Fedor do lixo volta. Prefeitura e Samae improvisam mais uma vez. Fazem tudo escondido da população e aproveitam o estado de emergência para trocar empresa que recolhe lixo no município - Jornal Cruzeiro do Vale

Fedor do lixo volta. Prefeitura e Samae improvisam mais uma vez. Fazem tudo escondido da população e aproveitam o estado de emergência para trocar empresa que recolhe lixo no município

30/03/2020


Nove caminhões, sendo sete compactadores e dois basculantes, com placas de Curitiba estavam estacionados na Rua Itajaí prontos para reiniciar o serviço de coleta de lixo em Gaspar, num assunto guardado as sete chaves pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e o Samae do mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP

Oficialmente a partir desta segunda-feira, a Vitaciclo, com sede no Gaspar Alto, substitui a Transósilidos, de Curitiba. Ela apresentou documentos impróprios e foi proibida de renovar o que já era provisório por aqui.

Na semana passada a recolha de lixo esteve comprometida. Apesar do sinal de alerta e dos questionamentos dos gasparenses, todos no governo em sepulcral silêncio. O que verdadeiramente querem esconder em algo que é público e essencial à população?

O Samae argumentou que a Covid-19 comprometeu o quadro de empregados da empresa contratada para a realização do serviço. Dissimulou. A frota de nove caminhões com placas de Curitiba ficou recolhida neste final de semana num pátio a beira da Rua Itajaí, no Poço Grande.

A transparência do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, Carlos Roberto Pereira, MDB, e José Hilário Melato, PP (Samae), é e continua zero para com a cidade e os cidadãos daqui.  Sai um e entra outro governo, o recolhimento e destinação do lixo de Gaspar continua sendo um assunto fedido, tabu e quase indecifrável.

A forma como a prefeitura de Gaspar conduz e resolve os problemas em ambientes sensíveis, incrivelmente deixa exposto os próprios parceiros e empresas envolvidos na solução, como é o caso da recolha do lixo. Este assunto, desta vez, foi coordenado na secretária da Fazenda e Gestão Administrativa, de Carlos Roberto Pereira e Procuradoria Geral do Município, de Felipe Juliano Braz.

Para se chegar ao que se decidiu nas últimas semanas e se tinha como um “segredo de governo”, é preciso voltar no tempo, em 2009.

Foi nos governos de Pedro Celso Zuchi, PT, por exemplo, que da noite para o dia, surpreendendo a todos por aqui, num lance de ousadia, é que se “criou” uma empresa do nada, a Say Muller, na Margem Esquerda. Nem caminhões ela possuía, muito menos transbordo com licenciamento ambiental para manejo do lixo orgânico.

A Say Muller, alugou caminhões compactadores em Curitiba e se estabeleceu no ofício pelas mãos do presidente do Samae da época, Lovídio Carlos Bertoldi, PT. Tudo para combater uma empresa especializada neste ambiente, a Recicle, de Brusque. Ela, na cabeça dos petistas, trazia uma suposta dúvida contratual do prefeito anterior, Adilson Luiz Schmitt, naquele tempo no PPS, depois de ter sido eleito pelo MDB.

Resultado: a Say Muller aprendeu a fazer o negócio, adquiriu o atestado da prática para então ganhar a licitação, como se fosse uma experiente. Após as dúvidas geradas em Gaspar, e só relatadas aqui desde o início, a Say Muller ganhou as manchetes policiais no estado pelo envolvimento nas supostas improbidades de governantes municipais da região no negócio lixo urbano. Resumindo, lavaram a minha alma mais uma vez.

Volto à notícia do dia.

Hoje, segunda-feira, o recolhimento em caráter de emergência do lixo pela Vitaciclo Logística Reversa. A sede dela está no Gaspar Alto. Ela originalmente foi constituída para a reciclagem de materiais de construção. Entre os seus sócios está Lauro Luiz Leone Vianna, da Momento Engenharia, além de Luiz Peret Antunes e Fábio Franco.

No Samae, ninguém falou sobre isso na semana passada. Na prefeitura, também. Na empresa, igualmente. Deve sair, depois que está coluna tornar público o negócio que se escondia, uma nota para cumprir a formalidade, mandar bananas aos curiosos e à coluna, bem como dar o caso como encerrado, se não houver reclamações.

Os nove caminhões da Transólidos Transportes de Resíduos Sólidos e da SSólidos estavam todos parados num pátio da Rua Itajaí, no Poço Grande.

Fontes que não quiseram se identificar, deram conta de que a frota da Transólidos está alugada a Vitaciclo, bem como a equipe dela, atuante em Gaspar, foi repassada para a Vitaciclo. É para facilitar à transição, evitar reclamações e despertar o mínimo ruído ou questionamento possível na cidade. E por que? É que a logística é a peça-chave desse negócio: roteiro e passadas, onde rabeia, se entra de frente, de ré etc. Na semana passada, isso não funcionou.

É que o lixo em Gaspar não foi recolhido e sob queixas e pressões, no improviso, a operação se deu em algumas ruas do Centro, e dos bairros Sete e Santa Terezinha. Era o sinal de que estava tudo em processo de mudanças, mas providencialmente amoitado pelas autoridades locais. Tanto que a recolha – quando houve - foi feita por veículos da SSólidos (azuis e brancos) e não da Transólidos (marrons).


O lixo acumulou na semana passada e neste final de semanas. Reclamações. Desculpas esfarrapadas e o Samae escondendo a verdadeira origem do problema. Na sexta-feira até houve recolha improvisada aos reclamantes para não chamar a atenção. E já não foi com caminhão da Transólido, como mostra o flagrante.

Um histórico de improvisos

Surpreendentemente, depois de uma briga familiar na empresa, o criador engoliu à criatura para mostrar a força da vida e da morte contra ou a favor os aliados. Ao criar a Say Muller no início do seu segundo mandato, o próprio ex-prefeito Zuchi tratou em engolir a sua criatura no final do terceiro mandato.

Com isso, Zuchi e o PT impediram quaisquer chances da Say Muller, sob nova estrutura societária e direção se encorpar, negociar com outros parceiros por aqui, ou deixar alguma brecha para serem questionados na relação passada pelos adversários do futuro. Simples assim.

Zuchi tratou de fazer à limpeza, eliminar o lixo que se perdeu no caminho e o fedor dos seus dois mandatos nesse ambiente que lhe custou desgastes para a imagem de prefeito.

Então, para evitar discursos da oposição, providencialmente o presidente do Samae da época, Élcio Carlos de Oliveira, PT, tratou de contratar emergencialmente e com dispensa de licitação, a Transólidos, de Curitiba, no dia 14 de outubro de 2016.

O contrato de R$1.324.185,90 era para execução dos serviços de coleta e transporte de resíduos sólidos domiciliares, comercial-industriais (com características de domiciliares), das repartições públicas e da limpeza de áreas públicas de Gaspar. Ele tinha vigência até dia 17 de abril de 2017, ou seja, já no governo de Kleber.

Kleber poderia então fazer uma licitação. Não fez. Usou, com os seus “çabios”, à prerrogativa – permitida na lei de licitações - de continuar no improviso e de errar.

Passos medidos, erros e arrumações

No dia cinco de dezembro do ano passado, Kleber diante do parecer técnico da Superintendência de Meio Ambiente, e do parecer jurídico da Procuradoria Geral do Município, declarou de utilidade pública o empreendimento Vitaciclo Logística Reversa, no decreto 9.132/2019.

Ou seja, foi preparado de forma antecipada, o terreno para a devida licença ambiental ao recolhimento e de transbordo, bem como a situação de excepcional necessidade via a emergência. Trocou-se a diretoria de Resíduos Sólidos. Saiu a engenheira ambiental Fernanda Gelatti, uma efetiva em cargo de confiança e entrou, o comissionado João Carlos Franceschi, vindo de Blumenau.

Aliás, Franceschi, só no dia dois de março deste ano se tornou o fiscal do contrato que estava findando do Transólidos, um ato exigido pela lei das licitações, a 8.666. O contrato 1007, pasmem, é de 2017.

O erro. No dia 26 de março, quinta-feira, o Samae republicou no Diário Oficial dos Municípios, aquele que se esconde na internet e que não tem horário para ser estar disponível ao público, os termos do Processo Administrativo n° 52/2020, da dispensa 05/2020 e do Extrato do Contrato 1021/2020.

Pasmem. É que o que ele publicou no DOM no dia 23, assinado pelo presidente José Hilário Melato, o zeloso gestor administrativo, não continha a data de vigência: de 20 deste março até 15 de setembro deste ano. Quanto vai custar para coletar em torno de 1.500 toneladas de lixo por mês?

Quanto vai custar isto município? R$2.379.030,00 sem os tradicionais ajustes.

Por que a transólidos está fora do jogo?

Por que a Transólidos está fora do jogo? Por dois aspectos principal. O primeiro deles é que a renovação emergencial para ela não seria mais possível. Segundo, porque só no dia 30 de janeiro deste ano, o prefeito Kleber mandou ela as favas, num processo administrativo em que apurava fraude numa das licenças ambientais que a empresa apresentou para ganhar a licitação de 2016. Vergonha.

Trata-se de Processo Administrativo, instaurado por determinação da Portaria n.º 5.551, de 26 de julho de 2018, e reinstaurado através da Portaria n.º 5.918, de 21 de junho de 2019, publicada no Diário Oficial dos Municípios em 28 de junho de 2019, fl. 617, e que teve por objeto apurar responsabilidade de empresa na Contratação Emergencial n.º 1054/2016, oriunda da Dispensa n.º 46/2016, lançada pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Gaspar/SC, como se publicou no DOM do dia 27 de fevereiro de 2020, ou seja, quase um mês depois de conhecido o resultado do processo.

E qual foi a pena? Não participar por um ano de concorrência na prefeitura de Gaspar.

Especialistas na área do direito administrativo dizem que a prefeitura de Gaspar corre riscos sérios diante do quadro que criou.

Primeiro: em três anos não foi capaz de montar uma concorrência para esse serviço. Segundo: gastou três anos para “descobrir” e provar que a empresa contratada em emergência há quatro anos, fraudou um documento e justamente quando não ser mais possível renovar o improviso.

Terceiro: para complicar ainda mais o jogo artificial que armou, criou um ambiente de emergência, para enfrentar as limitações da lei das licitações, num serviço que ela sabe ser essencial, e assim se estabelecer em mais outro improviso, com uma nova empresa. E se tudo isso não fosse suficiente, fez tudo isso de forma silenciosa e longe de qualquer procedimento de transparência. Acorda, Gaspar!

 


Será que Bolsonaro teria o mesmo comportamento em relação a Covid 19, se estivesse em campanha eleitoral?

Bolsonaro faz um jogo arriscado ou tenta sair da mesmice para não ser engolido pelo establishment*. Trump também faria diferente de Bolsonaro se não tivesse uma eleição este ano?

Trump já está elogiando a China pela forma como combateu a pandemia. Aqui os filhos do presidente estimulam Bolsonaro a condená-la pela suposta origem da doença. Um jogo indecifrável – nos Estados Unidos e no Brasil - até para os mais experts e que poderá custar caro a todos nós **

Decididamente, esta não é a minha seara aqui, ou seja, à análise dos cenários nacional e internacional. Desculpo-me antecipadamente para com os meus leitores e leitoras por submete-los a algo que lhes parece distante, mas que de fato, não tenham dúvidas, vai refletir na Rua Aristiliano Ramos, da “capital” da Moda Infantil, ou Avenida Ricardo Paulino Maes da “capital” da Moda Íntima, e por consequência no humor dos cidadãos, nos bolsos deles e dos empreendedores.

Eu não possuo à pretensão de alargar o meu horizonte de questionamentos. Não que não me sinto tentado. Simplesmente, não quero. É que não posso perder o foco e com isso, talvez, permitir que às sombras, os locais ampliem os espaços contra a cidade e os cidadãos já sem voz para as dúvidas.

Resumindo. Estou limitado à minha aldeia chamada de Gaspar e Ilhota, quiçá Blumenau pois ela é influente por aqui. Naturalmente, Santa Catarina também está incluída nas minhas observações paralelas. Afinal, é onde estão inseridas as minhas aldeias.

Outra razão para me abster de produzir questionamentos para longe daqui é há tantos comentários circulando no mundo e no Brasil, assinados por gente que possui muito mais e superlativo conhecimento do que eu, além de propriedades técnicas ou científicas. Esse pessoal está anos luz à minha frente seja tanto para me animar como para me contrariar naquilo que muitas vezes me parece ser óbvio e necessário.

Há também, na mídia globalizada pelo lixo das redes sociais e aplicativos de mensagens, opiniões de centenas de escrotos conhecidos, milhões de anônimos de todos os tipos, bem como milhares de animadores dos jogos de interesses neste caos de pandemia – e não só da Covid-19 - em que estamos metidos.

Abunda a ignorância, corrupção e sordidez. Nestes jogos estão posicionados investidores, empreendedores, políticos e verdadeiros gangsters disfarçados de gente fina, intelectual e porta-voz da solução, mas a que lhe favorece. Isso para não falar em gente doente que se acha possuída por um poder sobrenatural sobre a possibilidade limitada permitida aos simplesa mortais.

Por tudo isso, justificado, não vou me estender. Todavia, ouso lançar apenas uma breve reflexão aos leitores e leitoras.

O sensível fio da espada separa o gênio e o charlatão

A mesmice não leva a nada. A ousadia e o risco, sim. A ousadia muda, transforma e se estabelece na história das pessoas, dos fatos e das coisas. Entretanto, a ousadia e o risco quando mal calculados e sem plano B, são sinônimos de loucura, desastres e charlatanismo, não individual, mas coletivos.

A contenção da Covid-19 para ela não se tornar impossível de ser tratada nos ambientes disponíveis e saturados de Saúde (público e privado), parece ser igual em todo o mundo: quarentena (de gente sadia), isolamentos (de gente doente) e confinamentos (de gente sadia e doente). Por que, então esta receita destoaria e seria diferente no Brasil?

Uma parte para ser diferente, talvez, pode ser explicada pela ousadia e risco que fazem parte da personalidade indecifrável – até aqui - do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, sem partido. Ele possui ideias próprias, e delas, muitas delas impróprias. Pior. Está cercado de loucos e desvairados que o influenciam ou o aplaudem, porque precisam se sobressair, notados e reconhecidos na multidão de iguais ou adormecidos. São eles que alimentam a má imagem.

Mais. Bolsonaro, precisará sempre, infelizmente, se diferenciar da mesmice, do normal e do convencional. Pelo simples fato de que se não fizer isso, não sobreviverá. Será engolido pelo padrão que sempre escolhe o líder, o porta-voz do establishment cujos maestros estão quase invisíveis nos jogos de cartas decisivas do poder. E Bolsonaro não é um do establishment e nem um dos escolhidos para representá-lo.

Ou você acha, por exemplo, que Kleber Edson Wan Dall, MDB, é fruto de um rompimento ou de uma mudança em Gaspar? Francisco Hostins, PDC, foi. Quando voltou aos braços do establishment, fracassou. Pedro Celso Zuchi, PT, foi. Depois criou o seu próprio núcleo de poder, naturalmente desgastou-se e perdeu. Foram 12 anos de mandatos, entretanto, para que isso acontecesse.

Ou você acha que Érico de Oliveira, MDB, mas nascido no PP, é fruto de rompimento ou de mudança política e administrativa em Ilhota? Quem é mesmo o mentor e o padrinho dele? Ademar Felisky, MDB, o que como um capo, comemorou num churrasco, com fogos, bebidas e buzinaço, à prisão por suposta improbidade administrativa, o adversário derrotado, o que rompeu o establishment.  Daniel Christian Bosi, PSD, foi; mas não criou raízes e se perdeu nas dúvidas.

Como escrevi antes. O que muda é a ousadia e o risco. Então, Bolsonaro estaria sendo ousado e comprando o risco? Pode ser. Ele tem pouca coisa a perder se nada der certo. Contudo, criou, no mínimo, uma alternativa ao gado encurralado, semelhante à daquela imagem da boiada presa para ir, e mansamente conduzida a subir pelo brete ao golpe fatal do matadouro.

E não se iluda. Isso não é algo solitário e mal calculado. Se não possui uma inteligência estruturada, há muita, mas muita intuição, algo que acompanha a sobrevivência de Bolsonaro, e não é de hoje.

Apesar de Bolsonaro não ser do establishment, por linhas tortas, ele orquestra e ao mesmo tempo, faz o jogo na parte da audiência que lhe retroalimenta, como satisfaz gente que lhe acha, em público, tosco.

Bolsonaro está falando para gente que está perdendo dinheiro, muito dinheiro e que para recuperá-lo vai levar tempo, muito tempo. E essa gente sem dinheiro é quase como um pitbull solto.

Falo não apenas de investidores, empresários, empreendedores, especuladores, mas de trabalhadores – não os ameaçados de carteira assinada, mas do infortúnio, os da informalidade. Há gente que pensa como Bolsonaro e disfarçava. Agora, está perdendo dinheiro, as perspectivas estão se esvaindo, há gente que sabe que o emprego está indo embora e com ele os sonhos, então Bolsonaro se tornou a boia de salvação.


Bolsonaro está incomodado com a paralisação econômica do país e que pode comprometer a sua reeleição daqui a dois anos e meio. Por isso, está desafiando especialistas, líderes mundiais e sua equipe de saúde que a quer longe do Planalto e falando com a população diariamente

Dobrar a aposta pode consequências

No fundo, Bolsonaro tem pouca coisa a perder. Não tinha nada até outubro do ano passado. E se ganhar, poderá ganhar muito mais do que já ganhou até aqui. E essa, é no fundo, a verdadeira preocupação de quem faz o establishment: terá que aceitar um intruso, arredio e incontrolável na ousadia e no risco. Afinal, as eleições são daqui a quase três anos.

Diferente do conservador, o Republicano Donald Trump, o ousado, o que que enfrenta porque é poderoso, representa uma parte do establishment de lá, toma riscos –e não é pouca coisa - nos Estados Unidos.

A corrida para as eleições neste novembro já começou lá e até aqui, Trump estava numa posição confortável. Então Trump não pode errar, mas está obrigado a conservar o patrimônio eleitoral que tinha. Ou seja, não é um ano de ousadia e de risco. Não é hora de trazer os Democratas para dançar e gostar do baile.

No sábado, Trump colocou outra carta na mesa.

Elogiou a China pela forma como ela “dominou” a Covid-19 no território chinês, logo a China com quem travou contra ela uma guerra comercial – e vinha vencendo –, colocou o mundo de joelhos; a China comunista que impôs a quarentena aos seus; a China comunista que escondeu a Covid-19 e a exportou para o mundo entrar numa recessão econômica; a China comunista que ensinou a quarentena à melhor referência capitalista e democracia ocidental, os Estados Unidos

Talvez, os filhos de Bolsonaro que querem enquadrar a China, por simples ideologia, tentem inviabilizar o Brasil exportador, tenham tempo para mudar a estratégia... ou ao menos, olhar melhor para as peças que Trump muda no tabuleiro do jogo. Antes ele vai salvar à reeleição dele, depois vai defender o seu Estados Unidos e se eleito e sobrar uma lasquinha, vai fazer uma carícia no Brasil.

Retomo. Ao se saber que Bolsonaro não tem muita coisa a perder, podemos estar caminhando para um turbilhão. E por que? Como escrevi acima, a ousadia e o risco quando mal calculados e sem plano B, são sinônimos de loucura e desastres, não individual, mas coletivos. Então, não é Bolsonaro que propriamente vai perder, mas os brasileiros.

Na outra ponta, entretanto, como no jogo de cara e coroa, as chances são de 50% para cada lado e quando visto o resultado, ele se transforma em zero ou 100% (perdedor ou vencedor).

E por que escrevo isso?

Porque em toda a minha longa vida profissional convivi com empreendimentos, investidores e gestores que fizeram mudanças ousadas. Eles revolucionaram ao seu modo e ao seu tempo negócios, empresas, marcas ao topo do reconhecimento e ao domínio de mercado.

Tive a felicidade rara a poucos de viver os exemplos da academia e o da vida diária nos negócios.

E nada foi fácil. A turma da mesmice, do conforto, a do tapa com a mão sempre escondida, torcia sempre contra, se armava de todas as formas, dissimulava, manipulava, – ou tinha, verdadeiramente - na aversão ao risco, à ousadia e ao medo de ser rotulado como perdedores pelos pares e concorrentes nos famosos cases de teóricos e universidades do conhecimento.

E por que? As teses mostram que este mar de sucesso que conhecemos na academia e no noticiário, está ligada a algo diminuto. O fracasso domina as tentativas de mudar, criar, inovar e executar.

Exagero? É clássico. Segundo a plataforma CB Insights, 42% das startups fracassam por não terem identificado uma necessidade do mercado; outras 29% não atingem os resultados esperados por ficarem sem dinheiro para investir; 23% dos negócios não contavam com a equipe necessária para o desenvolvimento e 17% ofertaram um produto fraco. A chance da ousadia dar certo é algo muito arriscado. Mas, quando dá, estoura a boca do balão, vira referência, transforma-se em case de sucesso.

E para encerrar, vou às três más notícias, que experimentei na própria carne.

Em todos os casos, só se sabe se a ousadia e o risco foram bem-sucedidos no tamanho e tempo, depois deles serem executados.

