O governo de Kleber canta vitória na CPI das irregularidades na drenagem da rua Frei Solano, no Gasparinho. A oposição também. O certo é que o assunto não terminou. Virou debate político-eleitoral - Jornal Cruzeiro do Vale

O governo de Kleber canta vitória na CPI das irregularidades na drenagem da rua Frei Solano, no Gasparinho. A oposição também. O certo é que o assunto não terminou. Virou debate político-eleitoral

01/06/2020

Na sessão de segunda na Câmara, muito nheco-nheco. E pelas promessas de ambos os lados, ele voltará ao palco nas sessões desta terça. No âmbito do legislativo, a minoritária oposição – tragada pela esperteza regimental da situação – devia sepultar esse assunto.

E por que? Há outros, tão tenebrosos quanto. Se não se cuidar, o tempo voa e ela vai ficar só com este tema para as eleições. O relatório está sacramentado e documentado. Só o Ministério Público, polícia e Tribunal de Contas podem ressuscitar o morto. E vai demorar!

O governo construiu legalmente uma maioria na CPI para fazer o relatório ao gosto dele. Por outro lado, não conseguiu se desfazer da foto comparativa que abre o artigo e que tanto o incomodou: projetou, licitou, contratou, fiscalizou e pagou uma coisa, mas executou outra para o mesmo resultado, como sempre salienta.

Em sua defesa, o governo diz que não gastou nada a mais quando mudou a ‘técnica construtiva’, mas não deixou ela ser ‘necropsiada’, muito menos o engenheiro que a concebeu, Vanderlei Schmitt, depor.

Ao oposição diz que, ao fazer diferente, o governo pagou aos empreiteiros aquilo que devia ter economizado ou então era vetado pela lei das licitações e, por isso, gerou prejuízos que devem ser ressarcidos pelos servidores ou agentes políticos responsáveis pela obra.

E, para completar, aquilo que se prometeu fazer em três meses levou-se mais de um ano e meio. As mudanças eram, segundo o governo Kleber, exatamente para a obra ser mais rápida. E só depois da CPI o asfalto foi concluído. Porque foi um ato político de Kleber para deixar as autores da CPI em maus lençóis perante os eleitores do Gasparinho.

Não vou repetir quais as causas e dúvidas que levaram à criação da CPI da drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho, pedida pelos vereadores Dionísio Luiz Bertoldi, Mariluci Deschamps Rosa e Rui Carlos Deschamps, todos do PT, bem como Cícero Giovane Amaro, PL, e Silvio Cleffi, PP.

Os meus leitores e leitoras, principalmente os daqui no portal Cruzeiro do Vale, por meio dos textos das segundas-feiras, já os sabem delas em detalhes desde outubro de 2019. Vou me ater ao cabo de guerra do relatório do relator Cicero e o final da Comissão, com as interferências fundamentais, repito, fundamentais, dos vereadores do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Francisco Hostins Júnior, MDB e Roberto Procópio de Souza, PDT.

“O relatório é da Comissão, e não do relator”, justificou Roberto para impor as alterações no voto. “Não vou admitir inverdades”, pontuou Hostins para combater o que ele classificou de armação política. “Mas, foi o próprio vereador” – referindo-se a Hostins – “que acaba de dar um atestado de que fui coerente e que não coloquei nada no relatório que não pude comprovar, apesar das evidências”, rebateu Cícero na dialética kafiquiana própria do ambiente político onde se está em jogo coisas que só poucos podem entender e a maioria fica submissa a dados e ritos incompreensíveis.

O certo e resumindo, é que o governo Kleber não colocou o relatório de Cícero no lixo como se antevia, principalmente porque ele já era ameno. Fez melhor: desfigurou-o em nome dele ser o relatório ser da CPI, onde o governo tinha maioria de votos para prevalecer no seu ponto de vista operado por seus membros da CPI. “É a regra do jogo, senhores”, salientou e ironizou o líder de Kleber na Câmara, Francisco Solano Anhaia, MDB, sobre o governo ter mais votos na CPI quando escalado para rebater o chororô da oposição.

“Praticamente todas as possíveis violações foram retiradas do parecer do relator, tentando passar aos órgãos fiscalizadores que a obra foi realizada sem maiores problemas, mesmo estando documentado tudo nos autos”, sublinhou a oposição.

Este relatório – com as emendas – é o que vai ao plenário da Câmara para ser ratificado pela maioria governista. Ponto final.

E o que fica das ásperas discussões da semana passada na reta final da CPI? A promessa de Hostins na busca de uma censura ao vereador Cícero por suposta quebra do decoro parlamentar. Numa das reuniões da CPI, Cícero inconformado com as manobras regimentais feitas por Hostins em favor do governo Kleber, o acusou de bandido. “Tenho nome e honra. Não aceito isso”, exaltou-se Hostins. Agora, é aguardar.


O relatório final da CPI votado pela maioria de Kleber admite que houve mudanças nas técnicas construtivas projetada, licitadas, contratadas, fiscalizada e pagas, mas que esta execução diversa não feriu nenhum preceito das Lei das Licitações, ou causou prejuízos aos cofres da prefeitura de Gaspar

O QUE SE RETIROU OU SE MODIFICOU DO RELATÓRIO ORIGINAL I

A seguir, mostro o que saiu do relatório original. É cirúrgico. Pode parecer irrelevante a um leigo, mas ele tem importância na técnica jurídica, no ambiente das denúncias a outras instituições, e ao que concerne ao que determina o direito administrativo. E os dois vereadores do governo na CPI responsáveis pelo resultado final do relatório, são advogados.

No que tange a forma de Licitação, a 78/2018, o relatório feito pelo vereador Cícero dizia: “ESCOLHA INCORRETA da modalidade de licitação Pregão 78/2018, pois o objeto não se trata da aquisição de bens e serviços comuns”.

Isto foi retirado do relatório sob a justificativa de que até então, essa modalidade de licitação era usada pela prefeitura de Gaspar e de que o impedimento levado ao Tribunal de Contas proibindo o prosseguimento do certame, ainda era objeto de recursos.

Retirou-se: “ausência da emissão de ART na fase interna da licitação (o ART do Anteprojeto da obra e do estudo de Hidrologia foram assinados no período de execução da obra pelo Eng Vanderlei Schmitz em 18/04/2019). A ART inicial deve ser registrada antes do início da respectiva atividade técnica”. Entendeu-se que a ART pode ser emitida a qualquer momento, mesmo até depois da obra concluída, se assim o profissional por ela se responsabilizar.

Retirou-se do relatório original de que havia “ausência de indicação da Dotação Orçamentária. Consta apenas os nomes dos Órgãos Orçamentários e o exercício vigente: ‘Gabinete do Prefeito e Vice-Prefeito - Superintendência do Belchior - Superintendência de Gestão Compartihada - Exercício 2018’; ‘Secretaria de Obras e Serviços Urbanos - Exercício 2018’; ‘Serviços Autônomo Municipal de Água e Esgoto - Samae - Exercício 2018’. Diante da generalidade da dotação orçamentária, nos moldes como se encontrou, comprova-se que as dotações não estavam precisas podendo inclusive comprometer com outras despesas de manutenção e custeio, atestando assim a insuficiência dos recursos orçamentários, além da falta de planejamento da administração pública, que afetaria um dos pilares da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Retirou-se: “ausência de Previsão Legal para execução Micro e Macro Drenagem por parte da Autarquia Samae na data do edital (29/05/2018). Até então o Samae somente poderia realizar serviços/obras de água pluvial e de resíduos urbanos. A nova previsão legal somente foi trazida pela LC 103/2018 de 14/11/2018 (DOM 20/11/2018). A alteração no PPA 2018-2021 prevendo a drenagem por parte do Samae somente foi autorizada na Lei 3938/2018. As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando: III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações decorrentes de obras ou serviços a serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma”.

Foi modificado no relatório o apontamento de “ausência de Fiscal de Contrato conforme determina a Lei de Licitações. Segundo disciplina o art. 67 da Lei 8.666/1993, ‘a execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração especialmente designado, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo de informações pertinentes a essa atribuição’. O fiscal de contratos tem a incumbência de se certificar que as condições estabelecidas em edital e na proposta vencedora estejam sendo cumpridas durante a execução do contrato, para que os objetivos da licitação sejam materialmente concretizados.

Foi retirado do relatório original, a seguinte informação: “ausência do contrato firmado entre a administração e as empresas contratadas (apesar de constar com Anexo do Edital) no Processo de Licitação Pregão 78/2018. Foi utilizado a Ata de Registro de Preços como forma de ‘contrato’ e estas atas de registros de preços sofreram ‘aditivos’.

O QUE SE RETIROU OU SE MODIFICOU DO RELATÓRIO ORIGINAL II

Sobre a execução das obras, foi retirado: “trecho 1 - Insuficiência de fiscalização da Obra”.

Foram modificados no relatório original: “trecho 1 - Divergência na comprovação/medição dos tubos e aplicados no trecho inicial da Obra. O correto seria 100 tubos de 2 metros e foram instalados 100 tubos de 1 metro. Trecho 1 - Ausência de Diário de Obras, Registro Fotográfico, e Irregularidades no registro de Medição de Obra pela assinatura por agente público capaz (ausência de assinatura do fiscal da obra, que em tese seria o engenheiro Ricardo Duarte). Trecho 1 - Ausência de recebimento provisório da obra pelo responsável por seu acompanhamento e fiscalização, mediante termo circunstanciado assinado pelas partes”.

Foram modificadas no relatório feito pelo vereador Cícero estas citações: “trechos 1, 2 e 3 - NÃO UTILIZAÇÃO de materiais previstos no método construtivo (rejunte de argamassa na parte externa e interna do tubo; berço em concreto armado sob a base do tubo) que estava determinado na Relação de Itens anexa ao Memorial Descritivo em relação aos Itens: 13, 14, 15, 16 (assentamento de tubos com Bitola de 100cm; 120 cm; 150 cm e 200cm). Trechos 1, 2 e 3 - NÃO UTILIZAÇÃO de materiais previstos no método construtivo (caixa de visita em concreto armado) que estava determinado na Relação de Itens anexa ao Memorial Descritivo em relação aos Itens: 21, 22, 23 e 24 (caixas de concreto armado para tubos com diâmetro de 1,0m; 1,20m; 1,50m; 2,0m). Trechos 1, 2 e 3 - AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DA ADIMINISTRAÇÃO PUBLICA quanto as alterações do método construtivo previsto na Relação de Itens anexa ao Memorial Descritivo (rejunte de argamassa na parte externa e interna do tubo; berço em concreto armado no assentamento de tubos com Bitola de 100cm; 120 cm; 150 cm e 200cm). Trechos 1, 2 e 3 - AUSÊNCIA DE JUSTIFICATVA/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DA ADIMINISTRAÇÃO PÚBLICA das alterações do método construtivo previsto na Relação de Itens anexa ao Memorial Descritivo (caixa de visita em concreto armado para tubos com diâmetro de 1,0m; 1,20m; 1,50m; 2,0m)”.

Foram retirados do relatório original estas afirmações: “ausência de comprovante de recebimento provisório da obra pelo responsável por seu acompanhamento e fiscalização, mediante termo circunstanciado assinado pelas partes”, bem como, “ausência de comprovante da autorização expressa da Administração Pública, quando do surgimento de alterações/correções em relação aos métodos construtivos durante o período de responsabilidade legal das construtoras na execução da obra. Ao administrador público só cabe agir dentro dos estritos limites definidos pelo ordenamento jurídico, em homenagem ao princípio da legalidade ampla”.

O QUE SE RETIROU OU SE MODIFICOU DO RELATÓRIO ORIGINAL III

Mas, foi no item referente às liquidações e pagamento que o negócio pegou. Foram modificadas três e retiradas duas menções cruciais do relator Cícero Giovane Amaro.

As três afirmações modificadas foram: “trecho 1 - Comprovação Irregular da LIQUIDAÇÃO DA DESPESA pela Ausência de Registro Fotográfico, Irregularidade de registro de Medição de Obra pela assinatura por agente público capaz (ausência de assinatura do fiscal da obra, que em tese seria o engenheiro Ricardo Duarte); trecho 1 - PAGAMENTO INDEVIDO no valor de R$ 69.817,75 devido a comprovação irregular de documentos comprobatórios que atestassem a integridade da entrega dos serviços contratados (liquidação incorreta); e Trechos 2 e 3 - Comprovação irregular da LIQUIDAÇÃO DA DESPESA pela não utilização de materiais previstos na Relação de Itens anexa ao Memorial Descritivo (ausência de rejunte externo e interno no tubo; berço de concreto armado; ausências de caixa de inspeção construídas com concreto armado).

E foram retiradas estas duas afirmações: “trechos 2 e 3 - PAGAMENTO INDEVIDO no valor de R$ 1.492.863,87 devido ao emprego irregular dos Itens: 13,14, 15, 16 (tubos de 1,0; 1,2; 1,5 e 2,0). Itens: 21, 22, 23 e 24 (caixas de concreto armado)”, e a “Trechos 2 e 3 - PAGAMENTO INDEVIDO no valor de R$ 1.492.863,87 devido à falta de previsão legal no momento da assinatura do Edital 78/2018, para a execução de serviços de Drenagem e sua respectiva previsão de Despesa no PPA 2018/2021, por parte do Samae, no momento da publicação do Edital de Licitação 78/2018”.

Concluindo. O relatório fica muito próximo ao que já tinha levantado previamente pelo Ministério Público sobre este assunto. Ele não pode ser conclusivo, porque não pode investigar o que estava enterrado e se fiaram nas declarações dos técnicos da prefeitura. E para a CPI, os representantes de Kleber também não permitiram a perícia naquilo que está enterrado


O vereador Francisco Hostins Júnior, MDB (a esquerda) anunciou que vai pedir a punição – inclusive a cassação do mandato - ao relator da CPI, Cícero Giovane Amaro, PL, que o destratou numa das reuniões de finalização da CPI

CAÇAR O CÍCERO

Este assunto, ou seja, a denúncia para iniciar um processo que poderá culminar com a perda de mandato do vereador Cícero Giovane Amaro, PL revela a tensão que a CPI das irregularidades das drenagens da Rua Frei Solano provocou no governo de Kleber, do vice, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, e do prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, presidente do MDB e ex-coordenador de campanha de Kleber, que ainda acumula a secretaria da Saúde. O pedido – ainda não formalizado, mas anunciado em reunião da CPI e em sessão ordinária da Câmara na semana passada. É do vereador Francisco Hostins Júnior, MDB.

Hostins, colocou todas as cartas a favor dele nesta causa para que o governo Kleber saísse dela o menos arranhado possível. Normalmente, calmo e pacificador, Hostins liderou o processo de defesa de Kleber e se mostrou nos últimos dias, diante do que se esclarecia, nervoso e contundente. Roberto Procópio de Souza, foi um coadjuvante.

O que gerou esta confusão num ambiente tensionado, diante de depoimentos, indícios e documentos e cheio de manobras por parte do governo? Uma reunião para apresentação do relatório e definição dos prazos finais da CPI. Ela foi realizada à revelia do presidente da CPI, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT.

Pressionado pelo tempo, pela complexidade do assunto, a impossibilidade de perícia em alguns itens negada pela maioria governista na CPI, à falta de documentação e até depoimentos, o relator pediu a dilação do prazo para apresentar o seu trabalho.

Depois da sessão ordinária da Câmara no dia 19, terça-feira, Dionísio avisou os membros da CPI pelo whatsapp que a entrega com a leitura do relatório não se daria mais na quinta-feira, dia 28, mas sim na sexta-feira, dia 29.

Mesmo assim, Hostins e Procópio mantiveram a reunião.

E para dar quórum, levaram o suplente dos autores da CPI, Silvio Cleffi, PP, que não é mais oposição – quando ele mesmo foi um dos autores da CPI - e voltou a ser governo. Entenderam a artimanha e a confusão? Há conflitos, neste ponto.

O certo é que Cicero apareceu no final da tal reunião, que nada decidiu e a considerou espúria. E lá, por causa da manobra, teria atacado Hostins, segundo se testemunhou, qualificando por causa disso, Hostins de bandido devido à manobra que tentava.

Azedou-se tudo. E Hostins diz que vai até as últimas consequências para ver o Cicero punido pelo ato que o tipificou de falta de decoro parlamentar, no ambiente da CPI. Hostins, inclusive, quer a perda de mandato de Cícero. Exageros à parte, na verdade, o governo tenta desviar o foco da gravidade do que foi apurado e ao mesmo tempo busca uma punição aos vereadores que sustentaram a CPI. É da prática de governo, inclusive de forma transversa com a imprensa que cobriu o assunto. Acorda, Gaspar!

O Hospital de Gaspar sempre dando vexame

O paciente que ocupou a UTI provisória e temporária para Covid-19 não estava com a Covid

O Hospital de Gaspar - cujo dono ninguém sabe quem é, cheio de dívidas e que está metido numa cara, confusa e sem transparente intervenção municipal desde os tempos do governo petista de Pedro Celso Zuchi – anunciou na quinta-feira à tarde que, um homem de 61 anos foi o primeiro a ocupar um dos dez leitos que se aprontaram naquela semana da UTI - apesar de se ter noticiado que todos estavam prontos há duas semanas havia só nove até semana passada.

Ressalte-se que a UTI foi alugada e montada no Hospital de Gaspar para atender exclusiva e provisoriamente os pacientes daqui – e de Ilhota - com Covid 19.

No sábado, o Hospital de Gaspar corrigiu a informação de quinta-feira: o homem, que está doente, necessitando de cuidados especiais, internado na UTI de Covid-19, não tinha a Covid 19, segundo os testes e contra-testes realizados nele.

Ou seja, o doente foi internando na UTI sem que antes tivesse sido feito nele diagnóstico clinico da doença Covid-19. Presumiu-se que os sintomas dele, que fosse eles da tal Covid-19, e como tal aplicaram cuidados e tratamento clínico para a Covid-19, ou seja, a doença errada. Que coisa!

Com tanto histórico de diagnósticos confusos e errados, o Hospital de Gaspar não precisava acrescentar mais este na sua história. Esse é o resultado de quatro administrações que ele teve em cinco mandatários da secretaria de Saúde do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, em menos de três anos e meio. Sintomático.

E depois os políticos que o usam e dirigem o Hospital sob intervenção de políticos, além de culparem a imprensa por divulgar esses fatos, dizem não entender à falta de credibilidade do Hospital perante a população. Lá já entrou gente diagnosticada com simples dor abdominal e foi parar em UTI de outros hospitais da região correndo risco de morrer, quando não morreu lá próprio no Hospital, como registra a própria imprensa por, baseada em denúncias de parentes dos pacientes e mortos.

Como já escrevi várias vezes aqui, a desculpa que se dá reiteradamente de que os casos mal resolvidos e reclamados são devidos a falta de UTI no Hospital. São coisas bem distintas.

Uma UTI não vai salvar ninguém, se antes não houver mudanças sérias na gestão do Hospital de Gaspar e os diagnósticos clínicos se tornarem mais assertivos a partir do Pronto Atendimento e da Emergência, aliás, ele virou um ambulatório geral devido ao trabalho à meia boca feita pelos postinhos de saúde da prefeitura nos bairros de Gaspar.

E olha que o secretário interino de Saúde de Gaspar que não é médico, é advogado, Carlos Roberto Pereira, é o prefeito de fato e está lá pela segunda vez, pois já foi o titular da pasta. De verdade, é titular da toda poderosa da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, presidente do MDB de Gaspar, ex-coordenador de campanha do prefeito eleito, Kleber.

No fundo, o maior medo de todos os políticos no poder de plantão, é que esta UTI provisória feche antes das eleições e complique tudo para eles nos palanques, como complicou o fechamento do Hospital de Gaspar pelo Conselho, com o único intuito de reformá-lo fisicamente, na época em que o prefeito era Adilson Luiz Schmitt, MDB.

E para encerrar: a nota de sábado Hospital de Gaspar lavou, mais uma vez, a alma desta coluna e colunista: o que foi mesmo que eu escrevi na quarta-feira para ser publicada na edição impressa da coluna de sexta-feira do jornal Cruzeiro do Vale?

"Até o fechamento deste texto, a UTI emergencial do Hospital de Gaspar - que só esta semana completou o seu décimo leito - continuava esperando pacientes graves da Covid-19; o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, mantinha intacto o seu salário de R$27.356,69; os vereadores "ainda" analisavam se reduziam só por dois meses seus salários; e a máquina eleitoral de comissionados continuava a ser azeitada nas nomeações".

Ou seja. A nota da seção Trapiche estava corretíssima e não devia ter feito a emenda na sexta-feira na área de comentários. Acorda, Gaspar!

EM TEMPO: Depois que este artigo já estava no ar, o médico cardiologista, funcionário público, defensor da UTI do Hospital de Gaspar, vereador Silvio Cleffi, PP, pontuou que quem determina a internação na UTI de um doente é a regulação feita fora do Hospital. Ele está certo. O que ele não disse e eu pontuei isso a ele, é que esta decisão técnica, repito, técnica, só é tomada pela regulação depois que o médico, a equipe e o intensivista apresentam o quadro clínico do doente à regulação para decisão dela. Ou seja, e resumindo: a responsabilidade de internar ou não o paciente na UTI, nesses casos, continua sendo de quem está atendendo o doente. Havia, previamente, um diagnóstico de Covid. Silvio concordou comigo.

Amanhã a Câmara de Gaspar deve apreciar o adiamento do pagamento de alguns tributos municipais apurados entre março e maio. Boa, apesar do atraso. O projeto já está tramitando e foi retirado pelo governo Kleber

Dias atrás, o vereador Cícero, PL, mostrou que numa lei do prefeito de Indaial o município cobre os juros aos micro e empresários individuais que tomarem empréstimos locais e não atrasarem as prestações

Imediatamente à exposição da lei para que Gaspar fizesse o mesmo, o líder do prefeito, o micro empresário e vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, rechachou a iniciativa

E por que? Segundo Anhaia, havia uma queda de 60% na arrecadação municipal se comparada a janeiro deste ano. Mais uma vez, não é verdade. Ao menos nos números oficiais disponíveis. Mesmo assim, Cícero fez a indicação ao prefeito Kleber.


O vereador Cícero (à esquerda) sugeriu que os juros dos empréstimos para micro e empresários individuais, a exemplo de Indaial, nas agências de micro-crédito da cidade, fossem bancados pela prefeitura. O líder de Kleber, Anhaia (à direita), rechaçou a ideia diante da queda brutal de arrecadação que não comprovou

O que aconteceu em Indaial, do prefeito André Moser, PSDB? Micros ou empresários individuais que tomam empréstimos até R$10 mil e R$5 mil, respectivamente, nas redes de microcréditos da cidade e não atrasarem as prestações, os juros dessas operações serão pagos pela prefeitura daquela cidade.

Depois de aprovado na Câmara de lá e sancionado pelo prefeito de lá, essa vantagem passou a vigorar a partir de abril. É uma das formas encontradas para girar a economia dos pequenos de Indaial em meio a pandemia. O vereador Cícero Giovane Amaro, PL, também sugeriu que isso fosse feito por aqui como uma forma de realimentar a economia combalida pela Covid-19.

Estranhamente, na mesma sessão, o microempreendedor e líder do governo Francisco Solano Anhaia, MDB, rechaçou a ideia. E para isso, alegou que os cofres de Gaspar já estavam à míngua, apesar do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, não ter até agora mexido no seu alto salário, do vice, secretários, comissionados e nem diminuir a máquina política que mantém na prefeitura de Gaspar.

Anhaia não falou apenas em teses, como apresentou números que os tinha lá no início de maio: a arrecadação de Gaspar teria caído em torno 60%. Ou seja, algo desastroso para a cidade. Tanto que esse argumento depois que foi replicado aqui nesta coluna, não foi mais usado para nada pelos políticos do poder em plantão devido a incoerência que o alimenta.

Se verdadeiro, a primeira coisa deveria o governo Kleber, Luiz Carlos e principalmente de Carlos Roberto Pereira, propor e promover eram fortes cortes internos. Mas, ao contrário, como se tem lido no Diário Oficial dos Municípios – o que se esconde na internet e não tem horário para ser publicado – Kleber e os seus continuam é nomeando.

Na semana passada, entretanto, saíram número oficiais que desmoralizam o líder do governo, Anhaia na esperteza ou na desinformação dele sobre este assunto.

Em janeiro deste ano, a arrecadação bruta de Gaspar foi de R$5.885.847,02; em fevereiro R$5.707.186,57, em março R$5.328.742; em abril R$ 4.078.993,38 e até o dia 29 de maio, ela era de R$3.715.570,21. Estas quedas ainda deverão ser compensadas pelos repasses emergenciais aprovados pelo Congresso Nacional aos municípios, incluindo Gaspar, que numa primeira demonstração, girava em torno de R$1,9 milhão, também publicada aqui.

A queda da arrecadação em Gaspar é expressiva, não há como negar. Assim é em todos os municípios brasileiros. Contudo, não chega perto da anunciada de 60% pelo líder do governo Kleber. Se assim fosse, ela deveria se situar em torno R$2,3 milhões em maio. E mesmo não fechada totalmente a apuração do mês, ela é superior a R$3,7 milhões. Isto mostra que o governo fala muito, confia que ninguém saiba usar uma calculadora, que nada será percebido e age pouco para mitigar o pior que está por vir.

Se realmente existe este estudo para uma queda na arrecadação municipal em torno de 60%, quem deveria ser sofrer cortes imediatamente é a máquina de comissionados colocada lá para ser cabos eleitorais e seguradores de bandeiras de candidatos e partidos pelas esquinas em outubro deste ano. Uma máquina sustentada pelos pesados impostos dos cidadãos desempregados, empreendedores individuais, micro, médios e grandes empresários, Acorda, Gaspar!

