Até agora, Kleber não disse como vai improvisar mais uma vez o transporte coletivo para os trabalhadores, estudantes e desempregados de Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Até agora, Kleber não disse como vai improvisar mais uma vez o transporte coletivo para os trabalhadores, estudantes e desempregados de Gaspar

29/05/2020

O novo improviso de Kleber I

A liberação da volta do transporte coletivo em Santa Catarina é questão de horas. Ele foi interrompido pelo governador no dia 18 de março - coincidentemente nos 86 anos de emancipação de Gaspar. E se mostrou na prática, uma das medidas mais acertadas e eficazes contra a propagação do Covid-19 entre nós. Quando este tipo de serviço voltar às demais cidades catarinenses, Gaspar possivelmente estará sem este essencial meio mobilidade urbana para os trabalhadores, desempregados, estudantes e mais pobres. Os que não podem comprar bicicleta, moto ou carro, pagar aplicativos ou taxi. Vergonhoso. Ele já era feito de forma precária pela Caturani. Apesar da passagem ser a mais cara da região, com serviço ruim, reclamar das supostas concorrências não fiscalizadas pela prefeitura e ter adquirido conhecimento para disputar licitação em municípios como o nosso, a Caturani não quis papo nenhum com os nossos gestores e políticos. Fechou as portas e foi embora daqui.

O novo improviso de Kleber II

Mais uma vez foi para o saco as invenções marqueteiras de eficiência e do prefeito, com sua equipe de “çabios”, estarem à frente do seu tempo. O governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP e do prefeito de fato, o secretário Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, MDB, onde está pendurada via a Ditran a tal diretoria de Transporte Coletivo, com Salésio Antônio da Conceição, tiveram quase três anos e meio para resolver este assunto. Ele nasceu com quem trouxe o transporte coletivo para a cidade, o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, em 2002, ganha pela Viação do Vale. Ela nunca cumpriu todas as exigências da licitação e saiu daqui atirando antes expirar o contrato. E por que os gasparenses estarão sem transporte coletivo? Não só porque a Caturani se foi, mas porque não apareceu ninguém na licitação mal armada por Kleber. Era um edital no século 21, com regras do século 20 feito para encher as burras da endividada prefeitura. Achou-se que nas empresas especializadas neste assunto, não se tinha capazes para fazer contas contra os prejuízos certos. Interessados tinham sim, mas não dispostos a perder dinheiro.

O novo improviso de Kleber III

Por isso, arma-se um novo improviso contra a cidade e os cidadãos. Cobrado na Câmara pelo vereador Cícero Giovane Amaro, PL, o líder do governo Kleber, o vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, disse que a “prefeitura” já está “conversando” com empresas, para, vejam só num governo de eficiência, jovem e que está supostamente na propaganda à frente do seu tempo, provisoriamente executarem mais uma vez esse serviço por aqui. Até parece intencional. Vocês acham que eu exagero e que se trata de mera implicância? Então deixa eu copiar e colar o que já estampei como títulos estendidos das minhas colunas passadas. No dia 18 de novembro do ano passado escrevi isto ao constatar que ninguém quis vir para Gaspar fazer o transporte coletivo: Qual era mesmo o título da coluna do dia 28 de outubro deste ano em que eu mostrava o resultado de outras colunas sobre o mesmo tema, as quais antecipavam um desastroso desfecho e a realidade contra os humildes, depois de ver uma audiência pública sobre o assunto esvaziada em algo tão essencial para a cidade, os cidadãos e os poderosos que se dizem serem os salvadores da cidade e do povo humilde? Pois eu os repito a seguir texto de novembro que se referia a outubro do ano passado, sem que tenha consultado qualquer bruxo, mago, cartas, bola de cristal... Estava na cara de todos, menos do governo e dos políticos daqui?

O novo improviso de Kleber IV

“Todos em sepulcral silêncio desde o dia 22 naquilo que lida com a integração e a mobilidade da cidade para os trabalhadores e estudantes. E tudo continuará precário. Incrível! A licitação para a concessão do transporte coletivo de Gaspar ficou novamente deserta. Ninguém apareceu para encher as burras da prefeitura nos R$174 milhões que ela queria por 20 anos. Pudera. Era algo com cheiro de mofo e dúvidas. Estava escrito que ninguém queria. E completava: “E qual a razão disso. Premonição? Um jogo para dar tudo errado e a população mais carente pagar o pato? E ela pagando pela incapacidade dos gestores, serem eles punidos nas eleições do ano que vem? Pergunto sete meses depois: o escrito aparenta não ter sido digitado esta semana? E depois sou eu quem implico! Acorda, Gaspar!

 

TRAPICHE

O prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB e o vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP, “comemoraram” a manchete oficial desta quarta-feira: “CPI da Frei Solano termina com vitória do governo”. Entretanto, os leitores e leitoras desta coluna – a cidade inteira e os próprios autores da CPI – já sabiam desse resultado desde dia nove de dezembro do ano passado. Uau!

Alguma dúvida? Releiam àquela coluna e as demais. Aliás duas coisas incomodaram o poder de plantão. Primeiro, foi a transparência que a CPI ganhou nesta coluna, a perseguida, a censurada, a desqualificada. O assunto sempre foi tema das edições das segundas-feiras no portal do Cruzeiro do Vale, o mais acessado. Tudo porque houve “desinteresse” nos demais veículos.

A segunda, é que a “vitória” que se garganteia, ela é apenas resultado de uma manobra regimental, legal, feita para o governo Kleber ter a maioria na CPI – explicado naquela coluna de dezembro – e assim esconder o que não está à vista de todos. Façam uma pesquisa sobre o que a cidade pensa sobre isso!

E é essa “manobra” que está lhes desgastando. Ela pode impregnar o ambiente político eleitoral. O governo Kleber usou a credibilidade do vereador Francisco Hostins Júnior, MDB, para mitigar os danos. Hostins, por outro lado, sabe muito bem dos riscos que está correndo ao defender o grupo de Kleber neste assunto.

O PSL e o Patriotas de Gaspar descobriram nas lives que estão fazendo que a arrecadação de Gaspar caiu 60%; que o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, endividou o município como poucos e apesar de toda a crise e riscos, continua sendo uma máquina de votos empregando cabos eleitorais. Perguntar, não ofende: mas, isso não nasceu agora? Esta coluna é prova disso.

Com tanta prioridade, reclamando-se da queda de arrecadação e crise econômica, a prefeitura de Gaspar lançou edital para comprar meio milhão de reais de grama. Meu Deus!

Até o fechamento deste texto, a UTI emergencial do Hospital de Gaspar – que só esta semana completou o seu décimo leito – continuava esperando pacientes graves da Covid-19; o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, mantinha intacto o seu salário de R$27.356,69; os vereadores “ainda” analisavam se reduziam só por dois meses seus salários; e a máquina eleitoral de comissionados continuava a ser azeitada nas nomeações.

Enquanto isso, os prefeitos com medo de perder a reeleição, resolveram se esconder sob o manto da Federação Catarinense de Municípios – Fecam – presidida por Saulo Sperotto, PSDB, de Caçador. Pediram o prolongamento dos seus mandatos por mais dois anos. E agora vão pressionar os deputados federais e senadores. O novo presidente do Superior Tribunal Eleitoral, Luiz Roberto Barroso, já avisou que quer eleições este ano. Mas...

O ex-vereador, o ex-servidor municipal, engenheiro civil e professor universitário, antes do do IFSC, Rodrigo Boeing Althoff, é o novo presidente do PL de Gaspar. Bernardo Leonardo Spengler Filho, o vice, e Márcio César que “rejuvenesceu” e “reoxigenou” o partido em Gaspar, é o secretário na nova composição. Ela ainda tem Josemar Havestain, na secretaria geral, Daniel Fernando Cardoso na tesouraria e os históricos do partido, Ivo Duarte e Odilon Luiz Áscoli como vogais.

Rodrigo já foi Diretor de Habitação e Planejamento de Gaspar. Oficialmente já foi filiado ao PFL e PV. Ele é ligado ao grupo do deputado Ivan Naatz. O líder do PL em Santa Catarina, o senador Jorginho Mello, já trabalhou em Gaspar como gerente do então BESC.

No PL de Gaspar se inscreveram por exemplo, gente como o atual vereador Cícero Giovane Amaro, o suplente Alexandro Burnier, a ex-vereadora Andreia Simone Zimmermann Nagel, o comunicador Miro Sávio, o empreendedor Jean Carlos Grimm, a educadora Viviana Maria Schmitt, o ex-vereador mirim Alisson Berkembrock, entre outros.

 

Edição 1953

Comentários

Herculano
01/06/2020 07:19
HOJE É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA, DAQUI A POUCO

Ela é extensa. há vários temas. Entre eles, o da CPI da Frei Solano. Eu sei que já terminou essa apuração, mas é preciso esclarecer mais. Acorda, Gaspar!
Miguel José Teixeira
31/05/2020 19:14
Senhores,

Há 50 anos, comemorávamos o histórico TRI, defronte às "Lojas Zadrosny", na XV com a Nammy Deecke!
Parece-me que foi ontem. . .

PARABÉNS AOS MAIORES CRAQUES DE TODOS OS TEMPOS!

"Noventa milhões em ação
Pra frente, Brasil
Do meu coração

Todos juntos vamos
Pra frente, Brasil
Salve a Seleção!

De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração!

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção!

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção!"
(Miguel Gustavo)
Miguel José Teixeira
31/05/2020 18:38
Senhores,

Em Brasília, 10 é nove horas (2):

No UOL: "Bolsonaro sobrevoa ato contra o STF, acena e anda a cavalo"

Então, segundo o "Pancrácio" (alberto fraga, futuro estafeta da Segurança Pública a ser desmembrada da Justiça, que deverá ter como estafeta o ramagem):

O "cavalão" andou à cavalo!

E os bolsominions? Relinchando de faceiros!

E a pandemia? Mero detalhe!
Herculano
31/05/2020 18:27
VIDA ESCOLAR REMOTA, por Roseli Sayão, psicóloga, no jornal O Estado de S. Paulo

Muitas famílias estão perdidas nessa situação; escolas também, já que nem sempre elas se lembram que não dá para oferecer o mesmo ensino anteriormente planejado e cobrar a mesma aprendizagem dos alunos

Mais ou menos a metade dos alunos das escolas públicas de São Paulo acessa aulas online; a porcentagem de alunos de escolas particulares que consegue manter contato com a escola e os professores deve ser um pouco maior, mas não muito. É que, quando consideramos escolas particulares, em geral pensamos nas escolas grandes e mais conhecidas, mas a maioria delas é pequena, está localizada em bairros, acolhe estudantes da vizinhança, cobra mensalidades baixas e são carentes de recursos tecnológicos e de formação de professores.

Bem, mas se pelo menos metade dos estudantes está continuando seus estudos de maneira remota, isso significa que milhares de famílias estão às voltas com essa novidade. E não tem sido fácil para os pais acompanhar os filhos nessa empreitada. Por isso, é bom esclarecer alguns pontos.

Os alunos têm realizado a famosa educação a distância (EAD)? Não: eles estão tentando aprender com seus professores mediados pela tecnologia. Estes criaram rapidamente meios de manter seus alunos estudando, em geral transformando o ensino presencial em remoto. Não se constrói uma metodologia de educação a distância de um dia para o outro: exige formação específica dos docentes, por exemplo.

A EAD oferece tutores remotos a quem os alunos podem recorrer quando enfrentam dúvidas ou dificuldades em determinados tópicos, realiza trabalhos que ocorrem simultaneamente com alunos e professor em tempo real - a chamada atividade síncrona - e também as atividades assíncronas, ou seja, as que não ocorrem ao mesmo tempo, além de distribuir os conteúdos a serem ensinados em diferentes desenhos de plataformas e ambientes. É muita diferença!

É, então, ensino domiciliar, ou homeschooling, que a criançada está praticando? Também não! No ensino domiciliar, os filhos não são matriculados em escola e, portanto, não há a participação dela nos estudos. Apenas os pais, parentes ou mesmo os profissionais contratados por eles são responsáveis pela aprendizagem das crianças da família.

Esclarecido o fato de que os alunos estão estudando e realizando tarefas escolares numa situação de emergência, ou seja, muitas vezes com oferta de trabalhos improvisados, o que as famílias podem fazer para ajudar os filhos?

Como manter o filho atento às videoaulas, que podem ter duração de mais de uma hora? Como obrigar o filho a ficar conectado nas atividades escolares? Como ajudar nas tarefas?

Muitas famílias estão perdidas nessa situação; escolas também, já que nem sempre elas se lembram que não dá para oferecer o mesmo ensino anteriormente planejado e cobrar a mesma aprendizagem dos alunos.

Para você ter ideia, de uma rápida enquete em minha página de rede social em que tive a colaboração de muitas mães e pais que contaram como está sendo o ensino escolar nesse período, vou citar alguns exemplos narrados. Há alunos do ensino médio tendo até 9 horas de aulas por dia; crianças de 3 (3!) anos tendo aulas expositivas pelo menos uma vez por semana e duas, quando têm 5 anos; e crianças de 9 a 12 anos de idade que passam a manhã assistindo às aulas e ainda recebem tarefas de casa.

Calma lá, minha gente! Desse jeito, vamos acabar enlouquecendo famílias e alunos. Dá para lembrar que eles estão estressados, ansiosos, angustiados, inseguros e com receios com a pandemia? A conta de tanto trabalho e de tantas cobranças sobre eles virá depois, sabia?

E, como se não bastasse, há escolas fazendo provas neste período. O que podemos avaliar nesse contexto? O aprendizado do aluno, a adaptação dele ao ensino remoto e às estratégias que a escola criou? Ou será que avaliaremos se a metodologia criada pela escola está adequada? Essa última alternativa é a melhor possibilidade.

As crianças vão aprender como aprendiam antes? Provavelmente, não. Algumas vão aprender em outro ritmo, outras não conseguirão focar a atenção para aprender tudo o que seu potencial permitiria e outras, ainda, resistirão bravamente à ajuda dos pais. Mas - surpresa! -, algumas aprenderão bem mais!

Vamos lembrar: a escola básica tem a duração de 12 anos letivos, minha gente. Alguns meses a menos - dois, três ou até seis - não vão comprometer a vida de nenhum aluno.

Os trabalhos escolares de seu filho estão conturbando a vida familiar e a pessoal dele? Converse com a escola, apresente a situação sem rodar a baiana e peça sugestões. Este é um bom momento para recriarmos em outras bases a parceria escola-famílias.

Seu filho não consegue ficar atento às aulas? Saiba que na escola isso também ocorre, com a diferença de que, lá, há um enquadre pedagógico e, em casa, não. Outras crianças da mesma sala conseguem? Lembre-se que as crianças são diferentes, o que não significa que sejam piores ou melhores na aprendizagem.

Em resumo: não se estresse, nem estresse ainda mais seus filhos com a vida escolar remota.
Miguel José Teixeira
31/05/2020 12:51
Senhores,

Em Brasília, 10 é nove horas. . .

1) Um painel de identificação na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, foi alvo de pichação na madrugada de ontem. Acima do nome "da República", foi escrito "do Bolsonaro", como forma de protesto contra a relação do presidente da República com o chefe do Ministério Público Federal (MPF).
(fonte: http://impresso.correioweb.com.br/app/noticia/cadernos/politica/2020/05/31/interna_politica,328444/pgr-e-alvo-de-vandalismo.shtml)

2)O grupo bolsonarista autodenominado "300 do Brasil" fez ontem um protesto em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal) (veja o vídeo abaixo), depois de sua principal porta-voz, Sara Winter, ter sido alvo de mandado de busca e apreensão relacionado ao inquérito das fake news conduzido na Corte na última quarta-feira (27)....
(fonte: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/05/31/grupo-300-protesto-supremo.htm)

Será que algum dos 300 tem algo a ver com a pichação na placa do PGR-Prédio Grande Redondo (cilíndrico)?

Provavelmente é assunto para a Polícia Civil do DF, que, ao contrário das PCs das demais Unidades da Federação, teve recentemente reajuste salarial.

Será que além da PF o pentiunvirato zero-zero também está interferindo na PC/DF?

Respostas para o fabrício queiróz cujo paradeiro é ignorado. Porém, todos nós sabemos quem sabe onde tal "probo" se encontra. . .
Herculano
31/05/2020 10:26
AOS APRESSADINHOS AO VOLANTE É LEGAL PERDER CARTEIRA NO ATO DA INFRAÇÃO

STF julga ser legal a apreensão imediata da carteira de motorista por excesso de velocidade, informa Nelson Lima Neto, no jornal O Globo

Não há ilegalidade na apreensão imediata da carteira de motorista dos mais apressadinhos que desrespeitarem os limites de velocidade. É o que ficou decidido no julgamento do STF de uma ação do Conselho Federal da OAB.

A Ordem questionou se a apreensão "imediata" não fere o direito da ampla defesa. O resultado foi apertado, com a maioria seguindo voto do ministro Edson Fachin.
Herculano
31/05/2020 09:43
da série: fake news, alimentação ideológica com dinheiro público feito por gente que já bem combateu esta prática. Nada como um dia após o outro. E o discurso sempre é o mesmo para justificar o erro do presente: no passado se fazia a mesma coisa. Aliás, esta foi a tese prevalente - o errado do passado anula o errado do presente - para enterra a CPI das irregularidades das obras de drenagem Rua Frei Solano, em Gaspar.

CANAIS DE YOUTUBERS BOLSONARISTAS RECEBERAM VERBAS ESTATAIS

Reportagem do Globo mostra que canais no Youtube que defendem o fechamento do Congresso e do STF são abastecidos por verbas publicitárias de estatais.

Alguns desses youtubers são bolsonaristas alvo do inquérito do STF sobre fake news.

De acordo com o jornal carioca, 28.845 anúncios da Petrobras e da Eletrobras foram veiculados nestes canais entre janeiro de 2017 e julho de 2019 ?" portanto, antes e durante o governo Jair Bolsonaro.

"Entre os blogueiros que receberam verba publicitária da Petrobras e que são investigados pelo STF estão Allan dos Santos, do canal 'Terça Livre', Enzo Leonardo Suzi Momenti, do canal 'Enzuh', e Bernardo Pires Kuster. Os três foram alvos de mandados de busca e apreensão na última quarta-feira. O 'Terça Livre', de Santos, veiculou 3.490 anúncios pagos pela Petrobras. Já o canal de Kuster no YouTube veiculou 3.602 anúncios pagos pela estatal, enquanto o canal de Momenti veiculou 1.192. A Eletrobras também teve propagandas divulgadas nesses três canais. Foram 536 no de Kuster, 398 no 'Terça Livre' e 273 no de Momenti."

Embora o levantamento se restrinja ao período entre 2017 e 2019, a prática continua.
Herculano
31/05/2020 09:37
O RITUAL MACABRO DE SARA WINTER

Conteúdo de O Antagonista. Ontem à noite, como publicamos, cerca de 30 manifestantes bolsonaristas fizeram uma espécie de ritual macabro em frente ao STF.

Alvo da operação da Polícia Federal no inquérito das fake news, a ativista Sara Winter liderou a tal performance do grupo chamado movimento "Os 300 do Brasil".

Carregando tochas, os manifestantes gritavam: "Viemos cobrar, o STF não vai nos calar. Careca togado, Alexandre descarado. Ministro covarde, queremos liberdade. Inconstitucional, Alexandre imoral".
Herculano
31/05/2020 09:33
DESCARRILANDO, por Marcos Lisboa, economista, presidente do Insper eex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005), no jornal Folha de S. Paulo

Manifestações do Executivo são assustadoras

Precisamos resgatar a agenda de fortalecimento das instituições.

O vídeo divulgado por decisão do STF não deveria surpreender.

O presidente e ministros trataram a política pública como uma briga de garotos de rua. O destempero constatado pelas expressões utilizadas confirma que há tanto indignação quanto despreparo.

Pode haver um iceberg no caminho, como se diz na gravação. As falas veementes, porém, passaram ao largo de temas urgentes. Não houve discussão estruturada a respeito da grave crise da saúde pública ou dos seus efeitos colaterais sobre a renda e a produção.

Em nenhum momento foram analisadas a eficácia das medidas econômicas, como os incentivos à concessão de crédito, ou as muitas propostas da agenda legislativa. Não houve apresentação de um diagnóstico detalhado dos problemas resultantes das opções de política econômica, tampouco a estratégia a ser adotada.

Para quem achava que a desavença sobre o Pró-Brasil era fofoca da imprensa, a reunião mostrou a inconveniente divergência entre os ministros. Um lado desqualificou o outro com argumentos de autoridade e frases de efeito na falta de embasamento técnico.

Trechos da reunião podem preocupar quem acreditava que as manifestações públicas das autoridades eram só parvoíce para agradar a militância e que, a despeito disso, havia técnica na equipe. Nem um nem outro.

A virulência e as insinuações de algumas falas demandam explicações. As afirmações descabidas sobre a economia desnortearam os torcedores que imaginavam haver conhecimento, estratégia e gestão nessa seara. Elio Gaspari pinçou, no último domingo, momentos constrangedores.

