O governo Kleber, desde que assumiu há três anos, iniciou a campanha da reeleição. - Jornal Cruzeiro do Vale

O governo Kleber, desde que assumiu há três anos, iniciou a campanha da reeleição.

26/03/2020

À moda antiga, só viu obras físicas e esqueceu das pessoas na obra social. Bastou um acidente para ficar mais exposto.

O prefeito Kleber de Gaspar em contato com o pessoal da Saúde de Gaspar, orientando, incentivando e agradecendo. A foto oficial, mostra a inadequada proteção nos contados

O baile da realidade I

O governo do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB; do vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP; e do prefeito de fato, ex-coordenador da campanha vencedora, presidente do MDB e secretário da Fazenda e Gestão Administrativa - espaço feito sob medida para ele na Reforma Administrativa onde se tornou o centralizador e poderoso gestor do município -, Carlos Roberto Pereira, foi pego pela surpresa maligna e magnitude da Covid-19. Até aí, nenhuma novidade. Todos os gestores públicos no Brasil foram surpreendidos. Já os geradores privados de empregos e renda, bem como os empregados e desempregados submetidos aos sacrifícios pelos políticos baratas tontas.

O baile da realidade II

Retomo. Só que alguns gestores públicos, fizeram do limão uma limonada. Outros, sem alternativas, tiveram que experimentar o ácido e o azedo dos limões – e sem água e açúcar que atenuam o sabor cítrico e nada agradável deles. Foi o caso de Kleber. Ficou claro, que na emergência, a que todos estamos sujeitos, faltou-lhe equipe; sobraram cabos eleitorais escondendo-se dos fatos, soluções e das obrigações para com a cidade e os cidadãos. A confusa Live que Kleber fez na terça-feira, foi o retrato bem-acabado da realidade para a qual não possui respostas e nem assessoramento técnico. Estavam, na verdade, todos do governo até aqui, envoltos na finalização das amarras partidárias para a corrida de quatro de outubro. Agora, torcem para que ela não aconteça. E por que? Estão com medo, apesar de ter, supostamente, à máquina na mão. E já há uma desculpa para se alguma “desgraça” vier acontecer em outubro: a Coviud-19.

O baile da realidade III

Vamos começar pela Saúde tão essencial para a população desassistida, ainda mais em tempo de pandemia? Inicialmente Kleber mandou bem. Foi ao seu apoiador, o ex-executivo empresarial, Sérgio Roberto Waldrich, e pediu um nome. Ele – acreditando que era algo sincero -, indicou a reconhecida técnica na área, Dilene Jahn Mello. Durou menos de seis meses. O grande esquema político do poder, fritou-a, na cara dura e humilhou o apoiador. Veio então à solução caseira e política, a administradora especialistas da área da saúde, Maria Bernadete Tomazini. Era um arranjo. Teve que sair de lá sete meses depois da posse feitas com juras eterna.

O baile da realidade IV

E para que? Para asilar na Saúde o advogado Carlos Roberto Pereira. É que em dezembro de 2017, Kleber perdeu não só a eleição para a presidência da Câmara. Ele mal articulou uma temeridade para a mais jovem vereadora já eleita por aqui, Franciele Daiane Back, PSDB. Ela foi derrotada, numa virada de mesa sem precedentes, para justamente à cria política de Kleber, o médico Silvio Cleffi, PSC, que experimentava ares de “liberdade”. Kleber e Carlos Roberto perderam a maioria na Câmara. Frustraram-se os planos que o secretário arquitetava implementar no governo; antes precisaria aprová-los Câmara. E na nova configuração lhe faltava votos. Restou ao então poderoso secretário ir para a Saúde. Como desculpa, finalmente reconheceu o que negava: o caos como explanava aqui e em toda a cidade, desgastando isso à imagem do governo. Com liberdade plena, criou marquetagem com o tal “Gaspar é mais Saúde” numa disputa com a Câmara do próprio Silvio e do Cícero Giovane Amaro, PL, que denunciavam o caos. Da Saúde, Carlos Roberto só saiu em maio do ano passado quando o governo retomou a maioria na Câmara como a cooptação de quem arquitetava a oposição no Legislativo, Roberto Procópio de Souza, PDT. Deixou no seu lugar, o dentista José Carlos de Carvalho Júnior, o qual se surpreendeu com a indicação. Júnior estava na Fundação Municipal de Esportes e Lazer. E o “Mais Saúde”, virou menos outra vez.

O baile da realidade V

É preciso dizer mais alguma coisa que Kleber falhou nesta área que a usou para fazer política? Os postos de Saúde, até atendem gente de fora amiga do poder com endereço residencial do próprio posto, mas não atendem os que moram aqui. Por isso, os dos bairros, para qualquer coisa, precisam se socorrer do Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar, cujo dono não se conhece, que está sob intervenção de Kleber e é um poço sem fundo tragando dinheiro público. A lotação no PA é por falta de ação e execução na Atenção Básica nos postos. Vergonhoso. Em todos os locais, em tempos de Covid 19, a área de Saúde foi a cabeça de ponte de todo o processo preventivo e curativo. Em Gaspar, todos como baratas tontas, atrás e à espera de que Blumenau resolva os problemas daqui.

O baile da realidade VI

O retrato do Hospital não é diferente da Saúde; e nem poderia pois é da mesma cepa de visão torta na área. Em três anos, cinco diferentes tipos ou líderes de gestão. Relatos de negligência, mortes, denúncias, falta de transparência e confiança. Incrível! Não há negócio e planos que resistam a tantas mudanças em tão curto prazo de tempo. Nada pode ser testado, avaliado, implementado, corrigido e controlado. Ou será isso de propósito? Então é preciso investigar! O Ministério Público longe e ausente. Incompreensível! E não foi por falta de recursos financeiros. Eles rolaram a cântaros nesta área. Ou seja, tudo é mais preocupante. Sobram dúvidas. Faltaram de verdade escolhas técnicas objetivas para resultados à sociedade e não apenas aos políticos. Agora, é a falta de simples sensatez que está pegando para quatro de outubro e não as obras físicas por inaugurar. Ou seja, quem planta colhe. E está se colhendo.

O baile da realidade VII

O espaço aqui é exíguo. Na edição de segunda-feira feita para o portal Cruzeiro do Vale, o mais acessado, ainda mais em tempos de Convid-19, retratei o Samae. Ele é um bunker de dúvidas. É do mais longevo dos vereadores (seis mandatos), José Hilário Melato, PP. Bastou o povo ficar em casa, que faltou água; a recolha de lixo – e que fede de novo em armações mal contadas - se comprometeu. Com a “omissão” do MP – há um TAC - a rede de esgoto com projeto pronto e recursos à disposição nada saiu do papel, entrevistas e discursos. A saúde dos gasparenses está em risco e polui-se mananciais e o Rio Itajaí Açú; já as obras de drenagens, pelas dúvidas foram parar numa CPI na Câmara onde os próprios técnicos admitem que o projeto, a licitação, a contratação e à fiscalização é para uma coisa, já a execução e pagamento para outra.

O baile da realidade VIII

Quer mais? A Defesa Civil saiu da mão de um técnico que se negava segurar bandeiras partidárias em tempo de eleições, para um, digamos, “mais maleável”, às vontades do poder de plantão. E como na Saúde, a indefesa civil daqui está comendo poeira até para Ilhota. Impressionante! O mesmo retrato está na secretaria de Assistência Social outra área essencial em tempos de Covid-19. Kleber inicialmente a deu ao seu ex-assessor parlamentar Ernesto Hostin. Nada entendia. Pediu para sair um ano e meio depois de assumir. Alegou estar doente, mas não perdeu os empregos na prefeitura. Na secretaria ficou Santiago Martin Návia, um técnico, que nesta emergência, achou ser os moradores de ruas imunes à Covid-19 e não conseguiu ser colaborativo com voluntários que pensaram agir de forma diferente. E por que? Navia tem uma visão particular de resultados, afinal se ensaia candidato a vereador e vulnerável de rua, dificilmente vota. Então para encerrar: as pessoas não estão no centro das “obras” do governo de Kleber. Elas são para ele, apenas eleitoras que vão se impressionar com as obras físicas, mesmo que elas estejam no centro de muitas dúvidas ou da simples falta de transparência. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Perguntar não ofende. O prefeito de fato e secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, depois das férias no exterior, está em quarentena ou em confinamento?

Como assim? Os Comissionados e os Cargos de Confiança foram os primeiros a ficarem em quarentena e os efetivos escalados para a linha de frente? Ai, ai, ai.

Uma verdade inquietante. Haverá mais falidos do que falecidos pela Covid-19.

 

 

 

Comentários

Miguel José Teixeira
29/03/2020 12:10
Senhores,

Dois extratos da Coluna Visto, Lido e Ouvido, hoje, no Correio Braziliense:

1) A frase que foi pronunciada

"Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada;
quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores;
quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você;
quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício;
então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada."
(Da filósofa russo-americana Ayn Rand, judia fugitiva da revolução russa, quando chegou aos Estados Unidos, em meados da década de 1920.)

2) Uma dura lição

Das muitas lições que serão deixadas pelo isolamento social compulsório a milhões de brasileiros, por conta da pandemia da Covid-19, nenhuma outra será mais importante do que a certeza de que o fenômeno da corrupção tem seus efeitos nefastos prolongados por tempo indefinido, atingindo, indiscriminadamente, gerações e gerações. Ainda mais quando esse fenômeno atinge patamares de uma endemia, como tem sido no nosso caso. Por mais defeitos que tenha o presidente Bolsonaro, ainda há o mérito de lutar incessantemente contra o vírus da corrupção. Esse, sim sempre foi nefasto ao país, mantendo a fome, ignorância e paternalismo.

Vale recordar a fala recente do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal, quando afirmou: "É um equívoco supor que a corrupção não seja um crime violento. Corrupção mata. Mata na fila do SUS, na falta de leitos, na falta de medicamentos. Mata nas estradas que não têm manutenção adequada. O fato de o corrupto não ver nos olhos as vítimas que provoca não o torna menos perigoso."

Por isso mesmo, causa espécie a todos os brasileiros de bem que políticos, os notoriamente apontados pela justiça como culpados por esses crimes hediondos, aproveitem desse momento de angústia para, de modo cínico, proporem soluções que, nem de longe, adotaram quando tiveram oportunidade e poder para tanto. Esse, é caso específico do ex-presidente Lula, que, de forma absolutamente desavergonhada, tem aparecido em vídeos fazendo críticas e sugerindo ações contra a crise, como se não fosse ele e seu desgoverno um dos responsáveis pela fragilidade de nosso sistema de saúde e pelo saldo de milhões de desempregados.

Não se pode, de modo algum, desprezar esses fatos do nosso passado recente e que hoje pesam sobremaneira nessa crise de saúde pública. Talvez uma das mais emblemáticas cenas desse passado triste, ainda não totalmente solucionado pela justiça, seja justamente a utilização dos muitos e gigantescos estádios de futebol construídos para a fatídica Copa do Mundo de 2014, em que praticamente todos os envolvidos nesse esquema odioso foram acusados de corrupção, dentro e fora do país.

Esses verdadeiros elefantes brancos, monumentos obsoletos, erguidos para propiciar a manutenção contínua de um propinoduto bilionário, são retirados agora de seu estado letárgico profundo para servirem de hospitais de campanha. Essa improvisação de finalidade, totalmente diversa, demonstra, de forma cabal, a distância entre o que necessita uma população carente e aquilo que os políticos sem ética almejam para si mesmos.

Nada mais emblemático para ensinar a uma população em pânico e cerrada dentro de casa do que a conversão de estádios em hospitais de emergência, para fazer entender, de uma vez por todas, o potencial deletério do fenômeno da corrupção. A corrupção mata. Essa é a lição aprendida agora da pior maneira possível.
Miguel José Teixeira
29/03/2020 10:08
Senhores,

Pergunta na UTI mais impactante:

Quantas covas poderão deixar de ser abertas/fechadas com os R$2 bilhões reservados para pagar a campanha eleitoral dos políticos, este ano?

Sua resposta poderá ser dada em apoio ao Projeto de Lei - PL 0646/2020, acessando:

https://forms.camara.leg.br/ex/enquetes/2239119

(baseado na Coluna do CH e do Carlos Brickmann, abaixo replicadas)
Herculano
29/03/2020 09:58
OPORTUNISMO, por Marcos Lisboa, economista, presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005), no jornal Folha de S. Paulo

Disputas miúdas na política dificultam o diálogo

O Brasil entrou enfraquecido nesta crise. As disputas miúdas na política dificultam o diálogo e a construção de soluções coordenadas.

A mediocridade da economia reflete as muitas dificuldades que as empresas enfrentam há anos, o que agrava o impacto da parada súbita da atividade.

O setor público encontra-se engessado pelas despesas obrigatórias. Como resultado, estados e municípios pedem novos esforços da população e recursos do Tesouro Nacional, em parte para pagar a sua folha de pessoal nestes tempos de queda de receita.

É urgente cuidar da saúde, mesmo que implique aumento da dívida pública. Os novos meios de pagamento ("maquininhas") podem ser utilizados para transferir recursos públicos para os micro e pequenos empreendedores.

É preciso, porém, separar o joio do trigo. Existem muitos pedidos justificados, mas também há casos de oportunismo.

O Tesouro Nacional não é um manancial inesgotável. Sem gestão adequada, a dívida crescente, já uma das maiores entre os países emergentes, pode resultar em prolongada depressão.

