Ministério Público da Comarca quer o relatório final da CPI das supostas irregularidades nas obras de drenagem da rua Frei Solano, em Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Ministério Público da Comarca quer o relatório final da CPI das supostas irregularidades nas obras de drenagem da rua Frei Solano, em Gaspar

22/06/2020

Uma parte dos vereadores acha que vai ainda dar samba. A outra está desconfiada que é o documento quer o MP quer para enterrar o caso definitivamente. O MP já tentou uma vez

O SEPULTAMENTO I


O Ministério Público quer o relatório oficial da CPI da drenagem da Rua Frei Solano. O relatório oficial é político e não reflete a realidade que que foi apurado. Por que? A maioria do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, na CPI mostrou que o que se fez – mesmo diferente do projeto, licitação, contratação, fiscalização e pagamento -, na ótica dela, não causou prejuízos ao município.

O que chegou na Câmara de Vereadores de Gaspar no dia 29 de maio? A “requisição de informações e providências” enviada pela promotora Camila Vanzin Pavani da Comarca ao presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB. Ela quer o relatório final da CPI.

E para que? Segundo o documento da promotora, o intuito é de instruir o Inquérito Civil nº 06.2019.00001431-3, instaurado para "Apurar supostas irregularidades na execução das obras de drenagens realizadas nas ruas Leopoldo Alberto Schramm e Frei Solano, decorrentes do (s) processo (s) licitatório (s) 78/2018, contrato firmado com a empresa CR Artefatos de Cimento Ltda". Ou seja, este assunto já passou pelo MP, não deu em nada e alguns os vereadores oposicionistas o ressuscitaram, para também não dar em nada até agora.

A doutora Camila deu prazo de dez dias ao Ciro. Já venceu. Por isso, na terça-feira passada, pelo sim, pelo não, para torna-lo oficial, os vereadores, sob o silêncio de todos, aprovaram-no nas suas 48 páginas bem espaçadas. O MP pediu cópia integral do apurado pela CPI instaurada e de seu resultado, “bem como os documentos que julgarem pertinentes a fim de corroborar com a presente investigação”. Cópia integral? Volto mais tarde.

UM JOGO

Por que houve a CPI das supostas irregularidades da Rua Frei Solano? Por que exatamente o Ministério Público – com a sua equipe técnica vinda de Florianópolis - falhou, mais uma vez, e deixou dúvidas. O governo de plantão comemorou. O atual governo, entre poucos, diz que possui um corpo fechado nas instituições. Zomba da cidade, dos cidadãos e instituições que pedem transparência ou esclarecimentos, bem como dos fracos e poucos dos adversários.

Em defesa, bem que se diga, o MP até desconfiou das supostas irregularidades, mas não pode cravar certeza. E por que?

As provas do suposto crime estavam enterradas. E o que aconteceu com a CPI. Ela avançou muito mais que o MP, mas essas provas continuaram enterradas, e o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, do vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP e do prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, dono da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Pública, advogado, presidente do MDB de Gaspar e ex-coordenador da campanha vencedora de Kleber, com maioria de votos na CPI, não deixou de jeito nenhum fazer à tal “necropsia” da obra pretendida pelo vereadores da oposição e vital para retirar qualquer dúvida que paira sobre o assunto.

Só elas livrariam o governo Kleber do erro, da fraude, do faturamento indevido e descaracterizariam de vez a suposta impropriedade administrativa nas supostas irregularidades apontadas pelos autores da CPI.

Essas irregularidades até foram admitidas em depoimentos dos técnicos – aliás quem projetou a obra, o engenheiro Vanderlei Schmitt, em desvio de função, foi impedido de depor na CPI exatamente para não mentir e constituir provas contra si próprio.

Resumo, para não repedir às dezenas de artigos que fiz sobre este assunto – aliás só aqui os gasparenses tomaram conhecimento dessa engronha: projetou-se uma técnica construtiva e se fez outra. Havia um projeto que deu origem a um tipo de licitação que se proibiu no decorrer do processo, que se estabeleceu na contratação, que se fingiu ter sido fiscalizado no projetado, licitado e contratado, mediu-se como tal para gerar o respetivo pagamento. Entretanto, a execução foi outra. Simples assim! Os envolvidos, juram que não houve prejuízo aos cofres públicos mesmo com todos esses improvisos ao arrepio da norma.

O RELATÓRIO

Vamos por partes: o que mesmo a doutora Camila quis dizer “cópia integral do apurado pela Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada e de seu resultado, bem como os documentos que julgarem pertinentes a fim de corroborar com a presente investigação”?

Primeiro se ela se refere ao relatório oficial da CPI, ele foi providencialmente capado pela maioria do governo naquilo que mostrava evidências e provas de procedimentos e erros crassos. Os dois vereadores do Kleber, Francisco Hostins Júnior, MDB, e Roberto Procópio de Souza, PDT, ambos advogados, fizeram à cirurgia e submeteram à votação onde nada seria diferente do que eles quisessem. Outra vez, simples assim!

Segundo, quando a doutora Camila informa que podem anexar outros “documentos que julgarem pertinentes a fim de corroborar com a presente investigação”, ela não está obrigando a nada, além do relatório oficial e cirurgicamente modificado pelos vereadores do governo ao oficial apresentado pelo relator Cícero Giovane Amaro, PL.

Esse relatório oficial da CPI, como ficou e que vai ser enviado ao MP, vai apenas colocar a pá de cal no caixão da CPI que o próprio MDB já colocou em cova profunda faz tempo, mas que foi inadvertidamente revirada pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, morador do Gasparinho e autor da CPI. Ele acompanhou a obra, suas patologias e enjambrações quase todos os dias de algo que deveria durar três meses e se prolongou por mais de um ano

RECOMENAÇÕES

A doutora Camila deveria ser mais clara. Deveria por exemplo por exemplo, pedir os dois relatórios: o original rejeitado e o que foi aprovado para compará-los e se perguntar a ra~zão dessa cirurgia.

Deveria a doutora pedir todas as cópias dos depoimentos de viva-voz, os escritos, os documentos, as planilhas e também o que a imprensa escreveu sobre este assunto explicando os bastidores e as chicanas criadas neste caso, bem como às argumentações e as circunstâncias como se deram as votações que impediram à perícia daquilo que se esconde sob a terra e que nem o MP teve acesso.

A CPI governista por medo, e alegando suposto prejuízo financeiro aos cofres municipais e da Cãmara, impediu a abertura de pequenos pontos de inspeção para a ”necropsia” da obra para justamente a que iria afastar a culpa da gestão de Kleber. Como impediu algo que francamente lhe favorecia no discurso e sustentação técnica que fez, supõe-se que fez isso para esconder aquilo que sabe estar errado e vai lhe causar problemas. Nem mais, nem menos. Aliás, se o tapetão jurídico e regimental por onde transitou com habilidade incomum Kleber e os seus membros da CPI, escondeu algo que a cidade inteira, no fundo sabe que aconteceu.

E para encerrar a encenação.

Na terça-feira passada, a sessão tinha um único assunto na pauta da sessão da Câmara: a leitura de duas das 48 páginas do relatório da CPI, como parte da aprovação do relatório. Um silêncio patético durante e depois da leitura do secretário, o vereador Silvio Cleffi, PP, que já foi a favor da CPI, mas no decorrer do processo, virou governista de novo e a ajudou no seu enterro.

Era as tais recomendações da CPI ao prefeito Kleber. O que se leu?

“ENCAMINHAMENTOS

Expedição de ofícios ao Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal ao Excelentíssimo Senhor Diretor-Presidente da autarquia SAMAE recomendando:

Otimização e melhoria na fiscalização das obras a cargo da Administração Direta e da Autarquia;

A melhor estruturação das equipes técnicas responsáveis pelas fiscalizações das obras a cargo da Administração Direta e da Autarquia, posto que os depoimentos prestados por testemunhas aqui ouvidas apontaram insuficiência no corpo técnico e na estrutura de fiscalização;

A melhor estruturação da Controladoria-Geral do Município; realização de capacitação e treinamento do pessoal responsável pela realização dos certames licitatórios;

Que seja adotada imediatamente a prática de designar através de ato específico, pessoa responsável para fiscalizar cada contrato celebrado, em cumprimento expresso ao que preceitua o artigo 67, caput, da Lei Nacional nº 8.666/1993;

A expedição de ofícios ao Ministério Público de Santa Catarina, ao Tribunal de Contas deste Estado e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, instruídos com cópia deste relatório, para instrução dos autos já em trâmite nestes órgãos”.

Resumindo: os próprios encaminhamentos admitem que houve erros por parte da administração de Kleber na concepção, execução e fiscalização das obras da Frei Solano, mas ele todos menores.

O texto, é ficcional para sustentar uma grande encenação em algo muito grave e que o rolo compressor do poder de plantão zombou de quem tentou esclarecer. E agora querem que o MP e o TCE validem tudo isso com um relatório modificado. Como disse o vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, ao rebater os argumentos de Cícero na época da CPI, o “relatório é da CPI e não do relator”. E o relator não tinha voto. O governo Kleber sim. E fez do seu jeito.

Tem gente que não concorda com Kleber e seus vereadores e vai tentar esticar a corda. E isso, vai longe. Acorda, Gaspar!

SEPULTAMENTO II

Maquinário da secretaria da agricultura e aquicultura da prefeitura de Gaspar não estava fazendo serviço não autorizado para particulares


A sequência de fotos feita no dia do flagrante com a presença da Polícia Ambiental, mostra a intervenção em Área de Preservação Permanente e que não foi considerada no Ministério Público. A “obra” em terreno particular estava devidamente autorizada pela prefeitura como se provou no inquérito.

A mesma promotora, Camila Vanzin Pavani, informou que está pedindo ao Conselho Superior do Ministério Público o arquivamento do Procedimento Preparatório nº 06.2019.00005817-8. Ele foi instaurado com o objetivo de apurar suposta irregularidade no uso de maquinário público em propriedade particular em Gaspar no governo de Kleber Edson Wan Dall.

A denúncia foi feita há mais de um ano pelo o vereador Dionísio Luís Bertoldi, PT ao Ministério Público.

Ele relatou o suposto uso indevido de maquinário da prefeitura na propriedade particular de Altair José Zimmermann. O vereador Dionísio também denunciou uma suposta prática de crime contra o meio ambiente (dentro de uma Área de Preservação Permanente e mudar e também um curso de água dentro da propriedade), sob o disfarce de realizar a limpeza de uma rua na propriedade de Altair José. Tudo feito em inobservância de parecer técnico desfavorável ao pedido Município.

Ouvida, a prefeitura por meio da secretaria de Agricultura e Aquicultura, segundo o MP, o que se fez lá é permitido pela legislação e para o caso denunciado estava autorizado. Ou seja, ficou descaracterizado a tal improbidade administrativa. O vereador Dionísio continua inconformado e estuda levar o fato adiante. Ele insiste que no mínimo há crime ambiental: ação foi realizada dentro de uma APP, houve o fechamento de um córrego, e tudo se resolveu com uma multa de valor irrisório, de forma parcelada, aplicada ao ex-secretário da Agricultura e Aquicultura, agora pré-candidato a vereador, André Pasqual Waltrick, PP.

A promotora Camila discorda e expressa isso claramente no documento que elaborou para o Conselho. Ela esclarece e foca na descaracterização da suposta improbidade: “da análise dos autos e dos documentos colacionados, verifica-se que o objeto que envolve o presente Procedimento Preparatório não configurou ato ímprobo/irregular capaz de ensejar outras medidas por esta Promotoria de Justiça, que não o seu arquivamento”.

SEPULTAMENTO III

O ex-secretário Gevaerd, ao sair da função em Gaspar, deixou de acumular cargos públicos e está livre de punições, segundo o MP

Lembra-se daquela denúncia feita contra o ex-secretário de Planejamento Territorial de Gaspar, Alexandre Gevaerd (foto)? Ele estaria supostamente nomeado em dois cargos públicos ao mesmo tempo. Teria em tese incompatibilidade tanto legal e conflito de horários para exercer as duas funções públicas.

Houve. Entretanto, para o município e Gevaerd o tempo voa e a poupança Banmeridus continua numa boa. Primeiro, tão logo, a coisa esquentou, Gevaerd se licenciou em Blumenau e acabou fazendo opção por trabalhar Gaspar. Depois fez o contrário. Saiu de Gaspar onde era secretário e ficou como professor concursado que é na Furb, em Blumenau, descaracterizando, momentaneamente, o então acúmulo de funções e a razão da irregularidade denunciada.

Ou seja, a denúncia tinha fundamento, tanto que Gevaerd por decisão e orientação teve que fazer opções e não pode acumular as funções. E nas vezes em que colidiu no exercício das duas funções, nada de provas conclusivas por aqui. E como agora, ele está fora de Gaspar, o MP está pedindo para esquecer o que passou. Simples assim!

Por isso, a promotora Camila Vanzin Pavani, acaba de pedir ao Conselho Superior do Ministério o arquivamento desse processo que corria contra empregador do servidor, o município de Gaspar e o próprio Gevaerd. É que o inquérito nada apurou de irregular após esses ajustamentos. A denúncia foi feita pelo vereador Cícero Giovane Amaro, PL, que também é funcionário público efetivo lotado no Samae de Gaspar, sob o silêncio do Sintraspug – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Gaspar.

Quando Gevaerd foi nomeado em 2017 para ser secretário de Planejamento Territorial em Gaspar, como concursado e efetivo, ele ministrava aulas na Furb, em Blumenau. Estabelecia-se aí o conflito legais, e principalmente de horários na parte da manhã com as exigências daqui e de lá. Mais do que isso, Cícero apontou na denúncia que fez, “a impossibilidade de acumulação do cargo de Secretário, enquanto agente político, com qualquer outro cargo, destacando nesse sentido a afronta ao estabelecido na norma constitucional”.

O que aconteceu? Inquirida, a prefeitura garantiu que o secretário não tinha hora para trabalhar, e alegou que no mesmo tempo que Gevaerd dava aulas em Blumenau, ele não estava em Gaspar. É um caso bem estranho essa defesa pois ele foi visto por aqui em diversas ações, inspeções e reuniões. Faltou mostrar os acessos aos arquivos eletrônicos o qual se alegou estar dispensado pela função.

Um secretário é nomeado, mas não é obrigado a cumprir horário e nem se prova que no horário da aula não exerceu em algum dia, por aqui, o seu trabalho? A Furb, por sua vez, garantiu que ele sempre deu as aulas enquanto era efetivo.

FOI EMBORA

Tão logo entrou no centro do furacão, Gevaerd acertou a sua saída daqui. Tinha festa programada e tudo. Eu mesmo dei esta informação nesta coluna. Todavia, para não interromper os projetos, um deles, agora está no Ministério Público como inconstitucional e se arma um acordão no Ministério Público para os que entraram na onda da mudança do Plano Diretor, Gevaerd ficou por mais um tempo. Ele preferiu se licenciar como professor em Blumenau.

O Ministério Público, pelo sim, pelo não pediu novas diligências e depois delas, a promotoria concluiu que “da análise dos autos e dos documentos colacionados, verifica-se que o objeto que envolve o presente Inquérito Civil não configurou ato ímprobo/irregular capaz de ensejar outras medidas por esta Promotoria de Justiça, que não o arquivamento”.

A nomeação de Gevaerd em Gaspar foi considerada como sendo a nomeação de uma agente político, e por isso, e devido a decisões anteriores da Justiça que foi citada pela própria promotora para pedir e justificar o arquivamento, “os agentes políticos, dadas as peculiaridades do cargo, que incluem a liberdade e independência no exercício de suas funções, não se submetem à jornada de trabalho comum aos servidores públicos”

Que festa!

E ao final, citando também decisões dos tribunais sobre esta “flexibilização para dupla jornada dos comissionados”, não permitida aos servidores efetivos: ”não há óbice, em tese, para a instituição de um sistema de registro de presença dos agentes políticos, contudo, esse mecanismo, por si só, não é suficiente para comprovar o cumprimento ou não dos seus deveres funcionais, dadas as características de suas atividades, não alcançando, portanto, os objetivos a que se propõe”. Acorda, Gaspar!

UMA DECISÃO

Quase dez anos depois do fato ter acontecido, Tribunal de Justiça de Santa Catarina pune quem usou computador da prefeitura de Gaspar para espalhar propaganda política

Pior. “Press release” do próprio Tribunal faz manchete fake News para entrar na onda do momento e ganhar espaço com coisa mofada no tribunal

Na época, este assunto só foi tratado aqui e fui perseguido por isso. Os demais veículos ficaram caladinhos temendo represálias econômicas do poder de plantão. Acorda, Gaspar!

A disseminação de notícia falsa, nos dias de hoje, é denominada pela expressão inglesa "fake news". Segundo um “press release” da semana passada do Tribunal de Justiça, “ em município do Vale do Itajaí [Gaspar], fez com que a 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) condenasse um servidor público detentor de cargo em comissão por improbidade administrativa “.

Volto e esclareço. O caso aconteceu nas eleições de 2010. Foi em Gaspar. O condenado agora era o comissionado do então governo petista de Pedro Celso Zuchi, Maicon Oneda, já desempregado há anos da prefeitura. Ele na época usou o computador do então gerente do Orçamento Participativo, Mauro José Gubbert, PT, para fazer disparos impróprios, contendo propaganda eleitoral, denunciados aqui.

O inquérito feito pela Polícia Federal foi uma ladainha. Demorou como poucos até a perícia para desenrolar os espertos envolvidos. Na ação Criminal, Mauro fez uma transação penal, ou seja, aceitou uma pena para encerrar o caso e não ter uma condenação formal. Escapou.

A surpresa ficou para mais tarde quando se caminhava para uma ação Civil. Gubbert alegou que estava de férias e não tinha acionado o seu computador. Maicon assumiu este ato. Disso resultou a condenação dele agora. Complicado para entender e mostra como gente instruída faz de tudo para se livrar na Justiça. Desta vez não conseguiu. Mas, levou muito tempo.

O CASO

Segundo o Tribunal, em recurso sob a relatoria do desembargador Ronei Danielli, o ex-diretor adjunto de finanças foi condenado à penalidade de multa civil no valor equivalente à sua remuneração no mês de setembro de 2010 e que ele não especificou. O conteúdo da notícia falsa demonstrava uma pesquisa eleitoral fraudulenta para a disputa ao Governo do Estado.

O Ministério Público propôs ação civil pública por improbidade administrativa contra o servidor público municipal com cargo em comissão que propagou "fake news" pelo e-mail funcional da prefeitura. Na notícia, a candidata do acusado ultrapassava a concorrente e, assim, ocupava a 2ª posição na eleição de 2010. Não era fake news e explico mais adiante.

“As mensagens foram enviadas a um mês do pleito eleitoral e conclamavam os destinatários a repassarem aquela informação inverídica ao maior número possível de pessoas. Inconformado com a sentença que julgou improcedente o pedido, o órgão ministerial recorreu ao TJSC. Reforçou que o servidor feriu os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade pelo envio da notícia falsa. A gravidade concreta da atitude do réu é consideravelmente elevada a partir da constatação de veiculação de conteúdo comprovadamente falso - circunstância reprovável denominada 'fake news' -, alvo de intenso combate pelas autoridades administrativas, policiais, judiciárias e eleitorais, considerando a alta velocidade de difusão de informações por meio de redes sociais e, por conseguinte, do elevado risco de consolidação de efeitos negativos ou danos irreparáveis aos envolvidos, notadamente no cenário eleitoral", anotou o relator em seu voto.

A sessão foi presidida pelo desembargador Júlio César Knoll e dela também participou o desembargador Rodrigo Collaço. A decisão foi unânime (Apelação Cível n. 0900094-77.2015.8.24.0025).

VOLTO

A notícia de verdade deste caso é bem triste: a demora da Justiça para reparar casos tão antigos. Eu mesmo sinto isso na própria pele. Há casos com mais de cinco anos que nem sequer se movimentaram no primeiro grau e outros, que correram como raios no primeiro e segundo graus e decididos em um ano. Ou seja, eles dependem de que possui interesse e influência nessa movimentação. Simples assim.

Pior mesmo foi ver a assessoria de imprensa do Tribunal produzir uma fake news sobre o assunto, só para surfar algo da onda de hoje e ganhar espaços na mídia.

Primeiro: Maicon Oneda não espalhou fake news, ele fez propaganda eleitoral usando o ambiente do serviço público. Este fato é tipificado como crime pela legislação em vigor. Foi por causa desse uso indevido de ambiente e ferramenta públicas, que Maicon foi condenado. Simples assim, também. Esta deveria ser a verdadeira chamada e a lição para que outros agentes públicos e políticos não repetissem tal gesto criminoso.

Segundo: a informação não era falsa, pelo simples fato de que ela era resultado de uma pesquisa registrada e aceita pela Justiça Eleitoral como boa, honesta e com uso expresso do nome de instituto bem conhecido da época e que a elaborou. O certo, é que havia uma indução marqueteira ao erro tanto aos atingidos pela informação.

Não era uma informação propriamente falsa, mas maliciosa, por ser indutora a interpretações dúbias.


Maicon disparou do computador de Gubber – na época o home forte do Orçamento participativo e hoje um encanador concursado do Samae de Gaspar - a reprodução de um folder impresso às vésperas do primeiro turno das eleições de 2010. Ele foi produzido pelo comitê de campanha da ex-senadora e ex-candidata ao governo do estado, Ideli Salvatti, PT. São aqueles produtos feitos para enganar analfabetos, ignorantes, desinformados e alimentar cabos, fanáticos e patrulhas. Isso era fichinha se a gente comparar o que se difunde hoje nas redes sociais e aplicativos de mensagens, muito deles, usando smartphones de órgãos públicos ou usando IP de ambientes públicos.

O DUPLO SENTIDO

Maicon foi condenado não pela suposta notícia falsa que continua o folder impresso da época, que nem era responsabilidade dele confeccioná-lo, mas porque usou esse material, como militante, orientado ou não, a rede de computadores da prefeitura de Gaspar para difundi-lo entre possíveis líderes eleitores do PT. Isto é um ato improbo. Isto é que foi a julgamento nesta Ação Civil de reparação pelo mau uso dos pesados impostos dos cidadãos.