Infelizmente, esse cenário não torna a extensão da decisão do Supremo razoável. Reuniões de trabalho devem ser preservadas para garantir a livre troca de ideias, incluindo o direito de falar disparates.

A ocorrência de crime deve ser investigada com análise cuidadosa das consequências das decisões tomadas. Por que censurar a menção a nações estrangeiras, mas divulgar o relato do presidente do Banco Central sobre conversas com autoridades de outros países?

As manifestações do Executivo, recheadas de bravatas e ameaças, são assustadoras. O Judiciário, no entanto, deve tratar dos possíveis crimes com prudência para não alimentar suspeitas de interferências na política.

Nas últimas décadas, consolidou-se a percepção de que o Brasil é uma economia de baixo crescimento e imensas distorções. Mas ao menos a solidez do Estado de Direito, que protege a sociedade da arbitrariedade do Leviatã, assegurava os procedimentos para a mediação de conflitos.

Devemos resgatar a agenda de fortalecimento das instituições, deixando claros suas alçadas e seus limites.
Herculano
31/05/2020 09:31
BRASILEIRO ENVIA CORA DE FLORES PARA O ARMAMENTISMO, por Josias de Souza, no UOL.

Certas ideias, por esdrúxulas, têm vocação para a morte. O armamentismo de Jair Bolsonaro, por exemplo, é uma dessas propostas que começam a morrer antes que o autor as pronuncie.

Em 22 de abril, durante a sessão de strip-tease administrativo que chamou de conselho de governo, Bolsonaro deu vida à tese segundo a qual é preciso armar o povo para evitar um golpe.

Bolsonaro enxergou o fantasma de um golpe atrás da política de isolamento social. Daí a ideia de armar o brasileiro, para que ele desafie a autoridade de governadores e prefeitos.

"Como é fácil impor uma ditadura no Brasil! Como é fácil!", disse Bolsonaro. "O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai aparecer um filho da puta pra impor uma ditadura aqui!"

Os brasileiros enxergaram na ideia do presidente tão pouca chance de sobreviver que enviaram uma vistosa coroa de flores. Segundo o Datafolha, 72% dos patrícios rejeitam a ideia.

É como se os governados fornecessem a Bolsonaro um valioso ensinamento: em meio a uma pandemia que produz cadáveres em escala industrial, quando um governante não tem nada a dizer, o melhor a fazer é evitar traduzir em palavras o vazio da sua precariedade.
Herculano
31/05/2020 09:25
A BOA NOTÍCIA, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

Há resistência, senso de dever e responsabilidade. O Brasil nunca será uma Venezuela

Para quem imagina, ou teme, que tudo está perdido, eis a boa notícia: as instituições e os setores responsáveis da sociedade se movem contra a escalada que vai de impropérios imbecis a ameaças perigosas. Não há reuniões secretas pela madrugada, apenas a velha e boa troca de impressões, informações e perplexidade, à luz do dia. Em plena pandemia, todos conversam freneticamente e há uma saudável resistência democrática no País.

O primeiro passo é contar a verdade, desmontar a versão de que o presidente Jair Bolsonaro é a vítima e que os palavrões e absurdos de 22 de abril foram "desabafo" de um homem perseguido com sua família, amigos e aliados. Afinal, quem ameaça quem? Quem ataca e quem é vítima? Quem precisa de um "basta, pô!"? Certamente, quem faz discurso em atos que se apropriam das cores e símbolos nacionais, com o QG do Exército ao fundo, para atacar a democracia e a ordem constituída.

E não é de hoje. Quem disse que "basta um soldado e um cabo para fechar o Supremo"? Faz apologia de "rupturas"? Comanda o "gabinete de ódio"? Insiste em intervir em PF, Coaf, Receita? Desafia até protocolos universais de saúde em atos contra o Legislativo e o Judiciário?

O senso de dever e responsabilidade uniu os desiguais do Supremo, pôs as cúpulas do Congresso e de partidos de barbas de molho, mexeu com o instinto democrático da mídia, reanimou velhas associações de belo passado e presente inerte e a até a discreta Sociedade Brasileira de Psiquiatria deu um grito pela democracia. A Igreja Católica anda mais quieta do que a história exige, mas as entidades judaicas acusam indignação com o uso de Israel em vão. Cresce a consciência do que se passa no País, cresce a resistência.

As Forças Armadas não passam ao largo disso. Nelas pululam dúvidas, discordâncias, o temor de quebra de uma imagem exemplar. Em nome do que? Do falso dilema entre defender Bolsonaro dos próprios fantasmas ou ser devoradas por dragões comunistas imaginários que estão sob cada cama, ministério, instituição? Louve-se o silêncio dos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica. O general Augusto Heleno tentou consertar sua frase sobre "consequências imprevisíveis" e o vice Hamilton Mourão descartou golpes e aventuras militares com desprezo, ironia.

No artigo "O militar surtou", no Estadão, Manuel Domingos Neto, ex-vice-presidente do CNPq e ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED), lembra a presença decisiva das FA na engenharia, topografia, desenho, infraestrutura, artes, ciência, história, matemática, veterinária, logística, aeronáutica. E provoca: para hoje os militares se imiscuírem com terraplanistas, criacionistas, inimigos da razão? Contra a ciência e as pesquisas? Artigos assim servem de boia para militares que querem distância de fake news e golpes.

O mais objetivamente grave da reunião de 22 de abril foi o presidente encarnar Hugo Chávez: "Eu quero todo mundo armado. Povo armado jamais será escravizado". Não é bravata. Partiu de quem já condecorou e empregou familiares de líder de milícias, derrubou portarias do Exército sobre armas e multiplicou munições nas ruas, enquanto mete as polícias no bolso. Como ficam as FA se milicianos armados tentarem invadir o Supremo, as polícias lavarem as mãos e o circo da democracia pegar fogo? É melhor prevenir do que remediar.

Em 31/03/2019, no texto "Construir, não destruir", descrevi o que há de comum entre os projetos do capitão Bolsonaro e do coronel Chávez de alimentar as milícias e espancar Judiciário, Legislativo e mídia para instalar suas crenças e delírios de poder. O Brasil, porém, jamais será uma Venezuela. Nem pela direita, nem pela esquerda. Há resistência e é à luz do dia.
Herculano
31/05/2020 09:24
UMA RESPOSTA À ALTURA DA CRISE, por Armínio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central, no jornal Folha de S. Paulo

Reformas menos impactantes nos deixariam na ciclotimia medíocre de décadas

Em minha última coluna discorri sobre a tempestade perfeita de crises que assolam o Brasil: sanitária, econômica e política. Argumentei que o desafio exigia liderança esclarecida por parte do Executivo. De lá para cá a tormenta recrudesceu.

Já não é de hoje que o governo vem dando sinais preocupantes. Ataques constantes à imprensa. Rejeição à política e ao diálogo. Repressão ao terceiro setor e à cultura. Desdém pela ciência, meio ambiente, questões identitárias, pela própria democracia. O vídeo da reunião de abril confirmou de forma assustadora esses sinais.

Resulta daí grande incerteza. E não surpreende, portanto, que o investimento nacional esteja há tempo parado em seu menor nível histórico.

No campo econômico, a agenda pouco evoluiu. A privatização, a PEC Emergencial (de natureza fiscal) e a abertura da economia não andaram. As cruciais reformas tributária e administrativa não foram sequer apresentadas.

O ambiente político anda crescentemente tenso, como no título do livro "A Batalha dos Poderes", de Oscar Vilhena Vieira, colega aqui nesta Folha. O governo parece se alimentar do confronto. Chama a atenção nesse contexto a montagem de uma base de apoio em linha rejeitada na campanha. Sugere uma guinada para modo de sobrevivência. Não é um bom sinal.

Independentemente do rumo que a política brasileira vier a tomar, cabe um alerta quanto ao cenário econômico.

A crise econômica tem suas raízes nas equivocadas escolhas da gestão de Dilma Rousseff, amplamente debatidas, embora não devidamente absorvidas. Meu resumo: modelo econômico velho (intervencionista, de baixa produtividade) e crise de confiança por descontrole fiscal a partir de 2014 (fato frequentemente esquecido).

A despeito da aprovação da reforma da Previdência e da introdução do teto para o gasto público, que impactaram positivamente os mercados, faltam ainda condições objetivas para que o teto seja cumprido a médio e longo prazos. Como resultado, o investimento público, que já vinha baixo, caiu para próximo de zero. As despesas livres foram também espremidas e se aproximam de um limite mínimo. Houve sim estabilização da dívida pública (como proporção do PIB), mas de maneira insustentável.

Nesse contexto chega o vírus. O governo saiu gastando agressivamente em saúde e assistência social, corretamente, mas sem planejamento. Como nossa convivência com o vírus pelo visto vai durar bem mais do que se imaginava, o buraco fiscal deve aumentar bastante. Estima-se um déficit primário que pode neste ano chegar a inimagináveis 12% a 15% do PIB (num cenário em que o PIB caia entre 6% e 10%). A implacável aritmética levará a dívida pública dos atuais 75% para mais do que 90% do PIB.

O orçamento chamado de guerra (que veio em boa hora) acertadamente proíbe que os gastos extraordinários adentrem 2021. Mas as pressões para mais gastos serão enormes. A despeito das regras legais, há risco que ocorram (lembremo-nos aqui que a Lei de Responsabilidade Fiscal foi violada a partir de 2014). É bem possível que ano que vem a dívida se aproxime de 100% do PIB.

As enormes e crescentes necessidades de financiamento do setor público forçarão um encurtamento no prazo da dívida. Vejamos como. Um aumento do endividamento como o que está programado gera insegurança e reduz a demanda por títulos de longo prazo. A consequência direta é que sobe o custo da dívida de longo prazo, o que já está ocorrendo. No limite, a demanda pode secar completamente, como em 2002. Nesse contexto, o Tesouro é obrigado a encurtar o prazo de suas captações.

Esse encurtamento pode ocorrer através de vários mecanismos, que a não especialistas parecem misteriosos. Alguns envolvem o Banco Central. Mas no final das contas, o que importa é que o prazo da dívida pública em poder do público vai encurtando. Ou seja, parte da dívida vai se transformando em uma quase moeda.

O encurtamento reduz o custo do financiamento, mas cria a dependência de rolagens frequentes e grandes da dívida. Quando em algum momento os financiadores se assustam, as taxas de juros de curto prazo também ficam pressionadas. Parte do dinheiro pode inclusive querer sair do país, o que pressiona também a taxa de câmbio e, eventualmente, a inflação.

Como bem advertiu Edmar Bacha em evento quinta-feira passada na Câmara dos Deputados, não precisamos ir muito longe para vermos que inflação pode coexistir com recessão: basta ir à Argentina (ou consultar nossa própria história).

Temos assim diante de nós um colossal desafio para 2021 e adiante. Considero gestão temerária estabilizar a dívida pública em patamar superior a 70% do PIB, especialmente com prazo encurtado. Algumas economias avançadas podem fazê-lo, mas não o Brasil, com seu histórico de inflação, confiscos, controles de câmbio e moratórias. Temos que sair dessa! Para tanto, será necessário fazer um ajuste fiscal de 4 a 5 pontos do PIB. Assim se garante que a dívida entre em trajetória crível de queda, o que acalmaria as expectativas.

Além do ajuste macroeconômico, será necessário obter recursos para investimentos públicos em áreas como saúde, tecnologia e infraestrutura, algo como quatro pontos do PIB. A soma bate sim em 8 a 9 pontos do PIB. Não podemos nos iludir ?"esse é o tamanho do desafio. Tenho plena convicção de que valeria a pena enfrentá-lo.

De onde viriam os recursos? Cabe aqui o que no mundo empresarial seria chamado de um benchmarking. No caso, uma comparação com outros países, em busca de oportunidades para mais economia e eficiência. No Brasil, os gastos com Previdência e funcionalismo atingem cerca de 80% do total das despesas públicas. Na esmagadora maioria dos países esse número não passa de 60%. Se as duas contas fossem para 60%, cifra ainda alta, daria para economizar até sete pontos do PIB (20% dos 35% do PIB de gastos totais).

Como? Do lado da Previdência, com uma reforma adicional que inclua os estados e elimine algumas folgas nas regras. Assim seria possível se obter um total de três pontos por ano. O projeto coordenado por Paulo Tafner em 2018 oferece um exemplo detalhado de como se chega a esse resultado.

Uma reforma da área de recursos humanos do Estado deveria gerar mais três pontos do PIB (além de melhores serviços para a população). A reforma incluiria uma redução do número de funcionários (ao longo de alguns anos), avaliações de todos os funcionários, fim de promoções automáticas, ajustes nos planos de carreira e correções de distorções (como supersalários). Seria possível simular caminhos e criar metas detalhadas.

Há ainda uma terceira fonte de recursos, que viriam de uma redução de subsídios que não fazem sentido econômico ou social. No orçamento de subsídios da União é possível identificar economias de 2 a 3 pontos, sobretudo nas regras dos regimes especiais do Imposto de Renda, que são absurdas sob o ponto de vista distributivo. Esse passo teria o benefício adicional de conferir autoridade moral ao conjunto de propostas, pois deixariam claro que as perdas seriam proporcionalmente maiores para os mais capazes de arcar com elas.

Que fique claro também que sem as reformas as perdas gerais seriam imensas e recairiam sobre os mais pobres.

No curto prazo, creio que com contenção de salários e de contratações no setor público e com a eliminação de subsídios se poderia chegar a um ajuste de três pontos do PIB. As reformas mencionadas aqui cuidariam do restante, ao longo de alguns anos.

Estamos diante de problemas enormes. Felizmente, como demonstrei, existem respostas de igual dimensão. Se adotado, o roteiro apresentado aqui porá o Brasil em uma trajetória de crescimento sustentável e inclusivo. Reformas menos impactantes nos deixariam na ciclotimia medíocre em que estamos há décadas. Nada fazer nos garantiria um final distópico.
Herculano
31/05/2020 09:19
A ANATOMIA DA CRISE, por Carlos Brickmann

Bolsonaro não tem nada contra Rodrigo Maia, Alcolumbre ou Celso de Mello. Nada tinha contra Moro ou Valeixo. Bolsonaro pensa em reeleição, mas não é por isso que busca brigar com o Supremo, o Congresso e os governadores que querem disputar a Presidência com ele; nem é o que o leva a reunir sua torcida em passeios de carro para apoiá-lo. Bolsonaro cismou que a hidroxicloroquina é o máximo, mas não é isso que o leva a querer crise. Pandemia, mortos? E daí? Como ele disse, um dia nós todos morreremos.

O problema de Bolsonaro é proteger os filhos. Se, com ele presidente, os filhos já estão sitiados, imagine se deixar a Presidência. Este colunista acredita que, se fosse possível garantir-lhe um indulto à família, ele deixaria de lado a aversão à China, a luta contra o comunismo, o amor à hidroxicloroquina, a reverência a Trump e abandonaria a vida pública, voltando a ser um cidadão comum, daqueles que tomam cuidado com o radar em vez de brigar com ele e jamais sonharam com o filme Pequim contra 000.

Dos três zeros à esquerda, o filho 01 luta há quase dois anos para se livrar de investigações sobre a rachadinha - a parte do salário que seus funcionários de gabinete devolviam ao amigo Queiroz; e seu suplente garante que ele disse ter recebido informações sigilosas da Polícia Federal. Os filhos 02 e 03 podem ser envolvidos no inquérito das notícias falsas, fake news. E o filho 02 chega a ser apontado como criador e comandante do Gabinete do ódio.

OPINIÃO PÚBLICA - DATAFOLHA

Bolsonaro está em baixa: pelo Datafolha, 43% consideram seu governo ruim ou péssimo, contra 33% que o acham bom ou ótimo. Os números favoráveis não variaram. Mas os desfavoráveis cresceram cinco pontos de um mês para cá. A maioria absoluta, 52%, três pontos acima da última pesquisa, acha que o presidente perdeu as condições de dirigir nosso país. O número dos que acham que tem condições, sim, se mantém estável em 45%.

OPINIÃO PÚBLICA - ATLAS

Números do Instituto Atlas: 22,5% aprovam o Governo Bolsonaro; 58,1% o desaprovam. O desempenho pessoal do presidente é aprovado por 32,9% e desaprovado por 65,1%. Sobre a pandemia, 24,3% se preocupam mais com o impacto econômico, como Bolsonaro; e 68,1% com as mortes. Distanciamento social? A favor, 72,1%; e, acompanhando o presidente, 24% contra. A ditadura (muito citada por Eduardo Bolsonaro, que fala em Ato 5) é rejeitada por 83,1% e aprovada por 8,9%. Imagem pública: Bolsonaro está em quarto lugar (32%), atrás dos ex-ministros Mandetta (52%), Moro (42%) e do ministro Paulo Guedes (38%); um pouco à frente de Lula, 28%, e de João Doria, 27%. Bolsonaro tem a maior rejeição, 64%, seguido por Dória (54%), Lula (52%), Guedes (44%), Moro (43%) e Mandetta, 29%. O mundo gira: hoje, Mandetta seria um candidato presidencial mais forte que Moro.

E 53,9% querem Lula preso, contra 29,1% que o querem solto.

FRECHANDO AS CONTAS

Conforme a pesquisa Atlas, 58% aprovam o impeachment do presidente; 36% são contra.

BALANÇO GERAL

Mais da metade dos eleitores optou por Bolsonaro há menos de dois anos. Hoje, seu apoio oscila na casa dos trinta, trinta e poucos por cento. É para este grupo que Bolsonaro fala: precisa mantê-lo unido, porque é o grupo que o mantém no poder. E radicaliza ao máximo: quer levar os outros Poderes e os investigadores a reduzir ou retardar as ações contra ele, ou partir para o tudo ou nada, sabendo que ficar parado é aguardar o desastre - no caso, as investigações sobre seus filhos. Por isso ele se arrisca. E arrisca todo o país.

SEM ESMORECER

Um personagem-chave na luta de Bolsonaro para manter-se no poder é o procurador-geral Augusto Aras. Nos últimos dias, o presidente acenou a Aras com a possível nomeação para o Supremo, numa eventual terceira vaga (duas ocorrem nos próximos meses, com a aposentadoria compulsória dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio; uma terceira se algum outro ministro se aposentar ou vier a falecer). E condecorou Aras com a Medalha do Mérito Naval (no mesmo decreto, concedeu a condecoração também ao ministro da Educação, Abraham Weintraub).

Por que numa terceira vaga? O presidente já disse que quer nomear um ministro "terrivelmente cristão", no caso um evangélico - talvez o atual ministro da Justiça, André Mendonça, evangélico praticante, que declarou considerar Bolsonaro "um profeta". Mas sobra uma vaga: por que não para Aras? Deve imaginar, suponho, que Aras, querendo garantir a cadeira, não irá querer bater de frente com ele.

MORTES, DOENÇA? E DAÍ?

Informação de O Globo, com base em documentos oficiais: o Ministério da Saúde tem R$ 34,4 bilhões disponíveis para ações de combate direto à pandemia. Até o dia 28, tinha gasto R$ 8,1 bilhões, ou 23,6% do total.
Herculano
31/05/2020 09:12
ARAS EM CHEQUE, por Merval Pereira, em O Globo


Inábil no seu açodamento, Bolsonaro vem tornando pública sua proposta de "compensação"

O Procurador-Geral da República, Augusto Aras, tenta sair das cordas com retórica, não com atos. Disse, afinal, em nota que "sente desconforto" com a citação de seu nome para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O sujeito oculto da frase é o presidente Bolsonaro, que, inábil no seu açodamento, vem tornando pública sua proposta de "compensação" a Aras.

Na verdade, desconforto é o sentimento generalizado entre seus pares, e a opinião pública o identifica como o "Procurador-Geral de Bolsonaro", conforme a pichação que acordou ontem na sede do Ministério Público em Brasília.

Ele é a peça-chave nos dois inquéritos que correm no STF envolvendo o presidente Bolsonaro, o sobre a interferência na Polícia Federal, e outro das fake news. Se Aras decidir pedir o arquivamento, não haverá denúncia, a não ser que o embate entre Executivo e Judiciário esteja tão radicalizado que, no caso das fake news, por exemplo, um dos ministros atacados, ou vários, entrem com uma "ação penal privada subsidiária da pública", contestando a decisão do Procurador-Geral. Mas as provas não se perderão. Serão enviadas para a primeira instância, no caso dos que não têm foro privilegiados. E aos tribunais superiores, no caso de deputados estaduais e federais.

Certamente pela complacência de Aras o presidente Bolsonaro se sinta tão à vontade para atacar os ministros do Supremo. Continua fustigando em especial o ministro Alexandre de Moraes, republicando nas redes sociais algumas de suas declarações anteriores, como se evidenciassem contradições do pensamento do relator do inquérito das fake news sobre as liberdades individuais. Mais uma vez temos um problema de semântica, comum aos bolsonaristas radicalizados, e frequente no presidente. Quando Moraes fala em debate de ideias e liberdade de expressão, não está se referindo a mensagens de suas milícias digitais pregando o fechamento do Congresso e do Supremo, ameaçando de morte juízes e políticos que consideram inimigos, e defendendo intervenção militar.

