27/04/2020
As contas de economia apresentadas pelo prefeito Kleber (à esquerda) e o secretário Roberto (centro), não batem com as do vereador Dionísio (à direita) que os questionou diretamente em ambiente público
Kleber Edson Wan Dall, MDB, sempre quando alguém lhe cobra se ele também não vai participar do sacrifício dos políticos e das estruturas públicas para fazer frente a diminuição de caixa diante da crise econômica provocada pela Covid-19, o prefeito retruca que já fez a parte dele. E diante disso não resiste mexer no seu salário de R$R$27.356,69.
E qual foi a parte dele neste caso? A exoneração de cinco secretários e o diretor do Samae. Esta atitude, teria, segundo ele, dado aos cofres da prefeitura de Gaspar uma suposta economia mensal de R$68 mil mês.
Antes de continuar, devemos lembrar que não se trata apenas de um gesto simbólico do prefeito e que ele se nega reiteradamente, mas, deveria ser de solidariedade com a comunidade, a que verdadeiramente foi atingida econômica e extremamente afetada com a pandemia.
E se isso não fosse suficiente, o próprio prefeito, atendendo pedidos de diversos setores da sociedade e diante de uma realidade cruel, vem postergando o recebimento de tributos, fazendo refinanciamento de dívidas dos munícipes para com a prefeitura. Ou seja, a receita está diminuindo não só na cidade como no próprio caixa do governo. Então tem e terá menos dinheiro para fazer frente aos compromissos, inclusive o de pessoal.
Volto. Na coluna de 13 de abril e as sucessivas até aqui, venho desnudando esses números e essa manobra para proteger os salários do prefeito, do seu vice e seus secretários, mesmo que numa redução simbólica como outros fiveram em diversas parte do país, incluindo a vizinha de Blumenau, cujo salário do prefeito de lá é menor do que o de Kleber.
Os secretários que Kleber demitiu não foi exatamente para economizar como ele insiste e quer fazer crer na propaganda, nas argumentações, nos discurso. Fez isso porque os “demitidos” são, em tese, candidatos por seus partidos em quatro de outubro, e a lei, nestes casos, manda eles deixarem os cargos. Se não fosse assim, estariam lá ainda. Nem mais, nem menos. Ou seja, não houve economia planejada.
Então e resumindo: usando os cargos, a máquina pública, a exposição do cargo, a maioria sem a habilidade técnica para as funções que ocupava, foi candidata permanente e sem falar nas estruturas de comissionados indicados por ela.
As estruturas, aliás, continuam, na sua maioria, intactas, nas secretarias (Saúde, Agricultura e Aquicultura, Assistência Social e a da Educação) e no Samae, cujos titulares saíram. E essas estruturas estão lá trabalhando também para resultados políticos de seus ex-chefes.
Outra da jogada. Como Kleber não apontou substitutos para eles, fica a dúvida se eles eram mesmo necessários. Não fazem falta agora, mesmo sendo considerado uma situação emergência?
A secretaria da Saúde, por exemplo, é uma delas. Ela já teve cinco gestões diferentes com quatro secretários em menos de três anos e meio. E logo no meio de uma pandemia admite-se que a interinidade será mais do que suficiente para dar conta do recado? E com um interino que não é da área (é advogado), que foi o chefe de campanha de Kleber, é presidente do MDB e é titular da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Pública, talhada na Reforma Administrativa para ele, e prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira?
Outra dúvida da tal economia. Kleber não extinguiu os cargos.
E se não extinguiu as vagas estão lá, intactas, como boca de jacaré abertas, esperando na estrutura, para serem preenchidas a qualquer momento. E por outro curioso carregador de votos, da composição política na aliança que se forma para a disputa de quatro de outubro, ou até por um indicado de quem saiu, para reforçar-se na máquina de votos já existente.
Então Kleber não está economizando R$68 mil por mês, mas gastou – como se pode pressupor - em torno de R$2,7 milhões em 40 meses de governo em cargos de confiança que agora, sob a desculpa de economizar para fazer frente à Covid-19, diz não precisar mais. Os adjuntos dão conta.
