22/06/2020
O SEPULTAMENTO I
O Ministério Público quer o relatório oficial da CPI da drenagem da Rua Frei Solano. O relatório oficial é político e não reflete a realidade que que foi apurado. Por que? A maioria do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, na CPI mostrou que o que se fez – mesmo diferente do projeto, licitação, contratação, fiscalização e pagamento -, na ótica dela, não causou prejuízos ao município.
O que chegou na Câmara de Vereadores de Gaspar no dia 29 de maio? A “requisição de informações e providências” enviada pela promotora Camila Vanzin Pavani da Comarca ao presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB. Ela quer o relatório final da CPI.
E para que? Segundo o documento da promotora, o intuito é de instruir o Inquérito Civil nº 06.2019.00001431-3, instaurado para "Apurar supostas irregularidades na execução das obras de drenagens realizadas nas ruas Leopoldo Alberto Schramm e Frei Solano, decorrentes do (s) processo (s) licitatório (s) 78/2018, contrato firmado com a empresa CR Artefatos de Cimento Ltda". Ou seja, este assunto já passou pelo MP, não deu em nada e alguns os vereadores oposicionistas o ressuscitaram, para também não dar em nada até agora.
A doutora Camila deu prazo de dez dias ao Ciro. Já venceu. Por isso, na terça-feira passada, pelo sim, pelo não, para torna-lo oficial, os vereadores, sob o silêncio de todos, aprovaram-no nas suas 48 páginas bem espaçadas. O MP pediu cópia integral do apurado pela CPI instaurada e de seu resultado, “bem como os documentos que julgarem pertinentes a fim de corroborar com a presente investigação”. Cópia integral? Volto mais tarde.
UM JOGO
Por que houve a CPI das supostas irregularidades da Rua Frei Solano? Por que exatamente o Ministério Público – com a sua equipe técnica vinda de Florianópolis - falhou, mais uma vez, e deixou dúvidas. O governo de plantão comemorou. O atual governo, entre poucos, diz que possui um corpo fechado nas instituições. Zomba da cidade, dos cidadãos e instituições que pedem transparência ou esclarecimentos, bem como dos fracos e poucos dos adversários.
Em defesa, bem que se diga, o MP até desconfiou das supostas irregularidades, mas não pode cravar certeza. E por que?
As provas do suposto crime estavam enterradas. E o que aconteceu com a CPI. Ela avançou muito mais que o MP, mas essas provas continuaram enterradas, e o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, do vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP e do prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, dono da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Pública, advogado, presidente do MDB de Gaspar e ex-coordenador da campanha vencedora de Kleber, com maioria de votos na CPI, não deixou de jeito nenhum fazer à tal “necropsia” da obra pretendida pelo vereadores da oposição e vital para retirar qualquer dúvida que paira sobre o assunto.
Só elas livrariam o governo Kleber do erro, da fraude, do faturamento indevido e descaracterizariam de vez a suposta impropriedade administrativa nas supostas irregularidades apontadas pelos autores da CPI.
Essas irregularidades até foram admitidas em depoimentos dos técnicos – aliás quem projetou a obra, o engenheiro Vanderlei Schmitt, em desvio de função, foi impedido de depor na CPI exatamente para não mentir e constituir provas contra si próprio.
Resumo, para não repedir às dezenas de artigos que fiz sobre este assunto – aliás só aqui os gasparenses tomaram conhecimento dessa engronha: projetou-se uma técnica construtiva e se fez outra. Havia um projeto que deu origem a um tipo de licitação que se proibiu no decorrer do processo, que se estabeleceu na contratação, que se fingiu ter sido fiscalizado no projetado, licitado e contratado, mediu-se como tal para gerar o respetivo pagamento. Entretanto, a execução foi outra. Simples assim! Os envolvidos, juram que não houve prejuízo aos cofres públicos mesmo com todos esses improvisos ao arrepio da norma.
O RELATÓRIO
Vamos por partes: o que mesmo a doutora Camila quis dizer “cópia integral do apurado pela Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada e de seu resultado, bem como os documentos que julgarem pertinentes a fim de corroborar com a presente investigação”?
Primeiro se ela se refere ao relatório oficial da CPI, ele foi providencialmente capado pela maioria do governo naquilo que mostrava evidências e provas de procedimentos e erros crassos. Os dois vereadores do Kleber, Francisco Hostins Júnior, MDB, e Roberto Procópio de Souza, PDT, ambos advogados, fizeram à cirurgia e submeteram à votação onde nada seria diferente do que eles quisessem. Outra vez, simples assim!
