26/03/2020
O prefeito Kleber de Gaspar em contato com o pessoal da Saúde de Gaspar, orientando, incentivando e agradecendo. A foto oficial, mostra a inadequada proteção nos contados
O baile da realidade I
O governo do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB; do vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP; e do prefeito de fato, ex-coordenador da campanha vencedora, presidente do MDB e secretário da Fazenda e Gestão Administrativa - espaço feito sob medida para ele na Reforma Administrativa onde se tornou o centralizador e poderoso gestor do município -, Carlos Roberto Pereira, foi pego pela surpresa maligna e magnitude da Covid-19. Até aí, nenhuma novidade. Todos os gestores públicos no Brasil foram surpreendidos. Já os geradores privados de empregos e renda, bem como os empregados e desempregados submetidos aos sacrifícios pelos políticos baratas tontas.
O baile da realidade II
Retomo. Só que alguns gestores públicos, fizeram do limão uma limonada. Outros, sem alternativas, tiveram que experimentar o ácido e o azedo dos limões – e sem água e açúcar que atenuam o sabor cítrico e nada agradável deles. Foi o caso de Kleber. Ficou claro, que na emergência, a que todos estamos sujeitos, faltou-lhe equipe; sobraram cabos eleitorais escondendo-se dos fatos, soluções e das obrigações para com a cidade e os cidadãos. A confusa Live que Kleber fez na terça-feira, foi o retrato bem-acabado da realidade para a qual não possui respostas e nem assessoramento técnico. Estavam, na verdade, todos do governo até aqui, envoltos na finalização das amarras partidárias para a corrida de quatro de outubro. Agora, torcem para que ela não aconteça. E por que? Estão com medo, apesar de ter, supostamente, à máquina na mão. E já há uma desculpa para se alguma “desgraça” vier acontecer em outubro: a Coviud-19.
O baile da realidade III
Vamos começar pela Saúde tão essencial para a população desassistida, ainda mais em tempo de pandemia? Inicialmente Kleber mandou bem. Foi ao seu apoiador, o ex-executivo empresarial, Sérgio Roberto Waldrich, e pediu um nome. Ele – acreditando que era algo sincero -, indicou a reconhecida técnica na área, Dilene Jahn Mello. Durou menos de seis meses. O grande esquema político do poder, fritou-a, na cara dura e humilhou o apoiador. Veio então à solução caseira e política, a administradora especialistas da área da saúde, Maria Bernadete Tomazini. Era um arranjo. Teve que sair de lá sete meses depois da posse feitas com juras eterna.
O baile da realidade IV
E para que? Para asilar na Saúde o advogado Carlos Roberto Pereira. É que em dezembro de 2017, Kleber perdeu não só a eleição para a presidência da Câmara. Ele mal articulou uma temeridade para a mais jovem vereadora já eleita por aqui, Franciele Daiane Back, PSDB. Ela foi derrotada, numa virada de mesa sem precedentes, para justamente à cria política de Kleber, o médico Silvio Cleffi, PSC, que experimentava ares de “liberdade”. Kleber e Carlos Roberto perderam a maioria na Câmara. Frustraram-se os planos que o secretário arquitetava implementar no governo; antes precisaria aprová-los Câmara. E na nova configuração lhe faltava votos. Restou ao então poderoso secretário ir para a Saúde. Como desculpa, finalmente reconheceu o que negava: o caos como explanava aqui e em toda a cidade, desgastando isso à imagem do governo. Com liberdade plena, criou marquetagem com o tal “Gaspar é mais Saúde” numa disputa com a Câmara do próprio Silvio e do Cícero Giovane Amaro, PL, que denunciavam o caos. Da Saúde, Carlos Roberto só saiu em maio do ano passado quando o governo retomou a maioria na Câmara como a cooptação de quem arquitetava a oposição no Legislativo, Roberto Procópio de Souza, PDT. Deixou no seu lugar, o dentista José Carlos de Carvalho Júnior, o qual se surpreendeu com a indicação. Júnior estava na Fundação Municipal de Esportes e Lazer. E o “Mais Saúde”, virou menos outra vez.
