Não há mais segredo. Gaspar terá cinco candidatos a prefeito. Fracassaram as tentativas do PSL, PL e DEM de comporem um frentão em chapa única - Jornal Cruzeiro do Vale

Não há mais segredo. Gaspar terá cinco candidatos a prefeito. Fracassaram as tentativas do PSL, PL e DEM de comporem um frentão em chapa única

14/09/2020

Sem esta união e sem Zuchi no PT, o MDB de Kleber, na teoria, nadará de braçadas para a vitória neste mar aparentemente calmo. A não ser que se repita o fenômeno de 2000 e um inesperado resultado aconteça até as eleições

Naquele ano era a onda vermelha que por aqui se disfarçou de amarela importada de Blumenau. Ela ganhou com os mesmos que alimentam o atual governo. Não era um movimento ideológico. Foi uma lição contra o establishment político

Agora, há uma onda conservadora, apostas do PL, PSL e DEM que os fizeram desunir para marcar território


Confirmando-se as cinco candidaturas a prefeitura de Gaspar para as eleições de 15 de novembro, a reeleição de Kleber Edson Wan Dall, MDB, (à esquerda) e desta vez com Marcelo de Souza Brick, PSD (ao centro) a vice, ficou facilitada, para o comando de fato da prefeitura e presidente do MDB, Carlos Roberto Pereira (à direita). 

Hoje acontecem as últimas convenções dos partidos que vão indicar os candidatos a prefeitos e vereadores para a corrida de 15 de novembro em Gaspar. Até quarta-feira tudo estará registrado no Tribunal Regional Eleitoral.

Salvo acontecimento de última hora, as cartas já estão marcadas e a sorte lançada.

Na quinta-feira à noite, como revelei em primeira mão aqui na sexta-feira na área de comentários da coluna na internet, o PSL encerrou as conversações com o PL. Essas tratativas tinham sido anunciadas pelo próprio PSL em suas redes sociais na semana anterior e avaliadas como promissoras. O PSL, ao final, disse não abria mão da cabeça de chapa. O PL, por orientação do senador Jorginho Mello, também se posicionou para esse caso específico.

No sábado, foi a vez de se finalizarem as raras conversas entre o PL e o DEM. Alegando ser o fato novo da eleição em Gaspar, o DEM de Rodrigo Maia e David Alcolumbre que lutam para mudar a Constituição e continuarem, respectivamente presidente da Câmara Federal, Senado e Congresso Nacional, também não abriu mão da cabeça de chapa.

O PL até era mais flexível neste caso e acompanhava os encontros paralelos que o DEM fazia com membros do PL. Todavia, no encontro oficial e final não deu liga. Ambos não obtiveram êxito na composição dos nomes e saíram como entraram e era previsto: separados. Cumpriram a última formalidade.

Ao meio-dia, o presidente do PL de Gaspar, o engenheiro e professor Rodrigo Boeing Althoff anunciava nos aplicativos de mensagens que o PL iria para a disputa com chapa pura. Ao mesmo tempo, que não tinha o PSL e o DEM como adversários definitivos. “A nossa meta continua derrotar Kleber e fazer uma bancada expressiva na Câmara”, enfatizou.

UMA CIDADELA BEM MONTADA

Há dez dias, o MDB cercou o bode e colocou oficialmente Kleber Edson Wan Dall como seu candidato à reeleição. Não tinha outra alternativa. Se ele até aqui não cresceu nas pesquisas, mostrou que o MDB tem os seus votos protegidos.

Para não haver surpresas, o MDB trouxe Marcelo de Souza Brick, PSD, como vice de Kleber. Era um fato cozinhado há tempos. Brick, até no dia da Convenção do MDB e PSD chegou a ensaiar um recuo. Era tarde. “Avisado” e para não ser surpreendido, o MDB providencialmente naquele dia tirou de circulação Brick.

Marcelo foi o que quase ameaçou a máquina partidária do MDB, PP e evangélica pentecostal da eleição de Kleber em 2016.

Para não correr nenhum risco na possibilidade de surgir um outsider, o poder de plantão trouxe para si uma penca de partidos com tradição no cenário político de Gaspar como como o PDT e o PSDB e foi anulando as principais lideranças com empregos na prefeitura. Já o PP, por sua vez, para ficar pendurado na futura administração, abdicou da vice que tem hoje com Kleber.

Estes partidos tradicionais e que deram sinais de fraqueza nas urnas em 2018, substituíram os nanicos PSC, PDC e PSDC de 2016. Eles nem aparecem agora ao lado de Kleber. A “evolução” é resultado da máquina de votos em que se transformou a prefeitura de Gaspar com centenas de comissionados e cargos em confiança gratificados.

E para completar o cenário da disputa, que em tese, muito favorece a Kleber, na semana passada o ex-prefeito por três vezes - das quatro que disputou por aqui -, Pedro Celso Zuchi, PT, 67 anos, anunciou oficialmente a sua desistência na corrida como chefe do executivo.

Zuchi preservou a sua biografia política local, abriu caminho para justificar uma derrota vermelha onde o PT ainda tinha fama. Com isso, deixou escancarada à falta de renovação partidária que não a liderou ou a promoveu no partido em Gaspar; ao mesmo tempo se livrou da má imagem que o PT dá hoje a qualquer candidato – mesmo supostamente competentes - em ambientes esclarecidos.

O MAIOR PERDEDOR

Diante desse quadro de fragmentação partidária que se viu durante a semana e que vai levar o eleitor a escolha entre cinco candidatos, o maior perdedor foi, sem dúvida alguma, Marcelo de Souza Brick e o PSD que ele preside.

Seria Marcelo quem teria as maiores chances de aglutinar forças e votos para enfrentar Kleber nesta eleição. O seu eleitorado está cuspindo maribondos e nas redes sociais, os memes de desagravos são de conteúdo muito forte contra ele. É sinalizador.

Nas pesquisas internas dos partidos e conhecidas até aqui, Brick, vem somando pouco para Kleber. A intenção, na verdade, do MDB ao leva-lo para a vice de Kleber, não era exatamente a de somar, mas não deixá-lo ser candidato viável só ou coligado com alguém para ameaçar o MDB e seus coligados. E o MDB conseguiu.

Repete-se a história do MDB e PP. Separados fizeram história. Para bater o novo, que foi o PT eles se uniram e conseguiram por duas vezes. Hoje os votos deles, são insuficientes para bater o novo. Como não crescem, anulam quem tem potencialmente de crescimento.

Agora, tudo isso é passado. Está começando uma nova corrida eleitoral e esta é real.

E para finalizar três observações.

Primeiro. Há mais de dois meses esta coluna vinha afirmando de que Pedro Celso Zuchi dificilmente seria candidato. Foi desmentida. Mais uma vez, o tempo é o senhor da razão.

Segundo. Há quase um mês esta coluna vem informando aos seus leitores e leitoras de que PL, PSL e DEM dificilmente estariam juntos, pelo simples fato de estarem sob o manto de vaidades inconciliáveis e principalmente sob orientações de interesses partidários futuros de Blumenau, Florianópolis e Brasília.

É que está em jogo a medição real dessas forças preparando-se para 2022. O que aconteceu? O tempo voltou a ser o senhor da razão.

Terceiro. É verdade que a definição desse cenário eleitoral em Gaspar favorece amplamente, em tese, repito, a vitória Kleber. Além dos mais de 250 comissionados e funções gratificadas, são quase 100 candidatos a vereador a puxar votos para Kleber. É uma máquina incomparável.

Por isso, será extremamente vergonhosa, qualquer derrota neste cenário de desigualdade competitiva. A conta mínima, é 50% dos votos válidos em uma situação de normalidade.

Não é à toa, que há tem gente do governo Kleber comemorando a vitória, loteando antecipadamente cargos e fazendo até altas apostas, não exatamente na vitória tida como certa, mas na vantagem sobre o segundo colocado.

O arco de alianças de Kleber é teoricamente imbatível.

Ele está amparado pela máquina de votos que montou a partir da prefeitura que é comandada pelo prefeito de fato, o presidente do MDB e coordenador de campanha, o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira.

Mas, também neste caso, é bom lembrar que o tempo será o senhor da razão. Então, prudentemente, deve-se esperar as 17h do dia 15 de novembro para se certificar dessa vitória que já se comemora e com muita antecipação.

Aos que estão comemorando e apostando, lembro-lhes o resultado da eleição de 2000 que sucedia a Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, MDB (1997/99), o único prefeito que a Justiça não deixou terminar o mandato por aqui e que foi substituído ao final pelo vice Andreone dos Santos Cordeiro, PTB (1999/2000).

Pedro Celso Zuchi, PT, foi a zebra de então, com 6.770 votos, foi a expressão da rebeldia ao que estava instalado e vinha acontecido por aqui.

Naquele pleito o professor e ex-prefeito Francisco Hostins, PP, que renegou os técnicos que lhe deram fama no passado para ser cooptado pelos políticos da mesmice, fez 6.595 votos e se enterrou de vez politicamente; Luiz Fernando Poli, PFL, o ex-prefeito, somou 5.418 votos; o jovem Adilson Luiz Schmitt, que representava a renovação do velho MDB, manchado, 4.209 votos. Já Mário César Pera, PSDB, com 1977 votos; Maria Terezinha Ramos, PDT, com 542 votos; e Dario Beduschi, PT, com 147 votos, estes três, supostamente representando a “renovação” ou a juventude da época, decepcionaram. Acorda, Gaspar!

O PT de Gaspar manda Amarildo e João Pedro pagarem os pecados dos seus erros nacionais e da falta de renovação regional e gasparense

Zuchi salva a sua biografia e diz que vai pedir votos. Se seus pupilos vencerem como azarões, a vitória será dele. Se perderem, a derrota será das circunstâncias


Pedro Celso Zuchi (à esquerda) foi o único a ser três vezes prefeito de Gaspar. Perdeu uma reeleição e ganhou outra pelo PT. Agora, o ex-vereador José Amarildo Rampelotti (centro) é o escolhido na desistência de Zuchi.  O suplente de vereador, João Pedro Sansão (à direita), é a promessa de buscar um eleitorado descoberto na esquerda. 

Já vai longe à surpreendente vitória do ex-funcionário da Petrobrás, Pedro Celso Zuchi, em 2000, pelo PT. Nem ele imaginava àquela vitória, como conta até hoje. Tomou gosto até porque não havia alternativas vencedoras. E diferente da direita de agora, a esquerda se estapeia, mas na hora da busca do voto, ela marcha unida, de forma voluntariosa e a derrota não é alimento para desistência e desânimo antecipado.

E foi dessa forma que Zuchi se elegeu por mais duas vezes.

Perdeu uma, exatamente para o médico veterinário Adilson Luiz Schmitt, MDB. Ele se mostrou incompetente tanto para sede de poder do MDB bem como para a busca de poder dele mesmo e nele se manter quando esteve no PSB e PPS.

Recentemente, Adilson se filiou ao DEM o qual ajudou articular como está hoje. Entretanto, humilhantemente, foi desfiliado pelos locais via internet. Adilson cuja política é parte do seu sangue, tem sido maltrato por ela, como a poucos por aqui. E há anos.

Volto. Os bons ventos do PT já não sopram mais como sopravam em Blumenau, que elegeu o advogado sindicalista Décio Neri de Lima duas vezes prefeito, deputado Federal e sua mulher Ana Paula de Lima, deputado estadual. O PT se tornou o imaginário de uma geração lá e agora aqui, onde foi mais bem-sucedido.

Com essa “geração” se foi a áurea da tal força do povo, como também não se sabe onde foi dar a madrinha, a ex-senadora, a ex-ministra, a referência petista catarinense, a paulista Ideli Salvatti. O PT se viu metido num mar de lama, não exatamente em Gaspar, Blumenau e Santa Catarina, mas a partir de Brasília com os tais mensalão e petrolão entre outros, que a Lava Jato do Ministério Público Federal descortinou como poucos até então.

Foi um raio que atingiu em cheio o ex-sindicalista e ex-presidente da República, o ex-trabalhador Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, é hoje um ex-presidiário. Foi à espantosa máquina de malversar o dinheiro público que o PT montou com os parceiros de governo como o MDB, PP, PSD, PTB. É um arco que foi da esquerda do atraso até o tal centrão, numa pratica também utilizada pelo PSDB. Tudo isso, fez ressurgir com força nas urnas em 2018 nomes novos com bandeiras da tal direita, do conservadorismo e da criminalização da política tradicional.

Foi a soma de tudo isso, que no fundo contaminou a imagem do PT de Gaspar, fez Zuchi desistir de ser candidato, e em nome de um passado de vitórias, está obrigando o funcionário público estadual (Celesc), ex-vereador, ex-presidente do PT gasparense, José Amarildo Rampelotti, continuar na busca de votos que o partido presume ainda ter por aqui.

Amarildo vai ter a companhia do jovem suplente de vereador João Pedro Sansão, o que se forma em Direito e que sinaliza ser o futuro da esquerda raiz de Gaspar.

ERA ESPERADO

A desistência de Zuchi não foi exatamente uma surpresa. Eu mesmo desenhava esta saída há meses aqui e era sucessivamente desmentido ou desdenhado. A escolha para substituí-lo é que é surpreendente. Ela mostra três verdades imutáveis: o PT de Gaspar não se preparou para a era pós-Zuchi; não se renovou; e no ambiente de procura para se posicionar ao seu eleitorado, decidiu por radicalizar ideologicamente.

Durante o mandato do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, o PT e Zuchi não foram opositores de fato diante de tantas dúvidas.

Na única vez em que o PT resolveu colocar o dedo numa das feridas do governo, a drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho, mostrou uma espetacular fragilidade ao não se preparar adequadamente para o embate que se tinha como certa da vitória. Foi engolido no procedimento e no regimento da Câmara pela ação providencial e segura do MDB e do poder de plantão. Nem a imprensa, conseguiu mobilizar como nos velhos tempos. Nas redes sociais, pouco as usou neste caso. O Ministério Público passou longe. Então...

Agora faz ressurgir Rampelotti. Ele como líder do governo de Zuchi, sempre foi um cão de guarda e daqueles bem ferozes.

E isso lhe valeu até uma condenação por difamação à juíza que atuou em Gaspar por onze anos, Ana Paula Amaro da Silveira, e que seu vice de chapa hoje, atuando como estagiário no escritório do ex-ministro da Justiça da ex-presidente Dilma Vana Rousseff, PT, José Eduardo Martins Cardozo, tentou por vários recursos interpostos, reverter esta condenação nos tribunais superiores; não conseguiu até isso até hoje. Rampelotti até já cumpriu a pena de serviços comunitários.

Esta coluna sempre foi o alvo preferido de Rampelotti. Eu pessoalmente, também fui “punido” por ele. Não recuei. Fui a andorinha que fez o verão e que o MDB, inclusive, usou para chegar ao poder de quem sofro a mesma retaliação por não alinhar aos desmandos continuados dos poderosos de plantão, agora unidos em coligação.

Foi Rampelotti, com ajuda do PP, que quebrou o acordo e impediu a vereadora Andreia Simone Zimmermann Nagel, então no DEM, hoje no PL, de assumir à presidência da Câmara. José Hilário Melato, PP, o mais longevo dos vereadores, que hoje serve ao MDB, levou a presidência no jogo de compadres com o PT. Aliás, foi este acordo articulado pelo PT que permitiu o Marcelo de Souza Brick ser o presidente da Câmara.

O que esperar de Rampelotti e João Pedro nas atuais circunstâncias? Só o tempo dirá.

Com as pesquisas anteriores feitas inclusive pelo próprio MDB no poder de plantão, Kleber perdia para a soma do “nenhum deles, nulos e brancos”, mas vencia por meia-cabeça naquilo que lhe sobrava com Pedro Celso Zuchi e Marcelo de Souza Brick, PSD. Agora, ambos estão fora do páreo e não cruzarão mais a linha final desse grande prêmio.

Para o MDB neste páreo há um puro sangue e quatro pangarés. A conferir.

É preciso descobrir então quem vai ser o azarão ao único puro sangue que sobrou nesse derby. Talvez em 15 dias, as novas pesquisas já possam indicar isso, diante das acomodações de forças que poderão “anabolizar” movimentos de vinganças como aconteceram nas eleições de 2000, ou a 2018, contra uma máquina de fazer votos que o MDB, PP, PSD, PSDB e PDT montaram na prefeitura de Gaspar. Acorda, Gaspar!

PSL vai de Sérgio Almeida e Rejane Ferreti. Na majoritária, ele agrega os Patriotas


Sérgio Almeida (a esquerda) e Rejane Ferreti (centro) serão candidatos a prefeito e vice pelo PSL de Gaspar, coligados com o Patriotas, conforme edital  que publicou (à direita) 

Depois de anunciar o fim dos entendimentos com o PL, pois com o DEM desde o início não houve aproximação, o funcionário público licenciado (ex-motorista de ambulância), ex-sindicalista - presidente do Sintraspug por duas vezes - dirigente da Federação Sindical, ex-vereador pelo PSDB, ex-candidato a vice pelo antigo PL na chapa derrotada e encabeçada por Ivete Mafra Hammes, MDB, o evangélico e psicólogo, Sérgio Luiz Batista de Almeida, foi as redes sociais anunciar a sua candidatura a prefeito pelo partido.

Sérgio terá como vice, a líder comunitária do Belchior Baixo e até então mapeada para ser candidata a vereadora do PSL, Rejane Ferretti. Ela é sócia de um salão de beleza. Rejane deverá ser a única mulher a compor uma chapa majoritária nestas eleições em Gaspar.

Foi mais uma oportunidade do PSL ao perceber que o PT optou, desta vez, por candidatos homens. Sempre a vice de Zuchi e do PT era uma mulher.

Desde o início, Sérgio manobrou para ser candidato pelo PSL e tornar isso irreversível.

A proteção a esse projeto dele foi dada pelo amigo Marciano Silva, um neobolsonarista de fé. Ele foi primeiro presidente do PSL de Gaspar. Numa intervenção branca promovida pelo deputado Ricardo Alba, PSL, de Blumenau, após as divergências internas com na disputa do legado bolsonarista e a criação do “Aliança pelo Brasil”, Sérgio acabou assumindo o partido por aqui.

Marciano se estabeleceu no desconhecido Patriotas – onde agregou os bolsonaristas que não migraram para o PL e DEM -. O Patriotas fará dobradinha com o PSL de Sérgio.

Sérgio também sabe que dividida, a direita terá pouca chance. Entretanto, ele faz apostas que só poderão ser comprovadas lá em 15 de novembro.

A primeira delas, é de que ele está há mais tempo neste “campo ideológico” e vem trabalhando o possível eleitorado com as suas laives semanais, de boas audiências; a segunda é que ele é identificação com o eleitorado evangélico e que já lhe rendeu dissabores entre os próprios irmãos; a terceira, que dos nanicos, o seu PSL é o que possui, segundo ele, a mais qualificada nominata para de vereadores para alavanca-lo na corrida eleitoral como a zebra da competição.

O BALÃO ENSAIADO COM O PL

Por outro lado, essas fortalezas foram as que fizeram o PL estadual de Jorginho Mello colocar pressão sobre o PL de Gaspar.

Há uma leitura de que as lideranças evangélicas estão claramente identificadas com Kleber e o PL não quer criar um ponto de atrito e cisão neste eleitorado em Gaspar. O que vier é lucro e não por disputa.

A outra é que o PSL onde está Sérgio é o identificado com o governador Carlos Moisés da Silva, o qual está num processo acelerado de desgaste político, com uma CPI com fundadas dúvidas, e processos de impeachment duvidosos, mas a cântaros, por exatamente Carlos Moisés não ter assumido a liderança governamental, política e partidária em Santa Catarina que lhe competia.

Se isto não bastasse, há um conflito claro entre os deputados estaduais Ricardo Alba, PSL e Ivan Naatz, PL, ambos influenciadores aqui, todavia, adversários entre si tanto na Assembleia Legislativa, como em Blumenau, onde são candidatos a prefeito de lá.

Com eles, esta aliança do PL e PSL em Gaspar, deixaria exposta a incoerência de ambos e ela, avaliada na direção do PL em Florianópolis, poderia ser um problema de convergência e entendimento do eleitorado em benefício da aliança que tentavam construir. O senador Jorginho Mello, que conhece Gaspar, pois atuou como bancário na antiga agência do BESC, mais uma vez, voltou a defender – pelo que expus - uma providencial distância com PSL. Aceitava, até, o PSL na vice do PL.

Outra situação incômoda na análise de riscos feita, era o passado de sindicalista de Sérgio. Ele próprio admitia nas laives que há uma visão estereotipada dos eleitores e da mídia de que todo sindicalista é de esquerda, petista ou um pelego.

“Eu sou diferente”, insistia Sérgio nas laives quando este assunto aparecia e nas últimas semanas fez duas sobre o tema. Entre ser e o que se tem de conceito generalizado na sociedade e no eleitorado, há uma enorme distância e não será Sérgio que irá muda-lo.

Há ainda os ruídos revelados pelos identificados com Bolsonaro que saíram do PSL de Gaspar e se abrigaram no PL e DEM por exatamente divergirem da liderança de Sérgio. Eles reclamam da falta de diálogo, fidelidade e identificação com a causa bolsonarista.

