IDEB revela mais uma vez que fazer política com Educação é desastroso para o futuro de quem mais precisa de gestores responsáveis - Jornal Cruzeiro do Vale

IDEB revela mais uma vez que fazer política com Educação é desastroso para o futuro de quem mais precisa de gestores responsáveis

24/09/2020

Quem revelou esta vergonha aos gasparenses, aos gestores públicos e aos seus professores foram os próprios alunos nos testes que fizeram 

Isto é uma vergonha! I

O IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica -, divulgado na semana passada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacional (Inep), do Ministério da Educação, mostrou que a capacidade de absorver conteúdos e a resolutibilidade dos alunos nas escolas públicas municipais de Gaspar com eles, andou para trás no próprio governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, se comparado 2017 com 2019 ou pior: olhando para as metas compromissadas para o mesmo 2019. Não digam que professores, gestores pedagógicos e diretores de escolas não pressentiram isso! Outro desastre: quando se olha o ensino médio e que é de responsabilidade do governo do estado, a coisa ficou escandalosa. Inacreditável! É o futuro de crianças e adolescentes – vulneráveis pois economicamente não podem acessar o ensino privado - que estão comprometidos no conhecimento, na competitividade e na busca de empregos, inclusive os de simples sobrevivência. Vergonha é a palavra suave que expressa tudo isso. 

Isto é uma vergonha! II

São números. São constatações. São realidades. É um retrato. São resultados. É a verdadeira prestação de contas deficitária. É uma brutal discriminação dos políticos do poder de plantão contra pobres. Um alerta para reverter algo assustador. Esses números dizem que os gestores públicos e educadores falharam feio. São pedidos de socorro que não estão sendo ouvidos. Os políticos – agora em campanha para permanecerem no poder - estão fulos com os números que eles não podem manipular para a propaganda enganosa. Preferiam que fossem publicados só das eleições. Antes, como foi, atrapalham, vejam só, à falsa imagem marqueteira vencedora que venderam até aqui e que inunda as redes sociais oficiais e particulares dos obrigados a isso para recompensar as tetas públicas onde mamam. Estão fulos, porque mais uma vez estou, infelizmente, de alma lavada e o tempo foi senhor da razão. Falta de aviso e alertas que incluem à Saúde Pública e à Assistência Social, não foi. Os únicos prejudicados até aqui são próprios estudantes e não os políticos. São eles que estão sendo punidos pelos políticos. E tudo tende a piorar com estes sete meses de paralisação devido ao Covid-19. O IDEB de 2021 deverá será catastrófico se uma operação de guerra não começar exatamente hoje. E para isso é preciso liderança, capacidade e consciência cidadã. O que os gasparenses e os candidatos tem a dizer sobre isso? 

Isto é uma vergonha! III

Com estes números ficará mais difícil de me chamar de mentiroso, de me calar – inclusive com processos – como sempre se tentou até aqui para me intimidar e constranger. A meta de Gaspar para 2019 era de 6,2 para o 4º e o 5º ano do Ensino Fundamental: ficou em 6,1 enquanto a média catarinense foi de 6,5; ou seja, tem gente ensinando e aprendendo bem melhor em Santa Catarina. Já para as 8ª e 9ª séries, os estudantes gasparenses cravaram 4,8; mais uma vez abaixo da meta prometida por Gaspar que era de 5,8 e da média conseguida pelos estudantes catarinense de 5,1 em igual avaliação. Mas, nesta vergonha contra os nossos jovens à beira do ensino superior, nada supera o que aconteceu com o ensino médio em Gaspar e que é de responsabilidade do governo de Carlos Moisés da Silva, PSL, o que quando eleito, andou casando diretora não alinhada ideologicamente ao partido, tudo sob a máscara de erro administrativo. Gaspar que já teve 3,5 em 2017 e havia prometido como meta 3,8, “conseguiu” apenas 2,3 diante de uma média catarinense compromissada para ser 5,4, e que se apurou em 4,2. Como esses estudantes poderão alçar as universidades com tal pobreza de conhecimento? Isso não é orgulho para ninguém, desculpe-me, nem para os seus professores. Vergonha! 

Isto é uma vergonha! IV

Onde se fundamenta parte deste desastre? Na politicagem barata em algo essencial e estratégico. A professora que virou secretária de Educação em Gaspar, ganhou esta condição na acomodação partidária do vencedor. Como prêmio está licenciada e em campanha à cata de votos. Ela quer ser vereadora para melhor defender os professores e a educação daqui, mesmo não tendo feito à própria lição de casa como mostra claramente o IDEB de 2019. Esse é o resultado de se transformar áreas essencialmente técnicas, sensíveis e vitais para a cidade, os cidadãos e cidadãs como Saúde, Educação e Assistência Social em escritórios políticos e ou empregos a curiosos para selar alianças partidárias com o fito de se continuar no poder, sem se importar realmente com o melhor resultado que isso vai trazer para a sociedade, ou no futuro das pessoas, normalmente, as mais vulneráveis socialmente. Apostou-se em obras físicas e que estão sob dúvidas; esqueceu-se do essencial: gente, num ambiente conturbado, numa cidade dormitório e de passagem entre centros urbanos em expansão como Blumenau, Brusque e Itajaí, fatos que obrigam à atenção social redobrada dos governantes. Acorda, Gaspar! 

 

TRAPICHE 

Denúncias ao seu alcance. O aplicativo Pardal, desenvolvido pela Justiça Eleitoral para uso gratuito em smartphones e tablets, a cada eleição, já está disponível. Você pode baixá-los nas lojas virtuais Apple Store e Google Play. Somente nas eleições de 2018, a ferramenta recebeu mais de 47 mil denúncias.  

Neste domingo todos os candidatos estarão oficialmente inscritos no Tribunal Regional Eleitoral e se saberá quem ficou pelo caminho. Será a hora de separar os homens dos meninos quando se escolhe os guerreiros para uma batalha. 

Vida de político é dura; dura de engolir. Depois ele reclama da imprensa, dos eleitores, da sorte...  

Em campanha, vai à redação dos veículos de comunicação; eleito, desaparece. Em campanha se aproxima e baba colunista; eleito, ameaça, constrange e até processa. Em campanha diz que o veículo de comunicação é vital; eleito diz que as redes sociais – nas fakes que produz - são suficientes. Em campanha diz que ele e o partido não têm dinheiro, pede chances; eleito, chantageia com verbas que são públicas e não suas. 

As redes sociais mostraram esta semana como funcionará a desigualdade da campanha política em Gaspar. Comissionada da área de comunicação acompanhava gravação de depoimento da avó do candidato a vice da coligação. No mínimo, aí há mácula ética. Ética? O que é isso no mundo político? 

Você sabe quantos engenheiros fiscais em menos de dois anos a prefeitura de Gaspar nomeou para acompanhar a obra de apenas um quilômetro do Anel de Contorno no pasto do Jacaré? Cinco. 

As obras de drenagens e reurbanização do Rua Barão do Rio Branco, no bairro Santa Terezinha, imitam a da Frei Solano no desastre de execução e sofrimento prolongado que se lança contra a população e comerciantes de lá. Incrível! 

O ex-prefeito de Gaspar por dois mandatos, Luiz Fernando Poli, ex-MDB, PFL e PDT, teve o seu Ecoesporte apreendido. Regularizou a documentação. Ainda precisou dar arrumar cinco pneus em melhor estado, dar um jeito na luz de freio, escapamento, macaco, triângulo, chave de rodas e até placa. Que coisa... 

Há candidato escondendo o seu currículo na campanha em Gaspar. E por que? Só viveu de tetas políticas até aqui. E se perder a eleição, ficará desempregado, a menos que outro político o socorra para mais um emprego comissionado. 

Tem candidato e que jura ser meu fiel leitor, mas só agora ele “descobriu” as mazelas e maravilhas de Gaspar. A campanha política faz coisas. Devia haver todos os anos. Acorda, Gaspar! 

 

Edição 1970

Comentários

Herculano
28/09/2020 08:35
HOJE É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA

Feita especialmente para o pioneiro portal do Cruzeiro do Vale, líder de acessos em Gaspar e Ilhota

Acorda, Gaspar!
Sérgio
27/09/2020 20:49
Os sócios da empresa nova que esta por vir a Gaspar já contribuiram com a campanha de Kléber, color quimica
Herculano
27/09/2020 09:19
O DEM DE GASPAR DIFICILMENTE ELEGERÁ UM VEREADOR, DEPOIS DO PATRIOTAS QUE Só REGISTROU UMA CANDIDATA, O DEM REGISTROU TRÊS, SEGUNDO O RELATóRIO DESTE DOMINGO DO TSE
Herculano
27/09/2020 09:13
da série: nada será diferente para o PT em qualquer cidade catarinense, inclusive, em Gaspar

PT TEME SAIR DA DISPUTA DE SP COMO SUB-BOULOS, por Josias de Souza

Em política, a morte é anterior a si mesma. Começa muito antes. É todo um lento, um suave processo. Ao lançar a candidatura de Jilmar Tatto à prefeitura de São Paulo, o PT aprofundou o buraco em que se meteu. O eleitorado paulistano começou a jogar terra em cima ao posicionar no Datafolha Guilherme Boulos (9%), do PSOL, à frente de Tatto (2%), disputando a terceira colocação com o ex-governador Márcio França (8%), do PSB.

O petismo inicia a campanha na capital paulista como se vivesse uma espécie de pesadelo do qual terá dificuldades de acordar. Receava ficar fora do segundo turno. Passou a temer a hipótese de sair das urnas paulistanas como um sub-Boulos. O aroma de desastre que exala da candidatura de Tatto desestimula a participação de Lula, o ex-carregador de postes.

O PT lançou mais de 1.600 candidatos a prefeito em todo o país. Não importa quantos conseguirão se eleger. Dissemina-se entre os petistas a convicção segundo a qual o partido não terá o que celebrar no final do ano se amargar em São Paulo um fiasco com potencial para se projetar sobre os planos para 2022. O petismo começa a se dar conta de que o seu futuro era muito melhor antigamente.
Herculano
27/09/2020 09:06
BOLSONARO MENTIU E A FOLHA AMARELOU, por Flávia Lima, ombudsman do jornal Folha de S. Paulo

Jornal não pode se dispensar da tarefa de dar o peso e o nome devidos aos fatos

Quem decidiu checar a capa da Folha impressa de quarta (23) para ter uma noção de como foi o discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas ficou sem entender o que aconteceu.

Em uma fala na qual o presidente disse que não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes de Covid, que houve uma alta do investimento estrangeiro no Brasil no primeiro semestre e que mantém uma política de tolerância zero com o crime ambiental, entre outros dados falsos, a Folha estampou em manchete o título "Bolsonaro se defende na ONU sobre pandemia e queimadas".

Segundo o dicionário Aurélio, um dos significados do verbo defender é 'repelir ataque ou agressão a si próprio', o que se encaixa na retórica bolsonarista de que o governo sofre investida de inimigos a serem combatidos. Sendo assim, o verbo usado pelo jornal presta um enorme serviço à estratégia diversionista e negacionista do presidente, mas pouco contribui para o entendimento do que se passou.

É preciso dizer que o conteúdo noticioso estava bem contextualizado, com a íntegra do discurso acompanhada das inconsistências ditas pelo presidente esmiuçadas ponto a ponto.

Mas como disse um leitor, "todos sabemos que, na maioria das vezes, o que as pessoas leem é só a manchete e, segundo ela, a impressão que ficou é que Bolsonaro falou de política num nível aceitável. Tem que dar nome aos bois da boiada. Mentira é o nome".

A palavra mentira aparece pouco em títulos do jornal e, quando isso acontece, está sempre na boca de alguém, como em "Maia rebate Guedes sobre auxílio de R$ 600 e acusa governo de mentir em ação ao STF".

Nos últimos 12 meses, encontrei o uso direto do verbo pelo jornal apenas em alguns títulos atribuídos ao depoimento de um ex-funcionário de uma agência de disparos em massa, Hans River do Nascimento ("Ex-funcionário de empresa de disparo em massa mente a CPI e insulta repórter da Folha").

Jornais têm certa dificuldade de chamar algumas coisas pelo nome-mentira é uma delas. E, de fato, há explicações bastante razoáveis para justificar o uso de "errar" no lugar de "mentir". Segundo as agências de checagens, empresas cujo trabalho é justamente rastrear as falácias encontradas no noticiário, a mentira pressupõe intencionalidade, algo difícil de ser avaliado. Portanto, in dubio pro reo.

No entanto, se os jornais não têm condições objetivas de tachar alguém de mentiroso, que deem um jeito de expor as contradições da fala no título, evitando a naturalização do discurso. Nunca é demais lembrar que Bolsonaro usa a mentira como estratégia, e a imprensa brasileira ainda não sabe bem o que fazer com isso.

