O discurso de economia do político Kleber em tempos de pandemia não resiste a uma simples planilha comparativa - Jornal Cruzeiro do Vale

O discurso de economia do político Kleber em tempos de pandemia não resiste a uma simples planilha comparativa

27/04/2020

Ou Kleber - que possui um dos mais altos salários de Santa Catarina para esse cargo e não quer dar a cota de sacrifício como fizeram outros, incluindo o de Blumenau que possui salário menor do que ele - mente, ou está sendo enganado pela sua própria assessoria, ou acha que os gasparenses são tolos e não sabem fazer simples contas de somar ou diminuir

O que está por detrás de tudo isso? Uma indisfarçável máquina brutal de cabos eleitorais para catar votos para a sua reeleição. Nem mais, nem menos!

Kleber não está economizando R$ 68 mil como alardeia, mas ampliando os gastos em R$31 mil por mês com novas indicações na prefeitura


As contas de economia apresentadas pelo prefeito Kleber (à esquerda) e o secretário Roberto (centro), não batem com as do vereador Dionísio (à direita) que os questionou diretamente em ambiente público

Kleber Edson Wan Dall, MDB, sempre quando alguém lhe cobra se ele também não vai participar do sacrifício dos políticos e das estruturas públicas para fazer frente a diminuição de caixa diante da crise econômica provocada pela Covid-19, o prefeito retruca que já fez a parte dele. E diante disso não resiste mexer no seu salário de R$R$27.356,69.

E qual foi a parte dele neste caso? A exoneração de cinco secretários e o diretor do Samae. Esta atitude, teria, segundo ele, dado aos cofres da prefeitura de Gaspar uma suposta economia mensal de R$68 mil mês.

Antes de continuar, devemos lembrar que não se trata apenas de um gesto simbólico do prefeito e que ele se nega reiteradamente, mas, deveria ser de solidariedade com a comunidade, a que verdadeiramente foi atingida econômica e extremamente afetada com a pandemia.

E se isso não fosse suficiente, o próprio prefeito, atendendo pedidos de diversos setores da sociedade e diante de uma realidade cruel, vem postergando o recebimento de tributos, fazendo refinanciamento de dívidas dos munícipes para com a prefeitura. Ou seja, a receita está diminuindo não só na cidade como no próprio caixa do governo. Então tem e terá menos dinheiro para fazer frente aos compromissos, inclusive o de pessoal.

Volto. Na coluna de 13 de abril e as sucessivas até aqui, venho desnudando esses números e essa manobra para proteger os salários do prefeito, do seu vice e seus secretários, mesmo que numa redução simbólica como outros fiveram em diversas parte do país, incluindo a vizinha de Blumenau, cujo salário do prefeito de lá é menor do que o de Kleber.

Os secretários que Kleber demitiu não foi exatamente para economizar como ele insiste e quer fazer crer na propaganda, nas argumentações, nos discurso. Fez isso porque os “demitidos” são, em tese, candidatos por seus partidos em quatro de outubro, e a lei, nestes casos, manda eles deixarem os cargos.  Se não fosse assim, estariam lá ainda. Nem mais, nem menos.  Ou seja, não houve economia planejada.

Então e resumindo: usando os cargos, a máquina pública, a exposição do cargo, a maioria sem a habilidade técnica para as funções que ocupava, foi candidata permanente e sem falar nas estruturas de comissionados indicados por ela.

As estruturas, aliás, continuam, na sua maioria, intactas, nas secretarias (Saúde, Agricultura e Aquicultura, Assistência Social e a da Educação) e no Samae, cujos titulares saíram. E essas estruturas estão lá trabalhando também para resultados políticos de seus ex-chefes.

Outra da jogada. Como Kleber não apontou substitutos para eles, fica a dúvida se eles eram mesmo necessários. Não fazem falta agora, mesmo sendo considerado uma situação emergência?

A secretaria da Saúde, por exemplo, é uma delas. Ela já teve cinco gestões diferentes com quatro secretários em menos de três anos e meio. E logo no meio de uma pandemia admite-se que a interinidade será mais do que suficiente para dar conta do recado? E com um interino que não é da área (é advogado), que foi o chefe de campanha de Kleber, é presidente do MDB e é titular da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Pública, talhada na Reforma Administrativa para ele, e prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira?

Outra dúvida da tal economia. Kleber não extinguiu os cargos.

E se não extinguiu as vagas estão lá, intactas, como boca de jacaré abertas, esperando na estrutura, para serem preenchidas a qualquer momento. E por outro curioso carregador de votos, da composição política na aliança que se forma para a disputa de quatro de outubro, ou até por um indicado de quem saiu, para reforçar-se na máquina de votos já existente.

Então Kleber não está economizando R$68 mil por mês, mas gastou – como se pode pressupor - em torno de R$2,7 milhões em 40 meses de governo em cargos de confiança que agora, sob a desculpa de economizar para fazer frente à Covid-19, diz não precisar mais. Os adjuntos dão conta.

Uma economia marota e que se esconde em novas nomeações e preenchimento de vagas

Na reunião que o prefeito Kleber fez cedo na segunda-feira passada para explicar aos vereadores o que fazia pelos gasparenses na proteção da pandemia, lá pelas tantas, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, questionou se era certo ter um secretário interino de saúde neste momento de crise e qual economia que se estava fazendo na estrutura política-administrativa do governo de Gaspar para se fazer frente ao caixa que vai ficar minguado.

Um mal-estar danado. Kleber, o repórter de si mesmo, alterou o tom e se enrolou. Em seu socorro veio o prefeito de fato. Tudo para dizer que o que se faz é certo. Na sessão de quarta-feira – devido ao feriado de terça - da Câmara esse assunto voltou à tona com o mesmo Dionísio. O questionamento já esperado pelo governo. E a resposta na ponta da língua pleo líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB. Mas, Dionísio ainda não tinha o levantamento completo. Teve que engolir as argumentações de Anhaia.

Eu me interessei, e cobrei números. E quer ver como coisas que o Kleber e os seus do governo argumentam não batem.

Três merendeiras, dois zeladores e 15 professores, um coordenador pedagógico e seis auxiliares de professor num momento em que não há aulas e não há previsão certa para voltar; ora, quando voltar e se contrata. Seria, no mínimo, um mês de economia ao caixa da prefeitura. Um requerimento da bancada do PT ao prefeito questiona este procedimento.

Diretor de Transporte Coletivo numa cidade onde não há transporte coletivo? E o indicado por Kleber já esteve lá, provou que nada entende do assunto e vive perambulando em cargos comissionados dentro da prefeitura e Samae. Ou à renomeação para outro cargo do ex-secretário de Assistência Social, que continua explicitamente em campanha nas suas redes sociais?

Ou então a volta no dia primeiro de abril da recém-aposentada funcionária pública municipal, Teresa Trindade ex-PT, ex-PP, ex- PSB, ex-vereadora, ex-candidata derrotada à prefeita, reconhecida cabo eleitoral? O que ela vai ser? Uma comissionada como coordenadora de Saúde Mental.

Não vou me estender em polêmicas, mas sempre me estabelecer nas incoerências dos discursos dos políticos. O leitor e leitora é que tirem às próprias conclusões. E para isso, estou publicando dois quadros das movimentações de ACTs e Comissionados da prefeitura de Gaspar.

Eles foram elaborados pelo gabinete do vereador Dionísio, o mesmo que levantou esse assunto olhando nos olhos de Kleber, em ambiente público e que foi rechaçado lá pelo próprio prefeito, o seu secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, e pelo líder de governo na Câmara. Então não se trata de tiro dado pelas costas como sempre reclamam Kleber e seus “çabios”, ou foi mais uma das invencionices desta coluna, como apregoam por aí para desacreditá-la, pois quando precisaram, já a tiveram como escudo, e sem me consultar.

Esses levantamentos foram baseados naquilo que está publicado no Diário Oficial dos Municípios – aquele que se esconde na internet e não tem hora para sair. A referência é o mês de abril. E o corte foi a semana passada. Um quadro mostra as exonerações, incluindo as da tal economia de R$68 mil (foi mais) e o outro, com as contratações. Elas superaram em muito a suposta economia.

A conta final no papel não fecha com o discurso da propaganda de eficiência do governo Kleber e seus “çabios”. Por cima, porque no fundo há penduricalhos que não estão sendo levados em conta, a comparação mostra que Kleber está gastando R$ 31 mil a mais contra o caixa da prefeitura. Acorda, Gaspar!

Jornal, portal e coluna ganham o troféu imprensa livre. O prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, acha elas um perigo para a cidade e manda leitor ir a polícia se explicar. Ele estava republicando nas suas redes sociais o que escrevo. Isto em qualquer lugar decente se chama censura e perseguição. É repetitivo!

(Imagem: reprodução da postagem de Eder Muller, no Facebook)

Eu nunca fui filiado a partido nenhum na minha vida. Por isso nunca fui e nem serei candidato a nada. Mas, a coligação que está no poder e domina o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, vem tratando todos que não se alinham com ela como adversários; e quem não se enquadra nas regras de poder absoluto dela, é inimigo. E eu estou nesta lista dessa gente, faz tempo.

Mas, isso vai passar. E por que?

Porque foi assim quando Adilson Luiz Schmitt, MDB, PSB, PPS e agora no DEM foi governo. Foi assim quando Pedro Celso Zuchi, PT, foi governo. Está sendo assim no governo de Kleber e que se elegeu graças a coragem do jornal e portal Cruzeiro do Vale, em não esconder nada de seus leitores e leitoras. A coluna também fez o papel de esclarecer. E sem que ganhássemos um tostão a mais com isso. Ao contrário, perdemos.

Ninguém está pedindo gratidão, reconhecimento e recompensa. Mas, Kleber e o prefeito de fato sabiam das qualidades e como se comportava o jornal, o portal e a coluna, ah, isso eles sabiam. Tanto que quando fiz uma palestra sobre este tipo de assunto, Kleber foi lá babar esse comportamento que lhe favorecia na época. Agora, o governo dele que é talhado unicamente para se perpetuar no poder, está em campanha permanente ele quer o jornal, o portal e eu de joelhos panfletando a favor da permanência dele no poder.

Eu particularmente, acho que eles – Kleber e seus “çabios”, inclusive os capengas da área de comunicação e marketing - estão se preocupando com pouca coisa ou com a pessoa errada. E por que? É da boca dessa gente que se afirma por aí que eu não tenho leitura e muito menos, credibilidade. Ora se não as tenho, para que chutar cachorro morto? Até nisso os caras são ruins de estratégia.

Na coluna de segunda-feira em, relatei um caso de um servidor público com função gratificada, Luiz César Henning, usado para esse novo tipo de guerra em Gaspar em tempos de campanha.

Ele na sua rede social desceu a lenha no ex-vereador Miro Sávio, ex-PFL e agora no PL. Miro é candidato a vereador, é presidente da rádio comunitária Vila Nova, um dos raros canais de denúncias sobre as possíveis irregularidade ou erros do governo Kleber. Se eleito, Miro vai tirar alguém do grupo do prefeito na futura Câmara, se Kleber for reeleito. Bingo! Então pau nele. E esta será uma rotina daqui para frente nas redes sociais, na polícia e na Justiça.

O caso Eder

Nesta semana, chegou-me pelo whatsapp, o caso do Eder Muller, PL. Ele diz que é candidato a vereador e se vencer, naturalmente, é mais um dos que vai tirar uma vaga na Câmara do bloco do governo – se ele se reeleger - e que anda meio manco. Eder, conservador, bolsonarista faz barulho na cidade e contra as incoerências e dúvidas do governo Kleber, não é de levar desaforos para casa. É do jogo jogado. É do estilo dele.

Um Boletim de Ocorrência foi lavrado na Delegacia de Polícia pelo prefeito de fato, ex-coordenador da campanha de Kleber, presidente do MDB, advogado, secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, e interinamente acumulando a secretaria da Saúde, Carlos Roberto Pereira. Ele se queixou que Eder estaria espalhando pânico na cidade durante a pandemia, um crime tipificado na lei. Como assim? O crime dele foi o de espalhar notas desta coluna pela sua rede social, já que eu não tenho audiência e nem credibilidade, segundo o governo.

Qual o objetivo do todo poderoso? Intimidar Eder, o candidato, o adversário antes que ele seja um inimigo. Errou o alvo. Eder não só foi na delegacia (dia 22), como fez uma selfie do momento inusitado e postou na sua rede social, onde escreveu um recado muito direto ao secretário: “quem tem medo de polícia, é ladrão. Pronto sr. Roberto Pereira. Já vim dar o depoimento no boletim falso que o sr fez contra mim. E sempre que for chamado, comparecerei. Até que fiquei bonitinho na foto. Vocês não vão me calar”.

Qual o objetivo do todo o poderoso da prefeitura de Gaspar com mais esta atitude?  Intimidar, constranger, desacreditar e calar esta coluna, tirá-la mais uma vez do ar para atingir seus objetivos particulares e políticos.

É uma tática pensada e articulada

Ele é um especialista. O fim, justifica os meios. Já fez isso na campanha que coordenou e perdeu com Kleber: tirou a 89 FM por 24h do ar e impediu a publicação de uma pesquisa às vésperas das eleições no jornal concorrente. Ele tinha então, ambos como adversários ou inimigos. Hoje mudou. O Cruzeiro, o portal e eu continuamos os mesmos de 30 anos atrás. E se tornamos perigosos.

A coluna é a favor da transparência e da coerência dos políticos. Só isso. E para essa gente, isso é crime. Os políticos e gestores públicos, ao assumirem essa simples condição, estão expostos e devem prestar contas à sociedade. E eles resistem. E insistem perseguir, intimidar, constranger, humilhar, caluniar quem os questiona ou expõe aos questionamentos. Simples assim. E por que? Antes de ir a Polícia, há caminhos de esclarecimentos e reparação como o tal direito de resposta. Mas, ninguém usa e faz isso de forma pensada. Sabe que ficaria ainda mais exposto diante de tanta fragilidade.

A coisa é pensada. É articulada. Calar veículos de comunicação é fácil, são poucos. Agora calar as redes sociais, a que a prefeitura e os políticos se tornaram especialistas em usá-las, vai ser muito difícil. Então, mirar em Eder é um recado aos demais. Mas, pelo texto e a postagem de Eder, o tiro saiu pela culatra. E se continuarem nesse tom, vai faltar culatra.

E qual é o pânico que espalho e que essa gente tanto teme? Aquilo que se esconde ou que se quer ver escondido no jogo político de Gaspar e Ilhota. É a vigilância às contas, atitudes, incoerências e resultados prometidos. É a denúncia permanente aos conchavos dos que usam dinheiro público, bem como o desmonte do discurso falso para analfabetos, ignorantes, desinformados e aos que são obrigados a bater palmas porque fazem parte do aparelho sustentado pelos pesados impostos de todos os munícipes.

O verdadeiro pânico dos políticos do poder de plantão são as pesquisas internas que os deixam, por enquanto, com o pincel na mão, a tal ponto, de serem agora, defensores fervorosos do adiamento das eleições deste outubro, espichando elas para outubro de 2022.

Riam macacos. Só não me digam que isso tudo foi causado por esta coluna sem audiência e sem credibilidade. Aí é demais e seria um duplo reconhecimento deste troféu imprensa de resistência. Acorda, Gaspar!

 

Ilhota em chamas. Sobrou água salgada para apagar o fogaréu que tomou conta da cidade. Até uma caixa apareceu na praça central para servir de bica ao povo


O prefeito de Ilhota, Erico Oliveira, MDB, se rendeu às queixas dos munícipes e para livrá-los, ofereceu uma caixa de água para quem quiser se abastecer no Centro da cidade

Como em Ilhota não há veículo de comunicação, tudo o que se faz lá se escondia ou era menos divulgado. Não é mais assim! Primeiro veio esta coluna e o malho contra ela pelos donos da cidade só para desacreditá-la e fazê-la correr das observações sobre os gestores públicos.

Depois vieram as redes sociais e os aplicativos de mensagens. E aí ninguém mais segurou. Não era apenas um que se precisava combater, desacreditar e calar, mas dezenas.

Esses canais, administrados pelo povo de lá, estão tirando o sono de muita gente. Os políticos de Ilhota estão sendo obrigados a saírem das suas tocas. As suas verdades, desculpas esfarrapadas e discursos estão sendo desnudados ou fragilizados nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Mesmo assim, o velho hábito persiste. Já noticiei aqui que os políticos de lá estão incomodados. E então pulam no pescoço dos seus eleitores queixosos como aconteceu em recentes polêmicas de lá.

E quando o poder de plantão não consegue controlar a situação, ela se apresenta como um escândalo e quase incontornável. Foi o que ocorreu na semana passada. O povo não aguentou e foi dar em massa no gabinete do prefeito Érico de Oliveira, MDB. Ele até ensaiou culpar o mar pelo sal da água que serve nas torneiras ao povo, mas viu que se daria mal e pediu desculpas.

Bom! Mas, é pouco.

O que aconteceu? O que acontece sempre com todas as administrações políticas improvisadas dos municípios que não enxergam o dia de amanhã.

O primeiro problema apareceu há dias e vinha incomodando os cidadãos e cidadãs. O segundo, vai estourar daqui a pouco; é previsível, está se postergando e será bem pior.

Vamos ao primeiro problema. Há uma estiagem. O Rio Itajaí Açú está mais baixo. E a maré, devido à fase da lua, ficou mais alta do que o normal alguns dias. E a água salgada do mar infiltrou-se por  20 quilômetros rio acima contaminando-o. E a captação das Águas de Ilhota colocou água salgada nas torneiras dos ilhotenses e dos gasparenses do Pocinho. Ela já era suja. E a paciência do povo foi ao limite. Um berreiro.

Até o ex-prefeito Ademar Feliski, do MDB raiz, mentor de Érico que nasceu no PP, entrou na área de comentários daqui para livrar a cara do seu pupilo. Foi açoitado. O povo sabe que Ademar foi o fiador de Érico. Ademar recolheu-se

As explicações de Érico de que a água do mar entrou no rio é válida, mas ela mostra que Ilhota, neste e outros governos, não fez o dever de casa, como fizeram outros municípios do litoral sujeitos à mesma situação, entre eles, Itajaí, no Rio Itajaí Mirim.

Leigos, políticos, gestores públicos, consumidores e técnicos sabem desse fenômeno que era raro e se torna meio que constante em Ilhota. Então era preciso mudar o ponto de captação, ou proteger o ponto de captação e há tecnologias próprias para isso, ou alterar o tratamento, e ao mesmo tempo, apurar as análises a jusante do ponto de captação, para preventivamente, alterar a operação e assim por diante. Saídas, há!

Isso exige investimentos e sólidos procedimentos para enfrentar crises, que repito, não é todo o dia. Érico não fez a sua parte e agora não pode culpar só o mar.

Diante da pressão, do desgaste em ano de reeleição, restou-lhe colocar uma caixa plástica no centro da cidade, como o sinal mais claro para a população do seu erro e da correção desesperada. Como se estivéssemos no século passado, os ilhotenses estão pegando água potável e de qualidade, em balde, na bica do centro, como se vê no sertão nordestino.

E qual é a segunda bomba armada em Ilhota para estourar nesta área de abastecimento de água? Autorizou-se e se fez muitos loteamentos na cidade. E para eles, não se expandiu nem captação, nem o tratamento e nem a rede de abastecimento.

Então, o problema que é grave. É uma bomba que vai estourar já, já. Chegará um dia que nem água salobra, que corrói, entope e mancha metais, chuveiros e canos se terá em Ilhota para todos, apesar da fatura mensal chegar pontualmente.

Ilhota está em chamas. Água salgada nela.

Para aumentar os seus ganhos, vereadores são rápidos. Já para diminuí-los e contribuir simbolicamente para atenuar a crise

Roberto Procópio de Souza, PDT, é o autor dos PLs que pedem a redução dos salários dos vereadores

Os políticos sempre me acusam de exagerar. Exagerados são eles nas queixas e atitudes contraditórias que tomam contra a imagem deles próprios.

Enquanto o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, resiste ao menos simbolicamente, em diminuir o seu alto salário, bem como de seu vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP, secretários e comissionados da máquina de buscar votos na prefeitura de Gaspar, os vereadores ensaiam na outra direção.

Excelente! Mas...

E quem teve a ideia foi o vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, que já foi o mais ferrenho adversário de Kleber na Câmara e hoje é um dos mais abnegados defensores dele. E é aí, contraditoriamente, que reside o problema para a coisa não andar na Câmara.

Primeiro Kleber acha que não fica bem para ele, os vereadores diminuírem os salários deles por dois meses e ele não. E não fica bem, mesmo. Então ele torce para que ninguém diminua os salários dos políticos por aqui e a base dele na Câmara trabalha para levar o caso de barriga até sair o foco das cobranças durante a pandemia.

Como é ano de eleições, se não canceladas ou prorrogadas, os vereadores temem embarrigar este assunto. É mais um discurso contra a reeleição deles.

