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Gaspar vai virar um canteiro de obras? Isso terá reflexos. Poderá haver crescimento como se alega, mas o desenvolvimento está relegado e comprometido - Jornal Cruzeiro do Vale

Gaspar vai virar um canteiro de obras? Isso terá reflexos. Poderá haver crescimento como se alega, mas o desenvolvimento está relegado e comprometido

01/10/2018

A Assistência Social é politiqueira, religiosa e pessoal. Resultado? Os vulneráveis estarão mais frágeis na obra humana que se renega

 


Os secretários e comissionados da prefeitura lotaram o auditório da Câmara na quarta-feira, numa reunião em que todos os vereadores falaram. 
Foto de Indianara Schmitt 

A propaganda política intensa nas redes sociais e principalmente nos aplicativos de mensagens nesta reta final de campanha eleitoral em Gaspar e cheirando a desespero, para conhecimento, reconhecimento e transferência de votos; a reunião política na Sociedade Alvorada na segunda-feira; os discursos de terça e quarta-feira na Câmara para aprovação a toque de caixa de uma autorização para se conseguir um empréstimo de R$60 milhões na Caixa Econômica para a prefeitura; as entrevistas sem perguntas; tudo não deixa dúvidas. Se tudo der certo, Gaspar vai explodir em crescimento.

E vai! E é preciso avançar. Os outros ao nosso redor já fizeram isso e faz tempo.

Mas, será que o atual governo de Gaspar sabe a diferença entre crescimento e desenvolvimento? E não estou me referindo ao desenvolvimento sustentável, o qual deveria ser o mínimo e necessário para qualquer avanço.

Explico. O crescimento é quando se aumentam as coisas de tamanho como o perímetro da cidade, ou número de habitantes, de indústrias, de empregos, de arrecadação, de ruas, de prédios, a arrecadação de impostos...

Já o desenvolvimento é a parte qualitativa desse crescimento. O desenvolvimento neste caso se dá de forma autônoma, automática e abrangente para todos os eixos envolvidos, ou exigidos, ou demandados pelo crescimento, inclusive e principalmente, na área social.

Ela é sempre esquecida. Torna-se marginal, um subproduto, a vergonha da gestão e dos governos. Enfraquecidos, esses marginalizados ainda são usados pelos políticos constantemente nos tempos eleitorais nas suas fragilidades

Neste conceito de desenvolvimento, tudo, a princípio, “cresce” de forma igual e funciona de forma equilibrada. Você que é leigo e não entendeu o que eu escrevi até aqui, tome o seu corpo como exemplo. Ele “cresce”, contudo, numa normalidade, tudo amadurece e “aumenta” por igual. Se assim não for, aparecerá uma anomalia, uma doença, uma degeneração, ou até uma aberração, uma doença grave, incurável, e que o levará ao sofrimento de todo o tipo, incluindo o emocional.

GASPAR NÃO APRENDE COM OS SEUS PRÓPRIOS ERROS.

O governo “espertamente” transformou em propaganda esse projeto Avança Gaspar. É uma marca. É política. É intencional. Fez até um vídeo emocional e ufanista sobre ele. Bom! Espalhou pelas redes sociais e aplicativos de mensagens. Fez bem. Transparência e um documento para cobrança no futuro e que mais uma vez pode até trabalhar contra ele próprio. Eu o republiquei aqui na semana passada.

O projeto é necessário? Sim! Já sustentei isso, várias vezes, anteriormente. É o melhor? Não sei! Mas, é melhor esse do que nada. Quem não possui sonhos, também não tem metas, nem realizações. Ao menos Gaspar, os gasparenses e o governo possuem agora, visivelmente, um sonho. Ao menos no papel, nos discursos.

Entretanto, esse projeto audacioso, está atrasado em quase dois anos neste governo. Ele também é uma mera, repito, uma mera consequência daquilo que não foi planejado, executado e desenvolvido nos governos anteriores. Nem mais, nem menos. E esse é o aprendizado.

Vejam. Não faltam só ruas que estrangulam à nossa mobilidade e atração de empreendedores como registrou uma pesquisa feita recentemente pela Facisc para a Acig. Ela deixou o atual governo exposto e os demais também. Ainda bem que houve reação mínima. E mais uma vez um grupo de empresários à frente daquilo que o poder público não lidera e para solucionar o óbvio.

Faltam creches, postos de saúde e atendimento neles, habitação, manutenção da cidade, iluminação, sinalização, fiscalização, lazer e um firme e técnico programa de assistência social. A pesquisa também revelou isso, lembram? Eu a mostrei e a detalhei aqui diante do silêncio dos demais.

Há uma perigosa condução e consequentemente, aparelhamento político partidário do poder de plantão nessa área – a assistência social - e que acima de tudo deveria ser técnica. Mais do que isso, como um plano diretor é para o futuro da cidade, essa área deveria ter um plano de ações e prioridades municipais e não apenas de governo. Renega-se para essa condição essencial de mitigar e produzir resultados que vão dar qualidade mínima ao crescimento projetado e necessário para o município.

Gaspar – como outras cidades - está doente. E os governantes relutam não apenas ignoram os diagnósticos aos olhos de todos, mas ao tratamento.

Desta forma, com essa falha conceitual – privilegiar o crescimento e não o desenvolvimento -, o prefeito, o administrador público, o político que promete só obras físicas e aparentes para a cidade e os cidadãos com dinheiro emprestado e caro, corrige parcialmente um erro estrutural do passado. O conjunto, todavia, continua comprometido cada vez mais.

Com essa atitude, entretanto, o governante aumenta, hoje, outro problema tão e mais grave - e de forma perigosa, pois o deixa fora de controle: o social. E há milhares de exemplos no Brasil, onde se instalam os núcleos ou periferias desassistidas, inseguras e cheias de problemas, com párias do crescimento. Tudo com altos custos para remendo ou solução mínima. Isso, quando elas chegam, ainda que tarde.

ESTAMOS NO MEIO DOS QUE JÁ GERAM PROBLEMAS SOCIAIS PARA NÓS.

Para entender melhor o que escrevo, volte ao texto onde comparei o nosso corpo – ou de qualquer ser vivo - na diferença de crescer e se desenvolver.

Ora! A localização de Gaspar – no entroncamento de regiões referências e polos atrativos como Blumenau, Brusque e Itajaí – a faz uma cidade dormitório e um elo de passagem. Esses fatores agravam, por si só, o problema social para qualquer núcleo urbano periférico que não se planeja para tal e não se protege. Sobra-lhe assim, os problemas, os serviços, a assistência, as cobranças, os custos...

Alguma dúvida? Basta olhar índices, estatísticas e dramas – cada vez mais crescentes – nesta área social espalhados na Polícia Militar, na Delegacia de Polícia, no Conselho Tutelar, no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescência, na própria secretaria de Assistência Social e nas varas criminas da Comarca e que da proteção aos vulneráveis.

Se Gaspar vai se tornar um canteiro de obras, vai importar mais mão-de-obra sem qualificação. Se o crescimento vai oferecer mais oportunidades para empresas se instalarem aqui, mais gente virá para cá exigindo mais.

Então deveria haver automática e paralelamente o aumento para creches – já deficitárias e controversas no déficit -, escolas, contra-turnos, programas de inclusão social por intensiva atividade extracurricular, postos de saúde por especialidade e principalmente saúde da família, habitação popular, ampliação da água tratada – e já deficitário para a atual demanda -, saneamento que não existe – uma vergonha sem tamanho -, ampliação do transporte público – qualidade, linhas e horários e até aqui tudo no improviso -, segurança pública –apesar disso ser uma obrigação do governo do estado, mas se não houver uma interferência organizada vai se aumentar o déficit de hoje -, qualificação da mão-de-obra, mais contrapartidas ao cidadão pagador de pesados impostos, mais fiscalização, mais assistência de todos os tipos... A lista é longa.

E isso tudo não está na propaganda alvissareira que o governo de Gaspar espalhou para motivar seus simpatizantes e emocionar o distinto público às vésperas de uma eleição tão cheias de surpresas, e onde as redes sociais estão derrotando de goleada os meios de comunicações tradicionais.

Mais uma vez o governo de plantão e os políticos tiraram as pessoas do centro de suas realizações e substituíram-nas apenas por obras físicas. E mesmo assim, subliminarmente os cidadãos e cidadãs ainda continuam no centro das suas atenções, pois deles estão pedindo votos nas urnas como aval desse projeto de crescimento.

Esta parte – a social - que se esconde e não se planejou – ao menos não se divulgou até agora - é tão ou mais necessária, é tão ou mais custosa do que os investimentos que o governo de Gaspar diz ter para obras: R$150 milhões – a maior parte de financiamentos e falta a autorização para outros R$40 milhões. Triste!

ASSISTÊNCIA SOCIAL CAÓTICA E APARELHADA

Esse rodeio todo é para chegar a esse ponto. A secretaria de Assistência Social – e não só em Gaspar e também aqui, não é só neste governo como lhes relatei na coluna de sexta-feira em “Discursos que condenam” – é uma área de emprego e acomodação política de aliados que estão no poder temporário; vinganças contra técnicos; e desatinos à sociedade, a mais vulnerável – exatamente aquela que o poder de plantão manipula na época de caça e trocas de votos.

O governo de Gaspar com Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP sinalizou logo de cara e antes de se instalar, que a secretaria de Assistência Social seria algo politiqueiro.

Diferente da Saúde, onde nomeou uma técnica. O prefeito não aguentou o bafo dos políticos ao seu redor e os da oposição, retirou-a do comando, e lá colocou alguém que não afrontasse os políticos e os técnicos. Resultado? Caos! E para consertar o câncer que se espalhava e danificava a imagem do governo, pouco mais de um ano de governo, instalou lá na Saúde o prefeito de fato, o advogado Carlos Roberto Pereira para tentar corrigir naquilo que errou feio.

Volto. Para a importante – deveria ser assim, como é o Planejamento, Obras, Saúde, Educação - Assistência Social, Kleber nomeou o seu ex-assessor parlamentar, que nada entendia do assunto, e presidente do PSC, evangélico como Kleber, mas de outra denominação, Ernesto Hostin. Um retrato de que esta secretaria não tinha e ainda não possui nenhuma importância técnica e relevante no planejamento, bem como no desenvolvimento da cidade e seus cidadãos. Ponto!

Hostin logo foi “engolido” pela máquina política, o desconhecimento da área e os técnicos da sua própria secretaria. O “mamão-com-açúcar” e um “prêmio” logo viraram um limão bem azedo que produziu uma azia danada.

Um ano e meio depois de empossado, Hostin pediu para sair. Estava doente – e realmente estava. Mesmo assim, não perdeu os empregos públicos comissionados no governo de Kleber. Foi substituído por Santiago Martin Navia, técnico da própria secretaria, mas perfeitamente integrado ao esquema político de resultados do governo de plantão. O planejamento e o desenvolvimento da área passam longe de qualquer plano ou programa integrado ao tal “crescimento”.

UMA SECRETARIA EM MEIO A PROBLEMAS CRIA OUTROS PARA SI MESMA

Vamos a dois exemplos onde o político se sobrepõe nesta área sensível e fundamental para mitigar os problemas do “crescimento” – mesmo que ele fosse minimamente ordenado, mas que não é o caso de Gaspar – e transformá-lo em desenvolvimento.

O primeiro. Hostin antes de pedir o boné, cozinhou por mais de um ano e meio a renovação do contrato da Casa Lar Sementes do Amanhã, administrada pela Ong GAIAA. É assunto velho, corajosamente anunciado e amplamente esclarecido aqui, inclusive na perturbadora informação do paço municipal –e que ainda se repete para outros setores - de que tudo foi feito a mando do Ministério Público e da Justiça locais.

Para reabrir a Casa Lar na marra e rápido, naquilo que negou que fecharia, o governo Kleber improvisou a gestão com a única ONG especializada que restou credenciada em Gaspar para a prestação desse tipo de serviço no município e que administra outros dois abrigos de menores (Cegapam e Lar das Meninas).

Ou seja, Kleber, por afinidade, criou o monopólio, ao invés da concorrência e a alternativa do plano B. Este governo e os futuros, ficaram reféns de uma única prestadora de serviços especializados e credenciada em Gaspar. A Ação Social e Cidadã está com a faca e o queijo na mão.

E se não bastasse isso, há pelo menos três outros fatos são intrigantes advindos dessa atitude tramada longa e silenciosamente. Tão logo a GAIAA saiu e a Casa Lar reabriu sob o improviso, houve aumento de abrigados lá, quando a prefeitura e o Conselho de Municipal dos Direitos da Criança e Adolescência – aquele que na sua página oficial na internet já promoveu até Festival da Cerveja de Gaspar - diziam que não havia demanda para a Casa – para justificar o seu fechamento - e mesmo assim pagavam à GAIAA o mínimo contratual e por ele se poderia abrigar muito mais do que estava lá abrigado.

Mais. O novo contrato do governo Kleber com Ação Social e Cidadã para a gestão da Casa Lar – vejam só e havia uma negociação em curso para mais - se deu no mesmo valor do contrato proposto seis meses antes da saída de GAIAA, até então refutado como alto demais, apesar de ser o mais baixo de todos os abrigos. A GAIAA cobrava R$3.091,00 por criança abrigada na Casa Lar. Ela queria renová-lo em R$3.420,00 por criança e contrato por cinco anos. A outra ONG, conseguiu a renovação pelo mesmo custo e prazo.