A outra, é que a probabilidade da ousadia e o risco dar certo, é baixíssima, principalmente no ambiente político com centenas de variáveis chamadas de incontroláveis, e ampliadas desta vez pela liberdade e a sacanagem das milícias digitais – doentes ou profissionais - nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

E finalmente, em muitos casos, não se pode voltar atrás depois do resultado. E no caso da Covid-19, as decisões que se tomarem agora, significam milhares de vidas perdidas ou milhões de outras preservadas.

Então a aposta de Bolsonaro é alta demais. E se for vencedor, coloca no saco um monte de gente que se diz referência para nos guiar oferecida pelo próprio establishment, como João Dória, PSDB; Rodrigo Maia, DEM; Fernando Haddad, PT; Luciano Huck, sem partido ainda; Ronaldo Caiado, DEM, Flávio Dino, PCdoB...

Se perder, quem pode ir para o saco, somos nós que iremos pagar as dívidas da ousadia, pois somos a parte real do risco. Bolsonaro vai se aposentar com os seus. Será um Fernando Collor...

A vida é para os fortes. Já Charles Darwin, jura que só os adaptados sobreviverão. A verdade, é que a expressiva maioria de nós não está adaptada à ousadia e aos riscos. Wake up, Brazil!

(*) O que é establishment? Ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado; a elite social, econômica e política de um País.

(**) Artigo atualizado em 29.03.2020. Os Estados Unidos contabilizavam 2.1 mortos por Covid-19, sendo que mais de 50% no Estado de Nova Iorque e que só no domingo registrou 237 vítimas fatais. O Brasil, tinha oficialmente 136 mortos, sendo 70% delas (98), em São Paulo.

 

Sansão e a banca do ex-ministro da justiça não conseguiram convencer o Supremo a reabrir o processo contra Rampelotti e salvá-lo de uma condenação. Provisoriamente ele já cumpriu a sentença

Agora tentam recurso no mesmo Supremo pendurando a inocência do ex-vereador Antônio Carlos Dalsóchio, PT, em caso igual movido pela Juíza Ana Paula Amaro da Silveira

Não foi desta vez que o estagiário em Direito, o gasparense João Pedro Sansão, foto, conseguiu reverter um acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O acordão expressa condenação ao ex-vereador, ao ex-presidente do PT de Gaspar e ex-líder do governo de Pedro Celso Zuchi, PT, e que foi funcionário público estadual, José Amarildo Rampelotti.

Da tribuna da Câmara e no exercício do mandato, Rampelotti imputou reiteradas vezes contra a juíza, que atuou na Comarca por 11 anos, Ana Paula Amaro da Silveira, supostas práticas de crimes, vícios ou ilícitos na condução de adoções e abrigamentos de crianças e adolescentes, até então tidos como modelos no Brasil, ação de sua responsabilidade na Vara da Família daqui.

A manchete eu fiz aqui na segunda-feira dia 16 de março sobre este caso. Reveja os detalhes neste portal.

Na verdade, Sansão foi ousado na intenção em associação com escritório brasiliense do ex-ministro da Justiça, o paulista José Eduardo Martins Cardozo (ex-ministro da Justiça e Advogado Geral da União do governo de Dilma Vana Rousseff, PT e ele mesmo vereador e deputado Federal pelo PT). O escritório famoso bancou à tentativa Sansão.

E ele não desistiu, e vai recorrer. Vai usar o mesmo caso decidido a favor do réu, o vereador Dalsochio. É que ambos os recursos ao subirem aos tribunais superiores por vias diferentes, encontraram relatores também diferentes no Supremo.

O Recurso Extraordinário de Amarildo foi admitido pelo próprio TJSC e subiu direto. Já no caso de Dalsochio isso não foi permitido pelo TJSC. Então foi feito o Agravo em Recurso Extraordinário. Mesmo não havendo prevenção, os dois recursos tiveram como relator o ministro Ricardo Lewandoswki. Num caso prosperou e Dalsochio foi absolvido. E o de Rampelotti foi negado, e virou uma luta de recursos dentro do STF, o último relatado e negado por unanimidade pelo ministro Luiz Roberto Barroso.

Barroso, não deixou nenhuma dúvida nos fundamentos que conduziram à decisão unânime contra o Agravo Interno em Embargos de Divergência em Agravo Interno em recurso Extraordinário e que teve Embargos de Divergência interpostos contra acórdão. Ele não analisou o mérito que levaram à condenação de Rampelotti, mas à formalidade que atentaria à expressão constitucional.   

Isto demonstra à insistência e a “ginástica” processuais que se estruturaram para desmontar um acórdão assentado em decisão do TJSC, com o réu já tendo cumprido provisoriamente parte da pena imposta pelo TJSC. Votaram com o relator em sessão virtual, os ministros Dias Toffoli (Presidente), Celso de Mello, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.

O que estava em jogo, segundo o próprio Sansão?

Era o acórdão catarinense e não propriamente a condenação do ex-vereador – mas que se vencida esta etapa contra o acórdão, naturalmente, iria se tentar a anulação da condenação. O Recurso Extraordinário no Supremo visava restabelecer o direito da inviolabilidade parlamentar da tribuna da Câmara, consagrada no artigo 29, VIII, da Constituição, que prevê a imunidade material do Vereador. A condenação de Rampelotti, abre precedente.

Rampelotti não foi condenado por ofensas, defesas de ideias ou debate acalorado a partir da tribuna e protegidos pelo artigo 29, VIII, da Constituição, mas por acusações que fez, repetidamente, contra a juíza e que, nem antes e nem no decorrer do processo não conseguiu provar ou não quis se redimir.

Tribuna da câmara não é um palco livre para acusações sem provas

E mesmo que o mérito que fundamentou à condenação de Rampelotti não estivesse em discussão no Recurso patrocinado pela banca brasiliense onde estagiou Sansão, o Ministro Luiz Roberto Barroso não deixou de observar o seguinte, numa sinalização de claro limite neste ambiente de suposta livre expressão:

“Assim, considerando que as condutas imputadas ao recorrente, na condição de Vereador, não revelaram uma resposta a anseios sociais ou outra prática inerente à atuação parlamentar, mas, sim, um meio de alcançar interesses próprios em prejuízo da honra de terceiros, não há como reconhecer a existência da imunidade constitucional”.

Ou seja, praticamente ratificou o teor do acórdão do Tribunal catarinense e que estabeleceu o seguinte para este caso entre Rampelotti e a juíza Ana Paula. “absolvição pela excludente de culpabilidade e antijuridicidade. Alegada imunidade material do vereador (art. 29, inciso viii, dacf/88). Impossibilidade. Imunidade material que não é absoluta. Limites na pertinência como mandato e interesse municipal. Precedentes. Atuação do vereador, no caso concreto dissociada da finalidade do mandato, com o nítido interesse de revanche”.

O próprio acordão do TJSC relembra – e tudo foi relatado aqui, na época e por isso eu, o portal e o jornal Cruzeiro do Vale sofremos uma virulenta perseguição e eu, especialmente, acusações, por parte do vereador e seus pares da bancada petista e do governo de Pedro Celso Zuchi -, que Rampelotti “fez vários comentários acerca da atuação da querelante (magistrada) na Comarca de Gaspar, imputando-lhe a prática de abrigamentos ilegais e adoções irregulares de crianças, pugnando por uma investigação e afirmando que a querelante respondia a um inquérito parlamentar sobre tráfico de humanos e órgãos”.

Ou seja, não se tratou de mero debate de ideias ou até bravatas e ofensas, muito próprias desses ambientes quando há falta de argumentação. Mas, sim de sucessivas acusações graves e que não puderam ser provadas no decorrer do processo.

“Querelado (Rampelotti) declarou, também, que vinha sofrendo sérias ameaças contra sua integridade física, fazendo entender que as ameaças partiam da querelante (juíza). Ameaças, todavia, que não restaram demonstradas. Audiência pública realizada com a presença do CNJ, Associação Brasileira de Magistrados, Corregedoria-Geral da Justiça e da presidência do TJSC, que averiguou todos os processos de adoção conduzidos pela magistrada e concluiu pela inocorrência de irregularidades. Alegação de que as declarações sobre as ameaças foram feitas em tom de bravata e animus jocandi.“

E as conclusões óbvias estabeleceram que as declarações de Rampelotti feitas na Tribuna da Câmara, ou em veículos de comunicação como vereador, “ultrapassaram meros comentários à questão das adoções no município, demonstrando o intento de macular a reputação da querelante (juíza) e ofender a sua honra”.

João Pedro Sansão não desistiu e está confiante em reverter o que lhe parece incoerente, pois em igual matéria, há pronunciamento claro do STF a favor da tese que advoga para o cliente de ideologia, Rampelotti. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Entre as verbas que o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, liberou na atual emergência, está a de R$2,5 milhões para a imprensa catarinense (TV, rádios, jornais e portais de notícias).

Primeiro é bom deixar claro logo de cara que não se trata de esmola, ajuda, barganha ou jogos entre poderosos até porque o governador não está nem ai para a imprensa catarinense. Volto. O governo do estado comprou, repito, comprou espaços na mídia catarinense para falar oficialmente com os catarinenses sobre o que pensa, orientar e especialmente dizer o quer na emergência da Covid-19. Uniformizou a linguagem, simplesmente, com o gesto de comunicação.

Em segundo lugar, como qualquer outro anunciante que vende o seu peixe ao mercado consumidor, quase sem restrições para os mais diversos públicos desses veículos, anunciar custa dinheiro – para produzir e propagar -, porque as empresas de mídia possuem custos – e eles não são poucos - para sobreviver. O Cruzeiro do Vale, o líder em Gaspar, foi um dos agraciados e abaixo da sua tabela. Todos aqui da Adjori e da Acaert receberam.

Pois não é que a ala radical da direita caiu de pau à atitude do governador Carlos Moisés da Silva, PSL. E em Gaspar, não foi diferente. Ela está em guerra com o governador e quem paga o pato é a mídia? Para a ala radical, a imprensa já está dando de graça o noticiário para o povo catarinense, e por isso não há razão para bancar informações oficiais à população.

É verdade que a imprensa já está noticiando a pandemia, exatamente porque não é uma alienada, fundamento de alguns grupos que estão aí como arautos da verdade. Mas a imprensa está fazendo isso ao modo, linguagem e limitações dela. Entretanto, o governo do estado quer falar ao modo dele e de forma uniformizada para obter os resultados que projetou na emergência. E se quer fazer isso dessa forma, sem contraditório, terá que comprar espaços na mídia. Ao mesmo tempo, elimina qualquer ruído. Simples assim!

Essa gente, que virou a dona da verdade, que vive brigando não apenas contra a esquerda do atraso, mas entre si na própria direita xucra, ou está mal informada, ou está agindo de má fé. O que é de graça para essa gente? Nem as sacanagens que fazem via a esbórnia das redes sociais e aplicativos de mensagens que povoam com fake news, desinformação, armações de interesses, soluções e ideologias baratas ao lado de denúncias fundamentadas e posicionamentos respeitáveis, que reconheço. Mas, esta não parece ser a causa principal.

O que essa gente quer, na verdade, é destruir as mídias formais, para abertos espaços diante da “guerra” de constrangimentos e enfraquecimento via descrédito e financeiro, como talibãs terroristas, estabelecerem-se na guerrilha e medo pela desinformação. Sem fontes formais de credibilidade para serem checadas e responsabilizadas, querem que as redes sociais sejam sem donos e povoadas por malucos. Isto sem falar dos irresponsáveis nos aplicativos de mensagens. Eles se fingem nossos íntimos e nos constrangem a todos os minutos com lixo e desinformação.

Ora, há por detrás das emissoras de TV e rádios, dos jornais e portais de notícias custos, profissionais, impostos e responsabilidade. São empresas. O que é de graça nisso tudo? O trabalho das pessoas a serviço desses boçais da nova era da comunicação no seu próprio mundo de interesse e poder?

É doentia a patrulha que grupos radicais faz com a mídia tradicional e há um viés claro para desorganizar não só o ambiente formal da comunicação, mas, por consequência, da sociedade como um todo. É algo perigoso que deve ser percebido, avaliado criteriosamente e combatido desde logo.

Pode-se e se deve discutir a qualidade de parte da mídia, seus agentes, ou até a sua suposta ideologização de esquerda – que frequentemente é relatada aqui por mim mesmo -, entretanto, a mídia é fundamental numa sociedade plural e democrática como as demais instituições garantidoras do estado democrático de direito. O que esse pessoal radical quer, é apenas trocar de sinal. Então, que banquem os custos, criem empresas de comunicação e vão ao mercado para ver quanto custa essa atividade que passa por transformações de consumo e tecnologia. Ou essa gente é, ou trata todos – não só os da mídia - como tolos e idiotas.

É absolutamente incompreensível, que alguém que pregue uma nova ordem política e se diz democrático, estruture-se no sufocamento financeiro da mídia, como forma de censura e aniquilamento de uma voz fundamental da sociedade organizada e plural. Essa estratégia é pensada. É para abrir espaços, na marra e ou via constrangimentos de pessoas e organizações, a aventureiros de todos os tipos em movimentos terroristas e radicais.

Ou é compreensível o que está em marcha? Sem a mídia plural esses grupos poderão se estabelecer mais fácil e rapidamente no domínio e radicalização da comunicação e mentes num território sem dono das mídias sociais e aplicativos de mensagens. É hora de acordar, enquanto há tempo.

Na reunião do colegiado na noite domingo, a prefeitura de Gaspar ainda não sabia se voltava trabalhar na quarta-feira; não sabia o que iria fazer com quem está em grupo de risco, nem com os estagiários, ou seja, se antecipa férias ou dá licenças etc. Acorda, Gaspar!

Político é uma pessoa com esperteza permanente no seu DNA. O prefeito de Itajaí, Volney Morastoni, MDB (era PT), médico, teve que voltar atrás na intenção dele, de neste final de semana, de aplicar umas gotinhas de uma poção milagrosa nas bocas pessoas contra a Covid-19. Morastoni está em campanha de reeleição.

Está definido. O pessoal que está de malas prontas para o “Aliança pelo Brasil” em Gaspar pelas mãos de Demetrius Wolf, vai se filiar ao DEM. O ajuste foi feito com o presidente da comissão do DEM em Gaspar, Paulo Fillipus.

A coligação MDB, PP, PSDB, PDT, PSC que está no poder em Gaspar, vem rastreando os passos de quem diz estar formando uma terceira via. Monta-se um cenário de dia. Na mesma noite, ele se desmancha com promessas supostamente irrecusáveis. E se mesmo assim não for convencido, parte-se para o constrangimento.

Tensão no Gaspar Alto Central. A Gestão Compartilhada tentou fazer uma reunião política para “discutir” os investimentos de lá neste ano de eleições. Não conseguiu. Antes da reunião deste ano, a prefeitura tem que realizar as obras que discutiu e prometeu em 2018 e não as realizou: o asfaltamento defronte as comunidades Católica e Adventista. No ano passado, a Gecom “esqueceu” de se reunir com o povo do Gaspar Alto Central. Acorda, Gaspar!

Ouvir o secretário da Saúde de Gaspar, o dentista José Carlos de Carvalho Júnior, em áudio que enviou para seus subordinados depois a reunião do colegiado de domingo à noite, é se contaminar com a Covid-19, mesmo estando-se imune à ela. Acorda, Gaspar!

A princípio, a “Casa do Povo” de Gaspar volta a funcionar quarta-feira as portas fechadas para o povo, segundo intenciona o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB.

Está na pauta, uma sessão extraordinária para resolver as pendências que exigem soluções urgentes via deliberações formais em plenário dos vereadores e nas comissões. A volta das sessões das terças-feiras, a princípio, só na semana que vem, mas de portas fechadas. Tudo se decide nesta segunda-feira na mesa diretora e com as lideranças.

“A Câmara não pode parar o que depende dela para o governo e a cidade funcionarem para os cidadãos”, justifica o presidente. Daí as restrições de acesso ao público. Espera-se que as sessões sejam transmitidas e que o portal seja atualizado em nome da transparência. Instrumentos que vem falhando e se culpando à tecnologia. Acorda, Gaspar!

 

Comentários

Aurélio Marcos de Souza
02/04/2020 20:32
Herculano e leitores boa noite.
Como é consabido, o Brasil esta totalmente fragmentado. Digo isto porque os Estados e os Municípios cada qual dentro de sua competência territorial criaram seus planos para combater a pandemia do Covid-19, em especial o isolamento social, isolamento este que paralisou a economia em todo território nacional.
O Presidente da República ao meu ver pecou em 2 (dois) pontos. O PRIMEIRO é pelo fato de não ter cancelado o Carnaval Brasileiro no ano de 2020, a maior porta de entrada do Covid 19 no território, ou pelo menos deveria o mesmo ter baixado um expediente em conjunto com o Ministério da Saúde indicando aos Estados e Municípios a necessidade de cancelar cada qual seu carnaval, assim transferindo a responsabilidade que tais entes, agora buscam a atribuir única e exclusivamente a ele, sendo que com certeza hoje não estaria a sofrer pressão de muito destes Estados e Municípios.
Temos que SEGUNDO fato foi o não encaminhamento ao Congresso Nacional de forma conjunta ao projeto de lei que criou a Quarentena que possibilitou a repatriação dos brasileiros que estavam na China, de um dispositivo para CENTRALIZAR somente no Ministério da Saúde toda e qualquer ação voltada ao combater a pandemia do COVID - 19 no território Brasileiro, possibilitando que muitas ações fossem adotadas de forma pontual por seu Ministério, como por exemplo promover o isolamento social onde e quando necessário, e não nos moldes atuais, sem qualquer critério técnico.
Jair Bolsonaro por sua inexperiência pecou neste ponto, estando agora de carona neste trem desgovernado onde todo mundo quer ser o maquinista, tendo o mesmo a única certeza de que a conta é sempre sua.
Miguel José Teixeira
02/04/2020 20:06
Senhores,

OOOps. . .retificando a máxima da martaxa:

"Pobre é uma merda!". . .

Justificando assim, o que exercerá nas eleições vindouras: o "papel" higiênico.
Miguel José Teixeira
02/04/2020 19:00
Senhores,

No portal UOL:

"Marta se filia ao Solidariedade e fala em exercer qualquer papel nas eleições em SP"

Huuummm. . .se o dono da sigla é o tal de paulinho da farsa sindical, então já se sabe qual será o papel da martaxa: aquele em rolo, que se usa nos sanitários. . .

Lembrem-se de sua máxima, quando prefeita de São Paulo, diante de uma tragédia no município: "pobre não tem nada. Quando perde uma coisinha diz perdi tudo"!
Herculano
02/04/2020 16:57
A PREFEITURA DE GASPAR ESTÁ FALIDA NA GESTÃO CONTRA A CIDADE

A LISTA É LONGA. E COMEÇA PELA SAÚDE PÚBLICA, O HOSPITAL. Só IMPROVISOS....

DEPOIS DO FEDOR DO LIXO QUE DENUNCIEI AQUI COMO ANTEPENÚLTIMA ARMAÇÃO DO IMPROVISO, A PENÚLTIMA FOI ANUNCIADA ONTEM, DIA PRIMEIRO DE ABRIL QUANDO A CATURANI MANDOU UM OFÍCIO COM BANANAS PARA O PREFEITO KLEBER EDSON WAN DALL, MDB, E SEUS "ÇABIOS";

TUDO ISSO SE ESCONDIA NA IMPRENSA COMO NOTÍCIA ATÉ HÁ POUCO ENQUANTO BARATAS TONTAS NO PAÇO SE ENCONTRAVA UMA SAÍDA E MUITAS DESCULPAS PARA OS DESINFORMADOS.

ISTO ESTAVA ESCRITO HÁ MUITO AQUI DE QUE ACONTECERIA ASSIM

O SISTEMA DE TRANSPORTE COLETIVO ESTÁ FALIDO PARA OS GASPARENSES TRABALHADORES, DESEMPREGADOS E ESTUDANTES.

O QUE SIGNIFICA ISSO? MAIS OUTRO CONTRATO DE EMERGÊNCIA E SOB AS REGRAS E PREÇOS DE QUEM QUISER FAZER ESSE "FAVOR" NUM ESTADO DE CALAMIDADE DA COVI-19.INCRÍVEL!

ACORDA, GASPAR!
Herculano
02/04/2020 15:40
da série: diante da pandemia de fake news e do pânico do fim do mundo lançados sem pudor pelos talibãs das redes sociais e por ativistas dos aplicativos de mensagens, o jornalismo retoma o caminho de fonte mais confiável entre gente atordoada pela calamidade.

GLOBONEWS CRESCE 73% E ASSUME LIDERANÇA DA TV PAGA EM SÃO PAULO

Conteúdo de O Antagonista. A GloboNews assumiu a liderança da audiência da TV paga no mercado mais importante do país, o da Grande São Paulo.

Números obtidos por O Antagonista revelam que a média mensal do canal cresceu 73% entre fevereiro e março, passando de 0,18 para 0,31 ponto na faixa das 6h às 5h59.

Considerando o universo geral da TV, a GloboNews ocupou a sétima posição do ranking, atrás de TV Cultura (0,76), RedeTV! (0,85), Band (1,92), Record (5,09), SBT (5,78) e Globo (14,67).

