O jogo pesado de Kleber para reeleição aumentou na proporção que a cloroquina virou o hit dos adversários - Jornal Cruzeiro do Vale

O jogo pesado de Kleber para reeleição aumentou na proporção que a cloroquina virou o hit dos adversários

23/07/2020


O prefeito Kleber, MDB (à esquerda), nadava de braçadas à reeleição esperando o tempo certo para como limpo enlamear no discurso, o candidato do PT. Mas, Sérgio do PSL (Centro) e Rodrigo Althoff do PL (à direita), com a Covid-19 deixaram Kleber exposto como nunca se viu antes.

Acordo na cúpula I
O prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e o prefeito de fato, o presidente do MDB de Gaspar e titular da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, nadavam de braçada à reeleição. Vieram as dúvidas das obras. Enterraram uma CPI na Câmara. Tapetão. Desgastes. Para as creches criaram o meio período como se os trabalhadores trabalhassem só parte do dia. Para o Hospital – que ninguém sabe quem é o dono - e os postinhos de Saúde, remendos e muito dinheiro. Para ônibus urbano e lixo, contratos improvisados no lugar de licitações. A lista é longa; não cabe aqui. Para os bisbilhoteiros, ameaças, intimidações e processos. Para os adversários, inicialmente, acordos; empregos na cara máquina de votos da prefeitura. Depois, desqualificações. Até o vice-prefeito, o agente de trânsito Luiz Carlos Spengler Filho, está conformado. Vai ceder a função decorativa para o Marcelo de Souza Brick, PSD - o que perdeu a eleição para Kleber. Tudo para o PP garantir empregos na prefeitura e Samae na reeleição de Kleber.

Acordo na cúpula II
Tudo estava sob controle. Os adversários esperneavam, mas não faziam cosquinhas: o MDB já tinha o PP, PSD, PDT, PSDB e o PSC no papo. Divertia-se com a máquina que criou. Aguardava os nanicos pedirem penico em troca de nada. O plano apontava para o PT como o seu único “adversário”. E o discurso já estava pronto para abatê-lo com facilidade: Lula e os 40 ladrões. Mas, aí veio a tal da Covid-19. Instalou-se à crise. Desnudou-se à fragilidade da liderança e gestão. Só esta coluna mostrou alguma. A máquina de votos não é de especialistas para as exigências de verdade da cidade, cidadãos e cidadãs. É de curiosos e cabos eleitorais. Fora da prefeitura, a crise bateu nos bolsos dos apoiadores; bateu o desemprego e a falência. O governo de Kleber e seus “çabios” que não tinham experimentado à dura realidade até então, pois nadavam de braçada à reeleição, de uma hora para a outra, encontraram culpados: os adversários que não faziam cosquinhas. E por que? Para livrar do caos que se tornou o paço, a Saúde, a Defesa Civil. Impressionante!

Acordo na cúpula III
Os “çabios” que mandam ou influem no governo Kleber estão tontos. Ainda bem que isso aconteceu três meses antes do pleito de 15 de novembro. A tática, todavia, continua a mesma: o PT como adversário preferencial. A ordem é enterrar qualquer possibilidade de uma terceira via. Se isso não for possível, a ordem é alimentar várias candidaturas. Para que? Dividir. Assim, pensam, os do poder de plantão, por supostamente estarem mais estruturado – o MDB – saem-se vencedores. E por que? Contam com a fidelidade mínima de 30% do eleitorado gasparense para si. Devido às circunstâncias, e só a isso, abriu-se ao menos, uma janela de debate e degastes ao contra o poder de plantão. O PSL de Sérgio Luiz Batista de Almeida e o Patriotas, de Marciano Silva, o MDB tenta anulá-los via o deputado Ricardo Alba, PSL, de Blumenau; o mesmo exercício contra eles é feito pelos dirigentes das igrejas evangélicas, reduto quase exclusivo de Kleber. Já para anular o crescimento do PL de Rodrigo Boeing Althoff, o MDB e os “çabios” do poder de plantão, escolheram o instável deputado Ivan Naatz e o promovem na mídia sem a presença de Althoff. Sobre a escolha pessoal de Wanderlei Rogério Knopp para prefeito feita nesta semana pelo presidente da Comissão Provisória do DEM, Paulo Filippus, o MDB e o PSDB – no governo – consideram-no como sendo da “casa”. Filippus negou.

Acordo na cúpula IV
Sérgio se vira como pode. Criou as lives das quartas-feiras com convidados – até eu participei de uma delas. É para expandir o nome, transmitir segurança, criar imagem, exibir suposto conhecimento e um certo toque de administrador. Althoff – que sempre trabalhou para Naatz – surpreendido e alertado, colocou as barbas de molho: preferiu os bastidores. Nele, Althoff está solidificando caminhos no diretório estadual e estabelecendo canais diretos com o senador Jorginho Melo. A eleição em Gaspar não é um evento local. Há interesses e trocas regionais em jogo. E o dinheiro do Fundo Partidário é uma opção dos caciques para afogar indesejados, ainda mais a quem não possui estrutura, como o PSL, Patriotas, DEM e PL. Além de Gaspar, Blumenau e Florianópolis, o jogo pesado, passa por Brasília nos conchavos das velhas raposas que foram votadas para serem nossos deputados e senadores. Eles enxergam os grotões, como Gaspar, currais de votos e não comunidades autônomas e cheias de problemas como é Gaspar. Althoff e Sérgio sabem que quem nadava de braçadas no poder de plantão está com câimbras e em águas revoltas. E quem cai nelas por acidente, faz de tudo para se salvar, inclusive o diabo. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Estou de alma lavada mais uma vez. Os leitores e leitoras igualmente. Quantas vezes escrevi aqui que o edital para conceder o serviço de transporte coletivo urbano em Gaspar era do século 20 para rodar no século 21? Ele estava cheio de pegadinhas. De nada adiantou os protestos e avisos de supostos interessados. Teimosamente o poder de plantão em Gaspar não os corrigiu. Por causa disso, ninguém apareceu nele. Bingo!

Os trabalhadores, estudantes e desempregados gasparenses que já tinham precariamente uma empresa (Caturani) com uma das mais altas tarifas da região, além de horários e rotas comprometidos, substituindo a primeira empresa da cidade a Viação do Vale, continuaram reféns do descaso dos políticos e gestores públicos nesta área. Todos travestidos de jovens e modernos. Bingo, outra vez.

Agora, “emergencialmente” há outra empresa (Safira). Esta, ao menos, o preço da passagem é menor e possui gente que é do ramo. Entretanto, o seu serviço não foi testado de verdade, pois estamos sob tempos de pandemia. Nele, tudo é permitido, inclusive reduzir horários e itinerários. Fiscalização? Zero!

Mas, olhem o que está na praça sob o silêncio de todos? O Pregão Presencial 060/2020. Aconteceu na segunda-feira e até o fechamento da coluna, ele não tinha sido homologado.

O que o Pregão 060/2020 quer? A contratação de empresa para prestação de serviços de estudos e projetos de transporte coletivo urbano de passageiros em Gaspar, destinados a atender o Departamento de Transporte Coletivo – sempre ocupada por curiosos -, mas um braço da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa.

O preço que os gasparenses vão desembolsar dos pesados e escassos impostos para esse estudinho? R$326.663,33. Uau! Ou seja, estou mais uma vez de alma lavada e o pessoal do poder de plantão em Gaspar, putos com a minha coluna e que não sabem mais o que fazer para me amordaçar a qualquer custo.

Sempre escrevi que aquela concorrência para se trazer um transporte coletivo decente para Gaspar carecia de estudo e métodos. Fui contestado. E agora, tardiamente e no fim do mandato de Kleber, ele e seus “çabios”, sem terem a certeza da reeleição, estão fazendo esses estudos e para outros? Talvez! Planejamento, zero e o que se tenta – e que é certo - é tardio. Parece até uma armadilha ao futuro gestor de Gaspar.

Escrevi que não viria ninguém naquela concorrência, com aquelas condições onde se queria com o atraso do século 20 encher as burras da prefeitura com a falência do ganhador dela no século 21. Fui brutalmente contestado. E não veio ninguém – trouxa, diga-se - à licitação. O poder de plantão ficou resmungando justificativas furadas.

Agora está se gastando esta montanha de dinheiro. E para que? Para tecnicamente se fazer um outro edital. Enquanto isso, tudo por aqui se precariza contra a cidade e o povo há quatro anos. Acorda, Gaspar!

E a história não termina aí. Uma empresa especialista no assunto, a Matricial Engenharia Consultiva, de Porto Alegre, tentou impugnar o pregão 060/2020.

Primeiro ela disse que precisa ser licitação e não pregão, devido à especialização do estudo – a exemplo do que já decidiu o Tribunal de Contas de Santa Catarina no caso da drenagem da Rua Frei Solano entre outras.

Mais. A Matricial, na impugnação, mostrou que o edital está cheio de pegadinhas com exigências que cheiram ao direcionamento a um vencedor. A prefeitura de Gaspar, analisou as queixas e argumentos da Matricial. Contudo, mandou bananas. Ao final, restou habilitada a participar do preção unicamente a Urbtec TM Engenharia, Planejamento e Consultoria Ltda, de Curitiba.

 

 

Comentários

Miguel José Teixeira
26/07/2020 10:39
Senhores,

Na toga da mironga do cabuletê:

"Ministro do STJ que autorizou prisão domiciliar para Queiroz rejeitou outros 700 pedidos"

Não precisam explicar. Eu só queria entender!

Oswaldo Montenegro, já cantarolava:
. . .
"Se eu tentasse entender
Por mais que eu me esforçasse eu não conseguiria"
. . .
(Arlindo Carlos Silva da Paixão)
Herculano
26/07/2020 09:53
DÍVIDA PÚBLICA E MOEDA NO BRASIL PóS-COVID, por Arminio Fraga, economista, ex-presidente do Banco Central, sócio da Gávea Investimentos, é presidente do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, no jornal Folha de S, Paulo

Não vejo solução sem aumento da carga tributária e sem reformas de longo prazo

Um dos grandes desafios do mundo pós-Covid-19 está no financiamento do setor público. As demandas são imensas, e os recursos, escassos.

Sem surpresa, como sempre, não há consenso entre economistas quanto às soluções.

Há quem defenda que, para um país que emite sua própria moeda, o risco de um default na dívida pública não existe, pois sempre é possível emitir para quitar a dívida. Não é claro para mim quem compraria a dívida de um país que adotasse essa política. Parece mais ameaça do que conforto.

Uma versão mais sofisticada afirma que se a economia crescer mais rapidamente do que a taxa de juros que incide sobre a dívida, as receitas tributárias crescerão mais do que a conta de juros, tornando possível conviver com um endividamento elevado sem grandes preocupações.