Bolsonaro diz que quer armar o povo para defender a democracia, e dá como exemplo a reação armada contra ordens judiciais que proíbem pessoas de frequentar as praias no tempo de quarentena. Diz que respeita o sistema judicial, mas exorta seus seguidores a não obedecer "ordens absurdas".

Se diz a favor da liberdade de imprensa, mas instiga seus militantes na porta do Alvorada a atacarem a imprensa profissional. E o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), General Augusto Heleno, o máximo que consegue propor é que os jornalistas finjam que não estão escutando as ofensas. O que realmente incomoda o presidente é a possibilidade de sair de um dos inquéritos, especialmente o das fake news, uma impugnação de sua eleição, ou no STF ou, mais provável, do Tribunal Superior Eleitoral. O ministro Og Fernandes, relator dos casos de impugnação da chapa por irregularidades na campanha eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já faz consulta para decidir se agrega as provas do inquérito de fake news do Supremo ao processo que corre no TSE. O prazo da quebra de sigilo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes pega a campanha presidencial, o que pode trazer provas que se agreguem ao processo de impulsionamento ilegal de mensagens, com o financiamento das milícias digitais, a mídia que Bolsonaro tem a seu favor, conforme admitiu o próprio. Esses atos falhos, por sinal, vão surgindo à medida que a situação foge ao controle.

Ontem o assessor especial da presidência, Filipe Martins, acusado de fazer parte do "gabinete do ódio", entregou-se ao responder a críticas no Twitter com uma série de compartilhamentos de mensagens idênticas, revelando ter uma multidão de robôs a seu dispor.
Herculano
31/05/2020 09:08
da série: este texto ilustra como um ministro da Educação não conhece o mínimo de História, e se conhece, como criminosamente manipula fatos históricos da civilização para as narrativas aos analfabetos, ignorantes, desinformados e ao gado fanático. Isso é proposital. Tem método. Incrível!

COMPARAR OPERAÇÃO CONTRA FAKE NEWS À NOITE DOS CRISTAIS É CONFUNDIR HENORROIDA COM HEMOGRAMA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo.

Weintraub tomou contravapores da embaixada de Israel, do Comitê Judaico Emeriano e da Confederação Israelita

O ministro da Educassão, Abraham Weintraub, comparou a operação contra os financiadores da máquina de mentiras do bolsonarismo à "Noite dos Cristais" de 1938, quando os nazistas queimaram centenas de sinagogas, destruíram milhares de lojas e mataram pelo menos 90 judeus. Weintraub tomou contravapores da embaixada de Israel, do Comitê Judaico Emeriano e da Confederação Israelita por banalizar o antissemitismo que desembocou no Holocausto. Comparar as duas situações é confundir hemorroida com hemograma.

Nos seus delírios, o ministro pratica uma ignorância seletiva. Na tétrica reunião do ministério de 22 de abril ele ouviu seu colega Paulo Guedes dizer que conhece "profundamente, no detalhe, não é de ouvir falar" diversos programas de reconstrução econômica, entre eles os da "Alemanha na Segunda Guerra e na Primeira, com o Schacht".

Para uma mente sensível como a de Weintraub, a lembrança de Guedes tinha um aspecto politicamente tóxico. A Primeira Guerra terminou em 1918 e Hjalmar Schacht assumiu a presidência do Reichsbank em 1923. Nesse cargo ele estabilizou a moeda alemã. Em 1930, quando a dívida do país estrangulava sua economia, ele avisou que "se o povo alemão tiver que passar fome, teremos muitos Adolf Hitler". Não deu outra e em 1933 Hitler assumiu o governo. Quindim da banca, Schacht era um coletor do Caixa Dois dos nazistas e um ano depois, quando o ministro das Finanças reclamou da perseguição aos judeus, ele o substituiu. Soltou dinheiro para obras públicas e para o rearmamento do Reich.

Ele deixou o comando da economia antes da Noite dos Cristais, mas continuou como ministro sem pasta até 1943 (a Solução Final do extermínio dos judeus foi decidida em 1942).

Schacht foi um alemão emblemático de sua geração, que não sabia o que estava acontecendo. Ele começou a vida no Dresdner Bank, da família Gutmann, e não moveu um dedo quando ela começou a ser perseguida. A baronesa Louise morreu em Auschwitz e seu marido, Fritz, foi assassinado no campo de Theresienstadt. Schacht foi absolvido pelo tribunal de Nuremberg, que enforcou uma parte da cúpula civil e militar do nazismo, e morreu em 1970, aos 83 anos. Sua mulher usava um broche um uma suástica de rubis e brilhantes.

BOLSONARO ACORDOU PARA O FATO DE QUE TEM UM ENCONTRO MARCADO COM O TSE

São seis processos no Tribunal Superior Eleitoral; dois podem morrer, mas quatro persistirão
Jair Bolsonaro está encrencando com o Judiciário ("Temos que botar limites" ou "Chega!") porque acordou para o fato de que tem um encontro marcado com o Tribunal Superior Eleitoral no julgamento dos pedidos de cassação de sua chapa com o vice Hamilton Mourão. Os processos são seis, dois podem morrer em poucos dias, mas quatro persistirão. Todos eles se referem aos disparos de notícias falsas na rede, tema da investigação conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes.

Pelo andar da carruagem, o TSE julgará o caso ainda este ano. É a crise da vida anunciada.

Deixando-se de lado a lógica constitucional da cassação de uma chapa no segundo ano de seu mandato, precisará ficar provado que os disparos das mentiras na rede foram praticados com recursos ilegais e que tenham influenciado de forma decisiva o resultado da eleição. A investigação determinada pelo ministro José Antonio Dias Toffoli pode ter uma origem escalafobética, mas as conclusões do trabalho de Alexandre de Moraes serão um fato em si. Pelo que já se sabe, desagradarão os Bolsonaro. Eles têm alguns meses para criar um clima capaz de convencer a população de que o Judiciário quer mutilar o Executivo.

Uma coisa é certa: ameaçando a Justiça com a hipótese de um golpe de generais no meio de uma epidemia e no início de uma recessão, Bolsonaro entroniza-se como encarnação da instabilidade política, econômica e sanitária.

Quando ele diz que "ordens absurdas não se cumprem" e oferece cadeiras no Supremo Tribunal como se fossem chuchu de feira, confirma que antes de chegar à metade do mandato, tornou-se um criador de problemas. Afinal, quem decide que uma ordem é absurda? Aquele cabo que pode fechar o Supremo?


FALTA BOLSONARO EXPLICAR POR QUE DEMITIU O CORRETO FABRÍCIO QUEIROZ

Desde o final de 2018, esta foi a primeira vez que o 01 louvou a figura do faz-tudo do gabinete de seu pai.

Outro dia, respondendo ao governador Wilson Witzel, o senador Flávio Bolsonaro lembrou, a troco de nada, que "você ficava ligando para o Queiroz para correr atrás de mim na campanha. Sabia que o Queiroz estava do meu lado. Um cara correto, trabalhador, dando sangue por aquilo que acredita."

Desde o final de 2018, esta foi a primeira vez que o 01 louvou a figura de Fabrício Queiroz, faz-tudo do gabinete de seu pai.

De vez em quando, Queiroz queixa-se de abandono, pois já temeu que os procuradores tenham um objeto "do tamanho de um cometa para enterrar na gente".

Falta explicar por que o senador demitiu o "cara correto, trabalhador" que dá o "sangue por aquilo que acredita" pouco antes da realização do segundo turno da eleição presidencial. No mesmo dia, Jair Bolsonaro demitiu a filha de Queiroz, lotada no seu gabinete da Câmara dos Deputados.

SEM UM Só TIRO

O governador Wilson Witzel é um homem de sorte. A Polícia Federal varejou o palácio onde ele vive e o apartamento onde morou, sem dar um só tiro.

Uma semana antes, numa operação em São Gonçalo, sua polícia, numa operação da qual participou a Polícia Federal, entrou numa casa, deu 72 tiros e matou o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos.

PATRONO DOS PALACIANOS

Como Bolsonaro ressuscitou a figura do general palaciano, vale um registro. Assim como o patrono da arma da cavalaria é o general Osório (que levou um tiro no rosto durante uma batalha), essa espécie tem no general João Baptista Figueiredo sua maior expressão.

Figueiredo não esteve na Força Expedicionária Brasileira que combateu na Itália, mas fez uma brilhante carreira palaciana.

Em 1964, como coronel, assumiu a Agência Central do Serviço Nacional de Informações. De 1969 a 1974 foi chefe do Gabinete Militar do presidente Emílio Médici e em seguida dirigiu o SNI no governo de Ernesto Geisel. Foram 13 anos no palácio e nos seus arredores, interrompidos por apenas três de serviço em quartéis.

Em 1979 Figueiredo chegou à Presidência da República e os patrocinadores dessa ascensão acreditavam que o palácio lhe dera experiência. Enganaram-se. Seu governo foi ruinoso e em 1985 ele deixou o Planalto por uma porta lateral, pedindo para ser esquecido, o que conseguiu.

BOA NOTÍCIA

A professora Kone Prieto Fortunato Cesario, vice-diretora da Faculdade Nacional de Direito informa: a iniciativa dos ministros Luiz Fux (STF) Benedito Gonçalves e Luis Felipe Salomão (STJ), mais o desembargador Cezar Augusto Rodrigues Costa, conseguiu arrecadar R$ 63 mil para ajudar 240 estudantes cotistas.

O Webinar "A Covid-19 e o futuro das Cortes" teve 190 inscritos e dez advogados, bem como a empresa UCB, fizeram doações.?
Herculano
31/05/2020 08:44
O HOSPITAL DE GASPAR SEMPRE DANDO VEXAME

O Hospital de Gaspar - cujo dono ninguém sabe que é e que está metido numa cara, confusa e sem transparência intervenção municipal - anunciou quinta-feira a tarde que um homem de 61 anos foi o primeiro a ocupar um dos dez leitos que se aprontaram naquela semana - apesar de se ter noticiado que todos estavam prontos há duas semanas - da UTI. Ela foi montada para exclusiva e provisoriamente no Hospital para tratar e combater a Covid 19.

Agora, o Hospital de Gaspar corrigiu a informação de quinta-feira: o homem, que está doente, necessitando de cuidados especiais, internado na UTI de Covid-19, não tem a Covid 19.

Ou seja, o doente foi internando na UTI sem que antes tenha sido feito nele diagnóstico clinico da doença. Presumiu-se que os sintomas fossem a tal Covid-19, e como tal aplicaram cuidados e tratamento clínico. Que coisa!

Com tanto histórico de problema de diagnósticos confusos e errados, o Hospital de Gaspar não precisava acrescentar mais este na sua história. E depois os políticos que o usam e dirigem o Hospital sob intervenção de políticos, dizem não entender à falta de credibilidade dele perante a população, que já entrou lá com dor de barriga diagnosticada e foi parar em UTI de outros hospitais da região correndo risco de morrer, quando não morreu lá mesmo no Hospital.

Como já escrevi várias vezes aqui. UTI não vai salvar ninguém, se antes não houver mudanças sérias na gestão do Hospital de Gaspar e diagnósticos clínicos mais assertivos a partir do Pronto Atendimento, aliás ele virou um ambulatório geral devido o trabalho a meia boca feita pelos postinhos de saúde da prefeitura nos bairros de Gaspar.

E para encerrar: o que a nota do sábado Hospital de Gaspar acaba de dizer? Que eu escrevi na quarta-feira para ser publicada na sexta-feira, estava corretíssima. Vou repeti-la para que ninguém dela tenha dúvidas. Acorda, Gaspar!

"Até o fechamento deste texto, a UTI emergencial do Hospital de Gaspar ?" que só esta semana completou o seu décimo leito ?" continuava esperando pacientes graves da Covid-19; o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, mantinha intacto o seu salário de R$27.356,69; os vereadores "ainda" analisavam se reduziam só por dois meses seus salários; e a máquina eleitoral de comissionados continuava a ser azeitada nas nomeações".
Herculano
31/05/2020 08:06
FRASE DE BOLSONARO SOBRE DAR ARMAS PARA A POPULAÇÃO É REJEITADA POR 72%

Datafolha mostra ampla discordância de defesa feita pelo presidente em reunião ministerial
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fábio Zanini. ?A população brasileira rejeita de forma inquestionável o argumento do presidente Jair Bolsonaro de que é preciso armar as pessoas para que não sejam escravizadas por governantes.

Segundo pesquisa Datafolha, 72% dos entrevistados discordam do que disse Bolsonaro em reunião ministerial do dia 22 de abril, cuja gravação em vídeo foi divulgada por ordem do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.

"Eu quero todo mundo armado. Que povo armado jamais será escravizado", afirmou o presidente na ocasião.

Apenas 24% dos pesquisados estão de acordo com a declaração, enquanto 2% não concordam nem discordam e outros 2% não souberam responder.

A margem de erro da pesquisa, feita com 2.069 entrevistados nos dias 25 e 26 de maio, é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em razão da pandemia do coronavírus, o levantamento foi realizado por meio de telefone celular, e não presencialmente, como costuma ser a prática do instituto.

A defesa feita por Bolsonaro de armar a população ocorreu num contexto de críticas ao que o presidente definiu como medidas autoritárias de governadores e prefeitos para obrigar a população a manter o isolamento social durante a crise de saúde.

O presidente chamou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de "bosta", e o do Rio, Wilson Witzel (PSC), de "estrume", além de ter ofendido outras autoridades.

A tese exposta por Bolsonaro é de que facilitar o armamento seria uma espécie de garantia de que a população poderá resistir a medidas impostas por esses governantes, seus adversários políticos.

"Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme. Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui", defendeu o presidente na reunião, dirigindo-se, respectivamente, a Sergio Moro (que já deixou o cargo) e ao general Fernando Azevedo e Silva.

Esse tipo de argumento pró-armas não é dos mais comuns, o que aumentou a estranheza generalizada com a frase de Bolsonaro. Em geral, costuma-se defender o armamento com base em duas razões principais, que são a garantia de defesa do cidadão contra criminosos e o respeito a um direito individual.

Propagar a resistência contra uma suposta ameaça de tirania do Estado é uma justificativa importada dos EUA, onde esse aspecto está na base da Segunda Emenda à Constituição, que adquiriu caráter mítico para os armamentistas.

Aprovada em 1791, a emenda diz que milícias têm direito de ter e portar armas para garantir a segurança de um Estado livre. Na época, a nascente democracia americana ainda não havia se consolidado, e o medo de um retrocesso autoritário era concreto.

Embora as circunstâncias tenham mudado muito desde então, o conceito permanece, sendo repetido à exaustão por armamentistas americanos e brasileiros.

O Datafolha mostra que o argumento de Bolsonaro encontra respaldo ainda menor entre as mulheres.

Neste grupo, a rejeição à frase chega a 80%, enquanto apenas 16% fazem coro ao presidente. Entre os homens, a discordância cai para 62%, e a concordância chega a 34%.

A reprovação também é mais acentuada nos estratos econômicos mais baixos da população.

Entre os que declaram ter renda familiar mensal de até dois salários mínimos, 77% rejeitam armar a população contra hipotéticos regimes escravizantes e 19% aceitam o argumento.

A rejeição cai progressivamente conforme aumenta a renda. Na parcela mais abastada, que ganha mais de dez salários mínimos mensais, 60% discordam de Bolsonaro e 38% concordam com ele.

Também é possível identificar maior apoio à frase em segmentos nos quais o presidente historicamente tem imagem mais positiva.

No Sul, que foi um bastião de bolsonarismo na eleição de 2018, 66% discordam da frase, enquanto 27% a apoiam. É a região em que o argumento do presidente tem mais ressonância.

Entre os que se declaram empresários, parcela em que o presidente conserva um contingente expressivo de apoiadores, chega a haver um empate técnico entre as duas posições, com 50% discordando contra 46% de acordo com a frase.

Em contraste, 78% dos desempregados discordam, e 20% concordam com a afirmativa.

Desde que assumiu o governo, Bolsonaro busca flexibilizar o porte e a posse de armas de fogo, mas muitas de suas iniciativas enfrentaram resistência, inclusive no Congresso e no Supremo Tribunal Federal.

Uma delas foi a tentativa de ampliar por meio de decreto as categorias que poderiam ter armas, para incluir caminhoneiros, advogados e jornalistas, entre outras. O presidente foi obrigado a recuar.

Mas Bolsonaro conseguiu implementar facilidades pontuais para o setor, como o aumento da quantidade de munição e novos tipos de armas que podem ser adquiridos.

Também houve algumas regalias para os chamados CACs, categoria especial que inclui colecionadores de armas, atiradores e caçadores. Eles passaram a ter prazo maior de validade de seus registros e a permissão para andar com a arma carregada em deslocamentos.

Proprietário de um clube de tiro em São Bernardo do Campo (SP), Rogério Giroto, 50, diz que concorda com a tese de armar a população como instrumento de defesa contra possíveis abusos do Estado, exposta por Bolsonaro.

Mas, diz ele, desde que os interessados em terem armas cumpram os mesmos requisitos que são exigidos dos CACs.

"Concordo em armar a população desde que todos tenham o mesmo preparo. A pessoa precisa provar capacidade psicológica e técnica para portar uma arma. Tem que ser exigido um curso preparatório", afirma ele, que é atirador há 30 anos.

Proprietário de uma coleção de pistolas de calibres 9 milímetros, 380 e 12 milímetros, Giroto afirma que a procura por seu curso de tiro aumentou bastante nos últimos anos.

"A população tem hoje uma visão melhor sobre o que é ter uma arma. Abriram centenas de clubes de tiros com essa flexibilização que o Bolsonaro deu. A demanda é muito grande", afirma ele, cujo clube tem cerca de 630 associados.

Giroto defende novas medidas, que envolveriam a facilitação de registro de arma e de permissão de uso, um processo ainda muito lento e burocrático, segundo ele. Também diz que a idade mínima para ter uma arma deveria ser reduzida de 25 para 21 anos.

A aprovação à ampliação de possibilidades para o acesso a armas é maior, como seria de se esperar, para pessoas que seguem apoiando o presidente.

Segundo o Datafolha, 54% dos que avaliam o governo como ótimo ou bom concordam com a frase do presidente, contra 40% que discordam. Entre os que veem a gestão como ruim ou péssima, 92% se posicionam de forma contrária a armar a população para resistir a regimes autoritários, contra 6% que estão de acordo.

Por outro lado, a frase é rejeitada mesmo entre os entrevistados que declararam ter votado em Bolsonaro no segundo turno em 2018, ainda que com margem menor com relação ao total da população. São 43% os que concordam, contra 52% que discordam.
Herculano
31/05/2020 08:01
da série: serão ruins, porque a população não mais enxerga com um líder, mas um mentiroso inconstante, manipulado pelos filhos amalucados e por um guru que ainda acredita que a terra é plana. A situação econômica, política e social já não era boa e requeria habilidade e competência. O aparecimento da Covid, tumultuou tudo. Há um ditado que diz: é na tempestade que se conhece o verdadeiro comandante. A tempestade e que não é fraca, está ai. E o comandante ampliando as loucuras e aumentando a tempestades contra os comandados e os que dependem dele.

PARA 48%, PRóXIMOS ANOS DE BOLSONARO SERÃO RUINS

Levantamento exclusivo Orbis/Diário do Poder revela que 48,1% dos brasileiros acreditam que o restante do mandato do presidente Jair Bolsonaro será "ruim ou péssimo"; 29,3% dizem achar que os próximos anos serão bons ou ótimos e 18,1% dizem que os próximos 31 meses serão "regulares". Outros 4,5% não souberam avaliar. O instituto Orbis ouviu 2.681 pessoas em todas as regiões do País, em 22 de maio.

DIFERENÇA ENTRE SEXOS

As mais pessimistas são as mulheres: para 50,3% delas o futuro do mandato será ruim/péssimo. Entre homens o número cai para 45,3%.

REGIÃO OTIMISTA

O Centro-Oeste é a região mais otimista: 39,8% acreditam que o futuro do mandato de Bolsonaro será bom ou ótimo.

ESTABILIDADE FINANCEIRA

Em relação ao nível de endividamento dos próximos meses, a pesquisa Orbis aponta que 40,2% acreditam que estará como está hoje.

PóS-PANDEMIA

São 30,2% aqueles que acreditam que o nível de endividamento pessoal irá aumentar ou aumentar muito nos próximos 6 meses.

PT E PSDB NOMEARAM OITO DOS ONZE DO SUPREMO

Chamado de "puxadinho do PT e do PSDB" por Roberto Jefferson, presidente do PTB, o Supremo Tribunal Federal tem composição que poderia dar razão ao ex-deputado não fosse a atitude de independência dos ministros. Presidentes do PT indicaram sete dos onze ministros do STF, mas eles não agradeceram a nomeação com a toga, condenando corruptos ligados a Lula, por exemplo, que indicou três ministros e Dilma cinco. FHC escolheu apenas Gilmar Mendes, entre os atuais ministros.

OS CINCO DE DILMA

Dilma nomeou Luiz Fux, Rosa Weber, Luis Roberto Barroso (que assumiu a presidência do TSE) e Edson Fachin, relator da Lava Jato.

