• Janeiro

Ministério Público quer que prefeito de Ilhota devolva diárias que pagou para o vereador ir a Brasília - Jornal Cruzeiro do Vale

Ministério Público quer que prefeito de Ilhota devolva diárias que pagou para o vereador ir a Brasília

25/07/2019

Ilhota em chamas I

Os políticos que costumam fazer de Brasília uma base do roteiro das suas viagens de turismo com dinheiro público e as disfarçam como de trabalho no exercício da política, que abram o olho. A promotora que cuida da Moralidade Pública na Comarca de Gaspar, Andreza Borinelli, acaba de pegar o ex-servidor municipal (um simples agente administrativo), ex-presidente da Câmara e vereador de Ilhota, Almir Aníbal de Souza, MDB, e o prefeito (mais uma vez), Érico de Oliveira, MDB, com a boca na botija. Do prefeito ela quer a devolução de R$1.785,49 em diárias aos cofres da prefeitura. É de onde saiu o dinheiro para cobrir o passeio de Aníbal. Andreza quer enquadrar o ato de Érico como de improbidade administrativa

Ilhota em chamas II

No inquérito, o vereador não conseguiu provar a razão e o benefício ao público da sua viagem dele a Brasília. Disse que foi convidado pelo prefeito Érico e para lá foi entre os dias 18 e 21 de dezembro de 2017. No inquérito, Almir confirmou o contato com o deputado Federal, Rogério Peninha Mendonça, MDB. Segundo ele no inquérito, com essa viagem, possivelmente teria contribuído com a liberação de R$250 mil numa emenda parlamentar de Peninha a Ilhota e doação de dois ônibus escolares para o município. Será? Nada provou. A lengalenga de Almir não colou e só ajudou a incriminar o patrocinador, parceiro e correligionário, o prefeito Érico que bancou a viagem com o dinheiro dos ilhotenses. A denúncia chegou anonimamente ao MP e depois do inquérito virou um angu contra os dois políticos de Ilhota.

Ilhota em chamas III

Este turismo é muito comum entre políticos, seus cabos eleitorais agregados e até familiares. Incomum é o Ministério Público perceber que aí está um jogo de compadres, gastando dinheiro público escasso, feito dos pesados impostos de todos nós. Se a moda pega – o de pegar essa gente -, muitos vão ter que devolver diárias, até ficar com mandatos e direitos políticos sob ameaça de perdê-los. Afinal por que ir a Brasília se o deputado trabalha somente de terça a quinta-feira lá para ficar o restante da semana na sua base eleitoral aqui atendendo exatamente os seus interesses políticos e dos cabos eleitorais? O prefeito e o vereador – que são notórios cabos eleitorais do deputado - não podem encontrar com o deputado por aqui? Isto sem falar que num mundo digitalizado, os deputados possuem cara e especializada estrutura – pagas pelo povo – lá em Brasília para atendimento burocrático remoto dos pleitos dos prefeitos e vereadores. Ai, ai, ai

Ilhota em chamas IV

O que conclui a promotora Andreza na Ação Civil Pública que mandou para a 2ª Vara da Comarca? “Aqui, inevitavelmente, a censura legal é dirigida àquele que se aproveita de uma função pública para angariar vantagem a que não faz jus, por qualquer artifício que venha a empregar, como abuso de confiança, tráfico de influência, exploração de prestígio, abuso de poder etc., como ocorreu no presente caso, quando os requeridos se valeram das prerrogativas de seus cargos para auferir vantagem ilícita, realizando viagem às custas do erário municipal, sem que, para tanto, restasse demonstrada a finalidade pública no deslocamento do então servidor, Almir Aníbal de Souza”.

TRAPICHE

Pergunta que não quer calar: o que será feito dos paralelepípedos da Bonifácio Handechen, no Distrito do Belchior, que serão retirados pelas obras de reurbanização? Vão jogar fora como aconteceu com a Rua Frei Solano, no Gasparinho, e que deu pano para manga depois de denunciado o descaso e desperdício? Não aprenderam a lição?

A maior parte dos paralelepípedos da Bonifácio foram doados ao município pela antiga Ceval e que fez o calçamento para a comunidade do Belchior.

Se as secretarias de Obras e Serviços Urbanos, a de Planejamento Territorial e a superintendência do Belchior tivessem sintonia e planejamento mínimo, elas já teriam não só anunciado a reutilização das pedras, bem como à lista de ruas que as receberiam a pavimentação no Distrito.

Ou estão, mais uma vez, esperando o caso ir parar como escândalo na imprensa, ou ser denunciado no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado?

Se aquela filmagem de uma draga extraindo areia quase na barranca do Rio Itajaí Açú, que o líder do governo, vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, mostrou há duas sessões na Câmara se não for um crime, o Termo de Ajustamento de Conduta para essa atividade por aqui é uma peça morta. Mais uma vez, falha a fiscalização do meio-ambiente do governo de Gaspar.

O tempo é senhor da razão. Há duas sessões contestando a oposição, o líder do governo Francisco Solano Anhaia, MDB, listou a revitalização da Pedro Simon, na Margem Esquerda, onde mora, como exemplo de obra feita com recursos municipais.

Ela tinha até uma emenda parlamentar R$500 mil do deputado Luiz Fernando Cardoso Vampiro, MDB, de quem Anhaia foi cabo eleitoral. Registrei que ela não tinha aparecido por aqui e a prefeitura teve que meter a mão no bolso dela para terminar a obra eleitoreira antes da eleição.

Na época, fui fortemente contestado. Agora e depois de um ano, o próprio vereador lava a minha alma, outra vez. O tempo é o senhor da razão.

O deputado Ivan Naatz vai deixar o PV devido aos atritos dele com os dirigentes, ou vice e versa. Por onde passa, a imprevisibilidade do político Naatz é cada vez mais previsível. Daqui a pouco vai faltar partido para ele se filiar.

Exemplo I. Em Blumenau, um gestor comissionado da Faema negociava para si propina para deixar o irregular se estabelecer. O prefeito de lá, Mário Hildebrandt, sem partido, não passou a mão na cabeça e mandou o cara – que continuava preso até o fechamento da coluna - para a rua, imediatamente.

Exemplo II. Na mesma semana um outro funcionário comissionado da prefeitura de lá teve que ser demitido após conclusão do Inquérito no MP que lhe foi francamente desfavorável. Nada de enrolação de Sindicância Interna muito comum em outras paragens.

Exemplo III. E para encerrar: o mesmo Mário Hildrebandt assinou um decreto que estabeleceu critérios gerais para idoneidade moral, reputação e principalmente perfil profissional ou formação compatível para a contratação de comissionados na prefeitura de Blumenau. Lá são 318. Uai. É o mínimo e óbvio, mas...

Exemplo IV. Para os cargos de confiança nível CC2, diretores é preciso ter uma destas três opções:  possuir experiência compatível ou em atividades correlatas, ter experiência de no mínimo um ano em cargo comissionado ou função gratificada em qualquer órgão público ou possuir formação na área ou afim.

Exemplo V. Se as exigências do decreto do prefeito de Blumenau fossem requeridas em Gaspar e Ilhota, praticamente desapareceriam os ocupantes dos cargos comissionados daqui. Em Blumenau, todos têm até o dia primeiro de setembro para avaliar os ocupantes e fazer a limpa dos que não se enquadram no decreto, inclusive na competência. Tudo isso ainda vai dar muita discussão.... Mas, é um começo. É o Brasil mudando. Acorda, Gaspar!

 

Edição 1911

Comentários

Herculano
28/07/2019 11:14
A SEGUNDA FACADA, por Ascânio Seleme, no jornal O Globo

Que país incrível esse Brasil. Quando você acha que já viu tudo, aparece uma gangue pé de chinelo invadindo celulares de juízes, procuradores, deputados, senadores, ministros de Estado, ministros de tribunais superiores, presidentes da Câmara e do Senado e até do presidente da República, para capturar dados e vendê-los no mercado obscuro da contrainformação.

Enquanto nos Estados Unidos operações dessa natureza são objeto de sofisticadíssimos esquemas de espionagem, algumas vezes operados desde Moscou, os quadrilheiros brasileiros operavam em um fundo de quintal em Araraquara.

O resultado dessa invasão, que terminou em lambança e domina o noticiário há mais de um mês, paradoxalmente pode servir a Bolsonaro como uma segunda facada. O efeito do hackeamento sem paralelo nos celulares de autoridades ocorre no pior momento pessoal de Bolsonaro. As bobagens que vinha construindo com palavras e atos, como a ofensa aos nordestinos, a indicação do filho para a embaixada de Washington, a declaração sobre a fome e o ataque à Míriam Leitão, podem acabar lavadas e enxaguadas da memória pelo episódio.

Com a facada de Adélio Bispo, Bolsonaro ganhou a eleição de 2018. Com a "facada" desferida agora pelos hackers de Araraquara, ao presidente foi dada a chance de recuperar parte do prestígio perdido ao longo dos seis primeiros meses de governo, período em que produziu mais barulho e fumaça do que conteúdo de qualidade em que pudessem se agarrar aqueles que votaram nele para impedir a volta do PT ao Planalto. É muito cedo ainda para dizer aonde vai dar a investigação deste caso, mas neste momento Bolsonaro se transforma mais uma vez em vítima.

Segundo o hacker Walter Delgatti Neto, ele foi obtendo os números de celulares à medida que ia invadindo contas do Telegram. Curioso é ter chegado ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept, através dos telefones do ex-governador Pezão e da ex-presidente Dilma, aliados do ex-presidente Lula, que deveria ser o maior beneficiário do vazamento. Foi por aí que ele alcançou a ex-deputada Manuela D'Ávila, a quem disse ter procurado para contatar Greenwald. As investigações, que ainda engatinham, vão explicar melhor o depoimento de Delgatti e se ele de fato repassou de graça o pacote de dados do Telegram de Deltan Dallagnol para o site, como declarou à PF.

Parece encomenda política, tem cara de encomenda, uma vez que Delgatti não tem perfil de quem faz ação de natureza política. Ao contrário, ele responde por crimes de estelionato, furto qualificado, apropriação indébita e tráfico de drogas. Mas pode muito bem ter sido uma simples picaretagem de estelionatário. Mesmo assim, os efeitos favoráveis a Bolsonaro já estão plantados. Colateralmente, Moro também ganha, já que o foco passou para os criminosos de colarinho sujo. E perdem Lula e PT.

Nenhuma dúvida de que a ação dos hackers foi um atentado às instituições. Mas tampouco se pode negar que o escândalo acabou sendo um achado para Bolsonaro. Ao lado do benefício político causado pela sua vitimização, a de Moro e a de seu governo, o presidente colhe os louros pela reforma da Previdência, embora não tenha se empenhado por ela, e pela liberação de recursos do FGTS, apesar do limite de R$ 500. Tem ainda a seu favor o melhor resultado na criação de empregos desde 2014 e a recuperação de mais meio bilhão de reais desviados da Petrobras.

Mesmo tendo usado um cocar na quinta-feira, o que em Brasília é tido como um sinal de azar na política, Bolsonaro parece pronto para surfar uma onda de sorte. Resta saber até onde vai a investigação sobre os hackers e se a Polícia Federal vai de fato cumprir seu papel republicanamente. Qualquer erro na condução desse inquérito que resulte em parecer estar a serviço de Bolsonaro ou de Moro, e contra o PT, pode ser uma bomba atômica na reputação presidencial. E, claro, é preciso esperar um pouco para ver se Bolsonaro não vai queimar rapidamente esse capital acumulado com mais algumas das suas.

UMA PERGUNTA

Por que pessoas que operavam no mercado sofisticado de bitcoin guardavam quase R$ 100 mil em dinheiro vivo dentro de um armário? Não existe a menor possibilidade de alguém comprar a moeda digital mandando reais pelos Correios. Carregar malas de dinheiro pra lá e pra cá, transportar dólares escondidos na cueca e guardar cédulas em caixas dentro de casa é mais parecido com coisa da história recente da corrupção nacional.

CARA DE ZAP

Alguém acha que Jair Bolsonaro tem cara de Telegram? Parece mais com o WhatsApp. Imagina se um presidente americanista como ele vai usar "essa coisa dos russos".

CUIDADO, BENZINHO

Pelo que viu e apurou Bela Megale, repórter e blogueira do GLOBO, Sergio Moro está bebendo demais. No restaurante em que gosta de jantar, o Avenida Paulista de Brasília, ele toma sempre uma garrafa de vinho tinto e "arremata" com dois chopinhos. Ministro, beba com moderação . Ou vão acabar dizendo que vossa excelência anda tenso demais. Razão para isso não lhe falta.

AFOGANDO MÁGOAS

Como se explica essa perseguição implacável do presidente Bolsonaro aos generais de dentro e de fora de seu governo? Talvez seja rescaldo da sua passagem pela caserna, da qual foi expelido com apenas 15 anos de serviço. Estaria descontando as mágoas acumuladas? Um presidente não precisa mostrar que tem autoridade e poder. Basta exercê-los.

DESTRUINDO FONTES

Bolsonaro está determinado a explodir todas as pontes que possam permitir um recuo estratégico em caso de extrema necessidade. Parece que na sua breve passagem pelo Exército ele não teve tempo de assistir às aulas de tática.

FALTOU APURAÇÃO

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto na terça passada, um ajudante de ordens se aproximou do presidente Bolsonaro enquanto o ministro Paulo Guedes discursava. Cochichou alguma coisa no ouvido do presidente, que abriu a boca e arregalou os olhos com ar abismado . Em seguida pegou o celular que o ajudante trazia na mão e falou com alguém por uns 30 segundos. Terminada a ligação, devolveu o celular para o ajudante de ordens, que se retirou. Bolsonaro ficou uns dez segundos refletindo, com olhar ausente. Em seguida falou alguma coisa baixinho para o vice-presidente, Hamilton Mourão, que fez cara de espanto. O que foi? Pode ter sido o momento em que soube que fora hackeado? Pode, mas não dá para garantir. A TV mostrou a imagem. E ficou nisso, ninguém reportou o susto que deixou lívido o presidente.

FILOSOFIA

Na reunião em que se anunciou a nova fórmula de saque do FGTS, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, disse que ninguém melhor que o cidadão sabe onde aplicar o seu dinheiro. Acrescentou que essa era a nova filosofia do governo. Se é assim, então porque não liberou tudo de uma vez? Solene, o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, explicou que ninguém ali estava fazendo mágica. Entendido. Não era filosofia nem mágica. O presidente da Caixa tomou a palavra para dizer que a turma do banco (ele inclusive) vai fazer um mutirão, trabalhando sábados e domingos, para liberar esta dinheirama toda. Ufa.

PRESIDENTE ROMPEDOR

Perigo! Perigo! Perigo! O ministro Paulo Guedes disse que é preciso descarimbar recursos, tirar dinheiro colocado em "chiqueirinhos" para realocá-lo onde as instituições públicas e os estados entenderem ser melhor. Segundo Guedes, apenas um "presidente rompedor", que ele reputa ser Bolsonaro, seria capaz de fazer isso. Mas não depende apenas do presidente, é preciso o aval do Congresso. Dinheiro carimbado é dinheiro que o Congresso determinou que seja gasto exclusivamente em uma atividade , para protegê-la exatamente de vontades políticas, muitas vezes casuísticas. Os recursos da educação e da saúde, por exemplo, são carimbados. Imagine se bastasse apenas a vontade do presidente para retirar dinheiro da educação. Pobre educação.