A inspiração vem de fora. As taxas de juros pagas pelos governos das economias avançadas vêm caindo há cerca de 40 anos, chegando às impensáveis taxas negativas praticadas hoje em alguns países. Além disso, países estáveis, com histórico de bons pagadores, podem se endividar com prazo longo.

Japão, Estados Unidos e alguns países europeus (apoiados pelo Banco Central Europeu) captam recursos por prazo de dez anos a taxas nominais próximas de zero. Essas condições têm viabilizado expressivos aumentos de endividamento, para dar apoio às suas economias em tempos de crise como os atuais.

Faz sentido... para eles.

Mas, mesmo para as economias maduras, essa política tem limites: (i) não há garantia de que a taxa de crescimento ficará sempre acima da taxa de juros; (ii) não permite déficits públicos continuados; (iii) tampouco dívidas muito elevadas, sob pena de se ficar sem espaço para lidar com novas crises.

Essa é uma alternativa disponível para o Brasil? Parece-me que não. Acho mesmo que está no plano do delírio apostar que o governo brasileiro, com suas finanças precárias e seu histórico de inflação, confiscos e moratórias, poderia ser merecedor de tanto crédito. Cabe então buscar entender até onde o Brasil pode/deve se endividar.

É fato que as taxas de juros aqui nunca estiveram tão baixas, em parte cortesia da depressão econômica que estamos vivendo. No entanto, as taxas de juros para prazo de dez anos pagas pelos governos do Brasil e dos principais países de renda média estão em torno de 5% a 7% ao ano, sendo as nossas em 7%.

Essa significativa diferença em comparação com os países avançados espelha o medo por parte dos credores do não pagamento da dívida no seu vencimento, seja pela via da inflação, seja por restruturação ou calote. Como a dívida hoje é denominada em real, mais provavelmente a perda seria imposta pela inflação.


Uma justificativa para um governo aumentar seu endividamento seria usar os recursos para investir em projetos com bom retorno.

Entretanto, seja qual for o destino do gasto, a obtenção do financiamento adequado exige muita credibilidade, pois tipicamente os retornos vêm a longo prazo.

Imaginem que um governo com as finanças desorganizadas, que investe pouco e mal, resolva aumentar seu endividamento para fazer investimentos (presume-se que de alto retorno, por alguma métrica).

Dá para acreditar? Por que não priorizou o investimento antes, se era tão bom? Tais promessas de bom comportamento não costumam ser críveis.

Mesmo quando se investe e bem, problemas podem surgir. Estudo há décadas as crises cambiais. O uso dos recursos emprestados importa menos do que se imagina.

Países que entraram em crise se endividaram para financiar consumo (México, em 1995) e gasto público (Brasil, em 1999), mas também investimento (Brasil, anos 1970, Ásia nos anos 1990). Minha conclusão é: o uso dos recursos para investimento não garante blindagem.

Uma condição necessária para que ocorra uma crise é que o endividamento seja grande e de curto prazo. Se for em moeda estrangeira, pior ainda. Mesmo em moeda nacional, pode haver corrida para o dólar e/ou inflação.

Um sinal de que o mercado já está pressionado no Brasil é a queda do prazo médio da dívida pública de um pico de 4,5 anos em 2016 para os 3,7 anos atuais. Tal queda em geral reduz o custo da dívida ?"é o caso hoje?" mas ao encurtar o prazo dos vencimentos aumenta o risco de problemas com a rolagem da dívida.

As necessidades de financiamento do governo neste ano (a soma do déficit público com as amortizações de dívida do ano) devem chegar a 46% do PIB, cerca de 1,7 vez as reservas internacionais. Até a recessão que começou em 2014-15, esse número oscilava entre 20% e 25%.

Minha avaliação é que estamos em zona de alto risco. Uma surpresa negativa interna ou externa pode detonar uma crise macroeconômica de enormes proporções, sobretudo dado que a economia ainda se encontra muito debilitada. Já passamos do ponto de acumular dívida.

O que fazer? Resta muito pouco espaço para cortes no orçamento. As demandas de gastos ligados à pandemia devem adentrar o ano que vem.

Não vejo solução sem algum aumento da carga tributária pela via da eliminação dos elementos regressivos do Imposto de Renda e sem as reformas de longo prazo da Previdência e do Estado, como venho defendendo aqui desde antes da pandemia.

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Guedes entrega reforma tributária ao Congresso

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Não há por que temer um aprofundamento da recessão porque tais reformas não teriam impacto imediato e porque há muito espaço para uma recuperação clássica do consumo e do investimento, considerando que haja aumento na confiança.

Lamentavelmente, parte expressiva das incertezas que hoje paralisam a economia são de cunho político e levam a crer que as reformas não ocorrerão. Dá medo pensar no que pode vir por aí.

Existe alguma saída através da emissão de moeda? Na era digital, boa parte do estoque de moeda rende juros. A política monetária é conduzida através da fixação da taxa de juros de curto prazo. Não existe mais a emissão monetária dos livros-texto antigos, onde se emitia uma moeda que não pagava juros e que nunca saía de circulação.

Emitir moeda na prática equivale a emitir dívida com prazo bem curto, para financiar gastos ou compras de ativos (essa é a essência das operações de QE, "quantitative easing"). Não é solução.

No caso do Brasil, não há qualquer objeção conceitual a levar a taxa de juros a zero e até mesmo a praticar um QE típico, se for para atingir a meta de inflação. Mas não parece provável que ocorra.

Como discutido, o crescimento desenfreado da dívida pública vem provocando um perigoso encurtamento de seu prazo médio. Essa alternativa é a opção disponível neste momento de pandemia.

É uma opção para ganhar tempo. Se nada de mais fundamental for feito, terá sido apenas tempo perdido.
Herculano
26/07/2020 09:38
UM JOGO DOS DEPUTADOS NA ASSEMBLEIA

Enquanto se preparam para cassar o governador Carlos Moisés da Silva, e a vice, Daniela Cristina Rheiner, ambos do PSL, apesar deles são se bicarem entre eles, os deputados estaduais catarinenses mantém na gaveta, silenciosa e providencialmente a Reforma da Previdência, que corta minimamente privilégios de políticos e servidores cheios de privilégios.
Herculano
26/07/2020 09:28
UM ESCRIT?"RIO PARTICULAR

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, no twitter:

Bolsonaro corrompe as instituições uma a uma. AGU entrar com ADIN,inepta, pra livrar aspones financiados com dinheiro público pra espalhar ódio e fake news é improbidade administrativa.Que os advogados da União reajam a esse disparate,não são escritório particular do presidente.
Herculano
26/07/2020 09:25
da série: um governo que não entendeu que ele não pode tudo e que as instituições criadas e pagas por nós com os pesados impostos, não estão disponíveis para defender particularmente as causas dos governantes

Quem fazer do ético juiz Sérgio Moro seu boneco manipulado e se deu mal, mas tem gente imbecil que serve a esse papel.

Alexandre de Moraes está errado? Está! Ele não pode ser política, investigador, o dono do inquérito e o julgador. Criminoso. Mas, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, não pode imitá-lo quando o quer desqualificá-lo

AGU NÃO PODE DEFENDER INTERESSES PRIVADO

Conteúdo de O Antagonista. Jair Bolsonaro não pode usar a Advocacia Geral da União para defender interesses de seus militantes, como fez ao recorrer da decisão de Alexandre de Moraes que suspendeu as contas sociais dos investigados no inquérito das fake news.

Ainda que a ação vise ao cumprimento de "dispositivos constitucionais", só o MPF é que poderia intervir.

Na peça encaminhada ao Supremo, a AGU diz que "as medidas de suspensão ou bloqueio de contas em redes sociais para fazer cessar o direito de manifestação de investigados configuram-se como desproporcionais e contrárias ao direito à liberdade de expressão e ao devido processo legal, os quais constituem preceitos fundamentais da ordem constitucional". Trata-se do mesmo argumento da PGR já rejeitado por Moraes.

De qualquer forma, as instituições já está de cabeça para baixo desde que o famigerado inquérito foi aberto de ofício por Dias Toffoli, dando margem a que Moraes atue como censor.
Herculano
26/07/2020 08:14
NENHUMA ASTRóLOGO AVISOU QUE 2020 SERIA DIFÍCIL E FORA DO VULGAR, por Ricardo Araújo Pereira, humorista, membro do coletivo português Gato Fedorento. É autor de "Boca do Inferno", no jornal Folha de S. Paulo

Só há duas explicações: ou isto da cartomancia é uma burla ou o universo conspirou para enganar os videntes

Todos os anos, em dezembro, vou reler as previsões que os astrólogos fizeram em janeiro, para ver quem esteve mais perto de acertar.

Neste ano, não consegui esperar. Tinha muita curiosidade em perceber de que modo é que quem prevê o futuro tinha avisado que o ano ia ser um bocadinho difícil e fora do vulgar. Surpreendentemente, ninguém avisou. Só há duas explicações: ou isto da cartomancia é uma burla (hipótese na qual me recuso a acreditar) ou o universo conspirou para enganar os videntes.

Mercúrio desviou-se propositadamente da rota de Júpiter, para que os astrólogos não percebessem que se estava a preparar uma pandemia nunca vista. O seis de ouros evitou sair antes do nove de espadas, para não denunciar que toda a economia mundial ia sofrer o maior abalo em décadas.

As tripas de galinha, as borras de café e os búzios estavam todos dentro da pegadinha e enganaram todos os profissionais da astrologia.

Não é a primeira vez que acontece. Por vezes, o universo indica a um ou mais profissionais desse gênero que o mundo vai acabar num determinado dia e depois o mundo, por teimosia ou estupidez, não acaba. Por isso, nunca é boa ideia prever o fim do mundo.

Se o mundo acabar mesmo, não haverá hipótese de capitalizar a proeza, uma vez que todos os potenciais clientes estarão mortos. E nenhum morto diz: "Vou consultar o vidente que previu o fim do mundo". Nenhum morto fala, aliás. Exceto o meu tio César, que, segundo familiares meus que estiveram presentes no funeral, disse: "Não, não! Eu estou vivo. Desliguem o forno crematóri... aaaaaaargh!".

Mais vale prever que o mundo vai continuar. Ou se acerta ou não sobra ninguém para assinalar que se errou.

E há outras previsões fáceis de fazer. Por exemplo, é difícil errar na previsão de que, no Brasil, há coisas que não vão correr bem no próximo ano.