O que dizia aquele panfleto? Eu guardei ele até hoje e já amarelado, mostro para vocês, afinal faz dez anos entre o fato, o inquérito e a tramitação na Justiça para alcançar a decisão de reparação em segundo grau. Dela ainda cabe recursos.

“Vox Populi confirma: Ângela cai e Ideli sobe! Ideli vai para o segundo turno. Já há empate técnico.” E comparava graficamente esta subida e caída no intervalo entre os dias quatro e 28 de setembro. Ângela Amim, PP, que estava com 29% caía para 21% e Ideli Salvatti com 14% estava subindo com 18. Ou seja, era o tal empate técnico.

A outra pegadinha do panfleto. Informava ele que candidato Raimundo Colombo, PSD, estava na frente com 37%, mas os indecisos eram 20%. É aí que mora a sacanagem de sempre para ludibriar os analfabetos, ignorantes e desinformados como se isso fosse verdadeiro, dar esperanças de uma “virada” e naquela época, contrariando as pesquisas concorrentes que se publicavam sobre o mesmo assunto. Além do pouco tempo e sem as influências das redes sociais como é hoje e sem aplicativos de mensagens

Para encurtar. Qual foi o resultado final daquela eleição? Primeiro nem houve segundo turno. Raimundo Colombo, PSD, com Eduardo Pinho Moreira, MDB, levaram a eleição de 2010 com 52,72% . Raimundo ficou no lugar do seu "criador", Luiz Henrique da Silveira, MDB, estabelecendo-se numa oligarquia. Ângela Amim, PP, e Manoel Dias, PDT, conseguiram apenas 24,91%, uma decepção daquela eleição com a metade dos votos do vencedor e por isso chegaram em segundo.

E Ideli Salvatti, PT, com o empresário Guido Bretzke, PR? Chegaram em terceiro com 21,90% dos votos válidos dos catarinenses naquele pleito. Houve realmente um empate técnico, mas Ideli chegou apenas em terceiro lugar e mesmo que chegasse em segundo, não teria como disputar o segundo turno por falta de votos.

Por fim, é interessante observar: entre o fato, a minha publicação - foi o único que fiz - o inquérito, o julgamento na Comarca e a decisão de segundo grau, já se vão quase dez anos. Incrível!

CADÊ O TÚMULO?


Quem não consegue administrar um simples cemitério municipal, pode administrar uma cidade com problemas mais complexos? Em Gaspar, vira e mexe, compra-se um terreno para túmulo familiar. E quando chega a vez, descobre-se que ele não existe ou já está ocupado por outros. Foi isso que aconteceu com o Elpídio Luiz Schneider, o dono do pesqueiro famoso. Tentou por muito tempo explicações e soluções. Surpreso e cansado, não restou registrar um Boletim de Ocorrência contra a prefeitura e intrusos. Há um mês alguém foi enterrada no que ele diz ser seu e cuidado desde 1991. A família do de cujos não possui documentação, mas a prefeitura conseguiu fazer confusão para duas famílias. E como sempre, quer tudo abafado, sem solução.. Acorda, Gaspar!

BlumenaL


Para os belchiorenses, luisalvenses e blumenauenses, Blumenau agora nas placas no Belchior Central é grafada com “L”, ou seja, Blumenal. Menos mal. Anos atrás, outra placa defronte as Linhas Círculo nos enviava para Gabiroba, inexistente por aqui.

TRAPICHE

A poção milagrosa. Ontem morreram mais nove por Covid-19 em Santa Catarina. Itajaí lidera os infectados no estado (1.318) e tem já 27 mortes registradas, um a menos de Joinville – quatro vezes mais populosa - que lidera este triste ranking com 28 falecidos por covid.

Pelo jeito, o prefeito e Itajaí que é médico, Volnei Morastoni, MDB, que já foi PT, e inventor de uma poção mágica alavancada por seus marqueteiros de campanha – os mesmos de Gaspar – não deu muito certo. Ela supostamente aumentaria a imunidade da população de Itajaí numa campanha da salvação. Os números, frios, desmentem a eficácia na jogada e da poção.

A prefeitura de Gaspar não quer que seus funcionários leiam o portal Cruzeiro do Vale, o mais acessado de Gaspar e Ilhota. Acham-no perigosíssimo e subversivo serem bem informados dos bastidores do poder de plantão. Só tem valor a propaganda oficial para estimular os cabos eleitorais empregados.

Por isso, os servidores estão preferindo a leitura do portal Cruzeiro do Vale via o 4G. Ele burla à censura eletrônica e os programas espiões que controlam os acessos dos servidores pela rede da prefeitura a outros sites. No 4G de cada um, nada passa pelo sistema da prefeitura e os servidores continuam bem informados sobre a cidade e as jogadas do paço.

A coluna da sexta-feira apresentei o candidato do PL, o engenheiro e ex-vereador Rodrigo Boeing Althoff. Ela foi parar no facebook do jornal. Lá os comissionados e com funções gratificadas, em peso, declararam voto em Kleber Edson Wan Dall, MDB. E podia ser diferente?

Outros, mesmo desmascarados, preferiram desqualificar o jornal, a coluna e o colunista. Três coisas então ficaram claras: a função dos comissionados é eleitoral na prefeitura; o PL não tem uma milícia digital mínima para defender ao mínimo as ideias do seu candidato; e que na falta, por enquanto, de defeitos graves do Rodrigo, servem os meus, incluindo os erros de português.

Um discurso que vai colar. Até o candidato do PSL, Sérgio Luiz Batista de Almeida, na rádio 89,7 FM, disse que se eleito, vai diminuir o salário dele, do vice, dos secretários e comissionados. Sérgio acha absurdamente alto, principalmente nesta crise econômica provocada pela Covid 19.

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, recebe um dos mais altos salários de prefeitos de Santa Catarina: R$27.356,69. Ele finge que a crise econômica não é com Gaspar.

Os vereadores também se enrolam no projeto apresentado por Roberto Procópio de Souza, PDT. Ele prevê a redução de 20% por apenas dois meses dos salários deles para dar ao fundo de combate o Covid-19.

Nas redes sociais, contudo, os puxa-sacos do prefeito Kleber e os do poder de plantão, acham que o salário do prefeito, pela lei, não pode ser reduzido, pois se fosse permitido, ele já teria feito. Risível! Gente doida. Em que lei os outros prefeitos que reduziram o seu salário temporariamente, se basearam? Resumindo, quem quer faz. Os três artigos de hoje mostram que Kleber fez o que não podia, mas deu um jeito de tornar bom perante a lei.

O presidente do DEM de Gaspar, Paulo Filippus, que já foi MBL doente, agora é seu crítico implacável. Ao invés de arrumar briga por aqui onde diz que será candidato a vereador, continua nas redes brigando e sendo bloqueado por seus ex-ídolos do MDL, porque se negam ser gado bolsonarista.

Em Gaspar, os bolsonaristas vivem se engalfinhando. Como não conseguiram montar o tal Aliança pelo Brasil, partido do clã Bolsonaro, cada um escolheu o seu caminho: DEM, PL e PSL. E de suas trincheiras estão apontando defeitos mútuos e disparando um contra o outro. A esquerda do atraso e o poder de plantão estão agradecidos com essa briga da direita, conservadores e liberais. Meu Deus!

Você sabia, que a prefeitura de Gaspar suspendeu os convênios que mantinha com a Agapa – Associação Gasparense de Proteção aos Animais e clínicas daqui para a castração cães e gatos de rua, uma política que visava conter o aumento desta população e os problemas graves de saúde ela causa às pessoas, principalmente em regiões vulneráveis?

O acesso ao moro do Parapente em Gaspar está fechado. Fechou-se aos seus pés também e temporariamente, um conhecido ponto de consumo de drogas durante a noite. Uma ação que poderia ter sido feita há anos, mas...

Na semana passada em Gaspar, mais uma vez, se provou que à mulher de César não basta ser honesta, mas precisa aparentar isso, sem qualquer mínima chance de questionamento. No poder de plantão em Gaspar, parece cada vez mais, que isso não é uma regra de ouro.

O poder de plantão e o MDB de Gaspar fingem não ser com eles, a notícia que se espalhou na cidade como o fedor de latrinas públicas, onde a mulher de um secretário do governo de Kleber Edson Wan Dall, do MDB histórico, com salário bruto superior a R$12 mil mensal, recebeu indevidamente R$600 líquidos de auxílio emergencial, como atesta o Portal da Transparência do governo Federal.

Esperava-se, de pronto, ser um mal entendido com a respectiva ação de esclarecimento e atitudes imediatas dos envolvidos bem como os que se apoiam politicamente no poder de plantão. Esperava-se por exemplo que se dissesse que os R$600 foram disponibilizados indevidamente, ou que nada tinha sido depositado na conta da titular, e que mesmo assim, visto este ato indevido, já teria sido devolvido ao governo Federal para uso adequado, com as devidas desculpas.

Mas nada, até o momento! Pior, trama-se culpar os que divulgaram este assunto. O imediato esclarecimento, além de necessário, seria um gol de placa a favor de Kleber, do secretário, do MDB, da mulher que já exerceu funções públicas, e ao mesmo tempo, estancaria qualquer mal-entendido. Faria do limão uma limonada, como se diz no popular. Mas, Kleber continuou sendo Kleber. E o MDB de Gaspar, igualmente.

Questionada, a prefeitura via a assessoria de imprensa, não negou o fato - e que se esperava -, mas disse como se posicionará a respeito sobre o assunto: não é com Kleber e nem com o governo dele. Será? Talvez não seja diretamente, mas o que está em jogo é a imagem tanto do prefeito, do governo cheios de partido, e do MDB, às vésperas das eleições, todos cheios tantos desgastes. A associação é inevitável.

Só Kleber e os seus "çabios" não conseguem enxergar isso. Estão esticando a corda e faz tempo neste sentido. Todos eles tratam os cidadãos e cidadãs pagadores de pesados impostos como tolos e os eleitores como gente a ser enganada, não esclarecida.

A verdade é o seguinte. O tempo trabalhou contra a má decisão. Agora, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. O tempo de esclarecer já passou. E por que? O poder de plantão e Kleber acham, mais uma vez, que o assunto será esquecido. Não será, principalmente nos dias de hoje com tanta gente espreitando o governo e com uma eleição batendo às portas, onde o governo Kleber faz o que quer e quando quer sobre fatos que lhe incomodam.

A cabeça que Kleber e os seus, enfiaram no buraco neste e outros assuntos - como o que originou a CPI das irregularidades da Rua Frei Solano - achando que a população não está sendo informada naquilo que rola no poder de plantão e que será tudo esquecido, é mero desejo.

As informações, e principalmente os memes, ficarão nas redes sociais e vão ser ressuscitadas em hora apropriada – vésperas das eleições - por gente com espírito de guerrilha. E se o que aconteceu em outubro de 2018 valer ainda, o cansaço dos eleitores e eleitoras será demonstrada em falta de votos nas urnas eletrônicas para gente complicada.

Oficialmente, a contragosto pois não desejava este questionamento, a prefeitura disse ao Cruzeiro do Vale: "A Prefeitura não vai se manifestar oficialmente a respeito por se tratar de um ato de uma pessoa ligada a um servidor, mas que não tem vínculo direto com a administração". A bomba relógio está armada.

Na segunda-feira passada, convidado, participei da live do PSL de Gaspar. Estavam presentes o os presidentes do PSL, Sérgio Luiz Batista de Almeida, que se diz pré-candidato a prefeito; o presidente do Patriotas, Marciano da Silva (já foi do PSL) e o radialista Rudinei Cavalheiro.

O tema era “alternância de poder”. Mas, ele ficou quase em segundo plano, pois a minha presença despertou outras curiosidades devido, principalmente ao meu modo recluso. Mas, a alternância de poder eu a defino na frase do português Eça de Queiroz (1845-90) e dita na live: políticos e fraldas devem ser trocadas de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.

Alguns, como o empresário Osnildo Moreira, que já esteve no ambiente público como comissionado, surpreenderam-se como eu tentei me igualar a todos. E por que? Entendo os que sabem tudo, estão prestes à morte, exatamente por perderem à capacidade de absorverem as novidades, o contraditório e à inovação. “A Vida é tão curta, o ofício de aprender tão longo”, escreveu o pai da literatura inglesa, escritor, filósofo e diplomata Geoffrey Chaucer (1.333 -1400).

Enfim. Uma live programada para uma hora (um tempo bem apropriado para não ser cansativa), se estendeu por mais alguns outros 20 minutos. Foi boa, principalmente para que eu pudesse sair do casulo e mostrar que ainda estou atualizado, apesar do casulo. Em tempo, a participação na live do PSL, não significou nenhum alinhamento, mas apenas uma gentil aceitação de convite, confesso, raro de ser aceito.

A Ditran com os olhos fechados para os seus. É comum, que fornecedores de materiais para o Centro Administrativo da prefeitura estacionem na contramão para a carga e descarga no local. Tudo sob as vistas grossas dos agentes da Ditran. Acorda, Gaspar!

 

Comentários

Herculano
25/06/2020 16:37
da série: o poder é transformador. Ele nos desmente e nos deixa nus. Ou seja, o tempo é o senhor da razão.

EM 2017, AO LADO DE FLÁVIO, BOLSOANRO CRITICOU FORO PRIVILEGIADO

Conteúdo de O Antagonista. Em 2017, Jair Bolsonaro divulgou um vídeo em que, ao lado do filho Flávio, criticava o foro privilegiado - o mesmo que o 01 acabou de ganhar em decisão sobre o caso Fabrício Queiroz no TJ do Rio.

No vídeo - repostado na conta de Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2019, com Bolsonaro já presidente -, o então deputado federal critica a intenção de colegas de se reelegerem só para se manterem protegidos pelo foro especial. Também afirma que não quer "essa porcaria de foro privilegiado".

Na época, Bolsonaro era réu no STF por ter dito que Maria do Rosário "não merecia" ser estuprada porque era "muito feia" - o presidente foi condenado a pagar R$ 10 mil por danos morais à deputada petista.
Herculano
25/06/2020 16:31
QUEM TEM MEDO DE ELEIÇõES EM GASPAR?

Eu respondo na coluna desta sexta-feira feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo, com 30 anos na liderança em circulação em Gaspar e Ilhota.
Herculano
25/06/2020 16:29
COMPETIÇÃO

Será que Gaspar finalmente vai superar Blumenau? O placar dos mortos por Covid-19 está três a seis Em população uma possui 70 mil almas (vivas) e outra 350 mil. Proporcionalmente, já superou.
Herculano
25/06/2020 11:52
OS DOIS MEDOS NO ATUAL SILÊNCIO OBSEQUIOSO DE BOLSONARO: WASSEF E MÁRCIA, por Reinaldo Azevedo, no UOL

Quem tem Fabrício Queiroz como amigo tem medo. E quem tem Frederick Wassef como ex-advogado, convenham, também.

Jair Bolsonaro, no momento, conta com duas fontes de preocupação. Além de Fabrício, o ex-faz-tudo do agora senador Flávio Bolsonaro, há também o advogado, que já deu mostras eloquentes de ser vaidoso e meio falastrão. Gente assim pode ser perigosa se sente o ego ferido.

Já deu para perceber o peso que tem na moderação do discurso presidencial a questão, não é mesmo? Até a prisão de Fabrício, Bolsonaro dava uma solene banana para a crise e dedicava seu tempo livre - que parece ser imenso - a uma guerra com os outros dois Poderes da República - muito especialmente com o Judiciário. E lá vinha ele, dia após dia, com a conversa mole do golpe, no que era secundado, ainda que com um pouco mais de cuidado, pelos generais do Planalto.

Mas Fabrício Queiroz o fez engolir a língua. Afinal, o amigo do presidente tem uma preocupação adicional: sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar, com prisão preventiva decretada, é hoje uma foragida. Queiroz leva todo jeito de que é resiliente, de que pode tentar agasalhar o foguete, preservando Bolsonaro, Flávio e assemelhados. Mas ninguém tem a mesma certeza sobre Márcia. Enquanto estiver solta, é um problema. Se presa, idem. Não existe alternativa boa para o presidente e sua família.

WASSEF

Com Frederick Wassef, a preocupação não é menor. Vê-se que ele jamais morreria por síndrome de abstinência de vaidade. Só não repitam por aí que seus ternos são bem cortados. Ah, isso nunca! O problema é que o doutor, mesmo sendo um criminalista, está se enrolando cada vez mais.

Deixar a defesa de Flávio, como fez, não resolve nada. Confrontado com o fato de que Fabrício se escondia em sua casa, Wassef deveria, de cara, ter admitido que, bem..., sim, deu abrigo ao homem e ponto. E sustentaria, ainda que ninguém acreditasse, que Flávio nada tinha com isso.

Fez a segunda parte, ninguém acreditou, mas insistiu na conversa, contra todas as evidências factuais, de que não hospedava Fabrício, de que este estava lá de passagem, de que ignorava que sua casa servia de esconderijo para o sumido.

Ora, como ele mesmo lembrou, não havia mandado de prisão contra Fabrício. Isso, por si, não configurava crime nenhum. Ocorre que há agora a curiosidade para saber por que o homem se escondia em Atibaia e por que Wassef contou uma lorota impossível de sustentar. De resto, apareceu uma nova personagem, entrevistada nesta quarta pelo Jornal Nacional: Ana Flávia Rigamonti.

Começou a trabalhar na casa em que se escondia Fabrício, considerado um escritório de Wassef, em maio de 2019. Conviveu, desde sempre, com o ex-assessor de Flávio e com Márcia, que volta e meia passava por lá. Não se sabe qual era sua tarefa. Ela nega que fosse uma espécie de vigia de Fabrício a serviço de Wassef.

Informa o Jornal Nacional:

Em uma mensagem interceptada pelos investigadores, a mulher de Queiroz pede que a filha avise Ana que ela e o marido estavam a caminho de São Paulo. Neste mesmo dia, a filha de Márcia enviou à mãe a resposta de Ana: "Pode ficar tranquila que não falo nada, não".

Já em outro diálogo registrado em novembro de 2019, o filho de Queiroz mandou para Márcia uma mensagem de áudio encaminhada por Ana, em que ela afirma que não teria comentado com o "Anjo" sobre uma viagem de Queiroz e de Márcia, pedindo que "se ele questionar alguma coisa, vocês falam que foi agora".

Ao JN, Márcia nega que tratasse Wassef por "Anjo". Indagada se, na convivência com Fabrício e Márcia, a palavra foi usada para designar o advogado, afirmou: "Bom, essa pergunta eu prefiro não responder." Também disse não saber se seu chefe e o ex-assessor de Flávio se encontraram. Reitere-se: a casa estava registrada como um escritório, mas não funcionava como tal.

O que leva pânico a Bolsonaro e sua família? Se aparecer alguma coisa da pesada contra Fabrício, praticada no tempo em que Wassef lhe dava abrigo, a coisa pode esbarrar no doutor. O risco está em o homem vir a ser preso caso o ex-faz-tudo de Flávio tenha aprontado alguma em que ele possa figurar como cúmplice.

Essa espécie de torpor silencioso de Bolsonaro, assim, tem dois nomes: Márcia Oliveira Aguiar e Frederick Wassef. Nem mais de ameaçar o país com golpe de Estado o presidente se lembra. O medo comeu a sua língua, o que, em si, é bom. Esse medo, por ora, o faz ser prudente.
Miguel José Teixeira
25/06/2020 11:36
Alô Gilberto, demais Membros da a Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina - seccional de Ilhota e apreciadores de uma boa leitura:

A Crônica da Cidade e A paixão da leitura
por Severino Francisco, hoje no CB

Em tempos de pandemia, quem pode ficar em casa está lendo muito. Por isso, esta coluna conseguiu uma entrevista mediúnica exclusiva com a magnífica escritora inglesa Virginia Woolf. O tema é a paixão da leitura. Ouçamos a sua voz elegante e certeira.

Qual é a nossa obrigação como leitores?

Ler é uma arte muito complexa. E nossas obrigações como leitores são muitas e variadas. Mas, talvez, se possa dizer que a nossa primeira obrigação para com um livro é que devemos lê-lo pela primeira vez como se o estivéssemos escrevendo.

Não é uma atitude demasiadamente complacente?

Nossa primeira obrigação como leitores é tentar entender o que o escritor está fazendo, desde a primeira palavra com que compõe a primeira fase até a última com que termina o livro. Não devemos lhe impor nosso plano, não devemos tentar fazer com que sua vontade se conforme à nossa.

Ler pode ser, em alguns casos,pensar contra si mesmo?

Os grandes escritores exigem que façamos frequentes e heroicos esforços para lê-los corretamente. Eles nos vergam, eles nos quebram. Ir de Defoe a Jane Austen, de Hardy a Peacock, de Richardson a Rudyard Kipling é ser torcido e retorcido, é ser jogado violentamente para um lado e para outro.

Mas onde fica a postura crítica do leitor?

Ler, como sugerimos, é um ato complexo. Não consiste simplesmente em estar em sintonia e compreender. Consiste, também, em criticar e em julgar. O leitor deve baixar o banco dos reús e se acomodar na poltrona de juiz. Deve deixar de ser amigo: deve se tornar juiz.

Qual o mérito do leitor? Para que ler tantos livros?

Nós estamos fazendo a nossa parte como leitores no processo de colocar obras-primas no mundo. Essa é uma das razões para se ler livros ?" estamos ajudando a trazer bons livros ao mundo e a tornar os ruins impossíveis.

Mas essa seria a razão principal da leitura? O que motiva a ler é apenas um apelo intelectual?

De fato, essa não é a real razão. A real razão continua inescrutável: a leitura nos dá prazer. É um prazer complexo e difícil; varia de época para época e de livro para livro. Mas ele é suficiente. Na verdade, o prazer é tão grande que não se pode ter dúvidas de que sem ele o mundo seria um lugar diferente e muito inferior ao que é. Ler mudou, muda e continuará mudando o mundo.

De que maneira?

