CPI das dúvidas da obra da Frei Solano. Está cada vez mais claro nos depoimentos e coletas de provas que foi projetado, licitado, contratado, fiscalizado e pago uma coisa e executado outra - Jornal Cruzeiro do Vale

CPI das dúvidas da obra da Frei Solano. Está cada vez mais claro nos depoimentos e coletas de provas que foi projetado, licitado, contratado, fiscalizado e pago uma coisa e executado outra

11/05/2020

A base do governo Kleber na CPI já indicou e vem manobrando contra o relatório oficial do vereador Cícero Giovane Amaro (PL). Ele já deu pistas que vai apontar essas anomalias diante das evidências técnicas e incoerências de procedimentos que diz ter encontrado durante a CPI

Nesta quarta-feira acontecerá nos pontos críticos da rua as inspeções – com ajuda de uma especializada contratada pela CPI

Os políticos do governo Kleber são contra a inspeção. Eles chegaram a espalhar na cidade que se destruiria a rua e com isso se aumentaria custos, atrasaria ainda mais a obra. Não querem que se provem os eventuais erros que se escondem debaixo da terra

Um jogo esperto de comunicação dos aliados do governo Kleber para desmoralizar e desqualificar a CPI e os vereadores que a pediram


A CPI tenta provar que se projetou, licitou, contratou, fiscalizou e se pagou uma coisa, mas se executou outra que teria preços diferentes. Os governistas acham que a prefeitura tinha liberdade para fazer isso. Por isso, querem que o relatório seja o deles e não o do relator. Querem que o relatório referende essa tese. Tudo para enterrar depoimentos e documentos e assim livrar o governo Kleber de responsabilidades administrativas e jurídicas.

A base do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e de Luiz Carlos Spengler Filho, PP, na Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara de Gaspar tenta melar nos discursos, entrevistas sem perguntas e unicamente de forma política, às polêmicas dúvidas técnicas nas obras de drenagens e reurbanização da Rua Frei Solano, no bairro Gasparinho.

E para isso, faz de tudo, e de há muito como relato na coluna para o portal e para o jornal Cruzeiro do Vale que completa 30 anos de circulação, para desqualificar os procedimentos técnicos que devem sustentar o relatório do vereador Cícero Giovane Amaro, PL. Esta tem sido a tônica nas manobras regimentais possíveis nas últimas três reuniões da CPI realizadas nas duas últimas semanas na Câmara de vereadores de forma virtual e presencial.

Estas dúvidas nas obras de drenagens da Rua Frei Solano, praticamente só apareceu – o tempo todo - para os gasparenses aqui nesta coluna e tem sido líder de audiência.

Ela é fruto da arrogância, intimidação, constrangimento, intolerância e principalmente da barbeiragem político-administrativa dos que orientam o governo Kleber. A turma de “çabios” agora descobriram que a coluna – antes ela não era lida por ninguém, alegava-se - é esclarecedora e um “perigo” para eles. Esse pessoal também quer o meu silêncio por meio de constrangimentos, intimidações e processos. Está difícil porque tenho casca grossa. E não sou o único. Para eles, os gasparenses precisam continuar cegos, surdos e mudos aos questionamentos e debates do poder de plantão.

Volto.

As obras de drenagem e reurbanização da Rua Frei Solano foram executadas inicialmente pela própria prefeitura em meio a um tumulto que arrumaram com vereadores na Câmara para aprovar financiamentos sem muitas explicações.

Depois usaram da mesma tática de constrangimento para passa-las para o Samae. Era o sinal de que alguma coisa errada havia. E o Samae está lá e até hoje não as terminou. Ele contratou empreiteiras, uma delas – a Engeplan – corrida de lá mesmo estando ela dentro do cronograma contratado como demonstrou o depoimento com dados sólidos à CPI – incluindo a perseguição - do seu engenheiro e reportado aqui.

São quase dois anos de enrolação, falta de transparência, agonia para os moradores e comerciantes em uma obra simples e que a prefeitura não quer ver debatida ou esclarecida com a comunidade.


Engenheiros da Dinâmica – empresa que auxilia os vereadores na CPI  - estiveram na Rua Frei Solano mapeando os pontos de inspeção que farão esta semana na obra

UMA CPI QUE O PRÓPRIO GOVERNO KLEBER CRIOU POR TEIMOSIA DOS SEUS “ÇABIOS” E ENFRENTAMENTO PARA IMPEDIR À TRANSPARÊNCIA

A CPI foi pedida pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, morador do bairro. E ele só fez isso, vejam bem, não porque é da minoritária oposição a Kleber, mas porque é função do vereador fiscalizar os atos do prefeito. Ela foi pedida, principalmente, porque Kleber e seus “çabios” zombaram, repito, zombaram, ao extremo não só do vereador, mas da prerrogativa da Câmara de pedir informações ao Executivo sobre a obra.

Se não tinham nada para esconder, por que escondiam? Agora, se sabe que tinha razão em esconder. E se tinha razão em esconder, por que partiram para o enfrentamento e lá no início não corrigiram o que se podia corrigir? Por que esconderam provas e agora não querem perícias daquilo que se esconde debaixo da terra?

Desdenhar quem queria explicações do governo Kleber tem sido a tônica do prefeito e principalmente da equipe para a qual ele é refém. Na outra ponta se contrapõe com propaganda enganosa nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Ao mesmo tempo, tenta demonstrar ter poder sobre as instituições de fiscalizações fazendo delas meras peças decorativas.

Reforço. Dionísio só pediu a CPI depois de ver seus sucessivos requerimentos ao prefeito para esclarecimentos das dúvidas das obras da Frei Solano serem postergados pelo prefeito Kleber. Um deles, o prefeito só atendeu via mandato judicial. E mesmo assim, incompleto num desatino contra a ordem judicial que ficou por isso mesmo. Zombaria. Nem ordem judicial contra ela se respeita na prefeitura. Exige-se dos outros.

E agora, depois dos depoimentos e documentação coletadas, entende-se bem a razão desse comportamento de Kleber e sua equipe neste assunto, que pior, pode permear muitos outros. Estavam escondendo coisas que não tinham explicações. Alguns defeitos técnicos ou procedimentais até corrigiram no decorrer do processo. Entretanto, a maior parte ficou exposta.

O próprio Ministério Público neste caso, por exemplo, acionado, enviou engenheiros peritos de Florianópolis e viu irregularidades.

Entretanto, alegou que não poderia ser conclusivo, pois as possíveis falhas denunciadas já tinham sido enterradas. É isso mesmo. E o governo Kleber? Comemorou! Vergonha. Agora, a CPI quer pontualmente inspecionar essas dúvidas. Kleber e os seus não querem. Dizem que isso causaria enormes prejuízos a cidade. E que os culpados desses “enormes” prejuízos à cidade seriam dos vereadores Dionísio e Cícero.

E por que dessa súbita e esperta culpa aos vereadores que nada executaram a obra de forma torta e pouco clara? Tudo para os supostos erros continuem escondidos em novos laudos como aconteceu com o MP. Tudo para se comemorar mais uma vez. E se duvidar, até processar quem ousou esclarecer e mexer no cadáver enterrado para ver a causa da morte dele. Esta é verdadeira Gaspar que está no poder de plantão, que é capaz de correr com uma empreiteira de 51 anos de trabalho para que tudo fique entre poucos.


Por mais de duas horas, os técnicos tentam esclarecer pontos das respostas do questionário escrito que responderam aos vereadores em reunião no plenário da Câmara de Gaspar

DESENTERRAR OS SUPOSTOS ERROS

A CPI interrompida pela Covid-19, terá que estar concluída no dia 26 de maio. O relatório de Cícero está marcado para ser apresentado no dia 20. Provavelmente ele será votado no dia seguinte. O calendário ainda está em aberto. E o governo de Kleber possui os dois votos para rejeitá-lo – pois o presidente Dionísio Carlos Bertoldi, PT, só votaria em caso de empate, e como a comissão é de quatro membro, não há possibilidade de empate.

Os vereadores do governo na CPI e que são advogados também, Francisco Hostins Júnior, MDB e Roberto Procópio de Souza, PDT, já sabem que por tudo que rolou, se levantou, se questionou, se provou na CPI, não terão um relatório favorável ao governo.

E aprová-lo com ressalvas ou emendas, é o mesmo que assinar a confissão de Kleber para o erro. E isso está fora de qualquer cogitação. Também já antecipei isso aqui. Virá um relatório do governo, afirmando que eventuais erros não causaram prejuízo e se há culpa, ela terá que ser do mordomo. Esse é o que valerá e vai para o caixão, sem flores e sem velório em tempo de Covid-19.

Há quem diga que o relatório dos vereadores do governo já esteja pronto. Só falta arremates que virão da visita as obras nesta semana.

E por duas vezes Hostins insistiu a Dionísio datas para apresentação de emendas ou um relatório paralelo com a respectiva votação. Há sinalização maior de que os vereadores de Kleber não consideram o relatório oficial de Cícero como possível? Na Câmara de Vereadores de Gaspar até as baratas sabem disso. Com os vereadores que troquei mensagens, incluindo os da Comissão a impressão é a mesma e não é de hoje, mas quando nasceu a própria CPI e o governo a golpeou, legal e regimentalmente para possui a maioria

Dionísio está esticando esse assunto para que ele não torne um impedimento a outros procedimentos. Disse que que resolverá esta semana. Contudo não há muito o que fazer contra a pretensão dos vereadores de Kleber. Está na lei. Eles podem fazer o relatório deles, aprovar com os votos deles e dar a CPI o fim que bem entender.

E o relatório de Cicero? Ou ele joga no lixo, ou então protocola como peça para inquérito no Tribunal de Contas do Estado, no Ministério Público e até no Gaeco. Até lá, Gaspar continuará a mesma. Acorda, Gaspar!

A CPI EM DEZ NOTAS

1. A engenheira fiscal pela prefeitura da pavimentação da Rua Frei Solano, Mariana Andreazza Bernardi Diehl mais uma vez não apareceu para depor na semana passada à CPI. Foi lhe enviado um questionário.

2. Durou mais de duas horas as explicações dos engenheiros da empresa Dinâmica contratada para auxiliar tecnicamente os vereadores no entendimento de depoimentos e documentação. Haverá mais uma lição de casa.

3. O sistema que grava e disponibiliza sessões e reuniões da Câmara de Vereadores de Gaspar é um verdadeiro desastre e contra a transparência.

4. Quem quis acessar as gravações neste final de semana, mais uma vez teve que pedir por santos e espíritos. E olha que esse negócio não é barato e tem até gente responsável paga com o dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses. Um dos dois não funciona. E faz tempo.

5. O engenheiro Ricardo de Freitas, fiscal de parte das obras da Frei Solado, foi nomeado pela prefeitura como o técnico para acompanhar as diligências técnicas que os vereadores da CPI estão fazendo com a assistente técnica, a Dinâmica.

6. A certa altura, o engenheiro Ricardo admitiu que as caixas de inspeções da Frei Solano deveriam estar acessíveis desde que foram implantadas e não cobertas por asfalto como estão. Agora, a prefeitura terá que localizá-las e recortar o asfalto para abri-las e assim elas servirem à função para a qual foram construídas. Cada coisa. Mais custos. E desses a prefeitura e os vereadores não falam nada.

7. A Anotação de Responsabilidade Técnica pode ser metida a qualquer momento da obra, até mesmo depois do término dela, como admitiu a empresa Dinâmica. Depende do engenheiro que assume a responsabilidade, mesmo não tendo acompanhado a obra.

8. Outro ponto controverso esclarecido pela Dinâmica que auxilia os vereadores da CPI. O executor não pode mudar um projeto se não houver concordância do autor ou do fiscal do autor. Então a prefeitura está lascada de novo.

9. Fazer base berço de concreto ou de rachão para receber os tubos são técnicas diferentes e com custos diferentes. Ou seja, implica em preços finais diferentes.

10. Igualmente são técnicas construtivas diferentes com custos diferentes entre si selar as juntas dos tubos com argamassas ou com bedin (espécie de tecido).

11. São técnicas diferentes, custos e resultados diferentes construir caixas em concreto armado ou com tijolos que substituem forma de madeira para o concreto.

12. O maior problema do projeto, quando ele apareceu, pois no início nem se tinha ele, foi à falta de levantamento e sondagens de solos. O tipo de solo encontrado, é usado para tecnicamente justificar e mudar o que supostamente foi projetado, licitado, contratado e fiscalizado como se nada tivesse sido feito diferente do projeto, pago conforme o projeto e não o executado.

13. Nos depoimentos, nos esclarecimentos e na documentação disponível está claro para os membros que pediram a CPI de que não havia projeto, se havia ele não foi obedecido, e não tendo critério, fiscalização a obra ganhou contornos de informalidade, que com a CPI foi minimamente formalizada para justificar as mudanças e até os custos, que ainda geram muitas dúvidas.

14. Para os membros que pediram a CPI ou a prefeitura e a primeira empreiteira fez do jeito que ela bem entendeu porque não existia projeto, mas uma ideia e necessidade, ou o projeto foi ignorado.

Transparência e prestação de contas de Kleber com a sociedade é nula. Isso é repetido, proposital e se trata de uma forma do governo


Só depois de mais de 40 dias o prefeito Kleber (à esquerda) anunciou quanto os gasparenses contribuíram com o Fundo da Saúde para o Pronto Atendimento e UTI do Hospital, cujo secretário interino é Carlos Roberto Pereira (à esquerda)

Hoje estamos no dia 11 de maio. Sabe quando, os gasparenses poderiam optar por doar parte do desconto do ITPU de Gaspar para o Fundo Municipal de Saúde para se aplicar no Pronto Atendimento, a UTI e outras melhorias no Hospital de Gaspar numa campanha de origem da Câmara de Vereadores?

A primeira vez e de forma integral no dia 28 de fevereiro. Ou seja, há mais 70 dias. A segunda oportunidade aconteceu no dia dez de março. Ou seja, pouco menos de dois meses atrás.

Mas, só na sexta-feira passada, dia oito de maio, ou seja, quase dois meses depois da coleta da promoção pingar no caixa da prefeitura e da secretaria de Fazenda, é que oficialmente, o governo eleito de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, e do prefeito de fato, o secretário da Fazenda e Gestão Administrativa onde este assunto é apurado, e agora, também, interinamente na Saúde, local onde esses recursos serão gerenciados, Carlos Roberto Pereira, MDB, anunciou que a arrecadação nesta promoção chegou aos módicos R$47.290,96, vindas de 1.117 pessoas físicas ou jurídicas.

E olha que o sistema da prefeitura que emite os carnês e controla a cobrança é computadorizado. É programa caro e sofisticado – apesar de um simples atendente já ter entrado lá e alterado os dados num escândalo abafado há dois anos. E tudo é on-line. Ou seja, na hora em que o dinheiro está pingando no caixa já se sabe quem está fazendo isso e quanto ele está destinando ao Hospital.

Na pior das hipóteses, considerando os modelos de segurança na conciliação, no dia seguinte ao dia 28 de fevereiro, bem como no dia seguinte ao dez de março, a prefeitura já tinha esses dados disponíveis para anunciar aos gasparenses. Deveria ter feito isso, principalmente, na forma mínima de respeito, aos que doaram.

Enfim, esta é a marca do governo de Kleber, Luiz Carlos e Carlos Roberto. Este é o tal governo eficiente, o transparente e o que avança, que está em campanha permanente de reeleição.

Eu mesmo aqui, há mais de um mês, além de cobrar essa transparência e o governo, a sua assessoria de comunicação que é uma máquina de propaganda eleitoral, e os “çabios” empoleirados no governo, mandaram-me uma banana e me ridicularizaram, mais uma vezs, com a minha preocupação cidadã.

Arrisquei pelas fontes que possuo na prefeitura de Gaspar de que esta arrecadação teria chegado perto de R$41 mil. E quase não errei.

A OMISSÃO DA COMUNICAÇÃO DA PREFEITURA CONTRIBUIU PARA A BAIXA ARRECADAÇÃO

É muito? É pouco o que se arrecado? Eu diria que é um bom começo se a lição for compreendida e aprendida. E o governo Kleber tem culpa direta no que aconteceu. Não olhou nem o Hospital, nem as vidas, mas quem poderia levar vantagem política com a iniciativa. Simples assim. Meu Deus!

Os entraves que se criaram aos dois projetos apresentados na Câmara, a falta de facilidade para operar esta doação, bem como à falta de estímulo e divulgação para essa possibilidade de doação. Tudo isso, estima-se que se capou algo que se projetava emR$400 mil.

Esse boicote branco ou falta de empolgação, digamos assim. Tudo por que à iniciativa da ideia e já amplamente comentada anteriormente aqui: ela não foi dos “çabios” instalados ou que rodeiam Kleber.

A boa ideia nasceu em dois projetos de lei na Câmara. A autoria deles foi cria “política” e irmão de templo, que virou opositor e agora retornou ao berço de Kleber, o vereador e médico cardiologista Silvio Cleffi, PP.

Os recursos eram para a tal UTI. O governo “incrementou”: mandou ao Fundo Municipal de Saúde e lá prioritariamente esses recursos, quando doados, vão para a infraestrutura do Pronto Atendimento e outras necessidades do Hospital. Quer dizer, a UTI propriamente dita, origem dos projetos, só se houver sobras do arrecadado. Também simples assim. Silvio aceitou. Era a única forma de passar os projetos

Ou seja, a própria prefeitura reconheceu tacitamente com a manobra que a UTI não é uma prioridade; que o Pronto Atendimento – local onde normalmente entram os elegíveis a uma UTI e que é regulada pelo estado em Santa Catarina - é tecnicamente deficitário; e que o Hospital sob intervenção municipal, cujo o dono dele ninguém sabe quem é, é um sumidouro de dinheiro bom, mas falta muito para ser um Hospital de verdade.

Fizeram a Live pelo Hospital. Uma boa iniciativa e bem-sucedida. Também já escrevi sobre ela. Arrecadaram quase R$600 mil e dos mesmos que sempre doam em Gaspar. Se a prefeitura tivesse a mesma disposição com os projetos do IPTU, talvez a arrecadação teria chegado a quase R$1 milhão.

Quando políticos colocam suas vaidades em primeiro lugar, quem perde são os cidadãos que os sustentam em tudo, inclusive no ciúme político partidário e a incapacidade do gestor público – que na maioria dos casos são cabos eleitorais, curiosos, amigos do poder, incapacitados para as funções chaves - de produzir resultados comuns. Ainda escrevo mais sobre isso no Trapiche

Quando tudo isso vai mudar? Acorda, Gaspar!

A verdadeira imprensa é um problema sério para os políticos e gestores públicos no poder de plantão

Para chegar ao poder, os espertos políticos usam as manchetes e se aproveitam do trabalho da imprensa isenta e séria para desmoralizar, desnudar e abater adversários. Juram que são os novos e vão mudar em favor do povo, da moralidade e probidade pública

Quando eleitos, querem que a mesma imprensa que lhe ‘ajudou’ por ser profissional e honesta se torne mansa e parceira aos desatinos que querem ver escondidos

Na prática se descobre então que esses políticos, mesmo jovens ou calçados ao primeiro mandato, são tão velhos quanto os esquemas e políticos que substituíram

O governador Carlos Moisés da Silva, PSL, um tenente coronel bombeiro militar reformado depois de desnudado na semana passada, estava reclamando da imprensa como ela vinha tratando o caso do tal Hospital de campanha que teve que abortar em Itajaí. Hum!

Ora se abortou, não foi por causa da imprensa. Foi porque tinha problema apontados não só pela imprensa, mas por outros atores políticos e agentes de fiscalização. E abortou porque não tinha condições de sustentar o que estava sendo colocado em dúvidas. Simples assim.

Moisés resolveu prosseguir na procissão errada. Ele continuou a reclamar de “uma certa imprensa” pelas lives - onde se cerca de gente para lhe dar aval - lives que viraram moda e onde só um fala o que quer e a imprensa escuta, principalmente. Reclamou do tratamento e manchetes do escandaloso caso dos respiradores que derrubou dois secretários: o da Saúde e o da Casa Civil.

Espera aí! O problema que a imprensa, outros políticos e órgãos de fiscalização da sociedade noticiaram, denunciaram ou apuraram não existiram? Acha o comandante Moisés que ainda está no quartel dos bombeiros onde passou a sua vida.

Pensa ele que o governo ao comprar espaços comerciais nos veículos de comunicação para divulgar os seus feitos, ao seu modo, como um produto qualquer que anuncia qualidade e oportunidades, lhe dá o direito que calar a imprensa sobre os seus erros contra a sociedade que lhe sustenta com os pesados impostos?

Ainda bem que a secretaria de comunicação do governador, mais tarde, publicamente, não avalizou tal desatino.

Todos os dois casos - o de Itajaí e dos respiradores - foram denunciados e tiveram ampla repercussão pela imprensa local e até nacional. Mas, o comandante Moisés deveria antes de reclamar da imprensa, olhar o seu próprio entorno. E por que?

A própria vice-governadora também de origem militar, Daniela Cristina Reinehr e que saiu do PSL e está formando o bolsonarista “Aliança pelo Brasil” também pulou no pescoço do governador diante das dúvidas. Mas, os dois não se bicavam já antes disso, então vamos dar o devido desconto. Na Assembleia, o assunto repercutiu e começou por Ivan Naatz, PL. E a CPI teve 40 assinaturas. N unca antes houve esta unanimidade. Então como o governador quer que a imprensa esconda tudo isso dos catarinenses? Coisa de doido!

Resumindo: o que o governador reclama e a maioria dos políticos o acompanha neste tipo de assunto, inclusive aqui em Gaspar e Ilhota? A falta de transparência. Nestas horas, a imprensa ganha importância. Até então, é um entrave, que deve ficar à míngua e com verbas distribuídas politicamente e pelo grau de mansidão contra a sociedade e escondendo as sacanagens dos poderosos com os nossos pesados impostos.

Transparência é a palavra não da moda, mas uma atitude dos que lidam com a coisa pública e nisso incluo empresas, produtos e serviços. Transparência é a obrigação de se antecipar problemas, esclarecimentos e soluções. Punir quem tem que punir. Expurgar, quem tem que expurgar. Sacrificar quem tem que sacrificar, mesmo injustamente para proteger uma causa, a imagem de um governo e resultados para a sociedade. Repito: transparência é tomar atitude e não propaganda.

Se não fosse parte da imprensa catarinense - principalmente a ND Mais, do grupo Petrelli e alguns blogs e colunas novas - levantar este assunto, e sempre alimentada por gente que está fiscalizando o governo e não por iniciativa própria desses canais, porque em Santa Catarina se perdeu a embocadura do jornalismo investigativo depois da passagem maléfica da RBS SC, os catarinenses estariam colocando os seus escassos e pesados impostos no lixo, mais uma vez nesta história do hospital de campanha de Itajaí e o dos respiradores que deveriam ter chegado ao Brasil no sábado na pior das hipóteses. Enquanto isso, em Santa Catarina os doentes pela Covid-19....