Segundo, quando a doutora Camila informa que podem anexar outros “documentos que julgarem pertinentes a fim de corroborar com a presente investigação”, ela não está obrigando a nada, além do relatório oficial e cirurgicamente modificado pelos vereadores do governo ao oficial apresentado pelo relator Cícero Giovane Amaro, PL.
Esse relatório oficial da CPI, como ficou e que vai ser enviado ao MP, vai apenas colocar a pá de cal no caixão da CPI que o próprio MDB já colocou em cova profunda faz tempo, mas que foi inadvertidamente revirada pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, morador do Gasparinho e autor da CPI. Ele acompanhou a obra, suas patologias e enjambrações quase todos os dias de algo que deveria durar três meses e se prolongou por mais de um ano
RECOMENAÇÕES
A doutora Camila deveria ser mais clara. Deveria por exemplo por exemplo, pedir os dois relatórios: o original rejeitado e o que foi aprovado para compará-los e se perguntar a ra~zão dessa cirurgia.
Deveria a doutora pedir todas as cópias dos depoimentos de viva-voz, os escritos, os documentos, as planilhas e também o que a imprensa escreveu sobre este assunto explicando os bastidores e as chicanas criadas neste caso, bem como às argumentações e as circunstâncias como se deram as votações que impediram à perícia daquilo que se esconde sob a terra e que nem o MP teve acesso.
A CPI governista por medo, e alegando suposto prejuízo financeiro aos cofres municipais e da Cãmara, impediu a abertura de pequenos pontos de inspeção para a ”necropsia” da obra para justamente a que iria afastar a culpa da gestão de Kleber. Como impediu algo que francamente lhe favorecia no discurso e sustentação técnica que fez, supõe-se que fez isso para esconder aquilo que sabe estar errado e vai lhe causar problemas. Nem mais, nem menos. Aliás, se o tapetão jurídico e regimental por onde transitou com habilidade incomum Kleber e os seus membros da CPI, escondeu algo que a cidade inteira, no fundo sabe que aconteceu.
E para encerrar a encenação.
Na terça-feira passada, a sessão tinha um único assunto na pauta da sessão da Câmara: a leitura de duas das 48 páginas do relatório da CPI, como parte da aprovação do relatório. Um silêncio patético durante e depois da leitura do secretário, o vereador Silvio Cleffi, PP, que já foi a favor da CPI, mas no decorrer do processo, virou governista de novo e a ajudou no seu enterro.
Era as tais recomendações da CPI ao prefeito Kleber. O que se leu?
“ENCAMINHAMENTOS
Expedição de ofícios ao Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal ao Excelentíssimo Senhor Diretor-Presidente da autarquia SAMAE recomendando:
Otimização e melhoria na fiscalização das obras a cargo da Administração Direta e da Autarquia;
A melhor estruturação das equipes técnicas responsáveis pelas fiscalizações das obras a cargo da Administração Direta e da Autarquia, posto que os depoimentos prestados por testemunhas aqui ouvidas apontaram insuficiência no corpo técnico e na estrutura de fiscalização;
A melhor estruturação da Controladoria-Geral do Município; realização de capacitação e treinamento do pessoal responsável pela realização dos certames licitatórios;
Que seja adotada imediatamente a prática de designar através de ato específico, pessoa responsável para fiscalizar cada contrato celebrado, em cumprimento expresso ao que preceitua o artigo 67, caput, da Lei Nacional nº 8.666/1993;
A expedição de ofícios ao Ministério Público de Santa Catarina, ao Tribunal de Contas deste Estado e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, instruídos com cópia deste relatório, para instrução dos autos já em trâmite nestes órgãos”.
Resumindo: os próprios encaminhamentos admitem que houve erros por parte da administração de Kleber na concepção, execução e fiscalização das obras da Frei Solano, mas ele todos menores.
O texto, é ficcional para sustentar uma grande encenação em algo muito grave e que o rolo compressor do poder de plantão zombou de quem tentou esclarecer. E agora querem que o MP e o TCE validem tudo isso com um relatório modificado. Como disse o vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, ao rebater os argumentos de Cícero na época da CPI, o “relatório é da CPI e não do relator”. E o relator não tinha voto. O governo Kleber sim. E fez do seu jeito.