A Secretaria de Assistência Social em Gaspar é um trampolim para a política e políticos. Por falta de alta complexidade, idoso em estado de vulnerabilidade vai se ‘abrigar’ no hospital

Não vou repetir, outra vez, a história de como a secretaria de Assistência Social é um cabide de empregos para comissionados e políticos atrás de votos no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Ela é bem conhecida dos gasparenses. Exemplos abundam, inclusive no Conselho Titular.

Basta olhar a trajetória dos seus dois ex-secretários titulares – Ernesto Hostin e Santiago Martin Navia - e como ela foi entregue, hoje, provisoriamente, ao procurador geral do município Felipe Juliano Braz.

Ele não é político ou possui no momento essas pretensões. Mas, por outro lado, Juliano. um faz de tudo no governo comandado por Carlos Roberto Pereira – a que já o substituiu na secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa - não entende nada do assunto, nem mesmo do complexo compêndio de normas que rege à área da Assistência Social, apesar da sua formação em Direito.

O que aconteceu na semana passada? O Hospital de Gaspar teve que abrigar um homem idoso, abandonado pela família. O caso foi dar no Ministério Público e que é parte do problema e resultados dessa secretaria. E por que? Porque Gaspar na área social não possui equipe de alta complexidade (tem um coordenador de alta complexidade, mas ele está almoxarifado da Assistência Social).

Para entender melhor. Gaspar possui apenas equipes de Proteção Básica e que são os denominados CRAS e os de Média Complexidade, os chamados de CREAS. E para os idosos é necessário a Alta Complexidade previsto no Sistema Único de Assistência Social – SUAS. E Gaspar não possui essa estrutura, eventualmente, terceiriza o acolhimento quando a situação se complica por aqui.

Contudo, na propaganda de governo Kleber, o idoso está no centro das atenções especiais. É um mundo maravilhoso. E até é, para quem tem uma estrutura familiar mínima, que cada vez fica mais fragilizada, diante das mudanças do comportamento social e composição de modelos familiares, com menos filhos, com mais familiares espaçados geograficamente ou empobrecidos, ou também idosos e com problemas assemelhados.

Em resumo. Na dura realidade dos idosos vulneráveis, abandonados pelas famílias, ou com outros problemas advindos da complexidade do tema que busca soluções, e que não são fáceis e baratas, este assunto passou bem longe em Gaspar até aqui, da secretaria de Assistência Social e do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, em seus três anos e meio de governo.

E por que? Não pelo caso da semana passada onde o Hospital pode servir de “refúgio” a um caso emergencial, mas pela falta de estrutura formal permanente para enfrentar à realidade.

É a falta dessa estrutura formal, os improvisos, o uso político eleitoral da área, quem denuncia o descaso do governo para com os idosos e principalmente para os idosos em situação de risco e que mais precisam de proteção governamental. Acorda, Gaspar!

PSL e patriotas montam lives. Descobrem tardiamente que a prefeitura de Gaspar é uma máquina de empregar cabos eleitorais. Entretanto, precisam cuidar melhor do que seus dirigentes estaduais arquitetam contra os planos dos partidos por aqui

PSL de Gaspar com Sérgio (à esquerda) e o Patriotas com Marciano (centro) correm atrás do tempo perdido. Faltam aos dois combinarem com o deputado Ricardo Alba, PSL (à direita)

O PSL de Gaspar, liderado pelo ex-funcionário público municipal em vias de se aposentar e sindicalista, ex-vereador e ex-candidato a vice-prefeito derrotado na chapa com o MDB, o evangélico, Sérgio Luiz Batista de Almeida e o presidente do Patriotas, o que já foi presidente do PSL de Gaspar, o corretor de imóveis, Marciano Silva, estão assustados com o desafio onde estão metidos: tomar no voto livre e consciente a administração da cidade.

Descobriram, tardiamente, que isso não será uma tarefa fácil. Pelo menos é isso que demonstram nas lives que fizeram e vão repeti-la nesta segunda-feira às 19h30min. Nela, prometem trazer o relator da CPI das supostas irregularidades da Rua Frei Solano, o vereador Cícero Giovano Amaro, PL. É, segundo eles, para debater o assunto e que foi amplamente detalhado nesta coluna por longas semanas seguidas.

Nas duas lives anteriores onde debateram problemas nacionais e locais, descobriram por exemplo, o que os leitores e leitoras desta coluna já sabiam há muito tempo: de que a prefeitura de Gaspar é uma máquina eleitoral bem estruturada a favor do poder de plantão.

Gaspar tem 2.151 servidores. Desses 70 são aposentados ou pensionistas do Preser, um Fundo de Pensão da Prefeitura e que foi extinto devido às dúvidas já em passado longínquo. Eles estão na folha de pagamento.

Entretanto o que chama a atenção são os 162 cargos comissionados de livre nomeação do prefeito e seus aliados e as 160 funções de estagiários que nem sempre seguem os critérios técnicos, mas de quem as indica.

Também nesta conta do PSL e Patriotas estão os aproximadamente 100 servidores com funções gratificadas. Eles, em tese, devem lealdade ao governo e se houver alguma dúvida quanto a isso, principalmente no âmbito político partidário, não está escrito, mas esta gratificação pode mudar de mãos para a melhor composição de “confiança”. Então...

E os empréstimos contraídos? O PSL e o Patriotas somaram mais de R$162 milhões nas contas que fizeram na lives oriundos de pesquisas em jornais. E a queda da arrecadação? Descobriram que ela caiu mais de 60% pela boca do próprio líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB, e que já desmenti aqui no comentário acima.

Mas, perguntar, não ofende, até porque ela já a fiz por aplicativo de mensagens aos autores: só agora perceberam isso?

Nada disso nasceu da noite para o dia. Agora, pode ser tarde demais. Servirá ao menos para reforçar o que já se sabe e por outros canais se esclarecer melhor a cidade e os cidadãos. Quem vai determinar à eleição próxima eleição – assunto que também tratei hoje - é exatamente essa máquina empregada na prefeitura. Ela vai ter que trabalhar para não perder o que conquistou, por isso não quer que a imprensa – como esta coluna - debate este assunto e consequentemente quer o eleitor mal informado. Como sempre.

O PSL de Gaspar, por outro lado - e já foi motivo de uma observação aqui há cinco meses, ou seja, não é assunto novo - devia era se preocupar com o movimento do deputado Ricardo Alba, de Blumenau, que já foi na sua curta trajetória política do DEM, PSDB, PP e PEN – e esconde isso do seu currículo.

Alba faz um movimento consistente de bastidores a favor de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e poderá colocar o PSL nessa aliança para outubro ou quando houver eleições, em troca da aproximação dos interesses e ações do governador Carlos Moisés da Silva, PSL, em Gaspar. Acorda, Gaspar!

Os prefeitos catarinenses sem votos, que administram mal suas cidades ou que não querem mudar os esquemas de poder e emprego de cabos eleitorais, querem mais dos anos de mandato para desistirem da reeleição

Na semana passada, a Federação Catarinense de Municípios, presidida pelo prefeito de Caçador, Saulo Sperotto, PSDB, iniciou e encorpou à sua campanha para provar que é perigoso para a saúde dos eleitores votarem em outubro deste ano e que o melhor mesmo é mudar tudo para outubro de 2022.

Escondem os prefeitos, políticos e a Fecam, que nesta manobra se refere à falta de votos ou má avaliação de muitos prefeitos e vereadores que estariam em busca da reeleição.

Ao impedir a renovação administrativas e legislativas nos municípios sob marotas desculpas da Covid-19 – alguns já envolvidos em dúvidas -, os políticos que não devolveram até mais os R$3 bilhões do Fundo Partidário para ajudar no combate a pandemia, prometem se tornarem fervorosos cabos eleitorais dos deputados e senadores em 2022 que lhes salvarem agora do naufrágio eleitoral.

O tiro dessa jogada, que não é simpática até o momento pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas ganha corpo no Câmara e no Senado - poderá sair pela culatra não contra os prefeitos, mas contra os próprios parlamentares que estão advogando a ideia a favor de seus prefeitos cabos eleitorais. Foi o que ouvi em “off” de um parlamentar que está esperando que tudo isso se resolva no âmbito do Judiciário.

Registra o press release da Fecam sobre a vídeo-conferência feita na sexta-feira passada com o Fórum Parlamentar Catarinense: “durante mais de duas horas, cerca de 140 gestores públicos municipais de todas as regiões do estado garantiram que essa decisão é a vontade da população há muito tempo e que agora, em meio à crise do Coronavírus, a medida se torna ainda mais urgente. Para os gestores, neste momento é impossível realizar um processo eleitoral democrático, especialmente em relação ao cumprimento dos prazos jurídicos estabelecidos pela Justiça Eleitoral”.

Para o presidente da Fecam, o prefeito Saulo Sperotto, a intenção não é proteger os prefeitos e vereadores, mas a população da pandemia. Alguém acredita nesse discurso, quando são os próprios prefeitos que fazem de tudo para retomar as atividades nos seus municípios para retomada econômica e empregabilidade? O discurso é para analfabetos, ignorantes, desinformados e espertos.

Por outro lado, durante o encontro, segundo a própria Fecam, os deputados e senadores – seus cabos eleitorais e representados naquele Fórum de sexta-feira, unanimemente se mostraram favoráveis à pretensão dos prefeitos.

A reunião pautada pela Fecam e coordenada pelo deputado federal, Daniel Freitas (PSL), presidente do Fórum, contou com a presença da vice-governadora Daniela Reinehr, dos senadores Dário Berger (MDB) e Jorginho Mello (PL), e dos deputados Darci de Matos (PSD), Celso Maldaner (MDB), Geovânia de Sá (PSDB), Carmen Zanotto (Cidadania), Pedro Uczai (PT), Ricardo Guidi (PSD), Luiz Armando Schroeder Reis (PSL) e a deputada estadual, líder do Governo na Alesc, Ana Paula da Silva (PDT), Paulinha. Ou seja, um arco político que vai da direita, passa pelo centro e vai até a esquerda radical. Ou seja, não tem santos neste movimento

Segundo o calendário eleitoral, a campanha começa em 16 de agosto, com primeiro turno em 4 de outubro e o segundo em 25 de outubro.

TRAPICHE

No último dos três pronunciamentos de “prestação de contas” que fez na volta à Câmara de Gaspar depois de quase três anos e meio dirigindo o Samae – e na tentativa de culpar o governo petista por aquilo que não conseguiu entregar à população, tudo, segundo Melato, porque o PT teria deixado sucateado a autarquia para Kleber, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, finalmente admitiu que saiu de lá e “deixou” problemas ainda sem soluções para a cidade.

O pronunciamento da terça-feira passada foi bem diferente e sereno em relação à valentia que Melato exibiu no primeiro discurso na tribuna quando se quis colocar como o rei da cocada preta neste assunto. Ele foi desmontado pelos petistas como Dionísio Luiz Bertoldi e Marlici Deschamps Rosa, então vice-prefeita de Pedro Celso Zuchi. O que piorou tudo? É que eu publicizei aqui a jogada de Melato. Inconformado, baixou a bola.

Entretanto, para Melato, os problemas que persistem no Samae e que ele em três anos e meio não conseguiu dar solução para a cidade são pontuais: como o do Bateias, Barracão, Óleo Grande, Santa Luzia, Belchior, Marquem Esquerda... Isso pode ser qualificado de pontual? Ai, ai, ai.

Por fim, Melato “presenteou” o vereador Dionísio com um “folder”. O documento de propaganda enumera as realizações da gestão dele à frente do Samae. “Aprendi a fazer isso quando trabalhei na iniciativa privada”, justificou.

Na verdade, trata-se uma peça de propaganda política feita com dinheiro público para ajudar o vereador conseguir o sétimo mandado. E pior. Melato entregou o folder à pessoa errada. Dionísio não é eleitor de Melato – apesar de já ter sido cabo eleitoral dele por duas vezes no passado.

Agora em defesa de Melato e de qualquer outro que passe por lá. Nos dias de hoje, é inadmissível que alguém por prevenção e o poder público, por responsabilidade, proteção dele e dos cidadãos, não tenha como norma exigir um reservatório mínimo (caixa d’água) nas residências e salas comerciais.

Um vídeo que se mostrou na terça-feira na Câmara, revelou que um é imprevidente (o consumidor) e outro incompetente (o governo) o qual não normatiza esse mínimo em favor da cidade e dos próprios cidadãos. Com tantas leis inúteis sobrando, uma necessária não se faz. E se já se fez, não se exige, fiscaliza e se pune.

As pertinentes reflexões do meu assíduo leitor nascido aqui no vale e de convívio pontual na adolescência, mas vizinho do Palácio do Planalto há anos, Miguel José Teixeira: Pesos & medidas: para o "Capitão zero-zero", a PF no "Laranjeiras" é colírio! Já a PF no "Laranjal", é pimenta brava!

Do mesmo Miguel: Ordens absurda não se cumprem. Pois é. . . o estafeta terrivelmente evangélico do Ministério da Justiça não acatou a ordem absurda do "capitão zero-zero". Advogou em defesa do estafeta do ministério do cristal e de outros laranjas. . .

Ainda de Miguel: Tempos & movimentos. Será que o General Mourão e o ex-Juiz Federal Sérgio Moro têm especialização em Administração Científica? Resposta para o Fabrício Queiroz, cujo paradeiro é ignorado, mas que, todos nós sabemos quem sabe onde ele se encontra . . .

Jornalismo que se diz série, investigativo e independente acaba de se equiparar às contas de manipuladores das redes sociais e os espalhadores de notícias falsas (fake news) pelos aplicativos de mensagens.

É triste ver veículos como Globo, SBT, Band e até CNN comparar os números de mortos pelo Covid-19 do Brasil, com imprensa livre e sob ataque dos grupos ideológicos, um pais que possui dados abertos e principalmente auditáveis com os de países como China, Irã, Iraque, Rússia, Cuba, Venezuela onde não há imprensa ou é ela do estado, quando os dados são manipulados, censurados e controlados pelo governo e regimes autoritários. É de se assustar.

Essa comparação retira à autoridade do jornalismo e da imprensa dita como livre e profissional. Os dados devem ser comparados? Sim, mas com países como Itália, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Japão, Austrália, Canadá, Coreia do Sul entre outros. No mínimo. E por que? Devido à transparência dos organismos e governos desses países, bem como da atuação investigativa da imprensa.

Há empresário e conhecido dos gasparenses que financiou impulsionamentos de mídias sociais e principalmente aplicativos de mensagens durante a campanha de Jair Messias Bolsonaro, hoje sem partido, mas na época no PSL e que agora está muito preocupado.

Percebeu, um pouco tardiamente, que o buraco é mais embaixo. O que era quase uma brincadeira entre amigos para mudar o que não se aguentava mais nas sacanagens dos instalados no poder de plantão e nos partidos tradicionais, pode virar um problemão para ele empresário.

No fundo, o empresário financiou também uma máquina de ódio que não parou mais, mesmo depois da vitória de Bolsonaro com a desculpa de mantê-lo no poder. Esse tipo de máquina vive desestabilizando as instituições e expondo reputações de que não é gado dessa gente.

Isso vai enfraquecer a causa, a direita, o conservadorismo, a recuperação econômica e social – agravada substancialmente pela Covid - e atrasar o Brasil. Por outro lado, e apesar dos duros sacrifícios que atingem os mais pobres e essa gente não enxerga isso, pessoalmente acho que tudo isso é salutar, como foi o governo do PT. Com ele no poder se descobriu seus métodos e mal que causou aos brasileiros e ao país. Wake up, Brazil!

O vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, relator geral do Projeto de Resolução de autoria de Roberto Procópio de Souza, PDT, está inconformado com esta coluna e com os membros da comissão de Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação.

É que o Projeto de Resolução que reduz em 20% os salários por apenas dois meses, está parado na comissão onde o próprio Roberto é o presidente e nela com maioria governista estão ainda os vereadores Franciele Daiane Back, PSDB, Francisco Hostins, MDB, além de Rui Carlos Deschamps e o próprio Dionísio, ambos do PT.

“Eu já dei o meu parecer favorável à redução. É a Comissão que está enrolando”. Realmente, o assunto se adia por quase dois meses alimentado por suposta inconstitucionalidade, mesmo sendo o autor um advogado. “Não só os vereadores que não querem. Eu quero. Tem outros que querem”.

Dionísio está certo. Os vereadores que são contra esse projeto e se escudam numa suposta inconstitucionalidade baseado no regimento interno que não permite a redução de seus ganhos, não conseguiram enxergar que isso foi possível em outros parlamentos, que a situação é excepcional e exige coragem, liderança e excepcionalidade diante da grave crise de empregabilidade, renda, social e econômica da cidade e da população em geral.

O que está por detrás disso tudo e já expliquei em colunas anteriores aos meus leitores e leitoras. A boa ideia de Roberto Procópio de Souza, PDT, um em ex-ferrenho oposicionista de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e hoje o seu maior aliado por conta da ocupação de cargos do partido dele na estrutura de governo, foi um ato isolado e provocou ciúme nos demais vereadores. Se aprovado, ele terá o discurso e os demais à obrigação de ter os bolsos diminuídos.

A outra, é que se a Câmara de Gaspar tiver aprovado este gesto proposto por um “aliado”, Kleber fica obrigado a olhar para o seu alto salário R$27.356,69 - um dos mais altos de Santa Catarina - e que vem resistindo a diminuí-lo como gesto simbólico de sacrifício com os cidadãos da sua cidade afetados pela pandemia, bem como pela diminuição de arrecadação da prefeitura para fazer frente às necessidades primárias.

Se Dionísio tem razão em reclamar que não são os vereadores de Gaspar, mas uma suposta maioria que apoia Kleber, também não está claro que é esta minoria que é a favor do projeto. Ora se o autor votar na comissão a favor da matéria, ela irá a plenário. E no plenário se o autor, o vereador Procópio, votar a favor da sua própria proposta, obriga, o presidente Ciro André Quintino, MDB, sair da confortável posição que está em cima do mudo neste assunto. Acorda, Gaspar!

Fotos falam mais do que textos. Isto é em frente do prédio administrativo da prefeitura de Gaspar, todos os dias, a todo momento. E a Ditran...

 

 

Comentários

Miguel José Teixeira
04/06/2020 19:21
Senhores,

Só para PenTelhar:

"E o Lula, hein?
(Brasília-DF, Caderno Política do CB, hoje)

A contar pelas afirmações de Lula (foto*), o PT só entrará em qualquer movimento democrático se puder liderar o processo. Os demais partidos, entretanto, têm dúvidas sobre essa liderança e discordam da narrativa de que tudo o que se passou com o ex-presidente foi perseguição política.

Huuummm. . .O ex e futuro presidiário lula ainda não se deu conta que o centrão, que fazia parte da sua quadrilha, está agora, sob à caneta do "cavalão".

(foto*) Na foto, o maldito está com um livro(**) nas mãos fazendo de conta que está lendo. . .

(**) "1822 é um livro escrito por Laurentino Gomes, editado no Brasil pela Editora Nova Fronteira e em Portugal pela Porto Editora com um título: 1822 ?" Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil ?" um país que tinha tudo para não resultar."

Então pergunto:

1( ) lula se imagina no papel do homem sábio?
2( ) lula se imagina no papel da princesa triste?
3( ) lula se imagina no papel do escocês louco por dinheiro? Ou
4( ) lula se imagina o D. Pedro?

Respostas para o "astro" zédeabreu que deixou a Globo e vai tentar a carreira internacional fazendo novelinhas mexicanas. Periga dar certo!
Herculano
04/06/2020 12:47
O BRASIL NÃO É PARA AMADORES

Os 600 Reais para os carentes foram pagos para presidiários que estão nas cadeias, bandidos de todos os tipos soltos, para gente que não precisa dessa ajuda feita dos pesados impostos de todos - inclusive dos desempregados, doentes e falidos -, para gente que usou a documentação de famosos com o único propósito de desmoralizar os famosos e o sistema de controle do governo, mas os pobres, os desvalidos de verdade, continuam na fila.

Estão esperando que seus cadastros sejam aceitos como cidadãos que realmente precisam ou estão incluídos nos parâmetros definidos como eleitos para receberem os 600 Reais.

Meu Deus!
Herculano
04/06/2020 12:27
da série: bagaça

ESPIõES DE HELENO NÃO VIRAM ELEFANTE DO CENTRÃO, por Josias de Souza, no UOL

Desde que Jair Bolsonaro começou a deslizar para o colo do centrão, esperava-se pelo pior. Mas não se imaginava que o alarme soaria tão cedo. O vexame da nomeação, posse e demissão do presidente do Banco do Nordeste em menos de 24 horas ficará gravado na crônica do desgoverno como um aviso sobre os riscos a que estão novamente submetidos os cofres da República.

Descobriu-se que Alexandre Cabral, o escolhido do centrão, carrega atrás de si o rastro pegajoso de suspeitas de irregularidades que lhe são atribuídas desde a época em que presidiu a Casa da Moeda (2016 a 2019). A coisa está sob apuração no TCU, que estimou o prejuízo em cerca de R$ 2 bilhões. Um detalhe adicionou dose extra de constrangimento ao que já era espantoso.

Embora se vanglorie de submeter os currículos que lhe chegam por indicação política a um pente-fino da Abin, o Planalto tomou conhecimento das suspeitas levantadas pelo TCU por meio de notícia do Estadão - indício de que Bolsonaro tinha razão quando apontou, na reunião ministerial de 22 de abril, a ineficiência dos serviços de inteligência do seu governo.

"A gente não pode viver sem informação", ralhou o presidente. "Quem é que nunca ficou atrás da porta ouvindo o que o seu filho ou a sua filha tá comentando? Depois que ela engravida não adiante falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era."

No caso do Banco do Nordeste, a equipe de espiões do general Augusto Heleno (GSI), superior hierárquico da Abin, esqueceu de encostar a orelha na porta do centrão. Crítico contumaz dos outros Poderes, Heleno convive com espiões que não conseguem enxergar um elefante do centrão.

'Bolsonaro pode alegar que precisa conviver com o centrão por instinto de sobrevivência. Ou por uma noção míope de esperteza política. Mas ir atrás do centrão, cortejar o centrão, entregar a viabilidade do seu mandato às conveniências do centrão sem vigiar a manada do centrão é um prenúncio de desastre.

Mas há males que vêm para pior. Alexandre Cabral, o breve, fora indicado numa parceria de dois partidos controlados por mensaleiros: o PTB de Roberto Jefferson e o PL de Valdemar Costa Neto. Consumada a escolha, Valdemar torceu o nariz. Preferia outro prontuário. O enrosco deu a Valdemar a oportunidade de levar a Bolsonaro um novo azar, com uma tromba mais ajustada aos seus interesses.
Herculano
04/06/2020 12:25
INTERVENÇÃO SOB ENCOMENDA, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente busca conflitos para justificar uma intervenção das Forças Armadas sob encomenda.

Jair Bolsonaro busca uma intervenção militar sob encomenda. Em menos de um ano e meio, o presidente e seus aliados ameaçaram chamar as Forças Armadas ao menos sete vezes para reprimir opositores e intimidar críticos do governo.

Ainda em outubro, ele disse enxergar perigo nos protestos que aconteciam no Chile e afirmou que havia conversado com o ministro da Defesa sobre a possibilidade de convocar os militares em caso de manifestações por aqui. "A gente se prepara para usar o artigo 142, que é pela manutenção da lei e da ordem."

O Brasil não viu uma fagulha do que ocorreu em Santiago, mas o comportamento incendiário permaneceu. Dias depois, Eduardo Bolsonaro disse que o governo poderia repetir medidas de exceção da ditadura caso a esquerda adotasse uma postura considerada radical. No mês seguinte, foi Paulo Guedes quem falou no risco de um novo AI-5.

Na época, Bolsonaro enviou ao Congresso um projeto que isentaria militares de punições nas operações de garantia da lei e da ordem, o que se aplicaria à repressão a protestos. A proposta acabou engavetada.

Bolsonaro voltou a agitar essa bandeira na reunião ministerial de 22 de abril: "Qualquer dos Poderes pode pedir às Forças Armadas que intervenham para reestabelecer a ordem". Depois, cobrou ação do Ministério da Defesa para enfrentar o que chamou de contragolpe de seus rivais.

O assunto voltou nas últimas semanas, quando Eduardo propôs acionar as Forças Armadas para pôr "um pano quente" nos embates entre o Planalto e o STF ?"a favor do governo, é claro. Foi seguido pelo pai, que divulgou um vídeo que defendia essa hipótese, um dia depois.

O presidente continua à procura de conflitos. Nesta quarta (3), ele citou o uso da força para reprimir protestos e chamou de terroristas os manifestantes que foram às ruas contra o governo nos últimos dias. Foi o mesmo termo que ele empregou no ano passado, quando apresentou a proposta que protegeria militares durante operações dessa natureza.
Herculano
04/06/2020 12:23
POUCAS BOA NOVAS NO MAR DA CRISE, por Míriam Leitão, no jornal O Globo

Há algumas notícias favoráveis, e fatos positivos, como a mobilização de pessoas e firmas, mas o governo Bolsonaro aposta na crise.

A energia solar ultrapassou a soma da potência instalada das usinas nuclear e a carvão. As indústrias farmacêuticas e de alimentos conseguiram se manter em abril e fechar o mês com produção maior do que março. O dólar, que estava em R$ 5,93 em 14 de maio, chegou ontem a R$ 5,05, queda de 14,8% pela taxa Ptax. É possível encontrar algumas boas novas, mas o avanço do coronavírus continua matando brasileiros, os prefeitos e governadores começam a liberar atividades, alguns com mais cautela, outros de forma impensada, e os infectologistas avisam que ainda é cedo demais.

