11/05/2020
Os políticos do governo Kleber são contra a inspeção. Eles chegaram a espalhar na cidade que se destruiria a rua e com isso se aumentaria custos, atrasaria ainda mais a obra. Não querem que se provem os eventuais erros que se escondem debaixo da terra
Um jogo esperto de comunicação dos aliados do governo Kleber para desmoralizar e desqualificar a CPI e os vereadores que a pediram
A CPI tenta provar que se projetou, licitou, contratou, fiscalizou e se pagou uma coisa, mas se executou outra que teria preços diferentes. Os governistas acham que a prefeitura tinha liberdade para fazer isso. Por isso, querem que o relatório seja o deles e não o do relator. Querem que o relatório referende essa tese. Tudo para enterrar depoimentos e documentos e assim livrar o governo Kleber de responsabilidades administrativas e jurídicas.
A base do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e de Luiz Carlos Spengler Filho, PP, na Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara de Gaspar tenta melar nos discursos, entrevistas sem perguntas e unicamente de forma política, às polêmicas dúvidas técnicas nas obras de drenagens e reurbanização da Rua Frei Solano, no bairro Gasparinho.
E para isso, faz de tudo, e de há muito como relato na coluna para o portal e para o jornal Cruzeiro do Vale que completa 30 anos de circulação, para desqualificar os procedimentos técnicos que devem sustentar o relatório do vereador Cícero Giovane Amaro, PL. Esta tem sido a tônica nas manobras regimentais possíveis nas últimas três reuniões da CPI realizadas nas duas últimas semanas na Câmara de vereadores de forma virtual e presencial.
Estas dúvidas nas obras de drenagens da Rua Frei Solano, praticamente só apareceu – o tempo todo - para os gasparenses aqui nesta coluna e tem sido líder de audiência.
Ela é fruto da arrogância, intimidação, constrangimento, intolerância e principalmente da barbeiragem político-administrativa dos que orientam o governo Kleber. A turma de “çabios” agora descobriram que a coluna – antes ela não era lida por ninguém, alegava-se - é esclarecedora e um “perigo” para eles. Esse pessoal também quer o meu silêncio por meio de constrangimentos, intimidações e processos. Está difícil porque tenho casca grossa. E não sou o único. Para eles, os gasparenses precisam continuar cegos, surdos e mudos aos questionamentos e debates do poder de plantão.
Volto.
As obras de drenagem e reurbanização da Rua Frei Solano foram executadas inicialmente pela própria prefeitura em meio a um tumulto que arrumaram com vereadores na Câmara para aprovar financiamentos sem muitas explicações.
Depois usaram da mesma tática de constrangimento para passa-las para o Samae. Era o sinal de que alguma coisa errada havia. E o Samae está lá e até hoje não as terminou. Ele contratou empreiteiras, uma delas – a Engeplan – corrida de lá mesmo estando ela dentro do cronograma contratado como demonstrou o depoimento com dados sólidos à CPI – incluindo a perseguição - do seu engenheiro e reportado aqui.
São quase dois anos de enrolação, falta de transparência, agonia para os moradores e comerciantes em uma obra simples e que a prefeitura não quer ver debatida ou esclarecida com a comunidade.
Engenheiros da Dinâmica – empresa que auxilia os vereadores na CPI - estiveram na Rua Frei Solano mapeando os pontos de inspeção que farão esta semana na obra
UMA CPI QUE O PRÓPRIO GOVERNO KLEBER CRIOU POR TEIMOSIA DOS SEUS “ÇABIOS” E ENFRENTAMENTO PARA IMPEDIR À TRANSPARÊNCIA
A CPI foi pedida pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, morador do bairro. E ele só fez isso, vejam bem, não porque é da minoritária oposição a Kleber, mas porque é função do vereador fiscalizar os atos do prefeito. Ela foi pedida, principalmente, porque Kleber e seus “çabios” zombaram, repito, zombaram, ao extremo não só do vereador, mas da prerrogativa da Câmara de pedir informações ao Executivo sobre a obra.
