20/04/2020
Esta foto mostra que as bocas de lobo foram colocadas em lugar que era impossível preparar a infraestrutura da rua. A prefeitura queria que a nova empreiteira corrigisse o erro do projeto original e feito pela própria prefeitura, sem custos. A empreiteira se recusou e foi “demitida” do serviço.
Depois de um mês paralisada (a última sessão foi no dia 12 de março e presencial, realizada no plenário da Câmara) por causa da proibição estadual de reuniões públicas durante a quarentena, para assim, supostamente, livrar o sistema de Saúde do estrangulamento pela Covid-19, a CPI que tenta apurar as dúvidas das obras drenagens e repavimentação da Rua Frei Solano, no Gasparinho, retomou os trabalhos, mas virtualmente, na quinta-feira, dia 16.
E nada mudou. Os vereadores da base do governo do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB – Roberto Procópio de Souza, PDT, titular e Francisco Solano Anhaia, MDB, suplente -, por serem maioria na CPI, continuaram a trabalhar para enterrá-la no tapetão.
Tumultuam e inviabilizam à tomada depoimentos de técnicos, como já aconteceu anteriormente – com o voto do titular Francisco Hostins Júnior, MDB - e amplamente reportada aqui neste espaço. Aliás, Gaspar e os gasparenses pouco sabem desta CPI a não ser nesta coluna e na rádio comunitária Vila Nova FM. Os “çabios” que cercam Kleber tentam conter essa divulgação na comunidade.
Desta vez, para uma dúvida administrativa lançada por um burocrata da Câmara, criou-se uma polêmica que durou 25 dos 33 minutos da reunião. Incrível!
E as obras para além das dúvidas – que a CPI apura - e aborrecimentos que vêm causando aos moradores e comerciantes daquela região, estão se enrolando há um ano e meio. E olha que ela foi prometida na propaganda governamental, com a reurbanização que se atrasou até no processo licitatório, para três meses.
O primeiro sinal de desapego pelo patrimônio público começou com os paralelepípedos da rua. Eles quase foram parar no lixo, se não fossem as denúncias dos vereadores de oposição sobre este desatino, denúncias e a ampla publicidade que se deu na época.
QUEM OUVIR?
E qual foi a penimba desta vez? Na reunião do dia 12 de março, convocou-se a engenheira fiscal da prefeitura para as obras de repavimentação e o engenheiro responsável pela fiscalização da execução desses trabalhos, ganhos em licitação, pela Engeplan. Neste caso seria André Luiz Moretti.
O assessor da Câmara, Pedro Paulo Schramm, interviu na reunião informando que oficialmente, só oficialmente, porque de prático nada fez na obra, a Engeplan tinha nomeado para a licitação e à representação do CREA, o engenheiro Arnaldo Assunção. Mas, que no dia a dia, e quem a acompanhou assinou o diário de obras, foi o André.
Foi André que, por exemplo, quem sofreu na carne à falta de projetos conhecidos e harmônicos entre si e que complicaram a vida da Engeplan.
Esta falta de projetos e a harmonia técnica entre eles, inviabilizaram no tempo e nos custos prometidos, devido a gabaritos destoantes, à implantação da coleta de água pluviais nas galerias implantadas pela prefeitura – que começou a obra – e pela empreiteira do Samae – a autarquia que se responsabilizou pela maior parte na implantação da nova infraestrutura da rua.
André, no dia-a-dia, foi a boicotado – e isso soa muito estranho – pela própria secretaria de Planejamento Territorial e a Ditran - Diretoria de Trânsito - na interdição da Frei Solano para facilitar e acelerar à execução dos serviços contratados como a preparação da cancha para o asfaltamento da Frei Solano pela Engeplan.
Foi sob às vistas de André que a prefeitura de Gaspar mandou a Engeplan embora e preferiu ela mesma assumir o que se arrastava para dobrar custos aos gasparenses. E mesmo estando à frente daquilo que apontava como lerdo, a prefeitura não consegue avançar e entregar o que prometeu para início do ano passado.
A CONFUSÃO PROPOSITAL
Com o circo armado, e com a reunião pressionada pelo tempo da gambiarra digital da Câmara, a qual só permite uso do sistema por 40 minutos, quase que os governistas levaram vantagem na jogada levantada por um assessor da Comissão: queriam colocar em votação algo que já havia sido deliberado e decidido no voto, ou seja, o trazer quem na Engeplan acompanhou a execução da obra.
Houve de tudo de parte a parte: convocar o engenheiro que deu o nome ao processo; convocar os dois, mandar o ofício para a empresa para que ela decidisse quem enviar para em nome dela prestar depoimento etc. Ao fim, sem que isso fosse registrado na transmissão, prevaleceu o que já havia sido deliberado e votado no dia 12 de março.
Se caso houvesse nova votação, a preferência dos vereadores governistas era para o Arnaldo viesse depor. E por que? Para ao fim, desqualifica-lo. E por que? Porque supostamente não esteve presente fisicamente e nem assinou o diário da obra. Resumindo: não teria, em tese, autoridade, como fiscal de fato daquilo que viu e anotou no diário. Entenderam?
O governo Kleber está enrolado e possui medo dos depoimentos técnicos. Os feitos até aqui, laçaram o governo nas dúvidas e contradições que ele nega e a CPI tenta esclarecer. O depoimento da Engeplan é o mais temido, mais pela forma como a empresa saiu daqui: julgada como incompetente.
