15/06/2020
E não precisa ir longe para testar essa tese
Em Gaspar, o prefeito Kleber Wan-Dall, MDB, está com o seu alto salário de R$27.356,69 intacto e fugindo das cobranças. Os vereadores estão cozinhando a redução de suas verbas. E a máquina de comissionados está inchando mesmo diante da falta de dinheiro nos cofres públicos
Em Blumenau, o prefeito Mário Hildelbrand (à esquerda) reduziu o seu salário e dos comissionados. Em Gaspar, Wan Dall deixou intacto até aqui o seu alto salário (ao centro) e na Câmara, a redução proposta pelo vereador Roberto (à direita) está empacada há dois meses na Comissão que ele preside.
Na live de quinta-feira e com baixa audiência em comparação as anteriores, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, ameaçou vetar o projeto que pretende estender por mais dois meses o auxílio emergencial, se ele vier alterado Congresso Nacional de R$300,00 para novamente os R$600,00, como se pagou por três meses até aqui.
É fácil os deputados e senadores fazerem demagogia com o dinheiro dos pesados impostos dos brasileiros, em época de crise e de pré-campanha eleitoral nos municípios.
O dinheiro que vai ser distribuído aos desamparados, vem próprios desamparados e dos cidadãos e cidadãs que não terão direito ao auxílio, mas estão desempregados ou falidos. Dinheiro não dá em árvores ou cai do céu. O dinheiro do governo é gerado pelo povo por meio dos impostos ou tomado emprestado de gente que possui alguma economia aqui ou no exterior e faz disso um meio de sobrevivência. Simples, assim!
Antes de prosseguir um parêntesis: “ah, mas você exagera, Herculano. Como um pobre que não tem nada paga imposto?” Pobre, proporcionalmente, paga mais que outros. Se ele come, quando come, ele paga imposto; paga no gás, no ônibus, na luz, no remédio.... Em tudo, pagamos direta ou indiretamente, impostos para gestão, farra e roubos dos governantes e políticos.
MAIS, COM O CHAPÉU DOS OUTROS
Retomo. Na semana passada, também, ao ser cobrado pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, DEM, e depois confirmar a prorrogação desse auxílio, Bolsonaro que por 28 anos foi parlamentar do baixo clero, disse que se os parlamentares quisessem alterar a proposta do governo e renovar os R$600,00, que eles próprios colocassem a mão na consciência, e principalmente nos próprios bolsos, para ajudar o Brasil e os brasileiros.
E a partir daí a coisa pegou. E por que pega?
Porque político é bom para gerar despesas que são cobertas pelo tesouro – onde são recolhidos e distribuídos os pesados impostos de todos no âmbito federal, estadual e aqui nos municípios. Político, com ou sem mandato, raramente, é capaz de tirar dos seus próprios rendimentos aquilo que oferece aos outros.
Faço um reparo: o partido Novo. Mas, fora ele, quem dos políticos e partidos, em plena grave crise econômica, social e de saúde, viu alguém renunciar aos bilionários fundos partidário (R$959 milhões e destinado ao funcionamento dos partidos) e eleitoral (2.034.954.823,96)? São quase R$3 bilhões, repito, bilhões tirados da saúde, educação, assistência social, segurança, obras de infraestrutura do orçamento da União.
E eles estão ai pedindo os nossos votos para tudo continuar na esbórnia como está.
EM GASPAR E ILHOTA OS EXEMPLOS SÃO OS MESMOS
Quem ouviu que em Gaspar e Ilhota os prefeitos (Kleber Edson Wan Dall e Érico de Oliveira, ambos do MDB), os vices (Luiz Carlos Spengler Filho, PP e Joel José Soares, PSL), os secretários e os comissionados tiveram seus salários reduzidos, mesmo que momentaneamente? E os vereadores desses dois municípios?
Então os congressistas vão dar exemplo e cortar na própria carne seus altos ganhos e verbas, mordomias e privilégios que criaram si, tudo pago pelos seus próprios eleitores e para “ajudar” na renda dos pobres e mais desvalidos pós pandemia Covid-19?