Para ficar apenas no exemplo da ONU, algumas das afirmações feitas na assembleia deste ano são muito parecidas com declarações dadas em 2019, quando ele afirmou, por exemplo, que seu governo tinha compromisso com a preservação ambiental.

O curioso é que, também no ano passado, a manchete escolhida pela Folha impressa seguiu pelo mesmo caminho, ao apresentar a posição do presidente sem contraponto ("Bolsonaro ataca críticos na ONU e vê falácias ambientais").

No ano passado, ele atacou. Neste se defendeu. Quando se trata da cobertura do discurso nas Assembleias da ONU, Bolsonaro ganha manchetes que nem sua Secretaria de Comunicação faria melhor.

Lá fora, entre os esforços mais emblemáticos de apontar inconsistências na fala de uma autoridade está o do jornal The Washington Post, que sustenta uma espécie de 'mentirômetro', segundo o qual o presidente Donald Trump já fez mais de 20 mil afirmações falsas ou enganosas.

Ainda assim, não se sabe se iniciativas como essa ajudam a estabelecer um consenso sobre o que é verdade e o que é mentira, a partir do qual o diálogo se torna possível. O certo é que falar em "polêmicas de Bolsonaro" ou dizer de modo até criativo que o presidente "recortou a realidade" não contribuem em nada.

Sempre foi importante pensar na escolha e no significado das palavras usadas nos primeiros contatos do leitor com a notícia (títulos, subtítulos e legendas de foto), mas a relevância cresce em momentos nos quais a desinformação é moeda corrente nas redes sociais ou tem origem exatamente no lugar de onde se esperavam palavras e atos responsáveis.

Entre ironias feitas à chamada da Folha nas redes sociais, um internauta disse que tem medo de um dia abrir os jornais e encontrar manchetes como "Presidente se defende do STF cassando três ministros". O leitor fez uma provocação, obviamente, mas a preocupação de fundo faz sentido: em nome de um pretenso equilíbrio da cobertura, o jornal não pode se dispensar da tarefa de dar o peso - e o nome?"devido aos fatos.
Herculano
27/09/2020 07:37
COMEÇOU A CAMPANHA ELEITORAL EM GASPAR

NESTAS PRIMEIRA HORAS, NAS REDES SOCIAIS, É FÁCIL VER QUEM TEM DINHEIRO A RODO E QUEM ESTÁ SEM DINHEIRO MINGUADO NO DIRETóRIO OU ESTÁ DISPENSANDO ELE, E PEGANDO DO SEU PRóPRIO BOLSO

TEM ATÉ CANDIDATO A VEREADOR QUE PARECE ESTAR EM CAMPANHA A GOVERNADOR DIANTE DE TANTA SOFISTICAÇÃO NO SEU VÍDEO. AI, AI, AI
Herculano
27/09/2020 07:33
A INFLAÇÃO DO ESPAGUETE, por Marcos Nogueira, no jornal Folha de S. Paulo

Um montão se falou sobre os preços do arroz e do óleo de soja, mas? e a inflação da carbonara?

O espaguete à carbonara, na última década, se tornou um clichê da classe média gourmetizada brasileira. Todo playboy que vê "MasterChef" comprava uma faca da grife, uma coifa top para o fogão e se metia a preparar a tal da carbonara.

Ela nasceu como comida de pobre, na Itália: leva macarrão, ovos, uma quantidade miserável de carne de porco e queijo ralado. Como é um inferno acertar a textura dos ovos - ora eles passam do ponto, ora ficam crus -, a receita se tornou um desafio para os cozinheiros de fim de semana.

Vejamos quanto saía a lista de compras, ontem (25), para uma carbonara autêntica.

A melhor massa seca italiana é a de Gragnano, perto de Nápoles. Dentre os produtores locais, a marca Afeltra tem reputação especialmente positiva. Na importadora Ravin, um pacote de 500 gramas de espaguete Afeltra saía por R$ 32.

Ovos são baratos, né? Melhor comprar orgânicos, pois o minimalismo da carbonara exige ingredientes de qualidade. Na Casa Santa Luzia, supermercado favorito dos foodies, meia dúzia de ovos caipiras orgânicos da marca Label Rouge custava, ontem, R$ 12,70.

Para fazer como os romanos, a carbonara deve levar guanciale (papada suína curada com sal e especiarias) e pecorino romano (queijo duro de leite de ovelha).

A Del Veneto, charcutaria de São José dos Campos, vendia a peça de 600 gramas de guanciale a R$ 64,90. No Carrefour, supermercado mais mainstream do mundo, o preço de uma fatia de 150 gramas do pecorino Pinna, importado da Itália, era R$ 45,49.

Na ponta do lápis: uma macarronada de R$ 155,09.

Ain, mas e aqueles que só comem farinha? E os pobres que nem sabem o que é Itália?

Calma, tigrada! Daqui a pouco eu volto a vestir a capa de cruzado da justiça social. Hoje vou escrever sobre gastronomia, assunto fútil por natureza - mas foi para isso que o jornal me contratou.

A inflação dos alimentos empurra a classe média de volta para os anos 1980, quando apenas os ricos desfrutavam de queijos e vinhos importados, entre outros acepipes.

A explosão da cotação do dólar foi finalmente repassada por inteiro na gôndola do mercado. Artigos compráveis no ano passado viraram sonho de consumo. Para arrematar a lambança, os importados puxaram para cima o preço dos similares nacionais.

Bacon vendido a R$ 106 o quilo no site do Pão de Açúcar

Digamos que a gente dê um downgrade naquela carbonara: o quilo do bacon Sadia, no Pão de Açúcar, custava ontem R$ 106. Qualquer parmesão ordinário está saindo por 80 contos o quilo.

Os restaurantes, sufocados pela pandemia, ainda entubam o repasse para não perder o que sobrou da clientela. A mídia especializada em gastronomia ?"não a chamemos de jornalismo?" ignora o monstro, pois subsiste de cortesias das fontes.

Só que a conta não fecha, e a bolha fatalmente vai estourar.

Do jeito que a coisa vai, a classe média terá que almoçar e jantar arroz puro...não, espera!
Herculano
27/09/2020 07:30
GILMAR VAI DECIDIR SOBRE CENSURA IMPOSTA À GLOBO NO CASO DA RACHADINHA, por Renan Ramalho, em O Antagonista.

Está no gabinete de Gilmar Mendes ação da Globo no STF contra a decisão da Justiça do Rio que proibiu a emissora de divulgar documentos da investigação sobre o esquema de rachadinha no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

A proibição foi determinada em primeira e segunda instância a pedido da defesa do senador, sob o argumento de que o caso tramita sob segredo de Justiça e de que ele goza da presunção de inocência enquanto não for condenado.

Na ação apresentada ao STF, a Globo argumentou que o senador é pessoa pública, que a sociedade tem direito à informação e a que a censura postulada por Flávio recai unicamente sobre a emissora.

"A tendência, a se manter esse tipo de decisão, é a de que se silenciem apenas os veículos de notícia que promovam visão crítica sobre as investigações de um Senador da República; algo inerente ao papel da imprensa como alternativa à versão oficial dos fatos", diz outro trecho.

No STF, Gilmar Mendes também é relator da ação apresentada pelo Ministério Público para levar a investigação de volta para a primeira instância da Justiça.
Herculano
27/09/2020 07:09
O RITO DE 1997, por Cláudio Prisco Paraíso

A Advocacia do Senado se manifestou sobre o rito do processo de impeachment na Alesc depois de ser demandada pela ministra Rosa Weber. Os advogados entendem que o rito do impeachment deveria ser o mesmo que foi seguido em 1997, quando o ex-governador Paulo Afonso Vieira escapou da degola por muito pouco. Em linhas gerais, o entendimento dos advogados da Câmara Alta é o mesmo da defesa de Moisés da Silva, a cargo do advogado Marcos Fey Probst: a fase atual do processo de impeachment teria que seguir, de acordo com esta linha de raciocínio, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e não no tribunal especial (Comissão Mista Julgadora), formada por deputados e desembargadores.

Ou seja, este colegiado misto entre parlamentares e juízes deveria ser formado somente após nova votação no plenário da Alesc para se manifestar sobre o mérito da acusação.

Seria neste momento então, de avaliação do mérito do processo no plenário do Parlamento, que se daria o afastamento por até 180 dias do governador e da vice em caso de novamente a oposição conquistar os votos necessários (como foi na admissão da matéria). Do jeito que está formatado o rito atual, os dois podem ser afastados preventivamente já nesta fase da comissão julgadora, com decisão prevista para meados de outubro.

GANHANDO TEMPO

Seria uma foram de retardar um pouco mais o possível afastamento de Moisés e Daniela. É o que pretende a defesa do governador.

Probst lembra que vem insistindo nesta tese desde o início. A ADPF 740, protocolada pela Procuradoria Geral do Estado no STF, está conclusa para despacho da ministra Rosa Weber.

RELATORIA

Deputado Kenendy Nunes (PSD) foi escolhido, por sorteio, relator da nova fase de impeachment de Moisés da Silva e Daniela Reinehr. Isso agora no Tribunal Especial (que foi chamado de comissão mista julgadora).

Kennedy Nunes é experiente e tem feito oposição ferrenha ao governador e ao governo desde muito antes de se falar em impeachment nos meios políticos do estado.
Herculano
27/09/2020 06:51
ENCRUZILHADA, por Marcos Lisboa, economista, presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005), no jornal Folha de S. Paulo

A economia brasileira passa por um momento aparentemente paradoxal

A recuperação da produção, ainda que desigual nos diversos setores, está bastante forte. Algumas estimativas indicam expansão de cerca de 9% neste trimestre, outras têm resultados mais modestos, mas acima de 6%. Tudo indica que a recessão deste ano pode ficar em torno de 5%, bem melhor do que muitos esperavam em abril.

Esses bons dados correntes, porém, não se refletem nos preços dos ativos, que estão bem piores do que em outros países. A Bolsa de Valores anda de lado, a taxa de câmbio se desvalorizou muito mais do que o previsto e as taxas de juros de longo prazo passam de 8%.

A razão desse descolamento é a incerteza sobre a condução da política fiscal e da agenda de reformas.

Os efeitos da política econômica ocorrem com retardo. A monetária demora cerca de um ano para afetar a economia. A expansão fiscal estimula rapidamente a atividade, mas a ameaça de uma trajetória insustentável da dívida pública leva ao aumento dos juros longos, desestimula o investimento e compromete o crescimento.

Os indicadores recentes de atividade, e os que vão sair nos próximos meses, resultam da imensa queda recente da taxa de juros de curto prazo, assim como da expansão fiscal decorrente do auxílio emergencial implementado durante a pandemia.

Os preços dos ativos, por sua vez, refletem os riscos que ameaçam a economia nos próximos anos.

O governo está em uma encruzilhada e parece dividido sobre qual caminho tomar. Há quem defenda continuar com a política fiscal expansionista, com a extensão do auxílio emergencial para o ano que vem e o aumento do investimento público, sem afetar os demais benefícios concedidos pelo governo.

Outros recomendam que o Orçamento para 2021 respeite a regra do teto. Neste caso, expandir o Bolsa Família ou ampliar o investimento verde-amarelo requer reduzir despesas em outros programas.

A tentação dos governos populistas é ignorar as restrições, expandir o gasto público e distribuir benesses sem o ônus das más notícias. A conta, porém, acaba por chegar. Nas circunstâncias atuais, uma nova crise pode ocorrer antes da eleição.

Caso o Planalto opte pela saída fácil, poderemos vir a ter saudade das taxas de câmbio e de juros deste ano e ser assombrados pela volta da inflação, provavelmente já em 2021.

O caminho da política amadurecida e calejada pela gestão, por outro lado, seria reconhecer os problemas, enfrentar os dilemas e dialogar francamente com a sociedade sobre as difíceis escolhas a serem feitas.

Maturidade e diálogo, porém, até agora, não parecem ser atributos do atual governo.
Herculano
27/09/2020 06:46
PSDB TIRA MULHERES DA GESTÃO DE COTA NO FUNDÃO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

O PSDB decidiu dar uma pedalada nas obrigações eleitorais e excluiu as mulheres da gestão de 90% dos recursos que devem ser destinados às candidaturas femininas nas eleições deste ano. O partido terá direito a cerca de R$130 milhões e deveria repassar 30% desse valor, cerca de R$39 milhões, para as candidatas a prefeita, vice ou vereadoras, mas a Executiva Nacional tucana destinou só R$4 milhões ao "secretariado da mulher", irritando importantes lideranças femininas do partido.

NAS MÃOS DOS CACIQUES

Os R$35 milhões restantes serão aplicados ao bel prazer de presidentes estaduais e municipais do PSDB. O passado mostrou que não funciona.

PASSADA PARA TRÁS

Informações de bastidores revelam que a presidente do PSDB-Mulher Nacional e ex-governadora do RS, Yeda Crusius, é das mais indignadas.

EXCLUÍDAS DA GESTÃO

O PSDB jura que os 30% obrigatórios irão para candidaturas femininas. O partido só não explicou por que excluiu mulheres da gestão da verba.