Kleber e seu entorno temem retaliação. Pois, foi a Engeplan quem insinuou que em Gaspar há um “sindicado” de empreiteiras e ela foi “corrida” porque não faz parte desse “sindicato”.
Particularmente, acho que não haverá retaliação e a Engeplan que discute o assunto na Justiça, está atrás da reparação financeira dos seus prejuízos por aqui. Ela quer salvar esta parte, ainda mais em tempo de crise e se provar que foi injustiçada.
Mais do que isso, a Engeplan sabe que o “sindicato” é uma forma de sobrevivência em qualquer situação de poder. Há territórios. Aqui ele está fechado e hoje ela está fora, já amanhã...É, infelizmente, do jogo jogado neste ambiente que não é para fracos.
E estes assuntos não serão propositadamente aventados nem por André e nem seria por Arnaldo. Eles são de bastidores. E o depoimento de um ou de outro poderá dar pistas se nos bastidores a Engeplan já mudou o conceito sobre o atual governo e o tal “sindicato”. Acorda, Gaspar!
CINCO NOTAS
1. Um assessor só fala numa sessão ou reunião oficial do legislativo se questionado. Isso é privativo dos membros do legislativo ou de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O procurador Klitzke, por exemplo, sempre se manifesta quando arguido. Pedro Paulo quebrou esse procedimento. Os vereadores Dionísio, presidente e o oposicionista, Cicero Giovane Amaro, PL, colocaram as barbas de molho depois do episódio de quinta-feira. Era um assunto superado nos bastidores.
2. O assessor parlamentar do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, que a prefeitura queria obriga-lo a voltar para a sua função à qual estava lotado como concursado e ele preferiu se desligar da prefeitura, Uillian Rafain de Souza, agora é também assessor da CPI.
3. Outra dúvida é onde ouvir os depoentes desta quinta-feira, diante da precariedade do sistema digital da Câmara. Bobagem. O presidente da CPI está na mesa diretora e o plenário distante pelo menos cinco metros, isto sem falar que o auditório a 20. Um não pode ficar de frente para o outro para facilitar à transmissão da reunião?
4. O vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, subiu nas tamancas durante a reunião da CPI reclamando do sistema digital da Câmara. Ele está coberto de razão. Venho escrevendo, reclamando e denunciando isso há anos, apesar do dinheiro que se gasta pelo jeito, pois investir é trazer retorno, neste setor. Estou de alma lavada. Espera-se que tomem vergonha e não usem a precariedade para gastar dinheiro à toa com curiosos como se gastou até agora.
5. E para o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, que virou garoto propaganda e avalista de quem está com a credibilidade abalada, bem como ao próprio Roberto, abaixo ofereço pontuações sobre a live de dois entendidos sobre este assunto no âmbito corporativo. Aliás, essas pontuações são preferencialmente para os leitores e leitoras, que sustentam o mundo de fantasia e gastança dos políticos.
Resumos dos Insights da live do Sílvio Romero de Meira Lemos, cientista, professor e empreendedor, co-fundador do Instituto de Inovação Cesar, e da live do Divesh Makan, fundador da Iconiq Capital, de San Francisco, Califórnia USA. Este texto está disponível na internet. Fiz alguns comentários pessoais.
Charge de Duke e publicada no site do jornal mineiro, O Tempo, em 10.04.2020
Empresas terão que abandonar a "gambiarra digital". Ou é digital mesmo ou não é. Plataformas digitais competentes mesmo que sejam pequenas são as que vão sobreviver [ minha observação: mais do que digitais, terão que ser simples, amigáveis com custos baixos e competitivos. Esta observação serve para o ente público cheio de carimbos, caros carimbadores presenciais e a necessidade de se atestar ainda em cartórios sob paga. A identificação digital do brasileiro é a menor entre os emergentes, por exemplo. A razão? É cara, burocrática e centralizada no estado ].
Comércio online deixa de ser uma opção secundária de compras. As lojas físicas serão redesenhadas como espaços de experimentação da marca, mas as vendas migrarão mais rápido para o online do que se imaginava antes [minha observação: os shoppings serão cada vez mais centro de lazer e serviços; já escrevi sobre isso e os meus clientes tem recebido este insight há pelo menos cinco anos; não é uma invenção e nada é da minha cabeça, é uma tendência].
95% das lojas Starbucks foram reabertas na China, mas o movimento na loja é de 60% do que era. As pessoas não consomem mais na loja, compram e vão embora. Starbucks tem que rever o modelo reduzindo espaço de convivência.
Os maiores varejistas americanos já demitiram mais de 1 milhão de pessoas e devem reempregar somente 85 % deles no fim da crise. A explicação é que o comércio tradicional vai encolher.
O negócio de seguradoras vai sofrer profundas transformações [minha observação, neste caso o de saúde, principalmente nos países onde a rede pública não é parecida como a brasileira. Aqui precisaria de uma transformação, mas os políticos, os donos de planos e a agência reguladora impedem].
Educação online está se provando no meio da crise. Vai haver uma revolução na forma como se aprende em todos os níveis. Os serviços de saúde como atendimento, diagnósticos e estudos compartilhados e ajuda remota entre profissionais especialistas, bem como o relacionamento com pacientes, também mudará mais rapidamente do que já se faz hoje.
Sai o estoque “just in time” e entra o “just in case”, as empresas aprenderam com a crise que precisam ter estoques maiores de segurança, principalmente quem tem cadeias longas de fornecimento [ particularmente, tenho muitas dúvidas. Ora, se o custo é um problema, estoques são custos, mesmo distribuído nas cadeias, a não ser que vamos ser dominados por crises semelhantes].