Quando o dia do juízo final chegar e todos os segredos forem revelados, não devemos ficar surpresos ao saber que a razão pela qual evoluímos do macaco ao homem e deixamos nossas cavernas e depusemos nossos arcos e flechas e sentamos ao redor do fogo e ajudamos os doentes, a razão pela qual construímos, partindo da aridez do deserto e dos emaranhados da floresta, abrigos e sociedades, é simplesmente esta: nós desenvolvemos a paixão da leitura.
Miguel José Teixeira
25/06/2020 11:16
Senhores,

Tempos & Movimentos

O recado do MP a Bolsonaro
(fonte: Correio Braziliense, hoje, Brasília-DF)

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro foram alertados de que a vitória dos opositores do procurador-geral, Augusto Aras, para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) esta semana deve ser vista como um sinal de preocupação para o Planalto. Composto por 10 subprocuradores, o CNMP julga a atuação dos procuradores e é quem dá as diretrizes dentro da PGR. Embora os procuradores tenham independência, dali costuma sair o balizamento do trabalho desses profissionais.

A eleição de Nicolau Dino e Mário Bonsaglia para o CNMP, adversários de Aras, significa que qualquer passo em falso a favor do governo poderá ter reflexos. Nesse sentido, quem trabalha para evitar a crise institucional promete prestar mais atenção a cada movimento do CNMP.
Herculano
25/06/2020 09:49
PERGUNTAR É NECESSÁRIO. PARA QUE MESMO SERVE A UTI DE COVID 19 NO HOSPITAL DE GASPAR?

Este é o texto chamada do portal Cruzeiro do Vale, ao anunciar a morte do terceiro morador daqui.

"Trata-se de uma mulher de 62 anos, que faleceu na noite de quarta-feira, dia 24 de junho. A vítima estava internada em um leito clínico do Hospital de Gaspar desde o dia 22 de junho. Na quarta, dia 24, ela chegou a ser transferida para a UTI, mas não resistiu às complicações causadas pela doença e faleceu".

VOLTO

Esclarecedor. Poderia encerrar por aqui, mas...

Já escrevi várias vezes que uma UTI no Hospital de Gaspar não é esperança, nem a solução para a vida e a recuperação de doentes. É preciso antes, melhorar todo o Hospital.

O corpo clínico sabe disso, mas não quer a questão discutida publicamente, porque supostamente afeta a credibilidade deles e do Hospital. Afugenta, argumenta-se matreiramente, os supostos doadores para um Hospital mal gerenciado e sem transparência para aquilo que é publico, pois está sob intervenção do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Ele já trocou de gestão quatro vezes em três anos e meio. Ou seja, o doente é próprio Hospital nas mãos de políticos. Pede-se para a imprensa ficar calada. Mas, como?

Só para lembrar. O primeiro paciente internado na UTI de Covid do Hospital de Gaspar, não a possuía. Diagnosticou-se que era pneumonia. Desta vez...
Miguel José Teixeira
25/06/2020 09:24
Senhores,

"9,7 milhões de bolsos vazios Pnad Covid-19 mostra que, num universo de 19 milhões de trabalhadores afastados das suas atividades por causa da pandemia, mais da metade não obteve qualquer rendimento em maio. A retomada econômica será lentíssima

A pandemia do novo coronavírus deixou 9,7 milhões de brasileiros sem salário em maio. São trabalhadores que perderam renda, seja porque tiveram o contrato suspenso ou porque não puderam manter suas atividades informais, diante das medidas de isolamento social impostas pela covid-19. Os dados são da Pnad Covid-19, apresentada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, o Brasil tem, atualmente, 84,4 milhões de trabalhadores, porém 19 milhões estavam afastados das atividades profissionais em maio, em grande parte por conta da pandemia. E mais da metade desses 19 milhões (51,3%) foi afastada sem nenhuma contrapartida financeira, o que os levou a ficar sem remuneração no mês passado.

"Nós já sabíamos que havia uma parcela da população afastada do trabalho e, agora, a gente sabe que mais da metade dela está sem rendimento", comentou o diretor adjunto de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo.

Mas mesmo quem continuou trabalhando corre o risco de receber menos. É que 18,3 milhões de pessoas disseram trabalhar menos do que a jornada habitual, segundo o IBGE. Por isso, a média semanal de horas efetivamente trabalhadas no país caiu de 39,6 horas para 27,4 horas em maio. E isso derrubou em 18,1% o rendimento efetivo do profissional, que saiu de R$ 2.320 para R$ 1.899 no mês passado. Por isso, a massa de rendimentos gerada no país ficou abaixo dos R$ 200 bilhões.

Esses números mostram que as medidas de flexibilização trabalhista anunciadas pelo governo durante a pandemia ?" como a MP 936, que permitiu a suspensão do contrato e a redução da jornada de trabalho ?" podem ter evitado uma explosão da taxa de desemprego. Mas não conseguiram conter uma queda da renda e do poder de compra dos trabalhadores, o que pode dificultar o processo de retomada da economia.

Pior: não há garantias sobre o controle da taxa de desemprego, hoje em 10,7%. As empresas ainda podem efetuar demissões, levando esse percentual a mais de 15%."

Fonte: MARINA BARBOSA, hoje no Correio Braziliense

Todos na mesma tormenta.

Porém, em barcos diferentes.

Muitos, atormentados.

Alguns, atormentando ainda mais os atormentados: homens públicos locupletando-se da pandemia e descendo ao inferno da mesquinharia para pegar o auxílio emergencial. Essa maldita horda desconsiderou olimpicamente a máxima:

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mateus 26:41)
Miguel José Teixeira
25/06/2020 08:24
Senhores,

"...essa nuvem de gafanhotos tem tudo para entrar na conta do governo." (CH abaixo)

E, seguramente entrará sim! Para tanto, basta o "capitão zero-zero" atabalhoadamente atabalhoado, alegar que se trata apenas de uma "nuvenzinha de insetos". Pronto. Caixão pro Billy. . .

Mas, felizmente o MAPA vem monitorando esse perigosíssimo fenômeno.
Herculano
25/06/2020 08:05
A INCRÍVEL CEGUEIRA AMBIENTAL DE BOLSONARO, por Herculano Domício

O Brasil, segundo o FMI, vai ter um PIB negativo de 9% este ano. Aqui, os economistas e o BC ainda cravam apenas 6% de queda.

Poderia ser pior e beirar ao desastre se não fosse o agronegócio. O PIB desse setor vai positivo, ampliado na irrigação da renda interna com o dólar alto e que retorna mais em riqueza e tributos.

Mesmo assim, a permissão para o desmatamento ou a falta de controle dele consentido pelo governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, vai diretamente contra este filão de negócios do Brasil no exterior para os brasileiros.

Hoje, os mercados exigem rastreabilidade e certificação de origem dos produtos agrícolas e pecuários. Entre tantas exigências, está o que prova não ser o produto a venda e para consumo no exterior, vindo de áreas degradadas, ou desmatadas irregularmente, ou griladas etc.

Se isso não fosse pouco, os investidores que se estabelecem em fundos bilionários espalhados pelo mundo, avisaram que não vão destinar dinheiro ao Brasil - como não destinam a outros - se a política ambiental, ou principalmente, a falta dela, não mudar por aqui.

E o Brasil para retomar o crescimento/desenvolvimento e dar milhões de empregos nas cidades, precisa de investimentos, privatizações e parcerias privadas cujos recursos financeiros estão, exatamente, concentrados nesses fundos.

E se isso fosse pouco, o agronegócio de verdade, e que conheço razoavelmente, é contra o que faz o governo Bolsonaro - a quem apoiou quase incondicionalmente e não esperava esta barbeiragem - contra a imagem de uma área reconhecida - e invejada - no mundo inteiro como competitiva não apenas comercialmente, mas principalmente no manejo, na logística, na ciência e na tecnologia.

É incrível como o atual governo por burrice estratégica, teimosia e até ideologia, trabalha contra o Brasil, exatamente naquilo que vai lhe salvar em tempos de pandemia e na retomada da recuperação econômica. Wake up, Brazil!

Herculano
25/06/2020 06:48
OLHA A MÁSCARA, GENTE!

É impressionante como as pessoas não estão nem aí, para a prudência mínima para aquilo que é desconhecido, invisível e até pode matar.

A máscara, cobrindo boca e nariz, é o mínimo, apesar de inconveniente.

Em Gaspar e Ilhota, testemunha-se gente por todos os lados sem máscaras, aglomerada e sob os mais variados pretextos, inclusive em ambientes internos e públicos. Impressionante.

Isso não vai dar certo. Os sistemas de saúde público e privado não vão dar conta dos contaminados. Pior, tudo isso vai trazer mais desemprego e falências, além da dor, simples assim!

O que faltam? Respeito à própria vida e a dos outros, consciência de que não é uma gripizinha e até, educação.
Herculano
25/06/2020 06:19
CAPA DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO

STF impede Estados e municípios de cortar salário de servidores
Herculano
25/06/2020 06:17
FLÁVIO BOLSONARO TENTA SE BLINDAR NO TJ DO RIO DE JANEIRO

Conteúdo de O Antagonista. Flávio Bolsonaro, hoje à tarde, vai tentar se livrar do juiz Flávio Itabaiana.

O pedido para afastá-lo do inquérito da rachadinha será julgado às 13 horas, no TJ do Rio de Janeiro.

"As apostas entre os que acompanham o caso sinalizam para um placar de dois a um", diz O Globo.

"A desembargadora Suimei Cavalieri, em decisões recentes, tem demonstrado uma tendência contrária aos pleitos dos advogados dos envolvidos no esquema da rachadinha (...).

O desembargador Paulo Rangel, por outro lado, já se pronunciou, durante uma das sessões, favoravelmente à tese de que o filho do presidente tem direito à foro no ?"rgão Especial. A posição de Mônica Toledo é uma incógnita. Ela, porém, também votou contrariamente aos outros pedidos da defesa até aqui.

Esse recurso representa a nona vez que o senador tenta parar o caso."
Herculano
25/06/2020 06:13
A DEMOCRACIA NÃO DEVE CONVIVER COM A VIOLÊNCIA E O MEDO, por Fernando Schüler, professor do Insper e curador do projeto Fronteiras do Pensamento, no jornal Folha de S. Paulo.

O STF erra ao tomar opinião como delito, assim como o governo ao tentar enquadrar charge na Lei de Segurança Nacional

Talvez não devesse, mas me surpreendo que o tema da liberdade de expressão tenha se tornado central em nosso debate. Joel da Fonseca definiu bem a questão: devemos punir ideias agressivas e violentas? Sua resposta é negativa e veio com uma provocação: "me preocupo mais com a 'justiça' das redes do que com as falas violentas que ela busca punir".

Minha resposta também é negativa. Ela vem na trilha da primeira emenda americana. Me parece também a linha de Hélio Schwartsman dizendo que a democracia aceita "quaisquer críticas, em quaisquer termos, mas não admite ações concretas com o objetivo de subjugá-la".

O debate me fez voltar ao inquérito das fake news, conduzido pelo Supremo. Muita gente que respeito me diz não ver ali nenhum problema e que o ponto é simplesmente dar um basta a este "bando de fascistas". Há quem pense diferente. No mínimo a falta de clareza sobre o que exatamente se está pretendendo punir.

Resolvi conferir com um pouco mais de detalhe. Voltei ao documento em que o ministro relator do inquérito apresenta sua lista de "mensagens ilícitas" exemplificando como atua a "associação criminosa" que se investiga.

São 25 mensagens. Três delas trazem referência a intervenção militar ou coisa do gênero ("passou a hora de contarmos com as forças armadas!", me pareceu a mais dura); seis delas usam termos de baixo calão e xingamentos ("canalhas", "vagabundos", "crápulas) e 16 não passam de opinião política mais ou menos contundente.

Metade dirige-se não apenas ao Supremo, mas a outros Poderes e lideranças, ou simplesmente às instituições.

A que conclusão devemos chegar? O primeiro ponto é não julgar essas coisas a partir do gosto pró ou contra o governo. Se alguém quer fazer isso, boa sorte. De minha parte, não faço.

Se o STF erra ao punir opinião, erra também o governo ao tentar enquadrar na Lei de Segurança Nacional uma charge associando o presidente à suástica nazista. A pergunta é sobre direitos. Sobre nossa capacidade de separar o que é um crime e o que é retórica odiosa ou ideias que julgamos politicamente insuportáveis.

Vamos repetir: dois terços das "mensagens ilícitas" citadas no inquérito não passam de opiniões (dessas que a internet anda abarrotada) sobre o STF e as instituições.

Podemos fazer de conta que não, mas é evidente que há um problema aí. Não acho que isto expresse os limites que desejamos para a liberdade de expressão em nossa democracia. Não me refiro a ameaças de "estuprar" ou "enforcar" quem quer que seja. A lei brasileira é bastante clara sobre como lidar com essas coisas.

Me refiro exclusivamente ao tema da opinião. Individual ou organizada, não importa. Opinião de grupos mais ou menos articulados, visto que é um direito que pessoas de esquerda ou de direita se organizem, combinem "levantar" hashtags para defender as ideias (corretas ou não) que julgarem conveniente defender.

Penso que o Brasil tem uma Suprema Corte da qual deve se orgulhar, por muitas razões. Mas talvez lhe esteja faltando um exercício de autocontenção. Considerar que ministros cumprem uma função pública e estão sujeitos à crítica pública. Da mesmíssima forma que as demais autoridades da República.

E mais: no contexto de uma sociedade que tende sistematicamente a abusar da palavra. Pelo excesso, pelo grotesco, pela irresponsabilidade. E para tudo isso encontra um antídoto: a irrelevância.

A democracia não pode conviver com a ameaça direta e objetiva de violência. Mas igualmente não deve conviver com o medo. O medo de exercer a crítica, por ácida e contundente que seja.

Não deveríamos deixar que a paixão política, que por vezes parece a única variável orientando o debate público, obstrua nossa defesa dos direitos mais elementares. Direitos dos quais, tenho certeza, a maioria de nós não gostaria de abrir mão.
Herculano
25/06/2020 05:59
SENADO VOTA 'LEI DAS FAKE NEWS' SEM DISCUTIR PROJETO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), confirmou para esta quinta-feira (25) a votação da "lei das fake news" ou "Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet". O detalhe é que, nesta quarta, a menos de 24 horas dessa votação que Alcolumbre chamou de "histórica", não havia nem sequer existia o relatório final com o texto, que deverá ser votado, sem qualquer debate com a sociedade.

LIBERDADES EM JOGO

Há indícios de que o texto a ser votado sem discussão, a pretexto de combater crimes como fake news, tenta limitar a liberdade de expressão.

CONTRA A MENTIRA

É preciso mesmo combater a desinformação e as mentiras, aliás muito comuns entre políticos, mas não se pode violar direitos fundamentais.

FANTASIA AUTORITÁRIA

Controlar a internet é uma antiga fantasia de políticos e governantes, da esquerda à direita. Nos EUA, Donald Trump já ameaçou fazer isso.

POR QUER ESCONDER?

A Associação Brasileira de Internet (Abranet), de mais de 300 empresas, manifestou em nota sua apreensão com o texto que não se conhece.

COTADO PARA O MEC ACUSADO DE LIGAÇÃO AO KROTON

Assessor especial do ex-ministro Abraham Weintraub, o advogado Sergio Cabral Sant'Ana, cotado para o cargo de Ministro da Educação, é questionado por suas ligações com o grupo Kroton, um dos maiores do setor educacional privado. Sant'Ana é um dos poucos que permaneceu na pasta, apesar da demissão do ex-chefe, e não é considerado "contaminado" pela péssima imagem deixada por Weintraub no MEC.

LIGAÇõES

Sant'Ana trabalhou com Kathleen Matos na Secretaria de Regulação do Ensino Superior do MEC. Ela foi denunciada à Comissão de Ética.

CAPTURA

Matos foi denunciada pelo PSOL, que viu em sua nomeação "potencial captura do órgão regulador pelo ente regulado". Mas isso não prosperou.

INTERESSADOS

Sant'Ana representou Weintraub em eventos oficiais e tem o apoio da deputada Carla Zambelli (PSL-DF) e do vereador Carlos Bolsonaro.

FEDER PISOU NA BOLA

No Planalto, pegou muito mal a entrevista de Renato Feder, secretário de Educação do Paraná ao Jornal Nacional. Estabeleceu a dúvida sobre sua escolha para ministro da Educação. "Ele colocou a cabeça de fora demais" ao falar um veículo que o governo considera "de oposição".

MEU PIRÃO PRIMEIRO

O Supremo finalmente decidiu, pós 16 anos de banho-maria, que reduzir carga horária e salário de servidor é "inconstitucional". O País que se estrepe para bancar a farra. E suas excelências não admitem críticas...

TANTO FAZ

Há uma torcida de partidos de oposição para que o ministro Celso de Mello (STF) imponha depoimento verbal de Jair Bolsonaro à Polícia Federal. Não faz diferença: o presidente já disse que "tanto faz". Mas ele tem a prerrogativa de depor no local e data que escolher e por escrito.

DEIXA SAUDADES

Pioneiro da capital, o médico e empresário Arnaldo Cunha Campos faleceu em Brasília nesta quarta-feira (24), vítima de complicações provocadas pelo covid19. O País perdeu um grande brasileiro.

IDEIA FIXA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que 18,6 milhões de pessoas tornam o Brasil o País com o maior número de ansiosos. Já o mal da OMS é transtorno obsessivo compulsivo contra o Brasil.

MEU PIRÃO COMPLETO

Ao contrário da iniciativa privada, que se vira para pagar as contas sem penduricalhos e auxílios, principalmente em tempo de pandemia, o STF entendeu ser inconstitucional reduzir jornada e salários de servidores.

SAIU DA PRATELEIRA

Presidente da CCJ, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) comemorou a votação do marco do saneamento. Segundo ela, para cada mil crianças nascidas, 14 não chegam a 5 anos de idade por falta de saneamento.

VIOLÊNCIA APROPRIADA

Pesquisa Ipsos revela que o apoio a protestos após a morte de George Floyd é maior aqui (76%) que nos EUA (75%). O problema é que 40%, aqui, acham que protesto violento é "resposta apropriada". Lá são 24%.

PENSANDO BEM...

...essa nuvem de gafanhotos tem tudo para entrar na conta do governo.
Herculano
25/06/2020 05:51
ROUBA, MAS É POUCO, por Mariliz Pereira Jorge, no jornal Folha de S. Paulo

O apoio ao clã presidencial pode evoluir para 'rouba, não faz nada, mas e daí?'

Impressiona, ainda que não surpreenda, o contorcionismo dos apoiadores do governo para empacotar a corrupção como um mal menor diante da prisão de Fabrício Queiroz e da possibilidade de o primeiro-filho, o senador Flávio Bolsonaro, ter o mesmo destino.

Corrupção, confirmamos mais uma vez, nunca foi a razão para eleger um sujeito ignóbil como Jair. Fosse isso, bolsonaristas não defenderiam agora rachadinha como prática aceitável, "porque todo mundo faz", "porque nem se compara ao que o PT ou Sérgio Cabral roubaram". Mesmo para o padrão tupiniquim de lambe-bota de político, essa praga que nos assola, a mítica frase "rouba, mas faz" sofre aqui um duplo twist carpado.

Sabemos que a moral de parte da população é flexível. Bate palmas para tipos como Paulo Maluf, porque construiu pontes e avenidas, embora tenha enchido o bolso com milhões. Defende que partido que tira pobre da miséria não merece crítica nenhuma, apenas redenção, apesar dos comprovados pesares.

De Adhemar de Barros ao PT, o "rouba, mas faz" sempre foi exaltado. Coisa nova na vida política é a defesa apaixonada do "rouba, mas é pouco". Não é pouco e faz falta na educação, na saúde, na segurança.

Bolsonaro tem razão quando diz que os brasileiros deveriam ser estudados. Muitos fecham o nariz e pulam no esgoto do pragmatismo político. Apoiadores do presidente têm demonstrado que podem nadar de braçada nessa imundice ao aceitar rachadinha, contratação de funcionário fantasma, inclusive pelo então deputado Jair, uso de verba pública para financiar atos privados e sites ideológicos, além dos superfaturamentos tão disseminados nos gabinetes parlamentares.

Com um ano e meio de governo, resultados desastrosos em todas as áreas, já sabemos que o apoio ao clã presidencial é irrestrito e pode evoluir até mesmo para o "rouba, não faz nada, mas e daí?"
Miguel José Teixeira
24/06/2020 20:54
Senhores,

"Alexandre de Moraes decide que extremista Sara Giromini pode deixar prisão com tornozeleira eletrônica" (G1)

Huuummm. . .já que ela é dada à lançar grifes, vem aí:

"Tornozeleira Giromini" sara qualquer arroubo subversivo, inclusive de certos saudosistas reformados".

Brasil, em tempos do "FebeapáCoronaEdition". . .
Miguel José Teixeira
24/06/2020 20:14
Senhores,

Título de postagem abaixo:

"SENADO TEM HOJE A CHANCE DE LIMPAR O PAÍS"

Huuummm. . .será que vão auto extinguir-se e criar um parlamento unicameral?

Será que vão extinguir também as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores, ou pelo menos mudar sua formatação?

Acabar com a tal da reeleição? Foros privilegiados, benesses e outros que tais?

Acorda, Miguel! Estamos em pleno pico da 1ª onda da epidemia prestes a sermos atropelados pela 2ª, o que será fatalmente um tsunami!

Pra não dizerem que não teclei sobre Blumenau:

Segundo o Marceneiro e Jornalista Carlos Tonet, FAMILIARES DE 2 (dois) NOBRES EDIS, beneficiaram-se com o "CORONAVOUCHER".

Pura "coronaPaTifaria". . .

Oremos!
Herculano
24/06/2020 20:00
MORRE LAURENTINO SHCMITT, LÍDER E EX-VEREADOR DO DISTRITO DO BELCHIOR

Ele recém completou 96 anos. Laurentino foi acometido de um derrame cerebral e estava hospitalizado. O velório e enterro ainda não estão definidos
Miguel José Teixeira
24/06/2020 18:08
Senhores,

Nivelando por baixo

"Bolsonaro usa helicóptero menos que Lula e Dilma, diz GSI"

(fonte: https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/FMfcgxwJWXVCvWBzhxcCZMkTvhWdSjvc)

Francamente! Utilizar lula e dilma como exemplos é prova cabal de desespero. É explicitar total perda do norte!