Tem gente que não concorda com Kleber e seus vereadores e vai tentar esticar a corda. E isso, vai longe. Acorda, Gaspar!
SEPULTAMENTO II
A sequência de fotos feita no dia do flagrante com a presença da Polícia Ambiental, mostra a intervenção em Área de Preservação Permanente e que não foi considerada no Ministério Público. A “obra” em terreno particular estava devidamente autorizada pela prefeitura como se provou no inquérito.
A mesma promotora, Camila Vanzin Pavani, informou que está pedindo ao Conselho Superior do Ministério Público o arquivamento do Procedimento Preparatório nº 06.2019.00005817-8. Ele foi instaurado com o objetivo de apurar suposta irregularidade no uso de maquinário público em propriedade particular em Gaspar no governo de Kleber Edson Wan Dall.
A denúncia foi feita há mais de um ano pelo o vereador Dionísio Luís Bertoldi, PT ao Ministério Público.
Ele relatou o suposto uso indevido de maquinário da prefeitura na propriedade particular de Altair José Zimmermann. O vereador Dionísio também denunciou uma suposta prática de crime contra o meio ambiente (dentro de uma Área de Preservação Permanente e mudar e também um curso de água dentro da propriedade), sob o disfarce de realizar a limpeza de uma rua na propriedade de Altair José. Tudo feito em inobservância de parecer técnico desfavorável ao pedido Município.
Ouvida, a prefeitura por meio da secretaria de Agricultura e Aquicultura, segundo o MP, o que se fez lá é permitido pela legislação e para o caso denunciado estava autorizado. Ou seja, ficou descaracterizado a tal improbidade administrativa. O vereador Dionísio continua inconformado e estuda levar o fato adiante. Ele insiste que no mínimo há crime ambiental: ação foi realizada dentro de uma APP, houve o fechamento de um córrego, e tudo se resolveu com uma multa de valor irrisório, de forma parcelada, aplicada ao ex-secretário da Agricultura e Aquicultura, agora pré-candidato a vereador, André Pasqual Waltrick, PP.
A promotora Camila discorda e expressa isso claramente no documento que elaborou para o Conselho. Ela esclarece e foca na descaracterização da suposta improbidade: “da análise dos autos e dos documentos colacionados, verifica-se que o objeto que envolve o presente Procedimento Preparatório não configurou ato ímprobo/irregular capaz de ensejar outras medidas por esta Promotoria de Justiça, que não o seu arquivamento”.
SEPULTAMENTO III
Lembra-se daquela denúncia feita contra o ex-secretário de Planejamento Territorial de Gaspar, Alexandre Gevaerd (foto)? Ele estaria supostamente nomeado em dois cargos públicos ao mesmo tempo. Teria em tese incompatibilidade tanto legal e conflito de horários para exercer as duas funções públicas.
Houve. Entretanto, para o município e Gevaerd o tempo voa e a poupança Banmeridus continua numa boa. Primeiro, tão logo, a coisa esquentou, Gevaerd se licenciou em Blumenau e acabou fazendo opção por trabalhar Gaspar. Depois fez o contrário. Saiu de Gaspar onde era secretário e ficou como professor concursado que é na Furb, em Blumenau, descaracterizando, momentaneamente, o então acúmulo de funções e a razão da irregularidade denunciada.
Ou seja, a denúncia tinha fundamento, tanto que Gevaerd por decisão e orientação teve que fazer opções e não pode acumular as funções. E nas vezes em que colidiu no exercício das duas funções, nada de provas conclusivas por aqui. E como agora, ele está fora de Gaspar, o MP está pedindo para esquecer o que passou. Simples assim!
Por isso, a promotora Camila Vanzin Pavani, acaba de pedir ao Conselho Superior do Ministério o arquivamento desse processo que corria contra empregador do servidor, o município de Gaspar e o próprio Gevaerd. É que o inquérito nada apurou de irregular após esses ajustamentos. A denúncia foi feita pelo vereador Cícero Giovane Amaro, PL, que também é funcionário público efetivo lotado no Samae de Gaspar, sob o silêncio do Sintraspug – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Gaspar.
Quando Gevaerd foi nomeado em 2017 para ser secretário de Planejamento Territorial em Gaspar, como concursado e efetivo, ele ministrava aulas na Furb, em Blumenau. Estabelecia-se aí o conflito legais, e principalmente de horários na parte da manhã com as exigências daqui e de lá. Mais do que isso, Cícero apontou na denúncia que fez, “a impossibilidade de acumulação do cargo de Secretário, enquanto agente político, com qualquer outro cargo, destacando nesse sentido a afronta ao estabelecido na norma constitucional”.