QUANDO A IMPRENSA SE CALA, OS DEMAIS FICAM MAIS A VONTADE

Insisto, foi só depois da teimosia e coragem de parte da imprensa que o Ministério Público, a controladoria do estado que ainda está passando panos quentes em tudo isso, Polícia Civil, Gaeco bem com o Tribunal de Contas do Estado é que foram atrás das histórias, indícios e denúncias. Ficava feio ficarem quietos...

E para piorar, o próprio governador, o comandante Moisés, um tenente coronel da reserva da polícia militar, recebeu pernadas da própria vice-governadora, Daniela Cristina Reinehr, uma advogada de origem militar como o governador. Então não se trata exatamente de um problema inventado pela imprensa que até recebeu dinheiro do governo do Estado como ele próprio insinuou, como se isso, as migalhas, fossem para ficar calada nas atrocidades dos milhões dos catarinenses contra o ato de salvar vidas.

Trata-se da realidade que se não foi o próprio Moisés quem originou tudo isso e parece que isso ao menos está fora de cogitação, foi Moisés como governador, como comandante, como responsável foi quem permitiu, encobriu ou confiou demais em gente que não poderia confiar e está pagando e vai pagar caro por isso. Simples assim!

Eu se governador – e deus me livre disso, até em sonho - já teria colocado as cartas na mesa, a corda no pescoço de todos no cadafalso da verdade, para mostrar ao menos que é um governante comprometido com o resultado para o estado e os cidadãos e não para os seus, muitos deles, herdados de governos que Moisés condenou quando em campanha. Também simples, assim!

Primeiro: Moisés deve se queixar do seu jeito de governar que dá margem para dúvidas. Depois deve ir atrás das dúvidas aos seus infiéis - ou incompetentes, ou espertos demais - que nomeou para lhe auxiliar.

Mais: falta a Moisés uma base política mínima de sustentação no governo e na Assembleia onde todos assinaram a CPI sem pestanejar diante de tanta gravidade exposta. Moisés antes de reclamar da imprensa deve limpar a sua Casa, refundar o governo, ter a sua própria vice como adversária; substituir o seu controlador que nada controla, não o protege, que é um acadêmico decorativo e burocrata, lutando para ser a eminência parda do governo. E por fim, antes de reclamar a imprensa, Moisés deve investir o seu tempo para se defender no TCE e MP.

E a imprensa? Está no papel dela, ou seja, o de relatar tudo isso se não pode investigar como fazem nos grandes centros os principais veículos. Ah, mas Moisés alega em sua defesa que fez 90% certo e pode ter errado em 10%. A um político e gestor público se espera que se acerte 100%. E os 10% que estão sob duvidas, governador, são capitais para a pandemia, para a sua imagem e para o desperdício que continua e que o senhor prometeu combater e cortar em favor do estado e dos catarinenses. Outra vez, simples assim!

E Gaspar? Não foge à regra. Agora, a culpada por Kleber Edson Wan Dall, MDB, estar empacado nas pesquisas e com má imagem de gestor, não é da imprensa, mas desta coluna. Ganhei mais um troféu. Esses políticos não se emendam.

O prefeito de fato, o ex-coordenador de campanha de Kleber, o presidente do MDB, o secretário da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Pública, o advogado como curioso está tocando interinamente a secretaria da Saúde em plena pandemia, Carlos Roberto Pereira, acha que tem que me calar. E não é de hoje. Ele também é um dos que usou a coluna para alvejar os adversários. Agora acha ela perigosa demais. Será por que? É preciso me alongar ainda mais nesse artigo?

Ou seja, estão dando poder demais para as minhas incômodas verdades. Esta coluna não tinha leitor, agora influencia a cidade e os cidadãos? Riam! E para que isso não continue, estão intimidando, constrangendo, censurando. Então todos enganados. Munição não falta. Carlos Moisés já está de cócoras. Virá mais, muito mais. Acorda, Gaspar!


Hoje faz uma semana que a UTI emergencial do Hospital de Gaspar foi aberta. Até ontem, ninguém a utilizou, segundo o pessoal do plantão

 

TRAPICHE

Quantos pacientes já estão sendo tratados na UTI emergencial do Hospital de Gaspar, aberto oficialmente deste segunda-feira passada? Eles ainda não foram habilitados. O custo está correndo e contra os pesados impostos dos gasparenses.

A Saúde Pública não é coisa para amador, curioso ou é barata. O caso do governo do estado que descrevi em artigo anterior é um exemplo disso. Depois das obras, a área da Saúde é onde mais se vê desperdícios, má gestão, desvios e corrupção.

Tudo se estabelece na emergência, calamidade e especificidades de medicamentos, procedimentos, materiais e equipamentos. Muita coisa foge da Lei das Licitações. Uma máfia organizada e que até atua junto ao Judiciário para facilitar tudo como se desnuda com muita frequência.

Na coluna de sexta-feira, feita especialmente para o jornal Cruzeiro do Vale, o de maior circulação na região e com 30 anos de credibilidade, mesmo sendo massacrado pelos governos de plantão desde então, eu mostrei como a UTI que se improvisou no Hospital de Gaspar tem data para morrer, se os políticos e gestores públicos não fizerem a sua parte.

O prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e o prefeito de fato, ex-coordenador da campanha de Kleber, o presidente do MDB, o advogado, o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, e agora interinamente na Saúde – onde já foi titular exilado -, Carlos Roberto Pereira, bufaram, praguejaram e prometeram retaliação. Mais uma?

O governo de Gaspar é movido pela falta de transparência e paga caro por isso. É um governo em permanente campanha pela reeleição e paga caro por isso. É um governo feito de curiosos, ajeitamentos partidários e cabos eleitorais, e paga caro por isso, pois tecnicamente está fragilizado. É um governo centralizado e dependente de Carlos Roberto Pereira, e paga caro por isso.

Uma UTI, nos padrões mínimos exigidos pelos órgãos de regulação e fiscalização e para que seja homologada como um UTI, com as obras físicas de adaptação física do Hospital de Gaspar – e que não previa uma UTI de verdade e nos moldes de hoje - vai custar entre R$4 a R5 milhões. Este é o menor dos custos. Então, veja o porquê disso.

Consultando especialistas, com algumas diferenças devido a procedimentos, equipes e tipo de equipamentos, o custo de manutenção e funcionamento uma UTI de 10 leitos – não sofisticada e com aporte mínimo necessário pelos protocolos médicos - é de aproximadamente R$1.500,00 a hora, ou seja R$36 mil por dia, ou R$1.080.000,00, ou R$13 milhões por ano cheia, pela metade ou vazia de pacientes.

É isso que será preciso para se ter uma UTI em Gaspar: de R$4 a R$5 milhões para instalá-la e outros R$13 milhões para mantê-la por ano. Se credenciada, parte desses R$13 milhões poderá vir dos governos Federal e Estadual. E isso leva tempo. Os governos “compram” um determinado número de leitos, mesmo que eles estejam desocupados. Essa compra demanda tempo e que em alguns casos podem chegar até dois anos.

Então é só olhar o orçamento municipal de Saúde para ver que a UTI não está no radar do governo Kleber para este ano, nem para os próximos. E se estiver, vai ter que arrumar verbas de outras áreas. E não será pouco pela conta apresentada. O governo fez opção por obras físicas e não pela saúde das pessoas. Ora se nem os postinhos, Pronto Atendimento do Hospital e a policlínica funcionam no básico, como vai se investir numa UTI permanente?

A ajuda da comunidade é vital. Contudo, primeiro quem precisa sair da UTI é a má imagem do Hospital. Ele não possui credibilidade. Atende mal e dele se acusa de muitos erros. E esta ajuda, mesmo muita boa vontade como aconteceu na Live, é pouca em relação ao que se precisa. Afinal, o Hospital não é só a UTI.

Imagem é tudo. Ou vocês leitores e leitoras acham que os sólidos Hospitais Santo Antônio (que é da prefeitura de Blumenau), o Santa Isabel (que é administrado por uma instituição católica e faz atendimentos públicos) e o Santa Catarina (que é de uma instituição Evangélica Luterana e que só atende no privado), quase autosustentados, não vivem de polpudas e contínuas doações da comunidade (físicas e empresariais)?

Há toda uma estrutura para que isso acontece interagindo e influenciando na comunidade. E antes, há a credibilidade da instituição. Ninguém faz doações para quem não presta contas e não atende ou realiza um bom serviço para a comunidade. Mais, esses hospitais possuem focos, especialidades que atraem pacientes. Um hospital não é um lugar de lucro, mas nunca poderá ser um lugar de prejuízos, desperdícios, protegidos e dúvidas. Trata ele de melhoria da saúde e de salvar vidas.

Ao Hospital de Gaspar falta o essencial: definir quem é o dono dele, clarear o objeto jurídico como entidade e sair dessa zona cinzenta onde ninguém é responsável, mas muitos podem enterrá-lo ainda mais; falta definir o foco, falta arrumar as contas, falta ajustar os processos e tirar do Hospital a maléfica política partidária, correr com curiosos e os salvadores da pátria.

Quando uma ideia para se criar um fundo para a UTI é iniciada na Câmara é boicotada pelo próprio governo por picuinhas de relacionamentos e políticas partidárias, quem paga caro é o doente, o que sente dor, o pobre, o vulnerável. Ou seja, tudo isso é uma vergonha. E tem político que se orgulha disso. Só este fato mostra o quanto precisamos evoluir neste e outros assuntos.

Uma cidade onde o prefeito tem um dos maiores salários de Santa Catarina, R$27.356,69 e reluta a baixá-lo, mesmo temporariamente diante da grave crise econômica, uma cidade onde os vereadores levam seis dias para aceitar e aprovar o projeto para reajustar os seus salários, mas para rebaixá-los por dois meses se enrolam por semana, falar em filantropia é algo temerário. Acorda, Gaspar!

Comentários

Miguel José Teixeira
14/05/2020 20:59
Senhores,

Muda-se os atores, mas a m.... continua a mesma!

Certa ocasião, o então candidato derrotada à PR, o tal lula, coachou à respeito do então presidente FHC: "vai se tornar um mala tão grande, que nem o "pefelê" conseguirá carregá-lo".

Agora, o bolsonaro agiganta-se em sua pequenês e nos vem à mente: "vai se tornar um mala tão grande, que nem os militares à sua volta, conseguirão carregá-lo".

O perigo reside nos que não estão à sua volta.

Vade retro intervenção militar!
Herculano
14/05/2020 16:14
BOLSONARO INOCULA NA PF O VÍRUS DA ESCULHAMBAÇÃO, por Josias de Souza, no UOL

Dizer que Jair Bolsonaro frauda o discurso em defesa da ética que ostentou na campanha presidencial é muito pouco para traduzir o que sucede em Brasília. O presidente executa uma metódica e gradativa investida contra o aparato do Estado que ajudou a escancarar a roubalheira nacional.

Depois de retirar o Coaf da vitrine, escondendo-o nos fundões do organograma do Banco Central, Bolsonaro coloca a Polícia Federal num respirador, inoculando na instituição o vírus da esculhambação. O processo de asfixia conta com a luxuosa cumplicidade de um grupo de generais.

Nesta quarta-feira, ao depor no inquérito que apura as denúncias de Sergio Moro contra Bolsonaro, o delegado Alexandre Saraiva, chefe da PF no Amazonas, disse ter sido sondado, "no início do segundo semestre de 2019", para assumir o comando do órgão no Rio de Janeiro. Respondeu que "evidentemente aceitaria o convite."

A sondagem não veio de Maurício Valeixo, então diretor-geral da PF. Tampouco foi feita por Moro, então ministro da Justiça. Quem sondou Alexandre Saraiva foi o xará e também delegado Alexandre Ramagem, chefe da Abin e amigo da família Bolsonaro.

O delegado Saraiva contou em seu depoimento detalhes sobre um encontro que teve com Moro no aeroporto de Manaus. Disse ter sido "inquirido" pelo então superior hierárquico da PF. "Saraiva, que história é essa de você no Rio de Janeiro?", indagou Moro. O delegado relatou, então, o telefonema que recebera de Ramagem.

Quer dizer: Bolsonaro testava os limites de Moro desde o ano passado. Fez picadinho da imagem do ex-juiz da Lava Jato porque encontrou material. Moro poderia ter chamado o caminhão de mudança quando Bolsonaro declarou, em agosto de 2019, no cercadinho do Alvorada, que seria "um presidente banana" se não pudesse trocar o chefe da PF do Rio e, no limite, até o diretor-geral do órgão.

A pressão exercida por Bolsonaro no ano passado resultou numa solução intermediária. O então superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi, foi transferido para Brasília. Mas assumiu o posto não o preferido de Bolsonaro, mas um delegado escolhido pelo então diretor-geral Valeixo: Carlos Henrique Oliveira.

Carlos Henrique também prestou depoimento nesta quarta. Ecoando o que Valeixo e o antecessor Saadi disseram ao depor na véspera, confirmou que não havia problema de baixa produtividade na PF do Rio, como alegou Bolsonaro na ocasião. Ao contrário, a superintendência estadual obteve "sua melhor classificação durante a gestão do delegado Saadi."

O doutor acaba Carlos Henrique de sofrer uma queda para o alto. Com a saída de Moro da pasta da Justiça, foi convidado a trocar a chefia da PF no Rio pela diretoria-executiva do órgão em Brasília. Talvez não dure muito na nova função, pois desmentiu Bolsonaro num segundo ponto do seu depoimento.

Há dois dias, Bolsonaro declarou aos repórteres, numa inusitada aparição vespertina na rampa do Planalto: "A Polícia Federal nunca investigou ninguém da minha família, certo? Isso não existe no vídeo [que exibe a reunião ministerial de 22 de abril, peça central do inquérito]. Estão sendo mal informados."

De acordo com Carlos Henrique, houve, sim, uma investigação eleitoral relacionada a Flávio Bolsonaro, o primogênito do presidente. Envolvia suspeita de enriquecimento ilícito. O inquérito foi encerrado sem indiciamento. No caso da rachadinha, o Zero Um também é investigado pelo Ministério Público do Rio por enriquecimento desmesurado. Varejam-se transações imobiliárias suspeitas.

A despeito das evidências em contrário, Bolsonaro empenha-se no momento em negar que tenha emparedado Moro na reunião ministerial de 22 de abril. Construiu uma versão que não fica em pé. "Não existem as palavras Polícia Federal em todo o vídeo", disse Bolsonaro aos repórteres, referindo-se à filmagem do encontro. "Não existe a palavra superintendência. Falo sobre segurança da família e meus amigos."

Relator do caso Moro versus Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, o ministro Celso de Mello decidirá se a gravação da reunião será divulgada na íntegra ou apenas parcialmente. Enquanto o conteúdo não vem à luz, Bolsonaro sustenta que a cobrança que fez no encontro não era dirigida a Moro, mas ao general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela segurança do presidente e de seus familiares.

Quem assistiu ao vídeo diz que Bolsonaro soltou um palavrão e declarou que não esperaria que sua família e amigos fossem prejudicados para fazer mudanças no Rio de Janeiro. De fato, usou a expressão "segurança no Rio" em vez de superintendência da Polícia Federal. Mas o contexto não deixa dúvidas de que ele se dirigia a Moro, não ao general Heleno.

A versão de Bolsonaro ofende a inteligência alheia duas vezes. Na primeira, embora reconheça que fez menção à segurança da família e de amigos, o presidente se abstem de explicar um detalhe: o GSI fornece proteção a Bolsonaro e sua família, mas não fornece guarda-costas para amigos. Significa dizer que não era de segurança pessoal que o presidente falava na reunião.

No segundo atentado, Bolsonaro ignora o Diário Oficial. Não há vestígio de mudança na equipe de seguranças do GSI. O general Heleno continua comandando uma mesa de ministro no Planalto. Na Polícia Federal, entretanto, todas as ameaças de Bolsonaro se concretizaram.

O presidente exonerou o diretor-geral Maurício Valeixo. Sergio Moro trocou a função de ministro pela de delator. Bolsonaro nomeou Alexandre Ramagem, o amigo da família, para o lugar de Valeixo. A troca só não foi efetivada porque o STF barrou a posse. Foi alçado ao cargo Rolando Alexandre de Souza, que era subordinado de Ramagem na Abin.

O primeiro ato de Rolando como chefão da PF foi mexer na superintendência do Rio. Alvejado por uma investigação no Supremo, Bolsonaro ainda não se animou a acomodar no seu Estado, berço das aflições familiares, o preferido Alexandre Saraiva, do Amazonas. Sob holofotes, teve de digerir outro nome: Tácio Muzzi.

Numa tabelinha com Bolsonaro, os generais do Planalto esforçaram-se para enfiar nos autos do inquérito versões compatíveis com o lero-lero segundo o qual o presidente falou na fatídica reunião de 22 de abril sobre segurança pessoal, não sobre troca da chefia da Polícia Federal.

Os generais Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (GSI) tropeçaram em algumas contradições. Mas, no geral, deram cobertura à versão do chefe, que tem a consistência de uma porção de gelatina.

Bolsonaro e seus auxiliares não parecem preocupados com os rumos do inquérito. Há no Planalto uma sólida, uma consistente, uma inabalável confiança na disposição do procurador-geral da República Augusto Aras de enviar o caso para o arquivo.

Confirmando-se essa percepção, Bolsonaro terá completado o ciclo do abafamento. Já desligou o Coaf da tomada. Esculhamba a autonomia funcional da PF. Só falta a confirmação de que, ao indicar Aras para a chefia da Procuradoria, valorizou uma área do Ministério Público que a Lava Jato havia desativado: o setor do arquivo. O barulhinho que se ouve ao fundo são os aplausos do centrão.
Miguel José Teixeira
14/05/2020 10:12
Senhores,

E. . .ambos falavam com a capa sobre os ombros. . .

"Marco Aurélio e Moraes batem boca no STF...

(Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/05/13/sessao-do-stf-tem-discussao-de-ministros-e-pedido-de-igualdade-a-mulheres.htm?cmpid=copiaecola

- "Não estou falando à imprensa, estou falando aos integrantes do Supremo, e estou falando com a capa sobre os ombros", rebateu Marco Aurélio...

O Brasil, na pandemia, está se superando:
1) crise na saúde;
2) crise na economia;
3) crise na política e agora,
4) crise no SuTriFe!

Atentem para o nível do debate: tal qual na reunião do "capita" e seus ministros no dia 22.

No botecos que frequentava, o nível era mais elevado e todos com o copo sobre o balcao. . .
Miguel José Teixeira
14/05/2020 09:46
Senhores,

Eleições 2020 X Prorrogação de mandatos

Se é para mudar as regras do jogo, com a partida em andamento, que seja feita de modo à agradar gregos & troianos:

"Prorroga-se o mandato dos atuais detentores e os beneficiados, não poderão concorrer no próximo pleito".

Será que alguém topará?
Cleiton
14/05/2020 09:33
Heruclano, referente ao teu comentario em 14/05/2020 08:09
¨SEM CONTROLE
É rotina. Servidor em Gaspar tem escala das 6.30 as 13.32. Hoje, eram 8.05 e nada. E sua saída, conforme registros e provas, sempre as 12.40. Acorda. Gaspar!"
No SAMAE isso se tornou regra para a diretora de Compras que trabalha no RH e deveria ser exemplo para todos os servidores.
Essa diretora que é filha do fiscal de obras da prefeitura e apadrinhada pelo prefeito, deveria cumprir horário das 7:30 as 12:00 e das 13:20 as 16:50 como todos, porém a mesma só chega ao samae entre 8:00 e 8:30 e muitas vezes sai antes do horário.
Tudo isso pode ser comprovado através do cartao ponto, mas quando se trata de amigos eles fecham os olhos.
Herculano
14/05/2020 08:29
O QUEBRA-CABEÇA, por Merval Pereira, no jornal O Globo,

A versão de que o presidente se referia à sua segurança pessoal não se sustenta, pois quem cuida dela é o GSI

A novela da reunião ministerial só terá seu fim se o ministro Celso de Mello autorizar a divulgação integral do vídeo. Só assim será possível entender o contexto em que as frases foram ditas.

Além do mais, a disposição do presidente Jair Bolsonaro de distribuir uma versão oficial editada dos melhores momentos contribui para toldar mais ainda o ambiente político.

A versão de que o presidente se referia à sua segurança pessoal não se sustenta, pois quem cuida dela é o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chefiado pelo General Augusto Heleno com homens do Exército e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Se sua insatisfação fosse nesse âmbito, quem deveria ter sido demitido seria o General, não Moro. E o delegado Alexandre Ramagem, chefe da Abin. Ao contrário, Ramagem foi indicado por Bolsonaro para comandar a Polícia Federal, com vastos elogios.

Essa versão, que surgiu do nada, de repente, após a exibição do vídeo, foi corroborada pelo chefe do Gabinete Civil, General Braga Neto. Mas não casa com o que aconteceu depois da reunião. O então ministro Sergio Moro, logo depois da reclamação do presidente em termos agressivos, deixou a reunião.

Depois, procurou os três ministros de origem militar que trabalham no Planalto ?" General Augusto Heleno, General Braga Neto e General Luiz Eduardo Ramos ?" para mostrar sua indignação com a tentativa de Bolsonaro de intervir na Polícia Federal. Segundo confirmação nos depoimentos, os ministros palacianos pediram que ele se acalmasse, e aceitasse as mudanças.

Se tivessem entendido que a preocupação do presidente era com sua segurança pessoal, por que não tentaram acalmar Moro dizendo que a reclamação não era contra ele, mas contra o General Heleno?

Além do mais, Bolsonaro admite que falou em segurança de seus familiares e aliados. Desde quando aliados do presidente têm direito a segurança institucional? Não é bom esquecer a mensagem que Bolsonaro enviou a Moro, com uma informação do site O Antagonista reproduzindo uma notícia sobre uma coluna minha que informava que 10 a 12 deputados bolsonaristas estavam na mira da Policia Federal no inquérito do Supremo sobre fake news. Bolsonaro escreveu: "Mais um razão para a mudança".

Tudo indica que será difícil arquivar esse processo, pois as provas se acumulam. O constitucionalista Gustavo Binemboim, muito antes do caso do vídeo da reunião ministerial, escreveu um artigo em que explica os padrões decisórios consolidados para situações de incerteza no direito processual penal: in dúbio pro societate (em dúvida, a favor da sociedade), pelo recebimento da denúncia, no início do processo; in dúbio pro réu (em dúvida, a favor do réu) quando do julgamento final.

"Na instauração da ação penal, prefere-se correr o risco de processar suposto inocente a inocentar possível culpado. No veredicto final, havendo dúvida razoável, prefere-se inocentar eventual culpado a condenar virtual inocente".

O Procurador-Geral da República, Augusto Aras, é o dono da ação penal, e cabe a ele fazer uma denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou arquivar o processo. Ele está pressionado pelas duas partes. Por um lado, a pressão interna dos procuradores é pela denúncia, depois de terem visto o vídeo e interrogado as testemunhas. Há informações de que, ao receber os primeiros detalhes sobre o vídeo, o Procurador-Geral soltou um palavrão de espanto diante dos relatos.