CASO A CASO

Há evidentemente alguns carimbos muito mal aplicados na economia nacional, que foram criados como forma de garantir dinheiro público para causas nem sempre necessárias ou republicanas. O "presidente rompedor" terá de mostrar força e articulação no Congresso para eliminar estes penduricalhos mamadores . Vai ter que negociar caso a caso e enfrentar lobbies poderosos.

FÉRIAS DE WEINTRAUB

O ministro da Educação saiu de férias. Segundo nota divulgada por sua assessoria, ele tem esse direito, embora esteja no cargo há menos de quatro meses. Ele é professor federal e tem férias vencidas. Muito bem ministro, bom descanso. Provavelmente sua excelência foi curtir um calorzinho na Europa . O problema não é o direito do ministro, mas o seu dever. Com tanta coisa para fazer, Abraham Weintraub deveria estar com gana de trabalhar. Mas, não.

DECEPÇÃO NO URUGUAI

Uma mulher voltou do Uruguai, na sexta, absolutamente desapontada. Foi a uma loja especializada comprar um baseado legal para fumar com o marido. Pediram a ela documento de identidade local. Ela não tinha porque é fluminense de Niterói. Disseram então que se tivesse um amigo uruguaio ele poderia comprar o produto. Ela levou um amigo, mas ele não estava cadastrado na loja.

Ficaram todos de cara. Segundo a brasileira desiludida, a liberação da maconha no Uruguai "foi uma enganação do nosso Mujica". Rsrs.
Miguel José Teixeira
28/07/2019 11:01
Senhores,

"Napoleão Ernardes já se movimenta como membro do PSD e prepara recomeço: retirou a letra "B" do sobrenome e da sigla partidária.
Miguel José Teixeira
28/07/2019 10:30
Senhores,

Afinal, o que pesa mais no nosso bolso:

1) manter o escritório de apoio de um inútil parlamentar ou

2) manter em cela especial o chefe da quadrilha PeTralha?

Respostas par Curitchiba. . .

Os senhores sabem quem é o Lafayette de Andrada (PRB-MG)que já torrou R$ 76,7 mil apenas este ano, conforme afirma o CH abaixo?

É descendente do Patriarca da Independência, Bonifácio de Andrada, cuja linhagem, segundo historiadores, participou da independência de diversos países.

Portanto tem pedigree.

Porém, isso não lhe dá moral, embora legal, para torrar recursos públicos.
Herculano
28/07/2019 09:49
NADA DISSO, por Marcos Lisboa, economista, presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005), no jornal Folha de S. Paulo

Reforma da Previdência mostrou que falta muito para que partidos participem das discussões com isonomia

Meu amigo e coautor, Samuel Pessôa, criticou a reação dos partidos de esquerda ao apoio de alguns de seus deputados à reforma da Previdência.

Samuel, corretamente, apontou a tática de guerrilha desses partidos que, quando estão na oposição, denunciam qualquer proposta do governo como subserviente a interesses indevidos.

Nos anos FHC, o PT e seus braços auxiliares foram contra o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a criação do Fundef. Durante o governo Temer, esses mesmos grupos foram insensíveis à grave crise herdada e tentaram impedir qualquer medida de ajuste.

Samuel, no entanto, erra ao afirmar que as mudanças na reforma da Previdência proposta pelo governo, como no BPC e na aposentadoria rural, decorreram de negociações com os partidos de esquerda.

Nada disso. As modificações foram obra de 13 partidos de centro, representando 291 deputados, que apresentaram um documento em março afirmando que apenas apoiariam a reforma caso aqueles pontos fossem revistos. Assim foi feito.

Houve negociação com grupos da oposição, mas os partidos de esquerda, como o PT, o PSOL, o PSB e o PDT, não aceitaram conversar e optaram pela velha tática de distorcer os fatos e rejeitar integralmente a proposta de reforma.

Foi de pouca serventia apontar o desequilíbrio das contas públicas e a imensa injustiça da nossa Previdência, que beneficia os grupos de maior renda. Como usual, os líderes dos partidos de esquerda estavam mais preocupados em desqualificar o outro lado do que discutir com cuidado propostas para enfrentar a alta taxa de crescimento do gasto com previdência que asfixia o setor público.

Para agravar, nossas regras atuais privilegiam a elite dos trabalhadores, seja do setor privado, seja do setor público. Assim, seria de se esperar que os partidos de esquerda estivessem genuinamente interessados em reduzir os benefícios para o andar de cima de modo a preservar os direitos do andar de baixo.

Em vez disso, os partidos de esquerda se ausentaram das discussões. É de tirar o fôlego que a sua liderança na Câmara se diga responsável pelas modificações realizadas no relatório do deputado Samuel Moreira.

A imprensa registra os poucos intelectuais vinculados ao PT, como Nelson Barbosa, e os deputados de esquerda que colocaram o país acima das disputas mesquinhas e defenderam a reforma da Previdência, ainda que com ajustes.

No mais, restam políticos que se autoproclamam defensores dos mais pobres, mas que fincaram trincheiras para proteger os privilégios das corporações do setor público.

A turma do palanque fica a gravar selfies enquanto a política trabalha.
Herculano
28/07/2019 09:44
O CORDÃO DOS PUXA-SACOS, por Vera Magalhães, no jornal O Estado de S. Paulo

Acólitos aplaudem patrimonialismo, nepotismo e ataques à ciência e à liberdade de imprensa

Minha avó paterna era uma carioca do samba. Adorava entoar marchinhas, com seu vozeirão rouco, a cada vez que um fato lhe chamava a atenção. Nas últimas semanas, me vem à mente dona Alduína cantando uma das suas favoritas, braços erguidos como se estivesse no bloco: "Lá vem/ O cordão dos puxa-saco/ Dando viva aos seus maiorais/ Quem está na frente é passado para trás/ E o cordão dos puxa-saco / Cada vez aumenta mais".

O puxa-saquismo do Brasil de 2019, que ela não viveu para ver, aceita condescender com patrimonialismo e nepotismo explícitos, ataques à ciência, manifestações de preconceitos variados, desrespeito diário à liberdade de imprensa e tentativas de suprimir atribuições de órgãos, agências e até outros Poderes. Em resumo: exercícios de um crescente autoritarismo para ver se cola. E com muita gente tem colado. Na base da passação de pano, se aperta uma casa no cinto do que passa a ser considerado "o novo normal".

Jair Bolsonaro só pode avançar de nariz empinado e com a arrogância dos que acham que não devem satisfações a ninguém porque se cercou de acólitos que só lhe dizem amém. Os seis primeiros meses de governo tiveram como uma de suas marcas o banimento de todo aquele que ousou questionar atos, comportamentos e decisões do presidente.

Foram para a Sibéria bolsonarista nomes como Gustavo Bebianno e Carlos Alberto Santos Cruz, no primeiro escalão, e outros menos conhecidos em estamentos inferiores do governo, sempre despachados com direito a esculhambação e destruição de reputações.

A maioria de quem sobrou entendeu que, ou se enquadra, ou dança. A exceção em termos de licença para divergir e tocar seu barco com liberdade, até aqui, tem sido Paulo Guedes, o "PG" na forma carinhosa pela qual é tratado por Bolsonaro. Mesmo quando interveio na seara do titular da Economia, como no caso em que tentou a todo custo arrancar vantagens para os policiais na reforma da Previdência, o presidente o fez com cerimônia e cuidado para não desautorizá-lo.

Por quê? Porque o futuro político do bolsonarismo depende de a economia dar certo. E porque Guedes não precisa do cargo de ministro para ter um futuro. E isso lhe dá liberdade para dizer "não" a Bolsonaro quando acha que deve, hoje em dia um privilégio quase exclusivo no primeiro escalão.

Pegue-se o exemplo de nomes como o general Augusto Heleno e mesmo o ministro Sérgio Moro. O primeiro assumiu com a fama de que seria o conselheiro de Bolsonaro. Exerceu essa missão com desvelo no início, ao dissuadir o presidente de ideias como a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e de flertar com a ideia de uma aventura militar na Venezuela. Mas se acanhou diante dos ataques das milícias bolsonaristas aos militares, que ceifou seu amigo Santos Cruz e direcionou suas bazucas contra ele próprio e o porta-voz Rêgo Barros.

Já Moro, tragado para a crise da Vaza Jato, penhorou na loja bolsonarista boa parte do capital político e social que construiu como juiz. Se quando aceitou o ministério havia uma análise de que era indemissível e Bolsonaro dependia mais dele que o contrário, hoje a cada dia o ministro depende mais do presidente e ata seu futuro ao do chefe.

Se formos descer a nomes menos brilhantes, as manifestações de puxa-saquismo são bem mais explícitas e constrangedoras. Aqueles que emprestam suas biografias a justificar até as decisões mais estapafúrdias do chefe deveriam prestar atenção à segunda parte da marchinha da minha avó: "Vossa Excelência / Vossa Eminência/ Quanta referência nos cordões eleitorais / Mas se o 'doutor' cai do galho e vai pro chão/ A turma logo evolui de opinião/ E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais".
Herculano
28/07/2019 09:40
da série: como o que o povo expressa nas redes sociais, aplicativos de mensagens e principalmente nas urnas, demoram para se tornar realidade nas mãos de políticos nos grotões, como Gaspar e Ilhota. Blumenau acaba de fazer a lição de casa.

CERCO AO CABIDE, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Governo Bolsonaro acerta ao fixar critérios para o preenchimento de cargos

O número de cargos de confiança na administração federal brasileira ficou tristemente celebrizado como uma anomalia internacional.

Aqui o presidente tem a preencher, com liberdade plena ou parcial, 24,3 mil postos de comando e assessoria no Executivo. Nos EUA, o caso conhecido mais próximo, são cerca de 9.000. Em grande parte do mundo civilizado, as cifras ficam na casa das centenas.

Da anomalia criou-se o mito, muito difundido no debate político, de que esses empregos representam parcela expressiva do gasto público - e, portanto, um atalho fácil para o ajuste orçamentário.

Trata-se de uma leitura equivocada do problema. Por aberrante que seja para padrões internacionais, a quantidade de nomeados está diluída em uma folha com mais de 1 milhão de servidores. A maioria dos cargos, aliás, abriga funcionários de carreira, que recebem remuneração adicional.

O dano provocado pelo excesso de postos é, isso sim, de ordem gerencial. A cada troca de governo, ou mesmo de um único ministro, mudam-se milhares de nomes na estrutura de tomada de decisões, não raro gerando paralisia.

Ademais, há de tudo nesse contingente: quadros mais qualificados dos ministérios ou cedidos por outros órgãos, profissionais recrutados na iniciativa privada e também apaniguados de partidos políticos sem nenhuma qualificação.

A justa indignação da opinião pública com o cabide de empregos, que chegou ao auge na perdulária administração petista, levou o governo a se mexer. Em diferentes proporções, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (MDB) estabeleceram fatias mínimas dos cargos destinadas exclusivamente a servidores de carreira.

O mais importante, porém, começa a ser feito agora. Sob Jair Bolsonaro (PSL), criaram-se critérios de qualificação acadêmica e profissional para o preenchimento dos postos de livre nomeação, bem como a exigência de ficha limpa. Esses parâmetros acabam de ser estendidos a outras 76,1 mil funções da administração federal.

Por óbvio, não basta encher um decreto com boas normas ?"estas, como mostra a experiência nacional, podem ser dribladas ou mal empregadas. Há que superar uma longa tradição de aparelhamento partidário da máquina pública.

Um passo fundamental é avançar em transparência. Os mecanismos de consulta ao quadro de pessoal do Executivo perderam em clareza nos últimos anos. Nos demais Poderes, a situação se mostra pior.

A atração de especialistas do setor privado é desejável, e mesmo indicações de caráter político são normais em democracias. Devem seguir, porém, limites e condições compreensíveis à sociedade.
Herculano
28/07/2019 09:36
RELAÇÃO PESSOAL, por Merval Pereira, no jornal O Globo

Nos últimos dias tivemos várias demonstrações do governo brasileiro de que não mede esforços para ter o apoio dos Estados Unidos. Desde o caso dos navios iranianos, que a Petrobras não queria abastecer com receio de sanções americanas, até a nomeação esdrúxula do filho de Bolsonaro para a embaixada dos Estados Unidos. A questão não é legal, é moral, é ética, de imagem do país.

Se havia alguma dúvida de que o presidente aposta na aproximação pessoal com Trump, através de seu filho Eduardo, o próprio Bolsonaro revelou candidamente o que está por trás da nomeação: pretende que empresas americanas venham explorar minérios nas reservas indígenas.

Surpreendente para quem vive desconfiando de que a intenção das ONGs é roubar nossas riquezas, ou transformar a Amazônia em território internacional.
De qualquer modo, a história mostra que não existe essa "relação pessoal" na política externa dos países. A Academia Brasileira de Letras (ABL) encerrou na quinta-feira um ciclo de palestras sobre o legado do Barão do Rio Branco para a política externa brasileira, e é interessante entender como regredimos ao tempo de Rio Branco, quando o mundo era outro e o país necessitava mais do que nunca se tornar um aliado confiável dos Estados Unidos, que começava a tomar a dianteira como potência hegemônica.

O embaixador Gelson Fonseca fez um balanço da nossa política externa a partir dos parâmetros estabelecidos por Rio Branco. Àquela altura, os EUA queriam "organizar" as Américas, e uma das maneiras era estabelecer meios de resolver os problemas entre os países e seu bom comportamento financeiro, criando um órgão com sede em Washington que bem pode ser a origem do Fundo Monetário Internacional.

Na Conferência de Haia, o tabuleiro é o das potências européias, que partem da ideia de que algumas Nações, por razões de poder, devem ter mais influência no processo decisório do que outras. Os EUA tinham a garantia de que entrariam neste mundo, sem problemas, ressaltou Gelson Fonseca. Nós tínhamos a ilusão de que podíamos entrar. Os dois momentos difíceis foram quando se discutiu a composição do Tribunal de Presas e a do Tribunal Arbitral.

As propostas endossadas pelos EUA eram um tanto humilhantes para nós e, a despeito de que nenhum dos dois tribunais foi para a frente, fomos obrigados a sair do jogo.

A mesma coisa aconteceu em 1945, como consequência da Segunda Guerra Mundial, quando da criação da Organização das Nações Unidas (ONU). O diplomata Eugênio Garcia escreveu um trabalho sobre como o Brasil quase fez parte do Conselho de Segurança da ONU, meta que tentamos alcançar até hoje, sem perspectivas de vitória.

O Presidente Franklin Roosevelt acalentava a ideia de implantar um sistema chamado por ele de "tutela dos poderosos", a cargo dos Quatro Policiais: Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Soviética e China, aos quais depois se somou a França, para formarem o Conselho de Segurança da ONU.

Mesmo ausente de Dumbarton Oaks, o Brasil, devido ao apoio de Roosevelt, foi o único país a ser cogitado naquela Conferência como possível detentor de uma sexta cadeira permanente no Conselho.

A Conferência de Yalta aconteceu quando a conjuntura já havia em parte mudado, inclusive, no processo de negociação, com a morte de Roosevelt. Ficara para trás a importância estratégica que o Brasil teve na luta contra o Eixo (bases aéreas no Nordeste) ou na contenção da Argentina "antiamericana".