O país empobreceu. Os acionistas perderam metade ou mais do seu patrimônio, pequenos comerciantes devem quebrar, trabalhadores informais estão sem renda.

A queda da arrecadação é o efeito colateral de uma sociedade mais pobre e que, portanto, pode pagar menos tributos. O setor público deveria saber que precisa fazer a sua parte, cortando gastos obrigatórios para contribuir com as despesas emergenciais.

Não é o que está acontecendo. Governadores pedem ao Tesouro, isto é, à sociedade, que compense a queda de receita, com estimativas que parecem superestimadas. Além disso, ficam a inventar novas formas de onerar as empresas. Parecem dizer: "setor privado, você paga pela política social enquanto eu aumento a dívida pública para preservar a renda dos servidores".

Enquanto isso, os Legislativos e Judiciários dos estados têm fundos com bilhões em caixa. Não seria o caso de utilizar esses recursos, que foram arrecadados da sociedade, para auxiliar no combate à pandemia?

Se o Estado brasileiro não é capaz de se ajustar à realidade, então há algo de muito errado com as nossas regras. Como defender o direito adquirido dos servidores em um país que recorrentemente aumenta a carga tributária, onerando cada vez mais o setor privado, ainda mais em uma crise desta proporção? Quem ganha mais de R$ 30 mil está entre o 1% com maior renda.

O poder público deveria, como o resto do Brasil, contribuir com sua cota de sacrifício e cuidar dos grupos de riscos e das famílias mais vulneráveis, que são as vítimas principais deste cataclismo, e não compactuar com o corporativismo.
Herculano
29/03/2020 09:54
O MUNDO PóS-CORONA, Vera Magalhães, no jornal Estado de S. Paulo

Da economia às relações pessoais, passando pela política, nada será como antes

Se há uma única certeza a respeito de como sairemos dessa pandemia que bagunçou o dia a dia das pessoas, as relações interpessoais, a economia e a geopolítica do planeta é que nada, em nenhum desses territórios, voltará a ser como antes quando (e se) tudo isso passar.

Governantes populares até a virada do ano foram solapados pela crise; outros cuja imagem já parecia desgastada renasceram das cinzas; aqueles com uma reeleição certa no horizonte padecem na incerteza, enquanto os casos escalam em seus países; lideranças jovens aparecem em países não centrais do globo, e chamam a atenção pela forma segura com que conduzem seus governados no combate a um inimigo invisível, mas poderoso.

Na economia, na meca do capitalismo mundial, os Estados Unidos, Donald Trump, depois de flertar em ondas com o negacionismo em relação à pandemia, terminou a semana acionando o Ato de Proteção de Defesa, uma lei da época da Guerra da Coreia, para exigir que empresas como as icônicas montadoras de veículos produzam ventiladores para respiradores pulmonares e os forneçam ao Estado.

O Reino Unido, outro país que tentou ser blasé, deu um cavalo de pau e terminou a semana com restrições severas à circulação e o príncipe Charles e o premiê Boris Johnson "coronados", símbolo imagético dificilmente superável.

Não será possível retornar - depois que o mundo sair de uma quarentena dura, que separa famílias e obriga as pessoas a redescobrirem desde regras de higiene pessoal até técnicas de trabalho e estudo remotos - ao estado em que estávamos, de um mundo polarizado e radicalizado em certezas tão absolutas quanto estúpidas.

Sim, alguns países fecharam mais suas fronteiras e a ideia de um "vírus chinês" infectando o mundo favorece uma sinofobia que campeia pelas purulentas redes sociais, mas a evidência de que a mesma China que iniciou o contágio tem muito a ensinar ao mundo em termos de contenção e continuará a ser imprescindível na hora de "religar" a economia planetária forçam, por exemplo, a que o mesmo Trump teça loas ao amigo "Xi".

Não será possível imaginar um futuro pós-pandemia sem que a ciência finalmente, na marra, passe a ser levada em conta em decisões políticas e econômicas. Epidemiologistas, sujeitos antes exóticos que podiam ser bons consultores de filmes-catástrofe, viraram consultores de Estado e estrelas televisivas. E será preciso que sejam ouvidos sobre o timing da retomada da normalidade.

O negacionismo científico, essa chaga do século 21, que levou à eleição de néscios aqui e alhures, está cobrando um preço em forma de vidas humanas bem antes de fritarmos graças ao subestimado aquecimento global. Isso é devastador, e não há dogmas econômicos ou narrativa que sejam capazes de dar conta da resposta necessária.

O que nos traz ao momento atual do Brasil. Jair Bolsonaro parece ter resolvido dobrar todas as apostas mundiais em termos de irresponsabilidade. Pode até levar alguns mínions entediados a tirarem suas SUVs blindadas das garagens para um rolê com cafonas bandeiras do Brasil no capô, mas já está claro que não vai calar as panelas, algumas delas nas mesmas varandas gourmet.

E, o que é mais dramático, pode comprometer seriamente nossa resposta a essa pandemia. O preço será cobrado em cadáveres. Quando a irresponsabilidade de um governante é sentida na pele das pessoas e daqueles a quem elas amam, não há rede de robôs na internet que contenha o estrago.

Já não somos os mesmos que éramos em janeiro. Em São Paulo, Nova York, Milão ou Wuhan. Não seremos os de antes quando um dia sairmos de casa. Ou os governantes percebem que o mundo é outro e que deles se exige lucidez, ou serão varridos do mapa.
Herculano
29/03/2020 09:53
NÃO REPETIR 2009, por Samuel Pessoa, economista, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, no jornal Folha de S. Paulo

É importante que as medidas para sustentar renda e emprego sejam transitórias

Em 2009, como resposta à grande crise financeira internacional, o governo expandiu o gasto público e os empréstimos do BNDES, entre outras medidas. Era política contracíclica para estimular a economia.

A política, correta em 2009, perenizou-se. Os excessos já estavam claros na virada de 2009 para 2010. Começamos a cavar o buraco que terminou na grande crise brasileira de 2014-2016.

Assim, é muito importante que sejam transitórias todas as medidas que têm sido desenhadas para sustentar a renda e o emprego formal durante a crise produzida pela parada súbita da economia em consequência do enfrentamento da pandemia da Covid-19.

Não podemos repetir os erros de um passado tão próximo.
Presidente Jair Bolsonaro durante pronunciamento à imprensa no Palácio do Planalto para falar sobre a crise do Coronavírus - Pedro Ladeira/Folhapress

Além de recursos adicionais para a saúde, que o Tesouro tem transferido às secretarias, o pacote mínimo inclui: alguma ação para sustentação de renda dos trabalhadores informais; um programa de financiamento, com risco do Tesouro, para a sustentação do emprego formal; e algum programa de sustentação da receita dos estados e municípios.

Na quinta-feira (26), a Câmara aprovou auxílio de R$ 600 mensais por três meses aos trabalhadores do setor informal.

Para os trabalhadores do setor formal, será necessário cortar os custos das empresas e compartilhar a queda do produto ao longo do período de calamidade entre empregados, empregadores e governo.

O ideal é que os salários dos setores parados sejam reduzidos à metade e que o seguro-desemprego pague metade dessa queda. O trabalhador terá queda de 25% do salário, fato permitido pelo artigo 503 da CLT nas atuais circunstâncias.

A queda de 25% do salário pode ser compensada pela liberação do FGTS, como sugeriu Persio Arida nesta Folha.

Evidentemente os servidores públicos devem ser incluídos no esforço fiscal dos atuais tempos de guerra. Os salários do serviço público, como do setor privado, deveriam ser reduzidos em 25%.

Ecoando a proposta de Nelson Barbosa no Blog do Ibre (bit.ly/2JhrPAW), o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de emenda à Constituição (PEC) que permite ao Banco Central, em momentos de calamidade, a compra de títulos públicos e privados. Prepara o caminho para uma operação de sustentação da folha de pagamento de empresas.

Finalmente o tema mais delicado: algum programa de sustentação da renda dos estados e municípios.

Se o Tesouro sustentar a renda dos estados e municípios ?"por exemplo, garantir a receita de ICMS, ISS e o FPE nos níveis de 2019?", o custo do programa será muito elevado. A receita total de ICMS, ISS, FPE e FPM é da ordem de 11% do PIB. Uma frustração de receita por três meses de 75% tem custo fiscal de 2,1% do PIB ou R$ 150 bilhões.

Com todos os programas somados, incluindo a queda de receita da União, teríamos um déficit primário de uns 8% do PIB. É um pouco menor do que países desenvolvidos têm feito, mas parece excessivo para uma economia emergente que já parte de um nível excessivo de dívida.

Ou seja, temos o seguinte dilema: o pacote que parece razoável para enfrentarmos a crise nos legará um nível de dívida muito elevado.

Penso que não escaparemos de, conjuntamente com o pacote fiscal temporário, aprovar medidas que sinalizem construção de um equilíbrio fiscal a longo prazo.

O melhor candidato é a aprovação, conjuntamente com o pacote fiscal emergencial, da emenda constitucional emergencial para vigorar pelos próximos cinco anos, ao menos, para permitir a reconstrução da estabilidade fiscal.
Herculano
29/03/2020 09:50
UMA PERGUNTA SIMPLES SEM REPOSTA NO MUNDO CIENTÍFICO E NA MÍDIA

A Itália e a Espanha, (os Estados Unidos parecem na mesma direção) proporcionalmente registram mais mortes do que a China.

1. A China escondeu os números (é provável, pois possui forte censura nos meios estatais, científicos e de comunicação)?

2. As pessoas de determinadas regiões da Itália e a Espanha, possuem imunidade diminuída? Qual a razão disso?

3. A quarentena horizontal não diminui a imunidade das pessoas de um modo geral, e especialmente das mais vulneráveis? Ela não amplia o risco?
Herculano
29/03/2020 09:38
da série: as maricas irresponsáveis brigam com bolsas de grifes, distraem a platéia na sordidez que constroem, enquanto o Brasil afunda na pior crise e quem vai pagar a alta conta são os mais pobres. Vergonhoso.

MAIA A EDUARDO BOLSONARO: ""BEM-VINDO AO GABINETE DA SENSATEZ"

Conteúdo de O Antagonista. No Twitter, Eduardo Bolsonaro republicou uma postagem sugerindo que a popularidade do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, estaria sendo manipulada:

"Denúncia gravíssima. E depois dizem que nós temos gabinete do ódio. É de lascar. Quem está manipulando a internet desta maneira? A quem isso interessa? Não é ao Bolsonaro. E depois a mídia joga juntinho deles ainda!", disse o filho do presidente.


Maia rebateu:

Leia também:
Coronavírus: como sairemos do confinamento?

"Eduardo Bolsonaro, bem-vindo ao gabinete da sensatez. Viu como é possível ter uma rede orgânica e sem ódio? Acompanhe o meu perfil. Não tenho robôs. Aqui eu procuro contribuir para um Brasil mais justo e quero que passemos por essa pandemia com o menor número de mortes possível."
Herculano
29/03/2020 09:33
da série: quem vai pagar esta conta?

ISOLAMENTO SIM!, Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

Governo emite sinais trocados e Brasil começa a se dividir. Coronavírus agradece

Eta gripezinha que está custando caro! O presidente da República fala para um lado e os ministérios agem para o outro, anunciando montanhas de dinheiro para enfrentar o abandono dos miseráveis que precisam do Bolsa Família, a insegurança dos informais e a dramática ameaça aos empregos. Isolamento, sim, para salvar vidas. E medidas emergenciais para reduzir os danos na economia.

É a realidade se impondo, com as lições vindo assustadoramente de fora. Se não quer ouvir a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde, a ciência e as estatísticas, o presidente deve ao menos se informar sobre o que aconteceu nos dois países mais afetados pelo Covid-19 no mundo. Nos Estados Unidos, seu tão amado Trump foi obrigado a recuar e agora clama para os americanos ficarem em casa. Na Itália, o mea culpa do prefeito de Milão é um grito de alerta.

Trump, como o "amigo" brasileiro, minimizou o coronavírus até que os EUA passaram a ser o epicentro da doença, ultrapassando os cem mil infectados e beirando 1.500 mortos. Só aí ele se rendeu à única "vacina" contra a pandemia: o isolamento social. Na Itália, o prefeito de Milão desdenhou do tsunami, animando as pessoas a saírem. Agora admite: "Errei". Tarde demais. Os italianos já contabilizam mais de 9 mil mortes, 919 só na sexta-feira.

"Infelizmente, algumas mortes terão. Paciência, acontece, e vamos tocar o barco", conformava-se o presidente brasileiro no mesmo dia, ignorando alertas e estatísticas, a lógica, o bom senso, a humanidade. Pior: a responsabilidade. Tudo em nome do seu novo slogan político: "O Brasil não pode parar". O problema é que, se milhões são contaminados e milhares morrem, aí é que o Brasil vai parar. Só não vê quem põe sua visão pessoal acima das evidências.

Num país dividido, com um governo que emite sinais trocados, governadores e prefeitos, em maioria, decidem deixar o capitão falando sozinho e se articulam para enfrentar a pandemia, acolher os infectados e evitar mortes, enquanto os do Nordeste lançam manifesto "pela vida". Mas o efeito do comando do presidente contra o isolamento já se faz sentir, com governadores aliados de Mato Grosso, Santa Catarina, Rondônia e Roraima se assanhando para flexibilizar o isolamento.

Na sociedade, o mesmo. CNBB (bispos), OAB (advogados), ABI (imprensa), SBPC (ciência), ABC (ciência) e Comissão de Direitos Humanos de São Paulo fazem alerta "em defesa da vida" e conclamam a população a "ficar em casa", em respeito à ciência, aos profissionais de saúde e à experiência internacional.