EUA desenvolveram uma cadeia de “supply” com a China nas últimas décadas que fez com o tempo os americanos perderem capacidade tecnológica de fabricar no país. Isso vai mudar por questões de segurança. O globalismo sofrerá um duro revés, substituído pelo protecionismo [ discordo: essa dependência e esse modelo de globalismo se fortaleceram exatamente por causa dos custos competitivos. O que vamos experimentar é um novo globalismo, o que dará mais segurança da cadeia de insumos, produção e consumo interna com custos competitivos; no Brasil será preciso rever os custos sociais do emprego e principalmente a máquina pública inchada e cheia de privilégios]
Não existe setor da economia ou tamanho de negócio que possa dizer "eu não tenho necessidade de investir no digital". Quem pensar assim não tem futuro.
Hábitos de viagem mudarão radicalmente. Redução absurda nas viagens de negócios substituídas pelas “vídeocalls”. Viagens de lazer serão mais para o interior junto a natureza em lugares com baixa concentração de pessoas [com isso, o entretenimento adulto que gravita em torno das viagens de negócios poderá sofrer mudanças].
Existem 1.700.000 vírus detectados em animais, desses 1.700 são coronavirus. Temos que aprender com essa crise e preventivamente estarmos prontos para ter um surto por década.
O modo de viver de se relacionar de trabalhar vai mudar tanto que nós dividiremos a história em "Antes do Corona" e "Depois do Corona".
Direitos individuais x saúde será um dos grandes debates no mundo a medida em que rastrear individualmente cada indivíduo é uma das estratégias mais eficazes de controle de epidemias, mas pode ser usado pelos Governos para controle das pessoas.
O consumidor foi "forçado" a migrar nesse momento para o comércio online. As empresas que conseguirem proporcionar uma experiência muito boa em todos os aspectos não perderão esse cliente para as lojas físicas ao fim da pandemia. Ao contrário, as empresas que se mostrarem despreparadas perdem espaço. [meu comentário: esse processo será lento, apenas se acelera com o episódio deste momento e só vira hábito, se esta situação perdurar por muito tempo – o que é improvável]
Assim como os remanescentes da antiga indústria americana tem dificuldades de se recolocar e acabam por sustentar posições políticas protecionistas (que culminou com a eleição do Trump), esse movimento vai se alastrar pelo mundo com o crescimento rápido da indústria digital.
Não vejam a crise como momento de cortar custos. Pensem em investir em novas áreas em novas tecnologias, vai ter muita oportunidade para as empresas que agirem rápido, vamos renascer num mundo novo, viveremos um "novo normal", a vida vai ser diferente, ninguém sabe exatamente como, mas temos que estar abertos e preparados para nos adaptar com agilidade ao que vier pela frente.
O setor agrícola brasileiro tem uma oportunidade de ouro, precisa investir cada vez mais em tecnologia e digitalização, e na qualificação dos seus profissionais e gestores [meu comentário: vivo neste setor intensamente desde 1979, é o que mais evoluiu – manejo, logística, sementes, matrizes, rotação, proteção ambiental, identificação de origem, combate e prevenção de doenças, dinâmicas de comercialização, mercados, interiorização fazendo surgir novas cidades minimamente estruturadas - e o que está mais aberto a essas mudanças, até ontem]
Conclusão: quem hoje está ocupado já precisa começar a pensar na sua futura profissão, tem que se atualizar o tempo todo nas novas tecnologias. As empresas de educação e o MEC precisam se comunicar com o mercado intensamente e entender às necessidades para fornecer os conteúdos demandados que não são mais aquilo que as universidades hoje entregam aos alunos. Re-treinamento contínuo. Na sociedade do conhecimento não existe "ex-aluno". Ou você está aprendendo o tempo todo ou você está desempregado.
Saiu Mandeta, o eloquente e o boi de piranha da mídia contra Bolsonaro. Entra Nelson Teich sob reservas severas.
O político, Luiz Henrique Mandetta, que foi deputado Federal pelo DEM-MS, o que usava o diploma de médico ortopedista e a sua boa comunicação para “salvar” os brasileiros, o que usava essa narrativa para construir palanques e servir a esquerda do atraso, ao centrão do toma lá dá cá e à mídia para cutucar o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, foi embora.
Há um mês, metendo-me numa seara que não é minha e onde há gente muito melhor, mais qualificada do que eu e muito mais próxima do poder Central em Brasília, escrevia defendendo à saída de Mandetta. Não exatamente pelas qualidades de médico, que as desconheço, de gestor da saúde, que a desconhecia e agora se desnuda em números represados para alimentar propositadamente a falsa propaganda, mas pela incapacidade dele para trabalhar em equipe e nela, reconhecer um modelo de autoridade no governo.
Pode-se questionar este modelo centralizador e autoritário de Bolsonaro, mas todos que aceitaram trabalhar com o presidente neste modelo, tem a obrigação respeitar – principalmente em público - ou então devem sair dele. Bolsonaro – quer queira ou não - foi eleito com esse predicado: romper o establishment e o mainstream [também já escrevi sobre isso].
Mas isso é passado. A saída e a minha posição são conhecidas. Elas podem ser relidas em colunas anteriores.
Sobre quem o substituiu nem ouso escrever. No papel, o seu currículo é invejável, seus resultados como empreendedor e principalmente, inovador, também.
