Bolsonaro disse que até pode dar mais dois meses de R$600 em auxílio emergencial, mas se os congressistas contribuírem com parte desse 'ajutório? para gente sem eira nem beira - Jornal Cruzeiro do Vale

Bolsonaro disse que até pode dar mais dois meses de R$600 em auxílio emergencial, mas se os congressistas contribuírem com parte desse 'ajutório? para gente sem eira nem beira

15/06/2020

O que o presidente quer com isso? Provar que os políticos são bons em tirar dinheiro do tesouro e do bolso dos cidadãos, nunca dos deles

E não precisa ir longe para testar essa tese

Em Gaspar, o prefeito Kleber Wan-Dall, MDB, está com o seu alto salário de R$27.356,69 intacto e fugindo das cobranças. Os vereadores estão cozinhando a redução de suas verbas. E a máquina de comissionados está inchando mesmo diante da falta de dinheiro nos cofres públicos


Em Blumenau, o prefeito Mário Hildelbrand (à esquerda) reduziu o seu salário e dos comissionados. Em Gaspar, Wan Dall deixou intacto até aqui o seu alto salário (ao centro) e na Câmara, a redução proposta pelo vereador Roberto (à direita) está empacada há dois meses na Comissão que ele preside.

Na live de quinta-feira e com baixa audiência em comparação as anteriores, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, ameaçou vetar o projeto que pretende estender por mais dois meses o auxílio emergencial, se ele vier alterado Congresso Nacional de R$300,00 para novamente os R$600,00, como se pagou por três meses até aqui.

É fácil os deputados e senadores fazerem demagogia com o dinheiro dos pesados impostos dos brasileiros, em época de crise e de pré-campanha eleitoral nos municípios.

O dinheiro que vai ser distribuído aos desamparados, vem próprios desamparados e dos cidadãos e cidadãs que não terão direito ao auxílio, mas estão desempregados ou falidos. Dinheiro não dá em árvores ou cai do céu. O dinheiro do governo é gerado pelo povo por meio dos impostos ou tomado emprestado de gente que possui alguma economia aqui ou no exterior e faz disso um meio de sobrevivência. Simples, assim!

Antes de prosseguir um parêntesis: “ah, mas você exagera, Herculano. Como um pobre que não tem nada paga imposto?” Pobre, proporcionalmente, paga mais que outros. Se ele come, quando come, ele paga imposto; paga no gás, no ônibus, na luz, no remédio.... Em tudo, pagamos direta ou indiretamente, impostos para gestão, farra e roubos dos governantes e políticos.

MAIS, COM O CHAPÉU DOS OUTROS

Retomo. Na semana passada, também, ao ser cobrado pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, DEM, e depois confirmar a prorrogação desse auxílio, Bolsonaro que por 28 anos foi parlamentar do baixo clero, disse que se os parlamentares quisessem alterar a proposta do governo e renovar os R$600,00, que eles próprios colocassem a mão na consciência, e principalmente nos próprios bolsos, para ajudar o Brasil e os brasileiros.

E a partir daí a coisa pegou. E por que pega?

Porque político é bom para gerar despesas que são cobertas pelo tesouro – onde são recolhidos e distribuídos os pesados impostos de todos no âmbito federal, estadual e aqui nos municípios. Político, com ou sem mandato, raramente, é capaz de tirar dos seus próprios rendimentos aquilo que oferece aos outros.

Faço um reparo: o partido Novo. Mas, fora ele, quem dos políticos e partidos, em plena grave crise econômica, social e de saúde, viu alguém renunciar aos bilionários fundos partidário (R$959 milhões e destinado ao funcionamento dos partidos) e eleitoral (2.034.954.823,96)? São quase R$3 bilhões, repito, bilhões tirados da saúde, educação, assistência social, segurança, obras de infraestrutura do orçamento da União.

E eles estão ai pedindo os nossos votos para tudo continuar na esbórnia como está.

EM GASPAR E ILHOTA OS EXEMPLOS SÃO OS MESMOS

Quem ouviu que em Gaspar e Ilhota os prefeitos (Kleber Edson Wan Dall e Érico de Oliveira, ambos do MDB), os vices (Luiz Carlos Spengler Filho, PP e Joel José Soares, PSL), os secretários e os comissionados tiveram seus salários reduzidos, mesmo que momentaneamente? E os vereadores desses dois municípios?

Então os congressistas vão dar exemplo e cortar na própria carne seus altos ganhos e verbas, mordomias e privilégios que criaram si, tudo pago pelos seus próprios eleitores e para “ajudar” na renda dos pobres e mais desvalidos pós pandemia Covid-19?

Outro parêntesis. Não estou me referindo aos servidores, concursados, com estabilidade, que continuam com seu emprego garantido, mesmo que na iniciativa privada e para quem servem, tudo está virado num trapo. Refiro-me a políticos e seu entorno exagerado de comissionados.

Os políticos daqui são exatamente espelhos dos que estão lá em Brasília ou em Florianópolis. Então...

Os políticos daqui empoleirados no poder de plantão ou mesmo na oposição, são os cabos eleitorais dos de Brasília e Florianópolis, não apenas na busca dos votos, mas nas práticas que as urnas condenaram em outubro de 2018. Mais do que isso: praticam o que os discursos dissimulados deles próprios condenaram durante a campanha – de convencimento, empatia e a compra de votos – feitos para analfabetos, ignorantes, desinformados e fanáticos.

OS CHINESES SERÃO OS CULPADOS DA NOSSA ESPERTEZA MANCA?

Veja o exemplo de Gaspar. O líder de governo na Câmara, Francisco Solano Anhaia, MDB, chegou a anunciar há quase um mês uma queda de 60% na arrecadação do município se comprado – segundo ele, na fala na Câmara para rejeitar uma ideia de ajuda a juros a microempresários que se tem em Indaial- ao projetado e o que se arrecadou no início do ano. Exagerou. Mas, está chegando perto. Os números são públicos e atualizados diariamente. Estão como sorvetes: derretendo-se nas receitas.

O orçamento do município de R$ 295.800.000,00 como já mostrei nos anos anteriores é uma peça de ficção contábil. Agora, ela se tornou uma peça dramática.

Até o momento, entretanto, esta dramaticidade não sensibilizou os “çabios” do paço e muito menos o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. E olha que quem pilota esta sala de emergência da nave Gaspar é o prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, o secretário da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, presidente do MDB, ex-coordenador de campanha de Kleber.

Para situações assim, é preciso ações preventivas, exemplares, doídas e dramáticas.

Os políticos e gestores públicos estão esperando perdões dos órgãos de fiscalização; à retomada da economia que parece demorar mais do que o previsto; os deslocamentos de verbas federais e estaduais para suprir à queda na arrecadação de tributos locais e ao mesmo tempo, manter azeitada à máquina multipartidária de catar votos via os comissionados para as eleições deste ano.

O próprio prefeito Kleber nem gestos simbólicos foi capaz de fazer para a sua turma, seus eleitores e os pagadores de pesados impostos de Gaspar que estão se desempregando ou falindo por causa da crise.

O seu alto salário de R$27.356,69 continua intacto. Enquanto o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrant, Podemos, apenas como exemplo, mas aconteceu em outras mais importantes e maiores de Gaspar, cortou o seu salário de R$23.849,12, menor do que o de Kleber, em 20%, incluindo os comissionados.

Aqui, Kleber, também o vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP, e os secretários estão protegidos nos seus ganhos. Kleber até ensaiou um discurso de economia, que não resistiu a uma planilha apresentada pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT.

E para piorar o que disse e não cumpriu. Ao anunciar que cinco secretários seus estavam saindo para serem candidatos a vereador numa comprovação de que o seu governo é uma máquina eleitoral, prometeu não preenchê-las como uma forma de economizar. O discurso foi para o brejo rapidamente. Duas secretarias já têm titulares nomeados, uma delas, com comissionada.

NA CÂMARA UM PROJETO SE ENROLA POR QUASE DOIS MESES

E na Câmara? Nada disso é diferente. O vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, ex-opositor de Kleber é hoje seu defensor, até que se mexeu. Apresentou dois Projetos de Resolução: um para reduzir só 20% dos salários dos vereadores por apenas dois meses e outro que proíbe diárias a servidores e vereadores até o final do ano.

A economia disso iria para o Fundo Municipal de Saúde, rubricada para as ações de combate à Covid-19. Belo!

Os projetos entraram no dia sete de abril e no dia 14 chegaram às comissões. O sorteado relator geral do que pede a redução das verbas dos vereadores, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, já deu parecer favorável, faz tempo.

O que veda à concessão de diárias a vereadores e servidores até 31 de dezembro também ganhou o mesmo caminho. Entretanto, o relator sorteado Wilson Luiz Lemfers, PSD, agora apoiando Kleber, espera um parecer do corpo técnico da Câmara e que enxerga inconstitucionalidade em ambos.

Por estas e outras razões política, ambos estão “parados”, esperando que o povo e a que caíram em desgraça econômica diante da pandemia esqueçam esta história de sacrifícios dos políticos. Dois meses em algo que seria para o “estado de emergência”? Só para rememorar: os cinco projetos de lei para reajuste dos salários dos políticos e servidores do município, autarquias e Câmara passou em uma semana. Os servidores tiveram ainda aprovado um projeto com aumento real de 1%, um gesto de trégua em ano de eleições.

Estranhamente, os Projetos de Resolução foram apresentados por vereador que é advogado. Pode até ser inconstitucional, mas no fundo é ciúme eleitoral para não dar vantagem a quem protocolou a ideia, que se vencedora, vai obrigar o próprio governo Kleber a entrar na onda. E ele não quer. E vem resistindo, mesmo sob desgastes reais.

Um novo parêntesis. E a mesma inconstitucionalidade que se enxerga nestes dois projetos tão irrelevantes do ponto de vista econômico, mas que atinge os bolsos dos políticos, não se viu, naquilo que o Ministério Público acaba de apontar como relevante do ponto de vista jurídico, ou seja a aprovação de mudanças na lei parcelamento do solo, as quais permitiram reduzir à área verde de loteamentos de quem fosse parceiro de projetos de infraestrutura urbana da prefeitura de Gaspar.

Retomo. Mas, é o próprio autor das duas boas ideias que tem a solução nas suas mãos. E explico.

Roberto Procópio de Souza é o presidente da Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação que vai decidir esta engronha. Nela, o governo possui três dos cinco votos (Roberto, Franciele Daiane Back, PSDB, e Francisco Hostins Júnior, MDB). E o voto do próprio vereador autor pode definir o destino das suas ideias, pois os votos de Bertoldi e Rui Carlos Deschamps, PT, já são conhecidos: são a favor da redução.

E por que a turma de Kleber não quer ver aprovado este projeto da redução dos salários dos vereadores por apenas dois meses? Pelo impacto político que causa e que obrigará à prefeitura à atitude semelhante. Pois se não fizer, ficará fragilizada no discurso das próximas eleições. E a inconstitucionalidade? É a boia para todos se salvarem, incluindo o próprio autor da ideia, que ficaria eternizado como tal.

E antes de terminar. Se serve de consolo aos vereadores de Gaspar, ao poder de plantão e um aviso aos eleitores. Em Blumenau, a Câmara de lá resolveu fazer algo semelhante. Mas quatro dos 15 vereadores não autorizaram a doação de apenas 10% dos seus salários para o combate a Covid 19: Almir Vieira, PP; Marcos Rosa e Oldemar Beck, ambos do DEM e Jovino Cardoso, do Solidariedade, evangélico e muito próximo do poder de plantão em Gaspar.

Finalizando. Tem razão o presidente Bolsonaro em provocar os congressistas que aprovam bondade com o nosso dinheiro, a meterem a mão nos seus próprios bolsos e participarem dessas bondades. Acorda, Gaspar!

Vereadores estão se preparando para a campanha e fazendo curso online pagos pela Câmara de Gaspar


Os vereadores pediram ao presidente da Câmara Ciro André Quintino, MDB (á esquerda). Ele autorizou. Rui Carlos Deschamps, PT (á direita), recusou porque achou inapropriado.

Se por um lado, nenhum político em Gaspar quer, ou não pode abrir mão de seus salários em plena crise de econômica, de emprego, arrecadação e social, os próprios vereadores, já em vantagem por terem palanques políticos permanentes por mais de três anos afio, agora deram para fazer cursos “on-line”. Nada de mais, se eles não fossem preparatórios para as eleições. E tudo pago pelos gasparenses.

Publiquei duas notinhas, quase que escondidas na seção Trapiche, na coluna que fiz para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale – com 30 anos de circulação. Um alvoroço. Colocaram-me novamente no pelourinho, como se eu fosse o culpado.

O que escrevi?

“Enquanto isso, nesta segunda e terça-feira, os vereadores de Gaspar, ao preço de R$877,00, cada um, prepararam-se com dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses para as eleições deste ano. Eles realizaram pela internet – das 14h às 18h – o curso ‘caça níquel’ denominado ‘Condutas Voltadas aos Agentes Públicos na Eleição de 2020’, o qual pediram em ofício individual ao presidente da Casa. Meu Deus! E em plena pandemia?

Nem todos se inscreveram. Pedi ao presidente Ciro André Quintino, MDB, a lista dos participantes. Providencialmente, ele estava em silêncio até o fechamento deste texto. Ou seja, deixou todos o mesmo balaio. Este tipo de ‘curso’ deve ser pago pelos candidatos de forma particular e quando muito, pelos partidos que já têm de nós, o dinheiro dos pesados impostos no bilionário Fundo Partidário. Acorda, Gaspar!”.

Quatro coisas rápidas, nem para alimentar a polêmica, muito menos para encerrá-la:

Primeiro. Até o fechamento da edição desta coluna feita especialmente para o portal Cruzeiro do Vale – o mais acessado e de credibilidade de Gaspar e Ilhota -, o presidente Ciro continuava mudo. Outros bufando sobre a minha “intromissão”, como se eles não devessem explicações à cidade.

Segundo. Tão logo a notícia se espalhou, o único vereador que apareceu por aqui para dizer que não fez o curso, pois está licenciado e se tivesse presente, mesmo que obrigado para dar o status corporativo (“erro” coletivo com todos os partidos misturadinhos), não faria, foi Rui Carlos Deschamps, PT.

Terceiro. O presidente e sua assessora foram avisados pela equipe técnica da Câmara de que este tipo de curso poderia dar problema. Ambos bancaram. E houve vereador que se inscreveu, mas quem fez foi o assessor, o que é bem apropriado, se feito particularmente.

Quarto. O que diz a Sete Treinamentos no seu site quando vende este curso? “O programa do curso foi elaborado com o foco nas ‘Condutas Vedadas aos Agentes Políticos’ e nas exigências comportamentais dos mesmos, de forma a dotar os cursistas de conhecimentos necessários a competente e profissional atuação em ano eleitoral”.

Então, a própria Sete deveria explicar durante o curso que nas tais exigências comportamentais, isso que os vereadores fizeram na segunda e terça-feira via internet não é permitido.

Quais seriam os temas do curso, segundo a própria Sete no folder eletrônico que fez para vende-lo? “Conhecer a Legislação Eleitoral aplicável às eleições de 2020; estabelecer distinção entre eleições gerais e eleições municipais; diferenças de elegibilidade e condições de inelegibilidade; estudar as condutas vedadas e as consequências no caso de descumprimento; compreender a propaganda eleitoral e seus limites legais; elucidar quais são os direitos dos eleitores convocados pela Justiça Eleitoral”.

Há alguma dúvida de que se trata de um curso preparatório para candidatos à eleição e neste caso, à reeleição municipal? Não está oficialmente no programa, mas se tratou de prestação de contas também. Meu Deus!

A Desassistência Social em Gaspar reproduz empregos e candidatos


À direita um ponto no Centro da cidade ocupado por moradores de rua. Á esquerda, um ponto sem cobertura e que “desestimula” a se tornar um “abrigo” aos de moradores de rua

Estas duas fotos retratam uma parte da secretaria de Assistência Social. Ela em Gaspar é um trampolim político numa das áreas mais sensíveis por aqui onde o salário médio dos empregados é 1,5 mínimo. Os pontos de ônibus em Gaspar viraram a Casa de Passagem para os sem tetos. E não é deste governo. Entretanto, na campanha vencedora, prometeu mudar este triste retrato. Agora, a prefeitura até retirou o teto de um deles e só deixou o banco. Sem teto dos pontos de ônibus, resta ir para debaixo das pontes.

Estamos na boca do inverno e agravado pela Covid 19. A população de rua em Gaspar, apesar de sermos uma cidade dormitório e estarmos entre Blumenau, Itajaí e Brusque, é ainda muito pequena. Mas, deverá crescer à medida que a miséria aumentar em decorrência da crise econômica e social provoca pela pandemia.

Levantamentos da própria secretaria mostram que ela oscila entre 15 e 20 pessoas. Algumas são “velhas” conhecidas. Outras “aparecem” e “desaparecem”. Uns fizeram da rua uma opção de vida. Outros, são resultados de dramas econômicos, familiares, vícios e emocionais. Então se são poucos, não há razão para postergar ou rejeitar soluções. Vai se esperar serem muitos, gerando mais problemas sociais e custos? É isso?

Em Gaspar não há um programa específico. E os moradores de rua já fazem parte da paisagem que não sensibiliza mais o poder público, talvez por não serem eleitores por aqui. E a causa está em como a Assistência Social é tratada pelo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Estou sendo exagerando? O primeiro secretário que ele nomeou foi um assessor parlamentar seu, Ernesto Hostin, PSC, como paga pela fidelidade e apoio político. Hostin deu conta, ficou doente e saiu, mas não perdeu as bocas no governo. E agora, em ano de eleições, ganhou uma nomeação de ponta.

Veio outro com pinta de mudanças por ser um técnico da área, Santiago Martin Navia. Que nada! Fez da pasta um trampolim eleitoral. Saiu recentemente de lá porque diz que é candidato a vereador. Como é efetivo, ainda continua na prefeitura e na hora do trabalho faz propaganda, anuncia suas lives e fora da prefeitura está distribuindo cestas básicas doadas em ambientes fragilizados doadas por particulares. Faz uso dos dramas sociais de modo intencional e eleitoral.

Mas, Herculano, o tal plano de governo feito após a cascata marqueteira do candidato Kleber quando disse ter “ouvido” os cidadãos e que bem se chamou ele de “construir o futuro, recuperar a credibilidade e o desenvolvimento de Gaspar”, não contemplava isso? Especificamente, não. Mas, genericamente, sim. Vou resgatar aos esquecidos do governo o que dizia àquele documento de compromissos na área de Assistência Social.

“Criar o Plano Municipal de capacitação profissional de adolescentes e jovens e contribuir com a sua inserção no mercado de trabalho; elaborar diagnóstico socioterritorial; estimular e valorizar os profissionais do SUAS (Sistema Único da Assistência Social) como promotores do acesso da população mais vulnerável às políticas sociais; promover a articulação dos conselhos de assistência social com os conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, Saúde e de Educação visando a integração de esforços e a qualificação do atendimento às demandas sociais”.

Então. Se Kleber tivesse feito o diagnóstico sócioterritorial como se comprometeu, ele saberia que há uma população de rua. Se fez o diagnóstico e ele sabe o tamanho do problema, contudo não implementou soluções, pois tudo continua tão grave quanto antes da sua posse há três anos e meio. Meu Deus!

Se Kleber tivesse cumprido à promessa de valorizar os profissionais do SUAS, eles não estariam em permanente frustação e pé de guerra com os titulares da pasta, incluindo a comissionada que acaba de nomear, Silvania Jonoelo dos Santos, uma profissional da área, mas que está lá, segundo os que trabalham na secretaria, para barrar o que tem que ser feito.

ALTA COMPLEXIDADE

Se não temos Casa de Passagem para gente sem eira nem beira, também não temos uma estrutura efetiva para a Proteção de Alta Complexidade. No papel, até há esta estrutura com um comissionado nomeado para a coordenação, Evandro Schneider Imof. Ele foi deslocado para a manutenção.

Só depois que o caso veio a público e o vereador servidor municipal Cícero Giovane Amaro, PL, questionou na Câmara, parece que este improviso está se desmanchando. E a nova titular já promove mudanças. Amada Fischer Miguel deixou a coordenação do CREAS.

O certo é que nada funciona, a não ser o empreguismo eleitoral numa área essencial na prevenção de problemas sociais, num ambiente tão complexo quanto o nosso. O caso do idoso em situação de vulnerabilidade e que lhe relatei na semana passada aqui, que por falta de estrutura e política da secretaria de Assistência Social foi parar no Hospital se tornou o bafafá da semana. Não pelo problema em si, mas como a informação chegou até esta coluna. Incrível!

Depois de denunciado o caso, como o Hospital não é casa de repouso, ele ganhou “alta” de lá. Foi encaminhado para Brusque onde a prefeitura mantém convênio para casos assim na Casa de Longa Permanência Dilone. E quem fez este processo? Não foi o coordenador de Alta Complexidade, mas a diretora de Proteção Social, Elaine Cristina Guimarães. Acorda, Gaspar!

Os empreendedores da área de educação básica (zero a seis anos) em Gaspar – e que são poucos – pediram uma audiência com o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Tentaram acessá-lo via o vice-prefeito Luiz Carlos Spengler Filho, PP, nada. Tentaram via o chefe de gabinete e secretário interino de Educação, Jorge Luiz Prucinio Pereira, presidente do PSDB, nada. Aí resolveram que "acampariam" na prefeitura até serem atendidos.  Eis que surge o interlocutor privilegiado para o grupo com Kleber: o presidente no PSD de Gaspar, Marcelo de Souza Brick (na foto à direita). O PP ficou uma fera com o recado do gabinete. 

 

ILHOTA EM CHAMAS

Doentes de Covid-19 expostos. Uma vergonha!

O que trouxe o Boletim Epidemiológico de Ilhota com data do dia 10 de junho? O nome de todas as pessoas monitoradas, suspeitas, descartadas e infectadas pelo Covid-19 que passaram pelos respectivos postos de Saúde do município até àquele dia. Aliás, lhota começou a ter uma preocupante taxa de doentes do coronavírus.

O correto, era apenas divulgar os números totais testados, infectados, descartados e em tratamento (agora já se tem uma morte confirmada; Gaspar já tem dois e cuja UTI da Covid-19 está ocupada por dois pacientes de outros municípios). A identificação nominal dos que passaram pelos postos de saúde da cidade seria, neste caso, permitido apenas para o público e o controle interno da secretaria de Saúde. Mas...

E tão logo foi elaborado, esse relatório ganhou os aplicativos de mensagens e se disseminou mais rapidamente de que o próprio vírus em Ilhota e outras cidades. E os doentes - e não doentes - ficaram expostos na cidade, sujeitos a constrangimentos e discriminações. Uma vergonha.

Oficialmente a prefeitura não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento da coluna. Mas, fontes informaram que, mais uma vez, alguém que tinha a informação, repassou-a, por engano – e só alegada agora quando a coisa tomou proporção - num grupo de whatsapp, apagou em seguida, mas, segundo se justificou, já era tarde. Virou pirâmide.

