Agência reguladora diz que drenagem em Gaspar ? como saneamento - precisa ter receita própria para sustenta-la. O que Kleber faz está errado e pode levar Samae à falência - Jornal Cruzeiro do Vale

Agência reguladora diz que drenagem em Gaspar - como saneamento - precisa ter receita própria para sustenta-la. O que Kleber faz está errado e pode levar Samae à falência

16/04/2020

Com a saída de Melato da autarquia, nos bastidores se prepara à privatização do serviço de coleta e tratamento de esgoto. Ele foi aprovado para ser público e que se engavetou por nos mais de três anos do atual governo

Samae flerta com a privatização I

A sinuca de bico em que o Samae de Gaspar - até há poucos dias governado pelo mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP - se meteu, poderá estar caminhando para uma solução técnica, financeira e jurídica: a privatização da sua área de saneamento. Praticamente 100% dos esgotos dos 70 mil moradores e empresas daqui param em valas, ribeirões e o Rio Itajaí Açú. A reversão desse tipo de crime contra a saúde, meio ambiente e a cidade começa a ser esboçada nos bastidores, mas negada em público por todos os envolvidos. A privatização é tida como uma janela de oportunidades. Na verdade, seria a única saída mais lógica em uma economia normal; agora, praticamente não há outra com a falência das contas públicas em tempos de Covid-19 e seus reflexos de médio e longo prazos. Quem está esboçando este assunto por aqui já teve contato com experiência no Samae de Blumenau, o atual interino presidente do Samae, Cleverton João Batista, titular da secretaria de Planejamento Territorial. Ele possui conhecimento técnico, experiência neste assunto, entende das manhas pois em Blumenau foi traumática, e teria relacionamentos que poderiam facilitar à aproximação de investidores. Tudo que faltou a Melato.

Samae flerta com a privatização II

O que acendeu a luz vermelha para os “çabios” que orientam o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e antes da Covid se tornar um problema? A inércia de mais de três anos neste assunto contra uma necessidade e contra um Termo de Ajustamento de Conduta assinado com o Ministério Público pelo ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT. Ele deixou projeto pronto e financiamento público aprovado (Santa Terezinha, Sete, Coloninha e Centro), mas que Melato não foi capaz de executá-lo, bem como, o alto endividamento de Gaspar com obras de infraestrutura. Esse endividamento, obrigou Kleber à uma manobra arriscada. Ela começa a dar água na própria Agência Reguladora – a Agir da AMMVI e que deveria se chamar de Pilatos - e pode ser barrada no Tribunal de Contas com sérias consequências e se somar as outras dúvidas apontadas pelo TCE.

Samae flerta com a privatização III

Para driblar à falta dinheiro no caixa da prefeitura, marotamente Kleber – combinado com Melato – repassou ao Samae à obrigação de fazer a drenagem pluvial e rubricada no Orçamento da prefeitura. E sob chantagem política envolvendo moradores de áreas beneficiadas, a Câmara autorizou o Samae a usar 20% das suas receitas para cobrir estes custos. Há pouco, a Câmara aprovou, sob tenso protesto da minoria oposicionista, de que tudo deverá ser pago pelo Samae. Qual o problema? A autarquia não possui receitas para isso. Elas vêm do que é cobrado de serviços e tarifas de água e lixo. Ou seja, quem paga a recolha de lixo e consumo de água, estaria sustentando investimentos e manutenção de algo que não consome ou se beneficie. Aos vereadores do PT que questionaram esta situação, a Agir, oficial e recentemente escreveu: “segundo a lei de saneamento básico, todo serviço deve possuir sua receita própria, sendo arrecadada por tarifa ou taxa, de modo que tenham auto sustentação”.

Samae flerta com a privatização IV

A privatização da coleta e tratamento de esgotos na modelagem que se monta incluiria a drenagem como parte do saneamento em Gaspar. Esta solução resolveria vários problemas: o financeiro, os jurídicos na pendência com o MP, os que virão com o TCE, a possível caracterização de improbidade via TCE, Câmara e MP, e finalmente, a cidade teria uma parte dela coberta pela coleta e tratamento de esgoto, melhorando à qualidade de vida e saúde das pessoas, além da despoluição dos mananciais. Nesta onda, ainda sobraria uma imagem positiva ao que está desgastado no atual governo que vai à reeleição. E na busca de uma saída para aquilo que se embrulha, fica claro que Kleber não confiou a Melato para a execução desse passo fundamental para a cidade ou Melato não teve competência política e gerencial para marcar a sua gestão como pioneira e eficiente. Preferiu ficar com as dúvidas das obras de drenagens da Rua Frei Solano, as quais se apuram numa CPI da Câmara, onde já passou para nela depor e trabalha – com os demais de Kleber  - para que ele não dê em nada. Kleber conta com a reeleição e já finca a bandeira da nova propaganda do próximo mandato. Acorda, Gaspar!

 

TRAPICHE

Recortem e coloquem isso em qualquer lugar para conferir mais tarde. Os políticos são os demônios fora do nosso controle, eleitos e pagos por nós para nos representar e nos defender. Entretanto, eles estão defendendo e armando para os mesmos de sempre.

Houve o Mensalão milionário (PT). Houve Petrolão bilionário (PT, esquerda do atraso e o Centrão feitos pelo PP, MDB, PSDB, PTB, DEM, PR...). Agora haverá o Covidao, trilionário, repito, trilionário, para abastecer à sanha dos políticos, gestores públicos e de coniventes empresários corruptos. Todos usando a desgraça e fingindo que estão salvando vidas de vulneráveis. Tudo orquestrado e validado na Câmara e Senado Federais.

Até o fechamento da coluna, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, lutava para manter intacto o seu salário de R$27.356,69 por mês, que a Câmara corrigiu em plena pandemia no dia 17 de março. É um dos mais alto de Santa Catarina. Maior que o de Blumenau. Kleber mandou dizer aos que pedem exemplos dos políticos, que ele “cortou” cargos comissionados e não os repôs. Isto daria uma “economia” de R$68 mil por mês.

Não é verdade. Primeiro os cargos que ele diz que “cortou”, foram de políticos da sua coligação no poder e que ocupavam para promoção política; eles precisaram sair para exatamente serem candidatos porque assim manda a lei. E tem gente que saiu de uma posição maior e foi para outra menor só para sair mais tarde e continuar mamando do dinheiro público escasso.

Segundo, que esses postos, feitos e talhados para políticos puxadores de votos, como exemplificam os que saíram, tão logo passe essa onda de pandemia, ou a qualquer momento, alegando necessidade, inclusive para composição política para as armações de quatro de outubro, podem ser repostos. É que eles não foram extintos.

Terceiro, já escrevi, o que Kleber diz ser uma economia de R$68 mil é o retrato acabado de quanto se podia ter economizado desde o início do seu governo e não se fez: R$2,7 milhões (68 mil x 40 meses). Esse pequeno exemplo, mostra o tamanho da máquina de votos da prefeitura de Gaspar, onde a reforma administrativa, ao invés de enxugá-la, a ampliou.

Quarto. O único gesto de economizar daqui de políticos, veio e isoladamente do vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, que já foi oposição e hoje é o maior defensor do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. O Projeto de Resolução dele, prevê por dois meses, a redução de 20% dos salários dos vereadores, que também reajustaram no dia 17 de março para R$6.112,94. É pouco, mas é um gesto. O desconto – quando aprovado - vai para o Fundo Municipal de Saúde e lá para ajudar no combate a Covid-19 e ninguém vai fiscalizar isso.

Ilhota em chama I. O prefeito Érico de Oliveira, MDB, que é empresário, assim como o seu vice Joel Soares, PSL, baixou decreto ordenando que todo o ilhotense deveria usar máscaras nos estabelecimentos comerciais. Mandou bem. Ele pode fazer isso. O STF referendou isso na quarta-feira.

Ilhota em chama II. Só que ele disse que a conta deveria ser paga pelos comerciantes, se algum cliente adentrasse ao estabelecimento. Isso ele não pode. No grupo de lojistas uma brigalhada por conta disso.

Ilhota em chama III. Como as lojas de moda íntima e verão vivem de clientes que entram para escolher (provar não pode, por decreto estadual) e saem sem levar nada em quase 80% dos casos, o prejuízo estaria garantido, a começar pelas lojas da própria família do prefeito e vice. Eles podem bancar. Já...

Fedor do lixo. “O tempo passa, o tempo voa e a poupança Banmerindus continua numa boa”. Onde os veículos da Vitaciclo que coletam o lixo por emergência de Gaspar ficam guardados? No estacionamento da Say Muller, a inventada pelo PT de Pedro Celso Zuchi e que está mergulhada em dúvidas por outros municípios.

A sessão virtual da Câmara de vereadores de Gaspar na última terça-feira, bateu um recorde: sete minutos. Também lavou a minha alma: mostrou como esse serviço é falho quando ele precisa funcionar de verdade.

Perguntar não ofende: quem está acompanhando a contratação emergencial da UTI de Gaspar? No governo do estado, a fiscalização colocou o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, de joelhos.

 

 

Edição 1947
 

Comentários

Miguel José Teixeira
20/04/2020 09:45
Senhores,

Maracanaço na política, NÃO!

O "capita", como diz suprema lagosta, finalmente tem o controle. . .da agenda de sua defenestração!

Na ditadura da toga, ditabranda militar não tem vez e o "capita" pode ser decapitado, já, já!

- - -

Até o podre do venezuelano maduro, está à criticar o
atabalhoado capitão zero-zero. . .
Herculano
20/04/2020 05:53
COLUNA INÉDITA

Hoje, segunda-feira, é dia de coluna Olhando a Maré inédita. Ela está longa, ao menos.

Enquanto ela não chega, atualizo a área de comentários com a manchete do dia em que Bolsonaro diz que não vai negociar com ninguém... Será? E Rodrigo Maia, DEM-RJ posa como defensores dos pobres... Será?
Herculano
20/04/2020 05:50
da série: diante de chantagens para se empoderar do Executivo, ou para a inviabilização do atual governo, para gerar perdas econômicas aos brasileiros orquestrados pela maioria dos políticos profissionais instalada na Câmara, Senado e nos governos estaduais, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, endureceu ontem a proposta de submissão incondicional dos congressistas; eles são avalizados pelo Supremo nesses atos de chantagem. Hoje não é 1964, a começar pela imprensa. Ela vai ficar falando sozinha na defesa da suposta democracia que se estabelece nas sacanagens de poucos contra quase todos os pagadores de pesados impostos. Hoje, há um ingrediente a favor de Bolsonaro que afeta a vida e os bolso de todos os cidadãos - menos dos políticos e as castas de servidores públicos nos três poderes e no Ministério Público: a crise da Covid-19. Hoje, as redes sociais, com todos os defeitos, e principalmente os aplicativos de mensagens, serão canais de mobilizações e "esclarecimentos" aos dois lados. Os políticos e os que gozam de eternos privilégios que comem dinheiro grosso dos pesados impostos dos mais pobres, vão perder a batalha da comunicação. Onde isto vai dar? Ai é pagar para ver.

NÃO QUEREMOS NEGOCIAR NADA, DIZ BOLSONARO EM ATO PRó-INTERVENÇÃO MILITAR DIANTE DO QG DO EXÉRCITO

Presidente discursou para apoiadores aglomerados e com bandeiras contra o Congresso e gritos de ataques ao Supremo

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ricardo Della Coletta e Renato Onofre, da sucursal de Brasília

Em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste domingo (19) que "acabou a época da patifaria" e gritou palavras de ordem como "agora é o povo no poder" e "não queremos negociar nada".

"Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. "Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos."

"Todos têm que ser patriotas, acreditar e fazer sua parte para colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder. Mais que direito, vocês têm a obrigação de lutar pelo país de vocês", afirmou Bolsonaro, que tossiu e levou a mão à boca ao final do discurso.

"O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro", disse. "Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para manter a democracia e garantir o que há de mais sagrado, a nossa liberdade", completou o presidente.

A aglomeração diante do quartel-general do Exército foi o ato final de uma carreata em Brasília, feita pelos apoiadores do presidente e com pedidos de intervenção militar, gritos contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, e pressão pelo fim do isolamento social recomendado pela OMS contra a pandemia.

A fala de Bolsonaro e sua participação nesse ato em Brasília, no Dia do Exército, provocaram fortes reações no mundo jurídico e político.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ser uma "crueldade imperdoável com as famílias das vítimas" pregar uma ruptura democrática em meio às mortes da pandemia da covid-19.

"O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos", escreveu Maia. "Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição."

"Não temos tempo a perder com retóricas golpistas. É urgente continuar ajudando os mais pobres, os que estão doentes esperando tratamento em UTIs e trabalhar para manter os empregos. Não há caminho fora da democracia", afirmou.

O governador João Doria (PSDB) disse ser "lamentável" que o presidente "apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5". O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também chamou de "lamentável" a participação de Bolsonaro. "É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia."

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, disse à coluna Mônica Bergamo, da Folha que "só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve". Gilmar Mendes, também do STF, disse que "invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática".

O presidente Nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse que "a sorte da democracia brasileira está lançada" e que esta é a "hora dos democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado liberdade".

A escalada do tom de Bolsonaro ocorre em um momento de isolamento político do presidente. Reportagem da Folha deste sábado (18) mostrou que os adversários de Bolsonaro, e hoje ele os tem em todas as esferas de poder, desistiram de uma acomodação com o presidente.

A avaliação prevalente, ouvida pela reportagem nas cúpulas do Legislativo, do Judiciário e em estados, é a de um paradoxo: a fraqueza política de Bolsonaro só tende a acirrar sua agressividade no embate, o que ocorreu neste final de semana em Brasília.

No sábado, na rampa do Planalto diante da Praça dos Três Poderes, Bolsonaro afirmou que a política de enfrentamento ao novo coronavírus "mudou um pouco" desde a sexta (17) - quando houve a troca de Luiz Henrique Mandetta por Nelson Teich no Ministério da Saúde - e voltou a se queixar de prefeitos e governadores por adotarem medidas de isolamento social.

Bolsonaro também responsabilizou o STF (Supremo Tribunal Federal) por determinar que os demais entes federados têm poder para ordenar o fechamento de comércios. Neste momento do vídeo em que falou aos seguidores, Bolsonaro apontou o dedo para a sede do Supremo, do outro lado da praça.

Só na semana passada, o presidente criticou o STF, sugeriu Maia conspirava para derrubá-lo e ainda agudizou a crise do coronavírus ao demitir seu ministro da Saúde.

O presidente tem negado a gravidade da pandemia e tem promovido passeios e aglomerações em Brasília, ao contrário do que recomenda a OMS. Bolsonaro demitiu Mandetta por discordar de seu posicionamento técnico sobre a pandemia.

Além da gestão Bolsonaro, outros governos que ignoram a seriedade da doença são Turcomenistão, Nicarágua e Belarus.?

Como mostrou a Folha neste domingo, Bolsonaro tem intensificado estratégia de blindagem política para tentar evitar que os efeitos da pandemia sejam usados contra ele na disputa eleitoral de 2022.

O plano consiste, neste primeiro momento, na defesa pública de que o coronavírus se trata de uma adversidade pequena, que não justifica medidas restritivas que podem aumentar o desemprego no país.

A ideia é que, ao se antecipar agora sobre os impactos econômicos que são praticamente inevitáveis, o presidente explore, na corrida eleitoral, a retórica de que a sua postura era desde o início a mais acertada, mesmo que contrariando as recomendações das autoridades de saúde.

CARREATAS PELO PAÍS
Neste domingo, além de Brasília, ocorreram manifestações em diferentes pontos do país, como Salvador, São Paulo e Manaus. Além de ataques ao Supremo e ao Congresso e de pedidos pela volta do regime militar, os manifestantes criticaram o isolamento social, pedindo a volta ao trabalho e a abertura do comércio.

Em Brasília, no ato que teve a participação de Bolsonaro, a volta à normalidade e a reabertura do comércio também estiveram na pauta dos manifestantes.

Além de defender o governo e clamar por intervenção militar e um novo AI-5 - o mais radical ato institucional da ditadura militar (1964-1985), que abriu caminho para o recrudescimento da repressão - os manifestantes aglomerados em frente ao quartel-general do Exército defenderam o fechamento do STF e miraram em Maia.

As carreatas pelo país com apoio de Bolsonaro neste domingo ocorreram no momento em que o número de mortes pelo coronavírus chegou a 2.462 no Brasil. Em 24 horas, foram registrados 115 óbitos pela doença. Os dados foram divulgados neste domingo pelo Ministério da Saúde. Ao todo, são 38.654 casos confirmados.

O ministério, porém, afirma que a tendência é que o número real de casos seja maior, já que apenas pacientes internados em hospitais fazem testes e há casos que ainda esperam confirmação. Reportagem da Folha mostrou que equipes de atenção básica em várias cidades e estados afirmam que tem havido subnotificação.

Já o apoio à quarentena como forma de evitar a disseminação do novo coronavírus sofreu uma queda nas duas últimas semanas, mas ainda é majoritária entre os brasileiros.

