23/07/2020
O prefeito Kleber, MDB (à esquerda), nadava de braçadas à reeleição esperando o tempo certo para como limpo enlamear no discurso, o candidato do PT. Mas, Sérgio do PSL (Centro) e Rodrigo Althoff do PL (à direita), com a Covid-19 deixaram Kleber exposto como nunca se viu antes.
Acordo na cúpula I
O prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e o prefeito de fato, o presidente do MDB de Gaspar e titular da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, nadavam de braçada à reeleição. Vieram as dúvidas das obras. Enterraram uma CPI na Câmara. Tapetão. Desgastes. Para as creches criaram o meio período como se os trabalhadores trabalhassem só parte do dia. Para o Hospital – que ninguém sabe quem é o dono - e os postinhos de Saúde, remendos e muito dinheiro. Para ônibus urbano e lixo, contratos improvisados no lugar de licitações. A lista é longa; não cabe aqui. Para os bisbilhoteiros, ameaças, intimidações e processos. Para os adversários, inicialmente, acordos; empregos na cara máquina de votos da prefeitura. Depois, desqualificações. Até o vice-prefeito, o agente de trânsito Luiz Carlos Spengler Filho, está conformado. Vai ceder a função decorativa para o Marcelo de Souza Brick, PSD - o que perdeu a eleição para Kleber. Tudo para o PP garantir empregos na prefeitura e Samae na reeleição de Kleber.
Acordo na cúpula II
Tudo estava sob controle. Os adversários esperneavam, mas não faziam cosquinhas: o MDB já tinha o PP, PSD, PDT, PSDB e o PSC no papo. Divertia-se com a máquina que criou. Aguardava os nanicos pedirem penico em troca de nada. O plano apontava para o PT como o seu único “adversário”. E o discurso já estava pronto para abatê-lo com facilidade: Lula e os 40 ladrões. Mas, aí veio a tal da Covid-19. Instalou-se à crise. Desnudou-se à fragilidade da liderança e gestão. Só esta coluna mostrou alguma. A máquina de votos não é de especialistas para as exigências de verdade da cidade, cidadãos e cidadãs. É de curiosos e cabos eleitorais. Fora da prefeitura, a crise bateu nos bolsos dos apoiadores; bateu o desemprego e a falência. O governo de Kleber e seus “çabios” que não tinham experimentado à dura realidade até então, pois nadavam de braçada à reeleição, de uma hora para a outra, encontraram culpados: os adversários que não faziam cosquinhas. E por que? Para livrar do caos que se tornou o paço, a Saúde, a Defesa Civil. Impressionante!
Acordo na cúpula III
Os “çabios” que mandam ou influem no governo Kleber estão tontos. Ainda bem que isso aconteceu três meses antes do pleito de 15 de novembro. A tática, todavia, continua a mesma: o PT como adversário preferencial. A ordem é enterrar qualquer possibilidade de uma terceira via. Se isso não for possível, a ordem é alimentar várias candidaturas. Para que? Dividir. Assim, pensam, os do poder de plantão, por supostamente estarem mais estruturado – o MDB – saem-se vencedores. E por que? Contam com a fidelidade mínima de 30% do eleitorado gasparense para si. Devido às circunstâncias, e só a isso, abriu-se ao menos, uma janela de debate e degastes ao contra o poder de plantão. O PSL de Sérgio Luiz Batista de Almeida e o Patriotas, de Marciano Silva, o MDB tenta anulá-los via o deputado Ricardo Alba, PSL, de Blumenau; o mesmo exercício contra eles é feito pelos dirigentes das igrejas evangélicas, reduto quase exclusivo de Kleber. Já para anular o crescimento do PL de Rodrigo Boeing Althoff, o MDB e os “çabios” do poder de plantão, escolheram o instável deputado Ivan Naatz e o promovem na mídia sem a presença de Althoff. Sobre a escolha pessoal de Wanderlei Rogério Knopp para prefeito feita nesta semana pelo presidente da Comissão Provisória do DEM, Paulo Filippus, o MDB e o PSDB – no governo – consideram-no como sendo da “casa”. Filippus negou.