Recentemente, um engano semelhante, mas de forma benéfica e necessária, no que tange à transparência do que se faz nos escurinhos e entre os políticos no poder de plantão, expos o funcionário público e vereador Almir Aníbal de Souza, MDB, em suposta compra de votos.

Também foram "enganos" no whatsapp que expuseram à orientação do prefeito Érico de Oliveira, MDB, a um funcionário que deveria fazer comunicação na prefeitura de Ilhota, para espionar a secretária da Saúde. Ela, em função disso, teve que bater em retirada.

E pode estar nascendo aí o melhor concorrente do atual prefeito, Érico de Oliveira, MDB nas próximas eleições: o médico Lucas Gonçalves. Ao tempo do episódio ele o presidente do MDB, e a secretária, sua mulher. Lucas foi quem coordenadou a campanha vitoriosa de Érico.

A lista de erros e estragos dessa gente contra ela mesma no whatsapp é longa. No mínimo, além da cautela, parece que precisam de um cursinho para usar o whatsapp.

TRAPICHE

Vergonha I. Esta foi a notícia do final da semana passada: Tribunal de Contas do Estado identificou até agora que mais de 4,7 mil servidores públicos catarinenses receberam auxílio emergencial. Ou seja, não tinham direito, não se enquadram para receberem o auxílio emergencial, mas deram um jeito.

Vergonha II. São 1.911 servidores que atuam em órgãos estaduais e 2.862, em várias prefeituras; o total representa 1,21% do universo de 392.436 agentes públicos catarinenses considerados na análise. Parece ser um hábito.

Vergonha III. Neste link, http://www.portaldatransparencia.gov.br/url/97c6f15e você pode conferir quem já se habilitou em Gaspar e nele identificar se há gente que você conhece e a princípio não teria direito.

Vergonha IV. Quem tem direito ao auxílio emergencial de três parcelas de R$600,00 e que o Congresso tenta expandir por mais dois meses de R$300,00? Trabalhadores informais maiores de 18 anos, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados.

Vergonha V. Famílias com renda superior a três salários mínimos (R$3.135,00) ou renda mensal por pessoa da família maior que meio salário mínimo (R$ 522,50) não têm direito ao auxílio emergencial.

Vergonha IV. As pessoas que verdadeiramente precisam do auxílio estão –e por várias razões entre elas documentais, tecnológicas e até por uso indevido de seus documentos por estelionatários - em dificuldades para consegui-lo. Já os caras-de-pau de sempre, dão um jeito de passar a mão nos pesados impostos de todos nós e destinados ao do infortúnio econômico e social de milhões.

Vergonha V. Por outro lado, veja como ficou a distribuição dos R$ 2.034.954.823,96, o bilionário Fundo Eleitoral - o dinheiro público vindo dos pesados impostos de todos e que deveria estar em outras prioridades, mas que vai sustentar as eleições deste ano.

Vergonha VI. PT: R$ 200.925.914,05, PSL: R$ 193.680.822,47, PSD: R$ 157.180.452,52, MDB: R$ 154.867.266,21, PP: R$ 140.245.548,54, PSDB: R$ 26.028.246,07, PL: R$ 123.291.771,52, DEM: R$ 114.582.014,53, PSB: R$ 109.473.374,53, Republicanos: R$ 104.420.877,14, PDT: R$ 99.268.623,40, PODE: R$ 88.650.237,68, PROS: R$ 44.662.782,92, Solidariedade: R$ 42.226.143,46, PSOL: R$ 40.671.705,00, Cidadania: R$ 39.432.103,26, Novo: R$ 36.593.934,06 ( o partido teria direito a esse valor, mas informou que abriu mão), PTB: R$ 35.104.450,75, PSC: R$ 33.174.133,61, PCdoB: R$ 30.975.329,95, Avante: R$ 28.147.299,59, Patriotas: R$ 27.486.008,90, PV: R$ 20.513.797,41, Rede: R$ 20.420.046,72, PMN: R$ 5.872.173,76, PTC: R$ 5.634.758,31, DC: R$ 4.025.171,90, PCB: R$ 1.233.305,95, PCO: R$ 1.233.305,95, PMB: R$ 1.233.305,95, PRTB: R$ 1.233.305,95, PSTU: R$ 1.233.305,95 e UP: R$ 1.233.305,95.

Da série: engana que eu gosto. Lá bem no início, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, aboliu o ponto facultativo para os servidores municipais. Iniciativa correta e justa. Afinal, os que sustentam o governo dele, trabalham entre os feriados, quando não estão desempregados ou se verando para não falir. Se fosse hoje, ele não faria isso.

Entretanto, não foi isso que se viu desde que a ideia foi implantada. Os primeiros a faltarem são os comissionados - a cara máquina de votos do poder de plantão -, amparados por diversas justificativas, e agora incluindo a tal Covid-19. Já os efetivos bateram o ponto. Alguns "compensaram” o banco de horas extras. É do jogo e deve ter controle sobre isso.

Por outro lado, na Câmara houve mais um feriadão oficial no calendário dela. Diga-se que até se tentou tirar esses feriadões numa provocação do MDB de Kleber, mas o ex-presidente da Casa, Silvio Cleffi, PP, então em rota de colisão com o poder de plantão, brecou a proposta das lideranças governistas e a desbancou a favor dos servidores do Legislativo gasparense.

E para alguns servidores da Câmara de Gaspar, "la dolce vita" começou na quarta-feira, quando prometeram trabalhar remotamente, mas de onde estavam não conseguiram produzir soluções requisitadas por vereadores. E a solução ficou para esta segunda-feira, mas depois do meio-dia.

O governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, mostra-se preocupado com o movimento que se organizou em torno do PL. E o tamanho da fervura se deu recentemente numa audiência em que uma das participantes era a ex-vereadora, a professora Andreia Symone Zimmermann Nagel. Houve um bate-boca entre ela o chefe de Gabinete e ainda interino da Educação, Jorge Luiz Prucinio Pereira. O tema do bate-boca nada tinha a ver com o tema da audiência.

Andreia cobrou canais de diálogo do governo com a sociedade, motivo da audiência. Jorge devolveu dizendo que Andreia fazia política, mostrou-se magoado e fez a defesa – e não poderia ser diferente - do governo e do prefeito Kleber.

A mágoa é que Jorge, como articulador político do governo, falhou na missão dada para neutralizar Andreia nas eleições deste ano. É que ela promete concorrer a vereadora pelo PL, depois de ser retirada da presidência do PSDB, numa articulação de bastidores armada pela vereadora Franciele Daiane Back, PSDB, Claudionor Cruz Souza e o próprio Jorge.

Recentemente, Jorge já na presidência do partido e na titularidade da chefia de gabinete, ofereceu a secretaria da Educação para Andreia. Era uma manobra para anulá-la. E por que? Porque pela Legislação em vigor, tinha-se um preço embutido se ela aceitasse: o de não concorrer nestas eleições. Como Andreia não aceitou nem ficar no PSDB, a coisa azedou. Então, não convidem os dois para a mesma mesa. Simples assim!

O Aliança pelo Brasil, o partido dos Bolsonaros nem existe. Mas, em Gaspar, ele desperta paixões e ódios entre seus idealizadores e apoiadores. É uma guerra permanente.

Pensando bem! O presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, que foi excluído do Exército por indisciplina e por isso ganhou a patente de capitão ao ir para a reserva, está agora se vingando, expondo os militares que os colocou no poder, enfraquecendo à imagem do próprio Exército de quem ele diz se orgulhar. Que coisa!

Vem zebra por aí. O vereador Cícero Giovane Amaro, PL, pediu à Ditran, de Gaspar, via requerimento que aprovou na Câmara quantos são os agentes de trânsito estão locados no pátio AcKar Transporte; quer saber os nomes e respectivos horários de trabalho. Pediu o espelho ponto dos Servidores de julho de 2019 até o presente momento, bem como o horário de funcionamento do pátio.

Ele quer saber também como são fiscalizados servidores do pátio da ACKar quanto ao cumprimento dos seus horários, entrada, saída e intervalos; qual a carga horária deles e se existe refeitório para realizarem suas refeições. Em caso positivo, pediu para anexar fotos do local. Quer também saber se tem geladeira, micro-ondas e outros e qual a distância mais próxima para efetivar sua refeição, em padaria, lanchonete ou restaurantes.

O vereador Cicero foi mais longe: quer sabem quem realiza a limpeza do local onde trabalham os agentes da Ditran; se houve alteração recente do local para início dos seus trabalhos a fim de bater ponto, se há relatórios do rastreador do veículo que faz o transporte dos agentes para o pátio, como horário de ida e retorno do Servidor ao local do ponto.

Cicero que é servidor público municipal quer saber também o custo para o município desse transporte e no horário que o pátio está fechado, onde os agentes permanecem.

É para este pátio que foi exilado o agente Pedro da Silva, que é casado com a ex-presidente do Sindicado dos Trabalhadores no Serviço Público de Gaspar, Lucimara Rosanski Silva. E foi este requerimento que tremeu às bases da prefeitura. Pedro e Cícero foram condenados pelo vice-prefeito Luiz Carlos Spengler Filho, PP, um agente da Ditran, licenciado da função. “Eles são nossos adversários políticos”, justificou Spengler por mensagem em aplicativos aos da Ditran. Acorda, Gaspar!

Uma gripezinha? Uai, mas ela vai matar oficialmente 45 mil vidas brasileiras esta semana. E as previsões otimistas dizem que esse número pode chegar aos 100 mil.

Neste momento deveria haver uma campanha e uma conscientização sobre cuiodados e para maior da responsabilidade. Talvez se evitaria de mais mortes não apenas de pessoas, mas da economia, que também matará pessoas e seus sonhos. 

 

Comentários

Herculano
18/06/2020 16:27
ESTICOU A CORDA E ELA ARREBENTOU NO LADO DO PRESIDENTE JAIR MESSIAS BOLSONARO, SEM PARTIDO.

HUMILHANTE. MAIS UMA VEZ.

ELE DEMITIU O SEU MINISTRO DA EDUCAÇÃO, ABRAHAM WEINTRAUB. ELE AGORA SERÁ UM FUNCIONÁRIO NO BANCO MUNDIAL.
Herculano
18/06/2020 12:56
O COMUNICADOR DO CLÃ AINDA ESTÁ MUDO

O vereador carioca Carlos Bolsonaro, Republicanos, que dá expediente no Palácio do Planalto "comandando" a "comunicação" do clã e do pai presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, sem partido, ainda está mudo.

Ontem, reconheceu que foi um passo errado o que alimentou: a fritura do ex-juiz Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro. No twitter cravou:

"E pensar que o start de toda essa angústia que o Brasil está passando foi dado por Sérgio moro..."

em @olhandoamre escrevi. E pensando q o start de toda essa angústia que o Brasil está passando foi dado pelos filhos de Bolsonaro q pressionaram o pai tornar o ex juiz e ministro Sérgio Moro,um boneco dos delírios do clã.

Como ñ conseguiram, forçado, o pai deu bananas a Moro. E o ex-ministro pediu p sair

E o ex-ministro Sérgio Moro no twitter, hoje sobre tudo isso?

"O importante é que polícias, Ministério Público e Cortes de Justiça possam trabalhar de maneira independente e que todos os fatos sejam esclarecidos".

E o presidente no twitter? Mudo igual o comunicador, seu filho. Canarinho na muda, não canta.
Herculano
18/06/2020 12:41
Só ELE?

O deputado Federal pelo PSL paulista, Eduardo Bolsonaro, no twitter, após retuitar uma mensagem com a lista dos deputados fluminenses envolvidos nesta indecorosa prática, este texto " vc precisa saber é: dessa lista SO O QUEIROZ ESTA SENDO PRESO. Os q ja se encontram marcados como "preso" o foram por outras razoes", questionou.

"Realmente é um fato no mínimo intrigante..."

VOLTO

em @olhandoamare escrevi:

Mas, os demais q estão nas indecorosas rachadinhas, NÃO encurralaram e vêm, por método, desconstruindo as instituições, como estão fazendo os do clã Bolsonaro, p unicamente se livrar daquilo q devia ser igual p todo cidadão

Herculano
18/06/2020 12:31
ESTÁ TRANQUILO

Do senador Flávio Bolsonaro, Republicados RJ, no twitter:

Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!
Herculano
18/06/2020 12:29
ADVOGADO DOS BOLSONAROS QUE ABRIGAVA FABRÍCIO FOI À POSSE DE MINISTRO ONTEM FREDERICK WASSEF, por Reinaldo Azevedo, no UOL

Ah, as afinidades eletivas, como diria Goethe... É claro que o presidente Jair Bolsonaro vai dizer que se trata de perseguição. Será que a prisão de Fabrício Queiroz faz parte do seu "Projeto Emboscada"? Leiam o que informa Mônica Bergamo na Folha:

O advogado Frederick Wassef, que representa a família Bolsonaro e abrigava Fabrício Queiroz em um sítio em Atibaia, esteve na posse do novo ministro das Comunicações, Fabio Faria, na quarta (17).

O defensor foi à cerimônia como "amigo do presidente", segundo interlocutor do ministro. Nesta condição, Wassef tem trânsito livre em quase toda a Esplanada dos Ministérios.

De acordo as informações iniciais da operação que resultou na prisão do ex-assessor de Flávio até agora disponíveis, Queiroz foi encontrado em uma propriedade que está em nome de Wassef.

Queiroz é investigado no esquema das rachadinhas e foi preso por ordem da Justiça do Rio de Janeiro.

O advogado Frederick Wassef é pessoa de extrema confiança da família Bolsonaro. Além de representar Flávio em processos, ele atua no caso da facada do presidente Jair Bolsonaro, que sofreu um atentado na campanha presidencial.
Herculano
18/06/2020 12:19
da série: uma leitura difícil para os políticos e obrigatória para os cidadãos

O ASQUEROSO ROUBO DAS VÍTIMAS, por Roberto Damatta, no

O investimento inconsciente na ambiguidade e na incoerência deixa a nu um sistema que corrói o regime democrático, desmoralizando o seu processo eleitoral.

Meu instinto brasileiro de desconfiança, pois vivo num país de ladrões da coisa pública, acendeu a luz amarela na medida em que os nossos múltiplos "governos" foram autorizados a adquirir sem licitação, e com a mais justa urgência, remédios, aparelhos de respiração, máscaras e a construir hospitais e outras facilidades em função da expansão da covid-19. Falou em suspender licitação, eu imediatamente pensei em corrupção. Lamentavelmente, não deu outra.

Mencionei "governos", mas poderia invocar o modo como atuam: por meio dos tradicionais conselhos e comitês. Esses coletivos de elite projetados para que as responsabilidades sejam diluídas e se esvaziem no velho jogo de empurra acusatório e "dentro da lei". A coletividade de um conselho (ou comissão) dissolve contabilidades e protagonismo individual de modo que todos se salvam. É, portanto, comum no âmbito administrativo: o nível federal joga a responsabilidade para o estadual e este ao municipal que a empurra novamente para "cima" de modo que, com o passar do tempo, o engavetamento ou o pedido de vistas dos inquéritos abertos dentro do nosso legalismo aristocrático evaporem ou sejam engavetados.

Esses mecanismos impeditivos de atribuição de responsabilidade são parte estrutural no nosso sistema político-legal. Eles garantem que os nossos eleitos invertam seus papéis num regime democrático já que, devidamente "empossados", eles deixam de ser nossos servidores e se tornam os que lucram com o nosso trabalho. Somos alvos de suas promessas como candidatos apenas para sermos usados e abusados depois que esses "eleitos" ocupem seus cargos quando então (com raras exceções) lucram e, como de uma "classe burocrática" que detém o poder de legislar e de (deslegislar), trabalham mais para a sua hegemonia e seus interesses do que para quem os elegeu. O investimento inconsciente na ambiguidade e na incoerência deixa a nu um sistema que corrói o regime democrático, desmoralizando o seu processo eleitoral!

Essa é uma das resistências mais óbvias para quem vai ao fundo do lamaçal da polícia brasileira neste momento no qual rondamos o suicídio democrático em paralelo a uma pandemia. Esse fato não previsto por nenhum dos muitos "Joãos de Deus" salvacionistas, que são parte e parcela da nossa concepção de mundo. Uma visão marcada pela imensa intenção ?" tanto à direita quanto à esquerda ?" de não "mexer" num "Estado" que vale mais para uns do que para todos. No Brasil, um Marx comunista foi virado pelo avesso, mas poucos têm consciência desse movimento.

O resultado, em meio à crise permanente, é o asqueroso roubo de equipamentos médicos de primeira hora pelas "autoridades administrativas" num habitual gangsterismo de família e compadrio, como é normal e banal no nosso sistema político.

Enoja, aos 83 anos, testemunhar essa iniquidade que rouba dinheiros, vidas e, além disso, confiança e esperança para não falar na total marginalização do sistema democrático. É contra esse asco que devemos resistir, já que ele é o núcleo da nossa antidemocracia.

Ora, se quem rouba dos nossos doentes são precisamente os eleitos em disputas regradas por todos os múltiplos tribunais cujos vocais não perdem a oportunidade de nos dar aulas de democracia, pois eles confundem sentenças com discursos, estamos todos envolvidos numa perversão. Elegemos quem logo vai roubar recursos públicos ou, pior do que isso, vai tentar realizar um republicanismo absolutista invertendo (ou traindo) suas promessas de campanha.

Tal reação seria o fim da democracia, ou o começo de uma maior compreensão do nosso papel como cidadãos? A prova do pudim está em comê-lo, disse num texto célebre Karl Marx. No nosso caso, comemos a ponto da indigestão o pudim da direita - um liberalismo sem competição e totalmente legalizado, tal como ocorria no velho Portugal das corporações de ofício -, mas (entrementes) também provamos em altas fatias o bolo da esquerda lulopetista. A prova é clara: comemos tanto de um lado quanto de outro o mesmo pudim. Hoje, porém, sentimos a sua amargura...
Miguel José Teixeira
18/06/2020 09:42
Senhores,

A zagaia de Atiabaia

Antigamente no Sul, em dias frios, céu cinzento e com aquela garoazinha enxerida, o alemão calçava seus tamancos, vestia seu velho paletó e ia roçar o pastinho. O italiano ia para o paiól debulhar milho e o brasileirinho ia para cama fazer filho. Lembram?

Pois é. . .

Em Brasília, com o amanhecer semelhante, o "capitão zero-zero" acordou cedo dirigiu-se ao Planalto e armou o "testudo", pois a zagaia foi arremessada de Atibaia. . .

(Testudo: uma das principais táticas de batalha da legião romana era chamada de testudo. Os soldados juntavam os escudos, formando uma carapaça protetora contra lanças e flechas)

O dia promete ser quente!
Miguel José Teixeira
18/06/2020 08:48
Senhores,

Atibaia, Atibaia!
De terra bonita e
gente que "trabaia",
à esconderijo de gente
que faz maracutaia!
Herculano
18/06/2020 08:06
BOMBA RELóGIO III

O poder de plantão e o MDB de Gaspar fingem não ser com eles, a notícia que se espalhou na cidade, ontem, como pólvora, onde a mulher de um secretário do governo de Kleber Edson Wan Dall, do MDB histórico, com salário bruto superior a R$12 mil mensal, recebeu indevidamente R$600 líquidos de auxílio emergencial, como mostra o Portal da Transparência do governo Federal.

Esperava-se uma ação de esclarecimento e atitudes imediatas dos envolvidos e dos que se apoiam politicamente no poder de plantão. Esperava-se por exemplo que se dissesse que os R$600 foram pedidos indevidamente por terceiros, que nada tinha sido depositado na conta da titular, e que visto este ato indevido, já teria sido devolvido, com as devidas desculpas.

Mas nada!

Seria um gol de placa a favor de Kleber, do secretário, do MDB e estancaria qualquer mal entendido. Faria do limão uma limonada, como se diz no popular. Mas, Kleber continuou sendo Kleber. E o MDB também.

Questionada, a prefeitura via a assessoria de imprensa, não negou o fato - e que se esperava -, mas disse como se posicionará a respeito sobre o assunto: não é com Kleber e nem com o governo dele. Será?

Talvez não seja diretamente, mas o que está em jogo é a imagem tanto do prefeito, do governo cheios de partido, e do MDB, às vésperas das eleições e já com tanto desgastes. Todos estão associados entre si.
Só Kleber e os seus "çabios" não conseguem enxergar isso. Estão esticando a corda e faz tempo neste sentido. Tratam seus eleitores e eleitoras como tolos.

A verdade é o seguinte. O tempo trabalhou contra a má decisão. Agora, se ficar o bicho come, se correr o bicho come. E por que? O poder de plantão e Kleber acham, mais uma vez, que o assunto será esquecido. Não será, principalmente nos dias de hoje com tanta gente espreitando o governo.

A cabeça que Kleber e os seus, enfiaram no buraco neste e outros assuntos - como o que originou a CPI das irregularidades da Rua Frei Solano - achando que a população não está informada o que rola no poder de plantão e será tudo esquecido, é mero desejo. Eles ficarão nas redes sociais e vão ser ressuscitadas em hora apropriada. E se o que aconteceu em outubro de 2018 valer ainda, o cansaço dos eleitores e eleitoras será demonstrada em falta de votos.

Oficialmente, a prefeitura disse ontem ao jornal Cruzeiro do Vale quando questionado sobre esse constrangedor assunto:

"A Prefeitura não vai se manifestar oficialmente a respeito por se tratar de um ato de uma pessoa ligada a um servidor, mas que não tem vínculo direto com a administração".

Será que a prefeitura, Kleber e os "çabios" bem pagos do poder conseguem explicar o teor da nota para a sociedade. O governo Kleber perde oportunidades e só reforça o selo que está criando para si e seu governo. E se for derrotado, não poderá se queixar. Armou a bomba relógio. Acorda, Gaspar!
Herculano
18/06/2020 07:35
BOMBA RELóGIO II

da série: informação vazada? O twitter de ontem a noite de Carlos Bolsonaro (que postei abaixo em Bomba Relógio) era a indicação desta notícia de agora

Fabrício Queiroz, o assessor, motorista e operador das rachadinhas do então deputado estadual fluminense e hoje senador da República pelo PSL, Flávio Bolsonaro, foi preso esta manhã em Atibaia, no estado de S. Paulo. Estava escondido na casa do advogado de Flávio. A ordem foi do Ministério Público do Rio de Janeiro.
Herculano
18/06/2020 07:10
da série: os extremismos são pragas dos nossos dias e contra a liberdade individual. Grupos de ativistas e manipuladores nos querem como seus reféns ideológicos.

GUANDI ENCAIXOTADO: COMO DISTINGUIR TRANSFORMAÇÃO SOCIAL DA SIMPLES INTOLERÂNCIA, Fernando Schüler
Professor do Insper e curador do projeto Fronteiras do Pensamento, no jornal Folha de S. Paulo

Se alguém quer entregar à multidão irada a decisão sobre derrubar uma estátua, lembre-se que um dia desses a fúria pode se voltar exatamente contra as ideias que mais prezamos

A estátua de Mahatma Gandhi amanheceu coberta por uma caixa metálica, dias atrás, na Parliament Square, em Londres. O monumento foi inaugurado em 2015 para homenagear o líder pacifista indiano, mas agora há uma campanha para retirá-lo de lá sob a acusação de racismo.

