020 04:37
O DEM DIFERENTE?

Os inscritos no DEM de Gaspar precisam urgentemente provar que não tem Rodrigo Maia, como herói.

Há um sentimento na ala bolsonarista de que os candidatos do DEM devem ser boicotados em quatro de outubro.
Herculano
23/04/2020 04:35
da série: PT levanta a bola para governo Bolsonaro mostrar que Mandetta fazia circo ou para louvá-lo?

MORAES DÁ CINCO DIAS PARA BOLSONARO APRESENTAR MEDIDAS CONTRA COVID-19

Alexandre de Moraes determinou nesta quarta-feira, 22, que Jair Bolsonaro apresente ao STF, em cinco dias, as medidas adotadas para o combate ao novo coronavírus.

A decisão ocorre no âmbito de uma ação movida pelo PT, que acusou o Planalto de "postura omissiva" na crise. A AGU e a PGR também deverão se manifestar no processo.
Herculano
23/04/2020 04:31
A NOVA MODA I

De Guilherme Fiúza, no Twitter:

Quem puder doar, doe. Tem muita gente precisando. Mas atenção: o "fique em casa" já gerou uma indústria de extorsão. Tranca tudo e toma dos "ricos" - ou seja, empobrece todo mundo e engorda os parasitas (instituição + sólida do país). Tem até projeto na Câmara dos Maias. Cuidado.

A NOVA MODA II

Nas redes sociais de Gaspar abundam registros de políticos fazendo doações de cestas básicas, de declarados candidatos fazendo doações de cestas básicas, de gente com carros indo buscar cestas básicas em postos oficiais de distribuições, alguns até para re-distribuírem. E isso que estamos a seis meses de quatro de outubro, dia das eleições. Mas, a campanha antecipada de compra de voto já começou e para os que possuem caixa. Acorda, Gaspar!
Herculano
23/04/2020 04:23
GOVERNO REAGE, MILITARES CONTRA-ATACAM NA ECONOMIA, NA SAÚDE E NO CONGRESSO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Na frente político-partidária, a contraofensiva ataca governadores e o parlamentarismo branco de Rodrigo Maia

O governo parece que tenta governar, sob o comando do ministro-general Braga Netto (Casa Civil). É uma ação coordenada na política, é o controle do Ministério da Saúde, é uma tentativa de articulação administrativa de ministérios e outra de fazer com que a equipe econômica reaja de modo rápido e "proativo", digamos.

Na frente político-partidária, a contraofensiva ataca governadores e o "parlamentarismo branco" de Rodrigo Maia, o que antes fazia na maior parte por meio de "ruas" e milícias digitais. Trata-se de minar parte da força de Maia, obriga-lo a negociar, influenciar a eleição do próximo comando da Câmara (em 2021) e, no mínimo, criar um bloquinho parlamentar com tamanho suficiente para barrar um processo de impeachment.

Um instrumento desse combate, como se viu, é a oferta de cargos para partidos que formaram o núcleo do mensalão e do petrolão, o que já estimula outras legendas a correrem para o balcão de barganhas.

Outra pressão veio dos ministros militares do Planalto, que se queixaram em discursos públicos de que a cúpula do Legislativo e Judiciário podam o governo. Nos mesmos discursos ou entrevistas, reafirmavam compromissos democráticos punham panos frios no comício autoritário de Jair Bolsonaro.

Na economia, Braga Netto e seus colegas apresentaram um pré-plano de reconstrução. Por ora, parece modesto, para dizer o menos, embora seja um sinal de que também no Planalto "sob nova administração" considera-se que a reação do Ministério da Economia é insuficiente, "técnica, mas tímida e com uma visão pré-crise da economia", como disse um ministro militar que prefere não dizer seu nome.

Mais uma vez, anunciou-se que haverá centenas de bilhões de investimentos via concessões para a iniciativa privada, além do conserto da legislação que trava negócios, o que mal andava mesmo antes da epidemia.

Antes da coronacrise, tais dinheiros privados já eram mera hipótese, projetos que viriam a se tornar obras talvez em 2022. Agora, a hipótese parece fantástica, pois não se sabe o que restará da iniciativa privada, das poupanças, da demanda e de quando o ânimo de investir voltará a respirar.

O anúncio de investimentos públicos foi vago e, dado o tamanho da ruína, minúsculo - R$ 30 bilhões extras até 2022, no que foi possível entender. No entanto, parece haver alguma luz sobre o tamanho do desastre que terá de ser enfrentado também na economia, que exigirá revolução de ideias econômicas e capacidade executiva, ora mais escassas que equipamentos para proteção do pessoal que batalha nos hospitais.

A conversa de que, em um eventual e distante pós-corona, volta-se ao caminho das "reformas e do ajuste fiscal" demonstra inconsciência do desastre, uma reação estereotipada e apego a um pensamento econômico que já era velho mesmo no mundo "a.C", antes do corona. Será necessário pensar o impensável, como diz por aí qualquer Nobel de economia civilizado.

Ressalte-se que a contraofensiva começou com a demissão do ministro da Saúde e com o comício autoritário em que Bolsonaro reforçou o ataque aos governadores, titilou a pulsão de morte de parte do país e lasseou ainda mais a democracia.

No sapato roto, sujo e alargado da democracia brasileira, cabem agora discursos presidenciais para uma aglomeração que pede ditadura. Ou seja, as tropas da contraofensiva avançam protegidas por cortina de fumaça antidemocrática e com o apoio de bombardeio contra "as instituições que estão funcionando".?
Herculano
23/04/2020 04:19
CENTRÃO EQUILIBRA JOGADAS DE MAIA CONTRA O GOVERNO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Agora que o "centrão" entrou em campo, o jogo vai ser diferente. O grupo reúne 351 deputados e ganhou nova denominação, "blocão", fez sua estreia nesta quarta (22) no apoio explícito ao governo. O grupo tem voto para aprovar e rejeitar qualquer projeto, até emendas constitucionais. Seu apoio pode garantir a tranquilidade que o governo nunca teve. Mas, em política, como na vida, ajoelhou, tem que rezar: Bolsonaro pediu ao PP para indicar o novo presidente do ambicionado FNDE, órgão do MEC.

SONHO DE CONSUMO

Com orçamento de R$60 bilhões, o FNDE é o sonho de consumo dos políticos: financia escolas, creches, merenda escolar, livro didático etc.

DUPLA AUTORIA

O titular do FNDE será indicado pelo presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e pelo líder do partido, deputado Arthur Lira (AL).

RECADO DIRETO

A escolha do FNDE para o PP estrear no governo não é casual: o órgão era feudo de Rodrigo Maia até seu protegido ser demitido em dezembro.

CISCANDO PARA DENTRO

Além das conversas com o PP, há dez dias, o presidente se entende com o MDB e até o DEM, chamado de "traíra" por muitos bolsonaristas.

GENERAL NA SAÚDE VAI APURAR COMPRAS DE MANDETTA

O general Eduardo Pazuello na secretaria executiva do Ministério da Saúde, dá tranquilidade ao ministro Nelson Teich e sinaliza a orientação do presidente Jair Bolsonaro de averiguar com discrição e rapidez supostas denúncias sobre contratos e compras da gestão de Luiz Henrique Mandetta. Seu estratégico Departamento de Logística (DLog), por exemplo, revelou incapacidade de fazer compras devidas para combate ao Covid19 e curiosa destreza na relação com fornecedores.

ESTRANHA SUGESTÃO

Há denúncia de que o DLog sugeria a fornecedores que procurassem financiar suas operações em bancos específicos, tipo BTG Pactual.

ADJUNTO-PROBLEMA

Aliados contaram ao Planalto peripécias atribuídas a Nano Jurgielewicz, um adjunto que Mandetta levou do Mato Grosso do Sul para o ministério.

MINISTRO BLINDADO

O general ajudará Teich a se familiarizar com a máquina do ministério e blindar o ministro do "ataque especulativo" de lobistas e assemelhados.

DECISÃO HISTóRICA

Liminar do TRF-1 feriu de morte o vergonhoso cartório: as distribuidoras cancelaram contratos de compra de etanol e fez Agência Nacional do Petróleo (ANP) proibir usinas de venderem o produto direto aos postos. Ontem o desembargador federal Jirair Meguerian desfez o absurdo.

PRONTO PARA FLEXIBILIZAR

Sociedade Brasileira de Infectologia considera que a flexibilização do isolamento é aceitável em cidades onde não tenham sido ocupados 50% dos leitos hospitalares e de UTI. No Distrito Federal, a ocupação é 5%.

MINISTRA FORTE

Não dão sossego à ministra Tereza Cristina (Agricultura). Além das tentativas de desestabilização do secretário de Assuntos Fundiários, partidos que têm conversado com o presidente Bolsonaro estão de olho no seu cargo. Mas a ministra continua na categoria dos "imexíveis".

GASTOS SEM QUARENTENA

Caiu em março, após o início da quarentena, o volume de "ressarcimento de despesas" de deputados federais. Mesmo em casa, suas excelências espetam despesas para o contribuinte pagar: R$8,5 milhões.

DADOS IMPORTANTES

O resultado das ações adotadas pelo governo para minimizar o impacto da pandemia na economia, incluindo coronavoucher, ganhou números. De acordo com o Dataprev, 1,7 milhão de empregos foram mantidos.

FUTURO É A GAVETA

Conselho Nacional do Ministério Público empurrou para o âmbito regional a investigação do promotor Marcelo Lessa, do Rio, que propôs fazer um cadastro de pessoas que têm opinião contrária ao isolamento, a fim de que venham a ser preteridas no tratamento, caso contraiam coronavírus.

OLHO NO PÉ-DE-MEIA

Relatório do Tribunal Superior Eleitoral diz ser "viável" eleição municipal este ano, até em razão das urnas eletrônicas". Mas a turma está de olho mesmo é no caminhão de gratificações que toda eleição garante.

OS REPATRIADOS

Já foram repatriados mais de 3.500 brasileiros em 14 voos fretados, e 2.400 repatriados em 30 ônibus. No total, mais de 15 mil voltaram ao Brasil com ajuda de embaixadas e consulados.

PENSANDO BEM...

..."autogolpe" entrou para as fantasias midiáticas.
Herculano
23/04/2020 04:10
ALA MILITAR OCUPA ESPAÇO POLÍTICO ANTES EXCLUSIVO DE PAULO GUEDES, por Igor Gielow, no jornal Folha de S. Paulo

Ministro se enfraquece na crise, enquanto fardados ampliam ação na saúde e economia

O "Plano Marshall" de infraestrutura apresentado nesta quarta (22) pelo governo é o mais eloquente avanço da área militar da gestão Jair Bolsonaro sobre o feudo de Paulo Guedes.

Não se trata tanto de uma oposição programática imediata, entre ideias mais liberais do ministro da Economia e um suposto desenvolvimentismo por parte dos militares. Guedes já vinha conversando sobre a necessidade de geração de empregos por meio de frentes de trabalho públicas.

Na essência, é o que o general Walter Braga Netto, chefe da Casa Civil, propôs a partir de planos do capitão do Exército Tarcísio Freitas (Infraestrutura). Para horror de Bolsonaro, suas raízes estão no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Só erraram a referência histórica: esse tipo de política é associada ao New Deal (novo trato, em inglês), a política de recuperação econômica dos EUA após a crise de 1929 por meio de obras públicas.

O Plano Marshall foi a injeção a partir de 1948 do equivalente hoje a US$ 130 bilhões (R$ 710 bilhões nesta quarta) para reconstruir e estimular a economia europeia após a Segunda Guerra Mundial, barrando assim o avanço do comunismo soviético sobre os países ocidentais do continente.

O Brasil anunciou medidas equivalentes a pouco mais de 2,5% do seu Produto Interno Bruto para aliviar a crise, mas não há notícia de socorro externo a caminho.

Pior, não se sabe exatamente de onde viria o dinheiro: a taxa de investimento público em infraestrutura caiu de 1,26% para 0,65% do PIB de 2010 a 2019, segundo dados da consultoria Inter.B. A fatia privada subiu, de 1,01 para 1,22% do PIB, mas o somatório é bem abaixo dos cerca de 4% que seriam necessários para fazer deslanchar o setor.

Ter tido a ideia e não ter sido o autor do anúncio foi só o sinal público mais evidente do desprestígio crescente de Guedes, antes todo-poderoso e visto pelos militares como um dos pilares do governo Bolsonaro.

Houve entreveros pontuais entre a equipe econômica e os militares durante a confecção das reformas previdenciária e de carreira da categoria, um braço de ferro vencido pela caserna. Nos últimos meses, houve boataria constante sobre um desejo mais dirigista da economia por parte da ala fardada.

Economicamente, contudo, há mais convergências do que divergências. A reativação do desenvolvimentismo dos tempos do general Ernesto Geisel (1974-1979) no fim do segundo governo Lula (2007-2010) e na primeira gestão Dilma Rousseff (PT, 2011-2014), que feriu a saúde fiscal e levou o país à recessão, é citada por ministros militares como uma lição aprendida.

Isso até aqui, naturalmente. Desde que começaram a reocupar o espectro político com a chegada de Braga Netto à Casa Civil, em fevereiro, os militares no governo têm sido mais ouvidos sobre questões que antes eram exclusivas do czar econômico e passaram a apresentar objeções antes impensáveis às diretrizes da Economia.

Tropeços, como a famosa frase das empregadas que viajavam à Disney, tisnaram ainda mais sua imagem. Mesmo na fortaleza da Faria Lima, no mercado financeiro, o ministro deixou de ser visto como uma unânime sumidade.

No governo, ele teve seu espaço ocupado de vez desde o começo da crise do coronavírus, que retirou o protagonismo da agenda reformista que ele tocava uma conturbada parceria com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Se no ano passado a dobradinha entregou, graças principalmente aos esforços de Maia, a reforma da Previdência, o Parlamento já vinha desde o começo do ano tomando para si a condução e o ritmo das medidas que viriam a seguir.

Tudo isso foi atropelado pela emergência sanitária. Nela, um isolado Bolsonaro se viu acuado, com reveses acumulados no Parlamento e no Supremo Tribunal Federal, levando o presidente a apelar a um radicalismo cada vez maior ?"que começa no seu negacionismo da gravidade da Covid-19 e desemboca no apoio a defensores de uma intervenção militar no domingo (19).

No tiroteio, Guedes ficou perdido. Integrantes da ala militar do governo, que são entusiastas da abordagem do combate à crise também pelo lado econômico favorecida por Bolsonaro, não pararam de se queixar da demora e da burocracia na execução dos programas de auxílio emergencial.

Vitaminados pela fragilidade de Bolsonaro, que empoderou dentro do possível para seu temperamento os generais do Planalto, os militares do governo já vinham ampliando seu escopo para a coordenação da crise sanitária.

Além de Braga Netto ter virado porta-voz da operação de guerra contra o vírus, o novo titular da Saúde, Nelson Teich, foi colocado no cargo sob tutela militar. A transição na pasta vem sendo assistida pelo almirante Flávio Rocha, da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

E seu número 2 será o general Eduardo Pazuello, mais um egresso no governo da "turma da Olimpíada" - encabeçada por Fernando Azevedo (Defesa) e com a dupla palaciana Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), todos com funções nos Jogos de 2016 no Rio.
ademar felisky
23/04/2020 02:04
Boa madrugada a todos, pela vez primeira utilizo esse espaço pra falar de algo que presenciei, descontente com o tratamento da água de ilhota resolvi pessoalmente ir até o reservatório municipal pra ver o porque que a água estava tão salgada, embora soubesse por experiencia passada que se tratava pela falta de chuva.
Todavia quis como muitos munícipes saber se poderia ajudar, foi ai que percebi que um batalhão de guerra se instalou em meu município pra resolver o problema, vi com meus próprios olhos vários funcionários da Atlantis, ( concessionária do município), ex vereador ( Pedro Paulo Batista Neto), ex Prefeito de Ilhota Roberto da Silva( Betinho) a quem presto meu respeito, Paulo Roberto Drun, secretario do município que não precisaria estar la, e todos estavam engajados num único proposito..... distribuir água de qualidade aos cidadãos de ILHOTA.
Rendo meus parabéns a todos os envolvidos numa causa tao nobre, mas minha maior alegria é poder saber que trabalhamos, nos envolvemos, discursamos pró, e sobre tudo nos orgulha com seu dinamismo,trabalho ,competência, honestidade, ÉRICO DE OLIVEIRA.( DIDA ). Que venha a próxima eleição, estaremos todos juntos,engajados numa ILHOTA melhor.
Adilson Luis Schmitt
22/04/2020 15:03
Ontem,dia 21 de abril, comemorou-se o 35° ANIVERSÁRIO de morte do Político Tancredo Neves...

O último estadista brasileiro...