No mar da nossa crise não há apenas o coronavírus. O governo em si é um problema. Diariamente o presidente cria um estresse com alguém ou alguma instituição. Se fossem só implicâncias, seria possível tolerar, ainda que o normal seria que o executivo fizesse seu papel de coordenar o país para a superação da pandemia. O governo Bolsonaro falhou flagrantemente. Além disso, trouxe de volta para a vida nacional fantasmas exorcizados há décadas. O país se pôs a discutir o significado de um artigo da Constituição, promulgada há 32 anos. O Ministério da Defesa soltou notas sequenciais para dizer que as Forças Armadas são democráticas. Brasileiros se juntam em manifestos pelo Estado de Direito. Como se fosse pouco o nosso padecimento, o governo Bolsonaro levanta o espectro do autoritarismo.

Na economia, ontem foi um dia de comemorações. Há uma interpretação de que o retorno das atividades na Europa está ocorrendo de forma mais rápida do que o imaginado. Ontem, em um seminário online da Febraban, o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, presidente do conselho do Credit Suisse, explicou o clima positivo no mercado como resultado de eventos externos. "Em vários dos países observamos quedas dos casos, contágio e óbitos". Esclareceu, contudo, que não subscrevia totalmente esse otimismo.

- Estamos no Brasil, não saímos ainda. Não debelamos o aumento dos casos. Tem planos de retorno, mas não fizemos o dever de casa. Estamos pagando o custo de sustentar esse período difícil. E isso num país com dívida alta e espaço fiscal pequeno ?" disse Ilan, lembrando que também não houve melhora aqui nos "conflitos institucionais".

Para Ilan, quem decide a recuperação da economia é o vírus, e a capacidade do Brasil de debelar esse vírus mortal:

- É isso que vai permitir sair com tranquilidade para consumir, passear, e o produtor voltar a produzir.

A produção industrial de abril teve um tombo de 18,8% em relação a março, a pior queda em 18 anos, no início da série. Foi até considerado positivo, por incrível que pareça. Primeiro, porque havia uma dispersão enorme de previsões, todas piores, que iam de 20% a 45%. A queda foi menor do que a mediana das projeções, que estava em 32%. Segundo, porque houve setores que conseguiram ter resultado positivo, como a indústria alimentícia, que teve alta de 3,3%, e a indústria farmacêutica, com 6,6% positivo.

Como se viu na divulgação do PIB, o agronegócio continua forte, aumentando as exportações. E, ao contrário do que pensa Ricardo Salles, não é aproveitando a distração da imprensa para passar a boiada. O agro que exporta sabe que tem que seguir as normas ambientais e sanitárias se quiser continuar no mercado internacional.

Um levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) mostrou que a potência total instalada da fonte - se forem somadas as grandes usinas solares e os pequenos sistemas instalados em residências, comércio, indústrias, produtores rurais e prédios públicos - chegou a 5.764 MW. Se forem somadas as usinas mais poluentes, as que usam carvão, com as usinas nucleares, chega-se a 5.587 MW. No meio da crise que atingiu violentamente o setor de energia, o sol brilha.

O Brasil poderia estar pegando as poucas boas novas e implantando um plano de retomada, com segurança e, quando fosse possível, das atividades da economia. Poderia aproveitar a onda de solidariedade das empresas e a mobilização das pessoas para construir o impulso necessário para a superação.

Mas o país, machucado pela pandemia e abalado pela crise econômica, tem que revisitar batalhas que já venceu, defender valores que já consagrou, rediscutir o que está pactuado há três décadas. O governo abriu o baú dos horrores para lembrar que tudo sempre pode piorar. Que mesmo a democracia não está garantida.
Herculano
04/06/2020 12:21
da série: não tem jeito, ou seja, o que se rotula ser esquerda ou ser a direita no Brasil, como bem registra o leitor Miguel José Teixeira, de Brasília, sobrevivem do mesmo cacoete, ou seja, à esperteza, à dúvida, à falta de coerência com os seus discursos de candidatos e transparência falsa.

ATO DE WITZEL TEM CHEIRO DE ARBITRARIEDADE, A MESMA QUE JÁ O BENEFICIOU, por Reinaldo Azevedo, no UOL

Que as coisas caminharam pelo pior na construção dos hospitais de campanha do Rio de Janeiro... bem, não há como duvidar. Dos sete prometidos, que um dia foram nove, só um funciona. E, ainda assim, sem plenas condições de atendimento.

O governador Wilson Witzel assinou um decreto nesta quarta que afasta o Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde) do comando dos hospitais móveis. A Fundação Estadual de Saúde vai assumir a gestão dos espaços. Em meio à tragédia abismal do coronavírus, há lances de um ridículo tragicômico. Em um dos descalabros protagonizados pelo Iabas, respiradores, previstos no contrato, foram substituídos por mesas de anestesia.

Mais: o ex-subscretário de Saúde Gabriell Neves, preso sob acusação de superfaturamento na compra de respiradores, diz que cumpria ordens superiores. Vamos ver.

Uma coisa é certa: os dados de posse da Procuradoria Geral da República, que motivaram o mandado de busca e apreensão em endereços do governador e o recolhimento do seu celular são de uma fragilidade assombrosa. Entendam: NÃO ESTOU AFIRMANDO QUE NÃO HOUVE IRREGULARIDADE. Estou dizendo que aquilo de que dispunha a PGR não era suficiente para motivar aquele tipo de operação - ainda que autorizada pela Justiça.

Por enquanto, nem mesmo se tem uma acusação direta contra o governador ou alguém que diga ter atuado em parceria com Witzel em alguma lambança. TRATOU-SE DO CLÁSSICO "VAMOS MANDAR COLHER O MATERIAL PARA VER SE ACHAMOS ALGUMA COISA". OU POR OUTRA: NÃO SE INVESTIGA A PARTIR DE UM INDÍCIO, MAS SE ABRE A INVESTIGAÇÃO EM BUSCA DO INDÍCIO.

É claro que não é assim que se faz na democracia.

O PRóPRIO REMÉDIO

Pois é.. Witzel, um ex-juiz federal, enfrenta um procedimento claramente heterodoxo. Mas já foi um beneficiário de patranha execrável.

No dia 4 de outubro de 2018, Alexandre Pinto, secretário de Obras do Rio quando Eduardo Paes era prefeito, afirmou, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, que o ex-prefeito - então candidato ao governo do Estado ?" havia recebido propina da Odebrecht. Atenção! Em dois depoimentos anteriores, ele já havia negado o envolvimento de Paes com atos irregulares. Mais: em delação premiada, diretores da empreiteira negaram, com depoimentos devidamente gravados, que o ex-prefeito tivesse recebido propina.

E o que fez Bretas, que era amigão de Witzel? Tornou público o depoimento de Pinto a três dias da eleição. E, claro!, o troço caiu como uma bomba na campanha de Paes, beneficiando, por óbvio, o agora governador.

Witzel, pois, foi um beneficiário de uma ação absolutamente heterodoxa do juiz. E, por óbvio, as provas contra Paes nunca apareceram. Antes caçador, o governador agora se vê no papel de caça.

Será que eu digo um "dane-se!"? Não. Lamento a miséria do estado de direito no país e do devido processo legal.

Pouco depois da posse de Witzel, o governador e o juiz posavam para foto de mãos entrelaçadas.

Nota final: Bretas e Witzel estão distantes. O juiz segue fanaticamente bolsonarista e não perde a chance de deixar claro que é "terrivelmente evangélico". Chegou a fazer parte de uma comitiva de autoridades que recebeu Bolsonaro no Rio, ainda na pista de pouso.

Sonha com uma vaga no Supremo.

Eis flagrantes da tal "nova política"...
Miguel José Teixeira
04/06/2020 10:54
Senhores,

Segundo a Jornalista Andrea Sadi, no G1:

"Preocupado com ações na Justiça, Bolsonaro agora busca ponte com ministros do TSE"

Huuummm. . .

Parece-me que as "armas da democracia" que o "cavalão", em discurso, alegou possuir, eram de brinquedo!

E pelo visto, assim como no STF, no TSE "cavalão" também não tem estafetas.

Amém!
Miguel José Teixeira
04/06/2020 08:54
Senhores,

Recapitulando!

O então deputado federal "porra-louca" jair bolsonaro era amigo do então deputado federal extremamente suspeito alberto fraga.
Ambos do baixo clero e assim se tratavam:
jair chamava fraga de "pancrácio" e
fraga chamava jair de "cavalão".

Tudo dominado!

"Cavalão" vai nomear "pancrácio" para ser o estafeta do ministério da segurança pública à ser desmembrado do MiJu.

"Pancrácio" indicou ao "cavalão", augusto aras para ser o estafeta da PGR.

Pizzas & Pizzaiolos!

Aras já esta sendo chamado de "Pizzaiolo Geral da República".

Suas pizzas são indigestas.

Além disso, já revelou que está disposto a cumprir ordens absurdas, contrariando o "cavalão" que disse que "ordens absurdas não se cumprem". . .

Ah! E o "pancrácio"?

Bom. . .por questões de segurança pública eu não compraria um carro usado dêle.
Herculano
04/06/2020 08:07
LULAS LÁ, MOVIMENTOS AQUI, por Roberto Dias, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Ausências de Lula e de Moro dos manifestos podem ter efeitos muito diferentes

No mês decisivo da campanha eleitoral de 2002, The Economist estampou a capa "The meaning of Lula" (o significado de Lula). No editorial, lia-se: "A primeira coisa a dizer é que a vitória será um triunfo para a democracia brasileira".

A revista estava certa, e isso independia, como ela mesmo prova, de concordar com Lula. Ele foi eleito e reeleito, deixou o governo com 83% de aprovação e fez a sucessora.

Mas o petista envelheceu muito mal. Foi preso por corrupção e tentou sem sucesso rasgar a Lei da Ficha Limpa, assinada há exatos dez anos por ele mesmo. O interesse pessoal de seus cálculos políticos mais e mais salta aos olhos.

Recusou-se a aderir ao manifesto da oposição por impeachment, executando gesto isolado três semanas depois. A seguir escorregou na língua ao exaltar o coronavírus. Agora recusa-se a apoiar os movimentos que brotam na sociedade.

O comando do PT quer se aliar só a quem acha que Lula foi um preso político, não um político preso. Parece não haver tanta gente assim disposta a mudar de opinião sobre a Lava Jato para ter o rebanho lulista do lado. Na última vez que o Datafolha perguntou a opinião dos brasileiros, no fim do ano passado, já após a Vaza Jato, o resultado foi de apoio esmagador: 81% queriam que a operação continuasse.

Na mesma pesquisa, o instituto comparou algumas figuras públicas. A que teve o maior índice de alta confiança foi o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, com 33%. Lula ficou em 30%. Por isso, soa inacreditável que uma parte dos integrantes dos movimentos nascentes na sociedade diga não aceitar o ex-ministro Moro entre os signatários.

Os 14 anos do PT deixaram obviamente muitos legados, bons e ruins. Entre os últimos, um país profundamente dividido e intolerante. Nesse sentido, a ausência de Lula pode até acabar fazendo bem aos manifestos. Já a ausência da direita que navega com Moro é capaz de ferir de morte tais movimentos.
Herculano
04/06/2020 08:04
da série: estava na cara

INTERNAÇõES POR ACIDENTES DE TRÂNSITO NO PAÍS AUMENTAM
18% EM UM ANO

Conteúdo da Rádio CBN SP. Especialistas ouvidos pela CBN atribuem o aumento dos acidentes de 2018 para 2019 à retirada dos radares móveis das estradas pelo presidente Jair Bolsonaro. Entre as vítimas, a maioria é de motociclistas, que representam 60% das internações.

RETOMO

Em Gaspar, os vereadores, sessão sim, outra também, vivem pedindo lombadas de todos os tipos como meio para impedir a alta velocidade e imprudência em ruas urbanas do Centro e principalmente bairros.

Se isso, não fosse a solução, qual a razão desses pedidos? E quem pede não é propriamente o vereador, mas o representante de comunidades expostas ao perigo. Só Jair Messias Bolsonaro, sem partido, para proteger uma categoria de apoiadores, os caminhoneiros, preferiu liberar a prevenção e a punição a este tipo de infração, retirando os radares eletrônicos fixos e restringindo a ação dos móveis nas rodovias federais.
Herculano
04/06/2020 07:48
JOSÉ DE ABREU FORA DA GLOBO

Conteúdo de O Antagonista. A TV Globo finalmente se livrou de José de Abreu.

Ele anunciou sua saída durante uma live com o ex-presidiário Lula.

Perfeito.
Herculano
04/06/2020 07:44
ESQUERDA PODE ATROPELAR LULA, por Mariliz Pereira Jorge, no jornal Folha de S. Paulo

Não me parece democrático enxergar democracia apenas quando se é protagonista
A duas semanas das eleições, em 2018, escrevi neste espaço que um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad nos garantiria mais quatro anos do clima de ódio que já reinava no país. Bingo.

Lula, pelo que parece, quer dobrar a meta e nos dar um bônus até 2026 ao desdenhar de uma frente ampla e democrática, que ensaia se formar contra Bolsonaro. Como fica cada vez mais claro, para o ex-presidente, ninguém é democrata ou democrata suficiente se não falar amém e se não topar ser coadjuvante de qualquer coisa encabeçada pelo PT. Eu conto ou vocês contam?

Ok, vamos lá. Tanto Lula, quanto essa esquerda embolorada, precisa acordar para a vida, parar de ignorar o peso do antipetismo - que não diminuiu mesmo diante do pesadelo em que vivemos, oxigenar um movimento que pode enfraquecer esse presidente golpista e, se for necessário, ceder espaço a quem tiver mais chance de derrotar Bolsonaro nas urnas. Nem que seja o Macaco Tião.

É cedo para dizer se o apreço pela democracia será maior do que as diferenças ideológicas para que a união ganhe força e se prolifere pelo país. Parar de chamar o coleguinha de antidemocrático, como fazem Lula e parte da esquerda, talvez seja um bom começo.

Não me parece democrático enxergar democracia apenas quando se é protagonista e colar o selo "fascista" em todas as pessoas que rezam por meio de ideologias posicionadas a um palmo da, adivinhe, esquerda. Centro-esquerda, liberais, sociais-democratas, conservadores? Todos fascistas.

Ou Lula muda de postura e ajuda a converter esse pessoal que tem nojinho do pensamento diverso, ou pode ser atropelado, inclusive por uma ala da esquerda mais jovem e mais conectada com a mudança dos ventos e com a necessidade urgente de combater quem é de fato antidemocrático: Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Talvez isso já esteja acontecendo.
Herculano
04/06/2020 07:41
AMBRóSIO

A nota publicada sobre um suposto incidente no pátio de apreensão de veículos de Gaspar, tem o IP de origem registrado com 172.68.24.67. Ele é do provedor Clouflare, INC, estabelecido em Dallas, no Texas, nos Estados Unidos.

Ou seja, a nota foi feita intencionalmente, por profissionais ligados a crimes cibernéticos e com objetivo político duplo: atingir alguém, escondendo-se para não ser pego na intenção maliciosa. Acorda, Gaspar!
Herculano
04/06/2020 07:34
CURADOS JÁ SUPERAM INFECTADOS PELO CORONAVÍRUS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

O número de pessoas que venceram a batalha contra o coronavírus já supera o total de casos ativos no mundo, marcando uma virada na pandemia. O portal Worldometer, que monitora a doença no planeta, já registra 3,1 milhões de curados e 3 milhões de infectados. O marco só não foi atingido antes porque Espanha e Reino Unido, países entre os cinco mais atingidos, não disponibilizaram seus números de curados.

MENOS MORTES

O número de mortes também apresenta tendência forte de queda e os novos óbitos caíram, em média, pela metade desde o dia 17 de abril.

BOA NOVA

O Brasil, que ainda está no pico de contágio, teve mais de 40 mil curas registradas nos últimos dois dias, superando o número de novos casos.

MELHOR AINDA

O bom relacionamento com o Reino Unido possibilitou que o Brasil seja um dos países a testar a vacina criada na Universidade de Oxford.

FRAGA PODE SER DEFINIDO NOVO MINISTRO NESTA QUINTA

O ex-deputado Alberto Fraga pode ser definido como novo ministro do governo Bolsonaro ainda nesta quinta (4), durante reunião do presidente com o deputado Capitão Augusto (PSL-SP), coordenador da bancada de Segurança Pública na Câmara. Bolsonaro decidiu dividir novamente o Ministério da Justiça para recriar a pasta de Segurança Pública, solução muito elogiada por seus resultados, durante o governo Michel Temer.

APOIO IMPORTANTE

Capitão Augusto apoiaria a indicação de Fraga, coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal e amigo pessoal do presidente.

CONTRA ESPECULAÇõES

O próprio presidente afirmou que definirá logo o ministro, para evitar especulações, e anunciou a reunião com o deputado paulista.

MUDOU A LóGICA

No governo Temer, o Ministério da Segurança Pública destinou grande volume de recursos aos Estados, promovendo redução da criminalidade.

Só ELOGIOS

O embaixador britânico Vijay Rangarajan anunciou a parceria e rasgou elogios à atuação do general e ministro Eduardo Pazuelo (Saúde).

FAKE NEWS NO NYT

Fake news no New York Times de ontem diz que Jair Bolsonaro "busca agressivamente o desenvolvimento na Amazônia, incluindo mineração e agricultura em larga escala". O autor, Henry Fountein, ignorante no assunto, não sabe que terras da floresta não se prestam à agricultura.

AGORA É TARDE

Só agora, após os danos à imagem do Brasil, Mikaela Weisse, da ONG Global Forest Watch, diz que que as queimadas de 2019 "contribuíram relativamente pouco para a perda total de florestas primárias no Brasil".

O 'VELHO' VIROU PASSADO

O pé-atrás de Lula em relação ao grupo "pró-democracia", que usa preto e agride adversários, como os "camisas negras" na Itália fascista, mostra que o "Velho", como o chamam, não sabia que o grupo é obra do PT.

MÁSCARAS E LUVAS

Depois das máscaras de proteção contra o covid-19, agora é a vez de as luvas ganharem atenção na Câmara. O deputado Marco Feliciano chamou atenção usando um par de luvas pretas na sessão dessa quarta.

LAVAR AS MÃOS É PRECISO

A Caesb estatal de saneamento do DF, vai distribuir sabonetes e sabão em barra arrecadados em campanha solidária para famílias do DF em situação vulnerável. Serão 12 mil itens de higiene.

DERZI DE VOLTA

Após gestão positiva na Sudeco, Marcos Derzi assumirá a presidência da Fundação Estadual do Trabalho do governo de Mato Grosso do Sul, com olhos voltados para criação de vagas de trabalho em tempos de covid.

CUSTO É DAS EMPRESAS

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo estima em R$2 bilhões por mês o custo dos itens mínimos de higiene requeridos pelo Plano SP, a "reabertura" de João Doria.

EMPRESA DO DF

O grupo Sabin, um dos maiores de medicina diagnóstica e todo gerido por mulheres, iniciou campanha para estimular mulheres a denunciar a violência doméstica, que chegou a subir 45% durante a pandemia.

PENSANDO BEM...

...o uso da cloroquina só é debate para quem não usa.
Herculano
04/06/2020 07:16
O QUE DESEJAMOS PUNIR NA INTERNET? por Fernando Schüler
Professor do Insper e curador do projeto Fronteiras do Pensamento, no jornal Folha de S. Paulo.

Falta de clareza sobre o que é crime e o que é liberdade de expressão pode nos levar a fragilizar direitos que não deveríamos relativizar

Fake news não é crime, no Brasil. Me surpreendi com a quantidade de pessoas escrevendo, em relação ao inquérito conduzido pelo Supremo, coisas do tipo "então pode sair mentindo por aí?". De um ministro do Supremo escutei que era preciso separar fatos de opiniões.

A preocupação das pessoas em relação a essas coisas é perfeitamente legítima. O mesmo vale para o discurso de ódio.

Não foram poucas as pessoas que li dizendo coisas do tipo "então vale ofender, atacar instituições, dizer qualquer coisa?". É crime um deputado dizer, como consta do despacho do ministro Alexandre de Moraes, que o Supremo tem "atacado o Estado de Direito e a vontade popular"?

Seria crime, na mesma linha, associar o governo ao "nazismo" e dizer que o grupo que está no poder deseja implantar uma "abjeta ditadura militar"?

Essas perguntas incomodam porque mexem com a paixão política, um tipo de mal contra o qual, depois de um bom tempo lendo sobre política, desconheço remédio eficaz.


No caso da acusação feita pelo decano do Supremo, sugeri um exercício filosófico bastante simples: imaginar a mesma frase em sentido invertido. O presidente dizendo uma coisa dessas sobre a Suprema Corte ou algum de seus ministros. Como as pessoas reagiriam?

O exercício é um tipo de "véu da ignorância", em que se define a regra do jogo sem saber a posição que cada um ocupa no próprio jogo. Ele é filosoficamente interessante, mas em geral inútil no mundo da política, onde a graça é brincar de ser o dono da verdade.

São essas coisas que incomodam no projeto que tramita no Congresso, disciplinando o tema das fake news. E que talvez tenham levado ao recuo na votação que ocorreria no Senado nesta semana. O projeto define "desinformação" como algo "inequivocamente falso" ou posto "fora de contexto".

Quando li isto me pus a fazer perguntas. "A Previdência é deficitária?", perguntei a dois interlocutores. Um deles riu e disse que era um fato evidente. O outro lembrou que uma comissão do Senado havia chegado a conclusão oposta.

A lei sugere que situações como esta nos levariam a recorrer às "agências verificadoras de fatos independentes". E completa: "com ênfase nos fatos". Seriam quase como ministros do Supremo definindo o que é ou não uma ofensa. Elas nos diriam o que é ou não um fato.

Li que seria preciso evitar a escolha de agentes incapazes ou maliciosos como verificadores. De fato seria preciso ser exigente se o que desejamos é sair da caverna e suas sombras para a luz do dia.

O que mais me chamou a atenção foi a ideia da informação "fora de contexto". A internet é como Ireneo Funes, o personagem de Borges que nada esquecia. Uma massa caótica de frases e imagens que sempre que se põe a mão já se deslocou e se encontra, irremediavelmente, fora de seu contexto.

De minha parte, acharia sensacional ter à mão um punhado de maquininhas da verdade para acionar e colocar um carimbo de falso ou fora de contexto em cada bobagem que se diz nas redes sociais.

Não duvido que as pessoas que desejam essas coisas o façam na melhor das intenções. Mas desconfio que a malícia não esteja nesta ou naquela agência, mas no espírito dos homens. E mais: que a paixão política terminará por arrastar tudo outra vez, definindo a quem cada um prestará atenção.

O ponto é que ainda não conseguimos definir exatamente o que é crime e o que queremos punir na internet. Fake news em escala industrial? Uso de contas anônimas? Impulsionamento massivo com o uso de robôs?

Ou nada disso, no fundo, é muito relevante, visto que as redes são empresas privadas, cada um pode escolher cair fora e todos podemos aprender, com o tempo e por conta própria, a separar o joio do trigo?

Não tenho esta resposta, mas intuo que a falta de clareza sobre o que é crime e o que é direito à expressão pode nos conduzir, seja neste inquérito, seja na formulação apressada de leis no Congresso, facilmente a fragilizar direitos que não deveríamos relativizar.
Herculano
04/06/2020 07:11
O QUE O GOVERNO BOLSONARO ESCONDEU DOS PRINCIPAIS JORNAIS DAS TEVÊS ABERTAS AOS BRASILEIROS

O Brasil bateu ontem o recorde de 1.349 mortes pelo Covid-19. A soma oficial agora é 32.548.

As mortes das 24 últimas horas eram anunciadas sempre as 17h. Depois que o médico e ministro Henrique Mandetta foi demitido. Os anúncios foram atrasando. E ontem, com o general Eduardo Pazuello, que não é médico, e virou ministro interino da Saúde, eles só saíram depois das 22h. Por que? Para diminuir o impacto da má notícia.
Ambrosio
03/06/2020 20:19
Quero manisfestar aqui minha indignação, era por volta das 15:30 horas, fui até ao patio onde fica os carros aprendidos, fui atendido pelo um Agente de transito, onde o mesmo me informou os procedimento que ele devia tomar, até ai tudo certo esta correto o procedimento concordo com tudo, o que me deixo revoltado que após a primeira vistoria fiz o que ele me determinou.
Sendo assim pedi que me liberasse o veiculo o que ele me relatou " faltou fazer isso", respondi a ele mais você me possou somente isso que está neste vistoria, ele retrucou " se não fazer não irei liberar o veiculo", com muita falta de educação, arrogante e me intimidando, chegou a ameaçar a notificar o outro veiculo que estávamos utilizando, após de muita arrogância ele liberou o veiculo.
Assim sendo deixo bem claro que meu carro estava irregular, só que isso não tira meu direito de ser tratado com respeito pois quem paga o salario deste agente somos nós, não questionei os procedimentos adotados, até achei interessante pois traz mais segurança a todos.
Miguel José Teixeira
03/06/2020 19:11
Senhores,

Definhando ou "se-esvaindo-se". . .

"O TRF-4 decidiu que a Petrobras terá que rebatizar o campo de Lula, uma das maiores reservas petrolífera do pré-sal, com o seu nome original ?" campo de Tupi."

Ufffa! Ainda bem que não foi rebatizado de "Campo Petrolífero ex e futuro presidiário lula".

