14/09/2020
Naquele ano era a onda vermelha que por aqui se disfarçou de amarela importada de Blumenau. Ela ganhou com os mesmos que alimentam o atual governo. Não era um movimento ideológico. Foi uma lição contra o establishment político
Agora, há uma onda conservadora, apostas do PL, PSL e DEM que os fizeram desunir para marcar território
Confirmando-se as cinco candidaturas a prefeitura de Gaspar para as eleições de 15 de novembro, a reeleição de Kleber Edson Wan Dall, MDB, (à esquerda) e desta vez com Marcelo de Souza Brick, PSD (ao centro) a vice, ficou facilitada, para o comando de fato da prefeitura e presidente do MDB, Carlos Roberto Pereira (à direita).
Hoje acontecem as últimas convenções dos partidos que vão indicar os candidatos a prefeitos e vereadores para a corrida de 15 de novembro em Gaspar. Até quarta-feira tudo estará registrado no Tribunal Regional Eleitoral.
Salvo acontecimento de última hora, as cartas já estão marcadas e a sorte lançada.
Na quinta-feira à noite, como revelei em primeira mão aqui na sexta-feira na área de comentários da coluna na internet, o PSL encerrou as conversações com o PL. Essas tratativas tinham sido anunciadas pelo próprio PSL em suas redes sociais na semana anterior e avaliadas como promissoras. O PSL, ao final, disse não abria mão da cabeça de chapa. O PL, por orientação do senador Jorginho Mello, também se posicionou para esse caso específico.
No sábado, foi a vez de se finalizarem as raras conversas entre o PL e o DEM. Alegando ser o fato novo da eleição em Gaspar, o DEM de Rodrigo Maia e David Alcolumbre que lutam para mudar a Constituição e continuarem, respectivamente presidente da Câmara Federal, Senado e Congresso Nacional, também não abriu mão da cabeça de chapa.
O PL até era mais flexível neste caso e acompanhava os encontros paralelos que o DEM fazia com membros do PL. Todavia, no encontro oficial e final não deu liga. Ambos não obtiveram êxito na composição dos nomes e saíram como entraram e era previsto: separados. Cumpriram a última formalidade.
Ao meio-dia, o presidente do PL de Gaspar, o engenheiro e professor Rodrigo Boeing Althoff anunciava nos aplicativos de mensagens que o PL iria para a disputa com chapa pura. Ao mesmo tempo, que não tinha o PSL e o DEM como adversários definitivos. “A nossa meta continua derrotar Kleber e fazer uma bancada expressiva na Câmara”, enfatizou.
UMA CIDADELA BEM MONTADA
Há dez dias, o MDB cercou o bode e colocou oficialmente Kleber Edson Wan Dall como seu candidato à reeleição. Não tinha outra alternativa. Se ele até aqui não cresceu nas pesquisas, mostrou que o MDB tem os seus votos protegidos.
Para não haver surpresas, o MDB trouxe Marcelo de Souza Brick, PSD, como vice de Kleber. Era um fato cozinhado há tempos. Brick, até no dia da Convenção do MDB e PSD chegou a ensaiar um recuo. Era tarde. “Avisado” e para não ser surpreendido, o MDB providencialmente naquele dia tirou de circulação Brick.
Marcelo foi o que quase ameaçou a máquina partidária do MDB, PP e evangélica pentecostal da eleição de Kleber em 2016.
Para não correr nenhum risco na possibilidade de surgir um outsider, o poder de plantão trouxe para si uma penca de partidos com tradição no cenário político de Gaspar como como o PDT e o PSDB e foi anulando as principais lideranças com empregos na prefeitura. Já o PP, por sua vez, para ficar pendurado na futura administração, abdicou da vice que tem hoje com Kleber.
Estes partidos tradicionais e que deram sinais de fraqueza nas urnas em 2018, substituíram os nanicos PSC, PDC e PSDC de 2016. Eles nem aparecem agora ao lado de Kleber. A “evolução” é resultado da máquina de votos em que se transformou a prefeitura de Gaspar com centenas de comissionados e cargos em confiança gratificados.
E para completar o cenário da disputa, que em tese, muito favorece a Kleber, na semana passada o ex-prefeito por três vezes - das quatro que disputou por aqui -, Pedro Celso Zuchi, PT, 67 anos, anunciou oficialmente a sua desistência na corrida como chefe do executivo.