Se não tinham nada para esconder, por que escondiam? Agora, se sabe que tinha razão em esconder. E se tinha razão em esconder, por que partiram para o enfrentamento e lá no início não corrigiram o que se podia corrigir? Por que esconderam provas e agora não querem perícias daquilo que se esconde debaixo da terra?
Desdenhar quem queria explicações do governo Kleber tem sido a tônica do prefeito e principalmente da equipe para a qual ele é refém. Na outra ponta se contrapõe com propaganda enganosa nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Ao mesmo tempo, tenta demonstrar ter poder sobre as instituições de fiscalizações fazendo delas meras peças decorativas.
Reforço. Dionísio só pediu a CPI depois de ver seus sucessivos requerimentos ao prefeito para esclarecimentos das dúvidas das obras da Frei Solano serem postergados pelo prefeito Kleber. Um deles, o prefeito só atendeu via mandato judicial. E mesmo assim, incompleto num desatino contra a ordem judicial que ficou por isso mesmo. Zombaria. Nem ordem judicial contra ela se respeita na prefeitura. Exige-se dos outros.
E agora, depois dos depoimentos e documentação coletadas, entende-se bem a razão desse comportamento de Kleber e sua equipe neste assunto, que pior, pode permear muitos outros. Estavam escondendo coisas que não tinham explicações. Alguns defeitos técnicos ou procedimentais até corrigiram no decorrer do processo. Entretanto, a maior parte ficou exposta.
O próprio Ministério Público neste caso, por exemplo, acionado, enviou engenheiros peritos de Florianópolis e viu irregularidades.
Entretanto, alegou que não poderia ser conclusivo, pois as possíveis falhas denunciadas já tinham sido enterradas. É isso mesmo. E o governo Kleber? Comemorou! Vergonha. Agora, a CPI quer pontualmente inspecionar essas dúvidas. Kleber e os seus não querem. Dizem que isso causaria enormes prejuízos a cidade. E que os culpados desses “enormes” prejuízos à cidade seriam dos vereadores Dionísio e Cícero.
E por que dessa súbita e esperta culpa aos vereadores que nada executaram a obra de forma torta e pouco clara? Tudo para os supostos erros continuem escondidos em novos laudos como aconteceu com o MP. Tudo para se comemorar mais uma vez. E se duvidar, até processar quem ousou esclarecer e mexer no cadáver enterrado para ver a causa da morte dele. Esta é verdadeira Gaspar que está no poder de plantão, que é capaz de correr com uma empreiteira de 51 anos de trabalho para que tudo fique entre poucos.
Por mais de duas horas, os técnicos tentam esclarecer pontos das respostas do questionário escrito que responderam aos vereadores em reunião no plenário da Câmara de Gaspar
DESENTERRAR OS SUPOSTOS ERROS
A CPI interrompida pela Covid-19, terá que estar concluída no dia 26 de maio. O relatório de Cícero está marcado para ser apresentado no dia 20. Provavelmente ele será votado no dia seguinte. O calendário ainda está em aberto. E o governo de Kleber possui os dois votos para rejeitá-lo – pois o presidente Dionísio Carlos Bertoldi, PT, só votaria em caso de empate, e como a comissão é de quatro membro, não há possibilidade de empate.
Os vereadores do governo na CPI e que são advogados também, Francisco Hostins Júnior, MDB e Roberto Procópio de Souza, PDT, já sabem que por tudo que rolou, se levantou, se questionou, se provou na CPI, não terão um relatório favorável ao governo.
E aprová-lo com ressalvas ou emendas, é o mesmo que assinar a confissão de Kleber para o erro. E isso está fora de qualquer cogitação. Também já antecipei isso aqui. Virá um relatório do governo, afirmando que eventuais erros não causaram prejuízo e se há culpa, ela terá que ser do mordomo. Esse é o que valerá e vai para o caixão, sem flores e sem velório em tempo de Covid-19.
Há quem diga que o relatório dos vereadores do governo já esteja pronto. Só falta arremates que virão da visita as obras nesta semana.