Huuummm. . .consta que na Praça Hercílio Luz, na Bela Blu, tem uma placa colocada pelo "coveiro manquinho" quando prefeito, homenageando o ex e futuro presidiário lula no "Projeto Capivara"

Tomara que tal placa também esteja "se-esvaindo-se", pois tal projeto há muito definhou!

Capivaras não merecem este tipo de tratamento.
Herculano
03/06/2020 15:50
da série: a humanidade em uma única história, as civilizações ou povos a repetem nos seus erros. Conhecê-la é um bom caminho para perceber como erramos quando nos omitimos ou assistimos algo que parece que nunca nos vai atingir.

A HORA DA RETIRADA, por Leandro Karnal, filósofo, no jornal O Estado de S. Paulo.

Quando a guerra de mentira se tornou de verdade, a rapidez da mudança foi assustadora.

Há 80 anos, em junho de 1940, completou-se uma retirada que é tratada como épica pelo Ocidente: Dunquerque. Esse lugar (entre a França e a Bélgica) apresenta um templo católico em meio às areias, de onde deriva o nome: igreja das dunas (dun-kerke).

O maior conflito da história humana teve começo, na Europa, em setembro de 1939. Derrotada a Polônia, as divisões alemãs não pareciam dispostas a bombardear seus inimigos ocidentais. Os meses finais de 1939 e iniciais de 1940 foram de tenebroso silêncio dos canhões a Oeste. O período foi batizado de Guerra de Mentira (em inglês, phoney war; em francês, drôle de guerre). A vida transcorria em Londres, Amsterdã, Bruxelas e Paris como se não existisse um perigo nazista.

Os franceses tinham adotado postura defensiva e confiavam de forma exagerada na sua imensa e custosa Linha Maginot, uma rede de casamatas e concreto, armamentos subterrâneos, depósitos de munições e até hospitais e transporte nas profundezas do solo para enfrentar a guerra que estava na memória dos velhos marechais de Paris: um conflito de trincheiras. Sim, em 1914, a Linha Maginot teria sido poderosa e intransponível. Mas, estávamos em 1940. O novo mundo era de aviões e de tanques decisivos. Os ingleses, protegidos pela sua poderosa marinha, deslocaram tropas para a França. O povo das ilhas não sofria uma invasão desde 1066 e isso pode ter aumentado a confiança de Londres. A confiança na tática defensiva foi exagerada.

Quando a guerra de mentira se tornou de verdade, a rapidez da mudança foi assustadora. A região acidentada e com vegetação densa nas fronteiras da França, Bélgica e Luxemburgo era considerada uma barreira natural. Como na Linha Maginot, o alto-comando francês cometeu o erro de supor que seria impossível para os tanques alemães (Panzer) atravessarem o Rio Mosa e as áreas ao redor. Curiosamente, a floresta antiga parece ter dado sorte duas vezes ao exército alemão: nas vitórias de 1940 e na contraofensiva combatendo o avanço aliado, em 1944.

A tática das divisões de tanques passou a incorporar uma mobilidade inédita e assustadora. Os veículos avançavam muitos quilômetros por dia e passaram com relativa facilidade pelas Ardenas. Bélgica, Holanda, Luxemburgo e a fronteira francesa foram atacadas em poucos dias a partir de dez de maio daquele ano (1940). Um pouco antes, o movimento de avanço já tinha atacado Dinamarca e Noruega. A guerra relâmpago alemã (Blitzkrieg) surpreendeu todos, Hitler inclusive. Líderes de tanques e oficiais tomaram decisões, aparentemente, sem um total controle de Berlim. As divisões francesas e inglesas foram sendo encurraladas em Dunquerque, uma praia aberta e sem defesas naturais. Um soldado francês e brilhante historiador, Marc Bloch, escreveu, depois, a obra A Estranha Derrota (Zahar). Churchill fez uma análise do episódio na sua obra Memórias da Segunda Guerra Mundial (HarperCollins). Os dois autores são excelentes, porém, ambos escreveram após Dunquerque. A distância cronológica ajuda na clareza. Os fatos do momento estão imersos em brumas e sem destino indicado.

Centenas de milhares de soldados apanhados em uma armadilha poderosa. Os ingleses tomaram uma decisão que se revelou sábia: enviar todos os barcos disponíveis (de militares a barcos de pesca e de turismo) para resgatar o máximo de homens do outro lado do Canal. O resultado foi extraordinário: o número de resgatados foi imensamente superior ao esperado. A força aérea alemã poderia ter causado o caos bombardeando a praia e os barcos. Os ataques foram relativamente leves. Por que a Luftwaffe evitou usar seu poderio? Há várias hipóteses, nenhuma inteiramente satisfatória. Outro dado curioso é que o general alemão (Gerd von Rundstedt) não compartilhava da ideia dos colegas oficiais de ataques relâmpago e preferia construir pontos seguros de retaguarda. Sua tática foi derrotada pelo alto-comando germânico. Ele seria promovido a Marechal de Campo logo em seguida. Premiou-se um militar que, se tivesse feito valer sua estratégia, teria impedido ou retardado o rápido avanço sobre Dunquerque.

Na hora em que a expansão nazista parecia irrefreável, despontou ainda mais a liderança de Winston Churchill. Sempre vale a pena ler seus livros e ver o filme O Destino de Uma Nação (Darkest Hour, 2017, direção Joe Wright). Gary Oldman ganhou Oscar pelo desempenho brilhante como primeiro-ministro britânico. Também é forte ver Dunquerque (Dunkirk, 2017, Christopher Nolan). Acompanhe bons filmes e lembre-se de que o objetivo dos roteiristas e do diretor não é preparar alunos para a prova do Enem. Obras cinematográficas são sobre história, jamais históricas em si. O filme mira na narrativa cativante e nos grandes prêmios e o júri de Oscar nunca foi dominado por historiadores. Se houvesse essa reviravolta, o cinema viraria uma boa fonte historiográfica e o público correria das salas. Dizendo de outra forma: todo filme é histórico, pois sempre mostra como um determinado momento construiu a memória do passado. Nenhum filme é "fiel" ao que ocorreu. Os cuidados de verossimilhança dos grandes estúdios servem para conferir maior apelo comercial ao produto. Discutir se um filme é baseado em fatos reais é puro preciosismo. O principal argumento é o mercado e a cabeça dos produtores. Cinema pode ser arte e sempre é parte de uma indústria cultural. É preciso manter a esperança e a lucidez.
Herculano
03/06/2020 14:50
ATÉ ONTEM TRABALHOU VOCÊ TRABALHOU PARA SUSTENTAR O GOVERNO

Conteúdo do Partido Novo, no twitter:

"O brasileiro trabalha 153 dias por ano apenas para pagar impostos. Hoje, 154º dia, o cidadão passa a trabalhar para si, e não para o Estado"
Herculano
03/06/2020 14:43
da série: ufa!

GOVERNADOR DECIDE DESTITUIR NESTA QUARTA-FEIRA PRESIDENTE DO BANCO DO NORDESTE

Conteúdo de O Antagonista. O governo decidiu destituir ainda nesta quarta-feira (3) o presidente do Banco do Nordeste, Alexandre Borges Cabral, em reunião extra do conselho de administração do banco, informa Igor Gadelha na Crusoé.

Conforme publicamos mais cedo, Cabral, indicado pelo PL de Valdemar Costa Neto, é investigado por suspeitas de irregularidades em contratações na Casa da Moeda na época em que presidia a estatal, em 2018.
Miguel José Teixeira
03/06/2020 13:01
Senhores,

Pesos & Medidas (2):

"Bolsonaro diz que não pode ser responsabilizado por nomeações do centrão no governo..."(UOL)

Ã-rã. . .eximindo-se do pesado ônus, quer apenas usufruir do bônus.

Sabe-se que o centrão sempre teve seu preço.

Porém, o mínimo que pagou-se à ele, sempre, também, saiu caríssimo ao pagador.

Tipo areia movediça, quanto mais o "capitão zero-zero" chafurda-se, mais o centrão valoriza sua cota e, na hora "h", escafede-se!
Herculano
03/06/2020 12:40
PRÉ-CANDIDATO, PROMOTOR TRAMONTIM PEDE AFASTAMENTO DO MPSC

Conteúdo e texto da rádio Nova FM, de Indaial. Promotor de justiça de Blumenau, e com passagem pela comarca de Indaial, Odair Tramontin, após quase 32 anos de ministério público pediu afastamento temporário do cargo para se dedicar a um novo projeto. Sem confirmar ainda, tudo indica que ele vá disputar o pleito municipal de Blumenau. Em entrevista a Nova FM no início deste ano, ele chegou a comentar que vinha sendo estudada e analisada há muito tempo esta situação. Odair Tramontin deverá oficializar sua filiação no partido Novo ainda hoje quarta-feira (03).
Herculano
03/06/2020 12:33
CPI TEM UMA FRATURA EXPOSTA, por Roberto Azevedo, no Makingof

Se fosse uma discussão entre deputados com posições antagônicas na CPI dos Respiradores, o bate-boca entre João Amin (PP) e Ivan Naatz (PL), relator da Comissão, às 3h30min da madrugada de quarta, não seria nem notada, faria parte do jogo.

Mas como o assunto acareação, recorrente nas últimas semanas de trabalho, voltou à tona, com Naatz a explicar que teria dificuldade em pouco tempo, até esta quinta (4), para formatar o encontro dos depoentes Márcia Regina Geremias Pauli, Helton Zeferino e Douglas Borba, foi o princípio da discórdia, os dois adversários do governador Carlos Moisés (PSL) mostraram uma nova face dos bastidores da investigação.

Não é de hoje que Amin reclama do tratamento que recebe ao contrapor decisões, das mais simples às mais complexas na CPI, agora foi mais longe e, além de criticar Naatz, de que não "estava preparado para fazer as perguntas" aos depoentes, e insistiu na data anterior da acareação, exigiu o cumprimento da data anterior, pois se sentia desrespeitado.

Acabou vencido por maioria, topou passar a data para próxima terça (9), porém recebeu o troco de Naatz que sugeriu até que o colega assumisse a relatoria e o trabalho de ouvir todos os depoentes juntos, nada que tenha evoluído, embora fique o desgaste.

SEM DESVENDAR O MISTÉRIO

Como um instrumento de julgamento político, a CPI tem o objetivo central de descobrir, no seio do governo, má versação do dinheiro público e encontrar responsabilidade, de preferência o alvo que é o governador Carlos Moisés da Silva, todo o restante está, circunstancialmente, ligado para determinar esta participação.

Por isso, as respostas de Márcia Regina são uma boa munição neste sentido, porém sem a força de comprometer, ainda, Moisés, mas demais seus dois ex-assessores, Helton Zeferino, coronel do Bombeiro Militar e médico, que ocupava a pasta da Saúde; e Douglas Borba, advogado e ex-vereador em Biguaçú, que alçou, um dia, à condição de todo-poderoso dentro da administração estadual.

AGUDOS

Os deputados cercaram Márcia Regina com uma diversidade de perguntas e ela saiu com desenvoltura, apontou Zeferino como o responsável pela antecipação de R$ 33 milhões na compra de 200 respiradores, mas confirmou que havia de fato o tal "canibalismo" - quem não pagava antes, não adquiria nem entrava na fila.

Em outra parte do depoimento, a ex-superintendente de Gestão Administrativa da Saúde explica que a escolha se deu pela possibilidade de se entregar em menor prazo o equipamento, uma armadilha que ficou clara depois, sem a atenção específica do custo por máquina de R$ 165 mil.

AFIADA

Precisa nas respostas, a ponto de declarar que Douglas Borba falava em nome do governador o tempo todo, que a pressionou, e que Moisés mentiu em coletiva à imprensa ao dizer que não tinha conhecimento do processo de pagamento antecipado dos respiradores, Márcia Regina tropeçou em um momento.

Foi ao dizer que não se lembrava do nome do deputado que exercia pressão para a aprovação liberar o passaporte de quem iria em busca de equipamentos na China, lapso de memória providencial, com a ressalva de não ter dado a relevância ao fato que os parlamentares da CPI gostariam. Sargento Lima determinou que todos os deputados sejam consultados no parlamento.

PEDIU E NÃO LEVOU

Márcia Regina declarou que pediu ajuda a Douglas Borba, à Controladoria Geral do Estado, porém apenas integrantes da Auditoria-geral se ofereceram para atuar.

Só depois de abril é que saiu a normativa, vinda da Advocacia Geral da União, replicada pelo Procuradoria Geral do Estado, pois antes a pressa era justificada para tudo, em meio à perspectiva de que muitos morreriam e que, em mais de cem processos, apenas 17 deles eram "problemáticos", a maioria por pagamento antecipado, como citou Márcia Regina.

DEPOIS

No início de seu depoimento, Helton Zeferino afirmou que acreditava no parecer jurídico-técnico que constava no contrato com a Veigamed, quatro dias entre a assinatura e a entrega dos respiradores, por demais suspeito.

Questionado pelo deputado Ivan Naatz (PL), relator da CPI, Zeferino explicou que a Secretaria da Saúde tem técnicos hábeis com processos legais cabíveis ele não poderia ser responsabilizado, porque não aparecia pagamento antecipado, houve consulta ao TCE se era possível fazê-lo, nem sabia que outros produtos haviam sido adquiridos por esta modalidade, algo que tomou conhecimento depois.

FRAUDE

Zeferino explicou que havia uma certificação de compra dos respiradores sem que eles tenham sido entregues e foi claro: "Isso é fraude!"

E completou em que a ordem de pagamento veio depois, "por algumas pessoas", com a assinatura de Márcia Regina, ou seja, que ele não autorizou. Ela acusa ele, ele passa para ela.

MAIS RESPEITO

Em alguns momentos do depoimento de Helton, os deputados exageraram no papel de interrogadores, passaram a inquisidores.

Kennedy Nunes subiu o tom e foi para cima do coronel do Corpo de Bombeiro, que rebateu sobre o fato de não ter autorizado o pagamento antecipado, enquanto Naatz também saiu do sério e disse que Helton aparecia ainda estrar no quartel, a dar ordens, mas não alterou a fleuma do depoente.

É FATO

Em muitos momentos, o depoentes pareciam estar bem preparados que os deputados, que apresentaram documentos, tentaram contrapor com informações e vídeos dos depoimentos anteriores ao Gaeco, que tiveram pouca validade já que não provocaram o questionamento entre o que foi dito antes e durante a oitiva no parlamento.

Além do mais, houve a manifestação reiterada do deputado Milton Hobus (PSD), que, a toda a declaração de estar estupefato com o que ouvia sobre o que considera amadorismo do atual governo, soltava um "meu Deus". Outro ponto: os deputados abusaram do discurso fácil e ideológico que questionava as medidas adotadas pelo governo de isolamento, responsáveis pelos bons índices de enfrentamento da doença, fato de jogar para a torcida, que não soma à CPI.

TUDO NEGADO

Rei do não fiz e não sei, o ex-secretário Douglas Borba, bastante aceso e tranquilo, encontrou uma CPI com sono, depois da 1h da manhã.

Negou tudo, o fato de ter pressionado, indicado pessoas e empresas para atuar na compra dos respiradores, sequer Leandro Barros, advogado que circulava pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES), avaliado por muito como uma estrutura montada erroneamente.

O QUE DISSE

Para Borba, que disse conhecer Barros de Biguaçú, "relação de colega, de advogado", insistiu no ponto de que ele não participou das compras tampouco a Casa Civil.

Alega que tudo foi responsabilidade da Secretaria da Saúde, e ,assim como Zeferino, tira o governador da cena que pode ser de um crime, ao dizer que Moisés soube do processo em 27 de abril, da compra com o pagamento antecipado, embora Márcia garante que o governador conhecia o sistema de compras.
Herculano
03/06/2020 12:01
O QUE ACONTECEU COM O BRASIL? por Fábio Gambiagi, economista, no jornal O Estado de S. Paulo

Neste festival diário de agressividade, grosseria, exacerbação do conflito, não o reconheço mais

O tocante artigo Meu Brasil brasileiro, de minha amiga Elena Landau, publicado neste jornal há alguns dias (22/5), ativou em mim umas memórias que entendi que poderia ser apropriado compartilhar com os leitores. O argentino Jorge Luis Borges, um europeísta assumido, tinha uma frase deliciosa acerca de si mesmo: "Soy un europeo nacido en el exilio". Essa foi, muito modestamente, por analogia, minha sensação acerca do Brasil. Pela minha história, filho de pais argentinos, tendo nascido no Brasil e ido morar em Buenos Aires aos 10 meses de idade, eu era "um argentino nascido no Rio".

Quando vim para o Brasil, na adolescência, eu o fiz deixando para trás lembranças associadas àquela época sangrenta da Argentina, uma das mais marcantes sendo a do sumiço de um primo distante. Ele engrossara a lista dos "desaparecidos" e, como quase todos nela, nunca mais voltou ao mundo dos vivos. Ao se esvair no ar, ele deixou a esposa - minha prima - grávida.

O pai - agora falecido - dessa minha prima era um prestigioso cardiologista, que trabalhava no Hospital Militar de Buenos Aires. Eram tempos terríveis e ele convivia com a suspeita de que, provavelmente, em algum momento deve ter tido como paciente um dos assassinos do seu genro.

Vivendo minha prima, após o desaparecimento do marido, na incerteza do que Alencar Furtado, em discurso famoso no Brasil, qualificara como as "viúvas do quem sabe se talvez", o pai dela, querendo que a filha pudesse reconstituir a sua vida e já com o neto no mundo, ativou contatos chave e solicitou uma entrevista com o comandante de um dos principais comandos militares. Deste, dizia-se, emanavam as decisões acerca de quem poderia ser considerado preso oficial e quem estava destinado a algum dos temíveis "voos da morte", que despejavam os cadáveres dos "desaparecidos" no Rio da Prata.

O comandante recebeu-o e disse então a frase que, ouvida no relato do pai da minha prima, nunca mais me saiu da memória e reapareceu algumas vezes nos meus pesadelos da juventude: "Doctor, está usted hablando con la persona justa. Yo soy el administrador de la muerte". Essa era a Argentina da qual minha família escapou no já longínquo ano de 1976.

Corta para o Brasil da mesma época. Só soube do episódio que vou relatar há poucos anos, mas ele aconteceu naquela época e reflete com precisão o contraste da situação dos dois países.

No tempo dos militares, no Brasil, existia a "linha dura" e o que esta chamava de "melancias" (verdes por fora, vermelhas por dentro), na visão de quem todo aquele que não aderisse ao credo mais radical era considerado "comunista". Em meados dos anos 1970, a cúpula do PCdoB havia sido dizimada, num evento que tinha deixado sequelas negativas para o governo. Depois disso, um político, importante liderança civil do governo Geisel, recebeu a visita de um desses representantes da "linha dura". Sem meias palavras, este lhe disse o seguinte: "Nós sabemos que você conhece o pessoal do Partidão. Pois bem, eles vão realizar um encontro de cúpula mês que vem. Eles não sabem que nós sabemos, mas nós sabemos. Se esse encontro ocorrer, não vai ter jeito: eles vão ser mortos. E nós não queremos isso. Portanto, peço-lhe um favor: transmita essa informação a eles, para que esse encontro não ocorra".

Esse líder civil do governo militar entrou em contato com emissários do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e foi pessoalmente se encontrar dias depois, numa igreja de Brasília, com um representante pessoal de Giocondo Dias, o líder do partido na ausência de Luiz Carlos Prestes, então no exílio. Cada um se ajoelhou para rezar, a certa distância um do outro para não ser algo óbvio, e foi então que esse deputado, liberal das antigas, como Sobral Pinto, transmitiu o recado. O encontro não se realizou e a vida dos membros do Comitê Central do Partido Comunista foi poupada.

Muitos anos depois, já adoentado, ambos idosos, Giocondo Dias tocou a campainha do apartamento daquele político da Arena. Sua mensagem: "Venho lhe agradecer por ter salvado a minha vida nos anos 70". Sempre que conto a história me emociono.

Costumo dizer, pela experiência de vida que já expliquei acima, que não sou apenas brasileiro: eu virei brasileiro. Sendo o país onde nasci um desconhecido para mim até os 14 anos, foi a terra que acolheu a mim e minha família. Por contraste com o inferno da Argentina daquela época, o País pelo qual nos encantamos é o retratado nessa bela história que relatei acima: uma terra de nuances, de sensibilidade, de humanidade, de sentimentos nobres e de afeto. O país em que, mesmo num governo autoritário, a "turma" mais dura tentava mitigar os conflitos e havia algum respeito pela diferença, cuidados a tomar, diálogo e certa classe.

Hoje, neste festival diário a que assistimos no noticiário, que mistura agressividade, grosseria, falta total de empatia e a exacerbação do conflito, não reconheço mais o País que nos recebeu. Quatro décadas e meia depois daquela época, a pergunta que não quer calar é: o que aconteceu com o Brasil?
Herculano
03/06/2020 11:57
BRASIL VAI TESTAR VACINA DE OXFORD PARA COVID-19

Conteúdo de O Antagonista. A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford será testada pelo Brasil.

O Ministério da Saúde vai apoiar a iniciativa com 2 mil voluntários que ainda não tiveram contato com o novo coronavírus, no Rio e em São Paulo.

O país fará parte do plano mundial de desenvolvimento da vacina e será o primeiro a realizar os testes de Oxford depois do Reino Unido.

A medida foi aprovada pela Anvisa. Em São Paulo, os testes serão liderados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Unifesp.
Herculano
03/06/2020 11:54
A VIOLÊNCIA É INIMIGA DA DEMOCRACIA, editorial do jornal O Globo

Depredação e vandalismo em Curitiba chamam a atenção para cuidados a se tomar na crise política

O risco de a crise institucional ser agravada pela violência começou a surgir no domingo na Avenida Paulista, quando a Polícia Militar interveio para manter separados grupos pró-Bolsonaro e autodenominados pró-democracia, convocados entre integrantes de torcidas organizadas de times de São Paulo. A bandeira de uma organização neonazista ucraniana em um carro de som bolsonarista e a tentativa de repetir no Brasil a politização de grupos de torcedores como ocorre na Argentina deram um ar de distanciamento da realidade aos dois lados, mas não se pode menosprezar o que aconteceu neste domingo.

Na Avenida Atlântica, por sua vez, houve nova indicação de que a política pode estar se infiltrando nos estádios, também com o desfile de torcedores democratas, o que é ruim para a política e para o esporte. Torcer por um time nada tem a ver com ideologia, nem preferências políticas podem estar subordinadas a performances e paixões esportivas. São universos distintos.

Lideranças políticas da grande maioria dos defensores da democracia - os 70% mensurados em pesquisas - precisam agir para esvaziar qualquer possibilidade de a desavença ideológica se converter em conflitos que só interessam aos que não desejam que as instituições republicanas façam a devida mediação entre os diversos segmentos políticos e ideológicos, dentro da regra do jogo, ou seja, a Constituição. É fácil perceber quem eles são.

São necessários cuidados não apenas sanitários na fase em que o país entra, com o início do relaxamento de quarentenas e isolamentos sociais, quando a circulação nas grandes cidades começará a voltar ao normal. O retorno das sessões presenciais no Congresso e do trabalho nas comissões reativarão o fluxo da política representativa, e espera-se que a reabertura desses canais sirva para descomprimir o ambiente. Mas podem ser mal usados.

Os de fato democratas devem atentar para o que aconteceu na noite de segunda e início da madrugada de ontem em Curitiba. Uma manifestação política, convocada para ser contra o racismo, inspirada nos protestos americanos, dentro dos marcos da liberdade constitucional de expressão, foi transformada em quebra-quebra e vandalismo. Começou com gritos contra Bolsonaro e de reverência à vereadora assassinada Marielle Franco - tudo legal - e terminou de forma violenta, com a necessária intervenção da polícia.

Deve-se recordar 2013, ocasião em que uma série de demandas pela melhoria de serviços públicos básicos - transporte, educação - levou a uma articulação de jovens por meio das redes sociais que desembocou numa série de manifestações em grandes cidades, deflagradas pelo aumento de R$ 0,20 na tarifa de ônibus na cidade de São Paulo. O PT e sindicatos, donos de máquinas capazes de mobilizar protestos a qualquer hora, em qualquer lugar, foram surpreendidos.

Mas também se aproveitaram do momento os black blocs, grupo de extremistas de diversos matizes, para praticar o vandalismo que ressurge agora em Curitiba. Em 2013, os depredadores esvaziaram aquela mobilização importante por um Estado capaz de dar à população um retorno proporcional aos pesados impostos que recolhe. A violência agora produzirá estragos políticos ainda maiores.
Herculano
03/06/2020 11:51
OPINIÃO E PRINCÍPIOS, por Antônio Hamilton Martins Mourão, vice-presidente do Brasil no jornal O Estado de S. Paulo

A legítima defesa da democracia está fundada na prática da tolerância e do diálogo

A apresentação das últimas manifestações contrárias ao governo como democráticas constitui um abuso, por ferirem, literalmente, pessoas e o patrimônio público e privado, todos protegidos pela democracia. Imagens mostram o que delinquentes fizeram em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Registros da internet deixam claro quão umbilicalmente ligados estão ao extremismo internacional.

É um abuso esquecer quem são eles, bem como apresentá-los como contraparte dos apoiadores do governo na tentativa de transformá-los em manifestantes legítimos. Baderneiros são caso de polícia, não de política.

Portanto, não me dirijo a eles, sempre perdidos de armas na mão, os que em verdade devem ser conduzidos debaixo de vara às barras da lei. Dirijo-me aos que os usam, querendo fazê-los de arma política; aos que, por suas posições na sociedade, detêm responsabilidades institucionais.