Quando Truman assume, não era mais imperativo cultivar a amizade de Vargas ou tolerar abusos de seu regime personalista. Quando mais o governo brasileiro ansiava pelo reconhecimento de sua lealdade, colhendo os frutos da relação especial que pensava manter, os EUA já não privilegiavam o Brasil como antes.

O embaixador Marcos Azambuja, outro palestrante no ciclo da ABL, ressaltou que o atual Governo adota uma conduta que nos afasta, de forma radical, do espírito mesmo das posições que expressamos ao longo de nossa história. Para Azambuja, não parecemos estar mais, como costumávamos, no âmago do grupo dos formadores do consenso internacional sobre as grandes questões da atualidade: meio ambiente, desarmamento, direitos humanos, problemática do Oriente Médio e várias outras.
Herculano
28/07/2019 09:33
COMPETIÇÃO MACABRA: QUEM É MAIS VÍTIMA, QUEM É MAIS CRIMINOSO NESSA CRISE DOS HACKERS, por Eliane Cantanhede, no jornal O Estado de S. Paulo

Há uma competição macabra: quem é mais vítima, quem é mais criminoso nessa crise dos hackers.

Ao trocar a condição de juiz pela de ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro transformou a própria vida num inferno e agora combina, perigosamente, as condições de vítima, suspeito e chefe das investigações sobre o ataque aos celulares de autoridades dos três Poderes da República. A competição é macabra: quem é mais vítima, quem é mais criminoso.

Moro, PF, MP e governistas descarregam as baterias em Glenn Greenwald, que divulga os diálogos no site The Intercept Brasil, mas miram mesmo é nos responsáveis políticos e estão se aproximando do PT, principalmente com a revelação de que Manuela D' Ávila (PCdoB), vice de Fernando Haddad (PT) em 2018, foi a intermediária entre hackers e Greenwald.

Já o PT, o PDT, boa parte do Congresso e até ministros do Supremo aumentam a pressão sobre Moro, seja pelo "Lula livre", por serem eles próprios alvos da Lava Jato ou simplesmente por terem uma visão mais rígida da Justiça, contrária aos métodos da operação.

Eles, que já condenam os diálogos vazados entre Moro e Deltan Dallagnol, ganharam munição pesada com três erros formais do ministro: demonstrar que teve acesso a informações sigilosas da Polícia Federal, ao avisar os atingidos; anunciar que o material hackeado seria destruído, o que seria em seu próprio benefício; endurecer o processo de expulsão de estrangeiros justamente no meio da tempestade envolvendo o americano Greenwald.

Há justificativas para esses erros. Afinal, é hipocrisia do PT e do PDT considerar "espantoso" Moro ter acesso a dados de investigação da PF, vinculada à Justiça. O ex-ministro José Eduardo Cardozo, do PT, não tinha? Além disso, Moro diz que não viu a lista nem os diálogos hackeados, só soube das principais autoridades atingidas e cumpriu seu dever de avisá-las, a começar do presidente da República.

Ao falar em destruição das conversas, a sensação que passou foi de que ele está louco para incinerar seus próprios diálogos, quando era juiz e ícone da Lava Jato. Como a PF tratou de corrigir, só a Justiça pode destruir material que possa servir de prova em processos. Em favor de Moro, pode ter sido só um escorregão, uma fala impensada.

Quanto ao processo contra estrangeiros, a primeira reação foi fortemente negativa, no pressuposto de que visaria a deportação de Greenwald, o, digamos, algoz do ministro. Mas, como Moro diz, e comprova com os termos da decisão, ela não tem nada a ver com o americano, que, segundo ele, "nem é investigado". Os alvos, alega, são os suspeitos de terrorismo e de tráfico de drogas. Mas podia ficar para depois, ministro. Evitaria mais lenha na fogueira.

O fato é que o Brasil não está dividido só entre direita e esquerda, mas entre os que querem crucificar Moro e os que tentam trucidar Greenwald e chegar ao PT. Quem não pretende nem uma coisa nem outra, só quer a verdade, deve ver, ouvir, ler e refletir sobre tudo com muita atenção. Por trás de cada grupo, há interesses e intenções muitas vezes políticas, outras tantas ainda mais complexas.

Como fato, a oposição a Moro está a mil por hora. No Congresso, alvos da Lava Jato ou amigos de Lula armam a convocação do ministro para depor e há quem fale até em CPI. No Supremo, os "garantistas" avessos aos métodos do juiz Moro e agora críticos às ações do ministro Moro têm um instrumento à mão: o pedido de suspeição dele em processos contra Lula. Agosto vem aí fervendo.

O Planalto, que mantinha prudente distância até ontem, quando Bolsonaro previu "cana" para Greenwald, defende enquadrar os hackers na Lei de Segurança Nacional, ou seja, tratá-los como terroristas e espiões que ameaçam a República. Eles, porém, são peixes miúdos nessa guerra.

Agosto, mês das bruxas na política, vem aí com o País, Moro e Greenwald na fogueira
Herculano
28/07/2019 08:17
TINTA POLÍTICA SE ACUMULA NO DEBATE SOBRE HACKERS E MENSAGENS, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Embate sobre Moro e nome de Manuela acirram disputa partidária em torno do caso

O deputado Filipe Barros, do PSL, saiu indignado às redes sociais para anunciar um pedido de prisão de Glenn Greenwald. Jogando para sua plateia, ele afirmou que o jornalista do site The Intercept deveria ir para a cadeia por sua proximidade "evidente" e pelos "fortes indícios de financiamento" dos hackers presos pela Polícia Federal.

O parlamentar preferiu ignorar os significados das palavras "evidência" e "indício". Enquanto investigadores ainda colhem depoimentos e abrem focos de apuração, alguns políticos se antecipam para fazer uma exploração rasteira do caso.

Para surpresa de poucos, o deputado do PSL resolveu atacar as liberdades garantidas pela Constituição e disse que Greenwald é coautor de um crime. Como se sabe, um jornalista tem o direito de publicar informações que recebe, mesmo que os dados tenham sido originalmente obtidos de maneira ilegal.

No jogo de xadrez iniciado com o vazamento de mensagens da Lava Jato, disputa-se para ver quem dá a pancada mais forte para quebrar o tabuleiro e acabar com a partida. As regras não importam e parece haver pouca gente interessada em esperar os próximos movimentos.

As tinturas políticas se acumulam. O PT também acionou a Procuradoria-Geral da República e pediu a prisão de Sergio Moro. A sigla diz que o ministro teve acesso ilegal a informações do inquérito sobre os hackers. De fato, o ex-juiz procurou autoridades para avisar que elas haviam sido atacadas, mas não se sabe se Moro teve acesso aos diálogos.

Até agora, a investigação descobriu que o hacker conseguiu contato com Greenwald depois de ter procurado a deputada estadual Manuela d'Ávila, do PC do B. Ela confirmou a intermediação e disse que não conhecia a identidade do homem.

A revelação leva o caso a novos canais políticos. Embora muitos detalhes do caso ainda precisem de explicação, a disputa partidária certamente se encarregará de embaçar as discussões sobre as circunstâncias do vazamento e sobre seu conteúdo.
Herculano
28/07/2019 08:13
da série: a vergonhosa jogada dos políticos. Deputados e senadores comem milhões dos nossos pesados impostos para sustentar escritórios nos estados para atender seus interesses e cabos eleitorais de luxo como vereadores e prefeitos. E eles, por sua vez, comem outros milhões dos nossos pesados impostos para ir a Brasília dizer que vão visitar, pedir e tirar fotos com papelinhos em favor dos pleitos locais. Rouba-se dinheiro público escasso, engana-se o eleitor nas duas pontas. E os políticos, cantam grosso para quem enganado quer mais transparência sobre esse tipo de crime escancarado. Além do que, senador e deputado só trabalham em Brasília, praticamente terça, quarta e quinta, alegando que precisam estar nesses escritórios estaduais ou percorrendo nos municípios do seu estado, atendendo os políticos da sua base.


ESCRITóRIOS POLÍTICOS CUSTAM MILHõES AO CONTRIBUINTE

Escritórios políticos de parlamentares já custaram ao contribuinte mais de R$ 10 milhões entre janeiro e julho. Na Câmara o total ultrapassa R$ 8,4 milhões e no Senado já foram R$ 1,6 milhão. Tudo pago através da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar, o "cotão", com o qual deputados e senadores podem ser ressarcidos por quase qualquer despesa que venham a ter, incluindo aquelas dos "escritórios de apoio".

QUASE TODOS

No Senado, 71 dos 81 senadores pagam o aluguel ou algum outro tipo de custo do "escritório de apoio" através do cotão.

NA CÂMARA TAMBÉM

Na Câmara, 508 dos 513 deputados federais registram gastos com a "manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar".

NÚMERO 1

O deputado que mais gastou com o escritório foi Lafayette de Andrada (PRB-MG): R$ 76,7 mil apenas este ano. Três do "top 5" são mineiros.

MINEIROS CAROS

Os mineiros Patrus Ananias (PT) e Aécio Neves (PSDB) gastaram R$ 69,1 mil e R$ 61,5 mil respectivamente com seus "escritórios de apoio".

TOMA-LÁ-DÁ-CÁ À BRASILEIRA NÃO REPUGNA ESPANHóIS

Tem muito de Brasil na crise que derrubou o governo da Espanha. Os espanhóis chamam de "negociações políticas naturais" o velho toma-lá-dá-cá que tanto repugna os brasileiros. O governo socialista de Pedro Sánchez caiu porque perdeu apoio do Podemos, partido de esquerda (da turma que liderou os protestos estudantis em 2012), anulando a precária maioria que o sustentava. No Parlamentarismo é assim: sem maioria, o governo cai. O PSOE não cedeu e haverá nova eleição.

ESCOLA PETISTA

A imprensa política espanhola critica a confusão mental dos líderes do Podemos, não as suas exigências no melhor/pior estilo PT-PMDB.

OLHO NO ORÇAMENTO

Para seguir governista, o Podemos exigiu 5 ministérios fortes, de "porteiras fechadas", incluindo vinte órgãos de orçamentos siderais.

Só FURANDO POÇO

O PSOE contrapropôs 7 ministérios menos importantes ao Podemos, que recusou. Afinal, como se diz no Brasil, nenhum deles "fura poço".

SAQUES MILAGROSOS

A previsão do Ministério da Economia é que os saques do FGTS e Pis/Pasep vão diminuir o desemprego: a população ocupada com carteira aumentará em 5,6%. Serão 2,9 milhões de empregos formais.

COMPARAÇÃO

Os 750kg de ouro roubados no Aeroporto de Guarulhos (SP) valem mais de R$ 110 milhões. É quanto a Polícia Federal diz que o tucano Aécio Neves captou para "comprar apoio à candidatura presidencial".

TODOS, MAS NEM TANTO

Os senadores Márcio Bittar (MDB-AC) e Eduardo Girão (Pode-CE) apresentaram projeto para vender os mais de 500 imóveis funcionais do Congresso. Mas estão fora da lista as residências dos presidentes do Senado e da Câmara, e imóveis de ministros do Supremo.

21 ANOS DEPOIS

Apesar de ter sido extinta oficialmente em junho de 1998, a Companhia de Colonização do Nordeste (COLONE), ex-subsidiária da Sudene, ainda remunera pelo menos um servidor público federal.

NUNCA ACABA

Até a fundação Perseu Abramo (do PT) admite que a prisão de hackers por invadir o celular do ministro Sergio Moro e de outras autoridades fortalece o discurso do ex-juiz, "mas não dá fim aos questionamentos".

EPITÁCIO 100 ANOS

Há exatos 100 anos, em 28 de julho, tomava posse como presidente o mineiro Epitácio Pessoa, que venceu a eleição enquanto representava o Brasil na França. É caso único na história da República brasileira.

MUITAS PRIORIDADES

Presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet diz: reformas tributária e da Previdência, pacto federativo, pacote anticrime, decreto de armas e medidas de desburocratização serão as prioridades no 2º semestre.

BOA MEDIDA

A partir da última sexta-feira (26), a lei passou a proibir a nomeação em cargos públicos de confiança no DF de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha, Estatuto da Criança e do Adolescente, ou Estatuto do Idoso. Também são barrados os condenados por crimes eleitorais.

PERGUNTA NA LEI

Pedir acesso a conteúdo roubado é crime?
Herculano
28/07/2019 07:59
Recomendo a leitura abaixo de ARMSTRONG PISOU NA LUA E ERROU DE HOSPITAL

Parece com algo que vivenciamos aqui no Hospital de Gaspar, mas que poucos vão atrás da reparação.
Herculano
28/07/2019 07:49
A QUESTÃO DO CONTEÚDO DOS GRAMPOS PERSISTE, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

A ideia de Moro de destruir as mensagens era primitiva e cheirou mal

A Polícia Federal fez um serviço de primeira localizando e prendendo a quadrilha que invadiu os celulares de centenas de autoridades, inclusive do presidente da República, do ministro Sergio Moro e de procuradores da Lava Jato. Um deles tinha antecedentes criminais e confessou ter sido o remetente dos grampos para o site The Intercept Brasil. Como isso foi feito e se era gratuito, como ele diz, só a investigação poderá esclarecer. Resta saber se Glenn Greenwald conhecia a extensão do crime de sua fonte. Essa é uma perna da questão.

A outra perna está no conteúdo das mensagens já divulgadas e ela continua no mesmo lugar. Os procuradores blindaram-se na recusa a comentar o que apareceu nos grampos. Muitos deles, como Sergio Moro, dizem que já apagaram os arquivos. Se o serviço da PF foi de primeira, essa blindagem é de quinta. A ideia de Moro de destruir as mensagens era primitiva e cheirou mal.

Na forma, o crime cometido pelo invasores dos celulares foi peculiar. Eles atacaram dados de centenas de pessoas e seus antecedentes afastam a ideia de que houvesse interesse público na operação. A questão do conteúdo é outra.

Não passa pela cabeça de ninguém querer apagar da memória dos americanos as revelações contidas nos famosos "Papéis do Pentágono" que expuseram documentos relacionados com a Guerra do Vietnã.

Eles foram furtados por um consultor do Departamento de Defesa. Indo-se mais longe, também, não passa pela cabeça dos americanos passar a esponja em cima dos documentos furtados por oito ativistas católicos que invadiram um escritório do FBI na Pensilvânia numa noite de março de 1971. Eles levaram perto de mil documentos. No meio estavam as provas de que o FBI espionava militantes pacifistas, artistas e negros, difamava pessoas e manipulava jornalistas.

Cópias de documentos foram mandados para o New York Times, o Los Angeles Times e o Washington Post. O governo tentou impedir a publicação e divulgou uma nota advertindo que eles comprometiam a segurança nacional. Ben Bradlee, o editor do Washington Post, e Katharine Graham, sua proprietária, decidiram publicar parte do material. Aberta a comporta, o conteúdo dos documentos mudou para melhor a história do FBI.

O FBI pôs 200 agentes atrás dos ladrões, e a investigação somou 33 mil páginas, para nada. O mistério só foi desvendado 40 anos depois, quando a repórter Betty Medsger, que recebeu a papelada em 1971, identificou e entrevistou 7 dos 8 invasores. Dois deles viviam longe da política e um tornara-se sincero admirador de Ronald Reagan.