E depois, vejam só, bateu a ciumeira e o espirito de corpo na Câmara. Os vereadores não viram com bons olhos a iniciativa de Procópio. Ele ficará com a fama e o mote de campanha se for a reeleição. E os servidores que também entraram na dança pois estarão impedidos de receberem diária, se uma das resoluções for aprovada, pressionam seus chefes para não serem atingidos. Fingidos. Não é bem assim. Quem está de olho nas diárias, são os próprios vereadores, que vão e voltam a Florianópolis, alguns deles, semanalmente.

Quer ver como essas coisas possuem tratamento diferentes entre os políticos de Gaspar e não só de Gaspar, diga-se em defesa deles?

No dia seis de março deram entrada na Câmara de Gaspar cinco Projetos de Lei que trataram dos reajustes dos servidores e agentes políticos (prefeito e vice) públicos municipais, dos vereadores, servidores da Câmara e o vale alimentação para as duas casas.

No caso dos servidores da prefeitura, houve até aumento real de 1%, exatamente por se tratar de ano eleitoral. No dia 17 de março, última sessão antes da interrupção dos trabalhos da Câmara devido a quarentena social da Covid-19, tudo aprovado.

Veja a rapidez da burocracia. No dia dez de março a mesa diretora recebeu oficialmente os cinco PLs, sorteou os relatores gerais de cada um e os despachou para as comissões. No dia 12, menos de dois dias depois, quase todos já tinham pareceres favoráveis para assim entrar na Ordem do Dia da sessão do dia 17. Aprovados por unanimidade, num vapt-vupt e quase sem discursos.

Tartaruga

Já os dois Projetos de Resolução - o que prevê a redução por dois meses dos subsídios dos vereadores, e o que impede diárias para vereadores e servidores até 31 de dezembro -, deram entrada na Casa no dia sete de abril e na primeira sessão depois da quarentena da Câmara e feita pela internet, tiveram seus relatores sorteados: um Wilson Luiz Lemfers, PSD e outro Dionísio Luiz Bertoldi, PT. No site da Câmara não está atualizado até o momento da postagem deste artigo, mas só na sexta-feira passada, é que o relator geral Dionísio protocolou o parecer favorável do projeto que reduz em 20% os subsídios dos vereadores. Já o outro...

Sem crise e para aumentar, os pareceres dos relatores em menos de dois dias, já para diminuir salários, temporariamente, em tempo de crise, já se passaram dez. E se tudo der certo e houver uma corrida, mais sete no mínimo. Entenderam a diferença? Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Perguntar não ofende. Se não há transporte coletivo em Gaspar porque a prefeitura deixou a empresa ir embora, como as crianças vão para escola depois da pandemia? Se não há transporte coletivo em Gaspar, como o comércio vai se recuperar, gerar riquezas, salários e tributos?

Perguntar não ofende. A prefeitura de Gaspar que fez um edital para ganhar milhões na licitação pelo novo permissionário do transporte coletivo, agora vai gastar milhões, com caixa baixo, com crise para remediar um serviço mais uma fez improvisado? A prefeitura quis ganhar milhões e agora distribui prejuízos aos que geram impostos como prestadores de serviços, indústria e comércio que empregam gente que depende de ônibus?

Perguntar não ofende. O que foi mesmo que escrevi sobre aquele edital do atraso e os empoderados na prefeitura me acusaram de estar profetizando bobagens. Ninguém apareceu para enriquecer as burras da prefeitura e ao mesmo tempo falir.

Agora, tem gente no governo, falando até em transporte gratuito. Gratuito? Ora se não se paga passagem, como o transporte é público, alguém paga essa conta: os que andam de ônibus e principalmente, uma maioria da cidade que não anda. Ainda voltarei a este tema.

Vamos resumir? Sinceramente? Brasília é um puteiro A política é uma putaria. Os políticos cafetões e gigolôs do nosso dinheiro, votos e destinos. Moro sabia disso tudo, e foi para o baile de putas vestido de freira. Bolsonaro resolveu passar a mão na bunda de Moro, e ele, o pudico, decidiu cortar o clima. Só isso. E o baile e a música na zona vai continuar.

Depois que o ex-juiz Federal e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse que não era mais Jair Messias Bolsonaro, sem partido, o Brasil explodiu em escolhas. O que é isso? A direita, na maioria das vezes nessas manifestações, parecia o PT e a esquerda do atraso de sinal trocado. Lembrou muito aquele acampamento de fanáticos em Curitiba.

As coisas vão mudar. E muito. Vem aí o Centrão no governo Bolsonaro e com ele o MDB, PSD, DEM, PT e outros manchados. Vem aí as estatais inchadas e cheias de dúvidas para dar empregos e mamatas aos novos aliados, que sempre viveram das tetas. Será de dar risadas...

Não vou escrever mais um bom tempo sobre o que aconteceu e os desdobramentos. Não vivo de passado. Minha vida foi construir futuro para os outros. Moro é página virada. O Brasil precisa de empregos, economia retomando e corruptos na cadeia. Mas, ser sócio do Centrão é algo que não combina com nada disso. O PSDB, o PT – quando no poder - e os brasileiros que sustentaram tudo isso, pagaram caros por esta sociedade.

Chama a atenção como o ex-secretário de Assistência Social de Gaspar, Santiago Martin Navia, conseguiu reempregar na máquina pública e como virou um assistencialista de cestas básicas, se estabelecendo com candidato ou cabo eleitoral.

Coisa triste. Em Blumenau, a empresa de coletivos de lá aproveitou a pandemia e fez um enxugamento no seu quadro funcional. O Ministério Público do Trabalho, ouvindo o Sindicato, obrigou desfazer o que estava feito. É que a empresa, não tentou outras formas para se ajustar a crise que alegou para desempregar os seus. Em Gaspar, a Caturani, fechou as portas, demitiu todo mundo e foi embora. E o Sindicato, caladinho,

O site da Câmara tem horário de barnabé. Quem quis acessá-lo, mais uma vez neste final de semana teve problemas. É recorrente. As sessões pela internet então revelaram à fragilidade do sistema. Nesta terça-feira é quase certa que tudo volta à normalidade com sessão presencial, bem como na quinta na reunião da CPI que apura as dúvidas das obras da Frei Solano. Ufa!

Aliás, a metade da reunião de quinta-feira passada da CPI foi feita fora do ar. Incrível! O procurador da Câmara, Marcos Klitzke, parece inclinado a reconhecer à realidade que não reconheceu na semana passada. Não é possível que shoppings, academias, bares, restaurantes, lojas estejam abertas sob a proteção da lei, e a Câmara, que pode guardar espaços e requisitos mínimos, não possa realizar suas sessões ou reuniões presenciais.

É preciso olhar com lupa essas licitações com dispensa de licitação que se avolumam sob o carimbo da pandemia, do estado de calamidade ou emergência. Quem  olha o Diário Oficial dos Municípios – aquele que se esconde na internet e não tem hora para sair – se assusta.

O improviso que compromete a técnica e o futuro. Depois culpam a empreiteira. A reurbanização na Estrada Geral da Lagoa, ganhou, digamos assim, contornos de “taylor made”, só para atender eleitores ou não perder votinhos. Depois da cancha pronta, se fez rebaixamentos para facilitar as entradas dos moradores. Ou seja, sacrificaram à base do asfaltamento. Os resultados dessa operação, virão com o passar do tempo: buracos.

A distribuição de cestas básicas em Gaspar está sendo documentada por muita gente. Há claro uso político. E tudo isso pode aparecer tão logo algumas candidaturas sejam registradas no meio do ano, mas no Ministério Público Eleitoral.

Registro. Morreu Mário Petrelli. Trabalhei para ele no final da década de 1970. Impetuoso, pragmático e visionário. Mostrou-me que o poder se faz com ideias, reações e relacionamentos, certos.

 

 

Edição 1949

Comentários

Miguel José Teixeira
30/04/2020 19:54
Senhores,

Em "O Globo":

"Reunião de Bolsonaro com pastor e secretário da Receita levanta suspeita de ingerência a favor de igrejas"

Huuummm. . .Bessias querendo fazer milagre$ com o suor dos contribuintes.
Miguel José Teixeira
30/04/2020 13:04
Senhores,

Até tu, 04?

"Filho 04 de Bolsonaro ironiza covid-19: 'Só uma gripezinha. Peguei, passou" (UOL)

Pois é. . .depois de alegar que já pegou 50% das meninas que residem em seu condomínio no Rio, ele pegou também a COVID 19.

Dizem que 100% das meninas do condomínio, sabem que o zero 4 pega mesmo é na mentira!

As frutas nunca caem longe do pé. . .
Herculano
30/04/2020 11:55
DECISÃO NÃO É DE UM MINISTRO, MAS SIM DE UM PODER, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S.Paulo

Em relação a Bolsonaro, a disposição no Supremo é de 11 x 0 quando se trata de temas relacionados a democracia e equilíbrio entre Poderes

A suspensão da posse do delegado Alexandre Ramagem na Polícia Federal, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, surpreendeu o mundo político, mas não é um fato isolado. Faz parte de um pacote de resistência do Supremo Tribunal Federal a um governo que acha que pode tudo, mesmo ultrapassando a linha do razoável. Em relação ao presidente Jair Bolsonaro, a disposição é de 11 x 0 quando se trata de temas relacionados a democracia e equilíbrio entre Poderes.

A nomeação de ministros e do próprio diretor-geral da PF é atribuição exclusiva de presidentes da República, mas Alexandre de Moraes - que foi secretário de Segurança Pública em São Paulo e conhece bem as polícias - recorreu a um princípio constitucional que vem se popularizando: o da impessoalidade e da moralidade pública.

Como delegado de carreira, não há reparo a Ramagem nem dentro nem fora da PF, muito menos no STF. O problema está nas circunstâncias: todas as credenciais dele se resumem à grande proximidade com Bolsonaro e seus filhos desde a campanha eleitoral de 2018, quando chefiou o esquema de segurança do então candidato do PSL. Ou seja: a suspeita é que Ramagem tenha sido escolhido não para trabalhar pela PF, mas para a família Bolsonaro.

Para reforçar a percepção, a nomeação veio no rastro da acusação do então ministro Sérgio Moro de que o presidente queria acesso direto ao diretor-geral, a superintendentes e a relatórios de inteligência da PF. Para, em tese, como muitos temem, poder manipular as informações a favor de aliados e filhos e contra adversários.

Nada contra o próprio Ramagem, mas, como Ernesto Araujo era "embaixador júnior" ao assumir o Ministério das Relações Exteriores sem jamais ter ocupado uma embaixada, ele foi nomeado para a direção geral da PF sem ter sido superintendente do órgão em nenhum Estado. A comparação de seu currículo com o do antecessor Mauricio Valeixo, demitido por Bolsonaro, é constrangedora.

O fundamental, porém, é que a decisão de Alexandre de Moraes tem respaldo dos seus pares de toga, atentos desde a inesquecível fase do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) - "basta um cabo e um soldado para fechar o Supremo" - e perplexos com o apoio explícito do já presidente Jair Bolsonaro a atos que pedem intervenção militar, com fechamento do Congresso e do STF.

Há na alta corte do País dois movimentos na mesma direção: a autopreservação e a garantia da democracia.

As sucessivas demonstrações do Judiciário têm a adesão da cúpula do Legislativo. A diferença é que o Supremo tem torpedos, mas o botão da bomba atômica - autorizar ou não um pedido de impeachment - está com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A ele, sobra uma nova alternativa: jogar parado. E, de preferência, calado. Afinal, batalhas têm sido inevitáveis, mas a ninguém interessa uma guerra. Resta esperar, agora, o contra-ataque de Bolsonaro.
Herculano
30/04/2020 11:49
UMA DISCUSSÃO BOA

A acusação do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes e que já foi tucano, relatada por você abaixo é importante.

1. Não é porque um entrou pela porta errada, que outros devem fazer o mesmo.

2. Se a acusação é para provocar uma discussão e fazer as pessoas entrarem pela porta certa, está coberto de razão Bolsonaro.

3. Se, no entanto, é para defender e se perpetuar no erro ou vício, ou esperteza, ou no oportunismo do poder de plantão sobre a capacidade que as funções exigem dos escolhidos, Bolsonaro erra pela segunda vez num mesmo assunto.
Miguel José Teixeira
30/04/2020 11:25
Senhores,

"Bolsonaro ataca Moraes e diz que ministro entrou no STF por "amizade".

Se escancararem essa PaTifaria corriqueira, rotulada de "QI" (quem indicou), descobriremos finalmente que os catetos opostos são primos-irmãos da hipotenusa. . .
Miguel José Teixeira
30/04/2020 09:59
Senhores,

"Compre Local"

Stone lança plataforma para pequenos

A Stone, fintech de serviços financeiros e de pagamentos, lançou a plataforma gratuita "Compre Local" para apoiar pequenos e microempreendedores.

Todos os lojistas que tiverem interesse em vender a distância podem se cadastrar, inclusive aqueles que não possuem CNPJ ?" autônomos que vendem de sua própria casa devem se inscrever utilizando o CPF.

Depois do cadastro, os pedidos podem ser realizados por meio de WhatsApp, plataformas de delivery ou Instagram do estabelecimento.

(fonte: Correio Braziliense, hoje, Caderno Economia, Mercado S/A.)
Herculano
30/04/2020 08:13
GUEDES REASSUME TRONO DA ECONOMIA, MAS PODE NÃO GOVERNAR, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Ministro está agora ameaçado

A campanha para que Paulo Guedes reassumisse o controle da política econômica parece ter chegado ao fim e ao cúmulo nesta quarta-feira. O ministro-general Braga Netto (Casa Civil) fez juras de amizade, Jair Bolsonaro disse repetidas vezes que o ministro da Economia está prestigiado no cargo, os ministros que supostamente sabotavam o reformismo desapareceram ou foram a cerimônias em que precisavam ouvir que Guedes é quem manda.

Na verdade, era uma campanha contra um espantalho agigantado pela ideia histericamente caricata de que estava em curso um "resgate do Estado", um avanço do "desenvolvimentismo da ala militar", um novo PAC ou um plano "Dilma 3". Mas campanha houve para colocar Guedes de volta no trono ou para garantir a continuidade do programa de reformas, que andava mal das pernas antes da epidemia e vai ficar sem uma delas depois do colapso econômico e fiscal provocado pela doença.

Decerto havia política nessa disputa, uma tentativa de ocupar espaço, dado o exílio temporário do ministro e o barata-voa dos gastos extras em tempos de epidemia, de pegar carona na crise. Havia política e haverá mais: uma tentativa de dar um nome-fantasia qualquer, "Pró-Brasil Verde Amarelo", aos gastos necessários para conquistar e apaziguar aliados no Congresso em tempos de risco de impeachment.

O vago, vazio e nebuloso programa anunciado na semana passada não tinha nem fumaça de virada desenvolvimentista, como se dizia nas reações liberalóides estereotipadas, até por se tratar de muito pouco dinheiro. Embora fumaça, havia algum fogo ali. Mais importante, pode haver mais chamas.

Jair Bolsonaro terá de desfazer promessas de acabar com a velha política e com "o sistema", gastando prestígio com suas bases eleitorais por voltar a ter mensaleiros como confrades. Terá de gastar dinheiro a fim de fazer amigos no centrão. Não deve parar por aí.

Mais adiante, Bolsonaro vai ter de lidar com o problema de manter o teto de gastos tendo de fazer agrados ao Congresso e outras freguesias, a fim de afastar o risco de impeachment.

A julgar pela trajetória provável das contas públicas, vai ser um problema muito difícil de resolver. Guedes sabe do risco de que o teto pode desabar se não forem tomadas medidas como, pelo menos, uma contenção radical dos gastos com servidores federais, pelo que já tem se batido.

Deve ser insuficiente. O crescimento da despesa obrigatória e o aumento mínimo da despesa permitida pelo teto (a inflação vai ser baixa) vão asfixiar o resto da despesa ainda "livre". O investimento público "em obras" será ainda mais achatado, se sobrar algum, justamente aquela despesa que alguns ministros quereriam aumentar em uma dezena de bilhões por ano ?"troco, na atual situação.

Como conciliar a manutenção do teto de gastos com as necessidades de sobrevivência operacional do governo (gastos essenciais de funcionamento da máquina), com alguma despesa inevitável em infraestrutura, com a satisfação de necessidades dos novos aliados e com socorros econômicos que ainda serão necessários em 2021?

Talvez com reformas profundas da despesa pública (talhos enormes), o que é muito improvável. Não há apoio político e o Congresso está dedicado a outros assuntos urgentes, haverá eleição municipal e a baderna política causada por Bolsonaro é imensa, para citar os motivos mais nobres.

Com o risco de o teto cair e de as reformas escorrerem pelo ralo, Guedes pode até ficar no trono. Mas governa??
Herculano
30/04/2020 08:08
MORAES NÃO DEIXARIA MORAES VIRAR MINISTRO DO STF, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Se fosse observada a estrita interpretação da "impessoalidade" exigida pelo ministro Alexandre de Moraes do presidente Jair Bolsonaro, para nomeação do diretor da Polícia Federal, talvez ele próprio não estivesse no Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes chegou ao STF por ser auxiliar de confiança e amigo do ex-presidente Michel Temer, além do seu notório saber jurídico. A rigor, é difícil ser entronizado no STF sem elos de amizade, parentesco ou afinidade política com quem o nomeou.

É PRECISO TER PROVAS

Moraes foi alvo de suposições injustas de que seu papel seria blindar Temer. Agora, baseado em suposições, anula ato do chefe do Executivo.

SIGNO DA DESCONFIANÇA

Atual presidente do STF, Dias Toffoli foi advogado do PT e auxiliar de confiança de Lula, que o nomeou. Mas nunca os favoreceu.

A TOGA É SAGRADA

Lula nomeou para o STF um antigo militante do PT, Carlos Ayres Britto, mas o sergipano o desapontou: nunca usou a toga para mostrar gratidão.

ORA, A IMPESSOALIDADE

Na história do STF há inúmeros casos de nomeação de ministros em que o princípio da "impessoalidade" foi solenemente ignorado.

ATÉ RAMAGEM PEDE PARA BOLSONARO DESISTIR DELE

Ministros e amigos tentam convencer o presidente Jair Bolsonaro a desistir da indicação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal, suspensa nesta quarta-feira (29) pelo ministro Alexandre Moraes, do STF. Até o próprio Ramagem concorda, mas Bolsonaro insiste na escolha, recorrendo ao STF, até para lavar a imagem do delegado, segundo ele uma pessoa honrada vítima de injustiça brutal, ao ser apontado como alguém suscetível a cometer irregularidades.

TRÊS OPÇõES

Bolsonaro terá sobre sua mesa, na manhã desta quinta-feira (30), ao menos três opções de delegados para a direção-geral da PF.

CARNE ÀS FERAS

A avaliação de alguns ministros, incluindo Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), acham que insistir em Ramagem só vai alimentar o assunto.

RISCO DE DERROTA

Além do desgaste da expectativa do julgamento da questionada liminar de Alexandre Moraes, há o risco de nova derrota do governo no plenário.

PALMAS PARA LEALDADE

Ao ser citado no discurso de André Mendonça, novo ministro da Justiça, o secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira, foi demoradamente aplaudido. É que, como esta coluna revelou, já escolhido para o lugar de Sergio Moro, ele convenceu o presidente que não era a melhor opção.

DIREITO DE IR E VIR

O novo ministro André Mendonça citou o "direito de ir e vir" na posse, e "o povo em primeiro lugar", em alusão a uma das diferenças entre Moro e Bolsonaro: prisões de quem está nas ruas no período de isolamento.

MR. SIMPATIA

O ministro André Mendonça (Justiça) procurou demonstrar que, além de evangélico é "terrivelmente" simpático. Saudou o presidente como o homem que manda no Brasil e a primeira-dama como a pessoa que manda nele. Ele nem é militar, mas até prestou continência ao capitão.

NOME BEM RECEBIDO

André Mendonça no Ministério da Justiça pegou bem entre tribunais superiores. Sua posse foi prestigiada pelo próprio presidente do STF, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes, para além do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otavio de Noronha.

NÃO DÁ CLIQUES

Enquanto o número de casos de coronavírus no Brasil chegam a 80 mil, a dengue superou 600 mil, sem qualquer alarde. No ano passado, não houve crise na saúde com mais de 2,2 milhões de casos.

BRASIL ACIMA DA MÉDIA

Os números não dão razão às críticas contra a estratégia do Brasil para enfrentar a Covid-19. Dos 39.598 casos encerrados no país, segundo o site Worldometer, 86% foram de cura, acima da média mundial de 81%.

EXCELENTE NOTÍCIA

O total de pessoas que venceram o coronavírus ultrapassou a marca de 1 milhão, nesta quarta. Apesar de muito mais importante, não houve a mesma repercussão de quando se tratava do número de infectados.

EPIS EXCLUSIVOS

O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal começou a distribuir, na terça (28), máscaras de proteção individual para os policiais civis... mas só os filiados ao sindicato. Tem até logomarca na máscara.

PENSANDO BEM...