Aproveito para reproduzir um artigo do Zózimo..

Ele não era um líder de massas que coubesse em um desses modelos que se tem visto ultimamente. Não era.

Em sua época, porém, ganharia a eleição de presidente de qualquer candidato, se ela tivesse sido decidida no voto popular.

Como o jogo foi outro, ainda através do voto indireto, ele se submeteu às regras postas ?" na verdade, impostas ?" e venceu no Colégio Eleitoral.

Tancredo de Almeida Neves, o autor de tal façanha, entrou para a história como o último estadista do século 20.

Ele uniu o país em um momento excepcionalmente dramático de sua vida republicana, marcado pelo fim do ciclo de 21 anos dos militares no poder.

O último ato

Foi o último ato político de uma carreira pública, iniciada em 1951, com sua primeira eleição para a Câmara Federal. A partir de junho de 1953, foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas até o suicídio do presidente. Ele ainda viu o presidente em suas últimas agonias, após o tiro que disparou no peito, em 24 de agosto de 1954.
Com a instauração do regime parlamentarista, logo após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, foi nomeado primeiro-ministro do Brasil. Ocupou o cargo de setembro de 1961 a julho de 1962.

Seus atos foram marcados sempre pela moderação. Era líder do presidente João Goulart na Câmara dos Deputados quando este foi deposto pelos militares, em 1964.Na tumultuada sessão do Congresso Nacional que declarou vago o cargo de presidente, ele saiu do tom. Foi uma das raras vezes que fez isso. Aos berros, chamava os golpistas de canalhas.

Durante o regime militar, foi um dos principais líderes da oposição, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ao se reeleger deputado federal em 1966, 1970 e 1974. A seguir, elegeu-se senador.

Em 1982, foi eleito governador de Minas e renunciou ao mandato para ser candidato a presidente da República, em 1985.

Foto: FGV

Comício de Tancredo Neves

O candidato das ruas

Naquele março de 1985, o Brasil se preparava para dar posse, enfim, ao seu primeiro presidente civil, depois de cinco generais sem voto exercendo sucessivamente a Presidência da República ?" Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

Tudo bem que Tancredo não tinha o respaldo das urnas, mas tinha o das ruas. Tancredo fez campanha nas ruas, através de numerosos e concorridos comícios, com o slogan Muda Brasil!

Ele venceu no Colégio Eleitoral com 480 votos, contra 180 de Paulo Maluf (PDS).

Embora eleito pelo voto indireto, ele encarnava os sentimentos de mudança que o país respirava naquele momento.

Por isso, o Brasil depositava nele a esperança de um reencontro com a democracia.

A vontade de tê-lo na Presidência era tamanha que os brasileiros fizeram vistas grossas para o seu vice, José Sarney, um recém-egresso do partido dos militares que na última hora pulou fora do barco e enfileirou-se na trincheira das oposições.

Foto: Célio Beto/Senado

A eleição no Colégio Eleitoral com votação consagradora

A Nova República

Com a vitória no Colégio Eleitoral, o ministério composto e vencidos todos os obstáculos para a subida da rampa do Palácio do Planalto, a festa da posse, marcada para 15 de março, era apenas uma questão de horas.

O noticiário televisivo da noite de 14 de março dava conta dos últimos preparativos para as cerimônias que iriam inaugurar um novo tempo no Brasil, que Tancredo chamou de "Nova República".

Os brasileiros foram dormir, assim, na expectativa da grande festa cívica.

Quando o país acordou, na manhã do dia 15, chocou-se com a bombástica notícia veiculada pelo rádio e pela televisão: o presidente fora internado às pressas e submetido a uma cirurgia de urgência, em Brasília.

A notícia que dali a instantes se reproduziria e se repetiria à exaustão pelo país e pelo mundo afora dava fim a toda a euforia nacional.

Brasília mergulhava em clima de tensão e o Brasil, em um mar de incertezas.

Enganaram o presidente

Tancredo Neves, então com 75 anos, vinha sentindo dores no abdômen há dias. A princípio, procurava disfarçar o incômodo, passando levemente a mão sobre a barriga. Não queria aproximação com hospital.

Sua cisma fazia sentido. Havia perdido dois irmãos para o câncer. Assim, resistiu o quanto pôde à internação. Chegou a avisar que tomaria posse de maca.

Para convencê-lo a se internar, os médicos lhe disseram que era apenas para tomar soro com antibióticos e realizar novos exames.

A caminho do centro cirúrgico, em uma maca, apesar de já estar conformado com a operação, reclamou para a equipe médica:

- Vocês me enganaram, né?

Diagnóstico falso

"Enquanto Brasília vivia uma madrugada chuvosa e tensa, sob o diagnóstico falso de diverticulite de Meckel, inventado para iludir e tranquilizar o assustado povo brasileiro, começava a agonia pessoal do presidente Tancredo Neves e a do governo".

Esta é uma das passagens do livro que o mineiro Ronaldo Costa Couto, escolhido por Tancredo como seu ministro do Gabinete Civil, escreveu em 1995 um livro sobre a trajetória do ex-presidente.

Intitulado Tancredo Vivo ?" Casos e Acasos, o livro publicado dez anos após a sua morte relata:

"O médico Francisco Pinheiro da Rocha corta com seu bisturi frio o ventre inchado de Tancredo. O caso era de abdômen agudo cirúrgico. Depois se verifica que era inflamação de tumor benigno. Uma cirurgia simples, na avaliação médica".

Cirurgia em sessão pública

Contra as normas e recomendações, a cirurgia teria sido assistida por 30 a 40 pessoas, relata o livro.

"Pouquíssimas teriam que estar no centro cirúrgico, muito menos na disputada sala de cirurgia, onde o excesso de pessoas, a negligência com os procedimentos obrigatórios de prevenção e a situação específica do hospital multiplicaram os riscos de infecção", critica Ronaldo Costa Couto. Ele prossegue: "Eram presenças por interesse político ou de outras naturezas. Médicos ou não, todos os que ali estavam desnecessariamente aumentaram o risco de contaminação do ambiente cirúrgico e do indefeso paciente".

O autor questiona: "Mesmo sem má-fé dos médicos ou de quem quer que seja, você admitiria ter seu ventre aberto diante de dezenas de pessoas, caro leitor? A maioria delas sem qualquer intimidade, relacionamento ou mesmo conhecimento com você?"

E arremata: "Pois fizeram isso com o presidente da República naquela noite. A cirurgia terminou às 3 horas da madrugada. A sete horas do horário da posse perante o Congresso Nacional". (p.194 e 195).

Nova operação

Sarney tomou posse, no dia 15, mas o governo ficou capengando com a ausência de Tancredo no comando. Passavam os dias e Tancredo não dava qualquer sinal de melhora.

Ronaldo Costa Couto registrou: "Os médicos ficam preocupados com a paralisia intestinal do presidente que já se arrastava desde o dia 15. Concluíram que era "nó nas tripas" e decidiram fazer uma nova cirurgia, dia 20. Uma laparotomia branca. Não havia um único nó nas tripas do presidente. Dúvida: abriu-se a barriga dele em vão?" (p.256).

Arquivo: EBN

Após esta foto de aparências, o presidente apresentou quadro de hemorrria interna

Um show macabro

Em 25 de março, retiraram Tancredo da UTI e o puseram em uma cadeira de rodas. Ele foi conduzido até uma sala previamente preparada.

"Ali, vestido de pijama e robe de chambre, uma alegre echarpe no pescoço, de meias e calçando chinelos fechados, o ventre perceptivelmente inchado, posou para fotografias com a equipe médica.

Nelas, todos riam, aparentando descontração e confiança. Mais exposição e sacrifício do doente. Algo inteiramente dispensável. O país sofria com Tancredo, mas estava em paz, sem nenhum sinal de instabilidade", conta. (p.258).

Horas depois, coincidência ou não, Tancredo sofria forte hemorragia interna. Na manhã seguinte, era transferido às pressas para São Paulo, em uma maca, no avião presidencial.

"No Instituto do Coração, o Dr. Henrique Pinotti divulgava boletim médico informando que o paciente carregava infecção hospitalar contraída em Brasília.

Ele havia acompanhado o tratamento do residente na capital e jamais falara em infecção hospitalar", observa o autor.

Tancredo morreria nas mãos de Pinotti, na noite de 21 de abril de 1985, vítima de infecção generalizada, após passar por sete cirurgias, duas em Brasília e cinco em São Paulo.

Foto: Duda Bentes/FGV

Cortejo de Tancredo Neves em Brasília

A difícil travessia

Sem Tancredo, o Brasil fez a travessia para o regime democrático a duras penas. A legitimidade de Sarney foi afrontada por muitos e não reconhecida por tantos outros líderes.

Para vencer a disputa no Colégio Eleitoral, Tancredo havia sangrado o regime militar, atraindo para sua campanha expressivas lideranças do partido do governo, mas sem causar traumas.

A Aliança Democrática que o levou à vitória, formada pelo PMDB e o PFL, contou ainda com o apoio de outros partidos de oposição.

O PT foi a única sigla a não votar nele. Absteve-se, em sinal de protesto, por avaliar que se tratava de um arranjo político de cúpula.

E, de fato, era mesmo. Naquele momento, sem o povo ter direito a votar para presidente, não havia outro caminho para derrotar o sistema.

Porém, o arranjo político só saiu porque Tancredo soube conversar com todas as correntes políticas com ponderação, sem sujar as mãos nem trair suas convicções democráticas.

Soube costurar, paciente e habilmente, a conciliação nacional e interpretar os sentimentos do país. Soube, enfim, ser estadista em uma hora da maior gravidade para o Brasil, catalisando os sonhos e as esperanças de seu povo.

Foto: Arquivo

Tancredo costurou a conciliação nacional em um momento difícil do Brasil

Adilson Luis Schmitt
Médico Veterinário
Miguel José Teixeira
22/04/2020 12:23
Senhores,

O texto abaixo que conclui:
"Portanto, sou golpista, SIM!"
é de minha autoria. Não sei porque cargas d'água saiu apenas "mig".

E aproveito para replicar:

"Sobre coveiros e presidentes" por Rodrigo Craveiro, hoje no Correio Braziliense.

". . .a grosso modo e apesar do exercício quase profético, que 8,4 milhões de brasileiros morrerão.". . .

O presidente não é coveiro. Foi eleito pelo voto de dezenas de milhões de brasileiros para erigir confiança em uma nação sedenta de autoestima. Sua vitória nas urnas foi reflexo de polarização política, mas também da esperança de dias melhores. Não cabe ao presidente pensar que o dilema economia versus saúde seja algo banal e simples de ser resolvido. Nem declarar que 70% dos brasileiros contrairão o novo coronavírus, nem sugerir que aqueles que ficam em suas casas são acovardados. Não cabe a um presidente ignorar a tragédia que assola o planeta, nem entrar em confronto com os demais poderes da República. Cada número de vítimas da Covid-19 representa muito mais do que estatísticas. Em vários lares de 181 países ou territórios, há pelo menos uma cadeira vazia à mesa de jantar, existe uma família devassada pela saudade.

O presidente não é coveiro. Nem foi eleito para tanto. Foi escolhido para ter o posicionamento de líder, para trazer tranquilidade e segurança a uma nação que não esconde o medo de um inimigo invisível.

Especialistas afirmam que o Brasil ainda não chegou ao topo da curva pandêmica. Desmantelar a quarentena, neste momento, pode ser o caminho para o desastre. Em alguns hospitais do Rio de Janeiro, médicos já precisam escolher quem terá uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva. Em Manaus, corpos e doentes dividem as mesmas alas de hospitais. No cemitério Tarumã, na capital amazonense, carros de funerárias fazem fila à espera de sepultamento em meio à sobrecarga. São 100 óbitos por dia. Um retrato dantesco, mas, também, cruelmente verdadeiro e apenas parcial do cenário prestes a se desenrolar.

Mortes também ocorrem como consequência de más escolhas políticas. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump demorou demais para processar as advertências de estudiosos e de funcionários do governo norte-americano no quartel general da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra. No momento em que escrevo esse artigo, a maior potência do planeta contabiliza mais de 804 mil casos de infecção pelo novo coronavírus e 43 mil mortes. O Brasil, por sua vez, registra mais de 40 mil casos e 2.588 mortes. É como se quase oito aviões modelo Airbus A330, lotados, caíssem sem deixar sobreviventes.

Pelos cálculos do presidente, 70% dos brasileiros contrairão o novo coronavírus. Somos uma nação de 211 milhões de habitantes. Isso quer dizer que mais de 140 milhões serão infectados. A taxa de letalidade da Covid-19 é de cerca de 6%. Isso quer dizer, a grosso modo e apesar do exercício quase profético, que 8,4 milhões de brasileiros morrerão. É como se quase três vezes a população do Distrito Federal desaparecesse. Se esses números não são assombrosos, não sei o que é. Espero que eu e minha família fiquemos nos 30% restantes. Espero que o presidente preze pela integridade, pela saúde e pelo bem-estar da população. Espero que o Brasil não repita o desastre dos Estados Unidos e não seja obrigado a encarar filas de caminhões com corpos, como houve na Itália.
Herculano
22/04/2020 11:49
HOJE É DIA DE SESSÃO DA CÂMARA. SERÁ TORTURANTE. SERÁ FEITA SOB GAMBIARRA DIGITAL. O USO DESSE SISTEMA DA ERA ANALóGICA JÁ IRRITOU OS VEREADORES EM SESSÃO RECORDE NO TEMPO CURTO NA TERÇA-FEIRA E DEU O QUE FALAR NA REUNIÃO NA CPI DE QUINTA-FEIRA, AMBAS DA SEMANA PASSADA, DEPOIS DA PRIMEIRA EXPERIENCIA NO DIA SETE.

Não tem jeito. O presidente da Câmara de Gaspar, Ciro André Quintino, MDB, confirmou agora pela manhã que a sessão ordinária de hoje do Legislativo à noite será usando o tal "sistema digital" da Casa.

Esse sistema mínimo e atualizado para atender a esta demanda não existe, como se viu nas sessões do dia sete de abril que durou 12 minutos e a de terça-feira com sete minutos apenas. Uma sessão normal dura em média 1h40min, pelo novo Regimento Interno em vigor. A mesma coisa aconteceu na reunião da CPI, menos complexa, que terminou porque o sistema saiu do ar: ele só dura no máximo 40 minutos. Na verdade, até ser ajustado, sobra de 20 a 30 minutos para a sessão ou a reunião.

As sessões do dia sete,a da semana passada e a da reunião da CPI tolheram os debates dos vereadores - inclusive os da base governista em defesa de Kleber Edson Wan Dall, MDB.

As sessões serviram, de verdade, apenas para dar entrada oficialmente aos projetos nas comissões e aprovar os R$600 mil da Câmara para o Fundo da Saúde e destinado a ajudar no combate a pandemia em Gaspar.

Desde hoje, sob restrições, o governador Carlos Moisés da Silva, permitiu a igrejas, capelas, templos, sinagogas, terreiros e outros assemelhados acolher fiéis, shoppings podem funcionar, bares e restaurantes também, mas Câmaras, que são as vozes e fiscais legítimos das comunidades sobre o poder executivo, não.

Ciro não tomou decisão sozinho e pela cabeça dele. Consultou a área jurídica da Câmara que não viu nenhum decreto do governador eque especificamente liberou as sessões presenciais das Câmaras e da Assembleia Legislativa, mesmo sob restrições.

Interessante essa prioridade do governador e interpretação do jurídico que até então não tinha feito consulta específica a Florianópolis.

A Câmara de Gaspar ainda pode se expor ao ridículo e se pendurar na gambiarra digital - que não é culpa do atual presidente -, mas a maioria nem isso pode.

A quem mesmo interessa deixar fechada e calada ou se reunindo no escurinho as Câmaras municipais catarinenses? O político mineiro Tancredo de Almeida Neves dizia: " quando a esperteza é demais, ela come o dono". Acorda, Gaspar!
mig
22/04/2020 11:38
Senhores,

"Nem todos os eleitores de Bolsonaro eram golpistas, mas todos os golpistas votaram nele"

(Elio Gaspari, na coluna replicada abaixo)

Após lê-la, refleti e conclui que já bradei, sem medo de ser feliz:

- fora, sarney! Sob o comando do PT;
- fora collor! Sob o comando do PT;
- fora fhc! Sob o comando do PT;
- fora, lula! Sob o comando da maioria;
- fora, dilma! Sob o comando da maioria; e estou prestes a bradar,
- fora, bolsonaro! Ao comando da maioria e se sobreviver à "gripezinha".

