30/07/2020
Kleber venceu e comemorou prometendo se aproximar do povo nos bairros
Quando o candidato Kleber Edson Wan Dall, MDB, ex-vereador, depois de quatro anos em campanha e em cargos públicos, tentou pela segunda vez seguida ser prefeito de Gaspar, uniu-se ao PP e venceu a máquina, o desgaste de oito anos no poder – que se somava a outros quatro do então azarão Pedro Celso Zuchi em 2000 - e à mancha nacional de corrupção impregnada até hoje PT. Isto é memória. Não vou me esticar. Com o seu vice, Luiz Carlos Spengler Filho – agente de trânsito e vereador - e que Kleber está descartando para novamente vencer na tal união da cobra com o sapo, vendia mudanças, mas não apenas por serem ambos jovens, por ter se especializado em marquetagem; logo se descobriu serem tão velhos e fachadas de gente sem voto e sede de poder. Isto é constatação. Logo será história, como foram as gestões de Luiz Fernando Poli, no MDB e PFL, a inacabada de Bernardo Leonardo Spengler – o Nadinho – e tumultuada de Adilson Luiz Schmitt, ambos no MDB e de Francisco Hostins, no nanico PDC engolido pelo mesmo esquema do MDB e PP.
O que foi escrito para a população, penso deve fazer parte do dia-a-dia. É como uma bíblia para um cristão, o Plano de Gestão da Coligação “Gaspar Te Quero Forte” deveria ser para o prefeito eleito. Ela é minha bússola para as seguidas cobranças do atual governo. Por isso, o deixa emputecido. É algo pensado. O trabalho de candidato de Kleber se iniciou em 2012 tão logo soube que não era o vencedor daquela eleição. Nada contra. Afinal, a persistência é uma virtude. Agregando o PP, PSC, PSDC e o PTB que tinham Kleber como candidato, o MDB “iniciou uma consulta a população sobre as necessidades da cidade num projeto chamado de ‘Para quem quer mais’”, mas só a beira da campanha de 2016. O documento diz que “ouviu” 2,5 mil gasparenses numa ação “pioneira” que cobriu todas as regiões do município. Uau! Traduzindo: isto é pesquisa qualitativa, aquelas que os marqueteiros fazem para adaptar os discursos falsos ao que os ouvidos dos eleitores querem ouvir. Ou seja, os eleitores se permitem à enganação por gente escolada e esperta. Culpa dos políticos? Nem mais, nem menos.
E é para isso que eu gostaria de chamar a atenção neste artigo antes que este tipo de abordagem seja questionado no tempo da propaganda eleitoral, onde não se pode explicar certas repetidas malandragens. E serve para todos os partidos e candidatos, não apenas para o poder de plantão. Ludibria-se intencionalmente os eleitores. A pesquisa, que se disfarçou de contato com o povo que não era ouvido pelo governo da vez, na verdade, foi uma forma disfarçada de se aproximar e fingir que se debatia com a sociedade uma alternativa; população se dizia não atendida e até perseguida pelo PT. Kleber se apresentou como amigo, ouvinte e comprometido com algumas coisas óbvias e outras, que se sabia serem pura propaganda e que um dia viria contra ele, e está vindo. Como tudo se baseou em marquetagem, Kleber desde a campanha, foi o maior inventor de slogans; nenhum pegou e fez uma marca de verdade para ser reconhecido como tal. E a coligação “Gaspar Te Quero Forte”, matou a charada do seu Plano de Ação: “Construir o Futuro, Recuperar a Credibilidade e o Desenvolvimento de Gaspar”. Bonito!
