O bispo evangélico e prefeito do Rio mostrou que é mais eficaz contratar desmoralizadores contra doentes e a imprensa... - Jornal Cruzeiro do Vale

O bispo evangélico e prefeito do Rio mostrou que é mais eficaz contratar desmoralizadores contra doentes e a imprensa...

03/09/2020

...do que gente capaz para fazer funcionar o serviço público em favor dos cidadãos

O pastor e bispo licenciado da Igreja Universal, e prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, foi pego contratando com dinheiro público capangas para calar cidadãos queixosos e a imprensa que relatava problemas na saúde pública de lá 

 

Os "guardiões" de Kleber I

Estamos em formação das candidaturas oficiais em Gaspar? Estamos! Então eu deveria me repetir e chover no molhado naquilo que vaivém para esconder o que de fato rola nos bastidores do poder de plantão, da dividida e fragilizada oposição? Deveria! Entretanto, não sou guiado pelo movimento de boiada no brete. Ela está indo para o abate. Mais uma vez, vou na contramão. E com a certeza serei esfolado por esta decisão. E quem vai me ajudar desta vez, é o jornalismo adulto e profissional da Globo, que é apelidado de Globolixo, tanto pela esquerda do atraso como pela direita xucra. E por que? Porque a Globo não se submete aos caprichos dos poderosos no poder de plantão. É que a Globo não ficou refém das verbas públicas – precisa, mas sobrevive sem elas. Assim, possui uma certa independência financeira e editorial. Consequentemente, desmoraliza os concorrentes e contraria os que precisam de uma imprensa mendiga para compra-la com migalhas, humilhá-la, calá-la e ser porta-voz do nada, exatamente pela falta de credibilidade. Simples assim! 

Os "guardiões" de Kleber II

Feito o discurso, devo ainda acrescentar que ser religioso ou ter fé, não significa ser honesto, ético, competente, líder e administrador do bem comum. Então veja esse escrachado exemplo que tomou conta do noticiário mundial nesta semana. O pastor, o bispo licenciado da Igreja Universal, o político Marcelo Crivella, Republicanos, prefeito do caótico e bandido Rio de Janeiro, acaba de nos revelar aquilo que sofro na carne e muitos de nós sabem que é o método dos poderosos quando alçados ao poder. Eles dizem ser de Deus, mas vivem com o diabo no couro. Crivella ao invés de contratar enfermeiros, médicos e gente especializada para melhorar a Saúde Pública municipal feita para pobres, doentes e vulneráveis da sua cidade, preferiu contratar comissionados-capangas com o escasso dinheiro dos pesados impostos de todos para calar a boca dos pacientes que clamavam por melhoria no serviço – não só para eles, mas para a população desassistida. Os chamados “guardiões” – numa referência bíblica de proteção do Templo - do Crivellla - tinham como missão impedir pessoas de reclamarem do serviço público, bem como interromper e desmoralizar as reportagens que davam voz aos sem voz desse mar de negligência criminosa. Vergonha sem tamanho. 

Os "guardiões" de Kleber III

Kleber Edson Wan Dall, MDB, agora oficialmente candidato à reeleição com Marcelo de Souza Brick, PSD, também possui seus “guardiões”. É um exército de quase 250 comissionados e cargos gratificados. Kleber já tentou imitar Crivella e se deu mal. Relembro aos de memória curta. Em agosto de 2018, ao ver um projeto seu – o do Vale Alimentação e neste caso ele tinha razão - ameaçado na Câmara de reprovação, animou seus os “guardiões” pelos aplicativos de mensagens e quase se estrepou. Exigiu aos comissionados da cara e ampla máquina que montou na prefeitura de Gaspar para se reeleger, o compartilhamento de um vídeo dele. Mais: queria comentários positivos nas redes sociais, caso contrário, ele iria punir os omissos e distantes. Um bafafá! O Sintraspug que naquela época funcionava, balançou o prefeito. Diante da repercussão, Kleber recuou para não se ver enrolado num impeachment. Orientado, foi ligeirinho à Câmara, reconheceu o exagero, pediu desculpas aos servidores e vereadores. Ali estava de fato dada a senha de toda a sua gestão. Ela estará em julgamento no dia 15 de novembro. 

Os "guardiões" de Kleber IV

Mas quem são os guardiões de Kleber? Gente escalada, obrigada e acostumada a passar vergonha. Gente que já faltou com o voto em outubro de 2018. Gente que atrasou propositadamente o envio de informações da drenagem da Rua Frei Solano à Câmara vereadores na Câmara na vã esperança de esconder os erros e depois teve que correr para mudar o relatório da CPI que incriminava a administração. Gente que entrou no sistema tributário para mudar lançamentos ao seu bel prazer. Gente ardilosa e instruída que fez processo contra a imprensa e esta coluna na tentativa de calá-la e intimidá-la. Gente que “congelou” funcionários que não se curvaram. Gente que correu com o repórter Miro Salvio do Hospital quando ele ouvia as queixas das pessoas desencantadas com a situação de lá. Gente que anunciou queda de 60% da arrecadação do município quando ela estava, na verdade, oficialmente, crescendo 1,8%. Gente que aumentou a Taxa de Iluminação em 40% e não melhorou o serviço. Gente que não conseguiu implantar em quatro anos um projeto pronto de coleta e tratamento de esgotos e verba federal disponível. Gente que foi contra a UTI do Hospital só porque a ideia era de um médico – sua cria política - que tinha se desalinhado do poder de plantão. Gente escolada que transformou a secretaria de Assistência Social num quartel eleitoral. Gente que fica nas redes sociais no horário de trabalho e ambiente público, na maior cara dura, ameaçando os adversários. Gente que... Acorda, Gaspar! 

 

TRAPICHE 

Guardiões da mentira I. A Mercado Livre vai instalar um Centro de Distribuição em Gaspar. O assunto foi revelado por Pedro Machado, no NSC Blumenau e repercutido amplamente antes dos demais locais aqui no Cruzeiro do Vale. 

Guardiões da mentira II. Como a prefeitura está impedida de fazer dos press releases sua costumeira propaganda eleitoral devido à legislação em vigor, um notório guardião do prefeito saiu às redes sociais contando mais uma das suas lorotas para analfabetos, ignorantes, desinformados e fanáticos. Culpou a imprensa livre e a oposição pela imagem negativa do governo e por não dar crédito Kleber por mais “esta conquista para a cidade”.  

Guardiões da mentira III. A Mercado Livre veio para cá trazida por um conhecido empresário de Blumenau. Ele ofertou o seu galpão construído há dois anos e sem uso até então. Não houve qualquer intermediação da prefeitura neste caso. O que prova tudo isso? Que começou o vale tudo da campanha eleitoral. Simples assim. 

Guardiões da mentira IV. A vinda da Mercado Livre – além de gerar dezenas de empregos em Gaspar e possivelmente mais tributos - pode chamar a atenção de outros empreendimentos assemelhados do comércio eletrônico. É que a escolha de Gaspar não é tão aleatória assim.  

Guardiões da mentira V. A escolha de Gaspar também não é pelos belos olhos do dono do galpão. Ela é técnica e principalmente se fundamenta numa análise do custo-benefício da operação logística para atender os consumidores e com lucros. Olha-se para a duplicação da BR 470 e a proximidade com mercados consumidores como Blumenau, Timbó, Indaial, Pomerode, Brusque e Itajaí. 

Quem experimenta à reurbanizada Rua Bonifácio Haendchen, no Distrito do Belchior, não consegue entender como o projeto daquela magnitude, em tempos atuais, não contemplou no planejamento e execução, ao menos, uma ciclofaixa não só para os moradores, mas para o turismo naquela região. Os ciclistas estão expostos a um risco muito alto. Impressionante! 

Quem pensa que a CPI da drenagem da Frei Solano está enterrada, está enganado. Vai render. Esta semana apareceram provas de que a empresa pivô dela, a CR Artefatos de Cimento pagava menos impostos do que as outras empreiteiras que atuam ou trabalharam para a prefeitura de Gaspar. 

Dois Conselheiros Tutelares são candidatos a vereadores. Pediram licença. Ganharam, mas a prefeitura cortou a remuneração. Um deles, Márcio Sansão, PSDB, foi a Justiça e liminarmente ganhou o direito de receber na licença. A outra, Mari Inez Testoni Theiss, PT, aguardava o despacho do juiz no mesmo sentido. 

Cada coisa. A UTI que está no Hospital de Gaspar é emergencial. É para a Covid e tem hora para fechar. Luta-se para abrir uma UTI definitiva. Pasmem, será em outro ambiente do Hospital. Planejamento, mais uma vez, zero.  

Não é de hoje que se discute à necessidade de uma UTI para o Hospital. Estava inclusive no Plano de Governo do então candidato Kleber Edson Wan Dall, MDB, não apenas desde a campanha de 2016. E na hora da verdade, sabe-se que isso não tinha de fato, prioridade para o Hospital e a cidade.  

Os vídeos do empresário Osnildo Moreira estão cegando de raiva os do poder de plantão. Eles valem mais e são melhores compreendidos pelo povão do que dezenas dos meus textões meus. Ai, ai, ai. 

Hackers conseguiram fazer das convenções virtuais em Gaspar um sucesso de likes. Quando as convenções eram realizadas presencialmente, acontecia a mesma coisa: gente era levada para fazer número. No dia da eleição, faltavam votos. Acorda, Gaspar! 

 

 

Edição 1967
 

Comentários

Miguel José Teixeira
08/09/2020 07:43
Senhores,

Maracanazo

"Após aglomerações e festas do pós-quarentena, Madri volta a esvaziar as ruas para enfrentar segunda onda da Covid-19" (O Globo).

O que vimos ontem na Esplanada dos Ministérios e nas praias e bares do país é ARREPIANTE!

Com já se dizia: "quem brinca com fogo amanhece mijado"
Miguel José Teixeira
07/09/2020 20:54
Senhores,

Messias ressuscitando o vendilhão da Pátria

"Lula fala como candidato: Estou aqui. Vamos juntos reconstruir o Brasil" (kotscho/UOL).

Esse, realmente é o meu medo!
Miguel José Teixeira
07/09/2020 20:48
Senhores,

Na tonga da mironga do cabuletê

"O Autor do jabuti que perdoa dívidas de R$ 1 BILHÃO de igrejas, é nada mais nada menos, que o deputado filho do autointitulado missionário RR Soares (aquele vendilhão de palavras bíblicas que recomenda à você pagar o boleto somente se ele "tocá-lo").

Anteriormente, em assuntos semelhantes, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia declarado a inconstitucionalidade do artifício legislativo conhecido como "contrabando legislativo". Trata-se de enxerto de emendas de redação sem relação com o tema central de medidas provisórias, que são proposições enviadas ao Congresso pelo Executivo. A prática é também conhecida como "jabuti" e "colcha de retalhos".

Será que o SuTriFe, novamente, irá "mijar fora da pichorra"?
Herculano
07/09/2020 17:39
NESTA TERÇA-FEIRA É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA, PARA DESESPERO DOS GUARDIÕES DOS POLÍTICOS EM CAMPANHA. ACORDA, GASPAR!
Herculano
07/09/2020 17:37
NEM A RUA SERÁ CAPAZ DE TIRAR LAVA JATO DO FORNO... por Josias de Souza

Ninguém imagina a família presidencial, o procurador-geral, os supremos magistrados e os injustiçados do centrão com os pés em cima da mesa, uisquinho na mão, entoando o lema da moda: "A oligarquia unida jamais será vencida." Como é impossível supor que o forno de assar pizzas em que a Lava Jato foi enfiada acendeu por geração espontânea. Há método no funcionamento da pizzaria.

Se as carreatas que foram às ruas no domingo (6) serviram para alguma coisa foi para realçar o seguinte: a essa altura, nem a rua será capaz de livrar o esforço anticorrupção da combustão. A contraofensiva dos oligarcas não chegou a tempo de salvar o mandato de Romero Jucá, cassado na urna em 2018. Mas a sangria de que falava o ex-senador foi finalmente estancada - "com o Supremo, com tudo."

As autoridades continuam soando bem intencionadas. Todo mundo é a favor do combate à corrupção. Os fatos é que conspurcam as boas intenções. A imagem rachadinha da primeira-família, o procurador que não procura, o Supremo isento de supremacia, os corruptos convertidos em heróis da resistência.

As autoridades continuam soando bem intencionadas. Todo mundo é a favor do combate à corrupção. Os fatos é que conspurcam as boas intenções. A imagem rachadinha da primeira-família, o procurador que não procura, o Supremo isento de supremacia, os corruptos convertidos em heróis da resistência... Diante de um cenário assim, tudo que está no futuro é restauração do passado.

No mensalão, o Supremo despertou no brasileiro uma mania de Justiça. Os magistrados granjearam prestígio social inédito ao demonstrar que não há reforma política mais eficaz do que a remessa dos ladrões para a cadeia. No petrolão, um pedaço da Suprema Corte passou a privilegiar a abertura das celas.

A histórica decisão em que o Supremo autorizara o encarceramento de corruptos condenados em segunda instância já havia sido confirmada uma, duas, três, quatro vezes. De repente, alguns magistrados mudaram de posição. O placar de 6 a 5 a favor da tranca virou um 6 a 5 pela política de celas abertas -54,5% das togas deram às outras 45,5% uma péssima reputação.

Ao devolver os larápios ao meio-fio, o Supremo restabeleceu o velho cenário em que a concretização da justiça é um momento infinito. Com a perspectiva de recorrer em liberdade até a prescrição dos crimes, escassearam os delatores.

A celas começaram a se abrir num instante em que aguardavam na fila por uma condenação personagens como Aécio Neves, José Serra e Michel Temer, amigos de determinadas togas. E sonhavam com a reconquista da liberdade condenados como Lula e José Dirceu, chegados de outras togas. Quem estava solto relaxou. Quem estava preso se livrou. A plateia se deu conta de que não se deve confundir certos magistrados com magistrados certos.

Restabeleceu-se o ambiente que vigorava antes do mensalão, quando a oligarquia política e empresarial do país achava que, acima de um certo nível de poder e renda, nenhuma ilegalidade justificava uma reprimenda. Eliminou-se a ilusão pós-petrolão, fase em que o país percebeu que o problema das prisões não é a superlotação de pretos e pobres, mas a ausência de bandidos de grife.

Os coveiros da Lava Jato seguem duas linhas de argumentação: a linha da "restauração do devido processo legal" e a linha da "revisão dos abusos da República de Curitiba." Comunicando-se por ondas telepáticas, que não podem ser grampeadas, a turma do torniquete conclui que as duas estratégias são boas.

A estratégia do devido processo legal é boa porque permite aos suspeitos, aos culpados e aos cúmplices chamar conivência de "garantismo". E a defesa da contenção dos arroubos de Curitiba é boa porque dispensa seus cultores de recordar que os condenados perambulam pela conjuntura acorrentados a confissões e provas que resultaram na recuperação de bilhões em verbas surrupiadas de cofres públicos.

O Brasil vive um momento delicado. O pano de fundo desse momento é a restauração da imoralidade. A roubalheira não atingiu o estágio epidêmico no Brasil por acaso. Os oligarcas tornaram-se corruptos porque a corrupção tem defensores poderosos no país. Feridos, os paladinos da imoralidade estavam recolhidos. Jogavam com o tempo.

Os cavaleiros da velha ordem estão de volta. Movem-se com desenvoltura incomum. É como se planejassem tirar o atraso. Já nem se preocupam em maneirar. Perderam o recato. Em Brasília, o movimento envolve um pedaço do Congresso e uma ala do Supremo. Há duas novidades: a aliança com Jair Bolsonaro e a simpatia do procurador-geral Augusto Aras.

No momento, o problema da pizzaria é o excesso de massa. Será necessário definir o que fazer com a corrupção descoberta pela Lava Jato. Pode-se retardar julgamentos e anular sentenças. Mas a roubalheira, de proporções amazônicas, não cabe no forno.
Herculano
07/09/2020 15:23
Fernanda, a pergunta que não quer calar

Onde está o Ministério Público de Gaspar que cuida do meio ambiente?

Onde está a Polícia Militar Ambiental.

A prefeitura até pode errar intencionalmente ou por descuido. Quem não pode errar quem é muito bem pago para fiscalizar os erros dos outros. Acorda, Gaspar!
Herculano
07/09/2020 15:19
VOCÊ ACHA QUE O BRASIL É UMA NAÇÃO DE VERDADE? por Mario Sabino, editor e proprietário da revista eletrônica, Crusoé

Você acha que o Brasil é uma nação de verdade?
Há um ano, publiquei na Crusoé um artigo intitulado "O que é uma nação". O mote foi a notícia de que Dilma Rousseff havia sido recebida na Sorbonne, em Paris, como "ilustre cidadã". Deixe-se a petista para lá - o que interessa, principalmente neste 7 de setembro, é o que um ilustre cidadão de verdade, o francês Ernest Renan, disse na mesma Sorbonne, em 1882, sobre o conceito de nação, assunto do meu artigo:

"Uma nação é, assim, uma grande solidariedade, constituída pelo sentimento de sacrifícios que fizemos e daqueles que estamos ainda dispostos a fazer. Ela supõe um passado; ela existe, contudo, no presente por um fato tangível: o consentimento, o desejo claramente expresso de continuar a vida em comum. A existência de uma nação é um plebiscito diário, assim como a do indivíduo é uma afirmação perpétua da vida."

A atitude de boa parte dos brasileiros e de nossos governantes durante a pandemia reforçou a minha impressão de que temos muito a fazer para constituir uma nação, apesar de formalmente sermos uma há 198 anos, quando nos tornamos independentes.

Bom resto de feriado.
Fernanda K. Silva
07/09/2020 13:46
CRIME AMBIENTAL, agradeço a esta coluna pela oportunidade de nos permitir denunciar mais um dos inúmeros crimes ambientais que que estão ocorrendo em nossa cidade; a Prefeitura e sua Superintendência de Meio Ambiente extrapolam o que está previsto no convênio com o Instituto do Meio Ambiente, assinado dia 11/09/19 e licenciam corte de vegetação, aterro de rios, aterro de nascentes, projetos de loteamentos e o tão falado CONTORNO VIÁRIO para favorecer seus amigos; construtores, imobiliárias, donos de terrenos, empresários, entre outros; Esse anel de contorno é uma aberração, a justificativa de seguir a rede de energia elétrica é descabida, o traçado seria o pior possível, terrenos montanhosos, com um vegetação exuberante que precisaria ser retirada, lar de inúmeros animais e fonte de água para todos os Gasparenses; Mas na verdade qualquer projeto de estrada preza por poucas ondulações ou curvas para ser seguro e o mínimo de impacto ambiental e além disso cadê o estudo de impacto ambiental e as audiências públicas previstas no licenciamento ambiental; Licenciamento que a Prefeitura não tem competência legal e de pessoal para emitir. Felizmente tudo está sendo levado à conhecimento da sociedade, das autoridades e da imprensa. Por exemplo, entre o Colégio Universitário e o Loteamento São Pedro há um novo corte de vegetação em topo de morro, em área de preservação, de árvores que não poderiam ter seu corte permitido. Tudo bem pensado e articulado, quem tiver dúvidas acesso a página do IMA e veja o que diz o convênio:

https://www.ima.sc.gov.br/index.php/licenciamento/informacoes-e-procedimentos/supressao-de-vegetacao/104-informacoes-e-procedimentos/1146-municipios-habilitados-que-possuem-o-convenio-de-supressao
Herculano
07/09/2020 12:01
A VITóRIA DE PÂNTANO, por Catarina Rochamonte, doutora em filosofia, autora do livro 'Um olhar liberal conservador sobre os dias atuais' e vice-presidente do Instituto Liberal do Nordeste, no jornal Folha de S. Paulo

O quadro jurídico-político do nosso país é desolador

O quadro jurídico-político do nosso país é desolador. Estamos imersos em um pântano de mentiras, interesses escusos, cegueira ideológica, fanatismo e inversão de valores. Os esperançosos acenos para uma nova política naufragaram nas práticas fisiológicas da aliança de Bolsonaro com o centrão. Na relação dos Poderes, rege agora, como dantes, a lei da acomodação de interesses, o toma lá dá cá, uma mão lava a outra. Em todos os Poderes desse arremedo de República, acordos indecorosos são feitos no interesse dos poderosos e na blindagem dos que protagonizam a peça tragicômica da política brasileira.