De outro lado, o Palácio do Planalto pressiona Aras com recados indiretos. O presidente Bolsonaro teria comentado com pessoas próximas que o Procurador-Geral seria um bom nome para uma vaga do Supremo Tribunal Federal, mas a indicação dependeria de sua atuação.

Toda investigação é um quebra-cabeça que vai sendo montado peça por peça, e se alguma for esquecida, não se forma a figura final. O Procurador-Geral da República, por isso, não pode deixar de levar em conta as atitudes pregressas do presidente Bolsonaro, que desde agosto fala publicamente que queria mudar a superintendência da Polícia Federal do Rio. E também não pode deixar de analisar o ambiente todo da reunião ministerial.

Bolsonaro disse que em nenhum momento se referiu à Policia Federal, já os ministros Braga Neto e Luiz Eduardo Ramos dizem que ele falou, sim, mas em outro momento da reunião, em outro contexto. É preciso ver o vídeo inteiro para juntar as peças do quebra-cabeça. Um bom passatempo na quarentena.
Herculano
14/05/2020 08:27
GENERAL HELENO INVENTA O PATRIOTISMO DE BOTEQUIM, por Josias de Souza, no UOL

Comandante de uma escrivaninha no Planalto, o general Augusto Heleno desceu à trincheira das redes sociais armado de tambores e clarins. Estufando o peito como uma segunda barriga, Heleno proclamou que o ministro Celso de Mello, do Supremo, cometerá "um ato impatriótico, quase um atentado à segurança nacional" se mandar divulgar a íntegra da gravação da reunião ministerial de 22 de abril.

Heleno insinua que Jair Bolsonaro e seus ministros trataram na reunião de temas sensíveis. Na definição do general, abordaram-se "assuntos confidenciais e até secretos." Em petição ao decano do Supremo, a defesa de Sergio Moro pede transparência total. Alega que a gravação não expõe "segredo de Estado", apenas "constrangimentos".

De fato, tomada pelos vazamentos, a reunião do Planalto transcorreu sob atmosfera constrangedora, marcada por xingamentos, desqualificações e alucinações.

Foi como se Bolsonaro e os ministros estivessem com a barriga encostada no balcão de um boteco de quinta categoria. Ou com os cotovelos recostados numa mesa de ferro -dessas que têm os pés em formato de 'X' e o tampo apinhado de garrafas de cerveja vazias.

Até para desfazer essa imagem, Heleno deveria defender o escancaramento da gravação. Sob pena de potencializar a sensação de que o general do GSI e seus companheiros de farda no Planalto inventaram uma modalidade nova de patriotismo: o patriotismo de botequim.
Herculano
14/05/2020 08:21
BOLSONARO NA DIFÍCIL BUSCA POR UMA SAÍDA, editorial do jornal O Globo

Versão inverossímil do que disse o presidente na reunião de ministros reflete a gravidade da situação

A contestação feita pelos ministros militares do Planalto do entendimento de Sergio Moro, e de pessoas que também assistiram à exibição anteontem do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, não acaba com as dificuldades de Bolsonaro diante da acusação do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de que ele o pressionou a fazer mudanças na Polícia Federal de interesse pessoal, até chegar ao ponto de demiti-lo e também o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

A desconfiança de que, para proteger o presidente, foi construída a versão do suposto mal-entendido sobre o que disse Bolsonaro na reunião terá de ser confrontada com a íntegra da gravação, a ser liberada ou não pelo ministro do STF Celso de Mello, que preside este inquérito. Ajudará na busca da verdade se a liberar. A defesa que os ministros militares Braga Netto, da Casa Civil; Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo; e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), fazem de Bolsonaro choca-se com a lógica e o transcorrer dos fatos depois daquela reunião, a começar pelas demissões de Moro e de Valeixo.

Este vídeo é a prova com a qual Moro quer fundamentar a acusação de uma grave ação patrimonialista de Bolsonaro para poder usar um braço importante de segurança do Estado em benefício próprio e do seu governo. Nem mesmo os choques entre o ex-juiz e o ex-capitão eram desconhecidos. Sabia-se da intenção do presidente de afastar o delegado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF e/ou de mudar o superintendente da Polícia no Rio de Janeiro ?" "meu estado". Foi feita uma troca no Rio em comum acordo entre Bolsonaro, Moro e Valeixo, saindo Ricardo Saadi, entrando Carlos Henrique Oliveira. Mas Bolsonaro continuou querendo no Rio e na cúpula da PF um delegado com quem ele pudesse "interagir". As pressões continuaram ?" o que também era acompanhado pela imprensa?", até o presidente não aguentar mais e, na reunião de 22 de abril, anunciar que poderia afastar Valeixo e Moro. Assim foi entendido, mas testemunhas do presidente usam a palavra "segurança" dita por Bolsonaro para garantir que a irritação do presidente era com a guarda pessoal dele e da família. Mas os ministros Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno citaram a PF nos depoimentos que prestaram.

Sobre Ramos, Bolsonaro esclareceu que ele se "equivocou", e não foi contestado pelo general. Os ministros militares não contestam o presidente, mas foram Moro e Valeixo que saíram do governo, e não Augusto Heleno, do GSI, que responde pela segurança do presidente e de parentes próximos. Acredite quem quiser na versão de conveniência. Diante da incoerência, Bolsonaro se esquiva.

Já se testemunhou a criação de embustes. Um deles, o "empréstimo" de US$ 3,7 milhões supostamente obtido pelo presidente Collor no Uruguai para campanha eleitoral. Era "lavagem" de dinheiro das propinas de PC Farias. Nunca se acreditou na "Operação Uruguai", e Collor terminaria cassado. Devem-se guardar as diferentes peculiaridades históricas dos dois casos.
Herculano
14/05/2020 08:19
TCU PODE BARRAR COMPRA DE QUASE R$ 1 BILHÃO EM AVENTAIS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O Tribunal de Contas da União (TCU) está prestes a suspender uma compra do Ministério da Saúde que o ministro Benjamin Zymler considerou muito estranha. São 80 milhões de aventais a um custo total que chegou perto de R$1 bilhão. O contrato com uma pequena empresa do tipo "Eireli", Inca Tecnologia e Serviços, de apenas um sócio, tem o valor R$912 milhões. Além disso, a compra foi realizada sem licitação. A suspeita é que a compra pode ser "superdimensionada e antieconômica".

TUDO MUITO SOLTO

Zymler quer saber por que, em compra tão expressiva, o Ministério da Saúde não especificou dimensões e nem o destino dos aventais.

AVALIAÇÃO INSUFICIENTE

O TCU acha que não houve avaliação dos riscos de comprar de empresa tão pequena produtos que exigem quantidade, qualidade e prazo.

PREJUÍZO É NOSSO

O único dono de uma empresa do tipo "Eireli", por lei, não poderá ter o seu patrimônio pessoal afetado pelas dívidas do seu negócio.

PRAZO PARA EXPLICAR

O ministro Benjamin Zymler deu prazo de cinco dias para explicar a compra dos 80 milhões de aventais com dispensa de licitação.

STF LIVRA BOLSONARO DA 'ACUSAÇÃO' DE ESTAR DOENTE

Certo de que Ricardo Lewandowski ordenaria a liberação dos exames para o jornal O Estado de S. Paulo, o presidente Jair Bolsonaro mandou entregá-los ao ministro do STF. Os críticos de Lewandowski sempre o vinculam a opositores de Bolsonaro, como Lula e o próprio PT, mas foi ele quem livrou o presidente da "acusação" de estar doente, ao determinar "ampla divulgação" dos exames, todos negativos. Ao menos é um presidente que não foi "julgado" no STF por roubar dinheiro público.

FOI AVISADO

A judicialização dos exames do presidente beirou o ridículo. Bolsonaro chegou até a advertir, com bom humor: "vão cair do cavalo". Caíram.

PODIA DORMIR SEM ESSA

O desafeto Felipe Santa Cruz levou a OAB que preside a passar vergonha e ser humilhada com os três testes negativos de Bolsonaro.

IDEIA FIXA

Bolsonaro errou tanto quanto seus críticos. O presidente tem o dever de expor qualquer exame de saúde, isso é do interesse público.

NÚMEROS DO FRACASSO

Em duas semanas, dobrou no Estado de São Paulo o número de mortes por coronavírus. Passando de 2.049, em 28 de abril, para 4.118 ontem. E o pior é João Doria não poder culpar adversários.

FALTA CAIR A FICHA

Bolsonaro já deveria ter percebido que a máxima de Napoleão I ("Jamais interrompa seu adversário quando ele estiver cometendo um erro"), que ele curte, talvez explique o mutismo da oposição no Congresso.

MAIS UM HOSPITAL NO DF

A juíza que pretende assumir o controle do combate ao coronavírus no DF cobrou o hospital de campanha para 400 pacientes prometido pela Fecomércio-DF. A entidade explicou que o estudo técnico do projeto está na fase final e será realizado pelo Sesc-DF e o Sesc Nacional.

CODINOMES NO COVID-19

Nomes fictícios nos exames de Bolsonaro são precaução para reduzir o risco de vazamentos. Presidentes e familiares recebem apelidos curiosos da segurança. Presidente é "Águia", primeira-dama "Cisne" etc.

NOVA FANTASIA DESFEITA

O depoimento do ex-superintendente da PF no Rio, ontem, frustrou a expectativa de que Bolsonaro fosse desmentido na afirmação, reiterada várias vezes de que seus filhos não foram e nem são investigados. O delegado Saadi confirmou isso, o que faz a "interferência" perder sentido.

CRISE É DE GESTÃO

O deputado JHC (PSB) se mostra preocupado com as trapalhadas do governo de Alagoas no combate ao Covid-19. Segundo o parlamentar, só 0,8% do total empenhado foi destinado à compra de "respiradores".

LEI AUTORITÁRIA

A Câmara não votou, ontem, o projeto que obriga o uso de máscara em locais públicos, sob pena de prisão de até 15 anos. Vai valer para todo o país, mesmo para quem não tem dinheiro para comprar o equipamento.

APROVEITADORES À SOLTA

Presidente do Não Aceito Corrupção, o procurador Roberto Livianu cobra ação contra a corrupção durante a pandemia. "Quadro é grave e demanda trabalho vigoroso de todo o sistema anticorrupção", disse.

PENSANDO BEM...

...pelo visto vai ter muitos veículos de mídia pagando honorários de sucumbência nos próximos anos.
Herculano
14/05/2020 08:12
O PERSONAGEM E O ROTEIRISTA JAIR BOLSONARO FRACASSARAM, por Roberto Dias, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Nem o uso de pseudônimos sustenta mais sua narrativa
O personagem Jair Bolsonaro já não dá mais conta do enredo que o roteirista Jair Bolsonaro criou para sua vida.

Para contar essa história inacreditável, é preciso agora recorrer ao Airton, ao Rafael e ao 05. Depois há o trabalho de convencer o espectador e um ministro do STF- de que os três são mesmo pseudônimos.

Até a pandemia, a fórmula do roteiro vinha se segurando: era tirar da cartola alguma historinha lateral e emendar na anterior. Agora já não funciona. Bolsonaro tentou pautar uma discussão sobre aborto, mas só os espectadores mais atentos de suas redes e alguns militantes do WhatsApp perceberam.

A caneta mágica do filho Carlos, fundamental no caminho até o Planalto, tem menos tinta. A popularidade nas redes dá sinais de queda. Bolsonaro já se repete no vexame de ser um raríssimo chefe de Estado com posts classificados de fake news pelas plataformas. Em perfis onde antes se liam defesas do presidente, hoje se veem pedidos para que não abra a boca.

Até porque cada vez que o faz cria um novo alvo para as edições Tomahawk do Jornal Nacional, que justapõem as falas contraditórias de Bolsonaro em som e imagem claríssimos para um público imenso.

E o personagem se desmente sem ter tempo de trocar a gravata. O que ele fala na rampa do Planalto perde a validade minutos depois, na porta do Alvorada ?"foi assim quando tentou explicar a surpresa do ministro da Saúde com o decreto para reabrir academias e salões de beleza.

A reação imediata ao presidente é não acreditar. Sua versão sobre a tal reunião com os ministros muda a cada dia. A última tirada foi dizer que não vai ter mais reunião ministerial, e isso vale até a próxima reunião ministerial.

O personagem Bolsonaro e o roteirista Bolsonaro fracassaram. O primeiro embutiu o descrédito como parte de si. O segundo parece sentir, finalmente, que o enredo fugiu de suas mãos.
Herculano
14/05/2020 08:09
SEM CONTROLE

É rotina. Servidor em Gaspar tem escala das 6.30 as 13.32. Hoje, eram 8.05 e nada. E sua saída, conforme registros e provas, sempre as 12.40. Acorda. Gaspar!
Herculano
14/05/2020 08:05
OS POLÍTICOS NO PODER DE PLANTÃO NÃO QUEREM ELEIÇõES EM OUTUBRO DESTE ANO, INCLUSIVE AQUI EM GASPAR E ILHOTA.

ALEGAM QUE É PERIGOSA A AGLOMERAÇÃO DE ELEITORES POR CAUSA DO CORONAVÍRUS E QUE ISSO O FARIA DIFUNDIR E COLOCAR EM RISCO A SAÚDE DA POPULAÇÃO, MESMO VIA AS REDES SOCIAIS, OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO E OS APLICATIVOS DE MENSAGENS.

É MAIS UMA MENTIRA DESLAVADA DESSES POLÍTICOS E SEUS "ÇABIOS" QUE ORQUESTRAM TUDO NOS BASTIDORES COMO SE OS ELEITORES E ELEITORAS FOSSEM TODOS TOLOS.

E POR QUE? PORQUE ESSES MESMOS POLÍTICOS ESTÃO DEFENDENDO - FERRENHAMENTE E SOB MUITOS ARGUMENTOS - À VOLTA DA NORMALIDADE. ELES DIZEM QUE O ISOLAMENTO PREVENTIVO É UM EXAGERO DOS TÉCNICOS E DOS DADOS DE CONTAMINAÇÃO. AFIRMAM QUE O PERIGO DO CORONAVÍRUS ESTÁ CONTROLADO.

DE VERDADE? ESSES POLÍTICOS QUE SOBREVIVEM DA INCOERÊNCIA PARA ANALFABETOS, IGNORANTES, DESINFORMADOS E FANÁTICOS ESTÃO COM MEDO NÃO É DO CORONAVÍRUS, MAS DA FALTA DE VOTOS QUE ESTÃO SUMINDO POR SEUS ERROS, PERSEGUIÇõES A ADVERSÁRIOS E DÚVIDAS QUE NÃO CONSEGUEM EXPLICAR À POPULAÇÃO.

ESTÃO COM MEDO DAS REDES SOCIAIS E DOS APLICATIVOS DE MENSAGENS QUE TINHAM COMO ARMA DE MANIPULAÇÃO A A FAVOR DELES, MAS SE TORNOU UM PROBLEMA CONTRA ELES E SEM CONTROLE, DESNUDANDO ÀQUILO QUE MANIPULAM.

A MEDIDA QUE OUTUBRO QUE CHEGA O DISCURSO CONTRA A ELEIÇÃO AUMENTA E POR PURO OPORTUNISMO. ACORDA, GASPAR!
Herculano
14/05/2020 07:52
É PRECISO HAVER ELEIÇÃO, editorial do jornal Folha de S.Paulo

Cumpre trabalhar desde já para que pandemia não comprometa a sucessão municipal

Preocupações legítimas e casuísmos inaceitáveis se misturam no debate em torno de um eventual adiamento, em razão da pandemia do coronavírus, das eleições municipais marcadas para outubro.

Na segunda categoria estão teses que chegam a defender a extensão dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores até 2022, quando seriam unificados os prazos dos pleitos para todos os cargos eletivos, em todos os níveis de governo.

Argumentos nesse sentido incluem, além das incertezas quanto à disseminação da Covid-19 nos próximos meses, uma suposta racionalização do processo eleitoral e até a contaminação das políticas sanitárias por estratégias de campanha dos atuais mandatários.

Esta última possibilidade foi aventada em março pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, durante exposição a prefeitos. Dada a visibilidade de que dispunha o então auxiliar de Jair Bolsonaro, foi a proposta mais comentada de adiamento das eleições, embora nem de longe a única.

De lá para cá, felizmente, a discussão amadureceu com a diluição das teses mais esdrúxulas, e a hipótese de adiamento por longo período se tornou menos provável.

Longe de proporcionar alguma ordem, a coincidência de disputas nacionais, estaduais e municipais resultaria, isso sim, num caos informativo para os votantes. Mais importante, porém, é o respeito à duração do mandato dos atuais incumbentes ?"um contrato básico num regime democrático.

Restam os problemas concretos e nada desprezíveis a serem enfrentados. Alguns deles, como o risco de aglomeração em convenções partidárias e os testes das urnas eletrônicas, já foram abordados em entrevista à Folha pelo ministro Luís Roberto Barroso, que assume no próximo dia 26 a presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

Barroso admite a possibilidade de algum atraso, mas preferencialmente por não mais que algumas semanas e sem afetar a renovação de mandatos em 1º de janeiro de 2021. Para tanto, especialistas entendem que seria necessária uma emenda à Constituição.

Nesse caso, outras opções podem ser viáveis, como sufrágios por dois ou mais dias, para minimizar as filas. Como a maior parte das forças políticas parece convergir para esse entendimento, cumpre trabalhar desde já para assegurar eleições que, mesmo realizadas em condições excepcionais, preservem a normalidade democrática.
Herculano
13/05/2020 16:08
EXAMES DE BOLSONARO ENTREGUES AO STF DERAM NEGATIVO PARA CORONAVÍRUS, APONTAM LAUDOS

Jornal 'O Estado de S. Paulo' pediu na Justiça acesso aos exames. Presidente tinha anunciado resultados, mas se recusou a mostrar documentos até o processo judicial.


Conteúdo do portal G1. Texto e apuração de Márcio Falcão, Rosanne D'Agostino, Fernanda Vivas e TV Globo - Brasília DF

Laudos entregues pelo governo ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o presidente Jair Bolsonaro teve resultado negativo nos exames para o novo coronavírus. Os exames foram abertos ao público nesta quarta-feira (13).

Os documentos só foram divulgados após o jornal "O Estado de S. Paulo" entrar na Justiça pedindo acesso.

Antes, o presidente já tinha anunciado os resultados negativos em redes sociais, mas se recusava a mostrar os laudos em si.

Segundo ofícios anexados pela AGU no Supremo, foram utilizados nos laudos nomes de terceiros para preservação da imagem e privacidade do presidente da República e por questões de segurança. O CPF e a data de nascimento nos papéis são, de fato, de Bolsonaro.

"Para a realização dos exames foram utilizados no cadastro junto ao laboratório conveniado Sabin os nomes fictícios Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz, sendo preservados todos dados pessoais de registro civil junto aos órgãos oficiais", afirma o ofício do Comandante Logístico do Hospital das Forças Armadas, Rui Yutaka Matsuda.

O processo chegou ao Supremo Tribunal Federal e, na noite desta terça (13), a Advocacia-Geral da União (AGU) forneceu os laudos ao ministro relator, Ricardo Lewandowski. Os papéis foram mantidos em envelope lacrado e, no início da tarde, Lewandowski determinou a inclusão nos autos, sem sigilo.

"Determino a juntada aos autos eletrônicos de todos os laudos e documentos entregues pela União em meu gabinete, aos quais se dará ampla publicidade", afirmou o ministro na decisão.

A ação movida pelo "Estadão" foi marcada por idas e vindas. O jornal chegou a receber decisões favoráveis, com a determinação de que o exame fosse entregue em 48 horas, mas o governo conseguiu reverter a ordem no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

O jornal recorreu, então, ao Supremo. Nesta terça, a AGU decidiu entregar os laudos antes mesmo de uma decisão do ministro Lewandowski.

Sequência de testes

O primeiro exame foi feito por Jair Bolsonaro logo após o retorno de uma viagem oficial aos Estados Unidos, em março. Naquele momento, uma TV americana chegou a afirmar que o presidente tinha sido contaminado, sem apresentar documentos.

Ao longo daquele mês, pelo menos 23 pessoas que participaram da viagem oficial testaram positivo para a Covid-19. O primeiro diagnóstico foi do secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, que já voltou ao Brasil isolado no avião e fez o teste após o desembarque.

Dias depois, Bolsonaro repetiu o teste como parte do protocolo de segurança, para evitar um falso negativo motivado pela chamada "janela imunológica". O presidente voltou a anunciar resultado negativo, sem apresentar qualquer comprovação.

O terceiro exame não foi divulgado pelo presidente em rede social, mas consta na lista de documentos entregues pela AGU.

Falta de cuidado

Os resultados de Jair Bolsonaro no teste de coronavírus geraram preocupação porque, desde o início da pandemia, o presidente da República infringiu, diversas vezes, os protocolos de distanciamento social e isolamento recomendados pelas autoridades de saúde.

Dias após voltar dos Estados Unidos, e já com a informação de que parte da comitiva estava contaminada, Bolsonaro rompeu o isolamento recomendado pelos médicos da Presidência da República e participou de um protesto na Esplanada dos Ministérios.

No ato, o presidente cumprimentou, abraçou e tirou fotos com apoiadores. Naquele momento, já havia recomendação para que todos evitassem aglomerações. Pessoas que tiveram contato com pacientes da Covid-19 já eram aconselhadas, também, a manter isolamento preventivo.
Herculano
13/05/2020 16:03
A PIMENTA NOS OLHOS

De Leandro Ruschel, no twitter:

Se é parar tudo, ótimo.

Que seja suspendo o pagamento de TODOS os funcionários públicos, imediatamente.

Vamos ver quanto tempo dura a quarentena depois disso.
Herculano
13/05/2020 13:04
da série: mais um técnico com a corda no pescoço e esperando a vez no cadafalso


BOLSONARO DÁ A SENHA PARA TEICH: OU CONCORDA OU ELE ESTÁ FORA, por Vicente Nunes, no Correio Braziliense, de Brasília DF

O presidente Jair Bolsonaro avisou, nesta quarta-feira (13/05), que gosta que seus ministros estejam alinhados com ele e com o que ele pensa. O recado teve direção certa: o ministro da Saúde, Nelson Teich, que, em mensagens publicadas em redes sociais, mostrou sérias restrições ao uso da cloroquina no tratamento de pessoas com a covid-19.

"Todos têm que estar afinados. Quando eu converso com os ministros, eu quero eficácia na ponta da linha. Nesse caso, não é gostar ou não do ministro Teich, tá? É o que está acontecendo. Nós estamos tendo aí centenas de mortes por dia. Se existe uma possibilidade de diminuir esse número com a cloroquina, por que não usá-la?. A gente não pode é, daqui a dois anos, falar: ah, se tivesse usado a cloroquina lá atrás, teríamos salvo milhares de pessoas. Só isso", afirmou.