A Ação Social Cidadã recebe no Cegapam R$ 4.600,00 mensal por abrigado e outros R$4.300,00 no Abrigo das Meninas. Então, não era custo o problema. Era falta de afinidade com a GAIAA e à tentativa de fechar este abrigo, economizar. Deu errado no final das contas quando os fatos se tornaram públicos. Transparência zero.

Outra. No dia 13 de agosto, o Ministério Público que cuida da Moralidade Pública mandou arquivar um inquérito aberto no dia 28 de fevereiro contra a GAIAA, em se que tinha ainda como partes as prefeituras de Gaspar e Ilhota.

Era para apurar supostas irregularidades no uso de verbas públicas que essas prefeituras enviavam – por contrato em vigor - para a GAIAA para ela cuidar dos vulneráveis abrigados lá. A GAIAA consultada sobre isso, disse que nunca foi chamada pelo MP ou pela polícia que deveria instruir o inquérito para se explicar. Ou seja, a GAIAA estava cercada, aniquilada e nem sabia dessa trama toda feita por políticos e outros jogos.

O sufoco vinha de todos os lados. O prefeito de Ilhota, por exemplo, Érico de Oliveira, MDB, pendurou uma conta na GAIAA de R$62 mil. Diz que só paga na Justiça. E por conta disso, ela já pulou para R$90 mil além do que vai gastar com mais despesas para se defender. Quem vai pagar isso de verdade essa despesa que cresceu com o atraso e a discussão na Justiça: os pagadores de pesados impostos de Ilhota.

Ora se Gaspar vai ser um canteiro de obras, se os problemas nesta área social, com os desajustes familiares – por vários motivos e entre eles à falta de assistência e à drogadição, os mais frequentes -, não seria o caso de se preparar para mitigar essa vulnerabilidade crescente em várias frentes de combates, incluindo a proteção em último caso, como as dos abrigos? Qual a razão de se ficar refém de uma única organização nesse ambiente de três abrigos?

O CONSELHO TUTELAR POLÍTICO

O segundo. Esse viés ideológico – ou, perigosamente com contornos partidários - nos conselhos tutelares e que são a linha de frente nesse pântano da vulnerabilidade social, não é algo exclusivo de Gaspar. Outra vez, a nossa cidade importou o modelo e o perigo. E o CMDCA repetiu o roteiro.

Houve a eleição do Conselho Tutelar em meados do mês passado. Campanha na rua. Candidatos contra a legislação específica participaram. Ao final, a sorte – por falta de votos aos questionados - salvou os com dúvidas. Então a judicialização formal não prosseguiu. Não houve prejuízos, decidiu-se. Mas, é bom ficar de olho.

E por que? Pelo que aconteceu na semana passada depois desse bololô todo. É que houve um ajeitamento político para que a filha de uma suplente de vereadora, Marisa Isabel Tonet Baretta, PSD, evangélica, relatora do polêmico Projeto de Lei 92/2018 de autorização de financiamento. Mayara, foi a terceira suplente na eleição para o Conselho Tutelar. Agora é titular. E exatamente na semana que esse assunto tramitou na Câmara. Coincidências? Hum!

Eu expliquei isso, na coluna de sexta-feira, na seção Trapiche. Não discuto à condição técnica da nomeada, a qual nem apurei. Contudo, se o Conselho Tutelar é ente técnico, de linha de frente para o embate e mitigações das questões sociais graves em Gaspar na área da infância e adolescência, quais as razões para a interferência política partidária nesse assunto dentro do órgão pelos políticos no poder de plantão, entrelaçando os seus interesses imediatos?

Estas atitudes –e há muitas outras para preenche-se páginas - mostram que as obras do tal “Avança Gaspar”, estão incompletas, pois não contemplam às adversidades humanas e sociais que virão para o município com o tal “crescimento”, sem desenvolvimento e a compreensão disso como mínimo essencial à proteção dos vulneráveis.

Não é hora e nem há espaços para jogos de poder e de vaidades, exatamente no tempo da formação da personalidade do ser humano, a infância, a adolescência perdida guetos abandonados pelo poder público e entidades que deveriam prover ações e políticas públicas dominadas por políticos a caça de votos que vendem obras como sonhos completos para seus cidadãos . Acorda, Gaspar!

charge de Amarildo Lima

TRAPICHE

Recados cifrados. “Obviamente que o voto eu só vou dar amanhã. E acredito que não será preciso”. Foi assim que o presidente da Câmara Sílvio Cleffi, PSC, abriu o seu pronunciamento na Câmara na sessão de terça-feira, a que discutiu a aprovação ou não da sessão extraordinária do dia seguinte para votar o PL 92/2018 e que permitirá o Executivo contrair um empréstimo de R$60 milhões na Caixa. Está gravado.

O desempate. É que o presidente da Câmara só vota em caso de empate nesse tipo de matéria. E quando Silvio foi à tribuna discursar ele sabia que tudo já estava definido a favor do poder de plantão no Executivo. É que o próprio vice-presidente da Câmara e da majoritária bancada oposicionista, Roberto Procópio de Souza, PDT, já tinha se manifestado pela realização da sessão extraordinária e também favoravelmente à aprovação do PL no dia seguinte. Só lhe restou cifrar recados.

Jogo perdido. A antiga ideia de Silvio de ganhar tempo discutindo a matéria – e era preciso mesmo se discutir mais -, naquele momento, já tinha se dissolvido. Ainda, mais que se sabia em público à disposição da relatora, suplente Marisa Isabel Tonet Beretta, PSD - outra suposta oposicionista - em seguir adiante e na recomendação de dar o voto para aprová-lo no dia seguinte.

A queixa. Na quarta-feira, durante a sessão extraordinária, a um auditório lotado de gente da prefeitura, sua ex-aliada, Silvio – que é médico e funcionário público municipal - reclamou que parte da imprensa teria antecipado o voto dele contra o projeto.

Lamúrias. Repito: ele não declarou voto nem contra, muito menos a favor, mas cifrou-o, como do tipo, se "depender de mim...". E por que? Porque sabia ele naquele momento do discurso que não precisaria dar esse voto de minerva que o levaria – obrigatoriamente - à mesa de negociação com o poder de plantão. Tanto que durante o pronunciamento de terça-feira, Silvio afirmou que não era contra as obras em si, mas na forma como o prefeito tratava a Câmara, com reiteradas “surpresas” e desrespeito. E no papel de presidente, estava institucionalmente certo.

Esclarecimento. Na terça-feira, Rui Carlos Deschamps, PT, foi o único dos quatro votantes contra a esclarecer na tribuna da Câmara de que tinha votado contra a sessão extraordinária, não contra o projeto. Na quarta-feira, todos entraram na mesma ladainha. Não queriam passar recibos à comunidade, ainda mais em tempo de caça votos.

Plateia seletiva. O auditório da Câmara foi tomado por secretários e comissionados. Todos os vereadores da situação que se manifestaram foram aplaudidos. Da oposição, só a suplente Marisa. Parecia ser ela do bloco situacionista, apesar do seu partido, o PSD, incorporar a majoritária bancada oposicionista.

Antes, o dinheiro. O líder do governo, Francisco Hostins Júnior, MDB, admitiu que alguns projetos podem nem serem finalizados, ou nem serem iniciadas as obras no atual governo devido a “complexidade” deles e da “burocracia”. Mas, antes, segundo Hostins, precisa-se conseguir o dinheiro para a execução.

Jogo. É essa a aposta da oposição que votou a favor, mas a contragosto na sessão extraordinária de quarta-feira: a de que mesmo com a autorização para a tomada do empréstimo aprovado na Câmara, a capacidade de execução do governo de Kleber seja baixíssima e sobraria, assim, dinheiro no cofre para ela, quando e se voltar ao governo em 2020. Kleber e os seus estão avisados.

Avança Gaspar I. Todo o mês deveria ser mês de eleições de deputados. Veja o que aconteceu. A Rua Pedro Simon, está sendo asfaltada. Ela foi vendida como sendo verba de um candidato a deputado estadual paraquedista e em busca de reeleição. Ele é patrocinado por um vereador da Margem Esquerda.

Avança Gaspar II. Com os cofres vazios, o governo do estado ainda não mandou o dinheiro da emenda parlamentar do candidato e nem liberou a papelada da licitação. Desesperado, o cabo eleitoral e o candidato deputado encontraram uma saída: a própria prefeitura Gaspar realizaria parte do serviço para mostrar aos residentes e eleitores que não se tratava de promessas e discursos vãos, tão comuns nesta época eleitoral.

Avança Gaspar III. Mais do que isso. A obra que já estava prometida há semanas, entrou no final da passada no tal programa “Avança Gaspar”. Veja só: o programa só foi “lançado” na segunda-feira. Coisa de doido!

Avança Gaspar IV. Ou seja: quem não conhece melado, quando experimenta, lambuza-se. Vão comprometer a imagem do programa “grandioso” como se vende na propaganda ufanista com “obrinhas” eleitoreiras e improvisadas. Daqui a pouco vão incluir na lista limpeza de valas, bueiros... E pelo jeito, já começou banalizar um rótulo que prometia ser grandioso. Acorda, Gaspar!

Improviso I. Não tem jeito. A prefeitura anunciou a prorrogação por mais seis meses do contrato emergencial do transporte coletivo de Gaspar. A Caturani ganhou mais seis meses do serviço e vejam: cobrando a partir desta segunda-feira R$4,20 para as passagens compradas antecipadamente em cartão e R$4,50 quando você paga em dinheiro na catraca. Tudo assim por decreto do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB.

Improviso I. O edital para a concorrência desse serviço para a comunidade não se sabe quando será lançado. A única informação disponível é que ele está sendo analisado pelo Tribunal de Contas. Enquanto isso, a população trabalhadora e os estudantes paga a conta do improviso nas passagens mais caras a partir desta segunda-feira. Acorda, Gaspar!

Comentários

Almir
03/10/2018 08:12
A CIDADÃ INDIGNADA.

Reclamar que não tem mais cesta básica?
Vai trabalhar como todos nós minha filha.
Herculano
02/10/2018 20:07
De Elena Landau, economista, no twitter

Haddad "as escolas federais que criamos já são as melhores do país " ... quais são elas? Aumentaram os gastos em educação; sim. 100 mil funcionários. Fies: enriqueceu donos de universidades e deixou alunos na mão ...
Herculano
02/10/2018 20:04
BOLSONARO CRESCE E ATINGE 32%; HADDAD TEM 21% E VÊ REJEIÇÃO SUBIR, MOSTRA DATAFOLHA

Os dois candidatos empatam nas simulações feitas para o segundo turno

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ricardo Balthazar. Líder da corrida presidencial, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) alcançou 32% das intenções de voto na mais recente pesquisa do Datafolha, realizada nesta terça (2).

Foco de manifestações que levaram milhares de opositores e admiradores às ruas das principais cidades no fim de semana, Bolsonaro ganhou quatro pontos percentuais desde a semana passada, segundo o instituto.

O capitão reformado do Exército ampliou sua vantagem sobre os adversários, mas sua rejeição pelo eleitorado continua muito alta, o que pode prejudicá-lo no segundo turno da eleição se ele chegar lá.

Segundo o Datafolha, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) está em segundo lugar, com 21%, e sua rejeição cresceu. Se Bolsonaro e Haddad mantiverem suas posições até o primeiro turno no domingo (7), os dois irão disputar o segundo turno, no dia 28.

O Datafolha entrevistou 3.240 eleitores de 225 municípios nesta terça. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela Folha.

Haddad, que vinha crescendo desde seu lançamento como substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral, apareceu estagnado pela primeira vez. Ele tinha 22% no levantamento anterior e oscilou para 21%.

Ciro Gomes (PDT), que disputava o campo da esquerda com os petistas desde o início do ano, se manteve com 11%, empatado com Geraldo Alckmin (PSDB), que oscilou de 10% para 9%.

Marina Silva (Rede), que em agosto disputava o segundo lugar da corrida com Ciro, despencou desde então. Da semana passada para cá, ela oscilou de 5% para 4%, segundo o Datafolha.

Segundo o Datafolha, Bolsonaro cresceu até mesmo em segmentos do eleitorado que expressavam maior oposição a ele. Entre as mulheres, ele passou de 21% para 27% das intenções de voto, ultrapassando Haddad, que tem 20%.

O capitão reformado também cresceu entre os eleitores com mais anos de estudo e entre os que têm renda familiar de 5 a 10 salários mínimos, de acordo com a pesquisa.

No Sudeste, Bolsonaro passou de 31% para 36% e no Sul foi de 35% para 44%. Haddad manteve a liderança no Nordeste, o mais fiel reduto petista, com 36% das intenções de voto na região, mas sua vantagem diminuiu, porque Bolsonaro também cresceu ali.

Bolsonaro está longe das ruas desde o início de setembro, quando levou uma facada durante evento de campanha em Juiz de Fora (MG). Ele sofreu duas cirurgias, teve alta no sábado (29) e se recolheu a seu apartamento no Rio, onde permanece de repouso por ordem médica.

Com pouco tempo no horário de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, ele se manteve em evidência com entrevistas a emissoras de televisão e a publicação de vídeos nas redes sociais, mas não participou de debates com os rivais.

A taxa de rejeição do eleitorado a Bolsonaro oscilou de 46% para 45% e é a mais alta entre os candidatos que disputam a eleição, mas a de Haddad cresceu de 32% para 41%, encostando na do líder da corrida.

Bolsonaro e Haddad empatam nas simulações feitas para o segundo turno. No cenário em que os dois se enfrentam, Bolsonaro cresceu de 39% para 44% e Haddad oscilou de 45% para 42%.