E por duas vezes Hostins insistiu a Dionísio datas para apresentação de emendas ou um relatório paralelo com a respectiva votação. Há sinalização maior de que os vereadores de Kleber não consideram o relatório oficial de Cícero como possível? Na Câmara de Vereadores de Gaspar até as baratas sabem disso. Com os vereadores que troquei mensagens, incluindo os da Comissão a impressão é a mesma e não é de hoje, mas quando nasceu a própria CPI e o governo a golpeou, legal e regimentalmente para possui a maioria
Dionísio está esticando esse assunto para que ele não torne um impedimento a outros procedimentos. Disse que que resolverá esta semana. Contudo não há muito o que fazer contra a pretensão dos vereadores de Kleber. Está na lei. Eles podem fazer o relatório deles, aprovar com os votos deles e dar a CPI o fim que bem entender.
E o relatório de Cicero? Ou ele joga no lixo, ou então protocola como peça para inquérito no Tribunal de Contas do Estado, no Ministério Público e até no Gaeco. Até lá, Gaspar continuará a mesma. Acorda, Gaspar!
A CPI EM DEZ NOTAS
1. A engenheira fiscal pela prefeitura da pavimentação da Rua Frei Solano, Mariana Andreazza Bernardi Diehl mais uma vez não apareceu para depor na semana passada à CPI. Foi lhe enviado um questionário.
2. Durou mais de duas horas as explicações dos engenheiros da empresa Dinâmica contratada para auxiliar tecnicamente os vereadores no entendimento de depoimentos e documentação. Haverá mais uma lição de casa.
3. O sistema que grava e disponibiliza sessões e reuniões da Câmara de Vereadores de Gaspar é um verdadeiro desastre e contra a transparência.
4. Quem quis acessar as gravações neste final de semana, mais uma vez teve que pedir por santos e espíritos. E olha que esse negócio não é barato e tem até gente responsável paga com o dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses. Um dos dois não funciona. E faz tempo.
5. O engenheiro Ricardo de Freitas, fiscal de parte das obras da Frei Solado, foi nomeado pela prefeitura como o técnico para acompanhar as diligências técnicas que os vereadores da CPI estão fazendo com a assistente técnica, a Dinâmica.
6. A certa altura, o engenheiro Ricardo admitiu que as caixas de inspeções da Frei Solano deveriam estar acessíveis desde que foram implantadas e não cobertas por asfalto como estão. Agora, a prefeitura terá que localizá-las e recortar o asfalto para abri-las e assim elas servirem à função para a qual foram construídas. Cada coisa. Mais custos. E desses a prefeitura e os vereadores não falam nada.
7. A Anotação de Responsabilidade Técnica pode ser metida a qualquer momento da obra, até mesmo depois do término dela, como admitiu a empresa Dinâmica. Depende do engenheiro que assume a responsabilidade, mesmo não tendo acompanhado a obra.
8. Outro ponto controverso esclarecido pela Dinâmica que auxilia os vereadores da CPI. O executor não pode mudar um projeto se não houver concordância do autor ou do fiscal do autor. Então a prefeitura está lascada de novo.
9. Fazer base berço de concreto ou de rachão para receber os tubos são técnicas diferentes e com custos diferentes. Ou seja, implica em preços finais diferentes.
10. Igualmente são técnicas construtivas diferentes com custos diferentes entre si selar as juntas dos tubos com argamassas ou com bedin (espécie de tecido).
11. São técnicas diferentes, custos e resultados diferentes construir caixas em concreto armado ou com tijolos que substituem forma de madeira para o concreto.
12. O maior problema do projeto, quando ele apareceu, pois no início nem se tinha ele, foi à falta de levantamento e sondagens de solos. O tipo de solo encontrado, é usado para tecnicamente justificar e mudar o que supostamente foi projetado, licitado, contratado e fiscalizado como se nada tivesse sido feito diferente do projeto, pago conforme o projeto e não o executado.