Nas redes sociais, um dia antes, Teich havia sido enfático: "Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o "Termo de Consentimento" antes de iniciar o uso da cloroquina".

DISCUSSÃO

Bolsonaro destacou que, nesta quarta-feira, discutirá com Teich a ampliação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes contaminados pelo novo coronavírus. Para o chefe do Executivo, ainda que a eficácia desse medicamento não tenha sido comprovada, seu uso contra a covid-19 tem que ser pensado de forma emergencial.

"Vai ser discutido hoje com o ministro. O meu entendimento, ouvindo médicos, é de que ela (a cloroquina) deve ser usada desde o início para quem está no grupo de risco, pessoas com comorbidades, com idade", frisou. Ele disse também que o uso do medicamento contra a covid-19 não é opinião dele, porque não é médico.

"Mas muitos médicos do Brasil e de outros países entendem que a cloroquina pode e deve ser usada desde o início, mesmo sabendo que não há uma comprovação científica de sua eficácia. Mas como estamos em uma emergência, sempre foi usada desde 1955, e agora (combinada) com a azitromicina pode ser um alento para essa quantidade de óbitos que estamos tendo no Brasil", enfatizou.

Lembrando que uma das divergências com Bolsonaro que resultaram na demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde foi exatamente a resistência do então subordinado em reconhecer os benefícios da cloroquina no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus
Herculano
13/05/2020 12:50
da série: Bolsonaro não é santo. Nenhum político é santo. Ninguém é santo, nem mesmo Sérgio Moro. Bolsonaro foi eleito para quebrar a sacanagem sistematizada no governo e com aparo das instituições, todas infestadas de interesses, poderosos e até mesmo bandidos. Mas, o que Bolsonaro está fazendo, é algo que atrapalha toda essa intenção. Impressionante. Parece que apenas está se trocando de gangue. E não se trata de fofoca coisa de adversário ou inimigo. Está expresso em imagens e áudios.

MINISTRO DO STF DIZ QUE ENCONTRO MINISTERIAL ERA REUNIÃO DE INSANOS, por Mônica Bérgamo, do jornal Folha de S. Paulo

Magistrados afirmavam ser melhor ter conhecimento integral da fita antes de tomar posição mais contundente
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) defendiam cautela diante das versões divulgadas sobre o vídeo da reunião em que Jair Bolsonaro ameaça demitir Sergio Moro se não houvesse mudança na superintendência da PF (Polícia Federal) do Rio de Janeiro.

CALMA
Diante da gravidade do que foi ventilado, alguns magistrados afirmavam ser melhor ter conhecimento integral da fita antes de tomar posição mais contundente, já que as falas do presidente podem estar sujeitas a várias interpretações.

DOIS PESOS
Uma delas, mais generosa, é a de que Bolsonaro estava preocupado com a segurança da família. A outra é de que apenas queria blindar os filhos.

DEPRESSA
O ministro Celso de Mello, que relata o caso, deve receber em breve transcrição integral das falas.

OS INSANOS
Um dos ministros diz que, diante das falas de ministros como Abraham Weintraub, do MEC, que defendeu a prisão dos integrantes do STF, ou de Damares Alves, dos Direitos Humanos, que defendeu a prisão de governadores e prefeitos, frente a generais calados, já é possível ao menos uma conclusão: trata-se de um grupo de insanos no coração do governo.
Herculano
13/05/2020 09:08
BOLSONARO REVELA-SE UM CHEFE DE ORGANIZAÇÃO FAMILIAR, por Josias de Souza, no UOL

Jair Bolsonaro chegou à Presidência surfando a irritação do eleitorado com as organizações criminosas que saquearam o Estado brasileiro. Prevaleceu no tranco, sem máquina partidária. No poder, revelou-se chefe de uma organização familiar. Desfiliou-se do PSL. Seu partido é a família.

Durante a campanha, quando questionado sobre planos de governo, Bolsonaro repetia um versículo do Evangelho de João: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." O caso da PF traz à tona uma verdade dura de roer: a agenda secreta do presidente é o favorecimento do seu clã.

Confirmou-se o que revelara Sergio Moro, autoconvertido em delator à espera de receber um prêmio em 2022. Bolsonaro foi mesmo gravado em reunião ministerial trombando com seu ministro da Justiça para trocar o chefe da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Transgressor didático, Bolsonaro abdicou dos métodos tradicionais de ocultamento. Espalhou as pistas que agora facilitam a reconstituição dos seus movimentos. Agiu com espalhafato.

Na reunião ministerial de 22 de abril, diante das câmeras e de três dezenas de autoridades, o presidente sapecou um palavrão. E declarou que não esperaria que sua família e seus amigos fossem prejudicados para trocar a chefia da PF no Rio, berço de suas aflições.

Em vez de libertar, a verdade das urnas acorrentou o país ao líder de uma dinastia com a imagem já bem rachadinha. Gente amiga de um tal Fabrício Queiroz, que tem conhecidos no ramo das milícias, muito pujante no Rio.

Desde o ano passado, Bolsonaro emitia sinais de que não mediria esforços para continuar sendo, à sua maneira, um ótimo pai. Não chegou a fornecer bons exemplos. Mas espalhou fabulosos avisos.

"Lógico, pretendo beneficiar filho meu, sim. Pretendo, se puder, dar filé mignon", declarou o capitão, na época em que tentou emplacar o Zero Três Eduardo na poltrona de embaixador do Brasil em Whashington.

Num esforço para proteger o Zero Um Flávio, o capitão desligou o Coaf da tomada, transferindo-o das mãos de Sergio Moro para os fundões do Banco Central.

Ultimamente, Bolsonaro anda inquieto com um inquérito sobre fake news, que roça os calcanhares do Zero Dois Carlos no Supremo Tribunal Federal. Coisa relatada pelo ministro Alexandre de Moraes.

A família é como varíola, ensinou Jean-Paul Sartre. "A gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida." Na organização familiar dos Bolsonaro, quem sai aos seus não endireita.

O pai abriu caminho na política. Vieram os filhos: um vereador, um deputado e um senador. Está no forno a candidatura do Zero Quatro Renan. Na filhocracia, os Bolsonaro não se sentem pessoas públicas. O país é que lhes atrapalha a vida privada, 100% bancada pelo patrimonialismo.
Herculano
13/05/2020 09:05
O DESCONFORTO AUMENTA, por Hélio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, no jornal Folha de S. Paulo

Guedes não fatiará seu ministério para o centrão

Há meras duas semanas começou o desconforto do ministro Paulo Guedes com a tentativa de um grupo com membros no Planalto, na Esplanada dos Ministérios e no Congresso de emplacar um plano de investimentos públicos à sua revelia, o Pró-Brasil.

O desconforto vem subindo com os desdobramentos do acordo entre o presidente Bolsonaro e o centrão. O Republicanos, partido-membro do centrão cuja maioria de deputados compõe a bancada evangélica, quer abocanhar a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia, comandada por Carlos da Costa. Seu pleito é recriar o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços sob o comando de Marcos Pereira, que foi ministro da pasta durante o governo Temer.

As direções da Funasa, do FNDE, do Banco do Nordeste, do Dnit, da Codevasf e de outras estão sendo pleiteadas por partidos-membros do centrão. Tais cargos cumulativamente controlam verba de quase R$ 80 bilhões, que supera o orçamento total administrado por todos os governadores, exceto os de São Paulo, Rio e Minas Gerais.

A dança dos cargos é um efeito colateral adverso da volta à velha política do presidencialismo de coalizão, uma espécie de arranjo institucional sustentado em acordos políticos entre o Executivo e parte do Legislativo em prol de um objetivo comum.

Acuado, o interesse do Executivo em seu acordo com o centrão é o apoio para bloquear tentativas de impeachment e assim garantir a governabilidade. Em troca, o centrão deseja os cargos no Executivo e a liberação de emendas parlamentares durante a negociação do Orçamento da União.

O centrão também tenta angariar apoio do Palácio do Planalto para as eleições daqui a nove meses das presidências da Câmara e do Senado, em sucessão a Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente, que não podem ser reeleitos.

A campanha começou precocemente e é encabeçada por Arthur Lira, líder do centrão e articulador do acordo com o presidente Bolsonaro.

A caneta do presidente da Câmara é talvez a mais poderosa do Brasil, em parte devido ao regimento interno arcaico e centralizador. O presidente da Câmara tem a palavra final sobre aberturas de processo de impeachment, instalações de CPIs e sobre a ordem do dia. Ainda que os demais 512 deputados desejem pautar determinado projeto de lei para votação, o presidente tem o poder imperial de barrá-lo a seu critério exclusivo.

O acordo com o centrão representa uma virada de 180 graus do presidente Jair Bolsonaro, que sempre rechaçou a política do toma lá dá cá, que no Brasil historicamente simbolizou imoralidade e corrupção.

Guedes já deixou claro que renunciará caso o Ministério da Economia seja fatiado ou caso seja obrigado a sucumbir a nomeações de cunho político.

Guedes vem sendo sistematicamente atacado pelos flancos: de um lado, pela esquerda petista-psolista que obstaculizou e votou contra o marco do saneamento e a privatização de estatais, e, de outro, pelos militares que desejam ressuscitar planos desenvolvimentistas dos anos 1970. Agora o golpe é frontal: o blocão do centro. Espero que resista.

Geralmente, quando alguém tenta obstinadamente distanciar-se de algo, acaba dele se aproximando. O presidente Bolsonaro, obcecado em evitar o impeachment, parece aumentar seu risco ao relegar a pauta propositiva de seu governo a segundo plano e aliar-se a um grupo liderado por réus e investigados da Lava Jato.

Esse grupo sabidamente tem uma prioridade: dinheiro aplicado diretamente nas bases para angariar votos nas eleições. São velhos hábitos que rondam o presidente.
Herculano
13/05/2020 09:03
BOLSONARO FALAVA EM SEGURANÇA FAMILIAR? LOROTA! É TAREFA DO GSI, NÃO DA PF,por Reinaldo Azevedo, no Uol

Bolsonaro ensaia explicação na rampa: "Nem falei Polícia Federal". Não agrediu os jornalistas!!! Olhem os coleguinhas aglomerados. Cuidado com o vírus!

Sei lá que malabarismo verbal vão tentar para evidenciar que, na reunião-tarja-preta no dia 22 de abril, ao falar sobre sua família, o presidente Jair Bolsonaro estaria preocupado, na verdade, com a segurança pessoal da turma. Na entrevista que concedeu a jornalistas no alto da rampa - cuidado com o corona, moçada! ?", o presidente insistiu que não pronunciou a expressão "Polícia Federal" naquela oportunidade. Temos de assistir ao vídeo, não é mesmo? Em seus respectivos depoimentos, os generais Braga Netto (Chefe da Casa Civil) e Augusto Heleno (Gabinete da Segurança Institucional) dizem não ter percebido a pressão sobre Sérgio Moro e endossam a versão de que Bolsonaro estava preocupado com familiares.

Sim, é complicado falar sem ver o vídeo. Agora, a coisa não faz sentido. Quando, ao tratar do assunto, o presidente ameaçou demitir todo mundo, inclusive o ministro, estava, afinal, a falar com quem? Essa pergunta é importante em razão de um fato concreto.

GSI FAZ SEGURANÇA DA FAMÍLIA, NÃO PF

A Polícia Federal nada tem a ver com a segurança dos familiares do presidente. O que Moro tem com isso além de nada? Essa é uma atribuição do Gabinete da Segurança Institucional. Assim já era no governo Temer, com a Lei 13.402, de 1º de novembro de 2017. Ela foi inteiramente revogada pela Lei 13.844, de 18 de junho de 2019 - já sob o governo Bolsonaro.

E o zelo com a segurança de presidente e familiares continuou com o GSI. Está precisamente no "Item 2" da "Alínea a" do Inciso VI do Artigo 10 da referida lei. Assim, pergunta-se: se Bolsonaro deu algum chilique, preocupado com a segurança de familiares, ameaçando com demissão, então o ameaçado era o general Heleno? Não, ne?

O que parece é que se está diante de uma linha de defesa, não é? Sem ver a fita, dá para a gente fazer algumas ilações consistentes. Todo mundo sabe que Bolsonaro é o rei do "cogitus interruptus". Suas conversas não costumam ter muito foco. Ele dá saltos lógicos no que respeita à linguagem, mistura tempos, eventos, coisas de naturezas distintas. Trabalhar com ele deve ser um inferno, especialmente quando tem alguma cisma.

É possível que tenha tido um desses ataques, que vão largando palavras soltas pelo meio do caminho. Exceção feita aos respectivos depoimentos dos militares e ao próprio Bolsonaro, os que se lembram daquela reunião entenderam que o alvo da sua bronca era Moro. E que, quando empregou o verbo "foder" para significar "pôr sua família em risco", estava se referindo à Polícia Federal. O presidente se apega agora ao que seria um detalhe: não teria pronunciado a expressão.

O ministro Celso de Mello, relator do caso no Supremo, terá acesso à transcrição da reunião. Há o risco de que, sem ver o filme, não consiga entender direito o que aconteceu. De toda sorte, há esta questão primária: o que tinha a PF a ver com seus filhos, além de nada? O que há no Rio, aí sim, é a investigação do caso Marielle e a da rachadinha da Assembleia. Mas ambas são conduzidas pela Polícia Civi.

PARANOIA

É notória, no entanto, a paranoia do presidente, especialmente depois que passou a desconfiar -- e com razão nesse caso - que Moro quer para si a cadeira em que ele senta. Depois de entregar ao ex-juiz poderes que um ministro da Justiça nunca teve, Bolsonaro começou a ficar com medo de ser investigado na surdina. O "foder" a família, no caso, tem tudo para ser o temor de que, de súbito, pudesse eclodir uma operação da Polícia Federal tendo filhos ou aliados seus como alvos.

Exceção feita a Carlos, que é vereador do Rio fora do Rio, os outros dois políticos da família têm foro no Supremo; o deputado Eduardo e o senador Flávio. E qualquer ação que envolvesse, por exemplo, mandado de busca e apreensão contra a dupla teria de contar com a autorização de um ministro do Supremo. Não podem, de resto, ser presos a não ser em flagrante de crime inafiançável (Parágrafo 2º do Artigo 53). Ocorre que Bolsonaro acredita que há um núcleo de conspiração contra ele também no Supremo.

Será muito difícil ao presidente convencer o distinto público de que se referia à segurança pessoal de seus familiares. Há uma lei a respeito. Elaborada pelo próprio gabinete de Bolsonaro e aprovada pelo Congresso. E quem cuida da área é o GSI do general Heleno, não a ex-Polícia Federal de Moro. Ou a Polícia Federal do ex-Moro. Ou a ex-Polícia Federal do ex-Moro.
Miguel José Teixeira
13/05/2020 09:02
Senhores,

1) Pela sua formação militar, os Generais não mentiram ao depor sobre as acusações feitas por Moro ao presidente. Porém, soaram como meias-verdades.
O lema do Exército Brasileiro é "Braço Forte e Mão Amiga"
Portanto, se consideramos que meias-verdades são meias-mentiras, será justo afirmar "Braço Meio-Forte e Mão Meia-Amiga"?

Respostas para o "Gardelón" que as entregará para o "Gandola". . .

2) Será o Arquivo-Geral da República a ponte entre o PGR e o STF?

Respostas para. . .
Herculano
13/05/2020 09:00
QUANDO UMA MEDIDA EXTREMA É BANALIZADA, por Roberto Azevedo, no Makingof

O enfrentamento político partidário, algo legítimo, agravado pelo sentimento de que o governador Carlos Moisés não tem o número suficiente para evitar um julgamento em plenário, 14 votos de deputados, produziram a banalização dos pedidos de impeachment encaminhados à Assembleia.

A medida extrema, tomada quando não se tem mais a condição de remediar um situação, virou corriqueira pelas mãos dos deputados Ana Caroline Campagnolo (PSL) e Maurício Eskudlark (PL) que dão a entender que ignoram a série de investigações encampadas pelo Ministério Público Estadual, a Polícia Judiciária Civil, o TCE, as sindicâncias internas no Executivo ou a própria CPI dos Respiradores, que teve a sua primeira reunião na terça (12).

Para os propositores, que utilizam o fato como uma revanche contra Moisés, política ou ideológica, tanto faz o que será apurado ou averiguado nessas diversas frentes, vale apostar na sangria do governador, do governo e, por fim, da sociedade, a que acompanha na torcida, de um lado ou de outro, sem saber que a única certeza neste processo é quem pagará a conta salgada, o contribuinte.

ARGUMENTOS

Reclamar em um pedido de impeachment de que não cabe ao Estado adotar medidas de controle de combate à pandemia é inconcebível.

O Supremo Tribunal Federal reiterou que são os estados e municípios, governadores e prefeitos, que devem tomar as providências e fazer cumpri-las, mas está dentro do que foi debatido na tal reunião ministerial, em Brasília, onde teve ministro que pediu a prisão de ministros do Supremo e outros a punição de prefeitos e governadores por ousarem defender a saúde pública.

DEDUÇÃO

Fazer barulho político para emparedar o Executivo nem sempre significa atuação e pode ter o efeito contrário, há uma fila de outros pedidos de impeachment que parece ser orquestrado a cada dia, certamente com interesses diferentes, sem focar em um detalhe: o crime de responsabilidade, que vai além da subjetividade de gostar ou não do governador ou de medidas que ele tomou.

Tanto que em outro pedido, feito pelo deputado Ivan Naatz (PL) há um erro de objetivo, já que atinge mais do que Moisés e chega à vice-governador Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil), que está na decisão unânime do TCE, de que não poderia existir a equiparação salarial entre procuradores do Estado com os da Assembleia, não totalmente conclusa, pois cabem explicações do próprio Executivo.

VIROU ALVO?

A Daniela Reinehr é a saída apontada por parte da oposição a Moisés, a mais ruidosa, como solução em caso de impeachment do titular, mas no pedido de Naatz, tal qual na decisão do TCE, ela virou alvo.

Seria difícil retirá-la do processo, mesmo que a justificativa seja a de que foi envolvida ou não teve tempo para agir.

OPORTUNISMO

Moisés terá que responder por erros que cometeu com base em provas, embora o próprio procurador-geral de Justiça, o chefe do MP, tenha reiterado que, até o momento, nada o liga ao que foi apurado em torno do ex-secretário Douglas Borba (Casa Civil) e outras pessoas investigadas pela força-tarefa.

Os pedidos de impeachment colocam a carroça na frente dos bois ou dão enredo de filmes de sequência não linear, aqueles que começam pelo fim, têm o começou na metade e encerram pelo miolo.

MANIFESTAÇÃO

A Associação dos Procuradores do Estado de Santa Catarina posicionou-se pela legalidade ao não concordar com a decisão do Tribunal de Contas do Estado, que suspendeu a equiparação salarial da categoria com os procuradores da Assembleia.

A Aproesc estuda medidas judiciais cabíveis e declara que os procuradores, que se mantiveram firmes no desempenho de suas atribuições mesmo diante do que qualificam de "constantes e injustas investidas contra suas prerrogativas, que atingiram seu limite" e que a categoria não irá tolerar "mais ataques à categoria responsável pelo controle de legalidade e pela defesa dos interesses do Estado e da sociedade".

CPI

Na primeira reunião da CPI dos Respiradores ficou definido que os primeiros a serem ouvidos serão Karin Sabrina Duarte, diretora de gestão de licitação de contratos da Secretaria de Estado da Administração; Leandro Adriano de Barros, ex-secretário de Saúde de Biguaçu, advogado e pessoa de confiança do ex-secretário de Estado da Casa Civil Douglas Borba; Mariana Rabelo Petry, advogada em Biguaçu; Mateus Hoffmann, ex-secretário-adjunto da Casa Civil; e o coronel PM João Batista Cordeiro Júnior, chefe da Defesa Civil do Estado.

O integrantes da comissão também aprovaram dois requerimentos do deputado João Amin (PP): um para que seja feita uma acareação entre Helton Zeferino (ex-secretário de Estado da Saúde), Douglas Borba (ex-secretário da Casa Civil) e Márcia Pauli (ex-superintendente de Gestão Administrativa da Secretaria de Estado da Saúde); e outro para ouvir na CPI Rafael Wekerlin, CEO da Brazilian International Business (que diz ter sido sondado para uma propina e cuja proposta serviu de base para o que a Veigamed veio a realizar, uma verdadeira cópia), e o controlador-geral do Estado, Luiz Felipe Ferreira.

MISSÃO

Ex-secretário de Comunicação do governo de Eduardo Pinho Moreira (MDB) e atual assessor particular do governador Carlos Moisés, o jornalista Gonzalo Charlier Pereira, assumirá a Secretaria Executiva de Comunicação.

Cauteloso, Gonzalo só se manifestará, por princípios, depois de divulgada a nomeação no Diário Oficial, enquanto o jornalista Ricardo Dias, que ocupava a pasta, será o novo responsável por acompanhar Moisés em suas andanças e compromissos.
Herculano
13/05/2020 08:53
LUZ DO SOL, por Vera Magalhães, no jornal O Estado de S. Paulo

Só transparência total vai resolver impasse duplo que inquieta o País

Não é só a vitamina D, tão necessária nesses tempos em que vivemos confinados, que precisa da luz do sol para ser ativada. Só a claridade vai tirar o Brasil do impasse cada vez mais grave em que Jair Bolsonaro joga o País.

O agente capaz de escancarar as janelas e cortinas e iluminar dois cômodos que o presidente gostaria de manter nas trevas é o mesmo: o Supremo Tribunal Federal.

O presidente da Corte, José Antonio Dias Toffoli, bem que demonstrou, em sua densa, porém cautelosa, entrevista ao Roda Viva, minimizar os riscos para a democracia que Bolsonaro representa com seus atos e palavras. Apostou em diálogo e união de todos os Poderes para enfrentar a crise.

Menos de 24 horas depois, a sessão de cinema determinada pelo decano Celso de Mello parece ter entornado a pipoca da concertação nacional: segundo relatos em off de alguns dos espectadores, a reunião ministerial de 22 de abril se assemelhou mais a um filme de gângsteres.

Dada a gravidade dos spoilers de quem viu o filme, Celso de Mello precisa torná-lo público. Se há exortações à prisão de membros da mais alta Corte da Justiça e de governadores por parte de ministros e a explicitação verbal pelo próprio chefe de governo de que quer proteção da Polícia Federal para familiares e aliados, além da admissão de que a revelação de seu exame para covid-19 poderia alimentar um impeachment, as razões de segurança nacional obrigam à publicidade total da reunião, e não à manutenção de seu sigilo, como insiste o Executivo.

A outra persiana de informação pública que precisa ser erguida é justamente a do exame, ou dos exames, de Bolsonaro para o novo coronavírus. Quando o surto ainda não começara no Brasil, o presidente foi com uma grande comitiva à Flórida para confraternizar com Donald Trump. Boa parte da trupe testou positivo para covid-19. Outros que tiveram contato com os descuidados viajantes foram acometidos depois.