Portanto, sou golpista, SIM!
Miguel José Teixeira
22/04/2020 11:01
Senhores,

O Febeapá "CoronaEdition" está avolumando-se:

1) "Pandemia: ministro(Ernesto Araújo)denuncia "plano comunista", cita China e questiona OMS ... -

(+ em https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/04/22/diante-da-pandemia-chanceler-alerta-contra-plano-comunista-e-questiona-oms.htm?cmpid=copiaecola)

Para evitar o maracanaço na pandemia, sai o "coronavirus" e entra o "comunavírus".


2) E esta é do General que irá controlar a corrente, em cuja ponta está a coleira usada pelo novo ministro da Saúde:

"O meu grau de conhecimento específico, técnico, de médico, é leigo."

(em: https://veja.abril.com.br/politica/nao-havera-traicao-diz-proximo-numero-2-do-ministerio-da-saude/
Miguel José Teixeira
22/04/2020 10:14
Senhores,

Irretocável esta nota do CH replicada abaixo:

"...há um mundo de diferença entre um ministro da Saúde técnico e um ministro ex-deputado candidato a Mr. Simpatia."

Só faltou teclar que, um deles aceitou o uso da coleira!
Herculano
22/04/2020 09:40
CADÊ A LóGICA DA REALIDADE?!Por Alex Pipkin,no Instituto Liberal

Acordo e penso em todas as recomendações de otimismo que recebo e que leio diariamente, mas, infelizmente, não consigo parar de acessar a realidade.

As grandes elites nacionais tupiniquins - jornalistas, intelectuais, professores, PhD's... - parecem ainda não entender porque Bolsonaro foi eleito.

Por óbvio o antipetismo! Mas acredito também que a variável Paulo Guedes - respectiva valorização da economia, do trabalho e do emprego - foi apreciada - e precificada - pelos 57,7 milhões de brasileiros votantes no capitão.

Agora, com a crise virótica, essas mesmas elites, reproduzindo aquilo que foi e está sendo feito em outros contextos diferenciados, pressionam pela saúde pública e louvam do alto de suas confortáveis residências o isolamento social drástico e o fechamento da economia.

Espantoso - demais! - como é escassa nesse país a falta de uma mínima apreensão da realidade e da vida real!

Evidente que o fechamento da economia já está produzindo desemprego, fome e vidas humanas!

O "rei do tropeço nas palavras" tem razão no ponto de que claro que é necessário salvar vidas e empregos. Enquanto isso, as elites se apegam aos seus nobres pensamentos e apelos humanitários, baseados em projeções e modelos em que a única estatística real é a falta de estatística, a fim de manterem o fechamento da economia.

Com a prudente troca do ministro da Saúde, eu efetivamente espero por uma análise racional e segmentada das regiões brasileiras. Não me resta a menor dúvida de que, por exemplo, no Rio Grande do Sul, deveríamos isolar os grupos de risco, enquanto que os demais, preservando todas as providências sanitárias cabíveis, deveriam retornar ao trabalho para que possam cuidar, de fato, da saúde econômica de suas famílias, de seus negócios e, inclusive, da vida de outras pessoas de carne e osso, seus empregados.

Ponham na cabeça: as pessoas precisam e desejam exercer as suas liberdades constitucionais. Aterrorizadoras são a falta do senso de realidade e as abstrações filosóficas e retóricas sofisticadas construídas por "filósofos" liberais, direitistas e - não supreendentemente - por progressistas centristas e esquerdistas.

Ontem, por exemplo, chocou-me a visão de um grande liberal, que numa conversa comigo, aludiu que as questões da quebradeira das empresas e do desemprego devem ser "resolvidas" pelo Estado. Não acreditei no que escutei! Perdoo-os!

Tristemente não conhecem factualmente o mecanismo de mercado e a realidade empresarial, da vida crua e dura.

O "grande Estado" não salvará quase ninguém? As cadeias de suprimentos estão sendo fortemente abaladas globalmente e são as empresas líderes aquelas que estão auxiliando seus principais fornecedores.

Estas estão antecipando pedidos em fornecedores-chave (críticos) para atender à demanda futura, a fim de que eles possam tomar empréstimos contra recebíveis comprometidos.

Fornecedores que representam itens de volumes médios e pequenos de gastos estão recebendo pagamentos antecipados por pedidos agora para atendimento a uma demanda futura. Sem tal providência, seguramente haveria o colapso e o desabastecimento de produtos e serviços à população. Isso a vala comum não enxerga!!
Contudo, com o fechamento da economia de forma ainda mais prolongada, nem tais empresas líderes capitalizadas resistirão.

Inacreditável como esses filósofos românticos de Alice no país das maravilhas desconhecem a realidade da vida como ela é!!

Aos ferrenhos defensores dos fracos e dos oprimidos, um singelo lembrete: se os burocratas irresponsáveis permitirem, quem salvará as nossas vidas humanas serão as empresas que cooperam e competem nos mercados. Por favor, cadê a lógica da realidade, para além de homens dos livros (muitos equivocados) e suas filosofias baratas?!
Herculano
22/04/2020 09:35
O NOVO MINISTRO DA SAÚDE

A imprensa, de um modo geral, está reclamando, que o novo ministro da Saúde, o médico oncologista e afeito a tecnologia, Nelson Teich, está mudo, não está dando pontualmente o espetáculo das cinco da tarde, transmitido ao vivo, como o ex-ministro da Saúde, o médico ortopedista, mas essencialmente político, Luiz Henrique Mandetta, do DEM de Rodrigo Maia e David Alcolumbre, fazia.

Em algum ponto, a imprensa tem razão. Se não fala o novo ministro, é preciso de comunicação mínima por outros canais oficiais. E quando isso aconteceu, houve um "erro" de "datilografia" onde apareceram 200 mortos a mais. Errar na digitação, é possível. Mas, errar também na conferência antes de oficializar o número?

Mas, este não é o ponto do meu comentário.

O ex-ministro entende de osso fraturado e de que as vezes é preciso quebrá-lo mais uma vez para recuperá-lo. Teich entende de metástase. Ou seja, a doença surge num lugar e de repente, mesmo cuidada, o corpo está todo comprometido. Contra Teich pesa o fato dele se comunicar muito mal. E na falta de argumentos contra a capacidade dele, até a sua aparência foi objeto de críticas, não o seu cérebro.

A mudança que o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, fez, sem dúvidas, foi para se livrar de um incômodo que lhe desafiava e o servia a sua cabeça para deboche todas as tardes nas redes de comunicação do país e levava ao delírio os anti-governo, incluindo a própria imprensa. Bolsonaro trouxe para si alguém parecido com seu estilo de governo. Eu faria o mesmo. É o que fazem todos os gestores competentes, mesmo os mais elásticos.

Mas, a verdadeira mudança que Bolsonaro fez, está para além da pandemia. E é contra essa mudança que se reage dentro e fora do Ministério da Saúde infestado pela esquerda do atraso e dos que roubam do e usando sistema.

É um saco sem fundo e sempre exposto como algo que funciona precariamente e bate contra os próprios políticos no poder de plantão.

O SUS vai passar por um processo de avaliação e controle daquilo que se faz, se gasta e se pode produzir com políticas preventivas diante de dados consistentes, na ponta, nos municípios, onde a ladroagem e uso inadequado do sistema corre solto.

O importante não é o espetáculo das tardes de um político galanteador travestido de ministro. O importante é mudar, atualizar, abandonar o papel e o carimbo, digitalizar e fazer o sistema funcionar para o cidadão, principalmente o mais vulnerável, o mais pobre, o doente, o que se sente doente e desassistido, e não dar margem para os ladrões empoleirados no poder usarem os pobres e vulneráveis para se perpetuarem no poder e ampliarem suas relações relações espúrias e riquezas.

É preciso diagnosticar e estancar a metástase que come indevidamente o dinheiro da maioria dos brasileiros para os bolsos de poucos. Wake up, Brazil!
Herculano
22/04/2020 09:05
O PORTA-VOZ QUE DESTOA

Do deputado Federal do MDB Gaúcho, médico, quase ministro da Saúde e ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, Osmar Terra, no twitter, com um gráfico sem registro de fonte, em inglês. Para registrar e conferir mais tarde:

Nesta semana chegaremos no pico da curva de contágio da Covid-19 no Brasil.Significa que + de 50%de toda população das cidades + atingidas p epidemia já foi infectada e está imunizada. Isso reduz contágio do vírus (amarelo)que encontra mais pessoas resistentes a ele(vermelho)
Herculano
22/04/2020 08:55
EXEMPLOS DA VIOLÊNCIA CONTRA OS CIDADÃOS VULNERÁVEIS PELAS QUADRILHAS TRAVESTIDAS DE POLÍTICOS QUE ASSALTAM O PODER, TODOS LEGITIMADOS COM VOTOS LIVRES DE UMA FRÁGIL DEMOCRACIA

O Estado do Amazonas, especialmente a sua capital Manaus, está nas manchetes nacionais com o desastre que está levando à morte centenas de pessoas, supostamente pela Covid-19.

Muitos dos mortos nem chegaram a alcançar o sistema privado ou público de saúde. Nem se sabe direito do que morreram, o que estampa bem o caos do sistema.

E por que acontece isso? Quem assistiu ontem no início da noite a entrevista do prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, PSDB, na CNN Brasil, descobriu que dinheiro dos brasileiros, inclusive de gasparenses e ilhotenses que pagam pesados impostos para a União sem retorno para si e suas comunidades, nunca faltou por lá para a infra-estrutura de saúde.

Esse dinheiro apenas fartou e alimentou os esquemas políticos e empresariais que sobrevivem da corrupção continuada nos grotões do Brasil, onde não há imprensa investigativa e independente, onde o poder que manda e desmanda, entrelaça-se também nos órgãos de controle e fiscalização Por isso, tudo termina em pizza - até com adversários e concorrentes - e assim estimula-se cada vez mais roubos deste tipo. É uma corrente criminosa sem fim.

E ai quem morre? O povo. E quem culpar por isso? Brasília. Para que? Para ela mandar mais dinheiro dos brasileiros, dos catarinenses, dos gasparenses, dos ilhotenses diante de tanta desgraça para socorrer e diminuir as manchetes contra os políticos. Colocá-los na cadeia como provocadores disso, nem pensar. E a imprensa direta e indiretamente dando corda aos bandidos do colarinho branco.

E para que mais dinheiro? Para salvar pessoas? Não! Pois o sistema está falido, fraturado e não funciona para isso. Ele não dá conta de salvá-las, mesmo com muito dinheiro novo. Então para que dinheiro novo e bom? Para os políticos e gestores públicos incompetentes e bandidos se fartarem e fazerem política, discursos de salvadores enquanto colocam boa parte do socorro emergencial nos bolsos.

Exagero? Então assista de novo a entrevista do prefeito, ou dá uma corrida no noticiário desta semana para ver a quantidade de denúncias que existe sobre as licitações e compras armadas na emergência para se levar vantagem econômica.

Não foi isso que aconteceu com o tal Hospital de campanha de Itajaí e que colocou o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, de joelhos? E logo aqui em Santa Catarina e num governo eleito para romper esses vícios?

Os maiores centros de corrupção nas administrações públicas estão em obras e saúde. Nem mais, nem menos.

Quem assistiu a entrevista de Artur Virgílio Neto ficou doente não com as denúncias antigas que ele relatou, mas como ele não consegue sair da mesma armadilha. Ele precisa de dinheiro novo, mas possui planos novos para salvar a população que diz estar precisando de dinheiro.

A população de lá - e daqui - está precisando de gestores públicos sérios, transparentes, com ideias práticas e atualizadas para resolver problemas e práticas antigas que já demonstraram serem letais aos mais vulneráveis, mansos e desinformados. Só isso.

Eleições são feitas para mudar esse quadro. Outubro terá outra. E já há quem esteja contra elas.
Herculano
22/04/2020 08:20
O CÁLCULO POLÍTICO DO GOVERNADOR, por Helio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, no jornal Folha de S. Paulo.

Políticos de São Paulo e de outros estados foram envolvidos por pseudociência

João Doria promete anunciar nesta quarta-feira (22) um plano para futura retomada gradual das atividades no estado de São Paulo. É um plano que nasce atrasado e guiado pelo cálculo político que indica que os ventos não sopram mais a favor de sua quarentena.

Afinal, os óbitos de Covid-19 no Brasil apontam possivelmente para total inferior a 10 mil, ante mais de 80 mil de gripe ou pneumonia durante o ano de 2018, sendo 24 mil apenas em São Paulo.

Centenas de milhares de negócios estão fechados por decreto do governador, e o desemprego disparou. Milhões estão bloqueados de seu ganha-pão necessário para colocar comida na mesa de sua família.

O governador, que há meses aposentou a camisa Bolsodoria, reagiu às buzinas inoportunas do fim de semana passado, vazou o factoide de que anunciaria um plano e correu para elaborá-lo. Se tivesse lido minha coluna de 5 de fevereiro nesta Folha, São Paulo poderia ter máscaras para todos.

O plano de Doria começa mal ao impossibilitar uma eventual flexibilização antes de 11 de maio, data decretada arbitrariamente. Decorre do erro anterior de prorrogar a quarentena por dias predeterminados e independentemente da evolução dos fatos, gerando incerteza e insegurança.

Deveria ter ouvido os diversos setores e construído desde o início critérios e indicadores objetivos como precondição para uma retomada gradual, que contemplassem a capacidade do sistema de saúde, a disponibilidade de testes para profissionais de saúde e a trajetória declinante de novos casos e óbitos.

Em conversas com o empresariado, Doria tem se preocupado mais em cobrar doações e menos em ouvir a desastrosa situação do emprego, dos autônomos e das empresas. Demorou a compreender o prejuízo que causou por não ter iniciado a quarentena conjuntamente com um plano de retomada estabelecido. E agora desconsidera uma flexibilização a partir desta semana baseada no uso generalizado de máscaras, distanciamento nos locais de aglomeração e medição de temperatura.

O bom gestor - não o governador de São Paulo - sabe que o travamento da atividade econômica em tempos de pandemia não deve prescindir de uma sólida base científica.

Tal base faltou ao infame paper do Imperial College, adotado como referência por diversos países e cuja adaptação ao Brasil previu 1 milhão de mortes na ausência de um lockdown por meses a fio.

Em meio a inúmeros equívocos metodológicos, o paper ignorou os custos envolvidos nas paralisações propostas, uma falha fatal. Em uma analogia, foi adotada a quarentena baseada em um modelo resultante de opinião pessoal, antes dos ensaios clínicos randomizados, a norma de ouro da ciência médica.

Considero o isolamento uma medida necessária para proteger vidas - o maior dos direitos humanos. Contudo tenho dúvidas sobre a versão paulista em relação à dosagem - por desconsiderar os efeitos colaterais da overdose, como a queda brutal dos ingressos das classes mais baixas, do varejo e de boa parte da indústria.

Há também efeitos adversos escondidos, como violência doméstica, consumo de álcool e drogas e depressão.

O fato é que os políticos de São Paulo e de outros estados foram envolvidos por pseudociência e fecharam todo o possível, desconsiderando inclusive as fronteiras de transmissão.

Em São Paulo, centenas de cidades com milhares de pequenas e médias indústrias tiveram suas atividades interrompidas antes que se registrassem casos.

Espero que o plano me surpreenda, ainda que tardiamente. E vamos trabalhar!
Herculano
22/04/2020 08:07
ESTADOS 'ISOLACIONISTAS' ADEREM À FLEXIBILIZAÇÃO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Jair Bolsonaro ainda paga o preço pela defesa da flexibilização das medidas de isolamento ou distanciamento social, mas alguns dos governadores que jogam para a plateia criticando o presidente, a quem chegaram a chamar de "irresponsável", foram os primeiros a liberar o funcionamento de atividades, na tentativa de minimizar os efeitos catastróficos na economia. No Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB), que usou e abusou de oportunismo, também flexibilizou.

CEREJA DO BOLO

A "cereja do bolo" na onda da flexibilização é São Paulo, cujo governador João Doria chegou a provocar bate-boca virtual com o presidente.

CIÊNCIA OCASIONAL

Foram os casos dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que até "rompeu" com o presidente "em defesa da ciência".

ABERTURA RADICAL

O catarinense Carlos Moisés (PSL), um dos defensores mais radicais do "isolacionismo", acabou cedendo a flexibilizando mais que outros.

NÃO PRECISAVA TANTO

Apesar da menor incidência da doença no País, Tocantins era dos mais fechados. Mas o governador Mauro Carlesse (DEM) flexibilizou.

NO BRASIL, 63% NÃO FAZEM EXERCÍCIOS NA QUARENTENA

Levantamento do instituto Paraná Pesquisa com 2.218 brasileiros em todo o País mostra que a grande maioria dos entrevistados (62,8%) não aproveita o período de isolamento social para praticar atividades físicas, como recomendam os especialistas. Apenas pouco mais de um terço (34,4%) dizem fazer exercício. A parcela da população mais ativa tem 60 ou mais: 41,1% juram que aproveitam a quarentena para manter a forma.