Segundo o Datafolha, nesse cenário o candidato petista herdaria quase dois terços dos eleitores de Ciro Gomes e metade dos votos de Alckmin e Marina. Ainda assim, o ganho seria insuficiente para superar Bolsonaro.

Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Alckmin e Ciro em outras simulações para a segunda rodada. Alckmin alcança 43% no confronto com o capitão, que atinge 41%.

Ciro tem 46% e Bolsonaro, 42%, no embate direto. A distância entre eles está no limite da margem de erro de dois pontos percentuais, o que significa que o mais provável é que o candidato do PDT esteja na frente do capitão.

Os eleitores de Bolsonaro e Haddad são os mais convictos. Segundo o Datafolha, 84% dos que declaram apoio ao capitão e 82% dos que preferem o petista não pensam em mudar de voto.

Entre os que apoiam Ciro, 57% se dizem convictos, percentual semelhante ao encontrado entre os eleitores de Alckmin, 52%. Entre os que ainda apoiam Marina, 62% admitem a possibilidade de mudar até o dia da eleição.

O número de eleitores sem candidato continua diminuindo. Segundo o Datafolha, 8% pretendem votar em branco ou anular o voto e 5% estão indecisos. Entre os que estão no primeiro grupo, 30% dizem que ainda podem escolher um candidato até domingo.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-03147/2018.
LEO
02/10/2018 17:13
NO SÁBADO DE MANHÃ ENCONTREI UMA CARTA NA CAIXA DO CORREIO.AONDE UM COMISSIONADO DO PRIMEIRO ESCALÃO.[SAMAE]PEDIA VOTOS PARA CANDIDATOS DO PP,UM CAND A DEPUTADO ESTADUAL E OUTRO FEDERAL.ATÉ AÍ TUDO BEM, O MAIS ESTRALHO É QUE A FOLHA ERA UM XEROX, SEM CNPJ DOS CANDIDATOS OU COLIGAÇÃO.NÃO ESTAVA ASSINADA. E NO FINAL FALAVA, MUITO OBRIGADO . . MACACO VELHO.
VEREADOR. ELE NÃO ESTA AFASTADO. OS ANOS PASSAM E A POLITICA EM GASPAR NÃO MUDA.
CIDADÃ INDIGNADA
02/10/2018 14:52
ILHOTA PASSANDO FOME... VAMOS FALAR UM POUCO DE ILHOTA TAMBÉM HERCULANO. ENQUANTO OS COMISSIONADOS E PREFEITO FICAM PEDINDO VOTINHOS PROS SEUS CANDIDATOS, NOSSA CIDADE, CITO OS MAIS NECESSITADOS E OS MAIS DESAMPARADOS... ESTÃO PASSANDO FOME... JÁ ESTÃO A MAIS DE 4 MESES ESCUTANDO A MESMA DESCULPINHA: ACABOU A CESTA BÁSICA, PRECISA SER LICITADA, NÃO TEMOS MAIS... E O QUE ACONTECE... SERÁ QUE AS FULANAS QUE LÁ TRABALHAM (E DE LONGE VIERAM) NÃO TEM CAPACIDADE DE FAZER ESSA AQUISIÇÃO? PORQUE NO NOSSO MUNICÍPIO NÃO TEM EFETIVO CAPACITADO PARA EXERCER ESTA FUNÇÃO NÉ. TEM QUE TRAZER DE LONGE, GANHANDO MAIS QUE SECRETÁRIO, DETALHE: COMO COMISSIONADO. NÃO BASTASSE O PREFEITO NEM PAGAR A REPOSIÇÃO SALARIAL PARA SEUS FUNCIONÁRIOS EFETIVOS... PORQUE É ISSO QUE ACONTECE, S?" SE VALORIZA O DE FORA, MAS OS NOSSOS, ESTÃO JOGADOS AS TRAÇAS... PARABÉNS A TODOS OS ENVOLVIDOS...
Herculano
02/10/2018 11:49
PARA QUEM GOSTA E VIVE DE ESPERANÇAS OU AS AMALDIÇOANDO

Hoje é dia de pesquisa. E do Datafolha.
Herculano
02/10/2018 10:40
O QUE ESTA ELEIÇÃO VAI DECIDIR, por Fernão Lara Mesquita, no jornal O Estado de S. Paulo

O PT fez do Brasil uma Coreia do Norte intelectual

O Brasil vai precisar de todos os brasileiros decentes para se curar do lulismo

Na campanha do Bolsonaro todo mundo diz a besteira que quer na hora que quer: que eleição sem ele é golpe, que o bandido é que era o herói e por aí afora. Na do PT, não. Todo mundo só fala o que o chefe manda na hora que o chefe manda. Ele, sim, pode dizer a besteira que quiser na hora que quiser: que eleição sem ele é golpe, que os bandidos é que eram os heróis, que roubar para reelegê-lo não é crime e por aí afora.

Mas tem outra diferença que é fundamental. O Bolsonaro só dura quatro anos e o PT, como explicou quinta-feira ao El País o comandante José Dirceu, "vai tomar o poder, é só questão de tempo, o que é muito diferente de ganhar uma eleição".

Quando ainda havia imposto sindical qualquer sujeito, mesmo sem seguidor nenhum, podia abrir um "sindicato". Bastava ir à "junta", registrar sua "marca" e passava a ter o direito de extorquir trabalhadores que nunca tinha visto ou consultado antes. Daí em diante o único trabalho que precisava se dar na vida era não perder mais a "eleição" de confirmação dele próprio como dono do sindicato em assembleias sem voto secreto. Tinha de ter muito peito pra não votar no "candidato" com ele olhando pra sua cara porque valia tudo, porrada, ameaça à família, tiro e, pior que tudo, ser condenado à miséria com todas as portas do trabalho fechadas pro rebelde.

Velhos hábitos demoram pra morrer. Para o PT é assim que se "faz política". No início dos anos 90 o partido prometia "banir a corrupção" e conquistou suas primeiras prefeituras. E logo se meteu no primeiro escândalo, denunciado por um de seus fundadores, Paulo de Tarso Venceslau. Com um esquema controlado por Roberto Teixeira, compadre de Lula que viria a ser sogro do advogado Cristiano Zanin Martins, que o defende hoje, mais de 30 anos depois, o PT estava roubando as prefeituras. Nunca mais parou. O esquema evoluiu para um método de "tomada do poder" pela destruição da instância eleita pelo povo para controlar o governo, o Congresso Nacional, que ficou conhecido como "mensalão".

Foi por aí, também, que se deu a "afinidade eletiva" entre o PT e a tribo da nossa "intelectualidade" cuja cultura política parou na Eurásia dos anos 30 do século 20, onde o poder também era "tomado" pra nunca mais ser devolvido. Foram eles que deram tinturas ideológicas "cultas" a essa fome animal do Lula pelo poder e lhe apontaram o caminho do Gramsci. Por baixo de toda a graxa retórica de que vem lambuzado, o esquema gramsciano não passa de um projeto monumental de censura. Trata-se de fechar de tal modo as coisas numa visão única na base do terrorismo moral que uma geração inteira de alvos preferenciais da operação ?" professores, artistas e intelectuais a serem tornados "orgânicos" ?" atravesse toda a existência sem tomar conhecimento de nada que contradiga essa visão, e ir fuzilando midiática ou economicamente todo mundo que resistir.

O PT fez do Brasil uma Coreia do Norte intelectual. Ninguém em todos os tempos e em todos os lugares conseguiu fechar tão bem o cerco. Só quem diz o que o chefe aprova consegue manter-se nas tribunas midiáticas mais altas ou "brilha" mesmo sem ser brilhante. Com o País prisioneiro da língua e das redes que só falam português, só o que ele quer mostrar do mundo passa a existir. Nas vésperas de eleições o barulho e a produção de factoides tomam um ritmo que torna impossível o raciocínio. E o jogo de luz e sombra passa a ter uma precisão milimétrica. Nada do que parece é e nada do que é aparece.

No resto da economia ninguém mais consegue vencer só com esforço. Só vai pra frente quem o dono do poder escolher para "dar" alguma coisa ou poupar da aplicação da lei que passa a ser escrita para ter efeito necrosante instantâneo. Do bolsa família ao bolsa megaempresário, do prêmio artístico ao financiamento das obras que vão concorrer a ele, a ordem é "para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei".

A classe média meritocrática, o cara que se faz sozinho suando a camisa, passa a ser "detestável", o inimigo a ser destruído de preferência fisicamente, como diz Marilena Chaui, intelectual "orgânica" do partido. O "concursismo" passa a ser o único meio de "vencer na vida". Nos 14 anos de PT no poder, o numero de funcionários dobrou e o gasto com eles triplicou. Mas quase todos os Estados, assim como a União, têm mais deles aposentados com o maior salário das suas curtas carreiras do que trabalhando. O salário deles aumenta todo ano acima da inflação, chova ou faça sol, não em função da entrega de resultado, mas da capacidade de cada corporação de chantagear o País e o próprio governo. A partir de um limite, o Estado passa a existir só para essa casta, que hoje consome quase 100% dos 40% do PIB que o governo arrecada, e o resto do País se desmancha.

Discutir "golpe" a partir de Bolsonaro ou Lula é discutir potência ou ato, desejo ou realização. Começa que golpe há muito tempo não se dá mais com militar e tanque. É com aparelhamento do Judiciário e decreto de juiz que se faz, como Lula não se cansa de ensinar no Foro de São Paulo. A cinco anos da sentença do mensalão, com o petrolão ainda bombando, os bandidos estão soltos; os processos da Lava Jato, esterilizados; e o chefe desacata sentenças de tribunais superiores, e até do Supremo, de dentro da cadeia e não acontece nada. Do jeito que vai, morre tudo na praia e Sergio Moro é que acaba na cadeia, conforme a vingança prometida.

Jair Bolsonaro era a desculpa que faltava para a esquerda honesta, que desempata essa parada, ser tentada a sentar no colo da bandidagem ao lado de todos os coronéis ladrões de todos os tempos e de todos os governos. O Brasil vai precisar de todos os brasileiros decentes para se curar do lulismo. Eleger o presidente laranja é o fim final do império da lei e dos poderes dos outros poderes. Por isso, quando for votar amanhã, não pense nas bravatas da sua juventude. Pense na juventude dos seus filhos e dos seus netos, porque o Brasil já está do lado de lá e o que esta eleição vai decidir é só se ainda tem volta.
Herculano
02/10/2018 07:12
AO APOIAR BOLSONARO, EDIR MACEDO VOLA ÀS ORIGENS ANTIPETISTAS E À "SATINAZAÇÃO" DE LULA, por Anna Virginia Balloussier, no jornal Folha de S. Paulo

Líder da Igreja Universal declarou nas redes sociais seu endosso a presidenciável do PSL

O apoio do bispo Edir Macedo a Jair Bolsonaro põe sua Igreja Universal do Reino de Deus de volta aos trilhos antipetistas que foram sua rota preferencial nos anos 1980/90.

Dono da TV Record, Macedo declarou sua simpatia pelo presidenciável do PSL na sexta (28) no Facebook, após ser provocado por um de seus seguidores: "Queremos saber, bispo, do seu posicionamento sobre a eleição para presidente". O líder evangélico respondeu com uma só palavra: "Bolsonaro".

Tudo menos PT: a mesma lógica guiou Macedo no primeiro pleito de um Brasil redemocratizado. E Fernando Collor de Mello era então o candidato que melhor rivalizava com o petismo.

"No segundo turno de 1989, os evangélicos viam no candidato da esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, um verdadeiro 'satã'; era o medo de 'um comunista' ou 'anticristo' ganhar as eleições", diz o doutor em ciências sociais pela PUC-SP Rafael Lopez Villasenor no artigo "A Estratégia Política da Igreja Universal do Reino de Deus: Um Estudo sobre as Eleições Presidenciais 1989, 1994 e 2002".

Havia temor, por exemplo, que o petista fechasse igrejas. Naquele ano, o líder da Universal chegou a declarar que, "após orar e pedir a Deus que indicasse uma pessoa, o Espírito Santo nos convenceu que Fernando Collor de Mello era o escolhido".

Em 2012, Silas Malafaia - que 23 anos antes apoiou Leonel Brizola e, no segundo turno, Lula - lembraria em entrevista à Folha "quando ele [o petista] era o diabo no meio evangélico". O colega Edir Macedo, afirmou o pastor, "chegou à igreja, abriu a camisa escrita Collor e chamou Lula de diabo".

As bordoadas no PT se repetiram em 1994, quando a igreja usou seu jornal, a Folha Universal, para atacar Lula, presidenciável pela segunda vez.

Naquela eleição, da qual Fernando Henrique Cardoso (PSDB) emergiria como vencedor, o petista estampou mais de uma capa da publicação. Uma delas trazia como manchete, em letras vermelhas, "Lula apela para o candomblé", mais a foto do candidato na Baixada Fluminense com uma mãe de santo.

As religiões afrobrasileiras, em geral, são mal vistas pelo segmento evangélico, cisma alimentada pelo próprio bispo Macedo, que nos anos 1980 lançou o livro " Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?" -especialistas associam parte da rivalidade a uma disputa pelo mercado de fiéis à disposição das religiões "nanicas", já que bater de frente com a ainda hegemônica Igreja Católica ainda não era uma hipótese plausível (hoje os evangélicos já são três em cada dez brasileiros).

Os humores da Universal com o PT só mudaram na quarta tentativa de Lula (esta, bem-sucedida) de chegar ao Palácio do Planalto, em 2002.

