Em tempos de pandemia, qual deveria ser a prioridade de uma gestão pública? A saúde dos cidadãos - Jornal Cruzeiro do Vale

Em tempos de pandemia, qual deveria ser a prioridade de uma gestão pública? A saúde dos cidadãos

14/05/2020

Kleber quer construir um mirante para olhar melhor o rio

 

O mirante da miragem I
Odorico Paraguaçú, o folclórico personagem de Dias Gomes (1922/1999) em “O Bem-Amado” interpretado por Paulo Gracindo (1911/1995), tinha fixação por um morto. Precisava de um para inaugurar o cemitério, a grande obra perfeita do prefeito da fictícia baiana Sucupira. Com ela queria ser reconhecido, reconduzido e eternizado no poder. O prefeito eleito, Kleber Edson Wan Dall, MDB, em plena pandemia, a qual exige postos de saúde ativos, EPIs para proteger os profissionais de saúde, Hospital – que está a meio pau e sob intervenção municipal - e UTI que se inventou à meia-boca - e até o fechamento da coluna ainda não estava habilitada para receber doentes, mas custava horrores aos cofres suportados pelos pesados impostos -, quer para Gaspar um mirante. E para que? Para se contemplar o Rio Itajaí Açú, poluído, por exatamente porque Kleber não mexeu um milímetro pela implantação do sistema de coleta e tratamento de esgotos dos mais de 70 mil habitantes.

O mirante da miragem II
E o prefeito de fato, o presidente do MDB, o ex-coordenador de campanha de Kleber, o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa onde está todo o dinheiro do governo, o advogado que acumula interinamente algo que não entende, a secretaria da Saúde, Carlos Roberto Pereira, não quer que esta coluna toque nestes assuntos. Entende, vejam só, podem prejudicar o candidato dele à reeleição. Quer censura! Resumindo, ele e outros quando agem assim, sabem que estão fazendo bobagens. Todavia não as querem expostas. Essa gente nem genuína é. A intervenção no Hospital é do PT e continua assim porque Kleber, o vice Luiz Carlos Spengler, PP, Roberto entre outros não encontraram solução melhor, apesar das promessas para mudar este quadro. O projeto de coleta e tratamento de esgoto é do PT, obrigado que foi pelo TAC que teve que fazer com o Ministério Público, o que se faz se tonto e deixa este assunto tão sério contra a saúde da sociedade se enrolar por tanto tempo. Até financiamento público para os esgotos já se tinha disponível em Brasília. E está lá para onde o prefeito foi inúmeras vezes com a diárias daqui dos gasparenses.

O mirante da miragem III
E este mirante? Não riam! A ideia é do falecido e ex“estrategista” do PT local, Rodrigo Fontes Schramm (1964/2018). Foi ele lá no primeiro governo de Pedro Celso Zuchi (2000/2004) que me trouxe a ideia para eu ajudá-lo no patrocínio, apesar de todas as nossas diferenças. Então é Rodrigo quem deveria ser homenageado quando esse mirante estiver pronto. Se isso não acontecer, será mais uma injustiça a que Gaspar já está acostumada com os seus.

O mirante da miragem IV
Já perceberam como o governo Kleber é um criador de factoides e incoerências absolutas? A Live do Bem, reuniu mais de 1.100 doadores. Eles somaram quase R$600 mil para um hospital cujo dono ninguém sabe quem é, sugadoruro de recursos públicos, imagem ruim, que não presta constas e que se diz injustiçado pelos próprios gasparenses. A Live provou, mais uma vez, que a alma do povo daqui é maior do que a dos seus próprios políticos. Ora, se o foco é o Hospital, a prefeitura de Gaspar e depois de ser cobrada aqui diversas vezes só na semana passada e atrasada em quase dois meses, anunciou que os gasparenses doaram mais de R$47 mil dos descontos do ITPU, numa promoção boicotada pela própria comunicação da prefeitura e que poderia dar R$400 mil. E sabe quanto vai sair esse mirante do delírio em tempos de Covid-19 e improvisos reiterados por aqui? R$708 mil. Este assunto apareceu em março. No dia quatro de maio ninguém quis construí-lo. A nova licitação está marcada para a outra segunda-feira.

O mirante da miragem V
Um prefeito focado em arrecadar dinheiro para a saúde, anunciaria na própria Live do Bem que o mirante seria uma miragem e que o dinheiro dele, seria para o Hospital, os postinhos de saúde e a tal UTI que ainda é um retrato caro na propaganda daquilo que não sai do papel. Ah, mas as duas verbas não se misturam! Tomemos isso como verdade, quando se sabe na ginástica orçamentária é possível tal mistura. Então por que estes R$708 mil do mirante não são? E se não for para a Saúde por que não se destina então à Rua Vidal Flávio Dias, no Belchior Baixo, que o próprio Kleber prometeu aos empresários, os que geram tributos e empregos, bem como ao povo de lá acostumados à poeira? Ou o Belchior e a Flávio não fazem parte do roteiro das águas e do turismo? Kleber e seus “çabios” têm fixação por bolas nas costas e acham que estão batendo um bolão. Contudo, todos sabem a quantas tortas são as pernas-de-pau deles. Não é à toa que a turma de Kleber torce para que não haja eleições neste outubro. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, é um apresentador ou um radialista frustrado. Alguém disse que ele precisa aparecer a qualquer custo e o todo tempo nas redes sociais oficiais e pessoais para ser lembrado. Está desgastado. Sem audiência.

No início do mês fez o papel de repórter da Justiça Eleitoral para lembrar que estava terminando o prazo para a regularização do título de eleitor. Faltou feitos seus para mostrar?

Enquanto o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, Podemos, que ganha menos do que o de Gaspar, Mário vai para o segundo mês de redução de seu salário como gesto de colaboração à crise. Já Kleber nada fala sobre os seus R$27.356,69, um dos mais altos de Santa Catarina. Está esperando passar a pandemia.

O bicho está pegando. A prefeitura de Gaspar estuda monitorar o movimento dos sites dos seus funcionários que usam a rede de internet da prefeitura.

Esta é a semana em que o governo de Kleber, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, quer enterrar a CPI das dúvidas das obras de drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho, feitas pela prefeitura e gerenciadas na maior parte pelo Same do ex-diretor-presidente, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, e que está de volta à Casa.

O relatório de Cicero Giovane Amaro, PL deverá ser rejeitado pelos vereadores Francisco Hostins Júnior, MDB, e Roberto Procópio de Souza, PDT. O relatório com os depoimentos e documentação vai, por isso, ser peça de denúncia no Ministério Federal por ter usado verbas públicas federais.

A UTI que não é bem UTI continua na UTI; o Barracão, Bateia e Óleo Grande sem água porque não se fez a ligação do reservatório do Centro com o da região Sul; os kits de merenda parados há dois meses com gente vulnerável passando necessidade; a Assistência Social fazendo escolhas e levando gente a tentar suicídio; o prefeito rezando para que o governador não libere o transporte coletivo em Santa Catarina porque em Gaspar esse serviço desapareceu depois de 18 anos da sua implantação.

Um leitor faz-me duas observações. A primeira é de que o governo de Jair Messias Bolsonaro era feito de iluminados e obscuros. Bolsonaro vem optando pelos obscuros. E de que o governador Moisés é campeão brasileiro de apneia, ou seja, terá fôlego e paciência para se livrar daquilo que se meteu e se enroscou. Há uma tendência do MDB dar maioria contra o(s) impeachment(s).

Entretanto, uma enquete com minhas fontes ligadas ao conservadorismo de Gaspar e Ilhota conclui que elas preferem trair o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, consideram o ex-juiz e Ministro da Justiça, Sérgio Moro, um judas e ainda apostam todas as fichas em Jair Messias Bolsonaro, sem partido. Coisas do obscuro?

Mineiro? O Delegado Geral de Polícia de Santa Catarina, o gasparense Paulo Norberto Koerich, tinha uma sombra de peso na presidência do colegiado de Segurança - uma experiência catarinense na titularidade da secretaria de Segurança: o seu e-primeiro-titular e ex-comandante da PMSC, coronel Carlos Araújo Gomes Júnior, vestido de candidato a prefeito de Florianópolis.

Araújo acaba de sair do comando da PMSC e no seu lugar ficou o coronel Dionei Tonet, por isso, membro nato do Colegiado. Araújo está assumindo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, em Brasília. Enquanto isso, Koerich, quietinho, vai apurando e enquadrando os que fraudaram as licitações emergenciais na área da saúde e melaram Moisés

Comentários

Miguel José Teixeira
18/05/2020 09:19
Senhores,

"Escolhido candidato do PT à Prefeitura de São Paulo neste sábado (16), por margem apertada de 312 a 297 votos contra o deputado federal e ex-ministro Alexandre Padilha, Jilmar Tatto critica a atuação do prefeito Bruno Covas (PSDB) na pandemia do coronavírus e defende propostas como tarifa zero para o transporte."

(Por Carolina Linhares e Fábio Zanini na FSP, hoje,em
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/05/candidato-do-pt-a-prefeitura-de-sp-tatto-quer-tarifa-zero-e-ve-covas-sem-lideranca.shtml)

Sem tato algum, o jilmar entrou com pé esquerdo!

(No latim, a palavra "esquerda" significa "sinistro", o que explica a crença dos romanos de que os lados direito e esquerdo simbolizavam o bem e o mal. Foi a partir dessa altura que a expressão e a crença se espalharam pelo mundo.)

1) critica a atuação do prefeito Bruno Covas (PSDB) na pandemia do coronavírus.

- É pura molecagem atacar alguém que, pelo menos, está tentando fazer algo para conter a pandemia.
Se, esta ameba tiver alguma idéia útil, o que é pouco provável, porque não sugerí-la ao governador do Ceará, que também é PeTralha, e que se encontra em estado de calamidade?

2) Defende propostas como tarifa zero para o transporte.

- desconhece o tatto que não existe almoço grátis!

As concessionárias do transporte coletivo público operarão de graça? Evidentemente que não! Os recursos sairão dos cofres públicos que são abastecidos por nós, burros-de-cargas.

Cabe aqui uma frase atribuída ao corso Napoleão e revista atualmente, até pelo bozo:

"enquanto o inimigo estiver fazendo um movimento errado, deixe-o à vontade""

Estou pensando seriamente em transferir meu Título de Eleitor para São Paulo, S?" PARA TER O PRAZER DE NÃO VOTAR NO TAL jilmar tatto!
Miguel José Teixeira
17/05/2020 16:06
Senhores,

Nas manifestações contra o STF e contra o CN, realizadas hoje pela manhã na Esplanada dos Ministérios, nos traz muitas preocupações:

1) na plebe, os "bolsominions" de sempre, que ignoram o Hino da Bandeira e cada vez mais idênticos com os "mortadelas".

2)no camarote presidencial, ministros diversos sob ordem superior, ou quem sabe, "debaixo de vara" para não perder seus empregos.

3)o mais preocupante, no entanto, é a presença de pelo menos 2 (dois) parlamentares ligados ao presidente: o seu filho zero 2 e a sua sombra, o Dep. Hélio Lopes.

- É correto manifestar-se pelo fim da Instituição da qual fazem parte?

- Não seria QUEBRA DE DECORO?

Respostas para o ex-aliado Paulo Marinho.
Herculano
17/05/2020 09:44
ONDE ESTÁ O AUTORITARISMO?

GOVERNADOR DA BAHIA DEFENDE TOQUE DE RECOLHER

Conteúdo de O Antagonista. O governador da Bahia, Rui Costa, defendeu a decisão de impor toque de recolher em algumas cidades para conter a pandemia da Covid-19.

Em entrevista à GloboNews, ele foi questionado se a medida não seria "forte demais".

Rui Costa respondeu:

"Forte demais é presenciar morte de pessoas inocentes. É melhor uma medida forte e rápida do que o tratamento longo e demorado."

O governo baiano já decretou toque de recolher em três cidades: Ipiaú, Itabuna e Jequié.
Herculano
17/05/2020 09:36
RESPEITAR AS INSTITUIÇõES E PROTEGER A DEMOCRACIA, por Rodrigo Sánchez Rios, advogado criminalista e professor de direito penal da PUC-PR, representa o ex-ministro Sergio Moro, no jornal Folha de S. Paulo

Defesa de Moro quer registro completo da reunião
A retomada democrática, iniciada em 1985, foi responsável pelos avanços do Estado brasileiro em todas as suas dimensões - econômica, social, política, jurídica, cultural etc. Um dos pilares dessa transformação para melhor é o conceito republicano de "instituição de Estado". O significado dessa expressão é que os órgãos vinculados aos Três Poderes, em todos os níveis da administração, funcionam em prol do interesse público e da sociedade brasileira, e não das vontades, dos interesses e dos projetos dos ocupantes momentâneos dos cargos públicos.

A grande discussão do inquérito 4.831, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro decano, Celso de Mello, é a necessidade de proteção às instituições da República. No caso concreto, o ex-ministro Sergio Moro apresentou as condutas indevidas adotadas pelo presidente da República no sentido de tentar interferir na Polícia Federal para atingir propósitos ainda não totalmente esclarecidos, mas que não coadunam com o interesse legítimo do Estado.

Essa defesa institucional não deve ser exigida apenas para a Polícia Federal. Os órgãos de Estado precisam gozar, cada qual com suas especificidades constitucionais, de autonomia e independência técnica para cumprir suas missões junto à sociedade, dentro dos limites que a lei impõe a cada um. Neste momento de crise econômica e sanitária, por exemplo, os ocupantes do poder precisam respeitar a independência dos especialistas técnicos, que contribuem com as políticas públicas capazes de salvar vidas.

A importância do debate possibilitado pelo inquérito 4.831 abrange ainda a relação entre as condições com que os cidadãos podem confrontar o Estado e contestar as tentativas de ingerência indevida nas instituições da República por parte dos governantes. Surpreende que, em plena vigência do mais longevo período democrático da história nacional, o chefe do Poder Executivo tente se valer de sua posição, sendo representado pela Advocacia-Geral da União (AGU), para se apresentar em situação de vantagem perante a Justiça.

Enquanto a decisão do ministro Celso de Mello foi clara, no sentido de que a gravação da reunião ministerial de 22 de abril deveria ser encaminhada para o exame pericial oficial da Polícia Federal e que as partes deveriam ter acesso a apenas assistir ao vídeo, em ato único de exibição, o presidente demonstrou dispor de cópia e apresentou ao STF degravação extraoficial de trechos do vídeo. Enquanto isso, a defesa de Moro respeita a decisão do ministro, como é esperado e é o normal em uma democracia.

Fica em debate ainda o acesso da sociedade aos registros da reunião entre o presidente e seus ministros para esclarecer temas de interesse público ligados ao plano Pró-Brasil. O encontro não teve nenhum conteúdo que, caso divulgado, ameace a segurança nacional. Mas contém declarações constrangedoras para o governo, que não justificam a imposição de sigilo, e também as provas de que são verdadeiras todas as declarações do ex-ministro Sergio Moro sobre o comportamento e as intenções reprováveis do presidente da República para com a Polícia Federal. A defesa do ex-ministro pleiteia o levantamento integral do sigilo sobre o registro da reunião.

No cenário de crise em que se encontra o Brasil, serve de feliz alento o fato de que arroubos autoritários têm sido rejeitados pelo correto funcionamento do sistema de freios e contrapesos e da responsabilidade institucional dos Poderes.

No caso dos inquéritos penais, o STF tem prestado grande contribuição à evolução do entendimento sobre a investigação policial em fase de persecução penal. Devido à atuação da Suprema Corte tem-se abandonado a mentalidade vigente no passado, segundo a qual o Estado seria implacável contra o cidadão.

Enfim, o inquérito 4.831 trata de questões fundamentais para a democracia brasileira, como a proteção das instituições do Estado frente ao arbítrio do governante do momento, o direito à informação, o controle das condutas do governante pelos governados via submissão ao escrutínio público e o resguardo de um governo de leis e do império do direito.
Herculano
17/05/2020 09:10
NOS TEMPOS QUE JÁ SE FORAM, por Carlos Brickmann

Pois houve uma época, caros leitores, em que Corona era marca de ducha, "um banho de alegria num mundo de água quente". O nome completo, não se sabe por que, era SS Corona. Bons tempos: nem quem botou o SS nem os clientes associaram a SS à temida organização nazista. Eram mesmo os bons tempos: nazismo era coisa velha, superada, e nenhum ministro iria citá-lo.