SEM ESTUDO E PARADO

Quase 70% dos entrevistados com educação até o nível fundamental não estão se exercitando durante o isolamento.

ELAS SE MEXEM MAIS

Em média, as mulheres (35,3%) estão se exercitando mais que os homens (33,4%), segundo o Paraná Pesquisa.

DADOS DA PESQUISA

O Paraná Pesquisas ouviu 2.218 habitantes com 16 anos ou mais em 26 estados e DF, em 212 municípios entre os dias 13 e 16 de abril.

VÍRUS DA MÍDIA

O presidente Jair Bolsonaro adorou a brincadeira, que leu no site Diário do Poder, em que o governador Ibaneis Rocha afirmou que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta "pegou o vírus da mídia". Riu muito.

Tô FORA

Ibaneis Rocha comunicou por Whatsapp aos colegas do Fórum de Governadores que já não se sente a vontade para continuar coordenando a iniciativa, que ele articulou logo após a posse, em 2019.

INVEJA MATA

Deputado das antigas, que viu Rodrigo Maia moleque, pede paciência: "O Rodrigo, que se acha um gênio da política, passou a vida voando Rio-Brasília-Rio em voos ao lado de Bolsonaro", lembra, "aí chega 2018, ele quase não foi reeleito e ainda viu o capitão virar presidente. Inveja mata".

DEDO ACUSADOR

O governo de São Paulo protagonizou caso clássico de "o acerto é meu, o erro é seu": culpou o Ministério da Saúde, que apenas soma os dados informados pelos estados, pelo número de óbitos maior que o real.

ÚNICO NA BANCADA

O deputado Daniel Coelho (Cidadania) foi o único pernambucano a votar contra a "ajuda emergencial" a estados inventada por Rodrigo Maia para garantir R$50 bilhões a São Paulo.

CONGRESSO 'PERDE O TREM'

O prejuízo do trabalho em marcha lenta dos parlamentares ao Brasil foi marca da tramitação da MP do contrato verde amarelo. Para Peterson Vilela, faltou agilidade e, na situação atual, a preocupação é com a manutenção dos empregos existentes e não com a criação de novos.

COM QUEM CONTAR

Com o isolamento mantido pelo país, a Bandeirantes prorrogou até 10 de maio a liberação do sinal de seus canais pagos. Manteve a ideia de levar informação, diversão e conhecimento durante a quarentena.

ELEIÇõES MANTIDAS

O primeiro relatório do grupo de trabalho do Tribunal Superior Eleitoral que avalia o impacto do coronavírus garante que "há condições materiais para a implementação das eleições no corrente ano".

PENSANDO BEM...

...há um mundo de diferença entre um ministro da Saúde técnico e um ministro ex-deputado candidato a Mr. Simpatia.
Herculano
22/04/2020 07:47
da série: se fosse para subir, os postos por aqui já teriam subido no segundo seguinte ao anúncio da Petrobrás, mesmo que o produto caro levasse dias para chegar em Gaspar, Ilhota, Itajaí, Brusque e Blumenau, por exemplo. Agora, os preços caíram mais de 60%, e na maioria das bombas, o produto barato estocado que se vende não chegou a 30%, em plena crise, precisando vender e com poucos consumidores porque todos estão parados ou sem dinheiro. Imagina-se em tempo normal de demanda. Gente em cartel, bem forrada, que aposta contra o seu próprio consumidor e a inteligência do povo. Nem especular sabem. Se desovassem seus estoques que seguram e cada vez ficam mais caros e custosos, poderiam comprar mais barato, lucrar mais e com estoques baratos, na alta lucrar.

O COLAPSO DO PETRóLEO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Com redução da demanda na pandemia, setor enfrenta desordem inédita de preços

Os danos econômicos provocados pela pandemia de Covid-19 seguem em espiral ascendente no mundo. A operar com uma fração de sua capacidade, setores inteiros, como aviação, turismo e entretenimento, têm sua sobrevivência ameaçada.

Outra vítima notável, por sua dimensão e importância, é o segmento de energia, notadamente a produção de petróleo. O mercado, que já operava com excesso de oferta e preços cadentes mesmo antes da crise, agora enfrenta talvez o seu maior desafio histórico.

A queda da demanda estimada para o segundo trimestre chega a 30 milhões de barris por dia, cerca de 30% da produção mundial.

Paliativos recentes, como o corte de produção de 10 milhões de barris acordado pelos membros da Opep (organização de países exportadores) e pela Rússia, com inédito beneplácito dos Estados Unidos, mostram-se insuficientes contra o derretimento dos preços.

O tamanho do desajuste se revelou plenamente nos últimos dias, quando os preços dos contratos para entrega em maio de óleo da categoria WTI (West Texas Intermediate), que serve de referência no mercado americano, caíram abaixo de zero pela primeira vez.

O fenômeno desafia a intuição e decorre da aproximação dos limites de estocagem no ponto central de entrega e distribuição, no estado americano de Oklahoma. Sem lugar de armazenamento, ninguém quer receber o produto ?"daí os preços negativos, que não deixam opção que não seja cortar de forma radical sua produção.

Embora o fenômeno por ora esteja restrito ao mercado americano, a referência internacional, o Brent, também poderá ter destino parecido. Em todo o mundo os tanques de armazenamento estão sendo ocupados, e a Agência Internacional de Energia estima que os limites estejam a poucas semanas.

Os preços do Brent também caíram abaixo de US$ 20 nesta semana, patamar insuficiente para cobrir os custos de boa parte da indústria. A situação poderá levar à redução desordenada da produção, com risco de uma avalanche de insolvências de empresas menores.

A destruição da capacidade, por sua vez, ameaça resultar em altas abruptas de preços adiante, com a recuperação da economia mundial.

O cenário exige máxima cautela do setor, portanto. A Petrobras já tomou providências, como o corte de 200 mil barris por dia de sua produção e a redução do plano de investimentos e custos administrativos. Felizmente o esforço de redução de dívidas dos últimos anos evita agora um mal maior, mas novos ajustes podem ser necessários.
Herculano
22/04/2020 07:24
A VOLTA DO CIPó DE AROEIRA, por Carlos Brickmann

O presidente Bolsonaro foi agressivo, radical, mas o texto de seu discurso se manteve dentro da lei. Entretanto, compareceu a uma manifestação pelo fechamento do Congresso e do Supremo, pela intervenção militar, pela volta do Ato Institucional nº 5, que marcou o mais terrível momento da ditadura, ouviu os gritos exigindo a ditadura, sem rejeitá-los, e participou do ato.

É provável que tenha errado o cálculo, e percebido o erro: no dia seguinte, já garantiu que é um democrata, que jamais pensou em fechar Congresso e Supremo. Do lado de fora, analisemos: se Bolsonaro não quer o golpe, deu a impressão de que quer, unindo contra si todos que se opõem a ditaduras. Caso tente o golpe, pode perder - e, no caso, perde tudo; ou ganhar - e, no caso, por que generais da ativa iriam obedecer a um cavalheiro que só chegou a tenente e passou a capitão apenas por promoção automática, ao deixar a farda? Ele é comandante-chefe das Forças Armadas por ter sido eleito. Após um golpe, seria só uma patente inferior mandando nas patentes superiores.

Na sucessão do presidente Médici, o general Albuquerque Lima era forte. Perdeu por ter três estrelas, não quatro. E a Censura proibiu qualquer referência a ele. Na sucessão do presidente Geisel, o ministro e coronel Jarbas Passarinho - com carreira militar e experiência política, bom de voto, era forte. Perdeu quando o ministro da Guerra, general Orlando Geisel, disse que não obedeceria a um coronel.

Hierarquia é hierarquia, e isso não muda.

A VOZ DAS ARMAS

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, e o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, conversaram sobre a manifestação. Nenhum dos dois revelou nada, mas Toffoli parecia tranquilo após a conversa. O ministro, mais tarde, emitiu nota lembrando que as Forças Armadas "trabalham com o propósito de manter a paz e a estabilidade do país, sempre obedientes à Constituição Federal". Isto nem precisaria ser lembrado; mas o general Fernando Azevedo aparentemente não quis deixar qualquer dúvida no ar.

GOLPE FÁCIL

Se os manifestantes favoráveis à intervenção militar acham mesmo que esta é a solução, o caminho é fácil: convencer Bolsonaro a renunciar. Assume o vice, general Hamílton Mourão, quatro estrelas, com grande prestígio nas Forças Armadas. Assim realizarão o desejo de ter um general no poder.

AÇÃO E REAÇÃO

O ministro Alexandre de Morais, do STF, autorizou o procurador-geral da República, Augusto Aras, a abrir inquérito sobre as manifestações em favor da ditadura. Aras deve apurar se houve infração à Lei de Segurança Nacional "por atos contra o regime da democracia brasileira por vários cidadãos, inclusive deputados federais, o que justifica a competência do STF".

Disse Aras: "O Estado brasileiros admite única ideologia, que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional". Bolsonaro, que compareceu à manifestação de Brasília e discursou, não é citado e não será investigado, a menos que haja indícios de que ajudou a organizar o movimento.

TEXTO E CONTEXTO

Há muitos anos, o notável meteorologista Rubens Junqueira Vilela era o responsável pelo setor na Folha de S.Paulo. Mas, apesar de seu bom texto, poucos na Redação se davam ao trabalho de lê-lo. Tão logo ele entrava, todos sabiam como seria o tempo. Se estivesse de guarda-chuva, iria chover. Se estivesse agasalhado, iria esfriar. Seguíamos o que mostrava, não o que dizia.

Atualizemos o tema: o presidente esteve na manifestação antidemocrática e não disse nada diante dos gritos pela volta do Ato 5 e outros. O filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, já disse que para fechar o Supremo bastariam um cabo e um soldado (e papai nada comentou). O ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro, Eduardo Araújo, publicou anteontem em seu Twitter foto da manifestação de domingo e seu chefe, o presidente, quedou-se quieto.

Bolsonaro efetivamente fez declarações pró-democracia a partir desta segunda-feira. E, lido sem má vontade, seu discurso é radical, mas fica nos limites da lei. Mas gente próxima a ele foi simpática ao ato, e até já havia se manifestado contra as instituições. E ele sempre garantiu que não houve ditadura nem tortura. É "façam o que eu digo" ou "façam o que eu faço"?

ALTERNATIVA

Quarentena é essencial, e não precisa ser chata. A TV Cultura oferece, de graça, shows, concertos, palestras, livros, mais de 200 obras para TV, computador, celulares.

Entre em www.culturaemcasa.sp.gov.br

YouTube, https://youtu.be/AkJf1rukEtg

Twitter, https://twitter.com/CulturaSP/status/1252371896022126593

Face: https://www.facebook.com/culturasp/videos/3093226110729494

Lembra quando a esquerda é que detestava a Globo? A Cultura foi uma das tevês onde Chico Buarque fez alguns de seus mais notáveis espetáculos.
Herculano
22/04/2020 07:14
da série: democracia pressupõe uma maioria pobre e subjugada tolerar poderosos ladrões dos pesados impostos de todos protegidos por quadrilhas de políticos instaladas nos governos e parlamentos de todos os níveis, protegidos por castas de funcionalismo, com as bençãos da Justiça e acesso direto ao STF? A ideia que só militares podem reverter esta degradante situação, mostra apenas como forte é esta organização criminosa que sufoca e exaure as forças do povo livre. É reflexo da suposta impotência do voto que já fez mudar parte da situação. Outubro haverá mais um teste e as quadrilhas de políticos encastelados no poder e ameaçados nele, já não o querem

O PRESIDENTE VIROU VIVANDEIRA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Nem todos os eleitores de Bolsonaro eram golpistas, mas todos os golpistas votaram nele

Vivandeira é uma palavra bonita que designa coisa feia. A expressão foi usada em agosto de 1964 pelo marechal-presidente Humberto Castello Branco, numa memorável lição:

"Há mesmo críticas tendenciosas e sem fundamento na opinião pública de que o poder militar se desmanda em incursões militaristas. Mas quem as faz são sempre os que se amoitaram em meios militares. Felizmente nunca rondaram os portões das organizações do Exército que chefiei. Mas eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar".

O presidente Jair Bolsonaro amoitou-se diante do quartel-general do Exército, onde havia uma aglomeração de vivandeiras que pediam extravagâncias do poder militar. No dia seguinte, disse que não tinha nada a ver com as faixas que pediam o fechamento do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e uma volta à ditadura escancarada do Ato Institucional nº 5.

O capitão disse também que "eu sou, realmente, a Constituição". Não é. Dias antes, falou em "minhas Forças Armadas". Minhas?

Deve-se voltar ao marechal Castello Branco. Como chefe do Estado-Maior do Exército, no dia 20 de março de 1964, uma semana depois do comício do João Goulart ao lado do quartel-general enfeitado por tanques, ele assinou uma circular reservada para os comandos. Disse que "os meios militares nacionais e permanentes não são propriamente para defender programas de governo, muito menos a sua propaganda, mas para garantir os Poderes constitucionais, o seu funcionamento e a aplicação da lei".

Mais: "Não sendo milícia, as Forças Armadas não são armas para empreendimentos antidemocráticos".

Castello Branco era um general francês. Já o seu colega Aurélio de Lyra Tavares, subchefe do Estado-Maior do Exército, era qualquer outra coisa. No dia seguinte, mandou-lhe uma carta na qual dizia que havia lido a circular depois de sua expedição. (Portanto não tinha nada a ver com aquilo). Informou que percebia um clima de apreensão "pela leitura dos jornais". (Maldita imprensa.)

Em qualquer corporação há Castellos e há Lyras. O general viria a ser o desastroso ministro do Exército do presidente Costa e Silva e integrante da patética junta militar de 1969. Deu no que deu.

Nem todos os eleitores de Jair Bolsonaro eram golpistas, mas todos os golpistas votaram no capitão. Em janeiro de 2019, quando ele entrou no Planalto com seus 58 milhões de votos, poderia haver o sonho de um emparedamento do Congresso. Passado um ano, o Executivo ficou menor que o Parlamento. Atingido pela pandemia, o capitão meteu-se num negacionismo pueril e viu-se atirado ao olho de uma crise econômica que não provocou e que não mostra competência para administrar. Nas suas palavras: "Se acabar economia, acaba qualquer governo. Acaba o meu governo. É uma luta de poder". Não é uma luta de poder, nem acaba qualquer governo e o dele deve continuar até 31 de dezembro de 2022.

Se o presidente nada teve a ver com a vivandagem, torna-se impossível encaixar o Bolsonaro de domingo (19) no Bolsonaro da segunda-feira (20). Do alto da caçamba de uma camionete ele disse que "não queremos negociar nada. (...) É agora o povo no poder".
Miguel José Teixeira
21/04/2020 19:56
Senhores,

Em postagem anterior teclei que o "capita" havia tomado o controle. . .da agenda de seu "impeachment".

Acabamos de ser informado que os PeTralhas tomaram-na de suas mãos:

"Com aval de Lula, bancada do PT vai subir o tom e pedir saída de Bolsonaro'

(fonte: https://congressoemfoco.uol.com.br/governo/com-aval-de-lula-bancada-do-pt-vai-subir-o-tom-e-pedir-saida-de-bolsonaro/)

A bola de neve começou a rolar. . .

Preparem-se para o festival do toma-lá-dá-cá!
Herculano
21/04/2020 15:06
da série: depois dos políticos que dependem de votos fingirem que entenderam os recados das ruas e das redes sociais, o STF - que está protegido pela imunidade - decidiu esticar a corda para testar o limite dela e ao mesmo tempo provocar e aumentar as reações. É intencional.

MORAES, DO STF, ATENDE PEDIDO DE ARAS E AUTORIZA INQUÉRITO PARA INVESTIGAR ATOS PRó-GOLPE

No domingo, Bolsonaro participou de manifestação com pedidos de golpe militar por seus apoiadores

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Bruno Boghossian, da sucursal de Brasília. O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de inquérito para investigar as manifestações realizadas no último domingo (19). O pedido de investigação foi feito na segunda-feira (20) pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.

O objetivo de Aras é apurar possível violação da Lei de Segurança Nacional por "atos contra o regime da democracia brasileira por vários cidadãos, inclusive deputados federais, o que justifica a competência do STF".

"O Estado brasileiro admite única ideologia que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional", afirmou o procurador-geral, sem citar o presidente Jair Bolsonaro, que também participou de ato em Brasília.

Interlocutores do procurador-geral afirmam que, inicialmente, Bolsonaro não será investigado. Eles alertam, porém, que, caso sejam encontrados indícios de que o chefe do Executivo ajudou a organizar as manifestações, ele pode vir a ser alvo do inquérito.