Outro parêntesis. Não estou me referindo aos servidores, concursados, com estabilidade, que continuam com seu emprego garantido, mesmo que na iniciativa privada e para quem servem, tudo está virado num trapo. Refiro-me a políticos e seu entorno exagerado de comissionados.
Os políticos daqui são exatamente espelhos dos que estão lá em Brasília ou em Florianópolis. Então...
Os políticos daqui empoleirados no poder de plantão ou mesmo na oposição, são os cabos eleitorais dos de Brasília e Florianópolis, não apenas na busca dos votos, mas nas práticas que as urnas condenaram em outubro de 2018. Mais do que isso: praticam o que os discursos dissimulados deles próprios condenaram durante a campanha – de convencimento, empatia e a compra de votos – feitos para analfabetos, ignorantes, desinformados e fanáticos.
OS CHINESES SERÃO OS CULPADOS DA NOSSA ESPERTEZA MANCA?
Veja o exemplo de Gaspar. O líder de governo na Câmara, Francisco Solano Anhaia, MDB, chegou a anunciar há quase um mês uma queda de 60% na arrecadação do município se comprado – segundo ele, na fala na Câmara para rejeitar uma ideia de ajuda a juros a microempresários que se tem em Indaial- ao projetado e o que se arrecadou no início do ano. Exagerou. Mas, está chegando perto. Os números são públicos e atualizados diariamente. Estão como sorvetes: derretendo-se nas receitas.
O orçamento do município de R$ 295.800.000,00 como já mostrei nos anos anteriores é uma peça de ficção contábil. Agora, ela se tornou uma peça dramática.
Até o momento, entretanto, esta dramaticidade não sensibilizou os “çabios” do paço e muito menos o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. E olha que quem pilota esta sala de emergência da nave Gaspar é o prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, o secretário da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, presidente do MDB, ex-coordenador de campanha de Kleber.
Para situações assim, é preciso ações preventivas, exemplares, doídas e dramáticas.
Os políticos e gestores públicos estão esperando perdões dos órgãos de fiscalização; à retomada da economia que parece demorar mais do que o previsto; os deslocamentos de verbas federais e estaduais para suprir à queda na arrecadação de tributos locais e ao mesmo tempo, manter azeitada à máquina multipartidária de catar votos via os comissionados para as eleições deste ano.
O próprio prefeito Kleber nem gestos simbólicos foi capaz de fazer para a sua turma, seus eleitores e os pagadores de pesados impostos de Gaspar que estão se desempregando ou falindo por causa da crise.
O seu alto salário de R$27.356,69 continua intacto. Enquanto o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrant, Podemos, apenas como exemplo, mas aconteceu em outras mais importantes e maiores de Gaspar, cortou o seu salário de R$23.849,12, menor do que o de Kleber, em 20%, incluindo os comissionados.
Aqui, Kleber, também o vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP, e os secretários estão protegidos nos seus ganhos. Kleber até ensaiou um discurso de economia, que não resistiu a uma planilha apresentada pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT.
E para piorar o que disse e não cumpriu. Ao anunciar que cinco secretários seus estavam saindo para serem candidatos a vereador numa comprovação de que o seu governo é uma máquina eleitoral, prometeu não preenchê-las como uma forma de economizar. O discurso foi para o brejo rapidamente. Duas secretarias já têm titulares nomeados, uma delas, com comissionada.
NA CÂMARA UM PROJETO SE ENROLA POR QUASE DOIS MESES
E na Câmara? Nada disso é diferente. O vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, ex-opositor de Kleber é hoje seu defensor, até que se mexeu. Apresentou dois Projetos de Resolução: um para reduzir só 20% dos salários dos vereadores por apenas dois meses e outro que proíbe diárias a servidores e vereadores até o final do ano.
A economia disso iria para o Fundo Municipal de Saúde, rubricada para as ações de combate à Covid-19. Belo!
Os projetos entraram no dia sete de abril e no dia 14 chegaram às comissões. O sorteado relator geral do que pede a redução das verbas dos vereadores, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, já deu parecer favorável, faz tempo.