Haverá sem dúvida alguma um escândalo. Responsáveis políticos vão estar envolvidos. Responsáveis políticos do partido a que pertencem os envolvidos vão lembrar que responsáveis políticos de outros partidos já estiveram metidos em escândalos iguais ou piores. As redes sociais vão incendiar-se. E depois chegará a altura de fazer as previsões para o ano seguinte.
Herculano
26/07/2020 07:59
BOLSONARO QUER UM MINISTRO TERRIVELMENTE SUBMISSO NO STF

Presidente usa cadeira como chamariz, faz acenos políticos e busca proteção

Jair Bolsonaro está de olho nas cadeiras do STF desde a campanha presidencial. Naquela época, o candidato falava até em ampliar o número de ministros do tribunal, para infiltrar uma tropa inteira no plenário. "É uma maneira de você botar dez isentos lá dentro", teorizou.

A ideia ficou pelo caminho, mas Bolsonaro continuou explorando o poder de indicação para o Supremo como chamariz. Primeiro, surfou na onda anticorrupção e fez um aceno ao segmento evangélico. Agora, ele estimula uma competição entre candidatos dispostos a oferecer proteção a seu grupo político.

O primeiro a morder a isca foi Sergio Moro. Durante a campanha, Bolsonaro agitava o eleitorado antipetista ao sugerir a indicação do algoz de Lula para a corte. Já no Planalto, o presidente dizia ter firmado um acordo com o ex-juiz da Lava Jato. "A primeira vaga que tiver, eu tenho esse compromisso com o Moro", afirmou, em maio do ano passado.

O ministro da Justiça mal conseguiu sonhar com a cadeira. Os conflitos com o presidente se acumularam, e Moro perdeu o lugar na fila.

Contrariado com decisões como a criminalização da homofobia, Bolsonaro ofereceu uma toga aos nichos conservadores de sua base. Um ministro "terrivelmente evangélico" passou a liderar bolsa de apostas depois que o presidente descreveu o perfil que buscava para o tribunal.

Aos poucos, Bolsonaro deixou o componente ideológico de lado e sugeriu estar disposto a premiar personagens que podem blindá-lo de investigações perigosas.

Quando Augusto Aras pediu o arquivamento do inquérito das fake news, em maio, Bolsonaro disse que o procurador-geral se encaixaria bem na corte. Depois, o favorito virou João Otávio de Noronha, presidente do STJ, que tirou da cadeia o incômodo Fabrício Queiroz.

Bolsonaro poderá fazer sua escolha em menos de cem dias, após a aposentadoria de Celso de Mello. O presidente ainda quer um ministro que sirva a seus interesses políticos - mas esses interesses mudaram.
Herculano
26/07/2020 07:56
NÃO É UMA GRIPEZINHA. SOMOS 14 MORTOS Só EM GASPAR POR COVID-19. E GENTE SEM NOÇÃO, AMIGOS DOS PODEROSOS FESTEJANDO ENTRE ELES. MAS, FESTEJANDO O QUE? A MORTE DE PESSOAS, DA ECONOMIA, DO EMPREGO, DAS EMPRESAS? ACORDA, GASPAR!
Herculano
26/07/2020 07:39
COMO MATARAM NOSSO CACAU, por Carlos Brickmann

Por volta de 1979, o Brasil estava entre os maiores produtores de cacau do mundo, com exportações de algo como US$ 1 bilhão. Em 89, uma grande praga de vassoura de bruxa devastou os cacauais. Desfez fortunas, destruiu o poder político dos cacauicultores, liquidou empregos. A Bahia, tradicionalmente PFL, caiu nas mãos do PT. A destruição do cacau foi um ato deliberado. Sempre se desconfiou do PT, mas aqui temos o comprovante:

Luiz Henrique Tenório, à época militante do PT, confessa ter colhido mudas da vassoura de bruxa em Rondônia para destruir as plantações baianas. Hoje, arrependido, diz que não imaginava tamanha devastação, tamanha perda de emprego: achava que haveria um susto e, em pouco tempo, órgãos técnicos ligados ao PT resolveriam o problema e sairiam como heróis. O Brasil levou pouco mais de 30 anos para dar um jeito na vassoura de bruxa. Luiz Henrique Tenório demorou mas confessou. Disse estar pronto para assumir a destruição ambiental. Mas quer que os demais envolvidos também paguem pelo crime. "Tinha de confessar. Não o fiz antes de tantas ameaças que sofri. E a terra onde nasci, onde minha família vive, teve a economia destruída".

A situação já melhorou: com cacau orgânico, plantado sob grandes árvores da Mata Atlântica, a produção se ampliou, e o cacau é de qualidade alta. A questão agora é tomar conta do cacau: já se sabe que há criminosos prontos a destruir grandes riquezas agrícolas do país por motivos partidários.

ELES SÃO OS BONS

Nove milhões e meio de trabalhadores da iniciativa privada tiveram cortes pesados nos salários. Mas quem ganha mais manteve os salários em dia: Paulo Guedes, o feroz cortador de salários de trabalhadores, vetou qualquer possibilidade de reduzir vencimento de servidores públicos. E o Supremo vetou qualquer redução de verbas, tanto para o Legislativo quanto para o Judiciário, durante a pandemia. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pensou em reduzir as verbas, mas Paulo Guedes proibiu os cortes.

MORDOCA DA BOA

A verba mensal de gabinete, de R$ 111 mil, e o cotão, que vai de R$ 30,7 mil a R$ 45,6 mil, continuam em pleno vigor.

FRASE DEFINITIVA

A humanidade só é viável se conseguirmos manter a proporção dos idiotas militantes abaixo dos 20%.

CORRIGINDO

No domingo passado, esta coluna cometeu um erro: disse que, quando Fernando Henrique deixou o cargo para disputar a Presidência, quem liderou a implantação do Plano Real foi Ciro Gomes. Na verdade, foi o embaixador Rúbens Ricúpero. Ciro Gomes assumiu alguns meses mais tarde. Ricúpero não encheu a Fazenda de diplomatas: levou três ou quatro para trabalhar com ele, todos profissionais de alta qualidade técnica.

ME PRENDE! ME PRENDE!

Roberto Jefferson está em plena campanha para ser processado por algum ministro do STF. Dá entrevistas dizendo que são todos comunistas, que os dois que vieram da Justiça do trabalho são juízes meia-boca, que nove dos ministros têm o rabo preso e dois têm o rabo solto. Quer se colocar como vítima - o primeiro processo que sofrerá a não ser movido pela Lava Jato.

O HORROR AOS COMUNISTAS

Roberto Jefferson, que nunca tinha sido disso, agora cismou que os ministros do Supremo são incompetentes, homossexuais, comunistas e sabe-se mais o que. Imaginemos, como diz Roberto Jefferson, que alguns sejam homossexuais. E daí? Isso anula sua capacidade de julgamento? Que tem a ver a eventual homossexualidade de algum ministro com sua capacidade de julgamento? Digamos que ser apanhado roubando seja algo mais grave. E o partido de Jefferson, o PTB, já circulou muito nos meios comunistas nos tempos de Brizola. Agora resolveram se afastar dos comunistas?

EM BUSCA DE PROTEÇÃOo

O presidente Bolsonaro resolveu que, embora tenha contraído a Covid, deve circular pelas ruas como se infectado não estivesse.

E está: passa para outras pessoas vírus à vontade. E infecta pessoas que confiam em sua presença. Não usa máscara, e seus partidários pegam o que for preciso.

Quando se diz que para ele tanto faz a saúde dos outros, ainda fica bravo.

A HORA DA VACINA

A Covid ganhou nova força - e, ao mesmo tempo, há muita gente na rua, se amontoando. É torcer para que as vacinas ganhem força e sejam colocadas à disposição do povo. Sejam chinesas, inglesas, americanas, serão vacinas que nos ajudarão a sobreviver.
Herculano
26/07/2020 07:31
ONTEM FOI DIA DE AGLOMERAÇÃO EM GASPAR. Só EM AMBIENTE DE PODROROSOS E QUE NÃO SOFRERAM FISCALIZAÇõES MUITO COMUNS A ADVERSÁRIOS E GENTE MIÚDA.

QUANDO FLAGRADOS EM VÍDEOS QUE CIRCULARAM A CIDADE, OS PODEROSOS AMEAÇARAM PROCESSAR OS AUTORES DOS VÍDEOS. PROCESSAR A PROVA? PROCESSAR QUEM PROVOU O ERRO? É ESTA A GASPAR QUE ESTÁ PERDENDO A CORRIDA ELEITORAL. O POVO JÁ ESTÁ DE SACO CHEIO

ESTA É A GASPAR DE VERDADE QUE QUER O DIA 15 DE NOVEMBRO COMO UM ATESTADO DA SUA IMPOSIÇÃO AOS QUE NÃO ESTÃO NO ESQUEMA DE PODER. ACORDA, GASPAR!
Herculano
26/07/2020 07:27
BRASIL IMAGINÁRIO, por Marcos Lisboa, economista, presidente do Insper, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005), no jornal Folha de S. Paulo

Alguns mitos sobre a reforma tributária

Lideranças da Ordem dos Advogados do Brasil manifestaram seu repúdio à proposta de reforma tributária do governo. Segundo elas, os escritórios já pagam 15% de tributos. Com a reforma, a parcela de PIS e Cofins aumentaria de quase 4% para 12%, significando uma carga total de 23%.

Não é bem assim. Considere um escritório que presta serviços no valor de R$ 100. Hoje, após recolher PIS e Cofins, ele fica com pouco mais de R$ 96.

Depois da reforma, a empresa que contratar os serviços poderá deduzir das suas obrigações com a Receita o que já foi recolhido do novo tributo pelo escritório de advocacia. Caso o serviço passe a custar R$ 112, o desembolso da empresa contratante continuará sendo de R$100, pois poderá descontar R$ 12 dos seus tributos devidos.

O escritório vai receber R$ 112, irá recolher R$ 12 ao Fisco e ficará com R$ 100, mais do que ganha atualmente. Aparentemente, há advogados que não entendem como funciona o IVA, imposto adotado em mais de 160 países.

Com as novas regras, a carga tributária aumenta apenas para os serviços de advocacia prestados diretamente para o consumidor. Mas aqui trata-se de corrigir uma distorção.

Como a alíquota de 12% foi feita para manter a arrecadação, desonera-se quem paga mais e eleva-se a cobrança de quem paga menos. Por que comprar uma geladeira deve ter uma tributação maior do que contratar um advogado?

O objetivo é apenas garantir que, ao menos na esfera federal, toda decisão de consumo seja igualmente tributada. As compras de eletrodomésticos, serviços de advogados ou remédios terão embutidos no seu valor a mesma carga tributária.

Para as famílias, os preços de muitos bens deverão cair, em razão de menos tributos ao longo da cadeia de produção, e alguns serviços ficarão mais caros. Detalhe para quem se preocupa com desigualdade. Os ricos consomem mais serviços do que os pobres.