...se o princípio da impessoalidade fosse aplicado, de fato, nos três Poderes, o desemprego seria inchado por milhares de aspones.
Herculano
30/04/2020 07:56
POR SEU INTERVENCIONISMO IMODERADO, STF NÃO TERÁ COMO EVITAR CONFRONTO COM BOLSONARO, por Fernando Limongi, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas e do departamento de ciência política da USP; e Argelina Cheibub Figueiredo, professora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo

Individualmente, ministros se mostram dispostos a barrar pretensões mais tresloucadas do presidente, mas chefe da corte parece caminhar na direção oposta

Sergio Moro saiu atirando. Suas denúncias reabriram as casas de apostas: Jair Bolsonaro resistirá? Completará seu mandato? A experiência recente colocou o impeachment do presidente na agenda. As atenções se voltaram para o presidente da Câmara.

Não faltam razões para que Rodrigo Maia acate um dos muitos pedidos que tem à disposição. Esses se multiplicam com a velocidade do vírus ao qual o presidente, em razão de seu passado de atleta, acredita ser imune.

No caso de seu afastamento, a proteção não lhe é dada pela prática esportiva ou por seu passado profissional. Seu vice é sua maior defesa, não tanto pelo que é - um militar reformado -, mas mais pelo que não é - um político.

Por isto, é pouco provável que o Congresso dê início a um processo de impeachment contra o presidente. Não pelas razões que têm sido citadas pelos analistas. Apoio das ruas não é condição necessária para desencadear a ação. Em geral, o que ocorre é o inverso. São as forças políticas engajadas em encurtar o mandato presidencial que mobilizam e levam os cidadãos às ruas.

O impeachment é antes de tudo um ato político. Como tal, quem o provoca deve estar preparado para o dia seguinte, isto é, tem que "combinar com o adversário" e, no caso, este não é o proverbial zagueiro russo, mas o vice-presidente.

Sem saber qual o perfil do novo governo, que espaço este lhe reserva, políticos não vão se mover. E o vice, por definição, porque eleito conjuntamente com o presidente, é um elemento de continuidade. Em outras palavras, o grupo encastelado no poder precisa de segurança de que seus interesses serão preservados na nova ordem.

E é aí que uma possível ação pelo Congresso contra Bolsonaro encontra seu maior obstáculo. Hamilton Mourão não é um político, e a experiência nacional recente ensina que impeachments não decolam sem que o vice entre em campo.

Itamar Franco e Michel Temer foram os fiadores da derrubada dos dois titulares que sucederam. A negociação com Mourão está e deve continuar interditada, seja porque ele não tem base política própria, seja por seu passado militar.

Uma outra possibilidade aventada é a da intervenção das Forças Armadas, via um golpe aberto ou branco. A primeira possibilidade pode ser descartada. Os militares não derrubarão Bolsonaro para assumir o poder por meios extralegais. Não há apoio para este recurso extremo que, com certeza, levaria a um conflito interno a corporação. Quem lideraria o golpe? Quem correria o risco de quebrar a hierarquia? Quem assumiria o poder?

A pressão para que Bolsonaro renuncie seria uma solução mais conveniente para as Forças Armadas. No final das contas, a Presidência passaria às mãos de um general reformado, mais identificado com a corporação e que tem dado mostras de ser mais capaz de seguir a razão. Assim, para as Forças Armadas, Mourão seria, além de rima, a solução.

Bolsonaro, contudo, cercou-se de membros das Forças Armadas, da reserva e da ativa. Não é um governo dos militares, mas é repleto de militares e é justamente isto que impede a corporação de lhe impor limites. Por isto, as críticas de Olavo de Carvalho aos generais Santos Cruz e Villas Bôas, impensáveis em um governo de civis, passaram em brancas nuvens.

Mas isto não significa que as Forças Armadas defenderão Bolsonaro caso seu cargo seja ameaçado. Falta à corporação disposição para embarcar na caçamba armada pelo presidente. Convidadas, as lideranças militares não compareceram ao ato convocado para pedir intervenção militar na porta dos quartéis.

Resta, portanto o Supremo Tribunal Federal. Estariam os 11 supremos dispostos a impor limites ao presidente?

Até o momento, individualmente, os ministros e ministras têm demonstrado disposição para manter o ativismo imoderado no qual se lançaram desde, pelo menos, o mensalão. Gilmar Mendes se insurgiu publicamente contra a substituição de Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde. Pelo Twitter mandou avisar que genocidas não passarão!

Alexandre de Moraes viu desvio de função na nomeação de Alexandre Ramagem para dirigir a Polícia Federal.

Celso de Mello, ao acatar o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), contribuiu com inovações de sua lavra sobre possíveis ações contra o presidente, além de, implicitamente, ter dado mais fé à palavra do ministro demissionário do que à do presidente.

Mas se, individualmente, os supremos se mostram dispostos a barrar as pretensões mais tresloucadas do presidente, o chefe da instituição, o ministro Dias Toffoli, deu mostras de querer caminhar na direção oposta. Sempre que pôde, Toffoli acenou a bandeira branca para oferecer trégua a Bolsonaro.

Em canetada histórica, sustou um sem-número de investigações só para proteger o filho 01, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), e suas ligações perigosas com Fabrício Queiroz, um velho amigo da família. O recado foi dado. Mais claro impossível. Era pegar ou largar. Como sempre, Bolsonaro nem pegou, nem largou. Atacou.

O STF, portanto, se capaz de aprender lições, deve ter entendido que Bolsonaro não fala da boca para fora quando diz que não quer negociar. Bolsonaro continua o mesmo camicase capaz de planejar dinamitar as adutoras do Rio de Janeiro para obter aumento salarial. Mas, como diz o ditado, cão que muito ladra não morde. Bolsonaro não negocia, mas recua. Se tem alguma habilidade, é a de cutucar a onça com vara curta e sair ileso.

Os ataques, contudo, deixam digitais comprometedoras. Para onde se olha, sobretudo quando se olha para baixo, para o submundo, lá estão as marcas deixadas pelo clã Bolsonaro e seus camaradas. Basta ler os jornais para saber que, de fato, Moro se afastou para salvar o que restava da sua biografia. Bolsonaro, como o próprio afirmou em sua lenga-lenga da última sexta-feira (24), também tem uma biografia. No seu caso, contudo, é dela que ele tem que se salvar.

Dado o seu intervencionismo imoderado, o STF não terá como evitar o confronto com o presidente. E não terá porque o presidente da República não deixará de produzir elementos para tanto.

Para fazer jus ao seu apelido quando na ativa, o presidente desembestou a produzir indícios contra si próprio, como o decreto assinado para quebrar o controle sobre o desvio de armas de utilização exclusiva das Forças Armadas. Coincidência ou não, no mesmo dia, novas revelações sobre a relação do filho 01 com as milícias do Rio de Janeiro vieram à luz. No ritmo atual, em breve, faltará pescoço para tanta corda.
.
O ministro Alexandre de Moraes já deu demonstração clara de que não abrirá mão do comando da investigação a ele designada, investigação que, todos sabem, inclusive o presidente, chegará ao filho 02, Carlos Bolsonaro, e sua rede de robôs.

Celso de Mello seguiu na mesma toada e, em pouco tempo, os demais supremos terão oportunidade de contribuir para montar o cerco ao presidente.

O STF vem tratando a letra da Constituição com a elasticidade necessária para intervir e colocar a conveniência a serviço de suas inclinações políticas de momento, mesmo quando amparadas por maiorias circunstanciais, como no caso da prisão após condenação em segunda instância.

O presidente, como uma criança birrenta, não vai parar de provocar, de criar casos (e investigações) enquanto não encontrar limites. O destino do presidente está nas mãos do STF.
Herculano
30/04/2020 07:45
POLÍTICO EM CAMPANHA USA O DEFEITO DOS OUTROS E ESCONDE OS DOS SEUS.

Até ontem, o suplente de vereador pelo PP de Gaspar, Cleverton Ferreira, guardava, a vaga para o titular e o mais longevo dos vereadores daqui, José Hilário Melato, PP, depois que o outro suplente, José Ademir de Mora teve que sair do PSC e colocado no mesmo saco do PP, para se criar o blocão para abafar a CPI das dúvidas das obras da Rua Frei Solano, no Gasparinho.

Com a revelação pela imprensa - saliente-se neste caso dos respiradores e não dos políticos e dos órgãos de fiscalização - das sacanagens de gente do governo de de Carlos Moisés da Silva, PSL, Cleverton resolveu tirar casquinha para si e os seus.

Como ele está sem tribuna oficial na Câmara, o suplente escreveu ele na sua rede social:

O "Pandemia" facilitou as formas de gastar o dinheiro publico.

No combate ao COVID-19 já há casos de Governadores comprando respiradores pelo dobro e triplo do valor, e ainda vendas realizadas por uma distribuidora de vinhos... Hummmm tem coisa aí, nao acham?

Na verdade estão cerceando nossos direitos e saqueando os cofres públicos enquanto dizem que estão nos protegendo.

NÃO VOU TROCAR MINHA LIBERDADE DE PENSAR, POR UMA FALSA SENSAÇÃO DE SEGURANÇA PREGADA PELOS MASCARADOS DE MASCARA, hipócritas fazendo política com a desgraça do povo.

Proteção e cuidados SIM
Corrupção e politicagem NÃO

Volto. Concordo com ele em gênero grau e número com o jovem político, de origem evangélica. Parabenizo, inclusive. Mas, cuidado. Ao mesmo tempo que atira pedras nos telhados quebrados pela coragem de outros, ele está defendendo por exemplo, que nada se apure no caso da Rua Frei Solano, onde uma CPI, com ajuda do grupo a que pertence, dificulta a apuração do caso onde se projetou, se licitou, se contratou, se fiscalizou e se pagou uma coisa e se executou outra.

Aliás, hoje tem mais uma reunião da CPI na Câmara, com a ouvida de mais engenheiros fiscais e da Engeplan, sobre o assunto. Acorda, Gaspar!
Herculano
30/04/2020 07:17
GOVERNO DE CARLOS MOISÉS DA SILVA, PSL, MAIS UMA VEZ EXPOSTO, EM MENOS DE UM MÊS, EM COMPRAR EMERGENCIAIS PARA A COVID-19. PODEM APOSTAR, ESTE É O RETRATO DO MOMENTO EM TODO O BRASIL.

BILHõES DOS PESADOS IMPOSTOS, DESEMPREGO E FALÊNCIAS ESTÃO INDO PELO RALO NOS ESTADOS E MUNICÍPIOS, USANDO A CALAMIDADE, A DOR E A TENTATIVA DE SALVAR VIDAS COMO DESCULPAS. VÃO PEGAR UM AQUI, OUTRO ALI E NÃO VAI DAR EM NADA. A MAIORIA NEM PEGAR VÃO.

AÇÃO POPULAR POPULAR BLOQUEIA R$33 MILHõES DA EXPERTA EMPRESA QUE VENDIA RESPIRADORES QUE NÃO OS ENTREGAVA

Conteúdo do gabinete do deputado Estadual Bruno Souza, Novo. Texto de Guto Kuerten. Uma ação popular protocolada na madrugada desta quarta-feira, 29, pelo deputado Bruno Souza (Novo) obteve uma liminar com o bloqueio dos R$ 33 milhões da empresa Veigamed Material Médico da venda irregular de respiradores. A decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Florianópolis saiu no fim desta tarde e também suspende qualquer pagamento relativo ao contrato feito com a Secretaria Estadual de Saúde.

"Acabamos de dar o primeiro passo na tentativa de reverter este grande prejuízo para o Estado que foi esta compra dos respiradores fantasmas. Ganhamos mais tempo e mais esperança de rever esses recursos para Santa Catarina, já que não sabemos se os respiradores serão entregues. O governo de Santa Catarina inovou na administração pública: criou o "fiado ao inverso". Paga e sem saber se vai receber o produto. Temos que explicar esses fatos e apontar os responsáveis por essa irresponsabilidade", afirma Bruno.
Herculano
30/04/2020 07:08
O PIOR ESTÁ POR VIR, por Roberto Dias, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

E daí, Jair Bolsonaro, que seus problemas mal começaram

O túmulo de Frank Sinatra carrega uma das mais impactantes frases já gravadas em uma lápide. "The best is yet to come" ("o melhor ainda está por vir"), promete a inscrição na Califórnia.

É o título de uma canção dos anos 50, gravada por Sinatra na década seguinte. Foi a última música que ele interpretou em público.

Morto em 1998, o cantor transmite uma mensagem de esperança. Já os vivos em 2020 recebem basicamente mensagens de desesperança.

Uma delas estampada na manchete do jornal The New York Times na manhã desta quarta (29), ao relatar o aceleradíssimo encolhimento da economia americana nesta crise. "O pior está por vir", anunciava-se ali.

E daí?

E daí, Jair Bolsonaro, que seus problemas mal começaram. A declaração do presidente sobre os mortos pelo coronavírus desafia quem achava que não havia mais nenhum absurdo possível a ser dito por ele. E mostra que de Brasília não vai sair nada mesmo, se é que alguém ainda esperava isso. O presidente cada cava dia mais fundo seu próprio buraco e leva seu ministério junto.

Quem espalhava pelas redes sociais gráficos de arrefecimento das curvas já recolheu as previsões. As regiões do país com UTIs em colapso são cada dia mais numerosas.

A economia mal começou a descida. O PIB americano caiu 4,8% (taxa anualizada) no primeiro trimestre; a previsão para o segundo vai na casa dos 30% negativos. Por aqui, o estrago da queda de renda se arrastará por muito tempo.

O apoio popular ao presidente tende a ser menor, e o apoio político, mais custoso e problemático. A disputa institucional só agora começa a chegar a questões mais centrais do autoritarismo do presidente - e não vai aparecer daí nenhuma solução para as crises sanitária e econômica dos próximos meses.

Os túmulos pelo país estão sendo abertos a toque de caixa. O que vai escrito nas plaquinhas Bolsonaro nunca vai entender.
Andréia Nagel
29/04/2020 19:47
ABUSO DE AUTORIDADE
O título não poderia ser diferente, já que não temos a quem recorrer, vamos à imprensa livre, às redes sociais, vamos recorrer a quem possa nos ouvir. Dificilmente me manifesto, mas a situação realmente foi abusiva, não aconteceu comigo diretamente, foi com minha filha e com parte da comunidade da Lagoa que ainda está com os olhos bem abertos, fecharam a estrada da Lagoa, a única que dá acesso à comunidade ao Centro, fecharam porque estão fazendo o asfalto, no entanto NÃO colocaram placas avisando as pessoas, ou seja, fazem o povo de idiota, porque se acham imunes a tudo. A Ditran estava impedindo a passagem, atravessaram o carro no meio da estrada e ainda falaram em tom de ameaça que iriam multar quem se aventurasse a passar, não foi comigo, porque se fosse eu diria pra me multar e ainda depois iria na delegacia fazer um BO por abuso de autoridade, por impedir o trânsito na única via do bairro, por não deixarem as pessoas trabalharem, por serem arrogantes e acharem que estão fazendo um favor, por não terem a capacidade de gestão e organizar de forma a amenizar os impactos para a população, sendo que poderia fechar apenas meia via, por fazerem o cidadão dar a volta pela BR 470, lembrando que nós da Lagoa precisamos ir até Ilhota para voltar à Gaspar, porque não temos passagem na BR no acesso da Lagoa, enfim, poderia ficar enumerando diversos motivos, mas vou parar por aqui, é um desabafo, quem me acompanha nas redes sociais sabe que muito pouco tenho postado sobre qualquer assunto, agora, esse tipo de situação precisa ser denunciada, mesmo que não leve a nada, mas que é muita falta de consideração e respeito com o povo, isso é!
Herculano
29/04/2020 19:24
da série: o piloto sumiu, mas tudo está sob controle

TEICH DIZ QUE ESTAMOS 'NAVEGANDO ÀS CEGAS' EM MEIO À PANDEMIA

Conteúdo de O Antagonista. Nelson Teich, em videoconferência com senadores, foi provocado a se posicionar sobre o isolamento social em meio à pandemia da Covid-19.

O ministro da Saúde admitiu que estamos navegando às cegas.

"A gente não sabe qual o percentual da sociedade está comprometido pela doença. Você não sabe se essas pessoas transmitem tanto quanto as que estão mais graves. Os testes que a gente faz hoje não permitem a gente saber essa realidade. Sem esse conhecimento, você literalmente está navegando às cegas. Essa que é a grande verdade."

Ele acrescentou:

"O isolamento é porque você não sabe o que fazer. A única coisa que você sabe é que o distanciamento diminui o contágio."

Teich também quis lembrar que não há garantia de que os pacientes curados ficam imunes à doença.

"A complexidade é enorme para você analisar."

Ele continuou:

"Quando vai ser o pico? Não sei e ninguém sabe."
Herculano
29/04/2020 17:26
BOLSONARO COBRA INDEPENDÊNCIA DE PODERES E ESPERA DAR POSSE A RAMAGEM

Conteúdo do UOL. Texto de Felipe Amorim, Brasília DF. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que espera "em breve" concretizar a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal. Fez questão de frisar também a independência entre os Poderes apregoada na Constituição.

Escolhido por Bolsonaro para o cargo, Ramagem teve a posse barrada por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes hoje de manhã. A indicação vinha sendo criticada pela proximidade do escolhido com o presidente, cuja segurança chefiou na campanha presidencial de 2018, e com seus filhos, especialmente o vereador Carlos Bolsonaro.

O presidente repetiu em voz alta a palavra "independentes" ao citar o trecho da Constituição que fala da relação entre os Poderes. "São poderes da União, independentes, independentes, e harmônicos entre si o Legislativo, o Executivo e o Judiciário", disse.

Assim me comporto e dirijo essa nação. Não posso admitir que ninguém ouse desrespeitar ou tentar desbotar a nossa Constituição

A declaração de Bolsonaro foi feita durante cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, Andre Mendonça, e do novo advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Junior.

A fala do presidente foi presenciada por autoridades do Judiciário que compareceram à cerimônia, como o presidente do STF, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes, também do STF, além do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), João Otávio de Noronha.

"O senhor Ramagem que tomaria posse foi impedido por uma decisão monocrática de um ministro do STF. É um senhor que eu conheci durante as eleições. Um homem de elite, honrado, com vasto conhecimento, à altura de representar e ser o chefe da segurança do presidente", disse Bolsonaro.

Eu gostaria de honrá-lo no dia de hoje dando posse como diretor da Polícia Federal. Eu tenho certeza que esse sonho meu, mais dele, em breve se concretizará.
Herculano
29/04/2020 17:18
PERGUNTA óBVIA

A Polícia Federal serve ao presidente ou sob demanda à jurisdição para diligências, perícias, interrogatórios e inquéritos?

Ora, se ela age sob demanda da jurisdição, a quem ela deve prestar contas? Ao presidente que é um estranho ao processo e no interesse, ou ao quem a demandou?
Herculano
29/04/2020 17:13
UMA ÚNICA RAZÃO

De J.R.Guzzo, no twitter

O ministro Alexandre Moraes ja censurou a revista "Crusoé". Dirige investigações secretas. Agora proíbe o presidente da República de nomear seu próprio diretor da Polícia Federal, sem dar uma única razão objetiva e legal para isso. Está jogando um jogo destrutivo e irresponsável.
Samae Inundado
29/04/2020 15:25
Sr. Herculano


O mais longevo dos vereadores, e executivo de sucesso em fala, disse ontem que pegou o Samae quebrado e sucateado.
Sera verdade, disse que vem bucha na próxima terça-feira. Aguardemos o executivo exemplar.
Demetrius Wolff
29/04/2020 14:27
Sobre o Ministro Alexandre de Moraes do STF suspender a nomeação de Ramagem para a PF.

Se eu fosse o Bolsonaro nomearia como delegado da PF o amigo do Alexandre de Moraes, que o Moro queria, e pediria para os deputados bolsobaristas entrar com o mesmo pedido no STF para ver se também iria impugnar a nomeação do amigo.

Aí iriamos verificar se o STF é isento mesmo.
Miguel José Teixeira
29/04/2020 09:39
Senhores,

"Sou Messias, mas não faço milagre"

Bom. . .quem batizou-o, seguramente acreditava no Messias, cuja vida, segundo as Escrituras, é uma perfeita lição de humildade.

Portanto, senhor presidente, nós não precisamos de milagres.

Assim sendo, um pouco de humildade ajuda e muito!
Herculano
29/04/2020 08:14
GENTE INGÊNUA, OU BANDIDA

Quem mesmo acredita que a China teve só cinco mil mortes pela Covid-19? Na China, por ser um governo totalitário, por não haver imprensa livre, não há transparência em nada. Todos os dados públicos são manipulados como o governo quer. Então...
Herculano
29/04/2020 08:08
O DESCONFORTO DE GUEDES E A FARRA DE MARINHO, Helio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, no jornal Folha de S. Paulo.

Plano do ministro do Desenvolvimento Regional tem jeitão de um PAC-Geisel

A aparência de Paulo Guedes durante o pronunciamento de Jair Bolsonaro ao lado de seus ministros na sexta (24) indicava desconforto. Guedes, único que usava máscara, estava sem paletó e de meias e destoava da formalidade dos demais.