Aonde querem chegar? A incendiar as ruas do País, como em 2013? A ensanguentá-las, como aconteceu em outros países? Isso pode servir para muita coisa, jamais para defender a democracia. E o País já aprendeu quanto custa esse erro.

A legítima defesa da democracia está fundada na prática existencial da tolerância e do diálogo. Nesse sentido, Thomas Jefferson, o defensor das liberdades que, como presidente eleito, rejuvenesceu a nascente democracia norte-americana em momento de aparente perda de seu elã igualitário, deixou-nos preciosa citação: "Toda diferença de opinião não é uma diferença de princípios".

Uma sociedade que se organiza politicamente em Estado só pode tê-lo verdadeiramente a seu serviço se observar os princípios que regem sua vida pública. Cabe perguntar se é isso que estamos fazendo no Brasil.

É lícito usar crimes para defender a democracia? Qual ameaça às instituições no Brasil autoriza a ruptura da ordem legal e social? Por acaso se supõe que assim será feito algum tipo de justiça?

As cenas de violência, depredação e desrespeito que tomaram as manchetes e telas nestes dias não podem ser entendidas como manifestações em defesa da democracia, nem confundidas com outras legítimas, enquanto expressões de pensamento e dissenso, essenciais para o debate que a ela dá vida. Desde quando, vigendo normalmente, ela precisa ser defendida por faces mascaradas, roupas negras, palavras de ordem, barras de ferro e armas brancas?

Não é admissível que, a título de se contrapor a exageros retóricos impensadamente lançados contra as instituições do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, assistamos a ações criminosas serem apoiadas por lideranças políticas e incensadas pela imprensa. A prosseguir a insensatez, poderá haver quem pense estar ocorrendo uma extrapolação das declarações do presidente da República ou de seus apoiadores para justificar ataques à institucionalidade do País.

Cabe ainda perguntar qual o sentido de trazer para o nosso país problemas e conflitos de outros povos e culturas. A formação da nossa sociedade, embora eivada de problemas contra os quais lutamos até hoje, marcadamente a desigualdade social e regional, não nos legou o ódio racial nem o gosto pela autocracia. Todo grande país tem seus problemas, proporcionais a seu tamanho, população, diversidade e complexidade. O Brasil também os tem, não precisa importá-los.

É forçar demais a mão associar mais um episódio de violência e racismo nos Estados Unidos à realidade brasileira. Como também tomar por modelo de protesto político a atuação de uma organização nascida do extremismo que dominou a Alemanha no pós-1.ª Guerra Mundial e a fez arrastar o mundo a outra guerra. Tal tipo de associação, praticada até por um ministro do STF no exercício do cargo, além de irresponsável, é intelectualmente desonesta.

Finalmente, é razoável comparar o regime político que se encerrou há mais de 35 anos com o momento que vivemos no País? Lendo as colunas de opinião, os comentários e até despachos de egrégias autoridades, tem-se a impressão de que sessentões e setentões nas redações e em gabinetes da República resolveram voltar aos seus anos dourados de agitação estudantil, marcados por passeatas de que eventualmente participaram e pelas barricadas em que sonharam estar.

Não há legislação de exceção em vigor no País, nem política, econômica ou social, nenhuma. As Forças Armadas, por mais malabarismo retórico que se tente, estão desvinculadas da política partidária, cumprindo rigorosamente seu papel constitucional. Militares da reserva, como cidadãos comuns, trabalham até para o governo, enquanto os da ativa se restringem a suas atividades profissionais, a serviço do Estado.

Se o País já enfrentava uma catástrofe fiscal herdada de administrações tomadas por ideologia, ineficiência e corrupção, agora, diante da social que se impôs com a pandemia, a necessidade de convergência em torno de uma agenda mínima de reformas e respostas é incomensuravelmente maior. Mas para isso é preciso refletir sobre o que está acontecendo no Brasil.

Quando a opinião se impõe aos princípios, todos perdem a razão. Em todos os sentidos.
Herculano
03/06/2020 11:48
MANIFESTAÇõES ANTIBOLSONARISTAS EMPURRAM O PLANALTO AO DIÁLOGO, por Fábio Murakana, no jornal Valor Econômico

Aconselhado por militares e aliados, presidente inicia conversas com o Supremo.

A perda do monopólio das ruas, com as manifestações antibolsonaristas do domingo, acendeu um alerta no Palácio do Planalto, empurrando o presidente da República a um diálogo com o Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de evitar uma crise institucional cujas consequências são imprevisíveis.

Aconselhado por ministros militares e alguns de seus aliados mais próximos, Jair Bolsonaro decidiu baixar o tom belicoso com que vinha se referindo a decisões da Corte e desestimular manifestações como as que vêm ocorrendo invariavelmente nos fins de semana com a sua participação.

Segundo fontes do governo, já há conversas informais com o STF visando arrefecer os ânimos e encontrar uma solução.

Nos últimos dias, e nesse contexto, o presidente conversou por telefone com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Também têm atuado como conselheiros e interlocutores de Bolsonaro os ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

A participação de Bolsonaro, ontem, na posse de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda que por videoconferência, foi um gesto do presidente em favor do diálogo com o Judiciário.

Bolsonaro e seus aliados, porém, também esperam sinalizações do STF. O que mais irrita o presidente e seu entorno são decisões monocráticas como a do próprio Moraes, que no fim de abril barrou a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

O Planalto acredita que decisões graves como essa, embora tenham amparo legal, devem ser sempre chanceladas em plenário.

Essa sugestão foi dada pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello, no início de maio, quando a polêmica sobre Ramagem estremeceu as relações entre STF e Planalto.

"O presidente tem falado com alguns ministros, dentro da independência entre os Poderes, para que haja uma pacificação", diz uma fonte próxima a Bolsonaro. "Essas decisões monocráticas, quando se referirem a alguma coisa menor, não têm problema. Mas é muito ruim apenas um ministro barrar uma nomeação como a do diretor-geral da PF."

Um militar que despacha no Planalto disse que as manifestações opositoras, como as vistas em São Paulo, no Rio e em outras cidades brasileiras no fim de semana, não são um problema em si. Mas refletem o acirramento da tensão entre os Poderes.

"Nós [governo] temos percebido que a coisa é mais ampla [do que manifestações de oposição]. Trata-se de não gerar crises institucionais. É preciso encontrar uma solução nesse nível", disse. "É preciso haver sinalizações do STF, do governo e do Congresso para não chegarmos a situações extremadas. As ruas são reflexo disso aí."

Grupos antibolsonaristas, que se classificam como pró-democracia ou antifascistas, já marcaram novos atos para domingo. Bolsonaro, porém, estimulou seus seguidores a não irem às ruas no fim de semana.

"Deixa eles sozinhos no domingo", disse Bolsonaro a fãs anteontem no Palácio da Alvorada. "Eu não coordeno nada, não sou dono de grupo. Não participo de nada. Só vou prestigiar vocês, que estão me apoiando, fazem um movimento limpo, decente, pela democracia, pela lei e pela ordem. Eu apenas compareço."
Demetrius Wolff
03/06/2020 10:28
Pois é Herculano, a cada dia que passa as maracutais dessa administração vem a tona.

Espero que o povo abra o olho nessas eleições.
Herculano
03/06/2020 09:54
Demetrius, bom dia

E você acreditou? Você já sabia disso, como os demais leitores e leitoras deste espaço.

Kleber desconfio até que está sendo orientado por "çabios" que parecem ser adversários infiltrados no governo. Ele se auto-desmente o tempo todo naquilo que diz hoje e prometeu quando era vereador, presidente da Câmara e principalmente candidato por duas vezes. Ganhou e...

Veja a manchete que fiz aqui e você também leu no dia 27 de abril, ou seja, há quase 40 dias sobre este tema de economia que alardeou aos analfabetos, ignorantes, desinformados e os seguradores de bandeiras nas esquinas da cidade.

"O discurso de economia do político Kleber em tempos de pandemia não resiste a uma simples planilha comparativa

Ou Kleber - que possui um dos mais altos salários de Santa Catarina para esse cargo e não quer dar a cota de sacrifício como fizeram outros, incluindo o de Blumenau que possui salário menor do que ele - mente, ou está sendo enganado pela sua própria assessoria, ou acha que os gasparenses são tolos e não sabem fazer simples contas de somar ou diminuir.

O que está por detrás de tudo isso? Uma indisfarçável máquina brutal de cabos eleitorais para catar votos para a sua reeleição. Nem mais, nem menos!

Kleber não está economizando R$ 68 mil como alardeia, mas ampliando os gastos em R$31 mil por mês com novas indicações na prefeitura".

Encerro e pergunto a você Demetrius: no gesto de ontem Kleber não lavou mais uma vez a minha alma, ou seja, o tempo foi senhor da razão e a conta mais uma vez foi para os pagadores de pesados impostos que estão sendo desempregados, perdendo negócios ou falindo suas empresas? Acorda, Gaspar!
Demetrius Wolff
03/06/2020 09:34
Novos secretários?

Mas o prefeito não havia anunciado que não iria colocar mais secretários para economizar?

Herculano
03/06/2020 08:51
da série: para o público da cerquinha e para os holofotes e a mídia das redes sociais declarações de guerra, para os internos, tudo igual como antes nos acertos feitos no escurinho.

BOLSONARO PROCURA STF

Conteúdo de O Antagonista. "A perda do monopólio das ruas acendeu um alerta no Palácio do Planalto, empurrando o presidente da República a um diálogo com o STF", diz o Valor.

"Segundo fontes do governo, já há conversas informais com o STF visando arrefecer os ânimos e encontrar uma solução.

Nos últimos dias, e nesse contexto, o presidente conversou por telefone com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes."
Herculano
03/06/2020 08:41
MAIA DEFENDE VOTAR PROJETO DE LEI: "SOCIEDADE ESTÁ CANSADA DE FAKE NEWS"

Conteúdo da CNN, texto de Noeli Menezes, da sucursal de em Brasília. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (2) que "este é o melhor momento para se votar" o projeto de lei das fake news porque existe apoio da sociedade para combater a disseminação de informações falsas.

"Pesquisa do ibope mostrou isso, quase toda a sociedade está cansada do assunto das fake news, utilizadas por pessoas que usam de informação falsa, de má-fé, que usam robôs para disseminar ódio e informações negativas contra seus adversários e as instituições."

Um levantamento realizado pelo Ibope para a ONG Avaaz e divulgado hoje mostra que 90% dos eleitores brasileiros apoiam a regulamentação das plataformas de redes sociais para combater fake news.

De autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), a proposta em debate prevê uma série de normas e mecanismos de transparência para redes sociais e serviços de mensagens da internet para combater abusos, manipulações, perfis falsos e a disseminação de fake news.

Maia defendeu que Câmara e Senado construam um texto em conjunto. A votação do projeto pelos senadores estava marcada para hoje, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciou que adiaria a análise do texto para que haja mais tempo para se discutir o assunto.

"Além de garantir a contribuição de todos os senadores na construção do texto, o PL deve assegurar que as pessoas possam continuar se manifestando livremente como já garante nossa Constituição, mas ao mesmo tempo protegê-las de crimes virtuais", publicou Alcolumbre no Twitter.

O presidente da Câmara endossou a posição do colega e ponderou que, apesar de agora ser "o melhor ambiente e o melhor momento para se votar a matéria", esse é um tema com o qual "é preciso tomar muito cuidado para que a gente não entre na liberdade de imprensa e na liberdade de expressão da sociedade brasileira".

Conselho de Ética

Maia afirmou ainda que o Conselho de Ética da Câmara deve retomar as atividades, ainda que virtuais, no início de julho, podendo analisar as representações contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Mas negou que esteja cedendo a pressões de diversos partidos para liberar os trabalhos do colegiado para que um eventual processo contra o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seja avaliado.

"Sendo apenas uma comissão trabalhando em horários diferentes, pode trabalhar sem atrapalhar o trabalho da Câmara. Não é para tratar de ato específico nenhum é porque o conselho pode voltar a trabalhar, tem mandato de dois anos."

Na semana passada, partidos de oposição protocolaram no conselho representação por quebra de decoro contra Eduardo. Ao criticar a operação da Polícia Federal no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal que investiga fake news e ameaças contra ministros da corte, o deputado afirmou que participa de reuniões em que se discute não "se", mas "quando" haverá "um momento de ruptura" no Brasil.
Herculano
03/06/2020 08:34
A NSC ESVAZIA COMO UM BALÃO, por Clayton Silistre, no Makingof

Para ser executivo de uma afiliada da rede Globo é preciso ter habilidades que transcendem ao conhecimento operacional da cabeça de rede. Tem que ser atento às peculiaridades do Estado. E se for da área de jornalismo, requer toda uma série de procedimentos técnicos da profissão. Alguns são tão sutis que não são percebidos pelos que estão em volta.

O mix desses atributos está conectado a um tipo de profissional que acaba de se tornar raro no Grupo NC. A saída do gerente de programação, Anselmo Prada, anunciada ontem, marca a extinção desse tipo de profissional na NSC, que desde a compra do grupo RBS tem diminuído de tamanho. Agora ainda mais com o impacto da pandemia

Não sobrou ninguém com o perfil de Anselmo. Podem conhecer um pouco de cada coisa, mas não tudo, muito menos em época de crise. Coberturas delicadas e especiais estão carentes de maior coordenação a partir de agora. Não existe quem mais chamar, com a voz do conhecimento e da experiência.

A NSC esvazia como um balão.

Minha nota: Claiton foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina.
Herculano
03/06/2020 08:26
ALVO ERRADO DOS PROTESTOS

De Mário Sabino, proprietário e editor da revista eletrônica Crusoé, no twitter:

Um mundo sem polícia é como o dos saques em Nova York. Não demonizem a polícia. Demonizem os maus policiais.
Herculano
03/06/2020 08:22
O ANO COMEÇA AGORA, Helio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, no jornal Folha de S. Paulo.

Até o fim de 2020, você deixará de ser servo do Estado e trabalhará para si.

Durante os primeiros cinco meses do ano você trabalhou exclusivamente para pagar impostos e sustentar o Estado. De agora até o fim do ano, deixará de ser servo e trabalhará para si. Por isso comemoramos agora o Dia da Liberdade de Impostos, há 12 anos organizado em São Paulo pelo Instituto Mises Brasil e Movimento Endireita Brasil (mais recentemente, também pelo Instituto de Formação de Líderes).

Os organizadores conduzem campanha educativa, financiando os impostos devidos para que um posto na capital venda gasolina sem impostos ao público. Os impostos diretos correspondem a obscenos 62% do preço de bomba. Portanto, no dia da campanha, o preço é reduzido a R$ 1,52 por litro (contra R$ 4,00 normalmente).

Os remanescentes 38% do preço normal de bomba precisam remunerar o posto, a distribuidora, o refino, a exploração do poço em águas profundas e toda a estrutura administrativa e de vendas associada de toda a cadeia, inclusive da Petrobras. Adicionalmente precisam cobrir outros impostos indiretos e taxas não incluídos nos 62%, tais como IPTU dos imóveis, IPVA dos veículos utilizados na distribuição e outros.

Muitos acreditam que não pagam impostos porque não enviam um cheque para o Fisco. Ignoram os impostos embutidos em cada compra, do pãozinho à manicure de bairro, ao chope. Por sinal você poderia comprar três chopes para cada um desembolsado, não fossem os impostos.

Outros não se dão conta que seu salário é desavergonhadamente encolhido por deduções de impostos e contribuições retidas pelo empregador por conta e ordem do governo.

Impostos sempre existiram, mas até a era moderna o sentimento dos súditos era de rechaço veemente ao esbulho de sua propriedade. Os tributos eram temidos e sempre resistidos na medida do possível.

Há 4.400 anos, na cidade-estado de Lagash, na Mesopotâmia, Urukagina liderou um movimento contra o excesso de impostos. O primeiro registro da palavra "liberdade" ("amagi") ocorreu por conta de Urukagina e sua oposição aos tributos.

Já no século 16, em resposta aos monarcas absolutistas, a doutrina do tiranicídio ganhou espaço. Na obra "De Rege et Regis Institutione" (1599), o jesuíta e escolástico tardio espanhol Juan de Mariana defendeu o direito de se assassinar tiranos que aumentassem impostos sem o consentimento do povo. Mariana antecipou John Locke em sua ideia de consentimento dos governados.

Os Estados Unidos surgiram em uma revolução por conta de selos de cartórios, e Tiradentes foi esquartejado pelo governo por conta das objeções ao quinto dos infernos.

A despeito dos espertos truques para camuflar os impostos, é curiosa a mudança de mentalidade que ocorreu no século passado. Não se discute mais a moralidade do ato, e a taxação legitimada por decisão de 600 indivíduos em Brasília é bovinamente racionalizada pelos súditos.

Em essência, a taxação é moralmente equivalente ao roubo, pois envolve subtração da propriedade de terceiro sem seu consentimento. É ato imoral caso conduzido pelo cidadão, mas legitimado ao Estado.

Os governantes do século 18 ao menos eram mais sinceros quanto à natureza dos impostos. O ministro das finanças de Luís 16, Jean-Baptiste Colbert, disse que "a arte da tributação consiste em depenar o ganso de modo a obter o máximo de penas com o mínimo de grasnidos". Povo que não grasna merece ter o fígado servido em bandeja de prata aos seus senhores.
Herculano
03/06/2020 08:18
QUEBRADA, CINEMATECA CORRE ATÉ RISCO DE INCÊNDIO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Sem repasses do governo federal há meses, a Cinemateca Brasileira, responsável pela memória da produção audiovisual nacional, corre risco até de incêndio, segundo adverte a Roquette Pinto, associação que faz a sua gestão. A Cinemateca prometida pelo presidente Jair Bolsonaro à atriz Regina Duarte já não paga nem serviços de segurança. A conta de luz está para ser cortada e, se acontecer, há risco de incêndio em razão da refrigeração 24h. O governo resolveu rescindir o contrato de gestão.

AUTOCOMBUSTÃO

A refrigeração funciona 24h no prédio da Cinemateca porque "o material fílmico é altamente inflamável". "Pega fogo sozinho", alertam os gestores.

SEM SAÍDA

O contrato com a Roquette Pinto de R$1,2 milhão mensais paga salários e as contas de água, luz etc. A dívida totaliza cerca de R$11 milhões.

SEM PREJUÍZO

O ofício ao Ministério do Turismo pede esclarecimentos e "reunião urgente" para evitar prejuízos ao arquivo da Cinemateca e ao setor.

TEM SOLUÇÃO

A melhor condução é "regularizar o contrato em vigor (até 2021) e pagar as despesas já realizadas", diz um documento da Roquette Pinto.

PROJETO TAXA VÂNDALOS DE PASSEATA COMO TERRORISTAS

O vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Carlos Jordy (PSL-RJ), apresentou ontem um projeto para alterar a Lei Antiterrorismo e incluir grupos (autointitulados) antifascistas, como o "Antifa" e outros movimentos organizados, que promovam quebradeira e danos ao patrimônio sob a desculpa de "manifestação". Segundo Jordy, "crime organizado não pode se esconder atrás de figura de protesto social".

MUDANÇA TÉCNICA

O projeto dá nova redação ao Artigo 2º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que define o terrorismo.

NA PRÁTICA JÁ SÃO

Para o deputado, esses grupos violentos praticam atos que já são tipificados como condutas consideradas próprias de terrorismo.

VERSÃO TUPINIQUIM

Nos últimos dias, copiando atos de grupos dos EUA, a versão brasileira do Antifa também vem promovendo quebra-quebra em protestos.

TIREM A MÃO DO MEU BOLSO!

O partido Novo avisou o TSE que não vai usar seus R$36 milhões do indecoroso fundo eleitoral, como em 2018. Os R$2 bilhões do fundão comprariam 26 milhões de testes de covid ou 20 mil respiradores.

PAÍS DO CASUÍSMO

Entidade de parte do Ministério Público Federal criou a "lista tríplice" para garantir um dos seus associados no posto do procurador geral da República, deixando de fora os demais ramos do MP da União. Agora faz lobby para tornar isso "constitucional". O oportunismo não deve vingar.

ALIANÇA CURIOSA

A nova versão hacker "Anonymous" é intrigante: como no inquérito do Supremo Tribunal Federal contra as supostas fake news, vazaram apenas dados pessoais do presidente da República e bolsonaristas.

PROTESTAR É DEMOCRÁTICO

O embaixador dos EUA, Todd Chapman, que fala português muito bem, tem dado um "baile" em coleguinhas que adoram falar da "imagem ruim do Brasil no exterior" e disse que, como em seu país, são democráticas manifestações que protestam inclusive contra o Congresso ou Supremo.

QUEM MANDA?

O STF decidiu que prefeitos e governadores são os responsáveis por decidir os critérios do isolamento. Mas a Justiça do Rio não concordou e proibiu a prefeitura de Búzios de promover reabertura gradual da cidade.

BOA NOTÍCIA NA INDÚSTRIA

Levantamento FSB Pesquisa com 1.017 empresas industriais indica que 82% não fizeram demissões, apesar de 66% delas reconhecerem queda do faturamento nos últimos 45 dias. Outros 59% esperam retomar as atividades no mesmo nível após a pandemia, e 23% esperam aumento.

TAMOS AÍ

Michel Temer diz estar aposentado, mas não para. Nesta quarta, ele será entrevistado pelo jornalista Joel Silva, da Rádio Capital FM, de Campo Grande (MS). Como se diz no Nordeste, esse "defunto" quer reza.

CONCURSO SUSPENSO

O Tribunal de Justiça de Pernambuco informou que apesar dos 200 cargos vagos de juiz, o concurso está suspenso desde março, em virtude das restrições orçamentárias do Judiciário provocadas pela pandemia.

PENSANDO BEM...

...muita gente no Brasil diz que não gosta de nada dos EUA, mas importa até os protestos de lá.
Herculano
03/06/2020 08:09
LULA ALIMENTA UMA DIVISÃO QUE PODE FACILITAR A VIDA DE BOLSONARO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Petista rejeita aliança por acreditar que pode se contrapor sozinho a uma recessão econômica

A quatro dias do segundo turno de 2018, Lula cobrou a união de "todos e todas que defendem a democracia". Numa carta escrita da prisão, o ex-presidente anotou que o país caminhava em direção a uma "aventura fascista" e afirmou: "É o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad".

O petista agora indica que aquela era uma peça de marketing de baixa qualidade. Nos últimos dias, ele criticou esforços pela criação de uma frente contra tendências autoritárias de Jair Bolsonaro.

Classificou manifestos em defesa da democracia como projetos da elite e desestimulou o PT a aderir aos movimentos.

"Sinceramente, eu não tenho mais idade para ser maria vai com as outras", afirmou o ex-presidente num evento do partido, na segunda (1º).

A rejeição ao governo se alargou, mas Lula só parece preocupado em preservar hegemonia em seu próprio campo político. O ex-presidente se recusa a compartilhar a liderança de um pacto de oposição e resiste a abrir mão de itens de sua agenda em nome de princípios mais abrangentes.

Para o petista, os movimentos pela democracia são parte de um plano da elite para "voltar a governar o país sem o PT", ignorando a agenda de redistribuição de renda que se tornou marca da sigla. Sem perceber que o eixo de contestação a Bolsonaro se desloca rapidamente para o centro e para a direita, no entanto, ele corre o risco de ser atropelado também dentro da esquerda.

Alguns aliados de Lula dizem que o ex-presidente se comporta de maneira pretensiosa e autocentrada. Eles entendem que é preciso unir forças políticas com programas distintos e admitem que a esquerda pode não ser capaz de disputar o comando dessa frente neste momento.

Lula rejeita essa aliança por acreditar que o PT pode se contrapor sozinho a uma possível recessão econômica sob o atual governo. Em nome desse projeto, ele se mostra disposto a alimentar uma divisão que pode facilitar o caminho para as investidas autoritárias de Bolsonaro.
Herculano
03/06/2020 08:04
A FORÇA DAS NOVAS FORÇAS, por Carlos Brickmann

De um lado, os manifestantes bolsonaristas não estão interessados no Supremo, nem em Direito, e não se preocupam com a corrupção parlamentar - ou não apoiariam a aliança de seu mito, a quem querem como ditador, com o Centrão. De outro, as torcidas organizadas que os enfrentaram em nome da democracia e do antifascismo são organizadas, mas como grupos belicosos, daqueles que marcam brigas de rua pela Internet, nas quais já morreu gente, e não estão interessadas em democracia ou em luta antifascista ?" ou não aceitariam entre seus integrantes um cavalheiro todo de preto, ostentando no peito uma suástica, símbolo maior do nazismo. De ambos os lados, são desordeiros, aglomerando-se sem se importar com o coronavírus, nem com as pessoas que irão contaminar. A morte dos outros é apenas um detalhe.

A briga nas ruas chama a atenção. Mas o importante acontece em outra frente, a política. A oposição, anestesiada desde a surra eleitoral que tomou, começa a sair de sua paralisia, acordada pelas declarações autoritárias de Bolsonaro & Filhos e impulsionada pela sociedade civil. Nada, ainda, a ver com partidos, mas com movimentos como "Somos 70%", "Estamos juntos" e o manifesto "Basta!" Há neles união de tradicionais adversários políticos e ideológicos, em nome de um objetivo maior ?" oficialmente, a democracia. Mas não se pode esquecer que "Basta!" foi um dos editoriais do Correio da Manhã às vésperas da deposição do presidente João Goulart, em 1964.

A AUSÊNCIA

Lula está fora: não quer se unir a adversários que, com o impeachment de Dilma, tiraram o PT do poder. Mas Lula, convenhamos, já não é o Lula de antes. A CUT vacila (perder o imposto sindical foi um golpe duríssimo), ele mesmo parece ter perdido o fogo dos velhos tempos, aliados importantes o abandonaram: não apenas Ciro Gomes, mas até mesmo o PCdoB conversa com outros setores. As conversas ainda devem avançar, mas o exemplo histórico anterior funcionou: a campanha das Diretas Já começou assim e, apesar dos percalços, deu certo e levou ao fim da ditadura militar.