A cobertura da pandemia do novo coronavírus explica a disparada do GloboNews no ibope.
RUDINEI CAVALHEIRO
02/04/2020 12:40
Fiquei curioso pra saber quem foi exonerado do cargo de secretário e isso me fez pensar mais uma vez, será que este governo realmente pensa que os eleitores são desprovidos de inteligência?
Primeiro prova o que eu já digo a 15 anos! Que é possível governar com menos pessoas e secretários.
Segundo: Não se trata de economia nenhuma! Todos os 5 nomes são prováveis candidatos a vereador e como está escrito no site da prefeitura, (Cinco secretarias municipais de Gaspar passam por mudanças nesta quarta-feira, dia 1º de Abril. Atendendo à legislação eleitoral ...) https://www.gaspar.sc.gov.br/?/cod?/609750/codMapaItem/20033
Agora o pior! O que o atual chefe de gabinete entende de SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO? Nada contra a pessoa do secretário, mas não tem preparo nenhum para uma secretária tão importante no município.
Então não venha com esta conversa fiada de economia, pois se realmente se tratasse de economia aos cofres públicos, não teria mais de 150 cargos em comissão fora os cargos com gratificação. Diante do que falei volto a perguntar, será que este governo realmente pensa que o povo é BURRO??
Miguel José Teixeira
02/04/2020 12:25
Senhores,

Em tempos difíceis como agora em que, gato que não miar em 3 idiomas não pega rato (Joelmir Betting),

"ABNT possui norma sobre Gestão da continuidade dos negócios"

A pandemia do Coronavírus tem sido desafiadora para muitas pessoas, mudando suas rotinas de maneira inédita. O impacto da doença se refletiu também na atividade econômica, que vem sofrendo perdas significativas.

Então, tocar os negócios como de costume não é uma opção para as empresas. Muitas delas, principalmente os Pequenos Negócios estão enfrentando uma fase muito difícil.

A ABNT possui uma norma que especifica requisitos para estabelecer e gerenciar um eficaz Sistema de Gestão de Continuidade de Negócios (SGCN). Trata-se da ABNT NBR ISO 22301:2013 ?" Segurança da Sociedade ?" Sistema de gestão da continuidade de negócios ?" Requisitos.

Um SGCN reforça a importância de entender as necessidades da organização e a imprescindibilidade de estabelecimento de política e objetivos para a gestão de continuidade de negócios; a implementação e operação de controles e medidas para a gestão da capacidade geral da organização para gerenciar acidentes de interrupção; monitoramento e análise crítica de desempenho e eficácia do SGCN; e melhoria contínua com base na medição objetiva.

A continuidade dos negócios contribui para uma sociedade mais resiliente. É possível que seja necessário envolver no processo de recuperação a comunidade em geral, assim como outras organizações, em função do impacto no ambiente organizacional.

Essa norma foi elaborada pela Comissão de Estudo Especial de Gestão de Risco (ABNT/CEE-063). Para mais informações, entre em contato com a analista responsável, Carolina Martins: (carolina.martins@abnt.org.br).

Fonte: http://www.abnt.org.br/noticias/6782-abnt-possui-norma-sobre-gestao-da-continuidade-dos-negocios?utm_campaign=News+ABNT+-+de+21+a+27%2F03%2F2020&utm_content=ABNT+-+ABNT+possui+norma+sobre+Gest%C3%A3o+da+continuidade+dos+neg%C3%B3cios+%282%29&utm_medium=email&utm_source=EmailMarketing&utm_term=News+ABNT+-+de+21+a+27%2F03%2F2020
Herculano
02/04/2020 11:53
SEM COMPARAÇÃO. OU SE DEVE VERDADEIRAMENTE COMPARAR?

Abaixo, escrevi que o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, montou uma equipe técnica respeitável, e agora é refém da sua própria armadilha. E por que? Ela dava dava lustro àquilo que seria tosco.

Em Gaspar, deu-se exatamente o contrário. Conclui-se depois de mais de três anos e as mudanças feitas nesta semana, que se deu lugar para gente curiosa, cabo eleitoral e se reservou candidaturas ao invés de resultados para o próprio governo e à sociedade. Um governo que nasceu com lustro e está tosco.

Como o próprio prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e seus "çabios" na improvisação que fizeram "reunindo" as secretarias políticas com outras, acabaram provando para a cidade, serem elas perfeitamente dispensáveis.

Ou há outra interpretação? Desculpa da Covid-19? Talvez, mas a jogada é outra e explico mais tarde.

E para mascarar essa verdade, está se dizendo por ai que se está economizando R$68 mil em vencimentos por mês.

Errado. Isso só prova o desperdício dessa gente esse tempo todo.

A verdadeira conta é R$68 mil por 40 meses desnecessários, ou seja, algo ao redor de R$2,7 milhões os quais poderiam ter sido economizados e serem investidos por exemplo em mais creches, melhoria do atendimento dos postinhos aos gasparenses.

Outra da economia para inglês ver em fim de mandato e em ano de eleição complicada - se houver. Se é verdade esta tese da economia, por que o prefeito ele próprio não dá o exemplo e reduz o seu alto salário de mais de R$27 mil por mês e recém reajustado na Câmara? Acorda, Gaspar!
Herculano
02/04/2020 11:37
ATÉ OS ANIMAIS "SOFREM"

Os animais - principalmente cães e gatos - mantidos em abrigos e suportados por doações, estão no fastio. Desapareceram os seus doadores físicos e individuais em Gaspar. E por isso, movimentam-se as redes sociais.
Herculano
02/04/2020 11:32
O QUE EU ESCREVI NA COLUNA DO DIA 27 DE FEVEREIRO, OU SEJA, MAIS DE UM MÊS ANTES DO ANÚNCIO DA ARRUMAÇÃO DESTA SEMANA NA PREFEITURA DE GASPAR PARA DESINCOMPATIBILIZAR OS QUE FAZIAM DAS SECRETARIAS E DO SAMAE UM PALANQUE ELEITORAL?

É POR ISSO, QUE A COLUNA É A MAIS ACREDITADA E ACESSADA EM GASPAR E ILHOTA, SEM FERRAMENTAS DE PROMOÇÃO DE ACESSOS OU AJUDA DAS REDES SOCIAIS. CONFIRA;

Selecionando os santos I

Corre nas reuniões dos templos, nos aplicativos de mensagens ?" e até mesmo nas redes sociais ?" de que o pastor, deputado estadual por Blumenau e sempre desaparecido por aqui, Ismael dos Santos, PSD, teria assumido a "coordenação" da reeleição do irmão de fé, o evangélico neo-pentecostal, Kleber Edson Wan Dall, MDB. Falsa e tardia informação. O boato, de verdade, apenas reconhece a toxidade que traz ao governo e à corrida da reeleição de Kleber e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, o presidente do MDB de Gaspar, ex-coordenador da campanha vencedora e prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, que é titular da mais poderosa secretaria e feita a seu gosto na Reforma Administrativa, a da Fazenda e Gestão Administrativa. Aliás, isso não é novidade na cidade, muito menos para os leitores e leitoras desta coluna.

Selecionando os santos II

Por que é falsa? Porque Kleber continua no MDB e então está nas mãos de Carlos Roberto Pereira. Uma campanha se faz com dinheiro e então Kleber continua nas mãos de Carlos Roberto Pereira. E se há erros e dúvidas, quem vai pagar esta conta não é seu guru Carlos Roberto Pereira, mas o prefeito eleito nas urnas e pior: o candidato diante de um eleitorado com novas exigências como se viu em quatro de outubro de 2016. Os eleitores continuam mais exigentes como expliquei na coluna de sexta-feira, de ampla repercussão, em "Os nomes do PT". Por outro lado, não se deve desprezar à influência do deputado Ismael no meio evangélico que lhe deu currículo político, mas ele não fará nada que coloque Carlos Roberto Pereira e o PP fora do jogo e traga, do nada, Marcelo de Souza Brick para ser o vice de Kleber. São ensaios. Espera-se e se mede as reações. Tinta "nova" só fachada. É para ludibriar aos de fora. Por dentro, "casa" continua desarrumada e mal ocupada. Falta de aviso não foi.

Volto. O que é mesmo que está acontecendo? Quem ficou mais forte nas mudanças? Quem está dando as cartas, ocupando até espaços físicos, e para tal já voltou da quarentena de menos dias do que o recomendado, depois que foi passar férias no exterior e bem longe daqui? Acorda, Gaspar!
Herculano
02/04/2020 11:18
QUAL A RAZÃO PARA POLÍTICOS E EMPRESÁRIOS QUE ESTÃO SENDO ENVOLVIDOS, BEM COMO A POLÍCIA, O MINISTÉRIO PÚBLICO, OS ADVERSÁRIOS E À PRóPRIA IMPRENSA PARA NÃO COLOCAR A NU UM ERRO OU UMA FAKE NEWS?

Circula nos aplicativos de mensagens, com fotos e áudios e se estampa disfarçadamente nas redes sociais, que políticos da nossa região, estariam distribuindo a partir de seus gabinetes em ambientes públicos "cartões" de R$150,00 cada para a compra de "cestas básicas" a "gente necessitada".

Citam-se nomes de políticos, de cabos eleitorais intermediários e dos mercados fornecedores de tais mantimentos.

As mensagens, trazem vozes identificáveis e até fotos dos sacos plásticos com os ingredientes das tais "cestas básicas", bem como o local onde são fornecidas.

Na verdade, os áudios que circulam possuem três viéses: o de estimular outros à oportunidade, mas principalmente para reclamar da discriminação e do oportunismo, onde ingredientes que somariam em torno de R$40, são avaliados em R$150 gerando ganhos não exatamente para que estava recebendo a cesta.

1. Em nenhum momento, as fotos nos aplicativos trazem os tais "cartões", prova primeira e fundamental que dá formalidade ao crime. Então, um pé atrás. Eu mesmo estou pedindo isso e não consigo.

2. Tem político com mandato citado nos áudios e escritos. Não seria prudente,urgente e pela transparência, ele o primeiro a vir a público desmentir tudo isso? Por que não faz? Por que tem rabo preso ou não quer passar recibo às vésperas das eleições aos eleitores de que está atrapalhou uma ideia que poderia prosperar no ambiente da compra de votos de cabresto?

3. Tem empresário e mercado citado nominalmente. Não seria o caso de vir logo a público esclarecer e se proteger. O silêncio é cúmplice e difama à imagem do negócio, pois há um indicador claro de fraude no conteúdo da cesta.

4. O que relato é um crime, grave, no âmbito do direito do consumidor, da improbidade administrativa e do político eleitoral, mesmo que não se use dinheiro público.

4. E mesmo que tudo isso se trate de fake news, é mais outro crime. Então, nos dois casos seria dever dos políticos envolvidos procurar o esclarecimento e a reparação na jurisdição; é obrigação nos dois casos da polícia, Procon e principalmente do Ministério Público investigar - porque é do interesse público - e é uma notícia de interesse da sociedade que deveria ser apurada pela imprensa. Ou ela vai se igualar ao território do vale tudo e criminoso das redes sociais e aplicativos de mensagens, povoado de talibãs da nova comunicação dos seus interesses pequenos ou de vingança?
Miguel José Teixeira
02/04/2020 10:57
Senhores,

Deu na Coluna Eixo Capital do Correio Braziliense, hoje:

"O cara que descobrir como transferir 800 bilhões de reais para 30 milhões de pessoas da noite pro dia ?" sem quebrar o país ?" merece um Nobel de economia"
Ministro da Economia, Paulo Guedes

Então. . .

o ex e futuro presidiário lula, merece o Nobel:

distribuiu zilhões de reais do erário, só que, apenas para seletos amigos e não quebrou o país.
Herculano
02/04/2020 10:50
da série: o presidente da República conseguiu montar uma equipe que na maioria dela dá inveja na capacidade e tecnicidade a governos passados. Agora se percebe que era uma fachada, numa jogada maladra. Pior: Bolsonaro está refém dessa armadilha que ele próprio criou para disfarçar o perigo que são suas ideias totalitárias e principalmente a influência de amalucados próximos, como seus filhos. Se demitir os competentes, vai ficar fraco e sem proteção. Se ficar com eles, terá que se curvar aos técnicos, coisa que não é da sua personalidade.

BOLSONARO À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS, por Thais Oyama, no UOL

Todo mundo notou. Os gestos nervosos nas entrevistas coletivas, o tom de voz acima do normal nas saídas do Alvorada e os olhos injetados no pronunciamento do dia 31 denunciam o que assessores palacianos confirmam: os nervos do presidente Jair Bolsonaro estão por um fio e ele se sente pressionado por todos os lados. Bolsonaro deu até mesmo para chorar no meio do expediente, como revelou o repórter da Folha de S. Paulo Igor Gielow. Sua agenda oficial tornou-se uma planície desolada. Hoje, quarta-feira, registrava um único compromisso: audiência com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, das 10h às 10h30, e mais nada.

Para Bolsonaro, o mundo está contra ele. Não bastasse o que considera oportunismo político de seus adversários (os governadores João Dória e Wilson Witzel, em especial), seus principais ministros - Sérgio Moro, Paulo Guedes e Henrique Mandetta, homens que ELE próprio escolheu, como lembra sempre que pode- alinharam-se contra ele na defesa do isolamento social. "O presidente sou eu, pô. O presidente sou eu", achou por bem lembrar a um repórter que lhe perguntou sobre o fato de o vice, Hamilton Mourão, também ter defendido a quarentena como forma de evitar a disseminação do coronavirus.

Isolado em sua teimosia e sentindo-se ameaçado em sua autoridade, Bolsonaro oscila entre socorrer-se junto aos generais palacianos -que, no ano passado, havia deixado em banho-maria por não querer ser por eles "tutelado"?"ou ouvir os conselhos do filho Carlos, comandante em chefe dos atiçadores oficiais das massas, assessores do presidente que atuam nas redes sociais com tal beligerância que fizeram por merecer a alcunha de integrantes do "gabinete do ódio".

Ocorre que, a cada vez que o presidente segue os conselhos dos generais, desagrada a turma de Carlos - e o contrário é também verdadeiro. O pronunciamento inusitadamente sensato do dia 31 de março teve a influência de Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército a quem Bolsonaro havia visitado no dia anterior, e o dedo do general Braga Netto, chefe da Casa Civil e estrela ascendente no Palácio. Se soou como música para os ouvidos dos moderados, irritou na mesma intensidade os bolsonaristas raiz, seguidores de Carlos Bolsonaro e companhia.

Uma hora e meia depois do pronunciamento do presidente, a agência de análise digital Bites registrou o menor número de pessoas tuitando em favor dele nos últimos quinze dias. Já quando o ex-capitão fez o discurso em que chamou a Covid-19 de "gripezinha" e afirmou que "atleta não pega isso", sua claque virtual foi ao êxtase.

Ou seja, quando Bolsonaro age de forma comedida e sensata, deixa a militância apática. Quando radicaliza e diz atrocidades, ganha mil pontos com ela.

Ontem, militares do núcleo duro do Palácio do Planalto avaliavam que as duas próximas semanas serão cruciais para determinar os rumos da crise. A pandemia do coronavírus deve atingir o pico no período.

Na melhor das hipóteses, avaliam generais, o aumento do número de mortes se manterá na casa de algumas dezenas por dia e a curva epidemiológica se achatará. Na pior, a quantidade de óbitos subirá em escala semelhante à da Itália e Espanha, enchendo as telas das TVs e dos celulares com as mesmas imagens de comboios de caixões que se viu nos países europeus. Desse desfecho dependerá a resposta sobre que ala Bolsonaro ouvirá daqui para frente. E qual será o seu destino.
Herculano
02/04/2020 08:38
A CÂMARA DE GASPAR VAI SE REUNIR NA QUINTA-FEIRA QUE VEM PARA DOAR R$600 MIL À PREFEITURA. É PARA O COMBATE O COVID-19

A Câmara de Gaspar vai se reunir em sessão ordinária na quinta-feira que vem. Na pauta, um único projeto de origem da mesa diretora composta por Ciro André Quintino, MDB; Dionísio Luiz Bertoldi, PT; Silvio Cleffi, PSC e Cícero Giovane Amaro, PL.

É para doar R$600 mil do Fundo de Construção da sede própria da Câmara, para a prefeitura e o montante ser usado no combate a Covid-19 no município.

O artigo segundo diz que "o valor descrito no artigo 1º desta Lei deverá ser empregado exclusivamente em ações de combate à citada pandemia, dando-se preferência à aquisição de respiradores para equipar leitos de atendimento no Município de Gaspar".

Este artigo é letra morta, ainda mais dentro da prefeitura de Gaspar. Primeiro porque o Legislativo não pode rubricar as verbas do município quando repassa recursos seus. Trata-se de mero cavalheirismo.

Segundo, porque a Saúde municipal é um poço sem fundo comendo recursos bons de Gaspar, sem solução para a sociedade, sem prestação de contas e sem transparência desde o primeiro dia da posse do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, do vice Luiz Carlos Spengler Filho e a nomeação do ex-coordenador de campanha, do presidente do MDB para a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, o prefeito de fato.

Já escrevi isto várias vezes, vou escrever outras. Afinal, é esta a percepção da população desassistida nos postinhos e principalmente no Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar, sob intervenção de Kleber. E não foi poor falta de dinheiro. A Saúde e o Hospital, com todos esses problemas são sugadores de recursos públicos excepcionais. Acorda, Gaspar!
Herculano
02/04/2020 08:13
A NOTÍCIA É UM VÍRUS ADAPTADO

Até ontem, o grupo de risco do Covid-19 era os idosos e os com doença crônica pré-existente.

Com a ideia da quarentena (feita por gente sem a doença e diferente de isolamento que é de pessoa doente) vertical tomando corpo, as manchetes dos noticiários de tevê, rádio, jornais e portais ganharam para as mortes de jovens. Um chef de Fortaleza virou case nacional e em São Paulo, prova-se que metade dos mortos tinha até 55 anos.
Herculano
02/04/2020 08:08
ENSINO A DISTÂNCIA PARA OS POBRES COMO SE TODOS FOSSEM RICOS. ESSES POLÍTICOS PROVAM QUE ESTÃO DISTANTES DA REALIDADE. E O MINISTÉRIO PÚBLICO, AUSENTE

Agora, os governos municipais e até o estadual, querem levar a sala de aula remota e digitalmente à casa dos alunos.

A ideia não é ruim, ainda mais nesta emergência. Afinal, o ensino à distância é uma realidade. O que falta é colocar a teoria na prática, e que a prática não aumente a exclusão de gente pobre ou desassistida.

Entretanto, prefeitos e o governador,com seus "çabios" e na ânsia de dar manchetes favoráveis, usando jornalistas idealistas ou tapados nas redações, erram a mão. Mostram que não conhecem seus eleitores e principalmente eleitoras, as mães dos alunos.

Os alunos que estão nas redes públicas municipais e estadual, salvo raras exceção, estão lá porque não possuem outra alternativa econômica e não exatamente porque é uma escolha por um ensino de qualidade.

Se estão lá porque são pobres e carentes. Por isso, mesmo, provavelmente estão despidos de rede de internet, computadores ou até smartphones ue funciona por créditos limitados - pois só servem para o uso profissional e móvel dos seus pais na sobrevivência cotidiana.

Ora, se os prefeitos e o governador vai oferecer esta opção não será para todos, pois falta estrutura receptiva e de comunicação mínima para desenvolver e concluir a ideia com sucesso. Será então, mais uma vez, uma discriminação. Uma parcela ponderável dos alunos ficará de fora.

E mesmo que fosse um, é uma discriminação. E mesmo que fosse opcional, é uma discriminação, pois a disponibilidade não atingiria a todos.

Mais. Sabe-se que muitas dessas crianças vão à escola não exatamente pelo ensino que recebem, mas pelas refeições e a alimentação.

Para algumas delas, praticamente é a única durante o dia, em lares comprometidos social e economicamente.

Sobre isso, os políticos, gestores, burocratas e "çabios", de plantão nos ambientes das prefeitura, zero!

Estão resolvendo a situação dos professores e não dos alunos. Os professores querem as férias, querem cumprir a carga horário, e não entenderam ainda que estamos em tempos de guerra e como tal, devem-se adaptar. Só exitem professores e estrutura de educação, porque antes existe uma demanda, os alunos e é para eles, que essas ideias devem antes funcionar. Nem mais, nem menos.

Pior mesmo é ver o Ministério Público, estruturado e bem pago, em suposto isolamento para não ser contaminado pela Covid-19, dormindo e permitindo esse tipo de ação política, desajuste e discriminação contra gente vulnerável, muito vulnerável. Meu Deus!.
Herculano
02/04/2020 07:31
PANDEMIA VS. RECESSÃO, por Alexandre Schwartsman, economias e ex-diretor do Banco Central, no Infomoney

Parafraseando Winston Churchill, nos é dada a escolha entre a pandemia e a recessão; se escolhermos a pandemia, teremos também a recessão

Há quem creia haver uma troca entre a queda da atividade econômica resultante das medidas de distanciamento social (e, claro, todas as consequências sociais de uma recessão de grandes proporções) e a mortalidade decorrente da pandemia.

Ter menos de uma implicaria ter mais da outra, terreno em que economistas, por formação, se sentem mais à vontade (como a troca entre renda e lazer, ou entre consumo hoje e consumo amanhã etc.).