Segundo o Datafolha, são 68% aqueles que dizem acreditar que ficar em casa para conter o vírus é mais importante, ainda que isso prejudique a economia e gere desemprego.

No levantamento anterior do instituto, feito de 1º a 3 de abril, eram 76%. A pesquisa atual ouviu 1.606 pessoas na sexta e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Essa queda não se reverteu integralmente em apoio à afirmação contrária, de que vale a pena acabar com isolamento social em nome da reativação econômica. O índice dos que concordam com isso oscilou positivamente de 18% para 22%, enquanto aqueles que não sabem foram de 6% para 10% no período.

Esse debate, visto por especialistas tanto em economia como em saúde como desfocado e politizado, tem pautado as polêmicas envolvendo Bolsonaro.

Depois de minimizar a gravidade da Covid-19, a comparando a uma "gripezinha", o presidente passou a insistir no foco do impacto econômico das quarentenas. No cálculo, está o temor de que a recessão que provavelmente seguirá a emergência sanitária do Sars-CoV-2 solape seu apoio em cerca de um terço do eleitorado.

Em oposição, governadores como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), assumiram a linha de seguir as recomendações internacionais de saúde, priorizando o isolamento.

O resultado é uma queda de braço que marca a organização do combate à pandemia no Brasil e já deixou vítimas políticas no caminho.

Mandetta perdeu o cargo de ministro da Saúde na quinta (16), entre outros motivos, por não concordar com as diretrizes de Bolsonaro sobre o isolamento social.

O Supremo Tribunal Federal interveio e decidiu na quarta (15) que os estados e municípios têm liberdade para impor as restrições que decidirem durante a crise.

Isso contrariou o presidente Bolsonaro, que se queixou de estar de mãos atadas na questão. Ele queria editar decreto obrigando a reabertura do comércio. Manteve esse tom na sexta, quando sugeriu que as pessoas desobedecessem as ordens locais.


AS PROJEÇÕES DO PRESIDENTE

FANTASIA
Tese: Após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, Bolsonaro disse que o coronavírus era "muito mais fantasia" e se tratava de uma "gripezinha"

Realidade: Até o momento, mais de 2 milhões de pessoas foram contaminadas pelo coronavírus e mais de 150 mil morreram por causa da doença no mundo

GRIPES
Tese: O presidente defendeu que outras gripes virais mataram mais do que o total de pessoas que o coronavírus levaria a óbito e que, portanto, não fazia sentido reagir com histeria à pandemia mundial

Realidade: De 2010 a 2019, 1.645 pessoas morreram infectadas no Brasil pelo vírus que causa a gripe nos meses de janeiro a abril. Até agora, o novo coronavírus já provocou mais de 2.000 mortes

CHINA
Tese: Bolsonaro afirmou que os efeitos da pandemia estão superdimensionados e disse que na China, primeiro epicentro da doença, o coronavírus estava "praticamente acabando"

Realidade: O número de diagnósticos da doença tem caído na China, mas na sexta-feira (17) foram registrados 357 novos casos

QUARENTENA VERTICAL
Tese: Na tentativa de evitar que recaia sobre seu governo a culpa por um aumento do desemprego, o presidente defendeu a adoção de uma quarentena vertical (apenas para os grupos de risco da doença) e criticou o isolamento horizontal. "A dose do remédio não pode ser excessiva", disse

Realidade: A maior parte das unidades da federação, no entanto, seguiu a orientação do Ministério da Saúde e manteve o isolamento horizontal

HIDROXICLORIQUINA
Tese: Na tentativa de reverter um desgaste em sua imagem, Bolsonaro passou a defender a prescrição da hidroxicloroquina, usada para tratar o lúpus e a artrite reumatoide, em pacientes em estágios iniciais do coronavírus. A rede bolsonarista chegou até mesmo a apelidar a substância de "remédio do Bolsonaro"

Realidade: As pesquisas científicas apontam que a substância tem demonstrado resultados satisfatórios, mas seu efeito ainda não é conclusivo. Um estudo chinês apontou que a hidroxicloroquina não tem apresentado resultados melhores que os cuidados que costumam ser prescritos para o tratamento da doença

PICO
Tese: Bolsonaro disse no último dia 12 que parecia que o vírus "estava começando a ir embora"

Realidade: Só na sexta-feira foram registradas 217 mortes pelo coronavírus. A previsão do Ministério da Saúde é que o quadro mais agudo ocorra entre maio e junho
Herculano
19/04/2020 19:32
da série: acabou o domingo e o Tribunal de Justiça acabou com a praia dos moradores e visitantes de Balneário Camboriú. Ao prefeito, restou o palanque aos seus, comerciantes e na mídia de que tentou, conseguiu, mas foi vencido pela Justiça e a hierarquia das leis.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DERRUBA DECRETO QUE ABRIU AS PRAIAS DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ, por Dagmara Spautz, de Balneário Camboriu SC, no NSC Total, Florianópolis SC

A desembargadora Denise Volpato, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), acatou, neste domingo, um mandado de segurança apresentado pela Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e derrubou o decreto que liberou o acesso às praias em Balneário Camboriú. A magistrada determinou que o Governo do Estado e as polícias Civil e Militar fiscalizem o cumprimento da decisão e mantenham as praias fechadas, como estabelece o decreto estadual de quarentena.

POLÍTICA

Decretos municipais que "peitam" a pandemia deixaram de lado a coerência

No sábado, o desembargador Guilherme Nunes Born negou um recurso apresentado pela 6ª Promotoria de Justiça de Balneário Camboriú e manteve o decreto municipal. A decisão levou a Procuradoria-Geral do MPSC a apresentar o mandado de segurança.

A desembargadora Denise Volpato considerou que o afrouxamento das medidas de isolamento social pelo município coloca em risco a eficácia da quarentena no Estado. "A aplicação de medidas contrárias ao Decreto Estadual por gestores locais acaba por espraiar deletérios efeitos regionais, podendo criar focos internos de contágio a refletir em ataque à incolumidade pública do estado como um todo", avaliou.
A decisão afirma, ainda, que a Constituição Federal dá aos municípios o poder de "completar lacunas" jurídicas ?" mas não para confrontar o que é estabelecido pelo Estado. Isso significa que as cidades podem ampliar as medidas de promoção de saúde, mas não reduzi-las como fez Balneário Camboriú.

A desembargadora também cita os problemas econômicos e sociais que decorrem da restrição aos exercícios e algumas atividades profissionais. Mas alerta que "no choque entre o direito ao lazer e o princípio de preservação da vida e saúde dos cidadãos", a saúde fala mais alto. "Não se desconhece o prejuízo financeiro e pessoal experimentado por toda sociedade, porém referido revés não pode se sobrepor à vida humana, observado o colapso social do sistema de saúde de inúmeros países (com estrutura igual ou melhor à existente em nosso estado)", afirma.

Por fim, a desembargadora diz que a crise sanitária mundial exige comportamento solidário, para preservação da vida e da saúde de todos. E lembra que os locais que demoraram a adotar medidas mais restritivas de circulação viram uma aceleração na propagação do novo coronavírus. "O estado de calamidade humana experimentado por locais que tardaram a adotar medidas de isolamento igualmente representaria embaraço ao exercício regular de atividades econômicas e de lazer, de modo que, em última análise, é a propagação da doença que impinge danos a grande parte dos cidadãos, organizações econômicas e sociais".

A prefeitura de Balneário Camboriú pode recorrer da decisão. Neste fim de semana, o movimento de pessoas na Praia Central foi intenso. O comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Alexandre Coelho Vieira, disse que a PM, neste primeiro momento, fará a divulgação da decisão judicial e "analisar a situação aos poucos" para avaliar as medidas que serão tomadas.
Miguel José Teixeira
19/04/2020 17:37
Senhores,

"Só papos", Eixo Capital, Caderno Cidades do Correio Braziliense, hoje:

1) "Como você tem dinheiro limitado, você vai ter que fazer escolhas. Vai ter que definir onde você vai investir. Eu tenho uma pessoa mais idosa que tem uma doença crônica avançada e ela teve uma complicação. Para ela melhorar eu vou gastar praticamente o mesmo dinheiro que eu vou gastar em um adolescente que está com problema. O mesmo dinheiro que eu vou investir. É igual. Só que essa pessoa é um adolescente, que vai ter a vida inteira pela frente e outra é uma pessoa idosa, que pode estar no final da vida"

(Ministro da Saúde, Nelson Teich, em vídeo destinado a médicos da área de oncologia)

2) "Parece que instalamos a pena de morte no Brasil para aqueles que são mais velhos e que ajudaram a construir a nossa história. Isso não é desrespeito, isso é desumanidade. Governo que não protege o cidadão não serve para ser Governo"

(Superintendente regional do Sebrae-DF, Valdir Oliveira)

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. . .e. . .dia 21, Brasília comemora 60 anos.
Portanto, entra no grupo de risco. . .

Será que, em algum momento Brasília esteve fora do grupo de risco?
Herculano
19/04/2020 15:30
NO MESMO SACO

Nesta tarde em Balneário Camboriú, um parapente motorizado, desfilou na orla com uma faixa: Fora Moisés/Fora Maia.
Miguel José Teixeira
19/04/2020 11:54
Senhores,

Maracanaço na pandemina, NÃO!

Se levarmos em conta a frase do Teich, "Existe um alinhamento completo aqui, entre mim e o presidente", a frase do General Mourão: "Está tudo sob controle. Só não se sabe de quem" e as atitudes atabalhoadas do capitão zero-zero, conclui-se que:

"o inexperiente ministro alinhou-se ao nada!"

Já, já Nelson Teich estará batendo continência aos zeros-zeros e acabará sendo chamado de "Nerso da Capitinga" (que me perdoe o Pedro Bismarck).

E daí a pergunta que não quer calar:

"Quantos Ministros da Saúde serão substituídos até o achatamento da curva de contaminação do novo coronavírus?

Talvez, seja mais prático substituir o presidente. . .
Herculano
19/04/2020 10:01
DA TRAGÉDIA PARA NOVAS PERGUNTAS, economista, por José Roberto Mendonça de Barros, no jornal O Estado de S. Paulo

Na crise, crescem os segmentos onde a ciência e a tecnologia foram aplicadas

Este é o terceiro artigo desde o aparecimento do novo coronavírus no Brasil.

Vimos que a pandemia se tornou uma ameaça global e provocou a parada súbita no sistema econômico, o que precipitou uma recessão.

Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deu uma ideia da dimensão do problema, que é, sem dúvida, a maior ameaça para a economia mundial desde a 2.ª Guerra. No caso básico, o PIB global cairá 3%, sendo que os números serão muito piores para as economias ricas: -5,9% nos EUA, -7,5% na zona do euro, -5,2% no Japão. China e Índia, os gigantes emergentes crescerão 1,2% e 1,9%, respectivamente. A América Latina vai na mesma direção, encolhendo 5,2%. Um show de horror.

A pergunta é o que acontece no ano que vem, isto é, se a recuperação será rápida ou relativamente lenta. No modelo do FMI, a recuperação será bem significativa, com o PIB global, crescendo 5,8% em 2021.

Tenho grande dificuldade em aceitar essa projeção, uma vez que ela tem como base algumas hipóteses que são heroicas para mim, a começar da ideia de que não haverá uma segunda onda do ataque do vírus. Em segundo lugar, haverá um número enorme de quebra de empresas de todos os tamanhos, em muitos lugares do mundo, especialmente, nos Estados Unidos, onde a dívida corporativa é a maior da história. Em terceiro lugar, o crescimento do desemprego e o grande desarranjo que acontecerá nos orçamentos familiares.

Depois de sairmos de uma experiência tão dramática, colocam-se algumas perguntas a respeito de para onde irá a economia global.

Nesta semana, duas reuniões patrocinadas pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) foram particularmente úteis para ter uma visão do problema. Na segunda-feira, participei de um debate com Demétrio Magnoli e Pedro Malan e na quarta-feira assisti a um belíssimo diálogo entre Fernando Henrique Cardoso e o embaixador Marcos Azambuja. Desses eventos saem quatro grandes questões:

1 - Para onde irá o conflito China / Estados Unidos: serão competidores, adversários ou inimigos?

2 - O nacionalismo e o protecionismo seguirão prevalecendo sobre o multilateralismo?

3 - As cadeias de produção globais vão ou não se reconstituir?

4 - Como as ameaças globais, clima e aquecimento, pandemias, pobreza e migração, serão tratadas?

Naturalmente, a pergunta que se segue é como deverá o Brasil proceder perante essas questões? Minha percepção é que o governo atual nem sequer compreende qual é o problema, especialmente, no Planalto e no Itamaraty.

A parada súbita pegou o Brasil numa situação pior do que a de muitos países, porque não estávamos crescendo, mas tentando juntar as condições para tanto.

Após certa hesitação inicial, o governo foi desenvolvendo políticas que acabaram por cobrir as áreas necessitadas de atenção. A grande questão agora é a execução desses programas até chegar na ponta final.

Entretanto, mesmo com todos esses gastos a queda da atividade será enorme: o FMI projeta -5,3%, o Banco Mundial -5,0% e a MB -4,7%.

É também quase um consenso que o déficit primário será maior do que R$ 500 bilhões e que a relação dívida/PIB subirá para algo entre 85% e 90%.

O pior é que voltaremos após a emergência sanitária à árdua tarefa de reconstruir as condições de retomada do crescimento, mais pobres e num mundo que será diferente.

O governo Bolsonaro não tem mais chances de mostrar um crescimento relevante. Continuaremos numa trajetória medíocre, que vem desde 2014.

A revolução liberal sonhada pela equipe econômica naufragou totalmente. Ela nunca teve mesmo muita chance com um chefe do executivo iliberal.

Apesar de toda crítica de Paulo Guedes à social-democracia, nossa má distribuição de renda é grande o suficiente para não ser ignorada. Imagine o que estaria acontecendo no País se não tivéssemos o Bolsa Família e o SUS.

Em vez da abertura externa, o que vimos foi uma grande coalizão do Ministério da Economia com a Fiesp.

Poucos setores estão conseguindo enfrentar a crise. Os mais relevantes são o agronegócio e a logística, o sistema financeiro, as telecomunicações (que estão suportando o home office em massa, apesar de sua insuficiência), as empresas com plataformas mais sólidas de e-commerce.

A educação a distância, a telemedicina e outros serviços remotos explodiram. Todos esses segmentos têm um enxame de startups em torno de si.

Ou seja, apenas onde a ciência e a tecnologia foram sistematicamente aplicadas na elevação da produtividade, na criação de competências e na inserção no mundo.

Espero que na penosa reconstrução da capacidade de crescer, esses sejam os segmentos com mais voz, em vez das tradicionais corporações que nos dominam.

Aí, teremos mais chances.
Herculano
19/04/2020 09:56
da série: agarrados no poder constroem narrativas para permanecer nele. Tudo é desculpa esfarrapada. Olha só a quem se parecem os nossos políticos de Gaspar e Ilhota que não querem eleições em quatro de outubro. Alguma diferença?

MADURO DIZ QUE PANDEMIA "PõE EM DÚVIDA" ELEIÇõES LEGISLATIVAS NESTE ANO.

Conteúdo de O Antagonista. Nicolás Maduro disse neste sábado que as eleições legislativas na Venezuela, previstas para dezembro, podem não ocorrer neste ano por causa da pandemia do novo coronavírus.

"Não sei se haverá eleições neste ano, porque temos essa prioridade [a pandemia] e hoje seria irresponsável da minha parte dizer que tem que haver eleições", disse.

O ditador venezuelano afirmou ainda que pretende adiar as eleições para janeiro do ano que vem.
Herculano
19/04/2020 08:05
LONGO INVERNO, por Samuel Samuel Pessôa, economista,
Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV) ,

É bem possível que o mundo posterior à pandemia seja pior do que o FMI projeta

A maior diferença da crise atual em relação à crise das hipotecas norte-americana, também conhecida por grande crise global (GCG) e que explodiu em setembro de 2008, é que a atual se iniciou no setor real da economia, enquanto a fonte da CGC foi o forte desequilíbrio nos bancos. Aquela foi uma crise financeira, fruto de regulação deficiente.

Assim, na crise atual os mercados financeiros foram muito menos atingidos do que em 2008. Por exemplo, a queda da Bolsa norte-americana entre janeiro de 2008 e março de 2009 foi de 52%. No evento atual, entre 12 de dezembro e 23 de março, a queda foi de 34%. Por aqui, a Bovespa caiu 60% em 2008, ante 47% no atual episódio.

Se olharmos o impacto sobre as taxas de juros, tanto no mercado de empréstimos entre bancos, também chamado de mercado de moedas, quanto no de títulos de dívida emitidos por empresas com pior qualidade de crédito, a alta no atual episódio foi muito menor do que na crise financeira global.

Apesar de o impacto no setor financeiro ter sido muito menor, aparentemente o impacto na economia real da atual crise é, na melhor das hipóteses, equivalente ao da crise anterior.