Zuchi preservou a sua biografia política local, abriu caminho para justificar uma derrota vermelha onde o PT ainda tinha fama. Com isso, deixou escancarada à falta de renovação partidária que não a liderou ou a promoveu no partido em Gaspar; ao mesmo tempo se livrou da má imagem que o PT dá hoje a qualquer candidato – mesmo supostamente competentes - em ambientes esclarecidos.
O MAIOR PERDEDOR
Diante desse quadro de fragmentação partidária que se viu durante a semana e que vai levar o eleitor a escolha entre cinco candidatos, o maior perdedor foi, sem dúvida alguma, Marcelo de Souza Brick e o PSD que ele preside.
Seria Marcelo quem teria as maiores chances de aglutinar forças e votos para enfrentar Kleber nesta eleição. O seu eleitorado está cuspindo maribondos e nas redes sociais, os memes de desagravos são de conteúdo muito forte contra ele. É sinalizador.
Nas pesquisas internas dos partidos e conhecidas até aqui, Brick, vem somando pouco para Kleber. A intenção, na verdade, do MDB ao leva-lo para a vice de Kleber, não era exatamente a de somar, mas não deixá-lo ser candidato viável só ou coligado com alguém para ameaçar o MDB e seus coligados. E o MDB conseguiu.
Repete-se a história do MDB e PP. Separados fizeram história. Para bater o novo, que foi o PT eles se uniram e conseguiram por duas vezes. Hoje os votos deles, são insuficientes para bater o novo. Como não crescem, anulam quem tem potencialmente de crescimento.
Agora, tudo isso é passado. Está começando uma nova corrida eleitoral e esta é real.
E para finalizar três observações.
Primeiro. Há mais de dois meses esta coluna vinha afirmando de que Pedro Celso Zuchi dificilmente seria candidato. Foi desmentida. Mais uma vez, o tempo é o senhor da razão.
Segundo. Há quase um mês esta coluna vem informando aos seus leitores e leitoras de que PL, PSL e DEM dificilmente estariam juntos, pelo simples fato de estarem sob o manto de vaidades inconciliáveis e principalmente sob orientações de interesses partidários futuros de Blumenau, Florianópolis e Brasília.
É que está em jogo a medição real dessas forças preparando-se para 2022. O que aconteceu? O tempo voltou a ser o senhor da razão.
Terceiro. É verdade que a definição desse cenário eleitoral em Gaspar favorece amplamente, em tese, repito, a vitória Kleber. Além dos mais de 250 comissionados e funções gratificadas, são quase 100 candidatos a vereador a puxar votos para Kleber. É uma máquina incomparável.
Por isso, será extremamente vergonhosa, qualquer derrota neste cenário de desigualdade competitiva. A conta mínima, é 50% dos votos válidos em uma situação de normalidade.
Não é à toa, que há tem gente do governo Kleber comemorando a vitória, loteando antecipadamente cargos e fazendo até altas apostas, não exatamente na vitória tida como certa, mas na vantagem sobre o segundo colocado.
O arco de alianças de Kleber é teoricamente imbatível.
Ele está amparado pela máquina de votos que montou a partir da prefeitura que é comandada pelo prefeito de fato, o presidente do MDB e coordenador de campanha, o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira.
Mas, também neste caso, é bom lembrar que o tempo será o senhor da razão. Então, prudentemente, deve-se esperar as 17h do dia 15 de novembro para se certificar dessa vitória que já se comemora e com muita antecipação.
Aos que estão comemorando e apostando, lembro-lhes o resultado da eleição de 2000 que sucedia a Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, MDB (1997/99), o único prefeito que a Justiça não deixou terminar o mandato por aqui e que foi substituído ao final pelo vice Andreone dos Santos Cordeiro, PTB (1999/2000).
Pedro Celso Zuchi, PT, foi a zebra de então, com 6.770 votos, foi a expressão da rebeldia ao que estava instalado e vinha acontecido por aqui.
Naquele pleito o professor e ex-prefeito Francisco Hostins, PP, que renegou os técnicos que lhe deram fama no passado para ser cooptado pelos políticos da mesmice, fez 6.595 votos e se enterrou de vez politicamente; Luiz Fernando Poli, PFL, o ex-prefeito, somou 5.418 votos; o jovem Adilson Luiz Schmitt, que representava a renovação do velho MDB, manchado, 4.209 votos. Já Mário César Pera, PSDB, com 1977 votos; Maria Terezinha Ramos, PDT, com 542 votos; e Dario Beduschi, PT, com 147 votos, estes três, supostamente representando a “renovação” ou a juventude da época, decepcionaram. Acorda, Gaspar!