OS TRÊS DE LULA

Foram nomeados por Lula o atual presidente do STF, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia.

TRÊS 'ELEITORES'

José Sarney escolheu o decano Celso de Mello, Fernando Collor indicou Marco Aurélio e Michel Temer nomeou Alexandre de Moraes.

CRITICOU, DANÇOU

Antes da operação da PF contra supostas fake news, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) reclamou em entrevista exclusiva ao Diário do Poder que o STF "amarrou as mãos do presidente" no combate à pandemia. Falta pouco para entrar na linha de tiro do ministro Alexandre de Moraes.

BOA NOTÍCIA

No Brasil, as curas superaram contágios pela primeira vez em 50 dias. O site de monitoramento Worldometer registrava 230 mil infectados e 221 mil casos encerrados com a mesma proporção mundial de curados: 88%.

CODINOME 'COLORIDO'

Quinze dias após troca de insultos com Bolsonaro, o governador paulista João Dória anunciou cronograma "colorido" para reabrir o comércio. Mais ou menos a flexibilização "vertical" pregada pelo presidente, sob críticas.

DIREITOS DESRESPEITADOS

O jurista Ives Gandra Martins, que ajudou a fazer a Constituição, lembrou que o direito dos deputados à inviolabilidade do mandato foi ignorado por Alexandre de Moraes, do STF, tanto quanto o direito à livre expressão.

BUSCA POR HOLOFOTES

A Defensoria celebra liminar que obriga abertura de 50 leitos em hospital de campanha em São Gonçalo (RJ), que tem só 10 ventiladores. Poderia aproveitar o embalo e pedir liminar para proibir o vírus de infectar.

MAIS FAKE

Alexandre de Moraes mandou a PF apreender celulares e computadores de bolsonaristas. Já o perfil oficial da campanha petista de 2018 (@OBrasilFeliz) continua ativo e espalhando as mentiras de sempre.

QUE PANDEMIA?

O Tribunal de Justiça de Pernambuco abriu concurso para juiz substituto com salário inicial de mais de R$30 mil, fora penduricalhos e regalias. O valor do salário corresponde a um respirador tão necessário em UTIs.

INUSITADO, NÃO ABSURDO

Ex-advogado-geral da União, Luís Inácio Adams não considera absurdo o pedido de habeas corpus para Abraham Weintraub (Educação). Foi iniciativa de André Mendonça e não do ministro da Justiça, explica.

PENSANDO BEM...

...veículos que aplaudiram a operação contra supostas fake news são basicamente os mesmos que apoiaram, excitadíssimos, o golpe de 1964.
Herculano
30/05/2020 15:51
MAIORIA JÁ VÊ CóDIGO DE BARRAS NO GOVERNO BOLSONARO, por Josias de Souza, no UOL

De todas as notícias que o Datafolha trouxe para Jair Bolsonaro nos últimos dias, a mais simbólica ganhou as manchetes neste sábado: 67% dos brasileiros reprovam o casamento do capitão com o centrão.

Significa dizer que praticamente sete em cada dez patrícios passaram a enxergar no governo um código de barras presumido, marca registrada do pacto demoníaco que rege as coligações no Brasil.

Bolsonaro ainda faz pose de limpinho. Alega que negocia cargos de escalões inferiores, não ministérios ou estatais. Tolice. No fisiologismo, integridade é como virgindade. Não existe pela metade. Também não dá segunda safra. Perdeu, perdida está.

O presidente comporta-se, de resto, como um gestor idealista que se rende à realidade. Nessa versão, Bolsonaro seria apenas um presidente bem-intencionado forçado a lidar com uma classe política viciada.

Assim, Bolsonaro adotaria os meios dos parceiros apenas para obter suas nobres finalidades. Bobagem. O capitão se rende para evitar que apertem a corda que ele amarrou ao redor do seu próprio pescoço.

Outra alegada diferença entre o toma-lá-dá-cá de Bolsonaro e o escambo dos antecessores seria a "exigência" de que os partidos do centrão façam indicações técnicas. Conversa mole.

Na máquina estatal, não basta ser técnico. É preciso saber a serviço de quem estarão as habilidades técnicas dos apadrinhados. Se Sergio Moro ainda fosse ministro, Bolsonaro poderia chamá-lo para uma conversa.

Moro relataria uma experiência que viveu como juiz da Lava Jato. Deu-se no interrogatório do primeiro depoimento do delator Paulo Roberto Costa. Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulinho, como Lula o chamava, foi inquirido em outubro de 2014.

Funcionário de carreira da Petrobras, o réu chegou à diretoria por indicação do PP, um dos partidos que agora se achegam aos cofres da gestão Bolsonaro. Antes de dar por encerrado o interrogatório, Moro perguntou se Paulinho gostaria de "dizer alguma coisa".

E o réu: "Queria dizer só uma coisa, Excelência. Eu trabalhei na Petrobras 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos. Se houve erro - - e houve, não é? - foi a partir da entrada minha na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia."

Ou seja: em meio a muitas dúvidas sobre o modo como Bolsonaro administra o balcão, só uma coisa é certa: ainda que o centrão retirasse coelhos de suas cartolas, o objetivo do grupo seria transformá-los em gambás.

De acordo com o Datafolha, 64% dos entrevistados disseram que Bolsonaro descumpre o que prometera na campanha de 2018 sobre o modo como se relacionaria com o Legislativo. Esse sentimento coletivo tem um nome na política. Chama-se estelionato eleitoral.
Herculano
30/05/2020 15:47
NEM É PIPINHO. É O INÍCIO DO DESASTRE, por Celso Ming, no jornal O Estado de S. Paulo

A marcha à ré no crescimento da renda pega só a pontinha da forte queda do consumo e produção; a destruição vai ser registrada nos trimestres seguintes

Aqui vão algumas observações sobre o resultado do PIB do primeiro trimestre divulgado nesta sexta-feira: um recuo de 1,5% sobre o PIB do trimestre anterior.

É só o começo.
Essa forte marcha à ré no crescimento da renda já era esperada, mas isso não alivia. Pega só uma pontinha da forte queda do consumo e da produção que veio depois, porque o isolamento social só foi adotado no Brasil na última semana de março. A destruição do tsunami que veio em seguida vai ser registrada nos trimestres seguintes, especialmente no segundo e no terceiro. E vai ser um desastre avassalador que, no entanto, já está sendo previsto ou já está no preço, como se diz no mercado financeiro, embora não se saiba ainda em que proporções.

Iniciou lá fora.
Os números negativos do primeiro trimestre refletem tanto as incertezas que já vinham se avolumando quanto os graves problemas nos principais países que já estavam atolados na pandemia, especialmente China e Europa. E contou, também, a prostração que atingiu a Argentina. O consumo interno já vinha baqueando bem antes do início da quarentena, na medida em que o desemprego começou a crescer em janeiro, porque as empresas anteviram o que já estava a caminho e se anteciparam nas dispensas de pessoal e, pior, no adiamento de novas contratações. As estatísticas do Caged e da Pnad, divulgadas na semana que passou, já mostravam esse estrago.

O baque nos serviços.
Assim como o uso do cachimbo deixa a boca torta, há certo desvio na percepção do brasileiro de que PIB por aqui é principalmente comportamento da indústria. Por isso, tende a ver tudo o que de ruim acontece no PIB como reflexo do mal das pernas que atinge em cheio o setor industrial. É preciso não perder de vista as proporções. Pelos dados das Contas Nacionais de 2019, o setor de serviços tem um peso de 74% no tamanho do PIB do Brasil: são transportes, comércio, turismo, ensino, serviços de saúde, setor financeiro, comunicações, informática, correios, serviços pessoais, etc. A indústria de transformação entra com 11% e a agropecuária, com apenas 5,2%. Por isso, para o bem ou para o mal, o impacto maior no PIB vem do setor de serviços. No primeiro trimestre, essa fatia caiu mais do que a indústria, 1,6% ante 1,4%. Desta vez, o comportamento pior refletiu a retração do consumidor que apenas se acentuou com as perdas de salário e renda.

Sem repeteco.
As estatísticas de investimento e poupança do primeiro trimestre (ver gráfico abaixo) foram a maior surpresa do PIB. A poupança avançou de 12,2% do PIB para 14,1% do PIB. E o investimento subiu de 15,0% para 15,8%. Em boa parte tem a ver com efeitos estatísticos e, também, com aumento de importações de equipamentos de petróleo. Mas esse avanço não se repetirá tão cedo.

Tentativa e erro.
O que há são apostas e não propriamente previsões. Quem disser que tem certeza sobre o tamanho da queda do PIB deste ano ou está desinformado ou desregulado. Uma das chaves é a retomada da atividade econômica, variável incerta. As autoridades estavam no escuro quando determinaram o início do distanciamento social e continuam no escuro neste início de flexibilização, quando o País vai batendo recordes de contaminação e de mortes pelo novo coronavírus e, ainda assim, os números chegam com indícios de subnotificação.

Mas há outra variável que pode piorar tudo: a política. Os desencontros entre os poderes institucionais são graves e recorrentes, de desfecho também imprevisível, neste ano de eleições municipais. A última estimativa feita por 73 analistas de economia, tal como relatada pelo Boletim Focus, do Banco Central, é de queda do PIB de 5,1% em 2020. É projeção sujeita a constantes revisões porque não passa de exercício de tentativa e erro.
Miguel José Teixeira
30/05/2020 09:36
Senhores,

AGU SE ESQUIVOU DE HABEAS CORPUS PARA WEINTRAUB, por Cláudio Humberto, na coluna abaixo replicada.

Bom. . .ao contrário do estafeta terrivelmente evangélico do MiJuS, José Levi Mello do Amaral JúnioR seguiu à risca a demanda do "capitão zero-zero": ordens absurdas não se cumprem!

Além do mais, José Levi é Advogado Geral da União e não advogado da união de patifes que orbitam no Executivo.

Exemplos assim, nos dão esperanças que nem tudo está dominado como querem os negacionistas, não é ARAS?
Herculano
30/05/2020 08:38
ESTICA A CORDA

Nos ultíssimos dias, de saco cheio desse nheco-nheco, eu que sou abertamente contra, pois se trata de prejudicar o Brasil e os brasileiros, defendi, que o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, fosse até as últimas consequências nesta aventura contra o STF.

E por que defendo isso: para ver quem realmente tem bananas na banca para vender, pois até agora, só há pregão.

Fiz isso, porque Bolsonaro fez o mesmo com o Congresso, e no fritar das bananas, voltou ao pior da receita: o Centrão e cedeu as calças como todos quando na presidência cederam até aqui. E olha que Bolsonaro foi eleito exatamente para não tirar as calças.

Volto. E não deu outra. Desde ontem, está em curso a operação apaga incêndio, de ambos os lados. E por que? Porque Bolsonaro, via seus filhos enrolados e amalucados, não tinha as bananas que anunciou contra o STF. Se ele não se cuidar, o inquérito das Fake News, vai parar o Tribunal Superior Eleitoral, e reaberto o processo que já se fechou sobre a eleição de Bolsonaro, dá cassação. E não só de Bolsonaro, mas também do vice General Hamilton Mourão.

Ontem mesmo, o amalucado do ministro da Educação Abraham Weintraub, colocou a viola no saco, e cumpriu a ordem judicial que o obrigava a depor à Polícia Federal - que o Bolsonaro quer como a sua polícia - no inquérito do STF sobre as suas declarações de que por ele mandava prender todos, inclusive esse vagabundos do STF. Atendeu a ordem judicial e não falou nada. Mas atendeu, ao contrário da bravata que ameaçava.

O presidente do STF, Dias Toffoli, internado e adoentado, do Hospital, tentava contornar a crise. No Palácio do Planalto, Bolsonaro, fechou a boca. Os filhos, foram para as redes sociais com amenidades ou como vítimas.

Como no caso do Congresso, Bolsonaro, sabe que foi inábil com o STF. Ambos precisam de mudanças, mas não será com um soldado e um cabo. Será com sucessivas eleições ou substituições de depurações.
Herculano
30/05/2020 08:22
GENTE DESCONFIADA

Há empresário e conhecido dos gasparenses que financiou impulsionamentos de mídias sociais e principalmente aplicativos de mensagens durante a campanha de Jair Messias Bolsonaro, sem partido, e que agora está muito preocupado.

Percebeu, um pouco tardiamente, que o buraco é mais embaixo. O que o que era uma brincadeira entre amigos para mudar o que não aguentava mais na sacanagem dos instalados no poder de plantão e nos partidos tradicionais, financiou também uma máquina de ódio que não parou mais. Mesmo depois da vitória de Bolsonaro, para mantê-lo no poder, ela vive desestabilizando instituições e expondo reputações de que não é gado dessa gente.

E não tem jeito: bastou um milímetro de altivez, como o caso mais recente do ex-juiz da Lava Jato e ministro da Justiça Sérgio Moro, que vira alvo como traíra, incompetente, comunista...

Esse empresário, segundo ele, fez isso motivado por Luciano Hang, da Havan, e outros do circuito, de quem se diz próximo. O inquérito da Fake News, está fazendo rastreamentos para pegar a rede de "amigos" de Luciano que direta ou indiretamente financiaram os impulsionamentos das redes sociais e aplicativos de mensagens.

Pior do que isso, além de ficar exposto, agora, o empresário poderá estar contribuindo para a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, objeto do ministro Alexandre de Morais, do STF, ao tentar levar este assunto para o Tribunal Superior Eleitoral.

Ele justifica que contribuiu no escuro para uma causa "boa" e não para uma guerra sem limites e que pode derrubar o vencedor da primeira batalha. Poderá ser tarde demais esta avaliação.
Herculano
30/05/2020 08:05
da série: estratégia para "fugir da comoção", quando as provas forem inevitáveis

CARLOS BOLSONARO "DEVE SER ATINGIDO NA ETAPA FINAL DO INQUÉRITO"

O inquérito das Fake News "já fechou o cerco sobre o 'gabinete do ódio', grupo de assessores do Palácio do Planalto comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro", diz o Estadão.

"Num primeiro momento, Alexandre Moraes optou por focar nos tentáculos operacionais do 'gabinete do ódio'; o filho do presidente da República deve ser atingido na etapa final do inquérito, com o aprofundamento das investigações. O cálculo político que estaria sendo feito é o de que o envolvimento de nomes mais graúdos nessa etapa poderia comprometer os trabalhos."
Herculano
30/05/2020 07:51
da série: as coisas já não vinham bem antes do coronavírus, cujo tempo era dedicado a arrumar uma encrenca institucional todos os dias, estimulada pelos filhos do presidente e seu guru astrólogo.

GUEDES RECONHECE QUE ECONOMIA PODIA ESTAR EM "ESTADO MEIO ANÊMICO" ANTES DA PANDEMIA

Ministro reafirma que recuperação será em V, mas diz que 'pode ser um V meio torto? Pode. Pode ser um V da Nike? Pode'

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fábio Pupo, da sucursal de Brasília. O ministro Paulo Guedes (Economia) disse nesta sexta-feira (29) que fará uma análise detalhada do PIB no primeiro trimestre para checar se a economia estava bem antes da pandemia do coronavírus. Segundo ele, o estado da atividade podia estar "meio anêmico" já nos dois primeiros meses do ano.

Os dados do PIB foram divulgados mais cedo nesta sexta pelo IBGE. A economia teve retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores. Essa é a maior queda desde a retração de 2,1% no segundo trimestre de 2015.

"Vou pedir para desagregarmos. Para vermos se nos dois primeiros meses já estávamos decolando e no terceiro mês a crise nos derrubou, ou se já estávamos em estado meio anêmico", afirmou em seminário virtual promovido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Ele afirma que, em sua visão, indicadores positivos no começo do ano como exportações, arrecadação e investimentos diretos sinalizavam uma situação melhor. "A impressão que eu tinha era que tínhamos começado a andar", disse.

As declarações contrastam com as falas anteriores do ministro. Há cerca de dois meses, Guedes disse que as economias centrais estavam caindo quando a do Brasil iniciava uma decolagem. "Estávamos em pleno voo, começando a decolar quando fomos atingidos por essa onda", disse Guedes em março.

Nesta sexta, Guedes afirmou que o país começará a sair do que chamou de letargia com a retomada dos trabalhadores às atividades. "Imagino que o retorno será segmentado, não será todo mundo ao mesmo tempo, e será por unidades geográficas. Há regiões onde o risco está sendo maior", disse.

O ministro reafirmou que acredita em um formato de recuperação em V. "Falo em V porque os sinais vitais da economia estão mantidos. Pode ser um V meio torto? Pode. Pode ser um V da Nike? Pode", disse.

Ele faz referência ao logotipo da marca esportiva, que tem a segunda perna do "V" mais deitada (indicando uma recuperação mais lenta). "Dependendo da nossa reação pode ser U ou até L, só depende de nós", disse.

Guedes criticou as brigas políticas durante a pandemia e, ao mesmo tempo, buscou defender o governo de críticas. "É cretino atacar o governo do próprio país em vez de ajudar o governo do próprio país num momento desse", disse.

Para ele, o governo está sendo apedrejado. "Ninguém quer apoio a erros. Cometemos erros? Nos critiquem, nos ajudem. Mas você, no meio de uma luta para salvar vidas, ficar sendo apedrejado enquanto ajuda? A mim não afeta, não derruba. É um crime contra a população brasileira", afirmou.

Ele defendeu que o momento é de deixar brigas de lado e remar para se chegar em terra firme, quando, em sua visão, as disputas poderiam ser retomadas. "Quando chegar na margem, briga de novo", disse. "Se brigar a bordo do barco, o barco naufraga", afirmou.

"Quando um Poder pisa no pé do outro, o outro dá um empurrão de volta. Isso é natural. Não é para a gente dizer que o Brasil vai acabar por conta disso, que o Brasil vai parar, que nunca mais vai funcionar, que é uma destruição do capital institucional que temos, que é um golpe. Não tem nada disso. É natural. É natural. É da própria crise", afirmou.

Ele disse que é preciso concentração nos desafios do país em vez de "atrapalharmos uns o trabalho dos outros, incriminarmos uns aos outros".

"Precisamos de cooperação, colaboração, compreensão, solidariedade e fraternidade", disse.

Guedes ainda criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou neste mês que o coronavírus teria sido positivo por demonstrar a importância do Estado.

"Há uma falácia circulando por aí, um raciocino até cruel. De que foi muito bom o coronavírus vir para mostrar como é importante ter Estado", disse Guedes. "É um erro intelectual, é uma completa falta de solidariedade dizer que foi bom para mostrar que tem que ter Estado", afirmou o ministro.

Guedes disse que os Estados Unidos têm participação reduzida do Estado e mais recursos para a crise. "A nação que lança mais recursos para proteger as pessoas é a mais rica, a que tem menor Estado. Não podemos voltar ao passado, temos que ir a um futuro diferente", afirmou o titular da equipe econômica.

Lula deu a declaração alvo das críticas na semana passada.

"Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus, porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises", disse o ex-presidente no dia 19.

Após a repercussão, Lula pediu desculpas e disse que a frase foi infeliz.
Herculano
30/05/2020 07:44
AGU SE ESQUIVOU DE HABEAS CORPUS PARA WEINTRAUB, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Provocou mal-estar no Planalto a omissão da Advocacia Geral da União (AGU) na iniciativa de impetrar habeas corpus em favor do ministro Abraham Weintraub (Educação), para evitar o depoimento à Polícia Federal. A oitiva, afinal realizada nesta sexta (29), foi uma espécie de retaliação à referência que Weintraub fez aos "vagabundos do Supremo", diante da dificuldade de enquadrá-la como crime. Com a omissão, o ministro André Mendonça (Justiça), ex-chefe da AGU, tomou a iniciativa.

SEM EXPLICAÇõES

Não há explicação oficial sobre a recusa do ministro-chefe da AGU de impetrar o habeas corpus em favor do ministro da Educação.

AMIGOS, AMIGOS

Amigos do ministro José Levi Mello do Amaral Júnior (AGU) dizem que ele não impetrou o "HC" por ser amigo do ministro Alexandre de Moraes.

RESPOSTA óBVIA

O Ministério da Justiça não explicou a atitude omissa da AGU. Recorreu à obviedade de que "qualquer um pode impetrar habeas corpus".

DIFÍCIL ENQUADRAR

Dificilmente Weintraub será acusado de crimes de injúria ou difamação: ele insultou o STF em reunião fechada, que não sabia ter sido gravada.

PT AMEAÇA EXPULSAR FILIADO QUE ATUA CONTRA COVID-19

O PT deu outra mostra de que o interesse da população não é uma prioridade, e ameaçava expulsar do partido Jeansley Lima, presidente da empresa pública Codeplan, do governo do Distrito Federal, figura central do elogiado sistema de monitoramento da covid-19 que permitiu ao DF agir com precisão e registrar a menor taxa de letalidade do Brasil. Para o PT, isso pouco importa. Ameaçado, Lima fez melhor: deixou o partido.

NÃO PERDERAM TEMPO

A ameaça de expulsão era dos dirigentes do partido Geovanny Silva e Ricardo Vale, que pareciam não suportar o êxito do correligionário.