Na semana passada, o FMI divulgou suas novas projeções de crescimento econômico. A economia mundial deve recuar 3%, uma piora de cenário, em comparação ao que prevalecia antes do agravamento da crise, de 6,3 pontos percentuais.

No biênio 2008-2009 - lembremos que a crise estourou no fim de 2008 -, o crescimento, com relação à tendência anterior, reduziu-se em 7 pontos percentuais.

Adicionalmente, hoje sabemos que o crescimento da economia no período logo anterior à crise de 2008 era insustentável. A crise, de certa forma, resultou dos desequilíbrios produzidos na década anterior.

Mesmo o cenário básico de FMI, de retração da economia mundial de 3% em 2020, com crescimento de
5,8% em 2021, pode ser muito otimista. Supõe que haverá devolução de boa parcela da perda do ano anterior.

Mas é bem possível que o mundo posterior à pandemia seja pior do que o FMI projeta. De fato, o próprio Fundo considerou outros três cenários, todos eles piores do que o cenário básico. Em todos eles a taxa de crescimento da economia ainda seria negativa em 2021.

Com a informação que temos agora, é muito difícil saber como será o desempenho da economia no período posterior à saída da política extrema de distanciamento social. Em algumas semanas, teremos as projeções para o desempenho da China no segundo trimestre, que poderá dar uma ideia.

Por aqui o Congresso Nacional tem trabalhado. A Câmara aprovou um pacote de ajuda aos estados e municípios. A ideia foi promover um seguro por seis meses em razão da queda de arrecadação de ICMS e de ISS que já ocorre.

Devido ao nosso federalismo truncado - os entes subnacionais não são integralmente responsáveis pelos seus atos, e, portanto, não são autorizados a contrair dívidas -, a União cobrirá parte das perdas.

Pela nova legislação, a União assegurará a receita nominal observada em 2019. O grande risco com o seguro é os estados serem estimulados a conceder desonerações, dado que a compensação será de acordo com a receita observada.

O projeto aprovado na Câmara está na direção correta, mas há espaço para aperfeiçoamento no Senado.
Herculano
19/04/2020 07:59
CUSTO RODRIGO MAIA PARA O PAÍS SUPERA R$1 TRILHÃO

No desabafo na noite de quinta (17), o presidente Jair Bolsonaro fez o seu palpite sobre o "custo Rodrigo Maia" para o Brasil. Só as medidas que ele fez a Câmara aprovar, durante a crise do coronavírus, custarão ao Brasil cerca de R$1 trilhão, segundo estimativa de Bolsonaro. Deve estar certo. A pandemia chegou aqui quando o governo lutava contra os prejuízos provocados por Maia retardando a reforma da Previdência.

CORPORATIVISMO EM ALTA

A desidratação da reforma na Câmara custará ao Brasil R$340 bilhões em 10 anos, a maior parte com mordomias de políticos e servidores.

CUSTO JATO DA FAB

Estão no "custo Rodrigo Maia" as 772 viagens em jatos da FAB desde sua posse na presidência da Câmara, mas os dados são "secretos".

ELE DE NOVO

Maia também foi responsável por não separar economia e política ao manter parada a análise da reforma durante denúncias contra Temer.

HOJE FAZEM FALTA

Em 2017, ano do escândalo da JBS, o prejuízo calculado para o INSS apenas com o adiamento temporário da reforma, foi de R$18,6 bilhões.

PLASMA FAZ PACIENTE SAIR DO COMA E DO VENTILADOR

Os estudos sobre uso do plasma "hiperimune" do sangue das pessoas que se curaram do coronavírus seguem de vento em popa em vários países do mundo como França, Reino Unido e EUA. A notícia mais animadora veio de um americano que estava na UTI há mais de uma semana, mas saiu do coma e passou a respirar sem aparelhos apenas três dias depois de começar a receber as infusões de plasma doado.

RENASCEU

Michael Rathel estava em coma no domingo de Páscoa e surpreendeu a esposa e os filhos ao fazer uma chamada de vídeo na quarta-feira.

ESPERANÇA

A França incluiu 60 pacientes severos no estudo e a China tem relatos de 25 pacientes com "melhoras significativas" três dias após a infusão.

BRASIL IDEM

O Hemorio também começou a realizar estudos sobre o uso do plasma contra a Covid19. A terapia segue o que foi feito contra Ebola e H1N1.

JOGADA ESPERTA

Cresce a revolta, no Nordeste, contra deputados que votaram a favor da "ajuda emergencial" a Estados, na verdade uma jogada de Rodrigo Maia para premiar o governo de João Doria com R$50 bilhões. O deputado Daniel Costa (Cidadania-PE) não para de se explicar em Pernambuco.

MÁSCARAS MINEIRAS

Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) faz os últimos ajustes de um "protocolo de segurança" para decretar uso obrigatório de máscaras em todos os 853 municípios do Estado.

VIGARICE NATIMORTA

Mandaram bem os sete ministros do STF que anularam a liminar de Ricardo Lewandowski, de puro ativismo político, que condicionava os acordos de suspensão de contrato a "aval" de sindicatos. A pelegada assanhada já chantageava as empresas, cobrando "taxa de acordo".

MEDIDAS PRÁTICAS

Moradores de Brasília já recebem telefonemas do Ministério da Saúde, à procura de casos de Covid19. Ouvem-se perguntas gravadas e dicas sobre lavar as mãos, evitar aglomerações, usar álcool em gel etc.

SALVAM VIDAS

Macapá recebeu 10 respiradores consertados pela iniciativa do Senai e montadoras de veículos. O grupo devolveu 194 aparelhos, tem 119 sendo calibrados para entrega, 655 em manutenção e 195 em análise.

CHEIRANDO MAL

A retirada de pauta do Senado, na sexta (17), da MP do Contrato Verde Amarelo, editada para estimular a geração de empregos, exalou odores bem desagradáveis. Deixar caducar nesta segunda-feira (20) essa MP tão necessária na atual crise, adquire contornos de crime de lesa-pátria.

QUEM FATURA

Levantamento da SEMrush mostra que a pesquisa pelo termo "álcool gel" na internet em março atingiu a marca de 1,8 milhão, no Brasil. Em fevereiro, foram 90,5 mil. Já cloroquina teve 1,2 milhão de buscas.

RECORDAR É VIVER

Quando foi deputado, Mandetta emplacou só duas leis e relatou outros três projetos que acabaram aprovados. Um desses projetos batizou o Plenário 16 do Anexo II da Câmara de "Zezéu Ribeiro". Uau!

PENSANDO BEM...

...tanto tempo do noticiário para acompanhar a demissão de funcionário do governo mostra que a crise do vírus já não é mais a mesma.
Herculano
19/04/2020 07:52
da série: aos poucos vai se dando conta que o ex-ministro da Saúde e médico ortopedista, por ser político e boa lábia, Luiz Henrique Mandetta, DEM-MS, era um animador de auditório e um instrumento da mídia, centrão e esquerda do atraso para atingir o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, também perdido nesta pandemia. Na coluna de segunda-feira publico um texto, esclarecedor sobre esta situação.

SEM PROTOCOLO GERAL, ABRE E FECHA PROLONGA ISOLAMENTO E APROFUNDA CRISE

Impacto da Covid-19 será diferente nos municípios, o que tende a provocar ondas de paralisação

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fernando Canzian. Há duas semanas, o governo do Ceará foi um dos primeiros a tentar relaxar a política de isolamento social no país, liberando algumas atividades não essenciais. A decisão durou menos de três horas e foi revogada.

Na quinta (16), o estado informou que 100% dos leitos de UTIs do sistema público estavam lotados. Há fila de espera, e a previsão é que haja 250 mortos ao dia a partir de maio.

Com Fortaleza transformada em um dos epicentros da Covid-19 e os casos se alastrando para o interior, o estado precisará decidir novamente nesta segunda (20) o que fazer com o isolamento.

Sem um protocolo nacional, o efeito "abre e fecha" é hoje o maior desafio de estados e municípios para conciliar a saúde, o isolamento e a economia diante das consequências deletérias da pandemia.

Quase dois meses após a chegada da Covid-19, o Brasil ainda não tem um plano.

Como agravante, a intensidade e abrangência geográfica do impacto do coronavírus será diferente em muitas das 27 unidades da Federação e 5.569 municípios, o que tende a provocar ondas intermitentes de paralisação.

Na Europa, as autoridades já divulgam como regra para relaxar o isolamento observar um período sem a propagação do vírus e a capacidade hospitalar regional.

Nos Estados Unidos, haverá etapas definidas pelo governo central para os estados, que escalonarão os tipos de estabelecimentos que poderão reabrir (primeiro escolas, depois restaurantes, por exemplo) e as pessoas que circularão livremente (crianças e adultos antes dos idosos).

Além da definição desses protocolos, os países prometem multiplicar os testes para a Covid-19 e o uso de máscaras entre a população.

No Brasil, mesmo a questão das máscaras tem sido facultativa, embora haja iniciativas como a de Mato Grosso de aprovar multa de R$ 140 para quem não usar a proteção.

"O fantástico no Brasil é que nada disso sequer está sendo discutido, o que é inacreditável", afirma Armando Castelar, coordenador de economia aplicada do Ibre/FGV.

Desde que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passou a defender a volta indiscriminada dos brasileiros ao trabalho, esse debate foi interditado até mesmo dentro do governo federal, o que acabou levando à demissão do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), na semana passada.

O estado de São Paulo, que também tateia uma saída para o isolamento, decidiu na sexta (17) adiar novamente, até 10 de maio, o fim das restrições de circulação de pessoas e a abertura de negócios.

Mas, em cidades do interior como Indaiatuba e São José do Rio Preto, prefeitos vêm flexibilizando a medida, permitindo atividades em igrejas, salões de beleza, bancas de jornal e óticas.

"Como não há um protocolo nacional, diferentes estados e municípios adotam medidas distintas, o que torna pouco previsível a evolução da curva de casos no país como um todo, dificultando o enfrentamento desta crise", afirma Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo.

No caso paulista, segundo ele, o estado continuará seguindo "dados científicos" para tomar decisões sobre o isolamento.

Só na semana passada o Ministério da Saúde determinou que os hospitais informem em uma plataforma única a lotação de seus leitos de UTI.

Até que essas informações estejam consolidadas, milhares de cidades e centenas de regiões continuarão no escuro sobre a real capacidade de atendimento de sua população.

Menos de 10% dos municípios do país têm leitos de UTI, e sua disponibilidade é muito desigual, tanto regional (maior no Sul e Sudeste do que no Norte e Nordeste) quanto no Sistema Único de Saúde (1,4 leito por 10 mil habitantes) e no setor privado (4,9 leitos por 10 mil segurados).

Em relação aos testes, o Brasil também demorou quase um mês desde a confirmação do primeiro caso de infecção, em 25 de fevereiro, para anunciar compras importantes ?"e a testagem em grande escala nem sequer começou.

Como comparação, Chile e Peru hoje fazem mais testes que o estado de São Paulo em números relativos à população e absolutos.

Quanto mais tempo tardar um plano para a saída do isolamento e os testes, segundo especialistas, maiores serão os impactos sobre a economia e os trabalhadores.

SETOR DE SERVIÇOS

No Brasil, 70% do PIB e dos empregos são gerados no setor de serviços. Neste momento, além de serem as mais afetadas pelo fechamento de uma infinidade de estabelecimentos, grande parte das vagas são informais ?"e seus ocupantes agora dependem da ajuda emergencial anunciada pelo governo de R$ 600 por três meses.

Se essas pessoas não puderem voltar logo ao trabalho, o impacto nas contas públicas também tende a aumentar com o eventual prolongamento da ajuda a elas.

Além disso, mais de 4,7 milhões de trabalhadores no setor de serviços (7,6% do total) têm mais de 60 anos, faixa em que ocorrem cerca de 8 em cada 10 mortes pela Covid-19.

No total, mais de 8% dos trabalhadores no país têm mais de 60 anos, proporção que sobe para 13% na agropecuária.

Nessa área, uma das poucas liberadas para continuar suas atividades quase normalmente, a possibilidade do "abre e fecha" e de paralisações intermitentes também existe.

"Com a epidemia se movendo em direção ao interior, algumas áreas de cultivo acabarão sendo afetadas mais à frente", diz Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio.

Menos dependentes de mão de obra intensiva, plantações de soja, milho e algodão podem não sofrer tanto, o oposto de culturas como feijão e frutas - ?essa última já enfrenta forte paralisação pela suspensão de voos para a Europa e pelas restrições no Brasil.

"Um dos grandes erros do Brasil foi não regionalizar o isolamento logo no início, como fez a China com a região de Wuhan. Quando o pior passar nas capitais e as medidas forem relaxadas, o interior tenderá a seguir o exemplo, antes de atingir o pico de contaminação", diz Alexandre Rands, economista e presidente da Datamétrica, do Recife.

No Nordeste, enquanto havia casos de Covid-19 na capital pernambucana e em Fortaleza, a Paraíba e o Rio Grande do Norte não tinham registros. Mesmo assim, pessoas não testadas das duas cidades viajaram livremente a esses estados, espalhando o vírus.

No Ceará, mesmo com Fortaleza altamente infectada, seus moradores seguem viajando para os municípios do interior e a outros estados. O mesmo padrão se repete em vários estados.

Segundo Flávio Ataliba, secretário-executivo de Planejamento e Orçamento do Ceará, o esforço agora é para ampliar ao máximo os leitos de UTI e seguir as recomendações da área da saúde antes de tomar decisões sobre o isolamento.

Para Fábio Klein, da Tendências, "diante da descoordenação geral" no país, o mais provável é que a reabertura e o fechamento de atividades durante a epidemia acabem ocorrendo em ondas.

Nesse cenário, o economista aposta não em uma recuperação da economia em forma de "V", mas em repetidos "W", refletindo a volatilidade e as diferenças de intensidade com que vários setores sofrerão a crise em momentos distintos.

Segundo Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, na ausência de um plano geral, as próprias empresas privadas têm criado seus protocolos na crise, reorganizando atividades e a segurança no ambiente de trabalho.

Honorato julga ser fundamental o cruzamento dos dados sobre o total de contaminados, a partir de testes, com a disponibilidade de leitos de UTI para decidir sobre protocolos de isolamento.

A falta de coordenação, porém, não se restringe às regras para o fim das restrições nos estados e municípios.

"Ela inexiste também na relação entre o Executivo, a Câmara e o Senado para as medidas de combate aos efeitos econômicos da epidemia", avalia Fernando Veloso, pesquisador do Ibre/FGV. "Com esses conflitos exacerbados, muito mais gente acabará perdendo nessa crise."

Veloso ressalta que, desde meados de 2017, quase todo o aumento do emprego ocorria no precário mercado informal, fato que vinha derrubando tanto a produtividade da economia quanto as chances de um crescimento maior no futuro.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, não haverá como escapar de um cenário de crescimento muito baixo na média dos próximos anos, quando o país tiver de conviver com um endividamento bem superior ao atual - e eventualmente ser obrigado até a aumentar impostos para pagar a conta.

A MB Associados projeta queda de 4,7% do PIB neste ano, mais do que a média de -3,4% no biênio 2015/2016.

"Mas, se tivermos que ficar no abre e fecha de um isolamento intermitente, não é difícil isso cair a 6% ou 7% negativos", afirma Vale.
Herculano
19/04/2020 07:40
SINFONIA DA LOUCURA, por Carlos Brickmann

O criador da Microsoft, Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo, se dedica hoje a distribuir sua fortuna, por meio da Fundação Bill & Melinda Gates. A Fundação paga as pesquisas de um laboratório, o Inovio, em busca da vacina para o coronavírus. Gates criticou o presidente Donald Trump por ter bloqueado a liberação da parcela americana no orçamento da OMS, Organização Mundial da Saúde. Gates, a rigor, não defendeu a OMS, cujo presidente foi eleito com patrocínio da China e onde a China tem poderosa influência; mas disse que este momento de pandemia não é adequado para brigar por dinheiro. Resultado: está sendo ameaçado de morte pela Internet.

Lá e cá: pesquisadores da FIO, Fundação Instituto Oswaldo Cruz, que fizeram um teste com a cloroquina em Manaus, estão sendo ameaçados de morte por ter dito que, num grupo de 83 pacientes em estado grave, tratados com a cloroquina - remédio defendido pelo presidente Bolsonaro - morreram onze. Os pesquisadores são acusados pelos doidos virtuais de ter dado doses altas demais de cloroquina aos doentes. Na verdade, havia dois grupos, um que recebeu doses mais altas, outro que recebeu doses menores. Houve mortes nos dois grupos. Nada que inviabilize a cloroquina, ou sua parente, a hidroxicloroquina, para mais pesquisas com outros remédios associados.

Mas parece que os doidos decidiram que quem não decreta que as duas drogas são a solução está é conspirando para derrubar o presidente.

A CORA DO REI

Frase bem humorada do vice-presidente, general Mourão, ao lhe perguntarem como estava: "Tudo sob controle. Mas não sabemos de quem".