Advogados também reclamam da possibilidade de pagar 8% sobre dividendos que recebem dos seus escritórios. Dizem que penaliza a classe média.

Má notícia: se o Brasil fosse inteiramente igualitário, a renda individual seria de cerca de R$ 3.000 por mês. Somos um país bem mais pobre do que muitos pensam.

Quem ganha acima de R$ 30 mil por mês está entre o 1% mais rico do país.

A classe média de verdade, aquela que recebe entre 2 e 5 salários mínimos em empregos formais, paga uma alíquota efetiva de tributos perto de 30% em razão das contribuições sobre a folha e do Imposto de Renda.

No Brasil imaginário da elite, os muito ricos acreditam que fazem parte da classe média. Os ricos de verdade são sempre os outros.
Herculano
25/07/2020 09:24
GENTE ESQUISITA

Jair Messias Bolsonaro, sem partido, disse que era contra os corruptos. E um dia - e só depois das eleições - cooptou o símbolo do daquilo que pegava corrupto: o ex-juiz Sérgio Morro.

No ministério da Justiça e Segurança, Sérgio Morro, foi humilhado e corrido porque não quis abafar a bandidagem da milícia e dos filhos de Bolsonaro. Moro teve que sair e fez isso atirando.

Agora, as pesquisas mostram que Bolsonaro está na frente, mas Moro na sua cola. Ou seja, Bolsonaro está prestes a perder o seu próprio discurso definitivamente, o do combate à grossa corrupção feita com os pesados impostos do povo, inclusive aquele desempregado, falido e humilhado pela ineficácia do estado que alega não ter dinheiro para atender o cidadão.
Miguel José Teixeira
25/07/2020 09:20
Senhores,

Azedando os Lima

Pinçado da coluna do CH, abaixo replicada, só para ilustrar o chororô da definhada oligarquiazinha pelega, cujo chefete está à enterrar o pt catarinense, graças aos céus, e cuja chefona não elegeu-se Dep.Fed. por 1 (um) voto que eu o reivindico!

". . .Essa conta faz parte do cotão parlamentar, que ressarce parlamentares em cerca de R$ 45 mil por mês por qualquer tipo de despesa, de tapiocas a "consultorias". . .

". . .Os R$ 45 mil, em média, que cada deputado e senador recebe do cotão se soma ao salário de R$ 33,7 mil que cada um recebe por mês". . .

Enquanto isso. . .nós burros-de-cargas. . .Bem, vamos levando!

. . .
"Tenho pena de quem chora
De quem chora tenho dó
Quando o choro de quem chora
Não é choro, é chororô"
. . .
(Gilberto Gil)

Herculano
25/07/2020 09:19
BOLSONARO TESTA NEGATIVO PARA COVID 19

Conteúdo de O Antagonista. O novo exame de Jair Bolsonaro para Covid-19, divulgado na manhã deste sábado, deu negativo.

O anúncio foi feito pelo próprio presidente em suas redes sociais. Na publicação, Bolsonaro ainda publicou uma foto exibindo a embalagem de hidroxicloroquina.

O presidente está em isolamento desde o dia 7, quando anunciou que estava infectado. Desde então, cancelou suas agendas públicas e fez apenas aparições nos jardins do Palácio da Alvorada.
Herculano
25/07/2020 09:05
SEM REFORMAS, SEM FUTURO, por Rodrigo Zeidan, economista, professor da New York University Shanghai (China) e da Fundação Dom Cabral, no jornal Folha de S. Paulo

Sem incluir o ICMS, a reforma tributária do governo é capenga

A reforma tributária que finalmente foi ao Congresso, infelizmente, não tem ao menos bode na sala. As duas políticas mais importantes em discussão no Brasil, hoje, são a reforma fiscal e a renda básica. Infelizmente, para uma, o governo apresenta algo ruim, e a outra, ignora.

Em relação à reforma tributária, há proposta no Congresso muito superior à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que é a criação do governo. É a PEC 45, que está em tramitação na Câmara e substitui cinco tributos federais, estaduais e municipais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um único Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Não há menor sombra de dúvidas: a IBS é muito, mas muito melhor que a CBS. Politicamente, a IBS é mais difícil de ser aprovada, já que muda a distribuição de recursos para os estados ao englobar o ICMS. Mas, sem incluir o ICMS, a reforma do governo é capenga.

Capital político é limitado, e o governo tem que ser muito inteligente no seu uso. Já vimos o que aconteceu no governo Temer. Em vez de fazer a reforma mais importante primeiro, sua gestão preferiu começar pela reforma trabalhista. Acabou não conseguindo realizar a reforma da Previdência. Por sorte, o Congresso encampou e passou a reforma da Previdência.


O governo foi eleito com capital político para fazer reformas. Depois de várias promessas de envio das reformas "na semana que vem", a primeira proposta que vem à mesa é uma decepção. Normalmente, o governo propõe algo ambicioso, incluindo um bode na sala, para que a negociação política crie algo possível. Contudo, temos agora uma proposta que já nasce sem grandes aspirações.

Ou seja, o governo está abdicando da sua responsabilidade de liderar o processo. Não há razão para o governo ter ignorado a PEC 45. Talvez seja ego, com gestores preferindo algo fraco, mas criado por eles.

Em relação à renda básica, não há surpresas: gente do governo que sempre torceu o nariz para o Bolsa Família não vai, de forma alguma, liderar qualquer projeto para trazer renda aos mais pobres.

A proposta do Renda Brasil nada mais é que repaginar o Bolsa Família por razões ideológicas, retirando a marca criada por governos de esquerda.

A questão fundamental da renda básica, que falta ser discutida, é o que se espera do projeto. Hoje, há evidências incontestes de que o Bolsa Família e outros programas de transferência de renda são excelentes mecanismos de erradicação da extrema pobreza. Mas o passo seguinte, diminuir a pobreza, é diferente.

Sabemos que a maior parte das famílias brasileiras está presa na armadilha da pobreza. Se escapar da pobreza requer capital (para investimento em educação, por exemplo), quem começa sua vida sem dinheiro e crédito não consegue investir em capacitação e, portanto, não consegue ascender socialmente.

Como é processo de longo prazo, encontrar evidências para a armadilha da pobreza é difícil. Entretanto, artigo recente, de Clare Balboni e colegas, consegue fazê-lo, analisando programa de transferência de renda para mulheres pobres em Bangladesh.

A partir de um certo valor, a maior parte das mulheres consegue investir para acessar melhores empregos, mas suas colegas, que não receberam a mesma quantia, continuam presas à pobreza.

O potencial transformador da renda básica é imenso, se realizada de forma eficiente. Mas vamos ter que fazê-lo contra a vontade do governo. Quem diria que o Congresso seria a nossa fonte de esperança??
Herculano
25/07/2020 08:39
BOLSONARO DIZ QUE NINGUÉM MORREU DE COVID NO BRASIL POR FALTA DE ATENDIMENTO, por Julianna Sofia, secretária de Redação da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Presidente é um homem com pouco conhecimento das coisas

Jair Bolsonaro é um homem com pouco conhecimento das coisas. Na quinta-feira (23), depois de voltinhas de motocicleta pelos jardins do Alvorada e de um colóquio, sem máscara, com funcionários da limpeza, o presidente infectado proseou com apoiadores que o pajeiam às portas do palácio: "Não tem como evitar morte no tocante a isso [Covid]. No Brasil ninguém morreu, que eu tenha conhecimento, por falta de atendimento médico. Todos os recursos o governo repassou para estados e municípios".

Cenas excruciantes de usuários do SUS na fila por uma vaga nas unidades de saúde em estados que atingiram ou estão próximos do colapso do sistema público tornaram-se perversamente banais. Morre-se à espera, embora o presidente da Replúbica afirme não saber.

Morre-se também porque hospitais lotados e alta ocupação de UTIs fazem com que a rede pública priorize o atendimento de quadros graves, deixando desassistidos casos menos severos que tendem a se complicar. Não à toa, esse é um dos fatores que levam a taxa de cura nas instituições privadas a ser maior que nas públicas, como revelado pela Folha. Em média, 51% dos doentes do sistema privado sobrevivem. No SUS, 34%.

Não deixa de suscitar preocupação o fato de Bolsonaro também desconhecer os números de sua (ruinosa) gestão no combate à pandemia. O Ministério da Saúde gastou apenas 29% da verba emergencial destinada ao controle do coronavírus até junho. Segundo o TCU, dos R$ 38,9 bilhões destinados às ações governamentais, apenas R$ 11,4 bilhões saíram dos cofres, quando o país já contabilizava 55 mil mortos.

Para os estados, o ministério repassou apenas 39% do dinheiro anunciado - e 36% para os municípios. O tribunal determinou que o governo apresente explicações sobre a baixa execução e sua estratégia de gastos e repasses. O Conselho Nacional de Saúde afirma que os desembolsos aceleraram em julho. Mas os valores ainda não chegam à metade do previsto.
Herculano
24/07/2020 11:06
GENTE QUE GOSTA DE LIXO, ESGOTO, DOENÇA E MISÉRIA PARA O POVO, A QUEM DIZEM SEREM REPRESENTANTES E DEFENSORES

Conteúdo do MBL. PDT indo ao STF contra o marco do saneamento. Tem gente que quer esgoto a céu aberto e metade milhões de brasileiros sem água tratada mesmo.
Herculano
24/07/2020 09:53
MOISÉS, SOZINHO ENTRE A PANDEMIA E O IMPEACHMENT, por Claiton Selistre, no Making Of

Moisés, sozinho entre a pandemia e o impeachment
Ao se eleger na onda 17, com a tese da "nova política", Carlos Moisés se isolou no governo, mais claramente na Casa da Agronômica, e imaginou que poderia governar sozinho. Escolheu para cargos relevantes companheiros de farda à política de baixa envergadura, para a Saúde e Casa Civil, e entregou a um professor, sem experiência política, a elaboração da estratégia de governo.

Todos fracassaram na gestão. A vice-governadora, por sua vez, para não ser apenas figura decorativa, aproveitando as mordomias de casa e estruturas pagas pelo governo, tratou de se alimentar do fogo amigo para dar prova de vida. Até neste momento, quando deveria se unir a Moisés para lutar contra o impeachment, foi a primeira a criticar o governo.

Daniela tende a morrer abraçada com Moises, se não fizerem com urgência o que não conseguiram até agora em um ano e meio de governo. Ter base na Assembleia, abrir relacionamento com os poderes e veículos de comunicação, liberar a licitação das verbas publicitárias, entre outros. É muita coisa a fazer em tão pouco tempo.