ARMSTRONG PISOU NA LUA E ERROU DE HOSPITAL

O homem que simbolizou o avanço da tecnologia morreu por causa de barbeiragens

Neil Armstrong levou oito dias para ir à Lua e voltar. Anos depois, fez uma cirurgia do coração e 19 dias depois estava morto. No voo, deu tudo certo. No hospital, as coisas deram errado, mas a verdade ficou escondida por sete anos, até que o New York Times a revelou. O chanceler Ernesto Araújo acha que os diplomatas não devem ler esse jornal, mas para o bem de sua saúde seria bom que o fizesse.

Em 2012, aos 82 anos, Armstrong estava com um desconforto gástrico, foi ao hospital Merciful Faith, de sua cidade, e fez um teste de esforço. Mandaram-no para uma angiografia e acabou com quatro pontes no coração. Algo como cinco dias depois puseram-lhe um marca-passo temporário e passadas algumas horas uma enfermeira tirou-lhe os fios. Teve um sangramento e 27 minutos depois levaram-no para o centro de cateterismo. Melhorou, mas voltou a sangrar, com queda de pressão e falha dos rins. Em 20 minutos estava no centro cirúrgico. Daí em diante não se sabe o que aconteceu, mas ele ficou 97 minutos com perda de oxigênio no cérebro. Estava entubado há uns cinco dias quando retiraram o aparelho. Armstrong não conseguia respirar e voltaram a entubá-lo. Dez dias depois estava morto.

Desde 2014 o hospital sabia que médicos independentes haviam estudado o prontuário e observaram que ele poderia ser operado mais tarde, os fios do marca-passo não deveriam ter sido retirados por uma enfermeira sem supervisão e, acima de tudo, deveria ter ido logo para o centro cirúrgico e não para o centro de cateterismo. Finalmente, não deveriam tê-lo extubado tão cedo. Existem testes rotineiros capazes de medir a resistência de um paciente à extubação. O homem que simbolizou o avanço da tecnologia morreu por causa de barbeiragens. A pior foi a sua ida para o centro de cateterismo.

Havia mais: durante dois anos o hospital se fez de bobo, até que a mulher de um dos filhos de Armstrong, advogada, foi-lhe na jugular. Ou pagavam US$ 7 milhões ou seriam denunciados. Pagaram US$ 6 milhões, com uma cláusula de segredo que durou cinco anos.

Nisso tudo, houve um cavalheiro, o professor James Hansen, autor da biografia autorizada de Armstrong ("O Primeiro Homem"), publicada nos Estados Unidos em 2005. Nesse tipo de livro o autor aceita omitir fatos a pedido do biografado ou de sua família. Ele sabia de tudo, mas limitou-se a escrever uma frase críptica: "Fora do pequeno círculo de sua família, dos amigos e da equipe médica que cuidou dele, talvez nunca se venha a saber exatamente o que aconteceu com Neil no hospital ao longo das duas semanas que culminaram com sua morte".

Na semana passada Hansen saudou a revelação do Times, para que o que aconteceu a Armstrong não volte a acontecer.

EREMILDO, O IDIOTA

Como nunca trabalhou, Eremildo é um dos 13 milhões de desempregados. Ele vai a Brasília propor a criação da figura do inativo expatriado.

Por cretino, ele acredita que se um procurador da força-tarefa da Operação Zelotes pode viver nos Estados Unidos e se o subprefeito da Barra da Tijuca podia ficar no cargo enquanto administrava sua padaria em Miami, ele poderia ter a ajuda do governo como desempregado em Las Vegas.

VELHA POLÍTICA
Desde que votou a favor da reforma da Previdência, a jovem deputada Tabata Amaral virou vidraça.

Uma pedra acertou-a, pois soube-se que recursos de sua campanha foram destinados à remuneração de serviços prestados por seu namorado.

A conta foi de R$ 23 mil e ele efetivamente trabalhou. Não é muito dinheiro e o rapaz era qualificado. Quando o fato foi revelado a assessoria de Tabata deu explicações burocráticas e ela se encastelou na surrada recusa a comentar o assunto. Quatro dias depois, explicou-se, com argumentos razoáveis.

Não há coisa mais pretensiosa da velha política do que o "sem comentários". Tomara que ela tenha aprendido.

CONSELHO PRECIOSO
Quando estava aberta a janela para repatriação de depósitos que estavam no exterior, um magano procurou um advogado para se aconselhar.

- Quanto o senhor tem no Brasil?

= R$ 10 milhões, disse o magano.

- E na Suíça?

- US$ 100 milhões.

- Então embarque para a Suíça e fique por lá.

Ele embarcou. Foi o conselho mais curto e valioso saído de uma banca de advocacia.
Herculano
28/07/2019 07:34
QUEM DISSE QUE O GOVERNADOR CARLOS MOISÉS DA SILVA, PSL NÃO VEM A BLUMENAU?

Veio ontem, para o casamento do deputado Ricardo Alba, PSL, e Janaína.
Herculano
27/07/2019 18:16
OAB PERDENDO A IDENTIDADE E CREDIBILIDADE

Uma expressão no twitter e que vale a pena para reflexão:

"OAB quer participar de Operação Spoofing"

Isso é igual ao Comando Vermelho querer participar das batidas policiais no morro.
Herculano
27/07/2019 17:52
da série: eu sou a lei, mas que alguma está mudando, ah isso está

"TALVEZ PEGUE UMA CANA AQUI NO BRASIL", DIZ BOLSONARO SOBRE GLENN GREENWALD

Presidente diz que jornalista americano é 'malandro' por se casar com homem no Brasil

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Diego Garcia. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado (27), em entrevista após evento no Rio, que o jornalista americano Glenn Greenwald "talvez pegue uma cana aqui no Brasil".

Greenwald é fundador do site The Intercept Brasil, que tem publicado desde 9 de junho reportagens com base em diálogos vazados do ministro Sergio Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Bolsonaro fazia referência a uma portaria publicada por Moro, nesta sexta-feira (26), que estabelece um rito sumário de deportação de estrangeiros considerados "perigosos" ou que tenham praticado ato "contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal".

"Ele [Glenn] não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não", afirmou o presidente.

A portaria do Ministério da Justiça foi publicada em meio às divulgações do Intercept Brasil, que revelou, em trocas de mensagens privadas entre o ex-juiz e procuradores da força-tarefa, ingerência do atual ministro sobre as investigações da operação.

O jornalista e o Intercept têm dito que não fazem comentários sobre suas fontes. Sobre sigilo da fonte, o artigo quinto da Constituição afirma: "É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".

"Quando o Moro falou comigo, que teria carta branca, eu teria feito um decreto. Tem que mandar para fora quem não presta. Não tem nada a ver com o caso dele [Glenn]", continuou o presidente.

Em 2004, o governo Lula tentou suspender o visto de Larry Rohter, correspondente do The New York Times no Brasil, após o jornalista afirmar em reportagem que excesso de álcool afetava o então presidente. O governo voltou atrás na decisão depois que Rohter fez pedido de reconsideração. ?

Greenwald é cidadão dos Estados Unidos e mora no Rio de Janeiro. Ele é casado com um brasileiro, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), com quem tem dois filhos adotivos, também nascidos no país.

"Fui o único parlamentar, e mais um, não sei quem foi, que discursou contra projeto de Aloysio Nunes Ferreira que falava sobre imigração no Brasil. No Brasil você não dorme com as portas e janelas abertas em casa e nem no apartamento. No Brasil, está tudo escancarado", disse Bolsonaro.

Glenn Greenwald afirmou neste sábado (27) que a declaração do presidente sobre sua eventual prisão não faz nenhum sentido. "Ao contrário do que Bolsonaro deseja, não temos uma ditadura, temos uma democracia e para prender alguém é preciso mostrar evidencia de que a pessoa que você quer prender cometeu algum crime", disse o jornalista à Folha.

"Isso é totalmente maluco porque o David e eu estamos casados há quase 15 anos", disse sobre a afirmação de que o jornalista é "malandro" por se casar com homem no Brasil. "Evidentemente Bolsonaro acha que tenho poder para prever o futuro, que depois de mais de dez anos eu precisaria dessa proteção para não ser deportado. É quase insana essa teoria", afirma.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) repudiou a fala de Bolsonaro e, em uma rede social, afirmou ver risco à liberdade de expressão.

"Ao ameaçar de prisão um jornalista que publica informações que o desagradam, o presidente Bolsonaro promove e instiga graves agressões à liberdade de expressão", declarou a entidade.

"Sem jornalismo livre, as outras liberdades também morrerão. Chega de perseguição", acrescentou a Abraji, promovendo a hashtag #defendaojornalismo.

PORTARIA DE MORO
O presidente defendeu a portaria publicada por Moro. "Pela lei, se chegar aqui um navio com 5.000 pessoas de qualquer lugar do mundo, já sai com hospedagem. Não é assim! Não sou xenófobo, mas na minha casa entra quem eu quero, e a minha casa no momento é o Brasil. Se um cara for pego por suspeita de tráfico, sequestro, esses crimes brabos, é suspeito apenas, sai daqui! Já tem bandido demais no Brasil! Esse é o sentimento dele (Moro) e o meu também, parabéns ao Moro", disse.

A norma publicada pelo ministro da Justiça também trata de casos de impedimento de ingresso ao Brasil e de repatriação.

Segundo a portaria, que recebeu o número 666, ficam sujeitos ao rito sumário estrangeiros suspeitos de terrorismo, de integrar grupo criminoso organizado ou organização criminosa armada, e suspeitos de terem traficado drogas, pessoas ou armas de fogo.

Glenn Greenwald escreveu em uma rede social que, ao publicar a portaria, Moro faz "terrorismo".

"Hoje [sexta] Sergio Moro decidiu publicar aleatoriamente uma lei [portaria] sobre como os estrangeiros podem ser sumariamente deportados ou expulsos do Brasil 'que tenham praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal.' Isso é terrorismo", afirmou o jornalista.
Miguel José Teixeira
27/07/2019 10:16
Senhores,

A frase "ASSALTO DE GUARULHOS E DO QUERO-QUERO POSSUEM OBVIEDADES E ATÉ POSSÍVEIS LAÇOS OPERACIONAIS" nos remete aos constantes e semelhantes assaltos ao BESC na década de 80.

A partir de então, coincidentemente, o PT Catarinense cresceu!

Uma de minhas últimas conversas com um saudoso "Delegadão" foi sobre o tema.

O cérebro da quadrilha PeTralha, momentaneamente desbaratada, está na cadeia com bastante tempo para orquestrar tais tipos de golpe, visando reestruturá-la, sem mexer na bufunfa que saquearam dos cofres públicos e que está em paraísos fiscais..
Herculano
27/07/2019 10:02
ASSALTO DE GUARULHOS E DO QUERO-QUERO POSSUEM OBVIEDADES E ATÉ POSSÍVEIS LAÇOS OPERACIONAIS

Esta coluna no tempo em que prenderam os três pés de chinelos com R$ 17 mil - Gaspar, Ilhota e Itajaí - que participaram ou faziam parte do bando que assaltaram quase dez milhões do aeroporto Quero Quero, em Blumenau, afirmou que a PM fez espetáculo. Era numa armadilha que os profissionais e cabeças da ação - que firam com o grosso do dinheiro - fizeram: deram iscas para a PM ir atrás dos pés de chinelos, enquanto eles sem os olhos da polícia fugiam por outros caminhos. Bingo.

Isso é planejamento.É inteligência. É jogo.

Mais tarde, a coluna afirmou que enquanto as polícias Federal e a Estadual batiam cabeças na Justiça para saber qual delas tinha a tal jurisdição ou competência para ir atrás dos bandidos e conduzir as investigações. E ai quase tudo parou a espera de uma decisão, sempre morosa no Judiciário, cheia de recursos e que vejam só, chegou até o STJ. Vergonha.

Enquanto isso, os bandidos comemoravam a burocracia do estado contra os cidadãos roubados e que pagam pesados impostos para terem mínima segurança na vida e no patrimônio. O STJ disse agora que a segurança catarinense pode prosseguir nas investigações enquanto eles estudam o caso. Dupla vergonha, depois de prejudicar o serviço e de quase tudo estar comprometido pelo tempo.

Na semana passada, causalmente e quase como uma premonição, revivi o caso com esse viés crítico. Fiz isso para requentar o assunto e decepcionado como cidadão com o desfecho que já se vai para quatro meses sem solução no caso do Quero-Quero.

Coincidência ou não, nem a semana terminou houve um assalto, com modus operandi semelhante, no aeroporto paulista de Guarulhos, atrás de uma montanha de ouro que iria ser embarcado para os Estados Unidos e Canadá.

Voltei ao tema e escrevi que os dois assaltos poderiam estar ligados exatamente pela forma como eles foram realizados.

Não é que a imprensa nacional e a própria polícia, agora admitem esse possível elo dos profissionais do crime.

Ora, se ele existe, a culpa é da Justiça, com seus juízes, em ar refrigerado, que travou as investigações do caso de Blumenau. Simples assim.

Soltos - e protegidos pela inércia - vendo que a Justiça lhes favorece - e se são realmente a mesma célula nos dois casos -, foram atrás de outra oportunidade que possivelmente já estava mapeada faz tempo, como também há outras nas listas de prioridades deles para novos assaltos.

Afinal, são do ramos e têm seus pés de chinelos pagos para despistar e assumir os seus erros ou vacilos.

E se não são os mesmos assaltantes ou à mesma célula de inteligência delitiva? Não importa. O sinal trocado dado pela PM catarinense ao cair na armadilha dos assaltantes profissionais e deixá-los escapar ficando só com os pés de chinelos que ofereceram, bem como a incompreensível briga na Justiça para saber quem pode caçar bandidos bem criados, sinalizou a outro bando que deviam se arriscar. E arriscaram. E até agora, quando escrevo, estão ganhando o jogo. Entretanto, temo que terão mais dificuldades desta vez. Não haverá lá em São Paulo, que se saiba até agora, disputas jurisdicionais.

Outra coincidência.

Nos dois casos, estava envolvida a transportadora de valores Brinks. Nenhum bandido minimamente inteligente e experiente assalta sem informações e rotinas checadas exaustivamente para perceber as vulnerabilidades, criar a organização da operação e se estabelecer numa execução minimamente bem sucedida. E nos dois casos, há graus de riscos e complexidade elevados. E todos, até agora, saíram ilesos.

Mais uma vez, como em tantos outros, este assalto nasceu na transportadora de valores ou na rotina da recepção do dinheiro ou do material.

Outra comemoração dos bandidos e que vem da Justiça: o Coaf está amordaçado por Dias Tofolli e ninguém pode seguir o dinheiro na sua transformação de ilegal em lega. Wake up, Brazil!
Miguel José Teixeira
27/07/2019 09:24
Senhores,

Segundo o Cacau Menezes a "Ex-senadora Ideli Salvatti pede prisão de Moro nas redes sociais".

Deixou a toca onde estava hibernando e com amnésia total partiu para seu elemento: unir o inútil ao desagradável! Cadê meu helicóPTero?