Zuchi salva a sua biografia e diz que vai pedir votos. Se seus pupilos vencerem como azarões, a vitória será dele. Se perderem, a derrota será das circunstâncias
Pedro Celso Zuchi (à esquerda) foi o único a ser três vezes prefeito de Gaspar. Perdeu uma reeleição e ganhou outra pelo PT. Agora, o ex-vereador José Amarildo Rampelotti (centro) é o escolhido na desistência de Zuchi. O suplente de vereador, João Pedro Sansão (à direita), é a promessa de buscar um eleitorado descoberto na esquerda.
Já vai longe à surpreendente vitória do ex-funcionário da Petrobrás, Pedro Celso Zuchi, em 2000, pelo PT. Nem ele imaginava àquela vitória, como conta até hoje. Tomou gosto até porque não havia alternativas vencedoras. E diferente da direita de agora, a esquerda se estapeia, mas na hora da busca do voto, ela marcha unida, de forma voluntariosa e a derrota não é alimento para desistência e desânimo antecipado.
E foi dessa forma que Zuchi se elegeu por mais duas vezes.
Perdeu uma, exatamente para o médico veterinário Adilson Luiz Schmitt, MDB. Ele se mostrou incompetente tanto para sede de poder do MDB bem como para a busca de poder dele mesmo e nele se manter quando esteve no PSB e PPS.
Recentemente, Adilson se filiou ao DEM o qual ajudou articular como está hoje. Entretanto, humilhantemente, foi desfiliado pelos locais via internet. Adilson cuja política é parte do seu sangue, tem sido maltrato por ela, como a poucos por aqui. E há anos.
Volto. Os bons ventos do PT já não sopram mais como sopravam em Blumenau, que elegeu o advogado sindicalista Décio Neri de Lima duas vezes prefeito, deputado Federal e sua mulher Ana Paula de Lima, deputado estadual. O PT se tornou o imaginário de uma geração lá e agora aqui, onde foi mais bem-sucedido.
Com essa “geração” se foi a áurea da tal força do povo, como também não se sabe onde foi dar a madrinha, a ex-senadora, a ex-ministra, a referência petista catarinense, a paulista Ideli Salvatti. O PT se viu metido num mar de lama, não exatamente em Gaspar, Blumenau e Santa Catarina, mas a partir de Brasília com os tais mensalão e petrolão entre outros, que a Lava Jato do Ministério Público Federal descortinou como poucos até então.
Foi um raio que atingiu em cheio o ex-sindicalista e ex-presidente da República, o ex-trabalhador Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, é hoje um ex-presidiário. Foi à espantosa máquina de malversar o dinheiro público que o PT montou com os parceiros de governo como o MDB, PP, PSD, PTB. É um arco que foi da esquerda do atraso até o tal centrão, numa pratica também utilizada pelo PSDB. Tudo isso, fez ressurgir com força nas urnas em 2018 nomes novos com bandeiras da tal direita, do conservadorismo e da criminalização da política tradicional.
Foi a soma de tudo isso, que no fundo contaminou a imagem do PT de Gaspar, fez Zuchi desistir de ser candidato, e em nome de um passado de vitórias, está obrigando o funcionário público estadual (Celesc), ex-vereador, ex-presidente do PT gasparense, José Amarildo Rampelotti, continuar na busca de votos que o partido presume ainda ter por aqui.
Amarildo vai ter a companhia do jovem suplente de vereador João Pedro Sansão, o que se forma em Direito e que sinaliza ser o futuro da esquerda raiz de Gaspar.
ERA ESPERADO
A desistência de Zuchi não foi exatamente uma surpresa. Eu mesmo desenhava esta saída há meses aqui e era sucessivamente desmentido ou desdenhado. A escolha para substituí-lo é que é surpreendente. Ela mostra três verdades imutáveis: o PT de Gaspar não se preparou para a era pós-Zuchi; não se renovou; e no ambiente de procura para se posicionar ao seu eleitorado, decidiu por radicalizar ideologicamente.
Durante o mandato do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, o PT e Zuchi não foram opositores de fato diante de tantas dúvidas.