Uma economia marota e que se esconde em novas nomeações e preenchimento de vagas
Na reunião que o prefeito Kleber fez cedo na segunda-feira passada para explicar aos vereadores o que fazia pelos gasparenses na proteção da pandemia, lá pelas tantas, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, questionou se era certo ter um secretário interino de saúde neste momento de crise e qual economia que se estava fazendo na estrutura política-administrativa do governo de Gaspar para se fazer frente ao caixa que vai ficar minguado.
Um mal-estar danado. Kleber, o repórter de si mesmo, alterou o tom e se enrolou. Em seu socorro veio o prefeito de fato. Tudo para dizer que o que se faz é certo. Na sessão de quarta-feira – devido ao feriado de terça - da Câmara esse assunto voltou à tona com o mesmo Dionísio. O questionamento já esperado pelo governo. E a resposta na ponta da língua pleo líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB. Mas, Dionísio ainda não tinha o levantamento completo. Teve que engolir as argumentações de Anhaia.
Eu me interessei, e cobrei números. E quer ver como coisas que o Kleber e os seus do governo argumentam não batem.
Três merendeiras, dois zeladores e 15 professores, um coordenador pedagógico e seis auxiliares de professor num momento em que não há aulas e não há previsão certa para voltar; ora, quando voltar e se contrata. Seria, no mínimo, um mês de economia ao caixa da prefeitura. Um requerimento da bancada do PT ao prefeito questiona este procedimento.
Diretor de Transporte Coletivo numa cidade onde não há transporte coletivo? E o indicado por Kleber já esteve lá, provou que nada entende do assunto e vive perambulando em cargos comissionados dentro da prefeitura e Samae. Ou à renomeação para outro cargo do ex-secretário de Assistência Social, que continua explicitamente em campanha nas suas redes sociais?
Ou então a volta no dia primeiro de abril da recém-aposentada funcionária pública municipal, Teresa Trindade ex-PT, ex-PP, ex- PSB, ex-vereadora, ex-candidata derrotada à prefeita, reconhecida cabo eleitoral? O que ela vai ser? Uma comissionada como coordenadora de Saúde Mental.
Não vou me estender em polêmicas, mas sempre me estabelecer nas incoerências dos discursos dos políticos. O leitor e leitora é que tirem às próprias conclusões. E para isso, estou publicando dois quadros das movimentações de ACTs e Comissionados da prefeitura de Gaspar.
Eles foram elaborados pelo gabinete do vereador Dionísio, o mesmo que levantou esse assunto olhando nos olhos de Kleber, em ambiente público e que foi rechaçado lá pelo próprio prefeito, o seu secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, e pelo líder de governo na Câmara. Então não se trata de tiro dado pelas costas como sempre reclamam Kleber e seus “çabios”, ou foi mais uma das invencionices desta coluna, como apregoam por aí para desacreditá-la, pois quando precisaram, já a tiveram como escudo, e sem me consultar.
Esses levantamentos foram baseados naquilo que está publicado no Diário Oficial dos Municípios – aquele que se esconde na internet e não tem hora para sair. A referência é o mês de abril. E o corte foi a semana passada. Um quadro mostra as exonerações, incluindo as da tal economia de R$68 mil (foi mais) e o outro, com as contratações. Elas superaram em muito a suposta economia.
A conta final no papel não fecha com o discurso da propaganda de eficiência do governo Kleber e seus “çabios”. Por cima, porque no fundo há penduricalhos que não estão sendo levados em conta, a comparação mostra que Kleber está gastando R$ 31 mil a mais contra o caixa da prefeitura. Acorda, Gaspar!
Jornal, portal e coluna ganham o troféu imprensa livre. O prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, acha elas um perigo para a cidade e manda leitor ir a polícia se explicar. Ele estava republicando nas suas redes sociais o que escrevo. Isto em qualquer lugar decente se chama censura e perseguição. É repetitivo!