UM NÚMERO

O "Estamos Juntos" já reuniu mais de 200 mil assinaturas. É um início promissor. No início da campanha das Diretas Já, os idealizadores e líderes do movimento couberam no terraço de cobertura da Folha de S.Paulo, onde foram fotografados (todos riram muito da foto, que pretendia representar a sociedade civil ?" e representou). O primeiro comício reuniu cinco mil pessoas. O último ocupou o Vale do Anhangabaú inteiro, em São Paulo.

O TEMPO PASSA

Bolsonaro ainda tem considerável capital político, apesar do desgaste dos últimos tempos. Mas perdeu mais de um ano em que jogou sozinho, sem oposição. Ele e os filhos ocuparam o papel de oposição ao próprio Governo. Hoje, além do possível surgimento de uma nova oposição fora do Congresso, há o problema do coronavírus. Não foi ele que trouxe a pandemia, embora atrapalhe e muito as tentativas de combatê-la. Mas é quase inevitável que os problemas dela decorrentes ajudem a reduzir seu apoio popular. No caso, por sua culpa: Mandetta ia bem, era bem visto pela opinião pública, era Governo. E foi fritado. Moro também era popular, era Governo, e foi fritado. É como afastar Messi do time para mostrar que o bom ali é o técnico, não o craque.

ACHAR OS HACKERS

Outro problema para Bolsonaro, que talvez contribua para desgastá-lo, é o dos hackers do movimento Anonymous, que começa a divulgar seus dados pessoais e de alguns de seus ministros. A ação dos hackers não tem sentido: não há interesse em saber seus números de CPF ou endereços particulares, a não ser como elemento de chantagem. E está na hora de reparar um grave erro: quando houve a divulgação das trocas de mensagens de Sergio Moro, houve ações contra Glenn Greenwald, que as divulgou. Mas ele, jornalista, estava dentro da lei: a divulgação não é crime. O crime era o hackeamento, e os hackers não foram incomodados. Cibernético ou não, crime é crime. Interceptar conversas alheias é crime e deve ser esclarecido. Simples assim.

HERóIS? NÃO...

E, por favor, vamos parar de chamar os desordeiros que fizeram baderna em Curitiba de "antifascistas". Antifascistas eram os partigiani, combatentes corajosos que minaram dentro de casa o fascismo italiano. Em Curitiba, os baderneiros eram black blocs, que não combatem o fascismo nem sabem o que é isso. Quebrar vitrines a pedradas e bastonadas é coisa de vândalo, de bandido, que se divertem causando prejuízo a quem não tem nada com isso.

...ANTI-HERóIS

E botar fogo em bandeira do Brasil? Este colunista não gosta de ver um grupo político-partidário se apropriar de símbolos nacionais. O símbolo é de todos, não de um partido. Mas a bandeira, mesmo sendo hoje usada por bolsonaristas, é de todos nós, é do Brasil. E merece, tem de ser respeitada.
Herculano
03/06/2020 07:47
UMA CARTA DE MUSSOLINI PARA BOLSONARO: "OS FACISTAS COMIAM COM AS MÃOS", por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O senhor usou uma frase que repeti: "É melhor viver um dia como leão que cem anos como cordeiro", mas eu morri como um gatinho

Capitão Bolsonaro,

O senhor usou uma frase que eu repeti em 1932: "É melhor viver um dia como leão que cem anos como cordeiro". O Donald Trump também a usou. Escrevo-lhe para retificar essa fanfarronada, uma das muitas que soltei pela vida. Eu morri como um gatinho.

Na tarde de 27 de abril de 1945 os russos estavam perto de Berlim e eu fugia pelo norte da Itália num comboio alemão, vestindo o capote de um cabo da Wehrmacht, escondido dentro de um capacete.

Fomos interceptados por uma patrulha de combatentes italianos e fui reconhecido no fundo do veículo. Aprisionado, levaram-me para uma casa, onde passei a noite. Pela manhã, deram-me algum salame e pão. O Partido Comunista destacou uma patrulha para me matar e à tarde chegou o "Coronel Valerio". Fui metralhado diante do portão.

Fiquei cerca de 24 horas com meus captores e são muitas as versões do que aconteceu nesse período, mas nenhuma delas registra momentos de bravura. Não sei se há coragem no suicídio, pois nunca pensei em me matar. Hitler matou-se dois dias depois. Um dia encontrei aqui o Getúlio Vargas e ele me explicou que, matando-se, dobrou seus inimigos. É verdade, mas eu, como Napoleão Bonaparte, não tinha essa carta. Havia enfiado a Itália numa guerra e ela estava perdida.

O que os italianos fizeram com meu cadáver, pendurando-me de cabeça para baixo num posto de gasolina, foi apenas uma prova da volubilidade daquele povo. Uma gente que me adorava, ainda que a recíproca não fosse verdadeira.

Escrevo-lhe porque tenho um especial carinho pelo Brasil. Em 1910, quando os Bolsonaros já viviam no interior de São Paulo há algum tempo, eu fui convidado para dirigir um jornal socialista na cidade. Não aceitei, porque minha mulher engravidou. Antes tivesse ido.

O primeiro posto diplomático do meu genro foi o Rio de Janeiro. O senhor deve ter ouvido falar no Galeazzo Ciano, ele financiava os integralistas. Minha filha Edda esteve no Brasil em 1939 e ficou hospedada na mansão da família Prado. Depois da guerra uma das minhas netas viveu aí.

Eu cheguei ao poder nos braços do povo, com os punhos da minha milícia. Eram chamados de "squadristi".

O Hitler copiou esse modelo e depois liquidou-o, criando coisa pior. Eles aterrorizavam os adversários políticos, espancavam esquerdistas e empastelavam jornais. O chefe dessa milícia era Roberto Farinacci. Ladrão, colecionava denúncias contra minha família. (Minha filha teve 95 apartamentos em Roma, mas essa é outra história.)

Farinacci passava-se por ideólogo, mas era apenas um bajulador de plutocratas. Por coincidência, foi fuzilado no mesmo dia que eu. Dizem que deixou o equivalente a ? 10 milhões. Em 1943, me contaram que guardava 80 quilos de ouro em casa. O poder subiu-lhe à cabeça e acabou metendo-se com uma marquesa de dois nomes e três sobrenomes.

Farinacci não morreu como um leão, porque se deixou capturar. Também não morreu como um gatinho, pois encarou o pelotão de fuzilamento e gritou "viva a Itália".

Os meus milicianos emporcalharam o fascismo. Poucos morreram no campo de batalha. Alguns aninharam-se com a elite, mas a maioria meteu-se com boquinhas.

Daí a maledicência segundo a qual todos os políticos comem, mas os fascistas comiam com as mãos.
Despeço-me, sugerindo que me esqueça.
Herculano
02/06/2020 17:27
MAIA REBATE EDUARDO: PELO AMOR DE DEUS, VAMOS TRATAR DE SALVAR VIDAS E EMPREGOS NO BRASIL"

Conteúdo de O Antagonista. Em coletiva, Rodrigo Maia rebateu a declaração de Eduardo Bolsonaro, que disse hoje acreditar que o governo já alcançou "maturidade" para participar da escolha dos novos presidentes da Câmara e Senado.

"Cabe no meio de 30 mil mortes tratar de eleição para presidente da Câmara ou do Senado? Pelo amor de Deus, vamos tratar de salvar vidas e empregos no Brasil."

Perguntado se acha que o apoio do Planalto, ainda que indireto, influencia nas eleições do Congresso, Maia respondeu:

"Na ultima eleição, o Onyx fez campanha até o ultimo dia e eu o derrotei na Presidência da Câmara. Não sei se tem essa influência toda. Mas me deixa abismado e perplexo como alguém no meio de uma pandemia, com mais de 30 mil mortes, com a economia caindo 7%, alguém possa estar preocupado com eleição para Presidência da Câmara ou do Senado."

Maia também informou que o Conselho de Ética da Câmara vai voltar a funcionar, no máximo, até o início de julho. Segundo ele, nada tem a ver com os casos que envolvem Eduardo Bolsonaro e que estão parados no colegiado.

"Não. É porque tem muitas coisas que estão paradas no conselho. Não estou querendo voltar amanhã para tratar de caso específico nenhum, nada disso."
Herculano
02/06/2020 17:21
A PÁ VIRADA

Do Instituto Liberal de São Paulo, no twitter

O Brasil é o país onde "antifascista" defende a CLT de Vargas, "conservador" critica a prudência, ministro "liberal" imprime dinheiro a rodo e usa o BNDES para salvar empresas, "socialista" adora um iPhone capitalista opressor e "libertário" vai pra rua idolatrar político.
Herculano
02/06/2020 15:33
da série: ai, ai, ai. Esta tese se aplica a PGR?

ARAS AFIRMA QUE FORÇAS ARMADAS PODEM INTERVIR QUANDO "UM PODER INVADE A COMPETÊNCIA DE OUTRO"

Conteúdo de O Antagonista. Augusto Aras afirmou, em entrevista a Pedro Bial, que as Forças Armadas podem intervir em um Poder quando este "invade a competência" de outro Poder.

A declaração de Aras foi dada ao explicar sua interpretação do artigo 142 da Constituição, que define o papel das Forças Armadas.

Segundo o procurador-geral da República, o artigo define as Forças Armadas como garantidora dos Três Poderes, com atribuição para intervir quando um Poder intervém em outro.

"As Forças Armadas, no plano constitucional, atuam como garantes da Constituição. Quando o artigo 142 estabelece que as Forças Armadas devem garantir o funcionamento dos Poderes constituídos, esta garantia é nos limites da competência de cada Poder. Um Poder que invade a competência de outro Poder, em tese, não há de merecer a proteção desse garante da Constituição, porque, se esses Poderes constituídos se manifestarem, dentro das suas competências, sem invadir a competência dos demais Poderes, não precisamos enfrentar uma crise que exija dos garantes uma ação efetiva de qualquer natureza."

Questionado se o Brasil está próximo de um cenário desses, Aras respondeu:

"Não será este procurador-geral da República o catalizador de uma crise institucional desta natureza."
Herculano
02/06/2020 13:45
PREFEITO KLEBER DE GASPAR DESMANCHA MAIS UMA MANCHETE FANTASIOSA QUE FEZ PARA ELEITORADO HÁ 40 DIAS. TRATOU-O COMO ANALFABETO, IGNORANTE E DESINFORMADO.

EM MARÇO, KEBER ANUNCIOU QUE CINCO SECRETÁRIOS SEUS DEIXARIAM A TITULARIDADE DAS PASTAS PARA SEREM CANDIDATOS EM OUTUBRO E QUE SEUS POSTOS NÃO SERIAM PREENCHIDOS POR NOVOS, MAS ACUMULADOS. TUDO POR ECONOMIA.

Nesta terça-feira, dia dois de junho, o prefeito Kleber Esson Wan Dall, MDB, anunciou que a secretaria da Saúde terá um enfermeiro funcionário de carreira como titular no lugar do interino e advogado que é o dono da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, bem como uma psicóloga servidora efetiva será a titular da secretaria de Assistência Social, no lugar do interino, o advogado Felipe Juliano Bráz e que é o Procurador Geral do município.

Quando anunciou esta decisão no dia 25 de março, Kleber - um dos mais alto salários de prefeitos do estado, R$27.356,69, disse que fazia isso em nome de uma suposta economia de recursos públicos escassos diante da crise econômica que assola a cidade devido a pandemia da Covid-19.

No novo arranjo na administração de Kleber, Arnaldo Munhoz é o novo secretário da Saúde. E Silvânia dos Santos, secretária da Assistência Social.

Estas duas pastas estão expostas. A primeira devido a pandemia, a emergência, o hospital e o atendimento precário nos postinhos. Já a segunda, devido a desestruturação de algo sensível - como ainda relatei na coluna desta segunda-feira - num ambiente feito para resultados políticos partidários.

As soluções, ao menos, desta vez, passam a ter viés técnico e ao mesmo tempo o governo aproveita para a aproximação de Kleber com os servidores efetivos onde ele está muito desgastado devido ao aparelhamento político-partidário que implementou com comissionados e com cargos em confiança.

Economia financeira, que Kleber anunciou no dia 25 de março para nomear os seus interinos, todavia, se desmanchou como tantas outras manchetes e afirmações feitas em discursos, entrevistas sem perguntas e vídeo ou lives.

A incompatibilidade da mesma titularidade nas secretarias da Saúde e da Fazenda e Gestão Administrativa é outro problema que pode complicar ainda mais Kleber. Ele arriscou ou foi mal orientado.

Por outro lado, a nova secretária de Assistência Social já avisou aos motoristas da pasta que os quer à disposição dela, inclusive na hora do almoço. Acorda, Gaspar!
Herculano
02/06/2020 13:08
VAZAMENTO DE DADOS DE BOLSONARO EXPõE UMA FRAGILIDADE CRôNICA DO BRASIL

País gasta menos de um terço do necessário para garantir a segurança das informações das instituições e de seus cidadãos

Conteúdo da revista Veja online. Texto de Machado da Costa. Ao fim de janeiro deste ano, em Tel Aviv, em Israel, foi realizada uma das mais importantes feiras de tecnologia do mundo. Nada de celulares ou computadores superavançados. Bienal, a Cybertech reúne o crème de la crème das inovações em segurança cibernética. Em pequenas estandes se aglomeram desenvolvedores de serviços de telecomunicações criptografados, de proteção a servidores, além de uma miríade de produtos focados na guarda de dados de governos. Missões do mundo inteiro são organizadas para visitar a feira e conhecer as novidades, inclusive saídas do Brasil. O evento ganhou a proporção que tem ao longo dos anos porque Israel vive em constante ataque cibernético. Encrustado no Oriente Médio, o país precisa se defender ininterruptamente de ataques a suas plantas de energia, hospitais e outros serviços públicos. Nenhum líder na área se faz de rogado ao chamar os vizinhos de "bad guys" (caras maus, em tradução literal, ou bandidos, no melhor sentido da expressão).

Toda e qualquer empresa governamental israelense utiliza um método muito eficaz para conseguir aperfeiçoar constantemente sua segurança. Na área de tecnologia, são designados dois times de hackers - sim, o governo contrata hackers. Um dos times, o vermelho, tenta diuturnamente quebrar a segurança dos sistemas, enquanto que o azul, tenta combatê-los. O nível de avanço israelense na área é tão grande que alguns setores não trabalham mais com humanos focados em romper as barreiras de proteção, mas no desenvolvimento de robôs dotados de tecnologia do tipo machine learning - a qual utiliza inteligência artificial para garantir o constante aprimoramento autônomo dos robôs ?" para encontrar as brechas. Assim também funciona também os times que tentam defender os sistemas, criando uma batalha entre máquinas, e não mais com pessoas. Quem criar o melhor robô, vence. Essa lógica permite que Israel tenha um dos sistemas de informação mais seguros do mundo. Mesmo assim, seus cidadãos confiam pouco nas instituições para guardar seus dados. Escândalos de crises de segurança como o vírus Wannacry, que acometeu os sistemas da Microsoft, em 2017, são vistos como um alerta e estímulo para um permanente aprimoramento.

Como dito, Israel é uma nação em meio a um barril de pólvora. As hostilidades internacionais enfrentadas por lá são muito diferentes das vivenciadas no Brasil. Contudo, não há desculpas para o governo brasileiro ter um sistema de informação tão capenga quanto temos. Na noite de segunda-feira, uma suposta célula dos hackers ativistas Anonymous vazou dados pessoais do presidente Jair Bolsonaro, de seus familiares e de pessoas próximas, como o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o empresário Luciano Hang, dono da rede varejista Havan. A facilidade que os hackers encontraram nos servidores que armazenam não só informações cadastrais, como CPF e e-mail, mas também dados bancários, como cartões de crédito, é assustadora. Não está se falando de uma pessoa comum que utiliza uma senha fraca em seu e-mail pessoal, mas do cidadão mais poderoso da República, o próprio presidente. Os sistemas de proteção de dados do governo só não é motivo de piada porque a questão é muito séria e não sugere risos.

Dois casos dantescos no início da década deixaram claro como as informações brasileiras são de fácil acesso para serviços de inteligência de outros países. Primeiramente, o caso Wikileaks, que mostrou como agentes americanos captaram informações sigilosas do governo brasileiro. Depois, em 2013, Edward Snowden mostrou ao mundo que essa era uma prática permanente e que o governo americano continuava a espionar seus próprios parceiros ?" políticos e comerciais. Eles deveriam ter servido de aviso, mas nada foi aprendido com esses casos.

Entre 2012 e 2018, o governo destino parcos 125 milhões de reais para aumentar a segurança cibernética. Para este ano, foram 19 milhões. Segundo o relatório desenvolvido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Congresso, esses valores não chegam a um terço do necessário para garantir a intransponibilidade dos serviços de informação do Brasil. De acordo com a consultoria japonesa Trend Micro, o Brasil é um dos países com maior fragilidade a ataques de hackers. Talvez por isso, no ano passado, Bolsonaro investiu 7 milhões de reais em equipamentos de segurança eletrônica para proteger o Palácio do Planalto de grampos, câmeras ocultas, dispositivos de escuta de áudio e rastreadores de GPS. Embora esse dispêndio seja importante, a maneira como o governo se protege, como se prova agora, já está absolutamente defasada.

Quando um grupo de ativistas com um conhecimento que só vai um pouco além da média em segurança cibernética é capaz de expor dados tão sensíveis do Presidente da República, é lógico pensar no tamanho do estrago que países que possuem recursos ilimitados poderiam causar. Já que o governo brasileiro possui em Israel um norte de moralidade e militarização, seria bom também se inspirar neles no que têm de melhor: a segurança de informações.
Herculano
02/06/2020 13:00
PODER IMPOTENTE, por Pablo Ortellado, professor do curso de gestão de políticas públicas da USP, é doutor em filosofia no jornal Folha de S. Paulo

Bolsonaro se apoia em discurso populista de que instituições não o deixam governar

Quem pare para escutar o discurso bolsonarista ouvirá que o ímpeto renovador do presidente está sendo bloqueado pelas instituições e que o voto popular não está sendo respeitado, porque o STF derruba as ações, o Congresso não aprova as medidas provisórias e a imprensa persegue o presidente.

Seria necessário fazer valer a soberania popular, que precisaria se impor sobre as viciadas instituições de representação, ainda que por meio de uma intervenção das Forças Armadas atuando como poder moderador. Para os bolsonaristas não se trataria de ditadura, mas de uma restauração da democracia. O nome técnico deste tipo de discurso é populismo.

Populismo é um termo utilizado para descrever os movimentos políticos que empregam um discurso antielites e buscam mobilizar o povo em conexão direta com um líder forte e carismático contra as instituições de representação.

O populismo no poder, portanto, seria paradoxal, porque ao assumir o Executivo o líder se tornaria o poder constituído contra o qual se opunha.

Para não se descaracterizar enquanto projeto de mobilização e de antagonismo permanente, o populismo no poder adota um discurso no qual se coloca como poder impotente, comprimido e esmagado por instituições corrompidas e envelhecidas que precisam ser derrubadas ou renovadas. O projeto populista não tem fim, porque essas elites escondidas e entranhadas funcionam como um fantasma sempre presente, que impediria o líder de governar.

Foi assim com a Venezuela. Era preciso derrubar a imprensa, então se caçaram as concessões de radiodifusão, se cortou a importação de papel e se construiu um sistema de comunicação oficial. Era preciso limitar o Congresso, então foram redesenhados os distritos eleitorais e se esvaziou o Poder Legislativo, criando uma dualidade com a Assembleia Constituinte; era preciso limitar a Suprema Corte, então se alterou a sua composição.

Quando tudo parecia estar sob controle, se apontaram o poder dos empresários e a ação de forças estrangeiras. A resposta antidemocrática da oposição, que tentou um golpe em 2002, e dos Estados Unidos, que implementaram um embargo em 2019, apenas respaldou o discurso do poder impotente, que precisa perseguir permanentemente esse outro poder oculto, entranhado.

O projeto político que temos no Brasil é desse tipo, guardadas as diferenças ideológicas. Bolsonaro quer não apenas medidas pontuais contra a imprensa, o Congresso e o STF. Estamos enredados em um processo permanente que, se não for interrompido agora, vai nos tragar em uma espiral de destruição.
Herculano
02/06/2020 12:55
BOLSONARO USA RECURSOS E SÍMBOLOS, por Míriam Leitão, no jornal O Globo.

Bolsonaro usa recursos públicos, símbolos das Forças Armadas e o cargo para estimular protesto antidemocrático e fazer campanha fora de hora

O presidente Jair Bolsonaro tem usado recursos públicos e símbolos militares para fazer campanha política. A eleição é só em 2022, mas ele jamais saiu do palanque. A ida a manifestações não é um ato da administração do país, é de um candidato. A armadilha em que o Brasil está é que ele, como presidente, pode requisitar helicópteros para fazer seus deslocamentos, mas teria que ser para o exercício do cargo. Evidentemente ele quer usar isso como símbolo de força e poder para estimular seus apoiadores, tanto que nesse domingo usou não um dos veículos da Presidência, mas da Aeronáutica.

Ele usa esses símbolos deliberadamente. Não é necessário helicóptero entre o Alvorada e o Planalto, pouco mais de quatro quilômetros distantes um do outro, cerca de cinco minutos de carro. Mas ele quis fazer sobrevoos exibicionistas. A bordo, levou o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo, presença absolutamente inconveniente neste momento em que o país está diante de velhos fantasmas de rupturas institucionais que este governo reavivou. O general Azevedo tem dado sinais muito ruins.

A propósito da coluna de domingo, em que o historiador José Murilo de Carvalho disse que "os erros (do governo Bolsonaro) terão a cor verde-oliva", um oficial general me disse o seguinte: "A imagem das Forças Armadas (do verde-oliva, mas não exclusivamente) foi afetada? Sim. Indelevelmente? Não." Ele acha que a geração que chegou aos comandos agora aprendeu a conviver com a suposta "dubiedade" do artigo 142 da Constituição. "E saiu-se bem quando confrontada com os antagonismos naturais ocorridos no amadurecimento da democracia brasileira." É verdade. Saiu-se bem. Até agora.

Os militares que estão no governo costumam minimizar as ameaças que o presidente tem feito às instituições falando em "arroubos" e "figuras de retórica", ou então que "ele é assim mesmo". Tomado ao pé da letra, significa que não se deve levar a sério o presidente da República. Para o vice-presidente Hamilton Mourão, na entrevista ao "Valor", as ameaças que fez na semana passada ?" de não respeitar ordens judiciais ?" foram "um desabafo". A nota do general Heleno, uma "retórica inflamada dos dois lados".

Cada ato do presidente é filmado e divulgado para a sua rede social. Quem filma? Um servidor público. O helicóptero usado gasta combustível. Onde será debitado? No cartão corporativo secreto da Presidência. Toda a segurança tem que ser reforçada em torno dele no seu contato com os manifestantes. Quem paga todo esse aparato? O contribuinte. Domingo, ele montou cavalo da Polícia Militar. Queria passar a informação de que também as PMs estão ao seu lado.

As manifestações das quais o presidente participa fazem defesa de crimes. Pedem fechamento do Congresso e do Supremo e intervenção militar. A presença dele significa apoio. Os atos estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República. Em resumo, Bolsonaro usa dinheiro público, símbolos das Forças Armadas e da Polícia Militar, o poder da Presidência para estimular manifestações contra a democracia, manter sua militância estimulada e fazer campanha eleitoral fora do seu tempo.

Os contra o presidente foram para a rua também no domingo. Não é aconselhável aglomeração, mas o presidente tem ido há sete semanas em atos que o reforçam. A resposta viria. Era previsível que haveria confronto. O temor que está no ar é o de que a Polícia Militar, diante de grupos em conflito, não tenha neutralidade. O deputado federal, ex-PM do Rio, Daniel Silveira (PSL-RJ), vice-líder do governo, postou uma mensagem com ameaça explícita. Depois de xingar os manifestantes contra o governo, ele disse que "tem muito policial armado, e um de vocês vai achar o de vocês. Na hora que vocês vierem, e tomar um no meio da testa ou no meio do peito e cair o primeiro..."

Na entrevista ao "Valor", o vice-presidente Hamilton Mourão disse: "deixa o cara governar". Bolsonaro não tem governado porque não quer. Ninguém o impede, a não ser ele mesmo. Poderia ter somado as forças políticas na luta contra o inimigo comum, o coronavírus. Mas politizou e escalou. Criou conflitos com governadores, ministros do Supremo, o presidente da Câmara e com seus ministros. Já tirou três nesta pandemia. Ele não quer governar, ele quer o conflito, a agitação e a propaganda. E o faz com dinheiro público.
Miguel José Teixeira
02/06/2020 12:10
Senhores,

A Rádio Cercadinho pergunta:

Será que a SEMELHANÇA entre a ascensão do hitler e certos comportamentos do "capitão zero-zero", alegada pelo decano SuTriFe, está apenas no CORTE DO CABELO?

Respostas para os probos do centrão!