E isto apareceu claramente na mensagem áudio gravada por Sérgio e ele que enviou para os seus em aplicativos de mensagens, quando demonstrou o seu descontentamento com a nova situação ao não conseguir fazer do PL o seu vice.

E sem nenhum pudor, ressalvando ser amigo pessoal, associou de forma clara e contundente o candidato do PL, Rodrigo Boeing Althoff, ao PT, exatamente para colocar a tranca nos votos conservadores e trazê-los para si próprio. A campanha está só começando. Não esperem coerência, apesar da promessa de todos os candidatos. Acorda, Gaspar!

PL encerra negociações e decide ir de chapa pura com o engenheiro Rodrigo Althoff e o químico Mário César


O engenheiro e professor Rodrigo Boeing Althoff (à esquerda) e o químico Márcio César (à direita e na foto com o senador Jorginho Mello), fazem do PL ser concorrente da prefeitura de Gaspar pela primeira vez 

O PL diz que tentou, mas não conseguiu, se estabelecer numa chapa única da direita e do conservadorismo de Gaspar. Contudo, não é bem assim, também. Ele foi para as conversas de forma bem pragmática desde o início. Sabia o que queria.

“Nós temos um programa se eleitos, e não vamos abrir mão dele. Quem estiver conosco precisa aprovar as nossas metas para os gasparenses”, enfatizou o engenheiro civil, pós-graduado em gerência de Cidades, de Segurança do Trabalho, mestre em Engenharia Ambiental, graduando em Administração de Empresa, pós-graduando em Gestão de Tecnologias Educacionais e em Gestão Pública, Rodrigo Boeing Althoff.

Ele é o presidente do PL, vinha conversando com o PSL e até com o DEM – que na maioria do tempo preferiu à lateralidade com membros do partido – ao invés da interlocução direta com Rodrigo.

“Não deu liga. Bola prá frente”, sintetiza, mesmo instigado para dizer o que pegou para não fechar a negociação cuja expectativa foi criada nos últimos dias.

Rodrigo vai ter como vice o químico e empresário Márcio César, ex-presidente do partido aqui em Gaspar e tido como um bolsonarista raiz. Rodrigo além da empresa de projetos que possui, é também professor universitário e no IFSC. Não é nenhum novato na política. Foi vereador pelo PV e foi candidato a vice-prefeito em 2012 na chapa encabeçada pelo atual prefeito Kleber Edson Wan Dall. No governo de Pedro Celso Zuchi, PT, foi em 2009, seu secretário de Planejamento.

Como se vê, de todos os candidatos, é de longe o que tem melhor formação acadêmica, já exerceu a atividade política e a deixou para seguir estudando e se dedicar ao magistério, bem como o seu ganha pão com a empresa de engenharia de projetos, uma das razões para não continuar servido a prefeitura em cargos comissionados de alto escalão. “Não fiz da política” um meio de sobrevivência”, pontua para mostrar que não precisa de empregos políticos para sobreviver.

Segundo Rodrigo, ele quer levar esse conhecimento acadêmico e vivências em ambientes públicos para a prática. E entre elas, está a enxugar a máquina municipal de comissionados. “Com muitos partidos do meu lado eu não posso fazer isso”, numa clara alusão ao governo e a campanha de Kleber.

“Se está coligado, é preciso dar emprego para essa gente”. Para ele, “é urgente racionalizar e não fazer a prefeitura uma entidade partidária, mas um meio de facilitação e gestão para o cidadão, o desenvolvimento e resultados na educação, saúde e assistência social”.

SEM ACORDOS COM O PSL E DEM

Sobre as conversas frustradas com o PSL e o DEM, Rodrigo afirma que “há muitos pontos em comuns entre nós, mas não chegamos a um acordo bom para todos. Cada um vai procurar se fortalecer com suas próprias forças, lideranças e identificações”.

Rodrigo aposta na qualificação da chapa do PL e dos vereadores. Ele quer se tornar o voto útil e a surpresa das eleições e o próprio Sérgio Almeida percebeu isso e tratou de liga-lo as forças convencionais ou de esquerda.

“Sabemos do descontentamento dos servidores efetivos, sabemos dos eleitores do ex-prefeito Zuchi que não são PT nem de esquerda, sabemos dos descontentes do PSD com o alinhamento do Marcelo do Kleber, sabemos do descontentamento do PSDB com o boicote a Andreia, sabemos que os bolsonaristas procuram um projeto vencedor em Gaspar e queremos ser esta opção para os que acreditam que a política é e pode ser feita de racionalidade e resultados para a cidade”, sublinhou ele em várias trocas de mensagens ao longo de dois meses aos meus questionamentos.

A campanha começou. Aqui está uma prova que ela vai ser travada fora do ambiente formal da imprensa – a controlada e censurada – e muito mais nos aplicativos de mensagens e redes sociais

Eles serão decisivos e vão dar trabalho. É um terreno meio que sem dono e sem controle dos partidos e das campanhas devido a espontaneidade dos cidadãos

O primeiro texto é “uma mensagem do advogado Valmor Beduschi Filho”, um velho de guerra nesse ambiente político. Ele fez circular pelos aplicativos de mensagens tão logo o candidato dele, Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi homologado em convenção. Um texto muito interessante de se ler.

O Despertar de uma Nova Era!

Eclodiu!

Deflagrado está!

Bênçãos sobre nossa Gaspar!

Sob a liderança de Kleber Wan Dall e Lu Spengler e a Coordenação serena e inteligente do Dr. Roberto Pereira, acompanhado de Pedro Bornhausen, Roberto Procópio e Jorge Pereira, desenha-se um novo e promissor futuro à nossa querida Gaspar.

Com maestria e precisão cirurgica, tendo como protagonistas representantes da Classe Empresarial Sérgio Waltrich, Carlos Macuco e Júlio Testoni, um Projeto que aprimora e complementa o exitoso Projeto Avança Gaspar, foi apresentado ao carismático líder Marcelo Brick!

Kleber, liderança consolidada, trabalho demonstrado, competente Equipe montada e atuante, referendada por parcela majoritária da Comunidade e importantes obras que multiplicam-se em cada bairro e centro de nossa Cidade, aproxima-se então de Marcelo Brick.

Marcelo, com grandeza e despreendimento, abre mão de uma candidatura respeitável a Prefeito e, com espirito altruista que reflete o grande homem publico que é, abraça esse Projeto Maior que contempla um cenário de segurança, prosperidade e desenvolvimento a Gaspar como nunca se viu!

Oficialmente lançada hoje para Prefeito e vice a Chapa Kleber Wan Dall e Marcelo Brick!

Inicia-se uma Nova Era na politica de Gaspar!

Quem viver, verá!

Vida longa à todos!

Viva Gaspar!

E o que apareceu, como resposta nos aplicativos de mensagens com o seguinte título: “Texto de um eleitor Gasparense”

Não houve despertar, tão pouco eclosão...

Peço-lhes permissão para transcrever o que sinto:

Me orgulho de ter nascido no hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na minha amada Gaspar no ano de 1983. Por inúmeras vezes entonei a voz para cantar o hino desta cidade ‘mientras’ hasteavam a bandeira amarela nas escolas onde estudei. Algumas vezes minha mãe se fazia presente durante o ato cívico - Sra. Maria Stela Pires Zimmermann -, funcionária pública concursada, apolítica e, por mérito do seu trabalho, quatro vezes Secretária de Educação do município em gestões de partidos distintos.

Que saudade me toca ao lembrar da prefeitura dos anos 80/90, quando a união e amor pelo município era percebido até por uma criança - EU. A politicagem certamente já existia, esta sim eclodia aos poucos até chegar a este plantel gordo e disseminado tal qual glóbulos vermelhos na corrente sanguínea. Na época, “meninos” de trinta anos trabalhavam arduamente para conseguir uma boa posição social, e, posteriormente, candidatavam-se a cargos políticos para oferecer o conhecimento adquirido em suas trajetórias ao município.

Ah, que orgulho! Que imenso orgulho tenho do meu pai - Sr. Arnoldo Henrique Zimmermann (Tépe) - que também concursado trabalhou mais de 25 anos na tesouraria e departamento tributário da prefeitura sem NUNCA ter escândalos de desvio de conduta. Aliás, certa vez fez questão de cobrar a multa e juros do seu próprio pai, meu finado avô Hercílio Fides Zimmermann / Hercílio padeiro - por ter atrasado dois dias o IPTU da padaria.

Ah, que saudade! Que imensa saudade da Farmácia Santa Cruz e do meu bisavô Anfilóquio Nunes Pires arbitrando a oratória oficial do município; prestígio, respeito e civilidade.

Hoje, vivemos num país sem leis, onde sanguessugas fixam suas ventosas na política para extrair o ouro que os contribuintes arduamente depositam nos cofres públicos. O problema está em Brasília? Não! Começa aqui, embaixo dos nossos olhos. Nossa gestão municipal não é expert em finanças e tão pouco fez milagre. Adquiriu um empréstimo milionário do governo para em quatro anos “mostrar serviço” e deixar o trânsito de Gaspar imóvel de sul a norte da cidade. Mal comparando, fizeram tal qual um adolescente com complexo de inferioridade que, mesmo morando de aluguel, compra um automóvel BMW financiado em 72x para impressionar as meninas. Esperteza nota 10, administração nota 0.

O baile não podia parar, a BMW serviu pra chamar atenção das meninas (leia-se povo gasparense). A gaita vinha querendo romper o fole quando eis que surge a solução da qual faço um versinho:

Antes adversários;

Agora a união;

Topa tudo por dinheiro;

E o eleitor é o bobalhão.

A questão é: Deixaremos por mais quatro anos os “meninos” dirigirem à BMW financiada?

Volto recordar-me do tempo de criança quando na escola cantava o nosso hino. Hoje, volto a cantar o estribilho com pequena adaptação:

“Salvem” Gaspar, terra de alegria;

Teus filhos jamais se esquecem de ti;

Temos uma dívida que cresce noite e dia;

Sendo a maior do belo Vale do Itajaí.”

Dr. Eduardo Zimmermann p- Médico Veterinário / Empresário - PS: Livre de quaisquer tipos de favores políticos.

Volto para encerrar. Eles foram lidos na sessão de terça-feira na Câmara de Gaspar, pelo vereador Cicero Giovane Amaro, PL.

O líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB, rebateu, não gostou e insinuou censura via processos na Justiça. Estes dois textos, um provocativo, e outro responsivo, são exemplos da livre expressão e exercício da cidadania. Este é embate. São educados. São do contraditório maduro das eleições livres.

Então, qual a razão para o representante de Kleber constranger, intimidar e ameaçar? Isto é clássico: o poder de plantão não quer esse debate, esse esclarecimento. E deve haver uma razão. Na imprensa, seus prepostos inventam e fomentam processos. Aos cidadãos gasparenses, farão o mesmo e precisando de votos? Vai faltar advogado e votos. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Qual era mesmo o título de um dos artigos da coluna de segunda-feira? “Câmara faz uma Lei para abrir recreação às creches particulares. Por que Kleber não baixou o decreto na autonomia que ele possui para isso e fez a mesma que fez valer para liberar a boleirada do futebol de patotas?”

O que escrevi na abertura do texto? “Hipocrisia, incoerências e espertezas abundam entre os políticos. Elas se acentuam em tempos de campanha eleitoral e diante da falta de fiscalização – e punição – de quem deveria fiscalizar – e punir”.

O que foi que foi mesmo que acentuei no texto? “Qual é mesmo a razão de um Projeto de Lei para reabrir as creches particulares ser apresentado por um vereador da base, que busca a reeleição, em pleno ambiente de campanha eleitoral? Hum! O prefeito não precisa desse PL. Ele possui essa prerrogativa na função dele para autorizar isso por canetaço”.

“Não foi isso que o prefeito Kleber fez quando liberou os campos de peladas para as patotas afrontando o decreto estadual, ou seja, a lei maior a qual deveria obedecê-la, com o silêncio da mídia regional e estadual que denunciava sob manchete atos semelhantes em outros municípios, do Ministério Público e da Polícia, essa ocupada nas blitzes de trânsito para fazer funcionar o pátio da Ackar?”

O que informa o repórter Paulo Flores, da 89 FM? “Lei Municipal que autorizava escolas e creches particulares atuarem de forma recreativa durante a pandemia foi barrada pela Justiça”

O que aconteceu? O Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública na Vara da Infância e Juventude da Comarca de Gaspar contra a lei inconstitucional e que fere frontalmente o decreto estadual. A juíza Camila Murara Nicoletti, despachou, em liminar, favoravelmente no sábado ao MP.

O que está se dizendo por aí agora? O que antecipei no artigo de segunda-feira: justificativas espertas. Começou na Câmara onde um vereador em campanha à reeleição apresentou o PL e o PL andou como um raio, tudo para salvar o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, em campanha de reeleição e torná-lo vítima de uma juíza perante os seus eleitores.

Como escrevi, como fez com o futebol de patotas, não era preciso lei nenhuma, nem a Câmara precisava se envolver neste assunto, bastava um canetaço do próprio Kleber. Agora, vereadores e o Executivo, que sabiam muito bem o que faziam, andam se justificando dizendo que fizeram a parte deles, mas uma juíza malvada não permitiu à manobra esperta dos políticos de plantão e em campanha.

Que é preciso resolver este assunto, precisa. E qual é o caminho? A negociação. E por onde começa? Derrubando ou flexibilizando o decreto estadual. Segundo, conversando com o próprio Ministério Público, que em tese, é o guardião da sociedade. Terceiro, os proprietários de escolas precisam aprender que políticos são manhosos e vivem lavando as próprias mãos.

Na Câmara, como se ouviu na terça-feira passada, os mesmos que aprovaram unanimemente o PL que virou Lei no dia quatro, que fez algumas escolas funcionarem desde o dia oito sob prejuízo agora aumentado com o fechamento determinado pela Justiça, se pronunciaram contra a volta das aulas no setor público. Coerência no vale tudo à caça de votos. Perguntar não ofende: qual é mesmo a diferença entre ambos? Acorda, Gaspar!

 

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Edição 1968

 

Comentários

Herculano
17/09/2020 15:43
LULA QUEBRA QUARENTENA E VISITA RENAN SEM MÁSCARA NO HOSPITAL, por Mônica Bérgamo, no jornal de S. Paulo

Segundo interlocutores, ex-presidente tinha exames de rotina marcados no mesmo hospital

O ex-presidente Lula, 74, visitou o senador Renan Calheiros (MDB-AL), 65, que está internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Uma foto em que os dois aparecem juntos e sem máscara foi publicada nesta quinta (17) nas redes sociais do parlamentar.

"Recebi a visita do ex-presidente @lulaoficial no hospital. Durante a conversa, ele me perguntou se eu estava bem. Respondi que aguento jogar os 90 minutos, mas que a prorrogação não garanto", escreveu Renan Calheiros. Tanto o ex-presidente quanto o senador estão no grupo de risco da Covid-19.

O ex-presidente do Senado foi internado no Sírio-Libanês em 9 de setembro e operado para a extração de um tumor no rim direito. Já Lula, segundo interlocutores do ex-presidente, tinha exames de rotina marcados com seus médicos nesta semana, no mesmo hospital.

Na quarta (16), Calheiros afirmou em vídeo que sofre desgaste físico e mental por ser alvo de "uma perseguição sem fim" e de processos com "absoluta falta de provas".

"Ano a ano, mês a mês, é uma verdadeira tortura. Ontem mesmo, saindo da cirurgia, fui instado a responder pela 10ª vez a uma denúncia improcedente, nascida de uma delação onde todos os delatores negaram a imputação inicial. Fala-se muito em assassinato de reputações, essas acusações sem provas. O fato é que vale uma sentença de morte em vida, assassinato mesmo. O corpo também se abate", disse.
Herculano
17/09/2020 11:45
MOISÉS E DANIELA ENFRENTA O PIOR CENÁRIO, por Roberto Azevedo, no Making of

Somente na sessão regimental, marcada para as 9h desta quinta (17), é que foi anunciado o procedimento durante a votação que deve aprovar o processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés da Silva e a vice-governadora Daniela Reinehr.

O clima desfavorável ao governador e à vice, que terão votação em separado, primeiro Daniela e depois Moisés, será o encerramento da sessão, que ainda deve dar espaço para cada um dos 40 deputados se manifestarem ?" embora o presidente Julio Garcia deva abrir mão deste ?" e para os advogados de defesa, depois da leitura da peça que aprovou a admissibilidade na Comissão Especial.

A votação será nominal, começa pela maior bancada, a do MDB, e depois virá o PSL e as demais, com a perspectiva de boa parte dos deputados de decisão rápida, e finalização até as 20h.

Nas últimas horas, o governador intensificou as conversas com deputados, algumas presenciais e outras por telefone, na busca de reverter a posição e atrás dos 14 votos que podem livrá-lo do prosseguimento do processo.

SEM AFASTAMENTO

Depois de concluída a votação, se desfavorável a Moisés e a Daniela, os dois serão notificados da decisão pela sequência do processo em 48 horas, juntamente com a comunicação ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Roesler.

Caberá ao magistrado, em até cinco dias, formar a Comissão Julgadora, um tribunal misto composto por cinco deputados (escolhidos por voto em plenário) e cinco desembargadores (escolhidos por sorteio).

Depois de formada a nova comissão, Roesler indica um relator, que terá a missão de se manifestar favorável ou não ao afastamento, por até 180 dias, do governador e da vice, quando assumirá o governo do Estado o presidente da Assembleia.

IMPERDOÁVEL

Há gestos na vida pública que revelam mais do que posicionamentos políticos ou ideológicos e a decisão do deputado Rodrigo Minotto (PFT) em se licenciar e abrir espaço para Cesar Valduga (PCdoB), suplente e ex-deputado, votar na sessão extraordinária desta quinta (17), é emblemática.

Um dos mais paparicados parlamentares por Moisés no Sul do Estado, Minotto preferiu encontrar uma desculpa de última hora para fugir da responsabilidade, principalmente sendo da base onde estão Ada de Luca (MDB), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Jessé Lopes (PSL) e o presidente Julio Garcia (PSD), e deixar alguém em seu lugar que votará contra o governador e a vice.

MENOS UM

O eleitor, nestes casos, sempre optará entre covardia ou traição, nunca verá como uma atitude nobre a de Minotto, tampouco que contabilize votos.

O deputado era dado como certo na defesa do governador e da vice, um dos cinco votos nas contas menos generosas.

SÉRIO

Se seguiu todos os passos que anunciou, o deputado Fabiano da Luz, líder do PT na Assembleia, se reunirá juntamente com a bancada e o diretório estadual para avaliar, nesta quinta, a posição sobre o prosseguimento do processo de impeachment contra o governador e a vice.

Durante a semana, até o presidente estadual petista, o ex-deputado Décio Lima, esteve com Fabiano para tratar do assunto delicado e o líder garantiu à cúpula que a maioria dos quatro deputados decidirá em caso de divergência.


REPCUSSÃO NACIONAL

Não há uma capa de site nacional que não tenha dado destaque para a Operação Alcatraz em Santa Catarina e a denúncia contra o deputado Julio Garcia (PSD), presidente da Assembleia. Há dois dias, os principais portais dão mais relevância ao esquema de corrupção, levantado pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, agora à disposição da juíza Janaina Cassol, da Justiça federal, do que os veículos do Estado, já que, por aqui, alguns sequer aprofundaram o tema. Na versão nacional de o Estadão, O Antagonista, O Globo e Veja, um dos pontos que mais chamam a atenção é a amizade de Julio com Nappi Júnior, ex-secretário estadual adjunto de Administração, e a suposta compra compartilhada de uma lancha entre ambos, uma Phantom 300, avaliada em mais de R$ 360 mil. Nem uma viagem à Disney e vagas de garagem, que constam-na denúncia do MPF, escaparam das manchetes. Além disso, contextualizaram com a possibilidade de Julio vir a ocupar o governo do Estado com o eventual afastamento de Moisés e Daniela.
Herculano
17/09/2020 11:38
O ATO DE POSSÍVEL AFASTAMENTO VIA O IMPEACHMENT DO GOVERNADOR CARLOS MOISÉS DA SILVA, PSL, É NOTORIAMENTE POLÍTICO

SEMPRE ESCREVI ISSO. E SE DÁ INCLUSIVE NO ÂMBITO JURISDICIONAL, ONDE AS "HERMENÊUTICAS" E NÃO A LEGALIDADE, PREVALECEM

MAS, QUEM É O CULPADO PRINCIPAL DISSO TUDO?

SEMPRE ESCREVI TAMBÉM, É O PR?"PRIO GOVERNADOR. QUEM O ELEGEU, COM 71% DOS VOTOS VÁLIDOS, ACREDITOU NELE QUE SERIA CAPAZ DE ESTABELECER E REESCREVER A NOVA POLÍTICA.

ELEITO, MOISÉS NÃO FEZ SEQUER POLÍTICA, QUANTO MAIS A NOVA. AÍ A VELHA POLÍTICA, COM OS VELHOS POLÍTICOS, COMEÇOU A FRITÁ-LO, SE PUDO, Dó E PIEDADE.