HOMENS VÃO DECIDIR

A decisão será da Comissão Nacional e membros do Congresso, onde o partido tem 38 parlamentares, mas apenas 10 são mulheres.

HUCK SE INSPIRA EM TRUMP: DA TV À PRESIDÊNCIA

Quem aposta que o apresentador de TV Luciano Huck siga o exemplo de Sílvio Santos na década de 1990, e desista da ideia de ser candidato a presidente após enfrentar "a política como ela é", esquece do exemplo de Donald Trump, a única celebridade de TV eleita presidente de uma grande economia sem qualquer experiência política, ou nas urnas. Após poucos anos de encontros políticos, congressos, presença intensa nas redes sociais e na mídia, Trump venceu em 2016. Huck segue a cartilha.

LARGADA QUEIMADA

Trump formou "grupo exploratório" para analisar seu potencial eleitoral em 2000. Era mínimo. Em 2012, voltou à cena com críticas a Obama.

NÃO ENVELHECEU BEM

Em 2014, Huck promoveu reunião de apoio a Aécio Neves, em sua casa, "denunciada" pelo ator Paulo Betti. Uma Lava Lato depois, voltou à cena.

DONALD HUCK

Huck anunciou "participação" da política em 2018, mas desistiu. Desde então não perde eventos, festa de boneca etc. e vive nas redes sociais.

PEDIDO DE SOCORRO

Deputados estaduais oficiaram Augusto Aras (PGR) pedindo intervenção no MP-AM, que se nega a investigar denúncias contra o governo Wilson Lima. Segundo Wilker Barreto e Dermilson Chagas, tudo para na gaveta.

EM DóLAR É POUCO

O governo brasileiro "busca" R$15 bilhões pelos Correios, estatal inchada e quebrada, segundo noticiou a Bloomberg. Em dólar, o valor não passa dos US$2,7 bilhões, uma ninharia para a trilionária Amazon.

FICHAS-SUJA NO PÁREO

O TSE previu receber 630 mil pedidos de registro de candidaturas para as eleições deste ano. O número seria menor, mas graças à Corte eleitoral, candidatos ficha-suja conseguiram brecha para concorrer.

CULPADOS POR SOBREVIVER

Muitos exploraram os 140 mil mortos pelo coronavírus desde o início da pandemia no Brasil, mas ignoraram os 4,1 milhões de vitoriosos. Em vez de celebrados, são coagidos a não comemorar as próprias vidas.

PERSPECTIVA É IMPORTANTE

Este domingo ficará marcado na História pelo registro do primeiro milhão de mortes pelo novo coronavírus no mundo. A boa notícia é que a taxa de recuperação é de mais de 96%; quase 25 milhões de pessoas.

DESTITUÍRAM TRUMP

A imprensa nos EUA, de maioria democrata, incluindo correspondentes brasileiros, acha que Donald Trump deveria abrir mão de escolher quem vai substituir Ruth Ginsburg. Com isso, permaneceriam "equilibradas" as indicações de presidentes democratas e republicados à Suprema Corte.

MISTUROU TUDO

Com os advogados da família Lula e da família Bolsonaro acusados de lavagem de dinheiro, o MP tem a chance de mostrar na prática o real significado da expressão "farinha do mesmo saco".

SOLUÇÃO 'CRIATIVA'

Debates entre postulantes ao cargo de prefeito de todo o país vão ser no mínimo "criativos", neste ano de pandemia. Em Porto Alegre, por exemplo, já está marcado um debate "em formato drive-in".

PENSANDO BEM...

... o Rio de Janeiro continua lindo, já os políticos cariocas...
Miguel José Teixeira
27/09/2020 06:45
Senhores,

T?"IN ?"IN ?"IN (1)

"A caráter: segundo a pesquisa do Ibope, a aprovação da maneira de governar do presidente está em 50%, ou seja, rachadinha..."

(Vital Ramos de Vasconcelos Júnior, Jardim Botânico, hoje no "Desabafo" do Correio Braziliense)

T?"IN ?"IN ?"IN (2)

"Dona de casa vai à Justiça por auxílio emergencial de US$ 1 mil, citado por Bolsonaro na ONU, em vez dos R$ 2,4 mil que recebeu" (G1)

T?"IN ?"IN ?"IN (3)

"Duas coisas não podem ser violentadas: a história e a geografia. A história, que é a alma de um país; e a geografia, que é o seu corpo."

(José Sarney, hoje em Visto, lido e ouvido do Correio Braziliense).
Herculano
27/09/2020 06:39
REFORMA DE IMPOSTOS DE GUEDES É INJUSTA, INEFICIENTE E SELVAGEM, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Com CPMF, reforma do governo aumenta injustiça e ineficiência tributária no país

"Poucas ideias são tão ruins que não podem ser pioradas. Infelizmente, o sistema tributário brasileiro não é exceção à regra... Uma prova disso é a constante ameaça do retorno da famosa ... CPMF", escreveu Adolfo Sachsida em um livro de 2017. Sachsida é ora secretário de Política Econômica do Ministério da Economia de Paulo Guedes.

A esse respeito, muita gente está de acordo com o secretário, este jornalista inclusive. Guedes quer substituir um imposto ruim e decadente, a contribuição patronal para o INSS, por um ainda pior, a CPMF ou equivalente. Se conseguir, vai aumentar a confusão, as distorções e várias iniquidades da tributação no Brasil.

Um modo de acabar com o imposto sobre folha de salários é tributar mais a renda, de preferência a dos mais ricos (ou o consumo, alternativa pior). Tributar mais os rendimentos maiores é também um modo de pegar os lucros da "economia digital", que têm escapado dos fiscos do mundo inteiro.

Guedes não quer bulir com o IR. Pretende comer a renda de modo insidioso, com uma CPMF, imposto menos visível e que trata ricos e pobres da mesma maneira.

A ideia do ministro é arrumar R$ 120 bilhões a fim de reduzir o que as empresas pagam para o INSS. Acabaria o imposto sobre remunerações de um salário mínimo ou menos; a contribuição sobre salários maiores diminuiria. Uma conta de guardanapo indica que, de fato, esse dinheiro seria bastante para reduzir a alíquota do INSS de 20% para uns 11% (para salários maiores que um mínimo), tudo mais constante.

Guedes acha que arrecadaria esses R$ 120 bilhões com uma alíquota de 0,4% para sua CPMF misteriosa. Quando a CPMF era de 0,38% (de 2002 a 2007), a receita era regularmente 1,35% do PIB, atualmente uns R$ 94 bilhões. Mas passemos, pois ninguém sabe o que é essa CPMF do ministro e a economia mudou em 13 anos.

Uma CPMF ou coisa que o valha vai pesar mais sobre indústria e agricultura, menos sobre serviços. Impostos sobre a folha de salários, como a contribuição patronal para o INSS, pesam mais, claro, sobre setores que gastam relativamente mais com mão de obra e menos com capital.

Mas ao fim e ao cabo, impostos sobre transações financeiras são selvagens, em nada relacionados a um critério econômico razoável. Uma cadeia de produção longa e movimentação financeira relativamente grande levarão uma empresa a "pagar" mais (na verdade, a recolher mais imposto, repassando a conta para o cliente).

A CPMF tende a aumentar a iniquidade social e econômica da tributação. Um grande princípio da reforma tributária seria justamente uniformizar o quanto possível os impostos que cada setor ou empresa têm de recolher. Outro motivo da reforma é acabar com a cumulatividade (o imposto em cascata, que fica mais pesado quanto mais "fases" a produção de um bem ou serviço envolver). A CPMF é cumulativa.

Além do mais, uma CPMF de 0,4% é uma enormidade em ambiente de taxas de juros baixas. Logo, vai criar tumulto e custo também no mercado financeiro.

A redução dos encargos sobre a folha vai ajudar a criar empregos? Não há evidências. Talvez facilite formalização e contratações quando e se a economia estiver crescendo. Impostos menores sobre o emprego podem ser um coadjuvante da melhoria do mercado de trabalho, mas não o motivo.

Deputados relevantes ainda dizem que a CPMF não passa ou que pode atrasar a reforma tributária. Que o país esteja discutindo tal coisa é outro sucesso da selvageria iníqua e ignara que move o governo de Jair Bolsonaro.?
Herculano
27/09/2020 06:33
A DANÇA DO SOBE E DESCE, por Carlos Brickmann

A pesquisa do Ibope foi uma das melhores que Bolsonaro já teve: 40% de aprovação, 29% de reprovação. Se a eleição presidencial fosse hoje, não apenas estaria no segundo turno: teria chance de vencer no primeiro. Mas a eleição não é hoje. E outra pesquisa, publicada praticamente ao mesmo tempo pela Exame, é bem pior para ele: desaprovação de 42%, aprovação de 35%. As duas pesquisas chegam a resultados diferentes por causa dos mesmos fatores: basicamente, a ajuda de emergência a pessoas carentes, iniciada com R$ 600 mensais e que, agora, cai a R$ 300. A coronavoucher explicaria a alta dos índices do presidente, embora no Nordeste, onde se concentra boa parte dos eleitores mais carentes, esse crescimento não tenha sido tão acentuado. A mesma coronavoucher, caindo para R$ 300, com a promessa de Bolsonaro de não pensar em Renda Brasil até o ano que vem, e aliada à subida da cesta básica, estaria puxando seu prestígio para baixo.

Bolsonaro, ao dizer que só pensaria em Renda Brasil no ano que vem, não quis dizer que a ajuda vai parar: está garantida até dezembro, e janeiro já é o ano que vem. Mas era fácil ser mal interpretado. Como é fácil interpretar mal as propostas de Paulo Guedes de substituir alguns impostos por outros. Num país como o nosso, supõe-se que vão criar impostos sem eliminar nenhum.

E as pesquisas? Serão úteis ao Governo e à oposição para definir táticas e estratégias. Para as eleições, não querem dizer nada. Estão longe demais.

PESQUISAS MAIS PRóXIMA

Em São Paulo, informa o DataFolha, Bolsonaro é rejeitado por 46% dos eleitores, pouco acima do empate técnico com o governador João Doria, que 39% rejeitam. Ou seja, no momento, o apoio público de um ou de outro não é bom para candidato nenhum. Claro que o mundo é diferente: o apoio de um governador ou um presidente vai-se refletir de outra maneira na força de seus candidatos. As máquinas oficiais e partidárias existem e ajudam. Mas, com campanha curta, quem está bem atrás terá um caminho muito difícil.

COVID MENOS, COVID MAIS

Os índices da Covid no Brasil estão mais amenos. São Paulo teve forte redução em contaminações e mortes. Há perspectivas reais de que, em pouco tempo - janeiro, talvez - haja vacinas disponíveis. ?"tima notícia. Mas em outros países, o vírus, após um período de menor atividade, voltou com tudo. Israel fechou de novo, há forte aumento de casos na Espanha.

É preciso tomar cuidado - até agora, a melhor maneira de enfrentar a pandemia foi não contrair a Covid. E esperar que as vacinas (já são onze na terceira e última etapa de testes) sejam apresentadas, aprovadas e aplicadas tão logo possível.

CARNAVAL, DESENGANO

A Liga Independente de Escolas de Samba, Liesa, decidiu suspender os desfiles de Carnaval no Rio. A associação de blocos decidiu suspender o carnaval de rua. Pode ser que, proclamado o fim da pandemia, haja nas ruas um Carnaval espontâneo (foi o que ocorreu há cem anos, quando terminou a epidemia de gripe espanhola). Pode ser que se designe uma nova data para os desfiles e a festa nas ruas. Mas isso depende da vacinação em massa.

SEM FANTASIA

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que odeia Carnaval, poderia comemorar - ele nem apareceu no Sambódromo, nem entregou as chaves da cidade ao Rei Momo, como ocorre todos os anos. Mas está preocupado em se livrar dos tribunais: condenado por uso da máquina pública em favor da candidatura de seu filho, Marcelo Hodges Crivella, foi declarado inelegível por oito anos. Certo, aqui é Brasil, talvez mesmo assim ele continue sendo candidato à reeleição. Mas os partidos oposicionistas já pediram que seja impedido de se candidatar, embora haja a possibilidade de recurso.

DANÇANDO

Já o governador Wilson Witzel está ameaçadíssimo: está afastado do Governo, o pedido de seu impeachment foi aceito, não tem apoio na Assembleia e depende de uma decisão do Supremo para ganhar uma chance de voltar ao cargo. Bolsonaro, que foi seu aliado e hoje é inimigo, já comemorou as dificuldades do governador fluminense. Mas o mundo gira.

TÁ FALTANDO UM

O advogado Frederick Wassef, de longa relação com a família Bolsonaro - até recentemente era advogado do presidente e de seu filho 01, Flávio - foi denunciado por peculato e lavagem de dinheiro pela Lava Jato. Com Wassef, foram denunciados Orlando Diniz, ex-presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, Marcelo Cazzo, responsável pela aproximação dos dois, e as advogadas Marcia Carina Zampiron e Luiza Nagib Eluf.