(Imagem: reprodução da postagem de Eder Muller, no Facebook)
Eu nunca fui filiado a partido nenhum na minha vida. Por isso nunca fui e nem serei candidato a nada. Mas, a coligação que está no poder e domina o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, vem tratando todos que não se alinham com ela como adversários; e quem não se enquadra nas regras de poder absoluto dela, é inimigo. E eu estou nesta lista dessa gente, faz tempo.
Mas, isso vai passar. E por que?
Porque foi assim quando Adilson Luiz Schmitt, MDB, PSB, PPS e agora no DEM foi governo. Foi assim quando Pedro Celso Zuchi, PT, foi governo. Está sendo assim no governo de Kleber e que se elegeu graças a coragem do jornal e portal Cruzeiro do Vale, em não esconder nada de seus leitores e leitoras. A coluna também fez o papel de esclarecer. E sem que ganhássemos um tostão a mais com isso. Ao contrário, perdemos.
Ninguém está pedindo gratidão, reconhecimento e recompensa. Mas, Kleber e o prefeito de fato sabiam das qualidades e como se comportava o jornal, o portal e a coluna, ah, isso eles sabiam. Tanto que quando fiz uma palestra sobre este tipo de assunto, Kleber foi lá babar esse comportamento que lhe favorecia na época. Agora, o governo dele que é talhado unicamente para se perpetuar no poder, está em campanha permanente ele quer o jornal, o portal e eu de joelhos panfletando a favor da permanência dele no poder.
Eu particularmente, acho que eles – Kleber e seus “çabios”, inclusive os capengas da área de comunicação e marketing - estão se preocupando com pouca coisa ou com a pessoa errada. E por que? É da boca dessa gente que se afirma por aí que eu não tenho leitura e muito menos, credibilidade. Ora se não as tenho, para que chutar cachorro morto? Até nisso os caras são ruins de estratégia.
Na coluna de segunda-feira em, relatei um caso de um servidor público com função gratificada, Luiz César Henning, usado para esse novo tipo de guerra em Gaspar em tempos de campanha.
Ele na sua rede social desceu a lenha no ex-vereador Miro Sávio, ex-PFL e agora no PL. Miro é candidato a vereador, é presidente da rádio comunitária Vila Nova, um dos raros canais de denúncias sobre as possíveis irregularidade ou erros do governo Kleber. Se eleito, Miro vai tirar alguém do grupo do prefeito na futura Câmara, se Kleber for reeleito. Bingo! Então pau nele. E esta será uma rotina daqui para frente nas redes sociais, na polícia e na Justiça.
O caso Eder
Nesta semana, chegou-me pelo whatsapp, o caso do Eder Muller, PL. Ele diz que é candidato a vereador e se vencer, naturalmente, é mais um dos que vai tirar uma vaga na Câmara do bloco do governo – se ele se reeleger - e que anda meio manco. Eder, conservador, bolsonarista faz barulho na cidade e contra as incoerências e dúvidas do governo Kleber, não é de levar desaforos para casa. É do jogo jogado. É do estilo dele.
Um Boletim de Ocorrência foi lavrado na Delegacia de Polícia pelo prefeito de fato, ex-coordenador da campanha de Kleber, presidente do MDB, advogado, secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, e interinamente acumulando a secretaria da Saúde, Carlos Roberto Pereira. Ele se queixou que Eder estaria espalhando pânico na cidade durante a pandemia, um crime tipificado na lei. Como assim? O crime dele foi o de espalhar notas desta coluna pela sua rede social, já que eu não tenho audiência e nem credibilidade, segundo o governo.
Qual o objetivo do todo poderoso? Intimidar Eder, o candidato, o adversário antes que ele seja um inimigo. Errou o alvo. Eder não só foi na delegacia (dia 22), como fez uma selfie do momento inusitado e postou na sua rede social, onde escreveu um recado muito direto ao secretário: “quem tem medo de polícia, é ladrão. Pronto sr. Roberto Pereira. Já vim dar o depoimento no boletim falso que o sr fez contra mim. E sempre que for chamado, comparecerei. Até que fiquei bonitinho na foto. Vocês não vão me calar”.