Bandido era bandido, e se juntavam em bando para cometer seus crimes. Como diria o bandido Lúcio Flávio, Polícia era Polícia, bandido era bandido. Ele era assaltante de bancos e não se misturava com policiais. Aquele híbrido conhecido como "miliciano", com origem na Polícia e ação como bandido, era inimaginável. E, se milicianos houvesse, gente decente jamais se misturaria com eles. No máximo saberia que eles existiam. Amigo, confidente, protetor ou protegido? Não: quem se colocasse ao lado deles bandido seria. E a desculpa "apenas meu conhecido" seria só uma desculpa.

Remédios esquisitos, caros e inúteis, estes sempre houve. ?"leo de cobra, por exemplo, ou óleo de cobra elétrica. Servia exclusivamente como fonte de renda do vendedor (que também parecia ser o produtor, misturando óleo de amendoim com algum corante). Fazia mal? Acho que não. Nem bem. Era chamado de "panaceia" ?" remédio para todos os males. Em faroestes americanos o vendedor de panaceia aparece muito. Aqui o bandido aparece mais.

Aliás, caro leitor, que tal um happy hour com cloroquina on the rocks?

A PORCINA E O PORCINO

Que vexame, Regina Duarte! Após sua ótima atuação em Roque Santeiro, como Viúva Porcina, a que foi sem nunca ter sido, deixou que um novato com a cara impassível de um Buster Keaton sem graça a superasse!

Teich foi sem nunca ter sido, assumiu sem ter assumido, um perfeito Viúvo Porcino! Médico bem conceituado, foi tocado do cargo por um capitão que só conhece remédios por comprá-los nas farmácias (e errados, ou não teria ficado desse jeito). Regina, não: desandou a falar igualzinho ao capitão e seus filhos.

Após esse episódio, está pronta para a política: pode até ser porta-voz de Dilma.

ELE ERA O BOM

Teich desafiou a sabedoria popular: "Se alguém engana alguém uma vez, a culpa é dele. Se engana outra vez, a culpa é do outro". Teich viu Mandetta ser vítima de seu sucesso como administrador - e, exatamente por este sucesso, foi chutado. Achou que com ele seria diferente. Mas não parou para pensar no motivo pelo qual seria diferente. Por acaso o Capitão Cloroquina aceitaria outro medicamento que não fosse a cloroquina? E concordaria com o isolamento social, quando tudo que não quer é ficar isolado, e saracoteia pelas ruas no meio de gente aglomerada, trocando suores e perdigotos?

Por acaso o Capitão Morte passaria a se importar com os mortos da pandemia, se nem com a segurança de sua filha, uma criança, se importou, levando-a para o meio daqueles grupos de fanáticos que gritam Bolsonaro tem razão?

PREVISÃO

Dizem que no Brasil nem o passado é previsível. Mas Bolsonaro e seus milicianos digitais são previsíveis: as milícias (e seus robôs) vão explicar que Teich é comunista desde antes de Lênin e se infiltrou no governo Bolsonaro apenas para atrapalhar seu até então impecável funcionamento. Bem feito: por que Teich aceitou o desafio impossível de ser ministro de Bolsonaro?

MEDICINA GENERAL

Muita gente preocupada com a possibilidade de efetivação do general Pazuello no Ministério da Saúde. Não deveriam se preocupar. O general, dizem, é bom organizador. Não deve entender nada de Medicina, o que não seria problema se pudesse ouvir o pessoal do Ministério; mas se fizer isso será o próximo a rodar. E qual a diferença? Mandetta e Teich têm boa formação médica, tanto assim que rejeitaram os palpites do leigo cujo sonho seria vestir farda.

E daí? Pazuello deve ter uma formação apurada em assuntos militares, mas nada a ver com Medicina, Saúde Pública, contenção de epidemias. Não vai fazer a menor diferença: ou manda o país se abrir à epidemia (isso se os governadores e o Supremo deixarem) e ordena servir cloroquina na merenda escolar, ou cai como caíram seus antecessores.

BOM EXEMPLO

O general George Marshall foi combatente até 1945. Em 1947, o presidente Truman o nomeou secretário de Estado. Marshall criou então o Plano Marshall, que permitiu a reconstrução de 16 países da Europa Ocidental que, após a guerra, estavam em ruínas. Foi tão bom que, no Brasil, quando os generais propuseram a Bolsonaro mais uma versão do PAC de Dilma, deram-lhe o nome de Plano Marshall.

Só há um detalhe: Marshall foi um guerreiro que deu certo como secretário de Estado. Foram pouquíssimos.

PREJUÍZO MONSTRO

O prejuízo da Petrobras no primeiro trimestre de 2020 foi de R$ 48,5 bilhões. Maior que o lucro da Petrobras nos quatro trimestres de 2019.
Herculano
17/05/2020 09:05
WEINTRAUB, MINISTRO DA EDUCASSÃO, É UMA AMEASSA Á CEGURANSSA NACIONAL, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

A divulgação da reunião permitirá conhecer as exatas palavras do ministro

Segundo o ministro Augusto Heleno, a divulgação integral da conversa de botequim ocorrida na reunião do conselho de governo de 22 de abril pode ser um "ato impatriótico, quase um atentado à segurança nacional". De fato, é possível que tenham sido tratados assuntos sensíveis e seria razoável mantê-los embargados, assim como foi elegante abreviar o verbo fornicante da fala do presidente.

Se de fato o ministro da Educassão, Abraham Weintraub, sugeriu que fossem mandados para a cadeia ministros do Supremo Tribunal Federal, seria um ato patriótico expô-lo, para que responda pela sua proposta na forma da lei.

Pedir a volta do AI-5 e o fechamento do Supremo numa manifestação popular é uma coisa. Sugerir a prisão de ministros do Supremo numa reunião ministerial é bem outra.

Esse tipo de arbitrariedade não tem precedente. O marechal Floriano Peixoto ameaçou, mas não prendeu ministros. Nas ditaduras seguintes o tribunal foi coagido e três ministros foram aposentados compulsoriamente, mas nenhum foi preso.

É o caso de se perguntar como é que se faz isso. Só há um caminho, o da ditadura, enunciado há dois anos por Eduardo Bolsonaro: "Para fechar o Supremo bastam um cabo e um soldado". Junto com isso, viriam o fechamento do Congresso e a censura à imprensa. Daí à reabertura dos DOIs, seria um pequeno passo.

A divulgação do que se disse na reunião permitirá o conhecimento das exatas palavras do ministro. Sua colega Damares Alves, a quem se atribuiu a proposta de prisão de governadores e prefeitos, esclareceu que se referia aos larápios que desviavam recursos e equipamentos. Weintraub fechou-se em copas.
A JBS fez, e nós?

Um dia a Covid será passado e o Brasil se lembrará que quadrilhas de larápios bicavam as compras emergenciais. Felizmente, restará também a lembrança de grandes empresas que olharam para o andar de baixo. O Itaú Unibanco, com sua doação de R$ 1 bilhão, e a Vale fretando aviões ou distribuindo equipamentos fizeram história.

A eles juntou-se, pelo tamanho da iniciativa, a JBS. Ela anunciou uma doação de R$ 400 milhões. A maior parte desse dinheiro irá para a construção de hospitais e para a distribuição de leitos e equipamentos, R$ 50 milhões irão para pesquisas na área da saúde e R$ 20 milhões para organizações sociais sem fins lucrativos.

O ervanário será gerido por três comitês de médicos, professores e administradores. Entre eles, Roberto Kalil Filho (Incor), Henrique Sutton (Einstein) e Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas.

A JBS ficou famosa pelos seus malfeitos mostrados na Lava Jato e fechou um acordo de leniência com a Viúva comprometendo-se a desembolsar R$ 2,3 bilhões para projetos sociais. Os irmãos Wesley e Joesley Batista resolveram renunciar ao direito que tinham de usar a doação de R$ 400 milhões para abater o que deviam.

Com 130 mil colaboradores diretos, a JBS passou por todos os seus perrengues sem demitir um só trabalhador.

LIMONADA

Não há como demonstrar que houve crime na investigação pedida a partir da denúncia de Sergio Moro
A investigação pedida a partir da denúncia de Sergio Moro tende a virar limonada por dois motivos: primeiro porque, espremendo o caso, não há como demonstrar que houve crime.

Além disso, pode-se intuir que a vontade do procurador-geral, Augusto Aras, de apresentar uma denúncia contra Bolsonaro é próxima de zero, com viés de baixa.

A zona de conforto dos Bolsonaros termina quando se mexe com dois fios desencapados: a CPMI das Fake News e a investigação conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, relacionada com as mesmas alopranças.

FARRA ELÉTRICA

As concessionárias de energia elétrica levaram uma pancada com a epidemia. O consumo caiu em cerca de 10%, a inadimplência cresceu em outros 10% e o dólar encostou nos R$ 6, encarecendo o custo da energia de Itaipu.

Com toda razão, as empresas estão pedindo socorro ao governo. A conta acabará nas costas dos consumidores.

Até aí tudo bem, mas o doutor Paulo Guedes está condicionando as ajudas aos estados à entrega de contrapartidas. Seria razoável que as concessionárias de energia também oferecessem contrapartidas.

Por exemplo: limitações na remuneração de seus diretores e também na distribuição de dividendos aos acionistas. Essa tunga duraria o tempo da outra, que penalizará os consumidores.

A exigência de contrapartidas teria o efeito colateral de inibir a voracidade das empresas.

D?"LAR A R$ 6
No início de março, quando o dólar estava a R$ 4,65, o ministro Paulo Guedes disse que, "se fizer muita besteira", poderia ir a R$ 5. Foi, bateu nos R$ 5,91 e poderá ir a R$ 6.

O sujeito da frase de Guedes estava oculto e ficou no ar quem precisaria fazer "muita besteira". Uma coisa deve ser reconhecida: até agora, não foi ele.

UM RISCO CHAMADO BOLSONARO

O juiz aposentado Vladimir Passos de Freitas, que foi um dos principais colaboradores de Sergio Moro no Ministério da Justiça, disse que ele foi para o governo sem que "tivesse ideia de como seria a vida comum ali".

O doutor pode achar isso, mas ninguém vai para ministério, em governo algum, sem ter ideia de como será a vida ali. Moro, assim como Nelson Teich, sabia quem era Bolsonaro, e Bolsonaro sabia quem eram Moro e Teich.

Com uma diferença: Moro não se ofereceu para a cadeira.

Faz tempo, quando o presidente João Figueiredo expandiu seu temperamento errático e explosivo, dois de seus colaboradores diretos conversavam dentro de um automóvel e deu-se então o seguinte diálogo:

- Depois que ele operou o coração virou outra pessoa.

O outro, que entendia de medicina, respondeu:

- O problema não está no hardware. É coisa do software.

AJUDA AOS ESTUDANTES

A gloriosa Faculdade Nacional de Direito do Rio tem 244 alunos que precisam de ajuda, quer para o transporte (R$ 250 mensais), quer para continuar estudando (R$ 900). De cada quatro, um mora na Baixada Fluminense.

Os ministros Luiz Fux (STF), Luis Felipe Salomão e Benedito Gonçalves (STJ), bem como o desembargador Cezar Rodrigues Costa (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) organizaram um webinar para ajudar esses jovens que, como eles, se formaram na rede pública. O debate se chama "A Covid e o futuro das cortes de direito".

A inscrição custa R$ 200. Mas quem quiser pode fazer a doação inscrevendo-se, mesmo que não os ouça.

BOLSONARO FASHION

Além das camisetas de clubes de futebol, Jair Bolsonaro tem um lado fashion. Em outubro passado vestiu uma casaca com gola redonda no Palácio Imperial de Tóquio, sacrilégio para quem usa essa fantasia de pinguim.

Na marcha de lobistas que liderou sobre o Supremo Tribunal Federal, o capitão usava um paletó com um bolsinho sobressalente do lado direito.

Esse adereço espalhou-se pelo mundo no século passado, graças ao lorde Halifax, o famoso rival de Winston Churchill. Ele era um inglês esguio e vestia-se de forma conservadora, porém amarfanhada.

O bolsinho de Halifax nada tinha a ver com estilo. Ele havia nascido sem a mão esquerda.
Herculano
17/05/2020 08:51
BULLYING DE BOLSONARO FOI DEMAIS PARA TEICH, por Claudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

Foi uma sequência inédita de humilhações públicas em prazo curto de apenas 28 dias, um recorde, até que o ex-ministro da Saúde Nelson Teich desistiu. Ele não suportou o aviso do presidente de que nesta sexta (15) mudaria o protocolo do Ministério da Saúde para tratamento de covid-19. Ou mudaria o ministro. Na véspera, Bolsonaro se referiu a Teich aportuguesando seu sobrenome, como claro sinal de menosprezo.

NINGUÉM MERECE

Teich passou vexame ao ser informado por jornalistas, e não pelo presidente, sobre o decreto alterando a lista dos serviços essenciais.

RELUTÂNCIA SILENCIOSA

A impaciência de Bolsonaro teve um único motivo: a recusa do Ministério da Saúde de adotar a cloroquina para tratamento de covid-19 no SUS.

MINISTÉRIO VIROU QUARTEL

Teich não gostou, mas não reclamou, da ocupação dos cargos-chave por militares levados pelo secretário-executivo, general Eduardo Parzuello.

SEM RESSENTIMENTOS

Apesar do bullying, Teich saiu do cargo de maneira elegante, sem mágoas do presidente, a quem inclusive agradeceu a oportunidade.

'NÚMEROS FALAM' E BRASIL ESTÁ MELHOR QUE CRÍTICOS

O ex-ministro, Luiz Mandetta tem se associado aos que preveem "o caos" no Brasil, devido ao coronavírus, repetindo que "números falam por si". A opinião pública tem sido conduzida a embarcar na onda de o Brasil faz o pior combate à pandemia. Essas pessoas ignoram que a evolução da doença, comparada aos Estados Unidos, Espanha, Itália, Reino Unido e França, está mais controlada no número de casos e na quantidade de óbitos confirmados. Os números, como se diz por aí, falam por si.

MUITO MELHOR

O Brasil levou 43 dias para passar de mil a 100 mil casos. Foram 16 nos EUA, 23 na Espanha, 30 na Itália, 31 na França e 33 no Reino Unido.

MELHOR AINDA

Foram 42 dias das 100 às 10.000 mortes confirmadas aqui. Na Espanha, foram 19 dias. Os EUA levaram 20, França e Reino Unido 23 e Itália 24.

AINDA EM ABERTO

Só França, EUA e Reino Unido tiveram mil mortes em um dia, 46, 40 e 33 dias após o primeiro óbito, respectivamente. O Brasil está no 61º dia.

TRANSFERÊNCIA

Tanto quanto João Doria (PSDB) em São Paulo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), sempre dá um jeito de transferir para o governo federal as razões do aumento de casos de Covid-19 no Estado.

JUIZ MANDOU BEM

Após examinar ação judicial repleta de "memes", o juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo extinguiu o processo sem avaliar o mérito. E mandou o engraçadinho para o Conselho de Ética da OAB.

LUCRO FALOU MAIS ALTO

A notícia de que o fundo soberano norueguês não investirá mais na Vale recebeu tratamento de escândalo, mas as ações da mineradora, que matou o rio Doce e centenas de pessoas, subiram 2,7% na quinta.

VIRADA HISTóRICA

O pernambucano Paulo Henrique Costa comanda uma virada histórica no Banco de Brasília (BRB), que preside. Após o lucro inédito de R$412 milhões em 2019, registrou R$107,6 milhões de resultado positivo já neste primeiro trimestre, 64% a mais que no mesmo período de 2019.

DENÚNCIA GRAVE

O deputado JHC (PSB) denunciou que o governo de Alagoas, apenas atualizou os dados e, na verdade, não comprou um respirador sequer para socorrer os doentes de covid-19. São os "respiradores de papel".

INTERESSANTE

"Se você estiver em boa forma, provavelmente vai ficar bem. Por que nós vamos dissuadir pessoas a ficar em forma?". A pergunta não é de Bolsonaro, mas do governador da Flórida (EUA), Ron DeSantis, sobre reabrir as academias de ginástica no seu estado.

E-COMMERCE EM ALTA

Pesquisa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico revelou que o isolamento aumentou as vendas pela internet em 47% no mês de abril e também elevou o valor médio gasto nas compras em 18%.

DECISÃO MACRO

O advogado Rodrigo Nahas não vê a decisão do STF como liberdade para estados e municípios ignorarem o decreto presidencial. Para ele, o STF tratou "da quarentena como um todo, salvo atividades essenciais".

PENSANDO BEM...