O que aconteceu? Inquirida, a prefeitura garantiu que o secretário não tinha hora para trabalhar, e alegou que no mesmo tempo que Gevaerd dava aulas em Blumenau, ele não estava em Gaspar. É um caso bem estranho essa defesa pois ele foi visto por aqui em diversas ações, inspeções e reuniões. Faltou mostrar os acessos aos arquivos eletrônicos o qual se alegou estar dispensado pela função.
Um secretário é nomeado, mas não é obrigado a cumprir horário e nem se prova que no horário da aula não exerceu em algum dia, por aqui, o seu trabalho? A Furb, por sua vez, garantiu que ele sempre deu as aulas enquanto era efetivo.
FOI EMBORA
Tão logo entrou no centro do furacão, Gevaerd acertou a sua saída daqui. Tinha festa programada e tudo. Eu mesmo dei esta informação nesta coluna. Todavia, para não interromper os projetos, um deles, agora está no Ministério Público como inconstitucional e se arma um acordão no Ministério Público para os que entraram na onda da mudança do Plano Diretor, Gevaerd ficou por mais um tempo. Ele preferiu se licenciar como professor em Blumenau.
O Ministério Público, pelo sim, pelo não pediu novas diligências e depois delas, a promotoria concluiu que “da análise dos autos e dos documentos colacionados, verifica-se que o objeto que envolve o presente Inquérito Civil não configurou ato ímprobo/irregular capaz de ensejar outras medidas por esta Promotoria de Justiça, que não o arquivamento”.
A nomeação de Gevaerd em Gaspar foi considerada como sendo a nomeação de uma agente político, e por isso, e devido a decisões anteriores da Justiça que foi citada pela própria promotora para pedir e justificar o arquivamento, “os agentes políticos, dadas as peculiaridades do cargo, que incluem a liberdade e independência no exercício de suas funções, não se submetem à jornada de trabalho comum aos servidores públicos”
Que festa!
E ao final, citando também decisões dos tribunais sobre esta “flexibilização para dupla jornada dos comissionados”, não permitida aos servidores efetivos: ”não há óbice, em tese, para a instituição de um sistema de registro de presença dos agentes políticos, contudo, esse mecanismo, por si só, não é suficiente para comprovar o cumprimento ou não dos seus deveres funcionais, dadas as características de suas atividades, não alcançando, portanto, os objetivos a que se propõe”. Acorda, Gaspar!
Pior. “Press release” do próprio Tribunal faz manchete fake News para entrar na onda do momento e ganhar espaço com coisa mofada no tribunal
Na época, este assunto só foi tratado aqui e fui perseguido por isso. Os demais veículos ficaram caladinhos temendo represálias econômicas do poder de plantão. Acorda, Gaspar!
A disseminação de notícia falsa, nos dias de hoje, é denominada pela expressão inglesa "fake news". Segundo um “press release” da semana passada do Tribunal de Justiça, “ em município do Vale do Itajaí [Gaspar], fez com que a 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) condenasse um servidor público detentor de cargo em comissão por improbidade administrativa “.
Volto e esclareço. O caso aconteceu nas eleições de 2010. Foi em Gaspar. O condenado agora era o comissionado do então governo petista de Pedro Celso Zuchi, Maicon Oneda, já desempregado há anos da prefeitura. Ele na época usou o computador do então gerente do Orçamento Participativo, Mauro José Gubbert, PT, para fazer disparos impróprios, contendo propaganda eleitoral, denunciados aqui.
O inquérito feito pela Polícia Federal foi uma ladainha. Demorou como poucos até a perícia para desenrolar os espertos envolvidos. Na ação Criminal, Mauro fez uma transação penal, ou seja, aceitou uma pena para encerrar o caso e não ter uma condenação formal. Escapou.
A surpresa ficou para mais tarde quando se caminhava para uma ação Civil. Gubbert alegou que estava de férias e não tinha acionado o seu computador. Maicon assumiu este ato. Disso resultou a condenação dele agora. Complicado para entender e mostra como gente instruída faz de tudo para se livrar na Justiça. Desta vez não conseguiu. Mas, levou muito tempo.