Nos meus tempos de ginásio (ooops) diríamos: pedem para ir fazer côco e retirem-se do cenário!
Herculano
24/06/2020 15:06
da série: este texto mostra o tamanho do atraso da gestão do prefeito de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Ele teve três anos e meio para iniciar a implantação de um projeto que já estava pronto e com recursos federais disponíveis para livrar parte de Gaspar da falta de coleta e tratamento de esgotos. Não fez.

SENADO TEM HOJE A CHANCE DE LIMPAR O PAÍS, por Mario Sabino, editor da revista eletrônica Crusoé

Hoje ocorrerá no Senado a votação mais importante para o cotidiano dos brasileiros desde que a telefonia foi privatizada, na década de 1990, o que permitiu que dezenas de milhões de cidadãos pudessem adquirir telefones. Trata-se da votação do novo marco legal do saneamento.

O Brasil ainda tem 30 milhões de pessoas sem água tratada e 104 milhões com esgoto a céu aberto. Sim, praticamente metade da população do país é desprovida de banheiro digno de tal nome. Para além da indignidade, o resultado disso é uma população obrigada a conviver com doenças causadas por vírus e bactérias que poderiam estar praticamente erradicadas e a morte de milhares de crianças pequenas por ano, vítimas de diarreia.

É um quadro literalmente medieval. A falta de saneamento básico mata pessoas, rios, a costa brasileira, emporcalha a paisagem e fere a autoestima de um país que se pretende civilizado. É uma vergonha pútrida.

Assim como no caso da telefonia, a culpa é do estado. A maioria esmagadora das companhias de saneamento - 90% - é estatal, assim como ocorria com a telefonia. Cada unidade da federação conta com uma empresa inchada de ineficiência, que gasta mais com a folha de pagamentos do que com canalizações e tratamento de água e esgoto. É por isso mesmo que os políticos vêm relutando tanto em aprovar o novo marco legal do saneamento: ele prevê que a iniciativa privada possa concorrer de verdade nessa área vital para a saúdes dos brasileiros e do meio ambiente. Com a concorrência, é inevitável que essas estatais encolham - e, se tudo der certo, é possível que até desapareçam. Com a concorrência, haverá mais investimentos e certamente o saneamento básico se tornará universal. Seria uma bênção para o Brasil, mas um desastre para quem mantém as companhias estatais como armários cheios de cabides de empregos para apaniguados. Para essa gente, não importa se milhões de brasileiros adoecem ou morrem, contanto que os seus amigos, familiares e cúmplices de todos os tipos tenham um salário pago com dinheiro público.

A ausência de saneamento básico é, mais do que uma vergonha, um assassinato contínuo perpetrado por gente desonesta e fisiológica contra cidadãos obrigados a viver na sujeira mais abjeta e sofrer com as consequências funestas da falta de água limpa e banheiros como devem ser. Essa situação intolerável ficou ainda mais evidente com a pandemia. Como é possível proteger-se da Covid-19 quando se adoece e morre porque não se tem água e esgoto tratados?

Os senadores têm hoje a chance de limpar o Brasil. Que o texto do novo marco legal seja aprovado por eles, sem que precise voltar à Câmara, porque o país não suporta mais tanta porcaria.
Silvania
24/06/2020 14:40
Prefeitura de Ilhota toda em festa com a exoneração de Paulo Drun da Secretaria de Comércio quem assume agora é outro no mesmo estilo de Drun, Roberto ex prefeito.
Herculano
24/06/2020 11:34
da série: os governos mais parecem privadas públicas, sempre sujas e fedidas.

O que a repórter Juliana Dal Piva, desnuda hoje em O Globo?

Governo suspendeu multa de R$ 27 milhões a consórcio com empresa da ex-mulher de Wassef. Punição aplicada pela Dataprev em 2018 foi revista na gestão Bolsonaro.
Herculano
24/06/2020 11:31
SE O COMUNISMO AMEAÇA O CAPITALISMO NATIVO, NOSSO MAIOR COMUNISTA É BOLSONARO, por Reinaldo Azevedo, no UOL

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente. Saída de Bolsonaro é um pouco mais demorada. Depredador ambiental tem de cair já. Para o bem do agronegócio e do país.

O melhor que o capitalismo brasileiro poderia fazer em favor de si mesmo e do povo seria demitir Jair Bolsonaro. Mas isso não é coisa, se acontecer, que se faça da noite para o dia. Então, por ora, para se preservar de uma encrenca monumental, o país tem de botar na rua o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Já não se trata mais de um risco. A questão chegou ao nível das advertências - e, pois, das ameaças: no caso, é a civilização ameaçando a barbárie, o que não deixa de ser um momento raro na história da humanidade.

A verdade inequívoca é que a política ambiental é a principal fragilidade do Brasil quando este é submetido aos olhos do mundo que interessa. Na toada em que a coisa vai, investimentos externos tendem a ignorar o país, e o setor mais virtuoso de sua economia, o agronegócio, pode sofrer sucessivos golpes em razão da estupidez que reina na área.

A referência da antipolítica ambiental do atual governo não é preservação do meio ambiente somada às virtudes do agronegócio de ponta. Tomam-se medidas para agradar madeireiros ilegais, invasores de terras indígenas e pistoleiros disfarçados de empreendedores rurais.

OS FUNDOS

Nesta segunda, 29 fundos de investimentos que administram a bagatela de US$ 4,1 trilhões (R$ 21,6 trilhões) enviaram uma carta a sete embaixadas brasileiras - EUA, Japão, Noruega, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, França e Holanda - pedindo uma reunião para discutir o desmatamento na Amazônia.

Esses fundos acompanham o que acontece no país em detalhe. O documento especifica até número de expedientes legais que regularizam invasão de área pública e exploração de terra indígena e, ora vejam!, fazem referência explícita àquela intervenção indecorosa de Salles da reunião ministerial macabra do dia 22 de abril.

Segundo o texto, as "declarações recentes do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que usou a crise da Covid-19 a fim pressionar pela desregulamentação ambiental", são um exemplo de "ameaça da desregulamentação das políticas de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos no Brasil".

PARLAMENTARES EUROPEUS

Na quinta, dia 18, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, recebeu uma carta de 29 integrantes do Parlamento Europeu que manifestam a sua preocupação com o que veem como uma escalada no país contra o Meio Ambiente.

Os digníssimos integram a Comissão de Ambiente e comitês que tratam de agricultura e comércio exterior. Sem a concordância, entre outros, do Parlamento Europeu, não existe acordo Mercosul-União Europeia. Vai ver é precisamente isso o que querem os lunáticos que se dizem antiglobalistas. Vai ver o comércio internacional é prejudicial aos tradicionais valores do nosso povo, não é mesmo?

Também nesse caso, a situação é acompanhada com lupa. Os eurodeputados citam como perigo ao meio ambiente e aos direitos humanos o PL 2.633, que trata da regularização de terras públicas invadidas; o PL 3.729, que muda regras de licenciamento ambiental, e o PL 191, sobre extração mineral em terras indígenas.

E, claro!, também nesse caso, Salles, que envergonhou o Brasil na mais recente Cúpula do Meio Ambiente, é apontado como uma ameaça - o que, de resto, ele de fato é. Os parlamentares europeus pedem que seus congêneres brasileiros "ajam para manter e restaurar as leis e a estrutura necessária para proteger as florestas brasileiras e os direitos dos povos indígenas".

ENTIDADES

A terceira iniciativa é mais do que um puxão de orelha. Trata-se de uma ação prática. Cinco entidades internacionais de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos - ClientEarth, Fern, Veblen Institute, FIDH e Fondation pour la Nature et l'Homme - apresentaram uma queixa à ombudsman da União Europeia pedindo a suspensão das tratativas do acordo do bloco com o Mercosul até que a questão ambiental no Brasil seja devidamente debatida.

Eis aí: sob o pretexto de combater o comunismo e o globalismo, o governo Bolsonaro é hoje a maior ameaça ao capitalismo no Brasil, muito especialmente a seu setor mais dinâmico, o único que não foi à breca com a crise do coronavírus: o agronegócio.

Os fundos de investimento chegam a citar nomes de empresas brasileiras que já estão sendo prejudicadas pela má reputação da política ambiental. E má reputação justificada. Também nessa área, o governo Bolsonaro mais se ocupou em destruir as políticas que estavam em curso do que em construir alternativas virtuosas.

O Brasil tem uma bancada ruralista numerosa e influente. Cabe a seus membros decidir se apostam no fortalecimento do agronegócio ou se dão sustentação a uma política que ampara a pistolagem no campo, ameaçando as exportações brasileiras e os investimentos.

MST? Não representa risco nenhum ao agronegócio. O nome do perigo, hoje, com reputação internacional já firmada, é mesmo Ricardo Salles. Que seja removido como medida imediata possível. Ou o país quebra a cara. Se o comunismo é mesmo uma ameaça ao capitalismo brasileiro, como querem os malucos, o maior comunista da nossa história se chama Jair Bolsonaro.
Herculano
24/06/2020 09:29
O QUE GASPAR E ILHOTA NÃO ENTENDERAM ATÉ HOJE

De Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional do governo de Jair Messias Bolsonaro, sem partido, no twitter, agora a pouco.

É hoje a votação do novo marco !! O saneamento das cidades brasileiras é fator essencial para o desenvolvimento da Nação. Tratamento adequado dos resíduos sólidos, esgotamento sanitário, drenagem e água potável são sinônimos de qualidade de vida, saúde e crescimento econômico.
Herculano
24/06/2020 09:26
FINALMENTE CAIU A MÁSCARA. O VERDADEIRO BOLSONARO É CONTRA A PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. CADA VEZ MAIS BOLSONARO PROVA É BEM DIFERENTE DO SEU EX-MINISTRO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA, SÉRGIO MORO

O verdadeiro Bolsonaro - presidente e filhos - é contra a prisão em segunda instância. O PT, o MDB, o PSDB, PSD, a esquerda do atraso e o Centrão, todos atolados no petrolao, bem como os piores bandidos nas facções criminosas e tráfico também não querem ser presos em segunda instância

Unidos vão enterrar a proposta que está no Congresso. Está combinado. Tudo misturadinho. Aqueles vídeos apagando CPFs ou denunciando adversários presos, é tudo armação fake para analfabetos, ignorantes, desinformados e militantes fanáticos nas redes, becos e grotões.

BOLSONARO E CENTRÃO CONTRA A PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA

Conteúdo de O Antagonista. O bolsonarismo vai enterrar a PEC da prisão em segundo grau.

"Além da intenção de esvaziar uma pauta de Sergio Moro, o Planalto não quer desagradar ao Centrão", diz Helena Mader, na Crusoé.

"Os parlamentares desses partidos evitam manifestações públicas contra a PEC mas, nos bastidores, sempre atuaram firmemente para boicotá-la.

Trata-se de uma estratégia de auto-proteção, já que essas siglas têm um grande número de deputados e senadores enrolados, que podem ter a ida para a cadeia antecipada pela medida. Com o avanço das investigações contra o senador Flávio Bolsonaro por peculato e lavagem de dinheiro no esquema de rachid, a PEC da Segunda Instância é o último assunto que o Planalto quer enfrentar."
Miguel José Teixeira
24/06/2020 08:49
Senhores,

Só pra inticar, como dizia o saudoso Horácio Braun:

1) Bolsonaro escolhe novo ministro da Educação com calma para não repetir erros.

Huuummm. . .então vem aí um estafeta adestrado.

2) TSE 7 X 1 Bolsonaro/Mourão

Huuummm. . .Moro/Mourão continuam administrando os tempos & movimentos.

3) TCU na cola dos minuciosos operadores da "espetaculosa" fuga do ex-estafeta do ministério da iducassão para o tio Sam.

Huuummm. . .depois o "capitão zero-zero" alega perseguição.

4) A Rádio Cercadinho pergunta:

Alguém aí sabia que a mulher do "bessias", pau-para-toda-obra da dilamaracutaia, que foi encontrada em Brasília havia sumido?

Respostas para a foragida primeira dama do senhor cornucópia, via pousada da Alvorada.
Herculano
24/06/2020 07:21
RECEITA FEDERAL APONTA MANOBRAS TRIBUTÁRIAS DE EMPRESÁRIOS LIGADOS A BOLSONARO

Valores cobrados em autuações do fisco chegam a R$ 650 milhões; débitos são alvo de contestação em conselho

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Julio Wiziack, da sucursal de Brasília. A Receita Federal multou empresários bolsonaristas por supostas manobras tributárias. A intenção seria, segundo auditores do órgão, evitar pagamento integral de impostos.

Entre as irregularidades apontadas está a simulação de operações de compra e venda de aeronaves. A Receita vê também uso de documentos falsificados para recolher contribuições previdenciárias.

Levantamento feito pela Folha mostra que oito empresários ligados ao governo devem cerca de R$ 650 milhões.

São valores cobrados pela Receita, contestados no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Esta é a última instância de questionamentos no Executivo.

Há também registros na PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional). Após decisões judiciais, o órgão cobra pendências transitadas em julgado e registradas na dívida ativa da União.

Segundo empresários consultados pela Folha, na gestão Bolsonaro o Carf se tornou mais amigável. Agora, o governo deixou de ter voto de desempate nas autuações superiores a R$ 5 milhões.

Antes havia a queixa de que o fisco mantinha a punição graças ao voto de minerva do então representante do Ministério da Fazenda em caso de empate no Carf. O contribuinte, nesse caso, saía prejudicado.

Em janeiro deste ano, os empresários Rubens Menin, dono da MRV Engenharia e principal acionista do canal CNN Brasil, e Salim Mattar, um dos fundadores da Localiza e hoje secretário de Desestatização e Privatização do Ministério da Economia, recorreram ao Carf de uma multa aplicada pelo fisco que, se fosse paga à vista nesta quarta-feira (24), seria de cerca de R$ 140 milhões.


No recurso, a que a Folha teve acesso, os empresários questionam a possibilidade de a Receita fazer cobrança referente a operação envolvendo um jato executivo da marca Falcon ocorrida em 2011.

Eles afirmam no processo que não são os proprietários da avião e apresentaram um contrato de aluguel com a Líder Táxi Aéreo. A empresa seria a importadora do avião usado exclusivamente por eles. Os auditores, no entanto, verificaram o pagamento de US$ 4 milhões à época feito pelos empresários à fabricante do avião, a Dassault. Para eles, o valor seria um sinal da compra.

Também foi constatado um financiamento para a aquisição do bem no Bank of America, que teria feito um pagamento pela aeronave à Dassault à vista e ficado com os US$ 4 milhões como garantia.

Salim afirmou, em nota, que a operação de aluguel do jato feita em conjunto com Menin foi legítima e "realizada de acordo com a legislação vigente". Menin não havia respondido até a conclusão deste texto.

A aeronave era usada pelos empresários, segundo os auditores, para negócios particulares e de suas empresas.

Salim comandava à época a Localiza, que também tem débitos inscritos na dívida ativa da União. Ele deixou a empresa para assumir o cargo no governo em 2019.

O secretário não respondeu às questões sobre a Localiza. A assessoria de imprensa da empresa informou que a inscrição dos débitos é indevida.

"Houve um erro de digitação no preenchimento da declaração de débitos tributários federais. O valor correto já foi quitado dentro do prazo de vencimento", disse a Localiza.

A PGFN informou que o débito foi lançado há cerca de dez dias e está pendente.

Dentre os bolsonaristas, Luciano Hang, dono das Lojas Havan, é o recordista em infrações e contestações no Carf, segundo os técnicos.

Na Receita, a Havan deve ao menos R$ 57,9 milhões. Há ainda R$ 13,2 milhões em cobrança pela PGFN e mais R$ 123 milhões parcelados pelo último Refis (programa de repactuação de dívidas tributárias).

A Havan já foi multada por ora esconder receitas, ora despesas na contabilidade como forma de gerar resultados menores de tributos a pagar.

No caso considerado mais grave, Hang teria sonegado valores devidos em contribuição previdenciária de funcionários se valendo de documento que, segundo ele, comprovaria a existência de créditos a serem compensados.

A Receita, porém, afirma que os créditos nunca existiram. Diante da suspeita de fraude de documento, o órgão encaminhou o caso para o MPF (Ministério Público Federal), em Santa Catarina.

A autuação é de 2013. Em valores corrigidos, Hang deve R$ 2,5 milhões. O empresário cometeu infração semelhante em processo de 2003. Ele foi condenado pela Justiça, mas fez acordo e se livrou da pena.

Consultado, Luciano Hang não quis comentar os casos.

Na lista de empresários em disputas com o fisco e a PGFN constam ainda Flávio Rocha (Riachuelo), Junior Durski (restaurantes Madero), Edgard Corona (SmartFit) e Sebastião Bonfim (Centauro).

?Rocha afirmou que os débitos da Riachuelo e da confecção Guararapes são indevidos. "Por isso, apresentamos garantias [seguros e fianças bancárias] e exercitamos nosso direito constitucional à ampla defesa", disse à Folha.

Os outros empresários não haviam respondido até a conclusão deste texto.
Herculano
24/06/2020 07:11
UMA OPORTUNIDADE REAL PARA O IMPEACHMENT

Por que esta manchete de ontem "TSE rejeita ação que pedia cassação da chapa Bolsonaro-Mourão por instalação de outdoors durante eleições" não foi comemorada pelos bolsonaristas?

Porque ela abre a perspectiva real do impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, e o general Hamilton Mourão, PRTB, se tornar presidente como aconteceu no caso de Dilma Vana Rousseff e Michel Temer.

Basta o impeachment acontecer a partir de primeiro de janeiro do ano que vem. Se for antes, haverá nova eleição, como deveria haver ser a chapa fosse cassada pelo TSE como estava em julgamento ontem. Wake up, Brazil!
Herculano
24/06/2020 07:06
O BOLSONARISMO EM GUERRA

Conteúdo de O Antagonista. Os milicianos bolsonaristas, quando não estão fugindo da polícia ou escondendo suas páginas nas redes sociais, dedicam-se a atacar os militares governistas.

Segundo eles, a ala positivista, comandada pelos generais Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos, tomou conta do Palácio do Planalto, juntamente com os prepostos do STF, que coordenam a área jurídica.
Herculano
24/06/2020 06:58
A LÍNGUA É O CHICOTE DO DONO

Os bolsonaristas - daqui e de todos os cantos - ainda enchem a boca para dizer que o mito Jair Messias Bolsonaro, sem partido, pode ter todos os defeitos, menos o da corrupção.

Nem vou entrar no caso das rachadinhas, que é um tipo de apropriação e desvio de dinheiro público, pois não se trata do governo Bolsonaro, mas de uma ação do filho Flávio, que se explicada desde o início pode envolver Jair.

Vou à embromação da semana.

O advogado Frederick Wasseff, aquele que escondeu Fabrício Queiroz por um ano na sua casa que a disfarçou como escritório em Atibaia, interior de São Paulo, e de lembrança de outro rolo bem conhecido do mundo petista, está desconstruindo para uma parolagem. A mulher dele, que é ex-mulher e até a filha, são laranjas de contratos milionários no governo de Bolsonaro. A coisa está feia...
Herculano
24/06/2020 06:50
PRODUTO BRASIL ESTÁ PRECISANDO MELHORAR MUITO, por Washington Olivetto, publicitário

Um Brasil que não é para inglês ver

Desde 2016, eu, que adoro Nova York, moro em Londres, cidade que considero a melhor Nova York do mundo. Tudo acontece antes por aqui: do útil ao fútil, sem espaço para o inútil.

Entre o segundo semestre de 2019 e o primeiro semestre de 2020, dois fatos aparentemente opostos e teoricamente irrelevantes me chamaram bastante a atenção nessa panela de pressão cultural que é Londres: uma palestra de Sir Paul Smith, o bilionário designer de moda masculina, e uma entrevista de um ex-editor do jornal The Guardian.

Na sua palestra na Royal Academy of Arts, Paul Smith contou onde buscava inspiração para criar ternos, camisas, paletós, pulôveres e suas mundialmente famosas meias coloridas.

Explicou que desde muito jovem optou por fotografar plantas, flores e pinturas cujas cores e texturas chamassem sua atenção, e com a mistura dessas referências visuais começou a desenhar suas coleções.

Com o passar do tempo, acrescentou nessas pesquisas fotográficas inúmeras viagens, que acabaram gerando desde ternos inspirados nas vestimentas dos berberes -habitantes do deserto de Marrakesh - até meias com as cores dos prédios projetados pela Schmidt Hammer Lassen, estúdio dinamarquês famoso por sua arquitetura de vanguarda.

Já o ex-editor do The Guardian, do qual eu não me lembro o nome porque peguei a entrevista já começada, falando para a televisão inglesa, contou sobre os seus critérios para decidir se uma notícia merecia ou não ser publicada.

Comentou que certas notícias só beneficiam o noticiado e não são interessantes para o jornal - e muito menos para os seus leitores.

Ilustrou o comentário dizendo que se ainda estivesse na ativa, na direção do The Guardian, não publicaria a maioria das notícias que a imprensa inglesa tem publicado sobre o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Para o veterano jornalista, o presidente Jair Bolsonaro cria falsos factoides para acobertar graves fatos verdadeiros.

Ofende a esposa de outro estadista, discorda das recomendações de cientistas, ameaça destroçar a atuação proativa do Brasil nas questões de meio ambiente, direitos humanos, povos indígenas e reforma da ordem internacional, e trata com desprezo uma jovem preocupada com a crise climática.

Para aquele jornalista, esses fatos só interessam para o provocador dos fatos e não representam o Brasil que merece ser noticiado. Segundo ele, o Brasil que merece ser noticiado é o Brasil do Tom Jobim, do Ivo Pitanguy e do Oscar Niemeyer.

Assisti, ouvi e concordei.

Eu, que vivo aqui em Londres, em contato com profissionais de comunicação de toda a Europa, diariamente ouço as mesmas duas perguntas: por que o Brasil, que historicamente sempre foi visto como o país da doçura, de repente se transformou no país do amargor? E por que o Brasil não faz algo para melhorar a sua imagem?

Para as duas perguntas, eu tenho uma única resposta. Não adianta fazer publicidade de nenhum produto se esse produto não for bom. E o produto Brasil está precisando melhorar muito antes de ser anunciado.