Dois dias antes, havia partido da Casa Civil de Braga Netto o Plano Pró-Brasil, concebido principalmente por Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional. O plano tem jeitão de um PAC-Geisel para consumar obras de infraestrutura, que incluem R$ 30 bilhões de dinheiro público, como suposta solução para a crise do coronavírus, que pode derrubar o PIB em 5% neste ano.

O presidente, por enquanto, demonstrou apoio a Guedes e sua responsabilidade fiscal, mas a articulação de peso que une Marinho, alguns militares e o centrão ainda não foi completamente contida.

O PAC de Dilma nos legou 5.000 obras paralisadas na data de hoje e enterrou R$ 100 bilhões, em valores atualizados. O governo investe mal. O processo de decisão de cada investimento do PAC não derivou de planilhas de cálculo econômico, mas exclusivamente de cálculo político pavimentado pela peregrinação à Brasília de políticos para acessar recursos que dispensavam controles orçamentários.

Há uma percepção equivocada de que investimento em infraestrutura gera mais empregos e, consequentemente, deve ser priorizado. Na verdade, todo investimento gera emprego. As micro e pequenas empresas, por sinal, geram 50% dos empregos empresariais no Brasil.

Mais que empregos temporários durante uma obra, importa a continuidade de geração de vagas ao longo do tempo. Na medida em que determinado investimento reduza custos de logística, de energia, e torne a empresa brasileira mais competitiva no mundo, o investimento tenderá a gerar riqueza e empregos continuamente.

O empreendedor busca projetos que propiciem o melhor retorno, indicado pelos preços, por sua vez determinados pelas necessidades mais urgentes do consumidor. Por meio dos sinais de preços, o consumidor instrui os empreendedores a fabricar o que mais precisa e deseja. Porém, se a decisão de investimento for reflexo do dirigismo estatal em busca de uma métrica de empregos ou favores políticos, a chance é que afunde em um buraco keynesiano.

Na estória apócrifa de uma visita à China de Deng Xiaoping no início dos anos 1980, o economista Milton Friedman questionou o engenheiro de um canteiro de obras de uma represa: "Por que não fornecem tratores em vez de pás aos trabalhadores?". "Porque precisamos gerar empregos", respondeu o engenheiro. "Ah", disse Friedman, "pensei que queriam fazer uma represa; se o objetivo é criar empregos, melhor trocar as pás por colheres!"

O gasto do governo em razão do coronavírus está gerando um "crowding out" sem precedentes, uma transferência espantosa de recursos do setor privado para o governo via venda de títulos públicos. O governo terá déficit adicional de R$ 400 bilhões em 2020. Em suma, o que o governo gastar a mais neste momento o setor privado investirá a menos!

Por causa do "crowding out", as taxas de juros sem risco de médio prazo subiram de 6,5% para 9%, a despeito do esforço do Banco Central em baixar taxas. Os efeitos dessa alta sobre emprego e renda todos sabemos.

Guedes imagina um normalmente bem-vindo corte de impostos estilo Reagonomics. Mas, neste momento de explosão de dívida, aumentará o efeito perverso do "crowding out", um tiro no pé Bolsonomics. Antes dos impostos, é preciso cortar gastos, em especial da folha de R$ 1 trilhão de funcionários públicos de todas as esferas. E isso Rogério Marinho não quer.
Herculano
29/04/2020 07:32
VEM AI A CPI DOS VENTILADORES PULMONARES CONTRA O GOVERNADOR CARLOS MOISÉS DA SILVA, PSL. O AUTOR É O DEPUTADO IVAN NAATZ, PL
Herculano
29/04/2020 07:30
FEDERAÇÃO DE POLICIAIS FEDERAIS ELOGIA NOVO DIRETOR, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, elogiou a escolha de Alexandre Ramagem para a direção-geral da PF, que a entidade considera "perfeitamente qualificado para o cargo e tem o respeito da categoria", e demoliu a fantasia de muitos políticos e jornalistas hostis ao governo: "até agora, não houve interferências nas investigações em andamento", garante. Porque seria crime, sem chance de não ser levado a termo, denunciado à Justiça.

PRERROGATIVA PRESIDENCIAL

Boudens lembrou que nomear diretor da PF é prerrogativa do presidente e lei não fala em "mandato" e nem o obriga a explicar essa escolha.

POR QUE NÃO DENUNCIOU?

Para Boudens, se havia "interferência", o então ministro Sergio Moro tinha o dever de denunciar no ato, sob pena de crime de prevaricação.

REAÇÃO CORPORATIVISTA

A Fenapef lamentou que várias críticas a Ramagem sejam de setores meramente corporativistas que desprezam os interesses nacionais.

CORPORATIVISMO

A Fenapef tem histórico de divergências com a entidade dos delegados, cujas questões corporativistas são motivo de críticas dos agentes.

MANDETTA PREVIU 'COLAPSO' NO FIM DE ABRIL. ERROU

Em sua coletiva de imprensa de 20 de março, o ex-ministro da Saúde Luiz Mandetta conquistou as manchetes dos veículos de comunicação do Brasil (e alguns do exterior) prevendo que "em final de abril nosso sistema entra em colapso", garantiu o ex-deputado federal. Segundo o boletim do Ministério da Saúde desta terça-feira (28), o Brasil ultrapassou ontem a marca de 5 mil óbitos em 71 mil casos.

PESSIMISMO CONTAGIA

Mandetta previu aumento rápido de casos em março, e que só haveria desaceleração em junho e redução em agosto.

CONTA SEMANAL

Segundo dados da Saúde, óbitos e casos confirmados do coronavírus cresceram até a 17ª semana epidemiológica. Na 18ª, caíram.

PAÍS HETERODOXO

São Paulo, Rio, Recife, Fortaleza e Manaus são as que "mais chamam atenção", diz Wanderson Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde.

MASCARADO

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, usa máscara, durante sessões virtuais, mas é um indisciplinado. Prefere usar a máscara para encobrir a papada, sobre o queixo, contrariando as recomendações sanitárias.

O FOCO É BOLSONARO

Ao mandar abrir inquérito para investigar supostos crimes denunciados pelo ex-ministro da Justiça, o ministro do STF Celso de Mello cita Sérgio Moro seis vezes. Já o presidente Bolsonaro, que detesta, mais de 30.

EM 12 DE JUNHO, ACABA

Pesquisa de Singapura fez sucesso nas redes ao prever o fim do surto de Covid-19. O estudo diz que 99% da pandemia terá passado até 12 de junho no Brasil. No mundo, 16 de junho. Aqui, 100% só em 23 de agosto.

PIANTELLA ACABOU

Mais tradicional restaurante de Brasília, o Piantella fechou as portas de vez. Suas mesas foram espaço de articulações e conchavos que criaram e resolveram muitas crises políticas, mas não resistiu ao coronavírus.

FAKE NEWS REITERADA

Veículos apressados citam 474 óbitos "novo recorde em 24h". Ignoram que são somadas ao total as mortes que só foram associadas ao Covid-19 naquele dia. No Brasil, o pior número foi de 175 óbitos em um dia.

EXPECTATIVA POSITIVA

Frank Marcio de Oliveira, que deve assumir a direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é tido como "bom profissional, calmo, que sabe escolher equipe", segundo fonte o órgão. Cansados de diretores que não são da carreira, os servidores gostaram da escolha.

NOTÍCIA BOA

Quando o número total de casos de coronavírus atingiu 1 milhão, o número de curados era de 210 mil. O número de infectados triplicou entre 2 e 28 de abril, mas os curados quase multiplicaram por cinco.

COMO DEVE SER

A federação dos policiais rodoviários federais não entrou em embate político, desejou sucesso ao ministro André Mendonça (Justiça) e disse que os agentes estão à disposição para atuar contra a criminalidade.

PENSANDO BEM...

...depois de isolamento, há reaproximação.
Herculano
29/04/2020 07:20
da série: se não é a imprensa, os políticos usam até a grave crise, a calamidade e a permissão para comprar emergencialmente para se esbaldar. E pegos, culpam e demitem uma estagiária. É prácabar. E isso está se repetindo em todo o Brasil e nos municípios, também.

CORONAVÍRUS: SC ACEITA PROPOSTAS FORJADAS E GASTA R$ 33 MILHõES NA COMPRA DE RESPIRADORES FANTASMAS, por
Fábio Bispo e Hyury Potter, do Intercept Brasil. O GOVERNO DE SANTA CATARINA levou cinco horas para decidir comprar, receber uma proposta e bater o martelo sobre a aquisição de 200 respiradores a módicos R$ 33 milhões. A pressa teve um preço. Os aparelhos, que deveriam ter sido entregues no início de abril, em 48 unidades de saúde do estado, não chegaram. A previsão mais otimista, agora, é para junho.

Cada respirador, equipamento essencial durante a pandemia, já que um dos principais sintomas de coronavírus é a falta de ar, saiu por R$ 165 mil - valor bem acima dos R$ 60 mil a R$ 100 mil pagos pela União e por outros estados.

Além do preço, causa estranheza a escolha do fornecedor: a Veigamed, uma empresa da Baixada Fluminense, sem histórico de vendas desse aparelho e especializada no comércio de produtos hospitalares como gaze e mobília. Em seu site, não há menção a respiradores ou qualquer outro tipo de equipamento elétrico de maior valor. A empresa também nunca teve nenhum contrato com o governo catarinense e, nos últimos cinco anos, a soma de todos os produtos que vendeu à União é de apenas R$ 24 mil.

A primeira movimentação do governo catarinense para aquisição dos respiradores foi protocolada pela Secretaria de Estado de Saúde às 10h17 de 26 de março. Naquele mesmo dia, às 15h31, foi incluída no sistema a ordem de fornecimento dos equipamentos oferecidos pela empresa, finalizando o processo de escolha.

A empresa fica localizada em uma casa simples no município de Nilópolis, segundo os dados presentes na proposta feita ao governo catarinense. Em seu site há apenas a foto de um prédio com pinta de imagem adulterada no Photoshop e uma referência a outra cidade, Macaé, na Região dos Lagos do Rio, além de um telefone em que ninguém atende. Ao ligarmos para o telefone presente no cadastro da Receita Federal, fomos informados que o número correspondia a uma "casa de massagens".

Na proposta de venda encaminhada ao governo pelo CEO da Veigamed, Pedro Nascimento Araújo, é informado que a empresa atuaria em conjunto com a Brazilian International Business, com sede na catarinense Joinville. Essa empresa seria, segundo o documento, a responsável pela parte internacional da transação. O modelo de respirador oferecido é o Medical C35, de um fornecedor no Panamá.

O nome do dono da importadora, Rafael Wekerlin, no entanto, aparece apenas nessa proposta inicial. Não há documentos dele ou o CNPJ de sua empresa no processo, e ele não assina qualquer outro documento posterior na realização do negócio. Quando o questionamos, ele disse primeiro que chegou a ser procurado para uma parceria, mas não obteve nenhum retorno. Depois, mudou de versão: disse que não conhecia a empresa.

Segundo Wekerlin, a Veigamed copiou o orçamento que a sua importadora fez ao governo de Santa Catarina. "Copiaram no Word minha proposta e encaminharam. Mas note que eles esqueceram de tirar o meu nome", explicou ao nos enviar um arquivo em PDF com uma proposta em nome da Brazilian International Business, a BINTB, idêntica à feita pela empresa fluminense.

Na tarde do dia 27 de março, depois que o governo já tinha acertado a compra com a Veigamed, a assessoria jurídica da Secretaria de Gestão Administrativa aconselhou por escrito a busca por outros orçamentos "a fim de justificar o preço". Veloz, o governo apresentou no mesmo dia uma proposta da empresa MMJS, que não tem sequer registro de venda de aparelhos hospitalares na Receita Federal, mas, ainda assim, ofereceu 200 respiradores modelo Medical C30 por R$ 45 milhões. No dia seguinte, uma proposta da JE Comércio, que apresenta o mesmo aparelho por R$ 39 milhões, também surgiu no processo.

Além de ambas estarem acima da oferta da Veigamed, as duas propostas possuem outras semelhanças: nenhuma delas tem CNPJ ou mesmo assinatura e nome do responsável, informações básicas em concorrências públicas. As duas empresas também dividem o mesmo endereço, conforme consta no site da MMJS e no rodapé da proposta da JE Comércio, o que leva a crer que tratam-se de propostas de fachada, para garantir a contratação da Veigamed.

Pelo menos até 2018, a MMJS se chamava Bau Holdings. Naquele ano, ela aparecia no cadastro do Tribunal Superior Eleitoral como uma das candidatas a organizar financiamento coletivo virtual de campanhas eleitorais. Em 2017, foi alvo de uma investigação aberta pelo Judiciário do Mato Grosso por suspeita de venda ilegal de bitcoins e formação de esquema de pirâmide.

Entramos em contato com a MMJS pelos telefones e e-mail informados no site da empresa, mas não obtivemos retorno. Não encontramos o contato da JE Comércio. Solicitamos informações como CNPJ ou nome do responsável pela empresa ao governo de Santa Catarina, que ignorou os pedidos.

Com a proposta vencedora da Veigamed corroborada pelas supostas concorrentes, no dia 1º de abril o governo de Santa Catarina pagou em duas parcelas os R$ 33 milhões acertados com a empresa ?" procedimento um tanto incomum, já que o pagamento só deveria ser realizado após a realização do serviço, ou seja, quando os respiradores fossem entregues.

O primeiro lote de 100 respiradores deveria chegar até 7 de abril, o que não ocorreu. Em 8 de abril, a Secretaria de Saúde notificou a empresa sobre o atraso e afirmou que, caso isso não fosse regularizado em um prazo de cinco dias, a compra poderia ser cancelada. A ameaça não se concretizou. A empresa só respondeu oito dias depois, com duas mudanças drásticas no contrato: a primeira, alterando o modelo de respirador e, a segunda, esticando o prazo de entrega para junho, dois meses além da data combinada. As duas alterações, mostram os documentos no sistema do governo, foram aceitas sem questionamentos.

O empresário Pedro Nascimento Araújo, CEO da Veigamed, informou ao governo na resposta que eles tiveram problemas com o fornecedor do respirador Medical C35, da empresa panamenha. Em anexo, acrescentou uma fatura de negociação internacional de outro modelo de respirador, de um fornecedor na China. O novo aparelho, escolhido sem consulta técnica ao governo catarinense, é o Shangrila 510S. Trata-se do mesmo aparelho que aparece nas fotos apresentadas pelas supostas concorrentes da empresa dias antes como se fosse o Medical C35. Mais ou menos como mostrar a alguém a foto de um Gol dizendo se tratar de um Audi, o que leva a crer que a ideia era essa desde o princípio.

A mudança para um aparelho inferior baixou o custo da empresa em R$ 21 milhões, mas o valor do contrato segue o mesmo.

No documento, Araújo cita que, diante da indisponibilidade do modelo inicial, o próprio secretário de Saúde do estado, Helton Zeferino, teria manifestado preferência pelo "modelo Shangrila 510S, ao invés daquele descrito inicialmente na Ordem de Fornecimento 343/2020". Mas a manifestação do secretário não aparece no processo e não fica claro qual foi a forma de comunicação estabelecida entre os dois.

Com menos funcionalidades, o que interfere na variedade de tipos de respiração a que um paciente pode ser submetido em uma UTI, segundo médicos consultados pela reportagem- ou seja, um modelo inferior -, o Shangrila 510S custa quase um terço do valor do Medical C35. O documento informa um equipamento de 12 mil dólares, cerca de R$ 60 mil no câmbio atual. A diferença, no entanto, não acarretou mudança nenhuma no valor final do contrato firmado e já pago pelo estado. Perguntamos ao governo de Santa Catarina para onde foram os R$ 21 milhões de diferença entre as duas compras, mas não tivemos resposta.

O documento de compra dos novos aparelhos não informa previsão de chegada dos equipamentos, apenas de embarque dos produtos. O primeiro lote de 100 respiradores parte da China entre os dias 25 e 30 de abril. O outro carregamento deve sair entre 15 e 30 de maio. Ou seja, na melhor das hipóteses, os respiradores devem chegar com pelo menos dois meses de atraso, quando boa parte dos pacientes que poderiam ser socorridos já tiverem sucumbido ao vírus.

A docilidade diante da empresa só mudou depois que entramos em contato com o governo pela primeira vez, na sexta-feira, 17 de abril, pedindo esclarecimentos sobre o atraso na entrega dos respiradores. Enquanto pedia mais prazo para responder às nossas solicitações, o governo se apressou para fazer novas exigências à Veigamed. Na quarta-feira, 22, foi anexado no sistema uma notificação do procurador do Estado Gustavo Canto pedindo detalhes sobre o embarque dos equipamentos e exigindo que a entrega não ultrapasse o prazo de 30 de abril, o que, na prática, inviabiliza a chegada dos respiradores e pode levar ao rompimento do contrato.

Já com esse prazo estourando, nesta segunda, 27, a assessoria jurídica da Saúde produziu um parecer pedindo o cancelamento da compra, multa de 10% do valor do contrato (R$ 3,3 milhões) e suspensão de seis meses para a Veigamed firmar novos contratos com o governo do estado. Só esqueceram de citar os R$ 33 milhões já pagos à empresa.

Para justificar compra, vale até fake news
Além de um pedido da assessoria jurídica por mais orçamentos, dois pareceres foram produzidos para referendar a compra urgente e os valores contratados com a Veigamed. Um assinado por um assessor jurídico da Secretaria de Saúde em 27 de março; e outro feito pela superintendente de Gestão Administrativa do estado, Marcia Regina Geremias Pauli, em 18 de abril.

O primeiro cita uma reportagem de um site de notícias de Santa Catarina que afirma que os valores de respiradores ficaram "cinco vezes mais caros" durante a pandemia. Mas o texto não informa a fonte da informação, e as únicas pessoas entrevistadas são Carlos Moisés, do PSL, governador do estado, e o secretário de saúde, Helton Zeferino. O segundo parecer tem como base uma notícia atribuída a um site mato-grossense que diz que o Mato Grosso do Sul adquiriu respiradores por espantosos R$ 680 mil. Entramos em contato com a Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul, que esclareceu que o valor era referente à compra de oito aparelhos, a R$ 85 mil cada, que acabou cancelada.

Preocupados com a capacidade de atendimento do respirador Shangrila 510S, a Gerência de Desenvolvimento dos Hospitais Públicos de Santa Catarina chegou a solicitar em memorando enviado à Secretaria de Gestão Administrativa, no dia 17 de abril, que uma comissão de médicos intensivistas da Secretaria de Saúde seja consultada "a fim de validar, ou não, as especificações técnicas e a aceitação do item informado". Era tarde. O parecer da superintendente, Marcia Pauli, do dia seguinte, também reforçava a necessidade de avaliação, mas informa que isso só deveria acontecer no "momento do recebimento das peças".

Na quarta-feira, 22 de abril, enviamos 14 perguntas sobre os erros encontrados no processo de dispensa de licitação dos respiradores, como a ausência de identificação das empresas candidatas e a falta de análise técnica do modelo substituto ao contratado. A assessoria de imprensa do governo se limitou a responder que o secretário de Saúde, Helton Zeferino, "não conhece Rafael Wekerlin" e que "instaurou um processo administrativo para apurar a compra dos respiradores pulmonares da empresa Veigamed".

Também conseguimos, enfim, contato com o CEO da Veigamed, Pedro Nascimento Araújo, por um número de celular presente em um ofício assinado pelo diretor de licitações da Secretaria de Saúde e direcionado à empresa no dia 22. O número é atribuído ao médico Fábio Guasti, descrito como representante da Veigamed, mas quem atendeu foi Araújo. Na conversa, ele disse que o médico não representava a empresa e que achava se tratar de "um consultor" do governo, mas que desconhecia sua participação na licitação. Tampouco soube explicar por que foi ele e não o médico que atendeu a ligação.

Questionado sobre o sem fim de irregularidades que parecem acompanhar o seu contrato com o governo de Santa Catarina, Araújo disse que não conhecia muito bem os detalhes da licitação que rendeu possivelmente o maior contrato da história da sua empresa. Informou apenas que a proposta apresentada ao governo foi construída em conjunto com uma trading, que ficará responsável pela liberação das máquinas na Alfândega e pagamentos no exterior, mas não soube dizer sequer o nome da empresa.

Ou seja: o governo comprou um modelo de respirador acima do preço, mas o vendedor trocou o aparelho sem consultar o poder público; os equipamentos só devem chegar com dois meses de atraso; e só então os técnicos da Secretaria de Saúde vão analisar se o respirador é apropriado para tratar pacientes de covid-19. Caso não sejam, todo processo de escolha de comprador e equipamento, que começou em março, estará descartado, e o governo terá que entrar em uma batalha para reaver os R$ 33 milhões pagos antecipadamente. Enquanto isso, equipes de saúde de 48 unidades hospitalares do estado seguem aguardando pelos aparelhos para salvar vidas no combate à covid-19. Até o dia 26 de abril, Santa Catarina já tinha 43 mortos pelo novo coronavírus há 1.337 casos da doença confirmados.
Herculano
29/04/2020 07:04
COM POPULARIDADE FIRME, BOLSONARO ACHA QUE PODE FAZER O QUE QUISER, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

País tem um presidente que fabrica disparates sem medo de perder aprovação

Donald Trump nunca duvidou da lealdade de seus eleitores fiéis. Dez meses antes da eleição de 2016, o magnata subiu num palanque e exibiu a dimensão de sua autoconfiança: "Eu poderia ir para o meio da Quinta Avenida, atirar em alguém e não perderia nenhum eleitor".