O CASO
Segundo o Tribunal, em recurso sob a relatoria do desembargador Ronei Danielli, o ex-diretor adjunto de finanças foi condenado à penalidade de multa civil no valor equivalente à sua remuneração no mês de setembro de 2010 e que ele não especificou. O conteúdo da notícia falsa demonstrava uma pesquisa eleitoral fraudulenta para a disputa ao Governo do Estado.
O Ministério Público propôs ação civil pública por improbidade administrativa contra o servidor público municipal com cargo em comissão que propagou "fake news" pelo e-mail funcional da prefeitura. Na notícia, a candidata do acusado ultrapassava a concorrente e, assim, ocupava a 2ª posição na eleição de 2010. Não era fake news e explico mais adiante.
“As mensagens foram enviadas a um mês do pleito eleitoral e conclamavam os destinatários a repassarem aquela informação inverídica ao maior número possível de pessoas. Inconformado com a sentença que julgou improcedente o pedido, o órgão ministerial recorreu ao TJSC. Reforçou que o servidor feriu os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade pelo envio da notícia falsa. A gravidade concreta da atitude do réu é consideravelmente elevada a partir da constatação de veiculação de conteúdo comprovadamente falso - circunstância reprovável denominada 'fake news' -, alvo de intenso combate pelas autoridades administrativas, policiais, judiciárias e eleitorais, considerando a alta velocidade de difusão de informações por meio de redes sociais e, por conseguinte, do elevado risco de consolidação de efeitos negativos ou danos irreparáveis aos envolvidos, notadamente no cenário eleitoral", anotou o relator em seu voto.
A sessão foi presidida pelo desembargador Júlio César Knoll e dela também participou o desembargador Rodrigo Collaço. A decisão foi unânime (Apelação Cível n. 0900094-77.2015.8.24.0025).
VOLTO
A notícia de verdade deste caso é bem triste: a demora da Justiça para reparar casos tão antigos. Eu mesmo sinto isso na própria pele. Há casos com mais de cinco anos que nem sequer se movimentaram no primeiro grau e outros, que correram como raios no primeiro e segundo graus e decididos em um ano. Ou seja, eles dependem de que possui interesse e influência nessa movimentação. Simples assim.
Pior mesmo foi ver a assessoria de imprensa do Tribunal produzir uma fake news sobre o assunto, só para surfar algo da onda de hoje e ganhar espaços na mídia.
Primeiro: Maicon Oneda não espalhou fake news, ele fez propaganda eleitoral usando o ambiente do serviço público. Este fato é tipificado como crime pela legislação em vigor. Foi por causa desse uso indevido de ambiente e ferramenta públicas, que Maicon foi condenado. Simples assim, também. Esta deveria ser a verdadeira chamada e a lição para que outros agentes públicos e políticos não repetissem tal gesto criminoso.
Segundo: a informação não era falsa, pelo simples fato de que ela era resultado de uma pesquisa registrada e aceita pela Justiça Eleitoral como boa, honesta e com uso expresso do nome de instituto bem conhecido da época e que a elaborou. O certo, é que havia uma indução marqueteira ao erro tanto aos atingidos pela informação.
Não era uma informação propriamente falsa, mas maliciosa, por ser indutora a interpretações dúbias.
Maicon disparou do computador de Gubber – na época o home forte do Orçamento participativo e hoje um encanador concursado do Samae de Gaspar - a reprodução de um folder impresso às vésperas do primeiro turno das eleições de 2010. Ele foi produzido pelo comitê de campanha da ex-senadora e ex-candidata ao governo do estado, Ideli Salvatti, PT. São aqueles produtos feitos para enganar analfabetos, ignorantes, desinformados e alimentar cabos, fanáticos e patrulhas. Isso era fichinha se a gente comparar o que se difunde hoje nas redes sociais e aplicativos de mensagens, muito deles, usando smartphones de órgãos públicos ou usando IP de ambientes públicos.
O DUPLO SENTIDO
Maicon foi condenado não pela suposta notícia falsa que continua o folder impresso da época, que nem era responsabilidade dele confeccioná-lo, mas porque usou esse material, como militante, orientado ou não, a rede de computadores da prefeitura de Gaspar para difundi-lo entre possíveis líderes eleitores do PT. Isto é um ato improbo. Isto é que foi a julgamento nesta Ação Civil de reparação pelo mau uso dos pesados impostos dos cidadãos.