Na única vez em que o PT resolveu colocar o dedo numa das feridas do governo, a drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho, mostrou uma espetacular fragilidade ao não se preparar adequadamente para o embate que se tinha como certa da vitória. Foi engolido no procedimento e no regimento da Câmara pela ação providencial e segura do MDB e do poder de plantão. Nem a imprensa, conseguiu mobilizar como nos velhos tempos. Nas redes sociais, pouco as usou neste caso. O Ministério Público passou longe. Então...
Agora faz ressurgir Rampelotti. Ele como líder do governo de Zuchi, sempre foi um cão de guarda e daqueles bem ferozes.
E isso lhe valeu até uma condenação por difamação à juíza que atuou em Gaspar por onze anos, Ana Paula Amaro da Silveira, e que seu vice de chapa hoje, atuando como estagiário no escritório do ex-ministro da Justiça da ex-presidente Dilma Vana Rousseff, PT, José Eduardo Martins Cardozo, tentou por vários recursos interpostos, reverter esta condenação nos tribunais superiores; não conseguiu até isso até hoje. Rampelotti até já cumpriu a pena de serviços comunitários.
Esta coluna sempre foi o alvo preferido de Rampelotti. Eu pessoalmente, também fui “punido” por ele. Não recuei. Fui a andorinha que fez o verão e que o MDB, inclusive, usou para chegar ao poder de quem sofro a mesma retaliação por não alinhar aos desmandos continuados dos poderosos de plantão, agora unidos em coligação.
Foi Rampelotti, com ajuda do PP, que quebrou o acordo e impediu a vereadora Andreia Simone Zimmermann Nagel, então no DEM, hoje no PL, de assumir à presidência da Câmara. José Hilário Melato, PP, o mais longevo dos vereadores, que hoje serve ao MDB, levou a presidência no jogo de compadres com o PT. Aliás, foi este acordo articulado pelo PT que permitiu o Marcelo de Souza Brick ser o presidente da Câmara.
O que esperar de Rampelotti e João Pedro nas atuais circunstâncias? Só o tempo dirá.
Com as pesquisas anteriores feitas inclusive pelo próprio MDB no poder de plantão, Kleber perdia para a soma do “nenhum deles, nulos e brancos”, mas vencia por meia-cabeça naquilo que lhe sobrava com Pedro Celso Zuchi e Marcelo de Souza Brick, PSD. Agora, ambos estão fora do páreo e não cruzarão mais a linha final desse grande prêmio.
Para o MDB neste páreo há um puro sangue e quatro pangarés. A conferir.
É preciso descobrir então quem vai ser o azarão ao único puro sangue que sobrou nesse derby. Talvez em 15 dias, as novas pesquisas já possam indicar isso, diante das acomodações de forças que poderão “anabolizar” movimentos de vinganças como aconteceram nas eleições de 2000, ou a 2018, contra uma máquina de fazer votos que o MDB, PP, PSD, PSDB e PDT montaram na prefeitura de Gaspar. Acorda, Gaspar!
Sérgio Almeida (a esquerda) e Rejane Ferreti (centro) serão candidatos a prefeito e vice pelo PSL de Gaspar, coligados com o Patriotas, conforme edital que publicou (à direita)
Depois de anunciar o fim dos entendimentos com o PL, pois com o DEM desde o início não houve aproximação, o funcionário público licenciado (ex-motorista de ambulância), ex-sindicalista - presidente do Sintraspug por duas vezes - dirigente da Federação Sindical, ex-vereador pelo PSDB, ex-candidato a vice pelo antigo PL na chapa derrotada e encabeçada por Ivete Mafra Hammes, MDB, o evangélico e psicólogo, Sérgio Luiz Batista de Almeida, foi as redes sociais anunciar a sua candidatura a prefeito pelo partido.
Sérgio terá como vice, a líder comunitária do Belchior Baixo e até então mapeada para ser candidata a vereadora do PSL, Rejane Ferretti. Ela é sócia de um salão de beleza. Rejane deverá ser a única mulher a compor uma chapa majoritária nestas eleições em Gaspar.
Foi mais uma oportunidade do PSL ao perceber que o PT optou, desta vez, por candidatos homens. Sempre a vice de Zuchi e do PT era uma mulher.
Desde o início, Sérgio manobrou para ser candidato pelo PSL e tornar isso irreversível.