E O TIRO NÃO É Só CONTRA ELE, MAS É FEITO QUANDO PUDERAM ENCAIXAR A VICE DANIELA CRISTNA REINEHR, PSL, NA MESMA BARCA PROCESSUAL.

ALIÁS, É ELA QUE NINGUÉM QUER NO GOVERNO
Herculano
17/09/2020 11:29
MODUS OPERANDI, por Cláudio Prisco Paraíso

Nestas horas finais que antecedem a possível votação do impeachment de Moisés da Silva e Daniela Reinehr, houve um atropelo sem medidas nas datas dentro do rito do processo. Ficou caracterizado nesta antecipação de cinco dias, embora não haja qualquer ilegalidade na questão regimental da Assembleia.

É um movimento que guarda relação direta com a denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente do Parlamento, Júlio Garcia.

Segundo aspecto, a ordem de votação em plenário ainda não está clara. Se for pelo critério que estão falando nos bastidores, com as maiores bancadas votando primeiro, isso pode ser mais uma jogada para pressionar os eleitos por bancadas menores.

Pois se o MDB, com nove deputados, e o PSD, com seis, votarem primeiro e fechados, o placar já largaria de 15 a 0 pela cassação.

DAMAS PRIMEIRO

Outra especulação já dá conta de que a votação da vice poderia ocorrer antes da do governador, algo que não faz o menor sentido.

Isso poderia ocorrer para tentar evitar a preservação de Daniela Reinehr após Moisés da Silva alcançar, eventualmente, os 27 votos para formar a Comissão Mista Julgadora.

ORIENTAÇÃO

Trocando em miúdos: há uma pré-disposição para forçar o afastamento. O jogo não está obedecendo um encaminhamento isento como deveria ser.

Outra coisa que chama a atenção foi a Comissão Especial. Na terça-feira, quando votaram por 9 a 0 pela aceitação da denúncia, os deputados falaram de tudo, só faltou falar de futebol.

O que menos se ouviu, contudo, foi debate sobre o aumento aos procuradores do Estado, medida que embasa o processo de impedimento.

GEOGRAFIA DO JUDICIÁRIO

Paralelamente a isso, o que se aguarda, também, como é que a Justiça vai se manifestar. No que depender da Justiça de Santa Catarina, nada vai acontecer. Somente haverá intervenção judicial se vir de um tribunal de fora do estado, federal ou dos tribunais superiores.

DAMAS FORA

Aumentaram as especulações sobre a possibilidade de se retirar a vice-governadora do impeachment. Outra situação: ministra Rosa Weber, do STF, determinou diligências para que os presidentes da República, do Senado e da Câmara se manifestem sobre o rito do processo.

Ainda não houve conclusão com as respostas, algo que pode ocorrer até esta sexta. Mesmo assim, a votação está marcada para hoje.

O MÉRITO

Ilustra-se tudo isso sem entrar no mérito do processo ou do afastamento do governador, os questionamentos são atinentes à condução do processo.

DESGASTE CATARINENSE

É algo que nunca se viu por aqui, colocando Santa Catarina numa posição muito desfavorável no contexto nacional. Instalou-se uma crise política, com o pedido de impeachment; e agora com o presidente da Alesc denunciado pelo MPF. Situação sui generis. E não se vê o posicionamento de ninguém. Onde está a OAB? Nenhuma instituição ou entidade está se posicionando. Nenhum catarinense renomado, nada, silêncio absoluto diante de uma violação do processo democrático.
Miguel José Teixeira
17/09/2020 08:32
Senhores,

Será que a "maischcára" vai cair

Hoje no Rio, será debatido o destino do governador, na assombrosa alerj e do prefeito na câmara dos inúteis e curruPTos vereadores.

Se, como dizíamos nas antigas "uma mão lavar a outra", poderá dar chabu!

E o tal cláudio castro, hein? Mais enrolado que vermes em maçaroca.

Bom. . .a tradição de maracutaias no Rio, vem desde seu primeiro governador, estácio de sá, que era, nada mais, nada menos, que o sobrinho do governador-geral do Brasil, men de sá.

E a nossa Bela e Santa Catarina, hein?

O Globo informa ao mundo que:

" Perto de virar governador interino, presidente da Assembleia de SC é denunciado 12 vezes pelo MPF por lavagem"

"Julio Garcia (PSD) seria o líder de quadrilha e teria montado rede de influência na Secretaria de Administração do estado"

Bom. . .é melhor eu colocar a minha "maischcára", como dizem os cariocas. . .
Herculano
17/09/2020 08:13
COLUNA OLHANDO A MARÉ IDÉDITA FEITA ESPECIALMENTE PARA EDIÇÃO IMPRESSA DO JORNAL CRUZEIRO DO VALE, 30 ANOS NA LIDERANÇA EM CIRCULAÇÃO, REFERÊNCIA E FONTE DE CREDIBILIDADE EM GASPAR E ILHOTA JÁ ESTÁ ESCRITA, ACREDITEM, DESDE TERÇA-FEIRA.

ENTRETANTO, CONTINURÁ ATUAL ATÉ A SEXTA-FEIRA. ACORDA, GASPAR!
Herculano
17/09/2020 08:04
NOVA LEI EXIGE AVAL DE ELEITOR PARA ENVIO DE PROPAGANDA, E CAMPANHA ACUMULAM DÚVIDAS

Advogados de partidos procuram TSE para discutir viabilidade de norma entrar em vigor já nesta eleição
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Wálter Nunes. A possibilidade de que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entre em vigor já nas eleições municipais deste ano tem tirado o sono de candidatos e advogados de partidos políticos e causado insegurança nas campanhas.

Entre outros pontos, a nova norma prevê que um candidato só poderá enviar material de campanha após prévia autorização por escrito do eleitor que receberá a propaganda em sua casa, por SMS de celular ou aplicativos de mensagens, pelas redes sociais ou em qualquer outro meio.

Como a pandemia do coronavírus impede que candidatos invistam como antes no corpo a corpo com eleitores, a campanha virtual tornou-se ainda mais essencial para angariar votos e difundir programas de governo.

Advogados de partidos, acadêmicos, juízes e técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) têm discutido o tema. Na semana passada, integrantes da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político) entregaram a técnicos da Justiça Eleitoral dúvidas e apontamentos sobre a aplicação da nova norma nas eleições.

A polêmica não está na pertinência ou não da nova lei, que é bem aceita pela maioria. A discussão é sobre a viabilidade da aplicação de nova regra neste momento.

A Lei Geral de Proteção de Dados foi aprovada em agosto de 2018 e criou regras para proteger os dados pessoais de todo o cidadão que esteja no Brasil. Não é uma legislação eleitoral e vai regulamentar todos os seguimentos.

Sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB) no mesmo ano, o texto da nova lei previa sua entrada em vigor em agosto de 2020.

Mas, apesar de a previsão original ser pela entrada em vigor nas vésperas da eleição deste ano, os partidos não contavam com a nova norma agora, pois uma medida provisória patrocinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tinha um item que propunha o adiamento da nova lei para maio de 2021.

Esta medida provisória foi aprovada na Câmara, mas, no mês passado, veio a surpresa. O Senado aprovou outros pontos da MP, mas derrubou justamente o item que previa o adiamento da entrada em vigor da lei de proteção de dados pessoais para o ano que vem.

Com isso, a norma passará a vigorar ainda neste ano e, portanto, deve ser observada no processo eleitoral ?"a não ser que uma decisão do TSE mude o entendimento sobre o prazo da aplicação da norma.

Dentro da própria Abradep há divergência se é possível a aplicação imediata da nova lei ou não. O advogado Fernando Neisser, coordenador acadêmico da entidade, considera inviável que a aplicação da lei aconteça agora.

"A LGPD [de proteção de dados] traz uma série de mudanças. Algumas delas criariam obstáculos em relação ao envio de material e outras criariam custos e burocracias que podem impactar negativamente, principalmente campanhas menores e com menos recursos", diz Neisser.

"Vamos imaginar, por exemplo, que eu resolvo me lançar candidato e quero usar os números de telefones e emails dos meus clientes para mandar material de campanha. Eu estarei dando outra finalidade aos dados. Então, se eu quiser alterar a finalidade, eu preciso de um novo consentimento dos meus clientes", diz Neisser, que já atuou em várias campanhas do PT e de outros partidos.

"Um problema que me incomoda bastante é o fato de que todas essas adaptações geram custo e têm potencial de prejudicar as candidaturas novas e com menos recursos, de pessoas menos conhecidas. E, por outro lado, vai beneficiar as mais ricas, de candidatos já conhecidos e que geralmente já têm cargos."

Já a coordenadora do Grupo de Trabalho da Abradep, Marilda Silveira, aponta benefícios da nova norma.

Segundo ela, os candidatos terão restrições para se aproveitar de dados pessoais dos eleitores e que possam ser considerados sensíveis, como orientação sexual, religiosa ou política.

Um exemplo: o candidato não poderá direcionar uma campanha sobre plano de governo para religião após ter vasculhado a rede social de um eleitor e identificá-lo como frequentador assíduo de uma determinada igreja.

"Não é só explicar que vai usar a informação, mas explicar para que vai usar", afirma Marilda.

Ela, que também advoga para o partido Novo, chama a atenção para o ponto que determina que partidos e candidatos passam a ser obrigados a manter um banco de dados sobre informações pessoais que serão usadas.

"Em 2018, houve a dúvida se candidaturas tinham usado robôs, mas naquela ocasião os candidatos não eram obrigados a manter nada no seu banco de dados, porque isso não estava previsto na lei. A nova lei determina que candidatos e partidos mantenham essas informações nos seus históricos. Se alguma autoridade pedir, eles são obrigados a fornecer."

?Na semana passada, integrantes da Abradep conversaram com três técnicas do TSE sobre a aplicação imediata ou não da lei de proteção de dados.

DIVERGÊNCIA
Há divergência na interpretação sobre o artigo 16 da Constituição, que diz que as normas que interferirem no processo eleitoral só produzem efeitos um ano após a sua vigência.

Neisser considera que a entrada em vigor imediata da nova lei contraria a Constituição. "A Constituição diz que é um ano após sua vigência [da nova lei], não sobre a sua aplicação. Então pouco importa quando ela foi publicada. Para afetar o processo eleitoral ela precisa estar vigente um ano antes da eleição, e esta lei não está vigente hoje", diz Neisser.

Já o juiz Adriano Athayde Coutinho, do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, considera que uma resolução do TSE publicada em dezembro passado e que já determinava que pontos da LGPD fossem adotados na eleição deste ano permite que as normas de proteção de dados comecem a valer já.

"O TSE usou da redação de uma lei que não está em vigência ainda? Não vejo desse ponto. Vejo que ele pegou conceitos que pode-se adotar como balizas que foram utilizadas lá na LGPD e trouxe para o contexto de regulação do processo eleitoral", diz Coutinho.

"Ele [TSE] se antecipou a uma necessidade de adaptação da lei eleitoral para esta realidade do mundo eletrônico neste momento de pandemia. Entendo que podemos implementar as disposições da resolução sem maiores problemas", diz o juiz. "Agora como isso vai se dar? Esse é um grande problema. Porque ninguém se preparou para isso."


ENTENDA A LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS
O que é a lei? A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais foi aprovada pelo Congresso em agosto de 2018 e sancionada pelo presidente Michel Temer (MDB).

A LGPD foi pensada para criar segurança jurídica, com a padronização de normas e práticas, para promover a proteção dos dados pessoais de todo cidadão que esteja no Brasil

Quando ela entra em vigor? Segundo o texto aprovado, ela entraria em vigor em agosto de 2020. Uma medida provisória, enviada pelo presidente da República neste ano, previa o adiamento da entrada em vigor da nova lei para maio de 2021.

Parte dessa MP, porém, foi rejeitada pelo Senado em agosto justamente no artigo que previa o adiamento da entrada em vigor da nova lei. Com isso, a Lei Geral de Proteção de Dados mais uma vez está prevista para entrar em vigor neste ano. Bolsonaro tem até o dia 17 de setembro para sancionar a nova lei.

Como ela impacta os partidos? A nova norma prevê, entre outras pontos, que candidatos e partidos só poderão enviar material de campanha com prévia autorização por escrito do eleitor que receberá a propaganda.

Os candidatos terão restrições para se aproveitar de dados pessoais dos eleitores e que possam ser considerados sensíveis, como orientação sexual, religiosa ou política.

Um exemplo: o candidato não poderá direcionar uma campanha sobre plano de governo para religião após ter vasculhado a rede social de um eleitor e identificá-lo como frequentador assíduo de uma determinada igreja.

A nova lei determina que candidatos e partidos mantenham um banco de dados sobre informações pessoais dos eleitores que receberam a propaganda eleitoral, as autorizações dadas por eles para isso e qual material de campanha foi enviado para cada eleitor.
Herculano
17/09/2020 07:56
EM SP, SAI 'BOLSODORIA' E ENTRA 'BOLSO VS. DORIA', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

Poucas coisas fascinam tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto a ideia de ajudar a derrotar o candidato do governador João Doria (PSDB) à prefeitura de São Paulo, este ano. Emprestou seu nome ao "Bolsodoria", viabilizando o tucano em 2018, e se sente traído. O candidato Celso Russomano não teve dificuldades de obter as bênçãos do presidente na disputa paulistana, fazendo o PTB bolsonarista cravar Marcos Costa como vice. Ao menos no segundo turno, será a vez de "Bolso vs. Doria".

DESTA VEZ VAI?

Russomano é a mais séria ameaça à reeleição de Bruno Covas. Desta vez espera deixar para trás a reputação de "cavalo paraguaio".

COMPETITIVO

Levantamento Paraná Pesquisa de 20 de agosto apontou Russomano na à frente de Bruno Covas (PSDB) nos dois cenários possíveis.

APROVAÇÃO MAIOR

O mesmo Paraná Pesquisa indicou que os paulistanos aprovam mais Bolsonaro (43,1%) que Doria (41,6%). (Registro no TSE nº SP-1020/20).

Só NO SEGUNDO TURNO

Bolsonaro já avisou que não participará do primeiro turno na campanha deste ano, mas insinuou que no segundo turno avaliará a possibilidade.

COVID: CASOS ATIVOS DESPENCAM 15,7% EM SETEMBRO

A tendência de queda nos casos de coronavírus no Brasil se acentuou e o número de pessoas infectadas caiu 15,7% desde o início do mês, de acordo com o Worldometer. No dia 1º eram 669,2 mil pessoas infectadas e, apesar das críticas às pessoas deixando a clausura e voltando a viver suas vidas ao ar livre durante o feriadão, as previsões de disparada nos casos, mais uma vez, erraram feio e o total de doentes caiu a 564,6 mil.

NA MESMA MOEDA

Os críticos falam que o número de novos casos foi represado por três dias no feriado. Se isso é verdade, aconteceu o mesmo com as curas.

PERDERAM AUDIÊNCIA

O número de casos é o menor desde 11 de julho, mas o "jornalismo de funerária" se nega a admitir que o pior passou e fica criando ressalvas.

OLHOS NA ÍNDIA

A maior preocupação no mundo é o avanço na Índia. Com 1,38 bilhão de habitantes, já tem 5 milhões de casos e registra quase 100 mil por dia.

JÁ PODE PEDIR 2 MÚSICAS

Um dia depois da confirmação de João Campos (PSB) como candidato à prefeitura do Recife, a gestão do prefeito Geraldo Julio, seu principal aliado, foi alvo de operação da Polícia Federal pela sexta vez este ano.

UM ANO ESTA QUINTA

Haveria bolo e vela, não fosse trágico: completa nesta quinta (17) um ano na gaveta de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, a proposta de emenda constitucional do deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) extinguindo penduricalhos, regalias e privilégios no setor público.

PT COM PSL E PSDB

O deputado tucano Onevan de Matos, decano na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, promoveu um casamento de jacaré com cobra d'água, ao juntar PSL e PT em sua campanha à prefeitura de Naviraí.

À BEIRA DO COLAPSO

Empresas de Brasília estão à beira do colapso, e a capital corre o risco de ficar sem ônibus. Alegam que a pandemia reduziu os passageiros à metade, fazendo-as acumular prejuízo de R$400 milhões e perder a capacidade de manter em dia salários e obrigações com fornecedores.

INTERNET GRATUITA

O governo do DF liberou internet gratuita para alunos e professores da rede pública, para acesso à plataforma Google Sala de Aula. Nessa primeira fase, chips das operadoras Tim e Claro estão autorizados.

CENSURA ATÉ NISSO

Iniciativa de um professor universitário e biólogo nos EUA, o movimento "Unity 2020" foi censurado do Twitter. A ideia é rejeitar as candidaturas (já postas) de Joe Biden e Donald Trump e criar uma "terceira opção". Mas na rede social, por motivos não explicados, isso não pode.

O LADO BOM

O mundo superou a marca de 30 milhões de casos do coronavírus, segundo o Worldometer, mas a boa notícia é que 22 milhões já estão curados e 7,2 milhões manifestam apenas sintomas leves da doença.

AGRO SEMPRE À FRENTE

O Sul do Brasil lidera exportação de gado vivo: US$111 milhões em sete meses. Cerca de 45 mil cabeças de gado já foram exportadas para os países árabes só neste ano por meio do Porto Rio Grande.

PENSANDO BEM...

...tem partido adorando a falta de interesse nas eleições.
Herculano
17/09/2020 07:13
da série: a cansada e manjada esperteza de Lula, mancha cada vez mais o PT

DE OLHO EM MORO E NA ECONOMIA, LULA FA OPOSIÇÃO PELA METADE, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Petista fingiu não ver metade da interferência do presidente na Polícia Federal

No dia 21 de maio, a presidente do PT assinou um pedido de impeachment de Jair Bolsonaro, formulado por advogados e organizações de esquerda. A peça citava a postura antidemocrática do presidente, a conduta desastrosa do governo na pandemia e as tentativas de interferência na Polícia Federal.

Para embasar a acusação, o último tópico listava declarações do ex-ministro Sergio Moro no dia de sua demissão. O partido acreditava que o comportamento de Bolsonaro naquele episódio era grave o suficiente para tirá-lo do poder. Faltou combinar com o restante da sigla.

Concentrado no embate com o ex-juiz, Lula disse na terça-feira (15) que o caso era "uma pirotecnia" de Moro. "O presidente da República tem o direito de indicar o diretor da Polícia Federal, sim. Eu indiquei duas vezes e nunca pedi, nunca orientei, porque eles têm autonomia", afirmou ao Diário do Centro do Mundo.

O petista pode ter falado uma obviedade, mas quis contar só metade da história. Bolsonaro tem mesmo o poder de escolher o comando da PF. Moro, aliás, acobertou boa parte das investidas do chefe nesse sentido. Mas o Supremo também viu movimentos nítidos do presidente para aparelhar a cúpula do órgão e proteger seus aliados de investigações.

Lula preferiu esquecer essa parte. Nada sugere que o petista tenha interesse em poupar Bolsonaro, mas suas declarações refletem um oportunismo político exagerado.

Embora trate Bolsonaro como adversário, Moro é o inimigo que Lula tenta desqualificar em primeiro lugar. Esse seria o caminho para reforçar as acusações de suspeição contra o ex-juiz, anular suas condenações e voltar à cena eleitoral.

Além disso, Lula dá mais um sinal de que não pretende encarar Bolsonaro no campo do autoritarismo, da corrupção e do comportamento antidemocrático. O petista já mostrou que prefere disputar na arena econômica, principalmente no momento em que o governo avança sobre territórios da sigla. O cálculo faz sentido, mas não era preciso fingir cegueira.?
Miguel José Teixeira
16/09/2020 21:46
Senhores,

A laia do presidente

"Bispo evangélico é condenado a 20 anos de prisão por estupro de menina de 13 anos..."
. . .
- "João Batista dos Santos está preso preventivamente desde fevereiro. Ele já foi condenado duas vezes pelo crime de violação sexual mediante fraude, mas recorreu em ambos e respondia aos processos em liberdade...."
. . .
Veja mais em https://www.uol.com.br/universa/noticias/agencia-estado/2020/09/16/bispo-evangelico-e-condenado-a-20-anos-de-prisao-por-estupro-de-menina-de-13-anos.htm?cmpid=copiaecola

Essa é CORJA de vendilhões de palavras bíblicas que o presidente a isenta de impostos e perdoa dívidas bilionárias!

Acordem, Senhores Parlamentares! Criem uma CPI "dasigrejas" e as fortunas do seus próceres e não a transformem em indigestas pizzas!
Herculano
16/09/2020 15:33
da série: dinheiro para os pobres não há, já para as ricas igrejas evangélicas cada vez mais influenciadoras das eleições...

EM ALMOÇO, BOLSONARO REFORÇA APOIO A DERRUBADA DE VETO SOBRE PERDÃO A IGREJAS, por Cézar Feitoza, de O Antagonista.

Em almoço com a bancada evangélica, Jair Bolsonaro reafirmou há pouco o apoio à derrubada do próprio veto ao perdão de R$ 1 bilhão em dívidas de igrejas.