Acabou a "boquinha" né que-ri-da!
Herculano
27/07/2019 09:22
REPÚBLICA DE HACKEADOS, por Eliane Cantanhede, no jornal O Estado de S. Paulo

Vale tudo: com Brasília em polvorosa, vem aí uma guerra de acusações e versões

É uma grosseria ultrapassada tentar ainda hoje atingir o Brasil com o carimbo de "Republiqueta de Bananas", mas parece bem atual considerar o País uma "República de Hackeados". Nem o presidente da República foi respeitado, imagine-se o resto. E, assim, Brasília está em verdadeira polvorosa.

A referência mais direta a algo parecido foi quando se descobriu que a NSA, uma agência norte-americana, tinha a audácia de grampear a então presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e os telefones da principal empresa nacional, a Petrobrás.

Naquela época, a motivação parecia econômica, comercial, diplomática. Hoje, os "grampos" evoluíram para "hackeamentos" e a invasão de celulares até do presidente Jair Bolsonaro tem um outro viés. A motivação pode ser pura ganância, mas o uso não tem nada a ver com negócios. Logo, pode ter sido político. Ou não.

É como a gente diz, a cada surpresa, a cada espanto: a realidade supera a ficção. Estamos vivendo numa sessão ininterrupta de cinema, intercalando filmes policiais, dramas e comédias pastelão, enquanto milhões de desempregados estão na rua da amargura e há uma guerrinha ideológica insana, quase infantil, entre uma esquerda acuada, deslocada da realidade, e uma direita simplória, mas ousada, cheia de si.

Quando hackers têm a audácia de violar os celulares e as conversas do presidente da República, dos presidentes da Câmara e do Senado, da procuradora-geral da República, de ministros do Supremo e do STJ, dos ministros da Justiça e da Fazenda, da líder do governo no Congresso... A gente começa a pensar que tudo é possível. No início das investigações, a PF tinha certeza de que o alvo era a força-tarefa da Lava Jato. Como se vê, vai muito além.

A biografia dos quatro criminosos presos não é animadora. Não se trata de gênios da informática que atuam no ambiente internacional, nem de uma quadrilha sofisticada a serviço de governos ou grandes corporações. Ao contrário, os chefes de Poderes, as instituições, talvez as posições estratégicas e até questões sigilosas de Estado, podem, em tese, ter ficado à mercê de uma gangue cibernética de fundo de quintal. Vulnerabilidade inadmissível.

Walter Delgatti, o "Vermelho", que parece ser o chefe e mentor das operações criminosas, é um bandidinho com ficha policial manjada: roubo, estelionato, falsidade de documentos. Os demais movimentam volumes de dinheiro incompatíveis com suas rendas oficiais. Todos são uns simplórios, mas capazes de atacar o centro do poder federal e deixar muitas dúvidas.

Que uso Delgatti e seus comparsas poderiam fazer desse material, que era colhido e em seguida publicado em parte? Nem econômico, nem comercial, nem diplomático. O único objetivo, portanto, era vender o material todo a quem interessar pudesse. Quem?

É exatamente nesse ponto que se misturam e se confundem perigosamente as versões, inclusive tentando aproveitar a confusão e o medo para adicionar o ingrediente político-partidário e jogar o PT no meio da fogueira. Cuidado com isso! É cedo para conclusões.

É fato que os quatro presos são peixes muito miúdos para serem os únicos ou mesmo os maiores responsáveis por um ataque com esse grau de gravidade, atingindo os três Poderes. Mas, por enquanto, não dá para concluir se agiram por conta própria para depois vender ou repassar para interessados, ou se, muito diferentemente, receberam uma encomenda de grupos dispostos a botar fogo no circo, implodir as instituições, gerar uma crise.

Meus caros e caras, Brasília está de pernas para o ar e, até a conclusão das investigações, preparem-se para um festival de versões e acusações mútuas. Estamos em plena República dos hackeados. Vale tudo.
Herculano
27/07/2019 09:21
VENDA DE CONTROLE DA BR BR É PARTE DE PLANO ESTRATÉGICO, editorial de O Globo

Negócio compõe um projeto de mudança do perfil da Petrobras, com o fim de alguns monopólios

A importância da venda do controle da BR Distribuidora em Bolsa não se resume ao ineditismo de uma operação patrocinada por uma estatal de que surgirá uma empresa privada com ações pulverizadas entre sócios. De 70% do capital da subsidiária, a Petrobras passará a deter 37,5%, depois da venda integral das ações. O plano é fazer-se o mesmo com a Eletrobras, holding do setor elétrico.

Nos dois casos, a Petrobras e o Tesouro levantam recursos sem custo, e as companhias, já de controle privado, podem ganhar eficiência, por meio de reformas e corte de custos impossíveis de serem executados no ambiente estatal - e em qualquer instância de governo, municipal, estadual e federal.

A operação pode ser vista por vários ângulos. Um deles, o do objetivo estratégico de injetar concorrência na distribuição de combustíveis, onde opera um oligopólio formado pela BR e poucos grupos privados. Esta é uma das explicações para a lentidão com que a queda de preços nas refinarias chega às bombas - quando chega.

Tem o mesmo sentido o plano da Petrobras de vender refinarias, o início da cadeia da distribuição. Articular o processamento privado do petróleo com a distribuição também em mãos particulares parece forma eficaz para dar flexibilidade à formação dos preços dos combustíveis. Com o devido cuidado de, na venda de refinarias, não se criarem monopólios privados regionais.

Vai na mesma direção acabar com o controle que a estatal exerce no gás, compartilhado com empresas públicas de estados. Daí o hidrocarboneto no Brasil custar na faixa de US$ 14 por milhão de BTUs (unidade térmica), contra US$ 7 em mercados onde há concorrência.

Não faz mesmo sentido o país entrar num ciclo de grande crescimento na produção de gás, com a exploração do pré-sal, e os preços continuarem nas nuvens, em função de um monopólio da União e de estados.

Outro aspecto-chave da venda, em parte ou no todo, de subsidiárias - operações que não necessitam do aval do Congresso, segundo o Supremo - é o destino dos recursos: abater o superendividamento da estatal e reforçar os gastos com a mais promissora fronteira de negócios da Petrobras, a exploração do pré-sal.

Impulsionada por projetos delirantes e intervencionistas no período do lulopetismo, a Petrobras chegou a acumular a maior dívida corporativa do planeta, de meio trilhão de reais. Impagável. Tanto que mesmo no governo estatista de Dilma Rousseff começou a ser desenhado um programa de desinvestimentos na estatal.

Não há dúvida de que a corrupção tem um peso neste quadro, devido aos superfaturamentos que tornaram projetos inviáveis. Por exemplo, a Refinaria Abreu e Lima (PE)e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Há casos em que a incompetência presta serviços à corrupção.
Herculano
27/07/2019 09:18
COTÃO PARLAMENTAR JÁ CUSTOU R$96 MILHõES EM 2019, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste sábado nos jornais brasileiros

Os 594 parlamentares receberam de volta mais de R$96 milhões por meio de ressarcimento de gastos com o "cotão parlamentar" apenas nos primeiros meses de 2019. Além do salário de R$33,7 mil mensais, os 513 deputados e 81 senadores têm direito a mais R$ 45 mil, em média, para gastar livremente. Basta apresentar cupom fiscal para ser ressarcido. Em alguns casos há pedidos de R$1 pago no pão de queijo.

POR CABEÇA

Na Câmara são R$ 84,8 milhões, R$ 165 mil por deputado. No Senado, R$ 11,4 milhões (R$ 140 mil cada). Os dados são da ONG OPS.

PRIORIDADE SOU EU

Propaganda pessoal (divulgação da atividade parlamentar) e passagens são os maiores gastos do cotão na Câmara: R$ 41 milhões.

CONSULTORIA E TURISMO

No Senado, mais da metade dos gastos (R$5,9 milhões) correspondem a reembolso de gastos com passagens aéreas e consultorias diversas.

POUCO MUDOU

Apesar da renovação de mais de 47% dos deputados, a Câmara pouco mudou seus gastos. Ano passado foram R$ 215 milhões com o "cotão".

Só 1,7% ACHAM CORRUPÇÃO O 'PROBLEMA MAIS GRAVE'

Levantamento exclusivo do Paraná Pesquisa para esta coluna e para o site Diário do Poder pediu a 1.565 eleitores para elencar os maiores problemas enfrentados no Distrito Federal: 54,5% escolheram a Saúde. O desemprego é a segunda maior preocupação para 12,8%, seguido por Segurança Pública (9,8%), Educação (4,1%), Transporte Público (3,4%), Crise (2,7%) e a Precariedade da Infraestrutura (1%). Corrupção só o problema mais grave para 1,7% dos entrevistados.

OUTROS PROBLEMAS

Outros problemas, como Drogas, Saneamento básico, Rodovias, Obras paradas e Impostos foram citados por menos de 0,5% de entrevistados.

AVALIAÇÃO DO GOVERNADOR

A avaliação do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), permaneceu estável: 42% aprovam a administração e 53% dizem desaprovar.

DADOS

O Paraná Pesquisa realizou o levantamento entre 21 e 25 de julho. A margem de erro é de 2,5% para os resultados gerais.

SEM CHORO, NEM VELA

Bolsonaro consumou a ameaça: pediu agrément para o filho Eduardo virar embaixador. Ele jamais admitirá o erro, mas logo descobrirá que diplomacia não é para amadores. Sobretudo em Washington.

PRIMEIRO CONTATO

O hacker Walter Delgatti disse ter conseguido falar com a ex-candidata a vice-presidente Manuela D'Ávilla (PCdoB) e enviou a ela, antes de mais ninguém, áudios trocados entre procuradores da Lava Jato.

OUTRO HACKER?

O hacker preso pela Polícia Federal Walter Delgatti, vulgo Vermelho, garantiu não ter invadido o celular da líder do governo, deputada Joice Hasselmann, nem o do ministro Paulo Guedes (Economia) ou qualquer outra autoridade do atual governo, com a exceção de Sergio Moro.

LONGA INVESTIGAÇÃO

A Polícia Federal não sabe a quantidade exata de afetados pelos hackers que invadiram o celular do ministro Sergio Moro, apesar de mais de 5 mil celulares terem sido atacados. São pelo menos mil.

AMARELO ATRASADO

Para alertar a população sobre a importância da prevenção contra hepatites virais, o Congresso iluminará suas torres com luzes amarelas para a campanha "julho amarelo". Julho acaba em quatro dias.

PEQUENA BOA NOTÍCIA

O Índice de Confiança do Comércio da Fundação Getulio Vargas subiu 2,3 pontos em julho; passou de 93,2 para 95,5 pontos. Foi a segunda alta consecutiva do índice este ano.

Só POR AQUI

A Agência Nacional do Petróleo tem regras que a obrigam a fiscalizar se (e quanto) postos de combustíveis compram com distribuidoras. Hoje a venda direta de produtores de combustíveis a postos é proibida, mas o presidente da ANP, Décio Oddone, disse que isso deve mudar.

A PRIMEIRA COPA

Neste domingo (28) completa 61 anos a primeira conquista do Brasil na Copa do Mundo. O Brasil derrotou por 5 a 2 a Suécia, país-sede, com direito a golaço de Pelé, um (então) desconhecido garoto de 17 anos.

PERGUNTA NA OPERAÇÃO

Roubar 750 kg de ouro em barras é mais difícil que assaltar uma estatal do petróleo?
Herculano
27/07/2019 09:10
"SIGAM O DINHEIRO", Merval Pereira, no jornal O Globo

Não parece provável que um estelionatário seja movido apenas por 'fazer justiça, trazendo a verdade para o povo'

A investigação sobre os hackeamentos dos celulares de centenas de autoridades brasileiras parece estar chegando a uma solução, embora a Polícia Federal não creia que Walter Delgatti Neto tenha entregue o material resultante da invasão ao site Intercept Brasil apenas por "amor à causa", pois não tem nenhuma, aparentemente.

Tudo indica que sua linha de defesa é transformar-se da noite para o dia em um whistleblower, um denunciante de irregularidades que alerta a sociedade com a divulgação de documentos sigilosos.

Como Edward Snowden, que revelou documentos sobre o sistema de vigilância global dos Estados Unidos, que incluiu a então presidente Dilma Rousseff. Ou Chelsea Manning, que divulgou, através do Wikileaks, documentos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão. Assim como diversos outros casos.

O caso Watergate é um dos mais famosos. O informante dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, era conhecido como Deep Throat. Uma fonte realmente anônima para o grande público, que orientava as investigações jornalísticas, mas não dava documentos. Só pistas quentes.

A revelação da sua identidade só veio quase 30 anos depois dos fatos, que levaram à renúncia de Nixon em 1974. E por decisão do próprio informante, Mark Felt, na época dos acontecimentos vice-diretor da CIA. Só depois que o Deep Throat se revelou é que Woodward e Bernstein revelaram mais detalhes dos acontecimentos.

O chamado Caso Watergate ficou célebre como jornalismo investigativo, e virou livro e filme, dirigido por J Pakula, com Robert Redford e Dustin Hoffman nos papéis dos repórteres. Foi no filme que surgiu a frase que se tornou famosa: "Sigam o dinheiro", nunca dita por Felt, mas criada pelo diretor.

Passou a ser o símbolo das investigações de crimes, especialmente os de corrupção política. Chegamos agora a esse ponto de seguir o dinheiro. Ao revelar que Manuela Dávila, a ex-candidata a vice do petista Fernando Haddad na eleição de 2018, foi a intermediária entre ele e o editor do The Intercept Brasil Glenn Greenwald, o hacker Walter Delgatti colocou-a na chamada sinuca de bico.

Ter intermediado a entrega do produto de um crime para um jornalista pode implicar cumplicidade, na visão de alguns. Há, porém, quem considere que a ex-deputada apenas agiu como uma pessoa que informa a um jornalista sobre um fato de que teve conhecimento.

O problema muda de figura no caso de ter havido um pagamento nessa cadeia de informantes. Não parece provável que um estelionatário seja movido apenas por "fazer justiça, trazendo a verdade para o povo", conforme depoimento de Glenn Greenwald sobre seus contatos com o hacker, que ele continua sem confirmar ser o preso na operação Spoofing.

Se o grupo atuou sob encomenda de alguém, quem contratou é cúmplice, co-autor do crime. Se o Intercept Brasil não participou do pagamento, ou, sabendo dele, mesmo assim publicou o material, também não pode ser considerado cúmplice. Apenas terá a sanção moral pelo ato.

Se Manuela Dávila participou da negociação para a compra do material, poderá ser acusada de cumplicidade. E se um partido político foi o negociador da compra, será possível enquadra-lo criminalmente, mas duvidoso o resultado.

Um caso assim aconteceu durante a campanha presidencial de 2006, quando um grupo de petistas foi flagrado comprando, em dólar, um dossiê que supostamente implicaria o candidato tucano José Serra em falcatruas no ministério da Saúde.

Serra acabou vencendo a eleição para governador, derrotando Aluizio Mercadante, e Lula, com o peso do mensalão recentemente descoberto, acabou indo para o segundo turno contra Alckmin, a quem derrotou com facilidade. Nenhum petista graúdo foi punido.