Kleber venceu. O governo, todavia, é do seu ex-chefe de campanha, presidente do MDB, o que na cara Reforma Administrativa, talhou a secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa para ser o centro do poder - e que até a abdicou dela temporariamente quando viu que não tinha maioria na Câmara para os planos de poder e deu uma passadinha na secretaria da Saúde -, com o advogado Carlos Roberto Pereira. O que se validou naquela campanha e naquele Plano de Gestão do atual mandato de Kleber, a tal “bíblia”? Coisas do tipo: “gabinete do prefeito nos bairros”; “aumentar a transparência dos gastos e atos públicos e criação de uma ouvidoria” – a ouvidoria até foi criada, mas todos têm medo de que ela seja um canal de caça às bruxas do poder de plantão, fato que bem dá a dimensão da imagem do governo; “revisar e atualizar o Plano de Cargos e Salários, visando a meritocracia e a eficiência no serviço público”. Então para finalizar. Onde Kleber errou? Na marquetagem. Ela é amadora! Está trabalhando contra ele, justamente quando está mais precisando dela. Onde está o gabinete do prefeito nos bairros? Kleber vai agora durante a campanha? Será arriscado! E a transparência? E ao invés do mérito, a prefeitura foi tomada por 150 cargos comissionados numa máquina de fazer votos. Agregou ainda o PDT, PSDB, PSD à penca que já se tinha. Eo poder de plantão está à procura de mais partidos para não passar pelo vexame de não se reeleger. Acorda, Gaspar!
O PL de Gaspar diz que não cederá a cabeça de chapa numa eventual coligação para exatamente não inchar a prefeitura de comissionados e valorizar os efetivos. O PL entende, que terá que fazer diferente do que está aí para ter chances e até porque quem ganhar, entende o PL, terá muitas dificuldades financeiras para tocar a prefeitura.
O engenheiro e professor Rodrigo Boeing Althoff pré-candidato a prefeito pelo PL anunciou que poderá ir de chapa pura e que se for assim, a vice estaria alinhavada. Será a ex-vereadora e ex-candidata a prefeita, a professora Andreia Symone Zimmermann Nagel.
O PT de Gaspar roda, roda, roda, e não encontra outro nome além de Pedro Celso Zuchi para concorrer pela quinta vez e tentar o quarto mandato a prefeito.
Então faz três apostas: de que não haja a terceira via competitiva; e não havendo, conta com uma “coligação branca” para derrubar o poder de plantão; e em havendo esta “coligação branca”, os defeitos éticos do PT não seriam problemas à revanche e um quarto mandato.
Mais uma prova da falta de transparência e de como a comunicação da prefeitura de Gaspar feita para a promoção marqueteira eleitoral não funciona para a cidade e os cidadãos.
Só muito tempo depois que as redes sociais e aplicativos de mensagens espalharam – ampliando e adjetivando - que secretários, ou seja, gente exposta politicamente, estavam com a Covid-19, um comunicado oficial confirmou e esclareceu o assunto. Era tarde.
O vai-e-vem marqueteiro que a cidade e os eleitores percebem. Depois de resistir, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi ao seu distinto público dizer de que a Cloroquina, a Invermectina e outros não estavam proibidos, mas no caso da Cloroquina dependia do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, mandá-la para cá.
Depois disse que havia protocolo para o uso da Cloroquina e Invermectina. Não havia. Foi dada autonomia aos médicos discutirem com os pacientes à prescrição dessas drogas.
Mais, do que isso, se havia protocolo e intenção era de atender os pacientes de Covid-19 com Cloroquina e Invermectina, Kleber não precisava colocar a culpa em Bolsonaro, mas sim, fazer uma licitação e compra-las. Dinheiro para isso, há.
O porquê desse vai-e-vem. Primeiro a defesa desses remédios é feita por gente, em tese, ideologicamente não afinada com o grupo de Kleber. Segundo, porque quem também leigamente defende esses remédios são os evangélicos, o núcleo fundamental do evangélico Kleber. E aí ele não aguentou os questionamentos.
A vice-governador Daniela Cristina Reinerh, PSL, é quem vai salvar o mandato do governador Carlos Moisés da Silva, PSL que não é o PSL de Daniela.
O impeachment aceito pela Assembleia, só aconteceu porque inclui Daniela. E a defesa dela está provando vice não pode ser impichada. Se a tese prevalecer, o impeachment caduca numa gaveta da Alesc. Ninguém quer Daniela no poder.
Os vídeos de Osnildo Moreira, ex-cabo feroz eleitoral de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e que se diz traído, fazem sucesso nas redes sociais. Osnildo diz reiteradamente que não sabe à razão do pé-na-bunda que levou e cobra explicações com ironia. Acorda, Gaspar!
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