O Antagonista apurou que a bancada, no entanto, está dividida entre o apoio a uma PEC que amplie a imunidade tributária, alcançando contribuições como a CSLL, e a derrubada do veto de Bolsonaro.

O cardápio foi leitoa à pururuca com feijão tropeiro, prato tradicional preparado pelo deputado mineiro Fábio Ramalho (MDB).

A discussão sobre a alternativa para o perdão às igrejas não foi tratado com profundidade, e o almoço serviu para reaproximar os deputados de Bolsonaro.

A bancada evangélica se reunirá na próxima quarta-feira (23) para fechar questão sobre a derrubada do veto. A decisão, segundo um deputado, será fortemente influenciada pelo Planalto, que pode sinalizar que a aprovação de uma PEC é mais segura para ampliar a imunidades das igrejas.
Herculano
16/09/2020 11:00
"ESTE É UM PAÍS DE HIPóCRITAS. TUDO ABRIU MENOS AS ESCOLASs"

Press Release do gabinete do Deputado Bruno Souza, Novo. Texto de Guto Kuerten. O deputado Bruno Souza (Novo) afirmou durante a sessão do plenário desta terça-feira, 15, que o governo do estado está condenando toda uma geração de crianças ao atraso quando proíbe o retorno das aulas em Santa Catarina.
Para o parlamentar, é uma hipocrisia defender a reabertura de bares, shoppings, academias e do transporte, mas manter as escolas fechadas. Bruno se referiu ao Secretário de Educação como um "exterminador do ensino e do ano letivo". Apresentou a nova diretriz da OMS que recomenda o retorno imediato das aulas presenciais. "Não é o deputado Bruno afirmando, e sim a OMS. Chega dessa hipocrisia de dizermos que nos preocuparmos com educação apenas na hora de discutirmos aumento de salários e benefícios. Temos que nos preocupar com o futuro dessas crianças que estão não estão recebendo a educação adequada agora!", afirma.

Bruno defende a liberdade dos pais de escolher o que é melhor para as suas famílias. "O que não quero é proibir os pais de fazerem a sua escolha. Temos que parar de condenar as crianças catarinenses ao atraso por conta da pressão de um grupo pequeno para que as aulas não voltem", concluiu.
Miguel José Teixeira
16/09/2020 09:41
Senhores,

+ Mulheres na Política

Idealizado pela Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SNPM), o projeto Mais Mulheres no Poder chega para estimular a participação feminina na política e nos cargos de poder e decisão. As ações são voltadas ao pleno exercício da democracia representativa e participativa.

? - ? O Brasil possui mais de 77 milhões de eleitoras. O número representa 52,5% do total de 147,5 milhões de eleitores (Fonte: Cadastro Eleitoral)

? - ? Desse número, 9.204 (31,6%) mulheres concorreram a um cargo eletivo nas Eleições Gerais de 2018. Destas, 290 foram eleitas, um aumento de 52,6% em relação a 2014. O número ainda é muito baixo se comparado ao total de mulheres aptas a votar e a serem votadas

? - ? O ranking de participação de mulheres no parlamento elaborado em 2017 pela ONU Mulheres, em parceria com a União Interparlamentar (UIP), demonstrou que o Brasil ocupa a 156ª posição no que se refere à representação feminina

? - ? 2016: foram eleitas 7.803 vereadoras em todo o país, o que equivale a apenas 13,5% do total das cadeiras das câmaras municipais

? - ? 2016: 1.290 municípios não elegeram uma única vereadora

? - ? Ainda em 2016: mulheres foram eleitas apenas para governar 11,6% das prefeituras do país

? - ? Os municípios governados por mulheres abrangem apenas 7% da população do país e são os municípios com menor densidade populacional e menor renda per capita. Uma clara indicação da dificuldade das mulheres alcançarem os postos mais almejados, também na política

? - ? Mudança geracional: mulheres na faixa 20 a 24 anos representaram 51,2% das candidaturas femininas na última eleição de 2018
(fonte: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/mais-mulheres-na-politica)

Acesse a Cartilha:

https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/mais-mulheres-na-politica/CartilhaMulheresnaPoltica.pdf
Miguel José Teixeira
16/09/2020 09:08
Senhores,

Várias & variáveis, só para inticar

1) Lavandeira planalto

"Congresso quer afrouxar lei da lavagem de dinheiro"
(O antagonista)

2) Até tú, braço forte e mão amiga

"Exército comprou cloroquina quase três vezes mais cara, apontam documentos no TCU" (O Antagonista)

3) Se não fosse a Imprensa

O capitão zero-zero foi à redes, com cópias de notícias de jornais, sobre a pretensão do posto ipiranga congelar aposentadorias para reforçar o Renda Brasil, alegando serem falsas.
Falsa capitão, foi a sua proposta de governo apresentada durante a campanha eleitoral!

4) Jabuti à vista

Pelo "modus operandi" do pentiunvirato bolsonaro, é recomendável que os Senadores fiquem atentos às indicações feitas pelo capitão zero-zero às diversas Embaixadas. A Rádio Cercadinho dá conta que esta manhã ele tirou do bolso um recadinho à "la Calói": "Papai, não esqueça minha embaixada!"

5) Mi$$ionário r.r.$oare$ & bi$po crivella

Parece-me que ele está envolvido em novo episódio nada espiritual, com o tal bi$po crivella. Ambos já foram "tocados".
Herculano
16/09/2020 08:32
DONOS DE ESCOLAS PRIVADAS E POLÍTICOS QUE ARQUITETARAM A LEI VÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO PELA VOLTA DAS AULAS VETADA EM LEI MAROTA FEITA NA CÂMARA E SANCIONADA PELO PREFEITO

Os donos das escolas privadas de Gaspar estão inconformados com a decisão liminar da juíza da Vara da Infância e Juventude, Camila Murara Nicoletti. Ela barrou a volta das aulas "autorizada" numa lei municipal, em afronta a um decreto estadual.

Primeiro quero dizer que sou daqueles que defendem à volta das aulas em Gaspar, não só no privado, mas no público também. E é aí que a coisa pega...

Segundo, os donos de escolas fazem bem em ir ao Ministério Público. É uma tentativa, é um canal de diálogo necessário, mas talvez em vão se ele optar pela legalidade.

Terceiro: os donos de escolas em Gaspar não deveriam estar acompanhados de políticos que fizeram ou aprovaram a lei inconstitucional na Câmara. Não pega bem.

Quarto: os donos de escolas privadas em Gaspar deveriam ir ao governador Carlos Moisés da Silva, PSL, que agora tem como prioridade salvar a sua própria pele e o mandato pode começar a ir embora amanhã. O pedido do Ministério Público e a decisão da juíza de Gaspar simplesmente atendem à uma restrição contida em uma lei maior em vigor, a estadual. É ela que precisa ser revogada nos parâmetros que ela estabeleceu para a volta das aulas.

Ah, mais o futebol de patotas foi liberado contra regras em vigor no decreto estadual e o MP não fez nada. Pois é. Trata-se de uma esperteza política, que passou. Agora, pode. Então, registra-se e bola prá frente.

E essa mesma esperteza o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, não quis assumir em relação as escolas particulares como assumiu com o futebol de patotas, que dá votos e ele está em processo legítimo de reeleição.

Deixou que surgisse e e se passasse uma Lei politiqueira e inconstitucional na Câmara, exatamente para ele lavar as mãos como venho lhes relatando desde a semana passada.
Agora, os políticos que a fizeram, aprovaram e sancionaram tem quem a culpar: a promotoria e a juíza malvada.

E por que o prefeito Kleber não quis de verdade meter a mão nesta cumbuca, assinar uma portaria como fez para o futebol de patotas, matar no peito, assumir a responsabilidade, ser notícia como vítima?

Porque pela isonomia teria que defender a volta das aulas nas escolas públicas do município. Como está em campanha, ele precisa dos votos dos que preferem ficar em casa, principalmente os auxiliares e gente da direção, porque professor efetivo, tem gente trabalhando por dois nesta pandemia. Simples assim!

Por que deve voltar. Porque tudo está voltando, gradativamente, com regras e protocolos. Mas, deve voltar obedecendo as leis e começa pela revisão do que decretou o governador. Também simples assim!

Entretanto, há politicagem e esperteza. E quando a esperteza é demais, dizia o mineiro Tancredo de Almeida Neves, ela come o dono. Acorda, Gaspar!
Herculano
16/09/2020 07:57
da série: é preciso vir a público para a credibilidade da profissão, da notícia e respeito aos leitores, leitoras, ouvintes e telespectadores.

QUEM É A JORNALISTA DENUNCIADA PELO MPF? por Claiton Selistre, no Making of

No pacote de denúncias do Ministério Público Federal divulgado dia 14, envolvendo o presidente da Assembleia, Júlio Garcia, e outras pessoas, há uma que chama atenção pelo tipo de suspeição: haveria uma jornalista envolvida.

O texto do MPF diz o seguinte: ..."possíveis pagamentos feitos a uma jornalista, que veiculava notícias favoráveis ao ex-conselheiro" (Júlio Garcia quando era do Tribunal de Contas do Estado).

Não há mais detalhes no texto, muito menos o nome da profissional envolvida, o que deixa uma certa suspeição geral. Nas redações, um nome predominava nos comentários em off de quem seria a pessoa envolvida.

Cabe ao MPF revelar quem é essa profissional e provar que ela era paga para divulgar notícias favoráveis ao conselheiro, bem como, onde ela praticava essa suposta falta de ética.

Enquanto isso não for esclarecido fica um grande desconforto, pois eticamente um jornalista só pode ser pago pelo veículo onde é contratado. Fora isso, a atitude tem outro nome.
Herculano
16/09/2020 07:52
BOLSONARO ENTRA DIRETAMENTE NA DEFESA DA VICE-GOVERNADORA DANIELA REINEHR, por Cláudio Prisco Paraíso

Deputados da base bolsonarista receberam, nesta terça-feira, 15, ligações do Palácio do Planalto pedindo apoio à vice-governadora, Daniela Reinehr, alvo de processo de impeachment na Assembleia Legisaltiva.
A ideia é construir uma ponte entre o Estado de Santa Catarina e o Governo Bolsonaro, o que ficou inviabilizado até então durante a gestão Moisés, que tratou de dinamitar qualquer ligação mais efetiva.
Independentemente do resultado em relação a Moisés, Daniela será a ponte entre os governos, já que possui apoio e confiança do presidente.
Herculano
16/09/2020 07:48
O PREÇO DO ARROZ E O EXCESSO DE MOEDA, por Helio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, no jornal Folha de S. Paulo

Não culpe produtores e comerciantes; os reajustes vêm do aumento do dinheiro em circulação

Urukagina foi o primeiro reformista da história. Após campanha contra os arbítrios do monarca anterior, foi coroado rei de Lagash, na Suméria, em 2.350 a.C.

Entre outras medidas, Urukagina aboliu o controle de preços. Suas reformas chegaram a nós por meio da escrita cuneiforme esculpida em impressionantes cones de pedra, em uma verdadeira "declaração de direitos" centrada no conceito de "liberdade", ou "amagi", que teve ali seu primeiro registro histórico.

A história econômica é em essência uma narrativa de 4.400 anos consecutivos de fracassos de medidas governamentais como os controles de preço de Lagash.

Seiscentos anos depois, por exemplo, o Código de Hamurabi, de 282 leis, estabeleceu: tabelas de preços fixos de aluguel de carroças, de armazenamento de grãos, de serviços médicos, aluguel de barcos, e outros. Houve declínio de comércio durante o reinado de Hamurabi após comerciantes e mercadorias escassearem. O tabelamento teve por consequência um castigo não premeditado àqueles que o código pretendia apoiar.

Portanto, nem tudo começou com os gregos. Mas os helênicos não ficaram atrás em termos de controles de preços. Durante o período clássico de Atenas, em 400 a.C., fiscais denominados "sitophylakes" impediam preços 'abusivos' dos grãos, em uma antevisão do Código de Defesa do Consumidor.

Lísias, escritor de discursos, em sua peça oratória 22, "Contra os Comerciantes de Grãos", pediu em tribunal ateniense a pena de morte para os comerciantes que acumulassem ou aumentassem preços em tempos de escassez. Os atenienses chegaram até mesmo a executar fiscais que não logravam êxito no tabelamento.

Até essa altura, as altas de preço eram geralmente pontuais e derivadas dos chamados "choques de oferta", ou quebras de safras. Já no Império Romano, entrou em cena uma novidade: o fenômeno da inflação, ou alta generalizada de preços, que se tornou política pública.

Desde 269 a.C., ainda na República, o templo de Juno Moneta (origem da palavra "moeda") cunhava o "denarius" contendo 100% de prata. Mas, a partir de 64 d.C., os imperadores passaram a recunhá-lo misturando metais mais baratos. Nero reduziu o conteúdo de prata para 88% (lucro e inflação instantâneos de 15%). O "denarius" seguiu sendo continuamente depreciado por ligas metálicas até conter apenas 0,5% de prata, em 268 d.C.

Diocleciano passou decreto em 284 d.C. no qual atribuía a culpa da inflação generalizada à ganância de comerciantes e especuladores. Antecipando o governo Sarney e suas prisões contra violadores de seu tabelamento geral, instituiu a pena de morte aos infratores, inclusive àqueles que comprassem acima do preço de tabela.

Em nosso 2020 d.C., o governo ainda não avalizou o tabelamento do arroz, do leite, da laranja e outros alimentos. Porém muitos seguem acreditando que o comerciante ou o produtor ganancioso é o responsável pelo aumento de preços. Não aprenderam a lição de 4.400 anos.

A alta atual dos preços de alimentos é resultado do aumento de dinheiro circulante injetado pelo BC. Como diziam Milton Friedman, Ludwig von Mises, Roberto Campos e outros craques, "a inflação é, em todos os tempos e lugares, um fenômeno monetário".

A política monetária frouxa do BC promoveu a alta do dólar: o real tem o pior desempenho entre os principais emergentes neste ano. O dólar caro, por sua vez, contaminou os preços em reais das commodities negociadas no mundo e cotadas em dólares, como o arroz.

Tabelar os preços nunca foi a solução: o comerciante tende a deixar de negociar o produto tabelado porque terá prejuízo; então restringirá a oferta, buscará outros ramos de atuação (de produtos não tabelados), e o consumidor fica com o prato vazio. Mais Urukagina, menos Hamurabi.
Herculano
16/09/2020 07:32
BOLSONARO ACABOU 'RENDA BRASIL' PARA CONTER BOATO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro jamais gostou da ideia e nesta terça-feira (15) liquidou de uma vez a troca de denominação do Bolsa Família por "Renda Brasil". Político experiente, ele sabia que a mudança embutia um risco desnecessário. Mas o presidente teve certeza de que era mesmo um erro quando soube que opositores, aproveitando-se do noticiário confuso, já espalhavam o boato de que "o Bolsa Família vai acabar".

PROFISSIONAIS

Bolsonaro não quis subestimar o boato até porque reconhece que estão na oposição, sobretudo no PT, grandes especialistas nessa matéria.

BOATO ELEITOR

O boato de que "o bolsa família vai acabar" garantiu a reeleição de Dilma Rousseff (PT), em 2014, contra Aécio Neves (PSDB).

PAI DOS POBRES

O novo nome foi descartado, mas não a decisão de melhorar o bolsa-família. Em 2021, Bolsonaro quer correr para o abraço com o povão.

ÁGUA NA FERVURA

Oposição parecia usar o boato sobre o "fim" do bolsa família" para tentar neutralizar a crescente aprovação de Bolsonaro junto aos mais pobres.

NOS CORREIOS, 36 SINDICATOS DIFICULTAM NEGOCIAÇÃO

Um dos motivos do declínio dos Correios, que já foram a instituição mais respeitada do Brasil, é a radicalização do impressionante número de sindicatos, um mais radical que o outro. Atualmente, são 36 entidades pretendendo "liderar" quase 100 mil funcionários. Empenhada em manter regalias, a pelegada agora é questionada pelos funcionários convencidos do erro promover greve em plena pandemia. Poucas greves apontaram de modo tão eloquente a privatização da estatal como solução definitiva.

300 Só NA ECT

De 5 a 9 empregados são liberados do trabalho para ficar à disposição de cada um dos sindicatos e 11 para cada uma das duas federações.

SEM NENHUM PUDOR

Todos os liberados mantêm, além dos salários e assistência médica, os vales Alimentação e Refeição, vale-peru e vale-cultura. Sem nem corar.

APESAR DOS PREJUÍZOS

Além das regalias, o acordo coletivo obriga viabilização de cooperativa habitacional, palestras e cursos, além de reembolso de gasto com babá.

VAZAR COM MODERAÇÃO

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi orientado no Planalto a fazer sua equipe "plantar estudos" com moderação. Fazem isso só para testar a reação da opinião pública e descartar ideias que repercutam muito mal. Nesta terça, exageraram: uma lorota distinta plantada em cada jornalão.

NOVO GIGANTE

Ex-partido do presidente, o PSL vai receber quase R$200 milhões do fundão eleitoral para a campanha deste ano. Em 2016, sem esse fundão indecoroso, o PSL foi o 19º partido a eleger mais prefeitos: 30 em 5,5 mil.

QUE VEXAME

É constrangedor sindicalistas ligados ao ensino público, escorados na estabilidade, tentando inviabilizar a retomada das aulas, quando até a Organização Mundial de Saúde (OMS) o recomenda.

CRIME HEDIONDO

Projeto do deputado Léo Moraes (Pode-RO) torna crimes hediondos desvio de dinheiro público, corrupção, tráfico de influência etc. Sem direito a anistia, a fiança ou a progressão de regime.

PRó-CARTÃO VERMELHO

O ex-ministro Moreira Franco achou sensato o "cartão vermelho" de Bolsonaro à equipe econômica, "que insiste em tirar do andar de baixo em vez de taxar o andar de cima". Para ele, o Renda Brasil deve existir.

TORCIDA ABERTA

A imprensa brasileira seguiu a americana, majoritariamente ligada ao partido Democrata, tentando desqualificar o acordo que normalizou as relações de Israel com duas nações árabes. Como se o acordo histórico não pudesse ser fechado porque ajudaria na reeleição de Donald Trump.

TARDE DEMAIS

A comissão do Covid-19 na Câmara convidou o ministro da Educação, Milton Ribeiro, para falar sobre o plano da retomada de aulas presenciais. Marcada para dia 17, faltam só 3 meses para acabar o ano.

PERNAS CURTAS

O site eCidadania, do Senado, alegou "manutenção" e censurou enquete onde 99% de 9 mil pessoas rejeitavam a reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Mas todas as demais seções do site funcionam.

PENSANDO BEM...

...faltam dois meses para as eleições municipais, mas nem parece.
Herculano
16/09/2020 07:25
BOLSONARO ABATE ENDA BRASIL PARA EVITAR DANOS A POPULARIDADE, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente reconhece que projeto político é incompatível com parte da agenda de Guedes

Jair Bolsonaro tinha gostado da ideia de turbinar o Bolsa Família e pegar carona no auxílio emergencial do coronavírus. A decisão de abater a proposta do Renda Brasil mostra que, embora seduzido pelo plano de cimentar sua popularidade entre famílias de baixa renda, ele não está disposto a perder apoio em outros segmentos.

O slogan involuntário da política econômica do presidente resume a lógica. Nas últimas semanas, ele disse duas vezes que não pretendia "tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos". A frase tem peso político, mas falha na matemática, já que o governo nunca demonstrou interesse em cobrar essa conta dos mais ricos.

Atrás de recursos para o Renda Brasil, a equipe do ministro Paulo Guedes quis cortar o abono salarial, endurecer as regras de benefícios para idosos miseráveis e congelar aposentadorias. Bolsonaro enxergou o risco de se tornar vilão para ao menos 50 milhões de pessoas que são atendidas por esses programas.

O presidente se mostra indisposto a comprar essa briga enquanto ainda tenta consolidar suas curvas de popularidade. Embora a avaliação do governo tenha disparado entre trabalhadores informais e desempregados, com a ajuda do auxílio de R$ 600, houve uma queda de cinco pontos entre os aposentados desde o fim do ano passado ?"de 39% para 34%.

Bolsonaro sabe que é politicamente lucrativo dar um benefício a quem não tem nada, como mostrou a experiência do auxílio emergencial. Tirar de quem tem pouco e recebe alguma coisa, por outro lado, pode ser desastroso.

Ao desistir do novo programa, o presidente reconhece que seu projeto político é incompatível com uma parcela considerável da agenda de Guedes. Ao dar uma bronca na equipe econômica, o chefe tentou se distanciar das propostas mais recentes do time e as descreveu como ideias de "gente que não tem o mínimo de coração".