O que dizia aquele panfleto? Eu guardei ele até hoje e já amarelado, mostro para vocês, afinal faz dez anos entre o fato, o inquérito e a tramitação na Justiça para alcançar a decisão de reparação em segundo grau. Dela ainda cabe recursos.
“Vox Populi confirma: Ângela cai e Ideli sobe! Ideli vai para o segundo turno. Já há empate técnico.” E comparava graficamente esta subida e caída no intervalo entre os dias quatro e 28 de setembro. Ângela Amim, PP, que estava com 29% caía para 21% e Ideli Salvatti com 14% estava subindo com 18. Ou seja, era o tal empate técnico.
A outra pegadinha do panfleto. Informava ele que candidato Raimundo Colombo, PSD, estava na frente com 37%, mas os indecisos eram 20%. É aí que mora a sacanagem de sempre para ludibriar os analfabetos, ignorantes e desinformados como se isso fosse verdadeiro, dar esperanças de uma “virada” e naquela época, contrariando as pesquisas concorrentes que se publicavam sobre o mesmo assunto. Além do pouco tempo e sem as influências das redes sociais como é hoje e sem aplicativos de mensagens
Para encurtar. Qual foi o resultado final daquela eleição? Primeiro nem houve segundo turno. Raimundo Colombo, PSD, com Eduardo Pinho Moreira, MDB, levaram a eleição de 2010 com 52,72% . Raimundo ficou no lugar do seu "criador", Luiz Henrique da Silveira, MDB, estabelecendo-se numa oligarquia. Ângela Amim, PP, e Manoel Dias, PDT, conseguiram apenas 24,91%, uma decepção daquela eleição com a metade dos votos do vencedor e por isso chegaram em segundo.
E Ideli Salvatti, PT, com o empresário Guido Bretzke, PR? Chegaram em terceiro com 21,90% dos votos válidos dos catarinenses naquele pleito. Houve realmente um empate técnico, mas Ideli chegou apenas em terceiro lugar e mesmo que chegasse em segundo, não teria como disputar o segundo turno por falta de votos.
Por fim, é interessante observar: entre o fato, a minha publicação - foi o único que fiz - o inquérito, o julgamento na Comarca e a decisão de segundo grau, já se vão quase dez anos. Incrível!
Quem não consegue administrar um simples cemitério municipal, pode administrar uma cidade com problemas mais complexos? Em Gaspar, vira e mexe, compra-se um terreno para túmulo familiar. E quando chega a vez, descobre-se que ele não existe ou já está ocupado por outros. Foi isso que aconteceu com o Elpídio Luiz Schneider, o dono do pesqueiro famoso. Tentou por muito tempo explicações e soluções. Surpreso e cansado, não restou registrar um Boletim de Ocorrência contra a prefeitura e intrusos. Há um mês alguém foi enterrada no que ele diz ser seu e cuidado desde 1991. A família do de cujos não possui documentação, mas a prefeitura conseguiu fazer confusão para duas famílias. E como sempre, quer tudo abafado, sem solução.. Acorda, Gaspar!
Para os belchiorenses, luisalvenses e blumenauenses, Blumenau agora nas placas no Belchior Central é grafada com “L”, ou seja, Blumenal. Menos mal. Anos atrás, outra placa defronte as Linhas Círculo nos enviava para Gabiroba, inexistente por aqui.
A poção milagrosa. Ontem morreram mais nove por Covid-19 em Santa Catarina. Itajaí lidera os infectados no estado (1.318) e tem já 27 mortes registradas, um a menos de Joinville – quatro vezes mais populosa - que lidera este triste ranking com 28 falecidos por covid.
Pelo jeito, o prefeito e Itajaí que é médico, Volnei Morastoni, MDB, que já foi PT, e inventor de uma poção mágica alavancada por seus marqueteiros de campanha – os mesmos de Gaspar – não deu muito certo. Ela supostamente aumentaria a imunidade da população de Itajaí numa campanha da salvação. Os números, frios, desmentem a eficácia na jogada e da poção.
A prefeitura de Gaspar não quer que seus funcionários leiam o portal Cruzeiro do Vale, o mais acessado de Gaspar e Ilhota. Acham-no perigosíssimo e subversivo serem bem informados dos bastidores do poder de plantão. Só tem valor a propaganda oficial para estimular os cabos eleitorais empregados.