Até aquele dia, o republicano só havia apresentado uma amostra grátis do repertório de atrocidades que usaria durante a campanha. Dali por diante, deu declarações absurdas, prometeu barbaridades e chegou à Casa Branca mesmo assim.

A despreocupação de Jair Bolsonaro com sua popularidade espelha a frase lançada por seu ídolo americano naquele comício. Os números da última pesquisa Datafolha mostram que a base de apoio do presidente se manteve inabalada.

Assim como no fim do ano passado, um a cada três brasileiros afirma que o governo Bolsonaro é ótimo ou bom. Nesse intervalo, o presidente empurrou o país em direção ao abismo do coronavírus, fez campanha contra alertas das autoridades de saúde e demitiu o ministro que cuidava da área. Seus apoiadores viram 5.000 mortes em menos de 40 dias, mas continuaram a seu lado.

A solidez dessa base abriu caminho para mais desatinos. Bolsonaro deu apoio explícito a uma turba que pedia um golpe militar e interferiu politicamente na Polícia Federal para proteger os filhos. Depois, nomeou um delegado próximo de sua família. "E daí?", rebateu.

O presidente provavelmente acredita que pode fazer o que quiser. Embora trincado pelo conflito com Sergio Moro, o discurso antissistema ainda prende os bolsonaristas a seu líder, assim como a promessa de uma agenda conservadora. O peso da máquina pública e os R$ 600 pagos a trabalhadores informais afetados pela crise inflam esse grupo.

Bolsonaro ainda precisará enfrentar os efeitos da disparada das mortes por coronavírus e da recessão provocada pela pandemia. Por enquanto, o país mantém no poder um presidente que fabrica disparates sem medo de perder popularidade.
Herculano
29/04/2020 06:59
BALANÇA MAS AINDA NÃO CAI, por Carlos Brickmann

Esperteza, quando é muita, vira bicho e come o esperto. Bolsonaro achou que era esperto ao levar para seu Governo o popularíssimo juiz Sergio Moro, odiado pelo PT. Tinha certeza de que Moro aceitaria qualquer ordem, já que seu sonho era ir para o Supremo. Moro achou que era esperto ao desafiar o presidente. Tinha certeza de que Bolsonaro não o demitiria, por temer reação popular e para não acirrar os ânimos dos federais que investigam seus filhos.

Ambos foram devorados. Bolsonaro esqueceu que Moro, experiente nos tribunais, certamente estaria colecionando documentos e gravações de sua passagem pelo Governo. Moro esqueceu que, embora popularíssimo, terá de passar dois anos ao sol e ao sereno, sua lembrança se esvaindo, para só então disputar a Presidência. Que mais pode querer, a essa altura? Quem ousará apadrinhá-lo, sabendo de seu hábito de colecionar documentos e gravações?

Com a entrada do Supremo no jogo, Moro poderá até derrubar Bolsonaro - mas sem ganhar nada com isso. E mesmo tendo apanhado o presidente no contrapé, balançando, derrubá-lo não é simples. Bolsonaro até que faz força para cair, criando uma crise após outra; mas não é à-toa que, com uns trinta pedidos de impeachment, Rodrigo Maia não mandou nenhum para a frente. Impeachment exige não apenas um crime de responsabilidade (e maioria no Congresso), mas principalmente condições políticas.

Bolsonaro já não é tão forte, mas tem um terço do eleitorado. Pode cair, mas precisará se esforçar.

AS PEDRAS NO CAMINHO

Há mais problemas sérios para Bolsonaro enfrentar. A Polícia investiga seu filho Flávio, hoje senador, no caso Queiroz. Funcionários de Flávio na Assembleia entregavam a Queiroz parte do salário, que, suspeita-se, iria para Flávio. Há investigações sobre notícias falsas (em "português", fake news), que parecem estar próximas de dois de seus outros filhos, Carlos e Eduardo. Mas o presidente não pode ser responsabilizado por problemas dos filhos. Seria preciso provar que participou dos fatos, ou se beneficiou, ou os acobertou.

O SATÂNICO DR GO

Um dos principais estrategistas do regime militar, o general Golbery do Couto e Silva, hoje notaria que todos os Estados banhados pelo mar, menos um - o Paraná - estão na oposição. Ao romper com o presidente, Ronaldo Caiado, de Goiás, deixou-o ilhado em Brasília. A aliança dos governadores contra ele é mais séria que a posição do Congresso ou do Supremo, e o deixa instável. Bolsonaro conseguiu trazer de volta a Política dos Governadores, parada desde a campanha pelas diretas. E a trouxe contra ele.

HORA E LUGAR

O ministro Celso de Mello ordenou à Procuradoria Geral da República que investigue as acusações de Moro a Bolsonaro (e, caso sejam falsas, de Bolsonaro contra Moro, por denunciação caluniosa). Foram denúncias pesadas e, como se viu, Moro andou colecionando documentos. Mas há um problema, apontado pelo ministro Gilmar Mendes: o prazo. Em novembro, Celso de Mello se aposenta por idade. O presidente indica o substituto, que herda seus processos. Bolsonaro indicou o perfil que escolherá: o de alguém "terrivelmente evangélico".

E, ao mesmo tempo, terrivelmente bolsonarista.

REPETINDO A HISTóRIA

Celso de Mello votou contra Sarney, que o nomeou (e por isso o ministro da Justiça, Saulo Ramos, rompeu com ele), Luiz Fux prometeu "matar no peito" o processo contra José Dirceu (e Dirceu acreditou!), oito dos onze ministros do Supremo foram indicados por Lula e Dilma (e a cúpula do PT acabou na prisão). Quando alguém chega a um cargo vitalício bem pago, com garantia total para sua independência, fica independente que só vendo.

ACREDITE SE PUDER

O canadense Grant Peterson, ex-policial, casado com uma brasileira, escreve livros policiais no estilo de Richard Prather, criador do detetive Shell Scott: seus personagens são conservadores, duros, adeptos da manutenção da ordem a qualquer preço. Peterson mandou dois livros, cuja história se passa no Brasil, para a Fonte Editorial, que os traduziria e lançaria aqui: Southern Cross e Back in Slowly. Na tradução, os livros foram modificados e viraram petistas. Peterson está processando a Fonte Editorial.

Num dos livros, um personagem, "o senador Buscetti, do PMDB", tenta "derrubar Dilma por corrupção". Na tradução, Buscetti "estavam tentando derrubar Dilma do poder por uma invenção da mídia golpista brasileira". E são denunciados por boa parte da opinião pública pelo "grande crime que destruiu a democracia inclusiva e participativa brasileira, que estava sendo construída no governo do Partido dos Trabalhadores (...)". No original, "não parece que o PT vá sobreviver à Lava Jato". Na tradução, o PT é "o maior partido popular da América Latina e quiçá do mundo".

Eduardo de Proença, editor da Fonte, diz que o tradutor Daniel Costa foi dispensado. Costa acha que melhorou o livro, tornando-o "mais isento".
Herculano
29/04/2020 06:44
GUEDES HERDOU A CARTA BRANCA DE SERGIO MORO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Ministro poderá ser descartado com a mesma argumentação usada contra o ex-juiz
Fica combinado que "o homem que decide a economia" no Brasil é Paulo Guedes.

Afinal, Sergio Moro tinha carta branca e a política do toma-lá-dá-cá com o centrão era coisa dos passado. Cartas brancas não existem e as tais bancadas temáticas que substituiriam as negociações com os partidos eram um delírio.

Assustado com a ruína de seu governo, Bolsonaro bateu à porta do centrão. Repete Dilma Rousseff e Fernando Collor.

A fé de Bolsonaro em fantasias é inesgotável. Pena que a capacidade de Paulo Guedes de criar debates inconsequentes seja incontrolável.

Diante de uma epidemia, de uma recessão e do teatrinho do lançamento do Pró-Brasil, Paulo Guedes resolveu encrencar com os servidores: "Precisamos também que o funcionalismo público mostre que está com o Brasil, que vai fazer um sacrifício pelo Brasil, não vai ficar em casa trancado com geladeira cheia e assistindo a crise enquanto milhões de brasileiros estão perdendo emprego".

Boa ideia. Que tal um programa de sacrifícios gradativos, começando pelos magistrados e procuradores que embolsam acima de R$ 30 mil por mês? O general da reserva Augusto Heleno já disse que tinha vergonha do seu salário de R$ 19 mil líquidos.

Guedes tomou uma bolada nas costas e partiu do oficialismo a pecha de que ele é um "inimigo dos pobres". Teria surgido até uma banda "desenvolvimentista" no Planalto. Isso é falso por três razões.

Primeiro, porque o Pró-Brasil é apenas teatralista, como o foram seu pai, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e seu avô, o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (PND).

Também porque esse desenvolvimentismo seria encarnado pelo ministro Rogério Marinho. Como secretário para Previdência e Trabalho de Guedes, o doutor teve a ideia de taxar os desempregados que recebem um seguro do governo. Justificando a tunga, disse que com isso o desempregado continuaria na Previdência Social. Só não explicou por que a medida seria compulsória. Se fosse voluntária, tudo bem.

Finalmente, porque o teatrinho do Pró-Brasil nunca foi coisa nenhuma. Revela apenas um governo desorientado. Quando Bolsonaro diz que Paulo Guedes é "o homem que decide a economia", isso significa que, quando for o caso, poderá ser descartado, com a mesma argumentação usada para defenestrar Sergio Moro.

Até o mês passado, Paulo Guedes queria reformar a economia brasileira com 40 milhões de invisíveis e 11 milhões de desempregados.

Na segunda-feira, ele reafirmou a vitalidade de seu projeto e encrencou com a geladeira dos servidores.
Na recessão americana de 1929 o secretário do Tesouro Andrew Mellon também viu um renascimento a partir da ruína e propôs ao presidente Herbert Hoover: "Liquide os sindicatos, liquide o papelório, liquide os fazendeiros, liquide o mercado imobiliário. Isso purificará a podridão do sistema. (...) As pessoas trabalharão mais e levarão uma vida com mais moral". Felizmente, Hoover não o ouviu.

Em 1933, Franklin Roosevelt assumiu a Presidência, olhou para o andar de baixo e mudou a cara dos Estados Unidos.

Em tempo, o andar de cima americano nada tem a ver com o de Pindorama: Andrew Mellon doou ao povo o prédio da National Gallery de Washington e mais de mil peças de sua coleção. Coisa de dezenas de bilhões de dólares em dinheiro de hoje.
Herculano
28/04/2020 16:53
NA PANDEMIA E SEM PLANO, por José Casado, no jornal O Globo

Guedes anunciou que tudo segue como antes

Há quatro semanas, Jair Bolsonaro recebeu um esboço de plano para criação de 1.008.635 empregos nos próximos dois anos. Encomendara o projeto a assessores, militares na reserva, e aos ex-deputados Rogério Marinho (PSDB-RN), ministro do Desenvolvimento, e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), da Cidadania.

Bolsonaro entregou o programa ao chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto. Atravessaria os próximos dois anos em campanha pela reeleição, inaugurando obras com 42 mil novos empregos a cada mês. A pandemia já delineava um cenário tétrico, com 200 mortes, mas ele se mantinha no modo ignorância desdenhosa: "Outros vírus já mataram muito mais". Já decidira demitir Luiz Mandetta (Saúde) e Sergio Moro (Justiça).

Marinho e Onyx estavam ajudando-o a abrir as portas do governo a lideranças políticas notórias pelo clientelismo. Se reuniram com Paulo Guedes, da Economia. Sobraram divergências e ressentimentos, com excesso de acidez entre Guedes e Marinho. A "agenda única" escanteava Guedes, e invertia sua proposta liberal, impondo protagonismo ao Estado na saída da crise. Era uma rasteira no "Posto Ipiranga", dada pelo presidente, sob o bastão de comando ao chefe da Casa Civil.

Guedes dissimulou em público com a passividade de monge budista. Assistiu, quieto, ao presidente comandar uma sessão de slides sobre 65 obras rodoviárias, 42 aquaviárias, 32 aeroportuárias e sete ferroviárias. No silêncio efervesceram conversas sobre sua demissão.

Ontem, Bolsonaro recuou. Guedes agradeceu-lhe a "confiança" e anunciou que tudo segue como antes. O presidente já colecionava 24 pedidos de impeachment, dois inquéritos criminais no Supremo e a caminho de um novo, por improbidade. Em três semanas o número de mortos pelo vírus subiu de 200 para mais de mais de 4.500 ?" mais de 2.150% no registro oficial. Ainda não há indício de que o governo tenha um plano, além do pandemônio político criado em plena pandemia.
Herculano
28/04/2020 16:51
POR QUE MOTIVO DEVO SALVAR UM JOVEM DELIQUENTE E ABANDONAR UM VELHO EXEMPLAR, por João Pereira Coutinho, sociólogo e escritor português, no jornal Folha de S. Paulo

O problema do pensamento utilitarista é que ele é assaz flexível

Quando os recursos são escassos, quem deve receber tratamento intensivo durante a Covid-19? A pergunta, que habitava os livros de filosofia moral, passou a ocupar os cálculos médicos em todo o mundo.

Devemos salvar os jovens e sacrificar os velhos?

Devemos salvar os saudáveis e abandonar os doentes?

Nada é assim tão fácil. Mas, quando o desespero aperta, o cálculo utilitarista é a primeira arma.

Na Itália, no meio de uma inimaginável catástrofe, doentes com mais de 60 anos não foram, digamos, "prioritários".

Existem outros critérios. No Reino Unido, o National Institute for Health and Care Excellence publicou um guia em que distribui as potenciais vítimas em nove níveis.

No primeiro nível estão os "very fit", gente atlética. No último estão os doentes terminais, o que permite imaginar que, em caso de necessidade, eles serão os primeiros a cumprir o seu dever para com a sociedade.

Quando olhei para a tabela, tentei me situar na cadeia alimentar. Honestidade? Quando a pandemia começou, era um caso típico de nível dois ("well", sem doenças crônicas, excetuando as mentais).

Hoje, com mais uns quilos e uma sensação de atrofia geral, estou no três ("managing well"), já a espreitar o quatro ("vulnerable").

Cuidado, Coutinho. A partir do nível cinco ("moderately frail"), entram os cálculos utilitaristas em jogo.

Longe de mim criticar esses cálculos. Pelo contrário: agradeço a todos os santos não estar na linha de frente, a calcular a vida dos outros. Embora, aqui do meu canto, a pergunta seja inevitável: será possível calcular a vida dos outros?

Entendo a lógica utilitarista: garantir a maior felicidade para o maior número significa que gente jovem e saudável terá mais anos de vida do que um velho rezinga com coração preguiçoso. Como dizem os lusos, não vamos desperdiçar cera com tão ruim defunto.

O problema do pensamento utilitarista é que ele é assaz flexível. Serve para medir jovens contra velhos. Mas também pode ser aplicado a pobres e ricos.

Se a ideia luminosa é maximizar a felicidade do maior número, por que não escolher salvar um cidadão rico, que contribui para a comunidade gerando empregos e pagando impostos, sacrificando um cidadão pobre, que é apenas um encargo para todos?

Mas o problema do pensamento utilitarista não está apenas na possibilidade de gerar situações moralmente repulsivas como essa. O utilitarismo tende a ser cego para questões intangíveis, que não são facilmente mensuráveis.

Retorno ao hospital. Retorno ao jovem e ao velho. Por que motivo devo salvar um jovem com um historial de delinquência e abandonar um velho com uma conduta exemplar?

E se o velho em questão tiver família que depende dele, ao contrário do jovem? E se o velho for médico, artigo raro em situação de pandemia? E se for um grande artista?

A idade não encerra o debate. O valor moral ou intelectual de uma pessoa pode ser mais importante do que o ano em que ela nasceu.

Já sei, já sei: existe uma forma aparentemente neutra de fazer escolhas trágicas. Familiares médicos, confrontados com as minhas divagações, usaram a bomba atômica: devemos dar prioridade a quem tem mais hipótese de sobrevivência. Ponto final.

Não interessa se é jovem ou velho, criminoso ou santo, analfabeto ou sábio. É o corpo que manda.
Esmagado com tanta sapiência, desisti: como negar esse determinismo do corpo?

Bom, talvez lembrando que, no mundo real, a escolha não é entre corpos saudáveis e corpos putrefatos.

Exemplo: dias atrás, informava o Guardian que, no Reino Unido, ventiladores que estavam sendo usados por pacientes estáveis e até com ligeiras melhorias foram removidos para socorrerem outros doentes com probabilidades de sobrevivência maiores.

Eis um caso em que os médicos trocaram provas tangíveis de progresso por uma probabilidade teórica de sucesso.

Repito: agradeço a todos os santos não estar na linha de frente para fazer essas escolhas. Porque elas são agônicas, trágicas e, ao contrário do que afirmam os utilitaristas, incomensuráveis. Os valores em confronto podem ser tão radicalmente distintos que não há uma solução mágica para o dilema.

Da minha parte, tudo o que posso fazer é começar uma dieta, experimentar a esteira elétrica e tentar voltar ao nível dois. Meu objetivo é tornar mais difícil a escolha difícil dos médicos.
Herculano
28/04/2020 12:49
COMO É QUE É? AS TENDAS DE TRIAGEM MONTADAS NO GINÁSIO JOÃO DOS SANTOS EM GASPAR É PARA FAZER FRENTE AO AUMENTO DE CASOS DA COVID-19 NO MUNICÍPIO

Depois sou eu quem gero o pânico na cidade. Depois sou eu quem exagero.

Agora à tarde, a NSC de Blumenau, ao vivo no Jornal do Almoço, em rede para Santa Catarina, anunciou a implantação e abertura para funcionamento das barracas dentro do Ginásio de Esportes João dos Santos para a triagem dos com sintomas com Covid-19 em Gaspar.

É para auxiliar o Posto Central nesta missão e tem que teria capacidade para avaliar 100 doentes por dia.

Agora, veja o que registrou a reportagem: que isso se deve ao aumento dos casos de Covid-19 em Gaspar.

1. Mas, o secretário de interino de Saúde, o advogado Carlos Roberto Pereira, não disse há duas semanas que os casos de Covid por aqui estavam diminuindo?

2. Estamos atendendo mais de 100 pessoas com sintomas de Covid por dia? Não é uma média alta, por si só?

3. As fotos que percorreram as redes pessoais dos políticos como um ganho, mostra um atraso, no mínimo de um mês, em relação, por exemplo, a Blumenau. Lá o governo nunca disse, por exemplo, que os casos estavam diminuindo. Acorda, Gaspar!
Miguel José Teixeira
28/04/2020 12:07
Senhores,

Do Juca Kfouri:

"Eu costumo dizer e mantenho ?" e não é um elogio, para deixar bem claro, é uma crítica republicana ?", que o melhor presidente do Corinthians se chama Luiz Inácio Lula da Silva.

É por causa da existência do Lula como presidente da República, que o Corinthians construiu o CT que construiu, o Corinthians construiu a Arena que construiu, que não era para ser paga", afirma Juca (disponível no vídeo acima a partir de 40:15)....

- Veja mais em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2020/04/28/juca-melhor-presidente-do-corinthians-se-chama-luiz-inacio-lula-da-silva.htm?cmpid=copiaecola

Pois é. . .

Certas pessoas fazem na vida pública o mesmo que fazem na sua privada!
Herculano
28/04/2020 10:20
FATOR SANTIAGO

O ex-secretário de Assistência Social - um local para acomodar políticos na estrutura política que finge ser administrativa e necessária -, Santiago Martim Návia, saiu de lá, para ser candidato a vereador.

E já está em campanha. E parece que nem saiu de verdade daquela função. Burla a lei eleitoral.

É a confirmação do artigo que abre esta coluna e que causou novamente mal-estar no poder de plantão que quer por todas as formas vê-la calada. Ou seja, nem o tempo é o senhor da razão, é a razão que atropela o tempo na esperteza dos políticos velhos e os que se dizem novos com os velhos métodos.

Como é funcionário público concursado, Navia ficou na estrutura do município e fingidamente longe da secretaria que comandava. É agora assessor de gestão pública. Mas, dela, comanda a campanha nas redes sociais e atendimentos aos necessitados derivados da crise provocada pela Covid-19.

Resumindo: continua a exercer não a verdadeira assistência, mas o assistencialismo e e dele, provocando resultados para si e a campanha eleitoral, que é ilegal pelo modo como faz e por antes do tempo permitido pela lei.