Caso esteja realmente incomodado com essas propostas, Bolsonaro deve continuar com problemas. Guedes gosta de oferecer soluções desse tipo e ainda não explicou como vai amortecer o fim do auxílio emergencial. O presidente pode ter enterrado a crise do Renda Brasil, mas esses conflitos repousam em cova rasa.
Herculano
16/09/2020 07:22
A NOVA FORMA DA NUVEM, por Carlos Brickmann

Um velho sábio mineiro, o ex-governador Magalhães Pinto, comparava a política a uma nuvem: você olha está de um jeito, no minuto seguinte olha de novo e está de outro jeito. Mas a nuvem não se mexe sozinha: depende do humor do clima, depende da direção dos ventos. Hoje os ventos sopram para o lado de Bolsonaro. Aliando-se ao Centrão, conseguiu valiosa estabilidade; mantendo-se mais quieto, reduziu intensidade e frequência das crises. Os R$ 600,00 mensais do coronavoucher multiplicaram sua popularidade.

Pode mudar? Pode. Pode piorar para ele? Pode. Mas pode melhorar. Até 2022 falta muito tempo. Até lá, as boas pesquisas vão mostrando a posição de cada candidato. A pesquisa XP-Ipespe de agora é clara: pela primeira vez desde maio de 2019, a aprovação ao presidente (39%) supera a reprovação (36%). Detalhe: a XP não tem como objetivo influir na eleição. Quer saber a tendência do eleitor para desempenhar sua função, orientar investidores. E este é o quinto levantamento consecutivo em que aumenta a aprovação ao Governo e se reduz a reprovação. Reduz-se também o apoio a um possível candidato que já foi quase unanimidade: a nota dada a Sérgio Moro pelos eleitores caiu de 6,5 para 5,7; a de Bolsonaro subiu de 4,7 para 5,1. Moro é apontado, em geral, como o maior adversário de Bolsonaro num segundo turno.

Ainda em favor de Bolsonaro: 60% acham que o pior da pandemia já passou (antes, eram 52%). O temor é inimigo de quem está no comando.

O MUNDO GIRA

Mas nuvem muda para um lado e para outro. Quem se acostumou com o auxílio-emergência de R$ 600,00 não vai gostar da redução para R$ 300,00. Vai gostar menos ainda da redução do benefício a zero, em janeiro. Pode ser que a Renda Brasil atinja R$ 300,00 e mantenha a renda dos mais pobres. Mas, embora superior à Bolsa-Família e com mais beneficiários, terá um cenário em que muitos se endividaram para ampliar suas casas e ainda têm de terminar as obras. O auxílio-emergencial teve ótimos efeitos, e não apenas mantendo alimentados os mais carentes. Manteve gente trabalhando, em especial na construção civil. Deu impulso a comércio e indústria dedicados ao setor, produzindo e vendendo tijolos, por exemplo.

Mas o que acontecerá se faltarem alimentos nas prateleiras, ou só aparecerem a preços elevados?

PARA LÁ, PARA CÁ

Em parte, a alta do arroz e do óleo se deve aos bons efeitos do auxílio-emergência: muita gente manteve o consumo, apesar da falta de emprego, e muita gente passou a comer melhor. Junte-se isso à exportação e o preço subiu. A saída é óbvia, tanto do ponto de vista eleitoral de Bolsonaro quanto da economia do país e da saúde da população: é produzir mais e formar estoques reguladores, para manter o consumo sem elevar preços. O agronegócio sabe aumentar a produção. É parte da solução, não do problema.

COMO PAGAR?

Só que a Renda Brasil, uma ótima ideia, tem custo. Bolsonaro, numa de suas raras frases a ter apoio de todos, disse que não vai tirar dos pobres para dar aos paupérrimos. E de onde vai tirar? Do Judiciário, já se definiu que não; do Legislativo, também não; do Executivo (o Poder que paga pior) sai alguma coisa ?" mas sem mexer em gente fardada. Bancos, privatizações, só no dia em que o Queiroz responder àquela pergunta. Bolsonaro vetou a lei que perdoava dívidas de igrejas, mas já disse que se fosse deputado votaria para derrubar o veto e manter o dinheiro fora do Tesouro.

COMO NÃO PAGAR

A melhor forma de evitar impostos é a forma legal: é barata e se estende à família. O jornalista Helio Schwartsman, da Folha de S.Paulo, fez o teste: com ajuda de advogados do jornal, R$ 420,00 e cinco dias de trabalho, abriu a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio. Com esse tempo e dinheiro, tornou-se imune a todos os impostos sobre patrimônio, renda ou serviços ligados a suas atividades. Pôde ainda designar seus sacerdotes, também isentos de impostos, livres do serviço militar, com direito a prisão especial. Como o objetivo era só fazer a reportagem, fechou a igreja. Mas quem não quiser pagar imposto nenhum estará abrigado pela lei brasileira.

COMPORTE-SE

O tribunal do Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, recebeu anteontem processo administrativo aberto em 2019 contra a Rumo, operadora de trens, com recomendação de condenar a empresa e multá-la por infração à ordem econômica. A empresa foi denunciada em 2016 pela Agrovia, especializada em transporte de açúcar, por criar dificuldades às concorrentes que dependiam do uso (pago) de seu monopólio dos trilhos.

A Rumo é uma das empresas que mais se beneficiarão do redesenho do Porto de Santos. Os navios que trazem insumos e recebem produtos de empresas do mesmo grupo econômico carregarão e descarregarão na ponta de seus trilhos, sem mais investimentos. Os concorrentes, que recorram à lei.
Herculano
16/09/2020 07:17
PAULO GUEDES E OS ÇÁBIOS DA EKIPEKONôMICA INSISTEM EM MORDER O ANDAR DE BAIXO, por Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Querem tirar dinheiro de quem não o tem porque não querem ir ao bolso de quem o tem

Em menos de 24 horas Jair Bolsonaro impôs mais um vexame aos çábios de sua ekipekonômika.

Na segunda-feira o secretário especial de Fazenda do ministério da Economia, Waldery Rodrigues, saiu-se com mais um lance de demofobia. Ele queria congelar por dois anos as aposentadorias e benefícios da Previdência Social e defendia a ideia com um argumento que poderia ter saído de um camelódromo:

"A desindexação que apoiamos diretamente é a dos benefícios previdenciários para quem ganha um salário mínimo e acima de um salário mínimo. (...) O benefício hoje sendo de R$ 1.300, no ano que vem, ao invés de ser corrigido pelo INPC, ele seria mantido em R$ 1.300. Não haveria redução, haveria manutenção".

Na manhã de terça Bolsonaro recolocou-o no seu quadrado: "Eu já disse há poucas semanas que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem por ventura vier propor a mim uma medida como essa eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa".

Na essência, Bolsonaro lida com um velho problema da condução da política econômica. Os çábios pensam que mandam e tentam atropelar o Planalto com entrevistas capazes de criar fatos consumados. Foi assim com o vazamento do primeiro plano do Renda Brasil, mandado ao lixo pelo capitão. O doutor Waldery repetiu a receita e deu-se mal.

A ekipekonômica quer tirar dinheiro de quem não o tem porque não quer ir ao bolso de quem o tem. No projeto original de reforma da Previdência tungavam-se os miseráveis que vivem com o Benefício de Prestação Continuada. Depois tentaram taxar quem recebe o seguro-desemprego.

O raciocínio do doutor Waldery era indigente.

É sabido que a inflação bate com mais força no andar de baixo. Num exemplo extremo, se um cidadão comprava cinco quilos de arroz por R$ 15 e hoje paga mais de R$ 30, o valor de seu benefício pode ser mantido, mas sua capacidade de comprar arroz será reduzida.

A tunga dos aposentados dependia da aprovação de uma emenda constitucional. Suas chances de aprovação eram menores que as da existência de uma Brasília em Vênus. Ela tinha a barbicha, as quatro patas e o mau cheiro dos bodes. A proposta surgiu no mesmo dia em que reapareceu problema da falta de atendimento nas agências do INSS. Num caso havia uma má ideia. No outro, serviço mal feito.

A adesão de Bolsonaro à eficiência do programa Bolsa Família expôs o primitivismo das ideias de sua ekipekonômika. Todos, inclusive ele, demonizavam o programa petista, mas na hora do vamos ver não tinham coisa melhor para botar no lugar. Com a pandemia, jogaram bilhões para custear o necessário benefício emergencial. Como é coisa de emergência, não exige contrapartida, enquanto o Bolsa Família estimula a busca por educação e saúde.

O doutor Paulo Guedes e seus çábios estão presos numa armadilha. Venderam um programa liberal a um capitão intervencionista e insistem em morder o andar de baixo. Tudo isso para deixar a coisas como estão e, se possível, fazê-las andar para trás.

O atraso tem um preço. O economista Thomas Piketty disse tudo quando falou com Luciano Huck. "O Brasil é hoje desigual demais para conseguir se desenvolver."

Isso começou há muito tempo, no século 19 o Visconde de Sinimbu informava: "A escravidão é conveniente, mesmo em bem ao escravo".

Deu no que deu.
Messias Colsonaro
15/09/2020 21:23
Seu Herculano,

O João Pedro, aceitou ser vice porque acha o PT o melhor partido do país, porque pensa a Lurian tem votos em Gaspar, porque fez estágio no escritório do ex ministro de Dilma, José Eduardo e porque se acha, o carinha. Aí reside um pouco de soberba.
Por outro lado, deveria ele mudar de partido, como diz o Renato é se filiar no PSDB de Aécio Neves ou no MDB de Geddel Vieira, no PSL laranjal de Almeida ou quem sabe seja melhor fique no PT de Ze Dirceu.
Quanta hipocrisia.
Miguel José Teixeira
15/09/2020 21:10
Senhores,

Cadeia para o posto ipiranga

"Após Bolsonaro enterrar Renda Brasil, Guedes prioriza nova CPMF" (FSP)

Ái, ái, ái. . .já pagamos este pato em outras gestões!

Com infinitos novos erros à serem cometidos, nossos homens públicos insistem em repetir erros do passado.

Vão cobrar as dívidas "dasigrejas", canalhas!
Miguel José Teixeira
15/09/2020 19:07
Senhores,

Cartão vermelho para o posto ipiranga

"O preço do arroz está subindo porque os mais pobres estão comprando mais, disse o ministro da Economia durante live nesta terça(15)".

Fonte: undefined - iG @ https://economia.ig.com.br/2020-09-15/arroz-subiu-porque-vida-dos-pobres-melhorou-diz-paulo-guedes.html

Ái, ái, ái. . .já ouvimos esta lorota em outras gestões!

Com infinitos novos erros à serem cometidos, nossos homens públicos insistem em repetir erros do passado.
Herculano
15/09/2020 15:09
COMISSÃO ADMITE O PROCESSO DE IMPEACHMENT, por Roberto Azevedo, no Making of

Como era esperado, os nove integrantes da Comissão Especial, que analisou a admissão do processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés da Silva, da vice-governadora Daniela Reinehr e do secretário Jorge Eduardo Tasca (Administração), aprovaram por unanimidade a abertura do processo por suposto crime de responsabilidade na equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia.

Nos discursos em que manifestaram os votos, os deputados trataram de tudo, até do relacionamento entre Carlos Moisés e o presidente Jair Bolsonaro, pouco ressaltaram o fato em debate, a tal equiparação.

Em uma chincana política em meio ao palco jurídico do impeachment, a Comissão Especial adiantou o prazo de votação do relatório para fazer com que a sessão que julgará o impeachment no plenário, que não ocorrerá mais na semana que vem, e sim nesta quinta (17).

A denúncia do MPF contra Julio Garcia nem foi tratada no contexto da Comissão Especial (leia mais em https://bit.ly/3hxZCES), presidida pelo deputado João Amin (PP), e este é o grande pano de fundo a partir de agora, com expectativa em dois campos: nas composições nos bastidores do Legislativo e na real possibilidade da Justiça Federal se manifestar sobre o acatamento ou não do pedido do autor da ação penal.

CONTRAPONTO

O advogado do governador Carlos Moisés, Marcos Fey Probst, participou da reunião da Comissão Especial e teve direito à palavra, assim como a advogada da vice-governadora, Ana Cristina Blasi.
José Antonio
15/09/2020 15:04
Herculano
Essa turma do PT são ardilosos, senão vejamos,Celso Zuchi percebeu que ia levar uma derrota acachapante, iria perder feio, seria o fim, nunca mais, certo. Kleber reeleito, daqui 4 anos vai ficar zero a zero, Celso Zuchi vai ser candidato, ai sim com chances melhores de se eleger. Se João Pedro fosse a vereador, teria uma grande votação, na oposição a Kleber, seria facil de se sobressair como candidato a prefeito pelo PT daqui a 4 anos, era isso que a cacicada do PT não queria, sacanearam o João Pedro, nada de novas lideranças, isso é tipico na politica Gasparense.
Herculano
15/09/2020 12:32
Ao Renato

É! Nem tudo que aparenta, é. João Pedro Sansão, certamente não passaria esse recibo. Possivelmente, prevaleceu, como você bem descortinou, os "laços de família". Talvez tenha perdido a viagem e favorecido projeto do poder de plantão.
Renato Luiz Nicoletti
15/09/2020 11:45
Queimaram o jovem João Paulo. Me parece bem intencionado, mas os caciques do partido, expertos que são, o deixaram na estrada. A vereador, teria quase certa sua eleição, aí sobraria um dos caciques. A vice-prefeito, só uma tormenta maior que o ciclone bomba. Vai ter que ficar mais 4 anos na mídia das lives. É hora de rever se está no lugar certo. Sem saber (ou talvez tenha considerado isso, vai saber!) ajudou muito a candidata da família pelo MDB.
Herculano
15/09/2020 10:56
José Antônio.

Se era para recomeçar e renovar, João Pedro deveria ser o candidato a prefeito do PT.

A vice, penso, não agrega e não muda nada. Deveria então seguir o plano que tinha de ser vereador. Ele tem o nicho jovem dele e um cabo eleitoral de expressão, Pedro Celso Zuchi.
José Antonio
15/09/2020 10:43
Herculano!
Esse pessoal do PT são curiosos, fizeram sua convenção para a escolha dos seus candidatos e jogaram fora sua BANDEIRA VERMELHA, sumiram com seu maior simbolo, só falta agora colocarem a bandeira do Brasil ara fazer a campanha, como se diz aqui em Gaspar, vão fechar a porteira. Eles trabalham contra eles mesmo, acham que o eleitor e bobo, que ninguém vai perceber. Outra coisa, coitado do João Pedro, caiu como um pato.
Miguel José Teixeira
15/09/2020 10:29
Senhores,

Prêmio inércia no executivo

"Bolsonaro decide premiar Pazuello efetivando-o no cargo de ministro da Saúde" (Diário do Poder).

"Quando Pazuello assumiu o cargo interinamente, o Brasil tinha um total de 218.223 casos e 14.817 mortes de Covid-19" (Antena 1).

Hoje, temos algo em torno de:
4.364.878 casos e 132.506 óbitos.

Felizmente, também registra-se que 3.613.184 de pessoas recuperaram-se, Graças à Deus e aos abnegados Profissionais da Saúde!
Miguel José Teixeira
15/09/2020 10:13
Senhores,

Jabuti à vista?

"A Comissão de Relações Exteriores do Senado fará no dia 21 a primeira reunião presencial desde março, para sabatinar 34 diplomatas indicados para postos mundo afora. Serão três sessões num só dia." (CH)

Alô, Senhores integrantes da Comissão!

Atentem para a fala: "A gente caiu igual um patinho", diz Kajuru, sobre jabuti do perdão às igrejas"

Portanto, todo o cuidado é pouco!

Vossas excelências poderão aprovar o zero 3 como embaixador do Brasil nos EUA, realizando o sonho do capitão zero-zero em presentear o filho com cargo de tal relevância, para o qual, o infeliz não tem nem cacoete!
Miguel José Teixeira
15/09/2020 09:34
Senhores,

Várias & variáveis, só para exercitar


1)"PL MUDOU O VICE NA CONVENÇÃO DE ONTEM NOITE E POR VOTAÇÃO, O EX-VEREADOR ETELVINO SCHMITT FOI O ESCOLHIDO. MÁRCIO CÉZAR CONFIRMOU QUE SERÁ CANDIDATO A VEREADOR"

Pôôôxa. . .eu já tinha me simpatizado com a dupla Engenheiro Civil e o Químico: um projeta e executa o outro transforma. Penso que é isto que todo e qualquer município necessita.

2) "O PERU, O PRESUNTO E A DEMOCRACIA"

a) E eu, hein? Planejava lançar na próxima temporada em São Miguel/Penha, um prato denominado "Suprema lagosta flambada com vinho tetra-premiado internacionalmente" acompanhada de mini-porção de arroz com generosos anéis de lula. Projeto desfeito. . .
b) "A democracia é universal, sem adjetivos". Do mesmo texto e atribuída ao advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto. A frase remeteu-me aos primórdios do Cruzeiro do Vale, na 7, quando questionei o Saudoso Jornalista Carlos Freitas e a Jornalista, carinhosamente tratada por "Formiguinha": se a democracia é universal, sem adjetivos, por que existe um Partido Democrático Trabalhista? Saímos para o almoço. . .
Herculano
15/09/2020 09:25
UMA BOA LEITURA

De Janaína Paschoal, deputada estadual paulista, jurista e autora do processo d impeachment da presidente Dilma Vana Rousseff, PT, no twitter:

Discurso ideológico não têm nada a ver com eleição para Prefeitura. Prefeito/a precisa ter vocação para síndico!
Herculano
15/09/2020 09:20
da série: alinhamentos ideológicos quem paga o pato é que coloca a mão na massa, investe e precisa de empregos.

TRUMP PRESSIONOU E BOLSONARO ENTREGOU

Conteúdo de O Antagonista. O Estadão, em editorial, condenou a regalia fiscal concedida pelo governo brasileiro ao etanol americano:

"Trump pressionou e obteve de Bolsonaro uma importante concessão comercial, sem oferecer à sua contraparte brasileira qualquer retribuição concreta. O presidente dos Estados Unidos busca obter o apoio dos produtores rurais da região do 'cinturão do milho', matéria-prima do etanol fabricado naquele país (...).

Jair Bolsonaro submete, mais uma vez, o interesse nacional à sua inabalável disposição de se alinhar acriticamente aos interesses de Donald Trump, mais até do que aos interesses dos Estados Unidos, o que já seria por si só inaceitável."
Herculano
15/09/2020 09:08
REGISTRO

Morreu hoje em Blumenau, decorrente de Câncer linfático, radialista e jornalista lageano, Vilarino WolfF, 81 anos, também conhecido como Tio Vila, pai do Nico e do Fabrício.

Conheci Vilarino em 1979 no projeto de implantação da TV Planalto, de Lages, hoje SBT, que a família Amaral (Roberto) fazia em parceria com a Perdigão (Saul Brandalise Júnior)
Herculano
15/09/2020 07:40
PL MUDOU O VICE NA CONVENÇÃO DE ONTEM NOITE E POR VOTAÇÃO, O EX-VEREADOR ETELVINO SCHMITT FOI O ESCOLHIDO. MÁRCIO CÉZAR CONFIRMOU QUE SERÁ CANDIDATO A VEREADOR

O PL surpreendeu na convenção de ontem a noite e mudou o vice que previamente havia escolhido depois de encerrar as negociações com o DEM, que terá convenção amanhã.

Foi um movimento entre os filiados.

O engenheiro, professor, ex-vereador e ex-secretário de Planejamento de Gaspar Rodrigo Boeing Althoff foi confirmado candidato a prefeito.

A escolha de Etelvino, conhecido como Vino, empresário e ex-vereador pelo PSDB morador no Belchior Baixo, no Distrito do Belchior, começou a se tornar um fato depois que o DEM encerrou as negociações com o PL no sábado.

E a escolha se deu por votação na convenção de ontem a noite.

"O Márcio era uma opção natural. Mas, a escolha do Vino é do grupo e estou contente com a solução, pois na verdade, o que ficou claro após a convenção é de que todos estão unidos e a nossa nominata de vereadores é muito forte"

Para Rodrigo, além da busca da prefeitura, o importante é eleger uma base sólida para apoiá-lo no caso de vencer ou então para ser uma oposição consistente e responsável para fortalecer o partido e suas ideias

Na lista de vereadores do PL estão além de Márcio Cesar, Éder Muller, o ex-vereadores Miro Salvio e Andréia Simone Zimmermann Nagel, além do atual vereador Cícero Giovane Amaro.

NO PSL, não houve surpresas. O funcionário público e sindicalista Sérgio Luiz Batista de Almeida foi homologado candidato a prefeito e Rejane Ferretti, a vice. O Patriotas, de Marciano Silva, que já foi presidente do PSL de Gaspar, também fez a convenção e se uniu ao PSL.

O PT de Gaspar também confirmou na convenção de ontem os nomes do ex-funcionário público estadual e ex-vereador, José Amarildo Rampelotti para prefeito e do suplente de vereador, João Pedro Sansão, para a vice.
Herculano
15/09/2020 06:39
PRESIDENTE DO STF, LUIZ FUX É DIAGNOSTICADO COM COVID-19 E CNJ CANCELA ENCONTRO

Conteúdo da Agência Reuters. Texto de Ricardo Brito. O recém-empossado presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Luiz Fux, foi diagnosticado com Covid-19, e ficará em isolamento, o que levou ao cancelamento da primeira reunião do CNJ, que seria presidida presencialmente por ele na terça-feira, informaram as assessorias de imprensa da presidência do STF e do CNJ.