Eu penso que o "capita" está mais para collor do que para adolf, a julgar pela variação da prática de esportes: jet ski, cavalos, helicópteros (alô ideli). . .
Miguel José Teixeira
02/06/2020 08:53
Senhores,

Só para exercitar:

1) Em 2015, o senador Humberto Costa (PT) elogiava o STF, que fatiou o impeachment de Dilma. Em 2017 o criticava pelo projeto anticorrupção. Em 2018 atacou o STF por não pautar a prisão em 2ª instância que livraria Lula. Agora os elogios voltaram; e apoia "investigações do STF". (Coluna do CH abaixo replicada)

Tenho teclado frequentemente: o dublê de psiquiatra/senador pernambucano necessita urgente de tratamento com um Psiquiatra. Daqui à pouco ele sairá por aí imitando uma ambulância. Aliás, de ambulâncias ele entende!


2) Pensando bem. . .

2.1) ...quando um não quer, 11 não brigam.(CH) ou

2.2) ...quando 1 quer, 11 se unem!

3) E o partido do amin, hein? A quadrilha trocou o chefe lula pelo chefe "capita". Lembrem-se que 11 é um atrás do outro. . .
Herculano
02/06/2020 08:08
O NOVO SOB REGULAMENTAÇÃO

Texto de Alexandre Garcia, no site Gazeta do Povo, Curitiba, PR.O Senado Federal vota, nesta quarta-feira (2), um projeto que afeta todos nós que estamos nas redes sociais. Os meios tradicionais são de informação, e as redes sociais são os novos meios de informação.

Não estão querendo nos censurar, não precisem ficar assustados. As partes do texto que poderiam tolher a liberdade de expressão e de opinião foram retiradas. O objetivo é que os administradores das plataformas respeitem todas as publicações.

Se, por exemplo, alguma rede social for tirar algum conteúdo do ar isso terá que ser avisado previamente e o motivo terá que ser explicado. Assim, robôs e perfis falsos seriam eliminados das plataformas. Ainda é possível que tenham alterações porque ainda está em votação, mas a base do projeto é essa.

Para evitar confrontos, o presidente Bolsonaro pediu para os manifestantes não irem às ruas no próximo domingo. O general Augusto Heleno disse que é preciso ter juízo, prudência, democracia, independência entre poderes.

O general já disse que não é para as pessoas tomarem atitudes radicais porque o presidente não quer radicalismo entre os seus seguidores. Ele também pediu para as pessoas terem prudência.

Aquele pessoal de preto ameaça ir para rua no domingo (6) e eles se mostraram violentos e com características bem fascistas. Eles deixam o punho erguido fechado, que é algo da extrema esquerda, e usam camiseta preta, que simboliza o fascismo.

A Constituição afirma que todos podem se reunir pacificamente sem armas, em locais abertos ao público independentemente de autorização desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local.

Dito isso, é difícil de entender como as autoridades permitiram que a reunião de domingo fosse continuada e como a força policial só interveio na manifestação quando começaram as agressões.

Como que chamam aquela reunião de manifestação democrática quando aquilo foi uma manifestação caracteristicamente fascista, que queria impedir o direito à manifestação. Isso é fake news.

O ministro Gilmar Mendes avisou que Bolsonaro cumpriu todas as ordens da Justiça até agora e disse que acredita que um pedido de impeachment da chapa Bolsonaro-Mourão seria anulado, já que Bolsonaro teve quase 58 milhões de votos e essa é a vontade do povo.

Relação entre os poderes
O Ministério Público está preocupado com a desarmonia entre o Supremo Tribunal Federal e a presidência da República. O MP e o presidente Associação Nacional dos procuradores da República se manifestaram na segunda (1).

O procurador-geral da República deu mais 30 dias para que o inquérito das fake news esteja concluído. Os procuradores discordam e dizem que o inquérito é totalmente inconstitucional e absurdo.

É bom a gente lembrar da finalidade do Ministério Público, que é defender a ordem jurídica e democrática. E é justamente por isso que ninguém precisa apelar para o quartel para manter essa ordem, e sim para o MP."
Herculano
02/06/2020 08:01
LAVA JATO ACELERA PROCESSO CONTRA ACUSADO DE REPASSAR PROPINA DA ODEBRECHT PARA RODRIGO MAIA, por Renan Ramalho, em O Antagonista.

Enquanto um inquérito sobre Rodrigo Maia envolvendo corrupção, lavagem e caixa 3 patina no Supremo, avança rapidamente em Curitiba um processo envolvendo o mesmo caso, mas que tramita de forma separada na primeira instância da Lava Jato.

A ação tem como réu Roberto Lopes, dono da Praiamar e da Leyroz, empresas que teriam sido usadas pela Odebrecht para pagar propina a Maia, segundo a Polícia Federal. No último dia 6 de maio, Lopes teve bens bloqueados e se tornou réu; no ano passado, teve os sigilos bancário e fiscal quebrados.

O empresário é acusado de doar R$ 100 mil para Rodrigo Maia em 2010 e R$ 200 mil em 2014, parte de um total de R$ 1,6 milhão que a Odebrecht teria repassado ao presidente da Câmara, e ao pai, Cesar Maia, entre 2008 e 2014.

Os dois foram indiciados pela PF em agosto do ano passado.

Na época, Edson Fachin pediu a Raquel Dodge uma posição no caso, para denunciar ou arquivar. Sem resposta desde então, o ministro cobrou uma nova posição da PGR, desta vez de Augusto Aras, mas o procurador-geral não deu sinal do que vai fazer.

Ontem, valendo-se da demora numa resolução, a defesa Roberto Lopes pediu ao Supremo que as medidas contra ele, determinadas por Luiz Antonio Bonat, sejam canceladas, porque, segundo os advogados, não deveria estar na 13ª Vara Federal do Paraná.
Herculano
02/06/2020 07:57
O FACISMO PARA QUEM NÃO CONHECE HISTóRIA

De Alan Ghani, professor, no twitter:

O jovem não tem a menor ideia do que seja Fascismo. Se soubessem, não sairiam nas ruas promovendo terrorismo. Deveriam preencher o vazio de suas vidas com uma boa literatura sobre o tema.
Herculano
02/06/2020 07:36
ESTÁ NA HORA DE FALAR DE UMA OUTRA PANDEMIA: A DA INATIVIDADE FÍSICA, por Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da USP, especialista em fisiologia do exercício clínico e conduz estudos sobre promoção de estilo de vida saudável para populações clínicas, no jornal Folha de S. Paulo

Estudo já mostrou que 9% das mortes no mundo em 2018 podem ser atribuídas ao sedentarismo

Metade da população brasileira não atinge a quantidade mínima de atividade física necessária para se manter saudável: 150 minutos de atividade em intensidade moderada ou 75 minutos em intensidade vigorosa por semana.

Mas não há um único país que não apresente índices preocupantes para esse fator de risco. Seu alcance global confere à inatividade status de pandemia. Em época de Covid-19, poder-se-ia alegar que o termo soa descomedido. Vejamos. Um estudo de pesquisadores da Universidade Harvard demonstrou que, das 58,7 milhões de mortes ocorridas no mundo em 2018, nada menos que 9% (ou 5,3 milhões de mortes) podiam ser atribuídas à insuficiência de atividade física. Em outras palavras, a inatividade física seria responsável por uma em cada dez mortes no planeta.

As estimativas dos pesquisadores demonstraram, ainda, que a falta de atividade foi responsável por 6% dos óbitos por doenças cardíacas, 7% por diabetes do tipo 2, 10% por câncer de mama e 10% por câncer de cólon. No total, 1,3 milhão de vidas por ano poderiam ser poupadas se a inatividade fosse reduzida em 25%.

Eis que surge a pandemia da Covid-19, e com ela necessidade de isolamento social para conter seu avanço. O efeito colateral do isolamento é o aumento da inatividade, como revela um levantamento feito pela empresa americana Fitbit, que analisou dados de 30 milhões de usuários de dispositivos que medem o número de passos diários. Americanos, espanhóis, italianos e brasileiros apresentaram uma redução de atividade física de 12%, 38%, 25% e 15%, respectivamente, na quarta semana de março deste ano, em comparação ao mesmo período de 2019.

A atividade física poderia proteger contra a Covid-19? É cedo para responder, mas um estudo recente que avaliou 380 mil ingleses jogou luz sobre essa questão. Estimativas de risco demonstraram que a inatividade pôde explicar 8,6% dos casos graves de Covid-19. Outros 29,5% foram atribuídos à obesidade - condição, por sua vez, que pode ser prevenida pela atividade física.

No nosso artigo publicado na revista da Sociedade Americana de Fisiologia, estimamos que, por causa da pandemia, o número de óbitos por todas as causas pode escalar em 535 mil mortes ao ano se a inatividade aumentar em 10% na população. Com incrementos de 25% - um cenário mais realista - seria 1,3 milhão de mortes a mais. Caso a inatividade aumente em 50% em decorrência da pandemia e do isolamento social, isto poderá resultar na morte adicional de 2,7 milhões de pessoas.

Mesmo com o progressivo relaxamento das medidas de isolamento social, grupos de risco como idosos, obesos e doentes crônicos deverão continuar enfrentando restrições de circulação mais rígidas e duradouras, pelo menos até que uma vacina seja desenvolvida ou a imunidade populacional atingida. A promoção de atividade física em domicílio - modalidade barata, segura e eficaz - pode ser uma saída, e segue sob escrutínio no nosso laboratório.

Esse tipo de programa consiste na prescrição de atividade física estruturada, entregue em cartilhas ou vídeos e com monitoramento remoto. A intensidade do acompanhamento profissional depende da necessidade de cuidado do indivíduo: pacientes com doenças crônicas e idosos debilitados podem precisar de assessoramento periódico para checar aderência ao programa, ajustes de cargas e da execução de exercícios e possíveis eventos adversos, ao passo que jovens e adultos saudáveis acostumados a se exercitarem requerem menos ou nenhuma supervisão e podem seguir programas online com progressão gradual. O monitoramento pode se dar por dispositivos e plataformas de saúde digital (ou eHealth), aplicativos de videoconferência e troca de mensagens, email ou por telefone.

Para além da atividade física estruturada, medidas simples como a interrupção do sedentarismo prolongado (a cada uma hora sentado, caminhe por cinco minutos) também são úteis. No "novo normal", não há espaço para a inatividade.
Herculano
02/06/2020 07:30
TODOS TÊM DIREITO DE IR À RUA DEFENDER ATÉ IDIOTICES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Manifestações reafirmam a democracia, ainda que defendam bandeiras idiotas, pelo simples fato de que todos têm o direito constitucional de defendê-las. A tentativa de demonizar os que criticam o Supremo ou o Congresso sugere que o cidadão que os sustenta não pode exercer nem o direito à livre expressão. Além disso, não há na Constituição artigo que autoriza apenas manifestações "politicamente corretas" ou que defendam "boas ideias", como preconizaram as mais tristes ditaduras da História.

RESPEITO IMPOSTO

O avanço do STF contra os críticos, a pretexto de "combater fake news", parece servir ao propósito de impor o respeito pelo temor de punição.

SEM O 'BAFO' DAS RUAS

Ministros do STF querem viajar sem ter de ouvir do passageiro ao lado, no avião, que "o STF é uma vergonha", como aconteceu a Lewandowski.

LONGA CONSTRUÇÃO

A reputação do STF é ruim em razão da exposição de ministros e por suas decisões amplamente divulgadas pela mídia, e não por "fake news".

CONSTITUIÇÃO NO SACO

Se o STF relativiza até para deputados o direito à livre expressão, amordaçando os críticos, será o começo do fim da "Constituição cidadã".

'TERRIVELMENTE CRISTÃO', IVES É NOME FORTE PARA O STF

O ministro Ives Gandra Martins Filho, ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, é um dos três nomes que o presidente Jair Bolsonaro disse estar "namorando" para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso ocorrerá após a "expulsória" do ministro Celso de Mello, em 1º de novembro, aos 75 anos. Conservador, cristão, sério e honrado, mas sempre de bem com a vida, Martins Filho doou o salário de ministro do TST à Igreja Católica e fez voto de pobreza. Vai à missa diariamente.

VIDA FRANCISCANA

Ives Gandra Martins Filho vive modo franciscano, em um quarto simples do centro cultural de uma igreja da Asa Norte de Brasília.

JUIZ DE PRIMEIRA

O ex-presidente do TST é também admirado pelo saber jurídico, e tem um relacionamento muito próximo com todos os ministros do STF.

APOIO DENTRO DO STF

Entre os "torcedores" da nomeação do filho do jurista Ives Gandra para o STF estão os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

DEMITINDO GERAL

Só para mostrar que continua vivo e com caneta na mão, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSL), demitiu aliados do presidente do PSC, Pastor Everaldo, da sua Casa Civil e da Secretaria de Fazenda.

PORTAS ABERTAS

O presidente da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), Gilson Machado Neto, é um dos mais solícitos auxiliares de Bolsonaro nas relações com o Congresso: abriu portas para o Centrão.

CANDIDATURA AVALIADA

Aliados do deputado Delegado Waldir (PSL), o mais votado de Goiás em 2018, torcem para que ele dispute a prefeitura de Aparecida de Goiânia, seu reduto. Mas ele está de olho é no Palácio das Esmeraldas, em 2022.

APESAR DE TUDO

O Brasil superou as 30 mil mortes e o dado foi explorado como "caos". Deve-se todo respeito às vítimas e familiares, mas temos a menor letalidade (5,6%) entre países com mais de 9 mil óbitos por Covid-19.

Só NO GOGó

Líder do PT na Câmara, Ênio Verri (PR) diz que a Caixa 100% estatal é "estratégica" para reduzir desigualdades. Sabedores disso, os governos petistas poderiam ter roubado menos os cofres da Caixa.

SR. COERÊNCIA

Em 2015, o senador Humberto Costa (PT) elogiava o STF, que fatiou o impeachment de Dilma. Em 2017 o criticava pelo projeto anticorrupção. Em 2018 atacou o STF por não pautar a prisão em 2ª instância que livraria Lula. Agora os elogios voltaram; e apoia "investigações do STF".

A ECONOMIA SOBREVIVE

O Índice de Confiança Empresarial da Fundação Getulio Vargas/IBRE subiu 9,8 pontos em maio, para 65,5 pontos, recuperando 24,0% da queda ocorrida no bimestre março-abril, auge do impacto da pandemia.

POINT DE VUES

A educadora Maria José Rocha Lima, que escreve para o Diário do Poder, teve artigo sobre o Fundeb - Fundo Nacional De Desenvolvimento da Educação - publicado na revista francesa Point de Vues (Ponto de vista), em parceria com a ex-deputada e vereadora Iara Bernardes.

PENSANDO BEM...

...quando um não quer, 11 não brigam.
Herculano
02/06/2020 07:21
POR QUE O DIGITAL É MAIS CRIATIVO, por Nizan guanaes, publicitário, no jornal Folha de S. Paulo

O digital, essa biblioteca de Alexandria, cobre o desnecessário; e ele, o etc., é o novo essencial

O digital é mais criativo do que a TV por um motivo muito simples: o digital não é escravo da audiência.

Ele forma a audiência. Sentado numa audiência absurda, a TV tem que contentar a todos. Por isso, ela inova menos, arrisca menos.

Já o digital nada de braçada. Ele tem todos os dias as melhores cabeças do mundo gerando gratuitamente conhecimento. Eu estou comprando todos os livros que Bill Gates recomendou para atravessar a pandemia. Eu não preciso mais ouvir sermão feijão com arroz se eu posso ouvir o padre Fábio de Mello ou o dalai-lama ou o que quiser na tela do meu celular.

Eu vi com emoção o lançamento do primeiro foguete tripulado construído pela iniciativa privada no meio de uma crise econômica. Eu também vejo o TikTok revolucionar a linguagem e a estética com coisas geniais e com coisas absurdas e escatológicas.

Eu editei meu Instagram para ficar ligado às fontes de conhecimento do mundo (The New York Times, BBC, The Wall Street Journal). Mas também aos BBBs, à blogueira, aos mequetrefismos, à Nathalia Arcuri, ao Caetano etc. etc. etc.

É uma batalha inglória para a TV. Não acho que os anunciantes e as agências e a mídia em geral entendam o que está acontecendo. Eles acham que é uma revolução do meio. É mais: é uma revolução da mensagem. O mundo está mudando de pauta. Ninguém aguenta só falar de política, de economia e de narrativas dramáticas cansadas e tantas vezes negativistas.

A novela tem as mesmas estórias contadas à exaustão. O digital tem tudo. O romance entre um pé de chuchu e uma couve. No primeiro episódio, tem duas pessoas assistindo. E daqui a pouco tem 40 milhões. Afinal, as Kardashians são um pé de chuchu.

Democracia é pauta também. E é a pauta cauda longa - 40 mil, 50 mil, 100 mil pessoas que querem falar de relógio ou masturbação ou latim, em profundidade. Aí você tem à disposição tudo, absolutamente tudo de mais genial que a mente humana pode produzir sobre o tema. Inclusive comercialmente falando. E você compra tudo rapidamente. A experiência de compra é incrível. Uma das melhores coisas no YouTube e no Instagram são os produtos. A criatividade dos produtos, dos serviços e dos apps.

Os CEOs e os CMOs deveriam reservar tempo para se dedicar a uma imersão diária neste mundo que está em nossas mãos. Antigamente, a gente viajava ao exterior para nos atualizar. Hoje, é só clicar de qualquer lugar. Os CEOs e o CMOs precisam achar esse tempo.

A quarentena nos deu tempo. Neste festival de horrores, luto e medo, surgiram coisas boas também. Uma delas é o ser humano ter mais tempo para ser humano. Para rezar, cantar, ler, jogar baralho, dominó, falar bobagem.

O digital tem essa pauta. Que está na literatura de Saramago quando ele fala da avó dele, de Jorge Amado contando a vida da Bahia, de Quintana, Bandeira, Pessoa. A beleza das coisas comezinhas.

Escrevo este texto direto do meu WhatsApp, depois de ver a live do padre Fábio de Melo no meu iPad e tendo de correr para fazer um Zoom de trabalho num domingo.

Tudo isso é uma bênção, inclusive para a TV. Que será ainda mais forçada a sair da sua zona de conforto. A Globo tem melhorado muito, esta Folha está linda, o New York Times se reinventou mostrando que quem decretou o fim do jornal perdeu etc.

Aliás, o etc. é a pauta rica do digital. A publicidade precisa dedicar tempo ao etc. Os anunciantes têm que entender que o futuro está no etc. A felicidade é o etc.

O digital, essa biblioteca de Alexandria, cobre o desnecessário. E ele, meus amigos, o etc., é o novo essencial.
Herculano
01/06/2020 15:36
LEIA O CONDENADO LULA AO CONTRÁRIO

Conteúdo de O Antagonista. No Twitter, o condenado Lula criticou o editorial de O Globo que afirma que, se quiser, Bolsonaro "ainda tem tempo para recuar e reconquistar a confiança (dos investidores) , dentro e fora do país".

O condenado escreveu:

"Volto a dizer: não dá pra aceitar a ideia de que o Bolsonaro é resultado de um processo amplamente democrático. Ele é resultado de um processo que se deu desde a cassação de uma presidenta sem crime. Agora perceberam que o troglodita que eles elegeram não deu certo."

"Estou dizendo pra gente não pegar o primeiro ônibus que tá passando. Estão querendo reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes. Tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora nesses manifestos. O editorial do Globo é uma proposta de acordo pra manter o Bolsonaro."

E ainda:

"E o PT sabe porque quer tirar o Bolsonaro. A gente quer tirar o Bolsonaro pra defender a vida. Porque ele não gosta de mulher, não gosta de preto, não gosta de índio, não gosta do povo trabalhador. É por isso que estamos dizendo Fora Bolsonaro."

Leia o condenado Lula ao contrário: o PT quer mesmo é manter Bolsonaro sangrando na presidência da República. Tudo teatro.
Herculano
01/06/2020 13:07
PF PEDE CóPIA DE INQUÉRITOS RELACIONADOS A BOLSONARO PARA APURAR INTERFERÊNCIA DO PRESIDENTE

Conteúdo de O Antagonista. A Polícia Federal em Brasília solicitou cópias dos inquéritos que tramitam na Superintendência da PF no Rio com interesse direto de Jair Bolsonaro.

Os documentos serão entregues no âmbito da investigação da suposta interferência do presidente na corporação.

Segundo o Globo, entre os inquéritos está o que investiga o seu filho Flávio Bolsonaro, o que apura a morte de Marielle Franco - por causa do depoimento do porteiro do condomínio de Bolsonaro no Rio - e o que incluiu indevidamente o nome do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ).

Como as informações ainda não foram repassadas, a PF listou esta pendência ao solicitar a prorrogação de prazo por mais 30 dias do inquérito contra Jair Bolsonaro.
Herculano
01/06/2020 13:04
NÃO VAI TER GOLPE, VAI TER JOGO, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

Adversários precisam fazer mais política se quiserem barrar projeto autoritário.

Não vai ter golpe, mas vai ter jogo. E o time dos brucutus, que decerto preferiria o golpe, começou a jogar faz um tempinho com a enorme vantagem de estar sentado na estrepitosa máquina do Executivo federal. Eis o que parece hoje o teatro de operações da política nacional.

Nesse tabuleiro, ameaçar com as baionetas, mesmo quando elas não passam de peças decorativas que aludem a um passado obtuso, traz benefícios menores para o grupo no poder. Hipnotiza, com aroma artificial de pólvora, a turma da testosterona e talvez intimide algum adversário.

Mas a retórica do arreganho produz seu maior efeito, para o situacionismo, quando leva muitas forças que poderiam estar trabalhando na concretude da política para isolar e enfraquecer o bolsonarismo a preocupar-se mais com a preservação do enquadramento do regime e menos com o que ocorre em seu miolo.

Talvez não haja escapatória para os democratas. No nosso presidencialismo, o chefe eleito do Executivo, mesmo fraco como Jair Bolsonaro, detém o monopólio do megafone nacional, e isso desde sempre.

Se ele aponta para os quartéis, é inescapável preocupar-se com isso. Saibam todos, no entanto, que o governo Bolsonaro mudou quando, há alguns meses, viu que se aproximava a degola do impeachment. Ele agora opera em modo dual. Enquanto grita "fogo!", compra apoio parlamentar na moeda de sempre. E essa moeda funciona no nosso sistema.

Se sobreviver até novembro, nomeará seu primeiro ministro para o Supremo Tribunal Federal, o mais duro e coeso obstáculo ao desvario bolsonarista até aqui. Em fevereiro, vai entrar com tudo na disputa das presidências da Câmara e do Senado.

Caso o fôlego dure até julho do ano que vem, mais um magistrado no STF. E quem sabe chegar a 2022 em condições de disputar a reeleição.

Esse é o projeto bolsonarista, em que está diluído o risco da deterioração do regime. Para barrá-lo, os adversários precisam fazer política. Manifestos não bastam. É arregaçar a manga, cooptar o centrão e mirar 342 votos.
Herculano
01/06/2020 13:02
da série: nada disso vai terminar bem para os que pagam pesados impostos e estão desempregados.

MORO RESPONDE: BOLSONARO "DESEJAVA REBELIÃO ARMADA CONTRA MEDIDAS SANITÁRIAS"

Conteúdo da Agência Estado. Texto do jornal Estado de Minas.O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, respondeu ao presidente Jair Bolsonaro que, na manhã desta segunda-feira, 1º, o chamou de "covarde" ao acusá-lo de dificultar a posse e o porte de armas no Brasil. Na reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro pressionou o ex-ministro a assinar uma portaria para ampliar o limite para a compra de munições no País e defendeu armar a população contra governantes que impõem quarentena em Estados e municípios.

Em nota divulgada também nesta segunda, Moro defendeu o isolamento social como medida mais eficaz de combate à pandemia e criticou o que classificou como "ofensas e bravatas" do governo.

O ex-ministro declarou ter procurado Secretários de Segurança dos Estados e do Distrito Federal, durante a pandemia, na tentativa de "evitar ao máximo o uso da prisão como sanção ao descumprimento de isolamento e quarentena", mas reconheceu que a medida está prevista na Constituição para aqueles que, cientes de estarem infectados, não cumpram isolamento. Moro acusou ainda o presidente de tentar utilizar políticas de flexibilização de posse e porte de armas para "promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por Governadores e Prefeitos".

O ex-ministro criticou também a revogação de normas que tratam sobre controle de armas e munições, sob o risco de "desvio do armamento destinado à proteção do cidadão comum para beneficiar criminosos". No mês passado, por determinação do presidente, o Ministério da Defesa revogou três portarias do Exército Brasileiro que, na prática, dificultavam o acesso do crime organizado a munições e armamentos extraviados das forças policiais do País. O Ministério Público Federal acionou a Justiça para que as medidas sejam retomadas.

Leia a íntegra de nota de Moro:

"Sobre as declarações do Presidente no Alvorada sobre minha gestão no MJSP, presto os seguintes esclarecimentos:

1 - As medidas de isolamento e quarentena são necessárias para conter a pandemia do coronavírus e salvar vidas. Devem, certamente, ser acompanhadas de medidas para salvar empregos, renda e empresas. Sempre defendi que as medidas deviam ser aplicadas mediante diálogo e convencimento. Mas a legislação prevê como um recurso excepcional a prisão, conforme art. 268 do Código Penal. A Portaria Interministerial n.º 5 sobre medidas de isolamento e quarentena, por mim editada junto com o Ministro Mandetta, apenas esclarecia a legislação e deixava muito claro que a prisão era medida muito excepcional e dirigida principalmente aquele que, ciente de estar infectado, não cumpria isolamento ou quarentena. Durante minha gestão como Ministro da Justiça e Segurança Pública, dialoguei com os Secretários de Segurança dos Estados e do DF para evitar ao máximo o uso da prisão como sanção ao descumprimento de isolamento e quarentena, inclusive isso foi objeto expresso de reunião por videoconferência com os Secretários de Segurança no próprio 22/04/20120. Acredito em construir políticas públicas mediante diálogo e cooperação, como deve ser, de nada adiantando ofensas ou bravatas.