A Lei de Segurança Nacional a que se refere o procurador-geral foi sancionada em 1983 e tipifica crimes que podem ser cometidos contra a ordem política e social. A legislação prevê crimes que lesam a "integridade territorial e a soberania nacional"; o regime representativo democrático"; e "a pessoa dos chefes dos Poderes da União".

Entre as penas, há a previsão de 3 a 15 anos de prisão para quem tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, o "regime vigente ou o Estado de Direito". A lei também estabelece 1 a 5 anos de reclusão para quem integrar qualquer "agrupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente por meios violentos ou com emprego de grave ameaça". ?

Em sua decisão, segundo nota divulgada pelo tribunal, Moraes cita a Constituição e salienta que, como descrito pelo PGR, "revela-se gravíssimo, pois atentatório ao Estado Democrático de Direito brasileiro e suas Instituições republicanas".

"São inconstitucionais, e não se confundem com a liberdade de expressão, as condutas e manifestações que tenham a nítida finalidade de controlar ou mesmo aniquilar a força do pensamento crítico, indispensável ao regime democrático", afirma o ministro do Supremo.

Crimes previstos na Lei de Segurança Nacional

Artigo 17: Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito."

Pena prevista: de 3 a 15 anos de prisão

Artigo 23, incisos I, II e III: Incitar à subversão da ordem política ou social; à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis; à luta com violência entre as classes sociais."

Pena prevista: de 1 a 4 anos de prisão

"Também ofendem os princípios constitucionais aquelas que pretendam destruí-lo, juntamente com instituições republicanas, pregando a violência, o arbítrio, o desrespeito aos direitos fundamentais. Em suma, pleiteando a tirania", completa Moraes.

Ainda de acordo com a decisão de Moraes, a investigação irá apurar a "existência de organizações e esquemas de financiamento de manifestações contra a democracia e a divulgação em massa de mensagens atentatórias ao regime republicano, bem como as suas formas de gerenciamento, liderança, organização e propagação que visam lesar ou expor a perigo de lesão os direitos fundamentais, a independência dos Poderes instituídos e ao estado democrático de direito, trazendo como consequência o nefasto manto do arbítrio e da ditadura".

Neste domingo, em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, Bolsonaro afirmou que "acabou a época da patifaria" e gritou palavras de ordem como "agora é o povo no poder" e "não queremos negociar nada".

"Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. "Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos."

Já nesta segunda-feira, o presidente procurou mudar o tom. "Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação que ainda está dentro da normalidade", disse Bolsonaro.

Bolsonaro se mostrou bastante incomodado com as críticas que recebeu por ter participado de ato no domingo de apoiadores pró-intervenção militar, com faixas com pedidos de golpe, gritos contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e pressão pelo fim do isolamento social recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) contra a pandemia.

A fala de Bolsonaro e sua participação no ato de domingo em Brasília, no Dia do Exército, provocou outras fortes reações no mundo jurídico e político.

No pedido ao STF, a PGR cita que os organizadores das manifestações podem ser enquadrados no artigo 23 da Lei de Segurança Nacional. O trecho da legislação fixa pena de 1 a 4 anos de prisão a quem incitar "a subversão da ordem política ou social" e a "luta com violência entre as classes sociais" ou a quem estimular a animosidade entre as Forças Armadas e a sociedade.

A PGR afirma que a reedição do AI-5, "ato institucional que endureceu o regime militar no país", foi uma das pautas dos protestos. Também ressalta que a Procuradoria pretende apurar "fatos em tese delituosos" e que a "investigação refere-se a atos realizados em todo país". As informações foram divulgada por meio de nota. ? ?

Além disso, a PGR acredita que os manifestantes podem responder pelo artigo 22 da lei, que prevê a reclusão de 1 a 4 anos para quem fizer propaganda em público de processos violentos ou ilegais para alterar ordem política social.

Na visão de pessoas ligadas a Aras, a investigação também pode revelar a prática descrita no 16 da Lei de Segurança Nacional. Trata-se do trecho da legislação que prevê pena de 1 a 5 anos de prisão a quem integrar "partido, comitê, entidade ou grupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de Direito, por meios violentos ou com o emprego de grave ameaça".
Herculano
21/04/2020 12:35
da série: o óbvio que os políticos que insistem não entender. Todos estão cansados deles, inclusive nesta narrativa quando para serem intocáveis, falam na tal democracia sob ameaça

FALTOU A LIÇÃO DE CASA, editorial do ND Total, de Florianópolis SC

Com o discurso de mudar o país, deputados federais e senadores foram eleitos para as atuais legislaturas. Era o momento de acabar com a velha política, mudar o país que estava condenado por um modelo apodrecido, que comprometia o nosso futuro. A máquina pública, gigante e improdutiva custava caro e mantinha privilégios e benefícios para poucos, enquanto a maioria da população não contava com serviços básicos como saúde, educação e segurança.

Há um ano e meio que os novos políticos estão no poder, ocupando governos de Estado, Congresso, Câmara Federal e o Senado, casas que tiveram um grande índice de renovação. Mesmo assim, com o discurso de mudança, a realidade nacional não mudou, avançou muito pouco em relação ao passado recente. Mesmo os políticos que encararam o seu primeiro mandato, embalados pelos ventos da mudança, continuam agindo como velhos políticos.

A crise do coronavírus só revelou uma situação que todos os brasileiros já conheciam: a precariedade do nosso sistema de saúde. O colapso da saúde sempre existiu neste país desigual, onde ocorrem mortes nos corredores dos ambulatórios e pessoas padecem nas filas em busca de exames e atendimento. Mas até então estas milhares de vidas passavam despercebidas e faziam parte de estatísticas oficiais.

A Covid-19 apenas escancarou que há muito nossos governos deixaram de investir na saúde pensando no bem-estar do cidadão. Mas o que os nossos congressistas, deputados federais e senadores, fizeram neste momento de crise, quando se evidencia o fracasso do modelo de governança e a incompetência do Estado para evitar a pandemia?

Não sinalizaram qualquer gesto, qualquer decisão, qualquer lei para diminuir o tamanho do Estado, reduzir as despesas e os privilégios para manter uma máquina pública que consome tudo o que o Brasil produz. Em nenhum momento sacrificaram os seus salários, benefícios e privilégios, o que era de se esperar neste momento de enfrentamento de uma grave crise.

O coronavírus tem provocado mudanças em todos os aspectos sociais, econômicos e políticos, e até de comportamento. São lições que vieram para ficar. Era o ambiente necessário para mudarmos o tamanho do Estado, repensarmos as estruturas dos poderes públicos, quebrar paradigmas e mudar o Brasil. Infelizmente, nada disso aconteceu. Agora, os governadores e prefeitos pedem socorro ao Governo Federal para que libere R$ 89,3 bilhões para compensar as perdas com arrecadação de impostos.

Como se fosse uma empresa, os governadores querem que a União reponha a sua arrecadação, o seu faturamento, para que mantenham a sua receita garantida para pagar a sua estrutura. É um pleito legítimo, porém, será que estes governadores e prefeitos fizeram a lição de casa antes de bater às portas do Governo Federal? É claro que não! Há exceções, poucos exemplos.

Cabem as perguntas: que compromissos assumiram com a economia e a
eficiência de seus governos? Que soluções encontraram para economizar na folha de pagamento? Qual o processo que adotaram para manter enxuta a estrutura? Qual o grau de eficiência e produtividade dos servidores públicos? São questões que os gestores públicos devem responder para a sociedade, para quem os elegeu.

Os brasileiros já não toleram mais manter a máquina pública do tamanho que está apenas para atender quem está nela inserido. Governadores pleiteiam bilhões para equilibrar suas contas, é verdade. Mas sem nenhuma atitude, nenhuma gestão de enxugamento, de redução e de cortes de privilégios? A carta dos governadores pedindo ajuda foi assinada pela maioria dos governadores, mas Ratinho Júnior (PR) e Romeu Zema (Minas Gerais) decidiram assumir para si a responsabilidade.

Com certeza, cortarão na carne e farão a economia necessária para manter as
contas em dia. A maioria, entretanto, pede auxílio de pai para filho. Muitos dos que foram eleitos pelo pai se voltaram contra ele, como na parábola do filho pródigo. O financiamento aos governos e prefeitos vai servir para pagar salários, para a rolagem de dívidas, financiamentos e manter a máquina pública em funcionamento.

Melhor seria que os bilhões do Governo Federal fossem investidos na saúde pública, na manutenção de hospitais e de equipamentos que garantissem saúde à população. Porque virão no futuro outros vírus tão letais como a Covid-19. E quando surgirem o Covid-20, 21 e 22? Estaremos preparados para
evitar as mortes?

O Governo Federal já sinalizou que não terá como financiar os governadores na proporção que desejam, mas terá de ir a banco para buscar os recursos pagando só de juros R$ 9 bilhões ao ano. Mais uma vez, quem vai pagar a conta da crise do coronavírus é o contribuinte que com seu imposto vai continuar mantendo o Estado brasileiro.

Na verdade, pagará duas vezes: agora com a paralisação da economia e com o desemprego e, no futuro, quando a União não tiver condições de fazer os investimentos que a população necessita por falta de recursos. É preciso que, neste momento, cada um faça a sua parte.
Herculano
21/04/2020 11:52
UM SITE INFECTADO

Vira e mexe o site da Câmara de Gaspar trava e tem sido notícia por aqui. Parece estar com a Covid, ou então, pegou o espírito do barnabé: hoje é feriado e ele não trabalha ou está na UTI.

Quem quis esta manhã procurar textos e tramitação de projetos de leis já aprovados, não passou da primeira página.

Aliás, devido ao feriado de Tiradentes, aquele que era contra os extorsivos impostos de Portugal contra os brasileiros e por isso foi considerado um traidor, condenado e morto, amanhã é dia de sessão na Câmara. Se for por meio digital, será mais uma prova pública da deficiência dessa área na Câmara.

Mas, pela decisão do governador Carlos Moisés da Silva, PSL, que relaxou a quarentena em vários setores, a sessão da Câmara, só com vereadores ou com publico restrito, pode ser enquadrado nas aberturas feitas feitas pelo governador.

O difícil vai ser convencer os políticos do poder de plantão que tudo está voltando à normalidade... Aqui em Gaspar ele ganhou mais de um mês sem debates e denúncias.

A precária tecnologia da Câmara na era digital é uma espécie de censura pública ou uma demonstração do atraso dessa gente perante as mudanças do mundo. Acorda, Gaspar!
Miguel José Teixeira
21/04/2020 08:26
Senhores,

"Lupa nos gastos.

A Direção de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, a Dicor, criou um grupo para acompanhar os gastos do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. Formalmente, o grupo é chamado de Gecor/Covid-19, mas internamente foi batizado por policiais de "Corona Jato", em alusão à Operação Lava Jato. O grupo tem como objetivo concentrar informações sobre os contratos, analisar dados obtidos nos ministérios e outros órgãos de fiscalização, coordenar ações de investigação, apoiar as apurações e operações relacionadas ao tema nos estados e, excepcionalmente, instaurar e conduzir inquéritos sobre casos de corrupção e de desvio de recursos federais destinados ao combate à pandemia."

(fonte: Crusoé)

Ufffa. . .ainda bem!

Em tempos de coronavírus olho vivo nos ParasiTas dos cofres públicos, tão letais quanto. . .
Herculano
21/04/2020 08:00
da série: já estão encontrando explicações complexas para o que o simples e o que está na cara de todo mundo. Por mais tosco que seja Bolsonaro, ele é para a maioria dos eleitores, a representação contra a corrupção do toma-lá-dá-cá dos políticos e gente que vive de corrupção para tirar dinheiro do povo quando está no poder (eleito ou indicado). E esse moto é o que vai mover as próximas eleições. E é por isso que há gente no poder, com um monte de dinheiro estocado, que quer o adiamento das eleições de quatro de outubro. No Congresso, por outro lado, os políticos bem pagos pelo povo, cheios de mordomias e privilégios, aproveitaram a pandemia para atingir o presidente da República que se nega ao toma-lá-dá-cá, mas quebrando o país e sacrificando os próprios eleitores, tornando-os fracos e reféns das manobras e migalhas deles, políticos.

AUXÍLIO DE R$ 600 E DISCURSO À BASE ALIVIAM AVALIAÇÃO DE BOLSONARO, APONTA DATAFOLHA

Devotos de presidente discordam do isolamento social e apoiam troca de ministro da Saúde

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de
Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha. A tendência à polarização da opinião pública quanto ao desempenho de Jair Bolsonaro (sem partido) no combate à epidemia do novo coronavírus no Brasil, na mais recente pesquisa do Datafolha sobre o tema, reflete não só a troca do titular do Ministério da Saúde como também as ações recentes do governo na área econômica.

É certo que o posicionamento dos brasileiros quanto à demissão de Luiz Henrique Mandetta (DEM), assim como sobre as medidas de isolamento social, apresenta alta correlação com a avaliação que fazem da atuação do presidente na crise.

Apesar de ainda ser apoiada pela maioria da população, a principal medida adotada para retardar o colapso do sistema de saúde no país - a diminuição na circulação e na concentração de pessoas pelas ruas e pelos estabelecimentos comerciais - vem perdendo a aceitação de parcelas dos cidadãos.

Como exemplo, por meio de análise estatística multivariada, chega-se a 15% de brasileiros que apoiam a troca na pasta e também defendem a priorização da economia e do emprego, mesmo diante da afirmação de que isso apontaria o fim do isolamento, podendo disseminar ainda mais o vírus. Bolsonaro tem aprovação superior a 90% nesse estrato.

Pelo tamanho e perfil do segmento, os dados apontam que o discurso presidencial tem aderência em seu eleitorado mais devoto, já que o índice de ocorrência do conjunto na amostra é próximo ao percentual de "bolsonaristas heavy" na população, identificados pelo Datafolha em pesquisas presenciais por meio de escala para medir o grau de afinidade dos brasileiros com as ideias do líder.

É um grupo que demonstra extrema fidelidade ao presidente, majoritariamente masculino, com renda e escolaridade acima da média, concentrado no Sul e no Sudeste e com proporção de empresários quase três vezes maior do que a verificada na população.

Seus integrantes são os que mais reprovam os desempenhos dos governadores de seus estados e do ex-ministro da Saúde, mas são os mais otimistas quanto à atuação do próximo ocupante do cargo.

São também os que, em maior número, estão desobedecendo o isolamento social e os que mais defendem a forma vertical da medida - mais da metade, 55%, continua circulando nas ruas, mesmo que com alguns cuidados, índice que no total da amostra corresponde a 30%.

Apenas 9% do estrato concorda que as pessoas que não pertencem aos considerados grupos de risco deveriam permanecer em suas casas - na média da população, essa taxa atinge 56%.

Mas os "bolsonaristas heavy" são insuficientes para manter o patamar atual de aprovação do presidente na crise. Mais de 80% dos três pontos de oscilação positiva que Bolsonaro apresenta no levantamento atual chegam dos estratos de menor renda, o que sugere reflexos de ações específicas na área econômica como vetores de influência, especialmente o auxílio emergencial de R$ 600, que começou a ser pago na última semana.

No grupo dos que recebem até dois salários mínimos, a avaliação de Bolsonaro melhorou três pontos percentuais, e entre os que recebem de dois a cinco salários, ela saltou seis pontos.

O estrato com perfil mais próximo do habilitado para receber o auxílio emergencial, com segmentação possível na amostra do Datafolha, é o que tem renda familiar de até três salários mínimos e faz parte do mercado informal de trabalho, correspondente a 25% dos brasileiros adultos.

Entre estes informais, Bolsonaro alcança percentual próximo ou superior a 40% de avaliação positiva no combate ao vírus, contra 33% entre os que têm a mesma renda, mas são assalariados registrados.

O público alvo do auxílio emergencial - informais com renda abaixo de três salários - condena menos a demissão de Mandetta e tem melhor expectativa quanto ao ministro Nelson Teich do que seus pares com registro em carteira. No entanto estão circulando menos e se colocam mais favoráveis ao isolamento.

Nas próximas semanas, a comparação e o equilíbrio percebidos nas ações do governo em saúde e economia, num momento em que a doença avançará mais sobre as periferias e camadas vulneráveis, serão decisivos para compor a imagem que Bolsonaro herdará após a pandemia.
Herculano
21/04/2020 07:28
BOLSONARO JOGA A TOALHA E DECIDE ARTICULAR SUA 'BASE', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro tem horror à expressão "base de apoio", que para ele tem odor desagradável, mas, após os solavancos dos últimos dias, ele decidiu autorizar seus líderes no Congresso a atuarem na articulação de uma bancada governista capaz de garantir ao governo alguma tranquilidade. A articulação começará pelo Senado, onde a expectativa do Planalto é somar uma bancada que terá entre 55 e 60 parlamentares, na maioria filiados aos partidos do "centrão" ou "blocão".