Quando o produto melhorar, o jeito de anunciar o Brasil não é difícil. Temos, em muitas áreas, talentos enormes, e brasileiros dignos e responsáveis como Tom Jobim, Ivo Pitanguy e Oscar Niemeyer.

Da somatória da imagem de muitas pessoas físicas respeitáveis, podemos construir a imagem da pessoa jurídica Brasil.

Digo isso sem nenhum interesse, porque nunca fiz nenhuma campanha de nenhum candidato político, nem aceitei nenhuma conta publicitária de empresas do governo. De nenhum governo. Costumo dizer que esse foi um dinheiro muito bom de não ganhar. Sempre trabalhei única e exclusivamente para a iniciativa privada - e não pretendo mudar de ideia.

Esclareço também que citei uma entrevista de um ex-editor do The Guardian, historicamente um jornal de esquerda, mas não admito ser chamado por ninguém de comunista. Até porque não existem publicitários comunistas. Citei o veterano jornalista do The Guardian porque assisti à sua entrevista e gostei do seu ponto de vista, mas na verdade e para quem se interessa pelos fatos, os dois veículos ingleses que mais criticam o presidente Jair Bolsonaro não são nem um pouco de esquerda. São os dois grandes representantes do capitalismo e do liberalismo: a revista The Economist e o jornal Financial Times.

Meus comentários aqui contêm apenas a intenção de colaborar, até porque, apesar da distância geográfica, continuo próximo do Brasil afetivamente. E torço para que o país melhore das suas pandemias e pandemônios, a ponto de o designer Paul Smith ficar com vontade de conhecer suas cores locais.

Não tenho dúvida de que ele adoraria ver em São Paulo o desfile da Gaviões da Fiel em 2021, com o tema "Basta".

E acho até que se inspiraria para fazer umas meias verde e rosa, se fosse ao Rio de Janeiro ver a Mangueira passar.
Herculano
24/06/2020 06:37
BOLSONARO REFLETE SOBRE MEC PARA NÃO REPETIR ERROS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, que conversou nesta terça com Jair Bolsonaro, continua liderando os cotados para ser ministro da Educação, mas o presidente ainda não bateu o martelo porque precisa fazer consultas e considerar opções como Sérgio Sant'Ana, ex-assessor especial do MEC, que produziu o "milagre" de não sair "queimado" da gestão de triste memória de Abraham Weintraub.

APROVADO, MAS...

Bolsonaro saiu bem impressionado da reunião com o secretário do governo Ratinho Júnior, mas quer saber mais sobre Renato Feder.

GATO ESCALDADO

Bolsonaro não quer repetir no MEC escolhas das quais se arrependeu, de pessoas que não conhecia, como Sérgio Moro e Nelson Teich.

ESCOLHA SERÁ PESSOAL

O presidente orientou seus articuladores a manterem partidos e políticos longe das conversações para a escolha do novo ministro da Educação.

PESOS NA BALANÇA

Se a qualificação de Renato Feder "enche os olhos" do presidente, Sérgio Sant'Ana preenche 'requisitos ideológicos' caros ao bolsonarismo.

COVID-19 JÁ MATOU MAIS QUE A GUERRA DO PARAGUAI

A pandemia matou um número maior de brasileiros que o conflito mais sangrento na qual o País se envolveu em sua História: a guerra do Paraguai. Provocada pela ousadia paraguaia de tentar anexar o Rio Grande do Sul, em 1865, a guerra durou 5 anos e matou 50 mil brasileiros. Até esta terça (23), já são 52,6 mil brasileiros mortos em 4 meses, desde o primeiro caso de infecção no dia 27 de fevereiro.

SEIS VEZES MAIS

Se mais de 50 mil brasileiros não voltaram para casa daquela guerra, no caso dos paraguaios as baixas foram mais expressivas: 300 mil mortos.

DEU TUDO ERRADO

A ideia era criar o "Grande Paraguai" com parte da Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul. Acabou pequeno e ocupado por quase dez anos.

SEM CHANCES

A derrota veio com a união dos países alvos. Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança e liquidaram as pretensões paraguaias.

ÍNDICE MAIA DE QUEBRA

Se o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, difundiu a fake news da "quebra" do Banco Votorantim, a expectativa é sobre o que ele dirá do leilão de dezenas de imóveis do Banco Safra, nesta quinta (25).

VIDA PREGRESSA

A turma do Sinc, que vasculha a vida de aspirantes a cargos federais, ficou espantada com o histórico de Wenderson Monteiro, ex-assessor de Agnelo Queiroz (PT) no DF, agora indicado pelo deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) para a Secretaria Especial de Saúde Indígena.

NÃO É PÉ NA COVA

O mundo já superou a marca de 5 milhões de pessoas curadas do novo coronavírus, segundo o Worldometer. Outra boa notícia da plataforma é que 98% das 3,8 milhões pessoas ainda doentes têm sintomas leves.

PROBLEMA É O PICHE

Candidato a prefeito do Recife, o deputado João Campos ignora duas investigações da Polícia Federal contra o amigo Geraldo Júlio (PSB) e uma CPI que bate à porta. Dá as costas à cidade e olha para o mar, esperando o tempo passar. Olhou tanto que viu manchas de piche.

ADIAMENTO FLEX

O Senado aprovou o adiamento das eleições municipais para 15 de novembro, mas novos adiamentos poderão ser feitos, pontualmente, em municípios cujas "condições sanitárias" não recomendem o pleito.

QUE PAÍS É ESTE?!

As controladorias-gerais da União e do DF identificaram 1.836 pessoas que fraudaram para receber auxílio emergencial federal e local. Outros 451 vigaristas alegaram viverem fora do DF para se apropriar do alheio.

FALTOU Só O POVO

A FGV promove seminário virtual nesta sexta (26) sobre a imagem do Judiciário. O povo não poderá dizer o que pensa de suas excelências: só participarão magistrados e os bajuladores de sempre.

SONHO AMERICANO

O impacto da redução da imigração começa a aparecer nos EUA. Daniel Toledo, advogado especialista no assunto, diz que o setor pediu US$1,2 bilhão ao Congresso para cobrir a receita frustrada de taxas.

PERGUNTA NO PALANQUE

Vai mesmo elaborar uma boa lei contra fake news quem, para se eleger, mente contra adversários ou em benefício próprio?
Herculano
24/06/2020 06:28
SE A QUITANDA ESTÁ EMPERRADA POR DESINFORMAÇÃO, ELA VEM DO GOVERNO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

É necessário que presidente Bolsonaro se associe à administração do governo

Nesta quarta-feira (24) completam-se dois meses da saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Parece que foram dois anos.

De lá para cá, no meio de uma epidemia, caíram dois ministros da Saúde e escafedeu-se o da Educassão. Isso, esquecendo-se a novela de Regina Duarte. O czar da Economia está atordoado, prestes a abandonar a emenda constitucional que aliviaria as finanças de estados e municípios. Do outro lado do balcão há mais de um milhão de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e 12 milhões de desempregados.

Desde o dia em que assumiu a Presidência, Jair Bolsonaro sabe que precisa respeitar a primeira Lei de Delfim Netto: "Tem que abrir a quitanda às nove da manhã com beringelas para vender a preço razoável e troco na caixa para atender a freguesia".

Entra-se na quitanda e lá discutem-se as prerrogativas do Judiciário, o silêncio de Fabrício Queiroz, o paradeiro de sua mulher, a fidelidade de Frederick Wassef e as virtudes da cloroquina. Beringelas? Só quando se souber o que será colocado no lugar do Pró-Brasil, aquele ex-Plano Marshall. Troco? Só quando o gerente e o caixa chegarem a um acordo a respeito do valor do auxílio para os "invisíveis". O secretário do Tesouro está de malas prontas.

Depois de encrencar com meio mundo, Bolsonaro diz que a imagem do Brasil "não está boa" porque há muita desinformação. Está ruim porque seu governo ampara os agrotrogloditas que dificultam os negócios de empresas competitivas e até mesmo a vida de sua ministra da Agricultura, obrigada a apagar incêndios da Europa à China. Nas palavras do presidente da Cargill, a maior exportadora de soja e milho, "é preocupante ver oficiais do governo insultando nosso principal cliente".

Se a quitanda está emperrada por desinformação, ela vem do governo. Em agosto de 2019, quando começaram as trapalhadas do governo o empresário Blairo Maggi avisou: "O governo não fez nenhuma mudança aqui internamente, não facilitou a vida de ninguém, no entanto estamos pagando um preço muito alto. Acho que teremos problemas sérios. Não tem essa que o mundo precisa do Brasil".

Maggi conhece todos os cantos da quitanda, é um dos maiores produtores de grãos do país, foi senador, ministro da Agricultura e governou Mato Grosso.

Esticando cordas, o capitão atrapalhou até a vida de parte de sua base de apoio nas Forças Armadas. Cumpriu uma escrita fracassada, confundindo generais de palácio (reservistas, em muitos casos) com generais de quartéis.

Nos últimos dias, de Bolsonaro e de sua família, partiram mais elogios a Fabrício Queiroz e ao doutor Wassef do que a todos os seus ministros. Assef e Abraham Weintraub foram os únicos colaboradores a quem se deu direito a uma saída honrosa. Ela foi negada a Sergio Moro e a Luiz Henrique Mandetta. A audácia do breve Nelson Teich construiu-lhe na saída uma honra que a entrada no ministério não lhe havia concedido.

É compreensível que os Bolsonaros queiram se dissociar dos milicianos com quem se meteram, mas é necessário que o presidente se associe à administração. Seria boa ideia ouvir a canção de Carlos Lyra: "Vou pedir ao meu babalorixá / Pra fazer uma oração pra Xangô / Pra pôr pra trabalhar gente que nunca trabalhou".
Herculano
24/06/2020 06:21
A HORA DA VACINA, por Carlos Brickmann

Ainda há tempo para 2020 terminar bem: a vacina inglesa desenvolvida pelo Imperial College de Oxford e os laboratórios Astra-Zeneca vai bem nos testes e está quase no ponto de ser produzida em todo o mundo, incluindo o Brasil. Nesta semana, disse o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, pode ser assinado o acordo do Laboratório de Manguinhos e da Fundação Oswaldo Cruz com os ingleses. A Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, e a Fundação Jorge Paulo Lehman podem aplicar vacinas em voluntários. É a última etapa antes da produção em massa.

Simultaneamente, o Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo, se apronta para produzir a vacina chinesa da Sinovac. Pelo menos mais duas vacinas estão no forno, criadas pelas americanas Gilead e Moderna. A OMS ainda estudará a taxa de imunização de cada vacina, para estabelecer os seus protocolos. Mas, enquanto os estudos tentam apontar a mais adequada, todas estarão à disposição para prevenir a doença. Nada impede que todas acabem sendo indicadas: no caso da paralisia infantil, a vacina mais usada no mundo é a Sabin (a da gotinha), mas a Suécia faz a vacinação com a pioneira Salk.

Quando começa a vacinação em massa, como será distribuída a produção mundial de vacinas? Não há resposta exata, ainda, mas a vacinação em massa está perto de começar. Espera-se ainda a aprovação de remédios para quem já pegou a doença. Enfim, o Covid poderá ser comparado a uma gripezinha.

BRASIL PRIORITÁRIO

Reafirmando: ao se envolver diretamente nos testes com duas das vacinas, o Brasil estará na lista prioritária para importá-las e produzi-las. A prioridade é essencial: imaginemos que 25% da população mundial tenham de ser vacinados. Serão dois bilhões de doses, se a imunização pedir uma só dose. Produzir dois bilhões de vacinas leva tempo e muitos países ficarão para trás.

O CUSTO DA VIDA

Comenta-se, sem maiores detalhes, que a vacina não deve ser cara e que, produzida em bilhões de doses, o custo tende a se reduzir. Mas chegar a ela custou caro: entraram no jogo fundações como a de Jorge Paulo Lehman (um dos maiores acionistas da AB-Inbev, da Heinz, da Burger King) e a de Bill Gates, da Microsoft, além dos gigantes farmacêuticos mundiais. Trump pôs em dúvida, antes, a gravidade do Covid, e virou cloroquineiro - igualzinho, igualzinho. Mas mostrou que era diferente ao perceber a gravidade do Covid, e o Governo americano colocou algo como US$ 1 bilhão na Moderna, na busca da solução.

Este colunista não se surpreenderá se for informado de que as despesas na busca da vacina e do remédio alcançaram uns US$ 10 bilhões.

DÚVIDA

O escritor Olavo de Carvalho gravou vídeo em que se queixa de não ter tido qualquer auxílio do Governo e ameaça derrubar Bolsonaro se não o receber. Quantificando, são R$ 2,8 milhões de multas à Justiça, mais recursos para que continue vivendo nos EUA. Disse que condecoraçõezinhas não quer e sugeriu que Bolsonaro as coloque num local que vive citando, até em reuniões ministeriais.

A dúvida: já deram ajuda a Olavo de Carvalho? E, como não recebeu nenhuma condecoração, sua sugestão terá sido seguida?

DIA BOM

O Senado deve votar hoje o Marco do Saneamento Básico, pelo qual a iniciativa privada terá papel preponderante em levar a toda a população do país os esgotos e a água potável até 2033. Hoje, mesmo cidades como o Rio e São Paulo dispõem de saneamento básico insuficiente - e o presidente até já apresentou isso como uma virtude, o brasileiro precisa ser estudado, pula no esgoto e não acontece nada. Saneamento básico para todos representará forte queda na mortalidade infantil, redução dos custos do SUS, facilidade para o combate a doenças transmitidas por insetos e por roedores. Mais: são obras razoavelmente simples, que empregam muita gente e que podem atrair investimentos calculados em R$ 700 bilhões.

Aprovado (e implantado) este Marco do Saneamento Básico, a história do Brasil se dividirá em duas partes.

NÚMEROS

Hoje, metade da população não tem água tratada. E 1/7 não têm esgotos.

OS EXTREMOS SE TOCAM

A casa em Atibaia (que não é nem de Lula nem de Queiroz, mas de amigos deles) não é a única coisa comum a ambos os casos. As explicações são sempre curiosas: nas duas casas o dono não aparece, uma tem placa de escritório de advocacia, e um cavalheiro fica um ano morando lá sem que o dono saiba (isso na primeira versão: na segunda o dono sabe, mas prefere nada comentar para que outro de seus clientes, embora amigo do cavalheiro escondido, não se preocupe). E neste ano jamais conversaram. Normal, né?

QUEM DEFENDE

Wasseff tinha procuração de Bolsonaro. Karina Kuffa disse que o cliente era dela. Ele então desistiu de defender Flávio. Mas a briga era pelo outro!
Herculano
24/06/2020 06:12
VISTA GORSSA E CONTINÊNCIA, por Rui Castro, no jornal Folha de S. Paulo

Para Bolsonaro, nós, paisanos, somos brasileiros de segunda classe

No domingo, 21, Jair Bolsonaro tomou um jato da FAB em Brasília e veio ao Rio para o velório de um paraquedista morto na véspera - preso na aeronave ao saltar; quando se soltou, o paraquedas não abriu e ele foi ao solo. Usando o infeliz soldado como pretexto, Bolsonaro, de pífia carreira militar, fez um discurso falando em nome das Forças Armadas e, mais uma vez, deu a entender que elas intervirão se o "povo" - seus apoiadores no chiqueirinho do Alvorada - for contrariado.

É reconfortante saber que Bolsonaro se comoveu com a morte de um cidadão brasileiro, a ponto de requisitar avião, gasolina e tripulação oficiais e voar 935 km para homenageá-lo. Já poderia ter feito o mesmo com pelo menos um dos 52 mil brasileiros mortos pela Covid-19 e sem deslocamento tão dispendioso. Bastaria acionar a equipe que filma suas lives em palácio. Mas não o fez, talvez porque tais mortos - de quem não se sabe quantos são homens ou mulheres, brancos ou pretos, velhos ou jovens - sejam, para ele, brasileiros de 2ª classe.

Esta é uma das características menos percebidas de Bolsonaro: sua aberta adesão aos assuntos da caserna, em detrimento dos interesses de um contingente que deve compor 90 por cento da população - o nosso, o dos reles paisanos.

É assim que, enquanto seu governo se dedica a arrasar a educação, a saúde, o meio ambiente, os indígenas, o patrimônio histórico, a cultura e as relações internacionais, os militares - que, no passado, costumavam ser atentos a tais problemas - não têm do que se queixar.

Não são só os 3.000 fardados infiltrados no Executivo, a maioria em cargos para os quais são tão preparados quanto um civil para lubrificar canhão. São também os soldos bem protegidos pelas reformas econômicas, os quartéis nos trinques, as espadas tinindo nas recepções. Em troca disso, Bolsonaro só lhes exige vista grossa e continência.
Miguel José Teixeira
23/06/2020 19:02
Senhores,

A fuga do ex-estafeta do ministério da iducassão para o Tio Sam, como já teclei anteriormente, foi minuciosamente planejada e executada.

Penso até que tinha o dedão do "companhêru zédirceu", que certa vez fugiu da ditadura disfarçado de freira.

Nesse caso, será que a foragida mulher do senhor cornucópia não estava disfarçada de weintraub?

Respostas para o "zeca urubu" que como passarinho, na muda não pia.
Herculano
23/06/2020 17:11
CENTRÃO SE UNE NA CÂMARA PARA MANTER ELEIÇõES MUNICIPAIS EM OUTUBRO, por Diego Amorim, em O Antagonista.

O Antagonista apurou que DEM, PSD, PP e Republicanos já decidiram que, na Câmara, não deixarão passar a PEC do adiamento das eleições.

Rodrigo Maia disse hoje, em coletiva, o que se fala nos bastidores já há alguns dias: não há acordo na Casa para adiamento do pleito em razão da pandemia da Covid-19.

A partir de hoje, o site vai registrar a opinião de vários deputados sobre o tema, que, no Senado, será votado nesta terça-feira, com grandes chances de aprovação de adiamento do pleito para novembro.

Os argumentos oficiais poderão ser diferentes daqueles que estão sendo colocados nas conversas informais.

A verdade é que boa parte do Centrão defendia a prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores, empurrando as eleições para 2021 ou mesmo 2022. Só mudaram de ideia depois de perceberem que não seria possível emplacar essa tese - inconstitucional - com facilidade.

Sem prorrogação de mandatos, agora os caciques partidários da Câmara farão de tudo para travar a PEC, mantendo, assim, as datas atuais das eleições, ou seja, em outubro.

Eles vão alegar que estender a campanha eleitoral até novembro ou dezembro aumentará muito mais o risco de contágio do que realizar logo o pleito em outubro. Um motivo real por trás do argumento de não mexer nas datas, porém, é para evitar o encarecimento das campanhas. Atuais prefeitos também avaliam que, se houver mais tempo de campanha, aumenta o risco de suas gestões serem desgastadas em meio à pandemia.
Herculano
23/06/2020 16:58
JUSTIÇA SEM FIM, MAS PARA OS RICOS. JÁ OS CIDADÃOS COMUNS

Do ex-juiz Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no twitter:

É necessário retomar a agenda de reformas, entre elas a votação e aprovação da PEC da segunda instância, que prevê a execução da pena após a condenação criminal em segundo grau. Fim da Justiça sem fim.

VOLTO

Será que os bolsonaristas, com tanta gente enrolada que se descobre, ainda vão manter esta bandeira de pé? E na aliança que fizeram não pelo Brasil, mas com o Centrão, um poço de gente enrolada no Petrolão? Hum!
Herculano
23/06/2020 16:19
MEDO E BARBEIRAGEM, por Eliane Cantanhede, no jornal do Estado de S. Paulo

De erro em erro, Bolsonaros embolam Queiroz, Adriano, Wassef e demonstram medo.

Nesse oceano de pessoas e fatos inacreditáveis, destacam-se as barbeiragens da família Bolsonaro ao tratar do amigão Fabrício Queiroz e de todas as questões nebulosas, e sob investigação do Ministério Público, que envolvem o agora senador Flávio Bolsonaro e resvalam perigosamente para o próprio presidente Jair Bolsonaro.

Tudo começa com a rachadinha operada por Queiroz no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, chega a funcionários fantasmas ali e também no gabinete de Jair na Câmara em Brasília, evolui para suspeita de lavagem de dinheiro e traz à tona as ligações de Jair, Flávio e Queiroz com um líder da milícia fluminense, o capitão Adriano, morto pela polícia. Engrossa esse novelo Frederick Wassef, falastrão, exibicionista e longe de ser um criminalista com dimensão para representar um senador, quanto mais o presidente.

Não bastasse a barbeiragem de abrir as portas dos palácios da Alvorada e do Planalto a Wassef, que tal permitir (ou pedir?) que ele escondesse Queiroz na sua casa de Atibaia? Não foi Queiroz que se meteu lá. Logo, meteram o Queiroz justamente na casa do advogado do presidente da República e do seu filho senador. Equivale a jogar Queiroz definitivamente no colo de Bolsonaro e Flávio. Coisa de gênio.

A barbeiragem seguinte vem com as reações de ambos. Numa live para tentar dizer que não tem nada com Queiroz, Jair põe-se a defendê-lo. A prisão foi "espetaculosa", o amigo não estava foragido e não havia mandado de prisão contra ele, mas "pareciam estar prendendo o maior bandido do mundo". Bolsonaro está solidário com o amigo que quebrava os maiores galhos do filho? Ou não pode atirá-lo às feras porque Queiroz tem muito revelar?

Segundo depoimentos, Queiroz chegou chorando e muito abalado à prisão no Rio, o que é uma péssima notícia para Jair e Flávio Bolsonaro. Nada pior do que um potencial homem bomba imprevisível e desestruturado emocionalmente, inclusive porque sua mulher, Márcia, fugiu e pode entrar para a lista de procurados da Interpol. Aliás, ela própria tem muito o que contar, se contar.

Outra barbeiragem é o advogado de Queiroz. Nada contra ele, mas contra a simbologia. Paulo Emílio Catta Preta era advogado do miliciano Adriano. Aprofundar os elos entre Queiroz, Adriano, Flávio e Jair Bolsonaro? Depois de Flávio condecorar o líder da milícia, Jair elogiá-lo publicamente e a família empregar a mãe e a mulher dele em seus gabinetes?