Um dos colegas de praça de Gandhi é Jan Smuts, ex-primeiro-ministro segregacionista da África do Sul. Smuts também circula em uma lista de derrubamentos, mas tem merecido menos atenção. Churchill é o mais famoso da praça e já foi devidamente vandalizado.

A menção a Gandhi não vem por acaso. Valeria o mesmo para as diversas estátuas de Cristóvão Colombo queimadas ou decapitadas em cidades americanas, ou para o nosso padre António Vieira, gentilmente vandalizado no centro de Lisboa.

João Pereira Coutinho associou nosso tempo a uma certa revivescência medieval. A época pré-iluminista das inquisições. Diria que vivemos uma Idade Média mais bem educada. As multidões de hoje não se reúnem mais em praça pública para amaldiçoar algum infiel ardendo na fogueira.

As bruxas em geral queimam na internet e não importa muito a ideologia. Na vida real (ao menos por enquanto e com algumas tristes exceções), a multidão derruba apenas estátuas e vandaliza espaços públicos.

Coutinho estaria errado se a raiva popular estivesse sempre do lado certo da história. O antirracismo contemporâneo, por exemplo, na trilha de Martin Luther King. As multidões trariam consigo o germe da razão e do progresso moral. Saberiam escolher entre a civilização e o que deve ir para o lixo da história.

De minha parte sou cético. Se alguém quer entregar à multidão irada a decisão sobre proibir um filme, retirar a palavra a um orador ou derrubar uma estátua, boa sorte. Só lembre-se que um dia desses a multidão pode errar e sua fúria se voltar exatamente contra as ideias que mais prezamos. Não foram poucas vezes que isso aconteceu, e nem muito longe daqui.

É exatamente por isso que inventaram essa coisa quase insuportável chamada liberdade de expressão. Exatamente a coisa que está no centro do debate atual e que vem desafiando a nossa democracia.

Há um lado curioso nisso tudo. Nos anos 1990 muita gente imaginava que a internet iria aproximar as pessoas e melhorar o debate público. Ocorreu o contrário. Cresceu a paixão tribal no mundo do pensamento.

Numa expressão, a tecnologia nos medievalizou. Os riscos disso tudo são evidentes. O mais óbvio é a perda de referência. A incapacidade de distinguir entre demandas legítimas de transformação social, como o antirracismo, e a simples intolerância.


Barack Obama acertou na mosca pedindo que os movimentos antirracistas que incendiaram os EUA não "racionalizassem" a violência. Mencionou uma velha senhora que teve a loja de rua destruída e disse que todos sabiam como aquilo tudo estava fadado a terminar.

E arrematou: "Se queremos a justiça e a sociedade funcionando sob um código ético mais exigente, precisamos nós mesmos agir desse modo". Obama é o cara que disse, um dia após a eleição de Trump, que a democracia era assim, um jogo de vitórias e derrotas em que todos ganham, no longo prazo. Mas pouca gente entendeu, como sempre.

Outro risco é a contaminação das instituições. Não há que se esperar muito da multidão digital. Por vezes ela irá acertar, por vezes errar, e mesmo sobre o erro e o acerto não haverá acordo. A paixão e o ódio político serão o feijão com arroz das democracias.

No Brasil atual me surpreende (em que pese não deveria) que tenhamos ressuscitado a "famigerada" Lei da Segurança Nacional, assinada pelo general Figueiredo em 1983. Para alguns, a lei que era um entulho autoritário se transformou em instrumento da democracia; para outros, que com ela simpatizavam, se tornou ferramenta do arbítrio. Num e noutro caso, o apelo indignado à liberdade de expressão.

Não deixa de ser uma perfeita imagem do nosso tempo. Não vejo chance de essas coisas mudarem, e o máximo que me permito é acreditar que nossas instituições e liderança pública não irão embarcar nesse jogo. Acreditar com cada vez menos força, confesso.?
Herculano
18/06/2020 06:54
MANIFESTAÇõES DE JUÍZES SÃO PROIBIDAS. JÁ NO STF...

Ministros do Supremo Tribunal Federal não se sujeitam a resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a de nº 305, que proíbe magistrados de se manifestarem a favor ou contra políticos, e ordena que evitem emitir opiniões que busquem "superexposição". A resolução cita redes sociais. A regra não vale para ministros como Celso de Mello e Alexandre de Moraes, que se revezam criticando o governo. Procurado, o CNJ esclarece que o STF não se subordina às suas decisões.

SENTIDO AMPLO

A resolução considera rede social todos os sites, plataformas digitais e aplicativos voltados à interação ou compartilhamento de mensagens.

Só O SENADO

Somente o Senado tem competência de processar e julgar ministros do STF. Ou de aprovar lei que os subordine às resoluções do CNJ.

LEGISLADOR ACERTOU

Presidido pelo ministro Dias Toffoli (STF), o CNJ previu, e acertou em cheio: opiniões de juízes afetam a "confiança do público no Judiciário".

MINISTRO X VÍRUS

A superexposição dos ministros na mídia é garantida por declarações ásperas ligando o presidente da República ao autoritarismo, nazismo etc.

NORONHA: 'NENHUM PODER DIZ AO OUTRO O QUE FAZER'

A firmeza, a liderança e a clareza do ministro João Otavio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), fazem falta neste momento de ânimos exaltados, quando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tomam partido e trocam acusações com um chefe do Poder Executivo de pavio curto. Em recente entrevista à Rádio Bandeirantes, Noronha mostrou que o equilíbrio determinado pela Constituição é coisa simples: "nenhum Poder diz ao outro o que fazer".

FRASE LAPIDAR

"O Poder Executivo não ensina o Judiciário a julgar, o Judiciário não legisla e o Legislativo não governa", disse Noronha durante a entrevista.

LIMITES CONSTITUCIONAIS

Não é tão complicado: "É preciso respeitar a harmonia entre poderes de acordo com os limites traçados na Constituição", diz o presidente do STJ.

AINDA HÁ JUÍZES

Noronha faz lembrar a frase atribuída por François Andriex a um moleiro, diante o Imperador Frederico II, o Grande: "Ainda há juízes em Berlim".

AGIOTAGEM FEDERAL

Enquanto a taxa básica de juros (Selic) foi reduzida para 2,25% ao ano ontem, a Receita Federal cobra juros de agiota de quem ouse atrasar o pagamento de impostos. Os juros são de 0,33% por dia de atraso.

PACIFICAÇÃO DIFÍCIL

Superou as expectativas a posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, prestigiada por autoridades dos Três Poderes que andam se pegando. O ponto alto foi o discurso de Faria, conciliador, necessário e preciso. Se operar o milagre da pacificação que prometeu, fará história.

APOIO DESCONSERTOU

Bolsonaro ficou surpreso com o apoio ao novo ministro, com a presença de astros do futebol, presidentes de poderes, empresários do setor etc. Até ficou um pouco nervoso, trocou nomes, mas no final parecia feliz.
Herculano
18/06/2020 06:47
da série: Jair Messias Bolsonaro, sem partido, foi claramente eleito pelo de aluguel PSL, não apenas para se mudar o inquilino do Palácio do Planalto manchado pela corrupção, mas principalmente para defenestrar o establishment, ou seja, um sistema que se incorpora e conduz o poder de plantão. Bolsonaro parece ter se perdido ou não entendeu que esta tarefa exige inteligência e habilidade. Não fez isso e ficou refém de mesquinharias que o deixam exposto.

DEUS ACIMA DE TUDO, MEUS FILHOS ACIMA DE TODOS, Mariliz Pereira Jorge

Bolsonaro mostra dia após dia quais são suas prioridades

Começamos a semana com o boquirroto Abraham Weintraub, ministro da Educação nas horas vagas, por um fio de ser defenestrado do governo. Não pela incompetência, mas porque voltou a chamar os ministros do STF de vagabundos e piorou seu status de "problema".

Bolsonaro deseja que sua saída seja "honrosa". Prioridades. Em bom português, significa providenciar alguma mamata no próprio governo pelos serviços prestados: passar o dia nas redes sociais xingando adversários políticos, enquanto a educação definha.

Nesta terça (16), o presidente correu para o Twitter, com uma surpreendente preocupação com o Estado democrático de Direito: "...não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas. Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade dos brasileiros".

"Os brasileiros", como sabemos, são apenas os seus apoiadores. As outras dezenas de milhões de cidadãos são apenas comunistas e terroristas. A urgência no tuíte foi para defender os encrencados no inquérito que apura a realização de atos antidemocráticos. Prioridades. Agora sabemos quem são as pessoas que levaram o presidente a bater de frente com Sergio Moro e exigir a troca na direção da Polícia federal.

Não que ele esteja muito preocupado com essa tropa de choque que não tem pudores em sujar as mãos para defender o bolsonarismo. Se tiver que sacrificar meia dúzia para salvar os seus, Bolsonaro nem pisca. As olheiras do presidente levam o seu sobrenome.

Por isso, o repentino apreço à "liberdade dos brasileiros" também parece ligado ao desdobramento das investigações sobre Flávio, no caso das rachadinhas, e ao inquérito que identificou Carlos como um articulador no esquema criminoso de fake news. Medo da PF na porta da casa dos meninos, né, presidente?! Deus acima de tudo, meus filhos acima de todos. Prioridades.
Herculano
18/06/2020 06:35
OS RECADOS DE ARAS PARA O BOLSONARISMO

Conteúdo de O Antagonista. Augusto Aras "adotou uma estratégia para evitar o desgaste político decorrente do inquérito sobre atos antidemocráticos", diz Bela Megale.

A estratégia consiste em jogar toda a culpa em seu número dois, Humberto Jacques.

"A mensagem surtiu efeito. Aras e a PGR estão sendo poupados pelos deputados e pelo próprio presidente, que continuam mirando o Supremo Tribunal Federal."
Herculano
18/06/2020 06:29
UMA BOMBA RELóGIO

Do maior criador de casos da República e que coloca o seu pai presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, em rota de colisão com as instituições, o vereador da cidade do Rio de Janeiro, mas com gabinete no Palácio do Planalto, Carlos Bolsonaro, Republicanos, no twitter, ontem a noite.

Grandes coisas estão por vir!
Herculano
18/06/2020 06:22
da série: quem tem padrinho não morre pagão. Uma parte dos políticos está ou esteve tão ameaçado ou enrolado na Justiça Eleitoral quanto Bolsonaro. Mas, está dormindo tranquilo. Já a turma de Bolsonaro que resolveu atirar na Justiça... a eleitoral resolveu cercá-lo quase dois anos depois de eleito...

DO QUE MAIS TEM MEDO BOLSONAROI? por Roberto Dias, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Fake news são o assunto capaz de tirar o presidente do sério

Jair Bolsonaro abriu tantas frentes de atrito que merece ser estudado em aulas de estratégia.

Há situações em que o problema escolhido pelo presidente não quis ser apenas um problema. Transformou-se em dois, como no caso de Abraham Weintraub. Passou meses plantando o atraso no Ministério da Educação. Como esses frutos não aparecem tão rápido, procurou uma vergonha mais imediata para passar. Resolveu atacar desvairadamente o STF e se tornou um nó político, com risco de ir preso.

Assim como a escalada de mortes por coronavírus, o fosso econômico e a completa falta de rumo do governo, o destino de Weintraub dificilmente encurta o sono do presidente. Sua demissão pode ser efetivada para ajudar noutra frente, essa sim capaz de tirar Bolsonaro do sério: a investigação sobre as fake news.

O flanco aberto com reportagens da Folha durante a campanha de 2018 expõe um nervo que parece doer demais no presidente. Quando o assunto é esse, sua reação, assim como a dos filhos, acaba saindo sempre diferente, ainda mais agressiva do que o tom habitual.

A quebra de sigilo de 11 parlamentares no inquérito dos atos antidemocráticos, que envolve alguns dos personagens da investigação sobre as fake news, fez Bolsonaro falar em "chutar o pau da barraca".

É uma frase e tanto para a boca de um presidente. Mas esses pequenos rugidos são o máximo que ele pode fazer. Sua linha de defesa em relação a esse tema já variou um bocado, sem jamais atingir qualquer ponto de consistência. Incluiu baixarias misóginas na CPI, ataques a esmo à mídia, defesa da liberdade de expressão e tentativa frustrada de evitar o compartilhamento de informações entre STF e TSE.

Tais provas podem demonstrar abuso de poder econômico e doação ilegal a campanhas. Isso, numa Justiça Eleitoral que faça valer o nome, leva à cassação da chapa. Bolsonaro decerto sabe por que tem ficado tão nervoso.
Herculano
17/06/2020 16:19
DEZ ANOS DEPOIS DO FATO QUE FOI SOMENTE MANCHETE AQUI E QUE ME RENDEU ATÉ PENALIZAÇÃO, TRIBUNAL DE JUSTIÇA CONDENA AUTOR DE DISPAROS DE PROPAGANDA ELEITORAL DE AMBIENTE PÚBLICO.

NADA COMO UM DIA APóS O OUTRO. OU ANOS, NESTE CASO. AGORA TJ ATÉ ATUALIZA PARA A SUA MANCHETE PARA SURFAR NA ONDA DAS TAIS FAKE NEWS E GANHAR ESPAÇOS NA MÍDIA.

O QUE SE CONDENOU NO CASO DE GASPAR, TODAVIA, NÃO FOI A INFORMAÇÃO FALSA, MAS O AMBIENTE IMPRóPRIO PARA DESSIMINÁ-LAS.

ESTE É O TÍTULO E A INFORMAÇÃO DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO TRIBUNAL. VOLTO PARA COMPLETAR.

TJSC CONDENA SERVIDOR POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA PELA DESSIMINAÇÃO DE "FAKE NEWS"

A disseminação de notícia falsa, denominada de "fake news", em município do Vale do Itajaí, fez com que a 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) condenasse um servidor público detentor de cargo em comissão por improbidade administrativa. Em recurso sob a relatoria do desembargador Ronei Danielli, o ex-diretor adjunto de finanças foi condenado à penalidade de multa civil no valor equivalente à sua remuneração no mês de setembro de 2010. O conteúdo da notícia falsa demonstrava uma pesquisa eleitoral fraudulenta para a disputa ao Governo do Estado.

O Ministério Público propôs ação civil pública por improbidade administrativa contra o servidor público municipal com cargo em comissão que propagou "fake news" pelo e-mail funcional da prefeitura. Na notícia, a candidata do acusado ultrapassava a concorrente e, assim, ocupava a 2ª posição na eleição de 2010.

As mensagens foram enviadas a um mês do pleito eleitoral e conclamavam os destinatários a repassarem aquela informação inverídica ao maior número possível de pessoas. Inconformado com a sentença que julgou improcedente o pedido, o órgão ministerial recorreu ao TJSC. Reforçou que o servidor feriu os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade pelo envio da notícia falsa. "A gravidade concreta da atitude do réu é consideravelmente elevada a partir da constatação de veiculação de conteúdo comprovadamente falso - circunstância reprovável denominada 'fake news' -, alvo de intenso combate pelas autoridades administrativas, policiais, judiciárias e eleitorais, considerando a alta velocidade de difusão de informações por meio de redes sociais e, por conseguinte, do elevado risco de consolidação de efeitos negativos ou danos irreparáveis aos envolvidos, notadamente no cenário eleitoral", anotou o relator em seu voto.

A sessão foi presidida pelo desembargador Júlio César Knoll e dela também participou o desembargador Rodrigo Collaço. A decisão foi unânime (Apelação Cível n. 0900094-77.2015.8.24.0025).

VOLTO

O servidor é o ex-comissionado da gestão petista de Pedro Celso Zuchi, de Gaspar, Maicon Oneda.

Ele disparou a reprodução de um folder impresso às vésperas do primeiro turno das eleições de 2010, produzido pela campanha da ex-senadora e ex-candidata ao governo do estado, Ideli Salvatti.

Ele foi condenado não pela suposta notícia falsa que continua o folder, que nem era responsabilidade dele, mas porque usou esse material, como militante, orientado ou não, a rede de computadores da prefeitura de Gaspar para difundir entre possíveis líderes eleitores do PT. Isto é um ato improbo. Isto é que foi a julgamento nesta Ação Civil de reparação pelo mal uso dos pesados impostos dos cidadãos.

O que dizia aquele panfleto e que ainda tenho guardado comigo, já amarelado, afinal faz dez anos entre o fato, o inquérito e a tramitação na Justiça para alcançar a decisão de segundo grau.

Vox Populi confirma: Ãngela cai e Ideli sobe! Ideli vai para o segundo turno. Já há empate técnico. E comparava graficamente esta subida e caída no intervalo entre os dias quatro e 28 de setembro. Ângela Amim, PP, que estava com 29% caía para 21% e Ideli Salvatti com 14% estava subindo com 18%. Ou seja era o tal empate técnico.

A outra pegadinha do panfleto dizia de Raimundo Colombo estava na frente com 37%, mas os indecisos eram 20%, o engodo de sempre para analfabetos, ignorantes e desinformados como se isso fosse verdadeiro contrariando as pesquisas da época.

Para encurtar. Qual foi o resultado final daquela eleição. Primeiro nem houve segundo turno. Raimundo Colombo, PSD, com Eduardo Pinho Moreira, MDB, levou a eleição com 52,72% e entrou no lugar do seu "criador", Luiz Henrique da Silveira. Ângela Amim, PP, e Manoel Dias, PDT, com 24,91%, com a metade dos votos do vencedor chegou em segundo.

E Ideli Salvatti, PT com o empresário Guido Bretzke, PR ? Chegou em terceiro com 21,90% dos votos válidos dos catarinense naquela eleição. Houve realmente um empate técnico, mas ela ficou em terceiro lugar e mesmo que chegasse em segundo, não teria como disputar o segundo turno.

Quem rateou nos votos naquela eleição. Ângela Amim.

Por fim, é interessante observar: entre o fato, a minha publicação - foi o único que fiz - o inquérito, o julgamento na Comarca e a decisão de segundo grau vão quase dez anos. Acorda, Gaspar!
Herculano
17/06/2020 13:31
"É HORA DE UM ARMISTÍCIO PATRIóTICO"

Conteúdo de O Antagonista. Em discurso conciliador de posse, Fábio Faria defendeu que a disputa na "arena eleitoral" fique para 2022.

"O grave momento também exige de nós compreensão, abertura ao diálogo. Se é tempo de levantarmos a guarda contra o novo coronavírus, também é hora de um armistício patriótico e deixarmos a arena eleitoral para 2022."

E completou:

"É preciso sobretudo respeito e que deixemos nossas diferenças político-ideológicas de lado para enfrentarmos esse inimigo comum que tem lamentavelmente tirado a vida de pessoas e gerado danos incalculáveis á economia. É hora de pacificar o país."
Herculano
17/06/2020 13:28
TEM MAIS GENTE EM GASPAR QUE ANDOU PEGANDO AUXÍLIO EMERGENCIAL SEM ESTAR DENTRO DO QUE O GOVERNO DIZ QUE MERECE.

UMA PARTE ESTÁ DIZENDO QUE TERCEIROS USARAM OS DADOS INDEVIDAMENTE.

MAS, O DINHEIRO PINGOU NA CONTA? E NÃO PERCEBEU? NÃO DEVOLVEU? E AGORA COM A CAÇA ÀS BRUXAS PELO PORTAL DA TRANSPARÊNCIA QUER ARRUMAR OUTROS CULPADOS? AI, AI, AI
Herculano
17/06/2020 13:22
da série: ou comunicaram mal, ou foram arrogantes numa causa essencial. Ora se a Lava Jato fosse uma causa de verdade, o governo, não tinha retalhado as propostas do ex-Ministro Moro, muito menos, constrangido da forma que se festa. Agora, restará chorar. E poderá ser tarde.

O CHORO DE ZAMBELLI

Conteúdo de O Antagonista. Um um vídeo postado nas redes sociais, Carla Zambelli criticou a decisão do STF de quebrar seus sigilos bancário e fiscal - no âmbito do inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos.

"Você faz tudo certinho e por causa de um cara que não vai com a tua cara... E por que ele não vai com a tua cara? Porque você está chamando atenção demais, porque você fala demais", afirmou a deputada, em lágrimas.

"Quem deveria ter quebra de sigilo bancário são uns 300 deputados. Pelo menos uns 300. Eu não estou chorando de tristeza. Estou chorando de raiva. Porque entrei nessa vida política para desmascarar os corruptos, não ser confundida com eles."

No vídeo, Zambelli diz que está sendo perseguida por criticar ministros do STF e se posicionar a favor da Lava Jato.

"Uma das coisas do inquérito é isso, eu pegando o microfone na frente do STF e dizendo: 'ministros, se vocês acabarem com a Lava Jato, a gente vai entrar com impeachment de cada um de vocês e a gente vai derrubar cada um de vocês'. Esse é o motivo do inquérito das fake news. Sou eu, discursando em frente ao STF, dizendo algo que legitimamente a gente pode fazer, que é o impeachment dos ministros do STF, que querem acabar com a Lava Jato. A Lava Jato. Do [Sergio] Moro. Eles não vão nos calar", diz a parlamentar.

Ela afirmou ainda:

"Tem um detalhe, Alexandre de Moraes. Quanto mais você achar que, batendo, você vai nos calar, mais eu vou ver motivos para contar quem são vocês. E não é na base da ameaça."
Herculano
17/06/2020 12:23
BAFAFÁ

No Ponto de Saúde do Centro de Gaspar, agora pela manhã motorista de ambulância bate em pedra e agride outra pessoa. Um bafafá. Tudo filmado.
Miguel José Teixeira
17/06/2020 12:16
Senhores,

Finalmente a "Loura Blu" acordou!

"Monumento em homenagem a Lula, em Blumenau, mudará de endereço"
. . .Será limpo e guardado até que se defina o novo endereço."

Fonte: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/evandro-de-assis/monumento-em-homenagem-a-lula-em-blumenau-mudara-de-endereco

Adorei a expressão "guardado".

Remete-nos à Superintendência da PF em "Curitchiba", onde o ex e futuro presidiário lula já esteve "guardado" cumprindo parte de sua longa pena.

Vou sugerir um local adequado: na cova do pt catarinense que está aguardando a pá de cal que o "manquinho coveiro" foi buscar em Itajaí.

Atenção: nada contra o artista plástico Guido Heuer, autor da obra, que sempre tive admiração pela sua genial carreira.
Herculano
17/06/2020 11:46
BOLSONARO TENTA ACALMAR INVESTIGADOS. RAZÃO DO PÂNICO: UMA DELAÇÃO PREMIADA, por Reinaldo Azevedo, no Uol

Presidente Jair Bolsonaro: sua carta é um recado para que aliados se acalmem. Medo de delação premiada

É claro que a carta de Jair Bolsonaro está mandando um recado. Desta feita, não é dirigida aos adversários, mas aos amigos que caíram nas malhas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Embora o presidente não cite as investigações que colhem seus amigos, é sobre isso que está a falar, como todos sabem. O trecho mais importante é este:
"Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas. Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros."