13. Nos depoimentos, nos esclarecimentos e na documentação disponível está claro para os membros que pediram a CPI de que não havia projeto, se havia ele não foi obedecido, e não tendo critério, fiscalização a obra ganhou contornos de informalidade, que com a CPI foi minimamente formalizada para justificar as mudanças e até os custos, que ainda geram muitas dúvidas.
14. Para os membros que pediram a CPI ou a prefeitura e a primeira empreiteira fez do jeito que ela bem entendeu porque não existia projeto, mas uma ideia e necessidade, ou o projeto foi ignorado.
Só depois de mais de 40 dias o prefeito Kleber (à esquerda) anunciou quanto os gasparenses contribuíram com o Fundo da Saúde para o Pronto Atendimento e UTI do Hospital, cujo secretário interino é Carlos Roberto Pereira (à esquerda)
Hoje estamos no dia 11 de maio. Sabe quando, os gasparenses poderiam optar por doar parte do desconto do ITPU de Gaspar para o Fundo Municipal de Saúde para se aplicar no Pronto Atendimento, a UTI e outras melhorias no Hospital de Gaspar numa campanha de origem da Câmara de Vereadores?
A primeira vez e de forma integral no dia 28 de fevereiro. Ou seja, há mais 70 dias. A segunda oportunidade aconteceu no dia dez de março. Ou seja, pouco menos de dois meses atrás.
Mas, só na sexta-feira passada, dia oito de maio, ou seja, quase dois meses depois da coleta da promoção pingar no caixa da prefeitura e da secretaria de Fazenda, é que oficialmente, o governo eleito de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, e do prefeito de fato, o secretário da Fazenda e Gestão Administrativa onde este assunto é apurado, e agora, também, interinamente na Saúde, local onde esses recursos serão gerenciados, Carlos Roberto Pereira, MDB, anunciou que a arrecadação nesta promoção chegou aos módicos R$47.290,96, vindas de 1.117 pessoas físicas ou jurídicas.
E olha que o sistema da prefeitura que emite os carnês e controla a cobrança é computadorizado. É programa caro e sofisticado – apesar de um simples atendente já ter entrado lá e alterado os dados num escândalo abafado há dois anos. E tudo é on-line. Ou seja, na hora em que o dinheiro está pingando no caixa já se sabe quem está fazendo isso e quanto ele está destinando ao Hospital.
Na pior das hipóteses, considerando os modelos de segurança na conciliação, no dia seguinte ao dia 28 de fevereiro, bem como no dia seguinte ao dez de março, a prefeitura já tinha esses dados disponíveis para anunciar aos gasparenses. Deveria ter feito isso, principalmente, na forma mínima de respeito, aos que doaram.
Enfim, esta é a marca do governo de Kleber, Luiz Carlos e Carlos Roberto. Este é o tal governo eficiente, o transparente e o que avança, que está em campanha permanente de reeleição.
Eu mesmo aqui, há mais de um mês, além de cobrar essa transparência e o governo, a sua assessoria de comunicação que é uma máquina de propaganda eleitoral, e os “çabios” empoleirados no governo, mandaram-me uma banana e me ridicularizaram, mais uma vezs, com a minha preocupação cidadã.
Arrisquei pelas fontes que possuo na prefeitura de Gaspar de que esta arrecadação teria chegado perto de R$41 mil. E quase não errei.
A OMISSÃO DA COMUNICAÇÃO DA PREFEITURA CONTRIBUIU PARA A BAIXA ARRECADAÇÃO
É muito? É pouco o que se arrecado? Eu diria que é um bom começo se a lição for compreendida e aprendida. E o governo Kleber tem culpa direta no que aconteceu. Não olhou nem o Hospital, nem as vidas, mas quem poderia levar vantagem política com a iniciativa. Simples assim. Meu Deus!
Os entraves que se criaram aos dois projetos apresentados na Câmara, a falta de facilidade para operar esta doação, bem como à falta de estímulo e divulgação para essa possibilidade de doação. Tudo isso, estima-se que se capou algo que se projetava emR$400 mil.