Entretanto, o também médico, mas oncologista – ou seja, conhece o que é câncer das pessoas, mas ainda não do sistema político -, Nelson Teich, não conhece a máquina pública. É um tipo de câncer com amplas metástases que engana o mais avançado PETscan no diagnóstico por imagens. Esta doença está impregnada de gente que não quer que máquina pública, engolidora dos escassos pesados impostos de todos – principalmente dos mais pobres -, funcione para o cidadão, mas para os que estão protegidos pela estabilidade e até de privilégios, da negociata, do toma-lá-dá-cá...
Então o excepcional currículo de Teich não é nada nesse jogo, ainda mais da forma como ele entrou: no lugar de um político que fazia o jogo da academia, da ciência ideologizada, da elite da máquina pública e da mídia, também infestada de verdades ideológicas, apesar de ser um ambiente científico e técnico, bem áspero para a mídia.
Mais. Até mesmo na iniciativa privada onde se avalia resultados, já testemunhei muita gente de currículo excepcional dar com os burros n’água. Não conseguia transformar as expectativas em resultados.
Então é aguardar, mesmo em tempos de guerra. A Covid-19 é uma forma dos políticos se aproveitarem em vantagens e palanques, mesmo que a população – seus eleitores que sustentam os políticos - fique refém e imobilizada (ou morta) pelo coronavírus e pela burocracia da máquina pública.
Teich, ao menos é um alinhado de Bolsonaro, como são os técnicos Paulo Guedes (que tinha sugerido Teich), Sérgio Moro...
O secretário interino da saúde e prefeito de fato à esquerda e o prefeito Kleber, a direita
Em Gaspar, a saúde pública é um desastre. Não se trata de uma crítica, mas de constatações. E os testemunhos de doentes e pobres abundam. Mesmo assim, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, está nas redes sociais, sendo o repórter promotor do desastre que ele mesmo coordena a quase três anos e meio ou delega para gente que está destruindo palanques dele, ao invés de construí-los.
Kleber está refém das suas próprias verdades. E não há mais tempo para sair dessas amarras.
A secretaria de Saúde teve quatro secretários titulares diferentes – a primeira, uma técnica indicada por um empreendedor apoiador, foi logo dispensada – e cinco gestões. O prefeito está repetindo interinamente o advogado, presidente do MDB de Gaspar, coordenador da campanha, secretário titular da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, e prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira. Resumindo: quem está tocando a secretaria é um curioso na área e na gestão.
O secretário interino, que teve que ficar numa quarentena de uma semana depois de férias recentes no Caribe, tiradas em pleno surto. Há duas semanas, chegou a anunciar que os casos da Covid-19 em Gaspar estavam diminuindo. Os próprios boletins oficiais – cuja titular da pasta de comunicação está em casa com a doença - estão a desmenti-los diariamente.
E de onde veio o primeiro óbito da região? De Gaspar, mas quase ele foi contabilizado para Blumenau. É que sem infraestrutura, Gaspar exporta e confia que os mais graves vão ser aceitos e tratados em Blumenau, Brusque e Itajaí. Simples, assim!
Gaspar não se preparou para a Covid-19, que surpreendeu o mundo. Normal. O que Gaspar não fez então? Se preparar para o dia-a-dia da cidade e da demanda dos cidadãos. Agora, no final da corrida da reeleição queria fazer uma maquiagem. Ganhou uma muleta e que será desculpa para tudo que não se pode reverter em benefício para a cidade: a Covid-19.
Este é o retrato da ré onde está metida a Saúde Pública em Gaspar. Ela não esperava por este teste duro, o da Covid-19. O Hospital de Gaspar – que ninguém sabe quem é o dono – está sob intervenção marota inventada pelo governo de Pedro Celso Zuchi, PT.
Ele achava que a mixaria de recursos repassada pela prefeitura ao Pronto Atendimento do Hospital era roubada pelos seus adversários. Nunca se provou uma ai sobre isso. Pior. Foi com Zuchi que começaram a ser aumentar o os repasses para o Hospital com a falta de prestação de contas à comunidade. Kleber dobrou a aposta e à falta de transparência.
Kleber que poderia consertar essa anomalia no início do seu governo, preferiu o modelo do PT, que ele tanto combateu na campanha eleitoral para ganhar votos. Ouvindo os seus “çabios” na máquina de empregar cabos eleitorais sem condições técnicas para resultados ao seu próprio governo, deu corda e dinheiro para nada melhorar de verdade à população.
Agora, Kleber não pode fazer nada de radical nessa área, sob pena de que o que está ruim, poderá ficar péssimo. Esta é a tal eficiência, o que se avançou, o que tratou do futuro como mostram as propagandas oficiais que possuem destino para os que se “comportam” bem.
O Hospital de Gaspar é um coveiro de gente mal atendida que entra com uma dorzinha e sai de lá obrigado a procurar cura – quando não a morte - em outro lugar. As histórias são repetitivas e as páginas do jornal Cruzeiro do Vale são testemunhas de muitos casos.
O Hospital é patrocinador do desatino. Ele teve sob Kleber, quatro administrações, que em comum, possuíram a falta de transparência e a promessa de colocar a casa em ordem. O Hospital, todavia, mal aparelhado e mal gerenciado, atende mal. É um comedor guloso de verbas públicas, como já relatei em números aqui neste espaço. Não só ele, mas a secretaria da Saúde que extrapolou em muito o Orçamento. Ou seja, falta de dinheiro, aparentemente não foi.