O que veda à concessão de diárias a vereadores e servidores até 31 de dezembro também ganhou o mesmo caminho. Entretanto, o relator sorteado Wilson Luiz Lemfers, PSD, agora apoiando Kleber, espera um parecer do corpo técnico da Câmara e que enxerga inconstitucionalidade em ambos.
Por estas e outras razões política, ambos estão “parados”, esperando que o povo e a que caíram em desgraça econômica diante da pandemia esqueçam esta história de sacrifícios dos políticos. Dois meses em algo que seria para o “estado de emergência”? Só para rememorar: os cinco projetos de lei para reajuste dos salários dos políticos e servidores do município, autarquias e Câmara passou em uma semana. Os servidores tiveram ainda aprovado um projeto com aumento real de 1%, um gesto de trégua em ano de eleições.
Estranhamente, os Projetos de Resolução foram apresentados por vereador que é advogado. Pode até ser inconstitucional, mas no fundo é ciúme eleitoral para não dar vantagem a quem protocolou a ideia, que se vencedora, vai obrigar o próprio governo Kleber a entrar na onda. E ele não quer. E vem resistindo, mesmo sob desgastes reais.
Um novo parêntesis. E a mesma inconstitucionalidade que se enxerga nestes dois projetos tão irrelevantes do ponto de vista econômico, mas que atinge os bolsos dos políticos, não se viu, naquilo que o Ministério Público acaba de apontar como relevante do ponto de vista jurídico, ou seja a aprovação de mudanças na lei parcelamento do solo, as quais permitiram reduzir à área verde de loteamentos de quem fosse parceiro de projetos de infraestrutura urbana da prefeitura de Gaspar.
Retomo. Mas, é o próprio autor das duas boas ideias que tem a solução nas suas mãos. E explico.
Roberto Procópio de Souza é o presidente da Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação que vai decidir esta engronha. Nela, o governo possui três dos cinco votos (Roberto, Franciele Daiane Back, PSDB, e Francisco Hostins Júnior, MDB). E o voto do próprio vereador autor pode definir o destino das suas ideias, pois os votos de Bertoldi e Rui Carlos Deschamps, PT, já são conhecidos: são a favor da redução.
E por que a turma de Kleber não quer ver aprovado este projeto da redução dos salários dos vereadores por apenas dois meses? Pelo impacto político que causa e que obrigará à prefeitura à atitude semelhante. Pois se não fizer, ficará fragilizada no discurso das próximas eleições. E a inconstitucionalidade? É a boia para todos se salvarem, incluindo o próprio autor da ideia, que ficaria eternizado como tal.
E antes de terminar. Se serve de consolo aos vereadores de Gaspar, ao poder de plantão e um aviso aos eleitores. Em Blumenau, a Câmara de lá resolveu fazer algo semelhante. Mas quatro dos 15 vereadores não autorizaram a doação de apenas 10% dos seus salários para o combate a Covid 19: Almir Vieira, PP; Marcos Rosa e Oldemar Beck, ambos do DEM e Jovino Cardoso, do Solidariedade, evangélico e muito próximo do poder de plantão em Gaspar.
Finalizando. Tem razão o presidente Bolsonaro em provocar os congressistas que aprovam bondade com o nosso dinheiro, a meterem a mão nos seus próprios bolsos e participarem dessas bondades. Acorda, Gaspar!
Os vereadores pediram ao presidente da Câmara Ciro André Quintino, MDB (á esquerda). Ele autorizou. Rui Carlos Deschamps, PT (á direita), recusou porque achou inapropriado.
Se por um lado, nenhum político em Gaspar quer, ou não pode abrir mão de seus salários em plena crise de econômica, de emprego, arrecadação e social, os próprios vereadores, já em vantagem por terem palanques políticos permanentes por mais de três anos afio, agora deram para fazer cursos “on-line”. Nada de mais, se eles não fossem preparatórios para as eleições. E tudo pago pelos gasparenses.
Publiquei duas notinhas, quase que escondidas na seção Trapiche, na coluna que fiz para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale – com 30 anos de circulação. Um alvoroço. Colocaram-me novamente no pelourinho, como se eu fosse o culpado.
O que escrevi?