A PALAVRA

Bolsonaro nomeou novo ministro da Saúde, o médico Nelson Teich, que se disse alinhado ao presidente, mas manteve a quarentena. Bolsonaro, logo após a posse de Teich, criticou mais uma vez o isolamento social, criticou de novo os governadores que determinaram a quarentena, disse que as pessoas não devem ficar em casa e que as crianças devem voltar à escola.

OS ALIADOS

O Financial Times, um dos mais importantes jornais do mundo, listou os dirigentes internacionais que compartilham a tese da "gripezinha" defendida por Bolsonaro e se recusam a levar o coronavírus a sério: são Alexander Lukashenko, da Belarus; Daniel Ortega, da Nicarágua; e Gurbanguly Berdymukhamedov, do Turcomenistão.

Detalhe: Ortega, da Nicarágua, é de extrema esquerda, foi guerrilheiro apoiado por Cuba e é aliado de Lula.

AVES QUE NÃO VOAM

Este grupo, Ortega, Lukashenko, Berdymukolamedov e Bolsonaro, é chamado pelo Financial Times de Aliança do Avestruz, baseado na lenda de que avestruzes enterram a cabeça na areia para não ver o perigo (o nome do grupo foi criado no Brasil, por um professor de Relações Internacionais da FGV - São Paulo, Oliver Stuenkel). De fato, avestruzes escondem a cabeça para não ser vistos, já que seu corpo é da cor do solo. Mas confirmam um antigo ditado português: "Quanto mais se abaixam, mais o rabo se lhes vê".

Os portugueses não usam a palavra "rabo", mas um sinônimo monossilábico.

DELIRAR É PRECISO

Encerrado o episódio Mandetta - que, em princípio, deve se preservar para outros voos, evitando filiar-se à oposição aberta ao presidente - o novo adversário de Bolsonaro foi escolhido: Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados. Foi Maia que conseguiu aprovar a reforma da Previdência, o que irrita Bolsonaro desde aquela época: como se atreveu a brilhar mais do que ele?

Maia pode atrapalhar muito os passos do Governo, que até hoje não tem boa relação com o Congresso. Não faz mal: Bolsonaro não vive sem um inimigo para chamar de seu. Diz que Maia - por ter conseguido, em votação massacrante, aprovar um substancial auxílio federal aos Estados, que devido à pandemia perdem boa parte da arrecadação - "está conduzindo o Brasil para o caos". E - textual - "parece conspirar e querer me tirar do Governo". Bateu duro: "Quando você (Maia) fala em diálogo, a gente sabe qual é o teu diálogo, então esse tipo de diálogo não vai ter comigo".

A resposta de Maia é que Sua Excelência o critica para desviar a atenção da saída do ministro Mandetta. Prometeu reagir às pedradas de Bolsonaro "com flores".

ASSEDIO, ESTUPRO E PEDIDO DE PRISÃO

Foi apresentado dia 15 ao Ministério Público de São Paulo um pedido de investigação para apurar crime contra a dignidade sexual de várias mulheres. O possível investigado é psicólogo e se diz líder espiritual, misturando o xamanismo e a Cabala, com uso do chá de Santo Daime. Sua prisão é pedida, já que há vítimas que até deixaram suas casas com medo de represálias. Os fatos ocorreram no Interior de São Paulo e se assemelham aos atribuídos a João de Deus. A denúncia foi levada ao MP pelas advogadas Rossana Leques e Lilia Frankenthal. A questão deve explodir provavelmente nesta segunda.
Herculano
19/04/2020 07:20
Ao Zeca do PP

Você notou que lhe falta argumentos para defender quem notoriamente usou uma autarquia pública para comprovar que não sabe gerenciar executivamente nada?

A melhor fase da vida política do seu pupilo foi ser obediente e cabo eleitoral do deputado João Alberto Pizzollatti Júnior, PP. Lembra disso?
Herculano
19/04/2020 07:16
MANDETTA FRITOU BOLSONARO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O presidente se conduziu de modo leviano e criou antagonismo desnecessário em meio à pandemia

Até a semana passada presidentes fritavam ministros. Desta vez, foi Luiz Henrique Mandetta quem fritou Jair Bolsonaro. Ele saiu maior e o capitão ficou menor. Tendo-se colocado numa posição teatral que ofendeu a ciência e a opinião pública, o presidente abandonou a piada da "gripezinha". Boa notícia.

Bolsonaro fritou-se porque quis. Conduziu-se de maneira leviana e criou um antagonismo desnecessário com Mandetta. Em nenhum país a discussão da calibragem do isolamento, bem como das virtudes da cloroquina, levou a fricções como as que Bolsonaro produziu. (Se Donald Trump pudesse, teria cortado a língua do doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas desde 1984, mas preferiu calibrar seus próprios delírios.)

Podem-se atribuir as falas da "gripezinha" a um estilo próprio de Bolsonaro, mas no último domingo (12), quando ele disse que "parece que o vírus começa a ir embora", lidou com fatos. Até aquele dia haviam morrido 1.233 pessoas, o contágio estava em expansão e, como se esperava, poderia bater a marca dos 2.000 óbitos.

Bolsonaro vive numa realidade paralela. Isso não é de hoje. Em maio do ano passado ele disse o seguinte: "Brevemente, estará sendo apresentado aos senhores um projeto que, com todo o respeito ao Paulo Guedes, a previsão é de termos dinheiro em caixa maior do que a reforma previdenciária em dez anos". Cadê? (Provavelmente, era a ideia de se legalizar o jogo.)

Em fevereiro, Bolsonaro anunciou que iria aos Estados Unidos, onde visitaria uma empresa de militares que lhe apresentariam uma "transmissão de energia elétrica sem meios físicos": "Se for real, de acordo com a distância, que maravilha! Vamos resolver o problema de energia elétrica de Roraima passando por cima da floresta". Não era real, era conversa de maluco, e Bolsonaro foi aos Estados Unidos, mas não visitou a tal empresa. De lá, sua comitiva trouxe apenas 25 infectados pelo coronavírus.

Até a semana passada Bolsonaro cultivou a ideia da "gripezinha". Pode ser que tenha moderado sua fé médica, mas quando a pandemia estiver controlada ele terá no colo uma inédita recessão.

Antes do vírus, ele administrava um pibinho com 12 milhões de desempregados. Depois dele, seu "Posto Ipiranga" está tonto, à frente de um superministério travado, encrencando com o Congresso.

Luiz Henrique Mandetta era uma solução, e Bolsonaro resolveu fritá-lo. Fritou-se. Não se pode saber o que fará Nelson Teich, o novo ministro da Saúde. Ele sabe que Rivotril não resolve, assumiu distribuindo platitudes e revelou que saúde e economia são complementares. (Em outra ocasião, usou a ciência econômica para justificar o descarte dos velhos doentes.)

Teich defendeu um amplo programa de testes para identificar pessoas contaminadas ou imunes ao vírus. Amanhã o doutor poderá telefonar ao seu colega Paulo Guedes para saber o que aconteceu com a proposta de um empresário inglês que há uma semana lhe ofereceu 40 milhões de kits de testes por mês.

NO PAÍS DO FUTEBOL, MOURÃO RECORREU A REGRA DO POLO PARA COMENTAR CRISE

Ao dizer que Mandetta 'cruzou a linha da bola', vice-presidente antecipou que ele seria demitido

Quando o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o ministro Luiz Henrique Mandetta "cruzou a linha da bola" com sua entrevista do dia 12, antecipou que ele seria demitido. O general explicou: "Cruzar a linha da bola é uma falta grave no polo. Nenhum cavaleiro pode cruzar na frente da linha da bola". De fato, o regulamento desse esporte diz que, "se um jogador comete uma falta grave, o juiz poderá aplicar o cartão amarelo ou optar pela expulsão de forma direta, aplicando o cartão vermelho".

Chega a ser pitoresco que no país do futebol, com suas regras elegantes, o general tenha recorrido a um exemplo desse excêntrico esporte. Mourão é um oficial da cavalaria e, no Rio, montava no Centro Hípico do Exército.

Apesar de as tropas dos aliados terem surpreendido os alemães em 1944 porque desembarcaram na Normandia sem trazer cavalos (só veículos), no Brasil os regimentos de cavalaria só adotaram o transporte mecanizado nos anos 1960.

"A tradição hipomóvel" foi mantida, contou Mourão ao repórter Fabio Victor, que o acompanhou numa competição com seu animal, "Ídolo do Rincão". No Centro Hípico havia cinco banheiros-vestiários, o dos generais, o dos oficiais superiores, o dos sargentos e tenentes, o dos soldados e cabos, e o dos paisanos.

Em Brasília, Mourão cavalga "Rincão" no 1º Regimento de Cavalaria de Guarda. No século passado, lá montava o general-presidente João Baptista Figueiredo. Ele contava que não foi para a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial porque não tinha o curso de motomecanização.

Para paisanos, cavalo é coisa cara. Um quadrúpede qualquer pode custar R$ 2.000 mensais. Um cavalo de polo, por baixo, custa entre R$ 5.000 e R$ 10 mil.

O hipismo é uma tradição militar em quase todo o mundo. O general americano George Patton jogava polo, montava um magnífico cavalo branco, mas se celebrizou com seus tanques, desembarcando na Sicília, até entrar na Alemanha, atravessando o rio Reno, no qual urinou.

DE UMA SERPENTE

"Se o Getúlio Vargas tivesse feito com a Força Expedicionária Brasileira o que Bolsonaro faz com os profissionais de saúde, as tropas alemãs teriam desfilado na avenida Rio Branco."

OS TABLETS DE MORO

Como os relógios parados, que estão certos duas vezes por dia, a turma do ódio bolsonarista acertou quando reclamou porque o Ministério da Justiça compraria 600 tablets para que presos tivessem
visitas virtuais de parentes.

A ideia seria aceitável se as pessoas isoladas em UTIs tivessem o mesmo amparo. Afinal, há brasileiros hospitalizados porque acreditaram que a Covid-19 seria uma "gripezinha", enquanto os presos ofenderam as leis.

PERNIL BRASIL

Seja qual for a crise, a turma do andar de cima aproveita o barulho para tirar mais uma fatia do grande pernil em que se transforma a Bolsa da Viúva.

Os produtores de etanol pediram ao governo que estude uma redução nos seus impostos por causa da retração do consumo do combustível.

Tudo bem, mas os produtores de etanol levaram uma pancada do mercado antes da chegada do vírus ao Brasil, quando o preço do barril do petróleo caiu.

BOLSONARO E BRÁS CUBAS

Um observador da conduta de Bolsonaro sugere que ele dê uma olhada nas "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.

Brás havia sido deputado e criou um emplastro que lhe "garantiria a glória entre os homens". Ele seguia os ensinamentos de Quincas Borba, um filósofo doido.
Zeca do PP
18/04/2020 18:54
Senhor Herculano;

O senhor já notou quanto tempo perdeu em falar mal do melhor Presidente do Samae, superou a todos até mesmo os seus correligionários, embora você não reconheça isso, talvez alguma mágoa do tempo de colegas.
Melato agradou a maioria absoluta dos funcionários do Samae (se tiver dúvidas pesquise), sempre teve as portas abertas para suas reivindicações e cumpriu com suas obrigações e deveres, fez mais de 40km de extensão de rede, coisa inédita, deixou projetos de instalar ETAS no Arraial e no Alto Gasparinho, reformou a sede recém inaugurada.
E não tem nada disso de privatização, de tão bom administrador que foi e é assumiu outras obrigações da autarquia, como por exemplo a instalação de redes pluviais e esgoto. E quem falou que Melato perdeu o dinheiro do Saneamento ?
Se informa meu caro, não faça como o PT, mentir, e além de fazer igual, trabalha para o PT
Chega né?
Herculano
18/04/2020 12:54
COMO SOMOS

Em Balneário Camboriú e Itapema, ambas em Santa Catarina, prefeitos fizeram decretos permitindo às pessoas circularem na orla para caminhadas ou práticas esportivas, incluindo o surf, individualmente.

O Ministério Público recorreu e perdeu, no caso de Balneário Camboriú, na primeira e segunda instâncias. O de Itapema inclui à volta das academias.

Mas, aí, as pessoas, por conta própria fazem elas próprias as exceções: tomar sol deitado na areia, prática de esportes coletivos e até quem leve a cadeira para apreciar os passantes e tomar uma gelada, mesmo sendo de grupo risco.

E ai que algum fiscal chame a atenção para a limitação da liberação municipal que ameniza o decreto estadual. Discursos, argumentações e até carteiraços por quem deveria ser o exemplo.

E como os bares da orla estão fechados, alguns só de fachada, eles disfarçam "plantando" clientes nas calçadas em frente de prédios como se fossem moradores e lá, atendem com bebidas e até petiscos.

Resumindo: a lei, especialmente no Brasil, é feita para ser desafiada e desrespeitada. Se até no STF faz da Constituição letra morta para se atender poderosos, políticos e ideológicos, porque decretos municipais do interior seriam respeitados por quem se acha livre da legislação aos comuns?
Herculano
18/04/2020 12:39
AS MANCHETES CONTRADITóRIAS MOSTRAM QUE TRANSPARÊNCIA É A MAIOR VÍTIMA DO CORONAVÍRUS

O jornal Folha de S. Paulo estampa na principal chamada de capa em agradecimento a quem lhe deu audiência no enfrentamento contra o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, sem partido:

Demissão de Mandetta por Bolsonaro é reprovada por 64%, diz Datafolha.

O Uol, o portal do grupo econômico do jornal Folha de S. Paulo, estava à pouco com esta manchete de reportagem exclusiva.

Coronavírus pode já ter matado entre 3.800 e 15,6 mil no Brasil, diz estudo.

1. O ex-ministro da Saúde, o político (ex-deputado Federal pelo DEM-MS) e médico ortopedista, Luiz Henrique Mandetta falhou? Escondeu? Não foi capaz de diagnosticar e apontar os mortos pela Covid-19?

2. É esse o herói da imprensa, dos políticos da esquerda do atraso e do Centrão?

3. Ou as duas manchetes são da mesma cepa, uma muito tardiamente, para reforçar a tese do isolamento e a quarentena horizontal?

4. A falta de transparência é que está matando as pessoas, médicos e cientistas. Ora, sem dados como combater um inimigo que se desconhece o seu real valor contra os vulneráveis? Está na hora de terminar esse Fla-Flu ideológico imbecil, mas travestido de verdades.
SAMAE
18/04/2020 09:03
A coisa no SAMAE tá tão feia que nomearam duas diretoras,somando 10 mil reais mês aos cofres públicos, e a folha do Samae foi tercerizada totalmente a empresa Sênior, e ainda mais pagam funções Gratificadas a servidores para ficar jogando online e pior um só para dormir já que trabalha das 22 as 5:00 sem fazer nada
Herculano
18/04/2020 05:56
BOMBA TRAVADA

Esta é a manchete desta semana: com novo ajuste, Petrobras já baixou preço da gasolina em 40% desde março.

Esta é a manchete que se esconde nos postos de gasolina da região.

Em Gaspar e Ilhota a queda da gasolina nos postos desde março chega no máximo a 25% para os consumidores
Herculano
18/04/2020 05:47
"PESQUISA", AVALIA BEM O GOVERNADOR DEPOIS DA PRESEPADA DO HOSPITAL DE CAMPANHA

A rede NDTV (Record em SC e da família Petrelli), fez uma pesquisa no dia 16 com 1.500 pessoas. A metodologia e os grupos pesquisados não foram divulgados.

A pergunta era a seguinte: "Como você avalia a liderança do governador Moisés frente a pandemia de Coronavírus?

Resultado: 63,2% como ótima e boa; 21,2% como regular e 15,6% como ruim e péssima.
Herculano
18/04/2020 05:41
da série: os divorciados, ou quando a ideologia e o poder impedem o diálogo dos governantes pelos governados

DESFECHO DO HOSPITAL DE CAMPANHA LEVA VICE A TRIPUDIAR NA REDE SOCIAL, por Cláudio Prisco Paraíso

Este texto foi publicada no Instagram da vice-governadora, Daniela Reinehr, logo depois que o governador Moisés da Silva anunciou o cancelamento da dispensa de licitação para a empresa que iria instalar um hospital de campanha em Itajaí. No começo da semana, Daniela havia feito uma postagem detonando o "projeto", o que gerou enorme contrariedade no governador. Ela tentou amenizar depois e agora voltou à carga.

"Quando se tem indícios suficientes de que algo começa errado, a probalidade de um final desastroso é grande o bastante para ligar o sinal de alerta e recuar. Ainda mais numa guerra declarada contra um vírus desconhecido, onde se deve direcionar os esforços para a solução, para a cura. E não dissipar esses esforços com incertezas, pois tempo é vida.

O Governador Carlos Moisés anunciou nesta tarde o cancelamento do contrato de instalação do Hospital de Campanha em Itajaí, que hoje novamente teve uma paralisação judicial. Em Nota à Imprensa recente, prevendo esta ocorrência e solicitando veementemente a transparência e a lisura, a Vice-Governadora do Estado Santa Catarina que já havia solicitado o cancelamento do contrato, via ofício ao governador do estado, defendeu os catarinenses.