O que o presidente está dizendo aos investigados é isto: "Ninguém solta a mão de ninguém".

O temor, obviamente, é que uma delação premiada venha a provocar um "strike" no governo e na cúpula bolsonarista.

Não dá para saber o que significa "tomar todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade dos brasileiros".

Que risco correm os brasileiros?

Bolsonaro pretende se imiscuir na investigação? Vai mobilizar a estrutura do Executivo para obstar o trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e do Justiça?

Precisa é tomar cuidado para não meter os pés pelas mãos.

Com alguma esperança na razoabilidade, poderia dizer que o presidente pode ter acordado de um transe, imaginando que aquela escalada de violência contra as instituições caminharia, sem limites, até a vitória final ?" seja lá o que isso signifique.

Bem, não será assim.

De resto, convenham: é difícil, depois de tudo o que já houve no Brasil, acusar o Ministério Público Federal de estar a serviço do comunismo, não é mesmo?

Mais fácil seria tentar não praticar crimes. Ocorre que há entre os investigados aqueles que só têm existência na vida pública em razão do crime.

Bolsonaro está prometendo aos que estão caindo nas malhas do MPF e da PF que ele vai dar um jeito.

A depender da falta de jeito com que se entregue a tal intento, estará prejudicando a si mesmo, mas sem ajudar ninguém.

Alô, senhores procuradores! Daqui é pouco é hora de lembrar os investigados que existe a Lei 12.850, a que trata das organizações criminosas e da delação premiada.

Sugiro a alguns valentes que sabem o que fizeram no verão passado que passem a considerar a hipótese.
Herculano
17/06/2020 11:43
BOLSONARO PôS A LÍNGUA NA COLEIRA POR UM INSTANTE, por Josias de Souza.

O embate com o Supremo Tribunal Federal faria bem a Jair Bolsonaro se ele seguisse uma linha esboçada em postagens que borrifou na noite desta terça-feira (16) nas redes sociais. Em 20 dias, o capitão evoluiu de um linguajar autoritário -"Acabou, porra"- para um palavreado civilizado -"Tomarei todas as medidas legais." O diabo é que todos sabem que o Bolsonaro real é aquele do palavrão dito no improviso do cercadinho do Alvorada, não este do texto domesticado pela assessoria.

O Bolsonaro genuíno superestima seu poder de mudar o Supremo no grito. O presidente do timbre terceirizado subestima o seu poder de mudar a si mesmo. Perdido em algum lugar entre a bravata e a realidade, o inquilino do Planalto sofre algo muito parecido com um cerco judicial. Precisa definir rapidamente um rumo. Sob pena de ser compelido a mudar não por enxergar a luz, mas por sentir o calor das investigações.

Em 26 de maio, a Polícia Federal varejou 29 endereços de bolsonaristas no âmbito do inquérito das fake news. Quebraram-se os sigilos bancários de empresários devotos do "mito" com data retroativa a julho do ano eleitoral de 2018. Na manhã seguinte, Bolsonaro derrapou: "Acabou, porra! Me desculpem o desabafo. Acabou! Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomando de forma quase que pessoal certas ações."

O orador capotou ao engatar a segunda marcha: "Ontem foi o último dia. Eu peço a Deus que ilumine as poucas pessoas que ousam se julgar melhor e mais poderosas do que os outros, que se coloquem no seu devido lugar..." Bolsonaro referia-se ao ministro Alexandre de Moraes, a quem enxerga não como magistrado, mas como inimigo.

Nesta terça-feira, o mesmo Moraes determinou aos rapazes da PF que batessem em 21 portas de bolsonaristas - algumas delas já visitadas na operação anterior. Dessa vez, as ações policiais ocorreram no âmbito do inquérito sobre manifestações antidemocráticas. Romperam-se os sigilos bancários de 11 parlamentares apologistas de Bolsonaro.

O linguajar de Bolsonaro não foi a única coisa que mudou. Houve outra mudança notável entre uma operação e outra. Na batida policial do mês passado, o procurador-geral da República Augusto Aras manifestara-se contra. Foi ignorado por Alexandre de Moraes. Na ação desta terça, Moraes expediu os mandados judiciais a pedido da Procuradoria.

No primeiro caso, em que se investiga a industrialização de notícias falsas e a destilação de ódio contra a Suprema Corte, o inquérito nasceu torto. Foi aberto no Supremo, pelo Supremo e para o Supremo. Coisa sigilosa, trançada à revelia do Ministério Público Federal, a quem cabe exercer o monopólio legal da acusação. No segundo caso, relacionado às manifestações antidemocráticas, coube ao procurador-geral requisitar a abertura do inquérito. Tudo dentro do manual.

No arroubo do mês passado, Bolsonaro queixara-se da decisão monocrática (individual) de Moraes. Soou como se insinuasse que o ministro se move impulsionado por interesses extra-judiciais. "...Não podemos falar em democracia sem um Judiciário independente, sem um Legislativo também independente, para que possam tomar decisões, não monocraticamente por vezes, mas as questões que interessam ao povo como um todo, que tomem, mas de modo que seja ouvido o colegiado."

Nesta quarta-feira, Bolsonaro ouvirá a voz do colegiado. O plenário do Supremo concluirá o julgamento que manterá em pé o inquérito das fake news. Confirmando-se o aval, as decisões tomadas por Alexandre de Moraes no âmbito do processo ganharão o selo do colegiado. Eventuais morteiros de Bolsonaro acertarão o Supremo, não o ministro.

De resto, o pedaço do bolsonarismo que percorre as redes sociais e as ruas à procura de encrenca tende a se frustrar com a promessa do "mito" de adotar "todas as medidas legais" para frear a Suprema Corte. Bolsonaro não pode mobilizar o aparato estatal para produzir petições judiciais em defesa de pessoas que não têm vínculo com o estado. Os encrencados pagam - ou deveriam pagar - do próprio bolso os honorários dos seus advogados.

Bolsonaro cogitava enfiar-se sob os cobertores sem comentar o novo sobrevoo da PF sobre o bolsonarismo. Mas não resistiu às cobranças que lhe chegaram pelas redes antissociais. A certa altura, o presidente - ou seu ghostwriter - anotou: "Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas." Faltou definir "minha parte".

Um presidente que transforma o Ministério da Saúde em unidade militar depois de expurgar dois ministros em plena pandemia, que estimula apoiadores a invadirem hospitais, que silencia diante de apologistas que simulam o bombardeio do Supremo com fogos, que mantém um olavista no comando da Educação, que entrega ministério, banco público e fundo educacional ao centrão... um presidente assim não faz adequadamente a sua parte.

Ficou claro que, além de pôr a língua na coleira, Bolsonaro precisa colocar os pés no chão. Na sequência, basta que o presidente comece a presidir, fechando a indústria do ódio e a fábrica de crises.
Miguel José Teixeira
17/06/2020 11:35
Senhores,

"Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar", diz Bolsonaro após decisões do Supremo.

Penso que essa ameaça é dirigida aos zero-zeros e seus cupinchas que andam PraTicando toda a sorte de PaTifaria, bem ao estilo do ParTideco, cujo sigla destaquei em 3 palavras.

Penso também que, é hora de optar entre os anéis ou os dedos.
Carlos
17/06/2020 11:31
descaso com os moradores do Macuco, o lado abandonado próximo da Rodovia Ivo Silveira.
No últimos 3 anos não fizeram nenhum melhoria em nosso lado. Só fazem obras ao redor das igrejas.
Antes da Pandemia fizeram uma terraplanagem no acesso pela Rodovia Ivo Silveira e agora é só lama.
Também destruíram o ponto de ônibus e não instalaram outro.

Herculano peça para o pessoal fazer uma reportagem e mostrar o descaso por esse lado do Macuco.

Saudades do Governo do Zuchi.
Eduardo
17/06/2020 11:27
Eu como morador próximo posso dizer:

Fecharam tarde o acesso ao morro do Parapente.

Se tivesse um controle de pessoas que sobem o morro lá não teria sido o palco do crime horrível que ceifou a vida da menina Pamela.

Se tivesse um controle de pessoas não haveria o uso indiscriminado de drogas logo após o acesso e no topo do morro.

Se tivesse um controle de pessoas não haveria a venda indiscriminada de drogas no inicio da subida do morro.

A venda é tão tranqüila que um dos traficantes vende a droga acompanhado do seu filho menor.

Os usuários compram e utilizam as drogas dentro de seus carros sem serem incomodados e outros usuários sobem até o topo do morro para usarem drogas e apreciarem a vista da cidade.

Os órgãos públicos nunca se interessaram em dar um fim a essa barbaridade.

Bastava exigir do proprietário do terreno de acesso, o Sr Salésio que feche a porteira.....e dê a chave somente para quem vai fazer a manutenção das antenas e o pessoal que vai saltar de parapente.....
Herculano
17/06/2020 09:33
BOLSONARO E O DIA DE SÃO NUNCA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

As atenções do Congresso para o combate aos efeitos da pandemia deram ao presidente o pretexto ideal para deixar as reformas para o Dia de São Nunca.

Um governo que trabalha apenas para dar sobrevida política ao presidente da República dificilmente será capaz de propor as reformas de que o Brasil urgentemente precisa e, mais, de articular sua aprovação no Congresso. Mesmo antes da presente crise, quando a continuidade do mandato de Jair Bolsonaro não estava em questão e não havia a emergência nacional causada pela pandemia de covid-19, a agenda de reformas não era tratada com a devida seriedade pelo governo. Nada mudou de lá para cá ?" com a agravante de que a monopolização das atenções do Congresso para o combate aos efeitos da pandemia deu a um presidente tão desinteressado nas reformas que prometeu o pretexto ideal para deixá-las para o Dia de São Nunca.

Não surpreende assim que o presidente Bolsonaro tenha informado na segunda-feira, em entrevista à TV Band News, que a reforma administrativa, prometida por ele no ano passado e de novo no início deste ano, "com toda a certeza" ficará para 2021. "É um desgaste muito grande", disse o presidente, argumentando que o maior obstáculo à reforma administrativa é uma suposta campanha da imprensa contra seu governo. "Eu não estou preocupado com reeleição, mas nós devemos nos preocupar com o brasileiro de forma honesta, justa, e não ser massacrado pela opinião pública por uma coisa que você não fez e não propôs. Então, a guerra da mídia é importante, por isso o atraso no envio da reforma administrativa", disse Bolsonaro.

Para o presidente, portanto, a reforma administrativa só será enviada quando houver um "bom trabalho de mídia" para convencer os funcionários públicos de que eles não perderão sua estabilidade. "Senão, chega para os 12 milhões de servidores públicos que estou acabando com a estabilidade deles. Eu não estou preocupado com reeleição, mas temos que ouvir nossos eleitores", disse o presidente. Ou seja, a obsessão de Bolsonaro, preocupadíssimo com a reeleição, é não contrariar sua base eleitoral. Logo, se vier, a reforma administrativa tem tudo para ser apenas um arremedo.

Já a reforma tributária é, nas palavras de Bolsonaro, "complicada". Deve ser mesmo. Em 23 de setembro de 2019, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a proposta de reforma tributária seria enviada pelo governo "na semana que vem". Pouco menos de seis meses depois, em 5 de março deste ano, o mesmo ministro disse que a proposta de reforma tributária seria enviada "na semana que vem".

Aparentemente essa tal "semana que vem" vai demorar ainda mais para chegar, pois Bolsonaro informou que quer uma reforma "que possa ser aprovada". Em outras palavras, o governo está longe de elaborar uma proposta politicamente factível.

Assim, a exemplo do que aconteceu com a reforma da Previdência, o Executivo, preocupado somente em evitar desgaste eleitoral, tende a deixar para o Congresso o protagonismo da reforma tributária. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já avisou que essa reforma é prioridade do Legislativo, a partir de projetos apresentados pelos próprios parlamentares.

A boa notícia, portanto, é que o País parece depender cada vez menos da iniciativa de um governo tão perdido. Embora seja no mínimo excêntrico que, num regime presidencialista, o debate político esteja ocorrendo sem a participação do presidente - que, desde a posse, se dedica exclusivamente a causar tensão e criar instabilidade -, parece haver um bom clima para tocar adiante as reformas quando a pandemia arrefecer. E as reformas são ainda mais importantes diante da perspectiva sombria para as contas nacionais.

Nesse cenário de incerteza, teme-se, com razão, que a anunciada saída do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, espécie de guardião dos limites fiscais, sinalize afrouxamento da agenda de controle dos gastos públicos. Mas essa agenda, mais do que nunca, não pode ficar na dependência dos humores de um ou outro funcionário do Ministério da Economia, do ministro Paulo Guedes ou, pior, do presidente Bolsonaro. O esforço de manutenção dos mecanismos de responsabilidade fiscal e de aprovação das mudanças necessárias para adequar os gastos públicos à real capacidade do País depende fundamentalmente da mobilização da sociedade - esta sim, a avalista indispensável das reformas.
Herculano
17/06/2020 09:28
A COLUNA OLHANDO A MARÉ DE SEXTA-FEIRA JÁ ESTÁ PRONTA. ENTÃO NÃO VOU ABORDAR O ASSUNTO DA MULHER DO SECRETÁRIO DO GOVERNO KLEBER E QUE GANHA MAIS DE R$12 MIL E QUE RECEBEU AUXÍLIO EMERGENCIAL DE R$600. NEM A PROPOSIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE GASPAR PARA ARQUIVAR A DENÚNCIA DE USO INDEVIDO DE MÁQUINAS DA PREFEITURA PELO VEREADOR DIONÍSIO LUIZ BERTOLDI, PT
Herculano
17/06/2020 09:23
SERVIDORA AFIRMA À CPI QUE EX-SUPERINTENDENTE AUTORIZOU PAGAMENTO DOS REPIRADORES, por Cláudio Prisco Paraíso

A servidora da Secretaria de Estado da Saúde (SES) Débora Brum afirmou, em depoimento à CPI dos Respiradores, que a responsabilidade pela autorização do pagamento pelos 200 ventiladores pulmonares adquiridos junto à Veigamed foi de Marcia Pauli, ex-superintendente de Gestão Administrativa (SGA) da secretaria.

Débora prestou depoimento à comissão já na noite desta terça-feira (16), por mais de duas horas. Ela é servidora concursada do Estado e, no dia 16 de março, passou a auxiliar Marcia Pauli nas atividades administrativas da SGA, quando a ex-superintendente já prestava expediente na Defesa Civil do Estado e não mais na SES, em função da criação de um grupo para enfrentamento da pandemia da Covid-19.

A testemunha explicou aos deputados que, conforme instruções internas da própria SES, o pagamento de R$ 33 milhões só poderia ser feito mediante a assinatura digital, com uso de senha pessoal e intransferível, da então superintendente Marcia Pauli nas duas notas fiscais encaminhadas pela Veigamed, por meio do Sistema de Gerenciamento de Processos Eletrônicos (Sigep). Apenas com essa assinatura digital, conforme Débora, o pagamento das notas seria encaminhado para o Sistema Integrado de Planejamento e Gestão Fiscal (Sigef), no qual seria concretizado.

A servidora explicou aos deputados que esse encaminhamento pode ser feito por qualquer servidor que tivesse acesso ao Sigef. Débora confirmou que fez o encaminhamento para o pagamento dos R$ 33 milhões à Veigamed, segundo ela, após a assinatura e autorização de Marcia Pauli.

"O atestador da nota fiscal é quem a assina digitalmente no SGPE", disse Débora. "Isso quem fez foi a ex-superintendente com a senha dela, a qual ela nunca me passou. Ou ela assinou ou ela passou [a senha] para alguém. Inclusive é responsabilidade do servidor tudo que é feito com a senha dele."

Débora recorreu a conversas de Whatsapp com Marcia Pauli para corroborar sua versão. Segundo essas conversas, no dia 31 de março, a SGA recebeu as duas notas fiscais eletrônicas da Veigamed, no valor de R$ 16,5 milhões cada (R$ 33 milhões ao todo). Débora questiona Marcia, pelo aplicativo de mensagens, se poderia encaminhar o pagamento das notas. A ex-superintendente teria respondido, em caixa alta, que sim.

Marcia teria, então, assinado digitalmente as notas no SGPE, o que permitiria que Débora encaminhasse o pagamento no Sigef. "O Sigef só tem validade se a nota fiscal tiver sido assinada dentro do SGPE", explicou.

No dia 1 de abril, em outra conversa, segundo Débora, Marcia lhe cobrou se o pagamento havia sido encaminhado. Diante da resposta positiva, a ex-superintendente teria respondido que iria cobrar o Zé. Neste caso, Zé seria José Florêncio da Rocha, coordenador do Fundo Estadual da Saúde, de onde saíram parte dos recursos para o pagamento da Veigamed.

Débora trouxe cópias das conversas para a CPI. Para confirmar a versão dela, o deputado Kennedy Nunes (PSD) apresentou requerimento para solicitar o IP de computador de onde partiu a assinatura das notas fiscais dentro do SGPE. Para ele, essa informação apontará se foi Marcia quem assinou ou se o procedimento pode ter sido feito por outra pessoa, com a senha da ex-superintendente.

PAGAMENTO ANTECIPADO

Débora informou aos deputados que constava nas notas fiscais o pagamento antecipado pelos respiradores. Essa informação, segundo ela, também constava no processo de compra dos equipamentos como condição previamente estabelecida para a concretização da aquisição. O pagamento antecipado era de 100%, e não de 50%, como chegou a ser divulgado.

A testemunha disse que o processo de aquisição não tramitou pelo gabinete do ex-secretário Helton Zeferino, mas que, em duas peças, foi solicitada a assinatura digital dele. "Se o ex-secretário entrou no processo e verificou que estava escrito na proposta, verificou que o pagamento era através de numerário antecipado", disse. "Em relação a autorização de pagamento, ela se deu mediante assinatura da Marcia nas notas fiscais, autorização que essa despesa fosse encaminhada para as gerências financeiras darem prosseguimento no rito de pagamento", reafirmou.

A servidora confirmou à CPI que, dentro do processo de compra dos 200 respiradores, houve a mudança do fornecedor, da Brazilian Trade para a Veigamed. Essa troca, segundo Débora, teve a participação e a anuência de Marcia Pauli.

CELERIDADE

A servidora afirmou que todas as orientações que recebeu a respeito do processo da Veigamed partiram apenas de Marcia Paula. Disse, ainda, que a ex-superintendente sempre cobrou muita celeridade da equipe da SGA no trâmite dos processos de compra referentes à Covid-19. "Todas as orientações, as demandas chegaram a mim por ela. Se ela recebeu pressão de outras pessoas, de secretários, eu não tenho conhecimento."

A testemunha também relatou problemas com o e-mail da SGA. Diante da grande quantidade de orçamentos recebidos em função da Covid, foi criada uma pasta, dentro do e-mail, contendo todos os orçamentos. Essa pasta, no entanto, foi apagada.

Débora relatou que 16 pessoas chegaram a ter acesso a esse e-mail. Após a exoneração de Marcia Pauli, houve problemas para acessá-lo, em função de mudança de senha. A alteração da senha ocorreu do IP de um computador localizado no bairro Campeche, em Florianópolis, onde reside a ex-superintendente.
Herculano
17/06/2020 09:17
AUDIÊNCIA VALIDA LINHA EDITORIAL DA GLOBO, por Claiton Selistre, no making of

A audiência em televisão geral em maio destacou novamente as emissoras da Globo - a aberta, com o número um pouco maior do que a soma das concorrentes e a GloboNews, líder entre os canais fechados, com dois terços a mais que a desafiante CNN Brasil. Acima de tudo, mostra uma preferência pelas informações ampliadas sobre a pandemia e pela linha editorial das líderes.

Lembrando que essa medição Kantar Ibope foi antes da decisão de um grupo de veículos se rebelar contra os números manipulados da pandemia e criar um consórcio para somar os dados regionais. O grupo é integrado, além da Globo, por UOL, Estadão e Folha. Os mesmos que já tinham se negado a integrar o cercadinho do presidente na saída do palácio, aonde os repórteres eram frequentemente atacados verbalmente.

EXEMPLO CNN

Depois de um início fraco, a CNN havia conseguido ameaçar a GloboNews em audiência, mas agora caiu na realidade. A emissora perdeu aquele senso investigativo dos âncoras, apurando notícias em pleno programa. Foi amassada pela enorme estrutura da concorrente e dezenas de repórteres e comentaristas. Mudou apresentadores e escalas.

A CNN ainda tem melhor formato visual que a GloboNews, um tanto ultrapassada. Um remendo de vários cenários. Precisou inclusive improvisar para não ficar tão atrás, chegando a copiar a proposta da concorrente com debate no ar com enquadramento de todos os participantes. Algo que já virou enfadonho nas duas, devido a extensão.

AUSENTES

Duas expectativas não se confirmaram na CNN: William Waack não se diferencia pelo jornal noturno, prejudicado desde o início do home office, e Evaristo Costa, superbadalado como estrela do canal, mas que apresenta um programa semanal de Londres sem nenhum impacto. Uma colagem de reportagens.

QUEDA

Os números preliminares das duas primeiras semanas de junho, ao contrário, mostram uma queda de 3 pontos percentuais em São Paulo no geral da TV. Se for confirmada a tendência para o País, significa que a abertura gradual das cidades a seus moradores afastou o público que estava em frente ao aparelho de TV ou tela de computador.

LIVES

O bom senso aos poucos vai retornando. As lives estão perdendo público. Os artistas que estão na segunda rodada têm menos viewers do que na primeira.

É fácil entender. Elas surgiram com a pandemia como um alívio para a quarentena, mas aos poucos ofertaram projetos focados na receita. Perderam a autenticidade e, mais do que tudo, qualidade. Algumas se tornaram picaretagem.

Uma das primeiras lives internacionais foi de Paul Simon, cantando "the boxer", na área de serviços de casa. Foi um sucesso, porque além ser original, representava uma legítima contribuição do artista num momento tão difícil para todos.
Herculano
17/06/2020 09:05
BOLSONARO NÃO TEM SAÍDA SENÃO DEMITIR WEINTRAUB, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A demissão do ministro Abraham Weintraub não deixará o presidente Jair Bolsonaro feliz, porque ele gosta do jeitão beligerante do ministro da Educação, mas ele sabe que precisa se livrar do auxiliar que contribuiu para azedar de vez as relações do governo com o Supremo Tribunal Federal, ao chamar seus ministros de "vagabundos". O STF está indócil: para os ministros, ao manter Weintraub, Bolsonaro avaliza seus insultos.

PONTO DE PARTIDA

O recado não dito e nem escrito é o seguinte: para dar uma chance ao entendimento com o Planalto, só mesmo após a demissão de Weintraub.

DERROTA PREVISTA

O ministro, que perderá mais uma nesta quarta no STF, está na mira dos. Ministros e será usado ad nauseum para admoestar o presidente.