“Enquanto isso, nesta segunda e terça-feira, os vereadores de Gaspar, ao preço de R$877,00, cada um, prepararam-se com dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses para as eleições deste ano. Eles realizaram pela internet – das 14h às 18h – o curso ‘caça níquel’ denominado ‘Condutas Voltadas aos Agentes Públicos na Eleição de 2020’, o qual pediram em ofício individual ao presidente da Casa. Meu Deus! E em plena pandemia?
Nem todos se inscreveram. Pedi ao presidente Ciro André Quintino, MDB, a lista dos participantes. Providencialmente, ele estava em silêncio até o fechamento deste texto. Ou seja, deixou todos o mesmo balaio. Este tipo de ‘curso’ deve ser pago pelos candidatos de forma particular e quando muito, pelos partidos que já têm de nós, o dinheiro dos pesados impostos no bilionário Fundo Partidário. Acorda, Gaspar!”.
Quatro coisas rápidas, nem para alimentar a polêmica, muito menos para encerrá-la:
Primeiro. Até o fechamento da edição desta coluna feita especialmente para o portal Cruzeiro do Vale – o mais acessado e de credibilidade de Gaspar e Ilhota -, o presidente Ciro continuava mudo. Outros bufando sobre a minha “intromissão”, como se eles não devessem explicações à cidade.
Segundo. Tão logo a notícia se espalhou, o único vereador que apareceu por aqui para dizer que não fez o curso, pois está licenciado e se tivesse presente, mesmo que obrigado para dar o status corporativo (“erro” coletivo com todos os partidos misturadinhos), não faria, foi Rui Carlos Deschamps, PT.
Terceiro. O presidente e sua assessora foram avisados pela equipe técnica da Câmara de que este tipo de curso poderia dar problema. Ambos bancaram. E houve vereador que se inscreveu, mas quem fez foi o assessor, o que é bem apropriado, se feito particularmente.
Quarto. O que diz a Sete Treinamentos no seu site quando vende este curso? “O programa do curso foi elaborado com o foco nas ‘Condutas Vedadas aos Agentes Políticos’ e nas exigências comportamentais dos mesmos, de forma a dotar os cursistas de conhecimentos necessários a competente e profissional atuação em ano eleitoral”.
Então, a própria Sete deveria explicar durante o curso que nas tais exigências comportamentais, isso que os vereadores fizeram na segunda e terça-feira via internet não é permitido.
Quais seriam os temas do curso, segundo a própria Sete no folder eletrônico que fez para vende-lo? “Conhecer a Legislação Eleitoral aplicável às eleições de 2020; estabelecer distinção entre eleições gerais e eleições municipais; diferenças de elegibilidade e condições de inelegibilidade; estudar as condutas vedadas e as consequências no caso de descumprimento; compreender a propaganda eleitoral e seus limites legais; elucidar quais são os direitos dos eleitores convocados pela Justiça Eleitoral”.
Há alguma dúvida de que se trata de um curso preparatório para candidatos à eleição e neste caso, à reeleição municipal? Não está oficialmente no programa, mas se tratou de prestação de contas também. Meu Deus!
À direita um ponto no Centro da cidade ocupado por moradores de rua. Á esquerda, um ponto sem cobertura e que “desestimula” a se tornar um “abrigo” aos de moradores de rua
Estas duas fotos retratam uma parte da secretaria de Assistência Social. Ela em Gaspar é um trampolim político numa das áreas mais sensíveis por aqui onde o salário médio dos empregados é 1,5 mínimo. Os pontos de ônibus em Gaspar viraram a Casa de Passagem para os sem tetos. E não é deste governo. Entretanto, na campanha vencedora, prometeu mudar este triste retrato. Agora, a prefeitura até retirou o teto de um deles e só deixou o banco. Sem teto dos pontos de ônibus, resta ir para debaixo das pontes.
Estamos na boca do inverno e agravado pela Covid 19. A população de rua em Gaspar, apesar de sermos uma cidade dormitório e estarmos entre Blumenau, Itajaí e Brusque, é ainda muito pequena. Mas, deverá crescer à medida que a miséria aumentar em decorrência da crise econômica e social provoca pela pandemia.