A aproximação teve como maestro Carlos Rodrigues, então deputado pelo PL de José Alencar (o vice de Lula) e bispo da Universal. Ele acabaria perdendo o título religioso em 2004, no auge das denúncias de envolvimento no caso Waldomiro Diniz, naquele que ficou conhecido como escândalo dos bingos. Depois seria condenado e mandado à prisão no julgamento do mensalão.

Em 2001, quando ganhavam força os burburinhos de uma aliança entre petistas e Universal, a coluna Painel reproduziu a reação irônica de um ministro tucano: "Lula tem de engolir Edir Macedo como parte de seu visual light. Mas com uma dieta dessa ele vai acabar com uma indigestão!".

A eleição da sucessora de Lula também contou com a estima de um dos líderes religiosos mais influentes do país. Em 2010, a Folha Universal publicou reportagem com o título "Boato do Mal" para respaldar Dilma Rousseff, sob tiroteio de católicos e evangélicos por uma declaração favorável ao aborto que havia dado três anos antes, em sabatina da Folha: "No Brasil, é um absurdo que não haja [descriminalização do aborto], até porque nós sabemos em que condições as mulheres recorrem ao aborto".

A dias da votação, Dilma se encontrou com o dono da Record, que publicara na internet uma carta em sua defesa. Nela, Macedo dizia que a petista era vítima de mentiras e acusava aqueles que espalhavam boatos de fazer "o jogo do diabo". "O Senhor Jesus não precisa de advogados, nem de assessores de comunicação que saiam em 'defesa' de Seu Nome. Ele precisa de verdadeiros cristãos, que entendam, vivam e preguem a Verdade", escreveu.

Dilma precisou repetir várias vezes, naquela campanha, que era pessoalmente contrária ao aborto e que não sugeriria uma medida para mudar a legislação. O assunto, dizia, precisa ser tratado como sendo de saúde pública.

O apoio do bispo foi recompensado, e um dos maiores quadros do PRB, braço político da Universal, chegou à Esplanada de Dilma: Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo e hoje prefeito do Rio.

O endosso a Bolsonaro é um retorno às origens antipetistas da Universal.

Oficialmente, o PRB está coligado com a chapa do tucano Geraldo Alckmin ?"a sigla surgiu em 2005 e teve como um dos fundadores José Alencar, o vice lulista. Mas a polarização em 2018 levou um quinhão da legenda a se inclinar àquele que veem como adversário mais capacitado a vencer o PT. Bolsonaro.

Presidente do PRB e ex-ministro de Michel Temer, Marcos Pereira afirma que a sigla, se pudesse, não teria embarcado no governo petista. As pautas do Partido dos Trabalhadores, "principalmente para economia e costumes, nas questões ligadas à família, não coadunam com as nossas", diz à Folha. "Não tem como reescrever a história, mas podemos reescrevê-la para frente."

Edir Macedo prega há tempos o engajamento dos evangélicos com a política. Em seu livro "Plano de Poder" (2008), ele alerta para uma inércia "nociva" no eleitorado cristão, em parte por uma "interpretação errônea de que Deus fará tudo sem que a pessoa precise mover uma palha"

"Maquiavel definiu [a política] como 'a arte de governar e estabelecer o poder' ('O Príncipe'). Sendo assim, do ponto de vista de Deus, com quem você acha que Ele desejaria que estivesse esse poder e domínio? Nas mãos de Seu povo ou não?"
Herculano
02/10/2018 06:59
PALOCCI: PROPINA EM 900 DAS MIL MEDIDAS PROVIS?"RIAS DO GOVERNO PT, por Claudio Dantas, de O Antagonista.

Em sua delação, obtida em primeira mão por O Antagonista, Antonio Palocci traz um dado estarrecedor: houve pagamento de propina para a inclusão de "emendas exóticas" em 900 das mil medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT.

Palocci também narra diversas formas de corrupção adotadas pela gestão petista em parceria com partidos aliados, associando diretamente o aparelhamento político da máquina pública à corrupção.
Herculano
02/10/2018 06:55
ESCALADA DE BOLSONARO DESAFIA LULA E A LóGICA, por Josias de Souza

Após três semanas de estabilidade, Bolsonaro subiu no Ibope de 27% para impressionantes 31% das preferências do eleitorado. Abriu dez pontos de vantagem sobre o vice-líder Haddad, que parou momentaneamente de subir. O desempenho do capitão desafia o prestígio de Lula e, sobretudo a lógica.

Todos os presidenciáveis ajustam seus discursos e suas táticas. Bolsonaro não. Suas (poucas) ideias continuam inabaláveis. Sua pregação não se alterou um milímetro, mesmo depois da facada. Muitos já disseram que a agenda de Bolsonaro é fascista. Houve quem enxergasse nele até pendores hitlerianos. O líder deu de ombros. Manteve-se fiel aos seus valores: o moralismo bisonho, o desprezo pelos signos democráticos, o ódio à imprensa, a segurança imposta manu militari...

Noutros tempos a ciência política classificaria Bolsonaro como um candidato inviável. A sociedade brasileira, com seus valores escrachados e seus princípios flexíveis, revelava-se majoritariamente refratária à disciplina sanguínea do fascismo. Na década de 90, o nome de Bolsonaro seria Enéas e seu teto nas pesquisas não ultrapassaria os 7%.

O que mudou? Bolsonaro, até ontem um inexpressivo membro do baixo clero da Câmara, sintonizou-se com os brasileiros atropelados pela economia débil e afrontados pela roubalheira vigorosa. Sem estrutura, a bordo de um partido de aluguel, com ridículos 8 segundos no horário eleitoral, ele se impôs perante os velhos tecelões da política artesanal.

Perdendo ou ganhando, Bolsonaro consolida-se como principal fenômeno político desde Fernando Collor. De costas para os partidos, o mercado, a academia e a imprensa, ele capturou os principais focos de contestação social que se movem à margem da liderança populista de Lula e do sindicalismo companheiro da CUT. Parte do tucanato e do centrãozão - versão hipertrofiada do centrão que inclui o MDB de Michel Temer?" corre atrás do prejuízo, aderindo às pressas.

Bolsonaro chega à beirada da urna como um líder paradoxal. Deputado há 27 anos, vendeu-se como um oposicionista extraparlamentar, avesso ao sistema. Direitista convicto, conquistou as massas como uma opção "jurássica" ao clepto-distributivismo da chamada esquerda.

Assim, o fato mais inédito na política, a saber, o surgimento de um líder sem a enlameada plumagem tucana capaz de desafiar o projeto político-criminal de Lula, parece combinar-se com o desejo de um pedaço do eleitorado de restaurar uma ilusão de ordem e progresso de inspiração militar.

Repetindo: a associação do lodo que encobriu a modernidade tucana com o dinheirismo que sufocou os clichês varguistas do lulismo deram à luz Bolsonaro, uma novidade feita de resíduos verbais da década de 60.

Um pedaço do eleitorado ouve o poste de Lula falando num "Brasil feliz de novo" e chega à conclusão de que o futuro era muito mais feliz antigamente.
Herculano
02/10/2018 06:50
A INSANIDADE CHEGARÁ AO 2º TURNO?, por Joel Pinheiro da Fonseca, economista e filósofo, para o jornal Folha de S. Paulo

Estamos nos encaminhando para a disputa entre as figuras mais polarizadoras

Racionalmente, sei que não vale a pena gastar energia para tentar o rumo das eleições. Ainda assim, um ato de fé no brasileiro me faz acreditar que dá para evitar o pior: um segundo turno entre Haddad e Bolsonaro. Isso seria especialmente violento, permeado por boataria e notícias falsas. Promoveria o esgarçamento dos laços sociais e familiares e envolveria dois lados que, em suas palavras e seus atos, não demonstram apreço pela democracia.

Não pretendo dizer a ninguém em quem votar. Quero apenas fazer um raciocínio estratégico e mostrar o óbvio: se você quer, acima de tudo, evitar Bolsonaro, não vote em Haddad. E se você quer, acima de tudo, evitar o PT, não vote em Bolsonaro.

O medo, o ódio e o ressentimento nos levam a decisões ruins. Vemos José Dirceu falando em tomada do poder fora das urnas, em tolher o Ministério Público e o STF. A reação automática de muitos é querer o inimigo mais bombástico do PT: Bolsonaro. Mas será que ele tem as melhores condições de vencer o PT? Vamos considerar dois cenários.

No primeiro, o segundo turno é entre Bolsonaro e Haddad. Nesse caso, Bolsonaro receberia o voto de quem votou nele no primeiro turno, mais os votos de quem escolheu Álvaro Dias e uma boa parte de João Amoedo e Meirelles. Os eleitores de Alckmin se dividiriam, segundo estimativa do Datafolha, quase que igualmente entre Haddad e Bolsonaro. Haddad, por sua vez, ficaria com praticamente todos os votos que foram para Marina e Ciro Gomes, mais a metade de Alckmin.

Agora vamos considerar o segundo turno entre Haddad e Alckmin. As coisas mudam: Alckmin, além de todos os seus votos próprios, terá todos os votos que foram para Bolsonaro (eles podem detestar o tucano, mas certamente o preferirão ao PT), assim como os de Amoedo, Meirelles e Alvaro Dias e ainda uma parcela dos votos de Marina e Ciro Gomes ?" gente de esquerda que não quer o PT mas que jamais votaria em Bolsonaro. Não dá para garantir que Alckmin vença, mas é certo que ele irá melhor no segundo turno do Bolsonaro.

O mesmo vale, na esquerda, para Haddad e Ciro Gomes. A rejeição de Ciro entre todos os eleitores da direita e de centro é menor do que a de Haddad. Então Ciro terá, assim como Haddad, o voto da esquerda, além de mais votos do centro e da direita.

Com Marina isso se dá para ambos os lados. As pesquisas curiosamente indicam uma enorme rejeição a ela, mas isso deve ser mais sintoma de uma má vontade presente e não um reflexo fiel do voto caso ela chegue no segundo turno. Afinal, contra Haddad, é evidente que todo mundo que votou em candidatos de direita votará nela (melhor do que deixar o PT voltar!). Contra Bolsonaro, ela leva todos os votos da esquerda (por mais que os partidos de esquerda a acusem de traidora, o eleitor de esquerda preferirá colocá-la no poder do que entregá-lo ao Bolsonaro).

Quem domina o centro, vence. Estamos nos encaminhando para um segundo turno entre as duas figuras mais polarizadoras da campanha. Além de ser ruim para o governo futuro ?" que terá forte oposição a tudo que fizer ?" e de ser um risco para a democracia, é também uma escolha irracional por parte dos eleitores. Não deixemos a irracionalidade vencer. Ainda dá tempo!
Herculano
02/10/2018 06:46
ELEIÇÃO DEVE REDUZIR Nº DE PARTIDOS DE 35 PARA 18, por Cláudio Humberto na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

As pesquisas indicam que os partidos hoje existentes serão reduzidos à metade, caindo dos atuais 35 apenas para os 18 que devem superar, este ano, a chamada "cláusula de desempenho" (ou "de barreira"), e poderão ter atuação plena no Congresso, e parlamentos estaduais e municipais. Em valores de 2018, só esses 18 terão acesso aos R$800 milhões do Fundo Partidário e aos R$1,7 bilhão do Fundo Eleitoral, na eleição municipal de 2020, confirmada a tendência das pesquisas.

EM 2023, SERÃO Só 10
"A expectativa é que, por conta das mudanças, em 2023 tenhamos no máximo 10 partidos", diz o ministro Gilberto Kassab, fundador do PSD.

AS MAIORES BANCADAS
Especialista nessas estimativas, Kassab acha que PP e PT elegerão 50 deputados. PSDB, PSD e PR terão bancadas de 45 federais cada.

ZONA INTERMEDIÁRIA
A avaliação é que MDB elegerá só 40 deputados, DEM e PRB 36, PDT 29, PSB 25, PSL 18, PTB 17, SDD 11; Pros, Pode, PCdoB e Psol, 10.

ZONA DE REBAIXAMENTO
Na zona da degola, lutam para escapar o PPS, que pode eleger 8 deputados, além do PV, Rede e Novo, que devem eleger 6, no máximo.

DELAÇÃO DE PALOCCI PõE A LAVA JATO NA CAMPANHA
A devastadora delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci, detalhando a ladroagem revelada pela Operação Lava Jato, introduz na campanha presidencial um tema praticamente ignorado, apesar de explosivo: a corrupção dos governos de Lula e Dilma. Somente Álvaro Dias (Podemos) e Jair Bolsonaro (PSL) têm disposição para atacar a corrupção dos governos do PT. O que não têm é tempo no rádio e TV.

TUCANO DE RABO PRESO
Geraldo Alckmin (PSDB) evita o tema Lava Jato acintosamente em sua campanha porque tem rabo preso: seu nome foi citado no escândalo.

ADVERSÁRIOS CAMARADAS
O Rede de Marina e o PDT de Ciro também calam sobre corrupção do PT pelas mesmas razões. Ou pelo temor de afugentar o eleitor petista.

ALIANÇA CONTRA LAVA JATO
Partidos não atacam ladroagem petista e também não são criticados pelo PT. A turma tem horror à Lava Jato, não às suas descobertas.

O ENDEREÇO É A OMC
Ao criticar o Brasil por "tratar mal" empresas americanas, Donald Trump tentou atingir o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que luta contra as políticas anti-concorrenciais e protecionistas do seu governo.