Ainda nesta sexta-feira, 24, a Assembleia Legislativa deve esclarecer os ritos do processo de impedimento, entre os quais o prazo, se valerá o número de sessões - como no caso da presidente Dilma Roussef - ou um tempo fixo.

RESPIRADORES

Tudo isso acontece por ação de um defensor público, colocado no cargo por governo anterior, em cima do reajuste de promotores. Não tem nada a ver com o caso dos respiradores, esse sim o grande problema do Estado, até agora sem solução.

O governo está sendo ameaçado por um processo burocrático e não pelo suposto crime dos 33 milhões pagos adiantados. Mais ou menos como na época da lei seca, em Chicago, quando pegaram o mafioso Al Capone por sonegação de imposto de renda e não pelos crimes que cometera.

O momento é crítico. Moisés parece sem chão e sem estratégia para reagir. Até agora não falou nada e não tem quem fale por ele. Mas tem muitos falando contra. Para alguns é como se fosse continuidade da eleição de 2018, principalmente para aqueles que não aceitaram ainda que um coronel bombeiro assumiu o Estado.

O nosso horizonte é pior ainda que as perspectivas do governador, pois logo aqui na frente estarão todas as discussões legais e políticas, e sobre as nossas cabeças a pandemia em crescimento e muita desarticulação no combate.
Herculano
24/07/2020 09:45
da série: gente limpa, só na aparência e para os incautos eleitores.

"EU ACREDITAVA QUE O FLÁVIO ERA O FILHO PROBLEMA E O BOLSONARO ESTAVA PROTEGENDO O FILHO. HOJE, EU NÃO TENHO MAIS ESSA ILUSÃO

Conteúdo de O Antagonista. Em entrevista à Crusoé, o senador Major Olímpio revela que o rompimento com Jair Bolsonaro ocorreu por ter sido pressionado pelo presidente a retirar sua assinatura da CPI da Lava Toga, a não ir adiante com pedidos de impeachment de ministros do Supremo e a defender Flávio Bolsonaro.

"Eu acreditava que o Flávio era o filho problema e o Bolsonaro estava protegendo o filho. Hoje, eu não tenho mais essa ilusão. Na minha visão, ele era um gerente financeiro de uma holding familiar."
Herculano
24/07/2020 09:39
ELES JÁ ESTÃO NA BASE

Conteúdo de O Antagonista. As sessões ainda virtuais na Câmara e no Senado, em razão da pandemia da Covid-19, têm facilitado a presença de congressistas em suas chamadas base eleitorais.

Há deputados e senadores - não são poucos - que andam sumidos das obrigações no Congresso, mesmo a distância, justamente porque já mergulharam nas eleições municipais, adiadas para novembro.

Com as sessões remotas, as discussões sobre a pauta e os acordos para votações estão muito restritos às lideranças partidárias, o que deixa a maioria dos parlamentares mais à vontade para dar as caras somente na hora de votar, e olhe lá.


Julho é mês de recesso no Congresso - período de folga dos parlamentares, que costumam curtir as festas juninas no Nordeste. Em ano eleitoral, esses dias de descanso se estendem, para que deputados e senadores organizem as candidaturas de seu interesse nos municípios.

Neste ano, está tudo diferente, mas não se enganem: eles já estão na base cuidando do que, para eles, é o que de fato importa, ou seja, garantir a eleição ou a reeleição de aliados. Nesta semana, noticiamos que Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre negociam com lideranças partidárias um recesso de uma semana, antes da retomada, aos poucos, das sessões presenciais.
Herculano
24/07/2020 09:32
ALGUÉM PRECISARIA TROCAR O REMÉDIO DE BOLSONARO, por Josias de Souza

Num dia em que o número de mortos da pandemia ultrapassou a marca de 84 mil pessoas, Jair Bolsonaro fez declarações controversas - "Não tem como evitar morte no tocante a isso" -, trocou o isolamento por um passeio de moto na área externa do Alvorada, retirou o capacete e, sem máscara, conversou com garis.

Tudo isso um dia depois de receber o terceiro exame positivo para o coronavírus.

Alguém precisaria trocar o medicamento do presidente. A cloroquina, claramente, não está surtindo efeito. Outra alternativa é recomendar a Bolsonaro que não tome remédio. No seu caso, nada pode ser remediado.

Se a quarentena de Bolsonaro durar mais uma semana será necessário providenciar um psicólogo para as emas.
Herculano
24/07/2020 09:06
ACERTOS JUSTIFICAM E PODEM ENCOBRIR ERROS GRAVES?

Apoiadores do governador Carlos Moisés da Silva, PSL, inundaram as redes sociais mostrando uma série de conquistas a favor dos pesados impostos dos cidadãos catarinenses. Moisés, com isso, teria eliminou a mamata dos políticos e agentes públicos que vivem no entorno do governo e não é de hoje, mas décadas.

Bom, muito bom. Isto que relaram Moisés já realizou faz tempo. Foi no início do governo e antes do coronavírus. De lá para cá.... só problemas (e dos brabos).

Segundo essas postagens dos apoiadores do governador, a tentativa de cassar Moisés, é uma resposta da bandidagem institucional instalada e pendurada nos governos e que o governador teria agido contra os interesses deles e para contê-los na vontade insaciável.

Pode ser verdade. Mas, é pouco. É preciso provar esse elo dos conspiradores e sabotadores do governo, de forma clara, para enterrar ainda mais os bandidos e dar álibis consistentes ao governo nos casos de erros crassos como o Hospital de Campanha de Itajaí, dos respiradores pagos antecipados e que não chegaram entre outras, incluindo remédios e a falta deles....

Agora, que o pessoal que está a caça de Moisés - que não se cercou de gente competente e que o deixou vulnerável no caso dos procuradores e motivo da cassação - não é fraco, isso não é.

Eles também não querem a vice-governadora Daniela Cristina Reinehr, PSL, uma bolsonarista de raiz, fora do governo. Ela de cara já traiu Moisés a quem tinha jurado amores eterno. Daniela, por várias vezes e atitudes públicas, não está nem aí para protocolos e funções e vive animando uma barulhenta - mas sem votos - bancada contra os interesses de Santa Catarina.

Então o governador e a governadora são vítimas deles próprios, se não da arrogância, mas da inexperiência, falta de inteligência e capacidade mínima de articulação não com a oposição, mas dentro do mesmo campo ideológico em que foram eleitos. Impressionante.

O QUE DIZ O MANIFESTO DE FESTIM NAS REDES SOCIAIS A FAVOR DE CARLOS MOISÉS?


CONHEÇA OS VERDADEIROS MOTIVOS DO PEDIDO DE IMPEACHMENT DO GOVERNADOR MOISÉS

Economia de mais de R$ 60 milhões em revisões de contratos com empresas terceirizadas.

Imagine quanta gente beeeeem conhecida deixou de mamar nessa teta.

Governo sem Papel: economia superior a R$ 40 milhões entre abril de 2019 e junho de 2020.

A quem interessava esse desperdício de dinheiro público???

Economia de R$ 1,7 milhão por ano com o fim do cafezinho.

Mais um "contratinho" que morreu.

Economia de R$ 4,5 milhões por ano nas despesas com avião do Governo.

Isso é 95% de economia só em 2019. Mais uma teta que secou.

Compra de oxigênio para hospitais: o Governo pagava R$ 24 milhões. Hoje paga R$ 12 milhões por ano.

O preço caiu pela metade com o fim dos atravessadores!! Adivinha quem tinha interesse em que esse desperdício continuasse acontecendo???

Empregados terceirizados: Economia de R$ 10 milhões por ano.

Acabou a mamata de ficar indicando parentes de políticos.

Impressoras: Redução de R$ 1,4 milhão por mês para R$ 580mil/mês.

Uma economia de R$ 10 milhões por ano. Mais uma "torneirinha" que secou.


Abastecimento por aplicativo: economia de R$ 6,4 milhões em 2019.

Chora, oposição!!!

Revisão do contrato de telefonia: redução de R$ 950 mil/mês para R$ 250 mil/mês.

Telefonia no Governo era caso de Polícia. Tem até gente presa. E dizem que vem mais coisa por aí. Tem grandão sem dormir direito.

Governo sem Papel (SGP-e) - R$ 29 milhões de economia em 2019.

Acabou "esquecer" processo em gaveta. Tá tudo no sistema.

Casan: Revisão de contratos de serviços (economia de R$ 13 milhões em 6 meses).

Olha isso!!!

ENTENDEU AGORA PQ QUEREM TIRAR MOISÉS DO GOVERNO???

Volto e encerro. Moisés ainda pode fazer esse relatório de economia. Que tal pedir algo igual para os prefeitos Kleber Edson Wan Dall e Érico de Oliveira, respectivamente de Gaspar e Ilhota, e ambos do MDB?
Miguel José Teixeira
24/07/2020 08:58
Senhores,

Agora sim, em seu elemento:

O tal weintraub, ex-sinistro da edukassão, que fugiu do Brasil, foi visto pela Crusoé, com um balde e um rodo na mão, no lobby de um apart-hotel na capital do Tio Sam.

Leia + em: https://crusoe.com.br/edicoes/117/o-exilio-de-weintraub/

Se pelo menos soubesse fritar hamburgueres, como o tal zero 3, poderia tentar estagiar no "méquidonalds". . .
Miguel José Teixeira
24/07/2020 08:47
Senhores,

A ema e o bronco

Jackson do Pandeiro, escreveu e muitos cantarolaram:

"A ema gemeu no tronco do Juremá"

De Brasília, mais uma para o FebeapáCoronaEdition:

A ema bicou o bronco da capitá. . .

Será que a ema estava atrás das lombrigas expelidas pelo vermífugo?

Respostas para a rádio cercadinho, operando às cegas, tal qual o ministério da saúde.
Herculano
24/07/2020 08:35
INTEGRANTES DA CPI AVALIAN QUE MOISÉS FALTOU COM A VERDADE, por Cláudio Prisco Paraíso

O deputado Ivan Naatz (PL), relator da CPI dos Respiradores, disse que, depois de quase duas horas de reunião interna, nesta quinta-feira( 23) , os deputados integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito, concluíram que o governador do Estado Carlos Moisés ao responder o questionário de 15 perguntas encaminhado pela CPI, "faltou com a verdade" .

E as consequências dessa atitude serão objeto do relatório final que será apresentado pela comissão até meados de agosto .