E TEM MAIS

O Antagonista informou que Bolsonaro se reuniu com o concessionário do aeroporto de Viracopos, que tinha problemas com o Governo. O encontro, diz a revista, após conversa do presidente com Wassef, foi produtivo.
Herculano
27/09/2020 06:24
DOCUMENTÁRIO SOBRE A LIBELU LEVA UMA DOCE VIAGEM À ALMA DOS JOVENS, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Filme sobre organização política de estudantes surgida em 1976 está na programação do festival É Tudo Verdade

Na quarta-feira estará no ar o documentário "Liberdade e Luta - Abaixo a Ditadura", do cineasta Diógenes Muniz. Trata da "Libelu", organização política de estudantes surgida em 1976 e extinta em 1985.

Os Libelus podem ter sido 800, mas fizeram um barulho danado. Iam para a rua gritando "abaixo a ditadura" (coisa que raramente acontecia desde 1968). Afastavam-se do MDB e da velha esquerda. Eram radicais com senso de humor, gostavam mais de rock do que de samba, de Caetano Veloso do que de Chico Buarque. O Serviço Nacional de Informações dizia que eram uma "dissenção" do Partido Comunista e da "linha trotsquista". Os Libelus eram jovens, num tempo em que o filosofo francês André Glucksmann dizia que "Brejnev é Pinochet". Um governava a União Soviética, o outro, o Chile.

As coisas são assim desde 1786, quando o estudante José Joaquim Maia (codinome Vendek) procurou Thomas Jefferson, embaixador dos Estados Unidos na França, pedindo-lhe ajuda para uma conspiração que se armava em Minas Gerais. Os estudantes foram a vanguarda da elite brasileira. Mais tarde, eles se tornam a própria elite e a vida segue.

No documentário de Diógenes Muniz há uma doce viagem à alma dos jovens dos anos 1970, na voz de 20 sexagenários lembrando-se da aurora de suas vidas. Só eles falam, um de cada vez. Em todos os idiomas há o provérbio segundo o qual quem não é de esquerda aos 20 anos não tem coração, e quem continua de esquerda depois dos 50 não tem cérebro. Dos 20 Libelus entrevistados, cada um tomou seu caminho, e foram para todos os lados. Poucos ficaram mais ou menos no mesmo lugar. Aí está o valor dos depoimentos e do documentário.

As entrevistas com os Libelus foram gravadas no cenário da Universidade de São Paulo. Só "Pablo", um militante que estudava medicina em Ribeirão Preto, falou na sala de sua casa. Isso não ocorreu por deferência ao ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, mas porque Antonio Palocci está em prisão domiciliar. Seu depoimento fecha o ciclo de um pedaço da amostra. Quando lhe foi perguntado se ainda se considerava um homem de esquerda, Palocci não vacilou: "Claro".

Não se mostrou arrependido de ter dançado "conforme a música", mas ponderou: "Os que não se meteram em caixa dois não se elegeram... Talvez eu fosse uma pessoa melhor...".

A estudantada é a vanguarda da elite brasileira. Vendo-se o documentário de Diógenes Muniz pode-se refletir sobre os jovens, o que é fácil. Desde 1786, difícil é refletir sobre a elite. Até nisso os Libelus ajudam.

BOLSONARO, RUSSOMANO E PAULO GUEDES DEVERIAM LEVAR A OPOSIÇÃO A PENSAR NA VIDA

O que mais se ouve é que esse mar de rosas acabará quando o auxílio emergencial for suspenso; pode ser

A popularidade do capitão, o surgimento de Celso Russomanno nas pesquisas paulistanas e a promessa de Paulo Guedes de elevar a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, beneficiando 15 milhões de pessoas, deveriam levar a oposição a pensar na vida.

O que mais se ouve é que esse mar de rosas acabará quando o auxílio emergencial for suspenso. Pode ser.

Não custa repetir uma lição do mestre Marco Maciel, quando um marqueteiro lhe disse que segundo as pesquisas o candidato adversário estava em queda e o dele, em ascensão: "Ainda assim, o senhor acha que a intersecção dessas duas retas ocorrerá antes ou depois da eleição?".

SEDE AO POTE

As guildas dos procuradores precisam controlar a sede da corporação.

Numa festa catarinense os doutores conseguiram uma equiparação que colocou a prêmio os mandatos do governador Carlos Moisés e de sua vice.

A Advocacia-Geral da União promoveu 606 doutores com um golpe de caneta e foi obrigada a esquecer o assunto diante da grita.

TRAPAÇA

Apareceu mais um juiz terrivelmente evangélico na fila do guichê para a indicação do próximo ministro do Supremo Tribunal Federal. É o juiz William Douglas dos Santos.

Numa trapaça da História, William Douglas (1898-1980) foi um desassombrado juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos. Comprou todas as brigas em defesa da liberdade e ainda por cima defendia o meio ambiente numa época em que pouco se falava disso. Certa vez, encarou uma trilha de 3.000 quilômetros.

Aguentou-se na Corte tendo-se se metido com um dono de cassinos. Pediu para sair quando, depois de um acidente vascular, estava trocando as bolas.

GOVERNO BOLSONARO TEM FEITO QUASE NADA PARA COMEMORAR BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Presidente arrisca atolar numa patriotada estéril, como aconteceu em 1972

Outro dia o vice-presidente Hamilton Mourão lembrou mais uma vez que os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil.

Mourão tem gosto pela História e faltam menos de dois anos para o bicentenário do Grito do Ipiranga. Talvez tenha chegado a hora de se esclarecer esse mito. Em 2017, num estudo publicado pelos Cadernos do Centro de História e Documentação Diplomática, Rodrigo Wiese Randig mostrou que o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil foi a Argentina, que à época atendia pelo nome de Províncias Unidas do Rio da Prata.

A Argentina reconheceu o Império do Brasil no dia 25 de junho de 1823 e, em agosto, seu representante apresentou suas credenciais ao chanceler brasileiro. Os Estados Unidos só reconheceram o Brasil um ano depois, e o embaixador José Silvestre Rebelo entregou suas credenciais ao presidente James Monroe no dia 26 de maio de 1824.

O governo tem feito pouco, quase nada, para comemorar o bicentenário da Independência. Arrisca atolar numa patriotada estéril, como aconteceu em 1972, no sesquicentenário, quando a ditadura passeou os ossos de dom Pedro 1º pelo país até colocá-los numa cripta nos jardins do Museu do Ipiranga. Anos depois ela virou mictório.

Dois meses depois da entrega de credenciais pelo embaixador brasileiro a James Monroe, dom Pedro 1º recebeu o embaixador do reino africano do Benim na Quinta da Boa Vista. O Benim estava mais para entreposto de escravizados do que para reino.

A UNANIMIDADE ESPERTA

Nelson Rodrigues já ensinou que toda unanimidade é burra.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro decidiu por unanimidade avançar com o processo de impedimento do governador Wilson Witzel. A unanimidade pode também ser esperta, muito esperta.

EREMILDO, O IDIOTA

Até um idiota como Eremildo pode entender que o Ministério da Educação nada tem a ver com o reinício das aulas.

Néscio, ele não sabe explicar se o doutor Milton Ribeiro também acha que seu ministério não tem nada a ver com o escalafobético edital do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação que, há mais de um ano, tentou torrar R$ 3 bilhões numa licitação viciada para a compra de equipamentos eletrônicos.

A Controladoria-Geral da União travou o jabuti, mas até hoje não se sabe de onde ele saiu.
Miguel José Teixeira
26/09/2020 09:23
Senhores,

Cri$tofobia desembestada

"Coaf: filho de Marcelo Crivella movimentou R$ 2 milhões" (O Globo).

E$$a gente, vive à fazer na vida pública o mesmo que faz na privada!

E nós burros-de-cargas, pagamos!
Miguel José Teixeira
26/09/2020 09:08
Senhores,

Só pra inticar:

1) "Fake person"

Penso que o grande problema do eleitor não é apenas as notícias falsas durante a campanha eleitoral. Mas sim, a "fake person" do eleito, revelada logo após a posse.

Bem que poderia existir o "desvoto". . .

2) Bingo!

O Jornalista Cláudio Humberto (abaixo) disparou mortalmente:

. . ."É o que dá a mania nacional de importar problemas raciais midiáticos de outros países.". . .

3)E a CUmunistinha Manuela Dávila, hein?

Sobras de campanha? Bom. . .CUmunistinha que se preza gosta mesmo é de uma "boquinha" no setor público.
Herculano
26/09/2020 08:26
CANDIDATOS REGISTRADOS

Neste sábado, o último dia possível para o registro das candidaturas, os cinco candidatos a prefeito e vice de Gaspar, apareciam no site do Tribunal Superior Eleitoral como inscritos, e aguardando o julgamento.

Na lista de vereadores, às 8h26min, o DEM - que corre com chapa pura - era o partido que tinha o menor número de vereadores registrados no TSE: três.

O prazo termina às 23h59mim59seg de hoje
Herculano
26/09/2020 07:35
ISTO É UMA VERGONHA

De Adolfo Salchida, do Instituto Liberal, num tuíte onde confronta duas imagens, uma com uma praia lotada e outra com uma sala de aula vazia:

Até quando? Os custos da perda de um ano de educação são elevados e incidem pesadamente sobre a população mais pobres. As aulas precisam voltar.

Volto. E em Gaspar, depois de lerem a minha coluna desta sexta-feira, os políticos do poder de plantão estão todos ouriçados e inconformados. Estão estudando uma forma de me calar ou de me punir como vem tentando a tempos. É pior que vergonha isso tudo, é um método criminoso reiterado que quer se perpetuar contra a cidade e seus cidadãos. Acorda, Gaspar!
Herculano
26/09/2020 07:26
TRIBUNAL DO IMPEACHMENT DE MOISÉS E VICE INICIA TRABALHOS, por Roberto Azevedo, no Making of

O Tribunal Especial de Julgamento do impeachment do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, e da vice-governadora, Daniela Reinehr, por crime de responsabilidade na equiparação salarial dos procuradores do Estado, iniciou manhã de sexta-feira, os trabalhos oficialmente, com a sessão de instalação do colegiado.

A sessão, que ocorre no Plenário Deputado Osni Régis, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, marcada para as 10h, teve um pequeno atraso. Deputados e desembargadores sentaram lado a lado em posições intercaladas.

Os trabalhos serão presididos pelo desembargador Ricardo Roesler, presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Além da instalação da comissão, na reunião, foi sorteado o relator da denúncia contra Moisés e Daniela, o deputado Kennedy Nunes.

O desembargador Ricardo Roesler prevê julgamento do relatório, que deve pedir o afastamento de Moisés e Daniela, para a segunda quinzena de outubro.

O colegiado é composto pelos deputados Laercio Schuster (PSB), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Kennedy Nunes (PSD), Maurício Eskudlark (PL) e Sargento Lima (PSL) e pelos desembargadores Claudia Lambert, Rubens Schulz, Sérgio Rizelo, Carlos Alberto Civinski e Luiz Felipe Schuch.

NOTAS RÁPIDAS:

- Advogada da vice-governadora, Ana Cristina Blasi afirma que protocolará um pedido de adiamento de prazo para a defesa se manifestar, antes de iniciada a sessão do Tribunal Especial de Julgamento do impeachment na Assembleia.

- Deputado Luiz Fernando Vampiro (MDB) justifica ausência por um teste de Covid-19. O presidente do Tribunal Especial, desembargador Ricardo Roesler, abriu a sessão e disse que o julgamento deve ter "a verdadeira causa da Justiça: o bem social".

- Presença ínfima de jornalistas na Assembleia, sinal de que, para a maioria, a instalação do Tribunal Especial só mantém o roteiro para o afastamento. Os profissionais tiveram o acesso presencial liberado pelo parlamento.

- Em um dos 40 itens colocados para análise do colegiado, pelo menos um chama a atenção: deputado fazer apartes em no máximo cinco minutos. E ainda considerar que necessita ser em tom respeitoso, sem ofender o governador e a vice.

- Só deputados fizeram apartes nos primeiros 45 minutos de trabalhos do Tribunal Especial. A maior parte deles pelo deputado Kennedy Nunes (PSD). Será um exercício de paciência para os desembargadores.

- Deputado Kennedy Nunes, do PSD, um dos maiores adversários declarados do governador Carlos Moisés da Silva (PSL) e da vice-governadora Daniela Reinehr é escolhido relator do Tribunal Especial de Julgamento do Impeachment. Houve comemoração, por parte de assessores e alguns deputados, durante a divulgação do resultado no Tribunal Especial de Julgamento do Impeachment.