ESTRANHA SOFREGUIDÃO
O governo federal vai realizar em dezembro a licitação da Ferrovia Norte-Sul e de mais três blocos de aeroportos controlados pela estatal Infraero. Contratos bilionários para o futuro governo pagar. Vai dar rolo.

ROUBO DOMÉSTICO
O ex-ministro Antonio Palocci contou na delação que seria muito mais fa?cil discutir sobre dinheiro com a OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa do que com empreiteiras estrangeiras.

IBANEIS QUER VENCER JÁ
Haddad propôs a Ibaneis Rocha (MDB) conversar "sobre segundo turno". Mas o líder nas pesquisas no DF só conversa sobre primeiro turno. Aí o candidato do PT, Miragaya, 3% no Ibope, teria de desistir.

TRAPAÇA IMPUNE
Para explicar o aumento da cobrança por bagagem, que dobrou de preço em um ano, empresas áreas recorrem à justificativa da Petrobras na exploração criminosa dos brasileiros: "variação do dólar". A trapaça foi instituída em 2017 para aumentar o faturamento das aéreas.

AGENDA CHEIA, CASA VAZIA
A agenda da Câmara dos Deputados está cheia esta semana, mas não vê vivalma há alguns dias. É a última semana de campanha eleitoral e deputados federais só vão reaparecer na semana que vem.

MELHOR DO MUNDO
Os candidatos que serão eleitos para o Senado este ano vão ocupar dois terços, ou sejam, 54 de 81 das suas cadeiras. Quem for eleito ganhará o melhor emprego do mundo até 2027.

BAFAFÁ EM CHAPECó
Um juiz aposentado de Chapecó pode complicar Gerson Merísio (PSD), candidato ao governo de Santa Catarina. Irio Grolli acusa o deputado de ocultar a propriedade de imóveis e empresas, como duas pequenas centrais hidrelétricas que têm incentivos fiscais do estado.

PENSANDO BEM...
...faltam só seis dias para a eleição. É tempo suficiente para nada mudar e muita gente passar raiva.
Herculano
02/10/2018 06:39
ALGO ESTÁ ERRADO QUANDO JUÍZES QUEREM SER ÁRBITROS DA ARENA ELEITORAL, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Tutelar o eleitor e interferir no debate político não cai bem ao Judiciário

O avanço das ações de combate à corrupção deu protagonismo inédito ao Judiciário na vida do país. O trabalho de magistrados produziu revelações que imprimiram uma marca permanente em partidos e agentes políticos. Algo está fora do lugar, entretanto, quando juízes pretendem assumir também o papel de árbitros da arena eleitoral.

Em agosto, o juiz Sergio Moro achou melhor adiar para novembro o depoimento de Lula em um dos processos que correm contra o petista. "A fim de evitar a exploração eleitoral dos interrogatórios, seja qual for a perspectiva, reputo oportuno redesignar as audiências."

O magistrado acrescentou uma crítica ao réu nesta segunda-feira (1º) e afirmou que o ex-presidente "tem transformado as datas de seus interrogatórios em eventos partidários".

O comentário serviu de introdução ao despacho em que o juiz tornou públicos, a seis dias da eleição presidencial, trechos da delação de Antonio Palocci. O ex-ministro acusa Lula de ter conhecimento dos esquemas de corrupção na Petrobras e diz que o PT financiou ilegalmente suas campanhas políticas.

A divulgação do depoimento, com clara influência sobre o processo eleitoral, reforçou no PT o discurso de que o Judiciário age para prejudicar o partido. Moro sabia disso e buscou uma defesa prévia: "A farsa da invocação de perseguição política não tem lugar perante este juízo".

No Supremo, Luiz Fux também olhou o calendário ao proibir uma entrevista de Lula à Folha. O ministro julgou razoável tutelar o eleitor, "considerando a proximidade do primeiro turno", e afirmou que declarações do ex-presidente provocariam "confusão". A única confusão até agora se deu no tribunal, que precisará discutir o caso no plenário.

Os juízes exercem um bom ofício quando tomam decisões para garantir direitos e punir aqueles que desrespeitam a lei, em qualquer dia do ano. Interferir e tentar mediar o debate eleitoral não cai bem a quem exerce essa função - "seja qual for a perspectiva", como escreveu Moro
Herculano
02/10/2018 06:36
TODOS OS DIAS HAVERÁ PESQUISAS ELEITORAIS. HOJE SERÁ DO DATAFOLHA. ONTEM FOI A DO IBOPE

Conteúdo do portal G1. Pesquisa Ibope para presidente:

O Ibope divulgou nesta segunda-feira (1º) o resultado da mais recente pesquisa de intenção de voto na eleição presidencial. A pesquisa ouviu 3.010 eleitores entre sábado (29) e domingo (30).

O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

Os resultados foram os seguintes:

Jair Bolsonaro (PSL): 31%
Fernando Haddad (PT): 21%
Ciro Gomes (PDT): 11%
Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
Marina Silva (Rede): 4%
João Amoêdo (Novo): 3%
Alvaro Dias (Podemos): 2%
Henrique Meirelles (MDB): 2%
Cabo Daciolo (Patriota): 1%
Guilherme Boulos (PSOL): 0%
Vera Lúcia (PSTU): 0%
Eymael (DC): 0%
João Goulart Filho (PPL): -
Branco/nulos: 12%
Não sabe/não respondeu: 5%

Em relação ao levantamento anterior do instituto, divulgado na quarta-feira (26):

Bolsonaro passou de 27% para 31%;

Haddad se manteve com 21%;

Ciro oscilou de 12% para 11%;

Alckmin se manteve com 8%;

Marina foi de 6% para 4%;

Os indecisos foram de 7% para 5% e os brancos ou nulos, de 11% para 12%.

Rejeição
O Instituto também perguntou: "Dentre estes candidatos a Presidente da República, em qual o (a) sr. (a) não votaria de jeito nenhum? Mais algum? Algum outro?".


Neste levantamento, portanto, os entrevistados podem citar mais de um candidato. Por isso, os resultados somam mais de 100%.

Os resultados foram:

Bolsonaro: 44%
Haddad: 38%
Marina: 25%
Alckmin: 19%
Ciro: 18%
Meirelles: 10%
Cabo Daciolo: 10%
Eymael: 10%
Boulos: 10%
Vera: 9%
Alvaro Dias: 9%
Amoêdo: 8%
João Goulart Filho: 7%
Poderia votar em todos: 2%
Não sabe/não respondeu: 6%

Simulações de segundo turno
Ciro 45X% x 39% Bolsonaro (branco/nulo: 13%; não sabe: 3%)

Alckmin 42% x 39% Bolsonaro (branco/nulo: 17%; não sabe: 3%)

Haddad 42% x 42% Bolsonaro (branco/nulo: 14%; não sabe: 3%)

Bolsonaro 43% x 38% Marina (branco/nulo: 17%; não sabe: 2%)

Sobre a pesquisa
Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
Entrevistados: 3.010 eleitores em 208 municípios
Quando a pesquisa foi feita: 29 e 30 de setembro
Registro no TSE: BR- 08650/2018
Contratantes da pesquisa: TV Globo e "O Estado de S.Paulo"
O nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro
0% significa que o candidato não atingiu 1%. Traço significa que o candidato não foi citado por nenhum entrevistado
Herculano
02/10/2018 06:27
AUTORITARISMO JUDICIAL

Justiça tem tomado medidas que afrontam princípios básicos da democracia e do Estado de Direito

Muito se fala do perigo que a eleição de Jair Bolsonaro representaria para a democracia. Numa escala mais modesta, insinuações autoritárias de dirigentes petistas também alimentam especulações. Esses, contudo, são riscos presumidos. Eles dizem respeito ao futuro, isto é, tratam de potencialidades, que, por definição, poderão ou não materializar-se.

No mundo das atualidades, do aqui e do agora, quem tem adotado medidas que afrontam princípios básicos da democracia e do Estado de Direito é, paradoxalmente, a Justiça. O caso mais gritante foi a decisão do ministro Luiz Fux, do STF, de proibir a Folha de entrevistar Luiz Inácio Lula da Silva na cadeia.

Num despacho tecnicamente débil, Fux não só revogou decisão anterior do ministro Ricardo Lewandowski, do mesmo STF, que autorizava a entrevista, como determinou censura prévia ao jornal, numa das mais graves agressões à liberdade de imprensa desde o fim da ditadura.

Lewandowski ainda tentou anular o controverso "writ" de Fux, mas o presidente da corte interveio, mantendo a proibição até que o plenário decida a questão. O episódio acrescenta novas camadas à série de desavenças políticas entre ministros que vêm corroendo a credibilidade do STF.

O pior é que a disposição despótica de Fux não é um caso isolado. Leio na Folha que a Justiça Eleitoral fluminense resolveu afastar candidatos supostamente ligados ao crime organizado, mesmo que ainda não tenham sido condenados por um órgão judicial colegiado, como exige a Lei da Ficha Limpa. O objetivo de manter quadrilhas longe do Parlamento é louvável, mas não o método. Numa democracia, mesmo o pior bandido só pode ser impedido de concorrer se se enquadrar numa hipótese de inelegibilidade prevista em lei prévia e regularmente aprovada.

Como já observei aqui, a manter-se a trajetória autoritária da Justiça e da própria legislação eleitoral, nem precisaremos do Bolsonaro para destruir nossa democracia.
Herculano
01/10/2018 17:05
do Jota, site especializado em assuntos jurídicos, no twitter

STF está vivendo seu dia de TRF 4. No TRF foi a guerra de liminares para soltar ou manter Lula preso. No STF, Fux e Lewandowski proferiram decisões antagônicas sobre Lula poder ou não conceder entrevista. O STF, que criticou o TRF naquela ocasião, agora terá de chegar a um acordo
Herculano
01/10/2018 17:01
PRESIDENTE DO IBOPE CRAVA QUE TERÁ SEGUNDO TURNO

Conteúdo de O Antagonista. Carlos Montenegro, presidente do Ibope, disse há pouco, durante almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro, que nunca viu eleição "tão esquisita".

"Dia 28 de outubro o brasileiro vai votar no segundo turno, e não tenho a menor ideia de quem vai ser o presidente da República", comentou ele, segundo o Estadão.

"Através de uma fadiga de muitos anos, o nosso sistema político chegou ao seu limite máximo, tem que mudar. Com isso, temos uma eleição que mostra dois candidatos bem destacados para frente para serem eleitos e também na rejeição", acrescentou.
Herculano
01/10/2018 16:58
da série: o vale tudo da campanha criado pelo PT; acirra-se a divisão do país; judiciário se estabelece ele próprio no centro das controvérsias quando deveria ser a ilha de segurança jurídica.

LEWANDOWSKI DETERMINA CUMPRIMENTO DE DECISÃO PARA FOLHA ENTREVISTAR LULA

Na sexta, o ministro Luiz Fux, vice-presidente do STF, suspendeu a decisão inicial

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Reynaldo Turollo Jr, da sucursal de Brasília. O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (1º) o cumprimento da decisão tomada por ele na sexta (28) autorizando a realização de entrevista da Folha com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril.

Ainda na sexta, o ministro Luiz Fux, vice-presidente do STF, suspendeu a decisão inicial de Lewandowski e proibiu que a colunista Mônica Bergamo, da Folha, realizasse a entrevista. Fux determinou ainda que, se a entrevista já tivesse sido realizada, sua divulgação estava censurada.

"Verifico que a decisão proferida pelo ministro Luiz Fux [...] não possui forma ou figura jurídica admissível no direito vigente, cumprindo-se salientar que o seu conteúdo é absolutamente inapto a produzir qualquer efeito no ordenamento legal", afirmou Lewandowski em seu novo despacho.

"Reafirmo a autoridade e vigência da decisão que proferi na presente reclamação para determinar que seja franqueado, incontinenti, ao reclamante e à respectiva equipe técnica, acompanhada dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo, o acesso ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de que possam entrevistá-lo, caso seja de seu interesse, sob pena de configuração de crime de desobediência, com o imediato acionamento do Ministério Público para as providência cabíveis, servindo a presente decisão como mandado."

No domingo (30), a Folha requereu a Lewandowski que sua decisão a favor da entrevista fosse cumprida. Na petição, os advogados do jornal argumentaram que a decisão de Fux - proferida no exercício da presidência do STF quando o presidente da corte, ministro Dias Toffoli, estava no regular exercício da função - configura "inaceitável e surpreendente ato de censura prévia que a Constituição proíbe". "É manifestamente ilegal. Não pode prevalecer."

O requerimento também destacou que não caberia um pedido de suspensão de liminar, conforme formulado pelo partido Novo, porque a decisão de Lewandowski era de mérito, e não liminar. Lewandowski havia julgado o mérito de uma reclamação apresentada pela Folha contra decisão da Justiça Federal em Curitiba que proibira Lula de dar entrevista.

"Além da ilegitimidade, o partido político manejou medida processual incabível, que induziu o Supremo Tribunal Federal a erro, pois não há - e jamais houve - liminar a ser suspensa no presente feito", sustentou o jornal.

Lula foi preso depois de ter sido condenado em segundo grau por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).

O pedido protocolado pelo partido Novo no STF foi registrado na sexta para apreciação do presidente da corte, Dias Toffoli, mas foi julgado pelo vice, Fux. A assessoria do Supremo informou que o presidente da corte estava ausente ?"Toffoli viajou a São Paulo na sexta. O artigo 14 do regimento interno do tribunal estipula que "o vice-presidente substitui o presidente nas licenças, ausências e impedimentos eventuais".