Levantamentos da própria secretaria mostram que ela oscila entre 15 e 20 pessoas. Algumas são “velhas” conhecidas. Outras “aparecem” e “desaparecem”. Uns fizeram da rua uma opção de vida. Outros, são resultados de dramas econômicos, familiares, vícios e emocionais. Então se são poucos, não há razão para postergar ou rejeitar soluções. Vai se esperar serem muitos, gerando mais problemas sociais e custos? É isso?
Em Gaspar não há um programa específico. E os moradores de rua já fazem parte da paisagem que não sensibiliza mais o poder público, talvez por não serem eleitores por aqui. E a causa está em como a Assistência Social é tratada pelo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Estou sendo exagerando? O primeiro secretário que ele nomeou foi um assessor parlamentar seu, Ernesto Hostin, PSC, como paga pela fidelidade e apoio político. Hostin deu conta, ficou doente e saiu, mas não perdeu as bocas no governo. E agora, em ano de eleições, ganhou uma nomeação de ponta.
Veio outro com pinta de mudanças por ser um técnico da área, Santiago Martin Navia. Que nada! Fez da pasta um trampolim eleitoral. Saiu recentemente de lá porque diz que é candidato a vereador. Como é efetivo, ainda continua na prefeitura e na hora do trabalho faz propaganda, anuncia suas lives e fora da prefeitura está distribuindo cestas básicas doadas em ambientes fragilizados doadas por particulares. Faz uso dos dramas sociais de modo intencional e eleitoral.
Mas, Herculano, o tal plano de governo feito após a cascata marqueteira do candidato Kleber quando disse ter “ouvido” os cidadãos e que bem se chamou ele de “construir o futuro, recuperar a credibilidade e o desenvolvimento de Gaspar”, não contemplava isso? Especificamente, não. Mas, genericamente, sim. Vou resgatar aos esquecidos do governo o que dizia àquele documento de compromissos na área de Assistência Social.
“Criar o Plano Municipal de capacitação profissional de adolescentes e jovens e contribuir com a sua inserção no mercado de trabalho; elaborar diagnóstico socioterritorial; estimular e valorizar os profissionais do SUAS (Sistema Único da Assistência Social) como promotores do acesso da população mais vulnerável às políticas sociais; promover a articulação dos conselhos de assistência social com os conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, Saúde e de Educação visando a integração de esforços e a qualificação do atendimento às demandas sociais”.
Então. Se Kleber tivesse feito o diagnóstico sócioterritorial como se comprometeu, ele saberia que há uma população de rua. Se fez o diagnóstico e ele sabe o tamanho do problema, contudo não implementou soluções, pois tudo continua tão grave quanto antes da sua posse há três anos e meio. Meu Deus!
Se Kleber tivesse cumprido à promessa de valorizar os profissionais do SUAS, eles não estariam em permanente frustação e pé de guerra com os titulares da pasta, incluindo a comissionada que acaba de nomear, Silvania Jonoelo dos Santos, uma profissional da área, mas que está lá, segundo os que trabalham na secretaria, para barrar o que tem que ser feito.
ALTA COMPLEXIDADE
Se não temos Casa de Passagem para gente sem eira nem beira, também não temos uma estrutura efetiva para a Proteção de Alta Complexidade. No papel, até há esta estrutura com um comissionado nomeado para a coordenação, Evandro Schneider Imof. Ele foi deslocado para a manutenção.
Só depois que o caso veio a público e o vereador servidor municipal Cícero Giovane Amaro, PL, questionou na Câmara, parece que este improviso está se desmanchando. E a nova titular já promove mudanças. Amada Fischer Miguel deixou a coordenação do CREAS.
O certo é que nada funciona, a não ser o empreguismo eleitoral numa área essencial na prevenção de problemas sociais, num ambiente tão complexo quanto o nosso. O caso do idoso em situação de vulnerabilidade e que lhe relatei na semana passada aqui, que por falta de estrutura e política da secretaria de Assistência Social foi parar no Hospital se tornou o bafafá da semana. Não pelo problema em si, mas como a informação chegou até esta coluna. Incrível!