Na Câmara, o presidente Maia senta em cima de quantos projetos e processos incomodem seus aliados; no Senado, o presidente Alcolumbre segura pedidos de impeachment de ministros do STF e impede a CPI da Lava Toga enquanto espera que esse mesmo STF avalize sua indecente pretensão a uma reeleição inconstitucional.

No STF, Dias Toffolli - aquele que favoreceu a traficância do colarinho branco na decisão sobre o Coaf e instaurou o ilegal inquérito das fake news - despediu-se da presidência desqualificando a Lava Jato. Já o suspeitíssimo Gilmar Mendes, que trama a suspeição de Sergio Moro, revogou a decisão que suspendia o processo movido por Renan Calheiros contra Deltan Dallagnol.


Aras, o PGR cavalo de Troia, foi tenaz na perseguição ao procurador, agora afastado do comando da força-tarefa de Curitiba. Dallagnol cumpriu seu dever com eficiência e denodo, tendo, por isso mesmo, atraído contra si a fúria dos poderosos interessados na impunidade.

Apesar de tudo, há resistência, embora difusa e desarticulada. O grupo Muda Senado, por exemplo, tem sido espinho na garganta dos defensores de corruptos e, na Câmara, resistem uns poucos e destemidos deputados.

É ver agora se a sociedade reage contra quem ergueu falsamente a bandeira da defesa da Lava Jato para, em seguida, entregá-la de bandeja aos lobos vorazes que anseiam pela sua destruição.
Miguel José Teixeira
07/09/2020 09:19
Senhores,

Efeito dominó ou infinita patifaria

"Assembleias legislativas mudam regras para permitir reeleição de presidentes" (UOL)

Infinito: é um conceito usado em vários campos, como a matemática, filosofia e a teologia.

Agora também utilizado nos prostíbulos legislativos, com mais essa infinita patifaria.

Ou a Nação revê o seu sistema eleitoral, a sua forma de representatividade ou essa corja acabará com a Nação.
Herculano
07/09/2020 09:15
CUIDE DA SUA INFLAÇÃO, por Marcia Dessen, planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner"), no jornal Folha de S. Paulo

Evite assumir compromissos que adotam o IGP-M como índice de correção

O condomínio residencial onde moro acabou de contratar uma nova administradora. Os membros do conselho negociaram dois aspectos: o preço e o índice de correção do contrato, substituindo o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), sugerido inicialmente pelo fornecedor, pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Por que fizemos essa substituição? Primeiro, porque o IGP-M tem muito pouco a ver com serviço ao consumidor. Segundo, porque tende a subir muito além do IPCA. Nos últimos 12 meses, por exemplo, avançou cerca de 13%, enquanto o IPCA variou apenas 2,2%.

Os rendimentos das pessoas físicas que se cotizam para bancar as despesas do condomínio não aumentam sempre, nem tanto, e a inadimplência de alguns pode agravar a situação do grupo como um todo.

Vamos conhecer alguns índices de inflação, entender como afetam nossas finanças e quais podemos negociar.

O IGP-M foi criado com o objetivo de proporcionar uma visão geral sobre o ambiente econômico e indicar a evolução dos preços nos setores de maior peso no PIB (Produto Interno Bruto): produtor (IPA), famílias (IPC) e construção civil (INCC).

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) responde por 60% do IGP-M e mede os preços de produtos agropecuários e industriais, como as commodities, que, mesmo quando são produzidas no Brasil, acompanham a cotação do mercado internacional, sendo fortemente impactados pela cotação do dólar. É aí que mora o perigo.

O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) apura a evolução dos custos no setor da construção e representa apenas 10% do IGP-M.

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) mede a evolução do custo de vida das famílias e tem peso de 30% na composição do IGP-M. Ah, finalmente um índice adequado para o contrato em questão, mas com baixa participação na sua composição.


O que aluguéis têm a ver com commodities agrícolas (carne, soja, milho, café, trigo) ou minerais (ferro, ouro, petróleo)? Quase nada!... então por que o IGP-M corrige esses contratos?

Embora seja uma prática de mercado, você não precisa concordar. O artigo 18 da Lei do Inquilinato prevê que o valor do aluguel seja corrigido por índice de inflação livremente escolhido entre as partes.

O IPCA mede a inflação de produtos e serviços consumidos pelas famílias, sendo muito mais adequado para corrigir os contratos de aluguéis.

Outro item que impacta o orçamento das famílias é o reajuste dos planos de saúde. Aqui o tema é mais complexo e deixa algum espaço para escolher o tipo de contrato, mas nenhum para negociação dos reajustes.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) permite dois tipos de aumento: 1) reajuste anual por variação de custos, com regras distintas em razão da data de contratação, tipo de cobertura, e tipo de contratação; e 2) reajuste por variação de faixa etária do beneficiário.

Apesar do controle da ANS que impede aumentos indiscriminados, historicamente o reajuste tem sido muito superior ao IPCA e desequilibra o orçamento das famílias.

Em relação ao aumento das mensalidades escolares, não existe disposição legal que determine percentual máximo. Compete ao usuário escolher um fornecedor que entregue um bom serviço pelo preço que cabe no seu orçamento.

Reajustes no valor de produtos e serviços são necessários e aceitáveis. Entretanto, que sejam adequados, de forma a permitir o equilíbrio entre fornecedores e consumidores. Se as condições dos contratos não forem razoáveis, não serão sustentáveis.
Herculano
07/09/2020 08:59
da série: estava na cara que não daria certo, afinal o passado lhes condena e que nos tornou refém do FMI

MINISTROS MILITARES E CIVIS BRIGAM POR MAIS DINHEIRO

Conteúdo de O Antagonista. "O antagonismo chegou até mesmo ao grupo de WhatsApp da equipe ministerial, formado pelos 23 auxiliares presidenciais", diz a Folha de S. Paulo.

"Por um lado, os civis, a maior parte deles afinada ao ministro Paulo Guedes, defendem a preservação do teto de gastos e o ajuste fiscal, seguindo o ideário liberal. Os militares, por sua vez, pregam a necessidade de induzir a atividade econômica e aumentar os investimentos públicos, em uma linha desenvolvimentista (...)

Os ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) chegaram a discutir com o TCU (Tribunal de Contas da União) uma forma de conseguir recursos sem desrespeitar a lei do teto de gastos.

Embora seja civil, Marinho tem discurso alinhado com o núcleo desenvolvimentista, representado pela cúpula militar".

A equipe de Paulo Guedes, aparentemente, briga no WhatsApp e depois vaza para a imprensa.
Herculano
07/09/2020 08:53
EVOLUÇÃO DOS PESADOS IMPOSTOS QUE O ESTADO TOMA DOS QUE TRABALHAM E PRODUZEM NO BRASIL

De Ricardo Amorim, no twitter:

Há 198 anos, Brasil se tornava independente de Portugal. Deixamos de ser colônia para sermos explorados por uma cleptocracia local.

Portugal cobrava o Quinto. Hoje, Estado fica com 2 Quintos de tudo que produzimos.

A maior parte vai para os que se apropriam do Estado.
Herculano
07/09/2020 08:51
DAQUI A 14 DIAS OU MAIS VAMOS VER SE A QUEDA DAS MORTES POR COVID CONTINUARÃO ACENTUADAS COMO AGORA, OU SE AUMENTARÃO

SE ISTO NÃO ACONTECER, CAIRÃO POR TERRA VÁRIAS TERRAS CIENTÍFICAS.

SE ISTO NÃO ACONTECER, A CAMPANHA ELEITORAL VOLTA A MODA ANTIGA COM AS AGLOMERAÇõES E POUCOS CUIDADOS

SE ISSO NÃO ACONTECER, VÃO SE INICIAR OS PROTESTOS E MANIFESTAÇõES PÚBLICAS CONTRA O DESMANCHE DA LAVA JATO, ENTRE OUTRAS
Herculano
07/09/2020 08:47
da série: outra vergonha. Em plena crise econômica, perdoar quem já não paga impostos e em alguns casos é lavanderia de dinheiro sujo?

BOLSONARO PODE PERDOAR R$ 1 BILHÃO EM DÍVIDAS DAS IGREJAS COM O FISCO

BOLSONARO PODE PERDOAR R$ 1 BILHÃO EM DÍVIDAS DAS IGREJAS COM O FISCO

Jair Bolsonaro participa Solenidade de Assinatura da Medida Provisória para Confisco de Bens de Traficantes
Jair Bolsonaro pode perdoar um bilhão de reais em dívidas das igrejas com o Fisco.

Um projeto nesse sentido já foi aprovado pelo Congresso Nacional, e aguarda a assinatura do presidente até 11 de setembro.

"As igrejas são alvos de autuações milionárias por driblarem a legislação e distribuírem lucros e outras remunerações a seus principais dirigentes e lideranças sem efetuar o devido recolhimento de tributos", diz o Estadão.
Herculano
07/09/2020 08:44
da série: vergonha e atraso promovidos pelos políticos que se apresentam como novos para os eleitores, a mídia e a sociedade, jurando que estão com olhos no futuro, mas não dos pobres e validando o atraso e a burocracia. Impressionante esses nossos congressistas, e que dizem representar o povo e quem é que lhes paga muito no salários e mordomias

BRASIL PERDEU A LUTA DAS IDs DIGITAIS, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo

MP aprovada no Congresso criou monopólio e mais burocracia na certificação digital

A Câmara e o Senado aprovaram na semana passada uma lei que será capaz de excluir 195 milhões de brasileiros de acessar vários serviços públicos essenciais de forma digital.

Essa derrota tem origem na medida provisória 983, que, em sua versão original, ousou fazer política pública para atender os 98% de pessoas no país que não têm um certificado digital (aquele que é usado para entrar no site da Receita Federal e que custa cerca de R$ 200 por ano, sendo usado por apenas 2% da população).

A MP quebrava o monopólio dessa tecnologia cara e obsoleta, permitindo que outras formas de identidade digital fossem utilizadas para acessar sites do governo.

Só que, quando essa MP chegou ao Congresso, teve seu texto descaracterizado. Em vez de reduzir a exigência do certificado digital, aumentou. Mais do que isso: criou um monopólio baseado em lei para esse tipo de certificado, em oposição direta ao princípio da livre iniciativa e concorrência da Constituição.

Segundo o texto aprovado no Congresso, passa a ser obrigatório usar o certificado digital para qualquer interação com o poder público que envolva sigilo constitucional (ou seja, inúmeras atividades), para transferência de veículos ou emissão de notas fiscais. Atos das empresas, como assembleias, atas e outros, também deverão usar o certificado.

É uma lástima que uma decisão como essa tenha ocorrido. O editorial da revista The Economist desta semana tem por título justamente: "A Covid-19 reforçou a necessidade das identidades digitais".

No editorial, a revista mostra que a falta de digitalização dos serviços públicos e de um sistema de identidades e assinaturas digitais acessível a todos pune os mais pobres. Fato que é exemplificado pelos 30 milhões de pessoas que tiveram dificuldade de receber o auxílio emergencial no Brasil.

Países como a Índia, que há anos usam um sistema de assinaturas e identidades digitais abrangendo 1,19 bilhão de pessoas, conseguiram gerenciar a crise de forma muito mais eficiente, lembra a revista.

A tragédia do atraso do país em criar um sistema nacional de assinaturas e identidades digitais tem também outra dimensão: atrasar a digitalização dos serviços públicos e fazer perdurar a burocracia que martiriza a todos e - novamente - os mais pobres em especial.

Com a decisão do Congresso sobre as assinaturas digitais, o Brasil derrotou a si mesmo quanto à possibilidade de criar um sistema próprio e eficiente para permitir a digitalização massiva dos serviços públicos.

Por coincidência, a Apple anunciou na semana passada que pediu patentes para um sistema de identidades e assinaturas digitais. Várias outras big techs estão seguindo pelo mesmo caminho.

O sistema que Apple está criando intenciona substituir todas as formas de identificação e certificação digital. É uma boa notícia, mas apenas parcialmente.

O ideal não é a Apple substituir o vergonhoso certificado digital, mas sim o Brasil ser capaz de criar uma solução local inovadora, de forma multissetorial, que dê independência ao país nessa questão fundamental.

Com a MP 983 aprovada dessa forma, isso não acontecerá. Pularemos do certificado digital direto para a Apple ou outra big tech, sabotando qualquer chance de inovação local.

READER
Já era
Privacidade

Já é
Achar que reconhecimento facial é a tecnologia mais invasiva à privacidade

Já vem
Achar que reconhecimento vocal é a tecnologia mais invasiva à privacidade
Miguel José Teixeira
07/09/2020 08:35
Senhores,

O crime compensa

"O Congresso perdoa dívidas de R$ 1 BILHÃO de igrejas. Bolsonaro precisa sancionar. . ." (O Estadão)

Pois é. . . enquanto empresários estão se "virando nos trinta" para superar a crise imposta pela pandemia, certos líderes dessas igrejas, estão na cadeia por, justamente, desviarem dinheiro público.

Aí vem o Congresso, fazer cortesia com o chapéu alheio, para certos "vendilhões de palavras bíblicas".

É óbvio que o capitão zero-zero sancionará!
Herculano
07/09/2020 08:33
MAIA MANTÉM TRUQUES RENTÁVEIS PARA DEPUTADOS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta segunda-feira nos jornais brasileiros

Nisto a reforma de Rodrigo Maia não mexe: eleito, todo deputado federal tem "auxílio mudança", no valor de um salário de quase R$34 mil, para se mudar para Brasília. No fim do mandato, recebe outro "auxílio" do mesmo valor para voltar ao Estado. Se for reeleito, recebe mais um para retornar a Brasília, ainda que não tenha saído do lugar. Este é um dos muitos truques, que Maia manteve, para "forrar" os bolsos parlamentares.

VÁ SOMANDO

O "cotão parlamentar", que paga qualquer despesa de deputado ou senador, custa em média R$45 mil por mês. Nisto Maia não mexe.

TEM ASSESSORES

A "verba de gabinete" de cada deputado soma R$112 mil ao mês para contratar até 25 assessores. Mais outro privilégio "imexível".

CASA E ALUGUEL

Deputados têm direito a apartamento funcional. Quem não quer imóvel, ganha auxílio-moradia de R$4,2 mil/mês. Nisto Maia também não mexe.

SENADO É O CÉU

No Senado, não há limite de valor para senadores gastarem com aspones. Izalci Lucas (PSDB-DF) chegou a abrigar 85 em seu gabinete.

LETALIDADE ENTRE ÍNDIOS É METADE DA MÉDIA NACIONAL

Ainda inconformadas com a perda de poder, influência e principalmente dinheiro público, as ONGs estrangeiras e nacionais insistem na mentira - na qual embarcou o ministro Luís Roberto Barroso, do STF - de que as populações indígenas estariam "abandonadas" ou sofrendo mais casos de covid-19 que os demais brasileiros. A taxa de letalidade de índios na pandemia é de 1,7%, menos da metade da média brasileira de 3,5%.

NÚMEROS EXATOS

Dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) indicam que o registro de 21.310 indígenas infectados e 353 óbitos, em todo o País.

INTERESSE POLÍTICO

ONGs chegam a acusar o governo brasileiro de "genocídio", uma mentira de caráter político que não encontra respaldo na realidade dos números.

INTERESSE COMERCIAL

O governo está definitivamente convencido de que rivais do Brasil no agronegócio estão por trás das mentiras sobre índios e a Amazônia.

NÃO PAGA NUNCA?

Condenada em definitivo 20 meses depois a reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, a Vale tem 15 dias para se manifestar sobre os R$26,7 bilhões bloqueados pela Justiça, além dos R$11 bilhões que já haviam sido bloqueados em outras quatro ações.

PÕE NO DIVÃ

Parlamentar do "centrão" identifica sinais de nervosismo de Rodrigo Maia, à medida que se aproxima o fim da sua presidência na Câmara, e diz que "o problema não é para política, é para o psicanalista resolver."

COISA MAIS ESTRANHA

Ao fingir que só agora "não há diálogo" com Paulo Guedes, Rodrigo Maia se dispensou de explicar suas reuniões frequentes com assessores do Ministério da Economia, que tem a chave do cofre do Tesouro Nacional.

REELEIÇÃO, NÃO

O Podemos se pronunciou oficialmente contra a reeleição para as presidências do Câmara e do Senado. O partido diz que essa mudança abre "temerária possibilidade de perpetuidade nos cargos de direção".

CURVA ACENTUADA

Apesar de os EUA liderarem, com folga, o ranking do total de casos do Covid-19 (6,4 milhões), o crescimento acelerado de casos na Índia deve levar o país asiático à primeira colocação antes do fim do ano.

CARTõES: GASTOS CAÍRAM

O governo Bolsonaro já gastou R$23 milhões, em 2020, com compras nos cartões corporativos. O valor ainda é muito distante do recorde desse tipo de gastos, de R$80 milhões, em 2010, último ano de Lula.

REFORMA QUE NÃO MUDA

A reforma administrativa que só mexe no futuro não terá problemas para ser aprovada no Congresso. Até a "amiga de Dilma", senadora Kátia Abreu (Pode-TO) já disse acreditar que proposta vai passar.

MAIS QUE O DOBRO

Segundo a Fecomercio-SP, a reforma administrativa é positiva já que só a despesa com pessoal civil ativo do Executivo federal atingiu, em 2019, R$109,8 bilhões. Representa crescimento de 145% em 12 anos.

PENSANDO BEM...

...reforma, no Brasil, sai mais caro que a obra.
Herculano
07/09/2020 08:12
DOSTOIÉVSKI ERA TRANSFóBICO?, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

Devo salientar que acho toda essa cartilha de 'xfobia' um ridículo absoluto

O título desta coluna é irônico. Não há qualquer elemento histórico para se dizer tal absurdo.

A menos que, como se tornou senso comum a histeria no debate público relacionado a temas ligados a sexo (Freud está morrendo de rir no além), alguém saque do fundo da sua ignorância esquemática a ideia de que, se nunca houve personagens trans na obra do grande russo, ele era, por definição, transfóbico.

Devo salientar que acho toda essa cartilha de "xfobia" um ridículo absoluto.

Deixando de lado a ironia, vamos aos fatos. Antes que alguém resolva cancelar Dostoiévski o acusando de reacionário, vale a pena tentar entender que comparações entre a Rússia do século 19 e nossas categorias políticas polarizadas são fruto da literalidade tosca que domina o pensamento acadêmico hegemônico.

A Rússia não é passível de paralelos simples em história. Comparar Putin a Bolsonaro é oportunismo. Putin é um contínuo histórico desde, no mínimo, os Romanov (dinastia que reinou de 1613 a 1917), passando por Lênin e Stálin, compondo a resistência russa às crenças ocidentais, inclusive no âmbito dos mecanismos constitucionais representativos.

Num espaço de 60 anos, grosso modo, ela foi do neolítico (que era a condição de vida dos "mujiques", o camponês russo) ao capitalismo e ao comunismo.

O feudalismo nunca foi uma realidade plena na Rússia, que vê a si mesma como uma nação que nos contempla desde o futuro. Passou do nosso passado ao nosso futuro na velocidade da luz.

Lembremos que a utopia socialista na Rússia foi realizada no plano factual, coisa que nunca aconteceu nas nações europeias ocidentais que inventaram essa utopia a partir da revolução jacobina na França em 1789.

A partir de 1840, em pleno reinado de Nicolau 1º, criador do período de maior repressão ao pensamento público na Rússia pré-soviética, a inteligência russa começou a assimilar de forma veloz as ideias ocidentais.

O capitalismo industrial selvagem inicia sua instalação na Rússia a partir dos anos 1870, durante o reinado do czar Alexandre 2º, o reformador e emancipador dos servos em 1861.

Fiódor Dostoiévski (1821-1881) viveu esse processo. Intelectual ativo, condenado à morte e depois à Sibéria - depois perdoado -, circulou entre o que podemos chamar, com razoável inconsistência, de esquerda e direita.