NOVA ATITUDE

Líder do Governo, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), atua como "bombeiro" na articulação de uma nova atitude política de Bolsonaro.

AJUDA NA FAMÍLIA

O senador Flávio ajuda na articulação do Senado. Afável, ao contrário dos irmãos, o senador tem diálogo fácil até com partidos mais raivosos.

CHEGA DE PATIFARIA

Como deputado por quase 28 anos, Bolsonaro sabe exatamente com quantas malas e esquemas se articula uma "base". Isso ele não quer.

USO DO CACHIMBO

Difícil será o Congresso aprender outro "idioma", em que as bancadas de apoio ao governo não sejam baseadas no "toma lá, dá cá".

PARA 53%, ISOLAMENTO VALE MESMO COM CRISE

Levantamento do Paraná Pesquisa mostra que para a maioria (53,2%) dos brasileiros, o isolamento social deve ser mantido enquanto for necessário, independente da crise ou impacto econômico que a medida possa causar. De outro lado, somam 42,7% da população aqueles que não concordam com a manutenção do isolamento independentemente das consequências. Não souberam responder 4,1% dos entrevistados.

EQUILÍBRIO REGIONAL

A região onde o isolamento sem medir consequências tem o maior apoio é o Nordeste, com 54,1%. A menor está no Sul, 51,9%.

ENSINO NÃO IMPORTA

Apoio ao isolamento sem vírgulas é idêntico entre aqueles apenas com ensino fundamental e aqueles com ensino superior completo: 51,7%.

DADOS DA PESQUISA

O Paraná Pesquisas ouviu 2.218 habitantes com 16 anos ou mais em 26 estados e DF, em 212 municípios entre os dias 13 e 16 de abril.

PEDE PRA SAIR, ZERO UM

A Assembleia do Amazonas aprovou o pedido de intervenção federal na Saúde do Amazonas, mas a vontade da maioria dos deputados era intervenção em todo o governo, muito ruim, do inexperiente Wilson Lima.

PAPO RETO

Após ouvir elogios de Bolsonaro às estratégias do DF no combate ao Covid19, o ex-ministro Osmar Terra perguntou a Ibaneis Rocha se ele conversaria com o presidente. Às 16h30, os dois já se reuniam.

VOLTA ÀS AULAS DIA 4

Bolsonaro avalia mandar reabrir os colégios militares. Na conversa com Ibaneis Rocha, surgiu a ideia de fazerem juntos. No DF há 11 escolas cívico-militares com 14 mil alunos. Devem voltar às aulas no dia 4.

SONHO VAI VIRAR PESADELO

O ministro Paulo Guedes (Economia) é um romântico. Sua esperança, que confessou ontem durante videoconferência, é que o setor público não pretenda aumento salarial por "dois ou três anos". Mas ele sabe que terá de se virar: no setor público ninguém abre mão de nada.

OLHO VIVO

A revogação da MP do contrato Verde e Amarelo foi combinada. A "sugestão" foi do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e Bolsonaro concordou. Gesto de boa vontade para manter o diálogo aberto.

FELIZ ANIVERSÁRIO, BRASÍLIA

Brasília testemunhou presidentes depostos, ditadura e a ressureição da democracia e do voto. Viu mensalão, o maior esquema de corrupção da História no petrolão e sobrevive ao coronavírus. A capital completa 60 anos nesta terça (21) como a única cidade patrimônio cultural da Humanidade do século 20 e sobrevivente do uso e abuso de políticos.

BRB SAIU NA FRENTE

A Justiça Federal de Brasília determinou a suspensão de cobrança das parcelas de empréstimos consignados. O BRB, Banco de Brasília, fez isso há duas semanas: suspendeu a cobrança por 90 dias.

TUDO PELA AUDIÊNCIA

Correndo para "dar o furo", parte da imprensa divulgou número o novo recorde de mortes por coronavírus confirmadas ontem. O número três vezes maior era erro de digitação, mas a manchete já estava pronta.

PERGUNTA DE FUTUROLOGIA

Se Bolsonaro é seu maior opositor, em 2022 o eleitor terá que escolher entre um e outro?
Herculano
21/04/2020 07:19
da série: uma prevenção não pode ser motivo de exageros - como o de Ilhota, onde o prefeito queria que os comerciantes bancassem uma obrigação individual dos clientes - e de relaxamento nos cuidados contra a contaminação

A VEZ DAS MÁSCARAS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Artefato, já obrigatório em alguns locais, deve acompanhar abertura do comércio

Demorou um pouco, talvez demais, mas a obrigatoriedade do uso de máscaras respiratórias em público se dissemina pelo Brasil. Várias capitais e estados inteiros já adotam essa forma de prevenção contra a epidemia do novo coronavírus.

Os governadores de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal estenderam a providência a todo o território. A medida protetiva acompanha progressiva liberação do comércio nessas unidades da Federação, em graus diferenciados, e por ora não se preveem multas.

Decretos municipais determinam o uso compulsório em pelo menos seis capitais: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Vitória e Teresina. A abrangência da obrigatoriedade varia, em alguns casos restrita a trabalhadores encarregados de atendimento ao público, noutros alcançando a população geral.

Os prefeitos prometem distribuir milhões de máscaras em semanas. Não estipularam sanções para a desobediência da norma, e por ora agem bem ao não fazê-lo, porque até há pouco a recomendação era de que o dispositivo fosse envergado apenas por quem tivesse sintomas da Covid-19, além, claro, dos profissionais de saúde.

Outros alcaides adotaram multas, como os de Betim (MG), de R$ 80, e Volta Redonda (RJ), de R$ 500. Parece certo que encontrarão dificuldade para fazer com que sejam aplicadas, cobradas e pagas, o que pode contribuir para desmoralizar a norma.

No intuito de evitar corrida aos estoques e garantir o fornecimento a profissionais de saúde, que de fato são os que mais necessitam do equipamento de proteção individual, algumas autoridades cometeram o equívoco de divulgar que as máscaras não traziam benefício individual. Não é bem assim, como cumpre esclarecer.

A maior utilidade das máscaras é, sim, diminuir a probabilidade de que alcancem outras pessoas os vírus expelidos ao tossir, espirrar e mesmo respirar. Elas são menos eficientes para impedir que alguém aspire partículas do Sars-CoV-2 presentes no ar, mas não inteiramente ineficazes.

A política mais sensata reside em garantir farta distribuição gratuita, orientação sobre o uso correto e comunicação inteligente para combater o preconceito social. Em lugar de multas, faz mais sentido impedir o acesso dos refratários a estabelecimentos de comércio e transportes públicos.

Nessa direção caminha o estado de Nova York, que só cogita vir a multar estabelecimentos reincidentes no desrespeito à determinação. Em Buenos Aires, por outro lado, estão previstas sanções de mais de R$ 6.000. É um exagero.
Herculano
21/04/2020 07:13
da série: estávamos numa polêmica (a de tudo fechado). Agora estamos em outra polêmica (a do da volta às atividades normais). Há técnicos e defensores para todos os lados, inclusive na imprensa.

OS SINAIS TROCADOS DO ESTADO NA FLEXIBILIZAÇÃO DA QUARENTENA, por Dagmara Spautz, de Balneário Camboriú, no NSC Total, de Florianópolis

Os anúncios do Governo de Santa Catarina sobre a pandemia do novo coronavírus têm se dividido em dois momentos: o que trata sobre o número de casos e o que fala sobre as medidas de isolamento. Os primeiros são cada vez mais extensos. Os segundos, cada vez mais frouxos.

O governador Carlos Moisés (PSL) divulgou nesta segunda-feira a liberação de shoppings, academias de ginástica e igrejas. O Estado garante estar embasado em projeções científicas, embora o governo também afirme que a pior fase da curva de contaminação ainda está por vir.

São discursos que não convergem, e que colocam em uma saia-justa órgãos como o Ministério Público, que até está tarde recorreu das medidas de afrouxamento tomadas pelos municípios à Justiça.

O que, aliás, chama atenção para outro ponto: o MPSC participa dos fóruns de discussão sobre a quarentena. E, se seguiu insistindo na manutenção das medidas restritivas para as cidades, talvez a intenção do Estado de flexibilizar ainda mais os cuidados não estivesse assim tão clara.

O fato é que a pressão do setor econômico e religioso parece ter ficado pesada para o governo. Ao liberar as atividades, Moisés diz que os prefeitos podem ser mais restritivos, se acharem prudente. Guardadas ressalvas, o movimento se assemelha à postura do presidente Jair Bolsonaro, justamente de quem o governador tem procurado se afastar em meio à crise da pandemia.
Herculano
21/04/2020 06:57
HOJE É DIA DE TIRADENTES. É FERIADO. MAS, PERGUNTAR NÃO OFENDE: NÃO ESTAMOS HÁ SEMANAS EM FERIADO? E NÃO ESTAMOS ENJOADOS DELES?
Herculano
21/04/2020 06:55
A ÍNTEGRA DA NOTA DO MINISTÉRIO DA DEFESA:

As Forças Armadas trabalham com o propósito de manter a paz e a estabilidade do país, sempre obedientes à Constituição Federal. O momento que se apresenta exige entendimento e esforço de todos os brasileiros. Nenhum país estava preparado para uma pandemia como a que estamos vivendo. Essa realidade requer adaptação das capacidades das Forças Armadas para combater um inimigo comum a todos: o coronavírus e suas consequências sociais. É isso o que estamos fazendo.
Herculano
21/04/2020 06:54
NOTA DA DEFESA É CONSTRANGEDORAMENTE NECESSÁRIA, por Josias de Souza, no UOL

Jair Bolsonaro transformou o flerte de sua Presidência com o golpismo num processo de corrosão da imagem do Brasil. Cada vez que o capitão dá uma de cachorro louco, confraternizando com apoiadores golpistas, envergonha o país no estrangeiro e constrange a cúpula militar.

As Forças Armadas trabalham para "manter a paz e a estabilidade do país, sempre obedientes à Constituição Federal", sentiu-se obrigado a esclarecer o general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, numa nota oficial. A manifestação foi constrangedoramente imprescindível.

A nota é necessária porque o silêncio dos militares poderia soar como um aval para a presença de Bolsonaro na manifestação de domingo em defesa da intervenção militar, da reedição do AI-5 e do fechamento do Congresso e do Supremo. O texto constrange porque todos sabem que ele não deveria existir.

Assim como o perfume não precisaria ser inventado se não existisse o fedor, também a nota do Ministério da Defesa não teria sido redigida se Bolsonaro exibisse um comportamento compatível com o que se espera do chefe de uma nação democrática.

Sem mencionar Bolsonaro, o general Azevedo e Silva sinalizou o que o presidente deveria estar fazendo em vez de desperdiçar o seu tempo em manifestações antidemocráticas. Fez isso ao informar quais são, no momento, as prioridades das Forças Armadas.

O general escreveu que a crise do coronavírus requer o "entendimento e esforço de todos os brasileiros." Realçou que a tropa se equipa para combater o vírus, "inimigo comum a todos", e suas "consequências sociais".

O Brasil não teria sido pendurado de ponta-cabeça nas manchetes da imprensa internacional se Bolsonaro cultivasse os mesmos objetivos das Forças Armadas. O mal de um presidente declara "nós não queremos negociar nada" no meio de apoiadores hidrófobos e de miolo mole é o pessoal que observa de longe não conseguir distinguir quem é quem.
Herculano
21/04/2020 06:47
da série: os humanistas diante de realidades que não conseguem se impor, são desumanos até nas suas teses, ou seja, o adversário se não derrotado, calado, dobrado, deve morrer, nem que seja por uma doença viral. Interessante esses rotulados de humanistas e democratas, incrustado na academia, ciências, artes e jornalismo. Defendem até a morte dos outros, para dar vida às suas causas. E você acha que esse pensamento está longe daqui da aldeia?

É ÉTICO TORCER PARA QUE BOLSONARO ADOEÇA?, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Ele continua a atrapalhar o trabalho das autoridades sanitárias

Ele fez de novo. Em plena pandemia, participou de um protesto com pauta golpista e provocou aglomeração. Ao final de seu discurso, apareceu uma tossezinha suspeita. A pergunta que se impõe é se é ético torcer para que Bolsonaro contraia uma forma grave de Covid-19 e deixe de atrapalhar o trabalho das autoridades sanitárias.

A resposta depende do tipo de ética que você abraça. Para o consequencialista, que valora as ações pelos resultados que elas produzem, até a morte de um líder inepto pode ser classificada como positiva, se ela, por exemplo, acarretar mais vidas poupadas do que perdidas. O bonito das éticas consequencialistas é que elas são perfeitamente igualitárias. A vida do presidente vale o mesmo que a de um mendigo viciado em crack.

Assim, aqueles que estão convencidos de que a atitude de Bolsonaro, ao fragilizar o isolamento, resultará em mais doença e mais mortes estão filosoficamente legitimados a torcer para que ele experimente o seu "resfriadinho".

Embora eu creia que o consequencialismo é mais consistente do que os sistemas éticos rivais, é fato que ele não é inteiramente satisfatório. Poucos julgarão ética a conduta do médico que sacrifica um paciente saudável para, transplantando seus órgãos, salvar cinco vidas.

E isso abre o flanco para éticas deontológicas, que são aquelas que definem princípios fundamentais, como os de não matar ou não fazer nem desejar mal ao próximo, e os convertem em regras fortes. Nessa matriz, acalentar mesmo secretamente um pensamento de morte envolvendo o presidente já cheira a pecado.

Como disse, meus instintos são consequencialistas, mas tenho um lado, que podemos chamar de humanista ou até de carola, que faz com que me repugne a ideia de torcer pelo sofrimento ou a morte de alguém, por mais desprezível que seja essa pessoa. É claro que, se Bolsonaro insistir, meu lado nerd acabará dobrando o humanista.
Miguel José Teixeira
20/04/2020 21:54
Senhores,

Maracanaço, NÃO!

"Eu não sou coveiro", diz Bolsonaro sobre número de mortes por covid-19 ... -

Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/04/20/eu-nao-sou-coveiro-diz-bolsonaro-sobre-numero-de-mortes-por-covid-19.htm?cmpid=copiaecola

Bom. . .coveiro é o manquinho PeTralha que fugiu para Itajaí.

Voltando ao "capita", coveiro penso que ele não o é.

Mas,

1) suicida, politicamente o é.

2) genocida, aprendiz em estágio avançado e a cada dia tenta aprimorar-se, seguramente.
Miguel José Teixeira
20/04/2020 21:46
Senhores,

"TSE diz que tem condições de manter eleições de outubro"

+ em: https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/tse-diz-que-tem-condicoes-de-manter-eleicoes-de-outubro

O resto. . .bem. . . o resto é o resto!

E o resto, nesse caso, são os oportunistas que temem não serem reeleitos ou que querem tirar proveito na manutenção da corja que já está no poder municipal.

Adiar as eleições municipais É GOLPE!
Miguel José Teixeira
20/04/2020 13:10
Senhores,

Para não dizerem que não falei de futebol:

"Filha de Félix desabafa contra comentaristas das reprises da Copa de 70..."

- Veja mais em https://blogmiltonneves.uol.com.br/blog/2020/04/20/filha-de-felix-desabafa-contra-comentaristas-das-reprises-da-copa-de-70/?cmpid=copiaecola

Concordo plenamente com a Pati Venerando, filha do saudoso e vitorioso Félix Miélli Venerando, o nosso goleiro do tri.

O TRI de 70:

1) a melhor seleção que o mundo já viu!
2) o uniforme canarinho à época é o mais lindo que já existiu!
3) narradores e comentaristas os melhores que já vimos e ouvimos.

Agora vem certos cabeças de bagres, que sequer sabem quantos lados uma bola tem, tecer comentários intempestivos.

Fora, oportunistas! Parem de querer gozar com genitália alheia.

Contentem-se com o futebolzinho medíocre que temos hoje, e continuem a promover "pelhas" em craques!

Pelha-gol, imperador, fenômeno. . .

Fenômeno no futebol é o REI PELÉ!
Herculano
20/04/2020 11:52
DEMARCADO OS LIMITES

de Xico Graziano, no twitter:

Foram dados os limites:Rodrigo Maia nao pode conspirar contra a Presidência, nem Jair Bolsonaro terá apoios para fechar o Congresso. Sejam os generais, sejamos nós, democratas verdadeiros, jamais aceitaremos voltar ao passado. Não ao autoritarismo, não à corrupção.
Herculano
20/04/2020 11:03
AVISO AOS MEUS LEITORES, LEITORAS E FONTES

A coluna está mais extensa que o normal. É o efeito da quarentena contra a Covid-19.