A proteção a esse projeto dele foi dada pelo amigo Marciano Silva, um neobolsonarista de fé. Ele foi primeiro presidente do PSL de Gaspar. Numa intervenção branca promovida pelo deputado Ricardo Alba, PSL, de Blumenau, após as divergências internas com na disputa do legado bolsonarista e a criação do “Aliança pelo Brasil”, Sérgio acabou assumindo o partido por aqui.
Marciano se estabeleceu no desconhecido Patriotas – onde agregou os bolsonaristas que não migraram para o PL e DEM -. O Patriotas fará dobradinha com o PSL de Sérgio.
Sérgio também sabe que dividida, a direita terá pouca chance. Entretanto, ele faz apostas que só poderão ser comprovadas lá em 15 de novembro.
A primeira delas, é de que ele está há mais tempo neste “campo ideológico” e vem trabalhando o possível eleitorado com as suas laives semanais, de boas audiências; a segunda é que ele é identificação com o eleitorado evangélico e que já lhe rendeu dissabores entre os próprios irmãos; a terceira, que dos nanicos, o seu PSL é o que possui, segundo ele, a mais qualificada nominata para de vereadores para alavanca-lo na corrida eleitoral como a zebra da competição.
O BALÃO ENSAIADO COM O PL
Por outro lado, essas fortalezas foram as que fizeram o PL estadual de Jorginho Mello colocar pressão sobre o PL de Gaspar.
Há uma leitura de que as lideranças evangélicas estão claramente identificadas com Kleber e o PL não quer criar um ponto de atrito e cisão neste eleitorado em Gaspar. O que vier é lucro e não por disputa.
A outra é que o PSL onde está Sérgio é o identificado com o governador Carlos Moisés da Silva, o qual está num processo acelerado de desgaste político, com uma CPI com fundadas dúvidas, e processos de impeachment duvidosos, mas a cântaros, por exatamente Carlos Moisés não ter assumido a liderança governamental, política e partidária em Santa Catarina que lhe competia.
Se isto não bastasse, há um conflito claro entre os deputados estaduais Ricardo Alba, PSL e Ivan Naatz, PL, ambos influenciadores aqui, todavia, adversários entre si tanto na Assembleia Legislativa, como em Blumenau, onde são candidatos a prefeito de lá.
Com eles, esta aliança do PL e PSL em Gaspar, deixaria exposta a incoerência de ambos e ela, avaliada na direção do PL em Florianópolis, poderia ser um problema de convergência e entendimento do eleitorado em benefício da aliança que tentavam construir. O senador Jorginho Mello, que conhece Gaspar, pois atuou como bancário na antiga agência do BESC, mais uma vez, voltou a defender – pelo que expus - uma providencial distância com PSL. Aceitava, até, o PSL na vice do PL.
Outra situação incômoda na análise de riscos feita, era o passado de sindicalista de Sérgio. Ele próprio admitia nas laives que há uma visão estereotipada dos eleitores e da mídia de que todo sindicalista é de esquerda, petista ou um pelego.
“Eu sou diferente”, insistia Sérgio nas laives quando este assunto aparecia e nas últimas semanas fez duas sobre o tema. Entre ser e o que se tem de conceito generalizado na sociedade e no eleitorado, há uma enorme distância e não será Sérgio que irá muda-lo.
Há ainda os ruídos revelados pelos identificados com Bolsonaro que saíram do PSL de Gaspar e se abrigaram no PL e DEM por exatamente divergirem da liderança de Sérgio. Eles reclamam da falta de diálogo, fidelidade e identificação com a causa bolsonarista.
E isto apareceu claramente na mensagem áudio gravada por Sérgio e ele que enviou para os seus em aplicativos de mensagens, quando demonstrou o seu descontentamento com a nova situação ao não conseguir fazer do PL o seu vice.
E sem nenhum pudor, ressalvando ser amigo pessoal, associou de forma clara e contundente o candidato do PL, Rodrigo Boeing Althoff, ao PT, exatamente para colocar a tranca nos votos conservadores e trazê-los para si próprio. A campanha está só começando. Não esperem coerência, apesar da promessa de todos os candidatos. Acorda, Gaspar!
O engenheiro e professor Rodrigo Boeing Althoff (à esquerda) e o químico Márcio César (à direita e na foto com o senador Jorginho Mello), fazem do PL ser concorrente da prefeitura de Gaspar pela primeira vez
O PL diz que tentou, mas não conseguiu, se estabelecer numa chapa única da direita e do conservadorismo de Gaspar. Contudo, não é bem assim, também. Ele foi para as conversas de forma bem pragmática desde o início. Sabia o que queria.