Luiz Fux tornou-se o primeiro integrante da mais alta corte brasileira infectado pelo novo coronavírus. Os presidentes dos outros dois Poderes, Jair Bolsonaro, e o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Congresso Nacional, já contraíram Covid-19.

"O presidente (Fux) buscou serviço médico no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (14) ao apresentar aumento de temperatura corporal", disse a assessoria da presidência do STF.

"A suspeita é de que possa ter contraído o novo coronavírus em almoço de confraternização familiar no último sábado (12). O ministro seguirá os protocolos de saúde e ficará em isolamento pelos próximos 10 dias", completou a nota.

A primeira sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) marcada para a terça-feira que seria presidida por Fux foi cancelada, informou a assessoria do colegiado.

A nota da assessoria de comunicação da Presidência do STF diz que Luiz Fux passa bem e pretende conduzir a sessão ordinária do plenário da quarta-feira. Ele presidirá a sessão remotamente, da sua casa no Rio de Janeiro, complementou. As sessões ordinárias dos Supremo seguem ocorrendo de forma virtual.

O novo presidente do Supremo tem 67 anos e assumiu o cargo na semana passada para um mandato de dois anos no lugar de Dias Toffoli.

Na solenidade de posse - que contou com a presença de todos os ministros do STF, menos Ricardo Lewandowski, além de Bolsonaro, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entre outras autoridades -, Fux apareceu em diversos momentos sem máscara, como durante seu longo discurso.
Herculano
15/09/2020 06:30
da série: a maioria dos brasileiros é contra a corrupção, o crime organizado, os privilégios para militares e o fortalecimento das milícias. Só o bolsonarismo não entendeu que foi contra isso que Jair Messias Bolsonaro, sem partido, foi eleito.

MORO AINDA É O NÚMERO 1

Conteúdo de O Antagonista. Apesar dos ataques imundos dos bolsonaristas, que afetaram sua popularidade, Sergio Moro continua sendo a figura mais bem avaliada do Brasil: segundo a pesquisa da XP, ele é aprovado por 43% dos eleitores e rejeitado por apenas 22% - um saldo positivo de 21 pontos.

O saldo positivo de Jair Bolsonaro é bem menor: 9 pontos.

Lula, no outro extremo, é aprovado por 32% dos brasileiros e rejeitado por 39% (nesse ponto, só Fernando Haddad consegue ser pior do que ele).
Herculano
15/09/2020 06:23
O PERU, O PRESUNTO E A DEMOCRACIA, por Frederico Vasconcelos, no jornal Folha de S. Paulo

O jornalista Carlos Brickmann revela em sua coluna que o dono de uma lanchonete em Alagoas foi preso pela PM por batizar seus sanduíches com nome de patentes militares.

O comandante da PM entendeu que era uma ofensa à corporação.

O comerciante foi solto pelo delegado e insiste em manter o que considera uma estratégia de marketing: o sanduíche "coronel" é filé com presunto; o sanduíche "comandante", calabresa frita. Os mais baratos são dedicados a escalões inferiores.

O comandante continua irritado.

O advogado do comerciante pediu habeas corpus preventivo, para evitar nova prisão de seu cliente, e prepara denúncia por abuso de autoridade contra o comandante da PM.

Eis, segundo Brickmann, um dos argumentos do advogado: "não há lei que impeça a casa de ter no cardápio lula à milanesa, ou filé a cavalo, ou coronel mal passado".

Se o caso chegar ao Supremo, convém consultar o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, que entende de prerrogativas e de culinária.

No início do julgamento do mensalão, talvez por acreditar que o caso terminasse em pizza, Kakay introduziu no cardápio de seus restaurantes o sanduíche "Presuntão da Inocência" (na Expand) e o "Supremo Corte" (no Piantella).

Supõe-se que os ministros do STF digeriram a provocação, e não tenha sido necessário pedir explicações para deixar o caso em pratos limpos.

O famoso publicitário cliente de Kakay foi condenado.

Em 2019, o advogado desprezou a liturgia da corte e circulou de bermuda nos corredores do Supremo, registrando o feito em foto posada que chegou à imprensa. Depois, em nota, pediu desculpas "aos membros do Poder Judiciário e a quem, de alguma forma, considerou o fato desrespeitoso".

"Foi uma passagem rápida pelo tribunal, por motivo de extrema urgência e durante um feriado, apenas para buscar um documento importante para a defesa de um cliente", disse.

Em 1968, no período das trevas, o jurista e advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto, que estava preso, ouviu de um carcereiro que o AI-5 marcava o início de uma "democracia à brasileira".

"Existe peru à brasileira, mas não soluções à brasileira. A democracia é universal, sem adjetivos", reagiu o defensor de presos políticos.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, no entanto, diz acreditar numa "democracia militar".

Quem sabe, a tal democracia militar explique o fato de o Presidente e alguns generais terem ouvido - sem apartes - o então titular do Ministério da Educação dizer, em reunião, que os ministros do STF deveriam ser presos.

Talvez os adeptos dessa crença também entendam como democracia o fato de um juiz bolsonarista planejar conceder uma liminar, determinando que o Exército recolhesse urnas eletrônicas às vésperas da eleição, ter sido afastado do cargo em decisão unânime do CNJ e voltado à toga por ordem de um ministro do Supremo.

O juiz é amigo de um dos filhos do Presidente - aquele que sugeriu que, para fechar o Supremo, basta mandar um soldado e um cabo. O mesmo magistrado agora aspira, nas redes sociais, ocupar a vaga do decano Celso de Mello, que se aposenta em novembro.

Haja democracia.
Herculano
15/09/2020 06:15
UMA BOMBA QUE CAIU NA CRISE, por Roberto Azevedo, no Making of

Ser denunciado pelo Ministério Público Federal na Operação Alcatraz à Justiça Federal, juntamente com parentes e pessoas próximas, não significa que o deputado Julio Garcia (PSD) seja o culpado das acusações de "lavagem de dinheiro, por ocultarem a origem, disposição, movimentação e propriedade de recursos oriundos de propinas recebidas em licitações e contratações fraudadas e de bens adquiridos com esses valores", mas isso é o suficiente para ampliar a crise política no Estado.

Peixe grande na investigação deflagrada pela Polícia Federal, em 2019, para analisar fraudes em licitações, inicialmente no sistema prisional, e que, depois, se espalhou para supostas irregularidades no fornecimento de equipamentos para a Udesc e Epagri, Julio tem um prejuízo maior, o da imagem.

Se 27 dos 40 deputados estaduais aceitarem a admissibilidade do impeachment do governador Carlos Moisés e da vice Daniela Reinehr, pela equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia, e a Comissão Julgadora ou Tribunal Julgador decidir pelo afastamento de ambos, será o presidente da Assembleia Julio Garcia que assumirá o governo, por até 180 dias (seis meses), algo difícil de explicar à sociedade com a possibilidade de virar réu em um processo de corrupção.

O mundo político de Santa Catarina está de cabeça para baixo e sem pernas para pôr para cima.

EXTREMOS

Para proteger o que é óbvio, o MPF usou em suas publicações que denunciou à Justiça Federal o ex-conselheiro do Tribunal de Contas, sem citar Julio Garcia, parentes próximos a ele e um empresário que atuava como operador financeiro do que a força-tarefa de cinco procuradores da República, assinada ainda pela subprocuradora-geral da República Samantha Chantal Dobrowolski.

A denúncia atinge o núcleo familiar de Julio Garcia, inserido pelos procuradores "no ápice do núcleo dos agentes públicos [da organização criminosa], responsáveis por viabilizar as fraudes nos processos licitatórios e os desvios de recursos públicos" e atinge o ex-secretário-adjunto de Administração do Estado Nelson Castello Branco Nappi Junior, preso quando era diretor de Informática da Assembleia, e o empresário da área de tecnologia Maurício Barbosa. Outros 34 já haviam sido denunciados anteriormente na mesma Alcatraz.

A OPÇÃO

Os deputados estaduais que já estavam decididos a levar Moisés ao impeachment, por razões políticas, e em função da forte liderança de Julio, que articulou acordos futuros, principalmente em 2022, estão em meio a um dilema: levam até o fim a proposta de insurreição política e explicam as razões ou avaliam melhor o cenário que passou a ser nebuloso no quesito substituição dos atuais titulares do Executivo.

Em síntese: nem Julio merece a condenação prévia por algo que nega nem Moisés a condenação política de uma frágil denúncia ou avaliações subjetivas, justamente por ter quebrado a lógica política de gestão do Estado.

O PLANO B

Dentro da proposta de impeachment, a delicada condição de Julio Garcia já era avaliada.

Quando confrontados com a espada da Operação Alcatraz, quem tem os detalhes da articulação para destituir Moisés e Daniela sempre declarou que não havia problema e que o plano B é por alguém do Judiciário na cadeira de governador.

POSIÇÃO AGUARDADA

Quando houve a rumorosa e sempre espetacular ação da Polícia Federal, em maio do ano passado, Julio foi à tribuna da Assembleia afirmar que acreditava na Justiça, ficou bastante abalado com o envolvimento das filhas nas investigações enquanto nos bastidores afirmava que era alvo de uma ação política.

Na maré de más notícias, sofreu um acidente de carro próximo a Lages, no final do ano passado. Agora prefere não se manifestar.

AGORA

Os adversários do presidente da Assembleia sustentarão agora que Julio, que foi denunciado pelo MPF, não deve permanecer no cargo.

Alegarão que, na condição de investigado, Romildo Titon (MDB), que sequer havia sido denunciado, foi afastado do comando do Legislativo por 180 dias, por determinação monocrática do desembargador José Trindade, em fevereiro de 2014, por conta da Operação Fundo do Poço, que era estadual e a pedido do MP para que não usasse a posição de chefe de poder para atrapalhar as investigações.

COMO FICAM

Os deputados moralistas de ala significativa da Assembleia, principalmente os do PSL, que combateram e usaram o combate à corrupção nos governos petistas para chegar ao poder na hora de votar ao lado de quem é denunciado pelo Ministério Público Federal.

Um dilema que também atinge a bancada do PT ao inverso, que decidirá votar pela cassação de Moisés, sob critérios técnicos, embora os argumentos do governador, de que não cometeu crime de responsabilidade algum, sejam os mesmos que os defensores de Dilma Rousseff sempre alegaram.

FORA E DENTRO DO BARCO

Sujeito a perder as funções públicas e ter ameaçada a carreira de oficial da Polícia Militar, a punição que poderá vir com o processo de impeachment, o tenente-coronel da ativa Jorge Eduardo Tasca pediu a exoneração do cargo de secretário estadual da Administração.

Tasca, um dos responsáveis por ações que diminuíram o déficit nos serviços públicos, limando muitos contratos dentro do Executivo, se dedicará, a partir de agora, à defesa de Carlos Moisés da Silva, na condição de cidadão e já prepara o pedido de licença da corporação a que serve.

FALÁCIA

Não procede a informação de que o ex-deputado Gelson Merisio fechou acordo com o governador Carlos Moisés da Silva, mais uma estratégia de tentar empurrar para a tese do impeachment deputados que não engolem tão fácil o ex-adversário na disputa ao governo do Estado, no segundo turno de 2018, leia-se parte da bancada do MDB.

Aliás, não é só Moisés que entra na mira dos que querem resolver logo a questão, a vice-governadora Daniela Reinehr é alvo de mais uma investida, agora sobre um suposto caso de compra de R$ 50 mil em eletrodomésticos para a residência oficial em Florianópolis.

DÚVIDA

Mas se a coisa já está resolvida, todos os deputados convencidos do pior desfecho para o governador e a vice, por que ainda há disparos contra ambos, Moisés e Daniela?

Seria para dissuadir eventuais dissidências de última hora, evitar abandonos da causa, minar o alvo e a alternativa.

SEM INFLUÊNCIA

Com toda esta movimentação, não espere que o relatório da Comissão Especial, desenhado pelos deputados Luiz Fernando Vampiro (MDB) e Jessé Lopes (PSL), ambos com base em Criciúma, a mesma de forte influência de Julio Garcia (PSD), indique algo diferente do que a admissibilidade do impeachment contra Moisés e Daniela.

Mesmo que Tasca deva ser excluído do processo de impeachment, a leitura e votação da peça nesta terça (15) será em clima de que "já definimos o futuro".
Herculano
15/09/2020 06:02
BOLSONARO EXERCE NO PODER UM PRESIDENCIALISMO DE COMPADRIO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente explora relacionamentos para substituir critérios técnicos e respeito à lei

Jair Bolsonaro ainda não tinha ameaçado fechar o STF nenhuma vez quando tentou fazer um aceno a Luiz Fux, em julho do ano passado. "É o futuro presidente do Supremo. Tenho que começar a namorá-lo a partir de agora", brincou, antes de receber o ministro no Planalto.

O presidente não demonstrou o mesmo afeto por outros integrantes do tribunal nos meses seguintes, mas agora parece interessado em mudar esse padrão. Durante uma cerimônia no interior da Bahia, na última sexta-feira (11), ele reforçou o flerte. "Aos poucos, estamos nos aproximando cada vez mais das autoridades do Judiciário", anunciou.

Bolsonaro enxerga o exercício de seu poder sob a ótica de uma espécie de presidencialismo de compadrio, em que esses laços se sobrepõem ao respeito institucional. Ele certamente não é o primeiro governante a adotar o modelo, mas transformou essa característica numa marca de suas relações políticas.

Logo depois de mencionar os juízes no palanque baiano, Bolsonaro emendou um elogio a seu ministro da Infraestrutura por ter conseguido destravar obras "lá dentro do Tribunal de Contas da União". Embora articulações desse tipo sejam comuns, o presidente fez questão de descrever as decisões da corte como produtos de um bom relacionamento, não de critérios técnicos.

Na política externa, o sentimento é semelhante. Bolsonaro planeja estender por mais três meses a isenção de tarifas para a importação de uma cota de etanol dos EUA, contrariando produtores brasileiros. Não seria o primeiro presente do governo brasileiro a Donald Trump, por quem Bolsonaro já se disse "cada vez mais apaixonado".

Essa lógica vale também na ocupação de determinados cargos públicos, em que as conexões com o presidente e sua família valem mais do que as qualidades dos nomeados.

Bolsonaro trata o governo como uma disputa entre amigos e inimigos. Assim, ele acredita que pode atenuar suas derrotas e deixar em segundo plano as leis e o interesse público.
Herculano
15/09/2020 05:55
REFORMA TRIBUTÁRIA AFETARÁ A ZONA FRANCA DE MANAUS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O senador Roberto Rocha (PSDB-MA), presidente da Comissão Mista da Reforma Tributária, confirmou (14) mudanças Zona Franca de Manaus. Ele acha "insustentável" manter casos como a do xarope de refrigerante: produzido sem impostos, quando vendido a outros estados gera crédito tributário. "Não é o negócio xarope", diz o senador, "é venda de crédito tributário. Não tem cabimento". A reforma altera IPI e ICMS, principais impostos da cesta de incentivos fiscais do polo industrial de Manaus.

FIM DA GUERRA FISCAL

O ICMS deve ser absorvido pelo IVA, de alíquota única, para inviabilizar a guerra fiscal prejudicial ao País, disse o senador à Rádio Bandeirantes.

UMA BOLSA-FAMÍLIA

Ele reconhece a importância da zona franca, que custa R$30 bilhões, "uma Bolsa-Família", e 2,5 vezes a receita corrente líquida do Maranhão.

ALEGAÇÃO AMBIENTAL

O senador cita a defesa do meio ambiente para justificar a zona franca, mas o orçamento do Ministério do Meio Ambiente é dez vezes menor.

PRATICAMENTE PRONTO

Roberto Rocha anunciou que o projeto relatado pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) será lido dia 30 e votado comissão em 7 de outubro.

PESQUISA: MAIS DE 60% VÃO TOMAR VACINA DO COVID

Levantamento do Paraná Pesquisa revela que, independentemente da obrigatoriedade, 61,2% dos brasileiros pretendem tomar a vacina contra o Covid-19, assim que estiver disponível. Outros 26,9% dizem que a decisão depende do país de origem da vacina e apenas 8,7% não pretendem se submeter a imunização. Sobre a possibilidade de a vacina ser obrigatória, 55,2% são a favor, 38,6% contrários e 6,2% não opinam.

DEPENDE DA IDADE

Entre os jovens de 16 a 24 anos, 68,2% vão tomar a vacina anti-covid. A taxa cai para 59,6% entre aqueles com 60 anos ou mais.

DE JEITO NENHUM

Na região Sul, a taxa de rejeição à vacina atinge 10%, que representa a parcela da população que não vai tomar a vacina de jeito nenhum.

DADOS DA PESQUISA

O Paraná Pesquisa ouviu 2.008 brasileiros, de 204 municípios dos 26 estados e do DF, entre os dias 10 e 12 de setembro.

SUSPEITA DE ENCENAÇÃO

Tem toda pinta de encenação o vídeo em que presidiários em Alagoas aparecem no chão com sinais de sufocamento por covid, como denúncia de "abandono". Levados para um hospital no mesmo dia da filmagem, sábado (12), em seguida já não apresentavam os supostos sintomas.

ESFORÇO CONCENTRADO

A Comissão de Relações Exteriores do Senado fará no dia 21 a primeira reunião presencial desde março, para sabatinar 34 diplomatas indicados para postos mundo afora. Serão três sessões num só dia.

UM DOS INDICADOS

Último secretário-geral do Itamaraty no governo da petista Dilma, o diplomata Sérgio Danese está entre as indicações que o Senado vai analisar semana que vem. Foi indicado embaixador na África do Sul.

NESTE MOMENTO?

A Câmara dos Deputados criou ontem uma "comissão de juristas" para avaliar mudanças na Lei da Lavagem de Dinheiro. A ideia é fazer um estudo por 90 dias e propor "ajustes indispensáveis", diz a Câmara.

Só NÃO PODE AVALIAR

Eleitores podem acompanhar a TV Senado, a Rádio Senado e a Agência Senado, só não pode opinar no seu site e-Cidadania sobre a PEC da reeleição de Maia e Alcolumbre, fora do ar desde a rejeição de 99%.

BRAVOS PRACINHAS

Há 76 anos, em 15 de setembro, soldados da Força Expedicionária Brasileira, sob o comando do Marechal Mascarenhas de Morais, partiam para integrar as Forças Aliadas na Itália, na 2ª Guerra Mundial.

DEMOCRACIA NÃO TEM LADO

Criado pelas Nações Unidas (ONU) em 2007, o Dia Internacional da Democracia é celebrado nesta terça-feira (15). No Brasil, esse dia não existe, mas o Senado analisa uma lei para isso. Em plena pandemia.

FERROVIAS ABANDONADAS

Presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transportes, Luiz Henrique Baldez informou que trechos abandonados ou subutilizados somam quase 60% de toda a malha ferroviária brasileira.

PENSANDO BEM...

...não existe reforma sem demolição.
Herculano
15/09/2020 05:48
da série: preço alto para o consumidor, não significou rentabilidade ou lucro para o produtor que precisou alavancar os custos de produção

APESAR DO PREÇO RECORDE, 71% DA VENDA DE ARROZ FICA ABAIXO DO CUSTO DE PRODUÇÃO, por Mauro Zafolon, na coluna "Vaivém das Commodities", no jornal Folha de S. Paulo

Produtor aproveita pouco valorização do grão, pois maior parte foi comercializada antes do aumento do preço

A saca de arroz continua com preços elevados e está sendo negociada, em média, a R$ 103 neste mês no Rio Grande do Sul, de acordo com pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Neste ano, a saca do cereal atingiu preços recordes e chegou a ser comercializada com alta de 120% no campo, em relação aos valores do fim de 2019.

O produtor, no entanto, aproveitou pouco dessa alta. Conforme dados da CDO (Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura), 29% das vendas realizadas entre janeiro e agosto ocorreram no primeiro trimestre, quando o valor da saca estava inferior a R$ 50.

No segundo trimestre, a movimentação dos negócios foi maior, atingindo 42% do volume total deste ano, a um preço médio de R$ 59 por saca.

A CDO, uma taxa obrigatória paga no beneficiamento do arroz gaúcho destinado aos mercados interno e externo, é uma radiografia da comercialização da safra gaúcha de arroz.

Só em julho e agosto os produtores tiveram uma média melhor de remuneração, com a saca atingindo R$ 72.

Nesses dois meses, foram feitas 29% das negociações do total de janeiro e agosto. O preço do arroz ganhou força mesmo a partir da segunda quinzena do mês passado.

Conforme os dados de negociação da CDO, 71% das negociações foram feitas com valores de até R$ 62 por saca. Quem fez vendas antecipadas para pagar custos não se beneficiou da recente alta.

Conforme dados do Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz), os custos de produção na safra 2019/20 atingiram R$ 64,70 por saca.

Acompanhamento do setor pelo Cepea e pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) mostrou que a atividade teve prejuízo nas cinco safras de 2014/15 a 2018/19. Os piores momentos ocorreram em 2017/18 e 2018/19.

Em 2018, o setor foi afetado pelos baixos preços internos. Em 2019, os problemas vieram dos efeitos climáticos. Já nesta safra de 2019/20, o produtor deverá obter lucratividade de R$ 1.533 por hectare, de acordo com o Cepea.