Bolsonaro disse ter testado negativo, mas tripudiou: mesmo que pegasse, para ele seria só uma "gripezinha" ou "resfriadinho", dado seu "histórico de atleta".

Uma coisa é dizer que foi acometido pelo vírus e ficou assintomático, algo comum. Outra completamente diferente, e de extrema gravidade em se tratando de um chefe de Estado em meio a uma crise de calamidade pública decretada a seu próprio pedido, é mentir sobre o resultado de um teste enquanto fura a necessária quarentena e prega contra as medidas de isolamento social recomendadas pelas autoridades de saúde.

Não se sabe se Bolsonaro fez isso. Mas a insistência em esconder resultados de um simples exame (negativo!) por parte de alguém que, há alguns anos, exibia orgulhoso uma bolsa de colostomia, aliada à frase dita por ele na reunião ministerial, segundo os relatos, deveria fazer o STF obrigar a Presidência a divulgar o resultado dos testes, sem essa história de nome falso ou de sigilo.

Na mesma linha da mentira de Estado, Bolsonaro se jacta de ter entregado a fita da reunião, sendo que poderia tê-la "destruído", se quisesse. Balela! A partir do momento em que um depoente em um inquérito afirma, após jurar dizer a verdade, que um documento oficial existe e pode provar infrações, sua destruição é crime.

Episódios anteriores como o áudio de Joesley Batista com Michel Temer mostram a importância de se ver e ouvir esse tipo de documento antes de cravar conclusões. Naquela ocasião, fui dos que acharam que a fala de Temer não permitia chancelar a conclusão de que ele avalizou o suborno a Eduardo Cunha.

Agora, só a luz do sol sem filtro permitirá que se saiba se o que ocorreu em 22 de abril foi uma reunião de trabalho de um governo democraticamente eleito ou uma conspiração contra os preceitos do estado democrático.
Herculano
13/05/2020 08:51
da série: o Brasil volta ao normal com os políticos e bandidos no comando

CENTRÃO QUER ESCOLHER SUPERINTENDENTES DA PF

Conteúdo de O Antagonista. O Centrão quer opinar na escolha dos superintendentes da PF.

"Com a restrição do foro privilegiado, investigações fora do atual mandato são tocadas pelas superintendências nos estados", diz a Época.

"Entre as praças com deputados interessados em indicar delegados estão Alagoas, Pernambuco e São Paulo".

Jair Bolsonaro cobrou de Sergio Moro a necessidade de proteger seus familiares e amigos. Bem, o Centrão é amigo.
Herculano
13/05/2020 08:46
da série: um teimoso que perde a vasta credibilidade que tinha por pouca coisa e aos poucos vai se tornando um mentiroso contumaz ou um doido varrido.

AGU ENTREGA EXAMES DE BOLSONARO A LEWANDOWISKI E DIZ QUE RESULTADO É NEGATIVO

Conteúdo de O Antagonista. A Advocacia Geral da União informou que entregou a Ricardo Lewandowski os exames de Jair Bolsonaro para a Covid-19.

"Os laudos confirmam que o presidente testou negativo para a doença", diz nota divulgada pelo órgão.

Os exames foram entregues em mãos por volta das 22h e estavam lacrados. Amanhã pela manhã, Lewandowski vai analisar os laudos e decidir sobre a divulgação.
Herculano
13/05/2020 08:43
O MORDONO

De Mário Sabino, de Crusoé, no twitter:

Entendi: Bolsonaro trocou o diretor-geral da Polícia Federal, o chefe da PF no Rio e o ministro da Justiça pq estava insatisfeito com os seus guarda-costas. Insatisfeito com os motoristas do Planalto, ele deve agora trocar o ministro da Infraestrutura.
Herculano
13/05/2020 08:38
NSC DEMITE MOACIR PEREIRA, por Cleiton Selistre, ex-diretor de jornalismo da RBS SC TV ?

O decano dos comentaristas políticos catarinenses, Moacir Pereira, foi demitido ao voltar de férias pela NSC. Ele desempenhava funções na rádio CBN Diário e no site NSC Total.

A saída de Moacir foi divulgada pelo colunista do Notícias do Dia, Cacau Menezes, sem detalhes, mas com a dica de que amanhã ele terá novo trabalho. Como o próprio colunista de variedades informou, Moacir vai atuar no grupo ND.
 
Corte

Como a NSC fez acordo com os funcionários para redução salarial, conforme legislação federal, havia a expectativa interna de que só profissionais em férias ainda poderiam ser demitidos ao voltarem. Foi o caso de Moacir. A interlocutores, ele manifestou insatisfação pelo modo que saiu, sem ter contato com nenhum diretor da NC.  

MEU COMENTÁRIO, por Herculano Domício

O jornalismo como conhecíamos está passando por transformações no mundo, e há pelo meno mais de dez anos. E quem não se adaptou, principalmente os veículos nacionais ou estaduais, está pagando caro.

Os municipais, principalmente em municípios muito pequenos, o velho modelo ainda persiste, mas está com os dias contados. As redes sociais e aplicativos de mensagens são mais ágeis e até eficazes.

E por que? A notícia em si, virou commodity. É igual e está disponível para todos, ainda mais quando não se pode dar detalhes de nomes de vítimas, ladrões, envolvidos etc. e tal. Nas redes sociais e aplicativos de mensagens, longe de censuras e perseguições processuais, trazem mais detalhes, depoimentos e imagens chocantes.

O que faz diferença no jornalismo profissional de hoje e bem envelhecido nas escolas que se tornaram madrassas da esquerda do atraso e curso com dias contados no modelo como estão montados? Investigação, furos relevantes (não fofocas) que trazem credibilidade e principalmente as análises (política, econômica, sociais, comunitárias, esportes...).

E isso não se ensina, é uma habilidade, é até um ato de fé e coragem. É preciso capacidade, conhecimento e até resignação ao enfrentamento dos poderosos encastelados e afetados pelo desnudamento.

A RBS quando veio para Santa Catarina acabou com a concorrência (comprou tevês e principalmente os dois jornais rivais (A Notícia, de Joinville, e Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, fortes em suas regiões e com circulação e influência estadual).

Ao mesmo tempo, porque não conseguiu comprar, aniquilou o jornal "O Estado", a referência da Capital, além de acabar com o padrão standard, e introduzir o formato tablóide (de má conceito para a época) com a inauguração do Diário Catarinense. Privilegiou a plástica ao conteúdo.

A RBS SC fez do jornalismo quase como sua uma plataforma de negócio, tanto que seu principal executivo acabou virando um executivo do governo plantão e facilitador dessa relação.

E para completar, a Adjori - que reúne os jornais do interior - nesse esquema de retirar o valor crítico local contra o poder de Florianópolis - virou uma agência de notícias dos interesses dos governantes de plantão no interior de Santa Catarina.

E ai perdeu até o valor crítico local para não conciliar interesses econômicos de sobrevivência. Não foi o caso, porém deste Cruzeiro do Vale, com 30 anos de circulação, que continua líder tanto no portal como na circulação e credibilidade, por não perder a embocadora crítica.

A saída de RBS de Santa Catarina foi calculada. O seu modelo se exauriu. A NSC - sem experiência nesse negócio - pegou a bucha. Ela não estava adaptada aos novos tempos da indústria jornalística, não tinha (e tem) cacoete para investigar e nem peitar os poderosos nos seus jogos do escapismos. O resultado está ai.

Resta a NSC se reinventar com os novos, criar uma nova geração, e economizar antes que o "império" vire pó. Aos velhos jornalistas com opinião, sobrou ao menos um local para verbalizar: a ND MAIS, da família Petrelli, identificada com Santa Catarina. Ambos ganham. É possível que os catarinenses ganhem.

No caso do Hospital de Campanha de Itajaí e principalmente os dos respiradores, não foi a então "poderosa" NSC que os denunciadores procuraram para mostrar que tinha gato na tuba que o governo negava ou dissimulava, foi a ND Mais.

E por que disso? Porque, os denunciantes confiam mais em uma e menos em outra. Simples assim. E é assim que a NSC precisa entender o recado dado e correr atrás para salvar, no mínimo, o seu passado.
Herculano
13/05/2020 08:04
A INVISÍVEL ROUPA DO REI, por Carlos Brickmann

Não pensem que o presidente Bolsonaro é o único a mandar no ministro da Saúde, como é mesmo que ele se chama? O presidente, aliás, nem se dá ao trabalho de mandar: passa por cima dele, e ele que descubra, quando os repórteres lhe perguntam, o que foi feito no Ministério que ocupa. Não tem a menor preocupação com o que o ministro vai achar: ele não vai achar nada. E é provável que goste: embora tenha de pedir aos repórteres que lhe contem o que acontece na sua área, continua no cargo, mantendo-se em obsequiosa obediência. O fato é que não dá nem para disfarçar: acaba dando respostas tatibitates. Até seu rosto sempre impassível mostra que não sabia de nada.

Mas Bolsonaro vá lá: afinal de contas, é seu superior hierárquico, graças a ele deixou de ser conhecido apenas nos círculos médicos, virou estrela - estrela apagada, que já deu o que tinha que dar, estrela anã, mas estrela.

Porém, o ministro da Saúde tomou uma lição inesquecível ministrada por uma menina de seis anos. Foi visitar sua mãe no domingo, e quando ia tomar o elevador a menina lhe disse que não podia entrar. Teich, de máscara, já dentro do elevador, perguntou por que, pois o elevador era grande. E teve de ouvir da menina aquela norma que, embora ministro da Saúde, esquecera: nos elevadores residenciais, só deve entrar uma família por vez. Saiu e pediu desculpas: ainda bem, é um moço educado. Mas, como na fábula, foi preciso que uma criança se antecipasse aos adultos e informasse que o rei estava nu.

A SORTE ESTÁ LANÇADA

Pois é, Sergio Moro tinha razão. A história que narrou no depoimento à Polícia Federal foi confirmada pelo vídeo da reunião do Ministério em que, em meio a baixarias e palavrões, o presidente disse que precisava nomear o superintendente da Polícia Federal no Rio para proteger sua família. O filho mais velho de Bolsonaro, Flávio, vem travando longa batalha judicial para se proteger de investigações, mas não da Polícia Federal. Há rumores, porém, de que outros dois filhos, Eduardo e Carlos, estejam na mira dos federais, por participar do esquema de distribuição de notícias falsas e convocação para atos antidemocráticos. Esta informação não é confirmada, mas circula já há um bom tempo. E antigos aliados de Bolsonaro, hoje rompidos com ele, fizeram parte do esquema de comunicação da campanha presidencial.

GENTE FINA

OK, como diria Bolsonaro. Uma reunião fechada não exige os códigos de comunicação de uma reunião aberta. Mas houve ali, fora a linguagem pouco educada, propostas francamente antidemocráticas: alguém propondo, por exemplo, a prisão de prefeitos e governadores (e dizendo que o faz em nome dos direitos humanos).

A reunião não era aberta, mas esse tipo de proposta é enquadrável na Lei de Segurança Nacional. Não deve ir para a frente, já que o caso mais importante é o do presidente. Mas se o procurador-geral da República quiser, pode trazer problemas a quem a fez. Lembrando o caso de outro país, tudo o que ocorreu entre o presidente Bill Clinton e Monica Lewinsky foi fechado ao público, e por pouco Bill Clinton não caiu.

E AGORA?

Do jeito que Moro saiu, com uma carta contundente, que Bolsonaro não hesitou em desmentir, há duas possibilidades: Moro tem razão, e Bolsonaro está sujeito a responder pelas propostas ilegais, ou Bolsonaro tem razão, e Moro está sujeito a responder por denunciação caluniosa. Mas estamos no Brasil e há uma terceira possibilidade: ao receber o inquérito, o procurador Augusto Aras pode achar que não há motivo para oferecer denúncia contra ninguém. Pronto, caso encerrado. É sempre bom lembrar que impeachment precisa ter embasamento jurídico, mas só vai para a frente se tiver também embasamento político. Neste momento, com cerca de 30% do eleitorado a seu favor (e metade desses, pelo menos, fanaticamente a favor), não se pode falar em impeachment. Bolsonaro ainda precisa de desgaste para virar alvo.

A PROPóSITO

De qualquer forma, o presidente vem-se esforçando muito para aumentar seu desgaste. Já existe hoje mais gente que considera seu Governo péssimo ou ruim do que os que o consideram ótimo ou bom. Até nas redes sociais, em que tem força (e muitos robôs), Bolsonaro vem sendo derrotado há mais de 50 dias. Mas mantém o estilo briguento de administrar: hoje, no Supremo, tem relacionamento melhorzinho (embora não muito bom) com Toffoli e Luiz Fux. Com os outros nove, é ruim. Tem tido derrotas seguidas no STF. No Congresso, ao aliar-se ao Centrão, entregando-lhe bons cargos, está mais tranquilo. Mas o Centrão normalmente reivindica o tempo todo. Como nos tempos de hiperinflação, o preço de hoje é sempre menor que o de amanhã.

NOTÍCIA BOA, NOTÍCIA RUIM

A notícia boa é que o Brasil deve ampliar as exportações de carne em 7%. A notícia ruim é que, enquanto os alertas de desmatamento na Amazônia crescem 55%, as verbas para combatê-lo são 36% menores que em 2019.
Herculano
13/05/2020 07:59
O CENTRÃO VÊ A ECONOMIA NA CRISE DE BOLSONARO, por Vicinius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Não há impulso para impeachment, mas economia vai mudar, diz um líder do bloco

O governo falou muito, mostrou "boa vontade", mas entregou pouco até agora, dizia nesta terça-feira (12) um deputado líder do centrão que negocia aliança e cargos com o Planalto. O parlamentar falava no começo da noite de todos os rumores sobre o vídeo da reunião ministerial em que Jair Bolsonaro teria ficado, mais do que nu, em carne viva - ou morta, a depender do boato e do ânimo crítico do espectador.

E daí? Daí que o vídeo degradaria a situação política de Bolsonaro, óbvio. Ainda não parece "tiro na cara", como diz o deputado, mas o presidente precisaria de mais gente firme na Câmara para se segurar na cadeira e "governar com estabilidade" (sic).

Continua não haver risco de processo de impeachment, por ora, na opinião do deputado, para quem, no entanto, que está muito difícil medir a temperatura do Congresso e do país em geral, por causa do distanciamento provocado pelo vírus.


Por enquanto, "sem uma bomba grande", não haveria impulso grande para criar um movimento relevante para depor Bolsonaro. Nem as pesquisas de opinião mostram descalabro do prestígio presidencial nem "as bases" dele e de parlamentares próximos pressionam por alguma movimentação. Nem mesmo os governadores, diz.

Mas o governo piscou, porque está mais fraco. Ainda não sabe fazer o básico da articulação no Congresso, apesar da boa vontade dos generais do Planalto, diz o deputado.

E daí? A crise renovada a cada dia pode levar a mudança substancial de planos do Ministério da Economia, como se especula?

Não muda grande coisa, diz o deputado. Primeiro, porque o Congresso está mais devagar, com outras prioridades e daqui a pouco vai ter de pensar o que fazer da eleição (datas e campanhas). Segundo, porque o centrão ou pelo menos seu partido tem compromisso com "as reformas", afirma. Mas o governo vai ter de mostrar mais "sensibilidade".

O quer quer dizer "sensibilidade"? Não se trata apenas de cargos ou ministérios, diz o deputado. O governo teria de olhar mais para os pobres e para as empresas que estão quebrando, muito pequeno negócio. Apresentar um plano para o país ter esperança de sair da crise, ter uma relação mais estável com os deputados. Pensar um modo "inteligente" de lidar com a eleição do próximo presidente da Câmara. Tem de ajudar a formar a base, mas não pode querer decidir resultado.

Objetivamente, poderia vir mudança mais essencial, tal como mexer no teto de gastos, por exemplo? Ninguém fala disso, no sentido de que não é nem assunto de discussão grande. O teto não impediu o aumento de gasto extraordinário neste ano, argumenta. Não quer dizer que o gasto extraordinário vá continuar no ano que vem. Mas vai ser preciso rediscutir o caso a cada avaliação que houver da economia e da "crise social".

Com uma queda grande da economia, a vida estará difícil também em 2021. Não será possível cortar a ajuda de uma hora para outra e não é possível ficar apenas na ajuda (como o auxílio emergencial). Vai ser preciso criar emprego, diz. Como fazer, é uma questão.

Essa história de que o centrão quer logo um plano de obras e gastança seria conversa. Ninguém sabe direito o que fazer nem tem ainda articulação para fazer uma mudança: "O pessoal está meio na muda, quieto, olha até o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara]". Mas a situação mudou, daqui a pouco vai aparecer uma ideia de mudar também alguma coisa da política econômica, como já mudou e não tem muita volta.
Herculano
13/05/2020 07:57
COM ATRASO DE QUASE UM MÊS, MUITA CONFUSÃO E GENTE LAMBUZADA JURANDO QUE É SANTA, VÃO CHEGAR HOJE A SANTA CATARINA OS 50 PRIMEIROS "RESPIRADORES" COMPRADOS PELO GOVERNO DE CARLOS MOISÉS DA SILVA, PSL, EM ASSUNTO MUITO MAL EXPLICADO.

MAS A MÁGICA DE LUDIBRIAR PLANTEIAS INOCENTES PAGADORAS DE PESADOS IMPOSTOS E NECESSITADAS DE TRATAMENTO EM TEMPO DE PANDEMIA, AINDA NÃO TERMINOU.

QUANDO TIRADOS DAS CAIXAS, VAI SE DESCOBRIR SE É GATO OU LEBRE O QUE SE COMPROU. E AÍ PODERÁ COMEÇAR OUTRA LADAINHA DE DESGASTES POLÍTICOS, ADMINISTRATIVOS E POLICIAIS.
Herculano
13/05/2020 07:47
AOS POUCOS, O GOVERNO DE MICHEL TEMER, MDB, DEPOIS DO TUCANO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, COMEÇA A ENTRAR NO RADAR COMO O QUE MELHOR SOUBE LIDAR COM CRISES ECONôMICA E INSTITUCIONAIS GRAVES, AO MESMO TEMPO QUE PROMOVEU MUDANÇAS VIA CONGRESSO NACIONAL, SEM PALAVRõES, MENTIRAS, AMEAÇAS E BRAVATAS
Herculano
13/05/2020 07:44
O RISCO DA DEMOCRACIA, por Merval Pereira, no jornal O Globo

Toffoli e ministros militares são lenientes com Bolsonaro

A versão mais recente do Palácio do Planalto sobre o vídeo da reunião ministerial em que o presidente Bolsonaro ameaçou demitir o então ministro Sergio Moro dá conta de que o presidente se queixava da segurança pessoal dele e de sua família. Sem saber o contexto em que se deu a discussão, pois o vídeo ainda não foi liberado, pode-se afirmar, no entanto, que Moro seria o interlocutor errado, pois a segurança do presidente e família é feita pelo Exército e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e o responsável é o General Augusto Heleno, que estava na reunião e não foi admoestado pelo presidente.

Além do mais, quem foi demitido foi o diretor-geral da Polícia Federal, e por tabela o ministro Sergio Moro. Outro ponto interessante é que o delegado Alexandre Ramagem, que foi indicado por Bolsonaro para chefiar a Policia Federal, era o chefe da Abin. Portanto, se a queixa de referia à segurança pessoal, cuja responsabilidade era de Ramagem, por que indicá-lo para a PF? .

A exibição integral da reunião ministerial servirá para confirmar a acusação de Moro ao deixar o ministério da Justiça, como também para se constatar de que maneira o presidente Bolsonaro conduz os destinos do país. Pelos relatos, um autoritarismo sem controles, e um ambiente de desrespeito a seus ministros que, para agradar o presidente, não apenas aceitam os maus tratos como tentam imitá-lo, usando palavras chulas e atacando sem distinção países e instituições.

O presidente Bolsonaro quer constranger as forças democráticas que impõem limites a qualquer presidente da República, porque quer fazer um governo mais liberado dessas limitações, um perigo, porque é exatamente o que Hugo Chavez fez na Venezuela, constranger até controlar os Poderes, e usar a democracia direta para impor as suas vontades.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, e os ministros militares estão sendo lenientes com Bolsonaro e, nessa toada, começaremos a abrir mão dos freios que a democracia representativa impõe ao presidente.

O presidente da Câmara Rodrigo Maia claramente não quer aparecer como o grande inimigo de Bolsonaro, o homem que vai autorizar o impeachment, e o STF, embora tenha tomado decisões ultimamente seguras e restringido abusos, através de seu presidente está condescendente com as atitudes de Bolsonaro. Muito preocupante nesse sentido a entrevista que deu ao programa Roda Viva, onde tentou explicar a ida de Bolsonaro ao STF.

Disse que não se sentiu constrangido, e que entende perfeitamente que Bolsonaro governa para os seus, para os radicais que o elegeram, que tenta trazer radicais para o centro, e que nunca fez nada de concreto contra a democracia. Disse também que as pessoas querem uma democracia mais direta, o que chamou de "uberização da política", e o que está em jogo é a democracia representativa. É aí que mora o perigo, é exatamente o que o Chavez fez na Venezuela.

Na democracia direta, é possível manipular plebiscitos, consultas, referendos, e o presidente começa a ser autorizado a fazer coisas que o STF e o Congresso não autorizariam. O ministro Luis Fux vai assumir a presidência do STF em setembro, e espero que tenha visão de Estado maior do que a que Toffoli está demonstrando.

Pesquisa de ontem da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e MDA diz que aumentou o nível de pessoas que consideram o governo ruim ou péssimo, mas Bolsonaro mantém os 30 por cento favoráveis. Ontem, por exemplo, fez manifestação contra a ideologia de gênero nas escolas. No meio dessa pandemia que cresce brutalmente, no dia em que chegamos ao nível de 800 mortes diárias, e a mais de 12 mil mortos durante a pandemia. Faz isso apenas para alimentar os seus radicais, o núcleo duro de seus eleitores, e se manter competitivo em 2022.

Se o Congresso estivesse reunido presencialmente, acho que o ambiente político estaria muito mais conturbado, porque ele registra a pulsão da sociedade. Mas do jeito que está, funcionando virtualmente, e o isolamento social fazendo com que só maluco vá para a rua se manifestar, a maioria do povo brasileiro, que condena o governo Bolsonaro, está sem poder se manifestar, o que é um perigo para a democracia representativa.
Herculano
13/05/2020 07:23
VÍDEO COMPLICA BOLSONORO, FAZ SUBIR PREÇO DO CENTRÃO E APONTA RADICALIZAÇÃO, por Igor Gielow, no jornal Folha de S. Paulo

Mesmo que não se torne peça jurídica, favorecimento à família causa dano político evidente

A serem confirmados os relatos do que disse Jair Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril acerca do real motivo para querer trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio, o presidente terá fornecido um "casus belli" barulhento para quem o quer ver derrubado por improbidade administrativa.

Não chega a ser surpreendente que o chefe de Estado tenha colocado abertamente a prevalência de sua família sobre os assuntos do governo na frente de mais de duas dezenas de pessoas.