“Nós temos um programa se eleitos, e não vamos abrir mão dele. Quem estiver conosco precisa aprovar as nossas metas para os gasparenses”, enfatizou o engenheiro civil, pós-graduado em gerência de Cidades, de Segurança do Trabalho, mestre em Engenharia Ambiental, graduando em Administração de Empresa, pós-graduando em Gestão de Tecnologias Educacionais e em Gestão Pública, Rodrigo Boeing Althoff.
Ele é o presidente do PL, vinha conversando com o PSL e até com o DEM – que na maioria do tempo preferiu à lateralidade com membros do partido – ao invés da interlocução direta com Rodrigo.
“Não deu liga. Bola prá frente”, sintetiza, mesmo instigado para dizer o que pegou para não fechar a negociação cuja expectativa foi criada nos últimos dias.
Rodrigo vai ter como vice o químico e empresário Márcio César, ex-presidente do partido aqui em Gaspar e tido como um bolsonarista raiz. Rodrigo além da empresa de projetos que possui, é também professor universitário e no IFSC. Não é nenhum novato na política. Foi vereador pelo PV e foi candidato a vice-prefeito em 2012 na chapa encabeçada pelo atual prefeito Kleber Edson Wan Dall. No governo de Pedro Celso Zuchi, PT, foi em 2009, seu secretário de Planejamento.
Como se vê, de todos os candidatos, é de longe o que tem melhor formação acadêmica, já exerceu a atividade política e a deixou para seguir estudando e se dedicar ao magistério, bem como o seu ganha pão com a empresa de engenharia de projetos, uma das razões para não continuar servido a prefeitura em cargos comissionados de alto escalão. “Não fiz da política” um meio de sobrevivência”, pontua para mostrar que não precisa de empregos políticos para sobreviver.
Segundo Rodrigo, ele quer levar esse conhecimento acadêmico e vivências em ambientes públicos para a prática. E entre elas, está a enxugar a máquina municipal de comissionados. “Com muitos partidos do meu lado eu não posso fazer isso”, numa clara alusão ao governo e a campanha de Kleber.
“Se está coligado, é preciso dar emprego para essa gente”. Para ele, “é urgente racionalizar e não fazer a prefeitura uma entidade partidária, mas um meio de facilitação e gestão para o cidadão, o desenvolvimento e resultados na educação, saúde e assistência social”.
SEM ACORDOS COM O PSL E DEM
Sobre as conversas frustradas com o PSL e o DEM, Rodrigo afirma que “há muitos pontos em comuns entre nós, mas não chegamos a um acordo bom para todos. Cada um vai procurar se fortalecer com suas próprias forças, lideranças e identificações”.
Rodrigo aposta na qualificação da chapa do PL e dos vereadores. Ele quer se tornar o voto útil e a surpresa das eleições e o próprio Sérgio Almeida percebeu isso e tratou de liga-lo as forças convencionais ou de esquerda.
“Sabemos do descontentamento dos servidores efetivos, sabemos dos eleitores do ex-prefeito Zuchi que não são PT nem de esquerda, sabemos dos descontentes do PSD com o alinhamento do Marcelo do Kleber, sabemos do descontentamento do PSDB com o boicote a Andreia, sabemos que os bolsonaristas procuram um projeto vencedor em Gaspar e queremos ser esta opção para os que acreditam que a política é e pode ser feita de racionalidade e resultados para a cidade”, sublinhou ele em várias trocas de mensagens ao longo de dois meses aos meus questionamentos.
Eles serão decisivos e vão dar trabalho. É um terreno meio que sem dono e sem controle dos partidos e das campanhas devido a espontaneidade dos cidadãos
O primeiro texto é “uma mensagem do advogado Valmor Beduschi Filho”, um velho de guerra nesse ambiente político. Ele fez circular pelos aplicativos de mensagens tão logo o candidato dele, Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi homologado em convenção. Um texto muito interessante de se ler.
O Despertar de uma Nova Era!
Eclodiu!
Deflagrado está!
Bênçãos sobre nossa Gaspar!
Sob a liderança de Kleber Wan Dall e Lu Spengler e a Coordenação serena e inteligente do Dr. Roberto Pereira, acompanhado de Pedro Bornhausen, Roberto Procópio e Jorge Pereira, desenha-se um novo e promissor futuro à nossa querida Gaspar.