...sem funcionar, Senado e Câmara são um congresso de poetas.
Herculano
17/05/2020 08:35
da série: quem tem medo, teme, e sabe o que faz fora da lei a sua família e seus amigos

PF ANTECIPOU A FLÁVIO BOLSONARO QUE QUEIROZ SERIA ALVO DE OPERAÇÃO, DIZ SENADOR

Empresário afirma que revelação foi feita a ele em 2018 pelo filho do presidente, que demitiu assessor para tentar prevenir desgaste

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto e entrevista de Mônica Bérgamo. O empresário Paulo Marinho, 68, foi um dos mais importantes e próximos apoiadores de Jair Bolsonaro na campanha presidencial de 2018. Ele não apenas cedeu sua casa no Rio de Janeiro para a estrutura de campanha do então deputado federal, que ainda hoje chama de "capitão", como foi candidato a suplente na chapa do filho dele, Flávio Bolsonaro, que concorria ao Senado. Os dois foram eleitos.

Em dezembro daquele ano, com Jair Bolsonaro já vitorioso e prestes a assumir o comando do país, Flávio procurou Paulo Marinho. Estava "absolutamente transtornado", segundo o empresário. Buscava a indicação de um advogado criminal.

O escândalo de Fabrício Queiroz, funcionário de Flávio no seu gabinete de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio, não saía das manchetes. Havia acusações de "rachadinhas" e de desvio de dinheiro público. O senador recém-eleito temia as consequências para o futuro governo do pai - e precisava se defender.

As revelações que Marinho diz ter ouvido do filho do presidente nesse encontro são bombásticas: segundo ele, Flávio disse que soube com antecedência que a Operação Furna da Onça, que atingiu Queiroz, seria deflagrada.

Foi avisado da existência dela entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, por um delegado da Polícia Federal que era simpatizante da candidatura de Jair Bolsonaro.

Mais: os policiais teriam segurado a operação, então sigilosa, para que ela não ocorresse no meio do segundo turno, prejudicando assim a candidatura de Bolsonaro.

O delegado-informante teria aconselhado ainda Flávio a demitir Fabrício Queiroz e a filha dele, que trabalhava no gabinete de deputado federal de Jair Bolsonaro em Brasília.

Os dois, de fato, foram exonerados naquele período -mais precisamente, no dia 15 de outubro de 2018.

Queiroz estava sumido em dezembro. Mas, segundo Marinho, o senador Flávio Bolsonaro mantinha interlocução indireta com ele por meio de um advogado de seu gabinete.

Nesta entrevista, Marinho, que é pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSDB, começa falando da cidade que pretende governar, dos planos para a campanha presidencial de João Doria em 2022 - e por fim detalha os encontros com Flávio Bolsonaro.

Segundo ele, as conversas podem "explicar" o interesse de Bolsonaro em controlar a Superintendência da Polícia Federal no Rio, causa primeira dos atritos que culminaram na saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

Como está a sua candidatura a prefeito do Rio?

Ser candidato nunca esteve nos meus planos. Quando assumi a presidência do PSDB no Rio, há um ano, fui orientado pelo [governador de SP, João] Doria a trazer jovens e mulheres para o partido, que é inexpressivo no estado a ponto de não ter conseguido eleger um único deputado federal em 2018.

Fui buscar a Mariana Ribas, ex-ministra interina da Cultura no governo do Michel Temer, ex-secretária de Cultura do Rio. Ela tem 34 anos de idade, é jovem, bonita, se encaixava no perfil que o governador [Doria] indicava. Ela topou. Mas, por motivos pessoais, desistiu.

O nome que aparecia naturalmente para substituí-la era o do Gustavo Bebianno, ex-ministro de [Jair] Bolsonaro, meu amigo fraterno e pessoa de absoluta confiança.

Bebianno começou a trabalhar como pré-candidato. Uma semana depois da indicação, teve um infarto fulminante e morreu, aos 54 anos. Para mim, foi uma tragédia pessoal. Perdi um irmão. Para o partido, foi irreparável.

Dias depois, o Doria me convidou para ser candidato. Aceitei o desafio.

Vou trabalhar para encontrar um campo político de aliados que deem ao eleitor uma opção que não seja a de votar no menos pior. Os eleitores do Rio têm se acostumado a isso. E é isso o que eu quero combater.

Quem ganhar a eleição no fim do ano pegará uma cidade arrasada, pela crise econômica e pela pandemia. O que poderia ser feito?

O Rio já enfrentava um quadro de dificuldades imensas, que a pandemia agravou. Já havia aumento de trabalhos informais, desemprego, falta de projeto político e econômico. A cidade está à beira do abismo.

Quem disser que pode planejar algo para 2021 cometerá uma leviandade com o eleitor.

A prefeitura tem duas receitas sólidas: o ISS, ligado à atividade econômica, que parou, e o IPTU. Haverá uma inadimplência enorme em janeiro [mês de cobrança do tributo]. Que governo terá coragem de executar a dívida e tomar o imóvel de uma pessoa que não pagou IPTU em uma situação de pandemia? Essa inadimplência terá que ser tolerada.

O momento não é para ginasiano. É para pessoas que tenham experiência empresarial, como eu tenho, no mercado financeiro, de comunicação. Eu trabalho desde os 14 anos. Tenho contatos com todo o mundo e capacidade de articular todas as pessoas de bem para se juntarem em torno de um projeto de salvação da cidade.

O PSDB do Rio vai ser uma plataforma para a candidatura presidencial de Doria em 2022. Ela é viável?

O governo Bolsonaro está com os dias contados?

A minha motivação ao aceitar assumir a presidência do PSDB no Rio foi a minha convicção de que o Brasil precisa eleger um próximo presidente com as qualidades do Doria.

E o governo Bolsonaro??

Eu não sei fazer essa futurologia em relação ao governo Bolsonaro. Mas estamos praticamente no meio do mandato e até aqui não aconteceu absolutamente nada. Foram dois anos perdidos. Toda sorte que ele teve na campanha eleitoral, foi o contrário no governo. Um governante pegar uma pandemia no meio de um mandato, que vai retrair a economia em 6%, 8%, é inimaginável.

O capitão não tem capacidade pessoal de gerir um país em condições normais. E muito menos no meio de uma loucura como essa que nós estamos vivendo. Então, são duas as alternativas: ou vamos viver crise atrás de crise ou alguma coisa vai acontecer contra ele, [consequência] de algum crime de responsabilidade que possa praticar ao longo desta crise. E o resto vai ser essa loucura.

E na campanha já não dava para perceber isso??

A primeira coisa que percebi é que não se tratava de um mito. Outras pessoas do núcleo duro achavam isso. O Gustavo [Bebianno] mesmo tinha pelo capitão uma admiração. Achava que ele era um estadista, um líder, o homem que iria colocar o Brasil em outro patamar.

Eu olhava o capitão, com aquele jeito tosco dele, e algumas coisas me chamavam a atenção. Por exemplo: ele era incapaz de agradecer às pessoas. Chegava uma empregada minha, servia a ele um café, um assistente entregava um papel, e ele nunca dizia um obrigado. Eu nunca ouvi, durante o ano e meio em que convivi, ele expressar a palavra obrigado a alguém.

Um gesto mínimo. Pode não parecer nada, mas demonstra uma faceta da personalidade dele. Será que é uma pessoa apenas de maus hábitos, que não tem educação?

As piadas eram sempre homofóbicas. Os asseclas riam, mas elas não tinham nenhuma graça. E, no final, ele realmente despreza o ser feminino. Tratava as mulheres como um ser inferior.

Não tinha uma mulher na campanha dele. Nunca houve. A única, a distância, foi a Joice [Hasselmann, deputada federal], que ficava em São Paulo. Não tinha mulher na campanha dele, só homem.

Ele gostava mesmo era de conversar com os seguranças dele. Policiais militares, batedores. Ele se sentia em casa, ficava horas conversando, contando piada.

Gustavo Bebianno era visto como uma espécie de homem-bomba que morreu guardando muitos segredos. Ele tinha de fato um dossiê sobre Bolsonaro?

O Gustavo tinha um telefone celular por meio do qual interagiu durante toda a campanha [presidencial de 2018] e a transição de governo com o capitão. Eles se falavam muito por WhatsApp. O capitão adorava mandar mensagens gravadas para ele.

O Gustavo tinha esse conteúdo imenso [de mensagens], na mais alta intimidade que você pode imaginar. Eram conversas íntimas que provavelmente deviam ter revelações interessantes.

Um dia, num ato de raiva pela demissão injusta que sofreu, tratado como se tivesse sido um traidor quando foi o que mais fez pelo capitão, ele deletou grande parte desse conteúdo. E deixou esse telefone com uma pessoa nos Estados Unidos.

Depois parece que ele resgatou de novo o conteúdo. Ele ficou muito marcado pela demissão, com muito desgosto, melancolia. Ele morreu de decepção, de tristeza mesmo. Mas ele não era homem-bomba. Não tinha nada que pudesse tirar o capitão do governo por algo do passado.

Onde está o telefone?

Eu não sei onde está, para te dizer a verdade. Está com alguém. Eu não sei com quem.

O senhor já disse que ele tinha preocupação com os rumos do governo Bolsonaro.

Imensa. Ele dizia: 'O capitão vai se enfraquecer de tal maneira que só vai ter a saída do golpe para se manter no poder. E ele é louco para fazer o golpe'. Ele tinha certeza que isso ia acontecer.

Por que o senhor acha que há tanto interesse de Bolsonaro na Superintendência da Policia Federal do Rio de Janeiro?

Eu não sei responder exatamente. Mas eu me recordo de um episódio que aconteceu antes de ele [Bolsonaro] assumir o governo que talvez ilustre um pouco melhor essa questão.

Eu vou te contar uma história que nunca revelei antes porque não tinha razão para falar disso. Eu tenho até datas anotadas e vou ser bem preciso no relato que vou fazer, porque talvez ele explique a sua pergunta.

Quando terminou o segundo turno da eleição [em 28 de outubro], o capitão Bolsonaro fez a primeira reunião de seu futuro ministério em minha casa [no Rio]. Estavam o vice-presidente Hamilton Mourão, o Onyx Lorenzoni [futuro ministro da Casa Civil], o Paulo Guedes [Economia], o Bebianno e o coronel [Miguel Angelo] Braga [Grillo], para discutir o desenho dos ministérios do futuro governo. Ela começou às 9h e terminou às 17h. Foi o último dia que vi o capitão Bolsonaro.

Nunca mais estive com ele.

No dia 12 de dezembro, uma quarta-feira, me liga o senador Flávio Bolsonaro [filho do presidente] me dizendo que queria falar comigo, por sugestão do pai.

A Operação Furna da Onça [que investigava desvio de recursos públicos da Assembleia Legislativa do Rio] já tinha sido detonada e trazido à tona o episódio do [Fabrício] Queiroz [que tinha trabalhado no gabinete de Flávio na Assembleia e é acusado de integrar o esquema].

Flávio estava sendo bombardeado pela mídia. O Queiroz estava sumido.

Ele me disse: 'Gostaria que você me indicasse um advogado criminalista'. E combinamos de ele vir à minha casa às 8h do dia seguinte, uma quinta-feira, 13 de dezembro.

Passei a mão no telefone e liguei para o advogado Antônio Pitombo, de São Paulo, indicado por mim para defender o capitão no processo da [deputada] Maria do Rosário no STF [Supremo Tribunal Federal].

E ele me indicou um advogado de confiança, Christiano Fragoso, aqui do Rio.

No dia seguinte, quinta-feira, 13, às 8h30, chegam na minha casa Flávio Bolsonaro e o advogado Victor Alves, que trabalha até hoje no gabinete do Flávio, é advogado de confiança dele. Estávamos eu, Christiano Fragoso, Victor e Flávio Bolsonaro. Flávio começa a nos relatar o episódio Queiroz. Ele estava absolutamente transtornado.

E esse advogado, Victor, dizendo ao advogado Christiano que tinha conversado com o Queiroz na véspera e que o Queiroz tinha dado a ele acesso às contas bancárias para ele checar as acusações que pesavam contra o Queiroz.

E o que ele disse que as contas mostravam? O Victor estava absolutamente impressionado com a loucura do Queiroz, que tinha feito uma movimentação bancária de valores absolutamente incompatíveis com tudo o que ele poderia imaginar.

Já o Flávio estava ali lamentando a quebra de confiança do Queiroz em relação a ele. Dizia que tudo aquilo tinha sido uma grande traição, que se sentia muito decepcionado e preocupado com o que esse episódio poderia causar ao governo do pai.

Ele chegou até a ficar emocionado, a lacrimejar.

E Flávio então nos conta a seguinte história: uma semana depois do primeiro turno, o ex-coronel [Miguel] Braga, atual chefe de gabinete dele no Senado, tinha recebido o telefonema de um delegado da Polícia Federal do Rio de Janeiro, dizendo que tinha um assunto do interesse dele, Flávio, e que ele gostaria de falar com o senador.

O Braga disse: 'Ele está muito ocupado e não costuma atender quem não conhece'.

Estou te contando a narrativa do Flávio e do advogado Victor para nós, Paulo Marinho e Christiano, do outro lado da mesa. O senador contou que disse ao coronel Braga que se encontrasse com essa pessoa [o delegado] para saber do que se tratava. Estava curioso.

E aí marcaram um encontro com esse delegado na porta da Superintendência da Polícia Federal, na praça Mauá, no Rio de Janeiro.

E quem teria ido a esse encontro?

O coronel Braga, o advogado Victor e, sempre segundo o que eles me contaram, a Val [Meliga], da confiança do Flávio e irmã de dois milicianos que foram presos [na Operação Quatro Elementos].

Eles foram para a porta da Polícia Federal. O delegado tinha dito [ao coronel Braga]: 'Você vai ver. Quando chegarem, me liga que eu vou sair de dentro do prédio da Polícia Federal'.

O delegado saiu de dentro da superintendência. Na calçada - eu estou contando o que eles me relataram -, o delegado falou: 'Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio [o filho do presidente era deputado estadual na época]. Uma delas é o Queiroz e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro [que ainda era deputado federal] em Brasília'.

O delegado então disse, segundo eles: 'Eu sugiro que vocês tomem providências. Eu sou eleitor, adepto, simpatizante da campanha [de Jair Bolsonaro], e nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição [presidencial]'.

Foram embora, agradeceram. Estou contando o que [Flávio Bolsonaro] me falou.

E o que aconteceu depois?

Ele [Flávio] comunicou ao pai [Jair Bolsonaro] o episódio e o pai pediu que demitisse o Queiroz naquele mesmo dia e a filha do Queiroz também. E assim foi feito.

[Fabrício Queiroz foi exonerado no dia 15 de outubro de 2018 do cargo de assessor parlamentar 3 que exercia no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa. A filha dele, Nathalia Melo de Queiroz, foi exonerada no mesmo dia 15 do cargo em comissão de secretário parlamentar no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro].

Vida que segue. O capitão ganha a eleição [no dia 28 de outubro]. Maravilhoso. No dia 8 de novembro é detonada a Operação Furna da Onça, com toda a pompa e circunstância. Começa o episódio Queiroz.

Flávio contou essa história no dia 13 de dezembro de 2018. Como o senhor e o advogado Christiano Fragoso reagiram?

Eu falei [para Flávio]: 'Está aqui o advogado Christiano Fragoso, recomendado pelo Pitombo, que vai te orientar. Até porque você está com a sua consciência tranquila e não tem o que temer. O que houve foi quebra de confiança do Queiroz em relação a você'.

O Christiano virou-se para o Flávio e disse: 'Quem precisa de um advogado é o Queiroz'.

E Flávio tinha contato com o Queiroz?

O Flávio disse: 'Eu não estou mais falando com o Queiroz. Não o atendo mais até para que amanhã ninguém me acuse de que estou orientando o Queiroz nos depoimentos. Quem está falando com o Queiroz é o Victor [advogado amigo da família e que estava na reunião com Paulo Marinho]'. [Na época, a família Bolsonaro dizia não ter contato com Queiroz.]

O Christiano disse: 'Precisamos arrumar um advogado que sirva ao Queiroz. Não posso ser esse advogado. Até porque sou de uma banca, nós somos top, o Queiroz não teria condições [de contratá-lo], né?'. E ele indicou o advogado Ralph Hage Vianna, que até então eu não conhecia, para representar o Queiroz.

Na mesma quinta-feira, o Queiroz vai ao encontro desse advogado indicado pelo Christiano. E vai acompanhado pelo Victor [o advogado do gabinete de Flávio]. E eu viajei para São Paulo.

O presidente foi informado dessa reunião?

Quando ela terminou, eu liguei para o Gustavo Bebianno e relatei tudo o que ouvi. Ele estava em Brasília, no escritório da transição de governo. Eu disse que era melhor ele contar tudo o que estava acontecendo para o presidente. E assim foi feito.

?E o que aconteceu depois?

Eu vou para São Paulo. Como o Antônio Pitombo estava em SP, eu disse: 'Pitombo, é importante a gente ter uma outra reunião para tratar desse assunto, entender o que está acontecendo e não deixar o negócio desandar'.