O relator já havia antecipado na reunião da terça-feira última da CPI, que as respostas do governador e o comparativo com a análise das datas e suas afirmações nas lives diárias de informes sobre o combate ao coronavírus no Estado, bem como em alguns documentos, fortalecem o entendimento de que Carlos Moisés tinha total conhecimento da situação envolvendo a compra dos 200 respiradores com pagamento antecipado de R$ 33 milhões e que acabaram não sendo entregues.
Herculano
24/07/2020 08:30
BOLSONARO REFORÇA OPERAÇÃO POLÍTICA PARA SOBREVIVER NO PODER, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente usa camisa de força, esvazia radicais e amplia espaços do centrão

Jair Bolsonaro entrou de vez no jogo da sobrevivência no poder. Num movimento duplo, o presidente ensaiou um esvaziamento de aliados mais radicais e reforçou a transferência das articulações do governo para os partidos do centrão.

O pacote é uma das operações políticas mais expressivas lançadas por Bolsonaro desde que o deputado incendiário chegou ao Planalto. Nas últimas semanas, o presidente aceitou contrariar parte de sua base e se lançou na contramão de suas plataformas de campanha.

Depois de fazer carreira como um parlamentar extremista, Bolsonaro resolveu escantear alguns auxiliares mais barulhentos. Abraham Weintraub era um queridinho do clã presidencial, mas acabou demitido e despachado para os EUA para evitar a autodestruição do governo.

Integrantes da tropa de choque do Planalto também foram alvos dessa tentativa de depuração. A última vítima foi a deputada Bia Kicis (PSL), que perdeu a vice-liderança do governo na Câmara ao votar contra a ampliação de despesas com a educação.

?Bolsonaro confiava nesses aliados, mas foi obrigado a envolver o governo numa camisa de força depois que o Planalto foi cercado por por investigações sobre rachadinhas e fake news. O tom menos raivoso acabou frustrando o núcleo ideológico de sua base de apoio, que foi um dos pilares de sua eleição em 2018.

O presidente também traiu o candidato ao mergulhar fundo nas relações com o centrão. Isolado politicamente, ele abriu as portas de seu gabinete aos mesmos caciques partidários que atacava para polir o personagem antissistema.

Primeiro, o governo abandonou a bravata eleitoral e distribuiu cargos aos parlamentares dessas legendas. Agora, planeja terceirizar oficialmente as negociações no Congresso para os deputados desse grupo.

O resultado das piruetas políticas será determinante para o futuro do governo. No passado, Bolsonaro já simulou outras correções de rumo, mas sempre acabou retornando ao bolsonarismo autêntico.
Herculano
24/07/2020 08:27
RELAÇõES DE SERRA COM GENÉRICOS ESTÃO NA MIRA, por Cláudio Humberto na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Além de investigar as relações entre o atual senador José Serra (PSDB-SP) e José Seripieri Júnior, fundador da Qualicorp, empresa vendedora de planos de saúde coletivos, procuradores de São Paulo rastreiam também outro importante "braço apoiador" do ex-ministro da Saúde do governo FHC: a indústria farmacêutica de medicamentos genéricos. É o que falta para completar o "quebra-cabeças" do caso.

QUEBRA DE PATENTES

Tido como bom ministro da Saúde, Serra instituiu no Pais remédios genéricos, mais baratos, inclusive com a quebra de patentes.

IDOLATRIA EM ANÁPOLIS

Com os genéricos, a cidade de Anápolis (GO) se tornou o maior pólo do País da indústria farmacêutica. Essa turma é muito "grata" a Serra.

VÍNCULOS INVESTIGADOS

Uma linha de investigação tenta estabelecer vínculo entre o poder do PSDB e doações "não contabilizadas" de indústrias farmacêuticas.

DOAÇõES PARA CAMPANHA

Os investigadores procuram identificar "doações" diretas da indústria de genéricos para as campanhas de Serra ou indiretas, para o partido.

CÂMARA FINGE NÃO VER 3ª OPERAÇÃO DA PF NO RECIFE

A cidade do Recife amanheceu nesta quinta (23) sob nova operação da Policia Federal no âmbito de investigação de corrupção na prefeitura da cidade para a compra de materiais de combate ao Covid-19. É a única capital onde já houve três operações da PF contra superfaturamento e dispensa de licitação, mas os vereadores da cidade, obedientes ao prefeito Geraldo Júlio (PSB) não querem nem ouvir falar em criar CPI.

O QUASE-PRESO

A PF está convencida da corrupção, até pediu a prisão do secretário municipal de Saúde, mas Jailson Correia teve sorte: o juiz negou.

NÃO HAVIA OPÇÃO

A prefeitura tem alegado que os valores pagos pelos materiais contra Covid-19 eram os praticados no mercado, sem opção de preço menor.

OPORTUNISTAS

Os investigadores acham que, apesar da emergência da Covid-19, os gestores se aproveitaram das facilidades da dispensa de licitação.

ESCONDENDO O JOGO

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, disse ontem à Rádio Bandeirantes que apenas está "em estudos" o cartório que burocratiza a receita médica eletrônica. Mas ele escondeu jogo: está tudo decidido.

BUROCRACIA CRIMINOSA

Segundo a minuta da resolução da Anvisa, o médico terá de obter certificação para prescrever remédios eletronicamente e a farmácia terá de fazer o mesmo para vender o remédio. O doente que se vire.

EQUÍVOCO E ILEGALIDADE

O procurador Marcelo Monteiro, crítico da liminar do STF que proíbe a polícia de atuar nas favelas, repetiu o irônico desafio dos cariocas: que tal liminar do ministro Fachin proibindo traficantes de vender drogas?

SóSTENES CURADO

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) saiu ontem da consulta e foi logo espalhando a boa nova: está curado de covid-19. E disse que retornará em um mês para checar se a doença deixou seqüelas.

SOBERBA

Rodrigo Maia está tão habituado a comandar a pauta da Câmara que já avisou: "ninguém vai votar nada no segundo semestre de 2021". Esqueceu que ele não será mais o presidente da Casa.

BIG BROTHER

O projeto do Senado que supostamente combate fake news prevê um "limite", que não foi especificado, de encaminhamentos de mensagem. E obriga empresas a manter cadastro da "cadeia de compartilhamento".

LÁ SE VAI OUTRO DIREITO

A deputada Elcione Barbalho (MDB-PA) quer lei que obrigue a mostrar "exame negativo de covid-19" de quem embarca em aviões, ônibus e trens interestaduais. É o direito de ir e vir sob autorização médica.

TUDO PREMEDITADO

A oposição usa o Supremo em seus factóides. O parlamentar acusa o presidente de um crime, o STF age como mensageiro e envia à PGR, mas a manchete está garantida: "STF envia notícia-crime à PGR".

PERGUNTA NA POUPANÇA

O desembargador boçal Eduardo Siqueira pediu desculpas pelo papelão, mas e a multa, já pagou?
Herculano
24/07/2020 08:19
da série: os brasileiros pobres estão mais expostos nos hospitais do interior, nos hospitais públicos do que nos privados. Não é a toa que os gasparenses buscaram e buscam socorro nos hospitais de Blumenau e Brusque, mesmo eles sendo públicos. O que explica isso? A realidade, a verdade dos números e das estatísticas, não apenas conceitos e preconceitos contra eles.

TAXA DE CURA DA COVID-19 É 50% MAIOR EM HOSPITAIS PRIVADOS

Desigualdade afeta controle de doenças crônicas e agrava quadro de pacientes do SUS com coronavírus

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Flávia Faria e Diana Yukari. Pacientes com Covid-19 internados em hospitais privados têm taxa de cura 50% maior do que aqueles de instituições públicas. Em média, 51% dos doentes hospitalizados em unidades privadas sobrevivem, índice que cai para 34% nos hospitais públicos.

Os índices de cura nas unidades públicas são menores em estados do Norte e Nordeste. A média é 45% em Pernambuco e 53% no Pará, ante 60% em São Paulo e 79% no Rio Grande do Sul.

Há também mudanças ao longo do tempo. Em períodos de hospitais lotados e grande ocupação das UTIs do SUS, há um maior percentual de mortes. É o que se observa, por exemplo, no Amazonas, primeiro estado a ter o sistema de saúde em colapso, em meados de abril.

No último mês, com maior disponibilidade de leitos de UTI e profissionais de saúde mais experientes, a rede pública aumentou a taxa de cura e a desigualdade foi reduzida em boa parte dos estados - no Ceará, o SUS ultrapassou a rede particular.

Mesmo com a melhora recente, ainda há grande disparidade entre unidades públicas e privadas e entre as regiões do país. O Rio de Janeiro, por exemplo, se mantém como um dos locais em que o abismo entre as duas redes é mais evidente.

Segundo especialistas, não é possível apontar apenas uma causa para essa disparidade, mas um fator importante é a questão das doenças crônicas. O controle das comorbidades, de acordo com infectologistas, é questão-chave na batalha contra a doença. É também um dos quesitos em que as desigualdades sociais mais afetam a saúde da população.

Os dados são de levantamento feito pela Folha com base no Sistema de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde e consideram os pacientes que foram internados (casos graves) até o dia 20 de junho. Para a análise, foram observados os casos de 66.450 pacientes de hospitais públicos e 57.883 de hospitais privados.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 47 milhões de brasileiros (cerca de 20% da população) têm plano de saúde ?"logo, acesso a hospitais privados.

Estão classificadas como hospitais privados as instituições mantidas por entidades privadas, ainda que haja convênios para realizar determinados atendimentos pelo SUS.

Em geral, o percentual de doentes com comorbidades que precisam de internação é semelhante nos hospitais públicos e privados. A diferença está nas chances de cura: mais da metade (56%) dos pacientes com doenças crônicas internados nas instituições públicas morre, enquanto nas privadas 58% sobrevivem.

Antonio Bitu, médico intensivista de uma UTI pública e de uma semi-UTI privada de Recife, diz que os doentes da rede pública costumam ter quadro mais grave por causa de comorbidades não tratadas.

"O paciente [da rede pública] vem com problemas de base. Tem insuficiência cardíaca mal tratada, diabetes sem controle. A Covid acaba sendo a gota d'água", afirma. "Infelizmente, é muita gente que já chega em estado muito grave."

Doutor em epidemiologia e professor da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), Bruno Pereira Nunes cita vários os fatores que tornam o controle das doenças crônicas mais difícil para quem depende do serviço público, parcela mais pobre e menos escolarizada da população.

Programas como o Saúde da Família melhoraram a realidade do doente crônico no SUS, diz Nunes. Contudo, mesmo quando a atenção primária é adequada, o acesso a consultas com especialistas e exames é complicado. Isso acontece especialmente em cidades do interior e no Norte e Nordeste, onde a concentração de profissionais de saúde, especialmente de médicos, é menor.

Outro ponto diz respeito ao nível de escolaridade, à renda e às condições de vida dos pacientes. Quanto mais escolarizado é o doente, diz Nunes, mais facilmente compreende o tratamento passado pelos médicos e consegue informações sobre seu problema de saúde e o que pode fazer para melhorar.