Qual o objetivo do todo o poderoso da prefeitura de Gaspar com mais esta atitude? Intimidar, constranger, desacreditar e calar esta coluna, tirá-la mais uma vez do ar para atingir seus objetivos particulares e políticos.
É uma tática pensada e articulada
Ele é um especialista. O fim, justifica os meios. Já fez isso na campanha que coordenou e perdeu com Kleber: tirou a 89 FM por 24h do ar e impediu a publicação de uma pesquisa às vésperas das eleições no jornal concorrente. Ele tinha então, ambos como adversários ou inimigos. Hoje mudou. O Cruzeiro, o portal e eu continuamos os mesmos de 30 anos atrás. E se tornamos perigosos.
A coluna é a favor da transparência e da coerência dos políticos. Só isso. E para essa gente, isso é crime. Os políticos e gestores públicos, ao assumirem essa simples condição, estão expostos e devem prestar contas à sociedade. E eles resistem. E insistem perseguir, intimidar, constranger, humilhar, caluniar quem os questiona ou expõe aos questionamentos. Simples assim. E por que? Antes de ir a Polícia, há caminhos de esclarecimentos e reparação como o tal direito de resposta. Mas, ninguém usa e faz isso de forma pensada. Sabe que ficaria ainda mais exposto diante de tanta fragilidade.
A coisa é pensada. É articulada. Calar veículos de comunicação é fácil, são poucos. Agora calar as redes sociais, a que a prefeitura e os políticos se tornaram especialistas em usá-las, vai ser muito difícil. Então, mirar em Eder é um recado aos demais. Mas, pelo texto e a postagem de Eder, o tiro saiu pela culatra. E se continuarem nesse tom, vai faltar culatra.
E qual é o pânico que espalho e que essa gente tanto teme? Aquilo que se esconde ou que se quer ver escondido no jogo político de Gaspar e Ilhota. É a vigilância às contas, atitudes, incoerências e resultados prometidos. É a denúncia permanente aos conchavos dos que usam dinheiro público, bem como o desmonte do discurso falso para analfabetos, ignorantes, desinformados e aos que são obrigados a bater palmas porque fazem parte do aparelho sustentado pelos pesados impostos de todos os munícipes.
O verdadeiro pânico dos políticos do poder de plantão são as pesquisas internas que os deixam, por enquanto, com o pincel na mão, a tal ponto, de serem agora, defensores fervorosos do adiamento das eleições deste outubro, espichando elas para outubro de 2022.
Riam macacos. Só não me digam que isso tudo foi causado por esta coluna sem audiência e sem credibilidade. Aí é demais e seria um duplo reconhecimento deste troféu imprensa de resistência. Acorda, Gaspar!
O prefeito de Ilhota, Erico Oliveira, MDB, se rendeu às queixas dos munícipes e para livrá-los, ofereceu uma caixa de água para quem quiser se abastecer no Centro da cidade
Como em Ilhota não há veículo de comunicação, tudo o que se faz lá se escondia ou era menos divulgado. Não é mais assim! Primeiro veio esta coluna e o malho contra ela pelos donos da cidade só para desacreditá-la e fazê-la correr das observações sobre os gestores públicos.
Depois vieram as redes sociais e os aplicativos de mensagens. E aí ninguém mais segurou. Não era apenas um que se precisava combater, desacreditar e calar, mas dezenas.
Esses canais, administrados pelo povo de lá, estão tirando o sono de muita gente. Os políticos de Ilhota estão sendo obrigados a saírem das suas tocas. As suas verdades, desculpas esfarrapadas e discursos estão sendo desnudados ou fragilizados nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Mesmo assim, o velho hábito persiste. Já noticiei aqui que os políticos de lá estão incomodados. E então pulam no pescoço dos seus eleitores queixosos como aconteceu em recentes polêmicas de lá.
E quando o poder de plantão não consegue controlar a situação, ela se apresenta como um escândalo e quase incontornável. Foi o que ocorreu na semana passada. O povo não aguentou e foi dar em massa no gabinete do prefeito Érico de Oliveira, MDB. Ele até ensaiou culpar o mar pelo sal da água que serve nas torneiras ao povo, mas viu que se daria mal e pediu desculpas.