No caso presente, se Walter Delgatti insistir nessa versão fantasiosa, a Polícia Federal poderá usar seu Telegram para confronta-lo com as conversas que teve com Manuela Dávila e Glen Greenwald.
Herculano
27/07/2019 08:58
RISCOS DESNECESSÁRIOS, por Marco Aurélio Nogueira, professor titular de teoria política e coordenador do núcleo de estudos e análises internacionais da Unesp, no jornal O Estado de S. Paulo


Acima de tudo e de todos, deve-se evitar que o País degringole e fique sem opções

Falando sem parti pris, o problema político dos brasileiros não é termos um governo de direita ou extrema direita, nem ser Jair Bolsonaro um fundamentalista retrógrado. O problema é que o presidente não conhece o País, não respeita princípios democráticos básicos e não deseja governar. Estamos correndo riscos desnecessários.

Desde sua posse o País depende muito mais do empenho da Câmara dos Deputados que do Poder Executivo. Falam mal dos parlamentares, mas sem eles teríamos tido um semestre trágico, estaríamos mergulhados numa sequência de bravatas, provocações e ofensas promovidas por Bolsonaro e seu entorno, que parecem dispostos a tratar todos como inimigos.

Combater a esquerda e o PT é legítimo e aceitável, mas é uma patifaria quando feito na base de mentiras e agressões. A direita e a esquerda fazem parte da vida, o revezamento delas no governo dos países é normal, saudável e produtivo. Liberais, conservadores e socialistas são famílias políticas essenciais, filhos legítimos da modernidade e de suas transformações no correr do tempo. Querer eliminar um deles com argumentos de autoridade é ir contra a lógica das coisas e os parâmetros democráticos de civilidade.

Debochar de brasileiros do Nordeste, agredir ativistas, professores, artistas, intelectuais e jornalistas, ameaçar a cultura e a educação com a imposição de "filtros" que não passam de censura, tratar a ciência com desprezo, beneficiar o próprio filho - tudo isso, verbalizado com escárnio, faz a Presidência da República evaporar como instância de organização do País e se transforme numa trincheira de combate.

Agindo assim, o presidente prejudica o País e a população, além de criar dificuldades para si próprio. Sua guerra ideológica contra partidos, "velhos políticos" e sociedade civil exaspera os parlamentares, aumentando os custos da transação política na aprovação de medidas e propostas governamentais. Enfraquece as instituições e os órgãos públicos, varrendo-os para a margem. Suas ações não são "folclóricas", inocentes, mas ferem princípios básicos e fazem o País andar para trás, na educação, na cultura, na política internacional, nos direitos, na saúde, no meio ambiente, na economia. Impactam negativamente a sociedade, fomentando divisões que não ajudam o País a enveredar por uma trilha de progresso, justiça e bem-estar.

Um presidente que se comporta como se fosse chefe de uma facção, não mede as palavras, confunde o público com o particular, move-se pela emoção imediata e por cálculos improvisados é uma tragédia anunciada. Poderá sobreviver ao mandato, e até prolongá-lo, mas de seu período governamental não sairá um País melhor, uma sociedade mais coesa ou um Estado administrativo mais eficiente.

Em vez de nos ajudar a superar a polarização fratricida que reinou nos últimos anos, ele a agrava, a esvazia de dignidade e a empurra para a violência explícita.
Jair Bolsonaro venceu as eleições de 2018 de forma inquestionável, cristalina. Mostrou senso de oportunidade ao endossar um figurino específico na hora mesma em que o eleitorado demonstrava estar cansado das ofertas políticas usuais. Suas proposições autoritárias, seu estilo informal, o uso abusivo que fez de valores religiosos e moralistas, sua habilidade em utilizar as redes sociais encontraram eco nos eleitores, que viram nele uma opção ou para derrotar o PT e virar a página, ou para depositar esperanças num líder de novo tipo.

Sua vitória, porém, também foi conseguida porque a esquerda petista se mediocrizou e a esquerda democrática não conseguiu abraçar o campo liberal-democrático e, junto com ele, virou farinha, que engrossou o pirão da extrema direita. Foi uma vitória do senso de oportunidade combinado com incompetência política. Sem isso o resultado teria sido diferente.

A vitória eleitoral, no entanto, não deu a Bolsonaro o direito de se comportar como o tirano platônico que se deixa dominar pelos desejos mais baixos e por seus demônios internos, postos em movimento pela paixão que aguça a imoderação. Numa República democrática o presidente deve ser um agente da moderação, um construtor de consensos, um promotor do diálogo coletivo. Tem suas preferências, seu credo e seu mapa de navegação, mas não está autorizado a agir por impulso, conforme uma rotina passional que só produz caos e confusão.

A conduta errática e acrimoniosa de Bolsonaro ainda não levou a sociedade à convulsão. Em parte porque só se passaram seis meses, em parte porque a população tem conseguido manter alguma coesão, em parte porque o Congresso tem governado o País, construindo consensos e tomando decisões estratégicas.

Faltam entrar em cena os partidos, os movimentos cívicos e os cidadãos ativos perfilados no campo democrático progressista. Até agora, eles parecem trabalhar nos bastidores, em silêncio, dando até mesmo a impressão de estarem a hibernar A oposição que orbita o PT não consegue produzir propostas e entendimentos, limita-se a mimetizar com sinal trocado a conduta presidencial, valendose de uma retórica igualmente passional, que divide e inflama a população. Em vez de se lançar com coragem no mar aberto da renovação procedimental e discursiva, aferra-se a mitos e atitudes defensivas, refratárias ao moderno que se renova em direções inesperadas, surpreendentes e desafiadoras.

Temos de girar a chave e abrir novas portas. Buscar maior interlocução, abandonar projetos parciais de poder e cálculos eleitorais de curto prazo. Pode ser que se tenha de ajudar o governo a governar, a cometer menos erros e a causar menores prejuízos. Não há por que ter preconceito contra isso. Acima de tudo e de todos deve estar a preocupação de evitar que o País degringole e fique sem opções. Resistir é preciso, mas sem medo de olhar para a frente e ousar, correndo riscos que valham a pena.
Herculano
26/07/2019 12:28
da série: o bandido com suas leis e justiça própria enquadra a polícia e dita a norma fora do meio bandido

PT PEDE A PRISÃO DE MORO

Conteúdo de O Antagonista. Ao acionar o STF e a PGR contra Sergio Moro (veja aqui), o PT pede a prisão do ministro da Justiça e seu afastamento do cargo público.

A peça é assinada pelos deputados Gleisi Hoffmann e Paulo Pimenta.

Na avaliação dos petistas, Moro não poderia acessar os dados apreendidos com os supostos hackers presos nesta semana.

É surreal.
Silvia Antonia Ferreira
26/07/2019 12:02
Bom dia! Poderiam publicar a falta do caminhão de lixo na Ilhota? Já vai pra duas semanas que o caminhão de lixo não passa nos bairros.
Ilhota está esquecida pelos seu governantes.
Agradeço
Herculano
26/07/2019 11:41
REGISTRO.

HOJE É DIA DOS 99 ANOS DE PEDRO DE SOUZA, O SEU COBRINHA, O CRAQUE DO CAVAQUINHO E PAI DE ÉLCIO DE SOUZA.
Herculano
26/07/2019 11:39
VAI DECOLAR?

O anúncio da contratação de Pia Sundhage para o comando da seleção brasileira feminina de futebol de campo é talvez a melhor notícia que se tem nesta área nos últimos tempos com o encerramento da era Marta, a heroína

Pode ser, de fato, a profissionalização do futebol feminino, gerando empregos, investimentos e revelando talentos se for feito algo que possa massificar e dar antes da qualidade, quantidade para as comparações e escolhas.

O currículo dela é vitorioso, mas não pode ser ele apenas tudo. A sueca já foi bicampeã olímpica e vice-campeã mundial com os Estados Unidos, além de prata nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, com a Suécia.

A verdade, quando eu via aquela Vadão à beira do campo comandando a seleção, ficava com sono. Cheguei até ter saudades do tempo em que o narrador Luciano do Vale, quando o futebol feminino não era nada, criava um mundo de fantasias e até era o treinador das meninas.

É uma experiência. Quem não experimenta, não faz história.
Herculano
26/07/2019 11:29
SE ATÉ ARAPONGAS DE ARAQUE FAZEM A FESTA, O QUE SE DIRÁ DOS PROFISSIONAIS DA ESPIONAGEM. BRASIL, PÁTRIA MÃE GENTIL

De Pedro Menezes, no twitter

Se um DJ de Araraquara pode hackear os celulares do presidente e do ministro da Justiça, imaginem o que as inteligências russa, americana e chinesa conseguem acessar usando meio turno de trabalho do estagiário.
Herculano
26/07/2019 11:20
ONERAR MAIS NÃO É O CAMINHO, Everardo Maciel, Hamilton D. de Souza, Humberto Ávila, Ives Gandra Martins, Kiyohis Harada e Roque A. Carrazza, professores universitários na área do Direito Tributário, no jornal O Estado de S. Paulo.

PEC 45/19 não satisfaz os imperativos da reforma tributária de que o Brasil necessita

Recém-aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, a reforma tributária objeto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019 conta com respeitáveis apoios. Nada mais natural, pois a complexidade do sistema tributário causa efeitos perversos sobre a economia, muito incômodos em tempos de retração. Entretanto, se a necessidade de mudanças é inequívoca, a aprovação desse projeto deve passar pela seguinte questão: as alterações propostas são boas para o Brasil?

O foco da PEC 45/2019 é a tributação sobre o consumo. Tenta-se criar o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) em substituição ao ICMS, IPI, ISS e PIS/Cofins. Ele seria instituído e disciplinado por lei complementar da União. Estados e municípios poderiam apenas alterar suas alíquotas, porém com severas restrições. Realmente, os porcentuais deveriam ser os mesmos "para todos os bens e serviços", respeitando-se os mínimos fixados pelo Senado para cobrir gastos com saúde e educação. Seria proibida a redução do tributo em função da essencialidade do item (cesta básica, por exemplo) ou de políticas de desenvolvimento local. Além disso, o IBS seria regulamentado, arrecadado e fiscalizado por comitê gestor vinculado à União.

Esse caráter centralizador é uma evidência inequívoca da inconstitucionalidade do projeto. De fato, segundo dados do Tesouro Nacional citados no voto do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, 43% da atual arrecadação dos municípios e 88% das receitas tributárias dos Estados passariam a ser controlados pelo poder central. Tal remanejamento de competências e receitas tributárias não se afina com o pacto federativo. Afinal, tende a enfraquecer a autonomia financeira dos entes descentralizados, com efeitos deletérios sobre a realização de suas atribuições constitucionais, na medida em que eles não estariam autorizados a instituir e arrecadar o IBS, promover a variação de alíquotas em função do setor, do produto ou das circunstâncias econômico-sociais de cada momento.

Insista-se que dentre as cláusulas integrantes do pacto federativo em vigor está a autonomia dos entes descentralizados, o que supõe repartição de competências e receitas de tributos. Tais divisões são "pilares da autonomia dos entes políticos" (STF, RE 591.033, ministra Ellen Gracie), porque "consagram a fórmula de divisão de centros de poder em um Estado de Direito" (STF, ADI 4228, ministro Alexandre de Moraes) e permitem que Estados e municípios realizem suas incumbências constitucionais. Logo, "não pode emenda constitucional suspendê-la(s) ou afastá-la(s), porque, se o fizer, ofenderá o pacto federativo, enfraquecendo-o, pelo que é tendente a aboli-lo" (STF, ADI-MC 926-5, voto do ministro Carlos Velloso, tribunal pleno, DJ 6/5/94).

Esse vício é grave e merece ser discutido com profundidade nas instâncias próprias, mas a proposta examinada levanta questões para além do âmbito jurídico.

A primeira perplexidade é que a PEC 45/2019 implicará aumento de impostos. De fato, o IBS seria "uniforme para todos os bens e serviços" e englobaria o ICMS, IPI, ISS e PIS/Cofins. Assim, quase todos os setores sofreriam alguma elevação tributária. Produtos agrícolas que atualmente não se sujeitam ao IPI passariam a absorvê-lo parcialmente. Serviços tradicionais, como advocacia, contabilidade, etc., hoje submetidos ao ISS com alíquota média de 4,38%, teriam sua tributação acrescida de porcentuais equivalentes ao IPI e ao ICMS. Se o IBS tiver alíquota de 25%, como se noticia, estima-se que haveria majoração de mais de 300% para serviços prestados por pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido. Para os autônomos o impacto seria ainda maior, podendo chegar a quase 700%, pois seria adicionado não só o equivalente ao IPI e ao ICMS, mas também ao PIS/Cofins, que hoje não alcança tais pessoas físicas.

Mas não é só.

A PEC 45/2019 também tenta criar um Imposto Seletivo para "desestimular o consumo" de bens e serviços que gerem externalidades negativas. Todavia não há quaisquer limites a serem observados pela figura, nem critérios que definam os produtos e setores atingidos. Essa carta branca pode resultar na instituição de um imposto de amplo espectro, incidente em duplicidade sobre os mesmos itens objeto do IBS. Nesse sentido, por exemplo, veículos movidos a combustíveis fósseis poderiam ser alvo desse tributo, pois são poluidores e podem ser substituídos por carros a álcool ou elétricos. Em suma, a pretexto de suposta extrafiscalidade, o Imposto Seletivo poderia incidir sobre vasta gama de itens.

Outro problema é a complexidade. Ambiciona-se revogar 19 dispositivos e introduzir 141 outros na Constituição. Com isso, quase 40 novos conceitos seriam criados. Nos primeiros dois anos, o sistema seria adaptado na base de "tentativa e erro". Durante a primeira década, o País conviveria com dois modelos paralelos, o novo e o atual. Os contribuintes prestariam contas aos três níveis de fiscalização existentes e àquele a ser criado para tratar do IBS. Passada a transição inicial, nada garante que o sistema seguiria sem alterações. Por isso, o próprio prazo de 50 anos para Estados e municípios serem reparados pelas perdas resultantes do novo tributo é duvidoso. Afinal, há mais de 15 anos os Estados lutam para que a União compense os prejuízos oriundos da eliminação do ICMS-Exportação, promovida pela Emenda Constitucional (EC) 42/2003. De resto, admitida a suposta neutralidade arrecadatória do modelo, em termos agregados, as perdas haveriam de ser compensadas com mais carga tributária.

Em suma, o País necessita de reforma tributária que não implique aumento de impostos e garanta segurança, transparência, simplificação e neutralidade. Tais imperativos não são satisfeitos pela PEC 45/2019.
Herculano
26/07/2019 11:16
DESCASO INSTITUCIONAL, por Merval Pereira, no jornal O Globo

Da mesma maneira que o ministro Sérgio Moro e o coordenador dos procuradores de Curitiba Deltan Dallagnol se recusam a dar credibilidade aos diálogos que vêm sendo divulgados pelo Intercept Brasil, os controladores do site também se negam a confirmar que sejam os hackers presos a fonte original do material publicado.

Mesmo depois de Walter Delgatti Neto, um dos presos, ter admitido que deu acesso ao diretor do site, Glenn Greeenwald, ao material hackeado. Delgatti acrescentou que passou os dados sem cobrar ou receber vantagem financeira em troca. Não parece ser o perfil de uma pessoa envolvida em estelionato e falsificação de documentos.

Os três têm a mesma motivação: não querem reconhecer possíveis delitos. Todos dependem de interpretações jurídicas para validar seus atos, como já largamente analisados. Os hackers não escapam de uma condenação, mas dizer não ter vendido o material é uma tentativa de dar um ar político à atuação. O que deve ser facilmente desmontado pelas investigações.