Chamei para São Paulo o Victor, advogado do Flávio, que estava tendo contato com o Queiroz, o Ralph Hage Vianna, que se reuniu com o Queiroz, e o Gustavo Bebianno.

Eu estava hospedado no hotel Emiliano e reservei uma sala de reunião. Às 14h30 do dia 14, uma sexta-feira, estavam lá o Victor, o Ralph, o Pitombo, eu e o Gustavo Bebianno.

Os advogados conversaram o tempo todo sobre como foi a conversa do advogado Ralph com o Queiroz, as estratégias, as preocupações.

Na terça-feira seguinte, 18, ocorreu a cerimônia da nossa diplomação - Flávio como senador, e eu suplente dele. Sentamos lado a lado. E ele me disse que precisava conversar.

Eu ia almoçar no restaurante Esplanada Grill, em Ipanema. Combinamos de ele passar lá. Às 13h30, ele apareceu no restaurante e disse: 'Paulo, eu conversei com o meu pai e ele decidiu que nós vamos montar um outro esquema jurídico, que será comandado por um outro advogado".

Eu respondi: 'Flávio, não tem problema, eu desarticulo tudo o que estava articulado. Desejo boa sorte. Se precisar de mim, estou à disposição, como sempre estive'. Um abraço e vida que segue.

Desde então, só fui rever o Flávio no dia em que depus na CPMI das Fake News [em dezembro]. Fui ao plenário do Senado e ele estava lá. Eu o cumprimentei cordialmente, e ele a mim. Nunca mais estive com ele. E isso é tudo.
Herculano
16/05/2020 13:16
QUAL O NÚMERO É ACEITÁVEL?

Quando se iniciou a pandemia no Brasil, pelos números dos entendidos e conta de leigo que sou, mas com conhecimento mínimo de estatística, julgava que ao fim seríamos 20 mil mortos brasileiros pela Covid-19.

Estou refazendo as contas. No mínimo 50 mil. Qual é o número aceitável por todos nós?
Miguel José Teixeira
16/05/2020 12:21
Senhores,

Em tempos de isolamento social, a PR é uma máquina de dar trabalho aos Jornalistas. . .

"Astronauta na lista de demissíveis
(fonte: Correio Braziliense, Caderno Política, hoje)

O ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, foi informado, por pessoas próximas e ligadas a Jair Bolsonaro, que ele pode ser demitido nos próximos dias.

O presidente pretende colocar no cargo um nome ligado a parlamentares do Centrão ?"?" e pode ser que seja entregue ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Ex-ministro do governo Temer e ex-prefeito de São Paulo, ele está afastado, há aproximadamente 500 dias, do cargo de secretário-chefe da Casa Civil do governo de João Doria, em São Paulo.

Kassab foi alvo de uma operação da Polícia Federal e acusado de receber R$ 58 milhões em propina da JBS, entre 2010 e 2016.

A alternativa, estudada pelo Palácio do Planalto, é colocar um indicado de Kassab na pasta de Pontes ?"?" que, nos bastidores, é tachado como decepcionante para a comunidade científica ao não ter posições firmes contra a supressão de verba para a pesquisa e a academia."
Herculano
16/05/2020 12:04
da série: parece Gaspar

RAMOS QUER A IMPRENSA COMO SOLDADO SERVIL A GENERAL DA CLOROQUINA. NÃO TERÁ, por Reinaldo Azevedo, no UOL

Ele está confundindo imprensa com quartel. Não vai rolar!

Quando o coronavírus começou a assombrar o Brasil, o presidente Jair Bolsonaro tinha o seu diagnóstico e o seu prognóstico: gripezinha.

Quando os governadores adotaram, prudente e felizmente, medidas de isolamento social, ele se lançou em guerra: queriam destruir a economia, disse ele. E pronunciou algumas frases que vão entrar para história. Basta reproduzir agora uma delas que todas estarão representadas: "Todo mundo morre um dia". E, como de hábito, culpou a imprensa.

Sim, a imprensa séria e que se respeita tem um papel fundamental nestes dias: salvou milhares de vidas. Não fosse por ela, a ameaça que o patógeno representa não teria ficado suficientemente clara. Tem sido parceira fundamental dos governadores na tarefa de tentar impedir o caos no sistema de saúde. Em que consiste essa parceria? Em fazer o contrário do que faz Bolsonaro: a gente informa.

Pois é. Nesta sexta, no balanço dos 500 dias de governo Bolsonaro, o general Luiz Eduardo Ramos, secretário de governo e coordenador político do Planalto, resolveu dar um pito na imprensa. O chefe dele sai por aí a provocar aglomerações; vira garoto-propaganda de uma droga útil para outras doenças, mas inócua para a Covid-19 - e perigosa em qualquer caso se mal administrada; rompe com seu próprio ministro da Saúde (perdeu o segundo em menos de um mês), com os governadores e com lideranças importantes do Congresso; provoca uma crise política com o Ministério da Justiça em razão de interferência indevida na Polícia Federal... Em suma: o líder não lidera, mas é liderado pelo caos que ele mesmo provoca.

E o general Ramos, que é da ativa, faz o quê? Ora, resolve criticar a imprensa e dar aula de bom jornalismo. Falaríamos, os jornais, em excesso de mortos, caixões, más notícias. Daríamos pouco destaque aos que se curam. Em primeiro lugar, é mentira. Em segundo, note-se: quem se cura não precisa de leitos de enfermaria, de leitos de UTI, de respiradores, de anestésicos, de equipamentos de proteção individual...

Negando que queira minimizar a crise, o general volta a fazer aquela conta absurda, injustificada, sobre o número de pessoas que morrem em acidentes. O raciocínio é tão lunático que nem errado consegue ser. Ainda que fossem coisas comparáveis, e não são, há uma circunstância de logística - e o general é ele, não eu - que eleva o absurdo à condição do indizível.

Acidentes de automóveis e todas as outras causas de morte não provocam o colapso no sistema de saúde. A menos que se incentivasse a contaminação em massa e, "manu militari" - e espero que não haja ninguém com saudade de dar porrada em pobre -, as pessoas fossem impedidas de buscar socorro.

Não há controvérsia sobre a forma como o vírus se espalha. Sua força está na aglomeração e no convívio social. Com um distanciamento ainda que malfeito, temos mais de 200 mil contaminados. Dá para imaginar o que estaria em curso não fosse isso a que ele considera alarmismo.

Na verdade, senhor, falta ainda que a imprensa faça uma outra coisa certa. E o senhor, militar com boa formação, há de entender. E eu lhe direi qual é a conta certa. Todos os Estados deveriam cotejar o número de óbitos havidos em março, abril e maio com o do ano passado. Aplique-se, a título, se me permitem a expressão, de crescimento vegetativo das mortes uma elevação de uns 5% e pronto! O que exceder esse dado majorado, senhor general, deve ser atribuído ao coronavírus. Deixo aqui a sugestão de pauta aos coleguinhas. E então saberemos o total real de mortos. E olhe que ainda poderá estar ligeiramente subestimado porque deve ter caído drasticamente o número de vítimas do trânsito e das estradas.

Há, sim, general, certa dose de desinformação no que a imprensa divulga: o número de contaminados e de mortos é brutalmente maior. É que falta um critério seguro para chegar ao real. Este que proponho, para vítimas, é seguro. Afinal, na média, as mesmas causas de antes continuam a matar agora. Isso não mudou. O dado novo é o coronavírus.

OBEDIÊNCIA E INSUBORDINAÇÃO DEVIDAS

Não acho, general, e o senhor sabe disto, que a política seja terreno em que devam se meter os militares. Sou conservador. Defendo o que defende Samuel Huntington em "O Soldado e o Estado". Ele também é um conservador, um cara de direita. Acha que militar deve ser objetivamente controlado pelo poder civil, mantendo-se longe da política e servindo ao Estado.

Mas o senhor está aí. E tem de se conformar com a vida civil. Não existe regime de obediência devida fora dos quarteis ou do campo de batalha. Convive-se com a divergência porque é ela o apanágio essencial da democracia. Aliás, convém lembrar que o Código Penal Militar pune as formas de desobediência nos Artigos 163, 193 e 301, mas abre a brecha para desobediência da ordem manifestamente ilegal: parágrafo 2º do Artigo 38. Não fosse assim, como assinala Coimbra Neves, "teríamos um 'jogo dos absurdos' em que o militar, que por essência está compelido a ser legalista, deveria cumprir uma ordem ilegal sob pena de incursão em recusa de obediência."

Nem nos quarteis vigora a teoria das baionetas cegas, não é mesmo? O senhor não espera contar com isso na sociedade. Aliás, obediência cega faz mal até no Palácio do Planalto.

De resto, o ataque de Ramos à imprensa é despropositado porque não se faz por aqui nada além do que se faz na imprensa no mundo democrático. Da mesma sorte, medidas de isolamento social foram adotadas em todo o Planeta. E não para derrubar governos, mas para salvar vidas.

Paulo Guedes igualmente está insatisfeito com as críticas. Falo sobre ele daqui a pouco. Por alguma razão, e isto vaza no tom iracundo do seu pronunciamento, ele acha que está a nos prestar um favor e que sofre mais do que a gente.

E isso também é falso.

Seu pronunciamento evidenciou que lhe é impossível ser ao menos respeitoso com a divergência. Fica para daqui a pouco.
Herculano
16/05/2020 11:55
BOZO X MORO! AS VÍDEOSCASSETADAS, por José Simão no jornal Folha de S. Paulo

A gravação da reunião ministerial tem mais palavrão que meme da Dercy!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! O vírus se recusou a contrair o Bolsonaro. Deu negativo pra Covid. E positivo pro centrão. Deu negativo pra presidente.

E positivo pra cloroquina! E a coisa mais cafona que o Moro já fez foi ser padrinho da Carla Zambelli. Rarará!

E atenção! Bozo x Moro! Videocassetada! Covídeo! O vídeo da reunião ministerial em que o Bozo ameaça o Moro tem mais palavrão que meme da Dercy Gonçalves! Tanto faz divulgar na íntegra, todo mundo já sabe mesmo. Só tem palavrão. Só vai ter píííí! "Querem fu...pííí minha familia." "Os ministros do Supremo são 11 filhas da pu...pííí." "E o Maia pííí." E quando falaram mal da China devia ter legenda em mandarim. Rarará!

E três são os motivos pro Bozo querer trocar o diretor da PF: Flávio, Eduardo e Carluxo!

Breaking News! 1)Tuiteiro Ary Kenner: "O que é mais eficaz pra Covid-19: a cloroquina do seu Jair ou os feijões do pastor Valdomiro?". O feijão do pastor Valdomiro! Cloroquina só funciona se aplicada com
Doritos. Com Eibicin sabor camarão. Rarará! 2) O general Heleno não vota no Bolsonaro, é devoto do Bolsonaro. Rarará! 3) TV Maresol: com o uso da máscara, já é permitido peidar no transporte público. Oba! 4) Poção, Pernambuco: "Boi invade lotérica e tumultua fila do saque dos R$ 600". É o gado furando a fila. E até o boi fez o saque e você continua em análise! E o meme do dia: "Meus queridos, se o povo não entendeu o que é 'fica em casa', vai entender o que é lockdown?".

E o Bozo é o LOCODOWN . Quer abrir tudo! Um cuspindo no outro! Na realidade, ele quer que o Doria abra as pernas. Isolamento vertical é ser enterrado em pé. E a definição do chargista VT: "Você salva a economia na vertical e descansa em paz na horizontal!". Ele quer reabrir o comércio com o centrão!

Adorei esta: Capitão Contágio inclui academia e salão como essenciais. Tá certo! Se é pra morrer, pelo menos morre com o bíceps definido. Rarará!

E como disse uma amiga: "Imagina chegar no Sírio ou no Einstein com a raiz aparecendo e o as unhas por fazer!". Nunca!

E o Sensacionalista: "Bolsonaro quer incluir milícia como atividade essencial". Já é!

E o ex-sinistro da Saúde não é essencial. Nem quando tava vivo. Rarará! O Ministério da Saúde só tem militar. Tem tanto general no governo que não deve tá sobrando mais nenhum. Eu quero quatro generais pra Amazônia. Não tem! Acabou! Rarará!

Nóis sofre mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Herculano
16/05/2020 11:21
FUTEBOL AO VIVO

Ao menos a quebra rotina está de volta para quem está confinado. Hoje, já teve partidos do campeonato alemão ao vivo. Sem plateia, o que tira o brilho e os jogadores, aparentemente fora de forma. Mas, é ao vivo
Herculano
16/05/2020 11:19
A CLOROQUINA NA MARRA

Não sou médico, não sou cientista e dependendo deles. Mas esta questão do uso da cloroquina e outras drogas com testes controversos para o combate a Covid-19, beira à ignorância e uma disputa ideológica e não centrada na medicina.

Serve ou não serve? Não sei!

Agora um leigo, decretar que se deve usar tal ou aquele medicamento para determinada doença, beira não ao cinismo e perigo, mas a um tipo de ditadura. Agora, só falta os políticos perderem tempo com esse tipo de bobagem nas tribunas parlamentares e os Ministros no Supremo serem instados a se pronunciarem contra ou a favor de tal interferência maluca.

Ainda bem, que esse negócio da terraplana deu um tempo de tanta loucura e descrédito que se derramou sobre essa gente.
Herculano
16/05/2020 09:25
GLOBO DIZ QUE VERSÃO DE BOLSONARO SOBRE REUNIÃO "NÃO ENCONTRA RESPALDO NA REALIDADE"

Conteúdo de O Antagonista.Como publicamos mais cedo, o ministro Augusto Heleno, chefe do GSI, enviou uma nota ao jornalismo da Globo repudiando a reportagem exibida ontem sobre as trocas feitas por Jair Bolsonaro em sua segurança no final de março.

Em resposta ao ministro, a Globo divulgou a seguinte nota:

"A nota do ministro do gabinete de segurança institucional Augusto Heleno confirma integralmente o que o Jornal Nacional publicou. Que o antigo titular da direção de segurança pessoal da presidência, o então coronel Sá Correa, foi promovido a general de brigada por escolha do presidente Bolsonaro. E que o substituto escolhido foi o número dois do departamento. Em nenhum momento, o Jornal Nacional questionou os méritos do general Sá Correa.

Quis apenas mostrar que a versão do presidente sobre o que disse na reunião ministerial de 22 de abril não encontra respaldo na realidade. O presidente reiteradas vezes afirmou que se referia à segurança dele, de sua família e de seus amigos, quando disse que tentou fazer mudanças na segurança do Rio e não conseguiu.

Como mostrou o Jornal Nacional, o presidente não teve dificuldades em fazer trocas no departamento responsável por sua segurança. Promoveu o titular, substituiu-o pela seu adjunto e também trocou a chefia do escritório no Rio. Sem dificuldades.

Por fim, é de se destacar que a frase do presidente Jair Bolsonaro na reunião ministerial de 22 abril ganha agora mais uma versão. Segundo o ministro Augusto Heleno, o presidente, ao mencionar a segurança no Rio, quis dar apenas um exemplo sobre o que faria caso quisesse realizar uma troca no setor e encontrasse oposição: poderia chegar até a demitir o ministro para ver a sua decisão cumprida, não tendo o presidente se referido a nenhum caso real que houvesse ocorrido. Registre-se também que o ministro Augusto Heleno não esclareceu por que motivo o presidente se viu compelido a dar esse exemplo.

A dúvida permanece."
Herculano
16/05/2020 09:21
OS EMPREGADOS GARANTIDOS E OS OUTROS. ELE NÃO ESTÁ FALANDO DE GASPAR E ILHOTA, MAS...

De Danilo Gentili, apresentador e humorista no twitter:

Muitas empresas diminuindo salários e demitindo. E deputados, vereadores, assessores e etc continuam com todos os seus benefícios e salários intactos! Quem paga por esses salários? Esses trabalhadores e empresas que estão tendo salário diminuídos.

Os impostos NUNCA diminuem!
Herculano
16/05/2020 09:16
DAR REAJUSTES A SERVIDOR É USAR CADÁVERES COMO PALANQUE, DIZ GUEDES

Ministro aguarda que Bolsonaro vete possibilidade de governos usarem ajuda para aumentar salários

Conteúdo de jornal Folha de S. Paulo. Texto de Talita Fernandes, da sucursal de Brasília. O ministro Paulo Guedes (Economia) fez apelo a prefeitos, governadores e, em especial ao Congresso, para que não haja reajuste dos salários do funcionalismo público. Ele disse que se valer do momento de crise para elevar custos é fazer palanque político em cima de cadáveres.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (15), realizada em comemoração aos 500 dias de governo, Guedes criticou o que ele chamou de exploração política da crise sanitária.

