08/10/2020
Contra a Lei e proteção ambiental, Gaspar dá legalidade aos casos de Usucapião que ainda se discutem ainda na Justiça
Recentemente, o Ministério Público em Gaspar informou à Câmara que os vereadores aprovaram uma Lei Inconstitucional. Era para facilitar à expansão do Anel Viário. A ideia foi do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e sua equipe. A Lei concedeu benefícios que estão proibidos pela atual legislação e contra o meio ambiente – como a diminuição da reserva de área verde obrigatória neste tipo de compensação. Se não foi de caso pensado pois agora se busca acordões entre os envolvidos e com isso, eliminar os prejuízos certos a quem acreditou e usou a Lei aprovada e sancionada, fica claro, por outro lado, à insegurança jurídica transmitida pela fragilidade das proteções e interpretações técnicas tanto da Procuradoria Geral do Município, bem como de similar na Casa Legislativa.
Ambas cochilaram ou fecharam os olhos no assessoramento que devem. Elas são pagas pelos pesados impostos dos gasparenses para auxiliarem o prefeito de plantão e os vereadores no exercício dos seus mandatos. Foram criadas e existem exatamente para evitar este tipo de erro. Nem a oposição, nem a situação na Câmara levantaram à questão da inconstitucionalidade, talvez por ser ela técnica e estar delegada aos técnicos (procuradores). Não é o primeiro caso. Não será o último. E falta de conhecimento da Constituição não é. Isso é basilar para os assessores jurídicos envolvidos. E quando se quer invocar a inconstitucionalidade para travar ideias, ela viceja como um pilar político estratégico. Veja este exemplo. Um simples Projeto de Resolução e apresentado por um vereador – que é advogado - para diminuir 20% dos salários deles por apenas dois meses como contribuição ao sacrifício deles pela Covid-19, está devidamente engavetado por quase seis meses na Câmara. A alegação? Suposta inconstitucionalidade. Ou seja, mexeu no bolso do político, o resultado de proteção é imediato. Ora, se é realmente inconstitucional o tal PR, qual a dificuldade de se expedir um parecer neste sentido e enterrar a ideia? Simples! Em época de eleição, isso pode significar um bafafá danado e perda de votos aos políticos.
Escrevi que não foi o primeiro e nem será o último PL ou Lei inconstitucional a ser aprovada ou promulgada na Câmara, ou sancionada pelo prefeito de Gaspar. Um anônimo, justificando-se para isso devido ao medo e de retaliação contra ele, clima muito comum por aqui, fez mais uma denúncia contra um Projeto de Lei no Ministério Público da Comarca. E vejam só, um projeto nascido de forma torta no próprio Legislativo gasparense e por vereador que devia entender de leis, por ser advogado, como bem ressaltou o denunciante na sua peça ao MP. O PLC 08/2020 se tornou a Lei 133/2020 no dia 31 de agosto deste ano. Ela zomba do Plano Diretor que está para ser atualizado desde 2016. O processo foge ao que determina o Estatutos das Cidades e o faz malandramente de forma fatiada. E pelos “retalhos” no Plano Diretor, cria perigosas excepcionalidades.
O denunciante ao MP alega, e prova com vasta compilação de leis e procedimentos, a inconstitucionalidade da Lei já em vigor. Demonstra conhecer do assunto. Eleitoreira, feita às vésperas do pleito por quem está em campanha em busca dos votos e teve aprovação de todos os vereadores. Eles não quiseram se incomodar. E por que? Porque a Lei é populista, indiretamente também lhes favorece e teve o parecer favorável da equipe jurídica da Câmara. Ou seja, há uma desculpa para agora todos os vereadores lavarem as mãos neste assunto técnico. Um festival de erros e compadrios. O PLC aprovado, sob a desculpa de que já se está criado um fato jurídico em curso, o Usucapião objeto do PLC, mas sem decisão final na Justiça, favorece ainda mais à ocupação irregular e cria ares de irreversibilidade no ambiente jurídico, se por acaso o Usucapião não for confirmado nos tribunais. Neste caso, o pior ainda está por vir se não houver a regularização fundiária do imóvel em questão: compensações indenizatórias pagas pelos impostos de todos os gasparenses não prevista na lei específica, mas na jurisprudência.