NUNCA FIZERAM ISSO

O governador Ibaneis Rocha (MDB) convidou Lima por sua qualificação técnica e não indicação política. Isso não faz sentido, na visão do PT.

VERDADEIRA ÍNDOLE

Ibaneis se disse surpreso com a retaliação contra o filiado com 20 anos de partido. "Esse é o PT que as pessoas não podem esquecer", disse.

MÃO QUE LAVA OUTRA

O partido Rede continua "tocando de ouvido" com o STF. Desistiu da ação em que pedia a anulação do inquérito do ministro Alexandre de Moraes porque, afinal, agora serve ao propósito de desgastar o governo. Partido de um único deputado, o Rede coleciona vitórias no STF.

Só COM DOR NAS COSTAS

O ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) afirmou que não perde o sono com a ameaça de "impeachment" por partidos de oposição. "Perco o sono quando sinto dores nas costas", diz ele.

PARASITISMO ESPECIALIZADO

A pelegada que diz representar funcionários da Caixa fará uma "live" com "especialistas" para defender a suspensão das privatizações até 2022. Os "especialistas" são pelegos e ativistas ligados ao PT, claro.

ZAP É Só O MENSAGEIRO

É inconstitucional juiz suspender Whattsapp, diz o ministro Edson Fachin, relator da ação que alega o desrespeito ao princípio da liberdade de expressão. Como parece ter dúvidas sobre o direito a essa liberdade, o ministro Alexandre de Moraes pediu vista, suspendendo o julgamento.

CONTROLE DAS REDES SOCIAIS

Projeto do deputado Marcelo Brum (PSL-RS) quer obrigar empresas de redes sociais a condicionarem o registro de páginas no Twitter ou no Facebook, por exemplo, ao cadastramento prévio do CPF ou do CNPJ.

INCERTEZA NA MÍDIA

O Indicador de Incerteza da Economia (FGV), composto primariamente pela análise do humor da imprensa, caiu 20,2 pontos em maio. A incerteza continua a subir, mas a menos de um terço do ritmo de abril.

COMEÇO DO FIM?

O site Worldometer, que monitora a evolução do coronavírus, informa que o número de casos encerrados ultrapassou o total de casos ativos no mundo. São 3 milhões no total, sendo 88% de pessoas curadas.

PERDEU, NASA

Nasa e SpaceX tiveram de cancelar primeira missão tripulada em mais de 9 anos, devido ao mau tempo. Na base de Alcântara (MA), que o governo disponibilizou às empresas, as condições estavam perfeitas.

PENSANDO BEM...

...se xingar na internet é caso de polícia, Alexandre de Moraes terá de agir para criar mais vagas nos presídios, coisa pouca, uns 40 milhões.
Herculano
30/05/2020 07:34
da série: um recado claro de que o voto em Bolsonaro foi por mudanças e não por alinhamentos às velhas práticas políticas, dúvidas e corrupção. Bolsonaro só voltou à origem, onde sempre esteve, partidos do Centrão, entre eles e por mais tempo, no PP nos seus 28 como parlamentar obscuro.

67% REJEITAM APROXIMAÇÃO DE BOLSONARO COM O CENTRÃO, DIZ DATAFOLHA

Entrevistados veem presidente descumprindo promessa de não negociar cargos e verbas por apoio

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Felipe Bächtold. A maioria da população reprova a iniciativa do governo Jair Bolsonaro de negociar cargos e verbas com congressistas, de acordo com pesquisa Datafolha.

A maior parte dos entrevistados também entende que o presidente não está cumprindo a promessa da campanha eleitoral de não oferecer vagas no governo e a liberação de recursos para obter apoio no Congresso.

O Datafolha ouviu 2.069 pessoas na segunda (25) e na terça-feira (26) em todo o país.

Disseram que o presidente age mal ao negociar cargos e verbas 67% dos entrevistados, ante 20% que entendem que ele age bem.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Por causa da pandemia do novo coronavírus, as entrevistas foram feitas por telefone, método que exige questionários rápidos, sem a utilização de estímulos visuais.

Nas últimas semanas, o presidente, que se elegeu pelo PSL e está sem partido desde o ano passado, promoveu uma aproximação com legendas do chamado centrão para ampliar seu apoio no Congresso.

Partidos como PP, PL e Republicanos estão gerenciando a distribuição de cargos da administração federal para atrair siglas menores à base governista no Congresso.

Houve nomeações para cargos como a direção do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e para a superintendência de trens urbanos do Recife, por exemplo, de indicados do Avante e do PSC, respectivamente.

Na pesquisa, 64% disseram que o presidente não está cumprindo o que prometeu na eleição de 2018 sobre a relação com o Legislativo. Acham que ele está cumprindo a promessa 29%, e 8% não souberam responder.

Nas duas perguntas sobre o assunto, a reprovação ao comportamento do presidente tende a ser maior entre jovens de 16 a 24 anos e entrevistados com ensino superior.

Entre aqueles que dizem ter votado em Bolsonaro em 2018, as taxas se invertem, e 49% consideram que o presidente está cumprindo a promessa, ante 42% que veem descumprimento do anunciado na época.

Na disputa eleitoral, o atual presidente costumava falar em acabar com o que chama de "velha política", moldada no toma lá dá cá.

O "toma lá" são os vários cargos de segundo e terceiro escalão da máquina federal, postos cobiçados por caciques partidários para manter seu grau de influência em Brasília e nos estados.

O "dá cá" é uma base de apoio mínima no Congresso para, mais do que aprovar projetos de seu interesse, evitar a abertura de um possível processo de impeachment.

Para afastar Bolsonaro da cadeira presidencial, são necessários ao menos 342 dos 513 deputados, além de um clima propício à destituição - economia em frangalhos e tensão nas ruas, por exemplo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já recebeu dezenas de pedidos de impeachment de Bolsonaro, mas não decidiu ainda se dá seguimento à tramitação dessas solicitações.

Líderes de partidos do centrão afirmam que Bolsonaro enquadrou ministros que resistiam em ceder cargos de suas pastas ao grupo, deixando claro que quem se opuser pode ser demitido.

Ao se lançar candidato em 2018, o atual presidente tinha o apoio só do nanico PRTB, sigla de seu vice, Hamilton Mourão.

Após a vitória, o eleito decidiu deixar de lado na montagem de seu primeiro escalão a divisão partidária de apoio, como era o padrão entre seus antecessores, e escolheu nomes que não tinham sido indicados pelos partidos, além de vários militares sem atuação política.

O DEM, por exemplo, assumiu três ministérios, mas não é considerado integrante do bloco governista.

À época, a medida era vista como uma quebra na era do "presidencialismo de coalizão", modelo no qual o eleito negocia com partidos o apoio parlamentar oferecendo nomeações em ministérios.

Com o passar do tempo, Bolsonaro foi enfrentando dificuldades na sua relação com o Congresso, em que pese a aprovação da reforma da Previdência, em 2019.

Em abril deste ano, por exemplo, o Senado deixou caducar uma medida provisória que tratava de uma das bandeiras do ministro da Economia, Paulo Guedes, a criação do emprego Verde e Amarelo, com regras mais flexíveis.

A pesquisa mais recente do Datafolha também mostrou um crescimento da rejeição ao presidente na esteira da crise do coronavírus.

O índice de entrevistados que disseram que ele faz um governo ruim ou péssimo passou de 38% no fim de abril para 43% nesta semana. A taxa de ótimo ou bom se manteve estável, em 33%.
Miguel José Teixeira
29/05/2020 21:37
Senhores,

E o estafeta do ministério da iducassão, hein?

Comportou-se na oitiva na PF, como um poeta (segundo o Romário) e acabou por corroborar com a máxima:

"É melhor ficar calado e passar por ignorante, do que falar e provar que é ignorante!"

Estraçalhou sua mediocridade cristal!
Miguel José Teixeira
29/05/2020 19:44
Senhores,

Em entrevista ao UOL:

"José Dirceu: Lula e Ciro têm de se unir para derrotar Bolsonaro" ...

Parece-me que o mentor da maior quadrilha que já existiu no mundo não está livre, leve e solto e sim, acorrentado em uma masmorra da idade medieval.

Acorda zé!

A URSS já foi dissolvida. O muro de Berlin já caiu. Fidel já se foi e não deixou saudades e a atualidade é o GRANDE LEGADO da sua quadrilha, liderada pelo ex e futuro presidiário lula: o PENTIUNVIRATO ZERO-ZERO!
Herculano
29/05/2020 19:05
REDE PEDE QUE STF NÃO ACABE COM INQUÉRITO DAS FAKE NEWS

Aras pediu a suspensão

Investiga bolsonaristas


Conteúdo do Poder 360. Texto de Matheus Maia. A Rede pediu ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que não acabe com o inquérito das fake news. O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu pelo encerramento e o ministro encaminhou para o plenário da Casa.

O partido argumenta que, como o inquérito se baseia em uma norma do regimento interno do tribunal, não cabe o instrumento usado por Aras. Eis a íntegra da petição da sigla (291 KB).

O pedido da PGR veio em resposta à operação realizada nesta 4ª feira (27.mai) pela Polícia Federal, que cumpriu 29 mandados de busca e apreensão e solicitou a quebra de sigilo bancário de empresários e aliados do presidente Jair Bolsonaro. A investigação apura o financiamento e a disseminação de conteúdos falsos em redes sociais e ataques ao STF.

Fachin decidiu nesta 5ª feira (28.mai.2020) encaminhar ao plenário o pedido de suspensão do inquérito das fake news, feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.

Não há previsão de quando o tribunal vai analisar o tema. Fachin, que é o relator do caso, reforçou a indicação de preferência de julgamento da ação à Presidência do Supremo, que tem o poder de pautar a análise.
Herculano
29/05/2020 16:40
EFEITO METEORO DEVE DERRUBAR PIB EM 10% NO 2º TRIMESTRE, DIZEM ECONOMISTAS

Perda de fôlego da economia era esperada no começo do ano; analogia feita por ministro se concretiza daqui para frente
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Textos de Eduardo Cucolo e Nicola Pamplona, respectivamente de São Paulo e Rio de Janeiro. A retração de 1,5% da economia brasileira no primeiro trimestre de 2020 foi apenas um sinal inicial do impacto da crise do coronavírus, que chegou a ser descrito pelo ministro Paulo Guedes (Economia) como um "meteoro" que tirou o país da trajetória de recuperação.

Desde o final do ano passado, a projeção era de perda de fôlego para o crescimento no começo de 2020. Apesar de a retração trazer um cenário pior que o previsto lá atrás, o resultado do primeiro trimestre não traduz adequadamente os efeitos econômicos da crise. O baque da pandemia, afirmam os economistas, será retratado em sua totalidade apenas nas próximas divulgações do PIB (Produto Interno Bruto).

Para o segundo trimestre deste ano, as projeções apontam uma retração em torno de 10% em relação aos três primeiros meses do ano. A expectativa é que abril possa ter sido o fundo do poço e que a economia comece a se recuperar, muito lentamente, a partir desse ponto, com já mostram alguns dados econômicos preliminares.

Não se espera uma normalização total das atividades para este ano, mas uma reabertura gradual pode dar fôlego à recuperação, desde que não haja uma segunda onda de contaminações pelo vírus.

Com isso, o PIB voltaria a crescer em 2021, mas só chegaria à situação do final de 2019, que já não era tão boa, em 2022, último ano do atual mandato presidencial.

O Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) revisou a projeção de queda do PIB neste ano de 5,4% para 6,4%. Para o segundo trimestre, é esperada queda de 9,4% em relação ao trimestre anterior.

O Itaú Unibanco manteve a projeção de queda de 4,5% para 2020 e espera contração de 10,6% no trimestre. Patamares semelhantes aos projetados pelo Banco Inter, que vê recuos de 4,5% no ano e de 11% no segundo trimestre. Mais pessmista, o banco UBS fala em 16% no segundo trimestre e 7,5% no ano.

Luana Miranda, pesquisadora da área de Economia Aplicada do Ibre, afirma que o dado do consumo das famílias veio pior que o projetado pela instituição.

Ela diz que a economia não estava tão pujante nos meses de janeiro e fevereiro, mas que não haveria uma queda do PIB no primeiro trimestre se não fosse a pandemia.

Instituição Projeção para de queda do PIB no 2º trimestre Projeção de retração para 2020
Ibre/FGV -9,4% -6,4%
Itaú Unibanco -10,6% -4,5%
Banco Inter -11% -4,5%
Goldman Sachs -12,9% -7,7%
Banco ABC -12% -6,0%
Necton -9% -7,5%

"Apesar de a economia não estar bombando em janeiro e fevereiro, não haveria queda no PIB se não fosse a quarentena. Podeira não ser um crescimento espetacular, mas uma queda não estava nas nossas contas antes da crise", afirma.

Luana afirma que não será possível recuperar em 2021 tudo o que será perdido neste ano, embora se espere crescimento por conta da base de comparação favorável.

"Essa recuperação, essa volta para o período pré-coronavírus, só em 2022. O país já tinha problemas estruturais que está há décadas tentando resolver, já vinha com desemprego alto, muitos desalentados, dívida alta em comparação com outros emergentes, Essa crise intensifica os nossos problemas econômicos. A bola de neve é maior para 2021", afirma Luana.

"Mesmo que haja uma reabertura da economia, essa recuperação vai ser gradual. As pessoas não vão voltar da noite para o dia só porque o governo liberou. E um encerramento do isolamento antes do tempo pode trazer uma nova onda de contaminação."

A economista do Itaú Unibanco Julia Gottlieb afirma que os dados de maio já mostram pequenos sinais de recuperação da atividade e que, a partir do terceiro trimestre, se espera uma retomada conforme as medidas de isolamento social forem diminuindo.

"Obviamente, isso requer que a gente passe pelo pior da curva de casos da doença, mas já começa a ter sinais de relaxamento das medidas de isolamento. Existem incertezas sobre a velocidade da retomada e da capacidade de recuperação no pós-pandemia, mas a gente vê uma volta ao longo do segundo semestre", afirma Gottlieb.

Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco, afirma que entre os riscos para a projeção feita pelo banco está uma propagação do vírus que não permita a reabertura da economia como tem sido anunciada por algumas autoridades. Ele disse não trabalhar com uma normalização total de todos os setores neste ano.

"A gente considera que você vai reabrindo gradualmente, com algumas restrições. No final do ano, vai estar mais próximo do normal, mas não 100% normal como estava antes dessa história toda começar. Alguns setores vão reabrir parcialmente. É razoável ter um cenário em que teatros e cinemas voltam com ocupação de um terço ou metade da capacidade", afirma.

Rafaela Vitoria, do Banco Inter, frisa que, mesmo em cidades que já reabriram o comércio, as vendas dos shoppings têm se situado em torno da metade do que ocorria antes da pandemia. A retomada, diz ela, vai depender também do sentimento de segurança da população em relação aos riscos de contaminação.

Na sua opinião, a contração no consumo nos primeros meses de pandemia está mais ligada a questões sanitárias, como o medo de contaminação ou as restrições ao comércio, do que ao desemprego ou à perda de renda, já que os programas de auxílio federal estão injetando dinheiro na economia.

Ela cita como exemplo o aumento da taxa de poupança interna, que passou de 12,2% para 14,1% no primeiro trimestre, em um sinal de que a população decidiu segurar dinheiro diante das incertezas. " É uma crise bem diferente de outras. Não é um estranglamento econômico, de crédito."

Mas, a depender da duração das medidas de isolamento, pondera a economista, o aprofundamento das taxas de fechamento de empresas e de desemprego pode prejudicar ainda mais a retomada.

"Alguma recuperação vai ter no segundo semestre, mas há grande dúvida sobre a velocidade", diz ela. "Vai depender muito da evolução da pandemia, das taxas de contaminação, de ocupação de hospitais... A partir do momento em que pessoas se sentirem mais seguras, vão voltar."
Herculano
29/05/2020 16:35
da série: o valente não apostou as suas fichas contra a banca, ou seja, tem mais discurso do que fatos. E por que ele formalmente depôs, mesmo ficando em silêncio? Porque o Habeas Corpus para ele não depor não tinha sido apreciado e o prazo corria contra o ministro e poderia isso se caracterizar desacato à ordem judicial.

WWITRAUB DEPõE À PF NO INQUÉRITO DAS FAKE NEWS

Conteúdo de O Antagonista. Abraham Weintraub prestou depoimento na manhã desta sexta (29) à PF no âmbito do inquérito das fake news do STF, informa a GloboNews.

O depoimento do ministro foi tomado no Ministério da Educação.

A ordem para que Weintraub depusesse partiu de Alexandre de Moraes, o relator do inquérito do STF, depois que veio à tona o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, no qual o ministro diz "por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF".

Como publicamos, o ministro da Justiça, André Mendonça, havia entrado com habeas corpus preventivo no Supremo para tentar suspender o depoimento.
Herculano
29/05/2020 13:37
da série: Os Bolsonaros e bolsonaristas pelo jeito estão esticando a corda, mas no próprio pescoço. A caserna está incomodado...

GENERAL SANTA ROSA DIZ QUE PEDIDOS POR INTERVENÇÃO PODEM AFASTAR MILITARES DO GOVERNO

Conteúdo. O general Maynard Santa Rosa, ex-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, afirmou nesta sexta-feira (29) que as manifestações pedindo intervenção militar são "apologia perigosa".

"É uma insensatez que está se tornando normal, uma apologia perigosa", disse ao Uol.

Para Santa Rosa, os militares não aderem aos protestos.

"Se insistirem nisso, o tiro poderá sair pela culatra. O estímulo à indisciplina pode forçar o Exército Brasileiro a sair da zona de conforto. [O que representaria] Talvez uma atitude de afastamento deliberado do governo."
Herculano
29/05/2020 13:28
JORNALISMO CAPENGA

A manchete do jornal Hoje, de hoje, diz que o Rio de Janeiro já tem mais mortos que o da China.

Pergunta básica: na China há imprensa livre, os dados e as estatísticas são confiáveis e auditáveis internacionalmente? Se até no Brasil, há dúvidas sobre eles e se fala em sub-notificação.

Jornalismo sério, compararia com Itália, Espanha, Estados Unidos e outros do tipo. Meu Deus!
Herculano
29/05/2020 13:25
STF VAI PAGAR PARA VER OS BLEFES E O SUPOSTO CACIFE DE JAIR BOLSONARO, por Andrei Meireles, em Os Divergentes.

A Justiça deve impor limites a tentativas do presidente de querer transformar malfeitos da sua família e crimes atribuídos a seus operadores nas redes sociais em crise institucional

Evidente que a tensão em Brasília beira a uma explosão. Numa troca equivocada de endereços, a combustão é atribuída pelo presidente Bolsonaro e seu entorno ao Supremo Tribunal Federal. Não é. A crise tem origem, meio e futuro incerto nos erros e medos do passado e do presente do próprio clã Bolsonaro. É uma sequência de trapalhadas, com seguidos atropelos a leis para encobrir outros malfeitos no que virou um novelo do qual eles não mais conseguem se desvencilhar.

Numa total inversão de valores, inclusive da clássica frase do pensador romano Horácio, a impressão agora é de que o rato é quem tem a pretensão de parir a montanha. Estão forçando a barra para transformar em crise institucional a exposição do drama do presidente e de sua família com fantasmas do seu passado. Pelo que foi escancarado nas apurações dos promotores do Rio de Janeiro, o clã Bolsonaro, em seus mandatos legislativos, também se fartou na boquinha da rachadinha corriqueira há décadas nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional.

Só para contextualizar. Como os salários dos funcionários em todos os parlamentos são altos, desviar uma parcela desses vencimentos para financiar atividades políticas e até para o enriquecimento pessoal de políticos e de seus homens ou mulheres de confiança se tornou uma prática comum. O que agrava a situação no caso dos Bolsonaros é também a exposição de suas ligações com as milícias na gestão das verbas públicas de seus gabinetes pelo sumido Fabrício Queiroz.

Por mais estreita que seja, essa é a moldura dessa iminente crise institucional. O que se agrega a isso é a primária mas eficiente máquina de fake news montada sob a inspiração do vereador Carlos Bolsonaro, o 02. É a ela que Jair Bolsonaro atribui a principal responsabilidade por sua surpreendente vitória eleitoral. Como essa turma continuou extrapolando, mesmo depois de chegar ao governo, acabou caindo em uma rede de apuração estatal.

A maior ironia é que foram fisgados por uma rede armada pelo presidente do STF, Dias Toffoli, a cargo do ministro Alexandre de Moraes, em que meados do ano passado o presidente Bolsonaro chegou a apostar suas fichas para baixar a bola de Sérgio Moro e da Polícia Federal. A motivação do presidente naquela época, preservar sua família de investigações policiais, é a mesma de agora. A diferença é que esse inquérito do STF, que nasceu ilegal e foi corretamente questionado pela procuradora Raquel Dodge, ganhou o aval do novo procurador-geral Augusto Aras e do então advogado-geral da União André Mendonça, hoje ministro da Justiça, que só agora, na volta do cipó de aroeira, o questionam.