O conjunto de sua obra literária e jornalística de então demonstra as sutilezas de sua adesão, uma hora mais próximo à crença numa missão cristã civilizadora russa, baseada na idealização do povo russo (assim como muitos jovens do "movimento ao povo" nos anos 1870, um populismo rousseauniano), outra hora mais próximo à geração dos humanistas ateus que serão os ancestrais do bolchevismo.

Essa geração ficou conhecida, a partir do romance "Pais e Filhos", de Ivan Turguêniev, como niilistas. Nicolai Tchernichéski, niilista histórico, autor de uma tese sobre o materialista Ludwig Feuerbach, escreveu "O Que Fazer?", que foi o livro de cabeceira de Lênin muito antes de este entrar em contato com o marxismo.

Uma excelente indicação para não se cair na falácia do "Dostoiévski reacionário" é o percurso da especialista em cultura russa do século 19 Aileen M. Kelly, que, entre outros títulos, escreveu "Toward Another Shore" em 1998.

Os textos tardios da coluna jornalística de Dostoiévski, conhecida como "Diário de um Escritor", não sustentam a falácia referida acima. Pelo contrário, o grande russo criticou duramente os reacionários que eram, por exemplo, a favor de um capitalismo selvagem ou de manter os camponeses no abismo da ausência de uma educação pública universal.

Comentando sua obra "O Adolescente", de 1875, Dostoiévski afirma que "sua principal ideia é a desintegração" da alma dos jovens. Sua intenção era fazer uma anatomia da alma, em eixo histórico, no qual a modernidade surge como ethos niilista.

Somos niilistas sem saber. Dostoiévski é teólogo, mas seu cristianismo não o tornava cego ao valor das denúncias do humanismo ateu dos jovens. A Rússia não cabe na pobreza esquemática contemporânea
Herculano
07/09/2020 08:04
A COLUNA INÉDITA DESTA SEGUNDA-FEIRA - que já está pronta - SERÁ PUBLICADA EXCEPECIONALMENTE NA TERÇA-FEIRA
Miguel José Teixeira
06/09/2020 22:01
Senhores,

Cloroquina ou ozônio no reto?

"Senador Flávio Bolsonaro afirma que está curado da Covid-19" (iG).

Sei não. . . a Rádio Cercadinho informou, com base em informações sigilosas sobre as "rachadjinhas" (que a Globo foi impedida de divulgar), que o zero 1 foi visto em Itú. . .
Herculano
06/09/2020 09:02
'MUDA, SENADO' APOSTA NO CENTRÃO DA CÂMARA

Conteúdo de O Antagonista. O grupo "Muda, Senado" espera contar com o Centrão da Câmara para brecar o projeto de reeleição de Davi Alcolumbre.

Isso porque se a PEC apresentada pela senadora Rose de Freitas passar pelo Senado, a proposta terá de ser ainda analisada pelos deputados, precisando de 308 votos para seguir à promulgação.

A PEC permitiria a Alcolumbre e também a Rodrigo Maia tentarem continuar no poder do Congresso, em eleições internas marcadas para fevereiro do ano que vem.

O "Centrão raiz", pelo menos até aqui, não topa Maia mais dois anos à frente da Câmara.
Herculano
06/09/2020 08:50
A ECONOMIA É OBRA DE LONGA CONSTRUÇÃO, por Marcos Lisboa, economista, presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005)

Problema é mais sutil do que manter ou abolir o teto

Recentemente, assistimaos a dois manifestos de economistas, um defendendo o teto de gastos, outro atacando-o. O problema, porém, é mais sutil do que manter ou abolir o teto.

O primeiro propõe diminuir o piso de gastos para equilibrar as contas públicas. Em outros países, a gestão usual do orçamento permite aumentar as despesas e depois reduzi-las. Por aqui é diferente.

Quase todos os gastos são determinados por lei. Remunerações de servidores estão protegidas pela interpretação sobre direito adquirido dada pelo Supremo. O governo não dispõe de métodos de gestão para assegurar a sua eficácia, como demitir os pouco engajados.

Existem regras antigas e recentes, como o novo Fundeb, que obrigam o aumento dos gastos públicos. Há ainda o descontrole das despesas com pessoal em estados e municípios, o que agravará a crise fiscal nos próximos anos.

Podem ser feitas reformas que reduzam o crescimento dos gastos obrigatórios e que cancelem alguns, poucos, programas ineficientes. Superar a disfuncionalidade do Estado brasileiro, porém, requer rever a jurisprudência sobre direito adquirido.

O segundo manifesto afirma que uma narrativa foi criada a partir de 2015 para atribuir a recessão ao desequilíbrio fiscal. Não é verdade. Desde 2012, economistas como Armando Castelar, Fabio Giambiagi e Samuel Pessôa têm apontado os efeitos negativos sobre a economia do descontrole dos gastos públicos e da política desastrada de intervenções setoriais.

"(Essas) soluções oportunistas podem postergar o enfrentamento das dificuldades existentes, porém adicionam novos e crescentes problemas e, progressivamente, nos condenam de volta à mediocridade", escrevi em maio de 2013.

Um gráfico apresenta a queda das taxas de formação de capital fixo e de lucratividade das empresas abertas a partir de 2010, em grande medida resultado das políticas adotadas naquele período, como documentou Carlos Rocca (2015). Ao mesmo tempo, ocorreu a queda do crescimento econômico, brevemente interrompida entre meados de 2012 e 2013.

Não há ruptura a partir de 2015. A crise parece ter sido o desfecho previsível da trajetória iniciada anos antes.
Herculano
06/09/2020 08:28
REELEIÇÃO "FOI UM ERRO" DIZ FHC

Conteúdo de O Antagonista. Durante a palestra Brasil, Qual Será o Seu Futuro?, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou não ser pessimista em relação ao país. Segundo ele, o Brasil tem um "potencial enorme"

Em artigo publicado no Estadão, Fernando Henrique Cardoso reconheceu que a reeleição, dispositivo criado em 1997 para beneficiar o então presidente, foi "historicamente" um erro.

"Cabe aqui um 'mea culpa'. Permiti, e por fim aceitei, o instituto da reeleição. Verdade que, ainda no primeiro mandato, fiz um discurso no Itamaraty anunciando que 'as trevas' se aproximavam: pediríamos socorro ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Não é desculpa. Sabia, e continuo pensando assim, que um mandato de quatro anos é pouco para 'fazer algo'. Tinha em mente o que acontece nos Estados Unidos. Visto de hoje, entretanto, imaginar que os presidentes não farão o impossível para ganhar a reeleição é ingenuidade (...).

Devo reconhecer que historicamente foi um erro: se quatro anos são insuficientes e seis parecem ser muito tempo, em vez de pedir que no quarto ano o eleitorado dê um voto de tipo 'plebiscitário', seria preferível termos um mandato de cinco anos e ponto final."
Herculano
06/09/2020 08:19
BOLSONARO DEVERIA HONRAR AS PROMESSAS DE CAMPANHA" DIZ SÉRGIO MORO AO CORREIO

Ex-ministro afirma que o desmonte da Lava-Jato prejudica o combate à corrupção, compromisso do atual presidente para vencer as eleições de 2018. Diz que a candidatura em 2022 é especulação e espera nomes fora da disputa polarizada entre Lula e o candidato à reeleição

Conteúdo do jornal Correio Braziliense. Texto e entrevista de Ana Dubeux, Ana Maria Campos e
Carlos Alexandre

Sergio Moro não se surpreende com os ataques à Lava-Jato. Considera uma reação esperada o sistema político se voltar contra operações de enfrentamento à corrupção, a fim de restabelecer a lei da impunidade. Ele cita como exemplo a Operação Mãos Limpas, na Itália, defendida e depois golpeada pelo governo de Silvio Berlusconi, político populista que caiu em descrédito após ser associado a ilícitos. Moro considera Lava-Jato a maior operação anticorrupção efetuada no país, e por essa única razão, deveria ser mantida. Representa um marco no Brasil porque mostrou que é possível modificar a realidade política nacional. Ele já vê avanços éticos no setor privado, mas não observa a mesma transformação no meio político. Nesse sentido, Moro afirma que o governo Jair Bolsonaro abandonou a agenda anticorrupção, deixando de lado questões importantes como a prisão de um condenado em segunda instância.

Alvo de frequentes ataques da classe política e de integrantes do Judiciário, Moro diz estar acostumado a ouvir críticas. Lamenta e repudia ataques pessoais, mas não pretende rebater no mesmo nível. "Não fiz e não pretendo fazer críticas pessoais ao presidente ou aos seus filhos". Ele também demonstra altivez em relação às calúnias veiculadas nas redes sociais. "Tenho conhecimento de muitas fake news distribuídas a meu respeito, o que é lamentável. Não posso afirmar de onde vêm. Eu, particularmente, só trabalho com a verdade e penso ser este o primeiro dever de qualquer pessoa pública." Em meio à polarização que insiste em se manter no país, Moro entende que o Brasil é maior do que uma querela entre partidários de Bolsonaro ou de Lula. "O mundo não se resume a esses dois grupos. O Brasil é grande, diversificado e conta com muitas pessoas qualificadas."

Por muito tempo considerado sério candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Sergio Moro vê com bons olhos a atuação de Luiz Fux como próximo presidente da mais alta Corte de Justiça. O rigor técnico e o discernimento para preservar o tribunal de questões políticas constituem, segundo o ex-ministro, importantes trunfos do magistrado que estará à frente do STF a partir do dia 10. Para Moro, os integrantes da instância máxima da Justiça - incluindo o substituto do ministro Celso de Mello - só podem ter compromisso com a lei, e não com inclinações políticas e religiosas. E, mais uma vez, cobra retidão do homem com quem trabalhou para levar adiante a causa anticorrupção. "Se o presidente quiser ser coerente com o discurso de campanha, deveria indicar um substituto com viés favorável à Lava Jato e linha-dura contra o crime."

Dedicado ao ensino de direito em Brasília e em Curitiba, Sergio Moro se mantém reticente sobre projetos políticos. "Estou focado em 2020", diz, atarefado em recompor a vida profissional após a passagem por Brasília e o abandono da magistratura. Mas o ex-ministro e ex-juiz não se furta a tomar posições contundentes, com recados a diversos atores na capital da República. "Não existe lavajatismo", esclarece, e sim servidores que prezam o "respeito à lei e ao contribuinte". Leia, a seguir, a entrevista de Sergio Moro ao Correio.

A Lava-Jato chegou ao fim?

A Lava-Jato foi a maior operação contra a corrupção na história no Brasil e, infelizmente, tem sofrido reveses neste momento. A continuidade e as condições de trabalho das forças-tarefas do Ministério Público estão ameaçadas. Reverter esse quadro depende muito da Procuradoria-Geral da República.

Com a saída do procurador Deltan Dallagnol da coordenação da Operação Lava-Jato em Curitiba, o trabalho será prejudicado?

O procurador Deltan Dallagnol fez um excelente trabalho na Operação Lava-Jato. É um brasileiro que merece respeito e reconhecimento por sua dedicação e comprometimento com a causa pública. O procurador Alessandro Oliveira, que deve substituí-lo, é um profissional sério. Espera-se que dê continuidade ao trabalho.

Dallagnol alegou um assunto de família, com a questão do tratamento da filha. Acredita que, em outras circunstâncias, seria possível para ele continuar na Lava-Jato?

A questão familiar deve ter sido central. Mas acredito que as dificuldades de trabalho da força-tarefa e os vários procedimentos injustos abertos contra ele no CNMP tornaram sua permanência cada vez mais penosa.

Está se repetindo no Brasil o que aconteceu com a Operação Mãos Limpas, na Itália?

Estamos vivendo um processo semelhante. O sistema está reagindo com o intuito de dificultar a investigação e a punição dos crimes de corrupção e para tentar que tudo volte a ser como antes, tendo a impunidade como regra. Mas acredito que a Lava-Jato mostrou aos brasileiros que as coisas podem ser diferentes, a depender da pressão social. O setor privado brasileiro, aliás, já mudou bastante.

Não é uma ironia que a Lava-Jato seja bombardeada justamente no governo de um político eleito com a bandeira do combate à corrupção?

É bem peculiar, mas não é incomum. Na Itália, o governo de Silvio Berlusconi foi eleito com essa bandeira e agiu contra a Operação Mãos Limpas. Berlusconi é, hoje, um dos políticos com a imagem mais associada a irregularidades. Aqui o atual governo também foi eleito com a bandeira de defesa da Lava-Jato e do combate a alianças com políticos envolvidos em irregularidades, mas tudo indica que tenha sido apenas uma promessa de campanha.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse que é hora de "corrigir rumos" para que o "lavajatismo não perdure". O que achou dessa declaração?

Não existe "lavajatismo". O que existe são servidores públicos que respeitam o salário pago com dinheiro público e tiveram o cuidado de fazer bem seu trabalho, levando os responsáveis por graves crimes de corrupção a serem punidos de acordo com o devido processo legal. O nome disso é "respeito à lei e ao contribuinte".

Como avalia a investigação da PF até o momento sobre suas denúncias acerca da interferência de Bolsonaro na corporação?

Não cabe a mim avaliar o trabalho da PF. O Judiciário vai se manifestar sobre isso. Cabe lembrar que essa apuração foi aberta a pedido do Procurador-Geral da República e não por mim.

A decisão do STF de suspender a produção do dossiê antifascista, sem a punição dos responsáveis pela investigação ilegal, foi correta?

É preocupante que o Ministério da Justiça esteja associado à produção de um levantamento com parâmetros que soaram político-ideológicos. Mas não tenho detalhes e não acompanhei o caso a fundo para tecer comentário a respeito.

Foi um erro fazer parte do governo Bolsonaro?

Minha participação no governo trouxe resultados efetivos e concretos para a sociedade, como uma integração efetiva entre as diferentes forças de segurança. Essa mudança resultou em um combate sem precedentes contra o crime organizado e na diminuição da criminalidade em 2019. Políticas de minha gestão, como o controle rigoroso das fronteiras pelo programa Vigia e o fortalecimento do Banco Nacional de Perfis Genéticos, continuam a render frutos depois de minha saída.

Arrepende-se de ter encerrado a carreira de juiz?

Minha escolha foi acertada e os bons resultados que consegui no Ministério, apesar das dificuldades, reforçam isso. Nem tudo saiu como planejado, mas a vida é assim. É preciso persistência. Tomei aquela decisão com o objetivo de contribuir ainda mais para combater a corrupção, o crime organizado e a criminalidade violenta. Essa causa ainda é minha.

Sua vida profissional mudou totalmente depois que decidiu largar a magistratura. Tem algum arrependimento?

Não foi a primeira nem a última vez que encontrei obstáculos em minha vida. Servi o Brasil de forma correta e sempre buscando um resultado de excelência. Isso não me causa arrependimento. Pelo contrário, tenho orgulho de ter me dedicado ao Ministério e ao ofício de distribuir justiça.

Bolsonaro foi uma decepção?

Ele deveria honrar as promessas de campanha, seria o correto a ser feito. Para isso, ele deveria, por exemplo, retomar a agenda anticorrupção. Isso demanda não só operações da Polícia Federal, mas também reformas legais que melhorem a estrutura de prevenção e de repressão. É fundamental, por exemplo, retomar o projeto da execução após condenação em segunda instância. Não tenho visto o governo apoiar ou trabalhar por essas medidas.

Quando o senhor realmente percebeu que sua permanência no Ministério da Justiça e Segurança Pública seria insustentável e a relação com o presidente estava ruim?

Foi um processo progressivo ao longo de 2019 e 2020, até que chegou a um ponto insustentável.


Os filhos do presidente Bolsonaro fazem críticas públicas a seu trabalho. Eles atrapalham o governo?
Não conheço essas críticas, mas é muito possível que sejam passionais. Críticas são sempre possíveis e, quando construtivas, são bem-vindas. Da minha parte não fiz e não pretendo fazer críticas pessoais ao presidente ou aos seus filhos.

Mandetta e o senhor são alvos constantes de críticas diretas do presidente. Ele mudou ou vocês não enxergavam quem é Bolsonaro?

O debate público tem se deteriorado de forma grave e acelerada. Ao invés de se discutirem ideias ou políticas, não raramente se parte para críticas pessoais. Não entro nesse jogo de ofensas. Quanto ao ministro Mandetta, penso que ele fez um grande trabalho, sobretudo porque teve que agir sob condições adversas, com o próprio governo adotando uma postura negacionista em relação à pandemia.

Acredita que a PF trabalhou bem no inquérito sobre a facada no presidente Jair Bolsonaro? Houve muita pressão para a conclusão do inquérito?

A PF fez um trabalho técnico, com autonomia e independência. No primeiro semestre de 2019, o delegado responsável pelo caso fez, inclusive, uma apresentação para o presidente de toda a investigação e das conclusões acerca do atentado e do possível envolvimento de terceiros. A investigação foi exaustiva e não apontou provas de que haveria cúmplices. O fato de eu ter saído do Ministério da Justiça e Segurança Pública nada mudou quanto a essas conclusões até o momento. Também não vi o novo ministro que assumiu já há algum tempo discordar das conclusões da PF.

Com a licença médica do ministro Celso de Mello, decisões da Segunda Turma do STF têm beneficiado o réu em razão do empate na votação dos ministros. Foi o que aconteceu na sua sentença sobre o caso Banestado. Como avalia essa situação?

Apesar da anulação da decisão por empate, nada houve de irregular na sentença. Apenas determinei antes da sentença a juntada de alguns documentos, como a lei expressamente autoriza no artigo 234 do Código de Processo Penal. Esse trecho do Código diz que "se o juiz tiver notícia da existência de documento relativo a ponto relevante da acusação ou da defesa, providenciará, independentemente de requerimento de qualquer das partes, para sua juntada aos autos, se possível". Eu havia também tomado o depoimento de um colaborador na fase de investigação, isso a pedido da defesa dele mesmo e do Ministério Público Federal, já que havia dúvidas, na época, sobre a validade de diligências probatórias feitas diretamente pelo MPF. Isso tudo foi por volta de 2005, bem antes da Lei 12.850, de 2012, que mudou o procedimento da colaboração premiada.

Acredita que o presidente Bolsonaro vai nomear um substituto para o ministro Celso de Mello no STF com uma visão crítica à Lava-Jato?

Se o presidente quiser ser coerente com o discurso de campanha, deveria indicar um substituto com viés favorável à Lava Jato e linha-dura contra o crime.

O que pensa da tese do ministro Fachin, que propõe a adoção do princípio in dubio pro reu somente para casos de habeas corpus?

Concordo totalmente com o ministro Fachin. Nesses casos, penso que seria preciso esperar ter o quórum completo para terminar o julgamento.

Ex-integrantes da magistratura devem passar por quarentena antes de se lançar na política, como defende o ministro Toffoli?

Sim. Todo juiz deve passar por essa quarentena. Inclusive, isso já acontece, já existe a quarentena para magistrados que querem ser candidatos ou até para os que queiram se tornar advogados. A lei fixa que, por seis meses após a saída do cargo público, o juiz não pode concorrer a qualquer eleição. Não há razão para ampliar esse prazo e equiparar os juízes a criminosos condenados, por exemplo, por improbidade e corrupção, que ficam inelegíveis por diversos anos.

"Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina", disse o presidente Bolsonaro. Qual o limite entre a liberdade do cidadão e o direito coletivo à saúde?

Esse assunto foi debatido à exaustão nas primeiras décadas do século 20 e também depois disso. Hoje, a lei já estabelece que o governo pode obrigar. Mas é desejável que o governo faça uma ampla campanha de conscientização para demonstrar a necessidade da vacina aos cidadãos. Isso é fundamental para preservar sua própria saúde, como para não se tornar um transmissor da doença para terceiros.

O Brasil está em segundo lugar no ranking do número de mortes por covid. O que estamos fazendo de errado?

Essa é uma pergunta mais apropriada para médicos e infectologistas. Como leigo, vejo que falta coordenação das políticas necessárias por parte do governo federal, com muita disparidade de mensagens transmitidas à população quanto a medicamentos e medidas sanitárias.

Como será seu trabalho como professor no Uniceub? Qual a sua expectativa?

Já sou professor também na Unicuritiba. O contato com os alunos sempre é gratificante, é um aprendizado de mão dupla, então a expectativa é muito boa. Fico feliz em voltar às salas de aula, mesmo que virtualmente.