Do outro lado, as falas e a campanha do presidente produzem aumento de pessoas nas ruas, shoppings de Minas reabrindo, a ofertazinha bacana da CNI em tempos de gripezinha: testes rápidos de coronavírus, de 15 em 15 dias, para 9,4 milhões de trabalhadores industriais. Isolamento social? "Só para pessoas com exame positivo."

Bolsonaristas vão alegremente às ruas contra o isolamento. Mas de carro, que ninguém é besta, enquanto defendem que seus empregados se exponham ao vírus em ônibus e metrôs e garantam seu lucro. Só não entenderam ainda, e vão entender na marra, que, se os trabalhadores se contaminarem, eles também vão se contaminar, depois contaminar seus amores, famílias, amigos. E, "infelizmente, algumas mortes virão...", lembram?

É profundamente importante, sim, reduzir os danos na economia, nos empregos, na pobreza. E é por isso que o Estado está devidamente flexibilizando a prioridade fiscal para tomar as medidas necessárias. O que não pode é desdenhar da morte em nome da economia. Até porque nada comprova a eficácia desse método ignorante e desumano (para não buscar adjetivos e referências pavorosas na história).
Herculano
29/03/2020 09:27
CONTRA EPIDEMIA ECONôMICA, A VACINA É DAR DINHEIRO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Governo quer fazer o mínimo para combater o vírus e a ruína econômica

O governo tem preferido fazer o mínimo para atenuar a coronacrise. Quer gastar o mínimo possível, que não é o mínimo necessário ou prudente. Quer que a economia volte a rodar o quanto antes, sem as amarras de cordões sanitários e equivalentes; sem mais gasto público.

Essa é a opinião desse indivíduo que ocupa a Presidência, afinada com a de seus economistas, embora o indivíduo tenha também motivos que a razão desconhece.

A preferência fica evidente nas medidas de socorro. Em larga medida, trata-se de adiamento de impostos, antecipação de benefícios sociais, suspensão de dívidas ou oferta de crédito. Tais medidas são úteis, se parte de um plano maior, que inexiste, porém.

O adiamento de despesas cria um passivo, um peso a ser carregado por uma economia muito deprimida, o que deve tornar ainda mais lenta a recuperação depois da epidemia.

"Depois da epidemia" não é uma data, mas uma época, um tempo que vai se arrastar, uma convalescença demorada. O problema será tanto menor quando mais empresas e famílias resistam à peste econômica. Para que assim seja, é preciso compensar a renda destruída pelo paradão da coronacrise, não apenas criar passivos talvez impagáveis para daqui a alguns meses.

De mais impactante até agora, deve haver doação de R$ 60 bilhões para informais sem trabalho, que devem ficar com R$ 600 por mês cada um, graças ao Congresso, pois o governo propunha a mesquinharia de um terço disso.

O crédito para pequenas e médias empresas é uma boa ideia que o governo adotou no mínimo possível, com atraso. Não está previsto crédito para empresas que empregam dois terços dos trabalhadores com CLT (na média geral, ganham R$ 2.300 mensais).

Vários deles trabalham em empresas "grandes" (faturam mais de R$ 10 milhões por ano), várias delas com caixa. Certo. Mas muitas dessas "grandes" quebrarão também se não tiverem ajuda.

Ainda não há dinheiro ou plano para microempresas e seus milhões de empregados. A empresa mais comum no Brasil é a loja de roupas, 1,1 milhão de empresas, segundo o Sebrae. Em segundo lugar? Cabeleireiros, manicure e pedicure (808 mil). Comércio de comida: 508 mil. Restaurantes, lanchonetes e similares: 811 mil. Etc. A economia real é feita de uns 17 milhões de negócios modestos, vários já à beira da ruína.

Um pacote de crédito de bom tamanho para evitar a crise das micro, pequenas e médias seria o triplo do imaginado pelo governo, estimam entendidos. Além do mais, parte desse dinheiro deveria ser mera doação, em especial para os menores.


A saída da epidemia será lenta. Dependerá da redução do contágio e da letalidade, o que diminuiria o medo e a necessidade de confinamentos estritos. Menos contágio e mortes dependem de recursos para a saúde, mas ainda falta álcool em hospital.

O relaxamento das restrições dependerá de milhões de testes para que se coordene o isolamento de doentes e a reabertura da economia. Dependerá de remédios, ainda fora do horizonte. Dependerá de coordenação nacional, sabotada de modo feroz e ignorante pelo elemento na Presidência.

A retomada será tímida. Pessoas terão medo de se aglomerar nos comércios; terão menos renda e poupança. A economia mundial andará devagar. Mesmo na China, de tantas medidas agressivas, há tropeços na lenta recuperação e medo de recaída.

Mas, para haver retomada, é preciso aumentar o número de sobreviventes da peste econômica. Será simplesmente preciso dar muito dinheiro.
Herculano
29/03/2020 08:12
PODE PARAR? FAZ TEMPO QUE PAROU, por Carlos Brickmann

A propaganda do Governo Federal diz que o Brasil não pode parar. Mas, onde deveria estar andando, já que não depende de quarentena, não anda. O Estado de S. Paulo levantou os dados e mostra que 64% dos recursos que o Governo Federal anunciou para combater a pandemia são apenas anúncios. Em muitos casos, o Governo nem enviou as medidas ao Congresso. Em outros, sem articulação, não conseguiu encaminhar a votação.

Dos R$ 308,9 bilhões prometidos, R$ 197,5 bilhões são só da boca para fora. Não estão em nenhuma proposta. O que foi feito é o que ajuda empresas: flexibilização de normas trabalhistas, crédito, adiamento de tributos. Medidas de proteção às famílias de baixa renda não existem de fato. São pura fantasia. Houve também auxílio a Estados e municípios. A única medida de auxílio à baixa renda foi iniciativa do Congresso: um vale mensal temporário de R$ 600,00 a trabalhadores informais. O Governo tinha falado em R$ 200,00 ?" só falado. O Congresso aprovou R$ 500,00 e, com base numa frase de Bolsonaro, de que R$ 600,00 seriam aceitáveis, ampliou o vale.

E o superministro Paulo Guedes, do superministério da Economia, saiu de Brasília (o serviço do hotel estava ruim, explicou) e foi para sua casa no Rio, onde, segundo disse, trabalha o tempo inteiro, em ligação total com sua equipe (a que deveria redigir os projetos).

Mas ninguém é de ferro: na quinta, às 17h30, Sua Excelência foi fotografado passeando na orla marítima.

PROJETOS EM QUARENTENA

Lembra do repasse do PIS/Pasep para o FGTS, para permitir novos saques no Fundo? São R$ 21,5 bilhões. Como o Governo não conseguiu decidir quem será contemplado, não enviou a medida.

A redução à metade, por três meses, da alíquota dos impostos do Sistema S, algo como R$ 2,2 bilhões, foi anunciada há uns 15 dias e não foi proposta.

A antecipação do calendário do abono, R$ 12,8 bilhões, não saiu.

Os R$ 36 bilhões, parcela do seguro-desemprego de quem sofrer redução de jornada e salário ou suspensão de contrato; o envio de R$ 4,5 bilhões do DPVAT (o seguro que se paga com os impostos do carro) para o SUS; o repasse de R$ 8 bilhões e o envio de R$ 2,3 bilhões do Censo para fundos estaduais e municipais de Saúde; os R$ 16 bilhões em quatro meses para Estados e municípios, compensando perdas de receita; os R$ 2 bilhões para assistência social.

Nada disso se transformou até agora em projeto.

AÇÃO PARLAMENTAR

Surpresa das surpresas, quem compensa parte da inatividade do Executivo é o Congresso. Os R$ 600,00 para trabalhadores sem carteira, a antecipação de R$ 300,00 para quem espera o Benefício de Prestação Continuada (BPC), suspensão de dívida de Estados e municípios com bancos públicos e a União, novas operações de crédito, renegociação de dívidas, todas as medidas foram incorporadas pelos parlamentares a projetos já em tramitação e por isso conseguem andar.

Se dependessem do superministro, quando andariam?

VOLTANDO ALGUNS DIAS

A história do teste para coronavírus do presidente Bolsonaro continua sem explicação. Seu filho, Eduardo, aquele que fritava hambúrgueres numa lanchonete que não servia hambúrgueres, foi citado pela Fox News como fonte da informação de que o presidente tinha testado positivo. Se o repórter tivesse inventado a notícia, por que citaria Eduardo como fonte? Só para ser desmentido? E numa rede totalmente favorável a Trump, logo simpática a Bolsonaro? Não, não deve ter inventado nada, não.

E por que o desmentido? Talvez porque o presidente cultive a imagem de Superman, o mito que sobreviveu a uma facada, que tem passado de atleta, que não é vulnerável a doenças e para quem o coronavírus provocaria só "uma gripinha". A propósito, por que o Hospital das Forças Armadas revelou o nome de todos os contaminados na viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos, menos dois? Seria essa revelação a kriptonita do Superman?

Se Bolsonaro tivesse testado positivo e mentido, não seria problema ?" aqui, espera-se que político minta mesmo. Mas juntar-se a seus fãs, tocando-os, fazendo selfies, isso seria grave. Claro que, se o teste foi mesmo negativo, esse raciocínio é vão. Mas quem seriam as pessoas contaminadas que, para o Hospital das Forças Armadas, merecem o sigilo que os outros não tiveram?

APOIO TOTAL

O engenheiro Lucio Ravizza, assíduo leitor desta coluna, pede apoio ao projeto 646/2020, que transfere para o SUS o bilionário fundo de campanha eleitoral deste ano - são R$ 2 bilhões, ou mais. "O projeto deve ser aprovado em regime de urgência. E sugiro que se adiem para 2021 as eleições municipais. Que todos o dinheiro para realizá-las seja destinado a combater o coronavírus. Podemos suportar mais um ano dos atuais prefeitos e vereadores, mesmo porque não creio que, trocando algum dos atuais, teremos melhoras". Em vez de pagar campanhas, dinheiro para a Saúde!
Herculano
29/03/2020 08:05
O MISTÉRIO CHINÊS, por Percival Puggina
 
 Durante muitos séculos, embrenhar-se na direção do Oriente era, para os europeus, uma aventura cercada de tantos temores quanto lançar-se ao Oceano Atlântico no prelúdio das Grandes Navegações. Fantasias, lendas, superstições. Caberia a Marco Polo, no último quarto do século XIII promover, meio a contragosto das autoridades venezianas, a aproximação com o gigantesco país asiático.

 Imensa maioria dos leitores destas linhas ainda não era nascida quando a China, em 1949, após longa guerra civil, mergulhou na escuridão, tomada pelas mãos tirânicas de Mao Tsé-Tung (ou Zedong) e do Partido Comunista Chinês. A partir de 1976, com a morte de Mao, o regime girou para uma economia capitalista, sem que o partido abrisse mão da condução totalitária do país.
Isso permite, a qualquer juízo prudente, identificar a China como um Estado nacional perigoso. Dele não se esperam virtudes, nem valores de nosso apreço. É bom vender para eles, é bom comprar deles, mas evitem-se as más companhias. O comunismo chinês, embora "podre de rico", não é menos apaixonado pelo poder, nem menos genocida do que os demais experimentos análogos. Apenas é mais esperto e errou menos, dentro do grande erro que é o comunismo. Hoje transmite sua experiência para o Vietnã e para Cuba: Partido Comunista como partido único, capitalismo e ditadura.

 Por isso, não é demasiado lembrar os séculos durante os quais o Oriente, envolto em mistério, suscitava temores. Nada a ver com os muitos povos que compõem a população chinesa, mas tudo a ver com o poder político local e o poder financeiro internacionalmente exercido pelo regime que controla o país.

Se o capitalismo fez bem à economia e vai tirando da pobreza centenas de milhões de chineses, a ditadura do PCC ainda não ouviu falar em liberdade de opinião e transparência das instituições. Ao contrário, divulgar o surgimento do coronavírus transformou num inferno a vida do Dr. Li Wenliang.

Não têm a menor credibilidade os números que o governo chinês divulga sobre os efeitos do novo vírus em sua população. O que há algumas semanas era identificado como teoria da conspiração hoje quase dá para autenticar em cartório. Enquanto os disparates estatísticos chineses berram aos nossos ouvidos e sob nossos olhos, a imprensa brasileira não lhes dedica uma notinha de três linhas e só falam no "grande parceiro comercial do Brasil". Ou seja, é tudo business? Mas quando Bolsonaro expressa sua angústia com a paralisia das atividades é acusado de estar preocupado com a economia e não com as vidas humanas. E eu devo dormir com um barulho desses?

Ontem (27/03), aqui em Porto Alegre, numa imensa carreata com mais de cinco quilômetros, empresários, autônomos, comerciantes e prestadores de serviços clamavam pela reabertura de seus negócios. Eram pessoas responsáveis, chefes de família, com idosos de sua afeição, unidas para a defesa do direito de proverem seu sustento. Também ontem, João Dória, "o rebelde" almofadinha, a mais estampada antítese de Bolsonaro, novo queridinho da mídia nacional, após armar um circo contra o presidente da República, conclamou a poderosa indústria paulista a se manter ativa. Business!

