17/09/2020
A jurista, professora, coautora do impeachment da ex-presidente Dilma Vana Rousseff, PT, deputada estadual em São Paulo pelo PSL, Janaína Paschoal, foi ao twitter esta semana para afirmar que “discurso ideológico não têm nada a ver com eleição para prefeitura. Prefeito/a precisa ter vocação para síndico!”. Boa. Certíssima! Em Gaspar, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, terceirizou a função natural de síndico da cidade para o presidente do partido, Carlos Roberto Pereira. Agora, está correndo atrás do prejuízo. É só olhar e comparar o Plano de Gestão que apresentou em 2016 para se vencer nas eleições daquele ano: “Construir o futuro, recuperar a credibilidade e o desenvolvimento de Gaspar”. Para a Assembleia deste 15 de novembro, como acontece na maioria delas, o síndico está pintando, limpando, ajardinando e visualmente impressionar os condôminos. Quer evitar às cobranças das promessas feitas para ser síndico.
Não vou escrever sobre o Mirante que se promete erguer numa área de 300 m2 na Rua Aristiliano Ramos aqui no Centro nos últimos dias antes das eleições. Ele é um projeto antigo do petista já falecido, Rodrigo Fontes Schramm. Vou escrever sobre o Parque Náutico de Gaspar, uma rampa para barcos e lanchas em área recuperada e reurbanizada. Li e reli o Plano de Gestão de 2016; não achei ambos. São necessários? Sim! Mas, na complementariedade e não na prioridade. É beleza de última hora para impressionar os que passam pelo Centro. Prioridade, por exemplo, é o asfalto da Rua Vidal Flávio Dias, no Belchior Baixo, que está no Plano de Gestão. Ele não foi feito ainda – nem a manutenção no que existe -, apesar das promessas de Kleber aos investidores. Eles tornaram aquela localidade um polo industrial e logístico. Para agilizar, garantiram aportar recursos deles próprios para a obra sair do papel. A lista é longa de promessas estruturantes não cumpridas. Para se medir à distância entre o prometido e o realizado, basta ouvir o líder do governo. Quando cobrado, diz que o município não está endividado. Dos mais de R$200 milhões autorizados para se pegar em empréstimos, Kleber só conseguiu tomar R$40 milhões para suportar às obras que está tocando.
O Parque Náutico é só para quem tem barco, ou seja, para ricos daqui e de fora, como Blumenau. Dos R$1,7 milhão que vai ser gasto lá, R$1,3 milhão vem do Ministério do Turismo. Então tem mais que aproveitar essa disponibilidade de recursos. Por isso, não vou escrever sobre quem precisa trabalhar e não possui acesso à creche pública, ou vai se virar no meio período, um problema social crônico que foi para debaixo do tapete porque a pandemia do Covid-19 tratou de fechar as nossas creches. Também não vou tocar na falta de contraturno ou turno integral nas escolas municipais. Vou ficar na área do Turismo. O ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, num momento vingança contra empresários – bem do seu estilo e partido – desapropriou a Fazenda Juçara, na Margem Esquerda, por ninharia. Transformou-a na improvisada Arena Multiuso Prefeito Francisco Hostins. Apesar desses erros conceituais, foi um acerto de Zuchi. À falta de diálogo, todavia, originou uma pendenga judicial das brabas e o terreno pela localização, pela infraestrutura que o dinheiro público já fez lá, só se valorizou. Entretanto, se olhar bem, não há espaço entre Blumenau e o Litoral tão amplo e mais adequado para os gasparenses se encontrarem, promoverem exposições e megaeventos regionais. E tudo isso já provou mais que viável.
E o que o Parque Náutico tem a ver com isso? A falta de vocação de síndico de Kleber! O dinheiro para transformar a Arena Multiuso, num centro de negócios existe e está no Ministérios do Turismo, da Economia, da Agricultura e até da Infraestrutura, além do governo do Estado. É preciso projetos, determinação, canais de negociação em Brasília e Florianópolis bem como fazer parcerias com investidores. É preciso resolver a pendenga judicial e conversar com o dono do terreno – Gert Fristche - para buscar uma solução definitiva. Kleber e seu grupo, todavia, planejam fazer uma mini arena de lazer no bairro Sete e abandonar a da Margem Esquerda. Para a nova, naturalmente, vai se precisará de recursos federais, estaduais ou endividamento da prefeitura. Se tudo der certo, ficará para a próxima gestão. E se por um azar Kleber não for reeleito? O novo síndico, como é comum em Gaspar, possivelmente abrirá uma nova frente. Descartará a Arena Multiuso e da Sete. Quando verdadeiramente um prefeito terá vocação de síndico em Gaspar sem derrubar o prédio? Francisco Hostins, pelo nanico PDC, cercado de técnicos, deixou esta impressão que perdura até hoje, mas a desfez na época, tão logo tinha as contas pagas. Reaproximou dos políticos sem vocação de síndicos. Não se elegeu para mais nada.
Escolhidos os candidatos a prefeito, vice e vereadores é preciso colocar em ordem a documentação na Justiça Eleitoral até o dia 26. Candidato que delegar isso só às estruturas partidárias, corre sério risco de ser surpreendido com impedimentos e ficar na fila.
Os eleitores de Marcelo de Souza Brick, PSD, e que virou vice na reeleição de Kleber Edson Wan Dall, MDB, estão inconsoláveis nas redes sociais. Os memes e os áudios dão o tom do desconforto, do preço político e do passo em falso.
O PL surpreendeu. As mudanças na última hora e as concessões proporcionadas por Márcio Cezar permitindo a entrada do ex-vereador Etelvino Schmitt (Vino), do Distrito do Belchior como vice de Rodrigo Boeing Althoff. Isso aconteceu para tornar o partido minimamente competitivo. Acendeu a luz amarela no então imbatível MDB, PSD, PP, PDT e PSDB.
Denúncias ao seu alcance. O aplicativo Pardal, desenvolvido pela Justiça Eleitoral para uso gratuito em smartphones e tablets, a cada eleição já está disponível para download nas lojas virtuais Apple Store e Google Play. Somente no pleito de 2018, a ferramenta recebeu mais de 47 mil denúncias.
Na propaganda oficial, o Hospital de Gaspar informa que aos 120 dias de funcionamento, a UTI de dez leitos emergenciais contra o Covid-19 salvaram 14 vidas gasparenses. O que não foi esclarecido é que nela já morreram 23, sendo 13 de Gaspar e dez de outros municípios.
Chama atenção que neste mesmo tempo e até esta semana, a UTI atendeu nos seus dez leitos 46 pacientes: 30 de Gaspar e 16 de outras cidades. Só quatro continuavam internados, todos de Gaspar. No histórico da UTI, um foi deslocado para Timbó e lá morreu; o primeiro a ser internado nela, nem Covid teve.
Perguntar não ofende: se os partidos vão gastar mais de R$2 bilhões dos nossos pesados impostos para sustentar os candidatos nesta eleição, por que se espalha que o dinheiro de financiadores será decisivo para se vencer em 15 de novembro?
A Câmara de Gaspar virou uma usina para aprovar projetos de leis inconstitucionais. Impressionante. Ou falta assessoria ou não se respeita os técnicos dela. Vergonha. Acorda, Gaspar!
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