- Desembargador Ricardo Roesler prevê julgamento do relatório, que deve pedir o afastamento de Moisés e Daniela, para a segunda quinzena de outubro.
Herculano
26/09/2020 07:19
da série: pinçado no mosaico mais um retrato da vergonha e que sinaliza uma doença grave gerada pela irresponsabilidade de gestores públicos

CRISE ADOECEU MAIS DE 80% DOS ALUNOS DA PóS DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

Transtorno de ansiedade, depressão e insônia estão entre as doenças mais citadas em pesquisa

Uma pesquisa conduzida por pós-graduandos da Faculdade de Direito da USP identificou que 84,3% deles adoeceram psicologicamente nesta quarentena e que 31,8% não têm conseguido produzir.

BULA ESCOLAR
Transtorno de ansiedade, depressão e insônia estão entre as doenças mais citadas pelos 295 alunos que responderam à pesquisa. Além disso, 95,9% afirmam que tiveram prejuízos no desenvolvimento de suas pesquisas por causa da epidemia.

CABO DE GUERRA
O relatório é publicado num momento de embate entre os alunos, que pedem que as entregas de qualificações e defesas sejam prorrogadas por mais um ano, e a Comissão de Pós-Graduação da instituição, que resiste.

AVAL
"Não prorrogar os prazos promove uma cultura de adoecimento institucional", afirma a doutoranda Janaína Gomes, uma das idealizadoras da pesquisa. "A maior parte dos alunos entende que precisa de seis meses a um ano para concluir, mas os que contam com anuência do orientador são apenas 40%", segue.

ALCANCE
Fernando Facury Scaff, presidente da Comissão de Pós-Graduação, afirma que casos excepcionais contam com o apoio integral da instituição e que parte dos alunos, com entregas até então previstas para janeiro de 2021, já ganharam cinco meses de prorrogação.

SIMETRIA
Ele também cita a sobrecarga dos professores, que acumulariam os atuais orientandos com os novos ingressantes. "Temos que olhar para os alunos, sim, mas também para os professores, que estão doentes", diz Scaff.
Herculano
26/09/2020 07:12
EXCLUSIVO: 60% SABEM 'IDENTIFICAR E FILTRAR' FAKE NEWS, por Cláudio de Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Uma das grandes preocupações das autoridades para a eleição deste ano, as fake news não incomodam tanto assim a população em geral. Segundo levantamento exclusivo do Paraná Pesquisas para o site Diário do Poder, 58,8% sabe "identificar e peneirar uma notícia falsa, ou seja, uma fake news". Entre pessoas de 16 a 44 anos (56% da população), a taxa dispara para mais de 67%. Já 36,1% dos pesquisados admite não ter as ferramentas para identificar essas mentiras e 5,1% não respondeu.

LACUNA GERACIONAL

A faixa etária de pessoas com mais de 60 anos, é a única onde a maioria (53%) não sabe identificar uma fake news, contra 41,7%.

EDUCAÇÃO IMPORTA

São 72,7% dos entrevistados com ensino superior completo que disseram saber filtrar as notícias falsas. É o maior índice da pesquisa.

PESO DA EDUCAÇÃO

A maioria (49,6%) dos entrevistados com escolaridade até o ensino fundamental admitiram não saber peneirar uma fake news.

PESQUISA NACIONAL

O Paraná Pesquisas ouviu 2.008 brasileiros em 232 municípios do país, entre os dias 21 e 24 de setembro.

'TREM DA ALEGRIA' DA AGU DEVE SER INVESTIGADO

Pode custar caro para seus responsáveis a tentativa de "trem da alegria" na Advocacia Geral da União (AGU), que quase burlou a reforma administrativa do próprio governo, decretando promoções em massa de 92% do efetivo. A esperteza provocou indignação do Planalto e deve ser investigada. A reforma prevê o fim das promoções por "antiguidade", condicionando-as ao mérito. Tentaram promover todos por antiguidade, na AGU antes que a reforma seja aprovada e entre em vigor.

PRECEDENTE LIQUIDADO

Bolsonaro mandou suspender a presepada diante do risco de iniciativas igualmente oportunistas de outras corporações de servidores "de elite".

TCU JÁ IA ANULAR

O Tribunal de Contas da União (TCU) estava pronto para anular nesta sexta (25) o ato da AGU que promoveu 607 pessoas de uma vez.

REAÇÃO INTERNA

O líder do governo, Ricardo Barros (PP-RJ), foi dos primeiros a reagir: fez um projeto de decreto legislativo que anulava o trem de alegria.

OPORTUNISMO IN NATURA

Mais de 25 mil candidatos oportunistas alteraram raça e cor declaradas à Justiça Eleitoral para se beneficiar da "legislação" inventada pelo TSE e o STF sobre divisão dos bilhões do fundão eleitoral. É o que dá a mania nacional de importar problemas raciais midiáticos de outros países.

CHEGADA DISCRETA

Os repórteres chegaram cedo para acompanhar a cirurgia de Bolsonaro, mas foram surpreendidos: o presidente chegou antes, pelas 7h, e não havia esquema de segurança no acesso ao hospital Albert Einstein.

PODER, NÃO PODE

O senador Álvaro Dias (PR) destaca: já existem duas notas da consultoria legislativa do Senado que atestam a inconstitucionalidade da reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO

A revelação de que o patrimônio da ex-deputada gaúcha Manuela Dávila (PCdoB) cresceu 382% em apenas dois anos mostra que já não se fazem mais comunistas com desapego a bens pessoais.

CAMINHO CONTRÁRIO

Enquanto no Brasil a estatal Correios está quebrada e inchada, e a um passo de ser vendida, na China a SF Holdings, a maior empresa do ramo no país, comprou em 2018 toda a operação chinesa da alemã DHL, a maior empresa de correios e entregas do mundo, e assumiu o negócio.

NOSSA GRANA

Os gastos definidos pelo TSE para as campanhas de prefeito e vereador de São Paulo, a mais cara do país, estão limitados a R$ 45 milhões no primeiro turno e R$52 milhões no turno. Tudo saído dos nossos bolsos.

Só COM EXAME POSITIVO

Virou notícia na CNN internacional a curiosa exigência de Fernando de Noronha (PE) de que turistas que desembarcarem na ilha sejam obrigados a terem sido infectados (e curados, claro) pelo Covid-19.

ELEIÇõES À VISTA

A partir deste sábado faltam apenas 50 dias para as eleições de novembro. Também termina hoje, dia 26, o prazo final para o registro de candidaturas, que antes da pandemia acabaria em 15 de agosto.

PERGUNTA NO EXTERIOR

Depois da Amazônia e do Pantanal, quem será culpado pelos incêndios na Bahia?
Herculano
26/09/2020 07:01
da série: está na cara de todos, menos dos políticos que tudo isto se trata de uma vergonha. E essa gente com DNA criminoso contra o futuro da sociedade, está pedindo voto para ficar e ampliar o exército de vulneráveis. Balada pode, futebol de patota pode, shoppings pode, só não pode ir a escola

GERAÇÃO ABANDONADA PELA ESCOLA SERÁ TESTEMUNHO HISTóRICO DA CRISE DO CORONAVÍRUS, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

As meninas e meninos abandonados pela escola entregarão comida por aplicativo na próxima emergência sanitária

"As aulas recomeçaram porque deixamos a pele, o estômago e os olhos em cada medida que cada instituto adotou, por sua conta e risco, com dinheiro do próprio bolso e hora extra." A diretora de um colégio público de Sevilha (Espanha), que preferiu permanecer anônima, falou com orgulho - e, como tantos educadores entrevistados pelo jornal El País, proferiu saraivadas de críticas aos governos nacional e regional. Mas ela e seus colegas enfrentaram o medo para evitar o nascimento de uma Geração Covid.

O Brasil, pelo contrário, certamente terá uma Geração Covid - isto é, milhões de crianças e adolescentes que carregarão, pela vida afora, o fardo de um ano sem escola. Segundo os indícios disponíveis, quase 30% deles não voltarão jamais à sala de aula. São, em geral, estudantes do ensino médio perdidos para sempre. Muitos outros sofrerão rupturas definitivas na sua capacidade de aprendizagem.

Escolas são redes de proteção social. Na Índia, há fortes sinais de aumento de 20% nos casamentos de meninas pré-adolescentes provocado pelo longo fechamento das escolas e, ainda, de um novo salto no trabalho infantil. No Brasil sem aulas, milhares de adolescentes pobres são cooptados pelas facções criminosas ou capturados por redes de prostituição de menores. Eles não entrarão nas estatísticas fatais da epidemia.

"Nas tragédias, o protocolo da humanidade é salvar primeiro as crianças", lembrou Viviane Senna, que não teme dizer verdades inconvenientes. A reportagem do El País (21 de setembro) revela que os professores espanhóis resolveram seguir o "protocolo da humanidade". Também mostra que, com todas as diferenças, o sistema público de ensino deles partilha muitas das carências do nosso. A verdadeira distinção está em outro lugar: por aqui, o "protocolo" não é salvar as crianças, mas seguir o comando das corporações. Os médicos peritos do INSS abandonaram os idosos pobres na rua; os professores ignoram o desastre silencioso que espreita seus alunos.

A pandemia de crianças sem aula é uma ameaça social ainda maior que a representada pelo coronavírus. Na Espanha, a retomada escolar prossegue mesmo com uma segunda onda da epidemia - assim como na França. Aulas presenciais suspensas "até a vacina"? A palavra de ordem sintetiza nossa tragédia civilizatória.


Os sindicatos de professores invocam a ciência para fazer política corporativa. Mas a OMS, junto com a Unicef e a Unesco, apela aos governos pela reabertura das escolas ?"e detalha protocolos sanitários para diferentes estágios da epidemia. "A maioria das evidências de países que reabriram escolas ou nunca as fecharam sugere que as escolas não foram associadas a aumentos significativos na transmissão comunitária", escreve a OMS. Mas, como crianças não votam, nossos políticos preferem ignorar o apelo, imolando os direitos delas no sagrado altar da eleição.

Bruno Covas exemplifica o intercâmbio indecente. Na sua valsa infinita do adiamento, ele "estuda" realizar um censo sorológico entre professores e funcionários, para saber quantos já tiveram a doença, estão imunes e podem voltar às escolas. O prefeito conhece de antemão o resultado: como os anticorpos decaem em pouco tempo, tornando-se indetectáveis por esse tipo de teste, a "ciência" oferecerá a conclusão de que não existe pessoal suficiente para reabrir a rede municipal. CQD.

Os professores espanhóis sanitizam salas de aula e traçam com setas amarelas os roteiros de circulação nos edifícios escolares. Estão na célebre "linha de frente", como médicos, enfermeiros, motoristas de ônibus e comerciários. A Geração Covid ficará como testemunho histórico da crise epidemiológica brasileira. As meninas e meninos abandonados pela escola entregarão comida por aplicativo na próxima emergência sanitária, quando o Brasil já terá esquecido o criminoso negacionismo de Bolsonaro.
Miguel José Teixeira
25/09/2020 20:59
Senhores,

Cri$tofobia em alta

O Jornal Nacional acaba de dar conta que uma figuraça do Vaticano foi pego com a mão na ma$$a.

Pelo que entendi, essa tal figuraça é a mesma que decide quem pode ser $anto. . .

Penso que os vendilhõeS de palavras bíblicas estão vencendo a batalha!
Miguel José Teixeira
25/09/2020 19:52
Senhores,

E o posto ipiranga, hein?

Após ser flagrado com produto adulterado agora só presta serviços de "office boys":

"Combina primeiro, anuncia depois", diz Barros após interromper Guedes...

Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/25/combina-primeiro-anuncia-depois-diz-barros-apos-interromper-guedes.htm?cmpid=
SAMAE
25/09/2020 12:40
Incrível o que virou o Samae de Gaspar,um verdadeiro caça votos para Melato, comissionados pedem voto na cara dura e dizem que o importante é elege-lo,um desrespeito total com o munícipe gasparense,não acredito que uma pessoa igual nosso prefeito religioso com se diz, compactuar com esse tipo de atitude.....
Miguel José Teixeira
25/09/2020 10:23
Senhores,

. . .
"Mas, é no Supremo, de onde a população já aprendeu nada esperar de positivo para o país, que estão, incompreensivelmente, colocadas as baterias pesadas que agem para dizimar a Lava-Jato."
. . .

"Concertación" em torno do fim da Lava-Jato, em um festim diabólico

(Visto, lido e ouvido, hoje, no Correio Braziliense)

Fosse uma espécie de "concertación" para se chegar a um acordo suprapartidário e político em benefício do Brasil, tal qual havido em países distintos como Chile em 1988; em El Salvador, em 1961 e em outros mundos afora, visando uma guinada de rumo, sem dúvida alguma a Operação Lava-Jato, mereceria, por seus efeitos revolucionários e pedagógicos, servir como bandeira de uma causa que é também defendida por grande parcela de nossa nação.