Já em relação às condições de vida, para além de questões primárias, como saneamento básico, há pontos sobre alimentação e atividades físicas, fundamentais no controle de doenças crônicas. "São pessoas que não têm oferta de local para fazer atividade física, que não conseguem comprar alimentos balanceados. Mesmo tendo a mesma doença, a gravidade vai ser diferente [entre ricos e pobres]", afirma.

O mesmo afirma a doutora em saúde pública e pesquisadora da FioCruz Bahia Emanuelle Góes: "Doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes, têm em grande parte a ver com o modo de vida. Essas pessoas não têm suporte para ter mais qualidade de vida. Isso adoece".

O descontrole das comorbidades, por sua vez, gera complicações e faz com que a população mais pobre precise com mais frequência de internações e serviços de média e alta complexidade, nem sempre acessíveis.

"Os serviços de média e alta complexidade, mesmo os públicos, estão mais localizados no centro. Mas as pessoas que mais utilizam estão na periferia. Você tem dificuldade de mobilidade, distância. Se é urgência não consegue chegar a tempo, ou precisa rodar a cidade para conseguir uma consulta", afirma Góes.

Ela aponta ainda questões como racismo institucional, que afeta a qualidade do atendimento recebido pela população negra e faz com que seja preterida, por exemplo, na disputa por vagas e no atendimento em situações de urgência - a maioria dos usuários do SUS são pretos ou pardos - e a dificuldade do Estado em lidar com a alta demanda de atendimento nas unidades públicas de saúde.

Em geral menos cheia, a rede privada consegue levar à UTI pacientes em quadros não tão graves, que, numa situação de disputa de vaga, como se vê mais frequentemente na rede pública, ficariam na enfermaria, segundo relatos de médicos à Folha.

No auge da disseminação da Covid-19, usuários do SUS precisaram aguardar em pronto-socorro ou mesmo em ambulâncias, como aconteceu em Manaus, uma vaga na unidade de terapia intensiva.

"A pandemia reafirmou as desigualdades que a gente já observava", diz Nunes, da Upel. "É preciso reorganizar o serviço público para atender essas pessoas com qualidade. Não é só ter consulta."
Herculano
23/07/2020 20:56
O CALVÁRIO CONTINUA NA ÁREA DA SAÚDE E NO HPSPITAL DE GASPAR

Nas redes sociais, continuam os depoimentos dos que não têm medo de perseguição, intimidação e processos dos que estão no poder de plantão ou que estão obrigados ao silêncio devido possuir parente - que possa perder a boquinha - na máquina de caça votos da prefeitura de Gaspar.

Ontem, por exemplo, um depoimento no Facebook, por exemplo, uma mãe aflita dava conta que sua filha tinha dado entrada no Hospital de Gaspar - cujo o dono ninguém sabe quem é - as 15h e foi atendida as 23h30min. "Isso porque ela estava com febre, dor na garganta, dor de cabeça e vômito..."
Herculano
23/07/2020 20:49
VIDEO: E DAí, BIA BICK?

Conteúdo de O Antagonista. Bia Kicis é a mais ferrenha defensora das pautas do bolsonarismo no Congresso.

Pouco depois de assumir seu primeiro mandato como deputada federal, em fevereiro de 2019, começou a coletar assinaturas para revogar a PEC da Bengala.

Também é autora da PEC do Voto Impresso, aprovada pela CCJ da Câmara em dezembro.

Mas na noite desta quarta-feira (22) ela foi destituída de uma das 10 vagas de vice-líder do governo no Congresso.
Herculano
23/07/2020 20:46
editado originalmente, as 9.00

ALGUMA COISA NÃO BATE

ITAJAÍ É GOVERNADA POR UM MÉDICO, QUE JÁ ESTAVE NO PT, HOJE ESTÁ NO MDB, TENTA A REELEIÇÃO, COM A MESMA ASSESSORIA E EQUIPE DE MARKETING QUE TRABALHA PARA OS "ÇABIOS" DO PREFEITO DE GASPAR, KLEBER EDSON WAN DALL, MDB

VOLNEI MORASTONI JÁ INVENTOU UMA POÇÃO MÁGICA PARA SER DISTRIBUÍDA NA BOCA DOS ITAJAIENSES PARA AUMENTAR A IMUNDADE. FOI BARRADO PELA MINISTÉRIO PÚBLICO E JUSTIÇA.

É UM DEFENSOR FERRENHO DAS CLOROQUINAS E INVERMECTINA - E ELE PODE DEFENDER -, POIS É MÉDICO.

ENTRETANTO, ITAJAÍ JÁ TINHA ONTEM - SEGUNDO O BOLETIM EPIDEMIOLóGICO 78 MORTOS PELA COVID-19, Só PERDE PARA JOINVILLE 103 (FLORIANóPOLIS 41, BLUMENAU 33...). ESTAS CIDADES NÃO POSSUEM O PROTOCOLO DE ITAJAI...

NA TESE DE MORASTONI, TUDO ISSO É PARA TER MENOS MORTES. MUNICÍPIOS QUE NÃO TEM A MESMA RECEITA, NA ESTATÍSTICA REAL, TÊM MENOS MORTES QUE ITAJAÍ. ALGUMA COISA ESTÁ FORA DO PADRÃO, OU NÃO?
Herculano
23/07/2020 19:40
O QUE NOS FAZ FALTA A ELEGÂNCIA, A TOLERÊNCIA E O BOM SENSO, por Vânia Cristino, em Os Divergentes.

Estamos tão acostumados com o ódio, as ofensas, as brigas, os xingamentos e o desrespeito que não percebemos que é possível discordar dos outros de maneira civilizada, sem ameaçar e sem desferir impropérios. A cronista lamenta esses tempos de incivilidade e intolerância que vivemos, e lembra que já tivemos governantes educados e tolerantes

Nesses tempos tão bicudos nada me choca mais que a falta de civilidade escancarada e disso venho tendo provas todos os dias. Uma empregada doméstica, minha conhecida, me contou que os patrões queriam que ela fosse ficar com um dos filhos internado no hospital por problemas de diabetes. Ninguém podia ou queria ir por causa da pandemia, mas queriam impor esse "trabalho" a ela que, ao contrário dos patrões, não tem plano de saúde, e tem um filho pequeno para cuidar.

Na rua são corriqueiros os descasos com a coletividade, desde pessoas que não usam máscara até outras que brigam e humilham os fiscais. As pessoas estão se lixando para seus semelhantes. O que dizer daquela mulher que foi ao supermercado sem máscara, exigiu poder entrar e ameaçou o gerente, que teve que chamar a polícia, porque ele estava interferindo no seu direito de ir e vir? Não ensinaram a ela que o direito dela termina quando começa o do próximo?

E o caso de uma idosa que xingou, do nada, uma chinesa de porca imunda? E os empresários que estão se aproveitando da pandemia para contratar trabalhadores quase de graça, sem oferecer nenhum benefício como auxílio-transporte e tíquete refeição e ainda estão obrigando as pessoas a trabalharem todos os sete dias da semana, sem folga? Atenção, fiscais do trabalho. Acho bom passearem pelos melhores shoppings de Brasília para flagrarem este abuso e desrespeito ao cidadão.

E o pior é que não são casos isolados. Estão por toda parte, como essa epidemia, se alastrando cada vez mais. O que é estarrecedor é que não é uma coisa que está acontecendo agora por conta do estresse da quarentena.

Essa falta de empatia está, infelizmente, no fundo da alma brasileira. Só agora saiu do armário porque o exemplo de cima não é dos melhores. Descaso completo com tudo e com todos, com a educação e a saúde indo para o ralo, só para ficar nesses dois exemplos. Daqui a pouco vamos ouvir o tão famigerado "sabe com quem está falando?", que tinha saído do nosso vocabulário não porque entendemos que era errado, mas porque era politicamente incorreto.

Mas os tempos agora são politicamente incorretos. Por isso tenho saudade de outros tempos, não tão remotos assim, onde o diálogo prevalecia, a tolerância com os que pensam diferente era a regra e a elegância nos gestos e nas palavras faziam parte do nosso cotidiano. Sim, estou me referindo ao governo do professor e sociólogo Fernando Henrique Cardoso, quando o Brasil era visto e ouvido com atenção e respeito pela comunidade internacional e nós, brasileiros, tínhamos a sensação de que, enfim, entraríamos para o primeiro mundo.

Nem mesmo Lula conseguiu estragar essa visão. Muito pelo contrário. O ex-presidente, popularíssimo aqui dentro e também no exterior pelo viés social do seu governo, não fez feio. Surfou na área mundial, onde até hoje conta com alguns simpatizantes e até mesmo admiradores, apesar da pecha de corrupção do seu governo e da prisão que teve que amargar.

Já o capitão-mor que ora nos governa é um espanto. Não consegue pronunciar uma frase sem erro de concordância ou pontuação. Isso seria menos grave se não falasse e fizesse besteira uma atrás da outra. Adora picuinhas e, ao invés de governar, prefere se meter em confusão, arrumar inimigos e proteger uma família pra lá de complicada. Devíamos ter prestado mais atenção no folclórico deputado que ele foi por tantos mandatos. Mas era um entre 513 e seus arroubos passaram despercebidos pela maioria.

Não tivesse entrado em cena a "turma do deixa disso", liderada pelo Centrão na figura do então corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPE-PE), o deputado Bolsonaro teria enfrentado um processo por falta de decoro em 1999 por ter defendido, em um programa de TV, o fechamento do Congresso e afirmado que, no período da ditadura, deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos.

Houve forte reação às suas declarações, com sugestão até de cassação de mandato parlamentar. Tivessem ao menos deixado abrir um processo, quem sabe durante sua campanha presidencial muito mais eleitores no País o conheceriam e não achassem que era possível fazer "uma tentativa dele como presidente para ver no que iria dar".

Deu nessa tragédia e, para ela, muito contribuiu a polarização do nós contra eles, exacerbada pelo ex-presidente Lula e seu partido. Não, não foi Lula que criou o sectarismo, embora o ex-presidente usasse e abusasse do bordão "nunca antes nesse país" para todos os seus feitos, inclusive os sociais. Mas ele fez recrudescer essa divisão que sempre esteve latente na sociedade brasileira e, junto com a ojeriza que uma parcela significativa da sociedade tem do PT e da corrupção que o partido passou a simbolizar, facilitou a eleição do Bolsonaro.

Agora que o folclórico deputado virou o PRESIDENTE a história é outra. Espero que sobrevivamos ao vírus e a ele.
Herculano
23/07/2020 19:35
AFUNDANDO NA ARMADILHA DA RENDA MÉDIA, por Zeina Latif, economista e consultora financeira, no jornal O Estado de S. Paulo

A educação de qualidade é variável-chave para um país sair da armadilha da renda média.