AGORA Só FAZ MAL

Entre ministros com gabinete no Planalto é consensual a necessidade da demissão. "Weintraub virou tóxico para o governo", disse um deles.

QUESTÃO DE (POUCO) TEMPO

Bolsonaro busca uma solução para não deixar o ministro da Educação "debaixo de chuvas e trovoadas", enquanto procura um bom substituto.

REITORES QUEREM PRORROGAÇÃO OU ELEIÇÃO BIôNICA

Agora faz sentido o escarcéu contra a medida provisória que autorizava a nomeação de reitores temporários enquanto durasse a pandemia. Os 12 reitores em fim de mandato se dividem entre os que malandramente defendem a prorrogação de sua permanência no cargo e aqueles, como a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, que baixou a própria "medida provisória" definindo que a lista tríplice de candidatos a reitor será escolhida pelo aparelhadíssimo conselho universitários.

RETROCESSO NA UNB

Na UnB, de longa tradição democrática, desta vez estarão proibidas consultas, campanha ou debates, mesmo pela internet. Um vexame.

SEM DISCUSSÃO

A reitora Márcia decretou que as chapas serão registradas somente no dia da reunião (controlada, claro) do conselho universitário.

MANDATO BIôNICO

A lista tríplice dos "reitoráveis" não é para mandato temporário, enquanto durar a pandemia. O mandato biônico vai de 2020 até 2022.

OPOSIÇÃO NO STF

As palavras de ministros do STF contra o governo Bolsonaro ficariam bem na boca de qualquer político de oposição, não em magistrados prestes a julgar processos que envolvem o alvo da fúria togada.

CHUTE POR FORA

Os atletas do noticiário político, que chutam na nomeação de Abraham Weintraub para uma embaixada, nem sequer sabem que a indicação do antipatizado ministro da Educação teria chance zero no Senado.

FAZER A COISA CERTA

Enquanto a prefeitura do Recife se vê envolvida em denúncias de corrupção e PF na porta, a vizinha Jaboatão, segunda maior cidade de Pernambuco, ganhou de novo o prêmio de gestão pública da ONU.

BRASIL MANDA BEM

Em entrevista ao jornal espanhol El País, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, elogiou os "passos significativos" do Brasil em resposta à pandemia, "mais do que muitos outros países". Disse que as medidas fiscais e do Banco Central "são muito fortes e adequadas."

O PREFERIDO

Qualquer dos dez deputados e senador alvos de operação policial a mando do ministro Alexandre de Moraes representa mais votos que o partido Rede, o preferido dos ministros do STF.

IGOR NA LISTA TRÍPLICE

Após concorrida disputa, o advogado Igor Matos, um dos mais admirados da sua geração, foi escolhido pelo Tribunal de Justiça do DF para a lista tríplice à vaga de jurista no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF).

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POSSE PRESTIGIADA

Promete ser bastante prestigiada a posse, hoje, em Brasília, do ministro das Comunicações, Fabio Faria. (quase) Todo o setor confirmou presença, à exceção de emissoras em guerra aberta contra o governo.

OAB NA HISTóRIA

O desembargador do Tribunal de Justiça do Amapá, Manoel de Jesus Ferreira Brito, 63, acusado de corrupção passiva, foi presidente da OAB-AP, presidida atualmente pelo filho, Auriney Uchôa de Brito.

PERGUNTA NO PARTIDO

O PT agora aprova operação da PF nas dependências do Congresso?
Miguel José Teixeira
17/06/2020 08:57
Senhores,

Tsunami à vista?

Se esta indesejável 2ª onda da pandemia ocorrer no Brasil e atropelar a 1ª que ainda não atingiu seu pico, teremos, com consequências inimagináveis, um verdadeiro tsunami.

Oremos!
Herculano
17/06/2020 08:55
RUIM PARA OS EUA, PIOR PARA O BRASIL, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Economia americana teve algum alívio em maio, mas depende de gás do governo

Maio foi um mês de despiora ligeira para a economia dos Estados Unidos. Houve mais festinha nas Bolsas marombadas e nova conversa sobre a projeção mais otimista de alguns adivinhadores profissionais, minoria para quem a recessão será em forma de "V", queda e retomada rápidas.

O aumento das vendas do varejo americano em maio mais do que compensou as perdas de abril, embora o faturamento ainda esteja uns 8% abaixo do nível pré-epidemia. Cerca de 2,5 milhões de pessoas voltaram a trabalhar, mas falta empregar outros 20 milhões que foram para a rua na epidemia. Houve crescimento da indústria, embora bem abaixo do esperado.

Parte do salto das vendas foi consumo represado, de quem manteve o emprego e ficou com dinheiro na conta, poupança forçada devido ao confinamento. Parte foi graça dos trilhões de socorro do governo, que pagou uma renda básica instantânea e aumentou para valer o valor do seguro-desemprego - tudo somado, além da renda emergencial, o pacote é quase 50% maior do que o PIB brasileiro. Esse auxílio para trabalhadores e famílias acaba em julho.

O presidente do banco central, o Fed, Jerome Powell, disse ao Senado que a coisa ruim vai longe. A OCDE estima que o PIB americano caia 7,3% neste ano e chuta que, no ainda mais nebuloso 2021, cresça 4,1%, o que não recupera o prejuízo. Para o Banco Mundial, o PIB cai 6,1% em 2020 e sobe 4% no ano que vem.

Maio foi um refresco parcial em setores localizados. Haverá desemprego prolongado, redução de salários, redução no investimento, confiança baixa ainda por causa do risco de contágio, empresas falidas ou endividadas, destruição de capital, setores danificados por muito tempo (turismo, restaurantes, entretenimento etc.), ineficiências provocadas pela reabertura sujeita às condições do vírus e pilhas de outros problemas para fazer rodar a atividade econômica real. E há o problema das rendas de emergência e outros socorros. Como se dizia, os democratas querem dobrar a conta, para mais de US$ 4 trilhões (um quinto do PIB dos EUA).

Em escala e qualidade muito diferentes, o Brasil terá os mesmos problemas. Mas o governo federal americano não paga nada para se financiar (taxa real de juros zero ou menos do que isso); em parte, na prática, é bancado pelo seu Banco Central.

Esqueça-se, para facilitar, que a economia brasileira é uma carroça de roda quebrada perto da americana. A epidemia, por aqui, ainda irá mais longe do que nos EUA; os auxílios emergenciais e outros socorros, não. Em tese não haverá investimento público para dar impulso a uma retomada. Aqui, maio ainda foi mês de afundamento, embora o número de pessoas ocupadas tenha parado de cair.

As taxas de juros de prazo mais longo estão altas. O governo se financia no curtíssimo prazo ou paga contas com dinheiro que tem no colchão de emergência, a fim de evitar por ora o custo de se financiar no mercado.

Na receita da política econômica, a despesa com a epidemia terá de cair, o que vai arrastar a atividade econômica. O peso relativo da dívida pública continuará a aumentar (por falta de crescimento do PIB e de receita de impostos), o que já era um problema notório faz anos, antes desta calamidade.

A fim de evitar ruína sem fim, terá de haver uma mistura de crescimento rápido, juros (Selic) quase tão baixos quanto os de agora e alguma alta de impostos e/ou corte de gastos. "Reformas", por si sós, não tiram a economia do chão, reconhece até a OCDE.

Nós não temos uma receita para essa mistura.
Herculano
17/06/2020 08:48
PRÉ-CANDIDATA

A mulher do secretário de Kleber que ganhou auxílio emergencial anunciava-se no bairro Bela Vista como pré-candidata a vereadora pelo MDB. Uma a menos, provavelmente, no abacaxi que o partido está descascando.
Herculano
17/06/2020 08:46
NA MÍDIA DESNUDANDO

Do ex-juiz Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, no twitter, promovendo seus pontos-de-vista

Concedi entrevista ao El País, jornal espanhol. Democracia brasileira está consolidada e não sofre riscos. Mas passaríamos melhor sem declarações autoritárias ou incentivos a radicalismos que geram instabilidade e afugentam investimentos.
Herculano
17/06/2020 08:41
BALANÇO NA UTI

A UTI do Hospital de Gaspar montada com dez leitos para apenas receber doentes de Covid-19, depois de mais de um mês de "aberta" emergencialmente, recebeu o primeiro paciente dela. Ele não tinha Covid, diagnosticou-se, mas sim, pneumonia; recebeu o segundo há poucos dias que veio de Gabiruba e acaba de morrer. Está lá o terceiro, o que a regulação mandou e vindo de Taió.

UTI não é apenas um meio de salvação clínica de pacientes doentes, mas um indicativo que se está muito grave o estado de saúde dele.

Por isso, trata-se de história da carochinha, o que muitos difundem por ai de que a implantação de uma UTI no Hospital seria a solução de tudo. Não mesmo. Seria um dos meios para melhorar o atendimento quando se trata de alta complexidade. Nada mais. Acorda, Gaspar!
Herculano
17/06/2020 08:27
da série: na falta de argumentação, os bolsonaristas radicais tratam todos que não são gado, como comunistas, mesmo não sabendo o que significa ser a palavra comunista.

EM BREVE BOLSONARO SERÁ UM COMUNISTA NA AUSTRÁLIA, por Ruy Castro, no jornal Folha de S. Paulo

Os bolsonaristas começam a se tornar mais bolsonaristas do que Bolsonaro

Todo 31 de dezembro, às 13h do Brasil, ouve-se na TV: "Já é Ano Novo na Austrália!". Com 11 horas a mais, o Ano Novo lá chega mais cedo. Num dia de abril último, de manhã, Sergio Moro deixou o governo de Jair Bolsonaro e, pela TV, acusou seu ex-patrão de tentar controlar a PF. Em poucas horas, passou de herói dos bolsonaristas a traidor e, à uma da tarde, a internet deu: "Moro já é comunista na Austrália!".

Moro juntava-se ali aos comunistas a serem exterminados pelo governo Bolsonaro, os quais incluem intelectuais, artistas, professores, estudantes, globalistas, evolucionistas, ambientalistas, indígenas, LGBTistas, desarmamentistas, a Folha, a Globo, o Congresso, o STF, a ONU, a OMS, a China, os governadores, os prefeitos, os médicos, os infectados pela Covid e a própria Covid - enfim, todos que se opõem à promessa de Bolsonaro de acabar com a corrupção, a mamata, a velha política, o toma lá dá cá e o desvio de dinheiro público.

Afinal, não foi por esse programa que se uniram ativistas, milicianos, policiais, racistas, olavistas, financiadores ilegais, generais de pijama, duplas sertanejas, grileiros, laranjas, googlers, youtubers, whatsappers, facebookers, ku-klux-klaners, salles, damares e weintraubs, comandados pelos zero-zero-zeros? Até há pouco eles estavam coesos em torno do chefe. Mas, de dias para cá, Bolsonaro começou a desapontá-los.

Dá até para escutá-los. Ele tremeu diante do STF e quis entregar o Weintraub! Deixou Sara "Winter" ser presa! Vive negando que quer um golpe militar! Diz que acabou, que chega, que ponto final, mas não faz porra nenhuma! Ouviu do Olavo poucas e boas sem um pio! Dá cargos bilionários aos corruptos do centrão em troca de apoio! E agora começou a destratar o pessoal do cercadinho! É esse o homem que eles elegeram para aplicar o programa de Jair Bolsonaro?

Em breve na internet: "Bolsonaro já é comunista na Austrália!".
Herculano
17/06/2020 08:18
NÃO ESTAVA FALTANDO MAIS NADA PARA A CONFIRMAÇÃO DO SEU DESATINOI PELO PERIGO E O DESGASTE DO GOVERNO DE GASPAR DE KLEBER EDSON WAN DALL, MDB

Circula freneticamente nos aplicativos de mensagens da cidade o holerite de um secretário de Kleber Edson Wan Dall e histórico do seu MDB de Gaspar estampando o seu vencimento mensal de R$12.795,81 bruto e junto uma informação do portal da Transparência da União. Ele mostra a famosa mulher do secretário recebendo R$600,00 de auxílio emergencial.

Os três precisam vir a público se explicarem, e logo. Porque se não fizerem isso, será pólvora na campanha e na imagem do poder de plantão, das muitas que explodem o governo Kleber.

O benefício é indevido porque como expliquei acima na seção Trapiche desta coluna, famílias com renda superior a três salários mínimos (R$3.135,00) ou renda mensal por pessoa da família maior que meio salário mínimo (R$ 522,50) não têm direito ao auxílio emergencial. Por isso, foi colado o holerite do secretário na mensagem.

Também nesta coluna que está no ar eu mostrei o endereço eletrônico para se pesquisar estas anomalias, e os gasparenses assim o fizeram. O resultado está ai. Parabéns. Vou repeti-lo: http://www.portaldatransparencia.gov.br/url/97c6f15e

1. O prefeito, o secretário e a sua mulher devem dizer que os dados e documentos dela foram usados indevidamente por outros espertos. Ponto para ela. E deve comunicar isso de forma clara e rápida e indicando quando tomou essa essencial providência.

Só não vale o dinheiro ter ido para a conta dela e ela não o ter recusado. Quem usa indevidamente os documentos de outrem, normalmente nomina conta de titularidade diferente do beneficiário do "ajutório".

Eu por exemplo já entrei no portal transparência e conferi de que ninguém usou o meu nome e o da minha mulher. Também na nossa conta bancária não apareceu nenhum depósito daquele que não foi feito por nós mesmos ou de gente que estava obrigada a depositar nela.

2. Se a identificação e documentos da mulher do secretário não foram usados indevidamente é preciso provar que ela não faz mais parte da família do secretário e que ela não possui renda, ou a renda que possui, não seja maior daquelas previstas aos que podem requisitar o benefício. Ou seja, como escrevi na coluna acima: trabalhadores informais maiores de 18 anos, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados.

3. Agora é hora de esperar. E quanto mais demorar, mais desgastes para o MDB e o poder de plantão, que gostaria de ver esta coluna calada há muito tempo. Ele só não pode calar as redes sociais e os aplicativos de mensagens, bem como gente que já percebeu como tudo é feito nos bastidores. Acorda, Gaspar!
Herculano
17/06/2020 07:50
A BALA DE PRATA E O LENTO MOINHO, por Carlos Brickmann

As afirmações de Sergio Moro não foram a bala de prata que iria liquidar o Governo Bolsonaro. A grotesca reunião do Ministério em que se tratou de tudo, menos de administração e de combate à pandemia, também não foi o tiro decisivo. Bolsonaro buscou apoio nas Forças Armadas, lançou ameaças, disse várias vezes que sua paciência estava finda. Bem, há mais de cem anos o Leão da Metro ruge nas telas, e até hoje nunca feriu ninguém.

Empate? Não: a grande ameaça ao Governo Bolsonaro vem sendo forjada aos poucos. O moinho da Justiça mói lentamente, mas o que mói vira farinha. Bala de prata para que? O maior risco que Bolsonaro corre é ser corroído pelas beiradas, por inquéritos sobre apoiadores, financiadores e movimentos ilegais na campanha eleitoral. O general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo, um dos primeiros a sentir a direção dos ventos, advertiu indiretamente o Tribunal Superior Eleitoral a "não esticar a corda".

O problema é que há mais de uma corda: o inquérito das fake news ameaça o Gabinete do ?"dio, área de propaganda onde se movem com facilidade dois dos filhos do presidente; o inquérito no Rio sobre as rachadinhas, pelas quais um parlamentar se apropria de parte dos salários de assessores, é um risco para Queiroz - lembra-se dele? - que já disse que seu chefe Flávio Bolsonaro de nada sabia, mas que o dinheiro ilegal pagava mais gente para auxiliá-lo.

Talvez surja uma bala de prata, mas não é essencial.

EM NOME DO FILHO

Até agora, sabia-se que no fim do arco-íris dos inquéritos estavam os filhos 01, 02 e 03 do presidente da República - mas isso não era dito por ninguém. O silêncio terminou: o procurador Sérgio Pinel, do Ministério Público do Rio, citou "fortes indícios da prática do crime de lavagem de dinheiro" contra Flávio Bolsonaro. Segundo o jornal O Globo, desde 2003, quando assumiu seu primeiro mandato, Flávio comprou 19 imóveis.

O MOINHO MóI

Há dois inquéritos em que o resultado das investigações é intercambiável: o do TSE, no qual corre o pedido de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, e o das fake news, do STF. Há quem conteste a legalidade do inquérito das fake news, por ter sido aberto no Supremo sem que alguém o acionasse. Mas, quando Sergio Moro deixou escapar a gravação da conversa em que Dilma prometia a Lula que o "Bessias" lhe levaria a nomeação para o Ministério, evitando que os federais o incomodassem, estava na ilegalidade (a gravação foi feita fora do prazo permitido), tanto que pediu desculpas e foi advertido, mas Lula não virou ministro e o Governo Dilma acabou em impeachment. E quem julga a legalidade de um inquérito no Supremo? O próprio Supremo.

VIRANDO FARELO

A constatação de que Bolsonaro ocupou todo o espaço político, a ponto de fazer oposição a si mesmo, vale também para apoiadores e ministros. Sair disfarçado de Ku Klux Klan, grupo racista e criminoso dos EUA, jogar fogos de artifício no Supremo, desafiar um ministro do STF para uma briga de rua... nem se a oposição fosse competente desgastaria tanto o Governo. E aí vem o ministro Weintraub apoiar os desordeiros. Até Bolsonaro, sempre beligerante, disse que Weintraub se tornou um problema. Mas resolvê-lo é difícil. Os filhos do presidente e o escritor Olavo de Carvalho, a quem muito prezam, apoiam Weintraub. Há militares dentro do Governo que adorariam afastá-lo. Olavo ataca os militares, que não reagem publicamente. Curioso é que tanto os que querem manter Weintraub quanto os que querem afastá-lo não discutem seu desempenho na Educação (talvez porque não haja nada a discutir). Discute-se quem manda mais, quem são os favoritos de Bolsonaro.

Para as duas alas e para o ministro, Educação é apenas um detalhe.

MULTA PARA POUCOS

Por decreto do governador Ibaneis Rocha, é proibido andar nas ruas de Brasília sem máscara facial. Bom, os vinte ou trinta ativistas comandados por Sara Winter montaram um acampamento em lugar proibido e ficaram lá por vários dias; quando desalojados, montaram tranquilamente as bases para o lançamento de fogos de artifício contra o edifício do Supremo. Nenhum jamais usou máscara, exceto quando se disfarçaram de Ku Klux Klan, com tochas e tudo, para manifestar-se contra o Supremo. O presidente Bolsonaro cansou de circular sem máscara pela cidade. Aliás, em um mês de vigência da obrigatoriedade da máscara, só três multas foram aplicadas. O terceiro dos multados foi Weintraub, quando se juntou a um grupo de manifestantes.

Por que só ele, e não os manifestantes também? Por que só ele, e não o presidente Bolsonaro, que deveria dar o exemplo? Parece perseguição. E é.

SEM FANTASIA

Cinco partidos (Cidadania, PSB, PDT, PV e Rede) apresentaram pedido de impeachment de Bolsonaro. Não é para valer. Rodrigo Maia vai deixá-lo em banho maria. Só anda se houver uma tremenda crise, além das atuais.
Herculano
17/06/2020 07:28
GOVERNO ATIRA PARA TODOS OS LADOS, MAS NÃO VAI A LUGAR ALGUM, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Questão ideológica pode ser ruidosa, mas inépcia é maior problema do presidente

A fritura de Abraham Weintraub começou no início do mês. Sua ida à manifestação contra o Supremo Tribunal Federal, bem como o seu "já falei minha opinião, o que faria com esses vagabundos", foram deliberada provocação.

Ele refletiu aquilo que Pedro Malan denominou de " presidencialismo de confrontação". Essa marca de Jair Bolsonaro está infiltrada num governo que atira para todos os lados, mas não vai a lugar algum.

Um governo com rumo não teria três ministros da Saúde durante uma epidemia.


Quando Weintraub disse numa reunião ministerial que "por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no Supremo Tribunal Federal", a gravidade não estava nas suas palavras, mas na naturalidade com que foi ouvido.

O ministro da Educassão manteve o nível do clima de churrasco na laje. Nele, além dos palavrões do presidente, o ministro da Economia fez uma suave defesa da legalização da jogatina.

Weintraub chegou ao governo substituindo um professor capaz de dizer que "o brasileiro viajando é um canibal, rouba coisas dos hotéis".

Como ministro, deu-se a cenas ridículas, hostilizou as universidades e o idioma. Com o rótulo de "ideológico", mostrou-se um ruidoso inepto. Atrás dessa marca de fantasia, desfilou trapalhadas, inépcia y otras cositas más.

Durante seu mandarinato, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação teve quatro presidentes. O primeiro patrocinou um edital para a compra de 1,3 milhão de computadores, laptops e notebooks para a rede pública de ensino. Coisa de R$ 3 bilhões.

A Controladoria-Geral da União percebeu que 355 colégios receberiam mais laptops do que seu número de alunos. Aos 255 estudantes de uma escola mineira seriam mandados 30 mil laptops. Não havia ideologia nessa maracutaia.

Apontados os absurdos. O edital foi cancelado. O presidente do FNDE foi embora, como foram embora os dois seguintes, até que esse cofre de R$ 54 bilhões foi dominado pelo centrão. Até agora ninguém contou quem botou o jabuti na forquilha. Apesar de ter sugerido a remessa de "vagabundos" do Supremo para a cadeia, Weintraub não mostrou curiosidade pela concepção do edital.

Bolsonaro acha que a ida do doutor à manifestação de domingo "não foi muito prudente". Vá lá, mas seu silêncio diante do jabuti do FNDE foi mais que imprudente.

Se o governo busca uma saída honrosa para Weintraub, melhor faria anunciando uma entrada triunfal para a revelação do metabolismo que produziu o edital.

O "presidencialismo de confrontação" briga com as instituições e com chargistas, defende remédios milagrosos, flerta com a jogatina e chama Covid-19 de "gripezinha", sabendo que a economia amargará recessão histórica.

A ideologia de Weintraub, como a de Bolsonaro, é irrelevante. Gustavo Bebianno, o general da reserva Santos Cruz e o economista Joaquim Levy foram demitidos sem preocupações cerimoniais e nenhum dos três fez um décimo das trapalhadas de Weintraub. Isso para não se falar de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, que saíram por suas virtudes.

No seu segundo ano de governo, a questão ideológica pode ser ruidosa, mas o maior problema de Bolsonaro está na inépcia.
Miguel José Teixeira
16/06/2020 16:28
Senhores,

"Senador Izalci tem os dois suplentes enrolados em operações da PF.

Primeiro suplente, Belmonte foi alvo de buscas nesta terça, e o segundo suplente, André Felipe, foi preso quarta-feira (10)".

Leia + em:

https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/senador-izalci-tem-os-dois-suplentes-enrolados-em-operacoes-da-policia-federal

Obs.:

1) O Senador Izalci é tucano do Distrito Federal.

2) Já passou da hora de rever o obsoleto sistema de suplência do obsoleto Senado Federal.