Agora, o Hospital de Gaspar finge que está atrás de uma UTI, tão necessária para salvar gente acometida pela Covid-19. Mas foi Kleber, e principalmente o prefeito de fato, o atual secretário de Saúde, Carlos Roberto Pereira, que resistiram à esta ideia durante mais três anos, até mesmo nos projetos de lei que o médico cardiologista e político, Silvio Cleffi, PP, apresentou na Câmara e os teve aprovados. Do que se arrecadou no IPTU para esta finalidade, nada se sabe até agora.
Faltaram prioridades. Falta transparência. Falta engajar a sociedade nesta empreitada. E por que isso não acontece? Porque falta credibilidade aos que administram a cidade e a área. Faltam mudanças. Faltaram resultados, necessários para a grande virada. O coronavírus é mais um palanque para os políticos de oportunidade. E quem padece, de fato, é a população. Acorda, Gaspar!
As viúvas do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não tendo resultados próprios para difundir, preferem se agarrar ao desatino dos outros.
O atual interino da Saúde, o advogado Carlos Roberto Pereira, MDB, foi à sua rede social exibir o seu passado de influência em Brasília, quando foi recebido numa audiência pelo ex-ministro concedida pelo ministro, na verdade, aos deputados federais Darci de Mattos, PSD, e Rogério Peninha Mendonça, PP. Acompanhava o prefeito eleito, Kleber Edson Wan Dall, MDB.
Escreveu o secretário interino na semana passada em sessão de carpideira: “ano passado, quando era secretário da Saúde, tive a oportunidade de conhecer o Ministro Mandetta. Naquele dia, sai da audiência entusiasmado, porque percebi nele uma grande capacidade administrativa e política. Nessas últimas semanas, em meio a essa pandemia, sua atuação enquanto ministro foi impecável. Lamento sua saída precoce e em meio a essa crise de saúde. Só posso, humildemente, agradecer pelo seu belíssimo trabalho e desejar sucesso ao próximo Ministro da Saúde”.
Ai, ai, ai. Ele saiu entusiasmado daquela audiência com o ministro – e um monte de deputados - e as coisas na área da saúde em Gaspar continuaram tão ruins como antes, como relatei acima?
A atuação do ex-ministro foi impecável na pandemia? É! Quanto e quando Gaspar foi beneficiada nesta crise do Covid-19? O secretário faz um discurso para os eleitores, os pagadores de pesados impostos, os que movimentam a economia local e um outro para os políticos de Brasília que querem a economia parada? É isso?
Finalmente. “Agradecer o belíssimo trabalho do ex-ministro”? Mas, em nome de quem mesmo? De Gaspar? Certamente, não foi, pois quem vai ao Hospital reclama, quem vai aos potinhos reclama, quem vai as farmácias reclama, quem vai à policlínica reclama. E quem está vulnerável ao coronavírus, torce para que seja uma gripezinha – que é o que acontece com a maioria – e que sendo sério, os hospitais de Blumenau, Brusque e Itajaí possam acolhê-los. Mais uma vez, a Covid-19 promove os políticos, os que se dizem gestores mas são políticos, e quem padece de verdade é a população, a mais vulnerável. Acorda, Gaspar!
Luiz César Hening é um dedicado funcionário público. Era um crítico de administrações passadas. É auxiliar de farmácia concursado. E no atual governo é comissionado lotado em funções burocráticas no tradicional Posto de Saúde do Centro de Gaspar.
Na semana passada, na sua rede social, ele e o gestor (e comunicador) da rádio comunitária Vila Nova FM, o ex-vereador Almir (Miro) Salvio quando estava no extinto PFL, agora está filiado ao PL, trocaram farpas. E duras.
Escreveu Luiz: “ Bolsonaro o pior filho da puta da história e quem não gostar, não comenta; me exclua”. E não teve nada a ver com o discurso de enfrentamento do domingo do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, contra o Congresso, os políticos do toma-lá-dá-cá e as decisões de enquadramento do Supremo ao arrepio da Constituição. E daí vieram respostas ofensivas, entre elas, as do Miro, um defensor de Bolsonaro. Sobraram para as mães e todos os lados e modos.
Primeiro é preciso contextualizar essa “briga”. É que a Vila Nova é a voz no rádio gasparense – apesar das limitações de alcance - que incomoda o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e principalmente na área da saúde. São depoimentos e reclamações, em cima de depoimentos e reclamações. O pessoal da prefeitura fica doido. Resta ir atrás dos depoentes e pressioná-los.
Segundo. Luiz é sangue quente e peitudo. E eu aqui, já dei espaços generosos –e pela razão na minha análise - para ele criticar outros governos. Mas, hoje Luiz é uma das vozes de Kleber para peitar os adversários. É assim que funcionam os quase 150 cargos comissionados e 100 de funções gratificadas. É uma máquina de votos. E chegará a hora de segurar bandeiras nas esquinas da cidade.
Terceiro. Miro está voltando à política para ser candidato a vereador e este é o bafo de quem coloca as maguinhas de fora. E se bem-sucedido, Miro vai tirar uma vaga do time de Kleber, se Kleber for reeleito. E o time de Kleber já mirou no Miro Sálvio. Só isso. E um dos escalados é o Luiz César Hening, só isso, também. Como Miro não cede, Luiz e outros crescem para cima dele para ver quem vai baixar a crista primeiro. Talvez as urnas testemunhem isso.