"Vamos subir em cadáveres para arrancar recursos do governo? Isso é inaceitável, a população não vai aceitar, a população vai punir quem usar cadáver para fazer palanque?", afirmou o ministro da Economia.

Ao fazer a declaração, ele se referia aos reajustes do funcionalismo público, aprovada pelo Poder Legislativo.

A suspensão desse aumento por 18 meses foi a única contrapartida exigida pela equipe econômica no projeto de lei de ajuda financeira de R$ 125 bilhões a estados e municípios diante da pandemia do novo coronavírus.

O Congresso, no entanto, retirou uma série de categorias da regra, como professores, profissionais de saúde, agentes funerários, de limpeza urbana e assistentes sociais. A exclusão teve o aval do próprio presidente Jair Bolsonaro, que relutava em desagradar funcionários públicos, parte de sua base de apoio.

Na semana passada, Bolsonaro afirmou que vai vetar um trecho da lei de socorro financeiro a estados e municípios que libera reajustes salariais a servidores públicos até o fim de 2021.

Na quinta (14), o presidente deu outra sinalização após conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Ele disse que deverá fazer uma videoconferência com governadores para tratar do projeto de socorro aos estados aprovado pelo Congresso e só depois decidirá se vetará ou não trecho da proposta que permite reajuste salarial a categorias do funcionalismo.

Bolsonaro conversou sobre o texto que destina auxílio financeiro aos gestores dos estados em reunião com Maia.

Guedes, nesta sexta, pediu que o presidente faça o veto e que, o Congresso, não o derrube.

"Só vamos pedir uma contribuição. Por favor, enquanto o Brasil está de joelhos, nocauteado, tentando se reerguer, por favor, não assaltem o Brasil. Não transforem num ano eleitoral, onde é importante tirar o máximo possível do gigante que foi abatido. Deixa ele levantar", afirmou o ministro.

Guedes disse que não se pode aumentar um momento de fragilidade para fazer política.

Nos bastidores, o chefe da equipe econômica tem criticado Maia (DEM-RJ), por ter apoiado o reajuste dos servidores.

"Eu estou pedindo uma contribuição do funcionalismo brasileiro, eu estou pedindo ao Congresso que não derrube o veto do presidente. Eu estou pedindo ao Congresso que faça o que eu acredito que nos somos. Uma grande sociedade aberta, uma democracia dinâmica, onde os poderes vão demarcando os territórios e atuando", afirmou.

Ele fez um apelo para que o presidente da Câmara ajude o governo como fez na aprovação da reforma da Previdência.

O recado foi enviado ainda aos estados e municípios, dizendo que o governo federal tem capacidade limitada de endividamento para socorrer as unidades da federação.

"Esquece-se que nós também estamos perdendo as receitas. Podemos nos endividar? sim, mas há limites."

Guedes pediu ainda que não seja feita "exploração política" e disse que é importante para que as lideranças políticas busquem a popularidade.

"Só estamos pedindo uma contribuição, prefeitos, municípios, governadores e da Câmara e do Senado", disse.

Ele afirmou que não é o momento de haver divergências e fez uma analogia a um barco para falar da crise.

"Não faz sentido nós estarmos num barco sendo ameaçados de sermos afundados por duas ondas enormes e nos estamos lutando a bordo. Que vamos conseguir com uma luta a bordo desse barco?Vamos salvar o barco, quando a gente chegar em terra firme a gente começa a brigar de novo."
Herculano
16/05/2020 09:07
DE MÉDICA AO CENTRÃO, BOLSONARO AVALIA OPÇõES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro tem dificuldades para definir o novo ministro da Saúde, mas não por falta de opções. Ele novamente tentou levar ao cargo a médica Nise Yamaguchi, defensora do uso da hidroxicloroquina, mas dispõe de opções que tem sobre a mesa. Como o almirante Luiz Fróes, diretor de Saúde da Marinha, ou ainda Osmar Terra, ex-ministro, médico e deputado pelo MDB-RS. E ainda "corre por fora" o "Centrão", grupo majoritário no Congresso cujo apoio Bolsonaro tenta sacramentar.

OUTRO NOME FORTE

Claudio Lottenberg, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, que gerencia o hospital, é cotado.

INTERINO PODE EMPLACAR

O "nº 2" de Nelson Teich, general Eduardo Pazuello, é uma das opções mais fáceis para Bolsonaro. Na prática, já atua como ministro.

OPÇÃO FEMININA

Ludhmila Hajjar, diretora do Departamento de Tecnologia e Inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia, está entre os nomes mais cotados.

MAIOR DIFICULDADE

O problema maior de Bolsonaro é encontrar alguém disposto a correr o risco de passar vergonha, como ocorreu ao ex-ministro Marcelo Teich.

BOLSONARISTAS CUTUCAM O STF COM VARA CURTA

Apoiadores de Jair Bolsonaro podem prejudicar mais do que ajudar seu ídolo. Nesta sexta (15), centenas deles se reuniram na Praça dos Três Poderes para dar vivas ao presidente e gritar contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso. Não é atitude inteligente: nada atiça mais o corporativismo no STF. Além disso, o protesto cutuca com vara curta o ministro Celso de Mello, que neste fim de semana deve selar o destino de Bolsonaro, no caso das denúncias do ex-ministro Sergio Moro.

ANTIPATIA NA CANETA

Celso Mello nunca escondeu sua antipatia por Bolsonaro, mas será dele a decisão que pode selar o destino do presidente.

Só PARA LEMBRAR

Mello decidirá se joga no lixo o vídeo da reunião do dia 22 ou vê agulha em palheiro e abre processo que pode custar o mandato a Bolsonaro.

APERTANDO O PASSO

Decano do STF, que se aposenta em 1º de novembro, Celso de Mello tem revelado pressa incomum ao fixar prazos curtos, no inquérito.

CORONA QUEM?

O Tribunal Superior Eleitoral segue o calendário eleitoral como se 2020 fosse ano normal. Em vez de discutir adiamento, liberou pré-candidatos a arrecadar recursos com financiamento coletivo. Só pensam nisso.

CHAVE DE CADEIA

O ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) está disposto a reunir sua equipe e conversar com os líderes do Centrão, sem problemas e nem preconceitos. Mas, no DNIT, a turma não quer mais ouvir falar em Valdemar Costa Neto voltar a influir no órgão. Da outra vez, deu cadeia.

PESQUISA NORTE-COREANA

O Senado de Davi Alcolumbre divulgou pesquisa garantindo que a população está feliz da vida: 96% aprovam projetos aprovados na Casa durante a pandemia. Até parece pesquisa de opinião na Coreia do Norte.

BOM INVESTIMENTO

Mostra que o Brasil ainda é um bom negócio a revelação do ministro da Economia de que houve mais investimento estrangeiro direto no primeiro trimestre, durante a pandemia, que no mesmo período de 2019.

ALIANÇA SUPREMA

STF vai derrotar Bolsonaro outra vez, na ação de entidades de imprensa ligadas a Psol, PCdoB, Rede e etc contra a MP que pune servidores em medidas contra a Covid-19 apenas se agirem com dolo ou erro grosseiro.

MANIFESTO POR TRABALHO

A federação e as câmaras de dirigentes lojistas de São Paulo lançaram manifesto que pede "negócios como de costume". E diz: "Sem trabalho e a produção que geram renda, as pessoas perdem sua dignidade".

COMPROMISSO PELA RETOMADA

Lojistas de shoppings já perderam R$ 27 bilhões em menos de dois meses no isolamento, e propõem 20 compromissos para a reabertura; uso de máscara, horário reduzido e controle do número de clientes.

EFEITO DA PANDEMIA

O Índice de Performance do Varejo (IPV), compilado por consultorias e plataformas de gestão, revelou uma queda de 92,51% no fluxo de consumidores em lojas durante temporada de vendas do Dia das Mães.

PENSANDO BEM...

...vai faltar general para tanto ministério.
Herculano
16/05/2020 08:58
OBSESSÃO DE BOLSONARO VIRA POLÍTICA E REDUZ OPÇõES PARA A SAÚDE, por Igor Gielow, no jornal Folha de S. Paulo

Militares e militantes parecem os únicos que podem aceitar a vaga de Teich na crise

A obsessão de Jair Bolsonaro com o uso da cloroquina contra os efeitos da Covid-19 ultrapassou a barreira do pensamento mágico a que estava conscrita.

Agora, é política de Estado. Isso fará a escolha do substituto de Nelson Teich à frente do Ministério da Saúde uma via de mão única.

Ou aceita o cargo um militar preso à hierarquia, ou um militante bolsonarista, se não uma fusão das duas coisas.

Há poucos dias, um estudo internacional demonstrou a ineficácia e os riscos da administração da cloroquina e da hidroxicloroquina.

Mas o futuro titular da Saúde terá de aceitar não só que o remédio "salva vidas", como tuita o clã Bolsonaro, mas também que ele deve ser administrado em pacientes no início da doença.

Mesmo médicos que admitem testar a cloroquina o fazem apenas em casos graves, como recurso emergencial. E, até aqui, sem comprovação de eficácia.

O rebaixamento do padrão científico para o da crendice especulativa se espalhou pela Esplanada dos Ministérios e chegou à pasta talvez mais central para o país agora.

Nesse contexto, é irônico que se lance mão de militares, que sempre buscaram se apresentar como reservas de racionalidade no governo.

Há uma boa probabilidade de o substituo de Teich acabar sendo o general Eduardo Pazuello, que está interino mas já era o ministro de fato na pasta.

Pazuello tem fama de bom organizador logístico, decorrente de sua atuação com refugiados venezuelanos, mas só. De resto, cumprirá o que o presidente mandar.

A alternativa militar na praça, o almirante médico Luiz Fróes, traz consigo o verniz de ele ser da área - é diretor de Saúde da Marinha. Mas, segundo quem conhece Pazuello, ele teria dificuldade em aceitar a subordinação.

Restam então médicos bolsonaristas, que não se importam em ser associados ao governo de país relevante mais mal avaliado na condução da crise da pandemia - apesar da competição dura de Donald Trump nos EUA.

Pode ser político como Osmar Terra, ou influência parda como Nise Yamaguchi. A rejeição da maioria da classe da saúde estará garantida.

Teich, por sua vez, saiu como entrou: invisível e sem altivez nem para explicar os motivos óbvios de sua saída.

Aos poucos, Bolsonaro consegue montar um governo à sua imagem. Ele tem sido colocado pela imprensa internacional ao lado de caricaturas como o líder da Belarus, Aleksandr Lukachenko, por seu manejo da pandemia.

Corre o risco de isolar até nesse clube. O bonachão autocrata só receita vodca e sauna para o vírus, não remédios que podem causar arritmias fatais.
Herculano
16/05/2020 08:51
DEPOIS DE 81 ANOS DE CIRCULAÇÃO, O CORREIO LAGEANO DEIXOU DE CIRCULAR NESTE SÁBADO. TAMBÉM FECHOU O SEU PORTAL

SÃO OS NOVOS TEMPOS. QUEM NÃO SE ADAPTOU A ERA DIGITAL, SUCUMBIU-SE À DERROTA.
Herculano
16/05/2020 08:47
OS POLÍTICOS SÃO BICHOS EXóTICOS E APROVEITADORES DE INGÊNUOS E SITUAÇõES QUE SABEM SEREM ELAS NÃO SEREM DE SUA SOLUÇÃO EXCLUSIVA. ELES SABEM QUE A MAIORIA DOS SEUS ELEITORES SÃO ANALFABETOS, IGNORANTES, DESINFORMADOS E FACILMENTE MANIPULADOS. E ASSIM OS QUEREM PARA TORNÁ-LOS GADO NO BRETE

OS POLÍTICOS - EM SUA MAIORIA - SÃO OS DEM?"NIOS, MAS ENCARNADOS EM MENSAGEIROS DE DEUS. USAM A FÉ COMO DOPPING OU COMO UMA FERRAMENTA TRAIÇOEIRA DO MEDO OU PERSUASÃO DOS INCAUTOS AOS SEUS INTERESSES DE PODER COM ARES DIVINOS E NA BUSCA DE VOTOS E PERPETUAÇÃO NO PODER.

VEJA ESTA. É DE LONGE, MAS PODERIA SER DAQUI

Em Ladário, Mato Grosso do Sul, o prefeito, um ladino chamado de Iranil de Lima Soares, PSDB, que declara ter curso superior completo, pastor, ontem, dia 15, fez este decreto

Considerando que Ladário é uma cidade cristã
Cponsiderando que essa pandemia trouxe insegurança em várias áreas da vida das pessoas
Considerando que Deus ouve as orações de um povo quebrantado:

Decreta:

Artigo 1º. Que todos os cristão façam orações diárias nos lares e nos locais de adoração com a observância às normas existentes no Decreto Municipal nº5.187 de 08 de maio de 2020, a fim de evitar aglomerações, em prol de Ladário e do seu povo, pelo Brasil e pelo mundo.

Artigo 2º. Que aqueles que puderem e quiserem voluntariamente façam orações por um período de 21 (vinte e um) dias de 18 de maio de 2020 a 07 de junho de 2020, assim como 01 (um) dia de jejum de sua livre escolha no período citado, invocando o nome do Senhor para que juntos na fé possamos vencer a pandemia.

Artigo 3º. Que todos os Laderenses atendam de bom coração as leis emanadas pelas diferentes esferas do poder público.

Artigo 4º Que no dia n07 de junho de 2020 se faça um cerco espiritual na cidade de Ladário por meio de orações, das 5h até às 6h, onde todo cristão, dentro de suas casas façam orações voluntárias a Deus, com o escopo de pedir ajuda a Deus tanto pelas pessoas que já estão doentes quanto por aqueles quanto por aqueles que estão tomando medidas para não contrair o Covid-19, bem como para afastar este mal que assola nossa nação.

Artigo 5º. Este decreto entra em vigor na data da sua assinatura
Herculano
16/05/2020 08:18
A PRIMEIRA IMPRESSÃO NÃO É A QUE FICA, por Roberto Azevedo, no makingof

Os deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Respiradores saíram visivelmente decepcionados do primeiro dia de depoimentos, quando esperavam mais de declarações, principalmente do advogado Leandro Adriano de Barros, apontado como eminência parda nos bastidores do governo, a mando do ex-secretário Douglas Borba (Casa Civil).

A lição desta primeira página no caminho da CPI, com tantos advogados presentes não seria diferente, está nos direitos e garantias individuais, pilares do Estado de Direito: ninguém é obrigado a produzir prova contra si próprio.

Outra regra de ouro da legislação, em qualquer inquérito, é a de que o ônus da prova cabe a quem acusa, fato que se repetirá muitas vezes durante os próximos dois meses de trabalho.

Neste contexto, nem Mateus Hoffmann, ainda secretário adjunto da Casa Civil, integrante da "República de Biguaçú", ou Leandro, procurador do Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Gandhi, que chegou a vencer a dispensa de concorrência para o Hospital de Campanha, precisam abrir mão da amizade de Borba ou negar o espaço que ganharam por conta dela.

O ALVO

Deve ser parte da estratégia de defesa de Douglas Borba quando o advogado Leandro de Barros afirma, com todas as letras, que o ex-secretário Helton Zeferino era "muito fechado" e que "não estava à altura do cargo".

Leandro mostra que sabia mais do que se imagina sobre os trâmites na pasta, fez inclusive juízo de valor sobre o afastamento das decisões sobre o combate à pandemia de alguns profissionais infectologistas, e pôr Zeferino o centro da discórdia pretende desqualificar as fortes declarações sobre as pressões que Borba exerceu na compra dos aparelhos para UTIs.

DOIS MOMENTOS ÚNICOS

Do adjunto Mateus Hoffmann, de Biguaçú, que garante nunca ter ido à sede ou conversado com alguém da Secretaria Estadual da Saúde: "Não sei nem onde fica!".

Pois bem, está localizada na Rua Esteves Júnior, Centro da Capital, portanto, Hoffmann nunca "esteves" lá. E da maioria dos depoentes, que assegura que soube de detalhes dos fatos pela imprensa, a palavra mais usada em todas as falas, tanto quanto Douglas ou Borba, secretário ou Helton (Zeferino).

INTERESSANTE

Convidada a dar esclarecimento, sem ter qualquer acusação contra si, a servidora Karen Sabrina Bayerstorff, diretora de Gestão de Licitação e Contratos da Secretaria da Administração, acrescentou terminologia e um formato diferente do que deveria se entender por organização governamental.

O termo é Secretaria finalística, independente, como Saúde, Educação e Segurança Pública, entre outras, e o formato refere-se ao fato de que as mesmas não entram na regra da obrigatoriedade de apresentar compras acima de R$ 650 mil ao Grupo Gestor quando o bem adquirido é de seu exclusivo uso, a exemplo dos respiradores.