Isso soa muito mal nas instituições de origem de Aras e Mendonça. O que se fala ali é que eles estão se apequenando na disputa, estimulada pelo presidente da República, pelas vagas a serem abertas em novembro pela aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello e, em julho do ano que vem, por Marco Aurélio Mello. Mas Bolsonaro está fazendo da escolha de ministros do STF uma barganha escancarada. Em uma live na internet na noite dessa quinta-feira, ele fez questão de dizer que já tem três nomes para as duas vagas previstas em seu mandato. Elogiou a "atuação excepcional" de Aras na PGR e lhe prometeu uma hipotética terceira vaga no Supremo. "Se aparecer uma terceira vaga, espero que ninguém ali (no Supremo) desapareça, o nome de Augusto Aras entra fortemente".

Bolsonaro está prometendo até lote na Lua para investigadores que dispõe da caneta para denunciá-lo ou julga-lo. Suas reiteradas ameaças à democracia ocorrem em meio a esse jogo rasteiro, em que reveza ofertas de benesses com caneladas e cotoveladas, e está exigindo uma repreensão exemplar do árbitro decisivo nas bolas divididas na democracia, o plenário do Supremo Tribunal Federal.

Até porque o chororô interno entre os bolsonaristas é de que o Congresso e o STF estão tolhendo o direito conquistado nas urnas para governar o país. No Parlamento, as derrotas mais vistosas foram a do então ministro da Justiça Sérgio Moro, sabotadas pelo próprio presidente. Mesmo sem o apoio efetivo do Palácio do Planalto, o ministro Paulo Guedes aprovou mais que seus antecessores em muitos anos, inclusive quebrou o tabu da Reforma da Previdência.

Não dá nem para reclamar de fisiologismo na relação com os parlamentares. "Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se", proclamou em fevereiro o general Augusto Heleno, em uma solenidade de hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, que virou slogan nas manifestações bolsonaristas. "Esses caras", general, são os queridinhos do Centrão tratados hoje a pão de ló pelo Palácio do Planalto.

Quais foram mesmo as derrotas do governo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal? A mais evidente foi suspensão da nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal em meio a grave denúncia de que o presidente da República queria interferir na polícia para escalar alguém de sua confiança para a Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Qual mais? A pedido do procurador Augusto Aras, o ministro Celso de Mello autorizar uma investigação a partir dessa acusação de Sérgio Moro.

Todas as outras broncas presidenciais recentes decorrem dessas duas providências de ministros do Supremo, apenas com o agravante do inquérito sobre as fake news ter batido na porta dos Bolsonaros. É desse conjunto que eles têm medo. Problema deles. Não do país, nem das instituições, muito mais preocupados com os sucessivos recordes de casos e de mortes causados pela pandemia do novo coronavírus, que pouco parece incomodá-los.

Informações das mais variadas fontes apostam que o STF não vai decepcionar. Vai dar, sim, uma enquadrada em regra nesses arroubos ditatoriais estimulados por Jair Bolsonaro e em seus fanáticos seguidores. Chega de maluquice. Evidente que eles assustam, em especial a quem pagou um preço alto pela ditadura militar de 1964. Mas, hoje, nesse mundo todo interligado pela internet, esses arremedos de ditadores são apenas blefes no século errado. Pelo que ouço de quem conhece o universo militar, os quartéis também não acatariam ordens absurdas dessa gente. Ninguém em sã consciência acredita numa aventura de Bolsonaro para romper a ordem democrática. Nesse caso, é ele que correria o risco de ser forçado a passar o bastão para o vice-presidente Hamilton Mourão, que até fez questão de alertar, ao ser indagado nessa quinta-feira (28) sobre a possibilidade de um novo golpe militar, da mudança de século na folhinha do calendário.

Tome tenência, capitão.

A conferir.
Herculano
29/05/2020 13:17
da série: depois dos terraplanistas, o ministro adereiu ao mundo da lua.

"A IMPRESSÃO QUE EU TINHA ERA DE QUE TÍNHAMOS COMEÇADO A ANDAR"

Conteúdo de O Antagonista. Ao comentar o recuo de 1,5% do PIB do Brasil no primeiro trimestre deste ano, Paulo Guedes disse hoje que vai analisar os números de forma detalhada para descobrir se a economia do país já estava "em estado meio anêmico" em janeiro e fevereiro, antes da epidemia de Covid-19.

"Vou pedir para desagregarmos. Para vermos se nos dois primeiros meses já estávamos decolando e no terceiro mês a crise nos derrubou, ou se já estávamos em estado meio anêmico", afirmou o ministro da Economia.

"A impressão que eu tinha era a de que tínhamos começado a andar."
Herculano
29/05/2020 13:12
da série: um político hábil, criou a lacuna que enfraquece no presente a liderança do próprio partido que dominou.

POR TODA SC, por Cláudio Prisco Paraíso.

Apesar de ter morrido há cinco anos, Luiz Henrique da Silveira segue inspirando e sendo referência ao MDB.

A atual direção partidária, diante do quadro de pandemia, está promovendo vídeoconferências nas 36 regionais onde outrora LHS implantou as já extintas secretarias regionais.

Já promoveram várias. Um dos fatos curiosos dessas reuniões virtuais foi o apoio interno que o ex-governador Eduardo Moreira vinha dando ao senador Dário Berger, para que ele venha a ser o candidato ao governo em 2022. Moreira sempre esteve contra Berger. Pelo visto mudou radicalmente de posição. Principalmente porque não tem voto. A última eleição que ele disputou de verdade foi em 2000. E perdeu para o petista Décio Góes, que virou prefeito de Criciúma. De lá em diante, o lagunense radicado em Criciúma só foi vice. Uma vez de Luiz Henrique e duas de Raimundo Colombo. Em uma dessas oportunidades, Moreira havia inclusive arrancado a indicação partidária para a cabeça de chapa. Mas se entregou para Colombo e o então presidente nacional do MDB à época, Michel Temer, o expulsou do partido.

ILUSTRE DESCONHECIDO

É este o homem que agora quer ver Dário Berger candidato a governador. O senador, registre-se, nunca participou de nada dentro do partido, como é seu perfil. Curiosamente, começou a participar das videoconferências, mas ele não conhece, por exemplo, o MDB do Oeste de Santa Catarina.

DESCONFIANÇA

Como Dário Berger é visto com enorme desconfiança pelas fileiras emedebistas, o partido, na verdade, mira em dois nomes empresariais do Norte catarinense: Udo Döhler, que vai tentar fazer o sucessor em Joinville, e Antídio Lunelli, que disputará a reeleição em Jaraguá do Sul. Do êxito de ambos em suas bases dependerá seu futuro como nome majoritário estadual do Manda Brasa.

MANDADO DE SEGURANÇA

O deputado Ivan Naatz (PL), relator da CPI dos Respiradores vai requerer na comissão parlamentar de inquérito o ajuizamento, via procuradoria da Alesc, de um Mandado de Segurança para quebra do sigilo de dois depoimentos que foram dados pelo ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, quando foi efetuada a busca e apreensão e pelo ex-secretário de Saúde, Helton Zeferino, que voltou a DEIC e fez um depoimento voluntário.

FORO PRIVILEGIADO

Naatz estranha o fato de alguns depoimentos terem sido liberados, mas estes dois, especificamente ainda permanecerem inacessíveis à CPI.

"Esses depoimentos são fundamentais para esclarecer a verdade. Talvez os depoimentos tenham tratado de pessoas com foro especial, o que levaria o processo ao STJ, ou ainda de pessoas que precisam ser certificadas. A Alesc vai trabalhar para que a verdade apareça, doa a quem doer," contextualizou o relator da CPI.

ENDEREÇO

Quando cita foro privilegiado e o Superior Tribunal de Justiça, Naatz claramente se refere ao governador do Estado, único agente político estadual que, se for alvo investigação, terá seu processo tramitando na corte superior, em Brasília.

CIRCULANDO

Moisés da Silva colocou o pé na estrada. Foi a Joinville, Blumenau e ontem estava no Oeste, conversando, ouvindo, enfim, desempenhando o papel que o cargo exige.

INóCUO

Como já temos frisado, esse inquérito das fake News é um verdadeiro absurdo, um daqueles arroubos ditatoriais inaceitáveis. Ontem, pelo menos dois procuradores da República se manifestaram. E deixaram muito claro que os papeis do Ministério Público e da Polícia foram abortados, atropelados pelos supremos juízes. Toda a prova produzida nesse inquérito absurdo não terá qualquer validade do ponto de vista jurídico.
Herculano
29/05/2020 12:50
VÍRUS MATOU MAIS EMPREGO QUE RECESSÃO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Número de empregos perdidos desde a epidemia é maior que na crise de 2014-2016.

A Grande Recessão brasileira levou mais ou menos dois anos para dizimar 2,5 milhões de empregos, que desapareceram entre dezembro de 2014 e dezembro de 2016. A Grande Catástrofe da epidemia já destruiu mais de 3 milhões de empregos (na comparação com abril do ano passado).

Depois da Grande Recessão, o número de pessoas ocupadas em algum tipo de trabalho ainda continuou a cair até chegar ao fundo do poço em março de 2017. Levou mais dois anos, até 2019, para que tivéssemos um março dos tempos do pico do emprego.

Do saldo de empregos criados nesse tempo, dois de cada três eram de assalariados sem carteira assinada e "por conta própria" sem CNPJ, informal de todo, a julgar pelos dados da Pnad, a pesquisa do IBGE.

O emprego formal jamais voltou àqueles tempos pré-Grande Recessão. Pelos dados do registro de empregos formais do Ministério da Economia (Caged), ainda em dezembro do ano passado estavam desaparecidos 1,7 milhão de empregos com carteira assinada. Apenas neste ano, se foram mais 860 mil empregos com carteira assinada.

Quando a destruição vai parar? Não sabemos. Além do fato de que se trata de uma catástrofe, não sabemos quase nada desta crise. Não há com que comparar tamanho desastre. Hipóteses são formuladas apenas para que se possa ter uma ideia que possa ser corrigida assim que aparecem os primeiros e ainda muito preliminares retratos da devastação.

Além da desinformação inevitável, por ora, não há medidas novas do impacto da epidemia nem ideias novas para evitar ruína maior. O país está catatônico, apavorado, como quase o mundo inteiro, e ainda desgraçado pelo desgoverno e pela discussão agora aberta de golpe, impeachment ou alguma destruição institucional extra.

Nem é preciso mencionar, a sabotagem das medidas de isolamento, a falta de política federal de controle da doença e a descoordenação nacional já prolongaram a duração da pior fase da epidemia aqui no Brasil. Sem perspectiva de melhora, não há hipótese de retomada organizada. O país preferiu se atolar em um cemitério sem fim.

Economistas do Bradesco, por exemplo, trabalham com a hipótese tentativa de que o fundo do poço da renda do trabalho ocorreria em algum momento do terceiro trimestre (ressalte-se, entre os distantes julho e setembro). Supondo que se trate de um bom chute informado, a bola de neve da crise ainda vai engrossar.

O auxílio emergencial de R$ 600 terá algum efeito de mitigar o massacre. Pelas estimativas de despesa do governo, a soma desses auxílios equivaleria a cerca de um quarto da soma de todos os rendimentos do trabalho pagos por mês no país, pelo registro da Pnad. Equivale ao valor anual de quase dois Bolsa Família, mas pagos por mês.

Mas essa renda extra não vai salvar setores que vendem bens e serviços mais caros, menos ainda aqueles que estão fechados e que, na reabertura, sofrerão especialmente os dados da vida anormal sob epidemia: restaurantes, serviços pessoais, comércios, viagem, entretenimento.

Já há evidências anedóticas de lojas e restaurantes que, reabertos, não conseguem faturar para pagar os custos de manutenção da reabertura.

O medo da doença e o medo do futuro (para quem ainda tem o que gastar) colocam o consumidor na retranca. O crédito bancário entrou na retranca. O investimento entrou em colapso.

A epidemia será comprida por causa do isolamento à moda brasileira, entre selvagem e negligente. A crise econômica correrá em paralelo.
Miguel José Teixeira
29/05/2020 10:53
Senhores,

". . .Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas". . .

O cavalo do lorde Jim

Lorde Jim, londrino que gostava de realizar pesquisas práticas, resolveu fazer a seguinte experiência com seu cavalo: o animal poderia sobreviver sem se alimentar? Entusiasmado com a possível descoberta, deu início ao experimento. E, à medida que corriam os dias, a euforia crescia, porque tudo indicava que a hipótese inicial estava próxima de confirmação. Porém, quando tudo parecia caminhar bem, eis que o animal, surpreendentemente, morreu.

Lembrei-me desse causo ao verificar que o governo federal, sob a liderança da dupla Jair Bolsonaro-Paulo Guedes, vem adotando estratégia semelhante. Para tanto, partem da combinação de duas premissas. De um lado, atribuem a adoção do isolamento social pela maioria de governadores e prefeitos a um objetivo oculto de gerar desestabilização política e econômica que provoquem desgaste e, no limite, a derrocada de seu governo. De outro, consideram que os milhares de mortes numa pandemia são inevitáveis (E daí?).

Diante disso, o foco da dupla passou a ser confrontar, de todas as formas, as políticas de isolamento social, desde sucessivas tentativas de impedir a autonomia dos estados e prefeituras até a troca de dois ministros da Saúde em plena crise sanitária. Apesar disso, a maioria da população procurou seguir as recomendações das autoridades sanitárias e, dentro das possibilidades, vem mantendo o isolamento social.

Porém, o arsenal à disposição do governo federal é muito grande, e os atuais mandatários demonstram que não hesitam em utilizá-lo. A última arma colocada em prática é levar à asfixia financeira estados e municípios como forma de obrigá-los a abrir mão das medidas restritivas. O maior exemplo disso é a demora excessiva para sancionar, mesmo com vetos, o projeto aprovado pelo Senado no dia 6 de maio prevendo uma série de medidas para auxiliar os demais entes federados.

Os apoiadores do presidente certamente vão contestar minhas afirmações, mas há fartas comprovações disso. Além das diversas declarações públicas desde o início da pandemia, o país pode assistir ao badalado vídeo da reunião ministerial de 22 de abril na qual as intervenções do presidente e do ministro Paulo Guedes deixaram claro que as principais preocupações passam ao largo do crescente número de óbitos.

E, como se não bastasse, o ministro chega às raias da perversidade quando, em uma de suas falas, diz textualmente que "Nós vamos botar dinheiro, vai dar certo e nós vamos ganhar dinheiro. Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas". Ora, se, de fato, querem apostar na recuperação da economia como podem tratar as micro e pequenas empresas com tamanho menosprezo?

Esse é o segmento que mais emprega, sendo responsável por 54% dos empregos com carteira assinada. São também essas empresas, ao lado de autônomos e informais, os setores mais afetados pelas consequências imediatas da crise econômica. Infelizmente, o olhar governamental para o setor é completamente enviesado. Ouso dizer que encaram com naturalidade a morte de pessoas e de empresas.

Outra evidência da orientação excludente diz respeito à concessão do auxílio emergencial. Inicialmente, a proposta do governo fixava o valor em R$ 200. Somente após a pressão do parlamento chegou-se ao valor de R$ 600 aprovado pelo Congresso em 30 de março. Já estamos no final de maio e continuamos acompanhando a via crucis de milhões de pessoas beneficiárias para conseguirem receber ainda a primeira das três parcelas.

A questão-chave por trás de toda a estratégia em curso é, para dizer o mínimo, a incompreensão de que em situação de crise pandêmica planetária não é possível adotar medidas como se estivéssemos em um quadro de normalidade. O dogmatismo do ministro, cujas ideias vêm sendo seguidas pelo presidente, vai provocar demora ainda maior no processo de recuperação da atividade econômica no país.

Se, em vez de ficar fazendo guerra aberta contra o isolamento tivessem adotado ações mais abrangentes de apoio financeiro, certamente mais pessoas poderiam ter ficado em casa, o que permitiria redução no período de quarentena. Por tudo isso, é que assistimos, com imensas tristeza e preocupação, ao país ir a passos largos para ver sua economia e, principalmente, as pessoas terem o mesmo triste fim do cavalo do lorde Jim.

(fonte: Correio Braziliense, hoje, por Orlando Thomé Cordeiro, Consultor em estratégia)

Nooossa! O autor da experiência com o cavalo era londrino, hein? Eu sempre pensei que fosse português. Aquele mesmo que fez a experiência com a aranha:

1º passo: arrancou uma das pernas da aranha. Bateu com uma varinha no chão próximo dela. Observou que a aranha moveu-se.

Continuou o mesmo procedimento nos 2º ao 7º passos e constatou o mesmo: a aranha moveu-se.

No 8º passo, o mesmo procedimento dos passos anteriores. Porém a aranha ficou imóvel.

Daí concluiu: aranhas sem pernas não ouvem!
Miguel José Teixeira
29/05/2020 09:08
Senhores,

1) Pesos & medidas

Para o "capitão zero-zero", a PF no "Laranjeiras" é colírio!

Já a PF no "Laranjal", é pimenta brava!

2) Ordens absurda não se cumprem

Pois é. . . o estafeta terrivelmente evangélico do MiJuS não acatou a ordem absurda do "capitão zero-zero". Advogou em defesa do estafeta do ministério do cristal e de outros laranjas. . .

3) Tempos & movimentos

Será que o General Mourão e o ex-JF Sérgio Moro têm especialização em Administração Científica?

Respostas para o fabrício queiróz, cujo paradeiro é igonorado, mas que, todos nós sabemos quem sabe onde ele se encontra . . .
Herculano
29/05/2020 08:29
AS CERTEZAS DO FERRABRÁS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Bolsonaro não tem dúvida nenhuma. Para ele, 'algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia'. Sim, está - mas a democracia está reagindo

Foi aos gritos que o presidente Jair Bolsonaro informou a seus concidadãos que não tolerará mais "um dia igual a ontem" - em referência à quarta-feira passada, quando a Polícia Federal, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, fez buscas em residências de militantes bolsonaristas suspeitos de integrar uma organização criminosa destinada a intimidar integrantes daquela Corte. Segundo ele, "ordens absurdas não se cumprem". Diante de declarações tão peremptórias por parte do presidente - na prática, um ultimato -, é o caso de perguntar o que acontecerá se "um dia igual a ontem" se repetir.

Como é certo que teremos muitos outros dias como esse, das duas uma: ou o presidente não fará nada, posto que numa democracia nada há a fazer a não ser respeitar as ordens judiciais, ou partirá para a desobediência - prenúncio de um golpe que muitos bolsonaristas desejam ardentemente deflagrar. Para o deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente, o segundo cenário é o mais provável. Referindo-se a "um momento de ruptura", disse: "Não é mais uma questão de se, mas de quando isso vai acontecer".

Ao que parece, contudo, a escalada retórica do chefe do Executivo, de sua família e dos camisas pardas bolsonaristas começa a encontrar resistência mais firme entre militares da ativa e da reserva, inclusive os que integram o governo. "Quem é que vai dar golpe? As Forças Armadas? Que é que é isso? Estamos no século 19?", reagiu o vice-presidente Hamilton Mourão em entrevista ao site G1. Para o general da reserva, essa ruptura prenunciada por Eduardo Bolsonaro está "fora de cogitação". Embora tenha dito que não falava pelas Forças Armadas, Mourão afirmou conhecer o ânimo militar e declarou: "Não vejo motivo algum para um golpe".

Na mesma linha, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, que também é general da reserva, declarou que "ninguém está pensando em golpe" e que "intervenção militar não resolve nada" - um recuo e tanto para quem antevia "consequências imprevisíveis" caso o Supremo continue a tomar decisões contrárias ao presidente.

Em artigo para o Estado, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, disse que as Forças Armadas "não se deixarão tragar e atrair por disputas políticas nem por objetivos pessoais, de grupos ou partidários". O general Luiz Eduardo Ramos também garante enfaticamente que as Forças Armadas não pensam em golpe, antes repelem a ideia.

Se é assim, cabe então aos militares desarmar os espíritos no Palácio do Planalto, a começar pelo próprio presidente, pois é ele que contribui decisivamente para ampliar o clima de ruptura - muito conveniente para seu projeto autoritário de poder. Nesse projeto - que tem no chavismo seu estado da arte -, as instituições e órgãos de Estado convertem-se em forças auxiliares do presidente, seja para perseguir inimigos, seja para dar completa liberdade de ação ao governo. Foi isso o que o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro denunciou quando pediu demissão.

Essa deliberada confusão só é possível com uma interpretação ardilosa dos valores democráticos. Para o bolsonarismo, por exemplo, a liberdade de expressão, quando invocada pelo presidente e seus devotos, é uma licença para cometer crimes diversos, como injúria e ameaça a ministros do STF.

Tudo isso, é claro, serve para que Bolsonaro se passe por vítima e, assim, dê substância ao discurso segundo o qual suas ações deletérias são uma necessária reação a supostas agressões de seus inimigos. Para Bolsonaro, por exemplo, o inquérito do STF resultou de "atitudes de certas pessoas individuais (sic)" - como se este ou aquele ministro do Supremo tivesse tomado decisões apenas para confrontá-lo.