Esse boicote branco ou falta de empolgação, digamos assim. Tudo por que à iniciativa da ideia e já amplamente comentada anteriormente aqui: ela não foi dos “çabios” instalados ou que rodeiam Kleber.
A boa ideia nasceu em dois projetos de lei na Câmara. A autoria deles foi cria “política” e irmão de templo, que virou opositor e agora retornou ao berço de Kleber, o vereador e médico cardiologista Silvio Cleffi, PP.
Os recursos eram para a tal UTI. O governo “incrementou”: mandou ao Fundo Municipal de Saúde e lá prioritariamente esses recursos, quando doados, vão para a infraestrutura do Pronto Atendimento e outras necessidades do Hospital. Quer dizer, a UTI propriamente dita, origem dos projetos, só se houver sobras do arrecadado. Também simples assim. Silvio aceitou. Era a única forma de passar os projetos
Ou seja, a própria prefeitura reconheceu tacitamente com a manobra que a UTI não é uma prioridade; que o Pronto Atendimento – local onde normalmente entram os elegíveis a uma UTI e que é regulada pelo estado em Santa Catarina - é tecnicamente deficitário; e que o Hospital sob intervenção municipal, cujo o dono dele ninguém sabe quem é, é um sumidouro de dinheiro bom, mas falta muito para ser um Hospital de verdade.
Fizeram a Live pelo Hospital. Uma boa iniciativa e bem-sucedida. Também já escrevi sobre ela. Arrecadaram quase R$600 mil e dos mesmos que sempre doam em Gaspar. Se a prefeitura tivesse a mesma disposição com os projetos do IPTU, talvez a arrecadação teria chegado a quase R$1 milhão.
Quando políticos colocam suas vaidades em primeiro lugar, quem perde são os cidadãos que os sustentam em tudo, inclusive no ciúme político partidário e a incapacidade do gestor público – que na maioria dos casos são cabos eleitorais, curiosos, amigos do poder, incapacitados para as funções chaves - de produzir resultados comuns. Ainda escrevo mais sobre isso no Trapiche
Quando tudo isso vai mudar? Acorda, Gaspar!
Quando eleitos, querem que a mesma imprensa que lhe ‘ajudou’ por ser profissional e honesta se torne mansa e parceira aos desatinos que querem ver escondidos
Na prática se descobre então que esses políticos, mesmo jovens ou calçados ao primeiro mandato, são tão velhos quanto os esquemas e políticos que substituíram
O governador Carlos Moisés da Silva, PSL, um tenente coronel bombeiro militar reformado depois de desnudado na semana passada, estava reclamando da imprensa como ela vinha tratando o caso do tal Hospital de campanha que teve que abortar em Itajaí. Hum!
Ora se abortou, não foi por causa da imprensa. Foi porque tinha problema apontados não só pela imprensa, mas por outros atores políticos e agentes de fiscalização. E abortou porque não tinha condições de sustentar o que estava sendo colocado em dúvidas. Simples assim.
Moisés resolveu prosseguir na procissão errada. Ele continuou a reclamar de “uma certa imprensa” pelas lives - onde se cerca de gente para lhe dar aval - lives que viraram moda e onde só um fala o que quer e a imprensa escuta, principalmente. Reclamou do tratamento e manchetes do escandaloso caso dos respiradores que derrubou dois secretários: o da Saúde e o da Casa Civil.
Espera aí! O problema que a imprensa, outros políticos e órgãos de fiscalização da sociedade noticiaram, denunciaram ou apuraram não existiram? Acha o comandante Moisés que ainda está no quartel dos bombeiros onde passou a sua vida.
Pensa ele que o governo ao comprar espaços comerciais nos veículos de comunicação para divulgar os seus feitos, ao seu modo, como um produto qualquer que anuncia qualidade e oportunidades, lhe dá o direito que calar a imprensa sobre os seus erros contra a sociedade que lhe sustenta com os pesados impostos?
Ainda bem que a secretaria de comunicação do governador, mais tarde, publicamente, não avalizou tal desatino.