Os crimes imputados aos hackers são de invasão de dispositivo eletrônico e interceptação de comunicação. O crime foi consumado quando eles invadiram os telefones e captaram as mensagens.

O que impressiona é a amplitude da ação criminosa, a revelar um completo descaso de nossas autoridades com a segurança institucional. Foram hackeados os chefes do Executivo, Bolsonaro e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado Davi Alcolumbre. Também ministros do Supremo, do STJ, e diversas autoridades. Além de destacar brechas no sistema de segurança das telefônicas, cujas listas de números podem ser compradas no mercado paralelo por estelionatários.

Os fatos demonstram também que nem Executivo, nem Legislativo, nem Judiciário têm normas de segurança seguidas por seus líderes. O presidente Bolsonaro diz que só usa o celular pessoal para comunicações não oficiais, esquecendo-se de que qualquer mensagem ou fala do presidente tem caráter oficial.

O uso indiscriminado das redes sociais para propaganda política é tão importante quanto uma nota oficial. E já deu muito problema político por permitir que seu filho Carlos usasse sua senha para mandar recados como se fossem de seu pai.

A utilização do twitter é um hábito que Bolsonaro copia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu grande ídolo. Nos Estados Unidos, a utilização de meios particulares para atividade oficial já deu muita dor de cabeça a Hillary Clinton que, quando Secretária de Estado no governo Obama, dispensou o e-mail oficial para usar o seu privado, mesmo para assuntos de Estado.

O caso provocou o temor de que informações sigilosas do Departamento de Estado circulassem em redes de caráter privado, ou estivessem expostas a ataques de hackers. Durante as investigações, que ocorreram na campanha presidencial, prejudicando-a como candidata, o inspetor-geral do Departamento de Estado afirmou que ela não pediu permissão para adotar um servidor privado. Hillary sofreu com o hackeamento de suas mensagens, alegadamente feito por russos para beneficiar Trump.

Voltando ao nosso caso de hackeamento, a informação de que as mensagens seriam destruídas, anunciada pelo presidente do STJ, ministro João Otávio de Noronha, acabou desmentida pelo ministério da Justiça. Destruir provas é crime, só um juiz pode decidir sobre isso.

Mas se o juiz mandar desentranhá-la dos autos, os hackers podem ser absolvidos por falta de prova. O juiz tem que se basear no que está no processo no momento em que for dar a sentença. Por isso se diz que "o que não está nos autos, não está no mundo". Se o juiz usar as provas na sentença ele não pode destruí-las depois, porque elas têm que ser avaliadas pelas instâncias superiores.
Herculano
26/07/2019 11:13
da série: é tão óbvio que se torna redundante, mas o governo e os bolsonaristas que vivem do circo pegando fogo fazem palmas e método contra eles próprios e principalmente os milhões de desempregados

CRIANDO CONFUSÃO, por Pedro Luiz Passos,, empresário, conselheiro da Natura, no jornal Folha de S. Paulo

Distração demais tira o impacto de eventos favoráveis como há muito não havia

O governo parece enfrentar uma fase crítica de paradoxos.

A atividade econômica fraca convive com a expectativa de que as reformas estruturais mais complexas, como a da Previdência, a tributária e a do comércio externo, serão endereçadas. Bolsa para cima e dólar para baixo refletem a esperança por bons resultados.

Essa corrente a favor se choca com o comportamento ora errático, ora polêmico do presidente Jair Bolsonaro e alguns ministros. Isso tira o impacto de eventos favoráveis como há muito não havia, tais como a aprovação em primeiro turno da nova Previdência na Câmara, contra o descrédito geral, e o protocolo do tratado entre Mercosul e União Europeia, que se arrastava por mais de 20 anos.

Não dá para entender. A esta altura já era para a economia estar em melhor forma. Com a oposição sem força e a maioria reformista formada na Câmara e no Senado, não se pode desperdiçar a oportunidade de solucionar problemas que estão na raiz de nosso atraso. Se Bolsonaro olhar para os projetos de seu governo, certamente achará temas mais relevantes para "causar" nas redes sociais que as polêmicas recorrentes.

Certas iniciativas devem ser ressaltadas porque vão na direção correta para modernizar e reerguer uma economia estagnada. A esperança de que elas avançarão depende do apoio político e do protagonismo revelado pelos presidentes da Câmara e do Senado. Cabe ao governo colaborar.

Há muito a ser feito para o país atualizar a regulação econômica, livrando empresas e empreendedores do cipoal burocrático. Acelerar a revisão por completo das relações da economia com o exterior é igualmente indispensável.

Os avanços são tênues na área da excessiva intervenção estatal e na facilitação dos negócios, mas se dará um grande passo com a medida provisória batizada de Liberdade Econômica, se o Congresso aperfeiçoar a proposta do governo.

A aprovação da nova Previdência será decisiva para assegurar que o endividamento público seja contido, etapa preliminar para a melhora das expectativas de mercado e da disposição empresarial em voltar a investir e abrir empregos.

Mas, por enquanto, só há expectativas sujeitas a riscos aparentemente ignorados pelo governo ou o presidente talvez pudesse ser mais cauteloso, por exemplo, ao rejeitar dados sobre desmatamento na Amazônia, difamando o Inpe, conceituado internacionalmente, e pondo em dúvida a transparência dos relatórios do Brasil.

Tais sentimentos são ampliados pela falta de diretrizes abrangentes em temas vitais como educação. O voluntarismo das decisões tem se tornado frequente, tal como os embates internos e o desgaste em questões triviais.

Na reforma tributária, há o entendimento de que se possa alcançar uma grande simplificação para os negócios com a criação do IVA, imposto sobre o valor adicionado, em substituição a vários tributos, como ICMS e PIS/Cofins. O que não pode prosperar é o vodu do tal imposto sobre pagamentos, que não passa da CPMF repaginada, com as mesmas distorções da cobrança cumulativa.

Na teoria, parecem fáceis as agendas da simplificação e da modernização. Na prática, como se diz, a teoria é outra.

É o que se verá até a conclusão do acordo com a UE. Ele envolve comércio de bens e de serviços, tecnologias e proteção de investimentos, o que ajudará a elevar a produtividade e a competitividade. Será ainda o fio condutor de outros tratados que o governo quer encaminhar.

Nada disso é simples, os procedimentos são demorados, os resultados custam a aparecer e... Sim, o país carece de soluções e consensos que já tardam e não serão construídos pelo Twitter.
Herculano
26/07/2019 11:08
AÍ TEM. A VOZ DA EXPERIÊNCIA

De Romeu Tuma Júnior no twitter:

Como alguém pode imaginar, supor ou admitir que os hackers de "Araraquara" agiram por conta própria se eles tinham os telefones de certas autoridades que nem suas secretaria têm? Tão de brincadeira!!!
Miguel José Teixeira
26/07/2019 09:27
Senhores,

Evoluimos: na "pátria de chuteiras", a Seleção Brasileira de Futebol Feminino já tem uma técnica estrangeira!

"Sueca revela que já procura curso de língua portuguesa"

Sugiro um curso intensivo com o presidiário lula, pois em seu desgoverno promoveu a reforma ortográfica.

Já imaginaram a cena em Curitchiba:

"cumpanhêra Pia, nóis sempri fumu pela isquerda i quasi conquistemo o équiça"!!!
Miguel José Teixeira
26/07/2019 09:14
Senhores,


Será que o desacreditado IntercePT divulgará trechos de supostas conversas entre certas supremas lagostas e seus apaniguados?

Caso positivo, terei o máximo prazer em acompanhar a divulgação, acompanhado de um vinho tetrapremiado internacionalmente, adquirido com recursos financeiros próprios. . .
Herculano
26/07/2019 08:06
PERGUNTAR NÃO OFENDE: QUANTO MESMO CUSTA O SILÊNCIO DE UM HACKER EM GASPAR?
Herculano
26/07/2019 08:06
OS PERIGOS ELETRôNICOS QUE AMEAÇAM TODOS, editorial do jornal O Globo7

Esclarecer a invasão dos telefones de Moro e Dallagnol é vital para se começar a coibir este tipo de crime

Ainda faltam informações mais sólidas e conclusivas sobre se os hackers encontrados pela Polícia Federal no interior de São Paulo ?" Walter Delgatti Neto, o provável chefe deles ?" estão mesmo por trás da invasão dos aplicativos de mensagens do ex-juiz Sergio Moro, e do procurador Deltan Dallagnol, de onde retiraram conversas que poderiam comprometer a lisura da Lava-Jato.

Há vários indícios de que é possível a participação dos detidos no crime. Gustavo Henrique Elias Santos e mulher, Suelen Priscila, com rendas declaradas de menos de R$ 3 mil mensais, movimentaram R$ 627 mil nos períodos de abril a junho de 2018 e de março a maio deste ano. Aqui, um alerta ao Pleno do Supremo para que avalie com a devida atenção a proibição baixada pelo ministro Dias Toffoli a que o Ministério Público tenha um acesso mais amplo aos dados do Coaf sobre movimentações bancárias.

A ficha criminal de Gustavo e de dois outros envolvidos no caso, Walter Delgatti Neto e Danilo Cristiano Marques, é suja ?" estelionatos em geral, clonagem de cartões de crédito etc.

O advogado de Gustavo disse que o cliente lhe contara que sua intenção era vender o material ao PT. Deve-se aguardar as investigações, nas quais é imprescindível que se levante a origem do dinheiro encontrado com o casal.

O caso de hackeamento de incontáveis autoridades, até do presidente, se confirmado, amplia a discussão em torno da invasão de privacidade. Por inevitável, militantes e simpatizantes do lulopetismo desejam invalidar condenações no âmbito da Lava-Jato, principalmente de Lula, mesmo que o veredicto do ex-presidente tenha sido confirmado por mais duas instâncias.

O debate persistirá. Juristas nada viram de anormal nas supostas conversas entre Moro e Dallagnol, que negam a veracidade das mensagens. E elas não podem ser periciadas porque o site Intercept não dá acesso à íntegra do material, que também passou a ser divulgado pela "Folha de S.Paulo" e "Veja". Mas não parece haver dúvidas de que os textos são editados.

Um aspecto a destacar são as amplas possibilidades que a tecnologia digital permite a invasões de privacidade. Na quarta, ao comparecer ao Congresso americano para depor, o procurador especial Robert Mueller, responsável pela equipe que investigou durante longo tempo a campanha do presidente Trump, disse que os russos continuarão a intervir na política americana. Como fizeram em 2016 pelo Facebook, em apoio à candidatura de Trump. No Brasil este tipo de interferência eletrônica já tem sido detectado.

O que não está em questão é a publicação do material, porque há garantias constitucionais à liberdade de imprensa e de expressão. A não ser que haja conivência com os hackers.

Mas é preciso saber como a privacidade foi quebrada, por quem, por quais meios e se houve interessados por trás. Só assim, não o deixando impune, será possível criar algum desestímulo a este tipo de crime.
Herculano
26/07/2019 08:03
ESTA COLUNA NA FRENTE

O Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, faz hoje manchete com o caso da suposta invasão de área de proteção ambiental, por máquinas da prefeitura de Gaspar, em terreno particular.

Os leitores e leitoras da coluna já sabiam deste assunto, em detalhes desde segunda feira em "Os que cercam, usam e orientam Kleber estão levando-o para o cadafalso da forca. Ele está cada vez mais exposto.
Uso irregular da máquina da secretaria de Agricultura em possível área de preservação poderá lhe configurar improbidade administrativa, além de crime ambiental"

Foi manchete aqui no portal Cruzeiro do Vale, o mais antigo, mais acessado, atualizado e acreditado de Gaspar e Ilhota.
Herculano
26/07/2019 07:40
da série: Décio Lima cada vez mais fora do PT? Esta nota é de Roberto Azevedo, no makingof

Do PT

Marcado para outubro, ainda sem data definida, o Processo de Eleições Diretas do PT, que indicará os novos presidentes municipais e estadual da sigla, deve ocorrer em Joinville.

Os históricos Milton Mendes de Oliveira e Vânio dos Santos retiraram a candidatura em favor do ex-deputado Dirceu Dresch, enquanto o atual presidente, o ex-deputado federal Décio Lima mantém o projeto de reeleição.
Herculano
26/07/2019 07:27
PESQUISA: APROVAÇÃO DE BOLSONARO É DE 56% NO DF,por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Levantamento exclusivo do Paraná Pesquisa para o site Diário do Poder e esta coluna mostra que 56% dos eleitores do Distrito Federal aprovam a administração do presidente Jair Bolsonaro. Outros 39,1% desaprovam o governo, enquanto 4,9% dos entrevistados não sabem ou não opinaram. A pesquisa foi realizada entre 21 e 25 de julho. Em abril, 57,3% aprovavam o governo contra 35,9% de desaprovação.

óTIMO E BOM

Na avaliação da administração, 14,8% dos pesquisados dizem que o governo Bolsonaro é "ótimo" e 27,2% o classificam como "bom".

REGULAR

Outros 25,2% consideram "regular" o governo que se iniciou em janeiro deste ano. E 1,7% dos eleitores preferiu não opinar.

RUIM E PÉSSIMO

Para 9,5% dos entrevistados a administração é "ruim" e 21,7% dizem que o governo Bolsonaro é "péssimo".

DADOS

O Paraná Pesquisa entrevistou 1.565 habitantes do DF, em todas as regiões administrativas. A margem de erro é de cerca de 2,5%.

GOVERNO JÁ PAGOU R$70 BILHõES EM SALÁRIOS EM 2019

Segundo o Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União, cerca de 1,1 milhão servidores da ativa são remunerados pelo governo federal atualmente. Isso quer dizer que a folha de pessoal do governo já custou R$ 70,6 bilhões ao contribuinte apenas nos seis primeiros meses do ano. O órgão que mais gastou é o Ministério da Educação; mais de R$ 23 bilhões pagos a quase 380 mil funcionários. O Ministério da Economia é o segundo, com mais de R$ 15 bilhões em salários.

DEFESA

O Ministério da Defesa é o terceiro órgão do governo que mais gastou com salários: R$ 14,5 bilhões nos primeiros meses de 2019.

SAÚDE

O Ministério da Saúde é o quarto colocado no valor dedicado aos salários de servidores: R$ 4,45 bilhões até o momento este ano.

O RESTO

Todos os outros órgãos do governo federal somados custaram, em salários, outros R$ 23,5 bilhões.

CRIME DE ENCOMENDA

Uma das linhas de investigação, no caso do roubo de mensagens do ex-juiz Sérgio Moro, é o de crime de encomenda, com o objetivo de desqualificar as investigações. Um dos bandidos presos citou o PT.

O DESAFIO DE FONA

O futuro secretário de Imprensa do Planalto é um craque. Experiente, ponderado, decente, Paulo Fona sabe exatamente como "azeitar" as relações entre o presidente Jair Bolsonaro e jornalistas. O problema é que tanto um quanto outros não parecem muito interessados nisso.

VIVENDO EM OUTRO MUNDO

O aumento de 7,3% que a Agência de Saúde Suplementar garantiu aos bilionários planos de saúde é bem acima da inflação. A ANS não deve saber que salários não estão sendo reajustados na mesma taxa.