Se tiver alguma dúvida sobre a lisura do inquérito do STF, no entanto, o presidente pode consultar o que já escreveu a esse respeito seu atual ministro da Justiça, André Mendonça. Embora hoje veja as investigações como um potencial risco à democracia, Mendonça, quando era advogado-geral da União, informou que o inquérito tinha total respaldo na Constituição - no que estava absolutamente correto.

A questão é que Bolsonaro não tem dúvida nenhuma. Só certezas - como a de que todos devem se curvar a suas vontades. Para Bolsonaro, "algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia". Sim, está - mas a democracia está reagindo.
Herculano
29/05/2020 08:27
FAZENDA GARANTIU A FOLHA COM PLANEJAMENTO, por Roberto Azevedo, em Makingof

Quando o salário dos 146 mil servidores estaduais, a maioria inativos, estiver sendo sacado nesta sexta (29), os R$ 1,1 bilhão de folha não foram frutos de milagre algum, mas do planejamento da equipe do secretário da Fazenda Paulo Eli (foto), em meio aos problemas gerados pelo Coronavírus.

Auditor de carreira da Fazenda Estadual, Eli sabe que tanto manter a máquina em funcionamento em tempos em que estimativa de arrecadação caiu, até o dia 26 deste mês, em 32%, cerca de R$ 600milhões, bem longe dos R$ 1,9 bilhão previstos, quanto garantir a força de trabalho do funcionalismo, com salário em dia, é tarefa fundamental.

Chegar ao fechamento da folha, embora o acumulado de perdas já chegue a R$ 872 milhões, entre março e abril, enquanto maio não é consolidado, deve-se à utilização de boa parte dos recursos que já estavam guardados para a antecipação do pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário dos servidores, que seria feita em julho.

Faça as contas, se dependesse só da arrecadação que ficou em R$ 1,3 bilhão, não daria para quase nada além de pagar a folha.

ALVO E SOLUÇÃO

Paulo Eli já foi a figura mais atacada pelo empresariado e pela classe política em pelo menos dois episódios marcantes no início do governo de Carlos Moisés: a redefinição da política de incentivos fiscais e a cobrança de ICMS sobre os agrotóxicos, assuntos em que a Assembleia interveio.

Passado o turbilhão, o secretário tem sido fundamental no Grupo Econômico, que abriu o diálogo com o Conselho de Federações Empresariais (Cofen), do setor produtivo ao varejo, que agora recebe atenção especial de Moisés.

OUTRA ÁREA

Secretário que transpôs dois governos, o de Eduardo Pinho Moreira (MDB) e agora com Moisés, Eli ainda recebe outras demandas, muitas vindas da Assembleia.

Como se viu esta semana, em que, mesmo com o Legislativo sem atividades, foi visitado por alguns deputados, o vice-presidente da Assembleia Mauro De Nadal (MDB), a líder do governo Paulinha da Silva e o presidente da Comissão Especial, que a analisa os gastos com o Coronavírus, e da Comissão de Finanças e Tributação, Marcos Vieira (PSDB).

RECEPÇÃO

Moisés jantou com o prefeito Luciano Buligon (PSL), secretários municipais e alguns vereadores, em Chapecó.

A ida ao Oeste é fundamental também sob o aspecto político, aquele que nem sempre o governador valoriza, já que estar no Oeste, onde passou por Capinzal e Ouro, significa atuar em terreno minado por adversários, como a vice-governadora Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil) e pelo seu adversário no segundo turno, o ex-deputado Gelson Merisio (PSDB).

ANTES DO FóRUM PARLAMENTAR

Presidente estadual do PSDB, a deputada federal Geovania de Sá, fez vários encontros virtuais na véspera da reunião do Fórum Parlamentar Catarinense, que debaterá o destino das eleições deste ano e a proposta da Fecam e da CNM em unificar o calendário em 2022. O líder da bancada tucana na Câmara, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) também participou das conversas com prefeitos, vices, vereadores e presidentes de diretórios municipais, quase 250. Eles ajudaram o partido a construir um documento que chegará à Comissão Mista, que definirá a data. Geovania disse que há clara divisão entre os que querem a eleição ainda este ano e os que pedem a prorrogação dos mandatos, mas uma unanimidade, que tudo seja resolvido logo.

VAI PEGAR

Muitos prefeitos tucanos têm um sentimento comum aos colegas do demais partidos: o receio de não fechar as contas da atual administração porque o quadro geral já era ruim e piorou com o combate ao Coronavírus.

Em compensação, os novos candidatos que almejam os cargos pedem tempo para se preparar, sem ignorar que o quadro que encontrarão em 2021 ou em 2023 será dos mais complicados.

SUGESTÃO

Dias desses, três prefeitos ligaram para o colunista para pegar uma opinião sobre esta questão de prorrogação de mandato ou adiamento de eleição, quando, sabidamente, um deles nem tem vontade de continuar no cargo, mesmo com direito à reeleição.

A eles foi dada opção legal, prevista na Lei Orgânica do Município, bem como nas constituições dos estados e da União: a renúncia no dia 31 de dezembro. Foi pra já que quem estava em dúvida profunda mudasse de ideia, pois passar para o vice nem pensar.

NA EXPECTATIVA

Se o Conselho de Ética da Assembleia aprovar a maior punição para o deputado Jessé Lopes (PSL) e ele perder o mandato em votação no plenário, o primeiro suplente do PSL é Rudinei Luís Floriano.

Subtenente da PM, Floriano é agora o presidente Imetro, portanto um reforço para a ala militar do Legislativo, mas pode ficar dividido entre a lealdade a Moisés e a pressão da Aprasc.

INTERESSANTE

Os bolsonaristas de carteirinha de Santa Catarina, instalados no serviço público estadual, até agora não se manifestaram sobre a posição do presidente da República que pediu ajuda aos governadores para congelar os salários do funcionalismo até dezembro de 2021.

Grande parte da turma estava por trás de movimentos orquestrados de greve ou de paralisações só para incomodar Carlos Moisés, agora silenciam.
Herculano
29/05/2020 08:19
COMO SE DESENCADEIA FATOS E ATOS

De Felipe Moura Brasil, no twitter, resume:

Era uma vez uma rachadinha no gabinete de Flávio, que teve investigação suspensa por Toffoli, que seria investigado na CPI da Lava Toga, que foi barrada pela família Bolsonaro, que blindou o ministro que abriu inquérito das fake news, que atingiu bolsonaristas, que ameaçam golpe.
Herculano
29/05/2020 08:17
O CORONEL QUE COMANDA O "SERVIÇO PARTICULAR DE INFORMAÇõES" DE BOLSONARO

Conteúdo de O Antagonista. O "serviço particular de informações" de Jair Bolsonaro é comandado por um coronel do Exército chamado Marcelo Costa Câmara.

"Por determinação do presidente, ele conduz investigações, reúne informações e produz dossiês que já provocaram a demissão de ministros e diretores de estatais", segundo a Veja.

Ele é assessorado por um capitão das Forças Especiais do Exército e um ex-policial do Bope do Rio de Janeiro.

Um ministro disse para a reportagem:

"Ele é um agente de inteligência do presidente".
Herculano
29/05/2020 08:14
da série: no fundo a pressão expõe o STF, estica-se a corda e as decisões judiciais com "hermenêutica" própria ficam mais expostas à população.

INACEITÁVEIS PRESSõES SOBRE O SUPREMO, editorial de O Globo

Bolsonaro e família atacam a Corte, aumentam o desrespeito à Carta e o desprezo à democracia

O presidente Bolsonaro tem exercitado com grande competência a capacidade de criar tensões políticas, característica marcante de seu comportamento, acompanhada de uma irascível posição anti-Ciência, que foi ficando mais exposta no agravamento da crise de saúde pública da Covid-19.

Agora, cresce em irresponsabilidade no enfrentamento inaceitável que passou a fazer ao Supremo, a mais alta Corte do país. Afrontá-la é um ataque à Constituição, à democracia.

O Planalto se insurge contra as buscas e apreensões ordenadas à Polícia Federal pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, no inquérito que preside sobre a produção de fake news e ataques nas redes sociais contra juízes da Corte, no qual foi incluído o ministro da Educação, Abraham Weintraub, pelas agressões de baixo nível que fez ao Supremo na reunião ministerial de 22 de abril. Alexandre de Moraes já tinha passado a ser alvo da ira do radicalismo bolsonarista ao atender a pedido do PDT e impedir a posse, na direção-geral da PF, de Alexandre Ramagem, próximo a Bolsonaro e filhos. Por "desvio de finalidade", dada esta proximidade nada republicana.

Em reunião com ministros e assessores na noite de quarta, Bolsonaro decidiu que o ministro da Justiça, André Mendonça, e não a Advocacia-Geral da União, como de praxe, encaminharia pedido de habeas corpus em favor de Weintraub e de todos os atingidos pelos mandados de busca e apreensão. Outro acinte. O governo assumiu, assim, além da defesa de seu ministro, que atacou de forma baixa os ministros da Corte, também o lado de políticos, de militantes e de empresários acusados de usar as redes sociais para difamações e de financiar toda essa operação. Outro desvio de finalidade.

Na manhã de ontem, Bolsonaro pregou a desobediência a "ordens absurdas" - como os mandados de segurança. Não há registro de que um presidente já tenha feito o mesmo, insurgindo-se contra determinações judiciais. Reclamou ainda de decisões monocráticas. Que, de fato, se fossem tomadas pelo plenário da Corte, teriam mais sustentação. Mas não há justificativa para a abusada postura de Bolsonaro diante do STF, para o qual deu um basta, outra atitude repulsiva, autocrática. Tom semelhante teve ameaça feita pelo filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, de uma ruptura contra o Supremo.

Também inaceitável é a tese bolsonarista de que o direito constitucional à liberdade de expressão protege os autores de mentiras e ataques pelas redes sociais, alcançados agora pelo inquérito do STF. A defesa não resiste a qualquer julgamento em tribunal. Serve apenas para abastecer a militância radical e pouco ilustrada.

Na manhã de ontem, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, procurou suavizar o efeito de sua ameaça de "consequências imprevisíveis", caso prosseguisse o pedido de confisco do celular de Bolsonaro, no inquérito da saída de Moro do governo. Que sinalize a moderação do presidente, para que haja mesmo harmonia entre os Poderes.
Herculano
29/05/2020 08:11
APRENDER NA DOR OU LIÇõES DE EDUCAÇÃO SOB ATAQUE, por Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV, e ex-diretora de educação do Banco Mundial, no jornal Folha de S. Paulo

A escola não será mais a mesma, e ganhos obtidos durante a pandemia podem se tornar permanentes

O enorme esforço que redes educacionais de muitas partes do mundo têm feito para tentar mitigar os danos que o coronavírus tem trazido para a aprendizagem dos alunos mais vulneráveis tem sido impressionante. Na minha atividade profissional, dando mentoria para secretários de Educação de municípios e estados, não raro pude vê-los exaustos, dados seus desafios com a queda de arrecadação e o agravamento da pandemia, para manter seus professores engajados e motivados nessa tarefa.

Mesmo assim, professores se voluntariam para gravar programas de TV, já que a internet, apesar de 75% dos brasileiros a ela terem acesso, de acordo com levantamento do TIC Domicílios, não chega a todos os lares e, quando chega, nem sempre tem estabilidade. Outros percorrem distâncias para entregar cadernos de exercícios para alunos da zona rural ou para interagir com famílias isoladas.

Não foram poucas as formações dadas aos docentes para uso de plataformas digitais para o processo de ensino. Mas, como todo curso feito às pressas, elas se mostraram insuficientes. Nem todos os professores conseguiram se organizar para atuar neste novo meio e nem todos os alunos conseguiram acessar ou se manter concentrados durante o processo de aprendizagem em casa.

Se somarmos a esse fato o estresse das famílias que perderam fonte de renda ou, pior ainda, entes queridos e mesmo com esse sofrimento veem-se instadas a acompanhar tarefas remotas dos filhos mais jovens, temos uma quase certeza de desastre.

Só que não, como dizem os jovens em redes sociais. A humanidade muitas vezes aprendeu em meio à dor, e isso serve também para a educação formal. Os aprendizados que ocorrem hoje à distância de mestres e de estudantes de escolas públicas têm evitado um maior crescimento das desigualdades educacionais e, de alguma maneira, construído as bases para um processo de ensino mais contemporâneo para quando acabar o distanciamento social.

A escola não será mais a mesma. Ela deverá incorporar tudo o que aprendemos na dor. Sim, a abordagem adotada por muitos estados e municípios foi até certo ponto precária e amadora, mas o empenho em tentar evitar a tragédia foi intenso e assim continuará no retorno às aulas. De certa maneira, tanta luta logrou trazer um pouco de ganhos que, eventualmente, poderão se tornar permanentes.

Nesse sentido, em tempos em que é necessário defender a educação de ataques vindos de quem a deveria proteger, foi muito bom ver um ministro do Supremo nos lembrar que "a educação não pode ser capturada pela mediocridade, pela grosseria e por visões pré-iluministas de mundo". Obrigada, ministro Barroso!
Herculano
29/05/2020 08:07
O PRIMEIRO PACIENTE DA UTI DO HOSPITAL DE GASPAR

Vinte e cinco dias depois de "inaugurada" numa sessão de fotos, selfies e vídeos com políticos, aliados e comissionados do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, a UTI provisória do Hospital de Gaspar feita até agora para receber unicamente pacientes graves com a Covid-19, finalmente acolheu ontem no final do dia o seu primeiro paciente, um homem de 61 anos.

Três boas notícias: a Covid-19 que por aqui já fez uma vítima e que morreu na UTI de Hospital em Blumenau há dois meses, não tinha doentes graves; e a UTI é finalmente testada, não nos seus equipamentos, mas na sua funcionalidade, vai se vai usar o que se está pagando e não estava sendo usado, e principalmente vai se testar na exigência real, a equipe multifuncional montada para esse caso excepcional.

Até agora, nenhum político se arriscou ir lá fazer lives, vídeos, fotos e selfies. Vai que...

A UTI provisória levou 15 dias depois de prontinha para ser homologada pelo Ministério da Saúde, e isso aconteceu graças a interferência direta do senador Dário Berger, MDB. Ele fez isso, para outras UTIs em igual situação em Santa Catarina.

E foi só esta semana, que a UTI anunciada com dez leitos, se completou com dez leitos. Na verdade, só haviam nove devidamente completos e que nada se divulgou sobre isso. Coisas de Gaspar.

Em outro front, tenta-se agora transformar o provisório, em permanente. Mas isso, vai exigir inicialmente uma decisão política do prefeito Kleber que por três anos e meio resistiu a essa idéia para um hospital que ninguém sabe quem é o dono dele e esta sob intervenção municipal desde o governo petista de Pedro Celso Zuchi.

E por que? Porque vai necessitar de pesados investimentos em equipamentos, em equipes multi-diciplinares especializadas, além de mudanças físicas no próprio Hospital de Gaspar.

A atual UTI é alugada e ele corria desde o primeiro dia da sua instalação e deve ficar ativa por seis meses, ou seja, até as eleições de outubro, que os políticos tentam adiá-las. Acorda, Gaspar!
Herculano
29/05/2020 07:31
TANQUES E LIKES EMPURRAM BOLSONARO PARA O TUDO OU NADA, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente amplia ameaças de intervenção militar e recorre a uma base cada vez mais fervorosa

Jair Bolsonaro é hoje consideravelmente mais impopular do que era um mês atrás. Atualmente, há muito mais brasileiros que consideram o governo ruim ou péssimo do que gente que aprova seu desempenho. O presidente agora se equilibra em cima de tanques e diante de uma base cada vez mais fervorosa.

O governo nasceu sob a expectativa positiva de 65% dos brasileiros, segundo uma pesquisa feita antes da posse. Bolsonaro rapidamente jogou fora essa boa vontade e se acomodou sobre uma divisão dos brasileiros em três terços, que consideravam o governo bom, regular e ruim.

O arranjo estava longe de ser confortável para qualquer político, mas deu alguma estabilidade a um presidente que cometeu barbaridades diárias e se mostrou incapaz de apresentar um programa minimamente coerente para o país.

Os números da última pesquisa Datafolha, realizada nos últimos dias, mostraram que esse panorama mudou. As crises sanitária, política e econômica empurraram uma fatia razoável de brasileiros para o campo crítico a Bolsonaro. A proporção de entrevistados que rejeitam o governo subiu para 43%, enquanto sua parcela de apoiadores se manteve em 33%. A diferença entre os dois percentuais representa cerca de 20 milhões de pessoas.

Bolsonaro recorreu a outros métodos para preservar seu poder. Passou a fazer acenos ainda mais frequentes às Forças Armadas e lançou ameaças abertas de intervenção militar. Nesta quinta (28), o presidente divulgou um discurso favorável a uma ação fardada sobre o STF. Nenhum comandante o contestou.

O atrevimento golpista serve para demonstrar força, intimidar autoridades e energizar uma base crescentemente identificada com seu líder. A maioria do núcleo bolsonarista concorda com a ideia de armar a população, apoia a participação de militares no governo e acha que o presidente só queria melhorar sua segurança pessoal - e não interferir na Polícia Federal. Esse grupo empurra Bolsonaro para o tudo ou nada.
Herculano
29/05/2020 07:29
INQUÉRITO NO STF É Só PARA APURAR CRIMES NO TRIBUNAL

O artigo 43 do regimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no qual se baseia a investigação que fez do gabinete do ministro Alexandre de Moraes uma delegacia de polícia, autoriza apenas a instauração de inquérito no caso de "infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal". Dado a promover interpretações criativas da Constituição, o STF não teve dificuldades de "adaptar" o artigo 43 do próprio regimento para manter o inquérito contestado pelo Ministério Público Federal.

TRIBUNAL DE OPINIÃO

O ministro Luís Roberto Barroso está certo ao afirmar que é preciso "separar opinião de fake news". Mas não é o STF que fará isso.

DEPUTADOS NA RODA

A "delegacia de costumes" do STF escolheu, no inquérito, opiniões que devem ser "criminalizadas" de parlamentares críticos a decisões do STF.

A CAMINHO DO ARQUIVO

Intriga a insistência do STF em inquérito cuja nulidade é proclamada pelo Ministério Público, exceto se o intento for o de intimidar seus críticos.

POLÍCIA É QUE INVESTIGA

O artigo 43 do regimento do STF prevê que o tribunal poderá "requisitar instauração de inquérito à autoridade competente", isto é, um delegado.

PARA 45%, NOTÍCIAS SOBRE GOVERNO SÃO NEGATIVAS

Levantamento exclusivo do instituto Orbis para o Diário do Poder e para esta coluna revela que a maior parte dos entrevistados (45,6%) classifica como negativas as matérias jornalísticas que têm sido divulgadas sobre o governo federal e a atuação do presidente Jair Bolsonaro. Exatos 29,3% consideram "neutras" as reportagens dos meios de comunicação, mas ainda há 14% que veem o noticiário favorável ao governo. O Orbis ouviu 2.681 pessoas em todo o País.

PERCEPÇÃO POR SEXO

Entre os homens, a percepção de que as notícias sobre o governo não desfavoráveis é a maior da pesquisa: 47,9%. Entre elas é 43,8%.

CORTE REGIONAL

Está no Sul a maior percepção de que as notícias sobre Bolsonaro são desfavoráveis: 47,8%. Os que veem a imprensa neutra somam 31,4%.

DEVE PIORAR

A pesquisa foi realizada dia 22 de maio e não contempla a operação da Polícia Federal contra apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais.

RACIOCÍNIO RASTEIRO

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu uma ideia de jerico: punir plataformas como Twitter e Facebook por postagens de pessoas nos perfis pessoais. Só falta multar fábrica de carro por mortes no trânsito.

BOM HUMOR

José Medeiros (Pode-MT) disse que Luciano Hang, alvo da operação da PF contra supostas fake news, "é sangue frio". "Não caiu um cabelo sequer", garantiu o deputado, sobre o empresário... que é careca.

SOLIDARIEDADE NO GOVERNO

O ministro Onyx Lorenzoni foi às redes sociais estender solidariedade a Luciano Hang e Allan dos Santos, empresário e jornalista alvos da PF. "Meu respeito a todos aqueles que lutam pelo que há de mais valioso na vida de qualquer ser humano: a liberdade", afirmou.

PF VAI CAIR DE PAU

O ex-diretor-geral da PF Vicente Chelotti acha curiosa a polêmica sobre operações contra governadores e prefeitos que usaram a pandemia para roubar. Ele aposta: "A Federal vai cair de pau, não resta a menor dúvida".

ANTISOLIDARIEDADE S.A.

Doações contra a covid-19 já somam R$5 bilhões, mas o setor de saúde tem reparado que a Hapvida, a maior do País, não demonstrou ainda a solidariedade compatível com seu valor de mercado, de R$38,9 bilhões.

TÁ FEIA A COISA

Se o bilionário Cristiano Ronaldo fechou seu restaurante em Gramado (RS) por não suportar a crise do covid-19, imagine os empresários que precisam (e não têm) empréstimo bancário para manter suas atividades.

CRISE É FESTA NA OPOSIÇÃO

O senador Weverton comemorou a "ótima reunião" de líderes do PDT, Rede, PSB, PT, PCdoB e Cidadania. A oposição, que anda desunida, se reuniu após a operação da PF contra apoiadores de Jair Bolsonaro.