A grande imprensa brasileira assumiu-se com partido político de oposição. Dedica-se exclusivamente a criticar o governo, exigindo que ele faça tudo para todos. E que faça já. É a coisa mais parecida com o PT que já se criou no Brasil.
Herculano
29/03/2020 07:54
COVID-19: PRIMEIRAS LIÇõES, DESAFIOS E PROPOSTAS, por Armínio Fraga, economista, ex-presidente do Banco Central, presidente do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), no jornal Folha de S. Paulo

Para o futuro, necessidade de reforçar e aprimorar SUS precisa voltar à tona

A crise humana, social e econômica causada pelo novo coronavírus está arrasando o planeta. A economia global já caminhava para um fim de ciclo de crescimento, após uma década de dinheiro barato e suas previsíveis consequências. O Brasil, ainda muito próximo do fundo do poço, tentava sem sucesso acelerar seu crescimento. A promessa de ideias liberais na economia gerou entusiasmo na bolsa, mas predominou o clima iliberal na política, que inibiu os "espíritos animais" do investimento. Isso antes da calamidade.

Neste contexto, chegou aqui o vírus, já comprovadamente espaçoso e perigoso. A reação inicial foi de minimizar o potencial do dano. Precioso tempo de resposta foi assim perdido. Desde então o número de casos reportados exibe tendência explosiva. Temendo o colapso do sistema de saúde, estados e municípios buscaram um isolamento social formal e extenso, como se fez mundo afora, uns de chofre, outros tardia e tragicamente.

Empresas em vários setores vivem hoje um colapso em suas receitas. As pessoas vivem em estado permanente de alta ansiedade quanto a sua saúde e seu emprego. As empresas se veem forçadas a demitir, para garantir sua sobrevivência. Um quadro de terror.

Em função da real ameaça de colapso econômico, o presidente da República quer ainda adotar uma estratégia de "isolamento vertical". Nessa estratégia, o primeiro passo seria o isolamento social radical e completo por duas semanas, prazo suficiente para identificar e isolar portadores do vírus. Os mais idosos e vulneráveis permaneceriam isolados, e os demais voltariam a trabalhar normalmente.

Mas o primeiro passo já não ocorreu, nem ocorrerá, por várias razões geográficas e sociais. Além disso, o grupo vulnerável aqui é enorme: cerca de 38% da população é idosa e/ou portadora de doenças crônicas. Uma tentativa prematura de liberação geral teria como consequência uma inaceitável mortandade. O Reino Unido foi o único país que apontou para esse caminho, mas desistiu rapidamente face à escalada do contágio.

Nos resta, portanto, uma estratégia a partir de ações em quatro grandes frentes: médica (sobretudo equipamento e hábitos), logística (que garanta o suprimento, sobretudo de alimentos, para acalmar a população), assistencial (amparando os mais pobres, agora perdendo seu ganha pão) e das empresas (ameaçadas de falência). O isolamento seria flexibilizado aos poucos, na medida em que se tenha sucesso no controle da pandemia. Assim seriam minimizados os custos humanitários e econômicos.

Houve progresso na semana que passou. Listo alguns destaques. O país vive um mutirão emergencial de preparação para o pico de demanda por leitos e equipamentos. Sociedade civil engajada aqui. Declarou-se formalmente estado de calamidade, o que permite gastos acima das metas e tetos existentes. O Banco Central tomou inúmeras providências para estimular o crédito, inclusive a criação em conjunto com o Tesouro de uma linha de crédito de R$ 45 bilhões para as pequenas e médias empresas, muitas fatalmente atingidas pela crise. O Congresso aprovou com a concordância do Executivo a distribuição R$ 600 por mês para trabalhadores do setor informal, com base em informações do Cadastro Único. Em todas essas áreas há que se zelar para que os recursos atinjam seus objetivos, pois há muita pressa.


É necessário que mais recursos sejam canalizados para a população através dos canais do Bolsa Família e de um amplo programa para cadastrar as novas vítimas da crise econômica. Enquanto isso não ocorre, transferências adicionais podem ser feitas com a necessária urgência em bases provisórias, a partir de dados do Imposto de Renda e do INSS.

Cabe mencionar a possibilidade de se criar com recursos públicos uma nova linha de crédito para as PMEs que fluiria a partir dos canais dos cartões de crédito, a um custo bem baixo e amortização apenas quando as receitas das empresas se recuperassem. Essa linha seria crucial para atingir as menores empresas, muitas informais e não cobertas pela linha já anunciada. Levo muita fé nesta alternativa que entendo está sendo explorada pelas autoridades.

Urge a definição de uma estratégia compartilhada pelas três esferas do governo. Faz muita falta um gabinete focado exclusivamente na gestão da crise no governo federal, capaz de planejar, executar e comunicar para a nação os resultados de seu trabalho.

Concluo com dois temas onde identifico mais duas lições, voltadas para o futuro. Em primeiro lugar, o papel do SUS. Antes da crise já era clara a necessidade de se reforçar e aprimorar o SUS. Agora mais do que nunca o tema precisa voltar à tona assim que possível.

Em segundo lugar, embora haja bastante espaço fiscal para responder à crise, este espaço não é infinito. Portanto, as medidas devem ser adotadas a partir de uma estratégia bem definida e transparente, para que prioridades sejam respeitadas. Uma vez adotadas as medidas urgentes, a recuperação da saúde fiscal da nação deve voltar a ser uma prioridade, dado que infelizmente nosso histórico nesse terreno é fonte de preocupação. A continuidade do processo de construção de um Estado eficaz e financeiramente equilibrado apontaria para um futuro mais próspero e justo, e daria mais espaço para as respostas à crise.
Herculano
29/03/2020 07:49
MÉDICOS DO DF TERÃO VIDEOCONFERÊNCIA COM WUHAN, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros neste domingo

Uma videoconferência dos médicos do Distrito Federal com os colegas de Wuhan, epicentro do coronavírus, deve dar início à cooperação solicitada pelo governador do DF, Ibaneis Rocha, à embaixada da China. Ele foi o primeiro a pedir, mas outros Estados e vários municípios fizeram o mesmo, por isso a embaixada fez uma gentileza ao governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores: enviou uma lista dessas solicitações pedindo que ao Palácio do Planalto que defina prioridades.

NOVA RODADA DE CONVERSA

Uma segunda videoconferência será dos médicos de Wuhan e o pessoal de saúde dos Estados e municípios que solicitaram a cooperação.

ESFORÇO PREMIADO

Por ter formalizado primeiro o pedido de assistência, o DF "está bem posicionado", dizem diplomatas. O esforço do DF é considerado modelar.

PAIS DA MATÉRIA

O "projeto China" é tocado pelo secretário Valdetário Andrade Monteiro (Casa Civil) e Renata Zuquim, diretora de relações internacionais do DF.

JEITO CHINÊS

Pegou bem junto aos chineses o governo do DF não formular pedidos específicos de equipamentos, por exemplo. Só o que for possível.

TURISTAS BRASILEIROS SOFREM TENTANDO VOLTAR AO PAÍS

Apesar da assistência dos diplomatas, a situação de brasileiros retidos no exterior, em razão do coronavírus, chega a ser dramática. Na África do Sul, já são cerca de 500 turistas impedidos de sair do país. O drama começou com o cancelamento de voos, depois se agravou com o fechamento de aeroportos desde sexta-feira (27). A embaixada do Brasil conseguiu autorização excepcional para dois voos da Latam, o primeiro nesta segunda (30) outro na terça (31). Mas faltava a Latam se decidir.

HONRANDO CONTRATOS

Com a concordância da empresa de honrar as passagens de ida e volta que vendeu, o desafio é acomodar 500 brasileiros em dois voos.

AO MENOS ISSO

A Latam cancelou seus voos da África do Sul, mas pelo menos teve a dignidade de cumprir a legislação e garantir hotéis para seus clientes.

CADASTRAMENTO INÚTIL

Os retidos na África do Sul se cadastraram na Anac, mas a agência nem ameaçou aplicar um "pedala" nas empresas. Para não tomar bronca.

CARA DEMAGOGIA

Vai custar R$15 milhões só o custeio da demagogia de montar "hospital de campanha" no Estádio Pacaembu, em São Paulo. Gastaria muito menos deixando de ignorar ofertas gratuitas de hotéis para o mesmo fim.

DECISÃO FAKE

Na liminar que proíbe a campanha "O Brasil não pode parar" do governo federal, o juiz de Duque de Caxias ordena que o governo "se abstenha" de desestimular o isolamento social "recomendado pela OMS". A OMS não recomenda "isolamento social", só distanciamento de alguns metros.

VÍRUS DA DESINFORMAÇÃO

Repórter de TV que noticiava a contaminação de segurança do Planalto chamou de "coletiva" o que foi a "comitiva" do presidente Jair Bolsonaro a Miami. Da qual, aliás, o segurança infectado não participou.

DISCURSO INTERROMPIDO

Quis o destino que a primeira morte por coronavírus em Brasília não foi "da falta de proteção" do governo brasileiro, como as ONGs certamente denunciariam mundo afora. Ele foi infectado pela namorada... francesa. Mademoiselle retornou já contaminada de recente viagem à Europa.

ASSIM É SE LHE PARECE

Associação de juristas que classificava o impeachment de Dilma como "desrespeito a 54 milhões de votos", agora defende o impeachment de Jair "58 milhões de votos" Bolsonaro por não aprovar o presidente.

DISPUTA ACIRRADA

Zequinha Marinho (PSC-PA) assumiu a liderança de senadores que mais fazem ressarcimento de despesas, R$ 550 mil desde fevereiro de 2019, apesar do belo salário. Passou Eduardo Braga (MDB-AM), R$ 549 mil. Só a agência de turismo que atende a Marinho levou R$ 174 mil.

SANGUE DÁ LUCRO

As notícias só falam da quantidade de casos e mortes pelo Covid-19, mas ignoram os recuperados, que já passam de 133 mil. Dos casos ativos, 95% são leves, segundo o site de monitoramento Worldometer.

EFEMÉRIDES

Completa 10 anos neste domingo a morte de Armando Nogueira, marco do jornalismo esportivo brasileiro. E também nove anos da morte de José Alencar, que foi duas vezes vice do ex-presidiário Lula.

PERGUNTA NA UTI

Quantos leitos seriam abertos com os R$2 bilhões reservados para pagar a campanha eleitoral dos políticos, este ano?
Herculano
29/03/2020 07:27
O QUE VOCÊ FEZ DURANTE A EPIDEMIA?, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

A Gerdau, a Ambev e o hospital Albert Einstein deram uma lição ao grande empresariado nacional.

Anunciaram a doação de um centro de tratamento da Covid-19 com cem leitos à Prefeitura de São Paulo. Em duas semanas entregarão 40 leitos e até o fim de abril estarão prontos os outros 60. A unidade atenderá pacientes do SUS.

O pavilhão ficará anexo ao hospital M'Boi Mirim, na periferia da cidade. A Gerdau doará a estrutura do prédio, a Ambev bancará o custo e o Einstein cuidará dos pacientes. Nenhum grande acionista da Gerdau ou da Ambev ficará mais pobre com a doação. Nas últimas semanas nenhum deles saiu por aí dizendo tolices demófobas em eventos teatrais. Sem espetáculo, fizeram o que acharam que deviam.

O Albert Einstein, nascido da filantropia da comunidade judaica de São Paulo, aderiu à iniciativa num momento em que as grandes empresas de medicina privada (inclusive algumas que se dizem filantrópicas) oferecem aos brasileiros um virótico silêncio. Quando celebridades e ministros adoecem, é comum ver-se o logotipo desses hospitais na telinha. Agora que a emergência sanitária chegou ao andar de baixo, sumiram. (O ministro Luiz Henrique Mandetta queixou-se de que um desses potentados sequer devolveu seu telefonema.)

Coisas boas também acontecem. O colégio Miguel de Cervantes, situado nas proximidades do Einstein, abriu 300 vagas para filhos de enfermeiros, técnicos e médicos do hospital. A escola ocupa uma área de 60 mil metros quadrados e as crianças ficarão lá durante os turnos dos pais, assistidos por voluntários, sem contato físico. O hospital fornecerá a alimentação da garotada. Outro colégio da cidade, o Porto Seguro, aderiu à iniciativa.

Em Manaus uma rede de lojas Bemol doou ao governo do estado seu estoque de mil colchões e máscaras. (Repetindo, doou o estoque.) No Rio de Janeiro, pizzarias continuam mandando refeições aos profissionais de saúde da cidade. Alguns deles trabalham em turnos de 24 horas.

Coisas assim parecem gotas d'água, mas como dizia Madre Teresa de Calcutá, "toda vez que eu ponho minha gota no oceano, ele fica maior".

Um dia isso tudo terá passado e uma pergunta haverá de alegrar muita gente, encabulando outros: "O que você fez durante a epidemia da Covid-19?".

BOLSONARO CAUSOU ESTRAGOS

Passará o tempo e ficará a lembrança de que durante a epidemia da Covid-19 o presidente da República fez confusões, gracinhas e provocações com delírios autoritários.

Brincando com a crise sanitária Bolsonaro causou estragos, mas os governadores e as lideranças parlamentares contiveram a ruína. Resta a crise econômica, paralela e duradoura. Nela, não haverá lugar para gracinhas, fantasias ou teatrinhos como o que se organizou com amigos da Federação das Indústrias de São Paulo.

Em tempos saudáveis, durante a negociação da reforma da Previdência, sua ekipekonômica tentou tungar o Benefício de Prestação Continuada dos miseráveis.
Depois decidiram taxar os desempregados. Com a epidemia, inventaram uma medida provisória de garantia ao desemprego sem contrapartida. Exposta a demofobia da iniciativa, veio a história de que acontecera um erro de redação. Contem outra, doutores.