FICA PARA A PRóXIMA

A CPI aposta no grande momento dos trabalhos, que certamente virá depois da semana que vem, quando outros quatro depoimentos estão programados.

Será durante a acareação, já aprovada, entre a servidora de carreira Márcia Regina Geremias Pauli (ex-superintendente Administrativa da Saúde) e os ex-secretários Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil), que promete ser mais elucidativo do que um bate-boca.

PALAVRA DO PRESIDENTE

Em tom moderado, o presidente da CPI, deputado sargento Lima (PSL), foi ao ponto, ao final da reunião dos depoimentos, ao dizer que o trabalho é de apuração, "não de caça às bruxas" e que muito deverá ser esclarecido.

Em determinado ponto do encontro, quando Mateus Hoffmann depunha, Lima disse que o via com frequência na linha de frente partidária, ao lado de Borba, por pertencerem ao PSL.

DIRETO DE BRASÍLIA

O deputado federal Daniel Freitas (PSL) encontrou-se com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, que deu esperanças de que um hospital de campanha possa ser instalado em um hangar da Base Aérea de Florianópolis. A proposta é do vereador Pedro Silvestre, o Pedrão, que participou por vídeo chamada, direto pelo celular de Freitas. A proposta é pra lá de interessante, preventiva caso as coisas fujam ao controle. É mais um episódio da dobradinha PSL Bolsonarista-raiz com o PL, de Jorginho Mello. Mas Pedrão deixa claro que o assunto será levado ao prefeito Gean Loureiro (DEM) e ao governo do Estado, situação que o ministro da Defesa deixou clara em sua manifestação, até porque os mandatários locais precisam aprovar a boa ideia.

TENTATIVA

Levar o secretário João Batista Cordeiro Júnior (Defesa Civil) para falar do Hospital de Campanha de Itajaí, outra dispensa de licitação, foi uma tentativa de "contrabando" na CPI dos Respiradores.

O fato não é determinado na atual investigação, embora mereça apuração, independentemente de ter sido abortado.
Herculano
16/05/2020 07:58
MAMATAS, BRAVATAS E BESTEIRAS, por Álvaro Costa e Silva, no jornal Folha de S. Paulo

O Brasil sob Bolsonaro é um país cheio de oportunidades

A pandemia está provocando uma fila de mortos - e de oportunidades. Aquelas que, segundo os homens mais ricos do mundo, acompanham as crises.

Oportunidade de mamata. Identificar como uma "garotada" (palavra usada por Bolsonaro) o grupo de militares que recebeu de forma irregular o auxílio emergencial do governo é mais uma desculpa sem pé nem cabeça; pelo tamanho do golpe, envolvendo mais de 70 mil fraudadores, trata-se de coisa orquestrada de dentro.

Oportunidade de rasgar a Constituição. A doença autocrática avança em paralelo às vítimas da Covid-19. Vide o artigo do general Mourão, ex-Mozão, com ataques à liberdade de imprensa. Ou as milícias bolsonaristas acampadas e armadas no Distrito Federal, pregando a "ucranização" do Brasil. Quem financia essa gente de bem?

Oportunidade de falar palavrão. O charivari ministerial de 22 de abril - quando o coronavírus já se tornara uma ameaça sanitária - mostrou que são alheios à saúde os interesses dos que comandam o país. O negócio é proteger filhos e aliados de investigações da PF; vender o Banco do Brasil; prender ministros do STF, governadores e prefeitos.

Oportunidade de falar besteira. Bolsonaro é especialista neste departamento. Enrolou-se ao tentar defender o indefensável, sugerindo uma competição macabra entre Brasil e Argentina; no país vizinho, em quarentena geral, a taxa de mortes causadas pela Convid-19 é de oito por milhão de habitantes; aqui, o número é mais de sete vezes maior. Ou citando a Suécia, que optou por isolamento brando e tem a maior taxa de mortalidade na Escandinávia.

Oportunidade de puxar o saco. Não se poderia esperar que o prefeito Marcelo Crivella se comportasse de maneira menos incompetente logo em meio a uma pandemia. Mas, com sua última declaração de amor, ele bateu um recorde: "Bolsonaro é feio por fora e bonito por dentro".
Miguel José Teixeira
15/05/2020 19:00
Senhores,

Enquanto no Brasil é ultrapassada a marca de 14 mil óbitos pela Covid 19, o pentiunvirato bolsonaro, chapados de cloroquina, ouvem Ivan Lins:

. . .
Cai o rei de espadas
Cai o rei de ouros
Cai o rei de paus
Cai não fica nada
. . .

Alguém aí que é jovem há mais tempo, como eu, lembra-se do Capitão Guilherme do 23º BI?

Pois é. . .por muito tempo, diziam à época, que ele passou-se por médico e foi desmascarado pelo CRM.

Talvez, para o Ministério da Saúde, o pentiunvirato bolsonaro necessite de um embusteiro desse naipe...

Oremos, como disse o Mandetta!
Herculano
15/05/2020 17:44
da série: a imprensa é mesmo um grande problema para os donos do poder e dos erros no Brasil e em Gaspar. A imprensa que mostrar a realidade, os fatos, os números. O governo de Bolsonaro agora quer esconder os mortos da Covid-19 para não assustar as demais pessoas que estão vulneráveis ao contágio? É isso? Entenderam a razão pela qual a imprensa é algo muito perigoso para o governo e suas verdades? Por outro lado, a doença e quem tem quem a obrigação de fazer política para o controle da pandemia e à proteção do cidadão, estão livres para matar, censurar, construir verdades e factóides.

LUIZ EDUARDO IMITA O CHEFE

Conteúdo de O Antagonista. Em coletiva no Palácio do Planalto, Luiz Eduardo Ramos imita o chefe Bolsonaro: mostra manchete de jornal e critica a imprensa por divulgar o número de mortes por Covid-19.

Ele defende "bom senso" e fala que estão divulgando "terror" em meio à pandemia.

"A intenção é assustar: 'o Brasil passou a França, é terrível, é o terror'."

Depois, ele afirmou que não está "minimizando mortes".

E passou a citar dados de mortes por outras doenças, como câncer, infarto e até acidentes de trânsito.

"Podem me criticar, não estou preocupado."
Herculano
15/05/2020 17:13
'VIDA É FEITA DE ESCOLHAS, E EU HOJE ESCOLHI SAIR', DIZ TEICH, SEM EXPLICAR O MOTIVO

Ex-ministro da Saúde vinha sofrendo pressão de Bolsonaro para ampliar uso da cloroquina

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Natália Cancian e Renato Machado, da sucursal de Brasília. Após pedir demissão do cargo, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich não explicou o motivo de sua saída nesta sexta-feira (15) e disse que deu o melhor de si à frente do cargo.

"A vida é feita de escolhas, e hoje escolhi sair. Dei o melhor de mim nos dias em que estive aqui nesse período. Não é uma coisa simples estar à frente de um ministério como esse", afirmou.

Teich agradeceu a equipe de secretários e fez um aceno a representantes de estados e municípios, com quem teve embates no cargo.

"A missão da saúde é tripartite, e isso é uma coisa importante de deixar claro. O Ministério da Saúde vê isso como verdadeiro e essencial. É um momento em que o país inteiro luta pela saúde", disse.

Teich citou ainda deixar um plano com diretrizes que indica diferentes níveis de isolamento social para serem adotados por estados e municípios.

"Traçamos aqui um plano estratégico que foi iniciado e deve ser seguido. Temos o foco total na Covid, e temos todo um sistema que envolve a população e deve ser cuidado. Todo o sistema é pensado em paralelo. Nesse período, auxiliamos estados e municípios a passar por essas dificuldades", afirmou.

Ele evitou comentar sobre atritos que levaram a sua saída do cargo e agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro, dizendo que "seria muito ruim" para sua carreira não ter tido a oportunidade de atuar no Ministério da Saúde.

"Não aceitei o convite pelo cargo, mas porque achava que poderia ajudar o Brasil e as pessoas"

Teich pediu demissão na manhã desta sexta-feira após ouvir um ultimato do presidente a respeito da mudança do protocolo para a administração de cloroquina. Bolsonaro quer a mudança no protocolo para que o medicamento seja ministrado também para os casos leves da Covid-19.

Em teleconferência com empresários, na quinta-feira, o presidente disse que o protocolo "pode e vai mudar".

Teich, por sua vez, vinha defendendo que uma eventual mudança na recomendação do ministério só ocorreria após a conclusão de estudos científicos.

"Cloroquina hoje ainda é uma incerteza. Houve estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem estudos hoje que falam o contrário", disse o ministro, em 29 de abril.

Na segunda-feira, em mais um episódio deixou clara a falta de sintonia durante entrevista coletiva no Planalto, Teich foi surpreendido ao vivo com a notícia de que o presidente ampliara o número de atividades consideradas essenciais durante a pandemia, para incluir barbearias, salões de beleza e academias esportivas. O ex-ministro se mostrou surpreso e virou motivo de memes difundidos na internet.

Em outro ponto de discórdia, o ministro da Saúde afirmou recentemente que um lockdown ?" política mais rígida de isolamento social, que proíbe a livre locomoção das pessoas ?" poderia ser aplicado para os locais onde a situação da covid-19 se mostra mais grave.

Jair Bolsonaro defende a imediata retomada do comércio e demais atividades, para evitar maiores danos para a economia.
Herculano
15/05/2020 14:37
AS DIFERENÇAS

Liderar é bem diferente de mandar, comandar, subjugar ou até ser pau mandado por gente que não tem voto ou pela mulher que ameaça não dormir no mesmo quarto se não for feita a vontade dela no cargo ou função pública do marido.

Herculano
15/05/2020 14:25
PREFERIU A CIÊNCIA

De Bela Megale, de O Globo, no twitter:

Antes de pedir demissão, Teich procurou hospitais para pegar atualizações dos estudos com a cloroquina. Ouviu que não é recomendável o uso do medicamento na fase inicial da covid-19, como insiste Bolsonaro. Preferiu ficar com a ciência do que com o governo
Herculano
15/05/2020 14:24
RASGA O DIPLOMA

de Carlos Tonet, no twitter:

Bolsonaro devia pedir para o próximo ministro da Saúde rasgar o diploma antes de assumir, senão vai ser a mesma história de sempre.
Herculano
15/05/2020 14:22
ARAS É MAIS REALISTA DO QUE O REI NA DEFESA DO BREU, por Josias de Souza, no UOL.

Em petição enviada ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República Augusto Aras associou-se ao governo na defesa do breu. Pediu ao ministro Celso de Mello que mantenha no escuro, longe dos olhares da opinião pública, o grosso da gravação que registra a reunião ministerial do dia 22 de abril, peça central do caso Moro X Bolsonaro.

Aras revelou-se menos concessivo do que a Advocacia-Geral da União. Pior: mostrou-se mais realista do que o rei. O próprio presidente da República admite divulgar uma fatia maior do vídeo. Ao falar sobre o tema numa transmissão ao vivo pelas redes sociais, Jair Bolsonaro não suspeitava que o procurador-geral lhe saísse melhor do que a encomenda.

Aras defendeu junto ao ministro Celso de Mello, relator da encrenca no Supremo, que sejam divulgadas apenas as fatias do vídeo estritamente relacionadas ao inquérito, "notadamente as que tratam da atuação da Polícia Federal, da 'segurança', do Ministério da Justiça, da Agência Brasileira de Inteligência e da alegada falta de informações de inteligência das agências públicas."

Defensor de Bolsonaro, o advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Junior, defendeu que sejam expostas à luz solar todas as manifestações de Bolsonaro na reunião, menos "a breve referência a eventuais e supostos comportamentos de nações amigas", além das falas dos ministros e presidentes de bancos públicos presentes à reunião.

Quer dizer: o advogado-geral foi mais generoso com a curiosidade alheia do que o procurador-geral. Bolsonaro disse o seguinte aos devotos que carregam o seu andor nas redes sociais: "São dois trechos de 30 segundos que interessam ao processo. Mas, da minha parte, autorizo a divulgar todos os 20 minutos, até para ver dentro de um contexto. O restante a gente vai brigar. A gente espera que haja sensibilidade do relator [Celso de Mello]. É uma reunião reservada nossa."

No serviço público, a publicidade é a regra. O sigilo, a exceção. Pela lei, o Planalto poderia ter requisitado a classificação da fita da reunião como sigilosa, secreta ou ultrassecreta. Mas não ocorreu a ninguém que seria necessário proteger segredos de polichinelo, desejados num encontro com mas de duas dezenas de pessoas, incluindo dirigentes de bancos públicos.

Integrante do seleto grupo de autoridades que tiveram acesso à íntegra do vídeo em que a cúpula do governo se reúne sob atmosfera de boteco, Aras justifica a defesa do breu com o argumento de que a divulgação da íntegra transformaria o inquérito em "palanque eleitoral precoce das eleições de 2022." Se procurar um pouco, o procurador notará que o palanque já está montado. De um lado, Bolsonaro, candidato à reeleição. Do outro, Moro, potencial adversário do ex-chefe.

Aras esmiuçou suas preocupações: "A divulgação integral do conteúdo o converteria, de instrumento técnico e legal de busca da reconstrução histórica de fatos, em arsenal de uso político, pré-eleitoral (2022), de instabilidade pública e de proliferação de querelas e de pretexto para investigações genéricas sobre pessoas, falas, opiniões e modos de expressão totalmente diversas do objeto das investigações."

Deve-se torcer para que o esforço exibido pelo procurador na busca de argumentos para poupar o governo da exposição de um vexame seja duradouro. O empenho pode ser útil na hora de procurar no inquérito elementos para o oferecimento de uma denúncia criminal que Bolsonaro dá de barato que o procurador-geral não formalizará
Miguel José Teixeira
15/05/2020 13:33
Senhores,

E o Teich, hein?

Tardiamente, desatou a coleira na qual estava preso, amarrou-a num pote de cloroquina e vazou!

Bolsonaro, está à procura de ministro para ministrar cloroquina em cada doente na esquina.

Cadê a psiquiatria-geral-da-república?

Camisa de força nele, URGENTE!
Miguel José Teixeira
15/05/2020 09:35
Senhores,

Os testes para o Covid 2019, do presidente apresentados pela AGU ao STF deram negativos.
?"timo para o Bolsonaro e excelente para o Brasil!

No entanto, naquela recepção ao Maia em Palácio, o presidente comportou-se de maneira muito estranha, que não lhe é habitual: "sorriso fácil, tapinhas nas costas e outros salamaleques" (Bem-Te-Vi).

Será que não é ora de um exame psiquiátrico?

Respostas para o "senadô humberto costa", que é psiquiatra. . .pelo menos de ambulâncias ele entende.
Herculano
15/05/2020 09:20
da série: quem diria, é Bolsonaro, o que expulsou Moro do governo, o que combatia e condenava ladões do dinheiro dos nossos pesados impostos, que quer dar alforria aos mesmos bandidos com as mesmas práticas de usar a urgência, a calamidade e o caos para roubar. Os políticos, agentes públicos e empresários estão aplaudindo.

O AI-5 DE BOLSONARO E GUEDES, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

Medida provisória que protege agente público é direito criativo de lunáticos

A medida provisória 966 é escandalosamente inconstitucional. No hospício a que, por hábito, chamamos "governo", resta só loucura. Foi-se o método. Quer a excludente de ilicitude da pandemia ou o AI-5 do coronavírus. Segundo o texto, os agentes públicos só poderão ser responsabilizados nas esferas civil e administrativa se agirem ou se omitirem por dolo ou erro grosseiro. É direito criativo de lunáticos.

O texto vale para decisões ligadas à Covid-19, afeitas à saúde e à economia. O que é "erro grosseiro"? Jair Bolsonaro e Paulo Guedes explicam: é o "erro manifesto, evidente e inescusável, praticado com culpa grave, caracterizado por ação ou omissão com elevado grau de negligência, imprudência ou imperícia." O que esse mar de subjetividade quer dizer? Qualquer coisa. Contra o usuário do serviço estatal.

Dispõe o parágrafo 6º do artigo 37 da Constituição: "As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa".

A inconstitucionalidade da MP, pois, é arreganhada. Poderiam objetar: a responsabilização do Estado na relação com o cidadão resta preservada, o que a MP altera é o "direito de regresso", que é a possibilidade de o ente estatal, então, acionar o servidor.

Errado! Quando se limita uma demanda ao tal "erro grosseiro" e sua absurda imprecisão, o direito de apresentar uma petição ao Estado vai para o ralo. Sob o pretexto de proteger o servidor, querem criar o habeas corpus preventivo para o Estado.