A emergência, as leis e normas previstas para licitação neste momento de crise, não podem levar a ações de forma equivocada, que o levará obviamente a contestações dos participantes, lides judiciais que travam a execução do projeto e resulta na inexistência da tutela pretendida que é a prestação efetiva do serviço. É essencial que em cada passo a ser dado neste momento de crise, em que a saúde dos catarinenses é prioridade, que os agentes administrativos se municiem de procedimentos que garantam a lisura de todo o processo de aquisição, e, nos processos futuros, bem como que se avalie todas as opções disponíveis, e é preciso que o Governo de Santa Catarina adote procedimentos elucidativos, que permitam a imprensa em geral e a todos os catarinenses, terem conhecimento de como os recursos estão sendo alocados.

Vale lembrar que nos trouxeram até aqui, com esta proposta e não podemos fugir dela. Temos que dar o exemplo."
Herculano
18/04/2020 05:34
da série: maioria do Supremo barra liminar que fazia farra e principalmente caixa da pelegada sindical na desgraça com acordos emergenciais para manter salários e empregos na crise da Covid-19

SUPREMO DÁ AVAL PARA ACORDO INDIVIDUAL PARA CORTE DE SALÁRIO E JORNADA

Acordos têm efeito imediato e não podem ser alterados pelo sindicato da categoria, independentemente de futura negociação coletiva.

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Matheus Teixeira, da sucursal de Brasília. O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, nesta sexta-feira (17), que empresas podem celebrar acordos individuais de corte de salário e redução de jornada de trabalho com o empregados, conforme medida provisória editada pelo governo de Jair Bolsonaro.

Os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e o presidente da corte, Dias Toffoli, votaram para manter a validade da MP.

Dos 11 ministros da corte, 7 votaram pela constitucionalidade da MP. Dois disseram que as regras são inconstitucionais. O relator Ricardo Lewandowski defendeu o acordo individual, mas determinou que o sindicato poderia alterá-lo via acordo coletivo.

Assim, ficou definido que os acordos têm efeito imediato e não podem ser alterados pelo sindicato da categoria, independentemente de futura negociação coletiva.

Com isso, o Supremo derrubou a decisão liminar

Relator do processo, ele havia determinado que as tratativas diretas entre patrão e trabalhador tinham vigência imediata, mas dava a opção de adesão a acordo coletivo posterior que fosse mais benéfico.

A MP prevê redução de jornada e salário na escala de 25%, 50% ou 70% por meio de acordo individual. Patamares diferentes dessas três faixas exigem negociação com os sindicatos.

Os ministros Edson Fachin e Rosa Weber também divergiram da maioria, mas foram além em relação ao relator e defenderam a declaração de inconstitucionalidade da? norma.

Ficou mantida apenas a exigência da MP para que o sindicato seja comunicado do acordo em 10 dias, mas sem poder para invalidá-lo.

A medida é um dos pontos do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda lançado pelo Executivo federal e permite também a suspensão de contrato de trabalho.

Além disso, estabelece que o corte salarial tem que ser proporcional à redução da jornada de trabalho e pode durar até três meses.

A empresa também tem de se comprometer em garantir a estabilidade no emprego por mais três meses após o fim dos efeitos do acordo.

O ministro Alexandre de Moraes foi o primeiro a divergir de Lewandowski. Ele afirmou que, ao dar a opção de adesão posterior a acordo coletivo, a decisão descaracterizou a norma editada pelo Executivo.

Moraes destacou o acordo individual em meio à calamidade pública é constitucional e constitui ato jurídico perfeito, ou seja, tem todas as consequências imediatas e não podem ser alteradas pela entidade de classe.

Segundo o ministro, o trabalhador terá a opção de recusar a proposta empresarial.

"Obviamente, será uma opção do próprio empregado. Ele pode não aceitar essa redução proporcional. É uma opção lícita, razoável, proporcional que se dá ao empregado. Ele tem o direito de querer manter o seu emprego", disse.

"Essa MP pretendeu e conseguiu compatibilizar valores sociais do trabalho com a livre iniciativa, ou seja, mantendo mesmo que abalada, a saúde financeira da empresa e o emprego", afirmou Moraes.

Fux foi na mesma linha e disse que a Constituição não dá poder para a entidade de classe interferir em tratativas individuais feitas por trabalhadores com seus empregadores.

"O sindicato não pode fazer nada, absolutamente nada que supere a vontade das partes, porque desde priscas eras a transação extrajudicial tem força de coisa julgada. E ainda que possa ser rescindível, só pode ser rescindível pelas pessoas que participaram dessa transação", afirmou.

Fachin, porém, abriu uma nova corrente e votou para dar ainda mais poder aos sindicatos em relação à decisão de Lewandowski.

O ministro afirmou que o trecho da MP do governo deveria ser anulado e disse que não pode haver negociação individual, apenas coletiva, que determine redução salarial.

"Não há espaço para conformação legislativo supressora da convenção ou da negociação coletiva e, no particular, a Constituição, ao estabelecer a participação obrigatória do sindicatos para validade do processo negocial, é reforçada pelas normas da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que foram internalizadas no ordenamento jurídico brasileiro", disse.

Para o ministro, o sindicato não pode ser excluído da negociação.

"A exigência de que a flexibilização de direitos fundamentais sociais, tais como salários, jornadas ou a continuidade do próprio contrato de trabalho, seja feita sob o olhar protetivo do respectivo sindicato da categoria, tem a função de resguardar o empregado", disse.

A ministra Rosa Weber o acompanhou Fachin e chamou a atenção para uma possível sobrecarga da Justiça.

"Em tempos que reclamam por simplicidade, uniformidade e confiança, a arquitetura criada pela medida provisória em verdade, estimula o conflito social e consequentemente a sua judicialização. E deixam desprotegidos exatamente os trabalhadores mais vulneráveis a informalidade", disse.

Barroso, por sua vez, acompanhou a divergência inaugurada por Moraes. Para ele, nesses casos, o mais adequado é a autocontenção do Judiciário. O ministro destacou, ainda, que se trata de uma MP que ainda será submetida à apreciação do Congresso.

"Ainda haverá acerca da medida juízo político a ser feito pelo órgão de representação política do país, inclusive, com margem de negociação e atenuações daquilo que esteja previsto", disse.

Além disso, Barroso questionou a capacidade dos sindicatos brasileiros para participarem de todas as negociações no país.

"A grande heterogeneidade de sindicatos e suas múltiplas deficiências que todos nós reconhecemos exibem, de forma muito visível, uma incapacidade para realizar, a tempo e a hora, no volume que se exigirá, com proficiência e probidade, a chancela de milhões de acordos de suspensão de contrato ou de redução de jornada."

O ministro Gilmar Mendes acompanhou a maioria e disse que o Supremo precisa levar em consideração as consequências econômicas do novo coronavírus.
?
"Importante que nós reconheçamos que o direito constitucional de crise não pode negar validade a essa norma, sob pena de, querendo proteger, matar o doente. E os doentes aqui são muitos, são as empresas, o sistema sistema produtivo e os trabalhadores."

O secretário especial de Previdência e Trabalho do governo Bolsonaro, Bruno Bianco, usou as redes sociais para elogiar a decisão do Supremo.

"Ganha o Brasil. O STF garantiu a vigência da MP 936. Mais de 2 milhões de trabalhadores já têm emprego e renda assegurados por essa medida. Juntos estamos superando todas as dificuldades", escreveu.

Segundo o governo, mais de 2,5 milhões de acordos já foram firmados desde que a MP foi editada em 1º de abril. Até 24,5 milhões de trabalhadores poderão ser atingidos pela medida.

Pelas regras da MP, a redução de 25% está permitida para todos os trabalhadores, independentemente da faixa salarial.

A aplicação da MP em casos que ultrapassarem esse valor ou chegarem à suspensão dos contratos, porém, só pode ocorrer para quem recebe até três salários-mínimos (R$ 3.135) ou tenha vencimento maior que duas vezes o teto do INSS (R$ 12.202,12).

Apesar do corte, o governo se compromete em restituir parte da perda por meio do do seguro-desemprego.

Se a empresa tiver um faturamento de até R$ 4,8 milhões e decidir suspender o contrato de trabalho, por exemplo, o trabalhador receberá o equivalente a 100% do seguro-desemprego a que teria direito de acordo com seu salário.

Empresas com receita maior, porém, serão obrigada a manter o pagamento de 30% do salário e o funcionário receberá o equivalente a 70% do benefício geralmente dado pelo governo a quem não tem ocupação.

O seguro-desemprego de 50% será concedido para reduções de 50% ou menores que 70%; e o de 25% será dado para cortes entre 25% e 50%.

O benefício varia de R$ 1.045 a R$ 1.813,03, e a estimativa do Executivo é que a medida custe R$ 51 bilhões aos cofres públicos.
Herculano
18/04/2020 05:24
OLHA Só ESTA

2% of known recovered patients in South Korea have retested positive for coronavirus, according to the country's Centers for Disease Control and Prevention

Estampa em manchete a CNN International.

Para quem não lê inglês: dois por cento dos pacientes testados que se recuperaram foram positivos quando retestados, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coréia do Sul
Herculano
18/04/2020 05:20
TUDO NORMALIZADO?

Quem passou ontem por Gaspar e Ilhota, encontrou cidade aparentemente normalizadas nas suas atividades, inclusive com "congestionamentos".

O que não funcionava?

O funcionalismo dos três poderes nestas duas cidades, pagos pelos que se arriscavam à normalidade.
Herculano
18/04/2020 05:17
da série: humor negro da realidade pandemia, economia, relação conflituosa entre poderes, e do próprio governo.

MOURÃO: "TUDO SOB CONTROLE. NÃO SABEMOS DE QUEM"
Conteúdo de O Antagonista. Hamilton Mourão deixava a cerimônia de posse de Nelson Teich hoje mais cedo, quando um repórter do G1 perguntou ao vice-presidente:

"Como vai?"

Mourão respondeu:

"Tudo sob controle."

E logo emendou, ensaiando um sorriso:

"Não sabemos de quem."
Herculano
18/04/2020 05:09
GABINETE DO óDIO EM VERSÃO AGRÍCOLA DIFICULTA VIDA DA MINISTRA DA AGRICULTURA, por Mauro Zafalon, na coluna Vaivém das Commodities, no jornal Folha de S. Paulo

Ministra promoveu acertos de mercados na Ásia e fez avançar acordo Mercosul com União Europeia, mas questões ideológicas geram desgastes contínuos
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, está cansada de apagar incêndios. E o fogo vem não apenas da região amazônica mas, principalmente, da mente confusa de membros do governo e até de setores do próprio agronegócio.

Segundo informações de pessoas que convivem com ela no dia a dia, já lhe falta paciência. A saída dela, porém, seria um desastre para o setor que mais pode contribuir para a travessia conturbada do país neste momento de pandemia.

Surge uma versão agrícola do gabinete do ódio, cujas baterias estão voltadas exatamente contra os principais parceiros do agronegócio do país.

Quando se imaginava que o mal-estar causado pelo presidente Jair Bolsonaro nas relações comerciais com chineses e árabes no começo de seu governo fosse coisa do passado, o ódio de determinados setores ligados ao bolsonarismo se mostra ainda mais presente.

Os ataques contra o Irã recomeçaram no ano passado, o quarto principal importador de alimentos do Brasil.

Agora, mais uma vez, voltam-se contra a China, o principal comprador de alimentos do país. O agronegócio brasileiro é responsável por exportações próximas de US$ 100 bilhões por ano.

Para algumas entidades do setor, depois de Bolsonaro demitir do Ministério da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que não era alinhado ao governo, é hora de fazer o mesmo com Cristina, que, na avaliação delas, é ligada à China e defende pouco os interesses do agronegócio brasileiro.

É difícil entender o que se passa. Há um aumento da grita, embora ainda venha de poucos, contra a política atual do Ministério da Agricultura e seus parceiros comerciais. Não se veem reações, no entanto, dos que apostam e confiam na atual política do ministério.

Ou essa maioria dos empresários agrícolas toma as rédeas do setor e faz prevalecer a sensatez, ou a voz exaltada desses poucos vai trazer consequências nefastas para o conjunto do agronegócio.

A China é a bola da vez, e os mais recentes ataques ao país vieram da própria família Bolsonaro e de ministros que nada têm a ver com o setor, como o da Educação - a menos que Abraham Weintraub queira vender as bases do Enem para a China e não esteja conseguindo e daí a revolta.

O ponto básico da discussão, levantado por essas vozes cada vez mais presentes, é que o Brasil precisa se voltar mais para os Estados Unidos e esquecer a China. Muitos dos que se arriscam nessa discussão, porém, não têm a mínima noção da dimensão do agronegócio desses três países.

Uma das propostas, por exemplo, é vender soja para os americanos, e não para os chineses.

Amedronta ainda mais que importantes associações de produtores acalentem essas ideias. Algumas até acreditam que o vírus da Covid-19 tenha sido fabricado pelos chineses para dominar o mundo.

Os ataques dessa minoria estão tomando rumos incontornáveis. Os cartazes com palavrões contra membros do governo chinês e o repúdio a tudo o que vem da China e que vai para lá ocorrem exatamente em um momento em que o Brasil acertou várias arestas comerciais com o país asiático. Essas diferenças se arrastavam por anos.

Os sucessivos lucros dos produtores de soja há vários anos se devem à presença da China no mercado brasileiro. Os chineses entendem que essas manifestações são picuinhas e não são o pensamento da maioria, mas até quando?

Essa discussão inócua, de viés ideológico, joga contra o futuro. Os dados do Fundo Monetário Internacional mostram que a China crescerá 9,2% no ano que vem, um porto seguro, portanto, para as exportações brasileiras.

Alguns números devem ser examinados. O Brasil exportou o correspondente a US$ 16,9 bilhões em alimentos neste primeiro trimestre. A China e Hong Kong gastaram US$ 6,5 bilhões por aqui. Os Estados Unidos, US$ 676 milhões.

Em 2019, os chineses compraram US$ 26,3 bilhões em alimentos

no Brasil. A conta do Irã, o quarto principal na lista dos importadores brasileiros nesse setor, foi de US$ 2,2 bilhões.

É bom o país reduzir a dependência da China e buscar novos mercados, como já vem fazendo na própria Ásia. Essa busca, porém, deve ser orientada por questões comerciais, não por uma anacrônica disputa ideológica.
Herculano
18/04/2020 05:00
RADICAIS DE CENTRO: OS CONSPIRADORES, por Rodrigo Constantino, no site Gazeta do Povo, Curitiba PR

O presidente subiu o tom contra Rodrigo Maia em entrevista na CNN. Disse que ele não é patriota, que conspira contra seu governo. Mexeu com o queridinho da mídia, dos "radicais de centro", dos saudosistas do centão fisiológico, e também da ditadura chinesa, tudo de uma só vez. Ninguém pode negar uma virtude do homem: a coragem.

O duplo padrão de boa parte da imprensa é evidente. Rodrigo Maia ataca presidente sistematicamente, insinua que ele é parte do problema: liberdade de expressão, estadista contra obscurantista irresponsável, líder abnegado; Bolsonaro alfineta Maia, o conspirador do centrão fisiológico: que horror, maluco, e a harmonia entre os poderes?!

"Ain, o Bolsonaro alfinetou o Maia, não pode...". Então que tal ver como o presidente Trump trata a Nancy Pelosi, líder democrata da Câmara?

Trump chama Pelosi de "maluca" e publica um vídeo que ela apagou da conta, em que convocava os americanos de Nova York a visitar Chinatown quando o presidente decretou a suspensão de voos da China, no começo do coronavírus. Pelosi dizia que era "xenofobia" a medida do governo federal, e agora tenta colocar em Trump a culpa pelos casos de morte no estado democrata.

Voltemos ao Brasil: Maia, o queridinho da mídia, ataca até Paulo Guedes: "O ministro Paulo Guedes passa informações falsas em relação à crise de estados e municípios. Ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas".

O alvo dos "liberais", dos "radicais de centro", não é mais apenas Bolsonaro: inclui Guedes também! PG não é sério, gente. Sério, como sabemos, é Rodrigo Maia, o Botafogo... Rodrigo Maia acha que Paulo Guedes não é sério. Já eu acho que quem leva Rodrigo Maia a sério não é sério.

"Essa briga com a federação é em virtude de 2022. O governo usa este momento de crise para tentar enfraquecer aqueles que considera adversários", disse Maia. João Doria, Witzel, Mandetta, Maia: todos são estadistas preocupados apenas com a pandemia e a ciência. Bolsonaro: só pensa em 2022. Ops! Então o que significa isso aqui?

O DEM tem projetos para Luiz Henrique Mandetta. Por ora, segundo a Crusoé, "a ideia é criar um núcleo vinculado à Fundação Liberdade e Cidadania, braço teórico do partido, para que o ex-ministro siga trabalhando em ações de combate ao coronavírus. Ainda não se fala abertamente em candidatura, uma vez que no contexto de uma crise sem precedentes na história recente ninguém arrisca vaticinar nada que ultrapasse três meses. Mas é certo que os planos ultrapassam as fronteiras de seu estado e miram o ano de 2022".