Depois de denunciado o caso, como o Hospital não é casa de repouso, ele ganhou “alta” de lá. Foi encaminhado para Brusque onde a prefeitura mantém convênio para casos assim na Casa de Longa Permanência Dilone. E quem fez este processo? Não foi o coordenador de Alta Complexidade, mas a diretora de Proteção Social, Elaine Cristina Guimarães. Acorda, Gaspar!
Os empreendedores da área de educação básica (zero a seis anos) em Gaspar – e que são poucos – pediram uma audiência com o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Tentaram acessá-lo via o vice-prefeito Luiz Carlos Spengler Filho, PP, nada. Tentaram via o chefe de gabinete e secretário interino de Educação, Jorge Luiz Prucinio Pereira, presidente do PSDB, nada. Aí resolveram que "acampariam" na prefeitura até serem atendidos. Eis que surge o interlocutor privilegiado para o grupo com Kleber: o presidente no PSD de Gaspar, Marcelo de Souza Brick (na foto à direita). O PP ficou uma fera com o recado do gabinete.
Doentes de Covid-19 expostos. Uma vergonha!
O que trouxe o Boletim Epidemiológico de Ilhota com data do dia 10 de junho? O nome de todas as pessoas monitoradas, suspeitas, descartadas e infectadas pelo Covid-19 que passaram pelos respectivos postos de Saúde do município até àquele dia. Aliás, lhota começou a ter uma preocupante taxa de doentes do coronavírus.
O correto, era apenas divulgar os números totais testados, infectados, descartados e em tratamento (agora já se tem uma morte confirmada; Gaspar já tem dois e cuja UTI da Covid-19 está ocupada por dois pacientes de outros municípios). A identificação nominal dos que passaram pelos postos de saúde da cidade seria, neste caso, permitido apenas para o público e o controle interno da secretaria de Saúde. Mas...
E tão logo foi elaborado, esse relatório ganhou os aplicativos de mensagens e se disseminou mais rapidamente de que o próprio vírus em Ilhota e outras cidades. E os doentes - e não doentes - ficaram expostos na cidade, sujeitos a constrangimentos e discriminações. Uma vergonha.
Oficialmente a prefeitura não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento da coluna. Mas, fontes informaram que, mais uma vez, alguém que tinha a informação, repassou-a, por engano – e só alegada agora quando a coisa tomou proporção - num grupo de whatsapp, apagou em seguida, mas, segundo se justificou, já era tarde. Virou pirâmide.
Recentemente, um engano semelhante, mas de forma benéfica e necessária, no que tange à transparência do que se faz nos escurinhos e entre os políticos no poder de plantão, expos o funcionário público e vereador Almir Aníbal de Souza, MDB, em suposta compra de votos.
Também foram "enganos" no whatsapp que expuseram à orientação do prefeito Érico de Oliveira, MDB, a um funcionário que deveria fazer comunicação na prefeitura de Ilhota, para espionar a secretária da Saúde. Ela, em função disso, teve que bater em retirada.
E pode estar nascendo aí o melhor concorrente do atual prefeito, Érico de Oliveira, MDB nas próximas eleições: o médico Lucas Gonçalves. Ao tempo do episódio ele o presidente do MDB, e a secretária, sua mulher. Lucas foi quem coordenadou a campanha vitoriosa de Érico.
A lista de erros e estragos dessa gente contra ela mesma no whatsapp é longa. No mínimo, além da cautela, parece que precisam de um cursinho para usar o whatsapp.
Vergonha I. Esta foi a notícia do final da semana passada: Tribunal de Contas do Estado identificou até agora que mais de 4,7 mil servidores públicos catarinenses receberam auxílio emergencial. Ou seja, não tinham direito, não se enquadram para receberem o auxílio emergencial, mas deram um jeito.
Vergonha II. São 1.911 servidores que atuam em órgãos estaduais e 2.862, em várias prefeituras; o total representa 1,21% do universo de 392.436 agentes públicos catarinenses considerados na análise. Parece ser um hábito.