As fontes que me ofereceram e mandaram informações, documentos e fotos, peço desculpas. Mesmo na internet o espaço e principalmente o tempo de preparação e checagem foi pouco. Está tudo guardado, e na medida do possível será aproveitado. Acorda, Gaspar!
Herculano
20/04/2020 11:00
O VAZIO AMERICANO, por Mathias Alencastro, Mathias Alencastro,pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e doutor em ciência política pela Universidade de Oxford (Inglaterra), no jornal Folha de S. Paulo.

EUA deixaram de jogar o jogo do multilateralismo, e China se aproveitou

Donald Trump acerta ao criticar a atuação da Organização Mundial de Saúde.

Os seus dirigentes gaguejam na hora de abordar a responsabilidade da China pelo atraso na notificação da pandemia ou na comunicação fantasista do número de infectados e vítimas.

Mas o presidente americano omite um detalhe: ele é o principal responsável pela instrumentalização da OMS.

Por uma combinação de incompetência e ideologia, o seu governo deixou de jogar o jogo do multilateralismo. E a China ocupou o vazio.

Em 2017, quando os europeus tentaram dar um novo rumo à OMS, dirigida por representantes da China havia quase uma década, Pequim aproveitou a apatia de Washington para eleger um novo aliado,
o etíope Tedros Adhanom.

Antes de a pandemia explodir, o diretor-geral atuava como comercial da "rota da seda da saúde", uma tentativa chinesa de dominar a saúde global. Enquanto isso, a administração Trump ordenava cortes no orçamento do sistema das Nações Unidas.

A decisão americana de abandonar o financiamento da OMS deve, portanto, ser recebida com uma ponta de ironia. Se é verdade que Washington pagava as contas, quem mandava na máquina eram os chineses.

O que é suposto ser uma demonstração de força vinda de Donald Trump é, na realidade, a constatação de sua incompetência.

A relação dos Estados Unidos com China aparece como uma das dinâmicas mais contraintuitivas da era Trump.

A escalada retórica e a guerra comercial davam a impressão de que ele era o primeiro presidente americano a peitar os chineses.

É o avesso: ele foi o grande facilitador da troca de guarda na comunidade internacional.

A capitulação dos Estados Unidos também compromete a reação das organizações multilaterais à crise econômica global.

Sob as ordens de Trump, o secretário do Tesouro americano vetou o plano de aumento de liquidez desenhado pelo FMI para ser destinado aos mercados emergentes.

A justificativa é cruel: Venezuela, Irã e outros que aparecem como vilões devem sofrer sozinhos.

Com uma liderança tão mesquinha, a repetição do histórico G20 de Londres, quando Barack Obama, Lula e Gordon Brown articularam o pacote crucial do FMI em 2008, não passa de uma miragem.

Falar de novo século chinês ainda é premeditado. Uma das poucas certezas de um possível governo Joseph Biden, o recém-designado candidato democrata nas presidenciais, será o regresso em força
da diplomacia americana.

O democrata instaria potências médias como o Brasil a deixar de loucuras e retomar o seu papel histórico nos fóruns globais.

O momento atual deve servir de aviso para a esquerda "Guerra Fria", que insiste em ver no declínio americano o prenúncio de um mundo mais justo.

?Até agora, a diplomacia da pandemia tem se resumido à criação de realidades epidemiológicas alternativas, à promoção de soluções autoritárias, e à venda no atacado de máscaras e respiradores.

Já deu tempo de sobra para sentir saudades do bom e velho calhambeque do multilateralismo, dirigido pelos Estados Unidos.
Herculano
20/04/2020 10:57
PRIVILÉGIOS DO SETOR PÚBLICO FAZEM POUCO DA CRISE, por Claudio Humberto, na coluna que publicou nesta segunda-feira nos jornais brasileiros

Os servidores custam ao Brasil mais de R$600 bilhões por ano, incluindo salários e penduricalhos, para além de mordomias, regalias e privilégios. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o chefão do Senado, Davi Alcolumbre, impedem qualquer medida que faça o setor público dar a sua parcela de sacrifício. Inventaram redução de salários no setor privado, mas no setor público, nem pensar. A vergonhosa atitude dos políticos inclui veto a propostas que lhes tire o bilionário fundão eleitoral.

'AJUDA' A REGALIAS

O setor público está blindado de qualquer sacrifício, sejam nos salários ou nas mordomias. A "ajuda emergencial" aos Estados prova isso.

NINGUÉM TASCA

Há deputados e senadores pedindo a transferência dos R$2,7 bilhões do fundão eleitoral para combater o Covid19, mas Maia e Alcolumbre vetam.

DISPARIDADE SALARIAL

Os servidores são 12% da classe trabalhadora, mas ganham 31% dos salários pagos no Brasil, segundo Hélio Zylberstajn, professor da USP.

'CASTA' BEM REMUNERADA

O salário médio no setor público, sem incluir penduricalhos e "extrateto", é R$3.800 mensais, o dobro da média salarial no setor privado: R$2.035.

TESTES PRETENDIDOS POR TEICH NÃO SÃO CONFIÁVEIS

O mantra do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, pregando "testes em massa" de coronavírus, pode não produzir os efeitos que ele imagina pelo simples fato de que, até agora, os produtos existentes no mercado não são confiáveis, com a exceção de três fabricantes chineses que já não têm condições de atender novas encomendas, segundo empresários com experiência no comércio do a China. Teich corre o risco de "cair nas mãos" de outros fabricantes padrão "xingling" de testes não confiáveis.

RESPIRADORES PAULISTAS

Se Mandetta não conseguiu comprar um único respirador, o governo de São Paulo fá fechou a compra de 3 mil. Vai gastar R$520 milhões.

DEVAGAR, QUASE PARANDO

A maior "roda presa" da gestão de Mandetta para comprar materiais de contra Covid19 atende pelo nome de Departamento de Logística (Dlog).

QUE PANDEMIA?

Não consta da área do Dlog, no site do Ministério da Saúde, qualquer iniciativa (licitação, pregão, nada) de materiais contra coronavírus.

NEGóCIO BILIONÁRIO

Lobby pesado de empresas de certificados digitais tenta se aproveitar da do clima de fragilidade do Covid19 para exigir que todas as receitas eletrônicas tenham que ser feitas por médicos com certificado ICP Brasil e dispensadas nas farmácias por farmacêutico com o mesmo certificado.

SOS AMAZONAS

O governo do Amazonas deveria ser estudado. Ou devassado. Com um número de infectados e de mortos alarmante, quer pagar R$2,6 milhões de aluguel de hospital que não parece equipado para tratar de Covid19.

MÁSCARAS PARA TODOS

No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha anunciou a distribuição de 1 milhão de máscaras, produzidas em mutirão. Entidades como Fibra (Indústria) e Senac (comércio) garantem meio milhão de máscaras.

GUEDES VIRA ALVO

O ministro Paulo Guedes (Economia) pode estar arrumando encrenca com bolsonaristas, que o acusam de "colocar seu precioso tempo" a serviço de conversas com clientes de bancos de investimento. Nesta segunda (20), é a vez do BTG Pactual, de André Esteves, preso na Lava Jato.

DISPUTA NO TRE-DF

Tão logo vazou que o advogado Igor Matos registrou sua candidatura a desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do DF, ele não para de receber manifestações de apoio.

ESTABILIDADE À BRASILEIRA

Em 2013, cidades de todo o país proibiram o uso de máscaras nas ruas, em dias de protesto. Quem usava, era preso. Com sete anos e um vírus, tudo mudou: quem estiver na rua sem máscara pode até ser preso.

MEDICINA POR TELEFONE

Hospitais e planos de saúde, como a Unimed, orientam os potenciais pacientes a permanecer em casa, mesmo os casos com sintomas do coronavírus. O primeiro passo deve ser o contato por telefone.

TAMANHO DO TOMBO

Instituições financeiras previram, em dezembro de 2019, que a bolsa brasileira chegaria aos 140 mil pontos este ano. Refeitas as projeções, mês passado, a previsão é no máximo 96 mil pontos, queda de 31,5%.

PENSANDO BEM...

...o uso obrigatório de máscara vai pegar fácil entre políticos: facilita circular sem ser identificado.
Herculano
20/04/2020 10:55
da série: diante de chantagens para se empoderar do Executivo, ou para a inviabilização do atual governo, para gerar perdas econômicas aos brasileiros orquestrados pela maioria dos políticos profissionais instalada na Câmara, Senado e nos governos estaduais, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, endureceu ontem a proposta de submissão incondicional dos congressistas; eles são avalizados pelo Supremo nesses atos de chantagem. Hoje não é 1964, a começar pela imprensa. Ela vai ficar falando sozinha na defesa da suposta democracia que se estabelece nas sacanagens de poucos contra quase todos os pagadores de pesados impostos. Hoje, há um ingrediente a favor de Bolsonaro que afeta a vida e os bolso de todos os cidadãos - menos dos políticos e as castas de servidores públicos nos três poderes e no Ministério Público: a crise da Covid-19. Hoje, as redes sociais, com todos os defeitos, e principalmente os aplicativos de mensagens, serão canais de mobilizações e "esclarecimentos" aos dois lados. Os políticos e os que gozam de eternos privilégios que comem dinheiro grosso dos pesados impostos dos mais pobres, vão perder a batalha da comunicação. Onde isto vai dar? Ai é pagar para ver.

NÃO QUEREMOS NEGOCIAR NADA, DIZ BOLSONARO EM ATO PRó-INTERVENÇÃO MILITAR DIANTE DO QG DO EXÉRCITO

Presidente discursou para apoiadores aglomerados e com bandeiras contra o Congresso e gritos de ataques ao Supremo

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ricardo Della Coletta e Renato Onofre, da sucursal de Brasília

Em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste domingo (19) que "acabou a época da patifaria" e gritou palavras de ordem como "agora é o povo no poder" e "não queremos negociar nada".

"Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. "Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos."

"Todos têm que ser patriotas, acreditar e fazer sua parte para colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder. Mais que direito, vocês têm a obrigação de lutar pelo país de vocês", afirmou Bolsonaro, que tossiu e levou a mão à boca ao final do discurso.

"O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro", disse. "Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para manter a democracia e garantir o que há de mais sagrado, a nossa liberdade", completou o presidente.

A aglomeração diante do quartel-general do Exército foi o ato final de uma carreata em Brasília, feita pelos apoiadores do presidente e com pedidos de intervenção militar, gritos contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, e pressão pelo fim do isolamento social recomendado pela OMS contra a pandemia.

A fala de Bolsonaro e sua participação nesse ato em Brasília, no Dia do Exército, provocaram fortes reações no mundo jurídico e político.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ser uma "crueldade imperdoável com as famílias das vítimas" pregar uma ruptura democrática em meio às mortes da pandemia da covid-19.

"O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos", escreveu Maia. "Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição."

"Não temos tempo a perder com retóricas golpistas. É urgente continuar ajudando os mais pobres, os que estão doentes esperando tratamento em UTIs e trabalhar para manter os empregos. Não há caminho fora da democracia", afirmou.

O governador João Doria (PSDB) disse ser "lamentável" que o presidente "apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5". O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também chamou de "lamentável" a participação de Bolsonaro. "É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia."

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, disse à coluna Mônica Bergamo, da Folha que "só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve". Gilmar Mendes, também do STF, disse que "invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática".

O presidente Nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse que "a sorte da democracia brasileira está lançada" e que esta é a "hora dos democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado liberdade".

A escalada do tom de Bolsonaro ocorre em um momento de isolamento político do presidente. Reportagem da Folha deste sábado (18) mostrou que os adversários de Bolsonaro, e hoje ele os tem em todas as esferas de poder, desistiram de uma acomodação com o presidente.

A avaliação prevalente, ouvida pela reportagem nas cúpulas do Legislativo, do Judiciário e em estados, é a de um paradoxo: a fraqueza política de Bolsonaro só tende a acirrar sua agressividade no embate, o que ocorreu neste final de semana em Brasília.

No sábado, na rampa do Planalto diante da Praça dos Três Poderes, Bolsonaro afirmou que a política de enfrentamento ao novo coronavírus "mudou um pouco" desde a sexta (17) - quando houve a troca de Luiz Henrique Mandetta por Nelson Teich no Ministério da Saúde - e voltou a se queixar de prefeitos e governadores por adotarem medidas de isolamento social.

Bolsonaro também responsabilizou o STF (Supremo Tribunal Federal) por determinar que os demais entes federados têm poder para ordenar o fechamento de comércios. Neste momento do vídeo em que falou aos seguidores, Bolsonaro apontou o dedo para a sede do Supremo, do outro lado da praça.

Só na semana passada, o presidente criticou o STF, sugeriu Maia conspirava para derrubá-lo e ainda agudizou a crise do coronavírus ao demitir seu ministro da Saúde.

O presidente tem negado a gravidade da pandemia e tem promovido passeios e aglomerações em Brasília, ao contrário do que recomenda a OMS. Bolsonaro demitiu Mandetta por discordar de seu posicionamento técnico sobre a pandemia.

Além da gestão Bolsonaro, outros governos que ignoram a seriedade da doença são Turcomenistão, Nicarágua e Belarus.?

Como mostrou a Folha neste domingo, Bolsonaro tem intensificado estratégia de blindagem política para tentar evitar que os efeitos da pandemia sejam usados contra ele na disputa eleitoral de 2022.

O plano consiste, neste primeiro momento, na defesa pública de que o coronavírus se trata de uma adversidade pequena, que não justifica medidas restritivas que podem aumentar o desemprego no país.

A ideia é que, ao se antecipar agora sobre os impactos econômicos que são praticamente inevitáveis, o presidente explore, na corrida eleitoral, a retórica de que a sua postura era desde o início a mais acertada, mesmo que contrariando as recomendações das autoridades de saúde.

CARREATAS PELO PAÍS
Neste domingo, além de Brasília, ocorreram manifestações em diferentes pontos do país, como Salvador, São Paulo e Manaus. Além de ataques ao Supremo e ao Congresso e de pedidos pela volta do regime militar, os manifestantes criticaram o isolamento social, pedindo a volta ao trabalho e a abertura do comércio.

Em Brasília, no ato que teve a participação de Bolsonaro, a volta à normalidade e a reabertura do comércio também estiveram na pauta dos manifestantes.

Além de defender o governo e clamar por intervenção militar e um novo AI-5 - o mais radical ato institucional da ditadura militar (1964-1985), que abriu caminho para o recrudescimento da repressão - os manifestantes aglomerados em frente ao quartel-general do Exército defenderam o fechamento do STF e miraram em Maia.

As carreatas pelo país com apoio de Bolsonaro neste domingo ocorreram no momento em que o número de mortes pelo coronavírus chegou a 2.462 no Brasil. Em 24 horas, foram registrados 115 óbitos pela doença. Os dados foram divulgados neste domingo pelo Ministério da Saúde. Ao todo, são 38.654 casos confirmados.

O ministério, porém, afirma que a tendência é que o número real de casos seja maior, já que apenas pacientes internados em hospitais fazem testes e há casos que ainda esperam confirmação. Reportagem da Folha mostrou que equipes de atenção básica em várias cidades e estados afirmam que tem havido subnotificação.

Já o apoio à quarentena como forma de evitar a disseminação do novo coronavírus sofreu uma queda nas duas últimas semanas, mas ainda é majoritária entre os brasileiros.

Segundo o Datafolha, são 68% aqueles que dizem acreditar que ficar em casa para conter o vírus é mais importante, ainda que isso prejudique a economia e gere desemprego.

No levantamento anterior do instituto, feito de 1º a 3 de abril, eram 76%. A pesquisa atual ouviu 1.606 pessoas na sexta e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Essa queda não se reverteu integralmente em apoio à afirmação contrária, de que vale a pena acabar com isolamento social em nome da reativação econômica. O índice dos que concordam com isso oscilou positivamente de 18% para 22%, enquanto aqueles que não sabem foram de 6% para 10% no período.

Esse debate, visto por especialistas tanto em economia como em saúde como desfocado e politizado, tem pautado as polêmicas envolvendo Bolsonaro.

Depois de minimizar a gravidade da Covid-19, a comparando a uma "gripezinha", o presidente passou a insistir no foco do impacto econômico das quarentenas. No cálculo, está o temor de que a recessão que provavelmente seguirá a emergência sanitária do Sars-CoV-2 solape seu apoio em cerca de um terço do eleitorado.

Em oposição, governadores como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), assumiram a linha de seguir as recomendações internacionais de saúde, priorizando o isolamento.

O resultado é uma queda de braço que marca a organização do combate à pandemia no Brasil e já deixou vítimas políticas no caminho.

Mandetta perdeu o cargo de ministro da Saúde na quinta (16), entre outros motivos, por não concordar com as diretrizes de Bolsonaro sobre o isolamento social.