Seu nome aparece bem colocado nas pesquisas para a Presidência da República. Pensa em concorrer?

Estou focado em 2020, principalmente no meu reposicionamento profissional. Fui servidor público, com muito orgulho, por mais de duas décadas, preciso agora continuar trabalhando para sustentar minha família. Essa suposta candidatura é mera especulação.

O Brasil vai continuar dividido entre Lula e Bolsonaro, ou vai aparecer um novo nome para as próximas eleições?

Pessoalmente, penso que a polarização política excessiva fomenta ódio e raiva e não ajuda o debate concreto de programas e políticas públicas, mais importante do que slogans, marketing ou ofensas. Acredito que devem aparecer outros nomes fora dos extremos. Espero que apareçam nomes melhores do que esses.

Como está a reação nas ruas ao senhor?

Muito tranquila. Sou bem tratado pelas pessoas.

O gabinete do ódio dentro e fora das cercanias do Palácio do Planalto trabalha pra desconstruir a sua imagem?

Tenho conhecimento de muitas fake news distribuídas a meu respeito, o que é lamentável. Não posso afirmar de onde vêm. Eu, particularmente, só trabalho com a verdade e penso ser este o primeiro dever de qualquer pessoa pública. Penso que temos sempre que fazer o que é certo.

Hoje o senhor atrai o ódio dos discípulos de Lula e de Bolsonaro. O que sobrou?

O mundo não se resume a esses dois grupos. O Brasil é grande, diversificado e conta com muitas pessoas qualificadas nas mais diferentes ocupações e campos ideológicos.

O governador Wilson Witzel está pagando por se tornar inimigo da família Bolsonaro?

Não conheço detalhes do caso concreto. A maioria da Corte Especial do STJ manteve o afastamento do governador do Rio de Janeiro, e acredito que a decisão tenha tido base nas provas apresentadas.

O Rio tem solução?

O Rio foi a capital do país. É destino de turistas de todo o mundo que vêm visitar o Brasil. A cidade tem uma história rica e um povo aguerrido, trabalhador. Políticas públicas consistentes podem reduzir a violência e melhorar a urbanização e condições de bem-estar da população, que merece um serviço público de melhor qualidade. Mas os eleitores têm que fazer sua parte e escolher bem seus representantes, baseando-se no histórico de vida deles e nos programas.

Qual a sua expectativa sobre a gestão do ministro Fux, que toma posse na próxima semana na presidência do STF?

Tenho uma grande admiração pelo ministro Luiz Fux, que fez carreira na magistratura. Acredito que ele fará uma gestão técnica, equilibrada e discreta, e buscará afastar o Tribunal das questões políticas.

O Congresso está às voltas com a discussão sobre a reforma administrativa, e parece que não vai priorizar a discussão sobre temas defendidos pelo senhor, como a prisão em segunda instância. Como vê esse movimento?

Acredito que deixar essa pauta de lado vai trazer um prejuízo para a população, principalmente a mais vulnerável, já que é ela a maior vítima dos crimes praticados por pessoas poderosas politicamente e economicamente. Para citar um exemplo que tem acontecido durante a pandemia, vejamos o caso das suspeitas de desvios na compra de respiradores. Vão permanecer impunes sem a execução da condenação em segunda instância.
Herculano
06/09/2020 04:30
POBRES DEVEM PERDER O TREM DE VOLTA PARA A ECONOMIA POBRE DE 2019, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Epidemia longa, retomada parcial e fim de auxílios massacram a vida miúda das cidades

Em julho do ano passado, quase 36 milhões de pessoas pagaram bilhetes nos trens da CPTM, empresa que atende a região metropolitana de São Paulo. No mês de julho deste ano de calamidade, os pagantes eram apenas 20,5 milhões, queda de 43%.

No Metrô estatal paulista, a baixa do número de passageiros nos dias úteis era de 60%. Ainda não saíram os dados de agosto, mas dá para ter uma ideia do tamanho da desgraça, que já foi pior, mas continua desgraça.

Muitas pessoas assustadas com o vírus ou com o futuro deixam de gastar na lojinha de rua, no quilo, na lanchonete, no café com bolo da calçada, no pastel, no dogão, no ambulante. Não vai à manicure, ao barbeiro. A economia se recupera, na verdade apenas despiora, dizem os grandes números.

Mas a vida miúda dos pequenos negócios que são o sustento de tanta gente ainda é duríssima. Vai depender do que será dos auxílios e do espalhamento do vírus, como explica qualquer estudioso capaz, economista ou epidemiologista, psicólogo ou sociólogo.

Pelos grandes números, o segundo trimestre teria sido o pior. O PIB caiu 9,7% em relação ao primeiro trimestre do ano. No terceiro, estima-se que haveria crescimento de 6%. Há sinais disso. O consumo de energia elétrica de julho e agosto foi praticamente o mesmo desses meses no ano passado.

A produção das fábricas até cresceu mais do que o esperado em julho (mas a indústria de transformação ainda está mais de 10% abaixo do baixo nível de 2019).

Essa escalada a partir do fundão do poço obviamente é e será desigual. Os dados de faturamento no cartão, da Cielo, mostram que o varejo no fim de agosto ainda vendia 11% menos que em fevereiro. Mas o setor de bens não duráveis vendia cerca de 2,5% mais, e o de duráveis, 4,4% menos. O de serviços, brutais 43% menos.

As vendas de combustíveis em julho ainda eram mais de 8% menores que no ano passado, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo. No final de agosto, os postos de gasolina vendiam 24% menos que em fevereiro, diz a Cielo.

A circulação reduzida massacra a vida real das cidades.

O problema dos serviços e do comércio não para aí, em restaurantes e similares, o tipo de empreendimento mais comum do Brasil, e nas lojas.

Ainda não há perspectiva de retomada ou recuperação notável para entretenimento ao vivo, serviços pessoais como salões de beleza, serviços de saúde e terapias diversas (com cirurgias e tratamentos adiados em hospitais, clínicas, consultórios de dentistas), de educação (tantos cursos cancelados), viagens, hotéis.

Muita empresa está com as finanças arrebentadas, da grande firma de transporte ao restaurante. A redução do auxílio emergencial vai arrebentar os negócios menorzinhos.

Diz-se que a poupança aumentou (isto é, gastou-se menos do que a renda disponível). É verdade, na soma de todos os dinheiros do país, "no agregado". Esse saldo pode sustentar o nível geral de consumo depois do corte do gasto público. Mas isso vai chegar à manicure ou à vendinha da comunidade?

Os economistas parecem saber um pouco disso, da recuperação desigual e parcial. O pessoal do Bradesco e do Itaú agora prevê igualmente que o PIB afunda 4,5% neste ano e aumenta 3,5% em 2021 - estão entre os otimistas.

Assim, ao final do ano que vem a recuperação do nível de renda e produção seria de apenas 74% do que se perdeu na calamidade de 2020. Ou seja, apenas em 2022 voltaríamos à pobreza de 2019. Um problema é que o povo miúdo não deve nem pegar esse trem de volta para um passado menos ruim.
Herculano
06/09/2020 04:23
ALCOLUMBRE E MAIA INSISTEM EM REELEIÇÃO ILEGAL, por Claudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

Poucos se apresentam para defender uma mudança na Constituição, traumática, apenas para atender a ambição de reeleição do senador Davi Alcolumbre e do deputado Rodrigo Maia como presidente do Senado e da Câmara. A dupla aposta em duas "frentes": recorreu à fogueira das vaidades do Supremo Tribunal Federal (STF), instigando-o a mais uma de suas criativas interpretações da Constituição, "autorizando" reeleição, e a proposta de emenda da bancada da bajulação, já em tramitação.

NÃO HÁ O QUE 'INTERPRETAR'

O art. 57 da Constituição deixa claro: é "vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente."

A CARTA É Só UM DETALHE

Habituado a interferir nos outros poderes, o STF pode ignorar a Constituição só para mostrar, mais uma vez, que pode fazer isso.

NA CÂMARA NÃO PASSA

Alcolumbre fez "consulta" ao STF porque sabe que o golpe oportunista não passa na Câmara: é questão fechada no majoritário centrão.

JOGANDO PARA PLATEIA

Dono de inúmeros cargos, sobretudo em seu Estado, Alcolumbre evita atos do governo Bolsonaro para fingir "independência" junto à oposição.

'RENÚNCIA' NA LAVA JATO ESPANTA MINISTRO DO TCU

Causou espanto nos meios jurídicos a "renúncia" de procuradores da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, alegando divergências com uma nova chefe. "Quando estudei Direito na faculdade, muitos anos atrás, aprendi que um juiz ou um promotor só se livravam de um caso quando concluíam o serviço ou quando se declaravam suspeitos ou impedidos", observa Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

COISAS ESTRANHAS NO MP

Dono de admirado saber jurídico e crítico dos excessos de procuradores, Bruno Dantas vê ocorrerem fatos estranhos no ministério público.

FIGURAS JURÍDICAS EXóTICAS

"Não existiam figuras jurídicas como 'renunciar' ou 'demitir-se' entre magistrados ou procuradores", observou o ministro do TCU.

DEVER FUNCIONAL ESQUECIDO

"Mas isso era na época que esses personagens eram servidores que tinham deveres funcionais. Pelo visto, a coisa mudou", ironiza Dantas.

ROMPIDOS DESDE ABRIL

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não dirige a palavra a Paulo Guedes desde abril, quando xingou o ministro da Economia. Já em março havia chamado Guedes de "medíocre", depois baixou o nível.

óBITOS EM DECLÍNIO

De acordo com o painel de acompanhamento do covid dos cartórios de registro do Brasil, a média móvel de mortes está em declínio desde 26 de julho (945 registros). Em 26 de agosto atingiu a marca de 670.

BOA IDEIA

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) propôs condicionar progressão (redução) de pena a estupradores à castração química. Para o deputado, o tratamento legal concedido a estupradores dever ser o mais rigoroso.

MELHOR QUE PAÍSES RICOS

A queda do PIB brasileiro (-9,7%) no segundo trimestre do ano condiz com os resultados dos países da OCDE (-9,8%), o grupo das maiores economias do mundo. O pior resultado foi do Reino Unido (-20,7%).

CABEÇA NO ESPAÇO

Pandemia, desemprego, crise econômica, mas Alex Santana (PDT-BA) escolheu como prioridade definir em lei a quem pertence um meteorito que caia em solo brasileiro. O projeto já tramita na Câmara.

ESTADO MENOR, POR FAVOR

A Fecomercio-SP elogiou a proposta de reforma administrativa, mas não acha suficiente: também defendeu a privatização de atividades do Estado, além da digitalização dos serviços públicos e desburocratização.

À VONTADE, FREGUÊS

Apesar de autorizados para retomar as atividades, as lojas de Brasília ainda sofrem com efeitos da crise provocada pela pandemia. Fazem campanha intensa junto aos clientes para avisar: "estamos funcionando!"

MEIO DÉFICIT A MAIS

O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentária enviada ao Congresso prevê aumento de 56,1% no déficit primário em 2021, o "rombo nas contas públicas". Vão faltar R$233,6 bilhões, segundo estimativa do governo.

PENSANDO BEM...

...no Brasil, até a reforma é do futuro.
Herculano
06/09/2020 04:16
PERSPECTIVA PARA RETOMADA, por Samuel Pessôa, economista, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV), no jornal Folha de S. Paulo

Estão dadas as condições para uma recuperação mais forte da economia em 2021

O IBGE divulgou na terça-feira (1º) o resultado da atividade econômica - o Produto Interno Bruto - do segundo trimestre. A economia caiu 11,4% em relação ao 2º trimestre de 2019 e 9,7% em relação ao 1º trimestre do ano. No 1º semestre do ano, rodou 5,9% abaixo do mesmo período de 2019.

Para pensarmos na retomada, é útil olhar a abertura por setores. A queda de 5,9% do 1º semestre divide-se em 1,2 ponto percentual (pp) de redução dos impostos indiretos e 4,7 pp da produção (líquida dos impostos indiretos).

Dos 4,7 pp, a indústria explica 1,2 pp, e os serviços, 3,7 pp. Nos serviços, três subsetores explicam a queda: comércio, outros serviços e serviços da administração pública, respondendo, respectivamente, por 0,8 pp, 2,1 pp e 0,7 pp da queda de 3,7 pp do setor como um todo.

A indústria tem tido recuperação em "V". Em julho, segundo a pesquisa mensal da indústria divulgada na semana passada, o setor rodou 3,1% abaixo do mesmo mês de 2019. Em maio, essa estatística era de 22%. Provavelmente em agosto a indústria já tenha recuperado as perdas da crise. O nível de utilização da capacidade instalada e os estoques já se encontravam, no mês passado, no nível pré-crise, segundo a sondagem da indústria do Ibre.

Assim, uma recuperação mais intensa da economia dependerá da retomada dos serviços. Dos três subsetores que explicam quase a totalidade da queda dos serviços, comércio e administração pública voltarão naturalmente assim que a epidemia arrefecer. As pessoas trocaram compra presencial pela compra eletrônica e, lentamente, retornarão às lojas.

E basta as escolas reabrirem e a população voltar às suas consultas normais nos hospitais para que serviços públicos de educação e de saúde retornem.

A recuperação plena da economia dependerá da volta dos outros serviços, subsetor que explica aproximadamente 1/3 do recuo total do PIB. Outros serviços correspondem a: serviços pessoais, como manicure, corte de cabelo etc.; alimentação fora de domicílio, isto é, bares e restaurantes; e todo o setor de entretenimento, eventos esportivos e artísticos. É evidente que seja o setor mais afetado pela necessidade de distanciamento social.

Não faltam recursos no setor privado. Como lembrou meu colega do Ibre Armando Castelar, em sua coluna na sexta-feira (4) no jornal Valor Econômico, a poupança do setor privado subiu muito no primeiro semestre. A poupança doméstica, segundo o IBGE, foi, na primeira metade do ano, quase R$ 54 bilhões maior do que no 1º semestre do ano passado.

Enquanto a poupança pública - resultado do déficit público líquido do investimento - caiu em R$ 389 bilhões, a poupança do setor privado nacional subiu uns R$ 443 bilhões, ou algo como 6% do PIB de 2019.

Esses números batem com a acumulação de depósitos no setor bancário. Segundo o Banco Central, o acúmulo de depósitos pelo setor privado nos bancos em junho de 2020, em comparação ao mesmo mês de 2019, foi da ordem de R$ 450 bilhões a R$ 500 bilhões.

Houve forte acumulação de ativos pelo setor privado. Parte dessa poupança deve ter sido das famílias que receberam o auxílio emergencial e, sabedoras de que era transitório, pouparam parte do benefício.

Estão dadas as condições para uma recuperação mais forte da economia em 2021. É possível que parcela significativa da queda de 5% a 5,5% que ocorrerá em 2020 seja devolvida em 2021.

Há grande preocupação com a reconstrução dos negócios, das pequenas e médias empresas que fecharam as portas.

Minha avaliação é que a reconstrução do setor produtivo será mais rápida do que se imagina. O choque negativo não resultou de erros de gestão ou mesmo de ilícitos dos empresários. Há interesse de todos, bancos, locadores e rede de fornecedores, em refinanciar e garantir reconstrução dos negócios. O empecilho é o vírus.?
Herculano
06/09/2020 04:10
É RUIM, MAS PODERIA SER PIOR, por Carlos Brickmann

A proposta de reforma administrativa do Governo está posta: é uma ótima notícia. A reforma não é lá nenhuma Brastemp, mas se continuasse na gaveta dos burocratas estaríamos pior ainda. Pelo menos já se sabe o que o Governo pensa e há um desenho, embora tosco, a ser aperfeiçoado pelo Congresso.

O ponto mais criticado, a falta de efeito imediato da reforma, só merece elogios. A reforma atingirá apenas servidores contratados depois que entrar em vigência, evitando longas discussões sobre direitos adquiridos. Caso Fernando Henrique tivesse feito isso com a reforma da Previdência, em vez de querer que vigorasse em prazo curto, já estaríamos colhendo seus frutos.

O principal defeito do projeto é atingir apenas uma parte dos servidores, exatamente a que tem pior remuneração. E não são tantos: algo como 600 mil, num total de quase 12 milhões de assalariados do setor público, sejam federais, estaduais ou municipais. Militares, procuradores, parlamentares, juízes estão fora. A explicação é óbvia: caso sejam prejudicados, os parlamentares votam contra; os juízes podem tender a dar ganho de causa a quem tiver a mesma queixa que eles, os procuradores talvez tenham má percepção da reforma. E sempre é saudável estar de bem com os militares.

Mas é para sanar esses problemas que existem as conversações, ajustes, negociações políticas. Se o Governo não tiver articulação no Congresso, não passa nada. E quem negocia pelo Governo? Generais? O irritadiço Guedes?

PRóXIMOS PASSOS

Bolsonaro acredita que a reforma será aprovada neste ano. É difícil, mas não impossível. Depois da aprovação, há que enviar e aprovar projetos de lei que alterem a estrutura dos salários e cargos, as relações de trabalho, a regulamentação da reforma, para que se possa enfim aplicá-la. É coisa para uns três anos, se tudo correr bem, se não houver crises internas no Governo ou brigas com o Congresso. Mas não faz mal que demore: importa é que haja alternativa ao atual caminho, em que o custo do funcionalismo aumenta ano a ano e, somado às despesas obrigatórias, deixa o Governo sem verba para investir. Sem investimento, não há crescimento nem emprego.

APAGANDO O PAVIO

Resumindo, com todas as falhas que especialistas apontam, é o caminho a seguir. Deixar tudo como está significa que a bomba fiscal vai explodir a qualquer momento: dos 27 Estados, em 25 o salário do funcionalismo ultrapassa 60% da receita. No Rio Grande do Norte, em Tocantins e Minas Gerais, ultrapassa 90% da receita. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, já não podem aumentar a despesa com servidores. Salários congelados, pois.

O SOBE-E-DESCE

A oposição deu a rasteira em Bolsonaro: colocou a ajuda de emergência em R$ 600,00 mensais, sabendo que o Governo não teria como sustentar a despesa. Bolsonaro não teve saída: pagou. E viu sua popularidade, que havia desabado, subir até torná-lo em líder das pesquisas. Cresceu até no Nordeste, reduto do PT. Seria o vencedor do primeiro turno; no segundo só Sergio Moro poderia enfrentá-lo, isso se conseguisse sustentar seus níveis até a eleição. Bolsonaro se entusiasmou e desandou a viajar. Fez sete viagens ao Nordeste entre abril e agosto. Nesta quinta, variou: foi com ministros e parlamentares a Tapiraí, SP, 1.800 habitantes, para lançar a pedra fundamental de uma ponte. Espera-se que a ponte seja mesmo construída.

Resultado? Ruim. Bolsonaro perdeu pontos no Nordeste, embora tenha se mantido com resultado positivo nacional: o Governo é aprovado por 51%, contra 41% que o desaprovam. No Nordeste, foi de 48% para 40% nas duas semanas em que viajou para lá. A desaprovação nordestina ficou em 50%.

RETRATO DE HOJE

Que é que esses números significam? Nada! A mais de dois anos das eleições presidenciais, não há pesquisa que desvende o futuro. Na véspera das eleições americanas de 1948, o mais conceituado instituto de pesquisas dos EUA indicou a vitória do republicano Thomas Dewey. O jornal Chicago Tribune publicou a manchete "Dewey Presidente". Terminada a apuração, o candidato eleito Harry S. Truman posou para fotos com o jornal nas mãos.

Neste momento, a pesquisa indica à equipe de cada candidato como é que sua atuação vem sendo vista pela opinião pública. Nada mais do que isso.

BOA NOTÍCIA

Uma antiga usina paulistana, a Usina Elevatória da Traição, inaugurada em 1940, foi privatizada nesta semana. A concessão foi ganha pelo consórcio Usina São Paulo por R$ 280 milhões, com ágio de 1.900%. A Usina da Traição, conforme o nível de água do rio Pinheiros, reverte seu curso, para evitar enchentes, e o joga na represa Billings. A concessão faz parte do projeto de despoluição do rio e criação de espaços de lazer na região.
Herculano
06/09/2020 04:04
CRIVELLA É CASO RARO DE PESSOA CAPAZ DE MENTIR DIANTE DE VÍDEOS, por Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Milícia contratada pelo prefeito do Rio constrange cidadãos que reclamam do serviço de saúde da cidade

Deve-se à paciência e ao destemor dos repórteres Chinima Campos, André Maciel, Diego Alaniz, Sabrina Oliveira e Paulo Renato Soares a exposição da milícia contratada pelo prefeito Marcelo Crivella para constranger cidadãos que reclamam da má qualidade do serviço de saúde do município.