Vergonha III. Neste link, http://www.portaldatransparencia.gov.br/url/97c6f15e você pode conferir quem já se habilitou em Gaspar e nele identificar se há gente que você conhece e a princípio não teria direito.
Vergonha IV. Quem tem direito ao auxílio emergencial de três parcelas de R$600,00 e que o Congresso tenta expandir por mais dois meses de R$300,00? Trabalhadores informais maiores de 18 anos, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados.
Vergonha V. Famílias com renda superior a três salários mínimos (R$3.135,00) ou renda mensal por pessoa da família maior que meio salário mínimo (R$ 522,50) não têm direito ao auxílio emergencial.
Vergonha IV. As pessoas que verdadeiramente precisam do auxílio estão –e por várias razões entre elas documentais, tecnológicas e até por uso indevido de seus documentos por estelionatários - em dificuldades para consegui-lo. Já os caras-de-pau de sempre, dão um jeito de passar a mão nos pesados impostos de todos nós e destinados ao do infortúnio econômico e social de milhões.
Vergonha V. Por outro lado, veja como ficou a distribuição dos R$ 2.034.954.823,96, o bilionário Fundo Eleitoral - o dinheiro público vindo dos pesados impostos de todos e que deveria estar em outras prioridades, mas que vai sustentar as eleições deste ano.
Vergonha VI. PT: R$ 200.925.914,05, PSL: R$ 193.680.822,47, PSD: R$ 157.180.452,52, MDB: R$ 154.867.266,21, PP: R$ 140.245.548,54, PSDB: R$ 26.028.246,07, PL: R$ 123.291.771,52, DEM: R$ 114.582.014,53, PSB: R$ 109.473.374,53, Republicanos: R$ 104.420.877,14, PDT: R$ 99.268.623,40, PODE: R$ 88.650.237,68, PROS: R$ 44.662.782,92, Solidariedade: R$ 42.226.143,46, PSOL: R$ 40.671.705,00, Cidadania: R$ 39.432.103,26, Novo: R$ 36.593.934,06 ( o partido teria direito a esse valor, mas informou que abriu mão), PTB: R$ 35.104.450,75, PSC: R$ 33.174.133,61, PCdoB: R$ 30.975.329,95, Avante: R$ 28.147.299,59, Patriotas: R$ 27.486.008,90, PV: R$ 20.513.797,41, Rede: R$ 20.420.046,72, PMN: R$ 5.872.173,76, PTC: R$ 5.634.758,31, DC: R$ 4.025.171,90, PCB: R$ 1.233.305,95, PCO: R$ 1.233.305,95, PMB: R$ 1.233.305,95, PRTB: R$ 1.233.305,95, PSTU: R$ 1.233.305,95 e UP: R$ 1.233.305,95.
Da série: engana que eu gosto. Lá bem no início, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, aboliu o ponto facultativo para os servidores municipais. Iniciativa correta e justa. Afinal, os que sustentam o governo dele, trabalham entre os feriados, quando não estão desempregados ou se verando para não falir. Se fosse hoje, ele não faria isso.
Entretanto, não foi isso que se viu desde que a ideia foi implantada. Os primeiros a faltarem são os comissionados - a cara máquina de votos do poder de plantão -, amparados por diversas justificativas, e agora incluindo a tal Covid-19. Já os efetivos bateram o ponto. Alguns "compensaram” o banco de horas extras. É do jogo e deve ter controle sobre isso.
Por outro lado, na Câmara houve mais um feriadão oficial no calendário dela. Diga-se que até se tentou tirar esses feriadões numa provocação do MDB de Kleber, mas o ex-presidente da Casa, Silvio Cleffi, PP, então em rota de colisão com o poder de plantão, brecou a proposta das lideranças governistas e a desbancou a favor dos servidores do Legislativo gasparense.
E para alguns servidores da Câmara de Gaspar, "la dolce vita" começou na quarta-feira, quando prometeram trabalhar remotamente, mas de onde estavam não conseguiram produzir soluções requisitadas por vereadores. E a solução ficou para esta segunda-feira, mas depois do meio-dia.
O governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, mostra-se preocupado com o movimento que se organizou em torno do PL. E o tamanho da fervura se deu recentemente numa audiência em que uma das participantes era a ex-vereadora, a professora Andreia Symone Zimmermann Nagel. Houve um bate-boca entre ela o chefe de Gabinete e ainda interino da Educação, Jorge Luiz Prucinio Pereira. O tema do bate-boca nada tinha a ver com o tema da audiência.
Andreia cobrou canais de diálogo do governo com a sociedade, motivo da audiência. Jorge devolveu dizendo que Andreia fazia política, mostrou-se magoado e fez a defesa – e não poderia ser diferente - do governo e do prefeito Kleber.
A mágoa é que Jorge, como articulador político do governo, falhou na missão dada para neutralizar Andreia nas eleições deste ano. É que ela promete concorrer a vereadora pelo PL, depois de ser retirada da presidência do PSDB, numa articulação de bastidores armada pela vereadora Franciele Daiane Back, PSDB, Claudionor Cruz Souza e o próprio Jorge.
Recentemente, Jorge já na presidência do partido e na titularidade da chefia de gabinete, ofereceu a secretaria da Educação para Andreia. Era uma manobra para anulá-la. E por que? Porque pela Legislação em vigor, tinha-se um preço embutido se ela aceitasse: o de não concorrer nestas eleições. Como Andreia não aceitou nem ficar no PSDB, a coisa azedou. Então, não convidem os dois para a mesma mesa. Simples assim!
O Aliança pelo Brasil, o partido dos Bolsonaros nem existe. Mas, em Gaspar, ele desperta paixões e ódios entre seus idealizadores e apoiadores. É uma guerra permanente.
Pensando bem! O presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, que foi excluído do Exército por indisciplina e por isso ganhou a patente de capitão ao ir para a reserva, está agora se vingando, expondo os militares que os colocou no poder, enfraquecendo à imagem do próprio Exército de quem ele diz se orgulhar. Que coisa!
Vem zebra por aí. O vereador Cícero Giovane Amaro, PL, pediu à Ditran, de Gaspar, via requerimento que aprovou na Câmara quantos são os agentes de trânsito estão locados no pátio AcKar Transporte; quer saber os nomes e respectivos horários de trabalho. Pediu o espelho ponto dos Servidores de julho de 2019 até o presente momento, bem como o horário de funcionamento do pátio.
Ele quer saber também como são fiscalizados servidores do pátio da ACKar quanto ao cumprimento dos seus horários, entrada, saída e intervalos; qual a carga horária deles e se existe refeitório para realizarem suas refeições. Em caso positivo, pediu para anexar fotos do local. Quer também saber se tem geladeira, micro-ondas e outros e qual a distância mais próxima para efetivar sua refeição, em padaria, lanchonete ou restaurantes.
O vereador Cicero foi mais longe: quer sabem quem realiza a limpeza do local onde trabalham os agentes da Ditran; se houve alteração recente do local para início dos seus trabalhos a fim de bater ponto, se há relatórios do rastreador do veículo que faz o transporte dos agentes para o pátio, como horário de ida e retorno do Servidor ao local do ponto.
Cicero que é servidor público municipal quer saber também o custo para o município desse transporte e no horário que o pátio está fechado, onde os agentes permanecem.
É para este pátio que foi exilado o agente Pedro da Silva, que é casado com a ex-presidente do Sindicado dos Trabalhadores no Serviço Público de Gaspar, Lucimara Rosanski Silva. E foi este requerimento que tremeu às bases da prefeitura. Pedro e Cícero foram condenados pelo vice-prefeito Luiz Carlos Spengler Filho, PP, um agente da Ditran, licenciado da função. “Eles são nossos adversários políticos”, justificou Spengler por mensagem em aplicativos aos da Ditran. Acorda, Gaspar!
Uma gripezinha? Uai, mas ela vai matar oficialmente 45 mil vidas brasileiras esta semana. E as previsões otimistas dizem que esse número pode chegar aos 100 mil.
Neste momento deveria haver uma campanha e uma conscientização sobre cuiodados e para maior da responsabilidade. Talvez se evitaria de mais mortes não apenas de pessoas, mas da economia, que também matará pessoas e seus sonhos.
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