Bom! Mas, é pouco.
O que aconteceu? O que acontece sempre com todas as administrações políticas improvisadas dos municípios que não enxergam o dia de amanhã.
O primeiro problema apareceu há dias e vinha incomodando os cidadãos e cidadãs. O segundo, vai estourar daqui a pouco; é previsível, está se postergando e será bem pior.
Vamos ao primeiro problema. Há uma estiagem. O Rio Itajaí Açú está mais baixo. E a maré, devido à fase da lua, ficou mais alta do que o normal alguns dias. E a água salgada do mar infiltrou-se por 20 quilômetros rio acima contaminando-o. E a captação das Águas de Ilhota colocou água salgada nas torneiras dos ilhotenses e dos gasparenses do Pocinho. Ela já era suja. E a paciência do povo foi ao limite. Um berreiro.
Até o ex-prefeito Ademar Feliski, do MDB raiz, mentor de Érico que nasceu no PP, entrou na área de comentários daqui para livrar a cara do seu pupilo. Foi açoitado. O povo sabe que Ademar foi o fiador de Érico. Ademar recolheu-se
As explicações de Érico de que a água do mar entrou no rio é válida, mas ela mostra que Ilhota, neste e outros governos, não fez o dever de casa, como fizeram outros municípios do litoral sujeitos à mesma situação, entre eles, Itajaí, no Rio Itajaí Mirim.
Leigos, políticos, gestores públicos, consumidores e técnicos sabem desse fenômeno que era raro e se torna meio que constante em Ilhota. Então era preciso mudar o ponto de captação, ou proteger o ponto de captação e há tecnologias próprias para isso, ou alterar o tratamento, e ao mesmo tempo, apurar as análises a jusante do ponto de captação, para preventivamente, alterar a operação e assim por diante. Saídas, há!
Isso exige investimentos e sólidos procedimentos para enfrentar crises, que repito, não é todo o dia. Érico não fez a sua parte e agora não pode culpar só o mar.
Diante da pressão, do desgaste em ano de reeleição, restou-lhe colocar uma caixa plástica no centro da cidade, como o sinal mais claro para a população do seu erro e da correção desesperada. Como se estivéssemos no século passado, os ilhotenses estão pegando água potável e de qualidade, em balde, na bica do centro, como se vê no sertão nordestino.
E qual é a segunda bomba armada em Ilhota para estourar nesta área de abastecimento de água? Autorizou-se e se fez muitos loteamentos na cidade. E para eles, não se expandiu nem captação, nem o tratamento e nem a rede de abastecimento.
Então, o problema que é grave. É uma bomba que vai estourar já, já. Chegará um dia que nem água salobra, que corrói, entope e mancha metais, chuveiros e canos se terá em Ilhota para todos, apesar da fatura mensal chegar pontualmente.
Ilhota está em chamas. Água salgada nela.
Para aumentar os seus ganhos, vereadores são rápidos. Já para diminuí-los e contribuir simbolicamente para atenuar a crise
Roberto Procópio de Souza, PDT, é o autor dos PLs que pedem a redução dos salários dos vereadores
Os políticos sempre me acusam de exagerar. Exagerados são eles nas queixas e atitudes contraditórias que tomam contra a imagem deles próprios.
Enquanto o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, resiste ao menos simbolicamente, em diminuir o seu alto salário, bem como de seu vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP, secretários e comissionados da máquina de buscar votos na prefeitura de Gaspar, os vereadores ensaiam na outra direção.
Excelente! Mas...
E quem teve a ideia foi o vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, que já foi o mais ferrenho adversário de Kleber na Câmara e hoje é um dos mais abnegados defensores dele. E é aí, contraditoriamente, que reside o problema para a coisa não andar na Câmara.
Primeiro Kleber acha que não fica bem para ele, os vereadores diminuírem os salários deles por dois meses e ele não. E não fica bem, mesmo. Então ele torce para que ninguém diminua os salários dos políticos por aqui e a base dele na Câmara trabalha para levar o caso de barriga até sair o foco das cobranças durante a pandemia.