O que parecia ser um vento fresco, em quinhentos anos de história brasileira, vai, aos poucos, sendo corroído pelas beiradas, seguindo o mesmo destino de sua congênere italiana "Mani pulite" que, entre 1992 e 1996, buscou sanear a vida política naquele país, encontrando, como aqui, forte oposição dos políticos, principalmente daqueles implicados em rumorosos episódios de corrupção e outros crimes. Durante esses seis anos em que vem atuando, a Lava-Jato tem levantado pilhas de dossiês que desnudam, de forma visceral, o modus operandi praticado, há décadas, por partidos políticos, empresários, juízes e outras lideranças de destaque para, em síntese, conforme vem sendo continuamente demonstrado, saquear o erário público à exaustão.

Assim como o movimento Diretas Já, de 1983, a Lava-Jato, iniciada em 2014, conseguiu a rara proeza de unir brasileiros de muitos credos políticos em prol de um objetivo acalentado por séculos, que era pôr um fim aos privilégios e poderes que detinham a classe política e que lhes franqueava o acesso escancarado aos cofres públicos.

Nesse sentido, a Lava-Jato pode ser comparada a uma "concertación" à moda brasileira. Mas, como tudo que é bom e correto parece não ter vida longa neste país, a Lava Jato, forçada a se postar na alça de mira daqueles que investiga, vai levando chumbo grosso por todos os lados, conseguindo um tipo de unanimidade cúmplice entre os poderosos de todos os partidos e posições, que agem para pôr um ponto final nessas faxinas éticas.

Este movimento unânime do primeiro escalão político de nosso país, para assassinar a reputação da Lava-Jato e dos seus membros, é reforçado, ainda, pela atuação vergonhosa daqueles de quem mais se esperavam apoio irrestrito ao trabalho das forças-tarefas. O Ministério Público Federal, seguindo orientações do tipo inconfessáveis, age, também, na linha de frente para debelar esta Operação, a qual classifica como "lavajatismo" ou o que quer que isso signifique no jargão dessa gente.

Mas, é no Supremo, de onde a população já aprendeu nada esperar de positivo para o país, que estão, incompreensivelmente, colocadas as baterias pesadas que agem para dizimar a Lava-Jato. É essa "concertación" de réus e de outros ao seu serviço, que estão, agora, unindo as forças da contrarreforma para o restabelecimento do antigo status quo, numa unanimidade poucas vezes vistas entre esse pessoal.

Os brasileiros de bem, a essa altura, já perceberam este movimento oficial pelo restauração da impunidade geral e secular, mesmo daqueles que, em frente das câmeras e sob o olhar afiado da opinião pública, juram defendê-la. Neste movimento em prol da corrupção e a favor da volta ao passado, agrupam-se, ainda, os mais refinados e caros escritórios de advocacia do país, todos unidos e de olho nos honorários gordos, venham de onde vierem.

As quase 80 operações já realizadas até agora pela Lava-Jato, e que preenchem centenas de milhares de páginas com relatos de crimes de todo o tipo praticados pela elite política de nosso país, formam, apenas, uma pequena parte de nossa história de perfídias e ainda há muito o que ser trazido à luz.

Talvez, mais do que já sabemos ou supomos saber. Para um desses personagens de ponta nesta história, e que teve atuação exemplar nesses episódios, o desembargador João Pedro Gebran Neto do TRF-4 afirma que "se a esquerda e a direita estão reclamando, significa que a operação Lava-Jato está no caminho certo e não tem ideologia, é isenta e imparcial e não cometeu excessos e sempre esteve dentro da legalidade."
Herculano
25/09/2020 09:22
da série: Meu Deus!

MANDETTA AVISOU BOLSONARO QUE BRASIL PODERIA TER 180 MIL MORTES POR COVID-19

Conteúdo de O Antagonista. Luiz Henrique Mandetta disse a Jair Bolsonaro que o Brasil poderia ter 180 mil mortes por Covid-19.

A resposta?

"Primeiro ele negou a gravidade da Covid-19, falando que era só uma 'gripezinha'. Depois ficou com raiva do médico, ou seja, de mim. Depois partiu para o milagre, que é acreditar na cloroquina."

É o que diz o próprio Luiz Henrique Mandetta, em seu livro "Um paciente chamado Brasil: Os bastidores da luta contra o coronavírus".

Jair Bolsonaro, segundo o ex-ministro da Saúde, estava convencido de que o vírus era uma arma biológica chinesa para que a esquerda voltasse ao poder na América Latina.
Miguel José Teixeira
25/09/2020 08:18
Senhores,

"Se gritar pega ladrão". . .

"Relator de proposta da prisão em segunda instância avalia que não há articulação para aprovar o texto"

Fonte: Agência Câmara de Notícias

No entanto, para aprovar impostos alternativos. . .
Herculano
25/09/2020 05:56
da série: estaria se despedindo? Estaria fazendo o que deveria ter feito?

MOISÉS DESAFIA A CRISE, por Roberto Azevedo, no Making of

Ao inaugurar os oito quilômetros a nova rodovia que dá acesso ao Sul da Ilha de Santa Catarina e ao Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, o governador Carlos Moisés da Silva disse em discurso que aproveitadores tentam atrapalhar a sua administração sem citar explicitamente o tema impeachment, que evitou tratar com os jornalistas credenciados para a cobertura.

Moisés tem buscado focar na entrega de obras, repasses de recursos e anúncios como o pagamento, no dia 16 de outubro, de 50% da antecipação do décimo terceiro do funcionalismo estadual, uma série de ações positivas, acrescidos da excelente notícia de que nenhuma área do Estado está em situação gravíssima no enfrentamento da pandemia da Covid-19.

O lado B da rotina do governador tem sido menos agradável, embora tenha recebido o apoio de oficiais militares, que se insurgem contra o que qualificam de ato contra a democracia e a ordem pública, em referência aos fatos que ocorrerem na Assembleia, e recebido inúmeros apoios transformados em centenas de notícias divulgadas pela imprensa nacional contra seus adversários, principalmente o presidente Julio Garcia (PSD), e reproduzidas nas redes sociais insistentemente.

FATO

O problema é que boas ações não impediram que a falta de tato político e que o distanciamento da composição com outras siglas resultasse no que está aí, uma execução no Legislativo, onde o que menos interessa são os motivos, tenham eles "justa causa" ou se enquadrem em um crime de responsabilidade.

Tanto que os detratores preferem encontrar subterfúgios do que afirmar os reais motivos que os movem em direção ao impeachment, um amontoado de causas pessoais e uma raiva acumulada impressionantes, como se acabar com a carreira de Moisés e Daniela Reinehr significasse uma questão de sobrevivência para a política tradicional. Esta cruzada parece vencedora.

BANALIZAÇÃO

A onda de processos de impeachment que já está em curso no país e não poupa sequer o presidente Jair Bolsonaro, demonstra que o dispositivo legal para identificar faltas graves está banalizado.

A subjetividade do gostar ou não gostar, achar incompetente ou destilar ódio e raiva, não deveria valer como argumento legal, só que é esta a matéria-prima do que segue no Legislativo.

DISCURSO REFORÇADO

Não é a primeira vez que o secretário André Motta Ribeiro (Saúde) usa a retórica de que há mais de uma pandemia, ao se referir antes às notícias falsas (fake news) e agora aos ataques ao governador e à vice no processo que corre na Assembleia.

Servidor de carreira e executor da política de combate ao Coronavírus, Motta Ribeiro também sempre esteve no centro de cobranças destemperadas e da cobrança de parlamentares sobre o envolvimento no pagamento de R$ 33 milhões antecipados pelos 200 respiradores que jamais chegaram para as UTIs.

VIROU MEME

A declaração, tirada de contexto, do deputado Fabiano da Luz (PT), escolhido presidente da nova Comissão Especial do segundo pedido de impeachment na Assembleia, em que diz que, a cada dia, PT e PSL, da deputada Ana Caroline Campagnolo, estão cada vez se entendendo mais.

Olha, os eleitores mais furiosos de ambos os lados não vão perdoar esta declaração em que seja de "brincadeirinha".

O QUE ESPERAR

A instalação do Tribunal Especial de Julgamento ou Comissão Julgadora ou Tribunal Misto nesta sexta (25), às 10h, no Plenário Osni Régis do legislativo estadual, terá um valor específico: a escolha do relator do processo de impeachment, que terá a missão de fazer o a peça que levará ao afastamento, por até 180 dias, de Moisés e Daniela.

Se for um magistrado, que dificilmente não seguirá a tradição do Judiciário em não modificar decisões da Assembleia, a tendência é que acabe dando uma antecipação de voto quando emitir um parecer a ser entregue ao colegiado formado por parlamentares e desembargadores do Tribunal de Justiça
Herculano
25/09/2020 05:47
da série: este texto dá uma ideia de quanto desastroso o IDEB foi para os estudantes gasparenses se comparado à média nacional. E ainda tem gente arrumando argumentos e desculpas esfarrapadas para explicar algo que beira a crime do gestor público contra uma parcela vulnerável da sociedade

NARRATIVAS PARALISANTES, por Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV, e ex-diretora de educação do Banco Mundial, no jornal Folha de S. Paulo.

Ideia de tudo ou nada nunca fez sentido em aprendizagem

Na semana passada, saíram os resultados do Ideb, mostrando os avanços obtidos na educação básica. Longe de mostrar uma fotografia de 2019, os resultados educacionais registram o produto de uma longa jornada de tentativas de aperfeiçoamento do ensino oferecido nas escolas brasileiras.

Sim, demos um salto no ensino médio, mas isso resultou não só do esforço dos secretários naquele ano mas também de melhorias introduzidas antes, como adicionar um ano ao ensino fundamental, passar a enfatizar alfabetização na idade certa, criar escolas de tempo integral, avaliar a aprendizagem e buscar evitar o abandono escolar.

Mais recentemente, a aprovação da Base Nacional Comum Curricular - e sua tradução em currículos - contribuiu para uma definição clara do que os alunos devem aprender a cada etapa. Isso ajudou a aperfeiçoar os livros didáticos e a organizar o trabalho dos mestres, especialmente onde se investiu da maneira correta na formação de professores.

Os resultados são insuficientes, mas mostram que estamos na direção certa, embora num ritmo lento. Ainda temos um percurso longo a trilhar e precisamos pisar no acelerador!


Nesse contexto, tudo o que não queremos são narrativas paralisantes, como "não há o que celebrar, porque o Saeb, teste em que se baseia o Ideb, só mede português e matemática", ou "não faz sentido oferecer aprendizagem em casa, pois os jovens não contam com conectividade", ou ainda "o que é um ano de escola para uma criança ou jovem?".

O Saeb é uma avaliação respeitada internacionalmente e busca aferir a competência dos alunos para ler e interpretar textos, bem como seu raciocínio matemático, em níveis crescentes de complexidade, de acordo com a série frequentada. Ora, embora isso não avalie tudo o que o estudante aprende, é uma boa base para quase todas as disciplinas.

Celebrar avanços e buscar melhorias incrementais é muito importante para a educação. Além disso, imaginar que se alguns não têm acesso à internet nada pode ser feito para assegurar alguma aprendizagem é desconhecer o potencial de outras mídias e aceitar um imenso crescimento da desigualdade educacional causado pela Covid, sem nem ao menos tentar fazer algo a respeito. Da mesma maneira, subestimar perdas e deixar para depois pode gerar abandono escolar.

O interessante é que nenhuma dessas narrativas parece ter vingado. Houve uma celebração dos avanços, muitos professores foram para a linha de frente tentar assegurar aprendizagem em casa, usando diferentes mídias.

A ideia de tudo ou nada nunca fez sentido em aprendizagem. Por sorte, o Brasil preferiu outra abordagem.
Herculano
25/09/2020 05:42
REAÇÃO DO LÍDER DO GOVERNO ANULOU BURLA NA AGU, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro deu ordens para que a Advocacia Geral da União (AGU) suspendesse imediatamente a promoção em massa de 607 procuradores ao tomar conhecimento de uma iniciativa do próprio Líder do Governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que, inconformado, protocolou projeto de decreto legislativo anulando a iniciativa oportunista. A promoção em massa de 92% do efetivo da AGU foi interpretada como uma tentativa de burlar a reforma administrativa do próprio governo.

DRIBLANDO A REFORMA

A suspeita é que a AGU tentava "proteger" a corporação da reforma administrativa, que só prevê promoções por mérito.

MÉRITO SERÁ VALORIZADO

Promoções indiscriminadas, como a que o corporativismo da AGU tentou emplacar, ignorando o merecimento, logo serão coisa do passado.

PRIVILÉGIOS REVISTOS

A tentativa malandra deve gerar a revisão de privilégios na AGU como R$7 mil acrescidos aos salários a título de "honorários de sucumbência".

A UNIÃO É UMA MÃE

"Honorários de sucumbência" são uma "comissão" para o efetivo da AGU fazer o trabalho pelo qual todos já são regiamente remunerados.