Não é, reafirmo, o caso de hoje: engana-se quem acredita haver a possibilidade de reduzir as medidas de distanciamento social nesse momento em troca de atividade econômica mais forte, mesmo à custa de uma mortalidade maior.

Não temos, é verdade, muita evidência acerca das diferentes escolhas de como lidar com a crise atual.

À parte o sucesso relativo de países como Taiwan e Singapura, cuja resposta oportuna à epidemia possibilitou medidas mais bem focalizadas (uma impossibilidade a essa altura dos acontecimentos), observamos quase todas as nações impondo restrições à mobilidade das pessoas e à atividade econômica em nome da contenção da pandemia, exceção feita à Suécia, cuja abordagem permanece distinta.

De qualquer forma, precisaríamos de tempo para avaliar tais opções, talvez a mercadoria mais escassa nessa época de crise.

A alternativa que nos resta é voltar ao passado, em busca de experiências semelhantes que possam servir como guia, ainda que imperfeito, para a situação atual. Temos, portanto, que recuar pouco mais de 100 anos no tempo para avaliar os efeitos da Gripe Espanhola no final da segunda década do século XX.

Até onde sabemos (os números são ainda objeto de debate), aquela pandemia infectou algo como 500 milhões de pessoas (pouco mais de um quarto da população global, então estimada na casa de 1,8 bilhão de pessoas), matando talvez 50 milhões (interessados podem checar os dados nesta página).

Trabalho recente de Sergio Correia, Stephan Luck e Emil Verner (citados como CLV daqui em diante) explora os impactos dessa pandemia nos diferentes estados e cidades dos EUA, abordagem que conta com a vantagem de examinar o caso de um país que, ao contrário dos europeus, devastados pela I Guerra, com boa parte de sua juventude, infraestrutura e capital destruídos, emergiram daquele evento relativamente intactos.

De fato, estimativas indicam que os EUA perderam 0,13% de sua população no conflito, contra números ao redor de 3- 4% no caso dos países da Europa continental e perto de 2% no caso do Reino Unido (e então colônias). Isso facilita o trabalho de separar os efeitos daquela carnificina dos originários da doença em si.

CLV estudam dados de estados e cidades americanas tentando aferir tanto o impacto da mortalidade sobre a atividade, como o das Intervenções Não-Farmacêuticas (NPIs no original), isto é, medidas de distanciamento social, tanto do ponto de vista da tempestividade de sua adoção (mais ou menos cedo), quanto de seu tempo de duração.

Duas conclusões emergem do trabalho.

A primeira é o impacto negativo da mortalidade sobre a atividade econômica. Segundo os autores, a pandemia levou à queda de 18% da atividade industrial para o estado médio em termos de mortalidade e há também indicações de que o efeito seria persistente, como expresso em menor atividade nas áreas mais afetadas até 1923.

As estimativas apontam que o aumento equivalente a um desvio-padrão da mortalidade em 1918 implica 8% de queda do emprego industrial e 6% de redução do produto.

Como os dados são estaduais, ou seja, menos sensíveis à demanda local (apenas parte da produção é consumida no estado de origem), o canal mais relevante para explicar a retração da atividade parece estar ligado mesmo à oferta, isto é, disponibilidade de mão-de-obra, principalmente.

A outra conclusão diz respeito aos efeitos das NPIs, seja em termos da rapidez de sua adoção, seja em termos de sua duração, sobre a atividade.

De acordo com as estimativas de CLV, a adoção mais célere de medidas de distanciamento social se traduz em elevação da atividade em seguida à pandemia: o aumento de um desvio-padrão na velocidade de adoção de NPIs leva a um aumento da produção próximo a 5%, enquanto o aumento também de um desvio-padrão em termos da duração das NPIs eleva o produto cerca de 7% no período pós-pandemia.

Posto de outra forma, não parece haver de fato uma troca entre a controle da epidemia e atividade. Caso a mortalidade se eleve por falta de políticas restritivas ao contato social, a atividade se contrairá por força da mortalidade em si, mesmo na ausência de tais medidas.

Afora isso, os efeitos de longo prazo da mortalidade também são elevados; nesse sentido, reduzi-la em seus momentos iniciais parece contribuir para a recuperação mais vigorosa à frente.

Isso dito, há, é claro, limitações: a Covid-19 não é igual à Gripe Espanhola (esta última afetava mais fortemente gerações mais novas, por exemplo) e as condições dos EUA no início de século XX não são exatamente as vividas pelo Brasil um século depois (se bem que nossas condições sanitárias estejam mais próximas daquela era do que seria ideal), para citar apenas duas das complicações.

Todavia, à luz das dificuldades de acharmos paralelos em termos de crises de saúde pública, o estudo certamente nos oferece uma visão bem mais informada do que o "achismo" que parece orientar a alta cúpula do governo, a começar pelo presidente da República.

Parafraseando mais uma vez Winston Churchill, nos é dada a escolha entre a pandemia e a recessão; se escolhermos a pandemia, teremos também a recessão.
Herculano
02/04/2020 07:15
da série: os amalucados e lambuzados filhos, bem como o terraplanista e horoscopista Olavo de Carvalho influenciam para o abismo o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, contrariando uma realidade indesejada que o pegou exatamente num processo profundo de mudanças. É preciso parar esse processo, criar alternativas e saídas para retomá-lo em outra oportunidade. Trata-se de uma guerra e o capitão mostrou que não possui um general para comandar a tropa e dominar a guerra. Ele está enxergando inimigos onde não eles não estão e ignorando os verdadeiros que já estão se movimentando estrategicamente neste campo minado

MUDANÇA DE TOM DE TRUMP ESPELHA TAMANHO DA CRISE NOS USA, por Marina Dias, de Washington, USA, no jornal Folha de S. Paulo

Céticos, porém, alertam de que é preciso observar se novo discurso vai se sobrepor a seu instinto eleitoral

O tom foi inédito. Pela primeira vez, Donald Trump discursou com gravidade, mostrou números realistas -mesmo que alarmantes - e não destoou de sua equipe de especialistas ao falar sobre a pandemia do coronavírus.

Durante duas horas e 12 minutos, em entrevista coletiva nesta terça-feira (31), o presidente americano apresentou um cenário sombrio nos EUA.

Disse que, nos próximos meses, entre 100 mil e 240 mil pessoas podem morrer no país mesmo com a adoção de medidas de distanciamento social e que o número pode chegar a 2,2 milhões caso não haja respeito às restrições impostas até 30 de abril.

A retórica alarmante de quem até há pouco minimizava a pandemia deu finalmente dimensão à crise nacional e chamou a atenção de quem acompanha de perto a Casa Branca.

A apresentação desta terça-feira foi comparada a outros momentos sombrios da história moderna da Presidência americana, somando-se ao pronunciamento de George W. Bush sobre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e ao de Ronald Reagan após o acidente com o ônibus espacial Challenger, que matou sete astronautas em 1986.

Os mais céticos, porém, alertam de que ainda é preciso observar se a mudança de tom de Trump vai se sobrepor a seu instinto eleitoral até o fim da pandemia. Destacam também que a nova postura do presidente não apaga o que ele fez até aqui.

Em campanha à reeleição, o republicano se preocupa com o impacto da crise na tentativa de seguir na Casa Branca. Até então, adotava seu habitual comportamento errático diante dos possíveis desdobramentos da crise.

Vocalizava medidas de distanciamento social ao mesmo tempo em que propagandeava o uso de medicamento que ainda não teve sua eficácia comprovada contra o vírus e defendia a reabertura do país até a Páscoa, em 12 de abril.

Disse há pouco mais de um mês que o novo coronavírus era "assim como uma gripe" e que "um milagre" resolveria a situação.

No domingo (29), porém, o presidente recuou, anunciou extensão das medidas de distanciamento social até o fim de abril e disse que daria declarações importantes durante a semana, fazendo soar o alarme em todo o país.

Ao lado de Anthony Fauci, diretor do Instituto de Doenças Infecciosas e apontado como um dos principais responsáveis pela mudança de tom do presidente, Trump disse nesta terça que era "questão de vida ou morte" adotar as restrições sociais e que, caso isso não fosse feito, pessoas morreriam "nos aeroportos e lobbies de hotel".

Se o líder americano pensava em insistir no discurso dúbio, foi atropelado pelos números. Sua imagem diante de gráficos tão assombrosos aconteceu no dia em que os EUA ultrapassaram a China em número de vítimas da pandemia.

Nesta quarta (1º), já eram 206 mil casos, com mais de 4.500 mortes em território americano, e o pico é esperado somente para 15 de abril.

O primeiro caso de coronavírus confirmado nos EUA foi em 21 de janeiro. Trump declarou estado de emergência nacional apenas 52 dias depois, em 13 de março, e, mesmo assim, insistia em minimizar a crise e flertar com o relaxamento das restrições sociais.

Atualmente, 3 em cada 4 americanos estão sob medidas de distanciamento social, quadro que deve escalar.

Ainda é cedo para falar dos efeitos da pandemia na disputa eleitoral, mas o principal adversário do presidente, o democrata Joe Biden, tem estado fora de foco nas últimas semanas, enquanto a pauta única se impôs no país.

Trump faz pronunciamentos quase diários na Casa Branca, enquanto Biden suspendeu comícios e eventos de campanha. Aparece pouco, concede poucas entrevistas e faz vídeos de dentro de seu escritório.

Os números têm assustado o republicano, mas é preciso saber se ele realmente entendeu que não é possível navegar entre o discurso a seus eleitores e as necessárias medidas de governo diante de uma crise como essa.

O presidente costuma ir e voltar em várias de suas decisões. Resta saber se, desta vez, o novo discurso vai prevalecer.
Herculano
02/04/2020 07:04
REPROVAÇÃO DE 52% FEZ BOLSONARO MUDAR ATITUDE, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A população está muito insatisfeita com a conduta de Jair Bolsonaro no enfrentamento do coronavírus, como mostram pesquisas devastadoras, daí a sua decisão de melhorar o discurso. Ele agora tenta reverter, por exemplo, a reprovação generalizada detectada na pesquisa Diário do Poder/Orbis mostrando que 52,2% dos brasileiros reprovam a sua condução do combate à doença, contra aprovação de 34,2%. Do total, estão em dúvida ou não avaliaram apenas 13,6% dos entrevistados.

REPROVAÇÃO GERAL

Bolsonaro é reprovado por 50,2% dos homens, só 38,6% o aprovam. Entre mulheres, 53,8% rejeitam sua condução da crise, contra 30,7%.

NO GRUPO DE RISCO

É expressiva também a desaprovação dos brasileiros que têm a idade de Bolsonaro, 65 anos, ou mais: 47,5%. E a maior taxa de dúvida: 22,5%.

ALTOS E MUITOS BAIXOS

É baixa a maior aprovação de Bolsonaro: 36,8% na faixa dos 36 aos 65 anos. A maior reprovação está entre jovens de 16 a 19 anos: 71,9%.

DADOS DA PESQUISA

A Orbis entrevistou 2.163 pessoas em todo o território nacional. A pesquisa foi realizada na segunda-feira (30).

BRASIL JÁ CONTABILIZA 24 DIPLOMATAS INFECTADOS

Um total de 24 diplomatas brasileiros estão infectados por coronavírus, no Brasil e no exterior. São 12 casos já confirmados e outros 12 sob investigação, considerados suspeitos. Os diplomatas estão na linha de frente da assistência de milhares de brasileiros retidos no exterior, e se expõem ao contato pessoal. Há caso de embaixador do Brasil em estado grave, no norte da Europa, mas há também a história do nosso embaixador em Washington, Nestor Forster, que já se recuperou.

DE VOLTA PARA CASA

Ernesto Araújo fez um balanço, ontem. Desde o início da crise do vírus, dos 16 mil brasileiros retidos no exterior, 10 mil já foram repatriados.

ESPALHADOS PELO MUNDO

Pelas contas do Ministério das Relações Exteriores, ainda há 5,8 mil brasileiros mundo afora com dificuldades de embarcar de volta.

SERVIDORES

Fazem parte dos quadros do Itamaraty cerca de 1,6 mil diplomatas e mais 1,9 mil oficiais de chancelaria, além de pessoal administrativo.

É Só PALANQUE

Que tipo de chefe de governo elogia fábrica de processamento de carne de frango em Boituva (SP), cujos 2.700 funcionários ignoram o isolamento social? Se fosse Bolsonaro, seria chamado de "irresponsável" até por quem fez isso: o governador tucano de São Paulo, João Doria.

ELE SUBIU NO PALANQUE

O ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) chama de "fala técnica" suas coletivas sobre Covid19. Mas em cada frase, pessoa, causo ou número, simpático e coloquial, ele faz política. Anote: ele está em campanha.

DEU CERTO

O governo está adorando sua nova estratégia de comunicação: levando as coletivas sobre Covid19 para o Planalto, mostrou a prioridade do assunto, expôs outros ministros envolvidos no combate à pandemia e ainda "capturou" a imagem positiva usufruída apenas por Luiz Mandetta.

PRIMEIRO MILHÃO

Este 2 de abril de 2020 ficará marcado na história como a data em que o coronavírus atingiu o primeiro milhão de pessoas infectadas. Os EUA lideram com cerca de 250 mil casos, o dobro da Itália, segundo lugar.

APESAR DO CORONAVÍRUS

O ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) garante que o "cronograma de obras não parou" e diz que o governo mantém o compromisso de entregar mais de 50 obras públicas neste ano de 2020.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

General com gabinete no Planalto anda impressionado com a virulência da CNN à brasileira. "E a gente achando que somente os nossos amigos da Globo e da Globonews queriam derrubar o governo...", ironizou.

FRUTO DA DESINFORMAÇÃO

A proliferação de fake news e a guerra pelo protagonismo na atual crise têm sido desastrosas. O resultado é que 38% dos brasileiros não estão preparados para enfrentar Covid-19, segundo pesquisa Croma Insights.

O OUTRO LADO

A quarentena provocou aumento nas vendas online de itens essenciais. A Wevo, empresa que faz integração de sistemas, revelou que grandes lojas aumentaram as vendas em 13%, mas há casos de até 500%.

PENSANDO BEM...

...já tem gente temendo o adiamento da Copa do Mundo no Catar, em 2022.
Herculano
02/04/2020 06:56
EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE CASOS DIZ POUCO SOBRE AVANÇO DA EPIDEMIA, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Crescimento menor pode ser ilusão; registro de mortes é mais preciso. Epidemiologistas pedem teste nacional

A epidemia teria ficado um tico menos veloz no Brasil, como se ouve aqui e ali? Difícil saber. Para ter informação melhor, epidemiologistas pedem um teste nacional da doença, a exemplo do que será feito no Rio Grande do Sul.

Recentemente, o aumento do número oficial de doentes no Brasil, em particular em São Paulo, parece menos rápido. Mas é incerto se tal evolução é uma notícia positiva de fato.

O problema não seria apenas a subnotificação, mas a subnotificação crescente (cada vez mais casos deixam de ser registrados). Apenas pacientes com sintomas mais severos estão agora sendo testados. Os responsáveis pelos registros de doença estão sobrecarregados. O grande número de testes congestiona e atrasa o serviço dos laboratórios.

Os dados do número de mortes por coronavírus são menos imprecisos do que as estatísticas da evolução diária do número de casos confirmados da doença, dizem epidemiologistas.

"Para ser bem franco, não acredito em dados baseados em número de casos da doença. Não se trata de conspiração ou má-fé, de modo algum. O problema não ocorre apenas no Brasil. No caso das estatísticas de morte, os dados parecem mais fidedignos", diz Pedro Hallal, epidemiologista e reitor da Universidade Federal de Pelotas.

"É de esperar subnotificação e atrasos, e também que essas taxas [de subnotificação] cresçam com o aumento da sobrecarga no sistema de saúde. [Mas] é de esperar também que as medidas de isolamento tenham um impacto na mesma direção, de diminuição do número de casos. Na China, o 'lockdown' teve efeito uns 12 dias depois do seu início", diz Claudio Struchiner, médico, matemático, epidemiologista, professor da Escola de Matemática Aplicada FGV do Rio.

Como exemplo de problemas nos dados, Hallal cita números de letalidade (porcentagem de mortos entre os doentes), que variam muito de país para país. Menciona a Itália, em que a mortalidade, pelos dados oficiais, seria de 11,7% (de cada 10 doentes, pelo menos um morre).

"Estudos mais rigorosos que tenho visto chegam a uma taxa próxima de 1%", diz. Nas contas deste jornalista, a Espanha teria taxa de letalidade de 8,7%; França, de 6,8%; Coreia do Sul, 1,7%. Alemanha, 1,1%. Brasil, 3,5%.

"O que esses números dizem? Que mais de 10% da população italiana pode morrer? Ou que existe uma enorme subnotificação, que o número de casos seja 10 vezes maior? As características locais, como falta de recursos ou planejamento, e da população local não explicam essa enorme diferença de letalidade [entre os países]. Há problemas nos números, e crescentes", comenta Hallal.

Struchiner diz que trabalha em uma maneira de reduzir a "confusão" dos dados. "Em breve teremos dados de testagem [da população], que podem ajudar neste sentido. Por ora, uma alternativa seria focar na mortalidade, que é mais robusta", diz.

Hallal coordena o primeiro grande levantamento da prevalência da Covid-19, uma pesquisa por amostragem com a qual se vai estimar quanto da população gaúcha foi contaminada e a evolução da doença no estado. O estudo que deve começar a partir deste final de semana.

"Precisamos de maneiras alternativas de monitorar a dinâmica de transmissão, com estudos específicos que possam fornecer fatores de correção [dos dados]", diz Struchiner. O epidemiologista faz parte de um dos grupos que discutem a elaboração de testes nacionais, por amostragem, e os estudos que serão feitos com esses dados, cruciais para orientar as políticas de saúde (mais ou menos isolamento ou quando).

"Os dados que eles [grupo da pesquisa gaúcha e talvez nacional] irão coletar poderão fazer toda a diferença. Não temos saída [a não ser fazer a pesquisa, o 'inquérito sorológico']. Struchiner diz que "este isolamento não pode continuar por muito mais tempo".

"Pode ser que tenhamos resultados melhores no Brasil. O país fez alguns preparativos ainda no início da epidemia", diz Hallal. Para o pesquisador gaúcho, a observação do número de mortes mostra algum indício muito preliminar de desaceleração. "Subnotificação ou não, é melhor ter as taxas decaindo do que aumentando", observa Struchiner.?
Miguel José Teixeira
01/04/2020 20:17
Senhores,

O câncaros da política deleitam-se:

"Lula diz que Moro é 'marionete' no governo: 'Nem sabe por que está lá'... -

Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/04/01/lula-diz-que-moro-e-marionete-no-governo-nem-sabe-por-que-esta-la.htm?cmpid=copiaecola

Quequeéisso, companhêru! Mas, seguramente, o Moro sabe exatamente porquê o prendeu. E nós também.

Agora, o que não sabemos é porquê o SuTriFe o soltou!
Miguel José Teixeira
01/04/2020 18:05
Senhores,

Em tempos de pandemia, para levantar o moral:

acesse:

https://thegoodnewscoronavirus.com/

"Criamos este site para mostrar que existe esperança em meio ao caos. Aqui mostraremos todas as notícias positivas em relação ao corona vírus, com o objetivo de deixar esses dias mais leves e esperançosos, mas lembrem-se, nosso cenário atual é bastante crítico.

Fiquem em casa e lavem as mãos."
Herculano
01/04/2020 16:46
CREDIBILIDADE

Mesmo sem chamada, sem amparo de mídias sociais, a coluna ontem e hoje foi o conteúdo mais acessado no portal, conforme ferramenta apropriada para a aferição em tempo real.

Alguém tem dúvida da razão disso? Acorda, Gaspar!
Herculano
01/04/2020 16:20
PANELAÇO EM ITAJAÍ

Em Itajaí, hoje pela manhã, os comerciantes e comerciários foram para a frente de suas lojas e locais de trabalhos. Fizeram um panelaço pela reabertura do comércio. Todos obedeceram a distância de dois metros entre os manifestantes.

Então. Está dada a senha. A polícia só assistiu. Tinha muita gente para prender
Herculano
01/04/2020 16:14
COMEÇOU A COMPRA DE VOTO?

Relatos em aplicativos de mensagens dão conta que políticos estão distribuindo vale alimentação para eleitores pegarem cestas básicas por até R$150 em mercadinhos do interior, mas que na cidade valem apenas R$40

1. Que malandragem é esta?

2. Quem está ganhando verdadeiramente nesta jogada, se o que o beneficiário recebe menos de 1/3 do valor de face dos alimentos que leva?

3. Quem fiscaliza isso para o não uso politico?

4. A polícia, Ministério Público e o Gaeco também estão de quarentena?
Miguel José Teixeira
01/04/2020 12:05
Senhores,

Com a medíocre atuação do capitão zero-zero,em relação a pandemia do coronavírus, os câncaros da política já estão se assenhoreando:

""Bolsonaro, você não é mais presidente. Saia enquanto há tempo", diz Haddad ...

- Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/03/31/bolsonaro-voce-nao-e-mais-presidente-saia-enquanto-ha-tempo-diz-haddad.htm?cmpid=copiaecola

O capitão zero-zero faz ouvidos moucos ao toque de alvorada!
Herculano
01/04/2020 11:10
ILHOTA EM CHAMAS

Circulam áudios nas redes sociais e principalmente nos aplicativos de mensagens do prefeito de Ilhota, Érico de Oliveira, MDB, e seu filho Jean, ambos também empresários. Eles são absolutamente assustadores ou no mínimo, fora da temperança que o momento de crise aguda exige.

Diz um ditado, que é na tempestade que se conhece o verdadeiro comandante do navio.

Os que estão no navio de Ilhota, também por áudios em aplicativos e comentários das redes sociais, estão pedindo para o comandante se jogar às águas.

Entendem que o navio sem ele vai navegar melhor. E olha que as eleições de outubro estão longe, mas os discursos de campanha já estão armados contra contra a permanência do comandante no posto. E de gente que construiu o navio.
Herculano
01/04/2020 08:43
COMO FUNCIONA O TERRORISMO DIGITAL PARA A IGNORÂNCIA, OS ANALFABETOS E OS DESINFORMADOS AO ERRO

Ontem, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, anunciou que iria à rede nacional de televisão às 20h30min

Os favoráveis à quarentena e principalmente, os de oposição, reforçaram nas redes sociais e aplicativos de mensagens à necessidade do panelaço de protesto durante a fala do presidente. Legítimo, mesmo que não se concorde.

Ao mesmo tempo, os que montam o Aliança pelo Brasil em Santa Catarina, dissidentes da mesma cepa daquilo que instalou o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, no governo do estado onde viraram-se opositores, também começaram a usar maciçamente os aplicativos de mensagens.

Pediam para o mesmo horário, já tomado para outra finalidade, panelaço contra Moisés, ou pelo fim da quarentena que ele vem impondo aos catarinenses e a volta da economia à normalidade.

Reforço: o posicionamento é também legítimo.

Agora, na mesma hora do penelaço que teria por finalidade pedido e defesa diametralmente opostas?

Definitivamente, com o perdão da palavra aos meus leitores e leitoras: é gozar com o pau dos outros, é confundir, é obter um resultado para si onde não se pode separar quem era contra ou a favor de um e de outro pedido, para levar vantagem na confusão.

É assim que esse pessoal vai se apresentar na campanha de outubro como talibãs virtuais da confusão? Isso não vai durar muito se continuarem assim, pois haverá tempos e provas para mostrar as sacanagens embutidas, justamente as que dizem combater nos discursos de puros que fazem por ai. Acorda, Gaspar!
Herculano
01/04/2020 08:30
O FEDOR DO LIXO EM GASPAR

Só ontem, e muito depois que a cidade soube neste espaço, em detalhes, de mais um contrato emergencial para a recolha do lixo em Gaspar, é que o Samae do mais longevo dos vereadores (seis eleições), José Hilário Melato, PP (que está saindo do Samae e voltando a Câmara para concorrer mais uma vez), veio a público comunicar o fato, que deixou os gasparenses com lixo na porta de casa por uma semana, e disfarçadamente ele mentia e culpava a tal Covid-19.

Esta trama, como mostrei por documentos, estava no mínimo sendo construída na prefeitura de Kleber Edson Wan Dall, MDB, desde dezembro. Ou seja, antes dos documentos veio a estratégia e que nasceu muito tempo antes.

E se não há nada errado, qual a razão para passar o dia de ontem a me praguejar e ao mesmo tempo esconder por tanto tempo da cidade e dos cidadãos, que sustentam o sistema de recolha de lixo, este assunto essencial para a população? Acorda, Gaspar!
Miguel José Teixeira
01/04/2020 08:26
Senhores,

Olha, lá, olha lá, olha lá. . .que que é isso minha gente!
(Geraldo José de Almeida, narrador da Copa de 70)

"Proposta suspende pagamento de dívida de clube de futebol durante pandemia"

(Fonte: https://www.camara.leg.br/noticias/649226-proposta-suspende-pagamento-de-divida-de-clube-de-futebol-durante-pandemia/

Demorou . . .
Herculano
01/04/2020 08:22
A CÂMARA DE GASPAR CONTINUA EM QUARENTENA ATÉ SEMANA QUE VEM
Herculano
01/04/2020 08:20
ATRÁS DO ELEITORADO PERDIDO

Ontem, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi a Florianópolis. Na segunda a noite ele disse que ia lá falar com o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, para pedir verbas para a saúde e pedir o relaxamento da quarentena. Vou falar disso ainda...

Eu escrevi que ele não tinha agenda com o governador. Montava um circo para se passar de vítima. Bingo. Não conseguiu falar além do pessoal da Defesa Civil e no governo protocolou ofícios.

No artigo de ontem - está abaixo - já expliquei aos meus leitores à razão política que fez Kleber ir a Florianópolis.

Acrescento mais outra: a de dar apoio - acertadamente - aos geradores de empregos e impostos, que estavam sem voz e eram abraçados em Gaspar pelos conservadores do Aliança pelo Brasil.

Foi frustante a viagem do prefeito, que numa época de isolamento e que tudo se faz a distância, não ter conseguido sequer abrir um canal à distância com o governador.

Outra. Para que servem entidades representativas como a Federação Catarinense dos Municípios, as associações de prefeitos e a AMMVI? Para viagens, custos? E os políticos para quais essa gente que está no poder aqui e serviu de cabo eleitoral para pedir votos em Gaspar?

Quem mesmo orienta Kleber nestas horas?

Para protocolar ofícios, Kleber poderia ter mandado um office-boy, se não quisesse fazer isso eletronicamente. É nestes momentos cruciais que se vê como a representação de Gaspar no ambiente político e de poder está diminuída. Perde a cidade. Perdem os empresários. Perdem os trabalhadores. Acorda, Gaspar!
Herculano
01/04/2020 08:07
UMA MÁQUINA ELEITORAL OU UM GOVERNO PARA OS CIDADÃOS?

Estou de alma lavada, mais uma vez. Ou seja, o tempo é o senhor da razão.

O anúncio feito ontem pelo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, do vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP e do prefeito de fato, presidente do MDB, coordenador da campanha de Kleber, e secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, dos que se afastam para serem candidatos a vereadores, é a prova que o executivo gasparense loteou as principais secretarias e o Samae em currais eleitorais, ocupados por curiosos e políticos, contra a cidade e os cidadãos.

Agora só resta aos eleitores responderem nas urnas em outubro - se nada for adiado - se concordam com esta máquina de votos que se reforçará no foco pela continuidade do poder, falta de transparência e não pela cidade.

Por que estou de alma lavada? Porque já escrevi sobre isso há muito tempo e fui desqualificado. Porque Kleber e os seus "çabios" acabam de passar o recibo. Porque a cidade já percebeu a jogada.

E por fim. Porque os que possuem voz, estão calados? Estão à espera de negociação e se locupletarem mais uma vez? Acorda, Gaspar!
Herculano
01/04/2020 07:57
GOVERNO BOLSONARO É LENTO NAS MEDIDAS DE SOCORRO, DIZ MEIRELLES, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Ideias vão na linha correta, mas falta levá-las à prática, diz ex-ministro e secretário paulista

Nos últimos dias, o governo de São Paulo tem ouvido clientes de bancos reclamarem de juros em alta e da redução da oferta de crédito ?"da dificuldade crescente de conseguir empréstimos a taxas e prazos suportáveis, enfim.

O governador do estado, João Doria, e seu secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, conversaram com os bancos a respeito, segundo o próprio Meirelles, ex-ministro da Fazenda, ex-presidente do Banco Central e ex-banqueiro.

O que os bancos disseram? Meirelles não se estende sobre o assunto. Em resumo, disseram um "não é bem assim".

"Levamos a preocupação, as queixas sobre cortes de linha de crédito etc. Não temos os dados, claro. O Banco Central tem, em tempo real, pode saber o spread, a oferta de crédito. Mas deve haver uma contração de crédito com uma crise deste tamanho", diz Meirelles.

Na sexta-feira passada, o governo federal anunciou que pretende criar uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para pequenas e médias empresas, dos quais R$ 34 bilhões sairiam do Tesouro, da conta do governo federal (que vai fazer dívida para emprestar esse dinheiro, por meio de bancos comerciais, que entrariam com os outros R$ 6 bilhões). A taxa de juros seria de 3,75% ao ano, com carência de 6 meses e prazo de pagamento de 36 meses.

Meirelles diz que "a direção geral [dos planos federais] me parece correta, para ajudar informais, mais pobres, empresas. Mas não adianta ter ideias, é preciso implementação. O governo está lento".

O pacote de crédito é suficiente? "Não deve ser suficiente, mas isso se deve avaliar mais adiante. Reitero: o problema agora é antes de mais nada de implementação, de regulação imediata das medidas, de fazer o dinheiro chegar aos bancos, às empresas. É uma questão de dias, de dois dias, não se pode esperar uma semana, muito tempo. Com o programa em andamento, vamos descobrir o que mais tem de ser feito".

O tamanho das necessidades de crédito barato, bancado pelo Tesouro, depende também da duração das restrições decorrentes da epidemia, diz o secretário paulista.

"Como saber se é suficiente sem saber quanto isso vai durar, por exemplo? O que está claro é que precisamos ajudar as empresas a atravessar a crise, manter os empregos, e criar condições para a retomada. Se houver muito desemprego e um número muito grande de empresas em recuperação judicial [sob risco iminente de quebrar], a economia vai se recuperar muito lentamente. A crise se estende", diz.

O que mais é possível fazer?

Meirelles repete que, primeiro, é preciso normatizar e implementar as ideias novas que têm sido levantadas para aumentar a oferta de crédito (linhas com dinheiro do Tesouro, compras de dívida privada pelo Banco Central etc.). Isso desafogaria um pouco as empresas e "faria pressão" sobre os bancos.

Segundo, talvez seja o caso de acionar os bancos federais (Banco do Brasil, Caixa). "O Brasil tem grandes bancos públicos. Outras economias importantes não têm. O governo pode recorrer a eles para aumentar a pressão competitiva, ofertando [mais] crédito. Como foi feito em 2008 [Meirelles era então presidente do BC, cargo que ocupou durante o governo Lula, de 2003-2010]".

Mas os bancos públicos não vão correr os mesmos riscos que os bancos privados tentariam evitar, a grande inadimplência? Meirelles diz que há risco, mas que foram contornados na crise de 2008-2009 no Brasil, no que diz respeito à inadimplência.?
Herculano
01/04/2020 07:52
EXCLUSIVO: 'ISOLAMENTO SOCIAL' TEM APOIO DE 81,1%, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Levantamento exclusivo encomendado pelo site Diário do Poder à Orbis Pesquisa sobre as consequências da pandemia do coronavírus, mostra que 81,1% dos entrevistados dizem ser favoráveis ao "isolamento social para cortar a circulação do vírus", medida preconizada pela maioria dos países e criticada pelo presidente Jair Bolsonaro. Entre jovens de 16 a 19 anos, o apoio ao isolamento impressiona: 96,4%. Também é maciço na faixa etária de mais de 65 anos o engajamento à medida: 88,8%. A Orbis entrevistou 2.163 pessoas em todo o País, na segunda-feira (30).

EM FAMÍLIA

O apoio ao "isolamento social" para combater o vírus tem apoio maior entre mulheres (86,9%) do que entre homens (74%).

CONTRA O ISOLAMENTO

A maior rejeição ao "isolamento social" está na faixa etária de 20 a 35 anos: mesmo assim, somente 26,9% são contra a estratégia.

DIFERENTES ETAPAS

Apesar de 81% apoiarem o isolamento, são 60% aqueles que acham que a estratégia deve ser manter todo mundo isolado, evitando o convívio.

PESOS DAS MEDIDAS

A pesquisa Diário do Poder/Orbis mostra que são 28,4% aqueles que apoiam isolamento de grupos de riscos e 5,1%, o de casos suspeitos.

MAIS TESTES FARÃO 'EXPLODIR' CASOS DE CORONAVÍRUS

Os milhões de testes rápidos para identificar se a pessoa foi infectada pelo coronavírus devem provocar uma "explosão" de casos no Brasil, mas não significa que a pandemia saiu do controle. O alerta é do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) usando o exemplo dos EUA, que assumiu a liderança mundial de casos dias depois de dar início a testes em massa na população e incluiu a grande maioria dos infectados, que contraem o vírus e se curam sem apresentar sintomas.

NINGUÉM ACREDITA

Mandetta duvida do caso da China, que tem 81 mil casos oficiais em 1,5 bilhão de habitantes. "Vocês acham mesmo?", disse.

O QUE IMPORTA

Apesar do salto expressivo, problema real é a taxa de letalidade, que está abaixo de 2% e continua caindo com o aumento dos testes.

QUATRO VEZES MAIS

Se seguir o padrão observado nos EUA, é de se esperar que o total de casos no Brasil, com testes em massa, quadruplique em uma semana.

QUE VEXAME

O falante presidente da Câmara, Rodrigo Maia, coloca no colo do governo até decisões de sua alçada, como ao menos votar qualquer dos projetos de colegas propondo a redução dos próprios salários.

PIADA NO LIXO

A pelegada não se emenda nem mesmo na tragédia: foi à Justiça do DF tentar colocar delegados e policiais civis no "trabalho remoto", em casa. A piada foi jogada no lixo pelo juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública.

EXEMPLO DO GENERAL

O ministro Augusto Heleno preferiu o trabalho ao "isolamento vertical". Ele lembrou dos 15 meses sob tironeio quase diário no Haiti, chefiando as tropas da ONU, quando recusou "isolamento individual, debaixo da cama", porque afinal tinha o dever de dar exemplo aos comandados.

ATIVISMO DESCONTROLADO

É risível a atitude dos que se calaram durante uma semana, sem críticas ao Congresso pela demora na votação do coronavoucher, e classificarem de "absurdo" o presidente levar 24h para sancioná-lo.

HORA DA VERDADE

Os ministros da Saúde e da Justiça têm 30 dias, segundo a Constituição, para dizerem por escrito ao líder do Podemos na Câmara, deputado Léo Moraes (RO) como veem o adiamento das eleições. Ele acha que só deve haver eleição com garantia de que não há riscos de contaminação.

FESTIVAL DE BESTEIRAS

Coleguinhas atribuem ao tucano Antonio Anastasia (MG) uma frase que o desmerece: "o Senado fez esforço enorme para se reunir na segunda-feira". Que "esforço enorme"? Abrir o computador e fazer votação virtual?

COMEÇAR TUDO OUTRA VEZ

Com a clientela sempre às voltas da prisão, após roubar muito, alguns criminalistas acham que é hora de ativismo para derrubar o governo, acabar a Lava Jato e reinstalar a safadeza que os deixou milionários.

DE OLHO NA RETOMADA

De olho no "pós-apocalipse", a agenda legislativa da indústria foi lançada esta semana e elegeu a reforma tributária como ponto principal para recuperar a economia brasileira dos efeitos da pandemia.

PENSANDO BEM...

...o debate do "isolamento total" é espelho do debate sobre abstinência sexual; a lógica é idêntica, mas os lados trocaram de posição.
Herculano
01/04/2020 07:44
da série: uma coisa é excluir ou punir uma informação falsa ou um crime contra a hora; outra coisa bem diferente é censurar no canetaço dentro de um escritório como se editor fosse, uma posição divergente - mesmo que seja de um líder, como o presidente da República. Isso afeta a liberdade de expressão.

COMBATE A FAKE NEWS REQUER CRITÉRIOS DEMOCRATICAMENTE LEGÍTIMOS, por Ivar Hartmann é professor e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, no jornal Folha de S. Paulo

Plataformas de mídia social acumulam poder muito grande sobre a liberdade de expressão e a censura feita ao presidente ilustra isso

A remoção de post do presidente Jair Bolsonaro por incentivar o fim do distanciamento social é o mais importante capítulo brasileiro da polêmica sobre o conteúdo e controle da disseminação online de informações sobre coronavírus. E deve acelerar uma mudança necessária nas preocupações da sociedade sobre os limites da liberdade de expressão na internet.

Ao menos no Brasil, a remoção talvez seja um marco entre duas fases. Antes o foco de todos era em manifestações ilegais que as redes sociais deixavam de remover. Depois, poderá ser em manifestações que a lei não proíbe, mas que as plataformas censuram mesmo assim. Por que essa discussão é bem-vinda? Quais são os principais desafios?

A primeira fase foi guiada pelo medo: na internet qualquer um publica o que deseja, há muitas manifestações criminosas e é complexo remover tudo. Essa é uma reação compreensível diante de uma mudança radical nas decisões sobre fluxo de informação para grandes audiências.

Manifestar-se na rua é um elemento importante da democracia, mas qualquer mensagem só ganha tração quando se insere na mídia de grande alcance - veículos privados. Nada é publicado em um jornal ou canal de televisão sem que um pequeno número de pessoas no controle tome uma decisão proativa de veicular aquela manifestação. Sempre foi um sistema opt-in.

Com sua popularização, contudo, a internet tornou-se o principal foro disponível para as pessoas publicarem sua opinião. A tecnologia permite publicar tudo, exceto quando proativamente a empresa que controla a plataforma - servidor de armazenamento, site de blogs, rede social - toma decisões individuais sobre não publicar ou excluir. É um sistema opt-out.

A consequência direta desse novo modelo viabilizado pela internet é um aumento brutal tanto na quantidade de publicações, quanto na de pessoas que têm a possibilidade de publicar mediante sua própria decisão.

Isso gerou o medo do excesso incontrolável, já que a sociedade sempre dispôs de sistemas para filtrar ilegalidades em plataformas privadas de mídia de massa opt-in, mas nenhum deles foi pensado para resolver o problema em plataformas opt-out. É inviável para o Judiciário em qualquer país avaliar individualmente os milhões de posts que circulam pelas redes sociais diariamente.

Nos Estados Unidos, Europa, Brasil e outros lugares a lei responsabilizou plataformas que não efetivassem remoções e deu imunidade para essas empresas privadas quando eventualmente cometessem censuras em excesso.

Na linha desse medo, quanto mais fake news sobre coronavírus Twitter e Facebook removerem, melhor. Porém, assim como com discurso de ódio, assédio e outras manifestações, há múltiplos conceitos do que seja fake news e pessoas diferentes discordam sobre a aplicação de um mesmo conceito em relação a um mesmo caso.

Por isso o medo deve dar lugar agora à preocupação com o procedimento mediante o qual se decide o que é censurado ou não nas redes sociais. A margem de erro restringindo mais ou menos manifestações do que o devido é algo inerente a qualquer sistema, o problema é quando as empresas são punidas apenas por errar para um dos dois lados.

Além disso, não existem no Brasil obrigações de transparência sobre a quantidade de decisões que elas tomam sobre remoção de posts. Não temos sequer as ferramentas para dimensionar o problema.

É por aí que precisamos começar. Diferentemente do Marco Civil da Internet, a lei alemã de 2017 sobre o tema criou obrigações de transparência para as plataformas, exigindo que publiquem relatórios periódicos com números sobre requisições de remoção de posts feitas por usuários e aquelas efetivadas pela empresa.

Sabendo que o post sobre coronavírus de Bolsonaro foi removido, a sociedade pode discutir o mérito dessa restrição. Mas quais e quantos outros posts relacionados à pandemia foram removidos? Como saber se realmente se tratava de fake news? Como saber os fundamentos da remoção?

Em 2018 um grupo de instituições sem fins lucrativos e acadêmicos estabeleceu os princípios de Santa Clara, um conjunto de obrigações mínimas que as redes sociais deveriam cumprir sobre a remoção de posts.

É indispensável que forneçam estatísticas gerais para o público, bem como os fundamentos da decisão específica para a pessoa censurada. Devem também garantir que essa pessoa possa acionar um sistema interno de revisão dessa decisão, o que é especialmente pertinente quanto mais decisões de remoção são feitas ou provocadas por máquinas.

As plataformas de mídia social não podem continuar centralizando a decisão sobre a circulação de informações e opiniões entre a maioria da população do Brasil e do mundo sem qualquer "accountability".

Essas empresas acumulam poder muito grande sobre a liberdade de expressão nas democracias contemporâneas e a censura feita ao presidente da República ilustra isso - independentemente de o leitor concordar ou discordar com o mérito do post específico. Tão importante quanto combater as fake news é garantir que isso seja feito segundo critérios democraticamente legítimos.
Herculano
01/04/2020 07:22
EXTERMINADORES DO FUTURO, por Carlos Brickmann

Discutir o que é mais importante, a vida ou os empregos, é ridículo. Ambos são importantes. É preciso sobreviver ao vírus, mas que não seja para morrer de fome em seguida. As eleições de 2022 podem ser discutidas em 2022. Agora temos de tratar conjuntamente de Saúde, Alimentação, Emprego; e da saúde econômica do país. Nessa ordem. Já deveríamos ter um comitê de crise amplo, apartidário, comandado talvez por alguém capaz de organizar as coisas, cuidando de harmonizar soluções para todos esses problemas. A China fez isso: no meio da crise, deu um jeito de garantir a comida da população (veja o ótimo texto de Jamil Chade, UOL, dia 30, https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/03/30/como-a-china-garantiu-abastecimento-durante-2-meses-de-quarentena.htm).