3) Pensando bem. . .já passou da hora de extinguir o dispendioso e obsoleto Senado Federal, que, para atender as demandas dos seus 81 membros, existem mais de 3 mil nababos (funcionários públicos?"efetivos e comissionados). . .

E, tais demandas, são quase invisíveis para nós, burros-de-cargas.

O que fazem, efetivamente, os 3 senadores catarinenses?

Por um sistema unicameral, já! E com a redução do número de representantes por cada UF.
Herculano
16/06/2020 15:39
da série: a morte da hidroxicloroquina quando ela sai do mundo de fantasia dos políticos e entra no mundo dos estudos e comparações científicas.

CORTICóiDE DEXAMATASONA REDUZ MORTALIDADE EM PACIENTES GRAVES COM COVID-19, DIZ ESTUDOS

Droga só mostrou benefício em pessoas internadas; Reino Unido começará a usar remédio e estudo brasileiro está em andamento

Conteúdo da agência AFP, do jornal The New York Times e da Folha de S. Paulo. Texto de Everton Lopes Batista. Cientistas da Universidade de Oxford anunciaram nesta terça (16) que um corticosteroide barato, a dexametasona, é o primeiro medicamento que comprovadamente reduz de forma significativa a mortalidade de pacientes com Covid-19 hospitalizados. Os dados são de um ensaio clínico com 6.000 pacientes ainda não publicado em revista científica.

"A dexametasona é o primeiro medicamento que melhora a sobrevivência em caso de Covid-19", disse em um comunicado Peter Horby, professor de doenças infecciosas em Oxford e um dos principais autores do estudo britânico Recovery. "O benefício é claro e amplo em pacientes que estão doentes o bastante para necessitar de tratamento com oxigênio."

O medicamento reduziu cerca de 35% das mortes em pacientes que recebiam ventilação pulmonar mecânica. Nos infectados que precisavam de inalação de oxigêncio suplementar, sem a intubação, a redução nas mortes foi de aproximadamente 20%. Os pesquisadores não viram benefícios em usar o medicamento em pacientes que não precisavam de suporte respiratório.

"O estudo mostrou benefício para quem precisa de oxigênio, os casos mais graves. Não é um medicamento para a parte da população que tem a doença na forma leve", afirma Viviane Cordeiro Veiga, coordenadora de UTI da BP (Beneficência Portuguesa de São Paulo).

Para ela, os dados divulgados são promissores e devem ser confirmados com novos estudos. "Esse é um remédio barato e muito acessível. Sabemos que ele é benéfico para tratar o comprometimento pulmonar causado por bactérias e outros vírus, mas ainda não tínhamos resultados para seu uso contra a Covid-19", diz.

De acordo com Veiga, não há ainda um medicamento específico para a doença. Hoje, o tratamento usual para pacientes em estado grave inclui o suporte de oxigênio, que pode ser feito com a intubação e a ventilação mecânica, analgésicos e sedativos. Por causa de infecções bacterianas que podem surgir, alguns pacientes também precisam usar antibióticos.

Um dos medicamentos testados com maior taxa de sucesso contra a infecção pelo novo coronavírus é o antiviral remdesivir, mas ele é um remédio experimental sem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Segundo Luciano Cesar Pontes de Azevedo, superintendente de ensino no Hospital Sírio-Libanês, a publicação dos dados completos vai ajudar as comunidades médica e científica a entender melhor como o estudo foi feito e avaliar o benefício do medicamento.

Mas, segundo o médico, é provável que o uso do remédio em pacientes da Covid-19 comece a ser incorporado mesmo antes dessa publicação. "É um medicamento de baixo custo e que é utilizado há bastante tempo em pacientes hospitalizados. Conhecemos vantagens e desvantagens", diz.

O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, já anunciou que o Reino Unido começará a administrar imediatamente dexametasona em pacientes com a Covid-19 depois dos resultados desse estudo. "Estamos trabalhando com o Serviço Nacional de Saúde para que o tratamento padrão contra a Covid-19 inclua a dexametasona a partir desta tarde", disse Hancock.

O governo britânico começou a estocar o medicamento meses atrás, porque estava esperançoso sobre o potencial da droga, segundo Hancock, e agora tem mais de 200 mil doses à mão.

Azevedo e Veiga fazem parte de um grupo formado por profissionais de alguns dos principais hospitais brasileiros para testar potenciais terapias para a Covid-19, o Coalizão Covid Brasil. O grupo já testa a dexametasona e, segundo os pesquisadores, o recrutamento de pacientes para o experimento está em fase avançada. Os resultados preliminares devem estar disponíveis até o início de agosto.

Participarão do estudo cerca de 350 pacientes com Covid-19 no estado mais grave. Eles serão divididos em dois grupos: um receberá o tratamento padrão para a doença com a dexametasona e outro grupo ficará com o tratamento padrão, segundo Azevedo.

Mas existem riscos no uso da dexametasona, lembram os médicos. Segundo Azevedo, entre os principais efeitos negativos estão o aumento da glicose e da fraqueza muscular. "Ele deve ser usado com cuidado em pacientes diabéticos", diz.

A hidroxicloroquina, que é amplamente testada para o tratamento da Covid-19 e não mostrou resultados benéficos até agora, pode causar arritmia e diarreia. "São medicamentos com mecanismos diferentes, mas os corticoides não têm esses mesmos efeitos", acrescenta Azevedo.
Herculano
16/06/2020 15:30
da série: retrato da negligência do serviço público Federal

EM HOSTPITAL UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA, NÚMERO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE COM COVID SUPERA O DE PACIENTES COM A DOENÇA, por Diego Amorim

O Antagonista teve acesso a dados restritos que revelam uma situação bastante preocupante no Hospital Universitário de Brasília (HUB) em meio à pandemia: o número de profissionais de saúde da unidade diagnosticados com Covid-19 superou o total de pacientes com a doença.

Até ontem, o HUB havia notificado 42 pacientes e 43 de seus profissionais com Covid-19. Já seria um espanto. Mas, além disso, outros 23 colaboradores do hospital atendidos em outras unidades de saúde também testaram positivo para a doença.

Médicos do hospital denunciam "protocolos defasados" e racionamento de equipamentos de proteção individual. E alertam para o óbvio: eles estão em risco.

A gestão do hospital é de responsabilidade da estatal Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Herculano
16/06/2020 15:07
UMA MÁ NOTÍCIA PARA OS POLÍTICOS E GESTORES PÚBLICOS ESPERTOS E CORRUPTOS DE SANTA CATARINA

POLÍCIA CIVIL E TRIBUNAL DE CONTAS DE SANTA CATARINA FIRMAM PARCERIA NA ÁREA DE INTELIGÊNCIA

Conteúdo da assessoria de imprensa do Polícia Civil, com informações do área de comunicação do Tribunal de Contas. A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) e o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) solenizaram o ato de assinatura do acordo de cooperação técnica para desenvolver e aperfeiçoar as atividades de inteligência desempenhadas por ambas as instituições, no âmbito de suas atribuições. O documento foi assinado na sessão telepresencial do pleno do TCE/SC, na segunda-feira (15), pelo presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública e Perícia Oficial e Delegado Geral da Polícia Civil, Paulo Koerich, e o presidente da Corte de Contas, conselheiro Adircélio de Moraes Ferreira Júnior.

A parceria busca o aprimoramento do trabalho desenvolvido pela Diretoria de Informações Estratégicas (DIE) do TCE/SC, pela Diretoria de Inteligência (DIPC) e pela Coordenadoria Estadual de Combate à Corrupção (Cecor) da Polícia Civil, especialmente no que diz respeito à identificação de condutas ilícitas que afetem, ainda que indiretamente, o patrimônio público. O diretor-adjunto da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e coordenador da Cecor, Rodrigo Schneider, também participou do ato.

Para o Delegado Geral, esta parceria demonstra que as instituições estão irmanadas na defesa do interesse público, principalmente quando se trata de recursos públicos. "A Polícia Civil está à disposição diuturnamente para o cumprimento da legislação vigente", reforçou.

Para o presidente do TCE/SC, o acordo representa um avanço no compartilhamento de recursos humanos e tecnológicos aplicáveis às atividades de controle, por meio do franqueamento recíproco aos sistemas de informações e banco de dados utilizados pelas diretorias de inteligência do Tribunal e da Polícia Civil. "A parceria firmada favorece a implementação de estratégicas de prevenção, detecção e repressão de condutas ilícitas, proporcionando a identificação de riscos comuns, resultando em maior eficiência e efetividade das ações empreendidas", destacou.

O acordo de cooperação prevê que as instituições poderão compartilhar dados e informações sob sua custódia necessárias para a condução de investigações em curso. Segundo o documento, todas as informações serão tratadas com sigilo e cercadas de cuidados necessários para evitar divulgação indevida. O acordo não implica em compromisso financeiro e tem vigência de cinco anos, podendo ser prorrogado. As instituições já realizam trabalho em conjunto em defesa do erário de SC com resultados positivos.
Herculano
16/06/2020 14:44
Ao Miguel

O soldado do clã instalado no ministélio, fala mandalim ao modo Cebolinha. E acha coleto e englaçado. Muitos outlos também
Miguel José Teixeira
16/06/2020 13:50
Senhores,

A Rádio Cercadinho acaba de sugerir ao "capitão zero-zero" uma saída honrosa para o estafeta do ministério da "iducassão":

"Promovê-lo à adido cultural do Brasil na China, visto que, segundo o próprio, ele já domina o mandarim em modo tupiniquim". . .
Herculano
16/06/2020 09:16
ORDENS ABSURDAS, Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

Bolsonaro é contra 'ordens absurdas', mas são dele as ordens e declarações mais absurdas

Tem um probleminha a mais na nota em que o presidente Jair Bolsonaro fala em nome das Forças Armadas e avisa que elas não cumprem "ordens absurdas": é exatamente dele, do presidente da República, que partem as ordens, os projetos, as decisões e as declarações mais absurdas.

Na campanha de 2018, o então deputado do baixo clero já exigia que a realidade e as pesquisas se adaptassem às suas vontades. Se não confirmavam o que ele achava que tinha de ser, acusava os institutos de fraude e só parou de brigar com eles quando a realidade e a sua vontade convergiram e sua candidatura disparou.

Na eleição, Bolsonaro e seu entorno disseram, ameaçadoramente, que só havia uma alternativa: a vitória ou a vitória. Só respeitariam o resultado se ele ganhasse; se perdesse, seria roubo. Um ano depois, já presidente, Bolsonaro fez algo nunca visto no mundo: acusou de fraude a eleição que ele próprio venceu. Acusou, mas não comprovou.

No governo, Bolsonaro manteve a toada. O desmatamento não é o que ele quer? Demite o presidente do Inpe. O desemprego não é conveniente? Cacetada no IBGE. Uma extensa pesquisa mostra que não há uma "epidemia de drogas" no País? Manda a Fiocruz engavetar. Atenção! Estamos falando de Inpe, IBGE e Fiocruz, orgulhos nacionais.

A "ordem absurda" de Bolsonaro que mais teve consequências foi a demissão do diretor-geral da PF, para ele bisbilhotar diretamente as investigações contra filhos, amigos e aliados. Foi por dizer "basta!" e não acatar essa ordem que o ex-juiz Sérgio Moro saiu do governo e deixou uma investigação do Supremo contra Bolsonaro.

Dúvida: se as FA não cumprem "ordens absurdas", o que dizer do general da ativa Eduardo Pazuello diante dos achismos do presidente na Saúde? O isolamento social salva vidas, mas não se fala nisso. A cloroquina foi descartada para a covid-19 até pela FDA dos EUA, mas no Brasil pode-se usar à vontade ?" inclusive os dois milhões de doses imprestáveis para americanos. Só faltava o presidente dar uma ordem absurda ?" e criminosa ?" para invadirem hospitais de campanha e mostrar que, ao contrário do que dizem a realidade e os governadores, estão vazios. Não falta mais!

E que tal mudar a metodologia, e até o horário, de divulgação dos dados da pandemia (agora quase 45 mil mortos e um milhão de contaminados)? O presidente acha mais de mil mortos em 24 horas muito ruim para ele e a reeleição. Então, melhorem-se os números. O Brasil chocou o mundo, mas STF, Congresso, mídia e a comunidade médica e científica não engoliram o que Pazuello engoliu a seco. E o governo recuou.

Outra "ordem absurda": para Abraham Weintraub passar por cima da Constituição e da autonomia universitária e nomear 25% dos reitores federais durante a pandemia. Ou seja: passar uma boiada, fazer caça às bruxas e acabar a "balbúrdia" nas universidades. Mas também não funcionou. As instituições gritaram, o Senado disse não e Bolsonaro revogou a MP relâmpago.

Na sequência, o governo divulgou o balanço da violência em 2019 e excluiu, ora, ora, os dados referentes à polícia, que crescem ano a ano. A alegação foi "inconsistência", o que, ok, pode acontecer, mas o passado condena. O governo esconde números incômodos e os policiais são da base eleitoral e alvo de cooptação por Bolsonaro. Depois de desmatamento, desemprego, covid-19, emprego... foi só um erro técnico?

Bolsonaro está em meio agora a "ordens absurdas" com efeito bumerangue: foi ele quem nomeou Weintraub, que não trouxe nenhuma solução, só problemas. E foi ele quem deu a ordem para as FA não seguirem "ordens absurdas" e "julgamentos políticos" de outro Poder, o que remete ao imperial: "A Constituição sou eu". Há controvérsias. E resistência.
Herculano
16/06/2020 09:05
EM DEFESA DOS ESTUDANTES QUE NÃO ASSISTEM AULAS PRESENCIAIS, MAS PAGAM AS MENSALIDADE COMO SE ELAS ESTIVESSEM SENDO OFERECIDAS EM PERÍODO DE NORMALIDADE.

A União Catarinense dos Estudantes vai ingressar na Justiça contra a Acafe e a Associação de Mantenedoras Particulares de Ensino Superior de Santa Catarina - Ampesc para a recomposição das mensalidade dos alunos durante a pandemia da Covid-19

A UCE alega que muitas aulas estão sendo oferecidas pelas entidades remotamente, algumas delas até com carga horária reduzida, mas as mensalidades continuam com preços inalterados como se fossem as aulas teóricas presenciais e normais, com os custos inerentes a esse tipo de procedimento.

Entre os patrocinadores Ação Civil Pública com pedido de liminar estão o estagiário João Pedro Sansão, que ainda não concluiu o curso de Direito, mas já passou no Exame da Ordem. Ele está associado nesta Ação ao advogado Flávio Busatto Paganini. Eles deverão protocola-la ainda hoje em Blumenau.
Herculano
16/06/2020 08:46
ESTICANDO A CORDA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Para o general Luiz Eduardo Ramos, o Judiciário estará provocando uma reação militar se entender que houve irregularidade na campanha de Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) advertiu que não tolerará mais intimidação por parte do bolsonarismo, originada seja das infectas redes sociais, seja dos movimentos de camisas pardas travestidos de patriotas, seja do primeiríssimo escalão do Executivo.

Ao reagir ao disparo de fogos de artifício contra o prédio do Supremo, feito por bolsonaristas no sábado, o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, ordenou a responsabilização dos delinquentes, citando uma "eventual organização criminosa". O resultado da reação do Supremo não tardou, e alguns celerados já foram presos. Se o bolsonarismo estava testando os limites das instituições democráticas, sabe agora que o preço de tanta desfaçatez é a cadeia. É bom, portanto, que os que inspiram esse comportamento delinquente dos camisas pardas saibam que chegará o dia em que terão de responder por isso. Não à toa, o ministro Dias Toffoli, em nota, disse que as atitudes dos bolsonaristas, "financiadas ilegalmente", têm sido "reiteradas e estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado".

O presidente do Supremo acrescentou que a Corte "se socorrerá de todos os remédios, constitucional e legalmente postos, para sua defesa, de seus ministros e da democracia brasileira". Isso já está acontecendo: correm no Judiciário investigações sobre inúmeras suspeitas que recaem sobre os liberticidas que chegaram ao poder em 2018, desde o financiamento ilegal de campanha até a organização de uma máquina de destruição de reputações na internet. Perto do que já se sabe a respeito disso, o disparo de fogos de artifício contra o Supremo é traque.

Ante essa pressão, não parece ter sido casual que na sexta-feira o presidente Jair Bolsonaro tenha emitido nota para "lembrar à Nação brasileira que as Forças Armadas estão sob a autoridade suprema do presidente da República" e que essas Forças "não aceitam tentativas de tomada de Poder por um outro Poder da República, ao arrepio das leis ou por conta de julgamentos políticos". Trata-se de uma ameaça explícita do presidente de recorrer às Forças Armadas caso algum dos processos que correm contra ele afinal o tire da Presidência. A nota é assinada ainda pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo ?" e ambos se fizeram reconhecer no texto como generais, embora sejam da reserva. Ou seja, há aí a pretensão de indicar uma unidade militar em torno do presidente e de intimidar quem ousa contrariá-lo.

O mesmo fez o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. À revista Veja, o general disse que é "ultrajante" a ideia de que os militares pensem em golpe, mas "o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda". O "outro lado" a que se refere o ministro são as instituições, sobretudo o Judiciário ?" que, na visão do general, estará "esticando a corda" e provocando uma reação militar se entender que houve irregularidade na campanha de Bolsonaro e cassar a chapa. Para o ministro, qualquer resultado que não seja a absolvição do presidente será "casuístico" - logo, inaceitável.

Trata-se de golpismo escancarado. Ora, quem "estica a corda", dia e noite, é o presidente da República. Na quinta-feira, dia 11, Bolsonaro incitou seus seguidores a invadir hospitais para verificar "se os leitos estão ocupados ou não", pois, segundo o presidente, "tem um ganho político dos caras", referindo-se aos governadores, a quem acusa de aumentar o número de mortos pela pandemia de covid-19 para responsabilizá-lo.

É um atentado de múltiplas dimensões. Além de estimular a invasão de hospitais e de colocar em risco a vida dos invasores e dos internados, o presidente, sem nenhuma prova, acusa médicos de forjarem atestados de óbito e governadores de inventarem mortos. Ora, se o presidente estivesse mesmo interessado em saber o que se passa nos hospitais, bastaria acionar seu Ministério da Saúde, que existe para isso, e não atiçar seus seguidores a atuarem como polícia política. "Invadir hospitais é crime ?" estimular também", disse o ministro do STF Gilmar Mendes, lembrando o óbvio.

Como salientou outro ministro do STF, Luís Roberto Barroso, é preciso indicar claramente que "há diferença entre militância e bandidagem". E lugar de bandido, seja ele quem for, é na cadeia.
Herculano
16/06/2020 08:42
TIRANIAS Só SOBREVIVEM PORQUE PESSOAS ACEITAM O ABERRANTE COMO NORMAL, por João Pereira Coutinho, escritor e filósofo português no jornal Folha de S. Paulo

Ontem como hoje, confesso que tenho mais medo desses seres banais do que dos monstros propriamente ditos

1. Foi Hannah Arendt quem popularizou a expressão "banalidade do mal". Quando estava em Jerusalém, cobrindo para a New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann, Arendt concluiu que aquele homem não era o monstro amoral que se poderia imaginar.

Era apenas um funcionário que cumprira ordens sem pensar seriamente no que fazia. Essa explicação de Arendt nunca me convenceu. Motivo simples: Eichmann não era um personagem menor. Era um nazista convicto e um operacional decisivo do Holocausto.

Mas se a análise de Arendt não serve para Eichmann, o que ela nos diz sobre a "banalidade do mal" mantém a sua validade.

Quando falamos do comportamento dos alemães durante o Terceiro Reich, há teses para todos os gostos.

Os alemães colaboraram com o regime (ou, pelo menos, não se opuseram) porque o antissemitismo era endêmico na sociedade.

Os alemães se submeteram a Hitler porque a reverência pela autoridade era um traço de caráter.

Os alemães toleraram a indignidade porque também temiam pelas suas vidas.

Admito que todas essas explicações sejam válidas. Mas a "banalidade do mal", entendida como ausência de pensamento e de empatia, é a mais poderosa.

Que o diga Brunhilde Pomsel, que só agora conheci. O documentário intitula-se "Uma Vida Alemã" e consiste numa longa entrevista com essa mulher, que na altura das filmagens, em 2016, tinha 104 anos. Acabaria por morrer no ano seguinte.

Entendo o interesse pela personagem: não é todos os dias que encontramos uma das secretárias de Joseph Goebbels, o chefe da propaganda nazista. E que nos tem a dizer Brunhilde com uma clareza impressionante?

De início, ela ensaia as explicações clássicas para a submissão: pais autoritários; educação prussiana; medo da ditadura. E ignorância, muita ignorância sobre assuntos políticos.

Mas, depois, nos momentos de confissão mais sincera, tudo que vemos é a mediocridade do pensamento e da imaginação.

Nas vésperas da derradeira vitória eleitoral dos nazistas, em março de 1933, Brunhilde inscreve-se no partido para conseguir um bom emprego.

Depois, já no Ministério da Propaganda, Brunhilde fala do salário (ótimo), dos colegas (simpáticos), das roupas (elegantes), dos móveis (modernos) e até do próprio Goebbels (sempre bem vestido, apesar de coxear).

Nem o fato de ter uma amiga judia, que lentamente foi desaparecendo da sua vida, é analisado com tempo e seriedade. Sabemos que foi assassinada em Auschwitz, no último ano da guerra, e não se fala mais do assunto.

Dizer que Brunhilde Pomsel representa o mal seria ridículo, até porque a própria, aos 104 anos, reconheceu a desumanidade do regime.

O documentário é importante por outro motivo: as tiranias só sobrevivem porque as pessoas banais aceitam o aberrante como normalidade. Essa falha de pensamento, essa sabotagem da imaginação moral, essa redução da ética à mera conveniência pessoal é o sonho úmido dos tiranos.

Ontem como hoje, confesso que tenho mais medo desses seres banais do que dos monstros propriamente ditos.

2. Minha coluna da passada sexta-feira recebeu incontáveis emails. Metade dos leitores entendeu o ponto, que era essencialmente filosófico, concordando ou discordando.

A outra metade preferiu delirar, como se eu estivesse a defender ações do Exército sobre manifestantes, a beleza da Confederação americana ou a biografia de escravocratas. Como dizia o pai de George Costanza, "serenity now!".

Repito, mais lentamente, para o pessoal que tem problemas cognitivos: falar em "tolerância liberal" não significa respeitar igualmente todas as opiniões ou obras que existem.

Significa entender que o espaço público deve ser o mais neutro possível para que as vozes do passado e do presente possam coexistir na sua grandeza ou miséria. Uma sociedade adulta aprende com tais grandezas e misérias, até para evitar repetir os mesmos erros.

Isso não significa que um jornal não possa escolher os colunistas que entende, que certas obras de arte não devam ser discutidas ou que certas estátuas não possam ser removidas para um museu ou para um depósito.

Significa, tão só, que a melhor forma de fazer isso não é pela perseguição de hereges, pela remoção censória de filmes e séries ou pela destruição pura e simples de estátuas ou monumentos. Esses são os métodos dos fascistas, não dos democratas.
Herculano
16/06/2020 08:33
EU NA LIVE DO PSL

Ontem eu participei da live do PSL de Gaspar.