É comum, porém, que ministros despachem a distância, porque os processos são eletrônicos. O Supremo foi procurado, por meio de sua assessoria, para explicar os motivos da ausência do presidente, mas não deu detalhes.
Herculano
01/10/2018 16:51
De Ricardo Noblat, no twitter

Dia quente. O juiz Sérgio Moro quebra o sigilo da delação de Antonio Palocci que atinge em cheio Lula e o PT. Ministro do Supremo revoga decisão de ministro do Supremo que por sua vez havia revogado a decisão anterior dele, ministro do Supremo. Mais tarde, nova pesquisa Ibope.
Herculano
01/10/2018 16:48
SÉRGIO MORO ENTRA NA CAMPANHA, por Helena Chagas, de Os Divergentes

A seis dias das eleições, o juiz Sergio Moro levantou o sigilo sobre um dos termos de colaboração premiada do ex-ministro Antônio Palocci, que detalha o suposto loteamento de cargos na Petrobras em troca de financiamento para o PT. Moro sempre terá uma justificativa jurídica para cada um de seus atos, mas vai ficar difícil convencer alguém de que ele não está também em campanha.

A delação de Palocci, acertada em abril com a Polícia Federal, já tem muitas partes conhecidas, e não teve o efeito de tirar votos do PT ou de Lula até agora. Mas a esperança é a última que morre, e os movimentos antipetistas já se animaram.

Afinal, veremos, nos meios de comunicação, mais transcrições de gravações, depoimentos e relatos de reuniões citando Lula e outros personagens dos governos do PT, dos quais Fernando Haddad fez parte. A poucos dias de se encontrar com as urnas, na reta final da escolha, o eleitor será lembrado de tudo o que se falou de PT e Petrobras ao longo da Lava Jato. Mesmo que não tenha nada novo, isso será apresentado com estardalhaço pelos adversários.

Não se sabe se a revelação de parte da delação de Palocci terá maior influência sobre o resultado do primeiro turno da eleição, que tende a botar Jair Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Mas pode ajudar a estancar, ou reduzir, o crescimento acelerado que poderia levar o petista a chegar em primeiro lugar à etapa final da eleição.

Acima de tudo, o que o episódio mostra é a insistência do Judiciário em marcar seu protagonismo, interferindo no processo eleitoral a qualquer dia e a qualquer hora, no papel de dono da bola que assumiu desde a Lava Jato.

Também faz parte desse efeito a queda-de-braço dentro do STF em torno da entrevista do ex-presidente Lula, autorizada por Lewandowski, cassada por Fux num raro gesto de censura à imprensa e hoje autorizada de novo por Lewandowski. Depois dizem que o Judiciário não está em campanha.
Herculano
01/10/2018 16:43
MORO LEVANTA SIGILO DE DELAÇÃO DE PALLOCI, por Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo

Ex-ministro, que pagará multa de R$ 35 milhões e terá redução de 2/3 da pena, diz que propina de R$ 40 milhões para campanha de Dilma foi acertada em reunião com Lula.

O juiz Sergio Moro quebrou o sigilo de parte do acordo de colaboração de Antonio Palocci com a Polícia Federal, informa Bruna Narcizo.

Moro incluiu as informações delatadas por Palocci na ação penal do Instituto Lula. No despacho, o juiz afirma que "examinando o seu conteúdo, não vislumbro riscos às investigações em outorgar-lhe publicidade".

Os benefícios acertados por Palocci também se tornaram públicos. Entre eles, o ex-ministro terá que pagar multa de R$ 35 milhões e teve redução de 2/3 da pena.

Em um dos anexos, Palocci detalha um suposto esquema de indicações para cargos na Petrobras durante o governo Lula.

O ex-ministro conta que foi chamado por Lula no Palácio do Planalto em 2007 e que o presidente, "bastante irritado", teria dito que soube que os ex-diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa estavam envolvidos em diversos crimes. Neste momento, segue o relato, Palocci teria dito para Lula que eles estavam "agindo de acordo com parâmetros que já tinham sido definidos pelo próprio PT e pelo PP".

Palocci afirmou que "acredita que Lula agiu daquela forma porque as práticas ilícitas dos diretores da estatal tinham chegado aos seus ouvidos e ele queria saber qual era a dimensão dos crimes, bem como sua extensão".

Segundo o depoimento, Palocci diz que era comum o ex-presidente "reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão". Que a intenção era testar os interlocutores sobre o grau de conhecimento.

Ele relata uma reunião no Palácio do Planalto com a presença do então presidente na qual, segundo diz, teria sido acertado o pagamento de R$ 40 milhões em propina para a campanha de Dilma Rousseff em 2010. Ela estaria presente.

As afirmações já tinham sido feitas em depoimentos anteriores por Palocci. Lula e Dilma negaram as acusações.

Palocci também conta que houve a "ideia de nacionalizac?a?o do projeto do pre?-sal", o que se deu "pelo aspecto social, de gerac?a?o de empregos e desenvolvimento nacional, e objetivo, para atendimento dos interesses das empreiteiras nacionais, as quais tinham o?timo relacionamento com o governo".

Na delação, o ex-petista disse ainda que seria "muito mais fa?cil discutir com a OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa contribuic?o?es para campanhas eleitorais do que se tentar discutir os mesmos assuntos com empresas estrangeiras".

Palocci relata um acordo feito em 2004 para as eleições municipais " para que os partidos que compunham a base do Governo Federai se apoiassem mutuamente nas eleições municipais mediante acordos políticos e financeiros".

O ex-ministro cita como exemplo um acerto feito entre PT e PTB com o compromisso de que o Partido dos Trabalhadores repassasse R$ 20 milhões, mas que apenas R$ 4 milhões foram pagos. "A existência dos compromissos e a ausência do cumprimento integral das avenças foi o principal motivo pelo qual se desencadeou o Mensalão", diz.

Ele afirma que o modelo de corrupção na Petrobras "poderia se resumir pela atuação de autoridades de alto escalão. Segundo o depoimento, os diretores "pediam dinheiro em todos os períodos, não só eleitoral, sabendo que grande parte era repassada aos partidos via caixa 2".

Segundo o ex-ministro, doações eleitorais declaradas legalmente podem ter sua origem ilícita. "Bastando verificar sua origem, sendo criminosa quando originadas em acertos de corrupção; Que o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] não tem como saber se a doação é ilícita, uma vez que não fiscaliza a origem do dinheiro".

Palocci afirma que nunca abriu contas no exterior para o PT, mas "sabe que a agremiação já fez isso sem utilizar o nome do partido e lideranças". Ele diz que soube " que empresários abriam, apenas na confiança, contas em nome próprio e para utilização pelo PT".

Segundo ele, as campanhas presidenciais de Dilma custaram "em 2010 e 2014, aproximadamente, R$ 600 e R$ 800 milhões, respectivamente".
Herculano
01/10/2018 14:25
JOSÉ DIRCEU TORNOU-SE ALIADO TóXICO DE HADDAD, por Josias de Souza

Em todas as suas aparições, José Dirceu vem dando um tremendo apoio a Fernando Haddad. Mas o que o presidenciável do PT precisa mesmo é que Dirceu não apareça tanto. Ele adquiriu o hábito de dizer em público o que antes era cochichado pelos petistas apenas à sombra.

Condenado em segunda instância a mais de 30 anos de cadeia, Dirceu está solto graças à benevolência da Segunda Turma do Supremo. Percorre o país como caixeiro viajante de uma biografia que escreveu na prisão. Espalha declarações tóxicas por onde passa.

Em entrevista ao portal piauiense AZ, Dirceu criticou procuradores da República e desqualificou a Lava Jato. Para ele, é preciso "tirar o poder de investigação" do Ministério Público, pois o órgão virou "uma polícia política". Acha que a operação nascida em Curitiba tornou-se "um dos maiores erros do país" e tem grande responsabilidade na "estagnação econômica que o país vive".

Antes, em conversa com o jornal El Pais, Dirceu afirmara que não acredita em uma vitória de Jair Bolsonaro. Insinuara que a chegada do capitão ao poder poderia levar o PT a trafegar por caminhos alternativos à democracia.

"Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total", dissera Dirceu. "Na comunidade internacional isso não vai ser aceito. E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição."

Mal comparando, Dirceu exerce na trincheira de Haddad um papel semelhante ao que o general Hamilton Mourão desempenha na tropa de Bolsonaro. Ambos cuidam do departamento responsável pelo disparo de tiros contra o próprio pé.

Num instante em que Haddad critica Bolsonaro por afirmar que não aceita outro resultado das urnas eletrônicas que não sua vitória, fica difícil justificar uma declaração como "nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição."

Na última semana do primeiro turno, o PT faria um favor a Fernando Haddad se desligasse José Dirceu da tomada.
Herculano
01/10/2018 14:21
DONALD TRUMP CRITICA RELAÇÃO COMERCIAL DO BRASIL COM OS EUA

Conteúdo e texto da Rede TV. Nesta segunda-feira, em entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou as relações comerciais dos EUA com o Brasil.

Durante a entrevista para falar sobre o acordo comercial entre EUA, Canadá e México, Trump disse que o Brasil trata as companhias norte-americanas injustamente. O assunto começou quando o líder norte-americano foi questionado por um jornalista sobre as relações comerciais do país com a Índia.

"(A Índia) cobra tarifas tremendas", acusou Trump, ainda comentando que presidentes anteriores a ele "nunca falaram com a Índia". "O Brasil é outro caso. É uma beleza. Eles cobram de nós o que querem. Se você perguntar a algumas empresas, eles dizem que o Brasil está entre os mais duros do mundo, talvez o mais duro. E nós não os chamamos e dizemos 'ei, vocês estão tratando nossas empresas injustamente, tratando nosso país injustamente", dissertou.

O discurso, que durou cerca de 1 hora e 20 minutos, foi transmitido por meio de suas redes sociais e as do governo dos EUA.
Herculano
01/10/2018 11:54
DOIS MANDATOS

Numa eleição livre num ambiente democrático, há dois resultados: o do vencedor e o do perdedor.

Quem perde, recebe um mandato: o de ser oposição, construir alternativas fora do poder eleito e empossado.

E o PSDB - com Aécio Neves - recebeu esse mandato quando perdeu as eleições por estreita margem para Dilma Vana Roussef, PT e Michel Temer, MDB.

Esnobou o claro recado e a responsabilidade que recebeu nas urnas; lambuzou-se, não se limpou, ficou em cima do muro; não renovou e nem criou novas lideranças.

Agora, diz não entender a razão pela qual Geraldo Alckmin, não decola. Mais claro impossível. Nem mesmo se arriscar com João Dória, se permitiu.

Precisa ser refundado no Brasil e Santa Catarina, para se tornar nanico e apenas uma caricatura de quem possui história, histórica.

Em Gaspar, o PSDB faz o mesmo jogo.

Dividido, mantém em seus quadros uma vereadora que fez um acordo pessoal - e não de partidário - com o poder de plantão, contrariando a vontade das urnas. O PSDB está colando nele próprio, algo em que não participa diretamente nos bônus em Gaspar.

Então. Avisado está.O recado nacional também está dado. Acorda, Gaspar!
Herculano
01/10/2018 11:44
ENTRE A PRISÃO E O HOSPITAL, por Denis Lerrer Rosenfeld, filósofo, para o jornal O Estado de S.Paulo

Candidatura da 'direita' é uma resposta à corrupção, à insegurança que grassa pelas ruas e ao politicamente correto

Do cárcere, um ex-presidente condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro manipula o processo político via processos ditos jurídicos, agindo por interposta pessoa, no caso, o candidato Fernando Haddad. No hospital, um candidato atacado, vítima de um ato cruel, sobreviveu e se manteve presente politicamente via redes sociais. O primeiro representa uma esquerda degenerada que descambou para o crime e para o aparelhamento dos Poderes constituídos. O segundo representa o antipetismo, tão ancorado na sociedade brasileira, seja por reação ideológica, seja pela necessidade de uma limpeza da vida pública.

Considerar, agora, uma terceira alternativa não é uma proposta séria, por partir de completo desconhecimento da realidade. Esta está dada, e atente pelo nome da oposição entre petismo e antipetismo, entre defesa da corrupção e seu combate. As artimanhas das últimas semanas, permeadas por ideias de uma terceira via, mais servem para apaziguar consciências desnorteadas que, em nome do politicamente, correto, procuram uma fuga da realidade. Para além da iniciativa tardia, imagine-se a confusão nas urnas eletrônicas, com candidatos que lá estariam e não estariam mais!

Como máscara a acobertar uma suposta "justificativa", aparece a defesa da democracia contra o "fascismo" e outras bobagens do gênero. De repente, num toque de magia, todos se tornaram "democratas", até mesmo aqueles cuja longa trajetória se caracterizou pela defesa das ditaduras castrista, de Chávez e de Maduro e, de modo geral, do "socialismo bolivariano". São democratas da mais alta estirpe, certamente! Isso para não falar da corrosão das instituições democráticas, das investidas contra a Lava Jato e da apropriação de empresas públicas, sendo o caso da Petrobrás o mais emblemático.

Os tucanos merecem um tratamento à parte. Não apenas deixaram de ser uma alternativa ao PT, mas vieram a se tornar uma força auxiliar do petismo. O candidato Geraldo Alckmin bate preferencialmente em Jair Bolsonaro, com uma propaganda caricatural e rasteira. O deputado, que sempre lutou contra o "socialismo bolivariano", é apresentando como se um Hugo Chávez em potencial fosse! Qual foi o resultado disso? Ajudou a desacelerar o crescimento de Bolsonaro, estancou o dele mesmo, se não caiu, e favoreceu o aumento das intenções de voto em Haddad. O PT agradece e manda um forte abraço lá de Curitiba!