E por que estou abrindo espaço para essa briguinha na rede social e que tende a aumentar à medida que se definem entre si os adversários a atual administração Gaspar? Por causa de uma das lembradas de Luiz, de que Miro, no passado, quando vereador, foi pego olhando material pornográfico na internet da Câmara. Ótima cobrança. Tem que lembrar e fiscalizar. Mas, é este o único pecado do Miro? E lá longe? Ele não pagou essa conta? Hum!
Se o pecado não se apaga, porque não lembrar uma pornografia mais recente e esta do próprio Luiz? Ah, já se esqueceram?
Foi Luiz, que a pedido, que não se sabe de quem, permitiu que uma companheira de um indicado do primeiro escalão do governo Kleber, domiciliada em Blumenau e Balneário Camboriú, que não trabalha em Gaspar, fosse atendida no sistema municipal de saúde com consultas, exames laboratoriais e uma mamografia e para isso, Luiz aceitou colocar na ficha da paciente, que ela morava no próprio Centro de Saúde do Centro.
Então? Na falta de argumentos e resultados, é dessa forma que a sofisticada e cara campanha de Kleber vai desqualificar os adversários como fez Luiz? Se é este o caminho, lamento informar-lhes que é a busca do suicídio. Na fila da Saúde pública, o gasparense está padecendo, enquanto os afortunados por estarem no governo Kleber furam a fila para privilegiar os que vão pedir votos para a reeleição. Acorda, Gaspar!
O empresário Luciano Hang, dono das Lojas Havan, sofreu duplo ataque das circunstâncias e eles deixaram duas feridas expostas.
A primeira é de que a quarentena e o fechamento obrigatório por decreto do comércio atingiram de frente o seu negócio em quase duas centenas de lojas, muitas delas, megas.
A segunda, de forma injusta, na minha avaliação, as críticas contra ele pela dispensa temporária, permitido na Medida Provisória, de 11 mil dos 22 mil empregados. Os dispensados, por enquanto serão pagos parcialmente pelo governo com a garantia de que voltarão aos seus postos.
Antes mesmo da Covid-19, a Havan era um “case” de estudos no meio acadêmico, aquele que lida com o planejamento e inovação. Ela crescia, por expansão acelerada e na contramão da realidade, num modelo de negócio que não mais existe para os atuais players. Se fosse uma empresa aberta, as ações da Havan estariam no chão por falta de futuro.
Não vou me esticar neste assunto. Quem leu, acima, os insights da live do Sílvio Romero de Meira Lemos, cientista, professor e empreendedor, co-fundador do Instituto de Inovação Cesar, e da live do Divesh Makan, fundador da Iconiq Capital, de San Francisco, Califórnia USA, compreenderá o que escrevo e como a Havan está vulnerável no seu modelo de negócios.
Cada vez mais, as lojas serão virtuais, dinâmicas, promocionais, inovativas e agressivas no relacionamento com seus clientes, fornecedores e parceiros de negócios. Os estoques serão automatizados e em locais de baixo custo – quando não apenas uma intermediação comercial da loja do produtor com o consumidor sem que o produto passe fisicamente pelo estoque da loja. Tudo aliado a uma logística apurada, integrada e de baixo custo.
Das grandes redes de varejo que atuam no Brasil, é nulo, praticamente, o comércio virtual da Havan. Na crise, é a única no seu segmento e tamanho que não está funcionando, pois depende do público ir fisicamente às suas lojas. E por isso, que Luciano teve que demitir ou colocar em quarentena seus empregados com ajuda governamental, ou seja, com parte dos nossos impostos. Tantas outras fizeram, mas Luciano foi o alvo escolhido. E por que?
Porque Luciano tomou partido da situação política no país a favor de Bolsonaro, da ala conservadora e até flerta com o autoritarismo. Isso ficou visível na condenação que faz da impressa e como usa a sua rede social para adular o atual governo e principalmente para desqualificar e apontar a roubalheira dos governos petistas.
Afinal, na empresa dele, manda ele, do jeito dele, mesmo que o mundo esteja em mudança.
Em outros países como Estados Unidos, Canadá e na maioria dos Europeus que conheço pessoalmente ou por “cases” empresariais, a atitude pública do dono dos negócios é normal, mesmo em megas negócios, dependentes de leis governamentais protetivas. Elas são feitas para o setor, para o país, para a sociedade e não, necessariamente, para uma empresa dominante ou apoiadora do governo de plantão.
Afinal, esses donos de negócios são cidadãos.
No Brasil, ser cidadão é um tabu pelo simples fato de que os empreendedores, empresários, investidores e até mesmo executivos, são dependentes dos benefícios dos que estão no poder. As portas se abre e fecham, dependendo das palavras públicas. Aqui não se olha, na maioria dos casos, o setor, mas a pessoa, a marca, a empresa, o poder e o retorno dele no mundo político de quem possui a caneta para o benefício, o perdão e à punição.
No Brasil, não há clima para o reconhecimento ao direito de cada um pode ter uma opinião, uma causa e lutar por elas, a menos que ele se integre ao establishment e ao mainstream de viés socialista moreno, de acomodação na divisão de propinas e canais de corrupção que oneram a vida do cidadão.
E não é o primeiro revés que Luciano sofre por fazer o que dá na telha.