Sem a evidência do "erro grosseiro" e do "dolo", legitima-se o ato do ente estatal por ser ente estatal. Lembra o artigo 11 do AI-5: "Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos". Vale dizer: aquilo a que chamavam "revolução" legitimava o ato, e o ato, tudo o que dele derivasse. Era o círculo perfeito da tirania.

De fato, situações como a da pandemia podem gerar tal receio nos servidores que há o risco do apagão administrativo. Já existem os instrumentos para responder a isso. Um deles é a lei 13.655, de abril de 2018, que alterou a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Leiam.

Ela é eficaz, nas esferas civil e administrativa, para proteger o servidor e o Estado de eventuais ações ou decisões judiciais fundadas apenas em "valores jurídicos abstratos, sem que que sejam consideradas as consequências práticas da decisão". Na esfera penal, há a nova lei que pune abuso de autoridade.

No texto da trinca desastrada, está escrito que "o mero nexo de causalidade entre a conduta e o resultado danoso não implica responsabilização do agente público". Ora, o tal "nexo de causalidade" entre a conduta e o resultado danoso é o que comumente se chama "prova". Não dá!

O presidente, com sua militância irresponsável e dolosa em qualquer esfera, vê se agigantar a montanha de cadáveres, mesmo com a brutal subnotificação. O ministro falha de maneira grotesca num diagnóstico minimamente realista da crise e na assistência a pobres e empresas.

Ambos temem uma avalanche de ações por improbidade administrativa e tentam uma vacina para se proteger. Estão perdidos e vituperando contra os mortos.

O tempo passou na janela, e as Carolinas não viram. Bolsonaro e Guedes têm seus fantasmas debaixo da cama. Num caso, o comunismo; no outro, o nacional-desenvolvimentismo. São, com a licença do Caetano Veloso de 1968, dois combatentes que pretendem matar amanhã velhotes inimigos que morreram ontem. Atrasos distintos e combinados. Suas ideias povoam cemitérios de passado e do presente, literal e metaforicamente.

Como não haverá tanques para atuar como "Deus ex machina" na tragédia dos mortos sem sepultura individual, buscam esbulhar direitos dos vivos para se proteger de sua própria incompetência. Ganharam um necessário Orçamento paralelo de guerra. Agora querem uma Constituição paralela. Não terão.
Herculano
15/05/2020 09:15
BRASIL PROVOCA CHINA ASSOCIANDO-SE À AUSTRÁLIA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta sexta-feira nos jornais brasileiros

O governo do Brasil flerta com o perigo: avalia se juntar à Austrália na defesa de "investigação independente" das origens do covid-19 na China. O chanceler Ernesto Araújo conversou demoradamente, sexta (8), com a colega australiana Marise Payne. A ideia ofende tanto os chineses que a retaliação não tardou: na terça (12), o governo de Xi Jinping suspendeu a importação de carne bovina de quatro abatedouros, dois deles da JBS, e decidiu também taxar a cevada australiana em 76,8%.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

O governo da Austrália pretende investigar, por exemplo, se o covid-19 foi produzido em laboratório, como acreditam alguns especialistas.

TRATATIVAS CONFIRMADAS

Itamaraty confirma a conversa dos chanceleres dos dois países quatro dias antes das primeiras retaliações chinesas contra a Austrália.

JUNTOS E COORDENADOS

Araújo e Marise Payne, diz o Itamaraty, "decidiram trabalhar juntos e de modo coordenado para enfrentar os desafios da crise do covid-19".

ABERTO A DISCUTIR CHINA

Hostilizado a cada frase sobre a China, Ernesto Araújo tem sido aberto a convites como o da Austrália para discutir o país de Xi Jinping.

AZEVÊDO NÃO VAI ATUAR NO BRASIL APóS DEIXAR OMC

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, confirmou a esta coluna que não tem planos de retornar ao Brasil após deixar em 31 de agosto o mais importante cargo já ocupado por um brasileiro em organismo internacional. Ele sairá da OMC com um ano de antecedência, e negou que tenha qualquer pretensão de voltar ao Brasil para assumir cargos. A tendência é ele se afastar do setor público.

SÃO Só FAKE NEWS

Azevêdo negou também nomeação para cargos no Ministério da Economia ou Itamaraty, como especularam sites importantes no Brasil.

FOCO NO PRESENTE

O diretor da OMC não recebeu qualquer convite do governo Bolsonaro. "Minha única prioridade é organizar os próximos passos na OMC", diz.

FANTASIA DESFEITA

Roberto Azevêdo descarta qualquer possibilidade de candidatura em 2022. "Não tenho interesse nisso", garante o diplomata de carreira.

FUI

Antes de anunciar sua saída da direção-geral da OMC, Roberto Azevêdo avisou por telefone o chanceler Ernesto Araújo e o presidente Jair Bolsonaro. Não queria que o governo brasileiro soubesse pelos jornais.

ô FALSIDADE

Não passaram da mais genuína exibição de falsidade os sorrisos e abraços de Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia, ontem, no Planalto. Eles se detestam, mas chefiam poderes da República e precisam se entender.

PEDALA, CAIADO

O governador do DF, Ibaneis Rocha, aplicou um "pedala" em Ronaldo Caiado, de Goiás, cujo governo negligenciava os doentes de covid-19 do entorno, que, sem opção, lotam hospitais de Brasília. Foi só Ibaneis ameaçar vedar atendimento que Caiado assentiu com trabalho conjunto.

ORGANIZANDO A BAGUNÇA

Bolsonaro tenta se habituar à ideia de parar com declarações na "grade", na porta do Alvorada, desde que o jornalista Orlando Brito sugeriu que ele se dirija ao comitê de imprensa do Planalto sempre que quiser falar.

LÍDER MODESTO

Militar disciplinado, o deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara, não tem conselhos para Bolsonaro. "Quem sou eu? O presidente é muito mais experiente, sabe tudo de política", afirmou.

PATRIOTADA NA MÁSCARA

A deputada Bia Kicis (PSL-DF), bolsonarista raiz, inovou no modelo da máscara de proteção contra covid-19. A máscara da deputada tem a estampa da bandeira brasileira com a foto do presidente.

O PIOR DOS MUNDOS

Levantamento da CNI sobre o impacto do coronavírus revela que 70% das indústrias perderam faturamento, 45% sofrem com inadimplência dos clientes, 44% têm pedidos cancelados e 21% reduziram a produtividade.

PASSOU BATIDO

O TSE parece não ter percebido a jogada: atendeu pedido do PMB e permitiu que partidos paguem os fiscais contratados na eleição com o Fundo Eleitoral. Mais um encargo para justificar o fundão indecente.

PERGUNTA NA FILA

A nova máquina do aeroporto de Brasília que mede a temperatura de passageiros também identifica ladrões?
Herculano
15/05/2020 09:02
O ALMOÇO DE MOISÉS COM JÚLIO GARCIA, por Upiara Boschi, no NSC Total

A reconstrução das relações entre o Centro Administrativo e o parlamento catarinense não passa apenas pela participação efetiva do novo secretário da Casa Civil, Amandio João da Silva Junior, juntos aos deputados estaduais. Na terça-feira, o governador Carlos Moisés (PSL) almoçou com o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD).

O cardápio do almoço servido na Casa d'Agronômica foi a reabertura do diálogo entre os poderes em meio à crise política. A relação entre Moisés e o parlamento ruiu durante a pandemia do novo coronavírus, com os deputados estaduais reagindo às decisões do governo para conter o avanço da doença no Estado. O clima azedou de vez com a publicação da reportagem do The Intercept que mostrou os indícios de irregularidades na compra de 200 respiradores de UTI por R$ 33 milhões - pagos antecipadamente. A denúncia gerou abertura de uma CPI na Assembleia e a operação conjunta entre Polícia Civil, Ministério Público de Santa Catarina e Tribunal de Contas do Estado - Operação O2, deflagrada sexta-feira passada.

Todo esse episódio levou à saída de Douglas Borba da Casa Civil, ainda no sábado, investigado como integrante do suposto esquema montado para lesar os cofres públicos em compras durante a pandemia, de acordo com a força-tarefa. Borba concentrava toda a articulação política do governo Moisés - inclusive a construção do PSL para as eleições municipais. Essa concentração de poder era criticada entre adversários e aliados do governador - cada vez mais raros.

Assim, Moisés iniciou a semana dando posse a Amandio como novo secretário da Casa Civil e este assumiu falando em "sair do tensionamento para uma harmonia". Na terça-feira, o secretário bateu ponto na Assembleia e mostrou entrosamento com a líder do governo, a deputada estadual Paulinha (PDT). Enquanto isso, na Casa d'Agronômica, Moisés recebia Júlio Garcia. A relação entre ambos nunca foi próxima - muito por resistência do governador em relação à chamada "velha política". O encontro entre o governador ainda novato e o experiente parlamentar foi positivo, deixando boas impressões em ambos, dizem interlocutores.

Estabelecer o diálogo com o presidente da Assembleia é fundamental para o governador, alvo agora de mais dois pedidos de impeachment apresentados na terça-feira. Como manda o regimento, Garcia encaminhou as peças para análise da procuradoria da Assembleia. É com base no parecer do órgão que o presidente deflagra ou não os processos - hoje, Moisés não teria base para impedir a cassação. O convite a Júlio Garcia para um almoço, entre outros gestos de aproximação com os parlamentares, mostra disposição de Moisés para mudar o DNA de isolamento que até agora marcou seu governo.
Herculano
15/05/2020 08:57
BOLSONARO INOCULA NA PF O VÍRUS DA ESCULHAMBAÇÃO, por Josias de Souza, no UOL

Dizer que Jair Bolsonaro frauda o discurso em defesa da ética que ostentou na campanha presidencial é muito pouco para traduzir o que sucede em Brasília. O presidente executa uma metódica e gradativa investida contra o aparato do Estado que ajudou a escancarar a roubalheira nacional.

Depois de retirar o Coaf da vitrine, escondendo-o nos fundões do organograma do Banco Central, Bolsonaro coloca a Polícia Federal num respirador, inoculando na instituição o vírus da esculhambação. O processo de asfixia conta com a luxuosa cumplicidade de um grupo de generais.

Nesta quarta-feira, ao depor no inquérito que apura as denúncias de Sergio Moro contra Bolsonaro, o delegado Alexandre Saraiva, chefe da PF no Amazonas, disse ter sido sondado, "no início do segundo semestre de 2019", para assumir o comando do órgão no Rio de Janeiro. Respondeu que "evidentemente aceitaria o convite."

A sondagem não veio de Maurício Valeixo, então diretor-geral da PF. Tampouco foi feita por Moro, então ministro da Justiça. Quem sondou Alexandre Saraiva foi o xará e também delegado Alexandre Ramagem, chefe da Abin e amigo da família Bolsonaro.

O delegado Saraiva contou em seu depoimento detalhes sobre um encontro que teve com Moro no aeroporto de Manaus. Disse ter sido "inquirido" pelo então superior hierárquico da PF. "Saraiva, que história é essa de você no Rio de Janeiro?", indagou Moro. O delegado relatou, então, o telefonema que recebera de Ramagem.

Quer dizer: Bolsonaro testava os limites de Moro desde o ano passado. Fez picadinho da imagem do ex-juiz da Lava Jato porque encontrou material. Moro poderia ter chamado o caminhão de mudança quando Bolsonaro declarou, em agosto de 2019, no cercadinho do Alvorada, que seria "um presidente banana" se não pudesse trocar o chefe da PF do Rio e, no limite, até o diretor-geral do órgão.

A pressão exercida por Bolsonaro no ano passado resultou numa solução intermediária. O então superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi, foi transferido para Brasília. Mas assumiu o posto não o preferido de Bolsonaro, mas um delegado escolhido pelo então diretor-geral Valeixo: Carlos Henrique Oliveira.

Carlos Henrique também prestou depoimento nesta quarta. Ecoando o que Valeixo e o antecessor Saadi disseram ao depor na véspera, confirmou que não havia problema de baixa produtividade na PF do Rio, como alegou Bolsonaro na ocasião. Ao contrário, a superintendência estadual obteve "sua melhor classificação durante a gestão do delegado Saadi."

O doutor acaba Carlos Henrique de sofrer uma queda para o alto. Com a saída de Moro da pasta da Justiça, foi convidado a trocar a chefia da PF no Rio pela diretoria-executiva do órgão em Brasília. Talvez não dure muito na nova função, pois desmentiu Bolsonaro num segundo ponto do seu depoimento.

Há dois dias, Bolsonaro declarou aos repórteres, numa inusitada aparição vespertina na rampa do Planalto: "A Polícia Federal nunca investigou ninguém da minha família, certo? Isso não existe no vídeo [que exibe a reunião ministerial de 22 de abril, peça central do inquérito]. Estão sendo mal informados."

De acordo com Carlos Henrique, houve, sim, uma investigação eleitoral relacionada a Flávio Bolsonaro, o primogênito do presidente. Envolvia suspeita de enriquecimento ilícito. O inquérito foi encerrado sem indiciamento. No caso da rachadinha, o Zero Um também é investigado pelo Ministério Público do Rio por enriquecimento desmesurado. Varejam-se transações imobiliárias suspeitas.

A despeito das evidências em contrário, Bolsonaro empenha-se no momento em negar que tenha emparedado Moro na reunião ministerial de 22 de abril. Construiu uma versão que não fica em pé. "Não existem as palavras Polícia Federal em todo o vídeo", disse Bolsonaro aos repórteres, referindo-se à filmagem do encontro. "Não existe a palavra superintendência. Falo sobre segurança da família e meus amigos."

Relator do caso Moro versus Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, o ministro Celso de Mello decidirá se a gravação da reunião será divulgada na íntegra ou apenas parcialmente. Enquanto o conteúdo não vem à luz, Bolsonaro sustenta que a cobrança que fez no encontro não era dirigida a Moro, mas ao general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela segurança do presidente e de seus familiares.

Quem assistiu ao vídeo diz que Bolsonaro soltou um palavrão e declarou que não esperaria que sua família e amigos fossem prejudicados para fazer mudanças no Rio de Janeiro. De fato, usou a expressão "segurança no Rio" em vez de superintendência da Polícia Federal. Mas o contexto não deixa dúvidas de que ele se dirigia a Moro, não ao general Heleno.

A versão de Bolsonaro ofende a inteligência alheia duas vezes. Na primeira, embora reconheça que fez menção à segurança da família e de amigos, o presidente se abstem de explicar um detalhe: o GSI fornece proteção a Bolsonaro e sua família, mas não fornece guarda-costas para amigos. Significa dizer que não era de segurança pessoal que o presidente falava na reunião.

No segundo atentado, Bolsonaro ignora o Diário Oficial. Não há vestígio de mudança na equipe de seguranças do GSI. O general Heleno continua comandando uma mesa de ministro no Planalto. Na Polícia Federal, entretanto, todas as ameaças de Bolsonaro se concretizaram.

O presidente exonerou o diretor-geral Maurício Valeixo. Sergio Moro trocou a função de ministro pela de delator. Bolsonaro nomeou Alexandre Ramagem, o amigo da família, para o lugar de Valeixo. A troca só não foi efetivada porque o STF barrou a posse. Foi alçado ao cargo Rolando Alexandre de Souza, que era subordinado de Ramagem na Abin.

O primeiro ato de Rolando como chefão da PF foi mexer na superintendência do Rio. Alvejado por uma investigação no Supremo, Bolsonaro ainda não se animou a acomodar no seu Estado, berço das aflições familiares, o preferido Alexandre Saraiva, do Amazonas. Sob holofotes, teve de digerir outro nome: Tácio Muzzi.

Numa tabelinha com Bolsonaro, os generais do Planalto esforçaram-se para enfiar nos autos do inquérito versões compatíveis com o lero-lero segundo o qual o presidente falou na fatídica reunião de 22 de abril sobre segurança pessoal, não sobre troca da chefia da Polícia Federal.

Os generais Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (GSI) tropeçaram em algumas contradições. Mas, no geral, deram cobertura à versão do chefe, que tem a consistência de uma porção de gelatina.

Bolsonaro e seus auxiliares não parecem preocupados com os rumos do inquérito. Há no Planalto uma sólida, uma consistente, uma inabalável confiança na disposição do procurador-geral da República Augusto Aras de enviar o caso para o arquivo.

Confirmando-se essa percepção, Bolsonaro terá completado o ciclo do abafamento. Já desligou o Coaf da tomada. Esculhamba a autonomia funcional da PF. Só falta a confirmação de que, ao indicar Aras para a chefia da Procuradoria, valorizou uma área do Ministério Público que a Lava Jato havia desativado: o setor do arquivo. O barulhinho que se ouve ao fundo são os aplausos do centrão.
Herculano
15/05/2020 08:54
da série: na campanha os políticos descobrem a sede de mudança do povo, prometem saciar a sede, no poder se negam à água.