Hoje, por exemplo, em pleno horário de trabalho e diferente do objetivo para o qual está locado em nova função, estava dando entrevista a rádio 89 FM, esclarecendo e se colocando à disposição para intermediar os necessitados. Ai, ai, ai.

Nunca a afirmação de que a gestão do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, do vice Luiz Carlos Spengler Filho e do prefeito de fato, presidente do MDB e coordenador de campanha, Carlos Roberto Pereira, é uma máquina de votos para a reeleição, foi tão ajustada. Acorda, Gaspar!
Miguel José Teixeira
28/04/2020 10:15
Senhores,

Republicando, com pequenas alterações, para desencargo da consciência:

Ramagem & galhagem!

Pensando bem, ao Alexandre, Ramagem não falta!

No entanto, a qualidade de certos ramos, poderá redundar em galhos ou não.

Aguardemos pois, nossas autoridades competentes definirem se a ramagem redundará em galhagem. . .
Herculano
28/04/2020 08:10
"MORO AGIU DE MODO FIEL AO INTERESSE PÚBLICO PARA FREAR ATOS ILÍCITOS"

Conteúdo de O Antagonista. Deltan Dallagnol disse que "os atos narrados por Sergio Moro são intoleráveis".

Em entrevista para o Estadão, ele disse também:

"A mensagem passada pelo ex-ministro da Justiça é de que renunciou porque não compactuaria com a manipulação de investigações em que o presidente e sua família têm interesse. A escolha dos dirigentes da polícia era só um meio para essa finalidade, a interferência (?).

Quando percebeu que não teria como obstar a possível interferência nas investigações porque o diretor-geral da PF estava sendo trocado à sua revelia, restou-lhe levar os fatos a público e pedir demissão como único modo de proteger a polícia, as investigações e o interesse público (...).

Moro agiu de modo fiel ao interesse público para frear atos ilícitos."
Herculano
28/04/2020 08:04
DÊ TEMPO AO TEMPO. IMPEACHMENT NÃO SE RESOLVE DE UM DIA PARA O OUTRO, por J.R. Guzzo, no site do Gazeta do Povo, Curitiba PR.

Muito bem: o ministro Sergio Moro já foi demitido, o presidente Jair Bolsonaro atingiu seu nível máximo de rejeição pela maioria da mídia e 100% dos analistas políticos já expediram as suas condenações. O governo é descrito diariamente como "morto". O Brasil já está com um coronavírus nas costas, sua produção está em grande parte paralisada e o cidadão que não pode ficar "em casa" está desesperado com o seu trabalho.

Diante de tudo isso, por que o presidente ainda está na presidência? O general Hamilton Mourão já não tinha de estar despachando no gabinete número 1 do Palácio do Planalto - ele ou algum consórcio de representantes da "sociedade civil", coisa que se monta com dois advogados, três editoriais, um ministro do Supremo aqui e um presidente da Câmara dos Deputados ali? Enfim: por que a demora?

A demora está havendo por que nada que diga respeito à troca de um presidente da República pode se fazer com a rapidez que os seus inimigos estão querendo. Pode ser uma má notícia, mas o fato que precisa ser levado em conta com urgência é o seguinte: tem de haver calma, já. Não dá, pela legislação em vigor no país, para tirar nem o prefeito de São José do Brejo Seco do seu cargo com a pressa e a ligeireza com que estão querendo tirar Bolsonaro.

Pode ser chato, cansativo e demorado, mas não há outro jeito para "virar mais esta página da nossa história" do que ir pelos caminhos legais. Como Bolsonaro e as forças que o apoiam deixam claro todos os dias que ele não quer e nem vai renunciar ao seu mandato, só há duas coisas a fazer. A primeira é arrumar o mais cedo possível um candidato forte junto ao eleitorado nacional, ir com tudo para a campanha presidencial de 2022 e derrotar Bolsonaro nas urnas. A segunda é um processo de impeachment. As duas coisas levam tempo.

Se o presidente da República é ruim (quem está contra ele, desde o início ou depois das últimas desordens, acha que é o pior que o Brasil já teve), a solução não é "zerar tudo", como dizem a cada cinco minutos. Não existe essa coisa de "zerar tudo" quando se trata de tirar do posto um presidente da República para colocar outro em seu lugar.

Na vida real, vai ser indispensável ter mais votos que ele nas próximas eleições ou, então, convencer dois terços dos 513 deputados e 81 senadores a aprovarem a sua deposição legal num processo de impeachment - como ocorreu, aliás, com Fernando Collor e Dilma Rousseff, ou seja, com 50% dos quatro presidentes que vieram antes de Bolsonaro de 1988 para cá.

Não é impossível, como se vê - as chances são de meio a meio. Mas não dá para fazer sem trabalho, ainda mais se não houver uma clara pressão nas ruas em apoio ao processo, como foi evidente nos dois casos acima.

Mais útil do que ficar ouvindo, lendo e vendo dizer que o governo acabou é prestar atenção no que acontecerá no Congresso nos próximos dias e semanas. Se o presidente der um cavalo de pau na conduta política que vem tendo nos últimos quinze meses e acertar a sua vida com a maioria decisiva dos parlamentares, aquela que tem interesses antes de ter convicções, não percam mais seu tempo pensando em impeachment.

É bom levar em conta que essa gente toda sempre teve horror a Sergio Moro, Lava Jato e o camburão da Federal; está feliz da vida, e é quem vai decidir as coisas. Se, ao contrário, Bolsonaro continuar em guerra com o baixo, médio e alto cleros do Congresso, aí já serão outros 500.
Herculano
28/04/2020 07:56
da série: a briga dentro da direita xucra que se alia ao Centrão, anima a esquerda do atraso que estava na UTI.

PT PREPARA OFENSIVA JUDICIAL CONTRA BOLSONARO, MORO E ZAMBELLI, por Camila Mattoso, na coluna Painel, no jornal Folha de S. Paulo

Executiva decide recorrer ao STF e também a ações populares em primeira instância

A executiva nacional do PT decidiu, nesta segunda (27), iniciar uma ofensiva contra o governo Jair Bolsonaro na Justiça. O ex-juiz Sergio Moro e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) também são alvo.

No STF, o comando do partido decidiu apoiar o mandado de segurança coletivo que a oposição prepara contra a nomeação do novo diretor-geral da PF indicado por Bolsonaro, Alexandre Ramagem.

Além disso, o PT informa que ingressou com notícia crime contra Moro e Bolsonaro na alta corte, com base nas denúncias feitas pelo ex-ministro na entrevista em que anunciou que deixaria o governo. Moro afirma que Bolsonaro deseja interferir no trabalho da PF.

A orientação da executiva nacional é para que deputados estaduais e presidentes de diretórios locais ajuízem ações populares em primeira instância contra as nomeações do ministro da Justiça e do novo diretor da PF.

Carla Zambelli deverá ser alvo de outra notícia crime no STF, sob a acusação de suposto tráfico de influência e advocacia administrativa, pelas mensagens trocadas com Moro em que propôs ao ex-ministro que ele aceitasse a mudança na PF e, como recompensa, fosse indicado ao STF. Moro não aceitou a proposta, segundo as mensagens que ele apresentou.

O PT também prepara uma representação ao conselho de ética da Câmara contra Zambelli.

?No campo da saúde, o partido decidiu adicionar à ação que já iniciou no STF pedindo a realização de mais testes da doença, e não apenas em pacientes graves, que a Justiça impeça o governo de indicar ou promover o uso de medicamentos cuja eficácia não tenha sido comprovada, em referência à cloroquina.
Herculano
28/04/2020 07:49
BOLSONARO OFICALIZA MENDONÇA COMO MINISTRO DA JUSTIÇA E RAMAGEM NA PF

Conteúdo do portal UOL. Texto de Eduardo Lucizano. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escolheu o ex-advogado-geral da União André Luiz de Almeida Mendonça como novo ministro da Justiça e Segurança Pública e Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. As duas nomeações foram publicadas no Diário Oficial da União desta terça-feira.

Mendonça ganhou destaque no noticiário em meados do ano passado, depois que Bolsonaro cogitou a indicação de seu nome ao STF (Supremo Tribunal Federal) e disse que ele se encaixava na definição "terrivelmente evangélico". Quando foi anunciado pelo presidente para a AGU, Bolsonaro disse que Mendonça era um "advogado com ampla vivência e experiência no setor". André Luiz de Almeida Mendonça tem 47 anos, 20 deles como advogado da União.

Mendonça substitui Sergio Moro, que pediu demissão na última sexta-feira (24) e declarou que deixava o cargo após Bolsonaro ter exonerado o diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Leite Valeixo. O ex-juiz federal era o principal nome do governo Bolsonaro. Tinha popularidade, segundo o Datafolha, mais alta que a do presidente. As taxas giram acima dos 50% de aprovação, enquanto a do presidente patina abaixo dos 40%.

O substituto de Mendonça na AGU (Advocacia-Geral da União) é José Levi Mello do Amaral Júnior, que até então atuava como procurador-geral da Fazenda Nacional.
Herculano
28/04/2020 07:44
da série: e agora José?

MORO É APROVADO POR 64%

Conteúdo de O Antagonista. Segundo o Datafolha, 64% dos brasileiros consideraram ótimo ou bom o trabalho de Sergio Moro.

Sobre a causa de sua demissão, 52% dos entrevistados disseram acreditar nele e 20% em Jair Bolsonaro.
Herculano
28/04/2020 07:26
da série: um retrato constrangedor e preocupante para os bolsonaristas raiz

PORTA DE ENTRADA

Conteúdo de O Antagonista. "Moro, Mandetta e Valeixo saem por uma porta do governo e o Centrão entra pela outra, trazendo, entre outros, Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto", diz Eliane Cantanhêde.

"Isolado no Supremo e na cúpula do Congresso, perdendo apoios no empresariado e nas finanças e enfrentando uma guerra inglória na internet com Moro, Bolsonaro corre o risco de se apoiar só em dois pilares: os militares e os líderes do Centrão".
Herculano
28/04/2020 07:23
da série: bravatas e imposição burocráticas podem custar o mandato de Bolsonaro. Colocou no Diário Oficial assinatura que o ministro não assinou, afirmou que a demissão do diretor da Polícia Federal foi a pedido, não foi, e disse que Moro estava chantageando em busca do STF, não estava... Bolsonaro poderá ser o novo Temer, ou seja, um zumbi refém das tramas do poder. Enquanto isso, o desemprego aumenta e a economia afunda

CELSO DE MELLO AUTORIZA INQUÉRITO NO STF PARA APURAR DECLARAÇõES DE MORO COM ACUSAÇõES A BOLSONARO

Ex-ministro da Justiça divulgou conversa com presidente para comprovar tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal. Se material for falso, Moro pode ser indiciado.

Conteúdo do portal G1 e TV Globo. Apuração e texto de Rosanne D'Agostino, Fernanda Vivas e Márcio Falcão, de Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello autorizou nesta segunda-feira (27) abertura de inquérito para apurar declarações do ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro.

Ao deixar o governo, na última sexta (24), Moro apontou suposta interferência de Jair Bolsonaro em inquéritos da Polícia Federal. Segundo o ex-ministro, o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar a direção-geral da PF porque gostaria de ter acesso a informações de inquéritos sobre a família dele.

O pedido de abertura foi encaminhado na sexta-feira (24) pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. O decano do STF foi sorteado relator do pedido.

Segundo o ministro Celso de Mello, os fatos narrados por Moro têm relação com o exercício do cargo, o que permite a investigação de Bolsonaro. Isso porque a Constituição impede que o chefe do Executivo seja alvo de apuração alheia ao exercício do mandato.

"Os crimes supostamente praticados pelo senhor presidente da República, conforme noticiado pelo então Ministro da Justiça e Segurança Pública, parecem guardar (...) íntima conexão com o exercício do mandato presidencial, além de manterem - em função do período em que teriam sido alegadamente praticados - relação de contemporaneidade com o desempenho atual das funções político-jurídicas inerentes à chefia do Poder Executivo", escreveu o ministro.

Com a abertura do inquérito, começa a fase de produção de provas. Aras pediu ao Supremo que a linha de investigação tenha início com o depoimento de Moro e que o agora ex-ministro apresente documentos que comprovem suas declarações.

Uma das medidas que podem ser tomadas no curso do inquérito é a quebra de sigilos telefônicos, por exemplo, para verificar a autenticidade da troca de mensagens entre Sergio Moro e Bolsonaro. O material foi indicado por Moro como prova da suposta influência e divulgado pelo Jornal Nacional.

Em pronunciamento, Bolsonaro afirmou que as declarações de Moro eram infundadas e que ele não havia tentado interferir na Polícia Federal.

A imagem da conversa mostra que o presidente enviou a Moro o link de uma reportagem sobre a PF estar "na cola" de 10 a 12 deputados bolsonaristas. No print, o número que seria de Jair Bolsonaro escreve: "mais um motivo para a troca", em referência ao então diretor-geral da PF, Mauricio Valeixo.

O estopim para que Sergio Moro deixasse o governo, e fizesse o discurso com indícios de irregularidades cometidas pelo presidente Jair Bolsonaro, foi a demissão de Valeixo - substituído por Alexandre Ramagem, delegado da PF que foi segurança de Bolsonaro na campanha e é amigo da família.

Para a PGR, a fala do ex-ministro da Justiça e ex-juiz indica possibilidade de crimes como falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça e corrupção passiva privilegiada.

Caso os fatos apresentados por Moro não sejam comprovados, ele poderia responder por denunciação caluniosa e crimes contra a honra. Nesta terça, Bolsonaro nomeou o advogado-geral da União André Luiz Mendonça para substituir Moro no Ministério da Justiça.

Celular de deputada
Nesta segunda, um pedido de investigação apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi anexado ao da Procuradoria-Geral da República. No documento, o parlamentar pede que a PGR apreenda o celular da deputada Carla Zambelli (PSL-SP) para investigação.

Mensagens supostamente trocadas entre Moro e a parlamentar também foram tornadas públicas pelo Jornal Nacional, em material apresentado pelo ex-ministro. Nelas, Carla Zambelli se oferece para "mediar" uma indicação de Moro ao STF e, com isso, garantir a permanência do ex-juiz no governo.

No pronunciamento em resposta à demissão de Moro, Bolsonaro disse que o ex-ministro tinha condicionado a troca na direção da PF à indicação para o Supremo. Sergio Moro mostrou a troca de mensagens com Carla Zambelli ao Jornal Nacional como suposta prova para desmentir essa acusação.

Decisão do ministro
O ministro apresentou as razões para a abertura de inquérito em uma decisão de 17 páginas. Celso de Mello determinou que a Polícia Federal tome o depoimento do ex-ministro Sérgio Moro, conforme pedido pela PGR. Os policiais terão prazo de 60 dias para cumprir a diligência.

O relator do inquérito também pediu que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), de busca e apreensão do celular da deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

Celso de Mello argumentou na decisão que as condutas apontadas no pedido de abertura de inquérito "parecem guardar" conexão com o exercício do mandato de presidente. Por isso, não há incidência da regra da Constituição que determina que o presidente, uma vez no cargo, não deve responder a "atos estranhos ao exercício de suas funções".

Apontou ainda que, na abertura de inquérito, não cabe aplicar a previsão de autorização por parte da Câmara ?" o aval dos deputados é para a instauração de um processo penal, procedimento posterior ao inquérito.

"No caso concreto, como já precedentemente ressaltado, o eminente Chefe do Ministério Público da União teria identificado, nas condutas atribuídas ao Presidente da República pelo então Ministro da Justiça e Segurança Pública, a possível prática de fatos delituosos que se inserem, considerada a disciplina constitucional do tema, no conceito de infrações penais comuns resultantes de atos não estranhos ao exercício do mandato presidencial", afirmou o ministro.

Celso de Mello também afirmou que o princípio republicano previsto na Constituição determina que todos os agentes públicos, inclusive o presidente da República, são responsáveis perante a lei.

"Nunca é demasiado reafirmá-lo, a ideia de República traduz um valor essencial, exprime um dogma fundamental: o do primado da igualdade de todos perante as leis do Estado. Ninguém, absolutamente ninguém, tem legitimidade para transgredir e vilipendiar as leis e a Constituição de nosso País. Ninguém, absolutamente ninguém, está acima da autoridade do ordenamento jurídico do Estado", destacou.
Herculano
28/04/2020 07:08
AO TRAIR SUAS BANDEIRAS, GOVERNO BOLSONARO ASSINA SUA SENTENÇA, por Joel Pinheiro da Fonseca, economista e mestre em filosofia, no jornal Folha de S. Paulo.

Presidente carregará no discurso ideológico para manter seu eleitorado energizado, mas não vai colar
A saída de Sergio Moro e a possível adoção do plano Pró-Brasil são duas medidas que agradam ao centrão político que Bolsonaro quer ter como aliado para garantir sua sobrevivência.

Constituem, além disso, o abandono das bandeiras que justificaram sua eleição: o combate à corrupção, a agenda econômica liberal e o ardor antissistema.

O depoimento e os prints de Sergio Moro mostram o quão comprometido está Bolsonaro com a agenda anticorrupção. Agora a pauta econômica liberal está em vias de ser abandonada também. Guedes já não devia estar muito feliz por ver seu ministério reduzido basicamente à gestão de crise.

A criação de um "Ministério da Economia" paralelo e rival (ministros Rogério Marinho, Tarcísio e Braga Netto) tocando o plano Pró-Brasil, pacotaço de gastos públicos que promete completar quase 21 mil obras pelo Brasil, é a cereja do bolo.

Bolsonaro dá declarações de apoio a Guedes, mas sabemos quanto valem suas palavras. São as ações que irão determinar o vencedor. A linha é a manutenção do teto de gastos: se for mantido, o espaço para investimentos públicos é muito pequeno, e a agenda Pró-Brasil será deixada de lado.

Por outro lado, mantida a agenda, ou o teto é derrubado ou alargam-se a tal ponto as exceções (os "créditos extraordinários") que ele se torna letra morta. A permanência de Guedes ficaria inviável.

Neste momento, todos os incentivos o empurram na direção do gasto. É o que os empresários querem. E é o que os políticos que Bolsonaro tenta seduzir querem também. Arthur Lira (PP-AL) deu a letra: "Tem coisa pior que do que obra inacabada? Quem tem que colocar a mão no bolso primeiro neste momento é o governo". O custo da ortodoxia fiscal não para de subir.

O único ativo que resta a Bolsonaro é a aprovação - ou melhor, a devoção quase fanática - de uma minoria expressiva. Mas apoiadores espalhados pelo Brasil nada podem fazer contra o Congresso Nacional. E a compra de apoio de deputados, que é o que Bolsonaro está fazendo a todo vapor, corroerá sua base de apoiadores.

Mesmo o bolsonarista mais devoto uma hora se cansa do malabarismo mental necessário para justificar que um governo que ataca Sergio Moro ao mesmo tempo que abraça Roberto Jefferson é, de alguma maneira, contrário ao "establishment" político e à corrupção.

Por demonizar a atividade política enquanto tal, por tratar toda política como se fosse suja, na hora que se vê forçado a fazê-la, não é surpresa que o governo faça justamente política suja: a compra do apoio dos quadros mais fisiológicos do Congresso em troca de cargos e controle de recursos; conteúdo propositivo zero.

Bolsonaro carregará no discurso ideológico para manter seu eleitorado energizado. Combater o comunismo é, afinal, o fim supremo, que justifica toda incompetência e transigência com a corrupção (assim como a corrupção petista se justificava porque era feita "para os pobres"). Não vai colar.

O apoio a Bolsonaro já começa a derreter, e vê-lo ao lado das figuras carimbadas da velha política cristalizará a verdade óbvia: Bolsonaro quer blindar sua família e apoiadores de qualquer investigação. Quando a corrupção é do seu lado, ele acoberta.

Conforme novas revelações apareçam (interferência na PF, no Exército, rachadinha do filho, gabinete do ódio etc.), o preço do acordo só aumentará. No momento em que Bolsonaro se rebelar e tentar algum ato de independência (ou, possivelmente, uma tentativa de golpe), cairá imediatamente. Isso se seus aliados de última hora não pularem fora antes.
Herculano
28/04/2020 07:00
AGU ANDRÉ MENDONÇA 'DORMIU' MINISTRO DA JUSTIÇA, por Cláudio Humberto, nos jornais brasileiros

O secretário-geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, deu mais uma demonstração de lealdade ao presidente Jair Bolsonaro. Ele teve uma longa conversa com o chefe e, modesto, afirmou que não seria a melhor escolha para substituir Sérgio Moro. Por isso, como Oliveira na véspera, quem dormiu ministro da Justiça e Segurança Pública, nesta segunda-feira (27), foi o atual ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), André Luiz Mendonça. É o principal favorito ao cargo.

BOM RELACIONAMENTO

O ministro da AGU não é íntimo de ministros de tribunais superiores, mas é muito elogiado pelo relacionamento respeitoso que mantém com todos.

TERRIVELMENTE EVANGÉLICO

Evangélico, André Mendonça é "terrivelmente técnico", segundo afirmam os amigos. Ele é citado para ocupar vaga de ministro do Supremo.