Em Gaspar, a sua loja, em dois anos depois de inaugurada – 18 de março de 2018 – ela ficou mais tempo fechada do que aberta no Bela Vista. E continua fechada e não é pela Covid-19. Luciano que supervisiona tudo, contratou mal os engenheiros, elogiou quem lhe facilitou na prefeitura e gastou muito dinheiro no foguetório. Agora está com o mico na mão. Internamente, a Havan de Gaspar é uma loja que está na lista para nunca mais abrir pois comeu o lucro de outras no passado e no futuro. Ao público, Luciano já negou...
O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, de Gaspar, ainda não disse quanto ele vai sacrificar do seu salário de R$27.356,69, um dos mais altos de Santa Catarina. Nem o seu vice, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, que ganha R$12.626, 16, nem os secretários e outros comissionados se coçaram.
Outras cidades, como o prefeito da vizinha Blumenau, Mário Hildebrandt, Podemos, cidade cinco vezes maior que Gaspar, ganhava R$23.849,12. Ele reduziu em 20% o dele, o de secretários e diretores. Lá não há vice. Mário era o vice de Napoleão Bernardes, PSD, ex-PSDB.
Em Santa Catarina outros municípios iguais ou bem menores já seguiram na mesma trilha do prefeito de Blumenau. Mas em Ilhota, o prefeito e o vice, respectivamente Érico de Oliveira, MDB, e Joel José Soares, PSL, ambos também empresários, estão mudos neste assunto. Um ganha R$13.878,22 e o outro, R$8.096,02
A coluna de hoje está extensa. Por isso, depois da notas da seção TRAPICHE, republico um artigo, de autor desconhecido, originalmente publicado no blog do Neimar Fernandes, sobre a comparação ente engenheiros hidrólogos e médicos políticos. Resumindo: algumas coisas sérias e óbvias aos engenheiros estão sendo escondidas pelos médicos dos pacientes brasileiros.
Quando o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, afirma que não vai mais negociar, é porque está totalmente encurralado pelos políticos da chantagem e do toma-lá-dá-cá e tentar voltar à negociação.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, DEM-RJ trabalha como verdadeiro chefe de bando. Com parte ponderável dos deputados ele está chantageando, quebrando, dividindo o país e provocando tudo isso. Ele nãom inviabiliza a vida de Bolsonaro que não cede nas tetas, mas o Brasil por décadas.
São os congressistas que ele e David Alcolumbre, DEM-AP comandam contra o Brasil e os brasileiros. Eles estão passando a pesada conta da crise, das mamatas, dos altos vencimentos, das aposentadorias precoces e integrais, dos privilégios e da corrupção, para o povo empobrecido, desempregado e aposentados de BPC e salário mínimo pagar por décadas.
O que está em jogo, é o trilionário rombo que estão criando com aumento da dívida pública para os políticos de hoje se fartarem por anos seguidos, muitos desses recursos disfarçados de emergência e bem longe dos olhos das instituições de fiscalização como tribunais de contas e Ministério Público.
Encontrei no twitter este retrato e que me é familiar por ter vivido àqueles tempos. Escreveu @JC Oliver: “Quem viveu a década de 60 está revivendo o mesmo cenário: uma justiça fracassada; a dominação de políticos canalhas; uma mídia manipuladora... e, o povo, pedindo revolução... Em 64 veio a libertação c/ os militares; A pergunta q faço: E AGORA, qual seria a SOLUÇÃO?”
Você sabe quanto custa do seu bolso as Câmaras municipais brasileiras? R$15 bilhões por ano. E as Assembleias Legislativas? Outros R$ 10,8 bilhões de dinheiro que falta à saúde, educação, segurança, obras essenciais de infraestrutura. Vergonha.
O pico da esperteza ou da incerteza I. Primeiro, a pandemia teria no Brasil o pico em meados de março devido ao carnaval. Depois, já com ela instalada entre nós, foi para o fim de março e início de abril devido as manifestações pró-bolsonaro e contra os congressistas vadios e chantagistas.
O PT, a esquerda do atraso e o Centrão estão unidos ao deputado Rodrigo Maia, DEM-RJ, ao senador David Alcolumbre, DEM-AP, ao STF e outros como a OAB contra o cabo de guerra do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido. Estão defendendo a democracia, mas com roubos, desperdícios e à falta de controle dos pesados impostos pelos políticos
A deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho, por exemplo, foi ao twitter para afirmar: o desrespeito de Bolsonaro com @RodrigoMaia é absurdo. Bolsonaro quer o impasse, caos e golpe contra instituições. Incapaz de governar na democracia, quer ser ditador. Ou o Congresso tira Bolsonaro, ou ele vai dar tentar fechar o Congresso. #ForaBolsonaro”.
O pico da esperteza ou da incerteza II. Agora, os palpiteiros de plantão e que se dizem cientistas, com a mídia tonta e perdendo audiência, sem apresentar fundamentação, transferiram o pico para final deste mês, quem sabe maio, talvez junho ou julho ou quiçá agosto. Quando vai parar esse terrorismo que deixará mais falidos do que mortos?
Na semana passada publiquei aqui que os agentes da Ditran ficaram com 300 senhas nos bolsos para aplicação da vacina H1N1, que controlaram na aplicação pelo sistema de Drive Thru, no terminal rodoviário de Gaspar. Um bafafá entre eles para descobrir quem havia me passado a informação. Ela apenas desmentia à propaganda oficial e enganosa de que tal iniciativa tinha aplicado mil doses.