Quando Crivella diz que seus guardiões estavam nas portas dos hospitais para ajudar quem precisava do serviço de saúde, sabe que está mentindo. Caso raro de pessoa capaz de mentir diante de vídeos.

As milícias políticas já apareceram nas cercanias do Planalto, constrangendo enfermeiros, e em Goiás policiais militares intimidaram pessoas que faziam faixas contra Bolsonaro. Crivella foi exposto na sua magnitude. Seus milicianos, Marcão da Ilha, Dentinho, Jogador, bem como os outros nove comparsas custavam à prefeitura R$ 79.594 por mês. Isso num governo que teve a luz cortada pela Light por falta de pagamento.

A milícia de Crivella e de todos os seus similares tem suas raízes na história da violência política, mas foram os "squadristi" de Benito Mussolini que a transformaram numa força relevante. Adolfo, aquele aquarelista austríaco, adaptou o modelo. (Uma vez no poder, Hitler passou nas armas a liderança de seus camisas-pardas. Na Itália, o líder da milícia, tonitroante e larápio, foi fuzilado em 1945.)

Pela vontade popular, o Rio teve a infelicidade de passar por cinco governadores encarcerados. O sexto, Wilson Witzel, está a caminho do impedimento e, provavelmente, da cadeia.

A distribuição de "boquinhas" para milicianos e até mesmo para maganos fascina beneficiários e amantes de soluções autoritárias. Começam hostilizando quem reclama da política e acabam usando milicianos para inibir quem reclama de falta de atendimento num hospital. Começam contratando o fiel ex-PM Fabrício Queiroz e acabam contratando a mãe do ex-capitão-miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime.

Mussolini tinha uma milícia e algumas ideias. No Brasil, e sobretudo no Rio de Janeiro, há milícias e todas estão ligadas a uma forma de crime. Ideias, nem ruins.

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota e está pronto para falar bem do prefeito Marcelo Crivella. Qualquer dinheirinho serve.

Para mostrar sua disposição o cretino garante: desde Estácio de Sá o Rio não teve governante melhor. (Um maldito índio flechou-o e ele se foi.)


MOVIMENTOS CONTRA VACINA MOSTRAM QUE PAÍSES TAMBÉM ANDAM PARA TRÁS

Não há como impedir que um libertário contaminado passe o vírus para os outros

O capitão Jair Bolsonaro diz que ninguém pode ser obrigado a tomar a vacina contra a Covid. Tudo bem. Quem não quiser não toma. A obrigatoriedade erradicou a febre amarela e não há como impedir que um libertário contaminado passe o vírus para os outros.

Países andam para trás. O Império Romano que o diga. No Brasil, em 1904, jornalistas, políticos e militares estimularam a maior revolta da história da cidade, contra a vacina obrigatória. O presidente Rodrigues Alves defendeu a lei, mandou atirar e manteve a ordem.

Entre os mortos ficou o general Silvestre Travassos, um dos chefes da revolta militar. Ele comandava uma marcha em direção ao palácio presidencial, tomou um tiro em Botafogo e morreu dias depois.

É possível que tenham morrido mais brasileiros na atual pandemia do que em todas as epidemias dos séculos 19 e 20.

ATÉ QUARTA-FEIRA

O ministro Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, entraram no bloco da marchinha carnavalesca "Até Quarta-Feira".

Em qualquer tempo, sempre que a economia expõe um indicador catastrófico, os çábios anunciam que a bonança está logo ali: "Este ano não vai ser igual àquele que passou".

A pandemia já havia chegado, e o doutor Guedes previa um crescimento do PIB de 1%. Veio o tranco da contração de 9,7% do segundo trimestre e ele promete um crescimento de 4,5% para o ano que vem. Campos oferece mais de 4%.

NOTA DE PESO

Lançada no meio de uma pandemia, na semana em que se soube de uma contração do PIB de 9,7% e ilustrada com um lobo-guará parecido com uma hiena, a nota de R$ 200 arrisca entrar para o folclore das moedas que dão peso.

Nos Estados Unidos, as notas de US$ 2 pegaram essa urucubaca. Acredita-se que a superstição tenha nascido no século passado, quando políticos compravam votos com essas cédulas. Entre outras utilidades, as notas de R$ 200 fazem menos volume nas malas de maganos.

O PIOR NEGóCIO QUE MORO FEZ NA VIDA FOI METER-SE COM BOLSONARO

Ex-ministro se prestou a uma fritura inédita na história republicana

O pior negócio que o juiz Sergio Moro fez na vida foi meter-se com Jair Bolsonaro. O ferrabrás de Curitiba foi moído pelo capitão, e a divulgação de sua troca de mensagens com o presidente mostra que ele se prestou a uma fritura inédita na história republicana.

No dia 12 de abril, reclamando de uma reportagem, Bolsonaro disse-lhe: "Todos os ministros, caso queira contrariar o PR, pode fazê-lo, mas tenha dignidade para se demitir".

Noves fora a má relação com o idioma, Bolsonaro disse-lhe que devia pedir para sair. Moro fingiu que não ouviu. Uma semana antes fingiu não ter ouvido outra indireta: "Algumas pessoas do meu governo, algo subiu à cabeça deles. Estão se achando demais. (...) A hora D não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles, porque a minha caneta funciona".

Moro manteve-se em olímpico silêncio durante a tétrica reunião ministerial de 22 de abril. No dia seguinte, diante da notícia de que pedira demissão, manteve-se em silêncio quando o ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto, desmentiu a informação. Era verdade.

Quando um presidente sugere que um ministro deve pedir demissão, ele a pede ou diz que pode ser demitido. Fora daí, o que há é dissimulação, dos dois.

No dia 12 de outubro de 1977, o presidente Ernesto Geisel disse ao ministro Sylvio Frota que não estava se entendendo com ele e sugeriu que pedisse para ir embora. Frota recusou-se. Geisel demitiu-o, na hora. A conversa durou poucos minutos e à noite o general estava no avião de carreira, a caminho de sua casa no Rio.

PESADELO PETISTA

Há alguns meses, o pesadelo dos petistas era sair da eleição municipal sem chegar ao segundo turno em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o crescimento de Guilherme Boulos (PSOL), na intelectualidade e no meio artístico, bem como o fortalecimento das alianças de Bruno Covas (PSDB), sugerem que esse resultado parece inevitável.

Num cenário catastrófico, Boulos pode até conseguir mais votos que o comissário Jilmar Tatto.

ROUPA SUJA

Se metade do que as facções em que está dividido o Ministério Público dizem for verdade, a corporação precisa de uma Lava Jato.

MINISTRO SUPREMO

Semana que vem o ministro Luiz Fux assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal em sessão virtual. Essa será uma investidura determinada pelo calendário. Na vida real, pelo movimento dos processos do bolsonarismo que estão no armário do ministro Gilmar Mendes, ele será o Supremo Ministro.
Miguel José Teixeira
05/09/2020 18:03
Senhores,

Com "rachadjinha" teremos 2,5G ou menos. . .

"O deslize no 5G

O fato de Jair Bolsonaro dizer que ele é quem decidirá o leilão da tecnologia 5G no Brasil pode terminar na Justiça. Afinal, a decisão não é pessoal do presidente da República, e sim da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que, teoricamente, tem mandato e deve agir exclusivamente por critérios técnicos e vantajosos para o Brasil. Se ficar repetindo que é ele quem baterá o martelo, vai dar problema lá na frente." (Correio Braziliense/Brasília-DF, hoje)

Aguardemos, pois.
Herculano
05/09/2020 17:29
ADNET RESPONDE A MARIO FRIAS E SECOM : "NÃO AGUENTAM UMA SÁTIRA"

Conteúdo de O Antagonista. Depois de ser chamado de "bobão" e "palhaço decadente" por Mario Frias, o humorista Marcelo Adnet rebateu as críticas da Secom e do secretário especial de Cultura em razão de uma paródia sua ao governo.

"[Eles] Se elegeram sob a bandeira do fim do mimimi e do politicamente correto mas não aguentam UMA SÁTIRA que vêm chorar em perfil oficial", disse Adnet no Twitter.

"A crítica não é ao povo, não força a barra. É AO GOVERNO FEDERAL, que em vez de trabalhar prefere perseguir seus próprios cidadãos."

Como publicamos, a Secom usou a conta oficial no Twitter para criticar Adnet pela paródia da campanha do governo "Um povo heroico".
Miguel José Teixeira
05/09/2020 12:32
Senhores,

Gaspar comendo pelas beiradas:

1) Mercado Livre já tem área mapeada em Gaspar para instalar centro de distribuição (Santa).

2) Altona planeja transferir fábrica de Blumenau para Gaspar (Santa).

Não é por acaso!
Herculano
05/09/2020 11:30
A INACEITÁVEL CENSURA PRÉVIA AO JORNAL NACIONAL E O SILÊNCIO DOS COVARDES, por Reinaldo Azevedo


O "Jornal Nacional" foi alvo de inaceitável censura prévia, o que a Constituição explicitamente repudia. Não há entendimento alternativo a respeito ou condescendência possível. O que acontece, vocês verão abaixo, é muito grave e tem de ter consequências para que não venha a se repetir. Leiam o que informa o Globo. Volto em seguida:

A juíza Cristina Serra Feijó, da 33ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, decidiu nesta sexta-feira proibir a TV Globo de exibir qualquer documento ou peça das investigações sobre o esquema de rachadinha no gabinete do senador Flavio Bolsonaro, quando exercia o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A magistrada atendeu a um pedido de liminar dos advogados Rodrigo Roca e Luciana Pires, que defendem o senador.

Em nota, a associação Nacional de Jornais (ANJ) criticou a decisão, que considerou inconstitucional:

"Qualquer tipo de censura é terminantemente vedada pela Constituição e, além de atentar contra a liberdade de imprensa, cerceia o direito da sociedade de ser livremente informada. Isso é ainda mais grave quando se tratam de informações de evidente interesse público. A ANJ espera que a decisão inconstitucional da juíza seja logo revogada pelo próprio Poder Judiciário."

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Paulo Jeronimo, também repudiou em nota a censura, que classificou de "mais um atropelo à liberdade de expressão".

"Parece estar se tornando praxe no país a censura à imprensa, tal como existia no tempo da ditadura militar e do AI-5".

Esta semana, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) concluiu as investigações. As investigações foram abertas em julho de 2018 depois que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj.

Para os promotores que apuram o caso, Queiroz era o operador do esquema que também faria lavagem de dinheiro por meio de imóveis e da loja de chocolates do senador. Queiroz recebeu mais de R$ 2 milhões em 483 depósitos de outros assessores do gabinete. Além disso, os investigadores localizaram imagens de Queiroz pagando despesas pessoais de Flávio em dinheiro vivo.

O ex-assessor agora cumpre prisão domiciliar em seu apartamento na Taquara depois de ter sido preso na casa do advogado Frederick Wassef, que defendia Flávio na investigação.

Os autos foram submetidos para "tomada de providências" do procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, e para o subprocurador-geral de Justiça de Assuntos Criminais e Direitos Humanos, Ricardo Ribeiro Martins.

O senador comemorou a decisão em seu perfil no Facebook: "Não tenho nada a esconder e expliquei tudo nos autos, mas as narrativas que parte da imprensa inventa para desgatar minha imagem e a do presidente Jair Messias Bolsonaro são criminosas".

COMENTO

Começo pelo fim. Flávio não tem nada a temer? Nem os documentos? Que sejam, então, publicados.

Inexiste censura prévia no Brasil, conforme deixam claro o Inciso IX do Artigo 5º da Constituição, que é cláusula pétrea, e o Artigo 220. Logo, parece evidente que a juíza Cristina Serra Feijó desrespeitou a Constituição. E cumpre avaliar em que medida não se está diante de uma determinação que caracteriza abuso de autoridade.

Os documentos estão em sigilo? Então não podem ser vazados. Que se abra uma investigação para chegar aos vazadores. A imprensa não tem nada com isso. Sempre censurei os vazamentos praticados pela Lava Jato, que, sim, criaram "narrativas", como afirma Flávio. Quando o expediente afetava seus adversários, ele não só não reclamava como aplaudia.

Sou coerente. Não gosto da indústria de vazamentos, mas sempre deixei claro que, uma vez que documentos de interesse público chegam às mãos da imprensa, têm de ser publicados.

O dever da imprensa é publicar o que sabe, não guardar sigilo. E a regra vale até mesmo quando pode haver uma parceria incômoda entre vazadores e quem publica os vazamentos.

A imprensa estaria cometendo um crime se publicasse um documento que soubesse ter sido forjado. Reitere-se: seu dever é publicar o que sabe, o que lhe é garantido também pelo sigilo da fonte.

A decisão da juíza não tem como prosperar, dadas as garantias constitucionais. Ou bem valem as respectivas vontades da meritíssima e Flávio e seus defensores, ou bem vale a Carta.

ACOVARDADOS

Muitos podem se acovardar a depender de a quem interessa a agressão à norma legal. Posso falar disso de carteirinha - e sentença.

Fui condenado, num processo movido por Deltan Dallagnol, pela mulher de um amigo e colega de trabalho do buliçoso procurador.

Junto com milhares de manifestações de solidariedade, alguns silêncios cúmplices, inclusive na imprensa, gritam. É coisa de gente covarde, o que nunca fui. Jamais deixo ao relento quem está sendo vítima de uma agressão legal praticada pelo Estado, por um de seus agentes ou por súcias nas redes sociais.

Há pessoas que selecionam os alvos para a sua valentia e para fazer a defesa da democracia. Eu não seleciono. Trata-se de valor universal. Tem de ser defendida contra qualquer agente agressor, de qualquer cor partidária.

De fato, não solto a mão de ninguém, como revelam as muitas dezenas de registros que tenho aqui, públicos e privados, em defesa da causa justa. É provável até que socorra de novo até a covardes da hora caso venham a precisar uma outra vez. Se a questão pública pedir, eu o farei.

Defesa da democracia e solidariedade em favor do devido processo legal não são procedimentos que se vendam, se aluguem ou se negociem. Nem devem ser objetos de troca.

Que essa decisão que impõe censura prévia à Globo seja revogada. É a única coisa certa a fazer na democracia.
Herculano
05/09/2020 11:02
CENSURA DEIXA FLÁVIO BOLSONARO COMPLETAMENTE NU, por Josias de Souza

A situação criminal de Flávio Bolsonaro mudou de patamar. Até aqui, o primogênito do presidente da República vivia um processo de desnudamento progressivo, em camadas. De repente, o filho do soberano ficou - horror, frisson! - com as vergonhas totalmente expostas.

Flávio atingiu o estágio da nudez absoluta ao obter na Justiça a censura à TV Globo. A pedido dos seus advogados, a juíza Cristina Serra Feijó, do Rio de Janeiro, proibiu a emissora de veicular notícias sobre o inquérito sigiloso que tornou o Zero Um impróprio para menores de 99 anos.

"Acabo de ganhar liminar impedindo a #globolixo de publicar qualquer documento do meu procedimento sigiloso", celebrou Flávio nas redes sociais. Alguém que chama de "meu procedimento" uma investigação em que é acusado de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa ou é um cínico ou é um tolo.

"Não tenho nada a esconder e expliquei tudo nos autos", escreveu Flávio, como que decidido a esclarecer que o seu caso é mesmo de cinismo. "...As narrativas que parte da imprensa inventa para desgastar minha imagem e a do presidente Jair Bolsonaro são criminosas."

O filho do presidente demora a notar que não precisa do auxílio da imprensa. Desmoraliza-se sozinho. Há vitórias que envergonham os vitoriosos, dignificando os vencidos. O problema não é a capacidade dos jornalistas de obter dados sigilosos. O que complica é a incapacidade do investigado de prover explicações.

A censura à TV Globo logo será revogada em instâncias superiores do Judiciário. Mas algumas reações oficiais precisam ser censuradas.

Dias atrás, Bolsonaro manifestou o desejo de "encher de porrada" a boca de um repórter por causa de uma pergunta incômoda. Agora, Flávio esmurra a democracia recorrendo à censura prévia do noticiário.

"A Juíza entendeu que isso [o noticiário sobre a investigação] é altamente lesivo à minha defesa", trombeteou Flávio, antes de ameaçar: "Querer atribuir a mim conduta ilícita, sem o devido processo legal, configura ofensa passível, inclusive, de reparação."

Ironia suprema: na campanha eleitoral, pai e filho surfaram na lama que escorria do petismo. Uma lama que chegava às manchetes graças ao trabalho da imprensa. Agora, queixam-se das trapaças da sorte. Nos próximos dias, o Zero Um será denunciado pelo Ministério Público. Ou costura meia dúzia de argumentos ou continuará nu em cena.
Herculano
05/09/2020 10:01
AS SAÚVAS DO BRASIL

De Leonardo Ribeiro, economista do Senado Federal, especialista em orçamento público, no twitter:

"O custo atual da folha de pagamentos é de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB)... Contudo, o governo tem uma previsão de reduzir o custo da folha para 2,6% do PIB até 2026 para atender às regras previstas no teto de gastos...a metade da folha é de inativos, não é factível"

...o rombo da Previdência em 2021, será de R$ 287 bilhões... superior à previsão de deficit primário das contas públicas... "O efeito da reforma da Previdência é pequeno nos primeiros anos...o governo ainda vai precisar aumentar imposto para conseguir cobrir esses rombos",
Miguel José Teixeira
05/09/2020 09:55
Senhores,

Matutando bem. . .

Enaltecer "a perda de relevância de Maia e o desvio do "eixo de poder" para o "centrão", que o vai substituir" (CH, abaixo)é o mesmo que comemorar a volta do "toma-lá-dá-cá".

Alô, gal.AH:

". . .se gritar pega ladrão
não fica um
meu irmão. . ."
(Bezerra da Silva)
Herculano
05/09/2020 09:47
EFEITO PARALELO DO AUXÍLIO EMERGENCIAL: A VOLTA DA INFLAÇÃO

Os bilhões injetados na economia para o consumo e sobrevivência das famílias está alavancando um efeito paralelo: o aumento da demanda. Indústrias, atravessadores e comerciantes já perceberam isso. Sem aumento de custos, aumentaram os preços para recompor suas margens de lucro.

Muitas dessas pessoas que tiveram acesso ao auxílio emergencial não tinham referência dos preços e o hábito de escolhas, e estão comprando gato por lebre.

Herculano
05/09/2020 09:40
O SUPREMO QUER GOVERNAR? QUE VÁ PARA AS RUAS COM CANDIDATOS E PEDIR VOTOS

Do General de Exército e Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno, no twitter:

A Min Carmen Lúcia, do STF, acolheu ação de um partido político e determinou que Pres Rep e Min Defesa expliquem o uso das F Armadas, na Amazônia. Perdão, cara Ministra, se a Sra conhecesse essa área, sabe qual seria sua pergunta: "O que seria da Amazônia sem as Forças Armadas?"
Herculano
05/09/2020 07:55
JUSTIÇA SEM VENDAS I

De do senador sergipano Alessandro Vieira, do Cidadania, no twitter:

Gilmar Mendes segue batendo todos os recordes de decisões absurdas e claramente voltadas para uma missão: inocentar bandidos e constranger os investigadores. É uma vergonha reiterada para o STF e uma ameaça real para o sonho de um Brasil com justiça igual para todos.
Herculano
05/09/2020 07:48
JUSTIÇA SEM VENDAS II

De Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público de Contas que atua perante o TCU, no twitter:

A Lava Jato e Deltan são atacados pelos mesmos motivos, por seus acertos, por terem levado empresários e políticos poderosos ao banco dos réus. Espera-se que o CNMP não se deixe usar como instrumento de perseguição e retaliação contra um servidor público exemplar.