A primeira família tem de se preocupar também com Wassef, que está em evidência ?" e adorando. Se usufruía da intimidade dos Bolsonaro a ponto de abrigar Queiroz em casa, ele sabe de muita coisa. E não tem cara de guardar segredos, nem de dar a vida por alguém. Daí porque enxotaram Wassef dos casos de Flávio, mas o senador fez rasgados elogios ao enxotado em redes sociais: "A lealdade e competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis". A cobrança de "lealdade" e o adjetivo "insubstituível" para quem está sendo substituído têm um sinônimo: medo.

E aí vem a última barbeiragem - até agora. O substituto do insubstituível Wassef é respeitável, mas foi advogado de Sérgio Cabral e de militares acusados de "excessos" na ditadura. Cabral é um dos maiores símbolos de corrupção. E a sensação de que generais sugeriram advogado para o caso Flávio-Queiroz vai na contramão do desejável: que eles fiquem (ficassem) a léguas dessa lambança toda.

É hora de todos desconfiarem de todos e de todos quererem se livrar de todos ?" presidente, Flávio, militares, Queiroz, Márcia, Wassef, advogados, a mãe e a mulher de Adriano -, mas quanto mais barbeiragens vão fazendo, mais eles se embolam perigosamente. O clima é de medo. E isso tudo ainda vai muito longe.
Herculano
23/06/2020 16:17
ANJO DO ANJO, por Carlos Andreazza, no jornal O Globo

Será Wassef o Queiroz do futuro?

Quem ouvir o senador Flávio Bolsonaro terá de repente a impressão de que nunca foi deputado estadual e de que o gabinete na Alerj era de Fabrício Queiroz. Não era; isto embora - justiça seja feita - fosse mesmo o ex-policial quem trabalhasse à vera ali. Nada a ver com a atividade parlamentar.

Quem ouvir, nos próximos dias, a família Bolsonaro terá de repente a impressão de que o destituído Frederik Wassef nunca foi advogado de Flávio e Jair Bolsonaro, e de que sua presença nos palácios onde mora e trabalha o presidente da República jamais houve. Houve; isto embora - justiça seja feita - nada de errado haja em cliente se reunir com defensor, tanto mais sendo este um amigo daquele.

Junta-se o útil ao agradável; assim se ergueu o patrimonialismo neste país.

O destino já uniu Queiroz e Wassef, o novo ex. Tudo a ver com o fato de este ter escondido aquele. Será Wassef o Queiroz do futuro? E quem seria, no caso, o Wassef de Wassef? Wassef deseja saber. Como Queiroz no passado, o advogado manda recados. Não quer ser abandonado. Teria até celular exclusivo para contatos com a família. Verbaliza mesmo a fé - pura mensagem - de que armariam contra ele para atingir o presidente. A acusação de armadilha é gentileza para com Bolsonaro; mas não turva a clareza da missiva: "eu sou você".

Funcionou com Queiroz - logo lhe apareceu o anjo. Quem será o anjo de um anjo falador que - debatendo-se contra o fado - não parece ter vocação para Queiroz?

Seria mesmo Wassef o anjo de Queiroz?

Queiroz não foi descoberta de Flávio; uma aquisição sua para a gestão, em dinheiro vivo, do gabinete. Não. Queiroz, amigo de Jair desde que 01 era guri, foi designado pelo pai ?" que sempre dispôs dos mandatos dos filhos como extensões do seu. Queiroz é tanto Jair Bolsonaro quanto Flávio é Jair Bolsonaro.

Wassef tampouco foi descoberta de Flávio; uma revelação sua para a defesa judicial da família. Não. Wassef foi designado pelo pai para a defesa do clã - e ora reivindica ser Jair tanto quanto Queiroz é Jair. Intui que será investigado. A fotografia captura flagrante comprometedor: o então advogado de Flávio guardando em casa, homiziado, um outro investigado no inquérito, cuja detenção preventiva impôs-se por estar ele, desde o covil, movendo-se para obstruir a Justiça.

Isto mesmo: Wassef, defensor de Flávio até ontem, abrigava Queiroz - operador num esquema de corrupção no gabinete de seu cliente - enquanto o abrigado cuidava de interferir para dirigir testemunhas; nenhuma delas maior do que a mãe do miliciano Adriano da Nóbrega.

A senhora Raimunda Veras Magalhães esteve - longamente, assim como a nora - na folha de pagamento do gabinete; e sua movimentação em espécie é capítulo à parte. É quando entra na equação a mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar, ora foragida, talvez a principal agente no esforço para lesar as investigações, possivelmente incumbida de comandar o silêncio dos que compunham a vertente miliciana em que também se investiria o dinheiro amealhado por aquele modelo de rachadinha.

Lembremos. No único depoimento que deu ao MP, em fevereiro de 2019, Queiroz admitiu que o sistema de rachadinha era regra no escritório de Flávio. Apresentou, porém, ressalva que supunha atenuante: os recursos colhidos ali não iriam para o bolso do chefe, mas para um caixa paralelo destinado a ampliar, informalmente, o número de colaboradores do mandato. Ao serem contratados, os assessores eram informados de que teriam de dar parte da remuneração para sustentar aquela expansão. Tudo pago por fora - num exercício que chamou de "desconcentração de remuneração" e que seria desconhecida pelo deputado.

Com Queiroz preso, será natural que os investigadores lhe cobrem a lista desses auxiliares informais - e quanto ganhavam. Isto porque, em face do volume girado no esquema, ainda que gabinete estendido houvesse, seria algo marginal; e o MP tem como norte que esse programa de rachadinha alimentaria - aí, sim - uma indústria de lavagem de dinheiro por meio sobretudo de operações imobiliárias, entre as quais estariam contidos investimentos no ramo empreiteiro das milícias.

Exatamente: o dinheiro daquele caixa paralelo seria destinado também a financiar construções ilegais de prédios em localidades como a Muzema - ali onde dois edifícios irregulares caíram em 2019.

Rachadinha é recurso delinquente comum em legislativos Brasil adentro - já dizem os passapanistas para relativizar o crime. A prática, no entanto, agrava-se quando se questiona com que frequência terá servido para financiar a atividade econômica de milícias. Essa é, aliás, a razão por que sou cético acerca da possibilidade de Queiroz delatar. Para quê? Qual vantagem teria? Ou não será o delator aquele que entrega outrem em busca de se safar? E que alívio teria em liberdade aquele que delata uma organização criminosa conhecida por ter mui eficiente esquadrão da morte?
Miguel José Teixeira
23/06/2020 11:54
Senhores,

Nesse rítmo, a quadrilha do ex e futuro presidiário lula, cairá para a série "B" já, já. . .

"As iniciativas presidenciais desses 20 meses foram balizadas pela proteção à parentela e amigos. Daí o repentino silêncio sobre o fim da prisão para condenados em segunda instância, a remoção do Coaf da Justiça, os acordos para bloqueio da CPI da Lava-Toga, o rompimento com o governador Wilson Witzel e a crise da demissão do ex-ministro Sergio Moro."

(José Casado, no jornal O Globo e replicado abaixo)
Herculano
23/06/2020 10:37
ENTRE PARENTES E MILICIANOS, por José Casado, no jornal O Globo

Vínculos a Queiroz e ao falecido capitão do Bope Adriano da Nóbrega levaram o clã Bolsonaro a introduzir o submundo das milícias na rotina do Planalto e do Congresso.

Resumir o atual governo talvez não venha a ser difícil para historiadores. Há 20 meses a prioridade de Jair Bolsonaro tem sido a mesma de três décadas na política, proteger a parentela, nutrida no orçamento público. "Defendemos a família", escreveu no domingo 7 de outubro de 2018, no epílogo da primeira etapa da campanha. "Tratamos criminosos como tais e não nos envolvemos em esquemas de corrupção."

Lá se foram 80 semanas, e o presidente continua refém da agenda que aprisionava o candidato.

Ela começa no uso do erário para acolher parentes e amigos. Vício antigo. Nos últimos 28 anos, ele e seus filhos parlamentares abrigaram mais de uma centena de pessoas com parentesco ou relação familiar.

Somaram a afinidade com lobbies de armas e de cassinos, neste caso refletindo a disputa entre grupos americanos, como o de Sheldon Adelson, e asiáticos, como o Shun Tak. Na campanha Bolsonaro se reuniu com Adelson, financiador do Partido Republicano. Entrou no hotel pela cozinha.

Até agora, o governo só conseguiu acenar ao país sob pandemia com um futuro baseado na abertura de cassinos e no comércio de armas, com isenção de rastreamento.

A retrospectiva mostra o presidente concentrado na guarida ao filho senador e ao antigo companheiro paraquedista Fabrício Queiroz, hoje em Bangu 8. Vínculos a Queiroz e ao falecido capitão do Bope Adriano da Nóbrega levaram o clã Bolsonaro a introduzir o submundo das milícias na rotina do Planalto e do Congresso.

As iniciativas presidenciais desses 20 meses foram balizadas pela proteção à parentela e amigos. Daí o repentino silêncio sobre o fim da prisão para condenados em segunda instância, a remoção do Coaf da Justiça, os acordos para bloqueio da CPI da Lava-Toga, o rompimento com o governador Wilson Witzel e a crise da demissão do ex-ministro Sergio Moro.

Na raiz está uma peculiar visão de Estado, sintetizada pelo filho Flávio numa homenagem a milicianos: "Não podemos generalizar, dizendo que esses policiais, que estão tomando conta de algumas comunidades, estão vindo para o lado do mal. Não estão."
Herculano
23/06/2020 10:33
CONTRATO FABULOSO DA EX DE WASSEF COM GESTÃO BOLSONARO ECOA POEMA QUADRILHA, por Reinaldo Azevedo, no UOL

Frederick Wassef, íntimo de Jair Bolsonaro e oportuno ex-advogado de Flávio - só foi destituído da função neste domingo - pode ter adquirido uma imprudência muito típica dos que pertencem ao círculo de influência dos poderosos, mas não é burro. Ele sabe que mal nenhum lhe advirá por ter acoitado Fabrício Queiroz em uma propriedade sua em Atibaia. De fato, não havia ordem nenhuma de prisão contra o amigão dos Bolsonaros e das milícias. Ele não era um foragido. Nem réu é ainda. Não há crime nenhum em abrigá-lo. O problema não está aí, mas no que parece ser um círculo de amizades que pode ser chamado de explosivo. O UOL chegou primeiro ao que pode ser o paiol de pólvora da turma.

Reportagem publicada no domingo informa que Maria Cristina Boner Leo, ex-mulher de Wassef, sua amiga ainda hoje - os dois são sócios em outro empreendimento -, é dona de uma empresa que já faturou, neste ano e meio de governo Bolsonaro, em contratos com a administração federal e com estatais, a bolada de R$ 41,6 milhões. A Global Outsourcing trabalha há tempos com o governo federal. Na gestão anterior, Dilma-Temer, levou quatro anos para atingir valor parecido: R$ 42 milhões.

Segundo a apuração do Ministério Público de Contas, o valor pago na gestão Bolsonaro é, na verdade, maior: R$ 26.085.973,18 no exercício de 2019 e R$ 20.014.583,61 em 2020, totalizando R$ 46.100.556,79.

O total dos contratos chega a R$ 250 milhões. A desculpa de que as relações são antigas não cola. Contratos foram renovados no governo Bolsonaro com aditivos que somam R$ 165 milhões. E outros novos foram celebrados no valor de R$ 53 milhões. Um espetáculo!

Dado notável: a Global Outsourcing não está mais em nome de Maria Cristina. Quem responde agora pela empresa é Bruna Boner Leo Silva, sua filha, junto com sócios da empresária em outros empreendimentos. Ela já foi condenada por improbidade administrativa em primeira instância, mas recorreu da decisão.

Também é ré por corrupção ativa em processo que corre na 7ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal relativo ao chamado mensalão do DEM - o escândalo que derrubou José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal. O MPF a acusa de 168 atos de corrupção e pede pena de 15 anos e dez meses de prisão, além de ressarcimento de R$ 43 milhões aos cofres públicos.

Maria Cristina e Wassef estão oficialmente separados, mas são muito próximos. No dia da prisão de Fabrício, por exemplo, o advogado estava em sua casa. A Global Outsourcing, claro!, repudia qualquer insinuação de privilégio.

AFINIDADES ELETIVAS
Já escrevi aqui sobre as afinidades eletivas da turma. Em 2015, o então deputado Jair Bolsonaro comprou uma Land Rover preta, blindada, modelo 2010, por anunciados R$ 50 mil, embora o valor de mercado, à época, fosse de R$ 77 mil. Quem vendeu? Uma empresa chamada a Compusoftware, que pertencia a Maria Cristina. O veículo foi posto à venda em abril do ano passado.

Bruna, a filha, tem o mesmo sangue empreendedor da mãe. É dona de uma outra empresa, a Dinamo Networks, que também conseguiu faturar um contrato com um órgão público - no caso, o Banco Central - no valor de R$ 1 milhão.

O enredo das afinidades não para por aí. Paulo Emílio Catta Preta, ex-advogado do miliciano Adriano Magalhães e que agora tem Fabrício em sua carteira de clientes, é amigo de Maria Cristina e a representa em dois de seus processos.

Lembra aquele poema de Carlos Drummond chamado Quadrilha: "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili..."

No caso, o enredo é mais complexo: Bolsonaro comprou um carro de Maria Cristina, que era mulher de Wassef, que era advogado de Flávio, que empregava Fabrício, que contratou Catta Preta, que advogava para o miliciano Adriano, que tinha mãe e mulher lotadas no gabinete de Flávio, que tinha como advogado Wassef, que abrigava Fabrício, que é amigo de Bolsonaro.

Para continuar com Drummond, agora apareceu no meio do caminho dessa quadrilha junina uma montanha de dinheiro: R$ 46,1 milhões já desembolsados pelo governo e por estatais e um montante em contratos fabuloso: um quarto de bilhão de reais. Que se faça o levantamento: poucas empresas, creio, sozinhas, mantêm vínculos tão profícuos com o governo federal.

O subprocurador geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público de Contas, entrou com uma representação junto ao Tribunal de Contas da União pedindo que se apure se Wassef teve alguma interferência na relação entre a Global Outsourcing e o governo. Na representação, ele discrimina a penca de contratos em vigência.

No "Quadrilha" de Drummond, um elemento chega de fora e desestrutura a cadeia de relações. Vamos ver nesse caso.
Miguel José Teixeira
23/06/2020 08:12
Senhores,

E o zeca, hein? Cada vez mais urubu!

"Wassef diz ter abrigado Fabrício Queiroz em Atibaia por razões humanitárias..." (UOL)

Primeiro nem o conhecia e nem imaginava como ele estava "hospedado" em seu "escritório" de Atibaia.

Apertem-no que, cada vez mais abichornado, entregará o paradeiro da primeira dama do senhor cornucópia.
Herculano
23/06/2020 07:53
NADA DOS VEREADORES DEBATEREM A REDUÇÃO DOS SEUS SALÁRIOS. HOJE É DIA DE SESSÃO E O PROJETO DE RESOLUÇÃO DO VEREADOR ROBERTO PROCóPIO DE SOUZA, PDT, CONTINUA PARADO E NA SUA PRóPRIA COMISSÃO.

JÁ O PREFEITO KLEBER EDSON WAN DALL, MDB, CONTINUA COM O SEU ALTO SALÁRIO DE R$27.356,69 INTACTO, ENQUANTO OUTROS, DE MUNICÍPIOS MAIORES, E SALÁRIOS MENORES, CORTARAM EM GESTO SIMBóLICO. ACORDA, GASPAR!
Herculano
23/06/2020 07:43
PGR ENCOSTA BOLSODIREITA NA ESQUERDA-MORTADELA, por Josias de Souza

A espontaneidade das manifestações de rua diminui na proporção direta do aumento do aparato de produção. Se confirmado, o uso de dinheiro público na organização e promoção de manifestações antidemocráticas do bolsonarismo reforçará a impressão de que, em política, nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

Durante anos, movimentos sociais como o MST e entidades como a CUT, braço e mão do PT nas arcas do Tesouro e do imposto sindical, patrocinaram atos de rua hipoteticamente espontâneos. Dizia-se à direita que a esquerda petista só conseguia encher o asfalto se oferecesse o sanduíche de mortadela.

Agora, vem à luz a suspeita de que o bumbo que promove a ida da infantaria da direita bolsonarista às ruas pode estar sendo financiado com verbas públicas dos gabinetes de deputados leais ao capitão.

Os deputados negam o desvio de verbas destinadas à divulgação dos seus mandatos para a promoção dos atos antidemocráticos. A Procuradoria-Geral da República diz ter colecionado evidências que indicam o contrário.

Há três coisas incômodas nesse episódio:

1. Manifestação bancada pelo déficit público seria inaceitável.

2. Deputados patrocinando atos ornamentados com faixas pró-intervenção militar seria intolerável.

2. A equiparação da bolsodireita e da esquerda-mortadela na prática de jogar dinheiro alheio pela janela seria mais uma evidência de que gastar verba pública como se fosse dinheiro grátis é um hábito comum a todas as ideologias.
Herculano
23/06/2020 07:36
PERGUNTAR NÃO OFENDE

Os mesmos prefeitos que defendem ferrenhamente a abertura do comércio e a volta da normalidade das suas cidades, são os mesmos que argumentam que não há condição sanitária para a realização de eleições este ano e defendem a prorrogação dos seus mandatos?

Com a palavra os prefeitos Kleber Edson Wan Dall, MDB, de Gaspar e Érico de Oliveira, MDB, de Ilhota, que alimentam as duas teses incompatíveis com o advogado da ideia na Câmara, o deputado Rogério Peninha Mendonça, MDB. Acorda, Gaspar!
Herculano
23/06/2020 07:27
CARTóRIOS TERÃO DE PREVENIR GOLPES CONTRA IDOSOS NA PANDEMIA

Conteúdo de O Antagonista. O corregedor-nacional de Justiça, Humberto Martins, determinou que os cartórios redobrem o cuidado na formalização de transações fraudulentas contra idosos durante a pandemia.

Deverão adotar medidas que previnam, por exemplo, antecipação de herança, movimentação indevida de contas, venda de imóveis, mau uso ou ocultação de bens, por exemplo, sem o consentimento do idoso.

Qualquer ato suspeito deverá ser imediatamente comunicado à Defensoria Pública, Polícia Civil ou Ministério Público.

Em 2019, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos registrou aumento de 19% em casos do tipo e prevê aumento neste ano com o isolamento social.
Herculano
23/06/2020 07:21
STF NEGA PEDIDO DA CÂMARA PARA ANULAR CONDENAÇõES DE PARLAMENTARES, por Renan Ramalho, em O Antagonista.

Por unanimidade, os ministros do Supremo rejeitaram uma ação que pretendia anular todas as condenações de parlamentares proferidas pelas duas turmas do tribunal desde 2014.

Naquele ano, o então presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (MDB-RN), questionou a mudança do regimento que tirou os julgamentos do plenário e levou-os para a Primeira e a Segunda Turma, composta por cinco ministros cada.

De quebra, ele queria a anulação das condenações - de lá para cá, foram ao menos 10, que incluem punições a políticos como Paulo Maluf, do PP; Paulinho da Força, Solidariedade; e Aníbal Gomes, do DEM.

Relator da ação, Gilmar Mendes argumentou, em seu voto, que o STF tem autonomia para mudar as regras processuais internas. A transferências dos processos para as turmas, afirmou, deu celeridade às ações sem comprometer o direito de defesa dos deputados e senadores.

"Acresça-se ainda que, para as hipóteses de decisões condenatórias não unânimes, nas quais podem surgir questões relevantes, o Regimento Interno prevê o recurso dos embargos infringentes", disse, em referência a recursos que podem ser apresentados ao STF contra as decisões das turmas.
Silvia Ferreira
23/06/2020 07:04
Ilhota em chamas!
Em tempo de pandemia,com as crianças em suas casas o que vemos? O senhor prefeito de Ilhota "bater depois assoprar". O senhor do Executivo, mandou o PL 13/2020 para Câmara aliada dele para aprovação, o que resultou em 5 votos à favor, 2 contra,2 ausentes. Mas no que se referia o PL 13/2020? A retirada de R$ 250.000,00 da Secretaria da Educação para a compra de mais lajotas e mais um empurrãozinho para deixar a praça mais bonita (os quase R$ 495.000,00 destinado para essefim, não foram suficientes para embelezar a praça da Barrosa ao seu gosto).Bateu!!!!
Aí em 22 de junho(ontem), o mesmo senhor entrega aos alunos (que estão em suas casas) as "novas" instalações da escola municipal Alberto Schmitt no Morro do Baú, agora ampliada! Tentou assoprar!!!
E ainda renderá muitos assuntos, afinal os tablets prometidos em campanha em 2016 estavam comprados e guardados.
Não da maneira que ele havia dito ("que todos seriam beneficiados com os tão esperados tablets"), não é bem assim! Afinal prometeu no ano eleitoral e os mesmos só serão vistos pelos alunos esse ano, caso eles retomem as aulas presenciais.
Bom o que esperar do nosso excelentíssimo prefeito, em ano de eleição???? Bora entregar os mesmos futuramente dando aquele tapinha nas costas que foi dado nas crianças ao receberem o material escolar no início desse ano e lembrar aos alunos que "se seus pais votarem no prefeito, teremos isso e muito mais no ano que vêm", será?????
Herculano
23/06/2020 07:00
'EXÍLIO DOURADO' DE WEINTRAUB VAI RENDER R$1,05 MILHÃO POR ANO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta terça-feira nos jornais brasileiros

A cadeira do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub na diretoria executiva do Banco Mundial é o que se pode chamar, sem exagero, de "exílio dourado". Como um dos 40 diretores, ele representará um grupo de países, para além do Brasil, que precisam referendar sua indicação. É da praxe que o façam. Weintraub vai morar em Washington (EUA) e embolsará US$200 mil (R$1.050.760) por ano, ou sejam, R$87.563 mensais. Sem contar um belo plano de saúde, extensivo a toda família.

TERÁ TRABALHO

Se de fato quiser honrar o belo salário, Weintraub terá muito o que fazer, acompanhando a economia e os projetos dos países representados.