Aliás, o namoro do PSDB com o PT não é de hoje. Remonta a uma suposta afinidade ideológica entre os dois partidos, supostamente em torno de ideias social-democratas, embora os petistas jamais se tenham reconhecido em tal denominação. Ao contrário, não cessaram de criticar a tal da "herança maldita" do governo Fernando Henrique. E o ex-presidente tucano não cessa de lançar palavras amigáveis a Haddad, Lula e congêneres, para além de afirmações feitas realmente por Alckmin, e supostamente desmentidas, de que não votaria jamais em Bolsonaro em segundo turno. Numa eleição polarizada, criticar tão fortemente um candidato significa, evidentemente, balizar o caminho para o outro.

Lula talvez nem esperasse tanto, deve estar emocionado! Após as sucessivas tentativas de aviltar a democracia brasileira e suas instituições, além de ter conduzido o País, com a ajuda de outra "eleita" dele, Dilma Rousseff, a uma crise econômica, social e política de vulto, Lula e seu partido se colocam como"vítimas" e, para algumas "boas almas", como representantes da democracia. Vítima é o povo brasileiro!

Afinal, quais são as credenciais petistas? O Brasil legado pelos sucessivos governos Lula e Dilma é uma verdadeira ruína. A irresponsabilidade fiscal foi tanta que até agora o PIB encontra dificuldades para crescer, após sucessivas quedas. O desemprego atingiu mais de 12 milhões de trabalhadoras e trabalhadores; a classe média ascendente, tanto alegada por seu novo status, fez o movimento inverso, após ter usufruído uma efêmera bonança.

E o pior de tudo é que esse descalabro vem sendo atribuído pelos petistas ao governo Temer, que ousou enfrentar tal situação. A irresponsabilidade é total, marcada pela completa falta de pudor! A narrativa do "golpe", num claro artifício demagógico, foi o instrumento utilizado para debilitar as instituições democráticas. É como se Lula não fosse um cidadão qualquer, pairando por cima das leis, como se estas devessem estar a seu serviço.

O desrespeito à leis e à Constituição ?" só aparentemente respeitadas ?" conduziu o partido e os seus auxiliares na mídia televisiva e impressa a uma investida contra o Judiciário e o Ministério Público. Isso para não falar das tentativas reiteradas de desconsideração da Lei da Ficha Limpa e de levar o "caso" de Lula, julgado segundo a lei em todas as instâncias dos tribunais brasileiros, a um comitê de Direitos Humanos da ONU, como se tivesse jurisdição sobre o País. O próprio Estado Democrático de Direito foi posto em questão.

Lula e o PT jamais esconderam seus sucessivos projetos de controle da imprensa, denominada "controle social dos meios de comunicação". Basta substituir a palavra social por petista, para que tenhamos a sua plena significação. Foram e continuam sendo defensores do "socialismo bolivariano" e de Maduro, cuja opressão contra seu povo foge de qualquer parâmetro democrático. A violência e a miséria são suas características centrais.

Neste contexto, uma vítima, convalescendo num hospital, é designada como "fascista" e "ditatorial", numa curiosa inversão de papéis. Se Bolsonaro veio a se consolidar enquanto alternativa, isso muito se deve às mazelas e arbitrariedades petistas, em paralelo com as dubiedades e incoerências tucanas. Aliás, estes aliados "objetivos" ou escondem ou não compreenderam que a candidatura da "direita" é uma resposta à corrupção, à insegurança que grassa pelas ruas e ao politicamente correto. Estão colhendo o que plantaram.
Herculano
01/10/2018 11:41
TODOS OS DIAS DESSA SEMANA SE TERÃO PESQUISAS. Só O DATAFOLHA FARÁ TRÊS

NESTA SEGUNDA SAIU A DO BTG PACTUAL QUE ESTÁ ORIENTANDO O MERCADO NESTA MANHÃ

Na espontânea, Bolsonaro está com 28, Haddad, 18, Ciro e Alckmin com 7%

No cenário de primeiro de segundo turno, Bolsonaro está na frente de Haddad e Ciro, mas tecnicamente empatado e vence Marina. Alckmin está na frente de Bolsonaro, mas empatado tecnicamente.
Herculano
01/10/2018 11:33
2008,O ANO QUE NÃO ACABOU, por Gustavo Loyola, economista, ex-presidente do Banco Central, no jornal Valor Econômico

Fantasma da nova matriz econômica continua a assombrar os cenários futuros da economia brasileira

Há cerca de dez anos, aportava em terras tupiniquins a mais severa crise financeira vivenciada pela economia global desde o crash de 1929. Na ocasião, não desconfiávamos que seus efeitos mais deletérios e duradouros - que perduram até os dias de hoje - se deveriam muito mais aos remédios que seriam ministrados pelo governo do que à própria severidade da doença.

Quando a crise eclodiu, em setembro de 2008, a economia brasileira passava por um momento muito positivo. Havia crescido 2% no segundo trimestre e 1,7% no terceiro. As contas públicas estavam em ordem, com um superávit primário rodando acima dos 3% do PIB. As reservas internacionais montavam cerca de US$ 210 bilhões, sendo o país credor líquido em moeda estrangeira. O sistema bancário estava bem capitalizado e sólido o suficiente para enfrentar uma crise externa.

Em suma, pela primeira vez, na história econômica recente, o Brasil estava preparado para exercitar políticas domésticas anticíclicas na eventualidade de um choque externo. Vale recordar que o padrão anterior, nos episódios de crise de origem externa, era o país ser levado a adotar políticas monetária e fiscal restritivas, o que agravava ainda mais seus efeitos recessivos.

E assim foi feito. Um ano após a eclosão da crise, o Banco Central havia derrubado a taxa Selic de 13,75% ao ano para 8,75% e o superávit primário caíra de 3,85% do PIB para apenas 1,07%. Além do afrouxamento monetário e fiscal, o governo adotara uma série de outras medidas estimulativas, notadamente com o uso dos bancos públicos para expandir o crédito, num momento em que os bancos privados retraíram-se. Os resultados vieram. Após cair no último trimestre de 2008 e no primeiro do ano seguinte, o PIB voltou a crescer nos períodos seguintes.

Tudo indicava que o Brasil saíra bem da crise, apesar da recessão que havia durado dois trimestres. Mas as sementes do desastre futuro haviam sido plantadas. A severidade da crise financeira nos EUA e em outros países desenvolvidos havia levado corretamente seus bancos centrais a se distanciarem da ortodoxia e praticarem políticas fortemente expansionistas que levaram ao inchamento de seus balanços. A interpretação na terra tupiniquim foi a de que a crise havia aberto uma "licença para matar" que justificaria politicas de estímulo da demanda até em circunstâncias muito distintas do que as prevalecentes nas economias desenvolvidas.

Estavam lançadas as bases para a desastrada "nova matriz macroeconômica" que Guido Mantega, com as benções de Dilma Roussef, anunciaria com toda a pompa e circunstância em 2012. A "nova matriz" prometeria o milagre de juros baixos, câmbio "competitivo" e aumento do investimento público. Mantega anunciaria o enterro do tripé macroeconômico (responsabilidade fiscal e monetária e câmbio flutuante) que trouxera bons frutos durante o mandato do presidente Lula. O então ministro da Fazenda chegaria a falar da necessidade da "desintoxicação" da economia em relação aos juros altos e ao câmbio valorizado...

No entanto, o que foi prometido como redenção da economia, virou um desastre. As consequências deletérias da "Nova Matriz" podem ser sintetizadas na pior recessão da economia brasileira nos últimos 50 anos, responsável por um encolhimento da renda per capita da qual o Brasil demorará no mínimo uns cinco anos para se recuperar.

O impeachment de Dilma salvou momentaneamente o país da recidiva da "nova matriz" que já se anunciava após a saída de Joaquim Levy, cujo período no Ministério da Fazenda representou uma efêmera visita da responsabilidade macroeconômica no governo Dilma. Com Temer, a gestão da política macroeconômica passou da água para o vinho, com o resgate da credibilidade do BC e da política fiscal, muito embora as restrições estruturais tenham impedido a reversão do déficit primário. Infelizmente, ao detonar politicamente Temer, o escândalo das gravações de Joesley impediu a aprovação da reforma da previdência social, que é urgentemente necessária para equilibrar as contas públicas de maneira sustentável.

Porém, pior do isso, o escândalo ressuscitou as chances do PT nas eleições presidenciais e com elas o espectro da ressurreição da fracassada "nova matriz macroeconômica", de triste memória. Os assessores econômicos de Fernando Haddad reconhecem apenas um erro grave na política econômica de Dilma: ter trazido, em 2015, Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e, assim, optado por uma política recessiva. Só faltam dizer que Guido Mantega teria sido o melhor ministro da Fazenda desde Ruy Barbosa! Na mesma linha de pouca autocrítica, o PT mantem ainda como principal proposta na área fiscal a reativação da economia para elevar as receitas tributárias. Na área monetária, segundo eles, o BC deveria ter duplo mandato, um olho na inflação, outro no emprego.

Assim, no Brasil, a crise de 2008 se perpetua na forma do seu filho espúrio, a "nova matriz macroeconômica", cujo fantasma continua a assombrar os cenários futuros da economia brasileira. Às vésperas das eleições presidenciais, a responsabilidade macroeconômica continua sendo preterida pelo PT em favor de políticas assemelhadas àquelas que levaram ao desastre de 2014-2016.
Herculano
01/10/2018 11:31
BALANÇO DO PRIMEIRO TURNO CARREGA MAIS CERTEZAS DO QUE INCóNITAS, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Segundo turno parece definido e PSDB deve mergulhar em crise profunda após eleição

A seis dias do primeiro turno, o balanço da campanha eleitoral carrega hoje mais certezas e probabilidade do que incógnitas.

1. O segundo turno presidencial deve ser disputado entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

2. O provável fiasco da candidatura de Geraldo Alckmin vai mergulhar o PSDB em uma crise profunda. Após 24 anos de polarização com o PT, ganhando duas e perdendo quatro disputas, os tucanos têm sido esnobados pelo eleitor. Tiveram ainda de assistir a dois expoentes regionais do partido, Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO), serem alvejados por operações policiais na campanha - um deles, Richa, chegou a ser preso.

3. Impressiona a rapidez do derretimento de Marina Silva (Rede). Em um mês, despencou do segundo lugar para o patamar de um quase nanico. Se deseja ser candidata em 2022, a ex-senadora precisa repensar erros cometidos nos quatro anos em que teve liberdade e tempo (como nenhum outro adversário) para construir uma candidatura sólida.

4. Ciro Gomes (PDT) foi o candidato que mais criou expectativas no processo eleitoral. Esteve prestes a fechar com o centrão, que o trocou por Alckmin (há quem diga que com a bênção de Lula). Mesmo solitário, Ciro deu sinais de fôlego para ser uma terceira via capaz de atravessar o duelo Bolsonaro x Haddad. As pesquisas recentes, entretanto, indicam que o combustível do pedetista já entrou na reserva.

5. O candidato do impopular governo de Michel Temer não conseguiu nem o papel de coadjuvante. Apesar dos milhões gastos e de um trabalho de marketing bem criativo, o ex-ministro Henrique Meirelles (PMDB) não passou de um figurante.

6. Há um saldo negativo de episódios que mancham a campanha: um atentado a faca contra Bolsonaro, declarações irresponsáveis do próprio que ameaçam princípios democráticos, a omissão de autoridades no combate a fake news e a inexplicável censura imposta por um ministro do STF a uma entrevista de Lula, personagem importante da eleição.
Herculano
01/10/2018 11:25
FARRA DA BOLSA-DITADURA JÁ CONSUMIU R$14 BILHõES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, pagou entre 2002 e 2017 indenizações de R$14 bilhões a supostas vítimas do regime militar. Até julho, último balanço disponível, o ataque ao Erário beneficiou 39.230 "perseguidos". Na comissão, com forte presença de petistas, a onda agora é dar "bolsa-ditadura" a quem participou de greve antes Constituição de 1988 e que, depois de sua promulgação, perdeu o emprego por qualquer motivo. É só alegar "perseguição".

DINHEIRO FÁCIL
Só esta semana foram mais de trezentos processos de "perseguidos" em duas turmas da Comissão de Anistia.

APENAS INVESTIDORES
Perseguido de verdade, o saudoso Millôr Fernandes não perdoou: "Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento".
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01/10/2018
GUERRILHEIRO TRAUMATIZADO
Militante do PCdoB ganhou uma bolada por "traumas" decorrentes da Guerrilha do Araguaia, que acabou 4 anos antes do seu nascimento.

FREIO DE ARRUMAÇÃO
A farra reduziu no governo Michel Temer, após o ministro Torquato Jardim (Justiça) determinar cuidado redobrado com o dinheiro público.

PRóXIMO PRESIDENTE INDICARÁ DOIS PARA O STF
O próximo presidente vai escolher dois ministros para o Supremo Tribunal Federal. Permanecendo no STF até a idade máxima de 75 anos, dois ministros vão pendurar a toga durante o próximo governo: o decano Celso de Mello, que completa 75 anos em novembro de 2020, e Marco Aurélio Mello, em julho de 2021. Mas tanto Mello quanto Cármen Lúcia já admitiram algumas vezes antecipar a aposentadoria.

DE OLHO EM 2022
Quem vencer a eleição de 2022 indicará outros dois ministros, com a aposentadoria de Rosa Weber e Ricardo Lewandowski em 2023.