Comentei hoje [ontem] no Jornal da Manhã sobre a postura cada vez mais politizada do ex-ministro da Saúde:

Os "liberais" e "radicais de centro" preferem Maia, Alcolumbre e até Marcelo Freixo a Paulo Guedes, Rogério Marinho, Sergio Moro, pois não suportam o João912300423 que fica xingando todo mundo nas redes sociais. É calibrar muito mal as prioridades! É deixar o ego falar mais alto do que o patriotismo. É perder o senso de proporção...

Lamento, mas quem prefere Rodrigo Maia a Paulo Guedes não pode se considerar um liberal.
Herculano
18/04/2020 04:55
RECONTAGEM

Do ex-deputado Federal Roberto Jefferson, PTB-RJ, no twitter:

A China fez uma recontagem e descobriu que tinha mais 1290 pessoas para acrescentar em sua lista de mortos por Coronavírus.
Se continuarem recontando, com certeza essa lista não vai parar de subir. Tanto a de mortos quanto o número de casos.
Quem acredita nas contagens chinesas?
Herculano
18/04/2020 04:49
da série: o tamanho da emergência que abriu o instinto de irresponsabilidade dos congressistas, governadores e prefeitos, que vai ser tudo isso pago pelos impostos do povo, empobrecido, sem empregos e falidos de uma forma ou de outra. Já os políticos e as castas de funcionalismo público, dos três poderes e do Ministério Público, estarão intactas dos seus empregos, ganhos extraordinários e privilégios.

DEZ ANOS NA UTI, por Julianna Sofia, secretária de Redação da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Guedes entregará ao próximo presidente eleito um rombo
Há um rombo errante nas contas públicas federais neste ano. Segundo cálculos oficiais, já está em R$ 600 bilhões e com tendência a se aprofundar. Frente à catástrofe generalizada provocada pela pandemia na vida das famílias e nas empresas, é mais que aceitável romper os limites fiscais, mesmo com o custo elevado que será apresentado à sociedade brasileira nos anos que se seguirão.

Diante das incertezas sobre o impacto da crise, o governo de Jair Bolsonaro foi obrigado a abandonar uma meta fixa para o resultado primário em 2021 (sem os encargos da dívida). A impossibilidade de projetar o comportamento da arrecadação levou a equipe econômica a ancorar sua política fiscal no teto de gastos --dispositivo que limita o avanço das despesas à inflação.

Espera-se um déficit de R$ 127,5 bilhões para 2022, último ano do mandato de Jair Bolsonaro. Nada mais irônico para um ministro da Economia, de orientação ultraliberal e que chegou a prever zerar o déficit público já no primeiro ano da gestão bolsonarista, não conhecer o azul de perto.

Paulo Guedes entregará ao próximo presidente eleito um rombo ? a ser administrado. Seus técnicos estimam para 2023:"' saldo no vermelho equivalente a R$ 83,3 bilhões e dívida pública a se aproximar de 90% do PIB (Produto Interno Bruto). Profecia realizada, o país terá atravessado um período de dez anos com as contas na UTI - martírio iniciado na administração de Dilma Rousseff em 2014.

Por ora, a estratégia é reforçar o discurso da diligência fiscal e retomar o ímpeto reformista e privatizante quando o mundo superar a crise. Na prática, porém, Guedes e o presidente semeiam uma guerra improfícua com o Legislativo. O clima conflagrado tornará a execução dessa agenda mais difícil no pós-coronavírus. De imediato, medidas emergenciais enviadas pelo Executivo ao Parlamento são submetidas a doses cavalares de anabolizante fiscal.
Herculano
18/04/2020 04:44
IBANEIS ACHA QUE MANDETTA PEGOU 'VÍRUS DA MÍDIA', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), admirava o trabalho desenvolvido pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta "na fase pré-coronavírus", quando reestruturava o atendimento básico de saúde, "mas com a chegada da crise, ele acabou pegando um vírus, talvez o vírus da mídia ou o vírus da política e aí poluiu um pouco o seu trabalho", lamentou. Para Ibaneis, Mandetta demorou demais a sair.

EX-MINISTRO SE PERDEU

Crítico de Mandetta na gestão da pandemia, o governador acha que o ex-ministro se perdeu, apesar do bom trabalho que vinha fazendo.

TODOS SAEM PERDENDO

Em sua opinião, Mandetta sai perdendo nessa crise, "mas perde também o presidente Jair Bolsonaro, pela demora na definição do problema."

PRIMEIRA IMPRESSÃO

O governador do DF teve uma primeira impressão positiva de Nelson Teich, novo ministro. "Ele tem tudo para nos ajudar a sair dessa crise".

DIÁLOGO NECESSÁRIO

Ibaneis pediu ao presidente Bolsonaro que recomende ao novo ministro que converse com os governadores. "Precisamos sair juntos dessa crise".

VÍDEO MOSTRA QUE EX-MINISTRO ERA UM MARQUETEIRO

Para quem divergia publicamente de Jair Bolsonaro, com malcriações que faziam a alegria dos opositores do presidente, Luiz Henrique Mandetta mostrou na saída do cargo que, como ministro da Saúde, foi apenas um marqueteiro: na quinta (16) à noite, um pouco antes de deixar o ministério, ele confraternizou com assessores, com distanciamento zero e abraços apertados, exatamente como criticava em Bolsonaro. No escondidinho do ministério, onde reinou por 15 meses, a máscara caiu.

PROTEÇÃO INEXISTENTE

Não há cuidados contra o Covid19, no vídeo da festinha de Mandetta, cuja gestão "comeu mosca" na compra de máscaras, por exemplo.

Só FAÇA O QUE DIGO

O esperto ex-deputado do DEM-MS deixou o ministério da Saúde fazendo lembrar o velho adágio: "faça o que digo, não o que eu faço".

TUDO MUDOU

Agora, "escanteado" da cena política, Luiz Mandetta ficará longe dos holofotes. A eleição de 2022 está muito distante.

ENGAJAMENTO

As cenas de Mandetta confraternizando em sala apertada do Ministério da Saúde, abraçando assessores, todos sem máscaras, e até cantando, foram vistas por vários repórteres. Mas ninguém divulgou a presepada.

ACERTOU NA VEIA

Em artigo recente, o agora ministro Nelson Teich disse que o problema da polarização entre saúde e economia "é desastroso porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas".

FALTA INFORMAÇõES

Nelson Teich afirmou antes de virar ministro que distanciamento social "é a melhor estratégia no momento". Para ele, faltam informações completas do comportamento, morbidade e letalidade da Covid-19.

NA BAHIA, SERIA PRESO

Na Bahia, o governo do petista Rui Costa determinou que pessoas que estiverem na rua sem equipamentos de proteção individual (EPI), como máscara e luvas, sejam presas. Luiz Mandetta, na Bahia, seria preso.

VÍRUS E PETRóLEO

No início do impacto do coronavírus na economia, umas das principais preocupações era o petróleo. De lá para cá, o tema foi esquecido por quase todos, mas não pela Petrobras, que realizou "coletiva-live" para tratar de ações contra o vírus e o "choque de preços do petróleo".

ATENÇÃO AOS CAMINHONEIROS

Segundo o ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura), com a ajuda do Sest/Senat foram realizados mais de 220 mil atendimentos, a maioria de caminhoneiros, desde o início da pandemia do novo coronavírus.

DINHEIRO NÃO FALTA

Esta segunda marca o Dia do Holocausto, para lembrar vítimas dos nazistas e mártires da II Guerra. A homenagem do Congresso vai se limitar a projeção luminosa. Parece feita apenas "por obrigação".

COMBATE

O Comando Conjunto Sul, por intermédio do 3º Regimento de Cavalaria de Guarda do Exército desinfetou as ruas perto da Policlínica Militar de Porto Alegre para combater a proliferação do coronavírus.

PENSANDO BEM...

...se somar Bolsonaro a Mandetta e dividir por dois der Nelson Teich, terá sido uma boa troca.
Herculano
18/04/2020 04:37
MENOS MORTES, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Queda aguda de homicídios reforça aposta em inteligência, apuração e prevenção

Em meio às sucessivas e lúgubres notícias sobre a pandemia de Covid-19, emerge enfim uma boa nova: o número de homicídios cometidos no Brasil continua a recuar. Mantém-se, assim, a tendência observada a partir de 2018.

Há, sim, o que comemorar. Como assinalou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, houve 10.107 menos brasileiros mortos no ano passado, segundo a classificação de crimes violentos letais intencionais (homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte).

No total, foram 42.201 pessoas assassinadas em 2019. Embora seja a menor cifra da série histórica iniciada em 2015, impõe-se temperar o otimismo com um grão de sal, pois ainda se trata de índice relativamente alto --na casa de 20 mortes intencionais por grupo de 100 mil habitantes.

Existe motivo para regozijo com a estatística saída do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública; por outro lado, será difícil obter consenso sobre a raiz desse desenvolvimento favorável.

Moro dá a entender que resulta da repressão policial, mas há muito se sabe que o recuo na criminalidade é fenômeno multifatorial. Com seu simplismo costumeiro, o presidente Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral reduz a política pública nesse setor à truculência da polícia e ao relaxamento do controle de armas.

Tal discurso mostrou grande apelo nas eleições de 2018. A ele aderiram, em graus variados, governadores eleitos como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), ambos atualmente na oposição à administração federal.

A queda paulatina dos assassinatos já se iniciara, porém, nos primeiros meses do ano retrasado. Naquela altura, a influência do ideário bolsonarista não alcançava ainda feição concreta nas instituições. Muitas são as explicações aventadas por especialistas na área para a mudança de panorama.

Entre as hipóteses, não excludentes entre si, estão melhora na capacitação e no equipamento das corporações policiais, nova dinâmica das disputas entre facções criminosas, mobilização frequente da Força Nacional de Segurança e até fatores demográficos (progressiva diminuição de coortes de jovens recrutáveis pelo crime organizado).

Estudos serão necessários para deslindar as causas. A melhor aposta, porque mais civilizada que a brutalidade policial, privilegia inteligência, investigação e prevenção.
Antonio
17/04/2020 21:22
No Paço Municipal da Prefeitura mais 3 pessoas foram diagnosticadas com coronavírus . Todos que sabem do assunto estão proibidos de Compartilhar essa informação
Samae Inundado
17/04/2020 19:04
Kléber diz esconomizar com a saída dos cinco secretários que saíram pra fazer campanha eleitoral, mas de contrapartida, colocou no Samae duas diretoras para fazer uma mesma função. Ou seja, a diretora que compras que na prática era diretora do RH, não deu conta do recado sozinha, onde foi nomeada esse mês uma nova diretora, agora sim de RH, passando a perna na de compras fazendo está segunda de mera ajudante. E nesse mês de abril, esse RH de duas diretoras, não sabe se quer passar informações corretas aos servidores. O que mais a gente vê pelos corredores do Samae é servidor reclamando sobre o RH. A coisa tá feia mesma. E Kléber diz economizar. Conta outra!
Herculano
17/04/2020 14:33
ENTENDAM A BRIGA ENTRE BOLSONARO E MANDETTA, por Stephen Kanitz, consultor empresarial, autor de artigos especializados em gestão empresarial. Comentário publicado originalmente, na quinta-feira na sua página no Facebook.

A briga de bastidores entre Bolsonaro e Mandetta jamais será retratada corretamente, nunca acreditem num livro de história.

Para entenderem essa briga, primeiro alguns fatos.

O Exército Brasileiro se preocupou com saúde desde o seu início, preocupado que era com seus soldados.

Possuía três dos melhores hospitais da época e criou a Escola de Aplicação Médico-Militar (1910), Escola de Aplicação do Serviço de Saúde do Exército (1921) e a Escola de Saúde do Exército (1933).

Em 1904 o Exército se viu envolvido com a Revolta das Vacinas, contra a varíola, quando a população se revoltou contra a vacinação.

Por isso epidemias e vacinas foram sempre assuntos discutidos entre os nossos militares, mais do que nossos médicos, haja visto.

Os médicos do Exército são também os que mais entendem de malária, em São Paulo nenhum médico jamais viu essa doença.

Mesmo não sendo médico, Bolsonaro teve uma exposição à medicina bem diferente do Mandetta, um ortopedista que praticamente nunca exerceu.

Em março, Trump liga para Bolsonaro perguntando qual era a produção brasileira de hidroxichloroquina, e que ele deveria investigar porque parecia ser um "game changer".

Bolsonaro obviamente consultou os seus médicos do Exército, que ele confia mais e que entendem muito desse remédio e usam direto na Amazônia tratando malária.

Bolsonaro fica animado e repassa essa informação ao seu Ministro.

Mandetta simplesmente descartou, "bobagem", combateu a hipótese a ser testada desde o seu início.

Não sendo médico, Bolsonaro obviamente cedeu.

Mas começa a perceber que há dois tipos de medicina, a do conhecimento do seu exército, e a do político na área da saúde, que começa a ter sonhos mais altos.

Bolsonaro é duramente pressionado também pelo Guedes, que o alerta contra um confinamento exagerado, que poderia parar a economia, quebrar milhares de empresas, e empoçar de vez.

Entre salvar possivelmente 2.000 idosos em situação crítica, e salvar da fome 40 milhões de possíveis desempregados, Bolsonaro não tem mais dúvidas. É necessário fazer ambos .

Bolsonaro passa a ser o único a perceber que o problema não é salvar vidas do coronavírus, mas sim salvar a vida econômica especialmente dos 12 milhões de desempregados, por exemplo.

Que se não acharem emprego não terão mais um ano de vida se morrerem de fome.

O segundo atrito entre Bolsonaro e Mandetta aparece quando surgem as notícias do Prevent Senior, que anima os médicos do Exército e do próprio Bolsonaro.

Bolsonaro volta à carga, e recebe mais negativas.

"São picaretas", retruca Mandetta, "não é uma empresa séria", "são um bando de irresponsáveis", que o Ministro repetiu deselegantemente numa coletiva.

Mandetta sugeriu intervir na Prevent Senior e impedir o uso desse remédio não comprovado, mas que todo médico famoso infectado implorou tomar.

Foi aí que até eu fiquei preocupado.

Fã que eu era da postura segura do Mandetta, até aquele momento.

A Prevent Senior é uma empresa vencedora, case mundial, estudada por administradores hospitalares do mundo inteiro, ensinado na Harvard Business School, que eu confio.

Bolsonaro demorou para ser informado da briga pessoal entre o Mandetta e a Prevent Senior.

Que agora já é conhecida pela maioria da imprensa, calada.

Não somente se sentiu enganado pelo seu Ministro, em detrimento da nação, mas ficou furioso com o despreparo e motivação do seu assessor.

Tornaram a hidroxicloroquina uma batalha política, em vez de uma decisão do paciente à beira da morte e seu médico.

E total descaso para aqueles que não podem ficar um dia sem trabalho.

Em vez de se unirem diante de uma crise, muitos líderes brasileiros estão querendo aproveitar a pandemia para tomar o poder em 2020.

Quando nesses momentos se espera a cooperação de todos, inclusive dos políticos e da imprensa em oposição.
Miguel José Teixeira
17/04/2020 13:05
Senhores,

Ooops. . .retificando termos da postagem abaixo:

Onde se lê:
- campitão, leia-se capitão.

E a partida entre os flamenguistas e vascaínos foi encerrada antecipadamente, de ordem superior.
Miguel José Teixeira
17/04/2020 12:43
Senhores,

Eis a versão "coronavírus" do "toma-lá-dá-cá" ou do "bateu-levou":

"Após Bolsonaro atacar Maia, Alcolumbre dá a PT relatoria de projeto do governo.

- Na Câmara, presidente da Casa coloca para votar PL que tem setor privado e bancos como alvo.

fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/04/apos-bolsonaro-atacar-maia-alcolumbre-da-a-pt-relatoria-de-projeto-do-governo.shtml).

Para nós, burros-de-cargas, essas brigas estão de igual para igual: tanto eles batem como nós apanhamos!

É bom que os zeros-zeros, lembrem ao campitão zero-zero que o collor de mello, quando presidente, virou a cara para o Congresso Nacional e foi defenestrado. . .

A Nação está tão dividida que alguém disse:
- fulano pegou o vírus.
- Êle é flamenguista os vascaíno?
- É vascaíno!
- Tomara q
Herculano
17/04/2020 12:40
Da série: o novo golpe do senador Depvat e da esquerda do atraso junto com o Centrão, contra os mais pobres.

SENADO NÃO VOTA MP DA CARTEIRA VERDE E MARELA DEVE CADUCAR, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

Partidos podem formar maioria para enterrar a proposta
O presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP), acatou uma questão de ordem do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição na Casa, e suspendeu a análise da MP do contrato verde e amarelo.

Com isso, a medida caduca, já que seu prazo de validade termina no dia 20.