Não há quarentena que resista à fome. É preciso providenciar comida para suprir a falta da merenda escolar, que, para muitas crianças, é a principal refeição do dia. Comida, sim; e que deve ser entregue a domicílio, em quantidade que permita alimentar também pais e irmãos, privados das refeições servidas no emprego. E de graça ?" como é a merenda. É preciso, também, enviar dinheiro aos desempregados. As contas de gás e luz subiram com a quarentena. A Bolsa Família deve ter um bom cadastro, a ser complementado. Cuidar das empresas, como já se faz, embora timidamente, é essencial. Mas está na hora de pensar melhor no Imposto de Renda Negativo (a Renda Mínima de Eduardo Suplicy) para garantir o básico a todos os cidadãos.

Paulo Guedes entende disso: a tese é de seu mestre Milton Friedman, da Escola de Chicago.

ONDE ESTÁ O DINHEIRO?

Onde está o dinheiro que o caro leitor não tem, na hora de uma emergência médica? Está nos empréstimos ?" sim, são saques sobre o futuro, por um objetivo essencial. O mesmo comitê de crise deve preparar o país para uma nova fase da economia, com reformas que reduzam custos e simplifiquem nossa vida, há economias a fazer, para dar o exemplo. Precisamos de vices, quando o presidente da Câmara pode assumir? No Brasil há quase seis mil vices. Precisamos de três senadores por Estado, quando os EUA têm dois? Por que 513 deputados não podem virar 250? Cada deputado precisa mesmo de carro oficial, com motorista e combustível? No Judiciário não há despesas a cortar? Por que um sistema tributário que exige milhares de horas de trabalho para declarar impostos? Dá para aceitar que os bancos aumentem os juros entre 50% e 70% numa hora como essa? Se o grupo de farmácias Raia/Drogasil pôde rejeitar o aumento dos remédios, que já estava aprovado, por que os bancos, mais ricos, não podem ajudar?

E, convenhamos, O ministro da Economia não pode deixar Brasília, no meio de uma crise, porque o hotel em que se hospeda não lhe serve mais suquinho.

OS EXEMPLOS

Para que o Governo precisa gastar em anúncios? Tem algum concorrente? Por que um parlamentar tem verba de divulgação do mandato? Cada um que use as redes sociais à disposição, de graça. O país está estruturado como se o dinheiro fosse infinito. Não é ?" e na hora em que é preciso gastar, como agora, faltam verbas. Que se façam, então, os empréstimos, que alguns bilhões de dólares das reservas sejam vendidos, que o bilionário Fundo Partidário vá para o SUS, que sumam os penduricalhos que o Tesouro paga, mas que os cidadãos possam evitar o vírus sem passar fome em casa.

O QUE SE FAZ

Quando houve sintonia entre ministros, parlamentares e sociedade civil, fez-se alguma coisa. Dia 27, o Governo lançou programa de R$ 40 bilhões, com recursos do Tesouro, para financiar salários e garantir empregos em pequenas e médias empresas. Está pronta a concessão de R$ 600 por mês a trabalhadores informais, que de repente ficaram privados de qualquer renda. Só falta Bolsonaro assinar para que entre em vigor. O Governo anuncia uma proposta (ainda sem detalhes) para garantir seguro-desemprego ?" total, no caso de perda do emprego; proporcional, por redução de jornada e de salário. Há a antecipação do 13º em duas parcelas, agora. Convenhamos, é pouco.

LUTA DE IRMÃOS

Os irmãos Nasser, Jamel e Adiel Fares, que controlam a gigante do varejo Marabraz, venceram a primeira batalha na Junta Comercial de São Paulo, Jucesp: num prazo de 30 dias, deverão regularizar a empresa LP, administradora do grupo, e incluir nos papéis da empresa o registro da entrada e saída de seu irmão Fábio, que lhes move processo. A Procuradoria da Jucesp afirmou não ter visto má fé de nenhuma das partes na omissão do registro. A advogada de um dos filhos de Fábio, Lilia Frankenthal, recorreu para comprovar a má fé, usando decisões do Tribunal Regional Federal 3. A Presidência da Jucesp chamou as decisões do TRF3 de "calhamaço". Lilia Frankenthal disse que não daria entrevista e só se manifestaria nos autos.
Herculano
01/04/2020 07:17
A LIÇÃO DO SUS PARA O MUNDO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Capotou o Brasil Paraíso dos grandes grupos de medicina privada

Em agosto passado, numa entrevista à repórter Érica Fraga, o professor José Pastore avisou: "Nosso mercado de seguros e previdência ainda não despertou para o fato de que 50% da população economicamente ativa está na informalidade". Com que proteção? "Nada, zero. Nem proteção trabalhista, nem CLT, nem previdência, nem seguro-saúde, nada."

Ele foi adiante: "No novo mundo do trabalho, você tem três enfermeiras num mesmo hospital. Uma é fixa, outra é terceirizada e a outra, freelancer. Fazem a mesma coisa, mas têm remuneração e benefícios diferentes. Isso é um escândalo para o direito do trabalho convencional".

Tristemente, esse Brasil Fantasia explodiu com a epidemia da Covid-19. Capotou a economia que estava a "um milímetro do paraíso" (palavras de Paulo Guedes) com 38 milhões de brasileiros na informalidade. Capotou também o Brasil Paraíso dos grandes grupos de medicina privada. A conta da Covid-19 está nas costas do SUS, o patinho feio da medicina nacional.

Alguém poderia supor que num país desigual a desigualdade seria desigualmente repartida. Ilusão.
Quando surgiu a necessidade dos testes para detecção do coronavírus foi necessário que a Agência Nacional de Saúde determinasse a obrigatoriedade da cobertura pelos planos de saúde. Feito isso, a Federação Nacional da Saúde Suplementar (Fenasaúde), guilda das 15 grandes operadoras de planos, informou as condições para que essa cobertura fosse honrada.

A pessoa precisava estar com febre acima de 37,8 graus, tosse ou dificuldade para respirar. Segundo a guilda, "o exame específico será feito apenas nos casos em que houver indicação médica para casos classificados como suspeitos ou prováveis de doença pela Covid-19".

Essas exigências seriam razoáveis, sobretudo sabendo-se que não há testes suficientes à mão. A guilda informou também que "a cobertura do tratamento a pacientes diagnosticados com Covid-19 já é assegurada a beneficiários de planos de saúde, conforme a segmentação (ambulatorial, hospitalar ou referência) contratada. Em casos indicados, o beneficiário terá direito a internação caso tenha contratado cobertura para atendimento hospitalar e desde que tenha cumprido os períodos de carência, se houver previsão contratual". Não contratou? Está fora. As operadoras sabem que a conta irá para o patinho feio do SUS. Jogo jogado.

O silêncio e o rigor da rede de medicina privada pressupõem que ela existe no país dos com-plano que se subdivide entre os que tiverem "contratado cobertura para atendimento hospitalar" e aqueles que, azarados, não a contrataram.

Nos Estados Unidos, onde não há SUS, mas há capitalismo de verdade, o jogo foi outro. Na semana passada a seguradora Aetna (22 milhões de segurados) anunciou que não cobraria alguns pagamentos laterais exigidos nos contratos. A iniciativa espalhou-se com a rapidez do vírus e 78 operadoras anunciaram diversas modalidades de ajuda. David Cordani, CEO da seguradora Cigna (12 milhões de segurados), informou: "Nossos clientes com Covid-19 devem se preocupar com a luta contra o vírus e em prevenir sua propagação. Enquanto eles estiverem focados na recuperação de suas saúdes, terão nossa proteção".

As operadoras americanas não bancarão todos os custos dos tratamentos. Apenas mostram que estão acordadas e preocupadas com a saúde de seus clientes.
Miguel José Teixeira
31/03/2020 22:46
Senhores,

"Ditador do Turcomenistão proíbe uso da palavra coronavírus no país"

(fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/03/ditador-do-turcomenistao-proibe-o-uso-da-palavra-coronavirus-no-pais.shtml

Huuummm. . .quer acabar com a pandemia pela caneta.

Por aqui, a ex dep.est. e quase def.fed. anapaulalima, também tentou acabar com o consumo do crack pela caneta: aprovou um projeto que virou lei, exigindo que em todos os documentos oficiais, fosse escrito "crack - a pedra da morte".

Mais duas para o "FEBEAPÁ-CoronaEdition".

I'm sorry!
Miguel José Teixeira
31/03/2020 22:34
Senhores,

Caso seja verdade que o presidente instalou seu filho que é vereador no Rio, em uma sala no Palácio de Planalto e aliando tal acinte ao seu discurso chinfrim desta noite, percebe-se que já abandonou seu projeto de reeleição.

Como dizem atualmente "só di boa na lagoa" aguarda o fim do seu mandato. Esquecendo-se que, de panelaço em panelaço, poderá ser apeado do poder muito antes do que prevê.

Sempre é bom lembrar que, mais vale dois pássaros voando do que um na mão. . .
Miguel José Teixeira
31/03/2020 11:55
Senhores,

A Utopia do Upiara

"Nascidas na crise do coronavírus, sessões virtuais podem indicar futuro dos parlamentos"

+ em: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/upiara-boschi/nascidas-na-crise-do-coronavirus-sessoes-virtuais-podem-indicar-futuro-dos

O que nossos (blaaargh) parlamentares realmente querem, adoram e nele se grudam é o PODER:

- viajar em aviões da FAB por conta do erário.
- distribuir cargos comissionados.
- fazer cortesias com o chapéu alheios.
- praticar toda a sorte de patifaria amparados pela legislação.
- ignorar os anseios dos burros-de-cargas, nós contribuintes, enfim:

Poder exibir o seu poder.

E para manter essas e outras mordomias que seu "pudê" alcança, jamais venerável sugestão seria acatada.

No entanto, entretanto e portanto:

SESSÕES VIRTUAIS NOS PARLAMENTOS, JÁ!
Herculano
31/03/2020 11:53
ARAS: "QUEM DETERMINA POLÍTICA DE SAÚDE NO BRASIL É O MINISTRO MANDETTA"

Augusto Aras [Procurador Geral da República]afirmou nesta terça-feira (31) que vai ouvir Luiz Henrique Mandetta antes de tomar decisões relacionadas à pandemia do novo coronavírus.

Questionado por Andreia Sadi se adotaria alguma medida em uma eventual decisão de Jair Bolsonaro de decretar isolamento vertical, no qual apenas pessoas do grupo de risco devem ficar isolada, o PGR respondeu:

"Vou ouvir o ministro Mandetta. Quem determina política de saúde no Brasil é o ministro Mandetta."
Miguel José Teixeira
31/03/2020 10:43
Senhores,

Do ex e futuro presidiário lula, no atrelado UOL:

". . .além da pandemia, Bolsonaro é o epicentro da crise que vivemos"

Sábias palavras do epicentro do maior assalto aos cofres públicos que a humanidade já teve notícia!

E está livre, leve e solto falando "jegueiras" graças ao SuTriFe!

"Não sai um terceiro mandatozinho aí"? Lembram-se?
Herculano
31/03/2020 08:47
da série: essa gente não deve conhecer direito o próprio presidente, mas principalmente os filhos bandidos que o influenciam sobremaneira e para o desastre. Se ele se alinhou no sábado, no domingo já tinha desalinhado. Hoje é terça e não se realinhou. Ontem na entrevista de Mandetta, este desalinhou ficou evidente. Então...

"O PRESIDENTE SE ALINHOU COM MANDETTA"

Conteúdo de O Antagonista. Carla Zambelli, em entrevista à Folha de S. Paulo, disse que Jair Bolsonaro vai mudar seu discurso sobre a Covid-19:

"O presidente tem um problema de comunicação. Não de atitude e nem de irresponsabilidade. Todos os países enfrentam a mudança muito rápida da doença. Trump, que tinha postura parecida com Bolsonaro, de preocupação econômica e de que a doença não é tudo isso, em três dias mudou. Aconteceu com Itália, Espanha e vai acontecer com o Brasil.

O presidente recebeu um estudo da Fiocruz afirmando que o aumento do desemprego gera mais mortes. Então, houve uma preocupação maior com o desemprego do que com a doença em si. Isso aliado a mensagens que ele recebeu de empresários.

Houve um problema de comunicação entre os ministros e o presidente, e dele para conosco. No sábado, teve reunião e o presidente se alinhou com Mandetta."
Herculano
31/03/2020 08:42
da série: um infiltrado, ou um incompetente no topo da cadeia da República?

RESPONSÁVEL POR EDIÇÃO DE MPs DEIXA GOVERNO, por Márcio Falcão, de O Antagonista.

Responsável por analisar e elaborar medidas provisórias, Felipe Cascaes deixou o governo. Ele foi exonerado no fim da semana passada da subchefia para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência.

A saída ocorre em meio a críticas ao governo pela elaboração de medidas provisórias. A última polêmica foi sobre um texto que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses e levou ao recuo de Jair Bolsonaro.

O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, falou em problemas com a redação e o mal-estar no Palácio teria culminado com a saída de Cascaes.

"Isso [suspensão de salário] jamais foi considerado. Houve um erro na redação da MP. O que se queria era evitar as demissões em massa, dando alguma flexibilidade de salário, mas com o governo complementando, como está sendo feita em várias economias", disse Guedes ao Estado de S. Paulo.
Herculano
31/03/2020 07:55
KLEBER VAI HOJE A FLORIANóPOLIS

O prefeito de Gaspar Kleber Edson Wan Dall, MDB, anunciou ontem que vai hoje a Florianópolis conversar com o governador Carlos Moisés da Silva, PSL.

Vai pedir dinheiro para a saúde, que alega não ter recebido nada de lá.

1. Na agenda pública do governador, até o momento em que escrevo, não há esse encontro. Talvez ele se dê via um secretário de Estado, uma outra fonte ou deputado aliado.

2. Segundo em tempo de vacas magras e de quarentena e de internet, qual a razão disso não ser feito por meio eletrônico, que é a ferramenta preferida do prefeito para fazer propaganda do seu governo?

3. A reclamação do prefeito tem procedência e é justa em nome dos cidadãos gasparenses, mas ela mostra que a área, loteada por motivos obviamente políticos, tanto que o titular, o dentista José Carlos de Oliveira Júnior, MDB, está para sair e ser candidato a vereador, não funciona em Gaspar, não possui relacionamento e iniciativas de parcerias, numa emergência.

4. Espera-se que Kleber, por qualquer motivo não sendo atendido, não venha para Gaspar com o discurso de vítima.

5. Espera-se que Kleber, que ganha R$27.356,69 por mês, acostumado a viajar mensalmente para Brasília, como isso se torna meio-contramão neste momento, ao ir hoje para Florianópolis, ao menos abdique da diária neste momento de emergência e crise financeira. Acorda, Gaspar!
Herculano
31/03/2020 07:36
MORO SE OPõE A BOLSONARO E FORMA BLOCO DE APOIO A MANDETTA COM GUEDES

Isolamento político do chefe da República também aumenta diante do aval das cúpulas do Legislativo e do Judiciário ao ministro da Saúde

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Renato Onofre, Talita Fernandes, Natália Cancian e Gustavo Uribe, da sucursal de Brasília. Os ministros Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) uniram-se nos bastidores no apoio ao colega Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e na defesa da manutenção das medidas de distanciamento social e isolamento da população no combate à pandemia do coronavírus.

O trio formou uma espécie de bloco antagônico, com o apoio de setores militares, criando um movimento oposto ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro, contrário ao confinamento das pessoas, incluindo o fechamento do comércio.

Com isso, o isolamento político do chefe da República aumenta diante do apoio que Mandetta já tem da cúpula do Legislativo e do Judiciário - nesta segunda-feira (30), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, destacou a necessidade do isolamento social.

Nos últimos dias, Moro deixou claro a pessoas próximas e a colegas de Esplanada a sua insatisfação com as recentes atitudes do presidente, como um passeio a pontos de comércio de Brasília no domingo (29).

Segundo aliados, Moro se disse "indignado" com a decisão de Bolsonaro de romper o acordo feito, no sábado (28), com ele e com outros membros do primeiro escalão do governo no sentido de buscar um discurso afinado sobre a pandemia.

O ministro ficou incomodado, por exemplo, por não ter sido chamado para participar de um encontro, também no sábado, com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e outros ministros do governo para discutir a judicialização das ações federais.

A posição do ex-juiz da Lava Jato sobre a pandemia se tornou pública por meio de suas redes sociais. Ele disse estar em "auto isolamento" no último fim de semana.

A avaliação feita por Moro a aliados é a de que o presidente está descontrolado, deixando aflorar sentimentos de raiva de supostos inimigos.

Moro não reza a cartilha do presidente sobre a pandemia. Ele tem defendido, além do isolamento, saídas técnicas para enfrentá-la. Exatamente o contrário das falas de seu chefe. Em uma reunião, por exemplo, o ministro disse que a Presidência não pode ser tratada como um "patrimônio pessoal".

Em entrevista recente à Folha, Moro se irritou ao ser questionado sobre o comportamento de Bolsonaro.

A aliados o ministro disse que não colocaria o cargo à disposição do presidente e que não era o momento de abandonar o barco, apesar da pressão que tem sofrido de pessoas próximas para sair.

Além de Moro, Guedes, considerado fiador econômico do governo, manifestou seu apoio às ações de Mandetta em conversas reservadas com políticos no fim de semana.

Publicamente, disse em duas ocasiões que não vê motivos para que o país coloque fim ao isolamento, sempre sinalizando em aceno ao titular da Saúde.

Em conversas com prefeitos e investidores, o chefe da economia disse que, como pessoa, preferiria ficar em casa. A declaração dele enfraquece a tese defendida por Bolsonaro de que é necessário retomar o funcionamento do país para que a crise econômica não se torne mais aguda.

Em outra ponta, militares - parte importante de sustentação do governo - afirmaram que estão de acordo com as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde e que estão à disposição para colocar em prática qualquer orientação de nível nacional.

A cúpula das Forças Armadas também concorda com a preocupação de Moro de que, num segundo momento, as questões de segurança poderão se agravar.

Em entrevista à Folha no domingo (29), o vice-presidente, general Hamilton Mourão, um dos interlocutores da ala militar, declarou que o coronavírus é sério e apontou falhas na coordenação de combate à doença.

O apoio desses personagens a Mandetta deixou o Palácio do Planalto em alerta.

Bolsonaro reagiu indo visitar o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e ex-assessor do seu governo. O presidente esteve na residência do militar pela manhã. No encontro, pediu o apoio dele ao discurso contra a quarentena total.

Logo depois, o ex-comandante, ainda a voz mais respeitada das Forças Armadas, postou em sua conta de Twitter uma mensagem condenando "ações extremadas que podem acarretar consequências imprevisíveis" e em apoio ao presidente da República.

Diante desse movimento de sua equipe, Bolsonaro tem se apoiado nos filhos, na ala mais ideológica e no diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, além do ex-ministro Osmar Terra, que é médico e foi demitido do Ministério da Cidadania em fevereiro deste ano.

Torres, aliás, é considerado o preferido de Bolsonaro em uma eventual queda de Mandetta, que tem tido também o respaldo da cúpula do Congresso e de seu partido, o DEM.

Como a Folha mostrou, a guinada dada por Bolsonaro diante da pandemia do coronavírus foi gerada pelo receio de perder setores essenciais à sua eleição - além de estar preocupado com a militância bolsonarista, essencialmente nas redes sociais.

O presidente fez sinais a empresários e setores conservadores e precisava reacender o apoio da bancada lavajatista que tem Moro como seu principal guia.

Pressionado, o titular da Saúde deixou claro ao presidente, em reunião no sábado, que não vai se demitir nem mudar de posição.

Ele foi aconselhado por aliados a se manter firme por ter se tornado "indemissível" num momento de pandemia. Se partir de Bolsonaro uma decisão de retirá-lo de sua equipe, caberá ao presidente assumir o ônus.

"Enquanto eu estiver nominado, vou trabalhar com ciência, técnica e planejamento", disse Mandetta em entrevista nesta segunda-feira.

Uma intervenção de Bolsonaro, no entanto, já busca tirar a visibilidade do ministro da Saúde, como ocorreu na apresentação do cenário diário da pandemia -transferida agora para o Planalto e com a participação de outros titulares de pastas do governo, e não só de Mandetta.

No campo político, o ministro da Saúde conta com o apoio dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (AP), ambos do DEM. É endossado ainda pelos principais governadores e prefeitos, a quem fez questão de acenar em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Bolsonaro também está em rota de colisão com os gestores de municípios e estados e despertou novamente a ira dos governadores ao dizer no domingo que "estava com vontade" de editar um decreto para normalização do comércio em todo país.

As divergências levaram ainda a um desentendimento de Mandetta com o comando da Anvisa. De acordo com pessoas próximas a Mandetta, ele e Barra mal se falam.

O diretor-presidente da Anvisa tem acatado a todos os pedidos de Bolsonaro - como a insistência na divulgação de possível cura da Covid-19 por medicações como a cloroquina, para a qual ainda não há comprovação científica.

As reações se deram ainda no Legislativo e no Judiciário.

Nesta segunda, líderes do governo no Congresso assinaram um manifesto em que pedem que os brasileiros sigam as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e fiquem em casa, em postura que se choca com a defesa de Bolsonaro.

O documento é assinado pelos senadores Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, e Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, que foi quem sugeriu o documento.