OS REPRESENTADOS

Weintraub representará também Colômbia, Equador, Trinidad e Tobago, Filipinas, Suriname, Haiti, República Dominicana e Panamá.

GALERIA ILUSTRE

A diretoria a ser ocupada por Weintraub no Banco Mundial já foi exercida por gente do nível de Murilo Portugal, ex-presidente da Febraban.

CARGO TÉCNICO

O cargo do ex-ministro era ocupado por Fábio Kanczuk, que renunciou para assumir a diretoria de Política Econômica do Banco Central (BC).

JUSTIÇA LIQUIDA FALSAS ACUSAÇõES CONTRA EX-DEPUTADA

A Justiça demorou, mas não faltou, para a ex-deputada distrital Sandra Faraj, de Brasília: o TJ-DF concluiu serem falsas as acusações de uma empresa de comunicação sobre suposto "calote". Ela foi a vítima. Articulada na mídia, a empresa transformou veículos de comunicação em cobradores de uma dívida que a Justiça concluiu agora ser falsa. A campanha atingiu níveis de crueldade e covardia quando ela estava no auge de uma gravidez difícil, com o marido no exterior, a trabalho.

MÁ VONTADE ADICIONAL

A ex-deputada contava também com a má vontade dos "cobradores" em razão do fato de ser evangélica e politicamente conservadora.

CAMPANHA IMPARÁVEL

Sandra mostrou os recibos de pagamento carimbados e assinados, mas foi inútil. Diziam que eram "notas frias". Até pediram sua cassação.

CONDENAÇÃO PRÉVIA

Apesar das vitórias em duas instâncias, os ataques reiterados cobraram um alto preço: ela não foi reeleita.

FEDER É DO RAMO

A notícia sobre a iminente nomeação o secretário estadual do Paraná para o cargo de ministro da Educação foi antecipada com exclusividade pelo portal Diário do Poder. Renato Feder é do ramo: foi professor de matemática por dez anos, diretor de escola e gestor experiente.

GAROTA ESTÁVEL

O presidente Bolsonaro confirmou esta coluna e usou a mesma expressão para informar que a ministra Tereza Cristina (Agricultura) "tem estabilidade" no cargo. E ainda a chamou de "nossa garota".

HORA DE MOSTRAR SERVIÇO

O governador do DF, Ibaneis Rocha, cujas críticas precederam a queda dos ex-ministros Mandetta, Moro e Weinbtraub, disse ontem que Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) "precisa mostrar a que veio". Ele cobrou ações efetiva também dos ministros dos Transportes e da Mulher.

O QUE É BOM SE ESCONDE

Os profetas do caos alardeiam que foram mais um milhão de infectados pelo covid-19 em 8 dias no mundo, mas omitem o fato mais importante: em 10 dias foram um milhão de curas ou 100 mil por dia, em média.

AÍ TEM COISA

A Câmara já não está nem aí para o drama angustiante que a população enfrenta. Em meio à pandemia do covid-19 e quarentenas, Rodrigo Maia pautou para votar o projeto que... reformula o Código de Trânsito.

MAIORIA ESTÁ BEM

Ao site UnHerd, o cientista Karl Friston, informou que estudos revelam que "nunca foi 100%" a população suscetível ao covid19 e que no Reino Unido o grupo não-suscetível é de cerca de 80% da população.

PREFEITOS NÃO QUEREM, CLARO

Presidente da Confederação Nacional de Municípios, que representa prefeitos, Glademir Aroldi acha que não é possível realizar eleição em 2020, por falta de "condições sanitárias, econômicas" etc.

ECONOMIA SECUNDÁRIA

Com "trabalho" remoto dos deputados, o sistema de ar condicionado da Câmara tem ficado desligado, oficialmente, para evitar a propagação do Covid-19. Qualquer que seja a razão, o bolso de quem paga agradece.

PENSANDO BEM...

...tem deputado aparecendo tanto na pandemia, que deve estar torcendo para o surto do covid nunca passar.
Herculano
23/06/2020 06:51
da série: para o poder de plantão em Gaspar ler e compreender à importância desse tema vital para a saúde das pessoas - as mais vulneráveis e expostas socialmente - e a proteção do meio ambiente. Depois de três anos e meio, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e sua turma, incluindo o ex-presidente do Samae, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, não mexeram um palito pela implantação do projeto de coleta e tratamento de esgotos em Gaspar, mesmo ele estando pronto e com dinheiro rubricado rubricado em Brasília para ser iniciado. Não se trata de canos enterrados para esconder a que há de pior produzido pelos humanos e sua fedentina, mas proteger minimamente vidas e a natureza Acorda, Gaspar!

LEI DO SANEAMENTO É FERRAMENTA FANTÁSTICA DE INCLUSÃO SOCIAL, por Fábio Galindo, presidente do Conselho de Administração da Aegea ?Saneamento e Participações S.A., no jornal Folha de S. Paulo

Projeto é um salto de qualidade do ponto de vista jurídico e regulatório

Nesta semana, o Senado tem na pauta a votação do projeto de lei que trata do novo marco do saneamento no Brasil. Marco é seu nome. A relevância das alterações, a eclosão de um novo tempo, por si só, já lhe permite o batismo. O sobrenome é discutível.

O sobrenome mais conhecido, líder das apostas, é marco legal. O projeto é um salto de qualidade do ponto de vista jurídico e regulatório, trazendo previsibilidade e mais transparência para esse modelo de concessões adotado no país, com inúmeras normas que caracterizam evidente modernização da legislação.

Outro apelido de família que combina com o projeto é marco econômico do saneamento. A boa regulamentação do tema traz segurança jurídica, um excelente sinal para investidores, sobretudo para o capital robusto de longo prazo. Combinado segurança jurídica com a realidade econômica atual, na qual boa fatia do capital mundial de bilhões de dólares experimenta juros negativos, o timing é perfeito para a atração desse capital para o setor.

Enquanto o capital está em campo, à caça da economia real, em busca de projetos de longo prazo e escala, o Brasil apresenta sua alternativa: uma plataforma de investimentos em um setor atrativo, agora dotado de maior previsibilidade e segurança, à altura de países liberal-econômicos de primeiro mundo.

Também combina com o projeto chamá-lo de marco da retomada de investimentos. Estima-se que os investimentos necessários para a universalização do saneamento do Brasil sejam da ordem de R$ 600 bilhões em dez anos.

É inegável que esses recursos se materializam na contratação de profissionais, geração de empregos, aumento da renda do trabalhador, formação profissional, execução de obras de engenharia, aumento de consumo em geral, alimentação, transporte, combustível etc., aquecendo toda a cadeia econômica.

Mas o sobrenome que deve ser levado a registro ao marco, constando dos seus assentos de nascimento, é social. O projeto de lei é, acima de tudo, uma fantástica ferramenta de inclusão social. Esse é o seu verdadeiro DNA.

Do ponto de vista do saneamento básico, o Brasil é o país dos esquecidos. A combinação de crescimento populacional em uma ponta e redução de investimentos públicos na outra, por inúmeros motivos, ao longo de décadas, criou um enorme fosso social.

Vivemos um verdadeiro apartheid social, que divide os brasileiros em quem tem e quem não tem acesso ao saneamento básico em padrões mínimos de qualidade. Segundo dados do IBGE, o ônibus da história deixou quase 40 milhões de brasileiros sem água tratada e cerca de 80 milhões sem esgoto tratado.

A pandemia só fez descortinar essa grave mazela nacional e, como fruto positivo, uma discussão civilizada no Congresso em busca de soluções.

Os parlamentares construíram o consenso. Superaram a dicotomia estéril do público vs. privado. Superaram a discussão de meio e focaram o fim. Superou-se a discussão ideológica, mirando o resultado: Independentemente do meio, a meta é a universalização.

O marco sabiamente cria um espaço de coexistência empresarial, um ambiente de convivência harmônica entre empresas públicas e privadas, possibilitando a coexistência de modelos públicos, privados, ou misto -parcerias público-privadas - debaixo de regras de igualdade e concorrência; todos submetidos ao infalível critério da eficiência.

O marco é uma homenagem à meritocracia. Ecoa do Congresso, amplificado pela expectativa social, o mandamento de ordem da universalização. Não existe sociedade civilizada que não garanta a todo cidadão acesso à água e esgoto tratados, em padrões mínimos de qualidade.

Estamos às vésperas de assistir ao Brasil parir o marco do saneamento. Aposto no registro do sobrenome de marco social do saneamento do Brasil. Uma homenagem à igualdade entre brasileiros, uma devoção especial à dignidade humana, uma atenção nacional à voz rouca dos esquecidos.
Miguel José Teixeira
22/06/2020 19:49
Senhores,

Será que o zeca urubu é o homem que copiava?

Do texto de Josias de Souza replicado abaixo:

. . ."Se bater no Fred atinge o presidente. Eu e o presidente viramos uma pessoa só." . . .

Além de roubarem o "centrão" que era parte da quadrilha do ex e futuro presidiário lula e se apoderarem do "metamorfose ambulante", agora assumem aquela máxima: "lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo".
Herculano
22/06/2020 18:51
REITOR NOMEADO POR WEINTRAUB PODE VIRAR ALVO DO INQUÉRITO DAS FAKE NEWS, por Renan Ramalho, de O Antagonista

Dias Toffoli encaminhou a Alexandre de Moraes um pedido para investigar, no inquérito das fake news, o reitor Marcelo Recktenvald, da Universidade Federal da Fronteira do Sul, de Chapecó (SC).

Não eleito para o cargo, ele nomeado por Jair Bolsonaro na gestão de Abraham Weintraub.

Em tuítes recentes, ele sugeriu ligação de Alexandre Moraes com o PCC. Ao comentar a investigação tocada pelo ministro sobre ataques ao STF, escreveu que "um cabo e um soldado resolveriam essa questão" e insinuou que a Corte prepararia um golpe de Estado.

A inclusão de Recktenvald no mesmo inquérito foi pedida pelo sindicato dos professores de universidades federais, que apontaram conduta "indecorosa, indigna e incompatível com a honra do cargo".

No despacho que encaminhou o pedido de investigação a Alexandre de Moraes, Toffoli afirmou que "por evidenciar a suposta prática de possíveis crimes, é de todo pertinente que o presente feito seja submetido à Sua Excelência para ciência e deliberação".
Herculano
22/06/2020 18:33
CADÊ O TÚMULO?

Depois da publicação aqui em mais uma repercussão negativa na cidade com a ocupação irregular de terreno no cemitério de Gaspar, a ordem na prefeitura é de se achar uma solução e de forma rápida antes que outros cadáveres da incompetência fiquem expostos.

A penúltima informação dava conta que o terreno do Elpídio Luiz Schneider vai ser "desocupado" e livre para uso da sua família, que torce para não ser logo. Há uma burocracia, além do respeito e negociação, para a remoção do corpo lá enterrado.

Se a notícia é do óbvio, óbvio nunca foi a marca da atual administração. Então todos estão esperando o desfecho desta inusitada situação. Acorda, Gaspar!

Herculano
22/06/2020 18:26
ELOGIO DE FLÁVIO BOLSONARO A WASSEF EXALA MEDO, por Josias de Souza.

Formalmente, Frederick Wassef pediu para sair da defesa de Flávio Bolsonaro. No mundo real, ele foi retirado do caso porque ficou mais próximo da condição de investigado do que da posição de advogado.

Sob holofotes, o doutor insinua que Flávio e Jair Bolsonaro não sabiam que Fabrício Queiroz estava guardado num simulacro de escritório advocatício, em Atibaia. Os encontros no escurinho do Alvorada sugerem a hipótese de uma lambança compartilhada.

Em declarações enfileiradas desde sábado, após um ensaio de três dias, Wassef se diz vítima de uma "armação". E encosta sua turbulenta figura na imagem do capitão: "Se bater no Fred atinge o presidente. Eu e o presidente viramos uma pessoa só."

Num mundo regido pela lógica, a família Bolsonaro, sempre em pé de guerra, estaria torpedeando Wassef. Mas Flávio sorriu para o doutor numa nota 100% feita de elogios.

"A lealdade e a competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis", escreveu o Zero Um. "Contudo, por decisão dele e contra a minha vontade, acreditando que está sendo usado para prejudicar a mim e ao presidente Bolsonaro, deixa a causa mesmo ciente de que nada fez de errado".

As palavras de Flávio Bolsonaro são tão sinceras quanto o medo. Além de adular o preso Fabrício Queiroz, a primeira-família passa a mimar o advogado que gruda seu destino no futuro do presidente. "Viramos uma pessoa só."

A nota do primogênito revela que o medo tem muitos olhos. Consegue enxergar o insondável nas entrelinhas.
Herculano
22/06/2020 12:38
A CAMINHO DE UM NOVO RECORDE: 60 MIL MORTES. EITA, GRIPIZINHA DANADA
Herculano
22/06/2020 12:29
PAPO DE FUGITIVO?

Do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub no twitter:

aos que agiram diretamente (foram dezenas de pessoas) ou aos que oram por mim.

Aproveito para dizer que estou bem. Quanto à culinária internacional, ontem fiquei tentado a comer uns tacos, acabou sendo KFC.
Herculano
22/06/2020 12:27
MORO: "EU NÃO ENTREI ALI PARA SERVIR O MESTRE"

Conteúdo de O Antagonista. Sérgio Moro, na entrevista à Jovem Pan do Paraná, disse que sua preocupação no governo nunca foi "servir ao mestre".

"Eu permaneci fiel àquilo que eu assumi de compromisso, inclusive com o presidente e o país, quando deixei a magistratura. Quem não permaneceu fiel foram outras pessoas", afirmou o ex-ministro da Justiça.

"Eu tenho lealdades maiores. Eu não entrei ali no governo para servir ao mestre, eu não sou um servo do profeta. A forma de servir ao país é falando a verdade."
Herculano
22/06/2020 12:24
ACREDITEM, CAROS! DEVEMOS SER GRATOS POR BOLSONARO E QUEIROZ SEREM QUEM SÃO, por Reinaldo Azevedo, no UOL

Acabou a farra. Devemos, e peço que atentem para a ironia, ser de algum modo gratos a Fabrício Queiroz por continuar, mesmo escondido, a ser quem era. Imaginem se Jair Bolsonaro fosse mesmo um homem reto, fanaticamente apegado àqueles valores que ele solta da boca para fora, cercado de amigos de moralismo não menos severo, apegados a uma vida espartana, vocacionados para a moralização do processo político. A esta altura, só o chicote nos contemplaria, não é mesmo?

Até quarta-feira da semana passada, bastava que Bolsonaro se zangasse um pouco - e ele tende a se zangar por qualquer coisa -, e logo se falava em golpe. Como ele se expressa mal em português, com alguma frequência, a gente nem sabia o motivo da braveza.

Carlos, por seu turno, dizia coisas que nem pareciam deste mundo nas redes sociais, mas sempre convocando a voz das trevas. E Eduardo, o intelectual da família - para o padrão do clã, é claro -, soltava seus borborigmos filosóficos sobre ruptura institucional, ao mesmo tempo em que fazia lobby em favor de uma empresa de armas, tentando arrastar o Exército para o, digamos assim, negócio. E pronto!

Lá íamos nós, da imprensa, a fazer, sim, a nossa parte, mas ecoando, de algum modo, as ameaças imundas, ajudando a criar o caldo em que se cultivavam, além de coronavírus, outros patógenos - estes a ameaçar a democracia.

Lá íamos nós, da imprensa, a ouvir militares em off a anunciar que, com efeito, parte dos fardados andava mesmo insatisfeita com o STF, que estaria invadindo a competência do Executivo.

Lá íamos nós a interpretar sinais da caserna, ora porque os fardados falavam em excesso - os do governo ?", ora porque silenciavam: os da ativa.

Eis que vem à luz o decreto de prisão de Fabrício Queiroz na quinta-feira. E, então se assiste a uma espécie de conversão rápida de Bolsonaro à democracia, ainda que pela via do silêncio. Pronto! Acabou a vontade de falar em golpe. Imagino a melancolia de alguns fardados, com ou sem pijama, quando ficaram sabendo de detalhes do despacho do juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau.

Fabrício estava homiziado numa casa de Frederick Wassef, em Atibaia, advogado de Flávio Bolsonaro (consta que não mais desde este domingo) e, jurava ele, também do presidente, de quem é amigo e interlocutor habitual, sendo frequentador do Palácio. A família o chama "Anjo".

Apresentou-se de pronto para defender Fabrício o advogado Paulo Emílio Catta Preta, um defensor dos caros, que também advogava para miliciano já morto Adriano Magalhães da Nóbrega, chefão do tal Escritório do Crime.

Ficamos sabendo que a mulher de Fabrício, Márcia Oliveira de Aguiar, igualmente com prisão decretada, mas foragida, estivera em Minas com Raimunda, mãe de Adriano, para planejar, segundo o Ministério Público, a fuga de Queiroz. Participou da reunião Luís Gustavo Botto Maia, advogado de Flávio em causas eleitorais e um de seus homens de confiança.

Coloquem aí na conta: tanto a mulher de Adriano como Raimunda constavam da folha de pagamentos do gabinete de Flávio quando deputado estadual. O miliciano fez repasses para a conta de Fabrício no valor de R$ 400 mil.

O despacho de prisão traz a imagem de Fabrício pagando em dinheiro vivo mensalidades escolares das filhas de Flávio. Entre 2013 e 2018, 53 boletos passaram pelo mesmo expediente, totalizando R$ 153.237,65. O mesmo se deu com plano de saúde: 63 boletos em grana viva, num total de R$ 108.407,98.

Mesmo escondido em Atibaia - de onde saiu algumas vezes -, Fabrício procurava mexer seus pauzinhos. Ao receber uma mensagem de voz da própria mulher relatando dificuldades que um amigo do casal tivera com milicianos no Rio, ele promete intervir, deixando claro que tem acesso à cúpula da bandidagem. Instava, segundo conversas captadas, os envolvidos na rachadinha a não depor e coordenou, ao menos em um caso, o esforço para fraudar provas, tentando forjar assinaturas retroativas do ponto na Alerj para simular vida real de funcionários fantasmas.

O passado arrombou a fantasia golpista de Bolsonaro, o suposto moralista que teria vindo para acabar com os males do mundo. Golpe? Então o partido verde-oliva botaria suas armas a serviço do crime organizado, para entronizar o poder paralelo das milícias e para, em nome da pátria, oficializar o banditismo no poder?

Acho que não! Em matéria de desonra, ainda que indiretamente, as Forças Armadas já chegaram ao fundo do poço. É hora de bater em retirada, voltando às funções estritas que lhes reserva a Constituição. Fabrício é um problema de Bolsonaro, não do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. E quem se encarrega da questão, numa face, são o Ministério Público, a Polícia e a Justiça; na outra, é a política.

Todo golpe na democracia é uma desonra. Mas é preciso haver ao menos uma desculpa verossímil. Nesse caso, seria qual? A defesa da hora das forças paramilitares de Rio das Pedras?
Herculano
22/06/2020 10:00
MOISÉS MIRA NO FATOR INFLUÊNCIA, por Roberto Azevedo, no Making of

Nomear Rogério Siqueira para o Desenvolvimento Econômico Sustentável, que representa Joinville; Ricardo Stodieck para adjunto , um ex-secretário de Turismo de Blumenau; e Gilson Bugs, um pequeno empresário de Pinhalzinho, no Oeste, para presidente da Junta Comercial, é mais do que uma aposta do governador Carlos Moisés da Silva em direção à retomada do crescimento econômico.

A chegada deles ao governo, depois que Amândio João da Silva Júnior, de Rio do Sul, também empresário, entrou na Casa Civil, amplia a aproximação do Executivo com um dos segmentos que mais enfrentaram as medidas recentes de isolamento social e anteriores, como a nova política de incentivos fiscais ou a possibilidade de cobrança de ICMS sobre os agrotóxicos: o setor produtivo e do varejo.

Na boa cartilha da política, Moisés, que já incluiu o Conselho de Federações Empresariais, que reúne gigantes como a Fiesc, a Facisc, a Fecomércio e FCDL, no Conselho de Governança, há menos de um mês, promete ouvir os importantes líderes e atrai a representatividade deles para o seu lado, excelente argumento diante uma Assembleia recheada de adversários políticos.

FATO

A equação é muito simples, sem ser fácil: empresário influencia deputado, o inverso é absolutamente inverídico.

Quando precisará de forças para impedir a evolução de processos de impeachment ou mesmo, no futuro próximo, aprovar projetos fundamentais como a reforma da Previdência dos servidores públicos, Moisés terá aliados ferrenhos na trincheira dos empreendedores, não importa o porte.

NÃO TENHA DÚVIDA

O raciocínio é tão elaborado que o titular da Casa Civil veio da terra e da região de um dos maiores críticos do governador, o deputado e empresário Milton Hobus, presidente estadual do PSD, voz ativa na CPI dos Respiradores e, na maioria das vezes, no papel de real oposição.

Hobus reclama com frequência das medidas de combate ao Coronavírus e suas consequências, frequenta a bancada "Mick Jagger" na Assembleia e sempre foi muito próximo do ex-deputado Gelson Merisio (hoje no PSDB), que disputou o segundo turno em 2018 pelo PSD, tanto que conta com o empresariado para criticar Moisés.

APLAUSO

A exemplo do que ocorreu no anúncio de Amândio, o presidente da Facisc, Jonny Zulauf, elogiou as indicações de Siqueira, Stodieck e Bugs, e, em nota, deu a atender que eles se reuniram com a entidade e outras para debater a chegada ao governo, durante a semana.

A experiência deles no setor produtivo, o que significa levar o interesse empresarial para dentro do governo, e inclusive o fato do novo presidente Jucesc ter sido vice-presidente do Conselho Estadual do Jovem Empreendedor de SC (Cejesc).

NOVA POLÊMICA

Sob o pretexto de homenagear o novo corregedor da Polícia MiIitar, em Imbituba, em um post onde o tenente-coronel Daniel Nunes da Silva saudava a chegada de mais um integrante à guarnição, o deputado Jessé Lopes (PSL) fez mais uma das dele.