2 - Sobre políticas de flexibilização de posse e porte de armas, são medidas que podem ser legitimamente discutidas, mas não se pode pretender, como desejava o Presidente, que sejam utilizadas para promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por Governadores e Prefeitos, nem sendo igualmente recomendável que mecanismos de controle e rastreamento do uso dessas armas e munições sejam simplesmente revogados, já que há risco de desvio do armamento destinado à proteção do cidadão comum para beneficiar criminosos. A revogação pura e simples desses mecanismos de controle não é medida responsável.

3 - Sobre a ofensa pessoal feita, meu entendimento segue de que quem utiliza desse recurso é porque não tem razão ou argumentos.

Curitiba, 01 de junho de 2020.

Sergio Fernando Moro"
Herculano
01/06/2020 12:54
ACABOU, ACABAMOS, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

Ao aceitarem que caiam no seu colo milhares de mortes, Forças Armadas mostram que topam tudo por seu capitão

Acabou, porra! Esta frase de Bolsonaro, dita na porta do Palácio da Alvorada, me lembrou uma outra frase de um personagem de "Esperando Godot, peça de Samuel Beckett: "Acabou, acabamos."

Esta lembrança surgiu porque há alguns dias fizemos uma live, eu e o querido embaixador Marcos Azambuja, cujo título era: "Esperando Godot, a tempestade perfeita." Nesse encontro, promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais, defendi a tese de que a tempestade perfeita no Brasil era produzida pela associação da pandemia com a presença de Bolsonaro no poder. Há outras combinações no mundo: nos EUA, por exemplo, coronavírus e racismo.

Bolsonaro disse esta frase porque não quer respeitar as decisões do STF, onde, no momento, tem duas preocupações: um inquérito sobre sua interferência na Polícia Federal e outro sobre a máquina de fake news montada por gente muito próxima a ele.

Filho de Bolsonaro, Eduardo entra no nosso ônibus e diz: eu poderia estar fritando hambúrguer nos Estados Unidos, mas vim avisar que haverá uma ruptura, não é questão de se, mas de quando acontecerá.

Juristas ultraconservadores acham o artigo 142 como saída. Se Bolsonaro não aceita as decisões do Supremo, as Forças Armadas têm de funcionar como Força Moderadora, obrigando o Supremo a aceitar tudo o que faz Bolsonaro.

As Forças Armadas já mostraram até onde podem ir. Em primeiro lugar, ocuparam o governo. Isso era previsível, pois o espírito salvacionista que vem desde a Proclamação da República não morreu: só os militares conseguem dirigir este país caótico, pensam.

O mais grave é que as Forças Armadas, através de um general da ativa, ocuparam o Ministério da Saúde, encamparam a errática política de Bolsonaro e querem nos entupir de cloroquina. Ao aceitarem que caiam no seu colo milhares de mortes, mostram que topam tudo por seu capitão.

Como assim, nossas Forças Armadas? Outras forças também poderosas foram seduzidas por um simples cabo. A hora não é tanto de reflexões sociológicas, mas de organizar a resistência.

Simplesmente não há tempo a perder. O tempo que perdemos esperando o coronavírus chegar representou muitas mortes.

É hora de avisar a todos os brasileiros no exterior para que reúnam e discutam a necessidade de falar com partidos, organizações, imprensa, organizar núcleos de apoio na sociedade europeia e americana, entre outras.

As Forças Armadas não só encamparam a política da morte de Bolsonaro. Elas tiraram de centro da cena o Ibama e outros organismos que fazem cumprir nossa legislação ambiental, conquistada ao longo de anos de democracia.

O governo brasileiro vai se tornar uma grande ameaça ambiental e biológica simultaneamente. Lutar contra ele em todos os cantos do planeta é uma luta pela vida, pela própria sobrevivência. Esse será nosso argumento.

Internamente, será preciso uma frente pela democracia. Já temos uma frente informal pela vida, expressa no trabalho de milhares de médicos e profissionais de saúde, nos grupos de solidariedade que se formaram ao longo do Brasil.

O que a frente pela democracia tem a aprender com eles? Em primeiro lugar, ninguém perde tempo culpando o outro pela chegada do coronavírus. Em segundo lugar, a gravidade da morte onipresente não dá espaço para confronto de egos.

Uma frente pela democracia não é uma luta pelo poder, mas sim pelas regras do jogo. Quem estiver interessado no poder que espere as eleições. Foi assim no movimento pelas Diretas.

Hoje uma frente pela democracia transcende as possibilidades do movimento pelas Diretas. As redes sociais colocam na arena milhares de novos atores, alguns deles capazes de falar com mais gente do que todos os partidos juntos. O espaço para criatividade se ampliou. O papel de cada indivíduo é muito mais importante do que foi no passado.

Não tenho condições num artigo de falar de todas essas possibilidades. Mesmo porque eles não se limitam à cabeça de uma pessoa. A única coisa que posso dizer produtivamente agora é isto: não percam tempo. É urgente falar com amigos, estabelecer contatos, discutir como atuar adiante, como resistir ao golpe de Estado. Posso estar enganado, mas jamais me perdoaria, com a experiência que tenho, se deixasse de alertar a tempo e também não me preparasse para esta que talvez seja a última grande luta da minha vida.
Herculano
01/06/2020 12:48
BOLSONARO BUSCA O IMPASSE COM O STF, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Presidente busca desqualificar Supremo porque sabe que tribunal pode ser a origem de sua derrocada

Agrava-se a pandemia do coronavírus e Jair Bolsonaro não está preocupado. Agrava-se a crise política e o presidente da República não se comporta como quem deseja o seu distensionamento.

Ele não se constrange em andar a cavalo na Esplanada e passear de helicóptero às custas do dinheiro público para forjar cenas de apoio popular.

Os lampejos de diálogo que sinaliza num dia esvaem-se em seguida quando prestigia um protesto antidemocrático. Mais uma vez, Bolsonaro foi o protagonista de um ato anti-STF na Praça dos Três Poderes.

A única preocupação do presidente hoje é estimular o impasse com o Supremo porque sabe que o tribunal pode ser a origem de sua derrocada.

Parece sem lógica, mas nada é melhor, na tática bolsonarista, do que desqualificar a corte no meio do jogo.

Um inquérito avança sobre a interferência do presidente, evidenciada pelos elementos notórios, em peças de comando da Polícia Federal.

Outro fecha o cerco no "gabinete do ódio" instalado no Planalto, sob a tutela de Carlos Bolsonaro, o 02. O TSE surge no xadrez como possibilidade de cassação da chapa eleitoral.

O compartilhamento do inquérito das fake news com a corte eleitoral pode municiar ações sobre o financiamento da vitória de Bolsonaro.

Um processo de impeachment ficaria pendurado na temperatura do Congresso. Para se proteger, Bolsonaro abriu o balcão de negócios com os políticos fisiológicos do centrão.

Sem compromisso com o país, esse grupo de partidos abraçou e traiu Dilma Rousseff. Bolsonaro não tem muita alternativa porque o Judiciário não dará trégua a ele.

Cresce um movimento de procuradores incomodados com o alinhamento de Augusto Aras ao Planalto.

O chefe da PGR vai ser pressionado internamente a não engavetar o volume de complicações do governo.

A sociedade se mobiliza com abaixo-assinados e outras manifestações.

Também contra o governo vê-se até o milagre (provavelmente bem efêmero) de torcidas organizadas de futebol rivais lado a lado.
Herculano
01/06/2020 12:36
O HOMEM QUE FALA DEMAIS, por Carlos Pereira, no jornal O Estado de S.Paulo

Bolsonaro arrisca os limites institucionais, pois precisa blefar para alimentar seu núcleo duro

A atual composição do Supremo Tribunal Federal é fruto de indicações de seis diferentes presidentes. Este processo gerou uma Corte composta de preferências políticas e ideológicas muito distintas. Apesar dessas diferenças, percebe-se que as últimas decisões da Suprema Corte têm mostrado uma unidade incomum entre seus onze membros, especialmente em se tratando de um plenário tão diverso. Será que as heterogeneidades ideológicas e políticas entre seus membros foram diluídas?

As decisões unânimes da Suprema Corte podem estar diretamente relacionadas com os discursos e ações belicosas do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores mais fiéis, que têm confrontado de forma polarizada e plebiscitária as instituições democráticas, em especial o próprio Supremo, mas também o Congresso Nacional.

Precisou que o Supremo "pagasse para ver" ao demonstrar seu compromisso firme com a democracia, por meio de decisões consistentemente unânimes e contrárias às preferências do presidente, para que, mesmo timidamente, os céticos e temerosos com a solidez das instituições democráticas brasileiras percebessem que as ameaças autoritárias do presidente Bolsonaro não passam de um blefe.

Se as chances de sucesso da estratégia de confronto com as instituições democráticas são praticamente nulas, por que de Bolsonaro não apenas insiste em utilizá-la, mas também o faz de forma cada vez mais virulenta e ameaçadora?

Bolsonaro blefa porque essa é a uma das poucas armas, talvez a única, que populistas plebiscitários, como ele, dispõem para continuar alimentando seus vínculos políticos e identitários com seu núcleo duro de eleitores. Bolsonaro, na realidade, encontra-se encurralado e, consequentemente, necessita não apenas de conexões identitárias polarizadas, mas da sua utilização com intensidade e frequência cada vez mais alta.

Quando Bolsonaro decidiu governar de forma minoritária, rejeitando a necessidade de construir coalizões legislativas estáveis, ficou cada vez mais dependente destas conexões diretas com seus eleitores para sobreviver, especialmente a partir de apelos de perfil fortemente identitário que funcionam como atalhos cognitivos de proteção para os membros do grupo.

A má gerência da pandemia do novo coronavírus e os riscos decorrentes das investigações em curso pela Polícia Federal e dos inquéritos no Supremo obrigaram Bolsonaro a fazer importantes inflexões no seu governo contrárias aos compromissos assumidos com seus eleitores. A montagem de uma coalizão de sobrevivência com os partidos do Centrão e a intervenção na Polícia Federal, que culminou com a saída de Sérgio Moro, são exemplos que corromperam alguns dos pilares centrais que nutriam as conexões identitárias com seus eleitores.

Sob risco de ver erodir ainda mais as suas conexões identitárias e observar seus eleitores mais fiéis também se desgarrarem, Bolsonaro não pode se dar ao luxo de simplesmente parar de falar. Precisa do confronto polarizado para continuar a existir politicamente.

O presidente, portanto, enfrenta um dilema de difícil solução. Tem que manter seu núcleo duro firme e coeso por meio de apelos identitários cada vez mais inflamados e com alguma coerência, mas, ao mesmo tempo, não pode cruzar os limites institucionais que venham a colocar em risco o seu próprio mandato. Ou seja, precisa dar a impressão que vai para os extremos, mesmo que ele saiba que não pode fazer isso, pois o desfecho final será certamente desfavorável a ele mesmo.
Herculano
01/06/2020 12:33
INDULGENTE NO MENSALÃO, STF NÃO PERDOA FAKE NEWS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

No inquérito das fake news, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido duro, acusando de "associação criminosa" deputados, empresários e até um comediante, pelas críticas ao tribunal. Já no julgamento do Mensalão, o mesmo STF entendeu que o esquema que subornava o Congresso, chefiado pelo petista Lula, depois condenado duas vezes por corrupção, não era "formação de quadrilha". O entendimento ajudou a reduzir a pena de tipos como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e etc.

SEM PROBLEMAS

O STF não viu associação criminosa no pagamento mensal de propina a parlamentares para aprovar leis. Graves são mesmo as fake news.

AINDA ESTÃO LÁ

Cinco dos 11 ministros atuais votaram pela absolvição: Dias Toffoli, Lewandowski, Carmen Lúcia, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso.

NO VENTILADOR

Para o relator do Mensalão, então ministro Joaquim Barbosa, a decisão teve "argumentos pífios". Mais: "Foi uma tarde triste para o Supremo".

POUCO MUDOU

De lá para cá, apenas duas cadeiras mudaram: Edson Fachin assumiu a vaga de Teori Zavascki e Alexandre de Moraes a de Joaquim Barbosa.

PESQUISA: CULPA PELA ECONOMIA É DE BOLSONARO

Para 37% dos brasileiros, o governo Bolsonaro é o maior responsável pela atual situação econômica do País, aponta levantamento exclusivo do instituto Orbis para o site Diário do Poder e esta coluna. O governo Lula é o segundo colocado com 20,4%, seguido por "fatores externos ao governo" com 16,7%. A petista impeachada Dilma tem 8,2% e seu vice, Michel Temer, seria o responsável pela atuação situação para 6,1%.

ELES LEMBRAM

Entre os homens, a responsabilidade de Dilma sobre a atual situação econômica é quase o dobro da média geral: 10,8%.

CAMINHO ERRADO

O Orbis também avaliou que a maior parte dos entrevistados (53,7%) acredita que a economia está no "caminho errado".

POSITIVO

Apenas 28,7% disse que a economia está no caminho certo. Outros 17,7% não souberam avaliar a atual situação econômica.

INQUÉRITO-POLVO

O inquérito que investiga supostas fake news contra ministros do STF tratou da VazaJato, censurou a revista Crusoé, investigou "deep web" e cyber-terroristas e agora "organização criminosa" de bolsonaristas.

TRINCHEIRA DE OPOSIÇÃO...

Em um ano, o STF impôs uma dúzia de derrotas ao governo, várias a pedido de partidos. Limitou sua atuação na pandemia, impediu posse na PF, até exigiu explicações da Câmara sobre "demora" no impeachment...

...NÃO ESTÁ NO CONGRESSO

O STF botou a polícia atrás de blogueiros bolsonaristas e ainda humilha o presidente e ministros com interrogatórios na polícia. E ainda tem quem ache que a oposição a Jair Bolsonaro está no Congresso.

TROCA DE NOME É HABITUAL

O presidente Jair Bolsonaro contou que há oito anos pede medicamentos de manipulação com nomes fantasiosos por ser "um cara manjado", polêmico, e "alguém poderia me envenenar".

TARCÍSIO NO STJ?

Atual ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o carioca Tarcísio Vieira de Carvalho Neto é nome forte para assumir a vaga do ministro Felix Fischer, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

NÃO SE PODE ESQUECER

O Ministério Público requereu a indisponibilidade de bens, direitos e valores da mineradora Vale até R$30 bilhões, para "garantir o resultado prático de futura sanção de multa e potencial perdimento de bens".

TRAJETóRIA DE BENEDITO

Primeiro ministro negro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, 66, que ordenou a operação contra o governador Wilson Witzel, está no cargo desde 2008. Antes do STJ, foi papiloscopista da Polícia Federal e delegado da polícia civil do DF.

O FUTURO CHEGOU

Entre março e abril, a companhia de saneamento de Brasília (Caesb) realizou 17.941 atendimentos virtuais, aumento de 117% em relação a 2019. Só no app da Caesb, os atendimentos pularam de 62 para 4.820.

PENSANDO BEM...

...sensacional foi a reunião ministerial em que Dilma nomeou Lula ministro da Casa Civil, mas o vídeo não interessou aos ministros do STF.
Miguel José Teixeira
01/06/2020 12:19
Senhores,

A Rádio Cercadinho, informa:

1) "Cavalo galopado por "cavalão" amanhece com assaduras no seu dorso!"

A sociedade protetora de animais investiga o caso.

2) Collor, expert no assunto, adverte: "quem tem aquilo roxo não pratica equitação".

Cavalgar, assim como navegar, também é preciso.
Herculano
01/06/2020 11:49
da série: o tamanho do nosso atraso e julgamos os outros pobres, subdesenvolvidos...

IDENTIDADE DIGITAL, PERGUNTE À ÍNDIA, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo.

Sistema de identidades digitais únicas resolveu o problema da invisibilidade no país

A crise da Covid-19 expôs o quanto o Brasil se desviou do trilho do desenvolvimento. Outros países do Brics vinham prosperando nos últimos anos, promovendo inclusão da população na base da pirâmide social. Uma boa pessoa para falar sobre isso é Nandan Nilekani, um dos articuladores do sistema de identidades digitais da Índia.

Nilekani tem 64 anos e, antes de se juntar ao governo como diretor do órgão de identidades digitais do país, foi um dos fundadores da Infosys, multinacional de tecnologia que fatura US$ 20 bilhões anuais.

Para entender o salto indiano, basta olhar alguns números simples que Nilekani traz em suas apresentações. Em 2008, apenas 17% dos adultos do país tinham conta em banco. Em 2011, a Índia alcançou a média global de bancarização. Em 2018, 80% da população adulta havia sido a, ultrapassando em muito a média global.

Pelos caminhos normais de desenvolvimento, essa trajetória de 2008 a 2018 teria levado 46 anos. O que fez a diferença no país foi o uso de tecnologia aliado a uma política pública clara e efetiva. O nome mais popular dessa mudança é o sistema conhecido como Aadhaar (palavra que em hindu significação "fundação"). Trata-se de um sistema de identidades digitais únicas, que resolveu o problema da invisibilidade no país.

Esse problema veio à tona de forma trágica no Brasil. Em tempos de Covid-19, "descobriu-se" que há cerca de 30 milhões de brasileiros fora dos cadastros governamentais. São os invisíveis-ingovernáveis, que inexistem para o Estado.

As filas nas agências da Caixa conjugadas com a insuficiência o aplicativo lançado pelo governo são a superfície desse problema, que no Brasil cobra seu preço em vidas.

Já a identidade digital indiana funcionou justamente como "fundação" para o processo de inclusão social e financeira. Sua principal característica é a simplicidade. O Aadhaar utiliza só quatro dados básicos: nome, data de nascimento, sexo e endereço (ou outro identificador, como telefone). A esses quatro dados a identidade agrega até três identificadores biométricos únicos (digital, íris e rosto). A conjugação desses elementos leva à geração de um número único de 12 algarismos.

Esse sistema torna-se, então, o passaporte único das relações entre cidadãos e governo, contrastando com o Brasil, que vive uma multiplicação de cadastros administrativos e documentos.

Há atualmente na Índia mais de 1,2 bilhão de usuários do Aadhaar. Para abrir uma conta bancária (ou receber benefícios sociais), todas as operações passaram a poder ser feitas pelo celular, dispensando a presença física. Foram abertas 647 milhões de contas bancárias, e US$ 32,4 bilhões em benefícios sociais já foram distribuídos através dele.

Outra característica do Aadhaar é que ele não comporta divisões sociais entre ricos e pobres. No Brasil, os ricos têm acesso a sistemas de identificação digital que permitem fazer algumas ações pela internet (como é o caso do vergonhoso Certificado Digital, coordenado pelo ITI). Já a população mais pobre ou não tem documentação alguma ou vive condenada ao martírio da burocracia de papel.

Resolver o caos do sistema de identificação no Brasil deveria ser tarefa essencial dentre as muitas medidas que o país precisa adotar para retornar ao trilho do desenvolvimento.

READER

Já era?
Encostar em tudo sem se preocupar

Já é?
Medo de tocar em lugares públicos em razão da Covid-19

Já vem?
Economia low touch (de baixo índice de contato físico)
Herculano
01/06/2020 11:43
POLÍTICA BASEADA NA RAIVA VAI CHEGANDO AO SEU LIMITE, por Josias de Souza, no UOL

As manifestações antissanitárias deste domingo foram marcadas por uma novidade. Jair Bolsonaro e seus apoiadores extremistas ganharam no Rio de Janeiro e em São Paulo o contraponto das extremadas torcidas organizadas de futebol, que se dispõem a sair no braço contra a volta da ditadura.

Na Avenida Paulista, a Polícia Militar dispersou os antípodas com uma chuva de bombas de gás. O pedaço do Brasil que se esconde do vírus constata de longe a falta que faz a sensatez. Bolsonaro ainda não notou. Mas a política da raiva vai chegando ao seu limite.

O presidente tem diante de si duas decisões duras para tomar. Primeiro precisa resolver que preço está disposto a pagar para fugir das investigações que o enroscam. Depois, tem que decidir o que vai fazer com seus filhos.

No primeiro caso, Bolsonaro está numa situação delicada. Ainda não apareceu ninguém capaz de convencê-lo de que, ao regatear a crise, eleva o tamanho do prejuízo. No segundo, tem dificuldades para admitir que os filhos viraram fardos. Sabe que Flávio, Carlos e Eduardo encrencaram-se por agir em seu benefício.

Com uma ignição instantânea instalada na aorta, o mais provável é que Bolsonaro reaja às adversidades com mais raiva. Para se blindar de eventuais pedidos de impeachment ou denúncias criminais, pagará mais caro pela proteção do centrão.

Os filhos, alvejados no inquérito sobre a PF e no caso das fake news, serão usados como peças do enredo em que Bolsonaro faz o papel de vítima de perseguição.

Bolsonaro prioriza o destempero imaginando que, quando a poeira da pandemia baixar, o desemprego cairá no colo dos governadores. Aí estão, a um só tempo, seu erro e sua insensatez.

Com os mortos do coronavírus roçando a casa dos 30 mil e o desemprego vitimando 13 milhões de pessoas, essa ideia de que o presidente não pode fazer nada além de expressar sua raiva está corroendo aos poucos a paciência nacional. Formam-se longe das ruas movimentos e alianças de resistência.
Herculano
01/06/2020 11:41
SANTIDADE, SILÊNCIO E SANIDADE, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

Nestes dias precisamos mesmo de todas as pequenas santidades que estão a nossa volta.

Nelson Rodrigues dizia que a busca por ser racional era uma dolorosa ascese, um esforço, semelhante à busca pela santidade.

Em dias como esses, em meio a tagarelice que se abateu sobre a pandemia nas redes, na mídia, nos cientistas, nos políticos, a busca por alguma gota de racionalidade virou uma dura ascese que beira o cultivo do silêncio como saída para um mínimo de sanidade. O silêncio não é, necessariamente, mudez. E a sanidade, por sua vez, pode ser a escolha de uma outra linguagem ou perspectiva no olhar.

Santidade é um tema que precisamos lembrar nestes dias em que vivemos. Aliás, devemos sempre lembrar, mas na agonia aguda, ele é sempre mais essencial.

O teólogo Hans Urs von Balthasar (1905-1988), sacerdote e teólogo suíço, escreveu um livro chamado (numa tradução do alemão) irmãs no espírito: Tereza de Lisieux e Elizabeth de Dijon, sem edição no Brasil, que eu saiba. Trata-se de uma peça importante nos estudos do que podemos chamar de fenomenologia da graça, como ele mesmo diz, ou fenomenologia da santidade. Segundo o autor, existem dois tipos básicos de santidade.
Cammarota

Um primeiro é a santidade que brota do solo da comunidade e se ergue em direção a Deus, como que pedindo seu reconhecimento. Esse tipo é o mais comum, mas esse "comum" nada tem de mais fácil, apenas se trata de mais frequente. Aliás, essa frequência tem a ver justamente com a necessidade que a humanidade tem de buscar o reconhecimento de Deus pelo seu esforço contínuo no dia a dia.

Esse santo ou santa tem como traço a força de vontade de realizar o bem buscando a semelhança com Deus. Na Bíblia hebraica, Deus diz que devemos ser santos como Ele é. Nesse sentido, a santidade horizontal, como diz Von Balthasar, às vezes, é uma santidade que surge como fruto do livre arbítrio humano tentando se aproximar de Deus.

Não por vaidade de ser "semelhante a Deus", porque ninguém chega a isso, mas movida pela consciência típica da santidade que é a dolorosa ascese na busca de superar as fraquezas humanas.

Entendo que o santo é aquele que sabe que quanto mais alguém se acha próximo de Deus, mais longe está, e quanto mais se sabe longe de Deus, mais perto está. Portanto, essa semelhança passa, necessariamente, pela humildade de se reconhecer dessemelhante a Deus. Por isso, o orgulho moral de si mesmo (erro de Jó) é um traço da não santidade.

Esse tipo de santidade é contínua, repetitiva no seu esforço, muitas vezes invisível ao olhar superficial humano. Cotidiana no seu cenário, não tem um roteiro grandiloquente.

O segundo tipo de santidade, segundo Von Balthasar, é muito mais raro. Podemos chamá-la, seguindo o teólogo, de vertical. Esta é fruto da escolha que Deus faz por uma pessoa, à revelia da sua vontade, o que faz dela, de certa forma, mais dramática no seu roteiro de realização.

O segundo tipo de santidade seria a dos gigantes da hagiografia geral do catolicismo. Hagiografia é uma disciplina, hoje rara, que narra a vida dos santos.

Segundo o teólogo, esse segundo tipo pode contar, inclusive, com a resistência por parte do eleito. Essa resistência pode ser resultado do sentimento de invasão da sua vida por Deus, uma sensação comum em muitos heróis bíblicos. Deus costuma invadir a vida daqueles que ele escolhe para realizar seus projetos.

Mas, como dizem, a graça nunca ofende a natureza. Nesse sentido, essa máxima quer dizer que com o tempo o eleito percebe sua missão (ou carisma) e, às vezes lentamente, vai entendendo a razão de Deus tê-lo escolhido, e sua vida subjetiva se acalma diante do inevitável. Mas, o transtorno, diríamos numa linguagem psicológica, não é menor. Passar a viver acompanhado por Deus, sem ter escolhido tal fato, já é parte do seu carisma de santidade.

Isto é o que Von Bathasar quer dizer pela vida invadida pelo sobrenatural que transforma a natureza em direção ao divino.

Nestes dias, precisamos de todos os santos possíveis. Para além dos dois tipos de santidade descritas pelo teólogo, precisamos mesmo de todas as pequenas santidades que estão a nossa volta.

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