O pedido foi endossado também pelo PDT, pelo PSD, pelo Cidadania e pelo PP. O MDB também apoiou, num indicativo de que o senadores não vão votar a questão nesta sexta (17).

O argumento é que o Senado se reuniu para discutir questões sobre a pandemia do coronavírus. E a MP nada teria ver com o assunto.

A proposta gerou polêmica pois reduzia direitos trabalhistas sob o pretexto de incentivar o primeiro emprego.

Ela previa um contrato com duração de dois anos com menores encargos trabalhistas e previdenciários patronais para, em tese, estimular a abertura de novas vagas para o primeiro emprego de jovens de 18 a 29 anos de idade.

O plano incluiria trabalhadores que recebessem um salário mínimo e meio, ou seja, R$ 1.567,50 em 2020.

Poderiam ser contratadas ainda pessoas com mais de 55 anos e desempregadas há mais de 12 meses.

As regras seriam aplicáveis também para o trabalho rural.?
Miguel José Teixeira
17/04/2020 12:08
Senhores,

Da Mônica Bergamo na FSP:

"Remédio secreto de Pontes é pior que cloroquina para Covid-19, diz estudo chinês"

Huuummm. . .será que Marcos Pontes pensa que o MCTIC é a nave Soyuz TMA-7 e que ainda está no espaço sideral?
Herculano
17/04/2020 12:00
A JUSTIÇA ELEITORAL TIROU A LISTA DOS INSCRITOS APTOS A SEREM CANDIDATOS DO AR

O prazo fatal era dia quatro de abril. Depois a própria Justiça Eleitoral pediu até ontem, dia 16, para conciliar e atualizar o sistema. Hoje, ele saiu do ar.

A informação no próprio site do Tribunal Superior Eleitoral, é de que ele volte só no dia 22.

É que com a pandemia da Covid-19, liberou-se e tudo podia ser feito eletronicamente no prazo do dia quatro.
Já à apresentação da documentação legalizando ou regularizando a inscrição, posteriormente.

Valeria a última inscrição registrada no sistema. Ou seja, se você estava no partido A, mas queria ir para o B, bastava fazer isso no sistema, via senha do partido na Justiça, é lógico. A burocracia ficava para trás. E aí abriu-se brecha para os espertos de sempre: os políticos e seus aspones.

Eles andaram entrando no sistema da Justiça, cadastrando gente que não tinha ficha assinada no partido com três objetivos: ampliar o quadro partidário da legenda; habilitar candidatos e vejam só, inviabilizar adversários ou gente resistente a apoiá-los.

Agora, os espertos estão atrás das assinaturas no papel com data atrasada. Uns com lábia, outros com ameaças. E depois é essa gente que diz que vai cuidar do seu dinheiro, vai fazer diferente e representá-lo quando eleito.
Herculano
17/04/2020 08:51
PREVENT SENIOR REDUZIU DE 14 PARA 7 DIAS TEMPO DE USO DE RESPIRADORES

CEO da empresa explicou protocolo

Empresa diz que SUS nunca a procurou

Uso de cloroquina é a partir do 2º dia

Conteúdo do Poder 360, Brasília DF. O CEO da Prevent Senior, Fernando Parrillo, disse nesta 5ª feira (16.abr.2020) que a rede reduziu de 14 para 7 dias o tempo de uso de respiradores por pacientes diagnosticados com a covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

Em live promovida pelo Itaú, Parrillo detalhou o protocolo seguido pelos profissionais da rede para tratar o patógeno. A empresa acredita ter encontrado uma forma de operação eficaz e publica muito do que tem feito (como o protocolo geral para pacientes com covid-19). Já deram mais de 400 altas.

No começo da crise do coronavírus, a Prevent Senior administrava hidroxicloroquina aos pacientes no 7º dia, mas o enfermo continuava entubado por 14 dias. Agora, entrando com o medicamento no 2º dia do diagnóstico, o número de pacientes internados e entubados caiu drasticamente. Neste momento, a Prevent Senior busca aprimorar 1 protocolo no qual não haverá entubação.

O executivo afirmou ainda que a rede está conseguindo diagnosticar covid-19 com antecedência ao fazer tomografia nos pacientes. Identifica 1 padrão de imagens do pulmão e aí já sabe como proceder.

A Prevent Senior não teve nenhum caso de reincidência da doença na sua rede de hospitais. Parrillo analisou estudo de outros países sobre a potencial reincidência da doença e concluiu que há brechas médicas sobre as datas dos exames. Ou seja, não está claro se houve, de fato, reincidência.

Parrillo disse que, apesar dos resultados verificados até aqui pela rede, o SUS (Sistema Único de Saúde) não a procurou para intercambiar informações. A Prevent Senior tem 450 mil segurados, quase todos no grupo de maior risco para a doença."Nós controlamos uma 'cidade'. Para que uma cidade tenha 450 mil pessoas no grupo de risco, terá de ter perto de 3 milhões de habitantes. E se nós conseguimos controlar, por que o setor público não conseguiria controlar?", questionou.

O CEO disse ainda que o número de internações totais dos hospitais da rede está abaixo do verificado em 2019 por causa do cancelamento dos procedimentos eletivos. Disse que foi adotada estratégia de isolamento dos hospitais pois o procedimento é mais seguro. E que mesmo com a críticas do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, manteve a estratégia porque o melhor era realmente concentrar todos os doentes de covid-19 no mesmo local. Mandetta afirmou, em 31 de março, que a unidade da Prevent Senior no Paraíso, em São Paulo, havia "constituído 1 ambiente de transmissão elevada lá dentro".

Parrillo diz ver estabilização da curva de novos casos em seus hospitais. Diz que não precisa de mais leitos para tratar pacientes de coronavírus. A Prevent Senior já começa a voltar com procedimentos eletivos e irá desmobilizar o hospital com 1.900 leitos montado exclusivamente para o combate à covid-19.

Para o CEO da rede, já é possível a reabertura parcial e controlada de serviços não essenciais e o relaxamento das medidas de distanciamento social.
Miguel José Teixeira
17/04/2020 08:48
Senhores,

A primeira impressão é a que fica!

"Você nunca tem uma segunda chance de causar uma primeira impressão."
(Aaron Burns).

Diante desses conceitos e considerando a apresentação chinfrim do novo ministro da saúde, só nos resta desejar-lhe SAÚDE!

E a nós, burros-de-cargas, PACIÊNCIA, muita paciência, pois mudaram o médico do paciente.

Oremos!
Herculano
17/04/2020 08:44
da série: políticos acostumados ao toma lá da cá, vão guerra aberta e sem escrúpulos a quem tem a chave do cofre para retirá-la a credibilidade institucional, política e popular.

"PAULO GUEDES NÃO É SÉRIO"

Conteúdo de O Antagonista. Rodrigo Maia disse:

"O ministro Paulo Guedes passa informações falsas em relação à crise de estados e municípios. Ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas".

Em entrevista à Veja, ele disse também:

"Essa briga com a federação é em virtude de 2022. O governo usa este momento de crise para tentar enfraquecer aqueles que considera adversários. Um ministro disse a um líder de partido que o presidente e a equipe econômica iam trabalhar para não dar dinheiro aos estados de São Paulo e do Rio. Os fluminenses e os paulistas votaram maciçamente no Bolsonaro.

Independentemente de quem for o governador, se não houver a reposição da receita dos estados, haverá colapso".
Herculano
17/04/2020 08:34
ALGUMA COISA FUNCIONA E PREOCUPA. OUTRAS, OS POLÍTICOS ALIMENTAM QUADRILHAS DE GOLPISTAS COM O DINHEIRO DOS PESADOS IMPOSTOS DESTINADOS A POBRES

Aqui em casa há um casal com mais de 65 anos. Na quarta não atendi o 136. O meu aparelho estava em stand by. Ontem, atendi. Minha mulher, mais tarde, também, no número dela. Era uma gravação do Ministério da Saúde listando uma série de sintomas e perguntando se eu tinha um deles para a Covid-19.

Como respondi negativamente, a inteligência artificial, suponho, entendeu e emendou uma série de recomendações para cuidados e o isolamento preventivo.

Se é verdade, alguma coisa funciona. Se é verdade, em algum lugar estou cadastrado como idoso e isso foi usado. Neste caso para o bem. Preocupante, quando isso é usado para aplicar golpes, pois essa base de dados oficial sempre para, como um negócio rentável, em locais de golpes sejam eles informais ou formais.

Esta realidade, mostra como estão errados juízes, promotores, deputados federais e senadores que querem que se pague o auxílio emergencial - todos dos nossos pesados impostos - a quem sequer existe com um CPF, mesmo que irregular e não quer, ou não pode regularizar, por motivos lícitos e ilícitos.

Sugiro que essas excelências, com salários altíssimos pagos pela maioria de pobres que será mais pobre depois da pandemia; que essa casta que se aposenta precoce e com salários integrais pagos pelos impostos da maioria de pobres que será mais pobre depois da pandemia; elite que não sabe o que é BPC e miséria, autorizem descontar de seus próprios altíssimos salários e privilégios pagos pelos impostos da maioria de pobres que será mais pobre depois da pandemia, a ajuda emergencial para os que não podem se identificar para a mínima checagem contra os golpistas de sempre que se fingem de pobres, para deixar os verdadeiros pobres e necessitados longe da ajuda social oficial com o dinheiro dos pesados impostos dos pobres que ficaram mais pobres depois da pandemia. Wake up, Brazil!
Herculano
17/04/2020 08:15
PATRIOTA

De Paulo Filippus, presidente do DEM de Gaspar, no twitter:

Eu estava ocupado aqui e não vi a CNN. Bolsonaro subiu o tom contra Maia? Disse que ele não é patriota? Mexeu com o queridinho da mídia, dos "radicais de centro", dos saudosistas do centão fisiológico, e da ditadura chinesa, de uma só vez?! Corajoso...
Herculano
17/04/2020 08:11
A VOZ DO PT QUE INSTALOU O MENSALÃO E O PETROLÃO COMO "DIALOGO" NO CONGRESSO NA CORRUPÇÃO GROSSA COM O DINHEIRO DOS PESADOS IMPOSTOS DO POVO EMPOBRECIDO

Da Deputada Maria do Rosário, PT gaúcho, no twitter:

O desrespeito de Bolsonaro com @RodrigoMaia é absurdo. Bolsonaro quer o impasse, caos e golpe contra instituições. Incapaz de governar na democracia, quer ser ditador.Ou o Congresso tira Bolsonaro, ou ele vai dar tentar fechar o Congresso. #ForaBolsonaro
Herculano
17/04/2020 08:08
"DIALOGO"

Do presidente da República Jair Messias Bolsonaro, sem partido, declarando guerra contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, DEM do falido Rio de Janeiro.

"O Brasil não merece o que o senhor Rodrigo Maia está fazendo. Péssima atuação. Não estou rompendo com o Parlamento, não. A gente sabe qual o seu diálogo. Esse tipo de diálogo você não vai ter comigo."
Herculano
17/04/2020 08:01
'PACIENTE' TROCA DE MÉDICO: TEICH É O NOVO MINISTRO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta sexta-feira nos jornais brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro decidiu demitir Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde após ouvir o ex-ministro anunciar, em coletiva, que decidira continuar no cargo porque "um médico não abandona seu paciente". A fantasia de Mandetta se desfez com a realidade: não era dele a decisão sobre sua permanência. Nesta quinta (16), o "paciente" desistiu dele. E o substituiu por um médico carioca, Nelson Teich.

FALTOU SUS NA FALA

O novo ministro teria pavimentado melhor sua chegada ao Ministério da Saúde afirmando seu compromisso com o SUS, tema caro na casa.

CONHECIMENTO, TEM

Em seu primeiro pronunciamento, Nelson Teich mostrou segurança e que tem opiniões próprias, apesar de se dizer "alinhado" a Bolsonaro.

SAÚDE NO PALANQUE

Se Nelson Teich devolver ao Ministério da Saúde a conduta técnica que lhe cabe, afastando-o dos palanques, haverá ganho de qualidade.

TECNOLOGIA NA SAÚDE

Chamou atenção a promessa de Nelson Teich de introduzir tecnologia no Ministério da Saúde. Ele é do ramo, dono da empresa Teich Health Care.

NOTICIÁRIO FAZ SEMPRE OPÇÃO POR DADOS ALARMANTES

Em todas as coletivas do governo federal para divulgar dados do avanço do coronavírus no Brasil, o detalhamento sobre mortes foi ignorado no noticiário em razão do apego mórbido de usar o pior dado possível e apostar em recordes de óbitos. O Ministério da Saúde informa que no dia 5 passado houve 98 mortes, o maior número de sempre, mas o noticiário prefere difundir 204 óbitos. O objetivo é garantir audiência e cliques.

QUANTO PIOR, MELHOR

Não morreram 204 pessoas em um único dia. Esse número corresponde ao total de testes cujos resultados ficaram prontos em determinado dia.

VÃO MUDAR

Segundo o Ministério da Saúde, 18% dos óbitos confirmados precisam ter a fase de investigação concluída, incluindo a data da morte.

FILA DE CASOS

Sem os testes rápidos, paciente que morreu em Manaus no dia 10, por exemplo, demora dias até a confirmação de que foi vítima de Covid19.

REI MORTO? VIVA O REI

Bolsonaro se despediu do ex-ministro marqueteiro com estilo. Bolsonaro esperou começar a entrevista de Mandetta para apresentar o novo ministro, no Planalto. A coletiva do ex-ministro ficou às moscas.

COLETIVA VIROU FUMAÇA

A coletiva diária de Rodrigo Maia, sempre na hora do almoço porque a essa hora não há concorrência, só começou às 16h45, quando Mandetta já era. Mas também foi ofuscada pelo anúncio do novo ministro.

COMO UM INTRUSO

Mandetta saiu mal do cargo, convocando entrevista coletiva para um ministério no qual já não tinha o que fazer. Usou instalações públicas para evento particular. Deveria ter usado a sede do DEM, seu partido.

ESCOLHA ELOGIADA

Referência em oncologia no Brasil e no mundo, Paulo Hoff era um dos muitos cidadãos preocupados com a troca de ministro da Saúde a esta altura. Mas elogiou a escolha do colega Nelson Teich.

ACEITA OU CAI FORA

Ao negar indicação para o Ministério da Saúde, Silvio Santos disse o que pensa de Mandetta: "Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono. Ou ele aceita a opinião do chefe ou então arranja outro emprego".

PRIMEIRA MÃO

A indicação do médico Nelson Teich para o Ministério da Saúde foi noticiada primeiro pela TV BandNews, no fim da tarde de quarta (15). Tão logo o oncologista foi convidado para dar um pulinho em Brasília.

ALFINETANDO O 'MITO'

Para a alegria dos opositores de Bolsonaro, Mandetta ousou nos ataques ao próprio chefe. Chegou a citar o Mito da Caverna de Platão, onde quem enxerga apenas sombras acha que está vendo a realidade.

OUVINDO OS BOTõES?

A assessoria de Mandetta informou ontem, pelas 15h30, que ele chegava ao Planalto para "ouvir o seu pedido de demissão", segundo a CNN. Faltou pouco para dizer que o ex-ministro foi lá demitir Bolsonaro.

PENSANDO BEM...

... com Mandetta procurando emprego, Tedros Adhanom (OMS) que se cuide.
Herculano
17/04/2020 07:43
VALE-TUDO NO COMÉRCIO INTERNACIONAL, por Tatiana Prazeres, Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC, no jornal Folha de S. Paulo.

Pirataria moderna e restrição a exportações prejudicam combate à pandemia

Desvio de cargas, apreensão de mercadorias, acordos desfeitos na última hora por ofertas melhores. Com lances de pirataria moderna, o mundo todo disputa no mercado chinês equipamentos de proteção individual, testes e insumos médico-hospitalares para o combate à Covid-19.

Por que na China? Em primeiro lugar, a China é o maior exportador mundial, inclusive de equipamentos de proteção individual (EPIs) - e já era mesmo antes da pandemia. Tinha 42% do mercado internacional de EPIs, como máscaras, luvas, óculos e aventais médicos em 2018, segundo o Peterson Institute.

Além disso, a China aumentou rapidamente sua capacidade de produção desses e de outros itens quando a Covid-19 atingiu o país. Justamente quando o mundo mergulha na crise, a China está saindo dela. Requer menos e tem mais condições de fornecer esses bens agora escassos.

Em segundo lugar, os demais países produtores desses itens médico-hospitalares passaram a limitar suas exportações para privilegiar as necessidades domésticas. Medidas restritivas também são contagiosas. Em 10 de março eram 24 países, agora são mais de 60 que exigem licenças para exportar, limitam a quantidade ou simplesmente proíbem exportações.

Essas restrições podem parecer fazer sentido ?"mas não fazem. Deixam todos piores. Os EUA, por exemplo, acabam de restringir a exportação de respiradores, máscaras e luvas.