O Supremo Tribunal Federal interveio e decidiu na quarta (15) que os estados e municípios têm liberdade para impor as restrições que decidirem durante a crise.

Isso contrariou o presidente Bolsonaro, que se queixou de estar de mãos atadas na questão. Ele queria editar decreto obrigando a reabertura do comércio. Manteve esse tom na sexta, quando sugeriu que as pessoas desobedecessem as ordens locais.


AS PROJEÇÕES DO PRESIDENTE

FANTASIA
Tese: Após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, Bolsonaro disse que o coronavírus era "muito mais fantasia" e se tratava de uma "gripezinha"

Realidade: Até o momento, mais de 2 milhões de pessoas foram contaminadas pelo coronavírus e mais de 150 mil morreram por causa da doença no mundo

GRIPES
Tese: O presidente defendeu que outras gripes virais mataram mais do que o total de pessoas que o coronavírus levaria a óbito e que, portanto, não fazia sentido reagir com histeria à pandemia mundial

Realidade: De 2010 a 2019, 1.645 pessoas morreram infectadas no Brasil pelo vírus que causa a gripe nos meses de janeiro a abril. Até agora, o novo coronavírus já provocou mais de 2.000 mortes

CHINA
Tese: Bolsonaro afirmou que os efeitos da pandemia estão superdimensionados e disse que na China, primeiro epicentro da doença, o coronavírus estava "praticamente acabando"

Realidade: O número de diagnósticos da doença tem caído na China, mas na sexta-feira (17) foram registrados 357 novos casos

QUARENTENA VERTICAL
Tese: Na tentativa de evitar que recaia sobre seu governo a culpa por um aumento do desemprego, o presidente defendeu a adoção de uma quarentena vertical (apenas para os grupos de risco da doença) e criticou o isolamento horizontal. "A dose do remédio não pode ser excessiva", disse

Realidade: A maior parte das unidades da federação, no entanto, seguiu a orientação do Ministério da Saúde e manteve o isolamento horizontal

HIDROXICLORIQUINA
Tese: Na tentativa de reverter um desgaste em sua imagem, Bolsonaro passou a defender a prescrição da hidroxicloroquina, usada para tratar o lúpus e a artrite reumatoide, em pacientes em estágios iniciais do coronavírus. A rede bolsonarista chegou até mesmo a apelidar a substância de "remédio do Bolsonaro"

Realidade: As pesquisas científicas apontam que a substância tem demonstrado resultados satisfatórios, mas seu efeito ainda não é conclusivo. Um estudo chinês apontou que a hidroxicloroquina não tem apresentado resultados melhores que os cuidados que costumam ser prescritos para o tratamento da doença

PICO
Tese: Bolsonaro disse no último dia 12 que parecia que o vírus "estava começando a ir embora"

Realidade: Só na sexta-feira foram registradas 217 mortes pelo coronavírus. A previsão do Ministério da Saúde é que o quadro mais agudo ocorra entre maio e junho
Herculano
20/04/2020 10:53
BOLSONARO SE EXPLICA

"Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qq outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação".
Herculano
20/04/2020 10:48
MOISÉS NO JOGO DESCONHECIDO

O governador catarinense Carlos Moisés da Silva, PSL, que se elegeu na onda Bolsonaro, um tenente coronel Bombeiro Militar da reserva, trilha caminhos próprios e desconhecidos no jogo administrativo e politico.

Ele assinou a carta contra o presidente da República. Não é a toda, que ele e odiado Rodrigo Maia, DEM-RJ, apareceram ontem numa mesma faixa de protesto na orla catarinense, pedindo eles fora do poder.

Quem não assinou a tal carta?

PR - Ratinho Júnior (PSD)
MG - Romeu Zema (Novo)
DF - Ibaneis Rocha (MDB)
RR - Antonio Denarium (PSL)
AM - Wilson Miranda (PSC)
AC - Gladson Cameli (PP)
RO - Coronel Marcos Rocha (PSL)
Herculano
20/04/2020 10:39
da série: a aposta é alta. Moro é diferente de Mandetta.

BOLSONARO QUEIMA MORO

Conteúdo de O Antagonista."Espero que seja a última semana dessa quarentena, dessa maneira de combater o vírus com todo mundo em casa. A massa não tem como ficar em casa porque a geladeira está vazia. Algum tempo atrás, um ministro meu queria que eu colaborasse com um decreto, com uma portaria para multar quem está na rua. Eu falei: não! Não! Quem vai para a rua está atrás de um emprego. Não podemos tratar o povo dessa maneira. Devemos falar para o povo: calma, tranquilidade, 70% vai ser contaminado. Ou vocês querem que eu minta aqui?"

A proposta de multar quem desobedecesse a quarentena foi feita por Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro. Depois de queimar o primeiro, Jair Bolsonaro resolveu queimar o segundo.
Herculano
20/04/2020 10:28
USO DE DADOS DE CELULAR NA COVID-19, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo.

Existem três modelos; no utilizado no Brasil, o foco é na árvore, e não na floresta

A crise da Covid-19 suscitou um importante debate sobre o uso de dados de celular no seu combate. Há pelo menos três modelos que vêm sendo adotados nesse sentido: a) uso de dados de localização agregados e anonimizados; b) monitoramento individual da circulação de cada indivíduo; e c) monitoramento e exposição em mídias sociais de todas as pessoas infectadas.

O uso de dados de localização agregados e anonimizados é o adotado pelo governo do estado de São Paulo e o que havia sido anunciado pelo governo federal em 27 de março, mas acabou sendo cancelado recentemente.

A aplicação desse modelo é a criação de um índice de distanciamento social, com o objetivo de medir o percentual de pessoas de uma cidade, bairro ou região que estão em casa ou sem se deslocar. O produto é a geração de mapas de calor (heatmaps) que mostram as áreas com mais movimentos (em vermelho, por exemplo) e as áreas com menor movimento (em amarelo, por exemplo).

Nesse modelo, os dados são anonimizados e agregados. Não há necessidade de compartilhar o deslocamento individual, mas apenas o índice geral de deslocamentos na região. O foco é na árvore, e não na floresta.

Pela lei geral de proteção de dados aprovada no Brasil, dados anonimizados não são considerados dados pessoais, já que não são capazes de identificar um indivíduo. Sua utilização é permitida.

É claro que a anonimização deve ser bem-feita. A lei exige um padrão mínimo para isso. É considerado anonimizado o dado que "não pode ser identificado, considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião de seu tratamento".

Já o modelo de monitoramento individual da circulação de cada indivíduo usa, sim, dados pessoais. Nesse caso, acompanha-se o deslocamento de cada pessoa e com quem ela se encontra. É o chamado "contact tracing" (rastreamento de contatos).

O resultado do modelo não é um mapa de calor. É, sim, uma rede detalhada listando cada pessoa e com quem ela se encontrou, bem como as pessoas com quem ela se encontrou, e assim por diante. Se alguém cruzar com uma pessoa infectada, toda a rede de pessoas que tiveram contato com ela é colocada em quarentena.

Esse modelo foi adotado pela Coreia do Sul. Sua aplicação só faz sentido se for conjugada com a aplicação massiva de testes de detecção da Covid-19. Isso porque é preciso monitorar não só as pessoas que já estão com sintomas mas também as assintomáticas, que são o principal vetor de transmissão.

O projeto do Google com a Apple anunciado recentemente para combater a Covid-19 usa um modelo similar a esse de "contact tracing", só que sem identificar cada pessoa.

Países como Singapura levaram esse modelo ao extremo. Fizeram a mesma coisa que a Coreia, só que também adotaram a estratégia de publicar o nome de todas as pessoas testadas positivas com Covid-19.

Essa estratégia mais agressiva depois foi repensada e considerada exagerada e com eficácia adicional duvidosa.

Até agora, o Brasil só usou o primeiro modelo, de dados agregados e anonimizados. Outros modelos vão depender da evolução da doença no país e, especialmente, da visão do novo ministro da Saúde sobre a questão dos dados.

READER
Já era:
dificuldade de realizar deepfakes

Já é:
deepfakes na política

Já vem:
deepfakes em tempo real em lives e videoconferências
Herculano
20/04/2020 10:27
VIVER NA INCERTEZA, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo.

O que nos favorece é a grande capacidade humana de se adaptar

Simone de Beauvoir escreveu no célebre livro "O segundo sexo" que era difícil se sentir uma princesa, em tempos de menstruação, com um incômodo pano entre as pernas.

É difícil se sentir o rei da cocada preta fechado em casa, com um medo de uma invisível partícula proteica que mata as pessoas e devasta a economia planetária. Sobretudo, é difícil sentir-se dono de grandes certezas, num mundo em que a normalidade foi para o espaço.

Edgard Morin merece admiração por isso. É quase centenário, e seu pensamento ao longo dos anos evoluiu para enfatizar a complexidade e a incerteza.

Apesar de ter escrito muitas vezes sobre segurança biológica e ter detectado o impacto desse vírus nos seus primórdios, confesso que, como quase todos os outros, o subestimei.

Ao sair de Fernando de Noronha, em 16 de março, ainda tinha esperanças de seguir viajando pelo Brasil, na presunção de que o vírus não chegaria aos lugares onde vou.

De fato, tenho tido contato permanente com pontos remotos do Brasil e, à exceção de Fernando de Noronha e grandes cidades, o vírus ainda não chegou lá.

Esqueci-me das estradas, dos postos de gasolina, dos restaurantes e hotéis no caminho, dos perigosos aeroportos e aviões. E esqueci que estava bem próximo dos 80 anos.

Interessante nesse mundo de grandes incertezas como as pequenas certezas nos mobilizam. As redes estão cheias de conselhos sobre o que ler, como se exercitar, rezar, o que comer, a que filmes assistir, como organizar toda a rotina.

Essa enxurrada de conselhos às vezes confunde. Por isso, achei engraçado um áudio que caiu na rede. Era de um homem que lamentava com a amiga: todos dizem que tenho de lavar as mãos, lavar as mãos, não se esqueça de lavar as mãos, mas eu queria também tomar um banho, será que pode?

Da mesma forma, achei interessante o desabafo de uma jovem diante de um certo otimismo exagerado, do gênero "o coronavírus veio para melhorar nossos sentimentos, aumentar a solidariedade, mudar o mundo".

O vírus veio para nos destruir e devastar a economia. Essa é a verdade inicial. Ele não é revolucionário. Tudo vai depender de nossas escolhas daqui para a frente.

Sem dúvida, bons sentimentos afloraram, milhares de profissionais de saúde arriscam suas vidas pelas nossas, mas houve também quem tentasse aplicar golpe nas pessoas que precisam dos R$ 600 emergenciais, gente que hostilizou enfermeiros em transporte público, países que confiscam carregamento de máscaras ou especulam com o preço de equipamentos médicos.

O mundo continua um espaço onde bem e mal coexistem, assim como a grandeza e a miséria dos seres humanos não desapareceram com o vírus.

Certamente, ficaremos materialmente mais pobres, com movimentos mais limitados e sempre sujeitos a um novo recolhimento forçado, enquanto não aparecer uma vacina.

Certamente, sairemos mais humildes e não pronunciaremos o termo civilização com arrogância. Mas o que nos favorece é a grande capacidade humana de se adaptar às novas situações, e encontrar uma centelha de felicidade mesmo nos lugares e momentos mais difíceis.

Às vezes, à noite, depois de uma torrente de notícias pesadas, acordo sobressaltado, qualquer tosse noturna traz sempre a pergunta: será ele, o vírus, será essa a hora?

Tomei todas as precauções. Se ele entrou pelo vão da porta, se veio navegando pelo suave vento que entra pela janela, o que fazer?

Nessas horas, respira-se fundo e se reafirma o compromisso com a vida. No mais é como dizem nos países hispânicos: que vengan los toros, let it be, na linguagem dos 60.

Assim como as viagens, segundo o poeta, nos lembram que estamos sós ao nascer, o vírus pelo menos tem a utilidade de nos lembrar que somos mortais. Com ou sem ele, temos de usar bem esse tesouro: o tempo que nos resta.

Não quero adicionar mais uma avalanche de conselhos que nos soterra desde o início da crise.

Mas já parou para sentir como é bom respirar?
Herculano
20/04/2020 10:25
da série: algo para ler, reler, pensar e agir, até porque a linguagem é acessível e fácil de ser compreendido, apesar da profundidade do tema . Filosofia é essencial para entender como somos manipulados e idiotizados. E olha que essa doença não apenas acometem os ignorantes, mas vassalos de falsas crenças...

A AFIRMAÇÃO DE QUE VIDAS FAZEM A ECONOMIA E NÃO O CONTRÁRIO É CONVERSA PARA DISNEYLÂNDIA, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

Estamos chegando perto de onde a curva da relação entre a vida e a economia se confundirão

A oposição humanismo versus utilitarismo é pura retórica barata, mas é boa para a polarização política. Humanista, no sentido que se usa nesta epidemia, é valorizar a vida acima de tudo. Como cada morte é um absoluto, a ideia do valor absoluto da vida é inquestionável.

Mas, quando um oportunista diz isso, ele paralisa seu raciocínio. Utilitarista, também no senso comum da epidemia, é o desumano que pensa na economia e não reconhece o valor absoluto da vida. Errado: o utilitarismo não é desumano.

A realidade não cabe nessa oposição. Quer um exemplo didático? O próprio confinamento (considerado pelo senso comum como humanista) visa diminuir o gargalo do sistema de saúde e reduzir a contaminação do corpo médico, não só porque o corpo médico (todo o pessoal do hospital) é feito de gente, mas porque a destruição do corpo médico implica maior risco do sistema de saúde, que, por sua vez, se for destruído, matará mais gente. Este raciocínio, para qualquer pessoa treinada em ética utilitária, é cristalino.

A afirmação "vidas fazem a economia e não o contrário" é conversa para Disneylândia, retórica barata de marqueteiro querendo seguidores; adultos sabem que vida e economia estão intrinsecamente relacionadas. Vida não é um conceito abstrato. E economia não é só mercado financeiro. Estamos chegando perto de onde essa "curva" (curva está na moda) da relação entre a vida e a economia se confundirão.

Aqui no Brasil isso tem nome: pobres vão morrer e bonitinhos vão sair do pânico e se esquecer da epidemia.

Infelizmente, por culpa do nosso presidente, caímos numa armadilha que armou o discurso humanista marqueteiro que dissocia a vida de suas condições concretas. Muita gente vive querendo dar provas de pureza anti-bolsonarista e faz parecer que só existe a defesa absoluta e eterna do confinamento ou a
delinquência presidencial.

Não. O grande debate utilitário (definição abaixo) e humanista no mundo agora é quando e como sair do confinamento. Quem negar esse fato, o faz por má-fé ou por ignorância.

Não se trata, pura e simplesmente, de suspender o confinamento e correr para o shopping, mas, como resolver o problema da imunidade do rebanho (única forma a mão de combate a epidemia) e da economia, que sustenta todas as vidas, se ficarmos trancados em casa com medo por meses, criando uma reserva de futuros não imunizados.

Imunidade de rebanho é quando a maioria já ficou imune ao vírus e isso só acontece quando entramos em
"relação" com ele e a maioria esmagadora sobrevive.

Se você acha que ser humanista é "defender a vida acima de tudo" e dorme bem com essa definição empobrecida, eu pergunto a você: tá valendo bater em gente para mandar essa gente para casa na porrada? Não preciso ser um discípulo de Foucault ou Agamben pra ver aí um ato de violência biopolítica, que reduz a pessoa a condição de vida nua, que implica por sua vez em vê-la apenas como transmissora do vírus. Ela não é mais gente, é um corpo científico que traz o vírus para a sociedade. O paradoxo do humanismo barato aparece aí na sua farsa.

Infelizmente, o marketing político está jogando com o termo humanista como se ele fosse um atestado de responsabilidade pública. Não é.

Contrariamente ao que afirmam os oportunistas, o utilitarismo é humanista, no sentido filosófico do termo: acreditar na capacidade racional do homem de tomar decisões que reduzam o sofrimento das pessoas. A fronteira entre humanismo e utilitarismo é menor do que parece.

E, por último, uma pequena nota de alerta. Há um outro comportamento se espalhando que é indecente. Supostos "cientistas" que afirmam que ficaremos em confinamento por um ou dois anos como conclusão falsamente científica cometem uma indecência. Projeções sem dados suficientes, que é o caso, não valem nada em epidemiologia, mesmo com o carimbo de grifes acadêmicas.

O "terrorismo pseudocientífico" deve ser visto com cuidado. É puro marketing pessoal ou institucional: o pânico dá dinheiro. Esse ato de terrorismo psicológico não deve encontrar eco na mídia profissional

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