Prometeu para os policias: "cada vagabundo que colocarem no 'colo do capeta' eu pago o churrasco". O parlamentar há muito perdeu certas travas, mas oficiais da corporação curtirem o comentário do pesselista é algo para ser entendido.

MEIA VITóRIA, JÁ É VIT?"RIA!

Depois de 29 anos de disputa, iniciada no governo de Vilson Kleinübing (PFL), a Procuradoria Geral do Estado garantiu no STF uma vitória parcial do que até os postes sabiam: a mais alta corte reconheceu que o IBGE usou critério ilegal na demarcação dos limites marítimos, que beneficiou o Paraná, nos royalties do petróleo.

No popular, o instituto mudou a curvatura da Terra para dar sua decisão, e agora Santa Catarina, que teve sua demanda julgada parcialmente procedente "embora o STF não tenha incluído a totalidade da expansão", avalia o procurador-geral Alisso de Bom de Souza, "significa um grande avanço na projeção marítima da costa catarinense para efeito de pagamento de royalties".

RESPOSTA

Secretaria Estadual de Infraestrutura e Mobilidade enviou resposta à nota "Fiscal da Ponte", publicada na coluna dia 19 de junho, onde o deputado Bruno Souza (NOVO) afirma que o TCE aceitou a reclamação dele sobre a manutenção das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo, que ligam à Ilha de Santa Catarina ao Continente, em Florianópolis. Leia na íntegra:

"A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE), como órgão executor e fiscalizador das obras em Santa Catarina, esclarece que a atuação e fiscalização realizadas pelas equipes técnicas do órgão garantiram a reabertura da Ponte Hercílio Luz, em dezembro de 2019, assim como a primeira obra de manutenção a ser realizada nas Pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Machado Salles, iniciada em fevereiro do ano passado. O acompanhamento minucioso desta obra pelos técnicos da SIE apontou a necessidade da recuperação dos blocos estruturais das pontes, que foi iniciada no dia 1º
Herculano
22/06/2020 09:59
O GOVERNO BOLSONARO ESFARELA, por Leandro Colon, no jornal Folha de S. Paulo, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Vendo o precipício se aproximando, o presidente se segura no centrão.

O governo de Jair Bolsonaro acelera cada vez mais o passo para um esgotamento político irreversível. Fica a questão sobre até quando o país suportará essa sangria.

Sem ministros efetivos na Educação e na Saúde, o governo é negligente e omisso no combate a uma pandemia que já matou 50 mil e atingiu 1 milhão de pessoas em três meses.

O presidente foi encurralado pelo escândalo do ex-assessor do filho, o agora senador investigado no esquema de desvio de salário de assessores nos tempos de Assembleia no Rio.

Empresários e políticos aliados do Planalto são personagens principais dos inquéritos no STF que apuram atos antidemocráticos e disseminação de notícias falsas, as fake news.

Acuado, o governo lança mão de subterfúgios diplomáticos para facilitar a saída do país de um ministro demissionário para os Estados Unidos.

O presidente é alvo de investigação no Supremo pelas acusações de interferências no comando da Polícia Federal para atender a interesses pessoais e familiares.

Nem a economia salva. Afinal, por onde anda o natimorto Pró-Brasil, anunciado com pompa na escandalosa reunião de 22 de abril? Assim como não sabia onde estava Queiroz, Bolsonaro também não deve ter ideia do destino do programa.

Vendo o precipício se aproximando, o presidente se pendura no centrão. O mesmo centrão que fingiu prometer apoiar Dilma Roussef na véspera da votação que abriu seu processo de afastamento em 2016.

Bolsonaro emite escassos sinais de fôlego e tem exibido um semblante abatido, como ocorreu na quinta-feira (18) no vídeo da demissão de Abraham Weintraub e na live semanal.

Enfim, o Brasil vai aguentar mais dois anos e meio de um governo esfarelado?

As ações de cassação de chapa que correm no TSE são lentas e dependem de novos fatos, sobretudo do caso das fake news no STF. Outro processo impeachment certamente seria doloroso e desgastante para o país, mas Bolsonaro parece buscá-lo diariamente.
Herculano
22/06/2020 09:59
BRASILEIRO CONFIA MAIS EM BOLSONARO QUE BONNER, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Levantamento do Paraná Pesquisa para o Diário do Poder e esta coluna avaliou em quem o brasileiro confia mais, atualmente, se no presidente Jair Bolsonaro ou William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, alvo frequente de críticas dos bolsonaristas. O presidente foi escolhido por 37,9% do total, enquanto 32,6% acham que o jornalista merece mais credibilidade. Nenhum dos dois foi a escolha de 25,1% e outros 4,4% não sabem. O Paraná Pesquisa ouviu 2.390 pessoas em todo o País.

MAIOR DIFERENÇA

O presidente Bolsonaro tem a confiança de 42,9% dos homens, contra 31,2% de Bonner. É a maior diferença de toda a pesquisa.

EMPATE TÉCNICO

Entre as mulheres, a vantagem de William Bonner soma 0,3%: o empate técnico é de 33,8% a 33,5% de Bolsonaro.

FENôMENO NORDESTINO

O jornalista da Globo vence a disputa entre os entrevistados do Nordeste: 39,6% de confiança, contra 30,1% de Bolsonaro.

ÍNDICE DE CONFIANÇA

Em todos os outros recortes da pesquisa, o presidente Bolsonaro tem índice de confiança maior que o do jornalista que é símbolo da emissora.

COMITÊ DE CRISE NEGA POUCO CASO DE BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro montou no 2º andar do Palácio do Planalto, embaixo do seu gabinete, uma estrutura que desmente a própria atitude de subestimar o coronavírus. O Centro de Operações do Comitê de Crise da Covid-19 reúne 153 técnicos de todas as áreas federais, incluindo representantes de ministérios e agências reguladoras, que se revezam 24 horas por dia em um mutirão de combate aos efeitos da pandemia. O Comitê ocupa o Salão Oeste e também o "Salão Oval" do Planalto.

'SALÃO OVAL' É RETANGULAR

Jornalistas batizaram de "Salão Oval" a Sala de Reunião Suprema, que é retangular e tem duas mesas côncavas, para reuniões ministeriais.

TUDO EM TEMPO REAL

O Comitê de Crise instrui, com informações em tempo real, decisões que Bolsonaro possa adotar no combate à pandemia no Brasil e no mundo.

QUASE 25 MIL REPATRIADOS

Foi o Comitê de Crise que tratou da repatriação de 25 mil brasileiros surpreendidos no exterior com voos cancelados em razão da pandemia.

FAKE NEWS OFICIAL

Na mesma entrevista em que faz mais um discurso contundente contra notícias falsas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que o ex-ministro Weintraub foi economista do Banco Votorantim, "que quebrou". A piada é boa, mas Maia difundiu fake news: o banco não quebrou.

R$480 MILHõES

No Recife, muitos duvidam que a Câmara Municipal, controlada pelo prefeito Geraldo Júlio (PSB), aprove a CPI proposta pelo ex-secretário e vereador Jayme Asfora, para investigar suspeitas de corrupção na covid.

LÁ VEM FACADA

Wellington Fagundes (PL-MT), presidente da Frente de Logística e Infraestrutura, já defende que a única forma do setor aéreo sobreviver à crise da pandemia do coronavírus é "por meio de recursos do governo".

INTERESSES SUSPEITOS

O promotor Bruno Carpes estranha que ONGs financiadas por entidades estrangeiras estejam entre as entidades que obtiveram a liminar no STF proibindo a polícia de agir contra traficantes nas favelas do Rio. Ele acha isso questão de segurança nacional: "qual o interesse dessa gente?"

AGROMAIS

A Band lança nesta segunda o canal AgroMais, 100% dedicado à agroinformação. Com sede em Brasília, a redação e os estúdios estão interligados às principais capitais agrícolas do Brasil e do mundo.

SEM MANCHETES

Sem muito alarde, a Câmara analisa esta semana a criação de um escritório do Novo Banco de Desenvolvimento, o "banco dos Brics", no Brasil. Também analisa acordo para o País integrar o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, quem tem capital de US$ 100 bilhões.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Nesta segunda-feira (22) completam-se 12 anos desde a morte do comediante George Carlin, cujo monólogo "Os Sete Palavrões que Nunca Podem Ser Ditos na Televisão" está mais atual que nunca.

1984 OU 2020

O senador Ângelo Coronel, presidente da CPMI das Fake News, quer criar uma espécie de "impressão digital" de mensagens no Whatsapp, para punir quem quer que seja o autor de um conteúdo que "viralizar".

PENSANDO BEM...

...o levantamento do Paraná Pesquisa mostrou que se Bolsonaro está mal perante a opinião pública, a Globo está pior.
Herculano
22/06/2020 09:58
POR QUE O ZOON CANSA TANTO? por Ronaldo Lemos, Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo.

Por mais que a imagem tente nos enganar, o fato é que não estamos olhando para ninguém

Circulou pela rede nos últimos dias um vídeo do ministro Gilmar Mendes que captura o momento após ele participar de videoconferência por Zoom. Nos segundos finais da reunião, o ministro está ainda sorridente e cordial. Tão logo a reunião termina, sem saber que a câmera e o áudio estavam ativos, o ministro bufa alto e solta um sonoro palavrão.

Acredito que a maioria das pessoas irá se identificar com essa exasperação. O fim de uma videoconferência é realmente um momento singular, que mistura sentimentos como raiva, cansaço, estresse e alívio.

Surgiu até uma expressão em inglês para definir esse momento: "Zoom fatigue" (fadiga de Zoom), em referência à cada vez mais popular plataforma. A origem dessa fadiga tem razões que merecem análise. Fazer uma videoconferência longa com câmera ligada envolve um esforço de comunicação que não é nada natural.

Por mais que a imagem queira nos enganar que estamos olhando e interagindo com pessoas, a verdade é que não estamos olhando para ninguém, mas sim para uma tela.

Nas relações pessoais físicas, a interação em "tempo real" permite construir confiança mútua pela leitura de sinais como expressões faciais, postura corporal e o fato de os envolvidos estarem vivendo uma mesma experiência de tempo e espaço.

Já a convivência em uma videoconferência é sempre dissociativa. O tempo até pode ser o mesmo. Mas o espaço e as experiências compartilhadas são radicalmente diferentes. Uma pessoa pode estar fazendo a reunião da cozinha de casa, outra do escritório, outra do carro e assim por diante, cada uma em um contexto social e emocional totalmente distinto.

Além disso, é impossível ler com precisão os sinais de quem está do outro lado. O emissor não sabe como o receptor reage à sua mensagem. Ao mesmo tempo, todos ficam prisioneiros de um quadrado virtual fixo, determinado pela câmera.

Para piorar, há o problema de para onde olhar. Se o participante olha para a câmera, isso produz um efeito positivo no receptor, que fica com a sensação de estar sendo olhado "nos olhos". No entanto, gera um efeito contrário no emissor, que se desconecta da expressão facial da pessoa e passa a focar não um olho humano, mas sim o minúsculo e perturbador buraco negro da câmera, posicionada no topo da tela.

Se a decisão é olhar para o rosto da pessoa, ela pode estar posicionada no canto inferior esquerdo da tela. O ouvinte se conecta aos olhos dela, mas, para quem está falando, fica parecendo que a pessoa está com o olhar enviesado. Um desencontro total. O resultado de tudo isso é o cansaço, o estresse, a raiva e a frustração causados pela artificialidade das reuniões virtuais.

Ficam aqui duas singelas sugestões para mitigar o problema. Para os designers das plataformas, quando alguém falar, coloque o quadradinho da pessoa exatamente ao lado de onde a câmera estiver, e nunca em lugar oposto a ela.

Já para todos nós, que tal combinarmos o seguinte: é totalmente aceitável fazer uma videoconferência sem ligar a câmera. Isso reduz a dissociação entre tempo e espaço, o estresse e o desencontro entre os participantes. O ministro Gilmar Mendes e eu agradecemos.

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Herculano
22/06/2020 09:58
FATOS IN CONTESTÁVEIS. VERSõES RIDÍCULAS

De Mário Sabino, editor da revista eletrônica Crusoé, no twitter:

A versão de Wassef de que a sua casa em Atibaia era usada sem o seu conhecimento por Queiroz é tão ridícula quanto a de Lula não ser o dono do sítio na mesma Atibaia.
Herculano
22/06/2020 09:57
AMIM CELEBRA VITóRIA DE SANTA CATARINA PELOS ROYALTIES DO PETRóLEO, por Cláudio Prisco Paraído

O senador Esperidião Amin celebrou a conquista de Santa Catarina pelos royalties do petróleo. Na última sexta-feira (19), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceram que o estado estava certo ao alegar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) usou um critério ilegal na demarcação dos limites marítimos, que beneficiou o Paraná em prejuízo dos catarinenses.

Por sete votos a dois, o STF julgou a demanda ajuizada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) em 1991 parcialmente procedente.

- Tenho acompanhado há alguns anos a ação que o nosso estado de Santa Catarina impetrou no Supremo Tribunal Federal a respeito dos nossos direitos sobre o petróleo. Celebro que depois de tantos anos, quase 29 anos de demandas judicial, o STF tenha reconhecido os nossos direitos. O IBGE se enganou, conforme já reclamávamos em 1986. Produziu injustiça e prejuízo para Santa Catarina. Ainda vai demorar para que os nossos direitos sejam transformados em recursos financeiros para o nosso estado, mas esta vitória merece ser celebrada. Parabéns a todos. Os servidores públicos, governadores, políticos, imprensa, sociedade catarinense, que souberam esperar. Agora vamos cobrar o resultado efetivo, se Deus quiser - celebrou Amin.
Herculano
22/06/2020 09:56
DO TAMANHO DE UM COMETA, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

A gigantesca tarefa de evitar um golpe é, infelizmente, apenas uma. Há ainda a tarefa de solidariedade.

Ironicamente, um governo machista que cultua armas pode descrever seu maior abalo com um poético símbolo fálico: um pênis do tamanho de um cometa. Foi assim que Fabrício Queiroz descrevia o futuro que esperava o grupo em torno de Bolsonaro.

Ironicamente, Fabrício se escondeu no sítio de um amigo em Atibaia. E a operação que o encontrou foi denominada Operação Anjo, em homenagem ao advogado da família Bolsonaro, acusado, no passado, de bruxaria.

O Brasil é um desafio para os romancistas. A tempestade perfeita acabou se abatendo sobre Bolsonaro: inquéritos sobre fake news e manifestações ilegais, militantes presos, deputados com sigilo bancário quebrado.

E, finalmente, a prisão de Queiroz. Não era o homem mais procurado do país. Mas era o mais solicitado. De todos os cantos brotava a pergunta: onde está Queiroz? Queiroz estava escondido na casa do advogado da família Bolsonaro. Para uma operação no nível de segredo de Estado, é de um amadorismo comovente.

A exposição dessas operações suspeitas de Bolsonaro talvez o enfraqueça nas Forças Armadas, bicho-papão com que ele nos ameaça a cada momento. Os militares têm aceitado tudo. Desde os ataques à República até a necropolítica de Bolsonaro na pandemia de coronavírus. Nos ataques à Proclamação da República pelo menos ficaram calados, não os endossaram. Mas a política de Bolsonaro é executada por um general da ativa que quer nos entupir de cloroquina porque seu líder assim o determinou.

A sorte é que nem sempre acertará no alvo. Confunde hemisférios e coloca o Nordeste acima da linha do Equador, e chama Rio Branco de estado. Sua imprecisa pontaria geográfica talvez nos ajude a sobreviver.

Também entre os que esperavam um combate à corrupção, Bolsonaro vai se enfraquecer. Aliás já estava se enfraquecendo com a queda do Moro. Caiu nos braços do centrão e agora vem à tona o esquema de Queiroz e seus milicianos.

Não creio, entretanto, que a situação ficou menos tensa. Ao contrário. Quem se sente encurralado tem mais chances de buscar ações desesperadas.

Antes da queda de Queiroz, comecei a escrever um artigo partindo de uma frase de Skakespeare em Hamlet: "Ai ai de mim por ver o que vejo."

Era um artigo para lembrar que falhamos na pandemia, apesar do tempo de preparação. Perdemos mais gente, empregos e tempo por causa de nossa incapacidade nacional.

Estamos às vésperas de um novo desafio: uma profunda crise econômica e social. Onde Paulo Guedes vê um futuro brilhante, vejo suor e lágrimas, mais suor do que lágrimas, adaptando a famosa frase de Churchill aos trópicos.

A gigantesca tarefa de evitar um golpe é, infelizmente, apenas uma. Há ainda a tarefa de solidariedade e construção da mínima rede social num país que se dissolve.

Costumo dar como exemplo Paraisópolis. Imagino que sejam contra Bolsonaro, pois estive lá e vi como sofreram com a violência policial. Agora na crise, conseguiram uma ambulância, médicos, lugares para isolamento, criaram um sistema defensivo. Eles sabem que são tarefas do Estado, mas não podem esperar.

Uso esse pequeno exemplo para mostrar que em escala nacional não basta a grande batalha para derrotar o projeto autoritário de Bolsonaro. É uma luta que tomará tempo e, enquanto isso, o país continuará sangrando.

Tenho andado pouco pelas ruas. Mas percebo um número maior de gente em dificuldade. Conheço muitos moradores de rua do meu bairro. Alguns documento com fotos ao longo dos anos.

Nas poucas saídas, percebi que mudou a população de rua. Procuro alguns que conhecia e suspeito que morreram. Ao mesmo tempo, surgiram muitos novos, famílias inteiras.

A pandemia ainda nem acabou, e estamos diante de uma situação em que não podemos perder de novo. A imagem no exterior se evaporou. Nosso soft power - cultura, simpatia, natureza - foi para o espaço. O Brasil se isolou.

Mas ainda não desapareceu. Dai a histórica dimensão da tarefa. O único consolo é acreditar que a história não coloca problemas que as pessoas não possam resolver.
Herculano
22/06/2020 09:56
BRINCAR DE HOME OFFICE NÃO VAI ALTERAR A ORDEM DESIGUAL EM QUE VIVEMOS, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

Segundo o historiador Walter Scheidel, pandemia só alteraria desigualdade social se matasse milhões

Uma expressão que me causa especial desgosto é "o novo normal". Não porque não ocorram mudanças decorrentes de epidemias, maiores ou menores, mas porque no mundo de hoje, no qual o marketing é a ciência fundamental, tudo fica ridículo quando a intenção primeira é a venda de uma visão de mundo açucarada para deixar as pessoas ainda mais infantilizadas do que já estão.

Hoje vou indicar um dos antídotos que temos à mão: um livro. O autor, o historiador Walter Scheidel tem uma hipótese muito consistente, chamada de "os quatro cavaleiros da igualdade social", contra o montante de bobagens que anda circulando por aí, confundindo, como de costume, pensamento público com marketing de ideias.

Ele foi recentemente entrevistado nesta Folha, por ocasião do lançamento, no Brasil, do seu "The Great Leveler", lançado pela Princeton University Press em 2018 e que aqui ganhou o título de "Violência e a História da Desigualdade - Da Idade da Pedra ao Século 21".

Segundo o autor, a normalidade social por longos períodos sempre tende a acumular riqueza nas mãos dos mais ricos e a aumentar a desigualdade social. Só grandes devastações em larguíssima escala alteram a desigualdade - e, mesmo assim, após a normalização que se segue, a desigualdade retoma seu curso.

Para quem não lembra o que é desigualdade social ou pobreza em larga escala (sei da diferença conceitual entre as duas, mas não vou dar atenção a isso por aqui porque não é necessário), eu lembro: desigualdade social é o que faz com que políticas sanitárias na América Latina conhecidas como "lockdown" sejam, basicamente, cercar bairros periféricos ou favelas com alto índice de transmissão da Covid-19 e impedir que seus moradores circulem pela cidade, fazendo com que, assim, não contaminem o resto da população, inclusive parte da inteligência pública alienada.

Sei que belas almas entendem esse processo de maneira diferente, pois sempre confundem o Brasil com a Dinamarca, mas nada temos a fazer em relação a isso. Aliás, no mínimo dois países na América Latina colocaram esse tipo de política em prática, cercando seus bairros pobres.

Voltemos aos quatro cavaleiros da igualdade social. Segundo Scheidel, a desigualdade caminha passo a passo com a normalidade social. Os fatores dessa desigualdade surgiram já desde o Neolítico e se acentuaram com o tempo.

A sorte biológica (que se materializa em mais saúde e em boa hereditariedade tanto em relação a sua origem quanto em relação a sua descendência), as leis que normatizam a transmissão de riquezas materiais e imateriais (fator essencial para a tal segurança jurídica e comercial), as vantagens geográficas, a capacidade técnica de colher, cuidar e assegurar a riqueza acumulada, os governos e as religiões (instituições que trazem exatamente essa segurança), tudo isso são elementos da normalidade social e histórica.

A interrupção desse curso normal das coisas, contudo, só ocorre quando quatro fenômenos acontecem.

O primeiro são as guerras profundas, capilarizadas, amplas, industrializadas, duradouras - caso das duas guerras mundiais, das guerras napoleônicas e da Guerra Civil Americana, por exemplo. São conflitos com capacidade de matar pessoas em um nível gigantesco e de destruir a estrutura social, política e econômica existente.

O segundo fator são as revoluções, como a soviética e a chinesa, que mataram pessoas aos milhões e geraram uma guerra civil de capacidade devastadora.

O terceiro, a falência absoluta do Estado em uma determinada sociedade, levando ao caos social, político e econômico e debilitando a sociedade ao ponto de quase extinção.

O quarto? Pandemias. Porém, não esta pela qual estamos passando, que, até onde vemos, não terá nenhum efeito devastador se comparada a outras tantas. Trocando em miúdos, uma epidemia só consegue mudar alguma coisa de fato se matar milhões e milhões de pessoas, destruindo a sociedade de forma a ela não conseguir se retomada do ponto em que se encontrava.

Sim, apenas a destruição em massa de populações inteiras, instituições, redes de circulação de produtos e infraestrutura produtiva pode alterar a desigualdade social - e, mesmo assim, após a normalidade retomada a duras penas, a desigualdade tende a voltar.

Portanto, você e seu narcisismo brincando de home office não vão alterar nada na ordem desigual em que vivemos. Aliás, pelo contrário: deve piorar.

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