A matriz demófoba dos Acadêmicos da Economia foi ao vinagre e os doutores descobriram que o andar de baixo existe. Lidando com essa vertente da crise, volta-se ao ponto de partida: a máquina federal precisa funcionar.

A mente tumultuada do capitão produz frases desconexas. Um exemplo: "O povo tem que parar de deixar tudo nas costas do poder público". Ele nunca recebeu um só centavo que não viesse das arcas do Tesouro, que é sustentado por esse mesmo povo.

Para Bolsonaro, tudo é "uma questão de poder". Nas suas palavras, "se acabar a economia, acaba qualquer governo, acaba o meu governo".

Engano, nenhum governo corre o risco de acabar, mas o dele depende de Jair Bolsonaro.

A LIÇÃO DE BERNANKE

Durante a crise financeira de 2008 o professor Ben Bernanke (Stanford) estava à frente do Federal Reserve Bank americano. Ele era um verdadeiro economista liberal e fizera carreira estudando a Depressão dos anos 1930.

A situação estava tão braba que o secretário do Tesouro, Henry Paulson, em jejum, trancou-se no banheiro para vomitar.

Ambos decidiram despejar dinheiro no mercado, resgatando empresas que corriam o risco de quebrar, espalhando o pânico. Era o contrário do que havia aprendido, ensinado e praticado. Diante do que parecia uma contradição ele ensinou ao mundo e a seus pares: "Não há ateu em trincheira, nem ideólogo em crise financeira".

LOUCOS VIRAM GÊNIOS

Quando ninguém sabe o que fazer, ou quando as rotinas não apontam uma saída, surgem loucos que se revelam gênios.

Em 1906 a cidade de San Francisco foi destroçada por um terremoto, seguido de incêndios. Amadeo Giannini tinha um pequeno banco e sua clientela vivia no andar de baixo. Ele alugou um caminhão de lixo e tirou todo o dinheiro de seu cofre. (Outros banqueiros achavam que deviam deixá-los nas caixas-fortes e o calor assou as notas.)

A grande ideia de Giannini foi botar uma mesa na rua. Ele passou a emprestar dinheiro a quem estivesse precisando, confiando nos fios dos bigodes. Ele contava que recebeu de volta tudo o que emprestou e que no primeiro dia dessa operação maluca recebeu depósitos equivalentes a US$ 1,5 milhão em dinheiro de hoje.

Mesmo que tenha exagerado, seu tamborete virou o Bank of America, um dos maiores dos Estados Unidos, e ele entrou para a história da banca.

HOJE E ONTEM

O doutor Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil, ensinou que "muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito".

A vida dos outros, certamente. De qualquer forma, ele não é o único que pensa assim, nem essa maneira de pensar é nova.

Em 1830 a Santa Casa do Rio de Janeiro colocou um anúncio num jornal pedindo aos senhores de escravos que não mandassem para os cemitérios escravos doentes, mas ainda vivos.

Lembrando esse episódio, a historiadora Mary Karasch ensinou que naquele tempo a marca do comportamento do andar de cima não era e crueldade, mas o "simples descaso".

ALÍVIO

Na cúpula do Judiciário cozinha-se uma trégua para as empresas que estão em recuperação judicial que, sem malandragens, viram-se obrigadas a atrasar pagamentos por causa da contração da economia.

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota, venera todos os governantes presentes, passados e futuros. Por isso se aborreceu ao saber que a revista inglesa Economist chamou o capitão de "BolsoNero".

O cretino acha que o imperador romano ganhou má fama por causa de historiadores marxistas da época. Ele teria tocado violino durante o incêndio de Roma, mas os violinos só apareceram séculos depois.
Miguel José Teixeira
28/03/2020 17:42
Senhores,

"O Brasil não pode parar"

Afinal foi ou não criada esta milionária campanha, que segundo dizem, foi idéia do carluxo e seu priminho e que está causando enorme ciumeira nos outros dois zero-zeros.

Sei não. . .acho melhor perguntar lá no "SuTriFe", um verdadeiro "google" da governança tupiniquim.
Miguel José Teixeira
28/03/2020 12:34
Senhores,

Raul não morreu!

A Globo ressuscitou "O Dia em que a Terra Parou":
. . .
O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
. . .

E eu revejo "As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor"

. . .
Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo
. . .

Imagens na TV mostram considerável despoluição do ar na China.

Será?
Miguel José Teixeira
28/03/2020 11:10
Senhores,

Eis a resposta de suprema lagosta, chapada de vinhos tetra-premiados internacionalmente à inútil e dispendiosa câmara de deputados, sobre as MPs:

"Ministro do STF mantém prazo de validade de MPs, mas permite votação remota.

Análises pelas comissões mistas estão dispensadas enquanto durar emergência de saúde pública; e pareceres poderão ser apresentados diretamente em Plenário"

Leia + em: https://www.camara.leg.br/noticias/649250-ministro-do-stf-mantem-prazo-de-validade-de-mps-mas-permite-votacao-remota/

Pensando bem. . .se 11 ministros do supremo resolvem a parada (neste caso apenas uma), porquê, então, manter a geringonça em funcionamento?
Demétrius
28/03/2020 09:45
A situação está muito complicada...

Justiça proíbe o Presidente de adotar medidas contra o isolamento social e derruba decretos.

O presidente assinou um decreto que lotéricas são serviços essenciais, o mesmo está suspenso. Milhões de brasileiros só tem as lotéricas para receberem os benefícios do INSS e bolsa família que já estão disponíveis. Dentre eles o adiantamento do 13°.

Querem matar os brasileiros de fome!
Quantos aposentados estão esperando a grana...

O Presidente está fazendo o que pode.
Herculano
28/03/2020 08:18
da série: os servidores públicos nos três poderes, no âmbito federal, estadual e municipal são à imagem do desperdício, da ineficiência e da incapacidade de retornar o investimento para a sociedade que lhes sustenta, tudo protegido por sindicatos pelegos e políticos que dizem representar o povo que paga toda essa conta. Agora, estão defendendo o aumentos de impostos que serão bancados por desempregados para que eles possam continuar empregados, e usados ou manipulados, defendem ainda verdadeiras castas de privilégios incrustadas nesses ambientes onde não se pode demitir em tempos de crises

MESMO EM TEMPOS DE GUERRA, CORTAR SALÁRIO DE SERVIDOR PERMANECE TABU, por Julianna Sofia, secretária de Redação da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Cúpula do Judiciário e parlamentares são principal entrave à proposta

A cúpula do Judiciário e uma ala fisiológica de parlamentares dentro do Congresso encarnam hoje o principal entrave à proposta de reduzir salários do funcionalismo em resposta ao caos econômico-fiscal gerado pela pandemia do coronavírus.

Enquanto o governo prepara uma medida provisória para permitir o corte de até 65% da remuneração e jornada de trabalhadores do setor privado - com uma ajuda federal para recompor os ganhos, a depender da renda -, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, já fez circular seu recado: uma proposta de emenda constitucional para reduzir vencimentos de servidores pode ser barrada pela corte.

Deputados e senadores do bloco de partidos conhecido como centrão também resistem à ideia, embora o "primeiro-ministro", Rodrigo Maia, seja um dos principais entusiastas da medida. Ele defende cortar em até 20% os holerites do funcionalismo, o que incluiria os salários de parlamentares.

Pelos cálculos de Maia, seria possível economizar até R$ 3,6 bilhões/mês, preservando funcionários de menor remuneração e os que trabalham na linha de frente do combate ao vírus. Outra hipótese prevê redução de até 30% nos altos contracheques.

No jogo de forças de Brasília, o poderoso corporativismo estatal tem levado a melhor - vide o destino da reforma administrativa e da chamada PEC emergencial. Mesmo em tempos de guerra como o que vivemos, permanecem como tabu iniciativas para extinção de privilégios e redução da desigualdade.

No mais, há a quem se aplique a abjeta declaração do presidente Bolsonaro, para quem o brasileiro merece ser estudado. "Você vê o cara pulando em esgoto ali. Ele sai, mergulha e não acontece nada com ele."

O Senado aprovou a medida provisória do contribuinte legal e derrubou o jabuti enxertado pela Câmara com o bônus de eficiência dos fiscais da Receita - teria sido um aumento salarial escamoteado.
Herculano
28/03/2020 08:07
CORTE DE 50% NO SISTEMA S PODE APROFUNDAR A CRISE, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O corte de metade dos recursos das entidades do Sistema S durante três meses pode sair muito mais caro para o País que os R$2 bilhões que o ministro Paulo Guedes (Economia) pretende "poupar" para as ações contra o Covid-19. Para se fazer ideia da desinteligência, somente no Sesc e Senac, entidades da Confederação Nacional do Comércio (CNC), representará 10.210 demissões imediatas, 265 unidades fechadas e queda de 2,8 milhões de atendimentos (vagas e inscrições em serviços).

TRAGÉDIA AMPLIADA

Assim como há Sesc e Senac no âmbito da CNC, há o Sesi e Senai na CNI (Indústria), a Senat na CNT (Transportes) etc. A ruína seria geral.

VIGILANTES NA RUA

Somente a Federação Nacional das Empresas de Segurança (Fenavist) estima 100 mil demissões com o corte pretendido por Paulo Guedes.

SEM INTERLOCUÇÃO

Entidades do Sistema S apelam a Deus e ao diabo na Terra do Sol para evitar cortes. Mas faltam interlocutores com quem decide: Paulo Guedes.

A BRONCA DO MINISTRO

O problema é que Paulo Guedes está entre os que associam o Sistema S a corrupção e a gestões do passado que se locupletaram das entidades.

ADIAMENTO DA ELEIÇÃO Só DEPENDE DA PANDEMIA

O deputado Arthur Lira (PP-AL) diz que não há qualquer posicionamento do partido ou do "blocão" de 351 deputados, que lidera na Câmara, sobre adiar as eleições municipais, tampouco prorrogação de mandato dos atuais prefeitos e vereadores. "Tudo depende dessa pandemia", diz, referindo-se ao coronavírus. "Se for longa e grave, acho que não teremos eleições", prevê, até pela impossibilidade de se fazer campanha.

O QUADRO DEFINIRÁ

O parlamentar alagoano explica, no entanto, que o eventual adiamento das eleições não será definida por interesses eleitorais: "Será o quadro".

CAFÉ SERVIDO FRIO

Na reta final do seu mandato como presidente, a posição Rodrigo Maia contrária ao adiamento já não é levada tão a sério na Câmara.

PAPO FAVORITO

Eles não admitem, dizem que estão preocupados com a Covid-19, mas na verdade só pensam em adiar eleições e prorrogar os mandatos.

OS MAIS VULNERÁVEIS

A primeira morte por coronavírus no DF reforça o perigo de doenças pré-existentes, apesar da idade. O homem de 46 anos sofria de diabetes e hipertensão. Só procurou ajuda médica quando já não respirava direito.

AO MENOS UM CONSENSO

É quase consenso entre estudos científicos que a onda epidêmica do novo coronavírus (na Itália e no Reino Unido) deve durar entre dois e três meses e que o surto da doença começou nos países pelo menos um mês antes de ser registrada a primeira morte por Covid-19.

NÃO-IDENTIFICADOS

Pesquisa publicada na revista Science diz que 86% dos casos de contaminação não são diagnosticados. O estudo mostra também que 79% do contágio tem pessoas assintomáticas como ponto de partida.

PAPAGAIO DE AUDIT?"RIO?

Bolsonaro disse ontem que João Doria "virou papagaio de auditório". Deve ser o casamento de "animador de auditório" com "papagaio de pirata", aquele tipo de gente que parece viver para aparecer na foto.

NAS ALTURAS

O programa de José Luiz Datena na Band é campeão de audiência, mas quando ele entrevista o presidente Bolsonaro, como nesta sexta (27), bomba ainda mais. Não por acaso, o apresentador alonga a conversa.

VÍRUS DA DESINFORMAÇÃO

Veículos noticiaram que o premier britânico Boris Johnson "é o primeiro chefe de estado" a contrair coronavírus. Coitados. Ignoram que chefe de Estado no Reino Unido é a rainha Elizabeth. Ele é chefe de governo.

HÁ ALTERNATIVA

Os presidentes da República, STF, Senado e Câmara, receberam da CNI documento apoiando o isolamento vertical para os trabalhadores da indústria. O texto prevê testes rápidos de Covid-19 a cada 15 dias.

CAUSA PRóPRIA SEMPRE

Mal começam a ser compreendidos efeitos econômicos da pandemia e a pelegada de entidades de servidores públicos já defendem o aumento de impostos. Mais impostos para garantir os salários (deles) e suas regalias.

RESPONDA RÁPIDO

A temporada de Eduardo Cunha em cana piorou o índice de periculosidade no presídio?
Herculano
28/03/2020 07:55
da série: uma prova de que a quarentena e o isolamento são para a classe média e alta. Os pobres já estão isolados na pobreza e mais vulneráveis porque a quarentena lhes é impossível pela busca da sobrevivência e da impossibilidade de se isolar adequadamente.Serão as maiores vítimas, vetores e que primeiro criarão a natural resistência

11,5 MILHõES DE BRASILEIROS MORAM EM CASAS CHEIAS EM MEIO À PANDEMIA DE COVID-19

Dormitórios cheios são mais comuns entre negros e mulheres solteiras e dificultam prevenção ao coronavírus

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Júlia Barbon, do Rio de Janeiro, em colaboração com Fabiano Maisonnave, e Tércio Teixeira. Na casa de Geovane Gonçalves, 24, vivem ele, sua mãe, seu padrasto, seu irmão, mais duas irmãs, sua filha de cinco anos, seis gatos e um cachorro. São sete pessoas e sete bichos para duas camas de solteiro e um sofá.