Também respaldam o posicionamento líderes de partidos como MDB, Rede, PT, Podemos, Cidadania, DEM, PDT, PSB, PSD e PROS.

O texto afirma que a pandemia provocada pelo coronavírus impõe desafios e que a experiência de países em estágios mais avançados de disseminação da doença demonstra que, "diante da inexistência de vacina ou de tratamento médico plenamente comprovado, a medida mais eficaz de minimização dos efeitos da pandemia é o isolamento social".

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, disse que fatos levam à conclusão de que medidas de restrição social são importantes para combater a pandemia do novo coronavírus.

"Tudo o que tem ocorrido no mundo leva a crer nessa necessidade do isolamento, realmente, que é para puxar a diminuição de uma curva [de contaminação] e poder ter um atendimento de saúde para a população em geral. É um momento de solidariedade entre todos os cidadãos do nosso país e em todo o mundo", afirmou.

MINISTROS E PODERES ISOLAM BOLSONARO

Mandetta
Alçado a protagonista da crise, o ministro reafirmou nesta segunda (30) sua defesa do isolamento social como estratégia para reduzir o contágio do novo coronavírus. Em um contraponto ao que prega Bolsonaro, Mandetta disse que "a pasta da Saúde continua técnica, continua científica"

Moro
Alvo de um processo de fritura por Bolsonaro no passado, o ex-juiz da Lava Jato se somou ao grupo que defende a permanência de Mandetta no cargo. Preocupado com o eventual impacto futuro de uma crise social na segurança pública, ele também defende um diálogo com os governadores

Guedes
Em reunião com prefeitos no domingo (29), o ministro foi na contramão do presidente: "Eu como economista gostaria que nós pudéssemos manter a produção e voltar mais rápido. Eu como cidadão, seguindo o conhecimento do pessoal da saúde, ao contrário, quero ficar em casa e manter o isolamento"

Toffoli
A principal figura do Judiciário brasileiro afirmou nesta segunda (30) que "tudo o que tem ocorrido no mundo leva a crer dessa necessidade do isolamento, realmente, que é para puxar a diminuição de uma curva [de contaminação]"

Líderes no Congresso
Os senadores Fernando Bezerra (MDB-PE, foto) e Eduardo Gomes (MDB-TO) assinaram manifesto divulgado nesta segunda em que pedem que a população fique em casa e siga as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde)
Herculano
31/03/2020 07:19
MANDETTA GERA CIÚMES E GOVERNO ALTERA ESTRATÉGIA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A crise do coronavírus acabou por revelar, por seu protagonismo, a nova liderança política nacional do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), cujo nome já supera outros bolsonaristas, como o ministro Sérgio Moro (Justiça), na citação de candidaturas presidenciais preferidas. Pesquisas encaminhadas ao Planalto mostram que o prestígio de Mandetta sobe em flecha, bem ao contrário do presidente Jair Bolsonaro, desgastado pelas afirmações que desdenham da pandemia que assombra o mundo.

APENAS SABOREANDO

Opositores de Bolsonaro sonham com briga, mas não há crise na relação de Bolsonaro. Mandetta apenas está adorando tudo isso.

MELHOR NAS PESQUISAS

Pesquisa Datafolha, divulgada no dia 23 deste mês, mostra que 55% dos brasileiros aprovam Mandetta, contra 35% conferidos a Bolsonaro.

FREIO DE ARRUMAÇÃO

Esses números só pioraram, daí a nova rotina de coletivas, inaugurada ontem. Mandetta terá de dividir com o governo os louros da sua atuação.

2022 É LOGO ALI

Aliados de Mandetta no Mato Grosso do Sul já falam em candidatura a presidente. Mas, para o ministro, a prioridade é combater o coronavírus.

CRÍTICA AO BRASIL NÃO REFLETE NÚMEROS DO COVID-19

O Brasil tem sido criticado pela mídia e políticos, todos "especialistas" em infectologia, sobre sua estratégia de combate ao coronavírus, mas os números não lhes dão razão. Países como Holanda, Turquia, Áustria, Portugal, Noruega e Suíça, sede da OMS, confirmaram o primeiro caso na mesma época do Brasil, mas têm mais ocorrências, apesar de bem menores, juntos ou isoladamente. Somados, são 58.970 casos em 134,4 milhões de pessoas. Aqui, são 4.579 em 212,2 milhões de brasileiros.

NINGUÉM RECLAMA

Suíça e Áustria registraram o 1º caso em 24 de fevereiro, como o Brasil. Ontem, 15.922 suíços, 9.618 austríacos e 4.579 brasileiros infectados.

DE LESTE A OESTE

De acordo com o Worldometer, Portugal e Turquia registraram o 1º caso em 1º e 9 de março. Hoje têm 6.408 e 10.827 casos, respectivamente.

SEM CRÍTICAS

Desde o 1º caso, em 26 de fevereiro, a Holanda totaliza 11.750 casos. A Noruega soma 4.445 desde a primeira notificação, em 25 de fevereiro.

COISA MAIS ESQUISITA

Não foi ilegal, mas é esquisito o ministro Paulo Guedes (Economia) dispor do seu tempo, pago pelo contribuinte, para privilegiar clientes da XP Investimentos, uma empresa privada, com uma videoconferência.

MEU NOME É TRABALHO

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) acha que são injustas as críticas que generalizam o comportamento folgado do Senado. Seu gabinete no Anexo 2 do Senado, por exemplo, abre todos os dias às 7h da manhã.

DORES CONHECIDAS

O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), rico empresário, conhece bem as dificuldades da vida de garçom: já foi um deles, nos tempos de vacas raquíticas. Por isso propôs emenda que os inclui no coronavoucher.

QUEM PRECISA ESTÁ SEM

O piti dos defensores do isolamento total, em vez do vertical, proposto por Bolsonaro para retomar em parte a economia, não vem das favelas. Lá, segundo DataFavela, 72% acham que perderam qualidade de vida.

MAIS DO MESMO

Apesar do coronavírus, vários políticos como o ex-deputado Alberto Fraga só pensam naquilo: uma vaga no ministério. Agora plantam contra o Sérgio Moro, inventando "desabafo" de Jair Bolsonaro contra ele.

NOVO EMBAIXADOR

O chanceler Ernesto Araújo recebeu ontem, por teleconferência, as cartas credenciais do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, que garantiu cooperação americana contra o Covid19.

AGENDA ÚNICA

O Senai anunciou parceria com dez empresas com instalações em treze estados brasileiros para criar pontos de manutenção de respiradores utilizados no tratamento dos pacientes com Covid-19.

TODOS NA LUTA

O Hospital Ministro Costa Cavalcanti, bancado pela usina de Itaipu, já está habilitado para fazer até 480 exames rápidos para detectar o covid-19. Em Foz do Iguaçu são 10 casos confirmados e 112 suspeitas.

PERGUNTA NA OPERAÇÃO

A Lava Jato também está de quarentena?
Herculano
31/03/2020 06:54
O QUE BOLSONARO NÃO DIZ, por Mariana Carneiro, no jornal Folha de S. Paulo

Com tantas vidas em jogo, mostrar o que ele não diz é questão humanitária

Desde o início da emergência provocada pelo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro não disse uma palavra para confortar os que têm medo da doença e da fome, a quem teme perder tudo o que construiu e aos que adoeceram. Também não disse às pessoas sobre como colaborar com familiares, colegas de trabalho, empregado ou patrão.

O presidente disse, sim, muitas coisas sobre o que acha da doença e como considera importante que o trabalho seja mantido, pois as pessoas dependem do que ganham.

O que se espera de um líder não é dizer o óbvio, mas mostrar que somos capazes de superar a adversidade e nos refazer. E que todo o esforço será empregado nisso. É dizer que a comida chegará à casa de quem passa fome, seja pelo esforço do Estado, seja pela solidariedade dos vizinhos, porque agora é preciso aumentar a dose de compaixão.

O que Bolsonaro não diz é também o cálculo político que parece fazer da crise. Ao apontar os riscos de emprego e recessão - outra constatação óbvia -, sugere preparar o terreno para o discurso que entoará após a tempestade, o clássico "eu avisei".

Dessa maneira, já estão lendo os políticos Brasil afora, Bolsonaro tentará se livrar da culpa da crise econômica instalada. Com o perdão aos otimistas, mas é bem provável a recessão e o elevado desemprego.

Se o isolamento social que o presidente critica for bem-sucedido, Bolsonaro reforçará a imagem da gripezinha e pode ganhar pontos na retórica política, sonhando com a reeleição. Se der errado, será uma tragédia em que todos, não apenas ele, serão engolidos. Então, soa uma conta simples: ele parece apostar na opção em que vê chances de ganhar.

A crueza da lógica política, mesmo quando não parece haver sensatez, é algo antigo nos corredores do poder. Nosso trabalho diário, como jornalistas, é trazê-la à luz do dia. Mas, quando há tantas vidas em jogo, mostrar o que Bolsonaro não diz tornou-se uma questão humanitária.
Herculano
31/03/2020 06:47
Ao Fedor do Lixo

Apenas para deixar claro. Eu não devo favor nenhum ao mais longevo dos vereadores de Gaspar, e desafio vereador a tornar claro e público este assunto.

Ao contrário. Mas, não cobro favores que fiz aos outros. Fiz por que quis. Se não fosse favor, teria cobrado.
Lixo do Fedor x Fedor do Lixo
31/03/2020 04:18
Sr. Herculano

Bom dia

Parabéns pela sua ilibada postura, passa prefeito, entra prefeito; entra Diretor e sai Direitor do SAMAE e o senhor continua com sua postura RETA diante de tortas e obscuras ações dessa gente. Não é atoa que mais longevo o trata de VAGABUNDO e INGRATO cidadão, pois o esqueceu de favores dos tempos de CEVAL.
Enquanto isso, o fedor do lixo continua elegendo com facilidade VEREADOR e PREFEITO a cada 4 anos. Eleitor burro e vendido. Só aqui na sua coluna fica se sabendo das coisas, mutretas, omissões dos poderes. "in Doris" É UMA VERGONHA!
Miguel José Teixeira
30/03/2020 21:44
Senhores Leitores do Cruzeiro do Vautcher,

Com a pandemia do coronavírus, passamos também a vivenciar com um novo Febeapá - Festival de Besteira que Assola o País (Stanislaw Ponte Preta).

Alguns veículos de comunicação, bestialmente resolveram denominar o auxílio emergencial de R$ 600,00 de "coronavoucher".

"Corona", é também o nome de famosa cerveja mexicana.

"Voucher" em Português pronuncia-se vautcher e significa vale.

Assim, para sermos "moderninhos" e "globalizados" como querem certos veículos de comunicação, nos atualizamos lendo o Jornal Cruzeiro do Vautcher.

Geograficamente, vivemos no Vautcher do Itajaí!

Vautcher registro que:

a) por força de uma fratura no dedo mindinho do pé direito, contraí uma trombose seguida de tromboembolia pulmonar. Portanto estou sem beber desde 30 de setembro. Assim sendo,

b) esta postagem também faz parte do Febeapá, pois nasci e vivi por muitos anos no vautcher do Ribeirão Garcia. . .
Herculano
30/03/2020 19:05
49% DAS INDÚSTRIAS RELATAM CANCELAMENTO DE PEDIDOS E ENCOMENDAS

Levantamento realizado pela CNI

70% já registram queda de receita

53% têm queda intensa na demanda


Conteúdo da Agência Brasil. Texto do Poder 360, Brasília DF.Segundo levantamento da CNI, 70% das indústrias dizem que houve queda no faturamento

A paralisia nos setor de serviços ocasionada pela disseminação da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, resultou no cancelamento de pedidos e encomendas em 49% das indústrias. É o que mostra relatório divulgado nesta 2ª feira (30.mar.2020) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

A consulta foi realizada com 734 empresas de pequeno, médio e grande portes em 26 e 27 de março. A queda no faturamento foi apontada por 70% das empresas industriais consultadas como o principal impacto da pandemia do novo coronavírus. Eis a íntegra (341 KB) do estudo.

O levantamento também indica que 92% das empresas consultadas são afetadas negativamente pela pandemia, sendo que para 40% o impacto negativo foi muito intenso. Apenas 3% das empresas estão sendo afetadas positivamente.

Em relação à demanda por produtos industriais, 8 em cada 10 (79%) das empresas consultadas percebem que houve queda. Mais de a metade das empresas (53%) apontam que a queda foi intensa. Já 7% das empresas percebem alta da demanda por seus produtos.

OBTENÇÃO DE INSUMOS
Segundo o relatório da CNI, a pandemia também já dificulta a obtenção de insumos e matérias-primas para a maior parte da indústria brasileira. Quase 9 em cada 10 empresas consultadas (86%) estão com dificuldade para conseguir insumos ou matérias primas, sendo que 37% das empresas estão com muita dificuldade de obtenção. Apenas 15% não enfrentam dificuldades para conseguir insumos e matérias-primas.

Sobre o transporte de seus produtos, de insumos e matérias primas, 83% das empresas consultadas disseram encontrar dificuldades na logística de transporte; 38% estão com muitas dificuldades. Somente 17% das empresas não estão enfrentando obstáculos na logística de transporte de seus produtos e/ou insumos e matérias-primas.

PRODUÇÃO INTERROMPIDA
Em 4 de cada 10 indústrias consultadas (41%) a produção foi interrompida por conta da crise causada pela pandemia. Em 23% das empresas a produção está paralisada por tempo determinado. Em outras 18% das empresas a produção está interrompida. Eis os números:

TRIBUTOS DE ROTINA
Ainda de acordo com o levantamento da CNI, a indústria está com dificuldades para lidar com os pagamentos de rotina ?"tributos, fornecedores, salários, energia elétrica e aluguel. Praticamente 3 em cada 4 empresas consultadas (73%) estão com dificuldades, sendo que para 42% estão com muita dificuldade para lidar com esses pagamentos.

ACESSO AO CRÉDITO
O acesso ao crédito também está mais difícil para as indústrias. De acordo com a CNI, 45% das 734 empresas consultadas relatam que o acesso está muito mais difícil. Para 20% das empresas que buscaram capital de giro, o acesso segue inalterado. Apenas 2% afirmaram que o acesso está mais fácil.

Segundo o relatório, há preocupação com a sobrevivência das empresas devido ao cenário atual, conjugado à continuidade de despesas regulares das empresas (salários, tributos, energia, aluguel etc) e à queda na liquidez no mercado financeiro.

"O governo brasileiro precisa intensificar as ações de combate à covid-19 e de ajuda à população e às empresas. O uso de recursos públicos deve ser direcionado ao fortalecimento do sistema de saúde e ao alívio da situação financeira das empresas, com a finalidade de preservar os empregos", recomenda a confederação.

"Precisamos ter o equilíbrio necessário para retomar a atividade em alguns meses. Tem que procurar evitar a demissão. Até porque isso traria consequências posteriores", defende o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Braga ?"diagnosticado com covid-19 em 16 de março de 2020?" encaminhou na 6ª feira (27.mar.2020) correspondência ao presidente Jair Bolsonaro na qual a instituição se prontifica a ajudar na implementação do chamado isolamento social vertical. A estratégia consiste em manter apenas pessoas do grupo de risco para a covid-19 em quarentena.

No documento, também encaminhado aos presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli; do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a CNI argumenta que o isolamento vertical requer forte coordenação entre os setores público e privado.
Herculano
30/03/2020 18:59
A SOCIEDADE NORTE-AMERICANA TRABALHA QUE 100 MIL A 200 MIL MORTOS PELA COVID-19 SEJA ACEITÁVEL. QUANTO OS BRASILEIROS ACEITAM?
Herculano
30/03/2020 18:54
TRUMP ACALMA MERCADOS E QUEDA DA ECONOMIA PERDE FORÇA, por José Antônio Severo, em Os Divergentes.

O mercado, aos poucos, vai se acostumando à ideia que o mundo terá uma desaceleração brusca, embora não se saiba ainda o tamanho da queda do PIB

O pânico na área da economia começa a passar. Isto foi possível depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar novas medidas de isolamento social e contenção do coronavírus, o que animou os mercados.

Os Estados Unidos devem manter sua quarentena até o final de abril, seguindo uma nova diretriz da Casa Branca. Com isto, a previsão catastrófica de que aquele País teria cerca de dois milhões de mortos, reduz-se para entre 100 mil e 200 mil mortos.

Esse número seria aceitável, dizem os observadores, entre 5% e 2,5% da população nacional. Até o momento, os norte-americanos contam com 142 mil infectados, quase o dobro dos doentes da Espanha e China, com 80 mil cada país. Entretanto, ainda não foi atingido o pico de infestação.

Por outro lado, os mercados estão ganhando confiança devido às medidas de apoio às economias anunciadas pelos governos. Por exemplo, no Brasil a totalidade dessas ofertas já alcançam a 415 bilhões de reais, ou seja, 5,7% do PIB. Nos Estados Unidos, o socorro chega a 10% do PIB. Isto gerou alguma calmaria nos negócios nesta segunda-feira.

Os agentes do mercado estão se conformando com a crise e, sem desmerecer seus efeitos, considerados os mais graves da História moderna, vão se acomodando à desaceleração. As previsões de queda estimadas pelos economistas diminuiu a tendência baixista caiu e a expectativa pessimista elevou-se um pouco, para um resultado negativo de, no máximo, 2,8% do PIB mundial. Esse é o número do dia, num ambiente de mudança constante de previsões. Seria assimilável.

Nesta segunda-feira, depois de uma semana de incertezas, as bolsas de mercadorias e de valores abriram com baixas moderadas, ou seja, dentro do figurino. A bolsa de ações de São Paulo (IBOVESPA), que já andou rondando os 61mil pontos (antes da crise andava acima de 100 mil), operava com 73.429, uma alta positiva do volume de negócios e de preços.

As notícias positivas: o suprimento de insumos para as lavouras está normalizado na indústria. Com isto, o agronegócio ainda não sinaliza contração, nem o abastecimento interno estaria ameaçado. A maior dificuldade tem sido na ponta, ou seja, os produtores em quarentena recusando-se a receber caminhoneiros com cargas de fertilizantes e defensivos.

Entretanto, ainda não foi sentida a falta de matérias-primas originadas da China, principalmente para os defensivos. Os maiores problemas seriam no segmento dos defensivos.

A indústria de fertilizantes brasileira não é tão dependente de insumos chineses quando os inseticidas. No entanto, de uma forma geral, 70 por cento dos insumos para as lavouras feitos no Brasil dependem de fornecimentos do exterior, tudo transportado por via marítima. Portos e tripulações de navios cargueiros ainda não estão sofrendo restrições consideráveis como os cruzeiros e outras embarcações de passageiros de rotas internacionais.
Miguel José Teixeira
30/03/2020 12:46
Senhores,

Quem duvida da falta de escrúpulos do Tio Sam?

Consta que para forçar o Brasil entrar na 2ªGM (ooops. . . GM aqui significa Guerra Mundial e não Gilmar Mendes) o Tio Sam afundou navio(s)alemão (ães) na costa Brasileira.

Será que para forçar um desentendimento entre o Brasil e a China o Tio Sam estará alugando a boca da família zero-zero?

Por favor, respostas em mandarim para o ILILS!

Suposto telefonema do Trump ao ex futuro embaixador do Brasil em "caixa-prego:

Alô, edubananinha! Espalhe aí em Pindorama que o coronavírus é cria do ????? - Partido Comunista da China para desestabilizar a economia mundial.Enquanto isso eu vou lá buscar auxílios para meu país, que ninguém é de ferro!
Herculano
30/03/2020 11:58
BOATOS E PREOCUPAÇÃO COM EFEITOS DO COVID-19

Nas redes sociais neste final de semana, uma enxurradas de denúncias e dúvidas.

De um lado, havia quem denunciasse que todas as mortes estavam sendo computadas como decorrentes do Covid-19, para causar pânico e trancar todas as pessoas em casa.

Na outra ponta, gente defensora da quarentena (para gente sã) e isolamento (para gente doente), afirmando que as mortes por Covid-19 estavam criminosamente sub-notificadas, para justificar até ontem o número baixo de vítimas até ontem.

Incrível! É uma guerra de desinformação. Cada um defendendo a sua convicção e não exatamente uma realidade

O que verdadeiramente está na raiz desta questão? O seguro de vida da maioria das pessoas mortas feito pela família, empresas aos empregados e outras situações onde se há esse tipo de cobertura.

É que em quase todas as apólices, há cláusulas de exclusão. Entre elas, a de pandemia. Ou seja, se no atestado do óbito houver a indicação de Covid-19, como causa da morte, os favorecidos indicados pelo morto, poderão perder o valor do seguro a que teriam direito.
Herculano
30/03/2020 11:22
VEM AI A REBELIÃO DOS PREFEITOS

Corre e está nos aplicativos de mensagens, áudios de diversos prefeitos catarinenses contra a decisão do governador Carlos Moisés da Silva, PSL, de estender por mais sete dias a quarentena daqui

Estão desesperados com as contas que estão obrigados e a arrecadação que vai diminuir. Duvidam da eficácia da medida do governador e pedem isolamento vertical para os grupos de riscos.

Pode ser tarde. Santa Catarina industrial vai parar seus parques fabris, não exatamente para atender o decreto do governador, mas porque empobrecida, a população não vai mais consumir como antes.