Como é ano de eleições, se não canceladas ou prorrogadas, os vereadores temem embarrigar este assunto. É mais um discurso contra a reeleição deles.
E depois, vejam só, bateu a ciumeira e o espirito de corpo na Câmara. Os vereadores não viram com bons olhos a iniciativa de Procópio. Ele ficará com a fama e o mote de campanha se for a reeleição. E os servidores que também entraram na dança pois estarão impedidos de receberem diária, se uma das resoluções for aprovada, pressionam seus chefes para não serem atingidos. Fingidos. Não é bem assim. Quem está de olho nas diárias, são os próprios vereadores, que vão e voltam a Florianópolis, alguns deles, semanalmente.
Quer ver como essas coisas possuem tratamento diferentes entre os políticos de Gaspar e não só de Gaspar, diga-se em defesa deles?
No dia seis de março deram entrada na Câmara de Gaspar cinco Projetos de Lei que trataram dos reajustes dos servidores e agentes políticos (prefeito e vice) públicos municipais, dos vereadores, servidores da Câmara e o vale alimentação para as duas casas.
No caso dos servidores da prefeitura, houve até aumento real de 1%, exatamente por se tratar de ano eleitoral. No dia 17 de março, última sessão antes da interrupção dos trabalhos da Câmara devido a quarentena social da Covid-19, tudo aprovado.
Veja a rapidez da burocracia. No dia dez de março a mesa diretora recebeu oficialmente os cinco PLs, sorteou os relatores gerais de cada um e os despachou para as comissões. No dia 12, menos de dois dias depois, quase todos já tinham pareceres favoráveis para assim entrar na Ordem do Dia da sessão do dia 17. Aprovados por unanimidade, num vapt-vupt e quase sem discursos.
Já os dois Projetos de Resolução - o que prevê a redução por dois meses dos subsídios dos vereadores, e o que impede diárias para vereadores e servidores até 31 de dezembro -, deram entrada na Casa no dia sete de abril e na primeira sessão depois da quarentena da Câmara e feita pela internet, tiveram seus relatores sorteados: um Wilson Luiz Lemfers, PSD e outro Dionísio Luiz Bertoldi, PT. No site da Câmara não está atualizado até o momento da postagem deste artigo, mas só na sexta-feira passada, é que o relator geral Dionísio protocolou o parecer favorável do projeto que reduz em 20% os subsídios dos vereadores. Já o outro...
Sem crise e para aumentar, os pareceres dos relatores em menos de dois dias, já para diminuir salários, temporariamente, em tempo de crise, já se passaram dez. E se tudo der certo e houver uma corrida, mais sete no mínimo. Entenderam a diferença? Acorda, Gaspar!
Perguntar não ofende. Se não há transporte coletivo em Gaspar porque a prefeitura deixou a empresa ir embora, como as crianças vão para escola depois da pandemia? Se não há transporte coletivo em Gaspar, como o comércio vai se recuperar, gerar riquezas, salários e tributos?
Perguntar não ofende. A prefeitura de Gaspar que fez um edital para ganhar milhões na licitação pelo novo permissionário do transporte coletivo, agora vai gastar milhões, com caixa baixo, com crise para remediar um serviço mais uma fez improvisado? A prefeitura quis ganhar milhões e agora distribui prejuízos aos que geram impostos como prestadores de serviços, indústria e comércio que empregam gente que depende de ônibus?
Perguntar não ofende. O que foi mesmo que escrevi sobre aquele edital do atraso e os empoderados na prefeitura me acusaram de estar profetizando bobagens. Ninguém apareceu para enriquecer as burras da prefeitura e ao mesmo tempo falir.
Agora, tem gente no governo, falando até em transporte gratuito. Gratuito? Ora se não se paga passagem, como o transporte é público, alguém paga essa conta: os que andam de ônibus e principalmente, uma maioria da cidade que não anda. Ainda voltarei a este tema.