Ocorre que o valor que eles importam desses produtos é cinco vezes maior do que o valor exportado, segundo o Peterson Institute. Se os demais países decidirem retaliar e deixar de vender para os americanos, os EUA passarão a ter muito menos desses suprimentos médicos.

As restrições ainda desestimulam investimentos que o setor privado poderia fazer para atender a demanda global. Com isso, a produção desses itens escassos cresce menos do que poderia.

Apesar disso, proliferam-se as restrições. Maior produtor mundial de hidroxicloroquina, a Índia passou a controlar suas exportações do produto. Tentou banir completamente as vendas, voltou atrás, mas segue exigindo licenças.

A China também tem seus controles, passou a exigir certificações para evitar problemas de qualidade, e as encomendas do próprio governo restringem a oferta. Mas, ainda assim, é o lugar onde ainda se consegue comprar neste momento.

Nessas condições, a lei da selva impera. Os principais perdedores são países menos desenvolvidos, sem experiência para realizar diretamente suas importações, sem recursos para disputar compras e sem indústria para produzir localmente.

Mais, como a Covid-19 chegou depois ao mundo em desenvolvimento, apenas agora esses países estão indo às compras. Já é tarde demais.

A lógica do vale-tudo e, em particular, restrições a exportação abalam a confiança no comércio internacional. Todos os países sairão da pandemia mais céticos em relação à possibilidade de importar o que não produzem, mesmo tendo contribuído para o problema ao limitar exportações e, indiretamente, incentivar os demais a fazerem o mesmo.

A sensação de vulnerabilidade gerada pelos episódios de hoje imprimirá sua marca na política comercial dos próximos anos. O mundo pós-pandemia será mais protecionista.

Haverá esforços para diminuir dependência do mercado externo. A eficiência econômica cederá lugar à redundância, à margem de segurança. Como disse Ian Bremmer, ao invés do "just in time", a lógica será a do "just in case".

Segurança de saúde pública passará a ser uma preocupação da política comercial. Do mesmo jeito que países fazem estoques estratégicos de petróleo por segurança energética, ou estoque de alimentos por segurança alimentar, estocarão insumos médico-hospitalares.

O comércio internacional pode dar uma contribuição efetiva no combate a pandemias, afinal, ninguém produz nem vai produzir tudo o que precisa.

O problema é que, agora, não parece haver disposição real para a coordenação de esforços no plano externo. Enquanto isso durar, todos perdemos. É urgente mudar o rumo.
Herculano
17/04/2020 07:31
da série: a verdadeira batalha está começando com o líder de quadrilha que domina os da Câmara? E a turma que quer levar vantagem na chantagem já entrou em capo, inclusive na imprensa que perdeu a referência, o Mandetta.

Esta é uma boa briga. Os brasileiros não aguentam mais os deputados, senadores, com a ajuda irresponsável e fora da lei do STF mandar a conta da crise só para os pagadores de pesados impostos. É o Brasil do fogaréu alimentado pelo álcool da esquerda do atraso que domina os labirintos das instituições e agora se descobre, da ciência. E Bolsonaro foi eleito exatamente para quebrar o modus operandi dessa quadrilha disfarçada de representantes do povo, bem paga, cheia de privilégios e que na crise não fez ainda a sua parte.

SEM MANDETTA PARA SOCAR, BOLSONARO ESMURRA MAIA, por Josias de Souza, no UOL

Como diria Jair, alguma coisa subiu à cabeça de Bolsonaro. Deve ter subido pela escada, pois os raciocínios do presidente têm um fôlego cada vez mais curto. Depois de empurrar Henrique Mandetta para fora do ringue, Bolsonaro achou que seria uma boa ideia comprar briga com Rodrigo Maia.

Bolsonaro irritou-se com o projeto da Câmara sobre o socorro financeiro da União aos Estados e municípios. A irritação tem justa causa. Mas a melhor maneira de resolver o problema é com saliva, não com os punhos. O diabo é que o único diálogo que o capitão admite é aquele em que ele manda o interlocutor calar a boca.

Num instante em que os ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Eduardo Ramos (Coordenação Política) negociavam no Senado um texto alternativo ao que foi aprovado na Câmara, Bolsonaro trocou de passatempo. Não podendo mais socar Mandetta, esmurrou Maia.

Faltou enxergar a diferença entre Mandetta e Maia. No Executivo, o presidente acha uma coisa e, se o ministro discorda, ele manda para o olho da rua. No Congresso, os prepostos do mesmo presidente vão às reuniões, expõem os pontos de vista do governo e são contraditados.

No Planalto, manda quem pode. Nos plenários da Câmara e do Senado, manda quem tem mais votos. O projeto que obriga o governo a cobrir por seis meses as perdas de arrecadação tributária de Estados e municípios passou na Câmara por 431 votos a 70. O governo tenta reduzir a conta e impor contrapartidas a governadores e prefeitos.

Se houver mudança no Senado, o texto retornará à Câmara, que dará a palavra final. Quer dizer: se insistir na troca de socos, o presidente, ultraminoritário, levará uma segunda surra.

Dizer que Rodrigo Maia tem uma atuação "péssima", empurra o Brasil "para o caos" e tenta usurpar os poderes do presidente da República serve para animar a milícia bolsonarista nas redes sociais. Mas não resolve o problema. Ao contrário, magnifica a encrenca.
Herculano
17/04/2020 07:14
COMO JEKYLL E HYDE, MANDETA TAMBÉM CONTRIBUIU PARA VOO CEGO NA CRISE, por Fernando Canzian, no jornal Folha de S. Paulo

Frente à inépcia de Bolsonaro, ministro ganhou ares de herói, mas pasta deu várias derrapadas

Diante da inépcia agressiva do presidente Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta ganhou ares de herói racionalista na condução da crise da Covid-19. Por trás de sua aparente calma e segurança, no entanto, não foram pequenas as derrapadas do ministro da Saúde.

O aspecto mais imperdoável foi a demora em acordar para a necessidade de massificar testes de casos suspeitos. Além de não permitir saber por onde o vírus anda, essa falha custará caro ao país, que estará mais infectado do que poderia quando decidir relaxar o isolamento.

A pasta também foi lenta na mobilização para comprar equipamentos de segurança às equipes médicas e não se moveu para tentar normatizar as regras de confisco desses materiais pelos estados e municípios ?"gerando arbitrariedades em que hospitais chegaram a perder máscaras até para porteiros de edifícios por decisão da Justiça do Trabalho.

O ministério também não soltou uma regra única para as 47,7 mil equipes de agentes de saúde informarem casos suspeitos, levando a uma subnotificação gigantesca. Por último, foi só nesta semana que decidiu criar uma plataforma única onde os hospitais deverão informar a ocupação de leitos de UTI.

Muitos desses aspectos foram levantados antecipadamente por especialistas e em reportagens nesta Folha, mas o atraso nas medidas ainda mantém o país numa espécie de voo cego, e sem que tivesse aproveitado a chegada em câmera lenta da epidemia para acelerar providências técnicas.

O primeiro caso de infecção pelo coronavírus no Brasil foi detectado no dia 25 de fevereiro, de um homem que viajou para a Itália, país que tinha então cerca de 400 casos confirmados e duas dezenas de mortos.

Na época, China e Coreia do Sul já eram modelos acabados em que o Brasil poderia se espelhar para lidar com a crise, fazendo, por exemplo, lockdowns regionalizados e a massificação de testes para casos suspeitos.

A compra maciça de testes pelo Brasil só seria anunciada em 21 de março, quase um mês após o primeiro caso, embora ninguém ainda saiba exatamente onde esses kits se encontram. Como comparação, Chile e Peru hoje fazem mais testes que o estado de São Paulo, tanto em números relativos à população quanto absolutos.

Quando o Brasil entrou em isolamento, ele também atingiu igualmente cidades distantes sem casos confirmados e os grandes centros urbanos ?"de onde pessoas não testadas puderam viajar livremente, espalhando rapidamente o vírus.

Por fim, numa variação de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o ministro médico que desempenhou seu papel de forma irretocável em bons momentos acabou dominado pelo político que se escondia em Mandetta.

Em vez de reforçar sua altivez e técnica e deixar Bolsonaro brincado sozinho com a cloroquina, o ex-deputado federal do DEM entrou no jogo do presidente, com idas e vindas para medir sua força política diariamente.

Quando chamou de "sórdidos" os meios de comunicação no fim de março para agradar Bolsonaro, Mandetta já dava sinais de confundir o seu papel e de subestimar o caráter do presidente, que finalmente acabaria criticado pelo ministro no horário nobre do Fantástico.

Ainda assim, e para a grande sorte de Mandetta, a bomba da falta de testes, das UTIs lotadas e das mortes às centenas agora explodirá na cara de Bolsonaro.
Herculano
16/04/2020 19:22
da série: enquanto tentam preservar os privilégios, o STF mostra que apesar dos altíssimos custos na área de Tecnologia, ela é tão ruim quanto a da Câmara de Gaspar no resultado para a instituição e os cidadãos.

FALHA TÉCNICA INTERROMPE JULGAMENTO POR VIDEOCONFERÊNCIA NO STF SOBRE REDUÇÃO DA JORNADA

Conteúdo de O Antagonista. Dias Toffoli resolveu interromper o julgamento iniciado hoje no Supremo sobre a liminar de Ricardo Lewandowski que garantiu aos sindicatos o poder de rever acordos individuais para redução da jornada ou suspensão dos contratos de trabalho durante a epidemia do coronavírus.

O presidente da Corte relatou problemas técnicos no 'data center' da empresa que viabiliza a videoconferência que passou a ser usada nos julgamentos de plenário pelos ministros.

Ele convocou uma sessão extraordinária amanhã para retomar a análise da ação.

Na sessão de hoje, Lewandowski manteve o voto favorável à participação dos sindicatos, e repetiu que os acordos individuais terão validade desde a assinatura.

O trabalhador, no entanto, poderá aderir a um acordo coletivo mais favorável que eventualmente venha a ser firmado pelo sindicato de sua categoria.

O julgamento será retomado amanhã com o voto de Alexandre de Moraes.
Herculano
16/04/2020 19:12
BOLSONARO NÃO TEVE CORAGEM PARA DEMITIR A CIÊNCIA, por Josias de Souza, no UOL

A boa notícia é que a alardeada coragem de Jair Bolsonaro revelou-se uma estranha qualidade, que lhe foge no momento em que manuseia a caneta. O presidente não teve coragem suficiente para demitir do Ministério da Saúde a ciência. Não conseguiu acomodar no comando da pasta um dos seus amigos aloprados. A má notícia é que o Brasil continua sem saber o que deseja Bolsonaro, finalmente, no gerenciamento da crise do coronavírus.

Até aqui, a troca do ortopedista Henrique Mandetta pelo oncologista Nelson Teich se parece muito com a substituição de seis por meia dúzia. Naquilo que é essencial, o doutor Teich soou bastante parecido com o colega Mandetta.

O novo ministro defende o isolamento social temporário, com uma retomada gradual e planejada das atividades econômicas. "Não vai haver qualquer definição brusca" nessa matéria, ele assegurou em sua primeira manifestação como ministro. Sobre o tratamento da doença, declarou que tudo será feito "de forma técnica e científica". A despeito do timbre parecido com o do antecessor, Teich afirmou que há entre ele ele e Bolsonaro "um alinhamento completo". Faltou definir alinhamento.

O país já conhece o pensamento do presidente. Para Bolsonaro a pandemia é uma "gripezinha". Nada que possa preocupar pessoas como ele, com histórico de atleta. Nenhuma razão para "histeria", já que o brasileiro "um cara que mergulha no esgoto e não acontece nada com ele". Foi escorado nesse pensamento, digamos, anticientífico, que Bolsonaro se converteu em capitão das aglomerações. Veio daí o seu conflito com Mandetta.

Ao anunciar a troca de comando na Saúde, Bolsonaro não pronunciou nada que pudesse ser entendido com uma autocrítica. Disse que "a vida não tem preço". Mas reiterou o falso dilema que contrapõe a prioridade à saúde e a preocupação com a perda de empregos. Continuou terceirizando responsabilidades. Repetiu que "certos governadores" devem se responsabilizar por "eventuais excessos." E reiterou que deseja a volta à normalidade em algum momento. Ora, o mundo deseja a mesma coisa.

Resta agora saber se Bolsonaro abandonará ou não o papel de líder da oposição à estratégia mundialmente replicada de trancar as ruas em casa até que o vírus permita ao poder público equipar seus hospitais para evitar que os infectados se tornem cadáveres. Criar crises é fácil. Desfazê-las é mais complicado. Trocar ministros é simples. Alterar o semblante crispado pela imagem da tranquilidade é algo que, para Bolsonaro, revela-se difícil.
Herculano
16/04/2020 19:07
POR MAIS TÉCNICOS QUE POSSAM SE AUTO-ROTULAREM, POLÍTICOS SÃO BICHOS INCORRIGÍVEIS COM OS RESULTADOS REAIS

De: Carlos Andreazza, editor de livros, e comentarista da RadioBand, no twitter.

Mandetta nunca foi nome capaz de sustentar o discurso de ministério de especialistas. Jamais foi um técnico. Tratou-se de indicação política, sugestão modesta, que Bolsonaro aceitou no escuro - e que só se tornou esse líder por motivo de contraste. Um herói por ser razoável.

Rodrigo Constantino, do site do Gazeta do Povo, Curitiba PR e comentarista da Jovem Pan, foi mais agudo, no twitter:

Moro: técnico; Guedes: técnico; Pontes: técnico; Marinho: técnico. Mandetta: POLÍTICO. E onde foi que deu problema? Exato. Mas a narrativa dos "radicais de centro" é que Bolsonaro o demitiu por "vaidade" ou "inveja". Sério?! Moro sempre foi mais popular e continua lá!
Herculano
16/04/2020 19:02
UM TREM A PROCURA DOS TRILHOS

Esta é a síntese do Instituto Liberal de São Paulo no twitter:

Nelson Teich parece uma boa escolha. Possui um bom currículo, respeito à ciência e não é lunático como Osmar Terra Plana.

O problema é a prática: aguentar olavetes, devotos de remédio sem prova científica, bolsopetistas, lobistas e afins não é para qualquer um.
Boa sorte a ele!
Herculano
16/04/2020 18:57
MANDETTA I

Não vou escrever que estou de alma lavada, porque essa troca não é boa nem para o Brasil, nem para o governo de Jair Messias Bolsonaro, sem partido, mas meus leitores e leitoras souberam o meu posicionamento pela saída dele na coluna do dia 30 de março, uma segunda-feira em:

"Bolsonaro faz um jogo arriscado ou tenta sair da mesmice para não ser engolido pelo establishment. Trump também faria diferente de Bolsonaro se não tivesse uma eleição este ano?"

Qual era o título do artigo secundário da outra segunda-feira, dia seis de abril, fugindo - e muito excepcionalmente - pela segunda vez seguida da minha obrigação de cuidar das coisas da aldeia (Gaspar e Ilhota)?

"Bolsonaro está amarrado nas suas próprias incoerências, ideias radicais e o poder acima de tudo e de todos. Errado ou certo, o governo é um só. É isso que inspira confiança

Tudo tem a primeira vez. Bolsonaro hesitou na demissão do ministro Mandetta que lhe deu um nó. Perdeu o timming. Tudo daqui para frente será prejuízos para serem recuperados, mas sob desgastes".

Pois é. O que aconteceu hoje, sob muito cuidado e desgastes? A demissão do médico ortopedista, deputado Federal pelo DEM-MS, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta.

MANDETTA II

E a esperada, anunciada e negociada saída de Mandetta virou um Fla x Flu, quando tudo já era inegociável. E os que ficaram em cima do muro, apareceram tardiamente. Eu estava lá, fora do meu objetivo da coluna me posicionando muito antes.

Hoje, um ex-executivo empresarial, depois do acontecido, cutucou-me achando que eu estaria no time dos defensores da permanência de Mandetta no governo de Bolsonaro pela suposta exclusiva competência dele.

E eu retruquei com uma intervenção que fiz num post do deputado Federal Kim Kataguiri, DEM-SP, no twitter em que tacho de irresponsável a demissão de Mandetta.

"Pode ser até irresponsável,mas um governo é um time. Bolsonaro foi eleito para romper os acertos entre os mesmos do establishment e do mainstream.

E Mandetta, um deles (establisment), em público,queria enquadrar o técnico do time.

E não era pa Bolsonaro não errar, mas para mostrar que a fera era um gatinho".

E completei, na troca de mensagens: "Então empatamos. Afinal, o ambiente corporativo também não é para amadores". E disso, entendo como poucos deste a década de 1970.

Comi muita coisa fria por resultados coletivos de médio e longo prazo, tudo na ribalta fazendo luzes para os outros. Afinal, não existe ator, sem escritor, diretor, produtor... que fazem muito mais pelo sucesso de quem está em cena.

E político, é o único bicho que não admite ribalta. Precisa sempre de iluminação especial e não admite coadjuvante que lhe possa fazer sombra ou comparação. E muitas vezes, para piorar tudo, escolhe ou aceita fracos diretores, produtores e textos medíocres.

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