Como a conta não bate, o jeito é se espremer durante os longos dias de quarentena. "Nos revezamos. Um vai pra TV, outro fica no celular, mas estamos evitando as notícias pra não ficar em pânico", diz o atendente de loja, morador da favela da Rocinha, na zona sul do Rio.

Geovane e sua família estão entre os 11,5 milhões de brasileiros que moram em casas superlotadas, ou seja, que abrigam mais de três pessoas por dormitório. O número é de 2018, da mais recente Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE.

Isso significa que quase 6% da população vive em ambientes abarrotados que tornam quase impossível o tal isolamento social, tratado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das principais ferramentas para conter o novo coronavírus.

Os cômodos cheios são uma realidade mais comum entre os pretos e pardos (7%) e entre as mulheres solteiras com filhos de até 14 anos. Nesse último recorte, há ainda um abismo entre as chefes de família brancas (8%) e negras (12%).

O problema é maior nas capitais, onde a doença está mais concentrada até agora. As três cidades com o maior número de casos confirmados - São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza- estão entre as com mais habitantes morando em domicílios hiperadensados. A capital paulista acumula um terço dessas pessoas.

Quem ganha em termos proporcionais, porém, é o Norte do país, onde 13% da população vive em locais superocupados. Em Macapá, por exemplo, essa é a condição de nada menos que um quinto dos moradores.

Em Manaus, a autônoma Aldineia Viana, 35, tem passado o dia inteiro com o marido e três filhos dentro de uma quitinete, geminada a outras quatro quitinetes dentro de uma vila. "A moradia piorou 100%. Agora, com esse coronavírus, acabou de vez", diz ela.

Eles viviam em uma casa em uma invasão no extremo norte da cidade, mas há um mês a área foi alvo de uma ação de reintegração de posse que retirou cerca de 2.300 famílias. Agora, o aluguel social pago pelo governo estadual aos desalojados, de R$ 600, é a única renda da família.

Para Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, coordenador do Observatório das Metrópoles (que reúne 400 pesquisadores no país), o problema do adensamento das moradias tende a piorar ainda mais com a crise do coronavírus e, consequentemente, a crise econômica que virá.

"Evidentemente uma estratégia das pessoas vai ser se aglomerar nas casas que já existem, considerando o aumento do desemprego e as pessoas que vivem de rendas que só suprem o hoje", diz ele, que é professor titular do instituto de pesquisa e planejamento urbano da UFRJ.

Ribeiro destaca ainda a dificuldade de se evitar aglomerações na vizinhança. "Além do adensamento das moradias, tivemos o adensamento da ocupação do solo, com os puxadinhos. O quadro habitacional do Brasil se agravou bastante a partir de 2016, com a crise e a paralisação de programas como o Minha Casa, Minha Vida", avalia.

Outros números habitacionais dão a dimensão das dificuldades do Brasil em tempos de coronavírus: 6 milhões (3%) não têm banheiro em casa, 31 milhões (15%) não têm abastecimento de água próprio e 42 milhões (20%) não têm acesso à internet no domicílio, pelo computador ou dispositivo móvel, segundo a PNAD de 2018.

Mais um dado que assusta diante da pandemia é o fato de que 1 milhão de pessoas (0,5%) moravam em apenas um cômodo em 2010, ano mais recente do Censo do IBGE. É como a auxiliar de serviços gerais carioca Adriana dos Reis, 50, vive até hoje.

Sua casa na Rocinha é repartida em dois por uma toalhinha. De um lado, dormem ela e o marido; do outro, os dois filhos. A única divisória é um pequeno banheiro, que fica colado num espaço onde se empilham a pia, a máquina de lavar roupa, a geladeira e o microondas.

Para Ribeiro, a situação atual lembra as epidemias de varíola e febre amarela que acometeram principalmente o Rio de Janeiro no início do século 20, impulsionadas pelas condições sanitárias dos cortiços que dominavam o centro da então capital do país.

Na época, uma das soluções levadas a cabo pelo prefeito Pereira Passos foi o chamado "bota-abaixo", que derrubou as moradias e empurrou as camadas mais pobres para os morros e periferias, fazendo surgir a primeira favela brasileira, o Morro da Providência.

"Hoje uma solução autoritária como essa é mais difícil, porque estamos falando de um terço da população em favelas", reflete Ribeiro. "Mas estou com uma certa esperança de que o coronavírus faça a gente acordar para o fato de que as extremas desigualdades que vivemos são intoleráveis e não atingem só essas pessoas, e sim a sociedade como um todo."
Miguel José Teixeira
27/03/2020 11:47
Senhores,

"A ditadura da toga", será? Com a palavra os doutos!

1) Câmara aguarda decisão do STF sobre alteração no rito das medidas provisórias.
- Rodrigo Maia defende uma tramitação simplificada e mais rápida;
- PP pede a suspensão dos prazos

Leia mais em: https://www.camara.leg.br/noticias/648617-camara-aguarda-decisao-do-stf-sobre-alteracao-no-rito-das-medidas-provisorias/

2) Entenda a Tramitação da Medida Provisória
- O art. 62 da Constituição Federal traz as regras gerais de edição e apreciação das MPVs, definindo inclusive os assuntos e temas sobre os quais não podem se pronunciar.
- Já o disciplinamento interno do rito de tramitação dado pela Resolução do Congresso Nacional n° 1 de 2002 exige, por exemplo, sobre emendas, a formação da comissão mista e prazos de tramitação.

Atentem: "o disciplinamento interno do rito de tramitação dado pela Resolução do Congresso Nacional n° 1 de 2002

Leia mais em: https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/entenda-a-tramitacao-da-medida-provisoria

Como leigo, entendo que há algo mais no ar do que aviões da FAB abarrotados de "otoridades públicas" fazendo turismo por conta do erário. . .
Herculano
27/03/2020 11:04
MANCHETE DO PORTAL UOL

Bancos prometem adiar pagamentos, mas não atendem clientes e sobem juros.

Perguntar, não ofende: alguém tinha dúvidas sobre isto? Se há banco que pode emprestar e tomar prejuízo são os estatais. Os outros, no mínimo vão se protegerem na crise, ou então, lucrarem que é o negócio deles
Miguel José Teixeira
27/03/2020 10:22
Senhores,

Como escreve o genial José Simão, "Piada Pronta":

"Filhos de Bolsonaro atuam em gabinete paralelo para tentar reverter desgaste do pai"

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/filhos-de-bolsonaro-atuam-em-gabinete-paralelo-para-tentar-reverter-desgaste-do-pai.shtml

Como se não fossem eles próprios que têm colocado o pai em saia justa, como por exemplo a "rachadjinha" na Assembleia do Rio, que o incauto senador preferiu levá-la para a esfera federal e que estourou no Palácio do Planalto.

O presidente tem a CANETA. Se souber adequadamente u$á-la, poderá dar a volta por cima!

Mas com a ajuda dos zero-zeros? Valha-nos, Deus!
Miguel José Teixeira
27/03/2020 10:09
Senhores,

Falência & Falência

Sempre é bom lembrar que, da falência, em termos:

1) financeiros, todos podem se recuperar.

2) já, da vida, não há retorno!

Portanto, precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
Herculano
27/03/2020 06:47
NESTA SEXTA-FEIRA AS 10 HORAS, HAVERÁ BUZINAÇO NA PRAÇA GETÚLIO VARGAS, EM GASPAR DOS QUE VERDADEIRAMENTE SUSTENTAM O BRASIL COM SEUS PESADOS IMPOSTOS E DOS QUE QUEREM TRABALHAR PARA SE SUSTENTAR E NÃO DEPENDER DAS ESMOLAS DO GOVERNO
Herculano
27/03/2020 06:45
O PSDB ENTRE O CÉU E O INFERNO

Quem diria. O PSDB se recusou a punir ou excluir os seus corruptos. Assim ficou parecido com o PSDB. João Dória, parecia ser a renovação. Depois de usar Jair Messias Bolsonaro para se eleger governador, se tornou adversário para ocupar seu lugar no Planalto.

Fez uma aposta de risco. Agora, torce para que muitas pessoas morram e assim se torne o anti-Bolsonaro. No enfrentamento provocado por ele, e fora de hora, na reunião dos governadores do Sudeste, não deu muito certo. Cada coisa!

Esta aposta pode refletir em Gaspar.
Herculano
27/03/2020 06:41
da série: o vai-e-vem científico em confronto com as pegadinhas de fundo ideológico.

O MÉDICO E O MONSTRO, por Diogo Mainardi, de O Antagonista.

Antes de tomar sua dose de cloroquina contra a Covid-19, leia a coluna de Mario Sabino, na Crusoé, sobre um dos pioneiros desse tratamento:

"Quando os chineses fecharam a província de Hubei, epicentro da pandemia do novo coronavírus, Didier Raoult disse no canal de Youtube da sua instituição que era 'delirante' a ideia de que ali poderia nascer uma crise das proporções que vivemos atualmente. 'Três chineses morrem e isso causa um alerta mundial. A OMS se mete nisso, fala-se disso na televisão e no rádio? Tudo isso é loucura, sem nenhuma lucidez', afirmou. Soa familiar (...).

Em 20 de março, eis que aparece um estudo na revista International Journal of Antimicrobial Agent. Um recorde de rapidez, como registra o Le Monde. Nele, Didier Raoult apontava que a cloroquina, administrada a trinta pacientes, havia obtido em quinze dias resultados positivos no tratamento de Covid-19. Pesquisadores independentes vasculharam as circunstâncias nas quais o experimento foi feito e verificaram que um paciente tratado com cloroquina havia morrido e sido excluído da amostragem, assim como foram descartados outros três cujas condições se agravaram e os levaram para a UTI."
Herculano
27/03/2020 06:35
da série: e precisa economistas eficazes no governo se deputados, senadores e governadores colocam os brasileiros no buraco pagando a conta das sacanagens que montam na briga com o Executivo sob o aplauso da imprensa ideológica?

COM PIB À BEIRA DO COLAPSO, ECONOMISTAS DO GOVERNO NÃO FAZEM NADA, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Equipe econômica só sabe anunciar medidas vagas, insuficientes e sem efeito prático

Os números do colapso econômico ainda são muito raros e parciais, mas prenunciam calamidade. O consumo de energia caiu quase 9% em uma semana (para ser preciso: foi a queda da carga do dia 15 ao 22 de março, domingo), para começar.

Não é preciso muito discernimento para prever que comércios e fábricas paradas vão provocar uma baixa inédita no PIB pelo menos durante um trimestre, embora o resultado do ano possa ser também um desastre secular.

Por ora, vamos argumentar como se o país tivesse um governo. Não é preciso ter muita luz para perceber que um governo sabotado pelo próprio presidente da República intensificará de modo genocida o desastre.

Mas, por ora, suponhamos que as autoridades econômicas façam parte de um governo minimamente funcional. Pois bem, o governo da economia também não demonstrou que é minimamente funcional, organizado, imaginativo ou com capacidade de implementação.

Já faz mais de uma semana que vazou da Economia uma vaga e insuficiente ideia de compensar em duas centenas de reais a renda dos trabalhadores informais, entre outros anúncios mesquinhos e nebulosos de auxílio.

Depois disso, de concreto, houve apenas o ultraje incompetente e desumano da MP da Morte, que regulava corte de salários e não previa compensação alguma para os feridos econômicos da coronacrise.

Foi apenas nesta quinta-feira (26) que alguém, de fora do governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, apresentou uma visão minimante geral e articulada do que é preciso fazer.

O governo reluta em oferecer paliativos, na esperança incompetente e cruel de que o fim de confinamentos, quarentenas e similares impeça um tombo maior da economia, com o que seria possível gastar menos. Esse parece ser o raciocínio de fundo da equipe econômica, que vaza pelos jornais como o vírus pelas ruas.

Além da desorganização e da destruição mortais causadas pelo indivíduo que ocupa a cadeira de presidente da República, há relutância fundamental dos economistas deste governo.

Sem ajuda a firmas menores (e muitas grandes), o morticínio de empresas no paradão da epidemia pode prolongar a recessão mesmo quando o contágio e a doença sejam de algum modo controlados.

Nada sai do papel por iniciativa do governo. A incapacidade de implementação, evidente desde 2019, se torna apavorante.

Será inevitável um plano para compensar a queda de faturamento das empresas, de modo a evitar falências e demissões em massa. O governo terá de pagar salários de trabalhadores do setor privado.

Terá de inventar um programa de renda mínima gigante para os mais pobres. Para os informais, quem resolveu a parada foi o Congresso.

Talvez seja preciso adiar dívidas individuais. Facilitar a renegociação de dívidas bancárias. Com falências e de demissões em massa, haverá calotes. Mais calotes, maior retração dos bancos, para dizer o menos.?

O Banco Central tem resolvido problemas de liquidez e controlou um grande pânico no mercado de dívida privada. Não apenas por isso, precisa fazer mais.

Não apenas a taxa básica de juros de curto prazo (Selic) tem de cair mais, mas é preciso dar um jeito de "achatar a curva" inteira de juros (isto é, fazer com que taxas de juros mais longas caiam no mercado de dinheiro e de financiamento do governo).

ESTAMOS EM UMA EMERGÊNCIA. Apenas o Banco Central tem agido com competência e rapidez diante da crise. Não vai ganhar essa guerra, na qual vai atuar mais na retaguarda, embora fundamental.
Herculano
27/03/2020 06:17
da série: será que nesta conta estão gasparenses e que usaram até influência de políticos?