Por isso, os servidores estão preferindo a leitura do portal Cruzeiro do Vale via o 4G. Ele burla à censura eletrônica e os programas espiões que controlam os acessos dos servidores pela rede da prefeitura a outros sites. No 4G de cada um, nada passa pelo sistema da prefeitura e os servidores continuam bem informados sobre a cidade e as jogadas do paço.
A coluna da sexta-feira apresentei o candidato do PL, o engenheiro e ex-vereador Rodrigo Boeing Althoff. Ela foi parar no facebook do jornal. Lá os comissionados e com funções gratificadas, em peso, declararam voto em Kleber Edson Wan Dall, MDB. E podia ser diferente?
Outros, mesmo desmascarados, preferiram desqualificar o jornal, a coluna e o colunista. Três coisas então ficaram claras: a função dos comissionados é eleitoral na prefeitura; o PL não tem uma milícia digital mínima para defender ao mínimo as ideias do seu candidato; e que na falta, por enquanto, de defeitos graves do Rodrigo, servem os meus, incluindo os erros de português.
Um discurso que vai colar. Até o candidato do PSL, Sérgio Luiz Batista de Almeida, na rádio 89,7 FM, disse que se eleito, vai diminuir o salário dele, do vice, dos secretários e comissionados. Sérgio acha absurdamente alto, principalmente nesta crise econômica provocada pela Covid 19.
O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, recebe um dos mais altos salários de prefeitos de Santa Catarina: R$27.356,69. Ele finge que a crise econômica não é com Gaspar.
Os vereadores também se enrolam no projeto apresentado por Roberto Procópio de Souza, PDT. Ele prevê a redução de 20% por apenas dois meses dos salários deles para dar ao fundo de combate o Covid-19.
Nas redes sociais, contudo, os puxa-sacos do prefeito Kleber e os do poder de plantão, acham que o salário do prefeito, pela lei, não pode ser reduzido, pois se fosse permitido, ele já teria feito. Risível! Gente doida. Em que lei os outros prefeitos que reduziram o seu salário temporariamente, se basearam? Resumindo, quem quer faz. Os três artigos de hoje mostram que Kleber fez o que não podia, mas deu um jeito de tornar bom perante a lei.
O presidente do DEM de Gaspar, Paulo Filippus, que já foi MBL doente, agora é seu crítico implacável. Ao invés de arrumar briga por aqui onde diz que será candidato a vereador, continua nas redes brigando e sendo bloqueado por seus ex-ídolos do MDL, porque se negam ser gado bolsonarista.
Em Gaspar, os bolsonaristas vivem se engalfinhando. Como não conseguiram montar o tal Aliança pelo Brasil, partido do clã Bolsonaro, cada um escolheu o seu caminho: DEM, PL e PSL. E de suas trincheiras estão apontando defeitos mútuos e disparando um contra o outro. A esquerda do atraso e o poder de plantão estão agradecidos com essa briga da direita, conservadores e liberais. Meu Deus!
Você sabia, que a prefeitura de Gaspar suspendeu os convênios que mantinha com a Agapa – Associação Gasparense de Proteção aos Animais e clínicas daqui para a castração cães e gatos de rua, uma política que visava conter o aumento desta população e os problemas graves de saúde ela causa às pessoas, principalmente em regiões vulneráveis?
O acesso ao moro do Parapente em Gaspar está fechado. Fechou-se aos seus pés também e temporariamente, um conhecido ponto de consumo de drogas durante a noite. Uma ação que poderia ter sido feita há anos, mas...
Na semana passada em Gaspar, mais uma vez, se provou que à mulher de César não basta ser honesta, mas precisa aparentar isso, sem qualquer mínima chance de questionamento. No poder de plantão em Gaspar, parece cada vez mais, que isso não é uma regra de ouro.
O poder de plantão e o MDB de Gaspar fingem não ser com eles, a notícia que se espalhou na cidade como o fedor de latrinas públicas, onde a mulher de um secretário do governo de Kleber Edson Wan Dall, do MDB histórico, com salário bruto superior a R$12 mil mensal, recebeu indevidamente R$600 líquidos de auxílio emergencial, como atesta o Portal da Transparência do governo Federal.
Esperava-se, de pronto, ser um mal entendido com a respectiva ação de esclarecimento e atitudes imediatas dos envolvidos bem como os que se apoiam politicamente no poder de plantão. Esperava-se por exemplo que se dissesse que os R$600 foram disponibilizados indevidamente, ou que nada tinha sido depositado na conta da titular, e que mesmo assim, visto este ato indevido, já teria sido devolvido ao governo Federal para uso adequado, com as devidas desculpas.