Com maestria e precisão cirurgica, tendo como protagonistas representantes da Classe Empresarial Sérgio Waltrich, Carlos Macuco e Júlio Testoni, um Projeto que aprimora e complementa o exitoso Projeto Avança Gaspar, foi apresentado ao carismático líder Marcelo Brick!
Kleber, liderança consolidada, trabalho demonstrado, competente Equipe montada e atuante, referendada por parcela majoritária da Comunidade e importantes obras que multiplicam-se em cada bairro e centro de nossa Cidade, aproxima-se então de Marcelo Brick.
Marcelo, com grandeza e despreendimento, abre mão de uma candidatura respeitável a Prefeito e, com espirito altruista que reflete o grande homem publico que é, abraça esse Projeto Maior que contempla um cenário de segurança, prosperidade e desenvolvimento a Gaspar como nunca se viu!
Oficialmente lançada hoje para Prefeito e vice a Chapa Kleber Wan Dall e Marcelo Brick!
Inicia-se uma Nova Era na politica de Gaspar!
Quem viver, verá!
Vida longa à todos!
Viva Gaspar!
E o que apareceu, como resposta nos aplicativos de mensagens com o seguinte título: “Texto de um eleitor Gasparense”
Não houve despertar, tão pouco eclosão...
Peço-lhes permissão para transcrever o que sinto:
Me orgulho de ter nascido no hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na minha amada Gaspar no ano de 1983. Por inúmeras vezes entonei a voz para cantar o hino desta cidade ‘mientras’ hasteavam a bandeira amarela nas escolas onde estudei. Algumas vezes minha mãe se fazia presente durante o ato cívico - Sra. Maria Stela Pires Zimmermann -, funcionária pública concursada, apolítica e, por mérito do seu trabalho, quatro vezes Secretária de Educação do município em gestões de partidos distintos.
Que saudade me toca ao lembrar da prefeitura dos anos 80/90, quando a união e amor pelo município era percebido até por uma criança - EU. A politicagem certamente já existia, esta sim eclodia aos poucos até chegar a este plantel gordo e disseminado tal qual glóbulos vermelhos na corrente sanguínea. Na época, “meninos” de trinta anos trabalhavam arduamente para conseguir uma boa posição social, e, posteriormente, candidatavam-se a cargos políticos para oferecer o conhecimento adquirido em suas trajetórias ao município.
Ah, que orgulho! Que imenso orgulho tenho do meu pai - Sr. Arnoldo Henrique Zimmermann (Tépe) - que também concursado trabalhou mais de 25 anos na tesouraria e departamento tributário da prefeitura sem NUNCA ter escândalos de desvio de conduta. Aliás, certa vez fez questão de cobrar a multa e juros do seu próprio pai, meu finado avô Hercílio Fides Zimmermann / Hercílio padeiro - por ter atrasado dois dias o IPTU da padaria.
Ah, que saudade! Que imensa saudade da Farmácia Santa Cruz e do meu bisavô Anfilóquio Nunes Pires arbitrando a oratória oficial do município; prestígio, respeito e civilidade.
Hoje, vivemos num país sem leis, onde sanguessugas fixam suas ventosas na política para extrair o ouro que os contribuintes arduamente depositam nos cofres públicos. O problema está em Brasília? Não! Começa aqui, embaixo dos nossos olhos. Nossa gestão municipal não é expert em finanças e tão pouco fez milagre. Adquiriu um empréstimo milionário do governo para em quatro anos “mostrar serviço” e deixar o trânsito de Gaspar imóvel de sul a norte da cidade. Mal comparando, fizeram tal qual um adolescente com complexo de inferioridade que, mesmo morando de aluguel, compra um automóvel BMW financiado em 72x para impressionar as meninas. Esperteza nota 10, administração nota 0.
O baile não podia parar, a BMW serviu pra chamar atenção das meninas (leia-se povo gasparense). A gaita vinha querendo romper o fole quando eis que surge a solução da qual faço um versinho:
Antes adversários;
Agora a união;
Topa tudo por dinheiro;
E o eleitor é o bobalhão.
A questão é: Deixaremos por mais quatro anos os “meninos” dirigirem à BMW financiada?
Volto recordar-me do tempo de criança quando na escola cantava o nosso hino. Hoje, volto a cantar o estribilho com pequena adaptação:
“Salvem” Gaspar, terra de alegria;
Teus filhos jamais se esquecem de ti;
Temos uma dívida que cresce noite e dia;
Sendo a maior do belo Vale do Itajaí.”