BRASIL JÁ REPATRIOU 6.700, MAS AINDA FALTAM 7.300, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O governo mobiliza suas representações diplomáticas em todo o mundo no esforço repatriar turistas brasileiros surpreendidos pelo fechamento de fronteiras em diversos países. Até agora, já foram repatriadas cerca de 6.700 pessoas, mas ainda há aproximadamente 7.300 aguardando a oportunidade de voltar para casa. Portugal é onde há mais brasileiros tentando voltar: 1.810. Na Itália, onde a contaminação alarma o planeta, 790 brasileiros ainda aguardam a disponibilidade de voos de retorno.

ABANDONO CRUEL

Um grupo de 60 brasileiros "acampou" no aeroporto de Lisboa, à espera de voo. As empresas aéreas que os levou cancelaram os voos de volta.

EXPECTATIVA DE RETORNO

Há também brasileiros tentando voltar da Austrália (430), Argentina (413), África do Sul (370), Espanha (307), Tailândia (300) França (254).

FAZENDO CHOVER

O Itamaraty conseguiu libertar 198 estudantes brasileiros retidos no Paraguai. Outros 203 retornaram do Marrocos em um voo charter.

DE VOLTA PARA CASA

Caso grave ocorria no Peru, mas o Itamaraty conseguiu repatriar mais de 1.200 turistas, incluindo 66 retidos em Cusco, em dois voos da FAB.

BRASIL TEM MENOR ÍNDICE DE LETALIDADE EM 25 PAÍSES

A defesa do isolamento vertical proposta pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, pode ter vindo de análise estatística relativamente simples. O Brasil é, atualmente, 19º na lista de países com mais casos de coronavírus do mundo, mas tem o menor índice de mortalidade entre os 25 da lista. Na prática, a cada um milhão de pessoas, apenas 0,4 morre. Na China, o índice de mortalidade é cinco vezes maior, nos EUA são dez vezes mais e, na Itália, o número é surreal: 340 vezes maior.

INFECTADOS IDEM

O Brasil também tem o menor índice de infectados proporcionalmente à população dos 25 países: são 14 em cada milhão de habitantes.

DEVASTAÇÃO

A República de San Marino tem apenas 208 casos e 21 mortes, mas é proporcionalmente o lugar onde o vírus foi mais contagioso e letal.

LUTO

Até ontem, a Itália tinha 8.215 mortos, dobro da Espanha (4.145). Com 77 fatalidades, o Brasil aparece em 14º, pouco à frente de Turquia (75).

ELOGIO PETISTA

Ao contrário do paulista João Doria (PSDB), o baiano Rui Costa (PT), sempre elogiado pelo equilíbrio, gravou vídeo elogiando a qualidade da reunião do presidente Jair Bolsonaro com os governadores do Nordeste.

ESQUEÇAM O QUE EU DISSE

Aliás, apenas 24 horas depois de provocar um bate-boca, criticando pronunciamento de Bolsonaro em defesa do "isolamento vertical", João Doria mudou de ideia e pediu a reabertura das indústrias.

CURIOSIDADE MóRBIDA

Brasileiros retidos no exterior contam apenas com os nossos diplomatas. A "agência reguladora" Anac, que deve ter feito cadastro no site só por curiosidade, é incapaz de dar ordens às "reguladas". Nada fez para que empresas aéreas trouxessem de volta turistas que levaram ao exterior.

DIREITO PENAL CANCELADO

O coronavírus abre as portas da prisão para ladrões e outros criminosos que jamais teriam essa colher-de-chá. Incapazes de soltar seus clientes por razões justas, advogados oportunistas apelam ao "risco de contágio".

SURFANDO A CRISE

A crise do coronavírus permite quase tudo. Projeto do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-ministro de Dilma, quer suspender todas as ações judiciais com pedido de ordem de despejo e reintegração de posse.

COMBATER SURTE EFEITO

O informe sigiloso da Abin alvo de matérias críticas a Bolsonaro, do dia 23, fez três projeções para o coronavírus no Brasil: a mais grave, linha da China e Itália, a nossa e a menos severa, da França e Reino Unido. Após três dias, 3 mil casos brasileiros colocam o país na linha de baixo.

NOME ARTÍSTICO

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), obriga os funcionários da Casa a chama-lo apenas de "Davi". É uma espécie de exigência de artista como "Madonna" ou "Cher", sem sobrenome.

LUTA SEM PARTIDO

Segundo o Ministério da Defesa, Exército, Marinha e Aeronáutica já empregaram 270 viaturas, 59 embarcações, 3 aeronaves e mais de 4,5 militares para ajudar no combate ao coronavírus.

PENSANDO BEM...

...só o coronavírus para transformar Eduardo Cunha em vítima.
Herculano
27/03/2020 06:09
da série: sacrifício e fome só para os que estão balançando seus empregos na iniciativa privada, os 12 milhões de desempregados de carteira assinada e os 30 milhões de informais que sustentam com seus pesados impostos os privilégios, os altíssimos salários e aposentadorias integrais de castas dos servidores públicos dos três poderes. Na hora da crise, o primeiro a se proteger e amparar essa anomalia são os parlamentares - que se dizem representante do povo Judiciário que referenda essa odiosa discriminação.

PRESSÃO DA CÚPULA DO JUDICIÁRIO TRAVA REDUÇÃO DE SALÁRIO DE SERVIDOR

Depois de medida semelhante para trabalhadores do setor privado, centrais sindicais pressionam por PEC

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo.Texto de Thiago Resende, Julia Chaib e Danielle Brant, da sucursal de Brasília. As negociações entre governo e Congresso sobre a redução de jornada e salários para servidores e membros dos três Poderes devem ser, por ora, adiadas.

A ideia de cortar a remuneração da categoria, mesmo durante o período da crise causada pelo coronavírus, encontra forte resistência, principalmente na cúpula do Judiciário.

A equipe econômica e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendem um corte nos gastos com funcionalismo, abrindo espaço no Orçamento para despesas de enfrentamento da Covid-19 e suavização dos impactos da pandemia nas empresas e no mercado de trabalho.

Uma das propostas é aproveitar parte de um projeto de ministro Paulo Guedes (Economia) que diminuiria a jornada de servidores em 25%, com redução proporcional no salário. Mas funcionários públicos que ganham menos seriam poupados.

Outra ideia discutida foi elevar esse corte na remuneração, para até 30%, nas categorias com altos salários. Os detalhes ainda estão sendo calibrados. A medida valeria para os três Poderes.

Líderes de partidos do centro e esquerda dizem que a resistência do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, em reduzir os salários dos servidores públicos barrou o avanço de proposta nesse sentido.

Sem apoio do Judiciário, o projeto corre o risco de ser considerado inconstitucional e ser derrubado no Supremo.

O corte no funcionalismo seria por uma PEC (proposta de emenda à Constituição), que, para ser aprovada, depende de apoio de 60% da Câmara e do Senado. Partidos do centrão - grupo independente ao governo e que representa a maioria dos deputados - também são contrários à redução salarial, que atingiria os próprios deputados.

"Se é para resolver o problema, tem de ter uma pactuação de três Poderes", disse Maia, nesta quinta (26).

O governo e o Congresso vêm sendo pressionados a cortar a remuneração do funcionalismo e benesses de parlamentares e até mesmo de membros da Esplanada e da alta cúpula do Judiciário.

As cobranças partem de centrais sindicais, que representam trabalhadores da iniciativa privada, cujas regras trabalhistas foram flexibilizadas por causa da crise. Mas há iniciativas no Congresso.

Deputados de diferentes siglas apresentaram projetos para reduzir as remunerações dos três Poderes, o que também foi publicamente defendido por Rodrigo Maia.

Na última segunda (23), ele afirmou que tentaria um consenso em pelo menos parte da PEC Emergencial, enviada por Guedes no ano passado, para acionar gatilhos de ajuste nas contas públicas em momentos de desequilíbrio fiscal. Um exemplo: diminuição da jornada de trabalho do servidor em 25%, com corte proporcional de salário.

Apesar de saber que o impacto da medida é baixo diante dos recursos necessários para combater o vírus, socorrer empresas, trabalhadores formais e informais do setor privado, Maia disse que os três Poderes devem cortar despesas. É, portanto, uma forma de que todos tenham sua "cota de sacrifício" na crise.

A proposta foi bastante criticada por membros do Judiciário e do Ministério Público.

A ideia, agora, é não deixar que um projeto polêmico entre os Poderes atrapalhe a votação de medidas emergenciais para tentar conter a transmissão da Covid-19 e amenizar os efeitos na economia.

O assunto deverá ser retomado, porém, principalmente quando a queda da atividade econômica apresentar efeitos na arrecadação.

"Nas próximas semanas, quando a arrecadação dos entes federados começar a cair, todos vão ter de ajustar e organizar suas contas a uma nova realidade. E essa realidade impacta a todos", disse Maia.

Ele citou que o gasto com servidores do Executivo federal é de R$ 170 bilhões por ano. No Judiciário federal, a cifra chega a R$ 25 bilhões e, no Legislativo, a R$ 5 bilhões.

Hoje, o Executivo tem 604 mil servidores públicos federais na ativa, com estabilidade no cargo.

"Não estamos aqui para fazer gestos simbólicos nem ganhar like em rede social. Estamos aqui para resolver o problema. Os Poderes em todas as esferas vão precisar readequar sua realidade depois da crise."

A Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado) é contrária à proposta de redução de jornada e de salários de servidores. A entidade reúne 31 sindicatos e associações e representa cerca de 200 mil funcionários públicos.

Para o Fórum, o corte na renda da categoria iria agravar a crise econômica.

Com o argumento de suavizar os efeitos do coronavírus na economia, o governo já anunciou medida semelhante para trabalhadores da iniciativa privada ?"mais dura.

A ideia da equipe econômica é que empregadores possam reduzir a carga horária de trabalho em até 50%, com corte proporcional nos salários, ou até mesmo suspender contratos, mas garantindo uma renda ao funcionário do setor privado.

O objetivo, segundo o Ministério da Economia, é tentar evitar demissões em massa.

Isso é parte do pacote de medidas emergência anunciado pelo governo. As ações precisam do aval do Congresso, assim como qualquer proposta de alteração na remuneração do funcionalismo público.

O lobby dos servidores é um dos mais poderosos entre deputados e senadores. Além disso, há o comportamento recorrente do Judiciário em proteger a própria categoria.
Herculano
27/03/2020 05:54
VERGONHOSA EXPLÍCITA FALTA DE ARGUMENTOS DE QUEM APOSTOU E VAI PERDENDO

De Ricardo Noblat, de Veja, no twitter:

Do jeito que vão as coisas, cuide-se Bolsonaro para que não apareça outro louco como o Adélio.
Herculano
26/03/2020 20:32
HOJE E AMANHÃ, por Alexandre Schwartsman, economista e ex-diretor do Banco Central, no Infomoney.

Há uma guerra em curso e, para vencê-la, teremos de passar por uma recessão inédita

Normalmente escrevo minha coluna na segunda, logo cedo; excepcionalmente, dado que terá que ser publicada na quarta, a preparo na terça à tarde, quase uma violência para um CDF assumido, que sempre entregou trabalhos e lições com antecedência (menos minha tese de doutorado: um dia conto a história).

Não é por acaso, mas sim porque a situação é incrivelmente fluida e novas informações surgem a cada minuto. Mesmo assim, sinto que a coluna estará irremediavelmente datada ao ser publicada.

Sabemos algumas coisas, mas nada, ou quase nada, sobre várias outras.

Está claro que a estratégia mais adequada no momento para conter a pandemia envolve uma quarentena generalizada, mantendo uns poucos setores essenciais (saúde, por óbvio, segurança, supermercados, farmácias, etc.).

Ela parece ter funcionado em Hubei e há sinais, ainda incipientes, de que pode reverter o quadro de infecção e mortalidade na Itália.

Há cada vez mais países adotando medidas nesse sentido, mais recentemente o Reino Unido e a Índia. Se não quisermos problemas ainda maiores também devemos enveredar por esse caminho.

Obviamente, os custos econômicos são gigantescos. Mesmo com minhas restrições pessoais aos PMIs (índices de difusão que tentam medir a atividade quase em tempo real), não há como não se espantar com a divulgação do índice para a Zona do Euro, que caiu de 51,6 em fevereiro (leituras acima de 50 indicam expansão da atividade; abaixo, contração) para 31,4 em março.

Em particular, no setor de serviços, mais fortemente atingido, a queda foi ainda mais marcante: de 52,6 para 28,4, o menor da história.

Nos EUA, a queda não foi (ainda) tão pronunciada (de 49,6 para 40,5 entre fevereiro e março), mas já indica contração considerável e que mais está por vir.

Tal retração é necessária, ainda que dolorosa. Sem ela, sobem demais os riscos de os hospitais não darem conta dos infectados que necessitam de tratamento mais específico e a taxa de mortalidade se torna ainda maior.

Os números estão longe de ser definitivos, mas, até onde consigo entender, com o tratamento adequado a mortalidade da doença ficaria próxima a 0,2% dos infectados; sem o tratamento, ao redor de 4%, inaceitável no século XXI.

Há, claro, os custos, inclusive em vidas humanas, da recessão por força das medidas de distanciamento social, mas a este respeito cito trabalho recente de Robert Barro, José Ursua e Joanna Weng sobre a "Gripe Espanhola" de 1918-19 que tenta estimar os efeitos da influenza sobre a atividade, chegando a um impacto ao redor de 6% de queda no PIB per capita (e 8% para o consumo per capita) para mortalidade ao redor de 2%.