Todos os dois casos - o de Itajaí e dos respiradores - foram denunciados e tiveram ampla repercussão pela imprensa local e até nacional. Mas, o comandante Moisés deveria antes de reclamar da imprensa, olhar o seu próprio entorno. E por que?
A própria vice-governadora também de origem militar, Daniela Cristina Reinehr e que saiu do PSL e está formando o bolsonarista “Aliança pelo Brasil” também pulou no pescoço do governador diante das dúvidas. Mas, os dois não se bicavam já antes disso, então vamos dar o devido desconto. Na Assembleia, o assunto repercutiu e começou por Ivan Naatz, PL. E a CPI teve 40 assinaturas. N unca antes houve esta unanimidade. Então como o governador quer que a imprensa esconda tudo isso dos catarinenses? Coisa de doido!
Resumindo: o que o governador reclama e a maioria dos políticos o acompanha neste tipo de assunto, inclusive aqui em Gaspar e Ilhota? A falta de transparência. Nestas horas, a imprensa ganha importância. Até então, é um entrave, que deve ficar à míngua e com verbas distribuídas politicamente e pelo grau de mansidão contra a sociedade e escondendo as sacanagens dos poderosos com os nossos pesados impostos.
Transparência é a palavra não da moda, mas uma atitude dos que lidam com a coisa pública e nisso incluo empresas, produtos e serviços. Transparência é a obrigação de se antecipar problemas, esclarecimentos e soluções. Punir quem tem que punir. Expurgar, quem tem que expurgar. Sacrificar quem tem que sacrificar, mesmo injustamente para proteger uma causa, a imagem de um governo e resultados para a sociedade. Repito: transparência é tomar atitude e não propaganda.
Se não fosse parte da imprensa catarinense - principalmente a ND Mais, do grupo Petrelli e alguns blogs e colunas novas - levantar este assunto, e sempre alimentada por gente que está fiscalizando o governo e não por iniciativa própria desses canais, porque em Santa Catarina se perdeu a embocadura do jornalismo investigativo depois da passagem maléfica da RBS SC, os catarinenses estariam colocando os seus escassos e pesados impostos no lixo, mais uma vez nesta história do hospital de campanha de Itajaí e o dos respiradores que deveriam ter chegado ao Brasil no sábado na pior das hipóteses. Enquanto isso, em Santa Catarina os doentes pela Covid-19....
QUANDO A IMPRENSA SE CALA, OS DEMAIS FICAM MAIS A VONTADE
Insisto, foi só depois da teimosia e coragem de parte da imprensa que o Ministério Público, a controladoria do estado que ainda está passando panos quentes em tudo isso, Polícia Civil, Gaeco bem com o Tribunal de Contas do Estado é que foram atrás das histórias, indícios e denúncias. Ficava feio ficarem quietos...
E para piorar, o próprio governador, o comandante Moisés, um tenente coronel da reserva da polícia militar, recebeu pernadas da própria vice-governadora, Daniela Cristina Reinehr, uma advogada de origem militar como o governador. Então não se trata exatamente de um problema inventado pela imprensa que até recebeu dinheiro do governo do Estado como ele próprio insinuou, como se isso, as migalhas, fossem para ficar calada nas atrocidades dos milhões dos catarinenses contra o ato de salvar vidas.
Trata-se da realidade que se não foi o próprio Moisés quem originou tudo isso e parece que isso ao menos está fora de cogitação, foi Moisés como governador, como comandante, como responsável foi quem permitiu, encobriu ou confiou demais em gente que não poderia confiar e está pagando e vai pagar caro por isso. Simples assim!
Eu se governador – e deus me livre disso, até em sonho - já teria colocado as cartas na mesa, a corda no pescoço de todos no cadafalso da verdade, para mostrar ao menos que é um governante comprometido com o resultado para o estado e os cidadãos e não para os seus, muitos deles, herdados de governos que Moisés condenou quando em campanha. Também simples, assim!
Primeiro: Moisés deve se queixar do seu jeito de governar que dá margem para dúvidas. Depois deve ir atrás das dúvidas aos seus infiéis - ou incompetentes, ou espertos demais - que nomeou para lhe auxiliar.