COMBATE À CORRUPÇÃO

O combate à corrupção valeu a Mendonça o Prêmio Innovare em 2011 por liderar a recuperação de meio bilhão de reais milhões em três anos.

ELOGIO DO EX-CHEFE

Ex-chefe da AGU nos governos Lula e Dilma, Luiz Inácio Adams definiu assim o favorito: "André é um profissional experimentado e ponderado".

CONTRA JUSTIÇA, ANP INSISTE FAVORECER DISTRIBUIDORES

Derrotada na Justiça Federal, que autorizou usinas de três Estados a vender estoques de etanol diretamente aos postos, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não abre mão do cartório que criou para seus amigos das distribuidoras/atravessadoras. O esquema é perverso: a ANP obriga as usinas a venderem seu etanol somente às distribuidoras, mas as autorizou a não comprar o produto. Ao mesmo tempo, proíbe as usinas de vender o etanol já produzido a outros, incluindo postos, por exemplo.

CARTóRIO BILIONÁRIO

Resolução muito suspeita da ANP, de 2009, criou o cartório que obriga produtores de combustíveis a venderem os produtos só às distribuidoras.

SEM VALOR AGREGADO

A resolução é muito suspeita porque distribuidoras/atravessadores não agregam valor aos combustíveis, que assim chega mais caro ao posto.

ESCÂNDALOS A GRANEL

As distribuidoras/atravessadoras só produzem notas fiscais e escândalos de corrupção, como mostraram inúmeras operações da Polícia Federal.

NEGOCIAÇÃO TARDIA

O ex-presidente e senador Fernando Collor (Pros-AL) criticou ontem a relação entre Bolsonaro e a classe política, com a autoridade de quem admite haver cometido o mesmo erro: "já vi esse filme". Para Collor, o presidente começou tarde a negociação para obter apoio do "centrão".

'HERóI DA RESISTÊNCIA'

Wanderson Oliveira, que pediu demissão do cargo de secretário de Vigilância da Saúde em solidariedade a Mandetta, continua agarrado ao DAS e aos holofotes do Covid-19. Esteve ontem na coletiva do governo.

VIDA PóS-MORO

Uma das mais altas autoridades a bater cabeças com o presidente desde o início do mandato, Rodrigo Maia reduziu o tom sobre o "impeachment" de Bolsonaro. Até pediu "paciência", coisa que aliás não é o seu forte.

ASSIM É SE LHE PARECE

O economista Alexandre Schwartsman está entre os que acreditaram na fake news da "saída" do ministro Paulo Guedes (Economia). A fofoca foi descartada, mas ele não perde a fé: acha que ao ter ratificado seu poder, Guedes está no papel do técnico de futebol "prestigiado no cargo".

RUIM PARA TODOS

Murilo Hidalgo, do instituto Paraná Pesquisa, disse ontem que, segundo levantamento nacional que realizou, tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o ex-ministro Sergio Moro saíram perdendo no caso da demissão.

DERRUBANDO MINISTROS

O advogado e analista político Rafael Favetti organizou a última live de Mandetta (para um banco) e horas depois, o ministro caiu. Na sexta (23), organizou nova live com Sergio Moro para outro banco. Caiu também. Acumulam-se as sugestões de entrevistados para Favetti.

CAMPANHA MASCARADA

"Ele consegue mascarar, devido a pandemia", observa a advogada eleitoral Leila Ornelas sobre a intenção eleitoreira da campanha "Zap do bem", de Luciano Huck, para distribuir dinheiro entre pessoas pobres.

NÃO EXISTE PEIXE PEQUENO

Após o mega-esquema de corrupção dos governos do PT, a Lava Jato denunciou ontem dois doleiros e um ex-gerente do Banco do Brasil num esquema criminoso que afanou, pelo menos, R$ 9 milhões.

QUEM MESMO?

E o Mandetta, cuja demissão foi noticiada como o "fim do mundo"? Já não se fala mais no loquaz ex-ministro da Saúde.
Herculano
28/04/2020 06:51
da série: tudo voltou ao que era antes e candidato Jair Messias Bolsonaro, então no PSL, prometeu combater. Os partidos do Centrão e seus chefes, os que produziram a maior ladroagem dos governos tucanos e petistas, estão de volta ao poder que prometeu colocá-los na cadeia quando em campanha. O Centrão voltou com a promessa de salvar o presidente da enrascada em que se meteu e que pode dar em impeachment, ou vicar um vivo morto sendo sugado por gente esperta, como aconteceu até com o habilidoso Michel Temer, MDB. E assim os partidos do Centrão vão continuar à sina contra as instituições, as privatizações, à transparência e principalmente os hoje escassos, mas pesados impostos dos brasileiros.

ABATER MORO É PRIORIDADE DOS PARTIDOS DO CENTRÃO, ALÉM DE OBTER CARGOS E VERBAS DE BOLSONARO

Com integrantes implicados na Lava Jato, grupo agora tem interlocução direta com o presidente

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ranier Bragon,Julia Chaib e Danielle Brant, da sucursal de Brasília. Alçado à condição de base informal de sustentação do governo Jair Bolsonaro, o centrão tem há muito tempo uma característica tão forte quanto a busca por ocupar cargos da máquina federal: a oposição aos métodos, ao grupo e à figura de Sergio Moro.

Desde antes do início do atual governo, o grupo, formado por partidos de centro e de centro-direita que reúnem cerca de 200 dos 513 deputados, buscou minar projetos do então ministro da Justiça, cargo que Moro ocupou até a última sexta-feira (24).

O motivo é que o agora ex-ministro foi o juiz responsável pela operação que desde 2014 devastou boa parte do mundo político, levando aos tribunais líderes das siglas que formam o centrão.

Para além disso, o centrão afirma que Moro e a Lava Jato simbolizam o movimento de criminalização da política, corrosivo à democracia, com interesses políticos ocultos de eles próprios assumirem o leme futuramente.

Esse não é um sentimento só do centrão ?"o PT de Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Lava Jato, entre outros partidos, compartilha da análise?" e a revelação das trocas de mensagens da Lava Jato reforça essa visão ao mostrar indicativos de que Moro agiu sem a imparcialidade que se espera de um juiz.

Não só ele, é fato, mas o sentimento anti-Moro ajuda a explicar por que o grupo saiu em defesa de Bolsonaro logo após a demissão do ministro, se colocando contra a instauração de um processo de impeachment.

Integrantes da Polícia Federal e secretários de Segurança Pública disseram à Folha acreditar que os encontros de Bolsonaro com presidentes e líderes desses partidos, nas últimas semanas, serviram para o presidente ter a segurança de que poderia se livrar de Moro sem risco de ficar com o mandato sob ameaça.

Segundo relatos que eles receberam, Bolsonaro perguntou se os congressistas reforçariam sua retaguarda na eventualidade da saída do ministro. Congressistas ouvidos pela reportagem negaram ter tratado da situação de Moro nas conversas com o presidente.

No discurso de despedida do governo, o agora ex-ministro chegou a fazer referência a algumas derrotas políticas para o centrão, embora sem se referir diretamente ao grupo. Ele citou principalmente aquele que deveria ter sido um dos marco de sua gestão, o pacote anticrime.

No Congresso, esse pacote foi desidratado, além de ter sido atrelado à tramitação do projeto de abuso de autoridade, visto no Congresso justamente como uma resposta a Moro e à Lava Jato.

O texto final ficou sem várias das medidas vistas por Moro como essenciais, como a condenação após prisão em segunda instância.

Estiveram com Bolsonaro nas últimas semanas ou conversaram por telefone com ele presidentes e líderes do PP, PL, Republicanos, PSD, Solidariedade, MDB e DEM.

Por sua iniciativa, por exemplo, Bolsonaro falou ao telefone, mais de uma vez, com o principal cacique do PL, Valdemar Costa Neto, condenado e preso no escândalo do mensalão.

Em um dos encontros, gravou um vídeo ao lado do deputado Arthur Lira (AL), líder da bancada do PP, uma das siglas mais implicadas no escândalo de desvio de recursos da Petrobras.

Embora diga que não conversou com Bolsonaro, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, que revelou e também foi condenado no escândalo do mensalão, assumiu a linha de frente da defesa do mandatário.

Congressistas que foram a esses encontros dizem que é natural que os partidos conversem diretamente com Bolsonaro já que a interlocução anterior, feita pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi cortada.

Nessas reuniões estariam sendo discutidas não só a ampliação da distribuição de cargos às siglas ?"que já têm participação no governo?", mas outros pleitos, como as emendas parlamentares.

Um dos poucos a falar abertamente é o presidente do Solidariedade, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP). "Me ofereceram o porto de Santos e eu não vou aceitar, não vou para o governo uma hora dessas. O ideal agora é fazer um entendimento entre Maia e Bolsonaro e garantir a governabilidade", afirmou.

Além do Porto de Santos, as negociações de Bolsonaro com o centrão envolvem a ampliação da participação do grupo no Banco do Nordeste, Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) FNDE (Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação), Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e Funasa (Fundação Nacional de Saúde), entre outros.

O novo centrão - não confundir com grupo de congressistas que atuou sob o mesmo nome no final dos anos 80 - ressurgiu em 2014, sob a batuta do então líder do MDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), mas passou por alterações desde então.

Era naquela época formado por partidos médios e pequenos como PP, PL, PTB, Republicanos, PSD (que nega fazer parte do grupo), que nos anos anteriores oscilaram de um lado ao outro dos polos que dominaram a política desde os anos 90: PSDB mais à direita, PT mais à esquerda.

Em 2015, Cunha chegou à presidência da Câmara derrotando o candidato do governo, com o centrão como alicerce.

Com a derrocada do emedebista, afastado do comando da Câmara e depois cassado, em 2016, Rodrigo Maia (DEM) derrotou a ala do centrão ligada a Cunha e, em seguida, reorganizou o grupo ao seu redor.

A situação perdurou até ele romper recentemente com Bolsonaro, o que deu a senha para o presidente da República estabelecer um canal direto com o grupo que ele passou a demonizar publicamente desde que colocou na rua sua intenção de chegar ao Palácio do Planalto.

Isso não significa que o centrão pretenda isolar Maia. Líderes dessas siglas negaram essa intenção, até porque a maioria tem boa relação com o presidente da Câmara, que ocupa uma cadeira capaz de influenciar o dia a dia e interesse de todos eles.

Eles dizem, porém, que o DEM de Maia tem cargos no governo e é natural que eles possam ser contemplados também.
Herculano
27/04/2020 15:25
da série: o valentão de ontem na Câmara é o gatinho de hoje diante da crise institucional que ajudou a criar e passar a pesada conta para o colo dos desempregados e empresários falidos.

MAIA, SOBRE IMPEACHMENT: "É UMA QUESTÃO QUE A GENTE TEM DE TOMAR MUITO CUIDADO"
Conteúdo de O Antagonista.Rodrigo Maia afirmou há pouco que é preciso "tomar muito cuidado" ao falar sobre impeachment.

"Quando se trata de um tema sobre o impeachment, eu sou o juiz. Não posso ficar comentado temas em que a decisão é minha, de forma independente. Então, é uma questão que a gente tem de tomar muito cuidado."

Maia lembrou também dos pedidos de impeachment de Michel Temer:

"Eu já passei por isso no governo do presidente Michel Temer. Com equilíbrio e paciência a gente superou este período. E, hoje, muitos olham para este período do Michel Temer com saudade de muita coisa que fizemos em conjunto. A gente não pode esquecer como eram as projeção da economia antes e depois dele."
Herculano
27/04/2020 15:20
BOLSONARO TORNA JUSTIÇA E PF PUXADINHOS DA FAMÍLIA, por Josias de Souza, no UOL

Há uma originalidade suicida no governo de Jair Bolsonaro. A ação do presidente é desconstrutiva. Ele já não se preocupa em maneirar. Executa com afinco a missão inconsciente de desnudar-se. Transforma o Ministério da Justiça e a Polícia Federal em puxadinhos da família Bolsonaro. É como se desejasse desvendar os crimes denunciados por Sergio Moro, cometendo-os.

Para a pasta da Justiça, Bolsonaro escolheu o atual secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira. Trata-se de um grande amigo. É major aposentado da Polícia Militar de Brasília. Convive com a família desde garoto, pois seu pai, o capitão do Exército Jorge Francisco, trabalhou por duas décadas com o então deputado Bolsonaro.

Jorge Oliveira foi, ele próprio, assessor parlamentar de Bolsonaro. Trabalhou também como chefe de gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, de quem se tornou padrinho de casamento. É formado em Direito. Mas não vai à pasta da Justiça por ser grande advogado. Ascende ao cargo por ser um advogado genial aos olhos do inquilino da Presidência. Pode não ser um ás em jurisprudência. Mas entende de conveniência.

Para a função de diretor-geral da Polícia Federal, Bolsonaro escolheu o chefe da Agência Brasileira de Inteligência, delegado Alexandre Ramagem. Na campanha de 2018, coordenou a equipe de segurança do então candidato Bolsonaro. A despeito da facada, caiu nas graças de Bolsonaro e de sua dinastia.

Ramagem achegou-se aos três membros do clã Bolsonaro que exercem mandatos eletivos: o deputado Eduardo, o senador Flávio e, sobretudo, o vereador "federal" Carlos. Todos são fustigados por investigações da PF. Flávio, por causa da rachadinha. Eduardo e Carlos, por conta da suposta industrialização de notícias falsas e de ataques a rivais nas redes sociais.

Neste domingo, Bolsonaro foi questionado por um internauta nas redes sociais sobre a escolha de um amigo dos filhos para comandar a PF. Respondeu: "E daí?" É como se o presidente, de passagem pelo Planalto, criasse uma monarquia particular, coroando-se. Está no comando Dom Bolsonaro 1º, o Absoluto.

Como se sabe, há dois tipos de monarquia: as absolutas e as constitucionais. Bolsonaro optou pela monarquia absoluta. O absolutismo lhe pareceu mais conveniente porque, nesse modelo, o soberano não deve nada a ninguém. Muito menos explicações.

O desprezo pelos métodos clássicos de acobertamento faz de Bolsonaro um político atípico. Ele expõe seu desatino pelo excesso. De erro em erro, Bolsonaro vai se convertendo num avanço institucional. Ele deixa pelo caminho as pistas para que os investigadores concluam que, na monarquia de Bolsonaro 1º, reina a desfaçatez.
Herculano
27/04/2020 13:49
ANTAS E BURROS

Encontrei esta no twitter:

Tá provado que veterinária é a profissão do futuro no Brasil, pois o que mais tem são antas e burros precisando de atendimento !
Mário Pera
27/04/2020 13:34
Sobre a proposta de redução de salários de agente políticos - eleitos - no caso agora desta pandemia o assunto grassou à vontade - porém sem efeito prático já que quem quer reduzir devia agir rápido e transferir a diferença que propõem menor, e repassar pra entidades que estão fazendo ações efetivas. Não precisa de lei. Agora a lei pode servir pra mesmo neste ano votar salários de prefeito e vice e os vereadores pra próxima legislatura - está na Lei Orgânica e em sintonia com a ordem constitucional em que no último ano da legislatura em vigência são definimos salários bases dos cargos eletivos do Executivo e Legislativo. E antecipar a votação pra antes das eleições seria bom sinal efetivo e com redução quem por ventura vise disputar o pleito de olho no soldo pode até pensar suas vezes.
Herculano
27/04/2020 12:53
NÃO É Só NA CÂMARA DE GASPAR QUE NÃO FUNCIONA. NO PALÁCIO DO ALVORADA. DEPOIS DE TENTAR TRÊS VEZES FAZER UMA LIVE NO FACEBOOK, O PRESIDENTE JAIR MESSIAS BOLSONARO, SEM PARTIDO, DESISTIU DE FALAR COM OS BRASILEIROS.

VERGONHA. ISSO É UM RETRATO DO NOSSO ATRASO TECNLóGICO NO TEMPO DO 5G E QUE RESISTE CHEGAR AO BRASIL E DE COMO O PRESIDENTE ESTÁ MAL ASSESSORADO. E FALTA DE DINHEIRO NÃO É.

ISSO EXPLICA, MAS NÃO LIVRA A CARA DA CÂMARA DE GASPAR QUE FICOU EXPOSTA NO MESMO ASSUNTO NAS ÚLTIMAS DUAS SEMANAS.

E PARA FINALIZAR. BOLSONARO E OS BOLSONARISTAS DIZEM QUE NÃO ASSISTEM A GLOBO, MAS O PRESIDENTE CONFESSOU QUE ESTAVA ASSISTINDO O FANTÁSTICO, RAZÃO DA SUA IRA E DAS SUAS TENTATIVAS PARA FAZER LIVE RESPOSTA? HUM!
Miguel José Teixeira
27/04/2020 12:40
Senhores,

Em "O Globo" o tal Frei Betto, que era íntimo da "famiglia lula" e não ensinou-os que roubar é pecado, manda ver:

"Todos os Povos ritualizam a despedida de seus mortos; agora, o coronavírus nos rouba tudo"

Então, temos finalmente, o "lulavírus". . .
Herculano
27/04/2020 10:36
da série: Bolsonaro agarra no respiradouro Guedes, mas se a ideia fixa de fazer tudo ao modo dele passar, ele joga o respiradouro fora como fez com Moro. E o mercado sabe disso.

EM MEIO A RUMORES DE PEDIDO DE DEMISSÃO, BOLSONARO DIZ QUE GUEDES É O "HOMEM QUE DECIDE ECONOMIA"

Presidente concedeu rápida entrevista ao lado de ministro da Economia para simbolizar arrefecimento de nova crise
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Daniel Carvalho, da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo. Em meio aos rumores de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediria demissão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (27) que seu auxiliar é o "homem que decide economia".

"O homem decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá as recomendações e o que nós realmente devemos seguir", disse Bolsonaro após uma reunião no Palácio da Alvorada com Guedes, com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, com o chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Wagner Rosário.

Nos últimos dias, surgiram rumores de que Guedes poderia deixar o governo. Como mostrou a Folha no sábado (25), o ministro partiu para o ataque contra Rogério Marinho, ex-secretário especial de Previdência e Trabalho e ministro do Desenvolvimento Regional. Eles eram aliados.

Contrariado com o que chama de deslealdade, Guedes alertou Jair Bolsonaro e o ministro Braga Netto (Casa Civil) para o fato de que o programa Pró-Brasil não sairá do papel. O plano não avança pelo menos da forma como foi apresentado.

O ministro da Economia se indignou com as articulações de Marinho. Com a crise do coronavírus, o ex-parceiro de Ministério da Economia, responsável por coordenar a reforma da Previdência, passou a procurar colegas de Esplanada, especialmente militares. Nas conversas, Marinho dizia que "era hora da gastança".

A gota d'água, no entanto, foi a proposta de Marinho. O ministro do Desenvolvimento Regional prevê 21 mil empreendimentos, a um custo total de R$ 185 bilhões até 2024.

Desse total, são R$ 157 bilhões em novas obras. A ideia seria complementar o Orçamento do Ministério do Desenvolvimento Regional em R$ 33 bilhões ?"dos quais R$ 7 bilhões a mais neste ano.

Para Guedes, a manobra seria uma tentativa de Marinho de se cacifar ao lado de Bolsonaro e militares. Estariam no horizonte, na visão dele, voos mais altos, como até tomar sua cadeira.

Na sexta-feira (24), o Palácio do Planalto amenizou o conflito com a Economia. Braga Netto, a quem Bolsonaro delegou o Pró-Brasil, reafirmou o compromisso do país com o teto de gastos.

A regra, definida em lei, estabelece critérios para o crescimento das despesas. Elas só podem ser corrigidas pela inflação do ano anterior.

No contexto da pandemia, Guedes entende que parte da agenda liberal teve de ser suspensa para que seja resolvido o problema emergencial do novo coronavírus.

Para isso, ele aceita, por exemplo, os argumentos apresentados pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que pretende aumentar os gastos com obras, mas dentro do teto estabelecido.

Guedes disse nesta segunda, ao lado de Bolsonaro, que o governo segue "a mesma política econômica", pediu que os servidores públicos façam um "sacrifício" e que não peçam aumento, já que não terão corte de salário, e minimizou a tensão sobre o Pró-Brasil, chamando o programa de "estudos adicionais".

"Para quê falar em derrubar o teto se é o teto que nos protege contra a tempestade", afirmou nesta manhã o ministro. "Não podemos fazer um Plano Nacional de Desenvolvimento porque nossa direção é outra", disse Guedes, destacando que o governo atua "sempre dentro da responsabilidade fiscal".
Herculano
27/04/2020 10:36
VÃO CHAMÁ-LO DE GADO?