DE OLHO EM 2026
O presidente eleito em 2026 vai escolher os substitutos dos ministros Luiz Fux em 2028, e Cármen Lúcia em 2029.

PRAZO MÁXIMO
Entre os atuais ministros o último a se aposentar da atual composição será Alexandre de Moraes: ficará no STF até dezembro de 2043.

PARTIDOS FORA
Na entrevista à Band, o candidato Jair Bolsonaro contou que tem conversando com parlamentares de outros partidos. Mas não quer papo com os partidos, tampouco admitirá o toma-lá-dá-cá.

PÚBLICO E PRIVADO
As empreiteiras MPD e MRM, ligadas ao deputado Félix Mendonça (PDT), aliado do governador Rui Costa (PT), têm recorrido à Justiça para atrapalhar a concorrente Andrade Mendonça a iniciar a obra de R$100 milhões do Centro de Convenções da prefeitura de Salvador.

FRAÇÃO NA FICHA LIMPA
Entre as 29.101 candidaturas registradas na Eleição 2018, 1.888 foram rejeitadas pela Justiça São cerca de 6,5% dos candidatos barrados. Mas apenas 173 desses foram impedidos pela Lei da Ficha Limpa.

DICA DE TRANSPARÊNCIA
Projeto do senador Paulo Bauer (PSDB-SC) quer obrigar apostadores de loterias Caixa a informar o CPF, para impedir lavagem de dinheiro. Melhor faria se obrigasse a divulgar os vencedores de loteria. Aí, sim.

CARTA NÃO RENDE
Um candidato do PT ao Senado, no DF, Marcelo Neves, apresenta-se em sua propaganda como "o senador do Lula", até exibe carta escrita (sic) pelo presidiário. Mas não passa de 3% nas pesquisas.

MUITOS A MENOS
Em média, 250 delegados da Polícia Federal se aposentam por ano, segundo dados da ADPF, a associação da classe, sem que esses postos sejam reocupados por concurso. A bandidagem adora isso.

COMBATE À CORRUPÇÃO
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral promove ato em frente ao Congresso hoje, às 9h, chamando atenção para o tema. Difícil será encontrar parlamentar numa segunda-feira, às vésperas da eleição.

METADE INSATISFEITA
Anthony Pereira, do Brazil Insitute da King's College em Londres, disse à revista Quartz que independentemente do resultado da eleição, uma coisa é certa: grande parte da população vai odiar o futuro presidente.

PENSANDO BEM...
...se rejeição é quem faz vencer a eleição, nem precisa de segundo turno.
Pedro do Bela Vista
01/10/2018 11:20
então não conseguiram nem fazer um asfaltinho na Pedro Simon e ainda dizem que vão transformar a cidade num canteiro de obras? Sou vai acorda Gaspar do Herculano do que o avança Gaspar do marqueteiro da prefeitura. kkk
Herculano
01/10/2018 11:11
VIRA-LATAS WANNA BE, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

Gente que trabalha em padaria tem mais caráter do que quem mexe com arte

Imagine a cena em que casais com filhos ainda jovens comentam a situação do Brasil hoje. O horror que é termos candidatos populistas viáveis nessa eleição. As crises econômicas contínuas. A insegurança das ruas. A corrupção! Essa então é um horror. O estado da educação, então, uma vergonha! O trânsito mal educado. Os evangélicos! Os evangélicos, então, dá vontade de vomitar. Como são ignorantes! Imagine que são contra o aborto e a favor da pena de morte! E toda essa gente é brasileiro que nem eu?

Agora imagine que, ainda no momento queijos e vinhos, pré jantar, alguém, portador de algum passaporte europeu, começa a falar dos preparativos para mandar sua filha para estudar na Inglaterra ou nos Estados Unidos. Só gente vira-lata como o brasileiro precisa ficar mil dias na fila esperando uma permissão pra entrar nos EUA - aquele país que todo mundo critica, mas no qual todo mundo quer ir morar.

O grupo à mesa concorda em voz alta com argumentos do tipo "aqui não há futuro mesmo", "o Brasil nunca teve futuro", "maldita hora que meu avô, italiano, não foi para os EUA ou ficou na Itália" - ainda que, naquele momento, a Itália fosse um lixo também. "Brasileiro é mal educado mesmo, na Europa é outra coisa...". Se alguém fosse escrever um dicionário de frases bregas, essas deveriam constar na lista dos favoritos.

Há que se notar que, em situações como essas, concordar com o que alguém rico e/ou "inteligente" diz, significa que você também é rico e/ou "inteligente". Comentários sobre arte são fundamentais. "O povo brasileiro não dá valor à cultura, olha só o que aconteceu no museu no Rio!". Aposto que quase ninguém que surtou nas mídias sociais quando o "museu no Rio" pegou fogo nunca pisou nele, ou nem mesmo sabia da sua existência. Nada mais brega do que fingir amor à "arte" em nome da autoimagem.

Num jantar inteligente como esse, sempre alguém solta uma pérola do tipo "prefiro tal candidato porque ele dá valor à arte". Risadas? Você conhece algum povo que dava mais valor à "arte" no começo do século 20 do que os alemães? Risadas? O ridículo é destino em vira-latas que falam.

Amor à "arte" nunca garantiu nada em termos de comportamento. "Artistas" em geral são tão canalhas quanto canalhas que odeiam a "arte". Pessoas que trabalham em padarias têm, em geral, mais caráter do que quem mexe com arte e cultura.

Seria importante lembrar a esses vira-latas que essa forma de auto-ódio é tão venenosa para o Brasil quanto os políticos corruptos. Aliás, suspeito que há alguma forma de conexão entre as duas condições.

No fundo, o vira-lata queria ser europeu ou americano e, por isso, lambe a moçada de lá. Essa baixa autoestima nacional inunda o país com pequenos atos de desprezo pelo mundo à sua volta. A pergunta é: de onde vem esse ódio que o vira-lata nutre contra si mesmo? Essa vontade de arrancar a própria pele é acompanhada, na grande maioria dos casos, pelos bolsos cheios de dinheiro que esse vira-lata ganha nesse mesmo "país de merda" do qual seu filho deverá fugir.

Alguém precisa ensinar modos para essa moçada que gosta de xingar o Brasil enquanto vive graças à grana que ganha nesse mesmo Brasil. A rigor, não há diferença de natureza (há de grau, claro) entre quem rouba o país roubando capital público e quem rouba o país roubando o próprio capital simbólico do país, dizendo que quer mandar o filho embora porque aqui não há futuro. Claro, depois de ter enchido os bolsos de dinheiro com esse "país de merda". A repetição é pedagógica.

Essa ideia aparece, por exemplo, no modo de pensar como o filho lavando roupa em Barcelona é chique, enquanto que o filho lavando roupa aqui seria maus tratos com a pobre criança. É a mesma diferença entre andar de bicicleta na marginal Tietê porque não se tem grana e andar de bike na ciclovia da Faria Lima por opção política haddadiana. Ou ser "contra carros" e só andar de Uber e não ter carro e andar de trem-metrô-ônibus.

As sutilezas da realidade, normalmente, escapam à cognição de quem é wanna be por natureza. A condição wanna be é caracterizada por uma enorme privação de amor próprio que torna a pessoa incapaz para atividades cognitivas e morais mais sofisticadas.

Há cura para essa condição? Não creio. Talvez daqui a mil anos mude. A elite brasileira é, em geral, um lixo mesmo. Além de sempre ter compactuado com formas péssimas de governo, é ela mesma, e não o "povo", que condena o país à condição atual.
Herculano
01/10/2018 11:03
O "#ELENÃO" FOI MUITO MAIS VIGOROSO DO QUE A REAÇÃO BOLSONARISTA. MAS CALMA! NÃO SE DEVE TOMAR TAL SUPERIORIDADE POR ESPELHO DAS URNAS, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Os atos promovidos pelo movimento "#EleNão" Brasil e mundo afora reuniram muito mais gente do que a reação organizada pelos apoiadores do candidato Jair Bolsonaro (PSL). Ninguém fez estimativa de público - a não ser aquela da costumeira militância delirante -, mas a presença atestada pelas fotos e o número de cidades em que as mulheres, na maioria, foram dizer o seu "não" são bastante eloquentes. Mas que não se tome isso como uma antecipação necessária do que vai acontecer nas urnas. E minha observação nada tem a ver com "bolsonarismo envergonhado". O ponto é outro.

Como já notei aqui, não há, desta vez, vergonha nenhuma. Até gente insuspeita de ter um "Bolsonaro" repousando lá no fundo da consciência resolveu revelá-lo, "sem medo de ser feliz", como dizia o PT antigamente. Há, sim, os que ainda se esforçam para recobrir com certa polidez livresca a escolha pelo ogro - quase sempre culpando Geraldo Alckmin por ter não conseguido seduzir o seu e outros votos. Quando tudo falha, tira-se, então, da cartola da impostura o risco petista. Aí, no caso, se o PT existe, tudo é permitido.

Ocorre que Alckmin só enfrenta dificuldades porque, ora vejam!, parte do antipetismo já havia se bandeado para Bolsonaro. Querem enganar a quem? Os que já o escolheram de saída - e ainda no primeiro turno - concordam mesmo com sua visão de mundo. Ponto. Mas retomo o fio.

O antibolsonrismo ganha características de movimento suprapartidário, acima das ideologias, ainda que, por óbvio, partidos de esquerda certamente atuem para viabilizar as manifestações, assim como organizações de direita e extrema-direita movimentam as ruas bolsonaristas. Não há nada de novo ou de excepcional nisso. Dada a natureza, digamos, mais universalista do "#EleNão", há uma variedade maior de correntes de opinião presentes ao ato. Explico o "universalista": ainda que centrado o movimento no repúdio à figura de um político, há vários nichos de opinião que se sentem ofendidos ou agredidos pela pregação do "condutor": mulheres, gays, negros, esquerdistas, liberais de raiz - sem derivação teratológica para o comportamento fascistoide - etc.

Como a virulência bolsonarista não deixa muito espaço para ilusões - o que se comprovou, mais uma vez, neste domingo -, os que se sentem ameaçados têm mais disposição para ir às ruas. A variedade de alvos da pregação do líder acaba tendo como resposta uma mobilização mais robusta. Mas isso, por si, não deve servir como garantia aos antibolsonaristas. E, como disse, isso nada tem a ver com o "voto encoberto" ou "voto envergonhado".

O bosonarismo tem a sua franja mais ativa, mais agressiva, mais dura, que é essa que vai às ruas. Durante o as manifestações em favor do impeachment, era a turma identificada com a defesa da intervenção militar. Mas há também o bolsonarismo mais recluso, embora declare votos aos vizinhos, em grupos de WhatsApp, nas filas de supermercado, em todo canto. Sim, entendo que essa gente está devidamente representada nas pesquisas de opinião ?" afinal, esse negócio de vergonha está fora de moda ?", mas não está necessariamente nas ruas.

É nesse bolsonarismo passivo que se sustenta a tese dos mais fanáticos, que não é endossada por nenhum levantamento de opinião - mesmo os mais favoráveis ao candidato ?", de que é possível vencer no primeiro turno. A campanha sabe que seus próprios números não indicam isso. E que, também em seus levantamentos, o candidato passou a enfrentar dificuldades que se julgavam já superadas.

A semana vai ser de lascar. O WhatsApp vai funcionar como nunca. A primeira vitima também nessa guerra será a verdade.
Herculano
01/10/2018 10:50
CONSPIRADORES ALUCINADOS, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

Uma minoria de militantes e comentaristas radicalizados nestas eleições padece da psicose que projeta no adversário monstruosidades ainda não praticadas

Cássio, Brutus e Casca integram a turma de oligarcas desesperada para tirar a República romana da rota da destruição. Concluem que assassinar Júlio César é o certo a fazer.

Os conspiradores, na encenação de Shakespeare, têm um problema. Não há prova de que César vá subverter a ordem republicana para tornar-se ele mesmo um monarca.

Daí brota a sacada do dramaturgo inglês sobre a psicologia por trás da violência na política. "Como a luta não carrega a cor daquilo que ele é", diz Brutus a um criado sobre César, "então combinemos isto: que o que ele é, se fosse aumentado, desaguaria em tais e tais extremidades".

É preciso imaginar, projetar no futuro, as desgraças ainda a serem perpetradas pelo inimigo a fim de nutrir o convencimento para a ação imediata. Criar uma ficção e acreditar nela. César será massacrado no Senado não pelo que ele é, mas pelo que poderia ter sido.

Foi Shakespeare, não George W. Bush, quem inventou a doutrina do ataque preventivo. Até a alegoria muito repisada nessas horas, o ovo da serpente, está lá, na fala de Brutus. É mais fácil esmagá-la enquanto está encapsulada, argumenta o homicida em formação.

Sem uma dose de alucinação, não há substrato psíquico para a anulação antecipada de um adversário que ainda não praticou o mal. Nestas eleições, uma minoria de militantes e comentaristas radicalizados aprisiona-se num labirinto de ódio contra o inimigo, a partir de elucubrações sobre as monstruosidades que ele cometeria se fosse o vencedor.

Na Roma antiga - a da história, não a da peça -, os conspiradores provavelmente estavam certos sobre a trajetória do cônsul rumo à tirania, mas de nada adiantou trucidá-lo. A República já estava morta à espera do primeiro imperador, que não tardou a sepultá-la.

A questão no Brasil, para quem escapa do transe, é investigar se a nossa democracia está moribunda. Não parece que esteja.

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