Surpreendi a muitos, principalmente aos que diziam por ai - e estimulados pelo poder de plantão - que sou uma ficção inventada na redação do Cruzeiro do Vale, com 30 anos de circulação e líder de audiência em Gaspar e Ilhota aqui no portal.

Participar da live, não significa concordar com o partido que a patrocinou,ou com o pensamento dele, ou com as pessoas, algumas delas até pré-candidatas por aqui, mas com a pluralidade da sociedade. Essa foi a intenção da contribuição.

Sai um pouco do meu modo recluso onde fico Olhando a Maré (até explico isso em pelo menos em duas oportunidades). Mas, praticamente é nos meus planos, ser o acontecimento de ontem uma exceção. Mas, como são planos, eles sempre mudam. A palavra nunca, não me acompanha.

O nosso erro, muitas vezes, é falar sempre para os que possuem as mesmas virtudes e defeitos que a gente. Eu procuro fugir dessa pegadinha que nos torna tolos de nós mesmos. Dai a surpresa de ontem.

Houve um aumento de audiência significativa da live que é realizada pelo PSL toda segunda-feira às 19h30min. Para mim, nos meus endereços, mensagens de espanto, observações e congratulações. Sinto-me feliz por ter contribuído com o aumento significativo da audiência do evento. Foi mais uma boa experiência. Acorda, Gaspar!

PS. pela transparência, este é o link para assisti-la, se tiver vontade, tempo e paciência para o tema.
https://www.facebook.com/sergioalmeida17psl/videos/575318423166757/?t=1
Miguel José Teixeira
16/06/2020 08:20
Senhores,

Cada macaco no seu galho.

Da Coluna do CH abaixo replicada:

"EXEMPLO NO MINISTÉRIO

O presidente Jair Bolsonaro citou ontem Tereza Cristina (Agricultura) como exemplo de deputada federal que deu certo no cargo de ministra, para responder aos que criticavam o convite a Fábio Faria para assumir o Ministério das Comunicações. "Fábio é da minha quota pessoal", disse."

O presidente desconhece que a Senhora Ministra é graduada em Engenharia Agronômica, portanto tem afinidades com a pasta.

Já o Fábio SS é graduado em Administração. Poderá ser um bom Administrador do Ministério das Comunicações sim, desde que, se assessore de técnicos com conhecimentos afins, caso contrário o baú, infelicidade trará.
Herculano
16/06/2020 08:08
COLUNISTA

Três tempos

1. O Antagonista anuncia: Sérgio Moro estreia como colunista da Crusoé (revista eletrônica).

2. O filho do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, ativista nas redes sociais e chefe informal da comunicação da presidência da República, Carlos Bolsonaro, foi o twitter e lascou:

"Estava trabalhando informalmente há 15 meses. Agora vai trabalhar de carteira assinada. Parabéns, sergio! Esperamos que receba como CPF e não como CNPJ como a maioria dos jornalistas que assim fazem para burlar a lei!"

3. O Antagonista respondeu e retuitou:

"Nem todo mundo é como você: um vagabundo que leva dinheiro público para não trabalhar".

Só para lembrar, Carlos é vereador pelo PSL na cidade do Rio de Janeiro.
Herculano
16/06/2020 07:58
COLUNISTA II

De Xico Graziano, no twitter:

Prestem atenção. Ter aceito ser colunista da Cruzoé significa que @SF_Moro não desistirá de sua luta. Que é a nossa. Por um Brasil liberto do populismo, da corrupção e do autoritarismo. Nem esquerda, nem direita. Decência!!
Herculano
16/06/2020 07:41
UM SERVIDOR COMPETENTE DEVE CONTINUAR NO GOVERNO BOLSONARO? por Joel Pinheiro da Fonseca, economista, mestre em filosofia pela USP, no jornal Folha de S. Paulo.

Saída de Mansueto Almeida ilustra dilema imposto a quadros técnicos do governo

O ajuste fiscal sai enfraquecido com a saída do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida. Bruno Funchal será um sucessor digno, mas só o teste da prática dirá se ele é igualmente capacitado no plano técnico, hábil na relação com Congresso e imprensa e determinado no propósito fiscalista.

E ainda assume - ao contrário de seu antecessor - em um momento no qual conter gastos está muito longe das preocupações do país.

Mansueto insiste que os fiadores do ajuste eram Paulo Guedes e Bolsonaro. Mas eles se beneficiavam da credibilidade que Mansueto trazia ao governo. A agenda Guedes, agora, também se enfraquece.

Isso significa, portanto, reforço para ambições da agenda de investimento público do ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e dos militares, que demanda mais liberdade de gastos do que o fiscalismo estrito recomenda.

Quem também deve estar animado com a possibilidade de mais gastos são as legendas do centrão.

Ninguém cimenta relações com ajuste fiscal. Para quem ainda acredita nas perspectivas da agenda Guedes, cabe perguntar: se o Ministério da Economia entregou resultados tão modestos em 2019, quando tudo estava a seu favor, por que esperar resultados melhores agora, com circunstâncias externas (epidemia), pressão do Congresso, divergências internas e desfalque de quadros todos jogando contra?

Em algum momento do futuro teremos que discutir o que levou tantos empresários e investidores brasileiros a acreditar que um governo tão desqualificado e bagunçado era o veículo ideal para uma agenda econômica que colocasse o Brasil em ordem. Seja como for, para quem entende que os males que o governo Bolsonaro traz ao país - educação, meio ambiente, política social, cultura, instabilidade democrática, degradação do debate público - em muito superam os ganhos possíveis na agenda econômica, a defecção de um servidor competente é bem-vinda.

Bolsonaro impõe um dilema a qualquer quadro técnico: manter-se no cargo, apesar dos absurdos cometidos pelo governo, para ao menos ajudar o país de alguma maneira, ou sair do cargo e parar de dar credibilidade a um governo que não a merece?

É fácil para quem está de fora julgar a decisão de quem fica. Em algum momento, uma linha é cruzada e a permanência em um governo vil é antes um oportunismo de apego ao poder do que um real serviço à nação. Mas cada pessoa traça essa linha em um lugar diferente. Ao que tudo indica, o adiamento de suas pautas prioritárias para um futuro incerto foram o definidor. Outros nomes competentes devem passar pelo mesmo dilema.


E não são só os bons que abandonam o navio. Outra saída que se anuncia é a do ministro Abraham Weintraub. Ministro militante, que até agora não fez rigorosamente nada pela educação, notabilizou-se pelos impropérios e erros de português que comete no Twitter.

Não se sabe ainda quem o substituiria, mas é provável que, saindo o militante olavista, o centrão ganhe espaço dentro da pasta. É difícil pensar num substituto tão ruim ou pior que o ministro atual, mas nesse quesito o governo sempre nos surpreende.

A cada mudança de cargo ou criação de ministério, ganham espaço no governo os quadros políticos em oposição aos quais Bolsonaro se elegeu. O liberalismo econômico perde de um lado, a militância olavista perde de outro. Afasta-se o risco de um impeachment e também o de um golpe. É a virtude do fisiologismo político brasileiro: os extremos são empurrados para fora.
Herculano
16/06/2020 07:36
ATÉ NO PLANALTO HÁ CLAMOR PELA SAÍDA DE WEINTRAUB, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

Apesar dos serviços prestados ao jeito beligerante de governar do presidente Jair Bolsonaro, o ministro Abraham Weintraub (Educação) já encheu todas as medidas e deve ser substituído sem demora. O clamor por sua demissão já é consensual em todo o Palácio do Planalto. Graças ao ministro, pioraram drasticamente as relações de Bolsonaro com o Supremo Tribunal Federal (STF), não há diálogo possível com os meios acadêmicos e ainda se incompatibilizou com todo o Congresso Nacional.

PARTIDO DO EU SOZINHO

A presença de Weintraub na Esplanada dos Ministérios, domingo, irritou o presidente: "Ele esteve lá representando a si próprio e não o governo".

ROTINA DE ABESTADO

A multa de R$2 mil aplicada no ministro, por desrespeitar o decreto que obriga o uso de máscara, deixou o Planalto ainda mais constrangido.

ABRAÇO DE AFOGADOS

Se a formação militar o impede de "abandonar" Weintraub no campo de batalha, Bolsonaro tampouco aprecia o "abraço de afogados".

PEDE PRA SAIR, ZERO UM

O melhor para o presidente, diz um ministro próximo, seria Weintraub pedir para sair. Pouparia o presidente do desgaste da demissão.

VICE MOURÃO AFIRMA QUE 1964 'É PÁGINA VIRADA'

O vice Hamilton Mourão, reafirmou nesta segunda (15) os compromissos das Forças Armadas com a democracia: "1964 fazem 56 anos. É página virada da História", disse. Ele citou o próprio presidente, que disse que os militares não participam de aventura. Mourão afirmou ainda durante entrevista à Rádio Bandeirantes que qualquer tipo de autogolpe "não é, e nem nunca será" a visão de Bolsonaro, e que o presidente sabe que as Forças Armadas não o acompanhariam numa aventura dessa natureza.

MINISTRO Só DEPOIS

Mourão afirmou que a definição de um nome definitivo para assumir o Ministério da Saúde só vai ocorrer após o País vencer a pandemia.

VÍRUS DESACELERA

Mourão avaliou com otimismo os próximos passos do governo. "Está havendo uma desaceleração na taxa de letalidade", observou.

MELHORA GRADUAL

"Estamos abaixo dos 5% . Já estivemos a 7%", disse o vice-presidente na entrevista. "É uma tarefa logística", avaliou.

GOVERNADOR CLEPTOMANÍACO

O governador do Amazonas, Wilson Lima, foi chamado ontem de "cleptomaníaco" pelo conselheiro Ari Moutinho, do Tribunal de Contas do Estado. "Ele consegue transformar vinho em respirador", disse, para se referir à empresa onde fez compra milionária do equipamento.

CONTROLE BAIANO

Ari Moutinho, do TCE-AM, defende a abertura do gás do Amazonas, maior reserva do País, sob controle de um empresário baiano, Carlos Suarez, que fatura no negócio mais de R$100 milhões por mês. Humm...

EXEMPLO NO MINISTÉRIO

O presidente Jair Bolsonaro citou ontem Tereza Cristina (Agricultura) como exemplo de deputada federal que deu certo no cargo de ministra, para responder aos que criticavam o convite a Fábio Faria para assumir o Ministério das Comunicações. "Fábio é da minha quota pessoal", disse.

BRASÍLIA VENCEU

O governo do DF obteve ontem significativa vitória, no STF, ao manter a liminar que suspende decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que pretende tungar R$10 bilhões em razão de interpretação criativa de regra sobre quem deve pagar impostos em transferências da União.

É O CÚMULO

A deputada Soraya Manato (PSL-ES) apresentou projeto de lei para que qualquer atividade desenvolvida por tempos religiosos seja isenta de impostos, inclusive o de renda. Abrange até "atividades lucrativas".

"TRABALHO"

A Comissão do Coronavírus da Câmara dos Deputados confirmou reunião para debater "a atuação de órgãos de controle" na quinta-feira (18). Só não tem convidados confirmados para o debate.

JUSTIÇA BOAZINHA

Por decisão da 20ª Câmara Cível do TJ-MG, a Vivo vai indenizar em R$5 mil, por danos morais, um cliente cujo nome foi injustamente negativado. A merreca apenas empresas como a Vivo continuar maltratando clientes.

FRENTE 'AMPLA' LIMITADA

O PSB aprovou e publicou documento para a questão "urgentíssima" do impeachment de Jair Bolsonaro. O PSB só menciona "impeachment" uma vez na resolução.

PERGUNTA NA RUA

Quando a quarentena acabar, falar mal de autoridade em mesa de bar vai ser ilegal?
Herculano
16/06/2020 07:12
COISA DE DOIDO OU DE ESCOLHAS NAS PRIORIDADES

Já estamos em tempo de campanha

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, não tinha tempo ou seus assessores não faziam chegar a ele um pedido de audiência de um grupo produtivo de Gaspar, como relatei na coluna.

Mas, por outro lado, nas redes sociais os candidatos está se mostrando que ele e o atual vice Luiz Carlos Spengler, PP, possuem tempo de sobra para convidar cidadãos para serem candidatos a vereador nas próximas eleições. Acorda, Gaspar!
Herculano
16/06/2020 07:02
da série: uma negociação sobre novos modelos de trabalho

ENTREGADORES PRECISAM DE DIREITOS, Pablo Ortellado, professor do curso de gestão de políticas públicas da USP, é doutor em filosofia, no jornal Folha de S. Paulo

Entregadores por aplicativo lutam por direitos em vácuo regulatório.
Entregadores por aplicativo que estão se mobilizando por melhores condições de trabalho marcaram para 10 de julho uma paralisação e um boicote. Eles pedem melhor remuneração, seguro de vida, seguro contra roubos e acidentes e equipamentos de proteção contra a Covid-19.

As reivindicações de entregadores encontram-se emparededas entre os aplicativos que consideram que não têm obrigações, pois os entregadores seriam autônomos, e os defensores das antigas proteções do trabalho, que querem enquadrá-los como trabalhadores assalariados.

O trabalho por aplicativo tem características mistas, que, por um lado, lembram o trabalho autônomo (não há jornada e os trabalhadores são proprietários dos meios de trabalho), e, por outro, se assemelham ao trabalho assalariado (aplicativos definem os protocolos e estabelecem a remuneração).

Às vezes é tentador assistir essa nova forma de trabalho com as proteções consagradas do trabalho assalariado, mas, na maioria dos casos, ela simplesmente mataria esse novo mercado de trabalho, que se baseia na flexibilidade da jornada e na redução do custo do serviço.

Com a pandemia e os riscos associados a sair de casa, entregadores se tornaram um trabalho essencial, mas completamente desprotegido.

Não faz sentido, por exemplo, que os aplicativos não sigam nenhum parâmetro para definir a remuneração de entregadores e motoristas que, se medida em horas, muitas vezes está abaixo do salário mínimo, especialmente quando se computam os custos de desgaste e manutenção dos veículos. Também não faz nenhum sentido que as empresas estabeleçam elas mesmas, sem regulação ou supervisão, o percentual que retiram sobre os pagamentos para mediarem a relação entre consumidores e prestadores.

Quando o trabalho por aplicativo foi caracterizado como trabalho assalariado pela corte constitucional da Califórnia, nos EUA, a Uber fez uma contraproposta de regulação que poderia servir de ponto de partida para uma regulação moderna. Entre as inovações propostas, a empresa sugeriu um sistema de representação dos trabalhadores para negociar anualmente a tarifa que remunera os motoristas, emulando, em novos termos, uma negociação sindical em data base.

Maia e Alcolumbre bem que poderiam responder à demanda concreta dos entregadores com uma regulação bem calibrada capaz de proteger entregadores e motoristas sem destruir o mercado de trabalho recém-criado. Seria uma excelente sinalização de consideração a uma categoria que é hoje fundamental para a manutenção do distanciamento social.
Herculano
16/06/2020 06:52
CAPITAL DA MODA INFANTIL

Esta é a notícia do dia: "em um grande galpão, os policiais encontraram cerca de 30 mil peças de roupas, 473 pares de chinelos, 400 etiquetas e 17.500 tags de marcas como Colcci, John John, Calvin Klein e Tommy Hilfiger. Todos os produtos foram avaliados em um preço de venda que gira em torno de R$6 milhões". Uau.

Por que isso não é bom? Para a marca que Gaspar quer ser reconhecida como a "Capital da Moda Infantil".

A Acig precisa se posicionar e tomar atitudes enérgicas contra esse tipo de exposição se não quiser contribuir para contribuir e até naufragar a imagem que quer construir e ver reconhecida no polo têxtil daqui.

Esta não é a primeira vez que isso acontece. E a origem das dúvidas começam na comercialização dos fios, assunto que reiteradamente já foi parar na polícia.

O crescimento exagerado e exibição de riqueza também são denunciadores. Acorda, Gaspar!
Miguel José Teixeira
15/06/2020 19:15
Senhores,

Sob nova direção!

"Reforma administrativa fica para o ano que vem", diz Bolsonaro" (O Globo)

Será que messias está prevendo algo?
Miguel José Teixeira
15/06/2020 18:00
Senhores,

Tempos & Movimentos (II)

"SERGIO MORO ESTREIA NA PR?"XIMA SEXTA-FEIRA COMO COLUNISTA EXCLUSIVO DA REVISTA CRUSOÉ."

- Leia mais em:

https://crusoe.com.br/diario/sergio-moro-estreia-nesta-semana-como-colunista-de-crusoe/
Miguel José Teixeira
15/06/2020 16:44
Senhores,

Sara Giromini finalmente entrou numa fria.

Huuummm. . .parece-me que tem sara giro mini e cérebro micro.

Então, os tais 300 do brasil sempre foram nano-acéfalos!

E se esta colônia de amebas pretendia equiparar-se aos 300 Espartanos, quem será Ephialtes, o traidor deformado, retratado no filme?

Respostas para o gabinete do ódio.
Herculano
15/06/2020 15:12
da série: o oportunismo estampado na realidade

10% DE BOLSONARISTAS NO TWITTER

Conteúdo de O Antagonista. No Twitter, o antibolsonarismo já corresponde a 80% do total de usuários.

É o que diz o último boletim da FGV DAPP:

"Campo que chegou a representar mais de 80% do debate político com expansão da crise tem em comum posição crítica ao governo e à condução durante a pandemia do COVID-19."

Apesar de contarem com uma parcela de menos de 10% de usuários, os bolsonaristas continuam a fazer um barulho danado, com 38,9% das interações.
Herculano
15/06/2020 14:56
O USO E INTERPRETAÇÃO DA MESMA LEI DE ANTES E DE HOJE

A observação é de Xico Graziano, no twitter:

Errado não é prender essa doida, metida à terrorista. Errado era NÃO prender o MST que cometia vandalismo e a imprensa noticiava candidamente atos do "movimento social". A lei é para todos. Antes como agora.
Herculano
15/06/2020 14:53
AI, AI, AI

De Mônica Bergamo, colunista social da Folha de S. Paulo, no twitter:

Ministros são avisados de que Weintraub cai e acreditam que ele pode acabar até preso.
Herculano
15/06/2020 14:27
VINTE DIAS DEPOIS DE TERMINADA A CPI DAS SUPOSTAS IRREGULARIDADES DAS OBRAS DE DRENAGEM DA RUA FREI SOLANO, O RELATóRIO AO GOSTO DO GOVERNO DE KLEBER, do MDB, SERÁ LIDO E ARQUIVADO.

Esta é a principal matéria da sessão de amanhã a noite na sessão ordinária da Câmara de Gaspar: a leitura de duas das 48 páginas do relatório da CPI sobre as supostas irregularidades nas obras de drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho.

O destino dela? Arquivo. E eu mostrei tudo aqui, e só aqui, como isso foi milimetricamente montado - usando o regimento e a maioria que construiu na CPI - pelo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP. Não vou repetir a ladainha que a cidade inteira sabe e incomoda o poder de plantão.

O que o presidente Ciro André Quintino, MDB, dirá amanha quando este assunto virá em pauta e o primeiro secretário da Câmara, Silvio Cleffi, PP terá lido a pauta neste item?

"Destino: o Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito, formalizada pela Resolução nº 89/2019 vai aos Arquivos da Casa, à disposição dos Senhores Vereadores.

Para conhecimento de todos os Vereadores, solicito ao 1º Secretário que efetive a leitura das páginas 47 e 48 dos referidos autos, referente aos Encaminhamentos efetivados pela CPI, com relação ao objeto deste processo".

Então não haverá Comissão Parlamentar Processante. Não há objeto. Restará os vereadores que a pediram, enviar documentos e depoimentos as instituições de fiscalização e que zelam pela probidade administrativa. E aguardar, talvez, por anos. Acorda, Gaspar!
Herculano
15/06/2020 14:08
A BRIGA DO PP: ESPAÇOS.

Entre esses espaços, está o Samae que perdeu. Entre esses espaços está o Samae em caso de vitória de Kleber Edson Wan Dall, MDB, nas eleições deste ano.

Mas, a lista não para ai.
Herculano
15/06/2020 11:38
O PP DE GASPAR ESTÁ VIRADO NUM ALHO COM A COLIGAÇÃO. UMA REUNIÃO NESTE FINAL DE SEMANA, SOBROU ATÉ CAFÉ ENTRE OS ANFITRIõES
Herculano
15/06/2020 11:30
DESCONFORTO NO NÚCLEO DURO DO BOLSONARISMO

Causou repercussão e desagradou a claque mais radical e identificada com o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido. A explicação é de Jorge Antônio de Oliveira Francisco, policial militar da reserva e advogado e atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, que quase susbstituiu o ex-juiz Federal, Sérgio Moro, no ministério da Justiça e Segurança. Jorge no twitter:

"Na entrevista concedida há pouco para a @CNNBrasil, enfatizei a importância de todos os Poderes trabalharem juntos em prol de um Brasil mais respeitoso, eficaz e, acima de tudo, democrático".

VOLTO

Mas o presidente, seus filhos e seguidores não estão exatamente esticando a corda com o Legislativo e agora, principalmente com o Supremo?
Herculano
15/06/2020 10:51
da série: a tempestade perfeita desta segunda-feira. As bolsas no mundo caem por causa dos números ruins da recuperação e porque a pandemia continua ameaçadora. No Brasil, a equipe econômica sofre um baque de peso na condução firme da política fiscal e a bolsa caia em mais de 2,5% às 10h30min. Soma-se a tudo isso o prenúncio de instabilidade político-institucional. Wake up, Brazil!

'FAREI UMA TRANSIÇÃO COORDENADA', DIZ MANSUETO AO CONFIRMAR SAÍDA DO GOVERNO

Secretário do Tesouro prepara a saída para agosto; ao menos quatro nomes estão na lista do ministro Paulo Guedes para o cargo
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Alexa Salomão. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, se prepara para deixar o governo de Jair Bolsonaro. Segundo disse à Folha, desde o final do ano passado já pensava em deixar as funções públicas, mas adiou a saída por causa da crise do coronavírus.

"Eu já vinha conversando com o ministro Paulo Guedes e há algumas semanas disse que anunciaria minha saída no final de junho, mas a informação vazou e tenho que antecipar o anúncio", disse. "Mas não vou sair nos próximos dias, vou sair em agosto porque farei uma transição coordenada", disse Mansueto à Folha.

Mansueto diz que deixa o governo porque precisa descansar. "As pessoas precisam ter em mente que sou o único que estava no governo anterior e permaneceu no atual, estou desde 2016 e não aguento ficar até o final do governo porque eu preciso descansar", afirmou.

Mansueto contou que deixaria o governo no início do ano, no entanto, a crise do coronavírus protelou a decisão. Agora, seria o momento adequado porque está se iniciando uma nova fase para a gestão econômica, a fase que ele chama de pós-Covid e vai demandar medidas para a recuperação e retomada da atividade.