É mais fácil um país pobre tornar-se um país de renda média do que este se tornar rico. Os economistas Homi Kharas e Indermit Gill, do Banco Mundial, identificaram essa dificuldade e a denominaram como "armadilha da renda média" em 2007.

Muitos países conseguiram sair da pobreza por meio de políticas governamentais para elevar o estoque de capital da economia. Foi o caso do Brasil. No entanto, o mesmo receituário não seria suficiente para tornar o país rico, independentemente das restrições fiscais. No século 21 ainda menos, por conta do avanço tecnológico.

As dificuldades são de duas naturezas. A primeira é mais técnica: o investimento em infraestrutura e capital instalado gera crescimento do PIB, mas em intensidade decrescente ao longo do tempo. Ficar rico exige passos além: ganhos de produtividade, o que depende de muitas variáveis.

A segunda dificuldade é política. É necessário um arranjo institucional mais sofisticado - envolvendo a academia, imprensa, órgãos públicos e privados - para se construir consensos sobre políticas pró-crescimento. Boa vontade dos governantes é essencial, mas não basta.

Há um grande consenso entre economistas mundo afora de que a educação de qualidade é variável-chave para um país sair da armadilha da renda média. No entanto, em países de renda média não se nota mobilização de atores políticos nessa direção e tampouco envolvimento da sociedade. No Brasil não é diferente e, para piorar, o debate técnico ainda não está suficientemente maduro.

Nesses países, o setor produtivo é, grosso modo, pouco sofisticado, sendo menos penalizado com a falta de mão de obra qualificada em comparação ao que ocorre em países ricos, que produzem tecnologia e buscam inovação. O que o mobiliza não é a cobrança por educação de qualidade, mas sim benefícios diretos. É o que se vê agora no Brasil com a reação contrária de muitos ao fim da desoneração da folha e à reforma tributária. A elite, que não depende da escola pública, também pouco exerce pressão política.

Como resultado, o desenho de políticas públicas de educação acaba sendo mais influenciado por sindicatos e políticos de viés populista.

É nesse contexto, agravado pela omissão do governo, que foi a aprovado o novo Fundeb. O foco principal do expressivo aumento de recursos foram os gastos com a folha, deixando pouca flexibilidade para gestores escolherem a melhor forma para elevar a qualidade do ensino. Esse tema, por sua vez, ficou praticamente de fora.

Em países pobres, com baixo acesso à escola, é crucial elevar os gastos com educação. O Brasil percorreu esse primeiro percurso, mas não de forma eficaz. Há maior inclusão, mas temos o dobro de taxa de evasão escolar em relação a países parecidos. E não seria correto apontar os salários dos professores como explicação para esse resultado. Segundo o Banco Mundial, o piso salarial dos professores está em linha ao de países com renda per capita similar, havendo evolução bem mais rápida na carreira devido a promoções automáticas, além de a previdência ser mais generosa.

Direcionar mais recursos para abrir vagas e aumentar salários é tarefa fácil e traz resultados e dividendos políticos rapidamente. Difícil mesmo é pular para um segundo estágio de elevar a qualidade do ensino, como fizeram os países ricos, para manter os jovens motivados na escola e prepará-los para a vida. Especialistas apontam a necessidade de afastar professores pouco eficientes, enfrentar sindicatos, treinar professores, revisar currículos e adequar as escolas para a nova realidade tecnológica.

Perdemos a chance de um debate político amparado tecnicamente sobre como melhorar a educação, aprendendo com os casos de sucesso. Nos agarramos a fórmulas fáceis e que deveriam estar superadas.

Será que teremos de esperar o problema educacional começar a prejudicar investimentos de forma visível, como ocorre na questão ambiental, para o debate ficar mais maduro? Por ora, o que estamos fazendo é nos afundar na armadilha.
Herculano
23/07/2020 19:32
A GRIPIZINHA VAI PARA O RECORDE DE 90 MIL ALMAS E OS VALENTES SEM MÁSCARAS, SEM DISTANCIAMENTO SOCIAL E SENDO VETORES DE TRANSMISSÃO, PÂNICO SOCIAL E DESEMPREGO. MEU DEUS!
Herculano
23/07/2020 19:29
A VIDA COMO ELA É

Presidente de partido, sumido, que vive desqualificando pelas redes sociais que domina - e investe para bombar - a imprensa formal em qualquer canto do país, quando lançou por aqui o seu candidato, veio bater na porta da imprensa tradicional para promover a sua cria particular. E acha que é dever dela estar a seu serviço. Cada coisa! Acorda, Gaspar!
Herculano
23/07/2020 19:25
da série: os velhos partidos e políticos colocaram o governador e a vice, que posava de santa, para dançarem. Enquanto isso, os conservadores e a direita, fazem o papel da oposição que assiste a tudo rindo como poucos, colocando o preço da como se estivessem na velha normalidade. Incrível!

LÍDER DO GOVERNO, PAULINHA DIZ QUE "SE O GOVERNO TIVER VONTADE, RECONSTRóI A RELAÇÃO COM A ALESC", por Upiara Boschi, no NSC Total

Líder do governo, Paulinha acredita que equiparação salarial de procuradores não é motivo para impeachment de Moisés

Líder do governo Carlos Moisés (PSL) na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Paulinha (PDT) afirmou no Estúdio CBN Diário desta quinta-feira não acreditar que a equiparação salarial de procuradores seja motivo para impeachment do governador, mas deu um recado contundente sobre as dificuldades de relacionamento político entre Executivo e Legislativo, ponto central do processo de afastamento deflagrado na quarta-feira pelo presidente Júlio Garcia (PSD).

- A possibilidade de Moisés não ser afastado está muito mais na mão dele próprio do que do parlamento. Ele tem que fazer essa conquista. Não depende do líder, de um secretário. O governador é ele. Se alguém for afastado, será ele. Vejo de forma simples porque é uma questão simples.

Participei da entrevista conduzida pelos colegas Leandro Lessa e Mateus Boaventura, da CBN Diário. Paulinha falou abertamente sobre as dificuldades de relacionamento dos deputados com Moisés e afirmou que o governo não deve ter uma estratégia apenas para enfrentar o processo de impeachment, mas também para ter uma base de apoio consistente.

- Ele precisa construir o relacionamento com a Alesc para este e para todos os outros fatos. Ele não vai resolver essa questão resolvendo pontualmente a questão do impeachment. Nesse sentido, digo que o governo já vem fazendo alguns esforços para edificar essa relação. Um gesto é a liquidação das emendas. Estamos falando de R$ 500 milhões que vão ser pagos até o final de dezembro.

Sobre os rumores de que poderia deixar a liderança, ela admite que pensa no assunto, mas que não conversou ainda sobre isso com Moisés - ambos têm encontro marcado para esta sexta-feira.

Leia o que disse a líder do governo na Alesc:
Equiparação salarial dos procuradores do governo com os da Alesc é motivo para cassar o governador?

Eu não acho que é caso para cassação. É uma questão administrativa bastante controversa, provocada ainda no governo anterior, por uma categoria que briga por seus direitos, com decisões judiciais para lá e para cá. É importante que se diga que o MP-SC não acolheu a denúncia de fato do mesmo teor. É precipitado aos deputados exaurir juízos de valor, mas, em princípio, não vejo nesse aspecto um motivo para o afastamento do governo.

O governo Moisés tem capacidade política para evitar o impeachment?

Eu entendo que sim. Se o governo tiver vontade. Essa pergunta a gente tem que fazer para o governo. A fragilidade e o distanciamento entre poderes também se agravou em função da pandemia, a gente vive em um estado atípico. Muita gente critica Moisés pela sua forma de ser, muito recolhido. Às vezes falando no rádio a gente não acha a palavra ideal. Tem gente que acha Moisés arrogante, é uma palavra que falam muito dele, e que por causa disso não empreende o diálogo. Mas isso não é motivo para cassar um governador. Tem outras questões que a gente precisa avaliar, SC perde muito com isso. É minha visão de cidadã. Para esse fato, não vejo acolhida para cassação. E acho que se o governo tiver vontade, ele recupera, reconstrói essa condição com a Alesc. Mas, como eu disse, depende de o governo querer.

O governo está atuando de forma a reconstruir uma base de apoio na Alesc?

Acho que não com suficiência. Na vida tudo é assim, não adianta fazer 90% e não fazer os 10% que faltam. Fazer um bolo maravilhoso e esquecer de ligar o forno. É preciso completar os ciclos. As relações não são feitas na base do negócio. Parlamentar não espera que o governador pague as emendas ou que consiga um recurso para resolver a vida dele, ele espera respeito. Moisés fez 71% dos votos para governador em Santa Catarina, mas a Alesc fez 100%, junto com os não eleitos que compuseram as chapas. Esse diálogo exige dedicação de tempo. O Moisés é uma pessoa muito agradável, não tenho do que me queixar. Pensamos diferente em muitas coisas, mas não vou fazer um juízo de valor sobre seu governo por uma virtudes ou defeitos pessoal do governador. Francamente, acho que a gente vive um momento de exceção, em momento de pandemia não é hora de afastar ninguém. A menos que tenha um apto grave, um ato corruptório consagrado, um crime de responsabilidade pessoal. Tirando isso, temos que ter muita serenidade, porque é o Estado que sangra.

Qual a estratégia para evitar o impeachment?

Não é uma estratégia política para esse fato. Ele precisa construir o relacionamento com a Alesc para este e para todos os outros fatos. Ele não vai resolver essa questão resolvendo pontualmente a questão do impeachment. Nesse sentido, digo que o governo já vem fazendo alguns esforços para edificar essa relação. Um gesto é a liquidação das emendas. Estamos falando de R$ 500 milhões que vão ser pagos até o final de dezembro. Essa foi uma pauta que eu cuidei muito para que avançasse de forma republicana e não foi nem um pouco difícil convencer o Moisés. Ninguém deve nada para ninguém, a relação entre poderes tem que ser respeitosa, mas é importante também que se reconheça o ato de compromisso do governo para com o parlamento.

Continua na liderança do governo?

Passei 30 dias convalescendo e fiquei com sequelas no pulmão. Peguei mais uma pneumonia com a covid, a 12a, não sei se vou ter condições físicas de seguir com uma tarefa que vai exigir tanto a partir de agora. Não conversei ainda com o Moisés, não tenho nada decidido na cabeça, mas confesso que estou um pouco aterrorizada com o que recentemente vivi. Em um momento como este que vai exigir muito diálogo, muita conversa, não sei se vou ter disponibilidade física. Mas é possível que eu fique, não tem nada decidido.

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