Ele já havia feito isso antes, como no episódio da indicação do filho Eduardo para a embaixada em Washington, e nas incontáveis interferências do clã em assuntos da administração. Seja via Twitter, seja a partir de festivos almoços de domingo que antecedem ataque institucionais.

Bolsonaro assim o é, e cúmplices de seu comportamento são todos os ministros lá presentes - com a relativa exceção daquele que jogou as migalhas de pão que levavam ao vídeo e seu bombástico conteúdo, Sergio Moro, que largou o osso dois dias depois.

Relativa pois o presidente poderia ter sido demovido por seus ministros militares da intenção de mexer com a encalacrada superintendência fluminense da PF. Neste caso, Moro ficaria quieto acerca das intenções do presidente, como permaneceram os seus colegas de Esplanada?

Isso agora é história contrafactual. O fato é que, salvo algum desvio nos relatos disponíveis, Bolsonaro está enrolado. Uma coisa é querer um novo diretor da PF porque o anterior não estava alinhado a suas ideias, sejam lá quais forem.

Isso é péssimo do ponto de vista republicano, mas ainda navega dentro de um escopo de legalidade. Outra coisa é dizer que precisa cuidar dos interesses de seus filhos e amigos.

Fica claro que os motivos alegados para esconder a peça, de suposto risco à segurança nacional, eram só uma cortina de fumaça.

Quem defende o presidente afirma que ele apenas se vê perseguido, e por isso volta e meia diz que "não mandou matar Marielle", como se fosse Bolsonaro, e não pessoas ligadas a seu ex-faz-tudo Fabrício Queiroz, o suspeito disso.

Pode ser, e o episódio do porteiro que mudou de versão sobre o contato de suspeitos com o "seu Jair" lhe dá o benefício da dúvida. Mas só a construção dessa sentença mostra a dificuldade de defesa política do presidente.

A alternativa, sonho de consumo dos opositores do Planalto, seria alguma implicação direta com o assassinato da vereadora do PSOL e seu motorista, em 2018, com a família presidencial. Por mais que Bolsonaro despreze o que pensam dele mundo afora, a pressão seria intolerável.

A questão agora é saber se, a partir do vídeo e dos depoimentos do caso, a Procuradoria-Geral da República imputará crime ao presidente.

Ninguém em Brasília aposta nisso, dadas as afinidades eletivas entre Augusto Aras e o presidente, e também pelo fato de que há desconfiança no Supremo Tribunal Federal acerca das intenções de Moro nessa crise.

Pesa ainda em favor de Bolsonaro o fato de que tal motivo para a guerra enfrenta a apatia generalizada do meio político. Quando Moro saiu do governo, aliados de Rodrigo Maia (DEM-RJ) diziam que o presidente da Câmara poderia aceitar uma abertura de processo de impeachment no caso de uma denúncia por crime de responsabilidade no Supremo.

Nas semanas subsequentes, o processo de compra do apoio do centrão com cargos sugeriu a inviabilidade de tal cenário. No momento, é bom enfatizar, pois o centrão também esteve com Dilma Rousseff até quando lhe foi conveniente, e em sua encarnação dos anos 1990 com Fernando Collor.

O apoio angariado pela ala militar do governo ao presidente no seu embate com os Poderes, apesar de diversos incômodos em relação ao serviço ativo das Forças que isso gera, também forneceu uma talvez ilusória sensação de reorganização do quadro político para Bolsonaro.

Ilusória porque Bolsonaro é Bolsonaro, com sua condução deliberada da crise do coronavírus para um estado de tragédia nacional, e por atos falhos como o registrado na reunião de 22 de abril.

A pressão econômica já está entre nós, assim como os cadávares da Covid-19, e pesquisas começam a indicar uma aceleração na rejeição do presidente.

É nesse contexto que precisa ser lido o impacto da autoincriminação sugerida no vídeo. O acirramento da crise tríplice do país, sanitária, econômica e política, ganhou mais um elemento na sua disputa contra as forças de contenções que sustentam Bolsonaro.

Mais concessões ao centrão e novos episódios de enfrentamento institucional para agradar sua base radical e assustar o "establishment" estão no preço dessa dinâmica. O problema, para Bolsonaro, é que seu padrão se tornou previsível e, no limite, insustentável sem ruptura real.

Ou, na ilusão do bolsonarismo raiz, a solução.
Herculano
13/05/2020 07:08
BOLSONARO PRESIDIU UMA CONVERSA DE BOTEQUIM EM REUNIÃO DO CONSELHO DO GOVERNO, por Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O bolsonarês humilha aqueles que votaram no capitão em nome dos bons costumes

Quando Sergio Moro pôs na roda a questão do vídeo da reunião do conselho de governo de 22 de abril, sabia que havia ali uma bala de prata capaz de provar que Jair Bolsonaro queria trocar o diretor da Polícia Federal para blindar os interesses políticos de sua família. Ele sabia também que a bala continha outro material.

Ao chegar ao Planalto, com pompa monarquista, o capitão chamou de conselho de governo aquilo que se conhecia como reunião do ministério. Reunindo-o, ele presidiu uma conversa de botequim, e Moro mostraria isso.

A divulgação desse áudio será também um espetáculo de falta de compostura e de asneiras. Outro dia a secretária da Cultura, Regina Duarte, disse que parou de ler os livros de Olavo de Carvalho porque ele usa muitos palavrões. No governo que ela louva, o vocabulário do doutor Olavo é o de um sacristão.

Alguns presidentes respeitavam seus interlocutores. Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney falam como frades. Não se pode dizer o mesmo de Dilma Rousseff e Lula, mas nenhum deles disse palavrão em reunião ministerial.

Conhecem-se os áudios das reuniões do Conselho de Segurança Nacional que decidiram baixar o Ato Institucional número 5 (Costa e Silva) e o Pacote de Abril (Ernesto Geisel). Neles não há palavrões.

O primitivismo de Bolsonaro vai além do uso de expressões chulas, transborda para a própria maneira como preside uma reunião de ministros e como lida com sua equipe de renomados "técnicos".

Em certa ocasião ele manifestou tamanha curiosidade por detalhes de casos de violência que um dos titulares achou melhor mudar de assunto. O clima de feijoada permite que o chanceler Ernesto Araújo exponha (em bom português) suas teorias lunáticas em relação à China ou que alguém resolva qualificar a genealogia de ministros do Supremo Tribunal Federal.

É a bagunça bolsonariana. Nela o presidente libera o funcionamento de academias de ginástica e salões de beleza sem ouvir seu ministro da Saúde. Afinal, ambos sabem com quem lidam.

O vídeo da reunião de 22 de abril é um exemplo da capacidade de autocombustão do governo. Já com Moro fora, Bolsonaro disse que divulgaria seu conteúdo: "Mandei legendar e vou divulgar".

Falou o que lhe veio à cabeça, mas dias depois a Advocacia-Geral da União pediu ao ministro Celso de Mello que reconsiderasse a decisão de pedir a gravação porque na reunião foram tratados "assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado". Parolagem, pois podia ter pedido para embargar esses trechos. Essa é a prática de governos sérios, mas quem embarga trechos assina embaixo e se responsabiliza pelo ato.

Diante da blindagem absurda, a AGU recuou e disse que se contentava em entregar uma versão com trechos embargados. Não deu certo. Sergio Moro e seus advogados não aceitaram o atalho, argumentando que não compete ao governo selecionar provas. Caberá ao ministro Celso de Mello decidir se torna público todo o vídeo ou partes dele.

Se Moro quisesse apenas provar que Bolsonaro pressionou-o para trocar o diretor da Polícia Federal, o embargo seria neutro e justificável. Ele também queria mostrar como funciona a muvuca em que se meteu.
Salete
12/05/2020 14:13
Sobre a situação dos kits de merenda que vai ser distribuído para as famílias. Essa demora incomoda. As aulas param em março, já são 2 meses e até agora nada desse kits chegar, será que vem 2 kits de abril e maio? Se dependesse disso para a alimentação das crianças já pensou?
Herculano
12/05/2020 09:34
UM HOMEM QUE NÃO SE VENDE NÃO TEM PREÇO, diz Carlos Fernando dos Santos Lima, no Poder 360, Brasília DF

Moro deixou 1 governo de falsidades

Ex-ministro ainda tem credibilidade

E virou o jogo contra Jair Bolsonaro

"De onde menos se espera, daí é que não sai nada". Assim Aparício Torelly, autoproclamado Barão de Itararé, alfinetava a política brasileira da República Velha. A argúcia do grande frasista brasileiro da primeira metade do século passado revelou uma regra quase absoluta sobre nossa política. Ou seja, toda esperança que depositamos em nossos políticos na crença de que eles assumirão suas responsabilidades, apesar de todos os sinais em contrário, demonstra-se vã.

Assim também é com Jair Bolsonaro, eleito em 2018 com cerca de 57 milhões de votos na esteira da indignação popular de 2013 com a carência de serviços públicos e, nos anos subsequentes, das revelações pela Lava Jato da corrupção nos governos envolvendo o PT, PP e o antigo PMDB. Esses dois eventos foram tão disruptivos da ordem política posterior à redemocratização, que se tornaram o momento ideal para o surgimento de um outsider ou de alguém que falsamente se apresentasse como tal.

E foi com essa falsa representação como apolítico, conjugado com sua escolha por Lula como o candidato ideal para uma polarização eleitoral, que Bolsonaro elegeu-se presidente. A falsidade já se demonstrava em sua plataforma eleitoral, pois as promessas de campanha em nada condiziam com seu histórico de militar insubordinado, de sindicalista das Forças Armadas, de político do baixo clero e de autoritário estatizante que seus discursos faziam prova. Assim, vestiu uma fantasia de liberal na economia e de opositor à corrupção do sistema político eleitoral brasileiro e foi tentar a sorte.

O mal está em deixarmos o mentiroso alcançar o que deseja. Assim foi com Bolsonaro. Eleito, tentou confirmar a própria mentira. Assim, procurou criar um ministério que correspondesse às promessas de campanha. Para isso trouxe para o Ministério da Economia um insuspeito liberal, Paulo Guedes, com seu plano desestatizante. Conseguiu ainda convencer Sergio Moro, então juiz da operação Lava Jato e símbolo do combate à corrupção, a abrir mão de mais de 20 anos de magistratura para ser seu Ministro da Justiça.

Sergio Moro errou ao aceitar esse convite? Talvez. Com certeza seu desejo de um governo ético e de uma política mais limpa falou mais alto que o uma análise fria sobre Bolsonaro. Não havia naquele momento ainda indicativos de corrupção nos gabinetes dos filhos de Bolsonaro. Apesar da retórica primitiva , a sedução da condução das mudanças tão necessárias no combate à criminalidade, acenada por Bolsonaro com a promessa de carta-branca na direção do Ministério da Justiça, foram suficientes para fazer Moro aceitar o convite.

Entretanto, como o clássico canalha de Nélson Rodrigues, a traição faz parte do caráter de Bolsonaro. As palavras lhe são mera expressão de momento, sem a firmeza que pessoas como Sergio Moro, desconhecedores da política, estão acostumados. Desse modo, desde o começo do governo as promessas foram sendo lentamente descumpridas. Bolsonaro deixou o pacote anticrime proposto por Moro sem qualquer suporte, apoiou Tóffoli quando este impediu o compartilhamento de informações financeiras pelo antigo Coaf, culminando com a retirada desse órgão de inteligência financeira do Ministério da Justiça. Foram muitas atitudes e palavras que aos poucos revelaram para Sergio Moro a verdadeira natureza de Bolsonaro.

Este, contudo, estava preso em uma rede que, infelizmente, deixara-se apanhar. Era ainda referência de credibilidade em um governo que se enfraquecia. Diante do compromisso com o interesse público que assumiu, relevou todas essas decisões de Bolsonaro, mas traçou claramente um limite às suas investidas: a independência funcional e investigativa da Polícia Federal. Tornou-se, portanto, o garantidor da autonomia da polícia na condução de investigações criminais.

E não foram poucas as vezes antes do pedido de demissão de Sergio Moro que Bolsonaro tentou intervir na Polícia Federal. Tentou intervir na Superintendência de Pernambuco ainda no ano passado. Mas o objeto de seu maior desejo demonstrou-se ser a Superintendência do Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral. Suas tentativas, sem qualquer motivação, foram podadas por Moro, mesmo com ameaças cada vez maiores de substituição não só do superintendente, mas do próprio diretor geral da PF.

Há três motivos pelos quais um político usualmente deseja ter controle sobre o aparelho policial. O primeiro é o de poder tomar conhecimento de investigações que possam ser úteis politicamente. O segundo é o de impedir que investigações atinjam a si, sua família ou seus correligionários. Por fim, é de poder usar investigações como arma contra adversários. Seja qual for dessas três motivações, trata-se de um uso ilegal do aparelho de repressão criminal.

Entretanto, a resistência de Sergio Moro chegou ao limite quando Bolsonaro simplesmente o informou que iria substituir o diretor geral da Polícia Federal. Agora não se tratava, como das vezes anteriores, de mera reclamação, mas sim de uma investida definitiva sobre a corporação. Não se tratava de um blefe e a única alternativa possível para o ministro da Justiça era o pedido de demissão. Afinal, nada mais havia a fazer nesse governo.

Moro, contudo, ainda tinha em suas mãos a carta da credibilidade pessoal. Ao se demitir em pronunciamento público, com a exposição dos fatos que o levaram a tão difícil decisão, Moro inverteu o jogo, colocando Bolsonaro nu. Não fosse o que fez, teríamos Ramagem na Direção Geral da Polícia Federal e um apaniguado qualquer na Superintendência do Rio de Janeiro. Não fosse o que falou, não teríamos um inquérito no STF que pode revelar a real motivação de Bolsonaro para fazer o que fez. Prestou depoimento, apresentou seu celular e indicou possíveis caminhos probatórios, nada mais lhe podendo ser exigido. Com tudo isso alcançou seu principal objetivo: defender a Polícia Federal de interferências políticas.

E não o fez sem sacrifício pessoal. Expôs-se à sanha das milícias bolsonaristas, agora irmanadas com as milícias lulopetistas em caluniá-lo. Fez o que fez mesmo sabendo que não poderia voltar à carreira da magistratura que honrou por boa parte de sua vida. Foi ético mesmo quando foi tentado com a promessa de uma cadeira no Supremo Tribunal Federal em uma resposta que ficará em nossa política: "Prezada, não estou à venda." Como também disse o Barão de Itararé, "um homem que se vende recebe sempre mais do que vale". Eu complementaria dizendo que um homem que não se vende não tem preço.
Miguel José Teixeira
12/05/2020 09:33
Senhores,

Vários "zero" à preocupar-se!

Sobre o vídeo da reunião em que supostamente tenha ameaçado o Moro, o presidente disse estar "zero" preocupado.

Com qual dêles?

1) Com o "zero" 1, das "rachadchinhas"?
2) Com o "zero" 2, do gabinete do "ódio"?
3) Com o "zero" 3, o ministro sem-pasta e com gabinete no Palácio?
4) Com o "zero" 4, o pegador-geral da república? Ou
5) Com ele próprio, o capitão "zero-zero"?
Herculano
12/05/2020 09:29
E DAÍ? por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S.Paulo

Moro mirou no que viu e acertou no que não viu, ou sabia do potencial explosivo do vídeo?

O ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro mirou no que viu e acertou no que não viu, ao jogar luz, e curiosidade pública, na fatídica reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro no dia 22 de abril, no Planalto. Ou será que não? Será que ele citou a reunião apenas para efeito jurídico e para confirmar suas acusações? Ou será que, intencionalmente, para expor o que foi dito, e como foi dito, ali?

O fato é que, com os temores dos efeitos jurídico, político e midiático da reunião, os três poderes giram em torno de um vídeo, que foi central no depoimento de Moro e causou boas trapalhadas no Planalto, até ser "achado", reconhecido e colocado sobre a mesa do relator do processo no Supremo, Celso de Mello. E, hoje, será visto pelo próprio Moro, a PF e a PGR. Sem direito a pipoca, choro, risada e muito menos tédio.

O potencial jurídico do vídeo, pelo menos o esperado por Moro e temido por Bolsonaro, é dar materialidade à acusação do ex-ministro de que o presidente não apresentava nenhuma razão para demitir o superintendente do Rio e o diretor-geral da Polícia Federal, senão ter a liberdade para interferir politicamente no órgão (ou seja, nas suas investigações e operações). É isso, segundo Moro, que Bolsonaro admite na reunião com ministros.

Já o efeito político e midiático do vídeo vai além, porque as versões divulgadas até agora variam entre constrangedoras e aterrorizantes e a reunião, eternizada num pequenino pendrive, expõe as entranhas de um governo em que faltam comando e compostura. Pelos relatos, há ali um presidente irritado e ministros trocando desaforos, com palavrões voando pela sala. O ministro da Educação ataca o Supremo e seus onze integrantes, o chanceler e o presidente ironizam a China, onde Bolsonaro diz ter um bom amigo, o presidente Xi Jinping. O que diria Xi Jinping se visse o vídeo do amigão? Ou o que dirá, quando o vir?

Depende de Celso de Mello quebrar ou não o sigilo da reunião, que já foi tratada, em ofício do governo ao STF, como reveladora de "assuntos sensíveis" de segurança nacional e de política externa. Aparentemente, não eram propriamente assuntos sensíveis, mas uma grande demonstração de insensibilidade e falta de liturgia institucional e diplomática. Um retrato do governo e mais um vexame, entre tantos outros que derretem a imagem do Brasil no mundo.

Se o vídeo está no centro da crise política e do risco de uma denúncia formal contra Bolsonaro, ele é apenas uma das peças da investigação. Ontem, os depoimentos dos delegados Maurício Valeixo, demitido da direção-geral da PF, Ricardo Saadi, afastado da Superintendência do Rio, e Alexandre Ramagem, impedido pelo STF de tomar posse na vaga de Valeixo. Hoje, os generais Braga Netto, Augusto Heleno e Luiz Eduardo Ramos.

Todos eles, estejam de um lado, de outro ou em cima do muro, decidiram abrir os microfones com uma intenção: ater-se aos fatos, tentando escapulir de dar opiniões e de cair em perguntas capciosas de interrogadores experientes. Isso vale sobretudo para Valeixo, pivô da crise que atingiu o coração do governo, rachou o bolsonarismo, uniu Moro, Supremo e Congresso como alvos de atos golpistas e joga mais e mais Bolsonaro no colo do Centrão. Em última instância, a crise pode chegar até a ameaçar o mandato de mais um presidente.

Essa barafunda, em meio a mais de 150 mil contaminados e de 11 mil mortos pelo coronavírus no Brasil, não tem desfecho predefinido, mas ainda vai revelar muito das entranhas do governo e do presidente. Longe de reuniões e churrascos, Moro aguarda, aliviado. Resta saber as reações de Bolsonaro às acusações e revelações: tudo não passa de "histeria", "neurose", "gripezinha", "resfriadinho", "loucura", como a pandemia? E daí? Nesse caso, é uma boa pergunta.
Herculano
12/05/2020 09:17
da série: todos no poder de plantão têm direito a ganhar mais do que está definido no estatuto, mais penduricalhos, mais mordomias, mais privilégios, mas com o empobrecimento da maioria de trabalhadores, desempregados, aposentados de salários mínimos. E para tudo há pareceres....

MILITARES GOVERNISTAS QUEREM GANHAR ACIMA DO TETO

Conteúdo de O Antagonista."O Ministério da Defesa, representando o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, obteve, junto à AGU, um aval permitindo que militares da ativa ou da reserva que tenham cargo adicional no setor público possam receber rendimentos acima do teto constitucional, que é de R$ 39 mil", diz a Época.

"O parecer que autoriza a medida foi assinado por André Mendonça, em 9 de abril. Em 29 de abril, contudo, o ministério recuou do pedido temporariamente em razão da pandemia e pediu a suspensão do parecer".
Herculano
12/05/2020 08:53
CONHEÇA APLICATIVOS GRATUITOS DE JOGOS PARA TREINAR A MENTE E EXERCITAR O CÉREBRO NA QUARENTENA, por Sílvia Haidar, no jornal Folha de S. Paulo

Se você é do tipo que não consegue desgrudar os olhos do celular durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus, uma boa dica é abastecer o smartphone com aplicativos gratuitos para treinar a mente e tirar o foco do medo e da ansiedade causados pelo avanço da Covid-19.

"Os jogos propiciam não só entretenimento, mas também podem contribuir para treinar e desenvolver diferentes tipos de habilidades cognitivas e exercitar o cérebro", diz Pollyana Notargiacomo, professora de pós-graduação em engenharia elétrica e computação da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Fit Brains Trainer
Jogo elaborado por um pesquisador da área de neurociência, foca a percepção visual, reconhecimento, processamento visual, linguagem e inteligência emocional. O Fit Brains classifica as habilidades da menor para a que requer maior treino, e estabelece uma rotina diária de treinamento.
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Memorando
Agrupa mais de 30 jogos científicos e dispõe de sessões de áudio para meditação. Oferece treinamento personalizado para a memória, concentração, lógica, velocidade mental, além de aspectos ligados ao âmbito emocional, ao sono e à agilidade para a aquisição de novas habilidades. Possui também uma versão paga para uso de todos os jogos e programas de áudio para mindfulness.
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Mensa Brain Training
Trabalha memória, agilidade, percepção, raciocínio e concentração, gerando um indicador denominado de MBI (Mensa Brain Indicator), o que possibilita analisar o desenvolvimento do jogador ao longo do tempo, assim como realizar treinos diários.
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CogniFit
Realiza uma avaliação das habilidades cognitivas e estabelece um programa de treinamento personalizado (voltado à estimulação cognitiva, considerando o raciocínio, a atenção, a memória de trabalho, a percepção espacial, o tempo de resposta, dentre outras, totalizando 23 habilidades para treino) conforme as necessidades do jogador. A versão gratuita é limitada a três habilidades: percepção visual, exploração visual e reconhecimento.
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Lembra de que quando você era criança e brincava de procurar os 7 erros em revistas de desafios? O 5 Differences Online é um jogo que acrescenta novos elementos à tradicional proposta: grau crescente de dificuldade, tempo e competição com outros jogadores. Portanto, o foco e a atenção são requisitados durante toda a interação com o game ao buscar as diferenças entre duas imagens.
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Herculano
12/05/2020 08:43
APOSTA NA QUEDA DE BOLSONARO VIRA Pó NA PF, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Após seis horas de depoimento do ex-diretor-geral da Polícia Federal, foi reduzida a pó a aposta de parte do Congresso e de parte da imprensa brasileira na queda do atual governo. Em depoimento, o delegado Maurício Valeixo desmentiu o ex-ministro Sérgio Moro ao garantir que "em nenhum momento" houve interferência ou tentativas de interferência do presidente Jair Bolsonaro na corporação que dirigiu até abril.

DEMISSÃO CORDIAL

Valeixo contou à PF que ficou sabendo da demissão em telefonema de Bolsonaro e não pelo Diário Oficial, como diz Moro.