OPACO E AVILTANTE, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Bolsonaro falta com transparência e seriedade ao tratar de cartões ou sua saúde

Com a costumeira fanfarrice, Jair Bolsonaro prometeu há nove meses revelar suas despesas pessoais pelo cartão corporativo a que tem direito na condição de presidente.

"Eu vou abrir o sigilo do meu cartão. Para vocês tomarem conhecimento de quanto gastei de janeiro até o final de julho. OK, imprensa?", anunciou, em 8 de agosto do ano passado. "Vou com vocês, na boca do caixa, digito a senha e vai aparecer todo meu gasto."

Também como de hábito, a encenação de valentia - em resposta, na época, a alguma fofoca de rede social - deu em coisa nenhuma.

A bravata foi convenientemente esquecida, e os dispêndios realizados por meio do mimo presidencial permaneceram incógnitos mesmo quando o Supremo Tribunal Federal, em 7 de novembro, considerou inconstitucional um dispositivo do regime militar que permitia à Presidência manter segredos do gênero.

Desta vez, o Planalto se viu forçado a apresentar alguma explicação formal - alegou-se, com base em outra legislação, que informações passíveis de pôr em risco a segurança do presidente e seus familiares devem ficar reservadas.

Mas Bolsonaro decidiu voltar ao tema no desvairado pronunciamento de 24 de abril, quando respondeu a acusações de ingerência na Polícia Federal. No esforço para mostrar sua probidade, alegou não haver feito uso de um cartão, entre três que possui, que lhe permite gastar R$ 24 mil mensais.

A veracidade da afirmação não pode, infelizmente, ser aferida. Os dados disponíveis permitem constatar, porém, que as despesas com cartões presidenciais cresceram na atual gestão e chegaram ao recorde de R$ 1,9 milhão em fevereiro - do qual R$ 739 mil, segundo o presidente, com o resgate de brasileiros na China. Mais não se sabe.

As desculpas oficiais para a permanência do segredo soam tão inconvincentes hoje como em 2008, quando uma farra no uso de cartões gerou escândalo no governo Lula (PT). Tratando-se de Bolsonaro, a recusa à transparência se une à conduta aviltante.

Assim se viu também na ridícula saga da divulgação dos exames do chefe de Estado para a Covid-19, enfim levada a cabo por determinação do Supremo Tribunal Federal, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. Soube-se então que o presidente chegou ao cúmulo de usar pseudônimos nos testes, cujos resultados foram negativos.

De claro no episódio, apenas a irresponsabilidade de Bolsonaro ao sujeitar a si e a terceiros aos riscos de contágio, antes e depois de conhecer seu estado de saúde.
Herculano
15/05/2020 08:49
PEDRO JACIR

Há alguma dúvida sobre se é ou não perseguição sobre a família Bertoldi que é PT mas teve origem no PP?

Todas as minhas fontes de dentro do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, e o prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, MDB, sejam funcionários efetivos ou até mesmo comissionados, repito, comissionados, relatam medo e perseguição de membros do governo quando falam comigo ou passam informações de fatos normais ou de defeitos administrativos que prejudicam a comunidade.

É uma marca de governo Kleber. Eu sou uma testemunha e vítima desse procedimento de grotão.

Agora, Pedro Jaci, esta é uma marca do MDB quando foi governo com Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, já falecido e com Adilson Luiz Schmitt, que também fez dobradinha com o PP, de Clarindo Fantoni. Ambos perderam por isso.

E para não fazer nenhuma injustiça. A perseguição a imprensa, aos adversários também foi uma marca do governo do PT de Pedro Celso Zuchi. E eu também sou testemunha e vítima dela. Então... a queixa procede, mas é parte do jogo dos que não possuem projeto, razão e liderança. Um dia passa. E outubro é um bom tempo para reparar, silenciosamente, as injustiças. Acorda, Gaspar!
Pedro Jacir Bertoldi
15/05/2020 05:46
E a Rua Frei Solano continua abandonada pelo prefeito Kleber. Em frente a minha casa, tiraram o paralelepípedo fazem oito meses. Fizeram a primeira camada de asfalto e deixaram 100 metros no barro. Poeira, nem se fala. Mas a eficiência da obra não parou por aí... dia 27 de abril de 2020, a Pacopedra , foi lá e tirou mais 100 metros de paralelepípedos, trabalharam 4 dias e a obra foi abandonada novamente. Duas coisas a serem analisadas:
falta de eficiência e a perseguição política , porque sou irmão do vereador Dionísio Bertoldi .
Herculano
14/05/2020 20:10
EQUIPE DE GUEDES FORTALECE DISCURSO DE BOLSONARO, por Helena Chagas, em Os Divergentes.

O presidente Jair Bolsonaro ganhou da equipe de Paulo Guedes um reforço considerável para seu discurso contrário ao isolamento social. Embora o próprio Guedes tenha defendido a quarentena há algumas semanas, é nítido agora o esforço do Ministério da Economia para oferecer argumentos que sustentem sua flexibilização e a reabertura da economia. Essa investida começou com o anúncio de uma estimativa de redução do PIB deste ano em 4,7% - e contraste com a projeção de crescimento de 0,02% do próprio governo apresentada há menos de dois meses.

Além disso, o secretário de Polícia Econômica, Adolfo Sachsida, divulgou estudo que aponta perda de R$ 20 bilhões no PIB a cada semana de isolamento. O secretário até tentou dizer que a apresentação da conta da quarentena não teve "conotação crítica". Mas ela obviamente faz parte de uma estratégia que dá sustentação à narrativa repetida diariamente por Bolsonaro, quase sempre com frases meio desconexas e pouca consistência argumentativa. Agora, ele ganhou números para citar.

Do ponto de vista de Paulo Guedes, a mudança de posição sinaliza uma reaproximação com o presidente. Depois de amargar um período de esvaziamento, quando sua saída do governo chegou a ser dada como certa entre políticos e agentes do mercado, o ministro voltou a ser prestigiado pelo chefe - que, depois das ruidosas demissões de Sergio Moro e Henrique Mandetta, não podia correr o risco de um terceiro desgaste do tipo. Bolsonaro prometeu vetar as exceções incluídas pelo Congresso no congelamento dos salários do funcionalismo e reafirmou várias vezes que quem manda na economia é Guedes.

Ninguém sabe, dentro e fora do governo, quanto tempo vai durar esse estado de coisas. Mas a entrada do Ministério da Economia, ao lado do presidente, na guerra em torno da suspensão do isolamento preocupa governadores, prefeitos e políticos em geral, que, com 749 mortes diárias e serviços de saúde em colapso, não vêem condições de ceder e flexibilizar.
Herculano
14/05/2020 20:03
NSC DEMITE MOACIR PEREIRA, por Cleiton Selistre, ex-diretor de jornalismo da RBS SC TV

O decano dos comentaristas políticos catarinenses, Moacir Pereira, foi demitido ao voltar de férias pela NSC. Ele desempenhava funções na rádio CBN Diário e no site NSC Total.

A saída de Moacir foi divulgada pelo colunista do Notícias do Dia, Cacau Menezes, sem detalhes, mas com a dica de que amanhã ele terá novo trabalho. Como o próprio colunista de variedades informou, Moacir vai atuar no grupo ND.

Corte

Como a NSC fez acordo com os funcionários para redução salarial, conforme legislação federal, havia a expectativa interna de que só profissionais em férias ainda poderiam ser demitidos ao voltarem. Foi o caso de Moacir. A interlocutores, ele manifestou insatisfação pelo modo que saiu, sem ter contato com nenhum diretor da NC.

MEU COMENTÁRIO, por Herculano Domício

O jornalismo como conhecíamos está passando por transformações no mundo, e há pelo meno mais de dez anos. E quem não se adaptou, principalmente os veículos nacionais ou estaduais, está pagando caro.

Os municipais, principalmente em municípios muito pequenos, o velho modelo ainda persiste, mas está com os dias contados. As redes sociais e aplicativos de mensagens são mais ágeis e até eficazes.

E por que? A notícia em si, virou commodity. É igual e está disponível para todos, ainda mais quando não se pode dar detalhes de nomes de vítimas, ladrões, envolvidos etc. e tal. Nas redes sociais e aplicativos de mensagens, longe de censuras e perseguições processuais, trazem mais detalhes, depoimentos e imagens chocantes.

O que faz diferença no jornalismo profissional de hoje e bem envelhecido nas escolas que se tornaram madrassas da esquerda do atraso e curso com dias contados no modelo como estão montados? Investigação, furos relevantes (não fofocas) que trazem credibilidade e principalmente as análises (política, econômica, sociais, comunitárias, esportes...).

E isso não se ensina, é uma habilidade, é até um ato de fé e coragem. É preciso capacidade, conhecimento e até resignação ao enfrentamento dos poderosos encastelados e afetados pelo desnudamento.

A RBS quando veio para Santa Catarina acabou com a concorrência (comprou tevês e principalmente os dois jornais rivais (A Notícia, de Joinville, e Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, fortes em suas regiões e com circulação e influência estadual).

Ao mesmo tempo, porque não conseguiu comprar, aniquilou o jornal "O Estado", a referência da Capital, além de acabar com o padrão standard, e introduzir o formato tablóide (de má conceito para a época) com a inauguração do Diário Catarinense. Privilegiou a plástica ao conteúdo.

A RBS SC fez do jornalismo quase como sua uma plataforma de negócio, tanto que seu principal executivo acabou virando um executivo do governo plantão e facilitador dessa relação.

E para completar, a Adjori - que reúne os jornais do interior - nesse esquema de retirar o valor crítico local contra o poder de Florianópolis - virou uma agência de notícias dos interesses dos governantes de plantão no interior de Santa Catarina.

E ai perdeu até o valor crítico local para não conciliar interesses econômicos de sobrevivência. Não foi o caso, porém deste Cruzeiro do Vale, com 30 anos de circulação, que continua líder tanto no portal como na circulação e credibilidade, por não perder a embocadora crítica.

A saída de RBS de Santa Catarina foi calculada. O seu modelo se exauriu. A NSC - sem experiência nesse negócio - pegou a bucha. Ela não estava adaptada aos novos tempos da indústria jornalística, não tinha (e tem) cacoete para investigar e nem peitar os poderosos nos seus jogos do escapismos. O resultado está ai.

Resta a NSC se reinventar com os novos, criar uma nova geração, e economizar antes que o "império" vire pó. Aos velhos jornalistas com opinião, sobrou ao menos um local para verbalizar: a ND MAIS, da família Petrelli, identificada com Santa Catarina. Ambos ganham. É possível que os catarinenses ganhem.

No caso do Hospital de Campanha de Itajaí e principalmente os dos respiradores, não foi a então "poderosa" NSC que os denunciadores procuraram para mostrar que tinha gato na tuba que o governo negava ou dissimulava, foi a ND Mais.

E por que disso? Porque, os denunciantes confiam mais em uma e menos em outra. Simples assim. E é assim que a NSC precisa entender o recado dado e correr atrás para salvar, no mínimo, o seu passado.
Herculano
14/05/2020 18:01
ARRUME UM MANDANTE

de Carlos Tonet, no twitter:

Bolsonaro agora controla PF, ABIN, GSI, Exército, Marinha, Aeronáutica, SINE, INSS, IBGE, INPI, Polícia Rodoviária, o INPE e a Funai, espero que mande todo mundo investigar o atentado dele do jeito que ele quer e pare de encher o saco com essa história de mandante.
Herculano
14/05/2020 17:59
da série: Bolsonaro com aval dos parlamentares quer blindar bandidos e ladrões, como os que montam hospitais e UTIs fakes ou compra respiradores que não respiram.

REDE ACIONA STF CONTRA MP QUE ISENTA AGENTES PÚBLICOS DE PUNIÇÃO CONTRA PANDEMIA

Conteúdo de O Antagonista. A Rede entrou com uma ação no STF para suspender a MP editada nesta quinta-feira (14) por Jair Bolsonaro que isenta agentes públicos de responsabilização durante a pandemia do novo coronavírus.

Randolfe Rodrigues antecipou a O Antagonista que entraria com o pedido no STF, por ser uma "lei pró-crime".

A medida provisória determina que agentes públicos só poderão ser punidos durante a pandemia se "agirem ou se omitirem com dolo ou erro grosseiro".

"É evidente que a blindagem do agente público causa, de modo reflexo, o efeito sistêmico de inúmeros prejuízos à sociedade, na medida em que não precisará refletir adequadamente sobre suas decisões, pois estará blindado a priori a qualquer pretensa responsabilização, bastando-lhe alegar que não agiu por culpa grave (erro grosseiro) ou dolo. E, como o ônus probatório é sempre da acusação, restará à Administração Pública - e ao Ministério Público, nas ações de ressarcimento - a tentativa de demonstrar que a ação fora dolosa ou grosseiramente errada", defende a Rede.
Herculano
14/05/2020 17:53
EQUILÍBRIO PRECÁRIO E PERIGOSO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

Uma combinação de fatos não deixa prosperar, por enquanto, ações para derrubar Bolsonaro

A rigor, o que já se sabe do que está no vídeo da reunião ministerial trazido à tona por Sérgio Moro não surge ainda como prova, mas comprova. Criminalistas experientes lembram que até provas materiais do tipo "conclusivo" são, nos procedimentos judiciais, passíveis de "interpretações". E são poucas aquelas "provas técnicas" que, neste momento, poderiam produzir a "interpretação" necessária para sustentar uma denuncia pelo procurador-geral da República contra o presidente da República.

Do ponto de vista político, porém, o vídeo é uma comprovação didática de que o governo é comandado sem foco e preso ao que o chefe do Executivo acha que lhe é vantajoso dos pontos de vista político de curto prazo e pessoal. Além daquilo que ele vocifera como se comandasse um bando, as vozes mais eloquentes nesse vídeo são de ministros incompetentes, apegados a teorias malucas, dispostos a pronunciar frases de lacração na internet do tipo "prendam ministros do STF", "prendam governadores", como se decidissem na mesa de um bar quem brada estupidezes de forma mais contundente.

Sozinho, o vídeo não é uma bala de prata e, para compor a "interpretação" que levaria a uma denúncia da PGR que levaria a Câmara a aprová-la e afastar o presidente, é preciso avaliar se e como se daria um rompimento do precário equilíbrio com o qual hoje Bolsonaro se mantém no poder. Esse equilíbrio é dado, por um lado, pelo Congresso, obviamente desinteressado no momento em um processo de impeachment ?" mas disposto a lucrar no sentido literal da palavra com a fragilização política de um presidente cujas opções de ação e popularidade vão diminuindo, mas que mantém um núcleo duro de cerca de 20% do eleitorado.

De outro, está ação motivada institucional e politicamente por integrantes do STF, hoje o principal perigo para Bolsonaro. O presidente conseguiu unir integrantes da cúpula do Judiciário, notoriamente divididos entre si, na convicção de que ele, Bolsonaro, é o maior perigo institucional por se recusar a aceitar que não é detentor do "poder imperial" para fazer o que bem entender. Alguns desses ministros viram no inquérito solicitado pelo PGR para investigar interferência ilícita do chefe do Executivo na Polícia Federal ?" um evento que não estava no radar de ninguém apenas um mês atrás ?" a oportunidade de desencadear um processo político a partir de um procedimento judicial.

Do jeito que as coisas estão, esse impulso não vai prosperar, por conta da combinação dos fatos de que o Congresso, por enquanto, não quer, os ministros militares continuam dando suporte ao presidente e a PGR não vê, ainda, motivos para oferecer uma denúncia. De onde eventualmente viria, então, o empurrão que alteraria o precário equilíbrio atual? Um grande risco para Bolsonaro é Bolsonaro mesmo, como demonstra a situação que criou ao demitir Moro ou, por exemplo, ao levar governadores e desafiá-lo e desobedecê-lo abertamente, tornando ainda mais difícil falar de "pacto federativo" na já gravíssima crise econômica e de saúde pública.

Esses dois últimos fatores (crise econômica e de saúde pública), que estão fora do controle de qualquer agente político, têm condições de alterar o equilíbrio e criar ambiente propício para "interpretações" de provas que levem rapidamente a juízos políticos. A evolução da crise de saúde pública indica que o País viverá em prazo breve o triste placar de mil mortos por dia pelo coronavírus, conta que será associada a um governo que passou os momentos iniciais da tragédia afirmando que ela não aconteceria. Os efeitos negativos da recessão virão em "time delay", isto é, a devastação trazida pela inédita retração da atividade econômica deve se fazer sentir com mais força a partir do segundo semestre.

É difícil imaginar que Bolsonaro e seu governo saiam intactos do outro lado dessa dupla catástrofe.

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