INSULTO AO POVO

Imagens da Assembleia Nacional da Espanha, por ocasião da crise que resultou no fim do governo socialista, mostram deputados que fingem ser "populares" se vestindo como quem vai ao futebol. Que vergonha.

CASO ÚNICO

O senador licenciado Eduardo Gomes (MDB-TO) não recebia o auxílio moradia de R$ 5,5 mil, nem ocupava imóvel funcional do Congresso. É o caso do seu suplente, o senador Siqueira Campos (DEM-TO).

FGTS NO PIB

Segundo o Ministério da Economia, as medidas anunciadas, como o saque do FGTS, impactam até o Produto Interno Bruto nos próximos dez anos: é previsto aumento de 2,6 pontos percentuais no PIB.

JÁ O CONSUMIDOR...

O Inmetro está quebrado, mas sua presidente, Ângela Flores Furtado, é acusada autorizar 145 viagens de servidores, inclusive ao exterior, como as oito liberadas no Diário Oficial só dos dias 24 e 25. Enquanto isso, o Inmetro fica devendo fiscalização em defesa do consumidor.

AS MPS DE BOLSONARO

O governo editou 19 Medidas Provisórias este ano. Mas só três foram convertidas em lei no Congresso: 870, 871 e 872. Uma reestrutura a administração, a segunda combate irregularidades em benefícios previdenciários e a última continua gratificação a servidores da AGU.

PERGUNTAR É DE GRAÇA

Quando os corruptos eufóricos deixarão o coro constrangido do "Lula livre" para adotar de vez a palavra de ordem "locupletemo-nos todos"?
Herculano
26/07/2019 07:19
CRÍTICOS ERRAM NAS CONTAS DA PRIVATIZAÇÃO DA BR DISTRIBUIDORA, por Raquel Landin, no jornal Folha de S. Paulo

Comentários eram que a Petrobras teria vendido a empresa por valor muito baixo

Depois que se concretizou a privatização da BR Distribuidora através de uma oferta de ações em bolsa, pipocaram críticas ao negócio nas redes sociais. A principal delas é que a Petrobras teria vendido a empresa por um valor muito baixo.

As reclamações se tornaram mais inflamadas com base na seguinte conta: quando se concretizar a venda do lote adicional de papeis, a estatal terá arrecadado R$ 9,6 bilhões com a operação, enquanto a BR lucrou R$ 3,2 bilhões apenas no ano passado.

A comparação, no entanto, está equivocada por diversos motivos. O primeiro erro é que a Petrobras não vendeu a empresa inteira, mas uma fatia de pouco mais de 33%.

A ação da BR Distribuidora foi avaliada a R$ 24,50 no negócio, o que significa um valor de mercado total de R$ 28,5 bilhões - portanto, bem acima dos R$ 3,2 bilhões de lucro.

A segunda incorreção é fazer a analogia do valor obtido na venda com o lucro. Geralmente os investidores observam a geração de caixa. O lucro pode estar inflado por questões financeiras diversas, que é exatamente o que acontece no caso da BR Distribuidora.

Em 2018, a empresa recebeu algumas parcelas de um calote expressivo na venda de combustível para térmicas da região Norte - uma confusão resultante da política da ex-presidente Dilma de congelar os preços da energia. Logo, trata-se de uma receita não recorrente expressiva.

Já quando se compara o valor que a BR foi avaliada na privatização com sua geração de caixa, o múltiplo varia entre 7 vezes e 8,5 vezes e meia, dependendo de quem faz a conta. A geração de caixa é estimada por diferentes analistas para 2019 e 2020, pois o que interessa é o que a empresa vai produzir de valor no futuro.

Não é um múltiplo ruim. Está em linha com as concorrentes do setor - Ipiranga e Shell/Raízen - e acima dos 5,5 vezes da Petrobras. Isso significa que a estatal fez dinheiro com o negócio. Só haveria destruição de valor se o múltiplo tivesse saído abaixo do da própria Petrobras.

Mesmo diante de todos esses dados, alguns críticos argumentam que a Petrobras não deveria se desfazer de ativos lucrativos. A lógica da empresa tem sido vender tudo que não está no coração do seu negócio, que é a exploração de petróleo, para reduzir dívida.

O problema é que as pessoas têm memória curta. No auge do congelamento do preço da gasolina promovido por Dilma e das revelações de corrupção feitas pela Operação Lava Jato, a Petrobras quase quebrou.

A BR Distribuidora ficou conhecida como um reduto do ex-presidente e na época senador, Fernando Collor de Mello. Em maio deste ano, a Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou Collor por peculato. Ele é acusado de desviar R$ 240 milhões em contratos da empresa para um empresário amigo.

É verdade que desde então bastante coisa mudou por lá. Indicado pelo então presidente Michel Temer, o ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, montou um time profissional na BR Distribuidora. A motivação para a mudança: fazer um IPO (Oferta Pública de Ações), o que ocorreu em dezembro de 2017, e acabar vendendo o controle da empresa na bolsa, o negócio selado nesta semana.
Herculano
26/07/2019 07:05
POIS É, QUEM ESTÁ POR DETRÁS DISSO TUDO?

De Vera Magalhães, no twitter:

Tem um detalhe que está sendo pouco tratado: para hackear, spoofar, o que quer que seja, os celulares de tantas autoridades, os hackers precisavam... ter os números. Um amador lá de Araraquara não teria esses telefones. Isso, a meu ver, é uma evidência de encomenda.
Herculano
26/07/2019 06:53
PRIVATIZAÇÃO A PALAVRA DEMONÍACA DA ESQUERDA DO ATRASO.O DISCURSO PARA ANALFABETOS, IGNORANTES, DESINFORMADOS, MILITANTES E FANÁTICOS EM TRÊS ATOS

1. Guilherme Boulos, Psol de São Paulo, riquinho invasor de propriedades alheia para fazer polícia com pobres sem teto

Escreveu ele no twitter:

A privatização da maior distribuidora de combustíveis do Brasil foi por U$2,5 bilhões. Em 2018, o Copacabana/Belmond foi vendido por US3,2 bilhões. O controle da BR Distribuidora custou menos do que o grupo hoteleiro. O país está sendo entregue. E numa liquidação vergonhosa.

Leandro Ruschel, no twitter, em resposta ao twitter de Boulos, esclareceu:

Fake News! Boulos engana o público ao afirmar que o Copacabana Palace foi vendido por US$ 3,2 bilhões. Na verdade, a empresa dona do hotel carioca e outros 45 hotéis pelo mundo foi vendida por esse valor.

Para quem está acostumado a invadir propriedades, mentir não é nada.

E na mesma fiada, Rodrigo Constantino, continuou no twitter:

Boulos, quando não está invadindo propriedade, está mentindo. O valor foi por cerca de 30% da BR, e no caso do Copa foi pela cadeia inteira de hotéis. "Detalhe" bobo...

Herculano
26/07/2019 06:41
da série: a primeira coisa a fazer pela transparência e contra o crime organizado ou juvenil era a de divulgar todos os nomes que tiveram seus celulares, aplicativos e e.mails invadidos para que pudessem agir na Justiça. A segunda é avaliar se o material interceptado e obtido sob roubo, fraude e tipificado em crimes cibernéticos pode ou não ser destruído.Há muito mimimi e interesses, dependendo do lado que se está, inclusive dos bandidos e seus mandantes, agentes políticos

MORO USA INQUÉRITO COMO INSTRUMENTO PARA VIRAR O JORO POLÍTICO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Ministro mergulha no pântano e assume protagonismo de um caso que envolve poderosos

Sergio Moro só poderia ter se antecipado para anunciar a destruição das mensagens obtidas com os hackers presos pela polícia se houvesse, de antemão, um jogo combinado entre investigadores e o juiz do caso. Como um complô dessa natureza seria absolutamente impróprio, o ministro deve ter se confundido.

Após duas décadas na magistratura, Moro conhece a lei o suficiente para saber que, mesmo que a Polícia Federal queira, só o juiz responsável pelo inquérito pode mandar apagar uma prova. Ainda assim, ele ligou para autoridades com celulares supostamente invadidos e avisou que não sobraria nenhum rastro de seus diálogos privados.

Moro foi o ponto de partida das apurações sobre o hackeamento, quando teve seu telefone atacado, mas agora tenta se tornar sujeito ativo das investigações. Como chefe da PF, o ministro abraça o caso como um instrumento particular de poder.

O ex-juiz procurou o presidente da República, o presidente da Câmara e o presidente do Senado para contar que seus telefones haviam sido alvos do grupo. Ligou também para o presidente do STF e disse que ministros tinham sido atacados.

Na condição de hackeado, Moro ofereceu aos poderosos a segurança de que todo o material apreendido seria destruído. Horas depois, a própria PF precisou corrigi-lo. Afirmou que as mensagens seriam preservadas e que só a Justiça poderia "definir o destino do material, sendo a destruição uma das opções".

Moro poderia ter se afastado das investigações da PF, já que era uma das vítimas do grupo. Com os últimos gestos, porém, assumiu protagonismo no caso e acionou, de uma única vez, os principais personagens da República. É bom lembrar que o ministro disputa espaços de poder com algumas dessas figuras.

O ministro mergulhou no pântano da política ao longo do processo que começou com o vazamento das conversas da Lava Jato. Acuado, primeiro ampliou sua dependência de Jair Bolsonaro e buscou proteção no Congresso. Agora, quer virar o jogo.
Herculano
26/07/2019 06:35
ESQUEMA

Do senador Randolfe Rodrigues, Rede AP, e da esquerda do atraso, no twitter:

Desde 2003 a indicação à PGR sai de uma lista tríplice. Se desta vez a tradição for rompida, indicará que o presidente quer um subalterno para proteger os esquemas laranjas do PSL e manter o Queiroz escondido.

1. Tradição é para ser rompida um dia, até por experiência e avaliação.

2. Se é prerrogativa do presidente da escolha ou indicação do novo procurador geral, por que não exercê-lo na sua plenitude e com os riscos inerentes à esta escolha.

3. Se o presidente não possui mais esta prerrogativa, que se mude antes a regra para que ele se enquadre nela.

4. A PGR é uma instituição dividida e politizada, mas corporativa que quer que o presidente da República fique refém dela.

Está na hora das instituições serem apenas republicanas, transparentes, técnicas e mais a favor da sociedade, não de suas ideologias e grupos que as infestam e as dominam
.

Herculano
26/07/2019 06:24
A TRANSPARÊNCIA

Esta é a manchete o o questionamento do portal Uol (Folha de S. Paulo)

Ministro do STF: Moro não devia ter lista de hackeados, se ação é sigilosa

No ministro da Justiça, Sérgio Moro, no twitter:

Vamos explicar para o Uol já que insiste em falsos escândalos. As centenas de vítimas do hackeamento ilegal, tão celebrado pelo Uol, têm o direito de saber que foram vítimas. Só estão sendo comunicadas. Não tenho lista, só estou comunicando alguns.
Herculano
26/07/2019 06:17
VIVENDO NA ERA DOS VAZAMENTOS, por Helio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Inconfidências de autoridades se revestem de inegável interesse público

Não posso dizer que esteja 100% seguro, mas o fato de não possuir um celular reduz o risco de eu ser flagrado num comentário comprometedor. Minhas comunicações são essencialmente por email e me policio para não escrever nada que não possa ser publicado.

Como a maioria dos humanos não é tão tecnologicamente frugal e ainda se deixa levar pela falsa sensação de segurança proporcionada por um objeto tão íntimo quanto o próprio celular, passamos a viver num mundo assombrado por vazamentos de conversas concebidas para permanecer privadas, com efeitos potencialmente devastadores.

E não me refiro só ao noticiário sobre os suspeitos de ter invadido os celulares da turma da Lava Jato e de outras autoridades brasileiras, incluindo Bolsonaro. Milhares de quilômetros ao norte, o governador de Porto Rico acaba de renunciar porque o teor politicamente incorreto de mensagens que trocou com auxiliares veio a público.

Poucos seres humanos resistiriam a mais do que algumas horas de transparência total. Atire a primeira pedra quem nunca fez uma piada inconveniente ou revelou sentimentos que deveria ter reprimido? Só sobrevivemos porque, ao menos até há pouco, a maior parte dessas situações não deixava registro permanente. Celulares, redes sociais e hackers estão mudando isso.

Devemos, então, tentar recuperar a privacidade perdida e passar a ignorar vazamentos de conversas particulares? Até sou simpático a uma atitude dessas para deslizes de cidadãos comuns, mas tendo a ser mais rigoroso no caso de autoridades. Por vezes, suas inconfidências se revestem de inegável interesse público.

Cito dois exemplos: a conversa entre Dilma e Lula, na qual ela diz que o nomearia ministro, e a troca de mensagens entre Moro e Dallagnol. Nos dois casos, temos informações obtidas de modo ilegal, mas cuja divulgação tornou a sociedade mais consciente a respeito de questões importantes.
Herculano
25/07/2019 21:01
A PARTIR DESTA SEXTA-FEIRA O TRABALHO DE ENGENHEIROS, GEóLOGOS E EMPREITEIROS COMEÇA A SER TESTADO O QUE FEZ NA RECUPERAÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ E QUE SOLAPOU PARTE DA RUA NEREU RAMOS, EM GASPAR
Herculano
25/07/2019 20:56
OURO NO AEROPORTO

Nesta quinta-feira, assaltantes, fingindo-se da Polícia Federal assaltaram e levaram 750 quilos ouro na área de carga do Aeroporto de Guarulhos SP

Há meses, assaltantes levaram quase R$10 milhões de carro forte do aeroporto Quero Quero, em Blumenau SC.

A Polícia Federal apura os dois. A aposta é: qual dos dois assaltos serão elucidados? Se o de Blumenau tivesse sido resolvido, talvez o de Guarulhos não tivesse acontecido. Testaram em Blumenau e tiveram a certeza em Guarulhos.

Herculano
25/07/2019 20:51
SEM DINHEIRO DOS PESADOS IMPOSTOS DOS BRASILEIROS

Do presidente Jair Messias Bolsonaro, PSL, no twitter:

Recentemente tomei conhecimento sobre a liberação para captação de R$ 530 mil via Ancine para produção de um filme sobre minha campanha nas eleições. Por coerência sugeri que voltassem atrás nessa questão. Não concordamos com o uso de dinheiro público também para estes fins.

Outrossim, estamos trabalhando para viabilizar uma reformulação ou extinção da Ancine.
Herculano
25/07/2019 20:48
'LAVA JATO SALVOU PETROBRAS DE SE TRANSFORMAR NUMA PDVSA', DIZ PRESIDENTE DA ESTATAL

Conteúdo de O Antagonista.Em evento em Curitiba, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, citou a PDVSA ?"a petroleira da Venezuela, saqueada pelo chavismo?" como exemplo do que poderia acontecer com a estatal brasileira, não fosse a Lava Jato, relata o Estadão.

"A PDVSA, 20 anos atrás, era uma companhia de petróleo saudável (...), produzia 4 milhões de barris diários de petróleo e tinha 30 mil funcionários. Hoje, a PDVSA produz, quando muito, 400 mil barris diários e tem 150 mil empregados", comparou Castello Branco.

O presidente da Petrobras também afirmou que a companhia foi roubada "por uma organização criminosa composta por políticos corruptos, que eu chamo de capitalistas inimigos do capitalismo".

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.