Por Rodrigo Constantino, no twitter:

O fortalecimento de Guedes, que aumentou seu capital político agora, pois Bolsonaro sabe que perde-lo depois de Moro seria fatal, é boa notícia para o País, e péssimo para abutres que torcem contra. Vão ter de chamar Guedes de gado também. Preferem tucanos e desenvolvimentistas.
Herculano
27/04/2020 10:35
NÃO É "ESCULACHO", É A LEI, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Jair Bolsonaro vê as investigações contra o filho Flávio como 'esculacho'. A Nação conta com a Justiça para impedir que 'esculachada' seja a igualdade de todos perante a lei

No início do mês passado, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) requereu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a suspensão das investigações sobre a prática de "rachadinha" em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Para relembrar o caso: em dezembro de 2018, o Estado revelou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentação financeira "atípica" nas contas bancárias de Fabrício Queiroz, amigo da família Bolsonaro e ex-assessor do filho mais velho do presidente da República quando o chamado "01" era deputado estadual no Rio. Para o Ministério Público Estadual, Queiroz gerenciava um esquema urdido no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro para confiscar parte dos salários dos servidores, a tal "rachadinha", espécie de pedágio a ser pago pelas nomeações.

Desde que o País tomou conhecimento da escandalosa prática, há quase um ano e meio, esta foi a nona vez que Flávio Bolsonaro tentou impedir o avanço das investigações do chamado Caso Queiroz, que, em última análise, o afetam diretamente. Não obstante algumas decisões que lhe foram favoráveis no período, para o bem do decoro parlamentar, da moralidade pública e do viço da democracia representativa, as investidas do senador para obstar o devido esclarecimento de tão graves suspeitas não têm encontrado guarida no Poder Judiciário.

No dia 17 passado, o ministro Félix Fischer, do STJ, rejeitou novo recurso impetrado pela defesa do senador Flávio Bolsonaro contra uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que reconhecera a legalidade da quebra de seus sigilos fiscal e bancário de janeiro de 2007 a dezembro de 2018. No entender do ministro Fischer, as investigações sobre o esquema da "rachadinha" devem prosseguir porque estão sustentadas por "fortes indícios de autoria e materialidade" na formação do que o magistrado chamou de "grande associação criminosa". Não há mais dúvida de que houve a prática de "rachadinha". No entanto, é de grande interesse público que as investigações sobre o Caso Queiroz avancem para que à sociedade seja dado conhecer quem foram os grandes beneficiários de um esquema fraudulento que a um só tempo subverteu o bom uso dos recursos públicos e amesquinhou a atividade parlamentar.

Segundo a defesa do senador Flávio Bolsonaro, as investigações deveriam ser sustadas porque "houve inobservância da formalidade exigida (na quebra dos sigilos do senador) por recente julgado do Supremo Tribunal Federal, em razão de uma suposta troca de e-mails entre o Coaf e o Ministério Público Estadual", que teria tido acesso às informações fiscais e bancárias do senador por meio ilegal. Em parecer enviado ao STJ, o subprocurador-geral da República Roberto Luís Thomé alegou que "não houve qualquer devassa indiscriminada" na vida financeira de Flávio Bolsonaro, cuja análise se limitou ao período em que o agora senador exercia mandato de deputado estadual.

O ministro Félix Fischer acolheu os argumentos do Ministério Público Federal, julgando ser "distorcida a afirmação de que o Ministério Público requereu, sem autorização judicial, informações sobre todas transações bancárias dos investigados por uma década". No entender do magistrado, "a pesquisa solicitada estava relacionada apenas às movimentações suspeitas, e não a todas movimentações financeiras e fiscais dos investigados". Melhor assim.

O pai de Flávio Bolsonaro é uma das mais estridentes vozes a vituperar contra a chamada "velha política". O filho, portanto, deveria ouvi-lo e torcer pelo pronto esclarecimento do Caso Queiroz, haja vista que poucas práticas caracterizam melhor a "velha política" do que a tal da "rachadinha". Mas isso, evidentemente, não irá acontecer. O presidente Jair Bolsonaro vê as investigações não como ritos previstos em lei, mas como um "esculacho em cima" de seu filho. O senador, por sua vez, aferrou-se à tese do "complô" contra o pai por trás dessas investigações. A Nação conta com a Justiça para impedir que "esculachados" sejam a moralidade pública e o primado da igualdade de todos perante a lei.
Herculano
27/04/2020 10:35
BOLSONARO JÁ OPERA EM MODO IMPEACHMENT, por Vinicius Mota, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Governo fraco faz contas diárias para evitar 342 votos contrários na Câmara

Agora são 171 mais 1. A gestão Bolsonaro entrou em modo impeachment, no qual um governo enfraquecido dorme e acorda fazendo e pagando contas para tentar evitar que 342 dos 513 deputados federais acionem a guilhotina presidencial.

Nessa fase, os que afiançam apoio comportam-se como mercenários a oferecer serviços ao chefe da cidade cercada. Cobram horrores, mas, na hora de entregar o prometido, vão fazer o que lhes der na telha, pois também flertam com os sitiadores.

Como aconteceu com Collor e Dilma, Bolsonaro terá de se defender em meio a uma recessão duríssima. Como ocorreu com Dilma e Temer, as flechas virão do Legislativo, do Judiciário e de outros setores da burocracia, o que vai estrangular a margem de manobra do presidente.

Diferentemente dos três antecessores empurrados ao jogo do impeachment, a impopularidade de Bolsonaro não é, na saída, tão pronunciada. O capitão também é o mais displicente de todos nas práticas da articulação partidária e parlamentar.

No Congresso, nunca houve tanta fragmentação. Faltam identidade e apetite pelo poder ao bloco oposicionista. O vice-presidente ainda não conspira com forças que podem derrubar o titular e por isso não se delineia o que seria um governo Mourão.

Uma crise sanitária dissemina incertezas, exige respostas urgentes de atores que estavam fora do foco da atenção nacional e complica o cálculo político. Câmara e Senado talvez só consigam se reunir da forma tradicional no segundo semestre.

Mas o tempo foi cruel com os presidentes obrigados a encarar o xadrez do impeachment. A cada rodada, seus movimentos de defesa abriam um novo flanco, o que os fragilizava mais. No final, quem não perdeu o rei de direito perdeu-o de fato.

Jair Bolsonaro desloca as suas primeiras peças no tabuleiro dos decapitados na condição de único presidente, ao longo dos 35 anos da chamada Nova República, filiado a uma corrente autoritária. Só está jogando porque a democracia até aqui lhe fechou as portas para uma aventura.
Herculano
27/04/2020 10:34
TIROTEIO DE MORO CONTRA BOLSONARO Só COMEÇOU, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro saiu do governo para começar uma guerra contra o presidente Jair Bolsonaro, a quem pretende enfrentar nas urnas em 2022, segundo ex-auxiliares e ex-colegas de ministério. Na sexta (24), o ex-juiz da Lava Jato prometeu novos "rounds" ao afirmar que "em outra ocasião" se colocará à disposição dos holofotes para contar detalhes das divergências com o seu ex-chefe e novo inimigo.

VAZAMORO EM AÇÃO

Moro vazou sem demora, ainda na sexta, gravações e mensagens de Bolsonaro. Ele sabe que vazamentos de mensagens doem muito.

PAPO DE CANDIDATO

Sergio Moro insinua seu projeto político ao afirmar que é caminho "sem volta" deixar a magistratura e que está pronto a "ajudar o Brasil".

ELOGIO À LADROAGEM

Bolsonaro se indignou particularmente quando Moro fez um aceno ao PT citando seus governos como exemplares na relação com a PF.

FôLEGO NECESSÁRIO

A dúvida é se Sérgio Moro terá fôlego para conduzir seu projeto presidencial até outubro de 2022.

BOLSONARO DEMITE MENOS, MAS FAZ MAIS BARULHO

As demissões de ministros do governo Bolsonaro têm ganhado enorme repercussão, com exceção de Sérgio Moro, por serem incomuns. São 8 saídas em 16 meses ao contrário do que ocorreu com Temer e Dilma, que demitiram nove no primeiro ano de mandato, e Lula que atingiu o mesmo número de Bolsonaro em apenas 12 meses. No geral, Dilma é imbatível com 86 demissões de 2011 a 2016. Verdadeiro recorde.

DEPENDE DO CRITÉRIO

Se contar Onyx Lorenzoni, que trocou a Casa Civil pela Cidadania, Bolsonaro tem nove demissões no total. Ainda assim, é o mais paciente.

IMPORTANTE DIFERENÇA

No caso de Bolsonaro, ao contrário dos antecessores que demitiam os ministros enrolados em escândalos, as trapalhadas surgem no Planalto.

NO FIM DAS CONTAS

Ao final de oito anos, Lula nomeou quase uma centena de ministros ou cargos com status de ministério. Apenas três ficaram do início ao fim.

CARTÃO DE USO EXCLUSIVO

Ao ouvir Sérgio Moro reclamando da "carta branca" prometida por Bolsonaro, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), lembrou que, como o presidente, dá autonomia aos seus secretários, mas fez uma ressalva: "Carta branca todos têm, mas cartão vermelho só eu tenho".

OLHO NO ELEITORADO

Com sua saída, Moro falou ao coração do eleitor de Bolsonaro ao lembrar que abriu mão de 22 anos de magistratura para "servir ao Brasil", acreditando em Bolsonaro. E insinuou que saiu por se sentir enganado.

MOTIVO DE TROCA

Bolsonaro reclamou, em seu pronunciamento, que teve de fazer o trabalho da Polícia Federal e obter provas da inocência dele e da família em relação ao assassinato da vereadora. Não contou com a PF nisso.

MDB SENDO MDB

Em março, o MDB foi às redes sociais proclamar "ai que saudades do meu ex", referindo-se ao ex-presidente Michel Temer. Depois fez "pacto" com Bolsonaro, mas, diante da crise Sergio Moro, na sexta, já avisou que "a Constituição nos dá caminhos, o MDB não se omitirá".

É O JOGO

O presidente Bolsonaro ironizou as "escolhas técnicas" do ex-ministro da Justiça Sergio Moro para a Polícia Federal. "Será que os melhores quadros da PF, todos, estavam em Curitiba?".

POLÍTICOS SÃO POLÍTICOS

Professor de Direito Econômico, Oksandro Gonçalves cita a "hipocrisia" dos políticos que usam a Covid-19 para tomar medidas e desafogar a economia. Para ele, a crise é culpa justamente do intervencionismo.

ALÍVIO NO BOLSO

O deputado Leo Moraes (Pode-RO) comemorou a suspensão do pagamento de parcelas do FIES durante a pandemia. O parlamentar lembra que o débito pode ser parcelado em até 175 prestações.

STF LEGISLATIVO

O STF legislou de novo, decidindo que a multa por dano ambiental não prescreve. A ação trata de dano causado por madeireiros em terras indígenas no Acre há 40 anos, nos anos 1980 e tem "repercussão geral".

PENSANDO BEM...

...tropa já foi de choque, agora é de pronunciamento oficial.
Herculano
27/04/2020 10:33
PODE O IBGE RECEBER TUDO DAS TELES? Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

MP não é melhor caminho para obrigar a entrega de dados de clientes

Dentre tantas polêmicas da semana passada, houve também a questão da medida provisória que obriga as empresas de telefonia a entregar para o IBGE "a relação dos nomes, números de telefone e endereços dos seus consumidores, pessoas físicas e jurídicas".

O tema causou alvoroço. Entregar mais de 200 milhões de números para um órgão do governo federal não parece ser das melhores decisões de política pública.

A controvérsia foi tão grande que a ministra Rosa Weber concedeu liminar suspendendo sua aplicação. Além disso, a MP recebeu 227 emendas no Congresso. Em outras palavras, 227 congressistas acharam que alguma coisa precisa mudar ali.

Isso em si demonstra que uma MP não é o caminho para tratar de tema tão importante. Ela possui efeitos imediatos. Se os dados forem já entregues, não há como "desentregá-los". Essa ação (e o dano potencial dela) é irreversível e põe em situação vulnerável todas as pessoas que têm um celular no Brasil.

Além disso, a MP ignora os princípios básicos de proteção de dados, que foram aprovados pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em 2018.

Por exemplo, nem a medida provisória nem a instrução normativa que a regulou trataram da segurança dos dados. Como serão armazenados? Haverá criptografia? Há controle específico de quem acessa? Quem não quiser ter seu número na base do IBGE poderás se opor? Qual o canal e o prazo fazer isso? Todos esses requisitos são exigidos pela LGPD e foram ignorados.

Foi ignorado também o princípio mais importante: a necessidade e proporcionalidade. Qual é o tamanho da amostra de pessoas que a realização da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) demanda?

A Pnad de 2018, por exemplo, trabalhou com 211 mil domicílios. Por que raios então estão sendo pedidos 200 milhões de números?

Um caminho que seria legalmente (e constitucionalmente) aceitável seria limitar a demanda ao número exato de pessoas necessárias para a pesquisa ter validade estatística.

As teles, nesse caso, só entregariam esse número específico. E poderiam adotar o critério de seleção aleatória do IBGE, sem a necessidade de compartilhar nenhum dado além do necessário.

Há também mais soluções. Não seria preciso nem sequer passar números para o IBGE para realizar a Pnad. Basta adotar um sistema de números anonimizados, atendendo aos critérios da pesquisa, em que o IBGE pode entrar em contato telefônico direto com os cidadãos e cidadãs de que precisa, sem que o número dessas pessoas seja revelado.

Seria similar a quem liga para um motorista da Uber ou do Rappi (e vice-versa) e consegue falar com a pessoa sem que os números de cada um sejam revelados. A ligação é intermediada por um sistema desenhado para isso.

Vale ressaltar aqui que o problema não é o IBGE. A presidente do IBGE é um dos melhores quadros do governo federal, e acredito que as intenções por trás da medida provisória sejam as melhores.

O problema foi de forma, e não de conteúdo. Se o IBGE ajustar o texto da MP atendendo aos requisitos acima e outros aplicáveis, sua demanda torna-se não só legítima mas constitucional.

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Já vem?
Guedes na Economia?
Herculano
27/04/2020 10:32
E MORO... SUBIU

Conteúdo de O Antagonista. O apoio a Sergio Moro, que havia caído nos últimos meses, subiu novamente.

Na pesquisa do Atlas Político, 57,3% dos entrevistados o avaliaram de maneira positiva e 31,2% de maneira negativa.

Luiz Henrique Mandetta continua popular, e Jair Bolsonaro despencou.

O responsável pela pesquisa, Andrei Roman, disse para El País:

"Você tem todo um desgaste do Bolsonaro, que não está conseguindo ser capitalizado pela esquerda, pela oposição formal ao Governo. O desempenho de Lula e Haddad segue sendo o mesmo. Mas existe o surgimento dessas novas figuras de direita, como Mandetta e Moro, que se colocam fortes competidores para 2022".
Herculano
27/04/2020 10:31
54% APOIAM O IMPEACHMENT

Conteúdo de O Antagonista. A nova pesquisa do Atlas Político mostrou que o apoio ao impeachment de Jair Bolsonaro disparou: 54% dos brasileiros são favoráveis e 37% são contrários.
Herculano
27/04/2020 10:31
BOLSONARO É REPROVADO POR 64%

Conteúdo de O Antagonista. A demissão de Sergio Moro implodiu Jair Bolsonaro.

Segundo o Atlas Político, em pesquisa divulgada por El País, o governo é considerado ruim ou péssimo por 49% dos entrevistados e ótimo ou bom por apenas 28%.

Um mês atrás, esses números eram 41% e 33%.

De 8 pontos negativos, Jair Bolsonaro passou para 21 pontos negativos.

E mais: 64,4% dos entrevistados desaprovaram seu desempenho e só 30% aprovaram.
Herculano
27/04/2020 10:30
O BRASIL INVENTANDO MODA

O manda-chuva da Polícia Federal é hierarquicamente subordinado ao Ministro da Justiça e Segurança Pública.

No Brasil estamos sem ministro, até o momento em que se escrevia estas linhas.

Mas, sem ministro, o Brasil já sabia e tinha como nomeado o manda-chuva da Polícia Federal. Ministro, quando nomeado, será apenas um detalhe menor no cenário dessas confusões familiares diárias.

Tempos estranhos.
Herculano
27/04/2020 10:30
OS ISENTõES

Como são as coisas. No jornalismo, a suposta isenção - que não acredito que haja, pois todas as sociedades e todas as pessoas possuem valores próprios, quase todos em códigos morais e legais - é um pilar.

Na sociedade de hoje, e especialmente no Brasil de hoje isso a tal isenção é letra morta. Ser isento, ou minimamente ponderado, moderado, é um pecado e mortal. Você precisa ter lado. E se não tem, não serve, não possui valor, é constrangido, rotulado...

E ter lado hoje, significa ser obsceno, radical, doente, intransigente com a ideias e atitudes do outros, é ser gado, é ir para o brete a esperar da hora do sacrifício pela causa que nem sabe bem qual é.

Tempos estranhos estes, como diria aquele ministro do Supremo.
Herculano
27/04/2020 10:29
MENOSPREZEMOS O VÍNCULO ENTRE RETóRICA CIENTÍFICA E REGIMES DE EXCEÇÃO, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

Exercício ficcional imagina mundo cinco anos depois do surgimento da Covid-19

Esse exercício ficcional do futuro é dedicado a quem defende uma sociabilidade com a Covid-19 baseada em métodos de controle epidemiológicos e a quem faz marketing de si mesmo "torcendo pelo vírus".
São Paulo, 27 abril de 2025.

Passaram-se cinco anos desde que a hoje chamada "gripe coronial" surgiu. No início achava-se que começara na China, hoje já não se tem mais certeza de nada acerca da sua origem. Uns creem ter sido lançada no mundo pelos seres extraterrestres que nos criaram e que desistiram do experimento. Outros defendem que a natureza decidiu dar um basta em nossa ganância.

Ilustração em tons amarelos representa um homem de óculos deitado sobre um divã. Sobre sua cabeça uma câmera de vigilância com um olho o observa. Pela janela um grande olho o observa pela janela pairando sobre a cidade do lado de fora

A verdade é que muito se escreveu sobre a epidemia nesses cinco anos. Mas, pela saturação de narrativas, depois de algum tempo, esse acúmulo de dados científicos circulando em meio a um público sem nenhuma condição de avaliá-los acabou por se transformar na nova normalidade. Quase ninguém mais se interessa por nada que não tenha a ver com a segurança epidemiológica.

Agora começa a ficar claro como menosprezamos o vínculo entre retórica científica e regimes de exceção.

No Brasil de cinco anos atrás, o então presidente, um idiota desastrado, clamava por violência contra a democracia. Esse fato ridículo nos distraiu para o verdadeiro processo transformador em curso: a aceitação tranquila do regime em que agora vivemos, onde nada se pode fazer que não seja posto sob modelos epidemiológicos de segurança. Não há um nome para esse regime. Não ouso mentir.

Os primeiros indícios surgiram quando os cidadãos conscientes começaram a brigar nas ruas cobrando pessoas irresponsáveis que não usavam máscaras. Depois passaram a cobrar roupas especiais de segurança (que hoje são objetos da nova moda, batizada de "estilo cuidado"), assim como não dizer "bom dia" para as outras pessoas se tornou a norma, já que alguns artigos afirmaram por um tempo que o vírus podia entrar pela boca enquanto você falava.

Mesmo que esses artigos hoje tenham desaparecido no mapa infinito de produções científicas, a memória social os manteve ativos. Agora o silêncio social é uma prova de adesão aos modos corretos, e artistas postam fofamente #fiquedebocafechada.

Outro indício foi a decisão que grupos de riscos perderiam o direito a liberdade de ir e vir. Depois de sucessivas tentativas de controlar o vírus, governos, munidos de todas as formas do que agora chamamos de "tecnologias democráticas do cuidado" (em inglês, CDT) chegaram, graças ao desenvolvimento tecnológico dentro da nova normalidade, a uma capacidade de gestão quase absoluta da mobilidade urbana.

No começo, esse controle era feito por pessoas mobilizadas pela causa da luta contra o vírus, mas agora os aplicativos do cuidado avisam onde existem grupos de riscos rompendo o novo contrato social. Não se sabe ao certo aonde vão essas pessoas, mas, seguramente, creem os crentes, devem ir a lugares onde serão cuidadas apropriadamente e onde não colocarão em risco o sistema mundial de cuidado em que todos vivemos.

Um problema, mas que hoje parece pertencente ao passado (a sensação de aceleração da nova normalidade foi muito alta nos primeiros dois anos), foi a superação do modelo familiar patriarcal, como era chamado.

As pessoas que agora chegaram aos 30 anos moram basicamente sozinhas com seus pets. Essa tendência, que antes era uma questão de escolha, se radicalizou quando a ciência determinou definitivamente que animais não eram transmissores do vírus.

A vida atualmente é controlada remotamente. O mercado, como sempre, se acomodou à nova normalidade. Onde estará a vacina?

O grande debate agora é a submissão da reprodução humana aos novos modelos epidemiológicos de segurança. Já que o sexo praticamente não existe (atividade de risco, identificada como tal logo no primeiro ano), a reprodução assistida hoje é objeto de ceticismo por parte das autoridades, já que, possivelmente, novos seres humanos seriam novos hospedeiros para o vírus.

A pobreza generalizada, finalmente, encerrou o hábito de consumo. A vida é simples agora. As pessoas hoje praticam mindfulness remotamente, livres do "fetiche do presencial". Lindo, né?

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