'A PEDIDO' COMBINADO

Valeixo desfez a fantasia de que o governo inventou sua demissão "a pedido". Ele contou haver concordado com essa forma de exoneração.

Só COM MORO

Maurício Valeixo disse também que Bolsonaro "nunca tratou diretamente com ele sobre troca de superintendentes".

TE CUIDA, VALEIXO

Amigos de Valeixo estão preocupados: por não haver confirmado os "crimes" de Bolsonaro, sofrerá ampla campanha de desqualificação.

PAÍS SE DIVIDE SOBRE STF BARRAR POSSE NA PF

Levantamento nacional do instituto Paraná Pesquisa mostra que 46,5% dos entrevistados acham acertada a decisão do ministro Alexandre de Moraes de impedir a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, contra 43,6%, que avaliam como errada a intromissão em assunto da exclusiva competência do Poder Executivo. Em razão da margem de erro, considera-se o resultado empate técnico. Dos entrevistados, 9,7% não quiseram opinar ou ignoram o assunto.

INTERFERÊNCIAS DIÁRIAS

O STF tem anulado decisões de Bolsonaro quase diariamente, e a decisão de substituir o diretor da PF resultou em rumoroso inquérito.

ATENDENDO A OPOSIÇÃO

A decisão de Moraes atende a pedido do PDT, partido de oposição que também tenta emplacar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

DIMENSÃO NACIONAL

O instituto Paraná Pesquisas entrevistou 2.267 pessoas nos 26 estados e no Distrito Federal, entre os dias 4 e 6 deste mês.

MORO DESMENTIDO

Consternados com o teor do depoimento do ex-diretor da PF, canais de notícias de TV fechada não conseguiam concatenar o fato mais relevante do dia: Maurício Valeixo desmentiu o ex-chefe Sérgio Moro.

CONTA OUTRA

O governador Flávio Dino pregou "moderação", em entrevista à Rádio Bandeirantes. Suas atitudes no Maranhão e o caráter stalinista do seu partido (PCdoB) não recomendam acreditar em sua sinceridade.

NO MUNDO DE MARTE

No Congresso, costuma-se dizer que o astronauta adorador de holofotes Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e etc) "está na Lua". Mas não são poucos os parlamentares que discordam. Acham que está em Marte.

LERO-LERO NÃO BASTA

Preocupa tanto o fracasso do governo de São Paulo, que não consegue barrar o avanço do coronavírus, que até o Papa Francisco ligou ao arcebispo para tentar entender a tragédia. Enquanto o governador do epicentro hesita, o lockdown já começou em diversas localidades.

QUE VERGONHA

A UBES aproveitou o escondidinho da quarentena para fazer nova eleição indireta, virtual, para "presidente provisória" da entidade. Como estava combinado, o PCdoB continuará aparelhando a entidade.

COLETIVA ESQUECIDA

A entrevista coletiva - que já não merece transmissão ao vivo na TV, como nos tempos de Luiz Mandetta - revelou que o Ministério da Saúde já distribuiu 83 milhões de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

ZERARAM OS CRIMES?

A Guarda Civil de Contagem (MG) acabou uma festa de 40 pessoas, no fim de semana. Organizadores foram avisados e mudaram o local. Os crimes na violenta área metropolitana de BH devem ter sido zerados.

CUSTO DA PANDEMIA

Após quase dois meses de fechamento, os shoppings somam prejuízo de R$ 27 bilhões. Para o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, a situação é grave e o setor não sobrevive "a mais um mês de fechamento de lojas".

PENSANDO BEM...

...o novato Sérgio Moro se deu mal porque não sabia que, em política, quase sempre é preciso combinar com os russos.
Herculano
12/05/2020 08:32
EVOLUÇÃO DA PANDEMIA DEMOLIU TESE BOLSONARISTA CONTRA O ISOLAMENTO, editorial do jornal O Globo

A velocidade do aumento do número de casos mostra a necessidade de medidas mais duras nas cidades

Bolsonaro continua a justificar as críticas de dentro e de fora do país ao seu comportamento inominável com relação à tragédia em curso no país provocada pela epidemia da Covid-19. Desde que começaram a ser contabilizados no Brasil casos de infecção pelo vírus Sars-CoV-2, no final de fevereiro, o presidente assume uma posição negacionista, contrária a medidas preventivas como o isolamento social, quarentenas e similares.

O presidente Trump recuou em parte nessa posição quando começou a se assustar com a explosão no número de mortos no estado de Nova York (até o início da tarde de ontem, 26.800), que tomou da cidade chinesa de Wuhan o posto de epicentro mundial da pandemia. O colega brasileiro, ao contrário, segue em frente no desatino.

No sábado, quando o país alcançou oficialmente 10 mil mortes, Bolsonaro passeou de jet-ski no Lago Paranoá, em Brasília, depois de ter desmentido que faria um churrasco para a família e convidados no Alvorada, um tipo de evento desaconselhado por gerar aglomerações e facilitar o contágio por um vírus de elevada transmissibilidade. O presidente recuou na festa devido ao tamanho da repercussão negativa. Em contrapartida, Congresso e Supremo decretaram luto oficial pelas vítimas.

O histórico desta pandemia já fornece provas e argumentos sólidos de que seria um erro crasso de dimensões descomunais o poder público nada fazer para atenuar a propagação de um vírus desconhecido, contra o qual ainda não há a proteção de vacina e medicamentos que possam contê-lo. Tudo dentro da teoria de que os vírus cumprem um ciclo de ascensão e queda, à medida que a contaminação das pessoas vai criando anticorpos na população.

Mas a que custo em termos de vidas humanas? Na noite de sábado, o programa "GloboNews Debate", com a participação dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde, Bolsonaro), do DEM; Humberto Costa (Saúde, Lula), do PT; e Osmar Terra (da Cidadania, Bolsonaro), do MDB, serviu para reafirmar a fragilidade da argumentação bolsonarista contra o isolamento e outras medidas desse tipo, defendidas no programa por Terra.

O deputado do MDB gaúcho, também médico como Mandetta e Humberto Costa, não conseguiu justificar o fim do isolamento diante da sobrecarga nas redes de saúde, como já ocorre em Manaus, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Deixa-se as pessoas morrerem sufocadas nas ruas? É indiscutível que os países que ensaiaram uma posição mais relaxada no início da epidemia foram forçados a tomar medidas às pressas para esvaziar as áreas públicas. Foi assim na Itália e nos Estados Unidos, casos notórios de recuo.
Herculano
12/05/2020 08:25
UMA MORTE ANUNCIADA

Esta é a manchete do portal Cruzeiro do Vale, o mais acessado de Gaspar e Ilhota. "Beagle esvazia unidade produtiva da divisa entre Gaspar e Blumenau".

Bom, meus leitores e leitores já sabiam disso desde fevereiro. E houve gente que duvidasse, desmentisse e me chamasse de exagerado.

A Beagle está em Blumenau e ela ocupava as instalações da antiga Malwee, mas os empregos ceifados, praticamente eram quase todos de Gaspar e muito especialmente do Bela Vista, Marinha e até Figueira
Herculano
12/05/2020 08:19
NÃO TEMOS RESPOSTAS SOBRE CORONAVÍRUS, MAS PRECISAMOS DE LIDERANÇA, por Joel Pinheiro da Fonseca, economista, mestre em filosofia pela USP.

Firmeza na sustentação de medidas deve nos guiar, e não pressão de militâncias

Existe um tipo de conduta claramente indevido e até criminoso com relação ao coronavírus: o negacionismo científico e a promoção de teorias da conspiração.

Nas últimas semanas, vimos a fake news de que caixões vazios estariam sendo enterrados para gerar pânico nas massas ser difundida até por uma deputada federal bolsonarista.

Que um organizador de protesto bolsonarista contra o STF tenha sido internado na UTI com Covid-19 é uma boa ilustração do caráter suicida da ganância e sede de poder desenfreadas que movem essa corrente.

Superado o negacionismo criminoso, contudo, temos muito mais perguntas do que respostas.

Acompanhamos apreensivos a reabertura de países que fizeram sua lição de casa. Mas será que seus números piorarão conforme voltem às atividades? Quais os efeitos marginais de um "lockdown" estrito sobre o contágio e a economia? Ninguém sabe ao certo.

A Suécia, que não implementou medidas duras de "lockdown" tem muito mais mortes per capita do que seus vizinhos escandinavos, e sua economia - segundo matéria no Financial Times ("Sweden unlikely to feel economic benefit of no-lockdown approach", de 9 de maio)- não deve ter desempenho melhor do que a deles.

Estados americanos e brasileiros que começam a reabrir suas economias também se deparam com demanda de consumidores ainda muito baixa; ou seja, a pandemia, e não seu combate, é a principal responsável pelos danos econômicos.

O Rio Grande do Sul desde segunda (11) iniciou um plano de "distanciamento controlado" para tentar reabrir aos poucos o comércio sem colocar em risco a saúde pública.

O país inteiro observa com interesse a abordagem. No Maranhão, parecemos ver a disposição firme de se impor o "lockdown" para evitar o colapso.

Neste momento, em que simplesmente não dá para saber qual solução será melhor no balanço final, uma liderança segura - desde que dentro dos parâmetros da ciência?" vale mais do que o vaivém incerto de evidências que surgem para todos os sabores.

E essa segurança está faltando aqui em São Paulo capital. Na semana passada, a prefeitura meteu os pés pelas mãos com um fracassado bloqueio de avenidas.

Gerou incômodo, trânsito e dor de cabeça aparentemente sem nenhuma benefício para o isolamento social. Com os protestos da população, voltou atrás em apenas dois dias, comprovando que nem a prefeitura estava segura do que implementava.

Agora iniciamos o rodízio de carros em dias pares e ímpares. Confesso que não me parece a melhor das ideias. Sim, o tráfego de veículos reduziu consideravelmente.

Ao mesmo tempo, muitas das pessoas que não usarão seus carros para ir trabalhar simplesmente usarão o transporte público.

Na manhã de segunda, registrou-se um aumento de 300 mil usuários nos ônibus municipais. No metrô e CPTM, o aumento foi de 11% e 15% dos usuários. E pessoas num mesmo vagão de trem têm um potencial muito maior de disseminar o vírus do que motoristas cada um dentro de seu carro.

Seja como for, todos temos que estar abertos à persuasão conforme novos números apareçam. Há muito espaço para discordância entre pessoas de boa-fé. Esse debate não deve ser interditado.

Das lideranças, contudo, precisamos ver firmeza na sustentação de medidas e a transparência na hora de embasá-las, traçando metas para avaliar resultados. É isso, e não a pressão de militâncias assassinas, que deve nos guiar neste momento difícil.
Herculano
12/05/2020 08:16
AOS POUCOS COMEÇA-SE A ENTENDER A RAZÃO PELA QUAL O GOVERNO DE PLANTÃO EM GASPAR ESTÁ INTERESSADO EM CALAR A IMPRENSA, ESPECIALMENTE ESTA COLUNA. ACORDA, GASPAR!
Herculano
12/05/2020 08:13
ACENDEU A LUZ AMARELA EM GASPAR

Com o estouro do caso do Hospital de campanha que nem montado foi em Itajaí e dos milionários respiradores mal comprados pelo governo Carlos Moisés da Silva, PSL, que possivelmente uma parte chega a Santa Catarina entre hoje e amanhã e só aí vai se ver se eles funcionam, começa-se a descobrir os elos dos fornecedores de araques com os municípios brasileiros.
Herculano
12/05/2020 08:09
TOCAIA

A prefeitura joga fora em aterros particulares os paralelepípedos retirados de ruas que recebem outro tipo de pavimentação em Gaspar, patrimônio público, já pago um dia pelos impostos dos gasparenses.

Já foi denunciado na Câmara e aqui.

Ontem, um esperto, tentou catá-los para usar em suas propriedades. Afinal eles tem valor e uso.

Avisado de que tinha gente a espreita para documentar e denunciar, ficou de tocaia por algum tempo para perceber esta "espionagem", ao fim do dia de ontem, desistiu, aparentemente. Os paralelepípedos serão como se previa, enterrados.

Este tipo de espreita, tem que ser feita sem avisar previamente a cidade. Como foi feito ontem, agradecidos estão as "otoridades", amigos e espertos de sempre. Acorda, Gaspar!
Covid 20
11/05/2020 22:32
Seu Herculano

Essa sem vergonhice de Prefeito e vereadores, querendo esconder falcatruas e dinheiro jogado na vala pelo ex-diretor presidente e prefeito, tem que acabar.

Porém, há como a oposição desmontar essa sacanagem e massacrar oportunistas como vereador que sempre esteve ao lado PT é agora em troca de favores se junto ao governo. Isso beira às práticas de Brasília.

Mas o que quero dizer, é que os vereadores, Cícero e Dionísio, têm munição o suficiente para desmascar este governo enganoso. Para derrubá-los e impedir do retorno ao poder, basta levar todo essa documentação ao Ministério Público Federal, onde estes inescrupulosos administradores não tem o corpo fechado, como dizem ter na esfera estadual.
Herculano
11/05/2020 18:56
O SENADOR DARIO BERGER, MDB, DÁ PISTA PORQUE A UTI DO HOSPITAL DE GASPAR ABERTA DESDE SEGUNDA-FEIRA PASSADA CONTINUA SEM USO

Um press release do gabinete do senador Dário Berger MDB SC, diz que ele "está articulando junto ao Ministério da Saúde para agilizar o cadastramento e a habilitação de 125 leitos de UTI adulto em Santa Catarina. O objetivo é fortalecer a estrutura de atendimento no estado para os pacientes diagnosticados com o Covid-19".

E no mesmo press release está na relação, os dez leitos do Hospital de Gaspar. Ou seja, eles não estariam então cadastrados e habilitados.

Resumindo. Toda enrolação tem pernas curta e depois sou em quem exagero. Eu não escondo, não abono os erros, amadorismos e incapacidade dos gestores públicos. Acorda, Gaspar!
Herculano
11/05/2020 17:08
BOLSONARO SEGUE ACUMULANDO MENTIRAS. SEUS SEGUIDORES ACHAM NORMAL

VALEIXO CONFIRMA TELEFONEMA DE BOLSONARO E DIZ QUE NÃO PEDIU PARA SAIR por Claudio Dantas, de O Antagonista.

O Antagonista apurou que o delegado confirmou ter recebido um telefonema de Jair Bolsonaro no dia 23, perguntando se concordava em sair da função, mas sem que lhe fosse dada qualquer alternativa.

Segundo Valeixo, nunca houve pedido seu para ser exonerado.

Da mesma forma, ele explicou que "estava cansado" do assédio do Planalto e, por isso, deixou Sergio Moro à vontade para trocar o comando da Polícia Federal.

Gentileza que não foi aceita por Moro, mas explorada pelo presidente da República.
Herculano
11/05/2020 15:47
da série: gente acima de qualquer suspeita, gente ingênua, ou gente que experimentou o melado e se perdeu no açúcar, ou gente que se acha de corpo fechado só porque está no poder de plantão temporariamente, ou gente sem a prática da coisa errada feita de forma certa para não dar errado?

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDIU A PRISÃO DO EX-SECRETARIO DOUGLAS BORBA, por Moacir Pereira, no NSC Total, Florianópolis SC

O Ministério Público Estadual pediu a prisão de vários agentes públicos e empresários envolvidos no escândalo dos 200 respiradores, comprados pelo governo estadual e pagos antecipadamente por 33 milhões de reais. Entre os citados estava o ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, apontado pelo ex-secretário Helton Zeferino e pela ex-Superintendente Márcia Pauli como mandante da compra.

O pedido de prisão temporária também incluiu o advogado Leandro Adriano de Barros, representa juridicamente o Hospital Mahatma Gandhi, do interior de São Paulo, que foi contratado por R$ 77 milhões para colocar um hospital de campanha em Itajaí. Sócios desse escritório tem estreita ligação com Douglas Borba. Prisão também foi pedida para Samuel de Brito Rodovalho, Pedro Nascimento de Araújo, Rosemary Neves de Araújo, Gilliard Gerent, Fábio Deambrósio Guasti, Davi Perini Vermelho, dentre outros, segundo consta da decisão da desembargadora Vera Copetti, ao acolher pedido do Ministério Público de suspensão do segredo de Justiça.

A magistrada negou o requerido pelo MPSC, que apontou na inicial os motivos: "Suposta prática de crimes contra a administração pública, como peculato, corrupção ativa e passiva, e, possivelmente, lavagem de dinheiro, a depender do destino dado aos valores pagos pelo erário, além de delitos licitatórios".
Herculano
11/05/2020 13:10
SAMAE INUNDADO

A Rua Bonifácio Haendchen, no Belchior Central, no Distrito do Belchior, em Gaspar, está sendo reurbanizada.

O Samae, foi informado há mais de 30 dias que era preciso refazer ligações naquela área.

Hoje a Pacopedra, depois de colocar a base, começou espalhar o piche. Adivinhem que apareceu lá para fazer valas para enterrar e trocar canos de água? O Samae.

E o serviço teve que ser interrompido. Vai se esperar sedimentar a vala. No mínimo um atraso de uma semana. O comando no Samae foi trocado, mas as velhas práticas contra a cidade, contra a falta de planejamento, contra sincronia nas obras e aumento do desperdício de recursos e tempo, continuam.

É um vício incrustado na autarquia. Acorda, Gaspar!
Herculano
11/05/2020 12:38
BOLSONARO CONTA COM 'ENTULHO' DE PT, FHC, GEISEL..., por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

Apesar da "guerra" à esquerda, o governo de Jair Bolsonaro mantém em postos importantes, de segundo e terceiro escalões, figuras nomeadas nos governos do PT de Dilma e até de Lula, além dos que se fingem de mortos em seus cargos desde o governo de FHC e até Michel Temer. Regina Duarte revelou esta semana que encontrou na sua secretaria de Cultura assessores ocupando os mesmos cargos desde Ernesto Geisel.

OS TAIS 'INFILTRADOS'

Há um levantamento da Secretaria de Governo indicando dezenas de cargos nas mãos de partidos de oposição, como o PT, PDT e PSDB.

'CENTRÃO' JÁ ESTÁ LÁ

Na hora de fechar acordo envolvendo cargos no governo Bolsonaro, o "centrão" vai descobrir que já ocupa muitos deles e nem sabia.

TEM ATÉ SABOTAGEM

Líderes admitem que vários dos egressos dos governos de Dilma, Lula e Temer colaboram com o atual governo, mas muitos o sabotam.

VAI FICANDO, FICANDO...

O problema é que o governo assumiu sem quadros qualificados para tocar a gestão e foi mantendo os que ocupavam cargos de confiança.

EFEITOS DO VÍRUS NA QUALIDADE DE VIDA DIVIDEM O PAÍS

Levantamento exclusivo do Paraná Pesquisa para o site Diário do Poder e para esta coluna mostra que os brasileiros estão rigorosamente divididos sobre os efeitos da crise do Covid-19 em sua qualidade de vida. Tudo continua igual para 47,5% e piorou para 47,6%. Apenas 1,8% dos entrevistados disse que a vida "melhorou". Outros 3,1% não souberam ou não quiseram opinar. A pesquisa foi realizada entre 4 e 5 deste mês.

JOVENS OTIMISTAS

O grupo que mais acredita que a vida melhorou são jovens de 16 a 24 anos: 3%. Também é o grupo para quem a vida menos piorou: 44,6%.

PESSIMISMO

Dos que têm ensino médio, 51% acham que a vida piorou, mas para 54,5% de quem completou ensino superior tudo "permaneceu igual".

DADOS DA PESQUISA

O instituto Paraná Pesquisa ouviu 2.267 brasileiros em 180 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal.

DORIA TUCANOU O 'E DAÍ?'

O governador João Doria tucanou o "e daí?" do presidente Jair Bolsonaro. Quando questionado sobre as falhas no isolamento social em comunidades pobres, ele deu de ombros: "lamento, mas é impossível".

MEU PIRÃO PRIMEIRO

O Congresso mostrou que não guarda rancor da Polícia Federal, que visitou muitos deles ao amanhecer: simplesmente excluiu a categoria daquelas que terão salários congelados, mas o presidente deve vetar.

CORONAVÍRUS PELO MUNDO

Entre os países com mais casos, os EUA levaram 16 dias para pular de mil para 100 mil casos confirmados, Espanha 23 dias, Alemanha 28, Itália 30, França 31, Reino Unido e Rússia 33. No Brasil, foram 43 dias.

PROBLEMA É OUTRO

O PSB gostou de o STF barrar a medida provisória autorizando o compartilhamento de dados de operadoras de telefonia com o IBGE, durante a pandemia. Como São Paulo faz para monitorar o isolamento.

ROXO DE VERGONHA

Em vez de agir para combater a propagação e ajudar quem sofre com doenças raras, o Congresso decidiu se iluminar de roxo para "conscientizar as pessoas sobre a existência" das doenças. É o fim.

REDUÇÃO HISTóRICA

O Comitê de Política Econômica (Copom) reduziu a taxa básica de juros ao menor patamar da série histórica. Desde o início do governo, a Selic foi reduzida sete vezes; de 6,5% no início de 2019 para 3% agora.

É MUITA GENTE

Dos 33% de transportadores que já demitiram em razão do vírus, 72,7% perderam até 49 empregados, segundo a Pesquisa de Impacto no Transporte da CNT. Só 11,1% dispensaram cem pessoas ou mais.

TECNOLOGIA AJUDOU

Com o fim do prazo de regularização de títulos, o TSE recebeu 1,04 milhão de requerimentos de eleitores para esse e outros serviços. Em meio à pandemia e o isolamento, todos foram feitos pela internet.

PENSANDO BEM...

...depois da crise é quando começa o isolamento dos políticos.
Herculano
11/05/2020 12:35
VOCÊ ACHA QUE Só EX-MULHER É PROBLEMA. EX-HOMEM DE POLITICA TAMBÉM.

É o que está acontecendo com a deputada Paulinha, PDT, que assumiu a bucha de ser líder do governo de Carlos Moisés da Silva, PSL, na Assembleia Legislativa.

Ana Paula da Silva foi prefeita de Bombinhas e seu ex-marido Sandro Alencar está abrindo o verbo nas redes sociais.
Herculano
11/05/2020 12:34
O TOM I

Particularmente, achei vazio o pronunciamento da vice-governadora Daniela Cristina Reinehr, sem partido, ex-PSL, e comprometida com o "Aliança pelo Brasil" e o bolsonarismo raiz.

Devia condenar às práticas do governo a que ainda pertence; deveria dizer com todas as letras que orientou o governo de forma diferente e ele rejeitou as sugestões, se é que as deu.

Entretanto, no vídeo confirmou que é apenas mais uma oposicionista dentro do próprio governo e à espera da oportunidade para se aboletar do poder. Não apontou os infiltrados. Tudo isso já havia escrito no domingo aqui na área de comentários.

O TOM II

Já Cláudio Prisco Paraíso, na sua experiência florianopolitana e mais afeito ao poder da Ilha da Fantasia, ao exibir o vídeo da vice governadora, o titulou como "vice acerta no posicionamento, tom e conteúdo".