"Ou saía agora, ou não saía, porque é preciso que seja o mesmo secretário acompanhando esse novo momento", disse Mansueto.

Segundo ele, há vários bons candidatos para substituí-lo, mas caberá ao ministro Guedes falar em nomes. "O importante é que meu sucessor vai encontrar uma equipe muito técnica", afirmou.

Segundo a Folha apurou, ao menos quatro nomes já estão na lista que Guedes avalia.

Caio Megale, secretário de Desenvolvimento, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, que já foi secretário de Fazenda no município de São Paulo. Jeferson Bittencourt, secretário especial adjunto de Fazenda da Secretaria Especial de Fazenda, também no Ministério.

Também está na lista Bruno Funchal, que foi secretário de estado da Fazenda no Espírito Santo. Há também uma mulher, a subsecretária de Relações Financeiras Intergovernamentais do Tesouro, Priscilla Maria Santana.

Mansueto disse que ainda não sabe para onde vai e decidirá durante a quarentena, o período de seis meses em que agentes públicos precisam cumprir antes de assumir cargos na iniciativa privada.

"Tem gente dizendo que já conversei aqui e ali. Não é verdade. Seria maluquice eu estar no governo e vendo para onde ir. Vou definir isso na quarentena depois que sair", afirmou. "Mas uma coisa eu já posso garantir vou continuar escrevendo e contribuindo para o debate fora do governo."

Integrantes da equipe econômica dizem que relação de Mansueto com o grupo da economia e com o ministro Guedes é considerada construtiva desde o começo. Uma fonte que falou na condição de anonimato conta que Mansueto, inicialmente, teria acertado que ficaria seis meses, mas acabou estendendo em um ano permanência à medida que ocorriam novas demandas e projetos.

Já estava acertado, inclusive, que ele seria o primeiro a ocupar o cargo de diretor-executivo do Conselho Fiscal da República, um órgão previsto na PEC do Pacto Federativo. No entanto, com a pandemia, as prioridades mudaram a votação de todas as PECs com mudanças estruturais foram adiadas.

O secretário comanda o Tesouro desde abril de 2018. Assumiu a função no último ano do governo Michel Temer (2016-2018). Antes, foi secretário de Acompanhamento Econômico e de Acompanhamento Fiscal do então Ministério da Fazenda, na gestão Henrique Meirelles (2016-2018).

No ano passado, diante de rumores de que deixaria a função, Mansueto afirmou que estava decidido a permanecer no cargo e que era normal que houvesse embates técnicos no ministério.


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Na época, ele disse que o ministro sugeriu sua transferência para o Conselho Fiscal da República, órgão que seria criado com a aprovação das propostas do pacto federativo. Mas afirmou que só se interessa pelo conselho fiscal se pudesse acumular os dois cargos.

"Eu já falei que não me vejo envelhecendo no governo e que Paulo Guedes é o último ministro com quem eu vou trabalhar. Mas, eventualmente, em alguma ocasião, se eu for sair, eu vou avisar com antecedência. Eu vou ficar no governo", disse o secretário em dezembro do ano passado.

No final do ano, Guedes afirmou que o Tesouro Nacional deveria passar por uma troca no comando e que Mansueto deveria acumular o cargo com a liderança do Conselho Fiscal da República e, depois, "decolar".
Herculano
15/06/2020 10:43
PARA 46,4%, O CONGRESSO É 'RUIM OU PÉSSIMO', por Cláudio Humberto na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Levantamento exclusivo do instituto Orbis para o Diário do Poder e esta coluna revela que a maioria dos brasileiros não está satisfeita com a atuação do Poder Legislativo: para 46,4% o desempenho dos parlamentares brasileiros é "ruim ou péssima". Outros 39,5% acham que a Câmara dos Deputados e o Senado têm trabalho "regular" e apenas 7,8% avalia o Congresso brasileiro como "bom ou ótimo".

MELHOROU POUCO

Houve melhora em relação à avaliação em 22 de maio, quando 50,7% disseram que o desempenho do Congresso é "ruim ou péssimo".

REJEIÇÃO RECORDE

Entre os homens, a rejeição ao trabalho do Legislativo é a maior: para 52,9% o desempenho é "ruim ou péssimo".

REGIONAL

A região mais crítica ao desempenho da Câmara e do Senado é o Sul: 50% ruim ou péssimo. A melhor é o Norte com 42,8% ruim ou péssimo.

DADOS DA PESQUISA

O instituto Orbis realizou 4.032 entrevistas em todo o território nacional entre 3 e 5 de junho. A margem de erro é de 1,54%.

TSE PODE 'REQUENTAR' PROVAS DE INQUÉRITO DO STF

O iminente compartilhamento de provas do inquérito das fake news, do Supremo Tribunal Federal (STF) com Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é visto por juristas como uma manobra para "requentar" provas obtidas no inquérito, considerado inconstitucional por muitos deles. Com o envio ao TSE, provas consideradas "imprestáveis" em outras instâncias podem impactar no processo de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

FIO DA MEADA

O ministro relator Og Fernandes pediu opinião sobre compartilhamento de um ministro que é parte interessada: Alexandre de Moraes (STF).

COMPLICADOR

Moraes agora integra o TSE, mas conduz inquérito de fake news no STF, mantendo sob sigilo as supostas provas que se pretende compartilhar.

QUASE INQUISIÇÃO

O STF foi chamado de tribunal de exceção pela ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge por abrir, conduzir e ainda julgar o inquérito.

A CONSTITUIÇÃO SOU EU

Já que Rodrigo Maia, sem diploma universitário, é quem determina a inconstitucionalidade de uma medida provisória, para que a Câmara tem Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com 66 deputados?

NOVA ESPERANÇA

O Hospital da Asa Norte (Hran), de Brasília, que é público, inicia nesta segunda (15) um estudo científico promissor: a aplicação de plasma de pacientes curados de Covid em pacientes que estão tratando a doença.

DEIXA QUE EU CHUTO

Parece até coisa combinada: não há um só dia útil, de segunda a sexta, em que algum ministro ou mesmo o colegiado do Supremo Tribunal Federal (TF) deixe de impor alguma derrota ao governo Bolsonaro.

SEU DINHEIRO

Apesar da pandemia, senadores continuaram a gastança com o cotão parlamentar. Foram R$460 mil, dos quais R$51 mil serviram para fazer propaganda dos mandatos ("divulgação da atividade parlamentar").

APESAR DO BOMBARDEIO

Pesquisa XP aponta que, em relação à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, 31% acham que o pior já passou (contra 22% em maio). O instituto ouviu 1.000 brasileiros em todo o país.

GRANA, SEMPRE

ONGs e deputados de oposição defenderam, na semana passada, criar uma "lei do mar", que define políticas de proteção etc., mas especialmente cria fundos, públicos e privados, a serem geridos pelo Conama, o "conselho nacional do Ministério do Meio Ambiente".

AÍ TEM

A Federação das Operações Portuárias criticou o relator da MP 932, que cria o Sistema S Portuário, deputado Hugo Leal (PSD-RJ) por não estabelecer diálogo. Segundo a Fenop, o relator inseriu na gestão e treinamento de portuários entidades que nada tem a ver com o setor.

INUNDAÇÃO DE CAMPANHA

O partido Democrata dos Estados Unidos anda tão desesperado por votos que inunda até e-mails de cidadãos brasileiros. São cinco e-mails por dia, desde 18 de abril, antes do final das primárias de lá.

PENSANDO BEM...

...quando as coisas melhorarem, difícil vai ser as pessoas ficarem sabendo.
Herculano
15/06/2020 10:35
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O JUDICIÁRIO, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo.

Poder Judiciário é berço de experiências tecnológicas bem-sucedidas no país

Em maio de 2020, em meio à pandemia, foi publicado o estudo mais abrangente até agora sobre o uso de inteligência artificial no Judiciário brasileiro.

O estudo foi realizado em inglês por um grupo internacional de pesquisadores da escola de administração pública internacional da Universidade Columbia (Sipa), sob a supervisão do professor
André Corrêa D'Almeida.

Com o título "The Future of AI in the Brazilian Judicial System" (O Futuro da IA no Sistema Judicial Brasileiro), o texto cobre projetos atuais de AI no Judiciário e propõe uma série de recomendações, inclusive éticas, para sua continuidade futura.

Deveria servir de referência para o Conselho Nacional de Justiça, para o STF e para outros Poderes sobre como pensar a relação complexa entre as ferramentas de IA e o poder público.

O estudo serve também para lembrar que o Poder Judiciário é berço de experiências tecnológicas bem-sucedidas no país. Uma delas é o Processo Judicial Eletrônico (PJe), sistema que permite aos operadores e aos usuários da Justiça realizar todas as principais ações digitalmente.

O PJe abrange hoje 70% da administração da Justiça no país e é resultado de esforço e foco de muitos anos.

Se toda a administração pública do país fosse similar ao PJe, os serviços públicos ficariam mais perto dos padrões da Estônia, líder global em serviços públicos digitais.

Pelo PJe, os atos podem ser feitos digitalmente, incluindo a entrega de documentos, sem necessidade de ir fisicamente ao Judiciário. Tudo sem papel. Isso gera uma base de dados relevante, que permite aprimorar a gestão e fomentar a inovação nos setores público e privado. O Judiciário brasileiro só pode pensar em inteligência artificial de forma concreta porque antes criou o PJe.

Um dos defeitos do PJe, no entanto, é justamente depender do vergonhoso Certificado Digital, que é pago. Ele é exigido para "certificar" a identidade dos usuários, que pagam até R$ 250 por ano para isso. Outras formas de identificação mais eficientes, baratas, seguras e includentes são possíveis hoje.

Outro destaque do avanço em inteligência artificial no Judiciário é sua abertura para inovação descentralizada. Por exemplo, o sistema Sinapses foi desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO). Em 2017, preocupados com a demora nas decisões, o TJ-RO começou por conta própria a criar um modelo para gerar aplicações de inteligência artificial.

O modelo não só deu certo como começou a produzir resultados concretos. Em 2018, o Sinapses foi então nacionalizado pelo Conselho Nacional de Justiça e hoje é referência para o desenvolvimento de IA no Judiciário.

Essa história merece ser conhecida. Mostra um tipo de inovação que dá certo no país e o pioneirismo que muitas vezes vem de longe dos "grandes centros".

Os sucessos colhidos pelo Judiciário demonstram que é possível digitalizar todo e qualquer serviço público, inclusive na administração pública federal. Foco, planejamento, abertura e cooperação descentralizada ajudam.

Mais do que isso, é preciso pensar em boa governança. Digitalização nunca é só uma inovação técnica. É uma inovação também administrativa e de recursos humanos. E é, sobretudo, uma inovação ética, de compromisso com o interesse público.

Reader

Já era

TV que pega apenas sinal de TV

Já é?

TV conectada com aplicações de streaming já de fábrica

Já vem?

TV conectada com canais de e-sports (esportes eletrônicos) de fábrica
Herculano
15/06/2020 10:33
PRESA POLÍTICA

De Rodrigo Constantino, no twitter:

Sara Winter era uma radical do Femen, virou uma radical bolsonarista que estava basicamente clamando para ser presa. Postura assim só contribui para colocar algozes do STF como vítimas. A tática do establishment é tratar todo crítico legítimo como um radical. Ela ajuda.
Herculano
15/06/2020 10:31
da série: greves, pandemia acelera a tecnologia e criatividade

WHATSAPP COMEÇA A PERMITIR PAGAR E RECEBER DINHEIRO NO BRASIL

Conteúdo da CNN Brasil. Texto de Fernando Nakagawa. O aplicativo de mensagem mais popular do Brasil começa permitir, a partir desta segunda-feira (15), pagar contas ou mandar dinheiro como se você estivesse enviando uma mensagem. Com isso, também vai ser possível receber dinheiro da mesma forma.

No início, os pagamentos poderão ser feitos por usuários que tenham conta no Banco do Brasil, Nubank e Sicredi. Nessa transação, o dinheiro vai ser transferido a partir do cadastro do cartão de crédito ou débito do cliente. A empresa diz que o programa é aberto e novos bancos que poderão entrar no futuro. Os pagamentos serão processados pela Cielo, empresa de meio de pagamentos.

Segundo o Facebook, que é dono do WhatsApp, o envio de dinheiro será por uma nova opção no menu em operação semelhante ao envio de uma imagem. Será necessário informar uma senha de seis dígitos ou usar a biometria do celular para autorizar cada transação. A intenção é evitar que a ferramenta seja usada indevidamente.

O envio de dinheiro ou pagamento de contas por pessoas físicas não terá pagamento de nenhuma taxa. As empresas que receberem o dinheiro, porém, pagarão uma taxa de processamento para receber pagamentos dos clientes. O processo será como o já feito por comerciantes que aceitam cartões. Segundo o Facebook, o novo recurso começa a ser oferecido gradualmente até que todos os usuários no Brasil tenham acesso à ferramenta.
Herculano
15/06/2020 10:30
DERRUBANDO ESTÁTUAS, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

O ethos linguístico das redes sociais deixou o debate público burro e covarde

Há muito que a atividade do pensamento é uma atividade de risco. Existe uma pauta que paira sobre nossa cabeça: pensar de modo correto, apoiar as causas corretas, do contrário você será objeto de cancelamento, linchamento, perda de espaço profissional e de amigos.

De todos os vícios, o mais adaptativo é a covardia. A fúria pra se provar "corretx" nunca foi tão furiosa.
Com as redes sociais, o mundo do pensamento ficou mais burro, tecnicamente falando: o ethos das redes é ter uma linguagem agressiva, infantil, pobre e polarizada. Isso engaja.

Para emitir uma opinião que não apresente tais características, você tem que ter um pouquinho da coragem de um Churchill, um Colombo, um Stálin ou um Borba Gato. Mas, figuras como essas são de difícil compreensão para uma mente cunhada numa linguagem agressiva, infantil, pobre e polarizada. Diga-me como falas e te direi quem és. Dizendo numa linguagem técnica: o ethos linguístico das redes sociais deixou o debate público burro e covarde.

Exemplos claros desse tipo de linguagem do ethos de redes sociais (que contaminou o jornalismo, a política e a gestão pública). Se você critica o inapto governo Bolsonaro você é "comunista!" (de todos os xingamentos atuais, o mais chique, afinal, Lênin, Stálin e Trotsky tinham charme no seu estilo de massacrar pessoas em nome da causa do bem social); "fascista!", se você critica a gangue do PT; "racista!" (hoje o xingamento mais mortal), se você critica, em nome do patrimônio histórico, o ato de derrubar estátuas.

Mas, a irracionalidade corretamente motivada está nas ruas. Se você quer abrir o comércio, algum cientista de ocasião dirá que você é ganancioso. Se você se aglomerar no mundo inteiro aos milhares por uma causa justa (combater o racismo e a violência policial é uma causa justa), o cientista de ocasião dirá que nesse caso pode. O gestor público dará autorização oficial e a mídia, sua bênção moral. Afinal, só escrotos não são contra o racismo hoje.

O que alguém minimamente normal pensará no silêncio de sua solidão confinada? A epidemia é, afinal de contas, mais política do que viral. Por quê? ?"bvio: ganancioso passa vírus e mata o outro, bem-intencionado politicamente não passa vírus e não mata o outro.

Ou: entendi! Existem causas pelas quais vale morrer! Mesmo que seja matando alguém que nada tinha a ver com ela. A velha ética das guerras. Que os cientistas de ocasião cessem os pedidos universais por confinamento e determinem de uma vez o que vale acima da epidemia.

O que faz o coitado do jornalista ou do intelectual público? Trai a contradição epidemiológica clara do cientista de ocasião, do gestor público e da mídia? Diz que destruir estátuas (patrimônio histórico) é coisa de gente ignorante? Ou põe o rabo entre as pernas e repete as frases, análises e julgamentos adaptados ao mercado das profissões e eleições?

O rabo entre as pernas deveria ser objeto de algum escultor que fizesse uma estátua em homenagem a essa atitude que é a mais adaptada da história do mundo.

Em 1918, na Filadélfia, creio, uma manifestação em meio à Espanhola para motivar os jovens americanos que iam lutar contra os cruéis alemães ampliou o número de mortos pela gripe na semana seguinte.

Pergunta: será que alguns dos cientistas de ocasião terão um pouquinho da coragem do Churchill, do Colombo, do Stálin e do Borba Gato para investigar em que medida as manifestações contra o racismo (sem dúvida justificáveis politicamente) espalharam mais o coronavírus? Duvido. O ethos hoje
é covarde em sua essência.

Que tal queimar os livros do Rousseau ou Voltaire, já que eles, aparentemente, investiram, em algum momento, no tráfico de escravos? Ou mesmo derrubar o Coliseu porque ali escravos gladiadores se matavam enquanto o "povo" entrava em êxtase? Ou queimar os livros de Marx, já que ele, ainda que judeu, fosse um antissemita convicto? Ou destruir todas as estátuas gregas e as pirâmides do Egito, já que ali todos os ricos viviam às custas dos escravos? O que nos dizem os historiadores de ocasião?
Herculano
15/06/2020 10:28
O "CENTRÃO" NÃO SERÁ LIBERAL CONSERVADOR APENAS POR APOIAR O GOVERNO, por Carlos Junior, no Instituto Liberal

A aproximação entre o presidente da República e o bloco conhecido como "Centrão" - ou parte dele - está dominando as manchetes dos jornais, os discursos oposicionistas e as narrativas de muitos que um dia o apoiaram e agora apontam o dedo para ele e dizem: você nos traiu. A quantidade nada desprezível de cargos indicados por parlamentares do PP, do PSD, do PL e do Republicanos é um prato cheio para os críticos que desejam compará-lo com o Jair Bolsonaro antes de assumir o governo.

Antes de dar o meu juízo de valor sobre esse movimento governista - que os leitores mais atentos dos meus artigos estão esperando há tempos - e colar na testa dos envolvidos o selo disto ou daquilo, os fatos existem e precisam ser destrinchados. A análise dos acontecimentos em quase um ano e meio de governo Bolsonaro joga luz na escuridão dos palpites ideologicamente motivados, muito bonitos na retórica, mas desprovidos de veracidade. É com base nos fatos que quero destrinchar de vez esse assunto.

Jair Bolsonaro foi eleito presidente em uma eleição totalmente atípica, pois foi em 2018 que a direita tinha um candidato após 30 anos de completa ausência na política nacional. Décadas de hegemonia esquerdista excluíram os liberais e conservadores das universidades, da mídia, do mercado editorial e, por fim, da vida pública. Os governos tucanos e petistas fizeram da esquerda a única corrente ideológica no país e as velhas oligarquias patrimonialistas tiveram que "dançar conforme a música" para continuarem desfrutando das benesses geradas pelo controle do Estado. Vencer uma eleição com a alcunha de direitista era praticamente impossível no Brasil e quem assim desejasse teria de enfrentar os donos do poder para lograr êxito, como o presidente Bolsonaro.

Em português claro: Jair Bolsonaro foi eleito para derrubar o establishment. Qualquer outra coisa diferente disso seria jogar fora a promessa de tombar o status quo.

No começo do governo vigorou exatamente aquilo que foi prometido em campanha: nada de "toma lá da cá" ou indicações políticas. O governo não teria base aliada justamente por não fazer o velho presidencialismo de coalizão, no qual o presidente chama as bancadas dos respectivos partidos para comporem a base em troca de ministérios, cargos e privilégios. Bolsonaro buscou diálogo com as frentes parlamentares tendo como ponte o ministro Onyx Lorenzoni, então responsável pela articulação política do Executivo.

Como aprovar projetos de seu interesse sem "vender a alma"? O presidente Bolsonaro apostou tudo na pressão popular, pois a sua militância representou - e representa - uma grande fatia da sociedade brasileira, além de ser bastante ativa nas redes sociais. O establishment não fez favor algum em aprovar a Reforma da Previdência, como dizem alguns; apenas cumpriu o seu papel de chancelar os interesses dos representados por ele. A Constituição é clara no art. 1, § 1: ''todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". As vontades particulares do Congresso de nada valem ou interessam estando em conflito com as do povo que os elegeu, o poder legítimo e soberano. Com esse pensamento a guiá-lo, o governo procedeu dessa maneira no trato com o Legislativo nos primeiros seis meses do ano passado.

Porém, a estratégia foi abandonada. O deputado Rodrigo Maia (DEM-AP), na qualidade de presidente da Câmara, fez o possível e o impossível para arrumar confusão com o governo. Foi a público diversas vezes para dizer que estava faltando articulação por parte do presidente Bolsonaro - sem nunca esclarecer qual seria essa tal articulação - e colocou a Reforma da Previdência em xeque. Muitos críticos, incluindo liberais, endossaram as críticas do sr. Maia e pintaram Bolsonaro como um troglodita incomunicável com o restante do mundo. Se o Congresso impôs severas derrotas ao governo e o próprio foi obrigado a ceder, a culpa é também de quem legitimou o desgaste inicial.

Bolsonaro resolveu depois encher o seu governo de militares. Não tenho preconceito algum para com os homens de farda, mas os que compõem a atual administração já deram provas inequívocas de não saber absolutamente nada da política. Ainda estão presos em 2016. Acreditam piamente na possibilidade de "tucanizar" o governo mediante a adoção da tecnocracia como norte e assim fazer sua imagem melhorar perante a mídia e a opinião pública, com ótimos resultados econômicos e pronunciamentos politicamente corretos. Esquecem-se dos motivos, das promessas e dos ideais que levaram Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Daí o general Luiz Eduardo Ramos começou a ver-se como o Cardeal Richelieu da articulação política - e temos a presente situação. O presidente Bolsonaro nunca teve os poderes da sua posição, pois, além de o establishment atrapalhar o seu governo de todo jeito, ele e seus filhos sabotaram a si próprios ao não apoiarem iniciativas como a CPI da Lava Toga.

Minha opinião? O presidente Bolsonaro assume algumas coisas com esse movimento: (I) que nada fez até agora contra seus inimigos reais, (II) suas promessas de campanha estão sendo sabotadas pelos próprios integrantes do governo e (III) que ao invés de desferir um golpe de misericórdia contra o estamento burocrático, o presidente preferiu acomodar-se a ele. Suicídio completo.

Se ele formar uma base sólida e aprovar as reformas liberais de que o país tanto precisa passada a pandemia e sem o advento da corrupção de outros carnavais, não será de todo ruim. Entretanto, o Centrão é por natureza a força política do status quo e, como tal, não se empenhará em defender as pautas culturais do liberalismo e do conservadorismo. O que disse algum partido do bloco contra o Foro de São Paulo, contra o globalismo, contra a aliança petista com as FARC e contra o estatismo massacrante dos donos do poder? Absolutamente nada. Apoiar pautas vitais de reformas econômicas não é o mesmo que virar liberal da noite para o dia.

Falo como conservador moral e liberal econômico e em certos conceitos políticos também. Falo como apoiador fiel do governo - e isso me custou muitas amizades e empregos negados. Ainda há tempo de o presidente Bolsonaro assumir o seu posto e desfazer os erros de seu governo, mas para isso é necessário dar o primeiro passo. O "Centrão" não é o seu aliado."

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