Mas nada, até o momento! Pior, trama-se culpar os que divulgaram este assunto. O imediato esclarecimento, além de necessário, seria um gol de placa a favor de Kleber, do secretário, do MDB, da mulher que já exerceu funções públicas, e ao mesmo tempo, estancaria qualquer mal-entendido. Faria do limão uma limonada, como se diz no popular. Mas, Kleber continuou sendo Kleber. E o MDB de Gaspar, igualmente.
Questionada, a prefeitura via a assessoria de imprensa, não negou o fato - e que se esperava -, mas disse como se posicionará a respeito sobre o assunto: não é com Kleber e nem com o governo dele. Será? Talvez não seja diretamente, mas o que está em jogo é a imagem tanto do prefeito, do governo cheios de partido, e do MDB, às vésperas das eleições, todos cheios tantos desgastes. A associação é inevitável.
Só Kleber e os seus "çabios" não conseguem enxergar isso. Estão esticando a corda e faz tempo neste sentido. Todos eles tratam os cidadãos e cidadãs pagadores de pesados impostos como tolos e os eleitores como gente a ser enganada, não esclarecida.
A verdade é o seguinte. O tempo trabalhou contra a má decisão. Agora, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. O tempo de esclarecer já passou. E por que? O poder de plantão e Kleber acham, mais uma vez, que o assunto será esquecido. Não será, principalmente nos dias de hoje com tanta gente espreitando o governo e com uma eleição batendo às portas, onde o governo Kleber faz o que quer e quando quer sobre fatos que lhe incomodam.
A cabeça que Kleber e os seus, enfiaram no buraco neste e outros assuntos - como o que originou a CPI das irregularidades da Rua Frei Solano - achando que a população não está sendo informada naquilo que rola no poder de plantão e que será tudo esquecido, é mero desejo.
As informações, e principalmente os memes, ficarão nas redes sociais e vão ser ressuscitadas em hora apropriada – vésperas das eleições - por gente com espírito de guerrilha. E se o que aconteceu em outubro de 2018 valer ainda, o cansaço dos eleitores e eleitoras será demonstrada em falta de votos nas urnas eletrônicas para gente complicada.
Oficialmente, a contragosto pois não desejava este questionamento, a prefeitura disse ao Cruzeiro do Vale: "A Prefeitura não vai se manifestar oficialmente a respeito por se tratar de um ato de uma pessoa ligada a um servidor, mas que não tem vínculo direto com a administração". A bomba relógio está armada.
Na segunda-feira passada, convidado, participei da live do PSL de Gaspar. Estavam presentes o os presidentes do PSL, Sérgio Luiz Batista de Almeida, que se diz pré-candidato a prefeito; o presidente do Patriotas, Marciano da Silva (já foi do PSL) e o radialista Rudinei Cavalheiro.
O tema era “alternância de poder”. Mas, ele ficou quase em segundo plano, pois a minha presença despertou outras curiosidades devido, principalmente ao meu modo recluso. Mas, a alternância de poder eu a defino na frase do português Eça de Queiroz (1845-90) e dita na live: políticos e fraldas devem ser trocadas de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.
Alguns, como o empresário Osnildo Moreira, que já esteve no ambiente público como comissionado, surpreenderam-se como eu tentei me igualar a todos. E por que? Entendo os que sabem tudo, estão prestes à morte, exatamente por perderem à capacidade de absorverem as novidades, o contraditório e à inovação. “A Vida é tão curta, o ofício de aprender tão longo”, escreveu o pai da literatura inglesa, escritor, filósofo e diplomata Geoffrey Chaucer (1.333 -1400).
Enfim. Uma live programada para uma hora (um tempo bem apropriado para não ser cansativa), se estendeu por mais alguns outros 20 minutos. Foi boa, principalmente para que eu pudesse sair do casulo e mostrar que ainda estou atualizado, apesar do casulo. Em tempo, a participação na live do PSL, não significou nenhum alinhamento, mas apenas uma gentil aceitação de convite, confesso, raro de ser aceito.
A Ditran com os olhos fechados para os seus. É comum, que fornecedores de materiais para o Centro Administrativo da prefeitura estacionem na contramão para a carga e descarga no local. Tudo sob as vistas grossas dos agentes da Ditran. Acorda, Gaspar!
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).