E reforça no texto: "a vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, marcou, definitivamente, sua posição como contraponto a Moisés da Silva, o governador que rasgou postura, proposta e discursos da campanha eleitoral.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Daniela se posicionou de maneira muito clara, firme, serena e demonstrando ter ciência da grave situação que vive o estado. Na mensagem, ela reafirma que foi completamente alijada do governo e que o Estado precisa de d'comando'. No contexto geral, a vice-governadora tem se portado de maneira muito elegante. É firme e convicta sem ser agressiva ou apelar para estratagemas apelativos como tem feito Moisés da Silva. Fica muito claro que a vice, em caso de impedimento do governador, está preparada para assumir o desafio.

O TOM III

É um exagero dizer que a vice está preparada para assumir. Até o momento não deu nenhum sinal concreto para isso. Nos bastidores há um jogo mortal de poder e isso se esconde nos comentários da mídia.

É bom lembrar que o primeiro escândalo, que logo se abafou, foi a vice que montou. Quis fazer da residência de vice, um palácio na Capital. Sem espaço, "exilou-se" no Oeste, de onde é oriunda.

Mas, ela não montou nada da oportunidade que quer ser aproveitar. O Comandante Moisés é quem lhe deu a oportunidade ímpar para ela cantar, dançar, tripudiar e até fazer o vídeo que fez para tranquilizar os que a temem como uma radical que poderá levar o estado mais perto do abismo em que está.

O segundo, foi logo depois de eleita e as sombras do governador, que a vice mostrou, sem meias palavras e gestos que queria luz própria. E para isso, não perdeu tempo: rompeu com o PSL e se alinhou aos radicais bolsonaristas.

O terceiro: o poder não é feito pela simples posse a um cargo vago, mas por uma equipe e muita proteção política. A Carlos Moisés, por exemplo e e a vice poderia tirar como lição primeira, faltou equipe nova, verdadeiramente qualificada, objetivos (ou metas) de governo e principalmente proteção política.

O coronavírus surpreendeu? Sim. Mas, ele apenas antecipou um problema que viria mais cedo ou mais tarde. Ele se negou a contatar lideranças regionais como gesto de integração e boa vontade, preferiu as cantorias e jantares no Palácio e com amigos de círculo antigo e íntimo. Esqueceu que era governador dos catarinenses

Quarto: a não ser que a vice-governadora mude muito no seu jeito de ser e principalmente de agir, ela tem demonstrado até aqui, ser muito avessa à conciliação, a entendimentos das prioridades, da vocação de Santa Catarina e liderança.

Daniela, é uma ativista e demonstra rancores fáceis. Ela continua em campanha apontando erros, e não criando soluções. Isto foi o que se viu neste vídeo, onde o que mudou, foi o tom. Ela vislumbrou realidade, e por isso moderou, pois se não moderar, não enganará e nem chegará ao trono, num eventual destrono de Moisés.
Herculano
11/05/2020 12:33
PRESSÃO DEFLACIONÁRIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Queda de preços em abril reforça corte de juros; dólar e dívida são riscos

Com a queda de 0,31% dos preços ao consumidor em abril, a maior para o mês desde 1998, vai se confirmando o diagnóstico de que o impacto da pandemia de Covid-19 é deflacionário. Fora alimentos, todos os outros grandes grupos de produtos experimentaram pressão de baixa, o que sugere falta geral de demanda na economia.

Medida pelo IPCA, a inflação em 12 meses ficou em 2,4%, inferior à meta de 4% fixada para este ano - e mesmo ao piso de 2,5% admitido pela política do Banco Central.

A tendência, ao menos por enquanto, é de queda adicional. Para 2021, as projeções também apontam para inflação bem abaixo da meta de 3,75%, o que confere espaço para o Banco Central reduzir ainda mais sua taxa de juros, a Selic.

Há decerto dúvidas quanto à duração do fenômeno. O risco de surpresa inflacionária mais adiante existe, dada, por exemplo, a forte desvalorização do real, que encarece as mercadorias importadas.

Mas, com estoques em alta e a possibilidade de mudança duradoura nos hábitos do consumidor, reduz-se o espaço para uma grande recomposição de preços por parte das empresas.

Diante desse cenário, o BC cortou os juros em 0,75 ponto percentual, desta vez para 3% ao ano, novo recorde baixista. A autoridade monetária indicou, além disso, que, se não houver mudança significativa na conjuntura, deverá promover mais uma queda de magnitude similar, levando a Selic a 2,25%, algo impensável poucos meses atrás.

Há riscos na estratégia, sem dúvida. Um deles é o incentivo, em tese, para saída de capitais do país, ocasionando perdas ainda maiores do valor do real ante o dólar. Em algum momento, haveria repasses de custos para os preços locais.

A cotação da moeda norte-americana, com efeito, atingiu R$ 5,85 na quinta (7), maior cifra da história do real, em termos nominais.

A inflação muito abaixo das metas, no entanto, tende a pesar mais na decisão. A opção clara do BC foi por afrouxar as condições monetárias internas. Busca nem tanto estimular a demanda, que a esta altura enfrenta restrições físicas, mas minimizar o custo financeiro para empresas e famílias e, assim, facilitar uma retomada mais adiante.

A grande ameaça que paira sobre a permanência dos juros baixos, na verdade, é a fragilidade do Orçamento. A despeito da necessidade indiscutível de elevar despesas públicas para mitigar os efeitos da pandemia, o país não pode prescindir da devida cautela com as contas do Tesouro Nacional.

Sinais de desconforto aparecem, por exemplo, nos juros ainda elevados para prazos mais longos, os que mais importam para financiamentos. A própria queda do real, ademais, pode estar ligada à desconfiança quanto a solvência do governo a longo prazo.

A política monetária, sozinha, não conseguirá estabilizar a economia. Com a dívida pública mais alta, governo e Congresso precisam emitir sinais inequívocos de que retornarão à agenda de reformas no pós-crise. Do contrário, a experiência dos juros baixos será efêmera.
Herculano
11/05/2020 12:33
BOLSONARO PERDE BONDE DO CORONA, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

Ele apenas falou contra o isolamento. Foi incapaz de apresentar um plano, mesmo um pobre esboço, como Trump

Confesso que não fiquei tão perplexo com a ida de Bolsonaro ao STF levando um grupo de empresários. Acredito que, tanto quanto eu, ele não esperava nenhuma solução para o problema que levantava: a volta às atividades econômicas.

O objetivo de Bolsonaro era mostrar que estava trabalhando pela economia. Para isso, levou uma equipe de TV e transmitiu o encontro ao vivo, para surpresa do próprio STF. Um golpe de propaganda, nada mais. Interessante como Bolsonaro consegue perder os bondes nessa luta contra o coronavírus.

Perdeu o primeiro, quando se isolou, negando a importância da pandemia, criticando o trabalho de governadores e prefeitos. Uma nova oportunidade de liderança e alinhamento se abriria para ele, no processo de volta às atividades. Compete ao presidente unir governadores e prefeitos em torno de um detalhado plano de retomada.

Dois dias antes de Bolsonaro ir ao Congresso, Angela Merkel reuniu as lideranças regionais para definir e modular um plano de volta.

Esses planos são complexos. Não adianta pedir ao Tofolli, porque ele não tem. Implicam a definição dos dados necessários, como número de casos, disponibilidade de hospitais, capacidade de testar.

Implicam também um redesenho das escolas, das fábricas, dos escritórios. Na Alemanha, técnicos foram às escolas para redefinir o espaço, inclusive determinar o novo lugar dos professores na sala.

Em alguns países, houve escalonamento de turmas escolares; em algumas regiões, normas para restaurantes ao ar livre.

Normas para o funcionamento de teatros e casas de espetáculo também estão sendo trabalhadas nos detalhes. Os intervalos, por exemplo, serão suprimidos para evitar aglomeração. O próprio futebol na Alemanha volta no dia 16, mas com portões fechados, sem plateia.

Bolsonaro até o momento apenas falou contra o isolamento. Foi incapaz de apresentar um plano, mesmo um pobre esboço, como Trump.

Essa pressa acaba se estendendo a outros setores. O governador de Brasília queria que a final do campeonato carioca fosse jogada no Estádio Mané Garrincha mesmo com um hospital de campanha instalado ali.

Não sei a que atribuir esta loucura. Nós temos uma singularidade cultural, que é a improvisação. É inegável que ela tem qualidades, no compositor que escreve seus versos num botequim, nos profissionais que driblam a falta de recursos para alcançar um certo resultado.

Na formulação de uma política nacional e solidária contra o coronavírus, é preciso liderança e capacidade de planejamento. Bolsonaro trabalha por espasmos, acorda pensando na briga nossa de cada dia, a quem vai combater e orientar sua galera a chamar de lixo.

O ministro da Saúde tem dito que o Brasil é um país diverso. Todos concordam. Mas é precisamente por ser diverso que necessita de um plano com modulações.

Basta olhar no mapa para ver quantas cidades brasileiras não tiveram casos de contaminação. Até elas precisam ser orientadas a rastrear com rigor caso apareça alguém contaminado por lá.

Na verdade, é um projeto que se enquadra nessa expressão muito usada de nova normalidade. Os Estados Unidos viveram algo parecido de longe com isso, depois do atentado de 11 de setembro.

As circunstâncias agora são diferentes. O redesenho da sociedade não se faz diante de inimigos humanos, mas ameaças biológicas que podem nos dizimar. A etapa final do planejamento seria concluída com a existência de uma vacina, acessível a toda a população.

Mas, no entanto, a existência de uma pandemia como essa abriu os olhos de muita gente para a possibilidade de outras. Algumas delas podem ser favorecidas pelo desmatamento.

Tive a oportunidade de sentir isso quando cobri a volta da febre amarela. Aparentemente, a destruição de algumas áreas de mata acabou expondo os trabalhadores agrícolas e algumas populações rurais.

Estamos trabalhando com algo muito sério para o futuro das crianças. Se não houver uma transformação cultural que nos faça pensar coletivamente e nos convença da necessidade de planos cientificamente adequados, vamos ser uma presa fácil.

Nos anos de política, lamentava que o Brasil era um país onde o principio de prevenção não pegou. Não esperava um governo que, além de imprevidente, desprezasse a ciência. Tudo do que o coronavírus gosta
Herculano
11/05/2020 12:32
da série: este editorial, reflete aquilo que acontece nos grotões, há muitos anos, mesmo que não houvesse disputa entre esquerda ou direita, bolsonaristas ou não bolsonaristas. A atividade política é algo de risco, mafiosa e feita por gangues nos municípios. Não faz muito tempo, aqui em Ilhota, um grupo - com os mesmos defeitos de procedimento - comemorou com churrasco, bebida e fogos a prisão temporária de um adversário enrolado em dúvidas de improbidade administrativa. Em Gaspar, estamos assistindo à perseguição implacável de quem não se alinha ao governo de plantão ou se tenta organizar minimamente para concorrer em outubro, se houver eleições, pois todos no poder de plantão torcem para que isso não aconteça.Tardia constatação.

ASSOMBRAÇõES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

No Brasil sob a Presidência de Jair Bolsonaro, todos os que não devotam total lealdade ao governo são vistos não como opositores, mas como inimigos que almejam destruir o País

Estão bem longe da perfeição as instituições republicanas do Brasil. Não são poucos os exemplos de abusos ou omissões do Supremo Tribunal Federal ou de corrupção e irresponsabilidade do Congresso. Ainda assim, se o Brasil pretende permanecer uma democracia, é preciso lutar para aperfeiçoar e prestigiar esses pilares, e não sugerir, como fazem os bolsonaristas, que estaríamos melhor sem eles.

Do mesmo modo, a saúde da democracia se mede pelo vigor da oposição. Nenhum grupo no poder que se considere democrático pode tratar a oposição como se fosse uma ameaça existencial. No Brasil sob a Presidência de Jair Bolsonaro, contudo, todos os que não devotam total lealdade ao governo são vistos não como opositores, mas como inimigos que almejam destruir o País.

O bolsonarismo, como todo movimento de corte autoritário, vive de cevar fantasmas para atemorizar a sociedade. A todo momento, vozes muitas vezes autorizadas por Bolsonaro - quando não o presidente em pessoa - invocam das trevas imaginárias a assombração da volta do lulopetismo ao poder. Segundo esse discurso, quem contraria Bolsonaro ?" na imprensa, no Congresso e no Judiciário - faz parte de uma grande conspiração para ressuscitar a turma de Lula da Silva, o Belzebu do bolsonarismo.

Nada nem ninguém escapa desse julgamento sumário ?" até o ex-ministro Sérgio Moro, outrora herói bolsonarista, foi chamado de "Judas" pelo presidente Bolsonaro porque ousou contestá-lo. Se o Supremo toma decisões que atrapalham o projeto de poder bolsonarista, como tem acontecido com frequência ultimamente, isso significa que os ministros togados estão a serviço do diabo, que não é vermelho à toa. Se o Congresso não vota os projetos do governo e não aceita sem discussão todas as medidas, inclusive as esdrúxulas e as ilegais, emanadas do Palácio do Planalto, então está claro que os políticos continuam a ser o grande empecilho para a redenção nacional prometida por Bolsonaro.

O bolsonarismo empenha-se em fazer o País acreditar que poucos brasileiros hoje se abalariam em defender o Supremo e o Congresso, especialmente quando estes se negam a atender aos desejos de Bolsonaro. Afinal, dizem, Bolsonaro é justamente a resposta natural e necessária a um sistema podre, que só pode ser aniquilado de vez por alguém como ele, que deliberadamente ignora os mais básicos princípios do exercício da Presidência. Sendo assim, quando desrespeita as instituições republicanas, Bolsonaro, segundo os ideólogos do movimento que leva seu nome, na verdade está enfrentando corajosamente os responsáveis pela destruição do Brasil.

Nessa mistificação que faria inveja aos fabuladores petistas em seus bons tempos, Bolsonaro surge como o campeão da guerra para livrar o País da corrupção e do "marxismo cultural", cuja máxima expressão é o Foro de São Paulo, organização de partidos esquerdistas latino-americanos que só petistas nostálgicos e bolsonaristas paranoicos ainda levam a sério.

Para o bolsonarismo, o Foro de São Paulo e o PT de Lula da Silva são mais perigosos para o País do que o coronavírus, tratado pelo presidente Bolsonaro como uma "gripezinha". Pouco importa que Lula da Silva seja hoje praticamente um zumbi político, que só aparece no noticiário quando sofre suas rotineiras derrotas na Justiça nos diversos processos a que responde por corrupção.

Lula, o PT e a esquerda latino-americana são as estrelas do bestiário bolsonarista, que o presidente brande sempre que precisa justificar os atos injustificáveis de sua funesta Presidência. Mais de uma vez, Bolsonaro cobrou apoio incondicional a seu governo sob o argumento de que, sem isso, "o PT volta" ou então "o Brasil vai se transformar numa Venezuela".

No mais recente exemplo disso, durante a vergonhosa intrusão no Supremo Tribunal Federal protagonizada por Bolsonaro e um punhado de sindicalistas patronais, para pressionar aquela Corte a flexibilizar as medidas de isolamento adotadas contra a pandemia de covid-19, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que "a economia está começando a colapsar e não queremos o risco de virar uma Venezuela" ou "de virar sequer a Argentina".

Cruz-credo!
Herculano
11/05/2020 12:31
O OVERSIGHT BOARD DO FACEBOOK, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

O conselho não tem a obrigação de maximizar os lucros da empresa ou agradá-la

Na semana passada, circulou a notícia da criação do Oversight Board (Conselho de Supervisão), órgão independente criado pelo Facebook.

O conselho é composto atualmente por 20 membros de diversos perfis e regiões geográficas. Sua lista de integrantes inclui uma ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, a ex-primeira-ministra da Dinamarca, um ex-juiz Federal dos EUA e o antigo editor do jornal The Guardian. Inclui também este colunista.

O Oversight Board não se confunde com o Facebook e nem é governado por ele. Ao contrário, foi criado para limitar o poder da empresa, que tem hoje 3 bilhões de usuários.

Sua função é decidir em última instância sobre a publicação de conteúdos no Facebook e no Instagram. Para isso, o conselho foi criado na forma de uma organização autônoma, que começa seus trabalhos ?com um orçamento inicial irrevogável de US$ 130 milhões.

Mas por que criar um Oversight Board? Nos últimos anos, as empresas de tecnologia têm decidido cada vez mais casos envolvendo conteúdos problemáticos, que violam direitos ou suas regras de uso. Uma das razões para isso são mudanças normativas que se aplicam não só ao Facebook, mas a várias plataformas.

Por exemplo, em 2014 uma decisão da Corte Europeia de Justiça criou o chamado "direito ao esquecimento". Essa decisão determinou que buscadores como o Google deveriam remover dos resultados de busca conteúdos que fossem inadequados, irrelevantes, excessivos.

A questão é justamente definir o que é "inadequado", "irrelevante" ou "excessivo". Essa tarefa passou a ser não só do Poder Judiciário mas do próprio Google, que em 2018 já havia recebido 2,4 milhões pedidos de remoção imediata de conteúdos com base nesses novos critérios. O próprio Google consultou advogados, professores e especialistas.

No entanto, quando decisões assim são tomadas apenas de forma interna, sem publicização das justificativas (como faz o Judiciário quando decide), o debate sobre a aplicação dos critérios não avança. Além disso, é um exercício de poder enorme, além daquele já concentrado pelas plataformas.

O Facebook toma, assim, a iniciativa de realizar um experimento institucional. Criou um conselho externo capaz de limitar o seu poder de atuação com respeito a esse tema. O conselho tem a tarefa de tomar decisões públicas, de forma justificada, levando em consideração tratados internacionais de direitos humanos e de proteção à liberdade de expressão.

Como órgão independente, o Oversight Board não tem a obrigação de maximizar os lucros do Facebook ou agradar à empresa. Seus membros têm mandatos fixos e não podem ser afastados. Além disso, todas as decisões serão colegiadas, tomadas por painéis rotativos e referendadas pelo plenário.

Por fim, o conselho será capaz de analisar apenas um conjunto limitado de casos exemplares por ano. Haverá casos difíceis, envolvendo discursos de ódio, disseminação de imagens violentas relacionadas a tragédias, ou ainda a questão sobre o dever de tratar de forma distinta conteúdos postados por pessoas públicas.

É claro que o papel de cada país de tratar desses desafios permanece intocado. O que muda agora é que o Facebook abdica de sua palavra final sobre casos como esses para um conselho externo e independente.

READER
Já era?
esbloquear o celular com código numérico ou digital

Já é?
esbloquear o celular com o rosto

Já vem?
esbloquear o celular com o rosto, mesmo usando máscara?
Herculano
11/05/2020 12:29
BOLSONARO, ESCUTE: NA DEMOCRACIA NÃO EXISTE FRASES COMO "QUEM MANDA AQUI SOU EU", por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

A gangue do presidente é boçal como um churrasco de varanda

O momento é de vigília. Bolsonaro quer incendiar o país com sua delinquência. Seus seguidores gozam do "privilégio" de fazer manifestações indiferentes à epidemia. Aproveitam-se do medo das pessoas pra falarem sozinhos. Há um ethos de milícia no ar. A gangue do Bolsonaro é boçal como um churrasco de varanda.

Se as Forças Armadas caíssem na tentação de apoiar o golpismo bolsonarista, embarcariam num dos seus priores momentos da história. Não teriam nem a desculpa da Guerra Fria dos anos 1960. Seria pura e simplesmente se transformar numa gangue de farda, como o exército da Venezuela, que junto com Chávez e Maduro, transformaram a Venezuela num pária geopolítico, matando a esmo sua população.

Ao longo dos últimos anos, as Forças Armadas (que incluem Exército, Aeronáutica e Marinha) conseguiram um respeitável reconhecimento por parte da população, afastando-se do horror da ditadura.

Já a gangue de ethos miliciano dos Bolsonaros é candidata à lata de lixo da história. Traço dessa gangue é achar que governo (eleito) e Estado são a mesma coisa. E no seu ethos de churrasco de varanda, Bolsonaro entende que ambos são dele.

Bolsonaro quer se passar por militar, mas não é. Sua participação no Exército foi medíocre e curta em comparação a sua vida no centrão. ?

Bolsonaro é uma criatura do pântano, o centrão no período da Revolução Francesa, local onde crescem serpentes venenosas.

Para a excelente formação dos generais brasileiros fica claro que a única coisa a fazer agora é apoiar as instituições da democracia e dizer um grande "não" a Bolsonaro e sua gangue, mostrando a esses ignorantes que na democracia não existe frases como "quem manda aqui sou eu".

Não, o senhor não manda em nada aqui, senhor Bolsonaro. Quem manda são as instituições.

É bom explicar a esse equivocado e seus seguidores ignorantes que a democracia é um regime institucional cujo primeiro objetivo de todos é controlar o poder pelo próprio poder.

Esses ignorantes que portam a camisa da seleção brasileira para agredir a imprensa, são a vergonha do país.

Enquanto esses idiotas berram frases a favor da ditadura, nós nos afogamos na pandemia.

Esses ignorantes não entendem patavina do que é que seja uma democracia.

Aliás, acho que o Ministério Público deveria processar a administração Bolsonaro e sua gangue por genocídio em massa de brasileiros. Seria de bom tom. Todo e qualquer esforço institucional para barrar essa nova gangue será bem-vindo.

Aqui vai um apelo às Forças Armadas: vocês estão tendo um momento histórico para mostrar que merecem a confiança depositada em vocês pela imensa maioria de gente decente que carrega o Brasil nas costas. Não deixem a delinquência falar mais alto. Apoiem o STF em suas decisões, o Legislativo em sua função, que assim como o STF, deve servir de contrapeso aos abusos do Executivo.

Um dos traços de profunda ignorância política é achar que alguém seja perfeito na representação do bem comum ou que alguma instituição seja plena em sua função.

Bolsonaro e seus idiotas se oferecem como salvadores da pátria. Ninguém ou nenhuma instituição merece confiança absoluta, por isso elas limitam umas as outras. Os idiotas da política não sabem disso.

Sob o olhar da filósofa Hannah Arendt (1906-1975), assistimos em cada fala de Bolsonaro e seus asseclas, à agonia da vida do espírito (a vida da inteligência, grosso modo) e ao risco da instalação de uma nova banalidade do mal: a banalidade do mal é a estupidez, a inapetência ao pensamento, a recusa de um entendimento da realidade, na sua complexidade e precariedade, e a empatia para com esta.

E como diria Lionel Trilling (1905-1975), crítico literário, nunca foi tão importante a obrigação de ser inteligente. Que a inteligência seja um antídoto à estupidez reinante. Que esmaguemos essa estupidez elevando o nível do debate.

A virtude política máxima agora é a vigília. A atenção diante do risco. Não vivemos um momento geopolítico dado a ditaduras, como na Guerra Fria, mas nem por isso podemos descartar o risco do oportunismo mau caráter dessa gangue.

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