Outro argumento que Gilmar Mendes usa contra Deltan, mas não aplicou a Serra e Vital do Rego: "O não julgamento de um réu eventualmente culpado configura situação mais grave do que o julgamento e a absolvição de um réu eventualmente inocente."

Argumento que Gilmar usa contra Deltan, mas não com Serra ou Vital do Rego: "É preciso destacar ainda a gravidade das imputações oferecidas...Levando isso em conta, parece-me que a maior violação ao devido processo legal ... seria justamente impedir o julgamento.
Herculano
05/09/2020 07:38
AVANÇO DA DOUTRINA RACIALISTA PARA A REPRESENTAÇÃO POLÍTICA GOLPEIA A SOBERANIA POPULAR, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

Benedita da Silva e Luís Roberto Barroso tratam o acesso a cargos parlamentares como uma carreira

"Estaremos do lado dos que querem escrever a história do Brasil com tintas de todas as cores." O ministro Luís Roberto Barroso anunciou, por essa frase capciosa, a pretensão dos altos tribunais de tutelar os partidos políticos e os eleitores, determinando uma distribuição racial dos fundos públicos eleitorais.

O inevitável avanço da doutrina racialista para a esfera da representação política golpeia o conceito de soberania popular, pilar da democracia.

A discussão jurídica nasceu de um pedido aos tribunais da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), pelo estabelecimento de cota de 30% de "candidaturas negras" em cada partido. Barroso disse "não", argumentando que só o Congresso tem a prerrogativa de legislar.

Mas, como é de seu feitio, prontificou-se a legislar de outro jeito, no mesmo rumo racialista, gerenciando o caixa dos partidos com vistas a um "equilíbrio racial".

As leis de cotas raciais para ingresso nas universidades apoiam-se na justificativa da promoção social de grupos excluídos. As cotas raciais dividem os estudantes de escolas públicas segundo a cor da pele, alavancando ressentimentos que nutrem o racismo. O consenso partidário formado em torno delas destina-se a mascarar a ruína do ensino público, raiz da desigualdade de oportunidades no umbral das universidades. Quando a raça chega ao terreno do voto, o racialismo retira sua máscara, exibindo a face que precisava ocultar.


Benedita e Barroso tratam o acesso a cargos parlamentares como o ingresso na universidade - ou seja, como uma carreira. A política é definida, aí, como profissão: meio de ganhar a vida e produzir patrimônio.

"Escrever a história do Brasil com tintas de todas as cores" significa, para eles, alçar "negros" a empregos bem remunerados. O problema do raciocínio é que, no fim, a seleção desses "profissionais" depende dos eleitores. Que tal, então, dirigir a mão que digita o voto para o lugar "certo"?

Os programas pioneiros de cotas raciais nas universidades foram introduzidos em 2003. Seus defensores alegavam, à época, que o expediente seria provisório, esgotando-se no horizonte de dez ou, no máximo 20 anos. Hoje, quase duas décadas depois, não só esqueceram-se do prazo limítrofe como engajaram-se na introdução de cotas raciais na pós-graduação e na administração pública.

A fraude da vontade popular na esfera eleitoral também caminhará por etapas. A primeira, em curso, define a distribuição de fundos de campanha. Numa segunda, cotas "raciais" dentro dos partidos. A conclusiva, pelo estabelecimento de cotas raciais nos próprios órgãos legislativos. No Líbano, a representação parlamentar é repartida segundo linhas sectárias, com a divisão de cadeiras entre cristãos, sunitas e xiitas. No Brasil, a lógica racialista aponta para uma divisão entre as "raças oficiais" - isto é, basicamente, entre "brancos" e "negros", pois os autodeclarados "pardos" já foram administrativamente suprimidos do universo legal.

A "voz dos negros" deve ser ouvida - eis a tradução conceitual da frase de Barroso. Os "negros", porém, participam de diferentes partidos, exprimindo ideologias diversas. Quem é a "voz dos negros"? Benedita, que é uma "voz de Lula", ou Sérgio Camargo, uma "voz de Bolsonaro"? A racialização dos órgãos legislativos nada tem a ver com a "voz dos negros". Expressa a voz das elites brasileiras que recobrem, com uma mão de tinta fresca, o racismo institucional praticado pelas polícias e a exclusão social de pobres de todas as cores.

A política é o campo dos valores, das visões de mundo -não das raças. A "voz dos negros" exigiria a constituição de um Partido Negro. Os arautos do racialismo não vão criá-lo, pois sabem que seriam rejeitados inclusive pelo eleitorado não branco. A estratégia deles é tutelar o voto por meio de leis restritivas da soberania popular.
Herculano
05/09/2020 07:30
MAIA A CADA DIA MAIS NERVOSO: É O FIM DO MANDATO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Parlamentares de vários partidos frequentes têm observado que cresce o nervosismo de Rodrigo Maia (DEM-RJ) com a aproximação do fim de sua presidência na Câmara dos Deputados, no início de 2021. A quatro meses do recesso de fim de ano, e com uma eleição no meio, que paralisa o Legislativo, Maia luta contra sua perda de poder. Isso explica o "mimimi" de anunciar "rompimento" com o Paulo Guedes (Economia), enciumado com o protagonismo do mais importante ministro do governo.

ESTRANHAS REUNIõES

Maia não fala com o ministro desde que o insultou em abril, mas insistia em intrigante rotina de "despachos" com assessores de Guedes.

JOGADA POLÍTICA

Maia desqualificava o ministro, após dizer que "não é sério", reunindo-se apenas com seus assessores. Guedes decidiu acabar com a brincadeira.

PERDA DE RELEVÂNCIA

A atitude desafiadora de Guedes tem a ver com a perda de relevância de Maia e o desvio do "eixo de poder" para o "centrão", que o vai substituir.

CAFEZINHO SERVIDO FRIO

Prestes a entrar na fase em que cafezinho é servido frito, Rodrigo Maia tenta de todas as maneiras manter seu poder até o fim do mandato.

Xô, DITADURA: ADEPTOS DE MADURO SÃO 'NON GRATAE'

O Itamaraty declarou ontem os "representantes diplomáticos" do ditador venezuelano Nicolás Maduro "personae non gratae". Não serão expulsos porque estão sob proteção do Supremo Tribunal Federal: em abusiva intromissão em prerrogativas do governo, o STF anulou a expulsão. É curioso como ministros do STF chamam Bolsonaro de "autoritário" e protegem adeptos de um ditador. Os venezuelanos podem continuar por aqui, mas sem status diplomático e nem imunidades e privilégios.

PRETEXTO POSTO IPIRANGA

Ao vetar a expulsão dos defensores da ditadura, o ministro Luis Roberto Barroso alegou "isolamento social em razão da pandemia".

SALVO CONDUTO

O ato de Barroso proíbe a expulsão dos venezuelanos enquanto durar o decreto de calamidade da pandemia, em vigor até 31 de dezembro.

ESPIõES DA TIRANIA

A ditadura Maduro tinha o número incomum de 34 "diplomatas" em Brasília, mas a suspeita é que são da polícia política venezuelana.

DUAS DERROTAS

Além da derrota no STF, que cassou vergonhosa decisão da Justiça de Pernambuco impondo censura ao PT, proibindo-o de utilizar a expressão "respiradores de porco", o prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB) sofreu outro revés: o TRE considerou suas postagens "propaganda enganosa".

É A TECNOLOGIA

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, um dos maiores especialistas em agronegócio no mundo, disse que nos últimos 30 anos a produção brasileira de grãos cresceu 300% sem precisar desmatar.

CIÚMES DE VOCÊ

A afirmação do presidente do STF, Dias Toffoli, de que "não haveria Lava Jato sem Supremo", apenas serviu para lembrar como o protagonismo da operação que celebrizou Sérgio Moro incomodou suas excelências.

CADEIA NELES

Um leitor idoso de São Paulo, que mora só, recebeu da Enel contas de luz que deveriam ser usadas como provas de tentativas de assalto, nos valores de R$6.010 (julho), R$4.205 (agosto) e R$4.219 (setembro).

TUDO COM SEU DINHEIRO

A Petrobras aumentou o preço da gasolina de R$3,90 em maio, para R$4,27 em agosto, auge da pandemia e da crise, mas comemora a doação de combustível a estados (quebrados), como o Acre.

FIM DE UMA BANCA HISTóRICA

A pandemia também se impôs à tradicional banca de jornais e revistas da Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, uma das mais movimentadas do País. A loja se prepara para fechar as portas.

PARCERIA

Se Rodrigo Maia é quem define a pauta no Legislativo, inclusive para esconder projetos que extinguem privilégios no setor público, são os veículos da Globo que pautam a atuação do presidente da Câmara.

HOLOFOTE FAZ SENTIDO

A atenção ao Teto de Gastos nas últimas semanas tem explicação: o governo Bolsonaro apresentou ao Congresso esta semana o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021, o "esqueleto" do orçamento.

PENSANDO BEM...

...pior que a política, só a novela Messi.
Herculano
05/09/2020 07:23
da série: a armadilha de novembro é a mesma, o eleitorado o mesmo, mas o meio de se informar mal e bem é que mudou. Os eleitores não dependem mais de jornais, portais, rádios e tevê para fazer circular as notícias verdadeiras e das falsas, bem como de seus detalhes irrefutáveis

ESTELINOTADOS ELEITORAIS, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Mentiras eleitorais de Dilma estavam expostas poucas semanas após o pleito, e as de Bolsonaro foram aparecendo aos poucos

Com o arremedo de reforma administrativa apresentado pelo governo, o estelionato eleitoral perpetrado pelo presidente Jair Bolsonaro é maior até do que o cometido por Dilma Rousseff. Enquanto as antinomias dilmescas ficaram mais ou menos restritas à economia, as do capitão reformado dizem respeito a praticamente todos os eixos de sua campanha. Ele, afinal, renegou as três bandeiras que o elegeram: o rompimento com a velha política, a luta contra a corrupção e a reforma liberal do Estado.

A diferença é que as mentiras eleitorais da petista ficaram escancaradas poucas semanas depois do pleito, já as do militar foram aparecendo aos poucos, diluídas em um ano e meio de administração. E, quando as coisas acontecem paulatinamente, as pessoas se acostumam com tudo, até com a sideral cifra de mil mortos por dia registrada no auge da epidemia de Covid-19, outro fracasso da atual gestão.

Também relevante para a popularidade é que, enquanto Dilma presidiu a uma transição da bonança para a recessão, Bolsonaro assumiu o comando já numa situação de penúria e não foi capaz de promover um crescimento perceptível. O primeiro quadro, mas não o segundo, leva a um sentimento de perda que não raro resulta em revolta contra o governante.

É aqui que nos deparamos com o que pode ser uma armadilha para Bolsonaro. O Brasil foi eficaz - alguns diriam pródigo - em promover um programa emergencial de renda para as famílias, que evitou a explosão social nas quarentenas. Mas não foi tão bem na ajuda às empresas, muitas das quais, especialmente as pequenas, não sobreviverão. E, se não houver postos de trabalho para assegurar renda à população depois que o auxílio emergencial acabar, poderemos ter problemas sérios, com grande potencial de impacto sobre a popularidade presidencial. A inflação de alimentos, outro fator conhecido de revolta, que já dá as caras, tampouco ajuda Bolsonaro.
Miguel José Teixeira
04/09/2020 18:11
Senhores,

Davi & Golias

O tera-suspeito renan calheiros, quando disputou e perdeu a eleição, já havia alertado que Davi era o Golias disfarçado.

Agora ALCOLUMBRE está mostrando sua força de GOLIAS. . .

Segundo consta, Platão disse:

"Quer conhecer o homem, dê-lhe o poder".
Herculano
04/09/2020 11:11
da série: os políticos que sabotam o Brasil no clube da canalhice e que faz da Constituição letra morta via hermenêuticas ocasionais e particulares, com ajuda do Supremo. Incrível!

OS 25 SENADORES QUE APOIAM A "PEC DO ALCOLUMBRE"

Conteúdo de O Antagonista. Já são 25 assinaturas em apoio à PEC apresentada por Rose de Freitas, que, se aprovada, permitirá que o senador do Amapá tente a reeleição na mesma legislatura, o que hoje é claramente proibido pela Constituição e pelo regimento interno do Senado.

São necessárias 27 assinaturas para que a proposta seja protocolada e comece a tramitar - faltam, portanto, apenas duas.

Como mostramos, a proposta poderá funcionar como um "plano B" para Alcolumbre, caso ele não consiga o aval do STF para manter-se no poder.

A lista dos signatários, até aqui:

1. Rose de Freitas (Podemos)
2. Telmário Mota (Pros)
3. Antonio Anastasia (PSD)
4. Wellington Fagundes (PL)
5. Nelsinho Trad (PSD)
6. Marcelo Castro (MDB)
7. Jayme Campos (DEM)
8. Carlos Fávaro (PSD)
9. Marcos Rogério (DEM)
10. Omar Aziz (PSD)
11. Fabiano Contarato (Rede)
12. Rodrigo Pacheco (DEM)
13. Chico Rodrigues (DEM)
14. Lucas Barreto (PSD)
15. Ciro Nogueira (PP)
16. Carlos Viana (PSD)
17. Kátia Abreu (PP)
18. Zequinha Marinho (PSC)
19. Maria do Carmo (DEM)
20. Elmano Férrer (Podemos)
21. Eduardo Gomes (MDB)
22. Fernando Bezerra Coelho (MDB)
23. Márcio Bittar (MDB)
24. Weverton Rocha (PDT)
25. Acir Gurgacz (PDT)
Herculano
04/09/2020 10:58
ESTAMOS PINTADOS PARA A GUERRA?

De Elena Landau sobre o Orçamento, no twitter:

Prioridades de investimentos: aviões cargueiros, sistema próprio de aviação para o exército e, claro, construção de submarino de propulsão nuclear. É como eu digo sempre, a guerra é iminente
Herculano
04/09/2020 10:32
da série: para chover no molhado e repetir o que escrevi abaixo sobre este mesmo assunto, pois se trata de um governo que não governa, apenas flutua.

MAIS UM IMPEACHMENT, por Claudio Prisco Paraíso.

O processo de impeachment baseado no aumento dos procuradores do Estado avança normalmente na Assembleia. As defesas do governador, da vice e do secretário de Administração já foram entregues e o cronograma prevê a chegada do processo ao plenário no dia 15 de setembro, conforme informou o relator, Luiz Fernando Vampiro.

Agora, o surreal foi a leitura ontem de uma segunda acusação, pedindo o impedimento de Moisés da Silva e Daniela Reinehr.

Novamente, o processo visa a degola dos dois, deixando livre a linha sucessória. As duas peças vão tramitar paralelamente. Esse novo aborda novamente a questão dos procuradores, mas inclui o escândalo dos respiradores e a malfadada operação do hospital de campanha.

Daqui a pouco, poderemos ter mais dois pedidos de impeachment. Aquele aprovado no relatório final da CPI dos Respiradores e outro do deputado Ivan Naatz.

PESOS E MEDIDAS

Vamos à feira, é impeachment para todos os gostos. Nos dois governos anteriores ao atual, houve 60 pedidos de impeachment. Nenhum foi lido.

Um dos casos era gravíssimo, quando na gestão Raimundo Colombo houve uma pedalada de R$ 1 bilhão. O Executivo se apropriou deste montante da Celesc e não repassou aos demais poderes nem aos municípios.

CONTORNANDO

Além da apropriação indébita, não houve a legal distribuição dos valores. Tanto que depois o governo Colombo teve que enviar um projeto de lei à Assembleia para regularizar este aspecto da repartição dos valores.

O estado está tentando se recuperar dos efeitos duríssimos da pandemia, há o rombo bilionário da previdência, enfim, muitas pautas relevantes e os deputados parecem que resolveram brincar de impeachment. Não é esse o papal da Alesc.

INSTÂNCIAS COMPETENTES

Nos escândalos governamentais da pandemia, há investigações em curso, Ministério Público, Polícia, Judiciário, enfim.

Ou seja, agora é guerra pelo poder. Uma lástima, um papelão o que se presencia em Santa Catarina, com grandes perspectivas de judicialização do impeachment.

JUDICIALIZAÇÃO

Principalmente se prevalecer o que se já se fala nos bastidores, de votar a cassação do governador, da vice e do secretário da administração tudo num pacote só. Estratégia para evitar o risco de cassar Moisés, por exemplo, mas preservar a vice, que assumiria o poder.

Isso não vai dar certo. Santa Catarina vive um momento para se esquecer.
Herculano
04/09/2020 10:25
da série: eleitos, eles não se importam com doentes, pobres e vulneráveis, mas com a repercussão dos seus interesses eleitoreiros e poucos transparentes do emprego dos pesados impostos de todos

COVIDÃO NO ESCURO

Conteúdo de O Antagonista. Parte do dinheiro que deveria ir para as cidades mais afetadas pela pandemia de COVID-19 foi para redutos eleitorais de deputados federais e senadores, não importando o grau de disseminação da doença nesses locais.

Houve casos em que a verba foi parar em municípios que nem sequer haviam sido atingidos pela epidemia.

Em 1º de julho, dia da liberação do dinheiro pelo governo federal, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, recebeu ofício assinado pelos presidentes dos Conselhos de Secretários de Saúde, em que eles simplesmente se recusavam a prestar contas desses recursos.

A Crusoé desta semana mostra como os gestores que receberam a verba atuam para mantê-la fora do radar da fiscalização.
Herculano
04/09/2020 10:05
O EXEMPLO PAULISTA DO TAMANHO DO DESPERDÍCIO DOS NOSSOS PESADOS IMPOSTOS PELOS GESTORES PÚBLICOS QUE CONTINUAM NO SÉCULO 19 CARIMBANDO PAPÉIS. AGORA MULTIPLIQUE ISSO POR OUTROS 26 ESTADOS E ALGUMAS MILHARES DE MUNICÍPIOS

Do deputado paulista Daniel José, Novo, no twitter:

Home office de servidores públicos fez Estado economizar R$ 690 MILHõES em 2020!

Sendo:
- diárias, passagens e outras despesas de locomoção: R$ 375 mi
- energia elétrica: R$ 211 mi
- serviços de comunicação: R$ 71 mi
- Água e esgoto: R$ 27 mi
- cópia/documentos: R$ 7 mi
Herculano
04/09/2020 09:58
AS LEIS NO BRASIL Só SERVEM E SÃO USADAS CONTRA OS FRACOS

De Leonardo Ribeiro, Economista do Senado
federal, especialista em orçamento público, no twitter:

Judiciário não tem competência para apresentar PEC. O Executivo não quis comprar briga. Se o Legislativo optar por esse caminho, teremos uma situação inusitada: impossibilidade nacional de se alterar privilégios no âmbito do Poder judiciário e MP.
Herculano
04/09/2020 09:45
SETOR MUNDIAL DE CARNE BOVINA COMEÇA A VOLTAR AO NORMAL, por Mauro Zafalon, no jornal Folha de S. Paulo

China impulsiona mercado com compra de 41% da proteína exportada ao redor do mundo

A cadeia mundial de carne bovina começa a voltar ao normal. Os Estados Unidos, país líder em exportações, e o que mais mais sofreu os efeitos da Covid-19, já estão com os abates bovinos semanais entre 97% e 98% do que era antes da pandemia.

Os americanos, devido à concentração e ao tamanho dos frigoríficos, tiveram de interromper o abate em várias unidades industriais no segundo trimestre deste ano.

O Brasil, o maior exportador mundial, também foi afetado pela pandemia, mas em proporções bem menores. O país mantém um fluxo intenso de exportação e de elevação interna de preços.

Os dados fazem parte de um relatório que o Rabobank, banco especializado em agronegócio, divulga nesta sexta-feira (4) no Brasil. Os técnicos da instituição financeira avaliam o cenário deste terceiro trimestre.

A China foi a principal responsável por manter esse mercado aquecido durante a pandemia, e está ajudando a recuperação do setor em vários países afetados pela Covid-19.

As importações chinesas de carne bovina somaram 997 mil toneladas no primeiro semestre, 43% mais do que em igual período anterior. O apetite dos chineses fez com que eles ficassem com 41% da carne bovina comercializada ao redor do mundo neste ano.

O Brasil foi um dos países mais favorecidos, uma vez que 38% dá proteína que saiu do país teve a China como destino. No ano passado, eram apenas 24%. Os argentinos forneceram para os chineses 22% da carne exportado, e os australianos, 16%.