Mais: falta a Moisés uma base política mínima de sustentação no governo e na Assembleia onde todos assinaram a CPI sem pestanejar diante de tanta gravidade exposta. Moisés antes de reclamar da imprensa deve limpar a sua Casa, refundar o governo, ter a sua própria vice como adversária; substituir o seu controlador que nada controla, não o protege, que é um acadêmico decorativo e burocrata, lutando para ser a eminência parda do governo. E por fim, antes de reclamar a imprensa, Moisés deve investir o seu tempo para se defender no TCE e MP.
E a imprensa? Está no papel dela, ou seja, o de relatar tudo isso se não pode investigar como fazem nos grandes centros os principais veículos. Ah, mas Moisés alega em sua defesa que fez 90% certo e pode ter errado em 10%. A um político e gestor público se espera que se acerte 100%. E os 10% que estão sob duvidas, governador, são capitais para a pandemia, para a sua imagem e para o desperdício que continua e que o senhor prometeu combater e cortar em favor do estado e dos catarinenses. Outra vez, simples assim!
E Gaspar? Não foge à regra. Agora, a culpada por Kleber Edson Wan Dall, MDB, estar empacado nas pesquisas e com má imagem de gestor, não é da imprensa, mas desta coluna. Ganhei mais um troféu. Esses políticos não se emendam.
O prefeito de fato, o ex-coordenador de campanha de Kleber, o presidente do MDB, o secretário da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Pública, o advogado como curioso está tocando interinamente a secretaria da Saúde em plena pandemia, Carlos Roberto Pereira, acha que tem que me calar. E não é de hoje. Ele também é um dos que usou a coluna para alvejar os adversários. Agora acha ela perigosa demais. Será por que? É preciso me alongar ainda mais nesse artigo?
Ou seja, estão dando poder demais para as minhas incômodas verdades. Esta coluna não tinha leitor, agora influencia a cidade e os cidadãos? Riam! E para que isso não continue, estão intimidando, constrangendo, censurando. Então todos enganados. Munição não falta. Carlos Moisés já está de cócoras. Virá mais, muito mais. Acorda, Gaspar!
Quantos pacientes já estão sendo tratados na UTI emergencial do Hospital de Gaspar, aberto oficialmente deste segunda-feira passada? Eles ainda não foram habilitados. O custo está correndo e contra os pesados impostos dos gasparenses.
A Saúde Pública não é coisa para amador, curioso ou é barata. O caso do governo do estado que descrevi em artigo anterior é um exemplo disso. Depois das obras, a área da Saúde é onde mais se vê desperdícios, má gestão, desvios e corrupção.
Tudo se estabelece na emergência, calamidade e especificidades de medicamentos, procedimentos, materiais e equipamentos. Muita coisa foge da Lei das Licitações. Uma máfia organizada e que até atua junto ao Judiciário para facilitar tudo como se desnuda com muita frequência.
Na coluna de sexta-feira, feita especialmente para o jornal Cruzeiro do Vale, o de maior circulação na região e com 30 anos de credibilidade, mesmo sendo massacrado pelos governos de plantão desde então, eu mostrei como a UTI que se improvisou no Hospital de Gaspar tem data para morrer, se os políticos e gestores públicos não fizerem a sua parte.
O prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e o prefeito de fato, ex-coordenador da campanha de Kleber, o presidente do MDB, o advogado, o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, e agora interinamente na Saúde – onde já foi titular exilado -, Carlos Roberto Pereira, bufaram, praguejaram e prometeram retaliação. Mais uma?
O governo de Gaspar é movido pela falta de transparência e paga caro por isso. É um governo em permanente campanha pela reeleição e paga caro por isso. É um governo feito de curiosos, ajeitamentos partidários e cabos eleitorais, e paga caro por isso, pois tecnicamente está fragilizado. É um governo centralizado e dependente de Carlos Roberto Pereira, e paga caro por isso.