Se corretos, tais números sugerem que não combater a infecção por meio da quarentena terá resultados econômicos mais severos e por motivos ainda piores.

Nesse sentido, como notado por N. Gregory Mankiw, a recessão resultante dessas medidas é "ótima", não por ser desejável, claro, mas por ser o melhor a fazer nas circunstâncias.

Então, a questão passa a ser mitigar os efeitos econômicos da recessão, tentando evitar que o impacto, esperamos, temporário da pandemia sobre a atividade se prolongue.

Há, ao menos, dois canais. Um deles é o aumento do desemprego, que tira renda de parcela substancial da população, reduzindo, portanto, seu consumo muito além do período de quarentena.

O outro é a parada e possível, se não provável, destruição de empresas, principalmente de pequeno e médio portes, que podem não sobreviver no período pela restrição de caixa e dificuldade de obter o capital de giro para se manter em dia com despesas, em particular sua folha de pagamento.

Do lado do desemprego, as políticas mais bem sucedidas foram as empregadas pela Alemanha nos meses seguintes à Grande Recessão (embora existam bem antes disso): a redução de jornada e salários, mas com o Tesouro bancando parcela dos salários, com foco naqueles com renda mais baixa.

Para o caso do Brasil, trabalho de Carlos Góes e Ricardo Dahis (que recebi recentemente) estima, com base na RAIS, em R$ 29 bilhões/mês o custo para o Tesouro no caso de compensação integral para quem receba até 1 salário-mínimo (SM), 93% para quem recebe até 2SM e 83% para quem ganha até 4SM.

Noto, assim como os autores, que tal proposta só atende o mercado formal de trabalho, que, pelos dados da PNAD, é algo como 3 vezes maior, em termos de massa salarial, que o mercado informal (incluindo nessa conta os trabalhadores por conta própria sem CNPJ), mas com prevalência de salários mais baixos, portanto uma ajuda proporcionalmente maior.

Numa primeira aproximação, falamos, assim, de algo na casa de R$ 45 bilhões/mês (da ordem de 20% da massa salarial mensal), ou R$ 135 bilhões presumindo (por enquanto) que este esquema dure um trimestre.

Estimo, ao mesmo tempo, contração do PIB no ano ao redor de 5% (a certeza quanto a esse número é baixa, mas os resultados que apresentarei não são tão sensíveis a esta suposição), o que pode reduzir a arrecadação em R$ 130 bilhões.

Somados à meta fiscal para 2020 (déficit primário de R$ 124 bilhões), teríamos um resultado primário negativo ao redor de R$ 390 bilhões (5,3% do PIB, o maior da história).

Por outro lado, a taxa de juros deve cair além do já definido pelo Copom, de modo a reduzir a conta de juros para R$ 145 bilhões, portanto um déficit total de R$ 520 bilhões (7,3% do PIB, longe do nosso recorde, 8,5% do PIB em 2015).

Já no que se refere a empresas, Armínio Fraga, Vinícius Carrasco e José Alexandre Scheinkman propõem um programa de crédito de R$ 120 bilhões, bancado também pelo Tesouro (remeto os interessados nos detalhes ao artigo original).

Somados o déficit fiscal e a linha de crédito (cuja contrapartida, não esqueçamos, é aumento da dívida do governo), a dívida bruta saltaria de R$ 5,5 trilhões (75,8% do PIB) no final do ano passado para R$ 6,2 trilhões (86,7% do PIB) em 2020.

Não é um aumento trivial. Em particular, com 10 pontos percentuais de PIB a mais de dívida as condições para sua redução nos próximos anos ficam ainda mais complicadas, isto é, os resultados primários requeridos para conter a dívida se tornam tipicamente maiores.

Não é, reitero, motivo para deixar de fazer o que está sendo proposto. A questão agora não é estabilizar a dívida, mas vencer o vírus e manter vivas pessoas e empresas ao longo de um período dificílimo.

Independentemente de tais méritos, porém, quando retornarmos (se retornarmos) a um certo grau de normalidade, nossa tarefa vai ser ainda mais árdua do que era antes da pandemia.

Passada a crise, as reformas serão ainda mais necessárias do já eram e os riscos à estabilidade bem maiores. Façamos, então, tudo que deve ser feito para preservar vidas, mas não se esqueçam que há tarefas também hercúleas quando o pior tiver sido (como espero) superado.
Herculano
26/03/2020 20:21
HOJE, SEXTA-FEIRA, O CARTÃO VALE ALIMENTAÇÃO DA PREFEITURA ESTARÁ ABERTO PARA OS QUE MORAM FORA DE GASPAR.

OS QUE MORAM AQUI, DESDE QUARTA-FEIRA, NA ANTECIPAÇÃO PROMETIDA.

É O RESULTADO DO PROTESTO FEITO AQUI NESTE ESPAÇO PELA EX-PRESIDENTE DO SINTRASPUG, A TELEFONISTA LUCIMARA ROSANSKI SILVA. ENTÃO...
Herculano
26/03/2020 20:15
NESTA SEXTA-FEIRA, AS 10H DA MANHÃ TERÁ BUZINÇO PELA VOLTA AO TRABALHO E PELO DIREITO DE IR E VIR

EM GASPAR SERÁ DEFRONTE NA PRAÇA GETÚLIO VARGA, DEFRONTE A PREFEITURA
Herculano
26/03/2020 20:03
GESTÃO AO SABOR DO VENTO

Aprendi, desde cedo, na gestão de negócios e ativos dos outros a prestar contas dos meus resultados das minhas iniciativas.

Veja este texto da Estela Benett, colunista de economia catarinense no NSC Total, Florianópolis SC.

"O governo de Santa Catarina, que foi um dos primeiros a adotar isolamento social no combate ao coronavírus, lança nesta quinta-feira (26) um plano de ação para retomada gradual de atividades econômicas. Em entrevista coletiva, às 18h, o governador Carlos Moisés da Silva anunciou que seguem proibidos o transporte coletivo urbano e intermunicipal e a entrada de veículos de passageiros de fora do Estado e do Brasil.

A retomada de atividades econômicas inclui abertura de agências bancárias a partir de segunda-feira e, a partir de quarta-feira, retomada parcial das atividades em shopping centers, academias, bares e restaurantes, construção civil e outras. Mas alertou que só deve sair de casa quem realmente necessitar.

Retomo.
Santa Catarina foi uma dos primeiros estado a implantar quarentena. ?"timo.

Santa Catarina, começa agora a retomar gradualmente a normalidade e liberando setores da tal quarentena. Melhor ainda.

Não discuto às razões. Discuto e coloco em dúvida os resultados, com fundamentos e cientificidade. Porque achar por achar, qualquer uma acha, inclusive e principalmente políticos.

Faltou aos políticos que tiveram a iniciativa de nos obrigar em quarentena, trazer números. Se não houvesse a quarentena, quantos estariam infectados pela Covid-19, numa base lógica, em modelos matemáticos. Quanto este sacrifício pessoal que os governantes pediram, salvaram vidas, ou impediram o caos no serviço público?

Faltou prestar contas daquilo que se pediu à sociedade e ela deu, exemplarmente.
Herculano
26/03/2020 19:42
HUMOR

Achei, no twitter:

Estamos presos há 10 dias. O previsto eram 2 meses. Portanto já cumprimos 1/6 de pena.

Segundo lei brasileira, podemos ir para o semi-aberto a partir de amanhã
Herculano
26/03/2020 19:41
DIFERENÇA

Isolamento é para doente. Quarentena é para pessoas sãs. E confinamento? Hum...
Herculano
26/03/2020 19:37
da série: colocando os pés no chão.

SAÚDE e VIDA OU ECONOMIA e EMPREGO?

da senadora Simone Tebet, MDB MS

Não é preciso escolher, porque não são excludentes. Saúde e economia sempre caminharam juntas e assim continuarão ...

Quarentena não significa 40 dias. Semana a semana, cada Estado vai avaliar sua flexibilização.
Herculano
26/03/2020 19:33
POLÍTICO ACHA QUE O DINHEIRO CAI DO CÉU

QUANDO A FICHA CAIU, ALERTADO NO DISCURSO TOSCO DO PRESIDENTE JAIR MESSIAS BOLSONARO, SEM PARTIDO, E SE VIU QUE O SACRIFÍCIO TERIA QUE SER REPARTIDO, ADMITIRAM OS POLÍTICOS PELA TAL QUARENTENA VERTICAL.

PERCEBERAM QUE O POVO NA RUA COM FOME, SEM DINHEIRO E SEM EMPREGO SERIA OUTRO VÍRUS. ELE CONTAMINARIA AS URNAS DE OUTUBRO. E OS POLÍTICOS MANOBRAM PARA TÊ-LOS PARA PERMANECER NO PODER. ENTÃO...

OS SERVIDORES, ESTÁVEIS, DOS TRÊS PODERES E MUITOS, ESTABELECIDOS NUMA ELITE DE PRIVILÉGIOS, SENTIRAM QUE SEM IMPOSTOS SE ABRIA UMA BRECHA PARA RETIRÁ-LOS DO CONFORTO QUE NÃO SE TEM AOS QUE SUSTENTAM NUMA MÁQUINA INCHADA, ULTRAPASSADA E INEFICAZ

RESULTADO: OS POLÍTICOS, OS MESMOS QUE VIVEM, ABUSAM E SE LANÇAM ÀS DÚVIDAS COM OS NOSSOS PESADOS IMPOSTOS, E NA PERSPECTIVAS DA FALTA DELES, COM UM PRESIDENTE QUE NÃO SE SENTIU INTIMIDADO PELA JOGADA DE TÊ-LO NAS CORDAS, RESOLVERAM SE REEQUILIBRAR E VOLTAR À DURA REALIDADE DE UM PAÍS POBRE, MAL GOVERNADO PELO PT DE DILMA VANA ROUSSEFF.

COMO ESCREVI NA COLUNA, AO FIM DO COVID-19 TEREMOS MAIS FALIDOS DO QUE FALECIDOS PELO VÍRUS, NÃO O CORONA, MAS DA IRRESPONSABILIDADE.

EM GASPAR, AINDA BEM QUE ESTA REALIDADE CHEGOU AO GABINETE DO PREFEITO KLEBER EDSON WAN DALL, MDB. ANTES TARDE, DO QUE MUITO TARDE. ACORDA, GASPAR!
Herculano
26/03/2020 19:13
da série: não é fake, fonte testada e disponível
QUATRO PACIENTES DE UTI TIVERAM ALTA EM SP COM USO DE HIDROXICLOROQUINA
Conteúdo do site VivaBem, São Paulo e hospedado no UOL. Texto de Gabriela Ingrid

Pelo menos quatro pacientes que estavam na UTI em estado grave no Hospital Igesp, em São Paulo, receberam alta após sete dias de uso de hidroxicloroquina em associação com outras medicações.

De acordo com Dante Senra, médico cardiologista e coordenador das UTI's do hospital, foram "avaliados criteriosamente os protocolos internacionais" e 12 altas hospitalares de pacientes confirmados com coronavírus e altamente suspeitos também foram dadas.

"Até onde sabemos, fomos o primeiro hospital no Brasil a utilizar o medicamento", disse, com exclusividade ao VivaBem. Senra ainda afirma que, apesar de esperançosos, os resultados ainda são iniciais. "A impressão é muito favorável, mas como se trata ainda de um número pequeno, não há como estabelecer uma relação de causa e efeito. Até porque não há estudos multicêntricos ainda."

Senra explicou que os resultados não fazem parte da coalizão covid-19, feita pelo Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Sírio Libanês e BRICNet, uma rede que realiza estudos clínicos na área de medicina intensiva. O especialista ainda fez questão de ressaltar que não há comprovação de causa e efeito do uso da hidroxicloroquina. Ou seja, não é possível garantir que os pacientes foram curados graças ao medicamento.

Estudo chinês não vê diferença
Apesar dos resultados promissores com a hidroxicloroquina, os especialistas pedem cautela, pois são necessárias pesquisas relevantes para comprovar que o medicamento é seguro e eficaz. Até o momento, tudo ainda é muito controverso.

Enquanto alguns estudos trazem bons resultados, como o realizado pelo Instituto Mediterrâneo de Marselha (França), o primeiro estudo controlado feito com a hidroxicloroquina revelou que o medicamento não teve efeitos diferentes dos cuidados usuais. Apenas 30 pessoas participaram da pesquisa, feita em Xangai, na China. Metade recebeu 400 mg/dia de hidroxicloroquina por cinco dias, além dos cuidados usuais, enquanto os outros pacientes receberam apenas cuidados usuais.

Após sete dias, o teste para o vírus foi negativo em 86,7% casos no grupo que tomou hidroxicloroquina e em 93,3% casos no grupo controle. Os cientistas concluíram que um são necessários estudos com mais pessoas para investigar os reais efeitos do medicamento no tratamento da covid-19.

Não teste em casa
Na coletiva de imprensa de ontem (25), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que a hidroxicloroquina não deve ser utilizada de forma irresponsável e em casa. "Usar esse medicamento fora do ambiente hospitalar não é seguro. Deve ser feito em condições de segurança e acompanhamento médico, porque pode ter alterações no ritmo do coração".

Além disso, o medicamento é muito importante para tratar pacientes com artrite reumatóide. Se pessoas sem a doença começarem a usar sem indicação, vai faltar medicação para quem realmente precisa.

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