Apesar desse início de recuperação, o setor ainda sente o ritmo lento da retomada da alimentação fora do domicílio, o que reduz a demanda, segundo os analista do Rabobank.

Nos Estados Unidos, a produção de carne neste ano ainda é 2% inferior à de 2019, mas os americanos deverão terminar o ano com uma evolução positiva de 1% a 1,5%.

No caso do Brasil, onde a oferta de gado está restrita, a produção de carne poderá cair 2,5%, em relação à de 2019, apesar da forte demanda chinesa pelo produto brasileiro.

Com relação ao mercado interno brasileiro, os analistas acreditam que o consumo vá refletir a deterioração das condições econômicas.

A Austrália, outro importante participante desse mercado, também tem oferta reduzida de animais. Ao contrário do que ocorre no Brasil, porém, as exportações caem, principalmente devido às compras menores da China naquele país.

Na Europa, há uma melhora da demanda, mas a oferta de carne caiu 5% nos cinco primeiros meses do ano. Em alguns países, como ocorreu na Itália, a redução chegou a 16%.

No Canadá, a produção continua em queda, mas em ritmo bem menor do que os 29% de março a maio. Há um estoque de gado à espera de abate.

A Nova Zelândia, após a forte queda de março e abril, tem os abates normalizados.
Miguel José Teixeira
04/09/2020 09:26
Senhores,

"Definição sobre nova tecnologia

"Quem vai decidir o 5G sou eu", diz Bolsonaro em live" (Terra)

Penso que, se houver "rachadjinha", poderá ser apenas 2,5G!

Para quem está à fazer duas meias reformas que não somam uma. . .
Miguel José Teixeira
04/09/2020 08:55
Senhores,

"TCHAU, TOFFOLI

Liminares controversas, proximidade excessiva com a política, canetadas para autoproteção e a marca indelével da censura:

um retrato da pior presidência da história do Supremo Tribunal Federal."

(Por Fabio Leite em Crusoé: https://crusoe.com.br/edicoes/123/tchau-toffoli/)

Sei não. . .nesses longos 22 anos que lhe restam no STF, ainda poderá fazer muita "arte por toda parte". É de sua natureza. . .
Herculano
04/09/2020 08:52
PARLAMENTO CUSTA 20,5 VEZES MAIS QUE O BRITÂNICO, por Cláudio Humberto

Nisto a reforma de Rodrigo Maia não mexe: com 513 deputados e 81 senadores, cada um custando US$7,4 milhões (R$39 milhões) por ano, o Brasil tem o segundo parlamento mais caro do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, e chega a ser 20,5 vezes mais caro que o do Reino Unido, considerando Câmara dos Lordes e Câmara dos Comuns. O Congresso custa mais que parlamentos mais numerosos, segundo a organização internacional União Interparlamentar, que estuda o setor.

O CASO FRANCÊS

A França tem 924 deputados e senadores, quase o dobro do Brasil, mas custa 7,4 vezes a menos em salários, mordomias, estrutura etc.

'NÃO MEXA NO MEU'

A proposta cosmética do presidente da Câmara não mexe em regalias e truques criados para engordar os ganhos financeiros dos parlamentares.

DE FATO, UM ABSURDO

O Congresso brasileiro é sete vezes mais caro que o da Alemanha, que tem bem mais parlamentares: 778. E custa o quádruplo do argentino.

PROPOSTA ESQUECIDA

Parlamentar por 28 anos, Bolsonaro defendia na campanha reduzir o número de deputados federais de 513 para 400. Nunca mais falou nisso.

REFORMA TRATA Só DO FUTURO, MAS JÁ É ALGUMA COISA

Cercada de grande expectativa, a reforma administrativa proposta pelo governo federal é considerada modesta e alheia à necessidade urgente de equilibrar despesas. Não mexe em privilégios e regalias. Assim, o Brasil, que gasta 13,7% do PIB com pagamento de pessoal, vai continuar assim até que todos os atuais servidores públicos deixem de receber inclusive os penduricalhos pornográficos pagos pelo sofrido contribuinte.

FICOU POR ISSO MESMO

Como o setor público não deu qualquer contribuição durante a pandemia, o Brasil deve gastar muito mais em 2021 para bancar seus marajás.

MILITARES SÃO ATINGIDOS

Um dos destaques do projeto é a previsão de transferir para a reserva os militares que ocupem cargos civis de confiança por mais de dois anos.

MINISTÉRIOS LIMITADOS

A reforma também prevê uma limitação, por lei, do número de ministérios e órgãos diretamente subordinados à Presidência da República.

EXPECTATIVA NO AMAZONAS

Após a confirmação do afastamento do governador Wilson Witzel, o lobista Alessandro Bronze desanimou na tentativa de livrar o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), do mesmo destino, em razão de acusações idênticas como a compra de respiradores superfaturados.

CHAVE DE CADEIA

O governador amazonense Wilson Lima é acusado de chefiar o esquema e suspeito até de remessa para paraíso fiscal. A investigação já levou oito para a prisão, incluindo sua ex-secretária de Saúde Simone Papaiz.

QUEM MATOU BRUNA?

A sargento Bruna Borralho, da PMRJ, foi covardemente assassinada no Rio, domingo. A imprensa ignora, não houve protestos nem de entidades de mulheres, não há campanha "quem matou Bruna?", nada. Para essa corja oportunista, é como se Bruna merecesse isso por ser policial.

AMAZôNIA É DO BRASIL

A imprensa internacional escondeu a redução de 5% nos incêndios. E o general Augusto Heleno (GSI) reiterou a Marcel D'Angelo, da BandNews, que o Brasil dispensa "opinião de estrangeiros sobre a Amazônia".

BATALHA POR PRIVILÉGIOS

Líder do governo, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) prevê tramitação sem resistência da PEC da reforma administrativa, "a não ser de sindicatos que querem manter corporações privilegiadas". Como sempre.

RITMO ACELERADO

O crescimento no número de novos casos do coronavírus assusta até a OMS: a Índia registrou 84,2 mil novos casos nesta quinta, mais que a soma dos novos casos nos EUA e no Brasil (38 mil cada).

SENADO DE VOLTA

Está marcada para 22 de setembro a primeira sessão presencial do Senado, desde o início da pandemia. Serão analisadas 33 indicações de embaixadores e de três ministros do Superior Tribunal Militar (STM).

TRANSPORTE SOFREU

Levantamento da Confederação Nacional dos Transportes indica queda de 11,3% no "PIB" do setor, quase o dobro da retração da economia brasileira no primeiro semestre do ano (5,9%), em razão da pandemia.

PENSANDO BEM...

...uma reforma incomoda muita gente, duas reformas incomodam muito mais.
Herculano
04/09/2020 08:45
da série: não é só o Rio, não.

DEUS ANUNCIA RECALL DO CARIOCA, por Renato Terra, roteirista, no jornal Folha de S. Paulo

Todo poderoso desiste oficialmente do Rio de Janeiro

Deus todo-poderoso, pautado por seu princípio de justiça divina, convocou os cariocas a comparecer ao limbo, a fim de realizar a devolução de suas almas. "Acho que fui muito onipotente. Esse negócio de criar tudo em sete dias foi apressado demais, só podia dar problema. Tava na cara! Tenho que admitir que, de todas as minhas criações, o carioca foi aquela que realmente não deu certo", lamentou o Criador.

Exausto, o Misericordioso caiu de joelhos e se benzeu. "Em nome do Bolsonaro pai, do Witzel e do Marcelo Crivella, como o carioca tem dedo podre pra escolher seus governantes! Pelo amor de Mim mesmo! Achei que tinha pagado todos os meus pecados com Sérgio Cabral e Pezão", Ele desabafou.

Ao lembrar de líderes evangélicos cariocas, dirigentes esportivos e empresários, do Vivendas da Barra e da Flordelis, o Altíssimo pegou a estátua de Seu filho pela mão. "Vamos embora daqui. Não dá mais."

Onisciente de suas limitações, o Supremo Arquiteto lembrou a fulgurante inspiração que o iluminou no momento de projetar as praias e montanhas. A lagoa Rodrigo de Freitas, então com o dobro do tamanho atual, tinha peixe, camarão, era cheia de vida. Gabou-se de ter benzido o samba, a bossa nova, o Garrincha, o Matte de galão, o frescobol.

Foi com um aperto no supremo peito que Ele anunciou o recall do carioca. "Tanto esmero para erguer uma cidade inspiradora e o carioca acha que todas essas qualidades são dele. O carioca não ama o Rio de Janeiro. Ele ama o fato de ser carioca. O Rio de Janeiro não merece o carioca", resumiu, indignado.

Aquele-Que-Se-Fez-Carne prometeu descontinuar toda a linha de cariocas e devolver a cidade aos passarinhos, macacos, peixes, camarões, às capivaras, a todos os animais que habitavam essas terras férteis. "Talvez só deixe o Zeca Pagodinho", ponderou.

De repente, Deus Pai foi abruptamente repreendido por um guardião do Crivella. "ô", mermão. Recolhe essa tromba aí, parceiro. Não pode ficar se lamentando aqui nessa cidade não. Vai ficar de mimimi? Aqui tem prefeito. E tem o Mito! Mitooooo!", bradou o brucutu mascarado.

No mesmo instante, um carro com insulfilm passou rente às Suas sandálias da humildade e um miliciano mandou a real. "ô", Santíssimo, a parada é a seguinte: ou você se adapta às nossas regrinhas ou pode picar Sua mula no deserto. Essa cidade aqui tem dono, parceiro."
Herculano
04/09/2020 08:19
da série: o retrato de um governo que não governa, que disse que combateria a velha política, mas não se mexeu para fazer a nova, e só por isso, está nas mãos das velhas raposas. Governar é bem diferente do que comandar: é preciso fígado, inteligência e gente disposta a dar a cara para a causa (política e de poder), como por exemplo faz o poder de plantão em Gaspar. Uma Paulinha só consegue fazer verão em Bombinhas. Na Alesc ela até prometeu o verão, mas só quando usou aquele vestido vermelho decotado. Aquele salão no fundo ainda é dos engravatados

ASSEMBLEIA ACIRRA A "GUERRA" CONTRA MOISÉS, por Roberto Azevedo, no Making of

Na leitura de mais de seis horas, o novo pedido de impeachment pela Assembleia transforma a já delicada relação do governador Carlos Moisés da Silva (PSL) e da vice Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil) com o presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD), em uma declaração de guerra explícita.

O documento, assinado por 17 pessoas, entre advogados e empresários, alguns pré-candidatos nas eleições deste ano, reúne uma série de acusações, um verdadeiro cozidão, que remonta ao início da administração de Moisés e Daniela, em janeiro de 2019, e passa por situações como o hospital de campanha, que não saiu do papel, e o pagamento antecipado de R$ 33 milhões por 200 respiradores junto à suspeita Veigamed, sem garantia nenhuma de entrega.

A pluralidade de assuntos elencados pelos proponentes em um libelo de forte carga política e em retórica adjetivada, serve ao propósito dos opositores do governador que buscam o apoio popular à causa do impeachment, não identificado até agora, pois tratam até mesmo das medidas adotadas no combate à pandemia do Coronavírus, que desagradaram há muitos.

APARENTEMENTE

O presidente Julio Garcia lidera a iniciativa de levar adiante o processo, embora não seja seu único entusiasta, e fez questão de retirar o tema equiparação de salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia, que já é objeto de outra análise.

É evidente que permitir o novo pedido significa admitir que o atual processo de impeachment não empolga e cairá em uma análise teórica jurídica, então passa a valer uma outra sequência de acusações.

LIMITE

Há uma linha tênue na difícil fase de relacionamento institucional entre Legislativo e Executivo, provocado pela falta de uma base de apoio robusta de Moisés, presa fácil para casuísmo e disputas pelo poder, em um ambiente eleitoral.

O que o pedido de impeachment faz é um linchamento político e biográfico do governador e da vice.

SILÊNCIO

O que preocupa é que um erro recorrente do atual governo, silenciar diante de situação es graves, como aconteceu em outros episódios, favorece parte do entendimento dos maiores críticos de Moisés.

Para eles, as reações do Executivo são vagarosas e limitadas, quando ocorrem tornam-se tardias por conta da repercussão da crítica ou do problema.

MAS VEIO

A nota oficial lacônica sobre a abertura do novo processo de impeachment veio às 19h33min, muito tarde.

Inclusive a notificação já havia sido entregue no Centro Administrativo há muito tempo.

FOCO

Grande parte do processo de impeachment mira na vice-governadora Daniela Reinehr, em um tom pejorativo e mal-educado, em que até o fato dela ter participado da kerb, em Piratuba (Oeste do Estado), na interinidade como governadora, vestida com trajes típicos.

O pedido não quer deixar Daniela imune aos ataques e, em certo trecho, os autores declaram que a vice-governadora "não é plateia, é protagonista" e que demonstrou que poderia ter agido em momentos críticos tal qual o fez na crítica à tentativa de cobrança do ICMS sobre os agrotóxicos, que acabou fulminada com forte atuação do parlamento.

MAIS UM

O clima que já não é dos melhores em relação ao governador e a vice deve piorar nos próximos dias quando o deputado Ivan Naatz pedir que as conclusões da CPI dos Respiradores virem mais um processo de impeachment.

Naatz quer aproveitar o momento desfavorável, a investigação da PF, determinada pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ, para apressar a questão, também contemplada no que foi lido nesta quinta (3). O negócio é emparedar Moisés, custe o que custar.
Herculano
04/09/2020 08:04
DESEJOS DE GUEDES E TRAVAS DE BOLSONARO PRODUZIRAM UMA REFORMA FRANKENSTEIN, por Josias de Souza

Após um ano de embromação, chegou ao Congresso a reforma administrativa do governo. Ela é feita de uma combinação de pedaços dos desejos de Paulo Guedes com as travas impostas por Jair Bolsonaro.A mistura produziu uma espécie de reforma Frankenstein.

Elimina alguns privilégios, restringe a estabilidade funcional e estimula a produtividade. Mas não mexe com as castas mais privilegiadas do funcionalismo: juízes e procuradores. Não toca nos militares, a corporação de estimação de Bolsonaro. Não atinge os parlamentares.

No processo de junção das vontades de Guedes com as restrições de Bolsonaro, o governo tomou decisões que deixariam de cabelo em pé até Mary Shelley, autora do romance estrelado por Frankenstein.

O governo expôs os princípios da reforma numa proposta de emenda constitucional. Mas não divulgou os projetos de lei necessários para retirar as regas gerais do papel.

No geral, o governo deseja reduzir salários. Mas adia a proposta que expõe os cortes de remunerações. Deseja manter a estabilidade em certas áreas. Mas sonega o projeto com os nomes das corporações.

O Frankenstein do governo não assusta os atuais servidores, excluídos da reforma a contragosto de Guedes. Significa dizer que não haverá ganhos instantâneos. A economia virá no longo prazo, à medida que os funcionários mais antigos forem vestindo o pijama.

Os otimistas avaliam que o monstro pode virar galã a qualquer momento. Os pessimistas preferem adiar as conclusões para depois da apresentação dos projetos de regulamentação que o Planalto promete enviar e das emendas que os parlamentares não abrem de apresentar.
Herculano
04/09/2020 07:42
REFORMA ADMINISTRATIVA DE BOLSONARO PARECE BOI DE PIRANHA, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Mudança no funcionalismo tem teses gerais razoáveis, mas vagas, e jabutis graves

A reforma administrativa de Jair Bolsonaro até pode vir a prestar, quando e se a gente souber o que de fato vai ser a mudança. Até agora, foram apresentados apenas uns princípios gerais, explicações confusas para omissões importantes e uns jabutis problemáticos.

Politicamente, parece um boi de piranha, um pobre bicho idoso que, diz a lenda, era sacrificado e jogado no rio para distrair os peixes e evitar que eles comessem o resto do gado que atravessava as águas. Não resolve problema imediato nenhum - ao contrário.

A reforma terá efeito sobre o grosso do funcionalismo daqui a uns dez anos, a julgar pela rotatividade implícita (dadas aposentadorias e contratações). Não lida imediatamente com problema algum de despesa e, em parte relevante, no futuro. Por exemplo, explicita na Constituição que não se pode reduzir salário de carreiras típicas de Estado, o que inclui militares, juízes, procuradores etc., o puro creme do milho da burocracia. Apenas os militares, por exemplo, levam 27% da despesa federal com pessoal. Profissional de saúde e professor poderá levar talho no salário, porém.

Como vai ficar então a redução de salários prevista na emenda constitucional "emergencial" enviada pelo governo ao Congresso no final do ano passado? Foi para o vinagre, como queria Bolsonaro? Esse é um dos "gatilhos" para salvar o teto de gastos sem paralisar o governo. Isto é, se a despesa estourar o teto, por exemplo seriam reduzidos salários e jornadas dos servidores, dizia a PEC "emergencial".

A PEC da reforma administrativa tem jabutis. Por exemplo, uma "emenda Bolsonaro". O presidente poderá extinguir por decreto ministérios, fundações e autarquias (atualmente precisa de autorização do Congresso), entre outros empoderamentos. Ou seja, em tese, Bolsonaro poderia dar cabo do Banco Central, do Ibama, da Fiocruz ou mesmo de universidades. Hum.

Por falar em jabuti, a PEC tem também uma emenda de um "governo capitalista", como um secretário qualificou o governo Bolsonaro na apresentação da reforma. O Estado fica proibido de "instituir medidas que gerem reservas de mercado que beneficiem agentes econômicos privados [...] ou que impeçam a adoção de novos modelos favoráveis à livre concorrência".

Para começar, a emenda acabaria com políticas de compras dos governos (aquelas que beneficiam fornecedores nacionais), entre outras tentativas de política industrial. Vaga do jeito que é, permite judicialização encrenqueira até da regulamentação de profissões. E "adoção de novos modelos" lá é texto para entrar em Constituição? Só faltou escrever na Carta que vão fazer um "call" para "alinhar" as "laws" com o "governo capitalista". Reserva de mercado costuma dar besteira, mas é preciso refazer ou eliminar essa emenda.

A reforma tem princípios gerais razoáveis, como acabar com certos privilégios indevidos e estabilidades injustificadas, incentivar a produtividade e permitir remanejamentos racionais da força de trabalho pública (hoje imobilizada em funções determinadas com base em regulamentos medievais).

Em tese, a reforma diz respeito também ao funcionalismo de estados e municípios, muitos deles uma baderna perdulária.

No entanto, não mexe com a casta judicial ou similar (juízes e procuradores têm os maiores privilégios) e não toca na corporação que o militante Bolsonaro defende, os militares. Enfim, sem saber da regulamentação, a gente teme que se abra espaço para arbítrios e favoritismos de outra espécie.
Miguel José Teixeira
03/09/2020 22:40
Senhores,

Amin ministro, a ti decepção. . .

"Apelidado de "05", Ciro Nogueira tenta trazer Bolsonaro de volta ao PP" (Bela Megale em O Globo).

Meu "bomje". . .! O que os PeTralhas fizeram, hein?
Herculano
03/09/2020 19:07
PROFETA

Olhando a lista de candidatos a vereador do MDB, PP, PSDB, PSD e PDT divulgada na quarta-feira, entendi a razão pela qual o editor e proprietário do jornal Cruzeiro do Vale, Gilberto Schmitt, escreveu tempos atrás na sua "Chumbo", que determinados candidatos corriam o risco de não receber votos suficientes para ultrapassar o número do sapato de calçam. Ai, ai, ai...
Herculano
03/09/2020 19:04
da série: lei como ela foi feita no parlamento e sancionada para vigorar de forma igual para todos, só serve para pretos, putas e pobres. Os poderosos de plantão tem juízes que a interpretam ao sabor do cliente.

"BOLSONARO SE SENTIRÁ NO DIREITO DE PEDIR UM TERCEIRO MANDATO"

Conteúdo de O Antagonista. Há senadores bastante preocupados com as consequências de um possível aval jurídico para que Davi Alcolumbre rasgue a Constituição e o regimento interno do Senado e possa tentar se reeleger em fevereiro do ano que vem.