AVISO DE JURISTA

A deputada Janaina Paschoal alerta: "Tudo que antibolsonaristas querem é que o Presidente entre em uma briga insana com o STF". E também se dirigiu a jornalistas: "Em ano eleitoral, todos os possíveis desmandos que vierem a publicar serão tratados como fake news".

PENSANDO BEM...

...logo os sindicatos dos delegados de polícia vão processar o ministro Alexandre de Moraes por exercício ilegal da profissão.
Herculano
29/05/2020 07:22
O INQUÉRITO ABERTO PELO STF É LEGAL; ILEGAL É O GOLPISMO DE BOLSONARO, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

Não use, ó moralista da isenção, a investigação como desculpa para sua covardia

Havendo quem queira usar a suposta irregularidade do inquérito 4.781 para flertar com o golpismo de Jair Bolsonaro ou, diante dele, omitir-se, decretando um empate moral entre as partes, fique à vontade. Mas é falso. Quando no exercício das competências penais originárias, previstas no artigo 102, inciso I, alínea "b", da Constituição, o STF preside o inquérito e exerce a supervisão judicial. Qual a novidade?

Também o artigo 2º da lei 8.038 e os artigos 230 a 234 do regimento interno do STF, que tem força de lei, disciplinam a questão. Essa conversa de ilegalidade do inquérito é papo furado. De resto, está, claro: Alexandre de Moraes não vai oferecer a denúncia. O conteúdo do inquérito será remetido ao Ministério Público, que continua titular da ação penal.

"Ah, não poderia ter sido aberto de ofício, e o relator não poderia ter sido escolhido pelo presidente do STF". Poderia, como dispõe o artigo 43 do regimento interno do tribunal. "Mas se fala ali em 'infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal'". É o mais ridículo de todos os óbices.

Como bem lembrou André Mendonça, atual ministro da Justiça quando advogado-geral da União, "os fatos que atingem essa Corte Suprema e seus Ministros são preponderantemente praticados pela internet (espacialidade delitiva não prevista na literalidade da norma, dada a data de sua edição: 27/10/1980). Ou seja, a abrangência da previsão regimental ora sob análise equivale à jurisdição da Corte, que, nos termos do artigo 92, § 2º, da Constituição Federal, alcança todo o território nacional."

Ignorância se corrige, má-fé, não.

A verdade é que as origens da pregação golpista, parte investigada no inquérito, estão sendo exumadas. E, como quer o apóstolo Paulo, muitos estão se vendo face a face. Não é por acaso que Augusto Aras, procurador-geral da República Bolsonarista, recorre a uma ADPF que saiu da pena do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para, diz ele, delimitar o alcance do inquérito.

Randolfe é ou era da turma "Muda Senado", que saía por aí a se esgoelar, junto com a tropa golpista, em favor da "CPI da Lava Toga". A serviço da Lava Jato e do sergio-morismo, os valentes elegeram o Supremo como inimigo. Cadê os Dallagnois e Pozzobons que, a exemplo de blogueirinhas buliçosas, faziam tutoriais de como difamar a corte em nome do combate à corrupção?

Sim, é uma vergonha sem par que o STF tenha de ter aberto um inquérito de ofício. O Ministério Público Federal deveria tê-lo solicitado. Mas como o faria se era parte ativa da cultura da difamação? Como agir se muitos de seus próceres estavam na origem da campanha contra o tribunal, na qual, agora, Bolsonaro pega carona na sua aventura golpista?

E, ora vejam, o MPF, que não apenas se omitiu diante da escalada autoritária como a alimentou, continua a exercer a sua força destrutiva. Reaparece explorando a fissura dos viciados na cloroquina do combate à corrupção. Ressurge a maximização de uma obrigação moral e administrativa como norte da democracia e como ponto de chegada, não como meio, da virtude.

Eis a PGR a servir de pátio de manobra da sanha de Bolsonaro contra os governadores. A Lava Jato destruidora de instituições - que morreu como projeto de poder de Sergio Moro e dos "white blocs" do MPF- renasce em espírito com Aras, agora sob os auspícios do bolsonarismo.

E, desta feita, os valorosos moralistas contribuirão para esconder a montanha de mortos com uma montanha de acusações. A campanha eleitoral de 2022 já começou. Por ora, o único adversário de Bolsonaro são as instituições. As investigações da PGR tendem a ser o crematório de milhares de pretos de tão pobres e pobres de tão pretos anônimos.

Sim, os ladrões estão aí. Sempre estiveram e têm de ser combatidos. A questão é definir o que preservar nessa luta. Até agora, temos destruído instituições e valores democráticos.

Não use, ó moralista da isenção, o inquérito 4.781 como desculpa para a sua covardia ou omissão. Não há nada de errado com ele. Quanto a você...
Herculano
28/05/2020 18:17
da série: a vingança aos ex-aliados é parte visceral do governo de Bolsonaro. Agora ele se une ao PT para desqualificar o ex-juiz Sérgio Moro, que foi seu ministro e o desmascarou em todas as mentiras que Bolsonaro tentou contar aos brasileiros.

PLANALTO INCENTIVA CPI CONTRA A LAVA JATO

Conteúdo de O Antagonista. A pedido do Palácio do Planalto, deputados do Centrão pediram a Rodrigo Maia que reative a ideia da CPI da Vaza Jato depois que passar a pandemia.

O objetivo seria "enterrar de vez" a biografia de Sergio Moro. O presidente da Câmara, porém, prefere deixar o abacaxi para seu sucessor.
Herculano
28/05/2020 18:12
da série: engana que eu gosto, ou os gringos vão acreditar nessa? Afinal que manda é Mourão ou Bolsonaro?

MOURÃO RETIRA SALLAES DE CARGO NO FUNDO AMAZôNIA

Conteúdo de O Antagonista. Numa tentativa de reativar as doações da Noruega e Alemanha para ações ambientais no Brasil, Hamilton Mourão retirou Ricardo Salles da presidência do comitê orientador do Fundo Amazônia, registra a Folha.

O colegiado havia sido extinto pelo governo Bolsonaro em abril de 2019, o que provocou uma disputa com os dois principais doadores e resultou na paralisação do fundo ?"para o qual os noruegueses já transferiram R$ 3,1 bilhões e os alemães, R$ 192 milhões.

Como já publicamos, o vice-presidente discutiu hoje com os embaixadores da Alemanha e da Noruega a retomada do financiamento. E apresentou a nova modelagem do comitê - que, segundo Mourão, será recriado por decreto e presidido por ele, não pelo ministro do Meio Ambiente.

Segundo o jornal paulistano, os termos propostos por Salles nas fracassadas rodadas de negociação no ano passado foram considerados inaceitáveis pelos dois países doadores. Mourão, por sua vez, é visto como pragmático e mais aberto ao diálogo.
Herculano
28/05/2020 18:08
ERA O QUE FALTAVA: VOCÊ PAGA A DEFESA DE WEITRAUB E DO "GABINETE DO óDIO", por Josias de Souza, no UOL

O espírito de corpo que vigora no pedaço ideológico-cristão do governo de Jair Bolsonaro converteu-se em espírito de porco. Não bastasse aturar a presença de Abraham Weintraub no comando do Ministério da Educação, o contribuinte brasileiro foi condenado a pagar a defesa dele no Supremo Tribunal Federal.

Por ordem de Bolsonaro, o ministro André Mendonça, substituto de Sergio Moro no Ministério da Justiça, protocolou no Supremo Tribunal Federal um habeas corpus contra decisão que deu cinco dias para Weintraub esclarecer em depoimento a ofensa que dirigiu aos magistrados da Corte.

O habeas corpus do ministro da Justiça é extensivo "a todos aqueles que tenham sido objeto de diligências" da Polícia Federal nesta quarta-feira, na investigação que apura o funcionamento do chamado "gabinete do ódio", uma máquina bolsonarista acusada de difundir notícias falsas e triturar reputações nas redes sociais.

Repetindo: o ministro da Educação chama os magistrados do Supremo de "vagabundos", declara que colocaria todos eles na cadeia, continua pendurado na folha do MEC, e ainda espeta o custo do processo judicial no bolso do brasileiro em dia com a Receita Federal. Você paga o salário do autor da defesa, o cafezinho, a tinta da impressora, o papel, a conta da luz, o diabo.

Mais: a Polícia Federal realiza batidas de busca e apreensão em 29 endereços de suspeitos de espalhar fake news e o ministro da Justiça, superior hierárquico dos agentes federais, assina a peça que pede o trancamento do inquérito em nome da "liberdade de expressão."

Entre os que tiveram as residências varejadas pela rapaziada da PF estão, por exemplo, o ex-presidiário Roberto Jefferson e os empresários Luciano Hang (Grupo Havan) e Edgard Corona (Smart Fit). "Obrigado, presidente. Jamais vou deixar de falar o que penso", agradeceu o dono da Havan. "Estamos juntos com o povo brasileiro para mudar o nosso país. Democracia e liberdade é tudo."

O inquérito sobre fake news é passível de questionamento. Os brasileiros encrencados com a lei têm direito a um advogado. Não há miseráveis entre os investigados. Mas ainda que houvesse réus miseráveis entre os encrencados, poderiam recorrer aos bons préstimos da Defensoria Pública.

Qualquer solução seria aceitável, exceto espetar no bolso de quem financia a bilheteria o custo adicional do incêndio do circo.

Já imaginou que país maravilhoso seria o Brasil se, de repente, baixasse no pedaço do mapa de Brasília onde funcionam os Poderes da República uma pandemia de ridículo?
Herculano
28/05/2020 18:01
RESPONSABILIDADE FISCAL PARA TODOS, por Zeina Latif, economista, no jornal O Estado de S. Paulo

As regras atuais disciplinam a ação do Executivo, mas nem tanto a dos demais poderes

Prover estabilidade macroeconômica - inflação controlada, taxa de juros básica baixa, câmbio menos volátil e, assim, ciclo econômico mais suave ?" é responsabilidade da União. Não é tarefa simples pois, por um lado, a sociedade pune presidentes que geram instabilidade, mas, por outro, demanda gastos públicos enquanto desconhece o quanto a estabilidade depende da disciplina fiscal.

Decisões tomadas pelos demais Poderes aumentam o fardo da União. Despesas são criadas e receitas suprimidas pelo Judiciário e Legislativo, sem qualquer ônus aos mesmos. Na bondade com o chapéu alheio, a corda acaba estourando no Executivo, sendo que o desrespeito às regras que regem o orçamento federal - regra de ouro, Lei de Responsabilidade Fiscal e regra do teto - é passível de enquadramento como crime fiscal, ameaçando o mandato presidencial.

Um passo foi dado em 2016 para, ao menos, reforçar a disciplina fiscal desses poderes. A partir de 2020, Judiciário, Legislativo, Ministério Público e Defensoria Pública terão de se enquadrar na regra do teto. Seus gastos não poderão crescer além da inflação. No caso de descumprimento, o órgão não poderá conceder vantagem, aumento e reajuste de remuneração de seus membros e servidores.

Outra inovação veio na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018, que estabeleceu que "proposições legislativas e as suas emendas (...) que, direta ou indiretamente, importem ou autorizem diminuição de receita ou aumento de despesa da União, deverão estar acompanhadas de estimativas desses efeitos".

Já o cumprimento das metas orçamentárias continua sendo responsabilidade exclusiva do Executivo. Havendo, por exemplo, uma frustração de receita, o custo do ajuste recai sobre ele apenas.

O conflito entre Executivo e Legislativo é tema recorrente, principalmente em países com regime presidencialista. No parlamentarismo, as ações entre esses poderes são mais cooperativas, reforçando a disciplina fiscal.

O sistema político brasileiro alimenta ainda mais o viés ativista do legislativo e a indisciplina fiscal. A elevada fragmentação do Congresso e a falta de disciplina partidária estimulam decisões individuais de legisladores.

Daí a importância de regras que, respeitando a independência dos Poderes, limitem seu poder discricionário. As regras atuais disciplinam a ação do Executivo, mas nem tanto a dos demais.

Os problemas de coordenação não terminam aqui. Estados e municípios são responsáveis por prover serviços públicos, como saúde e educação, mas não são devidamente responsabilizados por suas decisões.

A Lei de Responsabilidade Fiscal não tem sido plenamente aplicada, em boa medida por ação do STF. Um exemplo é não validar a possibilidade de redução temporária de jornada de trabalho com a redução dos vencimentos nos Estados que não cumprem os limites para gastos com a folha ?" a realidade da maioria.

O STF também prejudica a disciplina fiscal ao autorizar, por meio de liminares, que Estados não honrem suas dívidas junto à União.

A crise atual exacerba essas tensões. O socorro a Estados e municípios totalizando R$120 bilhões (metade decorre de liminares do STF) e com contrapartidas tímidas (apenas o não reajuste de salários por dois anos, um esforço modesto a julgar pelas atuais expectativas inflacionárias) reflete a dificuldade de ações cooperativas em prol da disciplina fiscal.

Para muitos, é dever da União socorrer os entes subnacionais em situação de crise, devido à sua capacidade de endividamento. Na discussão sobre a reforma do pacto federativo, será necessário rever esse ponto. Estados e grandes cidades poderiam ter seu "tesouro direto", mas sem garantias e aval da União.

O desenho atual não tem dado certo, pois os Estados gastam na bonança e, na crise, tentam passar a fatura para a União, deixando de enfrentar seus problemas fiscais estruturais.

Com a dívida pública crescendo em ritmo explosivo, será crucial discutir como aprimorar o arcabouço institucional que, direta ou indiretamente, rege os orçamentos públicos, com vistas à disciplina fiscal.
Herculano
28/05/2020 17:59
da série: Bolsonaro - com os filhos e incendiado pelo terraplanista Olavo de Carvalho - está pagando para ver. O STF também. Então...

MAIORIA DO STF DEFENDE MANUTENÇÃO DE INQUÉRITO DE FAKE NEWS, por Mariana Carneiro e Guilherme Seto, na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo

Ministro Fachin liberou para julgamento do plenário do STF a ação que questiona a legalidade do inquérito
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal defende a manutenção do inquérito de fake news, conduzido por Alexandre de Moraes. Os ministros têm conversado por meio de videoconferência. Ao menos sete já mostraram apoiar a continuação da investigação.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a suspensão do inquérito.

Nesta quarta (27), a Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão contra empresários e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. O empresário Luciano Hang, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e influenciadores bolsonaristas foram alvo da ação.

"Não teremos outro dia como ontem, chega", disse, na saída do Palácio da Alvorada, em declaração transmitida pela rede CNN Brasil. "Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news."


Em outro trecho, Bolsonaro afirmou ter em mãos as "armas da democracia". E disse que "ordens absurdas não se cumprem" e que "temos que botar limites".

Também nesta quinta, o ministro Edson Fachin voltou a liberar para julgamento do plenário do STF a ação que questiona a legalidade do inquérito.

Agora, cabe ao presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, determinar uma data para julgamento do caso. Fachin pediu preferência na análise da matéria.
Herculano
28/05/2020 17:53
O RISCO DO NOVO PRETORIANISMO, por Cristian Klein, no jornal Valor Econômico

Falta modernidade a militarismo do governo Bolsonaro

Quanto menos popular, mais um governo tende a recorrer à força e a aparelhos de repressão do Estado. É assim numa ditadura. Pode ser assim numa democracia que vai sendo paulatinamente desgastada, erodida, envergonhada, como a brasileira. Esse é o assunto do momento, em que o país se vê perplexo com a tentativa de controle do Planalto sobre a Polícia Federal e as renovadas pressões das Forças Armadas sobre o sistema político. O Executivo ataca, o Supremo Tribunal Federal (STF) busca reagir - como na operação desta quarta-feira que acossou a suposta associação criminosa que dissemina "fakenews" - e o fragmentado Congresso leva tudo no banho-maria. Mas antes há o quadro geral.

Eleito pelo voto da maioria, Jair Bolsonaro não a tem mais. Os simpatizantes que consegue mobilizar nas manifestações dominicais em frente ao Planalto expõem um pequeno rebanho, embora cada vez mais radical, já denominado pelo decano do Supremo, Celso de Mello, de "bolsonaristas fascistóides".

Pesquisas indicam queda de popularidade e aumento de rejeição após a resposta dada à pandemia do novo coronavírus. Sem qualquer coordenação nacional para enfrentar a crise, o Brasil se tornou, com o descaso propagado por Bolsonaro, o novo epicentro de disseminação e de mortes pela covid-19, que já ceifou mais de 25 mil vidas.

Com o sexto maior número de habitantes do planeta, o país avança em ritmo acelerado para alcançar o segundo lugar no ranking de óbitos, atrás apenas dos Estados Unidos, que têm população 55% superior. Ou seja, seremos o "campeão imoral" da pandemia.

As ideias do presidente não correspondem aos fatos nem à ciência. O mundo vê o brasileiro como uma massa doente de párias, obtusos e obscurantistas que precisam ser mantidos à distância. Mesmo pelo bajulado Donald Trump, que proibiu a entrada de viajantes com passagem pelo Brasil nos aeroportos americanos. O nível de investimento direto no país é o menor em 25 anos. O real é a moeda que mais se desvaloriza em relação ao dólar. Brasil, em tudo, abaixo de todos.

Quanto mais explícita a incapacidade de gestão e de liderança de Bolsonaro, mais o presidente e seu entorno precisam falar mais alto. O vídeo constrangedor da reunião ministerial de 22 de abril foi só amostra vulgar. Nos últimos anos o decoro, a civilidade, a cordialidade, o bom senso, a racionalidade saíram de moda. O movimento desaguou em projeto de índole revolucionária da extrema-direita.

Seu estilo de governo é hierárquico e autoritário. Quanto mais perde a ligação direta com a população, porém, mais se apoia em estruturas contraditórias. Deixou de criticar o toma-lá-dá-cá e abraçou o fisiologismo do Centrão. Fala em suposta democracia, mas sempre defendeu a ditadura militar e procura jogar a opinião pública contra o Congresso, o STF e a imprensa livre. O contínuo ataque às instituições, contudo, ganhou novos contornos com os últimos acontecimentos que dão conta do suposto apoio de Bolsonaro nas Forças Armadas.

Já se sabe que o sonho de Bolsonaro seria governar uma espécie de Coreia do Norte de direita, sem oposição, e com os militares subordinados aos caprichos de uma fonte de poder familiar - do pai, dos filhos e inspirada pelo espírito do guru Olavo de Carvalho.

O que não está - ou estava - tão claro era a disposição das Forças Armadas em se engajar de corpo e alma no projeto. No mínimo, arrisca a credibilidade da corporação. No limite, arrebenta com a democracia. Não foi trivial o episódio da nota do ministro Augusto Heleno, em que o general afirmou que poderia haver "consequências imprevisíveis" se a Justiça decidisse apreender o telefone do presidente, no âmbito da investigação que apura a denúncia de interferência de Bolsonaro na PF, feita pelo ex-ministro Sérgio Moro.

Ao contar com o aval do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e de quase uma centena de generais da reserva, o texto reforçou as suspeitas da cada vez maior atuação das Forças Armadas como uma instituição de governo, e não de Estado.

Nos bastidores, militares acenam com a possibilidade de uma "guerra civil" quando, na verdade, a população só vê como inimigo imediato um vírus invisível, e quando só um lado faz apologia da violência ou da desobediência civil. Dois ex-presidentes, Lula e Dilma, tiveram conversas telefônicas grampeadas e vazadas, mas Bolsonaro antecipadamente afirma que descumpriria decisão que lhe obrigasse a entregar o celular. Ontem, mesmo num dia de investigação a pleno vapor contra o chamado "gabinete do ódio", o grupo bolsonarista "300 do Brasil", que defende uma revolução e foi classificado como "milícia" pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), montava acampamento em frente ao Supremo.

Tão ciosas com a preservação da ordem, não se ouviu das Forças Armadas uma condenação à organização paramilitar. Ou à proposta de Bolsonaro de armar a população para defender o governo dele. Ou à declaração, também exposta na reunião ministerial, em que o presidente afirmou ter um sistema paralelo de inteligência, o que seria ilegal.

A história do militarismo remonta à fase embrionária das guardas pretorianas dos imperadores romanos, passou pela profissionalização do Exército na Prússia e encontrou, sobretudo no Brasil, sua forma contemporânea como um "novo pretorianismo". Aqui, a alternância no poder de presidentes-generais elevou o que poderia ter sido uma cirúrgica intervenção, em 1964, ao patamar de um regime.

A prevalência dos militares - o que ocorre com Bolsonaro em grau maior do que durante a ditadura militar - é geralmente explicada quando o Exército é a parte mais moderna da sociedade ou quando a estrutura política procura por legitimidade.

Há cem anos, quando o Brasil deixava de ser agrário e começava seu processo de modernização, o tenentismo até dava sentido à primeira hipótese. Com a forte adesão das Forças Armadas a teses olavistas e mistificações como "guerra cultural", em meio à longa crise política, nova submissão do governo federal à caserna só leva a outra definição usual como denominador comum do militarismo: degeneração da sociedade civil.

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