Dr. Eduardo Zimmermann p- Médico Veterinário / Empresário - PS: Livre de quaisquer tipos de favores políticos.
Volto para encerrar. Eles foram lidos na sessão de terça-feira na Câmara de Gaspar, pelo vereador Cicero Giovane Amaro, PL.
O líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB, rebateu, não gostou e insinuou censura via processos na Justiça. Estes dois textos, um provocativo, e outro responsivo, são exemplos da livre expressão e exercício da cidadania. Este é embate. São educados. São do contraditório maduro das eleições livres.
Então, qual a razão para o representante de Kleber constranger, intimidar e ameaçar? Isto é clássico: o poder de plantão não quer esse debate, esse esclarecimento. E deve haver uma razão. Na imprensa, seus prepostos inventam e fomentam processos. Aos cidadãos gasparenses, farão o mesmo e precisando de votos? Vai faltar advogado e votos. Acorda, Gaspar!
Qual era mesmo o título de um dos artigos da coluna de segunda-feira? “Câmara faz uma Lei para abrir recreação às creches particulares. Por que Kleber não baixou o decreto na autonomia que ele possui para isso e fez a mesma que fez valer para liberar a boleirada do futebol de patotas?”
O que escrevi na abertura do texto? “Hipocrisia, incoerências e espertezas abundam entre os políticos. Elas se acentuam em tempos de campanha eleitoral e diante da falta de fiscalização – e punição – de quem deveria fiscalizar – e punir”.
O que foi que foi mesmo que acentuei no texto? “Qual é mesmo a razão de um Projeto de Lei para reabrir as creches particulares ser apresentado por um vereador da base, que busca a reeleição, em pleno ambiente de campanha eleitoral? Hum! O prefeito não precisa desse PL. Ele possui essa prerrogativa na função dele para autorizar isso por canetaço”.
“Não foi isso que o prefeito Kleber fez quando liberou os campos de peladas para as patotas afrontando o decreto estadual, ou seja, a lei maior a qual deveria obedecê-la, com o silêncio da mídia regional e estadual que denunciava sob manchete atos semelhantes em outros municípios, do Ministério Público e da Polícia, essa ocupada nas blitzes de trânsito para fazer funcionar o pátio da Ackar?”
O que informa o repórter Paulo Flores, da 89 FM? “Lei Municipal que autorizava escolas e creches particulares atuarem de forma recreativa durante a pandemia foi barrada pela Justiça”
O que aconteceu? O Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública na Vara da Infância e Juventude da Comarca de Gaspar contra a lei inconstitucional e que fere frontalmente o decreto estadual. A juíza Camila Murara Nicoletti, despachou, em liminar, favoravelmente no sábado ao MP.
O que está se dizendo por aí agora? O que antecipei no artigo de segunda-feira: justificativas espertas. Começou na Câmara onde um vereador em campanha à reeleição apresentou o PL e o PL andou como um raio, tudo para salvar o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, em campanha de reeleição e torná-lo vítima de uma juíza perante os seus eleitores.
Como escrevi, como fez com o futebol de patotas, não era preciso lei nenhuma, nem a Câmara precisava se envolver neste assunto, bastava um canetaço do próprio Kleber. Agora, vereadores e o Executivo, que sabiam muito bem o que faziam, andam se justificando dizendo que fizeram a parte deles, mas uma juíza malvada não permitiu à manobra esperta dos políticos de plantão e em campanha.
Que é preciso resolver este assunto, precisa. E qual é o caminho? A negociação. E por onde começa? Derrubando ou flexibilizando o decreto estadual. Segundo, conversando com o próprio Ministério Público, que em tese, é o guardião da sociedade. Terceiro, os proprietários de escolas precisam aprender que políticos são manhosos e vivem lavando as próprias mãos.
Na Câmara, como se ouviu na terça-feira passada, os mesmos que aprovaram unanimemente o PL que virou Lei no dia quatro, que fez algumas escolas funcionarem desde o dia oito sob prejuízo agora aumentado com o fechamento determinado pela Justiça, se pronunciaram contra a volta das aulas no setor público. Coerência no vale tudo à caça de votos. Perguntar não ofende: qual é mesmo a diferença entre ambos? Acorda, Gaspar!
Edição 1968
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