Acordo na cúpula IV
Sérgio se vira como pode. Criou as lives das quartas-feiras com convidados – até eu participei de uma delas. É para expandir o nome, transmitir segurança, criar imagem, exibir suposto conhecimento e um certo toque de administrador. Althoff – que sempre trabalhou para Naatz – surpreendido e alertado, colocou as barbas de molho: preferiu os bastidores. Nele, Althoff está solidificando caminhos no diretório estadual e estabelecendo canais diretos com o senador Jorginho Melo. A eleição em Gaspar não é um evento local. Há interesses e trocas regionais em jogo. E o dinheiro do Fundo Partidário é uma opção dos caciques para afogar indesejados, ainda mais a quem não possui estrutura, como o PSL, Patriotas, DEM e PL. Além de Gaspar, Blumenau e Florianópolis, o jogo pesado, passa por Brasília nos conchavos das velhas raposas que foram votadas para serem nossos deputados e senadores. Eles enxergam os grotões, como Gaspar, currais de votos e não comunidades autônomas e cheias de problemas como é Gaspar. Althoff e Sérgio sabem que quem nadava de braçadas no poder de plantão está com câimbras e em águas revoltas. E quem cai nelas por acidente, faz de tudo para se salvar, inclusive o diabo. Acorda, Gaspar!
Estou de alma lavada mais uma vez. Os leitores e leitoras igualmente. Quantas vezes escrevi aqui que o edital para conceder o serviço de transporte coletivo urbano em Gaspar era do século 20 para rodar no século 21? Ele estava cheio de pegadinhas. De nada adiantou os protestos e avisos de supostos interessados. Teimosamente o poder de plantão em Gaspar não os corrigiu. Por causa disso, ninguém apareceu nele. Bingo!
Os trabalhadores, estudantes e desempregados gasparenses que já tinham precariamente uma empresa (Caturani) com uma das mais altas tarifas da região, além de horários e rotas comprometidos, substituindo a primeira empresa da cidade a Viação do Vale, continuaram reféns do descaso dos políticos e gestores públicos nesta área. Todos travestidos de jovens e modernos. Bingo, outra vez.
Agora, “emergencialmente” há outra empresa (Safira). Esta, ao menos, o preço da passagem é menor e possui gente que é do ramo. Entretanto, o seu serviço não foi testado de verdade, pois estamos sob tempos de pandemia. Nele, tudo é permitido, inclusive reduzir horários e itinerários. Fiscalização? Zero!
Mas, olhem o que está na praça sob o silêncio de todos? O Pregão Presencial 060/2020. Aconteceu na segunda-feira e até o fechamento da coluna, ele não tinha sido homologado.
O que o Pregão 060/2020 quer? A contratação de empresa para prestação de serviços de estudos e projetos de transporte coletivo urbano de passageiros em Gaspar, destinados a atender o Departamento de Transporte Coletivo – sempre ocupada por curiosos -, mas um braço da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa.
O preço que os gasparenses vão desembolsar dos pesados e escassos impostos para esse estudinho? R$326.663,33. Uau! Ou seja, estou mais uma vez de alma lavada e o pessoal do poder de plantão em Gaspar, putos com a minha coluna e que não sabem mais o que fazer para me amordaçar a qualquer custo.
Sempre escrevi que aquela concorrência para se trazer um transporte coletivo decente para Gaspar carecia de estudo e métodos. Fui contestado. E agora, tardiamente e no fim do mandato de Kleber, ele e seus “çabios”, sem terem a certeza da reeleição, estão fazendo esses estudos e para outros? Talvez! Planejamento, zero e o que se tenta – e que é certo - é tardio. Parece até uma armadilha ao futuro gestor de Gaspar.
Escrevi que não viria ninguém naquela concorrência, com aquelas condições onde se queria com o atraso do século 20 encher as burras da prefeitura com a falência do ganhador dela no século 21. Fui brutalmente contestado. E não veio ninguém – trouxa, diga-se - à licitação. O poder de plantão ficou resmungando justificativas furadas.
Agora está se gastando esta montanha de dinheiro. E para que? Para tecnicamente se fazer um outro edital. Enquanto isso, tudo por aqui se precariza contra a cidade e o povo há quatro anos. Acorda, Gaspar!
E a história não termina aí. Uma empresa especialista no assunto, a Matricial Engenharia Consultiva, de Porto Alegre, tentou impugnar o pregão 060/2020.
Primeiro ela disse que precisa ser licitação e não pregão, devido à especialização do estudo – a exemplo do que já decidiu o Tribunal de Contas de Santa Catarina no caso da drenagem da Rua Frei Solano entre outras.
Mais. A Matricial, na impugnação, mostrou que o edital está cheio de pegadinhas com exigências que cheiram ao direcionamento a um vencedor. A prefeitura de Gaspar, analisou as queixas e argumentos da Matricial. Contudo, mandou bananas. Ao final, restou habilitada a participar do preção unicamente a Urbtec TM Engenharia, Planejamento e Consultoria Ltda, de Curitiba.
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