Os que anteciparam as vendas neste ano para ajustar as contas ?"exatamente os com maiores dificuldades financeiras?" receberam valores menores pelo produto.

Pelos dados da CDO, foram comercializadas 6 milhões de toneladas de janeiro a agosto. O forte da colheita ocorre de março a abril, quando o país apanha 97% do arroz semeado.

Os detentores do restante da safra, ainda não comercializada e que está nas mãos dos produtores com maior poder de negociação, vão obter preços recordes do produto.

O Rio Grande do Sul produz 70% do arroz brasileiro, e neste ano a safra ficou próxima de 8 milhões de toneladas.

O movimento da balança comercial perdeu força neste mês. As exportações de arroz em casca caíram para 32 mil toneladas, 53% menos do que no mesmo mês de 2019.

Já as importações somaram 27 mil toneladas na primeira quinzena deste mês. O cereal foi adquirido no exterior por US$ 402 por tonelada, em média. Com a retirada da tarifa de importação, as compras externas devem aumentar nas próximas semanas.

O preço do arroz ganhou força devido ao aumento da demanda interna e externa. As vendas externas somaram 1,47 milhão de toneladas até agosto, com as importações atingindo apenas 571 mil toneladas.
Miguel José Teixeira
14/09/2020 21:49
Senhores,

"Missionário" é tocado pela graça de Deus

"Igreja do pai de autor de emenda se livra de cobrança de R$ 37 milhões da União" (UOL)

O Capitão zero-zero conquista, assim, seu trono no céu, revestido com o suor dos burros-de-cargas e cravejados com o arroz que falta na mesa dos menos assistidos.
Miguel José Teixeira
14/09/2020 21:08
Senhores,

Matutando bem. . .

Com os dois Mato Grosso em chamas, a Globo deverá regravar a novela Pantanal no Sítio do Pica-Pau Amarelo!

Enquanto isso o capitão zero-zero e sua tropa toca lira nas igrejas em fe$ta!
Carlos
14/09/2020 18:51
Eleições 2020 - Gaspar.

Se colocarmos numa analogia simples de uma família, a eleição em Gaspar está assim:

A herança (votos e eleição) esta sendo disputadas por três filhos (PSL, PL e DEM), um invasor do "movimento sem terra" (PT) e pelo tio rico dos três irmãos (MDB).

Os três irmãos, orgulhosos brigando entre si falando que cada um é mais digno que o outro (eu sou de direita de verdade, eu sou conservador de verdade, vc não, nem vc, só eu...), mas para não saírem por mesquinhos, falam um para o outro que se o outro quiser conversar eles podem juntar forças. Após eles conversarem não chegaram em nenhum acordo, deu briga de esposas com esposa, marido com esposa e irmãos com irmãos e nada foi resolvido.

Enquanto isso o Tio rico já esta com o advogado (máquina publica) a todo vapor para pegar a herança e o militante sem terra vai conseguir roubar um "naco" de terra.

No final os irmãos perdem a herança, pagam de bobalhões e ficam apontando dedos, um colocando a culpa no outro por não querer fazer as pazes antes e lutar juntos.

A situação do eleitor podemos fazer uma analogia simples:

Um réu que foi julgado e condenado a morte, porém ele tem o direito de escolher como quer morrer, se leva rasteira até falecer, se é apunhalado, se toma um tiro, se é pendurado numa forca um por numa câmara de gás.

Cabe escolher a "menos pior" opção ou jogar para torcida (voto em branco).

No fim, mais vale pagar a multa de 3 reais do que perder uma tarde de domingo e votar no pior pleito que já pude ver em Gaspar.
Miguel José Teixeira
14/09/2020 17:56
Senhores,

Expectativa de pagar mico na ONU

"A Organização das Nações Unidas (ONU) dará início, nesta semana, à 75ª sessão da Assembleia Geral entre presidentes e chefes de Estado e a tendência é de um ambiente hostil para o presidente Jair Bolsonaro."
(Correio Braziliense, hoje)

Huuummm. . .depois do mico-leão-dourado na Amazônia, poderemos ter o "mico-leão-presidencial" na ONU.

Acho bom ele levar à tiracolo o expert em assuntos internacionais o tal zero 3.
Miguel José Teixeira
14/09/2020 17:32
Senhores,

De hora em hora a coisa piora

"O governo terá que cortar R$ 20,4 bilhões em despesas para cumprir o teto de gastos no ano que vem, segundo projeções divulgadas nesta segunda-feira (14) pela Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado."

Fonte: undefined - iG @ https://economia.ig.com.br/2020-09-14/governo-precisara-cortar-r-204-bilhoes-para-cumprir-teto-de-gastos-diz-estudo.html

Daqui à pouco, nem a banca evangélica salva!

E aí. . .

"Marcha soldado
Cabeça de papel
Quem não marchar direito
Vai preso pro quartel?"
Herculano
14/09/2020 15:23
da série: fica combinado assim que quem trabalha, quem empreende e dá duro, quem ensina, paga imposto para sustentar quem prega a bíblia, que finge pregar os livros sagrado para sonegar, quem cobra dízimos, não. Eita Brasil desigual.

LÍDER DA BANCADA EVANGÉLICA DIZ QUE VETO DE BOLSONARO AO PERDÃO A DÍVIDAS DE IGREJAS SERÁ DERRUBADO

Conteúdo de O Antagonista. O deputado Silas Câmara, presidente da bancada evangélica, disse a O Globo nesta segunda-feira (14) que a chance de o Congresso não derrubar o veto de Jair Bolsonaro ao perdão à dívida de igrejas é "zero".

Sob pressão da equipe econômica, o presidente vetou neste domingo (13) o trecho do projeto de lei que implicaria o perdão à dívida. Nas redes, Bolsonaro alegou que o veto era necessário "para que eu evite um quase certo processo de impeachment" e defendeu que os parlamentares o derrubem.

"Em um projeto de lei aprovado por 345 deputados federais e aprovado por unanimidade no Senado, a chance de a gente não derrubar o veto é zero", afirmou Câmara.

O chefe da bancada evangélica disse, porém, que vai se reunir com os outros deputados do grupo nesta terça-feira (15) para debater sua estratégia em relação ao assunto.

"Vamos fazer um estudo para saber se o argumento técnico deles [da equipe econômica] tem razão de ser. Vamos estudar para ter certeza que a decisão política que nós vamos tomar não vai ter consequência jurídica."
Herculano
14/09/2020 12:27
POPULISMO E A CAPTURA DO ORÇAMENTO, por Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, é autor de 'Por que É Difícil Fazer Reformas Econômicas no Brasil?, no jornal Folha de S. Paulo.

Abono e salário-família são incapazes de afetar as estatísticas de pobreza e desigualdade
O Orçamento de 2021 não prevê verbas para o Renda Brasil, o programa de transferência de renda ampliado, prometido como substituto do auxílio emergencial. O presidente da República rejeitou o plano de fusão do abono salarial, do salário-família e do seguro-defeso, que garantiriam a ampliação das verbas de R$ 33 bilhões para R$ 57 bilhões. Argumentou que "não tiraria dos pobres para dar aos miseráveis".

É um equívoco. Em estudo do CDPP (Centro de Debates de Políticas Públicas), do qual tive a satisfação de participar (que propõe política distinta e mais eficiente que o esboço conhecido do Renda Brasil), mostra-se que o abono e o salário-família são incapazes de afetar as estatísticas de pobreza e desigualdade, ao contrário do Bolsa Família, que diminui ambas significativamente.

Já o seguro-defeso tem frágil controle e paga o benefício ao dobro de pessoas que a Pnad Contínua registra como pescadores, sendo objeto de fraudes e uso político.

Nada mais lógico que redirecionar os recursos para um formato similar ao do Bolsa Família, potencializando a redução da pobreza com aperfeiçoamentos no desenho dos benefícios.

Todo o mundo tem um parente que considera pobre e que perderia o abono ou o salário-família. Acredite: há pessoas muito mais pobres que seu parente e que nada recebem. Política pública precisa ser feita com evidência quantitativa abrangente, e não com impressões colhidas nas conversas de fim de semana.

Por serem focados no indivíduo, e não na família, aqueles três programas muitas vezes erram o alvo da pobreza. Beneficiam, por exemplo, o jovem de classe alta e que acabou de entrar no mercado de trabalho, com salário mais baixo. Não diferenciam o pescador que vive sozinho daquele que sustenta cinco filhos, pagando o mesmo para ambos.

Quem for efetivamente pobre continuará a ser atendido por um novo e ampliado programa de assistência, como o proposto pelo CDPP.

O Bolsa Família, objeto de elogios internacionais (ainda que passível de aperfeiçoamentos), surgiu da fusão de vários programas (bolsa-escola, o cartão-alimentação, o bolsa-alimentação e o auxílio-gás).

Também à época foi objeto de muita crítica, principalmente da esquerda, que achava um erro focalizar a atenção nos mais pobres e queria programas universais. Curioso que o antípoda do PT faça a mesma crítica populista.

Se essa discussão for superada, optando-se pela fusão dos programas, outra questão se impõe. O abono salarial já tem despesas comprometidas até junho de 2022, devido a um cronograma defasado de pagamentos. Como ele representa R$ 20 bilhões do orçamento do novo programa, não haveria recursos disponíveis até lá.

Esse problema não existiria se o Executivo e o Legislativo não tivessem, em seguidas decisões nos últimos anos, escolhido tirar dos pobres e miseráveis para dar às corporações.

Em um ano de Orçamento duríssimo, o Ministério da Defesa vai receber R$ 4,2 bilhões a mais. Em 2016, foi criada a "Bolsa Advogado Público" ?"os honorários de sucumbência?", que consomem R$ 700 milhões por ano. A opção por não regulamentar o teto salarial do setor público leva outros R$ 2 bilhões por ano, somente no governo federal, principalmente com benefícios à magistratura.

Em 2019, o Congresso aprovou PEC que aumenta o montante das emendas obrigatórias em R$ 5 bilhões por ano, para financiar projetos de qualidade e mérito duvidosos. A emenda constitucional 98, de 2017, incorporou à folha da União servidores de ex-territórios, levando mais R$ 2 bilhões por ano.

Não fossem essas e outras escolhas questionáveis, financiaríamos uma gradual ampliação da atenção aos mais pobres e melhoraríamos a qualidade do gasto público, com justiça distributiva e respeitando o teto de gastos.

Nossa crise fiscal é resultado do casamento do populismo com a captura do Orçamento por quem tem poder político.
Herculano
14/09/2020 10:39
PIB TEM MELHOR PROJEÇÃO EM QUATRO MESES

Conteúdo de O Antagonista. O Boletim Focus do Banco Central, que atualiza toda segunda-feira as estimativas do mercado financeiro, mostra uma melhora na projeção da economia em 2020.

A expectativa do mercado é a de que o PIB deve recuar 5,11% - há uma melhora nesse indicador pelo quarto mês consecutivo.

O desafio agora é a inflação. Segundo os dados do Focus, a previsão para o IPCA neste ano saltou de 1,78%, na semana passada, para 1,94% agora - foi a quinta revisão para cima seguida.
Herculano
14/09/2020 10:36
LUIZ FUX QUER FECHAR A FÁBRICA DE HABEAS-CORPUS DE GILMAR MENDES, por Andrei Meireles, em Os Divergentes

Novo presidente do STF prega mudança urgente do regimento do Supremo para acabar com a farra de decisões monocráticas que transformaram o STF em quarta instância

O ministro Gilmar Mendes faz jus à fama de campeão no quesito canetada para tirar gente enrolada da cadeia. Quando é relator costuma optar por decisões monocráticas. Se a decisão é de outro colega, busca outro tipo de jeitinho. Nos últimos dois meses, na condição de atual presidente da Segunda Turma do STF, aproveitou a licença médica do decano Celso de Mello e conseguiu pelo menos 10 dez empates que beneficiaram investigados, réus e condenados acusados de corrupção.

Em inúmeras decisões polêmicas, com interpretações alargadas para driblar inclusive jurisprudências do tribunal, Gilmar Mendes chocou a sociedade e até os próprios colegas. Há um mês, o ministro Felix Fischer, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça, mandou de volta para a cadeia Fabrício Queiroz - operador das rachadinhas do clã Bolsonaro - e sua mulher Márcia Oliveira Aguiar. No dia seguinte, Gilmar mandou o casal retornar para a prisão domiciliar. Suas justificativas são inacreditáveis.

Alegou que os fatos narrados para a prisão, que teriam ocorridos entre 2018 e 2019, não tinham atualidade para respaldar as prisões. Ignorou solenemente que Queiroz foi preso, em junho de 2020, quando estava escondido em uma casa em Atibaia de Frederich Wassef, então advogado do clã Bolsonaro, e sua mulher ganhou a prisão domiciliar quando ainda estava foragida. Habeas-corpus como esse são rotineiramente concedidos por Gilmar.

Em janeiro, o Estadão divulgou um amplo levantamento feito no acervo processual do STF em que ele aparecia como recordista absoluto nos últimos dez anos na concessão monocrática de habeas-corpus. Até então eram 620 decisões, praticamente o dobro do segundo colocado nesse ranking. São parte desses habeas-corpus as canetadas que reverteram várias sentenças na Lava Jato, mantidas nos recursos ordinários em todas as instâncias judiciais.

Em entrevista à revista Veja, após tomar posse como novo presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux expôs algumas de suas prioridades no cargo. Após enfatizar que o tribunal deve ater-se ao controle da constitucionalidade, sua principal razão de ser, ele pôs o dedo na ferida: " A utilização epidêmica do STF para julgamento de habeas-corpus é inacreditável. Transformaram o STF em quarta instância. É urgente uma mudança regimental quanto à competência das matérias sujeitas a Corte".

Não é apenas Gilmar quem utiliza o habeas-corpus para reverter regulares decisões judiciais, atropelando instâncias e as próprias normas do STF. Mas é Gilmar quem mais usa e abusa desse expediente. Se Fux efetivamente conseguir fechar esse ralo, que virou o alvo predileto de criminalistas para manter livres, leves e soltos seus clientes de colarinho branco, dará uma forte pancada na impunidade. Mas certamente enfrentará forte oposição.

Há uma ala no STF. integrada pelo próprio Gilmar, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, focada no combate à Lava Jato e a outras grandes investigações sobre corrupção. Na ótica deles, os inimigos são o ex-juiz Sérgio Moro e as forças tarefas. Alguns aparentemente em causa própria. Em sua última edição, a matéria de capa da revista Crusoé mostra planilhas e delações de empreiteiros que envolvem Dias Toffoli. Mas háoutra corrente no Supremo que não quer enfraquecer o combate à corrupção. Luiz Fux pertence a esse grupo.

Em seu discurso de posse, na quinta-feira passada, assistido de maneira virtual pela maioria dos ministros, Luiz Fux, acompanhado na mesa por Bolsonaro e Rodrigo Maia ?" parceiros no jogo contra a Lava Jato ?" deu vários recados. Um dos mais relevantes foi sobre a necessidade se prosseguir no combate à corrupção e à impunidade.

- Não mediremos esforços para o fortalecimento do combate à corrupção, que ainda circula de forma sombria em ambientes pouco republicanos em nosso país. Como no mito da caverna de Platão, a sociedade brasileira não aceita mais o retrocesso à escuridão e, nessa perspectiva, não admitiremos qualquer recuo no enfrentamento da criminalidade organizada, da lavagem de dinheiro e da corrupção. Aqueles que apostam na desonestidade como meio de vida não encontrarão em mim qualquer condescendência, tolerância ou mesmo uma criativa exegese do Direito - afirmou Fux.

Para que não pairassem dúvidas, Fux deu exemplos concretos: "Não permitiremos que obstruam os avanços que a sociedade brasileira conquistou nos últimos anos, em razão das exitosas operações de combate à corrupção autorizadas pelo Poder Judiciário brasileiro, como ocorreu no Mensalão e tem ocorrido com a Lava Jato.".

Já como presidente do Supremo, Fux recebeu um relatório do colega Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, em que avalia que os trabalhos da operação "são pautados pela legalidade constitucional" e combatem "a renitente garantia da impunidade no país". Fachin também rebate o verdadeiro mantra dos que dentro e fora do aparelho judicial combatem as operações sobre grandes esquemas de corrupção.

- A polarização impõe um falso dilema à sociedade: ou se combate o `punitivismo` ou retomaremos o arbítrio, como se o estado de coisas anterior, no qual grassou por anos a ineficiência e deitou raízes o cupim da República, fosse o único apanágio da democracia - escreveu Fachin em seu relatório entregue ao novo presidente do STF.

Há seis anos, a Lava Jato vive nessa gangorra. Quanto mais alcançava poderosos no universo político e empresarial, historicamente impunes, e ganhava apoio popular, também atraía adversários de peso que, ao longo de todo esse tempo, tentaram barrar seus avanços contra a corrupção. Por mais que o pêndulo oscilasse, a espinha dorsal das apurações mantém-se praticamente intacta. Diante de adversários tão poderosos que, mesmo sendo inimigos entre si, têm a Lava Jato como alvo comum, a dúvida é até aonde vai a sua resiliência.

A conferir.
Herculano
14/09/2020 10:28
CRIME DE RESPONSABILIDADE

De João Amoedo, no Novo, no twitter:

Vale avaliarmos: ao incentivar o Congresso a derrubar o seu próprio veto, o presidente Bolsonaro não está na prática cometendo crime de responsabilidade ?
Herculano
14/09/2020 09:48
QUEDA-DE-BRAÇO, por Cláudio Prisco Paraíso

Estamos observando, nos bastidores, uma queda-de-braço entre o atual presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, e um ex-comandante da Casa, Gelson Merisio. Este foi candidato ao governo em 2018 pelo PSD, mesmo partido de Garcia, mas migrou para o PSDB depois de baixada a poeira da derrota no pleito estadual.

Merisio, que fez apenas 29% dos votos válidos no segundo turno de 2018, passou cinco anos na presidência do Parlamento catarinense. Criou laços com parlamentares que ainda estão cumprindo mandatos de deputados estaduais.

O neo-tucano agora trabalha firmemente no sentido de tentar salvar Daniela Reinehr, a vice-governadora, ou até mesmo os dois, governador e vice. O objetivo é tentar evitar o afastamento dos dois mandatários (Moisés da Silva e Daniela).

Justamente porque isso implicaria na posse, interina num primeiro momento e talvez definitiva mais adiante, do próprio Júlio Garcia, terceiro na linha sucessória de Santa Catarina.

ABISMO

Os dois não falam a mesma língua há tempos. Como terceiro deputado mais votado, Garcia fez uma campanha-solo em 2018, totalmente desvinculada de Merisio, que era o cabeça de chapa de seu partido. Em nenhum momento houve associação de imagem ou de pedido de votos.

CRIATURA E CRIADOR

Ocorre que Merisio cresceu na política pelas mãos de Júlio Garcia. O oestino chegou à Alesc na condição de suplente e se aproximou do atual presidente do Legislativo.

POR AQUI

Exímio articulador, Júlio Garcia costurou e pavimentou o caminho para Merisio chegar ao comando do Parlamento estadual pela primeira vez. Foi em 2010, em mandato que foi dividido entre ele e o hoje senador Jorginho Mello, que pilotou a Casa um ano antes.

OPORTUNIDADE

Também foi Garcia quem trouxe o advogado Antônio Gavazzoni (cunhado de Merisio) de Chapecó, onde atuou como procurador do município.

DONO DO COFRE

Em Florianópolis, Gavazzoni assumiu a Secretaria de Administração de Luiz Henrique da Silveira. Na sequência, ascendeu à pasta mais poderosa, a Fazenda, onde permaneceu por anos consecutivos.

DISTANCIAMENTO

A partir daí, movimentos de parte a parte foram distanciando Júlio Garcia e Gelson Merisio. Agora declaradamente adversários/inimigos, os dois se reencontram em frentes opostas. Merisio por provavelmente ainda alimentar perspectivas majoritárias para 2022. E Garcia sob a perspectiva de assumir o governo, algo que seu algoz não conseguiu.

FATOR EXTERNO

Sempre é bom, neste contexto, considerar os fatores externos. Como as investigações da Polícia Federal, que envolvem Júlio Garcia e Moisés da Silva em processos diferentes.

Decisões podem ocorrer a qualquer momento, mudando o cenário.

SAL GROSSO

Por fim, mais um ingrediente neste caldeirão. Em agosto, Gelson Merisio passou a integrar o Conselho de Administração da JBS. Aquela empresa do açougueiro que gravou Michel Temer e tentou derrubar o presidente, que sobreviveu a processos de impeachment e completou o mandato.

MEMóRIAS

A mesma JBS que, com base na delação de um de seus diretores, teria transferido R$ 10 milhões para a campanha de reeleição de Raimundo Colombo. O assunto já foi arquivado, mas foi aventado lá atrás. Outro citado pelo delator da JBS, que não conseguiu provar, foi Antônio Gavazzoni. Fora todos os outros problemas da JBS, por isso, causou estupefação a informação de que agora Merisio faz parte do conselho gestor da companhia, que tem sua imagem na lona. Isso pode enfraquecer suas articulações, também considerando-se que Merisio não tem mandato eleitoral.
Herculano
14/09/2020 09:43
da série: privilégios sem fim. No governo da esquerda era para os sindicatos; na direita é para as igrejas que viraram locais de lavagem de dinheiro.