A Lei populista aprovada na Câmara não favorece aos pobres ou enganados que ganharam por repartição de heranças, ou compraram terrenos ou lotes com promessas que nunca se cumpriram, ou que por outros motivos, não regularizaram o que adquiriram como posse, sem as averbações, sem desmembramentos, sem as retificações necessárias, como errada e espertamente se justificou o autor. Favorece de verdade, quem ganhou dinheiro e não cumpriu a sua parte, quem não vai reservar a área verde obrigatória por lei ou não quem vai respeitar nascentes e córregos, como os que estão obrigados e cumprem a Lei em Gaspar. Estas brechas são sistêmicas. Há método para agravar a nossa balburdia fundiária e imobiliária. E não é de hoje. Senão vejamos: em 2019, a Lei 3998 isentou de ITBI os imóveis sob disputa de Usucapião e a lei 4042/2020 permitiu a ligação de água, luz e esgoto em imóveis objeto de Usucapião judicial e extrajudicial. Ou seja, essas leis fomentam à ilicitude imobiliária e fundiária no município. Nada mais. Acorda, Gaspar!
A primeira festa de atração de empreendimentos para Gaspar no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, micou. A Loja da Havan veio abaixo esta semana. Dos quase três anos por aqui, ela funcionou menos de um. Só prejuízos para Luciano Hang. E dos brabos. Agora vai ser reerguida. Será o mesmo engenheiro?
Quando dei aqui em primeira mão de que havia graves problemas estruturais naquela obra, provocados pela má ou não análise do solo, fui desmentido e ridicularizado pelos políticos locais. Outros veículos propagaram os desmentidos. Estou de alma lavada, mais uma vez. O tempo é o senhor da razão.
O aplicativo Pardal da Justiça Eleitoral está batendo recordes em Gaspar. É gente acordada. São sinais de que os poderes político e econômico mandam bananas para as leis.
A eleição, finalmente, despertou paixões. Os petistas convivem com a ameaça de impugnação do seu candidato José Amarildo Rampelotti devido ao passado de perseguição à juíza Ana Paula Amaro da Silveira. Entretanto, dizem já ter a carta do sacrifício na manga se isto acontecer: Pedro Celso Zuchi. Será?
Um simples pedido de regularização de documentação pelo Tribunal Regional Eleitoral ao engenheiro e professor Rodrigo Boeing Althoff, PL, transformou-se em manchete de impugnação da candidatura. Houve comemorações no paço. Estranho: se ele não era páreo para a poderosa máquina de plantão o que comemoravam? Hum!
As redes sociais e os aplicativos de mensagens desnudam os políticos e os poderosos no poder de plantão em criativos memes, promessas não cumpridas e dúvidas insanáveis. Está divertido vê-los acuados. Esta coluna, a mais independente e corajosa, está perdendo feio desta vez nas denúncias.
Um áudio mostrou como é o constrangimento e assédio dos que detém cargos comissionados sobre subordinados. Depoimentos de comissionados são destruídos na autenticidade. Por obrigação, estão apenas defendendo as polpudas tetas. São tiros no próprio pé dos que estão no poder de plantão.
O que está pegando na campanha eleitoral em Gaspar? É a de eleger um para outro mandar e desmandar no governo. O que está pegando na campanha eleitoral em Gaspar? Vice que deveria somar, mas está atrapalhando o titular na cabala dos votos.
Depois de propor tirar o dinheiro para a construção do reservatório do Bateias para dar ao lixo, e não realizar a integração do sistema de abastecimento com a rede de água de lá com a do Centro, a prefeitura e o Samae já têm a solução: desviar uma nascente, desmatar 400 metros lineares e colocar a água na barragem de captação do Bateias.
Projeto e licença ambiental por enquanto ainda não apareceram. Só falta fazer tudo no olho e num final de semana. Acorda, Gaspar!
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