SENADO SE PRESTA A PAPELÃO, INTERROGANDO CHANCELER

O Senado fez um papelão, ontem, deixando-se usar pela "bancada" do ditador Nicolás Maduro em pleno Congresso brasileiro, ignorando o apoio do País à repulsa mundial contra a tirania e desdenhando de suas atrocidades denunciadas pela ONU. Acusar o americano Mike Pompeo de "atacar nação amiga do Brasil" é de uma ignorância atroz. Venezuela não é "nação amiga", é um país subjugado pelo ditador que rompeu com o Brasil e cujos "diplomatas" são agora persona non grata em Brasília.

ACENOS AO ATRASO

As perguntas infelizes mal disfarçavam o ranço antiamericano, tão velho quanto atrasado, agarrado aos pedaços que sobram do muro de Berlim.

ELOGIO A ATROCIDADES

Senadores se prestaram a defender uma ditadura sanguinária, acusada esta semana pela ONU de perseguir, prender e assassinar opositores.

IGNORÂNCIA NA PAUTA

Na sessão da Comissão de Relações Exteriores, destacou-se a incrível paciência do chanceler Ernesto Araújo diante de tanta desinformação.

TOMARA

A política de desoneração do governo Bolsonaro, segundo o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), "é como sempre fala o Paulo Guedes: para todos e para sempre".

VANGUARDA DO ATRASO

Mais uma vez o PT joga para a plateia tentando estabelecer vínculo empregatício entre aplicativos e motoristas e motoboys. O oportunismo rastaquera já foi rechaçado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

ESPECIALISTA EM DERROTAS

Candidato a presidente três vezes derrotado, o pededista Ciro Gomes reapareceu esta semana fazendo previsões sobre a eleição. Acha que "bolsonaristas explícitos" não vão vencer este ano e o PT "tem poucas chances". A última vez que Ciro foi eleito (deputado) foi em 2006.

CRAQUE EM HONG KONG

O presidente Jair Bolsonaro nomeou o embaixador Manuel Innocencio, um dos mais admirados diplomatas do Itamaraty, para o importante cargo de cônsul-geral em Hong Kong, um dos postos mais desafiadores.

DEVAGAR, QUASE PARANDO

Senadores elogiaram as sessões semipresenciais de votação, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em campanha para mudar a Constituição e ficar no cargo, fixou: as próximas só serão daqui a 1 mês.

PROTOCOLO FAKE

Multiplicam-se os relatos de desleixo das empresas aéreas em relação ao covid. Um leitor de Campo Grande embarcou para Curitiba e avisou a família por zap: "No avião. Nada de protocolo no aeroporto. Ninguém vendo febre, nada de álcool gel, distanciamento 'fake'... um perigo".

MENTIRA SEM PUNIÇÃO

Erika Kokay (PT-DF) publicou fake news sem qualquer repreensão das redes sociais ou das "verificadoras", acostumadas a interferir apenas em outra ideologia. Alegou que Lula falaria à ONU esta semana. Fake.

CAMPO DILUÍDO

Goiânia não será diferente do restante dos municípios brasileiros, na eleição deste ano. Na Justiça Eleitoral, foram registrados para a disputa 14 candidatos. Ganha prêmio quem memorizar todos os nomes?

PENSANDO BEM...

...a nova pesquisa do Ibope, indicando o crescimento da aprovação de Bolsonaro, deve turbinar o faturamento dos psicanalistas de plantão.
Herculano
25/09/2020 05:35
FACA AMOLADA NO IMPOSTO E Nó CEGO NA ECONOMIA DE GUEDES, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Depois de semanas de reviravoltas, não há dinheiro para Bolsa Família gordo

A última de Paulo Guedes é aumentar o imposto das empresas que pagam tributos pelo Simples, noticia esta Folha. É o último ou o mais recente plano infalível do ministro para bancar um Bolsa Família encorpado. É bobagem ou é prenúncio de gambiarra fiscal que vai acabar na Justiça ou em coisa pior.

Não importa qual seja o aumento de imposto, seja lá como for feito ou que nome tenha, tal como "reoneração", a arrecadação extra não pode ser gasta em despesa nova que ultrapasse o teto de gastos.

Mas, francamente, a esta altura da birutice, discutir essas coisas talvez seja perda de tempo ingênua. Ainda assim, a maluquice tem um custo, difícil de perceber no dia a dia.

Para começar, a doideira transforma a discussão da reforma tributária em uma mixórdia. Guedes quer criar uma CPMF ou um pacote de "tributos alternativos" que inclua um imposto sobre transações. Quer agora cobrar mais das empresas do Simples. Em tese, não haveria aumento de carga tributária total porque haveria compensações, como a redução dos impostos sobre folha de pagamento das empresas e, um dinheiro bem menor, das contribuições para o Sistema S.

Mas tudo isso é especulativo, pois não há projeto e menos ainda números na ponta do lápis. Nem para o projeto de criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) o governo apresentou números que justificassem a alíquota que propôs (a CBS substituiria o PIS/Cofins).

Ou seja, o governo põe mais lenha em uma discussão que vai pegar fogo, se houver discussão de fato sobre reforma tributária, se não for tudo para o vinagre, dada a baderna criada pelo governo.

Em segundo lugar, ninguém com um mínimo de conhecimento sobre o assunto entende de onde vai sair o dinheiro para esse programa de renda básica, renda cidadã, Bolsa Família Verde Amarelo ou coisa que o valha. Jair Bolsonaro até agora vetou todas as fontes possíveis de financiamento, em tese levando em conta que existe um teto de gastos. Assim, gente de "o mercado" e especialistas em contas públicas especulam que pode vir uma gambiarra qualquer.

O que seria? Uma autorização para gastar além do teto, específica para o Bolsa Família encorpado. Talvez uma prorrogação limitada do estado de calamidade, que permitiu gastos de centenas de bilhões de reais além do teto, neste ano de 2020. Sim, é mera especulação, mas tem consequências práticas. Por causa disso, os donos do dinheiro grosso estão cobrando mais caro para emprestar ao governo deficitário, o que, por tabela, eleva as taxas de juros para a economia inteira.

O público em geral não liga para essas coisas ou nem nota. Talvez preste atenção quando vier a "facada" de Guedes. Mais gente seria afetada individualmente por aumento de impostos do que pela redução deles. A ideia de que a o alívio tributário sobre folha de salários possa, por si, criar empregos é também especulativa. Por falar nisso, o ritmo de criação de empregos foi fraquinho de julho para agosto, mostra a pesquisa do IBGE.

Em resumo: 1) a gente não sabe o que vai ser o Orçamento do ano que vem; 2) não conhece em que bases se vai discutir uma reforma tributária; 3) desconhece o que será feito do contingente aumentado de miseráveis depois do fim do auxílio emergencial; 4) ignora como o governo vai fechar as contas a partir de 2021 (porque a despesa vai bater no teto); 5) se angustia com o risco de a economia despencar no ano que vem, caso o corte de mais de meio trilhão de reais de despesa federal não seja compensado por uma retomada forte de investimento e consumo.

Quem liga?
Herculano
25/09/2020 05:30
FAMÍLIA BOLSONARO ODEIA TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA, por Josias de Souza

Num universo convencional, ninguém sai carregando dinheiro graúdo pelas ruas de uma cidade como o Rio de Janeiro. No passado remoto, havia o cheque. Hoje, existe a TED, sigla de 'Transferência Eletrônica Disponível'. Não há forma mais rápida e segura de enviar valores de uma conta bancária para outra. Entretanto, a família Bolsonaro tem aversão a essa comodidade.

Os Bolsonaro revelaram-se cultores de inusitados hábitos. Adeptos da rachadinha, eufemismo para peculato, recorrem à forma mais primitiva e sigilosa de poupança: o colchão. Compram até imóveis em dinheiro vivo. Expostos em inquéritos e nas manchetes, reagem inadequadamente. Ora silenciam, ora tocam trombone sob o imenso telhado de vidro para sustentar que são perseguidos.

Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio, Carlos e Eduardo ainda não perceberam. Mas, guardadas as devidas proporções, começam a se assemelhar a encrencados como Michel Temer, Aécio Neves e Lula. Na era do dinheiro transportado em malas, mochilas e caixas eles têm em comum a mesma aversão à TED e uma certa mania de perseguição. De resto, exibem a idêntica presunção de que lidam com um país de bobos.
Herculano
25/09/2020 05:26
MINISTRO TENTA SUPERAR ANTECESSORES EM INTOLERÂNCIA E IMPRODUTIVIDADE, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Governo Bolsonaro usa educação como palanque para sua cruzada obscurantista

Jair Bolsonaro só não fechou o Ministério da Educação até agora porque precisa dele em sua cruzada obscurantista. Por quase dois anos, o governo ignorou o ensino público, tentou sabotar o financiamento do setor e explorou a pasta como palanque para seus retrocessos.

O terceiro chefe da área se esforça para superar Ricardo Vélez e Abraham Weintraub em improdutividade e intolerância. De uma só vez, Milton Ribeiro conseguiu fazer propaganda de visões preconceituosas e fingir que não têm nada a ver com disfunções da educação brasileira.

O doutor sugeriu ao jornal O Estado de S. Paulo que o ministério não tem interesse em melhorar a tecnologia nas escolas. Para ele, a dificuldade do ensino a distância durante a pandemia é problema dos outros.

"A sociedade brasileira é desigual, e não é agora que a gente vai conseguir deixar todos iguais", afirmou. "Esse não é um problema do MEC, é um problema do Brasil."

Talvez Ribeiro estivesse mais interessado em conseguir um cargo no governo da Noruega, mas acabou ficando por aqui. Se estivesse insatisfeito, ele poderia procurar países onde ressoam alguns de seus valores, como o Iêmen ou a Mauritânia.

O ministro deu um show de discriminação e disse que a homossexualidade é uma "opção", que ele atribui ao que chamou de "famílias desajustadas". "Normalizar isso e achar que está tudo certo é uma questão de opinião", declarou, na entrevista.

Ele sabe que não se trata de uma mera "questão de opinião", mas usa a velha tática bolsonarista de esconder seus insultos atrás do argumento da liberdade de expressão. O ministro, que é pastor da igreja presbiteriana, alega que essa é apenas uma pauta conservadora, como se isso legitimasse o desaforo.

Ribeiro chegou ao governo com a chancela da ala militar e o carimbo de "moderado", após a queda do piromaníaco Abraham Weintraub. Houve quem comprasse essa imagem. A única coisa que o doutor pretende moderar é a descrição dos horrores da ditadura nos livros didáticos.
Miguel José Teixeira
24/09/2020 22:45
Senhores,

"O ex-prefeito de Gaspar por dois mandatos, Luiz Fernando Poli, ex-MDB, PFL e PDT, teve o seu Ecoesporte apreendido. Regularizou a documentação. Ainda precisou dar arrumar cinco pneus em melhor estado, dar um jeito na luz de freio, escapamento, macaco, triângulo, chave de rodas e até placa. Que coisa... " (HD acima)

Huuummm. . .será um raro caso de poliempobrecimento ilícito?
Herculano
24/09/2020 19:11
IBOPE: BRASILEIRO APROVA BOLSONARO, MAS NÃO CONFIA

Conteúdo de O Antagonista. A pesquisa Ibope/CNI traz um dado curioso. Ao mesmo tempo em que 50% dos entrevistados aprovam o jeito de Jair Bolsonaro governar, 51% não confiam no presidente.

Esse percentual chega a 62% entre os mais escolarizados e fica em 55% entre aqueles que recebem até 1 salário mínimo.

No questionário do instituto, a pergunta sobre a confiança vem logo depois da que questiona sobre a perspectiva em relação ao restante do governo ?" 36% de ótimo e bom e 30% de ruim e péssimo.
Herculano
24/09/2020 18:58
PERGUNTA DO DEMETRIUS WOLFF

Por que a cidade cheia de problemas, alunos sem aula, pessoas tendo que buscar atendimento médico em outras cidades e um candidato a vice-prefeito faz uma enquete perguntando quantos degraus possui a escadaria da Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo? Ai é debochar da cara do povo.

Respondeu bem. Acrescentaria: porque ele é um político do ócio e os eleitores gasparenses, uns distraídos. Acorda, Gaspar!
Herculano
24/09/2020 18:53
MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL NELES

Muitos candidatos oposicionistas em Gaspar dizem que não têm a recorrer, e correm para esta coluna com documentos, fotos e outras provas.

Digo-lhes que tem.

Denunciam suposta troca de votos com o uso disfarçado da máquina da prefeitura. Empresas que são conhecidas prestadoras de serviços estariam, a título de bondade, fazendo serviço para particulares, na periferia, a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana, a mando de candidatos a vereadores e cabos eleitorais da situação.

Esta coluna não é o caminho adequado. Ela olha a maré. É o Ministério Público Eleitoral da Comarca o porto seguro desse tipo de indignação. É também o aplicativo Pardal do TSE. São por esses canais que se aceitarão as denúncias, se levantarão as provas e haverá, eventualmente a punição.