O baile da realidade V
É preciso dizer mais alguma coisa que Kleber falhou nesta área que a usou para fazer política? Os postos de Saúde, até atendem gente de fora amiga do poder com endereço residencial do próprio posto, mas não atendem os que moram aqui. Por isso, os dos bairros, para qualquer coisa, precisam se socorrer do Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar, cujo dono não se conhece, que está sob intervenção de Kleber e é um poço sem fundo tragando dinheiro público. A lotação no PA é por falta de ação e execução na Atenção Básica nos postos. Vergonhoso. Em todos os locais, em tempos de Covid 19, a área de Saúde foi a cabeça de ponte de todo o processo preventivo e curativo. Em Gaspar, todos como baratas tontas, atrás e à espera de que Blumenau resolva os problemas daqui.
O baile da realidade VI
O retrato do Hospital não é diferente da Saúde; e nem poderia pois é da mesma cepa de visão torta na área. Em três anos, cinco diferentes tipos ou líderes de gestão. Relatos de negligência, mortes, denúncias, falta de transparência e confiança. Incrível! Não há negócio e planos que resistam a tantas mudanças em tão curto prazo de tempo. Nada pode ser testado, avaliado, implementado, corrigido e controlado. Ou será isso de propósito? Então é preciso investigar! O Ministério Público longe e ausente. Incompreensível! E não foi por falta de recursos financeiros. Eles rolaram a cântaros nesta área. Ou seja, tudo é mais preocupante. Sobram dúvidas. Faltaram de verdade escolhas técnicas objetivas para resultados à sociedade e não apenas aos políticos. Agora, é a falta de simples sensatez que está pegando para quatro de outubro e não as obras físicas por inaugurar. Ou seja, quem planta colhe. E está se colhendo.
O baile da realidade VII
O espaço aqui é exíguo. Na edição de segunda-feira feita para o portal Cruzeiro do Vale, o mais acessado, ainda mais em tempos de Convid-19, retratei o Samae. Ele é um bunker de dúvidas. É do mais longevo dos vereadores (seis mandatos), José Hilário Melato, PP. Bastou o povo ficar em casa, que faltou água; a recolha de lixo – e que fede de novo em armações mal contadas - se comprometeu. Com a “omissão” do MP – há um TAC - a rede de esgoto com projeto pronto e recursos à disposição nada saiu do papel, entrevistas e discursos. A saúde dos gasparenses está em risco e polui-se mananciais e o Rio Itajaí Açú; já as obras de drenagens, pelas dúvidas foram parar numa CPI na Câmara onde os próprios técnicos admitem que o projeto, a licitação, a contratação e à fiscalização é para uma coisa, já a execução e pagamento para outra.
O baile da realidade VIII
Quer mais? A Defesa Civil saiu da mão de um técnico que se negava segurar bandeiras partidárias em tempo de eleições, para um, digamos, “mais maleável”, às vontades do poder de plantão. E como na Saúde, a indefesa civil daqui está comendo poeira até para Ilhota. Impressionante! O mesmo retrato está na secretaria de Assistência Social outra área essencial em tempos de Covid-19. Kleber inicialmente a deu ao seu ex-assessor parlamentar Ernesto Hostin. Nada entendia. Pediu para sair um ano e meio depois de assumir. Alegou estar doente, mas não perdeu os empregos na prefeitura. Na secretaria ficou Santiago Martin Návia, um técnico, que nesta emergência, achou ser os moradores de ruas imunes à Covid-19 e não conseguiu ser colaborativo com voluntários que pensaram agir de forma diferente. E por que? Navia tem uma visão particular de resultados, afinal se ensaia candidato a vereador e vulnerável de rua, dificilmente vota. Então para encerrar: as pessoas não estão no centro das “obras” do governo de Kleber. Elas são para ele, apenas eleitoras que vão se impressionar com as obras físicas, mesmo que elas estejam no centro de muitas dúvidas ou da simples falta de transparência. Acorda, Gaspar!
Perguntar não ofende. O prefeito de fato e secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, depois das férias no exterior, está em quarentena ou em confinamento?
Como assim? Os Comissionados e os Cargos de Confiança foram os primeiros a ficarem em quarentena e os efetivos escalados para a linha de frente? Ai, ai, ai.
Uma verdade inquietante. Haverá mais falidos do que falecidos pela Covid-19.
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