Na manifestação enviada ao STF em que defende a recondução ao cargo na mesma legislatura - o que é claramente vedado pela legislação vigente -, a Advocacia do Senado apela para o argumento de que o presidente da República tem o direito à reeleição.

Ora, os presidentes da Câmara e do Senado também podem se reeleger, porém, em legislaturas diferentes.

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede), externou o que vem sendo falado nos bastidores há algumas semanas:

"Se esse argumento prosperar no STF, o próprio Jair Bolsonaro se sentirá no direito de pedir um terceiro mandato. Isso é muito grave. Aliás, só o fato de o Davi ter colocado os advogados do Senado para defenderem sua tese, é muito grave."
Herculano
03/09/2020 19:04
PENA NÃO HAVER NO BRASIL VACINA CONTRA A TOLICE, por Josias de Souza.

A única coisa realmente bem distribuída no mundo é a tolice. É grande a quantidade de tolos. E como não há vacina contra asneira, todos correm o perigo de contágio. Em matéria de imunização, o governo decidiu roçar as fronteiras do impensável. No início da semana, o ministro interino da Saúde, o general paraquedista Eduardo Pazuello, nomeou um veterinário, Laurício Monteiro Cruz, para o cargo de Diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, responsável pelo gerenciamento do programa nacional de vacinação.

No dia seguinte, o presidente falou sobre vacinas como se estivesse com os pés no século 21 e a cabeça na era proterozoica, que é anterior ao aparecimento dos animais na Terra. Uma devota de Bolsonaro levantou a bola no cercadinho do Alvorada para que o presidente falasse sobre vacinação: "?", Bolsonaro, não deixa fazer esse negócio de vacina, não! Isso é perigoso." E o presidente concluiu o lance com uma cortada: "Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina."

Numa evidência de que a tolice é altamente contagiosa, a Secretaria de Comunicação do governo transformou a fala proterozoica do presidente em peça de propaganda. E se apressou em anotar nas redes sociais: "O governo do Brasil preza pelas liberdades dos brasileiros".

Chegamos, então, ao seguinte quadro: o governo é comandado por um presidente que, há duas semanas, disse em viagem ao Pará que as mais de 100 mil mortes que o coronavírus produziu no Brasil não existiriam se os doentes tivessem sido tratados desde o início com hidroxicloroquina. Esse mesmo Bolsonaro que trata como vacina um remédio sem eficácia confirmada, desdenha de uma vacina que o mundo aguarda com ansiedade.

Num mundo convencional, havendo uma doença, vacina-se o povo e está tudo resolvido. No caso do novo coronavírus, aguarda-se ansiosamente pelos testes que validarão as vacinas. Antes da conclusão, Bolsonaro trata da vacinação não como um presidente, mas com a displicência de um curandeiro. Em vez de esclarecer, confunde.
Herculano
03/09/2020 19:03
da série: faltam votos e articulação, sobram escaramuças jurídicas, e em ambos o governo de Santa Catarina vai perdendo de braçada porque o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, acostumado a comandar, não se atentou ainda o que é governar.

INQUÉRITO CONTRA MOISÉS, por Cláudio Prisco Paraíso

O ministro Benedito Gonçalves, do STJ, o mesmo que determinou o afastamento do govenador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por 180 dias, acatou pedido do Ministério Público Federal e mandou abrir inquérito para investigar o chefe do Executivo catarinense, Carlos Moisés da Silva.

O governador é suspeito de ter participação no escândalo dos respiradores, cujo negócio foi fechado no final de março com pagamento antecipado de R$ 33 milhões sem qualquer garantia. Os equipamentos nunca foram entregues, apesar de terem sido comprados com sobrepreço.

Para o ministro, pode ter havido eventual participação de Moisés. Já o MPF fala em relevante atuação do governador no caso. Além de saber do negócio "da China" e não se opor, ele teria mandado pagar os valores antecipadamente. Isso tudo, as investigações podem confirmar ou não e quem dará a palavra final será o Judiciário.

COMPONENTE

Mas é uma baita encrenca a mais para Moisés da Silva, já às voltas com o rumoroso processo de impeachment, onde a possibilidade de sua cassação é real, embora o embasamento do processo na Alesc seja de outra natureza, o aumento salarial concedido aos procuradores do Estado.

TARRAFADA

Benedito Gonçalves, além de mandar abrir a investigação contra Moisés da Silva, também manteve todas as medidas cautelas em relação aos demais envolvidos, como os ex-secretários Douglas Borba e Helton Zefferino.

FATORES EXTERNOS

A coluna vem registrando a possibilidade de fatores externos, sobretudo situações envolvendo o Judiciário, influenciarem diretamente os desdobramentos do impeachment. Neste caso, foi pinçada uma situação específica para alcançar o governador e a vice-governadora. Obviamente que o inquérito no STJ, com as investigações a cargo da Polícia Federal, gera mais desgaste a Moisés da Silva. Mas apenas a ele, pois a vice está fora de qualquer ligação com o escândalo dos respiradores.

PRAZO

Benedito Gonçalves determinou que a PF tem 90 dias para diligências, colhida de provas e tomada de depoimentos, inclusive do governador do Estado neste inquérito agora aberto no STJ. Ele terá que prestar esclarecimentos.

FATIAMENTO

Em tese, caso não haja alterações na Comissão Especial, no plenário da Assembleia os deputados votarão separadamente pela aceitação do processo contra Moisés da Silva e Daniela Reinehr. Na Comissão Especial, contudo, pode haver recomendação, no relatório final, para que a votação seja conjunta, ou seja, uma votação valendo as duas autoridades.

Se isso não ocorrer, fica no ar a possibilidade de os deputados aceitaram as acusações contra o governador, mas deixando a vice de fora. Neste caso, ela continuaria na linha sucessória, mudando o panorama geral.

SIGLAS

Com a família Bolsonaro, mais personificada na figura do deputado federal Eduardo, empenhada em salvar o pescoço de Daniela Reinehr, não dá pra descartar a hipótese de os deputados do PSL que são contra Moisés votarem a favor de Daniela. Ou mesmo do PL, do senador Jorginho Mello. Ela poderia completar o mandato e apoiar uma candidatura de consenso com os Bolsonaro aqui no estado lá em 2022. São peças que podem aparecer neste intrincado tabuleiro de xadrez em que se transformou a política catarinense.

INFLUÊNCIA

Também não dá pra descartar a excelente interlocução que o presidente Jair Bolsonaro tem hoje com ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Herculano
03/09/2020 19:03
REFORMA ADMINISTRATIVA EXCLUI PARLAMENTARES, JUÍZES E MILITARES

Governo argumenta que não tem autonomia para propor mudanças de regras a essas categorias
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Bernardo Caram e Thiago Resende, da sucursal de Brasília. A reforma administrativa proposta pelo governo nesta quinta-feira (3) não atinge categorias específicas, como juízes, membros do Ministério Público, militares e parlamentares.

O governo apresentou um texto considerado amplo, que tem impacto não apenas sobre os servidores do Executivo, mas também do Legislativo e Judiciário. A proposta do Executivo federal também tem efeito para estados e municípios.

O Ministério da Economia informou, no entanto, que o Poder Executivo não tem autonomia para propor mudanças de regras para membros de outros poderes.

São classificados nessa categoria juízes, desembargadores, procuradores, promotores, deputados e senadores. Para eles, não haverá mudança de regras.

O governo argumenta que essas categorias obedecem a normativos próprios, que não podem ser alterados pelo Poder Executivo.

Eventuais mudanças relacionadas a esses grupos precisariam ser propostas pelos próprios órgãos aos quais estão vinculados. Também é possível que o Congresso use o pacote do governo para incluir, por conta própria, essas alterações.

O secretário especial adjunto de Desburocratização do Ministério da Economia, Gleisson Rubin, explicou que, embora esses grupos estejam fora da reforma, as medidas propostas pelo governo valerão para os servidores dos outros poderes.

Isso significa, por exemplo, que um juiz não poderá ser atingido, mas o servidor da área administrativa de um tribunal terá de obedecer às novas regras.

Os militares, que respondem a normas específicas, também não serão afetados pela reforma.

A proposta apresentada nesta quinta proíbe progressões automáticas de carreira, como as gratificações por tempo de serviço, e cria maiores restrições para acesso ao serviço público. O texto também abre caminho para o fim da estabilidade em grande parte dos cargos, maior rigidez nas avaliações de desempenho e redução do número de carreiras.
Herculano
03/09/2020 19:02
COVID-19 - LUZ NO FINAL DO TÚNEL? por Paulo Milet, matemático pela UnB e pós graduado em administração pública pela FGV RJ, Consultor e empresário nas áreas de Tecnologia, Gestão e EaD (www.eschola.com), em Os Divergentes.

Sendo otimista, em outubro pode se chegar à faixa de de 300 óbitos/dia, que é muito mas se assemelha ao numero de mortes mensais no ano passado por pneumonia ou AVC +infarto. Não sei se podemos chamar esses números de normais, mas infelizmente são comuns!

Com o fechamento do mês de agosto, com 121.300 óbitos acumulados (muito triste!), podemos confirmar e constatar que o famoso Platô (que na verdade é um somatório de 27 estados) afinal está na descida.

Com qualquer critério que seja analisada, a curva é para baixo.

Como tenho feito em outros artigos, vou usar aqui números arredondados e conceitos matemáticos simples para não cansar o leitor.

Vejam abaixo o número de óbitos mês-a-mês desde abril e o percentual de acréscimo ou decréscimo em relação ao mês anterior

abril 5.700

maio 24.000 + 320%

junho 30.200 + 26%

julho 33.000 + 9,3%

agosto 29.000 -12,1%

Claramente a redução é sensível. Olhando as duas quinzenas de Agosto, tivemos 15.000 óbitos na primeira e 13.000 na segunda quinzena (a diferença para os 29.000 é porque usei apenas 30 dias de agosto). Isso significa - 13,5% de uma quinzena para outra.

E setembro? E outubro?

Podemos fazer essa estimativa de diversas maneiras:

Uma delas é simplesmente considerar uma redução de 13,5% nas duas quinzenas de setembro, resultando em 11.300 óbitos na primeira quinzena e 9.800 na segunda, em um total de 21.100 para setembro.

Mas nesse caso não consideramos que esse percentual de redução está caindo. Então, melhorando um pouco o cálculo, podemos estimar que a redução será maior que 13,5%, por exemplo 15% e 17% para as duas quinzenas de setembro, resultando respectivamente em 11.050 e 9.200 totalizando 20.250 para setembro.

Uma outra forma de fazer a estimativa é refazer o que escrevi aqui mesmo, em 15/08, onde minha projeção para os 17 dias para finalizar o mês de agosto seria de mais 16.400 óbitos, baseado na quantidade de casos "Em acompanhamento" multiplicado pela taxa de letalidade naquele momento. O que aconteceu foi menor, igual a pouco mais de 14.000, tomando 19 dias e não 17. Significa que a redução estava com uma velocidade um pouco maior do que eu estimei.

Refazendo as contas e ajustando para esse mês, em 02/09 (hoje) temos em setembro 1.200 óbitos, 662.680 casos em acompanhamento e uma taxa de letalidade em 2%, resultando em +13.000 óbitos para os próximos 18 dias, ou seja 14.200 (1.200 + 13.000) no dia 20/9 (2/3 do mês). Mantida a proporção, chegamos ao final de setembro com 21.300 óbitos (redução de 26,5% em relação a agosto).

Vemos que mesmo variando o método, o resultado é muito parecido, o que implica terminar setembro com pouco mais de 140.000 óbitos, significando algo próximo de 700 mortes por milhão (índice de mortalidade).

Para que esse número seja menor em setembro, é necessário que a redução na segunda quinzena seja acelerada, porque com os números dos casos "Em acompanhamento" divulgados pelo MS, a primeira quinzena já tem milhares de óbitos "contratados" e com desfecho, mas que simplesmente ainda não entraram nas estatísticas.

Sendo otimista, outubro pode ter perto da metade (11.000) dos óbitos de setembro e já chegando a faixa de 300 óbitos/dia, que é muito, mas se assemelha com o número de mortes mensais de janeiro a agosto no ano passado por pneumonia (12.000/mês), Septicemia (9.000/mês), ou AVC + Infarto (12.000/mês). Não sei se podemos chamar esses números de normais, mas infelizmente são comuns!

Outra maneira de olhar, é acompanhar o movimento pelos estados, como pode ser visto no excelentes gráficos que @Mauricio Garcia publica no linkedin e que anexei lá embaixo.

O número que aparece em cada quadro, é o índice de mortalidade e nota-se um comportamento bastante regular, mostrando que, para que a queda seja acelerada, esse número deve ultrapassar 500.

Qual a lógica desse número? Ninguém sabe, (por enquanto), mas parece ter relação com a densidade populacional, com a proporção da população nas grandes cidades e bairros (maior mortalidade) e no interior (menor) e com alguma imunidade anterior por vacinas ou doenças diversas.

MS, TO, MT, GO e DF ainda não começaram a descer mais aceleradamente, mas está próximo. (DF tem comportamento de cidade e não de estado, tendo uma densidade populacional maior, por isso o pico é mais alto).

MG, BA, RS, SC e PR surpreendem fazendo a curva antes da mortalidade atingir 400. Esses 5 estados podem fazer a média Brasil descer bastante se esse comportamento for mantido.

Os outros 17 estados já estão bastante próximos de chegar na planície. Acredito que esses todos cheguem aí em setembro.

Os grandes números mostram que o Brasil está com 580 mortes por milhão e que os estados próximos da planície passam de 750.

Então outra projeção que poderia ser feita é a de que chegaríamos na planície no final de outubro com cerca de 150.000 óbitos (triste realidade!), mas já mais próximos da tão aguardada vacina (s).

Mas não dá pra relaxar! Todos os números aqui apresentados são projeções baseadas no comportamento atual. Se mudar, tudo pode piorar! E o vírus continua circulando.

Observação: Repito aqui o comentário que fiz no último artigo. Se a Globo não mudar seu critério para as cores de apresentação dos resultados, quando todo o país estiver na planície, o mapa colorido do Brasil estará todo amarelo e não azul como todos esperariam, já que na planície, ninguém fica descendo 15% comparado com 15 dias antes.

Uma ressalva que sempre faço, é que todos esses números referentes a óbitos têm um "delay" de cerca de duas semanas e é por isso que as enfermarias e UTI's começam a esvaziar em cada cidade na descida e as estatísticas só percebem isso duas semanas depois.

Enfim, cuidem-se!
Herculano
03/09/2020 19:01
VOCÊ, LEITOR, TEM MEDO DO "GUARDIÃO" AO SEU LADO? por Mário Sabino, editor e um dos proprietário das revista eletrônica Crusoé, em O Antagonista.

Você, leitor, tem medo do "guardião" ao seu lado?
Marcelo Crivella não é um personagem que comova os leitores deste site. Dá para entender: o sujeito não tem a menor graça. Num campeonato de carisma, ele empataria com Geraldo Alckmin. Mas é necessário indignar-se muito com esse escândalo dos "Guardiães de Crivella". Para evitar que a precariedade dos hospitais municipais do Rio de Janeiro fosse para o noticiário, o prefeito usava de uma espécie de milícia nas portas dos hospitais, os tais "guardiães'. Eles intimidavam cidadãos que se dispunham a falar com repórteres da Rede Globo - que, por sua vez, eram também constrangidos no exercício da sua função.

Nos começos da nossa triste República, antes de serem fechados, jornais que desagradavam ao governo eram empastelados. Ou seja, uma turba de mercenários e policiais invadia as redações, quebrava tudo e agredia os jornalistas. No regime militar, jornais eram censurados e jornalistas foram presos, torturados e mortos. Hoje, como (ainda) não dá para empastelar jornais e matar jornalistas, a imprensa vem sendo atacada intensamente nas redes sociais e pelo presidente da República. Jair Bolsonaro chegou à delicadeza de dizer que tinha vontade de encher de porrada a boca de um repórter.

Crivella, no entanto, foi além: ele organizou uma espécie de milícia para cercear o trabalho jornalístico. Não fosse a própria Rede Globo ter denunciado, ela continuaria a funcionar impunemente. O que permitiu que Crivella fosse tão ousado? O espírito do tempo contra a imprensa forjado por militantes bolsonaristas e, antes deles, os petistas. Foi o PT, nunca esqueçamos, que começou a fazer campanha contra os jornais e revistas que denunciavam os seus crimes. Os bolsonaristas elevaram a criação petista à condição de arte, e eis que agora ser jornalista tornou-se quase um crime aos olhos dos fanáticos de ambos os extremos do espectro político. Se jornalistas são sempre mentirosos, manipuladores e agentes do inimigo, nada mais natural que possam ser ameaçados fisicamente. Está aberto, assim, o caminho para que milicianos pagos com dinheiro público possam passar das palavras à ação concreta.

Na criação desse espírito do tempo contra a imprensa, a Justiça brasileira dá a sua parcela de contribuição. O STF mantém há um ano e meio um inquérito sigiloso que já propiciou a censura à Crusoé a este site; na Justiça de Brasília, a bolsonarista Bia Kicis conseguiu uma liminar para tirar o seu nome de uma reportagem da Crusoé que apenas mostrava como ela perdera o ímpeto para defender a prisão em segunda instância. Se nem a Justiça garante mais a liberdade de imprensa, está aberto o caminho para a intimidação judicial em larga escala.

Não pense você que, pelo fato de eu ser jornalista, estou sempre do lado da categoria. Sou avesso à camaradagem típica da profissão, aquela que "corrói as mais belas almas", como escreveu Honoré de Balzac, no que sou plenamente correspondido por quase todos os meus colegas. Em geral, quando escrevem sobre episódios da imprensa nos quais fui personagem, ou eles me avacalham ou nem sequer sou citado. Não me vitimizo, isso só reforça a minha convicção de que fiz muito bem em não ser camarada de ninguém. E é justamente por manter essa distância prudente que posso julgar muitos dos meus desafetos excelentes jornalistas. Eles trabalham duro e, no mais das vezes, conseguem manter a objetividade possível na apuração e confecção das suas reportagens. Não é um trabalho fácil, acredite, inclusive porque se pode usar a verdade para dizer mentiras.

O jornalismo pode não ser a mais bela das profissões, mas ela é necessária. Mesmo quem odeia jornalistas informa-se direta ou indiretamente pela imprensa. Não tem jeito, alguém tem de fazer o serviço. Ele é sujo de vez em quando? Certamente. Mas as sujeiras eventuais não invalidam a a realidade de Sua Excelência, o Fato, estar permanentemente ali na nossa frente, mesmo quando cercada da vassalagem meramente opinativa. O problema é quando a opinião tenta apagar completamente o fato, como vem ocorrendo hoje em dia nas franjas bolsonaristas e petistas que contaminam o cotidiano com o seu pseudojornalismo.

Os "Guardiães de Crivella" são, talvez, o aspecto mais espantoso deste momento. Nada o supera. Como publicamos mais cedo, testemunhas do esquema contaram ao G1 que os integrantes do grupo, pagos com dinheiro público para intimidar cidadãos e repórteres, sofriam ameaças de Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o ML, assessor especial do gabinete do prefeito e chefe dos "guardiães", e de Mariana Angélica Toledo Gonçalves, apontada como braço direito dele. É assim também na máfia: brucutus ameaçam brucutus que ameaçam gente honesta. Uma das testemunhas disse: "Todo mundo tem medo da Mariana e do Marcos Luciano".

Jornalistas de verdade não têm medo de Marianas e Marcos Lucianos de qualquer tipo. Você não precisa gostar de jornalistas, mas é preciso dar esse crédito a eles. A menos, é claro, que você também tenha medo da Mariana e do Marcos Luciano que estão ao seu lado. Não tenha: por trás deles só existem Crivellas que podem ser denunciados pela imprensa.
Herculano
03/09/2020 19:00
SIGNIFICADOS

Segundo o Dicionário, Guardiões é o plural de guardião. O mesmo que: capangas, arqueiros, goleiros, protetores.

Significado de guardião
[Religião] Título que se dá a certos superiores em conventos franciscanos.
[Figurado] Alguém que guarda, protege e salvaguarda, outra coisa ou pessoa; protetor: guardião das tradições.
Aquele cuja missão consiste em proteger outra pessoa; guarda-costas.

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