Como os políticos no poder dizem estar com o corpo fechado...eles atiçam e se esbaldam. Uma hora, pode dar errado o disfarce.

Está na hora da dita oposição se mexer, agir e reclamar menos da sorte. A máquina de votos da prefeitura foi feita exatamente para funcionar e tratorar todos para continuar no poder. Ela está na dela. E não esta coluna que vai detê-la, até porque não possui jurisdição e função para tal. Acorda, Gaspar!
Herculano
24/09/2020 18:45
A MAGAZINE LUIZA CONTRATA QUEM QUISER - PELO CRITÉRIO QUE QUISER, por Roberto Rachewsky, empresário da área de comércio exterior. Fundador do Instituto Estudos Empresariais (IEE), do qual foi vice-presidente (1984-85) e presidente (1986-87). Também fundou o Instituto Liberal do Rio Grande do Sul, do qual foi vice-presidente na década de 1980. Participou da diretoria da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil do Rio Grande do Sul (ADVB-RS) e da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). Atualmente, é conselheiro do IEE. no Instituto. O artigo, originalmente foi publicado pelo Instituto Liberal

A Magazine Luíza contrata quem ela quiser pelo critério que quiser. Afinal, é exatamente para isso que existem a livre iniciativa e a propriedade privada. O que devemos combater são as ações afirmativas produzidas pelo governo, independentemente de quem está sendo beneficiado e quem seria prejudicado.

Criar oportunidades através do exercício da liberdade não é a mesma coisa que usar a coerção para discriminar e dar privilégios. Uma analogia para esse caso da Magazine é aquele do dono da confeitaria que se recusou a fornecer seus produtos para um casamento gay. Ele, no exercício de sua atividade, tem todo direito de trabalhar com e para quem ele quiser.

Isso não interrompe nem contraria a minha visão de que racismo é a mais baixa forma de coletivismo. Racismo aqui, compreendido como a aversão às características congênitas de alguém, seja a cor da pele, o gênero ou a opção ou orientação sexual, como quiserem. Se a Magazine Luíza quer dar mais oportunidades aos negros, sabendo que pode retirar do recrutamento indivíduos mais capazes, isso é problema privado da empresa.

Reservar 100% das oportunidades a um grupo com determinadas características é direito de qualquer um. Os que se opõem a essa iniciativa não estão querendo que o governo baixe uma lei dizendo quantos brancos a empresa deve contratar, estão?

Se há leis que a impedem de fazê-lo, essas leis são imorais e autoritárias por violarem uma série de direitos inalienáveis, como os direitos à liberdade e à propriedade, além de outros que são seus corolários, como o de discriminação e de livre associação. Tão ou mais imorais do que essas leis são as que determinam cotas de acesso privilegiado para determinados grupos por suas características dadas, como cor da pele, gênero e opção ou orientação sexual, e não por suas ações.

A discriminação feita pela Magazine Luíza baseia-se numa visão coletivista da sociedade típica dos imbecis que agem exclusivamente de acordo com o que percebem visualmente, sem aprofundarem-se numa análise baseada no que realmente convém aos seus interesses de longo prazo, como o caráter, o talento, as habilidades no trato com as coisas que lhe serão confiadas e com as pessoas que farão parte das suas relações sociais. A empresa tem todo o direito de discriminar e segregar dando oportunidade a quem ela quiser, na mesma medida em que seus clientes podem boicotá-la e condenar seus dirigentes ao ostracismo.

O problema da Magazine Luíza não está no fato de terem privilegiado negros. Mesmo se tivessem privilegiado brancos, o critério seria o mesmo, superficial, à parte do potencial individual dos escolhidos e preteridos na busca pela discriminação e escolha mais adequada. O critério da cor da pele, do gênero ou outro qualquer que não se atenha às capacidades e ao potencial do indivíduo pelo que ele pode gerar de valor é um critério coletivista.

Governos não podem privilegiar ninguém porque estarão necessariamente violando direitos, da mesma forma que violarão direitos se quiserem proibir particulares de fazê-lo. Se você acha uma injustiça o que a Magazine fez, trate você do problema sem a interferência do governo. Se você quer justiça, tanto no caso das cotas legais quanto nesse promovido por uma empresa privada, peça ao governo para recuar e cair fora.

Quando eu escrevo sobre algo, estou me escorando sobre princípios. Isso significa que estou me baseando em valores universais atemporais, ou seja, valem para todos os casos a qualquer tempo, passado, presente ou futuro. Neste caso, escrevo claramente que um individuo ou grupo de indivíduos têm direito à livre associação, o que exige necessariamente fazer discriminação sob a orientação de algum critério que será adotado e aplicado baseado no direito à liberdade e à propriedade de quem está se associando.

Isso serve em qualquer caso, tanto para o proponente que oferece uma oportunidade, quanto para aqueles a quem a oportunidade se destina. Indivíduos têm o direito de serem racistas, ainda que isto seja, pelo menos para mim é, asqueroso, irracional e passível de rompimento de relações sociais.

O pior é que as pessoas não apenas têm esse direito, elas são racistas e muitas não escondem seus sentimentos, infelizmente. Nos Estados Unidos, até pouco mais de 50 anos atrás, em alguns estados do Sul, racismo era política de governo. Negros eram impedidos de exercerem seus direitos individuais e muitos eram caçados como bichos, tanto por organizações particulares como pela própria polícia. Na tentativa de combater o preconceito e a violação de direitos, o governo federal resolveu adotar medidas compensatórias, chamadas de ações afirmativas, que por sua vez também se basearam na violação de direitos para privilegiar um grupo específico de acordo com sua característica racial, no caso os negros, em detrimento dos brancos, como se fosse uma retaliação contra as violências praticadas em sentido contrário.

Ações afirmativas promovidas pelo governo podem ter boas intenções, mas são tudo, menos justiça e combate ao racismo, sendo apenas a sua perenização. A mesma coisa vimos na perseguição aos judeus e outras minorias ocorrida há pouco tempo na Alemanha, pouco mais de 70 anos, onde e quando preconceito, estereótipos, irracionalidade e extermínio foram transformados em lei por um governo eleito naquela que era tida como a mais culta das sociedades europeias.

A mentalidade coletivista permite que as pessoas pensem que negros são inferiores e por isso preferem se associar aos brancos. No entanto, há os que são mais exigentes, aqueles que imaginam que ser branco é necessário, mas não é suficiente. Afinal, entre os brancos há grupos de indivíduos indesejáveis, como, por exemplo, os judeus. Judeus servem de bode expiatório em diversas situações. Há os que acusam os judeus de marxistas, há os que acusam os judeus de globalistas e há também os que acusam os judeus de capitalistas. Enfim, não importa se são marxistas, globalistas ou capitalistas ?" o que é comum na visão de um racista, é que ali há antes de qualquer outra coisa um judeu.

Evoluir como ser humano é deixar para trás a mentalidade coletivista, tribal, xenófoba, racista. Uma sociedade civilizada tem como fundamento ético o individualismo e, como característica das relações sociais, a privacidade.

Individualismo e privacidade só são possíveis entre seres que reconhecem a virtude da racionalidade e conseguem usar a faculdade da razão com foco para guiar suas ações.

O ser humano é associativo e isso é prova de que somos indivíduos antes de sermos membros de uma tribo, ou de um coletivo qualquer. Como indivíduos, temos o direito de nos associarmos com quem quisermos, seja em matrimônio ou em cooperação social para a criação de valor material, intelectual ou espiritual. Não cabe ao governo legislar, nem para favorecer com privilégios, nem para desmerecer com punições quem quer discriminar.

Agora, no ambiente privado, cada um age como achar melhor desde que não viole os direitos dos outros. No caso presente, ninguém tem direito sobre a vaga oferecida pela Magazine Luíza. Ela dá a vaga para quem lhe interessar, pelo motivo que quiser. Usar sua liberdade e propriedade para se associar com quem bem entender, de acordo com o seu próprio julgamento, baseado nos critérios que quiser, é uma prerrogativa individual e ninguém tem o direito de impedir que isso seja feito.

Repito para que não reste dúvidas, eu tenho aversão ao coletivismo, e sim, considero o racismo a mais baixa forma de coletivismo. Quando alguém se pronunciar dizendo que uns são melhores que os outros por conta da cor da pele ou de outra característica herdada, que devem ter orgulho ou vergonha da sua natureza, apenas expõe a mente de um coletivista que não acredita no livre arbítrio, mas no determinismo.

Se os acionistas, a clientela ou a opinião pública não gostarem, basta reagirem privadamente, seja vendendo as ações se forem acionistas, pedindo demissão se forem funcionários, deixando de vender se forem fornecedores, deixando de comprar produtos se for um consumidor, ou xingando quem teve essa ideia infeliz se quiser mostrar a sua opinião ao público. De toda a sociedade, somente o governo não deve se manifestar nesses casos e muito menos fazer parte.
Herculano
24/09/2020 18:39
da série: o que nos envergonha e tudo pago com os nossos pesados impostos que estão faltando para o essencial na saúde, educação, assistência e obras de infraestrutura. As câmara municipais que iremos iremos recompô-las em 15 de Novembro, não ficam atrás.

ITÁLIA ELIMINOU 350 VAGAS DE SENADORES E DEPUTADOS SEM NINGUÉM PROTESTAR, por José Fonseca Filho, em Os Divergentes.

Com todas suas mazelas sociais, o Brasil é o segundo colocado no ranking dos países que mais gastam com a manutenção do Parlamento - US$ 4,4 bilhões. Só fica atrás do Congresso americano.

A Itália tem agora muito menos deputados e senadores, que não farão falta nenhuma e ninguém naquele belo país se preocupou com isso. Ao contrário, o povo deve ter ficado satisfeito, porque apenas 14 parlamentares votaram contra a redução drástica do total de parlamentares, e 553 foram favoráveis à degola das vagas, em votação no Congresso deles.

A economia de recursos pode ter sido um dos motivos da higienização, além da adequação do número de parlamentares à população. Eram 945 deputados e senadores, ficarão 600. Menos 345 vossas excelências. Se não houver economia de recursos, pelo menos os equipamentos dos ocupantes das vagas canceladas - computador, cadeiras, cotas de tudo - podem ser vendidos e o dinheiro transferido para entidades de promoção social. A mudança foi promovida pelo próprio Congresso.

O Brasil é o segundo maior parlamento do mundo, com 513 deputados e 81 senadores. Perde apenas para o dos Estados Unidos . Aqui entre nós tem muitos senadores e deputados, mas não precisava tanto. São 3 senadores por Estado, um exagero criado pelo golpe de 64 para garantir maioria ao governo no Congresso. E mantido pela Constituinte. Dois senadores bastariam para o serviço. Senadores e deputados contam com vários recessos ao ano no Brasil, para que não sejam licenciados por estafa.

No Senado tem ainda os suplentes de senadores. Esses não tem nenhuma utilidade, salvo emprestar recursos e garantir a eleição do titular, para depois assumir sua vaga, nem que seja por um mês. Com direito a mesada. Caso o titular venha a sofrer algum tipo de impedimento, como doença e outros motivos. Ou simplesmente desistir da carreira política. O certo seria, em caso de vacância , assumir a vaga o segundo candidato mais votado no Estado. Não o amiguinho do titular.

A redução do número de parlamentares promoveria também a diminuição de pessoal nos plenários. Deputado, assessor, outro assessor, jornalista, chefe de gabinete, uma zona. Mas não adianta proposta de redução porque nenhum parlamentar votará uma lei que seja contra eles próprios. Na campanha, o Pátria Amada defendeu a redução de um bom número de senadores e deputados, mas depois esqueceu a ideia. Caso aprovada a redução de parlamentares no Congresso, o dinheiro economizado poderia ser aplicado no saneamento básico de metade do país, onde as contaminações comprometem a saúde dos moradores.

Os parlamentares amam o Congresso e seus benefícios, por isso tratam de se reeleger. Afinal, lá eles tem assistência total, bela aposentadoria, apartamento de luxo e um monte de verbas auxiliares. O Brasil gasta com a manutenção anual do Congresso US $ 4,4 bilhões de dólares , ultrapassado apenas pelos Estados Unidos que aplicam, no mesmo período e também com as despesas mensais de deputado e senador, US $ 5,1 bilhões, segundo dados da União Interparlamentar (UIP), órgão ligado à ONU .

O custo elevado de manutenção é problema em vários países, mas poucos aceitam medidas que visem a redução do número de deputados e senadores. Inexiste pesquisa de opinião pública no Brasil que possa indicar a preferência da sociedade. Estudiosos indicam que dificilmente a redução do número de parlamentares seria rejeitada. Por isso não é colocada em votação. O próprio Legislativo não dispõe de grande aceitação popular na maioria dos países, pelo desempenho de seus integrantes e um certo desinteresse da população. A rejeição aos políticos se estende à instituição. Se o voto não fosse obrigatório no Brasil, muito mais gente deixaria de votar. E o voto deveria ser facultativo.

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