Bomba travada contra o consumidor. Esta é a manchete da semana passada: com novo ajuste, Petrobras já baixou preço da gasolina em 40% desde março. Teve mais em abril. Esta é a manchete que se esconde nos postos de gasolina da região. Em Gaspar e Ilhota a queda da gasolina nos postos desde março chega no máximo a 25% para os consumidores. Então...
autor desconhecido (Reproduzido do Blog de Neimar Fernandes, de 17.04.2020).Para reflexão de onde estamos metidos.
Nós, os engenheiros hidrólogos, estamos acostumados a lidar com gráficos parecidos: os hidrogramas (que mostram vazões ao longo do tempo).
No estudo de reservatórios destinados a regularizar vazões (para diversos propósitos: geração de energia, irrigação, navegação, abastecimento de água, etc.) ou destinados ao controle de cheias (proteção contra inundações, etc.), sempre existe um hidrograma de entrada (afluente) e um hidrograma de saída (defluente).
O primeiro é sempre mais concentrado que o segundo. O primeiro apresenta pico mais pronunciado, é menos achatado e dura menos tempo. Tudo igualzinho a esses gráficos da epidemia. Até a forma analítica (matemática) de ambos é semelhante; descrita aproximadamente pela forma da Distribuição Gama de probabilidades.
Essa lengalenga toda é para concluir o seguinte: os hidrólogos já têm automaticamente na cabeça que os dois gráficos (afluente e defluente) embora diferentes entre si, têm o mesmo volume, ou seja, toda a água que entrar no reservatório terá, mais cedo ou mais tarde, que sair dele.
Em termos ainda mais simples: as áreas contidas sob as duas curvas (afluente e defluente) são rigorosamente iguais.
Vendo os gráficos da epidemia (o agudo e o achatado), o engenheiro, que não é médico, conclui de imediato que, em ambos os casos, o número total de doentes será também rigorosamente o mesmo!
O engenheiro, que é mais esperto que os médicos, conclui facilmente olhando os dois gráficos, que o número final de contaminados será rigorosamente o mesmo, havendo ou não achatamento da curva, ou seja, havendo ou não confinamento social.
Se o engenheiro for mais esperto ainda, ele descobre também que a área sob os dois gráficos sendo a mesma, o número total de contaminados nas duas situações corresponderá também rigorosamente à população total.
Em outros termos, o engenheiro esperto concluirá que, iniciada uma epidemia, ela só terminará depois que toda a população estiver imunizada (supondo que não haverá reposição). E essa imunização resultará da proteção por vacina (que ainda não está disponível) ou por ter tido a doença (nas formas sintomática ou assintomática, ou seja, perceptível ou não).
O engenheiro esperto concluirá também que até os velhinhos da turma de 69 serão acometidos pela doença, tendo ficado em casa, tendo saído para ir à padaria ou tendo sido recolhidos pelo Caminhão Cata Véio.
Num rasgo final de esperteza, o engenheiro descobrirá que o tal achatamento da curva não teria o objetivo de “salvar vidas” e muito menos de proteger os velhinhos. Poderia ter tido, no máximo, o propósito de fazer com que a demanda hospitalar não ultrapassasse, no momento de pico, a capacidade hospitalar instalada.
Porém, se o objetivo do confinamento for só este, o engenheiro esperto mostrará que é muito mais barato (a economia continuará funcionando) construir emergencialmente hospitais de campanha devidamente equipados com leitos e ventiladores mecânicos para atender esse pico de demanda.
Mas, como o nosso engenheiro é super esperto, ele sabe que quando se aproxima do reservatório uma onda de cheia maior do que ele suporta, o procedimento padrão é abrir preventivamente as comportas e jogar logo para baixo toda a água possível a fim de criar um volume de espera para o hidrograma grandão que se aproxima.
Sabendo disso, esse engenheiro super esperto descobre que o melhor seria começar a ocupar a capacidade hospitalar instalada o mais cedo possível e que seria um absurdo deixar leitos ociosos no hospital no período inicial da epidemia, tal como se verifica hoje no Brasil.
Quanto mais cedo o engenheiro abrir as comportas, maior será a sua capacidade de laminar a cheia afluente, ou seja, quanto mais cedo começarem a ser ocupados todos os leitos hospitalares, maior será a capacidade de atendimento final do reservatório; ou seja, do hospital!
Mas, e se não existir uma demanda muito grande para ocupar a totalidade dos leitos hospitalares logo no período inicial?
Ora, pensa o engenheiro esperto, é só aumentar o contágio, já que toda a população vai ter que ser afetada mesmo, um dia, para que a epidemia se extinga, melhor que o seja logo, para ocupar os leitos ociosos e facilitar a laminação da enchente; ou seja, para facilitar o achatamento da curva epidêmica.
E para fazer isso, melhor mandar à população toda sair logo de casa, começar a trabalhar e conviver. Sem gerar prejuízos astronômicos para a economia.
Bem, depois de tudo isso, nunca é demais lembrar daquela máxima militar: “a guerra é importante demais para deixá-la na mão dos civis”. O engenheiro mega esperto dá um sorriso e pensa: a epidemia é importante demais para deixá-la na mão dos médicos!
A análise é perfeita!
Bilhões de reais estão sendo entregues nas mãos de governantes sem nenhum controle.
Não seria mais prudente, inteligente além de mais racional, gastar esses recursos (talvez menos de 20% deles) em leitos hospitalares fixos ou de campanha, para atendimento aos infectados e deixar a economia funcionar?
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