Uma UTI, nos padrões mínimos exigidos pelos órgãos de regulação e fiscalização e para que seja homologada como um UTI, com as obras físicas de adaptação física do Hospital de Gaspar – e que não previa uma UTI de verdade e nos moldes de hoje - vai custar entre R$4 a R5 milhões. Este é o menor dos custos. Então, veja o porquê disso.
Consultando especialistas, com algumas diferenças devido a procedimentos, equipes e tipo de equipamentos, o custo de manutenção e funcionamento uma UTI de 10 leitos – não sofisticada e com aporte mínimo necessário pelos protocolos médicos - é de aproximadamente R$1.500,00 a hora, ou seja R$36 mil por dia, ou R$1.080.000,00, ou R$13 milhões por ano cheia, pela metade ou vazia de pacientes.
É isso que será preciso para se ter uma UTI em Gaspar: de R$4 a R$5 milhões para instalá-la e outros R$13 milhões para mantê-la por ano. Se credenciada, parte desses R$13 milhões poderá vir dos governos Federal e Estadual. E isso leva tempo. Os governos “compram” um determinado número de leitos, mesmo que eles estejam desocupados. Essa compra demanda tempo e que em alguns casos podem chegar até dois anos.
Então é só olhar o orçamento municipal de Saúde para ver que a UTI não está no radar do governo Kleber para este ano, nem para os próximos. E se estiver, vai ter que arrumar verbas de outras áreas. E não será pouco pela conta apresentada. O governo fez opção por obras físicas e não pela saúde das pessoas. Ora se nem os postinhos, Pronto Atendimento do Hospital e a policlínica funcionam no básico, como vai se investir numa UTI permanente?
A ajuda da comunidade é vital. Contudo, primeiro quem precisa sair da UTI é a má imagem do Hospital. Ele não possui credibilidade. Atende mal e dele se acusa de muitos erros. E esta ajuda, mesmo muita boa vontade como aconteceu na Live, é pouca em relação ao que se precisa. Afinal, o Hospital não é só a UTI.
Imagem é tudo. Ou vocês leitores e leitoras acham que os sólidos Hospitais Santo Antônio (que é da prefeitura de Blumenau), o Santa Isabel (que é administrado por uma instituição católica e faz atendimentos públicos) e o Santa Catarina (que é de uma instituição Evangélica Luterana e que só atende no privado), quase autosustentados, não vivem de polpudas e contínuas doações da comunidade (físicas e empresariais)?
Há toda uma estrutura para que isso acontece interagindo e influenciando na comunidade. E antes, há a credibilidade da instituição. Ninguém faz doações para quem não presta contas e não atende ou realiza um bom serviço para a comunidade. Mais, esses hospitais possuem focos, especialidades que atraem pacientes. Um hospital não é um lugar de lucro, mas nunca poderá ser um lugar de prejuízos, desperdícios, protegidos e dúvidas. Trata ele de melhoria da saúde e de salvar vidas.
Ao Hospital de Gaspar falta o essencial: definir quem é o dono dele, clarear o objeto jurídico como entidade e sair dessa zona cinzenta onde ninguém é responsável, mas muitos podem enterrá-lo ainda mais; falta definir o foco, falta arrumar as contas, falta ajustar os processos e tirar do Hospital a maléfica política partidária, correr com curiosos e os salvadores da pátria.
Quando uma ideia para se criar um fundo para a UTI é iniciada na Câmara é boicotada pelo próprio governo por picuinhas de relacionamentos e políticas partidárias, quem paga caro é o doente, o que sente dor, o pobre, o vulnerável. Ou seja, tudo isso é uma vergonha. E tem político que se orgulha disso. Só este fato mostra o quanto precisamos evoluir neste e outros assuntos.
Uma cidade onde o prefeito tem um dos maiores salários de Santa Catarina, R$27.356,69 e reluta a baixá-lo, mesmo temporariamente diante da grave crise econômica, uma cidade onde os vereadores levam seis dias para aceitar e aprovar o projeto para reajustar os seus salários, mas para rebaixá-los por dois meses se enrolam por semana, falar em filantropia é algo temerário. Acorda, Gaspar!
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