BOLSONARO VETA PERDÃO A DÍVIDAS DE IGREJAS, ATENDE A GUEDES, MAS ESTIMULA DERRUBADA DO VETO

Presidente sanciona regra que anula algumas autuações da Receita e diz que enviará PEC para estabelecer alcance "adequado" para imunidade
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Daniel Carvalho, Gustavo Uribe e Danielle Brant, da sucursal de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atendeu à recomendação do ministro Paulo Guedes ?e vetou parte do dispositivo que concedia anistia em tributos a serem pagos por igrejas no país, medida que poderia ter impacto de R$ 1 bilhão.

Para não desagradar o segmento religioso, um dos pilares de sustentação de seu governo, o presidente defendeu a derrubada do veto pelo Congresso e anunciou que enviará uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para atender à demanda do grupo.

Também sancionou dispositivo que anula autuações da Receita anteriores a uma lei de 2015 que determinou que os valores pagos, em dinheiro ou como ajuda de custo, a ministros ou membros de ordem religiosa não configuram remuneração direta ou indireta. O artigo sancionado por Bolsonaro anula autuações anteriores a junho de 2015, data de publicação da regra.

"Confesso. Caso fosse deputado ou senador, por ocasião da análise do veto que deve ocorrer até outubro, votaria pela derrubada do mesmo", escreveu o presidente nas redes sociais. "No mais, via PEC a ser apresentada nessa semana, manifestaremos uma possível solução para estabelecer o alcance adequado para a imunidade das igrejas nas questões tributárias.", acrescentou.

O veto, que pode ser derrubado pelo Congresso, foi assinado na sexta-feira (11), data-limite para sanção da proposta, e será publicado no "Diário Oficial da União" desta segunda-feira (14).

Nos últimos dias, a bancada evangélica na Câmara vinha pressionando para evitar o veto.

No anúncio da decisão de Bolsonaro, o Palácio do Planalto fez questão de ressaltar que o presidente "irá propor instrumentos normativos a fim de atender a justa demanda das entidades religiosas".

"O presidente Jair Bolsonaro se mostra favorável à não tributação de templos de qualquer religião. Porém, a proposta do projeto de lei apresentava obstáculo jurídico incontornável, podendo a eventual sanção implicarem crime de responsabilidade do presidente", observou.

Na última quarta-feira (9), em reunião com a bancada evangélica, Bolsonaro já tinha informado aos deputados presentes que o perdão da dívida poderia ser questionado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e sustentar um pedido de impeachment contra ele.

A emenda ao projeto de litígios com a União foi apresentada pelo deputado federal David Soares (DEM-SP) e aprovada pela Câmara em julho e, depois, pelo Senado em agosto.

Ele é filho de R.R. Soares, pastor fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, uma das principais devedoras.

O texto altera a lei de 1988 que instituiu a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). O dispositivo vetado retirava templos da lista de pessoas jurídicas sobre as quais incidia a contribuição. Além disso, anulava as autuações que descumprissem a premissa.

A justificativa é que a Constituição dá proteção tributária às igrejas, mas o argumento é contestado. Na visão de membros do Fisco, as igrejas muitas vezes pagam salários a um grande número de pessoas, de empregados a pastores, e classificam os repasses com outros nomes.

Como muitas vezes as igrejas têm um grande número de empregados, a União deixa de recolher um volume significativo de recursos em Imposto de Renda e contribuições previdenciárias.

Bolsonaro já vinha sinalizando que vetaria a anistia às igrejas, como mostrou a Folha na quarta-feira (9). Além da equipe econômica, o setor jurídico do Palácio do Planalto também defendeu que a medida não entrasse em vigor.

Em um primeiro momento, a proposta havia sido rejeitada na Câmara. O deputado Fábio Trad (PSD-MS), relator, afirmou que estava se tentando estabelecer algo que a Constituição não diz. A imunidade constitucional é restrita a impostos, não alcançando as contribuições sociais.

Já sobre o segundo ponto, acerca dos valores recebidos por pastores, Trad considerou a norma desnecessária. Mesmo assim, os trechos foram inseridos no projeto de lei, que foi aprovado na Câmara e seguiu ao Senado.

A indicação do presidente de que vetaria o perdão às igrejas desagradou integrantes da bancada evangélica, que discutiram o assunto com o chefe do Poder Executivo na quarta-feira (9).

Da equipe econômica, parlamentares evangélicos ouviram que, se o presidente não vetasse o perdão das dívidas, estaria incorrendo em crime de responsabilidade fiscal, o que poderia dar origem a um processo de impeachment.

O grupo ouviu a justificativa com desconfiança e tentou reverter a decisão até o momento em que Bolsonaro assinou o veto, na sexta (11).

Ao longo da última semana, deputados fizeram ameaças veladas. Um deles ponderou que o valor da anistia era muito pequeno se comparado ao apoio que Bolsonaro tem da bancada da Bíblia.

Outro parlamentar do segmento disse que o provável veto é um "péssimo sinal" e tratou a questão como traição a um de seus principais grupos de sustentação tanto na campanha como no governo.

A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional é composta por 195 dos 513 deputados e por 8 dos 81 senadores.

A oposição de Guedes não foi o único fator que pesou na decisão de Bolsonaro. Nos últimos dias, eleitores do presidente, sobretudo de perfil liberal, publicaram críticas à medida nas redes sociais e disseram que a sanção poderia mudar o voto deles nas próximas eleições.

No sábado (12), o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, culpou a imprensa pela resistência de parcela da sociedade à sanção da medida. Segundo ele, os veículos de imprensa fazem um jogo sujo para denegrir líderes evangélicos.

No mesmo dia, Bolsonaro teve um encontro com Guedes e, segundo auxiliares presidenciais, foi discutido o envio do projeto de lei para atender ao pedido dos líderes evangélicos.

Os dois também abordaram novas medidas fiscais para compensar o segmento religioso pelo veto à anistia das dívidas. ?

Um interlocutor de Guedes disse à Folha que o ministro passou o recado ao presidente de que poderia deixar o governo caso a anistia às dívidas fosse sancionada.

Na avaliação do governo, apesar da revolta dos religiosos, dificilmente o segmento romperá com Bolsonaro. O diagnóstico é de que eles não encontrarão um candidato a presidente tão afinado à pauta de costumes defendida pelo grupo como o atual chefe do Poder Executivo.?

Conforme já mostrou a Folha, somente na Receita Federal o total de débitos pendentes de entidades religiosas é de aproximadamente R$ 1 bilhão, de acordo com informação colhida pelos auditores a pedido do Congresso em meados do ano passado.

Na PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), havia na mesma época outros R$ 462 milhões em dívidas registradas.
Herculano
14/09/2020 09:33
GREVE EXIGE REGALIAS DE R$600 MILHõES NOS CORREIOS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A greve anual dos Correios perde sentido a cada edição, e em 2020 chegou à perversidade de ser decretada em plena pandemia, quando o País mais precisava dos seus serviços. O ministro das Comunicações, Fábio Farias, avisou que não negocia com grevistas que prejudicam o País para preservar privilégios como o "vale-peru" anual de R$1 mil. Esta e outras regalias aos quase cem mil funcionários custam R$600 milhões por ano a uma estatal cambaleante, com folha salarial de R$12 bilhões.

MILITÂNCIA CARCARÁ

Os prejuízos somam quase R$2,5 bilhões só em 2020, mas os pelegos fingem não perceber que a cada greve os Correios se inviabilizam mais.

PEGA, MATA E COME

Até em férias, funcionários dos Correios recebem "auxílio-alimentação" de R$1 mil. Se trabalhar em dia de repouso, ganha adicional de 200%.

PARECE PIADA PRONTA

Pela lei, o trabalhador tem direito a abono de férias correspondente a um terço de seu salário. Mesmo quebrados, os Correios pagam dois terços.

VENDER OU FECHAR

Outro pretexto para greve é a "ameaça de privatização". Com os Correios nessa situação, difícil será achar quem queira. Fechar pode ser a opção.

NA RETA FINAL, MAIA FAZ DE TUDO PARA FICAR NO CONTROLE

Se a expectativa de poder faz milagres, a certeza de perda de poder às vezes desnorteia. A quatro meses e meio do fim do mandato de presidente da Câmara e com limitadas chances de reeleição, Rodrigo Maia dá entrevistas sobre o trâmite de reformas, como a administrativa, mesmo sabendo que certamente serão consumadas somente pelo sucessor, até pela falta de acordo e o tempo exíguo. Prestes a sair de cena, ele encontra nos holofotes formas de manter a relevância.

VALE-TUDO

Para atrair atenções, Rodrigo Maia arruma confusão com Bolsonaro, Paulo Guedes etc. É, como ele diz, um "ótimo produtor de notícias".

CONTAGEM REGRESSIVA

Com pandemia, recesso de mais de um mês, eleição e campanha no Congresso, na prática restam-lhe dois meses úteis no cargo.

MOSCA AZUL

Diferente de Maia, presidente desde 2016, Alcolumbre está no cargo há um ano e meio e não desistiu da manobra de alterar a Constituição.

QUE ELEIÇÃO?

Faltam dois meses para a eleição municipal deste ano, mas apenas o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, faz um comovente esforço de manter o assunto vivo no noticiário. Ninguém está nem aí.

ESTILO INCôMODO

Todo os colegas, sem exceção, devotam enormes respeito e admiração pelo ministro Celso de Mello, no Supremo. Destacam sua inteligência e saber jurídico, mas os incomoda seu estilo radical dos últimos tempos.

SEM COINCIDÊNCIA

Em Brasília, poucos acreditam em coincidência no fato de o ministro Celso de Mello negar prerrogativa do presidente Bolsonaro, obrigando-o a constrangedor interrogatório à PF, um dia depois de o ministro Luiz Fux defender respeito às prerrogativas constitucionais dos demais poderes.

NA CÂMARA NÃO PASSA

Ainda que prospere no Senado, o que é muito difícil, a proposta de alterar a Constituição para abrir caminho à reeleição dos seus presidentes não passa na Câmara: é questão fechada no "centrão".

MUDOU A CORRENTEZA

Na última semana, os políticos ou autoridades que mais mencionaram o coronavírus nas redes sociais foram Benedita da Silva (PT) e Guilherme Boulos (Psol). A posição era tipicamente de Osmar Terra (MDB-RS).

GRANDE VIRADA

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) comemorou que o Ministério da Saúde deve encaminhar medicamento baseado em maconha pelo SUS. Para ele, liberar o plantio no Brasil "não tem o menor propósito".

MUNDO PóS-COVID

Pesquisa do Instituto Locomotiva sobre o pós-Covid, entrevistando 2,4 mil brasileiros, revela que 61% se dizem otimistas em relação ao futuro, 49% seguirão com máscaras e 53% adotarão álcool em gel para sempre.

TUDO PELO ESTADO GRANDE

Um projeto de deputados do PT quer transformar em crime o governo realizar qualquer privatização sem "autorização" do Congresso, incluindo de subsidiárias. Até o Supremo Tribunal Federal já decidiu contra isso.

PENSANDO BEM...

...a Lava Jato no Rio será a desculpa favorita dos candidatos derrotados.
Herculano
14/09/2020 09:24
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PARA LER, COMPREENDER ALGO TÃO SIMPLES, QUE É FEITO PARA UMA ABRAGÊNCIA SOCIAL E ECONôMICA TÃO AMPLA E PARA SE ORGULHAR


PIX REVOLUCIONA MAIS QUE PAGAMENTOS, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo
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Sistema do BC pode ser a identidade digital avançada de que o Brasil tanto precisa

Há uma revolução digital em curso no Brasil. Ela atende por um nome singelo: Pix.

De forma discreta, o Banco Central criou um processo que pode mudar completamente para melhor a infraestrutura digital do país. Esse processo iniciou-se em 2013 e será lançado oficialmente no dia 16 de novembro deste ano.

O Pix foi criado para transformar os meios de pagamento. Só que pode ir muito além. Pode, por exemplo, revolucionar as identidades digitais. Talvez sem querer, o Banco Central atirou no que viu e acertou em muito mais.

O Pix cria um sistema aberto que vai permitir enviar dinheiro imediatamente, usando principalmente o celular. Para o usuário do sistema bancário, será realmente uma mudança. Vai ser possível enviar recursos a qualquer hora com compensação imediata.

Hoje, com o modelo de TED e DOC, o envio tem restrições de tempo e não funciona nos fins de semana.

Além disso, há custos elevados. Um DOC ou TED custa de R$ 5 a R$ 15. Esse valor é absurdo para a maioria dos brasileiros. Já o Pix custará para os bancos R$ 0,01 a cada dez transações. Para os usuários pessoas físicas, será gratuito.

Com isso, o Brasil adentrará um lugar poderoso em que micropagamentos serão possíveis. Poder transferir centavos sem custo muda tudo. Inúmeros novos modelos de negócio surgirão, digitais e analógicos.

Além disso, tudo aquilo que mostrei na série Expresso Futuro China sobre pagamentos digitais feitos por meio de QR Code no celular vai acontecer também no Brasil. Hoje, na China, moradores de rua pedem ajuda usando uma plaquinha com seu código QR. Sabem que as pessoas não usam mais dinheiro.

São muitos os acertos do Banco Central com o Pix. Ele é uma plataforma aberta, funciona como entidade definidora de padrões, e até o modelo de governança por grupos temáticos foi bem desenhado. Entrará para a lista dos exemplos mundiais de como o Estado pode liderar desenvolvimentos tecnológicos positivos de grande escala.

O ponto ainda não falado do Pix é que ele pode também revolucionar as identidades digitais. Cada código QR do sistema traz informações completas sobre a identidade de quem o utiliza (nome, CPF, CNPJ, número de telefone celular e assim por diante). Ora, essa é a identidade digital avançada de que o Brasil tanto precisa.

Sem nenhuma modificação, o Pix pode ser usado como prova avançada da identidade de quem o utiliza. Poderia ser usado para fazer login em serviços públicos, assinar documentos, recebe auxílio emergencial, emitir receitas médicas, matricular os filhos na escola, transferir veículos, assinar atas de empresas e assim por diante. Tudo por meio do celular e usando códigos QR.

O único obstáculo para o Pix se tornar uma modalidade poderosa de identificação é o Congresso Nacional. Na semana, passada falei de como o Senado e a Câmara aprovaram uma lei que cria monopólio para o vergonhoso certificado digital, tecnologia cara, velha e obsoleta, usada por apenas 2% da população (e que custa cerca de R$ 200 por ano para ser emitido).

O Congresso deturpou a medida provisória 983, enterrando vários dos usos inovadores do Pix. Neste momento, caberá ao presidente decidir se veta ou não o monopólio criado pelo Congresso.

Reader

Já era?
TED e DOC

Já é?Pagar
tudo com o celular usando o Pix

Já vem?

Usar o Pix como identidade digital, se o monopólio legal do certificado digital cair
Herculano
14/09/2020 09:10
NÃO AGIU QUANDO TINHA QUE AGIR

Gaspar não fez a obrigatória revisão do Plano Diretor mandatória pelo Estatuto das Cidades.

Sancionado em 2006, esta revisão deveria ter ocorrido em 2016, na gestão de Pedro Celso Zuchi, PT. Ele até contratou e pagou a peso de ouro a Iguatemi Engenharia para fazer este estudo e debater com a comunidade, outra obrigação da revisão.

O estudo a Iguatemi fez, mas no seu escritório em Florianópolis. É uma peça acadêmica bem feita. Entretanto, fora da realidade gasparense. Com a comunidade, nem a Iguatemi, muito menos a equipe do governo Zuchi debateu coisa alguma. Sabia que estava encrencado se defendesse as incoerências da Iguatemi.

No vácuo do nada criado por Zuchi, o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi remendando e fatiando o Plano Diretor, naquilo que é uma peça inteira que orienta o crescimento, o desenvolvimento, a vocação e demandas da cidade no futuro.

Resultado. Está cheio de leis inconstitucionais feitas por erro, ou para atender demandas de parceiros ou de eleitores e que passaram no crivo técnico e nos votos na Câmara de Vereadores do atual mandato.

E o Ministério Público da Comarca que não agiu preventivamente, agora, está cheio de denúncias, muitas delas anônimas, pois todos têm medo de se exporem. Se a Ouvidoria do MP resolver passar um pente fino nessas questões e que viram propositais acordões, vai sobrar para os políticos marotos. Acorda, Gaspar!
Herculano
14/09/2020 08:53
MAIS ADEQUADO

No twitter, anônimos, propagam:

Flordelis [a deputada Federal do PSD RJ, pastora e assassina] entra na Justiça pra alterar o nome dela pra COMIGO NINGUÉM PODE
Herculano
14/09/2020 08:48
A HUMANIDADE PRECISA APRENDER A REVERENCIAR A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

Covid-19 é a materialidade de nossa insignificância, seu coração é cego como o Universo

Em épocas banhadas pela tragédia como a nossa, muito é dito, com razão, sobre virtudes e vícios. Coragem, covardia, disciplina, prudência e descaso aparecem no horizonte como um discurso comum e justificado.

Entretanto, uma virtude, tipicamente trágica, deveria ser lembrada em momentos como este em que podemos nos perder em fetiches como o culto do home office, do novo normal ou de cozinhar brócolis no Instagram. Refiro-me à virtude da reverência.

A propósito, a leitura do ensaio "Reverence, Renewing a Forgotten Virtue" ("Reverência, retomando uma virtude esquecida", numa tradução selvagem), de Paul Woodruff, que saiu pela Oxford University Press em 2001 (sem tradução no Brasil), pode ser um bom guia para essa discussão.

O autor chama a atenção para o fato de que a reverência não é "mera" virtude religiosa, mas, antes de tudo, virtude política e se refere ao convívio social.

Uma sociedade que nada reverencia ou que reverencia "ídolos ocos" tipo sucesso, dinheiro, poder (aqui tocamos no combate do velho hebraísmo bíblico à idolatria), tende ao vazio de sentido. A reverência gera sentido na vida individual e coletiva, produzindo melhores condições éticas entre as pessoas. Convida-nos à humildade.

Com a boçalidade estrutural erguida a condição de ferramenta emancipatória, já identificada de modo claro pela literatura russa nos anos 1860, e retomada pela boçalidade da contracultura dos anos 1960 no Ocidente (atrasado cem anos em relação à Rússia), fica difícil valorizar a reverência por considerá-la truques do patriarcado ou dos opressores da hora. A boçalidade chique virou um ativo.

Voltando ao momento trágico em que vivemos, se alguém me perguntasse o que eu gostaria que ficasse como saber pós-pandêmico (o que eu não acredito que acontecerá), eu diria, que aprendêssemos a reverenciar a pandemia como materialidade de nossa insignificância.

Aviso aos inteligentinhos, que agora se revestem da retórica de uma ciência de ocasião, que "segurem seus cavalos", como se diz em inglês.

Com a sociabilidade retardada das redes sociais e sua semântica literal, normal em crianças de cinco anos, mas signo de estupidez estrutural em adultos, é sempre importante lembrar que reverenciar a pandemia nada tem a ver com dizer que ela seja legal. Estamos aqui longe das margens da polarização histérica do mundo em que vivemos.

Reverenciar a pandemia é ver nela o "eterno retorno do mesmo" que dizia Nietzsche no século 19. É reconhecer nela a força da contingência que molda nossas vidas e que sempre volta a nos cercar. E ver nela a razão para nosso ancestral terror da contingência, como dizia Mircea Eliade, historiador das religiões do século 20.

O contemporâneo é ignorante para com a realidade da contingência, achando que esta pode ser contida para sempre com seu marketing de causas.

Por outro lado, reverenciar nada tem a ver com romantizar a pandemia. Romantizar a pandemia é achar que ela nos quer ensinar a ser vegetarianos, a revalorizar a família ou o cotidiano distante da produção materialista.

A pandemia é cega, silenciosa, sem intenção, vem e vai ao saber do nada. Para ela, não existimos simplesmente. Talvez só como hospedeiros da reprodução de um vírus que não tem consciência do que faz.

De fato, para nosso narcisismo estrutural (aliás, "estrutural" é a palavra da moda, né?) e sua ridícula economia da autoestima, imaginar que a natureza não vê nada, nem mesmo a vã espécie humana, é demais.

Diria que, para além da falta de empatia para com o sofrimento das pessoas demonstrada pelo presidente da República, ficou claro no seu comportamento, exatamente, a total ausência de reverência pela pandemia.

O sucesso técnico moderno acabou por produzir uma ignorância em nós que nunca existiu antes. Somos os boçais históricos do sucesso.

Nada disso tem a ver com divinizar a pandemia como evento apocalítico. Tem a ver com recolocar-nos em nosso verdadeiro lugar cósmico: em nós, o pó tomou consciência de si mesmo.

O coração da pandemia é cego e silencioso como o Universo. É hora de ler Eclesiastes.

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