E os municípios, que dependem de arrecadação com ISS e o retorno do ICMS, vão sofrer para pagar as suas folhas de pagamento.

Se eles reclamam sobre o futuro, os prefeitos ainda não fizeram a lição de casa, demitir comissionados, retirar os cargos em confiança e até diminuir os vencimentos deles, vices e secretários.

A pimenta só arde nos olhos dos outros.
Herculano
30/03/2020 11:16
A PROTEÇÃO DE DADOS E A COVID-19, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo.

Nossa lei permite que usemos dados coletados pelo celular para combater a pandemia

Nos últimos dias tem ocorrido um importante debate. Para combater a Covid-19, uma das estratégias é usar dados coletados pelos celulares, incluindo informações sobre geolocalização (a posição geográfica da pessoa em tempo real).

Esses dados podem auxiliar a medir com precisão o grau de distanciamento social de determinada comunidade. Podem também contribuir para assegurar que atividades essenciais, que não podem fechar, continuem funcionando. Países como Taiwan, Japão e Coreia do Sul adotaram estratégias nesse sentido, com grande eficácia.

Uma questão que surge é se esse tipo de uso de dados seria permitido de acordo com os modelos de proteção à privacidade e de dados pessoais.

No caso do Brasil, a resposta é claramente sim. A razão é clara: o Brasil aprovou em 2018 a Lei Geral de Proteção de Dados. Trata-se de importante marco legislativo - inspirado pelo modelo Europeu - que possui uma dupla finalidade: assegurar a proteção de dados pessoais e, uma vez que suas diretrizes tenham sido seguidas, permitir o acesso e uso desses mesmos dados.

Lendo o texto da lei de proteção de dados do país à luz da Covid-19, dá para ver como o texto foi bem desenhado para prever situações como a crise que estamos vivendo.

Nesse ponto a lei brasileira autoriza com precisão que dados podem ser usados para fins de "proteção da vida ou da incolumidade física", inclusive de terceiros e sem a necessidade de consentimento prévio. A lei permite ainda o uso dos dados para fins de "execução de políticas públicas".

A Covid-19 é a maior ameaça "à vida ou à incolumidade física" de que se tem notícia nesta geração. A solução para essa ameaça depende justamente da execução de políticas públicas e da tomada de decisões rápidas, racionais e baseadas em dados.

A lei brasileira é tão bem desenhada que, mesmo ao autorizar o uso de dados em situações de emergência, cria também as restrições e contrapesos ao que pode ser feito eles.

A própria lei diz que mesmo nos casos graves continuam intactos os deveres de observar "os princípios gerais e a garantia dos direitos" dos titulares dos dados.

Em outras palavras, os dados autorizados mesmo em emergências devem ser usados apenas para essa exclusiva finalidade. Tão logo a emergência seja superada, tais dados colhidos e usados em situação excepcional devem ser apagados, e a prática de uso dos dados sem consentimento, descontinuada.

Além disso, técnicas como anonimização e agregação de dados devem ser aplicadas sempre que possível.

Por fim, todo o processo precisa ser feito com transparência e responsabilidade. Na Europa, a entidade de supervisão de proteção de dados posicionou-se nesse sentido em comunicado expedido na semana passada endereçado à Comissão Europeia.

Um ponto importante é que a lei brasileira de proteção de dados entra em vigência em agosto. Apesar de não estar em vigência, já é lei válida, formalmente promulgada e já possui pleno vigor.

Sua linguagem e normativos já possuem eficácia prática e já são hoje seguidos e aplicados por empresas, autoridades públicas e o Judiciário. Essa é a lei que temos e é a lei que precisamos seguir para tomar decisões com respeito ao uso de dados neste momento, aqui e agora.

READER
Já era?
Controlar o celular com botões

Já é
Controlar o celular com toque na tela

Já vem
Controlar o celular com o movimento dos olhos (thanks Mel)

Herculano
30/03/2020 11:12
QUEM TEM JUÍZO E QUEM NÃO TEM, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Para Bolsonaro, não importa preservar a economia ou as vidas dos cidadãos; a única coisa que interessa é salvar seu governo e, principalmente, sua imagem

Os líderes do G-20, grupo das principais economias do mundo, anunciaram uma injeção da ordem de US$ 5 trilhões na economia global para enfrentar os impactos da pandemia de covid-19. "O G-20 se compromete a fazer o que for necessário para superar a pandemia", informou o grupo em nota oficial.

No comunicado, o G-20 se diz "determinado a não poupar esforços, individual e coletivamente, para proteger vidas; salvaguardar empregos e a renda das pessoas; restaurar a confiança, preservar a estabilidade financeira, estimular a recuperação e o crescimento econômico; impedir a interrupção do comércio e da cadeia global de suprimentos; ajudar todos os países carentes de assistência; coordenar ações nas áreas financeira e de saúde pública; e combater a pandemia".

Na reunião, feita por teleconferência, todos os líderes do G-20 tiveram alguns minutos para comentários. O presidente Jair Bolsonaro usou seu tempo para defender medidas para estimular a economia e destacar os supostos progressos no desenvolvimento de uma droga à base de hidroxicloroquina para conter o novo coronavírus - cujas pesquisas, a despeito do otimismo de Bolsonaro, estão ainda longe de ser conclusivas.

Deve ter ficado claro para os demais chefes de governo do G-20 que não podem contar com o colega brasileiro, perdido em seus devaneios sobre uma cura milagrosa que viria a tempo de salvar milhares de vidas e, o que lhe parece mais importante, evitar o colapso econômico do Brasil ?" pois, segundo suas próprias palavras, "se afundar a economia, acaba com meu governo".

Assim, para Bolsonaro, não importa nem preservar a economia nem as vidas dos cidadãos; a única coisa que interessa é salvar seu governo e, principalmente, sua imagem, com vista à próxima eleição. Por isso, insurge-se contra todos aqueles que - governadores à frente, mas também seu ministro da Saúde - propõem ou ministram remédios amargos, mas imprescindíveis, para conter a epidemia.

Como mostrou o G-20 ao se propor a gastar US$ 5 trilhões (mais que o dobro do PIB brasileiro) contra a pandemia, o que o mundo está enfrentando não se cura com licor de cacau Xavier. Graças à liderança caótica e hesitante de Bolsonaro, a equipe econômica até agora apresentou medidas tímidas que representam menos de 4% do PIB, segundo cálculo da Fundação Getúlio Vargas, enquanto os Estados Unidos poderão despender até 11% do PIB e o Reino Unido, 17%, para ficar apenas em países governados por políticos que Bolsonaro admira. O Reino Unido vai bancar até 80% da renda dos trabalhadores cujos salários forem suspensos, dentro de um limite de 2.500 libras mensais, bem acima do salário mínimo de 1.300 libras. Já Bolsonaro dará um "voucher" de R$ 600 (60% do salário mínimo) para trabalhadores informais ?" lembrando que, inicialmente, o presidente havia proposto R$ 200, e só bancou um valor maior depois que o Congresso propôs R$ 500.

Para Bolsonaro, contudo, tudo vai se resolver se as medidas de isolamento social forem imediatamente suspensas. Tornou a atacar os governadores, dizendo que estes terão de arcar com encargos trabalhistas de quem for obrigado a fechar seu estabelecimento comercial. Para ampliar a pressão, seu governo, contrariando diretrizes do próprio Ministério da Saúde e o apelo de todas as principais entidades médicas do País, lançou nas redes sociais uma demagógica campanha intitulada "O Brasil não pode parar", que minimiza a epidemia e defende "voltar à normalidade". Com isso, irresponsavelmente, estimula os brasileiros a desobedecerem à determinação de governos estaduais para manter o isolamento social, única forma de impedir que a epidemia cause o colapso do sistema de saúde ?" que, se ocorrer, ampliará de modo exponencial o número de mortos e, consequentemente, o desastre econômico, pois mortos não trabalham.

Mas Bolsonaro não está nem um pouco preocupado. "Eu acho que não vai chegar a esse ponto", disse o presidente. "Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali. Ele sai, mergulha e não acontece nada com ele." Caramba!
Herculano
30/03/2020 11:08
NEM A TRAGÉDIA RONDANDO FEZ O SENADO TRABALHAR, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta segunda-feira nos jornais brasileiras

Os senadores não abrem mão de prerrogativas e nem muito menos dos R$210 mil que custam por mês, em média, mas, na hora de mostrar serviço, a porca torce o rabo. Optaram por não trabalhar, deixando de votar o auxílio de R$600 para brasileiros, em dramática situação de risco, na informalidade. Poderiam fingir interesse, fazendo votação virtual no sábado ou no domingo, mas nada. Se fosse para garantir mais regalias para suas excelências, teriam votado até de madrugada, como já ocorreu.

FOLGA É MAIS IMPORTANTE

A votação, que poderia ter sido sexta, remetida ao Planalto e publicada em edição extra do Diário Oficial, ficou para esta segunda-feira, à tarde.

VERGONHA

A liberação do dinheiro que pode, literalmente, salvar vidas, foi adiada por pelo menos quatro dias para manter a folga dos parlamentares.

ATRASO DE VIDA

O presidente interino do Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), jogou a toalha na sexta, e marcou a votação - virtual - para hoje. Ver para crer.

ELE NÃO ABRIU MÃO

A eleição de Davi Alcolumbre como presidente ocorreu em sessão presencial, num sábado. Mas o povo pobre, por certo, pode esperar.

DEPUTADOS GASTAM R$ 77,3 MILHÕES COM ASPONES

O salário dos deputados federais é de R$33,7 mil e têm mais cerca de R$ 45 mil a título de "cota parlamentar", mas o grosso do gasto mensal é com a tropa de aspones que os circundam e custam R$ 77,3 milhões, segundo o portal OPS. Cada gabinete funciona como uma empresa à disposição do deputado e o custo chega a R$ 265 mil mensais com os salários de até 25 secretários parlamentares, além de outros benefícios.

EMPRESA PARLAMENTAR

Campeão de gastos com aspones, o deputado André Abdon (PP-AP) torra mensalmente R$ 264,9 mil mensais com sua "pequena empresa".

TEM PARA TODOS

Cada um pode ter 25 assessores ativos, mas a professora Marcivânia (PCdoB-AP) apostou na rotatividade e sua equipe já teve 55 nomes.

MERCADO DE ASPONES

Em pouco mais de um ano, os 509 deputados investigados pela OPS já tiveram exatos 12.096 assessores, entre os atuais e quem foi demitido.

PREGANDO NO DESERTO

Projeto de um deputado estadual de São Paulo, Tenente Coimbra (PSL), propõe cortar o salário de deputados e governador durante a crise do Covid-19. Está pregando no deserto.

BELISCÃO EM TUCANO

Não faltam "espíritos de porco" no Palácio do Planalto sugerindo que, se precisar citar o governador de São Paulo, Bolsonaro o chame pelo nome completo, João Agripino Doria. Garantem que o tucano odeia "Agripino".

ADORA APARECER

O sindicato dos petroleiros foi mais um a posar de entendido sobre o coronavírus e inverteu prioridades. Em vez de atuar com a Petrobras para evitar o contágio, faz listas de falhas, sem sugerir soluções.

RITMO JABUTICABA

Amanhã (31) é o 90º dia do ano e o 20º de pandemia oficial em todo o mundo, mas deputados e senadores brasileiros ainda não conseguiram se organizar para aprovar uma ajuda à população mais necessitada.

ESSES INGLESES...

Empregados do NHS, o SUS do Reino Unido, escondem seus crachás quando circulam entre a casa e o trabalho. Estão sendo roubados. O crachá funciona como "salvo-conduto", além de ganhar comida de graça.

É O CÉU

Apesar de deputados e senadores terem usufruído de férias até 4 de fevereiro, terem pulado Carnaval e só trabalharem às terças e quartas, gastos com "ressarcimento de despesas" já passam de R$24,5 milhões.

PRONTIDÃO E PREVENÇÃO

Após a primeira vítima letal por coronavírus em Brasília, o governo do DF publicou protocolo de manuseio de cadáveres, de notificação compulsória aos trabalhadores de saúde etc. Ninguém pode tocar nada.

À ALTURA DO CARGO

Há dez anos a então "estrela" do mensalão José Dirceu arrolava ninguém mais que o então presidente da República Lula para ser sua testemunha de defesa. Acabou condenado a quase 11 anos de cadeia.

PERGUNTAR NÃO CONTAMINA

Ao presentear Eduardo Cunha com prisão domiciliar por "risco de contaminação", a Justiça quis isolar o vírus da corrupção?
Herculano
30/03/2020 10:58
O GOZO COM A EPIDEMIA É A VINGANÇA DOS MEDÍOCRES, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

O pessimismo diante do trágico é uma deformação do caráter

Num domingo recente, saindo da padaria, ao pagar a minha conta no caixa, a menina me disse "professor, não sei qual é a sua religião, mas a humanidade testa muito a paciência de Deus".

Ela é evangélica, eu a conheço. Apesar de não ter terminado a frase, ela assumiu que eu a entendi, no que ela estava certa. A relação entre a epidemia atual e as pragas bíblicas têm circulado por toda parte. A expectativa apocalíptica é um traço das três religiões abraâmicas, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. A interpretação dos fatos da vida à luz de significados sobrenaturais é comum, provavelmente, a todo o sistema religioso.

Não é esse tipo, explicitamente religioso, que julgo mais pernicioso neste momento. O gozo psicológico secular (não religioso) com o horror me preocupa muito mais - o apocalíptico sem Deus. Inclusive porque este é, na verdade, uma forma disfarçada de fundamentalismo do terror, travestido de sujeito informado cientificamente e preocupado com o combate à tragédia. Seu gozo secreto é ver as pessoas tomadas pelo pânico em que ele sempre viveu.

Insisto na sabedoria trágica. Diante da tragédia absoluta, como dizia George Steiner, morto recentemente, só a piedade, a coragem e a humildade importam. O pessimismo diante do trágico é uma deformação do caráter. O otimismo também pede sua medida - fora do trágico, ele tende, muitas vezes, à banalidade.

Existem pessoas que gozam com a perspectiva da destruição do mundo (mesmo que seja, pelo menos, social e cotidiano). Sua estrutura psicológica é semelhante à da personagem Justine do clássico filme "Melancolia" de Lars von Trier - à medida que fica claro, no filme, que o mundo vai acabar, ela sai da sua terrível depressão.

Por quê? Porque para ela o mundo psiquicamente já tinha acabado. A destruição do mundo era a prova que ela precisava de que tudo estava à beira do abismo. Sua melancolia agora era um dado objetivo e não subjetivo. Ela sempre estivera certa, e quem tinha fé na vida sempre fora um idiota.

Quer um exemplo de gozo apocalíptico? Gente que adora dizer "a quarentena vai durar até junho". Quem fala isso normalmente tem um sorriso cruel entre os dentes. Muitas vezes, é um deprimido disfarçado que quer descontar em cima dos outros seu profundo desgosto pela vida. Um Iago à procura de seu Otelo e de sua Desdemôna.

Deixemos claro uma coisa: não há dúvidas epidemiológicas sobre a necessidade de atrasar o contágio e, portanto, o distanciamento social neste momento. Mas há, sim, um debate acirrado que associa epidemiologia e epistemologia (grosso modo, teoria da ciência) acerca da validade de uma longa e desorganizada quarentena. E isso nada tem a ver com os delírios do Bolsonaro. Qual é o debate?

Após um certo número de dias, as pessoas surtariam em suas casas, pressionando o sistema de saúde com todo tipo de desordem, não só infecciosa. Além da suspeita que apareceu mesmo entre os chineses de que, depois de um certo número de dias, o contágio poderia se dar entre as próprias pessoas fechadas em casa.

Por exemplo, zerar os casos não importados para terminar a quarentena pode provocar um segundo tempo de epidemia (tema de preocupação na China hoje), porque o que torna o vírus "domesticado" não é ficar fechado em casa, mas uma imunidade de rebanho. É o sistema imunológico humano que debela o vírus. Tornamo-nos imunes a ele em grande medida pagando um alto preço.

Outro problema é a desordem social, de saúde e psicológica acarretada pela destruição atroz da economia. Pobreza, desespero, escassez (aliás, temas da economia) rivalizariam com a epidemia na geração de sofrimento.

A variável de risco na epidemia não é só a contaminação pelo vírus, mas as consequências das medidas epidemiológicas usadas contra a epidemia, quando estas assumem escala que tende ao caos social.

Portanto, mantenha-se a uns metros de distância de pessoas que gozam com a ideia de uma quarentena infinita. Isso não pode acontecer. Aquelas que falam para você o tempo todo que não há esperança. O gozo com a epidemia é a vingança dos medíocres.
Herculano
30/03/2020 10:58
da série: um presidente tinhoso e longe de ser estadista.

MANDETTA À EQUIPE: "NO MEIO DO CAMINHO, UMA PEDRA", por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro nas ruas foi forma de provocar a queda do ministro, mas Mandetta não caiu na armadilha, e enviou poema de Drummond a sua equipe

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou o domingo para exercitar sua birra contra o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que na véspera alertou: "Se o sr. for para metrô ou ônibus em São Paulo (como chegou a dizer em entrevista), vou ser obrigado a criticá-lo". Ao que o presidente rebateu: "E eu vou ter que te demitir".

Como não havia logística para ir a São Paulo ontem, Bolsonaro decidiu fazer o teste no Distrito Federal mesmo, indo a padarias, mercadinhos, fazendo até fotos com criança. Evidentemente, uma forma de provocar a queda do ministro, mas Mandetta não caiu na armadilha.

A atitude do presidente foi considerada "óbvia", um pretexto para a exoneração - que, aliás, provocaria um efeito dominó no Ministério da Saúde. Assim, Mandetta se recolheu, pedindo paciência à equipe com um poema de Carlos Drummond de Andrade: No Meio do Caminho. Resta saber o que o ministro dirá na coletiva de hoje à tarde, além de pedir desculpas à mídia. Na guerra contra o coronavírus e a morte, ela é a sua grande aliada.

Outra grande expectativa hoje é se Bolsonaro vai mesmo editar um decreto para liberar todas as profissões para trabalhar em meio à pandemia ou se foi só mais uma ideia jogada ao ar, enquanto confrontava Mandetta nas ruas.

Se não sair decreto nenhum, essa história é mais uma para a longa lista de coisas que o presidente diz e ninguém leva a sério, nem lembra depois. Se sair, a coisa vai ficar muito grave. Além da crise sanitária, teremos uma crise federativa: a União contra os Estados, o presidente contra governadores e prefeitos.

Como o ministro do STF Gilmar Mendes alertou Bolsonaro no sábado, basta que São Paulo, Rio e Minas desobedeçam uma medida legal tomada pelo Planalto para essa medida virar pó, letra morta. Os três Estados reúnem quase cem milhões de pessoas e os governadores João Doria (SP) e Wilson Witzel (RJ) não parecem interessados nem em quebrar a quarentena nem em cumprir decretos e maluquices de Bolsonaro numa hora de vida ou morte.
Herculano
30/03/2020 10:57
da série: a prova de que não estamos preparados nem para lutar e nem sair de uma guerra. Falta-nos, tática, estratégia, emergência, urgência a prioridades. Confundimos as palavras e as ações que cada uma exige ao seu tempo e necessidade.

ESQUEÇAM O DINHEIRO, por Vinicius Mota, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

É inútil emitir toneladas de moeda se falta capacidade de fazer e entregar

A ilusão do dinheiro funciona muito bem em tempos normais. Espalha seu encanto por toda a parte. Enfeitiça as mentes, que acreditam no poder de um pedaço de papel, ou de uma cifra impressa na tela, de se transformar em produtos e serviços, como passe de mágica.

Quando chega o furacão, na forma de uma guerra ou de uma epidemia, às vezes ela atrapalha. Está atrapalhando agora. O que importa nessas situações de mobilização são as pessoas e as coisas estarem disponíveis no momento certo, não valores monetários abstratos.

De quantos respiradores mecânicos vamos precisar? De quantos leitos hospitalares? De que volume de máscaras e luvas descartáveis? Testes para detectar a doença? Equipes para buscar infectados? Instalações de isolamento? De quantos profissionais de saúde necessitaremos?

Essas exigências, projetadas no tempo e no espaço, nos levam a que espectro de demandas na próxima semana, daqui a um mês, daqui a seis meses? Nossa capacidade de produzir, importar e entregar será suficiente? Que adaptações podem ser feitas caso a resposta seja negativa?

Numa emergência, o domínio é do planejamento e da logística. Não adianta imprimir montanhas de dinheiro se falta a condição de fazer e de fazer chegar. Caso haja ruptura no abastecimento alimentar, será inútil enviar cheques de R$ 600. Sem um cadastro indivíduo a indivíduo dos vulneráveis, muita gente vai passar fome também.

Não faz sentido falar em Plano Marshall se a "guerra" mal começou. A epidemia não destrói a infraestrutura nem dizima a força de trabalho, à diferença do conflito de 1939 a 1945. Muitos países devem sair mais bem equipados do processo, com incrementos no setor sanitário.

Agora é hora de lidar com a epidemia e os seus efeitos econômicos diretos. Passo a passo, coordenadamente, com a cabeça no lugar. Enquanto corre o temor difuso de saques nas ruas, há muito espertalhão bem posicionado se aproveitando para tentar saquear o Estado.

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