Vamos resumir? Sinceramente? Brasília é um puteiro A política é uma putaria. Os políticos cafetões e gigolôs do nosso dinheiro, votos e destinos. Moro sabia disso tudo, e foi para o baile de putas vestido de freira. Bolsonaro resolveu passar a mão na bunda de Moro, e ele, o pudico, decidiu cortar o clima. Só isso. E o baile e a música na zona vai continuar.
Depois que o ex-juiz Federal e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse que não era mais Jair Messias Bolsonaro, sem partido, o Brasil explodiu em escolhas. O que é isso? A direita, na maioria das vezes nessas manifestações, parecia o PT e a esquerda do atraso de sinal trocado. Lembrou muito aquele acampamento de fanáticos em Curitiba.
As coisas vão mudar. E muito. Vem aí o Centrão no governo Bolsonaro e com ele o MDB, PSD, DEM, PT e outros manchados. Vem aí as estatais inchadas e cheias de dúvidas para dar empregos e mamatas aos novos aliados, que sempre viveram das tetas. Será de dar risadas...
Não vou escrever mais um bom tempo sobre o que aconteceu e os desdobramentos. Não vivo de passado. Minha vida foi construir futuro para os outros. Moro é página virada. O Brasil precisa de empregos, economia retomando e corruptos na cadeia. Mas, ser sócio do Centrão é algo que não combina com nada disso. O PSDB, o PT – quando no poder - e os brasileiros que sustentaram tudo isso, pagaram caros por esta sociedade.
Chama a atenção como o ex-secretário de Assistência Social de Gaspar, Santiago Martin Navia, conseguiu reempregar na máquina pública e como virou um assistencialista de cestas básicas, se estabelecendo com candidato ou cabo eleitoral.
Coisa triste. Em Blumenau, a empresa de coletivos de lá aproveitou a pandemia e fez um enxugamento no seu quadro funcional. O Ministério Público do Trabalho, ouvindo o Sindicato, obrigou desfazer o que estava feito. É que a empresa, não tentou outras formas para se ajustar a crise que alegou para desempregar os seus. Em Gaspar, a Caturani, fechou as portas, demitiu todo mundo e foi embora. E o Sindicato, caladinho,
O site da Câmara tem horário de barnabé. Quem quis acessá-lo, mais uma vez neste final de semana teve problemas. É recorrente. As sessões pela internet então revelaram à fragilidade do sistema. Nesta terça-feira é quase certa que tudo volta à normalidade com sessão presencial, bem como na quinta na reunião da CPI que apura as dúvidas das obras da Frei Solano. Ufa!
Aliás, a metade da reunião de quinta-feira passada da CPI foi feita fora do ar. Incrível! O procurador da Câmara, Marcos Klitzke, parece inclinado a reconhecer à realidade que não reconheceu na semana passada. Não é possível que shoppings, academias, bares, restaurantes, lojas estejam abertas sob a proteção da lei, e a Câmara, que pode guardar espaços e requisitos mínimos, não possa realizar suas sessões ou reuniões presenciais.
É preciso olhar com lupa essas licitações com dispensa de licitação que se avolumam sob o carimbo da pandemia, do estado de calamidade ou emergência. Quem olha o Diário Oficial dos Municípios – aquele que se esconde na internet e não tem hora para sair – se assusta.
O improviso que compromete a técnica e o futuro. Depois culpam a empreiteira. A reurbanização na Estrada Geral da Lagoa, ganhou, digamos assim, contornos de “taylor made”, só para atender eleitores ou não perder votinhos. Depois da cancha pronta, se fez rebaixamentos para facilitar as entradas dos moradores. Ou seja, sacrificaram à base do asfaltamento. Os resultados dessa operação, virão com o passar do tempo: buracos.
A distribuição de cestas básicas em Gaspar está sendo documentada por muita gente. Há claro uso político. E tudo isso pode aparecer tão logo algumas candidaturas sejam registradas no meio do ano, mas no Ministério Público Eleitoral.
Registro. Morreu Mário Petrelli. Trabalhei para ele no final da década de 1970. Impetuoso, pragmático e visionário. Mostrou-me que o poder se faz com ideias, reações e relacionamentos, certos.
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